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Numero do processo: 13855.001426/2005-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS.
Mantém-se a glosa das despesas médicas por falta de comprovação hábil e idônea da prestação dos serviços do efetivo pagamento ao profissional habilitado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.628
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.667942/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2003
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 79 42 /2 01 1- 29 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10880.667942/201129 Acórdão n.º 3402006.407 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS cumulativo relativo a recolhimento a maior, que restou indeferido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de inconformidade, julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ nº 14052.644. Intimado desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a necessidade de se reconhecer o crédito decorrente de pagamento indevido valores de COFINS não incluídas no conceito de receita; e (ii) a não incidência de PIS/COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, por não configurarem receita. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.396, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.667929/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.396): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. De pronto, vale consignar que, em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10880.667942/201129 Acórdão n.º 3402006.407 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que o contribuinte alegou que a origem do crédito decorreria de equívoco cometido no pagamento de processo de parcelamento n.º 10880.014298/200110, no qual teria apurado e recolhido a COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, valores que não correspondem à Receita. Contudo, para demonstrar a existência do seu crédito, a Recorrente não acostou ao seu Recurso Voluntário qualquer documento que poderia respaldar o seu crédito. Com efeito, não constam dos autos sequer a cópia do pedido de parcelamento referenciado na defesa, a planilha com a composição das bases de cálculo que respaldariam o valor do crédito ou mesmo quaisquer documentos fiscais ou contábeis suscetíveis à respaldar o crédito pleiteado. E aqui frisese que a Recorrente pretende a restituição integral do valor recolhido na guia DARF sob a alegação de pagamento indevido da COFINS de forma parcial, vez que recolhido com base no conceito de receita inconstitucionalmente alargado. Contudo, não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de comprovar a origem do parcelamento, quais os valores que teriam sido pagos naquele processo que estariam corretos e quais os valores que teriam sido indevidamente recolhidos a maior naquele processo. 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10880.667942/201129 Acórdão n.º 3402006.407 S3C4T2 Fl. 5 4 A impossibilidade de verificação da validade do crédito por ausência de respaldo probatório foi indicada na r. decisão recorrida, sendo que a empresa permaneceu trazendo alegações de mérito gerais e sem substrato probatório em seu Recurso Voluntário: "Mesmo que se concorde com o argumento da recorrente, quanto ao entendimento do STF sobre a ampliação da base de cálculo, a verdade é que qualquer juízo de valor, no caso, dependeria da apresentação de provas. Esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse. No presente, a interessada não apresentou qualquer documentação que lastreasse seu pedido, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º." (efl. 29 grifei) Assim, considerando que não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de evidenciar, nem mesmo de forma indiciária, o direito creditório apontado pelo sujeito, não é possível confirmar a validade das alegações trazidas pela Recorrente. Ainda que se coadune com as alegações de direito genericamente trazidas em sua peça de defesa, a empresa deixou de juntar aos autos elementos de prova da existência do direito. Com isso, face a ausência de provas, deve ser mantida a conclusão alcançada pela decisão de primeira instância no sentido da inexistência de qualquer direito creditório na hipótese. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10880.667942/201129 Acórdão n.º 3402006.407 S3C4T2 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.667933/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2002
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2002 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 79 33 /2 01 1- 38 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10880.667933/201138 Acórdão n.º 3402006.399 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS cumulativo relativo a recolhimento a maior, que restou indeferido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de inconformidade, julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ nº 14052.636. Intimado desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a necessidade de se reconhecer o crédito decorrente de pagamento indevido valores de COFINS não incluídas no conceito de receita; e (ii) a não incidência de PIS/COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, por não configurarem receita. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.396, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.667929/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.396): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. De pronto, vale consignar que, em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10880.667933/201138 Acórdão n.º 3402006.399 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que o contribuinte alegou que a origem do crédito decorreria de equívoco cometido no pagamento de processo de parcelamento n.º 10880.014298/200110, no qual teria apurado e recolhido a COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, valores que não correspondem à Receita. Contudo, para demonstrar a existência do seu crédito, a Recorrente não acostou ao seu Recurso Voluntário qualquer documento que poderia respaldar o seu crédito. Com efeito, não constam dos autos sequer a cópia do pedido de parcelamento referenciado na defesa, a planilha com a composição das bases de cálculo que respaldariam o valor do crédito ou mesmo quaisquer documentos fiscais ou contábeis suscetíveis à respaldar o crédito pleiteado. E aqui frisese que a Recorrente pretende a restituição integral do valor recolhido na guia DARF sob a alegação de pagamento indevido da COFINS de forma parcial, vez que recolhido com base no conceito de receita inconstitucionalmente alargado. Contudo, não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de comprovar a origem do parcelamento, quais os valores que teriam sido pagos naquele processo que estariam corretos e quais os valores que teriam sido indevidamente recolhidos a maior naquele processo. 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10880.667933/201138 Acórdão n.º 3402006.399 S3C4T2 Fl. 5 4 A impossibilidade de verificação da validade do crédito por ausência de respaldo probatório foi indicada na r. decisão recorrida, sendo que a empresa permaneceu trazendo alegações de mérito gerais e sem substrato probatório em seu Recurso Voluntário: "Mesmo que se concorde com o argumento da recorrente, quanto ao entendimento do STF sobre a ampliação da base de cálculo, a verdade é que qualquer juízo de valor, no caso, dependeria da apresentação de provas. Esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse. No presente, a interessada não apresentou qualquer documentação que lastreasse seu pedido, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º." (efl. 29 grifei) Assim, considerando que não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de evidenciar, nem mesmo de forma indiciária, o direito creditório apontado pelo sujeito, não é possível confirmar a validade das alegações trazidas pela Recorrente. Ainda que se coadune com as alegações de direito genericamente trazidas em sua peça de defesa, a empresa deixou de juntar aos autos elementos de prova da existência do direito. Com isso, face a ausência de provas, deve ser mantida a conclusão alcançada pela decisão de primeira instância no sentido da inexistência de qualquer direito creditório na hipótese. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10880.667933/201138 Acórdão n.º 3402006.399 S3C4T2 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911407/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
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ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.911414/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 07 /2 00 9- 81 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de não confirmado na medida em que o recolhimento correspondente teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da entrega da Declaração de Compensação DCOMP, a contribuinte alegou que teria prestado informação equivocada em DCTF, fato evidenciado depois que foi apresentada a Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) pertinente àquele ano. Assim, não assistiria razão para a não homologação da compensação, mesmo existindo erro na DCTF, em razão da Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) que fora feita e inteiramente acatada pela Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal poderia promover tal correção, na medida em que emite notificações para cobrança quando constatadas divergências, e assim deveria observar o mesmo critério na compensação. Acrescentou que a DCTF foi retificada e pleiteou prazo complementar para trazer aos autos maiores informações e documentos. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos observando que a DCTF é confissão de dívida, e assim sua retificação somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se fundo, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Neste contexto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, mormente tendo em conta o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, como o erro não foi provado documentalmente por ocasião da manifestação de inconformidade, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Afirmou, ainda, o cabimento de encargos moratórios sobre débitos não pagos no vencimento, e observou que o prazo solicitado para anexação de novos documentos já havia se esgotado, sem que nada fosse apresentado. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 4 3 acrescenta que, para sanear o processo, a Recorrente, além da DIPJ apresentada, traz outros documentos que sustentam o pleito, a saber: Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, correspondente ao trimestre in casu, bem como, os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário contemporaneamente registrado na Junta Comercial. Observa que as normas que tratam da matéria não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência de direito de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, e reportandose ao art. 18 do Decreto nº 70.235/72, defende que o Julgador ao considerar a DIPJ como prova insuficiente para sua convicção, deveria, então, requerer em diligências a produção de provas ou mera confirmação dos créditos. Pede, assim, frente às provas apresentadas, que seja reconhecido o direito creditório e determinados os procedimentos necessários para a homologação dos débitos fiscais apresentados na PER/DCOMP in casu. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.767, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10580.911414/2009 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.767): O recurso voluntário é dotado dos pressupostos de admissibilidade e assim deve ser conhecido. O exame da DCOMP sob análise evidencia que o indébito utilizado em compensação, apesar de integrar pagamento totalmente vinculado a débito declarado em DCTF à época da edição do despacho decisório, é inferior à diferença entre o recolhimento indicado e o débito correspondente informado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório e contemporaneamente à transmissão da DCOMP. Confirmase, assim, a alegação da recorrente de que o indébito foi constatado por ocasião da apresentação da DIPJ, devendo apenas se ressalvar que tal se deu por ocasião da retificação da DIPJ original, mas ainda assim apresentada quase dois anos antes da análise pela autoridade fiscal que resultou no despacho decisório de não homologação sob debate. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de 1ª instância expressou o entendimento de que, nos termos dos arts. 26 e 27 do Decreto nº 7.574/20111, faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, e que, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Observou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, e que, na forma do art. 147, §1º do Código Tributário Nacional, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante depende da comprovação do erro em que se funde, e deve ser promovida antes da notificação do ato fiscal. Sob esta ótica, entendeu imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Em recurso voluntário, a contribuinte apresenta cópia do Livro Diário no qual está reproduzida a demonstração de resultado do período, bem como os ajustes correspondentes no LALUR, dos quais resulta o lucro real que, informado na DIPJ retificadora, origina os tributos devidos em valor inferior aos recolhidos e informados em DCTF. Contudo, desnecessária se mostra a confirmação da regularidade da escrituração fiscal e contábil assim apresentada, dado que esta Conselheira já apreciou litígio semelhante, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 110100.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 6 5 nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 7 6 declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 8 7 § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 9 8 § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 10 9 Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 11 10 período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911407/200981 Acórdão n.º 1402003.769 S1C4T2 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.007536/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 23/02/2004
IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizá-lo na compensação de crédito tributário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA.
A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária.
PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões.
Numero da decisão: 2402-006.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11020.007525/2008-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizálo na compensação de crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária. PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 75 36 /2 00 8- 08 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11020.007536/200808 Acórdão n.º 2402006.951 S2C4T2 Fl. 3 2 julgamento do processo 11020.007525/200810, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11020.007525/200810, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de recurso voluntário pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de impugnação, onde a Turma de DRJ competente acolheu apenas parcialmente pedido de compensação de IRRF apresentado pela empresa. A recorrente apresentou PER/DCOMP requerendo a compensação de débito de IRRF, código 0588, com valores retidos no mesmo mês, por tomadores de serviços prestados por seus associados. A contribuinte foi cientificada da homologação apenas parcial de seu pedido, vindo a apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão. A autoridade de piso, ao examinar o caso, decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização intimasse, recebesse e analisasse os comprovantes de retenção emitidos em nome da recorrente, bem como emitisse um relatório circunstanciado acerca do montante do crédito comprovado, cientificando ao final a empresa sobre as suas conclusões. Realizado tal procedimento, a recorrente manifestou concordância com a parte do crédito reconhecido pela auditoria, pedindo, entretanto, que a DRJ ordenasse uma complementação da diligencia, para que a auditoria examinasse sua contabilidade e detectasse os casos de retenções não declaradas em DIRF pelos tomadores de seus serviços. Pediu, ainda, que, caso o julgador não concordasse com tal complementação, que ao menos concedesse um novo prazo para a empresa juntar as faturas de sua emissão contendo destaques das retenções sofridas no período. Posteriormente, a Turma de DRJ exarou o acórdão recorrido, decidindo pela procedência parcial da manifestação de inconformidade da contribuinte e indeferindo o novo pedido de diligência, ao argumento de que o ônus de prova seria da contribuinte e que caberia a Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11020.007536/200808 Acórdão n.º 2402006.951 S2C4T2 Fl. 4 3 essa, portanto, ter apresentado os elementos probantes de suas alegações junto com inconformidade, em vez de tãosomente disponibilizar sua contabilidade à fiscalização. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço, pedindo a anulação do acórdão combatido, por preterição de direito de defesa, e requereu a realização de nova diligência (a fim de comprovar as retenções sofridas) ou que, ao menos, fosse autorizada a juntada de cópias de faturas com os destaques das retenções sofridas. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11020.007525/200810, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2402006. 938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2402005.938 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido de anulação da decisão recorrida Quanto ao pedido de anulação do acórdão recorrido, analisados os autos, verificase que a autoridade de piso concedeu amplas possibilidades de a contribuinte apresentar suas razões e juntar todos os elementos de prova que considerasse necessários. Consta, inclusive, que o primeiro grau autorizou a realização de diligência requerida pela empresa, tendo a fiscalização estendido por 80 dias o prazo para a recorrente apresentar as provas constitutivas de seu direito, além de outros 30 dias para, ao final do procedimento, manifestarse sobre as conclusões da auditoria. Foi observado, também, que o acórdão combatido detalha e análise todos os argumentos e pedidos apresentados pela recorrente, expondo de forma clara as razões que motivaram a decisão proferida. Assim, entendese que o indeferimento do segundo pedido de diligência da recorrente, apresentado logo após a conclusão do primeiro Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11020.007536/200808 Acórdão n.º 2402006.951 S2C4T2 Fl. 5 4 procedimento, em nada afetou seu direito de defesa, descabendo razão à empresa quanto a esse aspecto. Da diligência requerida Sobre o pedido de diligência apresentado no recurso voluntário, conforme exposto, os autos demonstram que foram disponibilizadas à contribuinte todas as oportunidades para a apresentação dos elementos probantes que desejasse, descabendo ao fisco auditar a contabilidade da empresa a fim de localizar informações que a própria contribuinte afirma possuir, uma vez que, na dicção do Art. 373, I do CPC, é do autor o ônus da prova dos fatos constitutivos de seu direito. Do pedido para apresentação de novos documentos A respeito do pedido para apresentação, neste momento processual, de faturas de emissão da recorrente, contendo destaques das retenções sofridas no período, deve ser observada a norma contida no art. 16, §4º, do DL 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Conforme se verifica, tais provas deveriam ter sido produzidas junto com a impugnação (manifestação de inconformidade), estando precluso o direto de a contribuinte apresentálas em outro momento processual, a menos que se demonstre a impossibilidade de fazêlo anteriormente, seja por motivo de força maior, fato ou direto superveniente ou, ainda, que a prova vise contrapor fatos ou razões trazidas posteriormente aos autos, circunstâncias que não se vislumbram no presente caso, devendo, por isso, ser denegado o pedido. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11020.007536/200808 Acórdão n.º 2402006.951 S2C4T2 Fl. 6 5 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido." Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.933586/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Relator acompanhado pelos Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Evandro Correa Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Relator acompanhado pelos Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Evandro Correa Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 33 58 6/ 20 13 -1 7 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 134 2 Relatório O litígio remonta ao Despacho Decisório (DD) nº de Rastreamento 057867362 emitido pela DERAT/SP em 02/08/2013 (fls. 7), que indeferiu o pleito da recorrente e não homologou a compensação intentada, conforme reprodução abaixo: Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade perante a Turma Julgadora de 1º Piso (fls. 12) requerendo o deferimento integral do direito creditório alegando, em suma: i) ter havido equívoco na informação da estimativa do mês de junho de 2008 – código 5993 ; ii) que tal equívoco se refletiu na DCTF do período; iii) que o montante correto seria o constante na descrito na Ficha 11, Linha 12, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (fls. 126); e, iv) ter procedido à retificação da DCTF (fls. 39/96), onde mostrou que o valor devido seria R$ 101.867,55 e não R$ 161.215,29, tendo, assim, um indébito a ser restituído de R$ 59.347,74. Analisando a MI a 1ª Turma da DRJ/RJO, em sessão de 23/08/2017 (fls. 97/102) manteve a decisão da DERAT/SP e negou provimento ao pedido. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 135 3 Em suas razões de decidir, assentou o voto condutor do acórdão: “17. O presente processo tem como objeto declaração(ões) de compensação, através da(s) qual(is) a interessada pretende beneficiar se de alegado crédito referente a pagamento(s) indevido(s) efetuado(s) a maior relativo(s) ao débito de IRPJ, código 5993, PA junho/2008. 18. Segundo apresentado pela manifestante, o(s) valor(es) informado(s) na DCTF originalmente, no valor de R$ 161.215,29, estava errado e o correto seria o valor de R$ 101.867,55, informado na Ficha 11, Linha 12, da DIPJ (fls.30/33) e corrigido pela DCTF retificadora entregue em 04/09/2013 (fls. 39/96). 19. Como visto, a retificadora foi transmitida após a ciência do Despacho decisório, ocorrida em 12/08/2013, perdendo, portanto, a espontaneidade da alteração. O que impõe comprovação do erro alegado. 20. É bom ressaltar que o Despacho Decisório que não homologou a compensação se baseou nas informações da DCTF ativa apresentada à época. Assim, não houve crédito disponível, tendo em vista que o(s) pagamento(s) relativos ao(s) DARF discriminados na(s) Dcomp foi(ram) integralmente utilizado(s) para quitação de débito(s) da contribuinte de IRPJ, código 5993, PA junho/2008. 21. A partir dos fatos anteriormente expostos, é possível afirmar que são coerentes os fundamentos do despacho recorrido, uma vez que corretamente se reportam às informações prestadas pela interessada em DCTF ativa à época de sua emissão. 22. Em que pese as alegações da interessada, verificase correta a fundamentação constante do Despacho Decisório, conforme a seguir se expõe. 23. A manifestante alega que a apuração correta é a apresentada em sua DIPJ. Quanto a este ponto, é de se observar que ela apresenta a DIPJ para comprovar que havia um pagamento a maior. No entanto, tanto a DCTF quanto a DIPJ são declarações da própria manifestante. Sendo que a DCTF tem o caráter de confissão de dívida, o que não acontece com a DIPJ. 24. A DIPJ instituída pela IN SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, não é considerada instrumento eficaz à confissão de dívidas tributárias. Isso porque tal declaração foi estabelecida como meramente informativa, não ostentando atributo de confissão de dívida, já que a IN SRF nº 14/00 que alterou o art. 1º da IN SRF nº 77/98, não considerandoa como tal. Abaixo, transcrevese literalmente: (...) Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 136 4 25. Ressaltese que na mesma data em que foi instituída a DIPJ foi também criada a DCTF, por força da IN nº 126, de 30 de outubro de 1998, sendo esta adotada pela RFB como instrumento de excelência para o controle e cobrança do crédito tributário, enviando os “saldos a pagar” relativos aos tributos nela informados para inscrição em Dívida Ativa da União. 26. Como visto, o débito informado pela manifestante em DCTF tem força de confissão de dívida. No entanto, em tese, caberia a retificação de tal valor, caso fosse constatado erro de preenchimento da DCTF. Ocorre que a DCTF retificadora só foi apresentada em 04/09/2013, portanto, após a ciência do Despacho Decisório ocorrida em 12/08/2013. 27. Quanto a retificação, oportuno lembrar que o art 147, §1º, do CTN dispõe que a retificação de declaração só pode se operar quando comprovado o erro cometido e enquanto for espontânea a alteração de dados. A redação do referido artigo é a que segue (...) 28. De certo que à luz dos princípios da legalidade e da verdade material, é possível a retificação, ainda que não espontânea, de declaração. Porém, encontrase pacificado nos órgãos administrativos de julgamento que nesta hipótese, e especialmente nesta hipótese (da não espontaneidade), deve haver a comprovação dos erros em que se fundamente a retificação pretendida. 29. A este respeito, assim se manifestou o Conselho de Contribuintes: (...) 30. A ausência de espontaneidade da retificação pretendida indica que, no caso concreto, é da interessada o ônus de comprovar a ocorrência do erro que afirma ter cometido para, assim, comprovar também a liquidez e certeza do crédito que pretende ver reconhecido. 31. No caso dos autos, constatase que não foram juntadas cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal / contábil que possibilitassem a comprovação da base de cálculo e, consequentemente, do montante devido a título Estimativa Mensal de IRPJ, código 5993, PA junho/2008, em valor diverso do informado na DCTF considerada à época do despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida, não sendo suficiente apenas a alegação de erro, sem os documentos que o embasem. 32. Em razão de o crédito pleiteado ser o mesmo (DARF no valor de R$ 161.215,29), a Dcomp nº 42104.96446.301009.1.3.040749, consubstanciada no processo nº 10880.993586/201317, e a Dcomp nº 07885.83841.250210.1.3.043518, consubstanciada no processo nº 10880.934350/201390, devem ter seus processos apensados, nos Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 137 5 termos do art. 3º, IV, da Portaria RFB nº 1.668, de 29 de novembro de 2016. 33. Por todo o anteriormente exposto, concluise pela manutenção do Despacho Decisório nº 057867362 (fls. 07), visto que não foi apresentado elemento de prova ou de direito capaz de modificálo”. O Acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO A MAIOR. DCTF. RETIFICAÇÃO NÃO ESPONTÂNEA. NÃO COMPROVAÇÃO DE ERRO. A retificação não espontânea de DCTF que diminua débito anteriormente informado deve vir acompanhada dos elementos de prova em que se fundamente, por não constituir a referida declaração, por si só, prova de que o pagamento do débito originalmente declarado foi feito em valor maior do que o devido. DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão supra em 26/01/2018, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 108/119) no qual reafirma basicamente todos os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e acrescenta: “Ora, Ínclitos Julgadores, esse entendimento não pode prevalecer, pois como se sabe: (i) a constituição do crédito tributário por DIPJ ou DCTF é provisória e somente se torna definitiva com a homologação; (ii) o art. 1º da Instrução Normativa SRF n. 66/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ, sem condicionar a necessidade de qualquer DCTF retificadora; (iii) os valores constantes nas declarações retificadoras são “presumidos de veracidade”, sendo ônus da Fiscalização questionar as informações retificadoras e solicitar documentos contábeis e fiscais para tanto, medida que deveria ter sido tomada à luz do Artigo 9º, caput, do Decreto n. 70.235/72; (iv) a R. Fiscalização deveria ter procedido às diligências necessárias previamente e tão logo solicitada a PERDCOMP para confirmar o direito creditório; e, não menos importante, (v) verificase no caso que a própria Fiscalização foi omissa quanto à análise da DIPJ, do DARF efetivamente recolhido e posteriormente à DCTF retificadora, já que tais documentos estavam disponíveis nos sistemas da Receita Federal do Brasil (“RFB”). Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 138 6 Assim, considerando que as informações contidas na DCTF retificadora confirmam as informações prestadas desde a DIPJ entregue tempestivamente (à Ficha 11, Linha 12, da DIPJ), está assim claro e evidenciado o direito creditório do contribuinte objeto da compensação em discussão. O que se vê, claramente, é que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (DJO/RJO) foi omissa ao desprezar completamente a DCTF retificada, o que caracteriza a preterição do direito de defesa dos Contribuintes prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Contudo, entende a Recorrente que não é possível negar validade às outras informações constantes no banco de dados da Receita Federal no momento da decisão – a exemplo da DIPJ entregue tempestivamente, onde já constava o valor de R$101.867,55, conforme informado à Ficha 11, Linha 12, informação essa que foi corrigida em relação àquela prestada na DCTF original, mediante a apresentação da DCTF retificadora. Além disso, o descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não deveria ensejar a perda do direito creditório, uma vez que a IN SRF nº 166/99 reconhece a produção de efeitos das declarações fiscais, para fim de restituição e/ou compensação de tributos. O que se viu desta equivocada Decisão ora guerreada é que o fato de a Recorrente ter retificado a DCTF menos de 30 dias após a ciência do despacho decisório, para que pudesse reduzir o valor ali informado (originalmente de R$161.215,29 para R$101.867,55) não deveria anular a utilização, em compensação, de indébito já demonstrado em DIPJ, especialmente porque a própria autoridade administrativa deixou de efetuar análise mais aprofundada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Ora, importante ressaltar que caberia à Fiscalização, para validar ou não a PERDCOMP requerida, questionar previamente a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DCTF original). O simples fato de haver divergências entre as informações constantes na DCTF original e a DIPJ, por si só, já obrigava a Fiscalização a aprofundar suas averiguações, de modo a corroborar sua convicção sobre os fatos e direito. O que ocorreu, foi que a simplesmente Fiscalização limitou sua análise às informações prestadas em DCTF e no DARF cujos valores seriam compensados, desconsiderando que existem informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiriam a análise quanto ao crédito pleiteado e de fato existente. Com efeito e em resumo, caberia à Fiscalização questionar ao Contribuinte a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DCTF) e admitir a possibilidade de retificação espontânea da declaração. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 139 7 Nessa mesma linha de raciocínio acima, o próprio CARF entendeu em brilhante julgado que que não subsiste a nãohomologação de compensação, efetuada exclusivamente por meio de Despacho Decisório eletrônico, quando a DIPJ do Contribuinte já demonstrar a existência do indébito antes da emissão do Despacho Decisório, independentemente de não ter havido retificação na DCTF ou da demonstração documental dos valores da DIPJ. Caberia assim, realmente à Fiscalização aprofundar a análise do crédito”. Para finalizar, depois de invocar a Súmula CARF nº 84 (RV fls. 117): “A questão que deveria ser a diretriz da Fiscalização a realmente apurar é : se há ou não prova de que o recolhimento de estimativa do período de apuração de Junho/2008 foi realizado de modo incorreto. Para a decisão ora recorrida, o pagamento realizado e informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF no valor de R$ 161.215,29 utilizado no débito de Estimativa Mensal de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ englobaria o suposto indébito pleiteado. Considerandose que a própria Receita Federal reconhece que, em se tratando de erro no preenchimento de declarações, a retificação de ofício de débito confessado em declaração pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato, assiste razão à Recorrente para que fosse mantido o crédito tributário correspondente e seu direito à compensação”. E concluir, após trazer jurisprudência do CARF que entendeu lhe aproveitar: “À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, reconhecendose o crédito de R$56.017,21 objeto da PERDCOMP, e cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 140 8 Voto Vencido Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 26/01/2018 – protocolização do RV em 24/02/2018 – fls. 107) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. A reclamação da recorrente em sua peça recursal tem basicamente um ponto nevrálgico: segundo seu entendimento, teria direito a um crédito (não homologado pelo DD) de R$ 59.347,74 (valor original R$ 56.017,21), resultado da diferença entre o pagamento que fez em 31/07/2008 (comprovante anexo fls. 124) de R$ 161.215,29 (que constou em DCTF com o montante devido de IRPJ em junho/2008), mas que, na verdade, no dizer do sujeito passivo, seria de R$ 101.867,55, como fez constar na DIPJ Ficha 11 Linha 12 (fls. 31 e 126). Ou seja, na forma do arguido pela recorrente, teria ocorrido um equívoco no preenchimento da DCTF informando um débito de R$ 161.215,29 quando deveria ter sido declarado R$ 101.867,55. A decisão recorrida não questiona a possibilidade de ter ocorrido erro, mas, realça e ressalta: 1. que a DCTF (constitutiva do crédito tributário) foi preenchida e transmitida à RFB em 2008 com o valor devido de R$ 161.215,29, ou seja, exatamente o valor do recolhimento; 2. que somente após o indeferimento do pedido de compensação (pelo DD) em 02/08/2013, é que a recorrente resolveu "retificar" a DCTF com o valor que, supostamente, seria o efetivamente devido, retificação que se fez em 04/09/2013 (fls. 39/96); 3. que, sendo a retificadora transmitida após a ciência do DD, a contribuinte perdeu a espontaneidade, impondo a "comprovação do erro alegado"; 4. que "o Despacho Decisório que não homologou a compensação se baseou nas informações da DCTF ativa apresentada à época. Assim, não houve crédito disponível, tendo em vista que o(s) pagamento(s) relativos ao(s) DARF discriminados na(s) Dcomp foi(ram) integralmente utilizado(s) para quitação de débito(s) da contribuinte de IRPJ, código 5993, PA junho/2008"; 5. que, certamente, "à luz dos princípios da legalidade e da verdade material, é possível a retificação, ainda que não espontânea, de declaração. Porém, encontrase pacificado nos órgãos administrativos de julgamento que nesta hipótese, e especialmente nesta hipótese (da não espontaneidade), deve haver a comprovação dos erros em que se fundamente a retificação pretendida"; A recorrente contrapõe o suscitado pela decisão recorrida nos termos seguintes: “Ora, Ínclitos Julgadores, esse entendimento não pode prevalecer, pois como se sabe: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 141 9 (i) a constituição do crédito tributário por DIPJ ou DCTF é provisória e somente se torna definitiva com a homologação; (ii) o art. 1º da Instrução Normativa SRF n. 66/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ, sem condicionar a necessidade de qualquer DCTF retificadora; (iii) os valores constantes nas declarações retificadoras são “presumidos de veracidade”, sendo ônus da Fiscalização questionar as informações retificadoras e solicitar documentos contábeis e fiscais para tanto, medida que deveria ter sido tomada à luz do Artigo 9º, caput, do Decreto n. 70.235/72; (iv) a R. Fiscalização deveria ter procedido às diligências necessárias previamente e tão logo solicitada a PERDCOMP para confirmar o direito creditório; e, não menos importante, (v) verificase no caso que a própria Fiscalização foi omissa quanto à análise da DIPJ, do DARF efetivamente recolhido e posteriormente à DCTF retificadora, já que tais documentos estavam disponíveis nos sistemas da Receita Federal do Brasil (“RFB”). Assim, considerando que as informações contidas na DCTF retificadora confirmam as informações prestadas desde a DIPJ entregue tempestivamente (à Ficha 11, Linha 12, da DIPJ), está assim claro e evidenciado o direito creditório do contribuinte objeto da compensação em discussão". E vai além ao afirmar que "a retificação de ofício de débito confessado em declaração pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato". Pois bem, há dois aspectos a ponderar: a) a possibilidade de se retificar a DCTF a qualquer tempo, mesmo após a edição de Despacho Decisório e aceitar a homologação da compensação em face da DCTF retificadora apresentada; b) se o fato de a recorrente ter inserido na DIPJ da época um valor que somente cinco anos depois estampou na DCTF retificadora teria o condão de dar suporte ao pedido recursal. Antes de apreciar os termos do Recurso Voluntário, destaco que, em situações análogas à que aqui se aprecia, tenho entendido que o contribuinte pode, sim, proceder à retificação de sua DCTF e, com isso, buscar validar possível pedido de homologação anteriormente negado. Em outro dizer, seria despropositado impedir esse procedimento não só pela lógica jurídica do Direito AdministrativoTributário que prioriza a chamada “busca da verdade material1 como pela própria falibilidade humana diante da qual erros ocorrem e podem/devem ser retificados. 1 Sobre o tema, Demetrius Nichele Macei, em sua obra “A Verdade Material no Direito Tributário” – Malheiros Editores – 2013 – pg. 53 – afirma: “a matéria tributária em si, independentemente do âmbito em que a lide entre contribuinte e Fisco seja travada, (...) já é suficiente para que o princípio adotado seja o da busca pela verdade material em todos os casos”. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 142 10 Concretamente, se uma DCTF foi apresentada com valores indevidos e levou a que um possível direito creditório não fosse reconhecido (pelo equívoco cometido), nada mais natural que se faça a correção e atendase à verdade material dos fatos. Nessa linha, certo que a retificação da DCTF pode, claro, ser empreendida e a retificadora substituirá em todos os seus efeitos a retificada (original). PORÉM, e aí está o ponto dissonante da peça recursal, esse proceder (de retificar) exige prova robusta e contundente do erro que levou à transmissão da DCTF original (com valores errados), justificando a feitura de uma nova Declaração (retificadora). Esta prova não veio aos autos! Repitase, exigese prova robusta, não bastando meras alegações nem a apresentação de cópia da DCTF retificadora. Este documento é unilateral e da lavra da contribuinte e, por óbvio, não permite aferir a comprovação exigida. O que se impõe é que, NO MÍNIMO, livros, documentos, controles, enfim, a escrituração da requerente, ainda que rudimentar, seja disponibilizada e permita a demonstração CABAL de que se está diante de um equívoco e onde constava o valor de “x” deveria constar “y”. Esta prova simples e direta não veio aos autos, ficando a recorrente no mero terreno das alegações, quadro que dá sustentação ao clássico brocardo jurídico “allegare nihil, et allegatum non probare paria sunt”, ou, em vernáculo, “alegar e não provar o alegado importa nada alegar”. Nessa linha, independentemente de o Despacho Decisório eliminar (ou não) a espontaneidade da recorrente para transmissão de nova DCTF, fato é que, O QUE REALMENTE INTERESSAVA (a prova do erro cometido e que exigiu a retificação da DCTF), nem de perto veio aos autos. Assim, não há como validar o pedido da recorrente. Por fim, relevante apontar que a decisão recorrida já tratou deste assunto (Ac. DRJ fls. 102): “30. A ausência de espontaneidade da retificação pretendida indica que, no caso concreto, é da interessada o ônus de comprovar a ocorrência do erro que afirma ter cometido para, assim, comprovar também a liquidez e certeza do crédito que pretende ver reconhecido. Igualmente Celso Antonio Bandeira de Mello, recorrendo às lições de Hector Jorge Escola: “no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial” (in Curso de Direito Administrativo – 29ª Ed. SP – Malheiros – 2012 – pg. 512). Linha em consonância com a jurisprudência da Corte Administrativa Tributária federal: “A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação” (Ac. 10318789 – 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 143 11 31. No caso dos autos, constatase que não foram juntadas cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal / contábil que possibilitassem a comprovação da base de cálculo e, consequentemente, do montante devido a título Estimativa Mensal de IRPJ, código 5993, PA junho/2008, em valor diverso do informado na DCTF considerada à época do despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida, não sendo suficiente apenas a alegação de erro, sem os documentos que o embasem". (negritei). Em outro dizer, o ônus de apresentar os documentos e registros que comprovem a regularidade das operações é do interessado, contribuinte, autor nestes autos , a quem é impingido acostar as provas do que alega (artigo 373, I do atual CPC art. 333, I, do CPC de 1973). Certo que há a DIPJ, que traz um dado consistente com o alegado pela recorrente, porém, não se olvide, tratase de documento de lavra unilateral da interessada e cujas informações devem ser retiradas da escrituração da contribuinte, de modo que, por elementar, se a Declaração de IRPJ foi preenchida como se supõe à vista dos livros e registros contábeis, por que estes mesmos livros não vieram aos autos? Concretamente, o recurso voluntário limitase a argumentar e não apresenta uma única prova, por isso as alegações se perdem. Por fim, não se perca o foco, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Em suma, não trazendo a recorrente no recurso voluntário qualquer elemento novo nem prova de suas alegações, a decisão de 1º Piso fica solidificada. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 144 12 Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora Como bem exposto pelo I. Relator, o direito creditório em litígio nestes autos corresponde a pagamento a maior de estimativa promovido em 31/07/2008, no valor de R$ 59.347,74, e que estaria evidenciado na DIPJ tempestivamente apresentada 09/10/2009, antes da transmissão da DCOMP em 30/10/2009. De fato, como se vê à fl. 31, a estimativa de IRPJ apurada em junho/2008 corresponderia a R$ 101.867,55, inferior ao recolhimento de R$ 161.215,29. Frente a tais circunstâncias, a maioria qualificada do Colegiado decidiu reiterar neste julgamento os fundamentos adotados na reunião anterior, expressos por esta Conselheira no voto condutor do Acórdão nº 1402003.767, para concluir pela desnecessidade de confirmação da regularidade do indébito junto à escrituração fiscal e contábil do sujeito passivo, com base nas justificativas assim apresentada no voto condutor do Acórdão nº 1101 00.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivos, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 145 13 passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 146 14 § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 147 15 § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 148 16 [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. No julgamento anterior observouse que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 149 17 provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ (aqui sequer retificadora, mas sim original) apresentada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Apenas que, no presente caso, por não se tratar de direito creditório apurado em face de débito de IRPJ determinado em apuração definitiva (anual ou trimestral), mas sim de estimativa mensal, um cuidado adicional se impõe para confirmação do indébito: a sua não utilização como antecipação no ajuste anual. Considerando, assim, que o sujeito passivo não juntou a íntegra da DIPJ aos autos, impossibilitando a confirmação de que apenas a estimativa considerada como devida (R$ 101.867,55) foi deduzida na apuração anual do IRPJ, o presente julgamento deve ser CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA para que verificação desta condição. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. A presente Declaração de Voto prestase apenas para registrar a alteração de posicionamento deste Conselheiro sobre esta precisa matéria, aqui submetida a julgamento. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.933586/201317 Resolução nº 1402000.840 S1C4T2 Fl. 150 18 Nesse sentido, nos últimos anos, veio se adotando entendimento de que, mesmo diante da transmissão prévia de DIPJ que corroborasse a existência do crédito pretendido em PER/DCOMP, tal Declaração não prestavase, isoladamente, como prova do direito do contribuinte, em razão da sua natureza informativa, sendo necessário, no curso do processo administrativo, a apresentação de provas hábeis que corroborassem as informações lá constantes. Contudo, diante de recentes debates em sessões de julgamento, considerando as razões e a posição apresentadas pela I. Conselheira Edeli Pereira Bessa sobre o tema, restou muito claro que, à luz das normas, legais e infralegais, vigentes há mais de uma década, bem como da dinâmica da análise administrativa da procedência dos créditos dos contribuinte, não pode ser simplesmente desconsiderado pela Administração Tributária federal, no momento da apreciação inicial dos PER/DCOMPs visando sua homologação, o teor da DIPJ correlata à formação dos créditos, espontaneamente transmitida pelo contribuinte. Tal entendimento, agora integralmente adotado, restou vencedor como estampado no Acórdão nº 1402003.767, proferido por esta mesma C. Turma Ordinária, em sessão de 21/02/2019, no qual, por voto de qualidade, deuse provimento ao Apelo do contribuinte, para reconhecer seu direito creditório, motivado com as mesmas razões do Acórdão nº 110100.536, acima já colacionadas o que dispensa, nesse registro de voto, maiores elucubrações ou aprofundamentos desse tema jurídico. Posto isso, sob tal prisma jurisdicional, entendese como adequada e necessária a realização de diligência, nos termos do voto vencedor. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901643/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/10/2012
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.864
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de COFINS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 43 /2 01 3- 11 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 16682.901643/201311 Acórdão n.º 3302006.864 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12082.409. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 404DF CARF MF Processo nº 16682.901643/201311 Acórdão n.º 3302006.864 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 405DF CARF MF Processo nº 16682.901643/201311 Acórdão n.º 3302006.864 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16682.901643/201311 Acórdão n.º 3302006.864 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16682.901643/201311 Acórdão n.º 3302006.864 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000594/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE
A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF.
O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
Numero da decisão: 2401-006.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF. O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 53 1 52 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.000594/201070 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.227 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JOSÉ SABINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF. O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 05 94 /2 01 0- 70 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10835.000594/201070 Acórdão n.º 2401006.227 S2C4T1 Fl. 54 2 Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 29/34). Pois bem. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 05/09, que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2006, no montante de R$ 76.865,93, sendo R$ 37.335,31, a título de imposto de renda pessoa física suplementar (sujeito à multa de ofício), R$ 28.001,48, de multa de ofício, e R$ 11.529,14, de juros de mora, calculados até 31/03/2010. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor os rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), constatouse omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 167.695,85, recebido da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, CNPJ nº 00.360.305/000104. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$5.030,88. Cientificado do lançamento em 26/03/2010 (fls. 27), o interessado apresentou, em 03/05/2010, a impugnação de fls. 02/04, por meio da qual alega, em síntese, o que segue: (a) O rendimento tido como omitido decorreu de ação de aposentadoria que o impugnante moveu contra o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, estando sujeito à tributação exclusiva. (b) O valor recebido foi lançado no campo próprio do formulário da declaração de ajuste anual do impugnante, sendo, portanto, indevido o lançamento. (c) Com o objetivo de instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls. 27/28. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1661.461 (fls. 29/34), de 17/09/2014, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10835.000594/201070 Acórdão n.º 2401006.227 S2C4T1 Fl. 55 3 Anocalendário: 2006 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte em decorrência de ação judicial devem ser submetidos à tributação na declaração de ajuste anual, juntamente com os demais rendimentos, uma vez não apresentados documentos que demonstrem que os mesmos sujeitamse à tributação exclusiva na fonte. Apenas os rendimentos percebidos a partir de 1º de janeiro de 2010, após a edição da Lei nº 12.350, de 20/12/2010, podem se valer da tributação exclusiva na fonte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. De início, com respeito à tempestividade da impugnação, impende mencionar que a mesma foi entregue 03/05/2010 e, portanto, após o prazo de 30 dias da ciência da notificação, ocorrida em 26/03/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR), às fls. 27. Não obstante, verificase que a apresentação da dita impugnação se deu antes da data do vencimento da multa (05/05/2010), como evidencia o extrato de processo e a tela do sistema CCPF (fls. 21 e 24). A esse respeito, o Parecer MF/SRF/COSIT/COTIR/DITIR nº 26, de 09 de abril de 1997, concluiu que: “Considerando que o art. 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, fixa prazo único para pagamento ou impugnação do débito tributário, há que prevalecer, para efeitos de se considerar tempestiva a impugnação, o prazo expressamente préestabelecido no DARF, se superior a trinta dias”. Por seu turno, o Manual de Formalização, Preparação, Apreciação, Julgamento e Movimentação do PAF (Maproc), aprovado pela Portaria SRF n.º 374, de 20/03/2002, que tem por finalidade orientar, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a adoção dos procedimentos operacionais nele expressos, determina (na versão do Maproc atualizada até agosto de 2008) que: “No caso de lançamento eletrônico acompanhado de DARF com data de vencimento, se o contribuinte impugnar o lançamento até o dia estipulado para pagamento constante no DARF, a impugnação deve ser considerada tempestiva, mesmo que supere o prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir da data da ciência”. Assim, considerase tempestiva a impugnação e dela se toma conhecimento. 2. O lançamento impugnado atribuiu ao contribuinte, no anocalendário de 2006, rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal movida contra o INSS, no valor de R$ 167.695,85, sobre o qual incidiu imposto de renda na fonte de R$ 5.030,88. 3. Em sede de impugnação, o interessado manifesta o entendimento de que o rendimento em discussão não é tributável na declaração de ajuste, sujeitandose à tributação exclusiva na fonte. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10835.000594/201070 Acórdão n.º 2401006.227 S2C4T1 Fl. 56 4 4. Sobre a matéria, o art. 43 do Código Tributário Nacional determina que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. 5. A universalidade da renda auferida pela pessoa física, independente da denominação, está sujeita à tributação pelo imposto de renda, a menos que esteja fora do campo da incidência ou que se trate de rendimento isento. 6. No caso em apreço, o próprio contribuinte afirma na peça impugnatória que as verbas por ele percebidas referemse à revisão de benefício de aposentadoria, rendimentos esses que possuem natureza nitidamente tributável. 7. Além disso, os rendimentos em questão foram classificados pela fonte pagadora, na Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – Dirf (fls. 28), como tributáveis. 8. Examinandose os autos, verificase que não foram trazidos documentos que discriminassem, por espécie, as verbas recebidas em decorrência da ação judicial. Logo, não é possível determinar se a totalidade ou parte do rendimento auferido poderia ser classificado como de tributação exclusiva na fonte. 9. Assinalese, a título de esclarecimento, que, a partir de 1º de janeiro de 2010, foi editada a Medida Provisória (MP) nº 497, de 27 de julho de 2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 2010, que incluiu à Lei nº 7.713, de 1988 o artigo 12A. 10. Após a referida alteração, os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, quando decorrentes do trabalho, de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondentes aos anos calendário anteriores ao do recebimento, passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento. 11. Entretanto, tal sistemática é aplicável apenas a rendimentos percebidos a partir de 1º de janeiro de 2010, não sendo cabível ao caso em exame, posto que os rendimentos foram recebidos pelo contribuinte no ano de 2006. 12. À vista do exposto, voto por considerar improcedente a impugnação que ora se analisa, mantendo integralmente o crédito tributário exigido na notificação de lançamento de fls. 05/09. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 39/41), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. O recorrente lançou em sua declaração de imposto de renda, do anocalendário de 2006, o recebimento de benefícios atrasados decorrente de ação judicial interposta na Justiça Federal de Presidente Prudente contra o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, como rendimento sujeito à tributação exclusiva, tudo conforme cópias inclusas. b. A receita considera que os benefícios atrasados que o recorrente recebeu do INSS é rendimento tributável de pessoas jurídicas do Titular, lançando contra o recorrente o débito de R$ 37.335,31. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10835.000594/201070 Acórdão n.º 2401006.227 S2C4T1 Fl. 57 5 c. O recorrente interpõe o presente recurso, para obter a reforma da decisão recorrida, no sentido de que sua declaração de renda pessoa física do ano calendário de 2006, seja considerada correta, com a declaração de que valores de benefícios atrasados recebidos do INSS seja considerado rendimento sujeito à tributação exclusiva. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10835.000594/201070 Acórdão n.º 2401006.227 S2C4T1 Fl. 58 6 3. Mérito. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fl. 12), a acusação fiscal consiste na omissão de rendimentos, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 167.695,85, sendo que, na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 5.030,88 (Enquadramento Legal: arts. 1° a 3° e §§, e 8° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts. 5°, 6° e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto n° 3.000/99 – RIR/1999). O contribuinte alegou, em síntese, que o referido valor, do anocalendário de 2006, tem origem em recebimento de benefícios atrasados, decorrente de ação judicial interposta na Justiça Federal de Presidente Prudente contra o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, como rendimento sujeito à tributação exclusiva. A decisão de primeira instância entendeu pela improcedência da impugnação, sob o fundamento de que o contribuinte não trouxe aos autos, documentos que discriminassem, por espécie, as verbas recebidas em decorrência da ação judicial. Ademais, assentou o entendimento segundo o qual, os rendimentos recebidos acumuladamente, no anocalendário em questão, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. Pois bem. Entendo que a decisão de piso merece reparos. De início, destaco que, de fato, o contribuinte não acostou aos autos cópia da ação judicial ajuizada em face do INSS, tendo juntado os seguintes documentos: (i) Recibo de Entrega da Declaração de Ajuste Anual Completa, referente ao anocalendário 2006 (fls. 12/17 e 44/49); (ii) Comprovante de Rendimentos Pagos e de IRRF, referente ao anocalendário 2006 (fls. 18 e 50); (iii) Guia de Retenção de IRRF – Justiça Federal (fl. 19); (iv) Extrato do crédito tributário (fl. 21). Também há, nos autos, a cópia da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fone – DIRF – Resumo do Beneficiário – Detalhamento Mensal (fl. 28). De posse dos documentos acostados aos autos, sobretudo da cópia da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fone – DIRF – Resumo do Beneficiário – Detalhamento Mensal (fl. 28), verifico que consta como número do processo o seguinte: 00200403000707585. Assim, em busca da verdade material, em consulta ao sítio da Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo (http://www.jfsp.jus.br), no campo Consulta Processual – Varas (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/), inserindo o CPF do contribuinte em epígrafe, e selecionando a Subseção de “SP – Presidente Prudente”, identifiquei o Processo n° 1203166 56.1996.4.03.6112 (Numeração Antiga 96.12031665), que tramitou na 1ª Vara da Justiça Federal da Subseção de Presidente Prudente. Ao realizar a Consulta Processual do Processo n° 1203166 56.1996.4.03.6112 (Numeração Antiga 96.12031665), no sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/ListaProcessos), identifiquei a existência de processos vinculados, com os seguintes números: Número Processo de Origem Classe 120316656.1996.4.03.6112 96.12031665 403765 Ap Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10835.000594/201070 Acórdão n.º 2401006.227 S2C4T1 Fl. 59 7 006763015.2004.4.03.0000 96.12031665 226350 RPV 007075843.2004.4.03.0000 96.12031665 228478 Precat (PRC) Também em consulta ao Processo n° 120316656.1996.4.03.6112, no sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (http://www.trf3.jus.br/), constato que, referido Processo, recebeu o número 98.03.0016253 quando a realização de seu cadastro no referido Tribunal, tendo como “Número de Origem”, o número 96.12031665. Ao verificar o teor do Acórdão do Processo n° 1998.03.01.0016250 (98.03.0016253) (Classe 403765 Ap), julgado em 13/08/2002, publicado em 10/12/2002, constato, pelo relatório do decisum, que o Sr. José Sabino ingressou com a ação, buscando o reconhecimento do tempo de serviço prestado, como lavrador, no período compreendido entre 1957 a 1973 e, consequentemente, a concessão da aposentadoria por tempo de serviço, de que trata o artigo 52 da Lei n.º 8.213/91, uma vez que teria havido a implementação do tempo necessário para tanto. Também consta que, após a tramitação processual cabível, foi prolatada a sentença (fls. 130/133), ocasião em que o MM. Juiz “a quo” julgou procedente o pedido, acolhendo, a pretensão deduzida na petição inicial, para o fim de reconhecer o tempo de serviço prestado pelo autor, como lavrador, no período de 01/01/1957 a 31/12/1973 e, concederlhe a aposentadoria por tempo de serviço, de que trata o artigo 52 da Lei n.º 8.213/91. A verba honorária foi fixada em 10% sobre o valor da condenação. O Acórdão do TRF3, resolveu dar parcial provimento ao recurso do INSS, apenas para determinar que a correção monetária e os juros de mora incidam conforme explicitado no voto (correção monetária a partir do vencimento de cada prestação do benefício e juros moratórios à base de 6% ao ano), mantendo, no restante, a r. sentença recorrida. Também em consulta ao Processo n° 007075843.2004.4.03.0000 (Classe 228478 Precat), no sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (http://www.trf3.jus.br/), constato que se trata de Precatório, cujo valor do Pagamento da Proposta é 164.202,42. Ante os elementos acima, forma a convicção de que o valor recebido pelo contribuinte, no anocalendário 2006, e informado na cópia da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fone – DIRF – Resumo do Beneficiário – Detalhamento Mensal (fl. 28), diz respeito ao pagamento, pelo INSS, do benefício de aposentadoria por tempo de serviço, de que trata o artigo 52 da Lei n.º 8.213/91. E, assim sendo, cabe pontuar que, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que determinava, para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, a aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido. De acordo com a referida decisão, o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10835.000594/201070 Acórdão n.º 2401006.227 S2C4T1 Fl. 60 8 Dessa forma, é necessário que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendário em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Em outras palavras, afastando o regime de caixa, o Supremo Tribunal Federal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Dessa forma, entendo que o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2006, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Não há que se afastar toda a obrigação tributária, mas tão somente ajustar a base de cálculo, o que, ao meu ver, não implica na inovação dos critérios utilizados para motivar o lançamento. Para além do exposto, destaco que, conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fl. 12), a acusação fiscal, na apuração do imposto devido, já compensou o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 5.030,88. Essa compensação deverá ser observada quando a apuração do imposto devido, de acordo com os critérios aqui estabelecidos. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, determinando o recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720272/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.434
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 72 /2 01 0- 31 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa, transmitido pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa não deferiu integralmente o pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.883. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 4 3 i) O critério de rateio adotado pela fiscalização não tem amparo legal. Não há, em toda a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins, no regime não cumulativo, nada que prescreva ou autorize o procedimento adotado pela fiscalização, no sentido de excluir as receitas suspensas, isentas, alíquota zero e sem incidência, na composição do montante das receitas não tributadas. ii) A autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006 para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos. iii) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. iv) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente pela taxa Selic desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.431, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720269/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.431): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 5 4 suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outras matérias objeto do Despacho Decisório que não constaram na sua primeira defesa, quais sejam: a) recálculo efetuado pela fiscalização do índice de rateio (receita não tributada no mercado interno/receita total) para a obtenção do montante do crédito a ressarcir e b) realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 6 5 matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa ao "recálculo do índice de rateio" e à "realocação de crédito relativo a bens para revenda". De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida nos tópicos da peça recursal relativos ao índice de rateio e à realocação de crédito. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que "não procede o argumento lançado pela autoridade fiscal no sentido de que as vendas de suínos e de leite “in natura”, efetuadas pela recorrente, não se Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 8 7 deram nas condições em que se aplicaria a suspensão do pagamento das contribuições". Argumenta que "a autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006, para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos". No entanto, especificamente no presente processo, observase da leitura atenta do Despacho Decisório que a questão da não vigência da suspensão no período de apuração (prazo prorrogado no art. 11 da IN nº 660/2006) não foi suscitada pela fiscalização e não representou nenhum óbice ao pedido de ressarcimento da interessada, como se denota nos trechos abaixo do Despacho Decisório: (...) (...)[as] operações classificadas pela contribuinte como saídas com suspensão não ocorreram as condições de suspensão elencadas na legislação de regência – é o caso da compra para revenda de suínos, que na verdade estavam sob o campo de incidência das contribuições sociais em causa. (...) Com efeito, não estão inseridos no contexto da suspensão de incidência de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 as aquisições de produtos agropecuários para revenda –o que ocorreu em larga escala ao efetuar a compra de leitoões de associados e não associados para revendêlos a outros, além da compra de suínos para revenda a Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora. De fato, às aquisições para revenda não se aplica a apuração dos créditos presumidos e nem a suspensão. A concessão de favor fiscal vinculado ao requisito de destinação a consumo humano ou animal deve ser entendido como destinação imediata do produto ao consumo (produtos do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004). Conseguintemente, se a agroindústria comercializar as mercadorias produzidas para outras indústrias, sejam ou não do setor alimentício, onde serão utilizadas em novo processo industrial, resta descaracterizada a destinação ao consumo humano ou animal. (...) De outra banda, a determinação estampada na IN SRF nº 636/2006 que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade das indigitadas contribuições é claro no sentido na impossibilidade do aproveitamento de créditos em relação as aquisições de insumos de produtos agropecuários Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 9 8 vendidos com suspensão dessas contribuições. Observe se: (...) 2.2.2. Operações com suspensão da exigibilidade das contribuições. Sistema de parceria para a criação de Suínos e da Venda do leite “in natura” e cereais (milho e soja). A receita da venda de cereais (milho e soja) da venda de suínos que foram criados pelo sistema de integração e da venda de leite “in natura” ocorreu com suspensão da exigibilidade das contribuições Pis e Cofins não cumulativo de acordo com os registros contábeis e fiscais apresentados. Observese: (...) De fato, os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 permitem às sociedades cooperativas efetuarem a venda destes insumos com suspensão da incidência das indigitas contribuições. O artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, propicia às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, deduzir crédito presumido calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Permite também, no seu § 1º, I, que as aquisições, por essas mesmas pessoas, quando efetuadas de cerealistas também tenham direito a esse crédito presumido: (...) A par do crédito presumido atribuído ao adquirente dos produtos, o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 determina a suspensão das contribuições, quando da venda de certos produtos agrícolas, por, entre outros, cooperativas, “litteris”: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 10 9 do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Os produtos relacionados no § 1º do artigo 8º, que quando de sua venda admitem suspensão, são os incluídos nos códigos NCM 09.01 (café), 10.01 a 10.08 (trigo, centeio, cevada, aveia, milho, arroz, sorgo de grão, alpiste e outros cereais) exceto os dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semibranqueado ou branqueado), 12.01 (soja) e 18.01 (cacau). Ao conceder a suspensão quando da venda desses produtos, a Lei nº 10.925/2004 também estabeleceu a vedação ao aproveitamento do crédito presumido e de créditos em geral por parte de quem vende com suspensão. Essa vedação aparece no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004: (...) 2.2.3 Apuração dos créditos de bens para revenda (Linha 1 do DACON). (...) Como regra geral, a aquisição de produtos para revenda gera direito ao crédito, no entanto, em relação aos produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação, há vedação expressa neste sentido por parte do revendedor e do produtor. (...) Dos dispositivos legais acima colacionados, verificase que a regra é a apuração de crédito em relação à aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Todavia, o texto legal constante no art. 3º, § 2º, II, determina expressamente que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Nesse diapasão, possível concluir que não dá direito a crédito a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência da alíquota zero uma vez que o legislador determinou que não gera crédito o valor das aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, exceto quando adquiridos com isenção, se os referidos bens forem utilizados para gerar receita tributável. (...) Em outras palavras, tendo a contribuinte adquirido créditos, na forma do art.3º, das Leis nºs 10.637, de 2002 e Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 11 10 10.833, de 2003, por haver arcado com o ônus do pagamento dos tributos incidentes na cadeia da produção, esses créditos serão mantidos, ainda que as vendas efetuadas forem efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, por determinação legal. É o caso, por exemplo, dos próprios custos suportados pela contribuinte, na operação de revenda dos seus produtos, tais como, energia elétrica, transporte, locações e outros créditos vinculados que sofreram a incidência do PIS e da Cofins. Não podendo ser incluído aí o custo das compras da mercadoria por ela revendida, quando foi afastada a tributação como no caso da ocorrência de alíquota zero ou isenção, o que é o caso da revenda de: sementes, fertilizantes, defensivos, corretivos, medicamentos, etc. Assim, o art.17 da Lei nº 11.033/2004 permite a manutenção de créditos na tributação concentrada no fabricante ou importador não sendo possível manter crédito do PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica ou sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados e, por conseguinte, conceder ressarcimento ou compensação. Alega também a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 12 11 processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 13 12 a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.000119/2007-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Os embargos de declaração são cabíveis nos casos de omissão, obscuridade e contradição.
Hipótese em que não houve a alegada omissão.
Embargos de declaração rejeitados.
Numero da decisão: 2101-002.042
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração interpostos.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis nos casos de omissão, obscuridade e contradição. Hipótese em que não houve a alegada omissão. Embargos de declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração interpostos. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Eivanice Canário da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 01 19 /2 00 7- 27 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11634.000119/200727 Acórdão n.º 2101002.042 S2C1T1 Fl. 182 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 172/175), em face de acórdão relatado pela Conselheira Ana Neyle Olimpio Holanda (fls. 163 e seguintes), sob a alegação de que teria havido omissão, uma vez que não se posicionou sobre o reconhecimento da decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário com base no art. 173, I, do CTN, tendo como fundamento a falta de pagamento antecipado do tributo É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator. O recurso apresentado, conquanto tempestivo, deve ser rejeitado. De fato, o texto do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, mais especificamente em seu art. 65, caput, admite a interposição de embargos de declaração, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” No presente caso, aduz a Embargante que o acórdão estaria omisso, uma vez que não se posicionou sobre o reconhecimento da decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário com base no art. 173, I, do CTN, tendo como fundamento a falta de pagamento antecipado do tributo. Em que pese à irresignação da ora Embargante, fato é que inexistem, in casu, os requisitos para que sejam acolhidos os presentes embargos de declaração. A Fazenda tenta, verdadeiramente, rediscutir a decisão. Isso porque em nenhum momento a decisão recorrida foi omissa, contraditória ou obscura. De modo a formar seu convencimento, não é preciso que a autoridade julgadora se manifeste sobre todos os fundamentos que embasaram a autuação. Com efeito, o acórdão ora combatido deu provimento parcial ao recurso voluntário por entender como correto aplicar a regra de decadência em que dispõe o parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, vez que o caso não se trata de fraude, dolo ou simulação. Entretanto, a então relatora, Conselheira Ana Neyle Olimpio Holanda, consignou, expressamente, que “por outro lado, impende observar que a atividade desenvolvida pelo contribuinte não se constitui lançamento, mas procedimento a ele vinculado, pois alberga verificações como aquela atinente à aplicação da legislação adequada, a subsunção do fato à incidência tributária, da quantificação da base de cálculo, da alíquota a Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11634.000119/200727 Acórdão n.º 2101002.042 S2C1T1 Fl. 183 3 ser utilizada, o cálculo do tributo e o pagamento. É assente neste Colegiado o entendimento da subsunção do imposto sobre a renda de pessoas físicas (IRPF) à modalidade de lançamento por homologação, pois, a teor do que prevê o artigo 150, do CTN, é atribuído ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. E, operase o lançamento pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Nos termos do §4º. do referido artigo 150 do CTN, a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, para lançar expressamente o tributo. E, por se tratar de constituição de direito do fisco, o prazo do artigo 150, § 4° do CTN é de decadência. Portanto, não havendo lançamento expresso do IRPF no prazo de cinco anos contados da data do fato gerador, terá ocorrido a decadência do direito de constituir a exação.” Não sendo cabível a insurgência, por este meio, quanto ao resultado do julgamento, como pretende a Embargante, muito menos havendo omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada, não merecem guarida os embargos de declaração opostos. Ainda que cabível o recurso, necessário se faz esclarecer que, de acordo com o próprio auto de infração (fls. 99 e 100), tanto no anocalendário de 2001 como no de 2002, houve antecipação de pagamento, aplicandose, portanto, nos termos da jurisprudência do STJ, o artigo 150, §4º., do CTN. Eis os motivos pelos quais entendo que os embargos de declaração devem ser REJEITADOS, mantendose, portanto, in totum, o acórdão embargado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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