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Numero do processo: 10314.010052/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 15/07/2002 a 18/05/2005
IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ATO DECLARATÓRIO SRF Nº 07, DE 26/07/2005, APLICÁVEL A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE.
As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submete-se à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 26/07/2005.
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. PROPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO.
Relativamente às multifuncionais CX-3200 e CX-5200, como a Recorrente optou por discutir a sua classificação fiscal perante o Poder Judiciário, ocorreu renúncia administrativa sobre o tópico, nos termos da Súmula nº 15, deste colendo CARF:
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3301-001.815
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB-RJ 1772-B.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ATO DECLARATÓRIO SRF Nº 07, DE 26/07/2005, APLICÁVEL A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 26/07/2005. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. PROPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. Relativamente às multifuncionais CX3200 e CX5200, como a Recorrente optou por discutir a sua classificação fiscal perante o Poder Judiciário, ocorreu renúncia administrativa sobre o tópico, nos termos da Súmula nº 15, deste colendo CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 00 52 /2 00 5- 27 Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OABRJ 1772B. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra decisão da DRJ de São Paulo (I) que julgou parcialmente procedente os autos de infração de II, IPI, PIS/COFINS Importação, Multa de Ofício de 75%, Multa de 1% por erro na classificação da mercadoria (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158, de 24/08/2001) e Juros SELIC, decorrente da desclassificação fiscal da mercadoria produzida pela Contribuinte, constituídos em 31/10/2005. O lançamento desencadeouse da decisão prolatada, no processo de consulta n° 13896.0002961200324, respondida em 28/01/2005 (fls. 165/169), tendo a própria interessada como consulente, em que se concluiu que "unidades multifuncionais que combinam as funções de impressora colorida jato de tinta, digitalizador de imagens ("scanner") e copiadora colorida (autônoma, sem uso de microcomputador), modelos Epson Stylus CX3200 e Epson Stylus CX 5200, fabricante Epson", devem ser classificadas no código 9009.21. 00 (copiadoras) . A Consulente foi cientificada sobre o resultado da Consulta em 16/02/2005 (AR fl. 120). Afim de suspender a exigibilidade do crédito tributário, a Impugnante efetuou, antes de decorridos os 30 dias da data da intimação da Solução de Consulta, anteriormente a lavratura do Auto de Infração (que ocorreu em 31/10/2005), a interessada ingressou com Ação Declaratória com Pedido de Depósito Judicial, em 18/03/2005, (doc. 8 – fl. 323 e seguintes) com os seguintes objetivos: "a) autorização para efetuar depósito judicial referente à diferença do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados decorrente das distintas alíquotas aplicáveis aos "scanners" código TEC 8471.90.14, e às copiadoras, código TEC 8009.21.00, na importação e comercialização das unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200; b) a declaração de que as unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200 estão enquadradas no código TEC 8471.60.21, referente à impressoras;” Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.010052/200527 Acórdão n.º 3301001.815 S3C3T1 Fl. 1.546 3 A decisão recorrida manteve parcialmente a exigência, recorrendo de ofício em relação à parte exonerada, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 15/07/2002 a 18/05/2005 DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA. Uma vez formulada a consulta, o sujeito passivo obrigase a adoção da classificação fiscal indicada na correspondente solução, e ao recolhimento dos tributos correspondentes. CONCOMITÂNCIA propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto, pelo sujeito passivo, não deve ser conhecido no âmbito administrativo. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL. Não é devida multa de ofício sobre o crédito tributário suspenso pelo depósito do seu montante integral, realizado antes de encetado qualquer procedimento de ofício a ele relativo. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (CONCOMITÂNCIA). Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL NÃO COMPROVADA. A ausência de Laudo Técnico capaz de identificar com segurança os produtos importados, implica na manutenção da classificação tarifária indicada pelo importador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A decisão recorrida faz referência ao Ato Declaratório Interpretativo n° 7, de 26/07/2005, da Secretaria da Receita Federal, publicado no D.O.U., de 28/07/2005, que dispõe sobre a classificação fiscal de máquinas multifuncionais, corroborando mesmo entendimento expressado na Solução de Consulta: "O Secretário da Receita Federal, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e considerando o que consta no processo n° 10168.0001741200536, declara: Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de fac Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 simile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificamse na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. " Logo, a decisão recorrida manteve parcialmente a exigência com exigibilidade suspensa, reconhecendo a concomitância com o Poder Judiciário, tendo em vista que antes de decorridos os 30 dias da intimação da consulta, o contribuinte efetuou o depósito judicial da diferença dos tributos em relação as máquinas CX3200, as Declarações de Importação através das quais foram despachadas as máquinas CX3200, e que constam do Auto de Infração (as DI, com o crédito tributário suspenso estão relacionadas às fls. 733). Excluiu a multa de 75%, com fulcro no art. 63 da Lei n° 9.430/96, em razão de ter ocorrido depósito do montante integral, nos termos do art. 151, II, do CTN. Ainda em relação às DI, com exigibilidade suspensa, objeto da Solução de Consulta e da Ação Judicial, a decisão recorrida manteve a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por erro de classificação fiscal (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul — conforme determina o art. 84, I da MP 2.15835/2001). Igualmente manteve a exigência dos Juros de Mora do Crédito Tributário Suspenso, por se tratar de mera decorrência do principal e, portanto, considerados definitivamente constituídos na esfera administrativa, juntamente com os tributos, que são discutidos na via judicial. Em relação à exigência sobre as demais mercadorias importadas, que não foram objeto da Solução de Consulta, a mesma foi excluída pela decisão recorrida, tendo em vista que nas DI´s constam somente o modelo da máquina, não estando descritas como sendo multifuncionais, bem como pela falta de Laudo Técnico, folhetos, etc., que demonstrasse com segurança, as características equipamentos importados, o que comprometeu o lançamento. Também, pelos mesmos motivos, foi exonerado todo o crédito tributário referente a PIS/COFINS, tendo em vista que todas as Declarações de Importação listadas no Auto de Infração faz menção a outras máquinas, ou seja, que não foram objeto da consulta, vide fls. 127 a 132, 137 a 140, e 143 a 147. Por fim, constam as DI`s de nº 02/06195014/002 e 02/07346806, que a própria contribuinte declarou como sendo multifuncionais, mas que a autoridade administrativa entendeu que não se enquadram na definição de unidades multifuncionais, mas que configuram, de fato, em impressoras híbridas, enquadradas sob o código 8471.60.29. Diz que a Impugnante alegou que o produto não se enquadra na definição de unidade multifuncional, porquanto não possui a função de copiadora, atuando, de fato, como uma mini impressora utilizada, precipuamente, para o preenchimento de cheques no modelo matricial, bem como para fins de scannear documentos monocromáticos do tamanho de um cheque ", sendo que quando da importação dos referidos produtos, promoveu a entrada sob a classificação de "scanner" (código 8471.90.14), a qual entendeu indevida pelas razões que alegou. De acordo com os extratos das DI´s, anexados pela fiscalização, observamos que a própria interessada descreve estas máquinas como sendo MULTIFUNCIONAL, fato incontroverso, para que a classificação fiscal destas máquinas seja mantida na classificação adotada pela fiscalização, tendo em vista o Ato Declaratório Interpretativo no 7, de 26/07/2005, Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.010052/200527 Acórdão n.º 3301001.815 S3C3T1 Fl. 1.547 5 acima citado, da Secretaria da Receita Federal, publicado no D.O.U., de 28/072005, que dispõe sobre a classificação fiscal de máquinas multifuncionais. Assim, é procedente o lançamento em relação as Declarações de Importação de n°s 02/06195014/002 e 02/07346806. Nesse sentido, ressalta que a interessada efetuou o pagamento da diferença dos tributos, em 07/12/2005, após a ciência do Auto de Infração, mas, diferença esta resultante da classificação distinção tarifária de 8471.90.14 para 8471.60.29, conforme seu entendimento, acrescida os juros de mora e da multa punitiva, calculada no valor de 50% do débito principal. Sendo mantida a exigência em relação às 2 D.I., tendo em vista que a autuação ocorreu antes do pagamento da diferença dos tributos. Cientificada em 26/03/2010 (AR – fl. 883), foi interposto recurso voluntário em 27/04/2010 (fls. 885/907), alegando, em sede de preliminar, que a decisão ora recorrida, a Autoridade julgadora a quo acertadamente reconheceu a, integralidade do depósito judicial, tendo julgado pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até a conclusão da ação judicial, devendo ser mantida a suspensão 'da exigibilidade relativamente às DI's apontadas às fis. 733, até a conclusão defínitiva' da ação judicial distribuída sob o nº 2005.61.00.0035852. Aduz que em que pese o brilhantismo da decisão recorrida relativamente aos itens exonerados, equivocase a D. Autoridade Julgadora a quo quanto à classificação fiscal destas impressoras térmicas registradas nas DIs 02/06195014/002 e 02/07346806 como se "copiadoras" fossem. Ressaltando que o produto em questão ("Impressora Multifuncional com Digitalizador de Imagens TMH6000II721") sequer possui a função de copiadora, tratase de equipamento que atua apenas como uma mini impressora, utilizada especificadamente para o preenchimento de cheques no modelo matricial, bem como para fins de digitalizar documentos do tamanho de um cheque. Sendo assim, como classificar como "copiadora" impressora térmica que sequer realiza a função de copiadora?! Alternativamente à classificação do equipamento como impressora, poderse ia, ad argumentandum, classificálo como "scanner", classificação fiscal originalmente adotada pela Recorrente, i.e., anteriormente ao recebimento do laudo do IPT. Ocorre que, em consonância ao laudo emitido pelo IPT, a classificação fiscal das multifuncionais deve ser realizada pela sua essencialidade. Sendo assim, tal como ocorre relativamente às demais impressoras multifuncionais, estes equipamentos também possuem como função primordial a impressão. Especificadamente no presente caso, a impressão dos campos para preenchimento de cheques. Como bem apontado pelo IPT, para que o conceito de multifuncional seja aplicado, o equipamento deve possuir, pelo menos, duas funções. Exatamente pela multiplicidade das funções, a classificação fiscal deve ser realizada considerando a função essencial do Produto, sua natureza, a disposição dos códigos na TEC, inclusive os capítulos e seções nos quais se insere, bem como as Regras Gerais de Interpretação. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Nesse sentido, tal como ocorre relativamente às multifuncionais modelos CX3200 e Epson Stylus CX 5200, deve ser aplicada a classificação apontada pelo IPT também relativamente ao modelo TMH6000II. Como demonstrado, constatase que a funcionalidade essencial do modelo TM1—116000II é a impressão térmica Para o preenchimento de chegues. DA IMPOSSIBILIDADE APLICAÇÃO DA MULTA PROPORCIONAL DE 1% Sob a acusação de suposta classificação incorreta realizada pela ora Recorrente, a I. Julgadora a quo manteve a aplicação da multa de 1%, disposta no inciso I, do artigo 84 da MP n0 2.15835/01, aplicável relativamente a todas as DI's objeto do lançamento ora guerreado. Para a aplicação da multa, Doutos Julgadores, as seguintes indagações devem ser previamente respondidas: a) Que irregularidade poderia ser praticada, se a própria Recorrente foi quem formulou consulta fiscal às Autoridades Fiscais? b) Como se falar em irregularidade, se a própria Recorrente procedeu a retificação de suas DI's antecipadamente a qualquer procedimento fiscalizatório? e c) Como se alegar irregularidade se a Recorrente apenas se amoldou ao laudo técnico emitido pelo IPT? Alega que antecipadamente a qualquer procedimento fiscalizatório, por meio de denúncia espontânea, foi a Recorrente quem efetuou a retificação de suas DI "s, de modo a ajustar a classificação fiscal conforme o entendimento do IPT. Aduz por fim que no presente caso não se classifica como "irregularidade" na classificação fiscal. Tratase, tão somente, de justificável divergência quanto ao entendimento da melhor classificação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Ambos os recursos são tempestivos e estão revestidos das demais formalidades devendo ser conhecidos. O recurso de ofício deve ser negado por seus próprios fundamentos. Conforme relatado, a decisão recorrida manteve parcialmente a exigência com exigibilidade suspensa, reconhecendo a concomitância com o Poder Judiciário, tendo em vista que antes de decorridos os 30 dias da intimação da consulta, o contribuinte efetuou o depósito judicial da diferença dos tributos em relação as máquinas CX3200, as Declarações de Importação através das quais foram despachadas as máquinas CX3200, e que constam do Auto de Infração (as DI, com o crédito tributário suspenso estão relacionadas às fls. 733). Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.010052/200527 Acórdão n.º 3301001.815 S3C3T1 Fl. 1.548 7 Desta forma, correta a decisão ao excluir a multa de 75%, com fulcro no art. 63 da Lei n° 9.430/96, em razão de ter ocorrido depósito do montante integral, nos termos do art. 151, II, do CTN. Igualmente em relação à exigência sobre as demais mercadorias importadas, que não foram objeto da Solução de Consulta, também excluída pela decisão recorrida, tendo em vista que nas DI´s constam somente o modelo da máquina, não estando descritas como sendo multifuncionais, bem como pela falta de Laudo Técnico, folhetos, etc., que permitisse concluir com segurança, sobre as características equipamentos importados. Consequentemente, correta a decisão também ao decidir pela exclusão da parcela relativa ao PIS e Cofins Importação, tendo em vista que todas as Declarações de Importação listadas no Auto de Infração de PIS e Cofins faz menção a outras máquinas, ou seja, que não foram objeto da consulta, vide fls. 127 a 132, 137 a 140, e 143 a 147. Em relação ao recurso voluntário, inicialmente deve ser ressaltado que o lançamento se destinou à prevenir a decadência, vez que a Recorrente Ação Declaratório com Pedido de Depósito Judicial (fls. 300/312), em 18/05/2005, com a seguinte finalidade: a) autorização para efetuar depósito judicial referente à diferença do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados decorrente das distintas aliquotas aplicáveis aos "scanners", código TEC 8471.90.14, e às copiadoras, código TEC 8009.21.00, na importação e comercialização das unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200; b) a declaração de que as unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200 estão enquadradas no código TEC 8471.60.21, referente à impressoras; Desta forma, em relação às multifuncionais CX3200 e CX5200, a Recorrente optou por discutir a sua classificação fiscal perante o Poder Judiciário, imperando a renúncia administrativa, nos termos da Súmula nº 15, deste colendo CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Entretanto, deve ser excluída a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, relativamente às DI´s, com exigibilidade suspensa, objeto da Solução de Consulta e da Ação Judicial, por erro de classificação fiscal (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul — conforme determina o art. 84, I da MP 2.15835/2001), porquanto o Auto de Infração decorreu de Solução de Consulta formulada pela Recorrente, tendo a mesma ingressado com Ação Judicial antes de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias, dentro do prazo ressalvado pelo art. 48, do Decreto nº 70.235/72. Ademais disto, o crédito tributário encontrase com exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial integral perante o Poder Judiciário, sendo improcedente a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 Igualmente devem ser excluídos parcialmente os juros de mora sobre o crédito tributário com exigibilidade suspensa, em razão do crédito tributário estar com exigibilidade suspensa e acompanhado de depósito judicial, nos termos do art. 151, II, c/c art. 161, do Código Tributário Nacional. Só é devida a incidência de juros de mora até à data do integral depósito judicial, conforme a seguinte decisão do colendo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL TRIBUTÁRIO NULIDADE DO JULGADO POR VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC FINSOCIAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LEVANTAMENTO DO DEPÓSITO CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA TRD MULTA. Não há nulidade do acórdão que rejeita os embargos de declaração, se foram apreciadas e decididas todas as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. Caso o depósito judicial seja efetuado de maneira integral, a exigibilidade do crédito tributário fica suspensa a partir de sua efetivação (artigo l5l, inciso II do CTN), mas até a data do depósito incidem os juros de mora e a multa, eis que havendo pedido de parcelamento, há confissão da dívida. Os juros de mora, e a correção monetária, a partir do depósito, são pagos pela instituição financeira depositária e não pelo contribuinte. A aplicação da TRD, como juros moratórios, para remunerar o capital, é diferente da aplicação da TRD como indexador para corrigir o débito. Nada impede a incidência de juros de mora equivalente à TRD sobre o débito confessado. Recurso parcialmente provido. (REsp 221.560/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/09/1999, DJ 25/10/1999, p. 65) Igualmente decidiu o colendo Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, merecendo destacar o seguinte trecho elucidativo: 2. "De acordo com o art. 156, I, do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário. Se o pagamento por parte do contribuinte ou a transformação do depósito em pagamento definitivo por ordem judicial (art. 1º, § 3º, II, da Lei n. 9.703/98) somente ocorre depois de encerrada a lide, o crédito tributário tem vida após o trânsito em julgado que o confirma. Se tem vida, pode ser objeto de remissão e/ou anistia neste ínterim (entre o trânsito em julgado e a ordem para transformação em pagamento definitivo, antiga conversão em renda) quando a lei não exclui expressamente tal situação do seu âmbito de incidência". (REsp 1.251.513/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 17.08.2011) Logo, deve excluída a parcela de Juros Selic a partir da data do depósito integral, e mantida a exigência desde o vencimento até à data do depósito judicial integral. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.010052/200527 Acórdão n.º 3301001.815 S3C3T1 Fl. 1.549 9 Em relação às Declarações de Importação de n°s 02/06195014/002 e 02/07346806, cujas respectivas exigências foram mantidas pela decisão recorrida, constando que a interessada efetuou o pagamento da diferença dos tributos, em 07/12/2005, após a ciência do Auto de Infração, mas, diferença esta resultante da classificação distinção tarifária de 8471.90.14 para 8471.60.29, conforme seu entendimento, acrescida os juros de mora e da multa punitiva, calculada no valor de 50% do débito principal. A decisão recorrida encontrase fundamentada nesse ponto, da seguinte forma: De acordo com os extratos das DI´s, anexados pela fiscalização, observamos que a própria interessada descreve estas máquinas como sendo MULTIFUNCIONAL, fato incontroverso, para que a classificação fiscal destas máquinas seja mantida na classificação adotada pela fiscalização, tendo em vista o Ato Declaratório Interpretativo no 7, de 26/07/2005, acima citado, da Secretaria da Receita Federal, publicado no D.O.U., de 28/072005, que dispõe sobre a classificação fiscal de máquinas multifuncionais. Portanto, em relação a estas 2 D.I. o crédito deve ser mantido, tendo em vista que a autuação ocorreu antes do pagamento da diferença dos tributos. De acordo com a Recorrente, esses dois produtos não se enquadram na definição de unidades multifuncionais, mas que configuram, de fato, em impressoras híbridas, enquadradas sob o código 8471.60.29. A Recorrente protocolou em 20/03/2013, no Protocolo Geral deste colendo CARF, os memoriais sobre o presente processo, sendo juntado ao mesmo o Acórdão nº 3802 01.070, prolatado pela 2ª Turma Especial, onde a própria Contribuinte figura também como Recorrente: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 23/11/2005 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 2.15835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 26/07/2005. Nulidade do Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido.” (Data da Sessão: 26/06/2012, Rel. Solon Sehn). Portanto, o assunto encontrase pacificado no âmbito do Mercosul, e igualmente junto a este CARF, devendo ser provido o recurso da Contribuinte, em razão da Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 mesma ter utilizado o enquadramento dos produtos das DI`s de nº 02/06195014/002 e 02/07346806, na classificação fiscal 8471.60.29. Em face do exposto voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso de ofício, conhecer em parte do recurso voluntário, em razão da opção para discutir o assunto na via judicial, e na parte conhecida darlhe provimento parcial, mantendo a exigência dos juros de mora desde à data do vencimento do tributo até à data do depósito judicial integral. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 11128.006872/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/02/2002
MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS.
O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/02/2002 MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou máfé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 68 72 /2 00 6- 65 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acrescidos de juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de controle administrativo. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 19/10/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 49.146,76, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, mediante Declaração de Importação No. 02/07829831, de 27/02/2002, diversos produtos declarados em 17 adições; • Em ato de conferência física, foram retiradas amostras de todos os produtos para análise laboratorial, sendo emitidos os Laudo de Assistência Técnica No. 0801.01 a 0801.27, em 22/04/2003; • Pela análise dos Laudo de Assistência Técnica, a fiscalização apurou as seguintes divergências: Adição 002: Tratase de nOctilamina, outra Monoamina Aciclica, composto da função amina, com classificação fiscal no Código NCM 2921.19.99 com incidência das aliquotas 0% (nihil) para o Imposto de Importação e para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 006: Tratase de preparação constituída de derivado de AlquenilOxazolinametanol e óleo mineral, um aditivo do tipo dispersante sem cinzas. Preparado com óleo de Petróleo, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.30 com incidência das aliquotas 15,5% Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 354 3 para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 007: Tratase de mistura de reação constituída de Fosfato de Cresila e Fenila, produto A. base de compostos orgânicos, um produto diverso das indústrias químicas, não especificado nem compreendido em outras posições, com classificação fiscal no Código NCM 3824.90.89, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 008: Tratase de 4,4ditercOctildifenilamina, contendo impurezas do processo de fabricação, um outro derivado da Difenilamina, com classificação fiscal no Código NCM 2921.44.29, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 0% para o Imposto sobre Prodtos Industrializados; Adição 011: Tratase de Óleo de Canola refinado, um outro Óleo Vegetal refinado, com classificação fiscal no Código NCM 1515.90.90, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 012: Tratase de preparação constituída de substancia inorgânica de Bissulfato de Milobideno, Composto Orgânico com grupamento de Éster, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 1: Tratase de preparação constituída de Composto Orgânico com grupamento de Éestr em Oleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das alíquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 2: Tratase de preparação constituída de Composto Orgânico com grupamento de Éster e Sal do Acido Dialquilditiofosfórico em Óleo Mineral, corn classificação fiscal no Código NCM 3811.21.20, com incidência das alíquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 3: Tratase de preparação constituída de Sabão Metálico Oleo Mineral e substâncias inorgânicas, com classificação fiscal no Código NCM 3403.91.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 015 item 2: Tratase de preparação constituída de Sal do Acido Alquilditiofosfórico e Composto Fenólico em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.20, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Adição 015 item 3: Tratase de preparação constituída de grupamento de Alquil Sufonato de Bário e Cálcio em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.40, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 016 item 1: Tratase de preparação constituída de grupamento de Alquil Tiadizol em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 016 item 2: Tratase de preparação constituída de grupamento de Poliisobutileno em Oleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.29.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 017: Tratase de preparação aquosa de Poliisoloxano modificado com grupamento Etoxilado, com classificação fiscal no Código NCM 3402.13.00, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; • A descrição das mercadorias relacionadas não fornece os elementos necessários para seu correto enquadramento; Cientificado do auto de infração, o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 28/12/2006, de fls. 212 236, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante informou que: • A impugnante não teve acesso ao conteúdo técnico dos Laudos de Assistência Técnica, só tomando ciência dos resultados; • PRELIMINARMENTE, alega o cerceamento do direito de defesa, por não tomar conhecimento expresso da causa e do fundamento que ampara o lançamento tributário; • Nos casos em que a situação fática é complexa, a fundamentação deve ser detalhada; • A ausência de aspectos técnicos dos Laudos de Assistência Técnica emitido pelo LABANA, impede que o impugnante tenha acesso aos fundamentos da ação fiscal; • Incongruente a aplicação da multa do controle administrativo e a multa proporcional ao valor aduaneiro uma vez que a descrição dos produtos permite sua perfeita identificação. Só em dois casos ocorreu erro de digitação e mesmo assim um deles resultou em classificação fiscal atribuida pela fiscalização de gravame tributário menor; Adição 002 — item 2: A fiscalização não prestou a devida atenção ao mencionar a descrição do produto feita pela impugnante. A descrição do produto permite sua perfeita Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 355 5 identificação pelo fato de se tratar de uma substância da classe amina, denominada OCTILAMINA, que é exatamente tida como correta pela ação fiscal; Adição 006 — A impugnante menciona em sua descrição a principal substância de que é composto o produto, a OXAZOLINA que é a substância mencionada pela fiscalização; Adição 007 — 0 impugnante descreveu o produto como DI FENILCRESIL FOSFATO, sendo tal descrição idêntica a da fiscalização; Adição 008 — A impugnante menciona novamente em sua descrição a principal substância de que é composto o produto, a DIFENILAMINA OCTILADA. A única diferença diz respeito ao fato de que a fiscalização utilizou da forma contraída para descrever a substância, enquanto a impugnante usou a forma completa; Adição 011 — Faltou a fiscalização atenção para perceber que COLZA e CANOLA são a mesma coisa. CANOLA é uma variação da COLZA cultivada no Canadá. Adição 012 — Em sua descrição a impugnante utilizou a mesma expressão indicada pela fiscalização. Adição 013 item 01 — A impugnante cometeu um erro de digitação ao descrever o produto como ALUIL SUCRINATO, substância que não existe. Mesmo assim, o gravame tributário referente a nova classificação fiscal atribuída pela fiscalização é mais benéfico ao impugnante, não havendo qualquer prejuízo ao Fisco. Adição 013 item 02 — As descrição da fiscalização e da impugnante dizem a mesma coisa, com a diferença de que a descrição da impugnante indica as quantidades da mistura, sendo esta a mais adequadsa; Adição 013 item 03 — A descrição da impugnante é mais especifica e detalhada do que a fiscalização, permitindo sua correta identificação; Adição 015 item 02 — A impugnante cometeu um erro de digitação "DUALQUIL DIFIO ". Todavia, o restante da descrição cumpre sua função de identificar a função principal do produto (anticorrosivo) e o restante de sua fórmula; Adição 015 item 03 — A impugnante indica que se trata exatamente do mesmo produto mencionado pela fiscalização SULFONATO DE BARI°, indicando ainda que o produto está disperso em óleo mineral e que se trata de aditivo para óleo lubrificante. A descrição da impugnante é idêntica a sugerida pela fiscalização; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Adição 016 item 01 — 0 principal atributo do produto foi mencionado, sendo que a descrição da impugnante é mais especifica. São descrições quase idênticas; Adição 016 item 02 — Não há qualquer discrepância entre a descrição do impugnante e aquela sugerida pela fiscalização, sendo absolutamente idênticas. Adição 017 — Existem apenas diferenças meramente terminológicas entre as duas descrições, porque ambas descrevem a mesma coisa com palavras diferentes. • Em face da correta descrição dos produtos e do fato do impugnante agir de boa fé, incabível a multa proporcional ao valor aduaneiro. Para tanto junta textos da jurisprudência administrativa; • 0 Ato Declaratório Normativo COSIT No. 12/97 vem corroborar com este entendimento; • 0 Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados são indevidos, pois ainda que procedente a reclassificação fiscal proposta, a maioria dos caos implica em gravame tributário menor; Pugna a anulação do Auto de Infração. É o Relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 0718.953, de 16/6/2010 (fls. 302/321), assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/09/2002 Importação de diversos produtos declarados em 17 adições. Retiradas amostras de todos os produtos para análise laboratorial, apurouse divergências na classificação fiscal. Classificação (sic) fiscais indicadas pela fiscalização corretas, em função da Regra No. 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. Multa do controle administrativo exonerada em parte, produtos corretamente descritos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 331/348, por meio do qual alega, em síntese, depois de descrever os fatos: Preliminar de cerceamento ao direito de defesa Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 356 7 Somente poderá exercer apropriada e adequadamente seu direito natural e constitucional ao contraditório e à ampla defesa se e somente se anteriormente tomar conhecimento expresso da causa e do fundamento que ampara a emissão do lançamento tributário. Para a elaboração de defesa, o contribuinte deve ter conhecimento de todos os fatos que serviram de base para a exigência formulada. É evidente a necessidade de disponibilizarse o laudo técnico preparado pelo LABANA, uma vez que a exigência materializada no auto de infração se refere a termos e nomenclaturas técnicas, razão pela qual somente a partir de tal laudo poderseia verificar a adequação do auto de infração contra si lavrado. A simples análise do auto de infração já basta para se reconhecer a complexidade dos produtos importados. Ao lavrar a autuação inaugural, o agente fiscal houve por bem apenas mencionar as conclusões obtidas no laudo técnico expedido pelo LABANA, mas não o forneceu. Por sua vez, não teve acesso ao inteiro teor das informações nele consignadas. Não chegou a ter ciência do procedimento efetuado e dos detalhes abordados pelo laudo elaborado, de modo que não pode constatar a veracidade, bem como a equivalência entre o que nele está contido e o que esta no auto de infração. Teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa violado. Como seria possível se defender satisfatoriamente se sequer teve conhecimento dos aspectos técnicos e dos fundamentos que justificaram a conclusão do LABANA? Não pôde exercer plenamente seu direito de defesa, já que não teve condições de combater todas as conclusões apontadas no referido laudo técnico. Ao deixar de anexar o laudo à autuação, tanto o agente fiscal quanto a Turma Julgadora da DRJ/SP ignoraram outro principio básico que pauta a atuação da Administração Pública, o da fundamentação do ato administrativo. Mérito A fiscalização aplicou a pesada multa (prevista no artigo 169, I, b, do Decreto lei 37/1966) de 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, em relação a diversas adições da DI n° 02/07829831, sob o pretexto de que ela teria preenchido a documentação de importação omitindo elementos essenciais à perfeita identificação dos produtos, o que teria levado à reclassificação tarifária e também à ilógica presunção de que os produtos teriam sido importados ao desamparo da cabível documentação de importação. Além disso, foi aplicada a multa prevista no artigo 84, I, da Medida Provisória n° 215835/2001, correspondente a 1% do valor aduaneiro dos produtos importados, em função da suposta utilização de classificação fiscal errada. Apresentada a impugnação, a DRJ houve por bem julgála procedente apenas em parte, de modo que exonerou as multas de controle administrativo relativas às Adições "002 — item 2", "013 — item 3" e "015 — itens 2 e 3", mantendo as demais exigências formuladas. A aplicação das multas no presente caso é absolutamente descabida, porque em relação à esmagadora maioria dos dez produtos remanescentes depois do julgamento de primeira instância a descrição que foi efetuada nos documentos de importação permite a perfeita identificação de gênero e espécie dos produtos importados, tendo havido, neste universo de dez somente dois casos em que houve erro de digitação por parte da pessoa que preencheu a documentação e, ainda assim, em um desses casos, a reclassificação tarifária feita pela fiscalização resultou na aplicação de carga tributária muito menos onerosa do que a originalmente utilizada pela empresa, o que significa que prejuízo algum houve para o Fisco. Verificando e comparando cada um dos casos levantados pela fiscalização e posteriormente analisados e fundamentados pelo v. acórdão, ficará claro que a descrição usada Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 nos documentos de importação e a descrição que a fiscalização entende ser mais correta são bastante semelhantes e, por vezes, idênticas (passa a tecer comentários sobre as adições 006, 007, 008, 011, 012, 013 – itens 1 e 2, 016, itens 1 e 2, e 017). Também não se justifica a aplicação da multa do artigo 84 da MP 215835/2001. Em primeiro lugar, pelo fato de que a perfeita descrição dos produtos na documentação de importação acaba suprindo qualquer eventual indicação de código de classificação fiscal errado, como reconhecem diversas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Em segundo lugar, porque ficou claro que a Recorrente agiu inteiramente de boafé e não teve nenhuma intenção de lesar o fisco, o que, de resto, fica mais evidente ao se considerar que o tratamento tributário dado pela empresa nas importações acabou sendo mais gravoso do que o proposto pelo fisco na maioria dos casos em que foi feita a reclassificação. A jurisprudência do CARF, inclusive de sua Câmara Superior, tem reconhecido maciçamente que não se aplicam penalidades nos casos em que a descrição feita na documentação de importação permite que se identifique com clareza de qual produto se trata e qual é sua aplicação principal. O Ato Declaratório Normativo nº 12/97 da COSIT, que expressa oficialmente a opinião de que a mera indicação de classificação fiscal errada nos documentos de importação, não enseja a aplicação de multa, se a descrição do produto contiver todos os elementos necessários para identificálo. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne da questão diz com erros que teriam sido cometidos na classificação fiscal de produtos importados pela Recorrente, bem como na falta de declaração de todos os elementos necessários a sua correta classificação, o que teria acarretado a cobrança do imposto de importação, do imposto sobre produtos industrializados, de juros e multas, proporcional e de controle administrativo. Preliminarmente, alega a Recorrente cerceio o seu direito de defesa, uma vez que a fiscalização não teria fornecido o laudo técnico que fundamentou o lançamento e fora referido na descrição dos fatos dos autos de infração, destinado, portanto, a subsidiar a classificação fiscal dos produtos na fase inquisitiva do procedimento, de forma que não foi cientificado sobre a sua elaboração e sobre os detalhes nele abordados, informações que seriam necessárias para que pudesse constatar a sua veracidade e a equivalência entre o que contido no laudo e o registrado nos autos de infração. Não há como acordar com alegação da Recorrente. Primeiro, porque os autos de infração trazem, ao seu final, a informação de que os integram todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados, o que inclui, por óbvio, o laudo técnico expressamente citado na descrição dos fatos e faz presumir, salvo prova em contrário, tenham sido remetidos à Recorrente. Segundo, e mais importante, porque a Recorrente obteve cópia de todo o processo antes da apresentação de sua impugnação, conforme comprova a Solicitação de Cópia de Documentos, datada de 18/12/2006 e acostada à fl. 213. Assim, ainda que não lhe tenha sido remetido o laudo técnico, teve acesso ao Pedido de Exame Laboratorial de fl. 65, no qual Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 357 9 elencados os quesitos formulados pela fiscalização e, a partir da fl. 72, as respostas fornecidas pelo laboratório, que informou, ademais, por quais meios se deu a identificação do material posto em análise (identificação química, identificação por infravermelho, Ressonância Magnética Nuclear Protímica e de Carbono13 etc.). A leitura da descrição dos motivos de fato e de direito que levaram à autuação também comprova a validade do lançamento, posto que muito bem delineados no campo próprio dos autos de infração, tanto que nenhum empeço teve a Recorrente de os contestar, na instância de origem ou mesmo neste Colegiado. Rejeitada a preliminar de nulidade, passo ao exame de mérito do lançamento. E, ao fazêlo, entendo não assistir, no todo, direito à Recorrente. Com efeito, a instância a quo já comentou, de forma cristalina, em relação a cada umas das adições que compõem a Declaração de Importação, os erros que teriam sido cometidos pela Recorrente, ora apenas quanto à classificação fiscal, ora quanto à falta de elementos necessários à perfeita identificação do produto importado. Depois da análise realizada, exonerou parcialmente a multa do controle administrativo apenas quanto às adições 002 item 2, 013 — item 3 e 015 item 3. Contra a manutenção das demais exigências, afirma a Recorrente afigurarse a aplicação das multas absolutamente descabida, porque, em relação à esmagadora maioria dos produtos, a descrição que fora efetuada nos documentos de importação permitiria a perfeita identificação de gênero e espécie dos produtos importados. Sustenta, ademais, que apenas em dois casos houve erro de digitação por parte da pessoa que preencheu a documentação e, ainda assim, em um desses casos, a reclassificação tarifária feita resultou na aplicação de carga tributária muito menos onerosa. Embora não pelos motivos levantados pela Recorrente, a multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decretolei n.º 37, de 1966, não é de ser aplicada no caso ora em julgamento. Como já enfrentado noutras oportunidades pelo CARF, o erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, sendo indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Por comungar com esse mesmo entendimento, transcrevo e adoto como razão de decidir, na parte a ele referente, o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento nos autos do processo administrativo n.º 11128.006503/200591 (Acórdão CARF/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária n.º 310200.757, sessão de 27/08/2010): Da multa por falta de licenciamento. Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa sancionadora da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), que substituiu a Guia de Importação (GI), encontrase prevista na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, com os seguinte dizeres: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) (grifos não originais). Na data em ocorreu a operação de importação objeto da presente autuação já estava em operação o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, no âmbito do qual passou a ser realizado todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras. Nos termos do § 1º do art. 6º1 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992, a GI foi substituída pela LI, passando a ser este o novo documento base do controle administrativo das importações. De acordo com a nova sistemática, as operações de importação passaram a ser submetidas a duas modalidades de licenciamento: o licenciamento automático e o licenciamento não automático. O que diferencia uma modalidade da outra é a necessidade ou não do controle administrativo prévio ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do início do despacho aduaneiro, conforme o caso. Na primeira modalidade é dispensável a anuência prévia dos Órgãos intervenientes no comércio exterior, enquanto que na segunda, a autorização prévia dos referidos Órgãos é sempre exigida. Nessa última modalidade, sem a autorização prévia do respectivo órgão anuente, o Decex fica impedido de emitir a LI, acarretando o cometimento da infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a penalidade fixada na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966. Em complementação ao disposto na legislação de regência, na época em que ocorreram as operações de importação objeto da presente autuação, o assunto encontravase disciplinado na Portaria Secex nº 21, de 1996, especificamente nos dispositivos a seguir transcritos: 1 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 358 11 Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT n°291, de 12 de dezembro de 1996. § 2° As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. (...) Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. (...) Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto. Essa sistemática de licenciamento vigorou até 02 /12 /2003, quando entrou em vigor a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003, que introduziu nova denominação para os procedimentos de licenciamento das importações, dividido em três modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento não automático. De acordo com a nova sistemática, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento das importações (art. 7º2). O licenciamento automático apenas passou a ser exigido nas operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º3). Por fim, o 2 "Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF". 3 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex, também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) amparo do regime aduaneiro especial de ' drawback'" Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 licenciamento não automático foi estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º da referida Portaria, a seguir transcrito: Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) sem cobertura cambial nos casos previstos nesta Portaria. (grifos não originais) No novo modelo, em relação às importações dispensadas de licenciamento, os importadores estão obrigados tãosomente a providenciar o registro da operação na Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. Nas outras duas modalidades (licenciamento automático ou não), o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações da operação de importação previamente ao embarque da mercadoria no exterior, para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo no Siscomex, ou anteriormente ao início do despacho aduaneiro, para as operações definidas no § 1º do art. 10 da nova Portaria, a seguir transcrito: Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. § 1º Nas situações abaixo indicadas, o licenciamento poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria no exterior, mas anteriormente ao despacho aduaneiro, exceto para os produtos Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 359 13 sujeitos a controles previstos no Tratamento Administrativo no Siscomex: I importações ao amparo do regime aduaneiro especial de "drawback" ; II importações ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio, exceto para os produtos sujeitos a licenciamento; III sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq. (grifos não originais). Fazendo um paralelo, entre as duas sistemáticas introduzidas pelas Portaria Secex nº 21, de 1996 (revogada) e nº 17, de 2003, observase que, regra geral, os procedimentos que passaram a ser adotados para as operações dispensadas de licenciamento eram aqueles aplicáveis às operações sujeitas à licenciamento automático na nova sistemática anterior, com exceção dos produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais, previsto no art. 10 4 da Portaria Secex nº 21, de 1996, e relacionados no Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 17 de dezembro de 1997, com as alterações posteriores. Assim, comparando as duas sistemáticas de licenciamento temse o seguinte quadro comparativo: Port. Secex nº 21, de 1996 (arts. 7º a 10) Port. Secex nº171, de 2003 (arts. 6º a 10) Licenciamento Automático (LA) – regra geral Dispensado de Licenciamento LA – produtos sujeitos a procedimentos especiais Licenciamento Automático Licenciamento Não Automático Licenciamento Não Automático Em suma, as operações de importações sujeitas a licenciamento automático da antiga sistemática, com exceção dos produtos sujeitos a procedimentos especiais, estavam dispensados de 4 "Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame das condições gerais de comercialização, divulgará, por meio de Comunicado público, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais que deverão ser observados nos casos de licenciamento automático ou não automático". Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 controle administrativo, da mesma forma que também estão as operações dispensadas de licenciamento no novel regime de licenciamento. Por outro lado, os produtos previstos no tratamento administrativo no Siscomex, ainda que integrando a sistemática de licenciamento automático, estavam sujeitos a controle administrativo, portanto, necessitavam de anuência e de licenciamento previamente ao embarque no exterior ou ao início do despacho aduaneiro, conforme o caso. (grifos do original). Assim sendo, tendo a importação se realizado em 27/02/2002, absolutamente ilegal, no caso ora em julgamento, a aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto lei n.º 37, de 1966, porque ausente um dos pressupostos fáticos necessários a sua aplicação. O mesmo entendimento, contudo, não se estende, à míngua de equivalência entre as situações, à multa de um por cento prevista no art. 84 da MP n.º 215835/2001, pois a sua incidência apenas reclama a mera classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria ou, alternativamente, a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Assim, basta para a aplicação da penalidade prevista no art. 84 da MP n.º 2158 35/2001 a errônea classificação fiscal do produto importado (fato inequívoco nos autos), sendo de todo impertinente alegar, como motivo para a sua não exigência, o fato de o reenquadramento realizado pela fiscalização ter acarretado a redução dos valores a serem recolhidos em virtude da importação ou a ausência de máfé por parte do importador. Em conclusão, devem ser mantidos os tributos não recolhidos em razão do erro de classificação fiscal, mas acrescidos de juros de mora, da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro e da multa proporcional de 75%. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para exonerar apenas a multa de controle administrativo prevista no art. 169, I, “b”, do Decretolei n.º 37, de 1966. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 360 15 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10970.000382/2010-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO.
A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
Numero da decisão: 3802-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 03 82 /2 01 0- 38 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.537, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “O presente processo originouse do auto de infração de fls. 211/224, lavrado contra o interessado, em 11/06/2010, para exigência do crédito tributário de IPI no montante de R$127.937,95, relativamente aos períodos de apuração dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, assim discriminado: MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO (Passível de Redução)...................................................................................................R$127.937,95 TOTAL DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO...................................R$127.937,95 Os Termos de Verificação de Infração Fiscal constam das fls. 111/199 202/210, formatados para os diversos PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte nos períodos de apuração nos quais incidiu a autuação, e o Enquadramento Legal está descrito às fls. 223 (infração) e 218 (multa e juros de mora). A presente autuação teve sua origem na verificação da legitimidade de créditos apresentados em diversos PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte para os períodos de apuração compreendidos entre 1º trimestre de 2004 e o 1º trimestre de 2007, inclusive, comandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 06109002010000273. Exemplificadamente, citase o Termo de Verificação Fiscal referente ao PER/DCOMP nº 40273.34877.250407.1.7.013878 (3º trimestre de 2005), às fls. 111/117, segundo o qual a autuação resultou de erro na alíquota aplicada e de erro da classificação fiscal, explicitados pelo autuante nos seguintes termos: [...] durante o exame das saídas (vendas e transferências), foi verificado que a interessada apesar de ter classificado corretamente os produtos relacionados no quadro abaixo, deixou de destacar o IPI nas Notas Fiscais de saída, vez que, conforme TIPI, são tributados à alíquota de 7%. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 112 3 Verificouse, também, que a interessada adotou a classificação fiscal 2828.90.11 da TIPI para os produtos relacionados no quadro abaixo, tributandoos à alíquota zero. Ao ser indagada do embasamento que deu suporte à classificação fiscal a empresa respondeu: “A alteração da NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo.” [...] esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10%. Classificação que resultará, juntamente com aqueles valores que deixaram de ser destacados, na diferença de R$21.280,85 abaixo demonstrada e que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. Da análise fiscal, resultou a apuração de débitos que, com relação à tributação de 7% (erro de alíquota) e 10% (erro de classificação fiscal), foram observados nos 3º e 4º trimestres de 2005 e 1º e 2º trimestres de 2006. Com relação apenas à tributação de 10% (erro de classificação fiscal), foram apurados débitos nos 3º e 4º trimestres de 2006 e 1º trimestre de 2007. Como os débitos apurados foram absorvidos pelos créditos, restou o lançamento de MULTA DE IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Esse entendimento partiu da recomposição, para cada trimestre de apuração do saldo credor trimestral a que fazia jus o interessado. Lavrado o auto de infração, com ciência do autuado em 16/06/2010, segundo o Aviso de Recebimento à fl. 226, este apresentou tempestivamente, em 15/07/2010, conforme protocolo de recepção do documento, à fl. 227, a impugnação de fls. 227/233, para alegar que: Os produtos em questão, a água sanitária e o alvejante produzidos pela Requerente, apresentam a seguinte composição química: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A Requerente tem comercializado tais produtos rotineiramente utilizandose da classificação fiscal 2828.90.11, indicada para produtos que apresentem em sua composição química predominância do Hipoclorito de Sódio, que resulta na tributação dos mesmos pelo IPI à alíquota de 0%. [...] Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominado é o Hipoclorito de Sódio. Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 – Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: os elementos químicos isolados ou compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; as soluções aquosas dos produtos da alínea a) acima; Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização) indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos prestem se à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 113 5 Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure – e predomine – o Hipoclorito de sódio. Nesses termos segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação específica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. É o relatório”. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a impugnação apresentada. Vejase: “ASSSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ALVEJANTE E ÁGUA SANITÁRIA VALOR As preparações produzidas pelo contribuinte, alvejante e água sanitária, ambas constituídas de hipoclorito de sódio em solução aquosa e outros componentes ( para o alvejante, hidróxido de sódio (soda cáustica), carbonato de sódio e perfume floral, e para a água sanitária, hidróxido de sódio), comercialmente Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 denominados ÁGUA SANITÁRIA VALOR E ALVEJANTE VALOR FLORAL, apresentadas em garrafas plásticas de 1000ml e 2000ml, classificamse no código NCM 3402.20.00. Dispositivos Legais: RGI 1º (texto da posição 34.02) e 6ª (texto da subposição 3402.20) e RGC1 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.545, de 26 de dezembro de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007 LANÇAMENTO DECORRENTE DE ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Mantida a classificação fiscal em decorrência da qual foi efetuado o lançamento de ofício, mantido está o auto de infração. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE. É definitivo o lançamento de ofício relativo aos créditos tributários não impugnados pelo autuado. Tais créditos devem ser de imediato exigidos do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na impugnação e enfatizando a aplicação do critério de seletividade ínsito ao IPI para reforçar sua tese. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado unicamente a combater a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa com relação a dois tipos de produtos industrializados pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”. A composição química de ambos os produtos não é objeto de celeuma, sendo parte incontroversa da presente lide administrativa. Inclusive é de se ressaltar que a interação do hipoclorito de sódio com outros compostos químicos foi a origem de todo o imbróglio. Isso se verifica facilmente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 111123, donde destaco o seguinte excerto constante de fl. 112: Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 114 7 A classificação adotada pela empresa a partir de 14/02/2004 é específica para o Hipoclorito de sódio (NaCIO.6H2O), o que não é o caso dos produtos acima, que resultam da diluição do referido produto, em forma aquosa, em água e adicionados outros produtos. A missão do Recorrente, desde então, tem sido a de defender seu ponto de vista, no sentido de que está correto em aplicar a classificação fiscal própria do hipoclorito de sódio. O Recorrente demonstra total domínio das normas sobre o caso, e discorre acerca do que entende como dois critérios possíveis de classificação fiscal, conforme o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: Em seguida, o Recorrente afirma que o enquadramento de certo produto “deve ser regido especialmente pela aplicação dos valores condicionais a que o mesmo está sujeito”, como intróito para uma defesa segundo a seletividade do IPI – o que acarretaria a escolha de uma classificação fiscal mais favorável. Ora, em que pesem as sensíveis alegações do Recorrente quanto ao princípio da seletividade, que possui raízes profundas na filosofia da tributação e se destina a atingir a capacidade contributiva de modo mais eficiente, combatendo o capital marginal de quem adquire produtos menos essenciais, seus argumentos não merecem acolhida em sede de Recurso Voluntário. Isso porque a classificação fiscal de mercadorias não é, em si, um princípio que permita escolhas conforme a finalidade do produto, ou mesmo a conveniência administrativa. É regra de direito, e, como tal, é de aplicação objetiva. Tanto assim que Ronald Dworkin, ao dispor sobre a diferença de consideração entre regras e princípios, foi extremamente feliz ao considerar: Denomino princípio um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 política ou social considerada desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou eqüidade ou alguma outra dimensão da moralidade [...]. A diferença entre princípios jurídicos e regras jurídicas é de natureza lógica. Os dois conjuntos de padrões apontam para decisões particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias específicas, mas distinguemse quanto à natureza da orientação que oferecem. As regras são aplicáveis à maneira do tudoounada. Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra é válida, e neste caso a resposta que ela fornece deve ser aceita, ou não é válida, e neste caso em nada contribui para a decisão. (Levando os direitos a sério. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pp. 3942) A seletividade, como princípio que é, ainda que tenha forte conotação normativa por ser obrigatória para o IPI nos termos do art. 153, § 3o, da CRFB, termina por ser orientadora das normas constantes da Tabela do IPI, a qual objetivamente impõe as alíquotas e critérios de classificação fiscal próprios. Desse modo, caso o contribuinte entenda que a Tabela do IPI contraria a seletividade ínsita ao imposto, deve se valer das vias próprias para tanto. Todavia, ao CARF não compete apreciar argüições de inconstitucionalidade das normas aplicáveis, conforme seu Regimento Interno e enunciado de Súmula n. 2. Logo, a escolha feita pelo Recorrente, espelhada no excerto abaixo, de classificar os produtos objeto do presente litígio quanto à finalidade, revelase em si equivocada, porquanto a classificação fiscal de mercadorias é feita com base nos critérios objetivamente dispostos na TIPI: Igualmente equivocada, ao meu ver, a tentativa de enquadramento do caso ao precedente trazido em seu Recurso Voluntário no processo 10380.007467/9612, pois ali se discutia a classificação fiscal de sacos plásticos utilizados para acondicionar alimentos, diferentemente de outras finalidades. Sacos plásticos sempre serão sacos plásticos, enquanto a distinção traçada no caso em tela diferencia a natureza do produto em si. E ainda na seara da seletividade, a arguição de que os produtos se destinam a desinfecção termina não se mostrando de muito alento, dado que as soluções ora analisadas permanecem com a mesma destinação – desinfecção –, resultando prejudicada uma discussão sobre o critério de discrímen adotado na distribuição de cargas tributárias aos diferentes produtos. Indo mais além, a tarefa do Recorrente deveria ter se fiado em demonstrar, sim, que os compostos químicos indicados pela autoridade administrativa não desnaturam a característica dos produtos em serem um tipo – enquanto destinado para o mercado varejista – de “agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01” (subgrupo 34.02 da TIPI, com denominação própria para Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 115 9 venda a retalho no item 3402.20.00), para serem simples “hipocloritos de sódio” (item 2828.90.11 da TIPI). E nesse mister em especial, restou carente o Recurso Voluntário. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10830.720891/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010
IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA.
Cobra-se o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas.
MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO.
Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 DECADÊNCIA. PRAZO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. No caso de evidente intuito de fraude, a regra para contagem do prazo decadencial deslocase para a do art. 173, I, do CTN e iniciase, assim, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ser exigido. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A presença de circunstância qualificativa, reveladora de dolo na conduta o sujeito passivo, autoriza a exasperação da penalidade pecuniária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A matéria não impugnada não faz parte do litígio e não pode ser apreciada em sede de recurso voluntário. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 DESINFETANTES. Os desinfetantes apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto têm enquadramento nos códigos de classificação fiscal da NCM, 3808.94.10, de 01/10/2007 a 31/12/2007, e 3808.94.19, a partir de 01/01/2008, com alíquota de 5%, por força dos textos de posição, das notas de capítulo e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 91 /2 01 1- 66 Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.776 2 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 2725 a 2766) apresentado em 29 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 1436.182, de 21 de dezembro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 2675 a 2717), cientificado em 08 de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2010, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.777 3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESINFETANTES. Os desinfetantes apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto têm enquadramento nos códigos de classificação fiscal da NCM, 3808.94.10, de 01/10/2007 a 31/12/2007, e 3808.94.19, a partir de 01/01/2008, com alíquota de 5%, por força dos textos de posição, das notas de capítulo e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A presença de circunstância qualificativa, reveladora de dolo na conduta do sujeito passivo, autoriza a exasperação da penalidade pecuniária. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente impugnada é incontroversa, sendo insuscetível de invocação posterior no âmbito de órgão de julgamento administrativo ad quem. INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. As intimações, para ciência, devem ser encaminhadas exclusivamente ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 28/04/2006 DECADÊNCIA. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.778 4 A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observadas circunstâncias como a fraude, indicadora de dolo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração foi lavrado em 28 de abril de 2011, de acordo com o temo de fls. 2196 a 2221. A Fiscalização informou que a ação fiscal teve início em função de pedidos de ressarcimento de créditos básicos de IPI, tendo sido apurado erro na classificação fiscal de produtos, “dentre os quais se destacam: “1 DESINFETANTES: produtos HIDROSAN PENTA, HIPOCLOR, HIDROSAN PLUS, HCL PLUS, HIDROSAN PLUS EFERVECESCENTE, TABLETE DE TRICLORO, SANTAB, DUO TAB, HCL TAB 3 EM 1, HIPERCLOR 60 e 90, HCL 56, 60, 90, 200 e HCL PENTA que foram classificados pelo contribuinte no código 2933.69.19 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “2 FLOCULANTES/CLARIFICANTES/AUXILIARES DE FILTRAÇÃO: produtos HIDROFLOC que foram classificados pelo contribuinte no código 2827.49.21 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “3 ALGICIDAS: produtos HCL ALGICIDA que foram classificados pelo contribuinte no código 3808.30.29 e 3808.93.49 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “4 – DETERGENTES: produtos LIMPA BORDA HIDROSAN que foram classificados pelo contribuinte no código 3402.90.39 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 5%; e “5 REGULADORES DE EQUILÍBRIO FÍSICOQUÍMICO (equilíbrio de PH e alcalinidade) : produtos HIDRO PH ESTÁVEL, HIDRO PH+, HIDRO PH que foram classificados pelo contribuinte no código 2836.30.00 , 2815.12.00 e 2806.10.20 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero. “Analisandose os livros fiscais, documentos e os arquivos magnéticos de notas fiscais fornecidos pelo contribuinte, bem como os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, constatouse que o contribuinte fabricou e comercializou com erros de classificação/alíquota, os produtos DESINFETANTES e DETERGENTES: “1 Os DESINFETANTES HIDROSAN PENTA, HIPOCLOR, HIDROSAN PLUS, HCL PLUS, HIDROSAN PLUS EFERVECESCENTE, TABLETE DE TRICLORO, SANTAB, JÜO TAB, HCL TAB 3 EM 1, HCL 200 e HCL PENTA, foram classificados indevidamente pelo contribuinte no código 2933.69.19 da Tabela de Incidência do IPI da TIPI, com Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.779 5 alíquota de IPI igual a zero. A classificação correta, para o período de outubro/2007 a dezembro/2007, é a posição 3808.94.10 da TIPI, e para o período de janeiro/2008 a dezembro/2010, é a posição 3808.94.19 da TIPI com alíquota de IPI igual a 5%, conforme demonstrado a seguir; “2 Os DETERGENTES LIMPA BORDA HIDROSAN foram classificados pelo contribuinte na posição 3402.90.39, de acordo com os arquivos magnéticos entregues, mas nas notas fiscais constatouse as posições 3808.40.10 e 3402.11.40 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 0%. A classificação correta, para o período de janeiro/2006 a dezembro/2010, é a posição 3402.90.39 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 5%, conforme demonstrado a seguir .” “DA TRIBUTAÇÃO “Desta forma, de acordo com o acima exposto, analisandose os livros fiscais e os arquivos magnéticos de notas fiscais fornecidos pelo contribuinte, bem como os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, verificouse que: “1 no período de 05 de outubro/2007 a dezembro/2010, o contribuinte fabricou e comercializou DESINFETANTES, que foram indevidamente classificados na posição 29.33.69.19, pois, conforme anteriormente descrito, classificamse nas posições 3808.94.10 (de 05/10/2007 a 31/12/2007) e 38.08.94.19 (de 01/01/2008 a 31/12/2010) da Tabela de Incidência do IPI TIPI; e “2 no período de janeiro/2006 a dezembro/2010, o contribuinte fabricou e comercializou DETERGENTES, que foram classificados na posição 3402.90.39, da Tabela de Incidência do IPI TIPI, mas que apresentaram erro de alíquota.” “Com base nos arquivos magnéticos de notas fiscais de saída, identificouse as que deixaram de ter o devido destaque do IPI, ou seja: “1 aquelas que tiveram saída com os códigos CFOP "5101", "5116", "6101", "6116", "5113", "6113", "5118", "6118", "5122", "6122", "5401" e "6401", e Classificação Fiscal igual a 2933.69.19, sem o correspondente destaque de IPI na nota fiscal, pois deveriam ter sido classificadas na posição 3808.94.10 (de 05/10/2007 a 31/12/2007) e 38.08.94.19 (de 01/01/2008 a 31/12/2010), com alíquota de IPI de 5%, emitidas no período de 05/10/2007 a dezembro/2010;e “2 aquelas que tiveram saída com os códigos CFOP "5101", "5116", "6101", "6116", "5113", "6113", "5118", "6118", "5122", "6122", "5401" e "6401", e Classificação Fiscal igual a 3402.90.39, sem o correspondente destaque de IPI na nota fiscal, apesar da alíquota de IPI ser de 5%, emitidas no período de 01/01/2006 a dezembro/2010.” Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.780 6 “DAS MULTAS “O presente Auto de Infração está sendo lavrado com exigência de imposto, juros moratórios , multa qualificada, multas sobre a falta de recolhimento e multas sobre a falta de destaque do IPI nas saídas dos produtos. “MULTA QUALIFICADA “Conforme descrito anteriormente, os detergentes LIMPA BORDA HIDROSAN foram classificados pelo contribuinte no código 3402.90.39 da TIPI. “No entanto constatouse que: “a) na comparação entre as cópias das notas fiscais, selecionadas por amostragem, com os arquivos de Notas Fiscais de Saídas apresentados, houve divergência na informação da classificação fiscal do produto LIMPA BORDA HIDROSAN, pois nos arquivos a classificação fiscal estava correta, ou seja, 3402.90.39, mas nas notas fiscais a classificação fiscal era 3808.40.10 ou 3402.11.40 , ambas com alíquota zero. “A posição 3402.11.40 (Mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos) foi incluída na TIPI, com efeitos a partir de 01/07/2006, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 30, de 10/07/2006, com alíquota de 5% . “O produto LIMPA BORDA é detergente, no entanto a posição 38.08.40.10 referese a desinfetantes, inclusive em sua resposta de 12/04/2011, o contribuinte informou que a classificação fiscal para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN era a 3808.40.10. “b) . apesar da posição 3402.90.39 estar correta, não houve o destaque de IPI em grande parte das Notas Fiscais (a alíquota de IPI é igual a 5%). A partir de 11/2007, ocorreram destaques de IPI em algumas notas fiscais de saídas relativas às vendas de DETERGENTES, sendo a maioria delas para os códigos CFOP 5922 e 6922. “Intimado, o contribuinte informou que nas operações de vendas para entrega futura, o destaque de IPI ocorria no momento da venda (CFOP 5922 e 6922) e não na entrega da mercadoria (CFOP 5116 e 6116). No entanto, constatouse irregularidade no destaque de IPI nos códigos CFOP "5101", "6101", "5922", "6922", "5113", "6113", "5401" e "6401". “Na verdade, o contribuinte sempre teve ciência da posição correta, pois os arquivos entregues a esta fiscalização informaram a classificação fiscal 3402.9039, de 01/01/2006 até 31/12/2010, para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN.” “Pelos motivos acima descritos, a infração constatada em relação ao produto DETERGENTE LIMPA BORDA HIDROSAN está sendo aplicada com a multa qualificada de 150% prevista no inciso II do artigo 80 da Lei n° 4.502/64 , no artigo 45 da Lei n° 9.430/96 e no artigo 13 da Lei n° 11.488/2007, pois a conduta Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.781 7 irregular do contribuinte ao fazer a tributação do IPI , durante os 5(cinco) anoscalendário, caracteriza o intuito de fraude . “Não foram somente as operações de venda para entrega futura com códigos CFOP 5116 e 6116 x 5922 e 6922 que apresentaram irregularidade de destaque de IPI. Constatouse que houve operações de vendas nos códigos CFOP 5101 e 6101 que também tiveram destaque de IPI, ou seja, o contribuinte tinha ciência do dever de destacar o IPI, não o fez deliberadamente, ou seja, deu tratamentos tributário distintos ao mesmo fato. “O contribuinte revelou conhecimento a respeito da natureza tributável da operação, não podendo alegar que desconhecia a natureza jurídica da venda, pois chegou a destacar IPI sobre o mesmo tipo de operação. “O destaque do IPI na Nota Fiscal, ocorrido em operações da mesma natureza, evidencia a consciência do contribuinte de que poderia agir para evitar a lesão ao bem jurídico. Desse modo, sua decisão acerca da inação se dirigiu finalisticamente ao resultado típico, deixando de executar a ação que lhe era possível, por efeito de sua vontade, o que justifica a qualificação da multa. “MULTA DE OFÍCIO "IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO" “Observese que o valor total de IPI lançado foi de R$ 6.649.921,23 (vide quadro da pagina 18), mas o valor do imposto, exigido no presente Auto de Infração, foi de R$ 3.566.359,57. A diferença entre o valor lançado e o valor exigido corresponde a R$ 3.083.561,66, e significa que este valor foi coberto com créditos existentes no RAIPI. “Além disso, para o produto DETERGENTE LIMPA BORDA HIDROSAN, houve meses em que o contribuinte destacou o IPI em valor superior ao apurado, no total de R$ 34.420,88.” No recurso, a Interessada contestou o acórdão de primeira instância, alegando, em resumo, o seguinte: Assim, por se tratar de compostos clorados de origem orgânica de constituição química definida, apresentados isoladamente, os DESINFETANTES comercializados pela Recorrente foram classificados no Capítulo 29, da TIPI, com fundamento na Nota 1, alínea "a", do referido Capítulo. Neste contexto, cumpre destacar que a 1 a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 1), estabelece o seguinte: "A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.782 8 “Regra 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (...)” O texto da subposição 29.33 da NESH comporta "Compostos heterocíclicos exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio (azoto)". A subposição de 1 o nível 2933.6 abrange "Compostos cuja estrutura contém um ciclo triazina (hidrogenado ou não) não condensado". Portanto, sendo a maioria dos DESINFETANTES comercializados pela Recorrente (objeto do Auto de Infração) comprovadamente compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente "cuja estrutura contém um ciclo triazina (hidrogenado ou não) não condensado", a Recorrente houve por bem classificálos na subposição 29.33.69.19 da TIPI. [...] Pois bem. No que diz respeito aos DESINFETANTES listados na Tabela 1, a autoridade fiscal considerou correta a classificação fiscal utilizada pela Recorrente, qual seja, a da posição 2933.69.19. No entanto, no que diz respeito aos mesmos DESINFETANTES contidos na Tabela 2, a autoridade autuante entendeu que deveriam ter sido classificados na posição 3808.94.10 (de 05.10.07 a 31.12.07) e 3808.94.19 (de 01.01.08 a Dez/10). Portanto, verificase que foi utilizado o critério "peso" contido na descrição das embalagens dos DESINFETANTES para definir aqueles que devem ser classificados na posição 3808, e aqueles que devem permanecer classificados na posição 2933.69.19. Significa dizer que, segundo o critério utilizado pela autoridade fiscal, os DESINFETANTES acondicionados em embalagens com descrição de peso inferior a 45kg, ainda que apresentados de forma isolada, devem ser classificados na posição 3808 da TIPI. Alegou que, em caso de dúvida, aplicarseia a regra geral n. 3, tratando, a seguir, dos princípios que devem nortear o lançamento. Acrescentou o seguinte: Adicionalmente aos argumentos apresentados nos itens antecedentes referentes às operações com DESINFETANTES, que por si só, impõem o total cancelamento das exigências fiscais vertentes, imperioso ressaltar que os procedimentos adotados pela Recorrente foram reiteradamente aceitos pelas autoridades administrativas uma vez que, em período anterior à fiscalização que resultou no presente Auto de Infração, a Recorrente apresentou pedidos de ressarcimento/declarações de compensação fundamentados na mesma classificação fiscal ora Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.783 9 questionada (posição 2933.69.19), sendo que, à época, tal classificação fiscal foi perfeitamente aceita pelo Fisco federal. [...] Portanto, mostrase plenamente aplicável a diretriz do artigo 100, do CTN, [...] Alegou, na sequência, que teria ocorrido decadência em relação às operações com detergentes, uma vez que o auto de infração fora lavrado em abril de 2011, “em operações envolvendo detergentes realizadas no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2010”. Ainda alegou que não se poderia aplicar a multa de 150% e que o critério adotado para o seu cálculo seria inadequado, por considerar o valor total das notas fiscais, antes do abatimento do saldo credor. Contestou também a ordem para efetuar o estorno do saldo credor, sob as alegações de que seria incompreensível e desprovida de amparo legal. Também contestou a aplicação da multa sobre o valor do IPI não lançado com cobertura de crédito Por fim, referiuse ao que considerou serem equívocos do acórdão de primeira instância: caracterização de dolo para efeito do deslocamento do prazo decadencial para o do art. 173, I, do CTN; não caracterização das condições para aplicação do art. 100 do CTN; não impugnação da matéria relativa aos detergentes; caracterização de fraude para aplicação da multa qualificada; possibilidade de aplicação de multa sobre o imposto não lançado com cobertura de crédito. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. 1 – Matéria não impugnada Em relação aos detergentes, a Primeira Instância considerou a matéria não impugnada, havendo a Interessada contestado tal conclusão no recurso. Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.784 10 Conforme constou do relatório, a classificação fiscal dos detergentes foi objeto do item 2 do assunto “Da tributação”, relativamente ao período de janeiro de 2006 a dezembro de 2010. Na impugnação, as únicas referências efetuadas aos detergentes são as reproduções do termo de verificação fiscal, as menções à fraude, à multa de 150%, à decadência parcial do lançamento e às saídas para entrega futura. Portanto, de fato a Interessada não impugnou a questão relativa à classificação dos detergentes, o que torna a matéria preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235, de 1972. 2 – Ocorrência de fraude Para justificar a qualificação da multa, a Fiscalização considerou que houve divergência na classificação fiscal entre notas fiscais de mesmo produto, “pois nos arquivos a classificação fiscal estava correta, ou seja, 3402.90.39, mas nas notas fiscais a classificação fiscal era 3808.40.10 ou 3402.11.40 , ambas com alíquota zero.” Ademais, apesar de estar correta a classificação dos arquivos, “não houve destaque de IPI em grande parte das Notas Fiscais”: [O destaque do] IPI ocorria no momento da venda (CFOP 5922 e 6922) e não na entrega da mercadoria (CFOP 5116 e 6116). No entanto, constatouse irregularidade no destaque de IPI nos códigos CFOP "5101", "6101", "5922", "6922", "5113", "6113", "5401" e "6401", Na verdade, o contribuinte sempre teve ciência da posição correta, pois os arquivos entregues a esta fiscalização informaram a classificação fiscal 3402.9039, de 01/01/2006 até 31/12/2010, para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN. Por fim, a Fiscalização considerou que a conduta reiterada durante cinco anos caracterizaria o intuito de fraude: Não foram somente as operações de venda para entrega futura com códigos CFOP 5116 e 6116 x 5922 e 6922 que apresentaram irregularidade de destaque de IPI. Constatouse que houve operações de vendas nos códigos CFOP 5101 e 6101 que também tiveram destaque de IPI, ou seja, o contribuinte tinha ciência do dever de destacar o IPI, não o fez deliberadamente, ou seja, deu tratamentos tributário distintos ao mesmo fato. O contribuinte revelou conhecimento a respeito da natureza tributável da operação, não podendo alegar que desconhecia a natureza jurídica da venda, pois chegou a destacar IPI sobre o mesmo tipo de operação. O destaque do IPI na Nota Fiscal, ocorrido em operações da mesma natureza, evidencia a consciência do contribuinte de que poderia agir para evitar a lesão ao bem jurídico. Desse modo, sua decisão acerca da inação se dirigiu finalisticamente ao Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.785 11 resultado típico, deixando de executar a ação que lhe era possível, por efeito de sua vontade, o que justifica a qualificação da multa. Tais circunstâncias, ao contrário do alegado pela Interessada no recurso, caracterizam evidente intuito de fraude, uma vez que não decorrem de erro ou divergência de interpretação da legislação. Tratase de condutas específicas, que revelam a prática doloso de ato visando evitar a incidência do IPI, conforme destacado pela Primeira Instância. 3 – Decadência Em relação à decadência, também descabe razão à Interessada, uma vez que, caracterizada a fraude em relação aos referidos produtos, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, conforme bem fundamentado pela Primeira Instância. 4 – Classificação fiscal A classificação restringese aos desinfetantes. As alegações da Interessada são, resumidamente, as de que a classificação deve ser efetuada pelos textos de posição e de notas de posição, de que a Fiscalização teria adotado meramente o critério de peso para alterar sua classificação e de que, no caso de ainda haver dúvidas, aplicarseia a regra geral 3a. A Fiscalização considerou que os produtos com apresentação isolada e embaladas para venda a retalho e os que não têm apresentação isolada classificarseiam na posição 3808.94.19, uma vez que o Capítulo 29 somente admitiria “os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente”. De fato, é o que consta da nota 1a do referido Capítulo. Somente as impurezas, o que não se confunde com substâncias acrescentadas com alguma intenção específica, são admitidas pela referida nota. Ademais, a nota 1a2 do capítulo 38, conforme descrito pela Fiscalização, prevê, claramente, que os desinfetantes apresentados nas formas descritas no texto da posição 38.08 excluemse do Capítulo 29. E o texto de posição 38.08 expressamente referese a “desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações”, conforme destacado pela Fiscalização. A interpretação acima, que já é suficiente para resolver a classificação dos produtos em questão, foi efetuada exclusivamente com base na regra geral 1, não se podendo cogitar da aplicação da regra 3, por não se haver que falar em dúvida. 5 Multa qualificada Quanto à multa qualificada, conforme já analisado, houve prática de fraude pela Interessada, o que a justifica plenamente. Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.786 12 Devese observar que não se pode afastar a aplicação da referida multa por supostas ofensas a princípios constitucionais, à vista do disposto nos arts. 62 e 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009) e na Súmula Carf n. 2. 6 – Saídas para entrega futura Conforme esclarecido anteriormente, a única menção específica efetuada pela Interessada na impugnação em relação aos detergentes foi a abaixo reproduzida: Ocorre que tal situação somente ocorreu na medida em que determinadas operações com DETERGENTES correspondem à operações de vendas para entrega futura, de modo que o destaque o IPI ocorre no momento da venda e não no momento da entrega da mercadoria. Não se tratou, portanto, de contestação da classificação fiscal, mas de uma justificativa para as divergências no que disse respeito à acusação de fraude. Entretanto, a própria Fiscalização havia demonstrado que a conduta não se resumiu a tais casos, mas a vários outros, conforme descrito no termo de verificação fiscal. 7 – Multa isolada Quanto à multa aplicada ao imposto não lançado em nota e que teve cobertura de créditos, há previsão na legislação para sua aplicação. No caso do IPI, a multa, conforme já esclarecido anteriormente nos presentes autos, incide sobre o imposto que deixar de ser destacado em nota fiscal ou deixar de ser recolhido. Dessa forma, a base de cálculo da multa é o valor total não destacado na nota, sendo que o auto de infração separa a multa em duas partes, uma sobre a parcela do imposto não recolhido e outra isolada, calculada sobre a diferença, que corresponde à parcela sem cobertura de crédito. Novamente devese lembrar que existe previsão específica para a incidência da multa, não se podendo afastar a legislação que a prevê por suposta inconstitucionalidade. 8 – Art. 100 do CTN Quanto à aplicação do art. 100 do CTN, cabe razão à Primeira Instância, uma vez que não há, no caso, ato normativo ou decisão com efeito de ato normativo, nem prática reiterada observada pelas autoridades administrativas. As práticas reiteradas a que se refere o artigo são o que se chama de “costume” na teoria da origem das normas jurídicas e não a eventual não discordância anterior de classificação fiscal. Tal situação poderia eventualmente enquadrarse na hipótese do art. 146 do CTN, mas para isso seria ainda necessário ato expresso da autoridade administrativa reconhecendo a correção da classificação fiscal adotada pela Interessada, o que não é o caso. Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.787 13 Portanto, não se está falando, no caso, de ato da autoridade fiscal, mas em um “não ato”, quer dizer, na ausência de um ato expresso anterior discordando da classificação fiscal adotada pela Interessada. Conforme o próprio contribuinte atestou (fl. 24 da impugnação), tratouse de casos de homologação tácita, em que não houve pronunciamento algum da administração sobre o mérito da matéria. 9 – Estorno dos créditos Quanto ao estorno de crédito, conforme já esclarecido pela Primeira Instância, é uma medida decorrente da compensação dos créditos efetuada no auto de infração. Não se trata de medida ilegal ou abusiva, pois decorre logicamente da autuação. 10 – Intimações Quanto às intimações, tratase de matéria de competência da autoridade preparadora e não da autoridade julgadora, descabendo manifestação do Carf. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tratase de caso de classificação fiscal de produtos (detergente e desinfetante). Discordei do I. Conselheiro Relator no que se refere à consideração de ocorrência de dolo/fraude, o que ocasionou a majoração da multa para 150%. Ocorre que, ao analisar os autos em sessão, constatei que ambas as classificações, da fiscalização e do contribuinte, tratavam de produto com a mesma composição química. A diferenciação estava na forma de apresentação do produto. Ainda, inicialmente, a classificação existente era apenas aquela considerada pela contribuinte, em determinado momento houve a criação de outra classificação fiscal para quando o produto fosse apresentado de outra maneira. Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.788 14 Pelo que restou esclarecido no julgamento, esta mudança de “forma de apresentação” representaria uma mudança de “finalidade” do produto vez que, vendido a varejo alcançava outro público, que conferia outra utilidade ao produto. A questão é que, a meu sentir, a fiscalização não obteve êxito em comprovar a ocorrência de dolo/fraude por parte do contribuinte. Não há nos autos notas refletidas, negócio jurídico indireto ou qualquer outra razão que justifique a majoração pretendida. De idêntica maneira, as planilhas indicadas pela fiscalização que justificariam o “conhecimento do contribuinte sobre a classificação correta” não deixa claro que os produtos vendidos pelo contribuinte seriam da “forma” e “peso” necessários para a nova classificação, questão absolutamente relevante, uma vez que ambos os produtos possuem as mesmas características. A par disso o contribuinte é empresas que atua no setor e possui diversos outros produtos, todos neste gênero, sem qualquer problema localizado pela fiscalização. Ante os fatos apresentados, peço vênia ao eminente relator para divergir no que se refere à majoração da multa para 150% e, consequentemente, para reconhecer a aplicação ao artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional – CTN – para a contagem do prazo decadencial. É como voto. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11128.000828/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/06/2003
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E CONSECTÁRIOS LEGAIS. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, a acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI).
Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento e que o produto esteja incorretamente descrito. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que foi providenciado, não restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI.
MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má-fé do importador.
Numero da decisão: 3401-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa do controle administrativo aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Santiago da Silva OAB/BA 16759.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Relator Angela Sartori Relator
Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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PRODUTO DIQUAT TÉCNICO. PREPARAÇÃO HERBICIDA. CÓDIGO NCM 3808.30.29. Por ser uma preparação herbicida, o produto de nome comercial Diquat Técnico é classificado no código NCM 3824.90.89. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/06/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E CONSECTÁRIOS LEGAIS. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, a acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento e que o produto esteja incorretamente descrito. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que foi providenciado, não restando configurada, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 08 28 /2 00 8- 11 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou máfé do importador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa do controle administrativo aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Santiago da Silva OAB/BA 16759. Júlio César Alves Ramos – Presidente Relator Angela Sartori – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Trata o presente processo de Auto de infração lavrado em 28/01/2008 para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 367.634,87 (trezentos e sessenta e sete mil seiscentos e trinta e quatro reais e oitenta e sete centavos) sendo o Imposto de Importação no valor de R$ 36.114,86 (trinta e seis mil cento e quatorze reais e oitenta e seis centavos), juros de mora calculados até 28/12/2007 no valor de R$ 24.543,65 (vinte e quatro mil quinhentos e quarenta e três reais e sessenta e cinco centavos), multa proporcional (75%) no valor de R$ 27.086,15 (vinte e sete mil e oitenta e seis reais e quinze centavos), multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) no valor de R$ 270.861,50 (duzentos e setenta mil oito centos e sessenta e um reais e cinqüenta centavos) e a multa proporcional ao valor aduaneiro (1%), tendo em vista a incorreta classificação fiscal, no valor de R$ 9.028,71 (nove mil e vinte e oito reais e setenta e um centavos). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 265 3 Isso porque, o importador solicitou retificação da Declaração de Importação nº 03/05196248, registrada em 20/06/2003, para alteração da modalidade de pagamento na ficha dados cambiais da referida DI. A mercadoria submetida a despacho, ou seja, "Diquat Técnico" foi informada na descrição detalhada da mercadoria da referida Dl como sendo: "DIQUAT TÉCNICO, 511.5 G/L, ESTADO FÍSICO: LIQUIDO, PRODUTO REGISTRADO NO MAPA SOB N° 034283 3"; classificada na Tarifa Externa Comum – TEC no código NCM 2933.99.99 OUTS. COMPOSTOS HETEROCICLICO DE HETEROATOMO DE NITROGENIO. Destacou a fiscalização que a mercadoria importada é efetivamente considerada uma preparação intermediária com propriedades Herbicidas, e, por conseguinte, classifica se, à época do registro da DI, na Tarifa Externa Comum no código NCM 3808.30.29. Para desclassificar referido produto a fiscalização utilizou 3 Acórdãos. Neste sentido dispõe o referido Auto de Infração: “DA DESCLASSIFICAÇÃO DO CÓDIGO NCM/TEC REGISTRADO NA Dl Dada a especificidade do produto em questão, a fiscalização realizou pesquisas quanto à classificação fiscal do produto importado na referida Dl, tendo encontrado entendimento pacificado quanto a sua classificação fiscal, senão vejamos: a) Acórdão DRJ/SPOII N° 1993, de 16 de janeiro de 2003. Ementa: Classificação fiscal. Penalidade tributaria (fls. 51 a 58). "0 produto de nome comercial DIQUAT TÉCNICO se classifica corretamente no código 3808.30.29, por se tratar de uma Preparação Intermediária com propriedades herbicidas.. . " (fls. 51). b) Decisão DRJ/SP N° 1242, de 30 abril de 1999. Ementa. Classificação Fiscal. Produto descrito como Diquat Técnico classificase no código NBM 3808 . 30 . 0199 por ser considerado como uma preparação nos termos da nota 1 a 2. Aplicase a regra 1 das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, (fls.59). c) Conselho de Contribuintes: Recurso Voluntário N° 120067, de 22/02/2000 (2ª Câmara): Ementa: Classificação Fiscal de mercadoria. Solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio é uma PREPARAÇÃO HERBICIDA e como tal, classificavase no código NBM 3808.30.0199 (NCM 3 8 0 8 . 30 . 29 ) . . . " (fls.60).” Ciente do auto de Infração em 26/02/2008, fls. 72, em 20/03/2008, a autuada apresentou a impugnação de fls. 73/91, onde alegou: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 “ Com o intuito de confirmar a legitimidade da classificação fiscal adotada na importação dos produtos necessários ao andamento de sua atividade, encomendou em meados de 2006, a Análise e Parecer Técnico sobre o produto DIQUAT TÉCNICO ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT); O INT através do Relatório Técnico nº 673, Processo INT nº 01240.000298/06, recomenda a inclusão do produto DIQUAT TÉCNICO na posição 2933.99.99, exatamente a classificação adotada pela Impugnante na Dl nº 03/05196248, Objeto da autuação em tela (Doc. 04); (onde se a Recorrente alegou INT se le Luiz Aurélio Alonso, conforme laudo anexo aos autos) Neste ponto, já se verifica a primeira fragilidade da referida autuação, uma vez que a mesma funda – se tão somente no apontamento de 03 (três) julgados administrativos antigos. Em momento algum a Autoridade Administrativa requisitou a elaboração de um Laudo Técnico ou qualquer outra análise técnica competente, sobre o produto DIQUAT TÉCNICO, que lhe desse amparo a desclassificação fiscal efetuada; Se assim tivesse procedido, verificaria que a classificação fiscal na Tarifa Externa Comum (TEC) no código NCM 2933.99.99, adotada pela Impugnante está correta e, que, portanto, a alíquota de Imposto de Importação (II) devida à época dos fatos era, realmente, de 0% (zero por cento). A composição química do DIQUAT TÉCNICO pode ser definida através da seguinte descrição: "Solução Aquosa de Dibrometo de l,l'Etileno2,2' Dipiridilio, Outro Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio", conforme explicita o laudo de Análise n º 3115/20061", emitido pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer (Doc. 05); O produto DIQUAT TÉCNICO é uma solução concentrada utilizada como princípio ativo na formulação de preparações dos produtos finais (herbicidas) industrializados e comercializados pela Impugnante, tais como o "Reglone" (nº registro MAPA 1768502) e "Smash" (nº registro MAPA 00190), estes sim, herbicidas de uso direto pelos consumidores, na chamada venda a retalho; Consoante atesta a análise técnica do INT, através do Relatório Técnico nº 673, por tratarse de solução aquosa de um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de nitrogênio, cuja estrutura contém um ciclo pirazina hidrogenado condensado, a mesma encontra amparo e especificação no Capítulo 29 da NESH, mais especificamente na posição 2933.99.99; A classificação tarifária deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e, uma vez definida, cabe ao Sr. AFRFB tão somente acatála; não pode deixar de impugnar, nesta oportunidade, a pretensão do Sr. AFRFB em alterar, indevidamente, o critério jurídico dessa operação; A Impugnante não pode concordar com a revisão do critério jurídico adotado para classificação fiscal dos produtos por ela importados, seja pela própria natureza do produto (qual seja, composto heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio), seja vedação contida no CTN; inadmissível que aproximadamente 05 anos após o desembaraço do aludido produto através da Dl n 9 03/05196248, a pretexto de desclassificar operações pretéritas, que a Impugnante seja arbitrariamente autuada; o lançamento, como ato vinculado Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 266 5 da autoridade administrativa, possui caráter definitivo, não podendo ser alterado de ofício, salvo nas hipóteses expressamente previstas no art. 149, do CTN; A Impugnante apresentou na LI características do produto importado: Nomenclatura Comum do MERCOSUL e sua descrição, nome comercial, estado físico, quantidade e o número de registro no Ministério da Agricultura; tais características, ao contrário do alegado pelo Sr. AFRFB, são, sim, elementos suficientes para constar na Licença de Importação, pois demonstram com exatidão qual o produto importado, qual seja, DIQUAT TÉCNICO; a própria Fiscalização, não teve dificuldade alguma para identificar o produto importado pela Impugnante quando da "suposta" pesquisa realizada sobre a classificação tarifaria do mesmo; a Impugnante importou o produto DIQUAT TÉCNICO, o qual foi corretamente descrito na Licença de Importação conforme demonstrado; o fato do Sr. AFRFB discordar, equivocadamente, da classificação fiscal do produto não justifica a desconsideração da descrição (correta) do mesmo na LI, pois, caso contrário, seria um absurdo! Notase, inclusive, que a Fiscalização, em momento algum, ficou com dúvidas a respeito da identificação da mercadoria; Alegou ainda que é o entendimento consolidado do E. 2º Conselho de Contribuintes no sentido de que é incabível a multa ao controle administrativo das importações quando a mercadoria é corretamente descrita na declaração de importação, conforme determinado pelo Ato Declaratório Normativo COSIT n º 12/97; mesmo que se considere válida a exigência da Multa do Controle Administrativo, a mesma não poderia ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, haja vista que tal exigência implica dupla imposição de pena ao mesmo fato, o que não se admite. Juntou a jurisprudência do E. 1º CC e da C. CSRF, em casos análogos, (transcreve); considerando que a exigência de Multa do Controle Administrativo representa 30% sobre a mercadoria, ou seja, R$ 270.861,50 e o valor exigido a t í t u lo de II (principal) é de R$ 36.114,86, resta patente a ofensa ao princípio da vedação ao confisco (art 150, IV) e da garantia à propriedade privada (art. 59, XXII), ambos expressamente consagrados na Constituição Federal; a exigência da multa de ofício também não deve prevalecer; a C. CSRF também já decidiu que, mesmo em caso de erro na classificação tarifária, o que não ocorre no presente caso, posto que a Impugnante classificou corretamente a mercadoria importada, não constitui infração punível com a Multa de Ofício (transcreve); O E. 1º Conselho de Contribuintes, diante desses argumentos, em recente julgamento afastou a incidência dos juros de mora sobre o valor da multa aplicada (transcreve); pede e espera a ora Impugnante seja recebida e acolhida in totum a Impugnação.” A DRJ proferiu a seguinte decisão; ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/06/2003 Classificação fiscal. Penalidade Tributária. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 O produto de nome comercial DIQUAT TÉCNICO não se classifica no código NCM 2933.99.99, por se tratar de uma Preparação Intermediária com propriedades herbicidas, sendo cabíveis as multas em virtude da não descrição da mercadoria com todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário. Revisão Aduaneira. Inexistência de Mudança de Critério Jurídico. Não caracteriza mudança de critério jurídico o procedimento fiscal decorrente de revisão aduaneira que apure a classificação fiscal incorreta de mercadorias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade acima transcritos, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Angela Sartori O presente Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de análise de classificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, denominada "Diquat Técnico" cuja descrição detalhada na referida DI foi: "DIQUAT TÉCNICO, 511.5 G/L, ESTADO FÍSICO: LIQUIDO, PRODUTO REGISTRADO NO MAPA SOB N° 034283 3"; classificada na Tarifa Externa Comum – TEC no código NCM 2933.99.99 OUTS. COMPOSTOS HETEROCICLICO DE HETEROATOMO DE NITROGENIO. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 267 7 Entendeu a fiscalização que a mercadoria importada é considerada uma preparação intermediária com propriedades Herbicidas, e, por conseguinte, classifica se, à época do registro da DI, na Tarifa Externa Comum no código NCM 3808.30.29. Ocorre que a Recorrente submeteu referida mercadoria a análise que foi objeto de Parecer Técnico 153 sobre o produto DIQUAT TÉCNICO (paginas 41 e seguintes do processo) do Laboratório de Análises Químicas Luiz Aurélio Alonso, que através do Relatório Técnico recomenda a inclusão do produto DIQUAT TÉCNICO na posição 2933.99.99, exatamente a classificação adotada pela Recorrente na DI 03/05196248 Dispõe o referido laudo: “A partir dos estudos realizados tanto na documentação apresentada (catálogos, etc.) como em obras de caráter científico de consenso universal, podemos informar o seguinte: a) o produto em questão, "Diquat", tratase de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto cuja estrutura contém 2 ciclos piridilos (bipiridilo) este produto apresentase em solução aquosa; b) o composto estudado é conhecido cientificamente como Dibrometo de 1,1' etileno2,2'bipiridilo apresentando a fórmula química bruta C12H12Br2N2.” e) a síntese desse composto ocorre em meio aquoso, sendo utilizado na manutenção/equilíbrio do pH (concentração hidrogeniônica) dessa reação um "buffer", ou seja, um composto químico tampão denominado fosfato de potássio; Obs.: 1) a presença das impurezas contidas nesse produto decorrem da existência de matérias iniciais (reagentes) não convertidas (dibrometo de etileno e 2,2 bipiridilo) e de uma substância utilizada durante a síntese desse composto orgânico | (fosfato de potássio, um "buffer": agente de controle de pH) a qual não reage durante a conversão química do Diquat; 2) a presença dessas impurezas (dibrometo de etileno, 2,2bipiridilo e fosfato de potássio) não tornam o produto apto para uma utilização específica.” A teor do Parecer Técnico P.P 153/98 descrito acima, define o produto em questão, Diquat, como um composto orgânico de constituição química definida, apresentado em solução aquosa, contendo impurezas decorrentes de seu processo de fabricação (síntese orgânica), caracterizandose tecnicamente como um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto cuja estrutura contém 2 ciclos piridilos, denominado cientificamente como: dibrometo de 1,1' etileno2,2'bipiridilo. Nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), o teor do Capítulo 29 Produtos Químicos Orgânicos apresenta a Nota 1 a que estabelece, ressalvadas disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: "os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas" Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Essa mesma obra elucida de forma clara que o termo impureza deve ser aplicado exclusivamente às substâncias cuja associação com o composto químico distinto (neste caso, o dibrometo de 1,1'etileno2,2'bipiridilo resulta, exclusivamente e diretamente do processo de fabricação, sendo essencialmente as seguintes: . matérias iniciais não convertidas; . impurezas contidas nas matérias iniciais; . reagentes utilizados no processo de purificação; . subprodutos. Os compostos químicos dibrometo de etileno e 2,2 bipiridilo tratamse de reagentes para a obtenção do composto final "Diquat", que, entretanto, não se convertem integralmente. E o fosfato de potássio tratase de um "buffer" (composto tampão), ou seja, caracterizase como um agente controlador de pH: uma matéria adicionada não reagida/não convertida. AS NESH estabelecem que os compostos orgânicos de constituição química definidas em soluções aquosas, mesmo contendo impurezas, estão incluídos no Capítulo 29 (ver teor na Nota "1d" deste Capítulo) e por tratarse de um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de Nitrogênio, este composto (dibrometo de 1,1'etileno2,2' bipiridilo) é classificado na Posição 29. Em contraposição, temos que no Capítulo 38, a Nota 1, ‘a’ 2, estabelece que são excepcionados de sua abrangência os produtos químicos de constituição química definida, incluídas no capítulo 29. Neste sentido dispõe a NESH no Capítulo 3808: “ Esta posição não compreende: a) Os produtos usados como inseticidas, desinfetantes, etc., que não preencham as condições atrás referidas. Estes produtos classificamse, segundo a sua natureza, nas suas posições respectivas: 1º) As flores de piretro trituradas (posição 12.11). 2º) O extrato de piretro (mesmo em concentraçãotipo por adição de óleo mineral) (posição 13.02). 3º) O óleo de creosoto mineral (posição 27.07). 4º) O naftaleno, o DDT (ISO) (clofenotano (DCI), 1,1,1tricloro2,2bis (pclorofenil)etano) e outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em soluções aquosas) (Capítulos 28 ou 29).” Passamos então a investigar o texto da posição 38 para verificarmos quais são os critérios que estabelece para sua incidência, vejamos: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 268 9 ‘Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes, e produtos semelhantes, apresentados em quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas.’ Finalmente, dispomos das NESH da posição 3808, apta a trazer preciosos subsídios para nossa interpretação, que dispõem da seguinte forma: ‘3808Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas.... Os referidos produtos só se incluem nesta posição nos seguintes casos: 1. Quando são apresentados em embalagens para venda a retalho, como desinfetantes, inseticidas etc... 2. Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentam ( os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido... ou em misturas de outras espécies. As soluções do produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações...Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam ser misturadas para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso.’ Portanto, da leitura atenta das normas selecionadas do Sistema Harmonizado, vemos que o vetor que leva um produto químico com propriedades herbicidas ser enquadrado no Capítulo 38, é a forma de sua apresentação, que já estaria apta a ser utilizada pelo consumidor final, ou ‘pronta para uso’, como mencionado nas NESH, ainda que houvesse a necessidade de dissolver o produto em solução aquosa ou de outra natureza. Com efeito, da análise das normas referentes ao Capítulo 38, das mais genéricas, até, finalmente o texto da posição propriamente dito, até os subsídios da NESH, vemos que a ênfase da norma é sempre quanto à apresentação do produto, própria para uso do consumidor final, sendo este o alcance do termo ‘preparação’ no texto de subposição, isto é, a preparação do produto com as características necessárias para que ele possa ser empregado pelo consumidor, ou, que passe por um procedimento simples de formulação, como mistura em água do produto. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Portanto, a interpretação a ser dada à Nota 1, ‘a’, 2 do Capítulo 38 é justamente neste contexto, ou seja, caso o produto químico com propriedades herbicidas não puder ainda ser utilizado diretamente pelo usuário, de constituição química definida deverá ser incluído no Capítulo 29. Diante dos argumentos acima, baseados na NESH bem como em laudo técnico juntado aos autos pela Recorrente e verificando a fragilidade da autuação baseada apenas no apontamento de 03 (três) julgados administrativos antigos, sem ter retirado amostra para elaboração de laudo técnico; me levam a certeza da classificação fiscal adotada pela recorrente, qual seja, a NCM 2933.99.99. Do exposto dou provimento ao Recurso Voluntário interposto. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO ÀS IMPORTAÇÕES POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO No auto de infração foram aplicadas as multa de ofício do Imposto de Importação e do IPI, além da multa relativa ao controle administrativo das importações por falta de LI. Entretanto, ainda que se entendesse pelo cabimento da diferença do crédito tributário decorrente da desclassificação fiscal, não poderiam ser aplicada a multa ao controle administrativo das importações, prescrita no art. 633, inciso II do Regulamento Aduaneiro. De acordo com Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 12, de 21 de janeiro de 1997, que estabeleceu os contornos desta penalidade, não é possível sua aplicação, nas situações em que houve a correta descrição da mercadoria, de forma que o próprio Fisco poderia buscar o enquadramento tarifário que reputasse correto e que, ademais, não fosse detectado intuito doloso do importador, como é o presente caso. Dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/1997: "...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado do Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex"exija licenciamento, automático ou não, desde que o produto seja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." No caso concreto, a documentação que instruiu os despachos de importação, trouxe as informações necessárias para a correta classificação fiscal da mercadoria “ Diquat Técnico”. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 269 11 Verificase que a Recorrente mencionou o nome correto do produto, o que de acordo com normas da própria administração, é elemento que afasta a aplicação da multa administrativa. De acordo com a Coordenação do Sistema de Tributação, através do Ato Declaratório (Normativo) CST nº 08, de 07/07/82 (DOU 09/07/82), temos definido que: “Nome científico do produto é qualquer denominação de caráter técnicocientífico, pela qual o produto pode ser encontrado na literatura especializada; nome comercial é a denominação de uso exclusivo de determinado fabricante (marca registrada).” Neste sentido é elucidativo os Acórdãos abaixo onde esclarecem que não cabe a multa ao controle administrativo das importações, mesmo que a classificação fiscal esteja incorreta: ACÓRDÃO 30335.624 em 10.09.2008 MULTA DIVERSA Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/10/2002 Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação . Licenciamento de importação . Guia e licenciamento de importação , documentos nãocontemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória. Exclusão da Responsabilidade Objetiva. Limites. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12 de 1997 tem sua aplicabilidade restrita à infração nele contemplada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Decisao: Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, quanto à multa por falta de Licença de importação, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Tarásio Campelo Borges. Por unanimidade de votos, negouse provimento quanto à multa por classificação de mercadoria inexata. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 17.12.2008 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Recorrente: TUBOZAN INDÚSTRIA PLÁSTICA LTDA. Recorrida: DRJFLORIANOPOLIS/SC Acórdão 3º CC nº 30127247 (DOU de 27/10/93), CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. 1. Na hipótese de serem fornecidas com exatidão informações de fato sobre a mercadoria, inclusive nome comercial registrado e houver indicação incorreta do código tarifário na Guia de Importação, não se aplica a multa do artigo 526, II do RA. 2. Recurso provido. Relator designado: Itamar Vieira da Costa. Acórdão 30232351, DOU 03/11/93: “INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. A imprecisa mas correta descrição da mercadoria na GI não tipifica a infração prevista no art. 526,IX, do Regulamento Aduaneiro. Para a perfeita identificação da mercadoria pode a fiscalização aduaneira recorrer a assistência técnica. Acórdão 30325.697, DOU de 31/07/90: “IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – DECLARAÇÃO INDEVIDA Constitui declaração indevida a omissão de característica de qualidade do produto, que uma vez conhecidos, daria uma nova classificação ao produto.” Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é remansosa em relação à inaplicabilidade da multa por falta de LI quando o erro cometido pelo contribuinte, não implica em violação ou qualquer ameaça ao controle administrativo das importações. Vejamos: TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – GUIA DE IMPORTAÇÃO – ERRO DE PREENCHIMENTO E POSTERIOR CORREÇÃO – MULTA INDEVIDA. 1. A legislação tributária é rigorosa quanto à observância das obrigações acessórias, impondo multa quando o importador classifica erroneamente a mercadoria na guia própria. 2. A par da legislação sancionadora (art. 44, I, da Lei 9.430/96 e art. 526, II, do Decreto 91.030/85), a própria receita preconiza a dispensa da multa, quando não tenha havido intenção de lesar o Fisco, estando a mercadoria corretamente descrita, com o só equívoco de sua classificação (Atos Declaratórios Normativos Cosit nºs 10 e 12 de 1997). 3. Recurso especial improvido.”(g.n.) (REsp 660682 / PE, Ministra ELIANA CALMONDJ 10/05/2006 p. 174)(g.n.) Portanto, ainda que existisse descrição errônea do produto importado, não há como se falar em dolo ou máfé da Recorrente, posto que a própria Administração chegou a encampar a descrição, o que demonstra realmente que houve o respaldo do Fisco para a descrição utilizada e que efetivamente há dúvidas quanto à classificação fiscal, situação Fl. 275DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 270 13 que por si, já descaracteriza a multa ao controle administrativo das importações por falta de tipicidade. Destarte, de acordo com os Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/1997, para que seja cabível a aplicação desta penalidade no caso de desclassificação fiscal, deve haver incorreta descrição da mercadoria com intuito doloso. Por estes motivos, dou provimento ao recurso voluntário. DA MULTA DE OFÍCIO Quanto às multas de ofício do imposto de importação e IPI, prescritas no art.44 da Lei n. 9430/1996, por “declaração inexata” da mercadoria, da mesma forma são inaplicáveis, pelo mesmo raciocínio expendido anteriormente. a) Ademais, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10 de 16.01.1997, D.O.U.: 20.01.1997, assim prescreve (com grifos nossos): “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do Imposto de Importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. 2Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação.” Conforme já discorremos anteriormente, não há declaração inexata da mercadoria, descaracterizandose as penalidades, posto que além de a Recorrente deixar constar em todos os documentos que instruíram os respectivos despachos de importação, Fl. 276DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 o nome correto da mercadoria importada, é indubitável que não houve máfé, até mesmo porque a descrição utilizada foi até mesmo ratificada pelo próprio Fisco. Ademais, o princípio do in dubio pro contribuinte ou da "interpretação mais benigna", in casu, também milita a favor da Impugnante, ex vi do art. 112 do CTN . É esse o vetor dos seguintes acórdãos: "Acórdão 30128031 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Produto DIAMINOIMID TORTA 100% Classificação no capítulo 38 pode se tratar de uma preparação química. Tratandose, contudo, de caso de classificação tarifária decorrente de interpretação dada à posição tarifária, não há como prevalecer a exigência da multa prevista no art.4o , inciso I , da Lei 8.218/91. " Acórdão 30233586 "CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. A incorreta indicação do código tarifário nos documentos que compõem o despacho de importação não enseja aplicação de penalidades, se as informações essenciais neles constantes, suficientes para sua correta classificação fiscal, não são contestadas. " "Acórdão 30328550 REVISÃO ADUANEIRA CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA O produto "TOLONATE HDB 75 MX (Poliisocianato Alifático, em solução a 75% dentro de uma mistura de acetato de Metoxiprobil/xileno), por ser uma "preparação endurecedora de resina sintética ( preparação diversa das indústrias químicas ) sua classificação tarifária enquadrase na posição TAB 3823.90.9999. Recurso parcialmente provido, para excluir do crédito tributário os valores correspondentes às penalidades descritas nos artigos 4, I, da Lei 8218/91, bem como do 364, II, do RIPI." Portanto, ainda que no mérito julguese devido o principal, corrigido monetariamente e com incidência dos juros de mora e multa de 1% por erro de classificação fiscal, não há que se cobrar a multa punitiva, por expressamente vedada por nosso ordenamento jurídico. Tendo sido vencida passo a enfrentar a multa por incorreta classificação fiscal de mercadoria. MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO POR INCORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Fl. 277DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 271 15 A multa aplicada pela incorreta classificação fiscal está prevista no art. 84, § 2o, da Medida Provisória no 2.15835/2001, conforme abaixo: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Em se entendendo tratarse de importação de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul é aplicar a multa por erro de classificação fiscal instituída pela Medida Provisória n.215835 de 2001 acima descrita. No presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN). CONCLUSÃO Diante do exposto, entendendo que a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, portanto dou provimento parcial ao recurso para excluir o Imposto de Importação e consectários legais (multa de ofício e juros de mora) lançados em face da classificação adotada pelo contribuinte, bem como para excluir a multa por falta de LI, mantendo apenas a multa de 1% aplicada com base no art. 84, I, da MP nº 2.158/35/2001. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Voto Vencedor Emanuel Carlos Dantas de Assis, designado relator quanto à classificação fiscal e à exigência do Imposto de Importação e consectários legais. Reportandome ao relatório e voto da ilustre Relatora, peço licença para divergir em relação à classificação fiscal do produto Diquat Técnico, que entendo deva ser mantida na posição NCM 3808.30.29, como considerou a fiscalização, bem como à exigência do Imposto de Importação e respectivos consectários legais lançados (multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora conforme a taxa Selic). No mais – multa por falta de Licença de Importação, exonerada, e multa por classificação fiscal incorreta, mantida , acompanho o voto vencido parcialmente. CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO DIQUAT TÉCNICO Para classificar o produto em questão no Capítulo 29, e não no 38, o voto vencido levou em conta as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) desses dois Fl. 278DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Capítulos, mencionando expressamente a Nota 1 do Cap. 29 segundo a qual as suas posições apenas compreendem "os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas", ressalvadas disposições em contrário e NESH específicas da posição 3808 – segundo as quais esta posição não compreende o naftaleno e outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em solução aquosas), os produtos referidos na posição 3808, dentre os quais os herbicidas, só se incluem nela quando apresentados em embalagens para venda a retalho. Afirma então o seguinte, nas palavras da admirável Relatora: Portanto, da leitura atenta das normas selecionadas do Sistema Harmonizado, vemos que o vetor que leva um produto químico com propriedades herbicidas ser enquadrado no Capítulo 38, é a forma de sua apresentação, que já estaria apta a ser utilizada pelo consumidor final, ou ‘pronta para uso’, como mencionado nas NESH, ainda que houvesse a necessidade de dissolver o produto em solução aquosa ou de outra natureza. (...) Portanto, a interpretação a ser dada à Nota 1, ‘a’, 2 do Capítulo 38 é justamente neste contexto, ou seja, caso o produto químico com propriedades herbicidas não puder ainda ser utilizado diretamente pelo usuário, de constituição química definida deverá ser incluído no Capítulo 29. Para mim, o Diquat Técnico deve ser enquadrado no Capítulo 38 por se tratar de uma preparação herbicida. Ainda que tenha composição química definida, a Nota 1 do Cap. 38 é clara, ao estabelecer o seguinte (negritos acrescentados): 1. O presente Capítulo não compreende: a) os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: 1) a grafita artificial (posição 38.01); 2)os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08; O texto da posição 3808, por sua vez, é o seguinte, verbis (negrito acrescentado): INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS Segundo a Nota 1 acima transcrita, sendo herbicida a classificação é no Cap. 38, seja qual for a forma ou embalagem, contanto que dentre as previstas na posição 3808. E tais formas ou embalagens são as mais diversas, conforme o texto da 3808 (... apresentados em Fl. 279DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 272 17 quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou....). Daí a rejeição da classificação no Cap. 29, como entendeu o voto vencido. A corroborar a classificação ora adotada, menciono o Acórdão nº 30234.168, processo nº 1128.004432/9695, sessão de 22 de fevereiro de 2000, cuja ementa transcrevo: Classificação Fiscal de Mercadorias. Solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 — BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicos à base de Fosfato e Potássio é uma PREPARAÇÃO HERBICIDA e como tal, classificavase no código NBM 3808.30.0199 (NCM 3808.30.29). Cabe transcrever também o voto do Acórdão acima, da lavra do ilustre Conselheiro Hélio Fernando Rodrigues Silva, que produzindo a melhor interpretação considerou o seguinte: ... o "litígio se resume em decidir se o produto importado se classifica como um produto químico de constituição química definida e isolado do Capítulo 29, como pretende a Impugnante, ou como um herbicida da posição 3808, como entendeu a fiscalização." Creio que, antes de mais nada, devemos recordar e delimitar alguns conceitos de química básica que se inserem na matéria sob análise, a fim de que o que se venha a decidir esteja assentado sobre fatos técnicos corretamente estabelecidos.; Nessa linha, transcrevo a seguir trecho da página 1 do Livro "Estudos de Química", volume dois, de Luciano do Amaral, Editora Moderna, 1ª edição: “...................................................................................................... Quando uma substância se dissemina no seio de outra sob forma de partículas, formase uma dispersão. A substância que se dissemina constitui a fase dispersa e é chamada o disperso. A substância que recebe no seu seio o disperso constitui a fase dispersante e é chamada dispersante ou dispergente. Em função do diâmetro das partículas dispersas, as dispersões podem constituir soluções, (...) e suspensões. Soluções, também chamadas soluções verdadeiras, são as dispersões em que o diâmetro médio das partículas dispersas é inferior a 1 nanômetro (1 nanomêtro é igual a 109 metros (...). As soluções são homogêneas (sistemas monofásicos). As partículas dispersas não são visíveis, não são filtráveis e não sedimentam nem pela centrifugação. Suspensões são as dispersões em que o diâmetro das partículas dispersas é superior a 100 nanômetros. As suspensões são heterogêneas (sistemas polifásicos). As partículas dispersas são visíveis ao microscópio, são filtráveis e se sedimentam. ......................................................................................................... Fl. 280DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Nas soluções, a fase dispersa é chamada soluto ou dissolvido, e a fase dispersante é chamada solvente ou dissolvente. ......................................................................................................” Ainda no desenvolver objetivo do nosso curso relâmpago de química básica, devemos atentar para alguns trechos extraídos das páginas 13, 15, 17 e 18 do livro "Química Curso Completo", de Elie Politi, Editora Moderna, abaixo transcritos: “...................................................................................................... As substâncias puras, substâncias químicas ou ainda espécies químicas, são os difèrentes tipos de matéria, cada uma apresentando composição fixa e características (propriedades) bem definidas e catalogadas. ......................................................................................................... As substâncias puras: são formadas por moléculas quimicamente iguais entre si; apresentam propriedades bem definidas; tem composição química fixa e, portanto, podese estabelecer sua fórmula; As misturas: são formadas por moléculas quimicamente diferentes entre si; têm propriedades variáveis; têm composição variável e, portanto, não têm fórmula química seus componentes mantêm suas propriedades. ......................................................................................................... Quando suas moléculas são constituídas por átomos do mesmo elemento químico, a substância pura é dita simples. ........................................................................................................ Quando suas moléculas são constituídas por átomos de difèrentes elementos químicos, a substância pura é dita composta. .......................................................................................................; Com base no que acima recordamos, concluímos que o produto químico de nome comercial DIQUAT TÉCNICO e fórmula BROMETO de 1,1 ETTLENO 2,2 — BIPIRIDILIO, é uma substância pura composta, ou uma substância química de constituição química definida. Como resultado dessa constatação, em uma primeira análise, considerando que a citada substância pura composta integra uma solução aquosa, juntamente com substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, poderíamos pensar enquadrar essa mercadoria no capítulo 29 da TEC, Produtos Químicos Orgânicos, pois a nota 1, alínea "d", deste capítulo determina Fl. 281DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 273 19 que ali se incluem as soluções aquosas de, entre outras, compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas. Entretanto, em um segundo momento, a constatação de que o produto químico sob exame é o princípio ativo de um herbicida; que a nota 1, alínea a, item 2, do Capítulo 38, estabelece que este capítulo não compreende os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto, entre outros, "os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas (...) apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 3808", e, finalmente, que o texto da citada posição 3808 inclui os "(...) herbicidas, (....) apresentados em quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações", faz nascer a dúvida de qual é o enquadramento tarifário correto do produto importado pela Recorrente. Ressaltese que a dúvida já instalada, tende a crescer quando se recorda que a Recorrente não importou a mercadoria sob exame para venda a retalho. Em casos como estes, ou seja quando, após aplicarmos a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, constatamos que a simples leitura dos textos das notas de capítulo e de posição, por si só, não tem o condão de descortinar a classificação tarifária adequada, o caminho é recorrer as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. E consultandose a NESH, página 756, nota 2, verificamos que se incluem na posição 3808 os herbicidas quando tenham características de preparações e que essas, conforme se expõe mais adiante na NESH, são constituídas por suspensões ou dispersões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido, ou ainda, por misturas de outra espécie. Desta forma, considerando o até aqui apurado, é incontroverso que solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDTLIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, é uma preparação herbicida. Por outro lado, a NESH, também com relação à posição 3808, na página 755, notas 1 e 2, esclarece que os referidos produtos ( inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas etc) só se incluem nesta posição: a) quando acondicionados de forma a não deixar dúvida quanto ao seu destino para venda a retalho; b) quando tenham características de preparações. E, em sendo assim, conforme destacou o julgador a quo, "o acondicionamento para venda a retalho não é uma condição indispensável para que tais produtos se classifiquem na posição 3808", bastando "que eles apresentem características de preparações, mesmo que intermediárias". Como prova de que o que a aqui se infere corresponde aos fatos, tal qual fez o julgador a quo, ressalto que a TEC/NCM, contém dois itens para os herbicidas: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 ......................................................................................................... 3808.30.10 — Herbicidas apresentados em forma ou em embalagens para venda a retalho 3808.30.2 Herbicidas apresentados de outro modo 3808.30.21 À base de 2,4D, de 2,4DB ou de derivados destes produtos 3808.30.22 À base de Atrazina, de Alaclor, de Bentazon, de Diurion ou de EPTC 3808.30.29 – Outros Em conclusão, a solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, mesmo não tendo sido importada para venda a retalho, por ser ela uma preparação herbicida, classificase no código NCM 3808.30.29 (NBM 3808.30.0199) — Herbicidas apresentados de outro modo (Outros). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, MULTA DE 75% E JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Também deve ser mantida a multa de ofício aplicada no percentual de 75% sobre o Imposto de Importação devido em face da classificação fiscal incorreta, bem como os juros de mora. Diante da falta de recolhimento apurada pela fiscalização, em face da classificação fiscal errôena da mercadoria importada, restou caracterizada evasão. O procedimento adotado pela contribuinte, ao classificar incorretamente a mercadoria e, consequentemente, não recolher integralmente os tributos devidos, não encontra guarida na lei. Daí a aplicação da penalidade, no percentual da legislação mencionada no auto de infração. Por último a aplicação da Selic como juros moratórios, tema pacífico que, inclusive, já contava com súmulas editadas pelos três Conselhos de Contribuintes, conforme o Anexo II da Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009. Atualmente, a Súmula CARF nº 4, de 2009, informa que “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” CONCLUSÃO Pelo exposto, divergindo da ilustre Relatora nego provimento em relação à classificação fiscal do produto Diquat Técnico, por interpretar que a posição NCM mais adequada é a do código 3808.30.29, bem como em relação à exigência do Imposto de Importação e respectivos consectários legais lançados (multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora conforme a taxa Selic). No que concordo com o voto vencido, também nego provimento para manter a multa por classificação fiscal incorreta, aplicada com base no art. 84, I, da MP nº 2.158/35/2001, e dou provimento parcial tãosomente para cancelar a multa do controle administrativo aduaneiro por falta de Licença de Importação. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 274 21 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.004386/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FORMULÁRIOS CONTÍNUOS.
Formulários contínuos, tipo "manifold", contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificam-se no código 4820.40.00, Ex 01, da TIPI/2001.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENVELOPES.
Envelopes, contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificam-se no código 4817.10.00, Ex 01, da TIPI/2001.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Daniel Monteiro Peixoto - OAB/SP nº 238434
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição de Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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FORMULÁRIOS CONTÍNUOS. Formulários contínuos, tipo "manifold", contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4820.40.00, Ex 01, da TIPI/2001. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENVELOPES. Envelopes, contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4817.10.00, Ex 01, da TIPI/2001. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Daniel Monteiro Peixoto OAB/SP nº 238434 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 86 /2 00 7- 31 Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição de Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra decisão proferida em processo administrativo que tem por objeto auto de infração (fls. 699/703) lavrado em 26/12/2007, para o fim de constituir débito de IPI – Imposto sobre Produto Industrializado, apurado em razão de a fiscalização entender pela aplicação de alíquotas diferentes daquelas utilizadas pela contribuinte em seus produtos. Por refletir a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para transcrever o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “De acordo com a descrição dos fatos de fls. 701/703 e o termo de verificação fiscal de fls. 684/691, houve falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a junho de 2002, motivado por erro de classificação fiscal e/ou de aplicação das aliquotas do imposto, referentes a diversos produtos, conforme a Tabela de Incidência do IPI — TIPI/2001, aprovada pelo Decreto n° 4.070, de 28 de dezembro de 2001. Foram constatados erros nos seguintes produtos: Envelopes — classificados pela empresa no código 4817.10.00, EX 01,. aliquota 0%, quando o correto seria a aliquota de 15% porque o produto fabricado não preenche a condição para classificar no EX 01. Além disso, o EX 01 teria aliquota de 5%. Formulários — classificados no código 4820.40.00, EX 01, aliquota 0%, quando o correto seria aliquota de 15%, já que não existe a posição EX 01 na TIPI. Outros papéis e cartões — classificados no código 4802.52.90, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 12%. Carretéis e bobinas de papel — classificados no código 4822.10.00, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 12%. Outras facas e laminas cortantes — classificados no código 8208.90.00, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 8%. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.004386/200731 Acórdão n.º 3302002.145 S3C3T2 Fl. 11 3 Partes de máquinas e aparelhos para fabricação de pasta de matérias fibrosas celulósicas — classificada no código 8439.91.00, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 5%. Partes de máquinas e aparelhos de impressão — classificada no código 8443.90.90, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 5%. O lançamento do imposto foi efetuado com base nas aliquotas corretas como demonstrado As fls. 687/691. Não foram consideradas as devoluções de vendas, porque as mesma geraram créditos nas entradas, anulandose os débitos das saídas. Também não foram considerados os créditos porque a empresa não apresentou o Livro Registro de Apuração de IPI. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 708/745, alegando, em síntese, que: 1. 0 lançamento pautouse unicamente em suposta alegação de que as classificações fiscais adotadas não se enquadram ou não preenchem os requisitos como isentos ou tributados A aliquota zero, sem que fosse devidamente demonstrado o motivo pelo qual a classificação fiscal está incorreta, o que toma insubsistente a autuação; 2. A fiscalização deveria ter demonstrado em que classificação os produtos se enquadram e o porquê de tal enquadramento; 3. Em relação aos formulários continuos, a empresa já foi autuada anteriormente, processo administrativo n° 13805.003395/9602, e o Conselho de Contribuintes, por unanimidade, deu provimento ao recurso, considerando correta a classificação fiscal adotada pela impugnante; a mercadoria em discussão no presente processo é exatamente a mesma que foi objeto de lançamento no processo anterior; 4. Ao contrário do que afirma a fiscalização, o EX 01 da posição 4820.40.00 vigorou até 01/11/2002, ocasião em que foi revogada em razão da edição do Decreto n°4.441/2002; 5. Decaiu o direito de lançar o imposto, pois na data da lavratura do auto de infração, 27/12/2007, já havia passado mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores; 6. 0 auto de infração carece de liquidez, porque não foram considerados as devoluções e o saldo credor de IPI existente; 7. Ocorreram aproximadamente 40 devoluções de produtos no período objeto de autuação, e como esses produtos não foram tributados na saída, também não geraram crédito no retorno; entretanto, se a fiscalização apurou o IPI na saída, necessariamente tem que computar créditos no retorno; 8. Em nenhum momento a autuada foi intimada a apresentar o Livro Registro de Apuração do IPI, mas de qualquer forma, a fiscalização teve acesso ao referido Livro em processos relativos Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 a pedidos de ressarcimento, e deveria ter considerado o saldo credor da escrita; 9. Os formulários contínuos e os envelopes foram corretamente classificados na posição EX 01 de seus códigos fiscais, porque todos os produtos fabricados possuem dizeres impressos, que é a condição necessária para que sejam classificados no EX 01; 10. Junta ao processo, doc. 11, consulta sobre classificação fiscal efetuada pela Associação Brasileira de Indústria Gráfica — ABIGRAF, em que a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação classifica o produto que fabrica no código 4820.40.00, EX 01. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração, ou ainda a improcedência do lançamento; e que as intimações sejam encaminhadas aos seus advogados.” A decisão de primeira instância administrativa, consubstanciada no Acórdão nº 1432.386 da 2ª Turma da DRJ/RPO, restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FORMULÁRIOS CONTÍNUOS. Formulários contínuos, tipo "manifold", contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4820.40.00, Ex 01, da TIPI/2001. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENVELOPES. Envelopes, contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4817.10.00, Ex 01, da TIPI/2001. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.004386/200731 Acórdão n.º 3302002.145 S3C3T2 Fl. 12 5 Em síntese, a decisão recorrida acatou as alegações de mérito cancelando os débitos recorridos (reclassificação e alteração de alíquota de envelopes e formulários contínuos) e manteve o lançamento em relação aos débitos não recorridos. Em virtude de Recurso de Ofício os autos foram remetidos a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF – para revisão e julgamento. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica dos autos, foi trazido à revisão apenas a questão referente à classificação fiscal e conseqüente alíquota adotada pelo contribuinte para os produtos: formulários contínuos e envelopes. Para atender à fiscalização, o contribuinte apresenta amostras de seus produtos às fls. 177/207 – Vol. I. No que se refere aos “formulários contínuos”, a fiscalização entendeu que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte inexistia, razão pela qual a alíquota incidente deveria ser outra. Ao analisar a questão, a primeira instância administrativa reconheceu que o contribuinte estava com a razão quando alegou a existência de EX tarifário para o seu produto à época da ocorrência dos fatos, neste particular o contribuinte argumenta que a extinção da classificação ocorreu em momento posterior ao fato gerador, a saber: Trecho do acórdão recorrido – fls. 1.174 CLASSIFICAÇÃO FISCAL — FORMULÁRIOS CONTÍNUOS Inicialmente, cabe esclarecer que o autuante equivocouse quando afirmou que não existia o EX 01, para o código 4820.40.00. Abaixo transcrevo parte da TIPI/2001, aprovada pelo Decreto n° 4.070/2001, em que consta o EX 01, aliquota 0%, para formulários continuos com dizeres impressos: (...)” Realmente, com razão a decisão recorrida. Conforme dispõe o Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, que Aprova a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), à época dos fatos existia a posição 4820.40.00 – EX 01, a saber: TABELA DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (TIPI) Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 BASEADA NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM) Desta forma, esta razão da fiscalização não pode prosperar. Superado este argumento, a decisão recorrida analisou outra possibilidade qual seja, o desenquadramento em virtude de o produto do contribuinte não se enquadrar dentre as características de “formulários contínuos”, verbis: Trecho do acórdão recorrido – fls. 1.174 /1.175 “Não há controvérsia sobre o fato de os formulários fabricados pela contribuinte classificaremse no código 4820.40.00. A questão limitase à possibilidade do produto ser incluído no EX 01 destinado aos formulários contínuos, com dizeres impressos. Conforme se constata nas amostras dos produtos juntados as fls. 974/978, a marca fabril está impressa nos formulários. 0 problema a enfrentar é se a impressão da marca fabril é suficiente para considerar que os formulários possuem dizeres impressos, ante a insignificância do que está impresso. Em que pese ser defensável a tese da fiscalização, o fato é que a COANA já se manifestou no sentido de que não importa a relevância do que está impresso para o produto ser classificado no EX 01. Basta que tenha algo impresso. Abaixo transcrevo Decisão da COANA em processo de consulta, formulado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica ABIGRAF NACIONAL: "Decisão COANA n° 5 de 18 de junho de 1997 Processo n°10880.046281/9676 Código TIPI Mercadoria 4820.40.00 Ex01 Formulários continuos, Tipo "Relatório ou CPO (Computer Print Out), tipo "manifold" (de 2,3 ou 4 vias ou com carbono intercalado ou de papel autocopiativo), contendo dizeres impressos, de qualquer importância, na remalina, próprios para serem utilizados em impressoras de computador. Dispositivos Legais: RGI 1 ° (texto da posição 48.20) e 6' (Texto da posição 4820.40) e RGC — 1 (texto do código 4820.40.00 — Ex — 01), todas da TIPI aprovada pelo Decreto n°2.092/96" Portanto, no caso em 4820.40.00 Formulários em blocos tipo "manifold", mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono (papel químico*) 15 Ex 01 Formulários contínuos, com dizeres impressos 0 Ex 02 Formulários contínuos, exceto com dizeres impressos 12 Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.004386/200731 Acórdão n.º 3302002.145 S3C3T2 Fl. 13 7 tela, a marca fabril impressa nos formulários é suficiente para determinar a classificação dos produtos no EX 01, aliquota 0%, sendo improcedente o lançamento.” Concordo com a decisão recorrida. A meu sentir a legislação não permite graduação de “impressão” para se classificar o formulário como “EX – 01”. A descrição é simples e objetiva “Formulários contínuos, com dizeres impressos”. Não há qualquer definição do que deve ser considerado como “dizeres impressos” sendo defeso ao intérprete restringir onde a legislação não restringiu. No tocante aos “envelopes” mesma consideração deve ser realizada. É que a fiscalização indicou a infração por entender que a alíquota para o EX 01 do código 4817.10.00 era 5% e não 0% como indicado pelo contribuinte. Vejamos o já mencionado Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, que Aprovou a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI): TABELA DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (TIPI) BASEADA NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM) Claro está que pela legislação da época, os envelopes que continham dizeres impressos eram tributados à alíquota zero. De idêntica forma, no caso em análise a decisão recorrida discorre sobre o significado do termo “dizeres impressos”, concluindo que qualquer impressão – inclusive marca – serve para a conceituação de “dizeres”. Trecho do acórdão recorrido – fls. 1.175/1.176 “Como se pode notar, a condição para os envelopes serem classificados no EX 01 é a mesma dos formulários continuos, qual seja, a existência de dizeres impressos. Sendo a mesma exigência, não é possível adotar entendimento diferente do aplicado à classificação fiscal dos formulários. Assim, a impressão de dizeres de qualquer significância é suficiente para determinar a classificação fiscal dos envelopes no EX 01, aliquota 0%. Verificase nas amostras de fls. 1141/1146 que os envelopes fabricados pela autuada possuem a marca fabril impressa, o que justifica a classificação no EX 01, tornando improcedente o lançamento efetuado.” 4817.10.00 Envelopes 15 Ex 01 Com dizeres impressos 0 Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Assim e, uma vez que entendo que não há restrição para o conceito de “dizeres impressos”, sendo certo, nesta linha de raciocínio, que a impressão de marca deve ser considerada uma “dizer impresso”, concluo por cancelar o auto de infração em relação aos itens: formulário contínuo e envelope impresso. Ante o exposto conheço do presente recurso de ofício para o fim de NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância administrativa para o fim de cancelar a autuação no que se refere aos produtos formulário contínuo e envelope impresso, ressaltando que a autuação deve ser mantida em relação a todos os demais itens que não foram combatidos pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10735.001830/96-75
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/10/1996
ADMISSIBILIDADE. Deve ser conhecido recurso especial por divergência quando nos Acórdãos recorrido e paradigma há similaridade entre a situação fática e divergência entre as soluções jurídicas dadas ao caso.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUBRIZOL PRODUCT 0969.0. ADITIVO PARA ÓLEOS LUBRIFICANTES.
Sendo incontroverso que o produto Lubrizol Product 0969.0 se trata de um aditivo utilizado na fabricação de óleos lubrificantes e com função anticorrosiva correta sua classificação na posição 38.11.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama (Relatora). Designada a Conselheira Susy Gomes Hoffmann para redigir o voto vencedor; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Susy Gomes Hoffmann - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/10/1996 ADMISSIBILIDADE. Deve ser conhecido recurso especial por divergência quando nos Acórdãos recorrido e paradigma há similaridade entre a situação fática e divergência entre as soluções jurídicas dadas ao caso. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUBRIZOL PRODUCT 0969.0. ADITIVO PARA ÓLEOS LUBRIFICANTES. Sendo incontroverso que o produto Lubrizol Product 0969.0 se trata de um aditivo utilizado na fabricação de óleos lubrificantes e com função anticorrosiva correta sua classificação na posição 38.11. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama (Relatora). Designada a Conselheira Susy Gomes Hoffmann para redigir o voto vencedor; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Susy Gomes Hoffmann Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 18 30 /9 6- 75 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência em face do acórdão prolatado pela Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte, para reconhecer que a classificação fiscal por ele adotada na importação do produto Lubrizol Product 0969.0, qual seja, 3811.29.0000, está correta, em detrimento da classificação fiscal adotada pelos fiscais autuantes, isto é, 3823.90.9999. Informa, para fundamentar seu recurso especial, que o acórdão recorrido contraria a decisão proferida pela Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, AC 30234192, cuja ementa é a seguinte: “ Classificação Tarifária Lubrizol 969.0 – Classificase no código TAB 3823.90.9999, o produto de nome comercial Lubrizol 969.0, conforme Orientação NBM/DIVITRI 7° RF n° 670/91, confirmada pelo Despacho 331/93. Cabível o procedimento de ofício, quando o contribuinte, ciente do resultado da consulta, não adota providências no sentido de aplicar a classificação tarifária correta, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de formalizado o processo, e após a ciência da Orientação. Recurso voluntário parcialmente provido. (AC 30234192, Relator: Paulo Roberto Cucco Antunes, Doc. 1)”. O recurso foi admitido conforme despacho de fls. 768/769. O contribuinte devidamente intimado apresentou tempestivamente suas contrarazões ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando, em síntese, o não cabimento do recurso especial de divergência, e no, mérito que a decisão recorrida não deve ser reformada, uma vez que se encontra correta ao reconhecer a classificação do produto Lubrizol Product 0969 na posição 3811. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Preliminarmente, cumpreme analisar os requisitos de admissibilidade do presente Recurso Especial de Divergência. Nos termos do Regimento Interno vigente a época da interposição do recurso especial de divergência em exame, o Recorrente deveria em seu recurso demonstrar a divergência por ela apontada na interpretação de lei federal que tenha dado uma das Câmaras do extinto Conselho de Contribuintes. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10735.001830/9675 Acórdão n.º 9303000.810 CSRFT3 Fl. 792 3 Com efeito, não bastava que a conclusão a que se chegou os acórdãos confrontados indicasse conclusões distintas, mas as premissas que levaram às referidas decisões deveriam, ao menos, ser semelhantes, a ensejar uma interpretação divergente sobre o mesmo fato. Melhor ainda, era fundamental para que a divergência apontada autorizasse o cabimento do recurso especial que houvesse interpretações divergentes de lei federal. O que se verifica é que o acórdão dito divergente aponta uma classificação fiscal distinta do acórdão recorrido para uma determinada mercadoria, porém, da leitura da ementa do acórdão recorrido, bem como do corpo de seu texto, em comparação ao do paradigma, percebese que as premissas consideradas por ambas decisões são totalmente distintas. O acórdão recorrido ao concluir pelo acerto da classificação fiscal do produto adotada pelo contribuinte e, por conseguinte, determinar o cancelamento do lançamento fiscal, analisa os elementos que compõem o produto e suas características, o que é necessário para a identificação de sua correta classificação fiscal. Todavia, o acórdão dito paradigma, em nenhum momento, aponta para as características do produto, ou sequer se pronuncia sobre a classificação do mesmo. Neste sentido, cabe aqui transcrever a ementa do acórdão trazido aos autos como paradigma: “Classificação Tarifária Lubrizol 969.0 – Classificase no código TAB 3823.90.9999, o produto de nome comercial Lubrizol 969.0, conforme Orientação NBM/DIVITRI 7° RF n° 670/91, confirmada pelo Despacho 331/93. Cabível o procedimento de ofício, quando o contribuinte, ciente do resultado da consulta, não adota providências no sentido de aplicar a classificação tarifária correta, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de formalizado o processo, e após a ciência da Orientação. Recurso voluntário parcialmente provido. (AC 30234192, Relator: Paulo Roberto Cucco Antunes, Doc. 1)”. Com efeito, verificase que a decisão paradigma limitase a aplicação do resultado da consulta fiscal e, por conseguinte, não discute a correção da classificação fiscal adotada pelo contribuinte em face do entendimento da fiscalização, não servindo, portanto, a meu ver, como paradigma capaz de autorizar o cabimento de recurso especial. Vejase que não há sequer como confrontar uma decisão com a outra a ensejar um posicionamento deste colegiado. Não obstante o entendimento desta relatora quanto o não cabimento do recurso especial em exame pelas razões acima mencionadas, passo a analisar o mérito do recurso, eis que restei vencida, uma vez que os demais Conselheiros desta Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF decidiram por conhecer o recurso. Assim, passo ao mérito. Não vejo como prosperar o inconformismo da Recorrente no que respeita a classificação fiscal do Lubrizol 969.0 na posição 3811.29.00, em detrimento da sugerida no processo de consulta fiscal. Como elucidado no acórdão recorrido, tratandose o produto Lubrizol Product 0969.0, de um aditivo para óleos lubrificantes com função anticorrosiva – Fl. 840DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 característica esta com a qual a fiscalização não discorda , não pode ser outra sua classificação, que não na 3811.29.0000, segundo a qual: “Posição 38.11 – Preparações antidetonantes, inibidores de oxidação, aditivos peptizantes, beneficiadores de viscosidade, aditivos anticorrosivos e outros aditivos preparados, para óleos minerais (incluída a gasolina) ou para outros líquidos utilizados para os mesmos fins que os óleos minerais.” (Grifouse) Veja –se que a posição adota pelo contribuinte e confirmada pelo acórdão recorrido se amolda como uma luva em face das características do produto. Ademias, cabe registrar que a posição 3823.90.9999 defendida pela Recorrente, é uma posição residual, eis que a mesma compreende, em observância ao seu próprio texto, produtos que não se enquadram em nenhuma outra posição do Capítulo 38 da Tarifa Aduaneira do Brasil TAB, não se tratando, por óbvio, do caso em questão. Dispõe a posição 3823: “Posição 38.23 – Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições; produtos residuais das indústrias químicas ou das indústrias conexas, não especificados nem compreendidos em outras posições.” (Grifouse) Com efeito, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – referentes às posições objeto da controvérsia, prescreve que a posição 38.23 não pode ser aplicada ao caso em questão, conforme já observado no acórdão ora recorrido, uma vez que se trata de uma classificação que engloba produtos não especificados nem compreendidos em outras posições e, como já admitido pelo próprio fisco, em conformidade com o processo de consulta, ao afirmar que o “Lubrizol Product 0969.0 – Aditivo utilizado na fabricação de óleos lubrificantes para engrenagens, com função anticorrosiva”, já demonstra que o produto objeto da análise se constitui, de fato, em aditivo para óleos lubrificantes, o que torna incorreta sua classificação na posição 38.23. Dessa forma, mostrase totalmente incensurável a posição adotada pelo acórdão ora recorrido. Em face do exposto, voto, no mérito, por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo os efeitos produzidos pela decisão ora recorrida. É como voto. Nanci Gama Fl. 841DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10735.001830/9675 Acórdão n.º 9303000.810 CSRFT3 Fl. 793 5 Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Redatora Designada Com o devido respeito ao voto dado pela Nobre Conselheira Nanci Gama, ouso divergir de seu entendimento. Na verdade, tanto o Acórdão Recorrido como o Acórdão paradigma referem se ao mesmo produto e ao mesmo contribuinte e as decisões caminham por lados opostos. O fato de que as razões de decidir terem sido por motivos muito distintos não é impeditivo para o conhecimento do Recurso. O artigo 67 do RICARF prevê que Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. A questão da interpretação divergente que se tem neste caso é sobre a classificação fiscal do produto, de tal modo que se uma Turma julgadora adota uma classificação e outra Turma adota outra classificação fiscal para o mesmo produto, é certo que a divergência está posta. Exigir, para a configuração da divergência que exista ponto de intersecção entre as razões de decidir dos julgamentos divergentes é criar hipótese diversa da prevista no Regimento Interno. O fato de que no Acórdão Paradigma a solução se deu em razão de ser acatada a Solução de Consulta feita pelo Contribuinte, não deixa de adotar uma classificação fiscal, resultando numa interpretação divergente à situação fática (classificação fiscal do produto) dada por outra Turma julgadora. Ademais, cumpre à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, solucionar a divergência entre os julgados das Turmas. De tal modo que a divergência se dará quando para casos em que há similaridade dos fatos, foram realizados julgados diversos. Portanto, como resta indubitável que há a mesma moldura fática para os dois julgados – Acórdão Recorrido e Acórdão Paradigma – com soluções jurídicas distintas, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Susy Gomes Hoffmann Fl. 842DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16561.000042/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 31/08/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA DE RENOVAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF).
A ausência de comprovação da renovação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em princípio, não constitui motivo para a anular o processo, entretanto, propicia a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, pois, é como se o Contribuinte nunca tivesse tomado conhecimento do mesmo. Tendo o contribuinte recolhido o tributo exigido com os juros moratórios, antes da lavratura do auto de infração, deve o mesmo ser beneficiado com o instituto da denúncia espontânea.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López que votou pela nulidade do Auto de Infração. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB/RJ 1.772-B.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 21/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Tereza Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA DE RENOVAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). A ausência de comprovação da renovação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em princípio, não constitui motivo para a anular o processo, entretanto, propicia a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, pois, é como se o Contribuinte nunca tivesse tomado conhecimento do mesmo. Tendo o contribuinte recolhido o tributo exigido com os juros moratórios, antes da lavratura do auto de infração, deve o mesmo ser beneficiado com o instituto da denúncia espontânea. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López que votou pela nulidade do Auto de Infração. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB/RJ 1.772B. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 21/08/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 42 /2 00 7- 18 Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.204 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Tereza Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório da DRJ, nos seguintes termos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 25/04/2007, (folhas 190) em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora, multa proporcional, além de multa regulamentar e multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$669.398,34 em face dos fatos a seguir descritos. • Por meio das Declarações de Importação arroladas no corpo do auto de infração, a empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro mercadorias com classificação fiscal equivocadas, a saber: Cabeça de impressão Classificação fiscal adotada pelo importador: Código NCM 8473.30.25 – Cabeças de Impressão térmicas/jato de tinta; Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Código NCM 8473.30.24 – Cabeças de Impressão, exceto as térmicas ou jato de tinta; Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 17 (de 01/01/2003 a 31/12/2003); Aliq. 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Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.205 3 Código NCM 8541.40.12 – Diodos “laser” não montados; Código NCM 8473.30.22 Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Código NCM 8529.90.20 – De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28; Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 17,5 (de 01/01/2002 a 31/12/2003); Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 16 (de 01/01/2004 a 31/12/2006); Classificação fiscal também adotada em outras importações de unidades óticas. Esclarecimento do contribuinte em resposta à intimação: Dispositivo destinado à conversão de sinal elétrico em feixe de luz. Vídeo Projetores. Polia. Conj. Polia do Motor. Conj. Polia Transmissão do Carro. Classificação fiscal adotada pelo importador: Código NCM 8473.30.29 – Outras partes e acess. de impressoras/Traçadores gráficos; Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Código NCM 8483.50.10 – Polias, exceto as de rolamentos reguladoras de tensão; Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 17,5 (de 01/01/2002 a 31/12/2003); Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 16 (de 01/01/2004 a 31/12/2006); Cartucho de Toner, Toner. Classificação fiscal adotada pelo importador: Código NCM 8473.30.27 – Cartucho de tinta para impressoras; Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Código NCM 8473.30.29 – Outras partes e acess. de impressoras/Traçadores gráficos; Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 12 (de 01/01/2002 a 31/12/2005); Eixo. Classificação fiscal adotada pelo importador: Código NCM 8473.30.29 – Outras partes e acess. de impressoras/Traçadores gráficos; Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.206 4 Código NCM 8483.10.90 – Árvores de transmissão (incluídas as árvores de "cames" e virabrequins) e manivelas – Outras. Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 17,5 (de 01/01/2002 a 31/12/2003); Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 27/04/2007 (fls. 110frente), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 29/05/2007, de fls. 528 a 555, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante informou que: • Intimada a respeito do Mandado de Procedimento Fiscal No.0817100/00153/06, forneceu planilha devidamente preenchida com todos os esclarecimentos requeridos pela fiscalização; • Apesar de seus esforços em atender a legislação, a impugnante constatou a ocorrência de pequenos lapsos técnicos em determinadas operações de importação; • Prontamente, em 14/03/2007, a impugnante efetuou a apuração dos impostos incidentes, tendo realizado seu recolhimento; • Ao se confrontar o valor recolhido pelo impugnante com o valor apurado pela fiscalização, o primeiro se faz superior, pois o impugnante acabou por realizar o pagamento relativamente a todos os itens decorrentes do equívoco na classificação fiscal, enquanto que a fiscalização restringiu sua análise a determinados itens; • Apresenta a apuração e o recolhimento em documentação anexa; • O valor apurado pela fiscalização não se coaduna com os valores corretamente apurados pelo impugnante, pois houve uma simples falha na descrição da mercadoria importada, devendo ser mantida a classificação fiscal adotada pelo importador; • Ressalta que os itens 44 e 142 da tabela constante da impugnação às folhas 288, já foram objeto de lançamento tributário nos autos do Processo Administrativo Fiscal No. 10314.001881/200608; • Demonstrado o recolhimento espontâneo pelo impugnante, deverão ser cancelados os lançamentos relativos ao Imposto de Importação de R$ 105.790,81 e do Imposto de Produtos Industrializados de R$ 52.096,92, nos termos do artigo 156, I do Código Tributário Nacional; • Por ter efetuado o recolhimento dos juros incidentes no prazo de 20 (vinte) dias contados do recebimento da notificação acerca do início da fiscalização tributária, nos termos do artigo 47 da Lei 9.430/96 e do artigo 138 do Código Tributário Nacional, devem ser cancelados os valores relativos a multa proporcional de 75% do Imposto de Importação (R$ 79.343,11) e do Imposto de Produtos Industrializados (R$ 39.072,69); • A autuação da fiscalização extrapolou o valor máximo de 10% do valor total das mercadorias constantes da Declaração de Importação, conforme a Medida Provisória No. 153/03 (convertida na Lei 10.833/03) para a multa proporcional ao valor aduaneiro; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.207 5 • A par da multa tipificada na Medida Provisória No. 2.158/0135, deverão ser observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; • Junta textos da doutrina e jurisprudência administrativa a respeito do instituto da DENUNCIA ESPONTÂNEA; • Inaplicável multa em casos de boa fé, decorrente do desvio de finalidade da multa prevista, juntando também textos da doutrina e jurisprudência administrativa a respeito do assunto; • As penalidades impostas totalizam R$ 425.499,99, quase três vezes o valor dos supostos impostos devidos R$ 157.887,73, em cristalina ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; • A fiscalização segregou em duas distintas penalidades, ambas com fulcro no artigo 84 da Medida Provisória No. 2.158/0135, os supostos erros de classificação fiscal cometidos. Tal segregação foi promovida para dividir as Declarações de Importação antes e depois da Medida Provisória No. 153/03. Aquelas registradas antes da sua publicação não gozariam da redução prescrita. Todavia, o artigo 106 do Código Tributário Nacional, inciso II, alínea c), determina a vigência imediata de Lei que comine penalidade menos severa; • A metodologia de cálculo utilizada para quantificar o presente auto de infração resultou não só na imposição de uma penalidade em muito superior é devida, como representa valor muito superior à somatória dos valores aduaneiros de todos os produtos reclassificados; • A ilegalidade da Taxa Selic; A 1ª Turma da DRJ de São Paulo (2), julgou improcedente a impugnação, conforme sintetiza a ementa a seguir transcrita: Acórdão 1756.244 1ª Turma da DRJ/SP2 Sessão de 15 de dezembro de 2011 Processo 16561.000042/200718 Interessado EPSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA CNPJ/CPF 52.106.911/000363 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/08/2002 Por meio das Declarações de Importação arroladas no corpo do auto de infração, a empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro mercadorias com classificação fiscal equivocadas, a saber: Cabeça de impressão, Bloco Ótico, Polia. Conj. Polia do Motor. Conj. Polia Transmissão do Carro, Cartucho de Toner, Toner, Eixo. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.208 6 O início da ação fiscal se deu com a ciência do contribuinte. O recolhimento dos DARF’s apresentados com a impugnação é posterior ao início de procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea ao presente caso. A aplicação da multa isolada do Imposto de Importação é cobrada em função de classificação fiscal errônea. Em nenhum dos dois artigos há o limite máximo para a imposição da multa reclamado na impugnação. Não há qualquer divergência a respeito de incidência mais benéfica da infração, nos moldes do disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, inciso II, alínea c).Na seara administrativa da 1ª instância deve prosperar a letra do artigo 636 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02, sem qualquer reserva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado pelo representante legal da Recorrente em 07/02/2012 (fls. 1131), a mesma protocolou em 08/03/2012, o recurso voluntário de fls. 1158 e seguintes, em síntese, reiterando as argumentações constantes da impugnação. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a decisão recorrida o início da ação fiscal se deu com a ciência do contribuinte, sendo que o recolhimento dos DARF’s apresentados com a impugnação ser posterior ao início de procedimento administrativo ou medida de fiscalização, por esse motivo não foi possível aplicar o instituto da denúncia espontânea em favor do Recorrente, conforme pleiteava na impugnação e reiterado no recurso voluntário. A esse respeito, inicialmente devo registrar que não foi observado que houve a expiração do prazo do mandado de procedimento fiscal sem ter sido providenciado a tempestiva prorrogação, e, apesar de que essa medida poderia ter sido providenciada posteriormente, todavia, não ocorreu ao necessário encerramento determinado na forma do inciso II , artigo 20 da Portaria n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, in verbis: “ Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.209 7 II – pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. ” A não renovação do MPF, em princípio, não implica em nulidade do processo, salvo se for indicado mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto, todavia, pode favorecer o contribuinte através da recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Ainda que se admita que o MPF tenha sido renovado (mesmo que não juntado aos autos a sua renovação), o procedimento esbarra no parágrafo único da Portaria nº 11.371/2007, vez que o AFRFB foi o mesmo responsável pela execução do Mandado (AFRFB – Ivanildo da Silva Rocha) (ver fls. 1 e 22/43). No caso em apreço o MPF foi emitido em 08/06/2006, e deveria ter sido executado até 6 de outubro de 2006 (fls. 1), todavia o contribuinte só foi cientificado do início do procedimento fiscal em 22/02/2007. Na sequência, em 14/03/2007, a Recorrente efetuou a apuração dos impostos incidentes e realizou o seu pronto recolhimento (DARF´s acostados às fls. 338/572 – doc. 4), não sendo os mesmos aceitos, para fins de denúncia espontânea porque apresentado após o início do procedimento fiscal. Imperioso considerar, nesse caso, o disposto no art. 138 da Lei no 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 7o do Decreto no 70.235, de 1972, abaixo transcritos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Decreto nº 70.235/72: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.210 8 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1 o, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Da leitura dos textos legais acima transcritos depreendese que os atos referidos nos incisos I e II do art. 7º do PAF, que iniciam o procedimento fiscal, têm validade por 60 dias e que, caso este prazo não tenha sido prorrogado em razão da prática de qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, a espontaneidade do sujeito passivo restabelecese no 61o dia após o início dos mesmos. Restabelecer significa estabelecer novamente, repor no antigo estado ou condição, restaurar, recuperar, colocar na situação primitiva (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, Editora Nova Fronteira, 2a edição, pág. 1497). Estando a espontaneidade restabelecida, caso não tenha sido praticado nenhum ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, não terá havido prorrogação do prazo inicialmente previsto de sessenta dias e, em conseqüência, fica descaracterizado o início do procedimento fiscal. Restabelecida a espontaneidade, os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc. O pagamento do tributo porventura devido ou sua confissão deverá ser acompanhado apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação, ficando excluída a aplicação da multa de ofício. Em face do exposto, voto no sentido e dar provimento ao recurso. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10508.000385/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .0 00 38 5/ 20 11 -1 9 Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 11 2 Tratase de auto de infração lavrado para fim de exigir tributos decorrentes de suposto erro de classificação fiscal. Por refletir a realidade dos fatos adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “Tratase de autos de infração emitidos em 15/6/2011 (fls. 2/204), no valor total de R$ 23.910.541,35, referentes a Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado, Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidentes na importação (COFINS Importação e PIS/PASEP Importação) e Multa Administrativa, decorrentes de erro na classificação fiscal do seguinte produto: DISPOSITIVO DE CRISTAL LÍQUIDO PARA A FABRICAÇÃO DE MONITORES, DENOMINADO “PAINEL DE LCD” OU “MÓDULO LCDTFT”. Da Autuação Conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 206/230, a empresa autuada teve suas declarações de importação registradas no período de 2008 a 2010 (relacionadas no ANEXO I – fls. 231/243) submetidas à revisão aduaneira, com objetivo específico de analisar a classificação fiscal utilizada nas importações do produto retrocitado. Os exames realizados resultaram na emissão dos autos de infração supra mencionados, em decorrência dos fatos apurados pela fiscalização a seguir resumidos. 1. A autuada realizou importações do produto em referência, sob o código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 9013.80.10, para utilizálo como parte na fabricação de monitores de vídeo LCD. Por meio de diligência fiscal realizada no estabelecimento industrial do importador, foi constatado ser esse o único equipamento ali fabricado. 2. Com base na análise das normas que regem a classificação fiscal de mercadorias no âmbito do comércio exterior, os produtos importados deveriam ter sido declarados no código da NCM 8529.90.20. Essa posição é aplicável aos produtos importados, em razão de sua função, do produto em si, e das Notas dos Capítulos. Sabendose que o Módulo LCDTFT importado é parte principal na fabricação de monitor de vídeo, a posição 8529 o descreve mais especificamente do que a posição 9013, ao contrário do que alega o fiscalizado. 3. Em relação à alegação do fiscalizado de que o código 9013.80.10 era utilizado pelos demais fabricantes do setor de informática, por orientação da própria Receita Federal em Soluções de Consulta, foi ressaltado que: ‘Uma orientação de Consulta da SRFB é válida somente para as partes envolvidas e para um fato em concreto específico e conhecido. [...]O dispositivo de LCD pode ser utilizado como insumo de vários equipamentos, tais como monitores de vídeo, notebooks, aparelhos receptores de televisão, telefones celulares, máquinas fotográficas, consoles de vídeo game portáteis, aparelhos de GPS, aparelhos e Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 12 3 instrumentos médicos, de automação industrial, como visto anteriormente, e pode apresentar características e funções próprias para cada equipamento que compõe. Por exemplo, um dispositivo de LCD de um telefone celular, que tem a função de auxiliar a navegação, enquanto o celular tem a função de comunicação wireless, é diferente de um dispositivo de LCDTFT, que é utilizado especialmente em monitores, e que tem a mesma função do monitor, exibir imagem. Não seria razoável classificar todos os dispositivos de LCD em uma única posição, sabendo que suas características, funções, e aplicações são bastante diferentes, e dependendo do tipo de equipamento que é utilizado, pode agregar ou não outros dispositivos e materiais, possuindo assim posição mais específica, como por exemplo no nosso caso.’ 4. Ademais, existe a Solução de Consulta nº 4/2010, da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro – COANA, de 24/11/2010, decorrente de consulta protocolada pela ELETROS– Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos, da qual a Positivo Informática S/A faz parte. Essa decisão fixou entre os envolvidos a correta classificação dos dispositivos de LCD, denominados Módulos LCDTFT, definindo sua classificação na NCM 8529.90.20: Solução de Consulta nº 4/10 Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro – COANA ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Mercadoria "Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retro iluminação (“backlight”) e tampas frontal e traseira, comercialmente denominada "módulo LCDTFT" classificase no código 8529.90.20 da Tarifa Externa Comum vigente. Data: 24/11/2010. Publicado no DOU de 25/11/2010 5. A Resolução Camex nº 84/2010, de 8/12/2010, que incluiu o módulo LCDTFT na lista de exceções à TEC sob o código 8529.90.20, corrobora esse entendimento: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO II % 8529.90.20 Ex 001 – Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação ("backlight") e tampas frontal traseira ("módulo LCDTFT”) 0 BIT 8529.90.20 Ex 002 – Tela de visualização de cristal líquido (LCD), composta por um painel de cristal líquido do tipo TFT (Thin Film Transistor), contendo em suas partes superior e laterais um conjunto de circuitos eletrônicos denominados de drivers source e gate responsáveis pela 0 BIT Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 13 4 ativação das linhas e colunas de transistores do painel, utilizada como insumo na industrialização de módulos LCD ("Painel LCD open cell – célula aberta”) Definida a classificação fiscal dos produtos importados, a fiscalização informou que o erro no código da NCM utilizado pelo importador implicou recolhimento a menor de tributos. As alíquotas do II e do IPI relativas ao código correto são maiores do que as utilizadas, e o valor desses tributos repercute na determinação do PIS/PASEP e COFINS incidentes na importação (Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Além desse aspecto, o equívoco no enquadramento tarifário ensejou também a aplicação da multa cominada no artigo 84 da Medida Provisório nº 2.15835/ 01, de 24 de agosto de 2001 (que foi reproduzido no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro), in verbis: “Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...]§ 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (grifei) A fiscalização afirma ainda que, em relação ao IPI vinculado à importação: [...] verificouse o uso indevido do benefício de suspensão do IPI que trata a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002, alterada pela Lei nº 11.908, de 3 de março de 2009 e regulamentada pela IN RFB 948/2009, que estabelecia condições para direito ao benefício de suspensão do IPI, ou seja, condicionava o desembaraço com suspensão do IPI à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação apresentada na unidade da SRFB de sua jurisdição, sobre os produtos que elabora e as peças e partes que irá adquirir nos mercados interno e externo. Este fato somente ocorreu em 24/07/2009, quando a referida empresa realmente protocolou na unidade da SRFB de sua jurisdição a informação dos produtos elaborados e as partes e peças adquiridas no mercado interno, conforme documentos anexos, (fls.__ a __ ). Assim, confirmouse o uso indevido do benefício de suspensão do IPI Importação nas DI n°s 03676375 e 05957223, conforme quadro abaixo, ensejando o lançamento da diferença e da multa de ofício, prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, por não recolhimento de tributo devido. Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 14 5 Ficam demonstrados os montantes devidos referente ao Imposto de Importação –II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, ANEXO II e PIS Importação e COFINS Importação ANEXO III, levandose em conta que foram utilizados os valores informados pelo importador, constantes nas declarações de importação. Como resultado da ação fiscal desenvolvida, a autoridade autuante informou que foram lavrados os autos de infração em debate, para cobrança das diferenças de tributos apuradas, acrescidas dos encargos legais e da multa pelo erro na classificação fiscal da mercadoria importada, nos termos da legislação aplicável. Em seguida, relacionou as DI’s objeto do lançamento, discriminando as adições, a classificação fiscal, o exportador, a descrição, a quantidade e o valor (CIF) referentes ao produto em foco (Anexo I do Termo de Verificação Fiscal).” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso de impugnação (fls. 1507/1548 – Vol. 7) alegando, em síntese, (i) a suspensão do IPI em razão de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo n° 2009.70.00.0084407; (ii) que a classificação fiscal do produto Módulo LCDTFT é o NCM 9013.80.10; (iii) que esta é a classificação fiscal adotada pelas empresas do setor até 2010, uma vez que apenas em 9/12/10, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) publicou a Resolução n° 84 (Anexo 06), que incluiu o código NCM 8529.90.20 na lista de exceções à Tarifa Externa Comum de Bens de Informática e Telecomunicações, integrando, a partir desse momento, os módulos LCDTFT como extarifário dessa classificação fiscal; (iv) impossibilidade de aplicação retroativa da mencionada Resolução CAMEX 84/10 por afronta aos artigos 105 e 106 do CTN; (v) impossibilidade de reclassificação fiscal da mercadoria após a realização de despacho aduaneiro, afronta ao artigo 149 do CTN; (vi) cancelamento da multa em virtude da incidência do artigo 100 do CTN pela reiterada prática da fiscalização na classificação fiscal dos termos adotados pelo contribuinte e (vii) equivoco da fiscalização ao desconsiderar a sistemática da nãocumulatividade de valores de PISImportação, CofinsImportação e IPIImportação. Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a 7 ª Turma da DRJ/FOR Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza proferiu o acórdão n° 0823.491, por meio do qual concluiu pela parcial procedência do auto de infração, a saber: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTO SUSPENSO. CONDIÇÕES PARA O LANÇAMENTO. Diante de prévia decisão judicial concedendo a suspensão de tributo, pode ser feito o lançamento para prevenir a decadência, mas com exigibilidade suspensa e sem a inclusão de multa de ofício, inclusive em relação aos reflexos da glosa do benefício fiscal discutido judicialmente nos demais débitos apurados. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 15 6 REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. A revisão aduaneira não configura mudança de critério jurídico, o qual só é definido no lançamento, cuja homologação deve ser expressa mediante manifestação inequívoca, ou tácita pelo decurso do prazo fixado na lei, não possuindo o desembaraço aduaneiro aptidão para esse fim. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CARACTERIZAÇÃO DO COSTUME ADMINISTRATIVO. REQUISITOS. Para que o desembaraço aduaneiro possa configurar prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, além da aceitação pacífica da interpretação veiculada, deve haver o decurso do prazo para revisão aduaneira, sem mudança de entendimento. PRÁTICA REITERADA. CONSULTA DESFAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE REGULARIZAÇÃO. PENALIDADES Não tem amparo em práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas o contribuinte que, cientificado do erro no enquadramento tarifário de produto por ele importado, não promova a regularização de suas operações, inclusive o recolhimento dos tributos devidos, e tais irregularidades sejam apuradas em posterior procedimento de ofício. NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO NA IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. O tributo não cumulativo devido na aquisição de bens precisa ser pago, para que esse pagamento se converta em crédito e possa então ser compensado com os débitos desse tributo decorrentes da saída desses bens. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 AÇÃO JUDICIAL. COINCIDÊNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção pela discussão judicial acerca do cabimento ou não da suspensão de tributo pleiteada, implica renúncia à instância administrativa, tornando definitivo, nesta esfera, o lançamento referente a essa matéria, o qual ficará subordinado ao que for decidido pelo Judiciário. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. VINCULAÇÃO À LEI. Na esfera administrativa, tanto os auditores fiscais responsáveis pelo lançamento como os incumbidos do julgamento são vinculados à lei, que se constitui no limite para interpretação de qualquer norma. ULTERIOR APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. INEFICÁCIA. O protesto genérico pela posterior apresentação de prova é inútil no processo administrativo fiscal, em que a impugnação deve estar Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 16 7 instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses definidas na legislação regente, cuja aplicação independe de prévio protesto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Em resumo, a procedência parcial foi para reconhecer a existência de ação judicial com decisão favorável autorizando o procedimento de suspensão do IPI em relação a duas DI’s. A conseqüência do reconhecimento desta suspensão refletiu nas contribuições referentes ao PIS e Cofins Importação, bem como no cancelamento da multa, posto que nesta parte o auto de infração teve por finalidade evitar a decadência do IPI suspenso. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 2151/2233, por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso voluntário apresentado contra a decisão que entendeu pela parcial procedência do auto de infração, alegando, em resumo: (i) a suspensão do IPI em razão de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo n° 2009.70.00.0084407; (ii) que a classificação fiscal do produto Módulo LCDTFT é o NCM 9013.80.10; (iii) que esta é a classificação fiscal adotada pelas empresas do setor até 2010, uma vez que apenas em 9/12/10, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) publicou a Resolução n° 84 (Anexo 06), que incluiu o código NCM 8529.90.20 na lista de exceções à Tarifa Externa Comum de Bens de Informática e Telecomunicações, integrando, a partir desse momento, os módulos LCDTFT como EX Tarifário dessa classificação fiscal; (iv) impossibilidade de aplicação retroativa da mencionada Resolução CAMEX 84/10 por afronta aos artigos 105 e 106 do CTN; (v) impossibilidade de reclassificação fiscal da mercadoria após a realização de despacho aduaneiro, afronta ao artigo 149 do CTN; (vi) cancelamento da multa em virtude da incidência do artigo 100 do CTN pela reiterada prática da fiscalização na classificação fiscal dos termos adotados pelo contribuinte e (vii) equivoco da fiscalização ao desconsiderar a sistemática da nãocumulatividade de valores de PISImportação, Cofins Importação e IPIImportação. Ocorre que, em sede de memoriais (os quais anexei aos autos) o patrono do contribuinte trouxe à colação cópia da sentença do Processo no 5907567.2012.4,01.3400, uma Ação Ordinária/Tributária na qual o Recorrente aparentemente discute, exatamente, os itens (iv) impossibilidade de aplicação retroativa da mencionada Resolução CAMEX 84/10 por afronta aos artigos 105 e 106 do CTN; (v) impossibilidade de reclassificação fiscal da mercadoria após a realização de despacho aduaneiro, afronta ao artigo 149 do CTN e (vi) cancelamento da multa em virtude da incidência do artigo 100 do CTN pela reiterada prática da fiscalização na classificação fiscal dos termos adotados pelo contribuinte supramencionados. Tais itens são suficientes para a resolução da lide. Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 17 8 Todavia, não consta dos autos qualquer documento referente a este citado processo, razão pela qual, voto por converter o julgamento em diligência para que a Recorrente seja intimada a apresentar, no prazo de 30 dias, as principais peças dos autos, esclarecendo os pontos de convergência com este processo administrativo. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11128.001641/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 06/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - CYANOX 1790
O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadra-se na posição 2933.69.29.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%)
Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001.
MULTA PROPORCIONAL (75%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97.
MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício e a multa por falta de LI. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres quanto à multa de ofício.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL CYANOX 1790 O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadrase na posição 2933.69.29. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%) Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001. MULTA PROPORCIONAL (75%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 16 41 /2 00 7- 46 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 139 2 ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício e a multa por falta de LI. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres quanto à multa de ofício. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator. Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Importação – II, acrescido de juros de mora, multa de ofício, multa de controle administrativo e multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro decorrente de erro na classificação fiscal da mercadoria amparada nas Declaraçãos de Importação (DI) nº 03/01815636, registrada em 06/03/2003, de nome comercial “Cyanox 1790” que, diante de sua descrição, foram classificadas na no código NCM n° 2933.69.99 (Outros Compostos Heterocil.1Ciclo Triazina sem condensado). A administração determinou a realização de exames laboratoriais pela FUNCAMP a partir da análise de amostras das mercadorias importadas, Laudos de Análise FUNCAMP nºs 1488.01 (23/06/2003) e 1797.01 (24/07/2003) através dos quais restou determinado que: "(...)1. Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contem um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1, 3, 5 Tris(4tButil3Hidroxi2, 6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(IH,3H,5H)Trio na, Outro Composto cuja estrutura contem Funções Oxigenadas mas não contem Cloro em ligação covalente, Composto cuja a estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio (...)" Diante das conclusões dos laudos periciais, restou determinada que a classificação fiscal das mercadorias importadas seria posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, houve a lavratura do auto de infração. A Recorrente apresentou impugnação para postular o cancelamento do auto de infração, sob os seguintes fundamentos: 1 – O laudo pericial está correto quanto à composição das mercadorias importadas, contudo, alega a Recorrente que o as posições 2933.69.1 e 29333.69.2 referemse à produtos cuja estrutura contenha ou não cloro em ligação covalente. Verificada a composição Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 140 3 das mercadorias importadas, entende que não se enquadravam em nenhuma das duas posições, razão pela qual foram classificadas na posição 2933.69.99 – Outros; 2 – Para a classificação fiscal das mercadorias importadas deve ser considerada a Regral Geral de Interpretação nº 3, alínea “c”; 3 – Não é devida a incidência de multa de controle administrativo já que as mercadorias importadas não exigiam, quando de sua importação, licenças de importação; 4 – Não é devida a incidência de multa de ofício de 75% porque não houve declaração inexata dos produtos importados, mas somente divergência quanto à posições tarifárias; e 5 – Ainda quanto à multa de ofício de 75%, postula seu cancelamento em decorrência da disposição do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97 sobre a exclusão de multas no caso de classificação fiscal errônea, desde que descrito corretamente o produto importado e os demais elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. A DRJSão Paulo II proferiu acórdão que julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2003 Importação do produto CYANOX 1790, produto à base de oxidante e estabilizante à base de 1,3,5TRI, recebendo classificação tarifária no código NCM 2933.69.99. Pelas regras 1ª e 6ª das Regras Gerais do Sistema Harmonizado foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 2933.69.29. O texto do código NCM 2933.69.2 é expresso ao citar cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos constantes da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A discussão travada nos autos é sobre a classificação fiscal atribuída pela Recorrente na importação de mercadorias classificadas na posição da NCM nº 2933.69.99, enquanto que a autoridade alfandegária entende que a posição correta é a NCM nº 2933.69.29. As mercadorias foram descritas nas DI’s como “Produto a base de anti oxidante e estabilizante a base de 1,3,5 TRI. Nome comercial CYANOX 1790. Embalagem: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 141 4 Tambores de 125 LBS. Estado físico: pó branco. Finalidade: Produto utilizado como anti oxidante e estabilizante na fabricação de elastano. Os laudos proferidos pela Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP – FUNCAMP determinaram que: “CONCLUSÃO. Tratase de 1,3,5Tris (41Butil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil) – 1,3,5 – Triazina2,4,6 (1H, 3H, 5H) – Triaona. RESPOSTA AOS QUESITOS 1 – Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1,3,5 Tris(4tButil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(1H,3H,5H)Triona, Outro Composto cuja estrutura contém Funções Oxigenadas mas não contém Cloro em ligação convalente, Composto cuja estrutura contém um Cloro Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio. (...) A correta classificação fiscal neste caso deve ser obtida mediante interpretação das regras 1 e 6, das Regras Gerais de Interpretação, que determinam: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Ou seja, analisandose o título e o subtítulo da TEC, se verifica que as mercadorias importadas, tal como constante dos laudos periciais e admitidas pela Recorrente incluemse perfeitamente na subposição nº 2933.69.2 que cita, textualmente “Cuja estrutura contém funções oxigenadas mas não contém cloro em ligação covalente, da mesma forma como constante das análises laboratoriais. A conclusão da decisão recorrida de que as mercadoria importadas consistem em outros compostos cujas estruturas contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, classificadas na posição 2933.69.29 está correta, razão pela qual deve ser mantida, neste aspecto. No que tange à multa proporcional ao valor aduaneiro, deve ser mantida a cobrança já que a penalidade decorre da classificação fiscal errônea verificada nos presentes autos, nos termos do artigo 636, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.542/2002), que traduz a disposição legal da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 84: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 142 5 Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) Com relação à multa de controle administrativo de importações, assiste razão a Recorrente. O artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002 determina a incidência de multa de 30% nas situações em que ocorre importação de mercadorias sem licença de importação, quando obrigatória. A licença de importação não é obrigatória na importação dos produtos da Recorrente, nem na posição incorreta 2933.69.99, nem na objeto da autuação fiscal, 2933.69.29. A licença somente é obrigatória quando é exigida a vigilância de órgãos específicos de fiscalização (ANVISA – insumos farmacêuticos; DFPC – ciclometrilenotrinitramina; e MAPA – insumos agrícolas e agropecuários), o que não é o caso. Além disso, não houve alteração dos produtos constantes nas Declarações de Importação, consistindo nas mesmas mercadorias, quais sejam, Cyanox 1790. A divergência não ocorre com relação ao produto importado, mas, somente quanto à sua classificação fiscal. A exoneração da penalidade está prevista no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Neste sentido, deve ser afastada a multa de 30%. Com relação à incidência de multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, entendo pela reforma do acórdão recorrido também neste aspecto. É que o o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 20 de janeiro de 1997 trouxe disposição expressa Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 143 6 acerca da desconsideração da aplicação de penalidade no caso de classificação fiscal incorreta, consoante transcrição: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso concreto, as mercadorias estão corretamente descritas nas DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, constantes todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar as multas de ofício e de controle administrativo das importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. Luiz Roberto Domingo Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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