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Numero do processo: 10680.902461/2015-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 61 /2 01 5- 55 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10680.902461/201555 Acórdão n.º 1401003.206 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10680.902461/201555 Acórdão n.º 1401003.206 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10680.902461/201555 Acórdão n.º 1401003.206 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10680.902461/201555 Acórdão n.º 1401003.206 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10680.902461/201555 Acórdão n.º 1401003.206 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10680.902461/201555 Acórdão n.º 1401003.206 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10680.902461/201555 Acórdão n.º 1401003.206 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 437DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000035/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
MULTA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS.
Tendo sido constatado que o contribuinte apresentou pedidos de compensações administrativas que foram consideradas como não declaradas pela administração tributária, impõe-se a aplicação da multa prevista §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. INFORMAÇÕES FALSAS. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA
Cabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude de débitos indevidamente compensados com créditos de terceiro, quando comprovada a conduta dolosa, mediante fraude e inserção de informações falsas, por parte da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1302-003.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Gustavo Guimarães da Fonseca e Marcelo José Luz de Macedo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS. Tendo sido constatado que o contribuinte apresentou pedidos de compensações administrativas que foram consideradas como não declaradas pela administração tributária, impõese a aplicação da multa prevista §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. INFORMAÇÕES FALSAS. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA Cabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude de débitos indevidamente compensados com créditos de terceiro, quando comprovada a conduta dolosa, mediante fraude e inserção de informações falsas, por parte da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Gustavo Guimarães da Fonseca e Marcelo José Luz de Macedo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 35 /2 01 0- 62 Fl. 286DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório O presente processo administrativo trata de Auto de Infração (fls. 41 e seguintes) lavrado em face do contribuinte Construtora P. J. Ltda, ora Recorrente, em que foi aplicada multa isolada, nos termos do §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03, tendo em vista a constatação de que o contribuinte apresentou pedidos de compensações administrativas que foram consideradas não declaradas pela administração tributária. Como se observa do Termo de Verificação de Infração (fls. 33 e seguintes), a motivação para a constituição da multa em comento foi o fato de, quando da análise dos Per/Dcomp's n°'s 15501.65382.130405.1.7.045639, 37484.96986.120905.1.3.047189, 04582.13413.091205.1.3.045070 (transmitidos pela Recorrente e tratados manualmente no processo n° 15578.0000461/200746), ter sido constatado que o Recorrente indicou "créditos de terceiros" para quitar débitos próprios, ao arrepio da legislação em vigor. Assim, como as compensações foram consideradas como "não declaradas", o agente autuante deixou claro naquele Termo de Verificação Fiscal que: Ante à expressa vedação legal, tais compensações apresentamse como indevidas e, via de conseqüência, tornase imperioso o lançamento da multa de ofício nos termos do parágrafo 4º, do art. 18 da Lei n° 10.83312003, com redação dada pelas Leis n° 11.0511/2004, 11.1961/2005 e 11.4881/2007, e o art. 44 da Lei n° 9.430/96. O valor da multa aplicada foi calculado de acordo com os débitos indicados para pagamento nos pedidos de compensações apresentados, sendo aplicada a multa qualificada de 150%, sob o seguinte fundamento: Destacamos que o preenchimento e a transmissão das DCOMP's em exame só foram possíveis em razão de inserção de informações inverídicas nos formulários eletrônicos, tais como que o crédito seria próprio quando, muito, seria objeto de cessão. Tal prestação de informação falsa foi realizada com o claro desiderato de eximirse de pagamento de tributo, caracterizandose como fraude, conforme previsto no art. 72 da Lei n° 4.502164, assim como conduta antijurídica descrita no art. 2 0 , 1 da Lei n° 8.137190. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 15586.000035/201062 Acórdão n.º 1302003.565 S1C3T2 Fl. 287 3 Devidamente intimado do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação administrativa, cujos argumentos foram assim resumidos pela DRJ do Rio de Janeiro (RJ) no acórdão recorrido: O interessado apresentou, em 10/03/2010, a impugnação de fls. 46/78. Em sua defesa, alega, em síntese, que: a autuação apresenta vício na sua constituição fundamento legal consignado de modo amplo e indefinido; houve erro de direito, pois agiu de boafé; lançou em DCOMP os valores efetivamente devidos; não foi considerado que, de modo espontâneo, confessou e parcelou todo o débito versado no processo n° 15578.000046/200746/200746; a penalidade imputada é confiscatória e desproporcional. Contudo, aquela Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os pedidos da Recorrente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceitua a legislação. MULTA ISOLADA. .COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É devida a exigência de multa isolada no caso de compensação considerada não declarada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantida A Recorrente, ao receber a intimação com o resultado do julgamento da instância a quo, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados em sede de Impugnação Administrativa. Assim, posteriormente, os autos foram distribuídos a este Conselheiro para julgamento. Este é o relatório. Fl. 288DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 07/05/2010 (fls. 223), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 07/06/2010 (comprovante às fl. 225), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Como demonstrado no relatório alhures, a presente autuação versa sobre aplicação de multa isolada, nos termos do §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03, tendo em vista a constatação de que o contribuinte apresentou pedidos de compensações administrativas que foram consideradas como não declaradas pela administração tributária. No Recurso Voluntário apresentado, em um primeiro momento, o Recorrente aduz pela nulidade do Auto de Infração, por supostamente não ter trazido "a devida especificação da norma legal infringida, em completo cerceamento de defesa da empresa recorrente." Argumenta que, tendo em vista as inúmeras alterações do texto da legislação que tipifica a multa que lhe foi aplicada e não sendo especificado de forma correta qual o dispositivo restou infringido, não teria como exercer na plenitude o seu direito de defesa. Neste sentido, afirma, também, que, na qualificação da multa, também não foi devidamente indicado o dispositivo legal infringido. Assim, requer seja declarada a nulidade do Auto de Infração, com a consequente anulação da multa aplicada. Contudo, não se verifica, no presente caso, qualquer vício no Auto de Infração, que possa acarretar na sua nulidade. Em primeiro lugar, não se pode deixar de mencionar que as hipótese de nulidade do lançamento estão expressamente listadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que tem a seguinte redação: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo o que se denota do Auto de Infração e do Termo de Verificação de Infração, o agente autuante fundamentou e motivou a autuação de forma correta. Nos referidos Fl. 289DF CARF MF Processo nº 15586.000035/201062 Acórdão n.º 1302003.565 S1C3T2 Fl. 288 5 atos, podese verificar qual a infração cometida pelo contribuinte, o dispositivo legal aplicado e que autoriza a aplicação da multa, bem como o motivo e fundamento pelo qual entendeuse pela qualificação da penalidade. Tanto que, no presente caso, em que pese dizer que restou cerceado o seu direito de defesa, a Recorrente conseguiu desenvolver uma linha de defesa lógica e de acordo com os fatos e fundamentos que foram imputados pela fiscalização. Não se tem dúvida que as inúmeras e incoerentes alterações legislativas trazem uma certa confusão e dificuldade do interprete de compreender a norma da penalidade que está sendo imposta. Contudo, não se pode falar em nulidade do Auto de Infração com base em alterações legislativas que, muitas vezes, são feitas sem critério e sem uma concatenação correta dos dispositivos. De toda forma, aos olhos deste julgador, resta clara a motivação (apresentar compensações que não foram declaradas) e fundamentação (§4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03) para aplicação da penalidade. No que se refere à qualificação da multa, há também a correta indicação dos dispositivos infringidos (§ 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96) e a motivação para sua aplicação (prestação de informação falsa ), estejam eles corretos ou não, o que será analisado no mérito da discussão. Por fim, entendese que a outra nulidade apontada pela Recorrente, quando afirma que "o fundamento legal declinado pelo Ilustre Auditor Fiscal Federal no 'Termo de Verificação da Infração', para fins de aplicação de penalidade pecuniária, não retrata a conduta da Construtora P. J. LTDA., não podendo, por isso, ser equiparado ao contribuinte que age dolosamente no intuito de impedir ou de retardar á ocorrência do fato jurídico tributário", se confunde com o mérito, notadamente se havia motivos ou não para se qualificar a multa aplicada. Assim, REJEITASE as preliminares que afirmam haver nulidade no Auto de Infração capaz de macular o lançamento combatido. DO PERCENTUAL DA MULTA APLICADA. No Recurso Voluntário apresentado, o Recorrente alega que incluiu os débitos indicados nos pedidos de compensação em programas de parcelamento e, por isso, a princípio, não seria devida a multa aplicada em Auto de Infração lavrado após a efetivação dos parcelamentos, por estar caracterizada a denúncia espontânea. Por outro lado, o Recorrente se insurge em face do percentual de 150% da multa aplicada, ressaltando que "sequer existe indício que sugira a presença do elemento subjetivo doloso necessário à caracterização da FRAUDE, tipificada no art: 72 da Lei n.° 4.502/64" Primeiramente, neste ponto, importante ressaltar que o fato de o contribuinte ter incluído os débitos indicados nas compensações consideradas não declarada em programas de parcelamento instituídos pelo Governo Federal não afasta a aplicação da multa. Fl. 290DF CARF MF 6 Como demonstrado alhures, esta penalidade, prevista em legislação válida e vigente no ordenamento jurídico, é decorrente do fato de o contribuinte apresentar pedido de compensações em desacordo com a legislação. O pagamento posterior do débito, independente da forma pagamento à vista, parcelamento ordinário ou especial não altera ou afasta a causa ensejadora da penalidade, que é, reiterese, apresentar pedidos de compensação, que posteriormente são considerados como não declarados pela fiscalização. Não se aplica, ademais, o instituto da denúncia espontânea, uma vez que houve o pagamento (via parcelamento) dos débitos indicados nos pedidos de compensação e não da multa aplicada pela apresentação de compensações consideradas como não declaradas. Contudo, assiste razão à Recorrente, no que tange ao argumento de que o percentual de 150% da multa aplicada não pode prevalecer. É que, o disposto §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03 (vigente à época da transmissão das Per/Dcomp's, cujas compensações foram consideradas não declaradas) autoriza a qualificação (duplicação) do percentual da multa de ofício, quando constatada e comprovada uma das causas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502. Vejase a redação do dispositivo: § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (destacouse) No presente caso, entretanto, quando se observa o Termo de Verificação de Infração (fls. 33 e seguintes), percebese que a fiscalização aplicou a penalidade em percentual duplicado (150%), argumentado o seguinte: Destacamos que o preenchimento e a transmissão das DCOMP's em exame só foram possíveis em razão de inserção de informações inverídicas nos formulários eletrônicos, tais como que o crédito seria próprio quando, muito, seria objeto de cessão. Tal prestação de informação falsa foi realizada com o claro desiderato de eximirse de pagamento de tributo, caracterizandose como fraude, conforme previsto no art. 72 da Lei n° 4.502164, assim como conduta antijurídica descrita no art. 2º, I da Lei n° 8.137190. Desta forma, por dever de ofício, à luz dos fatos narrados, foi aplicada a multa de 150%, conforme determina o § 1º do art. 44 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 15586.000035/201062 Acórdão n.º 1302003.565 S1C3T2 Fl. 289 7 da Lei n° 9.430196, com nova redação dada pela Lei n° 11. 488/2007, a saber: Nada mais. A fiscalização não trouxe qualquer elemento que pudesse, de alguma forma, comprovar condutas do contribuinte que o enquadrasse nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, que autorizam a aplicação do percentual qualificado da multa isolada. Não se pode olvidar que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais há muito repele a aplicação de qualificada da multa, sem que haja a efetiva comprovação, por parte da fiscalização, da prática de algumas condutas elencadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64. Neste sentido, é o teor das súmulas CARF nº 14 e 25, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No presente caso, não se discute omissão de receitas ou rendimentos, a ensejar a aplicação das súmulas transcritas acima. Mas o excertos são claros quanto à necessidade de a fiscalização trazer aos autos a comprovação das condutas do contribuinte, a ensejar a qualificação da multa. Não se pode presumir que, ao transmitir pedidos de compensação, que posteriormente foram consideradas como não declaradas pela fiscalização, o contribuinte praticou alguma das condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, em especial fraude, nos exatos contornos da legislação. Não se pode acatar a afirmação da fiscalização de que houve a inserção de informações falsas nos pedidos de compensação. O que se verifica dos PerDcomp's (fls 09 e seguintes dos autos) é que o contribuinte, de fato, incorreu em infração, passível de penalidade, ao indicar créditos de terceiros para a quitação de débitos próprios. Contudo, em nenhum momento, restou caracteriza uma conduta dolosa, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, a caracterizar fraude nas informações apresentadas. Por outro lado, mesmo que não seja causa para afastamento da aplicação da multa, não se pode desprezar que o Recorrente, ao receber as decisões emitidas nos processos que analisaram os pedidos de compensação, promoveu a liquidação dos débitos via parcelamento, o que, de alguma forma, demonstra a intenção de liquidar os créditos tributários (débitos) indicados nos pedidos de compensação. Desta forma, neste ponto, também devese DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reduzir a 75% do percentual da multa isolada aplicada no Auto de Infração. Fl. 292DF CARF MF 8 DA AFRONTA DA MULTA APLICADA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Neste ponto, sem maiores delongas, não há como dar guarida, no limitado escopo do julgamento administrativo, aos argumentos da Recorrente no sentido de que a penalidade aplicada não tem respaldo constitucional, notadamente por supostamente afrontar os princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Como sabido, nos termos da Súmula nº 02, o "CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Assim, neste ponto, NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. DAS CONCLUSÕES Por todo o que aqui exposto, votase por: REJEITAR as PRELIMINARES de nulidade do Auto de Infração. No mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reduzir a 75% do percentual da multa isolada aplicada no Auto de Infração. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 293DF CARF MF Processo nº 15586.000035/201062 Acórdão n.º 1302003.565 S1C3T2 Fl. 290 9 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo redator designado Peço vênia para discordar do Relator, no que tange à questão da aplicação da multa qualificada, no que fui acompanhado pela maioria da Turma julgadora. Da legislação aplicável A multa aplicada no auto de infração de fls. 41 a 43 tem por base legal o art. 18, caput e §4º, da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" O referido dispositivo ganhou nova redação, por meio da Lei nº 11.488, de 2007: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito Fl. 294DF CARF MF 10 indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" O art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, referido na norma acima transcrita, por sua vez, possui o seguinte conteúdo: "Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Como se percebe, ainda, a partir do §4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2013, a multa em questão será aplicada no caso de declaração nãohomologada, por enquadramento nas hipóteses tratadas pelo inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, dentre as quais se inclui a utilização de créditos de terceiros: "Art. 74 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004)" Por fim, o percentual da multa a ser aplicada seguirá as disposições dos incisos I e §1º do art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15586.000035/201062 Acórdão n.º 1302003.565 S1C3T2 Fl. 291 11 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Do caso concreto No caso sob análise, o Termo de Verificação de Infração de fls. 33 a 40, justifica a imposição da penalidade no cometimento de fraude por parte do sujeito passivo, conduta descrita no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, na medida em que: "(...) o preenchimento e a transmissão das DCOMP's em exame só foram possíveis em razão de inserção de informações inverídicas nos formulários eletrônicos, tais como que o crédito seria próprio quando, muito, seria objeto de cessão. Tal prestação de informação falsa foi realizada com o claro desiderato de eximirse de pagamento de tributo, caracterizandose como fraude, conforme previsto no art. 72 da Lei n° 4.502/64, assim como conduta antijurídica descrita no art. 2º, I da Lei n° 8.137/90." De fato, por meio das Declarações de Compensação (DComp) apresentadas, a Recorrente buscou extinguir débitos de sua responsabilidade, mediante a utilização de supostos créditos de terceiros, o que, notoriamente, eralhe vedado pela legislação vigente, conforme o já transcrito art. 74, §12, inciso II, alínea a, da Lei nº 9.430, de 1996. Ademais, ao associar os referidos créditos a processo administrativo anteriormente formalizado (não por ele, mas por terceiro), conseguiu burlar os mecanismos de controle estipulados pela Administração Tributária, de forma que transmitiu as referidas DComp, em situação proibida pela legislação para a sua apresentação, e sem a necessidade de detalhar a composição do crédito utilizado. Os atos praticados pela contribuinte não podem ser tratados como meros equívocos, e jamais pode ser acatada a sua alegação de ter agido de boafé, nas compensações realizadas. Ademais, não se pode aceitar, como defendido pelo Relator, que exista no caso uma presunção de fraude. Lembro, aqui, a lição de Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, São Paulo: Saraiva. 2016, p. 233234): "Nem todos os acontecimentos podem ser traduzidos em palavras. Exemplo típico é a intenção não exteriorizada de querer determinado resultado ou assumir o risco de produzilo. Como saber qual foi a 'intenção' do agente na prática do ilícito, se ele não a tornou intersubjetiva? Como identificar, em situações não extremas, se houve dolo ou culpa? O sujeito quis lesar o Fisco e aproveitarse do produto do ilícito ou lesou como consequência de um mero erro? É somente a partir da identificação do dolo que algumas condutas podem ser tipificadas como criminosas, que administradores podem ser responsabilizados pelos tributos devidos em decorrência de fatos jurídicos tributários praticados Fl. 296DF CARF MF 12 por pessoas jurídicas, que o prazo decadencial é diferenciado e que multas qualificadas são aplicadas. Portanto, o sistema do direito positivo 'requer' que o aplicador da norma intérprete do fato e das provas a ele referidas decida pela existência ou não do dolo. O dolo é elemento constitutivo do tipo." Como sabido, a DComp constitui o crédito tributário (§6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) e o extingue sob condição resolutória da posterior homologação (§2º do mencionado dispositivo legal). Daí a necessidade de se punir a utilização indevida e fraudulenta do mecanismo, uma vez que, decorrido o prazo de cinco anos após a apresentação da DComp, estará definitivamente extinto o crédito tributário. Ora, créditos de terceiros não podem ser utilizados para compensar débitos fiscais, sendo proibida a apresentação de DComp para a sua utilização. A utilização nas compensações de crédito vedado pela legislação e a inserção de número de processo que não lhe dizia respeito pela Recorrente, portanto, foi algo acidental? Não. Pelo contrário, as ações da Recorrente buscaram, obviamente, ludibriar a autoridade fiscal, de maneira que ficaria desobrigada do pagamento dos créditos tributários que relacionou nas DComp e, por fim, decorrido o prazo quinquenal sem manifestação por parte da autoridade fiscal, ocorreria a homologação tácita da compensação, não obstante sua irregularidade. É inadmissível, assim, que seja punida com a mesma penalidade aplicável aos casos em que não houve o intento fraudulento, da burla, da inverdade, do aproveitamento ilícito de créditos. É totalmente irrelevante, ainda, que, uma vez não tendo logrado êxito no seu intento, a Recorrente tenha realizado o parcelamento e quitação dos débitos que intentou indevidamente compensar. Tal procedimento não comprova sua boafé, nem o exime da penalidade isolada pela conduta praticada, apenas trata do cumprimento, finalmente, da obrigação que lhe era imposta e da qual tentou se eximir por meio do ardil fraudulento no preenchimento das DComp. Por todo o exposto, divergindo do Relator, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário também quanto a tal matéria, mantendo integralmente a penalidade aplicada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.722877/2009-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE
Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que dava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que davalhe provimento. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 28 77 /2 00 9- 43 Fl. 67DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 10.937,62. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 18.849,85, especialmente pela falta de comprovação de pagamento solicitada pelas autoridades fiscais. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que a lei não exige comprovar a efetividade do pagamento das despesas médicas mediante cheques, recibos de depósitos, ordem bancária, etc, e não é permitido fazer interpretação extensiva a fim de prejudicar o contribuinte. A lei seria clara ao afirmar que na falta de documentação poderá o contribuinte indicar o cheque nominativo para comprovar o pagamento, o que, no caso, tornouse desnecessário, uma vez que esta impugnante apresentou os recibos comprobatórios referentes a tratamentos médicos de si mesma e de sua mãe (dependente). Alega que não foram considerados os recibos apresentados por esta impugnante. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => quanto à alegação de suposta nulidade do processo, no presente caso não existem vícios, pois o agente autuante é competente para efetuar o lançamento fiscal e a infração imputada foi adequadamente descrita e fundamentada, com a devida indicação do enquadramento legal, de modo que permitiu à autuada o mais amplo direito de defesa e o exercício pleno do contraditório, direito este exercido na impugnação ora analisada. => no que se refere ao fato mencionado pela impugnante de que os prestadores dos serviços tiveram suas declarações de imposto de renda devidamente processadas, não guarda qualquer relação com a infração verificada no presente lançamento. => através da análise do art. 80 do RIR/99, verificase que se faz necessário que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, restringindose aos pagamentos efetuados pela contribuinte, relativos ao Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10680.722877/200943 Acórdão n.º 2001001.218 S2C0T1 Fl. 3 3 próprio tratamento e ao de seus dependentes. O documento de folha 22 comprova o valor pago para ASCEFET, no valor de R$ 9.089,85 relativo às mensalidades de plano de saúde. Entretanto, os recibos de folhas 23/32 não se revestem das formalidades legais, na medida em que não indicam o endereço e o beneficiário dos serviços prestados. Inclusive, os recibos relativos a Augusto Caballero Bernardo não possuem o número de registro profissional do mesmo. => desta forma deve ser restabelecido, a título de dedução de despesa médica, o valor de R$ 9.089,85. Mantida as demais. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade e Cerceamento de defesa No que se refere à busca incansável do Contribuinte por argumentos para declaração de nulidade, com a devida vênia, totalmente desprovido de lógica e fundamento essa alegação vazia Somese a isso, que houve o atendimento integral a todos requisitos específicos da notificação fiscal houve o regular lançamento, procedimento administrativo por meio do qual o órgão que administra o tributo qualificou o sujeito passivo, consignou o valor do crédito tributário devido, o prazo para recolhimento ou apresentação de impugnação ao lançamento, bem como a disposição legal infringida, constando a indicação do cargo e o número de matrícula do chefe do órgão expedidor Verificase, pois, que a nulidade do lançamento somente poderia ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. Fato esse que não ocorreu em nenhuma hipótese no processo em análise. A descrição dos fatos é um dos requisitos essenciais à formalização da exigência tributária, mediante o procedimento de lançamento. Por meio da descrição, revelam se os motivos que levaram ao lançamento, estabelecendo a conexão entre os meios de prova coletados e/ou produzidos e a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. Seu objetivo é, primeiramente, oportunizar ao sujeito passivo o exercício do seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório, dandolhe pleno conhecimento do desenrolar dos fatos e, após, convencer o julgador da plausibilidade legal da notificação, demonstrando a relação entre a Fl. 69DF CARF MF 4 matéria consubstanciada no processo administrativo fiscal com a hipótese descrita na norma jurídica. É necessário, portanto, que o auditorfiscal relate com clareza os fatos ocorridos, as provas e evidencie a relação lógica entre estes elementos de convicção e a conclusão advinda deles. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada ao contribuinte. TUDO isto foi devidamente atendido pelas autoridades fiscais. Assim, resta claro que não houve qualquer arbitrariedade ou atitude sorrateira por parte da autoridade fiscal. Pelo contrário. O procedimento fiscal sempre primou pela transparência e oportunidade de colaboração do contribuinte. Ademais, não houve também qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da CF/88). Ao contrário, o recorrente teve resguardado o seu direito à reação contra atos que lhe foram supostamente desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerceu o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Desta forma, quando a Administração Pública antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa dá à parte contrária à oportunidade de impugnála da forma mais ampla que entender, o que aconteceu no processo em epígrafe, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório Resta muito claro, pois, que oacontribuinte teve todos os seus direitos de defesa devidamente reservados e garantidos, o processo fiscal cumpriu todas as suas etapas, a notificação fiscal está completa e clara, e o contribuinte teve acesso a tudo. O seu argumento, aparentemente protelatório, de que deveria ser declarada a nulidade da presente notificação fiscal, é absolutamente vazio . Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10680.722877/200943 Acórdão n.º 2001001.218 S2C0T1 Fl. 4 5 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante e com irregularidades apontadas de forma clara e inequívoca, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. Ou seja, restou claro que a autoridade fiscal ficou com dúvidas acerca da dedutibilidade de tal despesa por motivos claramente exposados. No entanto o contribuinte, ao invés de tentar produzir provas fáticas da existência da despesa, como por exemplo, apresentar extratos bancários que pelo menos demonstrassem saques de quantia semelhantes em datas próximas aos recibos emitidos, simplesmente refutou as dúvidas com meras alegações. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Fl. 71DF CARF MF 6 Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo, que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa de despesas médicas conforme decisão a quo. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10680.722877/200943 Acórdão n.º 2001001.218 S2C0T1 Fl. 5 7 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.906460/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE.
O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste.
REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tão-somente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 64 60 /2 01 2- 65 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906460/201265 Acórdão n.º 1401003.299 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de Declaração de Compensação, por meio da qual o contribuinte pretende compensar pagamento indevido ou a maior de Simples (código de receita 6106) com débitos vencidos ou vincendos. A DComp que declara a compensação foi apresentada em 2010. Segundo as informações prestadas nessa declaração, o pagamento a maior ou indevido teria ocorrido em 2004 e o PER/DComp formalizando o crédito do contribuinte perante a Fazenda Nacional teria sido apresentado tempestivamente em 2005. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal não homologou a compensação porque, na data da transmissão da DComp já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação e a data da transmissão. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, em síntese, alega que (i) apresentou tempestivamente o PER/DComp por meio do qual formalizou o crédito e compensou parcialmente com débitos; (ii) como o saldo não lhe foi restituído, teria direito a usálo, ainda que em 2010; (iii) ainda que não se homologue a compensação, há de se reconhecer a prescrição dos débitos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Em seu entendimento, não é possível homologar compensações efetuadas após extinto o direito de pleitear a restituição do pagamento indevido ou a maior, nos termos do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional. Em relação à alegação do contribuinte de que teria transmitido PER/DComp formalizando o crédito dentro do prazo prescricional, a DRJ argumentou que o primeiro PER/DComp transmitido pelo contribuinte não tinha natureza de "Pedido de Compensação", mas de "Declaração de Compensação". Assim, o crédito agora sob exame somente teria sido objeto de Pedido de Restituição em 2010. Quanto ao pedido do contribuinte para que se reconheça a prescrição dos débitos indevidamente compensados, a DRJ argumentou que a apresentação de DCTF em 2008 constituiu os créditos tributários. E a apresentação da DComp, ora submetida ao contencioso fiscal no rito do Decreto nº 70.235/72, suspenderia o prazo prescricional. Inconformado com o indeferimento de seus pedidos, o contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual reitera as razões da Manifestação de Inconformidade. Resumidamente, era o que havia a relatar. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906460/201265 Acórdão n.º 1401003.299 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1401003.293, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10580.906454/2012 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.293): À partida, neste voto, é preciso delinear a questão à qual cinge se o presente feito. Está sob análise tãosomente a homologação da compensação declarada pelo contribuinte em 2010. Não integra a presente lide o exame da liquidez e certeza do crédito formalizado no PER/DComp apresentado pelo contribuinte em 2005. E, no que diz respeito à compensação declarada, tenho que a decisão a quo deve ser reformada, conforme passo a expor. Inicialmente, impende destacar que o Despacho Decisório da DRF baseou a decisão de não homologar a declaração de compensação exclusivamente na extinção do direito a utilizar o crédito em função do exaurimento do prazo prescricional quinquenal. A DRF não trouxe nenhuma análise de que não houvesse o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido. Destarte, o ponto central a ser analisado é se, em 2010, havia sido extinto o direito do contribuinte de efetuar a compensação de débitos com o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido em 2004 e formalizado em 2005. O direito à repetição de indébito, no caso de pagamento indevido ou a maior, é previsto no artigo 165 do CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906460/201265 Acórdão n.º 1401003.299 S1C4T1 Fl. 5 4 na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O exercício do direito à repetição do indébito tem limitação temporal determinada pelo artigo 168 do CTN nos seguintes termos: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Para fins de contagem do prazo quinquenal, o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 determinou que, no caso de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação, o termo a quo das hipóteses previstas no artigo 168, I, do CTN seria o momento do pagamento antecipado. A mudança do critério jurídico por meio da LC nº 118/2005 inovou no sistema jurídico e, assim, foi acolhida pelo Poder Judiciário com efeitos prospectivos e não retroativos, conforme se pode depreender do acórdão abaixo, exarado sob a égide do artigo 543B do Código de Processo Civil/73, no qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do diploma legal citado, que dispunha sobre a aplicação do disposto no artigo 3º a fatos pretéritos: EMENTA DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906460/201265 Acórdão n.º 1401003.299 S1C4T1 Fl. 6 5 verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621/RS, julgamento em 04/08/2011). (Grifei) A decisão do Supremo Tribunal Federal com fulcro no disposto no artigo 543B do CPC/73 deve ser observada pelos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina o artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Tal entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 91, que tem efeito vinculante de acordo com a Portaria MF nº 277/2018, verbis: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso em tela, o PER com a formalização do crédito foi transmitido em 2005 e, portanto, era tempestivo, de acordo com a norma aplicável. É mister destacar, no entanto, que o prazo do artigo 168 do CTN referese ao Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso (PER). Não se deve confundir com a Declaração de Compensação (DComp). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906460/201265 Acórdão n.º 1401003.299 S1C4T1 Fl. 7 6 A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, conforme artigo 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação; O prazo quiquenal de que trata o artigo 168 do CTN não se refere à compensação. Mas, é preciso que o PER tenha sido formalizado antes desse prazo. Essa é a inteligência do artigo 34, § 10, da IN RFB nº 900/2008, que era vigente no momento em que foi transmitida a DComp ora sob análise: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. [...] § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Então, no momento da transmissão da DComp, 2010, não havia sido extinto o direito de utilizar o crédito formalizado tempestivamente (2005) para efetuar a compensação pleiteada. Mas, há que se observar a parte final do dispositivo, que requer a observação das condições postas no parágrafo 5º do mesmo dispositivo. O parágrafo 5º mencionado diz: § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Como dito anteriormente, o crédito que foi formalizado no PER original (transmitido em 2005) não se encontra sob exame neste Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.906460/201265 Acórdão n.º 1401003.299 S1C4T1 Fl. 8 7 feito. Mas, a homologação da compensação somente pode darse no limite das forças do crédito reconhecido naquele PER. A DRJ menciona que o crédito utilizado na DComp em comento não foi formalizado no PER transmitido em 2005. Mas, não há nenhum elemento probatório nos autos que permita chegar a essa conclusão. Ademais, descaberia o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito formalizado em 2005 pelas autoridades julgadores, como se pode depreender da lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) De outra banda, é possível à autoridade administrativa na Delegacia da Receita Federal do Brasil efetuar a revisão de Despacho Decisório que não tenha homologado a compensação declarada, nos termos do nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Nestes termos, afastada a incidência da prescrição, que foi o motivo alegado pela autoridade administrativa no Despacho Decisório que não homologou a compensação, a DRF pode Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10580.906460/201265 Acórdão n.º 1401003.299 S1C4T1 Fl. 9 8 proceder à revisão deste Despacho e homologar a compensação, no limite das forças do crédito formalizado tempestivamente. Conclusão. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.013570/99-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997
IRRF sobre DIVIDENDOS.
O IRRF sobre dividendos somente é compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses.
Numero da decisão: 2201-005.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994, 1995, 1996, 1997 IRRF sobre DIVIDENDOS. O IRRF sobre dividendos somente é compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 35 70 /9 9- 58 Fl. 186DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário de fls. 146/155 em face da decisão de primeiro grau (fls. 137/143) que indeferiu a restituição e não homologou a compensação do contribuinte. Dado o didatismo do relatório produzido pelo julgador de primeira instância, transcrevo: Em 11/11/1999, a contribuinte protocolizou, junto à CAC/DRF/SÃO PAULO, pedido de RESTITUIÇÃO DE IRRF sobre dividendos recebidos durante o período de 1994 a 1997 (fl. 01) no valor total de R$ 728.857,98. Em 13/06/2007, a DERAT/SPO/SP exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 64/67) INDEFERINDO o pedido da interessada. O indeferimento do pleito da contribuinte se deu pelo seguinte motivo: falta de distribuição de lucros nos períodos requeridos o que torna definitiva a tributação sobre os referidos valores não tendo, dessa forma, direito a sua restituição. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 26/06/2007 (fl. 68verso) e dela recorreu a esta DRJ em 26/07/2007 (fls. 70/77). As alegações expostas pela impugnante são resumidas a seguir. • Em não tendo distribuído lucro, no período de 1994 a 1995, e, não apurado IR a pagar na declaração de rendimentos, não restou outra opção senão apresentar pedido de restituição dos referidos valores; • A compensação nada mais é do que uma espécie do gênero restituição e, portanto, no presente caso, assiste razão à contribuinte quanto ao seu pedido de restituição dos valores retidos na fonte; • Cita o ADN COSIT n° 31/1999, o qual dispõe sobre a possibilidade de restituição de saldos negativos de IRPJ e CSLL; • A requerente não estava obrigada a distribuir dividendos e, ademais, não poderia o Fisco se apropriar do referido valor por caracterizar enriquecimento indevido; • A partir da Lei n° 9.249/95, as distribuições de dividendos e lucros passaram a ser isentas de IR e, por essa razão, os montantes antecipados a título de IRRF não poderiam ser recuperados a partir de então; • Em virtude disso, deverseá interpretar a legislação de forma sistemática a fim de possibilitar a restituição pleiteada nos presentes autos; • Enfim, solicita a procedência integral de seu pedido. Da Decisão Proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) Em primeiro grau a DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade (fls. 137/143) que restou assim ementada: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13807.013570/9958 Acórdão n.º 2201005.077 S2C2T1 Fl. 187 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994, 1995, 1996, 1997 IRRF sobre DIVIDENDOS. O IRRF sobre dividendos somente é compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Solicitação Indeferida Cientificada desta decisão (fl. 144), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais, portanto, dele conheço. A ora Recorrente que aproveitar créditos de IRRF decorrentes de retenções efetuados nos anoscalendário 1994 a 1997. Entretanto, nos termos das normas em vigor à época dos fatos aplicável ao caso a norma que considera a tributação como definitiva. No caso não estamos diante de pagamento indevido ou a maior. Sendo considerado como pagamento definitivo não há que se falar em pagamento indevido e isso foi devidamente tratado na decisão recorrida, cujos trechos, peço vênia para transcrever: Inicialmente pertinente registrar aqui o determinado pela Instrução Normativa SRF n° 21, de 10/03/1997, vigente à data da formalização do pleito, no que se refere à instrução do requerimento de restituição de tributos dirigido à SRF pelos contribuintes, cujo art. 6° dispõe (destaques acrescidos): "Art. 6° À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou Fl. 188DF CARF MF 4 recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2°, serão efetuadas a requerimento do contribuinte, pessoa física ou jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicilio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos." § 1° O demonstrativo a que se refere o caput deverá conter a base de cálculo efetiva, o valor do tributo ou contribuição pago ou recolhido, o valor efetivamente devido e o saldo a restituir. (grifou se) Portanto, é imprescindível a formalização do pedido de restituição para verificação pelo Fisco, cuja análise se limitaria ao requerido pela interessada, e eventual reconhecimento do indébito restrito ao apurado e comprovado nos autos. Quanto ao mérito, cabe esclarecer que o imposto de renda regularmente retido na fonte não pode ser compensado com outros tributos ou contribuições nem objeto de restituição. De acordo com o art. 12 da Instrução Normativa n.° 21, de 10 de março de 1997, do Secretário da Receita Federal (IN SRF n.° 21, de 1997, alterada pela IN SRF n.° 73/97), só podem ser utilizados para compensação com débitos da contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado, os créditos de que tratam os seus arts. 2° e 3º, abaixo transcritos: "Art. 2º Poderão ser objeto de pedido de restituição os créditos decorrentes de qualquer tributo ou contribuição, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatária. O IRRF não se enquadra em nenhum dos casos, nem mesmo no do inciso I do art. 2° (pagamento indevido ou a maior). No caso específico do presente pleito, cabe ressalvar que os recolhimentos efetivados do Imposto de Renda na Fonte são devidos, na forma da lei, e não dão ensejo de per si à restituição/compensação. Os dividendos e lucros apurados durante os anoscalendário de 1994 e 1995 serão tributados à alíquota de 15% sendo que o imposto retido poderá ser deduzido do IR a pagar ou sofrer tributação exclusiva ou definitiva (RIR/99): "Art.655. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, relativos aos lucros apurados nos anos calendário de 1994 e 1995, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País, Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13807.013570/9958 Acórdão n.º 2201005.077 S2C2T1 Fl. 188 5 estão sujeitos à incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento (Lei n2 8.849, de 1994, art. 22, e Lei n° 9.064, de 1995, art. 12). Tratamento Tributário Art. 656.O imposto descontado na forma do artigo anterior será (Lei n° 8.849, de 1994, art. 22, §12, e Lei n2 9.064, de 1995, art. 22): 1deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa física, assegurada a opção pela tributação exclusiva; IIconsiderado como antecipação, compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses; IIIdefinitivo, nos demais casos. § 1º A compensação a que se refere o inciso II poderá ser efetuada com o imposto, que a pessoa jurídica tiver que recolher, relativo à retenção na fonte sobre a distribuição de lucros ou dividendos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior (Lei n2 8.849, de 1994, art. 22, §2; e Lei n2 9.064, de 1995, art 22). §2º A incidência prevista nesta Subseção alcança, exclusivamente, a distribuição de lucros apurados na escrituração comercial por pessoa jurídica tributada com base no lucro real (Lei n2 8.849, de 1994, art. 22, §4º , e Lei n2 9.064, de 1995, art. 22).". De acordo com o referido dispositivo, somente são compensáveis o IRRF sobre lucros e dividendos que tiverem sido distribuídos. Dessa forma, em não se caracterizando a distribuição de lucros ou dividendos, a tributação é definitiva, ou seja, sem possibilidade de compensação. Cabe lembrar que a restituição é vedada no presente caso, tendo em vista que, somente é admitida a compensação com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, inclusive com os retidos com os valores pagos ou creditados a título de juros remuneratórios do capital próprio (Leis n° 8.894/94, art.2°, 9.064/95, art.2°; 9.249/95, art.10 e IN SRF n° 12/99, art.2°). Quanto à utilização dos saldos negativos apurados na declaração de rendimentos, prevê o Ato Declaratório SRF n.° 003, de 07 de janeiro de 2000 (DOU de 11/01/2000), conjugando o entendimento da Lei n.° 9.249/95 e Lei n.° 9.430/96, que "os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido Fl. 190DF CARF MF 6 devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." Somente o saldo negativo apurado na declaração de rendimentos pode ser objeto de restituição ou compensação com tributos administrados pela SRF não sendo extensível ao IRRF sobre dividendos e lucros, os quais somente poderão ser deduzidos do IR a pagar, caso tenham sido distribuídos, e, gerar, por conseqüência, saldo negativo passível de restituição. Não é que ocorre no presente caso. Afirma, ademais, a interessada que a compensação nada mais é do que uma espécie do gênero restituição. Equivocada a interpretação da requerente visto que a restituição e a compensação são institutos jurídicos distintos com objetivos e requisitos específicos. A restituição de tributos encontrase prevista no art.165 do CTN em rol taxativo: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no 55' 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." A restituição destinase a devolução dos montantes pagos indevidamente não se constituindo de forma de extinção do crédito tributário como ocorre com a compensação. Já a compensação "é o modo de extinção de obrigações recíprocas. É a extinção de duas dívidas, quando duas pessoas, sendo reciprocamente entre si credoras e devedoras, uma invoca o seu crédito para se liberar de sua dívida". (Milhomens, Jônatas; Alves, Geraldo Magela, Vocabulário Prático de Direito, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2.000, pág.219) Em outros termos, considerandose os valores como pagamento definitivo/exclusivo, não há que se falar em pagamento indevido, de modo que não há que se falar em restituição. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13807.013570/9958 Acórdão n.º 2201005.077 S2C2T1 Fl. 189 7 Conclusão: Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902279/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Compensação. Transformação do Pleito Original Baseado em Pagamento Indevido ou a Maior em Outro, com Fundamento no Saldo Negativo do Período. Possibilidade.
Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomando-se o rito processual, a partir daí.
Numero da decisão: 1301-003.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomandose o rito processual, a partir daí. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 22 79 /2 01 3- 21 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10665.902279/201321 Acórdão n.º 1301003.843 S1C3T1 Fl. 189 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de recurso interposto por SIDERÚRGICA ALTEROSA S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1458.421, da 15ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que, negando provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, não homologou a compensação formalizada através da declaração nº 12810.92366.200110.1.3.04 1683. A recorrente indicara, na declaração de compensação (dcomp), como crédito em seu favor uma quantia recolhida a título de estimativa de IRPJ. A DRF Divinópolis, entretanto, não reconheceu o direito creditório, alegando que, embora encontrado o pagamento, o valor estava totalmente utilizado para quitação de outro débito da própria recorrente, não remanescendo crédito a ser compensado. Não resignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, à qual a DRJ RPO negou provimento em decisão resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da origem do direto creditório, de Pagamento Indevido ou a Maior que o Devido para Saldo Negativo de IRPJ, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Não se reconhece o direito creditório pleiteado, nem se homologam as compensações declaradas. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10665.902279/201321 Acórdão n.º 1301003.843 S1C3T1 Fl. 190 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra o acórdão da DRJ foi interposto recurso, no qual a recorrente alegou que a decisão recorrida havia se apegado a detalhes de forma; especificamente, o equívoco de indicar como crédito o pagamento indevido de estimativa, ao invés de indicar o saldo negativo. Aduziu ter direito de retificar o pedido de compensação, alterando o crédito para saldo negativo. Com isso, o processo retornaria à unidade de origem para prosseguimento da análise. A retificação pretendida encontraria óbice no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que não impede a alegação de qualquer matéria, inclusive a inovação de fatos e argumentos. A recorrente reiterou ter direito de retificar erros formais cometidos na declaração de compensação. Nesse sentido, invocou o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que determina a revisão do despacho decisório na hipótese de "erro de fato" quando do preenchimento da DCTF ou da DIPJ. Ademais, conforme o ADE Corec nº 4/2013 e a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007, o contribuinte pode unilateralmente corrigir irregularidades. Alegou, por fim, que teria havido descumprimento da referida norma de execução e dos princípios da proporcionalidade, informalidade e verdade material. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação da compensação ou pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa revise a dcomp, considerando o crédito nela declarado como saldo negativo ou permita à recorrente retificar a declaração. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10665.902279/201321 Acórdão n.º 1301003.843 S1C3T1 Fl. 191 4 Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O problema pode ser resumido em poucas palavras. A recorrente apresentou uma declaração de compensação, na qual informara como crédito o valor recolhido a título de estimativa de IRPJ, referente a um mês de 2008. A DRF, porém, decidiu não homologar a compensação, fundada no fato de que o pagamento já estava integralmente alocado a outro débito da própria recorrente. Esta se opôs à decisão, alegando ter cometido um mero erro de preenchimento da dcomp. Sua intenção era, desde o início, compensar o saldo negativo de IRPJ, porém, por "erro de fato", informou o valor da estimativa mensal. Pretende, portanto, que o erro seja corrigido de ofício pela Receita Federal. A recorrente sustenta que sua pretensão encontra amparo na legislação em vigor, em especial no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, no Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, no ADE Corec nº 4/2013 e na Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. A legislação citada prevê a possibilidade de retificação de "inexatidões materiais". Isso, entretanto, não pode ser interpretado como autorização para modificar aspectos essenciais da declaração, e tampouco para refazer por completo a dcomp. Nesse sentido, era cristalina a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, vigente ao tempo da transmissão da dcomp: Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Disposições idênticas foram reproduzidas nas Instruções Normativas RFB 1.300/2012 e 1.717/2017, esta atualmente em vigor. As normas que disciplinam a compensação no âmbito da Receita Federal são bastante restritivas no que tange à possibilidade de retificação de dcomp, só o permitindo na hipótese de inexatidão material. Por inexatidão material se deve entender tãosomente o erro de escrita ou de cálculo, caracterizado por uma clara desconformidade entre o dado inserido no documento e a vontade manifestada pelo contribuinte. Nessa linha de entendimento, inexatidão material seria, por exemplo, o erro quanto ao código de arrecadação do tributo, ou quanto ao período de apuração ou a data de vencimento. Enfim, são inconsistências passíveis de ser percebidas a olho nu, pelo simples confronto com os demais dados constantes da mesma dcomp. Só esses erros dão ensejo à retificação da dcomp. Não se pode refazer por completo a declaração, a pretexto de corrigir "erro de fato", sob pena de subverter a lógica da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10665.902279/201321 Acórdão n.º 1301003.843 S1C3T1 Fl. 192 5 Não discrepam dessa ótica o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, o ADE Corec nº 4/2013, nem a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. É importante que se diga que a eventual correção da DIPJ ou da DCTF, a que se referem o parecer e a norma de execução, recai apenas sobre inexatidões materiais que tenham gerado desconformidade com a dcomp examinada. A toda evidência, a retificação da DIPJ não pode ser feita para modificar a forma de apuração do lucro, de presumido para real, a fim de "gerar" saldo negativo de IRPJ ou de CSLL e, dessa forma, tornar compatíveis as informações da dcomp com a DIPJ, viabilizando a compensação. Cabe ainda esclarecer que as chamadas normas de execução são editadas pela Receita Federal com o propósito de orientar seus servidores quanto a determinados procedimentos, funcionando assim como uma espécie de manual, sem criar direito subjetivo para o contribuinte. Quando a orientação precisa vir revestida de caráter normativo, ela é veiculada sob a forma de instrução normativa ou outro ato de mesma natureza. Portanto, ainda que ocorra um eventual descumprimento de norma de execução, isso não gera, por si só, nulidade do ato administrativo. Em síntese, a legislação que disciplina a compensação no âmbito administrativo só admite que se retifiquem as dcomps na hipótese de inexatidão material. No caso em tela, todavia, o erro cometido pela recorrente não consistiu em mera inexatidão material ou em simples erro de preenchimento. A recorrente alegou que pretendia compensar crédito materializado na forma de saldo negativo. Mas a dcomp não corrobora tal informação. O código da receita, o período de apuração, o vencimento e o valor correspondem aos da estimativa mensal. Enfim, todas as informações apontam no mesmo sentido. Nada indica que a vontade da recorrente fosse compensar saldo negativo. Como se vê, a recorrente busca modificar a dcomp, alterando o crédito informado. O erro alegado é insuscetível de correção, seja pelo próprio contribuinte ou pela Administração Tributária. Para sanar o problema é necessário refazer integralmente a declaração, o que já não se admite nesta fase. A recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Porém, seria cabível a diligência apenas se houvesse alguma questão de fato a ser esclarecida. Os fatos, porém, são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em suposto saldo credor, apurado no final do período base. A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem à Delegacia da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, não se trata de mero erro formal. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10665.902279/201321 Acórdão n.º 1301003.843 S1C3T1 Fl. 193 6 Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório implicará prejuízo aos controles da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em dcomps diferentes. Notese que as dcomps que envolvem saldo negativo têm ficha própria para que sejam discriminados os valores que compõem aquele saldo, sendo tal informação necessária para a correta verificação da existência do pretenso direito de crédito. Importa ressaltar ainda que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar, no prazo de cinco anos, a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que a extinção do crédito tributário se torna definitiva. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Em síntese: não se homologa compensação que utiliza como crédito valor pago a título de estimativa mensal, quando o pagamento se encontra inteiramente utilizado para quitar outro débito do próprio contribuinte, não se admitindo, em nenhuma hipótese, que no curso do processo administrativo seja indicado outro crédito, a fim de viabilizar a compensação. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10665.902279/201321 Acórdão n.º 1301003.843 S1C3T1 Fl. 194 7 Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento do ilustre Relator quanto à impossibilidade de transformar o pleito original baseado em pagamento indevido ou a maior em outro, com fundamento em saldo negativo do período, durante as discussões em sessão surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões do Colegiado acerca dessa matéria. Como relatado, tratase de pleito compensatório de direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior, no período de apuração especificado, relativo à estimativa de IRPJ, apresentado via Dcomp. Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP ou outra declaração da mesma espécie, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170 do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal, cabendo à Fiscalização, na hipótese de divergência de informações provenientes de outras declarações, ao menos, questionar a divergência existente, e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma ou mais das declarações apresentadas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações, antes do despacho decisório. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição/compensação porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese que o contribuinte possa cancelar a Perdcomp, ou mesmo adequála de forma devida, de forma fosse comprovado o efetivo crédito. Consciente desse problema, a Administração Tributária modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo regulamentar, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Por outro lado, de fato, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de IRPJ, ocorrendo, em tese, saldo negativo de IRPJ no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos quando da apresentação da declaração, por outro, deixou inequívoco em suas razões de defesa de que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10665.902279/201321 Acórdão n.º 1301003.843 S1C3T1 Fl. 195 8 Embora em situações anteriores, apreciando fatos semelhantes, tenha adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para oportunizar ao contribuinte retificar as declarações apresentadas e apresentar provas da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, alterei meu entendimento para reconhecer parte do pedido, evitandose, com isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.902458/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 58 /2 01 5- 31 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10680.902458/201531 Acórdão n.º 1401003.203 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10680.902458/201531 Acórdão n.º 1401003.203 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10680.902458/201531 Acórdão n.º 1401003.203 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10680.902458/201531 Acórdão n.º 1401003.203 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10680.902458/201531 Acórdão n.º 1401003.203 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10680.902458/201531 Acórdão n.º 1401003.203 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10680.902458/201531 Acórdão n.º 1401003.203 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 426DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900253/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
DESPACHO DECISÓRIO. CIÊNCIA PELOS CORREIOS. DATA DE RECEBIMENTO. INÍCIO DO PRAZO DE APRESENTAÇÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
A contagem do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade tem por referência a data do recebimento do despacho decisório, encaminhado pessoalmente ou por via postal.
É intempestiva a manifestação apresentada depois de transcorrido o trintídio legal.
O recurso voluntário não enfrentou a intempestividade detectada pela instância de piso.
Numero da decisão: 1401-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE Recorrente FAE FERRAGENS E APARELHOS ELÉTRICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DESPACHO DECISÓRIO. CIÊNCIA PELOS CORREIOS. DATA DE RECEBIMENTO. INÍCIO DO PRAZO DE APRESENTAÇÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A contagem do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade tem por referência a data do recebimento do despacho decisório, encaminhado pessoalmente ou por via postal. É intempestiva a manifestação apresentada depois de transcorrido o trintídio legal. O recurso voluntário não enfrentou a intempestividade detectada pela instância de piso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 02 53 /2 00 8- 77 Fl. 52DF CARF MF 2 Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão de nº 08 20.327, de 22/03/2011, proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR que não reconheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte e, consequentemente, não foi reconhecido o direito creditório. A seguir, transcrevo relatório e voto da decisão recorrida: Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório de fls 4/6, que não homologou as compensações declaradas por meio do PER/DCOMP n° 18295.62823.181104.1.3.027800 (fl.6). O contribuinte pretende ver compensados os débitos informados com saldo negativo de CSLL, apurado em 31.12.2001, no valor de R$ 395.770,37. 2. Cientificado do decisório em 20.03.2008 (fl.5), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 06.05.2008 (fls 7/10), requerendo a homologação das compensações declaradas. Arguiuse, inicialmente, preliminar de tempestividade. 3. É o relatório. Voto 4. O interessado arguiu preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade, aduzindo que não foi comunicado do prazo previsto no art. 15 do Decreto n°70.235, de 1972, de modo que a manifestação apresentada deve ser acolhida como tempestiva. 5. A alegação é mendaz, uma vez que o ato de notificação do Despacho Decisório registra o prazo de 30 (trinta) dias para o interessado pagar os débitos indevidamente compensados ou apresentar manifestação de inconformidade contra o decisório (fl. 4). 6. Na espécie, o Aviso de Recebimento (AR) , à f1 5, comprova o recebimento da intimação do Despacho Decisório no dia 20 de março de 2008 (uma quintafeira), realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. 7. De acordo com o art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, o prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade se escoa em trinta dias após ocorrida a ciência, o que, in caso, conduz à data limite de 22 de abril de 2008 (uma terçafeira). 8. Entretanto, a manifestação de inconformidade somente foi apresentada no dia 6 de maio de 2008, de modo que intempestivo se revela o ato do contribuinte. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10380.900253/200877 Acórdão n.º 1401003.359 S1C4T1 Fl. 53 3 9. Do quanto expendido, voto por não conhecer da manifestação de inconformidade. Cientificada, em 19/04/2011, da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe, em 13/05/2011, Recurso Voluntário, onde argumentou: Através do acórdão 0820.327, Vossa Senhoria indeferiu o pedido de homologação do saldo negativo apresentado sob a justificativa de intempestividade. Ocorre, limo. Auditor, que a divergência apontada se refere à PERD/COMP n.° 18295.62823.181104.1.3.027800, em que o Contribuinte, ao invés de formular uma única PERD/COMP para compensar o saldo negativo constante na DIPJ de 2002, no valor total de R$ 395.770,37, o fez no valor de R$ 69.276,58 (sessenta e nove mil, duzentos e setenta e seis reais e cinqüenta e oito centavos) para a compensação especificamente do período em que o referido pedido de compensação foi apresentado, resultando assim a diferença apontada por Vossa Senhoria no mencionado Despacho Decisório. Oportunamente, é imperioso ressaltar que o Processo Administrativo no âmbito federal está sujeito ao Princípio da Verdade Real, devendo desta forma a Administração fiscal realizar as diligencias necessárias para a apuração do saldo negativo realmente devido ao Contribuinte. Neste sentido, o artigo 27 da Lei n. 9.784/99 dispõe da seguinte forma: "Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado." Por todo o exposto, o Contribuinte acima qualificado requer que Vossa Senhoria se digne em homologar as PERD/COMP's apresentadas, e/ou autorizar a retificação, fazendo o desmembramento das mesmas e utilizando os valores devidos a cada PERDCOMP, para que esses valores não sejam objeto de débito na dívida ativa. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Conforme relatoriado, em seu recurso voluntário a Recorrente não atacou explicitamente a questão da intempestividade de sua manifestação de inconformidade apresentada à DRJ, ocasião em que seu pleito não foi objeto de análise pela instância de piso, limitandose a Recorrente a transcrever artigo da Lei nº 9.748/99 que rege dispositivos a serem observados relativos aos processos administrativos em geral. Fl. 54DF CARF MF 4 Entretanto, tal texto legal não é aplicável quando se trata de litígios envolvendo questões como a dos autos, ou seja, de solicitação de reconhecimento de direito creditório e posterior compensação de créditos tributários. É o que estabelece a Lei 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (grifouse) [...] § 7º. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) [...] § 9º. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art.151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) [grifos do Relator] Relativamente às intimações, de se destacar o art.23 do Decreto nº 70.235/76: Art.23. Farseá a intimação: I. pessoal [...] II. por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art.67 da Lei nº 9.532/1997) [...] § 2º. Considerase feita a intimação: [...] II. no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10380.900253/200877 Acórdão n.º 1401003.359 S1C4T1 Fl. 54 5 expedição da intimação; (Redação dada pelo art.67 da Lei nº 9.532/1997) Conforme bem conduzido pela instância de piso, verificouse a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, uma vez que a Recorrente tomou ciência do Despacho Decisório em 20 de março de 2008 (fl.05) e somente apresentou sua manifestação em 06 de maio de 2008 (fl.08). Assim, tendo em vista a perda do prazo previsto para contestar o ato administrativo (Despacho Decisório), a manifestação de inconformidade não pode ser conhecida, em face de sua intempestividade (preclusão temporal). É o voto, por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000351/2001-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2000
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF.
O MPF é mero instrumento de controle administrativo não ensejando sua inobservância a nulidade do auto de infração.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.084
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Nanci Gama
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MPF. O MPF é mero instrumento de controle administrativo não ensejando sua inobservância a nulidade do auto de infração. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, José Luiz Novo Rossari, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Fl. 760DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente e m 29/01/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte com fulcro no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, em face ao Acórdão de n.º 20177.931, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso de Ofício, entendendo que os vícios referentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (“MPF”) não tem o condão de invalidar o lançamento, conforme ementa a seguir: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Os vícios verificados em desatendimento às normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de invalidar um lançamento constituído nos moldes do Decreto nº. 70.235/72 e alterações posteriores. In casu, sequer vício existiu porque as Verificações Obrigatórias podem ocorrer, também, na hipótese em que não haja tributo ou contribuição declarado ou recolhido. Recurso de ofício provido.” Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário com fundamento, entre outras razões, em deste Conselho os quais concluem, em síntese, que “uma vez constatada a ausência válida e regular, nos moldes determinados pelas normas administrativas pertinentes, expedidas pela Secretaria da Receita Federal, do Mandado de Procedimento Fiscal e se tratando de ato procedimental imprescindível à validade dos atos fiscalizatórios, no exercício de competência do agente fiscal, é de se considerar inválido o procedimento e, com efeito, nulo o lançamento tributário conforme efetuado, sem a necessária observância do ato mandamental precedente e inseparável ao ato administrativo fiscal conclusivo”. O Recurso foi encaminhado, em despacho de fls. 1082, a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Intimada do Acórdão e do referido despacho, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 1084/1090, requerendo a manutenção do acórdão proferido pela Câmara a quo. É o relatório. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente e m 29/01/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10925.000351/200131 Acórdão n.º 930301.084 CSRFT3 Fl. 1.095 3 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, FUNDAÇÃO EDUCACIONAL UNIFICADA DO OESTE DE SANTA CATARINA UNOESC, ora Recorrente. Para deslinde da questão, cumpre esclarecer, primeiramente, que o processo em tela versa acerca da existência de eventual vício de validade a culminar na nulidade do Auto de Infração lavrado pela fiscalização, com base na ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (“MPF”) a permitir a adoção de procedimento para apuração e fiscalização da COFINS, referente aos anosbase de 1996, 1997, 1998 e 1999. Isto porque, o MPF expedido pela Chefia da Fiscalização para o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (“AFRB”) descreveu como único tributo a ser fiscalizado o Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRFON”). Por sua vez, o Auto de Infração autuou o contribuinte pela “falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS”. Ora, inevitável, portanto, reconhecer que ambos os documentos tratam de tributos inteiramente diversos. Nesse sentido, importa verificar que o Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF nº. 1.265/99, consiste em rito inaugural essencial à execução e validade do lançamento. Tratase de instrumento emitido pelo superior hierárquico indicando ao auditor fiscal a autoridade competente e os limites em que será exercido o poder de fiscalizar o contribuinte, sendo imprescindível para tanto a definição dos (i) tributos e (ii) períodos a serem apurados. Por assim dizer, temse, por exemplo, que a emissão de MPF determinando a fiscalização de IRFON referente aos anosbase de 1996, 1997, 1998 e 1999, constitui instrumento limitador à apuração de qualquer tributo diverso do indicado ou mesmo de períodos que extravasem aquele prédeterminado, salvo se emitido MPF extensivo. Cumpre destacar que, tão embora seja o MPF meio limitador à livre fiscalização, o mesmo consiste ainda em mecanismo garantidor à própria atuação do AFRB, sendo descabida qualquer alegação de restrição ou violação à independência ou autonomia do órgão. Isto porque o auditor fiscal, por meio de MPF, poderá agir e fiscalizar em determinado caso com amplos poderes investigatórios, desde que observados os termos legais e as garantias fundamentais. Notese em igual sentido o posicionamento defendido por MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA e MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ: “O MPF, contudo, inovou ao dar conhecimento do conteúdo dessas diretrizes internas ao contribuinte. Tratase de um instrumento que visa permitir ao sujeito passivo assegurarse da autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, pois dálhe conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos Fl. 762DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente e m 29/01/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 períodos a serem investigados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do agente que procederá fiscalização. Nasce, a partir da ciência, o direito subjetivo de que esse procedimento seja efetivamente obedecido no curso dos trabalhos. O fato de esse Mandado ter sido instituído por ato administrativo não exime a Administração de cumprilo, afinal a Fazenda pode se autolimitar de modo a garantir maior transparência no exercício da função pública. Seria, no mínimo, imoral a Administração emitir um ato em que se compromete a realizar determinado agir em benefício do administrador e depois unilateralmente descumprir o que fora prometido.” 1 [grifouse e sublinhouse] Desta forma, constatase que toda e qualquer prática de ato fiscalizatório excedente aos limites prescritos no MPF, seja na apuração de tributo estranho àquele indicado no mandado, seja no sentido de prorrogar os prazos para a execução do procedimento, configurarseá como ato viciado pela incompetência específica do auditor fiscal e, portanto, nulo de pleno direito, considerando que a competência do agente é requisito essencial à própria existência do ato jurídico. Em consonância com este entendimento, ROQUE ANTONIO CARRAZZA sustenta que: “O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) tem a natureza jurídica de ato administrativo, implicando “ordem específica” para a instauração, pelos Auditores Fiscal da Receita Federal, dos “procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições” administrados pela SRF. A partir da criação da figura do MPF, em suas várias modalidades, o agir fazendário, na esfera federal, sofreu expressiva limitação, já que este documento tornouse juridicamente imprescindível à validade dos “procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF”. Vai daí que procedimentos relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, que sejam instaurados a descoberto do competente MPF, são inválidos e, nesta medida, tisnam de irremediável nulidade as providências fiscais eventualmente adotadas contra os contribuintes.” 2 [grifouse e sublinhouse] Declaro, por conseguinte, NULO de pleno direito o Auto de Infração lavrado por autoridade fiscal incompetente, tendo em vista que o MPF precedente definiu como único tributo a ser apurado Imposto de Renda, porém a autuação versou acerca da COFINS. Nanci Gama 1 NEDER, Marcos Vinícius. Processo administrativo fiscal comentado, São Paulo: Dialética, 2004, p. 110/111. 2 CARRAZZA, Roque Antonio. in RDDT nº 80, p. p. 98. Voto Vencedor Fl. 763DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente e m 29/01/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10925.000351/200131 Acórdão n.º 930301.084 CSRFT3 Fl. 1.096 5 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator Designado Importante ressaltar ainda que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 30 de novembro de 2.000, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal não repercutindo em nulidade dos atos praticados, a teor, aliás, do que prevê o próprio art. 16 do referido ato normativo. Predito mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais (fiscalização, diligência etc.) tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Neste exato sentido já se manifestou por inúmeras vezes esse Conselho Administrativo de Recursos FiscaisMF: NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Acórdão 10807079. Sessão de 22/08/2002) MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância – na instauração ou na amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. (Acórdão 10706797, sessão de 18/09/2002) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADES Não é nulo o auto de Infração que, embora lavrado após decorridos 60 dias do último documento que indicava reinício da ação fiscal, capitula infrações não excluídas pela espontaneidade readquirida Decreto nº 70.235/72, art. 7º. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. (Acórdão 10706276, sessão de 23.05.2001) Fl. 764DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente e m 29/01/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Convém relembrar também que, sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o art. 142 do CTN, o auditorfiscal, ao apurar infrações, deve proceder ao competente lançamento de ofício, independentemente de qualquer ato administrativo que o determine. Sendo o MPF instrumento de mero controle interno da SRF, não pode a sua falta ou imperfeição macular auto de infração que atendeu a todos os requisitos fixados no art. 142 do CTN combinado com o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Por fim, não é demais lembrar que os casos de nulidade do lançamento estão elencados no art. 59 do Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93) Não estando caracterizada nenhuma das hipóteses acima transcritas, não há que se falar em nulidade do lançamento. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 765DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente e m 29/01/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001957/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR.
A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49.
Numero da decisão: 2301-005.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR. A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DITR. A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 19 57 /2 00 6- 07 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10925.001957/200607 Acórdão n.º 2301005.958 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10925.001941/200696, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de Auto de Infração de Multa Por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), referente ao exercício de 2005. Contra a Notificação de Lançamento, foi apresentada impugnação tempestiva, limitandose a impugnante a relatar a situação crítica da arrecadação municipal e a solicitar a relevação da multa aplicada. Em seguida, a 1ª Turma de julgamento da DRJ Campo Grande (MS) proferiu o acórdão de 1ª instância, considerando o lançamento procedente e mantendo o crédito tributário. Nessa decisão foi consignado que a apresentação anual da DITR é uma obrigação acessória prevista em lei, cujo prazo foi fixado por norma infralegal, sujeitando o contribuinte à multa pelo descumprimento desse prazo, e que não há hipótese legal para relevação da penalidade. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, reproduzindo os argumentos da impugnação e acrescentando seu entendimento de que o art. 138 do CTN ampara sua pretensão, na medida em que a situação caracteriza denúncia espontânea, citando jurisprudências. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10925.001941/200696, paradigma deste julgamento. Apresentase, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2301005. 953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na forma descrita a seguir. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Verificase, no Auto de Infração, que a DITR foi apresentada no dia 07/02/2006, caracterizando o atraso, pois o prazo para apresentação da DITR 2005 era o Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10925.001957/200607 Acórdão n.º 2301005.958 S2C3T1 Fl. 4 3 previsto no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 554/2005, ou seja, de 08/08/2005 a 30/09/2005. Como dito na decisão da DRJ, a obrigatoriedade de apresentação anual da DITR e a exigência da multa por atraso na sua apresentação têm previsão legal nos artigos 7º, 8º e 9º da lei 9.393/1996. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento do tributo é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ou seja, constatado o atraso na apresentação da declaração o lançamento da multa é obrigatório, por determinação legal. Quanto à possibilidade de relevação da multa aplicada, esta somente poderia ser efetuada por meio anistia concedida por lei, nos termos dos artigos 180 a 182 do CTN. A autoridade administrativa não detém essa competência. Portanto, é impossível o atendimento dessa solicitação por absoluta falta de previsão legal. Quanto ao pedido para aplicação do instituto da denúncia espontânea ao presente caso, é forçoso também refutar tal solicitação. Isto por que a penalidade por infração formal, decorrente de obrigação acessória, não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea. Tal entendimento encontrase pacificado no âmbito do STJ, conforme AIRESP 1613696 (Relator Ministro Herman Benjamin; DJE 24/04/2017). Por sua vez, no âmbito do CARF, foi editada Súmula de caráter vinculante no mesmo sentido, conforme abaixo: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em suma, restam afastadas todas as pretensões da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. João Maurício Vital Relator Fl. 31DF CARF MF
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