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Numero do processo: 10074.001348/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 27/01/2005, 06/02/2009
ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA
QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO.
A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBARCAÇÕES DE APOIO A PLATAFORMAS MARÍTIMAS.
Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificar-se no código NCM 8906.90.00.
ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA
A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3202-000.407
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBARCAÇÕES DE APOIO A PLATAFORMAS MARÍTIMAS. Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificarse no código NCM 8906.90.00. ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 919DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Octavio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso voluntário contra a decisão que manteve a multa por classificação incorreta na NCM, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.15835/2001, das embarcações propostas a despacho pelas Declarações de Importação nos 05/03148592, 06/08437705, 05/07412170 e 09/01623479, e de recurso de ofício quanto à decisão que concluiu pela improcedência do lançamento de tributos e consectários legais e de multas por falta de licença de importação, no que se refere à aplicação dos regimes aduaneiros especiais de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural Repetro e de admissão temporária, os quais haviam sido considerados indevidos pelos AFRFB autuantes. Como histórico inicial dos fatos, transcrevo e adoto o relatório constante do referido Acórdão, verbis: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 17.008.807,62, referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multas de ofício, multa por importações desamparadas de Licença de Importação, multa em razão de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul e juros de mora. Depreendese do Relatório de Fiscalização, anexo e parte integrante do auto de infração, que: A interessada submeteu ao regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), as embarcações denominadas “Robalo I” e “Seacor Lilen”, amparadas pelas Declarações de Importação nº 05/00910914 e 05/03148592 (“Robalo I”) e 06/08437705 (“Seacor Lilen”), e ao regime aduaneiro especial de admissão temporária as embarcações denominadas “Marlin” e “Astrobarracuda”, amparadas pelas Declarações de Importação nº 05/07412170 (“Marlin”) e 09/01623479 (“Astrobarracuda”). Todas as embarcações foram classificadas, quando do registro das Declarações de Importação, na NCM 8904.00.00 que se refere a “Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações.” O procedimento fiscal consistiu na verificação da correta classificação fiscal das embarcações frente a suas características. As embarcações “Astrobarracuda”, “Marlin” e “Robalo” são embarcações de suprimento/apoio, que possuem locais preparados para o transporte de pessoas e Fl. 920DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 530 3 materiais de suprimento, além de desempenhar outras funções de apoio às plataformas de petróleo. A embarcação “Seacor Lilen” é embarcação de reboque e manipulação de âncoras e de apoio à plataforma de petróleo, que também transporta cargas diversas (suprimentos) e pessoas. Comprovam as características das embarcações os laudos técnicos apresentados, os documentos específicos de cada embarcação emitidos pela Marinha do Brasil e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), além das informações dos próprios fabricantes das embarcações. Registra a fiscalização, a nota explicativa (Nesh) da posição 8901: “A presente posição compreende todas as embarcações para o transporte de pessoas ou de mercadorias, destinadas à navegação marítima ou à navegação interior (em lagos, canais, rios, estuários, por exemplo), exceto as embarcações da posição 89.03 e os barcos salvavidas, que não sejam a remos, os navios de transporte de tropas e os navioshospitais (posição 89.06”. Também reproduz a nota explicativa (Nesh) da posição 8904: “Os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias.” Ao final, concluiuse, com base nos documentos apresentados pela interessada, nas regras de classificação fiscal e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que o correto enquadramento fiscal das embarcações é o código NCM 8901.90.00 que trata de “Outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de pessoas e mercadorias”. Considerando que as mercadorias classificadas no código NCM 8901.90.00 não estão contempladas entre aquelas passíveis de serem submetidas ao Repetro, conforme IN SRF nº 04/2001, foram lançados Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PISimportação e Cofinsimportação referentes às DI nº 05/00910914 e 05/03148592 que ampararam a embarcação denominada “Robalo I” , bem como referentes à DI nº 06/08437705 que amparou a embarcação denominada “Seacor Lilen”, todos acompanhados de multa de ofício. Em relação à DI nº 05/07412170, que amparou a embarcação denominada “Marlin” para admissão ao regime aduaneiro especial de admissão temporária foi lançado Imposto sobre Produtos Industrializados, PISimportação e Cofins importação, e respectivas multas de ofício, proporcionais à vida útil do bem, conforme estabelecido na IN SRF nº 162/98. Em razão de as mercadorias classificadas na NCM 8901.90.00 encontraremse submetidas a tratamento administrativo, exigindo licenciamento de importação sujeito à apreciação da Secex, de acordo com o Comunicado Decex 37/2007 e Portaria Secex 14/2004, foi lançada multa regulamentada pelo artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 4.543/2002 e pelo artigo 706, inciso I, alínea “a” do Decreto nº 6.759/2009, por importação de mercadoria sem licença de importação. Considerando a incorreção na classificação fiscal das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, foi lançada a multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fls. 04, 17, 26 e 70), a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 74 a 100, com os documentos de folhas 101 a 199 e 200 a 350 anexados. A impugnante, resumidamente, traz as seguintes alegações: A ação fiscal parte de premissa absolutamente equivocada, qual seja: a de que as embarcações importadas temporariamente pela Impugnante, via regime de Fl. 921DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 admissão temporária – com ou sem Repetro – seriam destinadas ao transporte de bens e pessoas. Presta serviços de apoio marítimo e não de transporte de cargas ou pessoas, tanto que emite notas fiscais de serviços e não conhecimentos de transporte aquaviário. Os próprios contratos estabelecidos com as contratantes (Petrobrás e Devon Energy do Brasil) deixam claro o fato de serem prestados serviços de apoio marítimo, mediante afretamento das embarcações. A atividade desenvolvida pela Impugnante não consiste em transporte de bens, cargas ou pessoas para as plataformas. Tratase de uma atividade complexa, que envolve a entrega de uma embarcação mediante prazo determinado, além de apoio e assistência às unidades de perfuração e extração de petróleo, o reboque, desenvolvimento de uma série de fainas, tudo no sentido de auxiliar na manutenção da unidade petrolífera em operação. A documentação das embarcações, perante os órgãos competentes, comprova que nenhuma delas é destinada ao transporte de bens e pessoas, mas sim a atividades de reboque e apoio marítimo. Não houve qualquer questionamento por parte da Secretaria da Receita Federal por ocasião das concessões e prorrogações dos regimes de admissão temporária via Repetro, sendo que em todas as Declarações de Importação constava trataremse de embarcações de apoio marítimo destinadas a atividades de pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e de gás natural. Não houve qualquer ressalva quanto à classificação fiscal adotada pela impugnante. As Notas Explicativas da posição 89.01 contemplam as embarcações destinadas à navegação marítima e à navegação interior, não compreendendo embarcações destinadas à navegação de apoio. As características das embarcações ressaltadas no Relatório de Fiscalização anexo ao Auto de Infração, com a existência de camarotes a bordo, visam atender exigências de fiscalização das Empresas contratantes do afretamento e dos serviços de apoio marítimo, bem como da própria Marinha, mas não têm o condão de enquadrálas como embarcações de transporte. Portanto as embarcações não podem ser enquadradas na posição NCM 89.01.90 (sic). As embarcações em apreço também atuam como rebocadores. Ainda que sejam consideradas tecnicamente como embarcações do tipo “Suplly Vessel” ou “AHTS”, historicamente tais embarcações sempre foram classificadas como “rebocadores”, expressão comumente utilizada pela indústria do petróleo e demais órgãos administrativos. Considerando a inexistência de código específico para embarcações de apoio marítimo, bem como a possibilidade de as embarcações em tela efetuarem operações de reboque, resta demonstrado que não houve qualquer equívoco na classificação fiscal adotada pela impugnante. Caso se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada pela Impugnante, as embarcações somente poderiam ser classificadas sob o Código NCM 8906.00 (sic). Portanto, mesmo com outra classificação fiscal todos os tributos continuariam suspensos pois previsto na IN SRF nº 04/2001 (Repetro). E o Ato Declaratório Coana nº 02, de 04/02/2002, já declarou a aplicabilidade do Repetro a bens da posição 8901. “Se a classificação fiscal adotada não importou em supressão de tributos ou dano ao Erário, afigurase arbitrária a determinação de aplicação de multas extremamente elevadas e a exigência de tributos, quando os mesmos estariam suspensos independentemente do código de NCM utilizado. Não se está diante de fraude, máfé ou mesmo tentativa de burlar ou causar qualquer embaraço à fiscalização, uma vez que: i) as embarcações não se destinam Fl. 922DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 531 5 ao transporte de bens e pessoas; ii) as embarcações atuam tanto no apoio marítimo como para fins de reboque; e ii) independentemente da classificação fiscal adotada, cabia à Impugnante direito à suspensão dos tributos incidentes na importação em virtude da concessão do Regime Aduaneiro de Admissão temporária.” (sic) A multa por infração ao controle das importações é inaplicável, pois as embarcações não se enquadram no código NCM 8901.90.00. E ainda que ali se classificassem, não se comprovou que estariam sujeitas a licenciamento não automático, limitandose a transcrever o artigo 9º da Portaria Secex nº 35/2006. Consulta à lista de bens sujeitos a licenciamento não automático constata que as embarcações classificadas na NCM 8901.90.00 não estão enquadradas na exigência. Por outro lado, o inciso II do parágrafo único do artigo 7º da Portaria Secex nº 35, de 24/11/2006, prevê, expressamente, que os bens destinados à admissão temporária , inclusive ao Repetro estão dispensados de licenciamento. O entendimento da fiscalização de que o simples fato de os bens serem usados determinariam a apreciação do Secex é equivocado, pois tal determinação somente tem lugar em importação regulares e não naquelas do regime de admissão temporária. Há manifesto bis in idem ao se exigir duas multas em razão de uma única conduta, prática repudiada pela doutrina e jurisprudência e, inclusive, pelos Tribunais Administrativos. O ato administrativo de imposição de multas e exigência de tributos em decorrência de suposto erro na classificação fiscal revelase, então, manifestamente ofensivo aos princípios da segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade. A impugnante requer seja julgada procedente a impugnação e anulado o auto de infração. A impugnante anexou ainda aos autos os documentos de folhas 356 a 489. É o relatório.” A lide foi decidida pela 1ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 0720.616, de 30/7/2010 (fls. 491/506), que, por maioria de votos, concluiu pela procedência parcial do lançamento, para exigir a multa por classificação incorreta e excluir as exigências dos tributos, das multas de ofício e por falta de licença de importação, e dos juros moratórios, conforme ementa que segue, verbis: “Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 29/03/2005 a 06/02/2009 EMBARCAÇÕES. NCM 8906.90.00. Embarcações de apoio, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de materiais, além de equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, classificamse no código NCM 8906.90.00, por aplicação das Regra Geral de Interpretação1 e Regra Geral Complementar1, em consonância com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/09/2009 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. Fl. 923DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com conseqüente aplicação da penalidade prevista. Impugnação Procedente em Parte” O órgão julgador concluiu por manter o crédito tributário no valor de R$ 269.205,08, correspondente à multa de 1% sobre o valor aduaneiro dos bens (embarcações) despachados com classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (DIs nos 05/03148592 “Robalo I”; 06/08437705 – “Seacor Lilen”; 05/07412170 – “Marlin”; e 09/01623479 – “Astrobarracuda”), prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.158 35/2001, exceto quanto à multa relativa à embarcação “Robalo I ”, excluída na parcela em que foi exigida em duplicidade. Quanto à exigência fiscal de tributos, multas de ofício e juros de mora, além de multas por falta de licenças de importação, o órgão julgador decidiu pelo descabimento da exigência, considerando que o erro de classificação fiscal não determina, por si só, o descumprimento das condições estabelecidas para a fruição do regime aduaneiro especial concedido. Quanto ao licenciamento, o órgão julgador aduziu que o parágrafo único, II, do art. 7o da Portaria Secex no 17/2003 estabeleceu expressamente que as mercadorias destinadas aos regimes de admissão temporária e ao Repetro estão dispensadas de licença. Houve interposição de recurso de ofício pelo órgão julgador, em razão de que o valor do crédito tributário exonerado foi superior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF no 3/2008. A autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 508/525), aduzindo, em relação ao julgado, que o acórdão deverá ser reformado para o efeito de julgar integralmente improcedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, seja porque correta a classificação fiscal que adotou, seja pela necessidade de novo lançamento enquadrando as embarcações sob o código NCM 89.06.90.00, apontado como correto pela DRJ. No mérito, alegou que: ● a reclassificação fiscal após o desembaraço aduaneiro implica alteração do critério jurídico anteriormente adotado, em inobservância ao disposto no art. 146 do CTN; ● não obstante a impossibilidade de reclassificação fiscal pelo Fisco após o desembaraço aduaneiro das embarcações é de se reiterar que as mesmas também atuam como rebocadores; ● considerando ainda a inexistência de código especifico para embarcações de apoio marítimo bem como a possibilidade de as embarcações efetuarem operações de reboque, resta demonstrado que não houve qualquer equívoco na classificação fiscal 8904.00.00 adotada pela recorrente; ● caso se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada e que as embarcações somente poderiam ser classificadas no código NCM 89.06.90.00, ainda assim deverá ser afastada a aplicação da multa por erro na classificação fiscal, ante a inexistência de qualquer tentativa de burlar a fiscalização, bem como de qualquer prejuízo ao Erário; ● ainda que se entenda que as embarcações deveriam ter sido classificadas no código NCM 8906.90.00, também esse código engloba bens que podem ser submetidos ao Repetro, com suspensão total dos tributos incidentes na importação, nos termos das IN SRF no 4/2001, vigente à época das admissões; ● ainda que o código 8901.90 fosse o correto, o que evidentemente não é, seria cabível a aplicação do Repetro a bens da posição 8901, como determinado pelo Ato Declaratório Coana no 2/2002; ● ainda que se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada pela recorrente e que as embarcações somente poderiam ser classificadas sob o código NCM 8906.90.00, a multa por erro na classificação fiscal não poderá ser exigida por meio do presente auto de infração; ● o acórdão recorrido manteve a aplicação da multa por erro na classificação fiscal das embarcações, mesmo tendo reconhecido que a classificação fiscal adotada pelo Fisco está manifestamente equivocada; ● os fatos demonstram que há inexatidão material no auto de infração, impossível de ser retificada por meio de acórdão que sugeria reclassificação fiscal para o código NCM 89.06.90.00; ● necessária, nesse caso, seria a lavratura de novo auto de infração corrigindo a classificação tarifária da Fl. 924DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 532 7 mercadoria importada; ● a Receita Federal deferiu e depois prorrogou por diversas vezes os regimes de admissão temporária e habilitação ao Repetro para as embarcações, todavia, depois de alguns anos, instaura procedimento por código NCM incorreto e por infração a norma administrativa relativa ao controle das importações; ● o ato administrativo de imposição de multa em decorrência de suposto erro na classificação fiscal revelase manifestamente ofensivo aos princípios da segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade. Diante do exposto, requer que o recurso seja conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido e julgar integralmente improcedente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator Conheço dos recursos por atenderem aos requisitos de admissibilidade. Alegação de modificação do critério jurídico No recurso interposto a autuada alega que a mudança de classificação fiscal após o desembaraço aduaneiro importaria modificar o critério jurídico antes adotado. Em face da legislação aduaneira vigente, entendo que a alegação da recorrente não tem qualquer amparo jurídico, como se verá a seguir. Relevante para o perfeito entendimento da matéria é o fato de que a legislação aplicável à espécie consagrou a existência da revisão aduaneira, objetivando a verificação da regularidade do pagamento dos tributos e da satisfação das demais exigências concernentes ao despacho de importação, conforme estabelece o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação que lhe deu o art. 2o do Decretolei no 2.472/1988, verbis: “Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste DecretoLei." A revisão aduaneira referida na norma acima transcrita está disciplinada no art. 570 do Decreto no 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro/2002) vigente à época das importações da recorrente, o qual define os procedimentos e estabelece o prazo de 5 anos do registro da declaração de importação para a sua implementação, com vistas a apurar a regularidade dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, a aplicação de benefícios fiscais e a exatidão das informações prestadas pelo importador no despacho aduaneiro, verificados ou não por ocasião do correspondente despacho, inclusive sua classificação fiscal. De mais, a revisão do lançamento está expressamente prevista no art. 149, I, do CTN, que dispõe que o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando a lei assim o determine. No caso em exame, essa determinação está expressamente prevista em lei e disciplinada no referido art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 (atual art. 638 do Decreto no 6.759/2009 – RA em vigor). Fl. 925DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 8 De outra parte, os impostos devidos na importação estão classificados como sujeitos a lançamento por homologação. E nesses casos, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, a autoridade dispõe do prazo de 5 anos para a homologação desse lançamento, a contar da ocorrência do fato gerador. Somente quando decorrido esse prazo é que se tem por homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. No caso, a revisão aduaneira é procedimento que deve ser adotado dentro desse prazo de homologação, o que demonstra a inequívoca compatibilidade desses procedimentos no tocante à matéria. Destarte, a revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à exigência de eventual crédito tributário é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. Classificação fiscal das embarcações A recorrente submeteu a despacho aduaneiro as embarcações sob regimes aduaneiros suspensivos de tributos, com classificação no código NCM 8904.00.00, próprio para “REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES”. Já o Fisco entendeu que tais bens deveriam ter sido classificadas no código NCM 8901.90.00, destinado ao enquadramento de “Outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de pessoas e de mercadorias”, razão pela qual exigiu a multa de 1% por classificação incorreta. Por sua vez, o órgão julgador da lide concluiu que deveria ter sido utilizado o código 8906.90.00, próprio para “OUTRAS EMBARCAÇÕES, INCLUÍDOS OS NAVIOS DE GUERRA E OS BARCOS SALVAVIDAS, EXCETO OS BARCOS A REMO – Outras”. Verificase que os laudos de vistorias (fls. 172 e 261 do Anexo) são claros ao declarar que as embarcações “Astrobarracuda” e “Marlin” são do tipo PSV “Platform Supply Vessel” (embarcação de apoio a plataformas), bem assim os certificados de classificação expedidos pelo “American Bureau of Shipping” – ABS (fls. 282 e 279). Quanto à embarcação “Robalo I”, a classificação como de “apoio marítimo” foi dado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ (fl. 94 do Anexo), sendo que a própria recorrente declarou que a embarcação desempenha essa atividade de apoio e do tipo PSV (fl. 311 do Anexo), embora no certificado emitido pelo ABS (fl. 269) esteja incluída na classe “Tug and Supply Vessel” (embarcação de reboque e de apoio). Já a embarcação “Seacor Lilen” tem essa mesma classe no certificado de classificação emitido pela “Det Norske Veritas” (fl. 274), embora se trate de embarcação do tipo AHTS “Anchor Handling Tug Supply” (embarcação de reboque e manipulação de âncoras e de apoio), cumprindo observar que as informações constantes dos autos demonstram que se trata, também, de embarcação rebocadora e de apoio marítimo, como também refere expressa o laudo de vistoria de fl. 333. Em vista dessa atividade principal, todas as embarcações estrangeiras de que tratam os autos foram inscritas nas Capitanias dos Portos como enquadradas na categoria de apoio marítimo (fls. 270, 276, 280 e 283), em obediência à classificação de tipos de embarcações estabelecida pela Portaria no 45/2005 da Diretoria de Portos e Costas, do Comando da Marinha (DOU de 27/6/2005), de acordo com a tabela constante das NORMAM 01/DPC – Normas da Autoridade Marítima para Embarcações Empregadas na Navegação de Mar Aberto. A mesma Portaria estabelece, em seu item 0216, a classificação dos diversos tipos de embarcações, onde se verifica a existência de enquadramentos distintos para: “(23) Passageiro/carga geral”, “(33) Rebocador/empurrador” e “(37) Supridores de plataformas marítimas (supply)”. No caso em exame, as Capitanias dos Portos inscreveram as Fl. 926DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 533 9 embarcações para operar no apoio marítimo às atividades de produção e perfuração na plataforma continental. Os elementos processuais são suficientes para se concluir pela classificação fiscal das embarcações no código NCM 8906.90.00, visto que, regra geral, todas desempenham atividades supridoras às plataformas. Tais embarcações não podem ser classificadas como rebocadores, assim como não podem ser classificadas apenas como embarcações de transporte de pessoas ou de mercadorias, visto terem função mais específica: de apoio marítimo, conforme definem as mesmas NORMAM01/DPC em seu item 0202, "d", verbis: "Apoio marítimo: é a navegação realizada para o apoio logístico a embarcações e instalações em Aguas territoriais nacionais e na Zona Econômica Exclusiva, que atuem nas atividades de pesquisa e lavra de minerais e hidrocarbonetos;" Essa atividade de apoio marítimo envolve a acomodação e o transporte de pessoas e de seus bens, bem como o transporte de produtos em contêineres no convés e de uma variedade de granéis em tanques no convés inferior, tais como produtos químicos, cimento, combustível, água potável, água salgada e óleo diesel. Essa atividade pode ser mais abrangente, de forma que certas embarcações são equipadas com reboque e manuseio de âncoras, bem como permitem ações de combate ao derramamento de óleo e a incêndios, ou a utilização de outros recursos específicos de apoio às plataformas. Como visto, o apoio marítimo é atividade abrangente e que não se basta em apenas um tipo de operação. Finalmente, cumpre ressaltar que essa questão já foi objeto de exame por parte da Receita Federal do Brasil, destacandose as seguintes decisões de consulta, verbis: “CÓDIGO TEC: 8906.90.00 Embarcação de serviço offshore multifuncional, que efetua operações de manuseio de âncoras, reboque e transporte de suprimentos e outras cargas, denominada “Olympic Hercules”, construída pelo estaleiro Ulstein Verft As, Ulsteinvik Norway.” (Solução de Consulta Diana SRRF/7ª no 10, de 5/4/2010) “Código TEC: 8906.90.00 Mercadoria: Embarcação de apoio marítimo denominada Maersk Provider do tipo AHTS 15000, de bandeira dinamarquesa, construída pelo estaleiro Soviknes Verft A/S, na Noruega, com número oficial D33387 e número de registro IMO 9007142.” (Solução de Consulta Diana SRRF/7ª no 49, de 22/9/2011) Os argumentos trazidos em tais decisões são praticamente idênticos, sendo oportuno reproduzir o da primeira decisão, verbis: “Compulsando as informações técnicas constantes dos autos, depreendese que o produto que se quer classificar não se identifica como sendo um simples rebocador do tipo descrito na posição 8904 do Sistema Harmonizado, mas sim uma embarcação de maior complexidade operativa, agregando múltiplas funções, sendo a capacidade de rebocar apenas uma delas. O produto sob consulta é uma “embarcação de serviço offshore multifuncional, que efetua operações de manuseio de âncoras, reboque e transporte de suprimentos e outras cargas”, Fl. 927DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 10 de acordo com a especificação do próprio estaleiro construtor, conforme descrito no relatório.” Assim, as embarcações afretadas para utilização específica em atividades de apoio/suprimento de plataformas marítimas devem ser enquadradas como embarcações de apoio, atividade abrangente e cuja classificação fiscal deve ter seu melhor enquadramento no código NCM 8906.90.00. Multa por classificação fiscal incorreta A única exigência mantida pelo órgão julgador e objeto do recurso voluntário é a multa de 1% por classificação incorreta. Verificase que a classificação fiscal que se concluiu ser a correta para as embarcações não se adequa à utilizada pela autuada nem à adotada pelos autuantes. Nos casos da espécie é praxe deste Colegiado a exclusão do lançamento, visto que se trata de terceira classificação e que essa não foi o objeto de motivação para a formalização da peça básica. O Fisco fez a exigência fiscal adotando como correto o código NCM 8901.90.00, enquanto que no julgamento da lide concluiuse pelo código NCM 8906.90.00. Embora o erro de classificação da autuada, não há como vingar o lançamento que partiu de premissa errônea. Destarte, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, de forma a excluir do Auto de Infração a multa de 1% por classificação fiscal incorreta, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.15835/2001 e no art. 636 do Decreto no 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro/2002). Recurso de ofício No que respeita à exclusão dos tributos e consectários legais, entendo que o órgão julgador decidiu a lide em boa e devida forma, visto que o erro de classificação fiscal não implica, necessariamente, a exclusão de mercadorias dos regimes aduaneiros especiais de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural – Repetro, e de admissão temporária. De outra parte, as informações prestadas por ocasião dos despachos de importação das embarcações, aliadas aos documentos que acompanharam tais despachos, trazem a suficiente convicção quanto à classificação e à possibilidade de inclusão desses bens nos referidos regimes aduaneiros suspensivos. Cumpre observar que os bens importados têm pleno amparo no regime, por estarem relacionados expressamente no Anexo Único da IN SRF no 4/2001 e da IN RFB no 844/2008, que a revogou, sendo que essa última tratou a aplicação do regime de forma extensiva, ao permitir a admissão para “Embarcações destinadas às atividades de pesquisa e produção das jazidas de petróleo ou gás natural e as destinadas ao apoio e estocagem nas referidas atividades”. No que respeita à multa por infração ao controle administrativo, também bem acentuou a decisão de primeira instância ao citar o art. 7o, parágrafo único, II, da Portaria Secex no 17/2003, que estabeleceu a dispensa de licenciamento para as importações ora sob exame, verbis: “Art. 7o (...) Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: (...) II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural Repetro; Fl. 928DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 534 11 (...)” No caso, nem se trata da aplicação benigna do Ato Declaratório Cosit no 12/1997, visto que as situações ali referidas respeitam à classificação tarifária errônea que exija novo licenciamento automático. No caso em exame os bens estão dispensados de licenciamento por ato expresso do órgão que regula tal exigência. De se ressaltar que esse tratamento administrativo perdura até o momento, como se verifica da Portaria Secex no 23/2011 em seu art. 23, § 1o, II. Em se tratando de bens cuja importação está dispensada de licença, há que se considerar indevida a tipificação de infração e, conseqüentemente, a exigência fiscal das multas previstas no art. 633, II, “a” do Decreto no 4.543/2002 e no art. 706, I, “a”, do Decreto no 6.759/2009. Conclusões Diante do exposto, voto por que seja rejeitada a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, seja negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Fl. 929DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 12 Fl. 930DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 11128.007034/2007-90
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 12/09/2007
CONCOMITÂNCIA PARCIAL ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO
E JUDICIAL. JULGAMENTO DA MATÉRIA DISTINTA.
POSSIBILIDADE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1).
MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA.
PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO PARA
PREVENIR DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE DIREITO OU
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. REQUISITOS DE VALIDADE.
ATENDIMENTO.
No âmbito do procedimento de revisão aduaneira, comprovada a inexistência de erro de direito ou mudança de critério jurídico da Fiscalização aduaneira, é válida a cobrança da multa regulamentar por erro classificação fiscal, imposta com o objetivo de prevenir a decadência.
Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Negado Provimento.
Numero da decisão: 3802-000.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/09/2007 CONCOMITÂNCIA PARCIAL ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. JULGAMENTO DA MATÉRIA DISTINTA. POSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1). MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE DIREITO OU MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. REQUISITOS DE VALIDADE. ATENDIMENTO. No âmbito do procedimento de revisão aduaneira, comprovada a inexistência de erro de direito ou mudança de critério jurídico da Fiscalização aduaneira, é válida a cobrança da multa regulamentar por erro classificação fiscal, imposta com o objetivo de prevenir a decadência. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso para negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fl. 370DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 18/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1743.972, de 18 de agosto de 2010 (fls. 291/294), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP (DRJ/SP2), em que, por unanimidade de votos, consideraram a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 12/09/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Quando há antecipação de tutela, mediante depósito, não se toma conhecimento da Impugnação no tocante à matéria de ação judicial com o mesmo objeto. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos ocorridos até prolação da decisão de primeiro, adoto o Relatório encartado no Acórdão recorrido, que segue transcrito: A empresa em epígrafe pediu antecipação de tutela contra a União junto à Justiça Federal, através do qual pretende ver reconhecido o direito à classificação de depuradores no código 8421.39.90. A decisão nos autos da Ação Ordinária no processo 97.0060056 4, da 2a Vara Cível da Justiça Federal do Estado de São Paulo permitiu que o contribuinte depositasse exações no próprio processo de conhecimento. Fl. 371DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.007034/200790 Acórdão n.º 380200.647 S3TE02 Fl. 357 3 Amparada pela decisão judicial, a importadora registrou declaração de importação enquadrando a mercadoria no código 8421.39.90. A fiscalização entendeu correta a classificação 84114.60.00 [8414.60.00], o que gerou diferença de alíquota de tributos na importação. Para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, na eventualidade de decisão judicial definitiva desfavorável ao contribuinte, foram lavrados os presentes autos de infração, exigindo da autuada o recolhimento do Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS. Além disso, é exigida a multa por classificação incorreta da mercadoria. Regularmente intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação, alegando que o crédito tributário encontrase com exigibilidade suspensa, sendo incabíveis multas e que sua classificação para as mercadorias em questão é correta. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, via postal (fl. 297), em 17/09/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 336/352, protocolado em 19/10/2010 (fl. 335), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória (fls. 89/104. Em aditamento, em síntese, alegou o seguinte: a) não havia concomitância com a matéria discutida no processo judicial, porque não existia identidade entre o objeto do presente processo com aquele do processo judicial, uma vez que a discussão sobre a aplicabilidade da multa regulamentar por classificação fiscal incorreta não integrava o objeto da ação judicial, inexistindo, inclusive, depósito judicial realizado especificamente para suspender a exigibilidade da aludida multa; e b) era indevida a exigência da multa regulamentar por classificação fiscal incorreta, por impossibilidade da revisão de ofício do lançamento que fora expressamente homologado pela Autoridade Fiscal, o que implicava mudança de critério jurídico e violação do art. 149 do CTN; c) a Autoridade Fiscal homologara expressamente o lançamento, inclusive no que diz respeito à classificação fiscal adotada, razão pela qual, a obrigação tributaria e o crédito tributário a ela vinculado foram definitivamente extintos, conforme expressamente previsto no artigo 150, § 1º, do CTN; e d) somente o erro de fato permitia a revisão do lançamento, por conseguinte, como o erro de classificação fiscal da mercadoria consistia em erro de direito, o presente lançamento não poderia ser revisto, inclusive, não havendo qualquer fundamento para aplicação da citada multa regulamentar; e e) era descabida a cobrança da citada multa regulamentar, pois, na época, havia tutela judicial possibilitando a classificação da mercadoria no Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 código 8421.39.90 da TIPI, mediante a realização de depósito judicial, o qual foi devidamente realizado nos autos da Ação Ordinária nº 97.00600564. No final, requereu a reforma do Acórdão recorrido quanto à exigência da multa regulamentar, para que fosse determinado o cancelamento da sua cobrança. Caso assim não decidisse, que fosse determinada a suspensão da sua exigibilidade até a decisão final proferida na ação judicial. Em cumprimento ao despacho de fl. 355, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima e em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento, com exceção da matéria submetida à julgamento judicial. Da matéria não conhecida. Por meio da Ação Ordinário n° 97.00600564 (fls. 206/219), proposta perante a 2ª Vara Federal da Comarca de São Paulo, a Autuada submeteu a apreciação judicial a matéria sobre classificação fiscal e consequente tributação aplicável a produto depurador de ar, objeto das presentes autuações, formulando pedido no sentido de que fosse reconhecido, por sentença, o direito à classificação do citado produto como aparelhos para depurar gases (código 8421.39.90, da atual TIPI e TEC, e 8421.39.99.00, das antigas TIPI e TAB), inclusive, efetuando depósito judicial da parcela controversa do crédito tributário decorrentes das diferenças de alíquotas dos tributos e contribuições devidos (fls. 185/187). No presente Recurso, alegou a Autuada que não havia concomitância entre a matéria discutida neste processo e aquela submetida à discussão no citado processo judicial, pois não havia identidade entre os objetos discutidos nos citados processos, uma vez que a discussão sobre a aplicabilidade da multa regulamentar por classificação fiscal incorreta não integrava o objeto da citada ação judicial, inexistindo, inclusive, depósito judicial realizado especificamente para suspender a exigibilidade da aludida multa. Apenas em relação à multa regulamentar por classificação fiscal incorreta, objeto do Auto de Infração de fls. 01/14, procede parcialmente a alegação da Recorrente. De fato, embora a aplicação da referida multa não tenha sido submetida à apreciação judicial, indubitavelmente, a matéria de mérito, concernente à classificação fiscal do produto na NCM, foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. Em decorrência, não serão aqui conhecidas as razões de defesa atinentes a esta questão. Limitandose a presente análise aos aspectos de validade e legalidade do correspondente procedimento fiscal. Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.007034/200790 Acórdão n.º 380200.647 S3TE02 Fl. 358 5 No que tange as demais atuações (fls. 15/41), induvidosamente, existe identidade entre a matéria discutida neste processo e no citado processo judicial. Com efeito, os Autos de Infração de fls. 15/41 tratam da cobrança dos valores atinentes à diferença de alíquota do IPI e recomposição da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação, resultante das diferenças de classificação fiscal atribuída ao produto (depurador de ar) pela Autuada (código NCM 8421.39.90) e pela Fiscalização (código NCM 8414.60.00). Aliás, as referidas diferenças foram depositadas em juízo, conforme documentos de fls. 185/189. Dessa forma, em relação aos Autos de Infração de fls. 15/41, tendo em conta que matéria controversa foi integralmente submetida ao crivo do Poder Judiciário, tal fato implica renúncia tácita à instância administrativa, por coincidência de matéria litigiosa levada à apreciação dos órgãos de julgamento da esfera administrativa e judicial. Tratase, no caso, de aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Em consonância com o referido princípio, determinam § 2º do art. 1º1 do Decretolei 1.737, 1979, e o parágrafo único do art. 382 da Lei 6.830, de 1980, que “a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto”. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste e. Conselho, conforme entendimento consignado na Súmula Carf nº 1, divulgada por intermédio da Portaria Carf nº 106, de dezembro de 2009, o cujo enunciado segue transcrito: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, não conheço da matéria de mérito atinente à classificação fiscal do mencionado produto, que motivou a aplicação da multa regulamentar por erro de classificação fiscal, consubstanciada no Auto de Infração de fls. 01/14, bem como dos lançamentos das diferenças lançadas do IPI e das Contribuições para o PIS/Pasep – 1 "Art. 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". 2 "Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Importação e da Cofins – Importação, formalizados por intermédio dos Autos de Infração de fls. 15/41. Da matéria conhecida: requisitos de validade do procedimento de aplicação da multa regulamentar por erro de classificação fiscal. Conforme delineado no tópico anterior, apenas as razões de defesa atinentes aos requisitos de validade do procedimento fiscal destinado à aplicação da multa regulamentar por classificação fiscal incorreta, no caso, formalizada por meio do Auto de Infração de fls. 01/14, será aqui apreciada, haja vista que a questão de mérito, concernente à classificação fiscal do produto na NCM, foi submetida a julgamento judicial, por meio da referida Ação Ordinária. Em relação tais questões, alegou a Recorrente que, em conformidade com disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1995, era descabida a cobrança da citada multa regulamentar, pois, na época, havia tutela judicial possibilitando a classificação da mercadoria no código 8421.39.90 da TIPI, mediante a realização de depósito judicial, o qual foi devidamente realizado nos autos da Ação Ordinária nº 97.00600564. Não assiste razão a Recorrente, posto que o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que disciplina o lançamento do crédito tributário para prevenir decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa por medida judicial, nos termos dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, limitase a proibir apenas e tãosomente o lançamento da multa de ofício, prevista no art. 44 desta Lei, que segue transcrito: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifo não original). Logo, se no curso da ação judicial não existe qualquer impedimento para o lançamento das demais multas, incluindo as multas regulamentares e administrativas previstas na legislação aduaneira, sob pena responsabilidade funcional (art. 142 do CTN), deve Autoridade Fiscal proceder o lançamento, com vista a prevenir a decadência, como foi o caso da multa em apreço. Alegou ainda a Recorrente que era indevida a exigência da multa regulamentar por classificação fiscal incorreta, por impossibilidade da revisão de ofício do lançamento que fora expressamente homologado pela Autoridade Fiscal, o que implicava mudança de critério jurídico e violação do art. 149 do CTN. Não procede tal alegação. No presente caso, evidentemente, não houve a alegada homologação expressa do lançamento, haja vista que o processamento do despacho Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.007034/200790 Acórdão n.º 380200.647 S3TE02 Fl. 359 7 aduaneiro e o desembaraço da mercadoria foi realizado em atendimento à determinação judicial, portanto, sem qualquer manifestação da Fiscalização aduaneira acerca do mérito da classificação fiscal atribuída ao produto pela Autuada. De fato, somente por ocasião das presentes autuações, a Autoridade Fiscal analisou a classificação fiscal do produto, concluindo que estava incorreto o código NCM 8421.39.90, que lhe foi atribuído pela Recorrente. Para a Autoridade Fiscal, o correto enquadramento tarifário do produto em tela era no código NCM 8414.60.00, portanto, segundo a Fiscalização, estava materializado o erro de classificação fiscal que deu ensejo a aplicação da penalidade em questão. No meu entendimento, é por meio do ato de homologação expressa que a autoridade administrativa confere à atividade anteriormente exercida pelo sujeito passivo o requisito de eficácia de lançamento tributário e, com a sua anuência, incorpora como seu o critério jurídico anteriormente aplicado pelo sujeito passivo no atividade ou procedimento realizado previamente. Pelas mesmas razões, resta demonstrado que, no caso em tela, também não ocorreu o alegado erro de direito suscitado pela Recorrente. A razão é óbvia, pois se não houve a prévia homologação da classificação fiscal informada na DI, evidentemente, tal erro deve ser imputado exclusivamente a Importadora, ora Recorrente, posto que foi ela a única responsável pela elaboração e, consequetemente, pelo conteúdo dos dados coligidos no citado documento. No caso presente, também não houve a alegada mudança de critério jurídico, por questão óbvia: a inexistência de um critério jurídico anterior. De fato, se o procedimento de classificação fiscal em apreço não foi expressamente homologado previamente ao presente procedimento fiscal, induvidosamente, inexiste um critério jurídico prévio a ser alterado, logo, revelase de todo impossível mudar aquilo que não existe. Não é demais lembrar que, no âmbito do lançamento tributário, nos termos do art. 1463 do CTN, três são as condições configuradoras da mudança de critério jurídico, a saber: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico (condição necessária); b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente adotado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo. No caso presente, não se verificou nenhuma das condições acima mencionadas. Nem sequer a primeira delas, que é a condição necessária para existência do instituto jurídico em apreço. Aliás, a primeira condição somente veio acontecer com a 3 "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 realização das presentes autuações, mediante manifestação expressa da autoridade fiscal acerca do correto enquadramento tarifário dos produtos na NCM. Até então, a classificação fiscal e, por conseguinte, o critério jurídico adotado para a sua definição foram estabelecidos, exclusivamente, pela Autuada, na condição de responsável pelas informações consignadas na DI que serviu de base para o despacho aduaneiro do produto. Também não vislumbro qualquer agressão ao disposto no art. 149 do CTN. Ao meu ver, as presentes autuações estão em perfeita consonância com o prescrito nos incisos I, IV e VI do referido artigo, que seguem transcritos: Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; [...] VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; [...] (grifos não originais). Com efeito, as presentes autuações resultaram de procedimento de revisão aduaneira, previsto no art. 544 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo Decreto lei nº 2.472, de 1988. Dessa forma, fica esclarecido que a Autoridade Fiscal tinha respaldo legal para rever qualquer aspecto tributário ou aduaneiro atinentes ao despacho aduaneiro formalizado pela Recorrente, especialmente, a classificação fiscal adotada. Ademais, apurada diferença de crédito tributário e constada a prática de infração, enquanto não decaído o direito de lançar, a dita Autoridade estava obrigada a proceder ao lançamento do crédito tributário e propor aplicação da respectiva penalidade, conforme estabelecido no art. 570 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543, de 2002), na época vigente, a seguir transcrito: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. 4 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.007034/200790 Acórdão n.º 380200.647 S3TE02 Fl. 360 9 § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifos não originais). Com base no citado preceito regulamentar, inferese que, no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, somente o ato final prolatado pela Autoridade Fiscal, encerrando o referido procedimento, tem a natureza de ato de homologação expressa do lançamento por homologação consignado na correspondente declaração de importação e, por decorrência, fixando o critério jurídico da Fiscalização aduaneira. Em suma, com base nessas considerações, fica demonstrado que a presente multa regulamentar por erro de classificação fiscal foi imposta com estrita observância dos requisitos legais, portanto, não merece qualquer reparo o Auto de Infração de fls. 01/14. Do pedido de suspensão da exigibilidade da referida multa regulamentar. Pleiteou ainda a Autuada que, caso não provido o presente Recurso, fosse determinada a suspensão da exigibilidade da cobrança da referida multa regulamentar até julgamento definitivo da Ação Ordinária n° 97.00600564. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são aquelas taxativamente discriminadas no art. 151 do CTN. O crédito tributário, concernente à presente multa, não se enquadra em nenhuma daquelas condições. A eventual pendência do julgamento da mencionada Ação Ordinária não contempla a pretensão da Recorrente, haja vista que tal matéria não faz parte da citada ação judicial. Dessa forma, por falta de amparo legal, sou pela rejeição do presente pedido. Da conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de: a) NÃO CONHECER da matéria de mérito atinente à classificação fiscal e aos lançamentos das diferenças dos valores devidos do IPI e das Contribuições para o PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação, formalizados por intermédio dos Autos de Infração de fls. 15/41, em razão da concomitância com o objeto da ação judicial; e b) CONHECER da matéria atinente aos requisitos de validade da imposição da multa regulamentar por classificação fiscal incorreta da mercadoria, de que trata o Auto de Infração de fls. 01/14, porém, nessa parte, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento. Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11043.9BQJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 18/08/2011 14:32:59. Documento autenticado digitalmente por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 18/08/2011. Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 17/11/2011 e JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 18/08/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 29/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.0320.11043.9BQJ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9BFA11CC330D56778B173DE9DD7E949A01F6E305 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.007034/2007-90. 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Numero do processo: 10711.005755/2006-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 03/07/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIVERGÊNCIA SOBRE A COMPOSIÇÃO
QUÍMICA DO PRODUTO IMPORTADO. LAUDO OFICIAL.
MANUTENÇÃO. LAUDO E PARECERES TÉCNICOS PARTICULARES.
AMÓSTRAS DISTINTAS.
Os laudos e os pareceres disponibilizados pelo Recorrente, quando realizados a partir de amostras distintas das analisadas pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, são insuficientes para infirmar as conclusões do laudo oficial, porque a matéria controvertida não se restringe à classificação fiscal aplicável, mas à própria composição química do produto importado.
MULTAS. DE OFÍCIO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA
DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INFRAÇÕES DISTINTAS.
EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CUMULAÇÃO.
POSSIBILIDADE.
As multas previstas no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996 (multa de ofício), no art. 84, I, da MP nº 2.15835/ 2001 (pela classificação fiscal equivocada) e no art. 169, I, “b”, do Decreto-Lei n° 37/1966 (pela falta de licença de importação) podem ser cumulativamente, sem prejuízo do crédito tributário e
seus acréscimos legais, porque são infrações distintas e há previsão legal específica nesse sentido (§ 2º, art. 84, MP 2.15835/ 2001, e art. 169, § 5º, I, DL 37/1966).
IRRETROATIVIDADE. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE
IMPORTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não houve aplicação retroativa do art. 169, I, “b”, do Decreto-Lei nº 37/1966, uma vez que a sanção foi prevista na Lei nº 6.562/1978.
ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/1997. PRODUTO
IMPORTADO INCORRETAMENTE DESCRITO. INAPLICABILIADE.
Não cabe a aplicação do ADN Cosit nº 12/1997, quando o produto
importante não foi corretamente descrito pelo Recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-000.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/07/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIVERGÊNCIA SOBRE A COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO PRODUTO IMPORTADO. LAUDO OFICIAL. MANUTENÇÃO. LAUDO E PARECERES TÉCNICOS PARTICULARES. AMÓSTRAS DISTINTAS. Os laudos e os pareceres disponibilizados pelo Recorrente, quando realizados a partir de amostras distintas das analisadas pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, são insuficientes para infirmar as conclusões do laudo oficial, porque a matéria controvertida não se restringe à classificação fiscal aplicável, mas à própria composição química do produto importado. MULTAS. DE OFÍCIO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INFRAÇÕES DISTINTAS. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. As multas previstas no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996 (multa de ofício), no art. 84, I, da MP nº 2.15835/2001 (pela classificação fiscal equivocada) e no art. 169, I, “b”, do DecretoLei no 37/1966 (pela falta de licença de importação) podem ser cumulativamente, sem prejuízo do crédito tributário e seus acréscimos legais, porque são infrações distintas e há previsão legal específica nesse sentido (§ 2º, art. 84, MP 2.15835/2001, e art. 169, § 5º, I, DL 37/1966). IRRETROATIVIDADE. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não houve aplicação retroativa do art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37/1966, uma vez que a sanção foi prevista na Lei nº 6.562/1978. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/1997. PRODUTO IMPORTADO INCORRETAMENTE DESCRITO. INAPLICABILIADE. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Não cabe a aplicação do ADN Cosit nº 12/1997, quando o produto importante não foi corretamente descrito pelo Recorrente. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, em que se discute a legalidade da aplicação das multas previstas no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, pela classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), e no art. 169, I, “b”, do DecretoLei no 37/1966, por falta de licença de importação, bem como da diferença do imposto de importação e seus acréscimos legais. O Recorrente importou mercadoria descrita como “Pó de cerâmica (Carbolite 16/20 mesh proppant)”, classificandoa na NCM 2530.90.90. Contudo, a autoridade lançadora, após solicitar a elaboração de laudo pericial, entendeu que a natureza do produto seria uma “preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro”, NCM 3824.90.79. A impugnação foi assentada nos argumentos assim resumidos no relatório da DRJ (fls. 166167): 1. A classificação pretendida pelo Fisco elimina a possibilidade de o pó de cerâmica ser classificado em qualquer uma das posições correspondentes aos produtos do capitulo 25 da TEC, posicionamento inadmissível ante ao fato de que cerâmicas são produtos típicos, perfeitamente classificáveis no capitulo 25, mormente como mulita. 2. A fim de demonstrar sua boa fé, solicitou outros Laudos. Transcreve trechos dos mesmos às folhas 6061. Fl. 341DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005755/200631 Acórdão n.º 380200.686 S3TE02 Fl. 291 3 3. O alumínio e o silício são os elementos predominantes, sendo o ferro e o titânio impurezas inevitáveis em processamento de materiais da natureza. Uma vez que o próprio laudo do Fisco identifica que os elementos predominantes são o alumínio e o silício, devese seguir a IN SRF n° 157/2002 que determina que os elementos encontrados em quantidade ínfimas não devem prevalecer para fins de classificação do produto. 4. Deve o produto ser classificado pelo elemento que lhe confere a característica essencial. sendo que tal elemento é a mulita, não devendo prosperar a classificação do Fisco. 5. A época do fato gerador, a alíquota do II era 4% e não havia incidência de IPI. A classificação adotada pela impugnante, ainda que não fosse a mais adequada ou a mais precisa, resultou em recolhimento a maior de tributos. 6. Defende a classificação fiscal do produto como mulita (2508.60.00). 7. A lavratura do auto de infração após quatro anos da importação ofende a celeridade processual e a segurança jurídica. 8. Por não haver autuação em importações anteriores, concluise que houve aceitação da classificação fiscal. 9. Alega o principio da boa fé e invoca o artigo 100 do CTN (práticas reiteradas do Fisco). 10. Argüi nulidade da autuação haja vista que as três multas são baseadas na mesma descrição. 11. Argüi o artigo 112 do CTN. 12. Argumenta a correta descrição da mercadoria. Requer aplicação dos Atos Declaratórios n° 10/1997, 36/1995 ou 38/1994. 13. Quando da autuação da empresa pela fiscalização da Receita Federal em Macaé, não houve lançamento das multas questionadas (notadamente multa por falta de LI). Houve mudança de critério jurídico. 14. A multa de oficio absorve as outras multas lançadas. 15. A multa do controle administrativo representa quase três vezes o valor do Imposto de Importação. Alega a vedação ao confisco. 16. Se houve alguma infração, foi a de erro de classificação fiscal, sendo que tal multa não poderia ser estabelecida pela MP n° 2.15835/2001. Tal multa absorve a multa por falta de LI, que deixou de ser aplicada a partir de janeiro de 2003. 17. Alega os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. O auto de infração foi mantido em acórdão assim ementado (fls. 164165): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/07/2002 PREPARAÇÃO QUÍMICA A BASE DE ÓXIDOS DE ALUMÍNIO, SILÍCIO, TITANIO E FERRO Fl. 342DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Classificamse no código 3824.90.79 as preparações químicas à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. REVISÃO ADUANEIRA O desembaraço aduaneiro não se caracteriza como homologação de lançamento, sendo legitima a atividade de reexame do despacho de importação com a consequente exigência das eventuais diferenças de tributos apuradas mais respectivos consectários legais. ERRO DE FATO A identificação de mercadoria é elemento fático, sendo que somente a mudança de critério jurídico, e não o erro de direito ou de fato, obsta revisão aduaneira. RESPONSABILIDADE ADUANEIRA POR INFRAÇÕES Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO LI Data do fato gerador: 03/07/2002 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de tributo com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). MULTA POR AUSÊNCIA LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. Ê devida a multa por ausência de licença de importação quando a mercadoria efetivamente importada difere da mercadoria autorizada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 228238, restringe as alegações originariamente apresentadas na impugnação, limitandose a reiterar que o produto importado consoante laudo do Laboratório da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo seria mulita (NCM 2508.60.00). Sustenta que, de acordo com o referido estudo, apresentado apenas na fase recursal, o laudo do Ministério da Fazenda, que serviu de amparado para o auto de infração, seria incompleto e insuficiente para caracterizado o produto, inclusive porque os silicatos de alumínio não podem pertencer à classe dos óxidos. Além disso, sustenta a impossibilidade de cumulação entre as multas por falta de licença de importação, pela classificação fiscal inadequada e a multa de ofício. Aduz a impossibilidade de aplicação retroativa da multa do art. 169, I, “b”, do Decreto Fl. 343DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005755/200631 Acórdão n.º 380200.686 S3TE02 Fl. 292 5 Lei nº 37/1966 aos eventos ocorridos após 31/12/2002. Pleiteia a aplicação do ADN Cosit nº 12/1997, com a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 06/08/2010 (fls. 187/v) e o protocolo do recurso, em 27/08/2010 (fls. 289). Tratase, portanto, de recurso tempestivo, que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. A pretensão recursal está assentada em parecer de consultoria técnica e em laudo do Laboratório da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo. A partir destes, o Recorrente sustenta que o produto importado seria mulita (NCM 2508.60.00), o que seria divergente da conclusão do Laudo do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fls. 40) e da própria classificação fiscal adotada pelo contribuinte na declaração de importação (fls. 15). De acordo com o primeiro, o produto importado seria uma “preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro” NCM 3824.90.79), ao passo que, segundo a DI, “pó de cerâmica (Carbolite 16/20 mesh proppant)” (NCM 2530.90.90). Os estudos técnicos apresentados pelo Recorrente na fase recursal alinhamse a outros disponibilizados com a impugnação (fls. 150ss., 153ss. e fls. 156ss.). Assim, não obstante a regra de preclusão do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, entendese que deve ser admitida a sua juntada, uma vez que visam apenas o reforço de matéria já ventilada na instância a quo. Verificase, contudo, que os laudos e os pareceres disponibilizados foram realizados a partir de amostras distintas das analisadas pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda. Em razão disso, são insuficientes para infirmar as conclusões do laudo oficial, uma vez que a matéria controvertida não se restringe à classificação fiscal aplicável, mas à própria composição química do produto. Em casos dessa natureza, eventuais estudos técnicos apresentados pelo contribuinte podem ser acolhidos apenas como fundamento para a realização de perícia, ou seja, para fins de caracterização da necessidade da prova técnica, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. O Recorrente, entretanto, não requereu a realização dessa prova, limitandose a protestar pela produção de quaisquer provas que se façam necessárias (fls. 83), o que não atende aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 344DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Cumpre destacar ainda que os pareceres de fls. 150 e ss. e 156 e ss., disponibilizados pelo Recorrente, fazem referência à composição química do produto contida no catálogo do fabricante: Para reafirmar a nossa posição, solicitamos do CARBO CERAMICS, o catálogo a [sic.] “MATERIAL SAFETY DATA SHEET” que a este parecer anexamos. (fls. 151 e 157). (g.n.). Apesar disso, por razões que se desconhece, não foram apresentados os catálogos do fabricante do produto importado. A rigor, a partir da análise dos autos, sequer é possível identificar a existência de incompatibilidade entre a composição química do produto encontrada pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda e o laudo do Laboratório da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Este, entre outros compostos de percentual inexpressivo, indica a seguinte composição química: SiO2 (silício), AI2O3 (óxido de alumínio), Fe2O3 (óxido de ferro), TiO2 (dióxido de titânio) (fls. 249). Estes são os mesmos encontrados pelo laudo oficial: “preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro” (fls. 40). O laudo da USP, por outro lado, embora indique a presença de mulita, evidencia de que esta constitui apenas um dos elementos componentes da amostra. Não afirma que o produto seria mulita nem tampouco faz qualquer juízo de valor no tocante à NCM aplicável (fls. 277). Ademais, a mulita (3Al2O3.2SiO2, cf. estudos de fls. 151, 154 e 157) é composta por óxido de alumínio e silício. Já o produto Carbolite, consoante a análise da Escola Politécnica da USP, também apresenta óxido de ferro e dióxido de titânio, entre outras substâncias. Deve ser mantida, assim, a classificação fiscal constante no auto de infração, porque, consoante destacado pela decisão recorrida, não há como se aplicar a classificação fiscal da mulita, porque o posição 25 (NCM 2508.60.00) abrange apenas os produtos em estado bruto ou lavado, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435/1992: “1. Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, Fl. 345DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005755/200631 Acórdão n.º 380200.686 S3TE02 Fl. 293 7 resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições.” Portanto, considerando que, reconhecidamente, houve equívoco na classificação fiscal, deve ser mantida a exigência da diferença do crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício, acrescido das multas previstos no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996 (multa de ofício), do art. 84, I, da MP nº 2.15835/2001 (pela classificação fiscal equivocada) e do art. 169, I, “b”, do DecretoLei no 37/1966 (pela falta de licença de importação): Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...] § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: […] b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] § 5º A aplicação das penas previstas neste artigo: I não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação específica; Fl. 346DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Tais sanções, ao contrário do que sustenta o Recorrente, podem ser exigidas cumulativamente, sem prejuízo do crédito tributário e seus acréscimos legais, porque são infrações distintas e há previsão legal nesse sentido. É improcedente, ademais, a alegação de impossibilidade de aplicação retroativa da multa do art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37/1966, que foi previsto na Lei nº 6.562/1978. Por fim, não cabe a aplicação do ADN Cosit nº 12/1997, porque o produto importado não foi corretamente descrito pelo Recorrente: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, as Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infracão administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (g.n.) Votase, portanto, pelo conhecimento e desprovimento integral do recurso, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 347DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10725.720475/2008-60
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 09/01/2004 a 29/10/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBARCAÇÕES DE APOIO À PLATAFORMAS MARÍTIMAS. NCM 8906.90.00.
Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificar-se no código NCM 8906.90.00.
MULTA POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Comprovado erro na classificação fiscal da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, cabível a sanção tipificada no inciso I do artigo 84 da MP 2.158-35, de 24/08/2001.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-000.406
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou- se impedido.
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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EMBARCAÇÕES DE APOIO À PLATAFORMAS MARÍTIMAS. NCM 8906.90.00. Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificarse no código NCM 8906.90.00. MULTA POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Comprovado erro na classificação fiscal da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, cabível a sanção tipificada no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835, de 24/08/2001. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. José Luiz Novo Rossari Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Fl. 706DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 690 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (fls. 02/ss), lavrado para a cobrança de multa regulamentar em decorrência de alegado erro de classificação fiscal (multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM artigo 636,I, do Decreto No. 4.543/2002), na importação de embarcações marítimas pela Recorrente, no montante de R$ 9.404.416,02. Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 9.404.416,02, referente a multa em razão de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Depreendese do Relatório de Fiscalização, parte integrante do auto de infração, que a interessada submeteu ao regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), embarcações denominadas "Maersk Blazer", "Maersk Boulder", "Maersk Chieftain", "Maersk Clipper", "Maersk Cutter", "Maersk Handler", "Maersk Helper", "Maersk Master", "Maersk Provider", "Maersk Retriever", "Maersk Ride?', "Maersk Rover", amparadas pelas Declarações de Importação n° 07/08133643, 07/14828844, 06/00999720, 07/08852020, 04/00408230, 06/08666518, 04/00233040, 06/08294300, 05/03935900, 07/08791934, 06/00401914, 07/07489630, 06/07256375, 06/01407568, 04/02167540, 04/13317301, 06/00241232, 07/08554860, 05/10285354 e 06/08191315. Todas as embarcações foram classificadas na NCM 8904.00.00 que se refere a "Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações.” O procedimento fiscal consistiu na verificação da correta classificação fiscal das embarcações e, ao seu final, se concluiu, com base nos documentos apresentados pela interessada, nas regras de classificação fiscal e notas explicativas do Sistema Harmonizado, que o correto enquadramento fiscal das embarcações é a NCM 8906.90.00 que trata de "Outras embarcações, incluídos os navios de guerra e os barcos salva vidas, exceto os barcos a remo.", notadamente pelo fato de as embarcações importadas terem sido "concebidas para operações de reboque, de manuseio de âncoras, de apoio marítimo e de suprimento às plataformas, aí incluídos os transportes de cargas (sólidas, líquidas, brutas, granel...) etc”. Comprovam as Fl. 707DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 691 3 características das embarcações os laudos técnicos apresentados e os contratos firmados para a realização dos serviços. Em razão do erro de classificação fiscal foi lavrado o auto de infração do presente processo para exigência da multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n°2.15835/2001. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fls. 01, 09 e 44), a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 615 a 636, com os documentos de folhas 637 a 653 anexados. A impugnante, resumidamente, traz as seguintes alegações: Tudo indica que a confusão da classificação fiscal tenha se originado a partir da consulta feita ao Anexo Único da Instrução Normativa SRF n° 4, de 10/01/2001, que prevê os bens que poderão ser submetidos ao Repetro e respectiva classificação fiscal e que registra as seguintes embarcações: Embarcações destinadas a apoio às atividades de pesquisa, exploração, perfuração, produção e estocagem de petróleo ou gás natural — classificação fiscal 8906.00 Rebocadores para embarcações e para equipamentos de apoio às atividades de pesquisa, exploração, perfuração, produção e estocagem de petróleo ou de gás natural — classificação fiscal 8904.00. As duas descrições muito se assemelham, tanto que não houve questionamento quando da concessão do regime especial. A utilização da classificação na posição 8904 tornouse rotineira, sem qualquer questionamento, porque a atividade fim principal das embarcações de apoio marítimo é a rebocagem. Não foi detectada nenhuma irregularidade na classificação fiscal quando do exame da documentação, inclusive do contrato de afretamento da embarcação destinada ao Repetro, porque não havia erro. A classificação fiscal usada pode ser considerada como a apropriada para embarcações de apoio marítimo utilizadas na indústria do óleo e gás. "A interpretação dada pelo AFRF, no sentido de que as embarcações referidas no auto de infração estavam servindo para atividade "de transporte", não é correta. Qualquer embarcação, mesmo rebocadores "puros" tem a capacidade de transportar pessoas e coisas. E transportam pessoas e coisas dos afretadores. Não se trata, no entanto, de embarcações que explorem comercialmente o transporte de mercadorias. Tanto que não é emitido Conhecimento de transporte, nem cobrado frete. É uma atividade acessória, não principal." (sic) Fl. 708DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 692 4 Utilizou a descrição correspondente ao disposto na Instrução Normativa SRF n° 4/2001, sem utilizar nenhum subterfúgio tampouco pretendendo induzir as autoridades aduaneiras a erro. A classificação fiscal foi aceita quando da concessão do regime e não mudou, mudou o modo de ver dos Auditores Fiscais. E se resta alguma dúvida é de se invocar o ensinamento contido no art. 112 e seu inciso II, do Código Tributário Nacional. Ainda que admitido o erro de classificação fiscal, não houve dano ao erário porque os tributos estão suspensos e as alíquotas são as mesmas. Não houve dolo ou fraude por parte do contribuinte. A jurisprudência administrativa, que transcreve, é dominante no sentido de decidir que o erro de classificação, por si só, sem dolo ou máfé visando prejuízo para o Fisco, não constitui infração administrativa. Devem ser levados em consideração os princípios da interpretação mais benigna, do caráter não confiscatório, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o cancelamento da multa. É o relatório. A 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão No. 0718.966 (fls. 655/ss). ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 09/01/2004 a 29/10/2007 EMBARCAÇÕES. NCM 8906.90.00. Embarcações de apoio, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de materiais, além de equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, classificamse nas NCM 8906.90.00, por aplicação das RGI1 e RGC1, em consonância com as NESH. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2004 a 29/10/2007 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com conseqüente aplicação da penalidade prevista. Fl. 709DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 693 5 Impugnação Improcedente Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário (fls. 670/ss), onde repisa os argumentos já trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O ponto central do presente litígio referese à incidência, ou não, da multa regulamentar, prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, verbis: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: 1 classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; (...) A Recorrente, ao elaborar as respectivas Declarações de Importação, classificou as mercadorias importadas no código NCM/SH 8904.00.00, que se refere a "Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações”. Por sua vez, a fiscalização, em ato de revisão aduaneira, reclassificou as mercadorias para o código NCM/SH 8906.90.00 que trata de "Outras embarcações, incluídos os navios de guerra e os barcos salvavidas, exceto os barcos a remo" e, por conseguinte, aplicou a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria em decorrência do erro de classificação fiscal. Desta feita, em síntese, a questão a ser resolvida é determinar a correta classificação fiscal para as mercadorias importadas pela Recorrente (tratamse de “rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações” ou de “outras embarcações,...”). O primeiro passo para se classificar uma mercadoria é identificála corretamente. Neste sentido, compulsando os autos constatamos as seguintes informações técnicas relevantes para a perfeita identificação das mercadorias importadas. Vejamos: (i) No campo Descrição Detalhada das Mercadorias a empresa informou que a embarcação importada tratavase de “rebocador/supridor...” (vide folha 65, p. exemplo); Fl. 710DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 694 6 (ii) No documento emitido pela Marinha do Brasil, denominado Atestado de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira (vide folha 69), constam as seguintes informações quanto às características da embarcação: “Tipo de navegação: Mar aberto (apoio marítimo); Tipo de embarcação: Supridor de plataforma” (iii) Na tradução juramentada apresentada (vide folha 75, p. exemplo), constam a seguinte informação: “Condições de operação: Desde a sua entrega, recémconstruído pelo estaleiro, o navio foi utilizado em várias tarefas, inclusive para manuseio de âncoras de chatas e plataformas, reboque e tarefas de abastecimento direito” (iv) No contrato firmado pela empresa MAERSK com a PETROBRÁS CONTRATO E&P N° 2050,0030635.072 (folhas 88/ss) constam as seguintes informações: “1.2. A EMBARCAÇÃO será utilizada nas áreas em que a PETROBRAS for concessionária nos termos da Lei 9478/98, no âmbito da Exploração e Produção (E&P), para apoio às unidades de produção e de perfuração.” ANEXO III: “2. TIPO DA EMBARCAÇÃO E ANO DE CONSTRUÇÃO: AHTS 15000 — Reboque, Manuseio de Âncoras e Suprimento. Construído a partir do ano 1995 (inclusive). O ano de construção é o primeiro ano constante do Certificado de Classe emitido pela Sociedade Classificadora. (...) 3. REQUISITOS GERAIS: 3.1 Deverá ser empregada no apoio às atividades de pesquisa e lavra de hidrocarbonetos e atividades desenvolvidas pela PETROBRAS nas áreas em que for Concessionária. (...) 3.12 As capacidades para transporte e suprimento a serem preenchidas no ADENDO C — ESPECIFICAÇÃO TÉCNICAS DA EMBARCAÇÃO, deverão ser as máximas, considerandose a utilização de um único produto, excluindose as quantidades de 50 m3 de água e 100m3 de óleo diesel para consumo próprio”. Fl. 711DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 695 7 (v) No documento emitido pela Marinha do Brasil, denominado Atestado de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira (vide folha 102, p. exemplo), constam as seguintes informações quanto às características da embarcação: “Atesto que a embarcação MAERSK BOULDER, bandeira DINAMARQUESA, foi inscrita em caráter temporário nesta Delegacia, em face da autorização para APOIO MARÍTIMO em ÁGUAS BRASILEIRAS....”; (vi) Na tradução juramentada apresentada (vide folhas 104 e 108, p. exemplo), constam a seguinte informação: “CLASSE Registro de navios Lloyd+100 Al, LMC,UMS, NAV1, DP (AM) Navio de Abastecimento Reboque Offshore” (...) “CONDIÇÕES DE OPERAÇÃO: A embarcação tem sido utilizado, desde o pátio de construção, em uma variedade de tarefas incidindo manuseio de ferros de barcaça e sonda, trabalho de reboque e abastecimento direto.” (vii) No contrato firmado pela empresa MAERSK com a PETROBRÁS CONTRATO E&P N° 2050.0030636.072 (folhas 122/ss) constam as seguintes informações: “1.2. A EMBARCAÇÃO será utilizada nas áreas em que a PETROBRÁS foi concessionária nos termos da Lei 9478/98, no no âmbito da Exploração e Produção (E&P), para apoio às unidades de produção e de perfuração.” ANEXO III: “2. TIPO DA EMBARCAÇÃO E ANO DE CONSTRUÇÃO: AHTS 18000 TS — Reboque, Manuseio de Âncoras e Suprimento. Construído a partir do ano 1995 (inclusive). O ano de construção é o primeiro ano constante do Certificado de Classe emitido pela Sociedade Classificadora. (...) 3. REQUISITOS GERAIS: 3.1 Deverá ser empregada no apoio às atividades de pesquisa e lavra de hidrocarbonetos e atividades desenvolvidas pela PETROBRAS nas áreas em que for Concessionária. (...) 3.12 As capacidades para transporte e suprimento a serem preenchidas no ADENDO C — ESPECIFICAÇÃO TÉCNICAS DA EMBARCAÇÃO, deverão ser as máximas, considerandose a utilização de um único produto, Fl. 712DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 696 8 excluindose as quantidades de 50 m3 de água e 100m3 de óleo diesel para consumo próprio”. (...) 7. EQUIPAMENTO DE REBOQUE E MANUSEIO DE ÂNCORAS: A embarcação deverá obrigatoriamente ser capaz de efetuar reboque e de lançar e recolher amarras, cabos de aço e cabos sintéticos nas operações de manuseio de âncoras, atingindo esforços especificados nos itens a seguir... Destaquese, que os documentos acima citados referemse à embarcação objeto da Declaração de Importação No. 07/08133643, registrada em 22/06/2007 (folhas 62 a 94) e da Declaração e Importação No. 07/14828844, registrada em 29/10/2007 (folhas 95 a 131). Nos volumes I, II, III e IV encontramse anexados os documentos relativos às demais Declarações de Importações. Com base no extenso conjunto probatório acostado aos autos (volumes I, II, III e IV), não restam dúvidas, no entender deste Relator, que as embarcações importadas não se tratam de meros "rebocadores", mas sim embarcações de apoio que, além de realizar as funções de rebocadores, também realizam operações de transporte de pessoas e materiais/objetos, manipulação de âncoras, suprimento de plataformas, abastecimento, entre outras. Tratamse, em conclusão, de embarcações do tipo "supridores de plataformas marítimas" ("suplly"). Nesse aspecto cumpre notar que o fato de não serem emitidos conhecimento de transporte quando do transporte dos materiais nas embarcações, não descaracterizam as operações efetuadas por estas embarcações, assim como em nada modificam suas características técnicas, estas sim, determinantes para a sua classificação fiscal. Muito bem, identificada a mercadoria importada passemos à aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e a Regra Geral Complementar (RGC 1) para determinarse, então, o código próprio da mercadoria, com base na NCM — Nomenclatura Comum do Mercosul, que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado pelo País por meio do Decreto n° 97.409/1988, de 23/12/1988, DOU de 27/12/1888. A Regra Geral para Interpretação No. 1 (RGI 1), determina que "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas Posições e Notas, pelas regras seguintes". No caso em tela, em decorrência da aplicação da RG1 1, há que se examinar as Posições do Capítulo 89, assim compreendidas: CAPITULO 89 EMBARCAÇÕES E ESTRUTURAS FLUTUANTES 8901 TRANSATLÂNTICOS, BARCOS DE CRUZEIRO, "FERRYBOATS",CARGUEIROS, CHATAS E EMBARCAÇÕES SEMELHANTES, PARA O TRANSPORTE DE PESSOAS OU DE MERCADORIAS Fl. 713DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 697 9 8902.00 BARCOS DE PESCA; NAVIOSFÁBRICAS E OUTRAS EMBARCAÇÕES PARA O TRATAMENTO OU CONSERVAÇÃO DE PRODUTOS DA PESCA 8903 IATES E OUTROS BARCOS E EMBARCAÇÕES DE RECREIO OU DE ESPORTE; BARCOS A REMOS E CANOAS 8904.00.00 REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES 8905 BARCOSFARÓIS, BARCOSBOMBAS, DRAGAS, GUINDASTES FLUTUANTES E OUTRAS EMBARCAÇÕES EM QUE A NAVEGAÇÃO É ACESSÓRIA DA FUNÇÃO PRINCIPAL; DOCAS OU DIQUES FLUTUANTES; PLATAFORMAS DE PERFURAÇÃO OU DE EXPLORAÇÃO, FLUTUANTES OU SUBMERSÍVEIS 8906 OUTRAS EMBARCAÇÕES, INCLUÍDOS OS NAVIOS DE GUERRA E OS BARCOS SALVAVIDAS, EXCETO OS BARCOS A REMO 8907 OUTRAS ESTRUTURAS FLUTUANTES (POR EXEMPLO: BALSAS, RESERVATÓRIOS, CAIXÕES, BÓIAS DE AMARRAÇÃO, BÓIAS DE SINALIZAÇÃO E SEMELHANTES) 8908.00.00 EMBARCAÇÕES E OUTRAS ESTRUTURAS FLUTUANTES, PARA DEMOLIÇÃO O texto da NESH Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (aprovadas pelo Decreto n° 435, de 27/01/1992), esclarecendo o alcance das posições do Capítulo 89, assim dispõem no tocante à posição 8904, verbis: Apresente posição compreende: A. Os rebocadores, que são barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades. Podem ser do tipo que se utiliza no mar ou para navegação interior, e diferenciamse das outras embarcações pelo seu aspecto particular, seu casco reforçado de forma especial, suas possantes máquinas motoras e diversos equipamentos para movimentação e engate dos cabos, amarras, etc. B. Os barcos concebidos para empurrar outras embarcações, que são barcos especialmente concebidos para empurrar barcaças ou alijos, entre outros.Caracterizamse essencialmente pela sua proa achatada, concebida para empurrar, bem como pela posição particularmente elevada da cabina do timoneiro, que pode ser telescópica. Classificamse também nesta posição os barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações, assim como os barcos concebidos para empurrar outras embarcações, estes engenhos possuem uma proa chata e uma popa construída de modo a permitir a tração por meio de cabos. Fl. 714DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 698 10 Os rebocadores próprios para levar ajuda aos navios em situação crítica também se classificam aqui. Os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Podem ser equipados, a título acessório, de instrumentos especiais de bombeamento, de combate a incêndios, de aquecimento, etc. (negritamos) Como já comentado, as embarcações importadas pela Recorrente não se tratam de meros "rebocadores" (barcos para empurrar ou rebocar outras embarcações), mas sim embarcações de apoio (“supridores de plataformas marítimas”), que realizam muitas outras operações, além de também rebocar, dentre as quais transportar pessoas e materiais até as plataformas marítimas da contratante (PETROBRÁS). Ressaltese, que a nota da NESH informa que “os barcos da presente posição (8904) não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias”. Portanto, nestes termos, as embarcações não podem ser classificadas na posição 8904. Dentre as posições do Capítulo 89, a que melhor atende às características técnicas das embarcações importadas, no meu entender, é a posição 8906 – Outras embarcações, pelo fato de não existir uma posição específica para as embarcações de apoio, do tipo “supridores de plataformas marítimas”. Aplicandose, assim, a RGC1, que determina que "as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível", concluise que as embarcações em tela classificamse na NCM 8906.90.00 – Outras embarcações (que não navios de guerra). Em conclusão, temos que as embarcações objeto do presente litígio devem ser classificadas, por aplicadas das RGI No. 1 e da RGC No. 1 do Sistema Harmonizado, no código NCM/SH 8906.90.00. Assim, constatado que as embarcações importadas foram classificadas incorretamente pelo contribuinte, correta a aplicação da multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, no montante de um por cento sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas. Não há que se discutir se houve má fé ou dolo por parte da Recorrente, uma vez que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente (responsabilidade objetiva), nos termos do que prescreve o artigo 136 do CTN. Inaplicável ao caso as disposições previstas no artigo 112 do CTN (como argumenta a Recorrente), uma vez que não restaram dúvidas quanto à classificação fiscal das embarcações, no entender deste Relator, conforme fartamente demonstrado pelas provas acostadas aos autos. Por fim, importante destacar que essa questão já foi objeto de exame por parte da Receita Federal do Brasil, quando foram prolatadas as seguintes decisões de consulta, verbis: “CÓDIGO TEC: 8906.90.00 Fl. 715DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.720475/200860 Acórdão n.º 3201 000.406 S3C2T2 Fl. 699 11 Embarcação de serviço offshore multifuncional, que efetua operações de manuseio de âncoras, reboque e transporte de suprimentos e outras cargas, denominada “Olympic Hercules”, construída pelo estaleiro Ulstein Verft As, Ulsteinvik Norway.” (Solução de Consulta Diana SRRF/7ª no 10, de 5/4/2010) “Código TEC: 8906.90.00 Mercadoria: Embarcação de apoio marítimo denominada Maersk Provider do tipo AHTS 15000, de bandeira dinamarquesa, construída pelo estaleiro Soviknes Verft A/S, na Noruega, com número oficial D33387 e número de registro IMO 9007142.” (Solução de Consulta Diana SRRF/7ª no 49, de 22/9/2011) Assim face ao exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 716DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.1119.16367.B7DK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 27/12/2011 10:12:41. Documento autenticado digitalmente por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 27/12/2011. Documento assinado digitalmente por: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI em 27/12/2011 e LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 27/12/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.1119.16367.B7DK Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: DA5BD70F6F6E54797167FB09616894E89FDEE531 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10725.720475/2008-60. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 12466.004582/2002-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 14/01/1998, 17/12/1999
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONTRIBUINTE. ENTENDIMENTO FIXADO PELA PRÓPRIA FISCALIZAÇÃO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. PROIBIÇÃO DO VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM.
Não procede a autuação, com base em errônea classificação fiscal de produto importado pelo contribuinte, quando esta classificação se baseia em entendimento fixado pela própria fiscalização em outra autuação, relativa ao mesmo produto. Incidência do principio da proibição do "venire contra factum proprium", que veda que as partes, numa da relação jurídica, adote comportamentos contraditórios.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.355
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/01/1998, 17/12/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONTRIBUINTE. ENTENDIMENTO FIXADO PELA PRÓPRIA FISCALIZAÇÃO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. PROIBIÇÃO DO VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM. Não procede a autuação, com base em errônea classificação fiscal de produto importado pelo contribuinte, quando esta classificação se baseia em entendimento fixado pela própria fiscalização em outra autuação, relativa ao mesmo produto. Incidência do principio da proibição do "venire contra factum proprium", que veda que as partes, numa da relação jurídica, adote comportamentos contraditórios. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Gilson Macedo Rosenburg Filho. ,-- r- -,, Participaram do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo t Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Nanci Gama, Maria Teresa Martinez L6pez e Caio Marcos Cândido. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em contrariedade à evidência das provas dos autos. Lavrou-se auto de infração contra o contribuinte, promovendo-se revisão aduaneira de diversas declarações de importação. Concluiu-se que, no lugar da classificação fiscal perpetrada pelo contribuinte, em que se apontou o código NCM n° 9008.30.00, o código correto era o de n° 8528.30.00 da TEC (projetores de video). Considerou-se que "com base nas características, retiradas dos ditos manuais, sob a denominação de 'input', 'input signals', 'source' ou 'input sources' notamos que as mercadorias importadas apresentam entradas para sinais de video. Assim, as mesmas não seriam simplesmente "Projetores de imagens fixas como foram descritas inicialmente das DI's, divergindo do procedimento para classificação explicado abaixo". Exigiu-se, destarte, o valor de R$ 150.626,44, a titulo de II, de R$ 112.249,44, relativos a 1PI, ambos acrescido de multa de oficio e juros de mora, além do valor de R$ 441.835,06, a titulo de multa de controle administrativo de informações, nos termos do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. 0 contribuinte apresentou impugnação As fls. 553/589 dos autos. Argumentou, em síntese, que procedeu à classificação no código NCM n° 9008.30.00, tendo em vista autuação sofrida anteriormente, em outras importações, em que se entendeu como correta referida classificação. Alegou que, a partir de 1997, efetuou diversas importações do equipamento em questão, adotando tal classificação. Ressaltou que passou a adotá-la a partir de uma autuação fiscal sofrida. Antes, relatou, adotava o código 9013.80.10. Desta forma, o contribuinte aduziu a ilegalidade de alteração dos critérios jurídicos de classificação pelo Fisco. A Delegacia da Receita federal de Julgamento, As fls. 619/629, julgou procedente o lançamento. As fls. 637/659, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Reiterou, em linhas gerais, os seus argumentos já expendidos na impugnação. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligencia (fls. 701/710). Diante da controvérsia entre o contribuinte e a fiscalização no que se refere A correta classificação da mercadoria importada, determinou-se a realização de perícia técnica pelo Instituto Nacional de Tecnologia. As fls. 735, o contribuinte informou não mais possuir, para a realização da diligência, exemplares do produto para a sua verificação fisica. Ressaltou, porém, que há farta documentação, suficiente para a resposta aos quesitos. Conforme Relatório de Diligência Fiscal, não foi possível proceder-se A realização da diligência, em face da dificuldade que se teve em intimar o contribuinte, tendo 2 Processo n° 12466.004582/2002-85 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.355 Fl. em vista mudança de endereço da empresa. Depois da realização do contato com o contribuinte, este demorou a comparecer ao órgão fiscal para tomar ciência do Termo de Intimação e do Termo de Constatação. Quando finalmente o fez, relatou não dispor de amostras fisicas do produto para a realização da perícia. Diante disso, concluiu-se que: "Em consonância com a informação prestada pelo contribuinte, notamos que, até a presente data deste relatório, não houve interesse por parte daquela em adotar quaisquer ações ou procedimentos para cumprimento das intimações, efetuadas nos termos da referida Diligencia, embora tenha tomado ciência pessoal de todos os termos lavrados pelas autoridades Alfândega no curso do procedimento fiscal". A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, desta forma, As fls. 740/745, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir a imputação das penalidades e dos juros moratórios, entendendo-se que não houve por parte da fiscalização, alteração do critério jurídico, com base nos termos do artigo 146 do Código Tributário Nacional, mas apenas correção de erro anterior. Tendo vista, no entanto, que o contribuinte seguiu, na sua classificação fiscal, entendimento anteriormente externado pelo próprio Fisco, aplicou-se o artigo 100 do CTN. O órgão julgador, nos termos do voto do relator, reputou como correta a classificação fiscal determinada pelo Fisco no presente processo. Aduziu-se que: "Pelo que depreendi dos autos, inclusive culminando nas razões de decidir expostas acima, fica evidente que a fiscalização federal, ao lavrar o auto de infra cão em 23/10/97, incorreu em erro na interpretação da correta classificação fiscal das mercadorias objeto daquela e desta autuação. Entretanto, corrigir o equivoco anterior, não me parece ser caracterizado como alteração do critério jurídico. Este se dá quando a aplicador da lei, podendo escolher uma ou outra interpretação possível, hora escolhe uma, hora alberga outra ". Ressalvou-se, no entanto, que, ainda que não se tenha caracterizada a alteração do critério jurídico, o contribuinte agiu em conformidade com anterior decisão do próprio fisco, de modo que se entendeu aplicável o artigo 100, parágrafo único, do CTN, excluindo-se as penalidades, juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Entendeu-se que a decisão anterior da fiscalização, no outro auto de infração, que ensejou a classificação adotada pelo contribuinte, constituiu-se em verdadeiro ato normativo entre o Fisco e o contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial (fls. 751/764), com base em contrariedade da decisão recorrida A, evidência das provas dos autos. Discorreu, primeiramente, sobre a inocorrência de alteração de critério jurídico por parte da autoridade fiscal. Sustentou que a classificação fiscal 6, de fato, a correta, e que: "(..) resta claro que os projetores de mesa de cristal liquido importados pela interessada, que funcionam acoplados a computadores e a equipamentos de video, projetam imagens animadas, atributo amplamente utilizado nas apresentações 3 profissionais, conectados diretamente a aparelhos como videocassetes ou por meio da movimentação de textos e imagens na tela do computador, que visam a tornar a exposição dos temas mais dinâmica. Considerando que a classificação fiscal de um produto é determinada pelos textos das posições (RGI I), conclui-se que a posição 9008 é inadequada para o produto em questão, pois engloba unicamente os projetores de imagem fixa, sem recursos de animação". Destacou que tal entendimento fora corroborado pela IN SRF no 60/2000. Assim, sustentou, como tese recursal, que "a descrição das mercadorias constantes das DIs foi inexata, haja vista ter o importador consignado os produtos importados como sendo "Projetores de Imagem Fixa", impedindo a sua correta identificação". Suscitou o ADN COSIT n° 12/97, aduzindo que, para o afastamento da "infração administrativa ao controle das importações (importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente), seria imprescindível que os produtos em questão houvessem sido corretamente descritos, com todos os elementos necessários á. sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado". Diante disso, defendeu a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações, nos termos do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91.030/85). Repeliu a incidência do artigo 100 do CTN, para a exclusão das multas e juros. 0 contribuinte apresentou suas contrarrazões ás fis. 777/788 dos autos. Ressaltou que a classificação afastada pela fiscalização no presente processo é a mesma por ela determinada em outro auto de infração, e que o produto importado é o mesmo. Alegou que restou caracterizada a mudança do critério jurídico. o Relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora 0 presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a decisão recorrida fora tomada por maioria de votos, e a recorrente baseou-se na violação à evidencia das provas dos autos. 0 objeto recursal refere-se à impossibilidade de aplicação do artigo 100 do CTN, para a exclusão dos juros de mora e das multas, diante do conjunto probatório constante dos autos. de se ter, antes que se passe A. análise do mérito recursal, que, malgrado o contribuinte tenha tecido considerações a respeito, a questão referente à inocorrência de alteração do critério jurídico já fora definitivamente resolvida no acórdão a quo. Não será enfrentada aqui, até porque não houve interposição de recurso especial pelo contribuinte. • 4 Processo n° 12466.004582/2002-85 CSRF-T3 AcórcIdo n.° 9303-01.355 Fl93 0 que se deve analisar é se, nos termos do defendido pela recorrente, houve de fato descrição inexata da mercadoria por parte do contribuinte, o que ensejaria a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações. Realmente, a Procuradoria da Fazenda Nacional insurgiu-se contra o afastamento das multas e dos juros, defendendo que teria havido descrição inexata do produto importado pelo contribuinte. Neste sentido, sustentou inafastável a multa por infração administrativa ao controle das infrações, com base no Ato Declaratório COSIT n° 12/1997. Não houve, contudo, tal descrição inexata. Não há embasamento para a manutenção das multas e dos juros de mora. Com efeito, conforme se depreende dos autos, fato que não se pode afastar é o de que a descrição feita do produto importado pelo contribuinte, no sentido de se tratar de "Projetores de Imagem Fixa", decorreu do entendimento externado pelo próprio fisco em outro auto de infração, que determinou a classificação fiscal no código em que se expressa em tais termos. Antes, o contribuinte, os classificava no código n° 9013.8010, quando, então, sofreu a primeira autuação. Quanto ao produto classificado, é incontroverso nos autos de que se trata do mesmo importado e objeto do outro auto de infração, que levou o contribuinte a classificá-lo da maneira que se fez aqui, no código 9008.30.00. A descrição do produto, desta forma, deu-se de acordo com os termos do referido código, consoante enquadramento da própria Fiscalização em autuação anterior. Conforme se vê na decisão recorrida, ao se considerar como correta a classificação fiscal adotada pelo fisco no presente auto de infração, ressalvou-se que a classificação defendida pelo contribuinte fundamentou-se em decisão da própria autoridade fiscal em auto de infração anterior, nos termos de tal decisão. Não seria razoável, nem legitima a aplicação de qualquer multa ou juros ao contribuinte, pois tal fato contraria o artigo 100 do CTN. Ora, se o contribuinte, importando determinada mercadoria, é autuado com base em errônea classificação fiscal, e desde então passa a observar o entendimento da própria autoridade fiscal nas importações subseqüentes, não há como se pretender legitima a imposição de multas e juros de mora, quando o Fisco muda de posicionamento, reputando equivocada classificação antes por ele determinada. Deve incidir, de fato, o artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Este dispositivo visa dar guarida à boa-fé que se revela patente nos autos por parte do contribuinte. Este não pode ser onerado da forma que se pretende por ter seguido entendimento da Fiscalização. Ademais, outras normas principiológicas que devem sempre ser observadas numa relação jurídica, sobretudo quando integrada, em um de seus pólos, pelo Estado, encontrar-se-iam maculadas se fosse admitida, em face das particularidades do presente caso concreto, a imposição de penalidades e de juros de mora. 5 o caso, especialmente, do principio da proibição do "venire contra factum proprium", que veda que as partes, numa da relação jurídica, adote comportamentos contraditórios. Tal principio é decorrência direta do principio da confiança. Cumpre trazer interessante definição do seu significado; "(.) Pela teoria dos atos próprios ("venire contra factum proprium") significa que ninguém estaria autorizado a contrariar um comportamento por si mesmo praticado anteriormente, desde que este tenha função orientativa, ou seja, na medida em que dirija a conduta dos sujeitos ou implique na tomada de decisão por parte deles. Na exata proporção em que informação relevante e necessária para o agir, o ato próprio vincula, de modo que não pode ser contrariado sob pena de esta mudança quebrar a lealdade. Nota-se uma verdadeira eficácia vinculativa de atos, ainda que não atos jurídicos em sentido estrito. A parte que os pratica gerando confiança na outra parte de que aquela orientação de conduta seria mantida, ao alterar o comportamento, imprimindo-lhe direção oposta àquela original, frustra a expectativa de confiança e viola a boa-fé objetiva(..)1" Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, a fim de que se mantenha a decisão recorrida em todos os seus termos. 6
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Numero do processo: 13657.000101/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa: Não aplicação da regra de classificação fiscal 2 a)do Sistema Harmonizado-SH. Listagem que deu suporte ao lançamento com apenas quantidades de latas e de tampas, por si só, não é suficiente para caracterizar o conjunto para efeito de venda como um todo.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3201-000.732
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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Listagem que deu suporte ao lançamento com apenas quantidades de latas e de tampas, por si só, não é suficiente para caracterizar o conjunto para efeito de venda como um todo. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. EDITADO EM: 12/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Fl. 522DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 2 Relatório A DRJ de Juiz de Fora/MG recorre de ofício a este Conselho, tendo em vista recurso de ofício, nos termos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Foi lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Varginha/MG, em 26/02/2007, Auto de Infração (fls.03/27) para exigir da empresa supra identificada o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 13.911.202,58, ao qual foram acrescido multa de ofício e juros de mora com base na SELIC, calculados até 31/01/2007, totalizando o crédito tributário de R$ 32.751.792,77 Foram constatadas as seguintes infrações: 1) NOTA FISCAL COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA; 2) ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS – indevidos em razão de ter ocorrido a decadência. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 28/33, o Fisco relata que a empresa autuada “aplicou o percentual de alíquota de IPI em valor menor no produto TAMPAS DE ALUMÍNIO’, fabricado e vendido em conjunto com o corpo das ‘LATAS DE ALUMÍNIO’, conforme levantamentos efetuados nas notas fiscais de saídas emitidas pela empresa. Este procedimento está em desacordo com os estabelecidos pela legislação vigente, na Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (TIPI) – Decreto nº 4070, de 31/12/2001, com vigência a partir de 01/01/2002.” A classificação fiscal utilizada pela empresa é 8309.9000 para as tampas, enquanto as latas de alumínio classificamse na 7612.90.19, sendo as alíquotas do imposto prevista à época 5% e 10% respectivamente. A fiscalização, com base na Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado de nº 1 e 2, concluiu que o fornecimento de latas e tampas, embora desmontadas, formam um conjunto, visto que perderia a finalidade, para os adquirentes – fabricantes de cerveja e refrigerantes, latas sem tampas. “As latas são fornecidas com seu corpo acabado, impresso, aberto, seguindo junto a tampa, que por processo mecânico, efetuado por quem adquire o produto, após a colocação do líquido, é aplicada no corpo da lata.” Cita ainda o Despacho Homologatório CST (DCM) nº 372 de 29/11/1989. Fl. 523DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 13657.000101/200792 Acórdão n.º 3201000.732 S3C2T1 Fl. 884 3 Além disso, a empresa escriturou no período de 01/05 a 31/05/2005, créditos extemporâneos de IPI, quando já teria ocorrido a decadência, ou seja, depois de decorridos 05 (cinco) anos da data de aquisição, reduzindo o saldo devedor de IPI. Em 28/03/2007, às fls.242/262, a empresa apresentou a impugnação alegando em síntese: NAS PRELIMINARES Do Cerceamento de Defesa Da Ilegalidade da Autuação Da Inconsistência Jurídica da Autuação Fiscal Processo de Fabricação e Diferenciação dos Produtos Fabricados pela Impugnante Classificação Fiscal dos Produtos da Impugnante na TIPI Da Autuação pela Utilização de Créditos do IPI Requer ao final a improcedência da autuação ou se não for este o entendimento que se realize diligência fiscal em sua unidade fabril em Extrema /MG, para que se apure ‘in loco’ os fatos narrados. Em 20/08/2007, o presente processo foi remetido em diligência à DRF/Varginha para que demonstrasse, por decêndio, os conjuntos de latas e notificasse ao interessado, para apresentar razões adicionais de defesa, se isso fosse de seu interesse. A Fiscalização elaborou planilha de notas fiscais emitidas no período fiscalizado, por cliente, listando as quantidades vendidas de latas e de tampas. Cientificado em 29/09/2009, o contribuinte apresentou razões adicionais de defesa às fls.737/740, reafirmando seu entendimento quanto à classificação visto que “o processo de confecção das duas peças é feito em separado e por maquinário distinto e, também, a comercialização pode ser feita de forma individualizada, vez que as tampas são UNIVERSAIS, podendo ser usadas em qualquer lata.” E ainda, valendo das planilhas de vendas de tampas e latas concluiu: “É patente a disparidade no número de lata e de tampas vendidas para o mesmo comprador, separado por CNPJ, levandose em conta os anos de 2004 e 2005 e parcialmente 2002 e 2003.” “Ainda neste passo, a análise por amostragem dos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005 (Doc. 3) demonstra a desigualdade quantitativa ...” Fl. 524DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 4 É o relatório.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0927.624, de 16/12/2009, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não é possível presumirse que todas as vendas eram realizadas em conjunto (latas e tampas). Uma vez não identificado e quantificado quando elas ocorriam, não há como manterse a exigência. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para utilização dos créditos é de cinco anos contados da data em que o insumo deu entrada no estabelecimento do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” O julgamento foi no sentido de considerar a impugnação parcialmente procedente, exigindose do contribuinte o valor de R$ 107.251,80, referente ao período de apuração 01/05/2005, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, excluindo as demais exigências do lançamento. O contribuinte foi cientificado, assim como liquidou o crédito tributário remanescente. Assim sendo, a DRJ recorreu de ofício a este Conselho, tendo em vista recurso de ofício, nos termos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim Versa o presente de auto de infração, onde foram constatadas as seguintes infrações: produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal/operação com erro de classificação fiscal e/ou alíquota: a empresa utilizou indevidamente a classificação fiscal 8309.90.00 nas vendas do produto "tampas de alumínio, com o percentual da aliguota de 5%, quando deveria adotar a mesma classificação fiscal 7612.90.19 das "latas de alumínio", aliquota de 10%, nos períodos de apuração de 2002 a 2005, Fl. 525DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 13657.000101/200792 Acórdão n.º 3201000.732 S3C2T1 Fl. 885 5 pois o contribuinte fabrica e vende o conjunto completo, reduzindo o saldo devedor de IPI, conforme descrito no termo de verificação fiscal; e créditos indevidos/créditos extemporâneos – indevido : o contribuinte escriturou no Livro de Registro de Apuração de IPI, a título de "Créditos Extemporâneos de IPI" no período de 01/05/2005 a 31/05/2005, créditos de IPI, abrangidos pela decadência, na aquisição de matéria prima, insumo e material de embalagem que foram adquiridos pela empresa no período de 05(cinco) anos anteriores a 01/05/2000, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. A DRJ recorre de ofício, em razão de não constar nos autos, a venda necessária do conjunto completo de lata e tampa de alumínio; nem como identificálos e quantificálos, razão porque não pode prosperar a exigência de IPI, por erro na classificação fiscal. Os fatos observados são os seguintes: Em 20/08/2007, o presente processo foi remetido em diligência à DRF/Varginha para que demonstrasse, por decêndio, os conjuntos de latas e notificasse ao interessado, para apresentar razões adicionais de defesa, se isso fosse de seu interesse. A Fiscalização elaborou planilha de notas fiscais emitidas no período fiscalizado, por cliente, listando as quantidades vendidas de latas e de tampas. Cientificado em 29/09/2009, o contribuinte apresentou razões adicionais de defesa às fls.737/740, reafirmando seu entendimento quanto à classificação visto que “o processo de confecção das duas peças é feito em separado e por maquinário distinto e, também, a comercialização pode ser feita de forma individualizada, vez que as tampas são UNIVERSAIS, podendo ser usadas em qualquer lata.” E ainda, valendo das planilhas de vendas de tampas e latas concluiu: “É patente a disparidade no número de lata e de tampas vendidas para o mesmo comprador, separado por CNPJ, levandose em conta os anos de 2004 e 2005 e parcialmente 2002 e 2003.” “Ainda neste passo, a análise por amostragem dos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005 (Doc. 3) demonstra a desigualdade quantitativa ...” o contribuinte descreve o processo produtivo da lata, propriamente dita, e das tampas, afirmando que estas são fabricadas nas unidades fabris sediadas em Recife e Manaus. “Essa separação da produção fabril revela uma importante constatação, qual seja, a de que a impugnante não vende necessariamente o ‘conjunto completo de lata e tampa de alumínio’ – como presumiu equivocadamente o senhor Fiscal da Receita Federal que lavrou o Auto de Infração.” O estabelecimento autuado (Extrema/MG), produz “somente latas e a impugnante, na maior parte das vezes, vende somente as latas de alumínio desacompanhadas das tampas de metais comuns, pois os compradores (em geral, industrias de refrigerante e cerveja) podem dispor de outros Fl. 526DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 6 fornecedores para tampas no Brasil ou no exterior, não sendo necessariamente a Impugnante.” Faz um arrazoado sobre a classificação fiscal do produto lata e das tampas, afirmando “a classificação da Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI é taxativa, expressa, ao tipificar as latas de alumínio no código 7612.90.19, enquanto as tampas de metais comuns são classificadas no código 8309.90.00.” através do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização descreve que “a empresa utilizou indevidamente a classificação fiscal 8309.90.00 nas vendas do produto TAMPAS de alumínio, com percentual da alíquota de 5%, quando deveria adotar a mesma classificação fiscal das LATAS de alumínio 7612.90.19, com alíquota de 10%, pois o contribuinte fabrica e vende o conjunto completo. Cabe ressaltar, que na maioria da comercialização, o conjunto do produto vai destacado em uma única nota fiscal.” Assim sendo, como bem observou a decisão a quo, o litígio não se vincula a classificação dos produtos lata e tampa e sim na venda do CONJUNTO LATA COM A RESPECTIVA TAMPA. Não obstante a regra “2 a)” de classificação fiscal do Sistema Harmonizado: REGRA 2 a) qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Bem como a NOTA EXPLICATIVA (NESH): REGRA 2 a)(Artigos incompletos ou inacabados) I) A primeira parte da Regra 2 a) amplia o alcance das posições que mencionam um artigo determinado, de maneira a englobar não apenas o artigo completo mas também o artigo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. II) As disposições desta Regra aplicamse aos esboços de artigos, exceto no caso em que estes são expressamente especificados em determinada posição. Consideramse “esboços” os artigos não utilizáveis no estado em que se apresentam e que tenham aproximadamente a forma ou o perfil da peça ou do objeto acabado, não podendo ser utilizados, salvo em casos excepcionais, para outros fins que não sejam os de fabricação dessa peça ou desse objeto (por exemplo, os esboços de garrafas de plástico, que são produtos intermediários de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas). Os produtos semimanufaturados que ainda não apresentam a forma essencial dos artigos acabados (como é, geralmente, o caso das barras, discos, tubos, etc.) não são considerados esboços. Fl. 527DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 13657.000101/200792 Acórdão n.º 3201000.732 S3C2T1 Fl. 886 7 III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. IV) Vários casos de aplicação desta Regra são indicados nas Considerações Gerais de Seções ou de Capítulos (Seção XVI, Capítulos 61, 62, 86, 87 e 90, por exemplo). REGRA 2 a)(Artigos apresentados desmontados ou por montar) V) A segunda parte da Regra 2 a) classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar; apresentamse desta forma principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte. VI) Esta Regra de classificação aplicase, também, ao artigo incompleto ou inacabado apresentado desmontado ou por montar, desde que seja considerado como completo ou acabado em virtude das disposições da primeira parte desta Regra. VII) Deve considerarse como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinamse a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Para este efeito, não se deve ter em conta a complexidade do método da montagem. Todavia, os diferentes elementos não podem receber qualquer trabalho adicional para complementar a sua condição de produto acabado. Os elementos por montar de um artigo, em número superior ao necessário para montagem de um artigo completo, seguem seu regime próprio. VIII) Casos de aplicação desta Regra são indicados nas Considerações Gerais de Seções ou de Capítulos (Seção XVI, Capítulos 44, 86, 87 e 89, por exemplo). IX) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte desta Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. Visto a regra acima, quando a empresa realiza a venda em conjunto, qual seja: latas e tampas, tal operação caracterizase sim, como um todo e classificase de conformidade com a regra 2a na posição da lata, qual seja: 7612.90.19, com alíquota de 10%. Os elementos colacionados ao processo pela fiscalização foram uma listagem que deu suporte ao lançamento, por decêndio, de todas as vendas de tampas e outra listagem, em atendimento a diligência, por cliente, relacionando todas as notas fiscais e as quantidades de latas e de tampas vendidas. Esses elementos são insubsistentes, a meu ver, para demonstrar a ocorrência de venda de conjunto que pode ocorrer mesmo quando a nota fiscal, isoladamente, assim não o evidencie. Fl. 528DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 8 Não há no processo provas deste fato, as listagens elaboradas, inclusive após a diligência, mostraramse insuficientes para demonstrar e comprovar tal conclusão. Uma listagem com apenas quantidades de latas e de tampas, por si só, é insuficiente para caracterizar o conjunto, haja vista, que numa determinada remessa a quantidade pode ser igual ou próxima, apenas em decorrência da combinação de alguns fatores, tais como, embalagem para transporte/volume, política interna de faturamento e/ou emissão de notas fiscais e outros. Contribuinte na impugnação, consegue descaracterizar a presunção da fiscalização de que toda venda representa conjunto, uma vez que existem notas de vendas só de latas, só de tampas e de latas e tampas com quantidades bem diferentes. Por final, não há como negar que ocorrem vendas de conjuntos, fato que nem a empresa nega, como se constata em sua afirmação – “... não vende necessariamente o ‘conjunto completo de lata e tampa de alumínio”, porém não há nos autos como identificálos e quantificálos. Logo, não pode prosperar a exigência de IPI, por erro na classificação fiscal, pelos motivos apresentados, portanto; não merece reparo o voto da decisão de primeira instância. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, nego provimento ao recurso de ofício. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 529DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM
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Numero do processo: 11128.006426/2005-70
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 22/05/2001, 17/05/2002
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). MISTURA DE ÉSTERES GLICÍDICOS DERIVADOS DE ÁCIDO CARBOXÍLICOS, DENOMINADO COMERCIALMENTE “GLYDEXX N10”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO.
O produto químico denominado comercialmente “Glydexx N10”, identificado em laudo técnico como sendo uma “mistura de ésteres glicidílicos de ácido carboxílicos saturados e ramificados, com predominância do ácido com 10 Carbonos (ácido neodecanóico; ácido versático)”, classifica-se no código NCM 3824.90.29.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FALTA DE PRÉVIO CRITÉRIO JURÍDICO INTRODUZIDO POR ATO DE OFÍCIO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura dos presentes autos de infração.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. APLICABILIDADE.
O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM subsume-se a hipótese fática da infração por erro de classificação fiscal, prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria.
MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. INEXISTÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ. DESCARACTERIZADA. INAPLICABILIDADE.
A classificação tarifária errônea do produto na NCM não constitui infração punível com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do importador (ADN Cosit nº 10, de 1997).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a exigência da multa por falta de LI e das multas de ofício de 75% (setenta cinco por cento). Vencido o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, que mantinha a multa de 75%, relativamente aos fatos geradores posteriores à vigência da Medida Provisória nº 2.158-35.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/05/2001, 17/05/2002 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). MISTURA DE ÉSTERES GLICÍDICOS DERIVADOS DE ÁCIDO CARBOXÍLICOS, DENOMINADO COMERCIALMENTE “GLYDEXX N10”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto químico denominado comercialmente “Glydexx N10”, identificado em laudo técnico como sendo uma “mistura de ésteres glicidílicos de ácido carboxílicos saturados e ramificados, com predominância do ácido com 10 Carbonos (ácido neodecanóico; ácido versático)”, classificase no código NCM 3824.90.29. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FALTA DE PRÉVIO CRITÉRIO JURÍDICO INTRODUZIDO POR ATO DE OFÍCIO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura dos presentes autos de infração. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 MULTA POR CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM subsumese a hipótese fática da infração por erro de classificação fiscal, prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. INEXISTÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ. DESCARACTERIZADA. INAPLICABILIDADE. A classificação tarifária errônea do produto na NCM não constitui infração punível com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do importador (ADN Cosit nº 10, de 1997). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a exigência da multa por falta de LI e das multas de ofício de 75% (setenta cinco por cento). Vencido o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, que mantinha a multa de 75%, relativamente aos fatos geradores posteriores à vigência da Medida Provisória nº 2.15835. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 05/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1732.752, de 18 de junho de 2009 (fls. 95/104), proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II/SP (DRJ/SPOII), em que, por maioria de votos, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Fl. 174DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 310200.952 S3C1T2 Fl. 149 3 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/05/2001, 17/05/2002 Classificação fiscal do produto Glydexx N10. O produto importado, denominado comercialmente como Glydexx N10, identificado por Laudo de Análise como sendo Mistura de Reação constituída de Ésteres Glicidílicos de Ácido Carboxílicos Saturados e Ramificados, com predominância do Ácido com 10 Carbonos (Ácido Neodecanóico; Ácido Versático), um Outro Derivado de Ácido Carboxilico, um Produto Diverso das Indústrias Químicas, encontra correta classificação tarifária na NCM/SH 3824.90.29. Lançamento Procedente Por bem descrever os fatos que motivaram o presente Recurso, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de Auto de Infração, lavrado em 23/09/2005, para a cobrança do imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multas de oficio pela falta de pagamento dos impostos, multa do controle administrativo por falta de licenciamento de importação, multa proporcional ao valor aduaneiro em decorrência da classificação incorreta na NCM/SH e juros moratórias, tendo em vista a desclassificação fisca1 da mercadoria importada. Através das DIs Declarações de Importação n° 01/05106237, registrada em 22/05/2001, e 02/04428062, registrada em 17/05/2002, o contribuinte importou o produto descrito como "Éster Glicídico derivado de ácido carboxílico com 10 átomos de carbono Glydexx N10", adotando o código tarifário NCM 3824.90.27, com alíquota do II de 4,5% e do IPI de 10%. Em ato de conferência física foram retiradas amostras do produto para pedido de exame e, posteriormente, foram emitidos os Laudos Periciais no. 2092.01 de 27/08/2001 (referente à DI no. 01/05106237) e 1525.01 de 31/07/2002 (referente à DI no. 02/04428062) pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami. Os Laudos Periciais concluíram que a mercadoria se tratava de "Mistura de Reação constituída de Ésteres Glicidílicos de Ácido Carboxílicos Saturados e Ramificados, com predominância do Ácido com 10 Carbonos (Ácido Neodecanóico; Ácido Versático), um Outro Derivado de Ácido Carboxílico, um Produto Diverso das Indústrias Químicas". A fiscalização entendeu que a mercadoria importada deve ser classificada no código tarifário NCM 3824.90.29. Assim sendo, Fl. 175DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 em face da descrição inexata da mercadoria e a desclassificação tarifária da mesma, lavrou os presentes Autos de Infração. A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 09/01/2006 (fl. 52 frente e verso), apresentou tempestivamente a Impugnação em 08/02/2006 (folha 55 , e seguintes), onde alega em síntese que: em relação à classificação fiscal do produto entende aplicável ao caso em tela a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado No. 3, segundo a qual a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica; o produto Glydexx N10 é um éster produzido da reação entre uma mistura de isômeros do ácido neodecanóico com o álcool glicidílico, tratantose, portanto, um éster de ácido monocarboxílico acíclico saturado de dez carbonos (C1O); as misturas de isômeros podem ser consideradas produtos puros, como indicado nas considerações gerais da NESH. No item 5A das Notas de Capítulo da NESH, fica claro que os ésteres de produto do mesmo capítulo, subcapítulos de I a VII devem ser classificados na mesma posição do composto situado em último lugar, na ordem numérica. Assim, no caso do Glydexx N10 isso corresponde ao item que descreve o ácido neo decanóico; as notas explicativos da posição 2915 da NESH confirmam esta interpretação ao indicar que estão ali inclusos os ésteres dos ácidos monocarboxílicos acíclicos saturados; recentes análises por cromotografia gasosa informam que a concentração de isômeros de C10 é maior que 90%; como não há subitem específico que descreva o ácido neo decanóico na TEC, a posição mais correta deve ser 2915.90.90; entende que está demonstrado que a posição tarifária adotada pela fiscalização não está correta; alega que também não procede a imposição de multa do controle administrativo, uma vez que o produto foi suficientemente descrito; requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração lavrado. É o Relatório. Passo a decidir Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 107v), em 21/07/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 109/128, protocolado em 17/08/2009 (fl. 109), reapresentando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e acrescentando, em síntese, as seguintes alegações: a) a decisão recorrida seria nula, por evidente cerceamento do direito de defesa e violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material, uma vez que não foi a realizado o teste de cromatografia gasosa, para aferir a concentração de isômeros no produto Fl. 176DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 310200.952 S3C1T2 Fl. 150 5 em questão, prova pericial indispensável para afastar a classificação fiscal por ela defendida; b) requereu a conversão do julgamento em diligência para que fossem aditados os Laudos Periciais colacionados aos autos, para fim de análise do percentual de isômeros contidos na fórmula do produto em questão; c) a reclassificação fiscal, após o despacho aduaneiro, implicava mudança de critério jurídico e violação aos arts. 145, 146 e 149 do CTN, por esse motivo era indevido o crédito tributário lançado; d) o produto somente poderia ser classificado no Capítulo 38, caso possuísse menos de 90% de um determinado isômero, o que não foi levado em consideração pela prova técnica realizada. Tal fato impediu que a Turma de Julgamento de primeiro grau confirmasse que a classificação fiscal no código NCM 2915.90.90, por ela defendida, não estava correta; e) ainda que se entendesse que a mercadoria importada não poderia ser enquadrada na posição apontada pela Recorrente, tal fato não constituiria qualquer infração à legislação tributária, sendo insubsistentes os fundamentos do acórdão recorrido em relação à aplicação das multas de oficio e administrativa ao controle das importações; f) não praticou o tipo previsto no art. 526, II, “a” do Regulamento Aduaneiro, uma vez que a mercadoria não estava desacompanhada de guia/declaração de importação, mas sim de uma suposta declaração inexata, o que afasta a aplicação da multa de 30% do controle administrativo, tendo em conta o entendimento exarado no Ato Declaratário (Normativo) COSIT nº. 12, de 1997; g) não havia fundamento jurídico para a aplicação das multas de ofício sobre os valores do II e do IPI devidos, pois o produto importado fora corretamente descrito e identificado nas respectivas DI, atendendo as condições exigidas no Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 10, de 1997; e h) a multa por erro de classificação fiscal era indevida, pois o produto fora suficientemente descrito na DI. No final, a Autuada pleiteou o seguinte: a) anulação da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa; b) caso não admitida a preliminar, fosse dado provimento ao presente Recurso, para que fosse reformado o Acórdão recorrido e cancelado o crédito tributário lançado, haja vista a impossibilidade de revisão despacho aduaneiro por erro de direito; e c) caso mantido o lançamento fiscal em relação ao suposto enquadramento fiscal errôneo da mercadoria importada, que fosse canceladas as penalidades aplicadas, face a não subsunção dos fatos às normas sancionadoras. Em cumprimento ao despacho de fl. 147, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de julho de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 6 É o relatório. Voto O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. I – DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO No presente Recurso, alegou a Autuada nulidade do Acórdão recorrido, com base no argumento de que houve evidente cerceamento do direito de defesa e violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material, pois não foi a realizado o teste de cromatografia gasosa, para aferir a concentração de isômeros no produto em questão, prova pericial indispensável para a verificação do correto enquadramento do mencionado produto químico na posição específica demonstrada pela Recorrente (código NCM 2915.90.90). Não procede a alegação da Recorrente. No âmbito processual e, em especial, no processo administrativo fiscal, a prova tem por finalidade o convencimento do julgador acerca dos fatos controvertidos submetidos a julgamento. Portanto, é autoridade julgadora a destinatária por excelência da prova produzida nos autos. No que tange a prova pericial, é sabido que ela destinase ao esclarecimento de questão de natureza técnica relevante para a atividade de julgamento. Tal prova somente é realizada quando há necessidade de elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados. Não se deve olvidar que o art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal federal (PAF), com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, faculta a autoridade julgadora de primeira instância determinar a realização de perícia somente quando entendêla necessária. No mesmo sentido, dispõe o art. 29 do PAF que a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências ou perícias que entender necessárias. No presente caso, tendo em conta que a Fiscalizada não formulou pedido perícia perante a autoridade de julgadora de primeiro, esta no uso das suas prerrogativas, presumivelmente convencida de que as provas coligidas aos autos eram suficientes para o julgamento da controvérsia, não determinou a realização da prova pericial reclamada pela Recorrente. Dessa forma, penso que o Acórdão recorrido foi proferido com estrita observância dos procedimentos legais que regem o processo administrativo fiscal, logo, sem fundamento o alegado cerceamento do direito de defesa. Também pelas razões entendo que não houve qualquer violação aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 310200.952 S3C1T2 Fl. 151 7 Do pedido de diligência solicitado. No presente Recurso, requereu Autuada a conversão do julgamento em diligência para fim de análise do percentual de isômeros contidos na fórmula do produto em questão e, em decorrência, aditados os Laudos Periciais colacionados aos autos. De acordo com inciso IV do art. 16 do PAF, os pedidos de diligências ou perícias que sujeito passivo pretendam sejam efetuadas devem ser formuladas na fase de impugnação, precluindo o direito de formulálas em outro momento processual. Na fase recursal, em consonância com o disposto no art. 29 do PAF, somente se entender necessária, a autoridade julgadora poderá determinar realização de diligência. No presente caso, considero desnecessária a realização da diligência pleiteado. Entendo que os esclarecimentos pretendidos pela Recorrente nada acrescentariam às conclusões que constam dos Laudos Técnicos colacionados autos, os quais, cabe destacar, foram elaborados por entidade credenciada e portadora de notória competência técnica na matéria. Dessa forma, proponho o indeferimento da diligência solicitada, por considerála prescindível para a solução da presente controvérsia, posto que os elementos probatórios acostados aos autos são suficientes para este julgador firmar seu convencimento a respeito da matéria fática, concernente a identificação do produto químico em questão. II DO MÉRITO Em relação ao mérito, alegou a Recorrente, em síntese o seguinte: a) impossibilidade de revisão do despacho aduaneiro, em razão da mudança do critério jurídico de classificação das mercadorias; b) era incorreta a classificação fiscal atribuída ao produto pela Fiscalização; e c) inaplicabilidade das penalidades pelo indevido enquadramento tarifário, posto que não ficou caracterizada qualquer infração, haja vista que produto importado fora devidamente descrito e identificado pela Recorrente nas respectivas DI. II.1 Da Mudança de Critério Jurídico: Prejudicial de Mérito. Alegou a Autuada que a concordância do Fisco, no momento do desembaraço aduaneiro, com a classificação fiscal informada na DI, por força do art. 146 do CTN, estaria impossibilitado de posteriormente adotar um outro critério jurídico, com vista a alteração do enquadramento tarifário do produto na NCM. Tratase de novo argumento de defesa não suscitado na fase impugnatória, portanto, sem que tenha sido apreciado pela autoridade julgadora de primeira instância. Assim, tratandose de um novo fundamento de defesa, portanto, não aduzido na fase de impugnação, em princípio ele não poderia ser conhecido nesta fase de julgamento, em face da preclusão estabelecida no art. 17 do PAF. Porém, por se tratar de matéria de ordem pública, insuscetível de preclusão consumativa, não me negarei conhecêla nesta fase de julgamento. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 8 Previamente, a análise do argumento trazido pela Recorrente, é oportuno fazer uma rápida digressão acerca do instituto da mudança de critério jurídico, denominado pela doutrina de princípio da proteção da confiança. No âmbito tributário, o citado princípio encontrase previsto no art. 146 do CTN. Sendo assim, recomenda a boa doutrina que o primeiro passo para a sua adequada compreensão consiste em abordálo tendo em conta o conteúdo veiculado no citado preceito legal. Seguindo essa diretriz, passo a transcrevêlo: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) Transparece com clareza que a modificação critério jurídico em apreço está relacionado a prévio ato de lançamento tributário da alçada autoridade administrativa, portanto, tratase de lançamento de ofício, evidentemente. Além dessa condição essencial, a alteração do critério jurídico anterior deva ser efetivada por meio de ato de autoridade administrativa (ato de ofício) ou de decisão administrativa ou judicial (ato de jurisdição), e que tanto um quanto o outro refiramse a um mesmo sujeito passivo da relação jurídico tributária. Em suma, três são condições que deverão ser atendidas para que haja a configuração da mudança do critério jurídico, no âmbito do lançamento tributário, a saber: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo. No caso presente, tenho que não se verificou nenhuma das condições, pois, a primeira delas, somente veio acontecer com a realização dos presentes lançamentos, mediante manifestação expressa da autoridade fiscal acerca do correto enquadramento tarifário dos produtos na NCM. Até então, a classificação fiscal e, por conseguinte, o critério jurídico adotado para estabelecêla foram, exclusivamente, da iniciativa da Autuada, ora Recorrente. Não é demais lembrar que, nos termos do § 1º do art. 27 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), o procedimento de classificação fiscal de mercadoria se divide em duas fases distintas, a saber: a) a fase de identificação física, com a especificação de todos os aspectos técnicos relevantes para o enquadramento do produto nos código da NCM (fase técnica); e b) a fase de enquadramento do produto nos códigos da NCM, realizada em consonância com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH) e a Regra Geral Complementar (RGC1), vigentes data da ocorrência dos fatos geradores, com subsídio nos esclarecimentos contidos nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) (fase jurídica). Fl. 180DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 310200.952 S3C1T2 Fl. 152 9 Nesse diapasão, cabe esclarecer que antes da conclusão do despacho aduaneiro, mediante ciência ao contribuinte do resultado do procedimento revisão aduaneira, o critério jurídico utilizado para a classificação fiscal do produto é aquele adotado pelo próprio importador, pois, como é de sabença, é da incumbência do Importador a elaboração da Declaração de Importação (DI) e, consequentemente, a responsabilidade pelo conteúdo das informações nela inseridas, incluindo, as atinentes à identificação e classificação fiscal da mercadoria. Assim, somente após a homologação expressa, pela autoridade fiscal, do procedimento consubstanciado no despacho aduaneiro, é que se poderá falar em critério jurídico adotado pela Fiscalização. O simples ato de desembaraço aduaneiro, que consiste na liberação da mercadoria, encerrando a fase de conferência aduaneira, por óbvio, não tem a mesma natureza jurídica do ato de homologação expressa realizada no âmbito do lançamento por homologação (art. 150 do CTN). Com efeito, até a conclusão da fase de conferência aduaneira, com o ato de desembaraço aduaneiro, a atividade de classificação fiscal, valoração aduaneira, apuração e recolhimento dos tributos devidos etc, foram todos eles realizados pelo importador, atividade exercida anteriormente ao início do despacho aduaneiro, portanto, sem qualquer participação da Fiscalização aduaneira. Além disso, ainda que na fase de conferência aduaneira, a autoridade fiscal tenha poderes para alterar as informações prestadas pelo importador, em raríssimas oportunidades ela expressamente homologa a classificação fiscal adotada pelo importador. Na grande maioria das vezes, em face das peculiaridades do procedimento, que exige rapidez na liberação da mercadoria, sequer a autoridade fiscal toma conhecimento do desembaraço aduaneiro, podendo ocorrer até o desembaraço automático, sem a interveniência da autoridade fiscal. Na prática, esta situação passou a ser a regra, a partir da implantação do Siscomex importação, em 01/01/1997, quando, em conformidade com disposto no art. 504 do RA/2002, a conferência aduaneira passou a ser realizada por amostragem (art. 508 do RA/2002), mediante a seleção da DI para um dos seguintes canais: verde, amarelo, vermelho e cinza. É cediço que, dependendo do tipo de canal de seleção, é totalmente ausente a participação da autoridade fiscal na fase de conferência aduaneira. Neste sentido, dispõe o art. 201 da Instrução Normativa SRF 206, de 25 de setembro de 2002. 1 "Art. 20. Após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira: (Revogado pela IN SRF nº 680, de 0 2/10/ 2006) I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; III vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e IV cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido nos arts. 65 a 69". Fl. 181DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 10 Nessas circunstâncias, querer equipara o ato de desembaraço aduaneiro ao ato de homologação expressa da atividade de lançamento, pareceme um sem sentido (um nonsense). Na verdade, somente quando a autoridade fiscal se pronuncia de modo expresso sobre a classificação fiscal adotada pelo importador, no meu entendimento, estará configurada a fixação de um critério jurídico da Administração tributária, o que, regra geral, concretizase com o ato de revisão aduaneira. Sem tal manifestação, enquanto não precluso o direito de o Fisco realizar o lançamento, mediante procedimento de revisão aduaneira, definido pelo art. 542 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, a autoridade fiscal poderá rever a classificação fiscal adotada pelo importador e, se apurada diferença de crédito tributário a maior, deverá proceder ao lançamento de eventual diferença de crédito tributário apurada, com supedâneo nos incisos I, IV, V e VIII do art. 149 do CTN, conforme o caso. Como não há notícias nos autos de que houve prévio lançamento de ofício ou homologação expressa da atividade de lançamento, relativamente aos despachos aduaneiros objeto da presente autuação, fica cabalmente demonstrada a improcedência da alegação de que houve mudança de critério jurídico no caso em tela. Ao contrário. Consta da Descrição dos Fatos que integra o presente Auto de Infração (fl. 03), que Autoridade Fiscal, ainda na fase de conferência física, portanto, previamente ao desembaraço aduaneiro, retirou amostra do produto, para ser submetida à identificação do Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (Labana). Na pendência do resultado, mediante Termo de Responsabilidade consignado nas respectivas DI (fls. 23 e 36/37), a Autuada deixou expresso que estava ciente de que a homologação do lançamento somente se consumaria após a conclusão dos trabalhos de auditoria, assumindo ainda a responsabilidade pelo recolhimento de eventual tributos e multas que fossem afinal apurados. Dessa forma, fica cabalmente demonstrado que não houve homologação expressa da atividade de lançamento realizada pela Importadora, nem tampouco concordância com o critério de classificação do produto por ela adotado na DI. Na verdade, contrariando o alegado pela Recorrente, em nenhuma fase do despacho aduaneiro a Autoridade Fiscal manifestou a sua concordância com o critério de classificação fiscal adotado pelo Importadora. Os documentos colacionadas aos autos, como já mencionado, demonstram exatamente o contrário. Com tais considerações, tenho por improcedente a alegação de que houve mudança de critério jurídico no caso vertente. II.2 Da Classificação Fiscal do Produto de Nome Comercial “Glydexx N10”. Nos presentes autos, é incontroverso que o código tarifário 3824.90.27 da NCM, atribuído ao produto nas respectivas DI, era incorreto, conforme expressamente reconhece a Recorrente. 2 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 182DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 310200.952 S3C1T2 Fl. 153 11 O ponto fulcral da presente controvérsia diz respeito ao correto código tarifário em que se enquadra o produto em destaque, ou seja, no código NCM 2915.90.90, defendido pela Recorrente, ou NCM 3824.90,29, determinado pela Fiscalização. Segundo a Recorrente, o produto em destaque somente poderia ser classificado no Capítulo 38 da NCM, caso possuísse menos de 90% de um determinado isômero, fato que não foi levado em consideração pela prova técnica realizada. Neste sentido, alegou que, em função da concentração de isômeros e tendo conta o disposto na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH) nº 3 “a”, o citado produto poderia ser classificado no código NCM 2915.90.90, por ser mais específico. Por outro lado, com base nas conclusões apresentadas nos Laudos de Análise de fls. 28/29 e 41/42, a Fiscalização enquadrou do referido produto no código 3824.90.29 da NCM, sob o argumento de que ele seria uma “Mistura de Reação constituída de Ésteres Glicidílicos de Ácido Carboxílicos Saturados e Ramificados, com predominância do Ácido com 10 Carbonos (Ácido Neodecanóico; Ácido Versático), na forma líquida”. Por sua vez, a Turma de Julgamento de primeiro grau decidiu que o enquadramento correto do produto era no código NCM 3824.90.29, atribuído pela Fiscalização. No que tange a identificação do produto, por falta de qualquer outro elemento probatória que infirmem as conclusões constantes dos Laudos Técnicos oficiais colacionados aos autos, com suporte no caput do art. 30 do PAF, tenho que o que produto em tela tratase de uma de uma mistura de ésteres glicidílicos de ácido carboxílicos saturados e ramificados. Por outro lado, penso que as alegações da Recorrente, relacionadas com a concentração de isômeros, por não estar amparada em qualquer publicação de natureza técnica ou científica, não tem qualquer relevância com vista à identificação do produto em destaque. Assim, superada a questão de natureza técnica. Passo a analisar o aspecto jurídico da contenda, consistente no enquadramento do produto no código correto da NCM. Nesta etapa, utilizarei dos critérios de classificação contidos nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH) e na Regra Geral Complementar (RGC1) da NCM, e ainda, se necessário, nos esclarecimentos apresentados nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). No que tange ao aspecto jurídico da classificação, a RGISH nº 1 traça o caminho geral a ser seguido, ao dispor que para efeitos legais ou jurídicos, “a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes”. Assim, de acordo com o teor da RGISH nº 1, o primeiro critério para enquadramento do produto em um dos códigos da NCM tem por base o texto das posições e das notas de seção e de capítulo. O recurso aos critérios de classificação estabelecidos nas demais Regras Gerais Interpretativas somente será utilizado em caráter subsidiário e desde que não sejam contrários aos textos das referidas posições e notas, deixando claro que os dizeres das posições e das notas de seção ou de capítulo prevalecem, para fim de determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 12 Tendo em conta o asseverado, passo a analisar os textos das posições 2915 e 3824, bem como dos respectivos desdobramentos, até os códigos da NCM 2915.90.90 e 3824.90.29, respectivamente defendidos pela Recorrente e pela Fiscalização, que seguem transcritos: 29.15 ÁCIDOS MONOCARBOXÍLICOS ACÍCLICOS SATURADOS E SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. 2915.90 Outros 2915.90.90 Outros 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES. 3824.90 Outros 3824.90.2 Derivados de ácidos graxos (gordos*) industriais; preparações contendo álcoois graxos (gordos*) ou ácidos carboxílicos ou derivados destes produtos 3824.90.29 Outros De acordo com Nota 1 “a”3 do Capítulo 29 da NCM, as posições deste Capítulo apenas compreendem os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente. Segundo os citados Laudos Técnicos oficiais, o produto em destaque não seria um “composto de constituição química definida”. Logo, com base na RGISH nº 1 e tendo em conta o teor da mencionada Nota, tenho que o produto em tela não integra o Capítulo 29 e, por conseguinte, o código 2915.90.90 da NCM. Por falta de posição mais específica do Capítulo 38, chego a conclusão que o citado produto melhor se enquadra na posição 38.24 da NCM. No âmbito dessa posição, por falta de subposição mais específica, o mencionado produto incluise na subposição 3824.90. Tratandose de uma mistura de ésteres glicídicos derivados de ácidos carboxílicos, o texto do item 3824.90.2 contém a melhor descrição para o produto. Por fim, na ausência de subitem específico, o citado produto enquadrase no código NCM 3824.90.29 Outros. Dessa forma, com base nas RGISH nº 1, combinado com disposto na Nota 1 “a” do Capítulo 29 da NCM, tenho que o produto em destaque, na falta de código específico, 3 "1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; (...)". Fl. 184DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 310200.952 S3C1T2 Fl. 154 13 classificase no código 3824.90.29 da NCM, que corresponde ao mesmo código atribuído pela Fiscalização. II.3 Das Multas Aplicadas Em relação às multas aplicadas, alegou a Recorrente que, ainda que fosse considerada errônea a classificação fiscal por ela defendida, as multas aplicadas não seriam devidas, pois não havia motivos para aplicação de tais penalidades, porque agiu sem dolo ou máfé, uma vez que descrevera corretamente o produto na citada DI. Aduziu ainda que tal procedimento estava em sintonia com o entendimento exarado nos Atos Declaratórios Normativos (ADN) Cosit nº10, de 16 de janeiro de 1997, e nº 12, de 21 de janeiro de 1997. Da multa por falta de licenciamento. Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa que sanciona a infração administrativa ao controle das importações consistente na falta de Licença de Importação (LI), documento substituto da Guia de Importação (GI), encontrase prevista na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, a seguir transcrita: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) (grifos não originais). Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras passou a ser realizado no âmbito do referido Sistema, em que a GI foi substituída pela LI, passando este último a ser o novo documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º4 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Nas datas em que ocorreram as operações de importação objeto da presente autuação (22/05/2001 e 17/05/2002), a matéria estava disciplinada nos arts. 7º a 9º da Portaria Secex nº 21, de 1996, a seguir transcritos: 4 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" Fl. 185DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 14 Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. (...) Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. (grifos não originais) De acordo com o novo regime, as operações de importação passaram a ser submetidas a duas modalidades de licenciamento: o automático e o não automático. Na primeira modalidade era dispensada a emissão da LI e a anuência prévia dos Órgão intervenientes no comércio exterior, enquanto que na segunda, tanto a anuência prévia dos referidos Órgão como a emissão da LI eram sempre exigidas. Em suma, na vigência do referido regime de licenciamento, somente o produto sujeito a licenciamento não automático estava sujeito a controle administrativo e ao respectivo licenciamento. Analisando o item 002 da Descrição dos Fatos do Auto de Infração em apreço (fl. 04), verificase que não foi informado o tipo de licenciamento ou controle administrativo a que estava sujeito o produto identificado e reclassificado para o código NCM 3824.90.29, limitandose a autoridade fiscal em asseverar que o motivo da aplicação da presente penalidade decorrera da alteração da classificação fiscal, conjugado com a situação de o produto não ter sido corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários a identificação e ao enquadramento tarifário. Em outras palavras, segundo a Autoridade Fiscal, independentemente do tipo de licenciamento exigido, o erro no enquadramento tarifário, aliado a descrição incompleta do produto na DI, constituía motivo suficiente para a aplicação da presente penalidade. Discordo. No meu entendimento, apenas a operação de importação ou produto importado sujeito a licenciamento não automático, realizada sem amparo em LI, configura importação sem LI, conduta típica da infração sujeita a penalidade em apreço. Cabe ressaltar que na data do registro das referidas DI, a obrigatoriedade de emissão de LI somente existia para a operação ou produto sujeito a licenciamento não automático. Se o licenciamento fosse automático, era dispensada a emissão desse documento. Nessa circunstância, a materialização da infração por falta de LI seria impossível. Tendo em conta esse entendimento, compulsei o Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 1997, vigente na data da realização da operação de importação em tela, e constatei que o produto objeto da presente autuação estava sujeito a licenciamento automático, logo, a sua importação estava dispensada da emissão de LI. Com base nessa constatação, entendo que, no caso em tela, não houve a apontada infração administrativa ao controle das importações, caracterizada pela falta de LI, Fl. 186DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 310200.952 S3C1T2 Fl. 155 15 pois a permissão da importação do mencionado produto não dependia da emissão do citado documento. Dessa forma, fica cabalmente demonstrado que, no presente caso, a conduta praticada pela Importadora não se subsume à hipótese fática da infração em apreço. Portanto, indevida a aplicação da penalidade em destaque. Da multa por classificação fiscal incorreta. A previsão legal da penalidade em epígrafe está assim descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; (...) No presente caso, a própria Recorrente reconhece que houve erro de classificação fiscal do produto importado. Dessa forma, é de fácil ilação que a referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que o erro de classificação apontado no presente Auto de Infração subsumese perfeitamente a hipótese fática prevista no citado preceito legal. Por tais razões, considero procedente a aplicação da presente penalidade. Da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). No que concerne a aplicação da multa de ofício em epígrafe, alegou a Recorrente que não existiria fundamento jurídico para sua aplicação, pois o produto foi corretamente descrito na DI e não ficou comprovado dolo ou máfé da sua parte, estando o caso vertente, em conformidade com o entendimento exarado no item 15 do ADN Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. Assiste à Recorrente. As hipóteses de exclusão da multa de ofício, por classificação tarifária errônea (ou declaração inexata), estavam previstas no item 1 do ADN nº 5 O item 1 do referido ADN tem a seguinte redação: " O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34,de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (...)”. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 16 10, de 19976, e exigia o atendimento das seguintes condições: (i) que o produto estivesse corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e (ii) que não se constatasse, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Analisando a Adição 001 das citadas DI (fls. 21 e 33), tenho que a “Descrição Detalhada da Mercadoria” nelas consignadas atende plenamente a primeira condição, uma vez o citado produto, descrito como “ESTER GLICIDICO DERIVADO DE ACIDO CARBOXILICO COM 10 ÁTOMOS DE CARBONO GLAYDEXX N10”, apresenta todos os elementos necessários à identificação e ao enquadramento no novo código tarifário. Ademais, não ficou comprovado nos autos que tenha havido intuito doloso ou máfé da Importadora. Além disso, comparando a descrição do produto nas citadas DI com aquela consignada nos citados Laudos Técnicos, observase que não houve discrepância alguma na identificação do produto em questão. Dessa forma, fica demonstrado que foram perfeitamente atendidas as condições estabelecidas no ADN nº 10, de 1997, portanto, indevida a aplicação da presente penalidade. III DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para excluir a exigência da multa por falta de LI e das multas de ofício de 75% (setenta cinco por cento). (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 6 Revogado em 11/09/2002, por intermédio do Ato Declaratório Interpretativo do Secretário da Receita Federal (ADI SRF) nº 13, de 10.09.2002. Fl. 188DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11128.001986/2002-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 31/07/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto o argumento de indicação de duas posições tarifárias, em verdade, não chegou a configurar problema para uma defesa efetiva por parte da recorrente. Além disso, a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo
chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeu-se muito bem das imputações.
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto.
LUPRANATE M 20 S.
Consoante informações do laudo do LABANA, da folha de dados de
segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89.
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÕES.
GUIA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO.
PENALIDADE.
Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos
e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, “b”, do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Aplica-se a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de ser legítima a taxa SELIC a partir de 1º de abril de 1995.
Numero da decisão: 3101-000.632
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa por falta de Licença de Importação, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, relator, e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Tarásio Campelo Borges para
redigir o voto vencedor.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto o argumento de indicação de duas posições tarifárias, em verdade, não chegou a configurar problema para uma defesa efetiva por parte da recorrente. Além disso, a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeuse muito bem das imputações. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. LUPRANATE M 20 S. Consoante informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco 3824.90.89. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÕES. GUIA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Guia e licenciamento de importação, documentos nãocontemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 169, I, “b”, do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplicase a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de ser legítima a taxa SELIC a partir de 1º de abril de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa por falta de Licença de Importação, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, relator, e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Tarásio Campelo Borges para redigir o voto vencedor. Henrique Pinheiro Torres Presidente Corintho Oliveira Machado Relator Tarásio Campelo Borges Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 16/04/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação, Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de multa proporcional e multa de controle administrativo, no valor de R$74.300,59, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro,através da Declaração de Importação nº 02/0023762 9, de 10/01/2002, o produto LUPRANATE M 20S, com classificação fiscal na posição NCM 2929.10.90, sofrendo a incidência das alíquotas de Imposto de Importação 3,5% e Imposto de Produtos Industrializados 0% A Declaração de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 275 3 Importação foi parametrizada para o CANAL VERDE do Siscomex, sendo desembaraçada automaticamente; Em 11 de janeiro de 2002, foi determinado que a referida Declaração de Importação fosse submetida a conferência física, conforme o artigo 36 da Instrução Normativa No. 69/96; A mercadoria foi submetida à conferência física com solicitação de Laudo Técnico do LABANA, através do pedido de exame LAB 102/GRAUFE; Com o resultado dos laudos de assistência técnica No. 0160.01 e No. 0160.02, acompanhado do aditamento No. 0370.01, foi constatado que a mercadoria efetivamente importada se tratava de MISTURA DE REAÇÃO À BASE DE ISOCIANATOS AROMÁTICOS, contendo 4,4 – DIISOCIANATO DE DIFENILMETANO; A fiscalização transcreveu as notas do Capítulo 29 da Tarifa Externa Comum e as Normas Explicativas do Sistema Harmonizado também do Capítulo 29, para descaracterizar a classificação fiscal do produto neste capítulo; A fiscalização, apoiada no laudo de assistência técnica e na literatura técnica, decompôs as principais propriedades do produto; Utilizando a Regra Geral do Sistema Harmonizado No. 1. em consonância com as notas do Capítulo 38 da Tarifa Externa Comum, entendeuse que este capítulo é o remanescente, não sendo o produto excluído pelas notas deste capítulo; De modo complementar, ao se valer da Regra Geral do Sistema Harmonizado No 6, a fiscalização elege a posição NCM 3824 como a adequada para a classificação fiscal do produto LUPRANATE M 20S, por ser produto à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições; Por fim, a fiscalização conclui o auto de infração elegendo como classificação fiscal adequada para o produto LUPRANATE M 20S a posição NCM 3824.90.89; Também é imposta multa por importação desampara de guia de importação ou documento equivalente, capitulada no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro Decreto 91.030/85, conduta consubstanciada pela não observância do Ato Declaratório Cosit No. 12/97; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento do Imposto de Importação, Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de multa proporcional e multa de controle administrativo, no valor de R$ 74.300,59 Cientificado do auto de infração, pessoalmente,, em 23/04/2002 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, por intermédio de seus advogados (procuração fls. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 42 protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 30/04/2002, de fls. 77 à 92, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: A impugnante aponta impropriedade na formulação do auto de infração por parte da fiscalização ao eleger como classificação fiscal correta para o produto LUPRANATE M 20S duas posições distintas; O auto de infração estaria maculado pela contradição, sendo nulo por vício de forma; Parecer Técnico No. 7071 do Instituto de Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT atesta que o produto LUPRANAT M20 S, nome comercial LUPRANOL tem classificação tarifária na posição NCM 2929.10.90, correspondente a “outros isocianatos”; Invoca a Regra Geral do Sistema Harmonizado No. 3 para evidenciar que a posição mais específica deve prevalecer sobre a mais genérica; Ante o disposto no Ato Declaratório COSIT 10/97, a multa do Imposto de Importação é incabível; A multa de controle administrativo também é inoportuna pois a impugnante não importou produto diverso do declarado; A aplicação da multa do Imposto de Produtos Industrializados não encontra respaldo legal no art. 80 da Lei 4.502/64; Enquanto discutível a questão através de Processo Administrativo Fiscal, incabível a exigência de juros moratórios; Estando a mercadoria em classificação fiscal correta, incabível a imposição da multa aplicada com base no artigo 84 da Medida Provisória 2.15835: A aplicação da Taxa Selic é inconstitucional; Em consonância com o artigo 16 do Decreto 70.235/72, elabora um rol de 14 quesitos para serem respondidos por peritos; Pugna a insubsistência do Auto de Infração. Em 18 de julho de 2007, foram juntadas considerações adicionais da autuada sobre a questão. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente o lançamento, vazando a ementa nos termos que seguem: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 24/07/2001 O produto LUPRANATE M 20 S, foi importado e classificado na posição NCM 2929.10.90, tida como incorreta pela fiscalização. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 276 5 O código utilizado pela Fiscalização, ou seja, o 3824.90.89 encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 146 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação, aduz que houve cerceamento do direito de defesa (em virtude de a DRJ não acatar o pedido de perícia) e requer provimento do apelo. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 224. Posteriormente é juntada documentação e requerimento da recorrente para ser intimada em novo endereço informado à RFB, fls. 262 a 273. Relatados, passo ao voto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preambularmente, a recorrente declina seu novo endereço, fl. 228, que diz ter informado à RFB e deve ser observado para fins de intimação dos atos desse processo. Há duas preliminares ao mérito nulidade do auto de infração (por suposta indicação de duas posições tarifárias, o que haveria dificultado a boa defesa da recorrente) e nulidade da decisão a quo (em virtude de a DRJ não acatar o pedido de perícia) e vários argumentos contrários à classificação fiscal levada a efeito pelo Fisco e em face da aplicação das multas. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeiro plano, cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto a menção à posição tarifária 3824.90.32, no início do relato fiscal, tratase de erro material, como bem apontou a recorrente, em seu arrazoado, sendo que posteriormente sempre foi apontado o código 3824.90.89 como o correto, e portanto não pode prosperar neste expediente a preliminar invocada de indicação de duas posições tarifárias. Releva dizer também que a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeuse muito bem das imputações, o que prova haver compreendido perfeitamente do que está sendo acusada. O que de fato ocorreu foi um erro material, que a decisão de primeiro grau bem enfrentou: Há que se diga que, logo no começo do auto de infração, a fiscalização cita a posição NCM 3824.90.32 como sendo a classificação fiscal correta do produto LUPRANATE M 20 S. Todavia, ao longo do corpo do auto de infração, a fiscalização montou um raciocínio lógico para indicar de modo substanciado suas conclusões no sentido de que a classificação fiscal correta do produto LUPRANATE M 20 S seria a posição NCM 3824.90.89. É evidente que a citação da posição se deu por mero descuido. Todos os argumentos usados pela fiscalização no desenrolar da formulação do auto de infração apontam para a posição NCM 3824.90.89, o que de modo algum atenta contra o princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o objeto da ação fiscal entendida aqui como a linha de argumentação que levou a desclassificação fiscal do produto LUPRANATE M 20 S para a posição NCM 3824.90.89 é preciso e determinado. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, fl. 139, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 277 7 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Quanto ao mérito do contencioso, peço licença para trazer à colação excerto do acórdão nº 310100.260, desta Turma, deliberado em 19 de outubro de 2009, cuja matéria é idêntica a deste contencioso, inclusive sendo o mesmo produto importado pela mesma recorrente. Naquela oportunidade, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso somente para afastar a multa de oficio por ausência de Licença de importação: DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Quanto ao mérito, reputo da maior importância dizer que o laudo do LABANA merece toda a credibilidade neste contencioso, porquanto a amostra colhida foi, incontroversamente, do produto efetivamente importado, suas conclusões cingemse a dizer o que é e para que serve a mercadoria periciada, abstendose de classificar o produto, atribuição que não é própria do perito designado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e sim da recorrente e da auditoria fiscal. Demais disso, o documento traduzido como Folha de dados de segurança do material, fls. 35/36, nos dá informações importantes acerca da mercadoria importada, tais como os ingredientes do produto, fl. 36. E o Boletim técnico, fl. 34, apesar de não ter sido vertido para o português, é de um inglês de boa compreensão (notadamente no que tange à aplicação da mercadoria) complementa essas informações, fazendo com que tenhase um conjunto razoável de provas da constituição e aplicação do produto químico, sendo despicienda, portanto, a perícia solicitada previamente. A defesa da recorrente, quanto à classificação fiscal, em síntese, diz que o produto importado tratase de uma mistura de isômeros, e para comprovar isso traz laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, fls. 75 a 77, produzido unilateralmente, que além de concluir que o produto LUPRANAT M20S, é provavelmente uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, e ainda afirma que o produto deve ser classificado na posição 2929.10.90 da TEC. Num segundo momento, caso a classificação fiscal adotada pela recorrente não se sustente, aponta a IN SRF nº 509/2005, editada três anos após o fato gerador sub analisis, que aprovou alterações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, no que tange ao capítulo 39, introduzindo o poli(isocianato de fenil metileno) no rol das resinas amínicas: CAPÍTULO 39. Página 731. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 1). Novo terceiro parágrafo. Inserir o novo terceiro parágrafo seguinte : "O poli(isocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado "MDI em bruto" ou "MDI polimérico") apresentase na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 anilina e de formaldeído para constituir o poli(metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante prépolímero utilizado na fabricação de poliuretanos." Página 732. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 3). 1.Primeiro parágrafo. Nova última frase. Inserir a nova última frase seguinte : "Estes produtos são geralmente vendidos como um elemento de um sistema ou de sortido com vários componentes." 2.Novo segundo parágrafo. Inserir o novo segundo parágrafo seguinte : "Este grupo compreende também as misturas de poliuretano com diisocianato polifuncionais não reagido (por exemplo, o diisocianato de tolueno)." Página 733. Posição 39.11. Primeiro parágrafo. Novo item 4). Inserir o novo item 4) seguinte : "4)Os polímeros com grupos isocianatos não especificados nem compreendidos em outras posições, tais como : a)As policarbamidas à base de diisocianato de hexametileno (HDI), sintetizadas por reação do HDI com água, para produzir prépolímeros apresentando uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 3 e 4. Estes produtos entram na fabricação de tintas e de vernizes. b)Os poliisocianuratos à base de diisocianato de hexametileno (HDI), sintetizados por reação do HDI para produzir pré polímeros apresentando ligações isocianuratos entre as unidades monoméricas. Os prépolímeros têm uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 3 e 5. Estes produtos entram na fabricação de tintas e de vernizes." O item 4) atual tornase 5). (Grifouse). Com efeito, notase que a classificação fiscal do produto importado não é operação fácil de ser efetivada. A própria recorrente demonstra na sua peça recursiva que não está assim tão convicta da classificação ofertada originariamente, no capítulo 29 PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS e pelo princípio da eventualidade já acena com uma classificação fiscal no capítulo 39 PLÁSTICOS E SUAS OBRAS para elidir a classificação fiscal dada pelo Fisco, no capítulo 38 PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 278 9 De todo modo, como já assinalado no início deste item (DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL) louvome nas informações trazidas no laudo do LABANA, na Folha de dados de segurança do material e no Boletim técnico produzido pela BASF para chegar ao meu convencimento, no sentido de que, de fato, aqui se está diante de um produto à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco 3824.90.89. A decisão recorrida traz subsídios valiosos a respeito do tema: Embora a Nota 1 “b” do capítulo 29 permite que nele se classifique uma mistura de isômeros de um mesmo produto, tanto a literatura técnica quanto as informações técnicas exaradas pelo Labana analisam o produto como sendo composto de 42% de 4,4´MDI (o produto puro), 3% de isômeros de 4,4´MDI e 51,5% de produtos oligoméricos ou oligômeros. Segundo a Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1995, um oligômero é uma “molécula de um polímero que apresenta poucas unidades monoméricas (de peso molecular intermediário entre os monômeros e os polímeros)”. Portanto, os oligômeros nada mais são que polímeros de poucos monômeros, não se confundindo, pois, com isômeros, que são substâncias que têm a mesma fórmula molecular, ou seja, os mesmos átomos nas mesmas quantidades, mas estruturas diferentes (os átomos, embora sejam os mesmos em cada isômero, se estruturam de maneira diferente em cada um deles). Em suma, o produto é uma mistura de reação constituída 42% produto puro(4,4´MDI ou 4,4´Diisocianato de Difenilmetano), isômeros deste produto, na proporção 3% do composto, e 51,5% de oligômeros. Aliás, questionado sobre se o produto era de constituição química definida ou uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico, em caso idêntico Acórdão DRJ Nº 17780 de 2002, o INT simplesmente respondeu afirmando que o produto tinha a composição acima referida, omitindose de entrar no mérito da questão formulada. Considerando que a presença de isômeros do 4,4´MDI é de apenas 3%, conforme esclareceu o Relatório do INT, é inconcebível aceitar a tese do impugnante de que o produto é uma simples mistura de isômeros. Ainda que fosse alegado que a mercadoria seria uma mistura de isômeros do mesmo produto, contendo impurezas, tal tese também impossível de se sustentar, pois, a admitila como verdadeira, o produto se comporia em sua maior parte de impurezas, posto que o produto principal (4,4´ MDI) e seus isômeros somam apenas 45% do composto. Além do mais, ficou claro tanto no Relatório do INT quanto na Informação Técnica do Labana que o produto identificado pela análise como PMDI (o Diisocianato de Difenilmetano polimérico) e o MDI (o produto puro, monomérico) têm propriedades físicoquímicas e registro no C.A.S. diferentes, o que prova serem duas substâncias de natureza diversas. Em Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 outras palavras, os oligômeros identificados pela análise laboratorial, mudam a natureza físicoquímica do produto principal, razão por que não podem ser consideradas meras impurezas. Acresçase a tudo isto, o fato de que o Labana juntou laudo técnico de análise do produto puro, o 4,4´ Diisocianato de Difenilmetano, conforme fls. 37, de nome comercial LUPRANAT MS, classificável no capítulo 29, fabricado pela própria BASF, do que se depreende que o LUPRANAT MS e o LUPRANAT M20S são substâncias distintas, o primeiro, de constituição química definida e isolado e o segundo, uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. Em face das considerações acima, não encontra respaldo a tese defendida pelo impugnante de que a mercadoria importada de nome comercial LUPRANAT M20S se classifica no capítulo 29, devendo, portanto, dele ser excluído. O fato de se tratar de uma mistura de reação, ou seja, uma mistura não intencional de vários elementos resultantes da mesma operação de síntese não assegura o seu enquadramento tarifário no capítulo 29. Este admite algumas misturas que, no geral, estão definidas na sua nota nº 1, o que não é o caso da mercadoria em discussão. Notase que o atual contencioso conta com as mesmas peças que formaram naquele outro processo um conjunto razoável de provas da constituição e aplicação do produto químico, sendo despicienda, portanto, a perícia solicitada previamente: o laudo do LABANA, fls. 49/52, Folha de dados de segurança do material, fls. 54/55, e o Boletim técnico, fl. 53. Dessarte, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que não é especificado nem compreendido em posição especifica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco 3824.90.89. DA MULTA ADMINISTRATIVA Para a multa administrativa valem as mesmas observações apostas no voto do acórdão prefalado: DA MULTA ADMINISTRATIVA Quanto à multa administrativa por falta de licença de importação, notase que a recorrente não descreveu a mercadoria com todos os elementos que permitissem a perfeita identificação do produto, não sendo portanto o caso de aplicação do AD(N) COSIT nº 12/96. A recorrente apôs a seguinte descrição do produto: LUPRANAT M 20 S 4,4 DIFENILMETILDIISOCIANATO; QUALIDADE: INDUSTRIAL; ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO; FINALIDADE: UTILIZADO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA, CONSTRUÇÃO CIVIL, ETC. O laudo do LABANA assim caracterizou o produto: Mistura de reação à base de isocianatos aromáticos, contendo 4,4’ – diisocianato de difenilmetano, na forma líquida. Ainda diz que a mercadoria é utilizada principalmente na fabricação de espumas de poliuretano. Nessa moldura, ao meu sentir, a indigitada multa é exigível. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 279 11 DOS JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC Quanto aos juros de mora calculados pela taxa SELIC, estes correspondem àqueles previstos na legislação de regência. O artigo 161 do Código Tributário Nacional prevê: Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. No caso em questão, os juros foram lançados com base no disposto no artigo 61, parágrafo 3º da Lei nº 9.430/96, conforme demonstrativo anexo ao auto de infração. Assim, não houve desobediência ao CTN, pois este estabelece que os juros de mora serão cobrados à taxa de 1% ao mês no caso de a lei não estabelecer forma diferente, o que veio a ocorrer a partir de janeiro de 1995, quando a legislação que trata da matéria determinou a cobrança com base na taxa SELIC. E o Código Tributário Nacional só prevê a dispensa dos juros de mora na hipótese de pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito tributário, art. 161, § 2º: Art 161(...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por outro lado, o artigo 5º do Decretolei nº 1.736/79, é taxativo quando determina que: Art. 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Quanto à taxa SELIC, entendo aplicável a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Posto isso, REJEITO AS PRELIMINARES, e no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Corintho Oliveira Machado Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Voto Vencedor Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Redator Designado Peço vênia ao eminente relator para discordar de suas conclusões no enfrentamento da multa do controle administrativo das importações, fundamentada no artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro de 2002 [1], cuja base legal é o Decreto lei 37, de 1966, artigo 169, I, “b”, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978 [2]. A aplicação dessa penalidade está ancorada em dois motivos: a) mercadoria considerada importada sem licenciamento, em face de sua incorreta classificação, motivou a cominação de pena cujo fato típico consignado no Decretolei 37, de 1966, é falta de guia de importação ou documento equivalente; b) entende o autuante que guia e licenciamento de importação são documentos equivalentes. Logo, fazse necessário, em primeiro lugar, identificar a natureza da guia e a do licenciamento de importação. Reportandonos à segunda metade da década de 50 do século XX, é fácil constatar que a guia de importação foi instituída “para fins de levantamento da estatística de importação do comércio exterior” [3], nos termos do § 3º do artigo 38 da Lei 3.244, de 14 de agosto de 1957, regulamentado pelo Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, posteriormente revogado por Decreto de 5 de setembro de 1991. Quase quatro décadas depois da instituição daquele documento de controle estatístico, no Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, parte integrante da já citada ata final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, aprovada pelo Decreto Legislativo 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgada pelo Decreto 1.355, de 30 de dezembro de 1994, o licenciamento de importação é definido como procedimentos administrativos [...] que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão 1 RA, artigo 633: Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): [...] (II) de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: (a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e [...]. 2 Decretolei 37, de 1966 (com a redação dada pela Lei 6.562, de 1978), artigo 169: Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (I) importar mercadorias do exterior: [...] (b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] (§ 6o) Para efeito do disposto neste artigo, o valor da mercadoria será aquele obtido segundo a aplicação da legislação relativa à base de cálculo do Imposto sobre a Importação. [...]. 3 Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, artigo 1º. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 280 13 administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. [4] [Grifei] Portanto, têm naturezas diversas a guia e o licenciamento de importação. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. No que respeita à desconformidade do disposto no artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro de 2002, com sua matriz legal (Decretolei 37, de 1966, artigo 169, I, “b”, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978), soluciono esta aparente antinomia do ordenamento jurídico pelo critério hierárquico (lex superior), “aquele, pelo qual, entre duas normas incompatíveis, prevalece a hierarquicamente superior: lex superior derrogat inferiori” [5]. Assim, entendo equivocado, no caso concreto, infligir a multa do artigo 169, I, “b”, do Decretolei 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 18 de setembro de 1978, em razão de não ser fato típico dela a importação de mercadorias ao desamparo de licenciamento de importação. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência a multa do controle administrativo de importações equivalente a 30% do valor das mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento de importação. Tarásio Campelo Borges 4 Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, artigo 1, parágrafo 1. 5 BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. Tradução: Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos. Rev. técnica: Cláudio De Cicco. Apresentação: Tercio Sampaio Ferraz Júnior. 10 ed. Brasília: UnB, 1997, p. 93. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10909.001261/2003-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 19/05/2003
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS IMPORTADOS. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE DA MERCADORIA. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.
Cabível a exigência de multa por falta de Licenciamento de Importação se configurado erro de classificação fiscal de produto sujeito a licenciamento não automático, e demonstrado que a descrição do produto não era suficiente para sua perfeita identificação e classificação fiscal.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/05/2003 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS IMPORTADOS. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE DA MERCADORIA. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Cabível a exigência de multa por falta de Licenciamento de Importação se configurado erro de classificação fiscal de produto sujeito a licenciamento não automático, e demonstrado que a descrição do produto não era suficiente para sua perfeita identificação e classificação fiscal. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Caio Marcos Cândido Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Caio Marcos Cândido. Relatório O órgão julgador de primeira instância narrou os fatos nos termos seguintes: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 a 03 por meio do qual são feitas as exigências de R$ 157.304,43 (cento e cinqüenta e sete mil trezentos e quatro reais e quarenta e três centavos) de multa por infração administrativa ao controle das importações importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o), no percentual de trinta por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 633, II, “a” do Decreto no 4.543, de 26/12/2002 que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior e R$ 5.243,48 (cinco mil duzentos e quarenta e três reais e quarenta e oito centavos) de multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84) classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares, ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 02/03 o motivo das exigências deveuse ao fato de na Declaração de Importação (DI) no 02/08973430, registrada em 08/10/2002 (fls. 10 a 12) a importadora haver classificado a mercadoria no código NCM 3904.10.90 que se refere a: 3904POLÍMEROS DE CLORETO DE VINILA OU DE OUTRAS OLEFINAS HALOGENADAS, EM FORMAS PRIMÁRIAS 3904.10Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias 3904.10.10Obtido por processo de suspensão 3904.10.20Obtido por processo de emulsão 3904.10.90Outros Com apoio no laudo de análise no 0796.01 (fls. 19/20) emitido pelo Laboratório de Análises da FUNCAMP a fiscalização Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 150 3 concluiu que se tratava de produto que deveria ser classificado no código NCM 3904.10.10 que se refere a: 3904POLÍMEROS DE CLORETO DE VINILA OU DE OUTRAS OLEFINAS HALOGENADAS, EM FORMAS PRIMÁRIAS 3904.10Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias 3904.10.10Obtido por processo de suspensão Devido a esse fato a fiscalização concluiu que a importadora, além de haver cometido erro de classificação fiscal, não descreveu a mercadoria com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Lavrado o auto de infração em tela e intimada a autuada em 19/05/2003 (fl. 01) em 16/06/2003 ela ingressou com a impugnação de fls. 27 a 32 por meio da qual alega em síntese: caso o procedimento da fiscalização fosse legal qualquer pessoa estaria sujeita a pesada multa ao arbítrio do Auditor Fiscal de plantão; a peticionária não agiu de máfé, buscando se beneficiar de qualquer forma, haja vista que não existe diferença tributária entre as classificações fiscais discutidas. Milita a seu favor o entendimento do Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997 (transcreve à fl. 28) existem a favor da peticionária vários acórdãos (transcreve às fls. 29 a 31). Pede o cancelamento da exação em tela. Julgando o feito, o Colegiado primeiro manteve o lançamento fiscal em acórdão assim ementadado: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/10/2002 Ementa: MULTA POR FALTA DE LI Mesmo que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante, quando o produto sofrer modificação ex officio da classificação fiscal e não estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, aplicaselhe a multa por falta de LI. MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O mero erro de classificação fiscal já torna aplicável a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades administrativas.. Lançamento procedente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Irresignada, a autuada apresentou recurso voluntário onde postulou pela reforma total da decisão de primeira instância, de modo que o lançamento fosse cancelado. Julgando o recurso voluntário, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa por falta de li, por entender que Guia e licenciamento de importação, são documentos não contemporâneos e com natureza diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, “b”, do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. Inconformada com o decisum, a Douta Procuradoriageral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde postula pelo restabelecimento da decisão de primeira instância. O apelo fazendário foi admitido, nos termos do despacho de fls. 135 a 137. Contrarrazões vieram às fls. 143 a 146 É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e apontou o dispositivo de lei que teria sido violado pela decisão recorrida. Assim, satisfeitas os requisitos de admissibilidades, devese conhecer do recurso. Na elaboração deste voto, socorrime da generosidade e dos vastos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem rendo minhas homenagens e dirijo meus agradecimentos sinceros. A discussão gira em torno da multa capitulada no art. 169, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2° da Lei 6.562/78, aplicável a quem importar mercadoria “sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais”. Quando da classificação das mercadorias importadas, o sujeito passivo adotou o código NCM 3904.10.90, correspondente a Outros Policloretos de Vinila em formas primárias. Na Descrição Detalhada da Mercadoria consta: “PVC (Policloreto de Vinila) – Produtor: Aiscondel SA (Espanha) – Type E631 – Em forma primária (PO)”. No laudo técnico, o perito responsável afirmou que se tratava de Poli(Cloreto de Vinila), obtido por processo de suspensão, sem carga inorgânica, na forma de pó, Poli(Cloreto de Vinila) não misturado com Outras Substâncias, Polímero de Cloreto de Vinila, em forma primária. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 151 5 Assim, como bem asseverou a decisão de primeira instância1, a declaração da importadora não está completa, pois omite um dado essencial do produto que é o fato de ele ser obtido por meio de suspensão. Como o produto não é um composto orgânico isolado de constituição química definida ele pode ser classificado no capítulo 39. Na transcrição feita no relatório deste voto, referente a ambos os códigos, observase facilmente que existe diferença de classificação entre o Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias Obtido por processo de suspensão, do código NCM 3904.10.10 e o Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias – Outros, do código NCM 3904.10.90, este último declarado pela peticionária. Depreendese, portanto, que a declaração da importadora não está completa, pois omite um dado essencial do produto que é o fato de ele ser obtido por meio de suspensão. Assim, a solução do presente litígio exige que se avalie: 1 a legalidade, em abstrato, da imposição da multa do 169 do Decretolei nº 37, de 1966 às hipóteses de ausência de licenciamento; 2 se o erro na indicação da classificação tarifária implica ausência de licenciamento; 3 se descrição da mercadoria reúne as condições necessárias à aplicação da excludente instituída pelo ADN Cosit nº 12/97; Em nome da clareza, analiso cada um desses aspectos separadamente. 1 Legalidade da Penalidade e Hipótese da sua Imposição Antes de discutir a aplicabilidade das hipóteses excludentes trazidas pela recorrente, em respeito ao princípio da legalidade, entendo prudente fazer algumas considerações acerca da legalidade da multa ora debatida que tem como matriz legal o art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, que, em sua atual redação, diz: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: 1 Como o produto não é um composto orgânico isolado de constituição química definida ele pode ser classificado no capítulo 39. Na transcrição feita no relatório deste voto, referente a ambos os códigos, observase facilmente que existe diferença de classificação entre o Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias Obtido por processo de suspensão, do código NCM 3904.10.10 e o Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias – Outros, do código NCM 3904.10.90, este último declarado pela peticionária. Depreendese, portanto, que a declaração da importadora não está completa, pois omite um dado essencial do produto que é o fato de ele ser obtido por meio de suspensão. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Admitindo que, à época dos fatos, já se encontrava implantado o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Guia de Importação fora substituída pela Licença de Importação, a avaliação da legalidade de tal penalidade não pode prescindir da delimitação do universo dos “documentos equivalentes” àquele que foi extinto. No plano da nomenclatura, tal dúvida é respondida pela simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. § 2° Outros documentos emitidos pelos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, com vistas à execução de controles específicos sob sua responsabilidade, nos termos da legislação vigente, deverão ser substituídos por registros informatizados, mediante acesso direto ao Sistema, pelos órgãos encarregados desses controles. (grifei) Vêse, portanto, que a partir desse novo sistema, todas exigências inerentes ao processo de nacionalização2, seja sob o ponto de vista tributário, com enfoque na verificação da correta incidência dos tributos, seja sob o ponto de vista administrativo, que engloba as exigências cambiais, sanitárias, dentre outras, foram concentradas em único ambiente informatizado, onde convivem dois documentosbase: a Declaração de Importação, onde são tratadas as informações relativas ao controle tributário e a Licença de Importação, por meio da qual interagem os chamados Órgãos Anuentes, responsáveis pela condução dos controles administrativos. De outro lado, para a avaliação da equivalência entre a Guia de Importação e a Licença de Importação, para efeito da aplicação da penalidade em questão, devese ir além e buscar, na legislação inerente àquele documento textualmente previsto no art. 633, II, “a” do RA de 2002, quais eram os interesses por ele resguardados e, conseqüentemente, avaliar se o documento que o substituiu alcançou esses mesmos interesses. 2 Procedimento que permite "Tornar nacional, por equiparação jurídica, a mercadoria procedente do estrangeiro", segundo conceituado por Roosevelt Baldomir Sosa, in Glossário de Aduana e Comércio Exterior. São Paulo, Aduaneiras, 2001, p.228. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 152 7 Finalmente, antes de avaliar a correspondência entre a LI e a GI sob o aspecto finalístico, é importante esclarecer que, apesar do nome homônimo, o documento cuja falta foi apontada pela autoridade fiscal não é o mesmo que foi criado pelo Decreto nº 42.914, de 1957: Guia de Importação para fins estatísticos, extinta pelo art. 1733 do Decretolei nº 37, de 1966 que, em seu artigo 169, também instituiu a matriz legal da penalidade em discussão. 1.1 Antecedentes Até meados da Década de 70, vigia, no controle das operações de comércio exterior, o regime da licença prévia, a cargo da extinta Carteira de Comércio Exterior, órgão executor das políticas do igualmente extinto Conselho Nacional do Comércio Exterior. Vejase o que dizia o artigo 2º, da Lei nº 2.145, de 29 de dezembro de 1953, após sua alteração pela Lei nº 5.025, de 1966: Art. 2º Nos têrmos (sic) dos artigos 19 e 59, da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, compete ao Banco da Brasil S.A., através da sua Carteira de Comércio Exterior, observadas as decisões, normas e critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional do Comércio Exterior: I Emitir licenças de exportação e importação, cuja exigência será limitada aos casos impostos pelo interêsse (sic) nacional. Exatamente por isso, previa o art. 169 do DL 37/66 em sua redação original: “Art. 169. O artigo 60 da Lei número 3.244, de 14 de agôsto (sic) de 1957, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 60. As infrações de natureza cambial, apuradas pela repartição aduaneira, serão punidas com: I Multa de 100% (cem por cento) do respectivo valor, no caso de mercadoria importada sem licença de importação ou sem o cumprimento de outro qualquer requisito de contrôle (sic) cambial em que se exija o pagamento ou depósito de sobretaxas, quando sua importação estiver sujeita a tais requisitos, revogados os §§ 3º, 4º e 5º do artigo 6º, e o artigo 11 da Lei nº 2.145, de 29 de dezembro de 1953.(grifei) Posteriormente, com a edição do Decretolei nº 1.427, de 1975, o licenciamento prévio foi substituído pela Guia de Importação, assim disciplinada pelos seus artigos 1º e 2º: Art. 1º A emissão da Guia de Importação fica condicionada ao recolhimento de quantia correspondente ao valor FOB constante da guia. § 1º A quantia de que trata este artigo será devolvida no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, não fluindo juros nem correção monetária. 3 Art. 173 Serão reunidas num só documento a atual nota de importação, a guia de importação a que se refere o Decreto nº 42.914, de 27 de dezembro de 1957, e a guia de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 § 2º A quantia recolhida não constitui receita da União, permanecendo, com cláusula de indisponibilidade, vinculada, como ônus financeiro ao importador. Art. 2º O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer condições para o recolhimento e devolução da quantia referida no artigo anterior, alterar o seu montante e o prazo de devolução e relacionar as mercadorias cuja emissão da Guia de Importação não esteja condicionada ao recolhimento. Nesse novo contexto histórico, todas as importações passaram a ser alvo de exigência de Guia de Importação, por vezes condicionada ao prévio depósito do valor FOB da mercadoria autorizada, hipótese do art. 1º, por vezes dispensadas dessa exigência, hipótese do art. 2º. Acompanhando tal alteração, a partir da edição da Lei nº 6.562/78, o art. 169 do Decretolei nº 37/66, dispositivo que anteriormente punia a ausência de licenciamento passou a punir a ausência de Guia. Senão vejamos: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Desta feita, nas situações em que a expedição de Guia representava um instrumento de política cambial e, conseqüentemente, estava sujeita ao prévio depósito do valor FOB da mercadoria, incidiria a multa definida no inciso I. Quando esse documento fosse exigido em função de outro controle administrativo, a multa do inciso II. A exigência da Guia de Importação como documento de instrução do despacho, por sua vez, encontravase disciplinada no art. 432 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985 (RA/1985), que foi substituído pelo art. 490 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de26 de dezembro de 2002 (RA 2002). 1.2 Regime Atual Em seguida, os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 153 9 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Desse modo, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que, tanto do ponto de vista conceitual, quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, a meu ver, tornase possível o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II do RA/1985, bem assim que a regulamentação proposta no Art. 633, II, “a” do RA/20024 encontra pleno respaldo legal. 1.3. Hipóteses de Exigência de Licenciamento Prévio Na vigência do Acordo sobre Procedimento para o Licenciamento de Importações APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. 4 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados nº regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Assim, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática, não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. De outro lado, como bem asseverou o insigne relator da câmara recorrida, o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art. 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. O elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. 2. Classificação Fiscal e Falta de Licenciamento Outra discussão comumente travada no âmbito das Câmara de comércio Exterior do CARF diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de que o exclusivo erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 154 11 Nesse novo contexto, um dos elementos que identificam se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava a Portaria Secex nº 35, de 2006 (original não destacado): Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: (...) b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; (...) Art. 11. O pedido de licença deverá ser registrado no Siscomex pelo importador ou por seu representante legal ou, ainda, por agentes credenciados pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior e pela Secretaria da Receita Federal (SRF). § 1º A descrição da mercadoria deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) . Desta feita, quando da formulação da consulta do tratamento administrativo, bem assim do pedido de licenciamento, é informada a classificação fiscal da mercadoria e, dentre outras informações, o tratamento tributário que se pretende dispensarlhe e, com base nessas informações, é definido o tratamento administrativo ao qual a mesma será submetida. Assim, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e que o código tarifário apontado como correto estiver sujeito a anuência, forçoso é concluir que houve prejuízo para o controle administrativo das importações, eis que, quando do licenciamento original, assumiuse a premissa de que se estava autorizando a importação de mercadoria diversa da efetivamente importada. De outro lado, se tanto a classificação adota pelo importador quanto reclassificada pelo Fisco estiverem sujeitas a licenciamento automático, não há falarse em falta de licenciamento por erro de classificação fiscal. No caso autos, a incorreta classificação fiscal do produto importado, informada pelo importador 3904.10.90 (outros policloretos de vinila, em formas primárias), prejudicou o exercício do controle administrativo das importações, pois o produtos aí classificados não estavam sujeitos a licenciamento prévio, enquanto que, na classificação Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 correta apontada pelo Fisco, 3904.10.10 (policloreto de vinila obtido por processo de suspensão) a teor do Comunicado DECEX nº 23/1998, referido produto estava sujeito a licenciamento de importação não automático. Da Inaplicabilidade do ADN nº 12, de 1997, ao caso em comento. A teor desse ato declaratório normativo, as condições para exclusão de penalidades por falta de LI são as seguintes: “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de Licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado...” Examinando os autos, verificase que a descrição do produto na DI estava incompleta, pois, somente após o exame pericial é que foi possível reunir os elementos que levaram a autoridade fiscal a proceder a reclassificação fiscal foi justamente a forma de obtenção do polímero, enquanto a descrição dizia tratarse de forma primária do policloreto de vinila, o laudo demonstrou que, na realidade, tratavase policloreto de vinila obtido por processo de suspensão. Assim, não há como afirmar que a descrição fornecida permitiria apontar a divergência de classificação e indicar qual seria a nova classificação, afastando, por conseqüência, a aplicação do ADN 12/97. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13709.001571/91-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1986 a 31/05/1991
TIPI. Classificação Fiscal Incorreta. Sempre que houver erro na classificação fiscal, há que se efetuar o recolhimento do tributo faltante em relação à diferença de alíquota.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.430
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA PÔSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1986 a 31/05/1991 TIPI. Classificação Fiscal Incorreta. Sempre que houver erro na classificação fiscal, há que se efetuar o recolhimento do tributo faltante em relação à diferença de alíquota. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López, Rodrigo Cardozo Miranda e Antonio Carlos Atulim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 15 71 /9 1- 92 Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Adotaremos o relatório do AFRFB relator na DRJ, com as alterações necessárias. Tratase de Recurso Especial Interposto tempestivamente pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso Voluntário (fls.774 a 797). Recurso Especial da fazenda Nacional às fls. 807 a 811. Despacho de exame de admissibilidade às fls. 812 a 815. Contrarrazões do sujeito passivo às fls. 837 a 842. Foi lavrado de Auto de Infração (fls. 172/317) lavrado por haver o contribuinte atribuído incorreta classificação fiscal na saída de mercadorias que produz, no período de 01/01/86 a 31/05/91, resultando em conseqüente lançamento a menor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI devido, no valor de CR$ 24.701.112,58, acrescido de multa do art. 364, II, do RIPI/82, também no valor de CR$ 24.701.112,58, constituindo, assim, o crédito tributário ora sob exame. O quadro abaixo resume as divergências de classificação atribuída às mercadorias pelo Autuante e pelo contribuinte: Produto TIPI Classificação do autuante Classificação do contribuinte Cofres de aço 82 83.03.00.00 83.04.00.00 88 83.03.00.00.00.00 83.03.00.00.00.02.99 Irresignado, com tal lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente Impugnação às fls. 334/357, onde levanta a preliminar de preterição do direito de defesa, tendo em vista que o auto de infração teria, em alguns casos, deixado de indicar especificamente o produto questionado, fazendoo apenas genericamente. Quanto ao mérito, rebate as reclassificações efetuadas pelo Fisco, apontando erros de critério do fiscal autuante. Através da Informação Fiscal de fls. 376/381, a fiscalização apresentou considerações acerca da impugnação apresentada pelo contribuinte,opinando pela manutenção, na íntegra, da exigência fiscal. Tendendo à solicitação da Divisão de Tributação da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, a Divisão da Superintendência da Receita Federal 7a Região Fiscal (DIVTRI 7a RF) prestou informações (fls. 383/395) sobre a classificação fiscal dos diversos produtos especificados no Auto de Infração, com o fito de melhor instruir a decisão. Em atenção ao despacho de fls. 419, foi realizada nova diligência ao estabelecimento do contribuinte, concluindo a autuante que a classificação constante da tabela de produtos da empresa é a mesma adotada desde junho de 1991. Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13709.001571/9192 Acórdão n.º 9303001.430 CSRFT3 Fl. 846 3 Ademais, foram apresentadas 05 (cinco) planilhas com o crédito tributário recalculado, e os respectivos esclarecimentos, como resultado de nova diligência na empresa autuada. Na decisão de la instância DRJ/RJO n.° 425/1998, às fls. 481/508, a autoridade julgadora entendeu ser parcialmente procedente o lançamento, considerando como corretas as posições adotadas pelo contribuinte quanto aos produtos consubstanciados nos itens 1, 10 e 11 do Auto de Infração ("Arquivos de Mesa", "Fichas e folhas soltas em pautas quadrículas, colunas, etc." e "Blocos de papel, em branco ou impressos em pautas, quadrículas, colinas, etc.), reduzindo o valor do imposto de Cr$ 24.701.112,58 para Cr$ 14.037.150,66, e da multa aplicada de Cr$ 24.701.112,58 para Cr$ 10.527.863,00, nos termos do art. 45 da Lei n.° 9.430/96. Ademais, excluiu a aplicação da TRD, a título de juros de mora, no período de 04/01/91 a 29/07/91. Devidamente intimado da decisão, o contribuinte tempestivamente apresenta Recurso Voluntário às fls. 582/602, no qual são novamente apresentados a preliminar e os argumentos utilizados na Impugnação quanto às reclassificações mantidas pela decisão recorrida. O contribuinte instrumentalizou o seu recurso com liminar obtida nos autos do Mandado de Segurança n.° 99.0006634, autorizando o recebimento do recurso administrativo, sem o depósito prévio correspondente a no mínimo 30% (trinta por cento) da exigência fiscal. Assim sendo, os autos foram encaminhados a este Conselho, havendo sido apresentada pelo contribuinte, na sessão de abril de 2001, petição informando que estaria procedendo ao arrolamento de bens junto à Delegacia da Receita Federal de origem e apresentando cópia de bens constantes de seu ativo imobilizado. Nesta ocasião, decidiu esta C. Câmara, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar para determinar a remessa do processo à repartição de origem para que sejam realizados os procedimentos estabelecidos na IN SRF nº 26, de 02/03/2001. Após a realização dos procedimentos acima mencionado quanto ao arrolamento de bens e direitos, retornam os autos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, deles conheço. O presente voto irá tratar apenas ao que foi admitido, ou seja, somente em relação à classificação fiscal do item 2 do relatório supra. Para o Contribuinte a classificação correta é a posição 8304.00.00 e para o autuante é a posição 8303.00.00, descrita abaixo: 8303.00.00 Cofresfortes, portas blindadas e compartimentos para casas 15 Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fortes, cofres e caixas de segurança e artefatos semelhantes, de metais comuns. 8304.00.00 Classificadores, fichários, caixas de classificação, portacópias, portacanetas, portacarimbos e artefatos semelhantes, de escritório, de metais comuns, excluídos os móveis de escritório da posição 94.03. 10 Então basta que este colegiado decida em qual a posição deve ser, efetivamente, o produto constante no item 2, descrito pelo sujeito passivo como cofre portátil. Não somente porque por que o próprio contribuinte denomina o citado produto como cofre portátil que, obrigatoriamente, seja esta a classificação correta. Ora o sujeito passivo alega que o dispositivo não pode ser chamado de cofre porque não oferece a mínima segurança e pode ser violado facilmente. Ocorre que a classificação independe do nível de segurança. O que deve ser observado são as características do produto, que neste caso, se coaduna mais com a posição 8303.00.00. Com efeito, voto pelo provimento do recurso especial da fazenda Nacional, classificandose a mercadoria em questão na posição 8303.00.00, mantendo a exação fiscal originária, somente em relação ao item 2 do relatório, descrito como “cofre portátil”. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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