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Numero do processo: 10680.912769/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/11/2002
PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa.
Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
Numero da decisão: 9303-006.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. FOLHA DE PAGAMENTOS. Recorrente FEDERAÇÃO INTERF. DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2002 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 69 /2 00 9- 61 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3301001.967, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação gerada pelo Contribuinte pelo programa PER/DCOMP, transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese exclusivamente à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. Assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. A Segunda Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, que teve seu provimento negado pelo Colegiado a quo. Prevaleceu o entendimento de que as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %., bem como de que a restituição/compensação de indébito tributário está condicionado à certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. O Contribuinte opôs embargos de declaração, sendo que estes foram rejeitados. O Contribuinte interpôs então o Recurso Especial de Divergência ora em apreço, suscitando divergência quanto à incidência da Contribuição PIS sobre a Folha de Salários. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, foram apresentados e apreciados os acórdãos 3403002.500 e 340100.680., nos termos do § 5º, art. 67 do RICARF. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que fosse mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.545, de 10 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.912761/200902, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.545): Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que, à época dos fatos, as sociedades cooperativas estavam sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. O acórdão paradigma nº 3403002.500 decidiu, em sede de embargos de declaração, que havia omissão no acórdão embargado, passível de Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 5 4 integração e com efeitos infringentes, adotando, por derradeiro, o entendimento de que, com base no que fora expresso na Solução de Consulta 412/2004, a empresa, por não preencher as condições para o tratamento fiscal do art. 13, não estava sujeita à Contribuição sobre a Folha de Salários. Com estas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Do Mérito. Tratase pedido de compensação não homologado por despacho decisório que entendeu que o crédito declarado de PIS/Folha seria inexistente, eis que já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do Contribuinte daquela mesma natureza. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, entendeu, de forma diferente da fiscalização em Despacho Decisório, que, enquanto Federação de Cooperativas, a Federação não estaria dispensada do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, em razão do disposto no artigo 32, § 4o, do Decreto n.º 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Em face de tal decisão o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual foi demonstrado a existência da Solução de Consulta n.º 412/2004, na qual a própria Receita Federal a afasta do rol de contribuintes do PIS Folha. No entanto, foi negado provimento, mantendo o entendimento exarado pela 2a Turma de Julgamento da DRJ/BHE. No presente caso devemos inicialmente analisar a Solução de Consulta n.º 412/2004, que tem efeito vinculante para o Contribuinte. Verificase que da análise da Solução de Consulta n.° 412/2004, a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Ou seja, a própria Receita Federal afastou a Contribuinte do rol de contribuintes deste tributo. Vale ressaltar que o Contribuinte quando realizou a Consulta fez o questionamento referente a sua sujeição ou não ao PIS/ Folha, decorrente do entendimento de que estaria enquadrada dentre as entidades que a lei enquadra como contribuintes daquele tributo, no caso o artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835, quais seja, entidades imunes/isentas ao PIS Faturamento, senão vejamos: Relatório da Superintendência Regional da Receita Federal da 6a Região Fiscal: "Relatório Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 6 5 1. A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n.° 5.764/71 e de seu estatuto. Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência e atuação, tratando se também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. 2. Cita o disposto no art. 13 da Medida provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao qual faz menção aos sindicados, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Coftns as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários. 3. Aduz que, aplicandose à consulte tal dispositivo, combinado com o art. 60 da Lei n° 5.764/71, temse que ela está sujeita ao PIS com base unicamente na folha de salários. E, quanto à Cofins, a taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição. 4. Isso posto, pergunta se está correto o seu entendimento quanto à isenção da Cofins sobre as mencionadas receitas e o pagamento do PIS com base na folha de salários, como exposto na consulta." (destaques nossos) Fundamentos Legais (...) 9. No que diz respeito ao PIS e à Cofins, a Medida Provisória n. ° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, tem os seguintes comandos: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IXcondomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § lo da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971 (...) Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 7 6 10. E, por sua vez, o Decreto n." 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamentou as contribuições sociais para o PIS e a COFINS, dispõe: Art. 9o São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13): I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n°9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VIserviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; X condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e IX Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § I o da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que as "federações e confederações" referidas no inciso V da Medida Provisória n." 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da consultente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n."2.15835, de 2001. (...) 14. Pode a consulente estar enquadrada, todavia, no inciso IV do mesmo art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001, que contempla as associações que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n. ° 9.532/1997. 15. Entre esses requisitos, está o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. Todavia, a transcrição da ata da assembleia geral ordinária da consulente, realizada em 08/03/2002 (...), informa que a mesma assembleia fixou o valor dos honorários para os membros da Diretoria Executiva, inclusive reajustando os referidos honorários" (destaques nossos). Ou seja, a resposta dada é que o Contribuinte não é contribuinte do PIS/ Folha, inclusive à luz do mencionado Decreto. Assim, diante da resposta acima, o Contribuinte que havia recolhido indevidamente a contribuição, fez à sua compensação com débitos diversos, conforme determina a Lei n.° 9.430/96 e o Código Tributário Nacional. Portanto, a glosa da compensação do PIS/Folha recolhido indevidamente viola explicitamente seu próprio ato administrativo que entendeu pela sua não incidência. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 8 7 Quanto a aplicação do artigo 2o, § 1o, da Lei nº 9.715/98, que informa que a sociedade cooperativa, estaria sujeita ao recolhimento do PIS/folha de salário. Entendo que a previsão da contribuição sobre a folha de pagamento mensal das sociedades cooperativas, inicialmente prevista no § 1o, do artigo 2o da Lei 9.715/98, perdeu seu fundamento desde a edição da edição da Lei nº 9.718/98. Com o advento da Lei n.° 9.718/1998 o legislador determinou a exigência do PIS somente sobre faturamento/receita, revogando, portanto, a exigência do PIS/Folha. Essa alteração foi confirmada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, a exigência daquela contribuição em relação às entidades sem fins lucrativos que menciona ficou adstrita ao PIS apurado sobre o faturamento/receita bruta (no caso das sociedades cooperativas, decorrente da prática de atos não cooperativos), afastandose o recolhimento de uma mesma contribuição duplamente, e com duas bases de cálculo distintas (faturamento/receita e folha). Notase que a MP nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999 (atual MP n.° 2.15835/01) determinou a incidência do PIS Folha apenas sobre as sociedades cooperativas especificamente relacionadas no inciso X do artigo 13 daquele instrumento, bem como sobre aquelas cooperativas que procedessem às deduções enumeradas no artigo 15 (claramente direcionadas às cooperativas de produção). Vejase: MP n.° 1.8589, de 24/09/99 até MP n.° 2.15835, de 24/08/01 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § I o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a Vdo caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, TAMBÉM, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." Assim, pela leitura do dispositivo acima, fica demonstrado que as exclusões tratadas nos incisos I a V (art. 15 da MP n° 2.15835/2001) não se aplicam às cooperativas médicas de prestação de serviços. Tais exclusões referemse às cooperativas de produção (também chamadas cooperativas de produtores ou cooperativas de vendas em comum), uma vez que aquelas exceções decorrem de atividades típicas desse tipo de cooperativa. Assim, as sociedades cooperativas que não têm um tratamento específico estão impedidas de excluir da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins os valores repassados aos associados a qualquer título. A exclusão prevista no art. 15, I, da MP n° 2.15835, de 2001, refere se a produto (mercadoria) que pode ser entregue à cooperativa para ser comercializado, não abrangendo, portanto, serviços. Portanto, as exclusões e deduções específicas previstas no art. 15 da MP n° 2.15835/2001 (art. 32, incisos Ia V, do Decreto n" 4.524/2002) não se aplicam às cooperativas de trabalho médico. As demais exclusões, previstas no art. 32 do Decreto n° 4.524/202 e no art. 3o, § 2o, da Lei nº 9.718/98, também não respaldam as exclusões pretendidas. Desta forma, a partir de 01/11/1999, a contribuição ao PIS e COFINS das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, como definido na Lei 9.718/98, não se diferenciando os atos cooperativos dos nãocooperativos, ou seja, as sociedades cooperativas Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 10 9 passaram à condição de contribuintes da COFINS e do PIS/FATURAMENTO também sobre as receitas oriundas de atos cooperativos, sendo admitidas, entretanto, além das exclusões comuns a todas as pessoas jurídicas, a exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Entretanto, as exclusões expressas no dispositivo legal acima citado não alcançam as atividades cooperativas em geral, tendo em vista que essas exclusões decorrem da atividades típicas das cooperativas de produção agropecuária. Logo, tratandose o Contribuinte em questão de uma sociedade cooperativa de trabalho médico, não fará jus às exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Assim que, nos termos da legislação retro transcrita, todas as demais cooperativas que não cooperativas de produção, incluídas as de trabalho médico, deveriam recolher, exclusivamente, o PIS sobre faturamento/receita. O entendimento do CARF em situação semelhante: "Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do par. 2o do art. I o da Lei n° 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 2a Turma Ordinária/ 3a Câmara/ 3a Seção Processo n.° 16327.000.833/200621 Acórdão n.° 330201.449 Relator Gileno Gurjão Barreto Sessão de 15/02/2012) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 11 10 A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.15835/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de 1999, somente as receitas dos atos nãocooperativos se submetiam ao PIS Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos não cooperados. Recurso Negado.” (destaques nossos) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/ 3ª Seção –Processo n.º 10825.002.833/200588 – Acórdão n.º 340100.680 – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Sessão de 29/04/2010) Destaquese segue o trecho do voto do acórdão acima, reconhecendo (i) a revogação do dispositivo que previa a exigência do PIS Folha às cooperativas, e (ii) a necessidade de haver alguma das exclusões permitidas, constantes da Medida Provisória 1.8586/99, atual MP n.º 2.15835/01, para que se possa exigir o PIS Folha das cooperativas: “A MP IV 1.8586 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: MP n° 1.8586, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários , e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; (...) MP n° 1.8589, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindose desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Faturamento incidente sobre a base de cálculo reduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese de não haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha.” Vejase, portanto, que manter a exigência do PIS/Folha para as sociedades cooperativas de trabalho médico pelo Decreto n. 4.524/2002 (reiterado pelas INS n°s 145/99, 247/2002) ofende ao próprio ato realizado pela Solução de consulta 412/2004. Desta maneira, a cooperativa de serviços médicos não tem direito à apuração do PIS sobre a folha de salários, como previsto no art. 15, §2º, I, da MP 2.158/01, uma vez que não se está diante de operações mencionadas nos incisos I a V do "caput" do art. 15 da referida medida provisória. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, transcrevo a seguir o trecho do Acórdão dos Embargos nº 3403002.504 de lavra do ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan, que trata da solução de consulta e de caso semelhante a esse e que adoto, in totum, seus fundamentos como razão de decidir no presente feito. Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltase que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/ 2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 9303006.553 CSRFT3 Fl. 13 12 A Medida Provisória no 2.15835/ 2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 13 (a empresa informa que ainda que houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 18/08/2008 (fls. 9 a 14) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 2.082,56, recolhidos em 15/02/2005) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.082,56). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido, e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720176/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. APURAÇÃO
Provado nos autos a relação de interdependência, nos termos do art. 42 da Lei 4.502, há de ser observado o valor tributável mínimo, previsto no regulamento do IPI. O valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento distribuidor interdependente do estabelecimento industrial fabricante.
O valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial fabricante, e que tenha na sua praça um único estabelecimento distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto.
IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. PRAÇA DO REMETENTE. ALCANÇE.
Não há na letra da Lei definição objetiva referente ao termo "praça comercial", tampouco menção territorial que a limite ao espaço de Município.
O termo "praça", na acepção do artigo 136, I, do RIPI/2002, deve representar a região onde o preço do produto será o mesmo em qualquer parte desse território, sem interferência externa como frete, seguro, comissões, entre outras despesas, que, em se existindo, provocariam desnivelamento do preço a ser comparado, não havendo que se falar em limite geográfico, genericamente estabelecido.
Assim, "praça de comércio" pode ter abrangência igual, superior ou inferior ao território de Município, a depender dos fatores que integram a operação, dentre outros: produto, concorrência, exclusividade, produto único, segregação de preço por região de destino, tabelamento, segregado ou não por regiões.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
Ementa:
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Recurso Voluntário Ngado.
Numero da decisão: 3301-004.363
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I - por maioria de votos, em negar provimento: a) quanto à apuração do VTM, considerando-se como "praça", para fins do disposto nos artigos 136 e 137 do RIPI 2002, a região metropolitana de São Paulo. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário nesse ponto; b) para manter a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada); e II - por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito de IPI, conforme valores constantes dos Registros de Apuração do IPI, fls. 42 a 111, cujo montante deverá ser deduzido do Crédito Tributário constituído.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. APURAÇÃO Provado nos autos a relação de interdependência, nos termos do art. 42 da Lei 4.502, há de ser observado o valor tributável mínimo, previsto no regulamento do IPI. O valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento distribuidor interdependente do estabelecimento industrial fabricante. O valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial fabricante, e que tenha na sua praça um único estabelecimento distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. PRAÇA DO REMETENTE. ALCANÇE. Não há na letra da Lei definição objetiva referente ao termo "praça comercial", tampouco menção territorial que a limite ao espaço de Município. O termo "praça", na acepção do artigo 136, I, do RIPI/2002, deve representar a região onde o preço do produto será o mesmo em qualquer parte desse território, sem interferência externa como frete, seguro, comissões, entre outras despesas, que, em se existindo, provocariam desnivelamento do preço a ser comparado, não havendo que se falar em limite geográfico, genericamente estabelecido. Assim, "praça de comércio" pode ter abrangência igual, superior ou inferior ao território de Município, a depender dos fatores que integram a operação, dentre outros: produto, concorrência, exclusividade, produto único, segregação de preço por região de destino, tabelamento, segregado ou não por regiões. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Ngado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 3.356 1 3.355 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720176/201216 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.363 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria IPI Valor Tributável Mínimo Interdependência Recorrente Indústria e Comércio de Cosméticos Natura Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. APURAÇÃO Provado nos autos a relação de interdependência, nos termos do art. 42 da Lei 4.502, há de ser observado o valor tributável mínimo, previsto no regulamento do IPI. O valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento distribuidor interdependente do estabelecimento industrial fabricante. O valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial fabricante, e que tenha na sua praça um único estabelecimento distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. PRAÇA DO REMETENTE. ALCANÇE. Não há na letra da Lei definição objetiva referente ao termo "praça comercial", tampouco menção territorial que a limite ao espaço de Município. O termo "praça", na acepção do artigo 136, I, do RIPI/2002, deve representar a região onde o preço do produto será o mesmo em qualquer parte desse território, sem interferência externa como frete, seguro, comissões, entre outras despesas, que, em se existindo, provocariam desnivelamento do preço a ser comparado, não havendo que se falar em limite geográfico, genericamente estabelecido. Assim, "praça de comércio" pode ter abrangência igual, superior ou inferior ao território de Município, a depender dos fatores que integram a operação, dentre outros: produto, concorrência, exclusividade, produto único, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 76 /2 01 2- 16 Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.357 2 segregação de preço por região de destino, tabelamento, segregado ou não por regiões. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Ngado. Fl. 3357DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.358 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I por maioria de votos, em negar provimento: a) quanto à apuração do VTM, considerandose como "praça", para fins do disposto nos artigos 136 e 137 do RIPI 2002, a região metropolitana de São Paulo. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário nesse ponto; b) para manter a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada); e II por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito de IPI, conforme valores constantes dos Registros de Apuração do IPI, fls. 42 a 111, cujo montante deverá ser deduzido do Crédito Tributário constituído. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini e Valcir Gassen. Fl. 3358DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.359 4 Relatório Contra a empresa foi lavrado Auto de Infração, fls. 2253/2261, constituindo crédito de R$ 646.867.287,95, a título de IPI, multa e juros de mora. Relata a autoridade fiscal, por meio do Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls. 2.207ss, parte integrante do Auto de infração, que a autuada, doravante Natura Indústrial, localizada na cidade de Cajamar/SP, promoveu, nos meses de janeiro a dezembro de 2008, a saída de produtos industrializados de seu estabelecimento industrial para estabelecimento interdependente, Natura Cosméticos S/A, doravante Natura Comercial, localizada em Itapecerica da Serra/SP, sem observar, na apuração do IPI devido, o valor tributável mínimo, nos termos dos artigos 136 e 137 do RIPI de 2002 (arts. 195 e 196 do RIPI de 2010), cuja matriz legal é a Lei nº 4.502/64, artigo 15. Os fundamentos utilizados pelos Auditores Fiscais da RFB podem ser sintetizados nos seguintes: 1. A Natura Industrial vende seus produtos exclusivamente para a Natura Comercial, sua controladora. Os preços praticados são abaixo daqueles que seriam praticados entre empresas não relacionadas. 2. A margem bruta obtida pela Natura Industrial situase na casa de 13%, conquanto na comercial sobe para 68%. 3. Tece comentários sobre a atuação no Brasil da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC). 4. Explicita a evolução do grupo Natura desde sua origem, em 1969, enfatizando as reestruturações ocorridas em 1993 e 1994, esta última compreendendo a separação do departamento Industrial do comercial, motivada, na visão da fiscalização, para reduzir o recolhimento de tributos. 5. Conforme planilha elaborada pela fiscalização, fl. 2.222, os preços praticados pela Natura Industrial ao vender seus produtos à Comercial eram, por esta, majorados em percentuais que variaram de 194% a 580%, na amostra estudada, demonstrando uma concentração de faturamento na Natura Comercial em detrimento da lucratividade da Natura Industrial. 6. A fiscalização caracterizou a relação de interdependência entre a Natura Comercial e a Natura Industrial, nos termos da Lei nº 4.502/64, art. 42 (artigo 520 do RIPI). 7. Conclui a fiscalização que o mercado atacadista dos produtos Natura, por serem distribuídos exclusivamente pela Comercial às Consultoras e destas, através do comércio autônomo, aos consumidores, fica circunscrito às unidades da empresa Natura Comercial, nos termos da Solução de Consulta Interna nº 8/2012 Cosit. Fl. 3359DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.360 5 8. Tece comentários acerca do significado de "praça" constante do termo "praça do remetente", nos termos do RIPI/2002, artigo 136, inciso I, traçando seu conteúdo histórico, cuja origem legal remonta do Código Comercial, de 1850. 9. Conclui a fiscalização que as empresas Natura Industrial, instalada na cidade de Cajamar/SP e Natura Comercial, localizada em Itapecerica da Serra/SP, situamse na mesma praça, assim entendida a Região Metropolitana de São Paulo. 10. Aduz que o "picking", atividade exclusivamente do comércio atacadista, é executado no espaço Cajamar, mesmo local de funcionamento operacional da empresa remetente interdependente, a Natura Industrial. Noutra ponta, em Itapecerica da Serra, local onde situase a Natura Comercial, realizase operação fabril, ainda que em menor quantidade, caracterizando total integração das unidades de Itapecerica da Serra e Cajamar, convivendose negócios típicos e atípicos, evidenciandose a vontade da contribuinte de contornar a legislação tributária. 11. A fiscalização apurou o Valor Tributário Mínimo, nos termos do RIPI/2002, art. 137, com Base em planilha apresentada pela empresa Natura Comercial, fls. 1.368/2.200. 12. A metodologia utilizada para elaboração da planilha da base de cálculo e correspondente apuração do IPI devido e lançado encontramse às fls. 2.250/2.251. Em sede de impugnação a empresa autuada apresentou, em tópicos, os seguintes argumentos de defesa: 1. Esclarecimentos Iniciais Quanto à Matéria Autuada Tentativa de Rediscutir Tema já Consolidado Pela RFB e Pelo CARF. 2 Do Suposto Equívoco na Apuração do "Valor Tributável Mínimo" Pela Impugnante 3 Da Operação Entre a Impugnante (Empresa Industrial) e a Sociedade Natura Cosméticos S.A. (Empresa Comercial) 4 Do Equivocado Entendimento do Fisco Quanto ao "Valor Tributável Mínimo" 5 Demonstração dos Equívocos Cometidos Pela Fiscalização 6 Das Discussões Precedentes Entre o Fisco e a Impugnante Relativamente ao "Conceito De Praça" 7 Do Conceito de "Praça Do Remetente" Para o IPI Limitação ao Território do Município 8 Da Impossibilidade de Aplicação do Conceito de "Praça do Comércio" Para a Região Metropolitana de São Paulo Ausência de Homogeneidade SócioEconômica. 9 Da Irrelevância do Picking Para a Determinação da Praça de Comércio 10 Da Ausência de Atividade Fabril em Itapecerica Da Serra 11 — "Ad Argumentadum" Nulidade do Lançamento por Erro na Identificação da Matéria Tributável do IPI. Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.361 6 11.1 Do Erro na Apuração do Preço Corrente no Mercado Atacadista Inobservância do Ato Declaratório CST n° 5/1982 11.2 Da Desconsideração das Aquisições de Mercadorias pela Impugnante na Região Metropolitana de São Paulo 11.3 Da Desconsideração dos Créditos de IPI da Impugnante 11.4 Da Ausência de Questionamento Quanto à Efetiva Separação das Atividades Industrial e Comercial 11.5 Da Inexistência de "Planejamento Tributário Abusivo" 11 5 1 Histórico das Empresas do Grupo Natura (Análise do Filme Das Operações) 11.5.2 Inconsistência: Ausência de Questionamento Quanto à Legalidade da Operação 11.5.3 Inconsistência: Ausência da Pretensão de Opor ao Fisco os Efeitos Derivados da Forma dos Atos Praticados como Requisito para a Desconsideração 11.5.4 Inconsistência: Narrativa Incompleta, Errônea e Distorcida das Operações Realizadas em Seu Todo 11.5.5 Inconsistência: Ausência de "Subfaturamento" ou a Questão dos "Preços Muito Baixos" 11.5.6 Inconsistência: da Opção Fiscal do Contribuinte 12 Das Questões Concorrenciais Suscitadas Pelo Fisco 13 Do Afastamento da Incidência de Juros Sobre a Multa de Ofício. 14 Conclusões e Pedido. A 2ª Turma da DRJ/RPO, no acórdão n. 1442.322, de 29 de maio de 2013, julgou improcedente a impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. Provado nos autos a relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo, há de ser observado pelo sujeito passivo o valor tributável mínimo, previsto no regulamento do IPI. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I, RIPI/02. EXCLUSÃO DE OUTROS PRODUTOS. Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.362 7 Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI. EXCLUSÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõese sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81 e Solução de Consulta Interna nº 08/2012. Impõemse, igualmente, a exclusão de produtos que não sejam plenamente compatíveis com os produtos objeto das operações com o estabelecimento interdependente na quantificação do valor tributável mínimo, tais como: mercadorias de uso e consumo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – INEXISTÊNCIA. O emprego, ainda que impertinente, de raciocínios valorativos, adjacentes, econômicos, estatísticos ou acessórios que não constituem o objeto do Auto de Infração e a infração imputada, não tem a aptidão de afetar a relação jurídica formada pelo lançamento, posto que, este, envolve matéria adstrita a reserva legal e tão pouco provoca nulidade processual por cerceamento do direito de defesa, uma vez que tais raciocínios não integram a “peça acusatória”. Em sede de recurso voluntário, a empresa apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: 1. Repudia com veemência a definição dada pela fiscalização de "praça do remetente" como correlata à Região Metropolitana (no caso de São Paulo) para assim abranger o mercado atacadista do Município em que sediada a sociedade Natura Comercial. 2. Igualmente repudia a inovação trazida pela decisão recorrida de que "praça" seria, a rigor, irrelevante, de modo que deveriam ser considerados, sempre, os valores praticados pelos estabelecimentos da sociedade com a qual mantém relação de interdependência independentemente de qualquer circunscrição geográfica. 3. Aduz que a decisão recorrida ignorou os erros da fiscalização quando da apuração do montante supostamente devido, desconsiderando as operações praticadas pela própria recorrente, além de se equivocar na consideração dos créditos a que fazia jus a recorrente. Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.363 8 4. Traz à luz a lavratura, com base no mesmo procedimento fiscal, de Autos de Infração para a cobrança de supostos débitos de PIS/COFINS, processo 16561.720180/201276, já cancelados pela decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, Acórdão nº 1442.460. 1 5. Na seqüência a recorrente apresenta alegações de direito e de mérito que foram segregadas nos seguintes tópicos: · III. 1 Da violação aos arts. 142 e 146 do CTN pela modificação dos critérios jurídicos do lançamento, fls. 3.045 ss. · III.2 Da inovação do critério jurídico do lançamento (ofensa ao art. 146 do CTN), fls. 3.053 ss. · III.3 Da Equivocada Interpretação da Fiscalização Acerca do Art. 136,1, do CTN: Impossibilidade de Ignorar a Circunscrição Geográfica das Operações, fls. 3.060 ss. · III.4 Da Discussão Conceitual Acerca da "Praça", fls. 3.076 ss · III.5 Do Erro na Apuração do Preço Corrente no Mercado Atacadista Inobservância do Ato Declaratório CST n° 5/1982, fls. 3.120 ss. · III.6 Da Desconsideração das Aquisições de Mercadorias pela Recorrente na Região Metropolitana de São Paulo, fls. 3.124 ss. · III.7 Da Desconsideração dos Créditos de IPI da Recorrente, fls. 3.125 ss. · III.8 Do descabimento da incidência de juros sobre a multa de ofício, fls. 3.128 ss. · I V D O PEDIDO, fls. 3.132 ss. Constam anexos ao Recurso Voluntário o seguinte: · Doc 01: Acórdão da DRJ favorável à Recorrente nos autos do PAF nº 16561.720180/201276 (PIS/COFINS), fls. 3.138 ss. · Doc 02: Acórdão do STF no RE nº 71.253 ( Conceito de "praça do remetente"), fls. 3.150 ss. 1 1. Registrese que referido processo foi julgado no âmbito desse Conselho, em sede de Recurso necessário, por meio do Acórdão 3401003.266 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em setembro de 2016, tendo aquele colegiado Negado Provimento ao Recurso de Ofício, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. SUBFATURAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A acusação de subfaturamento nas operações comerciais não pode ser presumida, devendo ser efetivamente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios ou do fato de haver interdependência entre comprador e vendedor para descaracterizar o valor da fatura comercial. Recurso de Ofício Negado Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.364 9 · Doc 03: Acórdão do STJ no REsp nº 1.190.037/SP (conceito de "praça" como sendo município), fls. 3.158 ss. · Doc 04: Parecer do Professor Fábio Uchoa Coelho com comentários acerca do Acórdão recorrido, fls. 3.174 ss. · Doc 05: Inteiro teor do Acórdão 20218.215 (conceito de "praça do remetente" como localidade, para os fins do art. 15, I, da Lei nº 4.502/64, fls. 3.195 ss. · Doc 06: Inteiro teor do Acórdão 20178.103 (conceito de "praça do remetente" como localidade, para os fins do art. 15, I, da Lei nº 4.502/64, fls. 3.203. Cientificada, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário interposto, nos seguintes termos, em síntese: · Sustenta a validade do lançamento e da decisão recorrida posto que nos termos dos arts. 50 c/c 60 do Decreto nº 70.235 a nulidade suscitada somente tem vez se ocorrerem uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte, o que não se verifica no caso. · Tece comentários sobre a legislação de interdependência, aplicandose à recorrente e sua controladora, Natura Comercial. · Sustenta a obrigatoriedade de se aplicar ao caso o Valor Tributável Mínimo, nos termos dos arts. 136 e 137 do RIPI/02. · defende que tratandose de interdependentes com produtos exclusivos, o mercado atacadista resumese ao próprio atacadista interdependente e o VTM será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos, aliás, do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012. · Apresenta precedentes desse Conselho que corroboram a tese trazida pela autuação, a exemplo do Acórdão nº 202.04.484, 3301001.847 e, mais recentemente, em julgamento pela Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção, negouse provimento ao recurso voluntário do contribuinte, interposto nos autos do Processo nº 11080.006627/200994 (acórdão 3201001.204), · fundamenta no sentido de que existe, sim, preço corrente no mercado atacadista da remetente, ainda que se trate de um mercado monopolista, quando então, o preço praticado pela distribuidora interdependente nas vendas para terceiros independentes, equivale ao preço de mercado, por abranger os custos do produto. · partindose do pressuposto de que o RIPI/02, nos seus arts. 136 e 137, traz normas que, claramente, visam impedir que os fabricantes se utilizem de firmas interdependentes para reduzir a base de cálculo do imposto, considerar o termo “praça”, previsto na legislação tributária, como sendo limitado ao espaço geográfico de um único município, como defendido pela recorrente, afastaria da incidência do tributo os contribuintes que elegessem uma estrutura entre interdependentes que se Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.365 10 situam em cidades distintas, exatamente para se livrarem da tributação (como a grande maioria dos grupos econômicos). · O termo “praça” deve ser compreendido como "localidade" e não necessariamente como cidade. Localidade com as mesmas características sócio econômicas (referentes a custos e perfil de consumidores) e onde as empresas atuam (e não, simplesmente, onde estejam localizadas), exercendo seus atos de comércio, em condições homogêneas de competição, não se limitando, tal conceito, exclusivamente ao aspecto geográfico de um município. · Com isso, e levandose em conta que a NATURA vende seus produtos em território nacional, praticando preços que não sofrem alteração em função da localização do distribuidor ou do cliente, ou seja, em condições homogêneas de atuação no mercado, o conceito de praça adotado na autuação assegura a justiça da apuração e respeita a finalidade da norma. · Sustenta a legalidade de incidência dos juros sobre a multa de ofício por ser esta uma obrigação principal, nos termos da Lei nº 9.430/96, art. 161, § 1º, na interpretação conjugada com o CTN, art. 113, § 1º e art. 139. Ás fls. 3.241/3.249 a recorrente apresenta petição para noticiar a publicação do Decreto nº 8.393/2015, que, a rigor, tem o condão de corroborar a argumentação da recorrente quanto à ausência de autorização normativa para a lavratura do auto de infração e a exigência de IPI. Ás fls. 3.292/3.315 a recorrente apresenta petição para noticiar que o auto de infração de PIS/COFINS oriundo do mesmo procedimento fiscal de que cuida a presente autuação foi cancelado em definitivo por esse CARF em julgamento realizado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção na sessão de 29/09/2016 (Processo Administrativo nº 16561.720180/201276). Memoriais foram formalizados, contendo pareceres emitidos pelo Prof. Fábio Ulhôa Coelho, Parecer de LCA: Regime tributário e organização empresarial do setor de HPPC, Parecer de Tendências Consultoria integrada: Parecer econômico sobre aspectos do modelo de negócios e do mercado de atuação da Natura, e precedentes judiciais e administrativos diversos, destacandose os Acórdãos 3403002.285 2 e 3402004.341 3. Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. 2 Acórdão 3403002.285 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 26 de junho de 2013, processo 11080.731081/201128. 3 Acórdão 3402004.341 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 29 de agosto de 2017, processo 16682.722461/201530. Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.366 11 Voto Conselheiro José Henrique Mauri O recurso voluntário preenche os pressupostos para sua interposição, devendo ser conhecido. Tratase de lançamento do IPI em razão do Valor Tributável Mínimo (VTM) que a recorrente, Natura Industrial, deveria aplicar na apuração do imposto no ano de 2008. Segundo a fiscalização o VTM não poderia ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, sendo esse preço aquele praticado pela Natura Comercial, destinatária exclusiva dos produtos da Natura Industrial, em face de relação de interdependência entre elas, bem assim por ser única empresa atacadista que comercializa referidos produtos, nos termos dos artigos 136 e 137 do RIPI de 2002 (arts. 195 e 196 do RIPI de 2010), cuja matriz legal é a Lei nº 4.502/64, artigo 15. Para determinação da praça do remetente a fiscalização adotou o território da Região Metropolitana de São Paulo. Fato contestado pela Recorrente por entender que o conceito de praça não pode abarcar área superior ao espaço geográfico de Município. Portanto, o cerne da presente contenda está, embora não exclusivo, na definição de "praça do remetente", se abrange a Região Metropolitana de São Paulo, como entende a fiscalização ou limitase ao Município de localização da Natura Industrial, como sustenta a Recorrente. Feitas as considerações iniciais passaremos para apreciação dos pontos questionados. 1.1 DAS NULIDADES SUSCITADAS: DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 142 E 146 DO CTN. 1.1.1 Da modificação dos critérios jurídicos do lançamento. A recorrente alega que a decisão recorrida teria violado os arts. 142 e 146 do CTN pela modificação dos critérios jurídicos do lançamento, na medida que enquanto a autuação limitouse em determinar que o termo "praça do remetente" alcançaria também a Região Metropolitana [diversamente do que sustenta a recorrente de que "praça" limitarseia à região de um Município], a decisão considerou que a determinação conceitual de "praça" seria irrelevante para o presente caso. Aduz que a decisão abandonou a discussão conceitual acerca da abrangência do "conceito de praça" como sendo Município ou não, porquanto a caracterização do mercado atacadista da praça do remetente se dá pela atuação, ou seja, em todas as localidades em que faz chegar a mercadoria. Eis o disposto nos art. 142 e 146 do CTN: Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.367 12 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. [...] Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Não vislumbro qualquer inovação ou modificação no lançamento, advindo da decisão recorrida. O Relator do voto condutor daquela decisão fundamentou seu voto em contraposição aos argumentos apresentados na impugnação, valendose de suas convicções. Eis excerto do voto que bem aclaram os fatos: Convém esclarecer que o conceito de “praça”, em virtude das orientações lançadas no tópico antecedente, em nada altera o enquadramento jurídico tributário e as suas conseqüências, devidamente descritos no lançamento de ofício. No caso presente, a definição de praça estar ou não circunscrita ao território de Município, não influencia em nada o julgamento da questão, uma vez que a Comercial atacadista interdependente atua no Município de Cajamar e em muitos outros, representados por seus quase um milhão de consultores. Travase o debate, simplesmente, para se colocar luzes aos argumentos da Impugnante que, ao meu ver, não é o mais razoável e compatível com o sistema jurídico em vigor. [Destaques pertencem ao original] Vêse que o Julgador a quo, ao tratar da definição de "praça", o fez por dever de ofício, para enfrentar os argumentos apresentados na Impugnação, tendo em seu preâmbulo indicado que, a seu juízo, em face de fundamentos precedentes. Vêse que o julgador não se desviou do obrigatório enfrentamento da matéria, na forma posta na autuação e contraposta pela recorrente. Não há, portanto, resquícios que macule as disposições dos art. 142 e 146 do CTN. Na espécie, uma vez configurada a interdependência, nos exatos termos da legislação do IPI, cabe ao Auditor Fiscal da RFB aplicála. O lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, consoante dispõem os arts. 3° e 142, parágrafo único, do CTN, logo a autoridade fiscal deve obrigatoriamente observar a legislação específica, ao apurar os valores que compõem o crédito tributário, não podendo negar aplicação a lei ou ato normativo em vigor. Assim, não padece de nulidade o Lançamento lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito. Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.368 13 1.1.2 Da inovação do critério jurídico do lançamento. Alega a Recorrente ofensa por parte da decisão da DRJ ao art. 146 do CTN pela inovação do critério jurídico do lançamento em face de que a presente autuação representa uma edição requentada de procedimento anterior que a recorrente saiu vitoriosa após manifestação da DRJ e do antigo Conselho dos Contribuintes, tendo sido refutada a ampliação do conceito de praça como equivalente ao território de Estado de São Paulo, pretendida pela fiscalização, à época. De pronto ressaltese que a presente autuação é distinta de qualquer outra, no tempo e espaço, ainda que em processos pretéritos a matéria levada a litígio tenha a mesma natureza. As decisões proferidas em processos distintos, não surtem, por si só, efeitos vinculantes para a presente autuação. Os processos são autônomos e independentes. É perfeitamente factível, embora não desejável, que autuações idênticas, com mesmos objetos e sujeitos passivos, diferenciandose unicamente pelo período de apuração, acabem tendo julgamentos distintos, com decisões divergentes, não havendo, por tal razão, infringência ao comando do art. 146. Vale transcrever excerto das contrarrazões da PGFN que bem exemplifica a aplicabilidade desse dispositivo: "Com efeito, a previsão do artigo 146 do CTN é a de que a fiscalização de um certo sujeito passivo, sob o comando de um determinado critério jurídico vigente à época, não possibilita nova fiscalização do mesmo período já fiscalizado sob o argumento de ter havido alteração no critério jurídico adotado. Mas não foi isso que se deu nos autos." Assim, não deve receber guarida as alegações da recorrente, nesse pormenor. 1.2 DO MÉRITO 1.2.1 Do Valor Trubutàvel Mínimo: Da Circunscrição Geográfica das Operações e do Conceito de Praça. Conforma já explicitado, a fiscalização rejeitou a base de cálculo de IPI utilizada pela recorrente (Natura Industrial) em suas operações com a Natura Comercial, com quem mantém relação de interdependência, formalizando, em conseqüência, a exigência de diferença de IPI, pela aplicação do Valor Tributável Mínimo (VTM), nos termos dos artigos 136 e 137 do RIPI de 2002 (arts. 195 e 196 do RIPI de 2010), cuja matriz legal é a Lei nº 4.502/64, artigo 15. Eis as disposições dos artigos em comento: Decreto 4.544/2002 Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.369 14 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); II [...] III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 28); [...] § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. ...... Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. [Destaquei] Vêse que a regra do art. 136, I, do RIPI/2002, determina um valor mínimo de base de cálculo (VTM), com base no preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. No caso concreto, a Recorrente, Natura Industrial, elabora os produtos de sua própria marca "natura", notoriamente conhecido no mercado de cosméticos, revendendoos exclusivamente para a Natura Comercial, ambas localizadas na Região Metropolitana de São Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.370 15 Paulo, ainda que em cidades distintas, Cajamar e Itapecerica da Serra, respectivamente. Não há portanto outro atacadista que comercialize referidos produtos. Segundo a fiscalização, diversamente do que sustenta a Recorrente, o termo "praça do remetente" constante do art. 136, I, do RIPI/2002, não está limitado ao espaço geográfico de Município, podendo ser maior ou menor. Na espécie, entendeu o Auditor Fiscal que a praça em que atua a Natura Industrial estaria representada pela Região Metropolitana de São Paulo, alcançando portanto a empresa Comercial, para fins de referência de preço no mercado atacadista da praça do remetente. Portanto, tornase essencial para a solução da presente lide a definição de "praça do remetente", i.é., abrange a Região Metropolitana de São Paulo, como entende a fiscalização ou limitase ao território do município de localização da Natura Industrial, como sustenta a Recorrente. Vejamos o entendimento da recorrente sobre o tema. Segundo a recorrente, a decisão recorrida equivocouse ao concluir que, para a consideração do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, de que trata o art. 136, I, do RIPI/2002, deveriam ser considerados os valores praticados pela Natura Comercial, porquanto seria esta pessoa jurídica a única e exclusiva distribuidora dos produtos da recorrente. Agindo assim, conclui a recorrente, a decisão teria igualado os conceitos de praça e mercado. Assim, no entender da recorrente, a decisão teria ignorado a "praça" em que efetivamente está localizada a recorrente e adotado o preço do mercado atacadista. Entretanto, para o IPI, não existe "mercado atacadista do remetente" mas sim "mercado atacadista da praça do remetente". E mais adiante, reportandose ao prof. Fábio Ulhôa Coelho, sustenta que mercado reporta algo dinâmico (mercado de cosméticos), conquanto praça reporta algo estático. Argumenta que o conceito de praça não pode ser ampliado, mas sim reduzido, em termos de espaço territorial, no máximo a um município. "116. Em verdade, embora tenha havido sensível modificação do cenário sócio e econômico, com impactos nos conceitos utilizados pelo legislador, daí não se chega à conclusão de que o conceito de praça tenha sido ampliado. De reverso, o que se tem visto é a sua paulatina redução a espaços inferiores, até, ao Município." Para sustentar tal argumento, traz à baila Parecer do Prof. Fábio Ulhôa Coelho, consubstanciandose em três elementos, quais sejam: (i) assentos das Juntas Comerciais: conforme usos e costumes (transcreve "Assento nº 3) 4. (ii) doutrina sobre os auxiliares de comércio: referindose à praça, no sentido de localidade, a recorte geográfico nunca superior ao Município, foca na distinção que se estabelece 4 Excerto do Assento nº 3: A 16 de julho de 1907, em sessão ordinária da Junta Comercial do Estado de São Paulo, [...] foi unanimemente assentado de acordo com as máximas comerciais geralmente praticadas entre os comerciantes da praça de Santos, as quais são conformes aos sãos princípios de boafé e não são contrárias a nenhuma lei comercial, [...]. Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.371 16 entre dois auxiliares dependentes externos dos comerciantes: o vendedor viajante e o pracista. Cita Rubens Requião, fls 3081. e (iii) legislação que fixou as praças de pagamentos: antiga lei do cheque, que fixava prazos diferentes para a apresentação do título ao banco para pagamento dependendo de ser o título da mesma praça ou de praças diferentes (Dec. n°2.591/1912, art. 4). Robustecendo seus argumentos, a recorrente relaciona alguns pronunciamentos do Poder Público na pretensão de demonstrar que "praça do remetente" limitarseia à circunscrição geográfica de um município, portanto, conclui, o alargamento do alcance do termo "praça do remetente", não encontra respaldo jurídico. Cita algumas definições de praça, buscadas em dicionários da língua portuguesa, de onde se extrai que as expressões "domicílio", "mercado" e "praça" têm em comum o apelo geográfico, ou seja, indicando determinado lugar ou localidade. Traz à luz, dentre outros, os seguintes Atos ou Precedentes: · Recurso Extraordinário nº 71.253, de 1973 em que o STF considerou a localidade de Maringá como praça do remetente, no caso que especifica (ICM), conclui então a recorrente que a suprema corte teria considerado que a praça é o Município. · Parecer Normativo CST nº 44, de 23/11/1981, destacandose: "numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada". · Acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Recurso nº 79.395, de 25/4/1989: "IPI I A existência de dois ou mais estabelecimentos dedicados ao mesmo ramo empresarial na mesma praça, constitui mercado capaz de permitir obtenção de preço médio. II — O preço mínimo tributável pelo IPI é a média do preço ponderado do mercado. III — Incorporase ao valor básico do cálculo do IPI a parcela do ICM adicionada ao frete destacado na nota fiscal, cobrado ao comprador. Recurso a que se nega provimento. " · Trecho do voto proferido pelo Conselheiro SÉRGIO GOMES VELLOSO, integrante da 1ª Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes, no julgamento do Recurso n° 124.633, em sessão realizada em 17/12/2004, quando foi negado o Recurso de Ofício interposto pela DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO DE JUIZ DE FORA/MG: "(...) Quanto ao segundo fundamento da autuação, isto é, o valor tributável mínimo nas operações realizadas com empresas interdependentes, em que devem ser consideradas as vendas efetuadas pelo próprio remetente e pelos interdependentes no mercado atacadista da praça do remetente, a decisão sub exame apoiouse no Parecer Normativo CST n° 44, de 1981, para a definição do que seja "mercado " na acepção emprestada pela legislação do IPI. Fl. 3371DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.372 17 E, por entender que em uma mesma cidade ou praça comercial, "mercado" dever ser considerado como sendo o universo das vendas que se realizam nesta mesma localidade (fl. 268), a decisão recorrida não validou, portanto, a autuação no que diz respeito aos preços utilizados para apuração do valor tributável mínimos de IPI, em que foram consideradas as operações praticadas pelos distribuidores localizados em outras cidades que não aquela onde está situado o estabelecimento fabril do remetente, mantendo, em conseqüência, a exigência quanto àquelas praticadas na mesma localidade, expurgando, ainda, como no primeiro item da autuação, da base de cálculo do IPI, os valores relativos ao ICMSSubstituição Tributária e a margem de comercialização de 20%, conforme o PN/CSTn°341, de 1971." · Excerto do voto condutor do Acórdão nº 340100.768, 25/5/2010, 3ª Seção de Julgamento do Carf, Processo n° 19515.003405/200460: "Como muito bem observado nestes autos, a resposta a este quesito é de extrema valia, uma vez que o Ato Declaratório CST n° 5/82, o Parecer Normativo CST n° 44/81 1 e os artigos 68 do RIPI 182 e 123, I, do RIPI1982 determinam que o valor tributável do IPI — base de cálculo do IPI nas operações entre empresas interdependentes — sendo o preço corrente no mercado atacadista na praça do remetente, ou seja, na praça da cidade onde está localizada a autuada, in casu, cidade de Sao Paulo. Que fique bem claro, por oportuno, que tais dispositivos afastam quaisquer hipóteses de inclusão na média ponderada de preços praticados por empresas atacadistas localizadas em outras praças que não a do remetente. E em face desta afirmativa, temse que a recorrente não atua como atacadista de seus produtos na praça da cidade de São Paulo, onde está localizada a Avon Industrial, local sim de sua sede administrativa. Por outro lado, verificamos que foram considerados os preços praticados por estabelecimentos da recorrente localizados em outras praças, diferentes da de São Paulo: cidade de Osasco/Estado de São Paulo e cidade de Maracanafi /Estado do Ceará. E apuração destes preços se deu através da coleta e análise de documentos entregues pela recorrente (sede administrativa) a fiscalização, documentos esses emitidos pelos estabelecimentos da recorrente localizados em outras praças que não a cidade de são Paulo." · Acórdão nº 3403002.285, de 26/6/2013, 3ª Seção de Julgamento do Carf, Processo n° 11080.731081/201128,: "VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. EMPRESAS INTERDEPENDENTES. Inexistindo mercado atacadista na cidade em que está localizado o estabelecimento remetente, o valor tributável mínimo do IPI a ser observado nas vendas para empresa interdependente deve ser apurado com base na regra do art. 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010, considerandose apenas e tãosomente os custos de fabricação e demais despesas incorridas pelo remetente dos produtos." É fato que em alguns julgados, a ex. dos Acórdãos Carf nº 3403002.285 e nº 340100.768, já referenciados anteriormente, restaram consignados que praça referese a Cidade ou, mais precisamente, a Município. Não obstante, também é fato que existem julgados desse mesmo Conselho em que se concluiu de forma diversa, a exemplo dos seguintes Acórdãos: Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.373 18 · Acórdão 3201001.204 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 25 de fevereiro de 2013, processo nº 11080.006627/200994, redator designado Conselheiro Paulo Sérgio Celani: SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na saída de produtos tributados pelo IPI para firma interdependente, o valor tributável não pode ser inferior ao preço corrente dos produtos no mercado atacadista do remetente, sendo válida sua apuração com base em notas fiscais de saída de apenas um ou dois estabelecimentos, quando, no procedimento de auditoria, tendo em vista as especificidades dos produtos, não forem encontrados outros atacadistas, e o remetente, fabricante dos produtos, não demonstrar sua existência. A inobservância deste valor tributável mínimo enseja o lançamento de ofício. · Acórdão 3301001.847 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 22 de maio de 2013, processo nº 10480.724644/201156, Relator Conselheiro José Adão Vitorino de Morais: BASE DE CÁLCULO. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Comprovada a relação de interdependência entre as empresas, adotase como base de cálculo do IPI incidente nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial da interdependente o valor tributável mínimo. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. APURAÇÃO. O valor tributável mínimo corresponde à média ponderada dos preços de cada produto, vigente no mês precedente ao da saída dos produtos do estabelecimento industrial remetente, e, ainda, não pode ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça daquele, no caso de remessa para empresa interdependente. · Acórdão 3302003.026 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 27 de janeiro de 2016, processo 16682.720009/201371, Redator designado Conselheiro José Fernandes do Nascimento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA ESTABELECIMENTO ATACADISTA INTERDEPENDENTE EXCLUSIVO. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. PREÇO MÉDIO DE VENDA NO ATACADO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento atacadista interdependente que seja o único comprador do produto, o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda no atacado do adquirente atacadista exclusivo para os seus clientes. · Acórdão 3401003.954 e 3401003.955, ambos da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 29 de agosto de 2017, processos nº 18470.720682/201594 e 10872.720074/201545, respectivamente, Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida: OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.374 19 A relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo enseja a observância pelo sujeito passivo do valor tributável mínimo previsto no Regulamento do IPI. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no art. 136, inciso I, do RIPI/2002 e art. 195, inciso, I, do RIPI/2010. Recurso Voluntário Negado Destaquese que, os processos nº 18470.720682/201594 e 10872.720074/201545, acima citados, cuidam de situações similares (pra não dizer idênticas) ao caso ora apreciado, relacionadas a outro Grupo empresarial, igualmente de cosméticos, onde a fiscalização atribuiu o conceito de praça à Região Metropolitana do Rio de Janeiro, conquanto no presente caso, foi caracterizada como praça a Região Metropolitana de São Paulo. Vêse, diversamente do que pretendeu demonstrar a recorrente, que a matéria não se encontra pacificada, tampouco há convergência no tocante ao alcance territorial que se deve dar ao termo "praça", para fins de observância do art. 136, I, do RIPI/2002, ou dos dispositivos posteriores que o sucederam, de mesmo teor. Certo é que o direito tributário não definiu objetivamente o significado de "praça", para fins de aferição do VTM. Não por outra razão emergemse variantes interpretativas que, buscando apoio em outros ramos do direito, acabam por apresentarem fundamentos e conclusões divergentes entre si, frutos de visões relativas, ainda que, r.g., ancoradas em fundadas interpretações, igualmente válidas juridicamente. Assim, não obstante a validade fática e jurídica dos precedentes trazidos pela recorrente, deles não me vinculo, fazendo a seguir minhas próprias considerações. Desde já afugentase qualquer relação jurídica entre a presente autuação e o lançamento formalizado por meio do processo nº 16561.720180/201276, 5 para exigência de supostos débitos de PIS/COFINS. Não obstante tratarse de autuações com base no mesmo procedimento fiscal, naquela exigência, cancelada no âmbito desse Conselho, restou demonstrado inexistir norma jurídica que imponha adoção de critérios substitutivos para a base de cálculo de PIS/Cofins, nos moldes do VTM, este último legalmente instituído para o IPI. 5 Registrese que referido processo foi julgado no âmbito desse Conselho, em sede de Recurso necessário, por meio do Acórdão 3401003.266 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em setembro de 2016, tendo aquele colegiado Negado Provimento ao Recurso de Ofício, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. SUBFATURAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A acusação de subfaturamento nas operações comerciais não pode ser presumida, devendo ser efetivamente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios ou do fato de haver interdependência entre comprador e vendedor para descaracterizar o valor da fatura comercial. Recurso de Ofício Negado Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.375 20 No presente caso, é inconteste a existência de interdependência entre a Natura Industrial e a Natura Comercial, bem assim que as operações de venda dos produtos objeto da presente autuação foram realizadas pela recorrente, Natura Industrial, com exclusividade para a interdependente, o que exige do estabelecimento vendedor a adoção de um valor tributável mínimo como base de cálculo do IPI, conforme determinado nos arts. 136, I, do RIPI/2002. Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); Já dito, para determinação da praça do remetente a fiscalização adotou o território da Região Metropolitana de São Paulo. Fato contestado pela Recorrente por entender que o conceito de praça não pode abarcar área superior ao espaço geográfico de Município. Assim concluiu a fiscalização em seu Termo Fiscal: "90. Concluindo: a legislação do IPI ao se referir a "praça", claramente a conceitua como a região onde existam as mesmas características econômicas em que produtos possam ser oferecidos, como dito acima, em condições de competição homogêneas. Onde os custos que se tenha para colocar os produtos no mercado consumidor não provoquem grandes aumentos ou diminuições de preços. Onde os consumidores tenham as mesmas características sócioeconômicas e de costumes para comprar esses mesmos produtos aos mesmos preços. Todas as definições e explanações efetuadas acima deixam claro que as cidades de Cajamar e Itapecerica da Serra, pertencentes à Região Metropolitana de São Paulo, devem ser consideradas como mesma "praça". Desta forma, ficou configurado que a Comercial, mercado atacadista dos produtos fabricados pelo Industrial, em sua sede formal, Itapecerica da Serra, pertence à mesma praça da remetente interdependente Industrial." Do teor descritivo constante do Termo de Verificação Fiscal, da lavra de Auditor Fiscal da RFB, bem assim dos Pareceres apresentados pela Recorrente, emitidos pelo Prof. Fábio Ulhôa Coelho, por LCA Consultorias e por Tendências Consultoria integrada, constatamse a elaboração de aprofundados e detalhados trabalhos técnicos, jurídicos e acadêmicos que, no conjunto, explicitam a história, evolução, conceitos, definições e significados do termo "praça", comumente utilizado na realização de negócios. Todavia tais ensinamentos não se mostram suficientes para dirigir, de forma objetiva, a lide. Os usos e costumes, a cultura sóciopolítica, bem assim a economia vigente nos idos do século XIX não se coadunam com o atual período da história brasileira, onde vigora nova realidade comercial, alicerçada eminentemente em meios tecnológicos inexistentes à época. Assim, tornase ardiloso o trabalho para se adequar os termos técnicos e jurídicos empregados no comercio do Brasil antigo, para os dias atuais. Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.376 21 Nesse pormenor, assim se manifestou o Auditor Fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, fl. 2235, ao se referir à origem do termo "praça" constante do art. 136, I, RIPI/2002: "Tinha o sentido de buscar um padrão de preço mais próximo possível da realidade de um determinado mercado, e, naquele época a área geográfica influenciava muito, pois o transporte, a comunicação e a tecnologia, eram difíceis e caros. Hoje com a globalização, que promoveu a integração das economias, bem como a inovação das tecnologias de comunicação, transporte, informação, processamento de dados etc, provocando o nivelamento dos preços de determinados segmentos do comércio, seja em qualquer região geográfica do país onde esteja localizado o estabelecimento [...]. Ou seja, é uma região que apresenta características sócio econômicas semelhantes que influenciam comercialmente os produtos ofertados, tanto do ponto de vista dos custos (salários, fretes, água, energia etc.) como do perfil dos consumidores (renda, preferências etc)." Alinhome, na essência, com o entendimento suso transcrito. Não obstante a hipótese de se caracterizar "praça" como reunião de pessoas, suscitadas nos trabalhos apresentados, na espécie aqui tratada é certo que a norma refirase a "praça" no sentido de lugar (lato sensu) onde o negócio é celebrado, independente de para onde o produto será destinado ou consumido (mercado consumidor ou atacadista). Intrinsecamente, tenho que "praça", na acepção do artigo 136, I, do RIPI/2002, deve representar a região onde o preço do produto será o mesmo em qualquer parte desse território, sem interferência externa como frete, seguro, comissões, entre outras despesas, que, em se existindo, provocaria um desnivelamento do preço a ser comparado, não havendo que se falar, a meu ver, em limite geográfico, genericamente estabelecido. Ademais, repitase, não se vislumbra, na letra da Lei, qualquer definição objetiva referente ao termo "praça comercial", tampouco menção territorial que a limite ao espaço de Município. Partindo dessa premissa, temos que a praça de comércio pode ter abrangência superior, ou inferior, ao território de Município, a depender dos fatores que integram a operação: produto, concorrência, exclusividade, produto único, segregação de preço por região de destino, tabelamento, segregado ou não por regiões etc. Em se tratando de mercado monopolizado, o preço praticado será único, sendo determinado pelo atacadista, único distribuidor, que detém o poder de lançar, distribuir o produto para o mercado consumidor. Na espécie, temos um mercado atacadista formado por uma única empresa, Natura Comercial, monopolista, exclusiva, quem determina o preço desse mercado, ainda que situado em cidade diversa da unidade produtora, sua interdependente. Portanto, Natura Comercial compõe com exclusividade o marcado atacadista dos produtos que comercializa, porquanto única distribuidora de Natura Industrial, com quem mantém relação de interdependência, razão pela qual estão inseridas na mesma praça comercial, para fins do art. 136, I, do RIPI/2002. É nesse sentido que caminhou a Solução de Consulta Interna n° 08/2012 COSIT, de 13 de junho de 2012, ao tratar do artigo 195, I do RIPI de 2010, sucessor do art. 136, I do RIPI de 2002, base do lançamento aqui tratado, nos seguintes termos: Solução de Consulta Interna n° 08/2012 COSIT Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.377 22 O valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento distribuidor interdependente do estabelecimento industrial fabricante. O valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial fabricante, e que tenha na sua praça um único estabelecimento distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. [...] 2. Tratase de pedido de orientação relativo à possibilidade de aplicação da regra de fixação de valor tributável mínimo vazada no inciso I do art. 195 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/2010), quando no mercado atacadista a que essa regra se refere existir um único distribuidor, sendo este interdependente do estabelecimento industrial fabricante do produto cujo valor tributável mínimo se pretenda determinar. 3. A dúvida exsurge em razão do Parecer Normativo CST nº 44, de 30 de novembro de 1981, o qual dispõe que, quando a determinação do valor tributável para efeito de cálculo do IPI for efetuada através dos preços praticados no mercado atacadista da praça do remetente, devese considerar o universo de vendas realizadas naquela localidade, e não somente àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 4. Deste modo, com o intuito de sanar a dúvida suscitada internamente e visando uniformizar a interpretação a ser dada à regra de determinação de valor tributável mínimo, a SRRF10/Disit solicitou a esta Cosit que se manifestasse sobre a questão, indagando textualmente: (...) quando uma distribuidora é a única vendedora no mercado atacadista do país ou da região do fabricante, os preços por ela praticados devem ser utilizados para determinação do valor tributável mínimo referido no artigo 195, inciso I, do RIPI/2010? Ou, em função do que consta no trecho acima transcrito do Parecer Normativo CST nº 44/81, deve se entender que a regra do artigo 195, inciso I, do RIPI/2010 só pode ser aplicada nos casos em que o mercado atacadista seja composto por mais de um vendedor? Fundamentos 5. O inciso I do art. 195 do RIPI/2010 assim dispõe sobre a matéria, in verbis: Art.195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.378 23 6. Observase que o dispositivo legal acima não faz qualquer referência ao número mínimo de ofertantes que devem atuar no mercado para que este seja caracterizado como um “mercado atacadista”. Tampouco faz qualquer distinção entre mercados monopolizados, oligopolizados, livre concorrência ou monopsônio. 7. Desse modo, não havendo base legal para se estabelecer o número mínimo de ofertantes, nem distinções entre os tipos de mercado, deve ser aplicada a regra prevista no inciso I do art. 195 do RIPI/2010 sempre que o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. 8. Já o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, ao tratar do valor tributável para efeito de cálculo do IPI, assim dispôs sobre “mercado atacadista”, in verbis: 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o§ 5º do artigo 46 do RIPI/79. 9. Ou seja, existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado. Devese levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. 9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. 9.2. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. 10. Dessa forma, as operações realizadas por este estabelecimento corresponderão ao “universo das vendas” a que se refere o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, e tais operações de compra e venda configurarão o “mercado atacadista” de que trata o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Conclusão 11. Diante do exposto, na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.379 24 estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. [Destaquei] Por oportuno, registrese que o Parecer CST nº 89, de 1970 bem alinhou o sentido do art. 15 da Lei nº 4.502, de 1964, matriz legal do art. 136, RIPI/2002: Produto destinado a estabelecimento de firma interdependente: o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente (RIPI, art. 21, inciso I). Estabelecimento que vende seus produtos a terceiros atacadistas e, além destes, para uma empresa, também atacadista, com a qual mantém relação de interdependência. Neste último caso, o valor tributável "não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", conforme dispõe o inciso I do art. 21 do Decreto n.° 61.514/67. O "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente" é, evidentemente, o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento, a terceiros, não interdependentes. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento que seja o único comprador do produto (firma interdependente), o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda do adquirente, salvo se este operar, exclusivamente, na venda a varejo, devendo, neste caso, ser observado o disposto no inciso II e §§ 4.° e 5.° do art. 21 do RIPI.” Resta cristalino que, em se havendo no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 136 do RIPI/2002 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante, o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado. Transcrevese excertos do Acórdão 3401003.954 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 29 de agosto de 2017, processos nº 18470.720682/201594 da relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, cujo teor bem ilustra e converge com os fundamentos suso expostos : No presente caso, entendo mesmo inócua a interpretação restritiva pretendida, sobre o conceito de 'praça', entre os municípios do Rio de Janeiro/RJ e de São João de Meriti/RJ, pois, o monopólio da distribuição garante à empresa Delly Distribuidora a fixação dos preços, em todo mercado atacadista, não existindo outros distribuidores dos mesmos produtos à formar preços distintos. Como bem acentuado na SCI Cosit nº 8/12, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.380 25 possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no art. 136, inc. I, do RIPI/2002, e art. 195, inc., I, do RIPI/2010. Citese ainda excertos do Acórdão nº 3101001.806 1ª Câmara 1ª Turma Ordinária, de 24 de fevereiro de 2015, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, do qual participei do julgamento tendo acompanhado o voto do Relator: No presente caso, tratase de produto industrializado por Memphis Industrial, possuindo características específicas, identificados por códigos próprios, de forma a distinguilos de produtos de marcas fabricadas por outras empresas do mesmo setor. Neste caso, estando a primeira distribuição destes bens restrita às empresas comerciais interdependentes, não alcançando pessoas jurídicas independentes, há mercado atacadista e o Valor Tributável Mínimo será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012 No caso concreto aqui tratado, cuidou a fiscalização de demonstrar pormenorizadamente a caracterização da Região Metropolitana de São Paulo como elemento aglutinador constitutivo do mercado atacadista do Grupo Natura, e conseqüentemente de seus produtos, conquanto abarca os municípios de Cajamar, sede da Natura Industrial e Itapecerica da Serra, sede da Natura Comercial. Nesse pormenor, trago à luz fala da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em suas contrarrazões: Com isso, e levandose em conta que a NATURA vende seus produtos em território nacional, praticando preços que não sofrem alteração em função da localização do distribuidor ou do cliente, ou seja, em condições homogêneas de atuação no mercado, o conceito de praça adotado na autuação assegura a justiça da apuração e respeita a finalidade da norma. Assim, agiu com correição a fiscalização ao considerar “praça” a região metropolitana de São Paulo, perminindose aplicar como VTM o preço praticado pela Natura Comercial, destinatária exclusiva dos produtos da Natura Industrial, em face de relação de interdependência entre elas, bem assim por ser única empresa atacadista que comercializa referidos produtos, nos termos dos artigos 136 e 137 do RIPI de 2002 (arts. 195 e 196 do RIPI de 2010), cuja matriz legal é a Lei nº 4.502/64, artigo 15. 1.2.2 Da Apuração do Preço Corrente no Mercado Atacadista O Auditor Fiscal da RFB entendeu que, pelo fato de a Recorrente situarse na mesma praça da Natura Comercial, com a qual mantém relação de interdependência, e por ser ela a única atacadista, deverseia considerar que o preço corrente no marcado atacadista de sua praça seria o próprio valor das saídas praticadas pela Natura Comercial. Entende a Recorrente que tal entendimento contraria o Ato Declaratório CST nº 5/1982, segundo o qual também as operações praticadas entre o remetente e a sociedade com Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.381 26 a qual mantém relação de interdependênica devem compor a média, para fins de apuração do preço corrente no mercado atacadista na praça do remetente. Ato Declaratório CST n° 5/1982: "(...). Declara, igualmente, que, do produto assim caracterizado, para efeito de cálculo da média ponderada de que trata o § 5o do artigo 46 do RIPI/79, que determinará o valor tributável mínimo a que alude o artigo 46, inciso I, do mesmo Regulamento, deverão ser consideradas as vendas efetuadas pelos remetentes e pelos interdependentes do remetente, no atacado, na mesma localidade, excluídos os valores de frete e IPI. " Alega ainda a Recorrente que a decisão recorrida não considerou as aquisições de "terceiros" pela Recorrente na composição do mercado atacadista, ao argumento de que não poderiam ser consideradas as aquisições de matériasprimas, e de que não se teria prova de que os produtos eram os mesmos. Não assiste razão a recorrente. As vendas a que se referem o ADE CST nº 5/82, antes transcrito, são aquelas realizadas com terceiros. O Parecer CST nº 89, de 1970, é cristalino: Produto destinado a estabelecimento de firma interdependente: o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente (RIPI, art. 21, inciso I). Estabelecimento que vende seus produtos a terceiros atacadistas e, além destes, para uma empresa, também atacadista, com a qual mantém relação de interdependência. Neste último caso, o valor tributável "não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", conforme dispõe o inciso I do art. 21 do Decreto n.° 61.514/67. O "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente" é, evidentemente, o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento, a terceiros, não interdependentes. Conforme já manifestei em tópico precedente, em se tratando de mercado monopolizado, o preço praticado será único, sendo determinado pelo atacadista, único distribuidor. Portanto, esse preço praticado pelo atacadista exclusivo é o que estabelece o preço do mercado atacadista, para fins de apuração do VTM, ex vi item 9.1 da Solução de Consulta Interna n° 08/2012 COSIT: "9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010." Ademais, não é crível que o preço praticado pela Natura Industrial possa compor a apuração do VTM, porquanto considerado inidôneo pela fiscalização. Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.382 27 Por óbvio, na apuração do VTM consideramse exclusivamente as operações de vendas de produtos industrializados. As regras para definir o VTM estão esculpidas no art. 136 e 137 do RIPI/2002, não havendo espaço para inclusão de produtos adquiridos pela industria. 1.2.3 Da Desconsideração dos Créditos de IPI da Recorrente. Alega a recorrente que não foram considerados os créditos decorrentes da nãocumulatividade, sustenta que a fiscalização, na apuração do crédito tributário, deveria ter abatidos todos os créditos de IPI, na seguinte forma: (I) apuração do IPI supostamente devido pela Recorrente nos períodos de 01/2008 a 12/2008; (II) abatimento de todos os créditos de IPI registrados pela Recorrente no período em referência; (III) dedução dos valores informados em DCTF (e, portanto, já previamente "constituídos" pela Recorrente); e (IV) lançamento de ofício apenas das supostas diferenças de IPI, correspondentes ao resultado da seguinte operação matemática: débitos apurados de ofício (subtração) créditos da nãocumulatividade (subtração) valores previamente informados em DCTF. Afirma a recorrente que esse alegado equívoco por parte da fiscalização teria acarretado agravamento da exigência fiscal em mais de R$ 70 milhões. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal adotou a seguinte metodologia para elaboração da planilha da base de cálculo, fls. 2250/2251: 1º) Separamos os produtos enviados pela Industrial à Comercial, mês a mês; 2º) Suprimimos as colunas do CNPJ da Cosméticos e Mês; 3º) Retiramos todos os produtos que eram fabricados por terceiros e revendidos pela Industrial (portanto não sujeitos ao IPI); 4º) Na coluna de Preço Médio de Venda, substituímos o valor do mês corrente, pelo valor do mês precedente ou anterior. Dessa forma, o mês de janeiro/2008 possui valores do mês de dezembro/2007 ou anterior (cujos dados solicitamos à Comercial) e assim por diante, até dezembro/2008, cujos valores são de novembro/2008; 5º) Eliminamos da planilha os produtos cujos preços nos meses precedentes não foram encontrados, pois não se encontram abrangidos pelo determinado no artigo 137; 6º) Multiplicamos o valor do item anterior pela alíquota de cada produto, obtendo assim o tributo devido em cada unidade de produto. 7º) Multiplicamos o tributo por unidade pela quantidade vendida, obtendo assim o valor tributável total por espécie de produto; 8º) Fizemos a somatória mensal de todos os valores tributáveis totais por espécie de produto. Essa somatória é o valor mensal de IPI devido; Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.383 28 9º) Subtraímos dos totais mensais, o IPI lançado como devedor no Livro de IPI. O quadro resumo do lançamento encontrase à fl. 2.251. Tenho que nesse ponto assiste razão o contribuinte. Vêse que o Auditor Fiscal, após apurar o IPI devido, deduziu desse valor o IPI lançado como devedor no Livro de IPI (identificado pela fiscalização como "IPI Livro"). Todavia, do confronto do quadroresumo do lançamento, fls. 2251 (abaixo transcrito), elaborado pela fiscalização, com os dados constantes dos Registros de Apuração do IPI, fls. 42 a 111 e do demonstrativo de apuração da base de cálculo do IPI Valor Tributável Mínimo, fls. 1368 a 2200, constatamos que o valor de "IPI Livro" referese ao resultado do batimento entre débitos e créditos, fruto da não cumulatividade inerente ao IPI. Assim, "IPI Livro" representa unicamente o IPI "lançado" pela recorrente, em face do saldo devedor apurado. Resta concluso que, ao refazer a apuração do IPI com base no VTM, a fiscalização não deduziu, do montante do imposto apurado, os créditos de IPI a que faz jus a recorrente, oriundos da não cumulatividade. Frisese que a fiscalização foi silente em relação a esses créditos, não havendo nos autos qualquer manifestação que pudesse macular a validade dos mesmos. O Princípio Constitucional da Não Cumulatividade, regido pelo art. 153 da Constituição Federal de 1988, Art. 153, § 3º, inciso II estabelece que o IPI será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Fl. 3383DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.384 29 A nãocumulatividade do IPI é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. Assim, à recorrente deve ser creditado, deduzindose do montante de IPI Lançado de Ofício, os valores relativos aos créditos de IPI a que faz jus a recorrente, conforme valores constantes dos Registros de Apuração do IPI, fls. 42 a 111. 1.2.4 Do descabimento da incidência de juros sobre a multa de ofício. Alega a recorrente inexistir amparo legal para a incidência de juros sobre a multa de Ofício. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Em sintonia, a Súmula CARF nº 5 estabelece que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Noutro norte, a combinação dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN dispõe que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, por óbvio, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.385 30 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Resta concluso portanto que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, contempla a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio punitiva, proporcional ou isolada, constituída por ocasião do lançamento. No mesmo sentido manifestouse a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, fls. 3.213/3.230. Vejamos o seguinte excerto: O art. 113, § 1º do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de crédito tributário está esculpido no art. 139 do CTN: O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão que não a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. Corroborando o suso exposto, trago à luz excerto do voto vencedor condutor do Acórdão 9101003.106, de 14 de setembro de 2017, da 1ª Turma da CSRF, redatora designada Conselheira Adriana Gomes Rego: Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Assim, conforme exposto a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorre da lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN, logo é obrigatória a sua aplicação. Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 16561.720176/201216 Acórdão n.º 3301004.363 S3C3T1 Fl. 3.386 31 1.3 DISPOSITIVO Com os fundamentos expostos, voto por Dar Parcial Provimento ao Recurso Voluntário, unicamente para reconhecer o direito ao crédito de IPI, conforme valores constantes dos Registros de Apuração do IPI, fls. 42 a 111, cujo montante deverá ser deduzido do Crédito Tributário constituído, mantendose, no mais, o Auto de Infração. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 3386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003554/2002-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1996
OUTRAS EXCLUSÕES. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE BASES NEGATIVAS.
A falta de comprovação de que o lucro obtido no período e as bases negativas de períodos anteriores decorrem de resultados obtidos com a atividade rural, impõe a aplicação do limite legal de 30% da base de cálculo do período às compensações de bases negativas de CSLL.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4.
Nos termos da Súmula CARF nº 4 incidem juros moratórios à taxa Selic sobre os débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1301-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: Milene de Araújo Macedo
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
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COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE BASES NEGATIVAS. A falta de comprovação de que o lucro obtido no período e as bases negativas de períodos anteriores decorrem de resultados obtidos com a atividade rural, impõe a aplicação do limite legal de 30% da base de cálculo do período às compensações de bases negativas de CSLL. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Nos termos da Súmula CARF nº 4 incidem juros moratórios à taxa Selic sobre os débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 35 54 /2 00 2- 50 Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10675.003554/200250 Acórdão n.º 1301002.857 S1C3T1 Fl. 1.677 2 Milene de Araújo Macedo Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase de processo que retorna da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para apreciação do recurso voluntário, face ao Acórdão nº 9101001.492, proferido pela 1ª Turma da CSRF que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para afastar a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1996. Consta do auto de infração (fls. 74 a 90) que em decorrência da ação fiscal realizada junto ao sujeito passivo Rezende Óleo Ltda, atual Sadia Industrial Ltda, foram apuradas as seguintes infrações: 1 Adições ao Lucro Líquido Antes da CSLL Encargos de Depreciação, Amortização, Exaustão e Baixas de Bens Diferença IPC/BTNF Art. 3º da Lei nº 8.200/91, Fatos Geradores : AC 1997, 1998 e 2000; 2 Adições ao Lucro Líquido Antes da CSLL Reserva Especial Realização Art. 2º da Lei nº 8.200/91, Fatos Geradores : AC 2000; 3 Exclusões ao Lucro Líquido Antes da CSLL sobre o Lucro Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis PDD Clientes e Adiantamento Soja, Fatos Geradores : AC 2000; 4 Redução Indevida do Lucro Líquido Outras Exclusões, Fatos Geradores : AC 1996 e 1997; 5 Demais Infrações Sujeitas a Multas Isoladas Falta de Recolhimento da Contribuição Social sobre a Base Estimada, Fatos Geradores : AC 1997 a 2000. Considerando que a única infração em que foram apurados fatos geradores relativos ao anocalendário de 1996 é a infração 4 Redução Indevida do Lucro Líquido Outras Exclusões, a questão a ser apreciada por esta Turma limitase às alegações de mérito contidas no recurso voluntário (fls. 138 a 167) para essas ocorrências. De acordo com a acusação fiscal, as exclusões efetuadas a titulo de "Outras Exclusões" tratamse na verdade de compensações indevidas de Bases de Cálculo Negativas de Períodos Anteriores, incluídas na linha "Outras Exclusões" da DIPJ com o objetivo de encobrir os valores efetivamente utilizados àquele título, em virtude da limitação legal de compensação Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 10675.003554/200250 Acórdão n.º 1301002.857 S1C3T1 Fl. 1.678 3 a 30% da base de cálculo apurada no período, ajustada pelas adições e exclusões permitidas pela legislação tributária. Em sua impugnação o sujeito passivo opõese à mencionada infração alegando, preliminarmente a decadência relativa dos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1996 e, quanto ao mérito, afirma que em certos meses do ano dedicase parcialmente à atividade rural para concluir operações de colheita cujo plantio fora por ela financiado. Assim, entende que quando essa atividade rural apresenta prejuízo, ele não se confunde com os prejuízos usuais pois inexiste a limitação de 30% à compensação daqueles prejuízos, motivo pelo qual fazse necessária a exclusão desses valores na linha "Outras Exclusões" da DIPJ, sem que ocorra qualquer fraude ou erro nesse procedimento. Ao apreciar a impugnação o Acórdão DRJ/JFA nº 3.805/03 decidiu que a contribuinte não trouxe qualquer prova ou indício de que tenha exercido a atividade rural e, ao contrário, os elementos acostados aos autos indicam justamente que o sujeito passivo não obteve rendimentos provenientes da atividade rural no anocalendário de 1996 e anteriores. Consta ainda da referida decisão, que mesmo que possuísse bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas da atividade rural, o local correto para sua compensação não seria na linha "Outras Exclusões" mas sim na linha 20 "Base de Cálculo Neg. da Contr. Social de Per. Base Anteriores", da Ficha 11 da DIPJ/1997. No recurso voluntário apresentado a recorrente repete as alegações efetuadas na impugnação e acrescenta que segregou contabilmente as receitas, custos e despesas referentes à atividade rural das demais atividades, conforme determina o art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 257/02. Ao apreciar o recurso a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes acolheu a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 1996, por meio do Acórdão nº 10195.142, assim ementado: CSLL – PRELIMINAR DE DECADÊNCIA INAPLICABILIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91 FRENTE ÀS NORMAS DISPOSTAS NO ART. 150, §4o. DO CTN – A partir da Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais voltaram a ter natureza jurídicotributária, devendo, portanto, aplicarse a elas todos princípios tributários previstos na Constituição (art. 146, III, “b”), e no Código Tributário Nacional (arts. 150, § 4o. e 173). PRELIMINAR – DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – OUTRAS EXCLUSÕES O direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em lançamento por homologação decai em cinco anos a contar da data do fato gerador da obrigação tributária. MULTA AGRAVADA – Descabe o agravamento da multa de ofício prevista no inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, quando não devidamente comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude, mormente quando o contribuinte não ocultou a operação praticada, registrando na sua escrita comercial e fiscal toda a operação. MULTA ISOLADA – Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, cabe o lançamento da multa exigida isoladamente sobre os valores devidos e não recolhidos por estimativa. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 10675.003554/200250 Acórdão n.º 1301002.857 S1C3T1 Fl. 1.679 4 CSLL – CORREÇÃO COMPLEMENTAR IPC/BTNF – ART. 3o. DA LEI N. 8.200/91 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO –Possível à exclusão da correção complementar do IPC/BTNF da base de cálculo da CSLL por inexistência de previsão legal para sua adição. CSLL – RESERVA ESPECIAL – ART. 2o. DA LEI N. 8.200/91 – A reserva da correção especial dos bens do ativo permanente deverá ser adicionada na base de cálculo da contribuição social, proporcionalmente à realização dos bens ou direitos mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou a qualquer título. CSLL – PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS – PDD CLIENTES E ADIANTAMENTOS DE SOJA – O reconhecimento das perdas no recebimento de créditos poderá ser deduzido da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, desde que devidamente comprovado com documentos hábeis e idôneos a efetiva perda, e esteja de acordo com o disposto no art. 340 e seguintes do RIR/99. CSLL – OUTRAS EXCLUSÕES – BASES NEGATIVAS – A compensação de bases negativas da contribuição social sobre o lucro, poderá ser compensada até o limite de 30% dos resultados apurados em períodos subseqüentes, ajustados pelas adições e exclusões previstas na legislação. TAXA SELIC – JUROS DE MORA – Os juros de mora calculados com base na taxa Selic, são aplicáveis por expressa disposição legal. Recurso Parcialmente Provido. Inconformada a com a decisão proferida a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais alegando a inexistência do decurso do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1996. Em juízo de admissibilidade sumária o Presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional e, na sessão de julgamento realizada em 24/10/12, a CSRF deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional para declarar que os fatos geradores relativos ao anocalendário de 1996 não foram alcançados pelo prazo decadencial e determinou o retorno dos autos à Turma Ordinária para exame do mérito, conforme Acórdão nº 9101001.492, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1997 Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL ARA A CONTAGEM DO PRAZO. Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10675.003554/200250 Acórdão n.º 1301002.857 S1C3T1 Fl. 1.680 5 homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Assim, a contagem do prazo decadencial de cinco anos, na hipótese de falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em consonância com o inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Especial do Procurador Provido. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora A Câmara Superior da Recursos Fiscais devolveu o processo a esta Turma julgadora para análise do recurso voluntário face ao provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por meio do qual foi afastada a decadência dos fatos geradores relativos ao anocalendário de 1996. Dessa forma, somente serão apreciados os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1996, todavia, a multa de ofício qualificada sobre os fatos geradores ocorridos nesse período, já foi objeto do análise no Acórdão nº 10195.142, de 11/08/2005, proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho, em virtude de sua aplicação influenciar diretamente o termo inicial do prazo decadencial. Naquela ocasião, decidiuse pela improcedência da multa qualificada, tendo o Colegiado reduzido a multa, por unanimidade de votos, para o percentual de 75% para todos os períodos objeto de autuação, por entender que não ficou devidamente comprovado o evidente intuito de fraude, requisito definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 para aplicação da multa qualificada. Em sede de preliminares naquele julgamento foi também analisada a preliminar de imputabilidade da multa de ofício, tendo sido decidido pela manutenção da multa no percentual de 75% por não se tratar de sucessão prevista nos arts. 132 e 133 do CTN, mas mera incorporação de empresa do mesmo grupo econômico. A solução da lide consiste em identificar se as exclusões efetuadas na a titulo de "Outras Exclusões" na Ficha 11 da DIPJ/1997 tratamse de compensações indevidas de Bases de Cálculo Negativas de Períodos Anteriores ali incluídas com o objetivo de encobrir os valores efetivamente utilizados àquele título, em virtude da limitação legal de compensação a 30% da base de cálculo do período, conforme acusação fiscal, ou decorrem dos prejuízos fiscais obtidos com a atividade rural, equivocadamente informados na linha "Outras Exclusões", para os quais inexiste a limitação de 30%, conforme defende a recorrente. A decisão recorrida manteve a glosa da compensação sob o fundamento de que o sujeito passivo não trouxe qualquer prova, ou indício de que exercia a atividade rural, apta a produzir os prejuízos fiscais, por meio do acórdão assim ementado: "À fl. 35 consta o objeto social da autuada em 17 de fevereiro de 1995, qual seja: Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 10675.003554/200250 Acórdão n.º 1301002.857 S1C3T1 Fl. 1.681 6 DO OBJETO O objetivo social será a indústria e comércio de grãos oleaginosos, seu esmagamento para a produção de óleo, farelo e todos os seus derivados, inclusive a fabricação de sabão, podendo, ainda, exercer a prestação de serviços nas atividades de esmagamento, refino, saboaria e armazéns gerais. Posteriormente a essa data ocorreram outras alterações no contrato social (fls. 37/47). Em algumas delas não houve alteração no objeto social. Em outras a alteração é mínima. Mas em nenhuma delas está incluído o exercício de atividade rural. A interessada não trouxe qualquer prova, ou mesmo indício, de que exerça, ou tenha exercido, atividade rural. Os elementos presentes nos autos indicam justamente o contrário, pois: a) a própria contribuinte informou nas DIRPJ 97 e 98 não ser pessoa jurídica com tributação de resultados provenientes de atividade rural (fl. 760 e fl. 785); b) mesmo em exercícios anteriores a 1997 a empresa não apurou resultado de atividade rural (fls. 723/740). Em síntese, a contribuinte não poderia compensar BC negativas acumuladas da atividade rural simplesmente porque não as possuía. Ademais, ainda que as possuísse, o local próprio para sua compensação não seria na linha "Outras Exclusões", mas sim na linha "Base de Cálculo Neg. da Contr. Social de Per. Base Anteriores" (ficha 11, linha 20, da DIRPJ/97 e Ficha 11, linha 19, da DIRPJ/98)." No recurso voluntário apresentado a recorrente repete as alegações efetuadas em sua impugnação, de que a empresa, em certos meses do ano, tem que se dedicar à atividade rural, geralmente para concluir operações de colheita cujo plantio fora por ela financiado. Assim, entende que quando essa atividade rural apresenta prejuízo ele não se confunde com os prejuízos usuais, e não se sujeitam à limitação de compensação a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões permitidas na legislação. Aduz que realiza a apuração em separado dessas intervenções na atividade rural, segregando contabilmente as receitas, custos e despesas, motivo pelo qual considera improcedente as alegações da decisão recorrida de que não possuía base negativa de contribuição social. Ao apreciar o recurso voluntário, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1997, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho entendeu que não merecia reparos a decisão recorrida pois o sujeito passivo não carreou aos autos qualquer documento, prova ou mesmo indício de que no período fiscalizado havia exercido a atividade rural e, ao contrário, os documentos acostados aos autos (Contrato Social e DIPJ) demonstravam a completa ausência de atividade rural. De fato, também para o anocalendário de 1996, apesar de afirmar ter exercido a atividade rural, bem assim, que efetuava a segregação contábil das contas a ela vinculadas, a recorrente não anexou aos autos documentos comprobatórios de suas alegações aptos a corrigir o equívoco supostamente cometido em sua DIPJ/1997, onde informou que não auferiu receitas da atividade rural. Relativamente ao pedido de exclusão dos juros de mora calculados com base na taxa Selic sobre os débitos tributários relativos ao anocalendário de 1996, em cumprimento ao disposto no art. 72, do Anexo II ao Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10675.003554/200250 Acórdão n.º 1301002.857 S1C3T1 Fl. 1.682 7 nº 343/2015, o qual estabelece que as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmulas de observância obrigatória, aplico a Súmula CARF nº 4 para considerálo improcedente: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Dessa forma, para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1996, relativamente à matéria devolvida para análise pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, não merece reparos a decisão recorrida. Importante ressalvar que o Acórdão nº 10195.142, de 11/08/2005, proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho, antes de reconhecer a decadência dos fatos geradores relativos ao anocalendário de 1996, deu parcial provimento ao recurso voluntário da recorrente, para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, em todos períodos da autuação, inclusive o anocalendário de 1996, motivo pelo qual a matéria não foi apreciada no presente julgamento. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 1682DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902228/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
Embargos Declaratórios. Omissão. Prequestionamento.
Cabem embargos declaratórios para que seja examinado ponto acerca do qual o colegiado deveria ter se manifestado, e não o fez, bem como para fins de prequestionamento.
Numero da decisão: 1301-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. Declarou-se impedida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 Embargos Declaratórios. Omissão. Prequestionamento. Cabem embargos declaratórios para que seja examinado ponto acerca do qual o colegiado deveria ter se manifestado, e não o fez, bem como para fins de prequestionamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. Declarou-se impedida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. PREQUESTIONAMENTO. Cabem embargos declaratórios para que seja examinado ponto acerca do qual o colegiado deveria ter se manifestado, e não o fez, bem como para fins de prequestionamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. Declarouse impedida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 22 28 /2 01 2- 76 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10805.902228/201276 Acórdão n.º 1301003.009 S1C3T1 Fl. 234 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, em face do Acórdão nº 1102001.218, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, com o escopo de suprir omissão sobre ponto acerca do qual a decisão embargada deveria ter se manifestado, mas também com o objetivo de prequestionar a matéria, abrindo caminho para a interposição de recurso especial. O processo envolve compensação de saldo negativo de IRPJ do ano base 2009. A DRF Santo André, unidade local, reconheceu em parte o direito creditório. A requerente apresentou, quanto a parcela do crédito não reconhecida, manifestação de inconformidade, a que a DRJ Campinas deu parcial provimento. Interposto recurso ao CARF, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deferiu no todo a pretensão da recorrente. Entretanto, a PFN, alegando que uma parcela da composição do saldo negativo, que se pretende utilizar como crédito na compensação, depende ainda de decisão judicial não transitada em julgado, interpôs embargos declaratórios para que o colegiado se manifeste de forma expressa sobre o óbice representado pelos artigos 170 e 170A do Código Tributário Nacional CTN. Disse a embargante: Esse eg. Colegiado deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito tributário pleiteado, no valor original de R$ 48.390.083,37. Todavia, observase que a composição do saldo negativo, que se pretende utilizar como crédito na compensação, ainda depende de decisão judicial não transitada em julgado. Com efeito, constatase que o Mandado de Segurança de nº 1511 17.2010.4.03.6126, no qual o contribuinte discute a exigibilidade da multa de mora correspondente a pagamentos de estimativa efetuados em atraso, ainda aguarda análise pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Nesse contexto, considerando que se discute judicialmente a exigibilidade da multa, a qual encontra reflexos na formação do saldo negativo, entendese s.m.j. que a pretensão do contribuinte encontra óbice nos arts. 170 e 170A do CTN, eis que o crédito que se pretende compensar não se reveste dos requisitos de certeza e de liquidez. (...) Nesse contexto, considerando que o Colegiado restou omisso no que toca à questão da análise da vedação à compensação com crédito cuja apuração dependa de decisão judicial não transitada em julgado, disposta nos arts. 170 e 170A do CTN, fazse mister que se manifeste para explicitar o posicionamento da Turma, procedendo às devidas retificações no julgado, caso entenda necessário. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10805.902228/201276 Acórdão n.º 1301003.009 S1C3T1 Fl. 235 3 Destaquese que a oposição dos presentes aclaratórios revelase necessária para prequestionar o tema sobre o qual a Turma não se pronunciou e subsidiar a interposição de recurso especial, se for o caso. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer que os presentes embargos de declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para sanar o vício apontado. (fls. 210 a 212) Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 229 a 232, nos seguintes termos: A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, qual seja, a análise da vedação à compensação com crédito cuja apuração dependa de decisão judicial não transitada em julgado, disposta nos arts. 170 e 170A do CTN. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. (fl. 232) É o que basta relatar. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Cabem embargos declaratórios nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em exame, os embargos têm por fundamento omissão existente no acórdão embargando; ademais, têm a finalidade declarada de prequestionar a matéria, viabilizando a interposição de recurso especial. O ponto a ser examinado envolve especificamente o óbice levantando, pelo art. 170A do CTN, à compensação de crédito relativo a tributo que seja objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes de que haja trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Esta é a dicção do art. 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. O art. 170A tem sua aplicação voltada aos casos em que o sujeito passivo pleiteia, como crédito, um valor pago a título de tributo, que depois vem a ser questionado judicialmente. Ou seja, o sujeito passivo extingue o crédito tributário por pagamento e posteriormente questiona na Justiça a validade da referida obrigação. Nesta hipótese, enquanto a decisão judicial não estiver revestida da imutabilidade que a coisa julgada confere, o direito Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10805.902228/201276 Acórdão n.º 1301003.009 S1C3T1 Fl. 236 4 ao crédito se apresenta instável e, portanto, sem a necessária certeza que autorize a compensação. No caso do acórdão embargado, não se questionam as estimativas, que foram efetivamente recolhidas. A controvérsia gira em torno da denúncia espontânea e da multa de mora. Ressaltese que, apesar de se discutir o cabimento da multa de mora, os respectivos valores foram depositados. Assim, qualquer que venha a ser desfecho da ação judicial, o direito da Fazenda estará garantido, sem nenhuma possibilidade de reflexo sobre o saldo negativo que o sujeito passivo pleiteia como crédito na compensação. Portanto, no caso em tela, a ação judicial não tem por objeto o crédito informado na declaração de compensação, nem projeta sobre ele a instabilidade e a incerteza que são os pressupostos do art. 170A do CTN. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.006702/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA
O mandado de procedimento fiscal consiste em instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Constatada a pratica reiterada de infração à legislação tributária, e exclusão do Simples surtirá efeito a partir do mês de ocorrência da infração.
ARBITRAMENTO DO LUCRO - DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Impõe-se o arbitramento do lucro quando demoNstrada que a escrituração contábil contém vício, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido, ou revela indícios de fraude.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente, cuja origem não seja comprovada, presumem-se receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita.
FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. POSSIBILIDADE. Os agentes da administração tributária poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o sujeito passivo agiu com evidente intuito de fraude. A prática reiterada durante 2 anos, em que o contribuinte declarou aproximadamente 2% das receitas realizadas comprova o seu dolo e a justificativa da qualificação da penalidade.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, COFINS E PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, estende-se no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Lançamento Procedente.
Numero da decisão: 1401-002.359
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA O mandado de procedimento fiscal consiste em instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Constatada a pratica reiterada de infração à legislação tributária, e exclusão do Simples surtirá efeito a partir do mês de ocorrência da infração. ARBITRAMENTO DO LUCRO DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Impõese o arbitramento do lucro quando demoNstrada que a escrituração contábil contém vício, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido, ou revela indícios de fraude. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente, cuja origem não seja comprovada, presumemse receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. POSSIBILIDADE. Os agentes da administração tributária poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 67 02 /2 00 7- 55 Fl. 1022DF CARF MF 2 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o sujeito passivo agiu com evidente intuito de fraude. A prática reiterada durante 2 anos, em que o contribuinte declarou aproximadamente 2% das receitas realizadas comprova o seu dolo e a justificativa da qualificação da penalidade. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, COFINS E PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, estendese no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Lançamento Procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 11080.006702/200755 Acórdão n.º 1401002.359 S1C4T1 Fl. 1023 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte. A ação fiscal referese aos anoscalendário de 2003/2004, períodos em que a empresa era optante do simples. Segundo consta nas informações fiscais extraídas nos autos, "a empresa declarou ter auferido R$ 43.768,30 e R$ 34.748,00 de receita bruta, respectivamente nos anos calendário 2003 e 2004, a movimentação bancária em cada um desses períodos ficou em torno de 4 milhões de reais". As supostas infrações tributárias praticadas pelo contribuinte referemse ao IRPJ, a CSLL, o PIS, e a COFINS. Apurouse o crédito tributário no valor de R$ 1.613.387,77. Conforme consta da descrição dos fatos em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, “a sistemática omissão de recitas e a falta de escrituração da movimentação da empresa foram consideradas como práticas reiteradas de infrações à legislação tributária e levaram à exclusão do Simples, através da DRF/POA nº 152 de 05 de outubro de 2007. Fora aplicada multa agravada de 150%, em virtude do intuito de fraude, supostamente cometida pelo contribuinte”. Da autuação fiscal, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 14/11/2007 (fls. 370/471), na qual alegou: 1. Afirma que “que o período de fiscalização constante no termo inicio de fiscalização não teria sido cumprido, bem como o MPF complementar somente teria sido emitido após findo o prazo anterior”. 2. Que “haveria ilegalidade em presumirse deposito bancário com renda para fins de tributação. Colaciona julgados e cita a sumula 182 do extinto TRF” 3. Diz ainda, “que a empresa teria sido excluída do Simples simultaneamente com a autuação, sem que fosse propiciado o direito de defesa”. 4. Que “o lucro teria sido arbitrado sem que fosse especificado critério idôneo para isso, valendose da totalidade dos valores supostamente omitidos, a título de receita bruta, o que seria ilegal, levando em consideração que receita bruta e a base de cálculo para o PIS/COFINS e não lucro arbitrado, bem como depósitos bancários não se prestam para demonstrar renda”. 5. Alega que "a multa aplicada de 150% seria absurda, pois sobrepuja o valor principal, e não se tem aos autos, prova cabal do intuito de fraude”. 6. Requereu o acolhimento da presente Impugnação Administrativa para julgar improcedente a autuação fiscal. O Acórdão ora Recorrido (1015.309 5ª Turma da DRJ/POA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 1024DF CARF MF 4 Anocalendário: 2003, 2004. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇAO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Constatada a pratica reiterada de infração à legislação tributária, e exclusão do Simples surtirá efeito a partir do mês de ocorrência da infração. ARBITRAMENTO DO LUCRO DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Impõese o arbitramento do lucro quando demoNstrada que a escrituração contábil contém vício, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido, ou revela indícios de fraude. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente, cuja origem não seja comprovada, presumemse receitas omitidas. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. POSSIBILIDADE. Os agentes da administração tributária poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não detém competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o sujeito passivo agiu com evidente intuito de fraude. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, COFINS E PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, estendese no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Lançamento Procedente. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “não há qualquer mácula quanto à exclusão do Simples. O direito à defesa foi garantido. E que a exclusão do Simples foi objeto do processo nº 11080.006700/200766. No entanto, a autuada traz argumentos para combater o ato de exclusão e considerando que a ciência da exclusão e do auto de infração ocorreu conjuntamente, houve direito a ampla defesa”. Sobre a presunção de omissão receita em razão de contas correntes não reconhecidas na contabilidade, a empresa deveria provar que os valores creditados nessas contas foram efetivamente escriturados e quando representavam receitas, tivessem sido submetidos à tributação. Acerca da violação de sigilo bancário alegado pelo contribuinte, considerou os julgadores, “as autoridades fiscais ao solicitar às instituições financeiras os extratos das Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 11080.006702/200755 Acórdão n.º 1401002.359 S1C4T1 Fl. 1024 5 contas bancárias do interessado, não caracterizar quebra de sigilo bancário, conforme o art. 198 do CTN”. Ciente da decisão do Acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 09/05/2008 (fls. 449/895), alegando as seguintes razões: 1. PRELIMINAR DE ANULAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO: Afirma que “a conclusão do trabalho da fiscalização constante no MPF era de 21 de setembro de 2007. Afirmando que a expedição de mandado de procedimento fiscal complementar foi realizada ao contribuinte já quando a entrega do auto de infração em 18 de outubro de 2007, quando já formalizado o auto de infração. Assim, já estava extinto o mandado de procedimento fiscal pela expiração do prazo e não dispõe de validade a ciência tardia vez que não é dado a fiscalização a execução de trabalhos”. 2. DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA: Diz que "o auto de infração lavrado baseouse exclusivamente em depósitos bancário com quebra de sigilo bancário para fins de apuração de tributos". 3. DA ILEGALIDADE DE PRESUMIRSE DEPÓSITO BANCÁRIO COMO RENDA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO: Afirma que “descabe, cogitarse da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de deposito em conta bancária pertencente ao contribuinte. (...) O auto de infração foi baseado apenas em extratos bancários. Não há qualquer indicio de riqueza aparente. Ademais, a realização de depósito bancário pode advir de incontáveis fontes, sem que qualquer delas represente aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos”. 4. DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA: Reafirma "que a simples demonstração de depósitos bancários não dá o azo à equivocada presunção de aferimento de renda vez que não comprovado pelo fisco o devido nexo de causalidade entre o deposito, o aumento patrimonial e a omissão de receita para fins de ampliação do conceito de imposto". 5. A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO: Aduz que a quebra de sigilo bancário é ilegal e fere direito fundamental da proteção de sigilos de dados (art. 5, X e XII da CF/88). 6. DESPROPORCIONALIDADE DA MULTA DE 150%: Alega que tal critério de fixação é contrario à lei, pois se houve receita declarada e impostos foram recolhidos sobre esta receita declarada, não pode haver incidência de multa sobre tal parcela". 7. DA COMPENSAÇÃO: Afirma que a fiscalização não demonstrou se estes valores tiveram, quando da compensação, respectiva correção monetária. 8. DO ARBITRAMENTO POR PRESUNÇÃO EM FACE DA AUSÊNCIA DE CRITÉRIO TECNICAMENTE ACEITAVÉL, CONFIÁVEL E IDÔNEO: Diz que “a fiscalização aplica em toda a Fl. 1026DF CARF MF 6 suposta receita encontrada com base na movimentação financeira o fator percentil para a base de calculo, pressupondo indevidamente que todo o valor depositado fosse renda, sem considerar qualquer despesa”. 9. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA RETROATIVA VALIDADE PARA ATOS POSTERIORES E ILIQUIDEZ DO AUTO DE INFRAÇÃO: Aduz que "a exigibilidade dos tributos nos moldes do regime geral, porém somente ocorrerá quando a exclusão for definitiva, e esta somente o será após o termino do processo, observando o contraditório e ampla defesa". 10. Requereu “a nulidade do Acordão recorrido, a anulação do auto de infração, a reinclusão da empresa no SIMPLES, o cancelamento de qualquer lançamento tributário". Às fls. 473 dos autos Despacho da 1º seção de julgamento Solicitação de Diligência Conversão do feito em diligência para sobrestar o julgamento do presente processo tendo em vista o art. 2º da portaria do CARF e o art. 328 do regimento interno do STF, "quando se verificar a distribuição de múltiplos recursos fundados em idêntica controvérsia, o presidente do Tribunal ou Relator determinará a devolução dos processos aos tribunais de origem". Às fls. 1.016 dos autos – Despacho – trânsito em julgado do RE de nº 601314/SP com retorno do processo ao Grupo Cobrança/SECAT/DRF/POA para prosseguimento. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte constituise em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação, salvo alguns poucos novos tópicos que, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 11080.006702/200755 Acórdão n.º 1401002.359 S1C4T1 Fl. 1025 7 § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida. Antes de adentrar ao mérito passo à análise da preliminar de nulidade argüida em razão do descumprimento do prazo do MPF original e lavratura do complementar após o seu vencimento. Em que pese o MPF seja um documento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, possuo posição particular no sentido de que sua regularidade traz conseqüências para o procedimento de fiscalização. Em especial no que se refere à possibilidade de denúncia espontânea do contribuinte. Entretanto, no caso concreto, não há o que se falar em nulidade do lançamento, por estarem ausentes as hipóteses legais para o seu reconhecimento. Ademais, durante o período em que não havia MPF vigente, a conseqüência fática, a meu ver, seria a possibilidade de denúncia espontânea do contribuinte, o que não ocorreu. Assim, nego provimento à preliminar aduzida. No que se refere à alegação de nulidade do lançamento face a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário, a qual analiso como preliminar, cumpre ressaltar que dispõe a Súmula CARF nº 2, a qual é de aplicação vinculante: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não cabe a este colegiado exercer qualquer função de controle de constitucionalidade com redução de texto. Outrossim, mesmo que assim não fosse, em que pese este Relator não concorde com o seu resultado, o STF no julgamento da ADI 2390 em 18.02.2016 entendeu ser constitucional a lei que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Fl. 1028DF CARF MF 8 Ademais, diante da ausência de documentos hábeis, face o descumprimento das intimações realizadas, a solicitação de movimentação bancária do contribuinte foi meio absolutamente adequado e que se demonstrou eficaz. Face o exposto, não dou provimento à preliminar suscitada. De posse dos extratos bancários foi lavrado Termo de Intimação solicitando que o contribuinte informasse/comprovasse a origem dos créditos (depósitos) efetuados em contas corrente de sua titularidade. O contribuinte se omitiu perante a fiscalização. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, conforme dispositivo legal já transcrito. Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o Fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do principio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção iuris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. O que não o fez de forma adequada. Das poucas alegações e indicações concretas trazidas pelo contribuinte em sede de impugnação, as que possuíam fundamento concreto foram acatadas na decisão de primeiro grau, e excluídas do lançamento definitivamente, face a inexistência de Recurso de Ofício em razão do valor glosado. No mais, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito remanescente lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento. Ressaltese, ainda, que durante o período fiscalizado o contribuinte declarou receitas de aproximadamente R$ 80.000,00, quando de fato movimentou receitas que superam R$ 4.000.000,00, sem qualquer justificativa ou comprovação em contrário. Exatamente por isso também que os documentos fiscais da contribuinte tornaramse imprestáveis, o que justificou o procedimento de arbitramento realizado. No que se refere à alegação de cerceamento do direito de defesa em razão da exclusão do SIMPLES não assiste razão ao Recorrente visto que a exclusão foi tratada em processo administrativo próprio, sendolhe assegurado direito de defesa. è naquele processo que a exclusão tem que ser discutida. Ademais, o efeito imediato da exclusão decorre de previsão legal, assim como a multa aplicada. A prática reiterada durante 2 anos, em que o contribuinte declarou aproximadamente 2% das receitas realizadas comprova o seu dolo e a justificativa da qualificação da penalidade. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 11080.006702/200755 Acórdão n.º 1401002.359 S1C4T1 Fl. 1026 9 Quanto à alegação de desproporcionalidade da penalidade aplicada, ela decorre de lei e não compete ao CARF contestar a sua constitucionalidade. No que se refere à compensação dos valores pagos na sistemática do SIMPLES resta comprovado que o agente fiscal fez a imputação dos pagamentos relativos às compet~encias lançadas, razão pela qual não há o que se falar em correção monetária. Assim, face a tudo o quanto exposto nego provimento ao Recurso Voluntário, bem como nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, proponho que a decisão recorrida seja mantida pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos, que apenas a ratificam. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1030DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722959/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 29 59 /2 01 2- 14 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13971.722959/201214 Acórdão n.º 1301003.076 S1C3T1 Fl. 699 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o acórdão 1261.464, proferido pela 11ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 19 de novembro de 2013, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração n° 37.350.5248, lavrado em 14/11/2012, no valor de R$ 46.856,40 (quarenta e seis mil oitocentos e cinqüenta e seis reais e quarenta centavos) que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 88.041,40 (oitenta e oito mil e quarenta e um reais e quarenta centavos). 2. De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 35/41 do processo digital, o crédito abrange o período de 01/2008 a 12/2008 e 13º/2008 e se refere às contribuições a cargo da empresa correspondentes a parte destinada a outras Entidades e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. 3. A autuada foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 49, de 01/11/2012, decorrente do processo de Representação Administrativa para Exclusão do SIMPLES, processo nº 13971.722923/201222. Em função da exclusão do SIMPLES, com efeito retroativo a 01/01/2008, foram lançadas as contribuições para outras Entidades e Fundos que deixaram de ser recolhidas. 4. Os fatos geradores foram as contribuições omitidas nas GFIPs, devido à informação incorreta referente à opção pelo SIMPLES e não recolhidas, constantes das folhas de pagamento. No levantamento T1, referente ao período de 01/2008 a 11/2008, foi aplicada a multa de 24% da época do fato gerador. No levantamento T2, que abrange as competências 12/2008 e 13/2008, foi aplicada a multa qualificada (2 x 75%), por serem posteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 04/12/2008, que estipulou a nova multa, e por ter restado caracterizada a prática de sonegação e conluio previstas nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/64. 5. “Numa análise objetiva dos fatos relatados, constantes nos processos de Representações Administrativas para Exclusão do SIMPLES, mencionados no item 4, frente aos dispositivos legais Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13971.722959/201214 Acórdão n.º 1301003.076 S1C3T1 Fl. 700 3 em comento, não há como deixar de enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente de simular a existência de empresas, formalmente distintas (MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP), porém formando um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com o evidente intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre as remunerações dos segurados das empresas MESH e COISAS DE BEBÊ (optantes, indevidamente, pelo SIMPLES), nas definições de sonegação e conluio, contidas nos arts. 72 e 73 da Lei 4.502/64, já transcritos.” IMPUGNAÇÃO 6. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 26/11/2012, conforme AR de fls. 45 e apresentou impugnação em 26/12/2012, fls.47/106, alegando, em síntese: 6.1 Não é possível que o lançamento seja objeto de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), antes mesmo do fim do processo administrativo tributário. 6.2 Fazse necessário o julgamento em conjunto dos processos nº 13971.722951/201240, 13971.722950/201203, 13971.722959/201214, 13971.722963/201274, por envolverem os mesmos fatos geradores e identidade dos elementos de prova. Preliminar: 6.3 O Auto de Infração tem como fundamento básico a exclusão da Impugnante do Simples Nacional, que se deu através do Ato Declaratório Executivo nº 49/2012, processo administrativo nº 13971.722923/201222. Porém, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade contra a sua exclusão, que por sua vez ainda não foi julgada. 6.4 Conforme art. 4º, § 3ºA da Resolução CGSN nº 15/07 e art. 75, § 3º da Resolução nº 94/2011, o termo de exclusão do Simples só se tornará efetivo após decisão irrecorrível desfavorável ao contribuinte. Dessa forma, somente após o julgamento definitivo, desfavorável à empresa, do processo de exclusão do Simples é que ela poderia ser notificada para o pagamento das contribuições em questão. Mérito Insubsistência da exclusão do Simples 6.5 Alega a insubsistência da exclusão do Simples e reproduz os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade apresentada contra a ADE que a excluiu, processo nº 13971.722924/201277, apenso ao presente. Insubsistência do Auto de Infração 6.6 Independente dos argumentos relativos à exclusão do Simples, há outros motivos que impedem a manutenção do Auto de Infração. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13971.722959/201214 Acórdão n.º 1301003.076 S1C3T1 Fl. 701 4 6.7 Questiona a exigência do salárioeducação, pois o mesmo deveria ter sido instituído por lei complementar. 6.8 Questiona a contribuição ao INCRA, alegando que a mesma foi extinta e que não poderia ser exigida de empresas que não exercem atividade voltadas à produção rural. 6.9 Argumenta que as contribuições para o SESC e para o SENAC só podem ser cobradas da categoria econômica que tiver interesse no seu pagamento. 6.10 Também se insurge sobre a cobrança para o SEBRAE, pois a mesma teria que ter sido instituída por lei complementar. 6.11 A exigência de contribuições sobre verbas não remuneratórias, que não possuem natureza de salário/remuneração. Para que possam ser consideradas como salário ou remuneração é indispensável que elas apresentem duas características: contraprestação pelo trabalho e habitualidade. 6.12 Dentre as rubricas indevidamente incluídas na base de cálculo das contribuições está o Salário Maternidade, que sempre se constituiu em um benefício de natureza previdenciária e de responsabilidade da Previdência Social. As empresas apenas são chamadas a adiantar os valores devidos pelo INSS a esse título, tanto é assim que tais importâncias desembolsadas são prontamente compensadas com os valores devidos pela empresa ao INSS. Cita decisão do STF e do STJ nesse sentido. 6.13 Outra verba que também não se constitui em salário ou remuneração é o chamado Auxíliodoença nos primeiros 15 dias de afastamento do segurado. Tal verba não é compatível com os conceitos jurídicos de salário e de remuneração, pois não representam contraprestação aos serviços prestados e nem é dotada da característica da habitualidade. Cita decisão do STJ e do TRF da 4ª Região. 6.14 O 1/3 de férias e respectivos reflexos também não tem natureza jurídica de salário ou remuneração, o que impede que ele seja considerado salário de contribuição. Ele se configura um abono pago ao funcionário que tira férias. Cita entendimento do STJ para respaldar o seu posicionamento. 6.15 O mesmo se dá em relação aos valores pagos a título de férias. Tais valores não poderiam ser considerados como salário/remuneração, porque pagos enquanto os funcionários não prestam serviços para a empresa. Transcreve decisão do STJ. 6.16 “Há, ainda, diversas outras verbas que, muito embora sejam pagas pela Impugnante às pessoas que lhe prestem serviços, não poderiam ser incorporadas à base de cálculo das contribuições.” Podem ser citadas, entre outras, importâncias pagas a título de horasextras, gratificações e outras verbas delas decorrentes. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13971.722959/201214 Acórdão n.º 1301003.076 S1C3T1 Fl. 702 5 6.17 O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que as contribuições não podem incidir sobre abonos ou demais verbas trabalhistas de natureza indenizatória. 6.18 “Dessa forma, caso seja mantido o Auto de Infração (o que se admite somente por hipótese), as verbas que não correspondem a salário e demais rendimentos do trabalho precisam ser excluídas da base de cálculo adotada pela fiscalização.” 6.19 Mantido o lançamento, não poderiam prevalecer as multas aplicadas. 6.20 No caso concreto, não é possível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% da exigência, uma vez que o intuito de fraude, consubstanciado em ação/omissão dolosa tendente a impedir o conhecimento da ocorrência de fato gerador das contribuições, tem que estar materialmente comprovado e não meramente presumido. 6.21 As multas são desproporcionais à falta hipoteticamente cometida pela contribuinte, contrariando os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do devido processo legal material. Além de possuírem caráter confiscatório. 6.22 Com relação à progressividade da multa aplicada neste Auto de Infração cabe enfatizar que tal escalonamento da multa em face do tempo é flagrantemente ilegítimo. 7. Requer seja julgada procedente a Impugnação para que: a) não seja formalizada qualquer representação para fins penais; b) sejam julgados em conjunto os processos citados; c) o Auto de Infração seja cancelado em virtude da ausência de julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada contra o ato de exclusão do Simples; d) o Auto de Infração seja cancelado diante da inexistência de qualquer valor devido; ou na pior das hipóteses, e) sejam excluídas: as parcelas relativas às contribuições para o Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE e às verbas nãoremuneratórias; às multas aplicadas; à progressividade da multa e à multa qualificada de 150%, reduzindoa para, no máximo, 75%. 8. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimada, a interessada apresenta seu respectivo Recurso, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13971.722959/201214 Acórdão n.º 1301003.076 S1C3T1 Fl. 703 6 É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou seis processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições previdenciárias a cargo da empresa correspondentes a parte destinada a outras Entidades e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência aqui reclamada baseiase em remunerações de seus empregados. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata nem mesmo de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13971.722959/201214 Acórdão n.º 1301003.076 S1C3T1 Fl. 704 7 Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 704DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000163/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. ASSOCIAÇÕES. PERMUTA. NÃO INCIDÊNCIA. IRPJ E CSLL DEVIDOS.
Na operação de desmutualização em que ocorre a transformação de títulos patrimoniais em ações, há acréscimo patrimonial e não permuta, posto que é vedado pela legislação em vigência que associações pratiquem reestruturações societárias mediante fusão, cisão ou incorporação.
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO DE ERROS DA FISCALIZAÇÃO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE.
Em atenção do Princípio da Busca da Verdade Material, constatado em diligência fiscal erros na autuação, em qualquer momento do processo o julgador pode reconhecer o erro e adequar o respectivo lançamento.
AUTOS REFLEXOS: CSLL
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se aos demais tributos, no que couber.
Numero da decisão: 1402-002.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos, para reduzir o IRPJ ao valor de R$ 894.196,52 e cancelar a exigência da CSLL; e: ii) por voto de qualidade para cancelar a multa isolada exigida no mês de outubro de 2007. Vencidos os Conselheiros Breno do Carmo Vieira Moreira, Eduardo Morgado Rodrigues, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente essa penalidade. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. ASSOCIAÇÕES. PERMUTA. NÃO INCIDÊNCIA. IRPJ E CSLL DEVIDOS. Na operação de desmutualização em que ocorre a transformação de títulos patrimoniais em ações, há acréscimo patrimonial e não permuta, posto que é vedado pela legislação em vigência que associações pratiquem reestruturações societárias mediante fusão, cisão ou incorporação. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO DE ERROS DA FISCALIZAÇÃO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE. Em atenção do Princípio da Busca da Verdade Material, constatado em diligência fiscal erros na autuação, em qualquer momento do processo o julgador pode reconhecer o erro e adequar o respectivo lançamento. AUTOS REFLEXOS: CSLL A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase aos demais tributos, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 63 /2 01 0- 20 Fl. 643DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos, para reduzir o IRPJ ao valor de R$ 894.196,52 e cancelar a exigência da CSLL; e: ii) por voto de qualidade para cancelar a multa isolada exigida no mês de outubro de 2007. Vencidos os Conselheiros Breno do Carmo Vieira Moreira, Eduardo Morgado Rodrigues, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente essa penalidade. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 16327.000163/201020 Acórdão n.º 1402002.954 S1C4T2 Fl. 607 3 Relatório Adoto, integralmente o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1626.160, proferido pela 8ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo (DRJ/SP1), em 29 de julho de 2010, complementandoo, ao final, com as atualizações processuais pertinentes. Tratase de impugnação (fls. 158 a 169) a Auto de Infração (fls. 136 a 153) de IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA — IRPJ, por OUTROS RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS — GANHOS AUFERIDOS EM DEVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO SOCIAL DE ENTIDADES ISENTAS, da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO —CSLL Reflexa, relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/2007, e, de MULTA ISOLADA, por FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA referente a fatos geradores de 31/08/2007 e 31/10/2007, lavrado pela DEINF/SPO, em 18/02/2010. 2. O crédito tributário constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados : IRPJ R$ 3.270.328,73 Juros de Mora (até 29/01/2010) R$ 688.404,19 Multa R$ 2.452.746,54 Multa isolada R$ 2.206.886,74 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 8.618.366,20 CSLL R$ 1.177.318,34 Juros de Mora (até 29/01/2010) R$ 247.825,51 Multa R$ 882.988,75 Multa isolada R$ 1.403.755,32 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 3.711.887,92 3. Como enquadramento legal do lançamento, o autuante assinala, para o IRPJ, o artigo 17, caput, 3 0 e 4° da Lei n° 9.532/97 e o artigo 239 do RIR/99 (fl. 138), e, para a CSLL Reflexa, o artigo 2° e parágrafos, da Lei n°7.689/88, o artigo 1° da Lei n°9.316/96 e artigo 28 da Lei n° 9.430/96, e o artigo 37 da Lei n° 10.637/02 (fl. 147). Os Juros de Mora foram exigidos com base nos artigos 6°, parágrafo 2°, e 28 da Lei 9.430/96, e a Multa de Oficio, com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96 e artigo 14 da Lei 9.532/97, o que torna cabível a multa isolada de 50%, prevista n 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96; (fls. 139 a 148). 4. No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 118 a 135), a autoridade noticia, em resumo, que: Fl. 645DF CARF MF 4 i) o autuado teria recebido direitos referentes a devolução de capital nos processos de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo — BOVESPA, em 28/08/2007, e da Bolsa de Mercadoria c Futuros — BM&F, em 01/10/2007, associações sem fins lucrativos, direitos esses decorrentes de títulos patrimoniais, recebidos na forma de ações da BOVESPA HOLDING S/A e Bolsa de Mercadorias e Futuros S/A, entidades com fins lucrativos, conforme consta no Oficio Circular 225/2007 — DB expedido pela BOVESPA e no Extrato de Movimentação de Ações Escriturais anexados (fls. 42, 43 e 71); ii) a diferença entre o valor recebido e o valor entregue originalmente para a formação do patrimônio das referidas associações civis seria sujeita á tributação, nos termos do artigo 17 da Lei n° 9.532/97 e conforme disposto em Soluções de Consulta emitidas pela RFB (Soluções de Consulta: COSIT no 10/2007, DISIT 08 n° 520/2007, DISIT 08 n° 521/2007 e DISIT 06 n° 150/2007); iii) essa mais valia não teria sido tributada anteriormente porque a atualização dos valores dos referidos títulos patrimoniais não afetava o resultado do exercício, já que tais títulos eram registrados no Ativo Permanente — Investimentos e sua atualização, na conta Reserva de Capital, no Patrimônio Liquido; iv) a Portaria MF 785/77 permitiu a não tributação desse acréscimo patrimonial ao longo do tempo, se não distribuído ou incorporado ao capital das corretoras associadas; v) todas as ações da BM&F S/A recebidas foram vendidas e a reserva de atualização do correspondente titulo patrimonial foi tributada na DIPJ do ano de 2007, mas não foi levada à tributação na estimativa do mês 10/2007, quando ocorreu a devolução do capital, nos moldes da Lei n° 9.430/96, o que torna cabível a multa isolada de 50%, prevista no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96; vi) da mesma forma, 5,24% das ações da BOVESPA HOLDING S recebidas foram alienadas e o correspondente percentual da reserva de atualização dos títulos patrimoniais foi levada 6. tributação com a DIPJ do ano de 2007; vii) contudo, o restante da reserva de atualização das ações da BOVESPA HOLDING S/A recebidas como devolução de patrimônio na desmutualização da BOVESPA não foi tributado, sendo necessário então, realizarse o lançamento para a cobrança do valor não recolhido; viii) tendo em conta que o valor total referente A. devolução de patrimônio da BOVESPA não foi incluído na estimativa de 08/2007, quando ocorreu a desmutualização, tornase cabível a multa isolada de 50%, prevista no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96. 5. Cientificado do lançamento em 25/02/2010 (fls. 137 e 146), o autuado impugnou o Auto de Infração em 26/03/2010 (fl. 158), oferecendo, para tanto, em resumo, as seguinte razões: i) a BOVESPA e a BM&f teriam empreendido, em 2007, reorganização societária através de cisão, seguida de incorporação, da parcela do Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16327.000163/201020 Acórdão n.º 1402002.954 S1C4T2 Fl. 608 5 patrimônio vertida pelos respectivos associados, na forma do parágrafo 30 do artigo 229 da Lei n° 6.404/76; ii) a Resolução CMN n° 2.690/00, no artigo 5 0, contemplaria expressamente a possibilidade de cisão, fusão ou incorporação de Bolsas de Valores; iii) a cisão, seguida de incorporação, não produziria qualquer efeito fiscal quando efetuada a valor contábil, já que não haveria acréscimo patrimonial, constituindo mera relação de troca, que não gera ganho de capital sujeito a tributação; os efeitos no campo tributário seriam idênticos àqueles produzidos por uma operação de permuta de bens, que disciplinada pelo artigo 533 do Código Civil, não se pagamento da torna; iv) ao realizarse a permuta não se teria auferido acréscimo patrimonial, como ganho de capital, e se tal acréscimo fosse existente somente dever levado em conta para fins fiscais por ocasião de sua realização, pois, de outra forma, a incidência tributária recairia sobre o patrimônio do permutante, não sobre o ganho ou renda; v) o Parecer PGFN no 970, de 23/09/91, ao examinar situação de troca de titulo da divida pública federal por ações leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização seria taxativo no sentido de que nessas operações de permuta, o ganho de capital não ocorreria só pela efetivação do leilão ou da celebração do contrato, sendo necessária a alienação das ações adquiridas; vi) a RFB já teria reconhecido a natureza do fato permutativo para a operação de substituição de títulos patrimoniais por ações envolvendo a CLEARING S/A (atual Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia — CBLC), na Solução de Consulta n° 13/97; vii) o artigo 22 da Lei n° 9.249/95 afirmaria que inexiste ganho de capital passível de tributação em caso de devolução de participação no capital social quando o bem é transferido pelo seu valor contábil, corno na hipótese dos autos, conforme Solução de Consulta n° 7/02 e julgado do CARF, cujo excerto colaciona; viii) assim, tratandose de cisão seguida de incorporação, na qual o patrimônio vertido teria sido avaliado pelo valor contábil, e não pelo valor de mercado, restaria inquestionável que a transferência ou devolução dos valores investidos no patrimônio social da BOVESPA e da BM&F, ern troca dos títulos patrimoniais dessas associações, e que teriam vindo a ser convertidos em ações no processo de desmutualização, não representaria ganho de capital passível de tributação, nos termos do artigo 16, parágrafo único, da Lei 9.532/97; ix) a questão que se discute relacionarseia ao aspecto temporal da hipótese de incidência tributária, não ao aspecto qualitativo, vez que não se contestaria a incidência do IRPJ e da CSLL sobre o excesso do preço de venda em relação ao custo de aquisição: para o autuado, a incidência se daria na data da efetiva alienação das ações recebidas da BOVESPA e da BM&F, enquanto, Fl. 647DF CARF MF 6 para a autoridade, na data em que se teria concluído o processo de desmutualização; x) a tributação não poderia ocorrer por ocasião do término do processo de desmutualização, pois, como já mencionado, tratarseia de cisão seguida de incorporação, cujos efeitos corresponderiam a merapermuta de bens; xi) a alienação das ações da BM&F e BOVESPA em momento posterior à desmutualização teria sido levado em conta pela autoridade para o lançamento do PIS e da COFINS, objeto do PAF 16327.000162/201085, o que seria estranho; xii) o autuado teria oferecido à tributação o ganho auferido na venda do saldo remanescente das ações da BOVESPA, conforme mostrariam a DIPJ apresentada em 15/10/2009 (fls. 224 a 231), as DCTF 's de 07/08/2008 e de 20/07/2009 (fls. 198, 199, 2002 e 212 a 214), os demonstrativos de apuração das vendas de 04/06/2008 e de 04/05/2009 (fls. 203 a 205 e 215 a 217), os demonstrativos de cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL relativos aos referidos meses (fls. 206, 208 e 218 e 220), os DARF's respectivos (fls. 207 209, 219 e 221) e os extratos contábeis do período (fls. 210 e 222); xiii) assim, ainda que se admitisse que o IRPJ e a CSLL fossem devidos na desmutualização, e não na alienação, seria situação de postergação ensejando, quando muito, multa isolada, não de oficio; xiv) a autoridade não teria considerado a informação dada pelo autuado de que já teria oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL o resultado das vendas das ações da BOVESPA, afrontando o principio do direito material, sob o argumento de que o recolhimento teria ocorrido em período não compreendido no mandado de procedimento fiscal; caso recolhesse os tributos lançados acabaria pagando em duplicidade; xv) a multa isolada não poderia ser acumulada com a multa de oficio porque contrariaria a jurisprudência do CARF, significando "bis in idem", com duas sanções incidindo sobre mesmo evento. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. A decisão de primeira instância julgou improcedente o pedido da fiscalizada (efls. 287303), mantendo integralmente o crédito tributário exigido, entendendo que os documentos apresentados não seriam suficientes para demonstrar que o valor da venda de ações da BOVESPA teria sido, de fato, oferecido à tributação. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO SOB A FORMA DE AÇÕES. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do ano, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16327.000163/201020 Acórdão n.º 1402002.954 S1C4T2 Fl. 609 7 instituição isenta, por pessoa jurídica, a titulo de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. POSTERGAÇÃO. FATO NÃO PROVADO. Afastase a hipótese de ocorrência de postergação, quando a documentação acostada pelo contribuinte não evidencia com exatidão que os valores objeto do lançamento tenham sido recolhidos em exercício posterior. ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. IRPJ E CSLL DO ANO NÃO RECOLHIDOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO DE AMBAS PENALIDADES. Nos casos de lançamento de oficio, é aplicável a multa de 50% isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente. É cabível também a aplicação da multa de oficio de 75% sobre a totalidade ou diferença do imposto ou da contribuição nos casos de falta de pagamento do valor devido do ano, apurado ao final do exercício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam se à CSLL reflexa, no que cabíveis. Inconformada com a improcedência total de seus pedidos, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário (efls. 307321) a esta Colenda Turma, onde reproduziu as suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere a: (i) inocorrência do fato gerador do IRPJ e CSLL em decorrência da operação de desmutualização; (ii) contradição entre o momento eleito para a tributação pelo IRPJ e CSLL em confronto com aquele utilizado para fins de lançamento do PIS e COFINS; e (iii) impossibilidade de cumulação da multa de ofício e a multa isolada. Subsidiariamente, requereu ainda o reconhecimento dos efeitos de postergação do recolhimento do tributo, ante o pagamento do IRPJ e da CSLL no momento da alienação das ações de BOVESPA HOLDING S.A. no anocalendário de 2009. A análise do Recurso Voluntário resultou na conversão do julgamento em diligência, por unanimidade de votos, para que: (a) seja verificado se os valores relativos à venda das ações de BOVESPA HOLDING e de BM&F foram incluídos nas estimativas de outubro, novembro ou dezembro de 2007; (b) seja atestada, de forma conclusiva e justificada, com base nos documentos constantes dos autos, bem como nas informações constantes nos sistemas da RFB e na contabilidade da Contribuinte, se o ganho objeto dos autos de infração de IRPJ e de CSLL foi oferecido à tributação pela Contribuinte nos Fl. 649DF CARF MF 8 anoscalendário de 2008 e de 2009, no momento da alienação das ações de BOVESPA HOLDING, conforme alegado em impugnação; (c) em caso afirmativo, apresentar, de forma conclusiva e justificada, a apuração do tributo que seria devido pela Contribuinte, considerandose, para tanto, os efeitos da postergação tributária. Ato contínuo, o Relatório de Diligência Fiscal (efolhas 523524) concluiu o seguinte: "Apresentou resposta à intimação, informando que os resultados auferidos nas vendas das ações da Bovespa e BM&F foram devidamente incluídos nas estimativas de IRPJ e CSLL nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. Anexou planilhas de cálculo, Demonstrativo de Cálculo do IRPJ e CSLL Estimados, cópias dos DARFs, extratos contábeis e fichas da DIPJ referentes aos meses de outubro (Bovespa), novembro e dezembro (BM&F) de 2007 e Demonstração do Lucro Real do ano calendário 2007. Apresentou também planilhas de cálculo, Demonstrativo de Cálculo do IRPJ e CSLL Estimados, cópias dos DARFs, extratos contábeis e fichas da DIPJ referentes aos meses de junho de 2008 e maio de 2009, referentes às vendas posteriores das ações, bem como Demonstração do Lucro Real dos anos calendário 2008 e 2009. Constatamos que Deutsche Bank – Corretora de Valores incluiu os resultados auferidos na venda das ações da Bovespa Holding (5,24% da quantidade das ações) e da BM&F (totalidade das ações) nas estimativas de IRPJ e CSLL nos meses de outubro (Bovespa), novembro e dezembro (BM&F) de 2007, bem como na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL na Declaração de Ajuste anual. Contatamos também que as vendas das ações remanescentes da Bovespa Holding foram vendidas em junho de 2008 (37,90% da quantidade das ações) e em maio de 2009 (56,85% da quantidade das ações). Os resultados das vendas dessas ações também foram incluídos nas estimativas de IRPJ e CSLL dos referidos meses, bem como na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL na Declaração de Ajuste anual. De acordo com as informações prestadas, e os documentos apresentados, ficou demonstrado ainda que a fiscalizada apurou e pagou IRPJ e CSLL incidentes nos ganhos auferidos na troca de títulos da Bovespa e BM&F por ações da Bovespa Holding e da BM&F (devolução do patrimônio social de entidades isentas) em três ocasiões: 1ª) Vendas das ações em outubro, novembro e dezembro de 2007; 2ª) Venda das ações em junho de 2008; 3ª) Venda das ações em maio de 2009. Para efeito de cálculo da postergação do pagamento do IRPJ e CSLL consideramos que 5,24% do resultado da troca dos títulos por ações foi tributado em 2007 conforme Termo de Verificação. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16327.000163/201020 Acórdão n.º 1402002.954 S1C4T2 Fl. 610 9 O valor remanescente do resultado auferido na substituição do título patrimonial por ações, R$13.081.314,94, que foi considerado como base de cálculo de IRPJ e CSLL no Auto de Infração foi reconhecido da seguinte forma: a) em 2008, 37,9% do resultado de R$13.081.314,94, R$4.958.209,24 foi reconhecido devido a venda das ações no mês de junho. b) em 2009, 56,85% do resultado de R$13.081.314,94, R$8.123.105,70, foi reconhecido devido a venda das ações no mês de maio. Foram descontados multa de mora e juros de mora (SELIC) sobre os valores de IRPJ e CSLL pagos posteriormente em 2008 e 2009. O valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) que seria devido pela Contribuinte, considerando os efeitos da postergação tributária é R$ 894.196,52. Com relação a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) não haveria valor devido considerando os efeitos da postergação tributária. " Por sua vez, a fiscalizada apresentou manifestação ao Relatório de Diligência Fiscal, situada às efolhas 528532, informando que os resultados auferidos nas vendas das ações da Bovespa e BM&F foram devidamente incluídos nas estimativas de IRPJ e CSLL nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. Anexou planilhas de cálculo, Demonstrativo de Cálculo do IRPJ e CSLL Estimados, cópias dos DARFs, extratos contábeis e fichas da DIPJ referentes aos meses de outubro (Bovespa), novembro e dezembro (BM&F) de 2007 e Demonstração do Lucro Real do ano calendário 2007. Apresentou também planilhas de cálculo, Demonstrativo de Cálculo do IRPJ e CSLL Estimados, cópias dos DARFs, extratos contábeis e fichas da DIPJ referentes aos meses de junho de 2008 e maio de 2009, referentes às vendas posteriores das ações, bem como Demonstração do Lucro Real dos anos calendário 2008 e 2009. Finaliza sua manifestação pleiteando que seja considerada a confirmação exteriorizada pelo fiscal diligente de que o pagamento reclamado pela fiscalização foi efetuado, ainda que com suposto atraso, além de requerer o cancelamento do auto de infração em razão do erro em sua fundamentação legal. Por fim, no tocante ao trâmite processual, apenas registrese que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Fl. 651DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte, em decorrência de ação fiscal, foi autuado por deixar de oferecer, à tributação pelo IRPJ e CSLL, “a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, a título de devolução de patrimônio e o valor em dinheiro ou em bens e direitos que entregou para a formação do referido patrimônio”, nos termos do art. 17, da Lei 9.532/97 e art. 2º e parágrafos da Lei 7.689/88. Tratase do tema “desmutualização” de bolsas de valores e de mercadorias – BOVESPA e BM&F. Adicionalmente foi constituído crédito de multa isolada em razão de suposta falta de recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL referente a fatos geradores de 31.08.2007 e 31.10.2007. Esclarece a fiscalização, ainda, que as ações da BM&F foram todas vendidas e a reserva de atualização do correspondente título patrimonial foi tributada na DIPJ do ano de 2007. Da mesma forma, 5,24% das ações recebidas da BOVESPA. O restante das ações da BOVESPA foi vendido em 2008 e 2009. Apresentada impugnação, a DRJ julgoua totalmente improcedente. Em recurso voluntário, o contribuinte reproduziu as alegações de impugnação, quais sejam: o momento da ocorrência do fato gerador do IR e CSLL no caso concreto; contradição com o momento considerado em outro processo administrativo em relação ao PIS e à COFINS, e; por fim, a cumulação de multa de ofício e multa isolada. Subsidiariamente, requer o reconhecimento dos efeitos de postergação do recolhimento dos tributos. À vista dos documentos apresentados pelo contribuinte, entendeu esta Turma por converter o julgamento em diligência, de tal forma a se confirmar se os valores relativos à venda das ações da BOVESPA e da BM&F foram incluídos nas estimativas de outubro, novembro e dezembro de 2007 e que se confirmasse se os ganhos, no momento da alienação das referidas ações, teriam sido oferecidos à tributação e, em caso afirmativo, que fosse apresentada, de forma conclusiva e justificada, a apuração do tributo devido pelo contribuinte, considerandose os efeitos da postergação tributária. Além da questão posta em Resolução, mister considerar os fundamentos apresentados pelo contribuinte, em seu recurso voluntário, para sustentar seus argumentos. Inicialmente, o contribuinte questiona a base de cálculo utilizada pela fiscalização para a apuração do IRPJ e CSLL constituídos via auto de infração, ressaltando que Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16327.000163/201020 Acórdão n.º 1402002.954 S1C4T2 Fl. 611 11 deveria ser a “valor de mercado” e que a utilização do “valor nominal” significa um patente erro material, que viciaria o lançamento como um todo, levandoo à nulidade. Ressalta a Recorrente que “não pode concordar com a afirmação contida no acórdão recorrido segundo o qual ‘a disponibilidade de renda existiu no momento da desmutualização, quando então ocorreu o fato gerador de IRPJ e CSLL sobre a parcela do valor contábil do título patrimonial que até então estava isenta de tributação’ ”, pois não teria sido esclarecido “de que forma poderia ser quantificada a referida disponibilidade se na data da desmutualização, o valor dos bens recebidos em troca dos títulos patrimoniais não era conhecido”. Tal afirmação não é verdadeira. Antes da ocorrência da desmutualização, a BOVESPA e a BM&F estavam constituídas sob a forma de associações civis e o patrimônio social das Bolsas de Valores era formado mediante realização em dinheiro e dividido em títulos patrimoniais, colocados no mercado mediante leilão para aquisição pelas sociedades corretoras membros (art. 7º e 25 da Resolução do CMN nº 1656/89). O valor nominal desses títulos patrimoniais era atualizado anualmente com base nas demonstrações financeiras do exercício. Ou seja, no momento em que ocorreu a desmutualização, havia, mesmo considerando o valor nominal, um ganho por parte da Recorrente e, nos termos do art. 17, § 3º, da Lei 9.532/97, passível de tributação pela IRPJ e CSLL. Havia, portanto, uma base de cálculo conhecida para a apuração dos tributos em questão por parte da fiscalização. Outro ponto posto pela Recorrente, seria a aplicabilidade do parágrafo único, do art. 16, da Lei 9.532/97, ao caso concreto, de tal forma a justificar o argumento de que, no ato da desmutualização teria ocorrido, tão somente, uma permuta, o que afastaria a incidência do IRPJ e CSLL pela inexistência de ganho antes da venda efetiva das ações. Esse tema já foi objeto de análise por esta Turma. Afastase a aplicação da norma indicada pela Recorrente em razão dos institutos da fusão, cisão e incorporação aplicaremse tão somente às sociedades empresárias, não se admitindo às associações a utilização de tais mecanismos de reestruturação societária, nos moldes do art. 1.113 do Código Civil. Por outro lado, é importante observar que a isenção garantida às associações tem requisitos legais a serem observados, notadamente a destinação integral de seu superávit à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais (art. 12, § 2º, b e § 3º, todos da Lei 9.532/97). A partir do momento que houve a devolução do patrimônio aos associados, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme acima já explicitado (art. 17, §3º, da Lei 9.532/97). Quanto à comparação ao momento de ocorrência do fato gerador do PIS e COFINS (processo administrativo nº 16327.000162/201085) e de ocorrência do fato gerador do IR e da CSLL, não há qualquer incoerência no caso concreto, nem uma odiosa dicotomia. Auferir receita é a base de cálculo do PIS e da COFINS; auferir renda é a base de cálculo do IRPJ e CSLL, entendida como acréscimo patrimonial. A diferença não é apenas semântica, notadamente porque eu posso auferir receita, mas não ter acréscimo patrimonial. Há base de cálculo para PIS e COFINS e não há para IR e CSLL. O que se observa, no caso concreto, é que houve um acréscimo patrimonial para a Recorrente no ato de desmutualização, fato suficiente para, a teor do artigo 43 do CTN, justificar a incidência dos Fl. 653DF CARF MF 12 tributos que têm como base de cálculo o lucro, a mais valia. De se observar, ainda, o art. 249, do RIR/99, que determina, na apuração do lucro real, que sejam adicionados ao lucro líquido do período de apuração “os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real”. Superada as questões de mérito quanto à incidência, no caso concreto, do art. 17, da Lei 9.532/97, passase a análise do Relatório de Diligência de p. 523/524, que tem por fundamento o oferecimento dos ganhos na venda das ações, por parte da Recorrente, em momento posterior a desmutualização, com o recolhimento dos tributos devidos. Ressaltase, inicialmente, que a Recorrente, devidamente intimada, apresentou informações e documentos às p. 431/509 e 510/521, os quais serviram de base para o Relatório de Diligência de p. 523/524. Esclarece a fiscalização, no referido Relatório, que constatou que: 1) o contribuinte incluiu os resultados auferidos na venda das ações da Bovespa Holding (5,24% da quantidade de ações) e da BM&F (totalidade das ações) nas estimativas de IRPJ e CSLL nos meses de outubro (BOVESPA), novembro e dezembro (BM&F) de 2007, bem como na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL na Declaração de Ajuste anual”. 2) Da mesma forma em relação às ações remanescentes da BOVESPA, vendidas em junho/2008 (37,90% das ações) e em maio/2009 (56,85% das ações)”. Afirma, ainda, que os resultados das vendas dessas ações também foram incluídos nas estimativas de IRPJ e CSLL dos referidos meses, bem como na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL na Declaração de Ajuste anual. A partir desses esclarecimentos, foi formulada pela fiscalização a planilha de p. 522, na qual foi apontado um saldo devido de IRPJ, considerando os efeitos da postergação tributária no importe de R$ 894.196,52, e que não haveria valores devidos a título de CSLL. Intimado do Relatório, o contribuinte apresentou manifestação às p. 528/532. O que se observa na referida manifestação é que o contribuinte não questiona a planilha apresentada pela fiscalização. Reservase o direito de defender erro na fundamentação legal do auto de infração em razão dos ajustes realizados pela fiscalização no Relatório de Diligência, sugerindo a necessidade de lavratura de novo auto de infração, desde que não haja prescrição ou decadência e, ao final, defende a nulidade do lançamento. Com a devida vênia, não há erro na fundamentação legal do auto de infração, uma vez que a questão principal é a mesma, independentemente de se considerar os efeitos da postergação: no ato de desmutualização houve acréscimo patrimonial tributável, nos termos do art. 17, da Lei nº 9.532/97 e o contribuinte não ofereceu o ganho à tributação no referido momento. Fazendoo posteriormente, com recolhimento dos tributos objeto da autuação, o reconhecimento dos referidos pagamentos em face dos créditos tributários constituídos era decorrência lógica, o que, inclusive, fundamentou a Resolução de p. 415/422, pelos documentos e argumentos apresentados pelo contribuinte. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 16327.000163/201020 Acórdão n.º 1402002.954 S1C4T2 Fl. 612 13 Quanto à concomitância da multa de ofício e multa isolada, observase que a questão não é nova e, com a devida vênia dos que pensam diferente, de fato, não é possível admitirse a concomitância da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais, notadamente em razão da falta de recolhimento pelo contribuinte ter decorrido de glosa de despesas, que também afetaram a constituição do crédito tributário ao término do anocalendário. A norma contida no art. 44, II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.488/07) dirigese ao contribuinte do IRPJ e CSLL, sujeito ao regime de tributação com base no Lucro Real Anual, que deixar de promover a antecipação dos tributos devidos em razão de estimativas mensais positivas (base de cálculo) apuradas pelo contribuinte mensalmente. O parágrafo 3º, do citado art. 44, traz, textualmente, que “a pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano”, exceto nos casos de incorporação, fusão, cisão ou extinção da pessoa jurídica. Ou seja, os valores pagos mensalmente, com base em estimativas, são apenas uma antecipação do tributo, por opção do contribuinte, que será apurado, efetivamente, apenas no encerramento do anocalendário. Nesse contexto, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido, a título de IRPJ e CSLL, é o apurado mensalmente sobre as estimativas; após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva do IRPJ e da CSLL pelo lucro real, não há dúvidas de que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após adições, exclusões e compensações legais. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, in verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (§ 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro do período em curso (art. 35 da Lei nº 8.891/95)”.1 O que se observa, à vista da lição do mestre, é que um contribuinte pode, ao longo do anocalendário, ter bases positivas para a apuração de IRPJ e CSLL sobre estimativas, como prejuízo, em cada competência. Nas que houver prejuízo, não há base de cálculo para apuração e recolhimento antecipado; e, ainda que haja uma base positiva após um prejuízo, se 1 In “Multa Agravada em Duplicidade”, São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário nº 76, p. 159. Fl. 655DF CARF MF 14 aquela for menor que esta e, no acumulado do ano, o que já foi antecipado supera o devido, mesmo tendo a base positiva, não haverá o recolhimento da antecipação. Assim, se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício, a base para a imposição da multa isolada é o valor devido a título de IRPJ e CSLL por antecipação até o momento do lançamento; após o encerramento do anocalendário, já haverá a apuração definitiva do tributo devido e este valor apurado passa a ser o limite quantitativo da imposição de multa isolada. Em outras palavras, o valor a ser antecipado pelo contribuinte pode, inclusive, ser suspenso ou reduzido, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado, já pago, exceder o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso (art. 39, § 2º, da Lei 8.383/91), demonstrando que não há, de fato, fatos jurídicos autônomos que justifique a imposição de duas penalidades distintas ao contribuinte, em concomitância. Pedese vênia para, neste ponto, transcreverse abaixo trecho do voto do i. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, proferido no julgamento do processo administrativo nº 10480.720836/201355 pela 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, em conclusão lógica quanto ao acima exposto: “(...) Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) antes da apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que não tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela do tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar multa isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16327.000163/201020 Acórdão n.º 1402002.954 S1C4T2 Fl. 613 15 Concluise, portanto, que impor sanção pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, apurada através de lançamento de ofício (2010) com o anocalendário já finalizado (2007), com a respectiva multa proporcional de 75%, e, ao mesmo tempo, impor multa isolada de 50% como sanção pelo não recolhimento de antecipações devidas em competência compreendidas entre agosto/2007 e outubro/2007, observandose que o IRPJ e a CSLL em questão não foram recolhidos nem por antecipação, nem como resultado do ajuste anual, é penalizar o contribuinte duas vezes pelo mesmo tributo e, neste caso, uma penalidade é excludente da outra, não se admitindo a concomitância. Afasto, desta forma, o lançamento da multa isolada no presente caso, mantendo, tão somente, a multa proporcional de 75%, por acreditar que a cobrança das duas penalidades concomitantemente, por parte do fisco, implica em bis in idem, (duas multas sobre o mesmo fato gerador do Imposto sobre a Renda) o que é vedado por nosso ordenamento jurídico, isso tudo mesmo considerando a alteração legislativa concernente á multa isolada a partir de 2007. Ante o exposto, julgo PARCIALMENTE procedente o Recurso Voluntário para: a) acatando os cálculos realizados pela fiscalização à p. 522, afastar integralmente os créditos constituídos a titulo de CSLL e parcialmente em relação ao IRPJ, reconhecendo um saldo remanescente, devido pelo contribuinte, no importe de R$ 894.196,52, sobre o qual fica mantida a multa de ofício de 75%. b) afastase a incidência da multa isolada, em vista da impossibilidade do concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 657DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Redator Designado Divirjo do brilhante voto exarado pelo Conselheiro Demetrius Nichele Macei unicamente em relação à imposição da chamada “multa isolada” nos casos de ausência ou insuficiência de recolhimentos a título de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, por fazer uma leitura diferente da que fez o I. Relator sobre a matéria. A respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16327.000163/201020 Acórdão n.º 1402002.954 S1C4T2 Fl. 614 17 Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a Fl. 659DF CARF MF 18 garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. No mais, acompanho integralmente o I. Relator em relação às demais matérias tratadas nestes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900846/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
Numero da decisão: 9303-006.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
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MULTA DE MORA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CACAU'S DISTRIBUIDORA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 08 46 /2 00 8- 21 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10950.900846/200821 Acórdão n.º 9303006.579 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3403001.064. No caso, o colegiado a quo considerou aplicável o instituto da denúncia espontânea, afastando a exigência da multa de mora sobre recolhimento de tributo efetuado antes de apresentada a declaração do montante devido, acrescido dos juros de mora. A divergência suscitada no recurso especial referese à exigência de multa de mora no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos a destempo sem prévia declaração em DCTF. O Recurso Especial foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O contribuinte apresentou Contrarrazões defendendo a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.571, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10950.900696/200856, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.571): "Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito A matéria em litígio não é novidade para este Colegiado. Pelo menos por meio dos acórdãos nºs 9303004.191, 9303003.489, 9303003.490, 9303003.364, 9303003.220, 9303 003.203 , 9303003.202, o assunto foi discutido e decidido no mérito. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10950.900846/200821 Acórdão n.º 9303006.579 CSRFT3 Fl. 4 3 Como é de sabença, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mais tarde, no REsp 1149022, da relatoria do Ministro Luiz Fux, ficou consignado o entendimento de que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do tributo sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a declaração. A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. Noutro giro, é translúcido o entendimento de que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (item 7 da ementa a seguir transcrita). EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10950.900846/200821 Acórdão n.º 9303006.579 CSRFT3 Fl. 5 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações, determina que as matérias decididas em Repercussão Geral, pelo STF, sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. Em acréscimo, destacase que, por força do disposto no art. 21 da Lei nº 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19 da Lei nº 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, com base nas disposições do art. 2º, inciso VII, da Portaria PGFN nº 502/2016, especifica em seu site uma relação de temas que não devem mais ser objeto de recurso. Dentre eles está elencado a denúncia espontânea, nos seguintes termos. 1.13 Denúncia espontânea a) Declaração parcial Diferença a maior Multa moratória REsp 1.149.022/SP (tema nº 385 de recursos repetitivos) Resumo: (i) A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; e (ii) A denúncia espontânea exclui a multa moratória. Vide Atos Declaratórios nº 08/2011 e nº 04/2011. Ressaltase que ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ entendem, de maneira pacífica, que, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, mas foi pago, podese configurar a denúncia espontânea, desde que ocorram as demais hipóteses do art. 138 do CTN (REsp 1155146/AM, AgRg nos EDcl no Ag 1009777/SP, AgRg no REsp 1046285/MG e AgRg no REsp 1046285/MG). Todavia, isso não afasta a tese Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10950.900846/200821 Acórdão n.º 9303006.579 CSRFT3 Fl. 6 5 firmada no tema nº 61 de recursos repetitivos (REsp's nº 962.379/RS e nº 886.462/RS), no sentido de que "Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral". Vide, ainda, a Súmula 360/STJ. I (grifos meus) Neste mesmo sentido, recente decisão tomada por meio do acórdão nº 9303004.431, de 07 de dezembro de 2016, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/12/2003 a 31/07/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. A denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No caso concreto, é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo também "é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904171/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES.
Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1201-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1545; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.904171/200911 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.043 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria LUCRO PRESUMIDO/PERCENTUAL/LAB DE ANÁLISES Recorrente INSTITUTO ANALISE DE PESQUISAS CLINICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 41 71 /2 00 9- 11 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório de recolhimento indevido ou a maior de 2089 IRPJ – Lucro Presumido, para compensar débitos. 2. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância. 4. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, no qual informa: Em síntese, o decisum ora atacado se baseou em duas premissas básicas, quais sejam: i) a Recorrente não constituía, à época do crédito, como uma sociedade empresária; e, ii) a não apresentação de provas para a satisfação do direito da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido, para os fins de enquadramento como "serviços hospitalares". Quanto ao primeiro argumento, não deverá prosperar pelo simples fato de que o art. 2.031 do Código Civil permitiu que as empresas constituídas sob a égide do Código Civil anterior e demais legislações esparsas pudessem realizar as devidas adaptações do seu contrato social até 11.11.2007 na redação que foi dada pela Lei 11.127/2005. No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de "serviços hospitalares", cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação Aliás, da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF. Ora, se a discussão se deu exclusivamente em torno da demonstração dos créditos na respectiva DCTF, não há o que se falar da necessidade da apresentação das provas acerca do exercício da atividade de "serviços hospitalares", sob pena de preclusão. Em outras palavras, em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido. 5. Sobre a Natureza de Sociedade Empresária, refuta que não fosse sociedade empresária à época dos fatos, segundo o Código Civil: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 4 3 Já o art. 966 define o empresário como sendo aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O parágrafo único do mesmo artigo ressalva quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Em outras palavras, quem exerce atividade intelectual em princípio, não é empresário, mas pode ser se em sua atividade estiver presente o elemento de empresa. (...) (...) A Recorrente, que possui a atividade de Laboratório de Análises Clínicas, a exerce de forma organizada e evidenciada pela circulação de serviços, necessária para a definição do conceito de "empresário", além do aspecto da mãodeobra especializada e do fator tecnológico (equipamentos modernos, muitos deles importados). A circulação dos serviços se constata também pela necessidade de contratação de diversos profissionais qualificados (bioquímicos, farmacêuticos, enfermeiros, etc.) para a perfeita prestação dos seus serviços, os sócios, ainda que sejam profissionais, não poderiam, sozinhos, dar conta da demanda de um laboratório de análises clínicas. (...) Destarte, concluise, portanto, que é descabido o argumento invocado para negar um direito líquido e certo da Recorrente, por se enquadrar, à época da constituição do crédito a seu favor, como sociedade empresária, mediante os novos conceitos instituídos pelo Novo Código Civil, ainda que seus atos constitutivos tenham sido adaptados em 09 de julho de 2004, no prazo previsto no seu artigo 2.031. 6. Sobre a Prestação dos Serviços Hospitalares, invoca INs da RFB e Solução de Consulta que protocolou: A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 12 32003, publicada no DOU de 342003, a administração tributaria firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884/94, do Ministério da Saúde. 7. Que, posteriormente a IN SRF nº 480, de 2004, com as alterações pela IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005, no art. 27, apresentou nova definição, que transcreve. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 5 4 8. E relata que protocolou consulta, recebendo resposta positiva na Solução de Consulta 12, de 16 de fevereiro de 2007, cuja ementa transcreve: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 12 de 16 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Lucro Presumido. Percentuais. Serviços Hospitalares. A pessoa jurídica que exerça a atividade de Laboratório de análises clínicas Ligada à atenção e assistência à saúde, (atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de vigilância sanitária n$ 50, de 21 de fevereiro de 2062, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 do Lei n9 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrar se nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 9 66 do Código civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n& 480, de 2904. Esse entendimento aplicase retroativamente. 9. Haja vista que o Acórdão recorrido considerou prova insuficiente a Solução de Consulta supra, anexa os seguintes documentos comprobatórios: a) Contratos de Prestação de Serviços firmados com entidades contratantes de tais serviços; b) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de laboratório de análises clínicas e patológicas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.031, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.904165/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do 4º trimestre de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.031): Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 6 5 "10. A IN SRF nº 539, de 2005, foi revogada pela IN SRF nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, alterada pela IN RFB nº 1.540, de 05 de janeiro de 2015: Dos Serviços Hospitalares e Outros Serviços de Saúde Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Art. 31. Nos pagamentos efetuados, a partir de 1º de janeiro de 2009, às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que as prestadoras desses serviços sejam organizadas sob a forma de sociedade empresária e atendam às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será devida a retenção do IR, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no percentual de 5,85% (cinco inteiros e oitenta e cinco centésimos por cento), mediante o código 6147. 11. O contribuinte, optante pelo lucro presumido, efetuou recolhimento do IRPJ apurado mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta; pleiteia que efetuou recolhimento a maior, uma vez que, como sua atividade está compreendida no conceito de serviços hospitalares, o percentual correto para a apuração é o de 8%. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Para comprovar a atividade, anexou contratos e notas fiscais; tratamse de contratos: de 17/08/1989, prestação de serviços de análises clínicas; 29/12/1989, patologia clinica; 08/03/2001, assistência médica; 01/02/2001, serviços de laboratório nas dependências do contratante; e contratos de 2003 e 2004, de serviços de análises clínicas, assistência médica, atendimento ambulatorial e procedimentos de diagnóstico e tratamento; e as notas fiscais são de 2004, tendo como objeto "Serviços prestados em exames, Materiais de produtos consumidos", "Exames laboratoriais automatizados", "material de consumo utilizado para a realização de exames automatizados". 13. Às págs. [...], consta a Alteração Contratual n° 09 e Consolidação, de 09/07/2004: SEGUNDA: O objeto da sociedade é: exploração do ramo de laboratório de análises clinicas e a importação de produtos bioquímicos para laboratórios de análises clínicas. 14. Na DIPJ 2003/2002, retificadora entregue em 18/05/2009, informou Código da Natureza Jurídica: 2062 Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada Empresa Privada; Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 85.146/02 Atividades dos laboratórios de análises clínicas, na qual informa a totalidade da receita bruta como sujeita ao percentual de 8%. 15. Não consta a DIPJ 2003/2002 original. 16. Esses elementos atestam as atividades de laboratório de análises clínicas, e de importação de produtos bioquímicos, embora a receita informada seja referente à primeira. 1 Atividade Empresarial 17. A antiga Sociedade Civil foi substituída, no novo Código, pela Sociedade Simples (CC, art. 982). a. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, Código Civil, revogado. Art. 16. São pessoas jurídicas de direito privado: I. As sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações. 18. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil vigente desde 01/2003: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. (...) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 8 7 Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 2 Lucro Presumido. Atividades Hospitalares. 19. O CARF já sedimentou o entendimento acerca da questão: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 13/03/2014 Nº Acórdão 1201000.986 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para: negar o pedido de restituição quanto aos créditos alcançados pela decadência, ao crédito relativo ao REDARF e ao crédito compensado em /duplicidade, nos termos do voto do relator, tendo sido reconhecido o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% para 8%. Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, restam compreendidas no conceito de serviços hospitalares (artigo15, parágrafo 1º, inciso III, alínea a, da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8%, relativamente ao IRPJ. 20. Transcrevese o teor do voto do Acórdão CARF supra, que analisou análoga situação relativamente a laboratório de análises clínicas, uma vez que retrata o entendimento do CARF, com o qual esta Relatora concorda: "Vencidos tais argumentos, cumprenos analisar a questão central dos autos, que se consubstancia na qualificação jurídica da Recorrente, que apresentou todas os pedidos de restituição e declarações de compensação até aqui mencionados ante o entendimento de que sua atividade se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, nos termos da Lei n. 9.249/95. Aliás, a mudança de entendimento somente ocorreu após o trânsito em julgado (20 de março de 2007) da ação que não lhe reconheceu o Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 9 8 direito de isenção da COFINS, com base na Lei Complementar n. 70/91. A partir da ciência de tal decisão, conforme acórdão prolatado pelo TRF da 1ª Região, o contribuinte passou a apresentar as DIPJ e DCTF retificadoras já analisadas, bem como as declarações de compensação com os créditos a que entendia fazer jus. A base legal da tributação encontrase nos artigos 15 e 20 da Lei n. 9.249/95, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do §1º do art 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento, (grifamos) De se notar que a legislação, para os anoscalendário sob análise, fazia clara distinção entre os serviços em geral e a prestação de serviços hospitalares. Não há dúvida, em razão da dicção normativa, que o legislador considerava que os serviços prestados pelos laboratórios eram diferentes daqueles compreendidos na expressão "serviços hospitalares", até porque em 2008 o próprio texto foi alterado para incluir, a partir do anocalendário de 2009, os serviços de laboratório na faixa de tributação de 8% do lucro presumido, conforme observamos a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 10 9 anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Sacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11. 727, de 2008) (grifamos) Portanto, atualmente é possível que um laboratório de análises clínicas seja tributado pela alíquota de 8%, observados os critérios legais, mas isso só se concretizou a partir do advento da Lei n. 11.727/2008, com para o anocalendário de 2009. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, de que mesmo antes das alterações promovidas pela Lei n° 11.727/2008, deve ser aplicada a alíquota de 8% para fins de presunção do lucro de laboratórios de análises clínicas que se enquadram em determinados requisitos. Reproduzimos, a seguir, o paradigmático acórdão: RECURSO ESPECLAL Nº 837.913 SC (200600756635) Relator: Ministro Hamilton Carvalhido Recorrente: Centro Médico São José Ltda Recorrido: Fazenda Nacional RECLUSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA ARTIGO 15, PARAGRAFO 1O, INCISO III, ALÍNEA A, DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÀLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1o, inciso III, alínea a, da Lei n° 9.249/95, antes das alterações da Lei n° 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clinicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp. n° 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido Por força de tal decisão, e ante as características da prestação de serviços laboratoriais demonstradas pela Recorrente nos autos, em razão dos diversos contratos firmados, inclusive com entidades de natureza pública, entendo forçoso reconhecer, na esteira do que decidiu o STJ, que deve ser conferido à interessada o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro, de 32° o para 8%. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para reconhecer o direito de reenquadramento da Recorrente no coeficiente de presunção do lucro de 8%." Conclusão Voto por DAR provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de 2089 – IRPJ Lucro Presumido recolhido a maior, até o limite da diferença entre os valores apurados com o percentual de 32% e o de 8% sobre a receita bruta da atividade de serviços de laboratório de análises clínicas." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10530.904171/200911 Acórdão n.º 1201002.043 S1C2T1 Fl. 11 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.721216/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 10/04/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.929 1 1.928 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.721216/201428 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.608 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINSIMPORTAÇÃO Recorrente LCDTELECON COMERCIO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMATICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/04/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 12 16 /2 01 4- 28 Fl. 1929DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1670.707, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. O presente processo administrativo traz lançamento de PIS/Pasep e Cofins, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O citado acórdão decidiu por não conhecer da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 IMPUGNAÇÃO. FALTA DE CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a exigência fiscal que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido E o fez sob a seguinte fundamentação: O presente processo não trata de questão relativa à utilização de documentos inidôneos ou a estoques e nem de imputação de sujeição passiva solidária. Ocorre que neste a Contribuinte abordou tais questões, além de citar vários números de folhas que sequer constam destes autos. Porém, nada discute acerca das referidas divergências entre valores informados em Dacon e não declarados em DCTF. A autuada foi cientificada deste acórdão, em 06/01/2016 (fl. 1896). A unidade preparadora, não tendo identificado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrou termo de preempção (fl. 1897). Em 10/02/2016, protocolou recurso voluntário, trazendo, basicamente, os mesmo argumentos da impugnação. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 11060.721216/201428 Acórdão n.º 3301004.608 S3C3T1 Fl. 1.930 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Preliminar de tempestividade Conforme relatado, a autuada fora cientificada do acórdão de primeira instância, em 06/01/2016, quartafeira (fl. 1896). Em 05/02/2015, sextafeira, passados trinta dias da ciência, prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, não tendo a recorrente apresentado recurso, o que somente ocorreu em 10/02/2016 (fl. 1899), acertada a lavratura do termo de preempção, não resta alternativa, a não ser votar pelo não conhecimento do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1931DF CARF MF
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