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Numero do processo: 10580.721814/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, RESOLVERAM converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Júlio Martins, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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Omissão de receitas. Recorrente ODBINV S/A Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, RESOLVERAM converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Júlio Martins, Marcos VillasBôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 21 81 4/ 20 08 -1 7 Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 15 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 1521.258 da 1ª Turma da DRJ/SDR (Salvador/BA) que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pela contribuinte contra Auto de Infração de IRPJ e reflexos no valor total de R$ 5.602.137,75. Os fatos geradores, no tocante ao IRPJ e à CSLL, remontam a 31 de dezembro de 2003, enquanto que, no tocante ao PIS e à COFINS, são dos períodos de fevereiro, abril, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2003. O contribuinte foi cientificado em 22/10/2008. A acusação é de omissão de receita operacional apurada por meio de depósitos bancários e cuja origem não foi comprovada. Em sua Impugnação, a contribuinte buscou comprovar a origem das receitas apontando operações de diferentes naturezas. A) Dos depósitos/créditos cuja origem foi atribuída ao contrato de conta corrente e gestão única de caixa (aplicável aos lançamentos "C" e "I") A Recorrente firmou contratos de conta corrente e gestão única de caixa com empresas do próprio grupo empresarial Odebrecht. Como se tratavam de empresas vinculadas, a Fiscalização aceitou que fossem apresentados os livros contábeis como parte do suporte para comprovação das operações. Parte dessas operações foram comprovadas, porém faltaram documentos para suportar outra parte delas. Foi feito, portanto, um ajuste de R$ 43.732.920,00 e 71.342,00 na base de cálculo do IRPJ, com acréscimos de juros e multa. A Impugnante alega que o valor de R$ 71.342,00 não se refere, em verdade, ao referido contrato, de modo que ele foi tratado em outro item. Além disso, ela alega que um dos depósitos, no valor de R$ 4.715.605,30, que fizeram parte da Autuação não foram vinculados ao contrato em questão, mas deveriam ter sido. Esse valor corresponderia à soma de dois créditos de R$ 4.704.119,15 e R$ 11.486,15 que lhes foram disponibilizados pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) por conta e ordem da Odebrecht Serviços de Infraestrutura S/A, que era parte no contrato aqui em análise. A Recorrente junta folhas do Livro Razão da Odebrecht Serviços (doc. 4 da Impugnação), nas quais constam os valores entregues a ela lançados na conta Créditos de Diversos C/C Coligadas e Controladas Odebrecht. Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 16 3 Ela junta também um aviso de pagamentos emitidos pela CCR em nome da Odebrecht Serviços no mesmo valor (doc. 05), o comprovante da TED realizada em 23/04/2003 (doc. 06) e o respectivo registro no Livro Razão dela (doc. 07). Quanto ao ingresso de R$ 43.732.920,00 em 12/2003, alega que decorreu de empréstimo no valor de USD 14.955.000,00, valor que corresponderia perfeitamente a tal quantia quando convertido pelo câmbio vigente: R$ 2,9243. Tal crédito foi realizado pela Tenenge Overseas Corporation por conta e ordem da OSI Overseas Ltd., que era parte do já mencionado Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa. A Recorrente juntou à sua Impugnação os seguintes documentos: a) folha do Livro Razão da OSI Overseas Ltd. demonstrando a baixa no passivo junto à Recorrente mediante débito na conta Affiliated Companies Odebrecht, antiga denominação dela, e operação registrada como "Remessa Ref Mutuo ODB" (doc. 08); b) folhas do Livro Razão da Tenenge Overseas Corporation em 12/2003, nas quais está registrado o valor entregue à Recorrente, lançado a crédito na conta Caixas / Bancos (Cash Assets / Bank Accounts) (doc. 09) e a débito na conta Valor Baica c/c Coligadas e Controladas Affiliated Companies OSI Overseas Ltd. (doc. 10); c) folha do Livro Razão da Recorrente na qual está registrado o recebimento do valor de R$ 43.732.920,00 mediante lançamento a crédito na conta Créditos Diversos com Coligadas e Controladas OSI Overseas Ltd. valor referente transf TOC (Tenenge Overseas Corporation) (doc. 11). B1) Reembolsos de despesas administrativas nos montantes de R$ 56.028,00, R$ 66.560,00 e R$ 71.324,00 (Aplicável aos lançamentos "A", "F" e "J") A Recorrente alegou que tais valores se refeririam a reembolsos de despesas pagos por empresas ligadas a ela. Na qualidade de holding do grupo, ela suportaria as despesas e depois as ratearia proporcionalmente. Quanto ao primeiro valor, de R$ 56.028,00, relativo a 02/2003, é composto por dois créditos no valor de R$ 21.350,00 e R$ 34.678,00 que se referem a despesas incorridas pela Construtora Norberto Odebrecht S.A. (CNO) no período de outubro a dezembro de 2002. A Recorrente junta como provas folhas do Livro Razão que demonstram o registro/débito (doc. 12) e a baixa/crédito (doc. 13) na conta Outras Contas a Receber Devedores Diversos CNO. Ela junta também folhas do Livro Razão (doc. 14) demonstrando que o recebimento dos valores foi registrado como crédito em contas diversas de despesas, indicando uma natureza de reembolso de despesas, e cópias dos Relatórios Gerenciais de Orçamento (doc. 15), nos quais há o acompanhamento desses gastos. No que toca aos valores de R$ 66.560,00 (10/2003) e R$ 71.342,00 (12/2003), a Recorrente também alega que eles são reembolsos de despesas pagas em nome de Construtora Norberto Odebrecht S.A (CNO). Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 17 4 Os valores foram registrados no Livro Razão da Recorrente, à época denominada Odebrecht S.A., mediante lançamentos de R$ 90.795,00 e R$ 52.730,00 efetuados a débito na conta Outras Contas a Receber Devedores Diversos CNO (doc. 16). Gerase dúvida, pois a soma dos dois valores autuados é menor do que a soma dos dois valores registrados e mencionados acima. Ocorre, no entanto, que foi feito o estorno da diferença de R$ 5.623,00 na conta referida anteriormente. Há um registro no Livro Razão de "Valor Estorno da Provisão Efetuada" no valor de R$ 11.722,00. A Recorrente buscou também comprovar que os valores foram lançados em contas diversas de despesas e junta os relatórios gerenciais de Acompanhamento de Orçamento (doc. 18). B.2 Dos dividendos recebidos pela Impugnante na competência abril de 2003, no importe de R$ 299.249,35 (Aplicável ao lançamento "B") A Recorrente recebeu, em 23/04/2003, quantia no valor de R$ 299.249,35 a título de dividendos pela participação na Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), tendo sido o referido valor lançado no Livro Razão dela como Dividendos e Lucros Recebidos Companhia de Concessões Rodoviárias (doc. 19). Ela alega, então, que o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 isentou os dividendos no Brasil, de modo que não são tributados pelo IRPJ e pela CSLL. B.3 Da transferência entre contas bancárias da quantia de R$ 10.000,00, efetuada na competência de julho de 2003 (Aplicável ao lançamento "D") O valor de R$ 10.000,00 se referiria, segundo a Recorrente, a uma transferência entre contas correntes de titularidade dela mesma no bancos Banrisul e Bradesco. Ela junta cópias de folhas do Livro Razão nas quais registrou a saída do numerário da conta Disponibilidade Bancos Movimento Banrisul (doc. 20) e registrou a entrada do mesmo valor na conta Disponibilidade Bancos Conta Movimento Bradesco (doc. 21). B.4) Do crédito em conta bancária no montante de R$ 403.660,00 em agosto de 2002 (aplicável ao lançamento "E") Foi alegado que se trata de receita de terceiros (Odebrecht Investimentos S/A), para quem o valor foi transferido no mesmo dia. Junta (doc. 22 da Impugnação) cópia do extrato bancário que aponta a entrada do valor e um DOC, na mesma data, para a empresa Odebrecht Investimentos S/A exatamente no valor em questão. Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 18 5 Junta (doc. 23 da Impugnação) também cópia da folha do Livro Razão da Odebrecht Investimentos S/A na qual está registrado o recebimento do valor em tela. B.5) Origem do depósito bancário verificado no mês de novembro de 2003 no importe de R$ 125.969,28 (aplicável ao lançamento "F") Requereu a juntada posterior de documentos devido à dificuldade de encontrá los. B.6) Origem do depósito bancário verificado no mês de novembro de 2003 no importe de R$ 125.969,28 (aplicável ao lançamento "H") Foi alegado que esse valor se referia a resgate de aplicação financeira com desconto do Imposto de Renda Retido na Fonte. Para comprovar tal alegação, junta cópias de folhas do Livro Razão (doc. 25 e 26). Dos R$ 132.461,60 resgatados, R$ 6.492,32 ficaram retidos a título de IRRF (20%) e o restante, no valor de R$ 125.969,28, ingressou na conta da Recorrente. B.7) Da origem do crédito de R$ 85.218,00 ocorrido em dezembro de 2003 (aplicável ao lançamento "K") A Recorrente fazia parte à época do Consórcio Construtor de Parques (CONSTRUPAR), que tinha como objeto a execução, gerenciamento, implantação e entrega de obras e serviços de melhoramento e construção de rodovias no Estado do Paraná. Nesse período, ela recebia e remetia numerários de e para o consórcio. Ela junta cópias de folhas do Livro Razão buscando comprovar que recebeu em 16/12/2003 o valor de R$ 85.218,00 a título de parte que lhe cabia do resultado positivo apurado pelo consórcio. Os docs. 29 e 30, juntados à Impugnação, buscam comprovar o recebimento do valor a débito de conta de ativo e a baixa do "a receber" a crédito da conta específica também no ativo do Balanço Patrimonial da Recorrente. Junta o doc. 31 (Balancete Analítico) para comprovar que as operações relativas ao consórcio eram registradas por ela e, portanto, afetavam o seu resultado. Junta também os docs. 32 e 33 (contrato) para comprovar a existência do consórcio e suas regras. O Acórdão da DRJ não aceitou os documentos juntados pela Recorrente após a apresentação da sua Impugnação. Ao analisála, entendeu que teriam ficado comprovadas as origens do valor de R$ 4.715.605,30, que havia reduzido o saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa de CSLL da Recorrente, além do valor de R$ 77.807.49 (PIS) e R$ 141.468,16 (COFINS). Deste modo, concluiu pela procedência em parte da Impugnação. Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 19 6 Não houve Recurso de Ofício, de modo que esses valores não estão mais em discussão. Inconformada com parte do Acórdão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual repetiu os argumentos apresentados em sua Impugnação, agregando mais alguns fundamentos e documentos, como uma tela do SISBACEN que supostamente comprovaria a origem do valor de R$ 43.732.920,00, que serão cuidadosamente analisados à frente no Voto. Em 03/06/2016, quatro dias antes do julgamento, a Recorrente apresentou Memorial, por meio do qual: a) em relação ao valor de R$ 43.732.920,00, junta uma carta enviada por ela ao Credit Lyonnais, no Uruguai e no Brasil, confirmando a conversão em reais do valor depositado na conta do Credit Lyonnais em Nova Iorque e solicitando a transferência para a conta corrente dela; b) em relação ao valor de R$ 403.660,00, junta uma carta de autorização de transferência enviada ao Banrisul e cópia do TED dela para a Odebrecht Investimentos S/A; c) em relação ao valor de R$ 125.969,28, junta documentos societários para comprovar que a OSIPAR foi sucedida pela Recorrente. No referido Memorial, a Recorrente, baseada em precedentes do CARF, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, também alegou que as provas contábeis não podem ser afastadas, a menos que haja alguma razão concreta para tanto. Caberia, então, à DRJ apresentar um "justo motivo" para que a contabilidade não fosse aceita. No tocante ao valor de R$ 43.732.920,00, a Recorrente rememora que ele decorre de um Contrato de Conta Corrente e traz algumas explicações sobre ele. Ela também reitera que juntou diversos documentos probatórios, mas, mesmo assim, anexa ao Memorial uma "carta endereçada a instituições financeiras dando conta da conversão, para reais, do valor que lhe remetido por ordem da OSI OVERSEAS LTD., bem como requerendo transferência do referido montante". A Recorrente rememora no Memorial muitos dos argumentos já apresentados ao longo do processo administrativo. Vale destacar que foram juntados novos documentos, obtidos no website da Companhia de Concerssões Rodoviárias (CCR) para comprovar que ela distribuiu dividendos em abril de 2003, o que supostamente reforçaria a sua tese de que o valor de R$ 299.249,35 resultou dessa distribuição. É o relatório. Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 20 7 Voto Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Relator. O Recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, de modo que passo a analisálo. Preliminar de decadência A Recorrente alega que estariam decaídas as cobranças de PIS e COFINS relativas aos períodos de fevereiro, abril, julho e agosto de 2003, tendo em vista que a notificação acerca do lançamento foi realizada em 22/10/2008. A DRJ reconhece que, se tivesse sido realizado pagamento pela Recorrente nos períodos em questão, seria aplicado o art. 150, §4º, do CTN, para contagem do prazo decadencial, como quer ela, e teria, assim, havido decadência. Ocorre, no entanto, que, de acordo com a DRJ, não houve qualquer pagamento de PIS e COFINS nesses períodos. A controvérsia, então, se resumiu a esse ponto. Em lugar de comprovar que houve pagamento, a Recorrente trouxe inúmeras linhas legislativas, doutrinárias e jurisprudenciais que em nada lhe ajudam. Chega a afirmar que houve pagamento, porém não comprova isso. Não há outra saída, senão manter o Acórdão da DRJ, tendo em vista que não foi comprovado qualquer pagamento nos períodos em questão, motivo pelo qual deve ser aplicada a contagem do prazo decadencial prescrita no art. 173, I, do CTN, iniciandose em 1º de janeiro de 2004, de modo que não houve decadência. Mérito Considerações iniciais e juntada posterior de documentos A Recorrente discorre em várias linhas sobre o fato de ter comprovado a origem das receitas, de que foi considerado comprovado pela DRJ um dos valores mais altos e os outros também deveriam ser cancelados. Questiona também o fato de o Auto de Infração não ser acompanhado de provas. A presunção de omissão de receitas é amplamente aceita pelo CARF. Tanto a Recorrente sabe disso que, desde o começo, procurou comprovar a origem delas. A questão que se põe é se elas estão ou não, de fato, comprovadas. Todos os valores questionados pelo Auto de Infração foram questionados em Impugnação, não havendo qualquer matéria preclusa, de modo que não há razão para não se aceitar nova juntada de documentos pela Recorrente, quando a própria DRJ afirma não ter sido robusta o bastante a prova em relação à maior parte dos valores em discussão. Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 21 8 Deste modo, passo à análise das provas relativas a cada valor, considerando todas aquelas juntadas ao longo do processo administrativo, ao contrário do que fez a DRJ, considerando, inclusive, os documentos juntados em memorial, uma vez que complementares daqueles antes juntados. A) Dos depósitos/créditos cuja origem foi atribuída ao contrato de conta corrente e gestão única de caixa (aplicável aos lançamentos "C" e "I") Quanto ao primeiro valor de R$ 4.715.605,30, que teria sido pago por empresa vinculada à Recorrente em decorrência de um contrato de conta corrente e gestão única de caixa celebrado entre as empresas, a própria DRJ reconheceu que a origem da receita foi comprovada. Não tendo havido interposição de Recurso de Ofício, a matéria está preclusa e vencida pela Recorrente, ficando cancelada a cobrança relativa a esse valor. Quanto ao valor de R$ 43.732.920,00, ele foi creditado por meio de TED Transferência Eletrônica Disponível numa conta bancária da Recorrente no Banco Santos, porém ela alegou que teria tido origem em empresa estrangeira, um dos motivos pelos quais a DRJ entendeu que havia algo estranho na narrativa da Recorrente. A Recorrente alega que teve problema para obter mais documentos tendo em vista que o Banco Santos entrou em liquidação extrajudicial desde o ano de 2005. Segundo ela, pelo fato de as empresas Tenenge Overseas Corporation e OSI Overseas INC. estarem sediadas no exterior, seria necessária uma sistemática singular de transferências para operacionalizar o contrato de conta corrente e gestão única de caixa. As movimentações dos valores transitavam como Empréstimo a Residente no Exterior Capital Brasileiro a Longo Prazo e retornavam como Retorno de CBCP Empréstimo a Residente no Exterior. Continua a Recorrente explicando que foi o ocorrido no presente caso. Houve uma Transferência Internacional em Reais (TIR) do valor de USD 14.955.000,00, que representava o valor em discussão quando convertido pelo câmbio de R$ 2,9243. A operação foi efetuada em 15/12/2003 para quitar passivo da OSI com a Recorrente, sendo que a OSI, por sua vez, tinha um crédito perante a Tenenge. A tela do SISBACEN juntada pela Recorrente (doc. 7) traz informações acerca de uma operação realizada em 15/12/2003, no valor de R$ 43.732.920,00, sendo a instituição recebedora o Banco Santos, a pessoa recebedora a Odebrecht S.A. e pessoa pagadora a OSI Overseas INC. Deste modo, como lembra a Recorrente, há nos autos o extrato do Banco Santos, que fora utilizado pela Fiscalização para autuála por omissão de receitas; há o contrato entre a Recorrente, as empresas estrangeiras envolvidas e outras; há a escrituração contábil da Recorrente juntada à Impugnação; e, finalmente, a tela do SISBACEN. Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 22 9 Quanto ao argumento da DRJ no sentido de que a transferência se deu por TED, conforme normas bancárias, as operações de transferência, mesmo aquelas que vêm do exterior ou que vão para lá, são realizadas por DOC ou TED. Esse não seria um empecilho. Além do extrato que gerou a Autuação, o que existe nos autos é registros contábeis não apresentados durante a Fiscalização, conforme atesta o Termo de Verificação Fiscal quanto a este item, um contrato celebrado entre a Recorrente e parte vinculadas, e, por fim, a referida tela do SISBACEN juntada tão somente após a apresentação da Impugnação. As dúvidas que ficam, portanto, é por que a tela do SISBACEN não havia sido juntada antes, se era um documento passível de obtenção e que faria supostamente a prova das suas alegações, e se ela seria um documento capaz de "amarrar" aqueles juntados anteriormente e, assim, de suportar a origem da receita. As telas do SISBACEN não representam dados oficiais, pois não revelam informações imputadas pelo BACEN, nem necessariamente revisadas pela autarquia. Deste modo, o documento apropriado à comprovação em questão seria o contrato de câmbio devidamente registrado no BACEN, que a Recorrente afirma não ter. A carta juntada ao Memorial, que trata da conversão do valor depositado no Credit Lyonnais para reais e solicita a transferência dele, não tem qualquer protocolo e chama a atenção o fato de estar primeiramente endereçada à sede uruguaia da instituição financeira, nominalmente destinada a Alejandro Ravera, mas redigida em português. O fato é que a Recorrente apresentou uma série de documentos, os quais não satisfizeram totalmente o critério deste Relator de comprovação da omissão de receitas, porém que deixam dúvidas sobre a procedência ou não das suas alegações. Durante a sessão de julgamentos, apesar do voto inicial deste Relator pela manutenção do Acórdão da DRJ em relação a este ponto, os demais conselheiros da turma convenceramme de que uma diligência seria interessante para esclarecer tais dúvidas. Devido à complexidade probatória dos autos e da troca de patronos pela Recorrente, entendo que se justifica a diligência para que ela apresente o contrato de câmbio e outros documentos que possam reforçar as suas alegações, cabendo uma nova análise do acervo probatório, não existente no momento da Fiscalização, pela Autoridade de Origem. B1) ou item B) do Recurso Voluntário Reembolsos de despesas administrativas nos montantes de R$ 56.028,00, R$ 66.560,00 e R$ 71.324,00 (Aplicável aos lançamentos "A", "F" e "J") Com relação aos valores de R$ 56.028,00, R$ 66.560,00 e R$ 71.324,00, alega a Recorrente que são reembolsos de despesas pagas anteriormente por ela. A DRJ entendeu que não houve comprovação efetiva de que esses valores representam reembolso de despesas, o que dependeria de se comprovar o anterior pagamento de tais despesas, mas isso não foi feito. Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 23 10 Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente, tendo ciência da análise feita pela DRJ, sequer tenta comprovar o pagamento das despesas, apenas alegando que seriam muitos valores pagos e que as cópias do Livro Razão juntadas já seriam suficientes à comprovação da origem da receita. As cópias dos registros contábeis emitidas pelo próprio contribuinte podem ajudar a construir a sua narrativa probatória, porém não são, por si só, substanciais, uma vez que são documentos produzidos pelo próprio contribuinte, que pode retificálos a qualquer momento. Não se está a afirmar que a Recorrente o tenha feito, mas a possibilidade de isso ocorrer fragiliza esse tipo de prova, e essa conclusão valeu no item anterior, assim como valerá para os demais itens analisados adiante. Não se faz prova da origem de receitas com meras contas do Livro Razão, sendo necessário suportar as operações com os respectivos documentos de modo a comprovar início, meio e fim. Em se tratando de reembolso de despesas, é preciso comprovar o fluxo delas, pois só há reembolso daquilo que foi pago. Se a Recorrente nem sequer tentou, ao longo de todo o processo administrativo, comprovar o pagamento das despesas e, para se desfazer desse ônus, apenas alega que foram feitos muitos pagamentos; é de se crer que ela não esteja apta a comprovar os pagamentos, o que levanta dúvidas acerca da sua alegação de reembolso. Outra seria a situação se, à própria Fiscalização, já tivessem sido apresentados os registros contábeis dos supostos reembolsos de despesas, o que ensejaria outro tipo de Autuação, não por omissão de receitas. Nesse caso, de qualquer forma, precisaria haver prova do pagamento, pois, como dito, nada é reembolsado sem desembolso prévio. O julgador não pode ser excessivamente conservador em relação às provas das origens das receitas, mas também não pode ser tão liberal a ponto de aceitar apenas documentos emitidos pelos contribuintes em qualquer momento. Quanto à alegação de que deveria ter sido determinada uma diligência, uma vez que a DRJ queria ver os pagamentos das despesas, tendo em vista o entendimento já acima esposado pelo procedimento de diligência, entendo que pode ser dada uma última oportunidade de a Recorrente comprovar que, de fato, se trata aqui de reembolso de despesas. B2) ou item C) do Recurso Voluntário Dos dividendos recebidos pela Recorrente em abril de 2003 (aplicável ao lançamento "B") A Recorrente alega que o valor de R$ 299.249,35 creditado em sua conta corrente no Banco Rural representava distribuição de dividendos advinda em 23/04/2003 da empresa Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR). Para comprovar a alegação, como em outros casos, ela juntou unicamente cópias de folhas do seu próprio Livro Razão e nenhum outro documento suporte que comprovasse ser ela acionista da CCR à época e que esta teria feito a ela uma distribuição de dividendos. Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 24 11 Ao analisar o quadro de acionistas da CCR na DIPJ, a DRJ verificou que a Recorrente não constava listada lá e que também não havia menção a qualquer pagamento feito a ela. A Recorrente rebate apenas a primeira informação, afirmando que nem todos os acionistas constam listados em DIPJ, mas apenas os principais. Ela explica que, na DIPJ em questão, aparecem apenas acionistas detentores de 77,4% do capital social da CCR, restando, portanto, 22,6%. Para comprovar que era realmente acionista, ela apresenta nos autos uma declaração obtida junto à Itaú Corretora de Valores S/A, instituição que, segundo ela, é a depositária responsável pela execução de atos e serviços de acionista da CCR. A declaração não menciona qualquer pagamento de dividendos à Recorrente e nem sequer confirma que ela tinha ações da CCR na data do lançamento do valor de R$ 299.249,35 em sua conta corrente. A declaração, com um papel timbrado do Banco Itaú, e não da Itaú Corretora de Valores S/A, assinada por duas pessoas cujos cargos sequer constam do documento, sem reconhecimento de firma, não é suficiente para fazer a prova que a Recorrente almeja. Se, com todo o tempo que teve, a Recorrente apenas conseguiu obter a referida declaração, é de se entender que ela não é capaz de comprovar ser a natureza do valor em discussão uma efetiva distribuição de dividendos. Somese ao exposto que, ao contrário do acontecido em outros itens, quando as empresas eram vinculadas à Recorrente, ela não juntou nenhum documento da CCR, empresa que está na outra ponta da operação, exceto pelos documentos juntados, de última hora, em seu Memorial, que foram obtidos no website da CCR e apenas comprovam que ela pagou dividendos no período em discussão, mas não necessariamente que pagou dividendos à Recorrente. Além disso, em uma rápida verificação durante a sessão de julgamentos, considerando o valor de dividendos pago por ação e a quantidade de ações que a Recorrente tinha, o valor em discussão não casa com o resultado do cálculo dos dividendos que deveriam ter sido pagos a ela pela CCR. Deve ser realizada, então, diligência para que a Recorrente, se for possível, comprove que a CCR, de fato, pagou dividendos a ela no valor tido neste processo por receitas omitidas. B3) ou item D) do Recurso Voluntário Transferência entre contas bancárias da quantia de R$ 10.000,00 em julho de 2003 (aplicável ao lançamento "D") A Recorrente alega que o valor de R$ 10.000,00 foi objeto de transferência entre contas bancárias dela mesma, tendo juntado à sua Impugnação cópias do Livro Razão da empresa. A DRJ, corretamente, entendeu não serem suficientes as cópias do Livro Razão. A Recorrente poderia, então, como fez em outros itens, ter trazido mais provas aos autos, porém não o fez. Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 25 12 Se procede o que alega, seria teoricamente fácil constituir a prova, apresentando extratos bancários que comprovassem a saída e a entrada do valor de R$ 10.000,00. No entanto, como em outros casos, ela apenas apresenta cópias do Livro Razão, que são documentos internos passíveis de escrituração por ela a qualquer momento. Com o procedimento de diligência, a Recorrente terá oportunidade de apresentar tais documentos ou outros que comprovem as suas alegações. B4) ou item E) do Recurso Voluntário Crédito em conta bancária de titularidade da Recorrente, no montante de R$ 403.660,00, ocorrido no mês de agosto de 2003 (aplicável ao lançamento "E") Quanto ao valor de R$ 403.660,00, a Recorrente alega que ele ingressou em sua conta bancária e saiu no mesmo dia para a Odebrecht Investimentos S/A, mas não explica a origem do valor. Ela tenta construir um argumento de que se trataria de receita de terceiro, tendo havido um mero repasse, porém não explica qual teria sido a origem do valor, a natureza do negócio, o papel dela como intermediária etc. No mais, alega que está sendo "vitimizada por uma acusação de omissão de receita que não possui qualquer substrato" e pede aplicação do "in dúbio pró réu". Não há regra interpretativa que possa ajudar à Recorrente se ela não oferece provas subsistentes para afastar a presunção de omissão de receitas. Aliás, ao passar item por item, fica cada vez mais claro que ela não tem condições de fazer as provas necessárias e usa, assim, de subterfúgios para tentar conduzir os julgadores a um entendimento em seu favor. Em nova oportunidade de provar a origem do valor, a Recorrente juntou em seu Memorial carta de autorização de transferência ao Banrisul e cópia da TED realizada dela para a Odebrecht Investimentos S/A. Causou estranheza o fato de o extrato juntado à Impugnação indicar que a operação de transferência do valor para a Odebrecht Investimentos S/A se deu por um DOC D, enquanto que, em Memorial, foi juntada uma cópia de TED. Ao invés de apresentar documentos que comprovassem ser ela mera intermediária e que o valor de R$ 403.660,00 não é uma receita omitida, ela traz documentos relativos à transferência feita após o ingresso do valor na sua conta, o que não carecia mais de prova. Este é mais um ponto de dúvida, que requer um aprofundamento no procedimento de diligência, sobretudo com a apresentação de novas provas pela Recorrente. Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 26 13 B5) Da origem do valor de R$ 277.453,83, creditado em conta bancária da Recorrente no mês de outubro de 2003 (aplicável ao lançamento "G") A Recorrente havia pedido para juntar provas em relação a este item posteriormente, mas não o fez, nem o questionou no Recurso Voluntário, de modo que está preclusa a discussão. B6) ou item F) do Recurso Voluntário Origem do depósito bancário verificado no mês de novembro de 2003 no importe de R$ 125.969,28 (aplicável ao lançamento "H") A Recorrente alega que o valor de R$ 125.969,28 corresponderia a resgate de aplicação financeira de sua titularidade, ocorrido em 04/11/2003, no montante de R$ 132.461,60, sendo que, deste valor, R$ 100.000,00 representava a quantia investida e R$ 32.461,60 se referiria aos rendimentos de aplicação. Sobre esse ganho, foi retido 20% em IRRF no valor de R$ 6.492,32, valor lançado na contabilidade da Recorrente. Ao analisar o item, a DRJ concluiu, por meio do Sistema SIEF/DIRF beneficiário, que realmente houve um recebimento do valor de R$ 32.461,60 pela Recorrente com retenção de IR no valor de R$ 6.492,32. Deste modo, entendo que a própria DRJ confirmou as alegações da Recorrente, mas não concluiu pela comprovação da origem da receita simplesmente porque o valor de R$ 32.461,60 não correspondia ao valor da receita supostamente de omitida: R$ 125.969,28. A origem parece estar bem explicada. O valor total de R$ 132.461,60 (R$ 100.000,00 investimento + R$ 32.461,60 rendimentos), quando descontado do IRRF no valor de R$ 6.492,32, totaliza exatamente o valor recebido pela Recorrente e tido por receita omitida: R$ 125.969,28. Este Relator havia dado procedência ao Recurso Voluntário em relação a este item, mas, com o procedimento de diligência, a Recorrente terá a oportunidade de, se quiser, apresentar mais provas para reforçar suas alegações. B7) ou i tem G) do Recurso Voluntário Crédito de R$ 85.218,00 ocorrido em dezembro de 2003 (aplicável ao lançamento "K") Segundo a Recorrente, esse valor referese a parcela do resultado positivo apurado pelo consórcio Construpar, do qual fazia parte. Ela apresentou junto à sua Impugnação um contrato com a Rodonorte Concessionária de Rodovias Integradas S/A que tem como objeto a recuperação e o melhoramento de rodovias no Estado do Paraná. Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10580.721814/200817 Resolução nº 1401000.397 S1C4T1 Fl. 27 14 A DRJ entendeu que os documentos contábeis escriturados e emitidos pela própria empresa após a Autuação nada comprovariam. Afirmou também que o contrato apenas constata a participação da Recorrente em negócio jurídico, e nada mais. De fato, os documentos poderiam ajudar a Recorrente se ela conseguisse "amarrar" melhor os fatos a partir deles. Para tanto, poderia ter juntado uma ordem de pagamento da Rodonorte Concessionária ou documentos contábeis dela, como a Recorrente fez em outros itens, sobretudo quando se trava de empresas a ela vinculadas. Ainda que os registros contábeis e o contrato possam servir como indícios e embasem em alguma medida as alegações da Recorrente, não se pode considerar formada a prova sem um documento, que não tenha sido produzido por ela ou por empresa vinculada a ela, hábil a demonstrar a transferência do valor da Rodonorte Concessionária para ela e a sua natureza. Como em outros casos, poderia ter sido juntado, por exemplo, um extrato bancário da Rodonorte Concessionária, que comprovasse ter saído o valor da sua conta corrente para a Recorrente naquela data. Mais uma vez, o acervo probatório deixa dúvidas e merece ser aprofundado na diligência. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que, nos termos do voto do Relator, seja intimada a Recorrente a apresentar, dentro de 15 dias, outros documentos que comprovem as suas alegações e, se for o caso, somente novos fundamentos que sejam essenciais para esclarecer as questões aqui discutidas. Feito isso ou decorrido o prazo sem manifestação, manifestese a Autoridade de Origem a respeito dos itens ainda em discussão, emitindo opinião sobre a comprovação ou não das origens das receitas supostamente omitidas. Ao final, intimese a Recorrente para, novamente num prazo de 15 dias, se manifestar acerca do resultado do procedimento de diligência. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS
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Numero do processo: 13738.000404/2001-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995
COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que davam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 586 1 585 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13738.000404/200110 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.456 – 3ª Turma Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado STAM METALÚRGICA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que davam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 04 04 /2 00 1- 10 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 9303003.456 CSRFT3 Fl. 587 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão n ° 330200.846, de 01 de março de 2011 (fls. 531 a 540), proferida pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que, por unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte. A ementa assim estabeleceu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo. Recurso Voluntário Provido Assim, foram declaradas tacitamente homologadas as compensações apresentadas em 31/07/2001 (fl. 2), 13/08/2001 (fl. 56), 10/09/2001 (fl. 61), 9/10/2001 (fl.92), 29/10/2001 (fl. 94), 12/11/2001 (fl.97), 11/12/2001 (fl. 139) e 14/01/2002 (fl. 142), visto que o despacho decisório se deu em 27/05/2008, após cinco anos da data do pedido. A Procuradoria da Fazenda Nacional em seu Recurso Especial pleiteia reforma do acórdão recorrido. Alega que na decisão objeto do recurso foi considerado que o prazo para homologação da compensação é de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido, independentemente de este ter sido realizado antes ou após a MP n° 135, de 30/10/2003, embasando tal entendimento em interpretação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96. O entendimento da Procuradoria, por sua vez, diverge do decidido no acórdão recorrido, sustentando que o prazo para homologação da compensação de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido somente seria aplicável a partir de 30/10/2003. Para tanto, cita no Recurso Especial o Acórdão n° 20311.648 (aqui na condição de acórdão paradigma em vistas a admissibilidade do recurso): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1989 a 31/05/1995 “Ementa: PIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na forma do § 1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento Fl. 587DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 9303003.456 CSRFT3 Fl. 588 3 indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS, até 29/02/1996, é, segundo a interpretação do parágrafo único do art. 6º, da Lei Complementar nº 7/70, dada pelo STJ e pela CSRF, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem atualização monetária. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. Recurso provido em parte”. (grifado pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Recurso Especial) Entende a Procuradoria da Fazenda Nacional que só pode ser contado o prazo a partir de 30 de outubro de 2003, pois a alteração legislativa se deu nesta data por intermédio da MP n° 135 e que antes de tal marco não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação. Por intermédio do Despacho n° 3300332, de 30 de novembro de 2011, foi concedida admissibilidade ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator Diante da tempestividade e do atendimento dos requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial da Fazenda Pública. A presente contenda envolve a questão da compensação de tributos, mais especificamente, o prazo para homologação da compensação de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido, e se é possível em qualquer tempo ou só é aplicável a partir de 30/10/2003 quando da edição da Medida Provisória n° 135. Com o advento da Lei n° 8.383/91 foi admitida a compensação de tributos federais da mesma espécie, o que gerou inúmeras discussões na doutrina e na jurisprudência, se era ou não possível compensar somente impostos com imposto, contribuições com contribuições e ainda no que tange as suas subespécies, como por exemplo, PIS com PIS, FINSOCIAL com FINSOCIAL etc. A IN n° 67/SRF limitou a compensação aos mesmos Fl. 588DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 9303003.456 CSRFT3 Fl. 589 4 códigos de receitas, o que foi rechaçado pelo Poder Judiciário. Posteriormente foram publicadas a Lei n° 9.032/1995, que em outras providências tratou da compensação da contribuição para o INSS de pagamento ou recolhimento indevido; a Lei n° 9.250/95, admitindo a compensação de tributos desde que sejam da mesma espécie e terem a mesma destinação constitucional, e a Lei 9.430/96, que permitiu a compensação de tributos recolhidos indevidamente com parcelas vincendas independente da espécie e da destinação constitucional. Desta rápida retrospectiva legal sobre a compensação tributária, a questão específica envolve a restituição e compensação de tributos e contribuições e, no caso, a aplicação do art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com as alterações da MP n° 135 de 30/10/2003, convertida em lei por intermédio da Lei n° 10.833 de 29/12/2003, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Atentese que a Lei n° 9.430 é de 1996, e somente com a Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, é que foi incluído o § 5° com a seguinte redação: “A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo” e com a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, foi mantida a redação do parágrafo incluído pela MP. Somente com a edição da MP n° 135, de 30 de outubro de 2003 (Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003), o parágrafo em discussão passou a ter a redação acima. A questão é, portanto, interpretativa. Se antes de 30 de outubro de 2003, ou somente depois desta data é aplicável o prazo para homologação da compensação de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido pelo fato de inexistência de previsão legal anterior, ou seja, se antes da referida data não havia prazo prescricional para o deferimento ou indeferimento da compensação. Sustenta assim a Procuradoria da Fazenda Pública que antes de 30 de outubro, por ausência de disposição legal, não havia prazo limite para a que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação apresentados pela contribuinte. Alega, portanto, que não há que se falar em homologação tácita, pois tratase de observância do princípio da legalidade e da irretroatividade da lei no caso em análise. Na relação entre o fisco e o contribuinte, cabe à administração tributária, no exercício de sua atividade fiscalizadora, acompanhar as atividades dos contribuintes, e, em especial, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. É próprio desta espécie de lançamento o acompanhamento minudente por parte do fisco e, neste caso, foi fixado no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4°, que o prazo é de 5 anos da ocorrência do fato gerador para que a administração tributária proceda a fiscalização. Transcorrido esse lapso temporal, sem que ela tenha se pronunciado, considerase que o lançamento foi homologado e extinto o direito do fisco. E isto aplicase a todas as formas extintivas de débitos tributários, inclusive, portanto, à compensação tributária (de acordo com o disposto no art. 156 do Código Tributário Nacional). Fl. 589DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 9303003.456 CSRFT3 Fl. 590 5 Fica claro que o disposto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela MP n° 135/2003, contempla exatamente o disposto no Código Tributário Nacional em seu art. 150, § 4°. Este diploma legal, na condição, em termos formais e axiológicos, de Lei Complementar, é o diploma legal adequado para dispor sobre a extinção do crédito tributário. Assim, não prospera o entendimento de ofensa ao princípio da legalidade e da irretroatividade da lei conforme alegado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Neste entendimento, a Secretaria da Receita Federal, por intermédio da sua CoordenaçãoGeral de Tributação, editou a Solicitação de Consulta Interna n° 01, de 04 de janeiro de 2006, da seguinte forma: ASSUNTO : Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. Obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. (grifouse) A Procuradoria da Fazenda Nacional citou, para sustentar a admissibilidade do Recurso Especial e o entendimento acerca da matéria, o Acórdão n° 20311.648, na condição de acórdão paradigma. Neste sentido, cabe demonstrar que outras decisões são contrárias e que de certa forma definem o entendimento adequado acerca do prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação: Acórdão n° 20402.964 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO HOMOLOGATÓRIO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para examinar a regularidade das compensações declaradas por meio da Declaração instituída pela Lei nº 10.637/2002 é de cinco anos contados da Fl. 590DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13738.000404/200110 Acórdão n.º 9303003.456 CSRFT3 Fl. 591 6 data de entrega. Findo o prazo sem pronunciamento pela autoridade administrativa consideramse homologadas as compensações e definitivamente extintos os créditos tributários ali informados. Recurso Voluntário Provido. Acórdão n° 10323.373 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera se tacitamente homologada a compensação efetuada. Publicado no D.O.U. nº 114 de 17 de junho de 2008. Acórdão n° 10809.565 COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – Passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificandose a definitiva liquidação do tributo. Recurso Voluntário Provido. Dos argumentos expostos, da legislação citada e da jurisprudência acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Valcir Gassen Fl. 591DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000804/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
DEFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O relato do fisco, corroborado pelos demonstrativos acostados, permitiram o perfeito entendimento do lançamento, não havendo espaço para acolhimento da preliminar de nulidade.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. NATUREZA JURÍDICA DE CIDE. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS.
A contribuição ao INCRA tem natureza jurídica de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE e pode ser cobrada inclusive das empresas urbanas.
ABONO. ACORDO COLETIVO. PARCELA ÚNICA. NÃO INCIDÊNCIA.
O abono salarial pago sem habitualidade e em parcela única, em decorrência de norma coletiva de trabalho, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
PAGAMENTO DE ALUGUEL PARA MORADIA DE EMPREGADO. UTILIDADE SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Por se tratar de utilidade fornecida com habitualidade, o pagamento de aluguel para moradia de empregado integra o salário-de-contribuição.
13.( SALÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INTEGRAL QUITAÇÃO.
A empresa não demonstrou haver quitado às contribuições decorrentes do pagamento de complementação do 13.( salário.
CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA.
Nos demonstrativos do valor consolidado, o fisco refere-se a multa de mora quando trata daquela calculada com base na legislação da época dos fatos geradores e multa de ofício a que decorreu da legislação atual. Considerando-se que no presente lançamento houve apenas a aplicação da "multa de mora", inexistiu no lançamento a imposição cumulativa de multa de mora e multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar da base de cálculo exclusivamente os valores relativos ao abono único, pago conforme acordo coletivo de trabalho.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DEFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O relato do fisco, corroborado pelos demonstrativos acostados, permitiram o perfeito entendimento do lançamento, não havendo espaço para acolhimento da preliminar de nulidade. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. NATUREZA JURÍDICA DE CIDE. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. A contribuição ao INCRA tem natureza jurídica de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE e pode ser cobrada inclusive das empresas urbanas. ABONO. ACORDO COLETIVO. PARCELA ÚNICA. NÃO INCIDÊNCIA. O abono salarial pago sem habitualidade e em parcela única, em decorrência de norma coletiva de trabalho, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. PAGAMENTO DE ALUGUEL PARA MORADIA DE EMPREGADO. UTILIDADE SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por se tratar de utilidade fornecida com habitualidade, o pagamento de aluguel para moradia de empregado integra o salário-de-contribuição. 13.( SALÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INTEGRAL QUITAÇÃO. A empresa não demonstrou haver quitado às contribuições decorrentes do pagamento de complementação do 13.( salário. CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA. Nos demonstrativos do valor consolidado, o fisco refere-se a multa de mora quando trata daquela calculada com base na legislação da época dos fatos geradores e multa de ofício a que decorreu da legislação atual. Considerando-se que no presente lançamento houve apenas a aplicação da "multa de mora", inexistiu no lançamento a imposição cumulativa de multa de mora e multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar da base de cálculo exclusivamente os valores relativos ao abono único, pago conforme acordo coletivo de trabalho. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2078; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 538 1 537 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508.000804/201031 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.333 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS Recorrente VERACEL CELULOSE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DEFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O relato do fisco, corroborado pelos demonstrativos acostados, permitiram o perfeito entendimento do lançamento, não havendo espaço para acolhimento da preliminar de nulidade. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. NATUREZA JURÍDICA DE CIDE. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. A contribuição ao INCRA tem natureza jurídica de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE e pode ser cobrada inclusive das empresas urbanas. ABONO. ACORDO COLETIVO. PARCELA ÚNICA. NÃO INCIDÊNCIA. O abono salarial pago sem habitualidade e em parcela única, em decorrência de norma coletiva de trabalho, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. PAGAMENTO DE ALUGUEL PARA MORADIA DE EMPREGADO. UTILIDADE SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por se tratar de utilidade fornecida com habitualidade, o pagamento de aluguel para moradia de empregado integra o saláriodecontribuição. 13.° SALÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INTEGRAL QUITAÇÃO. A empresa não demonstrou haver quitado às contribuições decorrentes do pagamento de complementação do 13.° salário. CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 08 04 /2 01 0- 31 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Nos demonstrativos do valor consolidado, o fisco referese a “multa de mora” quando trata daquela calculada com base na legislação da época dos fatos geradores e “multa de ofício” a que decorreu da legislação atual. Considerandose que no presente lançamento houve apenas a aplicação da "multa de mora", inexistiu no lançamento a imposição cumulativa de “multa de mora” e “multa de ofício”. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar da base de cálculo exclusivamente os valores relativos ao abono único, pago conforme acordo coletivo de trabalho. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10508.000804/201031 Acórdão n.º 2402005.333 S2C4T2 Fl. 539 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 15 28.054 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.302.7826. Conforme o relatório fiscal, fls. 15 e segs., o crédito em questão visa à exigência das contribuições para outras entidades ou fundos (terceiros), cujos fatos geradores foram os pagamentos constantes em folha de pagamento e não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. No presente crédito foram incluídos os levantamentos FP e FP1 (divergência folha de pagamento) e AL e AL1 (salárioutilidade aluguel). Afirmase que na competência 02/2007 a empresa não declarou na GFIP nem recolheu os valores pagos a título de abono. Foram também constatadas diferenças nas competências 01/2007, 05/2007, 07/2007 a 09/2007,11/2007 e 12/2007. Tais diferenças foram apuradas com base nas diferenças existentes entre a base de cálculo extraída dos arquivos digitais e os valores declarados em GFIP, apurados de forma globalizada (total de valores declarados menos valores não declarados). Afirmase que a empresa contratou diretamente com os proprietários o aluguel de imóveis residenciais destinados a alguns funcionários da empresa, sem incluir referidos valores em folha de pagamento, tampouco na GFIP. Identificouse ainda diferenças de contribuição dos segurados relativas ao pagamento do 13. salário de 2007. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Cientificado do lançamento em 07/12/2010, o sujeito passivo ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que a declarou improcedente. Inconformada, a empresa interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, apresentou os argumentos abaixo. Pugna pela tempestividade do recurso e faz um apanhado dos principais fatos do processo. Assevera que ocorreu cerceamento ao seu direito de defesa, posto que o relatório fiscal apresentase contraditório, incongruente e ininteligível. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Advoga que, ao contrário do que afirmou a DRJ, o AI não contém os requisitos legais de validade. Sustenta que em relação ao suposto abono pago na competência 02/2007, não há no discriminativo do débito a menção a tal rubrica. Argumenta que o levantamento sobre a rubrica aluguel não foi esclarecida a contento no relato do fisco, impedindolhe de se defender satisfatoriamente. Assevera que a contribuição ao INCRA é inexigível, pelos seguintes motivos: a) foi extinta pela Lei n. 7.787/1989; b) não há previsão desta contribuição nas leis previdenciárias; c) a contribuição em tela não pode ser considerada como de intervenção no domínio econômico, posto que não foi recepcionada pela Emenda Constitucional EC n.° 33/2001. Advoga que os valores de alugueis não podem sofrer a incidência de contribuições, posto que foram utilizadas como forma de incentivo à contratação de funcionários disputados no seu segmento de mercado e não se destinavam a retribuir o trabalho desses segurados, mas lhes ressarcir pelas despesas de moradia em localidade distante de suas residências. A não incidência de contribuições independe da maneira como os alugueis eram repassados, se por meio de reembolso ou contratação direta com o proprietário. O AI, alega, deve ser anulado por afrontar os princípios da ampla defesa e do contraditório. Não é legítima a incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de abono salarial previsto em acordo coletivo, que foram repassados de forma eventual e extraordinária. Chama atenção que se tratava de valores fixos, não se alterando em razão do cargo exercido ou do salário auferido, o que lhe retira a natureza de contraprestação pelo trabalho. Advoga que o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008, ao excluir do saláriodecontribuição apenas os abonos desvinculados do salário por força de lei, extrapolou o seu poder regulamentar, alterando o teor da Lei n.º 8.212/1991. Assevera que, após o pagamento da 2.ª parcela, teve que recalcular o valor do 13. salário de 2007, em razão de recomposição salarial de parte do quadro, todavia, as diferenças relativas ao décimo terceiros, incluídas na folha de dezembro foram efetivamente recolhidas, conforme documentos juntados à defesa. Sustenta ser ilegítima a aplicação cumulativa de multa de mora e multa de ofício. Cita precedente do CARF. Ao final, postula pelo recebimento do recurso no efeito suspensivo e pede a declaração de insubsistência do lançamento. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10508.000804/201031 Acórdão n.º 2402005.333 S2C4T2 Fl. 540 5 A 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência, fls. 247/250 para que o fisco acostasse aos autos detalhamento da composição da base de cálculo, com indicação dos valores declarados, das contribuições recolhidas e das diferenças lançadas. Foi juntado demonstrativo de fls. 255/524, acompanhando a informação fiscal de fls. 527/534. Segundo a autoridade lançadora, foi acostado demonstrativo não apresentado inicialmente onde se pode visualizar que as quantias lançadas correspondem ao total apurado nas folhas de pagamento (papel e digital) menos os valores declarados na GFIP. Informa que, embora este detalhamento por segurado não tenha sido apresentado inicialmente, o contribuinte teve a sua disposição o relatório de fatos geradores, o qual apresenta os mesmos dados de forma globalizada. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, mas não se pronunciou. É o relatório. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Preliminar de nulidade Pugna a empresa pela nulidade do AI em razão da falta de clareza na exposição dos motivos que fundamental o lançamento. Sigamos, então, os passos trilhados pelo fisco na sua apuração, conforme detalhado do relatório. Assevera a autoridade lançadora que os arquivos digitais fornecidos pelo sujeito passivo relativos às folhas de pagamentos consistiam em dois formatos, a saber: “tabela MESTRE”, esta com valores globalizados e a “tabela ITENS” esta com os dados analíticos, com a remuneração detalhada por rubrica. Afirmase que, diante de divergências entre as tabelas, o fisco optou por fazer a auditoria com base na “tabela ITENS”. Definida a fonte de dados para definição da base de cálculo, efetuouse a apuração, mês a mês, da diferença entre as remunerações lançadas na folha de pagamento digital (tabela ITENS) e os valores declarados em GFIP, chegandose as seguintes conclusões: a) na competência 02/2007 a empresa não declarou na GFIP o valor correspondente ao abono anual pago aos empregados por força de acordo coletivo, conforme informações extraídas dos próprios arquivos digitais fornecidos; b) foram constatadas outras diferenças de recolhimento entre a apuração pela folha e a declaração em GFIP nas competências 01/2007, 05/2007, 07/2007 a 09/2007, 11/2007 e 12/2007; c) para a contribuição dos segurados foram apuradas diferenças entre os valores calculados pelo sistema como contribuição devida, os valores descontados em folha e os valores declarados em GFIP. Os demonstrativos acostados com a informação fiscal apresentam as diferenças para cada segurados, em cada uma das competências do lançamento; d) a empresa contratou diretamente com os proprietários o aluguel de imóveis residenciais destinados a alguns funcionários da empresa, sem incluir referidos valores em folha de pagamento. O valores relativos a aluguéis foram alocados aos levantamentos AL e AL1. e) as informações da composição da base de cálculo, agora prestadas individualmente já haviam sido apresentadas quando do envio do auto de infração, todavia de forma globalizada por competência. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10508.000804/201031 Acórdão n.º 2402005.333 S2C4T2 Fl. 541 7 Vejo, portanto, que na resposta à diligência fiscal ficaram esclarecidos os questionamentos apresentados no recurso. Os demonstrativos foram enviados ao contribuinte que não apresentou contestação aos cálculos apresentados, deixandonos à vontade para concluir que a complementação de informações pelo fisco foi suficiente para o entendimento dos passos seguidos pelo fisco para chegar aos valores lançados. Não custa salientar que a planilha juntada trouxe dados que poderiam ser facilmente questionados pelo sujeito passivo mediante a juntada de documentos hábeis a comprovar supostos erros de apuração. Assim, não tendo havido contestação quanto a esses números deve prevalecer o lançamento fiscal. Assim, não procede a preliminar de nulidade por falta de clareza na descrição dos fatos geradores. Contribuição ao INCRA Não merece acolhimento o inconformismo da recorrente quanto à exigência da contribuição ao INCRA, sob os argumentos de que teria sido revogada pela Lei n.° 7.787/1989; de não ser objeto da Lei n. 8.212/1991 e por não ser considerada contribuição de intervenção no domínio econômico. É que a jurisprudência do STJ é pacífica quanto à legitimidade da exação, conforme decidido no REsp 977.058/RS, submetido ao regime do art. 543C do CPC. Inclusive, nos termos do § 2.° do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 , os conselheiros do CARF devem reproduzir as decisões do STJ, quando tomadas seguindo a sistemática dos recursos repetitivos. Vejamos o dispositivo: "Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Assim, o entendimento expresso no Resp 977.058/RS, deve obrigatoriamente ser seguido no presente julgamento. Eis o julgado do STJ: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1.A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 2.Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori, infungíveis para fins de compensação tributária. 5.A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum, impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6.O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art.97 do CTN). 7.A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8.Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9.Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11.Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação Fl. 545DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10508.000804/201031 Acórdão n.º 2402005.333 S2C4T2 Fl. 542 9 axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12.Recursos especiais do Incra e do INSS providos." Afastase, assim, a alegação de ilegitimidade da contribuição ao INCRA. Abono salarial Acerca da tributação do abono pago na competência 02/2007, alega o sujeito passivo se tratar de parcela paga em razão de acordo coletivo, que foi repassada de forma eventual e extraordinária. Aduz que se tratava de valor fixo, não se alterando em razão do cargo exercido ou do salário auferido, o que lhe retira a natureza de contraprestação pelo trabalho. De fato ao se analisar a "Cláusula 2.ª" do Acordo Coletivo de Trabalho firmado entre a Veracel Celulose e o SINDCELPA/BA (fls. 88/89) verificase a existência da previsão de pagamento de abono salarial nos seguintes termos: ""Cláusula 2.ª ABONO SALARIAL Conceder abono salarial, em uma única vez, no valor de R$ 1.100,00 (hum mil e cem reais) e mais um bônus/prêmio de reconhecimento da ordem de 15% (quinze por cento) sobre o salário base/nominal do empregado, que será pago até o mês de março de 2007. Essa concessão não é extensiva aos empregados ocupantes de cargos de nível de gestão." A meu ver se trata de verba prevista em norma coletiva do trabalho, paga parcela única e não vinculada ao salário do trabalhador. Este tipo de pagamento tem sido considerado pelo Superior Tribunal de Justiça como parcela não sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, como se pode ver do precedente abaixo: " (...) 2. Recurso da entidade de previdência privada: Pretensão de incorporação do abono salarial único nos proventos da aposentadoria complementar. 2.1. A análise da controvérsia prescinde de interpretação de cláusula contratual e reexame de prova, motivo pelo qual não incidem, na espécie, as Súmulas 5 e 7 do STJ. Fatos incontroversos delimitados no acórdão recorrido. Não há divergência sobre o teor das normas coletivas (que concedem abono único aos bancários ativos em determinados períodos), mas apenas acerca da definição da natureza jurídica da citada verba para fins de incorporação ou não no benefício previdenciário complementar. 2.2. O "abono único", concedido aos empregados em atividade, mediante convenção coletiva de trabalho, não ostenta caráter salarial, mas, sim, indenizatório, malgrado o disposto no § 1º do artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho, na linha da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (Orientação Jurisprudencial 346 da Seção de Dissídios Individuais I). Fl. 546DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 (...) Precedente da Segunda Seção: REsp 1.281.690/RS, Rel. Ministro Antônio Carlos Ferreira, julgado em 26.09.2012, DJe 02.10.2012. 3. Agravo regimental do autor desprovido. Reclamo da entidade de previdência privada provido. (AgRg no REsp1181213/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 09/10/2012, DJe 19/10/2012)" Curvandose a este entendimento, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN reconheceu, por meio do Ato Declaratório n. 16/2011, que não incide contribuição previdenciária sobre o abono único, nos seguintes termos: "A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL (...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária." Assim, pela falta de interesse do órgão competente para a defesa administrativa e judicial do crédito tributário sobre o abono único e pela jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, encaminho pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o abono concedido nos termos do acordo coletivo de trabalho pago na competência 02/2007. Destaquese que essa desoneração não atinge o bônus/prêmio de reconhecimento da ordem de 15% (quinze por cento) sobre o salário base/nominal do empregado, também prevista no mesmo acordo. Aluguel A meu ver os pagamentos de aluguéis da pela empresa em benefício de seus funcionários, que foram abrigados nos levantamentos AL e AL1, estão compreendidos no conceito legal de remuneração do inciso I do art. 22 e do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, abaixo reproduzidos: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Ivinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...)"(grifouse) Fl. 547DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10508.000804/201031 Acórdão n.º 2402005.333 S2C4T2 Fl. 543 11 "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...)"(grifouse) Estes dispositivos estão em perfeita consonância com o que preceitua a Consolidação das Leis do Trabalho CLT, cujo art. 458 inclui no salário a habitação fornecida ao empregado por força do contato de trabalho ou do costume. Vejamos a norma: "Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas." Não há dúvida que os alugueis eram pagos com habitualidade (durante todo o período do lançamento), representando inegavelmente uma utilidade fornecida aos segurados empregados, como forma de retribuir o trabalho. Não vejo como aplicar a regra isentiva inserta na alínea "g" do § 9.° do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991, posto que não há nos autos comprovação de que se trata de ajuda de custo em parcela única recebida em razão de mudança do local de trabalho nos termos preconizados pelo art. 470 da CLT. Na verdade, os pagamentos de alugueis residenciais eram feitos mensalmente para prover moradia para empregados, não se assemelhando à ajuda de custo decorrente de mudança do local de trabalho. De se concluir que deve ser mantida a tributação sobre a rubrica abrigada nos levantamentos AL e AL1. 13.° salário A recorrente assevera que efetuou o pagamento de diferença do 13.° salário decorrente de reajuste salarial concedido aos seus empregados em dezembro juntamente com a folha de pagamento desta competência. Assim, o valor da contribuição referente a essa parcela teria sido recolhida na guia de 12/2007, juntamente com as contribuições de dezembro. Analisando os demonstrativos apresentados pelo fisco em sede de diligência, os quais não foram contestados pela empresa, visualizamos que houve pagamentos de diferenças de 13.° salário lançados como se fora rescisão do contrato de trabalho, o que se Fl. 548DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 constituiu em equívoco, posto que, de acordo com informações obtidas pelo fisco, não houve diferenças de 13.° salário pagos nas rescisões desta competência. Nesse sentido os valores relativos a estas diferenças foram lançados na competência a que se referem, 13/2007. Ressaltese que tais valores foram extraídos dos documentos apresentados pelo sujeito passivo e não foram objeto de contestação, haja vista que na oportunidade que teve para se manifestar sobre os cálculos apresentados na diligência, a recorrente mantevese silente. Como bem asseverou a decisão recorrida, o argumento da empresa de que teria recolhido integralmente as contribuições sobre o 13.° salário não procede, posto que não há guias suplementares relativas às diferenças apontadas pela fiscalização. Cumulação multa de ofício e multa de mora Consoante o relatório fiscal, na aplicação da multa o fisco efetuou o comparativo entre a multa calculada conforme a legislação vigente na ocorrência dos fatos geradores e aquela fixada com base na legislação atualmente em vigor. Esse procedimento foi adotado em obediência à previsão da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, que determina a aplicação da norma ao fato pretérito quando esta comine penalidade menos severa que aquela vigente ao tempo da sua prática. Analisando o anexo de fls. 06/09, verificase que para todas as competências envolvidas no lançamento prevaleceu as disposições do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 (vigente à época dos fatos geradores), com imposição de multa de 24%. Na apresentação do valor consolidado da multa o fisco denominou de “multa de mora” o valor calculado conforme a legislação anterior, o qual totalizou o montante de R$ 11.883,84, não tendo havido aplicação da atual multa de ofício, com esteio no art. 35A da Lei n.° 8.212/1991. Não houve, portanto, a imposição da multa de ofício, sendo descabido o argumento da empresa. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para afastar da base de cálculo exclusivamente os valores relativos ao abono único pago conforme acordo coletivo de trabalho. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 549DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13819.720976/2013-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. ATO MOTIVADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO.
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso.....
"Procedimento é sinônimo de rito do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador.
Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.360,00, no ano de 2008.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. ATO MOTIVADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso....”. "Procedimento é sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 09 76 /2 01 3- 52 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.720976/201352 Acórdão n.º 2202003.333 S2C2T2 Fl. 44 2 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.360,00, no ano de 2008. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 25), complementandoo ao final: Tratase da Notificação de Lançamento nº 2009/718022315958225, fls. 7/11, (numeração do processo em meio digital é a adotada neste acórdão), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) exercício 2009, ano calendário 2008, que apurou R$ 5.544,00 de imposto suplementar, R$ 4.158,00 de multa de ofício, além dos acréscimos legais, em virtude da glosa de R$ 20.160,00 de despesas médicas, referentes a tratamentos efetuados por Marco Túlio de Souza Costa (R$ 5.000,00), Lúcia Helena Felício Borges (5.000,00) e Carolina Birk Antunes (3.200,00), em razão da não comprovação de tais gastos. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.720976/201352 Acórdão n.º 2202003.333 S2C2T2 Fl. 45 3 Cientificada do lançamento em 21/03/2013, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 a 5, protocolizada em 18/04/2013, alegando que os recibos acostados aos autos não apresentam algum indício de idoneidade e apresentam os requisitos mínimos exigidos pelo art. 8º, § 2º, III, da Lei nº 9.250/95. Ao analisar a manifestação da contribuinte, o Julgador recorrido assim dispôs: (...) A legislação ainda exige que o contribuinte, quando intimado pelo Fisco, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. (...) Como se viu, a autoridade fiscal tem o direito, consagrado por lei, de perquirir todas as provas necessárias a seu convencimento. A impugnante traz aos autos, às fls. 16 a 18, recibos referentes a tratamentos médicos efetuados por Marco Túlio de Souza Costa (R$ 5.000,00), Lúcia Helena Felício Borges (5.000,00) e Carolina Birk Antunes (3.200,00), pertinentes aos gastos médicos, que deram ensejo ao lançamento fiscal, mas as aludidas provas carecem da informação de quem se submeteu aos respectivos tratamentos (só há informação a respeito de quem arcou com a despesa), motivo fundamental para desconsiderálos, pois, como visto acima, a legislação de regência só admite a dedutibilidade das despesas médicas incorridas em face do próprio declarante ou de seus dependentes.(destaquei) Logo, por ausência de prova cabal, a impugnação não merece prosperar. Assim, deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente o lançamento. Cientificada dessa decisão em 21/10/2013 (AR na folha 30), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/11/2013, com protocolo na folha 32. Em sede de recurso, basicamente repete a impugnação, argumentando que as despesas com médicos e afins são dedutíveis e que a autuação não tem embasamento pois os recibos preenchem os requisitos mínimos e não estão com nenhum indício de inidoneidade que impossibilite abater as despesas. É o Relatório. Voto Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.720976/201352 Acórdão n.º 2202003.333 S2C2T2 Fl. 46 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso....”. "Procedimento é sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Vejase na decisão recorrida que, analisando os recibos de despesas médicas apresentados pelo contribuinte nas folhas 16, 17 e 18, a Autoridade Julgadora atevese a um único motivo para não considerálos: a falta de identificação de quem se submeteu aos respectivos tratamentos, conforme grifouse no relatório. Não fez mas nenhuma observação. Sobre o procedimento fiscal que antecedeu a Notificação de Lançamento, onde o Auditor registrou que (fl. 07): "Em razão da não comprovação, glosado as despesas declaradas com: ...., uma que o sujeito passivo reintimado apresentou os mesmos documentos entregues na primeira intimação fiscal.(SIC)" Não encontro nos autos nem a primeira nem a segunda intimação mencionadas pelo Auditor, para se saber, a seu juízo, a motivação da não aceitação dos documentos apresentados por duas vezes. Conforme o artigo 9º do decreto nº 70.235, de 1972, a exigência do crédito tributário será formalizada em notificação de lançamento que deverá estar instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos indispensáveis à comprovação do ilícito. Oportuno observar que no processo administrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.720976/201352 Acórdão n.º 2202003.333 S2C2T2 Fl. 47 5 Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde (artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do Decreto Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Fl. 47DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.720976/201352 Acórdão n.º 2202003.333 S2C2T2 Fl. 48 6 Acórdão 2802002.743 – 2ª Turma Especial. Sessão de 18 de março de 2014 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido Sendo assim, não consta dos autos que o contribuinte tenha sido intimado a comprovar o efetivo pagamento ou o efetivo tratamento recebido relativo aos recibos de folhas 16 a 18. O Auditor não diz porque não aceitou os documentos que lhe foram apresentados. A DRJ apontou como única deficiência nos mesmos a falta de indicação do recebedor dos serviços, motivando assim sua decisão de indeferir a impugnação. Nada mencionou, por exemplo, sobre a falta de indicação do endereço do local da prestação do serviço, como é especificado no artigo 80 do regulamento do imposto de renda RIR/1999. Mas exigir isso agora, mudando as fundamentações a cada fase do procedimento, atentaria contra a possibilidade de defesa do contribuinte, princípio fundamental, e entendo descabido, conforme lições processuais mencionadas no início. Se o problema nos recibos é a falta de indicação do beneficiário do tratamento, apesar de ler naquele firmado por Marco Túlio Costa (fl. 16) que "recebi da paciente Helena Alzira..."; no apresentado por Lucia helena Borges (fl. 17) que "recebi da Sra. Helena Alzira ... a importância... referente a atendimento psicoterápico individual e familiar..." e no apresentado por Carolina Antunes (fl. 18) que "declarar que recebi da paciente Helena Alzira...", citese a Solução de Consulta Interna (SCI) da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 23, de 30 de agosto de 2013: Solução de Consulta Interna nº 23 Cosit Data 30 de agosto de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.720976/201352 Acórdão n.º 2202003.333 S2C2T2 Fl. 49 7 Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.(sublinhei) Assim, devese acatar os recibos apresentados com Lucia Helena Borges no valor de R$ 5.160,00, que corresponde ao recibo de fl. 17 e com Marco Tulio de Souza Costa, no valor de R$ 5.000,00, que corresponde ao recibo de folha 16. Ressalto que em relação a Carolina Birk Antunes Margonari da glosa no valor de R$ 10.000,00, considerando que no recibo de fl. 18, declarou ter recebido apenas R$ 3.200,00, o restabelecimento será parcial. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no importe de R$ 13.360,00, no ano de 2008. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 49DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16832.000213/2008-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em não conhecer do recurso especial por falta de divergência jurisprudencial.Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que conheciam.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Demes Brito - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez López
Nome do relator: DEMES BRITO
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INFRAÇÃO Recorrente IBM BRASIL, INDÚSTRIA DE MÁQUINAS E SERVIÇOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em não conhecer do recurso especial por falta de divergência jurisprudencial.Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que conheciam. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 02 13 /2 00 8- 44 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16832.000213/200844 Acórdão n.º 9303003.516 CSRFT3 Fl. 601 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez López Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 330100.702, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, o qual negou provimento, mantendo incólume a decisão da DRJ Rio de Janeiro, que manteve o crédito tributário procedente do lançamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), referente aos fatos geradores dos meses de competência de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. O lançamento decorreu da falta de declaração nas respectivas Declarações de Contribuições e •tributos Federais (DCTF's) e, conseqüentemente, falta de pagamento das parcelas mensais devidas naquele período de competência, conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/200.3 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. NULIDADE válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003 DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO O prazo qüinqüenal de que a Fazenda Nacional dispõe para constituir credito tributário decorrente de contribuição nãodeclarada nem paga, em lace da ausência de pagamentos, é contado a partir do 1" dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído por meio de lançamento de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2003 a .31/12/2005 FATO GERADOR A remessa de valores para residentes ou domiciliados no exterior, a titulo de pagamento de royalties a qualquer título, inclusive de obrigações referentes licença de uso de software, constitui fato gerador da CIDE. MULTA DE. OFÍCIO Fl. 601DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16832.000213/200844 Acórdão n.º 9303003.516 CSRFT3 Fl. 602 3 No lançamento de oficio para a constituição e exigência de credito tributário, devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. JUROS DE MORA Sobre o crédito tributário devido e não pago no vencimento incidem juros de mora independentemente de quaisquer motivos da inadimplência. Recurso Voluntário Negado. Reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do litígio: "Inconformada com esta decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário as fls. 229/265, requerendo, preliminarmente, a nulidade do lançamento por erro na determinação da exigência fiscal e por ausência de fundamentação legal, e, no mérito, a sua improcedência por ter sido demonstrado que as remessas realizadas consistem na remuneração de licença de uso de software (direito autoral) não sujeitas à incidência da CIDE ou, alternativa e sucessivamente, o cancelamento da parte do crédito tributário lançado e exigido para o período de competência de janeiro a novembro de 2003, por ter sido atingido pela decadência qüinqüenal, e, ainda, a exclusão dos juros de mora e da multa de oficio, nos termos do CTN, art. 100, por ter cumprido o disposto no art. 10 do Decreto n" 4.195, de 11/04/2002, e outros atos normativos" Irresignada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente recurso, demonstrando divergência jurisprudencial, apresentando os seguintes paradigmas: Acórdão nº 30238.763 proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho e Contribuintes, cuja ementa transcrevese, em parte: Ementa: CIDE/ROYALTIES — DIREITO AUTORAL — NÃO INCIDÊNCIA A CIDE/royalties, instituída pela Lei n° 10.168/2000, não incide sobre remessa ao exterior de pagamentos relativos a exploração de direitos autorais, mesmo que sobre a denominação de royalties, por força do comando interpretativo do artigo 10 do Decreto n°4.195/02. [...] RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O acórdão paradigma decidiu pela não incidência de CIDE sobre os pagamentos de direitos autorais para distribuição de obras audiovisuais estrangeiras no Brasil. No voto vencedor restaram assentados os seguintes fundamentos: 1. não houve qualquer transferência de tecnologia que justificasse a incidência da CIDE nos termos do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000; 2. os pagamentos feitos diretamente ao autor ou criador da obra são excluídos do conceito de royalties por força do art. 22, aliena “d” da Lei nº 4.506, de 1964; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16832.000213/200844 Acórdão n.º 9303003.516 CSRFT3 Fl. 603 4 3. o artigo 10 do Decreto nº 4.195, de 2002, que regulamentou a Lei nº 10.168, de 2000, não incluiu o pagamento relativo à exploração de direito autoral de residente ou domiciliado no exterior (ainda que sob a rubrica de royalties) em suas hipóteses de incidência; Por sua vez, o acórdão recorrido, interpretando o artigo 2º da Lei nº 10.168, de 2000, o artigo 1º da Lei nº 9.609, de 1998, entendeu que a existência ou não de transferência de tecnologia não repercutia no período dos fatos geradores lançados, pois apenas a partir de 1º/01/2006, passou a ser exigida a transferência de tecnologia, de acordo com a alteração promovida pela Lei nº 11.452, de 2007. No voto da decisão atacada, constou ainda, como fundamento da decisão, a ementa da Solução de Consulta nº 558, de 2007 da SRRF/8º Região Fiscal, a qual concluiu pela incidência de CIDE sobre licenças de uso ou direitos de comercialização de software, fundamentando em diversos dispositivos legais, dentre eles o art. 10 do Decreto nº 4.195, de 2002. Quanto a contagem do prazo decadencial, a Contribuinte apresentou os paradigmas nº 920200.907, de 16/08/2010, e nº 910100.169, de 15/06/2009. Os paradigmas trazidos adotam o entendimento de que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, independe da existência ou não de pagamentos antecipados, para efeito de homologação do lançamento. Já quanto a incidência da CIDE sobre remessas de valores para residentes ou domiciliados no exterior à título de pagamento de royalties referentes e licença de uso de software, o sujeito passivo apresentou os paradigmas nºs 30238.763 e nº 310100.172. Regularmente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório Voto Demes Brito Conselheiro Relator Da Admissibilidade Antes de passar à análise das matérias recursais, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro Fl. 603DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16832.000213/200844 Acórdão n.º 9303003.516 CSRFT3 Fl. 604 5 fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo. Com efeito, para comprovar as divergência, o sujeito passivo apresentou como paradigmas respectivamente, os Acórdãos nº 10422.644 (1); 180100.103 (2); e 2402 003.102 (3). Quanto à primeira divergência suscitada, vejamos a ementa do Acórdão nº 10422.644 paradigma, além de fragmentos dos votos em ambos os arestos, para identificar os fatos submetidos a julgamento e os entendimentos adotados pelos colegiados: Quanto à incidência da CIDE sobre remuneração de licença de uso de software, o sujeito passivo apresenta os seguintes acórdãos paradigmas: Acórdão nº 30238.763 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002,30/04/2002 Ementa: CIDE/ROYALTIES — DIREITO AUTORAL —NÃO INCIDÊNCIA.A CIDE/royalties, instituída pela Lei n° 10.168/2000, não incide sobre a remessa ao exterior de pagamentos relativos a exploração de direitos autorais, mesmo que sobre a denominação de royalties, por força do comando interpretativo do artigo 10 do Decreto n°4.195/02.CIDE/ROYALTIES — CONDECINE— BIS IN IDEM.Não é possível a exigência da CIDE/royalties sobre os mesmos fatos que baseiam a incidência da CONDECINE,devendo, no caso de colidência fática, prevalecer aincidência do CONDECINE, por ser mais especifico. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Acórdão nº 310100172 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO C I D E Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2002 NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIA DIFERENCIADA. A renúncia à esfera administrativa por concomitância de processo judicial instaurado pela Recorrente não impede o conhecimento das demais alegações aduzidas na impugnação/recurso, que não sejam coincidentes com o objeto da medida judicial. CRITÉRIO TEMPORAL. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16832.000213/200844 Acórdão n.º 9303003.516 CSRFT3 Fl. 605 6 A norma de incidência tributária ao eleger o fato imponível da hipótese de incidência estabelece o momento da ocorrência do fato, ou seja, critério temporal da incidência. Assim, não é relevante para a incidência da norma tributária a data em que foi estabelecido o negócio jurídico do qual decorre o fato imponível da CIDE (pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa), mas a ocorrência do fato imponível na vigência da lei. BASE DE CÁLCULO. Conforme interpretação jurisprudencial dada pelo STF, a coincidência de base de cálculo entre contribuição e imposto não contraria os princípios gerais para instituição de tributos em geral, uma vez que a vedação limitase à instituição de impostos. DEPÓSITO JUDICIAL. O critério material da CIDE se perfaz de forma individual para cada contrato e por cada pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, realizado pelo contribuinte. Desta forma, os depósitos judiciais realizados pelo contribuinte devem ser considerados de forma individual para cada operação. A existência de depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário para o fim de exclusão das multa de mora e de ofício e para o fim de incidência de juros de mora. DIREITO SUPERVENIENTE. Solução de Divergência, acerca de matéria idêntica àquela tratada no processo administrativo fiscal, que venha reconhecer como entendimento uniformizado da administração tributária direito contrário ao defendido pelo Fisco até então, retira do ato administrativo de lançamento sua motivação, extinguindo o litígio pela vinculação da administração à norma complementar publicada. Recurso Voluntário Provido. "Contudo, a administração pública reconheceu que os softwares de prateleira não estão no campo de incidência do IRRF e da CIDE o que interfere diretamente no ato administrativo de lançamento, independente da manutenção do litígio judicial que não discute aquestão dos softwares de prateleira" ( transcrição do voto paradigma fl. 507). Conforme se verifica no primeiro acórdão paradigma, as situações fáticas são distintas, não sendo possível deduzir que houve divergência na interpretação da legislação tributária. A decisão paradigma trata de pedido de restituição, no qual a contribuinte afirma disputar créditos contra a Fazenda Nacional em razão de recolhimentos indevidos de CIDE sobre o pagamento de direitos autorais para distribuição de obras audiovisuais estrangeiras no Brasil Quanto ao segundo acórdão paradigma apresentado, este não guarda nenhuma relação com situação fática, a decisão paradigma trata de apreciação do conceito de CIDE royalties e a não incidência da CIDE sobre softwares de prateleira. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16832.000213/200844 Acórdão n.º 9303003.516 CSRFT3 Fl. 606 7 Como se observa, tratase de situações diversas, regidas por legislações distintas, de modo que não se pode atribuir a divergência de conclusões ao alegado dissídio jurisprudencial. Considerações Finais Com essas considerações, voto no sentido de não tomar conhecimento do Recurso Especial da Contribuinte. É como voto e como penso. Demes Brito Fl. 606DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 13864.000526/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007
AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS.
Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando os resultados dos julgamentos dos processos lavrados na mesma ação fiscal não têm influência recíproca.
VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP.
Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP).
Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte.
SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS.
O sucessor é responsável por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva. Decisão do STJ no REsp 923.012/MG, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, de reprodução obrigatória pelo CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Lívia Maria Marques, OAB/DF 33.534.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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IMPUTAÇÃO Recorrente TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando os resultados dos julgamentos dos processos lavrados na mesma ação fiscal não têm influência recíproca. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP. Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS. O sucessor é responsável por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva. Decisão do STJ no REsp 923.012/MG, submetido ao rito do art. 543C do CPC, de reprodução obrigatória pelo CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 26 /2 01 0- 51 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Lívia Maria Marques, OAB/DF 33.534. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000526/201051 Acórdão n.º 2301004.522 S2C3T1 Fl. 357 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0533.984 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campinas (SP), fl. 652656 do Processo nº 13864.000528/201041, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 37.316.8225. De acordo com o relatório fiscal de f. 2629, o lançamento trata de exigência das contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), correspondentes à contribuição do salárioeducação, e às contribuições devidas ao INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações a eles pagas devidas ou creditadas, apuradas com base na técnica do arbitramento, no período de 02/2007 a 12/2007. Ficou consignado no relatório fiscal que as bases de cálculo do lançamento foram extraídas da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e se referem a pagamentos feitos a empregados que não constaram das folhas de pagamento disponibilizadas à fiscalização em meio digital, das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nem da contabilidade, e que deixaram de ser justificadas pela empresa após ter sido intimada a fazêlo. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que efetuou o pagamento das contribuições apuradas no lançamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado, sob o fundamento de que a mera juntada de guias de recolhimentos sem a demonstração da vinculação delas aos fatos geradores das contribuições sociais exigidas não é prova de pagamento do crédito constituído. O sujeito passivo foi intimado do lançamento em 22/12/2010, fl. 25, e teve ciência do acórdão da DRJ em 12/09/2011, fl. 668 do Processo 13864.000528/201041., segundafeira, sendo que o prazo para apresentação de recurso iniciouse em 13/09/2011 e terminou em 12/10/2011, cujo vencimento foi prorrogado para o dia 13/10/2011 em razão do feriado nacional de 12/10/2011. Em 13/10/2011, a autuada, por meio de procuradora qualificada nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, fl. 731744 do Processo nº 13864.000528/2010 41, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega conexão deste processo com os demais processos de lançamento constituídos na mesma ação fiscal, e, por conseguinte, a necessidade de julgamento conjunto para evitar decisões contraditórias. Também em preliminar, sustenta a nulidade do lançamento, por falta de motivação, e a nulidade do acórdão recorrido, porque deixou de apreciar as guias de recolhimento apresentadas na impugnação, incorrendo em cerceamento de defesa. No mérito, afirma que as guias apresentadas na impugnação comprovam que a recorrente efetuou o recolhimento dos valores lançados. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Afirma também que a obrigação tributária em questão é da empresa incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, e que no momento da incorporação o crédito tributário dela decorrente não estava constituído, motivo pelo qual não tem responsabilidade sobre a multa aplicada, sustentandose no art. 132 do CTN e em jurisprudência do STJ no sentido de que a possibilidade de responsabilização do incorporador por multas só existe quando essa tiver sido aplicada antes da incorporação. Ao final, requer: (i) que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida (ii) o cancelamento integral do crédito tributário lançado, e, subsidiariamente (iii) que seja reconhecida sua ilegitimidade para responder por multas da empresa incorporada. O julgamento do recurso foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2402000.474, da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, voto dessa relatora, fls. 236 240, solicitando, à autoridade lançadora, esclarecer se as Guias de Pagamento (GPS) juntadas aos autos, bem como quaisquer outro recolhimento feito pela recorrente, estariam disponíveis para serem vinculadas aos débitos dela. Em resposta foi produzido o relatório de diligência fiscal de fls. 281286, esclarecendo que os pagamentos efetuados pela recorrente, por meio de GPS, estão vinculados aos valores das contribuições confessadas em GFIP, com exceção das diferenças apuradas em alguns estabelecimentos e competências, conforme demonstrado na tabela de fls. 285. Em seguida, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000526/201051 Acórdão n.º 2301004.522 S2C3T1 Fl. 358 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar. Pedido de Reunião dos Processos Administrativos Tributários A Recorrente requer o julgamento conjunto de todos os auto de infração lavrados na mesma ação fiscal, a fim de se evitar decisões conflitantes. Na conformidade da norma processual vigente, impõese a reunião das ações para julgamento quando configurada a conexão entre duas ou mais ações, vale dizer, quando há identidade do objeto ou da causa de pedir. O objeto do presente processo é a obrigação de a empresa recolher as contribuições a seu cargo, destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre os pagamentos feitos a empregados, detectados em sua Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). O mesmo fato tributário embasa as exigências das contribuições a seu cargo (20% destinada ao FPAS e 2% destinada ao SAT), objeto Processo Administrativo nº 13864.000528/201041 (Debcad nº 37.316.8209), e das contribuições a cargo dos segurados empregados, de responsabilidade da empresa por substituição tributária, de que trata o Processo Administrativo nº 13864.000527/201004 (Debcad nº 37.316.8217). Há, portanto, conexão entre os processos mencionados e o julgamento dos recursos neles apresentados está sendo realizado em conjunto, nessa mesma sessão de julgamento, evitandose decisões conflitantes. Quanto aos demais processos tributários decorrentes da mesma ação fiscal, verificase, em consulta ao sistema eprocesso, que existe decisão deste Conselho em sede de Recurso Voluntário, conforme demonstrado abaixo: nº nº Processo nº Debcad Tipo Matéria Sujeito Passivo Nº Ac CARF Decisão 1 13864.000508/201070 373113765 AIOA 22 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.466 nulidade do lançamento 2 13864.000509/201014 373113722 AIOA 68 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.467 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 3 13864.000510/201049 373113757 AIOA 38 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.468 negado provimento ao recurso 4 13864.000511/201093 373113749 AIOA 69 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.469 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 5 13864.000512/201038 372917160 AIOA 34 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.470 negado provimento ao recurso 6 13864.000513/201082 373113730 AIOP Retenção 11% TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.561 dado provimento ao recurso 7 13864.000514/201027 373168284 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.455 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 8 13864.000515/201071 373168276 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.456 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 9 13864.000516/201016 373168268 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.457 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 10 13864.000517/201061 373168195 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.458 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa Fl. 360DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 11 13864.000518/201013 373113838 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.459 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 12 13864.000519/201050 373113803 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.738 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 13 13864.000520/201084 373113820 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.460 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 14 13864.000521/201029 373168241 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.739 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 15 13864.000522/201073 373113811 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.740 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 16 13864.000523/201018 373168233 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.741 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 17 13864.000524/201062 373168250 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.742 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 18 13864.000525/201015 373113781 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.471 nulidade do lançamento 19 13864.000534/201006 373113773 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.472 nulidade do lançamento 20 13864.000535/201042 373182872 AIOP Retenção 11% TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.562 dado provimento ao recurso 21 13864.000536/201097 373113790 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.743 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa O presente processo é autônomo em relação aos demais listados na tabela acima, pois eles têm objetos distintos, e a solução quanto à existência do fato gerador da obrigação tributária tratada naqueles, ou da validade daqueles lançamentos, não refletirá na obrigação tributária deste, de modo que não existe motivação jurídica para se adotar aqui o resultado do julgamento de quaisquer daqueles processos sem relação de conexão. Entretanto, será observado neste voto o entendimento consolidado no resultado do julgamento daqueles processos, no que tange aos pontos controvertidos comuns, quando for compatível. Preliminar de Invalidade do Lançamento A Recorrente suscita a nulidade do lançamento, argumentando que a comparação entre os dados da DIRF em cotejo com a folha de pagamento e a GFIP não é prova suficiente da materialidade da incidência tributária. Extraise do relatório fiscal que o cotejo entre os dados declarados em DIRF, GFIP e Folha de Pagamento constituiu técnica de investigação de fatos tributários, que permitiu a identificação de fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme item 4 do relatório fiscal: a) Identificados [em DIRF] empregados que deixaram de constar na folha de pagamento digital e na GFIP. O contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos e documentos conforme Termo de Intimação Fiscal TIF nr. 18. Responderam que as verbas constaram na folha de pagamento, no entanto folha de pagamento digital não apresenta os segurados nas competências em questão: Elizabete de Almeda Otero (02/2007); Sergio Batista Reis (04/2007) e Gisela Viilaga Lima (06/2007). b) Observamos divergências nos valores da remuneração dos empregados: Ricardo Fernandes de Carvalho, Fernanda Cipriano Grolla Reiser Miranda (11/2007) e Edmar Conceição dos Santos (12/2007). O valor divergente de Fernanda Cipriano é o Abono Indenizatório, conclusão que chegamos comparando os registros contábeis na conta 3.03.01.01.0010 Ordenados e Salários e 3.02.01.01.0010 Custos Ordenados e Salários no total de R$ 303.408,97 contra o valor da folha de pagamento de R$ 298.602,30 (Abono Indenizatório e Abono Indenizatório RJ), diferença de R$ 4.866,67, cuja rubrica é objeto de lançamento fiscal no processo 37.311.3790. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000526/201051 Acórdão n.º 2301004.522 S2C3T1 Fl. 359 7 c) Diferença de remuneração do empregado Edmar Conceição dos Santos. A autoridade fiscal pode se valer da DIRF para investigar incidências tributárias, notadamente por se tratar de documento produzido pela própria empresa. Macula a fé dos documentos fiscais da Recorrente o fato de a folha de pagamento não espelhar todos os pagamentos feitos a empregados e prestadores de serviços e sua contabilidade não registrar os pagamentos feitos a todas as pessoas físicas. É dever instrumental da empresa elaborar folha de pagamento contemplando todos os segurados a seu serviço, bem como todas as parcelas da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9o do art. 225 do RPS/99. A escrituração contábil também deve ser feita de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e dos montantes descontados, devidos e recolhidos a título de contribuições previdenciárias, apenas com base nos títulos das contas contábeis. Para tanto, o registro contábil das parcelas da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados deve ser feito em títulos próprios, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição. Tratase de dever instrumental previsto no inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Os vícios apontados são suficientes para tornar a contabilidade, as folhas de pagamento e as GFIPs ineficazes como meio de prova das bases de cálculo dos fatos geradores aqui tratados, de modo a justificar a adoção da técnica do arbitramento, sobretudo neste caso, quando a empresa, previamente à autuação, tenha sido intimada a esclarecer os dados declarados em DIRF, bem como a natureza dos pagamentos ali informados, oportunizandolhe corrigir eventuais erros. Na falta de comprovação, pela Recorrente, que seus documentos fiscais que constituem meios diretos de apuração das contribuições aqui tratadas (folha de pagamento, GFIP e contabilidade) são suficientes para permitir a descoberta direta das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, fica autorizada a apuração da base de cálculo por meios indiretos, nos termos do art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 33 §§ 3o e 6º da Lei 8.212/91: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei 8.212/91 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 3ª Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O mesmo fundamento autoriza a presunção da incidência tributária das parcelas pagas aos empregados, pois, na hipótese, a mácula da folha de pagamento e da GFIP atinge, além dos dados quantitativos, os dados qualitativos desses documentos, e, por força legal, passa a ser da autuada o ônus da prova do caráter não remuneratório dessas parcelas. Em suma, o relatório fiscal contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, a natureza das contribuições lançadas, o período e a fundamentação jurídica do lançamento tributário, assim como a indicação dos documentos nos quais se materializaram os fatos geradores. Nos relatórios anexos ao auto de infração foram demonstradas as bases de cálculo, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas e os dispositivos legais autorizadores do lançamento. O auto de infração, em síntese, permite à interessada conhecer a motivação fática e jurídica do lançamento, permitindolhe defenderse plenamente. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Concluo que o lançamento contém os requisitos mínimos aptos a lhe garantir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade invocada. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000526/201051 Acórdão n.º 2301004.522 S2C3T1 Fl. 360 9 Pagamento De acordo com o relatório fiscal, os valores lançados originamse de pagamentos não declarados em GFIP e não incluídos em folhas de pagamento, de modo que as contribuições daí decorrentes não foram recolhidas pela empresa. A Recorrente rebate este argumento afirmando que os valores lançados foram devidamente pagos, tendo apresentado, com a impugnação, as guias de pagamento (GPS) supostamente comprobatórias do alegado. Ainda de acordo com a Recorrente, o órgão julgador de primeira instância deixou de apreciar esses documentos, o que ensejaria a nulidade do acórdão recorrido. Ao apreciar os fundamentos do voto condutor do acórdão questionado, encontrase a passagem que trata dessa matéria, a seguir reproduzida: Quanto aos recolhimentos, não consta que as remunerações que motivaram a autuação tenham sido declaradas nas folhas de pagamento da empresa. Tivessem sido declaradas, serviriam de fundamento do Processo n° 13864.000520/201084, o qual se baseia justamente nos fatos geradores reconhecidos nas folhas de pagamento, mas não declarados em GFIP. Como não há indícios de que, em algum momento, a impugnante tenha admitido a incidência das contribuições exigidas, não vejo a menor verossimilhança de que tenha recolhido as contribuições exigidas. A juntada de inúmeras guias de recolhimento não demonstra o pagamento dos tributos exigidos. A impugnante deveria ter sido mais cuidadosa na comprovação de suas alegações, juntando outros documentos que vinculariam as guias de recolhimento aos fatos geradores objeto da exação. A impugnante deixou, portanto, de demonstrar qualquer fato extintivo do direito do Fisco. Em suma, o relator rejeitou as guias apresentadas pela recorrente por não terem sido vinculadas, pela Recorrente, aos fatos geradores tratados neste processo. Não houve omissão, do órgão julgador de primeira instância, na apreciação deste ponto da impugnação, estando hígido, portanto, o acórdão recorrido. Mas, em razão do efeito devolutivo do recurso, a questão passa a ser reapreciada, agora nessa instância. Com efeito, constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), sendo que, na espécie, a vinculação darseia mediante retificação, pela empresa, das GFIPs entregues com omissão dos fatos geradores aqui tratados. De qualquer sorte, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, entendo que é facultado ao contribuinte solicitar a imputação do indébito a créditos tributários constituídos em seu desfavor, motivo pelo qual essa relatora solicitou a apreciação desses documentos pela autoridade lançadora. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 A fiscalização, em relatório de diligência fiscal, informou que o total das GPS da empresa, disponível no banco de dados de arrecadação da Receita Federal, incluindo as apresentadas na impugnação, relativas aos estabelecimentos 0001 a 0009, estão vinculadas às contribuições declaradas pela empresa, em GFIP, demonstrando, na tabela de fls. 285, o valor declarado em GFIP e o valor pago em GPS. por estabelecimento e por competência. Entretanto, identificouse que, em algumas competências e estabelecimentos, existem diferenças relativas a valores recolhidos que não estão vinculados às contribuições declaradas em GFIP, conforme demonstrativo de fls. 285. Ainda de acordo com o relatório de diligência fiscal, a Recorrente deixou de vincular essas diferenças a quaisquer fatos geradores, o que também não foi feito pela fiscalização; além disso, a Recorrente não procedeu à compensação desses créditos com seus débitos e nem solicitou restituição do valor pago a maior. Portanto, é cabível a imputação, ao lançamento, do pagamento correspondente às diferenças apontadas na tabela de fls. 285, caso tenham a mesma natureza das contribuições aqui lançadas. Responsabilidade da Incorporadora pela Multa A Recorrente afirma que o presente auto de infração se refere à obrigação tributária da empresa Telefutura Centrais Telefônicas S/A, que foi por ela incorporada em junho de 2007, e que, na condição de sucessora, não responde pela multa dos débitos da incorporada constituídos após a data da incorporação. Essa afirmação não encontra verossimilhança nos autos, pois, de acordo com o relatório fiscal, o presente lançamento trata de débito próprio da Recorrente, relativo aos pagamentos feitos a segurados empregados, e a Recorrente não trouxe prova em contrário. De qualquer modo, ainda que se tratasse de débito da empresa incorporada, persistiria a responsabilidade da Recorrente pelo pagamento do tributo e da multa, na condição de sucessora, considerando que a matéria está pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, que, em sede do REsp 923.012/MG, eleito como representativo de controvérsia dos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, decidiu pela responsabilidade tributária do sucessor por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva, conforme ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.° 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe Fl. 365DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000526/201051 Acórdão n.º 2301004.522 S2C3T1 Fl. 361 11 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9a ed., p. 701) 3. A base de cálculo possível do ICMS nas operações mercantis, à luz do texto constitucional, é o valor da operação mercantil efetivamente realizada ou, consoante o artigo 13, inciso I, da Lei Complementar n.° 87/96, "o valor de que decorrer a saída da mercadoria". 4. Desta sorte, afigurase inconteste que o ICMS descaracteriza se acaso integrarem sua base de cálculo elementos estranhos à operação mercantil realizada, como, por exemplo, o valor intrínseco dos bens entregues por fabricante à empresa atacadista, a título de bonificação, ou seja, sem a efetiva cobrança de um preço sobre os mesmos. (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 923.012/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010). Demonstrada, portanto, a responsabilidade da Recorrente em relação ao crédito tributário em questão (...). Cabe a este Conselho reproduzir as decisões dos Tribunais Superiores, tomadas sob o rito dos artigos 543B e 543C do CPC, conforme dispõe o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Esse entendimento, inclusive, foi adotado nos julgamentos dos recursos voluntários dos processos lavrados na mesma ação fiscal em face da Recorrente, na condição de responsável por sucessão de Telefutura Centrais Telefônicas S/A: nº Processo nº Debcad Tipo Matéria Sujeito Passivo Nº Ac CARF 13864.000514/201027 373168284 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.455 13864.000515/201071 373168276 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.456 13864.000516/201016 373168268 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.457 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 13864.000521/201029 373168241 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.739 13864.000523/201018 373168233 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.741 13864.000524/201062 373168250 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.742 Além disso, é entendimento pacificado no CARF, por meio do enunciado da Súmula nº 47, de observância obrigatória, que é devida a multa de ofício à sucessora, quando ela, juntamente com a sucedida, formavam grupo econômico à época dos fatos geradores, ou estavam sob controle comum, o que afasta a tese de desconhecimento, por parte da sucessora, da exigência tributária. Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No caso, a empresa incorporada, Telefutura Centrais Telefônicas S/A, formava com a Recorrente, à época dos fatos geradores, grupo econômico, estavam sob a mesma direção, e a primeira era sócia majoritária da segunda, conforme consta do item 1 da Justificação da Incorporação, de 11 de maio de 2007, abaixo transcrito: 1. Justificação da Incorporação da TFSA pela TAT1 1.1 Tendo em vista que TFSA detém a quase totalidade das quotas da TAT e ambas as empresas têm objeto social e atividades bastante coincidentes, o signatário, na qualidade de diretor Presidente e Diretor Financeiro das duas empresas, entende que a incorporação da TFSA pela TAT trará consideráveis beneficios aos negócios que hoje são desenvolvidos por ambas de forma separada e implicara a racionalização e aumento de produtividade de ordem administrativa, econômica e financeira: Adicionalmente, a simplificação da estrutura societária do grupo constitui ato preparatório para a associação que se pretende formar entre o grupo a que pertence a TAT e a Tivit Tecnologia da Informação S.A., já amplamente divulgada na imprensa, a qual propiciará a futura expansão dos negócios sociais combinados ao melhor aproveitamento de sinergias já existentes entre os dois grupos. Nesse cenário, preliminarmente à incorporação da TFSA pela TAT pretendese promover a transformação desta em uma sociedade por ações de forma que, uma vez aprovada a incorporação, possam ser assegurados aos acionistas da TFSA então admitidos como sócios da TAT os mesmos direitos e prerrogativas que lhe são atualmente assegurados na qualidade de acionistas da TFSA. Diante do exposto, o signatário, na qualidade de Diretor Presidente e Diretor Financeiro das duas empresas representadas neste instrumento, entende que a incorporação da TFSA pela TAT, com a consequente extinção da TFSA, se impõe e se justifica como medida de racionalização das atividades do grupo empresarial que as sociedades pertencem e sua preparação para nova, fase de desenvolvimento e crescimento.(g.n.) Em síntese, a Recorrente é responsável pelo pagamento da multa. 1 TFSA: Telefutura Centrais de Atendimento S/A; TAT: Tivit Atendimentos Telefônicos Ltda, que depois passou a se chamar Tivit Terceirização de Processos, Serviços e Tecnologia S.A. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000526/201051 Acórdão n.º 2301004.522 S2C3T1 Fl. 362 13 Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam apropriados, neste lançamento, os pagamentos correspondentes às diferenças apontadas na tabela de fls. 285, caso tenham a mesma natureza das contribuições aqui lançadas, observadas as cautelas de praxe. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720417/2005-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 01/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE.
O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes.
Inexistente, portanto, a omissão no acórdão que não conheceu do recurso especial com base em Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9303-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração da Fazenda Nacional nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
EDITADO EM: 21/03/2016
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração da Fazenda Nacional nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Vanessa Marini Cecconello - Relatora EDITADO EM: 21/03/2016 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE. O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes. Inexistente, portanto, a omissão no acórdão que não conheceu do recurso especial com base em Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração da Fazenda Nacional nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora EDITADO EM: 21/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 04 17 /2 00 5- 57 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 930300.977 (efls. 467 a 470), com fulcro no art. 65, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de julho de 2009, buscando sanar vício de omissão existente no julgado. O acórdão recorrido não conheceu do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Alega a Embargante em suas razões que a omissão se dá em razão de ter sido aplicada ao caso a Súmula Vinculante STF nº 08, mas não haver manifestação na decisão quanto à correta contagem do início do prazo decadencial, que é matéria de ordem pública. Os embargos de declaração da Fazenda Nacional foram admitidos em despacho de efls. 802 a 805, do qual são extraídos os seguintes trechos: Em sessão de julgamento realizada em 28 d abril de 2010, a 3ª Turma da CSRF julgou o recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, exarando o Acórdão nº 930300.977, fls. 467 a 4701, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 STF. O prazo para a constituição do credito tributário findase com o decurso de prazo de 5 anos. Súmula Vinculante n° 8 do STF. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. A Fazenda Nacional volta aos autos, desta feita para interpor embargos de declaração, fls. 475 e 476, acusando a decisão de conter o vício de omissão, ao aplicar a Súmula Vinculante STF nº 08, mas silenciar sobre a “...correta contagem do inicio do prazo decadencial, que é matéria de ordem pública.” Conclui, requerendo a expressa “...manifestação sobre a aplicação do prazo disposto no art. 173, I do CTN, vez que não houve recolhimento parcial da Cofins, conforme demonstrativo de fls. 06.” Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, repetidos pelo art. 65 do novel Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o Fl. 814DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.720417/200557 Acórdão n.º 9303003.447 CSRFT3 Fl. 808 3 acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Com a intimação da decisão embargada ocorrendo em 19/04/2011 (cfe. Termo de Intimação, fls. 473, o recurso, formulado em 20/04/2011 (cfe. RM nº 11.552, fls. 477), é tempestivo. [...] Omissão Analisandose a decisão embargada, constato que seu voto condutor limitou se a invocar a Súmula Vinculante STF nº 8, para rechaçar o prazo decadencial de 10 (dez) anos, estipulado no art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nesses termos: [...] Sucede que o artigo 45 da Lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF, conforme se infere da Súmula Vinculante n.° 08, a qual se encontra a seguir transcrita: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Dessa forma, uma vez declarado inconstitucional o dispositivo de lei que Procuradoria da Fazenda Nacional em seu recurso sustenta ter sido violado pelo acórdão recorrido, o mesmo, a meu ver, não deve ser conhecido. Face ao exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. Nanci Gama Omitiuse em concluir o exame da decadência, segundo a regra do § 4° do art.150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, ou pela regra do art. 173, inc. I, do CTN, que se lhe impunha, em se tratando de matéria de ordem pública. Conclusão Com essas considerações, acolho os embargos de declaração propostos pela Representação Jurídica da Fazenda Nacional, para que o Colegiado integre a decisão. [...] Fl. 815DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, com numeração eletrônica até a folha 806 (oitocentos e seis), estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Conheço dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional por serem tempestivos e atenderem aos demais requisitos de admissibilidade. A Fazenda Nacional alega que o acórdão nº 930300.977 proferido pela 3ª Turma da CSRF está eivado do vício da omissão, uma vez que na decisão foi aplicada a Súmula Vinculante STF nº 08 para afastar o prazo de prescrição de 10 (dez) anos, sem, no entanto, restar consignado qual a correta contagem do início do prazo decadencial, que no seu entender é matéria de ordem pública. Com lastro em entendimento do STJ, sustenta que "[...]não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN". Da análise do inteiro teor do acórdão que ora é embargado, verificase que, na apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional, foi delimitada a divergência quanto à definição de qual seria a correta aplicação do prazo decadencial, se do art. 45 da Lei 8.212/91 (dez anos), conforme requerido no apelo especial, ou do §4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional (5 anos), nos termos do que foi decidido no acórdão de julgamento do recurso voluntário (efls. 275 a 290). Em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional não foi conhecido, tendo restado inalterado o acórdão proferido no julgamento do recurso voluntário que entendeu pela aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do §4º, do art. 150 do CTN. Com a devida vênia ao despacho de admissibilidade, o recurso não merece ter seguimento pois ausente qualquer dos vícios a ensejar a sua interposição. Na hipótese de ser o recurso especial fundado em contrariedade à dispositivo de lei que foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e cuja decisão foi convertida em Súmula Vinculante, o mesmo não deve ser conhecido. Portanto, correto o entendimento consignado no acórdão embargado, não havendo de se falar no vício de omissão do julgado. No mesmo sentido, é o acórdão nº 9303003.294 proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 24 de março de 2015, de relatoria do Ilustre Fl. 816DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.720417/200557 Acórdão n.º 9303003.447 CSRFT3 Fl. 809 5 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujos fundamentos passam a integrar a presente decisão, in verbis: [...] Como visto no relatório, o apelo fazendário arrimouse em suposta contrariedade à lei do acórdão recorrido, mais precisamente, ao art. 45 da Lei 8.212/1991. Acontece, porém, que esse dispositivo legal foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal federal, em controle difuso, é verdade, mas a decisão foi sumulada, com efeito vinculante STF Súmula Vinculante nº 8. Com isso, a decisão proferida interpartes, passou a ter efeitos erga omnis, vinculando a todos. De outro lado, a declaração de inconstitucionalidade tem efeitos ex tunc, retroagindo à data da edição do dispositivo legal eivado de vício, anulando em sua origem, como se a lei nunca tivesse existido. Essa retroatividade persiste mesmo no caso de haver sido modulados os efeitos da decisão, pois, uma vez declarada a inconstitucionalidade, a nódoa macula o dispositivo permanentemente desde a origem, o que a modulação faz é estender no tempo certos efeitos decorrentes da vigência da lei inconstitucional. A norma inconstitucional, salvo nas hipóteses de inconstitucionalidade superveniente, é natimorta, apenas sua certidão de óbito é que é emitida posteriormente. [...] Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. [...] Diante dos argumentos expostos, negase provimento aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 817DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.000403/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007, 01/04/2008 a 31/07/2008
DIREITO TRIBUTÁRIO E DIREITO PRIVADO. PRIMAZIA DO DIREITO PRIVADO. ART.109 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LIMITES À INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS E QUALIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES.
A Administração Tributária está adstrita à observância de conceitos e formas de Direito Privado na interpretação das hipóteses de incidência tributária e na qualificação dos fatos geradores, sob pena de violar os arts.109 e 116, II do CTN, bem como e o dever de conformidade da tributação com o fato gerador derivado da legalidade tributária constitucionalmente consagrada.
DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO.
A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações.
Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos.
A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracteriza a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu ao contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela recorrente o Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP 257.324; e pela Fazenda Nacional o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, OAB/CE 19.135.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator Carlos Augusto Daniel Neto
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007, 01/04/2008 a 31/07/2008 DIREITO TRIBUTÁRIO E DIREITO PRIVADO. PRIMAZIA DO DIREITO PRIVADO. ART.109 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LIMITES À INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS E QUALIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES. A Administração Tributária está adstrita à observância de conceitos e formas de Direito Privado na interpretação das hipóteses de incidência tributária e na qualificação dos fatos geradores, sob pena de violar os arts.109 e 116, II do CTN, bem como e o dever de conformidade da tributação com o fato gerador derivado da legalidade tributária constitucionalmente consagrada. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracteriza a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu ao contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso Voluntário Provido.
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PRIMAZIA DO DIREITO PRIVADO. ART.109 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LIMITES À INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS E QUALIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES. A Administração Tributária está adstrita à observância de conceitos e formas de Direito Privado na interpretação das hipóteses de incidência tributária e na qualificação dos fatos geradores, sob pena de violar os arts.109 e 116, II do CTN, bem como e o dever de conformidade da tributação com o fato gerador derivado da legalidade tributária constitucionalmente consagrada. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A “desmutualização”, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracteriza a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu ao contribuinte, de modo que sua alienação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 03 /2 01 0- 96 Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela recorrente o Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP 257.324; e pela Fazenda Nacional o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, OAB/CE 19.135. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Auto de Infração com fundamento em fiscalização empreendida junto à Recorrente, tendo por objeto, entre outros, a verificação da apuração da receita obtida na comercialização das ações recebidas em decorrência do processo conhecido como "desmutualização" das Bolsas de Valores ocorrido em 2007, conforme TVF de fls. 198215. O processo de desmutualização foi detalhado no TVF do Auto de Infração de IRPJ e CSLL, processo 16327.000402/201041 (fls. 221 a 239, Anexo I), onde se consignou: ": o objetivo desta operação foi a unificação das operações das então existentes Bolsa de Valores de São Paulo, CNPJ 02.584.094/000119 e Bolsa Mercantil & Futuros, CNPJ 54.641.030/0001 06, à época estabelecidas sob a forma de entidades civis sem fins lucrativos em uma única sociedade anônima de capital aberto com ações negociadas no mercado de valores. Para atendimento a este objetivo, em um articulada sequência de atos societário.s levados a efeito em 2007 e 2008, ambas as Bolsas inicialmente se organizaram em sociedades anônimas de capital aberto — BM&F S/A, CNPJ 08.936.812/000133 e BOVESPA HOLDING S/A, CNPJ 08.695.953/000123 que foram posteriormente incorporadas na entidade resultante — Nova Bolsa S/A, CNPJ 09.316.601/000125, atualmente BM&F BOVESPA S/A. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000403/201096 Acórdão n.º 3402003.078 S3C4T2 Fl. 3 3 (...) A desmutualização da BM&F teve como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social da associação civil sem fins lucrativos BM&F, para outra entidade, organizada sob a forma de sociedade anônima, a BM&F S.A.. É certo que os títulos patrimoniais da BM&F detidos pelas corretoras/distribuidoras apresentavam dois aspectos distintos. O primeiro, de conteúdo patrimonial, refletia o valor da participação das corretoras/distribuidoras no capital da BM&F. O segundo, de natureza operacional, permitia a elas o chamado "Direito de Acesso ", ou seja, davalhes o direito de operar na Bolsa. Com a desmutualização, ocorreu a separação entre o conteúdo operacional do título e os direitos patrimoniais, que passaram a estar corporificados em ações da BM&F S.A.. (...) Em 28 de agosto de 2007, em conformidade com a Ata da Assembléia Geral Extraordinária especialmente convocada, foi autorizada a desmutualização, cujo procedimento consistiu na cisão parcial da BOVESPA, com a redução de seu patrimônio em 99,97%, permanecendo na BOVESPA somente 0,3% de seu patrimônio total. O patrimônio cindido foi incorporado às sociedades empresárias BOVESPA SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES SA. (BVSP) e BOVESPA HOLDING S.A. (Bovespa Holding) —fs. 88 a 95 [do anexo]. Posteriormente houve a incorporação pela Bovespa Holding das ações da BVSP e da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) —fls.80 a 87 [do anexo]. As atividades operacionais desempenhadas pela antiga BOVESPA passarama ser desempenhadas pela BVSP. Como parte do processo de desmutualização da BM&F, a HSBC se comprometeu a: (i) alienar 35% de suas ações na Oferta Pública Inicial da BM&F S/A; (ii) alienar outros 10% das ações da BM&F S/A para General Atlantic Fundo de Investimentos e Participações. Em 06/09/2007, antes do processo de desmutualização efetivado em 01/10/2007, o HSBC assinou um contrato ("TERMO DE ADESÃO AO INSTRUMENTO PARTICULAR DE ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES CELEBRADO NO ÂMBITO DA BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS — BM&F, fls.114115) o qual já previa alienação de 35% das ações para composição de lote de ações a ser ofertado ao mercado secundário. (...) Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Em 26/10/2007, a HSBC contratou a alienação de outros 10% dessas ações a fundo de investimentos gerenciado pela General Atlantic, conforme "INSTRUMENTO DE ACEITAÇÃO DE VENDA DE AÇÕES ORDINÁRIAS DA BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS — BM&F S.A. E OUTORGA DE PODERES", fls.116 a 121. Da mesma forma verificada em relação às ações da BM&F S.A., a HSBC também alienou a totalidade das 8.141.144 ações da BOVESPA S/A subscritas em 28 de agosto de 2007 até o final do subsequente ano de 2008. (...) Entendeu o Auditor Fiscal que a receita decorrente da alienação das ações não estaria enquadrada no art.1º, §3º, VI das leis 10.637/02 e 10.833/03, pelos seguintes argumentos: i) Caracterização da operação como subscrição primária de ações: ii) Necessidade de classificação das ações subscritas como "para revenda". iii) Caracterização da incorporação de ações da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa S/A como alienação sujeita à incidência do PIS/COFINS, com base no art.3º, §2º e 3º da lei 7.713/88. iv) A avaliação da "intenção de permanência" quando da aquisição de ativos, indicava o seu ânimo de alienar as ações. O Recorrente apresentou impugnação em que argumentou, em síntese: i) preliminarmente, a necessidade de reunião com o PAF 16327.000402/201041 (IRPJ/CSLL); ii) regularidade das operações realizadas; iii) que os títulos alienados pela Recorrente, adquiridos com o processo de desmutualização das Bolsas, sempre representaram participações permanentes dela em outras entidades; iv) o Parecer CST nº 39/81 que evidencia mera substituição das ações anteriores pelas ações da incorporadora; v) impossibilidade de se presumir a intenção de alienação das ações; vi) afirma ter ocorrido cisão seguida de incorporação, tudo isso autorizado nos artigos 2.033 e 2116 do Código Civil Brasileiro e o art. 225 da Lei Societária; vii) pugna pela não incidência de juros de mora sobre multa de ofício. A decisão de 1º instância negou provimento à impugnação. O Contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando as razões da sua impugnação, bem como a Recorrida apresentou contrarrazões, reiterando os fundamentos da decisão recorrida. O relator pretérito deste processo no CARF entendeu por declinar da competência, através de despacho, para a 1ª Seção, sob justificativa de conexão com o processo que versava sobre IRPJ e CSLL. O 2º relator, da 1ª Seção, declinou da competência para a 3ª Seção, através da Resolução 1402000.267, instaurando o conflito negativo de competência, resolvido através de despacho de fls.1019 e 1020, com o retorno à 4ª Câmara da 3ª Seção. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000403/201096 Acórdão n.º 3402003.078 S3C4T2 Fl. 4 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O objeto do recurso é analisar a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. A questão envolve diversos pontos prejudiciais ao enquadramento ou não na hipótese do art.3º, §2, IV da lei 9718/98, e.g. a natureza das operações societárias realizadas, a classificação contábil das ações etc. Todavia, a assunção de posições jurídicas acerca desses pontos demanda uma assunção racional e fundamentada de premissas, que pretendemos expor abaixo, antes de enfrentar a vexata quaestio. 1. Da Relação entre o Direito Privado e o Direito Tributário Tema dos mais relevantes, que põe em contraste a ideia de uma unidade do sistema jurídico e a coexistência de subsistemas correlacionados (mas com sistemáticas que lhe são peculiares por refletirem suas igualmente próprias finalidades.), é a relação entre o Direito Tributário e o Direito Privado. Tratase de preocupação antiga, visto que remete ao Precis de Droit Financier (1906) de MyrbachRheinfeld, cuja obra pugnava à época pela inaplicabilidade das normas de Direito Privado para reger relações de Direito Financeiro (incluindo aí o tributário), mas que mantém sua atualidade (e prejudicialidade) em uma infinidade de discussões atuais. Como lembra Alcides Jorge Costa (Direito Tributário e Direito Privado. In Direito Tributário Estudos em Homenagem a Ruy Barbosa Nogueira. São Paulo: Dialética, 1984. P.222), as relações entre o Direito Tributário e o Direito Privado é multifacetada, com um foco maior na subordinação ou não do daquele aos conceitos e institutos deste, que por sua vez comportaria, no plano teórico: i) a recepção expressa dos conceitos de direito privado; ii) uma recepção implícita; iii) uma alteração implícita de conceitos do direito privado; e iv) uma aplicação analógica das normas de direito privado. É fato inconteste que a legislação tributária faz diversas remissões ao Direito Privado, todavia, o que causa discussão é a pergunta acerca de o que é salário, serviço, mútuo etc., e se a resposta do Direito a esta pergunta é privatista ou não isso nos situa entre duas hipóteses limites de trabalho: ou i) o empréstimo de expressões é o mais restrito possível, não passando de uma remissão meramente terminológica; ou ii) o emprego da terminologia privatista implica uma assunção substancial do objeto em matéria fiscal (PUJOL, Jean. L'application du Droit Privé en Matière Fiscale. Paris: Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1987. P.23). No mesmo sentido, enfrentou Humberto Ávila (Eficácia do Novo Código Civil na Legislação Tributária. In: GRUPPENMACHER, Betina. (Org.). Direito Tributário e o Novo Código Civil. São Paulo: Quartier Latin, 2004, p.6465) a discussão sobre tratarse de uma remissão meramente terminológica ou conceitual, posicionandose pela segunda opção, haja vista que carecia de sentido lógico referirse a uma figura jusprivatística de forma arbitrária, sem qualquer propósito linguístico. Naturalmente, o Direito Tributário possui fonte essencialmente legislativa, de modo que é natural que se busque prescrições textuais que indiquem a solução para essa Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 questão. Tradicionalmente a remissão é imediata aos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Parecenos, todavia, que os dispositivos normalmente tratados de forma unitária tratam de coisas distintas. O artigo 110 encontrase embrincado a uma questão vertical, ligada à hierarquia da Constituição e à impossibilidade da lei alterar dispositivos dela através de alteração de institutos e formas do direito privado a que as competências tributárias fazem remissão. Seria um dispositivo despiciendo em um sistema jurídico com o funcionamento são, mas que no Brasil assume o papel cada vez mais relevante de lembrar a todos o óbvio. A respeito disso, inclusive, o Supremo Tribunal Federal possui jurisprudência consolidada acerca da necessária observância dos conceitos pressupostos pelo Constituinte no momento de positivação das regras de competência (Ex. RE nº 150.7641, RE nº 117.8876, RE nº 203.0759 etc.), cujo entendimento encontra lúcida formulação no voto do Min. Marco Aurélio Mello no RE nº 166.7729, ao rechaçar a contribuição cobrada sobre a remuneração dos autônomos: O conteúdo político de uma Constituição não é conducente ao desprezo do sentido vernacular das palavras, muito menos ao do técnico, considerados institutos consagrados pelo Direito. Toda ciência pressupõe a adoção de escorreita linguagem, possuindo os institutos, as expressões e os vocábulos que a revelam conceito estabelecido com a passagem do tempo, quer por força de estudos acadêmicos quer, no caso do Direito, pela atuação dos Pretórios. Por outro lado, o art.109 traz uma questão horizontal, a respeito da forma que o Direito Privado se relaciona com o Direito Tributário nos demais conceitos e institutos que são utilizados em normas tributárias infraconstitucionais, especialmente para determinar quais os efeitos tributários a que elas estarão sujeitas. Mais do que isso, é preciso determinar se a utilização de "conceitos impregnados pelo Direito Civil" (zivilrechtliche vorgeprägte Begriffe) implica a possibilidade da sua alteração pelo legislador tributário tese da flexibilidade ou ele deve acatar o conceito existente e somente lhe determinar as consequências tributárias tese da rigidez (Cf. CREZELIUS, Georg. Steuerrechtliche Rechtsanwendung und allgemeine Rechtsordnung. Berlin: Neue Wirtschaftsbriefe, 1983. P.180). Nesse sentido, devemos buscar subsídios no Direito Positivo para fundamentar a opção por um ou outro. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000403/201096 Acórdão n.º 3402003.078 S3C4T2 Fl. 5 7 Em primeiro lugar, verificase que a Constituição Brasileira optou, ao tratar do Direito Tributário, pela previsão expressa de diversas regras de competência, que, em razão da sua eficácia de trincheira entrenchment (SCHAUER, Frederick. Playing by the Rules. Oxford: Clarendon Press, 2002. P.42) dão maior rigidez e certeza ao conjunto normativo, evitando que poderes e obrigações surjam exclusivamente de princípios constitucionais, dando um timbre de segurança e previsibilidade ao subsistema constitucional tributário que, por força da hierarquia. No âmbito do CTN, calha remeter a dois artigos pouco mencionados nesta discussão, o art.114 e 116: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ora, é aristotélica a lição de que as condições necessárias e suficientes para que um objeto seja determinado como algo são o conteúdo desse conceito! É dizer, na dicção do artigo mencionado, que falar em fato gerador é pressupor a existência de um conceito ao qual ele vai se subsumir, com elementos determinados. Fica evidente que o CTN reconhece a existência de conceitos nas hipóteses de incidências tributárias que devem ser observados no momento da aplicação, sob pena de restar sem sentido a dicção do artigo supramencionado. Em mesmo sentido, o art.116 é categórico: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (grifos nossos) Ora, ao incluir determinado ato ou negócio jurídico no antecedente de uma norma tributária abstrata e geral, o legislador não abarca a totalidade do fenômeno, o fato bruto (rohe Tatsachen), mas sim fatos institucionais (WEINBERGER, Ota. Fatti e Descrizione di fatti Riflessioni logicometodologiche su un problema fondamentale delle scienze sociali. In. LA TORRE, Maximo. Il Diritto come Instituizione. Milano: Giuffrè, 1990. P.95113) seja à partir de uma institucionalização dos fatos brutos, quando delimita positivamente "as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios", seja à partir de convenções humanas normativamente instauradas, caso em que o fato se verificará quando "definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável". Há, pois, uma necessidade intrínseca ao Direito que tais fatos tenham alguma determinação prática seja ela normativa ou não anterior à sua utilização nas hipóteses de incidência tributárias. Em se tratando das situações jurídicas, remetese a um "direito aplicável" que, a nosso ver, nada mais é do que o Direito Privado que impõe a sua observância não por razões de unidade conceitual necessária que a nosso ver pode ser elidida pela construção de conceitos próprios no âmbito tributário (como se fez com o conceito de faturamento, com a Lei das S.A. e o DecretoLei 2397/67) mas por uma unidade conceitual decorrente do grau de elaboração do Direito Privado quando da tomada de consciência da Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 autonomia do Direito Tributário (VANONI, Ezio. Natureza e Interpretação das leis tributárias. Trad. Rubens Gomes de Sousa. Rio de Janeiro: Edições Financeiras, 1932. p.167). Não se trata de uma vinculação necessária, mas apriorística, desde que não sobrevenha uma previsão específica de sentido na seara tributária. Corroborando essa conclusão, a Lei Complementar 95/98, versando expressamente sobre a redação de textos legais, traz relevantes subsídios interpretativos, a exemplo de seu art.11: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: I para a obtenção de clareza: a) usar as palavras e as expressões em seu sentido comum, salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando; Além disso, sob uma análise estrutural do Código Tributário, a própria previsão da figura da simulação, evidenciando uma discrepância entre o declarado e o efetivamente realizado para justificar a revisão do lançamento e outras consequências legais, já traz pressuposta a assunção de uma estrutura de Direito Privado que, por conta de um vício (se de vontade ou de causa é outra discussão) deve ser desconsiderado para fins tributários mas ainda assim, um prius lógico deste instituto é a consideração da forma de Direito Privado, ainda que viciada. Resta clara, portanto, a necessidade de observância, via de regra, dos conceitos de Direito Privado na interpretação das hipóteses de incidência tributária. Todavia, entendemos necessário acrescentar uma segunda camada de considerações, haja vista que o que foi dito acima o foi com vistas apenas à interpretação do Direito Tributário o que seria suficiente em um pensamento estritamente subsuntivo e conceitual, mas que não se sustenta diante das teorias hermenêuticas atuais. Em rigor, a aplicação do Direito não consiste apenas em interpretar normas. A interpretação da lei (Gesetzauslegung) e a valoração dos fatos (Sachverhaltsbeurteilung) são dois aspectos do mesmo problema hermenêutico, haja vista que no processo aplicativo os elementos fático e jurídico atuam reciprocamente um sobre o outro tanto a interpretação da norma quanto a qualificação dos fatos fazem parte do processo de compreensão do sentido da norma e sua projeção sobre os casos concretos (NOVOA, César García. La Cláusula Antielusiva en la Nueva Ley General Tributaria. Madrid: Marcial Pons, 2004. P.209211). Podemos entender como qualificação, o conjunto de operações que se realizam, por parte dos aplicadores do Direito, com a finalidade de analizar desde o ponto de vista jurídico aquelas circunstâncias do mundo real que podem ser incluídas nas hipóteses da normas (SANCHÍS, Luís Prieto. Ideologia e Interpretación Juridica. Madrid: Tecnos, 1987. P.88). A distinção é relevante pois a incidência tributária passa pela determinação do conteúdo normativo da hipótese interpretação e pela análise dos fatos concretos ocorridos e da sua pertinência ou não àquela hipótese qualificação. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000403/201096 Acórdão n.º 3402003.078 S3C4T2 Fl. 6 9 A respeito dela, deve a Administração Pública respeitar as formas adotadas pelo Contribuinte sempre que estiverem de acordo com o regramento específico da situação jurídica que se incorre, respeitando os elementos que compõem o conceito adotado na hipótese de incidência. Da mesma forma que a interpretação das normas, o CTN traz disposições específicas acerca da qualificação dos fatos, a exemplo do art.108, §1º: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; (...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Não se pode utilizar de juízos de semelhança entre fatos, negócios ou atos para exigir o tributo é dizer, a legislação veda que o aplicador do Direito Tributário, ao se deparar com um caso que esteja fora da hipótese de incidência, se baseie em elementos desse fato que tenham semelhança com elementos de outro fato (este presente em uma hipótese de tributação) para que determine a sua tributabilidade (a exemplo do caso que erroneamente se pretenda tributar indenização por danos materiais como se renda fosse, estendendo por analogia a hipótese do IR, considerando apenas o elemento de aquisição de disponibilidade, mas não o do acréscimo patrimonial). Não é à toa que o art.150, I da Constituição Federal determina que a exigência do tributo está condicionada a Lei que o estabelece, que tem como consectário lógico o dever de conformidade da tributação com o "fato gerador", desenvolvido em festejado trabalho de Gerd Rothmann, que reflete uma faceta principiológica da legalidade na disposição de que a lei não pode deixar ao critério da administração a diferenciação objetiva, devendo ela própria prever, na maior medida, possível, os aspectos necessários à configuração do fato gerador, não bastando ao legislador autorizar, de forma ampla, vaga, genérica ou indeterminada, a criação do tributo, mas cabendo a ele descrever a situação que lhe dará causa (ROTHMANN, Gerd Willi. O Princípio da Legalidade Tributária. In. DÓRIA, A.R.S.; ROTHMANN, G.W. Temas Fundamentais do Direito Tributário Atual. Belém: Cejup, 1983. P.9099). E ao determinar, através do art.109, que a a definição, conteúdo e alcance dos institutos, conceitos e formas de Direito Privado deverão ser aqueles que naquele ramo lhe são atribuídos, ressalvados os efeitos tributários que decorrem das regras tributárias, o legislador optou por vedar a possibilidade de requalificação de atos e negócios jurídicos sob um filtro finalístico a exemplo da malfadada interpretação econômica do Direito Tributário. Nesse ponto, concordamos com as lições de García Novoa, ao sustentar que somente o desrespeito aos dois dispositivos acima citados somente pode se dar quando a Administração é dotada de autênticos poderes extraordinários para, por exemplo, requalificar, interpretar as normas de acordo com sua finalidade econômica ou aplicar o tributo por analogia, ou, em geral, para desconsiderar atos ou negócios realizados com fins de elusão fiscal (NOVOA, Ob.Cit., p.211.) Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 É o que se dá, por exemplo, com o parágrafo único do art.116 do CTN, que prevê expressamente, digase a possibilidade de requalificação de atos ou negócios jurídicos com finalidade dissimulatória. O caráter excepcional da prática de requalificação ou de analogia fica mais expresso ainda na cláusula "salvo disposição de lei em contrário" no caput do art.116 do CTN, que evidencia a primazia ao regime de Direito Privado na constituição dos fatos geradores. Pois bem, parecenos que há uma clara primazia dos conceitos e formas de Direito Privado na definição, conteúdo e alcance das hipóteses de incidência e dos fatos geradores, salvos nas exceções previstas expressamente por lei. 2. Do tratamento contábil e societário das operações que constituiram a desmutualização. Como relatada anteriormente, a BM&F e a BOVESPA eram entidades na forma de associações civis sem fins lucrativos, na forma do art.15 da Lei nº9.532/1997, devendo as corretoras que pretendessem operar naqueles mercados de capitais deterem títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art.3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº 1655/89). Em 1997 houve a primeira reestruturação da BOVESPA, com a cisão de parte do seu patrimônio para a criação da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e a BOVESPA Serviços e Participações S.A., ambas na forma de sociedades anônimas. Em 2007, operação semelhante ocorre, mediante a cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto os títulos das corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. Em decorrência dessa operação, houve emissão de ações ordinárias da BM&F S.A. atribuídas aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F, sem direito de retirada. Quanto à BOVESPA HOLDING S.A., foi incorporada parcela cindida da BOVESPA, bem como da BOVESPA Serviços e Participações S.A. e da CBLC. Em seguida, foi criada a "Nova Bolsa S.A.", que incorporou a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A., unificando as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros nessa nova companhia, que passou à denominação BM&FBOVESPA S.A. Pois bem, cabe analisar agora o efeito de cada uma dessas operações sobre os títulos patrimoniais/ações da Recorrente. A Fiscalização entende que a transformação operada pela BM&F e BOVESPA em Companhias deveria, para fins jurídicos e contábeis, ser caracterizada como uma operação de devolução de capital. Como bem coloca o Prof. Eliseu Martins, a representação da titularidade sobre o Capital Próprio no caso das sociedades anônimas é dada por uma ação, correspondente a um n avos do valor total do Patrimônio Líquido (não só do Capital Social, digase de passagem). Já em uma sociedade limitada, a titularidade se dá com base em cotas possuídas. Nas associações de que falamos essa titularidade se dava por meio de títulos patrimoniais. Apesar de possuírem denominação e características diferentes, poderíamos dizer que do ponto de vista econômico, os três instrumentos representam títulos de propriedade, e, portanto, fazem parte de um único gênero (fl.593). Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000403/201096 Acórdão n.º 3402003.078 S3C4T2 Fl. 7 11 É preciso também ressaltar que as operações que constituíram a desmutualização foram todas típicas, previstas na lei 6.404/64: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. De fato, a desmutualização nada mais foi do que uma sucessão de operações de cisão e de incorporações com o objetivo de chegar, ao fim, à BM&FBOVESPA S.A.. Outra não foi a constatação da fiscalização no TVF (fls. 221 a 239, Anexo I), no qual reconheceu a regularidade das operações societárias realizadas. Por regularidade, entendase que houve o cumprimento de todas as formalidades legais, e não houve qualquer espécie de vício nos negócios jurídicos efetuados. Sobre as operações de cisão e incorporação, esclarece Eliseu Martins que a substituição dos títulos de propriedade de uma entidade pelos títulos de outra entidade, consequência da mudança da forma jurídica dessa entidade, não altera a natureza contábil desses títulos, pois tanto os títulos patrimoniais como as ações, no caso em discussão, correspondem basicamente à propriedade indireta sobre basicamente os mesmos Ativos e Passivos (fl.593). No entanto, há a pretensão da Fiscalização de caracterizar a desmutualização em duas transações distintas, uma de devolução do património das associações e outra de integralização de capital nas novas sociedades. Vejase que a Lei das S.A. trata especificamente das causas de devolução do patrimônio das associações aos portadores de títulos patrimoniais, condicionando essa devolução à liquidação das quotas patrimoniais. Ora, a Lei 6.404/64 é clara ao contrastar a cisão e a incorporação com a liquidação, ao tratar da extinção das Companhias em seu art.219: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. De fato, a liquidação decorre de outra operação típica, distinta das que ocorreram no caso da desmutualização: a dissolução, tratada nos arts. 206 e 207 daquela lei: Art. 206. Dissolvese a companhia: I de pleno direito: a) pelo término do prazo de duração; b) nos casos previstos no estatuto; Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 c) por deliberação da assembléiageral (art. 136, X); (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) d) pela existência de 1 (um) único acionista, verificada em assembléiageral ordinária, se o mínimo de 2 (dois) não for reconstituído até à do ano seguinte, ressalvado o disposto no artigo 251; e) pela extinção, na forma da lei, da autorização para funcionar. II por decisão judicial: a) quando anulada a sua constituição, em ação proposta por qualquer acionista; b) quando provado que não pode preencher o seu fim, em ação proposta por acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social; c) em caso de falência, na forma prevista na respectiva lei; III por decisão de autoridade administrativa competente, nos casos e na forma previstos em lei especial. Efeitos Art. 207. A companhia dissolvida conserva a personalidade jurídica, até a extinção, com o fim de proceder à liquidação. (grifo nosso) Ora, a pretensão da Fiscalização de caracterizar a desmutualização em duas transações distintas, uma de devolução do patrimônio das associações e outra de integralização de capital nas novas sociedades, não encontra amparo do ponto de vista da efetiva realidade e, consequentemente, do ponto de vista contábil, pois em nenhum momento ocorreu a efetiva restituição dos recursos que no passado foram entregues às associações, nem a transferência a esses investidores dos resultados obtidos e retidos pelas associações. Corrobora essa conclusão o fato de na escrituração do lançamento de reclassificação do investimento no Recorrente, o investidor que antes tinha títulos patrimoniais e que agora os vê substituídos por ações, como base de valor dos novos títulos nesse evento da substituição, exatamente o mesmo montante contábil relativo aos títulos anteriores. Ou seja, os ativos e passivos foram transferidos para as sociedades anônimas pelos seus exatos valores contábeis com que constavam no balanço das associações onde estavam antes. Ora, se as ações foram adquiridas através da incorporação das sociedades mencionadas, por qual razão deveria as ações terem natureza distinta? O artigo 179 da lei 6.404/76 se refere à classificação que deve ser feita para a integralização de patrimônio, e não para a incorporação de outras sociedades haja vista que as ações permaneceram como representativas do capital social incorporado. Reconhecendo a incongruência da posição da Fiscalização é eloquente o voto do Cons. Antônio Carlos Atulim, ao julgar questão idêntica no Acórdão 3403.003447, transcrito abaixo: É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000403/201096 Acórdão n.º 3402003.078 S3C4T2 Fl. 8 13 desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Reconhecida a natureza de típica das operações efetuadas pela Associação BOVESPA, é natural que os títulos mantenham a mesma natureza que possuíam anteriormente à bipartição da associação, preservando a sua natureza de ativo não circulante. Pois bem, a sucessiva conversão da associação em sociedade anônima implica a conversão desses títulos em ações de idêntico valor monetário, sem que a classificação contábil seja alterada. A cisão não envolve devolução de patrimônio aos detentores de títulos emitidos pela cindida pela singela razão de que o ato implica transferência direta de patrimônio de uma pessoa jurídica à outra, sem intermediação. É o que se lê do contido nos artigos 223, §2º, 227, §2º e 229, §§3º e 5º, todos da Lei nº 6.404/76 e, de resto, dito e reverberado na melhor doutrina: “Subscreve o aumento a incorporada e não seus acionistas, embora o produto dessa subscrição, ou seja, as ações ou quotas dela decorrentes, sejalhes entregue. Temos assim que o pagamento da subscrição é feito pela incorporada, em benefício de seus sócios ou acionistas, e não em benefício próprio.” (CARVALHOSA, Modesto. Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, v.4, 4ªed.. São Paulo: Saraiva, P.266) “Ocorre que a incorporação, que se efetiva com a subscrição do capital da incorporadora com o patrimônio líquido da incorporada, não constitui nem compra e venda, nem alienação sui generis. Isto porque a transferência do patrimônio de uma para outra sociedade dáse a título de pagamento das ações subscritas pela incorporada a favor de seus sócios ou acionistas. (CARVALHOSA, Modesto. Ob.Cit., p.275) E, com efeito, a vontade da sociedade que será incorporada não é de alienar, permutar ou vender seu patrimônio, mas de subscrever com ele o capital de outra sociedade. Assim, a subscrição, que é obrigação da incorporada, cumprese com a integralização em bens e direitos que constituem o seu patrimônio, fazendoo pelo valor líquido deste. A entrega desse patrimônio como forma de pagamento tem como efeito a Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 transferência de propriedade sobre o mesmo, no valor correspondente ao da subscrição. Temos, assim, que a transferência do patrimônio da incorporada para a incorporadora se dá a título de pagamento da dívida contraída com a subscrição.” 2 “Dessa forma, diretamente, o patrimônio da sociedade cindida transferese às novas ou já existentes sociedades, que se tornam suas sucessoras universais, na exata medida da parcela do patrimônio que lhes é transferida.” (CARVALHOSA, Modesto. Ob. Cit., P.308). A conversão implica a preservação não apenas do valor monetário, mas do que ela representa economicamente (o patrimônio da sociedade), e também a sua classificação contábil. Corroborando essa ilação, o marco regulatório do tema Deliberação CVM n° 29/86 afirma: (...) 2°) A contabilidade possui um grande relacionamento com os aspectos jurídicos que cercam o patrimônio, mas, não raro, a forma jurídica pode deixar de retratar a essência econômica. Nessas situações, deve a Contabilidade guiarse pelos seus objetivos de bem informar, seguindo, se for necessário para tanto, a essência ao invés da forma." E cita um exemplo disto: (...) uma empresa vende um ativo, mas assume o compromisso de recomprálo por um valor já determinado 'em certa data. Essa formalidade deve ensejar a contabilização de uma operação de financiamento (essência) e não de compra e venda (forma)." Desse modo, o fato da alienação ter ocorrido não basta para que as ações devessem ter sido escrituradas de forma diversa do que foram, pois no momento da incorporação representavam exatamente o ativo não circulante da empresa. No caso em análise, a classificação das ações recebidas no ativo permanente, mesmo grupo em que estavam registrados os títulos patrimoniais, indica que a intenção da administração foi a de optar por permanecer com esses investimentos pelo menos em um primeiro momento sendo o lançamento contábil é o meio que formaliza essa intenção. Nesse sentido é o entendimento do Conselheiro. Ivan Alegretti: Embora juridicamente sejam distintas as qualidades de um título e de uma ação, no conjunto de direitos e deveres que encerram, os dados da operação concreta demonstram que significam substancialmente o mesmo conteúdo patrimonial. Podee dizer, com efeito, que se trata da mesma participação e do mesmo conteúdo econômicoatrimonial, relativas a uma pessoa jurídica que manteve a mesma atividade e finalidade, mas agora atuando com um estatuto diferente, sob um regime jurídico diferente. (...) a perspectiva da contribuinte, portanto, legitimase dizer que onde antes havia os títulos patrimoniais – que deixaram de existir – passou a haver as ações – que tomaram o lugar dos Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000403/201096 Acórdão n.º 3402003.078 S3C4T2 Fl. 9 15 títulos extintos –, uma substituindo o lugar da outra na mesma conta de ativo permanente. Se tal operação societária não seria possível de acordo com a legislação civil, este Tribunal não tem como questionar, mas tendo assim ocorrido, é de acordo com estes atos concretos que levaram a cabo tais operações que deve ser aplicada a legislação. A substituição das quotas pelas ações, portanto, caracterizam a sucessão de um título – que deixou de existir – por outro – que passou a existir em seu lugar –, representativos da sucessão ocorrida entre as pessoas jurídicas envolvidas – a que deixou de existir e a que passou a existir em seu lugar –, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Agir no sentido considerado como "correto" pelo Fisco, além de desafiar a lógica econômica, contábil e jurídica, iria de encontro ao disposto no Parecer Normativo CST nº3/80: Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifo nosso) Tal Parecer só corrobora o que vem sendo afirmado até agora, acerca da necessária qualificação contábil como ativo não circulante, inclusive diante da pretensão de alienação futura. E mais, não basta que o gestor decida per si colocar à venda um ativo qualquer para que possa ser feita a sua transferência do não circulante para o circulante deve haver uma decisão formalizada de diretoria ou conselho e um plano de alienação consolidado (o que não se verifica no caso concreto, onde é apresentado apenas um contrato de adesão padrão como prova da intenção), nos termos do Pronunciamento Técnico CPC 31 Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada: "6. A entidade deve classificar um ativo não circulante como mantido para venda se o seu valor contábil vai ser recuperado, principalmente, por meio de transação de venda em vez do uso contínuo. 7. Para que esse seja o caso, o ativo ou o grupo de ativos mantido para venda deve estar disponível para venda imediata em suas condições atuais, sujeito apenas aos termos que sejam habituais e costumeiros para venda de tais ativos mantidos para venda. Com isso, a sua venda deve ser altamente provável. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 8. Para que a venda seja altamente provável, o nível hierárquico de gestão apropriado deve estar comprometido com o plano de venda do ativo, e deve ter sido iniciado um programa firme para localizar um comprador e concluir o • plano. Além disso, o ativo mantido para venda deve ser efetivamente colocado à venda por preço que seja razoável em relação ao seu valor justo corrente. Ainda, devese esperar que a venda se qualifique como concluída em até um ano a partir da data da classificação, com exceção do que é permitido pelo item 9, e as ações necessárias para concluir o plano devem indicar que é improvável que possa haver alterações significativas no plano ou que o plano possa ser abandonado." (grifo nosso) 3. Do tratamento tributário da alienação de ações e seu respectivo ganho de capital A respeito do tratamento tributário a ser dado ao ganho de capital decorrente das alienações das ações representativas dos ativos da Recorrente, o art.3º, §2, IV da lei 9718/98 traz o seguinte: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: IV as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; Como foi visto anteriormente, o fato das incorporações e cisões não afetam a natureza jurídica de ativo imobilizado, não circulante, das ações decorrentes da conversão dos títulos patrimoniais. Além disso, não se verificou erro na sua classificação após as incorporações, com base nos fundamentos acima. Juridicamente, o que se verifica é que há uma tentativa de requalificação do fato gerador, a despeito da tipicidade das operações realizadas e o claro regime de Direito Privado previsto para as operações. O que há de subterrâneo na pretensão fiscal é equiparar o tratamento tributário (rectius efeitos tributários) da cisão/incorporação à dissolução da sociedade, para fins de determinar o regime tributário da receita decorrente do ganho de capital das ações posteriormente à incorporação. Naturalmente, o regime jurídico desta receita é decorrente da classificação contábil do ativo, que por sua vez depende da intenção manifesta de permanência ou não no patrimônio da sociedade, bem como da classificação utilizada na sociedade cindida/incorporada, haja vista que preserva a natureza econômica/material do título/ação. No seu raciocínio, o Fisco faz uma analogia, inclusive contra legem, ao aplicar o regime da dissolução à cisão e incorporação, como forma de qualificar a transferência como uma subscrição primária de ações, e em seguida faz uma requalificação jurídica considerar apenas o efeito econômico da venda das ações (o ganho de capital), Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000403/201096 Acórdão n.º 3402003.078 S3C4T2 Fl. 10 17 desconsiderando a natureza contábil do ativo alienado é dizer, prescindindo da sua substância jurídica e contábil em prol de um elemento exclusivamente econômico. Por si só, a analogia contra legem é vedada no Direito Privado (salvo naqueles ordenamentos com previsões expressas de seu uso no combate à fraude à lei), em respeito às formas negociais típicas. Essa proibição só é reforçada pelo Direito Tributário, especialmente pelo art.108, §1º do CTN, haja vista que o emprego dessa analogia faz parte da composição de uma exigência tributária para além daquela prevista na legislação pertinente. Ademais, ao requalificar juridicamente a operação de venda dos ativos não circulantes, para desconsiderar a natureza contábil e jurídico do objeto da alienação, o Fiscal aplicou interpretação econômica, proscrita pela legalidade tributária, como de resto é pacífico doutrinária e jurisprudencialmente. 4. Conclusão Em razão de todo o exposto, entendo equivocada a autuação fiscal em seu dispositivo e em seus fundamentos, dando INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15586.002126/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 21 26 /2 00 8- 18 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 220/226, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.404.094,89, calculado até 31/10/2008. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, em síntese: Que após aposentar passou a exercer a atividade de desconto de cheque para terceiros cobrando a taxa de juros de poupança. O auditor efetuou o levantamento dos valores depositados, mas não contabilizou os cheques emitidos para os mutuários, o que demonstra que os depósitos não são rendimentos. Durante ao anocalendário de 2003 não se constatou acréscimo patrimonial a descoberto, portanto os cheques emitidos foram os empréstimos e os depósitos pagamentos destes. Somente a diferença entre o cheque emitido e o valor recebido pode ser considerado renda. Os cheques emitidos são documentos idôneos, conforme se constata das microfilmagens efetuadas pelas instituições financeiras Somente possui como fonte de renda a Belisário & Cia e sua aposentadoria no INSS. Discorre sobre o art. 42 da Lei. 9.430/1996, alegando que a fiscalização não pode presumir dos depósitos bancários como renda, já que não há uma correlação lógica e segura entre os depósitos e a omissão de rendimentos. Por fim, requer a nulidade do lançamento. A 3ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.002126/200818 Acórdão n.º 2201002.986 S2C2T1 Fl. 3 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 02/03/2011 (fl. 447) e, em 18/03/2011, interpôs o recurso de fls. 448/457, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 2003. De início, cumpre transcrever o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual não há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que comprovar a ocorrência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial a descoberto e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sobre a argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Fl. 530DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cumpre esclarecer que a Lei nº 8.021/1990, ora revogada, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza, contudo, a presunção da Lei nº 9.430/1996, atualmente em vigor, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que os valores movimentados em suas contas referemse a desconto de cheque e empréstimos para terceiros. Assevera ainda que a fiscalização efetuou o levantamento dos valores depositados, mas não contabilizou os cheques emitidos para os mutuários. Assim, somente a diferença entre o cheque emitido e o valor recebido pode ser considerado renda, conforme observa das microfilmagem dos cheques. Em que pese alegue a recorrente que os valores movimentados em suas contas referemse a desconto de cheque e empréstimos para terceiros e que somente a diferença entre o cheque emitido e o valor recebido pode ser considerado renda, cumpre esclarecer que o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. Inaceitável, assim, indicação de fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Sobre o tema, reproduzo, de antemão, a observação da autoridade fiscal, consignada no Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal (fl. 265): Em relação aos supostos empréstimos feitos pela a pessoas físicas, por exemplo, a alegação carece de comprovação documental de que os valores saíram da conta corrente do fiscalizado para terceiros e que depois os mesmos recursos retornaram a sua conta bancária, com acréscimo de juros, o que poderia ter sido feito através da apresentação de contratos, copias de cheques, transferências bancárias, recibos, notas promissórias etc, ou seja, por meio de quaisquer documentos que indicassem, de forma inequívoca, a ocorrência do mutuo e do fluxo de valores. Assim, as cópias de cheques juntadas aos autos, fls. 310/428, desacompanhados da vinculação do depósito, não são hábeis para comprovação da origem. É nesse sentido o entendimento deste Órgão, conforme ementa destacada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. RECURSO IMPROVIDO. Nos casos de exigência de crédito tributário com base em depósitos bancários de origem não comprovada, cabe ao sujeito passivo, de forma individualizada, apresentar a origem de cada 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.002126/200818 Acórdão n.º 2201002.986 S2C2T1 Fl. 4 5 um dos lançamentos .... (Acórdão n° 140200318 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária). Não se pode perder de vista que quando não está presente nos autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) Por todos esses aspectos, entendo que a tributação deve ser mantida. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 532DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720103/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IPI. TERMO INICIAL CONTADO A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL. INOCORRÊNCIA.
O IPI, por sistemática legal, possui período de apuração mensal, de modo que o prazo quinquenal de decadência do direito de lançar parcela do imposto, apurada de ofício, tem início no dia da ocorrência do fato gerador, que corresponde ao último dia do mês do período de apuração do imposto.
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CASCOS DE EMBARCAÇÕES.
Deve ser mantida a classificação fiscal empregada pelo Fisco no lançamento, quando baseada em criteriosa análise dos produtos fabricados pelo Contribuinte, pois havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, a Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI determina que o produto deve ser classificado no mesmo código das embarcações de destino.
IPI. DEDUÇÃO DA BASE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. POSSIBILIDADE.
A proibição da dedução da base de cálculo do IPI dos valores dos descontos incondicionais, apesar de expressamente estabelecida no artigo 14, §2º da Lei n. 4.502/64, foi julgada ilegal pelo STJ no REsp 1149424/BA - decisão esta tomada pela sistemática dos recursos repetitivos -, bem como foi declarada inconstitucional pelo STF no RE 567935, com repercussão geral reconhecida. Dessarte, o CARF deve acatar tais julgamentos, por força do artigo 62, §2º de seu Regimento Interno, cancelando as autuações fiscais de IPI sobre descontos incondicionais na base de cálculo do IPI.
IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPADO A INDUSTRIAL. INCIDÊNCIA. REVENDA DE INSUMOS.
O contribuinte que possui como atividade econômica principal a industrialização de produtos, ao revender MP, PI e ME, mesmo sem industrializá-los, encontra-se qualificado como estabelecimento equiparado a industrial, devendo oferecer à tributação as operações de saída dos mesmos.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4.
Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplica-se a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-003.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a cobrança do IPI sobre descontos incondicionais.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IPI. TERMO INICIAL CONTADO A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL. INOCORRÊNCIA. O IPI, por sistemática legal, possui período de apuração mensal, de modo que o prazo quinquenal de decadência do direito de lançar parcela do imposto, apurada de ofício, tem início no dia da ocorrência do fato gerador, que corresponde ao último dia do mês do período de apuração do imposto. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CASCOS DE EMBARCAÇÕES. Deve ser mantida a classificação fiscal empregada pelo Fisco no lançamento, quando baseada em criteriosa análise dos produtos fabricados pelo Contribuinte, pois havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, a Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI determina que o produto deve ser classificado no mesmo código das embarcações de destino. IPI. DEDUÇÃO DA BASE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. POSSIBILIDADE. A proibição da dedução da base de cálculo do IPI dos valores dos descontos incondicionais, apesar de expressamente estabelecida no artigo 14, §2º da Lei n. 4.502/64, foi julgada ilegal pelo STJ no REsp 1149424/BA - decisão esta tomada pela sistemática dos recursos repetitivos -, bem como foi declarada inconstitucional pelo STF no RE 567935, com repercussão geral reconhecida. Dessarte, o CARF deve acatar tais julgamentos, por força do artigo 62, §2º de seu Regimento Interno, cancelando as autuações fiscais de IPI sobre descontos incondicionais na base de cálculo do IPI. IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPADO A INDUSTRIAL. INCIDÊNCIA. REVENDA DE INSUMOS. O contribuinte que possui como atividade econômica principal a industrialização de produtos, ao revender MP, PI e ME, mesmo sem industrializá-los, encontra-se qualificado como estabelecimento equiparado a industrial, devendo oferecer à tributação as operações de saída dos mesmos. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplica-se a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995. Recurso Voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a cobrança do IPI sobre descontos incondicionais. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.720103/201418 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.104 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IPI Recorrente F MARINE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IPI. TERMO INICIAL CONTADO A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL. INOCORRÊNCIA. O IPI, por sistemática legal, possui período de apuração mensal, de modo que o prazo quinquenal de decadência do direito de lançar parcela do imposto, apurada de ofício, tem início no dia da ocorrência do fato gerador, que corresponde ao último dia do mês do período de apuração do imposto. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CASCOS DE EMBARCAÇÕES. Deve ser mantida a classificação fiscal empregada pelo Fisco no lançamento, quando baseada em criteriosa análise dos produtos fabricados pelo Contribuinte, pois havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, a Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI determina que o produto deve ser classificado no mesmo código das embarcações de destino. IPI. DEDUÇÃO DA BASE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. POSSIBILIDADE. A proibição da dedução da base de cálculo do IPI dos valores dos descontos incondicionais, apesar de expressamente estabelecida no artigo 14, §2º da Lei n. 4.502/64, foi julgada ilegal pelo STJ no REsp 1149424/BA decisão esta tomada pela sistemática dos recursos repetitivos , bem como foi declarada inconstitucional pelo STF no RE 567935, com repercussão geral reconhecida. Dessarte, o CARF deve acatar tais julgamentos, por força do artigo 62, §2º de seu Regimento Interno, cancelando as autuações fiscais de IPI sobre descontos incondicionais na base de cálculo do IPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 03 /2 01 4- 18 Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPADO A INDUSTRIAL. INCIDÊNCIA. REVENDA DE INSUMOS. O contribuinte que possui como atividade econômica principal a industrialização de produtos, ao revender MP, PI e ME, mesmo sem industrializálos, encontrase qualificado como estabelecimento equiparado a industrial, devendo oferecer à tributação as operações de saída dos mesmos. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplicase a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a cobrança do IPI sobre descontos incondicionais. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), lavrado em 29/01/2014 e levado a ciência do contribuinte em 31/01/2014. No lançamento exigese R$ 12.242.821,37, a título de imposto, acrescido de multa de oficio de 75%, além de juros de mora. Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 112 3 Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento recorrido, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão n. 1536.347, exarado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) e Salvador (SDR), in verbis: Na Descrição dos Fatos, fl. 2.677/2.680, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigatórias tributárias apurou as seguintes infrações, por falta de lançamento de imposto na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial: (i) de matériaprima, produtos intermediários, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, operação esta que torna equiparado a industrial, conforme detalhado no item 4.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal; (ii) por não ter incluído na base de cálculo o valor dos descontos concedidos nas notas fiscais de saídas, conforme detalhado no item 4.2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal; e (iii) de produto tributado, barcos incompletos (cascos para embarcação sem motor), de RECREIO OU ESPORTE, da marca FIBRAFORT, modelos FOCKER, com falta, insuficiência de lançamento do IPI, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, conforme detalhado no item 4.1 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 738 a 758, em síntese, as seguintes informações: · O estabelecimento matriz da empresa F.MARINE IND E COM DE PROD NAUTICOS LTDA, cuja marca registrada é FIBRAFORT, tem como objetivo social a exploração no ramo de indústria e comércio de embarcações de fibra, motores de popa, comércio varejista de artigos de fibra e peças e acessórios para lanchas e motores de popa, o qual foi alterado a partir da 5ª Alteração Contratual, datada de 24/01/2008 para a exploração no ramo de indústria e comércio de cascos para embarcações para motores fora de borda, importação, comércio e representações de embarcações; · Em visita à fábrica em 23/10/2012 e confirmado através do site http://www.fibrafort.com.br/, basicamente a empresa industrializa barcos de recreio e esporte, sendo que os barcos são vendidos em sua grande maioria sem motor e esporadicamente, com motor. Os barcos de recreio e esporte, fabricados para uso com motor fora de borda classificamse na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), no código 8903.99.00 e com motor de centro no código 8903.92.00, ambos tributados à alíquota de 10%; · Da análise dos arquivos digitais, das notas fiscais de entradas e saídas, arquivos constantes no SINTEGRA fornecidos pela empresa (ano de 2008) e pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina (anos 2007 e 2008), circularização com os clientes da fiscalizada e dos livros e documentos fiscais, constatei as seguintes irregularidades: 1. Erro de classificação fiscal dos barcos incompletos (sem motor) de recreio ou esporte, da marca FIBRAFORT. O contribuinte estava classificando no Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 código da NCM 8906.90.00, tributandoos com alíquota de 5%, até 13/08/2007 e posteriormente com alíquota zero, enquanto que o correto é no código NCM 8903.99.00 para barcos incompletos (casco sem motor) para uso com motor fora de borda, com alíquota de 10%; 2. Inobservância do valor tributável – dedução indevida dos descontos da base de cálculo de IPI constante nas notas fiscais de saídas de barcos industrializados pelo estabelecimento, classificados na NCM no código 8903.92.00, tributados à alíquota do IPI de 10%, contrariando o disposto no art. 189 e no §3º do art. 190 do Dec. nº 7.212, de 15/06/2010; 3. Falta de tributação nas saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda – equiparado a industrial, conforme estabelece o § 6º, do artigo 9º, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10), que equivale ao art. 9º, § 4º do Decreto nº 4.544/2002. Cientificado da exigência fiscal em 31/01/2014, fl. 759, a autuada apresentou, em 28/02/2014, impugnação de folhas 762 a 823, alegando, em síntese, que: Preliminar: 1. Da decadência parcial dos débitos de IPI apurados pela agente fiscal: Alega decadência dos créditos tributários apurados em janeiro de 2009, com vencimento em 20.02.2009, visto que a ciência se deu em 31.01.2014, e por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação incide a regra do art. 150, §4º do CTN; Mérito: 2. Da equivocada reclassificação fiscal que embasou o auto de infração: nulidade do lançamento (...) A reclassificação fiscal que fundamentou o Auto de Infração é incorreta, pois as mercadorias vendidas pela impugnante efetivamente enquadramse no código NCM 8906.90.00, em virtude das suas características e das regras interpretativas aplicáveis no procedimento de classificação, conforme se observa nas notas fiscais acostadas, com alíquota zero dentro do período autuado; O correto enquadramento dáse a partir das características essenciais das mercadorias e da posição correspondente mais específica na TIPI; A regra interpretativa empregada pelo agente fiscal para reclassificar as mercadorias da impugnante passou longe da especialidade ou especificidade, pois desconsiderou as suas características essenciais, sobretudo no que diz respeito à ausência de motor e, portanto, da funcionalidade inerente aos barcos, tratandose de meros cascos, com o consequente enquadramento equivocado nos códigos 8903.99.00 e 8903.92.00, que são genéricos diante das peculiaridades que envolvem aquelas mercadorias que são bem identificadas pelo código NCM 8906.90.00, do qual a empresa sempre se utilizou; Fl. 3210DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 113 5 De acordo com a Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, tratase o código NCM 89.06 de um código específico com relação às características essenciais das mercadorias que são fabricadas e/ou importadas pela Impugnante, as quais, reiterase, possuem por elemento peculiar a ausência de motor e, assim, da funcionalidade para a navegação, necessitando de nova etapa de industrialização para se tornarem aptas a navegar, por meio do acoplamento de motor do tipo fora de borda. 2. Da inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do IPI: O fato que merece atenção no presente lançamento, não é o ato administrativo em seu cerne, mas a legislação utilizada para tanto (Dec. nº 7.212/2010, mais especificamente nos artigos 189 e 190, §3º), vez que eivada de ilegalidade na sua origem, por inobservância às normas constitucionais e de Lei complementar, mais especificamente do CTN, fato que claramente insere vício na lei e consequentemente no procedimento administrativo que nela se apoia; Verificase que mesmo o Nobre Fiscal dispondo de base legal infraconstitucional para capitular seu lançamento, essa encontrase eivada de vícios e ilicitudes, em desrespeitos às normas superiores, fato que de forma singular é capaz de anular o ato administrativo em comento; Extraise do CTN, que a base de cálculo do imposto é "o valor da operação que decorrer a saída de mercadoria", regra essa aplicável a todo o ordenamento tributável, não especificamente ao IPI, sendo portanto requisito para lançamento tributário válido; Aplicando as normas acima colacionadas ao caso, notase um desalinho do artigo 190, §3º do dec. nº 7.212/10 (RIPI/2010 com redação recepcionada dos §§ 1º e 2º do art. 14 da Lei nº 4.502/64, na redação dada pela Lei nº 7.798/89), com os dispositivos constitucionais e do CTN, por ilegalidade explícita no que se refere à Base de Cálculo, conforme colacionado no início do presente tópico; É notório que o termo "ainda que incondicionalmente" prostrado no artigo 190, § 3º, não coaduna com as leis superiores inerentes à matéria; Diante do exposto, requer a nulidade integral do lançamento tributário inerente ao processo administrativo 11516.720103/201418, visto que o vício da nulidade observado no presente tópico estendese às demais capitulações e lançamentos, pois influenciam na base de cálculo, não só relativa aos descontos incondicionais, mas sim à todo o ato administrativo ora impugnado. 3. Da alegada equiparação obrigatória a estabelecimento industrial em relação às saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem: O objeto social da Impugnante permite que sua atuação transite entre o perfil fabril e comercial, utilizandose desse último nos casos de comercialização, em que adquire bens e os classifica como bens de comércio, com a devida classificação fiscal para tanto, realizado posteriormente a revenda de tais produtos, sendo, portanto nesse caso puramente comercial, e, Fl. 3211DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 portanto, restando excluída do primeiro quesito necessário para enquadramento como empresa equiparada a indústria; Isso porque, no momento da revenda, a Impugnante não atua como indústria, e sim como empresa comercial de produtos, conforme bem esclarece seu objeto social, e, portanto, excluída desse requisito primário do tipo legal; Considerando a classificação fiscal do produto no destinatário da comercialização, não seria possível o revendedor do produto (ora Impugnante) ter acesso aos registros fiscais de estoque de seu cliente (destinatário), visto que se trata de lançamento fiscal interno pendente da interpretação do profissional contábil, de acordo com o perfil de cada empresa. 4. Da indevida desconsideração do saldo credor de janeiro de 2007: Em 2012, quando o agente fiscal emitiu Notificação Parcial do período de 2007 e 2008, o mesmo procedeu a glosa do saldo credor inicial de IPI, sob o argumento de que o saldo era inexistente em razão do lançamento realizado em 2007; A justificativa do agente fiscal para zerar o saldo credor de janeiro de 2007 no cálculo do IPI a ser cobrado por meio do lançamento impugnando foi o débito do imposto constituído no Processo Administrativo nº 10909.005544/200772, referente aos anos de 2005 e 2006; Ocorre que o débito de IPI dos anos de 2005 e 2006, que foi utilizado pela fiscalização para zerar o saldo credor de janeiro de 2007 é objeto de discussão administrativa até o presente momento, como denota o andamento em anexo, demonstrando que o processo encontrase pendente de julgamento junto ao CARF; Assim, o débito de IPI dos anos de 2005 e 2006, além de não possuir certeza e liquidez, está com a sua exigibilidade suspensa, nos exatos termos do art. 151. inc. III, do Código Tributário Nacional, não podendo ser cobrado, ainda que por vias transversas, a exemplo do discurso apresentado pelo nobre fiscal para zerar saldo credor devidamente escriturado, como no caso dos autos; Portanto, só a partir do trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 10909.005544/200772 é que seria válida a atribuição ao débito de IPI dos anos de 2005 e 2006 do efeito pretendido pelo agente fiscal, com a consequente ilegitimidade da desconsideração do saldo credor de janeiro de 2007, que resultou na cobrança a maior, por meio do Auto de Infração impugnado, da importância de R$ 342.884,37 a título de IPI, com os reflexos sobre os acréscimos legais e a multa Por consequência, estaria claramente eivado de vícios, ato que ora se impugna diretamente, por se tratar de mera continuidade de ato administrativo viciado, tendo como origem crédito tributário que considerou glosa de ofício de saldo acumulado de IPI, processo nº 10909.005544/2007 72, que atualmente encontrase sob análise do CARF, e o processo 11516.723522/201231, que se encontra em análise perante a DRJ e portanto não pode ser base para apuração de débitos posteriores, por não ter o trânsito em julgado do Processo Administrativos nº 10909.005544/200772; Fl. 3212DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 114 7 Tendo em vista o exposto, é necessária a recomposição do demonstrativo de apuração de IPI dos anos calendários 2009, 2010, 2011 com a inclusão do saldo credor de janeiro de 2007, reduzindo assim o imposto exigido por meio do Auto de Infração ora impugnado e seus reflexos sobre os acréscimos legais e sobre a multa; Por consequência do vício acima, caso o Nobre Julgador entenda pela continuidade do julgamento, mesmo eivado de erro na glosa de ofício não transitada em julgado (Processo Administrativo nº 10909.005544/200772), fato que alterou diretamente a base de cálculo dos lançamentos ora impugnados, requer subsidiariamente o sobrestamento do presente processo administrativo, até que se conclua a decisão referente à glosa do saldo de 5. Do erro da base de cálculo e a consequente nulidade de ato fiscalizatório: As notificações de lançamento estão claramente eivadas de vícios e ilicitudes, tais como: reclassificação fiscal unilateral e discricionária, incidência de IPI sobre descontos incondicionais concedidos, equiparação irregular a estabelecimento industrial e glosa de crédito acumulado de IPI no mês de janeiro do 2007; Assim sendo, o vício prostrado na concepção da Notificação de Lançamento, invalidaria citado documento por completo, e repisese, sendo a base de cálculo pressuposto intrínseco da hipótese de incidência, restaria o crédito tributado imposto ao contribuinte nulo de pleno direito; Assim, por estar o crédito tributário eivado de vício em sua hipótese de incidência, o que se configura por erro na base de cálculo do lançamento fiscal, requer nulidade integral do ato administrativo ora impugnado. 6. Do caráter confiscatório das multas aplicadas multa de oficio: A multa no percentual de 75% do tributo exigido é confiscatória, na medida em que onera, de forma brutal, a esfera financeira do contribuinte, fugindo ao que se pode considerar razoável e proporcional aos fins que fundamentam a previsão e a aplicação das multas tributárias. 7. Da ilegalidade da aplicação da taxa selic para o cálculo dos juros de mora: É evidente que a aplicação da Taxa SELIC para a apuração dos juros de mora incidentes sobre o crédito tributário importa na sua majoração ao arrepio da lei, em virtude da própria natureza dos juros moratórios, que consistem em um plus, e não em mera reposição do valor da moeda. (...) Sobreveio então o Acórdão 1536.347, da 4ª Turma da DRJ/SDR, negando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INDUSTRIALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A fabricação de cascos e/ou embarcações caracterizase como industrialização, sujeitando as operações à incidência do IPI. Fl. 3213DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afastase a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código da natureza das embarcações de destino. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. REVENDA DE INSUMOS. O estabelecimento industrial que dá saída a insumos adquiridos de terceiros a outro estabelecimento para industrialização ou revenda está, nesta operação, compulsoriamente equiparado a industrial. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO INCONDICIONAL. A base de cálculo do imposto corresponde ao valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, sem dedução de descontos, diferenças ou abatimentos ainda que concedidos incondicionalmente. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência se o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração antes do término do prazo decadencial previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Irresignado, o Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls. 3081/3177, repisando os argumentos expostos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Contribuinte teve ciência do Acordão proferido pela DRJ em 1º/09/2014, conforme informação AR de fls. 3079 e apresentou em 30/09/2014 o recurso voluntário de fls. 3081/3177, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e os demais requisitos de admissibilidade encontramse preenchidos, então dele tomo conhecimento. Passo assim à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente em sua peça dirigida ao CARF. Fl. 3214DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 115 9 1. Decadência do período de janeiro de 2009 A Recorrente clama pelo reconhecimento da decadência dos valores referentes aos “fatos geradores" datados de janeiro de 2009, pois, na sua ótica, o prazo decadencial do artigo 150, §4º do CTN determina tal extinção do crédito tributário. Efetivamente é o artigo 150, §4º que deve ser aplicado in casu, pois houve compensação de débitos com crédito admitidos pela legislação do IPI, o que equivale ao pagamento do imposto, conforme estabelece o artigo 124, parágrafo único, inciso III do (RIPI/2002). Porém, entendo ser irretocável a decisão a quo ao manter a cobrança do IPI relativo ao período de janeiro de 2009, mesmo aplicando o artigo 150, §4º. A decadência não atinge o mês de janeiro de 2009 (fato gerador de 31/01/2009) uma vez que a notificação do lançamento tributário ocorreu em 31/01/2014, ou seja, esta última data ainda foi capaz de salvaguardar o fato gerador ocorrido no mês de janeiro de 2009 da extinção pela decadência. Era o dia limite para tanto. Sobre as alegações da Recorrente a respeito do fato gerador do IPI ser a saídas dos produtos de seu estabelecimento, ressalto que é consabido que a apuração do IPI (saldo devedor ou credor) é feita por período (decenal, quinzenal ou mensal), nos termos do art. 369, VIII, c/c art. 399, ambos do RIPI/2002, a partir do confronto entre os valores dos débitos e dos créditos do imposto lançados na escrituração fiscal do contribuinte. Do referido confronto, pode resultar o saldo devedor se, no período de apuração, os valores dos débitos superarem os valores dos créditos; ou saldo credor se, no período de apuração, os valores dos débitos forem inferiores aos valores dos créditos. Somente no encerramento do período de apuração que houver sido apurado saldo devedor do IPI, há que se falar em fato gerador, constituição de crédito tributário do imposto e de contagem do prazo decadencial. Nestes termos, para que não restasse extinto pela decadência o fato gerador ocorrido no mês de janeiro de 2009, a autoridade fiscal possuía como prazo fatal para o lançamento o dia 31/01/2014 (último dia do mês depois de 5 anos da ocorrência do fato gerador). O lançamento efetivouse, no próprio dia 31/01/2014. Portanto, não existe a alegada decadência pela contagem do prazo nos termos do artigo 150, §4º do CTN. 2. Preliminar de nulidade Como a própria Recorrente admite em sua petição (fls 3103), foi suscitada questão a título de preliminar, que, na realidade, confundese com o mérito do processo: Fl. 3215DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 10 O mesmo se diga sobre a alegada nulidade em função de erro na base de cálculo, exposta em fls 3148 da peça recursal: (...) Assim, não está configurada nulidade a ser sanada, seja no que diz respeito ao preceito do artigo 142 do Código Tributário Nacional, seja do artigo 59, incisos I e II do Decreto 70.235/72, segundo o qual são nulos somente os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fica reservada a análise do mérito do processo para os tópicos abaixo. 3. Mérito. Classificação fiscal O ponto nevrálgico da discussão sobre classificação fiscal neste processo consiste em saber se os cascos de embarcações vendidos pela empresa permitem a identificação da natureza das embarcações a que se destinam, para fins de aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI. Haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, para fins de recolhimento do IPI, é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. Pois bem. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: Fl. 3216DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 116 11 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH pretendida pela Recorrente é a 8906.90.00, enquanto a posição sustentada pela Fiscalização no auto de infração e ratificada pela DRJ é a 8903.99.00. Vejamos abaixo os capítulos, posições, subposições itens e subitens que tais número representam: · classificação 8906.90.00 (entendimento do contribuinte): Capítulo 89: Embarcações e estruturas flutuantes Posição 06 outras embarcações, incluídos os navios de guerra e os barcos salvavidas, exceto os barcos a remo. Subposição 90: Outras Item/subitem 00: Outras · classificação 8903.99.00 (entendimento fazendário): Capítulo 89: Embarcações e estruturas flutuantes Posição 03 Iates e outros barcos e embarcações de recreio ou de esporte; barcos a remo e canoas. Subposição 99: Outros Item/subitem 00: Outros Ou seja, muito embora tenhamos certeza que a classificação como Embarcações e estruturas flutuantes é correta para as mercadorias sob discussão, permanece a dúvida com relação à Posição mais precisa, se a 06 (outras embarcações, incluídos os navios de guerra e os barcos salvavidas, exceto os barcos a remo) ou a 03 (iates e outros barcos e embarcações de recreio ou de esporte; barcos a remo e canoas). Dessa forma, fazse imperioso debruçarnos sobre as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, na tentativa de dirimir a questão. São elas: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na nomenclatura regese pelas seguintes regras: REGRA 1 Fl. 3217DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 12 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. REGRA 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. Fl. 3218DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 117 13 REGRA 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. REGRA 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Verificase que a classificação fiscal é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. A Regra 1 é clara sobre isso, de maneira que a classificação fiscal pode ser feita sem a necessidade de se recorrer às demais regras de interpretação. Também é clara a Regra 1 sobre a preponderância dos dizeres das posições e da Notas de Seção ou de Capítulo, que prevalecem, para determinação de classificação de mercadorias, sobre qualquer outra consideração. Assim, antes de adentrar na discussão sobre qualquer outra regra de interpretação do sistema harmonizado, cumpre analisar se as mercadorias objeto do auto de infração não pode ser classificadas pelos dizeres da Regra 1. As mercadorias são cascos de embarcações, e sobre isso não divergem as partes. Tampouco divergem, como já dito que tais cascos se classificam no Capítulo 89 da TIPI, sobre “embarcações e estruturas flutuantes”. Pois bem. Este Capítulo da TIPI possui a Nota 1, cujo conteúdo transcrevo abaixo: As embarcações incompletas ou por acabar e os cascos de embarcações, mesmo desmontados ou por montar, bem como as embarcações completas, desmontadas ou por montar, classificamse, em caso de dúvida sobre a natureza das embarcações a que dizem respeito, na posição 89.06. (grifei) Fl. 3219DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 14 Cumpre destacar o início das Considerações Gerais sobre esse Capítulo 89 da TIPI: CONSIDERAÇÕES GERAIS O presente Capítulo compreende as embarcações de qualquer tipo e para todos os usos, de propulsão mecânica ou não, bem como as diversas estruturas flutuantes tais como caixões, bóias de amarração, embarcadouros, bóias. Compreende também os veículos de colchão (almofada) de ar (hovercraft) concebidos para se deslocarem sobre a água (mar, estuários, lagos), mesmo que possam pousar em praias ou desembarcadouros ou deslocarse também sobre superfícies de gelo (Ver a Nota 5 da Seção XVII). Classificamse também neste Capítulo: A) As embarcações incompletas ou inacabadas como, por exemplo, as estruturas desprovidas das suas máquinas propulsoras, dos seus instrumentos de navegação, dos seus instrumentos de elevação e de movimentação, dos seus móveis. B) Os cascos, qualquer que seja a matéria de que se constituam. As embarcações incompletas ou inacabadas, e os cascos mesmo desmontados, bem como as embarcações completas desmontadas, classificamse como embarcações, conforme a natureza, segundo as características que apresentem, ou, em casos de dúvida sobre a natureza das embarcações a que dizem respeito, na posição 89.06. Depreendese da nota que cascos de embarcações classificamse como as próprias embarcações, conforme a natureza e finalidade da embarcação, segundo as características que possuam. Fica evidente aqui a questão nodal apresentada alhures. Afinal, somente na hipótese de dúvida sobre a natureza das embarcações a que dizem respeito é que os cascos devem ser classificados na posição 89.06, como quer a Recorrente. Outrossim a Nota não deixa dúvida sobre ser prescindível o debate de o casco ser “parte” do “todo” embarcação, apresentada pela Recorrente. O casco classificase de acordo com a finalidade da embarcação que, se não conhecida (no caso concreto, de acordo com o objeto social e os negócios praticados pela Recorrente, e não de forma geral e abstrata pela afirmação de que nunca se sabe qual o destino dos cascos, por ainda não se tratarem de embarcações completas), ensejará a utilização da posição 89.06, sem maiores delongas, e sem necessidade de recurso à Regra 2 do Sistema Harmonizado. Então, a que se destinam os cascos de embarcação comercializados pela Recorrente? A Fiscalização promoveu amplo esforço probatório para demonstrar que os cascos se destinam a barcos de recreio e esporte, fato este que, segundo a autoridade lançadora, é de conhecimento da Recorrente. Assim, autoridade fiscal desincumbiuse do ônus da prova que possuiu ao lavrar o auto de infração contra o Contribuinte (artigo 373 do Novo Código de Processo Civil). Sobre esse conjunto probatório, destaco trecho do acórdão recorrido: Além das informações encontradas no site, as fotos, catálogos e notas fiscais anexas, fls. fls. 747/788 e 411/730, comprovam que a empresa fabrica barcos incompletos (cascos para embarcações Fl. 3220DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 118 15 sem motor) de recreio ou esporte, conforme descrito no termo de verificação fiscal, fls. 863 a 877, onde consta a especificação detalhadamente dos modelos Focker 160, Focker 205 e Focker 310 GT. Ressaltese que as fotos de cascos fabricados pela autuada para embarcações de busca e salvamento (barcos salvavidas e ambulância), fls. 1409/1410, anexadas pela contribuinte no processo nº 10909.005544/200772, mostram as diferenças de forma, características e visual destes com os cascos para lazer e esporte, que podem ser visualizados no site retromencionado. Verificase, das notas fiscais e demonstrativos constantes dos autos, que os clientes a que se destinam os “cascos” vendidos são pessoas físicas e empresas náuticas, cujo objeto social é o comércio varejista de embarcações e outros veículos recreativos, que dificilmente comprariam cascos para fabricação de lanchas para policiamento ou “ambulanchas”. Deste modo, podese inferir que não só a contribuinte tem condições de definir a natureza da embarcação ao qual o casco se destina, como até mesmo pode identificar a qual modelo o casco se refere. Adiciono a este conjunto probatório que a Recorrente possui como CNAE (código de descrição da atividade econômica principal) a Construção de embarcações para esporte e lazer (30.12100), e como atividade econômica secundária o comércio varejista de embarcações e outros veículos recreativos, peças e acessórios (47.63605). A seu turno, sobre a questão do conhecimento prévio da natureza da embarcação à qual os cascos são destinados, a Recorrente retoma seus argumentos sobre os cascos constituírem simples parte de um todo composto (barcos), para depois afirmar (fls 1466): Contudo, não procede o argumento da Recorrente. A Fiscalização não efetuou o lançamento com base em presunção, mas sim em diversas provas que lhe levaram a entender que a classificação adotada pela Contribuinte estava equivocada. Cabia à Recorrente, então, provar seu direito, conforme determina o artigo 373, inciso II do NCPC. Fl. 3221DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 16 Nesse sentido, verifico que a Recorrente trouxe aos autos ofício de diligência realizada em processo judicial que faz parte, perante a Justiça Estadual de Santa Catarina (fls 1397 – DOC 11 da Impugnação). Contudo tal documento referese a específico e determinado barco, de nota fiscal n. 382, e sua classificação fiscal, sendo, portanto, imprestável para qualificar todos os cascos de embarcação objeto do presente processo administrativo. Saliento que não é possível depreender desse documento se o barco em questão é o mesmo dos analisados pela Fiscalização no caso sob exame, o que também não foi informado pela Recorrente. Já no DOC. 12 da Impugnação (fls 1400) a Recorrente apresenta Consulta formulada à Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí – Marinha do Brasil, que muito embora esteja manifestandose sobre os termos náuticos e técnicos requeridos pela Consulente, esclarece que eventuais dúvidas remanescentes sobre a classificação de mercadorias devem ser apresentadas perante a Receita Federal. Em síntese, esse último documento vai na mesma linha da defesa da Recorrente, ao explicar detalhadamente o conceito de embarcação, para concluir que os cascos são somente partes da embarcação, ainda sem finalidade específica, que só virá com a destinação efetiva conferida pelo proprietárioadquirente da mesma, expressada na sua inscrição ou transferência. Ora, mas é justamente a prova de que a Recorrente tem esse conhecimento prévio do destino dos cascos qual seja, para barcos de recreio e esporte, que desta forma serão qualificados em sua inscrição e transferência , que a Fiscalização efetuou. A Recorrente, por sua vez, somente insistiu no fato de que antes de completa a embarcação não se sabe o destino dos cascos, questão esta que não resolve o presente problema de classificação fiscal, uma vez a própria Nota 1 do Capítulo 89 determina que o casco será classificado conforme a natureza da embarcação, ou seja, a regra pressupõe que na importação/fabricação dos cascos a empresa, de acordo com seu objeto social e espécies de negócios praticados, já sabe para que tipo de embarcação serão destinados. A lógica da regra foi demonstrada no caso concreto pela Fiscalização, de acordo com fotos, catálogos, notas fiscais, sítio eletrônico, clientes, dentre outros elementos capazes de confirmar que os cascos em questão são invariavelmente destinados a embarcações de recreio e esporte. Disto concluo que a Recorrente não foi capaz de contradizer as provas apresentação pela Fiscalização. Afinal, a questão não se esgotava no fato de os cascos serem parte da embarcação, pois a Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI impõe que, para fins de classificação fiscal, a parte será considerada como o todo. Assim, cabia à Recorrente demonstrar que os casos com os quais trabalha possuem outro destino que não barcos de recreio e esporte, o que não foi feito nestes autos. Ficou claro que os cascos comercializados pela Recorrente servem para barcos de recreio e esporte, de modo que está correto o ajuste da classificação das mercadorias para a posição 8903.99.00, destinada iates e outros barcos e embarcações de recreio ou de esporte; barcos a remo e canoas. Registro que foi nesse mesmo sentido, embora por fundamentos diferentes, que decidiu a 1ª Seção do CARF em julgamento da mesma Contribuinte, a receita das mesmas mercadorias: OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INCIDÊNCIA DO IPI. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Fl. 3222DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 119 17 Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, ainda que por presunção legal, correta a incidência do IPI sobre tais receitas. Na impossibilidade de separação por elementos da escrita, o imposto será quantificado mediante a aplicação da alíquota mais elevada, ou a única, daquelas praticadas pelo sujeito passivo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Deve ser mantida a classificação fiscal empregada pelo Fisco no lançamento, se baseada em criteriosa análise dos produtos fabricados e confirmada por diligência anterior ao julgamento de primeira instância. Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afastase a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código das embarcações de destino. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Correta a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída (imposto não lançado), mesmo havendo créditos para abater parcela desse imposto. (Número do Processo 10909.003793/200561, F MARINE INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS NAUTICOS LTDA Data da Sessão 26/08/2014, Relator WALDIR VEIGA ROCHA, Acórdão 1302001.491) Por essas razões, não acolho as razões da Recorrente a respeito da classificação fiscal das mercadorias. 4. Da inclusão de descontos incondicionais na base de cálculo do IPI Com relação à defesa do contribuinte no sentido de que a autuação fiscal deveria ser cancelada na parte em que determinou não poderem ser excluídos da base de cálculo do IPI os descontos incondicionais, tratase de argumento que merece ser acolhido. A legislação do IPI, tanto na vigência do RIPI/2002 (artigo 131, § 3º) como no RIPI/2010 (artigo 190, §2º), ambos conforme o artigo 14 §§1º e 2º da Lei n. 4.502/64, determinou de que não é permitida a exclusão de descontos incondicionais da base de cálculo do IPI. Entretanto, a legitimidade dessas normas foi contestada pelos contribuintes perante o Poder Judiciário, em razão do art. 47, II, "a", do Código Tributário Nacional estabelecer que o IPI deverá incidir unicamente sobre o “valor da operação”, o que não pode logicamente englobar descontos incondicionais. Tal argumentação foi acatada pelo STJ, no julgamento do REsp 1149424/BA de relatoria da Ministra Eliana Calmon, sob a sistemática dos recursos repetitivos, cuja ementa transcrevo abaixo: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA OPERAÇÃO DEDUÇÃO Fl. 3223DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 18 DE DESCONTOS INCONDICIONAIS ILEGITIMIDADE DA DISTRIBUIDORA PARA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO POSSIBILIDADE. AFETAÇÃO DO RECURSO À SISTEMÁTICA DE JULGAMENTO DE RECURSOS REPETITIVOS (ART. 543C DO CPC). 1. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp. 903.394/AL (julgado em 24.3.2010, DJ de 26.4.2010) submetido à sistemática dos recursos repetitivos, alterou a sua jurisprudência considerando a distribuidora de bebidas, intitulada de contribuinte de fato, parte ilegítima para pleitear repetição de indébito. 2. A base de cálculo do IPI, nos termos do art. 47, II, "a", do CTN, é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. 3. A Lei 7.798/89, ao conferir nova redação ao § 2º do art. 14 da Lei 4.502/64 (RIPI) e impedir a dedução dos descontos incondicionais, permitiu a incidência da exação sobre base de cálculo que não corresponde ao valor da operação, em flagrante contrariedade à disposição contida no art. 47, II, "a", do CTN. Os descontos incondicionais não compõem a real expressão econômica da operação tributada, sendo permitida a dedução desses valores da base de cálculo do IPI. 4. A dedução dos descontos incondicionais é vedada, no entanto, quando a incidência do tributo se dá sobre valor previamente fixado, nos moldes da Lei 7.798/89 (regime de preços fixos), salvo se o resultado dessa operação for idêntico ao que se chegaria com a incidência do imposto sobre o valor efetivo da operação, depois de realizadas as deduções pertinentes. 5. Recurso especial não provido. Sujeição do acórdão ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. Não foi outro o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, de modo que o Pleno, em julgamento de novembro de 2014, decidiu em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, pela inconstitucionalidade da inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do IPI positivada no artigo 14, §2º da Lei n. 4.502/64: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – VALORES DE DESCONTOS INCONDICIONAIS – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO – ARTIGO 15 DA LEI Nº 7.798/89 – INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL – LEI COMPLEMENTAR – EXIGIBILIDADE. Viola o artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Carta Federal norma ordinária segundo a qual hão de ser incluídos, na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, os valores relativos a descontos incondicionais concedidos quando das operações de saída de produtos, prevalecendo o disposto na alínea “a” do inciso II do artigo 47 do Código Tributário Nacional. (RE 567935, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 04/09/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe216 DIVULG 03112014 PUBLIC 04112014) Fl. 3224DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 120 19 Desse modo, havendo decisões definitivas e de mérito do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, proferidas na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (antigo Código de Processo Civil), imperioso se faz que este Colegiado aplique art. 62, §2º do RICARF, reconhecendo o direito da Recorrente de não oferecer à tributação pelo IPI descontos incondicionais, uma vez que eles não compõem a base de cálculo do imposto federal. 5. Incidência de IPI sobre a revenda de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem. Estabelecimento equiparado a industrial Neste ponto a Recorrente faz esforço exegético com relação ao §6 do artigo 9º do RIPI/2010, que trouxe a mesma regra anteriormente estampada no §4º do mesmo artigo do RIPI/2002, no seguinte sentido: Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª). Pugna não estar abrangida pela referida disposição, uma vez que além de atuar no ramo industrial, também está no seu objeto social a atuação como empresa comercial, tendo sido os produtos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) adquiridos, revendidos e contabilizados através dessa última condição da sociedade. Por essas razões, cumuladas com o fato de o artigo 9º, §6º iniciarse pela expressão “estabelecimentos insdustriais”, conclui estar dispensada do recolhimento do IPI pretendido pelo item 1 do auto de infração guerreado.1 Entretanto, a Recorrente olvida que o lançamento tributário não se baseou exclusivamente nos artigos 9º, §4º do RIPI/2002 (quanto aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/05/2010), 9º, §6º do RIPI/2010 (quanto aos fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 31/12/2011) mas também nos artigos 24, inciso III e 34, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 do RIPI/02, levados ao artigo 24, inciso III e 35, inciso II do (RIPI/10): Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: I o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea b ); II o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); 1 0001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI INSUMOS (MP,PI,ME) ADQUIRIDOS DE TERCEIROS REVENDIDOS PELO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Fl. 3225DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 20 III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); e Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Ou seja, a legislação do IPI equiparou as sociedades cujo objeto social é unicamente o comércio de mercadorias aos estabelecimentos industriais, obrigandolhes ao pagamento do imposto federal quando derem saída de produtos. Tais dispositivos encontramse em consonância com os artigos 46, inciso II e 51, parágrafo único do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante.” Fl. 3226DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 121 21 No presente caso, a Fiscalização entendeu com base nos dispositivos legais supracitados, em especial o artigo 9º, §6º do RIPI/2010, que a Recorrente equiparase a industrial na revenda de insumos. De fato, correta foi a autuação. Isto porque, lembrese, a Recorrente possui como CNAE (código de descrição da atividade econômica principal) a Construção de embarcações para esporte e lazer, vale dizer, atividade industrial. Por essa razão, ao revender MP, PI e ME, mesmo sem industrializálos, encontrase qualificado como estabelecimento equiparado a industrial, de modo que tem o direito de tomar crédito do IPI na compra desses artigos, porém deve oferecer à tributação as operações de saída dos mesmos (vide Processo 10830.003338/9593, Acórdão n. 20175514). 2 Registro, porém, que efetivamente a Recorrente possui como atividade econômica secundária o comércio varejista de embarcações e outros veículos recreativos, peças e acessórios. Diante deste contexto a Recorrente afirma que as operações que foram objeto de autuação ocorreram sob essa atividade, de forma que não devem se sujeitar à incidência do IPI, pois não se equipara a estabelecimento industrial nessa hipótese. É verdade que a equiparação obrigatória a estabelecimento industrial não subsistirá nas revendas por varejista de insumos, adquiridos de terceiros, para não contribuintes do imposto: EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Equiparese a industrial o estabelecimento que pratica operação de revenda de insumos adquiridos de terceiros a estabelecimento industrial ou comerciante (§ún. Do art. 10 do RIPI/82). Não se enquadram nestas condições a revenda a consumidores finais, quando esta circunstância não resta comprovada nos autos (AC. 20103.283/90). 3 Destaco nessa mesma linha as seguintes Soluções de Consulta do Ministério da Fazenda – Secretaria da Receita Federal: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 79 de 28 de Maio de 2001 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: Contribuinte. Revenda de vidros. Não é contribuinte do IPI o estabelecimento comercial que revender vidros a distribuidores e comerciantes varejistas, sem qualquer transformação ou beneficiamento, já que, consoante a legislação regente, não constitui fato gerador do referido tributo. 2 PI ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL O Estabelecimento industrial que der saída a MP, PI ou ME, adquiridos de terceiros, para outro estabelecimento da mesma empresa ou de terceiro, para industrialização ou revenda pelo adquirente, fica equiparado a estabelecimento industrial como comerciante de bens de produção, relativamente a essa operação de saída, ficando obrigando a efetuar o lançamento do IP. Recurso negado. 3 PEIXOTO, Marcelo Magalhães; e DOMINGO, Luiz Roberto. Regulamento do IPI – Imopsto sobre Produtos Industrializados – Anotado e Comentado. São Paulo: MP Ed. 2008, p. 67 Fl. 3227DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 22 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 12 de 12 de Fevereiro de 2003 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: IPI. INCIDÊNCIA. O IPI incide na saída do estabelecimento industrial de produtos que nele foram submetidos a operação de industrialização, bem como na saída de bens de produção adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda. O IPI não incide nas operações em que saem do estabelecimento industrial mercadorias revendidas a consumidores finais sem terem sido submetidas a processo de industrialização no dito estabelecimento. Contudo, esta Relatora não pode encontrar no Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, tampouco nos demais documentos constantes nos autos, provas organizadas que demonstrem as alegações da defesa. Explico. Na compra de insumos para revenda normalmente seriam utilizados os CFOP 1.102 ou 2.102, porém em todo o livro de Apuração do IPI, de 2009 a 2011, apresentado nos autos (fls 158 a 286) só existem duas ocorrências nesse sentido: duas de janeiro de 2009, no valor de R$ 3.568,26 e de R$ 5.678,00 (fls 158), outra de março de 2011, de R$ 998,40 (fls 251). Tais valores são irrisórios frente àqueles das operações de industrialização da Recorrente. Disto já se torna difícil sustentar concretamente a tese da Recorrente. Ademais, na planilha descritiva nas notas fiscais, bem como nas próprias notas fiscais, tampouco é possível encontrar operações de saída com os CFOP 6.102 e 5.102 (fls 935), 4 que seriam utilizados nas vendas de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros sem industrialização. Ainda, poderia ter sido feito esforço probatório no sentido de demonstrar que ao adquirir tais insumos, destinos para a revenda sem industrialização, não foi escriturado crédito do IPI na entrada, afinal não se trata de parte da cadeia econômica sobre a qual incide do IPI, não sendo o caso da tomada de crédito na entrada dos insumos, nem do débito do imposto na sua saída. Contudo, nada nesse sentido consta dos autos. Por fim, também nada foi demonstrado no sentido de que tais insumos seriam destinados à consumidor final, atuando a empresa como varejista. Dessarte, não há nada nestes autos que comprove que o estabelecimento industrial manteve uma separação entre os produtos fabricados e os adquiridos para revenda. A Recorrente não se desincumbiu do ônus da prova de demonstrar fato impeditivos, modificativos ou extintivos de seu direito, como requer o artigo 373 do Novo Código de Processo Civil. Assim, não há provas para sustentar as alegações da Recorrente, razão pela qual afasto seus argumentos deste item da defesa. 6. Saldo credor de período anterior 4 Foram identificados os seguintes CFOPs: CFOP 6.101 Venda de produção do estabelecimento em quase todos (até p. 47 6.118 Venda de produção do estabelecimento entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem 6.107 Venda de produção do estabelecimento, destinada a não contribuinte 5.101 Venda de produção do estabelecimento 5.118 Venda de produção do estabelecimento entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem 6.900 OUTRAS SAÍDAS DE MERCADORIAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS 6.922 Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Fl. 3228DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11516.720103/201418 Acórdão n.º 3402003.104 S3C4T2 Fl. 122 23 Ao refazer a conta gráfica da empresa, a autoridade fiscal desconsiderou o saldo credor escriturado em janeiro de 2007, no montante de R$ 342.884,37, porque os saldos do IPI dos anos calendários de 2005 e 2006 haviam sido zerados em outro procedimento fiscal, que deu origem ao PAF n. 10909.005544/200772. Assim, o saldo era devedor em janeiro de 2007. Argumenta a Recorrente que não poderia ter assim procedido a fiscalização, uma vez que o débito de IPI constante do PAF n. 10909.005544/200772 não se reveste de certeza e liquidez, além de estar com exigibilidade suspensa, uma vez que encontrase sob discussão administrativa. Ocorre que, por expressa determinação do artigo 63 da Lei n. 9.430/96, o Fisco tem o direito de lavrar auto de infração para prevenir decadência de tributo. Assim, muito embora esteja ainda sob discussão o PAF n. 10909.005544/200772, é possível que a Fiscalização efetue o lançamento tributário levando tal processo em consideração, como fez no presente caso. 7. Multa confiscatória A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional. 8. Inaplicabilidade de juros equivalentes à SELIC sobre os débitos tributários Fl. 3229DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 24 Por fim, clama a Recorrente pela inaplicabilidade da taxa SELIC sobre os débitos que lhe são exigidos. Todavia, a matéria está consolidada pelo no CARF, como se depreende da Súmula n. 4, vazada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais., vazadas Sem dúvidas, portanto, a respeito a validade do auto de infração quando aplicou a taxa Selic ao débito tributário objeto do lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a cobrança do IPI sobre descontos incondicionais, uma vez que eles não compõem a base de cálculo do imposto federal. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 3230DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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