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Numero do processo: 10480.727759/2017-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/2017-49, afastadas as preliminares relativas à responsabilidade da recorrente por erro de classificação fiscal do fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Recorrente NORSA REFRIGERANTES S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/201749, afastadas as preliminares relativas à responsabilidade da recorrente por erro de classificação fiscal do fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, para constituir créditos tributários em desfavor da contribuinte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 27 75 9/ 20 17 -9 8 Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 3 2 epigrafada, no montante total de R$ 104.655.326,18 (cento e quatro milhões, seiscentos e cinqüenta e cinco mil, trezentos e vinte e seis reais e dezoito centavos), consolidado na data do lançamento, em decorrência das infrações abaixo enumeradas: Ø Créditos Indevidos crédito básico indevido : o estabelecimento industrial creditouse indevidamente de créditos básicos, em desrespeito à legislação do imposto; Ø Créditos Indevidos (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) : O estabelecimento industrial calculou erroneamente créditos de IPI decorrentes de aquisições de "Kit concentrados" da empresa Recofarma, e Ø Créditos Indevidos SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR INDEVIDO: O estabelecimento industrial creditouse indevidamente de saldo credor de período anterior, em desrespeito à legislação do imposto. A fiscalização concluiu que o procedimento correto para classificação fiscal dos kits adquiridos pela fiscalizada é a aplicação da RGI n° 1 sobre cada componente individual, e não sobre o conjunto, como fez a empresa e tendo em vista que os componentes dos kits devem ser enquadrados em códigos tributados à alíquota zero, o imposto calculado, como se devido fosse, seria zero. Assim, seria INEXISTENTE o direito a crédito de IPI decorrente das aquisições dos Kits da Recofarma. Além dos créditos indevidos decorrentes das aquisições da Recofarma, a empresa escriturou como créditos de IPI valores decorrentes da aquisição bens de consumo, a exemplo de solventes e detergentes, os quais não se prestam a ofertar créditos por não se enquadrarem como insumos. Analisando a notas fiscais de entrada, com créditos de IPI aproveitados pela fiscalizada, verificouse que ela se creditou do IPI incidente sobre a aquisição de ANTIBACTERIAL, OXONIA ATIVO, LUBODRIVE etc, que não podem ser considerados matériasprimas , pois não se incorporam aos produtos fabricados, posto que são, in facto, produtos de limpeza. Também não se prestam a material de embalagem. Quanto a serem produtos intermediários, igualmente não podem ser assim considerados, por não restar caracterizada a “ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele”. Esses itens são, em verdade, material de consumo, não ensejando o direito ao crédito do IPI, consoante entendimento adotado pela administração tributária no Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação n° 65/79. Procedeuse, então à reconstituição da escrita fiscal do IPI no período compreendido entre março de 2015 e dezembro de 2016. A planilha “Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI” leva em consideração os seguintes estornos de créditos glosados nesta fiscalização: 1. a coluna “Glosas Recofarma” representa os créditos calculados sobre os Kits adquiridos da Recofarma e que não são reconhecidos pela Receita Federal; e Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 4 3 2. a coluna “Glosas uso/consumo”, representa o estorno do IPI que foi aproveitado quando da entrada de bens de consumo, posto que tais aquisições não têm o condão de produzir créditos. Ainda ressaltou que a fiscalização desconsiderou o saldo credor lançado pela Norsa Refrigerantes, em sua escrita fiscal, já que o ora fiscalizado iniciou suas atividades em março de 2015, fruto de um processo de cisão com a Refrescos Guararapes, quando trouxe o saldo de IPI (de fevereiro/2015) apresentado pelo estabelecimento da Refresco Guararapes inscrito no CNPJ sob o n° 08.715.757/000416, no valor de R$ 24.516.709,06. Ocorre que aquele estabelecimento da Refrescos Guararapes sofreu idêntica fiscalização desta Receita Federal, quando se constatou a inexistência de saldo credor ao final de fevereiro de 2015. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou impugnação, aduzindo em sua defesa as razões sumariamente expostas a seguir: ü Da responsabilidade da impugnante (terceiro adquirente do concentrado); ü Nunca existiu na lei e não existe mais sequer previsão regulamentar estabelecendo a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal; ü Os fatos geradores objeto do AUTO sob exame foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto; ü Da alteração de critério jurídico; ü A IMPUGNANTE sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; ü Da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal; ü Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do referido produto beneficiado; ü Registrese que a RFB também tem competência para definir a classificação fiscal de produtos, mas essa não é exclusiva; ü A SUFRAMA definiu a classificação fiscal para o concentrado produzido pela RECOFARMA; Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 5 4 ü A própria SUFRAMA reconhece que o concentrado, por configurar "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produto único (de concentrado para refrigerantes), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado por isso classificado no EX. 01, a qual tinha alíquota de 27%; ü A própria SUFRAMA confirma que a RECOFARMA continua cumprindo a classificação fiscal do concentrado; ü Dessa forma, a classificação fiscal do concentrado para refrigerantes, utilizada pela RECOFARMA, qual seja, 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, está consubstanciada em ato administrativo vinculatório (Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007); ü Com efeito, pelo histórico das TIPIs, desde 1988, constatase que o concentrado para refrigerantes sempre foi classificado como uma mercadoria única constituída por diversos componentes, sendo relevante e suficiente para determinar a classificação como produto único a existência de um extrato concentrado/sabor concentrado daquela posição para que todos os demais componentes que a ele se juntem integrem o mesmo produto e sejam classificados na mesma posição; ü O item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) também reforça o fato de que os concentrados para refrigerantes, entregues em forma de "kits", são tratados como produtos únicos, porque a sua literalidade demonstra que esses concentrados constituem mercadoria unitária, integrada por diferentes componentes; ü E a razão de ser afastada a aplicação da regra de exceção 3 b) (que determina que os produtos misturados ou sortidos devem ser classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial) é justamente porque já existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados para refrigerantes da posição 22.02, qual seja, a posição 2106.90.10 EX. 01 e, pois, por essa razão deve ser aplicada a Regra Geral de Interpretação 1; ü De fato, as Notas Explicativas III, a), e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há uma posição específica para classificar a mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias; Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 6 5 ü Destaquese ainda que há outras mercadorias que, da mesma forma que o concentrado para refrigerantes, são entregues conjuntamente, em embalagens separadas, e, a despeito disso, são classificadas em uma única posição; ü Por fim, se houvesse qualquer dúvida quanto à aplicação da posição 21.06.90.10 EX. 01 aos concentrados para refrigerantes, constante das notas fiscais emitidas pela RECOFARMA, essa deveria prevalecer por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, devendo ser aplicado ao presente caso o disposto no art. 112 do CTN; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária. Em 23 de janeiro de 2018, através do Acórdão de Impugnação n° 1475.794, a 8ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü Na situação em comento, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário ao direito pretendido pela interessada. Ainda que legítimas e idôneas, aspecto que não é alvo de embate neste processo, não possuem mais a capacidade suficiente para respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa, pois não existe previsão legal para a manutenção de créditos indevidos. Principalmente por estes créditos serem incentivados, já que a saída se deu por isenção, e não houve qualquer ônus financeiro por parte da contribuinte. Admitir que uma isenção indevida possa conferir direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe cabe, haja vista que este ônus é inerente ao risco da atividade mercantilista; ü Quando constatado que algum procedimento ou abordagem contraria normas jurídicas, a sua alteração não se trata de mudança de critério jurídico, pois, frisese, critério jurídico supõe a adoção de uma posição interpretativa que a autoridade entenda ser a mais adequada ao caso concreto e outros similares, sem que a outra interpretação, preterida, possa ser tida como ilegal ou ilegítima. Ou seja, critério jurídico permite certa discricionariedade por parte do agente público, não se admitindo, nesta discricionariedade, interpretações que transbordem os limites impostos pelos normativos vigentes; ü Segundo a disposição do PAF, a classificação fiscal não é aspecto técnico e, desta forma, o laudo de especialistas não tem qualquer vinculação para a autoridade administrativa no que a ela se refere, pois a própria autoridade, considerando as regras aplicáveis à classificação, tem competência para formar seu juízo a respeito. Em outras palavras, o que define a classificação fiscal de um produto não Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 7 6 são as características técnicas, condição esta que, aliás, também é extraída das RGI/SH (Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado) e da própria TIPI, posto que não há nenhuma menção de que as descrições contidas nos textos devam estar condicionadas às características técnicas das mercadorias como determinantes para enquadramento em um ou outro código, a não ser quando elas assim especificam; ü A alegação de que outros órgãos técnicos poderiam ser responsáveis pela classificação fiscal dos produtos é absolutamente equivocada. Tanto é que nenhuma disposição normativa que trate dessa suposta competência foi mencionada na impugnação; ü Portanto, é totalmente descabido afirmar que a SUFRAMA tenha competência para efetuar a classificação fiscal de produtos ou tenha definido a classificação fiscal dos produtos da Recofarma; ü À evidência dos fatos, improcede qualquer tentativa de conduzir a discussão em uma linha de interpretação que considere os chamados “concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, a exemplo do que consta da impugnação; ü Não se está a discutir, a partir da classificação adotada pela contribuinte, a interpretação capaz de considerar os chamados “concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, mas se a realidade fática atinente a essas mercadorias admite uma única classificação ou classificações individualizadas a cada componente do kit. É neste contexto que a aplicação da Regra 2.a e Regra 3.b, que mais se aproximam do intento de conferir única classificação fiscal ao kit, foi suscitada, tendoas por inapropriadas; ü A narrativa dos fatos constatados pela Fiscalização revela que a empresa Recofarma, fornecedora dos insumos (kits) empregados pelo estabelecimento industrial, não utiliza diretamente, em seu processo de industrialização, matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; ü Não é a SUFRAMA que concede a isenção. Esta decorre da lei. A SUFRAMA aprova o projeto apresentado pela empresa. Somente estas empresas, cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA, é que podem beneficiarse da isenção; ü Ocorre que o açúcar cristal e demais matériasprimas utilizadas pela Recofarma já são produtos resultantes de processo industrial, são matériasprimas industrializadas e não se constituem em “matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de ü produção regional” a que a legislação faz menção específica. Somente poderiam ser Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 8 7 ü enquadradas na tipificação legal a canadeaçúcar e a semente de guaraná matériasprimas agrícolas e extrativas regionais por excelência; ü Os produtos de limpeza não tem contato direto com o refrigerante. Deve ser observado que a legislação que rege a matéria não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, nem ao conceito estabelecido pelos dicionários ou pela doutrina, mas especificamente ao conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem usualmente adotado pela legislação do imposto. Logo, para se considerar que tais gastos ensejam em direito ao crédito, estes terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados (MP, ME, PI); ü Tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. A empresa NORSA REFRIGERANTES S.A foi cientificada do Acórdão de Impugnação em 14/02/2018, por via eletrônica, às folhas 754. A empresa NORSA REFRIGERANTES S.A ingressou com Recurso Voluntário em 14/03/2018, folhas 756, apresentando suas razões de folhas 828 à 901. Foi alegado em síntese que: ü Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; ü Da alteração de critério jurídico; ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Da natureza do produto elaborado pela RECOFARMA como mercadoria única; ü Da classificação fiscal do produto definida pela SUFRAMA, pelas regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; ü Da aplicação do art. 112 do CTN; ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; ü Do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do art. 9° do DL N° 288/67; ü Da coisa julgada formada no MSI N° 95.00094703; ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 9 8 ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária; ü Da impossibilidade de exigência de multa; ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo de industrialização dos refrigerantes; ü Da improcedência da exigência de juros sobre a multa de ofício exigida no auto. DO PEDIDO Pelo exposto, a RECORRENTE pede e espera que seja dado provimento ao presente recurso para reformar a DECISÃO, cancelar o auto de infração em epigrafe e extinguir o crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 14 de fevereiro de 2018, por via eletrônica, às folhas 754 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 14 de março de 2018, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. ü Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; ü Da alteração de critério jurídico; ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Da natureza do produto elaborado pela RECOFARMA como mercadoria única; Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 10 9 ü Da classificação fiscal do produto definida pela SUFRAMA, pelas regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; ü Da aplicação do art. 112 do CTN; ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; ü Do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do art. 9° do DL N° 288/67 da coisa julgada formada no MSI N° 95.00094703; ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária; ü Da impossibilidade de exigência de multa; ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo de industrialização dos refrigerantes; ü Da improcedência da exigência de juros sobre a multa de ofício exigida no auto. Passase à análise. DAS PRELIMINARES. Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado. É alegado nos itens 3.14 a 3.17 do Recurso Voluntário: Como se vê, não há na lei (art. 62 da Lei n° 4.502/64) e não existe no regulamento a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal, sendo certo que os fatos geradores objeto do AUTO foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto. No caso, há aliquota especifica de 20% prevista na TIPI para o produto da posição 21.06.90.10 EX. 01, constante da nota fiscal, e o cálculo é feito mediante simples operação aritmética: a RECORRENTE identifica a classificação fiscal indicada na nota pela RECOFARMA e verifica na TIPI qual é a aliquota prevista para tal classificação. E é incontroverso que a RECORRENTE calculou o crédito de IPI segundo a aliquota de 20%, decorrente da classificação fiscal na posição 21.06.90.10. EX. 01, feita pelo fornecedor do insumo. Portanto, como a classificação dos concentrados na posição 21.06.90.10 EX. 01 foi feita pela RECOFARMA, fornecedora do Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 11 10 concentrado, e não cabe ao adquirente questionar essa classificação fiscal, a RECORRENTE agiu licita e corretamente ao calcular o crédito de IPI com base na alíquota correspondente a essa classificação fiscal. Faço minhas as palavras da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em sua contribuição nas Contrarrazões apresentas no Processo 11065.721801/201721, que se aplicam adequadamente a questão: A recorrente sustenta que a responsabilidade pela classificação fiscal seria exclusiva dos fornecedores, de modo que lhe deve ser reconhecido o direito à manutenção dos créditos de IPI, “posto que agiu de boafé” (fl. 470). A rigor, o cerne da demanda é o descumprimento dos requisitos legais para o aproveitamento do crédito de IPI, e não a regularidade formal do preenchimento da nota fiscal, o que conduz à rejeição da tese no particular. Não se trata propriamente de responsabilidade por infração à legislação tributária, mas do reconhecimento de que, por erro de classificação fiscal, houve apuração indevida de crédito de IPI, com repercussão na base de cálculo do imposto devido pela recorrente, na condição de contribuinte, e não de responsável. Assim, afigurase irrelevante discutir se o erro de classificação fiscal deve ser imputado em tese exclusivamente às fornecedoras dos “kits”. Constatado o erro de classificação fiscal, impõese o lançamento do tributo pela autoridade fiscal, por se tratar de atividade vinculada, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Nessa linha, a letra do artigo 62 da Lei n° 4.502/64, onde se determina que o adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham atendem às prescrições legais e regulamentares: Art. 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares. A Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrentou o assunto no Acórdão n° 03 06.055, Sessão de 08 de setembro de 2008, e admitiu a aplicação do artigo 62 da Lei n° 4.502/64 em caso análogo: “O Recurso Especial do Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional atendeu aos pressupostos para sua admissibilidade. O apelo merece ser conhecido. No mérito, circunscreve a questão, ao meu ver, em definir a correta aplicação dos artigos 62 e 82, ambos da Lei n.° 4.502/64, que Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 12 11 estabelece a obrigação do adquirente de produtos industrializados de verificar a regularidade do documento fiscal e a respectiva sanção. Passo a apreciar, então, os argumentos expendidos pelo voto vencedor do aresto em questão, que se subdividem em duas grandes linhas de raciocínio: a primeira pugna pela necessidade de prévia existência de ação fiscal contra o produtor remetente para que se possa apenar o adquirente; a segunda defende que não se podería autuar o adquirente por descumprimento das obrigações previstas no artigo 173 do RJPI/82, quando estas se referirem à classificação fiscal. Na forma do artigo 62 da Lei n.° 4.502/64, “os fabricantes, comerciantes e depositários que recebem ou adquirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados, ou ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais”. Da alteração de critério jurídico. Os argumentos referentes a esse tópico são condensados no item 4.7 do Recurso Voluntário: 4.7. Em suma: a) o critério jurídico do lançamento efetuado em relação ao mesmo sujeito passivo somente pode ser modificado de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial para fatos geradores e/ou saldos credores de IPI posteriores à introdução do fato que ensejou a alteração do critério; b) no presente caso, o novo critério jurídico foi aplicado em relação ao período anterior a 11.09.2017, data da ciência do presente AUTO, no qual foram questionadas a natureza do produto adquirido e a sua classificação fiscal pela primeira vez em relação à RECORRENTE; e c) por conseguinte, a modificação do critério jurídico no sentido de que o produto não seria o concentrado para bebidas não alcoólicas e que haveria equivoco de classificação fiscal somente poderia ter sido introduzida para os lançamentos relativos a fatos geradores e/ou saldos credores de IPI referentes a operações posteriores ao referido marco. Não assiste razão ao Recorrente. A apontada violação do art. 146 do CTN decorreria de novo critério jurídico adotado pela autoridade fiscal, hipótese não constatada no caso dos autos. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 13 12 O fulcro da ação fiscal foi a consideração de uma situação de fato: A impossibilidade de se enquadrar os “concentrados” na classificação na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da NCM/TIPI. A Recorrente tenta distorcer a aplicação do art. 146 do CTN, que pressupõe mesma circunstância fática, mesmo sujeito passivo e alteração do critério jurídico para os mesmos fatos geradores, o que não é o caso. Artigo 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Nas palavras da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em sua contribuição nas Contrarrazões apresentas no Processo 11065.721801/201721, que se aplicam adequadamente a questão: O dispositivo em comento é claro ao estabelecer o parâmetro temporal para aplicação do novo critério jurídico em relação ao mesmo sujeito passivo, qual seja: os fatos geradores futuros, isto é, ocorridos após a introdução do critério jurídico modificado. O mandamento legal pressupõe a segurança do sujeito passivo, estabilizando a intepretação jurídica dos fatos geradores que interferirão na esfera jurídica do eventual autuado. No caso em tela, não houve qualquer alteração de critério jurídico relacionado aos fatos geradores do IPI lançados contra a Ambev. Desde o início do procedimento fiscal, a autoridade lançadora demonstrou, sob a mesma premissa jurídica, que a Recorrente não poderia ter utilizado dos créditos de IPI porque eles não atendiam aos preceitos legais concessivos do benefício, notadamente as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH. A Fiscalização demonstrou que a classificação dos kits de “concentrados” adquiridos pela “engarrafadora” não poderiam ter sido classificados na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da TIPI, fato que impossibilita a recorrente de aproveitar os créditos de IPI com alíquota de 20% (vinte por cento). Além disso, o art. 146 do CTN é aplicável quando a modificação do critério jurídico no exercício do lançamento ocorre para o mesmo sujeito passivo. A recorrente não experimentou qualquer alteração nesse sentido, tendo em vista que ela não demonstrou que foi autuada precedentemente por auto de infração que tivesse manifestado expressamente classificação fiscal diversa em relação aos “kits”.. O fato de a recorrente ter supostamente adquirido “os mesmos kits de seus fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, sob a mesma classificação fiscal sem sofrer qualquer tipo de questionamento configura hipótese de mero silêncio administrativo, o que não se Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 14 13 confunde com adoção de critério jurídico pela autoridade administrativa. Se não houve previamente adoção de critério jurídico acerca da classificação fiscal do produto em relação ao mesmo sujeito passivo, é logicamente impossível que tenha havido posterior alteração de critério jurídico. Ademais, a tese recursal afronta os diversos precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão n° 3402004.073: Em meu entendimento, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados pelo próprio contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. Como a recorrente não especifica no recurso voluntário qual teria sido o ato administrativo anterior emitido com posicionamento divergente do presente lançamento, pelo contexto de suas alegações, entendese que a recorrente esteja se referindo à ausência de autuações anteriores para reclassificação fiscal dos denominados "kits". No entanto, o art. 146 do CTN não abriga a tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à fiscalização. Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto sobre o tema, no seu voto no Acórdão n° 1401001.649 4(' Câmara / 1 Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar esse entendimento da Recorrente, passase um atestado de onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar toda irregularidade existente na empresa, pois senão, nos anos seguintes, mesmo que detectado essa irregularidade o fiscal não poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o critério jurídico". Eventuais procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (lançamento ou decisão motivada de não lançar) não podem ser estendidos para períodos posteriores, eis que estão vinculados aos fins para os quais foram instaurados. O procedimento fiscal não pode ser dissociado dos fatos ocorridos naquele período fiscalizado e da matéria sob investigação, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores, no caso de resultar lançamento, por exemplo. Por essas razões não pode prosperar a alegação da recorrente de alteração dos critérios jurídicos adotados no lançamento a que se refere o art. 146 do CTN. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 15 14 Acórdão n° 3402003.799: ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento e não a lançamentos diversos, como aduzido neste caso. Quanto às “práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, cumpre assinalar que o termo “observadas”, no texto legal, tem a conotação de que a autoridade administrativa ao praticar, ou deixar de praticar um ato, ou conjunto de atos discricionários, analisouos e julgouos adequados àquela determinada situação. O termo “reiteradamente” leva ao entendimento de que a autoridade administrativa, após análise do caso concreto, julgando apropriado o procedimento adotado, repetiuo por vezes. A mera repetição, entretanto, não é suficiente. Não é qualquer ato praticado por autoridades administrativas que pode ser considerado como norma complementar. Somente os atos em relação aos quais é permitida certa discricionariedade, quando praticados reiteradamente, podem ser considerados como normas complementares nos termos do art. 100 do CTN. Por outro lado, os atos de natureza vinculada, quando praticados em desacordo com a legislação, não estão sujeitos a validação e não podem ser considerados como normas complementares. Como se pode facilmente constatar, as práticas reiteradas das autoridades administrativas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. Nesse sentido, para que se forme uma prática reiterada devem estar presentes o uso, ou seja, a conduta reiterada (requisito objetivo) e a convicção jurídica de que aquela conduta é a que deve ser observada (requisito subjetivo). Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica que deriva de longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção de sua necessidade jurídica. Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; O Sistema Harmonizado é uma nomenclatura utilizada internacionalmente, como um sistema padronizado, desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA), sediada em Bruxelas, da qual o Brasil é integrante e ativo participante. A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aplicável aos países membros do bloco desde 1995, é calcada no Sistema Harmonizado e segue rigorosamente as suas diretrizes, especialmente quanto a manter a uniformização no tratamento das transações do comércio internacional. A classificação de mercadorias, no país, como de resto toda a aplicação da legislação aduaneira, é da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma do Decreto nº 9.003, de 13/03/2017 e do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 16 15 Decreto nº 9.003, de 13/03/2017: Art. 25. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: (...) XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria; Regimento Interno da Receita Federal do Brasil: Art. 1º A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, tem por finalidade: (...) XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relativas a nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, e representar o País em reuniões internacionais sobre a matéria; Para aclarar a questão, colacionase fragmento do Acórdão n° CSRF 9303 006.987 da Câmara Superior de Recursos Fiscais de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços que administra a Zona Franca de Manaus, com a responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional que utilize de forma sustentável os recursos naturais, assegurando viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida das populações locais. Assim, é natural que o mecanismo escolhido pelo legislador para demonstrar que o projeto produtivo atende à política de desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da região tenha sido a aprovação pela SUFRAMA. Mas é a Receita Federal do Brasil, vinculada ao Ministério da Fazenda, quem tem a competência para verificar o cumprimento de todos os requisitos quando da efetiva utilização de benefícios fiscais, e cobrar os valores de imposto que sejam devidos, observando se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). Não há que se falar em conflito entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia, exercendo sua competência, aprovou o projeto de Recofarma, que reconhecidamente permanece válido para fins de atendimento a um dos requisitos previstos no art. 6° do Decreto Lei n° 1.435/75. O Fisco, exercendo a sua competência, analisou a legitimidade da utilização da isenção, e constatou que não foi atendida a exigência de emprego de matériaprima extrativa vegetal de Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 17 16 produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, respeitandose a área de atuação de cada órgão. Esse mesmo entendimento é repisado pelos seguintes Acórdãos de Recurso Voluntário:3302003.741, 3302004.410 e 340202.934. Da utilização indevida de saldo credor do período anterior. O § 5o do artigo 6o da Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015., que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim determina:] Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. É alegado nos itens 9.1 e 9.2 do Recurso Voluntário: A AUTORIDADE glou, na escrita fiscal da RECORRENTE, o saldo credor apurado no periodo anterior à época dos fatos geradores do presente AUTO, em razão de o estabelecimento da Refrescos Guararapes (incorporado após cisão parcial) ter sofrido idêntica fiscalização que constatou a inexistência de saldo credor ao final de fevereiro de 2015 e que resultou na lavratura do auto de infração, objeto do processo administrativo n° 10480.729138/201749. Ocorre que a discussão administrativa referente ao PA n° 10480.729138/2017 49 ainda não está encerrada e, portanto, a escrita fiscal da RECORRENTE não deve ser reconstituída até que seja confirmada, ou não, a glosa do crédito Com estas considerações, voto no sentido de determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 1050DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721965/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC-1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3401-005.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente às saídas de tais itens no período autuado.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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TUBOS E CONEXÕES. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente às saídas de tais itens no período autuado. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 65 /2 01 1- 81 Fl. 470DF CARF MF 2 TIAGO GUERRA MACHADO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 443 e seguintes) contra decisão da 12ª Turma, DRJ/RPO, que considerou improcedentes, em parte, as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF Campinas, em 17.06.2011, com ciência pela Contribuinte na mesma data (fl. 433), referente a título de multa de IPI não lançado com cobertura de crédito, em virtude da falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados de sua fabricação com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e de alíquota, período de 31.07.2006 a 31.12.2007. Do Lançamento (fls. 362 e seguintes) Naquela ocasião, a Fiscalização lançou multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito (saldo credor), em dito tributário de IPI (fls. 362 e seguintes), totalizando a exigência em R$ 254.057,35 (duzentos e cinquenta e quatro mil, cinquenta e sete reais e trinta e cinco centavos), em virtude da falta de lançamento do imposto em razão de o contribuinte ter efetuado a saída de produtos tributados, por erro de classificação fiscal, com alíquota inferior à devida. No respectivo Termo de Verificação Fiscal de fls. 358/361, a fiscalizada promoveu a saída de produtos de matéria plástica – PVC (arco, arremate, caixa acústica, canto, estruturas geométricas, folha, guarda corpo, janelas, marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, portas, quadro fixo, trilhos e veneziana), adotando para todos os produtos a classificação fiscal 3925.20.00 da TIPI, tributados à alíquota 0%. Contudo, segundo a fiscalização, baseada na TIPI/2007, os produtos relacionados se enquadrariam nas seguintes classificações fiscais: Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%; Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%; Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%; Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%. Como resultado dessa reclassificação, a autoridade fazendária veio a lançar penalidade em decorrência da falta de lançamento de IPI nas notas fiscais de saídas do estabelecimento, não havendo imposto a recolher em razão de a contribuinte possuir saldo credor suficiente para ilidir o recolhimento à época dos fatos geradores. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 471 3 Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 17.06.2011 (fl.433), e interpôs impugnação, em 15.07.2011 (fls.385 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: (a) Sobre os cálculos elaborados pela Fiscalização: "(...) constatouse que os montantes considerados mês a mês referente ao produto 'perfil' estão divergentes daqueles valores originários do arquivo magnético de NFs de Saídas de Jul/2006 a Dez/2007, como pode ser verificado na planilha constante desse mesmo arquivo, com o nome 'Cálculo Perfil I Revisado'. Cabível, então, uma revisão desses valores apurados e tabulados erroneamente, procedendose à respectiva correção"; (b) Sobre a incorreta indicação de NCM para os "demais produtos": requer a correção da indicação do código NCM 3925.90.00 como classificação fiscal do item de produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI; (c) Sobre o pedido de "perícia": Parecendo desconhecer o caráter jurídico do procedimento de classificação fiscal de mercadorias, pediu "perícia técnica", nomeando o Instituto Nacional de Tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia, formulando os quesitos da fl. 389 e nomeando peritoassistente; (d) Sobre o mérito da classificação fiscal: "Relativamente aos produtos reclassificados, aduz que não são vendidos de forma isolada ou individualmente. Ao contrário, a comercialização sempre é feita pelo conjunto de itens que compõem cada projeto e/ou orçamento, até por uma razão muito simples: sem essa aquisição e instalação conjunta dos itens de produtos que compõem cada projeto, este não tem funcionalidade. Tratase, portanto, de uma série de itens de produtos que não tem função isolada, própria, ou específica, mas que se complementam numa única função, seja de porta, janela ou esquadria, devendo, por conseguinte, serem objeto de classificação fiscal nessa condição. Portanto, o que efetivamente prevalece para fins de classificação fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é a sua destinação. No caso, nenhuma dúvida persiste que os componentes se destinam a formar um conjunto específico, e como tal deve haver o respectivo enquadramento, exatamente como efetuado pela impugnante."; (e) Aduz sobre a impossibilidade de aplicação de multa por ausência de dano ao Erário, bem como sobre o caráter "manifestamente confiscatório". Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão1450.065, exarado pela 12ª Turma, da DRJ/RPO, em 29.04.2014, com ciência em 22.05.2014 (fl. 440), através do qual foi mantido, em parte, o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 Fl. 472DF CARF MF 4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Segundo a TIPI/2007, produtos fabricados com matéria plástica (PVC), tais como: perfis, venezianas (persianas) e artefatos para apetrechamento de construções, são classificados nos códigos 3916.90.90, 3925.30.00 e 3925.90.90, respectivamente. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3916 e 3925) e 6ª (texto da subposição 3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1). APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA MENOR QUE A DEVIDA. Aplicação de alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de alíquota/classificação fiscal dos produtos, justifica o lançamento de ofício da diferença, com os respectivos acréscimos legais. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cabível a revisão dos valores lançados a maior. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação é o marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Sobre a classificação fiscal dos "demais itens" e do cálculo impugnado pela Impugnante ora Recorrente: A impugnante requer uma revisão dos valores lançados referente ao produto “perfil” e a correção da indicação do código NCM 3925.90.00 como classificação fiscal do item de produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI. Diante das alegações de revisão, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972, verbis: (...) No que diz respeito ao código NCM 3925.90.00, classificação fiscal do item de produtos “outros”, referido código estava presente na TIPI aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002. A partir de 1º de janeiro de 2007, entra em vigor o Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, alterandoo para NCM 3925.90.90. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 472 5 No presente caso, eventual falha no enquadramento do NCM, para os períodos a partir de 1º de janeiro de 2007, não deixa dúvidas acerca da imputação. Assim, afastada o cerceamento a ampla defesa da interessada, a conclusão é de que, apesar de alguma imperfeição do enquadramento, o lançamento é válido e eficaz. Quanto à revisão dos valores lançados a maior, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a planilha “Apuração da Divergência no Somatório dos valores das Notas Fiscais de Saídas”, no qual se posiciona pela existência de divergências na apuração referente ao produto “perfil”, no valor total de R$ 4.412,27. Referida correção é calculada ao final do presente voto. (...) Sobre a classificação fiscal dos produtos: portas, janelas, persianas e perfis Versa a lide sobre a correta classificação das seguintes mercadorias: arco, arremate, caixa acústica, canto, estruturas geométricas, folha, guardacorpo, janelas, marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, portas, quadro fixo, trilhos e venezianas. Todos os produtos são fabricados com matéria plástica (PVC). A contribuinte adotou para todos os produtos a classificação fiscal 3925.20.00, tributados à alíquota de 0%. No entanto, a fiscalização considerou as seguintes classificações fiscais: Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%; Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%; Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%; Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%. É mister afirmar, prévia e didaticamente, que a operação de enquadramento de produto em código de classificação fiscal não tem caráter técnico e sim estritamente tributário, nos termos do PAF, art. 30, § 1º, cabendo ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil executar o referido enquadramento à luz da legislação tributária aplicável: consoante o RIPI/2002, arts. 15 a 17 (RIPI/2010, arts. 15 a 17), a classificação fiscal de mercadorias deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM); as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), e suas alterações, além das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM, prestamse como elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições da NCM. Assim dispõem as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI): “1. Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. (...) Fl. 474DF CARF MF 6 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário”. Vale dizer, são os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e dos destaques “Ex”, que determinam a classificação fiscal de um produto. As regras de 2 a 5 somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o devido enquadramento. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), sendo fonte subsidiária de interpretação, é, por essa razão, instrumento hábil, embora não suficiente, para o enquadramento correto de classificação fiscal de mercadorias. Em sua defesa, a contribuinte aduz que os produtos reclassificados não são vendidos de forma isolada ou individualmente. Ao contrário, a comercialização sempre é feita pelo conjunto de itens que compõem cada projeto e/ou orçamento. Tratase, portanto, de uma série de itens de produtos que não tem função isolada, própria, ou específica, mas que se complementam numa única função, seja de porta, janela ou esquadria, devendo, por conseguinte, serem objeto de classificação fiscal nessa condição. Portanto, o que efetivamente prevalece para fins de classificação fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é a sua destinação. (...) No entanto, compulsando os autos, extraise que os produtos fabricados pela contribuinte são de matéria plástica e suas obras, enquadradas no Capítulo 39 da TIPI, tendo como principal atividade a fabricação de portas, janelas, seus caixilhos e alisares. Portanto, de acordo com os fatos apresentados, nem todas as saídas são de portas ou janelas, e sim de seus acessórios, com vendas separadas, daí resultando em classificações independentes. A Nota Explicativa, relativamente à Seção VII, relativo a “PLÁSTICOS E SUAS OBRAS; BORRACHA E SUAS OBRAS”, invocada pela impugnante, dispõe: Notas de Seção. 1. Os produtos apresentados em sortidos formados por vários elementos constitutivos distintos, incluídos, na totalidade ou em parte, na presente Seção, e que se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII, devem classificarse na posição correspondente a este último produto, desde que tais elementos constitutivos sejam: a) em face do seu modo de acondicionamento claramente reconhecíveis como destinados a utilização conjunta sem prévio reacondicionamento; b) apresentados ao mesmo tempo; c) reconhecíveis, dadas a sua natureza ou respectivas quantidades, como complementares uns dos outros. É imprescindível que as situações “a”, “b” e “c” estejam presentes para de fato os produtos reclassificados sejam considerados e classificados como portas ou janelas, ou seja, no NCM 3925.20.00. Caso contrário, serão classificados de forma autônoma, exatamente como procedeu a fiscalização na reclassificação efetuada. Também corrobora com a situação a própria Solução de Consulta nº 9, de 22 de fevereiro de 2001, igualmente invocada pela contribuinte, na qual especifica que a mercadoria classificada no NCM 3925.20.00 tratase de “porta desmontada, Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 473 7 constituída por elementos de plástico rígido (PVC)”. Em nenhum momento, sequer cita a possibilidade de classificar no NCM 3925.20.00 as partes em que compõe a porta ou janela. No caso em tela, estamos diante de saídas de acessórios para portas ou janelas, e não saídas de portas ou janelas desmontadas. Face ao exposto, verificamse infrutíferas as alegações da requerente no sentido de que os produtos por ela fabricados deveriam ser classificados como portas ou janelas NCM 3925.20.00. Neste sentido, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3916 e 3925) e 6ª (texto da subposição 3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1), concluo que as classificações adotadas pela fiscalização estão corretas. (...) Sobre aplicação da multa de ofício. A recorrente contesta o que entendeu “ser excessivo o valor da referida penalidade aplicada, pois nenhum pretenso imposto deixou de ser recolhido”. No entanto, o autuante aplicou somente a multa de ofício de 75%, a qual está fundamentada no art. 80, inciso II, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96, e alterações posteriores: (...) Valores divergentes apurados em diligência. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a planilha “Apuração da Divergência no Somatório dos valores das Notas Fiscais de Saídas”, no qual se posiciona pela existência de divergências na apuração referente ao produto “perfil”, no valor total de R$ 4.412,27. Nesse sentido, devese cancelar o lançamento das diferenças de IPI apuradas no relatório fiscal. O demonstrativo abaixo demonstra o novo valor de IPI apurado (...). Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: Fl. 476DF CARF MF 8 (...) Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 474 9 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar de Nulidade Fl. 478DF CARF MF 10 A recorrente aduz que o erro, durante o lançamento, na reclassificação fiscal para código NCM inexistente representaria óbice à suficiente instrução da sua defesa, devendo ser, per si, anulado o auto de infração, com fulcro no artigo 59, do Decreto Federal 70.235/1972. Ora, não reside razão a tal assertiva da contribuinte. A reclassificação para um código NCM inexistente, no presente caso, não a inibiu de apresentar sua defesa, mesmo porque está foi calcada na possibilidade técnica no enquadramento no código NCM ora impugnado. Além disso, considerando que a Fiscalização atribuiu os produtos ao código NCM genérico então vigente ("Outros"), e de mesma posição, é possível inferir que o erro em imputar o código NCM inexistente 3925.90.00 ao invés do código NCM 3925.90.90 é absolutamente sanável, inexistindo portanto hipótese da nulidade prevista no artigo 59, supramencionado, aplicável ao presente lançamento. Do Mérito Da Classificação Fiscal Sobre a classificação fiscal das mercadorias, não vejo necessidade de qualquer emenda ao embasamento jurídico da decisão de primeiro piso. Todavia, há de se ressaltar que, a meu ver, não houve suficiente esmero da decisão em analisar faticamente os produtos que foram reenquadrados em código NCM distinto do que a contribuinte considera como corretos. Analisando os catálogos comerciais disponíveis no site da Recorrente (https://www.tigre.com.br/claris/produtos), verificase que alguns dos itens foram erroneamente enquadrados no lançamento, uma vez que por sua descrição, natureza e utilização deveriam ser relacionados em código NCM específico, a saber: Arco 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Caixa acústica 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Folha 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Maxiar 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Pinázio 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Quadro fixo 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Trilhos 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Explico. O arco e o pinázio são formas de acabamento que integram a folha da janela, que nada mais é do que estrutura que abriga o vidro, não podendo se distinguir dela própria. A caixa acústica é a estrutura componente da janela que envolve a(s) folha(s). Maxiar nada mais é do que um modelo específico de janela oferecido pela Recorrente, do tipo basculante; da mesma forma que o "quadro fixo", nada mais que uma janela sem qualquer modo de abertura. Por fim, os trilhos são estruturas que compõem as janelas que possuem folhas que não possuem dobradiças ou básculas (ou seja, são janelas "de correr"). Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 475 11 Veja que a subposição 3925.20.00 trata das janelas e seus caixilhos, alizares e soleiras; nessa linha, pareceme claro que a intenção é de se classificar nessa subposição todos os itens essenciais à estrutura das portas e janelas de todos os tipos e não só o produto consolidado. Não por coincidência, a subposição seguinte (3925.30.00) é que alberga venezianas e estores, que por mais que possam ser integradas às janelas e portas, não são essenciais a sua estrutura, não cabendo reforma da decisão ora recorrida no que tange às venezianas. Os seguintes itens não merecem tampouco reforma, adotando as razões apontadas no entendimento exarado pela DRJ pelo fato de não ter sido trazido pela Recorrente, em nenhum momento da lide, qualquer elemento que pudessem convencer que seriam componentes essenciais à estrutura da janela, e não apenas decorativos: "arremate", "canto", "estruturas geométricas", "marco", "módulos", "perfis". Por fim, quanto ao item "guardacorpo", vêse indistintamente que não se trata de porta ou janela. É um guardacorpo; portanto reputo correta a classificação fiscal nos termos do lançamento original, eis que não há correlação nas subposições anteriores, devendo manterse classificado como 3925.90.90. Da Alegação de Impossibilidade de Lavratura de Penalidade quando não há dano ao Erário sob pena de efeito de confisco Diante dos argumentos de ordem constitucional apresentados pelo contribuinte para afastamento da aplicação de multa pecuniária (“manifestamente confiscatória”), ressalto que esse colegiado está limitado a discussão de matéria infraconstitucional, de modo que o pretenso afastamento da norma legal vigente se encontra impossibilidade pela obediência à Súmula CARF nº 2. Tal fato implica na inadmissão do pedido expresso na peça recursal. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém doulhe parcial provimento apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI/2007 refere aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente as saídas de tais itens no período autuado. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 480DF CARF MF 12 Fl. 481DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.004833/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. IMPROCEDÊNCIA DE RECLASSIFICAÇÃO FISCAL PROMOVIDA PELO FISCO. NULIDADE.
Constatado que a classificação fiscal da mercadoria objeto da lide diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pelo contribuinte na importação, quanto do indicado pelo Fisco no lançamento, este deve ser anulado por vício material, o que também acarreta a exoneração da multa isolada por erro de classificação fiscal.
Numero da decisão: 9303-005.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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IMPROCEDÊNCIA DE RECLASSIFICAÇÃO FISCAL PROMOVIDA PELO FISCO. NULIDADE. Constatado que a classificação fiscal da mercadoria objeto da lide diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pelo contribuinte na importação, quanto do indicado pelo Fisco no lançamento, este deve ser anulado por vício material, o que também acarreta a exoneração da multa isolada por erro de classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 48 33 /2 00 3- 11 Fl. 218DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do acórdão nº 3202001.403, que possui a seguinte ementa: ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. Presentes os elementos de fato necessários ao julgamento, tornase prescindível a realização de perícia. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. A matéria de fundo referese a Autos de Infração, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, em razão da incorreta classificação fiscal de mercadoria importada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apreciando o pleito da Contribuinte, a DRJ julgou procedente em parte o lançamento, acolhendo apenas a alegação de decadência. Por ocasião do julgamento do recurso voluntário, a Segunda Turma, da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, promoveu uma “terceira classificação” da mercadoria importada, em razão de discordar tanto da classificação eleita pelo contribuinte, como daquela oferecida pelo Fisco, ocasião em que julgou por bem cancelar as multas cominadas em função do lançamento equivocadamente fundamentado A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência quanto à manutenção da multa de 1% por erro de classificação fiscal, que foi admitido pela demonstração de dissídio jurisprudencial, conforme despacho de admissibilidade às fls.142 a 145. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 201 a 205. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10314.004833/200311 Acórdão n.º 9303005.501 CSRFT3 Fl. 219 3 Voto Vencido Conselheiro RODRIGO DA COSTA PÔSSAS O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional quanto à manutenção da multa por erro de classificação ainda que improcedente a reclassificação promovida pelo Fisco, pelo fato de o contribuinte ter laborado em erro quando da sua classificação fiscal O Colegiado a quo concluiu que, em sendo improcedente a classificação promovida pelo Fisco, as multas cominadas seriam, consequentemente, improcedentes. Diversamente, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da Terceira Seção do CARF, manteve a multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835/01, mesmo no caso em que foi descartado tanto a classificação promovida pelo contribuinte, como também aquela invocada pelo Fisco, chegandose a uma “terceira classificação”. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à manutenção ou não da multa por erro de classificação fiscal, em caso de incorreção da reclassificação fiscal promovida pela autoridade fiscal. O Acórdão recorrido decidiu pelo afastamento das multas aplicadas tendo em vista a improcedência da reclassificação promovida pelo Fisco. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido: “[...] Consequetemente, sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado.” Em que se pese as considerações do julgador a quo, entendo que a decisão não foi devidamente fundamentada. Não foram apreciados os tipos infracionais das multas aplicadas para se chegar na conclusão de improcedência das multas aplicadas. Foram aplicadas as seguintes multas no Auto de Infração: (i) multa de ofício proporcional (Art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96); (ii) multa do Controle Administrativo (Art. 169, inciso I, alínea "b" do DecretoLei 37/66); e (iii) multa por classificação incorreta (Art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001). O afastamento da multa de ofício, de natureza tributária, é decorrência lógica do afastamento do principal cobrado. Entretanto, o mesmo não ocorre para as penalidades de natureza aduaneira lançadas. Como o Recurso Especial foi admitido apenas em relação à aplicação da multa por classificação incorreta, restringirei a análise a tal penalidade. Assim dispõe o inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, matriz legal da sanção aplicada: Fl. 220DF CARF MF 4 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...] Destacase que o tipo infracional é classificar incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul a mercadoria importada. A classificação incorreta é fato incontroverso, sendo admitida inclusive pelo acórdão recorrido. Independentemente da improcedência da reclassificação fiscal promovida pelo Fisco, constatase que efetivamente ocorreu o erro de classificação fiscal promovido pelo sujeito passivo em sua declaração de importação. A incidência da multa de um por cento prevista no art. 84 da MP 215835/2001 apenas reclama a mera classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria ou, alternativamente, a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Dessa forma, é apenas necessário comprovar a errônea classificação fiscal do produto importado (fato inequívoco nos autos) para a aplicação da penalidade prevista no art. 84 da MP 215835/2001, sendo de todo impertinente alegar, como motivo para a sua não exigência, o fato de o Fisco também ter se equivocado quando da classificação fiscal. O erro de classificação original persiste, bem como as consequências dele decorrentes. No presente caso, os fundamentos da exigência fiscal mantêmse incólumes. Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a exigência de multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835/01. (assinatura digital) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10314.004833/200311 Acórdão n.º 9303005.501 CSRFT3 Fl. 220 5 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado No presente caso, segundo o acórdão recorrido, o Fisco, no ato lançamento, e a contribuinte, quando da importação, igualmente equivocaramse ao promover a classificação fiscal do produto importado. Donde a integral exoneração dos valores lançados, inclusive da multa de um por cento em face do erro de classificação fiscal, entendimento contra a qual, especificamente quanto ao cancelamento desta última, insurgiuse a Recorrente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Consoante o mesmo acórdão recorrido, a exoneração das multas aplicadas, incluindo a multa isolada que decorre do erro de classificação, deveuse ao fato de o lançamento estar equivocadamente fundamentado. Já o il. relator do voto vencido, diz bastar, para a aplicação da mesma penalidade isolada, ser necessário apenas comprovar a errônea classificação fiscal do produto importado, sendo absolutamente irrelevante o fato de o Fisco também ter se equivocado em sua classificação fiscal, porque, acredita, o erro de classificação persistiu, bem como as consequências deste erro decorrentes. Discordamos. Primeiro, o fato de o erro de classificação fiscal persistir, ou seja, o fato de a classificação fiscal correta não ser a adotada pela contribuinte (classificação "A"), tampouco ser a indicada pelo Fisco (classificação "B"), mas, sim, uma terceira classificação (classificação "C"), não autoriza, só por isso, a manutenção da multa isolada. Se assim fosse, também se deveria manter a exigência do crédito tributário lançado, no caso em que, não obstante o erro de classificação da contribuinte e do Fisco, a terceira classificação fiscal, a classificação "C", se apresentasse com as mesmas alíquotas de II e de IPI vinculado que aquela indicada pelo Fisco no lançamento, a classificação "B". Afinal, neste caso, também continuaria a haver a falta de recolhimento de tributos na importação, assim como, é o que se defende, o erro de classificação (Onde há a mesma razão, haveria de se aplicar o mesmo direito). Segundo, porque, para apontar um erro de classificação fiscal, o Fisco deve indicar as regras de classificação não observadas e a classificação fiscal correta. E assim é porque, não fosse pelo caráter norteador das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado – as quais se direcionam a apontar como chegar à correta classificação fiscal do produto importado, não à errada! –, a Administração Tributária deve informar ao administrado (no caso, o importador) não apenas o erro que cometera, mas, também, como deveria ter agido, a fim de que o erro não venha a se repetir, com todas as consequências daí advindas (o art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999, impõe que, nos processos administrativos, a atuação da Administração Pública se dê segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé). Não se pode afirmar errada uma classificação, senão indicando a correta e apontando as regras que autorizam esta nova classificação (por isso, nunca vimos um auto de infração, e estou certo que jamais veremos, que apontasse o erro de classificação cometido pelo importador, mas não indicasse a classificação correta). Terceiro, o lançamento tributário é um ato administrativo que, como outros de mesma natureza, apresenta requisitos cuja não observância enseja a declaração de sua nulidade. Um desses requisitos é a motivação, consistente no relato, em linguagem adequada, do motivo do ato – o fato do mundo fenomênico que autoriza o lançamento. Noutras palavras, Fl. 222DF CARF MF 6 é a exposição, por escrito e de forma inteligível, de que os seus pressupostos de fato realmente ocorreram. Segundo o il. exConselheiro LUÍS EDUARDO BARBIERI, a "autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento, deve demonstrar e comprovar que a situação fática (fato jurídico relatado) se enquadrou perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal). Devese, portanto, demonstrar a subsunção entre o evento, ocorrido no mundo fenomênico e relatado na linguagem competente – fato jurídico, à hipótese de incidência tributária" (BARBIERI, Luís Eduardo Gorrossino, Lançamento tributário: vícios e seus defeitos, São Paulo: Novas Edições Acadêmicas, 2015, p. 226). Um dos equívocos apontados na mesma obra quanto à motivação do lançamento é a ausência, insuficiência ou o erro na descrição dos fatos do auto de infração (p. 227), erro como o que ora constatamos no presente lançamento, uma vez que, na sua motivação, a autoridade fiscal deveria ter demonstrado o equívoco que laborou a contribuinte, mediante análise das regras de interpretação que seriam aplicáveis ao caso e a indicação, como vimos, em face dessas mesmas regras, da classificação correta. A nosso juízo, portanto, a autoridade fiscal cometeu um vício de motivação no lançamento, do qual resulta, pura e simplesmente, a sua nulidade por vício material. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 223DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.006342/2007-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 29/12/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CERÂMICA CARBOLITE, PRODUTO COMPOSTO DE MULITA.
Em razão do disposto na Nota Explicativa nº 01 do Capítulo 25, os produtos que, embora compostos de mulita, sejam resultantes de uma mistura, não nas se incluem nas posições do referido capítulo.
Correta a classificação fiscal realizada pela fiscalização no código 3824.90.79.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrente BJ QUÍMICA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/12/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CERÂMICA CARBOLITE, PRODUTO COMPOSTO DE MULITA. Em razão do disposto na Nota Explicativa nº 01 do Capítulo 25, os produtos que, embora compostos de mulita, sejam resultantes de uma mistura, não nas se incluem nas posições do referido capítulo. Correta a classificação fiscal realizada pela fiscalização no código 3824.90.79. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 63 42 /2 00 7- 55 Fl. 607DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 91/92 dos autos: Trata o presente processo de quatro autos de infração. O primeiro auto trata do Imposto de Importação, juros de mora, multa de oficio e multa por classificação fiscal incorreta (fls. 0107) em decorrência de classificação fiscal incorreta de mercadoria. Valor da autuação R$ 7.203,51. O segundo auto trata do Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multa de oficio (fls. 0811) em decorrência de classificação fiscal incorreta de mercadoria. Valor da autuação R$ 7.586,73. Os terceiros e quarto autos de infração tratam respectivamente das contribuições sociais Cofins e PisPasep incidentes na importação (fls. 1317 de R$ 228,83 e 1822 de R$ 49,70). Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. A empresa autuada, mediante a DI n° 05/14215024, importou a mercadoria descrita na adição 01 como "NOME COMERCIAL: CERAMICA CARBO LITE 16/20 QUALIDADE DE USO: AGENTES DE SUSTENTAÇÃO DE FRATURAS DE POÇOS DE PETROLEO TEOR DE PUREZA: NÃO AVALIAVEL ESTADO FISICO: SOLIDO" e classificou a mercadoria no código 2508.60.00. Retirada amostra do produto e emitido laudo técnico Labor, a mercadoria foi identificada como "Preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro", classificável no código 3824.90.79. Intimada a empresa autuada (fl. 53), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 5476. Seguem as alegações da empresa. A classificação pretendida pelo fiscal elimina a possibilidade de a cerâmica ser tipificada em qualquer uma das posições correspondentes aos produtos do capitulo 25 da TEC, posicionamento inadmissível ante ao fato de que cerâmicas são produtos típicos, perfeitamente classificáveis no capitulo 25, mormente, como mulita. Inconformada com a classificação pretendida pela fiscalização que, equivocadamente enquadrara os produtos no Capitulo 38 da TEC, a impugnante, demonstrando sua boafé em definir a natureza do produto, encomendou dois laudos técnicos de laboratórios e profissionais distintos. As folhas 5860, transcreve trechos dos Laudos. A Nesh referente ao Capitulo 25 afirma a possibilidade da inclusão de produtos calcinados nas Posições do Capitulo. O Laudo técnico em anexo à impugnação conclui que a mercadoria é um caulim calcinado, sendo que a mulita se origina da calcinação do caulim. Logo, a Nesh do Capitulo 25 é totalmente inaplicável ao caso em questão uma vez que a mulita não passa por qualquer processo de calcinação, apenas decorre da calcinação do caulim. O caulim calcinado se apresenta na forma de mulita e tal substância está expressamente prevista na posição 2508. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 608 3 O Conselho de Contribuintes já decidiu pela prevalência do Laudo dos profissionais especializados em caso de discordância com o Laudo da fiscalização. Alega já haver importado mercadorias sob o código constante na DI sem qualquer questionamento por parte da Alfândega, muitas vezes até com análise documental e verificação física, inclusive na DI do caso em questão. O artigo 146 do CTN veda a mudança de critério jurídico. Alega a boa fé e o artigo 100 do CTN. Defende a aplicação do artigo 112 do CTN. Solicita a improcedência da autuação. Protesta pela intimação em endereço indicado à folha 76. Solicita pela produção de provas em direito admitidas. Indica perito e quesitos. A folha 172, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação. Juntada de documentos à folha 173192. À sua manifestação de inconformidade, o contribuinte anexou os seguintes documentos: i) cartão de CNPJ e atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 159/196); ii) auto de infração (fls. 201/245); iii) laudo de análise elaborado pelo Ministério da Fazenda (fl. 247); iv) outros documentos relacionados à importação da mercadoria (fls. 251/194); v) informações prestadas pelo fabricante da mercadoria importada, com a respectiva tradução juramentada (fl.295/315); vi) laudo elaborado pelo Dr. Amílcar Pereira da Silva Filho (fls. 319 a 323) e iv) laudo elaborado pelo laboratório "Analytical Solutions" (fls. 327/345). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento (fls.395/408), sob o fundamento de que os laudos apresentados pelo contribuinte não afastaram as conclusões atingidas pelo laudo da fiscalização, tendo, pelo contrário, corroborado com elas, visto que o produto em questão corresponde a uma mistura/preparação, razão pela qual não poderia ser classificada nas posições do capítulo 25 da TEC. A partir da análise das posições apontadas pela fiscalização e pelo contribuinte como corretas, bem como dos laudos elaborados por ambas as partes e, também, analisadas as regras para interpretação do sistema harmonizado, a primeira instância concluiu que a posição apontada pela fiscalização para a classificação fiscal da mercadoria estaria correta. Rejeitou o argumento de que o costume de importar a mercadoria sob o mesmo código constante da DI sob análise representaria norma complementar (art. 100 CTN), sob o fundamento de que tal fato não gera direito adquirido e que a administração tem direito de rever seus atos. Sobre a aplicação do artigo 112 do CTN, o acórdão consignou não existir dúvida a autorizar tal procedimento. Entendeu, como consequência de considerar a classificação fiscal incorreta, existir diferença de tributo a ser recolhida junto com multa de ofício e juros de mora, nos termos da autuação. O acórdão afastou, ainda, a aplicação do artigo 146 do CTN, sob fundamento de que o despacho aduaneiro não constitui declaração expressa de homologação nem implica em adoção de critério jurídico. Consignou que, nos termos do artigo 54 do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 2º do Decretolei 2.472/88, o Fisco pode reexaminar, no prazo de 05 Fl. 609DF CARF MF 4 (cinco) anos, a partir do registro da DI, as informações prestadas pelo importador na ocasião do despacho aduaneiro para verificar a regularidade do pagamento do imposto. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 19/05/2009 (vide AR à fl. 410 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/06/2009, Recurso Voluntário (fls. 418/450). Em seu recurso, o contribuinte alegou que o acórdão deve ser reformado por se basear em premissas equivocadas. Argumentou que: i) a posição por ele adotada é a correta por ser mais específica para o produto do que a posição indicada pelo Fisco; ii) conforme os laudos acostados à impugnação, foi constatada, no produto, a presença de mulita, que decorre do processo de calcinação do caulim, sendo este produto classificado no capítulo 25, sob o código 2508.60.00; iii) com base nas regras de interpretação do sistema harmonizado e nas notas explicativas ao capítulo 25 da TEC, a correta classificação do produto é a apontada pelo contribuinte; iv) a recorrente encomendou um terceiro parecer técnico elaborado com base em laudo da USP, dos quais requer a juntada, e pede que sejam apreciados em homenagem ao princípio da verdade material; v) a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou pela possibilidade de apresentação de laudos técnicos em fase de recurso; vi) em caso de conflito entre parecer técnico da Receita Federal e parecer elaborado por profissionais especializados, deve prevalecer este último, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes. Pediu, ao fim, a reforma do acórdão para que sejam anuladas as exigências de II, IPI, PISimportação, COFINSimportação e respectivas multas, considerandose a flagrante improcedência da autuação, conforme laudos técnicos de renomados laboratórios do País. Acostou, com o recurso, procuração e atos societários (fls. 456/488 e 573/604) e parecer técnico (fls. 492/566). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, a presente contenda versa sobre a correta classificação fiscal do produto objeto da presente autuação, conforme descrição a seguir, realizada pelo contribuinte: "NOME COMERCIAL: CERAMICA CARBO LITE 16/20 QUALIDADE DE USO: AGENTES DE SUSTENTAÇÃO DE FRATURAS DE POÇOS DE PETRÓLEO TEOR DE PUREZA: NÃO AVALIÁVEL ESTADO FÍSICO: SÓLIDO". O contribuinte classificou tal produto no código 2508.60.00 da Tarifa Externa Comum (incidência de 4% de II e 0% de IPI), ao passo que a fiscalização entendeu que a classificação correta seria a descrita no código 3824.90.79 da TEC (incidência de 14% de II e 10% de IPI), em razão do laudo técnico elaborado pelo LABOR que identificou a mercadoria como "Preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro". Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 609 5 Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevo a seguir o teor das referidas classificações fiscais, extraída da TIPI aprovada por meio do Decreto nº 4.542/2002, vigente à época do fato gerador em questão, ocorrido em 29/12/2005: 25.08 OUTRAS ARGILAS (EXCETO ARGILAS EXPANDIDAS DA POSIÇÃO 68.06), ANDALUZITA, CIANITA, SILIMANITA, MESMO CALCINADAS; MULITA; BARRO COZIDO EM PÓ (TERRA DE "CHAMOTTE") E TERRA DE DINAS 2508.60.00 Mulita *** 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3824.90 Outros 3824.90.7 Produtos e preparações à base de elementos químicos ou de seus compostos inorgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições 3824.90.79 Outros Ao analisar o caso, a DRJ entendeu que a classificação indicada pela fiscalização seria a correta, visto que a Nota nº 01 do capítulo 25, abaixo transcrita, vedaria a inserção nas posições do capítulo de misturas: Notas de Capitulo 1. Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições. Destacou, inclusive, que a empresa autuada não contestou o fato do produto em tela corresponder a uma mistura e que os laudos anexados ao processo confirmariam essa informação. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada, extraída da decisão recorrida: Fl. 611DF CARF MF 6 (...) Em seu recurso voluntário, o contribuinte volta a defender que a classificação por ele adotada seria a correta, trazendo, em resumo os seguintes fundamentos: (i) a posição 2508.60.00 é mais específica para o produto do que a posição indicada pelo Fisco, razão pela qual deveria prevalecer; ii) conforme os laudos acostados à impugnação, foi constatada, no produto, a presença de mulita, que decorre do processo de calcinação do caulim; iii) com base nas regras de interpretação do sistema harmonizado e nas notas explicativas ao capítulo 25 da TEC, a correta classificação do produto é a apontada pelo contribuinte; iv) a recorrente encomendou um terceiro parecer técnico elaborado com base em laudo da USP, dos quais requer a juntada, e pede que sejam apreciados em homenagem ao princípio da verdade material; v) a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou pela possibilidade de apresentação de laudos técnicos em fase de recurso; vi) em caso de conflito entre parecer técnico da Receita Federal e parecer elaborado por profissionais especializados, deve prevalecer este último, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes. Da análise do recurso voluntário interposto, portanto, verificase que o contribuinte não se insurgiu quanto ao principal fundamento constante da decisão recorrida no sentido de que o produto importado corresponde a uma mistura. Insistiu em defender que a classificação fiscal adotada por ele estaria correta visto que o produto seria composto primordialmente por mulita, sem, contudo, justificar porque a Nota nº 01 do capítulo 25 que Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 610 7 afasta a possibilidade de classificação neste capítulo de produtos resultantes de misturas deveria ser desconsiderada. Conforme laudos anexados pelo contribuinte aos presentes autos, não restam dúvidas que o produto importado possui mulita em sua composição. Ocorre que os referidos laudos constataram, além da mulita, a presença de outras substâncias, levando à conclusão de que corresponde a uma mistura, o que impossibilitaria o seu enquadramento no capítulo 25, como pretendido pelo contribuinte, em razão do disposto na Nota nº 01 já referida. Ademais, entendo que o terceiro laudo técnico elaborado pelo Laboratório de Análises da Universidade de São Paulo USP trazido aos autos pelo contribuinte quando do Recurso Voluntário, cuja análise poderá ser admitida no presente caso e será realizada nesta oportunidade, não lhe socorre quanto à sua pretensão. Para que se possa compreender a análise que aqui se faz, trazse à colação a conclusão constante do referido laudo: Como se vê, o referido laudo concluiu que o produto é formado preponderantemente, e não exclusivamente, como mulita. Nesse contexto, ao meu ver, não logra modificar a conclusão a que chegou a DRJ na decisão recorrida de que o produto corresponde a uma mistura. Inaplicável, portanto, o art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, como pretendido pela Recorrente. Por outro lado, quanto à parte constante do laudo apresentado em que aponta que a posição 2508.60.00 corresponderia à correta classificação fiscal do produto, penso que esta passagem deverá ser desconsiderada. Isso porque, entendo que o laudo deverá limitarse à análise das características técnicas do produtos, para que a classificação fiscal possa ser corretamente identificada pelo órgão competente para fazêlo. Eventual classificação fiscal apontada em laudo técnico elaborado por um laboratório, decerto não vincula este Colegiado, a quem compete a análise e aplicação das normas que versam sobre classificação fiscal. Nesse sentido, assim dispõe o parágrafo 1º do art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Fl. 613DF CARF MF 8 § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Diante das razões acima expostas, entendo que o contribuinte não logrou comprovar no presente caso que o produto em tela não corresponde a uma mistura. Ao contrário, trouxe aos autos laudos técnicos que levam justamente à conclusão oposta. E, face à disposição expressa na Nota nº 01, não há como enquadrar o produto resultante de uma mistura no referido capítulo. De outro norte, na mesma linha das razões constantes da decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo a seguir, adotandoos como razão de decidir, entendo correta a classificação fiscal indicada pela fiscalização, no código 3824.90.79, diante da impossibilidade de classificar o produto em tela no capítulo 25, que leva, invariavelmente, à inexistência de classificação fiscal mais específica: A Nota n° 1 do Capitulo 38 (Id razão ao procedimento da fiscalização aduaneira, uma vez que prevê que produtos de constituição química definida não são classificáveis no Capitulo 38, o que, a contrario sensu, quer dizer que produtos que não são de constituição química definida devem ser ali classificados., CAPÍTULO 38 PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS Notas de Capitulo 1.0 presente Capitulo não compreende: a)os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: (.) Conforme o Laudo Técnico de folhas 24, a mercadoria não tem constituição química definida, uma vez que é uma mistura (preparação) de quatro tipos diferentes de óxidos. A Nota Explicativa do Sistema Harmonizado do Capitulo 38 é ainda mais explicita ao afirmar que não são classificados ali os produtos de composição química definida apresentados isoladamente, sendo que a mercadoria em questão é uma mistura de vários tipos de óxidos, todos misturados. (grifos nossos). Considerações Gerais Página 553 (IN 123/98): Este Capitulo abrange um número considerável de matérias pertencentes ao domínio das indústrias químicas ou das indústrias conexas. Não compreende os produtos de composição química definida, apresentados isoladamente (que se incluem, em geral, nos Capítulos 28 ou 29), com exceção, porém, dos produtos enumerados na seguinte lista limitativa: Por força da Regra n° 1 do Sistema Harmonizado, a mercadoria descrita no Laudo Técnico corresponde à Posição 3824 — Produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais, não especificados nem compreendidos em outras posições). Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 611 9 Como nenhuma subposição descrevia a classificação de preparações à base de óxidos, deve ser adotada a subposição 90 (3824.90). Dentro da subposição 90, deve ser adotado o item 7, uma vez que óxidos são elementos químicos inorgânicos e nos outros itens não havia previsão de classificação. E, finalmente, dentro do item 7 (3824.90.7) deve ser adotado o subitem 9 (3824.90.79), uma vez que nenhum dos subitens anteriores previa a classificação dos tipos de óxido descrito no Laudo de folhas 81. Correta, portanto, a classificação adotada pela Fiscalização Aduaneira. Há de se destacar, inclusive, que este Conselho já teve a oportunidade de analisar a classificação fiscal deste produto em auto de infração lavrado em face deste mesmo contribuinte, tendo concluído, da mesma forma, pela correção da classificação fiscal indicada pela fiscalização, constante do código 3824.90.79. É o que se extrai da ementa a seguir colacionada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/04/2001 Apresentação de Laudo Técnico na Fase Recursal A faculdade de determinar, de ofício, a realização de diligência ou perícia, por via oblíqua, autoriza que, excepcionalmente, se conheça de laudo técnico juntado aos autos juntamente com o recurso voluntário. Atentaria contra a economia processual converter o julgamento em diligência para que fossem realizados novos exames a fim de apurar aquilo que o sujeito passivo já realizou ou, o que seria mais grave, determinar a juntada aos autos daquilo que já se encontra juntado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/04/2001 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. Ademais, não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/04/2001 Carbolite. Classificação Produto comercialmente denominado Carbolite, composto de Mulita, obtida artificialmente por meio de processo de calcinação, e Sílica como criatobalita, classificase no código 3824.90.79 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. Fl. 615DF CARF MF 10 A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/04/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O erro na indicação da classificação fiscal ou a insuficiência na descrição da mercadoria não são suficientes para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Parcialmente Provido (Acórdão 3102001.346 de 26/01/2012). Da conclusão Diante das razões supra expendidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 616DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.000852/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Embora não tenha o contribuinte tratado da decadência em seu Recurso Voluntário, esta matéria poderá ser reapreciada por este Conselho, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
Uma vez constatado o pagamento antecipado do IPI em determinadas competências, há de ser afastada a cobrança no que concerne aos períodos decaídos, em razão do disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DAS MERCADORIAS.
Quanto aos produtos Caderno Refil p/ Fichário 96F ST; Caderno Refil p/ Fichário 140x21 e Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96, Identificando-se que estes encontram-se suficientemente descritos nos presentes autos, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pelo que deverá ser afastada a preliminar de nulidade apresentada.
De outro norte, há de ser reconhecida a nulidade material do auto de infração no que concerne ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper".
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA.
No caso dos presentes autos, não há que se falar em nulidade do auto de infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Quanto aos produtos Caderno Refil p/ Fichário 96F ST; Caderno Refil p/ Fichário 140x21 e Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96 correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização no código NCM/TEC 48.20.10.00, em consonância inclusive com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28 de agosto de 2003.
Quanto ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade decretada, torna-se desnecessária a análise da correta classificação fiscal a ser adotada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; e (ii) determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração somente em relação a esse item.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PAGAMENTO ANTECIPADO. Embora não tenha o contribuinte tratado da decadência em seu Recurso Voluntário, esta matéria poderá ser reapreciada por este Conselho, visto tratarse de matéria de ordem pública. Uma vez constatado o pagamento antecipado do IPI em determinadas competências, há de ser afastada a cobrança no que concerne aos períodos decaídos, em razão do disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DAS MERCADORIAS. Quanto aos produtos “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”, Identificandose que estes encontramse suficientemente descritos nos presentes autos, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pelo que deverá ser afastada a preliminar de nulidade apresentada. De outro norte, há de ser reconhecida a nulidade material do auto de infração no que concerne ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper". INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA. No caso dos presentes autos, não há que se falar em nulidade do auto de infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 08 52 /2 00 9- 27 Fl. 610DF CARF MF 2 Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quanto aos produtos “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização no código NCM/TEC 48.20.10.00, em consonância inclusive com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28 de agosto de 2003. Quanto ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade decretada, tornase desnecessária a análise da correta classificação fiscal a ser adotada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; e (ii) determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração somente em relação a esse item. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 611 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 502/511 dos autos: Contra a empresa CADERBRÁS BICO INTERNACIONAL LTDA, já qualificada nos autos, foi lavrado AI (Auto de Infração) por AuditorFiscal da DRFLimeira (Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP), em sede do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) nº 08.1.12.002008004741, em face da falta e/ou insuficiência de valor no lançamento do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) decorrente do fato de ter promovido a saída de produtos do seu estabelecimento com erro de classificação fiscal. Por conseguinte, com base na reclassificação fiscal efetuada ex officio daqueles produtos, restou apurado um crédito tributário total de R$ 2.680.011,00 referentes à diferença de imposto apurada e seus consectários legais (multas e juros moratórios incidentes sobre a espécie). O contribuinte é estabelecimento industrial, fabricante de diversos itens de papelaria em geral (material escolar e de escritório) como, por exemplo, Agendas, Cadernos, Pastas Fichário e Blocos de Folhas para reposição de fichários. A partir da análise da classificação fiscal utilizada para os produtos saídos do seu estabelecimento e considerando as informações de interesse fiscal que prestou ao Fisco Federal in casu, procedeuse a reclassificação fiscal de vários itens, como segue: (A) Adotou o código NCM 4820.20.00 (tributado à alíquota 0%) para os produtos finais: “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”. A autoridade lançadora, considerando que esse código NCM deve ser utilizado exclusivamente para cadernos e não para folhas de reposição para fichários, consoante as regras e normas de classificação fiscal pertinentes, efetuou a sua reclassificação para o código NCM 48.20.10.00 (tributado à alíquota de 15%). e (B) Adotou o código NCM 4202.12.10 (tributado à alíquota de 10%) para os produtos finais: “Pasta Fichário Solda e Ziper". A autoridade lançadora considerando que esse código NCM deve ser utilizado exclusivamente para obras de couro, artigos de correeiro ou de seleiro e não para pastas fichário de uso escolar, consoante as regras e normas de classificação fiscal pertinentes, efetuou a sua reclassificação para o código NCM 4820.30.00 (tributado à alíquota de 15%). Portanto, efetuouse o Lançamento de Oficio da diferença do IPI incidente sobre os produtos saídos do estabelecimento da recorrente, objeto da Reclassificação Fiscal efetuada, com base na alíquota do imposto Fl. 612DF CARF MF 4 correspondente aos Códigos NCM considerados na Exigência Fiscal de acordo com as TIPI’s aprovadas pelo Decreto nº 4.542 de 27/12/2002 com vigência a partir de 01/01/2003 e o Decreto nº 6.006 de 28/12/2006 com vigência a partir de 01/01/2007, bem como o lançamento de multa e dos Juros moratórios incidentes sobre a espécie, conforme Demonstrativos anexos ao AI em causa. De outra parte, contraditando o AI em questão, os pontos principais da argumentação da defendente podem ser sinteticamente assim descritos: (A) Como preliminar, arguiu a decadência do crédito lançado correspondente aos fatos geradores ocorridos no período entre Março e Abril de 2004, considerando que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, dispõe o Fisco Federal do prazo de 5 anos para homologar o procedimento efetuado pelo contribuinte, nos termos do 156, §4º, do CTN. (B) Nulidade do AI em causa, vez que a fiscalização formalizou a constituição do crédito com base apenas em informações extraídas dos documentos fiscais do contribuinte (simples descrição da mercadoria), o que configuraria mera presunção de erro e o descumprimento do princípio da verdade material que deve reger os procedimentos fiscalizatórios. (C) Que os produtos objeto da reclassificação fiscal efetuada pela fiscalização (“Caderno Refil” e “Pasta de Documentos”) foram corretamente enquadrados na NCM/TEc de acordo com as regras de classificação fiscal do Sistema Harmonizado. (D) Que a nulidade do AI decorreria também da inexistência de Laudo Técnico ou Perícia da mercadoria objeto da reclassificação fiscal efetuada, na medida em que a autoridade lançadora careceria de qualificação técnica para conduzir o procedimento de reclassificação fiscal. Ao analisar o caso, a DRJ, tendo acolhido parcialmente o argumento de decadência apresentado pelo contribuinte, entendeu por julgar procedente em parte a impugnação, determinando a exoneração de R$ 2.373,46. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e atualizações posteriores. Classificação Fiscal procedida nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003. Mercadoria identificada como “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” classificase no código NCM/TEC 48.20.10.00. Mercadoria identificada como “Pasta Fichário Solda e Ziper" classificase no código 4820.30.00. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 612 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma vez que não foi esse o motivo da autuação, e, sim, a sua incorreta classificação fiscal na NCM/TEC, ao amparo das RGI do SH nºs 1 e 6. Além do mais, os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 28/03/2013 (vide termo de ciência por decurso de prazo à fl. 524 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 09/04/2013 Recurso Voluntário (fls. 526/575), através do qual requereu: (i) reforma do ácordão da DRJ pela alegada falta de descrição dos produtos classificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório e ampla defesa; (ii) reforma do ácordão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria de reclassificação fiscal e ausência de elementos para comprovar imputação; (iii) reforma do ácordão da DRJ pela alegada classificação fiscal correta adotada pelo contribuinte. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 614DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 526/575), através do qual requereu a reforma da decisão recorrida, com base em argumentos que serão devidamente analisados nos tópicos subsequentes. 1. Preliminar de decadência Em sua impugnação, o contribuinte trouxe o argumento preliminar de decadência do crédito tributário lançado referente aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre os meses de março e abril de 2004. Neste ponto, a DRJ acolheu em parte o pleito do contribuinte, conforme fundamentos a seguir transcritos: No caso em tela, relativamente ao item “Caderno Refil p/ Fichário 96FST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” reclassificado para o código NCM/TEC 48.20.10.00, considerandose que não houve pagamento do IPI, a regra a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN, conforme a orientação jurisprudencial assentada no REsp. 973.733SC, em cuja ementa se lê: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 613 7 entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. Dessarte, considerando que o contribuinte foi intimado do AI em 24/Abril/2009 (fls. 03 do processo digital), rejeito a preliminar suscitada para a referida mercadoria (“Caderno Refil p/ Fichário” reclassificado para o código NCM/TEC 48.20.10.00), ao tempo em que a acolho para o efeito da Mercadoria identificada como “Pasta Fichário Solda e Ziper" reclassificada para o código 4820.30.00, vez que nesse caso houve recolhimento do imposto, de forma que o exonero do valor de R$ 2.373,46 correspondente ao crédito tributário lançado sobre os fatos geradores ocorridos no período compreendido entre março e abril do ano calendário de 2004, como segue. Embora o contribuinte não tenha contestado expressamente em seu Recurso Voluntário os fundamentos acima transcritos constantes da decisão recorrida no que concerne à decadência, por tratarse de matéria de ordem pública, não resta dúvidas que este Conselho tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade. Entendo que merece reforma a decisão recorrida no que concerne à análise da decadência. Isso porque, o que a decisão do STJ determina para fins de adoção do parágrafo 4º do art. 150 do CTN ou do art. 173, inciso I deste mesmo Código é a análise da existência ou Fl. 616DF CARF MF 8 não de pagamento antecipado do tributo em determinada competência, e não se o tributo foi pago especificamente no que concerne à determinado produto. Sendo assim, estando incontroverso nos autos que houve recolhimento do IPI nas competências em questão, tanto que a decadência fora reconhecida no que concerne à mercadoria "Pasta Fichário Solda e Ziper", este mesmo reconhecimento deverá se dar no que concerne às demais mercadorias objeto do auto de infração, visto que aplicável à hipótese a regra disposta no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Deverá ser afastada do auto de infração, portanto, a cobrança relativa a todos os fatos geradores anteriores a 24 de abril de 2004, visto que fulminada pela decadência. 2. Da alegada falta de descrição dos produtos classificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório e ampla defesa Neste tópico, alega o contribuinte que o auto de infração combatido seria nulo por dois motivos: (i) não haveria qualquer elemento que justificasse o motivo para classificação do produto no NCM escolhido pela fiscalização; (ii) não constaria dos autos qualquer descrição do produto e suas propriedades, mas apenas a indicação da sua nomenclatura (Cad. Refil para fichário e Pasta Fichário Solda e Ziper). Argumenta que tais falhas teriam impedido o seu direito de defesa e que a falta de descrição geraria dúvidas acerca de quais foram os produtos reclassificados. Ressalta, por exemplo, que no caso da "Pasta Fichário Solda e Zíper", por exemplo, existem diversos modelos de pastas com composição diferentes (couro, plástico, papel, etc.), o que influencia na sua classificação fiscal. No que concerne aos produtos objeto do presente auto de infração ("Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96"), entendo que não assiste razão ao contribuinte em seus argumentos. Ora, neste caso específico, os referidos produtos encontramse muito bem descritos pela nomenclatura adotada pelo próprio contribuinte em sua contabilidade, sendo possível, através desta, identificar e classificar os referidos produtos descritos no correto NCM. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade alegada no que tange a tais produtos. De outro lado, o contribuinte sequer contestou a própria nomenclatura adotada pelo mesmo para fins de classificar a mercadoria em questão como "refil para fichário" ou mesmo "fichário", não tendo trazido aos autos qualquer elemento que pudesse por em dúvida os produtos que aqui se analisam. Tampouco descreveu qualquer característica dos seus produtos apta a modificar a classificação fiscal realizada pela fiscalização. Destaquese, inclusive, ter o auto de infração indicado de forma expressa que a classificação fiscal ali indicada foi realizada nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003, que tratam especificamente de "fichários", ou seja, nos exatos termos da descrição adotada pelo contribuinte em sua contabilidade. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao pedido do contribuinte, por entender que inexistiu agressão aos princípios do contraditório e da ampla defesa. De outro norte, no que concerne especificamente à "Pasta Fichário Solda e Ziper", entendo que assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Isso porque, no que concerne a tais produtos, refutou a fiscalização a classificação fiscal adotada pelo contribuinte sob o seguinte fundamento (vide fl. 04 do e processo): Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 614 9 002 A utilização para os produtos finais com o código NCM 4202.12.10 tributado à alíquota de 10% (dez por cento), classificação essa, que deve ser utilizada exclusivamente para obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro, e não para as diversas pastas e divisórias de uso escolar, que são os produtos em questão, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras da NCM e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003 é no código 4820.30.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento). Ou seja, fundamentou a fiscalização que a classificação adotada pelo contribuinte (NCM 4202.12.10) poderia ser utilizada exclusivamente para obras de couro, artigos de correeiro ou de seleiro. Não é isso, contudo, o que dispõe o capítulo 42 da TIPI, conforme dispositivo transcrito na decisão recorrida acima e abaixo novamente reproduzido: Capítulo 42 Obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro; artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes; obras de tripa Percebese que o referido capítulo 42 destinase não apenas a obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro, como entendeu a fiscalização, mas também a artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes, além de obras de tripa. Verificase ainda que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte indica expressamente que o produto em questão é de plástico, conforme classificação fiscal adotada pelo mesmo: 42.02 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes, os estojos para óculos, binóculos, câmeras fotográficas e de filmar, instrumentos musicais, armas e artefatos semelhantes; sacos de viagem, sacos isolantes para gêneros alimentícios e bebidas, bolsas de toucador, mochilas, bolsas, sacolas (sacos para compras), carteiras, porta moedas, portacartões, cigarreiras, tabaqueiras, estojos para ferramentas, bolsas e sacos para artigos de esporte, estojos para frascos ou para jóias, caixas para póde arroz, estojos para ourivesaria e artefatos semelhantes, de couro natural ou reconstituído, de folhas de plásticos, de matérias têxteis, de fibra vulcanizada ou de cartão, ou recobertos, no todo ou na maior parte, dessas mesmas matérias ou de papel. 4202.1 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes e artefatos semelhantes: 4202.11.00 Com a superfície exterior de couro natural ou reconstituído 4202.12 Com a superfície exterior de plásticos ou de matérias têxteis 4202.12.10 De plásticos Verificase, portanto, que a fiscalização adotou fundamento nitidamente equivocado ao afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte neste caso concreto (que a sua adoção seria exclusiva para obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro). Nesse contexto, deixou de trazer aos autos as eventuais razões do não enquadramento no item 4202.12.10, relativo às pastas de documentos e para estudantes com a superfície exterior de plásticos. Nesse contexto, entendo que a ausência de fundamentos válidos que justifiquem o afastamento da classificação adotada pelo contribuinte e a adoção da Fl. 618DF CARF MF 10 classificação fiscal adotada pela fiscalização, tornam este Colegiado inapto para julgar a presente demanda, por ausência de elementos essenciais à sua análise. Entendo, pois, que há uma falha de fundamentação no auto de infração intransponível no presente caso, pois a descrição dos produtos aqui analisados, com as suas características e materiais que o compõe, somada ao cotejo entre esses produtos e a correta classificação fiscal de acordo com a legislação pertinente, seria essencial à manutenção do auto de infração aqui combatido. Até porque, é cediço que o auto de infração deve ser auto explicável, compreensível por si só quanto aos fundamentos da imputação ali apresentada. Acontece que, no caso dos autos, através a leitura do auto de infração, não há como se compreender quais as razões que levaram a fiscalização a afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Nesse contexto, conforme determina o art. 59 do Decreto 70.235/1972, entendo que deverá ser declarado nulo o auto de infração em epígrafe no que concerne ao lançamento relacionado ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", visto que houve preterição do direito de defesa do contribuinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Há de se destacar, outrossim, que se está diante de uma nulidade material (vício de fundamentação) e não meramente formal. Nesse contexto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins de determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração em relação a esse item. 3. Reforma do ácordão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria de reclassificação fiscal e ausência de elementos para comprovar imputação Segue o contribuinte dispondo que a inexistência de um laudo ou mesmo de uma prova pericial préconstituída a respeito das mercadorias objeto de reclassificação fiscal caracterizaria vício material do ato administrativo na constituição e lançamento do crédito tributário, levando à necessidade de cancelamento do Auto de Infração. Discordo do contribuinte neste ponto. Para que um auto de infração seja válido, é imprescindível que a fiscalização aponte a correta descrição e classificação do produto, conforme análise já devidamente realizada no tópico anterior. A elaboração de laudo técnico ou perícia não é requisito essencial à validade do auto de infração, sendo determinada a sua realização tão somente em casos específicos, que demandem tal dilação probatória. Não é este, contudo, o caso dos presentes autos, cuja solução poderá ser plenamente atingida através dos elementos já constantes dos autos e sem que isto acarrete qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Em resumo, não há que se falar em nulidade do auto de infração aqui analisado pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização apresentase prescindível à solução da presente contenda (seja quanto à eventual nulidade do auto de infração, já analisada Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 615 11 no tópico anterior, seja quanto à análise da classificação fiscal em si, conforme será devidamente analisada no tópico a seguir). 4. Reforma do ácordão da DRJ pela alegada classificação fiscal correta adotada pelo contribuinte Por fim, alega o contribuinte que a classificação adotada pelo mesmo estaria correta quanto a ambas as categorias de produtos (Cad Refil para Fichário e Pasta Fichário). A primeira reclassificação fiscal realizada engloba os seguintes produtos: "Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96". Ao analisar a classificação fiscal destes produtos, assim se manifestou a DRJ: No que tange ao primeiro produto reclassificado (“Caderno Refil p/Fichário 96F ST”;“Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”.”), impende tecer algumas observações preliminares que serão úteis ao deslinde da questão. Inicialmente, seguem o texto do subitem 4820.20.00 (adotado pelo contribuinte) e o texto do subitem 48.20.10.00 (reclassificada pela fiscalização). 4820.20.00 = Cadernos [................................] 4820.10.00 = Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes. Considerando a descrição do produto fornecida pelo próprio contribuinte (“Caderno Refil P/Fichário”) e das informações obtidas a partir de pesquisas na Internet que muito ajudaram para a identificação comercial dos produtos analisados e sua descrição qualitativa, temos claro que não podem ser enquadrados na NCM 4820.20.00 (“Cadernos”) vez que: a) São, de fato, folhas (fichas) de reposição para fichários; b) A utilização do vocábulo “caderno”, in casu, (possivelmente seja a questão de fundo além da sensível diferença tarifária entre as classificações em “disputa”) remete à sua acepção no sentido de ser uma coleção ou agrupamento de ficcchas (folhas pautadas) destinadas à reposição de fichários. São características que claramente afastam o emprego da NCM 4820.20.00 para aquela classe de produtos. (...). Finalmente, para afastar qualquer dúvida e estabelecer com clareza a classificação fiscal dos artigos analisados impende trazer, de plano, à colação o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003, que trata especificamente dos produtos em exame. Fl. 620DF CARF MF 12 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 28 de agosto de 2003 DOU de 1.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário", na Nomenclatura Comum do Mercosul. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº. 259, de 24 de agosto de 2001, e com base na Nota Coana/Cotac/Dinom no 230, de 20 de agosto de 2003, declara: Art. 1º Fichários ou capas para encadernação, de uso escolar, consistindo em capa dura provida internamente de ferragem de argolas para encadernação de folhas soltas, mesmo apresentados com folhas pautadas e divisórias para separação de matérias, classificamse no código 4820.30.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Art. 2º Blocos de folhas para reposição dos fichários ou capas para encadernação referidos no art. 1º, constituídos por folhas de papel pautado, perfuradas à margem esquerda para fixação às argolas do fichário e unidas por adesivo na lombada que permite o destaque das folhas sem danificálas, classificamse no código 4820.10.00 da NCM. JORGE ANTONIO DEHER RACHID O contribuinte, por seu turno, defende que o Ato Declaratório Interpretativo n. 13/2003, embora tenha tratado de "fichários" e "folhas para fichário" não deve ser aplicado no caso em análise em razão do disposto no art. 110 do CTN que determina que "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas do direito privado (...)". Nessa linha, afirma que a definição do conceito de "caderno refil" não poderia ter sido alterado pelo referido ADI. Segue dispondo que o refil para fichário deveria receber a mesma classificação do caderno, visto que a sua função seria a mesma, e que, sabendose que o IPI obedece aos princípios da seletividade e da essencialidade, não haveria lógica em se manter uma classificação fiscal mais onerosa do IPI para o refil de caderno e desonerar o caderno. Neste particular, entendo que não assiste razão ao Recorrente. O fato de ter o contribuinte adotado em sua escrita fiscal a nomenclatura "cad", no intuito de caracterizar o seu produto como um caderno, não o torna um caderno para fins de classificação fiscal. O refil para fichário, ainda que possua função semelhante à função desempenhada pelo caderno, não a transforma em um caderno. Em outras palavras, pretende o contribuinte a adoção de tratamento idêntico a produtos que, embora se assemelham em sua função, são inquestionavelmente distintos. De outro norte, as razões para a adoção de determinada política fiscal que desonera determinado produto possui nuances de inteligência fiscal que vai muito além de uma simples análise da função do produto desonerado. Para que possa usufruir do benefício da alíquota zero, é necessário não apenas que o produto possua a mesma funcionalidade do produto exonerado, mas que se enquadre naquela NCM específica, conforme regras aplicáveis à classificação fiscal (Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado RGI/SH e Regras Gerais Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM). E, salientese que o código 4820.20.00 abrange unicamente o produto “Cadernos”, sem que haja qualquer margem para interpretação extensiva. Até porque, deve ser restritiva a interpretação das hipóteses abrangidas pelo benefício da alíquota reduzida de 0%. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 616 13 De outro lado, o código 4820.10.00 traz uma descrição mais maleável (Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes), em que é possível enquadrar o refil para fichário objeto da presente contenda. Nesse contexto, entendo que não houve por parte do ADI 13/2003 afronta ao disposto no art. 110 do CTN. O referido ADI apenas esclareceu a correta classificação fiscal do produto em questão com base na legislação aplicável, classificação esta com a qual concordo. Há de se destacar aqui que os Atos Declaratórios não possui natureza constitutiva e, como atos interpretativos que são, não têm o poder de instituir normas, limitandose a explicitar o sentido e alcance das normas integrantes dos atos constitutivos que interpretam (vide Parecer Normativo COSIT nº 5, de 25 de maio de 1994). Nesse contexto, ao acatar os termos do ADI em questão, estáse, em verdade, aplicando a legislação federal que orienta para a correta classificação fiscal do produto. Como se não bastasse, destaquese que a decisão proferida no Acórdão n. 30334.946 de 04 de dezembro de 2007, trazida pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, tampouco o socorre na sua tentativa de afastar o conteúdo do auto de infração aqui combatido. Isso porque, a conclusão constante da ementa de que estaria correta a classificação no Código NCM 4820.20.00 (ex001) da NCM estava relacionada ao produto "caderneta" ou "cadernos escolares de quaisquer dimensões e não ao refil para fichário, que é objeto da presente contenda. E, embora tenha a DRJ naqueles autos afastado o auto de infração no que concerne ao item "refil", o fez por fundamento distinto do analisado no presente auto de infração. É o que se observa da transcrição a seguir: No que pertence o produto "Refil", afirma o autuado que se trata de um modelo de caderno escolar, passível, portanto, de ser classificado no código 4820.20.00 EX 001, tributado com alíquota do IPI de 0%. Por sua vez, a classificação adotada pela fiscalização foi a 4823.51.00, que corresponderia a "outros papeis e cartões dos tipos utilizados pela escrita (...) impressos, estampados ou perfurados", com alíquota de 10%. Ao analisarmos o material probatório trazidos aos presentes autos, constatados que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 13 de 2003, em seu art. 2º, estabelece de forma inequívoca que o indigitado produto se classifica, na verdade, no código 4820.10.00, sujeito a uma alíquota de 15%, conforme noticia a TIPI. Entretanto, conforme foi asseverado na resposta à diligência (fl. 837), no seu item 04, não se afigura possível à lavratura de um Auto de Infração Complementar, ante o transcurso do prazo decadencial, face ao erro de classificação fiscal verificado no lançamento. Portanto, devem ser cancelados todos os valores relativos ao produto denominado "Refil", conforme restou especificado no item 3.12 do decisum em escopo. Ou seja, também naqueles autos, chegou o CARF à conclusão de que o produto em tela se enquadra no código 4820.10.00, nos termos do ADI 13/2003, não concordando com a pretensão do contribuinte de enquadramento na classificação fiscal 4820.20.00, que lhe concederia o benefício da alíquota de 0%. Apenas afastou a exação naquele caso específico em razão da errônea classificação fiscal adotada pela fiscalização, a Fl. 622DF CARF MF 14 qual havia enquadrado em outro código NCM que não se aplicava à hipótese, somada à impossibilidade de lavratura de auto de infração complementar, em razão da decadência. Nos presentes autos, portanto, havendo a fiscalização enquadrado corretamente os produtos "Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96" no NCM 4820.10.00, há de ser mantida a exigência fiscal atinente a tais produtos quanto às competências não fulminadas pela decadência. De outro norte, a segunda reclassificação fiscal referese ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em relação ao qual, conforme já analisado no tópico anterior, há de ser afastada a autuação, em razão da nulidade material verificada. Nesse contexto, tornase despicienda a análise acerca da correta classificação fiscal deste item. 5. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; (ii) determinar a exclusão dos valores relativos à "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 623DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.003674/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2009, 01/05/2009 a 31/08/2009, 01/10/2009 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE.
A ausência de descrição dos produtos objeto do auto de infração, somada à ausência de fundamentação válida quanto às razões que justificariam o afastamento da classificação fiscal adotada pelo contribuinte, levam invariavelmente à nulidade do auto de infração, visto que restou cerceado o direito de defesa do contribuinte (inteligência do art. 59, inciso II do Decreto 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração em sua integralidade, em razão do reconhecimento de sua nulidade material.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. A ausência de descrição dos produtos objeto do auto de infração, somada à ausência de fundamentação válida quanto às razões que justificariam o afastamento da classificação fiscal adotada pelo contribuinte, levam invariavelmente à nulidade do auto de infração, visto que restou cerceado o direito de defesa do contribuinte (inteligência do art. 59, inciso II do Decreto 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração em sua integralidade, em razão do reconhecimento de sua nulidade material. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 36 74 /2 01 0- 20 Fl. 218DF CARF MF 2 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 219 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 141/148 dos autos: Tratase de impugnação de lançamento de IPI (efls. 59 a 71), apresentada em 17 de dezembro de 2010, por meio da qual a Interessada contestou o auto de infração de 18 de novembro de 2010 relativo aos períodos de julho de 2008 a abril de 2010. De acordo com o termo de verificação de efls. 4 a 7, foi apurado o seguinte: "Em procedimento fiscal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.12.002009006667 de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito supracitado, foi apurada infração abaixo descrita, aos dispositivos legais mencionados. O contribuinte é fabricante de agendas, cadernos, pastas fichário, e também de blocos de folhas para reposição dos fichários (caderno refil). Intimado a apresentar as classificações fiscais utilizadas para seus produtos, o fez respondendo através dos documentos de fls. 22 a 36. Da análise das classificações fiscais utilizadas pelo contribuinte, constatouse o seguinte: 001 A utilização para todos os produtos finais da categoria "Cad refil" o código 4820.20.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) tributada à alíquota 0 (zero)%, classificação essa que deveria ser utilizada exclusivamente para os cadernos e não para folhas de reposição para fichários, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras Gerais de Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), integrantes do seu texto (DecretoLein° 1.154, de 1° de março de 1971, art. 3°) deverá ser 48.20.10.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento), conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003, em anexo às fls. 37 a 40. 002 A utilização para os produtos finais com o código NCM 4202.12.10 tributado à alíquota de 10% (dez por cento), classificação essa, que deve ser utilizada exclusivamente para obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro, e não para as diversas pastas e divisórias de uso escolar, que são os produtos em questão, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras da NCM e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003 é no código 4820.30.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento)." Fl. 220DF CARF MF 4 Na impugnação, a Interessada alegou, inicialmente, ser nulo o auto de infração, por não se ter pautado em laudo técnico para efetuar a classificação de mercadorias, conforme exigiria o art. 30 do Decreto n. 70.235, de 1972. Dessa forma, a classificação teria sido efetuada por mera presunção. Citou ementas de acórdãos dos antigos Conselhos de Contribuintes sobre nulidade. Afirmou, ainda, que teria adotado os critérios da NBR 15733 da ABNT, “que define a classificação fiscal em conformidade com tais ditames legais, pautado em conhecimentos técnicos assertivos para tanto”. Por fim, enfatizou que o auto de infração seria nulo porque não descreveria o motivo da autuação, o objeto da reclassificação e não estaria subsidiado em laudo técnico fundamentado. Passou a tratar do que seria a correta classificação fiscal, descrevendo o produto “folhas para reposição ou substituição de folhas usadas em cadernos”. Após citar as classificações fiscais em debate e as notas explicativas, alegou o seguinte: A esse respeito é importante ressaltar que o caderno refil é composto de folhas de papel pautado, que em nada se assemelha aos blocos de notas, tal como equivocadamente pretende a autoridade administrativa autuante, pois além de não estarem reunidos em um canhoto colado, não contemplam folhas de papel carbono. Para basear a sua presunção a D. Fiscalização baseouse no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003, que dispõe sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário". No papelrefil para cadernos, diferentemente do papelrefil para fichário, as folhas não estão reunidas em um canhoto colado e são corriqueiramente aproveitadas para a reutilização do "miolo" dos cadernos de capa dura ou argolados. Não pode a fiscalização, portanto, equiparar as folhasrefil de fichário, que são blocos de folhas para reposição dos fichários, com as folhasrefil de cadernos. O produto "reclassificado" é único e não pode ser dividido, como pretendeu o auditor, em capa e miolo. A tentativa é tão absurda quanto tentar "reclassificar" um livro dividindo cada um dos elementos de sua essência: papel, capa, impressão e o conteúdo intelectual, como se não fossem partes de um todo. O produto em pauta é um modelo de caderno, não a sua capa e seu miolo separadamente. Em relação ao segundo item da autuação, alegou que o “produto por ela fabricado, denominado pasta de documentos para estudantes de plástico, não tem por função essencial agrupar folhas como sugere a reclassificação dada pela autoridade fiscalizadora, mas sim de guarda Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 220 5 documentos em geral ou qualquer outro objeto compatível com o seu tamanho”. Afirmou ser equivocada a premissa adotada pela Fiscalização de que a posição 4202.12.10 somente poderia abranger “obras de couro”, pois a nota de posição referirse ia a pasta de plástico. Citou, na sequência, as descrições contidas nos textos de posição. A seguir, afirmou o seguinte: Baseouse a fiscalização na regra contida no Ato Declaratório n° 13 da SRF, que atribui a classificação NCM 4820.30.00 para fichários ou capas para encadernação, de uso escolar, consistindo em capa dura provida internamente de ferragem de argolas para encadernação de folhas soltas, mesmo apresentados com folhas pautadas e divisórias para separação de matérias. Não obstante, mais uma vez cometeu um erro a fiscalização ao supor que tais materiais poderiam ser classificados como fichários, sem ao menos ter identificado que o produto fabricado, denominado pasta de documentos para estudante de plástico, não ter por função agrupar folhas, mas sim guardar documentos em geral ou qualquer outro objeto compatível com o seu tamanho. Referido produto é todo revestido de plástico e contém divisões internas, o que comprova a sua característica essencial de pasta para documentos, não se confundindo com a finalidade e conceito de fichário como supõe a fiscalização. Desta feita, verificase que a Impugnante procedeu à correta classificação fiscal das mercadorias por ela fabricadas, não prosperando o entendimento fazendário de reclassificar tais produtos em classificação diversa da adotada, razão pela qual se faz necessário o imediato e integral cancelamento da exigência fiscal em comento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, considerando improcedente o auto de infração em relação à classificação das pastas com aba elástica ou com elástico, contidas nas tabelas de fls. 47/55. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2009, 01/05/2009 a 31/08/2009, 01/10/2009 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO. NÃO EXIGÊNCIA. A classificação fiscal efetuada em sede de procedimento administrativo independe de laudo técnico. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por se pressupor que a descrição do produto seja coerente com suas características, a prova em contrário é ônus do contribuinte. Sendo possível a partir da descrição do produto a sua correta identificação, não há que se falar em classificação fiscal por presunção. Fl. 222DF CARF MF 6 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2009, 01/05/2009 a 31/08/2009, 01/10/2009 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010 CADERNOREFIL PARA FICHÁRIOS OU PARA CADERNOS ARGOLADOS. APLICAÇÃO DO ADI N. 13, DE 2003. SUBPOSIÇÃO 4820.20.10. Os refis para fichário ou para cadernos argolados, ainda que em forma de cadernorefil, classificamse na posição 4820.20.10. PASTAS COM ARGOLAS, PASTAS CLASSIFICADORAS E DIVISÓRIAS DE USO ESCOLAR. APLICAÇÃO DO ADI N. 13, DE 2003. SUBPOSIÇÃO 4820.30.10. As pastas para documentos com argola, as pastas classificadoras e as divisórias de uso escolar classificamse na posição 4820.30.10. PASTAS COM ABA ELÁSTICA OU ELÁSTICO. NÃO APLICAÇÃO DO ADI N. 13, DE 2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 03/10/2013 (vide AR à fl. 152/155 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 29/10/2013 Recurso Voluntário (fls. 157/180), através do qual requereu: (i) reforma da decisão da DRJ pela alegada falta de descrição dos produtos reclassificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório, ampla defesa e verdade material e real; (ii) reforma da decisão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria objeto de reclassificação fiscal; (iii) reforma da decisão da DRJ pela alegada classificação correta adotada pelo contribuinte. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 221 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 157/180), através do qual requereu a reforma da decisão recorrida, com base em argumentos que serão devidamente analisados nos tópicos subsequentes. 1. Reforma da decisão da DRJ pela alegada falta de descrição dos produtos reclassificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório, ampla defesa e verdade material e real Neste tópico, alega o contribuinte que o auto de infração combatido seria nulo por dois motivos: (i) não haveria qualquer elemento que justificasse o motivo para classificação do produto no NCM escolhido pela fiscalização; (ii) não constaria dos autos qualquer descrição do produto e suas propriedades, pois não teria houve o exame de amostras dos produtos reclassificados. Argumenta que tais falhas teriam impedido o seu direito de defesa e que a falta de descrição geraria dúvidas acerca de quais foram os produtos reclassificados. Ressalta que os Conselheiros desta turma julgadora não teriam como saber quais são os produtos descritos no auto de infração simplesmente como "Cad Refil", "Divisórias" e "Pastas", sem maiores informações sobre as características dos mesmos. No que concerne aos produtos "Cad Refil", assim se manifestou a fiscalização: A utilização para todos os produtos finais da categoria "Cad refil" o código 4820.20.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) tributada à alíquota 0 (zero)%, classificação essa que deveria ser utilizada exclusivamente para os cadernos e não para folhas de reposição para fichários, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras Gerais de Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), integrantes do seu texto (DecretoLein° 1.154, de 1° de março de 1971, art. 3°) deverá ser 48.20.10.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento), conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003, em anexo às fls. 37 a 40. Ou seja, entendeu a fiscalização que os produtos em questão não estariam enquadrados no NCM 4820.20.00, que se destina exclusivamente aos cadernos, mas sim no NCM 48.20.10.00 (livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes), com fulcro no ADI n. 13/2003, por entender que tais produtos seriam folhas de reposição para fichários. Fl. 224DF CARF MF 8 Em uma análise preliminar, penso que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte de produtos descritos como "Cad Refil" no NCM 4820.20.00, com base na alíquota zero, que se destina exclusivamente aos "cadernos" estaria incorreta. Isso porque, há de ser feita uma interpretação restritiva em tal caso. Para que possa usufruir do benefício desta alíquota reduzida, é necessário que o produto se enquadre naquela NCM específica. Até porque, as razões para a adoção de determinada política fiscal que desonera determinado produto possui nuances de inteligência fiscal que vai muito além de uma simplória análise da função do produto desonerado. Nesse contexto, ainda que se estejamos diante de um refil para caderno, este refil não é um caderno. Logo, não teria como ser enquadrado no código 4820.20.00. Constatandose que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte no presente caso estaria incorreta, restaria à fiscalização, então, identificar qual a classificação correta a ser adotada no presente caso, fundamentando a sua conclusão. E para que o auto de infração seja mantido, não basta que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte esteja incorreta, é imprescindível que a classificação adotada pela fiscalização esteja correta. Ocorre que, ao entender que a classificação fiscal correta a ser adotada seria a descrita no item 48.20.10.00 (livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes), fêlo a fiscalização com fundamento exclusivamente no ADI n. 13/2003, abaixo transcrito: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 28 de agosto de 2003 DOU de 1.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário", na Nomenclatura Comum do Mercosul. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº. 259, de 24 de agosto de 2001, e com base na Nota Coana/Cotac/Dinom no 230, de 20 de agosto de 2003, declara: Art. 1º Fichários ou capas para encadernação, de uso escolar, consistindo em capa dura provida internamente de ferragem de argolas para encadernação de folhas soltas, mesmo apresentados com folhas pautadas e divisórias para separação de matérias, classificamse no código 4820.30.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Art. 2º Blocos de folhas para reposição dos fichários ou capas para encadernação referidos no art. 1º, constituídos por folhas de papel pautado, perfuradas à margem esquerda para fixação às argolas do fichário e unidas por adesivo na lombada que permite o destaque das folhas sem danificálas, classificamse no código 4820.10.00 da NCM. Verificase, contudo, que o referido ADI, que embasou a lavratura do auto de infração, trata especificamente sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário". Acontece que não há qualquer elemento nos autos apto a relacionar os produtos descritos no auto de infração de forma genérica como "cad refil" com os produtos analisados no referido ADI. Ora, entendo que o fato de estar descrito nos registros da empresa como um refil de caderno não leva ao automático enquadramento deste produto como "folhas para fichário". Em nenhum dos relatórios que integraram o auto de infração, seja produzido pelo contribuinte seja produzido pela fiscalização, identifiquei qualquer indicação de que esses Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 222 9 produtos indicados como "Cad refil" corresponderiam, na verdade, a folhas para fichários. Vide, a título exemplificativo, o relatório à fl. 36 dos autos, que indica o produto "Cad refil Univ 96 Fls Marie", ou mesmo o relatório à fl. 42, que indica como descrição do produto "Cad refil Univ 96 Fls Chocolat". Sobre estes produtos, a DRJ tece uma série de argumentos no sentido de fundamentar que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está errada. Entendo que, de fato, procedeu incorretamente o contribuinte em sua classificação fiscal. Acontece que, ao tentar fundamentar a manutenção do auto de infração, limitase a argumentar que os produtos aqui analisados corresponderia a um "artigo semelhante" aos da posição 4820.10.00, razão pela qual deveriam ser classificados nessa posição em razão do disposto no ADI 13/2003. É o que se extrai da transcrição a seguir: De fato, como se verificou, não se trata de cadernos, não sendo correta a classificação adotada pela Impugnante. Assim, como “artigo semelhante” aos da posição 4820.10.00, tais produtos devem ser classificados nessa posição, conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 13, de 2003. Acontece que dito fundamento não constou do auto de infração em epígrafe, representando, a meu ver, inovação da DRJ no que tange ao critério jurídico adotado pela fiscalização. Nesse contexto, entendo que não poderia ter a fiscalização concluído no auto de infração que o produto em questão se enquadra no código 48.20.10.00, com fulcro no ADI n. 13/2003, sem que tenha sido feita qualquer análise acerca de eventual vínculo existente entre os produtos objeto do presente auto de infração e os produtos analisados na referida ADI. Por oportuno, é válido mencionar que a conclusão aqui apresentada é diversa daquela disposta no Proc. 10865.000852/200927, também da minha relatoria, pois naqueles autos os produtos ali analisados (“Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”) possuíam descrição realizada pelo próprio contribuinte que indicavam expressamente que se tratavam de refil para fichário, aplicandoselhe, portanto, o disposto no art. 2º do ADI n. 13/2003. No que concerne aos demais produtos, assim se manifestou a fiscalização: 002 A utilização para os produtos finais com o código NCM 4202.12.10 tributado à alíquota de 10% (dez por cento), classificação essa, que deve ser utilizada exclusivamente para obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro, e não para as diversas pastas e divisórias de uso escolar, que são os produtos em questão, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras da NCM e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003 é no código 4820.30.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento). Ou seja, fundamentou a fiscalização que a classificação adotada pelo contribuinte (NCM 4202.12.10) poderia ser utilizada exclusivamente para obras de couro, artigos de correeiro ou de seleiro. Não é isso, contudo, o que dispõe o capítulo 42 da TIPI, conforme dispositivo transcrito na decisão recorrida acima e abaixo novamente reproduzido: Capítulo 42 Obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro; artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes; obras de tripa Fl. 226DF CARF MF 10 Percebese que o referido capítulo 42 destinase não apenas a obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro, como entendeu a fiscalização, mas também a artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes, além de obras de tripa. Verificase ainda que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte indica expressamente que o produto em questão é de plástico, conforme classificação fiscal adotada pelo mesmo: 42.02 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes, os estojos para óculos, binóculos, câmeras fotográficas e de filmar, instrumentos musicais, armas e artefatos semelhantes; sacos de viagem, sacos isolantes para gêneros alimentícios e bebidas, bolsas de toucador, mochilas, bolsas, sacolas (sacos para compras), carteiras, porta moedas, portacartões, cigarreiras, tabaqueiras, estojos para ferramentas, bolsas e sacos para artigos de esporte, estojos para frascos ou para jóias, caixas para póde arroz, estojos para ourivesaria e artefatos semelhantes, de couro natural ou reconstituído, de folhas de plásticos, de matérias têxteis, de fibra vulcanizada ou de cartão, ou recobertos, no todo ou na maior parte, dessas mesmas matérias ou de papel. 4202.1 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes e artefatos semelhantes: 4202.11.00 Com a superfície exterior de couro natural ou reconstituído 4202.12 Com a superfície exterior de plásticos ou de matérias têxteis 4202.12.10 De plásticos Verificase, portanto, que a fiscalização adotou fundamento nitidamente equivocado ao afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte neste caso concreto (que a sua adoção seria exclusiva para obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro). Nesse contexto, deixou de trazer aos autos as eventuais razões do não enquadramento no item 4202.12.10, relativo às pastas de documentos e para estudantes com a superfície exterior de plásticos. Destaquese, ainda, ter a fiscalização apontado de forma genérica que os produtos em questão corresponderiam a diversas pastas e divisórias de uso escolar, cuja classificação fiscal a ser utilizada seria a descrita no código 4820.30.00 (classificadores, capas para encadernação (exceto as capas para livros) e capas de processos), sem distinguir ou diferenciar tais produtos. Novamente, fundamentou o enquadramento realizado no ADI 13/2003, sem que tivesse feito qualquer cotejo entre os produtos ali descritos como "Divisórias" e "Pastas" com os termos do referido ADI que, como dito, trata especificamente sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário". Apesar da total ausência de fundamentação do auto de infração nesse sentido, os Julgadores da DRJ tentaram realizar alguma correlação entre os produtos descritos no auto de infração com o conteúdo do ADI 13/2003, conforme se extrai da transcrição a seguir: De fato, observando a lista de produtos (efls. 47 e seguintes), verificase tratarse de pastas escolares com aba elástica, divisórias (com nove divisores, para cadernos argolados de 10 matérias; para fichário; etc.), pastas com elástico, pastas com argolas e pastas classificadoras. As divisórias são classificadores, conforme previsto no primeiro item do texto de subposição 4820.30.00. As pastas classificadoras também incluemse nesse item. As pastas com argolas são semelhantes aos itens previstos no ADI n. 13, de 2003, uma vez que são utilizadas para guardar folhas do tipo de fichário. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 223 11 Quanto aos itens acima mencionados, não há dúvidas quanto a tal classificação, por se tratar de artigos escolares com descrição bastante específica. Simplesmente a partir de sua descrição podese concluir que não se trata dos produtos mencionados pela Interessada, que se referem somente às pastas com aba elástica e com elástico. Vejase, novamente, que a Impugnante afirmou que a Fiscalização teria adotado uma presunção, mas, para justificar suas alegações, não apresentou prova alguma, limitandose a afirmar que a classificação teria que se basear em laudo técnico. Ao contrário, a afirmação abaixo reproduzida confirma que a maioria dos produtos são, de fato, pastas para documentos, cuja descrição está contida no texto de posição 48.20: “Referido produto é todo revestido de plástico e contém divisões internas, o que comprova a sua característica essencial de pasta para documentos [...]”. Embora todos os produtos reclassificados pela Fiscalização estejam, assim, na posição 48.20, as pastas com elástico não são produtos que se classificam na subposição 4820.30.00. O texto de posição 48.20 permite concluir que as “pastas para documentos” classificarseiam nesta posição, mas não na subposição indicada pela Fiscalização, uma vez que o ADI mencionado referiuse apenas a fichários e capas para encadernação. Esclareçase, por fim, ressalvada a ocorrência de decadência, que a Fiscalização poderá, se for o caso, efetuar o lançamento em relação a erro na classificação fiscal das mencionadas pastas, seja demonstrando que se enquadrem no citado ADI, seja por se classificarem em outra subposição. Dessa forma, voto por julgar procedente em parte a impugnação, considerando improcedente o auto de infração em relação à classificação das pastas com aba elástica ou com elástico, contidas nas tabelas de efls. 47 a 55. Notese que a própria DRJ reconheceu que alguns dos produtos indicados pela fiscalização de forma genérica no auto de infração não possui qualquer relação com os produtos descritos no ADI 13/2003, não se enquadrando, portanto, no código 4820.30.00 pretendido pela fiscalização. Nesse contexto, afastou a exação em relação a tais produtos (pastas com aba elástica ou com elástico). No que tange aos demais produtos, a DRJ, da mesma forma, reconheceu que tais produtos não são os mesmos descritos no ADI 13/2003. Porém, trouxe outros argumentos para fins de manutenção do auto de infração (enquadramento dos produtos como "classificadores" ou mesmo semelhança com os produtos descritos no ADI 13/2003). Acontece que ditos argumentos não haviam constado do auto de infração originário, representando, ao meu ver, inovação no critério jurídico do auto de infração combatido, o que não poderia ser admitido por este Colegiado. Nesse contexto, entendo que a ausência de descrição dos produtos em questão, além da ausência de fundamentos que justifiquem validamente o afastamento da classificação adotada pelo contribuinte e a adoção da classificação fiscal adotada pela Fl. 228DF CARF MF 12 fiscalização, tornam este Colegiado inapto para julgar a presente demanda, por ausência de elementos aptos à sua completa análise. Entendo, pois, que há uma falha de fundamentação no auto de infração intransponível no presente caso, pois a descrição dos produtos aqui analisados, com as suas características e materiais que o compõe, somada ao cotejo entre esses produtos e a correta classificação fiscal de acordo com a legislação pertinente, seria essencial à manutenção do auto de infração aqui combatido. Até porque, é cediço que o auto de infração deve ser auto explicável, compreensível por si só quanto aos fundamentos da imputação ali apresentada. Acontece que, no caso dos autos, através a leitura do auto de infração, não há como se compreender quais as razões que levaram a fiscalização a afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Nesse contexto, conforme determina o art. 59 do Decreto 70.235/1972, entendo que deverá ser declarado nulo o auto de infração em epígrafe, visto que houve preterição do direito de defesa do contribuinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Há de se destacar, outrossim, que se está diante de uma nulidade material (vício de fundamentação) e não meramente formal. Voto, portanto, no sentido de acolher o argumento de nulidade alegado pelo contribuinte, para fins de afastar a cobrança realizada no presente auto de infração em sua integralidade. 2. Reforma do ácordão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria objeto de reclassificação fiscal Segue o contribuinte dispondo que a inexistência de um laudo ou mesmo de uma prova pericial préconstituída a respeito das mercadorias objeto de reclassificação fiscal caracterizaria vício material do ato administrativo na constituição e lançamento do crédito tributário, levando à necessidade de cancelamento do Auto de Infração. Discordo do contribuinte neste ponto. Para que um auto de infração seja válido, é imprescindível que a fiscalização aponte a correta descrição e classificação do produto. A elaboração de laudo técnico ou perícia não é requisito essencial à validade do auto de infração, sendo determinada a sua realização tão somente em casos específicos, que demandem tal dilação probatória. Não é este, contudo, o caso dos presentes autos, cuja solução poderá ser atingida através dos elementos já constantes dos autos e sem que isto acarrete qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Em resumo, não há que se falar em nulidade do auto de infração aqui analisado sob o fundamento de ausência de laudo técnico ou perícia. 3. Reforma do acórdão da DRJ pela alegada classificação correta adotada pelo contribuinte. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 224 13 Por fim, alega o contribuinte que a classificação adotada pelo mesmo estaria correta quanto aos produtos objeto do presente auto de infração. Tendo em vista o acatamento do argumento de nulidade descrito no item 1 acima, resta prejudicada a análise de mérito da presente contenda, inclusive em razão da impossibilidade de se identificar as características específicas dos produtos objeto do presente auto de infração, para que seja realizada a análise da sua correta classificação fiscal. 4. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de cancelar o auto de infração em sua integralidade, em razão do reconhecimento da sua nulidade. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 230DF CARF MF
score : 2.6052518
Numero do processo: 11065.725367/2011-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "SPLIT SYSTEM". VENDA CONJUNTA DE UNIDADES EVAPORADORAS E CONDENSADORAS.
A venda conjunta de uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado do tipo "split system", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "MULTISPLIT". VENDA CONJUNTA DE UMA UNIDADE CONDENSADORA E VÁRIAS UNIDADES EVAPORADORAS.
A venda conjunta de uma unidade condensadora e de várias unidades evaporadoras caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado "multisplit", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado.
UNIDADES EVAPORADORAS - SOLUÇÃO DE CONSULTA
Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada, mesmo que posteriormente tenha havido edição de nova TIPI, porém não alterando, em essência, os termos da Solução de Consulta.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO TIPO "FAN COIL".
Não tendo o Fisco motivado adequadamente a reclassificação fiscal desse aparelho, resta caracterizado vício material. Em consequência, anula-se o lançamento quanto à reclassificação fiscal dos fan coil.
CORREÇÃO MONETÁRIA DOS SALDOS CREDORES DO IPI RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA.
A correção monetária dos saldos credores do IPI, reconhecida por decisão transitada em julgado, resta prejudicada após reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, em razão da qual deixaram de existir os saldos credores sobre os quais incidiria a correção monetária.
Recurso Especial do Contribuinte negado e Recurso Especial do Procurador parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-007.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de mérito de oficio suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para (i) anular, por vício material, a exação decorrente da reclassificação fiscal dos fan coil e (ii) manter a glosa da correção monetária, uma vez que refeita a escrita fiscal no período do lançamento fiscal não restou saldo credor a incidir qualquer atualização monetária, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.725367/201162 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.028 – 3ª Turma Sessão de 10 de julho de 2018 Matéria IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL e SPRINGER CARRIER LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL e SPRINGER CARRIER LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "SPLIT SYSTEM". VENDA CONJUNTA DE UNIDADES EVAPORADORAS E CONDENSADORAS. A venda conjunta de uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado do tipo "split system", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "MULTISPLIT". VENDA CONJUNTA DE UMA UNIDADE CONDENSADORA E VÁRIAS UNIDADES EVAPORADORAS. A venda conjunta de uma unidade condensadora e de várias unidades evaporadoras caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado "multisplit", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado. UNIDADES EVAPORADORAS SOLUÇÃO DE CONSULTA Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada, mesmo que posteriormente tenha havido edição de nova TIPI, porém não alterando, em essência, os termos da Solução de Consulta. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO TIPO "FAN COIL". Não tendo o Fisco motivado adequadamente a reclassificação fiscal desse aparelho, resta caracterizado vício material. Em consequência, anulase o lançamento quanto à reclassificação fiscal dos fan coil. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS SALDOS CREDORES DO IPI RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 53 67 /2 01 1- 62 Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 3 2 A correção monetária dos saldos credores do IPI, reconhecida por decisão transitada em julgado, resta prejudicada após reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, em razão da qual deixaram de existir os saldos credores sobre os quais incidiria a correção monetária. Recurso Especial do Contribuinte negado e Recurso Especial do Procurador parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de mérito de oficio suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para (i) anular, por vício material, a exação decorrente da reclassificação fiscal dos fan coil e (ii) manter a glosa da correção monetária, uma vez que refeita a escrita fiscal no período do lançamento fiscal não restou saldo credor a incidir qualquer atualização monetária, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 1600/1612) e do contribuinte (fls. 1696/1771) contra o Acórdão nº 3403003.537 (fls. 1553/1584), proferido em 24/02/2015 pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que deu provimento parcial ao recurso voluntário seguintes termos: Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para excluir da autuação as vendas de Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 4 3 aparelhos fan coil e para que a autoridade administrativa, no momento da execução conjunta de todas as decisões derradeiras que vierem a ser proferidas quanto aos autos de infração desta ação fiscal, aplique a correção monetária, nos termos da decisão judicial que beneficia o contribuinte, sobre os eventuais saldos credores de escrita que possam vir a surgir se houver reversão total ou parcial das glosas efetuadas. RECURSO PFN Ao recurso especial da PFN foi dado seguimento (fl.s 1614/1622) em relação às seguintes matérias: 1 Classificação fiscal de fan coils; 2 Correção monetária dos saldos credores; 3 Não acolhido o especial quanto à classificação fiscal dos fan coils, foi conhecido o recurso quanto ao pedido subsdiário de nulidade do lançamento em relação àquelas mercadorias, ao entendimento que constatada falha na motivação, não seria o caso de dar provimento para considerar correta a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, mas sim para anular o lançamento nesse tópico. A Fazenda Nacional sustenta que a classificação fiscal dos fan coils adotada pelo Fisco está correta, bem como correta a glosa da correção monetária por inexistência de saldo credor a ser corrigido. Lastreia seu entendimento no Acórdão paradigma 3302002.117, que em relação ao mesmo sujeito passivo manteve a autuação inserta no PA 11065.005554/200821, o qual igualmente me foi sorteado e que pautei em conjunto com este processo. Contrarrazões do contribuinte (fls. 1657/1684) postulando o não conhecimento do recurso e, caso conhecido, que lhe seja negado provimento. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE O recurso especial do contribuinte foi admitido (fls. 2136/2144) em relação às matérias “Classificação Fiscal dos Elementos (Condensadoras e Evaporadoras) que Compõem o ArCondicionado do Tipo Split System”, “Inaplicabilidade da Solução de Consulta n°13002.000205/9787 para classificação das Evaporadoras” e “Nulidade do auto de infração para os aparelhos Multisplit por violação ao princípio da motivação”. O contribuinte, quanto aos pontos admitidos, alega, em síntese: Pugna a nulidade da autuação para os aparelhos multisplit sob a alegação de violação ao princípio da motivação. Isso porque o lançamento não apontou "com a precisão necessária qual a correta classificação fiscal NCM para os referidos equipamentos", uma vez ter a fiscalização referido apenas que os mesmos deveriam ser classificados na "posição 8415, mais especificamente 8415.81 ou 8415.82 e subposições dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade de frigorias/hora". Averba que em que pese as subposições indicadas pelo Fisco possuam todas a mesma alíquota, a indicação precisa da classificação fiscal é condição indispensável não só para seu exercício de defesa como para garantir como essa deva agir caso venha a acatar a posição da fiscalização. Por tal, entende nula a exação no ponto. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 5 4 Quanto à classificação fiscal dos splits, após discorrer sobre o funcionamento dos mesmos (unidades condensadora e evaporadora), alega que a perícia técnica realizada pelo INT concluiu que não basta a conjugação de uma unidade evaporadora e uma unidade condensadora para formação de um aparelho de ar condicionando, fazendose necessária nos aparelhos split system a conjugação de um terceiro elemento, os chamados elementos de expansão. A partir dessa premissa, assevera que "não vendeu nenhum split system, pois as unidades condensadora e evaporadora são apresentadas separadamente, em embalagens distintas, prontas do ponto de vista funcional, mas sem os demais elementos que seriam necessários para compor o sistema de refrigeração completo". Assim, considerando que essas unidades são parte de um arcondicionado, entende que devam ser classificadas em posição específica da TIPI, conforme determina a Nota 2a da Seção XVI. Conclui, no tópico, que se as unidades condensadoras (compostas pelo compressor, trocador de calor, ventilador, motor do ventilador, chassi e painel eletrônico) são parte de um arcondicionado, e devem ser classificadas em posição específica, conforme determina a Nota 2a da Seção XVI, que, em caso, seria a posição 8418, relativa à máquinas para produção de frio, a qual foi adotada pela recorrente. Quanto às unidades evaporadoras, as quais constituemse por um trocador de calor do tipo tuboalerta e por um ventilador a motor, igualmente consigna que por si só não possuem dispositivos próprios para alterar a temperatura do ar, e que, por isso, "não podem ser considerados um arcondicionado". Pontua que não concorda com a classificação fiscal na NBM 8415.8210, mas que a adotou por força da resposta à consulta formulada no processo 13002.000205/9787. Alega que a Solução de Consulta nº 12 da 10ªRF se aplica apenas a aparelhos completos de arcondicionado, de janela, do tipo Hiwall. Acresce que as unidades evaporadoras eram na verdade fan coil, "de modo que, se aqui cancelouse (sic) a exigência de fan coil, deveria o CARF também ter cancelado para as evaporadoras". Na sequência, descreve o funcionamento dos "multisplit". Em resumo, entende que a posição correta é 8418 para os condensadores, evaporadores e multisplit, e posição 8419 para o fan coil. Afirma que a posição 8415 aplicase aos aparelhos de ar condicionadores completos, ou seja, aqueles formado por um corpo único ou mesmo um sistema com elementos separados, que sejam capazes de alterar a temperatura e a umidade do ar. Conclui, repetindo, que "os equipamentos objeto do presente processo são apenas elementos dos sistemas de refrigeração, os quais não possuem, por si só, a capacidade para alterar a temperatura e umidade do ar, razão pela qual resta evidente a impropriedade de classificálo na posição 8415 destinada a aparelhos de ar condicionado completos". Alega, ainda, que somente a partir da edição da IN RFB 1.072/2010, que os elementos dos grupos de ar condicionado podem ser classificados dentro do capítulo 8415. Reportase à vários laudos que anexou ao longo do iter processual. Quanto à afirmação da fiscalização de venda casada, aduz, novamente, que as unidades condensadoras e evaporadora necessitam de um terceiro elemento, que chama de elementos de expansão, para formação de um ar condicionado, o mesmo se aplicando no caso dos multisplit. Parte dessa afirmação, para asseverar que "comercializou apenas alguns elementos que poderão compor um sistema de arcondicionado e não vendeu nenhum sistema completo", e que cada um dos produtos considerados para efeitos de vendacasada é apresentado separadamente, em embalagens distintas, pronto do ponto de vista funcional, mas sem os demais elementos que seriam necessários para compor o sistema de refrigeração, os quais, afirma, "não são comercializados pela recorrente". O mesmo raciocínio é válido para os Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 6 5 multisplit. Em suma, alega que não comercializa o ar condicionado completo e desmontado, e que não realiza atividades de montagem e instalação, pois sem que ocorra a integração funcional das mesmas não há que se falar em split system, concluindo que "há de se reconhecer que houve venda de elementos apresentados separadamente". Em face de tal, "por não praticar qualquer atividade de industrialização, entende que o lançamento exigindo IPI de split system sobre saída de unidades condensadoras e mutisplit "haveria violado o artigo 4º do RIPI/2002", pois nunca teria realizado a "integração dos elementos vendidos e a montagem de um ar condicionado com os mesmos". Em resumo, afirma que não realiza "qualquer atividade de industrialização de aparelhos de arcondicionado". Por fim, subsidiariamente, requer o afastamento da cobrança de multa, juros e correção monetária. De fls. 1575/1580, contrarrazões da PGFN pugnando pelo não conhecimento do recurso do contribuinte, mas, uma vez conhecido, que lhe seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator I RECURSO DO CONTRIBUINTE Conheço do recurso nos termos e fundamentos do despacho que o admitiu. Emerge do relatado, que 3 questões são devolvidas ao nosso conhecimento. São elas: Classificação Fiscal dos Elementos (Condensadoras e Evaporadoras) que Compõem o ArCondicionado do Tipo Split System”, “Inaplicabilidade da Solução de Consulta n°13002.000205/9787 para classificação das Evaporadoras” e “Nulidade do auto de infração para os aparelhos Multisplit por violação ao princípio da motivação”. Passo a analisálas. 1 A PUGNADA NULIDADE NO LANÇAMENTO DOS MULTISPLIT A fiscalização menciona que a autuada fabrica aparelhos denominados “multisplit”, divididos em duas linhas, uma de alta e outra de baixa capacidade. Descreveu os princípios de funcionamento desses aparelhos, afirmando serem semelhantes aos equipamentos do tipo “splitsystem”. Nas duas linhas, as unidades evaporadoras são constituídas pela conjugação de dois módulos independentes, denominados “Módulo Trocador de Calor” e “Módulo Ventilação” (códigos 40MZ, na linha de alta capacidade, e 40MS na linha de baixa capacidade). As condensadoras são identificadas pela fiscalizada com os códigos 38MZ (ventilador centrífugo) ou 38AB (ventilador axial) na linha de alta capacidade e 38MS na linha de baixa capacidade. A análise das notas fiscais de saída desses produtos levou a fiscalização a concluir que boa parte das vendas de unidades condensadoras e dos módulos “Trocador de Calor” e “Ventilação” era “casada, ou seja, era feita aos mesmos clientes, em notas Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 7 6 fiscais sequenciais. Consequentemente, a classificação fiscal correta do conjunto de equipamentos em causa, segundo a fiscalização, é a própria dos condicionadores de ar, na "posição 8415, mais especificamente 8415.81 ou 8415.82 e subposições, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade de frigorias/hora”(fls. 230 e 234), todas com IPI à alíquota de 20%, em prejuízo da classificação adotada pela contribuinte nos códigos 8418.61.10, 8418.61.90 e 8418.69.99 para as unidades condensadoras, referentes a “equipamentos para refrigeração ou para ar condicionado”, 8414.59.90 para o módulo “Ventilador”, referente a “outros ventiladores”, e 8419.50.90 para o módulo “Trocador de Calor”, referente a “outros trocadores (permutadores) de calor”. Embora o autor do procedimento fiscal tenha a convicção de que a regra das operações do interessado seja a venda casada, o lançamento de ofício das diferenças do IPI ocorreu exclusivamente nos casos comprovados de vendas conjuntas de módulos “Ventilação” efetuadas juntamente com módulos “Trocador de Calor” e unidades condensadoras. Foram incluídas nessa condição as vendas na mesma nota fiscal, ou no grupo de notas fiscais subsequentes. Cabe frisar que foram excluídas das planilhas de apuração as vendas com suspensão do IPI, identificadas pelo Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) correspondente. A irregularidade em comento, apontada no item 3.4 do Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246 ( fls. 232 a 234), foi apurada conforme planilha intitulada “Saídas de Multisplit” das fls. 1.117 a 1.143. A única diferença existente entre os multisplit e os splits, é que naqueles tem se uma unidade condensadora (equipamento externo) e várias unidades evaporadoras (equipamentos internos) nos diversos ambientes que serão climatizados. Assim, a unidade condensadora é dimensionada para suportar várias evaporadoras ligadas ao mesmo tempo em diferentes ambientes. Já no splitsystem, há uma unidade evaporadora e uma condensadora apenas. Entende a recorrente defeito na formalização da exigência, dado que, em relação ao aparelho Multisplit, a fiscalização não declinou o código completo de classificação desses produtos na TIPI, o que, de fato, é verdade. Com efeito, a fiscalização considerou correto o enquadramento dos mencionados produtos na posição 8415, mais especificamente, nas subposições 8415.81 ou 8415.82, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade em frigorias/hora. Registrese que a todos os códigos (desdobramentos) da posição 8415 corresponde, no período autuado, alíquota de 20%. Relevante considerar que este processo trata de determinação e exigência de crédito tributário, sendo suficiente, para essa finalidade, a indicação como foi feita pela fiscalização, eis que a alíquota do IPI não varia. Caso se tratasse de processo de consulta sobre classificação fiscal de produtos, a indicação do código completo seria indispensável, como ocorreu na Decisão nº 12 SRRF/10ªRF/Diana, de 12 de fevereiro de 1998. Ademais, a situação descrita pela recorrente não lhe causou qualquer prejuízo, porque a imputação a ela formulada foi perfeitamente compreendida, tanto que a contestação apresentada neste processo, inclusive quanto aos citados equipamentos, sustenta a classificação nos códigos próprios de elementos separados, e não no código próprio para máquinas e aparelhos de arcondicionado, que é o núcleo da questão. Consequentemente, afasto a suscitada nulidade. Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 8 7 2 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO ARCONDICIONADO TIPO SPLIT SYSTEM Inicialmente, em relação aos laudos e pareceres sobre classificação fiscal acostados aos autos e sobre os quais, em grande medida, se reporta a recorrente, cumpre aclarear que documentos dessa natureza podem ser aceitos exclusivamente nos aspectos técnicos, que não se confundem com a classificação fiscal de produtos, propriamente dita, por força do disposto no art. 30 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, diploma que, por delegação do art. 2º do DecretoLei nº 822, de 5 de setembro de 1969, regula o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. Consequentemente, cabe à RFB efetuar a classificação fiscal dos produtos em questão, matéria que se examina na sequência. No motivação do lançamento, o agente fiscal esclarece que foram encontrados inúmeros casos de "vendas casadas" efetuadas pela recorrente; vale dizer, "há vendas conjuntas de unidades evaporadoras e condensadoras, em igual número, no mesmo documento fiscal e para o mesmo cliente, porém tributadas como se tais partes não formassem um conjunto em si". Entendeu a autoridade fiscal que, em tais casos, o correto seria o contribuinte ter classificado a venda de cada conjunto de evaporador e condensador como sendo um aparelho do tipo split system (NCM 8415.10.11 e 8415.10.90, dependendo da capacidade de frigorias/hora, ambas com alíquota de 20%). E a exação, conforme relato fiscal, só foi objeto de reclassificação fiscal quando às unidades condensadoras e evaporadoras foram vendidas na mesma nota fiscal a um mesmo destinatário, frizese mais uma vez. A classificação fiscal de mercadorias se materializa em um dos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado pelo Brasil por meio do Decreto nº 97.409/1988, de 23/12/1988, DOU de 27/12/1988. Cediço que o código NCM é obtido mediante a aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e das Regras Gerais Complementares (RGC), e, de forma subsidiária, pelas normas explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) de Designação e de Codificação de Mercadorias, assim como as Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Adentrando na classificação fiscal dos split, temos que a Regra Geral 1 (RGI 1) para interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) dispõe, especialmente, que a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo, motivo pelo qual a fiscalização partiu, com acerto, do texto da posição 8415 da TIPI, referente à “máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente”. Já a RGI 2.a) dispõe que: 2.a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 9 8 termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. A respeito dessa RGI 2.a) a NESH assevera: V) A segunda parte da Regra 2 a) classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar. As mercadorias apresentamse neste estado principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte Além disso, também foi considerado no lançamento o teor das Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI, que estabelecem o que segue transcrito: “3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha.” (destacado na transcrição) As NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado), que constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do SH, estatuem o seguinte sobre a referida posição 8415 da TIPI: “Esta posição abrange os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade. Estes conjuntos contém às vezes elementos para purificar o ar. Estas máquinas e aparelhos são utilizados para a climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc., bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar, exigido para algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo (tabaco), produtos alimentícios, etc. Só se incluem nesta posição as máquinas e aparelhos: 1) contendo um ventilador a motor, e 2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar, Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 10 9 e 3) nos quais os elementos citados nas alíneas 1) e 2) se apresentem em conjunto. Os elementos destinados a umidificar ou desumidificar o ar podem ser diferentes dos que asseguram o aquecimento e o arrefecimento. Algumas máquinas contêm, todavia, apenas um dispositivo que modifica ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar. Estas máquinas e aparelhos de arcondicionado arrefecem e desumidificam, por condensação do vapor de água sobre uma bateria fria, o ar ambiente do local onde funcionam ou, se são providos de uma entrada de ar externo, uma mistura de ar fresco e ar ambiente. São geralmente providos de cubas de recuperação da água de condensação. As máquinas e aparelhos da espécie podem ser constituídos por um único dispositivo contendo todos os elementos necessários, como os aparelhos dos tipos utilizados em paredes ou dos tipos utilizados em janelas, formando um corpo único. Podem igualmente apresentarse sob a forma de splitsystems (sistemas com elementos separados), nos quais o condensador e o evaporador destinamse a ser instalados respectivamente no exterior e no interior, e cujos diferentes blocos operam enquanto conectados um ao outro. Esses aparelhos do tipo splitsystem não comportam dutos mas utilizam um evaporador individual para cada ambiente a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). ... As máquinas e aparelhos de arcondicionado podem ser alimentados por uma fonte externa de calor ou de frio. São geralmente providos de filtros nos quais o ar se liberta das poeiras ao atravessar uma ou mais camadas de matérias filtrantes freqüentemente umedecidas de óleo (têxteis, lã de vidro, palha de ferro, palha de cobre, chapas de metal distendido, etc.). Podem também ser equipados de dispositivos para regular a temperatura ou a umidade do ar. Esta posição abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação. Entre eles, podemse citar os aparelhos acima mencionados formando corpo único e os do tipo splitsystem compreendendo um condensador instalado no exterior do edifício e um evaporador individual para cada área a ser climatizada (por exemplo, cada cômodo de uma casa). ... A clareza das NESH da posição 8415 e das Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI, em conjunto com a RGI 2.a), evidenciam o acerto da classificação adotada pelo autor do procedimento fiscal, na referida posição, para os produtos objeto do presente litígio. Para meu juízo, inclusive, bastaria ler a TIPI para chegar a essa conclusão. Vejase: 84.15 Máquinas e aparelhos de arcondicionado que contenham um ventilador motorizado e dispositivos próprios Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 11 10 para modificar a temperatura e a umidade, incluindo as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente (+). 8415.10 Do tipo concebido para ser fixado numa janela, parede, teto ou piso (pavimento), formando um corpo único ou do tipo splitsystem (sistema com elementos separados) Não se olvide, novamente, que a fiscalização só refez a classificação fiscal quando no mesmo documento fiscal encontravamse a unidade condensadora e evaporadora para um mesmo destinatário, eis que, inconteste, isoladamente elas perdem sua funcionalidade. Assim, não se aplica ao caso a Nota 2a da Seção XVI, como pugna a recorrente, porque essa regra só seria aplicada na venda isolada de cada parte do split, o que não é o caso dos autos, onde o objeto da venda é arcondicionado. Além disso, a posição 8415 da TIPI é adequada para todos os demais produtos em questão, porque se trata de máquinas concebidas para executar funções complementares, classificandose de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, função sobre a qual inexiste controvérsia no caso concreto: é a de condicionamento de ar. Essa combinação de máquinas, constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84, leva a classificação do conjunto para a posição correspondente à função que desempenha, que, no caso, é a função própria de máquinas e aparelhos de arcondicionado, da posição 8415 das TIPI. Ressaltese, também, que não foi dito nos julgamentos de primeira instância, neste ou nos processos anteriores, que os elementos de aparelhos/sistemas de arcondicionado em causa, individualmente considerados, desempenhem, por si só, todas as funções das máquinas e aparelhos do gênero, funções que, vale repetir, são exercidas pelos dispositivos apresentados em conjunto e que levam a classificação fiscal para a posição 8415, no caso, com alíquota de 20% do IPI, para os produtos objeto do lançamento de ofício. Sobre a alegação de ausência de efeito retroativo do Decreto nº 6.225, de 2007, e da IN RFB nº 1072 de 2010, cumpre esclarecer que não se cogitou, em momento algum, na aplicação ex tunc desses atos, tendo sido a classificação definida com base nas normas vigentes nas datas dos fatos geradores. Com efeito, a empresa classificava cada componente isoladamente para fins de evadirse do pagamento de IPI, e a mim resta evidente a natureza dolosa dessa conduta, já que a classificação dos componentes, de forma apartada, o que não é o caso dos autos, tinham alíquota zero no período. E chega ser risível a alegação da empresa, de porte internacional, de que não há industrialização nos produtos que dá saída porque não os monta ou instala. E quem industrializa os componentes que ela dá saída, os condensadores e evaporadores? O fato gerador do IPI dáse justamente quando da saída desses do estabelecimento fabril. Assim, entendo escorreita a classificação fiscal adotada pela fiscalização. 3 A postulada inaplicabilidade da Solução de Consulta n° 13002.000205/9787 para classificação das Evaporadoras da linha Builtin Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiro, registre que o lançamento em relação a essas mercadorias constam de item separado no lançamento fiscal (3.2 modelos da linha Buitin) e não se imiscuem com a classificação fiscal dos split. A resposta a essa Consulta Fiscal encontrase às fls. 871/876. Importante considerar que a Decisão/SRRF 10ª RF/Diana nº 12, de 1998, classificou as diferentes unidades evaporadoras ali mencionadas, mesmo apresentadas isoladamente, em códigos da posição 8415 da TIPI, própria para máquinas e aparelhos de ar condicionado. Vejase a ementa da Solução de Consulta: Anota a fiscalização (fl. 228/229) que no período fiscalizado a empresa acata de forma mais ampla a orientação emanada da Solução de Consulta, porém em algumas operações de venda continuam classificando nas NBM 8418.69.40 e 8419.50.90. Portanto, não há que se falar em inaplicabilidade da Consulta por ter sido editada com base em TIPI substituída por outra (novo Decreto), vez que ela trata de caso análogo, haja vista que à época não havia NCM específica para split system. E desse fato decorreu, acertadamente, a majoração da multa de 75% para 112,5%. Por tal, afasto a alegação ventilada de que essa Solução de Consulta perderia sua validade uma vez revogada a TIPI na qual se assentava. A nova TIPI em nada modificou, em essência, aquela classificação (em conseguinte, a solução da consulta), apenas acresceu de forma explícita a classificação dos split system, consequência da evolução tecnológica dos aparelhos de arcondicionado em geral. A subposição de arcondicionado continuou na nova TIPI 8415.10, pois de acordo com o relato fiscal constituemse de aparelhos "destinados a manter, em recinto, fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e umidades", contendo todas as características de um arcondicionado, nos termos das notas da Seção XVI e da posição 8415, nos termos em que me alonguei na classificação dos split system. Assim, igualmente correto o lançamento no ponto. Por fim, sem reparos à multa e juros aplicados, e a atualização monetária do crédito tributário, pois levados a efeitos com arrimo em legislação válida, vigente e eficaz, e nos termos da consolidada jurisprudência deste Tribunal Administrativo. Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 13 12 II RECURSO DA FAZENDA NACIONAL O Recurso Especial da Fazenda foi admitido quanto à classificação fiscal de fan coil e a questão da reversão da glosa da correção monetária dos saldos credores. 1 A Classificação Fiscal dos fans coils A PFN insurgese quanto ao cancelamento da exigência dos fans coil, cujo aresto recorrido, majoritariamente, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte mantendo a classificação adotada pela autuada, qual seja a posição 8419. O contribuinte em seu recurso voluntário, alega, em síntese, que a motivação para a classificação fiscal desse aparelho foi precária, postulando sua anulação. Alegou o contribuinte em seu recurso voluntário, em suma, que o fan coil é apenas uma parte/elemento do sistema de refrigeração muito mais complexo que os convencionais, sendo destinados a grandes instalações, tais como edifícios, estabelecimentos comerciais e industriais de grande porte. À fl. 27 do RV consta um quadro demonstrando as partes do sistema como um todo, e que dentre essas partes do sistema ela produz apenas o fan coil e os chillers, e que, por tal, a motivação do lançamento se equivocara ao sustentar que o fan coil, apresentado isoladamente, teria a capacidade de modificar a temperatura e a umidade do ar. De seu turno, a motivação da decisão recorrida para cancelar a exigência fiscal deuse, em suma, por carência probatória, como se depreende do excerto que transcrevo (fl. 1581): Não tendo a fiscalização demonstrado que ocorreram vendas casadas do equipamento que fornece a água e do equipamento que contém o ventilador motorizado em conjunto com a serpentina, e tampouco que tais equipamentos foram comercializados em corpo único, deve ser cancelada a exigência do IPI em relação aos fan coil por carência probatória da acusação. De fato, analisando as peças processuais não identifico elementos suficientes a formar a convicção de que os fan coil, isoladamente, possam ser classificados como ar condicionado. Aparentemente, a fiscalização se refere ao fan coil como sendo um conjunto de equipamentos, um que produz a água quente ou gelada e outro, constituído de serpentina e ventilador motorizado, que injeta o ar quente ou gelado no ambiente. Consigna que esse aparelho pode se apresentar em um corpo único ou pode ser separado em módulos. O exame dos catálogos juntados ao processo e do manual de instalação e operação, não solucionam a dificuldade encontrada para definir a classificação fiscal do fan coil. Assim, entendo que, de fato, quanto à classificação específica desses aparelho, a motivação foi precária, de modo a não trazer elementos suficientes para formar minha convicção. Contudo, por outro lado, também não há elementos suficientes a atestar que a classificação adotada pela empresa esteja correta. Ante tais dúvidas, do ponto de vista processual, o correto é anular o lançamento por vício quanto à classificação fiscal dos fan coil, pois, do contrário, como julgado pela decisão recorrida, estaríamos a atestar que a classificação adotada pelo contribuinte estaria correta, o que a própria motivação da r. decisão atesta não ter meios. Notese, inclusive, que neste ponto a ementa da decisão recorrida se contradisse. Veja se: Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 14 13 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO TIPO "FAN COIL". Não tendo o fisco demonstrado a venda conjunta do equipamento que produz a água gelada ou quente e do equipamento constituído pelo ventilador motorizado conjugado com a serpentina; nem que os equipamentos vendidos constituíam um corpo único, cancelase o lançamento por carência probatória da acusação. Dessarte, equivocase o i. redator designado, pois seria o caso de anular o lançamento nesse ponto por vício na sua formação. Não me parece que a classificação adotada pela recorrente seja a mais correta, mas descabe a este órgão julgador apontar terceira classificação, tarefa restrita à competência da fiscalização. Contudo, discordo da douta Procuradoria que aponta o vício na motivação do lançamento como de natureza formal. Estreme de dúvida, ao meu sentir, que a motivação do lançamento se insere nos elementos constitutivos, nucleares, da obrigação tributária, consoante prescritos no art. 142, do CTN. Igualmente, podese dizer que a jurisprudência desta E. CSRF trilha esse entendimento, como se dessume da ementa do Acórdão 9101000.995, de 24/05/2011, cujo teor transcrevo: NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por serem elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto, antecedem e são preparatórios à formalização do crédito tributário,a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula;a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado,coma indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No mesmo sentido, perfilha essa ratio o Acórdão 9101002.146, de 07/12/2015, julgado à unanimidade: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento.Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador,à base de cálculo, ao sujeito passivo,etc.A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 15 14 (base imponível);e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. O vício de forma seria aquele identificável de plano, sem qualquer outra indagação que não a observância das formalidades estabelecidas na legislação, o que não pode ser confundido com incorreta delimitação da obrigação tributária por precária fundamentação, que, em tese, demandariam investigações e providências complementares para definição precisa do fato imponível, hipótese em que o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Assim, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para anular, por vício material, o lançamento decorrente da reclassificação fiscal do fan coil. 2 A CORREÇÃO MONETÁRIA DOS SALDOS CREDORES Neste ponto, igualmente, entendo ter razão a Fazenda Nacional. Creio que a r. decisão foi ilíquida, pois ao julgar o presente processo os vinculou a outros de mesmo mérito em que a empresa foi autuada, e que não foram julgados como conexos ou dependentes. A ementa do acórdão recorrido quanto a esta matéria foi vazada com a seguinte redação: GLOSA DE CRÉDITOS. O crédito glosado em outros processos não impede o julgamento, mas repercute na reconstituição dos saldos da escrita fiscal, podendo alterar os saldos devedores lançados de ofício, caso haja reversão total ou parcial da glosa ou decisão quanto à improcedência de débitos apurados em algum processo. Sendo assim, a liquidação deste julgado fica na dependência do resultado dos processos anteriores. A motivação deuse nos seguintes termos: A glosa do saldo credor inicial em 31/12/2006 foi determinada dentro do mesmo procedimento fiscal, mas em período alcançado por outro auto de infração. Sendo assim, essa glosa influencia os saldos credores ou devedores de períodos de apuração posteriores. Tal fato não impede o julgamento deste processo, mas impede a liquidação do julgado por parte da autoridade administrativa, pois se a glosa determinada em processo anterior for revertida no todo ou em parte, haverá mudança nos saldos devedores apurados neste processo. Sendo assim, todas as decisões derradeiras proferidas quanto aos autos de infração objeto da mesma ação fiscal deverão ser executadas em conjunto, levando em conta o que restar decidido em cada uma delas. No que concerne à glosa da correção monetária, é preciso esclarecer que é fato incontroverso nos autos que o contribuinte obteve, em decisão transitada em julgado, o direito de corrigir o saldo credor de escrita. Sendo assim, se foi apurada a inexistência de saldos credores após a reconstituição da escrita, não existe direito a nenhuma correção, pois se não existe o principal (saldo credor) não existe o acessório (a correção monetária). Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 16 15 Entretanto, como o lançamento foi particionado em vários autos de infração, se em processos anteriores houver no todo ou em parte reversão de glosas ou decisão quanto à improcedência de débitos apurados, e em razão de tais fatos, surgirem saldos credores de escrita que devam ser transportados para períodos seguintes, esses valores a serem transportados deverão ser corrigidos nos exatos termos definidos na decisão judicial. Permissa venia, divirjo do ínclito redator. A decisão nesse ponto foi condicional e ilíquida, pois englobou outros processos que não o sob julgamento. Se, eventualmente, a autoridade local ao liquidar os julgados dos vários processos do sujeito passivo em que lhe foi imputada a mesma infração apurar algum saldo credor, será dela a competência e a obrigação de fazer valer os termos da decisão que se tornou definitiva. Entretanto, certo é que nestes autos não restou saldo devedor, de modo que não há que se falar em correção monetária de saldo credor, eis que inexiste o mesmo no caso vertente. A glosa de valores escriturados a título de correção monetária dos saldos credores do IPI, reconhecida em juízo, deuse em face da apuração, neste processo, de débitos do mencionado tributo, o que levou à reconstituição da escrita fiscal, sendo que os créditos legítimos do IPI servem para a já referida dedução prioritária dos débitos desse mesmo imposto. Esse fato levou à eliminação dos saldos credores passíveis de correção, o que está correto, e implica a manutenção da glosa em comento. Não havendo saldos credores, em consequência não há que se falar em correção monetária, porque o resultado será zero. DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte e dou provimento parcial ao recurso especial da Fazenda para anular, por vício material, a exação decorrente da reclassificação fiscal dos fan coil e manter a glosa da correção monetária, uma vez que refeita a escrita fiscal no período do lançamento não restou saldo credor a incidir qualquer atualização monetária. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 9303007.028 CSRFT3 Fl. 17 16 Fl. 2192DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003210/2003-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA.
O art. 30 do Decreto n° 70.235/72 determina ser obrigatório à Autoridade Julgadora acatar as conclusões dos laudos técnicos produzidos pelo INT - Instituto Nacional de Tecnologia trazidos aos autos.
No entanto, depreende-se haver uma limitação em seu §1º, segundo o qual em matéria de classificação fiscal dos produtos não serão considerados como aspectos técnicos as conclusões postas nos laudos. Assim, não há obrigatoriedade, no presente caso, de que as autoridades julgadoras adotem os laudos do INT trazidos pela Contribuinte.
A prudência sempre recomenda que questões envolvendo aspectos técnicos sejam tratadas com lastro em conhecimentos técnicos, em regra externados por meio de laudos periciais. Embora este Órgão Julgador possa utilizar-se dos laudos técnicos trazidos aos autos para nortear suas conclusões, não está obrigado a fazê-lo, podendo decidir a questão a partir de seu livre convencimento motivado.
Numero da decisão: 9303-006.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA. O art. 30 do Decreto n° 70.235/72 determina ser obrigatório à Autoridade Julgadora acatar as conclusões dos laudos técnicos produzidos pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia trazidos aos autos. No entanto, depreendese haver uma limitação em seu §1º, segundo o qual em matéria de classificação fiscal dos produtos não serão considerados como aspectos técnicos as conclusões postas nos laudos. Assim, não há obrigatoriedade, no presente caso, de que as autoridades julgadoras adotem os laudos do INT trazidos pela Contribuinte. A prudência sempre recomenda que questões envolvendo aspectos técnicos sejam tratadas com lastro em conhecimentos técnicos, em regra externados por meio de laudos periciais. Embora este Órgão Julgador possa utilizarse dos laudos técnicos trazidos aos autos para nortear suas conclusões, não está obrigado a fazêlo, podendo decidir a questão a partir de seu livre convencimento motivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 10 /2 00 3- 39 Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.117 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 310100.171 (fls. 2.347 a 2.363) proferido pela 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 09/07/2009, negando provimento ao recurso voluntário por maioria de votos, tendo sido rerratificado pelo Acórdão nº 3101001.343 (fls. 2.236 a 2.248), que deu parcial provimento aos embargos de declaração interpostos pelo Sujeito Passivo, in verbis: Acórdão nº 310100.171 (recurso voluntário) ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.118 3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTONAGENS. As cartonagens de papel ou cartão não ondulados, dobráveis, classificam se no código 4819.20.00, Ex 02, da NCM, com aliquota de 15% (a partir de 01/10/2002, no código 4819.20.00, com aliquota de 15%), tratandose de invólucros que simplesmente reúnem para apresentação e venda a retalho unidades de produtos (4, 6 ou 12), alimentícios ou não, encerrados em embalagens próprias (os invólucros não têm contato direto com os produtos alimentícios); por força da RGI n° 1 c/c n° 6 e da NESH referente à posição 4819. Recurso Voluntário Negado. Acórdão nº 3101001.343 (embargos de declaração) ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES. Merecem ser providos parcialmente os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existem omissões a serem supridas mediante rerratificação do dispositivo da decisão embargada, inclusive com efeitos infringentes relativamente à decadência. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Nos termos da jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação terá termo inicial na data do fato gerador conforme art. 150, § 4º, do CTN. IPI. BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÕES E VENDAS CANCELADAS. A simples alegação de que devoluções e vendas canceladas foram incluídas na base de cálculo, sem indicação da materialidade fática da ocorrência, não é suficiente para evidenciar o equívoco do lançamento. Ademais, considerando que as bases de cálculo levantadas pela Fiscalização foram extraídas dos livros de IPI, sendo que nestes, mormente, são consignados os registros das devoluções devidamente quantificadas na apuração, as devoluções e vendas canceladas foram considerados. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação da multa de ofício nos percentuais fixados no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.119 4 JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para apreciar juros de mora sobre multa de ofício, uma vez que se trata de matéria afeta à execução do acórdão, a cargo da autoridade preparadora da jurisdição do domicílio fiscal do contribuinte, e não propriamente de matéria constante do auto de infração discutido. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTONAGEM VERSUS CARTUCHO. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE. O voto vencedor começa anunciando justamente o desprestígio das definições de cartucho obtidas de dicionários e glossários de termos técnicos em favor do caráter estritamente tributário que a palavra cartucho deve assumir quando numa operação de classificação fiscal. Assim é que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado se fizeram presentes para dirimir o aparente conflito entre os termos cartonagem e cartucho, não havendo portanto contradição alguma no voto vencedor acerca da classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial aos embargos de declaração, para suprir as omissões relativas à decadência, base de cálculo, multa e juros, com efeitos infringentes relativamente à decadência; e negar provimento quanto à contradição acerca da classificação fiscal; e por maioria, não conhecer dos embargos de declaração quanto a juros sobre multa de ofício. Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo (Relator originário). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. O processo teve origem em Auto de Infração (fls. 267 a 274) lavrado em face da Contribuinte para exigência de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) referente ao período de janeiro/1998 a dezembro/2002, decorrente de recolhimento a menor em razão de suposto erro na indicação da classificação fiscal de produto e da alíquota correspondente. A impugnação da Contribuinte (fls. 279 a 308) foi julgada parcialmente procedente pela 2ª Turma da DRJ/RPOSP, por meio do Acórdão nº 4965 (fls. 1.050 a 1.066), para "[...] declarar de oficio a decadência parcial do feito, com a consequente exoneração de R$ 1.811.674,45 de imposto e de R$ 1.358.755,84 de multa de oficio, além Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.120 5 dos juros de mora correspondentes, e, assim, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento de oficio em pauta". No exame do recurso voluntário (fls. 1.809 a 1.850), a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos e nos termos do Acórdão nº 30132.701 (fls. 1.981 a 1.988), anulou a decisão de primeiro grau proferida pela DRJ/RPO SP, por cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, em razão de falta de apreciação dos laudos técnicos carreados aos autos pelo Sujeito Passivo para sustentar a classificação das mercadorias na posição entendida como correta. Retornados os autos à origem, foi proferida nova decisão pela 2ª Turma da DRJ/RPOSP, consubstanciada no Acórdão nº 1417.416 (fls. 1.997 a 2.011), rejeitando o pedido de apresentação de documentos adicionais e considerando procedente o lançamento de ofício efetuado pela Fiscalização, com o restabelecimento da exigência do crédito tributário em sua integralidade. Não resignado, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário (fls. 2.253 a 2.305) reiterando as razões de impugnação e alegando, em síntese, que: [...] (i) é nula a nova decisão de primeira instância, pois, assim como a anteriormente proferida, os laudos técnicos trazidos não foram analisados adequadamente; (ii) a nova decisão também não poderia ter deixado de considerar a decadência dos fatos ocorridos entre janeiro e agosto de 1998, reconhecida pela primeira decisão da DRJ, uma vez que majora a exigência fiscal, o que viola o instituto da não reformatio in pejus e torna a decisão nula, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72; (iii) "segundo o artigo 150, §4°, c.c. com o artigo 149, parágrafo único, ambos do CTN, o prazo decadencial para a revisão da exigência fiscal coincide com o prazo para a realização do lançamento. Assim, quando a D. Autoridade Julgadora de primeira instancia majorou a cobrança (ao não reconhecer a decadência dos fatos ocorridos de janeiro agosto de 1998), já havia decaído o seu direito de cobrar créditos relativos ao período de janeiro/1998 a novembro/2002; " (iv) "ainda que assim não se considere, nos termos do artigo 150, §4" do CTN, decaiu o direito de o Fisco tributar fatos relativos ao período de janeiro/1998 a agosto/1998, visto que eles só poderiam ter sido cobrados até agosto/2003, e o Auto de Infração apenas veio a ser lavrado em 5.9.2003"; (v) os produtos da Recorrente são cartuchos classificáveis na posição 4819.40.00 ex 3 (atualmente 4819.40.00), de acordo com a doutrina, RGISH, NESH, legislação e a jurisprudência aplicáveis; (vi) "cartonagens, na linguagem vulgar, podem ser entendidas como aqueles materiais destinadas a "caixas de papelão" amareladas, que servem para armazenar grandes quantidades de produtos ao passo que os Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.121 6 cartuchos, como no caso da Recorrente, se destinam a agrupar determinadas mercadorias para venda a consumidor final"; (vii) "as cartonagens decorrem da reunião de várias peças ao passo que os cartuchos silo feitos de uma única peça"; (viii) "os cartuchos em questão não servem a acondicionar produtos alimentícios, não mantendo contato direto com o conteúdo"; (ix) "não se pode admitir um Auto de Infração lavrado com base em consultas formais de outros contribuintes e em dicionários da língua portuguesa, sem qualquer embasamento legal ou técnico a respeito da questão"; (x) "as provas colacionadas pela Recorrente no curso do processo demonstram claramente a diferença entre as cartonagens (que não é o caso da Recorrente) dos cartuchos como de fato são"; (xi) a partir de 1.10.2002, a Recorrente passou a adotar a aliquota de 15% em cumprimento ao Decreto 4.396/02 e não por suposta concordância com a posição da D. Fiscalização"; (xi) cancelamento das exigências referente aos meses de outubro e novembro de 2002, visto que já foram recolhidos impostos com alíquota de 15% nos termos do Decreto 4.396/02; (xii) para fins de apuração do imposto, a D. Fiscalização considerou os valores relativos a cancelamentos e devoluções, os quais, definitivamente, não compõem a base de cálculo do imposto, pelo que a exigência deve ser cancelada; (xiii) a multa de oficio cobrada no valor de 75% é excessiva e extrapola os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida; (xiv) a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários. (grifouse) Sobreveio julgamento do recurso voluntário explicitado no Acórdão nº 3101 00.171 (fls. 2.347 a 2.363), ora recorrido, proferido pela 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 09/07/2009, por maioria de votos, no sentido de negar provimento ao recurso e consignar como correta a classificação das mercadorias no código 4819.20.00, Ex 2, da NCM (cartonagens), com alíquota de 15% (quinze por cento). A Contribuinte interpôs embargos de declaração (fls. 2.375 a 2.379), os quais restaram acolhidos em parte para, nos termos do Acórdão nº 3101001.343 (fls. 2.236 a 2.248), suprir as omissões relativas à decadência, reconhecendo a impossibilidade de cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos até 05/09/1998; base de cálculo; multa e juros, com efeitos infringentes relativamente à decadência; negar provimento quanto à contradição acerca da classificação fiscal; e não conhecer dos embargos de declaração quanto aos juros sobre multa de ofício. Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.122 7 No ensejo, foi apresentado recurso especial de divergência pela Contribuinte (fls. 2.956 a 2.985), trazendo como paradigma os acórdãos nºs 3402001.037, 380200.246 e 30329.256. Nas razões recursais, consigna os seguintes argumentos: (a) a nulidade do acórdão recorrido, conforme art. 59 do Decreto nº. 70.235/72, por preterição do direito de defesa; (b) a diferença essencial entre "cartucho" e "cartonagem" é a presença de tampa nesta, razão pela qual não há de se classificar como cartonagem as mercadorias da Recorrente; (c) da descrição contida no acórdão recorrido dos produtos fabricados pela Contribuinte, depreendese corresponderem a embalagens compostas por uma peça única, feitas de cartão e vincadas, que não entram em contato com o seu conteúdo, concluindose que os mesmos são cartuchos; (d) na classificação fiscal de mercadorias, além do aspecto tributário, não se pode prescindir do seu caráter técnico, devendo ser considerados os laudos, elaborados pelo IPT e pela ABTG, trazidos aos autos como prova de suas alegações; (e) levandose em consideração a definição das expressões cartucho e cartonagem, bem como que ambos referemse à forma de embalagem feitas de cartão, os produtos da Contribuinte podem ser classificados em duas subposições da posição 4819: "4819.20 Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados (não canelados)" ou "4819.40 Outros sacos; bolsas e cartuchos". Assim, se tomados por cartucho e cartonagem ao mesmo tempo, devese atentar para a especificidade e para os laudos técnicos, e por conseguinte ensejando a sua classificação como cartuchos, por ser mais específica e estar de acordo com a avaliação técnica; (f) pela aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH), aprovadas pelo Decreto nº 4.542/02, também prevalece a classificação dos produtos do Sujeito Passivo como "cartuchos", na posição 4819.40.00, ex 3, com alíquota do IPI em 8% (oito por cento). O recurso especial foi admitido por meio do despacho s/nº, de 07/17/2015 (fls. 3.080 a 3.084), em razão da comprovação da divergência jurisprudencial quanto à desconsideração de laudos técnicos acostados ao processo e ao conceito de cartucho para classificação das mercadorias da Recorrente. Ficou consignado, ainda, que a divergência relativa à classificação fiscal das mercadorias não precisaria ser analisada pois restaria sanada pela resolução da divergência admitida desconsideração dos laudos técnicos juntados aos autos. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 3.086 a 3.094) requerendo a improcedência do apelo especial da Contribuinte. Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.123 8 Incluído o processo em pauta, na sessão de julgamento de 09/06/2016, acatando proposição da Relatora, o Presidente do Colegiado determinou o retorno dos autos à Secretaria da 3ª Turma da CSRF para exame de admissibilidade da questão atinente à classificação fiscal das mercadorias (fls. 3.097 a 3.101). Ao proceder ao exame de admissibilidade, por meio do despacho de 29/07/2016 (fls. 3.103 a 3.107), o Ilustre Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em exercício à época, entendeu por negar seguimento ao recurso especial quanto à classificação fiscal dos produtos, pois ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas, imprescindível à comprovação da divergência jurisprudencial. O presente processo retornou a essa Relatora após saneamento da admissibilidade do recurso especial, consoante determinado no despacho de fls. 3.115, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento quanto à adoção dos laudos técnicos trazidos aos autos pela Recorrente. Mérito No mérito do recurso especial, as matérias a serem analisadas devem ter sido objeto de comprovação de prequestionamento e de divergência jurisprudencial, razão pela qual, embora sejam suscitadas outras matérias na peça do apelo, que não são de reconhecimento de ofício, estará delimitado o presente arrazoado à análise ao ponto que efetivamente atendeu a esse requisito: desconsideração do laudo técnico carreado aos autos. Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos fabricados pela Contribuinte. Sustenta a Fiscalização ser correta a classificação dos mesmos como "cartonagens" (posição 4819.20.00 alíquota do IPI de 15%), enquanto o Sujeito Passivo defende o seu enquadramento como "cartuchos" (posição 4819.40.00 alíquota do IPI de 8%). Seguem abaixo os Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.124 9 os capítulos, posições, subposições itens e subitens que tais número representam, conforme TIPI aprovada pelo Decreto nº 2092/96, vigente à época dos fatos geradores. Na determinação da classificação fiscal, o auto de infração embasouse precipuamente em definições estabelecidas em dicionário. De outro lado, para dar lastro à sua pretensão, a Contribuinte trouxe aos autos laudos técnicos que, embasados em aspectos técnicos dos produtos, apontam como correta a classificação como "cartuchos" (fls. 378 a 437): Laudo elaborado por INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS ITAL / CENTRO DE TECNOLOGIA DE EMBALAGEM CETEA) Embalagens de cartão Os cartões são empregados na confecção de cartuchos, "multipacks", caixas rígidas e estruturadas laminadas (cartonadas). Outras aplicações de interesse são os copos e tubos de cartão e a base de sustentação para blisters e "skinpacks". Cartuchos Os cartuchos são embalagens fabricadas a partir de uma chapa de cartão por meio de operações de corte e vinco. São geralmente expedidos pelo fabricante abertos ou colados e colapsados, sendo montados, enchidos e fechados apenas no usuário. Por esse motivo são facilmente estocados e transportados. Dependendo da escala de produção, a montagem do cartucho pode ser manual ou automática (FRIEDMAN, KIPNEES, 1987). Existem centenas de tipos de cartuchos variando em formato, forma de fechamento, uso final, etc. a) Cartucho convencional Basicamente, os cartuchos convencionais consistem de uma chapa de cartão dobrada sobre si mesma e colocada em um dos lados para formar um corpo regular. As extremidades, denominadas tampa e fundo, podem ser seladas ou presas de diferentes maneiras (Figura 5.10). A colagem lateral na maioria dos casos é feita pelo fabricante. [...] LAUDO ELABORADO POR INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS Relatório Técnico nº 67 403 i RESUMO A Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. solicitou ao IPT uma análise da classificação de seus produtos com a finalidade de verificação do enquadramento fiscal correspondente. Foram enviados três tipos de embalagens múltiplas contendo produtos alimentícios e vazias. Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.125 10 De acordo com a classificação NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, há duas posições que estão relacionadas com este produto: 4819.20.00 Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados (não canelados, e 4819.40.00 Outros sacos; bolsas e cartuchos. Recomendase utilizar a classificação 4819.40.00 Outros sacos; bolsas e cartuchos, pois estes envoltórios de embalagens em questão não constituem, claramente, caixas, por serem abertos nas extremidades. Tratamse de envoltórios de cartão cortado e vincado, conforme a NBR 919885. [...] Como o item 4819.20.00 trata de "caixas e cartonagens ...", mas só o termo caixas tem um significado válido, este deve ser o termo que conceitua o item. Ora, o envoltório de embalagens em questão não constitui, claramente, uma caixa, por ser aberto nas extremidades. Assim sendo, é preciso buscar uma outra classificação para tais envoltórios. Esta é encontrada no item 4819.40.00 — Outros sacos; bolsas e cartuchos. 0 termo cartucho não se refere, necessariamente, a uma caixa, mas a uma embalagem de cartão cortado e vincado, conforme a NBR. O encaminhamento do pedido de reclassificação fiscal deve, portanto, ser dirigido ao item 4819.40.00. [...] Nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, cabe às autoridades julgadoras adotar as conclusões técnicas trazidas em laudo quando não infirmadas por outros laudos presentes nos autos. Dispõe, ainda, o §1º do referido dispositivo que não será considerado como aspecto técnico a classificação fiscal dos produtos. Consoante exame de admissibilidade do recurso especial efetuado nos presentes autos, a controvérsia a ser dirimida nos presentes autos referese à análise da obrigatoriedade da autoridade julgadora de acatar as conclusões dos laudos técnicos produzidos pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia trazidos aos autos, conforme previsão contida no art. 30 do Decreto nº 70.235/72, art. 30. Da análise do dispositivo, depreendese haver uma limitação em seu §1º, segundo o qual em matéria de classificação fiscal dos produtos não serão considerados como aspectos técnicos as conclusões postas nos laudos. Assim, não há obrigatoriedade, no presente caso, de que as autoridades julgadoras adotem os laudos trazidos pela Contribuinte. A prudência sempre recomenda que questões envolvendo aspectos técnicos sejam tratadas com lastro em conhecimentos técnicos, em regra externados por meio de laudos periciais. Embora este Órgão Julgador possa utilizarse dos laudos técnicos trazidos aos autos para nortear suas conclusões, não está obrigado a fazêlo, podendo decidir a questão a partir de seu livre convencimento motivado. No caso em apreço, verificase que o Colegiado a quo não desconsiderou por completo os laudos técnicos trazidos pela Contribuinte, apenas deulhes interpretação diferente da pretendida pela Recorrente, classificando as mercadorias como cartonagens por entender Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.126 11 que em matéria de classificação fiscal tratase de aplicação da norma tributária e não de aspectos técnicos. Como no caso dos autos o recurso especial teve prosseguimento tão somente quanto à necessidade ou não de observância dos laudos periciais acostados aos autos, fica prejudicada qualquer manifestação deste Colegiado sobre a classificação fiscal dos produtos em discussão (se cartuchos ou cartonagens). Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 3126DF CARF MF
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Numero do processo: 19814.000299/2006-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 11/04/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL.
O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador.
Atualmente, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31.
Numero da decisão: 3002-000.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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Recorrente HEWLETTPACKARD BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/04/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador. Atualmente, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 02 99 /2 00 6- 50 Fl. 410DF CARF MF 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 114/115 dos autos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/04/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Contribuição PIS/COFINS incidentes na importação, no valor de R$ 7.103,55, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Adição 001 da Declaração de Importação No. 06/04128252, de 11/04/2006, produtos descritos como "IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COLORIDA, MODELO PHOTOSMART MODELO 3110 AIO, COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, COM VELÓCIDADE DE IMPRESSÃO DE 32 PPM MONOCROMÁTICA E 31 PPM EM CORES; RESOLUÇÃO DE IMPRESSÃO DE 4800 X 1200 DPI; • Recebeu do importador classificação tarifária no código NCM 8471.60.30, com incidência da alíquota de 0 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 15% pára o Imposto de Produtos Industrializados; • Em ato de conferência física, foi apurado que os produtos importados eram equipamentos MULTIFUNCIONAIS. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00, com incidência da alíquota 'ide 14 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 20% para o Imposto de Produtos Industrializados; • A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009; Tipificação Legal: Artigos 2°, 3°, 482 a 485, 489, 491, 504, 602, 604, IV e 684 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/20022, artigos 10, 30 I, 40 I, 50 1, 70 1, 8° I, 13 I, 19 e 20 da Lei 10.865/04. Cientificado do auto de infração, pessoalmente em 25/04/2006 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente. Na forma do artigo 15 do Decreto, 70.235/72, em 02/05/2006, de fls. 46 à 55, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • O auto de infração é nulo, uma vez que não há nos autos qualquer prova indicando que a mercadoria importada se enquadra nos contornos do disposto do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005; • A função principal das multifuncionais é atuar como impressora, apresentadas assim individualmente e comercialmente. • Apesar de desempenhar outras funções, a função que prevalece é a impressão, devendo ter o equipamento classificação fiscal no código NCM 8471.60.30, conforme a Regra 3, b) das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; • O código NCM 9009.21.00 diz respeito a artefato óptico analógico que opera sem conexão com qualquer computador; •As fotocopiadoras não realizam qualquer das funções das multifuncionais uma vez que a obtenção de cópias ocorre por processos diferentes; Fl. 411DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3002000.410 S3C0T2 Fl. 411 3 •Solicita perícia técnica, apresentando quesitos; Pugna a nulidade e, alternativamente, a improcedência do Auto de Infração. O contribuinte juntou com a impugnação os atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 56/103). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/04/2006 Importação de impressoras a jato de tinta colorida, modelo photosmart modelo 3110 AIO, combinada com outras unidades; de entrada e saída com Classificação tarifária no código NCM 8471.60.30. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de, 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00. A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009. Lançamento Procedente Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 113/118) entendeu correta a reclassificação efetuada, com base no ADI SRF nº 7 de, 26/07/2005 e nas características do produto, conforme indicado na ementa acima transcrita. Indeferiu a perícia técnica requerida sob fundamento de que se revela desnecessária, por não ter sido apresentado nenhum argumento relevante que a propiciasse, e pelos quesitos formulados terem sido respondidos pela literatura técnica juntada aos autos. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 14/07/2009 (vide AR à fl. 121 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 03/08/09, Recurso Voluntário (fls. 122/134). Em seu recurso, o contribuinte reiterou os argumentos e pedidos de sua impugnação, argumentando e requerendo, em preliminar: i) a reunião do presente processo com os de nº 19814000297/200661 e 19814000298/200613; ii) nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido por prejuízo ao direito de defesa. No mérito: i) foi baixado o Decreto nº 5.802/2006, que reconheceu a classificação na posição SH 8471 para os produtos multifuncionais; ii) os produtos sob análise têm na função de imprimir sua característica preponderante, o que determina sua classificação na posição SH 8471. Pediu, ao fim, acolhimento da preliminar para que seja declarada a insubsistência da autuação, ou, no mérito, que seja aperfeiçoada a instrução e proferida decisão com base na legislação e nas provas dos autos. Juntou, com o recurso, os documentos listados na fl. 135. À fl. 294, consta intimação enviada ao contribuinte para apresentação de documentos, cujo AR consta à fl. 295, com vistas à regularização da representação processual. O contribuinte, então, juntou aos autos os documentos de fls. 306/390. Fl. 412DF CARF MF 4 Os autos foram enviados a este Conselho, para apreciação do recurso interposto. Às fls. 393/395, consta o acórdão nº 380302.539, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Sessão de Julgamento, declinando da competência para a 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Sessão. Na sequência, foi proferido novo acórdão, de fls. 405/408, em que a 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Sessão declinou e devolveu a competência para o julgamento deste recurso pela 3ª Turma Especial da Terceira Sessão. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Dos pedidos preliminares 1.1. Reunião do presente processo com os de nº 19814000297/200661 e 19814000298/200613 Em seu recurso, o contribuinte reiterou o pedido apresentado anteriormente nos autos, no sentido de que a presente demanda, que versa sobre a cobrança de PIS e COFINS importação, seja reunida com os dos processos acima indicados, lavrados em face da mesma DI, por meio dos quais são exigidos créditos tributários relacionados às diferenças de Imposto de Importação, IPI e multas. Entendo que o pleito do contribuinte é válido, visto que visa evitar decisões conflitantes, além de encontrar respaldo no Regimento Interno do CARF (art. 6º do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015). Acontece que, in casu, não se apresenta possível proceder à reunião dos referidos processos nesta oportunidade. Isso porque, em consulta ao andamento processual dos referidos processos, constatase que o processo nº 19814000297/200661 não se encontra no CARF, e que o processo nº 19814000298/200613 já foi julgado por este Conselho desde 26/06/2012, por meio do Acórdão nº 3802001.067. Nesse contexto, diante da impossibilidade de reunião dos referidos processos, este Colegiado deverá prosseguir com o julgamento da presente demanda. Feitas essas considerações preliminares, passo à análise dos demais fundamentos constantes do Recurso Voluntário interposto. 1.2. Nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido por prejuízo do direito de defesa Ainda preliminarmente, o contribuinte requereu fosse reconhecida, por prejuízo ao seu direito de defesa, a nulidade tanto do auto de infração quanto do acórdão recorrido. No Fl. 413DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3002000.410 S3C0T2 Fl. 412 5 que se reporta ao auto de infração, apresentou os seguintes fundamentos: (i) não consta dos autos nenhum suporte técnico relacionado com a identificação das mercadorias e funções por ela desempenhadas, para que se pudesse verificar a correção da classificação fiscal realizada; (ii) não teria sido anexado ao auto de infração o processo que gerou o ADI SRF nº 07/05. Quanto ao acórdão recorrido, defendeu que a nulidade adviria do indeferimento do pedido de perícia formulado. Entendo que não assiste razão ao contribuinte em seus fundamentos. Quanto ao auto de infração, verificase que este encontrase devidamente fundamentado, não possuindo qualquer mácula que possa eiválo do vício de nulidade alegado pelo contribuinte. Conforme restou analisado na decisão recorrida, a descrição do produto constante da própria declaração apresentada pelo contribuinte é suficiente à identificação do produto, para que se possa realizar a correta classificação fiscal. De outro norte, é certo que a ausência de juntada aos autos do inteiro teor ADI SRF nº 07/05 não torna nulo o auto de infração combatido, nem cerceia o direito de defesa do contribuinte, visto que o seu conteúdo, além de ter sido mencionado no auto de infração combatido, poderia ser facilmente consultado pelo contribuinte. De outro norte, no que concerne à suposta nulidade do acórdão recorrido, entendo que melhor sorte não assiste ao recorrente. Como se vê, a decisão recorrida encontra se corretamente fundamentada neste ponto, tendo indeferido a realização de perícia visto que prescindível à solução desta contenda. É o que se extrai da passagem a seguir transcrita, cujos fundamentos, no meu entender, apresentamse irretocáveis: Quanto à solicitação de perícia, o inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72 assim explicita: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, 'na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 19 Os elementos probatórios' deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2' Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este •e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A Pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. Fl. 414DF CARF MF 6 O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos 'no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que , leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que é propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícial tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Os quesitos formulados suscitam dúvidas já respondidas pela literatura técnica juntada. Diante disso, temse que a perícia se revela desnecessária dada sua assimetria com a linha probatória até aqui empreendida, não tendo por si o condão de trazer fato novo frente àqueles já evidenciados. Não obstante a recusa fundamentada, nos moldes dos artigos transcritos, o direito a ampla defesa e ao contraditório foi observado. Nesse contexto, entendo que deverá ser indeferida a preliminar de nulidade alegada, seja em relação ao auto de infração lavrado, seja em relação ao acórdão recorrido. 2. Do mérito Passase, então, à análise do mérito da presente contenda, relacionado à correta classificação fiscal dos produtos descritos como "IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COLORIDA, MODELO PHOTOSMART MODELO 3110 AIO, COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO DE 32 PPM MONOCROMÁTICA E 31 PPM EM CORES; RESOLUÇÃO DE IMPRESSÃO DE 4800 X 1200 DPI". O Recorrente classificou o referido produto no NCM 8471.60.30, com incidência da alíquota de 0% para o Imposto de Importação e da alíquota de 15% para o Imposto de Produtos Industrializados, ao passo que a fiscalização entendeu que a correta classificação fiscal seria a disposta no NCM 9009.21.00, com incidência da alíquota de 14% para o II e 20% para o IPI, por corresponderem a equipamentos multifuncionais. Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevese a seguir o teor das referidas classificações: 84.71 MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 8471.60 Unidades de entrada ou de saída, podendo conter, no mesmo corpo, unidades de memória 8471.60.30 Outras impressoras, com velocidade de impressão superior ou igual a 30 páginas por minuto Fl. 415DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3002000.410 S3C0T2 Fl. 413 7 *** 90.09 APARELHOS DE FOTOCÓPIA, POR SISTEMA ÓPTICO OU POR CONTATO, E APARELHOS DE TERMOCÓPIA 9009.2 Outros aparelhos de fotocópia 9009.21.00 Por sistema óptico A fiscalização fundamentou a reclassificação realizada no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07 de 26/07/2005, que assim dispõe: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e considerando o que consta no processo nº 10168.000174/200536, declara: Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificamse na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do Mercosul. E, consoante acima narrado, sabese que este Conselho já teve a oportunidade de se manifestar sobre a correta classificação fiscal dos mesmos produtos aqui analisados quando do julgamento do processo nº 19814000298/200613, que resultou no Acórdão nº 3802 001.067. É importante que se destaque, contudo, que, em que pese este Conselho já ter proferido decisão sobre a mesma matéria que aqui se analisa, este Colegiado não está vinculado ao conteúdo da decisão ali proferida, podendo proferir decisão no mesmo sentido, caso concorde com a conclusão ali posta, ou em sentido contrário, caso entenda diversamente do conteúdo da decisão outrora proferida. Ocorre que, ao analisar o conteúdo do referido acórdão, entendo que aquela Turma Julgadora analisou corretamente a matéria sob exame. E, por concordar com os fundamentos ali dispostos, transcrevoos a seguir, adotandoos como razão de decidir: Da classificação fiscal No presente caso, o impugnante pleiteia a classificação do seguinte produto mportado, descrito na DI nº 06/04128252 adição 01) como “IMPRESSORAS A JATO DE INTA COLORIDA, MODELO PHOTOSMART MODELO 3110 AIO, COMBINADA COM UTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO E 32 PPM MONOCROMÁTICA E 31 PPM EM CORES; RESOLUÇÃO DE IMPRESSÃO DE 4800 X 1200 DPI” no código NCM 8471.60.30 (II: 0% e IPI: 15%); Já a fiscalização, após apurar que os produtos importados eram equipamentos MULTIFUNCIONAIS, pretende, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, o código NCM 9009.21.00 (II: 14% e IPI: 20%). De acordo com a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº Fl. 416DF CARF MF 8 97.409/88), “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras seguintes”. Semelhante regramento, agora cuidando da classificação em subposições e em itens e subitens, encontramos na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 6 e na Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. A Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no Sistema Harmonizado, traz os seguintes textos relacionados aos códigos desejados: NCM 8471.60.30 8471.60.30 Outras impressoras, com velocidade de impressão superior ou igual a 30 páginas por minuto NCM 9009.21.00 9009 APARELHOS DE FOTOCÓPIA, POR SISTEMA ÓPTICO OU POR CONTATO, E APARELHOS DE TERMOCÓPIA 9009.2 Outros aparelhos de fotocópia 9009.21.00 Por sistema óptico Entretanto, caso pareça que a mercadoria possa classificarse em duas ou mais posições (superadas a Regras Gerais nºs 1 e 21), a classificação deverá efetuarse na forma da Regra Geral nº 32: pela posição mais específica; pela característica essencial; ou pela posição situada em último lugar na ordem numérica dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A discussão, portanto, acerca da correta classificação fiscal das multifuncionais perpassaria a possibilidade de se definir, acaso insuficientes as Regras Gerais nºs 1 e 2, a sua posição mais específica ou a que acolha a característica essencial – se a posição relacionada à função de impressão, ou a relacionada à função de cópia ou ainda a de transmissão de telecópia (fax). Nesse contexto, a Receita Federal editou o Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7, de 26/07/2005, onde expressou seu entendimento de que as máquinas multifuncionais classificariamse no código NCM 9009.21.00. Vejamos: Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificam se na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária – não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3002000.410 S3C0T2 Fl. 414 9 Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: Código TIPI Descrição Alíquota (%) 8471.60.21 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.22 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.23 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.24 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.25 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.26 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.29 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.30 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. Em sentido semelhante assentou o Acórdão nº 310100.253 (3ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Relator Luiz Roberto Domingo, julgado em 19 de outubro de 2009): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/09/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afastaa da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente passificada (sic) no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado Fl. 418DF CARF MF 10 comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08) Recurso Voluntário Provido. (...). Nesse sentido, caracterizado o produto como uma impressora multifuncional, a classificação adotada pelo importador pode ser considerada, à época, como adequada para o produto em questão, devendo, pois, ser afastada a presente cobrança relativa à exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de multa de oficio. Com base nos fundamentos supra expendidos, concluise que a classificação fiscal defendida pelo contribuinte (8471.60.30 outras impressoras, com velocidade de impressão superior ou igual a 30 páginas por minuto), à época em que realizada, apresentavase correta. Verificase, ainda, que a posição pretendida pela fiscalização (9009.21.00 outros aparelhos de fotocópia) não encontra respaldo nas regras de classificação fiscal, seja atualmente em que prevalece a classificação com base no NCM 8443.31 , seja na época do fato gerador objeto da presente contenda. Sendo assim, deverá ser cancelado o auto de infração combatido. 3. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 419DF CARF MF
score : 2.5780041
Numero do processo: 10480.722499/2009-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007
OCORRÊNCIA DE EQUÍVOCO ORIGINÁRIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO.
Necessário o retorno dos autos ao Colegiado de origem quando há ocorrência de equívoco originário no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-005.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar a classificação fiscal e as demais questões de mérito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargo Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 OCORRÊNCIA DE EQUÍVOCO ORIGINÁRIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. Necessário o retorno dos autos ao Colegiado de origem quando há ocorrência de equívoco originário no acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar a classificação fiscal e as demais questões de mérito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargo Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 OCORRÊNCIA DE EQUÍVOCO ORIGINÁRIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. Necessário o retorno dos autos ao Colegiado de origem quando há ocorrência de equívoco originário no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar a classificação fiscal e as demais questões de mérito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 24 99 /2 00 9- 54 Fl. 1396DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargo Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3302002.444, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Seguese a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. PRESCRIÇÃO 5 ANOS DO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO INAPLICABILIDADE DA CONTAGEM DO PRAZO DO MOMENTO DA GERAÇÃO DO CRÉDITO. Em relação ao saldo credor de 2003, aproveitado no ano de 2005, sem razão a recorrente. É fato que quando ocorreu a fiscalização já havia transcorrido 5 anos do momento da geração do crédito. Todavia, não havia transcorrido 5 anos do momento do aproveitamento do crédito tributário, e é este o período em que a fiscalização pode analisar a contabilidade do contribuinte. ” Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 9303005.972 CSRFT3 Fl. 1.397 3 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que sustentou que constitui modificação de critério jurídico, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação do produto NCM, anteriormente adotada pelo importador. Traz, entre outros, que, · Em consonância com disposto no inciso I, o artigo 54 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, prevê expressamente a possibilidade de realização, após o desembaraço aduaneiro ou liberação da mercadoria, do procedimento de revisão das informações tributárias e outra natureza, prestadas pelo importador na DI que serviu de base para o processamento do despacho aduaneiro; · O porcelanato é um produto cerâmico, e, como tal, por aplicação da RG/SHI nº. 01, deve ser classificado no capítulo 69, na posição 6907(se não vidrado nem esmaltado) ou na posição 6908 (se vidrado ou esmaltado), razão pela qual mostrase correta a reclassificação procedida pelo Fisco. Em despacho às fls. 1306 a 1308, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso especial foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · A mudança repentina de entendimento por parte da receita federal viola o princípio da segurança jurídica, haja vista a ilegal revisão do lançamento com efeitos retroativos, após o desembaraço respaldado no entendimento da própria autoridade mediante resposta a pedido de informação acostada aos autos; · Não tendo havido erro ou omissão por parte da contribuinte quanto à matéria de fato constante de declaração de importação, no que concerne à identificação física da mercadoria, não há que se admitir a Fl. 1398DF CARF MF 4 revisão do lançamento, como feito no Auto de Infração ora objurgado, consoante se denota da análise dos incisos IV e V, do art. 149, do CTN; · Em relação à correta classificação fiscal da mercadoria importada: ü O porcelanato em nada se aproxima da porcelana; ü O porcelanato é um produto composto por feldspato, dolomita, quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15%, composição que, consoante restará evidenciado, é diversa da cerâmica e se assemelha a um granito, conforme laudo técnico elaborado com base no parecer técnico 8.202 do IPT e já convalidado pela DRJ em julgamento do processo 1964.013825/200882; ü As características técnicas do porcelanato são muito diferentes da cerâmica, posto que 75% do porcelanato é composto de matérias duras. Tratase de produto estável, mais resistente a temperaturas baixas, já a cerâmica sofre mais retração e expansão, com a oscilação de tempo; ü Quanto à cozedura e ponto de fusão há uma substancial diferença entre o porcelanato e uma cerâmica, o que demonstra o equívoco da Nota Coana/Cotac/Dinon 2007/0319 que ensejou a lavratura do auto de infração. Esse processo foi pautado para 18.1.2017, conforme publicação no Diário Oficial da União de 5.10.2017, retornando para julgamento, observandose pedido de vista, em novembro. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 9303005.972 CSRFT3 Fl. 1.398 5 Ora, do simples cotejo entre as ementas dos acórdãos recorrido e indicados como paradigmas, constatase a efetiva existência de interpretação divergente quanto à ocorrência ou não de modificação de critério jurídico na reclassificação fiscal de mercadorias promovida em sede de revisão aduaneira. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Não obstante ao decidido em acórdão recorrido, para melhor entendimento, importante recordar: · O Auto de Infração no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) trouxe, entre outros (Grifos meus): “001 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA DO IPI Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributos, “Porcelanatos”, de tamanhos, colorações, brilhos, formatos etc diversificados, com falta de destaque do IPI, por ter cometido erro na classificação fiscal e erro da alíquota do imposto, como descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo. [...] 002 – CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO O estabelecimento industrial não recolheu o IPI por ter registrado em sua escrita fiscal um crédito indevido, na forma do saldo credor inicial de janeiro de 2005. [...]” Fl. 1400DF CARF MF 6 · O Termo de Verificação Fiscal trouxe, entre outros (Grifos meus): “[...] No presente caso, impende destacar que a presente autuação decorre de procedimento fiscal anterior que identificou erro nos despachos aduaneiros de importação da empresa, visto que ela dotava uma equivocada classificação fiscal para a placas de "porcelanato" que importava para industrialização em seu estabelecimento.[...] Foi realizada então uma análise nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte a fim de constatar se ele adotara o mesmo equívoco da alíquota do IPI nas saídas de produtos industrializados. Concluída essa análise, foi possível constatar que a empresa tributou seus produtos "porcelanato" (de formatos, cores e brilhos diversos) com a classificação fiscal e a alíquota do IPI usadas no âmbito do despacho aduaneiro de importação.[...] Sendo assim, neste auto de infração, não serão autuadas as importâncias do IPIvinculado não recolhidas, mas apenas os valores do IPI das saídas com falta de destaque do imposto, não escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), por conta do erro ma classificação fiscal adotada pela empresa em suas vendas de produtos "porcelanatos", como expresso em suas notas fiscais de saída. [...] Concluída essa análise, foi possível constatar que a empresa tributou seus produtos “porcelanato” (de formatos, cores, brilho diversos) com a classificação fiscal e a alíquota do IPI usadas no âmbito do despacho aduaneiro de importação. [...] Por conseguinte, em respeito à qualidade dos argumentos expendidos no mencionado processo (particularmente, a Nota COANA/COTAC/DINOM nº 2007/0319), adotase, sem qualquer ressalva, neste auto de infração de infração a mesma classificação fiscal ali retratada – 6907.90.00 (para os porcelanatos não vidrados ou esmaltados) ou 6908.90.00 (para Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 9303005.972 CSRFT3 Fl. 1.399 7 os porcelanatos vidrados ou esmaltados), ambos com a mesma alíquota do IPI: [...] A prática do estabelecimento de promover saídas com a classificação fiscal errônea (NCM 6810.19.00) e a alíquota do IPI igual a 0% resultou, ao longo dos vários períodos de apuração, em infração à legislação do IPI, por ter deixado de realizar o destaque do imposto exigível na nota fiscal de saída e consequentemente ter deixado de recolher os eventuais saldos devedores do imposto, a serem detalhados. [...]” · A impugnação trouxe, entre outros: “[...] 14. A instauração de procedimentos administrativo com base em revisão de mercadorias importadas, regularmente desembaraçadas, submetidas a industrialização e comercialização, após quase 5 (cinco) anos, com base em mudança na classificação fiscal posterior, é manifestamente irregular e contrários às normas que regem o processo administrativo tributário pátrio, o que autoriza a decretação da nulidade de todos os atos até então praticados... [...]” · O acórdão de impugnação trouxe, entre outros: “[...] Partindo dessa premissa, não foram autuadas as importâncias relativas ao IPI vinculado à importação não recolhidas, mas apenas os valores do IPI correspondentes às saídas com falta de destaque do imposto, não escriturados no RAIPI, por conta do erro na classificação fiscal adotada pela empresa em suas vendas do produto, como expresso em suas notas fiscais de saída. [...]” · O acórdão de recurso voluntário trouxe, entre outros: “[...] Fl. 1402DF CARF MF 8 Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em relação ao período de jan/2005 a dez/2007, em virtude da reclassificação fiscal dos produtos importados pela Recorrente, que entendia ser aplicável, quando do despacho aduaneiro, o código 6810.19.00, aplicável à “outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas”, com alíquotas de 8% de II e 0% de IPI; enquanto a fiscalização entendia que os produtos deveriam ter sido importados sob as rubricas: 6907.90.00 (para os porcelanatos não vidrados nem esmaltados) e 6908.90.00 (para aqueles vidrados ou esmaltados), ambos com as mesmas alíquotas do IPI, a saber: 10% nos anos de 2005 e 2006; 5% no ano de 2007 (Decreto nº 6.006.2006). [...] Em resumo, tratase de diferença de crédito tributário apurada em procedimento de revisão aduaneira das Declarações de Importação da Recorrente em decorrência do entendimento da fiscalização de que houve adoção equivocada de critério de classificação fiscal.[...] Portanto, é condição necessária a existência de um prévio lançamento tributário. Os tributos recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro configuram antecipação de pagamento, na modalidade do lançamento por homologação. Entender que a conferência aduaneira e o conseqüente desembaraço da mercadoria configurariam lançamento tributário implica em dizer que houve homologação expressa do lançamento previsto no artigo 150 do CTN (lançamento por homologação), o que de fato não resta configurado no despacho aduaneiro. O despacho aduaneiro de importação é um procedimento de fiscalização, previsto no regulamento aduaneiro Decreto nº 4.543, de 2002 art. 482 e no Decreto 70.235, de 1972, art. 7º, inciso III, com vistas ao desembaraço aduaneiro. [...]”. Vêse, pela leitura dos trechos dos autos desse processo, que se trata efetivamente de discussão acerca da promoção de saídas com classificação fiscal errônea, Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 9303005.972 CSRFT3 Fl. 1.400 9 segundo a autoridade fiscal – que, por sua vez, trouxe que não foi realizado o destaque do imposto exigível na nota fiscal de saída. Tal constatação originouse da análise nos arquivos digitais apresentados pela contribuinte a fim de constatar se ele adotara o mesmo equívoco da alíquota do IPI nas saídas de produtos industrializados. Não se trata de classificação de IPI da “entrada”, tal como tratou o acórdão recorrido – que se adentrou ainda na discussão acerca da “revisão aduaneira”, mas sim da “saída”. Recordando ainda, quanto à menção de revisão aduaneira, que o auto se originou de análise nos arquivos digitais apresentados pelo sujeito passivo. Em vista de todo o exposto, considerando o equívoco trazido no acórdão recorrido, voto por dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, cancelando o acórdão recorrido com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar a classificação fiscal e as demais questões de mérito. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1404DF CARF MF
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