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Numero do processo: 10980.923590/2009-54
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador:15/01/2002
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543-B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 90 /2 00 9- 54 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923590/200954 Acórdão n.º 3802002.075 S3TE02 Fl. 43 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842573854), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 17094.22714.300506.1.3.040000, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 67,13, pois o pagamento informado de R$ 13.737,63, sob o código 8109, efetuado em 15/01/2002, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 12/2001. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação” A DRJ/CTA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 15/01/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade.” Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923590/200954 Acórdão n.º 3802002.075 S3TE02 Fl. 44 3 Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alegou que o STF proferiu decisão definitiva de mérito, na sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarando inconstitucional o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, decisão que deveria ser aplicada ao presente caso para afastar a exigência da contribuição ao PIS/Pasep sobre as receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. A questão de direito diz respeito à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre receitas financeiras, ao amparo do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Este parágrafo foi declarado inconstitucional pelo STF, no julgamento de alguns recursos extraordinário, por exemplo o RE 346.084/PR e o RE nº 585.235/MG, em que a decisão foi proferida na sistemática do art. 543B do CPC. Em resumo, o STF afastou a ampliação do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, tal como previsto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, baseandose em sua jurisprudência consolidada de que as expressões “receita bruta” e “faturamento” deveriam ser tomadas como sinônimas, significando venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Ressalvo entendimento do Ministro César Peluso segundo o qual incluise na expressão “receita de mercadorias e serviços” “todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresarias típicas”, de modo que “se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receita financeiras, isto não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘renda bruta igual a faturamento’” 1 Aplicase ao caso o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações das Portarias MF nºs. 446, de 27/08/2009, e 586, de 21/12/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos 1 Esclarecimento feito pelo Ministro César Peluso durante o julgamento do RE nº 346.084/PR. Extraído de consulta ao inteiro teor do acórdão deste julgamento no site do STF.. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923590/200954 Acórdão n.º 3802002.075 S3TE02 Fl. 45 4 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Portanto, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. Tendo em vista que a DRJ/CTA, ao se pronunciar incompetente para afastar a legislação, não apreciou o mérito da existência do direito de crédito, em especial, não apreciou a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado, bem como, restou prejudicada a apreciação da prova, os autos devem retornar para delegacia da RFB, com vistas a decidir sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado, sob pena de supressão de instância. Assim já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923590/200954 Acórdão n.º 3802002.075 S3TE02 Fl. 46 5 na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos a ̀instância a quo, para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10140.720060/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE DA CIÊNCIA.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA como condição para que a área de preservação permanente seja excluída da base de cálculo do ITR.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
MATÉRIA INCONTROVERSA.
Torna-se incontroversa matéria não questionada pelo contribuinte em seu recurso, não podendo ser objeto de apreciação pela autoridade de segunda instância.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA.
Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração/notificação de lançamento para a exigência do tributo, aplicando-se a multa de ofício de 75%.
PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA.
Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia, quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso.
Pedido de Perícia Indeferido.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 1.680,0 hectares. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Nathalia Mesquita Ceia e Gustavo Lian Haddad, que acataram a Área de Preservação Permanente de 12.526,3 hectares. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator Original), Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado) e Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE DA CIÊNCIA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA como condição para que a área de preservação permanente seja excluída da base de cálculo do ITR. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. MATÉRIA INCONTROVERSA. Torna-se incontroversa matéria não questionada pelo contribuinte em seu recurso, não podendo ser objeto de apreciação pela autoridade de segunda instância. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA. Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração/notificação de lançamento para a exigência do tributo, aplicando-se a multa de ofício de 75%. PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA. Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia, quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso. Pedido de Perícia Indeferido. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 1.680,0 hectares. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Nathalia Mesquita Ceia e Gustavo Lian Haddad, que acataram a Área de Preservação Permanente de 12.526,3 hectares. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator Original), Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado) e Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado).
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VALIDADE DA CIÊNCIA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA como condição para que a área de preservação permanente seja excluída da base de cálculo do ITR. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. MATÉRIA INCONTROVERSA. Tornase incontroversa matéria não questionada pelo contribuinte em seu recurso, não podendo ser objeto de apreciação pela autoridade de segunda instância. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA. Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração/notificação de lançamento para a exigência do tributo, aplicandose a multa de ofício de 75%. PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 60 /2 00 7- 86 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia, quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso. Pedido de Perícia Indeferido. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 1.680,0 hectares. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Nathalia Mesquita Ceia e Gustavo Lian Haddad, que acataram a Área de Preservação Permanente de 12.526,3 hectares. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator Original), Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado) e Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado). Relatório Tratase de notificação de lançamento relativa ao ITR do exercício 2004, decorrente da glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal, por falta de comprovação da isenção de tais áreas, solicitada por meio de intimação (fls. 06 e 07). Também foi arbitrado o VTN, pelo fato de a Contribuinte não ter apresentado Laudo de Avaliação do Imóvel, nos termos da ABNT, comprovando o VTN declarado. O crédito tributário apurado corresponde a R$ 2.355.963,03. Inconformada, a Interessada apresentou a impugnação de fls. 26 a 35, alegando, em suma, o seguinte, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 86): “Em síntese, alega que o lançamento é nulo, por ilegalidade, haja vista que a Lei n° 9.393/96 determina que devem ser excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Invoca, ainda, preliminar de nulidade da intimação, ao argumento de que não foi procedida a intimação pessoal do contribuinte. Sustenta que as áreas são isentas pelo Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720060/200786 Acórdão n.º 2201002.266 S2C2T1 Fl. 217 3 simples efeito da Lei (Código Florestal, Lei nº 771165. Aduz, ainda, que não incumbe ao contribuinte fazer prova do que foi informado na DITR, haja vista que, nos termos da legislação (Lei n° 9.393/96, art. 10, § 7°), a declaração relativa às áreas isentas não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante. Afirma que as áreas de preservação permanente e de reserva legal existem, de fato, no imóvel, podendo ser comprovadas por outros meios. Argumenta que o reconhecimento da área de reserva legal não está sujeita à averbação, nem à apresentação de ADA. Apesar disto, informa que apresentou o ADA e que consta averbação da área de reserva legal à margem das matrículas imobiliárias. Alternativamente, solicita que seja revista a alíquota aplicada no lançamento, considerando a alta utilização do imóvel por atividade pecuária. No anobase do lançamento foi informada a existência de um expressivo quantitativo de rebanho bovino.” A 1ª Turma da DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação procedente em parte (fls. 84 a 93), restabelecendo parte da área de reserva legal glosada, no montante de 6.708,6 ha, por estar averbada à margem da matrícula do imóvel em data anterior à ocorrência do fato gerador, e por ter sido informada no Ato Declaratório Ambiental ADA. Confirase a seguir a ementa do respectivo acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ADA. AVERBAÇÃO. Por disposição legal, para serem consideradas isentas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal devem ser reconhecidas mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. A área de reserva legal, além do ADA, necessita estar averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis, em data anterior à da ocorrência do fato gerador. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei n° 4.771/1965 (arts. 2° e 3°), com as alterações da Lei n° 7.803/1989. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Procedente em Parte Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada do acórdão em 21/12/2009 (Aviso de Recebimento de fls. 100), a Interessada interpôs, em 18/01/2010, o recurso de fls. 101 a 122, juntamente com a documentação de fls. 123 a 202, alegando, em suma, que: a) está correto o reconhecimento da área de reserva legal de 6.708,6 ha, haja vista que seu excontador informou incorretamente aquela área em sua DITR; b) não recebeu a intimação solicitando a comprovação da área de preservação permanente, logo não lhe foi dada a oportunidade de comprovar a referida área, o que acarreta a nulidade do lançamento; c) a decisão recorrida não apresentou a devida fundamentação para o não acolhimento da área de preservação permanente, bem como restou omissa no que tange ao Grau de Utilização equivocadamente arbitrado no lançamento impugnado, cuja análise era imprescindível; d) o ADA não é imprescindível para fins de não incidência do ITR. A área de preservação permanente resta comprovada por meio de Laudo Técnico, razão pela qual deve ser restabelecida; e) a área de preservação permanente já foi objeto de outros ADA anteriores e posteriores e de fato é superior à equivocadamente declarada no exercício de 2003, o que deve ser corrigido de oficio pelo princípio da materialidade dos fatos, não havendo que se falar em seu desaparecimento; f) de acordo com o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393, de 1996, o contribuinte não está obrigado a prévia comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal; g) obediência ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, para retificar as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural e as áreas de pastagens, que foram informadas incorretamente em sua DITR; h) ainda que seja alterada a área aproveitável da Fazenda, temse que o aproveitamento continua sendo o máximo, o que reduz a alíquota do ITR a ser pago de 12% (doze por cento) para 0,45% (zero vírgula quarenta e cinco por cento). i) não cabimento da multa de ofício; j) requer a produção de prova pericial, caso o laudo pericial apresentado não seja suficiente como prova dos fatos alegados; Diante do exposto, requer a nulidade do lançamento, por ausência de intimação prévia, e o provimento do recurso para reconhecimento da área de preservação permanente de 2.526,3 há, da área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural de 157,9 há, da área de pastagens de 24.150,2 há, e que seja alterada a alíquota do imposto de 12% para 0,45%. Caso seja mantido o lançamento, requer o afastamento da multa de ofício. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720060/200786 Acórdão n.º 2201002.266 S2C2T1 Fl. 218 5 Como o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo Acórdão, foi necessária a designação de Redator ad hoc (despacho de fls. 215), conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Redator ad hoc O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A Recorrente sustenta a nulidade do lançamento, sob a alegação de que não recebeu o Termo de Intimação Fiscal de fls. 06 e 07. Entretanto, conforme “Consulta Postagem” de fls. 08 e “Aviso de Recebimento” de fls. 09, o referido Termo foi entregue no domicílio fiscal da Contribuinte em 24/04/2006, cabendo ressaltar que o endereço para o qual foi enviado o Termo era aquele que constava nos sistemas da Receita Federal do Brasil, que foi informado pela própria Interessada (fls. 12). Diante do exposto, incabível a alegação de não recebimento do Termo de Intimação Fiscal de fls. 06 e 07. Cumpre informar a existência da Súmula CARF nº 9, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, que pacificou o entendimento de que a intimação via postal é válida, mesmo quando assinada por pessoa que não é o representante legal do destinatário. Confirase o seu enunciado: Súmula CARF nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” O fato de o campo “assinatura” constar em branco, estando somente preenchido o campo “nome do recebedor”, não invalida o documento como prova do recebimento, pois é comum o recebedor assinar no próprio campo destinado ao “nome do recebedor”. Por tais razões rejeito a preliminar suscitada. DO MÉRITO Insta salientar, inicialmente, que a Recorrente não se insurgiu, em seu recurso, contra a área remanescente de reserva legal, cuja glosa não foi restabelecida, e também contra o arbitramento do VTN efetuado pela autoridade lançadora. Assim, por serem Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 incontroversas, tais matérias não podem ser apreciadas nesta instância de julgamento e o crédito tributário relativo a elas encontrase definitivamente constituído. Não prospera a alegação de ausência de fundamentação da decisão recorrida, posto que foram devidamente esclarecidas as razões da manutenção da glosa da área de preservação permanente – APP. Quanto ao grau de utilização aplicado no lançamento, ele não foi arbitrado pela fiscalização, posto que decorre exclusivamente da utilização das áreas do imóvel. Assim, tendo sido glosadas áreas declaradas pelo Contribuinte, óbvio que haverá alteração nesse grau, como ocorreu no presente caso, e por conseguinte, na alíquota do ITR aplicável no lançamento. Quanto à APP, cabe esclarecer que, a partir do exercício 2001, a protocolização do ADA no IBAMA é um dos requisitos legais para que essa área não seja tributada pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, §1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (destaque meu) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. O Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002 Regulamento do ITR – que compilou a legislação do ITR, assim determina, em seu art. 10: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720060/200786 Acórdão n.º 2201002.266 S2C2T1 Fl. 219 7 Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (destaque meu) No presente caso, consta nos autos ADA do exercício 1997, datado de 18/09/1998 (fls. 67), que foi acatado como válido pelo órgão julgador de primeira instância (fls. 126 a 135), para fins de atendimento dos requisitos constantes nos dispositivos legais acima reproduzidos. A 1ª Turma da DRJ/Campo Grande não restabeleceu a APP informada naquele documento, por entender que o Laudo Técnico apresentado não especifica a localização da citada área. No ADA mencionado foi informado como APP o total de 1.680,0 ha. A Recorrente juntou ao Recurso Voluntário novo laudo, elaborado por engenheiro agrimensor, com anotação de responsabilidade técnica, para fins de comprovação de comprovação da existência da citada área, discriminando a sua localização (fls. 143 a 152). Assim, considerando que o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, entendo que o laudo em questão comprova a existência da APP informada no ADA. Embora o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, estabeleça que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja comprovada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas naquele parágrafo, o que não foi feito pela Recorrente, entendo que, neste caso, o princípio da verdade material deve prevalecer sobre o dispositivo legal citado, haja vista que se trata de prova da existência da APP. Por conseguinte apreciei os documentos anexados em sede recursal. Assim, diante da existência de ADA informando a existência somente de 1.680,0 ha de APP e de laudo técnico comprovando a sua existência, cumpre restabelecer essa área. Vale dizer que, embora a Recorrente tenha juntado outro ADA (fls. 155), informando como APP 2.526,3 ha, este diz respeito ao exercício 2008, tendo sido entregue em 02/09/2008. Logo, não se presta como prova para o exercício fiscalizado, 2003. É importante destacar que o disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Ou seja, o declarante não é obrigado a anexar quaisquer documentos comprobatórios das informações prestadas na DITR, quando de sua entrega. Todavia, se intimado a apresentar a respectiva documentação, como no caso em pauta, deve atender, sob pena de glosa das referidas áreas, Vejamos abaixo o conteúdo do dispositivo legal citado: Lei nº 9.393, de 1996 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (destaque meu) Quanto às decisões administrativas citadas pela Recorrente, que seriam favoráveis às suas teses, cumpre assinalar que, com exceção das matérias sobre as quais existe súmula, o que não ocorreu neste caso, as demais decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. As decisões judiciais mencionadas também não têm o condão de vincular o julgamento desse recurso, por falta de previsão legal. Acerca da multa de ofício, sua aplicação decorre de expressa disposição legal – art. 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007 – no caso de lançamento de ofício, sendo incabível, portanto, seu afastamento. Por fim, quanto ao pedido de produção de prova pericial para comprovação das áreas pleiteadas, entendo que não é cabível no presente caso, haja vista que a razão para a manutenção da glosa de parte da área de preservação permanente foi a falta de informação dessa área no ADA, situação que não será alterada com a realização de uma perícia. Ademais, as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural e as áreas de pastagens não foram objeto de glosa, razão pela qual não estão sob litígio. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 1.680,0 ha. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Redator ad hoc (despacho de fls. 215) Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721761/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços.
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35, da Lei 8.212/91, até 11/08, e no art. 44, da Lei 9.430/96, a partir de 12/2008.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária
Numero da decisão: 2301-003.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011 REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35, da Lei 8.212/91, até 11/08, e no art. 44, da Lei 9.430/96, a partir de 12/2008. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 202 1 201 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.721761/201143 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.656 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente FAGIP FUNDIÇÃO DE ALUMÍNIO INDÚSTRUA E COMÉRCIO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011 REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35, da Lei 8.212/91, até 11/08, e no art. 44, da Lei 9.430/96, a partir de 12/2008. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 17 61 /2 01 1- 43 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.721761/201143 Acórdão n.º 2301003.656 S2C3T1 Fl. 203 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados (DEBCAD 50.003.4214), à da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (DEBCAD 50.003.4206), e aos terceiros (DEBCAD 50.003.4222). É objeto também do presente processo administrativo fiscal os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória DEBCAD 50.003.4230 9 (CFL 78) e DEBCAD 50.003.4249 (CFL 38) Conforme Relatório Fiscal, o crédito se refere à contribuição devida incidente sobre a remuneração dos segurados a serviço da empresa autuada, não declarada em GFIP, o que, segundo a fiscalização, em tese, configura prática de crimes previsto no DecretoLei 2.848/1940, motivo pelo qual será objeto de Representação Fiscal Para Fins Penais. Com relação aos descumprimento das obrigações acessórias, a autoridade lançadora esclarece, para cada AI, o que se segue: AI CFL 38: a empresa deixou de apresentar, apesar de intimada por meio do TIF 001, os livros Diário e Razão para o período de 11/2008 a 12/2010. Informa que, em razão da infração praticada, está sendo aplicada a multa prevista no art. 283, II, “j” e 373, ambos do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. AI CFL 78: decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de apresentar em GFIP informações corretas referente a competência 11/2008; Esclarece que, em decorrência da infração praticada, está sendo aplicada a multa cabível, nos termos do art. 32A, caput, inciso i e §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/91. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1436.033, da 9a Turma da DRJ/RPO, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reitera que a cobrança do Seguro Acidente do Trabalho é ilegal e inconstitucional, assim como é ilegal a cobrança de contribuição ao INCRA e SEBRAE, e alega natureza confiscatória das multas impostas Argumenta que, após a alteração do art. 32, da Lei 8.212/91, pela Lei 11.941/09. foram afastadas as multas aplicadas pelo agente fiscal para a aplicação única de ofício de 75% sobre o montante da contribuição que deixou de ser recolhida, sendo que a multa do art. 35, em sua redação original, no percentual de 24%, sofre gradações ao longo do curso do processo administrativo, podendo chegar ao patamar máximo de 80%, não havendo como Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 prosperar o argumento da fiscalização de que a multa ora aplicada é a mais benéfica ao contribuinte, devendo serem refeitos os cálculos apresentados em cada fase processual. Reafirma que foi penalizada pelo suposto descumprimento da obrigação acessória com a lavratura do presente auto de infração antes mesmo de ser apurado se é devido ou não o suposto crédito. Entende que a exorbitante penalidade imposta ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, e alega inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. Finaliza requerendo que seja dão provimento ao recurso, a fim de que seja revisto e extinto o crédito tributário lançado no presente Auto de Infração e, caso permaneça algum débito, requer que sobre o mesmo seja afastada a multa e que não seja aplicada a taxa SELIC. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.721761/201143 Acórdão n.º 2301003.656 S2C3T1 Fl. 204 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que recorrente não nega que tenha deixado de recolher a totalidade das contribuições previdenciárias e aos terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados que lhe prestaram serviços. Ela apenas alega inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições ao SAT Terceiros, INCRA e SEBRAE, e da aplicação da multa e da taxa SELIC ao presente caso. Entretanto, a cobrança das contribuições aos terceiros e ao SAT possui previsão legal, e a legislação que ampara tais exações consta discriminada no Relatório de Fundamento Legal do Débito – FLD Da mesma forma, a multa aplicada e a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados possuem respaldo em dispositivos legais vigentes à época do lançamento. Portanto, não há que se falar em ilegalidade das referidas cobranças. As contribuições devidas ao SAT e aos Terceiros, INCRA e SEBRAE, estão previstas nas Leis 2.613/55; 8.029/90 com as alterações posteriores e na Lei 8.212/91 regulamentada pelo Decreto 3.048/99 e alterações posteriores, e demais normas legais assinaladas no FLD, que estão em pleno vigor, e a aplicação da taxa SELIC encontra fundamento no mesmo diploma legal. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Considerando que o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, a autoridade fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento da totalidade dos valores devidos à Previdência Social e aos Terceiros, lavrou o presente AI, em observância aos ditames legais. E sobre o valor lançado foram acrescidos os juros e multas, por expressa determinação legal, uma vez que a cobrança da multa moratória, de caráter irrelevável, é de natureza objetiva, isto é, não sendo recolhido no vencimento, incidirá multa, independente da intenção do agente. Conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, vigente até 11/2008, não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao princípio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Quanto aos argumentos relativos ao caráter confiscatório da multa, cumpre esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. A vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento. Concluise que, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Relativamente à alegação de inconstitucionalidade de lei, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.721761/201143 Acórdão n.º 2301003.656 S2C3T1 Fl. 205 7 tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Cumpre ressaltar que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Ademais, o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio das Súmulas 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Súmula nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula nº 03: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Isso posto, constatase que os AIs foram lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, e identificado, da mesma forma, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada, fazendo constar, nos relatórios que compõem as Autuações, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura dos AIs e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Em relação aos argumentos de que a recorrente foi penalizada pelo suposto descumprimento da obrigação acessória com a lavratura do presente auto de infração antes mesmo de ser apurado se é devido ou não o suposto crédito, cumpre esclarecer que as contribuições cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI CFL 78 estão sendo julgadas em conjunto com os presentes autos, sendo que, no processo que discute a obrigação principal relativa à competência 11/08, as alegações trazidas pela recorrente são exatamente as mesmas que constam do recurso ora apresentado. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Assim, da mesma forma que nos presentes autos, no recurso que discute a obrigação principal relativa à competência 11/08 a recorrente não nega que tenha deixado de recolher a contribuição devida, ou insurgese contra a base de cálculo apurada pela fiscalização, mas apenas alega ilegalidade e inconstitucionalidade de SAT, Sebrae, Incra, multa e taxa de juros SELIC, o que já foi amplamente discutido no presente processo. A recorrente requer, por fim, o direito de apresentar posteriormente documentação adicional combrobatória de suas alegações. Entretanto, o Decreto 70.235/72 é claro ao enumerar, no § 4o, do art. 16, as hipóteses em que provas documentais poderiam ser apresentadas em outra ocasião que não na impugnação. Art. 16 (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Dessa forma, a não ser que a recorrente demonstre a ocorrência de uma das hipóteses listadas acima, entendo que encontrase precluído o direito à apresentação posterior de documentos adicionais combrobatórios de suas alegações. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto.. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 12466.001377/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.454
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
JOEL MIYAZAKI - Presidente
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 459 1 458 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.001377/200691 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.454 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2013 Assunto CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA Recorrente VERACEL CELULOSE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência. JOEL MIYAZAKI Presidente CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. RELATÓRIO e VOTO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de dois autos de infração decorrentes de classificação fiscal incorreta. O primeiro auto de infração trata do Imposto de Importação (II), juros de mora, multa de ofício, multa por falta de licença de importação e multa por classificação incorreta no valor total de R$ 3.372.875,88. O segundo auto de infração trata do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional no valor total de R$ 108.022,03. Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 01 37 7/ 20 06 -9 1 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12466.001377/200691 Resolução nº 3201000.454 S3C2T1 Fl. 460 2 I. A contribuinte autuada importara a mercadoria descrita como "Trator Florestal Articulado Marca Valmet, Modelo 8906WD", a qual classificou no código NCM/SH 8701.90.00. II. Em consulta à internet, obtevese catálogo do veículo, que evidencia que o mesmo possui uma garra articulada que carrega e descarrega toras de madeira em sua carrocería. Portanto, o veículo sob análise realiza o autocarregamento e o transporte de toras de madeiras em sua carrocería. III. A Posição 8701 é destinada especificamente para tratores, sendo que o veículo em questão não é um trator haja vista que o mesmo transporta carga (toras de madeira). Segundo a Nota 2 do Capítulo 87, o trator puxa ou empurra material, e não o transporta. IV. Cita Nota Explicativa da Posição 8704. V. Uma vez que a mercadoria é apresentada como trator, a sua descrição não é correta, sendo cabível a multa por falta de licença de importação. Intimada a contribuinte (fls. 02), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 6786. Seguem as alegações da impugnante. 1. Tanto a Nota de Posição quanto a Nota Explicativa referentes à Posição 8701 prevêem classificação de tratores florestais e de tratores que possuem plataforma acessória que permita o transporte de ferramentas, adubos, sementes e dispositivos acessórios para receber órgãos de trabalho. Transcreve a impugnante as Notas em questão. 2. O produto se enquadra na classificação 8701.90.00 por ser um trator florestal, sendo confirmado tal condição pelo Parecer Técnico n° 7135/98, emitido pelo IPT, acrescido de folder e fotos do mesmo em operação na mata, onde exclusivamente é utilizado e onde explicitamente se demonstra o errôneo entendimento da autuação. 3. Cita Parecer Técnico PROMM Engenharia e o conhecimento de carga, que apresentam o produto como trator. 4. No Sistema Harmonizado da União Européia, o veículo é classificado na Posição 8901.90 (outros tratores florestais). Já a classificação 8704.23.10 é específica para veículos de transporte de materiais radioativos. 5. No Código de Trânsito Brasileiro, distingue os veículos de carga, onde se encontram os caminhões, dos veículos de tração, que incluem os tratores. 6. Além dos dumpers, a Posição 8704 inclui apenas caminhões, camionetas e automóveis de entrega utilizadas para o transporte de pessoas e cargas, e não o veículo objeto das importações da empresa. 7. Mesmo que a classificação fiscal não seja efetuada pela Regra de Interpretação n° 1, a Posição 8701 seria a correta pela Regra n° 4: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12466.001377/200691 Resolução nº 3201000.454 S3C2T1 Fl. 461 3 artigo mais semelhante. Este artigo mais semelhante seria o trator florestal. 8. Incabível a multa administrativa haja vista que a importação estava amparada por licença de importação, sendo que tal multa somente seria devida para importações efetivamente desacompanhadas de tal documentação. Solicita a improcedência da autuação. Subsidiariamente solicita o afastamento da multa administrativa por falta de licença de importação. Requer diligência com a produção de provas em direito admitidas. Apresenta os requisitos e o seu Assistente Técnico. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/06/2001, 04/07/2001, 05/10/2001 VALMET FORWARDER 8906WD COM BRAÇO HIDRÁULICO E GARRA ARTICULADA O veículo Valmet Forwarder 8906WD com braço hidráulico e garra articulada é um veículo de transporte de mercadorias e, portanto, classificável no código NCM/SH 8704.23.90. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ADN COSIT N° 12/1997 Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/1997, somente é afasta a multa por falta de licença de importação nos casos em que a mercadoria é corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Datado fato gerador: 18/06/2001, 04/07/2001, 05/10/2001. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL Havendo a reclassificação fiscal alterando para maior a alíquota relativamente ao II são exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A recorrente sustenta ainda a nulidade da decisão recorrida, devido a ter recusado a produção de prova pericial. É o relatório. Inicialmente, ressaltase que o presente processo compreende dois autos de infração; o primeiro auto de infração trata do Imposto de Importação (II), juros de mora, multa Fl. 462DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12466.001377/200691 Resolução nº 3201000.454 S3C2T1 Fl. 462 4 de ofício, multa por falta de licença de importação e multa por classificação incorreta no valor total de R$ 3.372.875,88, enquanto o segundo trata do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional no valor total de R$ 108.022,03. Os dois autos de infração tem por origem importações praticadas pela recorrente de mercadoria descrita como "Trator Florestal Articulado Marca Valmet, Modelo 8906WD", a qual classificou no código NCM/SH 8701.90.00. A RFB, em procedimento de revisão aduaneira, entendeu que a classificação fiscal foi feita incorretamente, classificando a mercadoria no código NCM/SH 8704.23.10, e efetuando o lançamento dos tributos não recolhidos bem como das penalidades decorrentes das infrações verificadas. Dito isto, constatase que o presente processo não possui informação necessária para o julgamento da multa aplicada pela falta de licenciamento da importação. Não está esclarecido nos autos se a importação do produto, com a nova reclassificação fiscal pretendida pela fiscalização, estaria sujeita a licenciamento nãoautomático, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96. Portanto, resta claro que é condição necessária para a verificação da subsunção do fato ao tipo sancionatório, a realização de diligência para que a autoridade preparadora providencie e esclareça o referido ponto, para que se conclua o julgamento. Desta forma, voto para que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora informe se as mercadorias em questão estariam sujeitas ao licenciamento na importação à época do registros das DI. Após prestadas as informações acima, abrase vistas a recorrente para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, se entender necessário, bem como intimese a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, sobre o resultado desta diligência. Por fim, devem os autos retornar a esta Turma para prosseguimento no julgamento. Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 463DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720923/2011-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. DECURSO DE PRAZO.
Na forma do inciso II do art. 14 , da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 , o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF se extingue pelo decurso de prazo.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. PRORROGAÇÃO.
Sobre as alterações nos Mandados de Procedimentos Fiscais - MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, o parágrafo único do art. 9º da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, preceituava que caberia ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil-AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificar o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração.
ALTERAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NOVO LANÇAMENTO. NOVA IMPUGNAÇÃO.
Na previsão do § 3º, do art. 18, do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício, a realização de diligências quando, em exames posteriores realizados no curso do processo forem verificadas incorreções ou alteração da fundamentação legal da exigência. Isto ocorrendo será lavrado novo auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. RETIFICAÇÃO PARA APERFEIÇOAMENTO.
Um dos elementos básico que deve constar do Auto de Infração é a clara capitulação da legislação que deu origem ao valor da autuação.
O Código Tributário Nacional - CTN preceitua no art. 142, que cumpre à autoridade administrativa que constituir o crédito tributário pelo lançamento, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Lançamento com equivocados fundamentados não podem ser aperfeiçoados nova fundamentação que venham robustecê-los.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO APERFEIÇOADO .NOTIFICAÇÃO.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Aperfeiçoado o lançamento mediante novos fundamentos legais, o período eventualmente decaído passa a ser observado a partir da data de recebimento da nova notificação pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Em Preliminares: por maioria de votos, em acolher as preliminares de nulidade e decadência até 09/2007, inclusive. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa na questão das decadências e Carlos Alberto Mees Stringari nas questões da nulidade e decadência. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari
CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. DECURSO DE PRAZO. Na forma do inciso II do art. 14 , da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 , o Mandado de Procedimento Fiscal MPF se extingue pelo decurso de prazo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. PRORROGAÇÃO. Sobre as alterações nos Mandados de Procedimentos Fiscais MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, o parágrafo único do art. 9º da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, preceituava que caberia ao Auditor Fiscal da Receita Federal do BrasilAFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificar o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. ALTERAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NOVO LANÇAMENTO. NOVA IMPUGNAÇÃO. Na previsão do § 3º, do art. 18, do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício, a realização de diligências quando, em exames posteriores realizados no curso do processo forem verificadas incorreções ou alteração da fundamentação legal da exigência. Isto ocorrendo será lavrado novo auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. RETIFICAÇÃO PARA APERFEIÇOAMENTO. Um dos elementos básico que deve constar do Auto de Infração é a clara capitulação da legislação que deu origem ao valor da autuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 09 23 /2 01 1- 11 Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 O Código Tributário Nacional CTN preceitua no art. 142, que cumpre à autoridade administrativa que constituir o crédito tributário pelo lançamento, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lançamento com equivocados fundamentados não podem ser aperfeiçoados nova fundamentação que venham robustecêlos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO APERFEIÇOADO .NOTIFICAÇÃO. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Aperfeiçoado o lançamento mediante novos fundamentos legais, o período eventualmente decaído passa a ser observado a partir da data de recebimento da nova notificação pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Em Preliminares: por maioria de votos, em acolher as preliminares de nulidade e decadência até 09/2007, inclusive. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa na questão das decadências e Carlos Alberto Mees Stringari nas questões da nulidade e decadência. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.777 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que, li , compulsei com os autos, e com grifos de minha autoria, o reproduzo na integra: “ O presente processo trata de lançamentos de Autos de Infração por descumprimento de Obrigações Principais (AIOP), em desfavor da empresa VIA ENGENHARIA S/A e dos sujeitos passivos solidários Via Empreendimentos Imobiliários S/A, FMQ Participações S/A e Ocean Venture Participações S/A, por integrarem grupo econômico. Os AIOP abrangem o período de janeiro/2006 a dezembro/2008, e foram emitidos de acordo com a natureza das contribuições apuradas, quais sejam: 1. DEBCAD nº 37.221.7044, no valor de R$ 2.152.203,35 (dois milhões cento e cinquenta e dois mil duzentos e três reais e trinta e cinco centavos), relativo a contribuições sociais incidentes sobre as remunerações (comissões de corretores) não declaradas em folha de pagamento e em GFIP Parte Patronal. 2. DEBCAD nº 37.221.7052, no valor de R$ 1.615.047,27 (um milhão seiscentos e quinze mil e quarenta e sete reais e vinte sete centavos), referente a contribuições sociais incidentes sobre as remunerações (comissões de corretores) não declaradas em folha de pagamento e em GFIP Parte dos Segurados. Do Desenvolvimento da Ação Fiscal A ação fiscal desenvolvida na empresa constatou que, no período de 01/2006 a 12/2008, os pagamentos efetuados a corretores pessoas físicas, a título de comissão pelas vendas de unidades imobiliárias, não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Também não foram recolhidas as contribuições incidentes sobre os referidos pagamentos (parte patronal), nem houve a arrecadação, mediante desconto da remuneração desses contribuintes individuais, da contribuição por estes devida à Seguridade Social (parte dos segurados). Para confirmar os fatos narrados, a fiscalização efetuou diligências, por meio de intimações, a pessoas físicas adquirentes de imóveis construídos ou incorporados pela empresa e, após a análise dos documentos obtidos pelo referido procedimento, bem como das informações e esclarecimentos prestados pela empresa e pelos adquirentes de imóveis, foi constituído o presente Auto de Infração. Dos Fatos Geradores da Obrigação Principal Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Constitui fato gerador da obrigação principal a prestação de serviço de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão de venda, efetuado a segurados contribuintes individuais (corretores de imóveis ou supervisores de venda) pela comercialização de imóveis vinculados aos empreendimentos imobiliários da empresa. De acordo com as informações prestadas pela empresa sob ação fiscal essas vendas foram realizadas: 1. por corretores autônomos, sob o gerenciamento da empresa do grupo responsável pela comercialização das unidades imobiliárias, Via Empreendimentos Imobiliários S/A, tendo como responsável por essa comercialização o corretor Ney Robsthon Otaviano. 2. pela administração, quando os clientes a procuram diretamente e, no caso, essa operação foi intitulada pela empresa, de acordo com seus documentos, como sendo "venda ADM" ou "venda direta Via". Dos créditos constituídos Para o lançamento dos créditos previdenciários a fiscalização organizou os dados nos seguintes levantamentos, de acordo com as remunerações apuradas: a) Comissão de Venda feita pela Administração, cuja base de cálculo foi obtida por aferição indireta, no período de 01/2006 a 11/2008 Código VA. Este levantamento inclui os valores pagos, devidos ou creditados a titulo de comissão de venda aos profissionais corretores de imóveis/supervisores de vendas que lhe prestaram serviços na condição de contribuintes individuais, pela comercialização de imóveis feita pela própria empresa ou por empresa do grupo econômico, intitulada de "vendas da administração" ou "vendas direta Via" (Vendas ADM). Tais valores não foram declarados em folhas de pagamento ou GFIP, nem lançados em títulos próprios da contabilidade. b) Comissão de Venda, referente a intermediações imobiliárias efetuadas por Corretores Pessoas Físicas, no período de 01/2006 a 11/2008 Código VC. Este levantamento inclui os valores pagos, devidos ou creditados a título de comissão de venda aos profissionais corretores de imóveis/supervisores de vendas que lhe prestaram serviços na condição de contribuintes individuais. Tais pagamentos também não foram declarados em folhas de pagamento ou GFIP, nem lançados em títulos próprios da contabilidade. Após a comparação do AI CFL 68 + multa de 24% (multa anterior) com a multa de ofício de 75% (multa atual) e, sendo esta última a menos severa para o contribuinte, o levantamento VC foi alterado no SAFIS para levantamento VC1. c) Comissão de venda feita pela Administração, cuja base de cálculo foi obtida por aferição indireta, com aplicação de multa qualificada no mês 12/2008 Código MA. Este levantamento Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.778 5 inclui os valores pagos, devidos ou creditados a título de comissão de venda aos profissionais corretores autônomos que lhe prestaram serviços na condição de contribuintes individuais, pela comercialização de imóveis feita pela própria empresa ou por empresa do grupo econômico, intitulada de "vendas da administração" ou "vendas direta Via" (Vendas ADM). Tal levantamento foi criado devido ao advento da MP 449/08, convertida na lei nº 11.941/09, que introduziu o art. 35A na lei 8.212/91 que, em resumo, diz que nos casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias aplicase o disposto no art. 44 e §§ da lei 9.430/96. Tais valores não foram declarados em folhas de pagamento ou GFIP, nem lançados em títulos próprios da contabilidade. d) Comissão de venda feita por Corretor Pessoa Física com aplicação de Multa qualificada no mês 12/2008 Código MC. Este levantamento inclui os valores pagos, devidos ou creditados a título de comissão de venda aos profissionais corretores de imóveis/supervisores de vendas que lhe prestaram serviços na condição de contribuintes individuais. Tal levantamento foi criado devido ao advento da MP 449/08, convertida na lei 11.941/09, que introduziu o art. 35A na lei 8.212/91 e, em resumo, diz que nos casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, aplicase o disposto no art. 44 e §§ da lei 9.430/96. Tais valores não foram declarados em folhas de pagamento e em GFIP, nem lançados em títulos próprios da contabilidade. Em relação à aferição indireta, constante dos itens “a” e “c”, acima, estas foram realizadas devido não ter a empresa apresentado os documentos que demonstram os corretores que fizeram a intermediação de venda quando o comprador dirigia se diretamente à construtora e, embora a empresa tenha alegado que o responsável por estas vendas tenha sido o Gerente Comercial da empresa Via Empreendimentos Imobiliários S/A, Ney Robsthon Otaviano (devidamente registrado no CRECI), a fiscalização constatou, em um dos contratos analisados, que não foi este gerente quem efetivou a venda. Nos demais contratos solicitados a empresa deixou de apresentar as propostas de compra e venda com recibo de sinal, onde seria possível identificar os profissionais corretores que efetivaram as vendas. A aferição acima citada tomou como base o valor do percentual de comissão médio auferido pelos corretores autônomos que efetivaram vendas para a construtora no período fiscalizado. Assim, para os códigos de levantamento VA e MA, foi aplicado o percentual correspondente a 1,32% sobre o valor dos imóveis vendidos. Especificamente quanto ao lançamento da parte dos segurados informa que a empresa não recolheu em Guias da Previdência Social (GPS) nem declarou em GFIP as contribuições devidas com base nos pagamentos efetuados a título de comissão de venda pelos serviços prestados por corretores pessoas físicas, e Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 que tal omissão constitui fato impeditivo à dedução de 9% na alíquota de contribuição dos contribuintes individuais (20% 9% = 11%) conforme determina a legislação e, por tal motivo, as contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais, apuradas por meio do Auto de Infração DEBCAD 37.221.7052, foram calculadas com base na alíquota de 20%. Acrescenta que, tendo em vista que a empresa agiu no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores constantes nos levantamentos acima e, também, da sua condição pessoal de contribuinte ao transferir a responsabilidade pelo pagamento da comissão de venda para o comprador de imóvel, a multa de ofício de 75% será aplicada em dobro (qualificada em 150%), mas somente sobre às contribuições previdenciárias apuradas na competência 12/2008, nos termos do §1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Dos pagamentos de comissão aos corretores de imóveis Segundo a fiscalização, a empresa adota práticas diferentes, quando se trata de comercialização de seus imóveis por corretores pessoas físicas e quando realizada por corretores pessoas jurídicas, tal como segue: a) na comercialização feita por corretores pessoas físicas, em geral, o preço de venda do imóvel constante do contrato de promessa de compra e venda, quanto o constante na proposta de compra e venda com recibo de sinal não incorporam o valor da comissão paga ao corretor pessoa física constante em recibos de pagamento a autônomo (RPA), fazendo crer que é o comprador que remunera o corretor; b) na comercialização feita por corretores pessoas jurídicas, o preço de venda do imóvel constante do contrato de promessa de compra e venda, quanto o constante na proposta de compra e venda com recibo de sinal incorporam o valor da comissão paga ao corretor pessoa jurídica. A comissão é obtida a partir da aplicação de percentual variável, de 1,2% a 1,62% sobre o preço de venda do contrato; A adoção de procedimentos diferentes, nos quais a empresa contabiliza o valor real do imóvel quando vendido por corretores pessoas jurídicas e se responsabiliza pelos pagamentos dessas comissões comprova, em tese, a intenção de se eximir da responsabilidade tributária, considerando que sobre a venda realizada por pessoa jurídica não há incidência de contribuição previdenciária. Nos casos em que as vendas são intermediadas por corretores pessoas físicas a empresa exclui o valor da comissão dos respectivos documentos de comercialização. Por fim, o Relatório Fiscal informa que, para a identificação da prática lesiva ao fisco acima mencionada, corroboram as informações prestadas pelos compradores de imóveis, dentre as quais se destacam as informações de que os corretores se apresentavam como representantes da Via Engenharia, e de que havia a determinação para que os compradores emitissem cheque/recibo diretamente aos corretores pessoas físicas. Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.779 7 DA IMPUGNAÇÃO AOS DEBCAD 37.221.7044 e 37.221.7052 A empresa apresentou impugnação tempestiva, fls. 800/893, na qual alega, em síntese: que não houve ciência por parte da empresa sobre a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF; que a fiscalização utilizouse da aferição indireta para lavrar auto de infração com base em meros depoimentos realizados com os entrevistados, desconsiderando todos os documentos que foram juntados quando das apresentações das repostas aos Termos de Intimação, em verdadeira afronta ao princípio da verdade material e, ainda, não poderia ter sido feito tal arbitramento, pois esse procedimento somente deveria ser utilizado se a autuada não tivesse apresentado os documentos ou prestados as informações solicitadas pelo fisco ou, ainda, se a contabilidade não registrasse o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço; que a Auditoria Fiscal levou à tributação negócios jurídicos realizados por intermédio de terceiras pessoas que sequer têm o comprovante de pagamento, sendo que a inclusão na base de cálculo de tais valores torna o auto de infração ilíquido e incerto e, base de cálculo incorreta gera tributo indevido. Além disso, a base de cálculo foi aferida a partir de média de comissões pagas, sem nenhuma base legal para isso. Todos estes procedimentos foram realizados sem nenhuma prova efetiva de que a empresa tenha feito pagamento de comissões aos corretores, pois, de fato, quem realizava os pagamentos aos corretores eram os compradores dos imóveis; que a lavratura do Auto de Infração tem que se pautar pela certeza, pelos meios de provas admitidos em direito, em vez de presunções. A fiscalização não provou que a Impugnante fazia pagamento de comissões de corretagem, ou que havia relação empregatícia com os corretores, sendo que os fatos imputados foram apenas resultados de presunções; que a empresa não pode figurar como sujeito passivo da obrigação tributária, pois quem fazia os pagamentos das comissões aos corretores eram os compradores de imóveis e, assim, não há que se falar em retenção de contribuições previdenciárias de autônomos, pois a empresa não fez pagamento a eles; que decaiu o direito de lançar parte do crédito, uma vez que a constituição do crédito se deu em setembro de 2011, abrangendo o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008 e, por se tratar de tributo por homologação, estão decadentes as competências anteriores a setembro de 2006; que a auditoria baseou o lançamento tributário em alegações e provas obtidas quando da fiscalização de outra empresa, Via Empreendimentos Imobiliários S/A, CNPJ 03.554.207/000104, Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 constante dos processos 10166.723118/201051, 10166.723121/201074, 10166.723123/201063, 10166.723119/201003, 10166.723122/201019, 10166.723117/201014,e 10166.723124/201016. Assim, houve a utilização de provas emprestadas, que não foram juntadas ao presente processo administrativo, e que são relativas a processos que ainda não foram julgados em primeira instância administrativa; que não consta dos autos a fundamentação legal que autoriza a lavratura do Auto de Infração por aferição indireta; que, para que ocorra a hipótese de incidência das contribuições previdenciárias, deverá haver a habitualidade nos pagamentos aos trabalhadores, além da natureza de contraprestação pelos serviços prestados (retributividade); que os corretores de imóveis não se enquadram em nenhuma disposição da Lei 8.212/91 que os inclua como segurados obrigatórios da Previdência Social e, assim, os valores percebidos por estes também não podem servir para compor base de cálculo previdenciária; que o corretor de imóveis não efetua prestação de serviços, pois sua atividade possui caráter especial, que é o de aproximar as partes interessadas no negócio imobiliário. Assim, não se pode dizer que o corretor presta serviços a este ou aquele pois, se assim fosse, estaria sendo desleal com uma das partes, uma vez que perderia sua isenção em demonstrar as vantagens e desvantagens do negócio. E, dessa forma, como não presta serviços à construtora, não há que se falar em exigir contribuição sobre prestações de serviços; que a Impugnante somente poderia figurar como responsável solidária das obrigações principais e acessórias caso já houvesse débito lançado em nome dos devedores principais, que são os compradores dos imóveis; que a taxa Selic não poderia ter sido utilizada para calcular atraso no pagamento de uma obrigação, uma vez que possui caráter remuneratório, que visa premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal. Além disso, essa taxa não foi criada e definida por lei, mas por resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil, carecendo, portanto, de legalidade; que não poderia a fiscalização imputar aos sócios da empresa a responsabilidade solidária pelo valor lançado, mencionando que os corresponsáveis constam no Relatório de Vínculos. Este procedimento somente seria cabível em algumas situações previstas na legislação, tal como infração de lei ou excesso de poder; que o elevado valor da multa aplicada ao contribuinte, no percentual de 75%, revestea de caráter confiscatório; que não houve, por parte do contribuinte, qualquer ação ou omissão dolosa que pudesse caracterizar sonegação, fraude ou Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.780 9 conluio e, por isso, incabível a aplicação de agravamento de multa e se, de fato, tivesse havido qualquer uma dessas ações ou omissões, caberia à autoridade fazendária demonstrar e comprovar essas ocorrências. No presente caso, a Autoridade Lançadora sequer mencionou qual das espécies teria ocorrido, se sonegação, fraude ou conluio, prejudicando a defesa do contribuinte; que é ilegal a aplicação da cobrança de cobrança de juros Selic sobre a multa de ofício aplicada, pois não há previsão legal para tanto. A previsão é de que os juros Selic incidirão sobre o valor dos tributos e contribuições, portanto, uma vez que multa não é tributo, mas uma sanção, não poderá sofrer incidência de juros Selic. A previsão do art. 43 da Lei 9.430/96 não pode servir para justificar a incidência dos juros pois, no caso, o referido artigo autoriza apenas a cobrança em relação à multa exigida isoladamente, o que não se enquadra na hipótese dos autos. Ao final, requer: Sejam acolhidas as preliminares para determinar a nulidade da autuação ou, caso não haja este entendimento, que sejam acolhidas as razões de mérito para determinar a improcedência integral do auto de infração. Protesta pela juntada de documentos, perícia ou quaisquer elementos ou providências que se fizerem necessárias para o deslinde da questão; Sejam seus diretores excluídos do pólo passivo da obrigação tributária, face à ausência de motivos que justifiquem tal expediente. DILIGÊNCIA Em razão do contido no Relatório Fiscal, de que os valores da parte dos segurados contribuintes individuais foram apurados com base na alíquota de 20%, em razão do entendimento da fiscalização de que a alíquota de 11% não pode ser aplicada ao caso, uma vez que a omissão em GFIP constitui fato impeditivo à dedução de 9% prevista em lei, baixamos os autos em diligência, para que a autoridade fiscal discriminasse os valores dos contribuintes individuais, considerandose a alíquota de 11% para todos os segurados contribuintes individuais constantes do AI DEBCAD 37.221.7052 (observandose o limite máximo do salário de contribuição desses segurados), por ser este o percentual correto, segundo entendimento já manifestado em outros acórdãos por esta 5a Turma de Julgamento. Em resposta à diligência, fls. 1.571/1.572, a Autoridade Lançadora informa que elaborou nova planilha, a qual se encontra anexada às fls. 1.564/1.567. Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Cientificado da Informação Fiscal que corrigiu as alíquotas aplicáveis à matéria, o contribuinte apresentou manifestação, fls. 1.575/1.579, alegando: que o lançamento encontrase com a validade comprometida, haja vista que somente agora na fase contenciosa, e em razão da diligência cientificada em 02/10/2012 teve o quantum debeatur aperfeiçoado, isso porque a alteração na alíquota aplicável implica alteração do critério jurídico do lançamento, resultando em violação ao contido no art. 146 do CTN; que seja reconhecida a decadência para os fatos geradores anteriores a outubro de 2007, pois tiveram a materialidade aperfeiçoada somente em 02/10/2012. É o relatório. ” COMPLEMENTANDO DO RELATÓRIO A QUO DA DILIGÊNCIA Às fls. 1.518, em 05 de junho de 2012, o i. Julgador a quo, ao analisar os autos , percebeu que, na forma do § 4° do art. 30 da Lei n° 8.212/91, a autoridade fiscal incorrera em erro ao efetuar lançamento que, respeitandose o limite máximo do salário de contribuição, deveria ter sido de 11%, em vez de 20%. Diante disto, requereu diligência. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Às fls. 1522, datado de 30/07/2012, em atenção ao solicitado, consta emissão de Mandado de Procedimento Fiscal para diligência cujo descrição do objeto ao invés de descrever o que fora determinado pelo Julgador gravou que esta seria para COLETA DE INFORMAÇÕES. DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA Às fls.1.569, datada de 02/10/2012, colacionaramse INFORMAÇÃO FISCAL onde providenciaramse não mera coleta de informações mas ajustes no lançamento na forma determinada pelo julgador de primeira instância: “1 Com base na orientação contida na Solução de Consulta Interna das Divisões de Tributação das Superintendências Regionais da 1a e 10a Região Fiscal (DISIT/SRRF01 e SRRF10) integrante do eprocesso comprot n° 10166.725012/201253 encaminhado à COSIT informando que a alíquota a ser aplicada no lançamento da contribuição do segurado contribuinte individual (CCI) em nome da empresa que deixou de efetuar a respectiva retenção é de 11% e em cumprimento a diligência solicitada por meio do Despacho n° 15, de 05/06/2012, da 5a Turma da DRJ/BSB, a autoridade lançadora anexa ao presente processo digital comprot n° 10166720.923/2011 11 (debcad 37.221.7052) as seguintes planilhas com os devidos ajustes nas alíquotas das contribuições previdenciárias não descontadas dos contribuintes Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.781 11 individuais (CCI) de 20% para 11%, no período de 01/2006 a 12/2008 : Vendas ADM sem LMSC_CCI 11%: essa planilha demonstra os ajustes nos valores das contribuições devidas pelos contribuintes individuais (CCI) com a redução da alíquota de 20% para 11%, porém, as contribuições foram apuradas com base nas comissões de venda obtidas por aferição indireta (Venda ADM), logo, não foi possível observar o Limite Máximo do Salário de Contribuição (LMSC); Vendas PF com LMSC_CCI 11%: demonstra os ajustes nas contribuições devidas pelos contribuintes individuais (CCI) com a redução da alíquota de 20% para 11% e apuradas com base nas comissões de venda pagas a corretores pessoas físicas informadas pela empresa Via Engenharia S/A. No caso, a fiscalização considerou o teto máximo do salário de contribuição em função da identificação do segurado beneficiado e a respectiva remuneração recebida; Planilhas CCI 11% por LEV e por COMP: apresentam 03 arquivos com a consolidação dos valores das contribuições apurados por levantamento (LEV) e por competência (COMP), conforme dados a seguir: Planilha 1A contribuição (CCI) consolidada por Comp e por Lev VA e MA; Planilha 1B contribuição (CCI) consolidada por Comp e por Lev VC e MC ; Planilha 1C total da contribuição (CCI) consolidado por Competência. 2 Mais informações se encontram nos documentos anexos ao referido processo, especialmente nos itens 15 a 18 e 29 a 78 do Relatório Fiscal. 3 Cumpridas as exigências solicitadas na Diligência da DRJ/DF a empresa tem o prazo de 30 dias para manifestação Brasília/DF, 02 de outubro de 2012.” DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Às fls. 1.575, consta manifestação do contribuinte alega que não merece prosperar a forma da apuração da contribuição por meio de aferição indireta, isto porque inexistem pagamentos de comissões de vendas feitas pela Requerente à corretores de imóveis que prestam serviços à seus clientes (adquirentes das unidade imobiliárias). Também se mostra inapropriada a aferição indireta, por não haver recusa ou sonegação de documentos e informações por parte da Requerente, ora Impugnante Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Alegou, também, que lançamento encontrase com a validade comprometida, haja vista que somente agora na fase contenciosa e em razão da diligência cientificada em 02/10/2012 teve o quantum debeatur aperfeiçoado. Na seqüência alegou que a alteração na alíquota aplicável ao caso implica diretamente em alteração de um dos critérios jurídicos do lançamento, o que nesta fase processual viola ao contido no art. 146 do CTN. Em razão do acima , o contribuinte requereu ainda, que caso eventualmente a Turma Julgadora entenda que a mudança de alíquota não implica em nulidade de todo o lançamento, pede a Impugnante, seja reconhecida a decadência quanto aos fatos geradores anteriores a outubro de 2007, porquanto tiveram a materialidade aperfeiçoada somente em 02/10/2012, respeitandose, assim, princípio da estrita legalidade aplicável ao ato administrativo de constituição do crédito tributário. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.1.591, a 5 Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Brasília (DF) DRJ/BSB, em 19 de Março de 2013, exarou o Acórdão n° 0351.248 onde na conclusão concedeu provimento parcial determinando a redução da a alíquota aplicada, de 20% para 11%, relativo aos valores devidos pelos segurados contribuintes individuais que a empresa deveria ter retido e recolhido à Seguridade Social, constantes do Auto de Infração DEBCAD 37.221.7052. Emitido em 09/04/2013 , consta às fls. 1.623, DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO – DADR onde se procederam os ajustes determinados pela instância a quo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.1.635, onde reiterou as razões de impugnação . É o Relatório. Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.782 13 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 1.773, o Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DOS MANDADOS DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF E DAS PRORROGAÇÕES Pesquisa no sítio da Recita federal, com grifos de minha autoria, revela que em 08 de Julho de 2010, nos termos abaixo transcritos, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF , n° 01.1.01.002010006297 com prazo para encerramento para 05 de Novembro de 2010; “ ENCAMINHAMENTO Determino, nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil (AFRFB) acima identificado(s), que está(ão) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua realização. Este Mandado deverá ser executado até 05 de Novembro de 2010. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Brasília, 08 de Julho de 2010.” No mesmo documento se destaca que – depois do vencimento marcado para 05 /11/2010, este fora alterado nas datas 26/11/2010 e 21/03/2011. Ainda com referência ao MPF , destacase o campo com o quadro DEMONSTRATIVO DE PRORROGAÇÕES conforma abaixo: MPF prorrogado até: 04 de Janeiro de 2011. MPF prorrogado até: 05 de Março de 2011 MPF prorrogado até: 04 de Maio de 2011 MPF prorrogado até: 03 de Julho de 2011. MPF prorrogado até: 01 de Setembro de 2011 Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 MPF prorrogado até: 31 de Outubro de 2011. Os prazos dos Mandados de Procedimentos Fiscais – MPF , constavam regidos nos arts 11 e 12 da Portaria RFB, nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, verbis: “ Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 . Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal.” Na forma do que determinava o inciso I do art. 11 da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, após 120 dias de sua emissão ocorrida em 08/07/2011, o MPF emitido teve corretamente delimitado o prazo para execução marcado para 06/11/2010. Também os prazos registrados no campo DEMONSTRATIVOS DAS PRORROGAÇÕES subsumiramse ao comando do inciso II do sobredito artigo observando limites de sessenta . Entretanto a primeira alteração não cumpriu o que fora determinado fazendo constar no documento que esta ocorrera em 26/11/2010 , depois do vencimento marcado para 05 /11/2010. Registraramse uma segunda alteração, em 21/03/2011 absolutamente descompassada com os prazos constantes do demonstrativo de prorrogação : MPF prorrogado até: 04 de Janeiro de 2011. MPF prorrogado até: 05 de Março de 2011 MPF prorrogado até: 04 de Maio de 2011 MPF prorrogado até: 03 de Julho de 2011. MPF prorrogado até: 01 de Setembro de 2011 MPF prorrogado até: 31 de Outubro de 2011 Na forma do parágrafo único do art. 14 da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Sobre a extinção dos mandados o inciso II do art. 14 da Portaria em comento previa que ocorreria pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Ressaltese que o contido na previsão do art. 15 da mesma instrução em tela valida os atos praticados até o decurso do prazo, por óbvio, e para fazer valer o que excedeu emitirseia NOVO MPF para a conclusão do procedimento fiscal ,verbis: Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.783 15 “ Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. ” Como visto acima, o documento de prorrogação fora emitido depois de encerrada a validade do primeiro mandado e não fora emitido NOVO MPF . Entendase como novo o documento MPF com nova numeração e não meramente complementar . DA PORTARIA RFB Nº 11.371, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2007 E DA EXTINÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Vigente por ocasião da ação fiscal, acerca da prorrogação do Mandado de Procedimento FiscalMPF, o parágrafo único do art. 9º da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, assim preceituava: “Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração.” Isto posto, não obstante o caput do art. 9º registrar que as prorrogações eram efetuadas mediante registro eletrônico, no parágrafo único se determinava que Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB responsável pelo procedimento fiscal deveria cientificar o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Na forma inciso I do art. 14 da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, o decurso de prazo faz extinguir o procedimento fiscal alem do que conforme o comando do parágrafo único, o sujeito passivo deverá ser cientificado no prazo de validade do MPF, verbis: “Art. 14. O MPF se extingue: Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF.” Aduz que, não obstante a extinção do primeiro MPF pelo decurso de prazo ocorrido, não se registram nos autos TERMOS DE CIÊNCIA E DE CONTINUAÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL, que, ressaltese, documento usualmente produzido pelo Auditores Fiscais quando se defrontam com as situações do gênero em tela. Em sede de impugnação a Recorrente alegara que não houve ciência por parte da empresa sobre a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Enfrentando a questão, concordando ter expirado o prazo inicial, o i. Julgador a quo , justamente pelo simples fato da ação fiscal não ter se interrompido , manifestandose conforme trecho abaixo transcrito com grifos de minha autoria, entendeu ter havido uma intimação tácita : “Na análise dos autos constatase que, após ter expirado o prazo inicial do MPF, a empresa foi intimada várias vezes a apresentar documentos à fiscalização, por meio de diversos Termos de Intimação Fiscal, o que demonstrou, ainda que tacitamente, a continuidade do procedimento fiscal. Assim, poderia a empresa, se assim o quisesse, ter consultado o sítio da Receita Federal para saber da nova data de prorrogação. Destaquese, ainda, que, mesmo estando encerrada a ação fiscal, pode o contribuinte consultar os dados do MPF na internet, de acordo com art. 18 da mencionada Portaria. ” Discordando do juízo a quo, compulsame o exposto, declarar NULO o lançamento tendo em vista que as regras estabelecidas são para serem cumpridas sob pena de que prosperando subjetivas interpretações essas possam tornar caótico o processo administrativo. DA DILIGÊNCIA E DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Conforme foi visto alhures, em 19 de Março de 2013 a instância a quo exarou o Acórdão n° 0351.248 onde na conclusão foi concedido provimento parcial determinando a redução da alíquota aplicada, de 20% para 11%, relativo aos valores devidos pelos segurados contribuintes individuais que a empresa deveria ter retido e recolhido à Seguridade Social, constantes do Auto de Infração DEBCAD 37.221.7052. Emitido em 09/04/2013, consta às fls. 1.623, DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO – DADR onde se procederam os ajustes determinados pela instância a quo. Cumpre destacar que a decisão de primeira instância não foi resultado de convencimento do i. Julgador na condução do voto. Anterior ao “decisium”, às fls. 1.518, em 05 de junho de 2012, o i. Julgador, ao analisar os autos, percebendo que na forma do o § 4° do art. 30 da Lei n° 8.212/91, a autoridade fiscal incorrera em EQUÍVOCO ao efetuar lançamento que, respeitandose o limite máximo do salário de contribuição, deveria ter sido de 11%, em vez de 20%, requereu diligência onde na forma abaixo transcrita com grifos de minha autoria já determinara ao Auditor Fiscal autuante alterar os lançamento , verbis: Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.784 17 “ DA DILIGÊNCIA SOLICITADA Tendo em vista o contido acima, solicitase à fiscalização a seguinte diligência, em relação ao DEBCAD 37.221.7052: a) seja elaborada planilha, por competência, mencionando todos os contribuintes individuais constantes do lançamento, informando qual o valor deveria ter sido retido de cada segurado, considerandose o percentual de 11%, e respeitando se o limite máximo do salário de contribuição; b) nos levantamentos por aferição indireta, onde não é possível individualizar quem são os contribuintes individuais, que seja elaborada planilha aplicando o percentual de 11% nas competências objeto do lançamento; c) a partir dos cálculos acima, seja elaborada planilha DE/PARA, demonstrando qual a nova contribuição, para cada competência e levantamento constante do lançamento; d) Seja cientificado o contribuinte, abrindolhe prazo para nova manifestação; e) Após adoção das providências solicitadas, retornese os autos para julgamento.” DO EQUÍVOCO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO E DA RETIFICAÇÃO. Na previsão do § 3º, do art. 18, do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício, a realização de diligências quando, em exames posteriores realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções ou alteração da fundamentação legal da exigência. Isto ocorrendo será lavrado novo auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, verbis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.( Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. ( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993 )” Muito embora os créditos tenham sido alterados em razão de não se ter observado o § 4° do art. 30 da Lei n° 8.212/91, às fls. 16 consta colacionado o relatório original Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 de Fundamentos Legais das Rubricas onde não se nota incluído o sobredito § 4° do art. 30 que motivou as retificações do lançamento irregularmente constituído, verbis: “114 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS PELA EMPRESA/COOPERATIVA DE TRABALHO 114.01 Competências : 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 12, V, art. 21, art. 28, III, art. 30, I, "b", parágrafo 2., com redação da Lei n. 9.876, de 26.11.99 e alterações da MP 447, de 14.11.2008, convertida na Lei n. 11.933, de 28.04.2009, e parágrafos 4. e 5., com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.876, de 26.11.99 c/c art. 4.,¨caput¨ e parágrafo 1. da Lei n. 10.666, de 08.05.2003, alterados pela Lei n. 11.933, de 28.04.2009. Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., V, art. 199, art. 214, III, parágrafos 3. e 5., art. 216, I, parágrafos 20, 21, 23, 26 a 31 , com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03 e alteração do Decreto n. 6.722, de 30.12.2008.” Na forma do art. 32 do Decreto 70.235/72 , na decisão, e não no lançamento, os erros de escrita ou de cálculos poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo” No caso presente a Autoridade autuante constitui o crédito baseada em equivocado fundamento legal previsto no art. 21 da Lei n 8.212/91, verbis: “Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. ” Para retificar o equívoco percebido anterior à decisão se fez necessário obter respaldo em novo fundamento legal previsto no § 4° do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Não se trata pois de mero erro de cálculo que sanável à luz do preceituado art. 32 do Decreto 70.235/72, supra. Conforme visto alhures, quando , em exames posteriores forem verificadas incorreções ou a hipótese de equivocada aplicação de alíquota que implique alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. conforme o comando do § 3º do art. 18 do sobredito Códex. Um dos elementos básico que deve constar do Auto de Infração é a clara capitulação da legislação que deu origem ao valor da autuação O Código Tributário Nacional – CTN preceitua no art. 142, que cumpre à autoridade administrativa que constituir o crédito tributário pelo lançamento, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.785 19 Não se pode efetuar lançamentos imprecisos ou mal fundamentados para, na fase de julgamento, aperfeiçoálos com novos argumentos, nova fundamentação ou com juntada de provas que venham a robustecêlos. A recorrente alega ter havido alteração de um dos critérios jurídicos do lançamento, o que nesta fase processual viola ao contido no art. 146 do CTN. Discordando , não observo alteração de critérios jurídicos.Entretanto, em razão do que foi exposto, muito embora não tenha havido retificação para agravar o lançamento, verifico NULIDADE em razão do demonstrado vício. Por tudo que foi exposto, resta NULA a constituição dos créditos em razão de eivada de VÍCIO MATERIAL “ AB INITIO”. DO APERFEIÇOAMENTO DO DÉBITO Na hipótese deste Colegiado não anuir as nulidades supra, tenho convencimento de que mesmo não tendo sido obedecido o comando do § 3º do art. 18 do Decreto 70.235/72 para efetuar novo lançamento, a notificação da retificação ocorrida em 02/10/2012 , promoveu o aperfeiçoamento do lançamento dando origem a nova data de início para contagem do prazo decadencial. DA DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” De plano cumpre destacar que na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, à exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contempladas pelos recolhimentos. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os autolançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedimento para pagamento, tem o condão de alcançar qualquer rubrica. É muito relevante notar que de forma alguma o legislador condicionou a homologação nos termos do artigo 150 à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que até mesmo a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.786 21 Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações. O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa. Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicando se forma menos severa, tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN :(...) Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN, a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput, se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.787 23 A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite ,sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Outro ponto de relevo que entendo deva ser destacado da leitura do § 4º do artigo 150 é que na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, nem de forma explícita, tampouco implícita, ficou determinado a capitulação do artigo 173 para a determinação da decadência dos valores fraudados. A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta criminosa e a decadência ou a prescrição devem ser analisadas e em foro próprio não comportando benefício tributário. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.788 25 Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma convenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Segundo o art.139 do Código Tributário Nacional CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Visto isso, é lícito depreender que se a obrigação principal se subsumir aos ditames do lançamento por homologação previstos no artigo 150, § 4° no mesmo Código Tributário, o crédito tributário derivado desta obrigação, quando constituído pelo efetivo lançamento, qualquer que seja a denominação ou a classificação dada a esse lançamento, em obediência ao comando preceituado no artigo 139 do mesmo diploma legal, terá a mesma natureza jurídica original. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 01/2006 a 12/2008 conforme Relatório Fiscal e ainda que a empresa fora Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 notificada da retificação do crédito em , 02/10/2012, oportunidade em que o lançamento se aperfeiçoara, na forma do artigo 150, § 4° do CTN, bem como em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, o crédito lançado para as competências 09/2007, inclusive, e anteriores, encontrase fulminado pelo Instituto da Decadência. DO MÉRITO Superando as preliminares, exceto a decadência, na forma do comando do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235 , de 6 de março de 1972, “ quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”. DA DESCONSTITUIÇÃO DA CONVENÇÃO PARTICULAR. À Autoridade Administrativa compete desconsiderar atos ou negócios que , exclusivamente, pretendam dissimular a ocorrência do fato gerador ou a natureza constitutiva da obrigação tributária. No item 59 do laborioso Relatório Fiscal de fls.35 a 72, a Autoridade autuante afirma que a Recorrente PAGOU DE FORMA INDIRETA as remunerações a título de comissão de venda a corretores de imóveis autônomos e exortou o comando do art. 123 do Código Tributário Nacional – CTN ressaltese não colacionado no Relatório de Fundamentos Legais para justificar que – “por similaridade” – o contribuinte tentara modificar a definição legal de sujeito passivo , grifos de minha autoria, verbis: “ 59.Portanto, ante a previsão legal do art. 123 do Código Tributário Nacional, CTN, (Lei n° 5.172, de 25/10/1966), o procedimento do contribuinte, exaustivamente descrito por similaridade nos itens precedentes, caracteriza tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, conforme segue: "Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes". No presente caso, ficou comprovado que a empresa Via Engenharia pagou, de forma indireta, remunerações a título de comissão de venda a corretores de imóveis autô nomos que lhe prestaram serviços no período fiscalizado e não declarou tais remunerações em GFIPs e em folhas de pagamento nem as lançou na contabilidade, portanto, não recolheu as contribuições previdenciárias devidas. Diante dessa omissão, a auditoria fiscal, no uso de suas prerrogativas legais, promoveu o lançamento de ofício referente às contribuições previdenciárias (patronal e dos segurados) destinadas à Seguridade Social, conforme determina a legislação citada acima.” Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, similar significa de mesma natureza, a mesma função, o mesmo efeito ou a mesma aparência e destaca a utilização do Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.789 27 termo para se referir a objetos, artigos ou produtos. Neste sentido, cabe observar que o aludido art.123 do CTN não se presta a motivar o lançamento em razão de se remeter à convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de TRIBUTOS , verbis: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” Relevante destacar que as convenções em apreço, além de traduzirem pacto inserido na esfera cível, não restaram formalmente traduzidas entre as partes razão pela qual não se observa documentos colacionados que efetivamente o comprove . Aduz que admitindo se que tenham sido levados à termo, os pactos transcorridos no campo das responsabilidades cíveis, redefinido a obrigação do vendedor para pagar as comissões aos corretores e transferindoa para os compradores, estes ao efetuarem os pagamentos, mesmo sob alguma espécie de, tácita e explicitamente anuíram o procedimento. DA AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO Nos termos trazidos à colação, as convenções entre os vendedores e compradores de imóveis, não se fizeram ocultas denotando que não pretenderam esconder os fatos geradores. Não houve portanto simulação. É cediço que dolo é a condução de conduta consciente e deliberada com o intuito de se cometer ato criminoso. O emprego da astúcia ou artifício para enganar e prejudicar alguém é fraude; máfé; logro. As convenções praticadas às claras com a anuência dos compradores e ainda exibidas ao fisco, não fazem vislumbrar a existência de dolo, fraude ou simulação. Quanto ao pagamento de comissões aos corretores, essas podem ferir direitos das partes previstos na esfera cível sendo facultado àquele que se sentir “ lesado ” interpor ação para reparos descabendo tutela do Estado posto que de iniciativa PRIVADA. O pacto entre as partes, vendedores/compradores/corretores, não revela reunião com intuito de em conluio praticar procedimento criminoso. Ao contrário do que afirma Autoridade autuante, o acordo não modifica a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária . Ao assumir o ônus pelo pagamento das comissões aos corretores, na verdade, os compradores tomaram assento no pólo passivo da obrigação de descontar as incidências sobre os segurados e recolhêlas aos cofres públicos juntamente com as respectivas partes patronais sem a necessidade de declarar em GFIP. DO SUJEITO PASSIVO E DA OBRIGAÇÃO DE RECOLHER Cumpre destacar que nos itens 53/55 do sobredito Relatório Fiscal os registros ali efetuados , à “contrario sensu”, na verdade encerra toda a questão na medida em que revela qual o contribuinte de fato quando demonstra quem paga a quem e o que, verbis: Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 “ 53 Em síntese, a empresa define o valor geral de vendas do imóvel (VGV) e negocia com o corretor o percentual da comissão de corretagem; o corretor, por sua vez, no ato da negociação com o cliente repassa o valor total do imóvel e as condições de pagamento/financiamento oferecidas pela empresa, preenchendo a Proposta de Compra e Venda e Recibo de Sinal, caso o cliente manifeste interesse na aquisição; o corretor orienta o cliente para emissão de cheques distintos, sendo um para pagamento do sinal em garantia do negócio e o outro para pagamento da comissão de venda ao profissional; corretor de imóvel; aprovada a proposta, a venda é efetivada com a assinatura do contrato de promessa de compra e venda. Do ponto de vista do comprador, esta prática não traz para este nenhum custo adicional, pois o valor que está pagando pelo imóvel é o valor de venda estabelecido pela empresa no ato da negociação e nada mais. A diferença constante do contrato de promessa de compra e venda corresponde ao valor da comissão de venda paga direta mente ao corretor, a qual, segundo procedimento adotado pela empresa, não compõe o valor do contrato. Diante do exposto, percebese com clareza o procedimento lesivo da empresa de consolidar no seu processo de venda de imóveis a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão de venda para o comprador, fazendo crer que o corretor presta serviço para ele (comprador) e, portanto, eximindose do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no que se refere às contribuições.” ( grifos de minha autoria) Relevante destacar que na internet o sítio dos Corretores abaixo transcrito prevê que os pagamentos das comissões possam ser efetuados diretamente pelo comprador ao corretor: http://www.sitedoscorretores.com.br/facilidades/quem_paga_comissao_do_corretor.php DA AUSÊNCIA DOS FATOS GERADORES E DA IMPOSSIBILIDADE de PROCEDIMENTO DE AFERIÇÃO INDIRETA Conforme preceitua o art. 142 do Código Tributário NacionalCTN , exige se, mediante clara demonstração a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.720923/201111 Acórdão n.º 2403002.285 S2C4T3 Fl. 1.790 29 No item 29 do Relatório Fiscal , parte final se registra a questão de fundo a ser enfrentada, verbis: RAZÕES DA CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS Conforme já citado anteriormente, em 13/07/2010 iniciou se o procedimento fiscal na empresa VIA ENGENHARIA S/A, CNPJ n° 00.584.755/000180, e através do Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF) e de outros Termos específicos o contribuinte fiscalizado foi intimado a apresentar toda a documentação comprobatória do cumprimento do objeto da obrigação principal, qual seja, o pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados contribuintes individuais, tendo como fato gerador a prestação de serviço de comercialização de imóveis mediante o pagamento de remuneração a título de comissão de venda, referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008. DA IMPOSSIBILIDADE DE A EMPRESA LANÇAR OS PAGAMENTOS COMO DESPESA OU CUSTO De tudo que foi exposto, resta claro, que se os compradores dos imóveis pagaram as comissões, por óbvio, não tendo saído recursos do caixa da empresa para tal finalidade, esta não pode se utilizar desses valores para efetuar lançamentos na sua contabilidade como despesas ou custos e assim obter até mesmo benefícios das reduções na sua declaração de renda sob pena de em o fazendo como quer a Autoridade autuante cometer ilícitos seguramente passíveis de procedentes autuações fiscais . Se na operação de compra e venda, de pleno acordo ou sob eventual coação, os compradores dos imóveis, com seus recursos próprios que não foram não repassados de alguma forma pela Recorrente, assumiram pagar as comissões dos corretores, por total impossibilidade, não se pode atribuir que a recorrente os tenha efetuados de forma indireta. O presente lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores ao corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por AFERIÇÃO INDIRETA no lançamento em comento. Em razão de tudo que foi exposto, reiterando o que fora exortado alhures , na forma do comando do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235 , de 6 de março de 1972, decido pelo mérito posto que este aproveita a declaração de nulidade. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para, EM PRELIMINAR, na forma do artigo 150, § 4° do CTN, bem como em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, reconhecer a DECADÊNCIA dos créditos lançados para as competências 09/2007, inclusive, e anteriores. E NO MÉRITO, Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 embora as nulidades presentes, observando o comando do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235 , de 6 de março de 1972, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10882.910082/2011-39
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 82 /2 01 1- 39 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 33, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910082/201139 Acórdão n.º 3802002.213 S3TE02 Fl. 44 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 29/04/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 15/05/2013 (fls. 33). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10670.005280/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA
Sendo o fato gerador a propriedade, o domínio ou a posse do imóvel, e tratando-se de obrigação propter rem deve o adquirente sub-rogar-se na responsabilidade pela quitação do tributo, especialmente quando ausente prova quitação no instrumento que transferiu a propriedade. Precedente
ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL COMPROVADA.
Por se tratar de área que independe do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento da ARL declarada em DITR. Precedentes. Ainda, tendo sido comprovada a averbação de ARL na matrícula do imóvel previamente ao início da ação fiscal, tal deve ser reconhecida e excluída da base tributável do ITR. Precedente.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS. ÁREAS DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo comprovação das Áreas de Preservação Permanente, Áreas ocupadas com benfeitorias e Áreas de Exploração Extrativa quanto aos exercícios autuados, deve ser mantida a glosa de tais áreas para fins de apuração do ITR.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. APLICAÇÃO DE VTN POR APTIDÃO. MAJORAÇÃO DO VALOR AUTUADO. REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Existência, nos autos, de informação quanto VTN por aptidão agrícola, mas cuja aplicação ensejaria majoração do valor autuado. Sendo vedado a reformatio in pejus, há de ser considerado para fins de cálculo do VTN o valor declarado originariamente pelo contribuinte. Precedentes.
MULTA
Tratando-se de multa de 75%, estando essa em conformidade com o disposto na legislação, não há que se falar em inconstitucionalidade. Ainda, tal alegação esbarra na Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 2202-002.540
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva no exercício de 2004, e, no mérito, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) de 1.231,69 ha e restabelecer o VTN declarado.Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez que provia parcialmente apenas para restabelecer o valor do VTN declarado. (Assinado digitalmente)
(Assinado digitalmente)
ANTÔNIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt, Heitor de Souza Lima Junior
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004, 2005 IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA Sendo o fato gerador a propriedade, o domínio ou a posse do imóvel, e tratando-se de obrigação propter rem deve o adquirente sub-rogar-se na responsabilidade pela quitação do tributo, especialmente quando ausente prova quitação no instrumento que transferiu a propriedade. Precedente ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL COMPROVADA. Por se tratar de área que independe do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento da ARL declarada em DITR. Precedentes. Ainda, tendo sido comprovada a averbação de ARL na matrícula do imóvel previamente ao início da ação fiscal, tal deve ser reconhecida e excluída da base tributável do ITR. Precedente. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS. ÁREAS DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo comprovação das Áreas de Preservação Permanente, Áreas ocupadas com benfeitorias e Áreas de Exploração Extrativa quanto aos exercícios autuados, deve ser mantida a glosa de tais áreas para fins de apuração do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. APLICAÇÃO DE VTN POR APTIDÃO. MAJORAÇÃO DO VALOR AUTUADO. REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Existência, nos autos, de informação quanto VTN por aptidão agrícola, mas cuja aplicação ensejaria majoração do valor autuado. Sendo vedado a reformatio in pejus, há de ser considerado para fins de cálculo do VTN o valor declarado originariamente pelo contribuinte. Precedentes. MULTA Tratando-se de multa de 75%, estando essa em conformidade com o disposto na legislação, não há que se falar em inconstitucionalidade. Ainda, tal alegação esbarra na Súmula 2 do CARF.
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SUJEIÇÃO PASSIVA Sendo o fato gerador a propriedade, o domínio ou a posse do imóvel, e tratandose de obrigação propter rem deve o adquirente subrogarse na responsabilidade pela quitação do tributo, especialmente quando ausente prova quitação no instrumento que transferiu a propriedade. Precedente ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL COMPROVADA. Por se tratar de área que independe do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento da ARL declarada em DITR. Precedentes. Ainda, tendo sido comprovada a averbação de ARL na matrícula do imóvel previamente ao início da ação fiscal, tal deve ser reconhecida e excluída da base tributável do ITR. Precedente. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS. ÁREAS DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. 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MULTA Tratandose de multa de 75%, estando essa em conformidade com o disposto na legislação, não há que se falar em inconstitucionalidade. Ainda, tal alegação esbarra na Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva no exercício de 2004, e, no mérito, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) de 1.231,69 ha e restabelecer o VTN declarado.Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez que provia parcialmente apenas para restabelecer o valor do VTN declarado. (Assinado digitalmente) (Assinado digitalmente) ANTÔNIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 16/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt, Heitor de Souza Lima Junior Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (Fls. 0311), mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercícios 2003, 2004 e 2005, no valor total de R$ 664.062,63, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário (Fls. 03) do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 6325424, localizado no município de Riacho dos MachadosMG, sendo R$ 286.775,87 à título de imposto, R$ 162.204,87 à título de juros de mora e R$ 215.081,89 à título de multa. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 30 3 Na descrição dos fatos (Fls. 0510), o fiscal autuante relata a falta de recolhimento do ITR dos exercícios citados acima, por não terem sido comprovadas as informações contidas nas DITR’s. Em Termo de Verificação Fiscal, a SEFAZ embasou o Auto de Infração nos seguintes argumentos para glosar as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal: que não houve a devida comprovação da averbação das Áreas de Reserva Legal, uma vez que se tratam de sete matrículas individualizadas e a averbação se refere a uma área total (de 6.156,22 ha) que, embora refira se tratar do imóvel em questão, diverge da área total de 5.734,39 ha que se tem quando somadas as sete matrículas; quanto às Áreas de Preservação Permanente, não existiria qualquer menção a elas, na documentação apresentada pelo contribuinte ou pelos terceiros intimados; que não existiria ADA nos exercícios em tela; que não houve a apresentação de qualquer documentação (memorial descritivo, planta, etc.) em que conste a existência de áreas relativas à preservação permanente; que não houve informação, nas certidões apresentadas pelo Cartório de Registro de Imóveis de Porteirinha, das áreas de reserva legal existentes nas glebas B e C componentes do imóvel; que houve divergência de localização das áreas das reservas entre as certidões (que informa haver reserva localizada nas glebas B e C) e a planta topográfica (que informa haver reserva localizada nas glebas A e B); que houve divergência entre a área total da reserva legal averbada (1.23 1,69 hectares) em relação à área declarada nos exercícios 2003, 2004 e 2005 (1.080,0 hectares); quanto à Área ocupada com Benfeitorias, que tal não constaria na documentação apresentada pela fiscalizada, na planta e memorial descritivo do imóvel rural ou documentação particular de compra e venda, sendo também estas glosadas; Fl. 522DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 4 quanto à Área de Reflorestamento, que a contribuinte teria informado em suas declarações dos exercícios de 2004 e 2005 a área de 300,00 ha, não sendo comprovada a mesma em relação aos anos de 2002, 2003 e 2004 (cujas informações servem de base para as DITRs a serem apresentadas no 1º dia dos anos seguintes a eles); quanto à Área de Exploração Extrativa, que o sujeito passivo informou em suas declarações áreas de 1.600,00 ha no exercício de 2003 e de 1.800,00 há nos exercícios de 2004 e 2005, mas que, novamente, não houve qualquer comprovação em relação a sua existência; quanto ao Valor da Terra Nua, que não teria a contribuinte juntado Laudo comprovandoo, sendo utilizado o VTN médio, com base nos valores declarados em DITR, como critério de cálculo; quanto à decadência do exercício de 2003, que esta não teria ocorrido, uma vez que não houve qualquer pagamento a título do tributo, nem mesmo o declarado, sendo o prazo final para constituir o crédito tributário 1º/01/2009. Processo de Fiscalização Foi exarado Termo de Início da Ação Fiscal n° 06.1.08.002008003085 (Fls. 2324), intimando a contribuinte para a juntada dos seguintes documentos, dos anos de 2003, 2004 e 2005: Cópia do(s) título(s) de domínio, ou cópia da(s) matrícula(s), ou certidão atualizada do cartório de registro imobiliário; Cópia da planta e memorial descritivo, relativos ao imóvel rural, assinado por profissional habilitado, acompanhado da ART (Anotação de responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT, contendo, inclusive, as benfeitorias com identificação das respectivas áreas, ou escritura pública ou documento particular de compra e venda onde estejam discriminadas as benfeitorias com a respectiva área; Para fins de comprovação das áreas declaradas como de Reserva legal, apresentar laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal acompanhado da ART e de acordo com as normas da ABNT; Certidão do IBAMA ou de outro órgão público ligado à preservação florestal, ambiental ou ecológica, se for o caso; Ato Declaratório Ambiental — ADA — ou protocolo do mesmo junto ao IBAMA. Observar que a Lei n° 6.938/81, art. 17 O, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165/00, tornou obrigatória a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR, a partir do exercício 2001; Fl. 523DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 31 5 Certidão do registro ou cópia da matrícula dos imóveis, com a averbação da reserva legal (art. 16 e 44 da Lei n° 4.771165 c/ a redação dada pela Lei n° 7.803/89); Para fins de comprovação da área utilizada com reflorestamento (300,0 ha — no exercício 2005), e com exploração extrativa (1.600,0 ha, 1.800 ha e 1.800 ha nos exercícios 2003, 2004 e 2005, respectivamente), apresentar laudo técnico descritivo emitido por engenheiro agrônomo ou civil acompanhado da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais (Secretarias Estaduais de Agricultura, Banco do Brasil. Bancos e Órgãos Regionais e Estaduais de Desenvolvimento), nos quais deverão estar discriminadas as culturas e atividades desenvolvidas e as áreas com elas utilizadas, juntamente com os documentos que serviram de base para a elaboração do laudo, tais como notas fiscais de produtor; certificados de depósito (nos casos de armazenagem do produto); contratos ou cédulas de crédito rural para comprovação da área; outros, como por exemplo Declaração de Produtor Rural entregue ao fisco estadual, cartão de vacinação do IMA. Para comprovar o Valor da Terra Nua — VTN, o valor das florestas plantadas e o valor das benfeitorias, apresentar laudo técnico de avaliação emitido por perito (engenheiro agrônomo, florestal) acompanhado da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) e de acordo com a NBR 14.653, parte 3, da ABNT, que trata da avaliação de imóveis rurais, demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, como publicações/revistas especializadas locais ou regionais com valores de comercialização de terras; escritura pública; contrato de Promessa de Compra e Venda, avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater. Apresentada manifestação pela contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal (Fl. 26), juntou aos autos Cópias das matrículas (escrituras) junto ao Cartório Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de PorteirinhaMG, das glebas A, B, C, D, E, F e G da Fazenda Marimbo (Fls. 2854); Cópia da Autorização para Exploração Florestal Série A no. 0010207, expedida pelo IEF — Instituto Estadual de Florestas (Fl.55); Cópia da Autorização Ambiental de Funcionamento no. 01456/2006 e registro n°. 461104/2006 (Fl.56), expedida pelo IEF — Instituto Estadual de Florestas ; Cópia da Autorização Ambiental de Funcionamento no. 00998/2007 e registro no. 139987/2007 (Fl.56), expedida pelo IEF — Instituto Estadual de Florestas; Cópias dos Planos de Utilização pretendida da Fazenda Marimbo (Fls. 58148), protocoladas junto ao IEF — Instituto Estadual de Florestas. Exarado Termo de Intimação 001/2008 (Fl. 173), foi intimado o Cartório de Registro de Imóveis de Porteirinha para apresentar certidões relativas ao imóvel rural, denominado FAZENDA MARIMBO, Número de Inscrição na Receita Federal — NIRF — 0.632.5424, referente às 7 (sete) glebas constantes do demonstrativo anexo, em que conste a averbação de Reserva Florestal das referidas áreas, e informar se existem outros imóveis rurais Fl. 524DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 6 (nome do imóvel, área, n° da matrícula, n° dos registros, data de aquisição) registrados neste cartório em nome de CISAM SIDERURGICA LTDA, CNPJ 71.397.509/000168, sendo tal respondido às Fls. 179193, com a juntada de 7 certidões referentes a imóveis registrados naquela serventia, em nome de CISAM.. Exarado novo Termo de Intimação 001/2008, foi intimado o 2° Cartório do Ofício de Notas de Grão Mogol, para apresentar cópia da planta e memorial descritivo assinada pelo engenheiro agrimensor Luiz Laércio de Pinho, CREA 2104/TD, arquivada em tal cartório, conforme consta das sete escrituras de compra e venda, lavradas em 21/04/2004, relativas às glebas A, B, C, D, E, F e G da fazenda denominada MARIMBO (cadastrada no INCRA com o n° 402.082.003.7714 e na RECEITA FEDERAL sob o n° 06325424), em que figuram como outorgante vendedora a empresa FLORESTAS RIO DOCE S/A, CNPJ 17.308.602/000103, e, como outorgada compradora, a empresa CISAM SIDERÚRGICA LTDA, CNPJ 71.397.509/000168 e apresentar cópia dos autos de arrematação datados de 27/11/1999, também arquivados neste cartório conforme consta das escrituras de compra e venda mencionadas no item anterior, sendo respondida tal solicitação às fls. 201227, esclarecendo que por um lapso do tabelião foi descrito nas referidas escrituras que a aquisição foi feita através de auto de arrematação, isto se deve ao fato de haver lavrado outros instrumentos nestes termos, mas que seria feita a devida retificação. Exarado Termo de Encerramento de MPF (Fls. 228229), foi a contribuinte intimada para efetuar o pagamento, ou querendo, impugnar o mesmo. Impugnação Cientificado do Auto de Infração em 12/12/2008 (Fl. 231), a interessada apresentou a impugnação às fls. 233238, juntando documentação (Fls. 242458), quase toda ela já constante dos autos, à exceção dos comprovantes de ITR juntados neste momento, referentes aos exercícios de 2005/2008, referentes ao período posterior à aquisição do imóvel pela contribuinte. Em suas alegações, a contribuinte inicialmente informa que no ano de 2003 não era proprietária do imóvel sobre o qual recai a cobrança do tributo, sendo a compra realizada somente em abril de 2004, entendendo ser descabida a cobrança referente aos exercícios de 2003 e 2004, uma vez que a apuração do ITR seria anual e o fato gerador seria o primeiro do exercício, cabendo exclusivamente à impugnante o recolhimento do imposto dos anos posteriores a 2004, devendo ser anulado o Auto de Infração por lhe atribuir uma cobrança indevida. Quanto à ARL, sustenta possuir esta a extensão de 1.231,69 ha, conforme averbada no Cartório de Registro de Imóveis de Porteirinha/MG, bem como constaria na planta Fl. 525DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 32 7 e no memorial descritivo apresentados pelo 2° Ofício de Notas de Grão Mogol, sendo que apenas a ausência de apresentação do ADA não poderia autorizar o lançamento do tributo. Quanto à área ocupada com benfeitorias, alega que, por se tratar de propriedade que tem por objetivo a cria e recria de gado de corte, os “currais” informados pela Planta Topográfica (Fl. 217) estariam ligados à exploração pecuária. Já quanto à comprovação da área de reflorestamento nos exercícios fiscalizados, como até abril 2004 o imóvel não pertencia à impugnante, não seria possível a comprovação de tais informações, sendo que, em relação à solicitação feita pela contribuinte, a dita área foi autorizada nos anos de 2006 e 2007. Já quanto a subavaliação na apuração do valor do imóvel fiscalizado, entende a impugnante que o VTN informado está correto pois considerou a área total do imóvel rural, excluídas as APP’s e ARL, para apurar o tributo devido, inclusive tendo atribuído ao VTN o valor de mercado do imóvel, refletindo o preço das terras apurado em 1 de janeiro de cada exercício. Por fim, sustenta que a multa abandonou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, havendo confisco na sua aplicação. Decisão da DRJ Considerada tempestiva, a impugnação foi julgada procedente em parte, por unanimidade, pela 1ª Turma da DRJ de Campo Grande (Fls. 152162) com base nos seguintes fundamentos: quanto ao pedido nulidade do auto de infração, uma vez que presentes os requisitos legais, não se poderia falar em anulação do auto; quanto à responsabilidade tributária entendeu que deveria ser excluída a autuação quanto ao exercício de 2003, uma vez que constou informação acerca da sua quitação no documento de aquisição do imóvel pela contribuinte, devendo remanescer a autuação quanto aos exercícios de 2004 e 2005, já que teria ocorrido hipótese de subrogação; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 8 que não seria necessária qualquer espécie de perícia, uma vez que o lançamento decorreu de procedimento de revisão de declaração, não havendo necessidade de verificação in loco da realidade do material do imóvel, sendo de responsabilidade do contribuinte a produção de provas; quanto à Área de Reserva Legal, que não houve a averbação tempestiva na matrícula do imóvel para o exercício de 2004, sendo a averbação efetuada somente em 25.05.2004 e que não houve nos exercícios de 2004 e 2005 a informação da dita área no requerimento do ADA, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, não tendo sequer comprovado a protocolização do ADA; quanto às Áreas Ocupadas com Benfeitorias, uma vez que não restou comprovada a existência de documentação hábil e idônea que comprovasse a área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural do imóvel, ainda, porque a existência de “currais”, para os exercícios de 2004 e 2005 não caracterizariam utilização na atividade rural do imóvel, posto que nem sequer foi informada a existência de animais de grande ou de médio porte no imóvel nas declarações apresentadas; quanto as Áreas de Exploração Extrativa e Com Reflorestamento, foi mantida a glosa, pois também neste ponto entendeu a DRJ não ter sido comprovada a extração de produtos vegetais nos exercícios de 2004 e 2005 em quantidade suficiente para justificar a área declarada, observado o índice de rendimento mínimo, ou a existência de plano de manejo sustentado aprovado pelo órgão ambiental competente, bem como o cumprimento do cronograma físicofinanceiro. Isto, pois, as autorizações para exploração florestal apresentadas datam de 2006 e 2007, não constando, ainda, a existência de plano de manejo sustentado; no mesmo sentido, a área de 300,00 ha declarada como utilizada para reflorestamento, foi glosada pela autoridade fiscal por ausência de comprovação; quanto ao Valor da Terra Nua, entendeu a DRJ que efetivamente houve a subavaliação do VTN Declarado, restando à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR, sendo observado o menor valor apontado, tanto para o exercício de 2004 quanto para o exercício de 2005. Isto, pois, não houve a apresentação de “Laudo de Avaliação” com as exigências legais, sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel seria compatível com a distribuição das suas áreas e com suas características particulares; por fim, quanto à aplicação da multa, não assiste razão à impugnante, vez que a cobrança da multa de 75% encontrase devidamente amparada na legislação, não possuindo sequer a instância administrativa competência para se manifestar acerca da colisão da legislação de regência e a Constituição da República. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 33 9 Recurso Voluntário De tal decisão, foi cientificada a contribuinte em 22/04/2010 (Fl. 485), tendo interposto, em 24/05/2010, Recurso Voluntário (Fls. 489507), repisando os argumentos trazidos em impugnação, em especial: que a recorrente somente seria responsável pelas autuações posteriores ao ano de 2004; que as Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente efetivamente existem, devendo as mesmas serem excluídas da base de cálculo tributável do ITR, sem a exigência do ADA – Ato Declaratório Ambiental após a averbação da respectiva área preservada no cartório de registro de imóveis; que há na propriedade criação de gado de corte, devendose entender por curral, área de exploração pecuária; com relação à área de reflorestamento, que a fazenda somente foi adquirida em meados de 2004, não sendo extemporâneas as autorizações para exploração florestal e ambientais de funcionamento. É o relatório. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 10 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator. O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Legitimidade Passiva Quanto à autuação, remanesceram as cobranças em relação aos exercícios de 2004 e 2005, cujos fatos geradores datam de 1º/01/2004 e 1º/01/2005, respectivamente. Assim, sob a alegação de que teria adquirido o imóvel apenas em abril de 2004, entende a recorrente que não seria responsável pelo ITR do exercício de 2004. Nesse tocante, destaco que, ainda que a Lei 9.393/96 e o Decreto 4.382/02, que regulamentam a tributação do ITR, tragam em seus artigos 1°1 e 2°2, respectivamente, a ocorrência do fato gerador em 1º de janeiro de cada ano, tais dispositivos devem ser lidos em conjunto com o art. 130 do Código Tributário Nacional o qual prevê que “os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação”. Dessa forma, tendo em vista que o ITR é tributo cuja hipótese de incidência é a propriedade e o crédito dele gerado tem natureza real, sendo, portanto, a obrigação tributária do ITR propter rem, somente poderá se falar em liberação do pagamento do tributo pelo adquirente, em relação a período anterior à aquisição se, no instrumento de transferência do imóvel, constar prova ou declaração de quitação do tributo. Do contrário, não constando no título de aquisição (ou em qualquer outro documento), a prova ou declaração do anterior proprietário de quitação dos tributos, para os efeitos do art. 130 do CTN, temse transferência ao adquirente da responsabilidade tributária sucessória pelo imposto, entendimento este emanado, inclusive, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais desse Conselho: 1 Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. (...) 2 Art. 2º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 1) Fl. 529DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 34 11 Processo nº 10670.001494/200612 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202002.719 – 2ª Turma Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria ITR Recorrentes MGI MINAS GERAIS PARTICIPAÇÕES S/A. e FAZENDA NACIONAL MGI MINAS GERAIS PARTICIPAÇÕES S/A. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. O ITR é um imposto que o fato gerador decorre da propriedade, do domínio ou da posse de bens imóveis. Por esta razão, deve o adquirente subrogarse na responsabilidade pela quitação dos mesmos, salvo se constar no título aquisitivo a prova de sua quitação. No caso em comento, todas as exigência fiscais deixaram para serem cumpridas por ocasião do registro do titulo aquisitivo, logo, não pode ser imputada a responsabilidade tributária ao vendedor do imóvel, fundamentos do artigo 130 do Código Tributário Nacional. Recurso especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado. No mesmo sentido já decidiu a Turma Ordinária da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA PARCIAL. Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório, de parte do imóvel objeto do lançamento, aliado ao fato de não constar do título de aquisição, a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art. 130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pela parcela respectiva do imposto ora sub analisis. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. Comprovado o não atendimento da exigência legal de averbação Fl. 530DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 12 da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. UTILIZAÇÃO DAS ÁREAS DO IMÓVEL ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL. Não comprovada a plantação de produtos vegetais informada na correspondente DITR, deve ser mantida a glosa da referida área. MULTA DE OFÍCIO E TAXA DE JUROS. LEGALIDADE. (Acórdão nº 30238440 do Processo 10670001109200114 / Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Sessão: 27/02/2007) No caso dos autos, como se verifica às fls. 29, 34, 37, 41, 45, 49 e 53, a quitação dada pelo alienante referese apenas ao “ano de 2003”, não havendo comprovação ou mesmo declaração de quitação referente ao exercício de 2004, ora em discussão. Assim, ainda que na data da ocorrência do fato gerador (1º/01/2004) a recorrente, efetivamente, não possuísse a propriedade do imóvel em questão, é sua a responsabilidade pelo ITR devido em relação ao exercício de 2004, devendo ser mantida a autuação neste ponto. Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal O art. 10, § 1, II, da Lei 9.393/963, exclui do conceito de área tributável para fins de ITR, entre outras, as áreas de preservação permanente (APP), de reserva legal (ARL) e de interesse ecológico. Quanto às APP e ARL, suas definições estão previstas no art. 1º, § 2º, II e III, da Lei nº 4.771/65, devendo o contribuinte apenas declarálas em DITR, informação esta que “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis” (art. 10, § 7º, da lei 9.393/96). Como visto, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural, 3 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; redação vigente ao tempo do fato gerador b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 531DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 35 13 devendo a Administração, em caso de dúvidas, demonstrar que o contribuinte incorreu em falsidade. No caso em questão, justamente em decorrência de dúvidas por parte da fiscalização acerca da veracidade das informações prestadas a título de ARL e APP, foi o contribuinte intimado a apresentar documentos que as corroborassem, tendo ainda sido enviado ofício ao Registro de Imóveis. Em sua defesa, apresentou o contribuinte “Plano de Desmatamento” (fls. 368458), assinado por Engenheiro Florestal de registro n.° 27.256/D junto ao CREA, o qual, ainda que relativo ao ano de fevereiro 2006, atestou haver na área 1.231,39 ha a título de ARL, além de 36,80 ha como APP. Também o Ofício de Registro de Imóveis, intimado a prestar informações acerca do imóvel, apresentou cópia das matrículas dos imóveis, nas quais constam averbação de área de reserva legal, com os mesmos 1.231,69 ha, realizada em 25.05.2004 (Fls. 180193). Após a análise dos autos, e diante dos documentos acostados e informações prestadas, estou entendendo por discordar em parte da fiscalização e reformar parcialmente da decisão recorrida para que seja excluída a glosa da ARL para fins de cálculo do ITR em questão, em especial observância à verdade real. Inicialmente, conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal (Fl. 14), a fiscalização fundamenta a glosa das APP e ARL especialmente no fato de não ter o contribuinte comprovado a apresentação de ADA, conforme exigiria o § 1º do art. 17O da Lei 6.938/814 (com a redação dada pela Lei nº 10.165/00), segundo o qual, “a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. 4 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 532DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 14 Entretanto, entendo que tal disposição deve ser interpretada em harmonia e de forma sistemática com o caput do referido art. 17O. Neste ponto, ao determinar que “os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA ... taxa de Vistoria”, entendo que o aludido dispositivo está, no seu caput, admitindo que há casos em que tal redução independe de “Ato Declaratório Ambiental – ADA” (ou mesmo de outro ato ou reconhecimento do Poder Público), hipótese esta em que tal artigo de lei (em sua íntegra, logicamente) não se aplicará. Nesse mesmo sentido, aliás, entendendo que a exigência de ADA para fins de reconhecimento de APP e ARL somente se aplicaria aos casos em que a existência da área ambiental, para fins de redução de ITR, dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público (casos aqueles referidos no art. 17 “O” da Lei 6.938/81), assim já entendeu esse Conselho, ao julgar, em 10/02/2011, o Processo nº 13161.000676/200604, por meio do Acórdão n.º 220100.985, cuja relatoria foi do eminente Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, cabendo a transcrição do seguinte trecho do voto proferido: Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: (...) Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA, para todas as situações de áreas ambientais, como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in clariscessatinterpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe ou não a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 36 15 criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância relativa ao fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; (...) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR, define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: (...) Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 16 Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: (…) Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 17O, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. E a resposta é negativa. Em conclusão, penso que o art. 17O da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. No caso dos autos, as APP e ARL se enquadram entre aquelas cujo reconhecimento da área, para fins de redução do ITR, independem de ato específico do Poder Público, não estando enquadradas no caput do art. 17O da Lei nº 6.938/81 e não lhes sendo aplicável, portanto, a exigência do seu §1º, restando afastada a exigência de entrega do ADA para permitir a exclusão das aludidas áreas do conceito de área tributável para fins de ITR. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 37 17 Dito isso, resta saber se houve comprovação da existência da ARL e APP declaradas, o que passo a analisar. Iniciandose pela ARL, embora não tenha sido produzido laudo específico retratando a realidade da época, entendo que a existência de tal área restou comprovada tanto pelo Plano de Desmatamento (Fls. 6365), quanto pelo Inventário Florestal (Fls. 113114), assim como pela cópia das matrículas (fls. 180/193). E, nesse ponto, destaco que todos os documentos foram convergentes ao referir, como área de ARL, “1.231,39 ha". A fiscalização entendeu por bem desconsiderar tais documentos, pois, ainda que esteja expresso que tais se referem exclusivamente às sete matrículas, há divergência entre a “área total” informada neles (correspondente a 5.734,2 ha, fls. 156161) e área total que se obtém a partir do somatório de áreas descritos nas matrículas (que totaliza 5.374,9). Ainda, haveria divergência entre a ARL informada nas DITRs de 2004/2005 (correspondente a 1.080 ha; fl. 156161) e a averbada (correspondente a 1.231,39 ha). Entretanto, entendo que tal justificativa não se sustenta, pois, ainda que haja, de fato, tais divergências, o fato é que a extensão total da ARL equivalente a 1.231,39 ha está demonstrada e averbada, e é essa informação – referente à extensão total da ARL no imóvel – que é informada na DITR. Outro fundamento utilizado pela fiscalização diz com o fato da averbação, in casu, ter sido efetuada apenas em 25/05/2004, portanto não sendo ‘prévia’, ao menos em relação ao ITR referente ao exercício de 2004. Neste ponto, igualmente divirjo da fiscalização. Inicialmente porque, tendo o recorrente adquirido apenas de abril de 2004, não teria como ter providenciado a averbação anteriormente, mas, sabendo da sua importância, tratou de realizála prontamente após a aquisição da área, conforme comprovam as cópias das matrículas juntadas aos autos (Fls. 180193). Outrossim, vejase que a averbação se deu anos antes do início da fiscalização, sendo que, quando foi questionada acerca da regularidade da ARL declarada, o requisito da averbação já se encontrava cumprido. Em casos como este, em que a averbação, ainda que intempestiva, é realizada antes do início da fiscalização, já entendeu esse Conselho como preenchido o requisito em questão para caracterização de ARL: Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 18 Processo nº 10120.001745/200504 Acórdão nº 9202002.880 2ª Turma Julgado em 11/09/2013 Matéria ITR – ÁREA DE RESERVA LEGAL Recorrente ALBERTO RODRIGUES DA CUNHA ESPÓLIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial provido. Dessa forma, quanto à ARL entendo que deve haver a exclusão da glosa feita pela fiscalização quando da lavratura da autuação, ressaltandose que, em nome da verdade real, deve ser retifica a DITR para que conste como ARL total os 1.231,39 ha averbados. Quanto à APP, contudo, entendo estar correto o agir da fiscalização e a decisão da DRJ que manteve a glosa de tal área. Isso porque, tendo sido intimada para juntar documentos demonstrando a existência da APP, o único documento juntado referese ao “Plano de Desmatamento” (Fls. 368458) elaborado em fevereiro de 2006, que apenas refere a existência de APP na extensão de “36,00 ha", valor este muito aquém dos 2.000 ha declarados originariamente em 2004 e 2005. Diante de tal discrepância, deveria a contribuinte ou têla justificado ou ter Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 38 19 providenciado outras provas que pudessem sustentar as informações prestadas anteriormente, o que não ocorreu. Dessa forma, quanto à APP entendo, de fato, não ter restado minimante comprovada a sua existência, razão pela qual mantenho a autuação. Por tais razões, no tocante à ARL e à APP glosadas, entendo que deva ser parcialmente provido o recurso voluntário, para o fim de exclusão da Área de Reserva Legal na apuração do ITR, mantendose a autuação quanto à glosa da Área de Preservação Permanente. Oportuno registar que também não há o ADA, para esclarecimento daqueles que entendem pela sua necessidade. Das Áreas ocupadas com benfeitorias, de reflorestamento e de Exploração Extrativa Tendo em vista a dúvida suscitada pela fiscalização acerca das áreas ocupadas com benfeitorias, de reflorestamento e de exploração extrativa, cumpria à contribuinte, no mínimo, apresentar Laudo(s) elaborado(s) por profissionais competentes, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CREA. Assim, por exemplo, para que restassem comprovadas as benfeitorias declaradas, deveria ter sido apresentado pela contribuinte, no mínimo, Laudo elaborado por Engenheiro Civil ou Agrônomo, que identificasse as benfeitorias úteis e necessárias e a sua destinação à atividade rural praticada no imóvel, para o fim de enquadrálas na alínea ‘a’ do inciso IV, do parágrafo I do artigo 105 de Lei n° 9.393/96 e artigo 176 do Decreto n° 4.382/02 (RITR). 5 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; 6 Art. 17. Para fins do disposto no inciso II do art. 16, consideramse ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias (Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 Código Civil, art. 63): I as áreas com casas de moradia, galpões para armazenamento da produção, banheiros para gado, valas, silos, currais, açudes e estradas internas e de acesso; II as áreas com edificações e instalações destinadas a atividades educacionais, recreativas e de assistência à saúde dos trabalhadores rurais; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 20 Nesse caso, para fins de descrever edificações e instalações (casas, silos, currais, galpões, construções), por exemplo, deveria ter sido fornecido Laudo discriminando as áreas efetivamente ocupadas por tais construções. Já para eventuais outras benfeitorias (estradas, açudes, etc), deveria ter sido realizado levantamento topográfico que permitisse a localização e determinação das áreas efetivamente ocupadas. Entretanto, nenhum Laudo atestando as declaradas benfeitorias foi trazido aos autos, limitandose a contribuinte a alegar que a Planta Topográfica (Fl. 217) teria identificado a existência de “currais” e que tais deveriam ser considerados como vinculados à atividade de cria e recria de gado que a recorrente afirmou exercer em parte da área. Ocorre que tal Planta Topográfica, retrataria, no máximo, a realidade de outubro de 2005, sequer podendo se atestar que os tais “currais” estavam lá em 2003/2004 (anos aos quais se referem às DITR’s de 2004/2005), não tendo a recorrente trazido qualquer outro elemento de prova que confirmasse tal informação. Ainda, nas mesmas DITR’s não há a declaração da contribuinte de que possuia animais de grande ou médio porte, contrariando sua afirmação de que as áreas ocupadas com benfeitorias seriam vinculadas a atividade da recorrente, assim como não há nas mesmas a declaração de áreas de pastagem. Além disso, vejase que nem nas matrículas do imóvel (fls. 180193), nem no contrato de compra e venda (fls. 2754) há referência a existência do tal curral ou mesmo outra edificação, como, aliás, bem destacado pela DRJ. Sendo assim, resta claro nos autos, que a recorrente não comprovou a área ocupada com benfeitorias, restando tal somente debatida no campo argumentativo, devendo ser mantida a glosa realizada pela fiscalização, como, aliás, já decidiu o CARF: Processo n° 10980.003661/200658 Recurso n° 371.039 Voluntário Acórdão n° 220200.748 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2010 III as áreas com instalações de beneficiamento ou transformação da produção agropecuária e de seu armazenamento; IV outras instalações que se destinem a aumentar ou facilitar o uso do imóvel rural, bem assim a conserválo ou evitar que ele se deteriore. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 39 21 Matéria ITR Recorrente AGROPECUÁRIA PINHEIROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPR)EDADE TERRITORIAL. RURAL ITR Exercício: 2002 (...) ÁREA DECLARADA COMO DE OCUPAÇÃO COM BENFEITORIAS. GLOSA TOTAL, NÃO COMPROVAÇÃO Ausência de documentação hábil a comprovar as áreas ocupadas com benfeitorias no período autuado, conforme declarado na Declaração de ITR, autoriza a glosa de área de pastagem. Assim, não restando comprovada a existência de benfeitorias, entendo pela manutenção da glosa da dita área. No mesmo sentido, a Área de Exploração Extrativa. No tocante ao referido tipo de área, tal vem prevista nos arts. 27 e 28 do Decreto 4.382/02, que regulamenta o ITR, os quais assim preveem: “Art. 27. Área objeto de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração madeireira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto estabelecidos em ato da Secretaria da Receita Federal, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso V, alínea "c", e § 3). Parágrafo único. Estão dispensados da aplicação dos índices de rendimento por produto os imóveis rurais com área inferior a (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 3): I mil hectares, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal matogrossense e sulmato grossense; II quinhentos hectares, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 22 III duzentos hectares, se localizados em qualquer outro município. Art. 28. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área objeto de exploração extrativa a menor entre o somatório das áreas declaradas com cada produto da atividade extrativa e o somatório dos quocientes entre a quantidade extraída de cada produto declarado e o respectivo índice de rendimento mínimo por hectare.” Embasando tais artigos, está o art. 10 da Lei nº 9.393/96, que traz o regramento geral para a caracterização da Área de Exploração Extrativa, no que concerne ao cálculo do ITR: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 40 23 Como visto, para que seja considerada área de exploração extrativa, para fins de apuração do ITR, deverá o contribuinte comprovar a existência de um plano de manejo sustentado, que tenha sido aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido. No caso em exame, vejase que todos os documentos trazidos pela para fins de comprovação da Área de Exploração Extrativa são posteriores aos anos em relação aos quais se referem o ITR 2004 (relativo a 2003) e o ITR 2005 (relativo ano de 2004), sendo estes os documentos juntados: (i) cópia da Autorização para Exploração Florestal expedida pelo Instituto Estadual de Florestas, em 24/02/2005 (Fl.55), (ii) Autorização Ambiental de Funcionamento, do mesmo instituto, datada de 24/08/2006 (Fl. 56), para a atividade de silvicultura, (iii) Autorização Ambiental de Funcionamento, do mesmo instituto, datada de 27/03/2007 (Fl. 57), para as atividades de silvicultura e produção de carvão vegetal de origem nativa, e (iv) Plano de Utilização Pretendida (Fls. 58147) dos anos de 2006 e 2007, com cronogramas previstos para os mesmos anos. Dessa forma, onde não restou minimamente comprovando pela recorrente que, em relação aos anos questionados nestes autos, havia autorização para exploração e Plano de Manejo, assim como o seu cumprimento, sendo estes requisitos essenciais para caracterização de área de exploração extrativa, nos termos do que vem decidindo o CARF, conforme voto do conselheiro Antonio Lopo Martinez: Processo nº 10183.720496/200779 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.211 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria ITR Recorrente SÉRGIO CASALI PRANDINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 (...) ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 24 A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte. Assim, entendo que não merece qualquer reparo a decisão da DRJ no que concerne à glosa da Área de Exploração Extrativa, uma vez que não comprovada a existência de plano de manejo, assim como, consequentemente, o cumprimento do cronograma do mesmo. Por fim, no que concerne ao Reflorestamento, novamente aqui me filio ao voto proferido pela DRJ. Com efeito, também neste ponto, compelida a comprovar a Área de Reflorestamento declarada, a qual, nos termos do art. 10, § 1º, V, alínea “a, da Lei 9.393/96, é considerada de acordo com “a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais”, nada trouxe o recorrente, novamente sob o argumento de não ter elementos para comprovar fatos anteriores à aquisição do imóvel. Neste ponto, destaco que, ainda que pudesse se levar em conta tal alegação, o fato é que a contribuinte, se pretendesse efetivamente comprovar o declarado, poderia ter solicitado informações e documentos junto aos órgãos fiscalizadores, por exemplo, nada tendo feito. Ainda, em relação à DITR de 2005, cujos fatos se referem ao ano de 2004, quando a recorrente adquiriu o imóvel, igualmente nada foi referido ou comprovado pela contribuinte. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 41 25 Dessa forma, também no tocante à área declarada a título de reflorestamento entendo correto o agir da fiscalização e o entendimento da DRJ, desprovendo o recurso também neste ponto. Valor da Terra Nua Quanto ao Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela Fiscalização no caso em tela, entendo que tal não merece prosperar. Conforme reconhecido nos autos (fls. 1819), por discordar com o VTN declarado pelo contribuinte, a fiscalização apurou o ITR que entendeu devido utilizandose do VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados em DITR, o qual não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria, conforme reiterado entendimento desse Colegiado. Em casos como este, em que o arbitramento do Valor da Terra Nua está baseado em VTN médio do município, é assente o entendimento deste Colegiado no sentido da impossibilidade de sua aplicação, consoante se verifica do precedente abaixo, colacionado por amostragem: Número do Processo: 10183.720138/200685 Data de Publicação: 01/10/2012 Contribuinte: AGROPECUARIA NOVA FRONTEIRA LTDA Relator(a): MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 26 DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observandose os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindose que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. (2º Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) No caso em questão, conforme se depreende do documento de fls. 164166, a fiscalização possuía, efetivamente, o VTN médio para o município em questão por “aptidão agrícola”, entretanto, quando do arbitramento, entendeu por utilizar o VTN médio com base nas DITRs, critério este que, como visto acima, é ilegal. Dessa forma, em princípio, possuindo nos autos elementos para o arbitramento de VTN levandose em conta a característica do imóvel e da atividade que ele desenvolve, o correto seria determinar a sua utilização. Ocorre que o VTN por aptidão agrícola informado às fls. 164166 é em muito superior ao VTN médio por hectare utilizado pela fiscalização quando da autuação, vejamos: Ano 2004 2005 VTN DITR R$ 89,09/ha R$ 84,53/ha VTN Aptidão Agrícola pastagem/pecuária cultura/lavoura campos matas R$1.200,00/ha R$ 1.000,00/ha R$ 150,00/ha R$ 850,00/ha R$1.500,00/ha R$ 1.200,00/ha R$ 100,00/ha R$ 850,00/ha Assim, aceitar a aplicação do VTN por aptidão agrícola implicaria na majoração do lançamento e, nesse tocante, me filio ao entendimento pela impossibilidade da Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 42 27 reformatio in pejus no processo administrativo, conforme já decidido por este Conselho, em caso semelhante: Processo n° 10950.720115/200713 Recurso n° 143.852 Embargos Acórdão n° 21011 00.896 1ª Câmara /1" Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2010 Matéria ITR Embargante CONSELHEIRA ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA Interessado COMPANHIA MELHORAMENTOS NORTE DO PARANÁ Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N 340100.112 (...) LAUDO TÉCNIC0 DE AVALIAÇÃO DO VTN. Quando o lançamento se deu com base em laudo técnico apresentado pelo sujeito passivo, defeso às instancias administrativas de julgamento rever VTN com base em novo laudo que veicula valor maior que aquele antes observado, por configurar reformatio in pejus. Embargos Acolhidos. Recurso Provido em Parte. Dessa forma, ainda que haja elementos para o correto arbitramento do VTN, por ter como consequência a majoração do valor autuado, não pode ser aplicado. Por outro lado, igualmente não pode ser mantido o VTN nos termos arbitrados, pois ilegal, conforme destacado acima. Sendo assim, resta unicamente reconhecer como VTN a ser adotado no caso em questão aquele informado originariamente em DITR, ainda que não tenha sido cabalmente comprovado por Laudo de Avaliação. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 28 Multa Quanto à redução da aplicação da multa no patamar de 75%, entendo não ter razão a argumentação da recorrente. A legislação é clara quanto a tal disposição. O Art. 44 da Lei 9.430/96 traz expressamente a aplicação da multa em tal patamar: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Tal Lei encontrase em vigor, não havendo motivo para a sua não aplicação. Ora, agiu o agente da fiscalização em conformidade com os ditames legais, podendo este até mesmo ser responsabilizado se tivesse agido de maneira diversa. Ainda, a alegação da recorrente de que tal multa teria efeito confiscatório, o que seria vedado pela Constituição Federal (Fl. 503), esbarra frontalmente na Súmula 02 do CARF, não possuindo este competência para analisar a constitucionalidade das leis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com base no exposto, voto pelo parcial provimento do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva no exercício de 2004, e, no mérito, (i) excluir a glosa da Área de Reserva Legal e determinar pela retificação da DITR para que conste ARL com extensão de 1.231,69 ha; (ii) manter a glosa em relação às demais áreas; (iii) determinar a aplicação do VTN declarado nas ITRs; e (iv) manter a multa de 75%. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10670.005280/200879 Acórdão n.º 2202002.540 S2C2T2 Fl. 43 29 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Numero do processo: 12045.000475/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1993 a 30/04/2000
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que observar o disposto no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Desse modo, levando em consideração que o crédito foi constituído em 30/03/2001, com a devida ciência do contribuinte, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência nas competências de 03/1993 a 11/1995.
ACORDOS TRABALHISTAS ANTERIORES A EC 20/1998.
Ciente que atividade administrativa é vinculada à lei (art. 142, parágrafo único do CTN), o auditor previdenciário ao apurar o montante devido, diga-se: referente ao período anterior à EC nº 20/98, afastou do levantamento as verbas indenizatórias quando discriminadas nos acordos/sentenças trabalhistas, tributando o valor total das verbas apenas quando não identificadas (art. 43, parágrafo único, da Lei nº 8.212/91).
Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido Parcialmente.
Numero da decisão: 2302-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as competências até 11/1995, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
Liége Thomasi Lacroix - Presidente da Turma
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1993 a 30/04/2000 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que observar o disposto no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Desse modo, levando em consideração que o crédito foi constituído em 30/03/2001, com a devida ciência do contribuinte, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência nas competências de 03/1993 a 11/1995. ACORDOS TRABALHISTAS ANTERIORES A EC 20/1998. Ciente que atividade administrativa é vinculada à lei (art. 142, parágrafo único do CTN), o auditor previdenciário ao apurar o montante devido, diga-se: referente ao período anterior à EC nº 20/98, afastou do levantamento as verbas indenizatórias quando discriminadas nos acordos/sentenças trabalhistas, tributando o valor total das verbas apenas quando não identificadas (art. 43, parágrafo único, da Lei nº 8.212/91). Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido Parcialmente.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1993 a 30/04/2000 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que observar o disposto no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Desse modo, levando em consideração que o crédito foi constituído em 30/03/2001, com a devida ciência do contribuinte, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência nas competências de 03/1993 a 11/1995. ACORDOS TRABALHISTAS ANTERIORES A EC 20/1998. Ciente que atividade administrativa é vinculada à lei (art. 142, parágrafo único do CTN), o auditor previdenciário ao apurar o montante devido, digase: referente ao período anterior à EC nº 20/98, afastou do levantamento as verbas indenizatórias quando discriminadas nos acordos/sentenças trabalhistas, tributando o valor total das verbas apenas quando não identificadas (art. 43, parágrafo único, da Lei nº 8.212/91). Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 75 /2 00 7- 43 Fl. 2892DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as competências até 11/1995, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Liége Thomasi Lacroix Presidente da Turma Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 2893DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 12045.000475/200743 Acórdão n.º 2302002.869 S2C3T2 Fl. 1.005 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelos contribuintes em face do Acórdão nº 230200.332 (fls. 892/898), sob a alegação de existir omissão no julgado no que tange aos acordos trabalhistas firmados em momento anterior à EC nº 20/98. Da leitura do acórdão recorrido percebese, de pronto, a omissão em relação aos acordos trabalhistas firmados no período de 03/1993 a 11/1998. Por causa disso, encaminhei no sentido de ACOLHER os respectivos Embargos Declaratórios. No uso da competência conferida pelo artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 com alterações posteriores, a i. Presidente acolheu os Embargos de Declaração opostos e determinou inclusão em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 2894DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Sendo tempestivo e preenchidos os demais requisitos para conhecimento do recurso, passo a análise das questões suscitadas. Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelos contribuintes em face do Acórdão nº 230200.332 (fls. 892/898), sob a alegação de existir omissão no julgado no que tange aos acordos trabalhistas firmados em momento anterior à EC nº 20/98. Por haver necessidade de esclarecimento do ponto suscitado, ACOLHI os embargos de declaração, tãosomente para fazer constar, doravante, do acórdão recorrido o voto relacionado aos acordos trabalhistas firmados no período de 12/1995 a 11/1998, já que o período de 03/1993 a 11/1995 foi excluído pelo voto vencedor em razão do advento da decadência. De acordo com o relatório fiscal de fls. 95/98, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica referente aos acordos e sentenças trabalhistas discriminados no relatório de fatos geradores. Neste diapasão, dispõe o art. 43, parágrafo único da Lei nº 8.212/91, na redação em vigor no período de 12/1995 a 11/1998, que nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas às contribuições sociais, será devida a contribuição previdenciária incidente sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado, vide transcrição: "Art. 43. Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato recolhimento das importâncias devidas à Seguridade Social. Parágrafo único. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas à contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado" (grifo nosso) Ciente que atividade administrativa é vinculada à lei (art. 142, parágrafo único do CTN), o auditor previdenciário ao apurar o montante devido, digase: referente ao período anterior à EC nº 20/98, afastou do levantamento as verbas indenizatórias quando discriminadas nos acordos/sentenças trabalhistas, tributando o valor total das verbas apenas quando não identificadas. O próprio contribuinte transcreveu em seus embargos a assertiva do fisco cujas palavras vale repetir: "Com relação ao item "4 DA IMPERFEIÇÃO DA NFLD Fl. 2895DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 12045.000475/200743 Acórdão n.º 2302002.869 S2C3T2 Fl. 1.006 5 35.322.5436", informamos que foram relacionados mais de mil processos trabalhistas, identificados por Região, no de processo, Junta de Conciliação e Julgamento ou Vara, fls. 54170. Somente foram consideradas para o levantamento as verbas não indenizárias quando na sentença ou acordo assim eram especificadas, E O TOTAL DAS VERBAS QUANDO A SENTENÇA OU O ACORDO NÃO AS IDENTIFICASSE, tanto assim que dos mais de mil processos analisados um pouco mais de trezentos foram encontrados fatos geradores de contribuições previdenciárias, fls. 54/70." (grifo nosso) É certo que as verbas indenizatórias pagas em decorrência de negociação coletiva de trabalho não podem ser hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. O Supremo Tribunal Federal, quando da análise da ADIN nº 1659, já se manifestou neste sentido. O agente fazendário não negligenciou o entendimento acima. Ocorre que, por força do disposto no art. 43, parágrafo único da Lei nº 8.212/91, o Notificante ao analisar os mais de mil processos, em torno dos setecentos deles as verbas estavam discriminadas. Nos demais, como na havia especificação, as verbas indenizatórias foram incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. A título de amostragem, citase a ação trabalhista nº 1130/97 – Reclamante James Ayres Ferry (fls. 154 – vide fls. 46) cuja decisão segue abaixo: “Mediante quitação geral por eventuais serviços prestados, sem pelo pedido descrito na inicial, a reclamada pagará ao reclamante a importância de R$111.799,53, já tendo recebido a importância de R$11.799,53 e o restante em seis parcelas (valores liquidos), sendo a primeira no valor de R$30.000,00, neste ato, através do cheque 916401, sacado contra o banco Safra, a segunda e a terceira no valor de R$20.000,00 e as restantes no valor de R$10.000,00 nos dias 15/08, 15109, 15/10 5 14111 e 15/12/97, sempre às 14 horas, na Secretaria da Junta;” (grifo nosso) Não é demais lembrar que uma vez não reconhecido pelo Judiciário a mencionada discriminação, não possui valor probante perante o Fisco. Vale dizer, o autuante identificou às fls. 40/70 todos os processos trabalhistas analisados e detalhou, por competência, o recebimento das verbas por cada empregado. Logo, não há como não identificar a base de cálculo aferida. Ressalto que não reputo necessário a juntada de cópia de todos os acordos/decisões judiciais, uma vez que, sendo a empresa Reclamante nas ações trabalhistas, certamente, tem ciência de todas as decisões/acordos efetuados. O art. 16, inciso III do decreto nº 70.235/72 dispõe que na impugnação deverá o contribuinte apresentar os motivos de fato e de direito que fundamentam a sua defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Neste sentido, pela defesa perpetrada mostrase que o contribuinte não combateu veementemente os fundamentos do relatório fiscal trazendo aos autos provas específicas que validem suas alegações, razão pela qual tornase válido o lançamento. Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 CONCLUSÃO Em razão do exposto, ACOLHO os embargos de declaração tão somente para fazer constar do acórdão recorrido o voto referente ao período anterior à EC nº 20/98. Dessa forma, reratifico o acórdão embargado para que conste o seguinte dispositivo: Voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, afastando a cobrança perpetrada no período de 03/1993 a 11/1995, tal como exposto no acórdão vergastado; no tocante ao período remanescente (12/1995 a 11/1998) voto pela manutenção da cobrança. Sala das Sessões, em 20 de Novembro de 2013 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000307/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. Uma vez que a recorrente pediu a desistência do recurso impetrado, a mesma é de ser acatada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-002.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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DESISTÊNCIA. Uma vez que a recorrente pediu a desistência do recurso impetrado, a mesma é de ser acatada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 03 07 /2 01 0- 46 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MUNICÍPIO DO CAREIRO – PREFEITURA MUNICIPAL, em face do acórdão que manteve o Auto de Infração nº 37.300.6748, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao GILRAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que foram lançadas as seguintes rubricas: ARI REMUNERAÇÃO AFERIDA CONT INDV: período 01/2006 a 12/2006, lançado por aferição indireta, com respaldo no art. 33, § 3o da Lei n° 8.212/1991, com redação dada pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, e no art. 233 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, em virtude de o órgão não exibir as folhas de pagamento e a escrituração contábil discriminando os pagamentos/créditos a prestadores de serviço pessoas físicas, assim como a totalidade da documentação que deu origem às operações (notas de empenho, notas fiscais e recibos), com base no valor informado (RS 2.510.900,75) no Quadro de Dados Contábeis Consolidados Municipais Balanço Patrimonial Despesas Orçamentárias/do Município do Careiro/AM, obtido no sítio da Secretaria do Tesouro Nacional STN, "campo 65 código 3.3.90.36.0 discriminação Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física". O saldo informado pelo Município de Careiro/AM foi dividido por 12 e distribuído no período de 01 a 12/2006 (R$ 2.510.900,76:12=R$ 209.241,73), a título de salário de contribuição. FP1 FOLHAS DE PAGAMENTO: período 01/2006 a 12/2006, apurado com base nas folhas de pagamento de remuneração paga aos segurados empregados separadas por órgãos, por forma de contratação, por origem de recursos e por cargo e/ou função ocupados, conforme discriminado no Relatório de lançamentos, de fls. 37/46. AS1 REMUNERAÇÃO AFERIDA SEG EMPREG: lançado por aferição indireta, relativamente às competências 08/2006, 10/2006 e 12/2006, com base no art. 33, § 3 o da Lei n° 8.212/1991, com redação dada pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, e no art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, em razão de o notificado apresentar as folhas de pagamentos dos segurados empregados de maneira parcial. O critério utilizado para arbitramento das remunerações de segurados empregados foi o de repetir os valores das respectivas folhas do mês anterior: para arbitramento do mês agosto/2006 da Secretaria Municipal de Finanças (efetivos), por exemplo, foram lançados os valores do mês julho/2006 da mesma Secretaria. DAL Diferença de Ac. Legais: discrimina, na competência 10/2006, a diferenças decorrente de recolhimento a menor de Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14367.000307/201046 Acórdão n.º 2401002.946 S2C4T1 Fl. 215 3 juros, com indicação do valor que seria devido e do valor recolhido. A contribuinte foi cientificada cientificado em 30/09/2009 (fls. 01) Em seu recurso, o recorrente defende a necessidade de relevação da multa. Acrescenta que o Auto de Infração, em suas imputações, não observou as normas específicas dadas como infringidas, o que torna o lançamento nulo, pois não permitem o exercício dos direitos à ampla defesa e ao contraditório, garantidos à Recorrente pelo artigo 5o , LV, da Constituição Federal. Ademais, que está eivado de nulidade, por não observar formalidades essenciais, especialmente a obrigatoriedade de conter o dispositivo legal infringido e o que lhe comine a sanção ou justifique a exigência do cumprimento da obrigação, na forma da lei, porquanto não determina, com segurança, a infração cometida, com evidente prejuízo do direito de defesa. Sustenta a necessidade de perícia para que sejam apurados os valores realmente devidos, com as devidas alíquotas, posto que os valores foram atribuídos de forma abusiva e arbitrária pela autoridade fiscalizadora, ao utilizarse, sem qualquer respaldo legal. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araujo Soares, Relator PRELIMINARMENTE A recorrente atravessou nos autos petição requerendo a desistência expressa do presente recurso voluntário, motivo pelo qual a acolho. Ante todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, determinando a baixa dos autos a DRJ de origem. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002185/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO.
Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade educacional, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, c e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988.
Numero da decisão: 2202-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 12/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO. Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade educacional, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, c e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 12/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 18 1 17 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.002185/200724 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.476 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria ITR Recorrente INSTITUTO ECOLÓGICO CRISTALINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO. Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade educacional, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, “c” e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 12/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 21 85 /2 00 7- 24 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório Tratase de lançamento de ofício lavrado em face do Instituto Ecológico Cristalino – IEC referente à falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, na monta de R$ 759.901,47, alusivo ao exercício de 2002. Procedimento de Fiscalização Em termo de intimação fiscal (fls. 2022), ficou o contribuinte intimado em 30/08/2006 a apresentar a seguinte documentação. In litteris: DOCUMENTOS A APRESENTAR 1. CPF/CNPJ do contribuinte; 2. Comprovante de identificação; 3. Certidão ou Matrícula atualizada do imóvel , retirada no Cartório de Registro de Imóveis após a data da lavratura desta intimação; 4. Comprovar a situação de Imunidade informada em DITR; Para comprovar a imunidade deverá apresentar Certidão dos estatutos, prova de mandato da diretoria e prova de regular funcionamento da entidade, conforme o caso, quando se tratar de autarquias, fundações instituídas e mantidas pelo poder público, templos de qualquer culto, partidos políticos, entidades sindicais dos trabalhadores, instituições de educação e de assistência social, desde que sem fins lucrativos e atendidos os requisitos do art. 14 da Lei n˚ 5.172/66 (CTN) e Lei n° 9.532/97, e declaração do contribuinte, sob as penas da lei, discriminando as atividades desenvolvidas no imóvel, durante o ano de 2001, que estavam relacionadas às finalidades essenciais da Entidade. (...) 5. Não se comprovando a Imunidade, deverá apresentar elementos, comprovados por documentos hábeis e idôneos, que permitam o preenchimento do DIAT. Principalmente elementos que provem o valor da terra nua. 6. Para comprovação do valor da Terra Nua. O cálculo do valor da terra nua, referente à 1° de janeiro do ano do referido exercício, poderá ser comprovado mediante: a) Laudo técnico de avaliação, acompanhado da anotação de responsabilidade técnica ART , devidamente registrada no CRER , efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal ), com os requisitos da NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel . O laudo deverá ter o grau de fundamentação de no mínimo 2. b) A não apresentação da comprovação da VTN, ou a apresentação incorreta propiciará o lançamento de ofício da VTN, conforme art. 14 § 1° da Lei 9393/96, substituindose o Valor da Terra Nua por Hectare informado em DITR pelo Valor da Terra Nua por Hectare constante no SIPT (Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal). Em resposta a intimação, o contribuinte manifestouse (fls. 2428), acostando larga documentação (fls. 29799), como, por exemplo: · Estatuto Social do IEC (fl. 2931), · Resposta de Ofício pela Receita Federal do Brasil, datado de 16/02/2006, informando acerca da condição de imune do Instituto (fls. 3435) · Declarações do ITR dos exercícios de 2000 a 2006 (5064), ADA (fls. 6667), Laudo de Vistoria Técnica para averbação de Reserva Legal (fls. 6871) e Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta (fls. 7273) Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.002185/200724 Acórdão n.º 2202002.476 S2C2T2 Fl. 19 3 · Balanço contábil dos exercícios 20012005 (fls. 75 94), Relatório de compras e venda do Instituto (fls. 96 149), Livro Diário e Livro Razão (fls. 151183); · Declarações do IR (fls. 185 201) · Declarações das autoridades públicas acerca da finalidade exercida pelo Instituto Ecológico Cristalino (fls. 203212) · Ações em favor ao meio ambiente (fls. 292 362) Visto a documentação apresentada, o Sr. AFRF Mauricio Luciano da Rocha (fl.800), solicitou parecer da fiscalização, a fim de averiguar a imunidade do ITR alegada pelo contribuinte. Nas fls. 808 a 812, em parecer, a Fazenda concluiu que o contribuinte não tinha direito a imunidade alegada, por não se enquadrar no conceito de entidade de educação imune previsto pela IN nº 113/98, bem como não se enquadrar o imóvel nas hipóteses de isenção previstas no art. 3º da Lei nº 9.393/961. Naquele mesmo momento, foi intimado o contribuinte (fl. 811812) para que providenciasse documentação hábil e idônea que permitisse o preenchimento do DIAT, bem como elementos que comprovassem o valor da terra nua, qual seja: a) Laudo técnico de avaliação, acompanhado da anotação de responsabilidade técnica ART, devidamente registrada no CRER, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), com os requisitos da NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. O laudo deverá ter o grau de fundamentação de no mínimo 2. b) A não apresentação da comprovação da VTN, ou a apresentação incorreta propiciarão lançamento de ofício da VTN, conforme art. 14 § 1° da Lei 9393/96, substituindose o Valor da Terra Nua por Hectare informado em DITR pelo Valor da Terra Nua por Hectare constante no SIPT (Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal). Devidamente intimado em 23/04/07 (fl. 813), o contribuinte manifestouse tempestivamente em 11/05/07 (fls. 815827), alegando basicamente que não pelos motivos expostos pela Fazenda na IN 113/98, mas por outros argumentos, arts. 202, 203, 205 e 225 da CFRB, era instituição de educação,e, portanto, imune. Ainda, pelo princípio da eventualidade, caso não fosse esse o entendimento, acostou documentação (fls. 828927), que julgou suficiente para alimentar o DIAT. Notificação de Lançamento A autoridade fiscal não seguiu os argumentos e o teor dos documentos trazidos, entendendo por lançar o tributo, não reconhecendo a imunidade ao contribuinte (fls. 03/11), tendo sido o IEC notificado em 27/06/2007 (fl.928) acerca do lançamento tributário que constitui o crédito tributário de ITR do exercício de 2002, na monta de R$ 759.901,47, incluindo imposto, juros de mora e multa de ofício de 75%, relativo ao imóvel cadastrado na 1 Art. 3º São isentos do imposto: I o imóvel rural compreendido em programa oficial de reforma agrária, caracterizado pelas autoridades competentes como assentamento, que, cumulativamente, atenda aos seguintes requisitos: a) seja explorado por associação ou cooperativa de produção; b) a fração ideal por família assentada não ultrapasse os limites estabelecidos no artigo anterior; c) o assentado não possua outro imóvel. II o conjunto de imóveis rurais de um mesmo proprietário, cuja área total observe os limites fixados no parágrafo único do artigo anterior, desde que, cumulativamente, o proprietário: a) o explore só ou com sua família, admitida ajuda eventual de terceiros; b) não possua imóvel urbano. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 RFB sob o n˚ 0.334.2085, localizado no município de Paranaita – MT. O lançamento está baseado nos seguintes fundamentos: 1. Relatório: Contribuinte em atendimento à intimação da Malha Fiscal do ITR, datada de 22/08/2006, com objetivo de comprovar a situação de imunidade do ITR em relação ao imóvel identificado acima, apresentou documentação para análise. a) A Instituição se declara imune por entender ser uma instituição de educação que se enquadre no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, com as limitações previstas no seu parágrafo 4": "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:... VI instituir impostos sobre: ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; ...§ 4 1 As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas." b) No Estatuto da entidade é descrito que ela é uma sociedade não governamental sem fins lucrativos com a finalidade essencial de ajudar a melhorar a educação ambiental e a proteção ecológica, bem como o desenvolvimento autosustentado nas terras altas da Amazônia, contribuindo para a conservação dos recursos naturais e a manutenção da qualidade de vida nos trópicos. 2. Fundamentos Legais: Verificandose, as finalidades visadas pelo contribuinte, previstas em seu Estatuto, assim como as atividades por ele desenvolvidas, observase que ele não se enquadra em qualquer das categorias de entidades beneficiárias de imunidade, nos termos do art. 150, VI, 'c', da Constituição Federal, acima transcrito. Se, por um lado, a entidade não se caracteriza como partido político ou sua fundação, entidade sindical de trabalhadores, ou instituição de assistência social, por outro também não pode ser classificada como instituição de educação, sem fins lucrativos, por não promover, propriamente, educação, no sentido previsto nos art. 205, 206 e 209, inc. I e II, da Constituição Federal. A Instrução Normativa da SRF n 113, de 21 de setembro de 1998, define, em seu art. 1°, que são imunes as instituições que prestem serviços de ensino préescolar, fundamental, médio e superior, conforme a seguir: " Art. 1˚ As instituições que prestem serviços de ensino préescolar, fundamental, médio e superior, atendidas condições referidas nesta Instrução Normativa, poderão usufruir da imunidade relativa a seu patrimônio, renda e serviços, assegurada pelo art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, não se lhes aplicando a hipótese de isenção." Para uma determinada entidade vir a ser enquadrada como instituição de ensino, é necessário ser efetivamente considerada como tal, pelo Ministério da Educação. Descartada, de plano, a possibilidade de a entidade interessada constituir estabelecimento de ensino fundamental ou médio, restaria a possibilidade de enquadrarse como estabelecimento de ensino de nível superior. Para esse fim, é exigido que o estabelecimento esteja regularmente autorizado a ministrar educação de terceiro grau (Lei n.° 4.024, de 1961, art. 9.°, e Lei n.° 9.131, de 1995). Verificase, não se enquadrar o contribuinte em qualquer das categorias de estabelecimento de ensino superior fixadas pelo Ministério da Educação. Sendo assim, tendo em vista que também não se enquadra em qualquer das demais categorias de pessoas jurídicas incluídas no art. 150, VI, 'c', da Carta Magna, não pode se beneficiar da imunidade prevista em tal dispositivo. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.002185/200724 Acórdão n.º 2202002.476 S2C2T2 Fl. 20 5 Por outro lado, em que pese não poder ser classificada como imune, a entidade pode enquadrar se no benefício da isenção tributária, nos termos previstos no art. 15 da Lei n.° 9.532, de 1997, desde que atenda plenamente às exigências da lei. Entretanto, em relação à Legislação do Imposto Territorial Rural ITR, as únicas hipóteses de isenção são as discriminadas na Lei 9393/96, em seu art. 3°, conforme abaixo: "Art. 3" São isentos do imposto: I o imóvel rural compreendido em programa oficial de reforma agrária, caracterizado pelas autoridades competentes como assentamento, que, cumulativamente, atenda aos seguintes requisitos: a) seja explorado por associação ou cooperativa de produção; b) a fração ideal por família assentada não ultrapasse os limites estabelecidos no artigo anterior; c) o assentado não possua outro imóvel.II o conjunto de imóveis rurais de um mesmo proprietário, cuja área total observe os limites fixados no parágrafo único do artigo anterior, desde que, cumulativamente, o proprietário: a) o explore só ou com sua família, admitida ajuda eventual de terceiros; b) não possua imóvel urbano." 3. Conclusão Ante o exposto, concluise que o contribuinte não pode se beneficiar da imunidade prevista no art. 1.50, inciso VI, alínea c , da Constituição Federal, nem tampouco de isenção do ITR estabelecida em lei, por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses legais. Nota: Como a instituição não atende o principal prérequisito, por não ser enquadrar como de educação para fins de imunidade do ITR, não foram analisadas as documentações apresentadas para fins de comprovação de outros itens, por exemplo: a. Se as transações contábeis informadas nos Livros Fiscais, condizem com a finalidade da instituição; b. Se o imóvel rural está sendo utilizado para os fins previstos nos Estatutos; c. Se o destinação do patrimônio está assegurada para outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. 4. Da Análise das Informações para fins de preenchimento do DIAT O contribuinte foi reintimado a apresentar os valores para preenchimento do DIAT, amparado em documentos hábeis e idôneos para sua comprovação. Por comprovação insuficiente, foi apurado o imposto e realizado o lançamento de ofício na seguinte forma: 4.1. Área de Utilização Limitada: a) Reserva Legal: consta na matrícula do imóvel averbação de 80% da área total do imóvel para fins de reserva legal e foi declarado em Ato Declaratório AmbientalADA, conforme extrato do protocolo informado pelo IBAMA à SRFB. Desta forma, está comprovada a exclusão de 48.227,O ha da base de cálculo do ITR; b) Área de Interesse Ecológico: contribuinte informa a existência de 2.500,O ha, referente ao Parque Ecológico Paranaíta. Entretanto, para se ter direito a exclusão dessa área, devem ser declaradas de interesse ecológico mediante ato específico do órgão competente, federal ou estadual e devem ser comprovadamente imprestáveis para a atividade rural; além disso, tem que ser informado em ADA. Como não foram comprovadas todas condições, não será excluída a área informada a esse título da base de cálculo do ITR. 4.2. Área de Preservação Permanente: Em ADA consta a informação da existência de 4.042,O ha e o contribuinte pede que seja considerada uma APP de 1.000,O ha. Para se ter direito à exclusão dessa área é necessário que seja comprovada a sua existência através de Laudo elaborado por profissional habilitado, com a Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 respectiva ART, onde serão informadas e comprovadas as situações e valores que se enquadrem no art. 2° e/ou 3 0 da Lei 4771/65. Pelo não atendimento dessas condições, não será considerada a APP informada pelo contribuinte para apuração da base de cálculo do ITR. 4.3. Área de Pastagem: o contribuinte pede que seja considerado no cálculo do grau de utilização do imóvel uma área de pastagem de 13.432,O ha. Alega que a área foi explorada por posseiros, conforme Laudo Pericial. A área aceita na DITR referente a pastagem tem que ser comprovada em conjunto com a comprovação do efetivo pecuário e no laudo deve constar a data da ocorrência.Também, não foi esclarecido quais áreas de pastagens dos posseiros estão dentro da reserva legal ou fora dela, dessa forma, não é possível averiguar quanto das pastagens estão dentro da área tributável. Pelo exposto, não será possível aceitar essa informação para apuração do grau de utilização do imóvel rural. 4.4. Valoração da Terra Nua: contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua VTN. A intimação discriminava que deveria ser apresentado Laudo de avaliação conforme NBR 14653 da ABNT, com grau de fundamentação e precisão II. Pela falta de apresentação do laudo, o valor da terra nua está sendo arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme art. 14 da Lei 9393/96. Impugnação Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 929948), tempestivamente em 11/07/2007, conforme termo de ciência (fl. 1128), alegando que é instituição de educação sem fins lucrativos, pois atende todos os requisitos legais e constitucionais. Ainda, referiu que o Estatuto Social do IEC (fls.760767), deixa clara sua finalidade (fl. 764, art. 4˚), qual seja melhorar a educação e a proteção ecológica na região Amazônica, preenchendo os requisitos constante dos art. 9 e 14 do CTN. No mais, refere que o Delegado da Receita Federal do Brasil de Cuiabá (fl. 3435), no uso de suas atribuições, ao responder ao Ofício nº 14/2006 pela Receita Federal do Brasil, ao Poder Judiciário de Mato Grosso, declarou a imunidade/isenção do IEC, informando: “que nos termos do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, abaixo, o INSTITUTO ECOLOGICO CRISTALINO, CNPJ: 33.683.780/000170, goza de imunidade tributária, tratandose de instituição cuja atividade registrada junto à Secretaria da Receita Federal SRF é "Outros cursos de educação continuada ou permanente". Ainda, alega o IEC que o art. 205 da CF, considera que a educação será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, não sendo, tão somente, privilégio da Escola ou do Estado. Os arts. 206 e 209 fixam princípios e normas para ministrar o ensino escolar, como igualdade, liberdade de aprender, pluralismo de ideias, gratuidade do ensino público, valorização do profissional e etc, inexistindo qualquer restrição para que a educação seja realizada, tão somente, através de escolas. Por tudo isso, em face da previsão do art. 150, VI, “c” da CFRB/88, seria o IEC imune, por se tratar de instituição de educação, sem fins lucrativos, uma vez que atende os requisitos legais estabelecidos no art. 12, § 2˚ da Lei 9532/97. Além do mais, o art. 225 da CF estabelece que é direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preserválo para as presente e futuras gerações. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.002185/200724 Acórdão n.º 2202002.476 S2C2T2 Fl. 21 7 Portanto, incumbiria ao Poder Público a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. Como se vê, o direito de todos ao meio ambiente equilibrado está interligado ao dever de defender e preservar. Nesse sentido, a educação ambiental não pode ficar restrita aos ensinamentos acadêmicos, muitas vezes dissociados do meio ambiente. Dessa forma, veio o IEC promover o que tão pouco é moticado pela administração, a Educação Ambiental. De outro lado, art. 3˚, § 2˚ do Dec. 4.382, 19/9/2002 DOU 20/9/02 estabelece: § 2˚. Para o gozo da imunidade, as instituições de educação ou de assistência social devem prestar os serviços para os quais houverem sido instituídas e os colocar à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos, e atender aos seguintes requisitos (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, art. 14, com a redação dada pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, art. 1; Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 12). Portanto, este decreto que regulamentou toda arrecadação, tributação e fiscalização do ITR não incluiu em nenhum dos seus dispositivos as restrições constantes da IN SRF 113/98, o que induz a sua revogação, face a prevalência de disposição de hierarquia superior, editada posteriormente e que regulou inteiramente a matéria. No mais, discorreu acerca dos conceitos de educação, reiterando ser Instituição que preenche os requisitos constitucionais e legais, possuindo direito à Imunidade. Todavia, em vista da eventualidade, reiterou os argumentos postos em manifestação lançada nas fls. 815 827, bem como da documentação das fls. 828927, repisando os dados que devem ser utilizados para preenchimento do DIAT. Requereu naquele momento a aceitação de 1000 ha como área de preservação permanente, bem como 2.500 ha como área de interesse ecológico. Com relação à área utilizada do imóvel, informa que deve ser aceita a área de pastagens de 13.432 ha como explorada, pois tratase de área ocupada por posseiros, conforme laudo judicial (fls.390 400 / 836 913) Por fim, impugnou a exigência do fisco quanto à apresentação de laudo conforme NBR 14653 da ABNT, por falta de legislação que o ampare, bem como a bitributação das áreas de pastagens em razão da transação com os posseiros, uma vez que tais também apresentam DIRT`s sobre a mesma área. Impugnou a aplicação da multa e dos juros de mora. Requereu o provimento da impugnação e restabelecimento do direito à imunidade declarada pela autoridade fiscal. No caso de não ser aceita a imunidade/isenção, solicita a produção de todas as provas em direito permitidas, inclusive exibição para extração de cópias das declarações de ITR dos posseiros que refere em sua impugnação, requerendo, ainda, a realização de perícia, tendo, na mesma ocasião indicado assistente técnico e quesitos. A fim de comprovar o alegado, juntou documentos (fls. 9491121). Decisão da DRJ Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 A 1˚ Turma de julgamento, por unanimidade de votos, acordou e julgou por rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, julgar procedente em parte o lançamento, pelos fundamentos abaixo a serem expostos (fls. 1131 1139). Referiu que o ônus da prova é do impugnante quanto aos argumentos realizados, devendo ser apresentada juntamente com a impugnação. Referente ao pedido de vistoria, entende que equivale a um pedido de perícia, sendo que para tanto, a realização de perícia servira apenas par levantar provas a favor do contribuinte, que poderiam por ele ser produzidas por outros meios, razão pela qual foi rejeitada. Ainda, que o lançamento tributário é legal, pois contém todos os requisitos exigidos pelo art. 10˚ do PAF, sendo que houve prévia intimação para apresentação de defesa não cabendo alegação de cerceamento de defesa. Quanto à inconstitucionalidade alegada de normas que fundamentam a autuação, não cabe esta apreciação na esfera administrativa, pois a apreciação de inconstitucionalidade de lei em tese é competência do Judiciário. Quanto à insurgência referente à multa aplicada de 75%, o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 permite o seu arbitramento, e quanto aos juros de mora em percentual equivalentes à SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, o art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/96, possibilita sua aplicação. Vêse, portanto, que não há como confundir a multa devida no lançamento de ofício, cujo fundamento legal encontrase acima enunciado, com a multa moratória (de no máximo 20%), devida no caso de recolhimento espontâneo de tributos. Desta forma, descabe a insurgência contra a incidência dos acréscimos legais (multa e juros), haja vista que o contribuinte foi previamente intimado, fato que descaracteriza a espontaneidade, nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN. No que cerca a imunidade, não pode o impugnante usufruíla, pois não presta serviços de ensino préescolar, fundamental, médio ou superior, nos termos do art. 1˚ da IN 113/98. Além do mais, a IN só veio explicitar o conteúdo expresso da norma constitucional que prevê a imunidade. Não há que se confundir, como pretende a impugnação, os valores da educação e da defesa do meio ambiente, haja vista que o próprio constituinte tratou de distinguilos em capítulos diversos da Ordem Social. Ademais, incumbe ao julgador o respeito às normas editadas pela Receita Federal do Brasil, não se podendo cogitar a desconsideração da norma veiculada por Instrução Normativa. Ainda, a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo supracitado (Lei n° 9.393/96, art.14). O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor apurado fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. No que cerca o requisito da ABNT, indicou que somente com tal laudo, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, é que é possível ser revisto o valor o atributo ao imóvel lançado. No que tange à área de pastagens, há de ser mencionado que, nos termos da legislação, a área servida de pastagem aceita será a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustado e o índice de lotação mínima. No caso em tela, o importante não é comprovar somente a existência da área de pastagens, mas a existência de animais que justifiquem a aceitação da área, conforme índices de rendimento de pecuária para a região. No mais, observandose o disposto na legislação Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.002185/200724 Acórdão n.º 2202002.476 S2C2T2 Fl. 22 9 acerca da aceitação da área de pastagens, constatase que o lançamento está devidamente fundamentado, não se constatando nos autos nada que possa macular o procedimento fiscal adotado. Com relação à área de preservação permanente, considerouse aceita, haja vista que a área pretendida pelo impugnante (3.500 ha) consta em ADA, conforme se verifica da descrição de fatos que fundamenta o lançamento. Não obstante a não apresentação de Laudo Técnico, os autos trazem diversos elementos que fazem concluir pela verossimilhança das alegações, haja vista que o imóvel é servido por rios, o que torna razoável a aceitação da existência de mata ciliar (art. 2° do Código Florestal) no quantitativo pretendido. Ademais, vêse que a área de interesse ecológico pretendida subsumese ao que prevê o art. 3° do Código Florestal, podendo ser aceita como área de preservação permanente. Nos autos, inclusive, constam notícias das ações movidas pelo contribuinte no sentido de preservar a área e evitar a sua depredação. Por estes motivos, foi aceita a área de preservação permanente de 3.500 ha, por estar compatível com o declarado em ADA e demonstrado pelo conjunto probatório constante nos autos. Em face disso, deuse PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, cuja cobrança deve prosseguir, calculandose os acréscimos legais devidos (multa e juros) a partir da diferença de imposto de R$ 213.378,09. Recurso Voluntário O recorrente foi intimado do resultado do julgamento de sua impugnação em 17/09/2009 (fl. 1139), tendo interposto Recurso Voluntário em 30/09/09 (fls. 11451160). Em seu recurso, o recorrente repisa os argumentos defendidos na impugnação. Reitera os pedidos realizados em sede de impugnação. Junta novo laudo técnico, nos termos da solicitação da autoridade fiscal, no qual constou o valor da terra nua do imóvel R$ 365.721,00 (fl. 1166), com respectiva anotação ART (fl. 11871188). Voto (Assinado digitalmente) Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt O recurso voluntário atende a todos os requisitos legais estabelecidos no decreto 70.235/1972, merecendo conhecimento. O recurso voluntário abrange a controvérsia quanto ao reconhecimento da imunidade, assim como a determinação da área tributável e o arbitramento do VTN. Do eventual cerceamento de defesa O indeferimento da realização de prova pericial no caso não caracteriza cerceamento de defesa, vez que durante todo o processo administrativo fiscal o IEC foi intimado e notificado Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 de todas as etapas, tendo o Instituto e se manifestado diversas vezes, a fim de convencer os julgadores de seus argumentos. A apreciação da prova trazida é objeto de convencimento do julgador, não implicando em cerceamento de defesa, tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos postos pelo recorrente, não enseja a diminuição no poder de defesa do mesmo. A prova pericial, somente se justifica quando o exame das provas apresentadas não possa ser realizado pelo julgador, em razão da complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Caso as provas constantes do processo, ainda que versem sobre matéria especializada, possam ser satisfatoriamente compreendidas, nada justifica a realização de perícia. Tendo em vista que o recorrente trouxe documentação probatória suficiente para a análise e deslinde do feito, tenho por concordar com o posicionamento exarado anteriormente na decisão da impugnação, por não existir matéria de complexidade tamanha que demande a realização de perícia. Por esse motivo, afasto a preliminar arguida quanto ao cerceamento de defesa, passando à análise do mérito. Da Imunidade De plano, destacase que, diferentemente das hipóteses de isenção tributária, em que a interpretação da norma deve ser restritiva, nos casos da imunidade a norma deve ser interpretada de forma ampliativa, por dizer respeito à proteção de direitos fundamentais. No caso, o recorrente alega que é entidade educacional, constituída sobre a forma de associação civil sem fins lucrativos, conforme o seu estatuto social (fls.760767). Em razão da ausência de finalidades lucrativas, da promoção educacional na área ambiental e da não distribuição de resultados ou qualquer forma de remuneração a sua diretoria (conforme art. 4˚ e 5˚ do estatuto (fl. 761)2), o recorrente afirma que é, desde a sua fundação, IMUNE a impostos incidentes sobre sua renda, serviços ou patrimônio, de acordo com a Constituição Federal, art. 150, VI, “c”: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) 2 Artigo 4˚. O Instituto tem a finalidade de ajudar a melhorar a educação ambiental e a proteção ecológica, bem como o desenvolvimento sustentado nas terras altas da Amazônia, contribuindo para a conservação dos recursos naturais e a manutenção da qualidade de vida nos trópicos. Parágrafo Único. . O Instituto é entidade sem fins lucrativos não podendo distribuir dividendos, lucros ou quaisquer parcelas de seu patrimônio, não se envolvendo em questões de caráter religioso, político partidário ou quaisquer atividades estranhas às suas finalidades. Artigo 5˚. O Instituto, para consecução de suas finalidades, deverá promover, coordenar e executar atividades de educação ambiental, preservação ecológica e desenvolvimento autosustentado, através da participação em todos os eventos nacionais ou internacionais, que objetivem o fomento da sustentabilidade da Floresta Amazônica, bem como de ações e projetos na região de Alta Floresta, através de consultores contratados ou voluntários, que possam colaborar na promoção da educação ambiental na região de Alta Floresta. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.002185/200724 Acórdão n.º 2202002.476 S2C2T2 Fl. 23 11 IV instituir impostos sobre: (...) o patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos de lei. A intributabilidade das atividades das entidades de educação se dá por razões de ordem pública, porque tais instituições possuem fins nobres e elevados como, v.g. a educação e a saúde. A imunidade constitucional é uma forma de incentivar o particular a atuar em áreas de interesse do constituinte, auxiliando desinteressadamente (i.e. sem a distribuição de resultados, que são integralmente reinvestidos na consecução de seus objetivos sociais) na prestação de serviços que em princípio caberiam ao próprio Estado, mas que ele infelizmente não tem condições de prestar. Ao definir o que é educação, a própria Constitui Federal refere no seu art. 205 que tal “será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. No caso específico da proteção ao meio ambiente, temse que, na forma da CF, tratase de DEVER atribuido simultaneamente ao Estado e aos particulares, nos seguintes termos: “Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preservá lo para as presentes e futuras gerações. Mais do que isso, a Constituição ainda se refere, no mesmo dispositivo, especificamente à educação ambiental, dizendo ser dever do Poder Público (ou, digo eu, na ausência dele, também do particular) “VI promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”. No âmbito infraconstitucional, a Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, prevê que “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (art. 1º). Sendo assim, desde já, resta demonstrado que, ao restringir o enquadramento das entidades de educação imune apenas àquelas “instituições que prestem serviços de ensino pré escolar, fundamental, médio e superior”, está a IN nº 113/98 em franco descompasso com a CF/88 e a legislação infraconstitucional a qual está subordinada. Dessa forma, no que tange ao atendimento dos fins e objetivos previstos pelo art. 205 da CF/88 e pelo art. 1º da Lei nº 9.394/97, o IEC está, em princípio, apto a gozar da imunidade Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 tributária sobre sua propriedade, cumprindo, então analisar os demais preenchimento dos requisitos legais para tanto. Nesse tocante, a imunidade em questão é regulamentada pelo CTN (art. 9º) que, como é sabido, foi recebido pela Constituição de 1988 como Lei Complementar, exercendo a função de nacionalmente regular as limitações constitucionais ao poder de tributar (CF, art. 146, II). Diz o Código: Art. 9: É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV – cobrar imposto sobre: c) o patrimônio, a renda ou serviços de partidos políticos e de instituições de educação ou de assistência social, observados os requisitos fixados na Seção II deste capítulo. Na Seção II, referida pelo artigo 9˚ supra transcrito, o CTN elenca os requisitos necessários para o gozo da imunidade constitucional, rezando: Art. 14 O disposto na alínea “c” do inciso IV do artigo 9 é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, à título de lucro ou participação no seu resultado; II – aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; II – manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Por sua vez, ainda entendo, que para se fazer jus a alegada imunidade em voga, deve a entidade preencher os requisitos estabelecidos no artigo 12 da Lei 9.532/97, quais sejam: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.002185/200724 Acórdão n.º 2202002.476 S2C2T2 Fl. 24 13 modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Já quanto ao Decreto 4.382/02, que regula o ITR, embora tal não se aplique ao caso dos autos (que versa sobre a situação do imóvel em 01/01/2002, portanto antes da sua publicação), ele assim prevê no seu art. 3˚, § 2˚: § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições de educação ou de assistência social devem prestar os serviços para os quais houverem sido instituídas e os colocar à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos, e atender aos seguintes requisitos (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, art. 14, com a redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, art. 1; Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 12): I não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicar integralmente, no País, seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos institucionais; III não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; IV manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; V conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; VI apresentar, anualmente, declaração de rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 VII assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para o gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; VIII outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este parágrafo. Diante dos fundamentos acima, entendo que a questão a ser analisada, no caso, é unicamente de prova. Derivando a imunidade da Constituição Federal e apresentando o contribuinte os documentos pertinentes, caberia à Fiscalização contestálos, caso discordasse ou vislumbrasse qualquer irregularidade. Nenhuma irregularidade quantos aos requisitos acima, contudo, foi alegada. A Fiscalização não imputou ao contribuinte (i) a distribuição de qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, (ii) a não aplicação integralmente, no País, dos seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, (iii) a remuneração, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, (iv) a ausência de escrituração completa de suas receitas e despesas, (v) a não conservação em boa ordem dos documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, (vi) a ausência de declaração de rendimentos, ou (v) a não destinação de seu patrimônio a outros fins que não os previstos em seu estatuto, restando, portanto, atendido todos os requisitos previstos no CTN e na Lei nº 9.532/97. De todo o modo, no desempenho de suas atividades, conforme previsto em seu estatuto, o IEC exerce atividades de educação ambiental, preservação ecológica e de desenvolvimento sustentável, através da participação de eventos nacionais ou internacionais, que objetivam o fomento da sustentabilidade da Floresta Amazônica, bem como de ações e projetos na região. Quanto às atividades do IEC e à destinação do imóvel em questão, tais restaram comprovadas pelas diversas declarações trazidas pelo recorrente aos autos, das mais diversas autoridades públicas. Vejamos: Declarou a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (fl. 916): “A Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, vem através do seu Secretário Sr. Leocir José Dellani, DECLARAR que o Instituto Ecológico Cristalino — IEC, é uma instituição empenhada na conservação de reservas florestais primárias, Educação Ambiental e apoio à Pesquisas Científicas e Aplicadas. Desde sua criação, vem colocando a disposição da população local suas propriedades para estudos e pesquisa. (grifos nossos) Os trabalhos de educação ambiental do INSTITUTO tem ajudado a região de Alta Floresta a reduzir os crimes ambientais, inclusive com intenso trabalho nas comunidades rurais, principalmente na Comunidade Santa Cruz da Paineira onde existe uma reserva ambiental que tem sido preservada, ensinando que o melhor caminho é ajudar a preservar nossas florestas. (grifos nossos) Sendo expressão da verdade, firmo a presente declaração.” No mesmo sentido (fl. 917), a Prefeitura Municipal de Alta Floresta: Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.002185/200724 Acórdão n.º 2202002.476 S2C2T2 Fl. 25 15 “Declaramos para os devidos fins que o Instituto Ecológico Cristalino é uma entidade de fins educacionais, empenhada na conservação de áreas florestais em nossa região, fazendo um trabalho intenso junto à comunidade de Alta Floresta e entidades nacionais e internacionais, para defesa de nosso patrimônio biológico. As propriedades do Instituto Ecológico Cristalino são utilizadas por pesquisadores da Universidade local e de outros estados brasileiros, com o objetivo de gerar conhecimento sobre a fauna e flora regionais. O Instituto Ecológico Cristalino promove Fóruns, palestras e cursos para a comunidade local e regional, visando a divulgação do desenvolvimento sustentável, a importância da preservação da biodiversidade e o cuidado com as queimadas indiscriminadas. O Instituto Ecológico Cristalino promoveu com apoio do Programa das Nações Unidas — PNUD o "Fórum de Modelos de Desenvolvimento Sustentável realizado em Alta Floresta MT.” As propriedades do Instituto Ecológico Cristalino são também utilizadas para o desenvolvimento do Ecoturismo, o que tem possibilitado o reconhecimento internacional do Município de Alta Floresta.” Ainda, o Governo do Estado do Mato Grosso (fl.918): Declaramos que o INSTITUTO ECOLÓGICO CRISTALINO, entidade não governamental, sediada em Alta Floresta, MT, vem se dedicando, desde sua fundação, à preservação e conservação das florestas na região Norte do Estado, bem como tem exercido um constante trabalho de educação ambiental, com apoio à Pesquisa Científica, disponibilizando suas propriedades para fins de educação ambiental, colocando a disposição da população local suas propriedades para fins de estudo e pesquisa. O INSTITUTO tem auxiliado a SEMA em suas tarefas de preservação das florestas, dedicandose, inclusive a disseminar a introdução de RPPN RESERVAS PARTICULARES DO PATRIMÔNIO NATURAL na região, incentivando outros proprietários a participar da conservação de suas florestas. Os trabalhos de educação ambiental do INSTITUTO têm ajudado a região de Alta Floresta a reduzir os crimes ambientais, inclusive com intenso trabalho nas escolas de Alta Floresta, ensinando às crianças a importância da preservação e dos cuidados com a utilização do fogo, o que tem reduzido as queimadas na região. O trabalho do INSTITUTO em relação à educação ambiental é o melhor caminho para ajudar a preservar as nossas florestas. (grifos nosso) O Coordenador Regional do Campus de Alta Floresta, atesta (fl. 919): Declaramos pelo presente que o INSTITUTO ECOLÓGICO CRISTALINO é uma entidade que tem desenvolvido importantes atividades em contribuição a preservação e conservação dos recursos naturais, notadamente a educação ambiental. Esta entidade, de caráter não governamental, tem colaborado com as ações da Universidade e de outras organizações que se ocupam da proteção do meio ambiente em nossa região. Com a realização de atividades acadêmicas em suas instalações junto à Gleba Cristalino, o Instituto Ecológico Cristalino propicia importante no contribuição à Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 16 formação de nossos acadêmicos e cidadãos, de forma consciente e responsável com a sustentabilidade de nosso ambiente. Sendo que se apresenta para o momento, aproveitamos o ensejo para reiterar nossos protestos de consideração e estima. (grifos nossos) A Secretaria de Estado de Educação do Estado do Mato Grosso (fl. 920), depõe: Declaramos que o Instituto Ecológico Cristalino IEC, é uma instituição empenhada na conservação de reservas florestais primárias, Educação Ambiental e apoio à Pesquisas Científicas e Aplicadas, desde a sua criação. (grifos nossos) O IEC tem colocado à disposição da UNEMAT Universidade do Estado de Mato Grosso Curso de Biologia Campus Alta Floresta, sua propriedade situada às margens do Rio Teles Pires, para pesquisas de fauna e flora em nossa região, pelos alunos e professores da Unemat, ou por pesquisadores de outras Universidades brasileiras, acompanhados por monitores da Unemat. A Gleba Cristalino, com mais de 570 espécies de aves já classificadas, constituise uma das mais ricas áreas em toda a Amazônia , o que tornou Alta Floresta um dos principais centros de visitas de ornitologistas de todo o mundo. Inclusive, a própria Receita Federal do Brasil (fl. 3435), no uso de suas atribuições informou acerca da a imunidade/isenção do IEC, em resposta ao Ofício nº 14/2006, ao Poder Judiciário de Mato Grosso, nestes termos: “que nos termos do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, abaixo, o INSTITUTO ECOLOGICO CRISTALINO, CNPJ: 33.683.780/000170, goza de imunidade tributária, tratandose de instituição cuja atividade registrada junto à Secretaria da Receita Federal SRF é "Outros cursos de educação continuada ou permanente". Ainda, em acesso ao site3 da Instituição em comento, foi possível verificar a sua finalidade, estando, inclusive, devidamente publicizada. Diante disso, entendo que o recorrente atende plenamente todas as exigências legais, possuindo direito ao benefício da imunidade, inclusive, por defender um direito tão caro a sociedade, qual seja a proteção do ambiente mediante a educação e sua sustentabilidade através da conscientização do ser humano. Em casos como o dos autos, esse Conselho vem decidindo no mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ITR. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO. Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade de assistência social, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, “c” e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria 3 http://www.fundacaocristalino.org.br/br_index.php. Acessado em 28/07.2013. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.002185/200724 Acórdão n.º 2202002.476 S2C2T2 Fl. 26 17 Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. (Processo n˚ 17883.000209200762, Relator Eduardo Tadeu Farah) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1996 ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. ITR. IMUNIDADE. Reconhecido que o recorrente cumpriu os requisitos legais para fazer jus à imunidade do art. 150, VI, “c”, da CR88 (vedação de instituição de imposto sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei), inviável manter o lançamento do ITR sobre os imóveis da entidade afetados ao fim estatutário. Recurso provido. Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (Processo n˚. 11080.002061/200174, Relatoria GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS) Ante todo exposto, comprovado que o imóvel do recorrente se encontra albergado pela imunidade tributária, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a imunidade ao Instituto Ecológico Cristalino, desconstituindo o auto de infração lançado. Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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