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Numero do processo: 13986.000026/2003-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96.
EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. DIREITO NÃO RECONHECIDO.
A exportação de produtos NT não dá direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃO-CABIMENTO.
Não incide juros Selic no ressarcimento de créditos incentivados, por falta de previsão legal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.189
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez Lopez, que davam provimento. Os conselheiros
Maria Cristina Roza da Costa e Caio Marcos Cândido acompanharam pelas conclusões.
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. DIREITO NÃO RECONHECIDO. A exportação de produtos NT não dá direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃO-CABIMENTO. Não incide juros Selic no ressarcimento de créditos incentivados, por falta de previsão legal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / P TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez Lépez, que davam provimento. Os conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Caio Marcos Cândido acompanharam pelas conclusões. gr; 49 C • O MARCOS CANDIDO Presidente o Processo e 13986.000026/2003-12 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.189 Fl. 134 411 thàf OMER Relator Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao período de 01/07/2002 a 30/09/2002, apresentado em 14/03/2003, atualizado pela taxa Selic a partir do mês seguinte ao de encerramento do período de apuração. A DRF indeferiu totalmente o pleito porque decorrente, unicamente, da exportação de produtos NI'. A análise da atualização pela taxa Selic restou prejudicada. Na manifestação de inconformidade, a contribuinte argúi que a Lei n2 9.363/96 instituiu o beneficio para as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, acrescentando que o produto industrializado é mercadoria mas nem toda mercadoria é produto industrializado. Por este motivo, entende ter direito ao ressarcimento da importância requerida. A DRJ manteve o indeferimento, também por entender que a exportação de produtos NT não dá direito ao crédito presumido de IPI. Quanto aos juros Selic, registrou que não há previsão legal para a sua aplicação no ressarcimento. No recurso voluntário, a empresa retoma os mesmos argumentos de defesa, reforçando-os com ementas de vários julgados do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tanto no que diz respeito à exportação de produtos NT, quanto em relação à incidência de juros Selic a partir da data de apresentação do pedido. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. O objeto da lide resume-se ao direito ao crédito presumido decorrente da exportação de produtos NT e à possibilidade de atualização do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de apresentação do pedido. 2 Processo n°13986.000026/2003-12 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.189 Fl. 135 Outros recursos da empresa foram apreciados pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes na sessão de 26/04/2007, ocasião em que o direito ao ressarcimento foi negado por unanimidade. Desta forma, adoto como razão de decidir o presente pleito, o voto da Conselheira Nadja Rodrigues Romero, relativo ao Acórdão n° 202- 17.947, proferido nos seguintes termos: "Antes de analisar o mérito do pedido da recorrente, faz-se necessário comprovar se a mesma exerce atividade abrangida pelo campo de incidência do 1P1, previsto atualmente na Lei n° 10.451/2002, repetindo o que dizia a Lei n°4.502/64. O parecer que embasou o despacho decisório do Delegado da DRF em Joaçaba - SC, em sua fundamentação, foi preciso e direto ao demonstrar que a recorrente não exerce atividade de industrialização e, portanto, não é contribuinte do In. Afirma aquela autoridade fiscal: 'Os produtos com indicação 1VT na Tabela de Incidência do IPI/TIPI Produto não são considerados produtos industrializados, estando fora do campo de incidência do imposto,como preceitua o art. 2.637, de 25 de julho de 1998, o que se transcreve para maior clareza: 'Art. 20 O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI (Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1°, e Decreto-lei n.° 34, de 18 de novembro de 1966, art. 19. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com aliquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação '1VT' (não-tributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13).' Acresce que a Instrução Normativa SRF n° 23, de 13 de março de 1997, dispôs, nos arts. 1°e 2°, ff 1°, que: 'Art. 10 O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social - COF1NS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa.' Direito ao Crédito Presumido 'Art. 2° Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. LÀ1.. 3 Processo n°13986.000026/2003-12 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.189 Fl. 136 sç 1 0 0 direito ao crédito presumido aplica-se inclusive: 1 - quando o produto fabricado goze do beneficio da alíquota zero; (Grifou-se)'. À vista da legislação aplicável, o Despacho Decisório concluiu que a contribuinte não tem direito ao crédito presumido. Por sua vez o voto condutor do acórdão recorrido não deixa nenhuma dúvida de que a recorrente não exerce atividade de industrialização e, portanto, não é contribuinte do IPI, senão vejamos o seguinte fragmento do mesmo: 'Exportações de produtos 'N7' Para análise desta questão é imprescindível verificar o disposto no art.13 da Lei n° 9.493, de 10 de setembro de 1997 cujo entendimento foi mantido na redação do art. 6° da Lei n°10.451, de 10.05.2002: 'Art. 6° O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto n° 4.070, de 18 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação 'NT' (não- tributado).' (rifou-se)'. Já a Lei n° 9.363 de 13 de dezembro de 1996, determina expressamente, em seu art. 1°, quem serão os beneficiários do beneficio em questão: 'Art. I° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuintes de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilizarão no processo produtivo.... ' (grifou- se)'. Como se vê, não assiste razão à recorrente na sua pretensão de obter ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados de produtos adquiridos na condição de consumidor final, pois os produtos exportados pela contribuinte (maçãs), embora sujeitas a algum tipo de tratamento, não caracteriza industrialização, sendo os produtos classificados na TIPI, como Não Tributado — NT, no código 08.08.1000, portanto, permanecendo fora do • campo de incidência do IPI, não sendo cabível a pretensão da recorrente de pleitear ressarcimento do crédito presumido referente às exportações de produtos NT. Quanto às decisões administrativas expedidas pelo Conselho de Contribuintes, trazidas pela recorrente em apoio ao seu pleito, j 4 4 Processo n° 13986.000026/2003-12 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.189 Fl. 137 não condiz com entendimento unificado deste Colegiado, pois inúmeros são os Acórdãos prolatados no sentido contrário, como os que a seguir transcrevo, a título de exemplo: 'Acórdão n° 204-12.470: Ementa: IPL RESSARCIMENTO.INSUMO USADO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO 1VT. Não se considera contribuinte do IPI ou Produtor, para fins fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação N7: Os créditos advindos de aquisição de insumos usados na produção de mercadoria NT não são passíveis de ressarcimento. Recurso negado'. 'Acórdão n°203-11.216: IP" RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS NT É facultada a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pago por insumos entrados no estabelecimento industrial ou equiparado, a partir de 1° de janeiro de 1999, destinados a industrialização de quaisquer produtos, incluídos os exportados com imunidade, os isentos e os tributados à alíquota zero, ressalvados, todavia, os não tributados (N7), para os quais permanece a obrigatoriedade de estorno dos créditos relativos ao IPI incidente sobre os insumos neles empregados. Recurso negado'. Em conclusão, ratifico o entendimento apresso nas decisões anteriores, consignado nestes autos para indeferir o pleito da recorrente. Quanto aos acréscimos de juros pela taxa Selic ao crédito presumido, não pode prosperar o pleito por falta de amparo legal. É sabido que, no âmbito do direito público, Administração e administrado estão submetidos ao principio da legalidade estrita, ou seja, só se pode fazer aquilo que a lei manda. Releva esclarecer que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, no seu art. 66, e a Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de r)f • 1995, em seu art. 39, át 4°, referem-se apenas aos casos de pagamento indevido de tributos e contribuições federais. _ Um exame mais acurado do incentivo fiscal em epígrafe mostra que o ressarcimento do crédito presumido não se confunde com a restituição ou a compensaçã o pelo pagamento indevido de tributos. Pelo contrário, a empresa ao adquirir os insumos, mediante operações tributadas, 'paga' o PIS e a Cofins exatamente como determina a lei. O que existe posteriormente é um favor fiscal que prevê a devolução dessas contribuições incidentes nas duas operações imediatamente anteriores à industrialização, a título de incentivo. Não há pagamento indevido. A União fica na posse de um dinheiro recebido licitamente. O ressarcimento e a restituição são, portanto, institutos distintos, porquanto o primeiro é modalidade de aproveitamento de 1-111/4)‘ Processo n° 13986.000026/2003-12 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.189 Fl. 138 incentivo fiscal (um beneficio), ao passo que a restituição, ou repetição de indébito, é a devolução ao contribuinte que tenha suportado o ônus do tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, ou seja, de receita tributária que ingressou indevidamente nos cofres da Fazenda Pública. Fossem institutos idênticos, a lei não os teria tratado distintamente. À guisa de exemplo, a Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, que reformulou o Processo Administrativo Fiscal, no art. 3°, inciso II, estabelece clara diferenciação entre restituição de impostos e contribuições e ressarcimento de créditos de IPI. É evidente que se o legislador quisesse abonar acréscimo de correção monetária e juros Selic também para o ressarcimento em questão, teria incluído esse instituto, expressamente, na redação do citado art. 39 da Lei n°9.250, de 1995, exatamente como fez no caso da Lei n° 8.748, de 1993. Rejeita-se, assim, o pedido para correção dos valores a serem ressarcidos. Desse modo, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada." Tratando-se, neste processo, da mesma matéria apreciada no voto supratranscrito, não há mais o que acrescentar, ante o que nego provimento ao recurso. Sala . Se. es, em 03 de junho de 2009. ER# 41011 6 Page 1 _0080900.PDF Page 1 _0081000.PDF Page 1 _0081100.PDF Page 1 _0081200.PDF Page 1 _0081300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10314.720871/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. METODOLOGIA. VÍCIO MATERIAL. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO.
Considerando o ônus da prova da fiscalização, a ausência de base legal ao lançamento e sua metodologia e cálculos estranhos à lei, implicam na sua conseqüente nulidade material, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142, 145 e 146 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal,bem como ao prescrito no Art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99.
Numero da decisão: 3201-004.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar os autos de infração, em virtude de nulidade material no lançamento. Restou prejudicada a apreciação do Recurso de Ofício. Vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que rejeitou a preliminar de nulidade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. Processo julgado no dia 30/01/2019, às 14:00 horas.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. METODOLOGIA. VÍCIO MATERIAL. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. Considerando o ônus da prova da fiscalização, a ausência de base legal ao lançamento e sua metodologia e cálculos estranhos à lei, implicam na sua conseqüente nulidade material, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142, 145 e 146 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal,bem como ao prescrito no Art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar os autos de infração, em virtude de nulidade material no lançamento. Restou prejudicada a apreciação do Recurso de Ofício. Vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que rejeitou a preliminar de nulidade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. Processo julgado no dia 30/01/2019, às 14:00 horas. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. METODOLOGIA. VÍCIO MATERIAL. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. Considerando o ônus da prova da fiscalização, a ausência de base legal ao lançamento e sua metodologia e cálculos estranhos à lei, implicam na sua conseqüente nulidade material, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142, 145 e 146 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal,bem como ao prescrito no Art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar os autos de infração, em virtude de nulidade material no lançamento. Restou prejudicada a apreciação do Recurso de Ofício. Vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que rejeitou a preliminar de nulidade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. Processo julgado no dia 30/01/2019, às 14:00 horas. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 08 71 /2 01 7- 10 Fl. 655DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário de fls. 406 apresentado em face da decisão de primeira instância da DRJ/PR de fls. 368 que julgou procedente em parte a impugnação de fls. 229, apresentada em face dos Autos de Infração de Pis e Cofins e Termo de Constatação de fls. 196, 191 e 157, respectivamente, por insuficiência de recolhimento, no regime não cumulativo. Como de costume desta Turma de julgamento, reproduzo o relatório da decisão de primeira instância, conforme segue: "Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foram lavrados os autos de infração de fls. 191/200, por meio dos quais se exige o recolhimento de R$ 89.118.827,43 de Cofins não cumulativa e de R$ 18.757.780,28 de contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo, além de multa de ofício (112,50%) e juros de mora. Segundo os Termos de Constatação – PIS – REFRI e COFINS REFRI, fls. 123/126 e 157/160, a autuação, cientificada em 17/04/2017 (fl. 203), ocorreu devido à constatação de que bonificações feitas em bebidas, consideradas pela contribuinte como descontos incondicionais, foram excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins (incidência nãocumulativa), apuradas de acordo com o Regime de Tributação de Bebidas Frias (“REFRI”), relativamente aos períodos de apuração 04/2012 a 06/2012. Consta do Termo de Constatação, também, que devido ao não atendimento de intimações para a apresentação de demonstrativos de bases de cálculo relativamente aos valores não recolhidos sobre as ditas bonificações, o lançamento foi efetuado com apoio nas planilhas “Demonstrativo do PIS devido sobre bonificações através do Regime de Apuração – REFRI” e “Demonstrativo da COFINS devida sobre bonificações através do Regime de Apuração – REFRI”. Consta, ainda, que a multa de ofício de 75% foi aumentada de 50%, nos termos do art. 44, § 2º, I da Lei nº 9.430, de 1996, e suas alterações e que a relação das notas fiscais de bonificação, CFOP 5910 e 6910, das empresas incorporadas foram extraídas do sistema Receitanetbx – notas fiscais eletrônicas. Em 17/05/2017, a interessada, por meio de procuradores, ingressou com a impugnação de fls. 229/261, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após breve relato dos fatos, aduz que as autuações fiscais não podem subsistir, pois: Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10314.720871/201710 Acórdão n.º 3201004.885 S3C2T1 Fl. 656 3 Dissertando sobre a não incidência do PIS e da Cofins sobre produtos dados em bonificação (item I da impugnação), a interessada diz que a transferência de produtos dados em bonificação representa um custo, jamais uma receita. Reforça que “sendo o fato gerador do PIS e da Cofins a receita, não podem incidir tais contribuições sobre evento que não gere receita, independentemente do critério utilizado para a apuração dos tributos.” Acrescenta, também, que “a análise da legislação pertinente ao Refri (Lei nº 10.833/03 e Decreto nº 6.707/08) evidencia a não incidência do PIS e da Cofins sobre produtos saídos em bonificação.” No subitem I.1 (O Fato Gerador do PIS/Cofins: Impossibilidade de sua Incidência sobre Evento que Não Represente Receita) discorre sobre a legislação e afirma que “ao pretender que produtos dados em bonificação (que por definição não geram receita), Fl. 657DF CARF MF 4 integrem a base de cálculo do PIS e da Cofins, está pura e simplesmente a sustentar que o legislador, no Refri, teria instituído nova contribuição incidente sobre a alienação a qualquer título de bebidas frias pelo produtor, que não teria por fato gerador a receita, que é o fato gerador próprio do PIS e da Cofins, que determina sua natureza específica (artigo 4º do CTN).” Afirma, no subitem I.2, que o “próprio decreto que regulamenta o Refri determina que seja incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins somente a quantidade comercializada, dela se excluindo, portanto, os produtos bonificados.” Sobre o assunto, chama a atenção para o contido no § 2º do art. 58J da Lei nº 10.833, de 2003 e, também, sobre o resultado do julgamento do Recurso Especial nº 1111156/SP (sob o regime de recurso repetitivo) que concluiu que não incide ICMS sobre produtos dados em bonificação. Na hipótese de ser mantido o entendimento fiscal, requer, todavia, a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora por entender que “agiu em consonância com a determinação do § 2º do artigo 27 do Decreto nº 6.707/08”. No item II (Do Vício na Determinação do Valor das Contribuições Exigidas) diz que “para apurar os valores de PIS e Cofins que seriam realmente devidos caso incidissem sobre os produtos dados em bonificação, bastaria à i. fiscal autuante ter cotejado os produtos e marcas comerciais constantes das notas fiscais com os produtos e marcas comerciais listadas nas tabelas X, XI e XII do Anexo III do Decreto nº 6.707/08, chegando aos referidos valores”, contudo, em vez disso, “optou pelo maior valor correspondente a grupo de uma tabela que constasse das Dacon apresentadas pela Impugnante e aplicou a todos os produtos pertinentes àquela tabela.” Os erros identificados em decorrência dessa forma de atuação, constam do doc. 02 anexado à impugnação (planilhas em arquivos não pagináveis). Em alguns casos, segundo afirma, também teriam sido cometidos equívocos quanto ao tipo de embalagem (consideradas embalagens de 12 unidades quando o correto seria embalagens de 6 unidades). Tais equívocos, conforme aduz, também constam do doc 02 anexado à impugnação (exemplifica no doc. 03, anexado à impugnação). Adicionalmente, diz que houve a autuação de produtos comercializados por centros de distribuição. Afirma que a fiscalização ignorou o fato de que, na vigência do REFRI, a incidência do PIS/Cofins era concentrada nos estabelecimentos fabricantes de bebidas e que, assim, a autuação deveria ter se limitado às saídas promovidas pelas indústrias da impugnante. Aduz, ainda, que a fiscalização não considerou que nos meses de maio e junho de 2012 a Londrina Bebidas apresentou saldo credor de PIS e Cofins. Pede o desconto dos créditos. Por entender que está totalmente comprometida a liquidez e a certeza dos autos de infração, defende a sua nulidade, a teor do art. 142 do CTN e 10, V, do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10314.720871/201710 Acórdão n.º 3201004.885 S3C2T1 Fl. 657 5 No item III, discorre sobre o “não cabimento da multa de ofício agravada”, diz que não houve o desatendimento da intimação para “prestar esclarecimento” e que, portanto, a multa agravada não pode ser mantida. Ressalta que nenhuma das condutas descritas nos incisos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, se aplica ao caso concreto. Lembra, inclusive, que a não elaboração da planilha solicitada não causou qualquer prejuízo à ação fiscal já que, com apoio no ReceitanetBX e nas demais planilhas fornecidas pela impugnante a fiscalização foi capaz de efetuar o lançamento. Menciona, ainda, que não é razoável punir a contribuinte por não ter feito o cálculo que cumpria à fiscalização fazer consoante art. 142 do CTN. A seguir, no item IV, disserta sobre a não incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Diz que, apesar de tal incidência não constar dos autos, ela pode vir a ocorrer, sendo a mesma incabível. Aduz que já houve decisão administrativa, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito (Acórdão 910100.722 e outros). Insiste que não há norma legal a autorizar tal incidência e que se isso ocorrer será violado o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e, também, os arts. 5º, II e 150, I da CF 88, além do art. 97 do CTN. Ao final, pede que se acolha a impugnação “para o fim de se reconhecer a insubsistência dos autos de infração lavrados, caso antes não reconhecida sua nulidade material, como medida de direito e de justiça. Juntamente com a impugnação, foram apresentadas planilhas que foram anexadas como arquivos não pagináveis conforme termo de fl. 320 e que foram identificadas como “Ambev Brasil.xlsb, CIA de Bebidas 04_06.xlsb, Londrina Bebidas.xlsb, Memória PIS COFINS 2tri2012.xlsb e Pautas.xlsx.” Em 18/05/2017 o processo foi encaminhado à DRJ São Paulo (fl. 323). Posteriormente, em 30/06/2017, conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB o processo foi encaminhado para esta DRJ em Curitiba, para julgamento. É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/PR foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 Fl. 659DF CARF MF 6 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INCORREÇÕES NAS PLANILHAS UTILIZADAS NO LANÇAMENTO. EFEITOS. A existência de incorreções nas planilhas que serviram de apoio ao lançamento, não implicam sua nulidade, cabendo o seu simples saneamento quando houver prejuízo para o sujeito passivo. REFRI. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO. OPÇÃO. ALCANCE. A opção pelo regime especial de apuração e pagamento previsto no artigo 52 da Lei nº 10.833, de 2003 alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante, abrangendo todos os produtos de que trata o art. 1º do Decreto nº 6.707, de 2008, por ela fabricados ou importados. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A pessoa jurídica optante pelo regime especial de apuração e pagamento previsto no artigo 52 da Lei nº 10.833, de 2003, deverá determinar o valor do PIS e da Cofins, correspondentes aos produtos abrangidos pelo referido regime, multiplicando a quantidade de litros comercializada no mês pelo valor fixado em reais por unidade de litro do produto, sendo incabível a exclusão de bonificações em mercadorias concedidas, mesmo quando equiparadas a descontos incondicionais, uma vez que tal exclusão somente é admitida na hipótese de determinação da contribuição com base na receita bruta da venda de bens e serviços. REFRI. EMPRESA OPTANTE. BONIFICAÇÕES CONCEDIDAS. PIS E COFINS. CÁLCULO. DECRETO Nº 6.707, DE 2008. A pessoa jurídica optante pelo regime especial de apuração e pagamento previsto no artigo 52 da Lei nº 10.833, de 2003 (REFRI) deve calcular as contribuições devidas a título de PIS e de Cofins sobre as mercadorias concedidas sob a forma de bonificação nos termos do previsto no Decreto nº 6.707, de 23 de dezembro de 2008. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. DESCABIMENTO. Quando se constatar que a contribuinte atendeu as intimações recebidas e prestou esclarecimentos à fiscalização, não deve ser aplicado o agravamento da multa. SICOBE. CRÉDITO PRESUMIDO. DEDUÇÃO. Se há comprovação de que a contribuinte efetuou o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil em decorrência da implantação e controle do Sistema de Controle de Produção de Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10314.720871/201710 Acórdão n.º 3201004.885 S3C2T1 Fl. 658 7 Bebidas Sicobe, o crédito presumido correspondente, previsto na legislação de regência, que ainda não tenha sido utilizado, é passível de ser deduzido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração. JUROS DE MORA. Cobramse juros de mora por expressa previsão legal. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Os autos digitais foram distribuídos e pautados para julgamento conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando tempestivo, o Recurso Voluntário deve ser conhecido. Por razões que estão diretamente ligadas às preliminares argüidas pelo contribuinte, o Recurso de Ofício ficará prejudicado, conforme será registrado neste voto. Para resumir, é possível verificar que a decisão de primeira instância reapurou toda a base de cálculo do lançamento para sanar o grave vício na apuração original, decorrente do lançamento, conforme trechos selecionados e expostos a seguir: (...) Fl. 661DF CARF MF 8 (...) A autoridade de origem concluiu pela insuficiência de recolhimentos do Pis e Cofins no regime de recolhimento não cumulativo, por entender que as bonificações devem ser consideradas na base de cálculo do Pis e da Cofins. Contudo, ao calcular o lançamento, a fiscalização deixou de observar o disposto no Decreto 6.707/08, Anexo III, onde estão determinados os valores e formas de cálculos a serem adotados na apuração da base de cálculo. De forma satisfatória, foi contestado pelo contribuinte este equívoco na apuração do lançamento, ao ter considerado, de forma abstrata e não realista, as maiores alíquotas dos produtos comercializados pelo contribuinte. Não há previsão legal para tal procedimento e, inclusive, há previsão que determina um procedimento diferente do utilizado no lançamento para a apuração, conforme disposto nos Artigos 49 e 52 da Lei 10.833/03 e 10637: "Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10314.720871/201710 Acórdão n.º 3201004.885 S3C2T1 Fl. 659 9 respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) § 1o O disposto neste artigo, relativamente aos produtos classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água, refrigerante e cerveja sem álcool. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2o A pessoa jurídica produtora por encomenda dos produtos mencionados neste artigo será responsável solidária com a encomendante no pagamento das contribuições devidas conforme o estabelecido neste artigo. (...) Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: (Vide Decreto nº 5.062, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I – água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, R$ 0,0212 (duzentos e doze décimos de milésimo do real) e R$ 0,0980 (noventa e oito milésimos do real); (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Decreto nº 5.162, de 2004) II bebidas classificadas no código 2203 da TIPI, R$ 0,0368 (trezentos e sessenta e oito décimos de milésimos do real) e R$ 0,1700 (dezessete centésimos do real); III preparações compostas classificadas no código 2106.90.10, ex 02, da TIPI, para elaboração de bebida refrigerante do capítulo 22, R$ 0,1144 (um mil, cento e quarenta e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,5280 (quinhentos e vinte e oito milésimos do real). § 1o A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditarse dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 2o (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 3o A opção prevista neste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de novembro de cada ano calendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o anocalendário subseqüente ao da opção. Fl. 663DF CARF MF 10 § 4o Excepcionalmente para o anocalendário de 2004, a opção poderá ser exercida até o último dia útil do mês subseqüente ao da publicação desta Lei, produzindo efeitos, de forma irretratável, a partir do mês subseqüente ao da opção, até 31 de dezembro de 2004. § 5o No caso da opção efetuada nos termos dos §§ 3o e 4o, a Secretaria da Receita Federal divulgará o nome da pessoa jurídica optante e a data de início da opção. § 6o Até o último dia do 3o (terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei: I os comerciantes atacadistas e varejistas referidos no inciso I do art. 50 somente poderão excluir da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS o valor das notas fiscais de aquisição dos produtos de que trata o art. 49 emitidas por pessoa jurídica optante; II o disposto no inciso II do art. 50 se aplica apenas em relação a receitas decorrentes de operações com pessoa jurídica optante. § 7o A opção a que se refere este artigo será automaticamente prorrogada para o anocalendário seguinte, salvo se a pessoa jurídica dela desistir, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de outubro do anocalendário, hipótese em que a produção de efeitos se dará a partir do dia 1o de janeiro do anocalendário subseqüente. (...) Este erro não é um pequeno erro de fato que pode ser corrigido, é um erro qualitativo que causa a nulidade do lançamento. Ou seja, o lançamento possui uma apuração contra legem. Constatado isto pela própria DRJ, além de reapurar o lançamento, a DRJ incluiu novo fundamento para a sua manutenção, uma vez que distinguiu bonificações de descontos incondicionais, quando a fiscalização considerou equivalente a natureza jurídica dos descontos incondicionais com as bonificações. Em adição ao já registrado, também é possível verificar que a fiscalização não apurou créditos e não considerou os pagamentos antecipados do SICOBE. Ou seja, outro lançamento se configurou ao longo do processo, situação que não é permitida nos moldes expostos na legislação própria do processo administrativo federal, conforme Art. 10 do Decreto 70.235/72 e no CTN, conforme disposto no Art. 142 e 146. Considerando o ônus da prova da fiscalização, a ausência de base legal ao lançamento e sua metodologia e cálculos estranhos à lei, implicam na sua conseqüente nulidade material, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142, 145 e 146 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal,bem como ao prescrito no Art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10314.720871/201710 Acórdão n.º 3201004.885 S3C2T1 Fl. 660 11 Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte em razão do reconhecimento do mérito a seu favor, de forma integral. Igualmente, resta prejudicado Recurso de Ofício, pelo mesmo motivo. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto e sobre todos os fundamentos legais, fatos e motivos apresentados, votase para que seja reconhecido PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para anular o lançamento. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. A presente declaração de voto tem por objetivo pontuar o entendimento pelo qual manifestome pela nulidade do lançamento combatido. É sabido que no âmbito do direito público, impera o princípio da legalidade, do qual decorre o poderdever da Autoridade administrativa de rever seus próprios atos quando eivados de ilegalidade ou nulidade, chamado também de princípio da autotutela, justificado pela primazia do interesse público. No âmbito do direito tributário, contudo, a autotutela é regulamentada, ou, ainda, limitada, ao disposto nos artigos 145, 146 e 149 do CTN e, portanto, a estes dispositivos devem se submeter a administração tributária quando da revisão de um ato formal de lançamento. Nesse sentido, colhemse manifestações dos Tribunais pátrios, resumida no seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça proferido em sede de Recurso Representativo de controvérsia: Fl. 665DF CARF MF 12 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA (CDA) ORIGINADA DE LANÇAMENTO FUNDADO EM LEI POSTERIORMENTE DECLARADA INCONSTITUCIONAL EM SEDE DE CONTROLE DIFUSO (DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88). VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO QUE NÃO PODE SER REVISTO. INEXIGIBILIDADE PARCIAL DO TÍTULO EXECUTIVO. ILIQUIDEZ AFASTADA ANTE A NECESSIDADE DE SIMPLES CÁLCULO ARITMÉTICO PARA EXPURGO DA PARCELA INDEVIDA DA CDA. PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL POR FORÇA DA DECISÃO, PROFERIDA NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO, QUE DECLAROU O EXCESSO E QUE OSTENTA FORÇA EXECUTIVA. DESNECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA CDA. (...) 4. O princípio da imutabilidade do lançamento tributário, insculpido no artigo 145, do CTN, prenuncia que o poderdever de autotutela da Administração Tributária, consubstanciado na possibilidade de revisão do ato administrativo constitutivo do crédito tributário, somente pode ser exercido nas hipóteses elencadas no artigo 149, do Codex Tributário, e desde que não ultimada a extinção do crédito pelo decurso do prazo decadencial qüinqüenal, em homenagem ao princípio da proteção à confiança do contribuinte (encartado no artigo 146) e no respeito ao ato jurídico perfeito. (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1115501/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 30/11/2010) Por óbvio que não se está a negar que a Administração Pública, na busca da preservação do interesse coletivo maior, deve esforçarse na correção de possíveis erros que possam, em última análise, acarretar ilegalidades. Todavia, em mesma sintonia se encontram demais preceitos de igual importância, tal como o princípio da confiança legítima, amplamente consagrado no direito pátrio, sendo dever do aplicador do direito a sua observância simultânea. Na situação examinada, se está diante de situação em que a revisão do ato administrativo de lançamento ocorreu em desrespeito direto aos direitos do contribuinte, sem que tenha a Fiscalização sequer justificado, dentre as hipóteses previstas no art. 149 do CTN, em qual delas se enquadraria a revisão do enquadramento tributário que deve suportar o lançamento, incorrendo, assim, em ilegalidade manifesta. (assinatura eletrônica) Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10314.720871/201710 Acórdão n.º 3201004.885 S3C2T1 Fl. 661 13 Fl. 667DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903907/2012-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.769
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 07 /2 01 2- 00 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13819.903907/201200 Acórdão n.º 3201004.769 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, com base em suposto crédito de COFINS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Em preliminar, defende a decadência para a análise do crédito tributário (CTF, art. 150, § 4º) em função de a ciência do despacho decisório ter ocorrido em prazo superior a 5 anos da data de transmissão do PerDcomp. Cita acórdão do Carf relativo à homologação tácita de declaração de compensação. Afirma que o crédito pleiteado referese à exclusão de outras receitas da base de calculo do Pis e da Cofins em função do trânsito em julgado com repercussão geral ocorreu em 2006. Cita acórdãos de DRJ e do Carf. Acrescenta que foi revogado o §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pede, se for o caso, a determinação das diligências necessárias para a apuração da exatidão do crédito tributário a que se refere o presente processo, em respeito ao primado da verdade material e da moralidade administrativa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02048.741. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.765, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.903903/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.765): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903907/201200 Acórdão n.º 3201004.769 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de "inexistência do crédito postulado". Inicialmente aduz o Recorrente a ocorrência de decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4ª do CTN, contados da transmissão do Pedido de Restituição. Todavia, não merece acolhida o pleito do contribuinte. O Pedido de Restituição tem o condão de interromper a prescrição do crédito tributário em face da Fazenda Nacional, contudo, inexiste hipótese de reconhecimento tácito de tal crédito, cujo reconhecimento demanda a análise material do direito creditório pela administração tributária. Lado outro, prevê a legislação a homologação tácita das pedidos de compensação apresentados pelos contribuinte, sendo este prazo de 5 (cinco) anos contados da transmissão da declaração de compensação. Desse modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: A compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 74, § 2º). O mesmo artigo determina que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de “não homologação” da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PerDcomp sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. Por outro lado, o pedido de restituição não tem nenhum efeito imediato e necessita, essencialmente, da manifestação expressa da Administração negando ou concordando com o pedido. Por tratarse de um requerimento, de uma solicitação, de um pedido, necessita uma decisão explícita da Administração – nunca uma solução tácita (Lei nº 9.784, de 1999, art. 48). O prazo da Lei 9.740, de 1996, referese, exclusivamente, à declaração de compensação, não se aplicando a pedido de restituição. Não existe prazo preclusivo para a apreciação do pedido de restituição. Não cabe aplicar a ele o prazo da homologação tácita, dado que a compensação declarada está afeta a um regime declaratório (Declaração de Compensação), e a restituição está afeta a um regime de requerimento (Pedido de Restituição). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903907/201200 Acórdão n.º 3201004.769 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse mesmo sentido é a própria decisão colacionada pelo Contribuinte em Seu Recurso Voluntário: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, a teor das disposições do art. 74 e seu § 5° da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data da protocolização da Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 120200.246 – Recurso nº 177.141Processo nº 11610.006196/200335 – 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2009) Vale ressaltar que, muito embora o Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação possam ser apresentados por meio de um único instrumento (PER/DCOMP), estes não se confundem, pois representam atos jurídicos de conteúdo distinto. Quanto ao mérito, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior em decorrência do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que deve ser reconhecida pela administração tributária. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega, a rigor, a necessidade de aplicação do quanto restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º da Lei nº 9.718/98). Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, mas apenas planilhas colacionadas à Manifestação de Inconformidade que não representam e não comprovam a contabilidade da empresa. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que esta não se presta à substituir o ônus de produção de prova pelo contribuinte. Esta deve ser utilizada quanto resta dúvida por parte dos julgadores acerca dos fatos e desde que o direito Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903907/201200 Acórdão n.º 3201004.769 S3C2T1 Fl. 6 5 postulado esteja minimamente provado pelo contribuinte, o que não se verifica nos autos. Assim, também nesse aspecto, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Nenhum documento contábil ou fiscal acompanha os demonstrativos. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da existência do crédito e o contribuinte não logra comprovar sua vinculação com as teses que apresenta. No caso da exclusão do ICMS, ainda que fosse uma alegação válida, as provas seriam imprestáveis, não sendo suficientes para quantificar o crédito e, como já relatado, as diligências não se prestam a isso. O objetivo da diligência não é produzir provas que não foram apresentadas na impugnação, mas esclarecer dúvidas. Ademais, os valores não são coerentes. Em pesquisa aos sistemas de controle da RFB, verificouse que há incompatibilidade entre os valores declarados em DIPJ e o confessado em DCTF. (...) A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para confirmar o indeferimento da restituição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903907/201200 Acórdão n.º 3201004.769 S3C2T1 Fl. 7 6 Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.722552/2018-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF N.º 63. SÚMULA CARF N.º 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de conhecimento do recurso de ofício pelo CARF, é efetivada, em juízo de admissibilidade, quando da apreciação na segunda instância, aplicando-se o limite vigente na ocasião. Superando a exoneração o atual limite de alçada de R$ 2.500.000,00 deve-se conhecer do recurso de ofício.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. NATUREZA JURÍDICA DO TRIBUTO RECOLHIDO. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR DE RUBRICA ESPECÍFICA EFETIVADO DE OFÍCIO RELATIVO A TRIBUTO DA MESMA NATUREZA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF N.º 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, cuja natureza seja a mesma das antecipadas, deste modo o prazo decadencial das rubricas lançadas de ofício é contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível, seguindo a regra das respectivas rubricas de mesma natureza e competência antecipadas e sujeitas a homologação da autoridade administrativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ABORDAGEM CONSTITUCIONAL E DE ILEGALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2
É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de ilegalidade e/ou de inconstitucionalidade. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro do seu âmbito revisional da decisão de primeira instância administrativa, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, não havendo permissão para declarar ilegalidade de Lei, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade e de legalidade das leis.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DE SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O processo administrativo fiscal instrumentaliza uma solução estatal não-jurisdicional de conflitos tributários, diversa da apreciação judicial-jurisdicional efetivada pelo Poder Judiciário em jurisdição una, inclusive não é conhecida administrativamente a questão concomitantemente posta ao conhecimento judicial, também por isso, não lhe é dirigida a norma do novo Código de Processo Civil de suspensão do processamento de todos os processos "judiciais" pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre questão objeto de repercussão geral, ademais, considerando o âmbito próprio de regulamentação, não há previsão regimental ou legal que autorize o sobrestamento do processo administrativo fiscal em razão de repercussão geral pendente de decisão judicial definitiva do Supremo Tribunal Federal. A vinculação do CARF é unicamente à decisão definitiva da Excelsa Corte, deste moddo, enquanto ela não sobrevier, o processo administrativo, regido pelo princípio da oficialidade, tem seu curso normal, salvo expressa determinação do Supremo Tribunal Federal em sentido contrário, pautando-se na presunção de constitucionalidade das leis.
MEDIDA LIMINAR JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. EFEITOS.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não suspende o curso normal do processo administrativo fiscal, tampouco obsta o lançamento. Não é nula a decisão de primeira instância que julga a impugnação em prosseguimento ao curso normal do processo administrativo tributário. Os institutos da "constituição" do crédito tributário e da "suspensão" da exigibilidade do crédito tributário não se confundem. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário também diverge do instituto de suspensão do processo. A constituição do crédito tributário, para prevenir a decadência, e o prosseguimento do processo fiscal não violam o cumprimento da decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito, não se caracterizam como atos atentatórios à dignidade da justiça. Somente os atos executórios, relativos a exigibilidade do crédito, aguardarão a decisão judicial final ou a perda da eficácia da medida liminar concedida.
NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE.
A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016
PROCESSO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DEVER DE OFÍCIO. CONSTITUIÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindo-lhe privativamente constituir o crédito tributário com a efetivação do lançamento. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá-lo, inclusive para obstar a decadência.
Em caso de processo judicial, ainda que vigente medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, deve a administração tributária, por dever de ofício, ultimar os procedimentos de constituição do crédito tributário, evitando a decadência do direito em si, não tendo a referida suspensão força impeditiva à constituição do próprio crédito tributário.
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FUNRURAL. SUB-ROGAÇÃO. COOPERATIVA. DISPENSA DE DESCONTO POR MEDIDA LIMINAR JUDICIAL. SUJEITO PASSIVO.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a descontar a contribuição social substitutiva do empregador rural pessoa física destinada à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, que por fatores históricos se convencionou denominar de FUNRURAL, no prazo estabelecido pela legislação, contado da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Elas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física produtora rural, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação, obrigando-se ao desconto e, posterior, recolhimento, presumindo-se efetivado oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável. Por isso, em caso de medida liminar judicial suspendendo a obrigação de descontar, em processo proposto pelo próprio responsável, pendente de trânsito em julgado, é dever da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício para prevenir a decadência, procedendo ao lançamento em nome da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou da cooperativa.
COOPERATIVA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA.
Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo é necessária a demonstração de que a operação se efetivou entre o associado e a cooperativa e dentro do regime jurídico do ato cooperativo, exigindo-se, para tanto, prova documental societária, contábil e fiscal apta a comprovar a natureza do ato cooperativo, nos termos da legislação de regência, segregando-o das aquisições efetivadas em definitivo.
Numero da decisão: 2202-005.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e em conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Murilo Marco, OAB-SP 238.689.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Andréa de Moraes Chieregatto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e em conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Murilo Marco, OAB-SP 238.689. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Andréa de Moraes Chieregatto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF N.º 63. SÚMULA CARF N.º 103. A verificação do limite de alçada, para fins de conhecimento do recurso de ofício pelo CARF, é efetivada, em juízo de admissibilidade, quando da apreciação na segunda instância, aplicando-se o limite vigente na ocasião. Superando a exoneração o atual limite de alçada de R$ 2.500.000,00 deve-se conhecer do recurso de ofício. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. NATUREZA JURÍDICA DO TRIBUTO RECOLHIDO. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR DE RUBRICA ESPECÍFICA EFETIVADO DE OFÍCIO RELATIVO A TRIBUTO DA MESMA NATUREZA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF N.º 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, cuja natureza seja a mesma das antecipadas, deste modo o prazo decadencial das rubricas lançadas de ofício é contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível, seguindo a regra das respectivas rubricas de mesma natureza e competência antecipadas e sujeitas a homologação da autoridade administrativa. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL E DE ILEGALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de ilegalidade e/ou de inconstitucionalidade. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro do seu âmbito revisional da decisão de primeira instância administrativa, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, não havendo permissão para declarar ilegalidade de Lei, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade e de legalidade das leis. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DE SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal instrumentaliza uma solução estatal não-jurisdicional de conflitos tributários, diversa da apreciação judicial-jurisdicional efetivada pelo Poder Judiciário em jurisdição una, inclusive não é conhecida administrativamente a questão concomitantemente posta ao conhecimento judicial, também por isso, não lhe é dirigida a norma do novo Código de Processo Civil de suspensão do processamento de todos os processos "judiciais" pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre questão objeto de repercussão geral, ademais, considerando o âmbito próprio de regulamentação, não há previsão regimental ou legal que autorize o sobrestamento do processo administrativo fiscal em razão de repercussão geral pendente de decisão judicial definitiva do Supremo Tribunal Federal. A vinculação do CARF é unicamente à decisão definitiva da Excelsa Corte, deste moddo, enquanto ela não sobrevier, o processo administrativo, regido pelo princípio da oficialidade, tem seu curso normal, salvo expressa determinação do Supremo Tribunal Federal em sentido contrário, pautando-se na presunção de constitucionalidade das leis. MEDIDA LIMINAR JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. EFEITOS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não suspende o curso normal do processo administrativo fiscal, tampouco obsta o lançamento. Não é nula a decisão de primeira instância que julga a impugnação em prosseguimento ao curso normal do processo administrativo tributário. Os institutos da "constituição" do crédito tributário e da "suspensão" da exigibilidade do crédito tributário não se confundem. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário também diverge do instituto de suspensão do processo. A constituição do crédito tributário, para prevenir a decadência, e o prosseguimento do processo fiscal não violam o cumprimento da decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito, não se caracterizam como atos atentatórios à dignidade da justiça. Somente os atos executórios, relativos a exigibilidade do crédito, aguardarão a decisão judicial final ou a perda da eficácia da medida liminar concedida. NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PROCESSO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DEVER DE OFÍCIO. CONSTITUIÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindo-lhe privativamente constituir o crédito tributário com a efetivação do lançamento. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá-lo, inclusive para obstar a decadência. Em caso de processo judicial, ainda que vigente medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, deve a administração tributária, por dever de ofício, ultimar os procedimentos de constituição do crédito tributário, evitando a decadência do direito em si, não tendo a referida suspensão força impeditiva à constituição do próprio crédito tributário. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FUNRURAL. SUB-ROGAÇÃO. COOPERATIVA. DISPENSA DE DESCONTO POR MEDIDA LIMINAR JUDICIAL. SUJEITO PASSIVO. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a descontar a contribuição social substitutiva do empregador rural pessoa física destinada à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, que por fatores históricos se convencionou denominar de FUNRURAL, no prazo estabelecido pela legislação, contado da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Elas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física produtora rural, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação, obrigando-se ao desconto e, posterior, recolhimento, presumindo-se efetivado oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável. Por isso, em caso de medida liminar judicial suspendendo a obrigação de descontar, em processo proposto pelo próprio responsável, pendente de trânsito em julgado, é dever da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício para prevenir a decadência, procedendo ao lançamento em nome da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou da cooperativa. COOPERATIVA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA. Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo é necessária a demonstração de que a operação se efetivou entre o associado e a cooperativa e dentro do regime jurídico do ato cooperativo, exigindo-se, para tanto, prova documental societária, contábil e fiscal apta a comprovar a natureza do ato cooperativo, nos termos da legislação de regência, segregando-o das aquisições efetivadas em definitivo.
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF N.º 63. SÚMULA CARF N.º 103. A verificação do limite de alçada, para fins de conhecimento do recurso de ofício pelo CARF, é efetivada, em juízo de admissibilidade, quando da apreciação na segunda instância, aplicandose o limite vigente na ocasião. Superando a exoneração o atual limite de alçada de R$ 2.500.000,00 devese conhecer do recurso de ofício. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. NATUREZA JURÍDICA DO TRIBUTO RECOLHIDO. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR DE RUBRICA ESPECÍFICA EFETIVADO DE OFÍCIO RELATIVO A TRIBUTO DA MESMA NATUREZA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF N.º 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, cuja natureza seja a mesma das antecipadas, deste modo o prazo decadencial das rubricas lançadas de ofício é contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível, seguindo a regra das respectivas rubricas de mesma natureza e competência antecipadas e sujeitas a homologação da autoridade administrativa. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 25 52 /2 01 8- 12 Fl. 18412DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.413 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL E DE ILEGALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de ilegalidade e/ou de inconstitucionalidade. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro do seu âmbito revisional da decisão de primeira instância administrativa, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, não havendo permissão para declarar ilegalidade de Lei, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade e de legalidade das leis. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DE SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal instrumentaliza uma solução estatal não jurisdicional de conflitos tributários, diversa da apreciação judicial jurisdicional efetivada pelo Poder Judiciário em jurisdição una, inclusive não é conhecida administrativamente a questão concomitantemente posta ao conhecimento judicial, também por isso, não lhe é dirigida a norma do novo Código de Processo Civil de suspensão do processamento de todos os processos "judiciais" pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre questão objeto de repercussão geral, ademais, considerando o âmbito próprio de regulamentação, não há previsão regimental ou legal que autorize o sobrestamento do processo administrativo fiscal em razão de repercussão geral pendente de decisão judicial definitiva do Supremo Tribunal Federal. A vinculação do CARF é unicamente à decisão definitiva da Excelsa Corte, deste moddo, enquanto ela não sobrevier, o processo administrativo, regido pelo princípio da oficialidade, tem seu curso normal, salvo expressa determinação do Supremo Tribunal Federal em sentido contrário, pautando se na presunção de constitucionalidade das leis. MEDIDA LIMINAR JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. EFEITOS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não suspende o curso normal do processo administrativo fiscal, tampouco obsta o lançamento. Não é nula a decisão de primeira instância que julga a impugnação em prosseguimento ao curso normal do processo administrativo tributário. Os institutos da "constituição" do crédito tributário e da "suspensão" da exigibilidade do crédito tributário não se confundem. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário também diverge do instituto de suspensão do processo. A constituição do crédito tributário, para prevenir a decadência, e o prosseguimento do processo fiscal não violam o cumprimento da decisão Fl. 18413DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.414 3 judicial que suspende a exigibilidade do crédito, não se caracterizam como atos atentatórios à dignidade da justiça. Somente os atos executórios, relativos a exigibilidade do crédito, aguardarão a decisão judicial final ou a perda da eficácia da medida liminar concedida. NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PROCESSO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DEVER DE OFÍCIO. CONSTITUIÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindolhe privativamente constituir o crédito tributário com a efetivação do lançamento. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá lo, inclusive para obstar a decadência. Em caso de processo judicial, ainda que vigente medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, deve a administração tributária, por dever de ofício, ultimar os procedimentos de constituição do crédito tributário, evitando a decadência do direito em si, não tendo a referida suspensão força impeditiva à constituição do próprio crédito tributário. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FUNRURAL. SUBROGAÇÃO. COOPERATIVA. DISPENSA DE DESCONTO POR MEDIDA LIMINAR JUDICIAL. SUJEITO PASSIVO. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a descontar a contribuição social substitutiva do empregador rural pessoa física destinada à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, que por fatores históricos se convencionou denominar de FUNRURAL, no prazo estabelecido pela legislação, contado da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Elas ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física produtora rural, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação, obrigandose ao desconto e, posterior, recolhimento, presumindose efetivado oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável. Por isso, em caso de medida liminar judicial suspendendo a obrigação de descontar, em processo proposto Fl. 18414DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.415 4 pelo próprio responsável, pendente de trânsito em julgado, é dever da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício para prevenir a decadência, procedendo ao lançamento em nome da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou da cooperativa. COOPERATIVA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA. Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo é necessária a demonstração de que a operação se efetivou entre o associado e a cooperativa e dentro do regime jurídico do ato cooperativo, exigindose, para tanto, prova documental societária, contábil e fiscal apta a comprovar a natureza do ato cooperativo, nos termos da legislação de regência, segregandoo das aquisições efetivadas em definitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e em conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Murilo Marco, OABSP 238.689. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Andréa de Moraes Chieregatto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso de Ofício (efl. 18.311) e Voluntário (efls. 18.333/18.401), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizados nos termos dos arts. 34, inciso I, e 33, respectivamente, ambos do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, o primeiro interposto mediante simples declaração na própria decisão de primeira instância (efls. 18.310/18.319), proferida em sessão de 30/08/2018, consubstanciada no Acórdão n.º 0967.678, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação (efls. 15.640/15.701), para excluir do lançamento os valores apurados nas competências de 01/2013 a 04/2013, período abrangido pela decadência, no total de R$ 7.120.240,28, mantendo o crédito tributário remanescente exigido, enquanto o segundo recurso foi interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão vergastada Fl. 18415DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.416 5 nos pontos em que não lhe foram favoráveis, cujo acórdão de impugnação restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 30/12/2016 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTORES RURAIS PESSOA FÍSICA. São devidas, a partir da Lei n.º 10.256, de 2001, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural de produtores rurais pessoa física, as quais são subrogadas à cooperativa. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. Permitese o lançamento de ofício com o objetivo de prevenir a decadência do crédito tributário, resultando suspensos os atos executórios. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do fato gerador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento fiscal, com auto de infração efetivado em 26/04/2018 (efls. 02/200), notificado em 29/05/2018 (efl. 15.635), no Procedimento Fiscal n.º 0910600.2017.000602, com Termo de Verificação Fiscal – TVF (e fls. 203/216), com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 a 31/12/2016, cujo crédito tributário originário total constituído foi de R$ 86.469.123,46 (efl. 2, valor total consolidado em 26/04/2018, sem multa), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão hostilizado, pelo que passo a adotálo: Tratase de autos de infração de contribuições previdenciárias, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), do período de 01/2013 a 12/2016, no valor total consolidado em 26/04/2018, sem multa, de R$ 86.469.123,46. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 203/216, o contribuinte informou, atendendo à intimação, o seguinte: "(...) em atenção ao contido na intimação em epígrafe, proceder a entrega de um pendrive contendo cópia integral dos autos n.º 500024823.2010.404.7002 — contribuição patronal/RAT — e 500360341.2010.404.7002 — contribuição sobre a comercialização da produção rural com subrogação , ambos Fl. 18416DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.417 6 baixados diretamente do eproc, salientando que, atualmente, os autos encontramse sobrestados junto ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, ambos aguardando decisão do Supremo Tribunal Federal. ... 1. RESPOSTA ITEM "A": a requerente esclarece e confirma que os depósitos judiciais vinculados ao mandado de segurança n.º 500360341.2010.404.7002/PR se referem as contribuições previdenciárias vertidas das aquisições rurais de segurados especiais. 2. RESPOSTA ITEM "B": no pen drive em anexo, são colacionadas as planilhas segregando por estabelecimento e competência, consignandose a respectiva base de cálculo da contribuição previdenciária do segurado especial nos anosbase de 2014, 2015 e 2016. O somatório dos valores mensais vinculados ao mandado de segurança n.º 5003603.41.2010.404.7002/PR, coincide com os valores relacionados no Anexo I do Termo de Intimação Fiscal n.º 060 3/2018 (que foi reiterado no Termo de Intimação 0604/2018), no período de Agosto/2014 até Dezembro/2016. Esclarece, por oportuno, que os valores relativos às competências de Janeiro/2013 a Julho/2013 devidas pelos segurados especiais, foram diretamente recolhidas em guia GPS. 3. RESPOSTA ITEM "C": Além dos depósitos relacionados no Anexo I do Termo de Intimação fiscal n.º 0603/2018, existem depósitos que foram realizados em cumprimento a ordens judiciais exaradas em favor de produtores rurais pessoas físicas que ingressaram individualmente em juízo. Esses depósitos estão relacionados no pendrive na pasta "DEPÓSITOS JUDICIAIS — AÇÕES INDIVIDUAIS DOS PRODUTORES". () De acordo com o TVF, o mandado de segurança 5003603 41.2010.404.7002/PR foi ajuizado pela autuada (contribuinte de direito) e versou sobre as contribuições previdenciárias dos produtores rurais pessoas físicas, segurados especiais e empregadores rurais (contribuintes de fato), subrogadas na adquirente. O Acórdão do TRF4, favorável à autuada, prolatado no processo e não transitado em julgado até o encerramento do procedimento fiscal, se refere apenas aos empregadores rurais. Considerando a decisão judicial citada, a exigibilidade do crédito tributário ficou suspensa, nos termos do inciso IV do art. 151 do CTN, somente em relação às contribuições previdenciárias sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural dos "empregadores rurais". A autoridade fiscal explica que, contrariamente ao entendimento da autuada, expresso em resposta ao termo de intimação 0602/2018, ao caso em tela não se aplica o Parecer Normativo COSIT n.º 1, de 2002, mas a Solução de Consulta COSIT n.º 1, de 2017, abaixo copiada, a qual determina que o lançamento seja efetuado na pessoa do adquirente, para prevenção da decadência: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. Existindo decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/91, de 1991, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deve proceder ao lançamento do crédito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei n.º 9.430, de 1996, em nome da pessoa adquirente de produção rural. (...) Fl. 18417DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.418 7 O TVF destaca que recentemente, o STF declarou, no RE 718.874/RS, a constitucionalidade da contribuição previdenciária ora lançada, após a edição da Lei n.º 10.256, de 2001. Destaca ainda ter a empresa informado que os recolhimentos em Guias da Previdência Social e os depósitos judiciais realizados se referem às contribuições dos "segurados especiais". A auditoria, considerando que o contribuinte não declarou em GFIP ou efetuou qualquer recolhimento relativamente às contribuições previdenciárias dos empregadores rurais pessoa física, efetuou o lançamento a partir de 01/2013, com base no art. 173, I, do CTN, sem aplicar a multa de ofício, em razão do disposto na Solução de Consulta COSIT n.º 1/2017 e no art. 63 da Lei n.º 9.430/1996. Da Impugnação O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente (efls. 15.640/15.701), em 26/06/2018, a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, o ora recorrente, naquela ocasião impugnante, controverteu na forma apresentada nas razões de seu inconformismo, conforme consta no relatório da decisão vergastada, litteris: Argui ser o auto de infração nulo de pleno direito, por conter erro na eleição do sujeito passivo, em afronta aos artigos 121 e 128 do CTN e ao princípio constitucional da capacidade contributiva, bem como por constituir ato atentatório à dignidade da justiça, contrariando ordem judicial de caráter mandamental, violando as garantias do devido processo legal e do mandado de segurança. Argui ainda ser a autuação ilegal, a uma, porque após o advento da Resolução do Senado Federal n.º 15/2017 já não mais subsiste a obrigação do adquirente de reter e recolher os tributos devidos pelos produtores rurais, que vinha encartada no art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91; e, a duas, porque as operações objeto da autuação constituem ato cooperativo, que não se enquadram na regra matriz de incidência do art. 25, incisos I e II da Lei 8.212/1991. Discorre então acerca da existência de norma individual e concreta (Acórdão TRF4, de 28/02/2012, MS 5003603 41.2010.404.7002/PR) que desobriga a impugnante da obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias dos empregadores rurais, afirmando que a obrigação tributária principal só poderia ser exigida dos referidos empregadores, que realizaram o fato gerador, em observância ao previsto no art. 121, I, do CTN. Afirma que a decisão referida está vigente, aguardando a aplicação do entendimento firmado no STF em repercussão geral, para o Tema 669 (exigibilidade das contribuições previdenciárias do empregador rural pessoa física)1 e para o 1 Afirmação de tese fixada pelo STF segundo a qual: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção." (Tema 669. RE 718.874, Relator Min. Edson Fachin, Relator p/ Acórdão Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 30/03/2017, Mérito DJe219 DIVULG 26092017, PUBLIC 27092017, Republicação: DJe225 DIVULG 02102017, publicado 03102017). Fl. 18418DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.419 8 Tema 723 (exigibilidade das contribuições previdenciárias do segurado especial)2. Argui que a Solução de Consulta COSIT n.º 1, de 2017, induziu a fiscalização a desobedecer ordem judicial e a cometer erro na interpretação da legislação de regência, afigurandose ilegal, face aos dispositivos do CTN que tratam da responsabilidade tributária, e inconstitucional, face ao princípio da capacidade contributiva. Reitera a nulidade do auto de infração constituído com base na Consulta COSIT n.º 1, de 2017, que, além do mais, contraria a orientação jurisprudencial assentada no âmbito do STF e do STJ e também a orientação que vinha sendo seguida pela RFB, o Parecer Normativo COSIT n.º 01, de 2002, que estabelecia a necessidade de autuar o contribuinte, sempre que o responsável tributário não tivesse procedido à retenção do tributo, em cumprimento de ordem judicial. Discorre então acerca do ato atentatório à dignidade da justiça e o descabimento do lançamento para prevenir a decadência, por força da irreversibilidade da ordem judicial que desobriga a parte do cumprimento da obrigação de fazer. Nesse sentido, diz que a fiscalização poderia autuar os produtores rurais, mas não a impugnante, durante a vigência da ordem mandamental ou mesmo após eventual reforma da decisão judicial, exigindo o pagamento retroativo das parcelas não retidas, sob pena de violação às regras da responsabilidade tributária, da capacidade contributiva, do devido processo legal, da garantia constitucional do mandado de segurança e da dignidade da Justiça. Afirma, em seguida, a decadência das contribuições do período de 01/2013 a 29/05/2013, nos termos do art. 150, § 4.º, do CTN, visto ter havido recolhimento parcial dos tributos de que trata o art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212, de 1991, mediante o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos produtores rurais enquadrados como segurados especiais, conforme comprovam os documentos que junta e conforme reconhecido pela fiscalização no TVF, item 3.19. No mérito, alega a inexistência de fundamento legal para responsabilizar a impugnante pela retenção e recolhimento dos tributos devidos pelos produtores rurais pessoas físicas, dada a observância obrigatória da Resolução n.º 15/2017 do Senado Federal, que suspendeu, com efeitos "ex tunc", a execução do art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, dispositivo que não foi reprisado em nenhum diploma normativo posterior. Por outro lado, alega a ilegalidade da autuação pelo fato de a maior parte das operações consideradas constituírem ato cooperativo próprio, que não se enquadra na regra matriz de incidência do art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212, de 1991. Discorre então acerca do ato cooperativo próprio, nos termos do art. 79 da Lei n.º 5.764, de 1971: Art. 79 Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas 2 Tema 723, Repercussão Geral, STF Data de Julgamento Agendada: 24/04/2019 (Calendário do STF, DJe edição extra n. 273/2018, publicado em 19/12/2018). Fl. 18419DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.420 9 cooperativas entre si, quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Destaca, entre seus objetivos sociais, o disposto em seu Estatuto: ESTATUTO SOCIAL DA LAR COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Art. 3.º Para a execução da finalidade prevista no artigo segundo, bem como na defesa dos interesses sociais e econômicos dos associados, a cooperativa poderá atuar e desempenhar as seguintes atividades, serviços e produtos: I receber, transportar, classificar, beneficiar, padronizar, armazenar, industrializar, comercializar no mercado nacional e internacional os produtos de origem vegetal, animal e extrativa. Em seguida, diz que a maior parte da produção rural industrializada e comercializada pela impugnante advém das propriedades dos seus associados, de acordo com o seguinte fluxo de procedimentos: 1) o produtor entrega a sua produção rural na cooperativa, acompanhada de NOTA FISCAL DE PRODUTOR RURAL; 2) a cooperativa dá a entrada dos produtos expedindo o ROMANEIO DE PRODUTOS A FIXAR; 3) O associado, conforme a sua conveniência e interesse, define a data em que o valor dos produtos deverá ser fixado; 4) na data definida pelo associado, a cooperativa emite a NOTA DE COMPRA DE PRODUTOS RURAIS, reembolsando o associado mediante o pagamento do "preço do dia" para o referido produto. Afirma que, por vezes, ocorrem aquisições de produtos agrícolas de produtores rurais não associados, mas nesses casos a impugnante contabiliza, de modo segregado, as operações realizadas, para permitir o cálculo dos tributos devidos. Alega que, do total das operações consideradas na autuação, o valor de R$ 3.014.371.693,19 se refere ao somatório das NOTAS DE COMPRAS DE PRODUTOS RURAIS de associados, discriminadas no Anexo VIII, que deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. Discorre então acerca do tratamento tributário a ser dado ao ato cooperativo e alega violação ao princípio da legalidade estrita, visto que os atos cooperativos próprios não compõem o aspecto material da regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias devidas pelos produtores rurais (art. 195, I, § 8.º da CF/88, e art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212, de 1991), por força do recorte legal estabelecido pelo art. 79, parágrafo único, da Lei n.º 5.764, de 1971. Destaca o julgamento do Tema 363 na sistemática dos recursos repetitivos, em que o STF fixou a tese de que "não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas", afirmando ser este precedente aplicável ao caso dos autos, visto não haver "comercialização" a ensejar receita tributável quando o associado entrega a sua produção rural na cooperativa. A impugnante requer, ao fim, a improcedência do lançamento. Do Acórdão de Impugnação Fl. 18420DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.421 10 A tese de defesa, exceto quanto ao reconhecimento da decadência relativa aos valores apurados nas competências de 01/2013 a 04/2013, não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso fiscal, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: O impugnante alega a nulidade da autuação por erro na identificação do sujeito passivo, em razão da existência de decisão judicial na ação n.º 500360341.2010.404.7002/PR (Acórdão TRF4, de 28/02/2012), que a desobriga da retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias dos produtores rurais pessoas físicas. Ocorre que, como explicitado no TVF, a referida decisão não transitou em julgado, pelo que a autoridade fiscal efetuou corretamente o lançamento, nos termos da Solução de Consulta COSIT n.º 01, de 2017, de caráter vinculante para a RFB, aqui novamente copiada: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. Existindo decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/91, de 1991, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil deve proceder ao lançamento do crédito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei n.º 9.430, de 1996, em nome da pessoa adquirente de produção rural.) Como já explicitado pela autoridade lançadora, ao presente caso não se aplica o entendimento contido no Parecer Normativo COSIT n.º 01, de 2002, também citado pelo impugnante, o qual estabelece procedimentos a serem adotados em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Cabe observar que as alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de dispositivos da legislação e atos normativos que fundamentam a presente autuação não podem ser apreciadas nesta instância administrativa, em razão do disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972. Ademais, sobre a formalização da autuação durante a vigência de medida judicial, cabe esclarecer que, diante da possibilidade de transcurso do prazo decadencial de cinco anos para as competências apuradas, foi necessária a formalização do lançamento, por se tratar de atividade vinculada, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo sido devidamente observada a suspensão da exigibilidade do crédito, não tendo sido lançada a multa de ofício, conforme determinado pelo art. 63 da Lei 9.430, de 1996: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001) § 1.º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2.º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou Fl. 18421DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.422 11 contribuição. (Vide Medida Provisória n.º 75, de 2002) O lançamento para prevenção da decadência está regido no art. 86 do Decreto n.º 7.574, de 2011: Do Lançamento para Prevenir a Decadência Art. 86. O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei n.º 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei n.º 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, art. 70). § 1.º O lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei n.º 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 7.º). § 2.º O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Sobre os dispositivos que fundamentam a autuação, devese destacar novamente, como fez a autoridade lançadora, que, em 30/03/2017, no julgamento do RE n.º 718.874, o STF decidiu, com reconhecimento de repercussão geral, pela constitucionalidade da contribuição previdenciária, prevista no artigo 25 da Lei n.º 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n.º 10.256, de 2001, sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural dos produtores rurais pessoas físicas, após a Emenda Constitucional n.º 20, de 1998, editando o tema n.º 669, nos seguintes termos: É constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural, pessoa física, instituída pela Lei n.º 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização da sua produção. Foi então publicada a Resolução n.º 15, do Senado Federal, citada pelo impugnante, abaixo transcrita: RESOLUÇÃO N.º 15, DE 12/09/2017 Suspende, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do art. 12 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1.º da Lei n.º 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei n.º 9.528, de 10 de dezembro de 1997. O Senado Federal resolve: Art. 1.º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do art. 12 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1.º da Lei n.º 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei n.º 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n.º 363.852. Em seguida, foi emitido o Parecer PGFN/CRJ n.º 1.447, de 27/09/2017, de observância obrigatória pela Administração Tributária, nos seguintes termos: h) A suspensão promovida pela Resolução n.º 15, de 2017, não afeta a contribuição do empregador rural pessoa física Fl. 18422DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.423 12 reinstituída a partir da Lei n.º 10.256, de 2001, com base no art. 195, I, "b", da CF/88 (incluído pela Emenda Constitucional n.º 20, de 1998), uma vez que: (i) a tributação levada a efeito a partir de então está amparada por contexto normativo substancialmente diverso daquele submetido ao STF quando do julgamento do RE n.º 363.852/MG e do RE n.º 596.177/RS, aos quais a Resolução senatorial se reporta; (ii) entendimento contrário implicaria desprezo à tese firmada pelo STF no RE n.º 718.874/RS, que assentou a constitucionalidade formal e material da tributação após a Lei n.º 10.256, de 2001. ... k) Por conseguinte, a escorreita interpretação da Resolução do Senado n.º 15, de 2017, que deverá nortear a aplicação do sobredito ato normativo pela Administração Tributária, é a de que ela suspende a exigência da contribuição social do empregador rural pessoa física, incidente sobre o produto da comercialização da produção rural, tão somente em relação ao período anterior à Lei n.º 10.256, de 2001. l) Ratificase o entendimento consignado no Parecer RFB/COSIT n.º 19, de 2017, no sentido de que as contribuições previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212, de 1991, e a obrigação da empresa adquirente de retêlas, são exigíveis desde a entrada em vigor da Lei n.º 10.256, de 2001. Verificase do exposto que, a partir da entrada em vigor da Lei n.º 10.256, de 2001, são constitucionais, conforme RE n.º 718.874, as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural de produtores rurais pessoa física, bem como a subrogação prevista no artigo 30, IV, da Lei n.º 8.212, de 1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Considerando que as competências apuradas são relativas aos anos de 2013 a 2016, posteriores à vigência da nova redação dada pela Lei n.º 10.256, de 2001, não há que se questionar a legalidade da exigência. Cabe registrar ainda que as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade dos dispositivos que fundamentam a presente autuação, arguidas pelo impugnante, não podem ser apreciadas na instância administrativa, em virtude do disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual rege o processo administrativo fiscal. Ademais, considerando que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), não poderia a autoridade fiscal deixar de lavrar a autuação cabível, em verificando o descumprimento de obrigações tributárias previstas na legislação previdenciária. Devese observar que as decisões administrativas e judiciais citadas pelo impugnante, quando pertinentes, somente produzem efeitos entre as partes que integram a lide, nos termos do art. 506 do novo Código de Processo Civil. Fl. 18423DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.424 13 Por outro lado, no que se refere à decadência das contribuições apuradas para o período de 01/2013 a 29/05/2013, assiste razão ao contribuinte em relação ao período de 01/2013 a 04/2013, dada a existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades nessas competências, verificados no sistema da RFB CCOR (conta corrente) e a ciência do lançamento em 29/05/2018. Assim, deve ser observado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4.º, do CTN e não aquele previsto no art. 173, I, do mesmo Código, em observância ao disposto no Parecer PGFN/CAT n.º 1.617/2008 e a Súmula CARF n.º 99, que assim dispõe: Súmula CARF n.º 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Devem ser excluídos do lançamento, portanto, os valores abaixo: TAB1: LAR COOPERATIVA Excluir COMP Cod. 2158 Cod. 4863 jan/13 40.341,98 806.845,88 fev/13 114.742,46 2.294.855,21 mar/13 120.921,99 2.418.445,98 abr/13 63.051,51 1.261.035,27 SUBTOTAL 339.057,94 6.781.182,34 TOTAL 7.120.240,28 O impugnante questiona ainda a inclusão, à base de cálculo da exigência, de valores relativos a operações efetuadas com cooperados, afirmando se tratar de atos cooperativos, que não se enquadram na hipótese de incidência da contribuição previdenciária. A este respeito, devese observar o que dispõe a Solução de Consulta COSIT n.º 11, de 13/01/2017, emitida em resposta à consulta efetuada pelo próprio autuado: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. COOPERATIVA DE PRODUTORES RURAIS. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE PARCERIA OU DE INTEGRAÇÃO RURAL. IMPOSSIBILIDADE. ... A cooperativa fica subrogada na obrigação da contribuição previdenciária a cargo do produtor rural pessoa física ou segurado especial, devendo recolher esta contribuição sobre o valor da receita bruta da comercialização de toda produção que lhe é entregue pelo cooperado, até o dia 20 do mês subsequente à operação de venda ou consignação. Assim, tendo em vista a consulta formulada pelo contribuinte, verificase inexistirem dúvidas quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural de cooperados, produtores rurais pessoas físicas, subrogada à cooperativa. Dessa forma, não há alteração a ser procedida em relação à base de cálculo apurada pela auditoria. Do exposto, voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, para excluir do lançamento os valores apurados nas competências de 01/2013 a 04/2013, no valor total de R$ Fl. 18424DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.425 14 7.120.240,28, e manter o crédito tributário remanescente exigido. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário (efls. 18.333/18.401), interposto em 02/10/2018 (efl. 18.331), o sujeito passivo postula o provimento para reformar o acórdão infirmado, na parte em que recorrido, reconhecendose a improcedência total do crédito tributário. Em preliminar, requer o reconhecimento da suspensão do feito até o trânsito em julgado da ação judicial em comento (Mandado de Segurança n.º 5003603 41.2010.4.04.7002/PR), sob pena de violação do art. 151, inciso IV, do CTN. No mérito, requer a nulidade da ação fiscal, sob alegação de erro na eleição do sujeito passivo, em flagrante violação das regras relativas à responsabilidade tributária (arts. 121 e 128 do CTN), e à capacidade contributiva, bem como a nulidade da ação fiscal por atentado à dignidade da justiça, em flagrante violação das garantias constitucionais do devido processo legal, do mandado de segurança e da regra inscrita no art. 77, inciso IV, e § 2.º, do CPC, sendo declarada a ilegalidade do auto de infração em razão da falta de previsão legal para a responsabilização do adquirente, após o advento da Resolução do Senado Federal n.º 15 de 12/09/2017. Em caráter sucessivo, requer seja determinada a exclusão da base de cálculo do lançamento de ambas as contribuições de todas as operações praticadas entre a recorrente e seus associados, no valor total equivalente a R$ 3.014.371.693,19 (Anexo VIII, da impugnação, efls. 16.279/18.254), eis que configuram ato cooperativo próprio e não se enquadram na regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias do produtor rural, descritas no art. 25, incisos I e II, da Lei n.º 8.212/91. Para tanto, objetivando a devolução da matéria para esse Egrégio Colegiado, em síntese, o recorrente sustenta em suas razões recursais: a) a suspensão do processo administrativo por Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal; b) a suspensão da exigibilidade do crédito; c) a nulidade da decisão recorrida; d) a nulidade do lançamento por força da suspensão da exigibilidade do crédito tributário; e) a nulidade do lançamento por erro na eleição do sujeito passivo; f) a não ocorrência do fato gerador em significativa parte dos lançamentos face a inexistência de comercialização por força de ato cooperativo próprio (ou ato cooperativo típico); e g) a inexistência de regra legal de subrogação. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/02/2019. Observo nos autos que consta termo de apensação certificando ter sido apensado a este caderno processual o Processo n.º 10935.722561/201811 (efls. 15.624), que trata da lavratura de representação para fins penais, no entanto, neste particular, conforme dispõe a Súmula CARF n.º 28, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito, de cada um dos recursos, para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Fl. 18425DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.426 15 Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade do Recurso de Ofício Inicialmente, analiso o juízo de admissibilidade do recurso ex officio. Pois bem. Na forma da Súmula CARF n.º 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, estando, atualmente, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), na forma do art. 1.º da Portaria MF n.º 63, de 09 de fevereiro de 2017. Noutro prisma, observo que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento das exações relativas as competências de 01/2013 a 04/2013, havendo uma exoneração de R$ 7.120.240,28 em relação ao crédito tributário originalmente lançado. Considerando que o valor exonerado supera o limite de alçada, então conheço do Recurso de Ofício. Mérito do Recurso de Ofício O recurso ex officio objetiva que esse Colegiado exerça o controle de legalidade, analisando a correção da decisão de piso, em razão de ter exonerado o sujeito passivo quanto as exações lançadas relativas as competências de 01/2013 a 04/2013. Pois bem. Analisando a decisão vergastada entendo que não merece provimento a remessa necessária, tendo sido acertado o acórdão guerreado quanto ao capítulo pertinente ao reconhecimento da decadência das competências de 01/2013 a 04/2013. Explico. Observase nos autos que, em 26/04/2018 (efls. 02/200), foram exarados lançamentos de ofício relativos as competências de 01/2013 a 04/2013, pertinente a rubricas específicas de contribuições sociais previdenciárias instituídas a título de substituição (art. 25, I e II, da Lei 8.212) relativas as rubricas vertidas dos empregadores rurais pessoas físicas. De outra parte, a notificação constitutiva do referido lançamento só se efetivou em 29/05/2018 (efl. 15.635). Somese a isto, a circunstância das contribuições sociais previdenciárias estarem sujeitas ao lançamento por homologação e haver, para as mesmas competências das rubricas objeto do lançamento de ofício (01/2013 a 04/2013 – contribuições sociais previdenciárias instituídas a título de substituição vertidas dos empregadores rurais pessoas físicas), antecipações de pagamentos para outras rubricas adiantadas pelo sujeito passivo referentes as mesmas contribuições sociais previdenciárias instituídas a título de substituição (art. 25, I e II, da Lei 8.212), a despeito das antecipações serem de rubricas vertidas dos produtores rurais enquadrados como segurados especiais (efl. 212, item 3.36 do TVF – contribuições sociais previdenciárias instituídas a título de substituição das rubricas vertidas dos segurados especiais, conforme GPS’s recolhidas entre 01/2013 a 04/2013, efls. 15.984/16.103). O certo é que estas contribuições sociais previdenciárias Fl. 18426DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.427 16 instituídas a título de substituição, quaisquer que sejam as rubricas, estavam sobre o crivo da autoridade administrativa para homologação, considerando que houve antecipação de pagamento para dada competência. Sendo assim, tratandose exclusivamente de contribuições sociais previdenciárias, aplicase a Súmula CARF n.º 99, nestes termos: "Súmula CARF n.º 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes acórdãos precedentes (paradigmas): Acórdãos ns.º 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401002.299, de 12/03/2012; e 2301002.092, de 12/05/2011. Deste modo, constatase que o prazo decadencial das rubricas lançadas de ofício é contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível (01/2013 a 04/2013), seguindo a regra das outras rubricas de mesma natureza (contribuições sociais previdenciárias instituídas a título de substituição art. 25, I e II, da Lei 8.212) e competência antecipadas e sujeitas a homologação da autoridade administrativa. Tudo porque houve o pagamento antecipado, aliás reconhecido no TVF (efl. 212, item 3.36 do TVF – antecipadas as contribuições sociais previdenciárias instituídas a título de substituição das rubricas vertidas dos segurados especiais, conforme GPS’s recolhidas entre 01/2013 a 04/2013, efls. 15.984/16.103). Logo, se a notificação do lançamento se realizou somente em 29/05/2018 (efl. 15.635), decaiu as competências 01/2013 a 04/2013. De mais a mais, sendo remansoso o entendimento aplicado pela decisão hostilizada, entendo, doravante, suficiente transcrever as razões de decidir da DRJ para motivar a negativa de provimento do recurso de ofício, haja vista minha concordância com os fundamentos bem postos no decisum objeto da remessa necessária, logo peço vênia para, com base no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.° do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.° 343, de 2015, que instituiu o Regimento Interno do CARF ― RICARF, expor os trechos daquela decisão onde estão consignados os motivos determinantes para reconhecimento da decadência, que entendo irreparáveis e os quais reputo consistentes e válidos, verbo ad verbum: (...), no que se refere à decadência das contribuições apuradas para o período de 01/2013 a 29/05/2013, assiste razão ao contribuinte em relação ao período de 01/2013 a 04/2013, dada a existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades nessas competências, verificados no sistema da RFB CCOR (conta corrente) e a ciência do lançamento em 29/05/2018. Assim, deve ser observado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4.º, do CTN e não aquele previsto no art. 173, I, do mesmo Código, em observância ao disposto no Parecer Fl. 18427DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.428 17 PGFN/CAT n.º 1.617/2008 e a Súmula CARF n.º 99, que assim dispõe: Súmula CARF n.º 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Devem ser excluídos do lançamento, portanto, os valores abaixo: TAB1: LAR COOPERATIVA Excluir COMP Cod. 2158 Cod. 4863 jan/13 40.341,98 806.845,88 fev/13 114.742,46 2.294.855,21 mar/13 120.921,99 2.418.445,98 abr/13 63.051,51 1.261.035,27 SUBTOTAL 339.057,94 6.781.182,34 TOTAL 7.120.240,28 Por conseguinte, nego provimento ao Recurso de Ofício. Admissibilidade do Recurso Voluntário De início, afirmo que o Recurso Voluntário não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, sendo caso de conhecimento parcial, de toda sorte, antes de analisálos, antecipo a verificação dos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, relativos ao exercício do direito de recorrer. Pois bem. Neste ponto, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação do acórdão da DRJ em 05/09/2018, efl. 18.330, protocolo recursal em 02/10/2018, efl. 18.331, e despacho de encaminhamento, efl. 18.407), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Inexiste necessidade de preparo, sendo inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo (Súmula Vinculante n.º 21, do STF), demais disto a interposição do recurso voluntário resulta na automática suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do art. 151, III, do Código Tributário Nacional ― CTN, e estes efeitos se propagam até que se tenha uma decisão administrativa final irrecorrível. De mais a mais, constato o atendimento da regularidade formal, havendo impugnação específica em relação ao conteúdo decisório, bem como existindo formulação do pedido de reforma e/ou de anulação da decisão vergastada e encontrandose adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente constituído, de toda sorte, registrese que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Porém, quanto aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, inerentes ao direito de recorrer, observo que o recurso é cabível, verifico o interesse recursal com a observância de sucumbência do recorrente e adequação no manejo recursal, constato que a recorrente detém legitimidade, mas reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do Fl. 18428DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.429 18 direito de recorrer para algumas matérias veiculadas no recurso, o que enseja o conhecimento apenas parcial do Recurso Voluntário. Explico. Desde logo, pontuo que temos duas problemáticas em foco a ensejar fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer, a saber: a) Concomitância com ação judicial; e b) Requerimento para reconhecimento de inconstitucionalidade e declaração de ilegalidade de lei. Abordo a seguir cada um dos itens. a) Concomitância com ação judicial Consta nos autos prova de que o recorrente judicializou significativamente a matéria controvertida neste caderno processual eletrônico, conforme Mandado de Segurança distribuído, em 20/08/2010, à 2.ª Vara Federal e Juizado Especial Federal Cível e Previdenciário da Subseção Judiciária de Foz do Iguaçu, Seção Judiciária do Estado do Paraná, Processo n.º 500360341.2010.4.04.7002/PR, cuja pretensão objetiva o direito de não ser compelida ao desconto e ao recolhimento da Contribuição Previdenciária de que trata o art. 25 da Lei n.º 8.212, de 1991, na forma que vem sendo exigida pelo art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, declarandose, incidentalmente, a inconstitucionalidade do art. 25, incisos I e II, da Lei n.º 8.212/91, na redação que lhe foi dada pelo art. 1.º, da Lei n.º 8.540/92, e art. 1.º, da Lei nº 9.528/97. Ora, o objeto de litígio nestes autos são fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 a 31/12/2016 relativos a crédito tributário de contribuições devidas à Seguridade Social por subrogação pela aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, tendo a Lei n.º 10.256, de 2001, servido de fundamento para a autuação. Temos aqui identidade de objetos, havendo concomitância na esfera judicial e administrativa! De toda sorte, também, temse, nestes autos, outras discussões, o que tratarei em momento próprio, sendo o não conhecimento apenas em relação a matéria concomitante. Registro, para fins de aclaramento, que a o Mandado de Segurança se encontra em fase de Recurso Extraordinário. Consigno que na apelação cível n.º 5003603 41.2010.4.04.7002/PR ficou reconhecido à parte impetrante o direito à não exigência do recolhimento, por subrogação, da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas físicas, permanecendo válida a exigência, no entanto, quanto às aquisições de produtores rurais segurados especiais. Na análise da admissibilidade do recurso excepcional constou o seguinte: Tratase de recurso extraordinário interposto com apoio no art. 102, inciso III, alínea, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido por Órgão Colegiado desta Corte. Os autos foram devolvidos pelo Supremo Tribunal Federal, conforme evento 46, com a indicação do RE paradigma n.º 596.177 (Tema 202: cobrança de contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre receita bruta proveniente da comercialização de sua produção), para a aplicação da sistemática estabelecida no art. 543B do CPC. Verificase, no entanto, que o Acórdão recorrido apenas compreende a questão abrangida pelo Tema 669 Fl. 18429DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.430 19 (validade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 1.º da Lei 10.256/2001), conforme eventos 5 e 12. Por sua vez, sustenta o recorrente a inconstitucionalidade do FUNRURAL também para produtor rural pessoa física que não possui empregados (evento 18), matéria não apreciada na decisão recorrida. Inclusive, o RE da Fazenda Nacional já se encontra sobrestado pelo Tema 669 (evento 31). Assim, pareceme, venia concessa, que a questão em debate no recurso extraordinário não se amolda ao referido representativo de controvérsia; não sendo possível a aplicação do art. 543B do CPC na hipótese. Remetamse, pois, os autos ao Supremo Tribunal Federal para análise. Intimemse. Consigno, outrossim, que efetivei a consulta no mês 03/2019, no portal da internet do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=principal). Ao ensejo, não é demais destacar o que dispõe o art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que, dentre outras temáticas, regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União, e de outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consolidando normas do Processo Administrativo Fiscal regulado no Decreto n.º 70.235, de 1972, in verbis: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n.o 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Como se vê a regra está encartada no parágrafo único do art. 38 da Lei n.º 6.830, de 1981, que deixa evidenciado o fato da propositura, pelo sujeito passivo, de ação discutindo o crédito tributário lançado importar em renúncia, tácita, ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência, tácita, do recurso interposto. De igual modo, temse o art. 126, § 3.º, da Lei n.º 8.213, de 1991, nestes termos: "A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto." No mesmo sentido, também, o art. 78, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, e a Súmula CARF (vinculante) n.º 1 dispõem, respectivamente, verbo ad verbum: Art. 78, § 2.º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo Fl. 18430DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.431 20 contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Súmula CARF n.º 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De mais a mais, mister apresentar a conclusão do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) n.º 7, de 2014, que trata da concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial com o mesmo objeto, ipsis litteris: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a Fl. 18431DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.432 21 exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto n.º 70.235, de 1972; l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB n.º 27, de 13 de fevereiro de 1996, e o ADN Cosit n.º 3, de 14 de fevereiro de 1996. Sendo assim, resta evidente que a invocação do Poder Judiciário para a apreciação judicialjurisdicional da matéria tributária controvertida no lançamento destes autos ceifa a competência deste Egrégio Conselho para a solução estatal nãojurisdicional de conflitos tributários deliberada por este Colendo tribunal administrativo no aspecto concomitante. Por tais razões, considerando a exposição, bem como tendo o recorrente mencionado a matéria submetida à apreciação judicial, na forma que lhe competia por força Fl. 18432DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.433 22 do inciso V do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer e declaro a concomitância de instâncias, judicial e administrativa, o que enseja o não conhecimento do recurso voluntário em relação a matéria concomitante, pontuo que os efeitos da concomitância se estendem sobre a discussão quanto a alegada dispensa do dever de desconto e recolhimento, por força de subrogação, da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas físicas, ou das aquisições de produtores rurais segurados especiais, incluindo discussões quanto os arts. 25, I e II, e 30, IV, da Lei n.º 8.212, de 1991, e quanto a própria existência da regra de subrogação. b) Requerimento para reconhecimento de inconstitucionalidade e declaração de ilegalidade de lei Outro ponto que implica no conhecimento apenas parcial do recurso voluntário é a pretensão recursal do recorrente em invocar, considerando o contexto dos argumentos deduzidos, o reconhecimento de inconstitucionalidade e de declaração de ilegalidade de lei, haja vista que este Egrégio Conselho não pode adentrar no controle de constitucionalidade das normas legais, somente outorgada esta competência ao Poder Judiciário, devendo o CARF se ater a observar o princípio da presunção da constitucionalidade das leis, exercendo, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, controle de legalidade do lançamento para observar se o ato se conformou ao disposto na legislação que estava em vigência por ocasião da ocorrência dos fatos, não devendo abordar temáticas de constitucionalidades, salvo em situações excepcionais quando já houver pronunciamento definitivo do Poder Judiciário sobre dado assunto, ocasião em que apenas dará aplicação a norma jurídica constituída em linguagem competente pela autoridade judicial, ou se eventualmente houvesse dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.º 10.522, de 2002, ou súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, ou pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n.º 73, de 1993. O assunto é sumulado, a teor da Súmula CARF n.º 2, sendo pacificado o entendimento de que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Outrossim, o art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009, enuncia que, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Deveras, é vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei e/ou de inconstitucionalidade de lei. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, observa se o ato administrativo de lançamento atendeu seus requisitos de validade, se o ato observou corretamente os elementos da competência, da finalidade, da forma, os motivos (fundamentos de fato e de direito) que lhe dão suporte e a consistência de seu objeto, sempre em dialética com as alegações postas em recurso, observandose a matéria Fl. 18433DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.434 23 devolvida para a apreciação na instância revisional, não havendo permissão para declarar ilegalidade de lei e/ou a sua inconstitucionalidade, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário este controle. Por tais razões, reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer e declaro que não compete a este Colegiado se pronunciar sobre inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei, pontuo que os efeitos desta declaração se estendem sobre a discussão envolvendo a suposta não conformação do lançamento, pautado em dispositivos de lei, cuja presunção de constitucionalidade se impõe, face a princípios e regras constitucionais, tais como, os invocados capacidade contributiva, legalidade estrita e devido processo legal, pois isto implicaria em afastar a aplicação da lei aplicada no fundamento do lançamento, reconhecendoa como inconstitucional. Conclusão quanto a Admissibilidade do Recurso Voluntário Sem mais, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário, deixando de conhecer da matéria em concomitância com ação Judicial (Súmula CARF n.º 1), na forma do item "a" constante em linhas pretéritas, bem como dos fundamentos que pretendem o reconhecimento de inconstitucionalidade e/ou de ilegalidade de lei (Súmula CARF n.º 2), conforme item "b" acima. Apreciação de questões prévias a análise do mérito Requerimento para suspensão do processo administrativo: Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal Em preliminar, o recorrente requer o reconhecimento da suspensão do processo administrativo fiscal até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança por ele interposto, n.º 500360341.2010.4.04.7002/PR (TRF4), sob pena de violação do art. 151, inciso IV, do CTN, especialmente por estar envolvido com tema sob repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Ocorre que, o processo administrativo fiscal instrumentaliza uma solução estatal nãojurisdicional de conflitos tributários, diversa da apreciação judicialjurisdicional efetivada pelo Poder Judiciário em jurisdição una, inclusive não sendo conhecida administrativamente a questão concomitantemente posta à cognição judicial. Deste modo, não lhe é dirigido a norma do novo Código de Processo Civil que determina a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre questão objeto de repercussão geral. Devese interpretar por processos pendentes os feitos judiciais, sob o crivo da apreciação judicial jurisdicional efetivada pelo Poder Judiciário. Ademais, considerando o âmbito próprio de regulamentação do processo administrativo fiscal, não é demais lembrar que inexiste previsão regimental ou base legal que autorize o sobrestamento do processo administrativo tributário em razão de repercussão geral pendente de decisão judicial definitiva do Supremo Tribunal Federal. A unica possibilidade disto ocorrer seria uma expressa determinação judicial, que poderia, inclusive, ser emanada diretamente do Supremo Tribunal Federal, mas não é o caso aqui em tela. Fl. 18434DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.435 24 Ora, a vinculação do CARF é unicamente à decisão definitiva da Excelsa Corte, desta forma, enquanto ela não sobrevier, o processo administrativo fiscal, regido pelo princípio da oficialidade, tem seu curso normal, pautandose e sendo conduzido com foco na presunção de constitucionalidade das leis. De mais a mais, obiter dictum, na pesquisa processual que efetuei, no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, observei que a decisão de admissibilidade do Recurso Extraordinário na Apelação Cível no Mandado de Segurança do sujeito passivo destaca como de repercussão geral unicamente o Tema 669, a despeito de alegação de haver outra temática. Vejase trecho da mencionada decisão: ... o Acórdão recorrido apenas compreende a questão abrangida pelo Tema 669 (validade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 1.º da Lei 10.256/2001), conforme eventos 5 e 12. Por sua vez, sustenta o recorrente a inconstitucionalidade do FUNRURAL também para produtor rural pessoa física que não possui empregados (evento 18), matéria não apreciada na decisão recorrida. Neste diapasão, importa anotar que o tema 669 foi definitivamente julgado pelo Supremo, sendo fixada, por meio do RE n.º 718.874, a Tese segundo a qual: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção." Colhese, inclusive, na ementa dos aclaratórios do referido RE, verbis: Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS PARA OBTENÇÃO DE CARÁTER INFRINGENTE. INAPLICABILIDADE DA RESOLUÇÃO 15/2017 DO SENADO FEDERAL QUE NÃO TRATA DA LEI 10.256/2001. NÃO CABIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS PELA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Não existentes obscuridades, omissões ou contradições, são incabíveis Embargos de Declaração com a finalidade específica de obtenção de efeitos modificativos do julgamento. 2. A inexistência de qualquer declaração de inconstitucionalidade incidental pelo Supremo Tribunal Federal no presente julgamento não autoriza a aplicação do artigo 52, X, da Constituição Federal pelo Senado Federal. 3. A Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei n.º 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. 4. A inexistência de alteração de jurisprudência dominante torna incabível a modulação de efeitos do julgamento. Precedentes. 5. Embargos de Declaração rejeitados. (RE 718.874 ED, Relator Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado Fl. 18435DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.436 25 em 23/05/2018, Processo Eletrônico DJe191 divulgado 11 092018 publicado 12092018). Sendo assim, em tese, o tema 669, que seria o objeto do Recurso Extraordinário, tanto do sujeito passivo, como também da Fazenda, restou resolvido. De qualquer forma, o fato é que o processo administrativo fiscal não se sujeita a regra de suspensão por força de repercussão geral, inexistindo previsão no Regimento Interno do CARF, havendo diversos precedentes neste mesmo sentido. Sem razão o recorrente neste capítulo. Questionamento quanto a suspensão da exigibilidade do crédito O recorrente questiona que foi intimado para pagar em 30 dias, quando do comunicado da decisão de primeira instância, caso não apresentasse recurso voluntário. Sustenta que o acórdão proferido no mandamus está em plena vigência reiterando a norma individual e concreta, constituída desde 28/02/2012, que desobriga o recorrente de proceder ao desconto e ao recolhimento do crédito tributário das contribuições do produtor rural, empregador rural pessoa física, por ocasião da aquisição da sua produção rural, impedindo o fisco de efetivar a exigência, nestes termos questiona a exigência. Pois bem. Havendo liminar em mandado de segurança, demais disto tendo o lançamento sido efetivado para evitar a decadência, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal (efl. 203), a cobrança deve ficar suspensa, enquanto perdurar os efeitos da suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada pela medida judicial liminar, na forma do art. 151, inciso IV, do CTN, face ao conteúdo decisório ainda em vigência no Mandado de Segurança n.º 500360341.2010.4.04.7002/PR. De toda sorte, se eventualmente o contribuinte estiver suportando algum prejuízo, por ocasionalmente o crédito tributário controvertido não se encontrar suspenso, compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), no âmbito da jurisdição do contribuinte, gerir e executar as atividades de cadastros e de controle do crédito tributário, responsabilizandose pela implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma do art. 270 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF n.º 430, de 2017, com suas posteriores alterações, competindo internamente a referida atividade às Divisões de Orientação e Análise Tributária (Diort), aos Serviços de Orientação e Análise Tributária (Seort) e às Seções de Orientação e Análise Tributária (Saort), na forma do art. 286 do mesmo Regimento Interno. Aliás, a Lei n.º 11.457, de 2007, que dispõe sobre a Administração Tributária Federal, prevê amplo direito de petição ao jurisdicionado, conforme disciplinamento no art. 45 do citado diploma legal, dispondo que: "As repartições da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão, durante seu horário regular de funcionamento, (...) receber requerimentos e petições." Sendo assim, declaro, en passant, que, até decisão judicial final ou até a perda da eficácia da medida liminar concedida que efetivou a suspensão da exigibilidade, o crédito tributário em litígio encontrase suspenso e não deve ser cobrado, competindo ao próprio contribuinte, se necessário, buscar junto a DRF de sua jurisdição a implementação Fl. 18436DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.437 26 desta suspensão, se não tiver sido automaticamente controlada pela autoridade da Administração Tributária. Preliminar de nulidade da decisão recorrida O recorrente sustenta, por vários argumentos, a nulidade da decisão recorrida, alegando situações que caracterizariam error in procedendo, assim buscando novo julgamento, caso acolhida a preliminar. Advogada que a decisão hostilizada é nula por não ter sido suspenso o processo administrativo fiscal, face a decisão de suspensão da exigibilidade do crédito tributário no Mandado de Segurança já mencionado, ainda que o crédito tributário tenha sido lançado para prevenir a decadência. Sustenta violação do art. 151, inciso IV, do CTN. Diz que deveria ocorrer a suspensão do feito até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n.º 500360341.2010.4.04.7002/PR. Informa que, atualmente, o processo está sobrestado aguardando a aplicação do entendimento firmado no STF em repercussão geral, para o TEMA 669 (exigibilidade das contribuições previdenciárias do empregador rural pessoa física) no Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e no TEMA 723 (exigibilidade das contribuições previdenciárias do segurado especial) para o Recurso Extraordinário dele, sujeito passivo. Afirma que o processo administrativo não foi suspenso após a apresentação da impugnação. Sustenta que o acórdão proferido no mandamus está em plena vigência reiterando a norma individual e concreta, impedindo o fisco de efetivar a exigência. Assevera a nulidade da decisão recorrida por constituir ato atentatório à dignidade da justiça, violandose o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região e o art. 77, inciso IV, e § 2.º, do Código de Processo Civil, que determina que se cumpra as decisões judiciais, vez que o lançamento para evitar a decadência só poderia ser feito contra o sujeito passivo original, ou seja, os produtores rurais, e não havia proibição para essa autuação, jamais contra a recorrente. Alega, inclusive, que não houve pronunciamento quanto aos dispositivos violados. Discorre que a decisão é nula quando se limita a invocar o caráter vinculante da Solução de Consulta COSIT nº 01, de 2017, sem enfrentar a violação da regra expressa no art. 121, parágrafo único, inciso II, e art. 128 do CTN, bem como o princípio da capacidade contributiva. Sustenta que o art. 26A do Decreto 70.235/72 não constitui óbice para que se exerça o controle de legalidade de atos normativos complementares, eis que a limitação é exclusiva para as alegações de inconstitucionalidade, menciona, ainda, que para o controle de legalidade devese aplicar a Súmula STF n.º 473 e a tese fixada no RE 594.296 para o Tema 138 de Repercussão Geral. Pois bem. Desde logo, afirmo que não observo nulidade na decisão recorrida. Ora, como já afirmado, inexiste a suspensão do processo administrativo fiscal por força de repercussão geral do Supremo Tribunal Federal. Também, inexiste suspensão do processo administrativo fiscal por força de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Noutro prisma, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário concedida pelo Poder Judiciário, moldada no art. 151, inciso IV, do CTN, bem como a disciplina do art. 77, inciso IV, e § 2.º, do Código de Processo Civil, não obstam que se efetue o lançamento para prevenir a decadência, devendose ultimar todos os atos a si relacionados, inclusive os pertinentes ao processo administrativo fiscal, quando o lançamento é controvertido pelo próprio sujeito passivo, que é quem instaura e dá início ao litígio administrativo, na forma do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Fl. 18437DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.438 27 Iniciado o processo administrativo fiscal, por força de impugnação do sujeito passivo questionando o lançamento, este passa a ter impulso oficial seguindo seu curso normal, em regra sem qualquer suspensão. Não é nula a decisão que julga, no curso normal da lide administrativa tributária, as questões que lhe são postas, pelo próprio sujeito passivo, para decidir. Importante anotar que os institutos da "constituição" do crédito tributário e da "suspensão" da exigibilidade do crédito tributário não se confundem. A constituição do crédito tributário, para prevenir a decadência, não viola o cumprimento da decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito, não se caracteriza como ato atentatório à dignidade da justiça, não havendo violação do art. 151, inciso IV, do CTN, ou do art. 77, inciso IV, e § 2.º, do Código de Processo Civil. Em caso de processo judicial, ainda que vigente medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, deve a administração tributária, por dever de ofício, ultimar os procedimentos de constituição do crédito tributário, evitando a decadência do direito em si, não tendo a referida suspensão força impeditiva à constituição do próprio crédito tributário. Aliás, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindolhe privativamente constituir o crédito tributário com a efetivação do lançamento. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetiválo, inclusive para obstar a decadência. Tratase da aplicação das normas enunciadas no art. 142, caput e parágrafo único, do CTN. Somente os atos executórios, relativos a exigibilidade do crédito, aguardarão a decisão judicial final ou a perda da eficácia da medida liminar concedida. De igual modo, não observo nulidade na decisão hostilizada, sob o argumento de que o lançamento para evitar a decadência só poderia ser feito contra o sujeito passivo original, pois essa questão não seria pertinente a error in procedendo do julgador de piso, quando muito estaria ligada a um suposto error in iudicando, portanto não seria caso de nulidade da decisão de primeira instância, mas sim, se for o caso, de reforma da decisão. O error in iudicando é pertinente a reforma do julgado, supera a preliminar, é debatido no mérito. Outrossim, não constato nulidade na decisão vergastada quanto ao argumento de que não houve pronunciamento quanto aos dispositivos tidos por violados. Ora, conforme lição da jurisprudência uníssona do STJ, o julgador não está "obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão." (AgInt no REsp 1662345/RJ, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017) Isto é, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma questão, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado para a questão enfrentada. Ou, em outras palavras, o julgador não está obrigado a responder, um a um, a todos os argumentos apresentados pelo interessado, contanto que se baseie em motivo suficiente para fundamentar a decisão da respectiva questão. Ter consignado, em sua ótica decisória, o Fl. 18438DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.439 28 caráter vinculante da Solução de Consulta COSIT n.º 01, de 2017, não torna o acórdão nulo, é apenas o registro de uma das suas razões de decidir. No mais, não observo preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não constato qualquer nulidade na decisão de piso, pois verifico, isto sim, que, pela motivação consignada na decisão recorrida, é possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Foram enfrentadas as questões capazes de, em tese, infirmar as conclusões adotadas. Depreendese do acórdão que houve o pronunciamento de forma adequada e suficiente sobre as razões de defesa suscitadas pelo recorrente na impugnação, adotandose decisão bem delineada quanto as suas conclusões. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada e fundamentada. Por fim, de acordo com a peça recursal, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão. Não há error in procedendo. As análises a serem efetivas, doravante, são pertinentes a eventual error in iudicando. Sem razão o recorrente neste capítulo. Mérito do Recurso Voluntário Quanto ao juízo de mérito do Recurso Voluntário, para as matérias que são conhecidas, não assiste razão ao recorrente. Passo a expor. Trata o presente caso de lançamento de ofício, decorrente de procedimento administrativofiscal, tendo o procedimento de autuação sido instruído com Termo de Verificação Fiscal – TVF (efls. 203/216), robustecendo o relato das constatações da fiscalização, resultando ao final na lavratura de auto de infração (efls. 02/200) e na notificação do recorrente quanto a constituição de crédito tributário. No auto de infração são exigidas: (i) contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da cooperativa por subrogação pela aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, na forma do art. 30, III e IV, combinado com os arts. 25, I, da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 10.256, de 2001; (ii) contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), na forma do art. 30, IV, combinado com os arts. 25, II, da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 10.256, de 2001; e (iii) juros de mora na forma do art. 35, da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 11.941, de 2009, combinado com o art. 61, § 3.º, da Lei n.º 9.430, de 1996, com redação da Lei n.º 9.716, de 1998. A controvérsia posta objetiva enfrentar as seguintes questões no mérito: (a) nulidade do lançamento por força da suspensão da exigibilidade do crédito tributário; (b) nulidade do lançamento por erro na eleição do sujeito passivo; (c) não ocorrência do fato gerador em significativa parte dos lançamentos face a inexistência de comercialização: ato cooperativo próprio (ou ato cooperativo típico); e (d) inexistência de regra legal de sub rogação. a) Nulidade do lançamento por força da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Fl. 18439DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.440 29 O recorrente alega que o lançamento não deveria ter sido efetivado e que, uma vez realizado, é nulo. Sustenta que houve ato atentatório à dignidade da justiça, por violação do Acórdão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, havendo subsunção na norma do art. 77, inciso IV, e § 2.º, do Código de Processo Civil, não tendo sido cumprida decisão judicial. Ora, como já pontuado outrora, os institutos da "constituição" do crédito tributário e da "suspensão" da exigibilidade do crédito tributário não se confundem. A constituição do crédito tributário, para prevenir a decadência, não viola o cumprimento da decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito, não se caracteriza como ato atentatório à dignidade da justiça, não havendo violação do art. 151, inciso IV, do CTN, ou do art. 77, inciso IV, e § 2.º, do Código de Processo Civil. O lançamento foi efetivado para prevenir a decadência (efl. 203), considerando que o sujeito passivo não transmitiu suas declarações autoconstitutivas do crédito tributário com o apontamento das rubricas em litígio (efl. 212, item 3.34), o que obrigou a fiscalização a agir, a fim de obstar a decadência. Em caso de processo judicial, ainda que vigente medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, deve a administração tributária, por dever de ofício, ultimar os procedimentos de constituição do crédito tributário, evitando a decadência do direito em si, não tendo a referida suspensão força impeditiva à constituição do próprio crédito tributário. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindolhe privativamente constituir o crédito tributário com a efetivação do lançamento. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, inexistindo declarações autoconstitutivas do crédito tributário por parte do sujeito passivo (efl. 212, item 3.34), fica a administração tributária obrigada a efetiválo, inclusive para obstar a decadência. Tratase da aplicação das normas enunciadas no art. 142, caput e parágrafo único, do CTN. Somente os atos executórios, relativos a exigibilidade do crédito, aguardarão a decisão judicial final ou a perda da eficácia da medida liminar concedida. Neste diapasão, o certo é interpretar que, em caso de processo judicial, ainda que vigente medida liminar no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário, deve a autoridade da administração tributária, por dever de ofício, ultimar os procedimentos de constituição do crédito tributário, evitando a decadência do direito em si. Isto porque, a jurisprudência uníssona dos Tribunais Superiores é no sentido de que eventual ação judicial, com liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, IV), não obsta a sua própria constituição, a fim de evitar a decadência. Por conseguinte, agiu corretamente, e na forma a que estava obrigada, a autoridade da administração tributária ao efetivar o lançamento. Sem razão o recorrente neste capítulo. b) Nulidade do lançamento por erro na eleição do sujeito passivo Fl. 18440DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.441 30 O recorrente sustenta que o lançamento para evitar a decadência só poderia ser feito contra o sujeito passivo original, ou seja, os produtores rurais, e não havia proibição para essa autuação, jamais contra a recorrente. Advoga que é irreversível a ordem judicial liminar que a desobrigou da obrigação de fazer (deixar de descontar na fonte) e diz que deve ser mitigado os efeitos da Súmula STF n.º 405, pois não é dirigida aos responsáveis tributários que deixam de descontar na fonte de forma legítima por força de liminar concessiva. Argumenta que o art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, é norma que instituiu responsabilidade tributária, conforme expressamente permitido no art. 121, parágrafo único, inciso II, e no art. 128 do Código Tributário, não se revestindo o adquirente da condição de contribuinte, mas sim, de responsável tributário, inclusive não lhe é dado pleitear a restituição ou a compensação dos valores indevidamente recolhidos, bem por isso, é ilegal a autuação do adquirente que detém norma individual e concreta desobrigandoo de descontar e recolher os tributos devidos pelos produtores rurais, porque inviabiliza o exercício do direito inscrito nos arts. 121, parágrafo único, inciso II e art. 128 do CTN (assim como o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, que faz expressa menção à figura da "subrogação") de se ressarcir do ônus do tributo, descontando o tributo do contribuinte, o que, por conseguinte, também viola o princípio constitucional da capacidade contributiva. Invoca o direito do responsável tributário de promover o ressarcimento do encargo financeiro junto ao contribuinte eleito pela matriz constitucional da espécie tributária, concluindo que, havendo ordem judicial para não descontar e recolher os tributos, ainda que fosse constituído eventual lançamento "para prevenir a decadência", não poderia ter por sujeito passivo o responsável/substituto/subrogado, sob pena de arcar com o tributo devido pelos produtores rurais, sem que nenhuma culpa ou dolo de sua parte tenha sido registrada, cita o Parecer Normativo COSIT n.º 01, de 24 de setembro de 2002, que estabelecia a necessidade de autuar o contribuinte, sempre que o responsável tributário não tivesse procedido ao desconto do tributo, em cumprimento de ordem judicial. Neste contexto, insurgese contra a aplicação da Solução de Consulta Interna COSIT n.º 01, de 2017, porque a utilização dessa norma complementar infralegal viola a regra expressa no art. 121, parágrafo único, inciso II, e art. 128 do CTN, bem como o princípio da capacidade contributiva, sendo equivocada a decisão de piso quando se limita a invocar o caráter vinculante da Solução de Consulta referida. Advogada que o art. 26A do Decreto 70.235/72 não constitui óbice para que se exerça o controle de legalidade de atos normativos complementares, eis que a limitação é exclusiva para as alegações de inconstitucionalidade, menciona, ainda, que para o controle de legalidade devese aplicar a Súmula STF n.º 473 e a tese fixada no RE 594.296 para o Tema 138 de Repercussão Geral. Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente, inexistindo error in iudicando na decisão vergastada que muito bem pontuou que, havendo norma de sub rogação, sendo a atividade fiscal privativa e vinculante, o fato do sujeito autuado não ter descontado as contribuições que estavam a seu encargo não obsta a constituição do crédito tributário. Isto porque, a decisão judicial ainda não é definitiva e pode, sim, perder sua eficácia e ter efeitos retroativos, retornandose ao status quo ante. Demais disto, nos termos do art. 33, § 5.º, da Lei n.º 8.212, de 1991, o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito Fl. 18441DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.442 31 oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, tendo ou não efetivado o desconto, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei n.º 8.212, de 1991. Deste modo, não são válidos os argumentos do recorrente, destacandose que, na forma do mesmo art. 30, IV, da Lei n.º 8.212, de 1991, face a regra de subrogação, não se deve falar em exigir as contribuições diretamente dos produtores rurais, vez que a atribuição é a cargo da empresa adquirente da produção rural, por força da específica regra de subrogação. Não é dado a autoridade administrativa, que está efetivando um lançamento para evitar a decadência, afastar a aplicação da regra do art. 30, IV, da Lei n.º 8.212, de 1991, sob a égide da Emenda Constitucional n.º 20 e da Lei n.º 10.256, de 2001, sob pena de estar, em verdade, declarando incidentalmente a inconstitucionalidade da referida norma de subrogação. Ademais, a Súmula STF n.º 405, de certo modo, dá mais elementos para o dever de efetivar o ato de lançamento, vez que dispõe que: "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária." De mais a mais, temse também que a questão do art. 30, IV, da Lei n.º 8.212, de 1991, sob a égide da Emenda Constitucional n.º 20 e da Lei n.º 10.256, de 2001, é objeto do tema em concomitância, processo judicial e administrativo, não devendo ser conhecida. O tema é controverso, apesar do recorrente alegar que o ato senatorial retirou o inciso IV do sistema normativo, várias vozes entendem que com a Lei n.º 10.256, de 2001, restou superada a problemática da constitucionalidade. O RE 363.852 declarou, em controle difuso, a inconstitucionalidade da norma de custeio e, consequentemente, a correspondente regra de subrogação, porém limitada a declaração de inconstitucionalidade ao fundamento formal, considerando o regime anterior ao da Emenda Constitucional n.º 20, de 1998, não tendo havido redução de texto (conferir RE 412.390AgR/PR, Primeira Turma, da relatoria do Ministro Marco Aurélio, DJ 03/04/2014; RE 596.177ED/RS, Tribunal Pleno, da relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, DJ 18/11/2013). Superada a questão formal, com a Emenda Constitucional, entendese que é válida e eficaz a citada regra. O lançamento dos autos é preventivo, de modo que, se o recorrente for vencedor na justiça, todo o crédito tributário restará extinto (CTN, art. 156, inciso X). Caso perca a demanda, eventuais efeitos não retroativos, argumentados pelo recorrente, devem ser discutidos e buscados o reconhecimento na via judicial, não cabendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a lei que lhe rege, especialmente diante do princípio da constitucionalidade das leis. Além disto, no caso dos autos a autoridade administrativa também citou o inciso III do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 11.933, de 2009, como outra norma a exigir o desconto e recolhimento pela recorrente (efl. 200), sob a qual não pairam discussões de constitucionalidade, já que a recorrente invoca uma suposta inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991, mesmo na égide da Emenda Constitucional n.º 20 e da Lei n.º 10.256, de 2001, inclusive mencionando ato senatorial que teria afastado o dito IV do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991, do sistema pátrio, mesmo depois da Lei n.º 10.256, de 2001. Fl. 18442DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.443 32 Constróise, a partir do art. 30, incisos III e IV, da Lei n.º 8.212, de 1991, a norma jurídica instituidora do dever de desconto, por força de subrogação, e recolhimento por parte do recorrente. A norma atua dentro do sistema regulando, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, sendo que, uma vez descumprida a obrigação, a qual estava obrigado o recorrente, impõese a autoridade lançadora o dever de efetivar o lançamento de ofício, haja vista a sua atividade privativa e vinculante. Se havia o dever jurídico de adimplir com a exigência fiscal, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do CTN. É certo que há um confronto de normas (a geral e abstrata da lei decorrente da lei e a individual e concreta emanada da provisória medida judicial), mas a administração deve agir de modo preventivo, já que a Fazenda pode, eventualmente, sair vencedora no processo judicial. Os efeitos, se retroativos ou não, não podem ser antevistos pela administração tributária, especialmente quando ela objetiva a controvérsia. Por isso, cabe o lançamento para prevenir a decadência. A análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais questões subjetivas. A norma de caráter objetivo quedase alheia à vontade do recorrente, ademais a regra da subrogação foi positivada como necessária ao controle das atividades da Administração Tributária Federal, sendo permitida a lei atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato imponível da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte, na forma do art. 128 do CTN, aliás o direito aqui é aplicado de igual modo para todas as pessoas jurídicas que adquiram a produção rural de pessoa física. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. O fato do recorrente não ter descontado, por força de liminar, não obsta ao lançamento para prevenir decadência, tampouco viola o art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, o art. 121, parágrafo único, inciso II, e o art. 128 do Código Tributário, pois ao ajuizar a medida judicial o recorrente assumiu, de igual modo, o risco da lide, tendo a Administração o direito de efetivar o lançamento por prevenção, para evitar a decadência, enquanto segue a discussão. A situação do recorrente é diferente de uma situação na qual o próprio contribuinte (um produtor rural pessoa física) ajuizasse ação para não ver descontada a contribuição. Aqui poderseia concordar com a tese de defesa, pois o recorrente estaria impedido de descontar e a circunstância seria proveniente de atos a si não reputados, não teria assumido quaisquer riscos. Diversamente, quando ajuíza de per si a demanda judicial, então assume o risco de eventual reversão do provimento judicial. Por isso, também, não se aplica o Parecer Normativo COSIT SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002. Vejase a parte final da Solução de Consulta Interna COSIT n.º 01, de 2017, litteris: 19. Vale frisar que esse entendimento não prejudica aquele exarado na SCI Cosit n.º 1, de 2013, nem com ele conflita, uma vez que os fundamentos nela expendidos são outros. Na situação ali estudada, como a medida judicial efetivamente impedia a retenção pela empresa adquirente, e a ação fora ajuizada pelo produtor Fl. 18443DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.444 33 rural pessoa física, não se podia permanecer adstrito à simples disposição contida no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991. Buscouse, por essa razão, efetuar uma construção que prestigiasse os princípios jurídicos envolvidos, e foi expressamente utilizada a analogia com situações em certos aspectos assemelhadas, já normatizadas no âmbito da RFB (caso do Parecer Normativo SRF n.º 1, de 2002, e do inciso I do art. 150 da IN RFB n.º 971, de 2009). 20. Conforme foi aqui demonstrado, a solução adequada ao caso presente é muito mais singela: limitase a aplicar diretamente a norma legal (inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991) que fora judicialmente afastada por um provimento não definitivo, e que volta a incidir em sua plenitude quando essa decisão judicial deixa de produzir efeitos (por revogação, cassação, reforma, anulação etc.). É de todo evidente que, como qualquer pessoa que busque a tutela jurisdicional, a empresa adquirente, ao ajuizar a ação em que pleiteava o afastamento daquela norma legal, assumiu o risco de ver a sua tese ao final rejeitada pelo Poder Judiciário, ainda que essa tenha sido, por ele, acolhida inicialmente. 21. Ressaltese que esse risco assumido pela empresa não é compartilhado com os produtores rurais pessoas físicas de quem ela adquire a produção, haja vista que estes não são parte na ação por ela movida. Em outras palavras, ao ajuizar a ação visando a desonerarse da obrigação imposta no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991, a empresa assume sozinha o risco de ter de recolher tais contribuições com juros e multa, caso, ao fim e ao cabo, a decisão lhe seja desfavorável. Conclusão 22. Existindo decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado contribuinte individual ou segurado especial) suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deve proceder ao lançamento do crédito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei n.º 9.430, de 1996, em nome da empresa adquirente de produção rural. Deste modo, entendo que o lançamento pode, sim, ser efetivado contra o recorrente, pelo que, também, compreendo que a Solução de Consulta Interna COSIT n.º 01, de 2017, é ato legal não violador da lei. Demais disto, obiter dictum, não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal. Sem razão o recorrente neste capítulo. Fl. 18444DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.445 34 c) Não ocorrência do fato gerador em significativa parte dos lançamentos face a inexistência de comercialização: ato cooperativo próprio (ou ato cooperativo típico) O recorrente sustenta que se faz necessário a reforma da decisão vergastada para anular substancialmente o lançamento, vez que a maior parte das operações autuadas constituem ato cooperativo próprio (ou ato cooperativo típico), havendo não incidência das contribuições previdenciárias do produtor rural para os fins do art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212, de 1991, pois os atos cooperativos próprios não configuram "receita" nem tampouco "faturamento" das sociedades cooperativas, essas operações não configuram atos de "comercialização". Argumenta que a Solução de Consulta COSIT n.º 11, de 13/01/2017, invocada pela decisão vergastada, é ilegal em face do art. 25, da Lei n.º 8.212/1991, que é a regra matriz de incidência da contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física, assim como é manifestamente ilegal face ao art. 79, da Lei n.º 5.764/1971. Advogada que não deve ser aplicado o art. 26A do Decreto 70.235/72 na análise desta questão. Sustenta que a configuração do ato cooperativo próprio ocorre na entrega da produção rural com a fixação de preço aos associados, que é instrumentalizado nas notas de compra de produtos rurais, na forma do art. 79, caput e parágrafo único, da Lei n.º 5.764/1971, pressupondo uma relação jurídica travada entre a sociedade cooperativa e seu associado (e viceversa) envolvendo a realização de algum ato descrito nos objetivos sociais inscritos no Estatuto Social. Alega que o art. 146, inciso III, "c", combinado com o art. 174, § 2.º, da CF, estabelecem um conteúdo mínimo de proteção ao ato cooperativo, garantindo que não haja dupla incidência tributária (no cooperado e na cooperativa); que o art. 150, inciso I, estabelece o princípio da legalidade com a estrita observância do critério material da hipótese de incidência da norma impositiva de tributo e, finalmente, a exigência viola a regra matriz de incidência do tributo, estabelecida no art. 195, inciso I, 'b', e § 8.º, e regulamentada no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.212/91, cujos contornos são definidos, entre outros, pelo recorte no aspecto material da incidência previsto no art. 79 e parágrafo único da Lei 5.764/71. Afirma que pode ocorrer aquisições de produtos agrícolas de produtores rurais não associados, mas nesses casos, a recorrente contabiliza de modo segregado e perfeitamente distintas as operações com não associados (atos atípicos) das operações com associados (atos cooperativos próprios). Diz que o valor equivalente a R$ 3.014.371.693,19 se refere ao somatório das notas de compras de produtos rurais de associados (efls. 16.279/18.254). Defende que estando contempladas no Estatuto as atividades de receber, transportar, classificar, beneficiar, padronizar, armazenar, industrializar, comercializar no mercado nacional e internacional os produtos de origem vegetal, animal e extrativa, verificamse atendidos os critérios legais exigidos no art. 79 da Lei 5.764/71, inferindose que a entrega da produção rural e a respectiva fixação de preço materializada em notas de "compras de produtos rurais" sempre que realizada entre a recorrente e seus associados, revestese da natureza jurídica de ato cooperativo próprio. Menciona o Tema 363 do STJ com tese fixada no julgamento do REsp n.º 1.141.667. Pondera que a melhor doutrina defende que os artigos 79 e parágrafo único, art. 87 e 111, da Lei 5.764/71, foi recepcionada pela Constituição de 1988 com status de lei formalmente ordinária e materialmente complementar, porque Fl. 18445DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.446 35 disciplinam o tratamento tributário dos atos cooperativos típicos (art. 79) e atípicos (arts. 87 e 111), matéria reservada à lei complementar. Discorre que a lei exige que se desconsidere a operação interna (ato cooperativo típico) para tributar tão somente a operação externa (ato cooperativo atípico), evitando a duplicidade de incidências no primeiro caso, pois tributar o ato cooperativo na esfera da cooperativa é tributar, duas vezes, pelo mesmo fato, o cooperado. Assevera que a inclusão dos valores decorrentes de atos cooperativos próprios na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias dos produtores rurais é inadmissível frente ao princípio da legalidade estrita, inscrito no art. 150, inciso I, da CF. Diz que não há remuneração dos serviços que constituem os atos típicos, esses atos não se subsumem aos fatos descritos no aspecto material da incidência tributária, um ato que, em sendo praticado por quaisquer outros sujeitos, teria toda a característica de compra e venda, pois envolve a entrega de produto com a correspondente contrapartida em dinheiro, uma vez que seja praticado pelo associado e a sua cooperativa na realização dos objetivos sociais, por força do disposto no art. 79 e parágrafo único da Lei 5.764/71, já não poderá compor a norma individual e concreta, pois é desprovido do caráter mercantil (não há onerosidade na transação), apesar dessa operação ser formalmente acobertada pela emissão de uma nota fiscal de compra de produtos rurais, não havendo, a rigor, como se falar que houve "comercialização" da produção rural, quando o associado entregou os produtos na cooperativa e fixou o preço, porque muito embora haja o ressarcimento do preço do dia, essa produção continuará integrando o patrimônio jurídico dos associados, que farão jus às sobras (mais valia) obtidas por ocasião da comercialização no mercado interno ou externo dos produtos, após a recorrente promover a respectiva industrialização ou beneficiamento. Advogada que todo ato cooperativo próprio é, em essência, “autoserviço prestado em caráter não oneroso”, não importando a forma jurídica aparente (serviço, depósito, compra e venda, etc.), o que o exclui a possibilidade de enquadrálo na âmbito de quaisquer das regras tributárias. Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente, inexistindo error in iudicando na decisão vergastada. Vejase. Antes de analisar os efeitos jurídicos do ato cooperativo, incluindo suas consequências no contexto da incidência das contribuições previdenciárias do produtor rural e da norma de subrogação que exige o desconto, importa verificar se resta provado nos autos que as operações no valor equivalente a R$ 3.014.371.693,19 (efls. 16.279/18.254), decorrente do somatório de notas de compras de produtos rurais, se referem a comprovados atos cooperativos. Isto porque, para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo é necessária a demonstração de que a operação se efetivou entre o associado e a cooperativa e dentro do regime jurídico do ato cooperativo, exigindose, para tanto, prova documental societária, contábil e fiscal apta a comprovar a natureza do ato cooperativo, nos termos da legislação de regência, segregandoo das aquisições efetivadas em definitivo. Aliás, esta Turma, a despeito da minha não participação na composição naquela ocasião, em voto muito bem ilustrado pelo Insigne Conselheiro Ronnie Soares Anderson, em decisão unânime, seguiu entendimento quanto a necessidade da prova do ato cooperativo (Acórdão n.º 2202004.817, de 04/10/2018), observese: Fl. 18446DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.447 36 COOPERATIVA E PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA. Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo, é necessária comprovação, mediante documentos societários, contábeis e fiscais aptos para tanto, de que a operação examinada se dá entre o associado e a cooperativa nos termos da legislação de regência, segregandoa frente às demais aquisições realizadas junto a terceiros. Para tal comprovação exigese elementos de prova concretos, substanciais, não apenas circunstanciais. A Cooperativa precisa demonstrar as especificidades do ato cooperativo do qual pretende se valer para afastar a exação e a evidência não pode ser pontual e assistemática, deve ser concreta e exemplificativa. Para tanto, é importante: (i) apresentar a relação de seus associados, juntando aos autos o Livro de Matrícula com a relação deles, livro obrigatório, ex vi dos arts. 22 e 23 da Lei n.º 5.764, de 1971, a fim de comprovar a qualidade de cada uma deles; e (ii) apresentar seus registros contábeis, contemporâneos aos fatos geradores, demonstrando a contabilização em separados dos seus estoques próprios e dos decorrentes do ato cooperativo, a fim de permitir a segregação dos resultados das operações das cooperativas em atos atípicos e em atos típicos (atos cooperativos), inclusive para os fins do art. 87, da Lei n.º 5.764, de 1971, bem como para comprovar, por meio de conta própria representativa de seu estoque de ato cooperativo o valor da produção rural advinda de seus cooperados rurais pessoas físicas ou segurados especiais, valendose do conceito de ato cooperativo constante do art. 79 da Lei n.º 5.764, de 1971. O registro contábil é essencial, inclusive, para viabilizar o adequado controle tanto da entrega do produto quanto dos repasses devidos ao cooperativado em função da venda final do produto entregue à cooperativa para comercialização, refletindo se contabilmente a operação típica de ato cooperativo, assim como para explicar em que momento se dá e como calcula os valores retidos das contribuições previdenciárias devidos por subrogação, elucidando os respectivos documentos envolvidos. Ora, é ônus do recorrente demonstrar que possui adequado controle da quantidade exata de propriedade da cooperativa e de cada produtor associado, comprovando, assim, o ato cooperativo típico. Certamente, o registro contábil exigido de segregação das contas pode ser efetivado por meio de contas sintéticas ou analíticas, tendo o recorrente o ônus de apresentar, se for o caso, eventuais registros realizados em livros auxiliares. É essencial apresentar a quantificação efetiva e em separado dessas operações, inclusive quanto as demais contas naturalmente impactadas (ingressos, dispêndios, despesas, receitas etc.), das operações vinculadas a atos cooperativos frente aos atos atípicos. Aliás, o ato cooperativo pode ser demonstrado, em complemento, através das respectivas notas fiscais (de entrada e de saída, ou documento equivalente), relativamente a cada um dos períodos de apuração objeto de lançamento fiscal. Dito isto, compulsando os atos, observo que não há no processo, apesar de suas 18.408 folhas, quaisquer provas para comprovar sequer a qualidade de associado dos produtores listados pelo recorrente (efls. 16.279/18.254). Não consta no processo o Livro de Matrícula com a relação dos associados ou algum documento que prove um vínculo para condição de associado. O que se observa é apenas a informação de um número Fl. 18447DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.448 37 de matrícula, mas não há a comprovação da associação, inexiste uma certidão ou algum ato que comprove a efetiva qualidade de associado. Por outro lado, quanto a prova contábil e fiscal que deveria ser esperada, face aos argumentos do recorrente, não se observa a presença dela no processo para o período dos fatos geradores. Inexiste a juntada, pelo recorrente, dos livros contábeis, incluindo eventuais livros auxiliares, e dos livros fiscais ou de documentos fiscais relativos ao período autuado, com os quais pretendesse comprovar os atos cooperativos. Juntado aos autos consta apenas a demonstração financeira de 31/12/2017, não relacionada aos fatos geradores autuados, mesmo assim não seria suficiente para demonstrar a essência do ato cooperativo vindicado. Aliás, analisando a demonstração financeira de 31/12/2017 não está claro para mim como se dá a contabilização da conta de estoques e as suas contrapartidas nas contas de resultado, especialmente considerando a necessidade de segregar as operações dos atos cooperados e dos não cooperados. Logo, por ausência de provas quanto ao ato cooperativo próprio (ou ato cooperativo típico), sem razão o recorrente. d) Inexistência de regra legal de subrogação Por último, temse, ainda, como questão levantada pelo recorrente, a argumentação no sentido de que inexiste regra legal de subrogação, pois o Decreto n.º 2.346/1997, art. 1.º, § 2.º, impõe a observância obrigatória e vinculativa da Resolução n.º 15/2017 do Senado Federal, que suspendeu, com efeitos ex tunc, a execução do art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991. Sustenta que a decisão de piso incide em error in iudicando ao se valer das conclusões do Parecer PGFN/CRJ n.º 1.447, de 27/09/2017, pois o mesmo é equivocado. Advoga que o Supremo já pontuou que as resoluções do Senado retroagem. Destaca os RE's ns.º 363.852 e 596.177 como fundamento da resolução. Discorre que o RE n.º 718.874, julgado em 30/03/2017, declarou a constitucionalidade formal e material das contribuições previdenciárias do produtor rural de que trata o art. 25, incisos I e II, da Lei n.º 8.212/91, reconhecendo a validade da reinstituição do tributo com base na Lei n.º 10.256/01, mas afirma que é relevante observar que o julgamento em nada afetou a declaração de inconstitucionalidade do art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, anteriormente proclamada nos RE's ns.º 363.852 e RE 596.177, já que a Lei 10.256/01 não trouxe nenhum dispositivo reinstituindo a responsabilidade dos adquirentes. Cita precedentes judiciais a favor de sua tese. Ocorre que, para a referida argumentação, já declarei os efeitos da concomitância com o mandado de segurança do recorrente, pois a discussão lá é pertinente a dispensa do desconto e recolhimento, por força de subrogação, da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas físicas, ou das aquisições de produtores rurais segurados especiais, incluindo discussões quanto os arts. 25, I e II, e 30, IV, da Lei n.º 8.212, de 1991, e quanto a própria regra de subrogação. Portanto, no Poder Judiciário, o recorrente já discute a tese de inexistência de regra legal de subrogação. De toda sorte, obiter dictum, registro que este Egrégio Conselho tem precedentes estabelecendo que: RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N.º 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES Fl. 18448DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.449 38 APÓS A LEI N.º 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE. A Resolução n.º 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei n.º 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por subrogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei n.º 10.256, de 2001. Inocorrência no caso em tela. (Acórdãos 2301005.494 e 2301005.345) Além disto, no caso dos autos a autoridade administrativa também citou o inciso III do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 11.933, de 2009, como outra norma a exigir o recolhimento pela recorrente (efl. 200), sob a qual não pairam discussões de constitucionalidade. Demais disto, entendimento contrário ao dever de desconto e recolhimento, frente ao mencionado inciso III, implicaria desprezo à tese firmada pelo STF no RE n.º 718.874/RS, que assentou a constitucionalidade formal e material da tributação após a Lei n.º 10.256, de 2001. Deveras, o Plenário do STF, no RE n.º 718.874 (Repercussão Geral, Tema 669), entendeu pela validade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural, pessoa física, sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 1.º da Lei 10.256/2001, conforme a ementa: Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I, DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1. A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2. A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001, alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção." (RE 718.874, Relator Min. Edson Fachin, Relator p/ Acórdão Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 30/03/2017) Pelo relato acima é constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua Fl. 18449DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.450 39 produção, a partir da edição da Lei n.º 10.256, de 2001, que alterou o art. 25 da Lei 8.212, de 1991. E a regra de recolhimento, pelo adquirente, consignatário ou consumidor e a cooperativa, também remanesce no inciso III do art. 30 da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei n.º 11.933, de 2009. Delimitando o assunto em comento, o Tribunal Regional Federal da 3.ª Região apresenta a seguinte ementa em seu repositório de jurisprudência, a qual peço vênia para replicar, verbis: PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO. ARTS. 12, V, e VII, 25, I e II, e 30, IV, da LEI 8.212/91. LEI N.º 10.256/2001. EXIGIBILIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Com a edição das Leis ns.º 8.212/91 PCPS Plano de Custeio da Previdência Social e Lei n.º 8.213/91 PBPS Plano de Benefícios da Previdência Social, a contribuição sobre a comercialização de produtos rurais teve incidência prevista apenas para os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de economia familiar (Lei n.º 8.212/91, Art. 12, VII, e CF/88, Art. 195, § 8.º), à alíquota de 3%. O empregador rural pessoa física contribuía sobre a folha de salários, consoante a previsão do art. 22. 2. O art. 1.º da Lei 8.540/92 deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, cuidando da tributação da pessoa física e do segurado especial. A contribuição do empregador rural, antes sobre a folha de salários, foi substituída pelo percentual de 2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural para o pagamento dos benefícios gerais da Previdência Social, acrescido de 0,1% para financiamento dos benefícios decorrentes de acidentes de trabalho. 3. Quanto aos segurados especiais, a Lei n.º 8.540/92 reduziu a sua contribuição de 3% para 2% incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento da complementação dos benefícios decorrentes de acidentes do trabalho, além de possibilitar a sua contribuição facultativa na forma dos segurados autônomos e equiparados de então. 4. O art. 30 impôs ao adquirente/consignatário/cooperativas o dever de proceder à retenção do tributo. 5. Os ministros do Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao apreciarem o RE 363.852, em 03/02/2010, decidiram que a alteração introduzida pelo art. 1.º da Lei n.º 8.540/92 infringiu o § 4.º do art. 195 da Constituição na redação anterior à Emenda 20/98, pois constituiu nova fonte de custeio da Previdência Social, sem a observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 6. A decisão do STF diz respeito apenas às previsões legais contidas nas Leis ns.º 8.540/92 e 9.528/97 e aborda somente as obrigações subrogadas da empresa adquirente, consignatária ou consumidora e da cooperativa adquirente Fl. 18450DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.451 40 da produção do empregador rural pessoa física (no caso específico o "Frigorífico Mataboi S/A"). 7. O STF não tratou das legislações posteriores relativas à matéria, até porque o referido Recurso Extraordinário foi interposto na Ação Ordinária n.º 1999.01.00.111.3782, o que delimitou a análise da constitucionalidade da norma no controle difuso ali exarado. 8. O RE 363.852 não afetou a contribuição devida pelo segurado especial, quanto à redução de contribuição prevista pelos mesmos incisos I e II, do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 8.540/92, como retro mencionado. Portanto, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada. 9. A Emenda Constitucional n.º 20/98 deu nova redação ao artigo 195 da CF/88 e permitiu a cobrança também sobre a receita de contribuição do empregador, empresa ou entidade a ela equiparada: 10. Em face do permissivo constitucional (EC n.º 20/98), a "receita" passou a fazer parte do rol de fontes de custeio da Seguridade Social. A consequência direta dessa alteração é que, a partir de então, foi admitida a edição de lei ordinária para dispor acerca da exação em debate nesta lide, afastando definitivamente a exigência de lei complementar como previsto no disposto do artigo 195, § 4.º, com a observância da técnica da competência legislativa residual (art. 154, I). 11. Editada após a Emenda Constitucional n.º 20/98, a Lei n.º 10.256/2001 deu nova redação ao artigo 25 da Lei n.º 8.212/91 e alcançou validamente as diversas receitas da pessoa física, ao contrário das antecessoras, Leis n.º 8.540/92 e 9.528/97, surgidas na redação original do art. 195, I, da CF/88, e inconstitucionais por extrapolarem a base econômica vigente. 12. Não cabe o argumento de que os incisos I e II foram declarados inconstitucionais e, portanto, inexiste a fixação de alíquota, o que tornaria a previsão do Caput "letra morta". Na hipótese, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada quanto ao segurado especial. 13. Com a modificação do Caput pela Lei n.º 10.256/2001, aplicamse os incisos I e II também ao empregador rural pessoa física. 14. O empregador rural pessoa física não se enquadra como sujeito passivo da COFINS, por não ser equiparado à Fl. 18451DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.452 41 pessoa jurídica pela legislação do imposto de renda (Nota Cosit n.º 243, de 04/10/2010), não se podendo falar, assim, em "bis in idem", mas apenas a tributação de uma das bases econômicas previstas no art. 195, I, da CF, sem qualquer sobreposição. 15. A contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física, nos moldes do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91, vem em substituição à contribuição incidente sobre a folha de salários, a cujo pagamento estaria obrigado na condição de empregador, mas foi dispensado pela Lei n.º 10.256/2001. 16. Nos termos do artigo 30, III, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 11.933/2009, cabe à empresa adquirente, consumidora ou consignatária e à cooperativa a obrigação de recolher a contribuição de que trata o artigo 25, da Lei n.º 8.212/91 até o dia 20 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção. 17. São devidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física, a partir da entrada em vigor da Lei n.º 10.256/01. 18. O RE n.º 596.177, julgado pelo Supremo Tribunal Federal no regime do artigo 543B, não tratou da constitucionalidade da Lei n.º 10.256/2001. No caso, apenas o Ministro Marco Aurélio externou posição quanto ao tema que não foi posto em análise no julgamento ocorrido naquela Corte Suprema. 19. Não corresponde à realidade a afirmação de que os Ministros do Supremo Tribunal Federal têm posição firmada pela inexigibilidade da contribuição, mesmo após a edição da Lei n.º 10.256/2001, como é possível verificar no seguinte decisão monocrática proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa, em 25/02/2011, no RE 585.684, a qual afastou a contribuição sobre produção rural somente até a edição da Lei n.º 10.256/2001. 20. Quanto ao prazo prescricional para a repetição, vinha se adotando o posicionamento pacificado no âmbito do Colendo Superior Tribunal de Justiça, adotado por sua Primeira Seção, a qual decidiu no regime de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), por unanimidade, (Recurso Especial Repetitivo n.º 1.002.932/SP), que, na hipótese de pagamentos indevidos realizados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09/06/2005), aplicase a tese que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 21. Todavia, em 11/10/2011, o Supremo Tribunal Federal disponibilizou no Diário de Justiça Eletrônico, o V. Acórdão do RE 566.621, apreciado pelo Pleno da Suprema Corte, que entendeu pela aplicabilidade da Lei Complementar n.º 118/2005 ÀS AÇÕES AJUIZADAS após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. A partir da publicação do supracitado Acórdão não há mais como prevalecer o entendimento então sufragado pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista que o RE Fl. 18452DF CARF MF Processo nº 10935.722552/201812 Acórdão n.º 2202005.059 S2C2T2 Fl. 18.453 42 566.621 foi proferido no regime previsto no artigo 543B, § 3.º, do CPC. 22. Aqueles que AJUIZARAM AÇÕES ANTES da entrada em vigor da LC 118/05 (09/06/2005) têm direito à repetição das contribuições recolhidas no período de DEZ ANOS anteriores ao ajuizamento da ação, limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei (art. 2.028 do Código Civil). No tocante ÀS AÇÕES AJUIZADAS APÓS a vigência da LC 118/05, o prazo prescricional é de CINCO ANOS. 23. Não é possível a pretensão de compensação, pois prescritas as parcelas recolhidas no período anterior à Lei n.º 10.256/2001. 24. Apelação da parte autora a que se nega provimento. (TRF 3.ª Região, Décima Primeira Turma, Ap Apelação Cível 1.945.225 000289742.2010.4.03.6107, Rel. Des. Federal Cecília Mello, julgado em 04/08/2015, eDJF3 Judicial 1 datado de 21/08/2015) Conclusão quanto ao mérito do Recurso Voluntário Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, considerando o até aqui esposado e não observando desconformidade com a lei, nada há que se reparar no julgamento efetivado pelo juízo de piso, mantendo íntegra a decisão recorrida. Por oportuno, como consignado no Termo de Verificação Fiscal (efl. 203), o lançamento foi efetivado para prevenir decadência, devendo a cobrança ficar suspensa enquanto perdurar os efeitos da suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada em medida liminar (CTN, art. 151, inciso IV) no Mandado de Segurança n.º 500360341.2010.4.04.7002/PR. Dispositivo Ante o exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, e conheço em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 18453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900221/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.542, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 22 1/ 20 06 -1 2 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900221/200612 Resolução nº 1201000.542 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 3º trimestre de 2000. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900221/200612 Resolução nº 1201000.542 S1C2T1 Fl. 4 3 Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.900221/200612 Resolução nº 1201000.542 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13851.900221/200612 Resolução nº 1201000.542 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13851.900221/200612 Resolução nº 1201000.542 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13851.900221/200612 Resolução nº 1201000.542 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13851.900221/200612 Resolução nº 1201000.542 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 30/06/2000, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906179/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 61 79 /2 01 1- 33 Fl. 159DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2005 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10840.906179/201133 Acórdão n.º 1402003.645 S1C4T2 Fl. 3 3 a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls94101); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao Fl. 161DF CARF MF 4 final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls. 146/151, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10840.906179/201133 Acórdão n.º 1402003.645 S1C4T2 Fl. 4 5 Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.904880/2016-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/03/2014
DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72).
PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. LICENÇA DE USO. COMPROVAÇÃO.
A restituição somente pode ser autorizada com a comprovação pela requerente de que o pagamento foi indevido. No caso, para a comprovação da não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de Royalties, cessão do direito de uso ou de licença de uso, faz-se necessário que esses valores estejam segregados do montante referente aos serviços conexos no documento que fundamentar a operação (Solução de Divergência Cosit nº 11/2011).
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/03/2014 DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. LICENÇA DE USO. COMPROVAÇÃO. A restituição somente pode ser autorizada com a comprovação pela requerente de que o pagamento foi indevido. No caso, para a comprovação da não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de Royalties, cessão do direito de uso ou de licença de uso, faz-se necessário que esses valores estejam segregados do montante referente aos serviços conexos no documento que fundamentar a operação (Solução de Divergência Cosit nº 11/2011). Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/03/2014 DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. LICENÇA DE USO. COMPROVAÇÃO. A restituição somente pode ser autorizada com a comprovação pela requerente de que o pagamento foi indevido. No caso, para a comprovação da não incidência da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de Royalties, cessão do direito de uso ou de licença de uso, fazse necessário que esses valores estejam segregados do montante referente aos serviços conexos no documento que fundamentar a operação (Solução de Divergência Cosit nº 11/2011). Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 48 80 /2 01 6- 56 Fl. 263DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação DComp na qual foi apontado crédito de pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 83.431,19, proveniente do DARF no mesmo valor principal acrescido de multa de mora, perfazendo o valor total de R$ 83.706,51, recolhido sob código 5442 (Cofins – importação de serviços), PA 20/03/2014, com data de arrecadação em 21/03/2014, utilizado para compensação de débitos declarados. Nos processos descritos abaixo, sob julgamento conjunto nesta sessão, foram utilizados Darfs com as características descritas nesta Dcomp, conforme quadro extraído da decisão recorrida: No presente processo, foi proferido Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, eis que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) existência de erro de fato na retificação da DCTF de março/2014; e b) equívoco na identificação do DARF na Dcomp. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10880.904880/201656 Acórdão n.º 3402006.391 S3C4T2 Fl. 264 3 O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: Como a segunda retificação de DCTF só ocorreu após a ciência dos Despachos Decisórios, não foi possível mais homologação alguma pela análise eletrônica, ensejando as Manifestações de Inconformidade que inauguram a fase litigiosa e exigem a apresentação, pela interessada, de provas da certeza e liquidez do crédito. No caso, os documentos apresentados, relativos a fatura de licença e taxa de manutenção e do Acordo de Licença e taxa de Manutenção, Conservação (fls. 100/119 do processo 10880.904878/201687), estão em língua inglesa, não traduzidos, e não permitem identificar a discriminação de valores componentes do valor pago a que se reporta a Solução de Divergência COSIT nº 11/2011. Os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do real valor devido a título da contribuição apurada, bem como acerca dos fatos que ensejaram o pagamento alegadamente não sujeito a incidência da contribuição, para o período de apuração em questão, são indispensáveis para que se comprove a existência do direito creditório indicado em DCOMP. Os documentos apresentados, relativos a fatura de licença e taxa de manutenção e do Acordo de Licença e taxa de Manutenção, Conservação (fls. 100/119 do processo 10880.904878/201687 e também constantes dos demais processos), estão em língua inglesa, não traduzidos, e não permitem identificar a discriminação de valores componentes do valor pago a que se reporta a Solução de Divergência Cosit nº 11/2011. Cientificada dessa decisão em 30/05/2018, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/06/2018, repisando as alegações da impugnação e sustentando, em contraposição à decisão recorrida, que o contrato de câmbio, invoice e contrato que subsidiaram a operação, bem como a retirada de um dos Darfs na primeira retificação da DCTF, demonstrariam sim a certeza e liquidez do crédito alegado. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Inicialmente há que se esclarecer à recorrente, quanto aos débitos informados nas Dcomps, que não há controvérsia acerca da suspensão da sua exigibilidade no curso do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 e do art. 151, III do CTN. A Delegacia de Julgamento bem delimitou o problema nos seguintes termos: (...) Fl. 265DF CARF MF 4 Na DCTF original cancelada foi confessado débito de código 5442 do PA 20/03/2014 no valor de R$ 333.724,76, vinculado a 4 (quatro) pagamentos, cada um deles no valor principal de R$ 83.431,19, acrescido de multa de mora de R$ 275,32, todos com data de arrecadação em 21/03/2014: (...) Prosseguindo na análise das DCTF, temse que, em DCTF retificadora transmitida em 17/07/2015, válida quando da ciência do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) em 10/03/2016, o débito acima referido, de R$ 333.724,76 foi reduzido para R$ 250.293,57 com vinculação a três pagamentos, cada um deles de valor principal R$ 83.431,19, acrescido de multa de mora de R$ 275,32: (...) Em DCTF retificadora ativa transmitida em 11/03/2014 foi excluído débito de código 5442, conforme pesquisa a seguir: (...) Dessa forma, à época da emissão do Despacho Decisório constava na DCTF vigente, após a primeira retificação, o débito de R$ 250.293,57, o qual foi quitado com os 3 Darf´s de valor principal R$ 83.431,19, data de vencimento e PA de 20/03/2014. Como restou evidenciado no Despacho Decisório do processo nº 10880.904878/201687, dos três Darfs localizados com as características indicadas pela requerente na Dcomp, haveria saldo disponível em apenas um deles, no montante de R$275,32, razão da homologação parcial da compensação objeto desse outro processo. Conforme consta no demonstrativo abaixo, extraído do Despacho Decisório do processo nº 10880.904878/201687, dois dos Darfs foram utilizados para quitar o débito de R$250.293,57, constante na 1ª DCTF retificadora relativa a março/2014; e um dos Darfs, utilizado no processo nº 10880.904878/201687, foi parcialmente consumido em outras duas Dcomps para as quais houve a homologação das compensações e não há litígio: Neste ponto, é importante destacar que o fato de as compensações objeto das duas primeiras Dcomps transmitidas (04366.24892.130815. 1.3.048197 e 10876.48210.170915.1.3.042094) terem sido homologadas em Despacho Decisório Eletrônico (DDE), em face da exclusão de um dos Darfs na 1ª retificação da DCTF, não impede a análise das demais Dcomps, as quais, embora se refiram a Darfs com as mesmas características, tratam de situação diferente, para a qual houve retificação de DCTF posterior ao Despacho Decisório (2ª retificação) relativamente ao pagamento informado como indevido. Como dito na decisão recorrida: "instalada a discussão, o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condiciona se à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito". O litígio que remanesce no âmbito do julgamento do presente recurso voluntário é a verificação se a documentação constante nos autos seria suficiente para Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10880.904880/201656 Acórdão n.º 3402006.391 S3C4T2 Fl. 265 5 demonstrar a não incidência da contribuição social (PIS/Cofins importação de serviços) e consequentemente considerar o pagamento como indevido. A interessada acostou à manifestação de inconformidade a Solução de Divergência Cosit nº 11, de 28 de abril de 2011, que veicula, em conclusão, o seguinte entendimento: 13. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo ao autor da representação, que não incidem a Contribuição para o PIS/Pasep Importação e a CofinsImportação sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de Royalties, cessão do direito de uso ou de licença de uso, desde que estes valores estejam discriminados no documento que fundamentar a operação. Neste caso, as contribuições sobre a importação incidirão apenas sobre eventuais valores referentes a serviços conexos contratados. Entretanto, se o documento que lastreia a operação não for suficientemente claro para individualizar o que é serviço e o que é Royalties, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência das mencionadas contribuições. De outra parte, a compensação tributária pressupõe a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado no encontro de contas, nos termos do art. 170 do CTN, e, em se tratando de pedido de reconhecimento de direito creditório (restituição de pagamento indevido), o ônus da prova é da própria requerente, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99, seguindo a regra geral de que quem pleiteia um direito deve também proválo. Não tendo obtido êxito em seu pleito no despacho decisório, pode a contribuinte apresentar a documentação que comprovaria o seu direito juntamente com a manifestação de inconformidade, nos termos delimitados pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/72, aplicável à manifestação de inconformidade por força do art. 74, §11 da Lei nº 9.430/96, providência que adotou acostando aos autos os documentos das fls. 93/120, com as seguintes informações que interessam ao caso: No Contrato de Câmbio, descrevese a natureza do fato como: "Servicos Direitos Autorais Cessao ou uso de programas de computador". Na Invoice nº 2012122, de 31/12/2012, a descrição é dada por: "License and maintenance fee / FSecure products 712/2012". No Contrato de Licença e Distribuição (License and Distribution Agreement), observase que o contrato envolve outros serviços a serem fornecidos pela empresa estrangeira ("FSecure") à recorrente ("Company"), tais como serviços de suporte, manutenção, treinamento e marketing (vide no Contrato"3 FSecure's Duties" e "Schedule 1"). Como se vê, os documentos juntados pela então manifestante demonstram que, além de licença de uso de programas de computador mencionados pela recorrente, o contrato envolve vários outros serviços passíveis de tributação pelas contribuições de PIS/Cofinsimportação. Como já havia concluído o julgador a quo, a então manifestante não logrou êxito em demonstrar os valores que teriam sido pagos exclusivamente a título de licença de uso de programas de computador, além de, em relação à retificação da DCTF efetuada após o Fl. 267DF CARF MF 6 Despacho Decisório, não ter trazido aos autos os documentos contábeis/fiscais acerca do real valor devido da contribuição para o período de apuração, nestes termos: (...) E, no caso, os documentos apresentados, relativos a fatura de licença e taxa de manutenção e do Acordo de Licença e taxa de Manutenção, Conservação (fls. 100/119 do processo 10880.904878/201687 e também constantes dos demais processos), estão em língua inglesa, não traduzidos, e não permitem identificar a discriminação de valores componentes do valor pago a que se reporta a Solução de Divergência. Recordese que a DCTF é instrumento de confissão de dívidas, por expressa disposição legal (§§ 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13/06/1984) e pressupõese que, à época da entrega dessas declarações a contribuinte tenha verificado a ocorrência do fato gerador do tributo e apurado o montante a pagar conforme confessado, declarado e recolhido. Necessário então provar que houve o erro a ser retificado. (...) Reiterese que a entrega da declaração de compensação – instrumento que a partir da edição da MP nº 66, de 2002, passou a integrar a própria essência do instituto da compensação –, não prescinde da necessidade de que o credor da Fazenda Pública possa comprovar a liquidez e certeza do direito de crédito, nos termos do art. 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). No caso em foco, em que o crédito aproveitado em declaração de compensação teria suposta origem em pagamento maior que o apurado e devido, a comprovação da certeza e liquidez do direito atase intimamente à necessária comprovação do erro presente em confissão/declaração prestada à Administração Tributária. Vale destacar que essa exigência está expressa no artigo 147 do Código Tributário Nacional: (...) Acrescentese, acerca da produção de provas, que nos termos dispostos no art. 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (...) Dessa forma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do real valor devido a título da contribuição apurada, bem como acerca dos fatos que ensejaram o pagamento alegadamente não sujeito a incidência da contribuição, para o período de apuração em questão, são indispensáveis para que se comprove a existência do direito creditório indicado em DCOMP. No caso dos autos, como visto acima, verificouse que a interessada procedeu à posterior retificação da declaração DCTF, deixando de apresentar a escrituração contábil e fiscal, bem como toda a documentação que a acoberta bem como que justifique a alegação de não incidência da contribuição. Assim, diante de informações diversas prestadas pela contribuinte a respeito do valor de um débito de determinado período – inclusive mediante retificação da DCTF –, e tendo ela recolhido DARF em montante equivalente ao maior valor declarado em declaração, com efeito de confissão de dívida, válida quando da ciência dos DEE, não é possível atestar a certeza e liquidez de indébito daí decorrente, senão mediante a apresentação da documentação contábil/fiscal, comprovandose efetivamente o valor realmente apurado ou a alegada não incidência. Não discorda a recorrente que teria o ônus de apresentar, com esteio no Parecer Cosit nº 2/2015, a "Comprovação documental do erro de fato demonstrando o crédito como líquido e certo". Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10880.904880/201656 Acórdão n.º 3402006.391 S3C4T2 Fl. 266 7 No entanto, a recorrente não apresentou os documentos contábeis/fiscais que comprovariam o erro na DCTF vigente por ocasião do despacho decisório e a veracidade da 2ª DCTF retificadora, nem tampouco demonstrou a segregação dos valores de royalties remetidos ao exterior das parcelas dos demais serviços prestados pela empresa estrangeira referidos no Contrato de Licença e Distribuição, embora o julgador a quo já tivesse apontado a falta desses documentos para o reconhecimento do direito à restituição/compensação. Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destinasse a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13840.001084/2002-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2002, 31/10/2002
AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO DA RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 01.
Embargos Acolhidos, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para não conhecer o recurso voluntário quanto aos efeitos da decisão do Mandado de Segurança n° 2001.5110001025-0.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2002, 31/10/2002 AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO DA RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 01. Embargos Acolhidos, com efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para não conhecer o recurso voluntário quanto aos efeitos da decisão do Mandado de Segurança n° 2001.5110001025-0. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 592 1 591 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13840.001084/200229 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301005.833 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CONCOMITÂNCIA, SÚMULA CARF N° 1 Embargante ELIANE ARGAMASSAS E REJUNTES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2002, 31/10/2002 AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO DA RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 01. Embargos Acolhidos, com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para não conhecer o recurso voluntário quanto aos efeitos da decisão do Mandado de Segurança n° 2001.51100010250. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 10 84 /2 00 2- 29 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 593 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte, nos termos do art. 65 do RICARF, contra o acórdão nº 3301002.118, de 26 de novembro de 2013, efls. 529545, cuja ementa é a seguinte: DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO. CUMPRIMENTO. LIMITES. A decisão judicial deve ser cumprida dentro dos limites nela determinados, observados seu comando e as normas vigentes à época da interposição petição perante o Poder Judiciário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO PRÓPRIO. CRÉDITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. O pedido de compensação de débito tributário próprio, com crédito financeiro cedido por terceiro, não se converteu em declaração de compensação (Dcomp), para os efeitos previstos na legislação tributária que instituiu essa modalidade de compensação. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexiste amparo legal para se aplicar a homologação tácita aos débitos tributários informados em pedido de compensação que não foram convertidos em declaração de compensação (Dcomp). Recurso Voluntário Negado Sustenta a embargante que houve omissão no acórdão quanto a dois pontos: · O fato de o fisco ter deferido a compensação do crédito de IPI com quaisquer débitos administrados pela SRFB, inovação argumentativa contida no voto vencedor em prejuízo à recorrente; · O conteúdo e alcance da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS nº 2001.51.10.0010250. Confirmação, pelo MM. Juízo da causa, de que a vedação constante da Lei nº 10.637/2002 não se aplica às compensações da embargante. Os Embargos foram admitidos parcialmente pelo Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas (efls. 586588), para que a segunda omissão apontada seja colmatada. A parte admitida foi assim justificada no Despacho: Alega a Embargante que o colegiado não se manifestou quanto ao fato de a coisa julgada produzida no MS nº 2001.51.10.0010250 ter sido pautada no princípio da Fl. 593DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 594 3 Irretroatividade de Lei. Fato que preservaria o direito adquirido da Embargante, em relação à compensação requerida. De fato, no Recurso Voluntário há passagens argumentativas, inclusive com parecer jurídico anexado, acerca da irretroatividade da Lei nº 10.637/2002, quanto à vedação expressa da utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos tributários próprios. Quanto ao tema, o Voto Vencedor, ora embargado, teceu breves comentários quanto a validade da decisão transitada em julgado em relação à alteração legislativa, sem contudo aclarar seus fundamentos em relação à irretroatividade alegada no Recurso Voluntário. Assim se posicionou o Redator: Em dezembro de 2002, após publicado o segundo acórdão (embargos de declaração), e antes mesmo do referido trânsito, a recorrente protocolou o pedido de compensação de seu crédito com débitos de terceiros, documento que deu origem ao presente processo. No entanto, a decisão proferida nos autos nos autos do processo judicial nº 2001.02.01.0313448 não beneficia a recorrente, tendo em vista que o pedido de compensação em discussão foi protocolado em 10/10/2002, data posterior à edição da Medida Provisória (MP) nº 33, de 29 de agosto de 2002, que passou a vedar expressamente a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos tributários próprios. Assim, ao contrário do entendimento da recorrente, inexiste decisão judicial transitada em julgada reconhecendo seu direito à compensação de débitos próprios com crédito financeiro cedido por terceiro. Vêse que, não obstante o colegiado tenha se posicionado no sentido de que a decisão judicial não alcançaria o compensação requerida, resta prudente a manifestação mais contundente acerca da questionada irretroatividade da Lei. Ante o exposto, considerando a tempestividade dos Embargos de Declaração apresentados e que encontramse identificada a pretensa omissão, proponho a Admissibilidade Parcial dos mesmos exclusivamente quanto ao item 2 acima (Omissão quanto ao conteúdo e alcance da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS nº 2001.51.10.0010250. Confirmação, pelo MM. Juízo da causa, de que a vedação constante da Lei nº 10.637/2002 não se aplica às compensações da embargante). Por sua vez, transcrevese o trecho do despacho que inadmitiu os Embargos quanto à outra omissão: Alega a Embargante que o Voto Vencedor do Acórdão Embargado fundamentouse no equivocado entendimento de que o crédito somente poderia ser compensado com o débitos do próprio IPI, fato que, segundo alega não é verídico, representando ainda inovação argumentativa. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 595 4 Não vejo omissão no Acórdão recorrido, nesse pormenor. A fala do Redator do Voto Vencedor não deve ser extraída de seu contexto, pois a afirmação de que a decisão judicial transitada em julga limitou o direito da cedente dos créditos ao aproveitamentos deles somente na compensação de débitos do próprio IPI referese ao MS nº 9800166580, de interesse da empresa cedente, Netriflex, não guardando relação com o MS nº 2001.51.10.00010250 onde houve decisões acerca do afastamento das limitações impostas pela IN SRF nº 41/2000. Portanto, nesse pormenor não vejo omissão do Acórdão embargado em relação às conclusões acerca do MS ao nº 9800166580. Ressalto que, nos termos do § 3º do art. 65 do RICARF, o teor desse despacho é irrecorrível, relativamente à parte inadmitida. Na origem, a empresa Eliane Argamassas e Rejuntes pretendeu, no presente processo, a utilização do crédito tributário adquirido junto à empresa Nitrifiex S/A Indústria e Comércio. A Nitriflex S A Indústria e Comércio transmitiu créditos para a Eliane Argamassas e Rejuntes, com suporte em duas ações judiciais que exponho a seguir. Os créditos da Nitrifiex S/A, utilizados pela Recorrente, se referem a crédito de IPI, decorrente da aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero e/ou isentos, adquiridos no período de julho de 1989 a julho 1998, reconhecidos pelo Poder Judiciário nos autos do MS nº 98.001665800. Esta decisão judicial transitada em julgado limitou o direito da cedente dos créditos, ao aproveitamentos deles somente na compensação de débitos do próprio IPI. Não houve qualquer menção, tanto no pedido formulado judicialmente, como na decisão judicial transitada em julgado, sobre a utilização de tais créditos para compensação com outros débitos tributários da própria impetrante e/ou para compensação com débitos de terceiros mediante cessão. Já no mandado de segurança nº 2001.51.10.00010250, a Nitrifiex S/A pleiteou o afastamento das limitações impostas pela IN SRF nº 41/2000, então vigente, que vedava a compensação de débitos tributários próprios com crédito financeiro cedido por terceiro. A liminar foi negada (março de 2001), tendo sido, em maio do mesmo ano, concedido efeito suspensivo em agravo de instrumento, suspendendo a eficácia da decisão recorrida na parte em que negou a liminar, e deferindoa, autorizando a compensação de créditos da impetrante com débitos de terceiros. Contudo, em junho de 2001, foi proferida sentença extinguindo o processo sem julgamento de mérito e revogando o efeito suspensivo deferido à liminar. Em outubro de 2001, a liminar foi revigorada nos autos do processo judicial nº 2001.02.01.0313448. Em maio de 2002, foi proferido acórdão pelo TRF da 2ª Região, não conhecendo da remessa necessária e dando provimento parcial à apelação para anular a sentença, devolvendo os autos à 1ª instância para apreciação do mérito do pedido. Já em 5 de dezembro de 2002, foi publicado acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região em sede de embargos de declaração interpostos pela impetrante, atribuindo efeitos modificativos ao acórdão anteriormente proferido, para dar provimento ao apelo, invalidando a limitação prevista na IN/SRF nº 41/00 à compensação pretendida pela empresa, com débitos de terceiros. Tal decisão transitou em julgado em 12/09/2003. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 596 5 Em dezembro de 2002, após publicado o segundo acórdão (embargos de declaração), e antes mesmo do referido trânsito, a recorrente protocolou o pedido de compensação de seu crédito com débitos de terceiros, ato que deu origem ao presente processo. De acordo com o despacho da DRF/Nova Iguaçu, as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e crédito de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos ou as declarações apresentadas "antes" do dia 29/08/2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/02. E, como no presente caso, as declarações de compensação foram apresentadas após o advento do art. 49 da Medida Provisória 66/2002, posteriormente convertido no art. 49 da Lei n° 10.637/02, as compensações não puderam ser homologadas. No CARF, o acórdão embargado manteve a vedação à compensação, por entender que o processo judicial não beneficia a recorrente, tendo em vista que o pedido de compensação em discussão foi protocolado em 10/10/2002, data posterior à edição da Medida Provisória, que passou a vedar expressamente a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos tributários próprios. Assim, inexiste decisão judicial transitada em julgada reconhecendo seu direito à compensação de débitos próprios com crédito financeiro cedido por terceiro. E, quanto à homologação tácita dos débitos objetos do pedido de compensação, inexiste amparo legal para o reconhecimento de sua ocorrência. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Conhecese dos presentes Embargos de Declaração, nos termos do r. despacho de admissibilidade do Presidente. Sustenta a Embargante que houve omissão no acórdão, já que não houve pronunciamento expresso quanto ao fato de a coisa julgada produzida no MS 2001.51.10.0010259 ter sido pautada no princípio da irretroatividade de lei. Aduz que o acordão do TRF da 2ª Região é claro nesse sentido: Justificase o provimento do recurso de apelação, diante da irretroatividade da Instrução Normativa, para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que garantem o pleno direito da Embargante de compensar o seu crédito (art. 170 do CTN, arts. 73 a 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentada pela IN/SRF n° 21/97. Para a Eliane Argamassas, a decisão judicial invalidou a norma que vedava a compensação com crédito de terceiros, pouco importando se a mesma norma viria a ser repetida em outros veículos normativos posteriores, inclusive a Lei n° 10.637/2002. Informa que, em 25/03/2014, nos autos do MS n° 2001.51.10.0010250, houve determinação expressa para o imediato cumprimento da coisa julgada que invalidou a Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 597 6 norma proibitiva de compensação com crédito de terceiro, inclusive afastando expressamente a disposição contida na Lei n° 10.637/2002. A manifestação da MM. Juíza consta nas efls. 564: De fato, à época dessa decisão citada acima, 25/03/2014, o provimento judicial fora no sentido de que estava autorizada a compensação com crédito de terceiro. Entretanto, ao consultar a referida ação judicial em trâmites atuais, temse que a União ingressou com ação rescisória, lograndose vencedora. Tratase da ação rescisória de nº 2005.02.01.0071872, com decisão em recurso especial favorável à União, questionando a segurança concedida no MS n° 2001.51100010250. Consta proferida na ação rescisória a seguinte decisão, datada de 18/01/2016: Decisão Tratase de embargos de declaração opostos pela impetrante em face da decisão de fls. 1533/1536, sustentando ter ocorrido omissão às normas processuais dos artigos 125, inciso I, 128 e 473 do CPC, ao argumento de que o Juízo não teria observado os princípios da igualdade e inércia, e que a decisão modificada pela ora impugnada fere decisão já preclusa. Alega, ainda, a existência de contradição, por ter considerado suspensa a exigibilidade do título executivo proferido neste processo em razão do ajuizamento de ação rescisória, já que não houve deferimento de efeito suspensivo pelo TRF. A impetrante aditou sua petição de embargos de declaração às fls. 1598/1601 requerendo que, se não houvesse o cancelamento da decisão ora embargada que, ao menos, houvesse a suspensão da exigência dos créditos de terceiros. Diante dos possíveis efeitos infringentes dos embargos de declaração, foi dada vista à Fazenda Nacional, que sustentou que os embargos não cumprem os requisitos do artigo 535 do Código de Processo Civil, diante da inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. É o relatório. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 598 7 Passo a decidir. Inexiste a omissão a normas processuais apontadas pela impetrante. A notícia da existência de ação rescisória tendo por objeto o título executivo da presente demanda foi trazida aos autos por certidão de servidor da Secretaria do Juízo (fls. 1464/1514), em momento posterior à prolação da decisão de fls. 1458/1459, que deferiu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários da sociedade que se pretende compensar com créditos da impetrante. Tratase, portanto, de fato até então desconhecido por esse Juízo, mas já sabido pelas partes desse feito. Frisese que ambas as partes já se manifestaram nesse processo após o ajuizamento e a apresentação de resposta na ação rescisória, porém não fizeram qualquer menção desse fato. Diante dessa nova situação, que, salientese, já era conhecida pelas partes dessa demanda, esse Juízo cuidou para que o princípio da efetividade da demanda, notadamente a ação rescisória, pudesse ser alcançado. Destaquese que o título executivo proveniente dessa ação permite que o crédito tributário que a impetrante tem para com o Fisco seja repassado a terceiros, que, conforme mesmo aduz a impetrante, são muitos. Além disso, como também já explicitado nesse feito, o cumprimento da aludida decisão é situação complexa e que exige uma série de procedimentos. Logo, na eventual hipótese de desconstituição do título executivo, no mínimo, demandará um lapso temporal razoável para se desfazer o encontro de contas já realizado. Por tudo isso e com escoro no poder geral de cautela, esse Juízo entendeu que a melhor forma de assegurar o princípio da efetividade da ação rescisória seria suspender o cumprimento do acórdão transitado em julgado a fim de que não houvesse prejuízo a qualquer das partes, respeitando, pois, a igualdade entre as partes. Nessa trilha, não se está decidindo para além da lide proposta a uma, porque a lide já restou decidida, havendo, inclusive, o trânsito em julgado; e, a duas, porque a emanação dos influxos do princípio da efetividade da ação rescisória permite que o magistrado, no uso do seu poder geral de cautela, adote as medidas que entenda necessárias para salvaguardar o resultado útil do processo, sob pena de a demanda restar decidida e aquele que tiver seus interesses acolhidos não conseguir executála. Cabe ainda ponderar que não se está a discutir questão já preclusa nesse feito, visto que, como dito, é matéria nova ao menos para esse Juízo e nesse feito. Por tudo isso, não há que se falar em omissão às normas processuais em foco. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 599 8 Com relação à contradição alegada, embora o egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região não tenha conferido efeito suspensivo à ação rescisória, não resta dúvida de que o Tribunal já assentou, no julgamento da apelação nº 2011.51.20.0011037, que a decisão do STJ que anulou o julgamento da rescisória “já restou reconhecida a nulidade do título [...] em razão da aplicação da teoria da causa madura em face de sentença terminativa e antes da vigência da Lei nº 10.352/01, que acrescentou o §3º ao art. 515 do CPC” (fl. 1529). Ademais, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região assentou que não há ofensa ao artigo 489 do Código de Processo Civil mesmo sem a concessão do efeito suspensivo prevista no referido dispositivo, visto que a decisão do Superior Tribunal de Justiça é mais que provimento precário, é julgamento de mérito de instância superior. Nem se alegue que a referida apelação nº 2011.51.20.0011037 não tem relação com a presente demanda, pois se trata de apelação em mandado de segurança no qual a impetrante daqueles autos pretende compensar seus débitos com créditos tributários da NITRIFLEX, tendo como causa de pedir o direito reconhecido no presente mandado de segurança. Por outro lado, deve ser reconhecida a contradição apontada pela embargante quando sustenta que, a despeito do estado de incerteza quanto à manutenção do título existente nesse feito, há, ainda, coisa julgada que, também, emite os seus efeitos. De fato, enquanto não julgada definitivamente a ação rescisória, o título executivo subsiste, até que seja confirmada ou não sua eventual rescisão, emitindo, portanto, efeitos. Entretanto, não resta dúvida que a existência da ação rescisória põe em questão a certeza da coisa julgada produzida anteriormente, devendo ser analisados com cautela os efeitos do imediato cumprimento da sentença. Como dito, na hipótese dos autos, a execução imediata do título executivo permite a compensação de créditos da impetrante com débitos de outras sociedades empresariais. Caso cumprido imediatamente, eventual rescisão do julgado causaria, no mínimo, enorme transtorno e lapso temporal, haja vista que a Receita Federal do Brasil teria que rever um incalculável número de processos administrativos de compensação. Assim, forte no poder geral de cautela supra referido, nos termos do artigo 798 do Código de Processo Civil, entendo que deve ficar suspensa a exigibilidade da coisa julgada produzida nos presentes autos até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode Fl. 599DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 600 9 tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros, respeitando, assim, a igualdade entre as partes. Diante do exposto, CONHEÇO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E A ELES DOU PARCIAL PROVIMENTO para alterar a parte final da decisão de fls. 1533/1536, a partir de fl. 1536, que passa a constar com a seguinte redação: “Ademais, considerando a existência de ação rescisória a colocar em cheque a certeza do título executivo produzido nos presentes autos, não se pode realizar o cumprimento imediato do que restou decidido nesse processo. Por outro lado, tendo sido reconhecido o direito da impetrante em promover a compensação de seus créditos com débitos de terceiros, a coisa julgada produz efeitos, ao menos até o julgamento final da ação rescisória. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros. Dessa forma: TORNO SEM EFEITO a decisão de fls. 1363/1365, a fim de não mais impor à Administração o cumprimento imediato do acórdão prolatado neste feito; MANTENHO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE dos créditos tributários constantes dos Processos Administrativos 10880.720940/200616 e 10880.721107/200684; OFICIESE à 5ª Vara Federal de São João de Meriti, para ciência desta decisão e eventuais providências cabíveis; SUSPENDASE o presente mandado de segurança até julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872.” OFICIESE com a máxima urgência a Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu, bem como a Procuradoria da Fazenda de Nova Iguaçu, para ciência das modificações aqui produzidas. Publiquese. Intimemse. São João de Meriti, 18 de janeiro de 2016. VANESSA SIMIONE PINOTTI Juíza Federal Substituta 1ª Vara Federal de Execução Fiscal de São João de Meriti Diante disso, há a suspensão dos efeitos da coisa julgada no tocante à administração tributária não ser compelida ao cumprimento do acórdão até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Logo, a matéria deste processo administrativo está posta na via judicial, motivo pelo qual devese declarar a concomitância, nos termos da Súmula CARF nº 01. Nesse sentido, cito acordão recente do CARF, 3302006.243, de titularidade da mesma Recorrente, tendo como objeto as mesmas compensações, relatado pelo Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede (julgado em 28/11/2018): CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301005.833 S3C3T1 Fl. 601 10 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para não conhecer o recurso voluntário quanto aos efeitos da decisão do Mandado de Segurança n° 2001.51100010250. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 601DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721201/2013-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora promova a intimação do contribuinte para demonstrar detalhadamente qual a natureza da conta 7.1.9.00.00.5 (outras receitas operacionais), elaborando a fiscalização relatório conclusivo sobre eventual afetação da base de cálculo em função da diligência, concedendo-se 30 dias para manifestação da recorrente. Vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (relatora) e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que votaram por dar parcial provimento ao recurso, para excluir da apuração as receitas registradas na rubrica "Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora promova a intimação do contribuinte para demonstrar detalhadamente qual a natureza da conta 7.1.9.00.00.5 (outras receitas operacionais), elaborando a fiscalização relatório conclusivo sobre eventual afetação da base de cálculo em função da diligência, concedendo-se 30 dias para manifestação da recorrente. Vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (relatora) e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que votaram por dar parcial provimento ao recurso, para excluir da apuração as receitas registradas na rubrica "Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora promova a intimação do contribuinte para demonstrar detalhadamente qual a natureza da conta 7.1.9.00.00.5 (outras receitas operacionais), elaborando a fiscalização relatório conclusivo sobre eventual afetação da base de cálculo em função da diligência, concedendose 30 dias para manifestação da recorrente. Vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (relatora) e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que votaram por dar parcial provimento ao recurso, para excluir da apuração as receitas registradas na rubrica "Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 20 1/ 20 13 -2 4 Fl. 808DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 257 2 Relatório Tratase de lançamento de PIS/Pasep e Cofins, período janeiro/2009 a dezembro/2010, para exigência das receitas típicas da atividade exercida pelo contribuinte. Narra a fiscalização que o contribuinte ingressou com dois mandados de segurança (2005.61.00027.6612 e 2005.61.00.0276624) para discutir a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e seus efeitos sobre o PIS/Pasep e Cofins, obtendo, em ambas, decisão favorável, ainda pendente de trânsito em julgado, para não se sujeitar ao dispositivo em comento. No entanto, só foram oferecidas à tributação as rendas de prestação de serviços, quando a base de cálculo correta, à luz da legislação de regência, com o afastamento da Lei nº 9.718/98, englobaria a totalidade da remuneração resultante do exercício de suas atividades (cobrança de tarifas e intermediação financeira). A impugnação, após abordar a situação das ações judiciais, asseverou que a hipótese do lançamento se enquadraria no art. 63 da Lei nº 9.430/96 e, em seguida, que houve violação à coisa julgada; que o faturamento, segundo as decisões judiciais vigentes, alcançariam somente as receitas da venda de mercadorias e prestação de serviços; que, no caso do PIS/Pasep, segundo os arts. 1º e 3º da LC 07/70, a base de cálculo seria o valor do IRPJ devido no exercício, e, que no conceito de faturamento definido pelo STF estão excluídas as receitas financeiras. A DRJ Porto Alegre/RS julgou a impugnação improcedente: “PIS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência da contribuição sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência da contribuição sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Constatado que os presentes lançamentos não se encontram com a sua exigibilidade suspensa, não são aplicáveis ao caso as disposições contidas no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, devendo ser mantida a multa de ofício lançada por expressa previsão legal.” O recurso voluntário sustentou contradição entre os entendimentos da fiscalização e da DRJ/POA em relação à argumentação da PFN em juízo; que ouve violação à Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 258 3 coisa julgada, que lhe garantiu a incidência das contribuições tãosomente sobre as receitas advindas da prestação de serviços, vendas de mercadorias ou combinação de ambos, citando doutrina e jurisprudência; que as receitas financeiras não se incluem na base de cálculo das contribuições; que o STF equiparou faturamento a receita bruta e não à receita operacional; que houve indevida inclusão de receitas de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), expressamente dedutível da apuração, consoante art. 22, VII do Decreto nº 4.524/02; que a receita bruta foi equiparada às receitas da atividade somente com o advento da MP 627/2013, não podendo ser aplicada retroativamente; e, que descabe a multa de ofício imposta, ante as disposições dos art. 63 da Lei nº 9.430/96. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão nº 3401002918, julgado em 25/02/2015, por maioria de votos, vencidos os Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator) e Robson José Bayerl, reconheceu a concomitância e afastou a multa de ofício aplicada: “COFINS. CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF N. 001. A identidade entre o objeto do auto de infração e o objeto da ação judicial configura concomitância, aplicandose ao caso o disposto na Súmula CARF n. 001, impondo não se conhecer do recurso voluntário. EQUIPARAÇÃO DA ATIVIDADE DE ‘INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA’ DE BANCOS A SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE A atividade bancária típica, consistente no empréstimo a juros de recursos captados de depositantes, não consistindo numa obrigação de fazer, não corresponde a um serviço prestado. PIS. CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF N. 001. A identidade entre o objeto do auto de infração e o objeto da ação judicial configura concomitância, aplicandose ao caso o disposto na Súmula CARF n. 001, impondo não se conhecer do recurso voluntário. EQUIPARAÇÃO DA ATIVIDADE DE ‘INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA’ DE BANCOS A SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE A atividade bancária típica, consistente no empréstimo a juros de recursos captados de depositantes, não consistindo numa obrigação de fazer, não corresponde a um serviço prestado. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Constatado que os presentes lançamentos se encontram com a sua exigibilidade suspensa, são aplicáveis ao caso as disposições contidas no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, devendo, por expressa previsão legal, não ser mantida a multa de ofício lançada.” Em que pese a redação da ementa, o colegiado apenas reconheceu a concomitância e o afastamento da multa, segundo o dispositivo do julgado: “Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a concomitância e afastar a multa de ofício lançada. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o acórdão.” Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 259 4 A Fazenda Nacional interpôs recurso especial e a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, por sua 3ª Turma, reverteu a decisão reclamada, reconhecendo a inexistência de concomitância e devolvendo o feito para decisão sobre o meritum causae, como se extrai do Acórdão nº 9303005.470, de 27/07/2017: “PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Não sendo idênticos os objetos, não há como reconhecer configurada a concomitância entre os processos judiciais e administrativos. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA NÃO RECONHECIDA. Não reconhecida a concomitância entre os processos judicial e administrativo pelo Colegiado ad quem, devem os autos retornar ao Colegiado a quo para que aprecie o mérito do litígio.” É o relatório. Voto Vencido Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. A aferição dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário já foi, a seu tempo, realizada. Inicialmente cumpre aclarar que as alegações de violação à coisa julgada ou o alcance das decisões proferidas nos MS 2005.61.00027.6612 e 2005.61.00.0276624 na apuração do PIS/Pasep e Cofins, sob discussão, não serão novamente enfrentadas, em virtude do exaurimento do contencioso administrativo a seu respeito, por serem essas matérias decisão administrativa irreformável, uma vez reconhecida a não coincidência dos objetos da ação judicial e do processo administrativo. Assim resta a esse julgamento a incidência do PIS/Pasep e Cofins sobre as receitas oriundas do exercício das atividades típicas do objeto social da pessoa jurídica, e o cabimento da multa de ofício sobre os valores lançados. Por ocasião da prolação do Acórdão 3401002.918, o relator à época, Cons. Eloy Eros, votou pelo parcial provimento do recurso, apenas para excluir as rendas provenientes de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), consignando as razões do seu voto da seguinte maneira: “Sobre as receitas de intermediação financeira serem parte da base de tributação do PIS e da COFINS: A autoridade fiscal estabelece as razões para os lançamentos a partir da constatação de que a contribuinte não inclui na base de cálculo dessas contribuições as receitas referentes às seguintes contas: ∙Rendas de operações de créditos; ∙Rendas de câmbio; ∙Rendas de aplicação interfinanceira de liquidez; ∙Rendas de titulo de renda fixa; Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 260 5 ∙Rendas de Participações; ∙Outras receitas operacionais; Consoante o que informa em seu termo, para a autoridade lançadora: (a) as receitas registradas nessas contas são provenientes de atividade central da contribuinte e elas não foram excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998; (b) que a contribuinte é uma instituição financeira e apenas presta serviços que abarcam os denominados serviços bancários e as denominadas intermediações financeiras de modo que as receitas de prestação de serviços abrangeria as receitas dos serviços bancário, por exemplo, pela cobrança de tarifas, e também as receitas advindas das operações bancárias cita o Parecer PGFN CAT n. 2.773/2007; ( c) e que as ações judiciais ingressadas pelo contribuinte não decidem em contrário a esse entendimento. A contribuinte se posiciona em contrário. Segundo sua impugnação e seu recurso nestes autos, para ela, as receitas de intermediação financeira estariam abarcadas pela tentativa de alargamento da base de cálculo dessas contribuições através do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718 de 1998, e que foi considerado inconstitucional pelo STF. De fato, à mais Alta Corte continuam sendo encaminhados pedidos para os Ministros profiram decisões para esclarecer o alcance daquela declaração de inconstitucionalidade e esclarecer o que compõe a base de cálculo dessas contribuições, e pedidos para que eles profiram novas decisões sobre esses tópicos para situações ou fatos aparentemente por ela não alcançados. Este é o caso, a meu ver, do RE 609.096/RS, que aguarda apreciação pelos Ministros e se refere à definição de quais são as receitas auferidas por instituições financeiras que devem sofrer a incidência dessas contribuições. Após ler e analisar várias decisões proferidas pelo STF, e as transcrições de alguns dos diálogos entre os Ministros nesses julgamentos, se referindo à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, e sobre a definição da base de cálculo do PIS e da COFINS, tais como, por exemplo, na ADCon n. 011/DF, RE 390.8405/MG, RE 346.084/PR, RE 150.755, e outros, tenho o entendimento e convicção que o STF considerou inconstitucional aquele § acima citado no que ele pretendia ampliar o conceito de receita bruta para alcançar a totalidade das receitas ganhas pelo contribuinte por exemplo: juntando as receitas operacionais e as não operacionais ; e que para os Ministros haveria uma sinonímia entre receita bruta e faturamento. E que o alargamento da base de cálculo implicaria em nela incluir as demais receitas que não são decorrentes das atividades empresariais, das suas atividades operacionais correntes, e que isso não seria admissível na forma como foi feito, por isso sua invalidação pelo STF. Como exemplo, eles citam as receitas de alugueis, royalties, ingressos financeiros, juros e outras, que não seria derivadas das atividades típicas da pessoa jurídica, mas seriam receitas eventuais, que não corresponderiam ao seu negócio ou objeto social. Senhores Conselheiros, deixo de reproduzir os trechos dos diálogos dos Ministros do STF e das decisões por ele proferidas a que me refiro, Fl. 812DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 261 6 por saber serem eles de vosso pleno conhecimento, e também para não estender este voto para além do necessário. Mas, não se pode ter dúvida que, até o momento, para as instituições financeiras, as receitas de intermediação financeira não foram positiva e inequivocamente excluídas do campo de incidência do PIS e da COFINS pelas Mais Elevadas Cortes. E repito, concorre para essa certeza o fato de termos o RE 609.096/RS aguardando oportunidade para proporcionar essa tsunâmica pacificação. Portanto, não pode prosperar a afirmação da recorrente que a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, definiu que as receitas de intermediação financeira auferidas pelas instituições financeiras estariam excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS. As instituições financeiras têm como atividades centrais a captação, a intermediação e a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e também a custódia de valores de propriedade de terceiros. Essas atividades são regulamentadas e supervisionadas pelo Estado, e são desenvolvidas por agentes especialistas. Essa especialidade é uma competência que proporciona ao conjunto das instituições financeiras aptidão para compor um sistema financeiro integrado e nacional. Esses serviços especializados devem ser valorizados. Nesse âmbito, as instituições financeiras são remuneradas pelos seus serviços de intermediação. O mais evidente critério de remuneração está na diferença entre o que ele cobra para emprestar recurso financeiro a terceiro e o que ele paga para captar recurso financeiro. As atividades bancárias são, de fato, serviços que são prestados, e eles incluem os serviços de intermediação financeira. Esta visão está compatível com a estabelecida em acordo internacional, ou seja, com o entendimento das nações, das instituições internacionais, dos entes especialistas de inúmeros países: o Anexo V do GATT (Rodada de Uruguai) com o Acordo Geral de Comércio e Serviços reconhecem e estabelecem que as atividades bancárias são, em sua natureza, serviços prestados a seus clientes, à sociedade. De modo que pareceme correto o entendimento da autuação e dos julgadores a quo que as receitas de serviços de intermediação financeira compõem a totalidade das receitas da instituição bancária no cumprimento de seu negócio, de suas atividades típicas, e que elas estão abrangidas nas definições da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ademais, também creio congruente a equivalência entre a totalidade das receitas de prestação de serviços (incluindo os de intermediação) com o conceito de receita operacional, na medida que todos os serviços em questão constituem as operações da pessoa jurídica na realização de seu propósito e objeto social. (...) Nessas ponderações abro espaço para expressar minha concordância com a recorrente de que não cabe incluir na base de calculo das contribuições as rendas provenientes de participação (COSIF Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 262 7 7.1.8.00.00.2), pois elas estão excluídas conforme dispõe o inciso VII do art. 22 do Decreto n. 4.524, de 2002. Contudo, com relação às outras alegações da recorrente, entendo que elas não procedem, razão porque proponho a este Alto Colegiado seja negado provimento ao recurso voluntário. Tendo em vista essas considerações, proponho não seja aplicada a Súmula CARF n. 1 e seja dado parcial provimento ao recurso voluntário, para apenas excluir da base de calculo das contribuições as rendas provenientes de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), pois elas estão excluídas conforme dispõe o inciso VII do art. 22 do Decreto n. 4.524, de 2002.” (grifos no original) Também no julgamento do Acórdão nº 3401002.873, de 29/01/2015, o relator Conselheiro Robson Bayerl expôs que, afastada a equiparação de faturamento à totalidade das receitas, como impunha o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, reputado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, restaria incólume a dicção do caput, consoante o qual o faturamento corresponderia à receita bruta da pessoa jurídica. Com isso restaria afastada a pretensão do recorrente na impugnação, já que foi rechaçada pela decisão de primeira instância administrativa, onde defendeu que a decisão judicial lhe garantiria o cálculo do PIS/Pasep sobre o IRPJ devido no respectivo exercício, com fulcro nos arts. 1º a 3º da Lei Complementar nº 07/70 (PISRepique), isso porque a inconstitucionalidade é parcial e não alcançou a base de cálculo das contribuições, que continua a ser a receita bruta da pessoa jurídica. Quanto a alegação, em recurso voluntário, relativa ao limite objetivo da coisa julgada, formulada pela DRJ, onde defendeu o recorrente que, nos termos do art. 469, I (CPC/73), a coisa julgada somente alcançaria a parte dispositiva da sentença, mas não a sua fundamentação, entendo que não deve ser acolhida. Nas razões de decidir, o magistrado afastou a possibilidade de apuração da contribuição na modalidade PISRepique, de modo que a parte dispositiva deve ser interpretada em consonância com a exposição de raciocínio da decisão, o que aliás restou citado pelo próprio recorrente, em recurso voluntário, no seguinte fragmento do AI 33198/SP, TRF – 3ª Região: “(...) 4. A coisa julgada é a conclusão do raciocínio do juiz, expressa no dispositivo da sentença. Somente o dispositivo faz coisa julgada. A fundamentação, composta pelos motivos de fato e de direito, bem como a verdade dos fatos estabelecida como premissa para o julgamento, não é atingida pelo coisa julgada material, ainda que determinante e imprescindível para demonstrarse o conteúdo da parte dispositiva da sentença. (...)” (destacado) A título de esclarecimento, o trecho do voto condutor da decisão de primeiro grau acerca do tema é o seguinte: “O contribuinte afirma que a sentença proferida nos autos do mandado de segurança do PIS teria assegurado o direito de o impugnante Fl. 814DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 263 8 calcular seu valor com fundamento na LC nº 7/70 mediante a aplicação da alíquota de 5% sobre o imposto de renda devido no exercício. Porém, não assiste razão ao contribuinte, uma vez que a decisão judicial de 1ª instância afastou expressamente ‘a antiga sistemática do PIS Repique, prevista na Lei Complementar nº 7/70’. Prosseguindo, ainda, lêse que: ‘as regras previstas na Lei n.° 9.701/98 encontramse vigentes e eficazes, não sendo lícito retomar o regime jurídico previsto na Lei Complementar n.° 07/70’. Muito embora tenha constado do dispositivo a referência à LC 07/70, o texto da decisão ajuda a esclarecer que se está tratando da apuração da base de cálculo, que encontravase sob litígio. Não consta tenha sido apreciada a apelação interposta.” O TRF 3ª Região, inclusive, no exame das apelações interpostas e remessa necessária no MS 2005.61.00027.6612, reverteu a decisão que, em tese, amparava a pretensão do ora recorrente, de apurar o PIS sobre o IRPJ devido, nos moldes da LC 07/70, como se verifica do acórdão juntado à efl. 704: TRIBUTÁRIO PIS INSTITUIÇÃO FINANCEIRA BASE DE CÁLCULO EC 01/94, 10/96 E 17/97 MP 517/94 E REEDIÇÕES ATÉ CONVERSÃO NA LEI 9.701/98 CONSTITUCIONALIDADE (DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA IMPETRADA). 1. O artigo 14, § 1º, da Lei n. 12.016/2009 prevalece sobre a disciplina genérica do Código de Processo Civil (CPC, art. 475 e art. 2º, § 2º, da LICC). Reexame necessário tido por interposto. 2. O Órgão Especial desta E. Corte, adotando precedentes da Suprema Corte (RE 595.673, RE 495.724, RE 322.806 e AI 440.336), concluiu pela constitucionalidade das Emendas Constitucionais nº 10/96 e 17/97. 3. Com relação à Medida Provisória 517/94 e reedições, até a conversão na Lei 9.701/98, o Supremo Tribunal Federal as considerou constitucionais no julgamento do RE 346.983/RJ. 4. No tocante à aplicação da Lei 9.718/98 às instituições financeiras, a Suprema Corte manteve incólume o caput do artigo 3º, nos termos do RE 357.950. 5. Remessa oficial e apelação da União providas para denegar a segurança impetrada; apelação do impetrante prejudicada. Relativamente à Cofins, a Lei Complementar nº 70/91, art. 2º, caput, definia receita bruta como o resultado das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Também a Lei nº 9.715/98, que disciplinava o PIS/Pasep, ainda que não aplicável o seu regime tributário às instituições financeiras, por força de seu art. 12, não divergia quanto ao conceito de faturamento, qualificandoo, em seu art. 3º, como a receita bruta, tal qual definida na legislação do Imposto de Renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 264 9 Da mesma forma a legislação do IRPJ, nos termos dos arts. 224 e 279 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) – arts. 44 da Lei nº 4.506/64 e 12 do DecretoLei nº 1.598/77. Já a Lei nº 9.701/98, dispunha no mesmo sentido, pois, em seu artigo primeiro, estabelecia que a apuração do PIS/Pasep para instituições financeiras se daria sobre a receita operacional bruta do mês, com os abatimentos listados: “Art.1o Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: (...)” (grifado) Seja como for, não se pode inferir, que a declaração de inconstitucionalidade tenha repelido a acepção de faturamento como equivalente ao resultado da atividade operacional do sujeito passivo, como defende o recorrente. Essa conclusão se assenta nas razões de decidir expostas nos Recursos Extraordinários 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, que, mesmo declarando incidentalmente a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, estabeleceram, na linha da jurisprudência do STF, que as expressões “faturamento” e “receita bruta” englobariam o somatório das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial, como se extrai do voto condutor do RE 390.840, Ministro Marco Aurélio: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (sublinhado) Reafirmando essa posição jurisprudencial, posteriormente o Supremo Tribunal Federal fixou que a expressão “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços” corresponderia à soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, como registrado nos Recursos Extraordinários nºs 371.258/SP e 400.479/RJ, este último trata de pessoa jurídica do ramo financeiro, cuja seguinte passagem reproduzo: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 265 10 Merece remissão, também, manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF acerca do tema (Acórdão 9303002.994, de 03/06/2014), que, em caso assemelhado, concluiu corresponder o faturamento à receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica, cuja ementa encontrase nos seguintes termos: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.” (destacado) No mesmo sentido, os seguintes arestos: “INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO E RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART.3º DA LEI 9.718/989. COISA JULGADA. POSSIBILIDADE DE GLOSA. O reconhecimento, por intermédio de decisão judicial transitada em julgado, em favor de instituição financeira quanto à inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não inibe a fiscalização de, diante do caso em concreto, glosar créditos que não se enquadrem no conceito de receitas financeiras e, em verdade, configurem valores decorrentes de serviços prestados por tais instituições. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE585.235 1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS.As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas,nos termos do RE 585.2351/MG.” (Acórdão 3402004.434, de 26/09/2017) Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 266 11 “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1° do caput do artigo 3° da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO.RECEITA BRUTA OPERACIONAL. RECEITA DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. INCLUSÃO. A base de cálculo da contribuição apurada pelas instituições financeiras é a receita bruta operacional, conforme definição da legislação do Imposto de Renda,incluindo todas as receitas oriundas de sua atividadefim.” (Acórdão nº 9303003.393, de 25/01/2016). Diante deste contexto, a possibilidade de exclusão do faturamento das demais receitas advindas das atividades componentes do objeto social da pessoa jurídica, em especial as denominadas “receitas financeiras” (intermediação financeira), para o caso de instituições bancárias, só pode ocorrer se houver decisão expressa neste sentido, em obediência aos arts. 460 e 469 do Código de Processo Civil, como restou consignado no REsp 1.446.420/RS: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. LIMITES DA COISA JULGADA EM PROCESSO ONDE FOI DISCUTIDO O CONCEITO DE FATURAMENTO PARA AS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS, NA FORMA DO ART. 3º, §1º DA LEI N. 9.718/98. TRIBUTOS CORRESPONDENTES AO FATURAMENTO PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: ‘É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia’. 2. Para a verificação dos limites da coisa julgada nas ações onde se discutiu o alargamento do conceito de faturamento estabelecido pelo art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718/98 para as contribuições ao PIS e COFINS é preciso cotejar o pedido efetuado na inicial e o comando final dado na sentença ou no acórdão transitado em julgado. 3. Se a sentença ou acórdão transitados em julgado dão provimento ao pedido do contribuinte e não fazem qualquer ressalva a respeito, é de se interpretar que o pedido feito na inicial tenha sido de todo atendido, desimportando o posterior posicionamento da jurisprudência dos tribunais no que diz respeito às receitas financeiras e às receitas Fl. 818DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 267 12 provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, se houve quanto a estas rubricas pedido expresso feito na inicial. 4. Se não houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas financeiras e às receitas provenientes de aluguel, é de se presumir que não haja coisa julgada quanto ao ponto, pois, consoante o art. 293, do CPC, os pedidos são interpretados restritivamente. 5. No presente caso, a Corte de Origem estabeleceu o pressuposto fático de que houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas provenientes de aluguel, tendo sido dado provimento ao pedido, sem qualquer ressalva. 6. Partindose desse fato, a consequência lógica é a de que houve coisa julgada a favor do contribuinte abrangendo as receitas provenientes de aluguel, não podendo o Fisco cobrar as exações de PIS e COFINS sobre tais receitas, ainda que a jurisprudência posterior a permita. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.” (destaques no original) Para melhor compreensão do raciocínio indutor do acórdão prolatado, transcrevo parte do voto condutor: “Não são poucos os recursos especiais que chegam a esta Casa discutindo os limites das ações já transitadas em julgado onde se discutiu o alargamento do conceito de faturamento estabelecido pelo art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718/98 para as contribuições ao PIS e COFINS. Ocorre que em quase todas essas ações as sentenças e os acórdãos transitados em julgado acolhem a alegação de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal e sustentam restringirse o conceito de faturamento àquele adotado pelo STF nos Recursos Extraordinários nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, sessão de 9/11/2005, e que culminou no julgamento em repercussão geral do RE n. 585.235/MG, em 10/09/2008, (‘receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza) sem discriminar explicitamente, para o caso concreto, quais as receitas da empresa em questão que se compreendem no bojo do julgado. O tema se tornou mais dificultoso à medida em que o próprio STF, posteriormente, no julgamento do RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 03.10.2006) e do RE n. 400.479 8/RJ (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 10.10.2006) afirmou que o conceito compreende ‘a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’, abrangendo, indubitavelmente, as receitas financeiras e as receitas provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, o que estimulou o Fisco Federal a cobrar tais diferenças, inclusive com base na jurisprudência do próprio STJ sumulada no enunciado n. 423 (a este respeito ver: AgRg no Ag n. 1.420.729/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 27.03.2012; REsp. n. 1.210.655 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. p/acórdão Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 26.04.2011; AgRg no REsp. n. 1.238.892 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 03.05.2012). Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 268 13 Nessa toada, a compreensão do que transitado em julgado em cada processo passa pelo cotejo a ser realizado entre o pedido efetuado na inicial e o comando final dado na sentença ou no acórdão transitado em julgado. Se a sentença ou acórdão transitados em julgado dão provimento ao pedido do contribuinte e não fazem qualquer ressalva a respeito, é de se interpretar que o pedido feito na inicial tenha sido de todo atendido, desimportando o posterior posicionamento do STF no que diz respeito às receitas financeiras e às receitas provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, se houve quanto a estas rubricas pedido expresso feito na inicial. Se não houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas financeiras e às receitas provenientes de aluguel, é de se presumir que não haja coisa julgada quanto ao ponto, pois, consoante o art. 293, do CPC, os pedidos são interpretados restritivamente.” (destaques no original) Ainda sob a égide da Lei Complementar nº 70/91, faturamento já equivalia à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, assim compreendido o somatório das receitas operacionais da pessoa jurídica, na esteira de reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS. INCIDÊNCIA. RES SPERATA . CONTRATOS DE DEREITO DE RESERVA DE ÁREA COMERCIAL PARA INSTALAÇÃO DE LOJA. RECEITAS QUE INTEGRAM O FATURAMENTO EMPRESARIAL. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Esta Corte tem entendido que as receitas decorrentes de atividade de comercialização, administração, incorporação, permuta, locação de bens imóveis sujeitamse à incidência da COFINS, por integrarem esses valores o faturamento da empresa, compreendido como o resultado econômico da atividade empresarial exercida. 2. Nos termos do art. 2º da Lei Complementar n. 70/91 ‘a contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza’ (grifo nosso) 3. Com efeito, tendo a Corte de origem entendido, com base no contexto fático dos autos que a receita auferida dos contratos de res sperata possui natureza decorrente da atividade empresarial e se subsume à determinação prevista no art. 2º da Lei Complementar n. 70/91, entendimento diverso demandaria a análise do contexto fático dos autos, impossível nesta Corte ante o óbice da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido.” (AgRgAGREsp 367.055/RJ) (grifado) “TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PIS E COFINS. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. As ações ajuizadas, a partir de 09 de junho de 2005, para a repetição do indébito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação têm o Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 269 14 respectivo prazo prescricional de cinco anos contados do pagamento antecipado (CTN, art. 150, § 1º). A Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incidem sobre as receitas provenientes de locação de bens imóveis, aplicandose, por analogia, a Súmula nº 423 do Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental interposto pela União provido e agravo regimental interposto por Rowan Consultoria e Planejamento Ltda. desprovido.” (AgRgREsp 1.232.330/PR) “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA NA RECEITA PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ENCONTRA EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO DA 1A. SEÇÃO DESTE STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS EM 10% DO VALOR DA CAUSA. ART. 20, § 4o. DO CPC. MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ARBITRAMENTO DA VERBA HONORÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA ADMINISTRADORA VALENTE HYCZY LTDA. DESPROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que a receita proveniente da locação de imóveis próprios sujeitase à incidência do PIS e da COFINS (Súmula 423/STJ). 2. Outrossim, é pacífica a jurisprudência de que não é possível a modificação dos critérios de fixação dos valores relativos aos honorários advocatícios, visto que estes normalmente derivam da ponderação de aspectos fáticos, insuscetíveis de reapreciação em sede de Recurso Especial, por incidência do enunciado 7 da Súmula desta Corte, salvo quando resultarem em valores flagrantemente irrisórios ou manifestamente exorbitantes, o que não se verifica na hipótese destes autos. 3. Agravo Regimental desprovido.” (AgRgREsp 1.318.183/PR) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. INCLUSÃO DAS RECEITAS OBTIDAS COM A LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS EM SUAS BASES DE CÁLCULO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 929.521/SP E SÚMULA 423/STJ. 1. A Primeira Seção, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC), estabeleceu que as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis caracterizamse como faturamento, razão pela qual integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedente: Recurso representativo da controvérsia: 1ª. Seção, Edcl no REsp. 929.521/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 12.05.2010. 2. Quanto à COFINS foi editada, por esta Corte, a Súmula 423, que assim dispõe: ‘a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis’. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 270 15 3. ‘[S]e no agravo regimental a parte insiste apenas na tese de mérito já consolidada no julgamento submetido à sistemática do art. 543C do CPC, é certo que o recurso não lhe trará nenhum proveito do ponto de vista prático, pois, em tal hipótese, já se sabe previamente a solução que será dada ao caso pelo colegiado" (Questão de Ordem no AgRg no REsp 1.025.220/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, julgada em 25/3/2009). 4. Agravo regimental não provido, com aplicação de multa no percentual de 1% (um por cento) do valor da causa, com espeque no artigo 557, § 2º, do CPC.” (AgRgREsp 1.346.884/RS) Imperioso notar que sobre as receitas de locação de bens móveis e imóveis pendia discussão semelhante, pois se defendia que tais verbas não sofreriam a incidência da Cofins, por não se originarem da venda de mercadorias e tampouco caracterizar tal atividade como prestação de serviços, mostrandose conveniente apresentar o posicionamento manifestado no REsp 929.521/SP, julgado sob a sistemática do recurso repetitivo, previsto no art. 543C do Código de Processo Civil: “Subjaz a controvérsia atinente à incidência de COFINS sobre as receitas auferidas com as operações de locação de bens móveis. A jurisprudência consolidada nas Turmas de Direito Público é no sentido de que a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que integram o faturamento, entendido como o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial. Nesse diapasão, confiramse as ementas dos seguintes julgados desta Corte: (...) Destarte, ‘a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com as operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição’ (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). Outrossim, impende destacar que a conjugação dos entendimentos perfilhados pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG e 346.084 6/PR (inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, o que importou na definição de faturamento mensal/receita bruta como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa, dada pela Lei Complementar 70/91) e do Recurso Extraordinário nº 116.121/SP (inconstitucionalidade da incidência do ISS sobre o contrato de Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 271 16 locação de bem móvel, por não configurar prestação de serviços) não conduz à superação da aludida jurisprudência do STJ. É que: ‘o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’ (RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa.” (destacado) Sua ementa está assim redigida: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que ‘o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’ (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Dje 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Dje 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 272 17 4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é passível de apreciação em sede de recurso especial. 6. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados obsta o conhecimento do recurso especial pela alínea "c", do permissivo constitucional. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Proposição de verbete sumular.” (destaques no original) Como se extrai do julgado em destaque, mesmo a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não afetou a jurisprudência dominante do STJ, consoante a qual faturamento e receita bruta são expressões equivalentes, “uma vez que o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Consequentemente, o somatório das receitas oriundas das atividades típicas da recorrente, instituição financeira, incluem, não só as tarifas cobradas dos clientes, como prestação de serviços, mas também as ditas “receitas financeiras”, especificamente as receitas de intermediação financeira, que integram o seu objeto social, como descrito no estatuto consolidado, art. 4º (efl. 13) “Artigo 4º tem por objeto social a prática de operações ativa,s passivas, acessórias, inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimentos, de crédito imobiliário e de crédito, financiamento e investimento), inclusive de câmbio e de comércio exterior, de acordo com as disposições legais e regulamentares aplicáveis.” Nesta senda, oportuna a remissão ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, aprovado pela Circular BACEN nº 1.273, de 29/12/1987, que, em seu “Capítulo: Normas Básicas – 1” “Seção: Receitas e Despesas – 17”, traz noções básicas do conjunto de receitas e despesas das pessoas jurídicas do ramo financeiro, valendo descrever as seguintes: “1. Para fins de registros contábeis e elaboração das demonstrações financeiras, as receitas e despesas se classificam em Operacionais e Não Operacionais. 2. As receitas, em sentido amplo, englobam as rendas, os ganhos e os lucros, enquanto às despesas correspondem as despesas propriamente ditas, as perdas e os prejuízos. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 273 18 3. As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. 4. As despesas operacionais decorrem de gastos relacionados às atividades típicas e habituais da instituição. 5. As receitas não operacionais provêm de remunerações eventuais, não relacionadas com as operações típicas da instituição. 6. Os gastos não relacionados às atividades típicas e habituais da instituição constituem despesas não operacionais.” (grifado) Portanto, segundo o citado plano de contas, as receitas operacionais compreendem as remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, isto é, referemse às atividades típicas, regulares e habituais das instituições financeiras. Igualmente, o suposto “novo” conceito de faturamento veiculado pela Medida Provisória nº 627/2013 em nada prejudica o que já foi explanado, pois não representou inovação alguma da noção de faturamento ou receita bruta até então existente, mas apenas fez se incluir na legislação algo já consagrado na jurisprudência dos tribunais superiores. Concluo por compartilhar do entendimento manifestado pelo Cons. Eloy Eros, relator original deste feito, e também da noção de faturamento e receita bruta colhida da leitura dos textos legais e da jurisprudência juntada, e reputo improcedentes os argumentos em contrário deduzidos pelo recorrente. Na sequência, tal qual o voto anterior, entendo que os valores registrados na rubrica “Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2)” não devem compor a apuração das contribuições, ao passo que não constituem receitas próprias do exercício da atividade (bancária) do recorrente, aliás, por expressa disposição regulamentar, a teor do art. 22, VII do Decreto nº 4.524/2002: “Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei nº9.718, de 1998, art. 3º): (...) VII dos resultados positivos da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, inclusive os derivados de empreendimento objeto de Sociedade em Conta de Participação (SCP); e (...)”Segundo o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), aprovado pela Circular BACEN nº 1.273/87, referida rubrica comporta duas subcontas, a saber, “7.1.8.10.009 – Rendas de ajustes em investimentos no exterior”, destinadas ao registro do aumento do valor dos investimentos em dependências no exterior decorrente de lucros ou ganhos efetivos, e “7.1.8.20.006 – Rendas ajustes em investimentos em coligadas controladas”, empregadas para registrar o aumento do valor do investimento decorrente de lucros ou ganhos Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 274 19 efetivos, inclusive decorrente de incentivos fiscais, apurado e, sociedades coligada ou controlada. Por fim resta o exame sobre o afastamento da multa de ofício, art. 63 da Lei nº 9.430/96: “Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966,não caberá lançamento de multa de ofício.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.(Vide Medida Provisória nº 75, de 2002)” Como se vê, as condições para sua aplicação são a existência de lançamento para prevenir a decadência, quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, IV e V do Código Tributário Nacional, e que essa suspensão tenha ocorrido antes do início do procedimento fiscal. No caso concreto, o recorrente não atende o primeiro requisito, porquanto não se trata de lançamento para prevenção de decadência, mas constituição do crédito por inobservância da legislação tributária, nos moldes da norma individual e concreta exarada pelo Poder Judiciário. Essa situação foi reconhecida quando a 3ª Turma/CSRF não vislumbrou a existência de concomitância, pela falta de identidade de objetos, e reverteu a decisão da câmara baixa. Isso significa que o contribuinte, ora recorrente, no entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, extrapolou os limites objetivos da decisão judicial de que era detentor, empreendendo interpretação que não se atinha com o que lá fixado. Ora, a ausência de concomitância é incompatível com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de decisão acautelatória, porque a falta de identidade entre os objetos da ação judicial e do processo administrativo implica na identificação de matéria não submetida ao crivo judicial, logo, se a questão não foi deduzida ou não está ao abrigo da tutela jurisdicional não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por decorrência, não há espaço para aplicação das disposições do art. 63 da Lei nº 9.430/96, como postulado. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da apuração as receitas registradas na rubrica “Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2)”. (assinado digitalmente) Fl. 826DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 275 20 Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. A contribuinte impetrou mandados de segurança (2005.61.00027.6612 e 2005.61.00.0276624) para discutir a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e seus efeitos sobre o PIS/Pasep e a Cofins, obtendo, em ambas, decisão favorável, ainda pendentes de trânsito em julgado, para não se sujeitar ao dispositivo em comento. No esteio de tal entendimento, a empresa autuada ofereceu à tributação unicamente as rendas de prestação de serviços, o que levou a autoridade fiscal a proceder ao lançamento de PIS/Pasep e Cofins, compreendido no período janeiro/2009 a dezembro/2010, para exigência das "receitas típicas" (cobrança de tarifas e intermediação financeira). Uma vez afastada a concomitância nos termos do Acórdão CSRF nº 9303 005.470, proferido em 27/07/2017, por inexistência de concomitância integral com a ação judicial intentada pela contribuinte, retornaram os autos a este colegiado para apreciação do mérito da causa. Ao se descer à espécie, na apreciação da coleção probatória, o lançamento açambarcou a conta 7.1.9.00.00.5, rubrica "outras receitas operacionais", o que não revela necessariamente a materialidade das contribuições em comento, devendo ser detalhada pela unidade preparadora para tornar possível a formação da convicção do aplicador. Assim, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora promova a intimação da contribuinte para demonstrar detalhadamente qual a natureza da conta 7.1.9.00.00.5 (outras receitas operacionais), elaborando a fiscalização relatório conclusivo sobre eventual afetação da base de cálculo em função da diligência, concedendose prazo não inferior a 30 dias para eventual manifestação da recorrente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 827DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.900933/2006-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. DIPJ E LIVRO DIÁRIO. ONUS DA PROVA.
Logrando o contribuinte comprovar que o pagamento por ele efetuado, via DARF, a titulo de estimativa mensal de IRPJ, não foi imputado a débito dessa espécie, antes da compensação ora debatida, impende ser admitido o encontro de contas formulado por meio de DCOMP. 0 expurgo do passivo equivocadamente confessado em DCTF, atrelado A. quitação a maior, mediante transmissão de ulterior DCTF Retificadora, deve ser reconhecido, sempre que respaldado em lançamentos feitos na DIPJ e na escrituração
contábil-fiscal do período.
Numero da decisão: 1101-000.802
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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DCTF RETIFICADORA. DIPJ E LIVRO DIÁRIO. ONUS DA PROVA. Logrando o contribuinte comprovar que o pagamento por ele efetuado, via DARF, a titulo de estimativa mensal de IRPJ, não foi imputado a débito dessa espécie, antes da compensação ora debatida, impende ser admitido o encontro de contas formulado por meio de DCOMP. 0 expurgo do passivo equivocadamente confessado em DCTF, atrelado A. quitação a maior, mediante transmissão de ulterior DCTF Retificadora, deve ser reconhecido, sempre que respaldado em lançamentos feitos na DIPJ e na escrituração contábil-fiscal do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Benedicto Celso B -nic4 Juniar - Relator Participaram da scssa" de julgamento os conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Processo no 10930.900933/2006-55 SI-CIT1 AcOrclao n.° 1101-000.802 Fl. 3 Silva, Nara Cristina Takeda Taga e Plinio Rodrigues Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Versa a corrente lide sobre a Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 01/05, encampadora de encontro de contas não homologado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR, nos termos do despacho decisório de fl. 06. A decisão acima noticiada foi motivada pelo suposto fato de o pagamento apontado como indevido (estimativa de IRPJ, código 5993, P.A. jan/2000, de R$ 93,83) ter sido alocado na quitação do débito correspondente. Logo, a compensação do passivo apontado na DCOMP, correspondente a R$ 323,69 (parcela da estimativa de IRPJ de abr/2003) não pôde ser confirmada, remanescendo em aberto o competente adimplemento. Em 31.07.2008, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 07) e, em 20.08.2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 08, pela qual afirmou que, conforme DCTF Retificadora do 10 trim/2000, transmitida em 20.08.2008, não mais existia o débito de estimativa de IRPJ de jan/2000. Assim, o pagamento correspondente encontrar-se-ia passível de aproveitamento. A la Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, ao analisar a manifestação de inconformidade protocolizada, houve por bem indeferi-la, não homologando a compensação, forte em considerações assim ementadas: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA. Considera-se sem efeito as alegações contestando os argumentos do Fisco, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. Rest/Ress. Indeferido - Comp. não homologada." Não conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fl. 49, voltaNdo a aduzir que a aludida retificação da DCTF poderia ser confrontada com a DIPJ do período, na qual não constou o débito de estimativa mensal pretensamente alocado à DART, relativo ao mês de jan/2000, e com o correlato Livro Diário, que denotava a existência de montante de imposto a recuperar. o relatório. 2 Processo n° 10930.900933/2006-55 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.802 Fl. 4 Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior - Relator: 0 recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade. Dele conheço. Consoante a DCOMP de fls. 01/05, tratam esses autos de compensação entre crédito correspondente a pagamento a maior, operado via DARF, atrelado à estimativa mensal de IRPJ de jan/2000, de um lado, e débito de estimativa mensal de IRPJ atinente ao mês de abr/2003, de outro lado. O pleito foi indeferido, inicialmente, em virtude de o pagamento realizado guardar integral correspondência com débito estimado de IRPJ apurado para o próprio mês de jan/2000, conforme consignado na DCTF original. Muito embora o contribuinte tenha procedido à ulterior retificação da DCTF, em 20.08.2008 (fl. 24), a autoridade ora recorrida não entendeu como agasalhável o ajuste de contas intuído, eis não ter sido apresentada justificativa para a exclusão, pura e simples, depois de exarado despacho denegatório, do passivo vinculado ao pagamento reputado como indevido. Em sede se Recurso Voluntário, o contribuinte buscou, então, mostrar que a retificação da DCTF era escorreita. Para tanto, juntou a DIPJ/2001 original (Ficha 11, fl. 78) e o Livro Diário do período, com aventado destaque da rubrica contábil "Impostos a Recuperar" (fl. 69). Pois bem. O aresto recorrido andou bem, a meu ver, ao questionar a legitimidade da retificação de DCTF engendrada pelo recorrente. Inexistia, nos autos, afinal, motivo a ensejar o expurgo do débito confessado inicialmente, atrelado ao DARF citado como fonte do crédito compensavel. Nessa instância, contudo, a interessada logrou demonstrar a realidade do pagamento indevido. A juntada do Livro Diário, de um lado, e da Ficha 11 da DIPJ/2001, de outro, denotam, de fato, que o recolhimento feito via DARF não deveria ter sido imputado a passivo de estimativa de IRPJ ligado ao mês de janeiro de 2000. A despeito da inicial menção desse débito na DCTF Original, o valor não constou da DIPJ respectiva, da mesma forma que não foi considerada na escrituração contábil-fiscal da empresa. Na apuração do credito disponível, deve, pois, ser considerada a DCTF Retificadora, transmitida em meados do ano-calendário de 2008. 0 pagamento a maior, operacionalizado em DARF, não pode deixar de ser reconhecido com esteio na consideração exclusiva da confissão concretizada na DCTF Original. 3 Processo n° 10930.900933/2006-55 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.802 Fl. 5 Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, para homologar a compensação pleiteada, até o li ite disponível do crédito alegado. Benedicto Cels cio Junior ( 4
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