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Numero do processo: 11891.000125/2007-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/11/2005
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 2158-35/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL.
As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submete-se à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 07, de 26/07/2005. Nulidade do auto de infração.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3802-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral:Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP n. 22.170.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/11/2005 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 215835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 07, de 26/07/2005. Nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 01 25 /2 00 7- 43 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral: Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP n. 22.170. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 189190): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/12/2006 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC e na NBM/TIPI. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 42, de 2001, e atualizações posteriores, e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (NBM/TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 2002. Máquina Impressora Laser, Multifuncional, monocromática, com velocidade de impressão de 50 ppm, largura de impressão de A4 210 mm e Resolução de 1.200 x 1.200 dpi, classificase no Item 9009.12.10 da NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes à data de ocorrência do fato gerador da importação, de acordo com as RGIs nºs 1 e 6. Não se classifica no código 8471.60.25, indicado pelo importador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/12/2006 Insuficiência do recolhimento do II. Multa de ofício de 75%. Cabe o lançamento da diferença do imposto, nos termos do Decreto nº 4.543, de 2002, acrescida dos juros de mora e da multa de 75%, uma vez que restou comprovado o erro da classificação fiscal adotada pelo importador para a mercadoria Classificação incorreta de mercadoria. Multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro A incorreção da classificação da mercadoria, em código da NCM/TEC indicado pelo importador, evidenciouse, cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11891.000125/200743 Acórdão n.º 3802002.151 S3TE02 Fl. 306 3 Data do fato gerador: 20/12/2006 Insuficiência do recolhimento do IPI. Cabe o lançamento da diferença desse imposto, acrescida de juros de mora, uma vez que restou comprovado o erro da classificação fiscal da mercadoria no código adotado pelo importador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/12/2006 Insuficiência do recolhimento da Cofins. Multa de ofício de 75%. Cabe o recolhimento da diferença dessa contribuição, acrescida dos juros de mora e da multa de 75%, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, c/c o Decreto nº 4.543, de 2002, e Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que ficou comprovada a incorreção da classificação da mercadoria no código adotado pelo importador, acarretando a alteração da base de cálculo dessa contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/12/2006 Insuficiência do recolhimento do PIS/PASEP. Multa de ofício de 75%. Cabe o lançamento da diferença dessa contribuição acrescida dos juros de mora e da multa de 75%, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004 c/c Decreto nº 4.543, de 2002, e Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que ficou comprovado o erro da classificação fiscal da mercadoria no código adotado pelo importador, acarretando a alteração da base de cálculo dessa contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A decisão recorrida manteve o entendimento da Fiscalização, segundo o qual o Recorrente teria adotado a classificação fiscal incorreta para as mercadorias importadas (8471.60.30 da NCM/TEC e NBM/TIPI), objeto da Declaração de Importação (DI) nº 06/15481480, Adição 001, registrada em 20/12/2006. Assim, entendendo aplicável a NCM 9009.12.10 (Máquinas de Impressão a Laser, Multifuncionais, monocromáticas), foi lavrado auto de infração e lançamento de crédito tributário relativo à diferença do Imposto de Importação (II) (de 14% para 20%) e, em decorrência da modificação da base de cálculo, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Cofins e do PIS/Pasep, acrescido de multa de ofício de 75%. Também foi cominada a multa prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, devido à classificação incorreta da mercadoria na NCM. O Recorrente, nas razões de fls. 216 e ss., alega que a impressora multifuncional, laser, monocromática apresenta as funções de impressão à laser, scanner (digitalização), cópia e facsímile, classificandose no Subitem NCM 8471.60.25, de acordo Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 com o Decreto nº 5.802/2006. Sustenta que a função copiadora das impressoras multifuncionais nada tem em comum com as desempenhadas pelos aparelhos de fotocópia da Posição SH 9009, razão pela qual seria inaplicável a Regra 3 c. das RGIs. Cita precedentes do CARF e reitera os demais argumentos apresentados por ocasião da impugnação, requerendo o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 06/07/2012 (fls. 206), interpondo recurso tempestivo em 03/08/2012 (fls. 216). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A classificação fiscal aplicável às impressoras multifuncionais foi pacificada no âmbito da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Nesse sentido, cumpre destacar o Acórdão nº 310100.253, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da lavra do eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Data do fato gerador: 28/09/2005. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifuncionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afastaa da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente pacificada no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08). Recurso Voluntário Provido. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11891.000125/200743 Acórdão n.º 3802002.151 S3TE02 Fl. 307 5 Na mesma linha, colocase o entendimento da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS, IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. Não se classificam na posição NCM 9009, as impressoras multifuncionais, identificadas como aquelas capazes de realizar duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a urna máquina automática para processamento de dados ou a uma rede. (Acórdão 320100.503. Rel. Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Sessão de 01/07/2010). Referido interpretação também é acolhida por unanimidade pela Turma, consoante Acórdão nº 3802001.002, da sessão de 22 de maio de 2012, da lavra do eminente Conselheiro Regis Xavier Holanda: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 [...] CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telescópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (CARF. 2ª Turma Especial. 3ª Seção. Acórdão nº 3802001.002. Processo nº 19814.000209/200621). Cabe destacar a seguinte passagem do voto do relator, que analisa a classificação aplicável antes da introdução da NCM nº 8443.31: [...] Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária – não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: Código TIPI Descrição Alíquota (%) 8471.60.21 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.22 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.23 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.24 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.25 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.26 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.29 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.30 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. No mesmo sentido, mais recentemente, destacase ainda o seguinte julgado, de nossa relatoria: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/11/2005 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11891.000125/200743 Acórdão n.º 3802002.151 S3TE02 Fl. 308 7 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 215835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 07, de 26/07/2005. Nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão 380201.070, rel. Cons. Solon Sehn. s. 26/07/ 2012) Assim, impõese pelo conhecimento e pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11516.002843/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO.
Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 31/12/2013
José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 31/12/2013 José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 43 /2 00 6- 51 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 176. Em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF e MPF Complementar nº 09.2.01.00.2005.0043561, fls. 1 e 2, a autoridade fiscal desenvolveu procedimento de fiscalização, tendo por objeto o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 170, no valor total de R$ 3.286.588,56. O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 1.543.947,07, a título de imposto, R$ 584.681,44 a título de juros de mora e R$ 1.157.960,05, a título de multa. Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindose, assim, em contribuinte do IPI. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 185, durante o procedimento de fiscalização foram efetuados outros autos de infração conforme processos 11516.002571/200609 e 11516.002677/200692, com as infrações neles apontadas. Quanto ao presente processo, as condutas infracionais imputadas ao contribuinte são as seguintes: a) A empresa adotou classificações fiscais para o produto CATALIZADOR PU resultando em falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, conforme DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no código 3824.90.32, com alíquota de 10% (fl. 108), tem por base as informações prestadas pela empresa e está amparada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 6ª e notas explicativas nº 1, do capítulo 29, nº 4 do capítulo 32 e nº 3 da posição 3909 (IN 123/98), conforme detalhado nos itens 3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. b) Os SOLVENTES E DILUENTES, segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 3ª “a”, estão classificados na TIPI no código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). Das classificações adotadas pela empresa resultou falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal, por infringência ao disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). Foi elaborado o DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO – THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/10/2006 e apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade fiscal não ter alicerçado seu entendimento em prova pericial; 2. Inobservância por parte da autoridade administrativa do princípio do ônus da prova, assentandose o lançamento tributário em suas interpretações próprias; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301002.117 S3C3T1 Fl. 244 3 3. Reprodução das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), alegando, ao final, não ser lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta”; 4. Afirma que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta, não devendo prevalecer aquela adotada pela autoridade fiscal, podendo o produto CATALISADOR PU ser classificado nos capítulos 39 ou 32, bastando ser considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundouse, tão somente, à falta de provas de que referido produto contivesse componentes aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de juros com base na taxa SELIC. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 11516.002843/200651 Interessado FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA CNPJ/CPF 85.111.441/000113 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não tendo o contribuinte apresentado argumentos suficientes para ilidir a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa, que se mostra correta, há de se manter o lançamento de ofício. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de catalisadores, também chamados endurecedores, e dependendo do tipo do produto a classificação fiscal é diferente. Aduzindo também que na verdade o Fisco não teria discordado da classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 20.10.2003 havia formulado referidos produtos com 65% ou mais de solventes aromáticos em sua composição, e como não teve oportunidade de juntar as suas ordens de produção, a autoridade simplesmente adotou a presunção, sem contudo certificarse de provar que os mencionados produtos não tinham mais de 65% de componentes aromáticos em sua formulação. Afirma por fim ter ocorrido vício material insanável, distante do erro de classificação fiscal quanto aos produtos “catalisadores pu”, bem como que teria sido contrariado o efeito vinculante da Solução de Consulta nº 117 – SRRF09/Diana, e em relação aos thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou mais em sua formulação de solventes aromáticos. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a decisão recorrida a interessada, ora Recorrente, adotou, para um mesmo produto, várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301002.117 S3C3T1 Fl. 245 5 Em sua defesa, para este produto, conforme fls. 195, a interessada afirma que a classificação fiscal por ela adotada está correta, afirmando através das informações técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: CATALISADORES Os produtos 175.010, 273.927, 273023, 273.725, 273.730, 273.925, 273.828, 273.750, 273.033, 273.021, 573.600 e 573.700 a partir de 02/06/2005 alteramos a classificação fiscal para 2929.1029. De acordo com a descrição abaixo através de uma análise técnica e comparação com o praticado no mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima descrito e por nós comercializado; THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em volume) de solventes aromáticos em sua formulação Desta forma, conforme bem fundamentou o acórdão recorrido, para um mesmo produto, a interessada, ora Recorrente adotou várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Na análise dos autos, verifico que as regras foram devidamente observadas e os produtos devidamente classificados. Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 11128.006872/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/02/2002
MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS.
O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 27/02/2002 MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Voluntário parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 353 1 352 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.006872/200665 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.857 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria II/IPI.MULTAS Recorrente KLUBER LUBRIFICATIONS LUBRIFICANTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/02/2002 MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou máfé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 68 72 /2 00 6- 65 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acrescidos de juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de controle administrativo. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 19/10/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 49.146,76, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, mediante Declaração de Importação No. 02/07829831, de 27/02/2002, diversos produtos declarados em 17 adições; • Em ato de conferência física, foram retiradas amostras de todos os produtos para análise laboratorial, sendo emitidos os Laudo de Assistência Técnica No. 0801.01 a 0801.27, em 22/04/2003; • Pela análise dos Laudo de Assistência Técnica, a fiscalização apurou as seguintes divergências: Adição 002: Tratase de nOctilamina, outra Monoamina Aciclica, composto da função amina, com classificação fiscal no Código NCM 2921.19.99 com incidência das aliquotas 0% (nihil) para o Imposto de Importação e para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 006: Tratase de preparação constituída de derivado de AlquenilOxazolinametanol e óleo mineral, um aditivo do tipo dispersante sem cinzas. Preparado com óleo de Petróleo, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.30 com incidência das aliquotas 15,5% Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 354 3 para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 007: Tratase de mistura de reação constituída de Fosfato de Cresila e Fenila, produto A. base de compostos orgânicos, um produto diverso das indústrias químicas, não especificado nem compreendido em outras posições, com classificação fiscal no Código NCM 3824.90.89, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 008: Tratase de 4,4ditercOctildifenilamina, contendo impurezas do processo de fabricação, um outro derivado da Difenilamina, com classificação fiscal no Código NCM 2921.44.29, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 0% para o Imposto sobre Prodtos Industrializados; Adição 011: Tratase de Óleo de Canola refinado, um outro Óleo Vegetal refinado, com classificação fiscal no Código NCM 1515.90.90, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 012: Tratase de preparação constituída de substancia inorgânica de Bissulfato de Milobideno, Composto Orgânico com grupamento de Éster, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 1: Tratase de preparação constituída de Composto Orgânico com grupamento de Éestr em Oleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das alíquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 2: Tratase de preparação constituída de Composto Orgânico com grupamento de Éster e Sal do Acido Dialquilditiofosfórico em Óleo Mineral, corn classificação fiscal no Código NCM 3811.21.20, com incidência das alíquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 3: Tratase de preparação constituída de Sabão Metálico Oleo Mineral e substâncias inorgânicas, com classificação fiscal no Código NCM 3403.91.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 015 item 2: Tratase de preparação constituída de Sal do Acido Alquilditiofosfórico e Composto Fenólico em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.20, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Adição 015 item 3: Tratase de preparação constituída de grupamento de Alquil Sufonato de Bário e Cálcio em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.40, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 016 item 1: Tratase de preparação constituída de grupamento de Alquil Tiadizol em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 016 item 2: Tratase de preparação constituída de grupamento de Poliisobutileno em Oleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.29.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 017: Tratase de preparação aquosa de Poliisoloxano modificado com grupamento Etoxilado, com classificação fiscal no Código NCM 3402.13.00, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; • A descrição das mercadorias relacionadas não fornece os elementos necessários para seu correto enquadramento; Cientificado do auto de infração, o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 28/12/2006, de fls. 212 236, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante informou que: • A impugnante não teve acesso ao conteúdo técnico dos Laudos de Assistência Técnica, só tomando ciência dos resultados; • PRELIMINARMENTE, alega o cerceamento do direito de defesa, por não tomar conhecimento expresso da causa e do fundamento que ampara o lançamento tributário; • Nos casos em que a situação fática é complexa, a fundamentação deve ser detalhada; • A ausência de aspectos técnicos dos Laudos de Assistência Técnica emitido pelo LABANA, impede que o impugnante tenha acesso aos fundamentos da ação fiscal; • Incongruente a aplicação da multa do controle administrativo e a multa proporcional ao valor aduaneiro uma vez que a descrição dos produtos permite sua perfeita identificação. Só em dois casos ocorreu erro de digitação e mesmo assim um deles resultou em classificação fiscal atribuida pela fiscalização de gravame tributário menor; Adição 002 — item 2: A fiscalização não prestou a devida atenção ao mencionar a descrição do produto feita pela impugnante. A descrição do produto permite sua perfeita Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 355 5 identificação pelo fato de se tratar de uma substância da classe amina, denominada OCTILAMINA, que é exatamente tida como correta pela ação fiscal; Adição 006 — A impugnante menciona em sua descrição a principal substância de que é composto o produto, a OXAZOLINA que é a substância mencionada pela fiscalização; Adição 007 — 0 impugnante descreveu o produto como DI FENILCRESIL FOSFATO, sendo tal descrição idêntica a da fiscalização; Adição 008 — A impugnante menciona novamente em sua descrição a principal substância de que é composto o produto, a DIFENILAMINA OCTILADA. A única diferença diz respeito ao fato de que a fiscalização utilizou da forma contraída para descrever a substância, enquanto a impugnante usou a forma completa; Adição 011 — Faltou a fiscalização atenção para perceber que COLZA e CANOLA são a mesma coisa. CANOLA é uma variação da COLZA cultivada no Canadá. Adição 012 — Em sua descrição a impugnante utilizou a mesma expressão indicada pela fiscalização. Adição 013 item 01 — A impugnante cometeu um erro de digitação ao descrever o produto como ALUIL SUCRINATO, substância que não existe. Mesmo assim, o gravame tributário referente a nova classificação fiscal atribuída pela fiscalização é mais benéfico ao impugnante, não havendo qualquer prejuízo ao Fisco. Adição 013 item 02 — As descrição da fiscalização e da impugnante dizem a mesma coisa, com a diferença de que a descrição da impugnante indica as quantidades da mistura, sendo esta a mais adequadsa; Adição 013 item 03 — A descrição da impugnante é mais especifica e detalhada do que a fiscalização, permitindo sua correta identificação; Adição 015 item 02 — A impugnante cometeu um erro de digitação "DUALQUIL DIFIO ". Todavia, o restante da descrição cumpre sua função de identificar a função principal do produto (anticorrosivo) e o restante de sua fórmula; Adição 015 item 03 — A impugnante indica que se trata exatamente do mesmo produto mencionado pela fiscalização SULFONATO DE BARI°, indicando ainda que o produto está disperso em óleo mineral e que se trata de aditivo para óleo lubrificante. A descrição da impugnante é idêntica a sugerida pela fiscalização; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Adição 016 item 01 — 0 principal atributo do produto foi mencionado, sendo que a descrição da impugnante é mais especifica. São descrições quase idênticas; Adição 016 item 02 — Não há qualquer discrepância entre a descrição do impugnante e aquela sugerida pela fiscalização, sendo absolutamente idênticas. Adição 017 — Existem apenas diferenças meramente terminológicas entre as duas descrições, porque ambas descrevem a mesma coisa com palavras diferentes. • Em face da correta descrição dos produtos e do fato do impugnante agir de boa fé, incabível a multa proporcional ao valor aduaneiro. Para tanto junta textos da jurisprudência administrativa; • 0 Ato Declaratório Normativo COSIT No. 12/97 vem corroborar com este entendimento; • 0 Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados são indevidos, pois ainda que procedente a reclassificação fiscal proposta, a maioria dos caos implica em gravame tributário menor; Pugna a anulação do Auto de Infração. É o Relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 0718.953, de 16/6/2010 (fls. 302/321), assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/09/2002 Importação de diversos produtos declarados em 17 adições. Retiradas amostras de todos os produtos para análise laboratorial, apurouse divergências na classificação fiscal. Classificação (sic) fiscais indicadas pela fiscalização corretas, em função da Regra No. 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. Multa do controle administrativo exonerada em parte, produtos corretamente descritos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 331/348, por meio do qual alega, em síntese, depois de descrever os fatos: Preliminar de cerceamento ao direito de defesa Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 356 7 Somente poderá exercer apropriada e adequadamente seu direito natural e constitucional ao contraditório e à ampla defesa se e somente se anteriormente tomar conhecimento expresso da causa e do fundamento que ampara a emissão do lançamento tributário. Para a elaboração de defesa, o contribuinte deve ter conhecimento de todos os fatos que serviram de base para a exigência formulada. É evidente a necessidade de disponibilizarse o laudo técnico preparado pelo LABANA, uma vez que a exigência materializada no auto de infração se refere a termos e nomenclaturas técnicas, razão pela qual somente a partir de tal laudo poderseia verificar a adequação do auto de infração contra si lavrado. A simples análise do auto de infração já basta para se reconhecer a complexidade dos produtos importados. Ao lavrar a autuação inaugural, o agente fiscal houve por bem apenas mencionar as conclusões obtidas no laudo técnico expedido pelo LABANA, mas não o forneceu. Por sua vez, não teve acesso ao inteiro teor das informações nele consignadas. Não chegou a ter ciência do procedimento efetuado e dos detalhes abordados pelo laudo elaborado, de modo que não pode constatar a veracidade, bem como a equivalência entre o que nele está contido e o que esta no auto de infração. Teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa violado. Como seria possível se defender satisfatoriamente se sequer teve conhecimento dos aspectos técnicos e dos fundamentos que justificaram a conclusão do LABANA? Não pôde exercer plenamente seu direito de defesa, já que não teve condições de combater todas as conclusões apontadas no referido laudo técnico. Ao deixar de anexar o laudo à autuação, tanto o agente fiscal quanto a Turma Julgadora da DRJ/SP ignoraram outro principio básico que pauta a atuação da Administração Pública, o da fundamentação do ato administrativo. Mérito A fiscalização aplicou a pesada multa (prevista no artigo 169, I, b, do Decreto lei 37/1966) de 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, em relação a diversas adições da DI n° 02/07829831, sob o pretexto de que ela teria preenchido a documentação de importação omitindo elementos essenciais à perfeita identificação dos produtos, o que teria levado à reclassificação tarifária e também à ilógica presunção de que os produtos teriam sido importados ao desamparo da cabível documentação de importação. Além disso, foi aplicada a multa prevista no artigo 84, I, da Medida Provisória n° 215835/2001, correspondente a 1% do valor aduaneiro dos produtos importados, em função da suposta utilização de classificação fiscal errada. Apresentada a impugnação, a DRJ houve por bem julgála procedente apenas em parte, de modo que exonerou as multas de controle administrativo relativas às Adições "002 — item 2", "013 — item 3" e "015 — itens 2 e 3", mantendo as demais exigências formuladas. A aplicação das multas no presente caso é absolutamente descabida, porque em relação à esmagadora maioria dos dez produtos remanescentes depois do julgamento de primeira instância a descrição que foi efetuada nos documentos de importação permite a perfeita identificação de gênero e espécie dos produtos importados, tendo havido, neste universo de dez somente dois casos em que houve erro de digitação por parte da pessoa que preencheu a documentação e, ainda assim, em um desses casos, a reclassificação tarifária feita pela fiscalização resultou na aplicação de carga tributária muito menos onerosa do que a originalmente utilizada pela empresa, o que significa que prejuízo algum houve para o Fisco. Verificando e comparando cada um dos casos levantados pela fiscalização e posteriormente analisados e fundamentados pelo v. acórdão, ficará claro que a descrição usada Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 nos documentos de importação e a descrição que a fiscalização entende ser mais correta são bastante semelhantes e, por vezes, idênticas (passa a tecer comentários sobre as adições 006, 007, 008, 011, 012, 013 – itens 1 e 2, 016, itens 1 e 2, e 017). Também não se justifica a aplicação da multa do artigo 84 da MP 215835/2001. Em primeiro lugar, pelo fato de que a perfeita descrição dos produtos na documentação de importação acaba suprindo qualquer eventual indicação de código de classificação fiscal errado, como reconhecem diversas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Em segundo lugar, porque ficou claro que a Recorrente agiu inteiramente de boafé e não teve nenhuma intenção de lesar o fisco, o que, de resto, fica mais evidente ao se considerar que o tratamento tributário dado pela empresa nas importações acabou sendo mais gravoso do que o proposto pelo fisco na maioria dos casos em que foi feita a reclassificação. A jurisprudência do CARF, inclusive de sua Câmara Superior, tem reconhecido maciçamente que não se aplicam penalidades nos casos em que a descrição feita na documentação de importação permite que se identifique com clareza de qual produto se trata e qual é sua aplicação principal. O Ato Declaratório Normativo nº 12/97 da COSIT, que expressa oficialmente a opinião de que a mera indicação de classificação fiscal errada nos documentos de importação, não enseja a aplicação de multa, se a descrição do produto contiver todos os elementos necessários para identificálo. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne da questão diz com erros que teriam sido cometidos na classificação fiscal de produtos importados pela Recorrente, bem como na falta de declaração de todos os elementos necessários a sua correta classificação, o que teria acarretado a cobrança do imposto de importação, do imposto sobre produtos industrializados, de juros e multas, proporcional e de controle administrativo. Preliminarmente, alega a Recorrente cerceio o seu direito de defesa, uma vez que a fiscalização não teria fornecido o laudo técnico que fundamentou o lançamento e fora referido na descrição dos fatos dos autos de infração, destinado, portanto, a subsidiar a classificação fiscal dos produtos na fase inquisitiva do procedimento, de forma que não foi cientificado sobre a sua elaboração e sobre os detalhes nele abordados, informações que seriam necessárias para que pudesse constatar a sua veracidade e a equivalência entre o que contido no laudo e o registrado nos autos de infração. Não há como acordar com alegação da Recorrente. Primeiro, porque os autos de infração trazem, ao seu final, a informação de que os integram todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados, o que inclui, por óbvio, o laudo técnico expressamente citado na descrição dos fatos e faz presumir, salvo prova em contrário, tenham sido remetidos à Recorrente. Segundo, e mais importante, porque a Recorrente obteve cópia de todo o processo antes da apresentação de sua impugnação, conforme comprova a Solicitação de Cópia de Documentos, datada de 18/12/2006 e acostada à fl. 213. Assim, ainda que não lhe tenha sido remetido o laudo técnico, teve acesso ao Pedido de Exame Laboratorial de fl. 65, no qual Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 357 9 elencados os quesitos formulados pela fiscalização e, a partir da fl. 72, as respostas fornecidas pelo laboratório, que informou, ademais, por quais meios se deu a identificação do material posto em análise (identificação química, identificação por infravermelho, Ressonância Magnética Nuclear Protímica e de Carbono13 etc.). A leitura da descrição dos motivos de fato e de direito que levaram à autuação também comprova a validade do lançamento, posto que muito bem delineados no campo próprio dos autos de infração, tanto que nenhum empeço teve a Recorrente de os contestar, na instância de origem ou mesmo neste Colegiado. Rejeitada a preliminar de nulidade, passo ao exame de mérito do lançamento. E, ao fazêlo, entendo não assistir, no todo, direito à Recorrente. Com efeito, a instância a quo já comentou, de forma cristalina, em relação a cada umas das adições que compõem a Declaração de Importação, os erros que teriam sido cometidos pela Recorrente, ora apenas quanto à classificação fiscal, ora quanto à falta de elementos necessários à perfeita identificação do produto importado. Depois da análise realizada, exonerou parcialmente a multa do controle administrativo apenas quanto às adições 002 item 2, 013 — item 3 e 015 item 3. Contra a manutenção das demais exigências, afirma a Recorrente afigurarse a aplicação das multas absolutamente descabida, porque, em relação à esmagadora maioria dos produtos, a descrição que fora efetuada nos documentos de importação permitiria a perfeita identificação de gênero e espécie dos produtos importados. Sustenta, ademais, que apenas em dois casos houve erro de digitação por parte da pessoa que preencheu a documentação e, ainda assim, em um desses casos, a reclassificação tarifária feita resultou na aplicação de carga tributária muito menos onerosa. Embora não pelos motivos levantados pela Recorrente, a multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decretolei n.º 37, de 1966, não é de ser aplicada no caso ora em julgamento. Como já enfrentado noutras oportunidades pelo CARF, o erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, sendo indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Por comungar com esse mesmo entendimento, transcrevo e adoto como razão de decidir, na parte a ele referente, o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento nos autos do processo administrativo n.º 11128.006503/200591 (Acórdão CARF/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária n.º 310200.757, sessão de 27/08/2010): Da multa por falta de licenciamento. Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa sancionadora da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), que substituiu a Guia de Importação (GI), encontrase prevista na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, com os seguinte dizeres: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) (grifos não originais). Na data em ocorreu a operação de importação objeto da presente autuação já estava em operação o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, no âmbito do qual passou a ser realizado todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras. Nos termos do § 1º do art. 6º1 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992, a GI foi substituída pela LI, passando a ser este o novo documento base do controle administrativo das importações. De acordo com a nova sistemática, as operações de importação passaram a ser submetidas a duas modalidades de licenciamento: o licenciamento automático e o licenciamento não automático. O que diferencia uma modalidade da outra é a necessidade ou não do controle administrativo prévio ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do início do despacho aduaneiro, conforme o caso. Na primeira modalidade é dispensável a anuência prévia dos Órgãos intervenientes no comércio exterior, enquanto que na segunda, a autorização prévia dos referidos Órgãos é sempre exigida. Nessa última modalidade, sem a autorização prévia do respectivo órgão anuente, o Decex fica impedido de emitir a LI, acarretando o cometimento da infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a penalidade fixada na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966. Em complementação ao disposto na legislação de regência, na época em que ocorreram as operações de importação objeto da presente autuação, o assunto encontravase disciplinado na Portaria Secex nº 21, de 1996, especificamente nos dispositivos a seguir transcritos: 1 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 358 11 Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT n°291, de 12 de dezembro de 1996. § 2° As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. (...) Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. (...) Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto. Essa sistemática de licenciamento vigorou até 02 /12 /2003, quando entrou em vigor a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003, que introduziu nova denominação para os procedimentos de licenciamento das importações, dividido em três modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento não automático. De acordo com a nova sistemática, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento das importações (art. 7º2). O licenciamento automático apenas passou a ser exigido nas operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º3). Por fim, o 2 "Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF". 3 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex, também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) amparo do regime aduaneiro especial de ' drawback'" Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 licenciamento não automático foi estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º da referida Portaria, a seguir transcrito: Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) sem cobertura cambial nos casos previstos nesta Portaria. (grifos não originais) No novo modelo, em relação às importações dispensadas de licenciamento, os importadores estão obrigados tãosomente a providenciar o registro da operação na Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. Nas outras duas modalidades (licenciamento automático ou não), o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações da operação de importação previamente ao embarque da mercadoria no exterior, para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo no Siscomex, ou anteriormente ao início do despacho aduaneiro, para as operações definidas no § 1º do art. 10 da nova Portaria, a seguir transcrito: Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. § 1º Nas situações abaixo indicadas, o licenciamento poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria no exterior, mas anteriormente ao despacho aduaneiro, exceto para os produtos Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 359 13 sujeitos a controles previstos no Tratamento Administrativo no Siscomex: I importações ao amparo do regime aduaneiro especial de "drawback" ; II importações ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio, exceto para os produtos sujeitos a licenciamento; III sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq. (grifos não originais). Fazendo um paralelo, entre as duas sistemáticas introduzidas pelas Portaria Secex nº 21, de 1996 (revogada) e nº 17, de 2003, observase que, regra geral, os procedimentos que passaram a ser adotados para as operações dispensadas de licenciamento eram aqueles aplicáveis às operações sujeitas à licenciamento automático na nova sistemática anterior, com exceção dos produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais, previsto no art. 10 4 da Portaria Secex nº 21, de 1996, e relacionados no Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 17 de dezembro de 1997, com as alterações posteriores. Assim, comparando as duas sistemáticas de licenciamento temse o seguinte quadro comparativo: Port. Secex nº 21, de 1996 (arts. 7º a 10) Port. Secex nº171, de 2003 (arts. 6º a 10) Licenciamento Automático (LA) – regra geral Dispensado de Licenciamento LA – produtos sujeitos a procedimentos especiais Licenciamento Automático Licenciamento Não Automático Licenciamento Não Automático Em suma, as operações de importações sujeitas a licenciamento automático da antiga sistemática, com exceção dos produtos sujeitos a procedimentos especiais, estavam dispensados de 4 "Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame das condições gerais de comercialização, divulgará, por meio de Comunicado público, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais que deverão ser observados nos casos de licenciamento automático ou não automático". Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 controle administrativo, da mesma forma que também estão as operações dispensadas de licenciamento no novel regime de licenciamento. Por outro lado, os produtos previstos no tratamento administrativo no Siscomex, ainda que integrando a sistemática de licenciamento automático, estavam sujeitos a controle administrativo, portanto, necessitavam de anuência e de licenciamento previamente ao embarque no exterior ou ao início do despacho aduaneiro, conforme o caso. (grifos do original). Assim sendo, tendo a importação se realizado em 27/02/2002, absolutamente ilegal, no caso ora em julgamento, a aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto lei n.º 37, de 1966, porque ausente um dos pressupostos fáticos necessários a sua aplicação. O mesmo entendimento, contudo, não se estende, à míngua de equivalência entre as situações, à multa de um por cento prevista no art. 84 da MP n.º 215835/2001, pois a sua incidência apenas reclama a mera classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria ou, alternativamente, a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Assim, basta para a aplicação da penalidade prevista no art. 84 da MP n.º 2158 35/2001 a errônea classificação fiscal do produto importado (fato inequívoco nos autos), sendo de todo impertinente alegar, como motivo para a sua não exigência, o fato de o reenquadramento realizado pela fiscalização ter acarretado a redução dos valores a serem recolhidos em virtude da importação ou a ausência de máfé por parte do importador. Em conclusão, devem ser mantidos os tributos não recolhidos em razão do erro de classificação fiscal, mas acrescidos de juros de mora, da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro e da multa proporcional de 75%. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para exonerar apenas a multa de controle administrativo prevista no art. 169, I, “b”, do Decretolei n.º 37, de 1966. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 360 15 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10314.010052/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 15/07/2002 a 18/05/2005
IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ATO DECLARATÓRIO SRF Nº 07, DE 26/07/2005, APLICÁVEL A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE.
As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submete-se à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 26/07/2005.
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. PROPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO.
Relativamente às multifuncionais CX-3200 e CX-5200, como a Recorrente optou por discutir a sua classificação fiscal perante o Poder Judiciário, ocorreu renúncia administrativa sobre o tópico, nos termos da Súmula nº 15, deste colendo CARF:
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3301-001.815
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB-RJ 1772-B.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ATO DECLARATÓRIO SRF Nº 07, DE 26/07/2005, APLICÁVEL A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 26/07/2005. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. PROPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. Relativamente às multifuncionais CX3200 e CX5200, como a Recorrente optou por discutir a sua classificação fiscal perante o Poder Judiciário, ocorreu renúncia administrativa sobre o tópico, nos termos da Súmula nº 15, deste colendo CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 00 52 /2 00 5- 27 Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OABRJ 1772B. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra decisão da DRJ de São Paulo (I) que julgou parcialmente procedente os autos de infração de II, IPI, PIS/COFINS Importação, Multa de Ofício de 75%, Multa de 1% por erro na classificação da mercadoria (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158, de 24/08/2001) e Juros SELIC, decorrente da desclassificação fiscal da mercadoria produzida pela Contribuinte, constituídos em 31/10/2005. O lançamento desencadeouse da decisão prolatada, no processo de consulta n° 13896.0002961200324, respondida em 28/01/2005 (fls. 165/169), tendo a própria interessada como consulente, em que se concluiu que "unidades multifuncionais que combinam as funções de impressora colorida jato de tinta, digitalizador de imagens ("scanner") e copiadora colorida (autônoma, sem uso de microcomputador), modelos Epson Stylus CX3200 e Epson Stylus CX 5200, fabricante Epson", devem ser classificadas no código 9009.21. 00 (copiadoras) . A Consulente foi cientificada sobre o resultado da Consulta em 16/02/2005 (AR fl. 120). Afim de suspender a exigibilidade do crédito tributário, a Impugnante efetuou, antes de decorridos os 30 dias da data da intimação da Solução de Consulta, anteriormente a lavratura do Auto de Infração (que ocorreu em 31/10/2005), a interessada ingressou com Ação Declaratória com Pedido de Depósito Judicial, em 18/03/2005, (doc. 8 – fl. 323 e seguintes) com os seguintes objetivos: "a) autorização para efetuar depósito judicial referente à diferença do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados decorrente das distintas alíquotas aplicáveis aos "scanners" código TEC 8471.90.14, e às copiadoras, código TEC 8009.21.00, na importação e comercialização das unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200; b) a declaração de que as unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200 estão enquadradas no código TEC 8471.60.21, referente à impressoras;” Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.010052/200527 Acórdão n.º 3301001.815 S3C3T1 Fl. 1.546 3 A decisão recorrida manteve parcialmente a exigência, recorrendo de ofício em relação à parte exonerada, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 15/07/2002 a 18/05/2005 DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA. Uma vez formulada a consulta, o sujeito passivo obrigase a adoção da classificação fiscal indicada na correspondente solução, e ao recolhimento dos tributos correspondentes. CONCOMITÂNCIA propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto, pelo sujeito passivo, não deve ser conhecido no âmbito administrativo. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL. Não é devida multa de ofício sobre o crédito tributário suspenso pelo depósito do seu montante integral, realizado antes de encetado qualquer procedimento de ofício a ele relativo. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (CONCOMITÂNCIA). Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL NÃO COMPROVADA. A ausência de Laudo Técnico capaz de identificar com segurança os produtos importados, implica na manutenção da classificação tarifária indicada pelo importador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A decisão recorrida faz referência ao Ato Declaratório Interpretativo n° 7, de 26/07/2005, da Secretaria da Receita Federal, publicado no D.O.U., de 28/07/2005, que dispõe sobre a classificação fiscal de máquinas multifuncionais, corroborando mesmo entendimento expressado na Solução de Consulta: "O Secretário da Receita Federal, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e considerando o que consta no processo n° 10168.0001741200536, declara: Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de fac Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 simile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificamse na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. " Logo, a decisão recorrida manteve parcialmente a exigência com exigibilidade suspensa, reconhecendo a concomitância com o Poder Judiciário, tendo em vista que antes de decorridos os 30 dias da intimação da consulta, o contribuinte efetuou o depósito judicial da diferença dos tributos em relação as máquinas CX3200, as Declarações de Importação através das quais foram despachadas as máquinas CX3200, e que constam do Auto de Infração (as DI, com o crédito tributário suspenso estão relacionadas às fls. 733). Excluiu a multa de 75%, com fulcro no art. 63 da Lei n° 9.430/96, em razão de ter ocorrido depósito do montante integral, nos termos do art. 151, II, do CTN. Ainda em relação às DI, com exigibilidade suspensa, objeto da Solução de Consulta e da Ação Judicial, a decisão recorrida manteve a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por erro de classificação fiscal (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul — conforme determina o art. 84, I da MP 2.15835/2001). Igualmente manteve a exigência dos Juros de Mora do Crédito Tributário Suspenso, por se tratar de mera decorrência do principal e, portanto, considerados definitivamente constituídos na esfera administrativa, juntamente com os tributos, que são discutidos na via judicial. Em relação à exigência sobre as demais mercadorias importadas, que não foram objeto da Solução de Consulta, a mesma foi excluída pela decisão recorrida, tendo em vista que nas DI´s constam somente o modelo da máquina, não estando descritas como sendo multifuncionais, bem como pela falta de Laudo Técnico, folhetos, etc., que demonstrasse com segurança, as características equipamentos importados, o que comprometeu o lançamento. Também, pelos mesmos motivos, foi exonerado todo o crédito tributário referente a PIS/COFINS, tendo em vista que todas as Declarações de Importação listadas no Auto de Infração faz menção a outras máquinas, ou seja, que não foram objeto da consulta, vide fls. 127 a 132, 137 a 140, e 143 a 147. Por fim, constam as DI`s de nº 02/06195014/002 e 02/07346806, que a própria contribuinte declarou como sendo multifuncionais, mas que a autoridade administrativa entendeu que não se enquadram na definição de unidades multifuncionais, mas que configuram, de fato, em impressoras híbridas, enquadradas sob o código 8471.60.29. Diz que a Impugnante alegou que o produto não se enquadra na definição de unidade multifuncional, porquanto não possui a função de copiadora, atuando, de fato, como uma mini impressora utilizada, precipuamente, para o preenchimento de cheques no modelo matricial, bem como para fins de scannear documentos monocromáticos do tamanho de um cheque ", sendo que quando da importação dos referidos produtos, promoveu a entrada sob a classificação de "scanner" (código 8471.90.14), a qual entendeu indevida pelas razões que alegou. De acordo com os extratos das DI´s, anexados pela fiscalização, observamos que a própria interessada descreve estas máquinas como sendo MULTIFUNCIONAL, fato incontroverso, para que a classificação fiscal destas máquinas seja mantida na classificação adotada pela fiscalização, tendo em vista o Ato Declaratório Interpretativo no 7, de 26/07/2005, Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.010052/200527 Acórdão n.º 3301001.815 S3C3T1 Fl. 1.547 5 acima citado, da Secretaria da Receita Federal, publicado no D.O.U., de 28/072005, que dispõe sobre a classificação fiscal de máquinas multifuncionais. Assim, é procedente o lançamento em relação as Declarações de Importação de n°s 02/06195014/002 e 02/07346806. Nesse sentido, ressalta que a interessada efetuou o pagamento da diferença dos tributos, em 07/12/2005, após a ciência do Auto de Infração, mas, diferença esta resultante da classificação distinção tarifária de 8471.90.14 para 8471.60.29, conforme seu entendimento, acrescida os juros de mora e da multa punitiva, calculada no valor de 50% do débito principal. Sendo mantida a exigência em relação às 2 D.I., tendo em vista que a autuação ocorreu antes do pagamento da diferença dos tributos. Cientificada em 26/03/2010 (AR – fl. 883), foi interposto recurso voluntário em 27/04/2010 (fls. 885/907), alegando, em sede de preliminar, que a decisão ora recorrida, a Autoridade julgadora a quo acertadamente reconheceu a, integralidade do depósito judicial, tendo julgado pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até a conclusão da ação judicial, devendo ser mantida a suspensão 'da exigibilidade relativamente às DI's apontadas às fis. 733, até a conclusão defínitiva' da ação judicial distribuída sob o nº 2005.61.00.0035852. Aduz que em que pese o brilhantismo da decisão recorrida relativamente aos itens exonerados, equivocase a D. Autoridade Julgadora a quo quanto à classificação fiscal destas impressoras térmicas registradas nas DIs 02/06195014/002 e 02/07346806 como se "copiadoras" fossem. Ressaltando que o produto em questão ("Impressora Multifuncional com Digitalizador de Imagens TMH6000II721") sequer possui a função de copiadora, tratase de equipamento que atua apenas como uma mini impressora, utilizada especificadamente para o preenchimento de cheques no modelo matricial, bem como para fins de digitalizar documentos do tamanho de um cheque. Sendo assim, como classificar como "copiadora" impressora térmica que sequer realiza a função de copiadora?! Alternativamente à classificação do equipamento como impressora, poderse ia, ad argumentandum, classificálo como "scanner", classificação fiscal originalmente adotada pela Recorrente, i.e., anteriormente ao recebimento do laudo do IPT. Ocorre que, em consonância ao laudo emitido pelo IPT, a classificação fiscal das multifuncionais deve ser realizada pela sua essencialidade. Sendo assim, tal como ocorre relativamente às demais impressoras multifuncionais, estes equipamentos também possuem como função primordial a impressão. Especificadamente no presente caso, a impressão dos campos para preenchimento de cheques. Como bem apontado pelo IPT, para que o conceito de multifuncional seja aplicado, o equipamento deve possuir, pelo menos, duas funções. Exatamente pela multiplicidade das funções, a classificação fiscal deve ser realizada considerando a função essencial do Produto, sua natureza, a disposição dos códigos na TEC, inclusive os capítulos e seções nos quais se insere, bem como as Regras Gerais de Interpretação. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Nesse sentido, tal como ocorre relativamente às multifuncionais modelos CX3200 e Epson Stylus CX 5200, deve ser aplicada a classificação apontada pelo IPT também relativamente ao modelo TMH6000II. Como demonstrado, constatase que a funcionalidade essencial do modelo TM1—116000II é a impressão térmica Para o preenchimento de chegues. DA IMPOSSIBILIDADE APLICAÇÃO DA MULTA PROPORCIONAL DE 1% Sob a acusação de suposta classificação incorreta realizada pela ora Recorrente, a I. Julgadora a quo manteve a aplicação da multa de 1%, disposta no inciso I, do artigo 84 da MP n0 2.15835/01, aplicável relativamente a todas as DI's objeto do lançamento ora guerreado. Para a aplicação da multa, Doutos Julgadores, as seguintes indagações devem ser previamente respondidas: a) Que irregularidade poderia ser praticada, se a própria Recorrente foi quem formulou consulta fiscal às Autoridades Fiscais? b) Como se falar em irregularidade, se a própria Recorrente procedeu a retificação de suas DI's antecipadamente a qualquer procedimento fiscalizatório? e c) Como se alegar irregularidade se a Recorrente apenas se amoldou ao laudo técnico emitido pelo IPT? Alega que antecipadamente a qualquer procedimento fiscalizatório, por meio de denúncia espontânea, foi a Recorrente quem efetuou a retificação de suas DI "s, de modo a ajustar a classificação fiscal conforme o entendimento do IPT. Aduz por fim que no presente caso não se classifica como "irregularidade" na classificação fiscal. Tratase, tão somente, de justificável divergência quanto ao entendimento da melhor classificação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Ambos os recursos são tempestivos e estão revestidos das demais formalidades devendo ser conhecidos. O recurso de ofício deve ser negado por seus próprios fundamentos. Conforme relatado, a decisão recorrida manteve parcialmente a exigência com exigibilidade suspensa, reconhecendo a concomitância com o Poder Judiciário, tendo em vista que antes de decorridos os 30 dias da intimação da consulta, o contribuinte efetuou o depósito judicial da diferença dos tributos em relação as máquinas CX3200, as Declarações de Importação através das quais foram despachadas as máquinas CX3200, e que constam do Auto de Infração (as DI, com o crédito tributário suspenso estão relacionadas às fls. 733). Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.010052/200527 Acórdão n.º 3301001.815 S3C3T1 Fl. 1.548 7 Desta forma, correta a decisão ao excluir a multa de 75%, com fulcro no art. 63 da Lei n° 9.430/96, em razão de ter ocorrido depósito do montante integral, nos termos do art. 151, II, do CTN. Igualmente em relação à exigência sobre as demais mercadorias importadas, que não foram objeto da Solução de Consulta, também excluída pela decisão recorrida, tendo em vista que nas DI´s constam somente o modelo da máquina, não estando descritas como sendo multifuncionais, bem como pela falta de Laudo Técnico, folhetos, etc., que permitisse concluir com segurança, sobre as características equipamentos importados. Consequentemente, correta a decisão também ao decidir pela exclusão da parcela relativa ao PIS e Cofins Importação, tendo em vista que todas as Declarações de Importação listadas no Auto de Infração de PIS e Cofins faz menção a outras máquinas, ou seja, que não foram objeto da consulta, vide fls. 127 a 132, 137 a 140, e 143 a 147. Em relação ao recurso voluntário, inicialmente deve ser ressaltado que o lançamento se destinou à prevenir a decadência, vez que a Recorrente Ação Declaratório com Pedido de Depósito Judicial (fls. 300/312), em 18/05/2005, com a seguinte finalidade: a) autorização para efetuar depósito judicial referente à diferença do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados decorrente das distintas aliquotas aplicáveis aos "scanners", código TEC 8471.90.14, e às copiadoras, código TEC 8009.21.00, na importação e comercialização das unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200; b) a declaração de que as unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200 estão enquadradas no código TEC 8471.60.21, referente à impressoras; Desta forma, em relação às multifuncionais CX3200 e CX5200, a Recorrente optou por discutir a sua classificação fiscal perante o Poder Judiciário, imperando a renúncia administrativa, nos termos da Súmula nº 15, deste colendo CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Entretanto, deve ser excluída a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, relativamente às DI´s, com exigibilidade suspensa, objeto da Solução de Consulta e da Ação Judicial, por erro de classificação fiscal (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul — conforme determina o art. 84, I da MP 2.15835/2001), porquanto o Auto de Infração decorreu de Solução de Consulta formulada pela Recorrente, tendo a mesma ingressado com Ação Judicial antes de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias, dentro do prazo ressalvado pelo art. 48, do Decreto nº 70.235/72. Ademais disto, o crédito tributário encontrase com exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial integral perante o Poder Judiciário, sendo improcedente a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 Igualmente devem ser excluídos parcialmente os juros de mora sobre o crédito tributário com exigibilidade suspensa, em razão do crédito tributário estar com exigibilidade suspensa e acompanhado de depósito judicial, nos termos do art. 151, II, c/c art. 161, do Código Tributário Nacional. Só é devida a incidência de juros de mora até à data do integral depósito judicial, conforme a seguinte decisão do colendo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL TRIBUTÁRIO NULIDADE DO JULGADO POR VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC FINSOCIAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LEVANTAMENTO DO DEPÓSITO CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA TRD MULTA. Não há nulidade do acórdão que rejeita os embargos de declaração, se foram apreciadas e decididas todas as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. Caso o depósito judicial seja efetuado de maneira integral, a exigibilidade do crédito tributário fica suspensa a partir de sua efetivação (artigo l5l, inciso II do CTN), mas até a data do depósito incidem os juros de mora e a multa, eis que havendo pedido de parcelamento, há confissão da dívida. Os juros de mora, e a correção monetária, a partir do depósito, são pagos pela instituição financeira depositária e não pelo contribuinte. A aplicação da TRD, como juros moratórios, para remunerar o capital, é diferente da aplicação da TRD como indexador para corrigir o débito. Nada impede a incidência de juros de mora equivalente à TRD sobre o débito confessado. Recurso parcialmente provido. (REsp 221.560/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/09/1999, DJ 25/10/1999, p. 65) Igualmente decidiu o colendo Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, merecendo destacar o seguinte trecho elucidativo: 2. "De acordo com o art. 156, I, do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário. Se o pagamento por parte do contribuinte ou a transformação do depósito em pagamento definitivo por ordem judicial (art. 1º, § 3º, II, da Lei n. 9.703/98) somente ocorre depois de encerrada a lide, o crédito tributário tem vida após o trânsito em julgado que o confirma. Se tem vida, pode ser objeto de remissão e/ou anistia neste ínterim (entre o trânsito em julgado e a ordem para transformação em pagamento definitivo, antiga conversão em renda) quando a lei não exclui expressamente tal situação do seu âmbito de incidência". (REsp 1.251.513/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 17.08.2011) Logo, deve excluída a parcela de Juros Selic a partir da data do depósito integral, e mantida a exigência desde o vencimento até à data do depósito judicial integral. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.010052/200527 Acórdão n.º 3301001.815 S3C3T1 Fl. 1.549 9 Em relação às Declarações de Importação de n°s 02/06195014/002 e 02/07346806, cujas respectivas exigências foram mantidas pela decisão recorrida, constando que a interessada efetuou o pagamento da diferença dos tributos, em 07/12/2005, após a ciência do Auto de Infração, mas, diferença esta resultante da classificação distinção tarifária de 8471.90.14 para 8471.60.29, conforme seu entendimento, acrescida os juros de mora e da multa punitiva, calculada no valor de 50% do débito principal. A decisão recorrida encontrase fundamentada nesse ponto, da seguinte forma: De acordo com os extratos das DI´s, anexados pela fiscalização, observamos que a própria interessada descreve estas máquinas como sendo MULTIFUNCIONAL, fato incontroverso, para que a classificação fiscal destas máquinas seja mantida na classificação adotada pela fiscalização, tendo em vista o Ato Declaratório Interpretativo no 7, de 26/07/2005, acima citado, da Secretaria da Receita Federal, publicado no D.O.U., de 28/072005, que dispõe sobre a classificação fiscal de máquinas multifuncionais. Portanto, em relação a estas 2 D.I. o crédito deve ser mantido, tendo em vista que a autuação ocorreu antes do pagamento da diferença dos tributos. De acordo com a Recorrente, esses dois produtos não se enquadram na definição de unidades multifuncionais, mas que configuram, de fato, em impressoras híbridas, enquadradas sob o código 8471.60.29. A Recorrente protocolou em 20/03/2013, no Protocolo Geral deste colendo CARF, os memoriais sobre o presente processo, sendo juntado ao mesmo o Acórdão nº 3802 01.070, prolatado pela 2ª Turma Especial, onde a própria Contribuinte figura também como Recorrente: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 23/11/2005 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 2.15835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 26/07/2005. Nulidade do Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido.” (Data da Sessão: 26/06/2012, Rel. Solon Sehn). Portanto, o assunto encontrase pacificado no âmbito do Mercosul, e igualmente junto a este CARF, devendo ser provido o recurso da Contribuinte, em razão da Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 mesma ter utilizado o enquadramento dos produtos das DI`s de nº 02/06195014/002 e 02/07346806, na classificação fiscal 8471.60.29. Em face do exposto voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso de ofício, conhecer em parte do recurso voluntário, em razão da opção para discutir o assunto na via judicial, e na parte conhecida darlhe provimento parcial, mantendo a exigência dos juros de mora desde à data do vencimento do tributo até à data do depósito judicial integral. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10970.000382/2010-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO.
A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
Numero da decisão: 3802-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 03 82 /2 01 0- 38 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.537, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “O presente processo originouse do auto de infração de fls. 211/224, lavrado contra o interessado, em 11/06/2010, para exigência do crédito tributário de IPI no montante de R$127.937,95, relativamente aos períodos de apuração dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, assim discriminado: MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO (Passível de Redução)...................................................................................................R$127.937,95 TOTAL DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO...................................R$127.937,95 Os Termos de Verificação de Infração Fiscal constam das fls. 111/199 202/210, formatados para os diversos PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte nos períodos de apuração nos quais incidiu a autuação, e o Enquadramento Legal está descrito às fls. 223 (infração) e 218 (multa e juros de mora). A presente autuação teve sua origem na verificação da legitimidade de créditos apresentados em diversos PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte para os períodos de apuração compreendidos entre 1º trimestre de 2004 e o 1º trimestre de 2007, inclusive, comandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 06109002010000273. Exemplificadamente, citase o Termo de Verificação Fiscal referente ao PER/DCOMP nº 40273.34877.250407.1.7.013878 (3º trimestre de 2005), às fls. 111/117, segundo o qual a autuação resultou de erro na alíquota aplicada e de erro da classificação fiscal, explicitados pelo autuante nos seguintes termos: [...] durante o exame das saídas (vendas e transferências), foi verificado que a interessada apesar de ter classificado corretamente os produtos relacionados no quadro abaixo, deixou de destacar o IPI nas Notas Fiscais de saída, vez que, conforme TIPI, são tributados à alíquota de 7%. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 112 3 Verificouse, também, que a interessada adotou a classificação fiscal 2828.90.11 da TIPI para os produtos relacionados no quadro abaixo, tributandoos à alíquota zero. Ao ser indagada do embasamento que deu suporte à classificação fiscal a empresa respondeu: “A alteração da NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo.” [...] esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10%. Classificação que resultará, juntamente com aqueles valores que deixaram de ser destacados, na diferença de R$21.280,85 abaixo demonstrada e que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. Da análise fiscal, resultou a apuração de débitos que, com relação à tributação de 7% (erro de alíquota) e 10% (erro de classificação fiscal), foram observados nos 3º e 4º trimestres de 2005 e 1º e 2º trimestres de 2006. Com relação apenas à tributação de 10% (erro de classificação fiscal), foram apurados débitos nos 3º e 4º trimestres de 2006 e 1º trimestre de 2007. Como os débitos apurados foram absorvidos pelos créditos, restou o lançamento de MULTA DE IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Esse entendimento partiu da recomposição, para cada trimestre de apuração do saldo credor trimestral a que fazia jus o interessado. Lavrado o auto de infração, com ciência do autuado em 16/06/2010, segundo o Aviso de Recebimento à fl. 226, este apresentou tempestivamente, em 15/07/2010, conforme protocolo de recepção do documento, à fl. 227, a impugnação de fls. 227/233, para alegar que: Os produtos em questão, a água sanitária e o alvejante produzidos pela Requerente, apresentam a seguinte composição química: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A Requerente tem comercializado tais produtos rotineiramente utilizandose da classificação fiscal 2828.90.11, indicada para produtos que apresentem em sua composição química predominância do Hipoclorito de Sódio, que resulta na tributação dos mesmos pelo IPI à alíquota de 0%. [...] Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominado é o Hipoclorito de Sódio. Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 – Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: os elementos químicos isolados ou compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; as soluções aquosas dos produtos da alínea a) acima; Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização) indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos prestem se à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 113 5 Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure – e predomine – o Hipoclorito de sódio. Nesses termos segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação específica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. É o relatório”. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a impugnação apresentada. Vejase: “ASSSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ALVEJANTE E ÁGUA SANITÁRIA VALOR As preparações produzidas pelo contribuinte, alvejante e água sanitária, ambas constituídas de hipoclorito de sódio em solução aquosa e outros componentes ( para o alvejante, hidróxido de sódio (soda cáustica), carbonato de sódio e perfume floral, e para a água sanitária, hidróxido de sódio), comercialmente Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 denominados ÁGUA SANITÁRIA VALOR E ALVEJANTE VALOR FLORAL, apresentadas em garrafas plásticas de 1000ml e 2000ml, classificamse no código NCM 3402.20.00. Dispositivos Legais: RGI 1º (texto da posição 34.02) e 6ª (texto da subposição 3402.20) e RGC1 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.545, de 26 de dezembro de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007 LANÇAMENTO DECORRENTE DE ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Mantida a classificação fiscal em decorrência da qual foi efetuado o lançamento de ofício, mantido está o auto de infração. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE. É definitivo o lançamento de ofício relativo aos créditos tributários não impugnados pelo autuado. Tais créditos devem ser de imediato exigidos do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na impugnação e enfatizando a aplicação do critério de seletividade ínsito ao IPI para reforçar sua tese. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado unicamente a combater a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa com relação a dois tipos de produtos industrializados pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”. A composição química de ambos os produtos não é objeto de celeuma, sendo parte incontroversa da presente lide administrativa. Inclusive é de se ressaltar que a interação do hipoclorito de sódio com outros compostos químicos foi a origem de todo o imbróglio. Isso se verifica facilmente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 111123, donde destaco o seguinte excerto constante de fl. 112: Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 114 7 A classificação adotada pela empresa a partir de 14/02/2004 é específica para o Hipoclorito de sódio (NaCIO.6H2O), o que não é o caso dos produtos acima, que resultam da diluição do referido produto, em forma aquosa, em água e adicionados outros produtos. A missão do Recorrente, desde então, tem sido a de defender seu ponto de vista, no sentido de que está correto em aplicar a classificação fiscal própria do hipoclorito de sódio. O Recorrente demonstra total domínio das normas sobre o caso, e discorre acerca do que entende como dois critérios possíveis de classificação fiscal, conforme o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: Em seguida, o Recorrente afirma que o enquadramento de certo produto “deve ser regido especialmente pela aplicação dos valores condicionais a que o mesmo está sujeito”, como intróito para uma defesa segundo a seletividade do IPI – o que acarretaria a escolha de uma classificação fiscal mais favorável. Ora, em que pesem as sensíveis alegações do Recorrente quanto ao princípio da seletividade, que possui raízes profundas na filosofia da tributação e se destina a atingir a capacidade contributiva de modo mais eficiente, combatendo o capital marginal de quem adquire produtos menos essenciais, seus argumentos não merecem acolhida em sede de Recurso Voluntário. Isso porque a classificação fiscal de mercadorias não é, em si, um princípio que permita escolhas conforme a finalidade do produto, ou mesmo a conveniência administrativa. É regra de direito, e, como tal, é de aplicação objetiva. Tanto assim que Ronald Dworkin, ao dispor sobre a diferença de consideração entre regras e princípios, foi extremamente feliz ao considerar: Denomino princípio um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 política ou social considerada desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou eqüidade ou alguma outra dimensão da moralidade [...]. A diferença entre princípios jurídicos e regras jurídicas é de natureza lógica. Os dois conjuntos de padrões apontam para decisões particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias específicas, mas distinguemse quanto à natureza da orientação que oferecem. As regras são aplicáveis à maneira do tudoounada. Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra é válida, e neste caso a resposta que ela fornece deve ser aceita, ou não é válida, e neste caso em nada contribui para a decisão. (Levando os direitos a sério. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pp. 3942) A seletividade, como princípio que é, ainda que tenha forte conotação normativa por ser obrigatória para o IPI nos termos do art. 153, § 3o, da CRFB, termina por ser orientadora das normas constantes da Tabela do IPI, a qual objetivamente impõe as alíquotas e critérios de classificação fiscal próprios. Desse modo, caso o contribuinte entenda que a Tabela do IPI contraria a seletividade ínsita ao imposto, deve se valer das vias próprias para tanto. Todavia, ao CARF não compete apreciar argüições de inconstitucionalidade das normas aplicáveis, conforme seu Regimento Interno e enunciado de Súmula n. 2. Logo, a escolha feita pelo Recorrente, espelhada no excerto abaixo, de classificar os produtos objeto do presente litígio quanto à finalidade, revelase em si equivocada, porquanto a classificação fiscal de mercadorias é feita com base nos critérios objetivamente dispostos na TIPI: Igualmente equivocada, ao meu ver, a tentativa de enquadramento do caso ao precedente trazido em seu Recurso Voluntário no processo 10380.007467/9612, pois ali se discutia a classificação fiscal de sacos plásticos utilizados para acondicionar alimentos, diferentemente de outras finalidades. Sacos plásticos sempre serão sacos plásticos, enquanto a distinção traçada no caso em tela diferencia a natureza do produto em si. E ainda na seara da seletividade, a arguição de que os produtos se destinam a desinfecção termina não se mostrando de muito alento, dado que as soluções ora analisadas permanecem com a mesma destinação – desinfecção –, resultando prejudicada uma discussão sobre o critério de discrímen adotado na distribuição de cargas tributárias aos diferentes produtos. Indo mais além, a tarefa do Recorrente deveria ter se fiado em demonstrar, sim, que os compostos químicos indicados pela autoridade administrativa não desnaturam a característica dos produtos em serem um tipo – enquanto destinado para o mercado varejista – de “agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01” (subgrupo 34.02 da TIPI, com denominação própria para Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 115 9 venda a retalho no item 3402.20.00), para serem simples “hipocloritos de sódio” (item 2828.90.11 da TIPI). E nesse mister em especial, restou carente o Recurso Voluntário. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10830.720891/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010
IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA.
Cobra-se o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas.
MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO.
Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. Cobra-se o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 DECADÊNCIA. PRAZO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. No caso de evidente intuito de fraude, a regra para contagem do prazo decadencial deslocase para a do art. 173, I, do CTN e iniciase, assim, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ser exigido. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A presença de circunstância qualificativa, reveladora de dolo na conduta o sujeito passivo, autoriza a exasperação da penalidade pecuniária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A matéria não impugnada não faz parte do litígio e não pode ser apreciada em sede de recurso voluntário. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 DESINFETANTES. Os desinfetantes apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto têm enquadramento nos códigos de classificação fiscal da NCM, 3808.94.10, de 01/10/2007 a 31/12/2007, e 3808.94.19, a partir de 01/01/2008, com alíquota de 5%, por força dos textos de posição, das notas de capítulo e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 91 /2 01 1- 66 Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.776 2 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 2725 a 2766) apresentado em 29 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 1436.182, de 21 de dezembro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 2675 a 2717), cientificado em 08 de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2010, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.777 3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESINFETANTES. Os desinfetantes apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto têm enquadramento nos códigos de classificação fiscal da NCM, 3808.94.10, de 01/10/2007 a 31/12/2007, e 3808.94.19, a partir de 01/01/2008, com alíquota de 5%, por força dos textos de posição, das notas de capítulo e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A presença de circunstância qualificativa, reveladora de dolo na conduta do sujeito passivo, autoriza a exasperação da penalidade pecuniária. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente impugnada é incontroversa, sendo insuscetível de invocação posterior no âmbito de órgão de julgamento administrativo ad quem. INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. As intimações, para ciência, devem ser encaminhadas exclusivamente ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 28/04/2006 DECADÊNCIA. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.778 4 A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observadas circunstâncias como a fraude, indicadora de dolo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração foi lavrado em 28 de abril de 2011, de acordo com o temo de fls. 2196 a 2221. A Fiscalização informou que a ação fiscal teve início em função de pedidos de ressarcimento de créditos básicos de IPI, tendo sido apurado erro na classificação fiscal de produtos, “dentre os quais se destacam: “1 DESINFETANTES: produtos HIDROSAN PENTA, HIPOCLOR, HIDROSAN PLUS, HCL PLUS, HIDROSAN PLUS EFERVECESCENTE, TABLETE DE TRICLORO, SANTAB, DUO TAB, HCL TAB 3 EM 1, HIPERCLOR 60 e 90, HCL 56, 60, 90, 200 e HCL PENTA que foram classificados pelo contribuinte no código 2933.69.19 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “2 FLOCULANTES/CLARIFICANTES/AUXILIARES DE FILTRAÇÃO: produtos HIDROFLOC que foram classificados pelo contribuinte no código 2827.49.21 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “3 ALGICIDAS: produtos HCL ALGICIDA que foram classificados pelo contribuinte no código 3808.30.29 e 3808.93.49 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “4 – DETERGENTES: produtos LIMPA BORDA HIDROSAN que foram classificados pelo contribuinte no código 3402.90.39 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 5%; e “5 REGULADORES DE EQUILÍBRIO FÍSICOQUÍMICO (equilíbrio de PH e alcalinidade) : produtos HIDRO PH ESTÁVEL, HIDRO PH+, HIDRO PH que foram classificados pelo contribuinte no código 2836.30.00 , 2815.12.00 e 2806.10.20 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero. “Analisandose os livros fiscais, documentos e os arquivos magnéticos de notas fiscais fornecidos pelo contribuinte, bem como os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, constatouse que o contribuinte fabricou e comercializou com erros de classificação/alíquota, os produtos DESINFETANTES e DETERGENTES: “1 Os DESINFETANTES HIDROSAN PENTA, HIPOCLOR, HIDROSAN PLUS, HCL PLUS, HIDROSAN PLUS EFERVECESCENTE, TABLETE DE TRICLORO, SANTAB, JÜO TAB, HCL TAB 3 EM 1, HCL 200 e HCL PENTA, foram classificados indevidamente pelo contribuinte no código 2933.69.19 da Tabela de Incidência do IPI da TIPI, com Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.779 5 alíquota de IPI igual a zero. A classificação correta, para o período de outubro/2007 a dezembro/2007, é a posição 3808.94.10 da TIPI, e para o período de janeiro/2008 a dezembro/2010, é a posição 3808.94.19 da TIPI com alíquota de IPI igual a 5%, conforme demonstrado a seguir; “2 Os DETERGENTES LIMPA BORDA HIDROSAN foram classificados pelo contribuinte na posição 3402.90.39, de acordo com os arquivos magnéticos entregues, mas nas notas fiscais constatouse as posições 3808.40.10 e 3402.11.40 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 0%. A classificação correta, para o período de janeiro/2006 a dezembro/2010, é a posição 3402.90.39 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 5%, conforme demonstrado a seguir .” “DA TRIBUTAÇÃO “Desta forma, de acordo com o acima exposto, analisandose os livros fiscais e os arquivos magnéticos de notas fiscais fornecidos pelo contribuinte, bem como os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, verificouse que: “1 no período de 05 de outubro/2007 a dezembro/2010, o contribuinte fabricou e comercializou DESINFETANTES, que foram indevidamente classificados na posição 29.33.69.19, pois, conforme anteriormente descrito, classificamse nas posições 3808.94.10 (de 05/10/2007 a 31/12/2007) e 38.08.94.19 (de 01/01/2008 a 31/12/2010) da Tabela de Incidência do IPI TIPI; e “2 no período de janeiro/2006 a dezembro/2010, o contribuinte fabricou e comercializou DETERGENTES, que foram classificados na posição 3402.90.39, da Tabela de Incidência do IPI TIPI, mas que apresentaram erro de alíquota.” “Com base nos arquivos magnéticos de notas fiscais de saída, identificouse as que deixaram de ter o devido destaque do IPI, ou seja: “1 aquelas que tiveram saída com os códigos CFOP "5101", "5116", "6101", "6116", "5113", "6113", "5118", "6118", "5122", "6122", "5401" e "6401", e Classificação Fiscal igual a 2933.69.19, sem o correspondente destaque de IPI na nota fiscal, pois deveriam ter sido classificadas na posição 3808.94.10 (de 05/10/2007 a 31/12/2007) e 38.08.94.19 (de 01/01/2008 a 31/12/2010), com alíquota de IPI de 5%, emitidas no período de 05/10/2007 a dezembro/2010;e “2 aquelas que tiveram saída com os códigos CFOP "5101", "5116", "6101", "6116", "5113", "6113", "5118", "6118", "5122", "6122", "5401" e "6401", e Classificação Fiscal igual a 3402.90.39, sem o correspondente destaque de IPI na nota fiscal, apesar da alíquota de IPI ser de 5%, emitidas no período de 01/01/2006 a dezembro/2010.” Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.780 6 “DAS MULTAS “O presente Auto de Infração está sendo lavrado com exigência de imposto, juros moratórios , multa qualificada, multas sobre a falta de recolhimento e multas sobre a falta de destaque do IPI nas saídas dos produtos. “MULTA QUALIFICADA “Conforme descrito anteriormente, os detergentes LIMPA BORDA HIDROSAN foram classificados pelo contribuinte no código 3402.90.39 da TIPI. “No entanto constatouse que: “a) na comparação entre as cópias das notas fiscais, selecionadas por amostragem, com os arquivos de Notas Fiscais de Saídas apresentados, houve divergência na informação da classificação fiscal do produto LIMPA BORDA HIDROSAN, pois nos arquivos a classificação fiscal estava correta, ou seja, 3402.90.39, mas nas notas fiscais a classificação fiscal era 3808.40.10 ou 3402.11.40 , ambas com alíquota zero. “A posição 3402.11.40 (Mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos) foi incluída na TIPI, com efeitos a partir de 01/07/2006, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 30, de 10/07/2006, com alíquota de 5% . “O produto LIMPA BORDA é detergente, no entanto a posição 38.08.40.10 referese a desinfetantes, inclusive em sua resposta de 12/04/2011, o contribuinte informou que a classificação fiscal para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN era a 3808.40.10. “b) . apesar da posição 3402.90.39 estar correta, não houve o destaque de IPI em grande parte das Notas Fiscais (a alíquota de IPI é igual a 5%). A partir de 11/2007, ocorreram destaques de IPI em algumas notas fiscais de saídas relativas às vendas de DETERGENTES, sendo a maioria delas para os códigos CFOP 5922 e 6922. “Intimado, o contribuinte informou que nas operações de vendas para entrega futura, o destaque de IPI ocorria no momento da venda (CFOP 5922 e 6922) e não na entrega da mercadoria (CFOP 5116 e 6116). No entanto, constatouse irregularidade no destaque de IPI nos códigos CFOP "5101", "6101", "5922", "6922", "5113", "6113", "5401" e "6401". “Na verdade, o contribuinte sempre teve ciência da posição correta, pois os arquivos entregues a esta fiscalização informaram a classificação fiscal 3402.9039, de 01/01/2006 até 31/12/2010, para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN.” “Pelos motivos acima descritos, a infração constatada em relação ao produto DETERGENTE LIMPA BORDA HIDROSAN está sendo aplicada com a multa qualificada de 150% prevista no inciso II do artigo 80 da Lei n° 4.502/64 , no artigo 45 da Lei n° 9.430/96 e no artigo 13 da Lei n° 11.488/2007, pois a conduta Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.781 7 irregular do contribuinte ao fazer a tributação do IPI , durante os 5(cinco) anoscalendário, caracteriza o intuito de fraude . “Não foram somente as operações de venda para entrega futura com códigos CFOP 5116 e 6116 x 5922 e 6922 que apresentaram irregularidade de destaque de IPI. Constatouse que houve operações de vendas nos códigos CFOP 5101 e 6101 que também tiveram destaque de IPI, ou seja, o contribuinte tinha ciência do dever de destacar o IPI, não o fez deliberadamente, ou seja, deu tratamentos tributário distintos ao mesmo fato. “O contribuinte revelou conhecimento a respeito da natureza tributável da operação, não podendo alegar que desconhecia a natureza jurídica da venda, pois chegou a destacar IPI sobre o mesmo tipo de operação. “O destaque do IPI na Nota Fiscal, ocorrido em operações da mesma natureza, evidencia a consciência do contribuinte de que poderia agir para evitar a lesão ao bem jurídico. Desse modo, sua decisão acerca da inação se dirigiu finalisticamente ao resultado típico, deixando de executar a ação que lhe era possível, por efeito de sua vontade, o que justifica a qualificação da multa. “MULTA DE OFÍCIO "IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO" “Observese que o valor total de IPI lançado foi de R$ 6.649.921,23 (vide quadro da pagina 18), mas o valor do imposto, exigido no presente Auto de Infração, foi de R$ 3.566.359,57. A diferença entre o valor lançado e o valor exigido corresponde a R$ 3.083.561,66, e significa que este valor foi coberto com créditos existentes no RAIPI. “Além disso, para o produto DETERGENTE LIMPA BORDA HIDROSAN, houve meses em que o contribuinte destacou o IPI em valor superior ao apurado, no total de R$ 34.420,88.” No recurso, a Interessada contestou o acórdão de primeira instância, alegando, em resumo, o seguinte: Assim, por se tratar de compostos clorados de origem orgânica de constituição química definida, apresentados isoladamente, os DESINFETANTES comercializados pela Recorrente foram classificados no Capítulo 29, da TIPI, com fundamento na Nota 1, alínea "a", do referido Capítulo. Neste contexto, cumpre destacar que a 1 a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 1), estabelece o seguinte: "A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.782 8 “Regra 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (...)” O texto da subposição 29.33 da NESH comporta "Compostos heterocíclicos exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio (azoto)". A subposição de 1 o nível 2933.6 abrange "Compostos cuja estrutura contém um ciclo triazina (hidrogenado ou não) não condensado". Portanto, sendo a maioria dos DESINFETANTES comercializados pela Recorrente (objeto do Auto de Infração) comprovadamente compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente "cuja estrutura contém um ciclo triazina (hidrogenado ou não) não condensado", a Recorrente houve por bem classificálos na subposição 29.33.69.19 da TIPI. [...] Pois bem. No que diz respeito aos DESINFETANTES listados na Tabela 1, a autoridade fiscal considerou correta a classificação fiscal utilizada pela Recorrente, qual seja, a da posição 2933.69.19. No entanto, no que diz respeito aos mesmos DESINFETANTES contidos na Tabela 2, a autoridade autuante entendeu que deveriam ter sido classificados na posição 3808.94.10 (de 05.10.07 a 31.12.07) e 3808.94.19 (de 01.01.08 a Dez/10). Portanto, verificase que foi utilizado o critério "peso" contido na descrição das embalagens dos DESINFETANTES para definir aqueles que devem ser classificados na posição 3808, e aqueles que devem permanecer classificados na posição 2933.69.19. Significa dizer que, segundo o critério utilizado pela autoridade fiscal, os DESINFETANTES acondicionados em embalagens com descrição de peso inferior a 45kg, ainda que apresentados de forma isolada, devem ser classificados na posição 3808 da TIPI. Alegou que, em caso de dúvida, aplicarseia a regra geral n. 3, tratando, a seguir, dos princípios que devem nortear o lançamento. Acrescentou o seguinte: Adicionalmente aos argumentos apresentados nos itens antecedentes referentes às operações com DESINFETANTES, que por si só, impõem o total cancelamento das exigências fiscais vertentes, imperioso ressaltar que os procedimentos adotados pela Recorrente foram reiteradamente aceitos pelas autoridades administrativas uma vez que, em período anterior à fiscalização que resultou no presente Auto de Infração, a Recorrente apresentou pedidos de ressarcimento/declarações de compensação fundamentados na mesma classificação fiscal ora Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.783 9 questionada (posição 2933.69.19), sendo que, à época, tal classificação fiscal foi perfeitamente aceita pelo Fisco federal. [...] Portanto, mostrase plenamente aplicável a diretriz do artigo 100, do CTN, [...] Alegou, na sequência, que teria ocorrido decadência em relação às operações com detergentes, uma vez que o auto de infração fora lavrado em abril de 2011, “em operações envolvendo detergentes realizadas no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2010”. Ainda alegou que não se poderia aplicar a multa de 150% e que o critério adotado para o seu cálculo seria inadequado, por considerar o valor total das notas fiscais, antes do abatimento do saldo credor. Contestou também a ordem para efetuar o estorno do saldo credor, sob as alegações de que seria incompreensível e desprovida de amparo legal. Também contestou a aplicação da multa sobre o valor do IPI não lançado com cobertura de crédito Por fim, referiuse ao que considerou serem equívocos do acórdão de primeira instância: caracterização de dolo para efeito do deslocamento do prazo decadencial para o do art. 173, I, do CTN; não caracterização das condições para aplicação do art. 100 do CTN; não impugnação da matéria relativa aos detergentes; caracterização de fraude para aplicação da multa qualificada; possibilidade de aplicação de multa sobre o imposto não lançado com cobertura de crédito. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. 1 – Matéria não impugnada Em relação aos detergentes, a Primeira Instância considerou a matéria não impugnada, havendo a Interessada contestado tal conclusão no recurso. Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.784 10 Conforme constou do relatório, a classificação fiscal dos detergentes foi objeto do item 2 do assunto “Da tributação”, relativamente ao período de janeiro de 2006 a dezembro de 2010. Na impugnação, as únicas referências efetuadas aos detergentes são as reproduções do termo de verificação fiscal, as menções à fraude, à multa de 150%, à decadência parcial do lançamento e às saídas para entrega futura. Portanto, de fato a Interessada não impugnou a questão relativa à classificação dos detergentes, o que torna a matéria preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235, de 1972. 2 – Ocorrência de fraude Para justificar a qualificação da multa, a Fiscalização considerou que houve divergência na classificação fiscal entre notas fiscais de mesmo produto, “pois nos arquivos a classificação fiscal estava correta, ou seja, 3402.90.39, mas nas notas fiscais a classificação fiscal era 3808.40.10 ou 3402.11.40 , ambas com alíquota zero.” Ademais, apesar de estar correta a classificação dos arquivos, “não houve destaque de IPI em grande parte das Notas Fiscais”: [O destaque do] IPI ocorria no momento da venda (CFOP 5922 e 6922) e não na entrega da mercadoria (CFOP 5116 e 6116). No entanto, constatouse irregularidade no destaque de IPI nos códigos CFOP "5101", "6101", "5922", "6922", "5113", "6113", "5401" e "6401", Na verdade, o contribuinte sempre teve ciência da posição correta, pois os arquivos entregues a esta fiscalização informaram a classificação fiscal 3402.9039, de 01/01/2006 até 31/12/2010, para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN. Por fim, a Fiscalização considerou que a conduta reiterada durante cinco anos caracterizaria o intuito de fraude: Não foram somente as operações de venda para entrega futura com códigos CFOP 5116 e 6116 x 5922 e 6922 que apresentaram irregularidade de destaque de IPI. Constatouse que houve operações de vendas nos códigos CFOP 5101 e 6101 que também tiveram destaque de IPI, ou seja, o contribuinte tinha ciência do dever de destacar o IPI, não o fez deliberadamente, ou seja, deu tratamentos tributário distintos ao mesmo fato. O contribuinte revelou conhecimento a respeito da natureza tributável da operação, não podendo alegar que desconhecia a natureza jurídica da venda, pois chegou a destacar IPI sobre o mesmo tipo de operação. O destaque do IPI na Nota Fiscal, ocorrido em operações da mesma natureza, evidencia a consciência do contribuinte de que poderia agir para evitar a lesão ao bem jurídico. Desse modo, sua decisão acerca da inação se dirigiu finalisticamente ao Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.785 11 resultado típico, deixando de executar a ação que lhe era possível, por efeito de sua vontade, o que justifica a qualificação da multa. Tais circunstâncias, ao contrário do alegado pela Interessada no recurso, caracterizam evidente intuito de fraude, uma vez que não decorrem de erro ou divergência de interpretação da legislação. Tratase de condutas específicas, que revelam a prática doloso de ato visando evitar a incidência do IPI, conforme destacado pela Primeira Instância. 3 – Decadência Em relação à decadência, também descabe razão à Interessada, uma vez que, caracterizada a fraude em relação aos referidos produtos, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, conforme bem fundamentado pela Primeira Instância. 4 – Classificação fiscal A classificação restringese aos desinfetantes. As alegações da Interessada são, resumidamente, as de que a classificação deve ser efetuada pelos textos de posição e de notas de posição, de que a Fiscalização teria adotado meramente o critério de peso para alterar sua classificação e de que, no caso de ainda haver dúvidas, aplicarseia a regra geral 3a. A Fiscalização considerou que os produtos com apresentação isolada e embaladas para venda a retalho e os que não têm apresentação isolada classificarseiam na posição 3808.94.19, uma vez que o Capítulo 29 somente admitiria “os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente”. De fato, é o que consta da nota 1a do referido Capítulo. Somente as impurezas, o que não se confunde com substâncias acrescentadas com alguma intenção específica, são admitidas pela referida nota. Ademais, a nota 1a2 do capítulo 38, conforme descrito pela Fiscalização, prevê, claramente, que os desinfetantes apresentados nas formas descritas no texto da posição 38.08 excluemse do Capítulo 29. E o texto de posição 38.08 expressamente referese a “desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações”, conforme destacado pela Fiscalização. A interpretação acima, que já é suficiente para resolver a classificação dos produtos em questão, foi efetuada exclusivamente com base na regra geral 1, não se podendo cogitar da aplicação da regra 3, por não se haver que falar em dúvida. 5 Multa qualificada Quanto à multa qualificada, conforme já analisado, houve prática de fraude pela Interessada, o que a justifica plenamente. Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.786 12 Devese observar que não se pode afastar a aplicação da referida multa por supostas ofensas a princípios constitucionais, à vista do disposto nos arts. 62 e 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009) e na Súmula Carf n. 2. 6 – Saídas para entrega futura Conforme esclarecido anteriormente, a única menção específica efetuada pela Interessada na impugnação em relação aos detergentes foi a abaixo reproduzida: Ocorre que tal situação somente ocorreu na medida em que determinadas operações com DETERGENTES correspondem à operações de vendas para entrega futura, de modo que o destaque o IPI ocorre no momento da venda e não no momento da entrega da mercadoria. Não se tratou, portanto, de contestação da classificação fiscal, mas de uma justificativa para as divergências no que disse respeito à acusação de fraude. Entretanto, a própria Fiscalização havia demonstrado que a conduta não se resumiu a tais casos, mas a vários outros, conforme descrito no termo de verificação fiscal. 7 – Multa isolada Quanto à multa aplicada ao imposto não lançado em nota e que teve cobertura de créditos, há previsão na legislação para sua aplicação. No caso do IPI, a multa, conforme já esclarecido anteriormente nos presentes autos, incide sobre o imposto que deixar de ser destacado em nota fiscal ou deixar de ser recolhido. Dessa forma, a base de cálculo da multa é o valor total não destacado na nota, sendo que o auto de infração separa a multa em duas partes, uma sobre a parcela do imposto não recolhido e outra isolada, calculada sobre a diferença, que corresponde à parcela sem cobertura de crédito. Novamente devese lembrar que existe previsão específica para a incidência da multa, não se podendo afastar a legislação que a prevê por suposta inconstitucionalidade. 8 – Art. 100 do CTN Quanto à aplicação do art. 100 do CTN, cabe razão à Primeira Instância, uma vez que não há, no caso, ato normativo ou decisão com efeito de ato normativo, nem prática reiterada observada pelas autoridades administrativas. As práticas reiteradas a que se refere o artigo são o que se chama de “costume” na teoria da origem das normas jurídicas e não a eventual não discordância anterior de classificação fiscal. Tal situação poderia eventualmente enquadrarse na hipótese do art. 146 do CTN, mas para isso seria ainda necessário ato expresso da autoridade administrativa reconhecendo a correção da classificação fiscal adotada pela Interessada, o que não é o caso. Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.787 13 Portanto, não se está falando, no caso, de ato da autoridade fiscal, mas em um “não ato”, quer dizer, na ausência de um ato expresso anterior discordando da classificação fiscal adotada pela Interessada. Conforme o próprio contribuinte atestou (fl. 24 da impugnação), tratouse de casos de homologação tácita, em que não houve pronunciamento algum da administração sobre o mérito da matéria. 9 – Estorno dos créditos Quanto ao estorno de crédito, conforme já esclarecido pela Primeira Instância, é uma medida decorrente da compensação dos créditos efetuada no auto de infração. Não se trata de medida ilegal ou abusiva, pois decorre logicamente da autuação. 10 – Intimações Quanto às intimações, tratase de matéria de competência da autoridade preparadora e não da autoridade julgadora, descabendo manifestação do Carf. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tratase de caso de classificação fiscal de produtos (detergente e desinfetante). Discordei do I. Conselheiro Relator no que se refere à consideração de ocorrência de dolo/fraude, o que ocasionou a majoração da multa para 150%. Ocorre que, ao analisar os autos em sessão, constatei que ambas as classificações, da fiscalização e do contribuinte, tratavam de produto com a mesma composição química. A diferenciação estava na forma de apresentação do produto. Ainda, inicialmente, a classificação existente era apenas aquela considerada pela contribuinte, em determinado momento houve a criação de outra classificação fiscal para quando o produto fosse apresentado de outra maneira. Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.788 14 Pelo que restou esclarecido no julgamento, esta mudança de “forma de apresentação” representaria uma mudança de “finalidade” do produto vez que, vendido a varejo alcançava outro público, que conferia outra utilidade ao produto. A questão é que, a meu sentir, a fiscalização não obteve êxito em comprovar a ocorrência de dolo/fraude por parte do contribuinte. Não há nos autos notas refletidas, negócio jurídico indireto ou qualquer outra razão que justifique a majoração pretendida. De idêntica maneira, as planilhas indicadas pela fiscalização que justificariam o “conhecimento do contribuinte sobre a classificação correta” não deixa claro que os produtos vendidos pelo contribuinte seriam da “forma” e “peso” necessários para a nova classificação, questão absolutamente relevante, uma vez que ambos os produtos possuem as mesmas características. A par disso o contribuinte é empresas que atua no setor e possui diversos outros produtos, todos neste gênero, sem qualquer problema localizado pela fiscalização. Ante os fatos apresentados, peço vênia ao eminente relator para divergir no que se refere à majoração da multa para 150% e, consequentemente, para reconhecer a aplicação ao artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional – CTN – para a contagem do prazo decadencial. É como voto. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11042.000316/2003-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 25/03/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
Não é necessário que o contribuinte junte a cópia do inteiro teor ou da ementa ou da publicação do acórdão utilizado como paradigma para fins de admissibilidade de recurso especial de divergência interposto com base no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o qual deve ser conhecido quando o recorrente transcrever integralmente a ementa do acórdão paradigma no corpo do seu recurso, bem como indicar o número do processo, o número do acórdão, a Câmara, a data da sessão de julgamento, o nome do Conselheiro Relator, o tipo de recurso e a matéria.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAVREX 100. INEXISTÊNCIA DE INTRODUÇÃO DE NOVO CRITÉRIO JURÍDICO PELA DIRETRIZ 03/2003 DO MERCOSUL.
O produto denominado “LAVREX 100” deve ser classificado no código NCM 3402.11.90, independentemente de a data do registro da DI ter sido anterior à Diretriz 03/2003 do Mercosul, eis que o mesmo se trata de “mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos”, de composição química não definida, que jamais poderia ter sido enquadrado no código NCM 2904.10.20, o qual se refere a “ácido dodecilbenzenossulfônicobiodegradável”, de composição química definida. A Diretriz 03/2003 apenas teve caráter interpretativo para esclarecer que a posição e subposição 3402.11 seria a correta para a mercadoria.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.223
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Nanci Gama
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/03/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. Não é necessário que o contribuinte junte a cópia do inteiro teor ou da ementa ou da publicação do acórdão utilizado como paradigma para fins de admissibilidade de recurso especial de divergência interposto com base no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o qual deve ser conhecido quando o recorrente transcrever integralmente a ementa do acórdão paradigma no corpo do seu recurso, bem como indicar o número do processo, o número do acórdão, a Câmara, a data da sessão de julgamento, o nome do Conselheiro Relator, o tipo de recurso e a matéria. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAVREX 100. INEXISTÊNCIA DE INTRODUÇÃO DE NOVO CRITÉRIO JURÍDICO PELA DIRETRIZ 03/2003 DO MERCOSUL. O produto denominado “LAVREX 100” deve ser classificado no código NCM 3402.11.90, independentemente de a data do registro da DI ter sido anterior à Diretriz 03/2003 do Mercosul, eis que o mesmo se trata de “mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos”, de composição química não definida, que jamais poderia ter sido enquadrado no código NCM 2904.10.20, o qual se refere a “ácido dodecilbenzenossulfônicobiodegradável”, de composição química definida. A Diretriz 03/2003 apenas teve caráter interpretativo para esclarecer que a posição e subposição 3402.11 seria a correta para a mercadoria. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 2. 00 03 16 /2 00 3- 82 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VAL MAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Valmar Fonseca de Menezes Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em face ao acórdão de nº 30132.942, proferido pela Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, (i) deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as penalidades exigidas, e, paralelamente, (ii) negoulhe provimento parcial para manter a exigência dos valores de IPI e juros moratórios em razão de entender que a classificação fiscal correta para o produto “LAVREX 100” seria a constante do código NCM 3402.11.90 (II: 17%; IPI: 15%), relativa à classificação de “mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos lineares”, em detrimento daquela utilizada pelo contribuinte, qual seja, a constante do código NCM 2904.10.20 (II: 17%; IPI: 0%), descrita como “ácido dodecilbenzenossulfônico biodegradável”, conforme ementa a seguir: “IMPORTAÇÃO. O produto Ácido Dodecilbenzenossulfonico e seus sais, com nome comercial de Lavrex 100 classificase na posição NCM 3402.11.90. Classificação fiscal feita pelo fisco e que deve ser mantida. IMPORTAÇÃO COM ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL, COM CORRETA DESCRIÇÃO DO BEM IMPORTADO. Não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do RegulamentoAsuaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque “ex” exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. Não vicia o lançamento tributário a fundamentação da nova classificação fiscal calcarse em laudo feito em outro processo administrativo, mas que se trata do mesmo produto, desde que Fl. 694DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VAL MAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA Processo nº 11042.000316/200382 Acórdão n.º 9303002.223 CSRFT3 Fl. 346 3 não esteja em pauta a discussão sobre o produto em si, mas apenas sobre a sua classificação fiscal. São eficazes os laudos técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos, quando forem originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. PENALIDADES. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA INTERPRETATIVA. Em se tratando de edição de normas interpretativas de efeito retroativo, é descabida a exigência de penalidades, nos termos do art. 106, I, do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE” A Câmara a quo embasou seu entendimento em laudo, emitido em função de amostra coletada em outro despacho aduaneiro (DI 02/07445227), o qual foi realizado para produto descrito de maneira idêntica ao objeto da DI constante dos presentes autos (DI 02/02580738), exportado pelo mesmo exportador e para o mesmo contribuinte. Em referido laudo foi constatada a existência de uma mistura de ácidos na seguinte proporção: Ácido Dodecilbenzenossulfônico – 33,8% Ácido Tridecilbenzenossulfônico – 28,7% Ácido Undecilbenzenossulfônico – 27,7% Ácido Tetradecilbenzenossulfônico – 4,0 % Ácido Decilbenzenossulfônico – 2,2% Por essa razão a Câmara a quo entendeu que o “LAVREX 100” se tratava, em verdade, de “mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos lineares”, constante do código NCM 3402.11.90, e não somente de “ácido dodecilbenzenossulfônico biodegradável”, constante do código NCM 2904.10.20, o que justificaria a procedência da exigência dos valores de IPI e juros moratórios oriundos da diferença na classificação fiscal. A Fazenda Nacional, ao ser regularmente intimada do acórdão a quo, interpôs recurso especial de divergência, por meio do qual, com base nos acórdãos utilizados como paradigmas de números 30237125, 30238001, 30330245, CSRF/0304.569, a mesma requereu fossem mantidas as penalidades aplicadas. No entanto, em exame de admissibilidade, referido recurso foi inadmitido, tendo sido entendido que os acórdãos utilizados pela Fazenda Nacional como paradigmas assentavamse em premissas diferentes das utilizadas no acórdão objeto dos presentes autos. Contra referido exame de admissibilidade, a Fazenda Nacional interpôs agravo ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual, em reexame de Fl. 695DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VAL MAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA 4 admissibilidade, entendeu por manter o exame anteriormente realizado no sentido de não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado do acórdão, o contribuinte, inconformado, interpôs recurso especial de divergência para aduzir, (i) em preliminar, a ocorrência da prescrição intercorrente pelo fato de ter transcorrido mais de 5 (cinco) anos entre o julgamento do recurso voluntário e a intimação do contribuinte do teor deste, não tendo, entretanto, se embasado em qualquer acórdão para amparar a divergência, e (ii) no mérito, que o código NCM 3402.11.90 não caberia de ser utilizado na época da importação pelo fato de que somente em março de 2003 (após o registro da DI realizado em 25/03/2002) teria sido editada a Diretriz 03/2003 do Mercosul, a qual teria alterado o critério jurídico, afeto à classificação fiscal do LAVREX 100, do código NCM 2904.10.20 para o código NCM 3402.11.90. No que concerne à classificação fiscal do produto, o contribuinte apenas transcreveu, em seu recurso especial, trechos do acórdão de nº 30334801, sem que, entretanto, juntasse cópia de sua publicação ou de seu inteiro teor no site ou no Diário Oficial. Abaixo o trecho do acórdão mencionado pelo contribuinte: “(...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO LAVREX 100. A descrição na DI era suficiente a permitir a correta classificação fiscal. A classificação do produto em tela, somente a partir de 12.09.2002, no Brasil, e 08.11.2002, no restante dos países do MERCOSUL, deve ser na posição NCM 3402.11.90, mas até então foi intensamente comercializado com indicação da posição 2904.10.20, acatada assim por toda a região do Mercosul. Nas datas de registro das DI’s era difundida e aceitável a classificação na posição 2904.10.90, e o AI lavrado somente em abril de 2004, quando já havia mudado o entendimento geral sobre a classificação do produto, não justifica a reclassificação fiscal da mercadoria nas datas do fato gerador dos tributos aduaneiros, nem tampouco configura qualquer intenção dolosa do importador que a descreveu conforme entendimento que na época prevalecia em toda a região do MERCOSUL. (...)” O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte tão somente no que se refere à classificação fiscal do produto LAVRADEX 100, tendo, por outro lado, lhe negado provimento no que se refere à arguição de prescrição intercorrente. Em reexame de admissibilidade, o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve o exame de admissibilidade anteriormente proferido. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, por meio das quais requereu fosse negado provimento ao recurso especial do contribuinte e mantido o acórdão a quo. É o relatório. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VAL MAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA Processo nº 11042.000316/200382 Acórdão n.º 9303002.223 CSRFT3 Fl. 347 5 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte é tempestivo, razão pela qual passo a analisar a sua admissibilidade no que concerne à classificação fiscal do produto LAVREX 100. Semelhante ao presente processo, são os processos administrativos de números 11042.000231/200302, 11042.000312/200302, 11042.000313/200349 e 11042.000315/200338, sobre o mesmo assunto e relativos ao mesmo contribuinte, os quais estão sob minha relatoria. Tanto nos presentes autos como nos autos dos processos administrativos supramencionados, o contribuinte não juntou cópia do acórdão utilizado como paradigma ou da cópia da publicação em que o mesmo tenha sido divulgado, tendo, entretanto, transcrito sua ementa na peça recursal com indicação do número do recurso, Câmara, número do processo, tipo de recurso, matéria, nome do recorrido, data e hora da sessão de julgamento, nome do Relator e número do acórdão. Segundo o artigo 67, §7º, do Regimento Interno do CARF, “o recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas”. Para relativizar referida exigência, o §9º desse mesmo artigo, prevê que “as ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso,desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas”. Nos presentes autos, o contribuinte não menciona expressamente a fonte de onde a ementa foi copiada (qual o link do site da internet, de qual periódico foi extraído, etc.), entretanto, o mesmo identifica todas as características do acórdão paradigma, sendo plenamente possível localizálo no site do CARF. Dessa forma, entendo terem sido preenchidos todos requisitos de admissibilidade, bem como ter sido devidamente configurada a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte. A controvérsia consiste em analisar se o produto LAVREX 100 deveria ter sido classificado, à época do registro da DI, ou seja, em 25/03/2002, no código NCM 2904.10.20, como fez o contribuinte, ou no código NCM 3402.11.90, como aduz a fiscalização. A relevância se dá em razão do período em que foi realizada a importação pelo contribuinte, ou seja, em época anterior à Diretriz Mercosul nº 03/2003, a qual teria estabelecido definitivamente que o produto LAVREX 100 consistiria em uma “mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos”, produto de constituição química não definida que deve ser classificado no Capítulo 34, no código 3402.11.90.00, e não no Capítulo 29 da NCM. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VAL MAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA 6 Referida Diretriz teria sido emanada em resposta à “proposta de alteração da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)” encaminhada à Coana/Cotac/Dinom por meio do Memorando SRRF09/Diana nº 224, de 26/08/2002 (Protocolo Coana 2002/01145), no qual a SRRF09 sugere a criação de item específico para o LAVREX 100 e LAVREX 200 dentro da subposição 3402.11. Ao ser analisada referida proposta de alteração da NCM pelo Comitê Técnico nº 01 do Mercosul, foi aprovado o “Ditame de Classificação Tarifária nº 02/03”, o qual dispôs sobre a classificação tarifária de “misturas de ácidos alquibenzenossulfônicos”, atribuída ao código NCM 3402.11.90.00, tendo sido editada a Diretriz 03/2003 nesse sentido. E, em razão do fato de referida diretriz ter sido realizada apenas em 2003, o contribuinte aduziu que a mesma não poderia ser aplicada retroativamente para a importação realizada por meio da DI objeto dos presentes autos, por sua vez registrada em 25/03/2002, tendo em vista que a Diretriz teria introduzido novo critério jurídico para a codificação fiscal da mercadoria. A meu ver, o fato de o Comitê Técnico do Mercosul ter criado um subitem específico, ao adicionar o códigoitem/subitem “90.00”, aos códigos posição (3402) e subposição (11) da NCM/SH, não se resvalam em alteração do critério jurídico para fins da classificação fiscal do produto. A Diretriz em referência, por sua vez incorporada nacionalmente pelo Ato Declaratório Executivo COANA nº 14/2004, teve apenas como finalidade a de eliminar qualquer dúvida acerca da interpretação sobre a classificação do produto LAVREX 100, se tratando de um ato de cunho meramente interpretativo que teve como objeto apenas esclarecer a classificação de produto que vinha sendo descrito e classificado de forma incorreta, com base em entendimento de que se tratava de produto diverso. Além disso, a composição do LAVREX 100 sempre se tratou de uma mistura de ácidos e não de um único ácido com impurezas de composição química definida, como são aqueles incluídos no Capítulo 29, não podendo, por conseguinte, esse produto ser enquadrado no código 2904.10.20. Vejase que a discussão sequer é dada entre subposições ou itens/subitens do Capítulo 34 do Sistema Harmonizado, mas sim, antes disso, a mesma se dá entre Capítulos, ou seja, entre gêneros, não havendo que se falar em alteração de critério jurídico, o qual sempre foi o mesmo, em conformidade ao Sistema Harmonizado já existente. Segundo Paulo de Barros Carvalho, em seu artigo sobre “IPI – Comentários sobre as Regras Gerais de Interpretação da Tabela NBM/SH (TIPI/TAB)” divulgado na Revista Dialética de Direito Tributário de nº 12, “o Sistema Harmonizado, tal qual aprovado na Convenção Internacional, opera com seis dígitos, correspondendo a posições e subposições de mercadorias, mas a NBM/SH (TIPI/TAB) sobrepõese àquele sistema para acrescentarlhe matriz de subespécies, mediante a particularização de itens e subitens.” Referido Sistema Harmonizado, segundo o mesmo autor, “se volta ao objetivo de oferecer um panorama genérico de produtos, considerados na conformidade de critérios técnicos internacionais para atender às exigências de uniformização do comércio entre as nações”. Assim, já sendo existentes, à época da importação, tanto o Capítulo 34 como a posição e subposição 3402.11, não haveria como se afastar a classificação fiscal do LAVREX Fl. 698DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VAL MAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA Processo nº 11042.000316/200382 Acórdão n.º 9303002.223 CSRFT3 Fl. 348 7 100 de referidas posições e subposições como fez o Recorrente, tendo a Diretriz 03/2003 do Mercosul sido editada apenas para esclarecer que a posição e subposição 3402.11 seria a correta para a mercadoria. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento, mantendo o acórdão a quo. Nanci Gama Fl. 699DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VAL MAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA
score : 2.5656095
Numero do processo: 11128.003172/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 27/04/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Mercadoria identificada em análise laboratorial como sendo "Filme
de Poliéster, contendo Materiais Fotossensíveis, em uma das faces, não impressionado, com comprimento de 635 mm, largura de
482 mm e espessura de 0,2 mm, Filme Heliográfico, de Poliéster,
Filme Plano, Fotográfico, Sensibilizado, não Impressionado, de
Matérias diferentes do papel do cartão ou dos têxteis, acondicionado em embalagem para venda a retalho”, não se classifica no código NCM 3701.30.22, pleiteado pelo importador.
MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL
O mero erro de classificação fiscal já torna aplicável a multa de
um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria. A infração
capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de agosto
de 2001, insere-se no plano da responsabilidade objetiva, não
reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de
intuito doloso ou má fé por parte do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3201-001.213
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/04/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL Mercadoria identificada em análise laboratorial como sendo "Filme de Poliéster, contendo Materiais Fotossensíveis, em uma das faces, não impressionado, com comprimento de 635 mm, largura de 482 mm e espessura de 0,2 mm, Filme Heliográfico, de Poliéster, Filme Plano, Fotográfico, Sensibilizado, não Impressionado, de Matérias diferentes do papel do cartão ou dos têxteis, acondicionado em embalagem para venda a retalho”, não se classifica no código NCM 3701.30.22, pleiteado pelo importador. MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O mero erro de classificação fiscal já torna aplicável a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 31 72 /2 00 4- 57 Fl. 272DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.08234.V7ZE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese parte do relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: (...) A empresa em epígrafe submeteu a despacho, através da adição 001 da declaração de Importação de nº 04/03936718, filmes de diversos tipos conforme descrito às fls 141 do Auto de Infração (Retificado) classificando no código 3701.30.22 – CHAPAS POLIÉSTER PLANA SENSIBILIZADA DE POLÍMERO FOTO SSENSÍVEL NÃO IMPRESSIONADA COM DIÂMETRO > 255m Entender a fiscalização que as mercadorias são Filmes de Poliéster contendo Materiais Fotossensíveis em uma das faces, não impressionado, com comprimento de 635 mm, largura 482 mm espessura 0,2 mm, acondicionado para venda a retalho, conforme laudo nº 1201.01, devendo ser classificas no código 3701.30.50. Foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/30 para cobrança da diferença de tributos. O Auto de Infração sofreu algumas retificações, conforme fl. 140/153. O interessado apresentou impugnação de fls. 62/97, contestando o lançamento, onde alegou que: o laudo emitido pela FUNCAMP (Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP), equivocadamente atribui o Código NCM 3701.30.50 como correto; o Laudo apresenta evidentes pontos e contradição e incoerência, gerando em certos momentos o entendimento de que a qualificação da mercadoria declarada pela impugnante estaria correta e em outros de que estaria supostamente incorreta; reconhece que efetuou indicação imprecisa do código, todavia o código então correto seria o de número 3701.20.20 ( Filmes de revelação e copiagem instantâneas para fotografia monocromática) conforme informações do próprio fabricante Fl. 273DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.08234.V7ZE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.003172/200457 Acórdão n.º 3201001.213 S3C2T1 Fl. 273 3 (doc. 08) e até mesmo em certos pontos do laudo 1201.01 da FUNCAMP e não o de número 3701.30.50; Diante do alegado solicitou perícia, formulou quesitos e indicou perito, conforme abaixo: A mercadoria “filmes diazo” difere dos filmes heligráficos? Em caso positivo, apontar todas as diferenças e particularidades? A mercadoria “filmes diazo” são filmes de revelação e copiagem instantâneas para fotografia monocromática”? Outras informações úteis. A interessada indicou o perito Fábio Morganti Verciani, Engenheiro CREA 146.549/D, cujo endereço encontrase às fls. 136 (documento 10). (...) O processo retornou a esta DRJ com o Parecer Técnico 016/2009. Fls. 178/179 e anexos. A interessada dele tomou ciência e reiterou todos os termos da impugnação. A impugnação foi julgada improcedente em parte pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1736.237, de 17/11/2009: Data do fato gerador: 27/04/2004 Classificação fiscal. Mercadoria identificada em análise laboratorial como sendo "Filme de Poliéster, contendo Materiais Fotossensíveis, em uma das faces, não impressionado, com comprimento de 635 mm, largura de 482 mm e espessura de 0,2 mm, Filme Heliográfico, de Poliéster, Filme Plano, Fotográfico, Sensibilizado, não Impressionado, de Matérias diferentes do papel do cartão ou dos têxteis, acondicionado em embalagem para venda a retalho”, não se classifica no código NCM 3701.30.22, pleiteado pelo importador. Multa por infração ao controle administrativo das importações Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. Multa por errônea classificação fiscal O mero erro de classificação fiscal já torna aplicável a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Fl. 274DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.08234.V7ZE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma intempestiva, questionando apenas a cobrança das diferenças de Imposto de Importação – II e Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, além dos correspondentes acréscimos legais. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Considerando que a Recorrente já reconheceu a imprecisão da classificação fiscal por ela adotada, resta saber se a classificação adotada pela fiscalização está correta. Segundo a Recorrente, o fabricante da mercadoria importada teria informado que a posição NCM 3701.20.20 seria a classificação correta, o que, todavia, não resta comprovado nos autos (fls. 132/134). De qualquer modo, o Laudo 1201.01 e o Parecer Técnico 016/2009 atestam que a mercadoria importada pela Recorrente é um filme de poliéster. O parecer realça que o filme de diazo não pode ser copiado instantaneamente (fl. 178). Para que a mercadoria importada pela Recorrente pudesse ser classificada na posição NCM 3701.20.20, seria indispensável que fosse um filme utilizado na revelação e copiagem instantâneas. Adicionalmente, os documentos técnicos acima mencionados deixam claro que a mercadoria é um filme heliográfico de poliéster, o que confirma que a correta classificação fiscal é aquela indicada pela fiscalização, qual seja, a posição NCM 3701.30.50. Não há nos autos qualquer informação que desabone tais documentos técnicos, salvo a alegação genérica da Recorrente no sentido de que os mesmos apresentam evidentes pontos de contradição e incoerência. Constatado o erro na classificação fiscal adotada pela Recorrente e o acerto daquela imposta pela fiscalização, a decisão recorrida não merece reparo. Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 275DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.08234.V7ZE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.003172/200457 Acórdão n.º 3201001.213 S3C2T1 Fl. 274 5 Fl. 276DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.08234.V7ZE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DANIEL MARIZ GUDINO em 26/03/2013 07:49:25. Documento autenticado digitalmente por DANIEL MARIZ GUDINO em 26/03/2013. Documento assinado digitalmente por: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO em 27/03/2013 e DANIEL MARIZ GUDINO em 26/03/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.1119.08234.V7ZE Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 50156AC99ADCCAB16E6094F33F929B225C514D2B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.003172/2004-57. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10675.901083/2010-57
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO.
A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
Numero da decisão: 3802-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 10 83 /2 01 0- 57 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.726, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo, contudo, o saldo credor de R$107.127,55, relativo ao 3º trimestre de 2004 e a homologação da compensação integral declarada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP nº 10606.93205.260407.1.7.017525, respaldada no saldo credor de IPI do 3º trimestre de 2004, calculado nos termos do art. 11 da Lei 9.779, de 19/01/1999. As compensações declaradas referiamse a débitos da Cofins, um relativo a juros de mora da contribuição do mês de novembro de 2002 e outro da contribuição do mês de julho de 2006, no montante de R$ 107.127,55 (vide PER/DCOMP DESPACHO DECISÓRIO DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, à fl. 91). Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.901083/201057 Acórdão n.º 3802001.912 S3TE02 Fl. 112 3 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.901083/201057 Acórdão n.º 3802001.912 S3TE02 Fl. 113 5 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.901083/201057 Acórdão n.º 3802001.912 S3TE02 Fl. 114 7 Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade , contudo votou pelo recolhimento do saldo credor de R$ 84.159,77, relativo ao 1º trimestre de 2005 e a homologação compensação declarada pelo contribuinte. Veja se: “Assunto: Classificação de mercadorias Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 ALVEJANTE E ÁGUA SANITÁRIA VALOR As preparações produzidas pelo contribuinte, alvejante e água sanitária, ambas constituídas de hipoclorito de sódio em solução aquosa e outros componentes ( para o alvejante, hidróxido de sódio (soda cáustica), carbonato de sódio e perfume floral, e para a água sanitária, hidróxido de sódio), comercialmente denominados ÁGUA SANITÁRIA VALOR E ALVEJANTE VALOR FLORAL, apresentadas em garrafas plásticas de 1000ml e 2000ml, classificamse no código NCM 3402.20.00. Dispositivos Legais: RGI 1º (texto da posição 34.02) e 6ª (texto da subposição 3402.20) e RGC1 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.545, de 26 de dezembro de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 SALDO CREDOR. DÉBITOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO É de se manter os débitos apurados pela fiscalização para o confronto de débitos X créditos na escrituração fiscal, quando ficar demonstrado que, por erro de classificação fiscal, o contribuinte lançouos a menor na apuração. Por decorrência, o saldo credor do trimestre deve ser reduzido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 SALDO CREDOR. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. Quando o cortejo dos créditos e dos débitos, escriturados e apurados pela fiscalização, são suficientes para reconhecer parcela do saldo credor destinado pelo contribuinte para a efetivação das compensações por ele declaradas, é legítimo reconhecer a homologação da declaração de compensação, ainda que o saldo credor do trimestre tenha sido reduzido em razão de débitos apurados pela fiscalização. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório reconhecido.” É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.901083/201057 Acórdão n.º 3802001.912 S3TE02 Fl. 115 9 Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado unicamente a combater a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa com relação a dois tipos de produtos industrializados pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”. A composição química de ambos os produtos não é objeto de celeuma, sendo parte incontroversa da presente lide administrativa. Inclusive é de se ressaltar que a interação do hipoclorito de sódio com outros compostos químicos foi a origem de todo o imbróglio. Isso se verifica facilmente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 111123, donde destaco o seguinte excerto constante de fl. 112: “A classificação adotada pela empresa a partir de 14/02/2004 é específica para o Hipoclorito de sódio (NaCIO.6H2O), o que não é o caso dos produtos acima, que resultam da diluição do referido produto, em forma aquosa, em água e adicionados outros produtos.” A missão do Recorrente, desde então, tem sido a de defender seu ponto de vista, no sentido de que está correto em aplicar a classificação fiscal própria do hipoclorito de sódio. O Recorrente demonstra total domínio das normas sobre o caso, e discorre acerca do que entende como dois critérios possíveis de classificação fiscal, conforme o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Em seguida, o Recorrente afirma que o enquadramento de certo produto “deve ser regido especialmente pela aplicação dos valores condicionais a que o mesmo está sujeito”, como intróito para uma defesa segundo a seletividade do IPI – o que acarretaria a escolha de uma classificação fiscal mais favorável. Ora, em que pesem as sensíveis alegações do Recorrente quanto ao princípio da seletividade, que possui raízes profundas na filosofia da tributação e se destina a atingir a capacidade contributiva de modo mais eficiente, combatendo o capital marginal de quem adquire produtos menos essenciais, seus argumentos não merecem acolhida em sede de Recurso Voluntário. Isso porque a classificação fiscal de mercadorias não é, em si, um princípio que permita escolhas conforme a finalidade do produto, ou mesmo a conveniência administrativa. É regra de direito, e, como tal, é de aplicação objetiva. Tanto assim que Ronald Dworkin, ao dispor sobre a diferença de consideração entre regras e princípios, foi extremamente feliz ao considerar: Denomino princípio um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, política ou social considerada desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou eqüidade ou alguma outra dimensão da moralidade [...]. A diferença entre princípios jurídicos e regras jurídicas é de natureza lógica. Os dois conjuntos de padrões apontam para decisões particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias específicas, mas distinguemse quanto à natureza da orientação que oferecem. As regras são aplicáveis à maneira do tudoounada. Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra é válida, e neste caso a resposta que ela fornece deve ser aceita, ou não é válida, e neste caso em nada contribui para a decisão. (Levando os direitos a sério. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pp. 3942) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.901083/201057 Acórdão n.º 3802001.912 S3TE02 Fl. 116 11 A seletividade, como princípio que é, ainda que tenha forte conotação normativa por ser obrigatória para o IPI nos termos do art. 153, § 3o, da CRFB, termina por ser orientadora das normas constantes da Tabela do IPI, a qual objetivamente impõe as alíquotas e critérios de classificação fiscal próprios. Desse modo, caso o contribuinte entenda que a Tabela do IPI contraria a seletividade ínsita ao imposto, deve se valer das vias próprias para tanto. Todavia, ao CARF não compete apreciar argüições de inconstitucionalidade das normas aplicáveis, conforme seu Regimento Interno e enunciado de Súmula n. 2. Logo, a escolha feita pelo Recorrente, espelhada no excerto abaixo, de classificar os produtos objeto do presente litígio quanto à finalidade, revelase em si equivocada, porquanto a classificação fiscal de mercadorias é feita com base nos critérios objetivamente dispostos na TIPI: Igualmente equivocada, a meu ver, a tentativa de enquadramento do caso ao precedente trazido em seu Recurso Voluntário no processo 10380.007467/9612, pois ali se discutia a classificação fiscal de sacos plásticos utilizados para acondicionar alimentos, diferentemente de outras finalidades. Sacos plásticos sempre serão sacos plásticos, enquanto a distinção traçada no caso em tela diferencia a natureza do produto em si. E ainda na seara da seletividade, a arguição de que os produtos se destinam a desinfecção termina não se mostrando de muito alento, dado que as soluções ora analisadas permanecem com a mesma destinação – desinfecção –, resultando prejudicada uma discussão sobre o critério de discrímen adotado na distribuição de cargas tributárias aos diferentes produtos. Indo mais além, a tarefa do Recorrente deveria ter se fiado em demonstrar, sim, que os compostos químicos indicados pela autoridade administrativa não desnaturam a característica dos produtos em serem um tipo – enquanto destinado para o mercado varejista – de “agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01” (subgrupo 34.02 da TIPI, com denominação própria para venda a retalho no item 3402.20.00), para serem simples “hipocloritos de sódio” (item 2828.90.11 da TIPI). E nesse mister em especial, restou carente o Recurso Voluntário. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11891.000202/2007-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/12/2006, 28/12/2006
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 2158-35/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL.
As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submete-se à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 07, de 26/07/2005. Nulidade do auto de infração.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3802-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral:Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP n. 22.170.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/12/2006, 28/12/2006 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 215835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 07, de 26/07/2005. Nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 02 02 /2 00 7- 65 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral: Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP n. 22.170. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 175176): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/12/2006, 28/12/2006 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC e na NBM/TIPI. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 42, de 2001, e atualizações posteriores, e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (NBM/TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 2002. Máquina Impressora Laser, Multifuncional, monocromática, com velocidade de impressão de 50 ppm, largura de impressão de A4 210 mm e Resolução de 1.200 x 1.200 dpi, classificase no Item 9009.12.10 da NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes à data de ocorrência do fato gerador da importação, de acordo com as RGIs nºs 1 e 6. Não se classifica no código 8471.60.25, indicado pelo importador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/12/2006, 28/12/2006 Insuficiência do recolhimento do II. Multa de ofício de 75%. Cabe o lançamento da diferença do imposto, nos termos do Decreto nº 4.543, de 2002, acrescida dos juros de mora e da multa de 75%, uma vez que restou comprovado o erro da classificação fiscal adotada pelo importador para a mercadoria Classificação incorreta de mercadoria. Multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro A incorreção da classificação da mercadoria, em código da NCM/TEC indicado pelo importador, evidenciouse, cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 265DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11891.000202/200765 Acórdão n.º 3802002.152 S3TE02 Fl. 265 3 Data do fato gerador: 27/12/2006, 28/12/2006 Insuficiência do recolhimento do IPI. Cabe o lançamento da diferença desse imposto, acrescida de juros de mora, uma vez que restou comprovado o erro da classificação fiscal da mercadoria no código adotado pelo importador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 27/12/2006, 28/12/2006 Insuficiência do recolhimento da Cofins. Multa de ofício de 75%. Cabe o recolhimento da diferença dessa contribuição, acrescida dos juros de mora e da multa de 75%, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, c/c o Decreto nº 4.543, de 2002, e Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que ficou comprovada a incorreção da classificação da mercadoria no código adotado pelo importador, acarretando a alteração da base de cálculo dessa contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/12/2006, 28/12/2006 Insuficiência do recolhimento do PIS/PASEP. Multa de ofício de 75%. Cabe o lançamento da diferença dessa contribuição acrescida dos juros de mora e da multa de 75%, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004 c/c Decreto nº 4.543, de 2002, e Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que ficou comprovado o erro da classificação fiscal da mercadoria no código adotado pelo importador, acarretando a alteração da base de cálculo dessa contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A decisão recorrida manteve o entendimento da Fiscalização, segundo o qual o Recorrente teria adotado a classificação fiscal incorreta para as mercadorias importadas (8471.60.30 da NCM/TEC e NBM/TIPI), objeto da Declaração de Importação (DI) nº 06/15481480, Adição 001, registrada em 20/12/2006. Assim, entendendo aplicável a NCM 9009.12.10 (Máquinas de Impressão a Laser, Multifuncionais, monocromáticas), foi lavrado auto de infração e lançamento de crédito tributário relativo à diferença do Imposto de Importação (II) (de 14% para 20%) e, em decorrência da modificação da base de cálculo, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Cofins e do PIS/Pasep, acrescido de multa de ofício de 75%. Também foi cominada a multa prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, devido à classificação incorreta da mercadoria na NCM. O Recorrente, nas razões de fls. 192 e ss., alega que a impressora multifuncional, laser, monocromática apresenta as funções de impressão à laser, scanner (digitalização), cópia e facsímile, classificandose no Subitem NCM 8471.60.25, de acordo Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 com o Decreto nº 5.802/2006. Sustenta que a função copiadora das impressoras multifuncionais nada tem em comum com as desempenhadas pelos aparelhos de fotocópia da Posição SH 9009, razão pela qual seria inaplicável a Regra 3 c. das RGIs. Cita precedentes do CARF e reitera os demais argumentos apresentados por ocasião da impugnação, requerendo o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 06/07/2012 (fls. 191), interpondo recurso tempestivo em 03/08/2012 (fls. 192). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A classificação fiscal aplicável às impressoras multifuncionais foi pacificada no âmbito da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Nesse sentido, cumpre destacar o Acórdão nº 310100.253, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da lavra do eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Data do fato gerador: 28/09/2005. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifuncionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afastaa da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente pacificada no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08). Recurso Voluntário Provido. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11891.000202/200765 Acórdão n.º 3802002.152 S3TE02 Fl. 266 5 Na mesma linha, colocase o entendimento da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS, IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. Não se classificam na posição NCM 9009, as impressoras multifuncionais, identificadas como aquelas capazes de realizar duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a urna máquina automática para processamento de dados ou a uma rede. (Acórdão 320100.503. Rel. Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Sessão de 01/07/2010). Referido interpretação também é acolhida por unanimidade pela Turma, consoante Acórdão nº 3802001.002, da sessão de 22 de maio de 2012, da lavra do eminente Conselheiro Regis Xavier Holanda: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 [...] CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telescópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (CARF. 2ª Turma Especial. 3ª Seção. Acórdão nº 3802001.002. Processo nº 19814.000209/200621). Cabe destacar a seguinte passagem do voto do relator, que analisa a classificação aplicável antes da introdução da NCM nº 8443.31: [...] Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária – não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: Código TIPI Descrição Alíquota (%) 8471.60.21 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.22 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.23 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.24 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.25 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.26 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.29 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.30 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. No mesmo sentido, mais recentemente, destacase ainda o seguinte julgado, de nossa relatoria: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/11/2005 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11891.000202/200765 Acórdão n.º 3802002.152 S3TE02 Fl. 267 7 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 215835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 07, de 26/07/2005. Nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão 380201.070, rel. Cons. Solon Sehn. s. 26/07/ 2012) Assim, impõese pelo conhecimento e pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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