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Numero do processo: 10930.904484/2012-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 84 /2 01 2- 62 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904484/201262 Acórdão n.º 3803004.834 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904484/201262 Acórdão n.º 3803004.834 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904484/201262 Acórdão n.º 3803004.834 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720632/2013-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DEVIDAMENTE CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. COMUNICAÇÃO REMETIDA AO ENDEREÇO TRIBUTÁRIO DE ELEIÇÃO E DEVIDAMENTE RECEPCIONADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. JUROS E MULTA DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. ANATOCISMO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE RECONHECIDA PELO STF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DEVIDAMENTE CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. COMUNICAÇÃO REMETIDA AO ENDEREÇO TRIBUTÁRIO DE ELEIÇÃO E DEVIDAMENTE RECEPCIONADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. JUROS E MULTA DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. ANATOCISMO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DEVIDAMENTE CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. COMUNICAÇÃO REMETIDA AO ENDEREÇO TRIBUTÁRIO DE ELEIÇÃO E DEVIDAMENTE RECEPCIONADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. JUROS E MULTA DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. ANATOCISMO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 06 32 /2 01 3- 72 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 511 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 512 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.037.4980, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, relativamente as contribuições devidas a terceiros outras entidades e fundos, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 23 a 28, com período de apuração de 01/2009 a 12/2011, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 37 e 38. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/02/2013, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03. O PAF é composto pelos seguintes levantamentos: a) DB – DIF EMPREGADO FOPAG X GFIP e DS – DIF ENQUADRAMENTO SIMPLES. O contribuinte apresentou sua defesa, em 12/03/2013, as fls. 88 a 103, desacompanhada de qualquer documento. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 112. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 15033.275 6ª, Turma DRJ/SDR, em 29/08/2013, fls. 115 a 123. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 10/09/2013, conforme AR, de fls. 131. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 135 a 151, recebido, em 10/10/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 135, acompanhado dos documentos, de fls. 152 a 157; 160 a 255; 258 a 407; 410 a 498. Preliminar. · que a recorrente não recebeu o ADE de exclusão do SIMPLES, tomando conhecimento de sua exclusão apenas quando iniciado o procedimento fiscal; · que o AR juntado, as fls. 114, não prova o alegado pelo fisco, pois não traz a declaração do conteúdo que se pretendeu entregar, bem como a recorrente não sabe quem é a pessoa que assinou tal documento, não sendo ela sócio, preposto, empregada, colaboradora, não tendo nenhum vinculo com a recorrente, conforme provam as RAIS 2007 a 2009; Fl. 512DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 513 4 · que as elevadas diferenças que se exige da recorrente decorre do levantamento ter sido realizado pelo lucro presumido e não pelo SIMPLES, do qual a empresa desconhecia sua exclusão, com multas e juros vultosos e indevidos, não sendo a parte devidamente citada ou intimada do ato de exclusão, pois o ADE foi entregue a pessoa alheia a esta, devendo o lançamento ser extinto, conforme jurisprudência citada e transcrita; · que o Conselho em preliminar deve decretar a nulidade e desconstituir os autos de infração; Mérito. · que os fatos trazidos aos autos balizados nas jurisprudências citadas demonstram o não atendimento ao artigo 28, da LC 123 c/c o artigo 3º, II, da Resolução nº 15, do CGSN, o que configura cerceamento de defesa e supressão aos princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório; · que as multas e juros aplicados são confiscatórios, cita Leandro Paulsen, TRF4 e STJ; · que o crédito contém anatocismo, bem como a indevida aplicação da SELIC, a qual serve de correção monetária e juros, cita o STJ; · Por fim a recorrente espera e requer: a) acolhimento do recurso, com a anulação dos autos de infração e cancelamento dos débitos; b) caso não anulados os autos a redução da multa para 20%, revisão das correções monetárias e juros aplicados e do cálculo final. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 508. Os autos subiram ao CARF, fls. 508. É o Relatório. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 514 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Não assiste razão a recorrente ao dizer que só tomou conhecimento de sua exclusão do SIMPLES Nacional por ocasião do procedimento fiscal, esta afirmação não condiz com a realidade e com as provas dos autos. Aliás, a DRJ/SDR já havia se debruçado sobre o tema e rebatido a alegação da recorrente, ao demonstrar que esta foi cientificada do ADE 112109/2008, conforme prova o AR, de fls. 114, recebido, em 11/09/2008, pela Srª Josely Rodrigues Antunes, em correspondência remetida ao domicílio tributário da recorrente. A recorrente está equivocada ao dizer que o AR precitado não contém a declaração de conteúdo e que este poderia ter remetido qualquer coisa ao sujeito passivo. Basta uma simples observação do documento para verificar que consta deste a expressão SIVEXSN – LOTE 001, assim sendo fica evidenciado que SIVEXSN é a sigla para Sistema de Vedações e Exclusões do Simples Nacional, bem como que o ADE 112109/2008 faz parte do Lote 001/2008 como consta do próprio ADE, lado direito, parte superior, ao lado da identificação do ato administrativo, mais essa alegação é desprovida de fundamentos e inverídica. É irrelevante para o deslinde do caso o fato da Srª Josely Rodrigues Antunes ser ou não, sócia, preposta, empregada ou colaborada, pois no caso, o que importa e se a correspondência foi remetida ao Domicílio Tributário eleito pelo contribuinte, nos termos do artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, II, do Decreto 70.235/72, aliás, é isso que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ, observese a ementa transcrita. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NOTIFICAÇÃO POR CARTA COM AVISO DE RECEBIMENTO. ENDEREÇO INCORRETO. NULIDADE. QUESTÕES RELEVANTES NÃO APRECIADAS NAS INSTÂNCIAS DE ORIGEM. OMISSÃO CONFIGURADA. 1. O Tribunal de origem julgou procedente o pedido nos Embargos do Devedor, por constatar que a carta de notificação, com aviso de recebimento, foi enviada para endereço incorreto, infringindo, assim, o comando do art. 23 do Decreto 70.235/1972. 2. Consta no acórdão hostilizado: "(...) no depoimento prestado à Polícia Federal a parte embargante declarou que residiu na Travessa São Damião, nº 377, Juazeiro do Norte/CE (fl. 48 da EF). Enquanto os avisos de recebimento oriundos do PA referido, atestam o envio para Travessa São Damião, nº 103, Juazeiro do Norte/CE (fls. 65 e 69 da EF). Ou seja, os números das casas são bastantes distintos". 3. Chama atenção, desde logo, a constatação feita pelo Tribunal a quo (e não sujeita à revisão do STJ, em razão da Súmula 7/STJ) de que Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 515 6 o único suposto erro no envio de carta com aviso de recebimento seja o número da casa. Com efeito, é fato incontroverso que o endereço (Travessa São Damião, no Município de Juazeiro do Norte) é exatamente o mesmo. A única diferença é o número da casa (nº 103, constante no AR, e nº 377, supostamente a unidade em que o recorrido seria residente). 4. Diante do conteúdo do acórdão hostilizado, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração apontando omissão relativamente aos seguintes pontos: a) nulidade do julgamento, porque os autos da Execução Fiscal e dos Embargos do Devedor foram desapensados, inviabilizando ao órgão fracionário examinar o conteúdo do processo administrativo fiscal, cuja cópia estava anexada à Execução Fiscal; b) a pessoa que subscreveu o Aviso de Recebimento, Sra. Maria Valdelane Serra, conforme certidão de nascimento juntada aos autos, é a filha do recorrido; c) há Nota Fiscal emitida por concessionária da FIAT na qual o recorrido indicou como seu domicílio exatamente o endereço para onde foi enviada a carta com aviso de recebimento; e d) o endereço para o qual foi encaminhada a correspondência corresponde ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte (ora recorrido), segundo informação nos sistemas da Receita Federal do Brasil. 5. A rejeição dos aclaratórios implicou violação do art. 535 do CPC. 6. Com efeito, para compor a lide e, assim, aplicar a lei do caso concreto, a autoridade judiciária não deve se valer apenas de seu conhecimento jurídico, mas também das regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e ainda da experiência técnica, ressalvado, quanto a esta, o exame pericial (art. 335 do CPC). 7. Ora, ainda que os números das casas sejam "bastantes distintos", indagase: quantas Travessas São Damião existem no Município de Juazeiro do Norte? Se na casa de nº 103 não residia o recorrido, não seria natural supor que o(a) respectivo(a) residente indicasse ao carteiro que o destinatário morava na mesma travessa, no nº 377? 8. Não bastasse isso, é sobremaneira relevante que seja esclarecido se o domicílio tributário eleito pelo contribuinte, na época da intimação, era exatamente aquele para o qual foi enviada a correspondência, pois a jurisprudência do STJ considera válida a notificação em tal hipótese, ainda que o Aviso de Recebimento seja assinado por terceiro. 9. Os precedentes do STJ consagram valores que enobrecem e contribuem para o progresso de uma sociedade pautada nos ideais da justiça e da lealdade, pois impedem que a parte se valha da própria torpeza para burlar o ordenamento jurídico. 10. Recurso Especial parcialmente provido para anular o acórdão proferido nos Embargos de Declaração, com determinação de retorno dos autos ao Tribunal de origem. Prejudicados os demais fundamentos do apelo. ..EMEN: (RESP 201302524573, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:11/10/2013 ..DTPB:.) Desta forma, as RAIS de 2007 a 2009, bem como os registros de empregados anexados aos autos, nada provam ou informam que alterem a situação deste processo. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 516 7 Ficou demonstrado que a empresa tinha pleno conhecimento de sua exclusão do SIMPLES Nacional, bem como nada tem a ver com o presente lançamento ser a empresa do lucro presumido, pois a contribuição social previdenciária não tem como base o lucro, faturamento ou receita, mas sim a folha de pagamento. A realidade é que a empresa do SIMPLES Nacional substitui a contribuição social previdenciária da parte patronal, ou seja, vinte por cento sobre a folha de salários, bem como a contribuição para o SAT e a de terceiros, por uma alíquota reduzida sobre a receita bruta para fins do recolhimento da CPP – Contribuição Patronal Previdenciária. Todavia, como a empresa a partir de janeiro/2009 não mais estava no sistema SIMPLES Nacional ela passa a ter que contribuir sobre a folha de salários, nos termos do artigo 195, I, “a” e II, da CRFB/88 c/c o artigo 11, parágrafo único, “a” e “c”, da Lei 8.212/91, ficando, também, submetida as multas e juros determinadas na lei, uma vez que não promoveu o pagamento da obrigação principal – contribuição social previdenciária, nos termos determinados no ordenamento jurídico. Desta forma, a jurisprudência suscitada pela recorrente não se aplica, tendo em vista que esta foi regularmente cientificada de sua exclusão do sistema SIMPLES Nacional como consta do autos. Assim sendo, não há razões fáticas e jurídicas para esse Conselho decretar a nulidade do lançamento e desconstituir os autos de infração, devendo a preliminar ser rejeitada. Mérito. Pelos esclarecimentos acima fica evidente que não houve cerceamento de defesa e muito menos supressão dos princípios constitucionais, quaisquer que sejam eles. A multa aplicada é a que consta do artigo 35A, da Lei 8.212/92 introduzido pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 e assim de observação obrigatória pelo agente público. O patamar de multa esta admitida pelos nossos tribunais, observese os excertos dos arestos. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 517 8 Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) O relatório Fundamentos Legais do Débitos – FLD nas rubricas 602 Acréscimos Legais Juros e 701 – Falta de Pagamento, Falta de Declaração ou Declaração Inexata dão a exata dimensão da aplicação dos acréscimos, bem assim demonstra que cada qual deles são aplicados isoladamente de forma simples e não cumulativa, o que afasta a alegação de anatocismo. A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 518 9 SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista Fl. 518DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 519 10 nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) Por fim, o artigo 35, da Lei 8.212/91 determina a aplicação do artigo 61, da Lei 9.430/96 nos lançamentos de contribuição social previdenciária, o que implica em utilização da SELIC. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 520 11 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10805.722085/2011-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
RECOLHIMENTOS MEDIANTE DARF. ABATIMENTO.
Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, por intermédio de DARF, devem ser abatidos do imposto suplementar apurado em procedimento de fiscalização.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas.
LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO.
As despesas de custeio registradas em Livro-Caixa podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo à pessoa física ou jurídica. Para viabilizar a dedução, no entanto, tanto as despesas quanto as receitas devem ser escrituradas no Livro-Caixa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para abater do imposto suplementar relativo aos anos-calendário de 2008 e 2009, respectivamente, o valor do imposto de renda recolhido nos montantes de R$ 1.690,48 e R$ 909,00 (comprovantes de recolhimento às fls. 530/539 deste processo digital), nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ABATIMENTO. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, por intermédio de DARF, devem ser abatidos do imposto suplementar apurado em procedimento de fiscalização. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. LIVROCAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO. As despesas de custeio registradas em LivroCaixa podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo à pessoa física ou jurídica. Para viabilizar a dedução, no entanto, tanto as despesas quanto as receitas devem ser escrituradas no LivroCaixa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para abater do imposto suplementar relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, o valor do imposto de renda recolhido nos montantes de R$ 1.690,48 e R$ 909,00 (comprovantes de recolhimento às fls. 530/539 deste processo digital), nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 20 85 /2 01 1- 30 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 545 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 399/402 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte acima identificado, relativo ao imposto de renda pessoa física dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no montante de R$ 251.094,29, sendo R$ 92.839,78 referentes ao imposto, R$ 138.880,49 à multa e R$ 19.374,02 aos juros de mora. 2. Através do “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” datado de 26/09/2011 (fls. 121/125) a fiscalização informou que, com base nos elementos apresentados pelo contribuinte, constatou que: 2.1 Quanto às deduções relativas à contribuição previdenciária oficial, foram integralmente comprovados os valores relativos aos anoscalendário de 2007 e de 2008. Em relação ao ano calendário de 2009, constatou a fiscalização que o contribuinte fez constar indevidamente valores de imposto de renda retido na fonte, retidos por “SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina” e por “Porto Seguro Vida e Previdência S/A”, respectivamente de R$ 787,71 e de R$ 1.050,69, como sendo de contribuição previdenciária. Desta forma, a fiscalização glosou o valor de R$ 1.838,40, valor este que foi acrescido ao valor do imposto de renda na fonte retido no mesmo anocalendário. 2.2 Da totalidade dos valores pleiteados como despesas médicas nas declarações, foram comprovadas somente as seguintes: AnoCalendário de 2007: • Access Clube de Benefícios – R$ 9.214,89; • Caio Bellinati – R$ 320,00; • Renata M. Magalhães – R$ 320,00; AnoCalendário de 2008: • Access Clube de Benefícios – R$ 4.528,68; Fl. 545DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 546 3 AnoCalendário de 2009: Não foi comprovada nenhuma das deduções informadas; 2.2.1 Pelo exposto, foram glosadas as seguintes despesas médicas: AnoCalendário de 2007: • Hospital e Maternidade Talita Ltda e Talita Assistência Médica – valores: R$ 7.850,00; R$ 7.780,00; R$ 7.890,00 e R$ 7.900,00; AnoCalendário de 2008: • Access Clube de Benefícios – R$ 1.892,66; • Associação Paulista de Técnicos Judiciários – R$ 5.068,57; • Medial Saúde – R$ 2.400,00; • Hospital e Maternidade Talita Ltda – R$ 7.450,00 e R$ 7.500,00; • Elisa K. Yamaguti – R$ 7.500,00; e • Sistema Brasileiro de Saúde – R$ 7.500,00; AnoCalendário de 2009: • Sul América Seguros Saúde – R$ 13.858,68; e • Medial Saúde – R$ 1.038,12; 2.3 Deduções com contribuições à Previdência Privada e Fapi – A contribuinte deduziu os valores de R$ 48.521,72; R$ 129.555,49 e R$ 150.904,44, respectivamente nos anos de 2007, 2008 e 2009 a título de contribuições à previdência privada. Em atendimento à intimação, em sua resposta de 12/08/2011, a contribuinte informa não existirem investimentos em previdência privada nos citados anos. 2.3.1 Considerando que as deduções a esse título são limitadas a 12% do valor total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos, a fim de se valer de altos valores de dedução, a contribuinte fez constar em suas declarações valores de rendimentos recebidos de pessoas físicas inexistentes, conforme confessado na resposta de 12/08/2011, elevando assim a base de cálculo do imposto devido, pôde valerse de altos valores de dedução de contribuições à previdência privada que, por seu turno, igualmente não foram efetuadas. 2.3.2 Por último, e com a finalidade de completar o engodo, objetivando reduzir o imposto devido e ainda obter restituições do imposto, que ao fim e ao cabo resgatou, deduziu valores idênticos àqueles declarados como recebidos de pessoas físicas a título de despesas de livrocaixa, igualmente inexistentes. Pelo exposto, resta evidente o ardil utilizado pela contribuinte, não fazendo jus às deduções pleiteadas a título de contribuições à Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 547 4 previdência privada, cabendo a respectiva glosa dos montantes declarados. 2.3.3 Por justiça, ainda que o contribuinte confesse não haver nenhuma dedução a esse título, a fiscalização identificou pequenos valores dessas contribuições, que foram considerados. 2.4 Deduções de LivroCaixa – A contribuinte valeuse, para dedução do imposto, de valores de despesas inexistentes de livro caixa; alega ter efetuado pequena despesa a esse título, comparável ao que originariamente fora declarado no ano calendário de 2007. Intimada a apresentar tal livro, juntamente com seus comprovantes, apresentouos, porém não obteve êxito em comprovar a efetiva realização das despesas, nem tampouco a sua necessidade para obtenção dos rendimentos percebidos. Desta forma, não foi considerada nenhuma despesa a esse título para determinação do imposto devido, assim como não foram tributados os valores ficticiamente declarados de rendimentos recebidos de pessoas físicas. 2.5 Considerando que em todos os anoscalendário examinados a contribuinte inseriu em suas declarações de rendimentos despesas inexistentes com a finalidade de reduzir tributo devido, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram Crime contra a Ordem Tributária, tipificado nos incisos I e II do artigo 1º da Lei nº 8.137/90. 3. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 388/392 através da qual alegou, em síntese, que: 3.1 A impugnação é parcial, conforme quadro demonstrativo dos valores a impugnar e a parcelar: AnoBase Imposto Impugnação Parcelamento % Multa a Impugnar 2007 R$ 16.629,39 R$ 14.091,57 R$ 2.537,82 75% 2008 R$ 33.480,92 R$ 11.487,66 R$ 21.993,26 75% 2009 R$ 42.223,91 R$ 20.230,64 R$ 21.993,27 75% 2009 R$ 505,56 R$ 505,56 Total R$ 92.839,78 R$ 45.809,87 R$ 47.029,91 3.2 Foram glosadas despesas e livrocaixa no ano de 2007 sob a alegação de não ter sido comprovada a efetiva realização das despesas e nem tampouco sua necessidade para obtenção dos rendimentos percebidos. No entanto, foram anexados recibos originais, contratos de trabalho com as pessoas, gastos com telefonia, pagamento de anuidade ao CREMESP e outras, todas escrituradas em livrocaixa. O recebimento percebido que permite tais deduções no livrocaixa foram oriundos da cooperativa “Delta Cooperativa do Ramo de Saúde” – CNPJ nº 00.314.441/000168 no montante de R$ 21.474,38 com imposto retido de R$ 2.447,80. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 548 5 3.3 Os profissionais que prestaram serviços, os quais estão escriturados em livrocaixa, não têm vínculos empregatícios, porém, segundo resposta 403 da Receita Federal, “podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício”. 3.4 Com relação às despesas médicas deduzidas nos anos de 2007, 2008 e 2009, que deixaram de ser comprovadas, foram solicitadas segundas vias cuja grande maioria já se encontra em poder do impugnante, que agora as está anexando aos autos. 3.5 Quanto às deduções de previdência privada e Fapi, houve um engano no lançamento das mesmas, que não pertenciam à declaração do contribuinte, fato já esclarecido ao auditor fiscal. 3.6 Quanto ao ilícito penal atribuído devido a despesas inexistentes, alega que as mesmas não foram de forma alguma colocadas com a finalidade de reduzir tributo devido e sim por conta de cálculo prévio em cima dos valores de despesas e com educação da impugnante e de seus dependentes. Na época, não conseguiu juntar os comprovantes que não estavam em seu poder. Solicita a revisão da multa imposta no percentual de 150%, mesmo porque foram fiscalizados três anos ao mesmo tempo, contendo os mesmos problemas e sem condições de a impugnante ter visto antes ou ter sido avisada sobre o fato. 3.7 É necessário fazer a revisão do valor do pagamento do Imposto de Renda no ano de 2008, no qual foi arrecadado o valor de R$ 1.889,17, sem ter sido deduzido do imposto suplementar apurado a pagar e de R$ 943,30 de impostos recolhidos para o ano de 2009 sem ter sido deduzido do imposto suplementar apurado a pagar. Pede ainda a revisão do valor do imposto suplementar cobrado no montante de R$ 42.223,91 com relação ao ano de 2009, sendo que na planilha de declaração de ajuste anual 2010, ano base 2009, o mesmo auditor apresenta os cálculos do valor de R$ 40.891,08. 3.8 Anexa os documentos que julga pertinentes e requer o cancelamento do lançamento. A impugnação apresentada foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 398/405 deste processo digital. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/02/2012 (fl. 540), a Interessada interpôs, em 15/03/2012, o recurso de fls. 409/412, acompanhado dos documentos de fls. 413/539. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Devem ser acolhidos os recolhimentos do imposto de renda referentes aos anosbase 2009 e 2008 que não foram descontados do valor principal do imposto apurado pela fiscalização, não cabendo nem recolhimento do principal e nem a incidência de multa ou juros moratórios sobre tais montantes: em 2010 foram arrecadados R$ 909,00 correspondentes ao ano base de 2009 e R$ 1.690,48 correspondentes ao ano base de 2008. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 549 6 Pela planilha do auto de infração o fiscal apurou para recolhimento um valor de R$ 42.729,47 para o ano de 2009 e R$ 33.480,92 para o ano de 2008. Portanto, antes da multa e dos acréscimos de juros o valor deveria ser deduzido do montante arrecadado na época e no prazo legal, o que não ocorreu e nem foi comentado no despacho decisório o motivo de não ter sido feito esse abatimento. Quanto a glosa da NF de Elsa K. Yamaguti (NF nº 111, no valor de R$ 7.500,00, emitida em 26.11.2008 pelo valor total dos serviços prestados durante o ano), os pagamentos foram efetuados em dinheiro, conforme saques nas seguintes datas: 02.01 RS 600,00; 02/02 R$ 600,00; 31/03 R$ 600,00; 20/04 R$ 600,00; 04/05 R$ 600,00; 10/06 R$ 600,00; 02/07 R$ 600,00; 03/08 R$ 600,00; 16/09 R$ 600,00; 02/10 R$ 600,00; 03/11 R$ 600,00; 01/12 R$ 600,00; 07/12 R$ 300,00. A despesa da empresa Sistema Brasileirinho de Saúde Ltda. (NF nº 108, no valor de R$ 7.500,00) foi paga em dinheiro em 29/10/2008. Quanto ao LivroCaixa, tem rendimento do trabalho não assalariado durante o ano de 2007, recebido de Delta Cooperativa do Ramo de Saúde, no valor de R$ 21.474,38, tendo, portanto, direito a dedução dos gastos com a mão de obra utilizada para receber essa verba, mesmo não sendo esses com vinculo empregatício, conforme resposta da Receita Federal a pergunta 403. Da mesma, quanto ao pagamento efetuado ao CREMESP (anuidade) e a quinta parte dos gastos com telefonia utilizada para marcação de consultas e atendimentos gerais. As despesas com plano de saúde da empresa Sul América foram gastas no anobase de 2009, no valor de R$ 12.738,19, conforme demonstrativo fornecido pela Volpe APATEJ, tendo como beneficiários eu titular e minhas filhas dependentes. Anexa os seguintes documentos como prova dos fatos escritos: recibo de prestação de serviços da senhora Louise Mary G Di Pietro, referente aos trabalhos de envio de planilhas de atendimento a pacientes, conferencia do faturamento, depósitos bancários e pagamentos diversos. São esses recibos de 31.01.2007, valor de R$ 690,00, saque no dia 22/01 efetuado no Banco do Brasil; 28.02.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco do Brasil no dia 22/02; 30.03.2007, valor de R$ 690,00, cheque 085 compensado no Banco Itaú em 16.03.2007; 30.04.2007, valor de R$ 690,00, saque Banco em Itaú em 20/04/2007; 31.05.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 30/05/2007; 29.06.2007, valor de R$ 690,00, cheque 124 do Banco Itaú em 29/06/2007; 31.07.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 26/07/2007; 31.08.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco do Brasil em 20/08/2007; 28.09.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 24.09.2007; 31.10.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 22.10.2007; 30.11.2007, valor de R$ 690,00, saque banco Itaú em 22.11.2007; 21.12.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 05/12. Segue também contrato de prestação de serviços firmado entre as partes; recibos de prestação de serviços do Sr. Luiz Carlos Marins, CPF 042.296.70842, correspondente a serviços de entrega e busca de documentos junto a cooperativa Delta. São eles: R$ 550,00, de 30.01.2007, pagos com cheque 83 do Banco Itaú; R$ 550,00, de 28.02.2007, saque Banco do Brasil em 22.02.2007; R$ 550,00, de 30.03.2007, saque Banco do Brasil em 13/03/2007; R$ 550,00, de 30.04.2007, cheque 123 de 26.04.2007, Banco Itaú; R$ 550,00, de 30.05.2007, cheque 125 Banco Itaú; R$ 550,00, de 29.06.2007, cheque 124 de 29/06/2007; R$ 550,00, de 30.07.2007, saque Banco Itaú em 26/07/2007; R$ 550,00, de 30.08.2007, saque banco Itaú em 22/08/2007; R$ 550,00, 28.09.2007, saque Banco Itaú em Fl. 549DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 550 7 24.09.2007; 30/10/2007, R$ 550,00, saque no Banco Itaú em 22/10/2007; 30.11.2007, R$ 550,00, saque no Banco Itaú em 22.11.2007; 20.12.2007, R$ 550,00, saque no Banco Itaú 05/12/2007; R$ 550,00, 28.12.2007, saque no Banco Itaú 17.12. Segue também contrato de Prestação de Serviços entre as partes e recibos de prestação de serviços pela Sra. Rita de Cássia Souza, CPF 147.657.02804, referente serviços de ginástica laboral aos pacientes enviados pela Delta. São eles: R$ 1.000,00, de 15.02.2007, saque Banco do Brasil em 09/02/2007; R$ 1.000,00, de 15.03.2007, cheque nº 107 Banco Itaú em 15.03.2007; R$ 1.000,00, de 16.04.2012, saque Banco Itaú em 05.04.2007; R$ 1.000,00, de 15.05.2007, cheque nº 135 Banco Itaú em 28.05.2007; R$ 1.000,00, de 15.06.2007, saque Banco do Brasil em 25.06.2007; R$ 1.000,00, em 15.08.2007, cheque nº 155 Banco Itaú em 07.08.2007. Anexa, também, LivroCaixa e respectivos documentos comprobatórios das despesas neles escrituradas, DARF com comprovante de pagamento das quotas do imposto de renda do exercício de 2008 e 2009, listagem completa e certidão de quitação das anuidades arrecadadas ao CREMESP e declaração de quitação da empresa Sul América CNPJ 86.878.469/000143 correspondente ao pagamento do plano de saúde da titular e das dependentes, bem como extratos bancários. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. RECOLHIMENTOS REFERENTES AOS ANOSBASE 2008 E 2009 Alega a Recorrente que devem ser acolhidos os recolhimentos de imposto de renda referentes aos anosbase 2009 e 2008, que não foram descontados do valor principal do imposto apurado pela fiscalização, sendo descabida a cobrança destes valores, bem como a incidência de multa ou juros moratórios sobre tais montantes. Segundo a Interessada foi recolhido, em 2010, R$ 909,00 correspondentes ao anobase de 2009 e R$ 1.690,48 correspondentes ao anobase de 2008. Esta matéria, embora tenha sido suscitada na impugnação (item 3.7 do “Relatório” da decisão recorrida, à fl. 402), não foi objeto de análise pelos julgadores da instância de piso. Os documentos de fls. 530/539 evidenciam que houve o recolhimento, no CPF da Recorrente, de “quotas do imposto apurado na declaração de rendimentos” (código de recolhimento 0211), no montante apontado pela Interessada, nos anoscalendário respectivos. Nesse contexto, entendo que tais valores devem ser decotados do imposto suplementar apurado pela Fiscalização. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Anocalendário de 2007 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 551 8 A Interessada não se insurgiu, em sede recursal, contra as glosas de despesas médicas referentes ao anocalendário em epígrafe. Anocalendário de 2008 Profissional Elsa K. Yamaguti – Valor: R$ 7.500,00 A Recorrente apresentou, em sede de impugnação, a nota fiscal de número 171 (fl. 156). No recurso, apresenta nota fiscal diversa, de número 111 (fl. 514), e aponta datas de pagamentos efetuados em dinheiro, decorrentes de saques bancários, que não guardam correspondência com os extratos das contas correntes apresentados. Nesse contexto, entendo que deve ser mantida a glosa em referência. Empresa Sistema Brasileirinho de Saúde Ltda. – Valor: R$ 7.500,00 A Recorrente alega que esta despesa foi paga em dinheiro em 29/10/2008, sem, contudo, indicar a conta/instituição bancária em que teria havido o saque desta quantia. Não se evidencia nos extratos apresentados, na referida data ou próxima a ela, saque no valor da suposta despesa médica. Nesse contexto, entendo que deve ser mantida a glosa em referência. Demais despesas médicas glosadas neste anocalendário A Interessada não se insurgiu contra tais glosas em sede recursal. Anocalendário de 2009 Foram glosadas, neste anocalendário, as seguintes despesas médicas: a) Sul América Seguros Saúde, no valor de R$ 13.858,68, e Medial Saúde, no valor de R$ 1.038,12. Em relação a esta última, não houve contestação no recurso. Em relação à primeira, a Interessada alega que anexou ao recurso declaração de quitação da empresa Sul América, CNPJ 86.878.469/000143, correspondente ao pagamento do plano de saúde da titular e das dependentes. Compulsando os documentos anexados ao recurso (fls. 413/539), no entanto, não se encontra a referida declaração. DEDUÇÕES DE LIVROCAIXA No curso do procedimento fiscal a Recorrente apresentou à Autoridade lançadora a “Carta Resposta ao Termo de Reintimação da Ação Fiscal” (fl. 51), com o seguinte teor: Eu, Ana Maria Silva Garcia, brasileira, (...), venho respeitosamente requerer a revisão do ajuste efetuado em minhas declarações ano base 2007, 2008 e 2009, com as seguintes alegações: 1. não existem rendimentos recebidos de pessoa física nos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, acrescendo que posso estar fornecendo os extratos bancários para verificação caso haja necessidade. 2. não existem investimentos em previdência privada nos anos de 2007, 2008 e 2009. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 552 9 3. em anexo, segue Livro Caixa do ano de 2007 no valor de R$ 21.430,00 (vinte e um mil e quatrocentos e trinta reais), com os respectivos comprovantes em originais. A Interessada alega que teve rendimentos do trabalho não assalariado durante o ano de 2007, recebidos de Delta Cooperativa do Ramo de Saúde, no valor de R$ 21.474,38, e que teria, por isso, direito à dedução dos gastos com a mão de obra utilizada para receber essa verba, mesmo não sendo mão de obra com vinculo empregatício, conforme resposta da Receita Federal a pergunta 403. Da mesma forma, quanto ao pagamento efetuado ao CREMESP (anuidade) e a quinta parte dos gastos com telefonia utilizada para marcação de consultas e atendimentos gerais. Pleiteia, também, a dedução de valores pagos pela prestação de serviços da senhora Louise Mary G Di Pietro, referente aos trabalhos de envio de planilhas de atendimento a pacientes, conferencia do faturamento, depósitos bancários e pagamentos diversos, bem como a dedução de valores pela prestação de serviços da Sra. Rita de Cássia Souza, referente a serviços de ginástica laboral aos pacientes enviados pela Delta. A dedução de despesas da receita auferida em decorrência de trabalho não assalariado está regulada no artigo 6° da Lei nº 8.134/1990, cuja redação, na parte que interessa, é a seguinte: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (...) III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. A leitura dos trechos em destaque revela que a dedução permitida pelo dispositivo legal referese a despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora relativamente à atividade que o contribuinte percebeu rendimentos de trabalho não assalariado. A Instrução Normativa SRF nº 15/2001, por seu turno, estabelece: Art. 51.O contribuinte que receber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro deve registrar as receitas e as despesas em livro Caixa, podendo deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas escrituradas, a saber: (...) III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O artigo transcrito deixa claro que as despesas de custeio escrituradas em LivroCaixa podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo à pessoa física ou jurídica. Para viabilizar a dedução, no entanto, Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 553 10 tanto as despesas quanto as receitas devem ser registradas no LivroCaixa. E a razão é óbvia: o valor das despesas dedutíveis está limitado ao valor da receita mensal recebida da pessoa física ou da pessoa jurídica, a teor do que dispõe o § 3º do art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, assim descrito: Art. 6º. (...) § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. O LivroCaixa apresentado pelo Recorrente registra apenas as despesas de custeio, sem mencionar qualquer receita recebida de trabalho não assalariado, seja de pessoa física, seja de pessoa jurídica. Nesse contexto, ainda que o Interessado tenha recebido rendimentos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho não assalariado, descabe a dedução de despesas de custeio, porquanto a receita correlata não está escriturada no LivroCaixa, o que impossibilita a verificação do limite mensal de dedução. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para abater do imposto suplementar relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, o valor do imposto de renda recolhido nos montantes de R$ 1.690,48 e R$ 909,00 (comprovantes de recolhimento às fls. 530/539 deste processo digital). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11610.011302/2009-98
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
DESPESAS MÉDICAS -COLETA DOMICILIAR DE EXAMES LABORATORIAIS
Mantem-se a exigência por falta de previsão legal que ampare tal dedução.
Recurso procedente em parte
Numero da decisão: 2802-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas no valor de R$22.833,35, no ano calendário 2005, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial, porém em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 28/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. DESPESAS MÉDICAS -COLETA DOMICILIAR DE EXAMES LABORATORIAIS Mantem-se a exigência por falta de previsão legal que ampare tal dedução. Recurso procedente em parte
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. DESPESAS MÉDICAS COLETA DOMICILIAR DE EXAMES LABORATORIAIS Mantemse a exigência por falta de previsão legal que ampare tal dedução. Recurso procedente em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas no valor de R$22.833,35, no ano calendário 2005, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial, porém em menor extensão. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 13 02 /2 00 9- 98 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 28/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), que considerou procedente em parte, a impugnação apresentada, contra o lançamento por meio do qual exigese do recorrente, IRPF suplementar relativo ao ano calendário, 2005, em virtude glosa de dedução da base tributável para deduções indevidas de despesas médicas, no valor de R$ 32.850,39,. posto que mesmo após regularmente intimada, a contribuinte não apresentou a documentação comprobatória das despesas informadas em sua Declaração de Ajuste. A Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão nº. 1750.037, de 19 de abril de 2011, que se encontra às fls. 130/142, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ESTATUTO DO IDOSO. 0 estatuto do idoso prioriza o atendimento das pessoas diante dos órgãos públicos a partir de 60 (sessenta) anos de idade. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas medicas da declaração de rendimentos restringese aos pagamentos efetuados pela contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes declarados. Regra geral, as deduções pleiteadas estão sujeitas a comprovação mediante documentos/recibos que devem ser revestidos dos requisitos legais e discriminar a pessoa beneficiária dos serviços contratados. Nos termos do artigo 73 e §1° do Decreto n° 3000/99, as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. ADITAMENTO DAS ALEGAÇÕES DE DEFESA ADMINISTRATIVA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Nos termos do artigo 15 do Decreto n.° 70.235/72, a impugnação ao lançamento de debito fiscal deverá ser apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Apresentada a primeira impugnação tempestivamente, a contribuinte exerceu o seu direito de defesa, não podendo voltar a fazêlo devido a ocorrência da preclusão consumativa, ou seja, a consumação do ato processual contestatório Impugnação procedente em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.011302/200998 Acórdão n.º 2802002.724 S2TE02 Fl. 3 3 Ao tomar ciência do acórdão de primeira instância, em 23/05/2011 a contribuinte interpôs o recurso de fls. .156 e ss , no qual alega o seguinte: · Em relação aos recibos, fls. 11 Uroclinica Serviços Médicos Ltda,no valor de R$ 380,00, fls. 12 Dr. Arnaldo José Gane, no valor de R$ 2.500,00, fl.15 Serviço Integrado de Radiologia Odontológica. no valor de R$ 110,00, Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, notas fiscais anexadas As fls. 31 a 33 no valor de RS 233,35 em todos os recibos consta o nome do beneficiário destacado em vermelho. · Em relação aos serviços prestados pelo CDEL Coleta Domiciliar de Exames Laboratoriais ,fl. 21 a 24 , no valor de R$ 180,00 , informa que faz jus à dedução vez que um laboratório ao proceder a um exame relacionado à natureza de suas atividades, obviamente, em seu custo, se encontra embutida a taxa de coleta . · Fundamenta na pergunta 346 do manual perguntas e respostas pessoa física para afirmar que são dedutíveis os gastos com transfusão de sangue, bem como os pagamentos feitos a laboratórios de análises clinicas e radiológicas, correspondentes a serviços prestados ao contribuinte e seus dependentes · Em relação aos serviços prestados pela Fukushima K & F Odontológica S/C Ltda., fls. 25 e 26 no valor de R$ 4.400,00.observase que os cheques encontramse anexados as notas de prestação de serviços. · Em relação ao recibo emitido pelo Serviço Médico Cirúrgico de São Paulo à fl. 19, no importe de R$ 15.700,00, sendo que consta a declaração de prestação de serviços à fl. 18. Transcreve o artigo 80 do Decreto n° 3.000/1999, o art. 8° da Lei na 9.250/1995, Art. 46 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 42, para alegar que os recibos juntados aos autos estão nos termos da legislação que rege a matéria. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Pelo que consta da decisão de primeira instância, dos recibos de despesas médicas apresentadas pela contribuinte, não foram aceitos pelos seguintes fundamentos: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 · Uroclinica Serviços Médicos Ltda fls. 11 não é documento hábil a comprovar o dispêndio de R$ 380,00 pela titular a titulo de despesas médicas para o exercício de 2006. Não há indicação no comprovante da pessoa beneficiária dos serviços prestados pela pessoa jurídica (art. 80, II, RIR/99). Mantemse a glosa desta despesa médica; · Dr. Arnaldo José Ganc fls. 12 não é documento hábil a comprovar o dispêndio de RS 2.500,00 pela titular a titulo de despesas médicas para o exercício de 2006. Não há indicação no comprovante da pessoa beneficiária dos serviços prestados pelo profissional (art. 80, II, RIR/99). Mantemse a glosa desta despesa médica; · Serviço Integrado de Radiologia Odontológica fls. 15 não é documento hábil a comprovar o dispêndio de RS 110,00 pela titular a titulo de despesas médicas para o exercício de 2006. Não há indicação no comprovante da pessoa beneficiária dos serviços prestados pela pessoa jurídica (art. 80, II, RIR/99). Mantemse a .glosa desta despesa médica. · CDEL Coleta Domiciliar de Exames Laboratoriais fls. 21/24 R$180,00 tratase de despesa indedutível, por ausência de previsão legal, uma vez que não referese a exame laboratorial propriamente dito, mas taxa agregada ao serviço contratado. Mantemse a glosa desta despesa médica; · Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo fls. 31/33 notas fiscais não são documentos hábeis a comprovar o dispêndio de R$ 233,35 pela titular a titulo de despesas médicas para o exercício de 2006. Não há indicação nos comprovantes da pessoa beneficiária dos serviços prestados pela pessoa jurídica (art. 80, II, RIR/99). Mantem se a glosa desta despesa médica; · Com relação aos serviços contratados pela contribuinte junto a Fukushima K & F Odontologia S/C Ltda e Serviço Médico Cirúrgico de São Paulo Ltda, esta não logrou êxito em comprovar simultaneamente a efetiva prestação dos serviços contratados bem como dos pagamentos realizados. Quanto aos serviços de Fukushima K&F Odontologia S/C Ltda, nenhuma comprovação foi apresentada. · A declaração emitida pelo prestador de serviço médico (Dr. Sérgio Stella Serviço Médico Cirúrgico de São Paulo) anexada as fls. 18 não pode ser acolhida em sua totalidade, posto que além de não comprovar o efetivo pagamento dos serviços contratados, foi elaborada de modo extemporâneo, casuístico, e com o fito único de produzir prova neste processo administrativo fiscal. Atesta, tão somente, que os serviços foram executados na notificada, com parte dos honorários contratados pagos em espécie (R$ 15.700,00) e parte em cheque (R$ 400,00). Não comprova a efetiva transferência de recursos. A decisão de primeira instância restabeleceu, despesas médicas no valor de R$ 9.347,04. Destarte, o litígio é em torno de R$23.503,35. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.011302/200998 Acórdão n.º 2802002.724 S2TE02 Fl. 4 5 Vejamos: Em relação às deduções de despesas médicas, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Assim, não há dúvidas que os pagamentos dos serviços médicos são dedutíveis. Entretanto, importa ressaltar que, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção Fl. 238DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 do julgador.Não havendo prova em desfavor dos recibos, ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Em relação às deduções com despesa médicas, de acordo com o art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, são dedutíveis da base de cálculo do imposto devido os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais, despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza.. A dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitase a pagamentos especificados e comprovados (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu), podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Certo é que para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, torna se indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Feitas estas considerações passo a analisar a documentação apresentada: · Santa Casa de Misericórdia de São Paulo fls. 31/33 notas fiscais não são documentos hábeis a comprovar o dispêndio de R$ 233,35 entendo que comprovam satisfatoriamente. Tem um carimbo atestando o recebimento da nota. · Entendo que o cheque nº 000479 emitido pela recorrente a favor do Dr.Arnaldo José Ganc. no valor de RS 2.500,00 , comprova o direto a dedução desta despesa, vez que está amparada pelo disposto no inciso III, parágrafo 2º do art. 80, RIR/99). “...ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento “ · Entendo que as NF fls. 37 e 38 Fukushima K & F Odontologia S/C Ltda,no valo total de R$4.400,00, c/c os cheque de fls. 214 e 216, comprovam o direto a dedução desta despesa, vez que está amparada pelo disposto no inciso III, parágrafo 2º do art. 80, RIR/99). “...ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento “Além do mais tem um carimbo atestando o recebimento dos valores mencionados nas NFs. · Com relação a despesa relativa ao Dr. Sérgio Stella fls. 22, no valor de R$ 15.700,00, entendo que a declaração de fls. 18 complementa o recibo de fls. 22, portanto preenchem os requisitos legais para utilizar a dedução do referido valor. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.011302/200998 Acórdão n.º 2802002.724 S2TE02 Fl. 5 7 Assim, entendo que deve ser restabelecido à recorrente a título de despesas médicas o valor de R$22.833,35. Entretanto, deixo de acatar as despesas com Uroclinica Serviços Médicos Ltda fls. 11, no valor de R$380,00, Serviço Integrado de Radiologia Odontológica. no valor de R$ 110,00 , tendo em vista a recorrente alega que o nome do beneficiário consta do recibo, entretanto não há indicação nos comprovantes da pessoa beneficiária dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas: Ademais a recorrente teve a oportunidade de sanear os vícios apontados nos recibos, mas limitouse a apenas alegar, sem, no entanto, apresentar os elemento de prova que pudessem socorrer suas alegações. Quanto a despesa relativa a CDEL Coleta Domiciliar de Exames Laboratoriais fls. 21/24 R$180,00, concordo com a decisão de primeira instância, tendo em vista que ao que tudo indica tratase de uma empresa terceirizada para fazer a coleta de material , portanto não está amparada pela legislação que rege a matéria. O artigo 8º, inciso I letra “b” é bem claro “os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Portanto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas no valor de R$22.833,35., no ano calendário 2005,. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 240DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13116.902561/2011-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 61 /2 01 1- 51 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902561/201151 Acórdão n.º 3803005.380 S3TE03 Fl. 81 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 3 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 975,36. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 30 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902561/201151 Acórdão n.º 3803005.380 S3TE03 Fl. 82 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902561/201151 Acórdão n.º 3803005.380 S3TE03 Fl. 83 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10680.014930/2003-43
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994
IRPF. VERBAS INDENIZATÓRIAS. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PDV. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador quando protocolizado anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF-ANEXO II. Sendo o Imposto de Renda um tributo cujo fato gerador é complexivo, considera-se ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9900-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator) e Julio César Alves Ramos. Redator Designado: Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RELATOR MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Redator Designado.
EDITADO EM: 13/12/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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VERBAS INDENIZATÓRIAS. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PDV. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador quando protocolizado anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARFANEXO II. Sendo o Imposto de Renda um tributo cujo fato gerador é complexivo, considerase ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano calendário. Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator) e Julio César Alves Ramos. Redator Designado: Luiz Eduardo de Oliveira Santos. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RELATOR MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 49 30 /2 00 3- 43 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 13/12/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: O presente processo decorre de pedido de restituição do Imposto de Renda na Fonte referente ao exercício de 1994, ano calendário de 1993, incidente sobre os valores recebidos por Marcos de Moura Henriques em decorrência de adesão a Plano de Demissão Voluntária (PDV) instituído pela Construtora Andrade Gutierrez S.A, em pedido apresentado em 17 de outubro de 2003 (fls. 01 e 29), em decorrência de recebimentos ocorridos em no anocalendário de 1993, a partir de 28 de abril de 1993 (fls. 06v e 29). A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10248.590, que se encontra às fls. 54/60, cuja ementa é a seguinte: ‘IRPF RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PDV Contase a partir de 6 de janeiro de 1999, data da publicação da Instrução Normativa da Receita Federal nº. 165 o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos Planos de Desligamento Voluntário. Decadência afastada.’ A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, afastou a decadência do direito de pedir a restituição do contribuinte e determinou a remessa dos autos à DRF de origem para análise do pedido. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.014930/200343 Acórdão n.º 9900000.347 CSRFPL Fl. 3 3 Intimada do acórdão em 17/12/2007 (fls. 61), a Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de divergência de fls. 64/73, em que alegou, em apertada síntese: a) que o v. acórdão que o v. acórdão recorrido diverge da interpretação dada à legislação pelo Acórdão n° 30235782; b) que o v. acórdão negou vigência aos artigos 168, inciso I, e 165, inciso I, ambos do CTN, que tratam da contagem do prazo decadencial na repetição de indébito; e c) que a interpretação constante no v. acórdão afronta ao disposto no Ato Declaratório SRF 96199. Nos termos do Despacho n° 1020.090/2008 (fls. 75/76) da Presidência da Segunda Câmara o recurso foi admitido com base no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais,aprovado pela Portaria 147/2007. Intimado da decisão que deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 76) o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 79/81 pleiteando a manutenção do v. acórdão. É o Relatório. A Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1994 IRPF. VERBAS INDENIZATÓRIAS.PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PDV. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas. Recurso Especial Negado. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso extraordinário às fls. 96/105, por meio do qual requer a reforma do acórdão ora fustigado. O recurso foi admitido pelo Presidente Substituto do CARF, por meio de despacho às fls. 112. O sujeito passivo apresentou e contrarrazões às fls. 115/117. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Vencido Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, apresentado em boa forma. A matéria posta à apreciação pelo Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cingese aos marcos temporais para contagem do prazo prescricional para o pedido de restituição de indébito de IR da pessoa física que recebeu verbas não tributadas pelo Imposto, pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária, em situação reconhecida pela RFB por via da Instrução Normativa SRF nº 165, de 31 de dezembro de 1998. A decisão recorrida é no sentido de que o marco inicial do. prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas, enquanto a tese da PGFN é no sentido de que extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da luta da extinção do crédito tributário. Para efeito de fixar o prazo de prescrição para a repetição de indébito para o caso em questão, estribome na decisão RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, cuja ementa transcrevo abaixo: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.014930/200343 Acórdão n.º 9900000.347 CSRFPL Fl. 4 5 e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. A decisão da CSRF entendeu, em linha com o contribuinte, que o prazo prescricional é de cinco anos contados da data publicação Instrução Normativa SRF n° 165), que se deu em 06/01/1999, sendo que a PGFN entende ser de cinco anos do pagamento. Ambas as posições já foram sustentadas pelos diversos órgãos julgadores do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes. Ambas as posições devem ser afastadas no caso presente. A primeira posição não pode ser acatada, pois estabeleceria uma ausência de prazo, pendente de atos decisórios ou legislativos ulteriores, além de resultar em uma imprescritibilidade ad infinitum em relação aos eventos ocorridos antes da edição do ato normativo; entendimento completamente contrário ao sistema jurídico brasileiro, especialmente ao seu subsistema denominado Sistema Tributário, que está consubstanciado no CTN. Nem se diga que há possibilidade de outras formas de contagem de prazo, seja quando o pedido de restituição decorra de decisão que reconheceu a inconstitucionalidade de determinada lei (em processo de controle concentrado ou difuso), seja devido a reconhecimento de inconstitucionalidade por um ato qualquer do Executivo ou Legislativo, seja porque em algum processo específico se reconheceu não haver fato gerador do tributo. Isto porque conforme se lê na decisão do RE 566.621/RS, no voto da Relatora Ministra Elln Gracie, especificamente às fls, 10 a 12, a matéria controversa é assentada apenas em um dúvida: se a contagem seria de cinco ou dez anos a contar do fato gerador no caso de tributo lançado por homologação. Não se cogita de outro termo ad quo, por absoluta falta de previsão legal, e como já se disse acima, por absoluta incongruência com ordenamento jurídico brasileiro e mais especificamente com o Sistema Tributário Nacional. Assim, destaco que a decisão do RE 566.621/RS, de seguimento obrigatório por este CARF, por conta do art. 62A do RICARFANEXO II, impõe que se afaste qualquer outro termo inicial de contagem de prazo, para períodos anteriores a 09 de junho de 2005, que não seja a ocorrência do fato gerador, nos casos de tributos lançados por homologação. Já a posição da PGFN é inaceitável para o período em discussão, isto porque a posição que deve ser aceita decorre da jurisprudência do STJ conforme estabelecida no julgamento do RE 566.621/RS, acima transcrito, em que o STF reconheceu a aplicabilidade dos 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 antes da data da vigência da LC nº 118/2005 (08 de junho de 2005), o que se deu no caso presente. O presente processo traz uma peculiaridade no que diz respeito à data dos indébitos. É que, conforme está informado no processo, embora tenha corrido no ano calendário de 1993 (a declaração retificador de 1994, fls. referese tão somente ao ano calendário de 1993, fls. 0204), os pagamentos ao que tudo indica não foram feitos em parcela única (o contribuinte o declara, mas não os especifica, cf. fls. 33, 49, 51), e em nenhuma parte do processo,nas decisões relativamente ao contribuinte, constam datas de outros pagamentos. Assim, considerando que foi feito pagamento em 28 de abril de 1993, e como não consta o valor ou data de outros pagamentos, e que nesta fase do processo não se discute mais matéria de prova, considerase que o pagamento foi feito em sua totalidade nesta data, para efeito desta decisão. Desta forma, considerando que a data do fato gerador é 28 de abril de 1993 (fl. 06v e 29) e a data da protocolização do pedido é 17 de outubro de 2003 (fl. 01 e 29), portanto após transcorridos 10 anos do fato gerador que originou o pagamento indevido, ocorre in casu, a prescrição, voto por DAR provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Em que pesem o brilhantismo e a coerência interna aos argumentos esposados pelo i. relator em seu voto, peço vênia para discordar do mérito. Com efeito, foi considerado pelo Conselheiro Relator que a data do fato gerador teria sido 28 de abril de 1993 (fl. 06v e 29) e a data da protocolização do pedido, 17 de outubro de 2003 (fl. 01 e 29). Portanto concluiu já haver transcorrido o prazo de 10 anos, contados do fato gerador que teria originado o pagamento indevido e, assim, reconheceu a decadência do direito à repetição do indébito e, consequentemente, votou por dar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Ocorre que há um ponto, que em meu entender é fulcral para o deslinde da questão, que necessita ser considerado, qual seja: a determinação da data do fato gerador. Salientese que, tratase aqui de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, especificamente de rendimento sujeito ao ajuste anual. Ora, sendo esse um tributo complexivo seu fato gerador é considerado ocorrido – sempre – em 31 de dezembro do correspondente anocalendário. Sobre o tema, cabe referência à Súmula CARF n° 38, cujo enunciado se encontra reproduzido a seguir: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Reparase que, para fins de lançamento, o fato gerador é considerado ocorrido em 31 de dezembro, então, coerentemente, para fins de repetição de indébito, esse mesmo critério deve ser utilizado. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.014930/200343 Acórdão n.º 9900000.347 CSRFPL Fl. 5 7 Em vista do exposto, considero que a data do fato gerador teria sido 31 de dezembro de 1993 e a data da protocolização do pedido, 17 de outubro de 2003 (fl. 01 e 29). Assim, entendo que, não tendo ocorrido transcurso do prazo de 10 anos, afasto a decadência do direito à repetição de indébito e, consequentemente, voto no sentido de negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Redator Designado Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10580.725145/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.129
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Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS COMO ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO CONTRIBUINTE A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO. A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto de renda da pessoa física nas hipóteses em que o Estado não tenha efetuado a retenção na fonte. IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRIBUINTE. Nos termos do Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, nos casos em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza indenizatória. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 45 /2 01 0- 77 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF n° 73. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 127/164) interposto em 30 de setembro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls. 118/123), do qual a Recorrente teve ciência em 26 de setembro de 2011 (fl. 165, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 04/07, lavrado em 08 de junho de 2010, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, verificada nos anoscalendário de 2005 e 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.725145/201077 Acórdão n.º 2101002.400 S2C1T1 Fl. 175 3 A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 118). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 127/164, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado em face da contribuinte, em virtude de ter sido verificada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, tendo estes sido apontados como rendimentos isentos e não tributáveis. Mencionados rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em atendimento ao disposto pela Lei Estadual do Estado da Bahia n.º 8.730/2003. Em se tratando de recurso que versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pela contribuinte, houve resolução deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de determinar o sobrestamento de seu julgamento, até o trânsito em julgado de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos art. 62A, §§ 1º e 2º, do RICARF. Cumpre salientar, todavia, que, em 18 de novembro de 2013, foi editada a Portaria MF n.º 545, que alterou o Regimento Interno do CARF, revogando os parágrafos primeiro e segundo do supracitado art. 62A, razão pela qual retornam os autos para julgamento. Com relação ao argumento de que não haveria legitimidade da União para cobrança do referido imposto, tendo em vista a redação do art. 157, I, da Constituição Federal, verificase que este dispositivo trata da repartição da receita tributária. Não obstante a destinação da arrecadação obtida por meio de tributos ser matéria afeta ao Direito Financeiro, esta não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária, a qual conferiu à União a competência tributária e a legitimidade ativa para instituir e cobrar o imposto em questão, principalmente no presente caso, em que a retenção do imposto de renda não foi realizada pela fonte pagadora. Sustenta a Recorrente, ainda, que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo devido seria da fonte pagadora, ou seja, o Estado da Bahia. Contudo, o Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, dispôs que, verificada a falta de retenção Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir da contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, no caso em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Verificandose que os rendimentos auferidos pela contribuinte constaram da Declaração de Ajuste Anual, concluise por sua responsabilidade quanto ao Imposto de Renda não recolhido. Quanto ao mérito, aduz a contribuinte, inicialmente, que os valores recebidos teriam natureza indenizatória, razão pela qual não haveria que se falar em sua inclusão na base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Fundamentase, para tanto, na redação do art. 5º da Lei Estadual da Bahia n.º 8.730/2003, segundo o qual “São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei”. Não obstante o mencionado dispositivo consignar o caráter indenizatório dos rendimentos, imprescindível que se realize a análise de sua natureza jurídica, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Conforme dispõe o art. 4º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças decorrentes do erro na conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pela contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pela contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.725145/201077 Acórdão n.º 2101002.400 S2C1T1 Fl. 176 5 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução mº 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Quanto à forma utilizada para apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, entende o Recorrente que tal deveria ter sido realizada com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos, mês a mês, de acordo com as tabelas relativas a cada ano de referência. No entanto, o entendimento sobre o tema encontrase balizado pelo art. 56 do Decreto n.º 3.000 (RIR/99), com as alterações promovidas pela Lei n.º 7.713/1998, conforme se verifica pelo dispositivo colacionado abaixo: “Rendimentos Recebidos Acumuladamente Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12)” Como cediço, não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise da constitucionalidade das normas existentes no ordenamento jurídico brasileiro, conforme determina a própria Súmula n.º 02 do CARF. Neste sentido, aplicável o art. 56 do RIR/99, devendo o Imposto de Renda incidir no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos recebidos. Por fim, em relação à multa de ofício, entendo que esta deve ser excluída do lançamento. Isso com base na boafé da Recorrente, caracterizada pelo fato de ter agido simplesmente de acordo com expressas informações existentes na Lei Estadual da Bahia n.º 8.730/2003. Justificando referido entendimento, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendido que o erro escusável do contribuinte, em situações como a dos autos, autoriza a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Assim, ao recurso deve ser dado provimento em parte, apenas para afastar a aplicação da multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73, rejeitandose as demais preliminares. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10945.902210/2012-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2007
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/03/2007 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 10 /2 01 2- 70 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902210/201270 Acórdão n.º 3801003.097 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902210/201270 Acórdão n.º 3801003.097 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902210/201270 Acórdão n.º 3801003.097 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902210/201270 Acórdão n.º 3801003.097 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902210/201270 Acórdão n.º 3801003.097 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902210/201270 Acórdão n.º 3801003.097 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902210/201270 Acórdão n.º 3801003.097 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11516.001217/2010-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2010
PREVIDENCIÁRIO. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO FISCAL.
Não há litígio quando a Impugnação é apresentada fora do trintídio legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2010 PREVIDENCIÁRIO. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO FISCAL. Não há litígio quando a Impugnação é apresentada fora do trintídio legal. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO FISCAL. Não há litígio quando a Impugnação é apresentada fora do trintídio legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 17 /2 01 0- 23 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 87/90, interposto em face de Decisão de fl. 76/82, que entendeu por intempestiva a Impugnação apresentada, tendo em vista ter sido apresentada com mais de 30 (trinta) dias após o termo inicial do prazo, inclusive conforme Termo de Revelia lavrado, constante na fl. 53. O Auto de Infração (DEBCAD 37.244.6493) foi lavrado em 12/04/2010, no valor total de R$ 253.255,43 (duzentos e cinqüenta e três mil duzentos e cinqüenta e cinco reais e quarenta e três centavos), para exigência de contribuições previdenciárias tendo como fatos geradores os valores pagos a segurados empregados no período de 01/2006 a 12/2007. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o município interpôs, intempestivamente, impugnação, fls. 55/62. DA DECISÃO DA DRJ Tendo em vista a impugnação apresentada, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC – DRJ/FNS, prolatou o acórdão 0725.135, fls. 76/82, não conhecendo da impugnação face a sua intempestividade, conforme se percebe da ementa do julgado abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não será apreciada, salvo se suscitada preliminar de tempestividade, observandose que, não sendo esta acolhida, deixarseá de examinar as demais questões argüidas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O acórdão foi julgado por maioria de votos, tendo sido vencida a julgadora Leila Simone Monego, que apresentou declaração de voto entendendo por tempestiva a impugnação apresentada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em face do acórdão da DRJ o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 87/90, requerendo a reforma do acórdão, uma vez que a impugnação seria tempestiva pois o AR foi entregue em domicílio diverso ao indicado por ele. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001217/201023 Acórdão n.º 2403002.466 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DO DOMICÍLIO FISCAL DO CONTRIBUINTE – DA INTEMPESTIVIDADE O Município apresentou impugnação em 28 de maio de 2010, aduzindo que o domicílio tributário fornecido à Receita Federal do Brasil é o endereço situado na Rua Tenente Silveira, n. 60, Centro e não a Rua Conselheiro Mafra, 656, Centro, local onde foi entregue o auto de infração. A DRJ realizou consulta ao sistema informatizado da RFB e afirmou que ambos os endereços teriam sido informados pelo município, colacionando tela do sistema na fl. 78. O endereço na qual se efetuou a intimação do contribuinte, Rua Conselheiro Mafra, é o endereço informado para a Secretaria Municipal de Administração, CNPJ 82.892.282/000224, enquanto o endereço ao qual entende ser o correto seria aquele situado na Rua Tenente Silveira, 60, local em que se situa a Prefeitura Municipal, Secretaria Estadual da Fazenda, CNPJ 82.892.282/000143. Ocorre que não merece guarida o argumento do recorrente de que apenas o Prefeito ou seu ProcuradorGeral é quem detém legitimidade e competência para receber qualquer intimação, por serem os únicos legitimados para representála ativa e passivamente em juízo, nos termos do art. 12 do CPC. O AR foi enviado a um dos órgãos integrantes da administração pública municipal e por se tratarem de órgãos, não possuidores de personalidade jurídica, a intimação é tida como feita à entidade municipal, podendo ser recebido por qualquer pessoa que detenha relação com o município. Com relação a teoria do órgão, Marçal Justen Filho (Curso De Direito Administrativo, 8ª Ed, 2012, Fórum, fl. 230) leciona: O órgão público não é uma pessoa jurídica, mas pode receber tratamento equivalente, para certos efeitos. Os órgãos públicos são investidos de poderes, de direitos e de deveres, os quais podem decorrer de uma autonomia assegurada na Constituição ou na lei. Assim, por exemplo, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não são pessoas jurídicas, mas órgãos da União. Não é juridicamente possível diferenciar a União e os órgãos constitucionalmente investidos de poderes para formar e exteriorizar a vontade dela. No entanto, o Presidente da República, o Senador Federal e outros órgãos gozam de autonomia assegurada pela Constituição. Isso conduz à Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 possibilidade de que tais órgãos sejam investidos de posições jurídicas, inclusive no tocante à titularidade de bens. Já com relação a desnecessidade de intimação direta do representante legal da pessoa jurídica, há a atração obrigatória da Súmula CARF n. 09, cuja redação segue abaixo colacionada, in verbis: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por tal razão, uma vez que o contribuinte foi cientificado em 26 de abril de 2007 na rua Conselheiro Mafra, 656, fl. 51 e na Câmara Municipal em 27/04/2010, fl. 52, tendo apresentado apenas impugnação em 28/05/2010, fl. 55, temse por intempestiva a impugnação apresentada. CONCLUSÃO Diante do exposto, manifestome pelo não conhecimento do Recurso Voluntário, face a intempestividade da Impugnação. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11050.000040/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 05/06/2007, 22/08/2007, 05/09/2007
CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial -por qualquer modalidade processual-, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto do lançamento, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 3201-001.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso, vencidos os conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão. O conselheiro Paulo Sergio Celani votou no sentido de conhecer e dar provimento parcial ao recurso, para reformar a decisão da DRJ. O conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) votou pela anulação da decisão da DRJ. Procedeu à sustentação oral o representante da parte, Dr. Renato Romeu Rench, OAB-RS 10206.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto do lançamento, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso, vencidos os conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão. O conselheiro Paulo Sergio Celani votou no sentido de conhecer e dar provimento parcial ao recurso, para reformar a decisão da DRJ. O conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) votou pela anulação da decisão da DRJ. Procedeu à sustentação oral o representante da parte, Dr. Renato Romeu Rench, OABRS 10206. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 00 40 /2 00 8- 48 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Versa o presente processo sobre auto de infração lavrado, às fls. 01 a 24, m virtude da reclassificação tarifária das mercadorias importadas conforme as DI nºs 7/07287990, 07/11286358 e 07/12024578, registradas, respectivamente, em 05/06/2007, 2/08/2007 e 05/09/2007, e que foram descritas pelo importador como guindastes autopropulsores, sendo o modelo QY 25K importado através das DI n.'s 07/07287990 e 7/12024578, ao passo que, por meio da DI n.° 07/11286358, foi importado o modelo QY 50K. Segundo consta do autos de infração, foi verificado que as mercadorias classificadas pelo importador no código NCM 8426.41.10, destinado às cábreas, guindastes, incluídos os de cabo, pontes rolantes, pórticos de descarga ou de movimentação, pontesguidastes, carrospórticos e carrosguindastes, com deslocamento em sentido longitudinal, transversal e diagonal (tipo caranguejo) com capacidade superior a 60 T, deveriam, no entanto, ser classificadas no código NCM 8705.10.90, destinado a abrigar outros caminhõesguindastes, que residem na posição 8705 entre os veículos automóveis para usos especiais (por exemplo: autosocorros, caminhõesguindastes, veículos de combate a incêndios, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos, exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias), tendo sido a mencionada reclassificação efetuada com base no Memorando n.° 2/2007 de fls. 114 a 121, elaborado em 26 de janeiro de 2007, pela Divisão de Administração Aduaneira — DIANA da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 10 a Região Fiscal, e nos laudos técnicos emprestados, que foram elaborados para identificar equipamento similar (modelo QY 65K) importados segundo as DI n.'s 07/04035213 e 07/09579670, respectivamente, às fls. 41 a 44 e 48/49. Aduz, ainda, a fiscalização que o auto de infração foi lavrado para formalizar as exigências realizadas no curso dos despachos aduaneiros das mencionadas declarações de importação (DI n.'s 07/07287990, 07/11286358 e 07/12024578), devido à não concordância em satisfazêlas por parte do importador que, bem ao contrário, contestouas ajuizando as Ações Ordinárias n.°s 2007.71.01.0020237/RS, 2007.71.01.0023949/RS e 2007.71.01.0024607/RS, perante a Justiça Federal de Rio Grande (RS). Informa, por fim, que, em cada uma das ações ordinárias ajuizadas pelo contribuinte, foram prolatadas decisões judiciais que concederam a antecipação de tutela requerida pelo importador, tendo sido apreciado o mérito sobre a classificação Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11050.000040/200848 Acórdão n.º 3201001.243 S3C2T1 Fl. 581 3 tarifária das mercadorias em apreço e, bem assim, as infrações que ultimaram por serem apontadas no presente feito. Em conseqüência, foi lavrado o auto de infração em apreço por meio do qual está sendo exigido do contribuinte autuado o pagamento de Imposto de Importação (II), multa lançada de oficio e proporcional a 75% do imposto exigido, multas regulamentares em face da classificação incorreta da mercadoria e por prestar informação incorreta na descrição da mercadoria importada, fulcradas no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n.° 10.833, de 2003, e, bem assim, multa do controle administrativo por falta de licença de importação. Regularmente cientificado do auto de infração, por AR (fl. 227) em 21/01/2008, o contribuinte, em 19/02/2008, apresentou os documentos de fls. 277 a 342 e 344 a 348, e a impugnação de fls. 233 a 276, onde, em síntese: Alega ser incabível a aplicação de multa pelo fato de o importador ter descrito o bem como guindaste autopropulsor, em vez de caminhãoguindaste, como quer o Fisco, tendo em vista que esta matéria está absolutamente controvertida úna esfera judicial, ao que aduz que o contribuinte tem a obrigação de fazer a descrição do bem'4ue importa, ao passo que ao Fisco cabe verificar se tal descrição é razoável e alterála, caso entender que a identificação tenha que ser modificada. Reclama que a multa por falta de licença de importação está sujeita à definição do IBAMA que informa que o bem especificamente identificado não está sujeito a licenciamento prévio, ao que aduz que, por caber ao IBAMA a competência de definir qual importação deve se sujeitar a licenciamento prévio, não cabe mais cogitar quanto à aplicação de multa em face de inexistência de seu pressuposto. Ademais disso, alega que a multa por erro de classificação fiscal igualmente não pode ser aplicada, uma vez que ao contribuinte compete identificar o bem por via de classificação prévia, mas que a classificação efetiva cabe ao Fisco, cabendo a multa apenas nos casos de erro grosseiro, ao que aduz que a classificação correta do bem importado também está sujeita à definição judicial. De outro lado, alega também ser incabível a aplicação da multa de oficio, tendo em vista que o lançamento teve o efeito de constituir o crédito tributário com o fim de evitar a sua decadência, não podendo pressupor o resultado da ação judicial. Em razão disso, argumenta que, embora a classificação fiscal caiba ao Poder Judiciário, a discussão acerca das penalidades, que foram aplicadas após terse iniciado o processo judicial, deve ser feita no contexto administrativo, como matéria nova. Em outro plano, alega que a fiscalização contrariou a disposição contida no art. 30 do decreto n.° 70.235, de 1972, em face da Fl. 582DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 rejeição de prova coletada por via de perito da própria Receita Federal, eis que o laudo técnico identificou a mercadoria importada como um equipamento que possui quatro eixos de rodas, sendo que os dois eixos dianteiros são direcionáveis, e não existe caminhão com dois eixos dianteiros direcionáveis Em razão disso, argumenta que tal conduta do Fisco implica violação de regra processual fundamental e em cerceamento do direito de defesa decorrente de uma rejeição implícita do laudo do perito oficial favorável ao contribuinte, sem ter enumerado, especificamente, as razões de tal conduta, pelo que pede a declaração de nulidade do feito. Em longo arrazoado, sustenta as razões pelas quais entende estar correta a classificação tarifária da mercadoria adotada na respectiva DI, e não a adotada pela fiscalização, pelo que solicita o acolhimento da invalidade da classificação feita pela autoridade fiscal, visto ser frontalmente contrária às regras de classificação tarifária. Por último, requer ainda que sejam anuladas as penalidades aplicadas, em face da prescrição expressa do ADN COSIT n.° 10, de 1997, já que não foi verificado o pressuposto de qualquer das infrações capituladas no lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº0716.250, de 29/05/2009: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/06/2007, 22/08/2007, 05/09/2007 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. LIDE JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/06/2007, 22/08/2007, 05/09/2007 MULTAS REGULAMENTARES. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. LIDE JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO. TUTELA ANTECIPADA POSTERIOR AO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11050.000040/200848 Acórdão n.º 3201001.243 S3C2T1 Fl. 582 5 É cabível o lançamento de multa de oficio quando a tutela antecipada é concedida após o início do procedimento que ensejou o lançamento. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, tempestivo, reiterando, ipsis litteris, os argumentos suscitados em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator Conforme já relatado, o processo administrativo versa sobre a classificação fiscal das mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação nºs 07/07287990, 07/11286358 e 07/12024578, sendo certo que tal objeto é idêntico ao objeto das Ações Ordinárias nºs 2007.71.01.0020237, 2007.71.01.0023949 e 2007.71.01.0024607, ajuizadas na Justiça Federal da 4ª Região – Seção Judiciária do Rio Grande do Sul. Nesse sentido, há concomitância que impede o conhecimento do recurso voluntário por força da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por outro lado, em respeito ao princípio da jurisdição una, é imperioso consignar que as ações judiciais retro mencionadas já foram julgadas definitivamente, havendo coisa julgada em prol da Recorrente. Com efeito, o crédito tributário lançado por meio do auto de infração ora guerreado não pode ser exigido, uma vez que as decisões judiciais confirmaram a classificação fiscal das mercadorias na posição NCM 8426.41.10. Diante de todo o exposto, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 584DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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