Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16561.000049/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 22/01/2002
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando a fiscalização concede acesso a todos os documentos necessários e existentes na autuação para que a contribuinte apresente sua defesa.
PROVA PRESTADA PELA ADUANA AMERICADA. PRESTABILIDADE
Informações prestadas pela aduana Norte-Americana, devidamente firmada e pelo Adido Civil goza de presunção de veracidade absoluta.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 22/01/2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando a fiscalização concede acesso a todos os documentos necessários e existentes na autuação para que a contribuinte apresente sua defesa. PROVA PRESTADA PELA ADUANA AMERICADA. PRESTABILIDADE Informações prestadas pela aduana Norte-Americana, devidamente firmada e pelo Adido Civil goza de presunção de veracidade absoluta. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16561.000049/2007-21
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5329714
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.404
nome_arquivo_s : Decisao_16561000049200721.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
nome_arquivo_pdf_s : 16561000049200721_5329714.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5334192
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594452979712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 414 1 413 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000049/200721 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.404 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria Imposto sobre Produtos Importados IPI Recorrente UNITED ASSESSORIA ADUANEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 22/01/2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando a fiscalização concede acesso a todos os documentos necessários e existentes na autuação para que a contribuinte apresente sua defesa. PROVA PRESTADA PELA ADUANA AMERICADA. PRESTABILIDADE Informações prestadas pela aduana NorteAmericana, devidamente firmada e pelo Adido Civil goza de presunção de veracidade absoluta. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 49 /2 00 7- 21 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa UNITED CONSULTORIA ADUANEIRA contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento realizado e manteve débito tributário referente ao período de 2002 a 2004, relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em mercadorias importadas de forma irregular, conforme auto de infração (fls. 91/97) e relatório fiscal (fls. 147/152). A lavratura ocorreu com base na requisição da Receita Federal do Brasil de informações à Aduana dos Estados Unidos da América (fls. 37/39), sobre a legalidade das exportações da contribuinte, com a indicação dos procedimentos aduaneiros a que as mercadorias teriam sido submetidas, em particular, os procedimentos utilizados para seu desembaraço; sobre o transporte e embarque das mercadorias, com indicação de seu respectivo valor, destinação e utilização; cópia das faturas internacionais que instruíram os despachos aduaneiros dessas exportações ou documento equivalente; cópia dos documentos de aquisição, ou equivalente, no mercado interno do país requerido das mercadorias exportadas para o Brasil. Em resposta a tais indagações, o governo norteamericano (fls. 42/45) relatou a investigação realizada, indicando que as pessoas jurídicas sediadas naquele país estavam inativas, sem, contudo, asseverar de forma precisa esta informação tampouco de responder aos demais quesitos formulados pela fiscalização brasileira. A empresa impugnou o lançamento tempestivamente (fls. 100/ 143). Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, às fls. 157/167 , a primeira instância administrativa julgou improcedente a impugnação manteve o lançamento, nos seguintes dizeres: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 22/01/2002 Informações prestadas pela aduana NorteAmericana apontam que os fornecedores constantes nas Declarações de Importação relacionadas não realizaram nenhuma exportação nos anos de 2002, 2003 e 2004. A figura do Mandado de Procedimento Fiscal, conforme o § 3º do art. 2º do Decreto nº6.104, de 30 de abril de 2007 é dispensada para a revisão aduaneira. A ação fiscal é clara e límpida em apontar os motivos e fundamentos de sua gÊnese. O relatório do Departamento de Segurança interna norte americano é categórico: Das quatro empresas usadas como fornecedoras pelo importador, três são inativas e uma nunca exportou para o Brasil. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16561.000049/200721 Acórdão n.º 3401002.404 S3C4T1 Fl. 415 3 A fatura comercial é documento inidôneo. Logo as informações lá contidas, inclusive o valor da mercadoria, não são passíveis de fé pela fiscalização. Aplicação do artigo 148 do Código Tributário Nacional combinado com os artigos 76 a 86 do Decreto 4543/02. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Tempestivamente, a empresa interpôs o recurso voluntário às fls. 53/75 cuja síntese eu descrevo a seguir: Em preliminar: a) alega a nulidade por ausência de mandado de procedimento fiscal complementar, prorrogando o prazo para fiscalização, exigível no período de apuração iniciado em 2003, até 2007, pois vigorava a Portaria SRF 1.265/99, afastandose, obviamente, a sua dispensa prevista apenas pelo Dec. 6.104/07; b) aduz o cerceamento ao direito de defesa ante a recusa do fisco de entregar lhe documentos julgados necessários pela recorrente à sua defesa (“Dossier do Contribuinte”); c) afirma a impossibilidade de se utilizar como fundamento a prova colhida por meio da resposta ofertada pela aduana norteamericana, por não conter assinatura e por não haver, verdadeiramente, respostas às questões formuladas pelo agente fazendário brasileiro; d) no mérito, requer que seja declarada a inexistência de débito fiscal, por ausência de fundamentação fática e jurídica da suposta fraude apontada em relatório fiscal. O fisco não apresentou contrarrazões, sendo, em seguida, remetidos para apreciação dos recursos por esta Turma. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Voto Conselheiro Relator Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é voluntário e presentes se encontram os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Como é cediço, o contraditório e a ampla defesa em nosso ordenamento jurídico tratamse de uma cláusula pétrea, disposta no art. 5º, inc. LV, da Constituição Federal. Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 20a. edição, Atlas, p. 367) esclarece em breves linhas sobre tais princípios, mostrando que: "O princípio do contraditório, que é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há de ser ouvida também a outra, dandoselhe oportunidade de resposta. Ele supõe o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação. Exige: 1 notificação dos atos processuais à parte interessada; 2 possibilidade de exame das provas constantes do processo; 3 direito de assistir à inquirição de testemunhas; 4 direito de apresentar defesa escrita" Ora, o contraditório e a ampla defesa não se constituem em meras manifestações das partes em processos judiciais e administrativos, mas, e principalmente, uma pretensão à tutela jurídica. Como encontrado na doutrina alemã, inseremse na pretensão à tutela jurídica, os direitos de informação, de manifestação, de ver seus argumentos devidamente apreciados e de produzir provas. O Ministro Gilmar Ferreira Mendes, em sua renomada obra de Direito Constitucional, explica que “sob a Constituição de 1988, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que os princípios do contraditório e da ampla defesa são assegurados nos processos administrativos, tanto em tema de punições disciplinares como de restrição de direitos em geral.” O contraditório é um dos princípios mais antigos e está intrínseco na própria concepção de direito. As pretensões às tutelas jurídicas inerentes à defesa em esfera administrativa mostram seu caráter ainda mais essencial quando vislumbrados os processos administrativos fiscais. Apesar dos princípios do contraditório e da ampla defesa terem um maior fomento na esfera judicial, processos penais e até mesmo no que tangem os inquéritos policiais (ainda que este último seja cercado de intermináveis discussões doutrinárias e jurisprudenciais não pertinentes à nossa pesquisa), é certo que em se tratando de dívidas tributárias os efeitos causados pela não observância dos citados princípios são extremamente danosos ao devedor. Com efeito, a garantia da ampla defesa é intimamente ligada ao contraditório, sendo quase simbiótica tal relação. Tal garantia, tratase da oportunidade de contestar as acusações imputadas, tendo como origem o direito angloamericano com o due processe of Fl. 417DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16561.000049/200721 Acórdão n.º 3401002.404 S3C4T1 Fl. 416 5 Law e incorporado em nossa Carta Magna pelo já citado artigo 5º., inc. LV, onde expressamente se incluem os processos administrativos. Destarte, não paira dúvida de que cabe a este Conselho zelar pelo respeito aos basilares princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Dito isso, analiso a questão dos autos. Todavia, no caso ora em apreço, não se observa qualquer desrespeito aos basilares princípios mencionados, mormente porque, como bem ressaltado na decisão da DRJ a ação fiscal é clara e límpida em apontar os motivos e fundamentos de sua gênese: a) segundo informações prestadas pela aduana NorteAmericana, os fornecedores constantes nas Declarações de Importação relacionadas no corpo do auto de infração, não realizaram nenhuma exportação nos anos de 2002,2003 e 2004; b) as faturas comerciais que instruem as Declarações de Importação são, portanto, documentos fraudados; c) assim, as mercadorias foram exportadas por fornecedor estrangeiro diferente do informado à fiscalização aduaneira; Assim, não há como dar guarida às alegações da contribuinte neste tópico, ficando rejeitada a alegação de cerceamento de defesa da recorrente. DA LEGALIDADE DA PROVA Melhor sorte não assiste á recorrente no tocante à alegação de a prova colhida pela resposta da aduana Norte Americana não serve para embasar o lançamento fiscal. Ora, a decisão a quo deixou patente que a resposta da aduana norte americana, constante nos autos (fls. 35 a 39), fica evidente que não se trata de uma mera resposta, mas de um relatório das atividades exercidas pela fiscalização correspondente daquele País, reportando inclusive a visita aos respectivos estabelecimentos, dando categórica ciência sobre a ausência de atividades. Logo é uma resposta fundamentada, precisa, trazendo elementos factuais com repercussão nas operações de importação da recorrente. A informação datada de 22/02/2006, contém a chancela do Departamento de Segurança interna U.S, Immigration and Costums Enforcement e é assinada pelo Adido Civil Júlio M. Velez, gozando de presunção de veracidade absoluta. Assim, não prosperam as alegações da recorrente, sendo que a prova colhida é válida não persistindo qualquer nulidade no procedimento adotado pela fiscalização. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO As alegações de mérito trazidas pela recorrente são, por si só pueril. Com o escopo de demonstrar sua frivolidade, transcrevo abaixo a íntegra das razões recursais referente ao mérito da autuação: “Vejam os Eméritos Conselheiros que não há no Relatório da Ia. Turma da DRJ/SP2, nenhuma alusão ao mérito do lançamento, ou qualquer crítica aos termos da impugnação. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 A razão disso é bastante simples e ilustrativa: Nem mesmo o Relator entendeu os termos do lançamento! Preferiu mantelo, endossando posição fiscalista dos Tribunais de primeira instância a investir em seu discurso constitucionalista. Todavia, numa análise fria, mesmo que superficial, não se pode deixar de perceber que o auto de infração "não tem nem pé nem cabeça", carecendo de fundamentação de toda ordem. As provas que pretensamente alicerçam a ação fiscal, contrariamente do que diz a autoridade julgadora, não existem. A fraude não foi provada. Nem pela autoridade norte americana que, repitase, nada trouxe aos autos (nem mesmo a sua assinatura), nem pela autoridade lançadora que com auto confuso, sem fundamento e amparo pretende a manutenção do lançamento.” Observase que não há qualquer argumento plausível trazido pela recorrente que possa afastar a decisão proferida pela DRJ que reconheceu a existência de importação fraudulenta, razão pela qual nego provimento ao recurso. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Fernando Marques Cleto Duarte Relator r Fl. 419DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904478/2011-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat Jan 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que dava provimento. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB-PE nº 25.620. Antecipado o julgamento para o dia 25 de fevereiro no período matutino a pedido da recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 10/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10850.904478/2011-14
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330493
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.930
nome_arquivo_s : Decisao_10850904478201114.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10850904478201114_5330493.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que dava provimento. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB-PE nº 25.620. Antecipado o julgamento para o dia 25 de fevereiro no período matutino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 10/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Sat Jan 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5334344
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594479194112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 80 1 79 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.904478/201114 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.930 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de janeiro de 2014 Matéria Regime Monofásico Recorrente AUTO POSTO DO IPE RIO PRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que dava provimento. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Fez sustentação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 44 78 /2 01 1- 14 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 oral pela recorrente a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OABPE nº 25.620. Antecipado o julgamento para o dia 25 de fevereiro no período matutino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 10/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904478/201114 Acórdão n.º 3801002.930 S3TE01 Fl. 81 3 Relatório A Recorrente apresentou Pedido de Restituição de contribuições que por meio de despacho decisório de fls.e com fundamento na informação fiscal, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do PIS/PASEP, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade insurgindose contra o teor do despacho decisório na qual alegou, em síntese, que por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; que não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; que as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à nãocumulatividade; Assim, considerando que a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei n.º 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e que a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade, entende, desse modo ter direito ao crédito. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da não cumulatividade. É incontroverso que a Lei n.º 9.990/2000 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a Recorrente o presente recurso com base nos mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904478/201114 Acórdão n.º 3801002.930 S3TE01 Fl. 82 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/Pasep supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Inicialmente, é oportuno esclarecer que as operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, incluindo o óleo diesel e gasolina, desde a fonte até o consumidor final, normalmente se desenvolvem em três etapas bem definidas e distintas, a saber: a uma nas refinarias, na qualidade de produtoras, vendem o combustível para as distribuidoras; a duas, nas distribuidoras, por sua vez, revendemno aos varejistas; e a três nos varejistas, que, por último, revendem o produto aos consumidores finais. Em face das peculiaridades do setor de combustíveis derivados de petróleo e tendo conta a magnitude do volume de operações e valores envolvidos em toda a cadeia de comercialização, com o objetivo de tornar mais simples e eficaz o controle da arrecadação, ao longo do tempo, o regime de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes da venda de tais produtos ocorreram de forma concentrada, seja sob a modalidade de substituição tributária para frente, seja sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência das referidas Contribuições deuse da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à Cofins, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/Pasep, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º1), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º2), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições 1 Art. 6º A contribuição mensal devida pelos distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o menor valor, no País, constante da tabela de preços máximos fixados para venda a varejo, sem prejuízo da contribuição incidente sobre suas próprias vendas. 2 Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. A indicação das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras (2ª etapa) e varejistas (3ª etapa) resultou na concentração dos recolhimentos das ditas Contribuições na origem da cadeia comercial, englobando as duas etapas seguintes (distribuição e varejo), caracterizando um típico regime de substituição tributária “para frente”, no qual as refinarias recolhiam de forma antecipada e direta, com base em fato gerador futuro e presumido, as contribuições que seriam devidas nas operações subseqüentes, efetuadas pelas distribuidoras e pelos varejistas (contribuintes substituídos), que sofriam a incidência de forma indireta. Dessa forma, antevendo a possibilidade da não ocorrência da última fase da cadeia de comercialização, em conformidade com o disposto no art. 150, § 7º, da CF/1988, foi assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica (contribuinte substituído), o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins (recolhidos na origem pela refinaria) relativos à última operação não realizada de aquisição de gasolina ou óleo diesel, isto é, possivelmente, a operação final entre os varejistas e os consumidores finais (3ª etapa), mediante compensação ou restituição (na verdade ressarcimento), na forma e de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904478/201114 Acórdão n.º 3801002.930 S3TE01 Fl. 83 7 Essa sistemática, foi extinta a partir de 01/07/2000 pelos artigos. 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000, que nesta específica edição, ao dar nova redação ao art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindo a pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na nova sistemática de tributação as refinarias passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme estabelecido no inciso I do art. 43 da mesma MP 1.99115, de 2000, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42.Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência monofásica, a tributação das refinarias e das distribuidoras e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pela refinaria não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre as refinarias, assim como os pagamentos por elas realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária em debate. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 2000 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de combustíveis, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904478/201114 Acórdão n.º 3801002.930 S3TE01 Fl. 84 9 Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das sistemáticas de apuração e cobrança das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de tributação, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida, não é possível estender a análise. Até tenho me posicionado que quando a empresa está sujeita aos dois regimes de tributação, poderá descontar créditos quanto aos combustíveis utilizados como insumo na prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso. Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos ao regime monofásico adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos ao regime para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, com caráter interpretativo não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. O artigo 17 veio para suprir a dúvida que existia, por ex., para as empresas de embalagens que adquiriam insumos com tributação e para as quais se negava indevidamente o direito de crédito. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pela prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de combustíveis estão sujeitas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Em conseqüência, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero, quando auferida pelos comerciantes atacadistas e varejistas (caso em apreço), nessas etapas, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Assim sendo voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904478/201114 Acórdão n.º 3801002.930 S3TE01 Fl. 85 11 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10725.003162/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
Para que as despesas relativas a pagamentos efetuados a terapeutas sejam dedutíveis, obrigatoriamente este deverá ser terapeuta ocupacional, devidamente registrado no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Para que as despesas relativas a pagamentos efetuados a terapeutas sejam dedutíveis, obrigatoriamente este deverá ser terapeuta ocupacional, devidamente registrado no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Recurso Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10725.003162/2008-43
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5344485
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-002.934
nome_arquivo_s : Decisao_10725003162200843.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 10725003162200843_5344485.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5426580
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594502262784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 48 1 47 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.003162/200843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.934 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente VERA LUCIA VASCONCELOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Para que as despesas relativas a pagamentos efetuados a terapeutas sejam dedutíveis, obrigatoriamente este deverá ser terapeuta ocupacional, devidamente registrado no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 31 62 /2 00 8- 43 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2006/607450208504029, lavrada em 09/06/2008 (fls. 03/06), contra a contribuinte acima qualificada, resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2006, anocalendário de 2005, que implicou o lançamento de imposto suplementar de R$ 6.050,00, a ser acrescido da multa de oficio e dos juros legais, em face da constatação da infração de dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 22.000,00, relativa ao prestador Francislei Pessanha da Silva, por falta de identificação do beneficiário dos serviços prestados. Cientificada da exigência tributária em 18/12/2008, através de Edital (fls. 18/28), e irresignada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a Contribuinte apresentou impugnação (fl. 02), recepcionada na unidade local da SRFB em 12/12/2008, alegando o que segue: “Eu, Vera Lúcia Vasconcelos, CPF: 00196224730, venho por meio desta, apresentar a documentação (despesas médicas), solicitada pela Notificação de Lançamento, n° 2006/607450208504029 com a complementação que se faz necessária, "identificação do paciente beneficiário dos serviços prestados". Esclareço ainda, que em 28 de março de 2008, me apresentei a esta Secretaria para apresentar documentação do mesmo período, ou seja, exercício 2006, anocalendário 2005, conforme Termo de Intimação no 2006/607129313051014 (anexo). Nesses termos, pede deferimento.” A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Pagamentos efetuados a terapeutas, que não sejam qualificados como terapeuta ocupacional, devidamente registrado no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, não são passíveis de dedução da base de cálculo do imposto na Declaração Anual de Ajuste. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1336.742 da 3ª Turma da DRJ/RJ2 em 29/09/2011 (fl. 39). Sobreveio Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fl. 41), acompanhado dos documentos de fls. 42/45. Em síntese, a contribuinte alegou que: “O crédito tributário exigido, objeto dos presentes autos, se refere à suposta infração: “Ocorre que a referida prestadora, conforme consta desse documento, está qualificada como ‘terapeuta’, inscrita no CRT37727. Com efeito, a dedução de Fl. 49DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.003162/200843 Acórdão n.º 2102002.934 S2C1T2 Fl. 49 3 despesas médicas está limitada aos pagamentos efetuados aos profissionais elencados no caput do art. 80 do Decreto 3.000, de 1999, a saber: “médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais...”. Por oportuno, observese que não ficou caracterizado nos autos que o pagamento em questão referese a terapia ocupacional...” Através das declarações, em anexo, fornecidas pelo profissional Francislei Pessanha da Silva, confirmase que a requerente foi submetida ao tratamento terapêutico, estando o mesmo credenciado para tal. Portanto, a requerente solicita que seja avaliada e julgada a essência da questão, e não apenas a forma, ou seja, que o fato de não constar a modalidade “ocupacional”, não seja o tratamento desconsiderado, no sentido de não poder ser deduzido. Pelo exposto, requer a Vossa Senhoria que seja reconsiderada a decisão proferida no Acórdão e seja desconstituído o crédito tributário ora atacado.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente Recurso se cinge à controvérsia acerca da dedução de despesas médicas em relação a profissionais terapeutas. Dá análise dos autos, ratifico a decisão de primeira instância, tendo em vista que a Recorrente não acostou documentos que fundamentem suas razões junto ao Recurso, como será demonstrado a seguir. Como se depreende da Notificação de Lançamento constante em fls. 03/06, a autoridade fiscal glosou o valor de R$ 22.000,00 à título de despesas médicas, relativa à prestadora Francislei Pessanha da Silva, por falta de identificação do beneficiário dos serviços prestados. Compulsando os autos, verificase que na impugnação a contribuinte apresentou o recibo da despesa médica glosada (fl. 08), bem como acostou declaração da profissional prestadora dos serviços (fl. 11), a qual informa que a própria contribuinte foi a beneficiária do tratamento realizado, no entanto, vislumbrase que no referido recibo a profissional está identificada como ‘terapeuta’, e não há provas de que ela está inscrita como terapeuta ocupacional, inclusive, não há prova que esteja inscrita como psiquiatra. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Portanto, estando o tratamento submetido à contribuinte identificado como terapia, conforme consta do recibo acostado (fl. 08), e não sendo a profissional prestadora dos serviços (Francislei Pessanha da Silva) inscrita no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, a despesa requerida pela contribuinte não é passível de dedução, tendo em vista que a dedução de despesas médicas está limitada a pagamentos efetuados aos profissionais elencados no caput do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), in verbis: “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , inciso II, alínea "a").” (grifei) Cabe consignar ainda que, como bem argumentou a decisão a quo, “o exercício dessa profissão requer a inscrição no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (ex vi do inciso II do art. 7º da Resolução n° 8, de 20/02/1978, do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, publicada no DOU de 13/11/1978), ao passo que a referida prestadora está registrada em outro instituto, qual seja, CRT (vide recibo de fls. 08).” Nesse sentido, cabe transcrever o artigo supramencionado: “Art. 7º. Constituem condições indispensáveis para o exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional: I formação profissional de nível superior em curso oficial ou reconhecido, de instituição de ensino autorizada nos termos da lei; e II vinculação, pela inscrição ou pela franquia profissional de que tratam os artigos 12 e 18, ao Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITO) com jurisdição na área do exercício da atividade profissional.” Assim, evidenciando tratarse de despesa não dedutível, é de se manter a glosa efetuada pelo Fisco. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 51DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.003162/200843 Acórdão n.º 2102002.934 S2C1T2 Fl. 50 5 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.034543/94-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999, 2003
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DCOMP.
Uma vez comprovada a improcedência parcial da glosa promovida pela autoridade local, deve-se proceder à homologação da declaração de compensação (DCOMP) até o limite do direito creditório aqui reconhecido.
Numero da decisão: 1201-000.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para que as DCOMPs relacionadas às fls. 359/360 sejam homologadas até o limite do direito creditório reconhecido, nos seguintes valores: a) saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1999, no valor original de R$ 421.760,86; b) saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003, no valor original de R$ 10.200.362,12. Os Conselheiros André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior acompanharam o Relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999, 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DCOMP. Uma vez comprovada a improcedência parcial da glosa promovida pela autoridade local, deve-se proceder à homologação da declaração de compensação (DCOMP) até o limite do direito creditório aqui reconhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.034543/94-51
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5329653
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1201-000.765
nome_arquivo_s : Decisao_108800345439451.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO CUBA NETTO
nome_arquivo_pdf_s : 108800345439451_5329653.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para que as DCOMPs relacionadas às fls. 359/360 sejam homologadas até o limite do direito creditório reconhecido, nos seguintes valores: a) saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1999, no valor original de R$ 421.760,86; b) saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003, no valor original de R$ 10.200.362,12. Os Conselheiros André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior acompanharam o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
id : 5334131
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594509602816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 0 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.034543/9451 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.765 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2012 Matéria SALDO NEGATIVO DE IRPJ DCOMP Recorrente GENERAL ELECTRIC DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999, 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DCOMP. Uma vez comprovada a improcedência parcial da glosa promovida pela autoridade local, devese proceder à homologação da declaração de compensação (DCOMP) até o limite do direito creditório aqui reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para que as DCOMP’s relacionadas às fls. 359/360 sejam homologadas até o limite do direito creditório reconhecido, nos seguintes valores: a) saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, no valor original de R$ 421.760,86; b) saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, no valor original de R$ 10.200.362,12. Os Conselheiros André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior acompanharam o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 45 43 /9 4- 51 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.034543/9451 Acórdão n.º 1201000.765 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1623 346 exarado pela 5ª Turma da DRJ1 em São Paulo SP. O presente processo foi formalizado, inicialmente, para apreciação da impugnação (fl. 80 e ss.) ao auto de infração da contribuição para o Finsocial relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 1992 (fl. 72 e ss.). A exigência foi integralmente mantida pela DRJ em Curitiba (fl. 123 e ss.), tendo o recurso voluntário então interposto (fl. 133 e ss.) sido desprovido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 165 e ss.). Em 11/08/2004 a contribuinte transmitiu duas declarações de compensação (fl. 216 e ss. e fl. 225 e ss.) com vistas a liquidar o crédito tributário constituído pelo auto de infração acima mencionado. A segunda DCOMP foi objeto de retificação em 02/10/2007 (fl. 265 e ss.). Ocorre que a autoridade local, ao invés de formalizar novo processo, procedeu ao exame daquelas, e de outras DCOMPs que utilizaram os mesmos direitos creditórios, nos autos do presente processo. Embora não tenha causado prejuízo à contribuinte ou ao Fisco, a meu juízo tal verificação deveria ser realizada nos autos de um novo processo, que trataria apenas da compensação pretendida. Feitas essas considerações preliminares, e tendo em vista que não mais há litígio sobre à legalidade da exigência da contribuição para o Finsocial lançada de ofício, passo a relatar a querela acerca da homologação parcial das DCOMPs apresentadas pela contribuinte, tomando de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 560 e ss.): GENERAL ELETRIC DO BRASIL S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo — DERAT (fls. 359 a 366) que reconheceu e homologou parcialmente as PER/DCOMP, listadas às fls. 359 e 360, relativas ao saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário 1999 e 2003. DIPJ 2000 — anocalendário 1999 2 Relativamente ao anocalendário de 1999, a empresa declarou em DIPJ/2000, saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 415.312,55, e não apurou IRPJ devido. 3 Informou também retenção de IRF no valor de R$ 415.312,55 e não houve dedução de IRF retidos por órgãos públicos. De acordo com o sistema SIEF/DIRF, o valor declarado de IRF é compatível com o valor retido pelas fontes pagadoras. 4 A receita financeira de R$ 640.858,56 e os rendimentos relativos a prestação de serviços, foram devidamente oferecidos a tributação as linhas 24 e 8 respectivamente da ficha 07 A (fls. 283) Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.034543/9451 Acórdão n.º 1201000.765 S1C2T1 Fl. 4 3 5 Entretanto, os rendimentos relativos a contratos de SWAP, no valor de R$ 1.299.203,54, não foram oferecidos à tributação à linha 21 da ficha 07A (fls. 283). Dessa forma, o valor a ser utilizado na apuração do IRPJ do exercício é de R$ 161.920,10, conforme tabela abaixo, valores em reais: (...) DIPJ 2004 anocalendário 2003 7 Relativamente ao anocalendário de 2003, a empresa declarou em DIPJ/2004, saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 10.344.954,85, e apurou IRPJ devido, no valor de 11.623.108,20. 8 Informou também retenção de IRF no valor de R$ 4.747.951,94 e houve dedução de IRF retidos por órgãos públicos, no valor de R$ 241.997,30. De acordo com o sistema SIEF/D1RF, o valor declarado de IRF não foi compatível com o valor retido pelas fontes pagadoras em DIRF e, desse modo, o valor utilizado na análise fiscal foi R$ 3.802.187,51 como retenção de IRF e R$ 25.723,23 de retenções de órgãos públicos, sendo que esse último foi apurado conforme determina o art. 64 da Lei n° 9.430/1996 respectiva instrução normativa. Conforme tabela abaixo: (...) 11 Desse modo, foi reconhecido o crédito de R$ 161.920,16 para o anocalendário de 1999 e R$ 9.182.913,35 para o ano calendário de 2003 e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido, corrigido pela taxa Selic. 12 Cientificada em 19/05/2009, conforme AR de fls. 308/verso, a contribuinte apresentou, em 18/06/2009, Manifestação de Inconformidade de fls. 398 a 404, expondo suas razões, em síntese a seguir: Ano calendário 1999, DIPJ/2000 12.1 Alega que ofereceu os rendimentos de SWAP (R$ 1.299.203,54) dentro do valor declarado à. linha 24 da ficha 07 A (R$ 6.336.087,21), argumentando que está apresentando planilha com apuração do resultado e respectivo IRRF, voucher de contabilização manual da requerente, informe de rendimentos Citibank e cópia do livro Diário. 12.2 Alega que mesmo que não houvesse oferecido à tributação o rendimento, no seu entender o auditor fiscal que proferiu o Despacho Decisório não teria competência para glosar os valores, decorridos mais de cinco anos da data dos fatos geradores, ou seja, a revisão do crédito da DIPJ somente poderia ser feita antes de decorrido o prazo decadencial previsto pelo art. 150 do Código Tributário Nacional. 12.3 Desse modo, entende ter direito ao saldo negativo integral declarado na DIPJ/2000, anobase 1999. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.034543/9451 Acórdão n.º 1201000.765 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário 2003, DIPJ/2004 12.4 Alega que tem direito ao valor de R$ 4.819.633,28 de IRRF para esse anocalendário e junta copia de todas as DIRF emitidas pelas fontes pagadoras e respectivas planilhas. 12.5 Nessas planilhas alega que R$ 3.137.545,14 correspondem a retenções de IRRF no código 3426, R$ 833.710,98 as retenções de IRRF no código 1708 e R$ 848.377,16 à retenções de , IRRF sob o cód. 5706. 12.6 Alega que as DIRF apresentadas é que são os documentos comprobatórios necessários à compensação do imposto de renda retido e pago pelas fontes pagadoras, não restando dúvida, em sua opinião, do seu direito ao crédito de R$ 4.819.633,28. 12.7 Alega que o valor declarado à linha 13 da ficha 12 A, R$ 4.747.951,94, é na realidade, R$ 4.819.633,28, conforme demonstrado pelas DIRF uma vez que parte do IRRF que deveria ter sido declarado nessa linha, acabou sendo declarado na linha 14 dentro do total de R$ 241.997,30 , relativa a retenção de IRF por órgãos públicos, ou seja, desse valor total, apenas R$ 25.723,23 corresponde de fato ao IRRF de órgãos públicos, o restante corresponde a retenção por outras fontes pagadoras que deve ser somado ao valor declarado à linha 13 e que entende que o simples erro de preenchimento não invalidaria seu direito ao crédito. 12.8 Assim entende ter comprovado seu direito ao valor total do saldo negativo de IRPJ declarado na DIPJ/2004, no valor de R$ 10.200.326,12. 12.9 Por fim requer a alteração do Despacho Decisório para seja reconhecido o direito creditório da requerente e homologado os pedidos de compensação a ele vinculados. Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob as seguintes alegações, em síntese: a) em relação ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, afirmou que o auditor detém competência para analisar o direito creditório declarado há mais de cinco anos, e glosar aproveitamentos de IRRF cujos respectivos rendimentos não tenham sido oferecidos à tributação; b) quanto ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003, afirmou que, da documentação apresentada pela contribuinte, parte não era hábil a comprovar o IRRF informado na DIPJ, e parte referiase a IRRF já reconhecido pela fiscalização. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões já expostas na manifestação de inconformidade (fl. 572 e ss.). Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.034543/9451 Acórdão n.º 1201000.765 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Saldo Credor de IRPJ do Anocalendário de 1999 Não assiste razão à defesa quanto ao argumento segundo o qual encontrava se decaído o direito de a autoridade fiscal promover alterações no saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 apurado pela contribuinte em sua DIPJ/2000. Como já decidido por esta Turma em outras ocasiões, o que decai é o direito de o fisco constituir crédito tributário pelo lançamento, conforme expressamente estabelecido no Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Isso posto, como no caso dos autos não houve lançamento de crédito tributário relativo a IRPJ do anocalendário de 1999, não há que se falar em sua decadência. Em verdade, tratase aqui de procedimento de homologação das DCOMPs apresentadas pela interessada. No âmbito desse procedimento incumbe à autoridade fiscal verificar se o direito creditório afirmado naquelas DCOMPs realmente existia. E o prazo de que dispunha a autoridade para fazêlo é o previsto no abaixo transcrito art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.034543/9451 Acórdão n.º 1201000.765 S1C2T1 Fl. 7 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) Aliás, dar razão à argumentação da recorrente seria fazer letra morta a norma acima referida. No que toca ao montante do direito creditório, entendeu a autoridade que a contribuinte não comprovou haver oferecido à tributação na DIPJ/2000 os rendimentos auferidos nas operações de swap, no valor de R$ 1.299.203,54, razão pela qual glosou o respectivo IRRF no total de R$ 259.840,70, reduzindo assim o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 de R$ 415.312,55 para R$ 161.920,16. Revelase equivocado o procedimento adotado pelo auditor. De fato, se entendeu que os rendimentos auferidos nas operações de swap não haviam sido oferecidos à tributação, e não havendo dúvida acerca da incidência do IRRF sobre esses rendimentos, não deveria ter glosado esse IRRF, e sim acrescer aqueles rendimentos à apuração do lucro real. Feito isso, bastaria verificar se ainda haveria saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1999 e, caso positivo, qual o seu montante. Pelo exame da DIPJ/2000 é possível constatar que a contribuinte apurou prejuízo fiscal no montante de R$ 96.440.210,42 (fl. 285). Em assim sendo, ainda que considerado realmente incomprovado o oferecimento à tributação dos R$ 1.299.203,54 a título de rendimentos oriundos de operações de swap, o saldo negativo apurado pela contribuinte seria o mesmo. Incorreta, portanto, a glosa realizada pela fiscalização. 3) Saldo Credor de IRPJ do Anocalendário de 2003 Em relação ao saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2003 entendeu a autoridade fiscal o seguinte: a) do IR retido na fonte informado pela contribuinte na linha 13 da ficha 12A da DIPJ/2004 (fl. 318), no valor de R$ 4.747.951,94, apenas R$ 3.802.187,51 haviam sido comprovados; b) do IR retido na fonte por órgãos públicos federais informado pela contribuinte na linha 14 da ficha 12A da DIPJ/2004, no valor de R$ 241.997,30, apenas R$ 25.723,23 haviam sido comprovados. Em razão do exposto, reduziu o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 de R$ 10.344.954,85 para R$ 9.182.916,35. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.034543/9451 Acórdão n.º 1201000.765 S1C2T1 Fl. 8 7 Em anexo à sua peça recursal a interessada apresenta documentos com vistas a comprovar IR retido na fonte no montante de R$ 4.819.633,28 e IR retido na fonte por órgãos públicos federais no valor de R$ 25.723,23 (fl. 591 e ss.). Afirma que parte do valor declarado na DIPJ/2004 a título de IR retido na fonte por órgãos públicos federais deveria ter sido informado na linha correspondente a IR retido na fonte, mas alega que o erro não enseja a glosa desses valores. Pois bem, pelo exame dos documentos anexados ao voluntário é possível concluir que, de fato, os valores de IR retido na fonte e de IR retido na fonte por órgãos públicos federais são aqueles informados na peça recursal. No entanto, mesmo reconhecendo esses valores, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 totaliza apenas R$ 10.200.362,12, valor esse ainda inferior ao informado na DIPJ/2004, que é de R$ 10.344.954,85. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de decadência e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, devendo as DCOMPs relacionadas às fls. 359/360 serem homologadas até o limite do direito creditório ora reconhecido, conforme abaixo: a) saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, no valor original de R$ 415.312,55; b) saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, no valor original de R$ 10.200.362,12. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 643DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13910.000003/99-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/06/1984 a 30/10/1992
IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL REVOGADO. PRECEDENTE DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial, conforme decisão do STF. Aplicação do art. 62-A do RICARF.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 15/06/1984 a 30/10/1992 IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL REVOGADO. PRECEDENTE DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial, conforme decisão do STF. Aplicação do art. 62-A do RICARF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13910.000003/99-27
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5336462
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.499
nome_arquivo_s : Decisao_139100000039927.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
nome_arquivo_pdf_s : 139100000039927_5336462.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5378561
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594514845696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 536 1 535 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13910.000003/9927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.499 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI Recorrente BUNGE ALIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/06/1984 a 30/10/1992 IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL REVOGADO. PRECEDENTE DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial, conforme decisão do STF. Aplicação do art. 62A do RICARF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 00 00 03 /9 9- 27 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa SEARA ALIMENTOS S.A. em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação constante da manifestação de inconformidade da contribuinte. Cingese a controvérsia no pedido de compensação de valores de crédito prêmio do IPI, previsto no artigo 1º, inciso II do DecretoLei nº. 491/69, decorrentes de insumos adquiridos no ano de 1996 e utilizados na fabricação de produtos exportados. O pedido de ressarcimento foi elaborado em 11.01.1999, conforme formulário de fls. 01/02, e instruído com documentos de fls. 03/44. Após solicitação de documentos à contribuinte, foi lavrada a Informação Fiscal (fls. 147 e 148) na qual se observa que a filial requerente e detentora do crédito solicitado em ressarcimento foi cancelada em virtude de cisão parcial da empresa Ceval Alimentos S.A. (atualmente Bunge Alimentos S.A.), processo ocorrido em 22/10/1998, em que tal filial foi vertida para a empresa Seara Alimentos S.A. (CNPJ 02.914.460/000150). A partir disso, entendendose que o suposto crédito pertence à empresa Seara Alimentos S.A., o processo foi remetido à DRF de Itajaí e de lá, encaminhado à DRF de Londrina, órgão que tem jurisdição sobre o domicílio fiscal da empresa a qual se reputa a existência de crédito de IPI. Após a realização de diligências, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina indeferiu o pedido de restituição, conforme decisão de fls. 163/165 e despacho decisório de fls. 166, pelo que a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 180/192. O acórdão da decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 213/ 215). De sua vez, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ao analisar as razões da contribuinte, deu provimento ao recurso para fins de anular a decisão da primeira instância e determinar que outra fosse proferida em seu lugar. Cumprindo a determinação do CARF, a Delegacia da Receita Federal em Londrina, em nova decisão, indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado, conforme parecer de fls. 408/410 e despacho decisório de fls. 411. A contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 437/452), tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgadoa improcedente, nos termos da ementa abaixo, in verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 537DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13910.000003/9927 Acórdão n.º 3401002.499 S3C4T1 Fl. 537 3 Anocalendário: 1996 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido benefício fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. PRODUTO NT. Não há previsão legal para aproveitamento/ressarcimento de créditos de IPI, sejam eles básicos, presumidos ou de qualquer forma incentivados, relativos a insumos utilizados na produção de produtos NT, ainda que exportados, por não serem considerados como produtos industrializados. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Intimada da decisão da instância a quo, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 502/517. Em seu recurso, a contribuinte discorre acerca da necessidade de reforma da decisão de primeira instância para reconhecer seu direito à restituição dos créditos fiscais que pretende seja reconhecido. Informa que o prazo para pleitear o direito à obtenção de pagamento ou compensação é de 05 (cinco) anos contados da data da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a eficácia dos dispositivos declarados inconstitucionais, de modo que, no presente caso, esse prazo para o exercício do direito à restituição começa a fluir em 27 de dezembro de 2005, data em que foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução n° 71/05 do Senado Federal. Segue aduzindo que, de acordo com o desenvolvimento de suas atividades sociais, encontrase qualificada como contribuinte do IPI, fato que lhe confere a condição de beneficiária do estimulo fiscal denominado IPI – Crédito Premio à Exportação, instituído pelo DecretoLei nº. 491/1969. Ademais, no intuito de evidenciar que o créditoprêmio do IPI se encontra em plena vigência, a contribuinte descreve a evolução históricolegislativa do IPI – Crédito Premio à Exportação no ordenamento jurídico brasileiro. A seguir, a contribuinte traz à colação excertos da jurisprudência de Tribunais Superiores, de Tribunais Regionais Federais e do próprio CARF, nos quais se reconhece a natureza tributária do IPI – Crédito Premio à Exportação e o respectivo direito à restituição. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Ao final, requer seja seu recurso provido para reconhecer o direito de utilização do CréditoPrêmio do IPI, no período 1996, bem como o direito de compensar os valores a que faz jus. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgado do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é voluntário e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DO DIREITO AO RESSARCIMENTO Como é cediço, o créditoprêmio de IPI foi estabelecido pelo art. 1º do DecretoLei nº 491/69, sendo um incentivo fiscal às exportações de produtos industrializados, bem como um meio de ressarcimento de tributos pagos internamente, conforme se denota pela interpretação do referido art. 1º do citado decreto: Art 1º As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão a título estimulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente. § 1º Os créditos tributários acima mencionados serão deduzidos do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente sobre as operações no mercado interno. § 2º Feita a dedução, e havendo excedente de crédito, poderá o mesmo ser compensado no pagamento de outros impostos federais, ou aproveitado nas formas indicadas por regulamento. Portanto, o DecretoLei nº 491/69 concedia o créditoprêmio de IPI apenas para as empresas industriaisexportadoras, sendo calculado sobre o valor das vendas para o exterior, podendo ser utilizado como crédito escritural de IPI ou ser compensado com outros impostos federais. Posteriormente, o art. 3º do DecretoLei nº 1.248/72 estendeu o benefício fiscal em comento ao produtorvendedor do produto, desde que este fosse destinado às empresas exportadoras. Com o DecretoLei nº 1.894/81, alterouse a redação do art. 3º do Decreto Lei nº 1.248/72, restringindo a fruição do créditoprêmio do IPI apenas para as empresas comerciais exportadoras e para as empresas industriaisexportadoras, excluindo, deste modo, as empresas industriais vendedoras de produtos destinados à exportação. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13910.000003/9927 Acórdão n.º 3401002.499 S3C4T1 Fl. 538 5 Entretanto, a Lei nº 8.402/92 restabeleceu o benefício do créditoprêmio de IPI às empresas industriais vendedoras de produtos destinados à exportação. Então, passaram a gozar do benefício fiscal as empresas industriais exportadoras, as empresas industriais vendedoras de produtos destinados à exportação e as empresas comerciais exportadoras. Nesse sentido preleciona o eminente tributarista José Souto Maior Borges na obra Crédito Prêmio de IPI: Estudos e Pareceres: "De todo esse vai e vem de atos normativos, resulta que o créditoprêmio à exportação, na sua feição vigente, beneficia genericamente todas as empresas direta ou indiretamente vinculadas à exportação, quais sejam: indústrias, empresas comerciais, produtoresvendedores de produtos destinados à exportação por empresa comercial. O caráter subjetivamente fragmentado, que parcialmente o revestia (só industrias exportadoras), foi substituído peça contemplação ampla de todas as empresas intervenientes nas exportações, como beneficiárias do incentivo" Vale destacar que o art. 1º do Decretolei nº 1.658/79 estabeleceu a redução gradual do benefício fiscal em comento, para que sua extinção ocorresse em 30/06/1983. Todavia, antes do referido termo final, sobreveio o já citado DecretoLei nº 1.894/81, que expressamente conservou o créditoprêmio de IPI, nos termos abaixo: Art 1º Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica assegurado: I omissis. Il o crédito de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969. Ocorre que, com a Constituição de 1988, estabeleceuse, nos termos do art. 41, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que os benefícios fiscais de natureza setorial em vigor seriam considerados revogados após o decurso de dois anos, caso não fossem confirmados por lei. In verbis: Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1º Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. § 2º A revogação não prejudicará os direitos que já tiverem sido adquiridos, àquela data, em relação a incentivos concedidos sob condição e com prazo certo. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 § 3º Os incentivos concedidos por convênio entre Estados, celebrados nos termos do art. 23, § 6º, da Constituição de 1967, com a redação da Emenda Constitucional nº 1, de 17 de outubro de 1969, também deverão ser reavaliados e reconfirmados nos prazos deste artigo. Ademais, o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 577.348, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, entendeu que o créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial e, como não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, como prevê o dispositivo transcrito acima, deixou de existir. A decisão restou assim ementada: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II – Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III – O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido.” Acrescentese que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF dispõe, em seu art. 62A, que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em repercussão geral deverão ser reproduzidas no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, resta óbvio que a discussão acerca desta matéria já está superada, com base no entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal. CONCLUSÃO Fl. 541DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13910.000003/9927 Acórdão n.º 3401002.499 S3C4T1 Fl. 539 7 Por todo exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento, nos termos supra alinhavados. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Fl. 542DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000077/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DECADÊNCIA.
Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN.
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96.
Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedando-se inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e no voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Natali Nunes da Silva, OAB/DF nº 24.439.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 29/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DECADÊNCIA. Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedando-se inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15540.000077/2009-96
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5329691
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-002.816
nome_arquivo_s : Decisao_15540000077200996.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RUBENS MAURICIO CARVALHO
nome_arquivo_pdf_s : 15540000077200996_5329691.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e no voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Natali Nunes da Silva, OAB/DF nº 24.439. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 29/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5334169
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594521137152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 10 1 9 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000077/200996 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2102002.816 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrentes ADILSON DESSANDRE Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DECADÊNCIA. Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedandose inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 77 /2 00 9- 96 Fl. 8734DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 11 2 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e no voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Natali Nunes da Silva, OAB/DF nº 24.439. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 29/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 4.179 a 4.190: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 04/07, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do ano calendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 7.896.255,61, assim composto: O procedimento fiscal foi iniciado com o recebimento pelo interessado, em 27/12/2007 (AR à fl. 46), do Termo de Inicio de Fiscalização, fl. 44, respaldado pelo Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 01. Nessa data, o interessado foi cientificado da abertura da fiscalização, em relação ao ano calendário 2004, bem como intimado a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes e Fl. 8735DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 12 3 aplicações financeiras mantidas no Brasil e/ou exterior abrangendo o período a ser auditado. Segundo Termo de Recebimento de Documentos A fl. 54, a intimação foi atendida com apresentação dos extratos do Unibanco (contas correntes 0325 1169888, 0340 1168210), do Banco Itaú (conta corrente 0720325109) e do Banco Real (conta corrente 0396 8739863). Por intermédio do Termo de Constatação e Intimação As fls. 58/59, a fiscalização instou o interessado a identificar e comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos créditos listados no "Anexo A", produzido a partir dos extratos bancários fornecidos em resposta A primeira intimação. Em resposta o contribuinte apresentou, em 12/05/2008, alguns esclarecimentos a respeito dos créditos identificados na conta corrente do Unibanco nº 0340 1168210, entre os quais reproduzo: Uma expressiva parcela dos créditos, que totaliza R$ 8.860.979,69, refere se a cheques adquiridos junto a terceiros para depósito em data posterior. Os pagamentos de tais aquisições foram efetivados por meio de cheques emitidos, DOC's, TED 's e transferências. Constam do "Anexo A" diversos créditos, que totalizam R$ 802.000,00, relativos a transferências feitas a débito de outra conta corrente do Unibanco em nome da Refac Sociedade de Fomento Comercial Ltda. Essas transferências tem origem em crédito em conta corrente que o fiscalizado tinha junto àquela empresa. Enquadramse também nessa situação dois depósitos de R$ 50.000,00 realizados em 31/05/2004 e 30/07/2004, que constam do extrato com histórico "DEP EM DINHEIRO", por terem origem em cheques sacados contra conta corrente da mesma agência. O crédito verificado em 03/11/2004, no valor de R$ 27.000,00, é oriundo de TED realizado pelo escritório Segal & Costa Advogados S/C Ltda. para liquidação de débito que seu cliente possuía com o interessado. O depósito de 19/10/2004, no valor de R$ 70.000,00, foi realizado por Jorge Luiz Guerra Vieira, em razão de operação de mútuo. O crédito ocorrido em 11/11/2004, no valor de R$ 25.240,00, decorre de TED realizado pelos Supermercados Imperial de Icarai para liquidação de empréstimo realizado com a empresa e que havia gerado saída de recursos da mesma conta corrente em 05/11/2004, no montante de R$ 25.000,00. As alegações foram acompanhadas dos documentos As fls. 87/103. A fiscalização, de posse dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, lavrou o Termo de Constatação e de Reintimação As fls. 105/108, no qual expõe as suas conclusões acerca das justificativas apresentadas e o reintimou listando os depósitos que considerou pendentes de comprovação. O interessado apresentou a resposta As fls. 120/126 onde detalhou as informações já fornecidas, apresentou novos documentos comprobatórios e solicitou a concessão de prazo adicional para juntar documentação complementar. Especificamente quanto aos créditos oriundos de operações de aquisição de cheques, justificou a inexistência de documentação formal alegando que os negócios foram Fl. 8736DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 13 4 celebrados verbalmente, sem contratos escritos, conforme seria prática comum nesse mercado. Em nova manifestação (fls. 179/182), o interessado reforçou a alegação anterior a respeito de mútuo com o Sr. Jorge Luiz Guerra Vieira que seria a justificativa para o crédito no montante de R$ 70.000,00 em 19/10/2004 e apresentou documentos visando comprovar a liquidação do empréstimo. Quanto As trocas de cheques, que segundo alega são responsáveis pela grande maioria dos depósitos sob questionamento, solicitou mais uma vez dilação no prazo que lhe foi concedido, uma vez que pretendia demonstrar as operações financeiras pelas quais os cheques foram adquiridos. Discorreu sobre a metodologia que seria adotada no trabalho de identificação da origem dos depósitos e justifica a necessidade de prorrogação do prazo da seguinte forma: "considerando que são 250 os depósitos, e que cada um deles se compõe de dezenas, e em certos casos, até de centenas de cheques concluise que serão milhares os cheques que deverão ser identificados para que se possa, em seqüência, identificar a operação financeira pela qual foram adquiridos.". Em 29/09/2008 o interessado apresentou petição na qual (fls. 202/203) relatou as dificuldades encontradas no trabalho que se propôs realizar, apresentou os dados que já havia obtido e ao final requereu nova prorrogação de prazo para finalizar suas pesquisas. Em 30/10/2008 a fiscalização recebeu mais uma petição para prorrogação de prazo (fl. 206). Em 25/11/2008, o interessado apresentou esclarecimentos As fls. 215/219 sobre o andamento dos trabalhos fornecendo os resultados obtidos até então. Disse ainda que o trabalho de investigação por ele proposto, consistente em identificar as saídas da conta corrente mediante as quais os cheques foram adquiridos, que seriam as origens dos recursos, implica na pesquisa de 1.401 operações de aquisição envolvendo exatamente 31.311 cheques. Acrescentou que o programa de trabalho planejado é possível de ser realizado, mas desde que se tenha o devido tempo. Diante das dificuldades para indicar nos extratos bancários da conta corrente auditada as saídas correspondentes aos recursos utilizados na aquisição dos cheques, sugeriu que o ganho nas citadas operações fosse estimado. Aduz ainda que o interessado e sua esposa são os únicos sócios da Refac Sociedade de Fomento Comercial Ltda. (CNPJ 01.301.599/000166) que se dedica ao fomento comercial (factoring) e que desde a primeira correspondência encaminhada A fiscalização informou serem os depósitos oriundos de cheques adquiridos anteriormente. Em 19/02/2009, após analisadas as informações e documentos colhidos até o momento, a fiscalização decidiu por encerrar o procedimento fiscal lavrando o Auto de Infração As fls. 04/07, em que foi apontada a infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fundamento no art. 42, da Lei n º 9.430/96. Compuseram a base de cálculo os depósitos verificados na conta corrente nº 340/1168210 do Unibanco, constantes do "Anexo A" As fls. 28/35, cuja origem a fiscalização considerou que o contribuinte não logrou comprovar. Conforme esclarece o Termo de Constatação e de Intimação às fls. 08/27, o valor tido como omitido correspondeu a diferença entre o montante dos depósitos deduzido dos valores oferecidos à tributação na DIRPF/2005 apresentada pelo interessado a titulo de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Fl. 8737DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 14 5 Sobre o imposto apurado foi aplicada multa de oficio de 150%. A fiscalização justificou a qualificação da multa de oficio destacando os seguintes fatos: (1) não oferecimento A tributação do IR de montantes superiores, em média, em mais de 76 vezes os valores declarados nos quadros de rendimentos recebidos de pessoas físicas e do exterior; (2) prática de atividade vedada a pessoas físicas: aquisição de cheques de terceiros (pessoas físicas e jurídicas), para desconto em data posterior, com pagamento de deságio. Cientificado do lançamento em 03/03/2009 (AR A fl. 500), o interessado apresentou impugnação em 31/03/2009 (fls. 511/575), na qual aduz as razões que, em síntese, passo a reproduzir. Nulidade Alega que, não obstante a flagrante dificuldade de se obter a origem de créditos oriundos de cerca de 31.000 cheques, o agente fiscal decidiu por encerrar a fiscalização de forma abrupta e imotivada sem oportunizar ao contribuinte a anexação de toda documentação comprobatória pertinente. Entende que não foi observado o direito fundamental de participação do contribuinte na formação do crédito tributário, impondose, assim, a declaração da nulidade do procedimento, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, II do Decreto n° 70.235/72. Na hipótese do lançamento ser mantido requer a análise de documentos que serão acostados ao longo do processo administrativo fiscal. Decadência Quanto ao prazo decadencial, defende que, por tratarse de lançamento por homologação, ha que se aplicar a regra inserta no parágrafo 4° do art. 150 do CTN. Sustenta a tese de que o fato gerador do IRPF se opera mensalmente e assim, o lançamento encontrase decadente em relação aos meses de janeiro e fevereiro do ano calendário 2004. No entender do impugnante, a partir da edição da Lei n° 7.450/85, o IRPF passou a ser considerado devido no momento da percepção dos rendimentos, conforme dispõe o seu art. 3° e o fato gerador somente pode ser classificado como instantâneo. Alega que os parágrafos 1° e 4° da Lei n° 9.430/96 e art. 849 do RIR/99, corroboram esse entendimento uma vez que também estabelecem a tributação com periodicidade mensal. Lançamento com base em depósitos bancários Defende a impossibilidade de se utilizar como substrato da ocorrência do fato gerador a mera existência de depósitos em contas bancárias mantidas pelo contribuinte. Alega que os depósitos devem ser tomados apenas como indícios que permitem ao fisco iniciar o processo de identificação do efetivo acréscimo patrimonial não oferecido à tributação. Entende que o art. 42 da Lei 0.430/96 não tem o condão de inverter o ônus da prova no que se refere à comprovação do fato gerador do IRPF. Fl. 8738DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 15 6 Cita Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, nesse sentido. Origem dos depósitos bancários O impugnante faz inicialmente um breve relato sobre as atividades empresariais desenvolvidas: é sócio, juntamente com sua esposa, da Refac Sociedade de Fomento Comercial Ltda. (CNPJ 01.301.599/000166); a sociedade operou normalmente no ano calendário 2004, no entanto, parte dos negócios da pessoa jurídica transitaram nesse período pela conta corrente pessoa física do impugnante; os créditos verificados na conta corrente n° 0340/1168210 do Unibanco do impugnante são da mesma espécie daqueles realizados nas contas bancárias da empresa. A partir desse ponto, divide os 283 (duzentos e oitenta em três) depósitos lançados como rendimentos omitidos em 8 (oito) categorias e apresenta esclarecimentos acerca da origem dos recursos para cada uma delas: a) Créditos com histórico "REFAC Sociedade de Fomento Comercial Ltda." (35 depósitos totalizando R$ 802.000,00) A Refac possui uma "conta corrente" que é creditada por valores colocados a disposição do impugnante na qualidade de sócio e é debitada quando o mesmo faz retiradas contra a conta; o saldo devedor da conta foi sendo formado ao longo dos anos pela transferência direta de recursos dos sócios para a empresa, pela distribuição de lucros isentos e por juros calculados sobre o saldo devedor que foram tributados exclusivamente na fonte; as transferências de recursos dos sócios para a empresa decorreram do "Contrato de abertura de crédito e mútuo de dinheiro em conta corrente", datado de 01/12/1996; inicialmente os sócios abriram à sociedade, como mutuária, um crédito de R$ 500.000,00, objetivando proporcionarlhe recursos para consecução dos seus objetivos sociais; em 02/01/2001 o contrato de mútuo foi aditado, visando aumentar o limite de crédito para R$ 2.000.000,00; os créditos constantes dos extratos bancários com o histórico em referência correspondem a débitos realizados nessa conta da pessoa jurídica na DIRPF do anocalendário 2004 foi informada a distribuição de lucros no total de R$ 107.000,00, valor este que consta da ficha razão a crédito da conta corrente do sócio e que deveria ao menos ser deduzido da base de calculo do imposto ora lançado; Fl. 8739DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 16 7 os documentos que irão demonstrar a formação dos saldo devedor isento de imposto de renda da empresa ou devidamente tributado como renda de tributação exclusiva não puderam ser reunidos a tempo, mas o serão com brevidade. b) Resgate de Investvida ( 1 depósito — item 89 do Anexo A no valor de R$ 21.166,01) Concorda com a tributação do valor creditado, nos termos do relatório fiscal. c) Transferências feitas pela Refac a pedido de clientes ( 3 depósitos itens 150, 217 e 241 do Anexo A totalizando R$ 48.347,46) Não foi possível documentar as transferências, tampouco relacionar a operação que lhes deu origem, de modo que aceita a tributação destes valores. d) Transferência de Segal & Costa Advogados (1 depósito — item 235 do Anexo A — no valor de R$ 27.000,00) O emitente do TED que deu origem ao crédito foi a sociedade Segal & Costa Advogados Associados S/C Ltda.; em 26/07/2004 o interessado adquiriu de Segal & Costa Advogados Associados S/C Ltda. um cheque no valor de R$ 54.000,00, emitido por Orla Rio Associados Ltda. , a ser depositado em 18/09/2004. o pagamento do cheque foi efetuado mediante três transferências da conta do impugnante para as contas correntes dos Srs. Luiz Claudio Rodrigues da Costa e Celso Segal. o cheque não foi depositado a pedido do emitente, tendo sido renegociado em duas parcelas, sendo uma delas no valor de R$ 27.000,00, a vencer em 27/10/2004; tal parcela foi liquidada através de TED somente no dia 03/11/2004; a declaração fornecida pela Segal & Costa Advogados Associados esclarece a que titulo foi efetuada a transferência. e) Depósito em dinheiro referente a mútuo com Jorge Luiz Guerra Vieira (1 depósito — item 223 do Anexo A — no valor de R$ 70.000,00) o depósito decorre de um contrato de mútuo realizado verbalmente, o que é facultado pela lei civil, entre o impugnante, na qualidade de mutuante, e o Sr. Jorge Luiz Guerra Vieira, na qualidade de mutuário; declaração assinada pelo mutuante atestando que o mútuo existiu e os extratos bancários apresentados evidenciando a quitação do empréstimo são elementos suficientes a comprovar a operação. f) Transferência dos Supermercados Imperial de Icarai (1 depósito — item 243 do Anexo A — no valor de R$ 25.240,00) Fl. 8740DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 17 8 O TED decorre da liquidação de empréstimo realizado, no valor de R$ 25.000,00, ao Supermercado Imperial de Icarai Ltda. alguns dias antes; a transferência do valor emprestado se deu mediante débito na conta corrente do autuado em 05/11/2004; o empréstimo foi acordado verbalmente e o Supermercado Icarai encerrou suas atividades em 2005, de modo que não é possível obterse declaração atestando o fato; os lançamentos feitos na conta corrente bancária em exame, mostrando débito e crédito com defasagem de meros 6 dias, sendo a devolução maior em R$ 240,00 do que a saída, demonstram que o alegado é a expressão da verdade. g) Transferência de Setsport Confecções (1 depósito — item 272 do Anexo A — no valor de R$ 10.000,00) conforme declarado pela Setsport Confecções a transferência foi realizada para que fosse abatido saldo devedor que esta empresa possuía junto ao impugnante; o saldo devedor decorreu das transações que eram realizadas pelo impugnante com a empresa, relativas a aquisições de cheque; tais transações foram responsáveis por inúmeras transferências em sentido contrario, ou seja, do impugnante para a empresa, que podem ser identificadas no extrato da conta auditada; h) Depósitos decorrentes de operações de factoring (240 depósitos totalizando R$ 8.682.859,10) os depósitos são compostos por cheques adquiridos de clientes para depósito em data posterior; durante a ação fiscal foi proposto um plano de trabalho a ser executado pelo impugnante com vistas a identificar, dentro do possível, a origem dos recursos utilizados nas operações de aquisição de cheques; os resultados do trabalho foram apresentados durante o procedimento fiscal, resultando na aceitação de apenas uma pequena parte das justificativas; operações de aquisição de cheques entre pequenas empresas não geram documentos, exceto planilha de cálculo e a movimentação financeira eventualmente constante dos extratos bancários; as saídas de recursos mostradas no extrato bancário não foram aceitas pela fiscalização como comprovação da aquisição dos cheques; entretanto, o valor de aquisição de cheques é sempre menor que o valor de face, pois é da essência deste tipo de negócio; foi reconstituído o banco de dados, de modo que o sistema de controle de cheques trouxe informações a respeito da composição de cada depósito e do valor de aquisição de cada cheque; Fl. 8741DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 18 9 como o valor de aquisição de cada cheque era uma informação ainda sujeita a dúvidas, foi proposto ao auditor fiscal que o ganho das operações fosse estimado com base em critério a ser escolhido por ele. posteriormente, o sistema foi recuperado e testado em sua consistência, sendo capaz de fornecer com exatidão o valor de aquisição de cada cheque, sendo dispensada a necessidade de estimativa. foram selecionados 7 (sete) depósitos para demonstração do ganho bruto sobre o valor dos depósitos; o resultado final revela que o valor pago sobre todos os depósitos foi de 93,39% e o ganho bruto de 6,61%; considerando o demonstrativo das operações selecionadas e aplicando idêntica metodologia A. totalidade dos depósitos, verificase que o Auto de Infração superestimou em 20,3 vezes o valor da renda tributável do impugnante, violando, a um só tempo, os princípios da verdade material e da capacidade contributiva. Encerradas as justificativas para os depósitos lançados, o impugnante solicita, caso não seja julgado nulo ou improcedente pelas razões já expostas, a realização de diligência e produção de prova pericial contábil, enumerando quesitos a serem esclarecidos. Contesta ainda a aplicação da multa qualificada que, no seu entender, não se aplica ao caso concreto em que não está configurado e provado o "evidente intuito de fraude". Por fim, ressalta que a multa de oficio, ainda que reduzida para o percentual de 75%, desrespeita o disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, em razão do nítido caráter confiscatório. Em 03/08/2009, o interessado protocolou a petição as fls. 1284/1302 na qual aditou razões A impugnação e requereu a juntada de documentação complementar. Foram abordados e apresentados documentos relativos a dois grupos de depósitos: (1) Transferências da REFAC Sociedade de Fomento Comercial Ltda. para conta corrente do autuado; (2) Depósitos que teriam transitado na conta do autuado por conta de operações de factoring realizadas pela empresa REFAC Sociedade de Fomento Comercial Ltda. 1 Transferências da REFAC Sociedade de Fomento Comercial Ltda. para conta corrente do autuado. O impugnante reafirma o que já havia dito na impugnação. Alega que os valores creditados em sua conta bancária foram provenientes de transferências realizadas pela Refac Sociedade de Fomento Comercial Ltda. mediante débito na conta corrente que este mantinha naquela empresa. Sustenta ainda que o saldo credor na conta corrente do sócio foi sendo formado ao longo dos anos mediante (1) transferências de recursos do sócio para a empresa a titulo de empréstimo; (2) crédito de juros sobre o saldo da conta feito pela Refac, o qual foi objeto de tributação exclusiva na fonte e informado nas DIRPF; (3) distribuição de lucros isenta de imposto de renda. As alegações foram acompanhadas de documentação composta por contrato de mútuo, comprovantes de rendimentos, extratos bancários, parte do Livro Razão e Fl. 8742DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 19 10 planilhas demonstrativas do movimento da conta corrente dos sócios (fls. 1.307/1476). 2 Depósitos que teriam transitado na conta do autuado por conta de operações de factoring realizadas pela empresa REFAC Sociedade de Fomento Comercial Ltda. Mais uma vez argumenta que os cheques depositados em sua conta corrente decorrem de operação de trocas de cheques (factoring) e que o seu ganho real era a diferença entre o valor de face do cheque o valor pelo qual foi adquirido. Apresenta documentação adicional de forma a reforçar o que foi demonstrado por amostragem na impugnação. Objetiva com isso comprovar todas as operações de factoring realizadas e o ganho real obtido. Cita cada um dos documentos juntados esclarecendo a metodologia utilizada na coleta dos dados e forma de apresentação. Reproduz ementa de acórdão proferida pelo antigo Conselho de Contribuintes em que foi afastada a tributação sobre a pessoa física em lançamento que, segundo entende, seria idêntico ao presente. Conclui alegando que o conjunto probatório demonstra que os depósitos sob análise são fruto da atividade comercial desenvolvida por intermédio de pessoa jurídica, o que afasta o lançamento baseado em IRPF e, na hipótese de ser mantida a tributação na pessoa física, requerer a tributação, não do valor dos depósitos, mas do ganho efetivo, isto é, da diferença entre o valor de face e o valor de aquisição dos cheques depositados. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou o pedido de diligência ou perícia, afastou o pedido de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, também, afastou a alegação da decadência. No mérito, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo a base de cálculo dos depósitos cuja origem não foi identificada para R$979.513,47 e reduzindo a multa de ofício de 150% para 75%., assumindo o crédito tributário os seguintes valores: O Acórdão apresentou o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando os elementos Fl. 8743DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 20 11 constantes dos autos já são suficientes para a solução do litígio. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. A oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. Logo, antes da lavratura do Auto de infração, não há que se falar em violação ao principio do contraditório, ainda mais quando foi dado ao contribuinte, durante a fase de preparação do lançamento, e por ocasião da apresentação da impugnação, oportunidade de manifestarse e de apresentar provas que elidissem a autuação. FATO GERADOR.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os rendimentos presumidamente omitidos com base no artigo 42, da Lei 9.430/96, estão sujeitos ao ajuste anual e, por isso, o fato gerador é anual e ocorre no dia 31 de dezembro do correspondente ano. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL. Existindo indícios significativos de que a movimentação financeira decorre da atividade profissional do autuado e que os depósitos bancários não correspondem a rendimentos líquidos, descabe o lançamento do tributo sobre o titular da conta corrente bancária com base no somatório dos depósitos, como se renda fossem. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Para o lançamento da multa qualificada de 150% deve estar devidamente comprovada a intenção dolosa do sujeito passivo. EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE. Não compete A. autoridade julgadora o exame da constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 8744DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 21 12 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 4.196 a 4.229, cujo conteúdo se resume nos seguintes pedidos sucessivos/alternativos: 1 , Reconheça a DECADÊNCIA do lançamento em relação aos meses de janeiro e Fevereiro do anocalendário 2004, tendo em vista o teor do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional; 2 Julgue IMPROCEDENTE o lançamento referente aos 35 (trinta. e cinco) itens relativos a transferências bancárias realizadas entre a pessoa jurídica REFAC SOCIEDADE DE FOMENTO COMERCIAL LTDA. e ADILSON DESSANDRE, materializado na contacorrente no 0340/1168210, no valor de R$ 802.000,00, afastandose a aplicação do art. 42 da Lei . 9.430/96 em razão da comprovação da origem dos créditos, resultantes de mútuo em contacorrente comprovado por documentação hábil e idônea; 3 Determine a realização de diligência fiscal ou perícia contábil para apuração de toda a documentação acostada pelo Recorrente, especialmente para os fins específicos delineados no item—V do recurso, de modo a confrontar os fatos e fundamentos expostos nas razões de manutenção de parte do lançamento fiscal. Requer, com base no art. 16, § 4º, "c", do Decreto n°70.235/72, a juntada de documentação suplementar, para confrontação dos fatos e fundamentos aduzidos no v. acórdão de fls. 4.179/4.190, sob pena de flagrante violação ao art. 59, II, do Decreto no 70.235/72. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa dos Recursos de Ofício e Voluntário. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Os recursos apresentados, de ofício e voluntário, atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, os conheço. RECURSO DE OFÍCIO Objetos do Recurso de Ofício, conforme acórdão recorrido: REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DEPÓSITOS BANCÁRIOS (...) d) Transferência de Supermercado Imperial de Icarai no valor de R$ 25.240,00 Fl. 8745DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 22 13 O interessado alega que o crédito de R$ 25.240,00, ocorrido em 11/11/2004 (item 243 do Anexo A), sob o histórico "TED Recebida Brasil Supm. Imperial Icarai", tem origem na quitação de empréstimo. Aponta no extrato (fl. 882) transferência em favor do Supermercado, no valor de R$ 25.000,00, em 05/11/2004, que seria relativa ao empréstimo concedido. Considerando os históricos dos lançamentos na conta corrente bancária e os valores envolvidos, entendo que restou comprovado o mútuo alegado. Analisando os documentos envolvidos, resta comprovado pela coincidência de valores, especialmente o retorno do empréstimo, não me resta dúvida que Transferência de Supermercado Imperial de Icarai no valor de R$ 25.240,00 deve ser retirada da base de cálculo do lançamento dos depósitos bancários por ter a sua origem identificada. Voto, assim, para manter essa exclusão de R$ 25.240,00 referente ao depósito do Supermercado Imperial de Icaraí. f) Depósitos em cheque O impugnante alega que grande parte dos créditos objeto da presente autuação decorrem de operações de factoring realizadas pela empresa REFAC Sociedade de Fomento Comercial Ltda. Esse conjunto seria formado por 240 depósitos com histórico "Depósito cheque caixa expresso" ou "Depósito chq. interagencias" que somam R$ 8.682.859,10. O interessado requer a anulação do lançamento alegando que este deveria ter sido direcionado A pessoa jurídica, ou, alternativamente, que se tribute na pessoa fisica apenas o ganho efetivamente auferido. Com objetivo de comprovar a natureza de sua movimentação financeira o interessado produziu vasta documentação. Ressalto que parte dos elementos probatórios foi recepcionada em 03/08/2009, posteriormente A apresentação da impugnação, mas será aqui analisada de modo a evitar o cerceamento do direito de defesa do impugnante. Destaco a seguir alguns dos documentos apresentados: Planilhas As fls. 1.477/2.380 (volumes 8 a 12): demonstram quais são os cheques que compõem cada um dos 240 depósitos. Planilhas As fls. 2.382/4.140 (volumes 12 a 21): em cerca de 1.405 planilhas o interessado traz detalhes de todas as operações de aquisição de cheques celebradas. Cada uma das planilhas traz um número que identifica a operação, o cliente que teria negociado os cheques, listagem dos cheques adquiridos, valor total da operação e o valor de aquisição que deve ser atribuído a cada cheque. Planilha As fls. 4.142/4.176 (volume 21): relaciona os débitos na conta corrente auditada que correspondem aos pagamentos das operações descritas conforme item anterior. A partir dessas planilhas, o interessado pretendeu demonstrar o custo de cada cheque depositado e, assim, comprovar o ganho obtido nas operações, que segundo alega foi de 6,61% do valor total dos depósitos. Fl. 8746DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 23 14 Ocorre que, não obstante o extenso trabalho realizado pelo impugnante, não é possível estabelecermos uma relação inequívoca entre os depósitos e os débitos apontados na conta corrente auditada. Isso porque não foi apresentado qualquer documento capaz de vincular os alegados pagamentos As operações de factoring listadas nas 1.405 planilhas acima referidas e, conseqüentemente, aos cheques depositados. Por outro lado, chama atenção a enorme quantidade de cheques depositados na conta corrente em exame. Analisando uma pequena amostra de 7 (sete) depósitos, que corresponde a apenas a 1,4% do valor total, identificamse 381 (trezentos e oitenta e um) cheques compensados em favor da conta corrente do interessado: Deve ser salientado ainda que o interessado era sócioadministrador da empresa de fomento mercantil Refac Sociedade de Fomento (CNPJ 01.301.599/000166), da qual detinha 98% do capital social. Além disso, a própria fiscalização reconheceu que os depósitos eram decorrentes de atividade de factoring, conforme se extrai do seguinte texto, retirado do "Termo de Constatação e de Intimação", à fl. 26: Tendo em vista todo o acima relatado, em decorrência dos fatos observados no curso dos trabalhos de auditoriafiscal, dos quais podem ser relatados, resumidamente os seguintes: a) o não oferecimento ii tributação do imposto de renda das pessoas físicas de montantes superiores, em média, em mais de 76 (setenta e seis) vezes os valores declarados nos quadros de rendimentos recebidos de pessoas físicas e do exterior e sujeitos ao recolhimento mensal (carnêledo), conforme consignado em 10.1. e b) da prática de atividade vedada a pessoas físicas, quer seja: aquisição de cheques de terceiros (pessoas físicas e jurídicas), para desconto em data posterior, com pagamento de deságio; ....(Grifei) É certo, portanto, que existem indícios significativos de que o interessado utilizou a sua conta corrente bancária para movimentar recursos provenientes da atividade de factoring. Entendo que a presunção legal utilizada na presente autuação não pode ser aplicada independentemente dos fatos constatados durante o procedimento fiscal. Em que pesem os documentos apresentados não serem suficientes para mensurarmos Fl. 8747DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 24 15 com segurança o ganho auferido nas operações, existem evidências concretas de que os depósitos não correspondem a rendimentos líquidos. A busca da verdade material deve sempre nortear as autoridades fiscais, por força do mandamento contido no art. 142 do CTN, sob risco de se constituir crédito tributário em descompasso com a realidade. Nesse sentido, e considerando que a própria Fiscalização constatou a existência de atividade comercial, revelase incorreto o lançamento de tributo efetuado sobre a pessoa física do autuado com base no somatório dos depósitos, como se renda fossem. Caberia a Fiscalização ampliar a investigação para fins de identificar se as operações foram realizadas em nome do próprio interessado ou da empresa da qual era sócio, sendo que a confirmação da primeira hipótese ensejaria a equiparação do contribuinte a pessoa jurídica. Definido o sujeito passivo da obrigação tributária, o lucro efetivo deveria ser apurado, se possível, ou então arbitrado, para então serem formalizadas as devidas exigências, conforme legislação de regência. Transcrevo abaixo ementas de acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF), em que foi adotado o mesmo entendimento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OPERAÇÕES COMERCIAIS — Comprovado que os valores creditados em conta bancária tem origem em atividade comercial do autuado ou de terceiro, a exigência tributária deve ser dirigida a cobrança do IRPJ e contribuições sociais. (Acórdão 12 CC 10248.937 de 05/03/2008) ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — NULIDADE DO LANÇAMENTO — t nulo o lançamento feito na pessoa fisica do contribuinte quando esta, para fins tributários, deve ser equiparada a pessoa jurídica. Inteligência artigo 150,11, do Decreto n2 3000, de 1999 e do artigo 41, §1°, b, da Lei n2 4.506, de 1964 — Identificando que os valores creditados nas contas bancárias do contribuinte são decorrentes do exercício da atividade de troca de cheques pré datados, mediante deságio, exercida de forma habitual, cabe a fiscalização, independentemente de alegação do fiscalizado, atribuir CNPJ ao sujeito passivo e arbitrar o valor do lucro omitido. (Acórdão 1 2 CC 10249123 de 24/06/2008) Assim, considero que a norma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 foi incorretamente aplicada aos depósitos em comento, devendo, por conseguinte, ser cancelada a exigência relativa aos 240 depósitos com histórico "Depósito cheque caixa expresso" e "Depósito chq. interagências", que somam R$ 8.682.859,10. (grifei) Essa questão de se identificar o uso da conta corrente da pessoa física com negócios e faturamento da pessoa jurídica, onde o contribuinte atua, é conhecida e debatida nessa Turma. Fl. 8748DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 25 16 Reiteradamente, temos considerado que não é possível a manutenção dos depósitos bancários quando inconteste que os depósitos referemse a faturamento de uma pessoa jurídica. No presente caso, o fato da própria fiscalização ter reconhecido a atividade comercial destes depósitos no Termo de Constatação e de Intimação, fl. 26, conforme transcrito acima, não me deixa dúvidas que acertou a DRJ no acórdão recorrido ao retirar da base de cálculo estes valores. Para corroborar essas razões, ressalto que dessa forma julgamos nos casos dos acórdãos 210201.600e 2102001.601, julgados na sessões de 24 e 25 de outubro de 2011 nessa Turma de Julgamento, cujos julgados foram assim ementados: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedandose inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Voto, assim, para manter essa exclusão dos depósitos com histórico "Depósito cheque caixa expresso" ou "Depósito chq. interagencias" que somam R$ 8.682.859,10. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 150% PARA 75% Assim fundamentou a DRJ nesse aspecto: Os motivos que levaram a autoridade fiscal à qualificação da multa encontramse no item 12 do Termo de Constatação Fiscal para Fins Penais: a) não oferecimento a tributação do imposto de renda das pessoas físicas de montantes superiores, em média, em mais de 76 (setenta e seis) vezes os valores declarados nos quadros de rendimentos recebidos de pessoas físicas e do exterior e sujeitos ao recolhimento mensal (carnêledo), conforme consignado em 10.1, e b) b) da prática de atividade vedada a pessoas físicas, quer seja: aquisição de cheques de terceiros (pessoas físicas e jurídicas), para desconto em data posterior, com pagamento de deságio; Fl. 8749DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 26 17 Note que, segundo explicitado pela Fiscalização, o elevado montante dos rendimentos considerados omitidos e a prática de factoring por pessoa física foram fatores decisivos para aplicação da multa qualificada. Acontece que tais condutas dizem respeito aos depósitos cuja tributação foi afastada, conforme fundamentos já expostos neste voto, o que prejudica, portanto, as justificativas dadas pela Fiscalização para a majoração da multa de oficio. Deve ser salientado que a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, foi mantida apenas em relação aos depósitos para os quais o interessado não logrou estabelecer um vinculo aceitável com alegadas operações de factoring ou de mútuo. No entanto essa presunção, apesar de válida para fins de determinação dos rendimentos omitidos, não é suficiente, sem outros elementos, para caracterizar o intuito doloso que justificaria a aplicação da multa qualificada de 150%, pois neste caso o ônus da prova é da autoridade lançadora, uma vez que o dolo não pode ser meramente presumido. Pelo exposto deve ser reduzida a multa de oficio para 75%. Como constamos a fundamentação utilização pela fiscalização para a qualificação da multa está alicerçada na questão dos depósitos que foram retirados da base de cálculo conforme o item supra. Destarte, por conseqüência mantenho a retirada da qualificação da multa se o seu fundamento deixou de existir. Pelo exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO DECADÊNCIA Passase a apreciar o pleito decadencial no tocante ao crédito tributário do anocalendário 2004. Assim, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, tivemos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 8750DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 27 18 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 8751DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 28 19 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. No caso destes autos, para o anocalendário 2004, há pagamento antecipado, como se vê pelo IRPF, fl.28, informado na declaração de ajuste anual, com a aplicação de multa de oficio ordinária de 75%, já decidido pela DRJ e apreciado no Recurso de Ofício, sendo forçoso aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, como o fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2004, a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2009. Acerca da data do fato gerador no caso em tela, destaco que já é questão sumulada nesse Conselho: SÚMULA CARF Nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 03/03/2009, (fl. 512), não prospera a tese decadência. PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado em diversas vezes a apresentar documentação comprobatória da origem dos seus recursos durante a fiscalização, como se vê, v.g., nas intimações e prorrogações de prazo às fls.: 44, 54, 58, 70, 105 a 109, dentre outras. E com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Descabe o pedido de diligência ou juntada de novos documentos quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento da diligência pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto n 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Fl. 8752DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 29 20 Rejeito assim o pedido de diligência e juntada de novos documentos. 35 TRANSFERÊNCIAS DA REFAC SOCIEDADE DE FOMENTO COMERCIAL LTDA. TOTALIZANDO R$ 802.000,00. Nesse item, estamos tratando de transferências feitas a débito da conta Unibanco 0340/1173285 (Refac Sociedade de Fomento Comercial Ltda) e a crédito da conta Unibanco 0340/1168210 (Adilson Dessandre) no valor de R$802.000,00, cujo análise da DRJ nos trouxe o seguinte: No conjunto de depósitos lançados como rendimentos omitidos, constam 35 (trinta e cinco) créditos com o histórico "Transf. 0340/1173285 Refac Sociedade" totalizando R$ 802.000,00, que, segundo o impugnante, teriam origem em retiradas efetuadas da conta corrente que mantinha junto à Refac, na qualidade de sócio. Esclarece que o saldo credor da referida conta corrente foi sendo formado ao longo de anos mediante transferências de recursos que fez à empresa a titulo de empréstimo, crédito de juros sobre o saldo da conta, conforme previsto em contrato de mútuo, e distribuição de lucros. Aduz que, sendo tais valores isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, os depósitos bancários em foco não podem ser considerados rendimentos omitidos. Para comprovar suas alegações o interessado juntou: "Contrato de Abertura de Crédito e Mútuo em Dinheiro em Conta Corrente" (fl. 1.311 — vol 7), "Aditamento ao Contrato de Abertura de Crédito e Mútuo em Dinheiro em Conta Corrente" (fl. 1.312 — vol 7), os Razões Analíticos da conta contábil denominada "C/C Adilson Dessandre", contendo a movimentação do ano de 2001 (fls. 1321/1322), 2002 (fl. 1.396 — vol 7), 2003 (fl. 1.440 — vol 8) e 2004 (fl. 1.449 — vol 8) e os extratos bancários da Refac, do período de 2001 a 2004, onde constariam o registro do ingresso dos valores decorrentes do mútuo, provenientes da conta bancária sob exame. De inicio, ressalto que os Razões Analíticos não podem ser aceitos como prova da movimentação da conta corrente do sócio, eis que foram apresentados isoladamente, desacompanhados do Livro Diário. E necessário que se conheçam todos os lançamentos contábeis para que seja possível verificar se o Razão espelha com fidelidade a escrituração da empresa. Além disso, mesmo que restasse comprovada a movimentação contábil da conta corrente do sócio, faltaria demonstrar a veracidade do mútuo alegado, o que não é possível no presente caso. Isso porque os elementos dos autos constituem indícios significativos de que transitaram pela conta corrente auditada não só recursos do interessado, mas também receita da empresa. Assim, na medida em que foi desrespeitado o principio da entidade, que determina a separação dos patrimônios da pessoa jurídica e da pessoa física do sócio, fato inclusive admitido na impugnação, o conjunto de débitos havidos na conta bancária sob exame deixa de ser elemento hábil a comprovar os alegados empréstimos do interessado para a Refac Sociedade de Fomento Comercial Ltda. Portanto, na falta da devida comprovação de que os depósitos em questão decorrem de distribuição de lucros e empréstimos, mantémse a presunção de omissão de rendimentos, por não ter sido elidida. Bem, nesse caso. importante ressaltar que estamos tratando de depósitos feitos na conta do autuado por empresa da qual o autuado é sócio, assim, seria muito fácil a Fl. 8753DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15540.000077/200996 Acórdão n.º 2102002.816 S2C1T2 Fl. 30 21 produção de provas que mostrassem de forma inconteste a causa destes depósitos. Nessa linha resta injustificada a falta de apresentação do Livro Diário e de documentos complementares. Caso se tratasse de empresa de terceiros, sem controle do interessado, algo poderia ser alegado para essa falta mas tratadose de empresa sob o seu inteiro domínio essa ausência de provas é injustificada. Não me restam dúvidas que o contribuinte deveria e poderia ter se justificado mostrando a causa real dessas transferências mas não o fez, correta, portanto, o entendimento da autoridade julgadora anterior que não merece reparos. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências tributárias. Destarte, considero que a norma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 foi corretamente aplicada aos depósitos em análise, devendo, por conseguinte, serem mantidas as exigências relativas às 35 TRANSFERÊNCIAS DA REFAC SOCIEDADE DE FOMENTO COMERCIAL LTDA, totalizando R$802.000,00. CONCLUSÃO Pelo exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e no RECURSO VOLUNTÁRIO, afasto as preliminares e no mérito NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 8754DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911439/2012-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.911439/2012-83
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5345219
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.688
nome_arquivo_s : Decisao_10920911439201283.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10920911439201283_5345219.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5430910
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594537914368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 50 1 49 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.911439/201283 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.688 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente SUPERMERCADO FERNANDES LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 39 /2 01 2- 83 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911439/201283 Acórdão n.º 3803005.688 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911439/201283 Acórdão n.º 3803005.688 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911439/201283 Acórdão n.º 3803005.688 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911439/201283 Acórdão n.º 3803005.688 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911439/201283 Acórdão n.º 3803005.688 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911439/201283 Acórdão n.º 3803005.688 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004701/2008-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A § 2o do Regimento Interno do CARF c/c o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da Relatora (LC 105/2001).
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.004701/2008-06
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5344540
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-000.233
nome_arquivo_s : Decisao_10950004701200806.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 10950004701200806_5344540.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A § 2o do Regimento Interno do CARF c/c o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da Relatora (LC 105/2001). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5426755
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594546302976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.004701/200806 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.233 – 1ª Turma Especial Data 12 de junho de 2013 Assunto Sobrestamento Recorrente QUALIGRAN COMÉRCIO DE GRANITOS LTDA. (QUALISTONE) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento dos autos, conforme dispõe o art. 62A § 2o do Regimento Interno do CARF c/c o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da Relatora (LC 105/2001). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Curitiba/PR: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 04 70 1/ 20 08 -0 6 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.004701/200806 Resolução nº 1801000.233 S1TE01 Fl. 3 2 Trata o processo dos autos de infração de fls. 139/171, em que se exigem: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 8.459,37, lavrado devido à omissão de receitas pela empresa, apurada a partir de depósitos/créditos bancários recebidos pela contribuinte em contas bancárias de sua titularidade cuja origem a empresa, intimada, não esclareceu; a apuração de deu no regime do lucro presumido, pelo qual a empresa havia optado; fatos geradores 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004; base legal no arts. 25 e 42, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR de 1999 (Decreto n" 3.000, de 26 de março de 1999); b) contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. R$ 4.582,09 devido à mesma infração descrita no lançamento do IRPJ; fatos geradores mensais de 31/07/2003 a 31/12/2004, no regime cumulativo; base legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar n" 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, § 2° da Lei n º 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2°, I, a e parágrafo único. 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n°4.524. de 17 de dezembro de 2002; c) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, R$ 21.148,44, em relação à mesma infração descrita, fatos geradores mensais de 31/07/2003 a 31/12/2004, no regime cumulativo: base legal nos arts. 2°, II, e parágrafo único. 3", 10, 22, 51 e 91 do Decreto n°4.524, de 2002; d) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, R$ 7.613,45, devido às mesmas infrações e fatos geradores descritos no lançamento do IRPJ, base legal no art. 2°c §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 24 da Lei n° 9.249. de 1995; art. 29 da Lei n º 9.430. de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. 2. Foi aplicada multa de oficio de 75% do art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3o. da Lei n º 9.430, de 1996. 3. Às fls. 136/138, descrição dos procedimentos e autuação, no Termo de Verificação Fiscal. 4. As fls. 174/179, o autuante, cumpriu ao disposto no art. 1o., § 4o. da Portaria RFB n° 665, de 24 de abril de 2008, que estabelece procedimentos a serem observados na comunicação, ao Ministério Público Federal, de fatos que configurem crimes relacionados com as atividades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tendo em vista o Oficio n° 2335/2006 de 12/06/2006 da Segunda Vara Federal Criminal de Curitiba, referente ao Procedimento Criminal Diverso n º 2005.70.00.0013699 de autoria do Ministério Público Federal, referente à autuada. 5. Cientificada em 27/08/2008, fl. 181. a contribuinte, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 182/191, por meio de seu representante legal, fl. 192. 6. Reclama que fiscal obteve extratos bancários sem a imprescindível autorização judicial, dado que o art. 5o. X e XII da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF. de 1988, elenca a intimidade e o sigilo da comunicação de dados como invioláveis, tratandose de direitos e garantias fundamentais. 7. Também, que a simples movimentação bancária não pode motivar lançamento de tributos sobre os rendimentos, dado que não se trata de renda nem faturamento, pois podem ser valores de terceiros, de vendas anteriores só então adimplidas ou mesmo empréstimos de terceiros. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.004701/200806 Resolução nº 1801000.233 S1TE01 Fl. 4 3 8. Destaca que, conforme o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, cabe à autoridade administrativa determinar a matéria tributável, obrigação da qual furtouse neste caso, dado que, comodamente, considerou todo o excedente às receitas declaradas como receitas omitidas e não identificou a matéria tributária, o que é sua obrigação, não sendo desculpa a alegação de que à contribuinte foi dada a oportunidade de comprovar mês a mês, por documentação hábil e idônea, a origem dos recursos das operações financeiras; aduz que essa conduta cômoda de arbitramento é repelida mesmo modernamente e transcreve jurisprudência. 9. Sobre a multa de oficio, afirma que é limitada ao teto de 20%, conforme art. 61 da Lei n º 9.430, de 1996, que é a mesma norma que prevê a multa de 75%; que, no presente caso, o lançamento é de tributos típicos de auto lançamento (art. 150 do CTN), descabendo falar em lançamento de oficio, mesmo porque não existe clara definição legal do que isto seja, dai que, em obediência ao principio de aplicação da penalidade menor entre as duas previstas pela norma, deve a multa ser limitada aos 20%; afirma que é o caso de aplicação do art. 112, IV do CTN. 10. A empresa foi cientificada em 27/08/2008, fl. 181 e, tempestivamente, em 23/09/2008, apresentou a impugnação de fls. 182/191, por meio de sua representante legal, fl. 192. Apreciando o litígio a DRJ em Curitiba/PR proferiu o Acórdão n º 0626.404, de 29/04/2010 (fls. 200/205) e julgou improcedente a impugnação, mantendo as exigências na integralidade. A violação do sigilo bancário foi afastada pela aplicação da LC 105/2001 e pelo Decreto n º 3.724/2001. A apuração de omissão de receitas com base na presunção do artigo 42 da Lei n º 9.430, de 1996, foi validada, observando que nos termos desse comando legal o ônus de provar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes bancárias seria da própria defendente. A penalidade aplicada e os lançamentos reflexos também foram mantidos. Notificada da decisão, em 23/06/2010 (AR fl. 211), apresentou a interessada, em 16/07/2010 o recurso voluntário de fls. 212 a 222, no qual reproduz as razões de defesa contra a violação de sigilo bancário deduzidas na impugnação. Em sessão realizada em 11/04/2012, esta 1a. TE da 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF, converteu o julgamento na realização de diligência, para que fossem trazidos aos autos os seguintes documentos abaixo relacionados, a fim de comprovar se, de fato, os extratos de movimentação financeira junto a instituições bancárias teriam sido obtidos sem autorização judicial: 1) Memorando n° 219/06/DRF/CTA/SAPAC de 03/07/2006; 2) Cópia do oficio e 2335/2006 de 12/06/2006 da Segunda Vara Federal Criminal de Curitiba referente ao Procedimento Criminal Diverso n° 2005.70.00.0013699 de Autoria do Ministério Público Federal, 3) Qualquer outro documento que evidencie a existência de ação judicial penal ou inquérito policial em trâmite contra a recorrente, atinente aos fatos relatados pela auditoria fiscal, nos presentes autos. Encarregado dos trabalhos, o SAFIS da DRF em Maringá efetuou diligências e anexou, aos autos, cópias digitalizadas do Memorando nº 219/06/DRF/CTA/SAPAC, de 03/07/2006, da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade FiscalSAPAC, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR e do Ofício 2.335/2006, de 12/06/2006, da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba/PR, bem como, cópia das decisões de quebra de sigilo Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.004701/200806 Resolução nº 1801000.233 S1TE01 Fl. 5 4 e das respectivas representações ministeriais: 0309, 6568, 851852, 860, 10431046; 1048 1050 e 13321341, relativos aos Procedimento Criminal Diverso nº 2005.70.00.0013699 e do Ofício nº 1.335/2006/SAFIS/DRF/MGA/PR, de 10/07/2006. O agente encarregado dos trabalhos afirmou, na “Informação Fiscal” produzida: Informo, ainda, que não consta dos documentos citados acima, informação sobre a quebra do sigilo bancário da empresa recorrente, sendo que os extratos bancários utilizados no procedimento de fiscalização foram obtidos com a emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), em virtude de o contribuinte, após ser regularmente intimado a apresentar os extratos bancários, deixou de atender a exigência. Cumprida a diligência, retornaram os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento do litígio. É o relatório. VOTO Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Em sessão realizada em 11/04/2012, esta 1a. TE da 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF, converteu o julgamento na realização de diligência, para que fossem trazidos aos autos elementos que demonstrassem se, de fato, os extratos de movimentação financeira solicitados e obtidos das instituições bancárias com as quais a contribuinte opera teriam sido obtidos sem autorização judicial, com o objetivo de verificar se, in casu, deveriam ser aplicadas as disposições do artigo 62 A, parágrafos 1º e 2º do RICARF, combinadas com o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, que determinam o sobrestamento do julgamento de recursos nos casos em que houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Como resultado da diligência foram trazidos aos autos os seguintes documentos: 1) cópias digitalizadas do Memorando nº 219/06/DRF/CTA/SAPAC, de 03/07/2006, da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade FiscalSAPAC, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR; 2) cópias digitalizadas do Ofício 2.335/2006, de 12/06/2006, da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba/PR; 3) cópias digitalizadas das decisões de quebra de sigilo e das respectivas representações ministeriais: 0309, 6568, 851852, 860, 10431046; 10481050 e 13321341, relativos aos Procedimento Criminal Diverso nº 2005.70.00.0013699 e do Ofício nº 1.335/2006/SAFIS/DRF/MGA/PR, de 10/07/2006. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.004701/200806 Resolução nº 1801000.233 S1TE01 Fl. 6 5 Compulsando tais documentos verifiquei que pelo ofício 2.335/2006, de 12/06/2006, a 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba/PR solicitou ao Delegado da DRF em Curitiba/PR, a instauração de procedimento fiscal junto à contribuinte Qualigran Comércio de Granitos Ltda, CNPJ n.° 85.073.435/000119 – dentre outras pessoas físicas e jurídicas tendo em vista que, no curso do Procedimento Criminal Diverso n° 2005.70.00.0013699, foi constatada incompatibilidade entre a sua movimentação financeira e a renda por ela declarada, visto que tal fato constituiria indício de omissão de rendimento à Receita Federal. Junto do ofício foram encaminhadas cópia de documentos pertinentes para instauração de procedimento fiscal e apuração de ilícito tributário, nos seguintes termos: Em anexo, cópia das decisões de quebra de sigilo, das respectivas representações ministeriais: 0309, 6568, 851852, 860, 10431046, 10481050 e 13321341 bem como com cópia de toda a documentação bancária e fiscal colhida em relação a cada um desses contribuintes e os 06 CDs e 04 disquetes encaminhados. Encontrase anexada, cópia de petição do Ministério Público Federal / Procuradoria da República no Estado do Paraná no âmbito do PCD (Procedimento Criminal Diverso) n° 2005.70.00.0013699, endereçada ao Juízo Federal da 2a. Vara Criminal de Curitiba, solicitando a quebra de sigilo bancário da empresa Antecipa – Assessoria, Planejamento e Consultoria Administrativa Ltda. O pedido foi atendido e determinada a quebra de sigilo dessa empresa pelo Juiz Federal. Posteriormente, em aditamento, também foi solicitada ao Juízo Federal da 2a. Vara Criminal de Curitiba, pelo Ministério Público Federal / Procuradoria da República no Estado do Paraná, em 24/08/2005, no âmbito do PCD (Procedimento Criminal Diverso) n° 2005.70.00.0013699, a quebra de sigilo FISCAL de Cláudio Kioshi Watanabi, CPF 666.993.04968, e das empresas das quais referida pessoa física é sócia, dentre elas a Qualigran Comércio de Granitos Ltda, CNPJ n.° 85.073.435/000119. Na mesma ocasião também foi solicitada a quebra de sigilo bancário, apenas e tão somente da conta n º 1200971 , agência 0125 (centro cívico), do HSBC, de titularidade de Cláudio Kioshi Watanabi CPF 666.993.049 68. Entretanto, ao apreciar tal aditamento do MPF/PR, o Juiz Federal Substituto da 2a. Vara Criminal de Curitiba, assim se pronunciou: ... Também deve ser deferida a quebra de sigilo bancário e fiscal de CLÁUDIO KIOSHI WATANABI, diante da existência de indícios de que seja "laranja" do investigado Com efeito, verificase que CLÁUDIO foi um dos beneficiários dos pagamentos efetuados pela ANTECIPA no período imediatamente posterior ao depósito de RS 600.000,00 efetuado por ANTONIO CELSO GARCIA na conta dessa empresa (Apenso VI, fl. 223). ... Oficiese à Receita Federal solicitando que envie cópia no prazo de 15 dias, das declarações de imposto de renda e de relatório da movimentação financeira (CPMF). mês a mês, relativos aos últimos 5 (cinco) anos, dos seguintes contribuintes: ... Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.004701/200806 Resolução nº 1801000.233 S1TE01 Fl. 7 6 QUALIGRAN COMÉRCIO DE GRANITOS LTDA, CNPJ n.° 85.073.435/000119 ... Cumpre observar que, in casu, houve determinação do Juízo Federal da 2a. Vara Criminal do Paraná para que a Receita Federal prestasse informações quanto à movimentação financeira da empresa QUALIGRAN, mas aquela movimentação financeira constante dos sistemas internos da Receita Federal, que é alimentado com as informações prestadas pelas instituições financeiras, nos relatórios da CPMF. Entendo, pelos documentos acostados aos autos, não ter havido quebra de sigilo bancário em relação à empresa contribuinte. Apenas determinação judicial para que a Receita Federal informasse a movimentação financeira da empresa, que já era de seu conhecimento, posto que constante dos seus sistemas internos. Nessas condições, ou seja, tratandose de autos de infração lavrados com base em movimentação financeira obtida por meio de RMF – Requisição de Movimentação Financeira – diretamente junto às instituições financeiras, sem autorização judicial – como demonstram os documentos acostados às fls. 51 a 101, e item “1.3” do Termo de Verificação Fiscal de fls. 136/138, devem ser feitas as seguintes observações. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no Dje086 em 10/05/2011: Ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão eqüidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob fundamento de inconstitucionalidade após o STF, por seu plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o STF reconheceu quanto à matéria a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.004701/200806 Resolução nº 1801000.233 S1TE01 Fl. 8 7 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional, existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 542B, do CPC, e artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator da matéria, não determinou que os demais processos aguardassem na origem, conforme previsto no artigo 328, parágrafo único do Regimento Interno do STF. Porém, esta providência foi determinada em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº. 765.714, cuja decisão contém o seguinte teor: “Tratase de agravo de instrumento contra a decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11 § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitida o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.004701/200806 Resolução nº 1801000.233 S1TE01 Fl. 9 8 5. Na redação original do art. 11 § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144 § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria – sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 que possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência – cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso Posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Em resumo, o artigo 328, parágrafo único do RISTF, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765.714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314, nos processos que versam sobre a mesma matéria, está determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, concluindose, assim, s.m.j., que tal procedimento corresponde ao sobrestamento dos demais processos, pois, do contrário, os demais processos não poderiam ser devolvidos à origem, como aconteceu com o AI 765.714/SP. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, assim dispõe no artigo 62A: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.004701/200806 Resolução nº 1801000.233 S1TE01 Fl. 10 9 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tendo em vista que o presente processo envolve matéria discutida no âmbito jurisdicional em sede de repercussão geral reconhecida, qual seja, quebra sigilo bancário – Lei Complementar nº 105 / 2001 – como se vê do relatório e, considerando o que dispõe o artigo 62A, e parágrafos 1º e 2º do RICARF e, ainda, o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, que determinam o sobrestamento do julgamento dos recursos sempre que houver sobrestamento do julgamento jurisdicional dos recursos extraordinários da mesma matéria até decisão final – art.543B, do Código de Processo Civil – voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, encaminhandose o processo à SECAM/3ª CAM/1ªSEÇÃO, para providências cabíveis, nos termos do § 3º do artigo 2º da Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.905452/2009-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.905452/2009-39
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5329633
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.619
nome_arquivo_s : Decisao_10935905452200939.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10935905452200939_5329633.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5334111
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594554691584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.905452/200939 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.619 – 1ª Turma Especial Data 28 de janeiro de 2014 Assunto NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente COOPERATIVA DE CREDITO DE LIVRE ADMISSÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 05 45 2/ 20 09 -3 9 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10935.905452/200939 Resolução nº 3801000.619 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0637.081, julgado na sessão de 29 de maio de 2012, pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo n° 10935.905452/200939, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada e, portanto, não reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório (Rastreamento nº 842584211), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Cascavel, que não homologou a compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº41622.47311.180406.1.3.043600, devido à inexistência do crédito de R$ 15.814,63, uma vez que o pagamento de R$ 74.928,66, efetuado em 04/05/2005 (código 5869), já estaria totalmente utilizado para quitação de débito de CPMF do PA 27/04/2005, não restando crédito disponível para compensação pleiteada. Na manifestação apresentada em 16/07/2009, a contribuinte aduz que Incorreu em erro ao prestar a informação em DCTF, mas que essa declaração foi retificada, informando o valor correto da CPMF de R$59.114,03 e não R$74.928,66.Por isso, diz que faz jus ao crédito original de R$15.814,63. É o relatório. A DRJ de Curitiba decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/06/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. RETIFICAÇÃO DA DCTF. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por oportuno, destacase trecho do voto do Relator, in Fl. 441DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10935.905452/200939 Resolução nº 3801000.619 S3TE01 Fl. 4 3 verbis: “(...) não havendo a contribuinte carreado aos autos documentos que demonstrem o erro cometido no preenchimento da DCTF, a alteração dos valores declarados em DCTF não pode ser acatada, pelo que se mantém correta a não homologação da compensação requerida.”. Assim, ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, alegando nas razões do recurso: i) a origem e a existência do crédito, bem como da constatação do equívoco na transmissão da DCTF original; ii) a possibilidade de retificação da DCTF a destempo; e iii) da legitimidade da recorrente postular os valores em nome próprio, embora recolhidos sob a sistemática de “substituição tributária”. A fls. 77/94 se verifica que a contribuinte apresentou, em anexo ao recurso voluntário interposto, outros diversos, os quais, segundo sustenta a contribuinte, comprovariam a existência do crédito, assim como o direito de pleiteálo em nome próprio. É o sucinto relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10935.905452/200939 Resolução nº 3801000.619 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando as informações constantes nos autos, verificase que a DCTF ativa no momento da análise do Despacho Decisório recorrido informava como débito de CMPF (código 5869), da 1ª semana de junho/2005, o valor de R$ 92.194,24, vinculado a quitação a um DARF do mesmo valor, recolhido em 08/06/2005. Em 01/07/2009, porém, foi transmitida DCTF retificadora, pela qual foi alterado o débito de CPMF desse período para o valor de R$59.114,03 e vinculando a quitação ao mesmo pagamento de R$ 74.928,66. Assim, considerou a DRJ de Curitiba que tendo ocorrido a emissão do Despacho Decisório em 22/06/2009, temse que não haveria erro na análise do direito creditório, que decidiu pela nãohomologação da compensação pleiteada, tendo em vista as informações ativas no sistema naquele momento, e, nesse contexto, o recolhimento de R$ 92.194,24 encontravase totalmente vinculado ao débito de CPMF validamente declarado em DCTF. Deste modo, temse que DRJ de origem entendeu que diante de somente após a ciência do despacho decisório, ocorrida em 29/06/2009, é que foi transmitida apela contribuinte a DCTF retificadora (em 01/07/2009), alterando o valor da contribuição devida, que dava em consequência suporte para o direito creditório pleiteado, não poderia esta ser considerada. Assim, DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF. Outrossim, por não haver a contribuinte “carreado aos autos documentos que demonstrem o erro cometido no preenchimento da DCTF, a alteração dos valores declarados em DCTF não pode ser acatada”, consoante entendimento da DRJ de Curitiba. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somentepode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ entendeu por indeferir a manifestação de inconformidade. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório eletrônico, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10935.905452/200939 Resolução nº 3801000.619 S3TE01 Fl. 6 5 tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é por si suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, este Conselho tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 380201.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. No Acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes, igualmente desta 1ª Turma Especial, também entendeu comoadmissível a DCTF retificadora ser apresentada após a ciência do despacho decisório. Contudo, desde que mediante demonstração e comprovação do erro. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Neste sentido existe farta jurisprudência, consoante se verifica pelos arestos abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10935.905452/200939 Resolução nº 3801000.619 S3TE01 Fl. 7 6 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013) PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF RETIFICADA. OBRIGATORIEDADE. No âmbito do processo de compensação, admitese a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, desde que o sujeito passivo apresente a documentação adequada e suficiente que demonstre que houve pagamento indevido ou maior. DIREITO CREDITÓRIO. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO CONFESSADO APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO ERRO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O reconhecimento do direito creditório proveniente de pagamento a maior informado na DCTF retificadora, entregue após a ciência do Despacho Decisório, limitase a parcela da redução do débito devidamente comprovada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte. São reputados documentos hábeis e idôneos, para fim de comprovação da certeza e liquidez do crédito proveniente da retenção e recolhimento indevidos da CPMF, os extratos bancários, carreados aos autos pela instituição financeira, contendo o registro dos valores das operações bancárias não tributadas, das retenções indevidas da CPMF e dos estornos dos valores devolvidos aos clientes, acompanhados de declaração de devolução dos valores indevidamente retidos, prestada pelo contribuinte que suportou o ônus da indevida retenção. (Acórdão n° 3802001.326 – 2ª Turma Especial. Sessão de 25 de setembro de 2012) Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração de débitos e créditos tributáveis, Declaração da Receita Federal sobre DARF no aporte de R$ 74.928,66, Certidão Simplificada, Estatuto Social, Comprovantes de Depósito e de Transferências Eletrônicas Disponíveis, Extrato da Conta Corrente da empresa, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, não trazendo aos autos documentos contábeis, fiscais passíveis de apreciação por este Conselho, haja vista que respeitado o princípio da verdade material. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Apure o valor correto da CPMF e do direito ao crédito original utilizado para compensação, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; b) Cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10935.905452/200939 Resolução nº 3801000.619 S3TE01 Fl. 8 7 c) Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente)Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10707.001419/2007-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUDITORIA PATRIMONIAL. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste em etapa anterior ao início do procedimento fiscal. Assim, não cabe alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção relacionadas aos procedimentos de auditoria patrimonial.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUDITORIA PATRIMONIAL. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. SIGILO FISCAL. DIVULGAÇÃO A AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. EXIGÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO INSTAURADO PREVIAMENTE. USO DE DADOS EXCLUSIVAMENTE PELA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL. INEXISTENTE DIVULGAÇÃO. IGUALMENTE INEXISTENTE VIOLAÇÃO A SIGILO FISCAL.
PROCEDIMENTOS DE CORREIÇÃO DA RECEITA FEDERAL. AFERIÇÃO DE REGULARIDADE PELO CARF. INCOMPETÊNCIA
Não cabe ao CARF apreciar a regularidade dos procedimentos de correição.
ALEGAÇÃO DE ILÍCITO PENAL. AFERIÇÃO PELO CARF. INCOMPETÊNCIA.
Não compete ao CARF apreciar a alegação de prática de ilícito penal.
IRPF. AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. DECADÊNCIA. CONTAGEM ANUAL.
O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado pagamento e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro. A alegação de decadência mês a mês não encontra respaldo legal.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO DECLARADAS. CONTAGEM DOS REEMBOLSOS DO PLANO DE SAÚDE COMO ORIGEM DE RECURSOS.
Não é admitida a inclusão de deduções não pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual. Se as despesas médicas houvessem sido declaradas na DIRPF teriam impactado o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, pois o valor integral contaria como aplicação e o montante reembolsado, como origem. Desta forma, o impacto no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial corresponderia à parcela não reembolsada, que seria a mesma quantia que como deduções teriam reduzido a base de cálculo. Desta forma, inexiste prejuízo ao contribuinte, razão para indeferir seu pleito tanto de dedução de despesas como de contagem dos reembolsos como origem de recursos.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DADOS DA DIRPF. ALEGAÇÃO DE ERRO. FORTES INDÍCIOS DE QUE AS APLICAÇÕES DE RECURSOS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA NÃO OCORRERAM. DEVER DE INVESTIGAÇÃO A CARGO DO FISCO. EXCLUSÃO DO DEMONSTRATIVO.
Há fortes evidências de que os gastos com previdência privada não ocorreram como concluiu o Fisco, surgindo o dever de aprofundar a investigação acerca do dispêndio como forma de legitimamente inseri-lo no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Como isso não ocorreu, devem ser excluídos os respectivos valores do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS COMO ORIGEM DE RECURSOS.
Se o contribuinte alega que recebeu empréstimos tem o ônus de comprovar com documentação hábil e idônea. Alegação de recebimento a título de empréstimo, desacompanhada de provas, não é suficiente para elidir a infração.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no mês de dezembro, os dispêndios de R$14.988,00 (quatorze mil, novecentos e oitenta e oito reais) e de R$35.000,00 (trinta e cinco mil reais), nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello e Jimir Doniak Júnior que davam provimento parcial em maior extensão.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Cléber Pereira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUDITORIA PATRIMONIAL. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste em etapa anterior ao início do procedimento fiscal. Assim, não cabe alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção relacionadas aos procedimentos de auditoria patrimonial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUDITORIA PATRIMONIAL. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. SIGILO FISCAL. DIVULGAÇÃO A AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. EXIGÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO INSTAURADO PREVIAMENTE. USO DE DADOS EXCLUSIVAMENTE PELA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL. INEXISTENTE DIVULGAÇÃO. IGUALMENTE INEXISTENTE VIOLAÇÃO A SIGILO FISCAL. PROCEDIMENTOS DE CORREIÇÃO DA RECEITA FEDERAL. AFERIÇÃO DE REGULARIDADE PELO CARF. INCOMPETÊNCIA Não cabe ao CARF apreciar a regularidade dos procedimentos de correição. ALEGAÇÃO DE ILÍCITO PENAL. AFERIÇÃO PELO CARF. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao CARF apreciar a alegação de prática de ilícito penal. IRPF. AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. DECADÊNCIA. CONTAGEM ANUAL. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado pagamento e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro. A alegação de decadência mês a mês não encontra respaldo legal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO DECLARADAS. CONTAGEM DOS REEMBOLSOS DO PLANO DE SAÚDE COMO ORIGEM DE RECURSOS. Não é admitida a inclusão de deduções não pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual. Se as despesas médicas houvessem sido declaradas na DIRPF teriam impactado o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, pois o valor integral contaria como aplicação e o montante reembolsado, como origem. Desta forma, o impacto no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial corresponderia à parcela não reembolsada, que seria a mesma quantia que como deduções teriam reduzido a base de cálculo. Desta forma, inexiste prejuízo ao contribuinte, razão para indeferir seu pleito tanto de dedução de despesas como de contagem dos reembolsos como origem de recursos. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DADOS DA DIRPF. ALEGAÇÃO DE ERRO. FORTES INDÍCIOS DE QUE AS APLICAÇÕES DE RECURSOS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA NÃO OCORRERAM. DEVER DE INVESTIGAÇÃO A CARGO DO FISCO. EXCLUSÃO DO DEMONSTRATIVO. Há fortes evidências de que os gastos com previdência privada não ocorreram como concluiu o Fisco, surgindo o dever de aprofundar a investigação acerca do dispêndio como forma de legitimamente inseri-lo no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Como isso não ocorreu, devem ser excluídos os respectivos valores do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS COMO ORIGEM DE RECURSOS. Se o contribuinte alega que recebeu empréstimos tem o ônus de comprovar com documentação hábil e idônea. Alegação de recebimento a título de empréstimo, desacompanhada de provas, não é suficiente para elidir a infração. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10707.001419/2007-60
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5344446
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.811
nome_arquivo_s : Decisao_10707001419200760.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10707001419200760_5344446.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no mês de dezembro, os dispêndios de R$14.988,00 (quatorze mil, novecentos e oitenta e oito reais) e de R$35.000,00 (trinta e cinco mil reais), nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello e Jimir Doniak Júnior que davam provimento parcial em maior extensão. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Cléber Pereira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5426541
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594559934464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 660 1 659 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10707.001419/200760 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.811 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente AFONSO DE OLIVEIRA NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUDITORIA PATRIMONIAL. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste em etapa anterior ao início do procedimento fiscal. Assim, não cabe alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção relacionadas aos procedimentos de auditoria patrimonial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUDITORIA PATRIMONIAL. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. SIGILO FISCAL. DIVULGAÇÃO A AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. EXIGÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO INSTAURADO PREVIAMENTE. USO DE DADOS EXCLUSIVAMENTE PELA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL. INEXISTENTE DIVULGAÇÃO. IGUALMENTE INEXISTENTE VIOLAÇÃO A SIGILO FISCAL. PROCEDIMENTOS DE CORREIÇÃO DA RECEITA FEDERAL. AFERIÇÃO DE REGULARIDADE PELO CARF. INCOMPETÊNCIA Não cabe ao CARF apreciar a regularidade dos procedimentos de correição. ALEGAÇÃO DE ILÍCITO PENAL. AFERIÇÃO PELO CARF. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao CARF apreciar a alegação de prática de ilícito penal. IRPF. AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. DECADÊNCIA. CONTAGEM ANUAL. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado pagamento e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 14 19 /2 00 7- 60 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro. A alegação de decadência mês a mês não encontra respaldo legal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO DECLARADAS. CONTAGEM DOS REEMBOLSOS DO PLANO DE SAÚDE COMO ORIGEM DE RECURSOS. Não é admitida a inclusão de deduções não pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual. Se as despesas médicas houvessem sido declaradas na DIRPF teriam impactado o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, pois o valor integral contaria como aplicação e o montante reembolsado, como origem. Desta forma, o impacto no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial corresponderia à parcela não reembolsada, que seria a mesma quantia que como deduções teriam reduzido a base de cálculo. Desta forma, inexiste prejuízo ao contribuinte, razão para indeferir seu pleito tanto de dedução de despesas como de contagem dos reembolsos como origem de recursos. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DADOS DA DIRPF. ALEGAÇÃO DE ERRO. FORTES INDÍCIOS DE QUE AS APLICAÇÕES DE RECURSOS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA NÃO OCORRERAM. DEVER DE INVESTIGAÇÃO A CARGO DO FISCO. EXCLUSÃO DO DEMONSTRATIVO. Há fortes evidências de que os gastos com previdência privada não ocorreram como concluiu o Fisco, surgindo o dever de aprofundar a investigação acerca do dispêndio como forma de legitimamente inserilo no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Como isso não ocorreu, devem ser excluídos os respectivos valores do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS COMO ORIGEM DE RECURSOS. Se o contribuinte alega que recebeu empréstimos tem o ônus de comprovar com documentação hábil e idônea. Alegação de recebimento a título de empréstimo, desacompanhada de provas, não é suficiente para elidir a infração. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no mês de dezembro, os dispêndios de R$14.988,00 (quatorze mil, novecentos e oitenta e oito reais) e de R$35.000,00 (trinta e cinco mil reais), nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello e Jimir Doniak Júnior que davam provimento parcial em maior extensão. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10707.001419/200760 Acórdão n.º 2802002.811 S2TE02 Fl. 661 3 EDITADO EM: 16/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Cléber Pereira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2003, anocalendário 2002, em virtude de ter sido apurado (a) Acréscimo Patrimonial a Descoberto, (b) dedução indevida de despesas médicas e (c) dedução indevida de despesas com instrução. A multa de ofício exigida foi de 75%. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 547/558. A ciência do lançamento ocorreu em 04/12/2007 (fls. 566). Tal como descrito em primeira instância, a impugnação, em síntese, constituiuse dos seguintes argumentos: 1) preliminarmente, o auto de infração deveria ser declarado nulo, tendo o procedimento fiscal nascido eivado de ilegalidade ante o desvio de sua finalidade; 2) a ação fiscal foi aberta para Auditoria Patrimonial do Interessado com fundamento na Portaria SRF n° 73, de 2006, c/c a Portaria Coger/Cofis n° 01, de 2006, com o objetivo de identificar indícios de patrimônio incompatível com os rendimentos do Impugnante, ou enriquecimento ilícito, por ser AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil; 3) em razão do respeito ao princípio da estrita legalidade do ato administrativo, inserto no caput do 37 da Constituição Federal, não há como não se concluir que a utilização do processo fiscal para apuração de uma possível infração disciplinar ou ilícito penal, em lugar do processo administrativo disciplinar, configura desvio de finalidade do ato administrativo, nulificandoo e tornando nulo o lançamento impugnado; 4) como o procedimento fiscal que originou este processo teve como respaldo a utilização de dados tributários do Impugnante para averiguação do cometimento de possível infração administrativa,' ou ilícito penal, sem a instauração do processo administrativo condicionante prática vedada pela própria Secretaria da Receita Federal, após a aprovação da Nota COSIT Fl. 662DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 n° 372, de 2007 deve o auto de infração ser declarado nulo, sob pena de continuação da prática do crime previsto no art. 154 do Código Penal, que, desde o início, vem sendo perpetrado neste processo por todos que nele tenham atuado ou venham atuar; 5) deve o auto de infração ser declarado nulo, pela utilização indevida de dados sigilosos do Impugnante pela Corregedoria Geral da Secretaria da Receita Federal, sem a prévia abertura de processo administrativo disciplinar, até porque esta prática constituiria o crime previsto no art.154 do Código Penal; 6) ainda preliminarmente, se ultrapassadas as anteriores, sejam os créditos tributários referentes ao período de 01/01/2002 a 30/11/2002, bem como proporcionalmente a 11/12, os tidos como ocorridos no mês de dezembro de 2002, tidos como abrangidos pela decadência, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; 7) no mérito, se superadas todas as preliminares argüidas, não se pode aceitar que um comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda retido na fonte emitido pela própria Secretaria da Receita Federal, no valor anual bruto de RS 101.417,44, seja desconsiderado pela própria Receita Federal, que entendeu que possíveis diferenças entre os valores considerados e os informados não produzem qualquer efeito; 8) o Impugnante, nos anos de 2001 e 2002, teve que se submeter a uma complexa cirurgia em seu coração, além de uma recuperação que demandou longos dois anos, a sua DIRPF não foi por ele mesmo elaboradas, porque não possuía condições para tanto, decorrendo daí a existência de muitos erros, que não poderiam ser tributados, seja porque, ante o princípio constitucional da legalidade, a verdade material há de se sobrepor à formal, seja porque não existiria qualquer lei que estabeleça o erro como fato gerador de tributo; 9) no direito brasileiro não existiria a prova negativa, não sendo ninguém obrigado a provar que um determinado fato não ocorreu; 10) embora o Impugnante tenha alegado que o valor de R$ 14.988,00, referente a um suposto pagamento ao Fundo Prever e o valor de R$ 35.000,00, referente a um suposto pagamento ao Fundo Prever Invest teriam sido lançados em DIRPF do ano por engano, e, embora o Sr.Auditor Fiscal não tenha conseguido comprovar a efetividade desses pagamentos, preferiu o Autuante considerar que esses pagamentos existiram, mesmo sem provas ou indícios disso; 11) os valores de RS 14.988,00 e RS 35.000,00 considerados pelo Fisco deveriam ser excluídos do fluxo de caixa de fl. 537, sob pena de sua tributação se configurar em confisco; 12) também não foram considerados como origem de recursos os créditos bancários originados de reembolso de despesas médicas pela UNAFISCO Saúde (RS 54,08, RS 1.261,80, RS 2.213,26 e RS 43,20); Fl. 663DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10707.001419/200760 Acórdão n.º 2802002.811 S2TE02 Fl. 662 5 13) os registros constantes dos extratos da Unafisco devem ser considerados prova inequívoca, não só dos reembolsos, mas, também, das despesas médicas efetuadas, chancelando os ingressos de recursos e a dedução das parcelas não reembolsadas; 14) o Impugnante alegou a existência de um empréstimo não constante de sua DIRPF, no valor de R$ 12.000,00, efetuado pela Sra. Marta Amorim, sócia do Contribuinte na empresa Pro Seg Ltda.proveniente de lucros a ela distribuídos, coincidente em data e valor juntamente com a parcela relativa ao Impugnante no valor de R$ 68.000,00, com o depósito de R$ 80.000,00 constante na conta corrente do Interessado; 15) em razão da existência do ingresso dos recursos, e, face interpretação mais benéfica ao Contribuinte que sempre deve ser adotada no Direito Tributário, os R$ 12.000,00 deveriam ser considerados como um empréstimo da Sra. Marta Amorim coincidente em data e valor com o recebimento dos lucros, ou, então que se acatasse tal pagamento como a quitação de uma dívida anterior com o Interessado, devendo tal importância ser considerada no fluxo de caixa de fls. 537/538. A impugnação foi deferida em parte. Em resumo, a fundamentação adotada no acórdão recorrido: a) o procedimento fiscal não teve como escopo a apuração de infrações disciplinares ou penais, mas sim a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, e os parâmetros aplicados à seleção de contribuintes seguem as diretrizes estabelecidas internamente pela Receita Federal, observados os princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade, finalidade, razoabilidade e da justiça fiscal, não havendo obrigatoriedade de o Fisco informar ao contribuinte os parâmetros que levaram a sua seleção para fiscalização; b) os procedimentos administrativos fiscal e disciplinar são completamente distintos e possuem rito e disciplina específicos, de maneira que a alegação de uso indevido de dados sigilosos por parte da Corregedoria da Receita Federal é matéria estranha ao presente processo, cabendo ao interessado argüir a alegada violação nos foros adequados, quer seja na instância administrativa disciplinar da Receita Federal ou judicialmente; c) o IRPF tem fato gerador complexivo que se consuma no último dia do ano, o que afasta a alegação de decadência mês a mês; não ocorreu decadência posto que o lançamento foi feito de ofício e a contagem regese pelo inciso I do art. 173 do CTN, bem como, mesmo se contado o prazo na forma do §4º do art. 150 do CTN, o termo final seria 31/12/2007 e o lançamento foi notificado antes dessa data e, da mesma forma, não se consumou a decadência; d) quanto à alegação de erro na informação dos valores de R$14.988,00 e de R$35.000,00, relativos ao Fundo de Previdência Prever, na Declaração de Ajuste Anual, e que compuseram o demonstrativo do Acréscimo Patrimonial a Descoberto (fls. 557) como Fl. 664DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 aplicação de recursos, é ônus do contribuinte comprovar o erro na DIRPF, consta dos autos comprovante do Fundo de previdência respectivo (fls. 55) que indica contribuição de R$143.430,23 no anocalendário e o contribuinte não comprovou que os dois pagamentos acima estivessem incluídos no citado comprovante, além de ter sido juntado pelo contribuinte extrato consolidado da aplicação no Fundo Prever (fls. 443) no valor de R$13.617,71 que não se encontrava no montante do comprovante de fls. 55; não se trata de prova impossível; e) a alegação de que valores reembolsados pelo Unafisco Saúde (R$54,08, R$1.261,80, R$2.213,80, R$2.213,26 e R$43,20) devem ser computados como origem de recursos foi rechaçada porque, conforme esclarecido às fls. 555, a documentação referente a essas despesas médicas não foi apresentada pelo autuado; f) o alegado empréstimo recebido no valor de R$12.000,00 de Marta Amorim, sócia do contribuinte na empresa ProSeg Ltda, não consta na Declaração de Ajuste Anual do impugnante nem da Srª Marta, inexistindo prova de que essa importância tenha se tratado de empréstimo ou quitação de outra operação de repasse de recursos do contribuinte para a Srª Marta Amorim; a coincidência de datas entre a distribuição de lucros da empresa ProSeg e o recebimento da importância de R$12.000,00 por si só não tem o condão de atestar que tal valor tinha natureza de rendimento isento e se tratava de empréstimo de Marta Amorim para o impugnante; g) foi deferido o apelo para considerar como origem o valor dos rendimentos informados em DIRF, de R$101.417,44, ao invés de R$100.940,86; h) as despesas médicas foram glosadas porque havia pagamentos do ano calendário 2001 e valores declarados a maior e as despesas com instrução, por falta de documentação e de amparo legal, porém o impugnante não trouxe elementos que pudessem afastar as glosas. A ciência do acórdão ocorreu em 19/01/2012 (fls. 605verso) e o recurso voluntário foi interposto no dia 14/02/2012 (fls. 608). Após a descrição dos fatos, a peça recursal é constituída pelas alegações abaixo: Das preliminares 1. retoma a argumentação de que o procedimento de fiscalização foi ilegal e inconstitucional desde sua origem, pois a ação fiscal foi aberta para Auditoria Patrimonial com fundamento na Portaria SRF 73/2006 c/c Portaria Coger/COFIS nº 01/2006 com objetivo de identificar indícios de patrimônio incompatível com os rendimentos do recorrente ou enriquecimento ilícito por ser AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil; de forma que o procedimento fiscal objetivou apuração de possível infração disciplinar ou ilícito penal, em razão da função de AuditorFiscal da receita Federal por meio de procedimento de natureza estritamente fiscal, ao invés do emprego de um processo disciplinar, regido pela lei 8.112/1990, configurando desvio de finalidade do ato administrativo (caput do art. 37 da Constituição de 1988 e Lei 4.717/1965) o que é suficiente para anular o lançamento; 2. são inconfundíveis as atividades da Corregedoria Geral da Receita Federal (regidas pela lei 8.112/90) e as atividades de arrecadação e administração tributárias (disciplinas pelo CTN), de forma que o uso dos dados protegidos por sigilo fiscal violou o art. 138 do CTN, pela falta de instauração regular de processo administrativo contra o recorrente; a própria Receita Federal veio a reconhecer a ilegalidade da utilização indiscriminada dos dados Fl. 665DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10707.001419/200760 Acórdão n.º 2802002.811 S2TE02 Fl. 663 7 fiscais dos contribuintes sem prévia e regular instauração de processo administrativo, ante a edição da Nota Cpsit nº 372/2007, que referendou o Parecer PGFN/CAT nº 1.443/2007; 3. ante os fatos do processo e, em especial, a Portaria Coger/Cofis nº 01/2006 é incorreta a premissa do acórdão recorrido de que a fiscalização observou os princípios do interesse público, da impessoalidade, imparcialidade, finalidade, razoabilidade e justiça fiscal, pois a fiscalização foi aberta com caráter personalíssimo, pois decorrente diretamente de uma portaria da Corregedoria; 4. a utilização de dados tributários do contribuinte para averiguação de cometimento de infração administrativa ou ilícito penal, sem a instauração do processo administrativo condicionante prática vedada pela própria Receita Federal após aprovação da Nota Cosit nº 372/2007 – torna nulo o auto de infração, sob pena de continuação da prática do crime previsto no art. 154 do Código Penal, que vem sendo praticado por todos que nele tenham atuado ou venham a atuar; 5. após mencionar diversas leis aplicáveis ao IRPF e precedentes deste Conselho, sustenta a tese da contagem mensal do prazo de decadência; Do mérito 6. as supostas infrações baseiamse na falta de prova negativa, nos anos de 2001 e 2002, submeteuse a complexa cirurgia do coração e sua recuperação demandou longos dois anos, de maneira que não elaborou sua própria DIRPF, a qual contém diversos erros, que não podem ensejar a tributação; 7. reitera a alegação de erro na inclusão dos pagamentos de R$14.988,00 e de R$35.000,00 na DIRPF e que a autuação baseouse na falta de prova da inexistência desses pagamentos, posto que não existe prova ou mesmo indício de que tenham ocorrido; 8. os reembolsos do Unafisco Saúde devem ser aceitos e a parcela não reembolsada consignada nos comprovantes deve ser admita como despesas médicas, pois há prova inequívoca, há época a Unafisco Saúde retinha os recibos o que impossibilitou sua apresentação; 9. não admitir o empréstimo de R$12.000,00 unicamente porque não constou da DIRPF é sobrepor o formalismo à verdade material e evidencia o caráter político desta fiscalização, especialmente pela coincidência em data e valor, juntamente com parcela relativa ao recorrente, de R$68.000,00, que levou ao depósito de R$80.000,00; além do mais, a outra hipótese levantada pelo autuante deve ser aplicada em favor do recorrente, pois se fosse uma liquidação de débito anterior da Srª Marta justificaria ingresso na conta corrente do recorrente. É o relatório. Voto Fl. 666DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Das preliminares O acórdão recorrido adequadamente indicou que o procedimento de constituição do crédito tributário e o de correição possuem ritos específicos e inconfundíveis. O recorrente também adota essa premissa. Todavia, as conclusões adotadas pelo recorrente e pela decisão combatida são diversas. Não cabe ao CARF apreciar a regularidade dos procedimentos de correição, assim como também não integra o contencioso administrativo o controle dos critérios adotados pela Receita Federal na fase de seleção de contribuintes para serem fiscalizados, quer tenha sido adotado critério relacionado à Auditoria Patrimonial ou qualquer outro. Nesse sentido, há precedentes do CARF, cujos excertos de ementa são transcritos abaixo, que demonstram a impossibilidade de reconhecimento de nulidade do lançamento baseada em alegação de vício na fase de seleção de contribuintes: SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste em etapa anterior ao início do procedimento fiscal. Assim, não cabe alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. (...) Acórdão CARF nº 2201002.297, de 10/03/2014) SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. REFLEXO NO LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal, assim, não procede a alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. A auditoria fiscal visa resguardar o interesse público, logo não pode o contribuinte alegar perseguição pelo simples fato de ter sido escolhido para a auditoria.(Acórdão CARF nº 2201002.275, de 12/02/2014) O procedimento fiscal que deu origem ao lançamento representou o procedimento de averiguação do cumprimento da legislação tributária, notadamente sob a perspectiva de aferir eventual Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o que culminou com a lavratura do auto de infração. Não se tratou de um procedimento de investigação de infração administrativa ou de ilícito penal. A norma geral sobre sigilo fiscal está estampada no caput do art. 138 do CTN. Por meio desse texto legal é vedada “a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores” dos dados fiscais dos contribuintes. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10707.001419/200760 Acórdão n.º 2802002.811 S2TE02 Fl. 664 9 Divulgação é substantivo proveniente do verbo divulgar, que por sua vez tem o seguinte significado: 1 Fazer conhecido, tornar público; apregoar, difundir: Divulgar os progressos da Ciência. Daí a divulgaram por todo o mundo. vpr 2 Tornarse conhecido ou público; propagarse: "Divulgouse em Lisboa a notícia" (Camilo Castelo Branco). (Dicionário Michaelis on line) Não existe divulgação de informação de uma pessoa para si própria. Inexiste violação de sigilo fiscal (art. 138 do CTN), pois a Receita Federal não forneceu dados do contribuinte a qualquer outra Instituição, foi ela própria que os usou para fins de fiscalização da regularidade fiscal do recorrente. A Nota Cosit nº 200, de 2003, tratou exclusivamente do fornecimento de informações protegidas por sigilo fiscal a órgãos do Ministério Público Federal. A Nota Cosit nº 3, de 2004, por sua vez, reexaminou a matéria, só que a fim de perscrutar quais autoridades administrativas ou órgãos da Administração Pública poderiam obter tais informações. O Parecer PGFN/CAT nº 1.443, de 2007, analisou as duas notas mencionadas acima. A Nota Cosit nº 372/2007 objetivou uniformizar a interpretação relativa aos pedidos de informações provenientes do Ministério Público Federal e de outros órgãos da Administração Pública, em razão da unificação das atividades da extinta Secretaria da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal. Nos atos apontados pelo recorrente analisavase a possibilidade de a Receita Federal atender a requisição de outro Órgão para fornecimento de dados protegidos por sigilo fiscal. Tais casos são distintos do presente, em que é a própria Receita Federal que utiliza os dados do contribuinte. As Normas da Receita Federal e Pareceres da PGFN citados pelo recorrente tiveram por objeto outras situações, em que se tratava de divulgação de informação da Receita Federal para outros Órgãos, o que não se deu neste caso concreto. Analisar a alegação do recorrente de que a fiscalização foi personalíssima implicaria apreciar o critério de seleção para fiscalização, o que foi refutado acima. Ademais, a Portaria Coger/Cofis nº 01/2006 (fls. 586/587), mencionada pelo recorrente, indica expressamente que a seleção de servidores sujeitos à auditoria patrimonial será executada com base em critérios técnicos, objetivos e impessoais, de caráter nacional. Não compete ao CARF analisar se a utilização de dados tributários do contribuinte para averiguação de cometimento de infração administrativa ou ilícito penal, sem a instauração do processo administrativo, foi regular ou não. Da mesma forma, não compete ao CARF apreciar a alegação de prática de ilícito penal (art. 154 do Código Penal). Fl. 668DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Demonstrado que a Nota Cosit nº 372/2007 cuidou de situação jurídica diversa, fica prejudicada a alegação de que sua violação teria dado causa a nulidade do auto de infração. Da decadência O imposto de renda da pessoa física por ser espécie de tributo em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 7º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995) tem como regra para definição do prazo de decadência o disposto do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), salvo se comprovado ser caso de dolo, fraude ou simulação. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O imposto de renda das pessoas físicas é devido, mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos, sem prejuízo do ajuste anual, cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, consumandose o fato gerador em 31 de dezembro. Não procede a tese da decadência mês a mês. Nestes autos verificase que o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2002 e não foi comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, logo o termo final do prazo decadencial foi 31 de dezembro de 2007, sendo que o auto de infração foi notificado ao sujeito passivo antes dessa data, de forma que não ocorreu a decadência. Do mérito Acréscimo Patrimonial a Descoberto – reembolso de despesas médicas (fls. 422) e dedução das correspondentes parcelas não reembolsadas O acórdão recorrido assinalou que documentação referente às despesas médicas reembolsadas não foi apresentada pelo autuado e por essa razão – já registrada pela autoridade autuante às fls. 555 – foi rechaçada a alegação de incluir os reembolsos no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Como o recorrente pleiteia a dedução da parcela não reembolsada, tomase como incontroverso que não foram declaradas. Se as despesas médicas houvessem sido declaradas na DIRPF teriam impactado o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto: o valor integral contaria como aplicação e o montante reembolsado, como origem. Desta forma, o impacto no Fl. 669DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10707.001419/200760 Acórdão n.º 2802002.811 S2TE02 Fl. 665 11 demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a corresponderia à parcela não reembolsada, que seria a mesma quantia que como deduções teriam reduzido a base de cálculo. Desta forma, inexiste prejuízo ao contribuinte e reforça a necessidade de aplicar o entendimento reiterado deste Colegiado de que é na Declaração de Ajuste Anual que o contribuinte exerce seu direito a deduzir despesas, sujeitandose desta forma ao dever de comprovar à fiscalização quando intimado para tanto. Não é admitida a inclusão de deduções não pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual. Nesse sentido são os acórdãos unânimes desta Turma Julgadora cujas ementas são transcritas abaixo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Ementa: IRPF. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. Não havendo, na fase impugnatória, questionamento acerca da glosa da dedução com despesa de instrução,na fase recursal, essa matéria encontrase preclusa. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, somente se restabelece a espontaneidade se, transcorridos mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que dê prosseguimento ao procedimento fiscal. Assim, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, a apresentação de declarações retificadoras é um ato ineficaz. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea e incluídas na Declaração de Ajuste Anual apresentada à Administração Tributária e que serviu de base à autuação fiscal, sendo descabida a inclusão de deduções por meio de declarações retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal e quando cessado os efeitos da espontaneidade. Recurso negado.(Acórdão 280200.819, de 12/05/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: Fl. 670DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 IRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. ADMISSÃO NA FASE RECURSAL. Tendo a glosa sido impugnada, a busca da verdade material e o princípio do formalismo moderado autorizam admitir a prova da dedução declarada no ajuste anual, ainda que na fase recursal, ausentes razões significativas para sua não aceitação. IRPF. DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase recursal. IRPF. DEDUÇÕES. Em relação aos dependentes e demais deduções declaradas no Ajuste Anual, uma vez comprovada com documentação hábil e idônea os requisitos de sua dedutibilidade, cabe afastar a glosa. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 280201.425, de 12/03/2012) Ademais, as despesas médicas foram glosadas porque havia pagamentos do anocalendário 2001 e valores declarados a maior e as despesas com instrução, por falta de documentação e de amparo legal. O acórdão recorrido registrou que o impugnante não trouxe elementos que pudessem afastar as glosas e não houve contestação expressa, acarretando preclusão neste ponto. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto e do alegado erro quanto a pagamentos ao Fundo Prever O recorrente alega que, nos anos de 2001 e 2002, submeteuse a complexa cirurgia do coração e sua recuperação demandou longos dois anos, de maneira que não elaborou sua própria DIRPF, a qual contém diversos erros, que não podem ensejar a tributação, entre os quais a inclusão dos valores de R$14.988,00 e de R$35.000,00, relativos ao Fundo Prever. Informou, na fase de fiscalização, sobre esse alegado erro e que o valor correto era exclusivamente o que constou do comprovante emitido pelo Unibanco na quantia de R$143.430,23. Sustenta que a autuação baseouse na falta de prova da inexistência desses pagamentos, mesmo diante da inexistência de prova ou mesmo indício de que tenham ocorrido. A Fiscalização conduziu as intimações com base nas informações da declaração de bens e direitos (fls. 07), onde foram mencionados, entre outros itens, saldo final para Fundo Prever Aposentadoria Empresarial (R$14.988,00), PGBLPrever Empresarial/RV 30 e 100 (R$7.000,00) e PGBLPrever Invest (R$143.000,00), cujos saldos iniciais eram zero. Concomitantemente, a Fiscalização intimou com base na relação de pagamentos efetuados (fls. 06) em que aparece o item PGBL Prever Invest (R$143.430,23) e nenhum dos outros itens. A análise dos autos leva à conclusão de que é mínima a probabilidade de os Fundos Prever serem de outra Instituição que não a emitente do comprovante de fls. 55, no Fl. 671DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10707.001419/200760 Acórdão n.º 2802002.811 S2TE02 Fl. 666 13 qual consta como pagamentos no ano de 2002 apenas o que foi informado na DIRPF no campo dos pagamentos efetuados (R$143.430,23). Isso é indício forte o suficiente para dar crédito à tese do erro no preenchimento do campo da relação de bens e direitos. Notese que na DIRPF não houve declaração desses pagamentos, os quais uma vez declarados poderiam vir a compor a dedução correspondente. Nestas circunstâncias, caberia ao Fisco aprofundar a investigação acerca do dispêndio como forma de legitimamente inserilo no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Este item foi computado no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto no mês de dezembro, conforme registrado no item a do Termo de Verificação Fiscal (fls. 554). O outro item discutido é o valor de R$35.000,00 que foi declarado como na DIRPF2004 como saldo existente em 31/12/2002) no PGBL Prever Invest – proposta 21/84997. A situação é análoga à anterior, portanto a questão deve ter a mesma solução jurídica. Pelos valores indicados mensalmente no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para o item “Contribuições a entidades de previdência privadas” e as anotações do Termo de Verificação Fiscal, item “h” (fls. 556), concluise que o valor de R$35.000,00 foi computado em dezembro. Desta forma, devem ser excluídos do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no mês de dezembro, os dispêndios de R$14.988,00 e R$35.000,00. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto e do alegado empréstimo O recorrente sustenta que não admitir o empréstimo de R$12.000,00 unicamente porque não constou da DIRPF é sobrepor o formalismo à verdade material, especialmente pela coincidência em data e valor, juntamente com parcela relativa ao recorrente, de R$68.000,00, que levou ao depósito de R$80.000,00; e evidenciaria o caráter político desta fiscalização. Supondo que esta quantia tenha sido repassada pela Srª Marta, ainda assim seria necessário comprovar a natureza com que esse dinheiro foi recebido pelo contribuinte. A coincidência de datas e valores tem influência tão só para vincular o recurso ao recebimento de lucro pela Srª Marta, mas nada indica sobre a razão de ter sido repassado ao recorrente. Alegação de recebimento a título de empréstimo, desacompanhada de provas, não é suficiente para elidir a infração. Essa foi essencialmente a mesma fundamentação do acórdão recorrido, que não merece reparo. O contribuinte ressalta também que a autoridade autuante assinalou que o recurso poderia terlhe sido entregue como forma de liquidação de débito anterior da Srª Marta. Nessa linha, argumenta que essa hipótese lhe favoreceria, pois se o dinheiro fosse uma liquidação de dívida anterior da Srª Marta justificaria ingresso na conta corrente do recorrente e Fl. 672DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 seria uma origem de recursos para fins do demonstrativo que apurou Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Ocorre que não foi esse o sentido consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 556). Lá se apontou que o contribuinte não informou no campo Dívidas e Ônus Reais de sua DIRPF (em 31/12/2002) a existência de saldo do suposto empréstimo de R$12.000,00, nem a Srª Marta, na sua Declaração de Bens e Direitos. Logo, se algum empréstimo houvesse ocorrido, deveria ter sido considerado, em 2002, não somente seu recebimento (origem), mas também sua devolução (aplicação). As hipóteses apontadas pela autoridade autuante devem ser lidas como um esforço argumentativo para demonstrar a falta de comprovação da alegação do recorrente. Se houve a suposta origem de recursos, é ônus do contribuinte comprovála com documentação hábil e idônea. Da dedução de despesas com instrução Infração não contestada, portanto matéria preclusa. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no mês de dezembro, os dispêndios de R$14.988,00 (quatorze mil, novecentos e oitenta e oito reais) e de R$35.000,00 (trinta e cinco mil reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 673DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
