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Numero do processo: 11128.002812/2005-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 15/01/1999 a 19/08/2003
II. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO EPOXICONAZOLE TÉCNICO.
O produto denominado Epoxiconazole técnico, conforme atestado em laudo técnico, deve ser classificado no código NCM/SH 2933.99.69.
II. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA. APLICAÇÃO.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
INCONSTITUCIONALIDADES. MATÉRIA NÃO CONHECIDA EM SEDE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BASF S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 15/01/1999 a 19/08/2003 II. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. “PRODUTO EPOXICONAZOLE TÉCNICO”. O produto denominado “Epoxiconazole técnico”, conforme atestado em laudo técnico, deve ser classificado no código NCM/SH 2933.99.69. II. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA. APLICAÇÃO. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. INCONSTITUCIONALIDADES. MATÉRIA NÃO CONHECIDA EM SEDE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 28 12 /2 00 5- 92 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.002812/200592 Acórdão n.º 3202001.390 S3C2T2 Fl. 93 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculados através de auto de infração lavrado em 22/04/2005, para a cobrança de a multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria em decorrência de erro de classificação fiscal, prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n°. 2.158, de 24/08/01, combinado com o artigo 69, da Lei n°. 10.833./03, no montante de R$ 33.373,53. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: A impugnante, por meio da declaração de importação n° 04/0825.0601, de 19/08/2004, importou a mercadoria descrita como "EPDXICONAZOLE TÉCNICO", classificando na NCM 2933.39.99. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 2933.99.69, com o mesmo tratamento tributário em relação ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados. Baseouse a autuação no laudo de assistência técnica n°2451.01. Por intermédio do Auto de Infração de fls. 1 a 8, cobrouse a multa por classificação incorreta, nos termos do art. 84, inciso I, da MP n° 2158, c/c artigo n° 69, da Lei no 10833/03. Intimada do Auto de Infração em 12/05/05, fl. 23 v, a interessada apresentou impugnação e documentos em 16/05/05, juntados as folhas 26 e seguintes, alegando em síntese: 1. que apesar de concordar com a classificação do produto no código 2933.99.69, afirma que teve que classificálo em outro código 2933.39.99, visto que tal produto encontravase classificado neste código no DECEX, conforme se verifica na "Tabela de Destaque para anuência", deste órgão. 2. uma vez que se tratava de destaque especifico controlado pelo Ministério da agricultura, não seria possível adotar outra classificação senão a informada, pelo qual o importador deveria utilizar a função "consulta a tratamento administrativo", para verificar se existia algum destaque NCM para a mercadoria que se desejava importar, procedimento que foi devidamente adotado pela impugnante, e que resultou na adoção da NCM em questão. 3. que o SINDAG, juntamente com o DDIV e a VIGIAGRO estão analisando a correta classificação do produto em questão, sendo que se tal classificação não for alterada no SISCOMEX, não há como os contribuintes adotarem classificação diversa do produto. 4. esta impossibilidade fica mais clara quando se verifica que o produto depende de "autorização previa para embarque", que deve ser colocada sob o crivo da DDIV Departamento de defesa e inspeção vegetal, o qual tem como correta a classificação 2933.3999 para o produto EPDXICONAZOLE, e caso seja adotada uma posição tarifária diversa, sequer haverá autorização para embarque da mercadoria em referência. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.002812/200592 Acórdão n.º 3202001.390 S3C2T2 Fl. 94 3 5. não pode a impugnante ser autuada por equivoco cometido pela própria administração, que inseriu em seu sistema classificação tarifária especifica para o produto EPDXICONAZOLE, sistema este que é obrigada a adotar. 6. também alega que a não e pode aplicar multa instituída por medida provisória, por ser inconstitucional 7. alega também o caráter confiscatório da penalidade. 8. Ao final requer a insubsistência do auto. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0728.320 em 28/10/2008 (efolhas 109/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/08/2004 EPDXICONAZOLE TÉCNICO importado, conforme laudo técnico encontra correta classificação fiscal na NCM 2933.99.69. COMPETÊNCIA. A competência para determinar a classificação fiscal das mercadorias importadas é da Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda. Lançamento Procedente. O contribuinte foi devidamente cientificado do acórdão proferido pela DRJ – São Paulo, em 18/04/2008 (efl. 122) e apresentou recurso voluntário em 17/12/2008 (efls. 125/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal do produto importado pela Recorrente, denominado comercialmente de “EPDXICONAZOLE TÉCNICO”, na Nomenclatura Comum do MERCOSUL. O contribuinte informou na DI nº 04/08250601 o código tarifário NCM/SH 2933.39.33 (alíquota de 2% para o II e 0% para o IPI). Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 2933.99.69 (alíquota de 2% para o II e 0% para o IPI). Portanto, discutese aqui apenas a multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria em decorrência de erro de classificação fiscal. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.002812/200592 Acórdão n.º 3202001.390 S3C2T2 Fl. 95 4 A Recorrente concorda que a classificação fiscal correta para o produto é o código tarifário NCM 2933.99.69, contudo alega que “teve que classificálo em outro código tarifário, visto que, tal produto encontravase classificado sob o código 2933.39.99 no Departamento de Operações de Comercio Exterior (MICT/DECEX), conforme se verifica do documento acostado à impugnação”. Deste modo, aduz que “não teve outra alternativa sendo adotar tal classificação, visto que, dependia da autorização prévia para fins de importação do produto, e conseqüente desembaraço, o que somente ocorreria se a mesma adotasse o código tarifário constante no SISCOMEX, especifico para o referido produto” (vide efls. 129/130). Assim, é de concluirse que não há divergência quanto à correta classificação fiscal da mercadoria. Ambos – Fisco e contribuinte – concordam que o código tarifário correto é NCM/SH 2933.99.69. O argumento trazido pela Recorrente, de que informa outro código tarifário (NCM/SH 2933.39.99) em função de exigências do DECEX/MICT não pode ser acatado. Isso porque, como bem destacou a decisão a quo, não cabe ao DECEX, órgão vinculado ao Ministério da Indústria, Comércio e Turismo manifestarse sobre a classificação da mercadoria, tarefa esta exclusiva da fiscalização da Receita Federal do Brasil, a quem compete aterse às Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Deste modo, o DESTAQUE 001 (outros EPOXICONAZOLE) da posição NCM 2933.39.99 referese aos "compostos heterocíclicos exclusivamente de heterocitomo(s) de nitrogênio (azoto), compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não) não condensado" que, de acordo com o laudo técnico não corresponde ao produto, objeto da autuação fiscal. Correta, portanto, a classificação fiscal informada pela fiscalização no lançamento de ofício. Por conseguinte, em decorrência do erro de classificação fiscal constatado, cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/01: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Por fim, em relação às alegações de que a multa aplicada é confiscatória, que feriria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, também, que não poderia ter sido instituída por meio de medida provisória, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessas matérias. Nesta esfera se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Ademais, por força do disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 – PAF, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado a este órgão de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar norma contida expressamente em lei, sob fundamento de inconstitucionalidade. Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.002812/200592 Acórdão n.º 3202001.390 S3C2T2 Fl. 96 5 expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Nesse sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 2.5876646
Numero do processo: 10831.004824/2001-19
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/03/2001
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Desnecessária a realização de diligência solicitada pela recorrente, ante a inexistência de qualquer indício que aponte em sentido diverso das conclusões a que chegou o laudo técnico existente nos autos.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
A posição NCM 8517.30.41 exige que aparelhos de comutação sirvam para telefonia/telegrafia, e não exclusivamente para telefonia/telegrafia. Ademais, é incontroverso que a empresa utiliza os aparelhos de comutação para telefonia/telegrafia. O fato de o aparelho, denominado Catalyst C2924, desenvolver sua velocidade por uma conexão tipo cascading não o transporta para a posição NCM 8471.80.19, defendida pela fiscalização. Incorreta a classificação fiscal atribuída pela autoridade fiscal.
Os acessórios utilizados em aparelhos descritos na posição NCM 8517.30.41 devem ser classificados na posição NCM 8517.90.10. Correta posição adotada pelo contribuinte.
Provado que o Roteador Cisco 1601R não pode atingir velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, deve prevalecer a classificação fiscal desse produto na posição NCM 8517.30.69, adotada pela fiscalização.
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
A posição NCM 8517.30.41 exige que aparelhos de comutação sirvam para telefonia/telegrafia, e não exclusivamente para telefonia/telegrafia. Ademais, é incontroverso que a empresa utiliza os aparelhos de comutação para telefonia/telegrafia. Correta posição adotada pelo contribuinte.
Os acessórios utilizados em aparelhos descritos na posição NCM 8517.30.41 devem ser classificados na posição NCM 8517.90.10. Incorreta a classificação fiscal atribuída pela autoridade fiscal.
Provado que o Roteador Cisco 1601R não pode atingir velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, deve prevalecer a classificação fiscal desse produto na posição NCM 8517.30.69, adotada pelo Fisco.
ART. 112 DO CTN. ALCANCE.
A posição NCM adotada pela fiscalização não traz dúvida quanto à capitulação legal do fato nem tampouco existe imprecisão quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Inaplicabilidade do art. 112 do CTN.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário da empresa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 27/03/2001 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Desnecessária a realização de diligência solicitada pela recorrente, ante a inexistência de qualquer indício que aponte em sentido diverso das conclusões a que chegou o laudo técnico existente nos autos. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A posição NCM 8517.30.41 exige que aparelhos de comutação sirvam para telefonia/telegrafia, e não exclusivamente para telefonia/telegrafia. Ademais, é incontroverso que a empresa utiliza os aparelhos de comutação para telefonia/telegrafia. O fato de o aparelho, denominado Catalyst C2924, desenvolver sua velocidade por uma conexão tipo cascading não o transporta para a posição NCM 8471.80.19, defendida pela fiscalização. Incorreta a classificação fiscal atribuída pela autoridade fiscal. Os acessórios utilizados em aparelhos descritos na posição NCM 8517.30.41 devem ser classificados na posição NCM 8517.90.10. Correta posição adotada pelo contribuinte. Provado que o Roteador Cisco 1601R não pode atingir velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, deve prevalecer a classificação fiscal desse produto na posição NCM 8517.30.69, adotada pela fiscalização. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A posição NCM 8517.30.41 exige que aparelhos de comutação sirvam para telefonia/telegrafia, e não exclusivamente para telefonia/telegrafia. Ademais, é incontroverso que a empresa utiliza os aparelhos de comutação para telefonia/telegrafia. Correta posição adotada pelo contribuinte. Os acessórios utilizados em aparelhos descritos na posição NCM 8517.30.41 devem ser classificados na posição NCM 8517.90.10. Incorreta a classificação fiscal atribuída pela autoridade fiscal. Provado que o Roteador Cisco 1601R não pode atingir velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, deve prevalecer a classificação fiscal desse produto na posição NCM 8517.30.69, adotada pelo Fisco. ART. 112 DO CTN. ALCANCE. A posição NCM adotada pela fiscalização não traz dúvida quanto à capitulação legal do fato nem tampouco existe imprecisão quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Inaplicabilidade do art. 112 do CTN. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário da empresa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente COM COMUNICAÇÕES PROC. E MEC. DE AUTOMAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/03/2001 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Desnecessária a realização de diligência solicitada pela recorrente, ante a inexistência de qualquer indício que aponte em sentido diverso das conclusões a que chegou o laudo técnico existente nos autos. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A posição NCM 8517.30.41 exige que aparelhos de comutação sirvam para telefonia/telegrafia, e não exclusivamente para telefonia/telegrafia. Ademais, é incontroverso que a empresa utiliza os aparelhos de comutação para telefonia/telegrafia. O fato de o aparelho, denominado Catalyst C2924, desenvolver sua velocidade por uma conexão tipo “cascading” não o transporta para a posição NCM 8471.80.19, defendida pela fiscalização. Incorreta a classificação fiscal atribuída pela autoridade fiscal. Os acessórios utilizados em aparelhos descritos na posição NCM 8517.30.41 devem ser classificados na posição NCM 8517.90.10. Correta posição adotada pelo contribuinte. Provado que o Roteador Cisco 1601R não pode atingir velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, deve prevalecer a classificação fiscal desse produto na posição NCM 8517.30.69, adotada pela fiscalização. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A posição NCM 8517.30.41 exige que aparelhos de comutação sirvam para telefonia/telegrafia, e não exclusivamente para telefonia/telegrafia. Ademais, é incontroverso que a empresa utiliza os aparelhos de comutação para telefonia/telegrafia. Correta posição adotada pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 48 24 /2 00 1- 19 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Os acessórios utilizados em aparelhos descritos na posição NCM 8517.30.41 devem ser classificados na posição NCM 8517.90.10. Incorreta a classificação fiscal atribuída pela autoridade fiscal. Provado que o Roteador Cisco 1601R não pode atingir velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, deve prevalecer a classificação fiscal desse produto na posição NCM 8517.30.69, adotada pelo Fisco. ART. 112 DO CTN. ALCANCE. A posição NCM adotada pela fiscalização não traz dúvida quanto à capitulação legal do fato nem tampouco existe imprecisão quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Inaplicabilidade do art. 112 do CTN. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário da empresa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 27/06/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa proporcional, no valor de R$ 12.493,73, em face da incorreta classificação das mercadorias, identificada pelo Laudo Técnico de fls. 41/ss.. Confirase: Adição 001 Posição NCM pleiteada pelo importador 8517.30.41. Posição NCM indicada pela fiscalização 8471.80.19. Motivo: Não se trata de equipamento destinado à telefonia/telegrafia, e sim equipamento de processamento de dados digitais, sendo um distribuidor de conexões de rede Fl. 456DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10831.004824/200119 Acórdão n.º 3202001.196 S3C2T2 Fl. 452 3 ETHERNET, de dupla velocidade, com capacidade de reconhecimento da velocidade das portas, do tipo SWITCH; Adição 002 Posição NCM pleiteada pelo importador 8517.90.10. Posição NCM indicada pela fiscalização 8473.30.49. Motivo: Os módulos foram projetados para utilização nas unidades da adição 001, não sendo próprios para o uso em equipamento destinado à telefonia/telegrafia; Adição 003 Posição NCM pleiteada pelo importador 8517.30.62. Posição NCM indicada pela fiscalização 8517.30.69. Motivo: O equipamento não possui velocidade serial de pelo menos 4 Mbit/s; Contra a autuação, a contribuinte apresentou impugnação em 20/07/2001 (fls. 103 a 111), a qual a DRJ/SPOII julgou improcedente (fls. 340 e ss.). Para o acórdão recorrido, foi correta a classificação atribuída pela fiscalização, relativa à Adição 001, pois as mercadorias importadas, denominadas Catalyst C2924, não seriam "Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia com velocidade de tronco superior a 72kbits/s e de comutação superior a 3.600 pacotes por segundo, sem multiplexação determinísticas" (código NCM 8517.30.41), mas, na verdade, seriam “unidades de máquinas automáticas para processamento de dados” (código NCM 8471.80.19). Isso porque, na ótica do aresto impugnado, uma máquina concebida para executar várias funções diferentes classificase segundo a principal função que a caracteriza. No caso concreto, a função principal do equipamento seria a de processamento de dados digitais, por se tratar de distribuidor de conexões de rede ETHERNET, de dupla velocidade, com capacidade de reconhecimento da velocidade das portas, do tipo SWITCH. Ainda conforme a DRJ, o mesmo raciocínio deveria ser aplicado aos módulos utilizados nas mercadorias, descritas na Adição 001. Considerando que estas são classificadas no código NCM 8471.80.19, os módulos nela utilizados devem ser ipso facto classificados na posição NCM 8473.30.49, e não na posição NCM 8517.90.10. Por fim, o acórdão recorrido ratificou a classificação fiscal, contida na Adição 003, porquanto a velocidade, em termos de classificação fiscal, deve considerar o equipamento em sua função usual, e não em uma condição adaptada, como na argumentação do impugnante ora recorrente. Contra a Decisão da DRJ/SPOII (acórdão nº 1720.631, de 25 de setembro de 2007), a contribuinte apresentou recurso voluntário, (fls. 357 e ss), alegando que, ao contrário do afirmado pela DRJ, não é função principal do produto importado, Catalyst C2924, a comutação de pacotes IP, mas, sim, apenas de pacotes tipo 802.xy, os quais se destinam à Fl. 457DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 comutação de dados digitalizados específicos, como vozes/fax/imagem, transmitidos nas redes de telecomunicações, em que ocorre o tráfego para fins de telefonia/telegrafia. Assim, a recorrente defende que a função principal do Catalyst C2924 é seu uso nas redes de telefonias, sendo correta a classificação fiscal por ela indicada, como sendo "Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia" (código NCM 8517.30.41). Pelo mesmo motivo, a empresa entende ser correta a classificação dos acessórios, utilizados no Catalyst C2924, na posição NCM 8517.90.10, por ser este último, predominantemente, um aparelho de comutação para telefonia/telegrafia, e não de processamento de dados. Quanto à Adição 003 do auto de infração, a recorrente sustenta que o Roteador Cisco 1601R alcança normalmente a velocidade de 4Mbps., diferentemente do que assentou o acórdão recorrido, devendo, se for o caso, ser convertido o julgamento em diligência para comprovar tal asserção da empresa. A recorrente acrescenta, também, que, independentemente do que venha a se entender, tratarseia de caso que comporta múltiplas interpretações de fato e de direito, razão pela qual deveria se optar pelo significado que resultasse menor ônus ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. Apreciando o recurso voluntário, a 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 320100117 (fls. 402 e ss.), da relatoria da Ilma. Cons. ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, decidiu por converter o julgamento em diligência, para o fim de que fossem anexadas aos autos as quatro soluções de consultas, utilizadas pelo acórdão da DRJ para corroborar a manutenção do lançamento. Confirase: 1º) Em observação aos autos, percebi que fui designada para análise de outro processo, o de nº 10814001734/200265 da mesma empresa que tratou de classificação fiscal dos switches. Solicitei diligencia para anexar as soluções de consultas mencionados nos autos e não encontrados ( solução de Consulta SRRF da RF/Diana n° 110, de 28/04/03, da 8ª RE/Diana n° 49, de 26/07/02 e de n° 105 de 14/12/01). Assim sendo, solicito que sejam, também, anexadas soluções de consultas (não encontradas no volume III dos autos) da SRRF/8ª RF/Diana n° 42/2001 e SRRF/8ª RE/Diana n° 105/2001; conforme menção, inclusive do acórdão DRI fl. 1477; Após diligência solicitada, com anexação das soluções de consulta indicadas acima, bem como os devidos esclarecimentos pelo órgão julgador de primeira instância; intimese o contribuinte para, querendo, pronuncie a respeito, em homenagem ao principio do contraditório, retornando os autos para apreciação deste Conselho. Com a diligência efetivamente cumprida, foi anexado aos autos das 4 soluções de consultas: SRRF/8a RF/DIANA N° 42, de 06/08/2001 (Catalyst 3000 e 5000); SRRF/8a RF/DIANA N° 105, de 14/12/2001 (Catalyst 3524)); SRRF/8a RF/DIANA N° 49, de 26/07/2002 (Catalyst 3512, 3524, 3548), ; SRRF/7a RF/DIANA N° 110, de 28/04/2003 (Catalyst 2950). Fl. 458DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10831.004824/200119 Acórdão n.º 3202001.196 S3C2T2 Fl. 453 5 Nas citadas soluções de consulta, exarouse o entendimento de que os diversos aparelhos Catalyst deveriam ser enquadrados na classificação nº 8471.80.19, isto é, como equipamento de processamento de dados digitais, tal como similarmente fez a autoridade fiscal no presente caso, em relação ao Catalyst C2924. Intimada para se manifestar acerca das soluções de consulta, a contribuinte reitera as razões de seu Recurso Voluntário, alegando que os aparelhos Catalyst C2924 foram corretamente enquadrados na posição nº 8517.30.41, requerendo, dessa forma, que seja dada continuidade ao julgamento do recurso voluntário interposto. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso é tempestivo e, por isso, merece a ser apreciado. Acredito que a solução do presente litígio passa pela interpretação das conclusões do Laudo Técnico de fls. 41/ss. Efetivamente, a recorrente parte das mesmas premissas do citado laudo para apresentar conclusões diferentes quanto à classificação fiscal, indicada pelo experto. A primeira controvérsia reside no enquadramento da mercadoria, C2924 (Adição 001 do auto de infração). Para a contribuinte, esses produtos seriam "aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia com velocidade de tronco superior a 72kbits/s e de comutação superior a 3.600 pacotes por segundo, sem multiplexação determinísticas" (código NCM 8517.30.41). Ao seu turno, a fiscalização entende que tais equipamentos seriam “unidades de máquinas automáticas para processamento de dados Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados outras” (código NCM 8471.80.19). No laudo técnico de fls. 41/ss., que fundamentou o auto de infração, a Perita defende que a classificação defendida pela empresa não seria correta, porque os equipamentos, embora sejam aparelhos de comutação, não serviriam exclusivamente para telefonia/telegrafia. Eis suas palavras: "Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia" Os equipamentos CISCO C2924 realmente são aparelhos de comutação (switching), pois permitem a comutação de pacotes IP entre elementos de rede de dados. Pode ser descrito também como unidades de adaptação para redes de dados do tipo distribuidora de conexões de rede ("switch"). No entanto, não se tratam de equipamentos destinados especificamente a telefonia e telegrafia, conforme colocado acima. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 A conclusão aqui, portanto, é que são equipamentos de comutação, porém não são especificamente dedicados a telefonia e telegrafia. Ainda segundo a perícia, outro fato que impediria a classificação desejada pela recorrente, é o de que a velocidade do equipamento C2924 não se dá através de um tronco, mas, sim, através de uma “conexão cascading que é análoga a um tronco, mas não da mesma natureza”. Observese: "Com velocidade de tronco superior a 72Kbits/s" Este requisito nos mostra um conceito utilizado em redes de telecomunicações (telefonia e telegrafia), mas que não se aplica ao tipo de equipamento que estamos analisando (C2924). Velocidade de tronco indica a capacidade de uma central de comutação de pacotes comunicarse com outra central de comutação de pacotes através de um "tronco", ou seja, um canal de transmissão entre centrais, de alta velocidade e normalmente multiplexado (conceito que veremos mais adiante). Os equipamentos C2924 podem, eventualmente, serem conectados uns aos outros, porém, isso é realizado através de uma conexão tipo "cascading", que é análoga a um tronco, mas não da mesma natureza. Por isso possuem denominações diferentes. Não cabe, portanto, analisarmos a velocidade de tronco do equipamento CISCO C2924, já que esse conceito não é aplicado ao equipamento. A meu ver, porém, o fato de o equipamento C2924 servir, em tese, para outras finalidades, não é suficiente para afastálo da posição NCM 8517.30.41, pois esta exige que aparelhos de comutação sirvam para telefonia/telegrafia, e não exclusivamente para telefonia/telegrafia. Ademais, o auto de infração não acusa a recorrente, em nenhum momento, de utilizar as citadas mercadorias para outras finalidades, que não sejam de telefonia/telegrafia. Pelo contrário, é incontroverso que a atividade da empresa indica a utilização dos aparelhos objeto de classificação para a finalidade prevista na NCM 8517.30.41. Quanto à mudança da classificação, pelo fato de o produto importado ter sua velocidade por uma conexão tipo cascading “análoga a um tronco, mas não da mesma natureza”, entendo que a indigitada dessemelhança, no máximo, deslocaria o equipamento para a posição NCM seguinte de número 8517.30.49 (outras), nunca para a posição NCM 8471.80.19, defendida pela fiscalização. Destaco, por oportuno, que nenhuma das soluções de consulta juntadas aos presentes autos, em cumprimento a diligência solicitada pelo CARF, prejudica minha interpretação ora exposta. Por isso, dou provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento, relativamente a Adição 001 dos autos de infração. No que diz respeito à Adição 002 da autuação, como reconheceu o acórdão recorrido, a classificação fiscal dessas mercadorias está vinculada ao entendimento que se tenha a respeito do aparelho C2924, pois elas são acessórias a este último. Tendo em vista que meu entendimento é de que a classificação do C2924 é a posição NCM 8517.30.41, os equipamentos que lhe são acessórios devem ser classificados no NCM 8517.90.10, merecendo ser acolhido o recurso voluntário também nessa parte. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10831.004824/200119 Acórdão n.º 3202001.196 S3C2T2 Fl. 454 7 Por fim, passo a examinar a classificação do Roteador Cisco 1601R. Aqui, a divergência reside em se verificar se esta máquina possui ou não "velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s". Se for afirmativa a resposta a essa questão, está correta a Posição NCM 8517.30.62 pleiteada pelo importador. Caso contrário, deve ser mantida a Posição NCM 8517.30.69 indicada pela fiscalização. Nesse aspecto, também utilizo as premissas do Laudo Técnico de fls. 41/ss. para dirimir a controvérsia. Transcrevoas abaixo: "Velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s" O equipamento CISCO 1601R possui uma interface serial para conexão WAN através de um conector DB60. Tratase de uma porta serial com capacidade de comunicação assincrona e síncrona. De acordo com a documentação técnica apresentada no anexo IV, disponível no site no fabricante na INTERNET na sua página 1, a porta serial do equipamento suporta até 115,2Kbits/s em modo assíncrono e até 2,048 Mbits/s em modo síncrono. Traduzimos o texto abaixo para ilustrarmos o que foi afirmado: [...] As interfaces seriais, de modo geral, podem ser configuradas para velocidades superiores àquela indicada como maxima de operação pelos catálogos técnicos (2,048Mbps no modo síncrono, neste caso). A limitação máxima indicada corresponde à capacidade de operação de forma segura e confiável. Para uma interface de 2,048Mbps, por exemplo, se a velocidade for aumentada para 4Mbps, o cabo de ligação não pode ter um comprimento muito longo para que a transmissão possa ser feita e isso inviabiliza a utilização da interface. Assim, devemos considerar a velocidade máxima indicada como uma velocidade segura e confiável para a utilização da interface. "Interconexão de redes locais com protocolos distintos" Esta também é uma característica aplicável ao roteador CISCO 1601R, ou seja, o equipamento permite que seja estabelecida uma conexão entre redes com protocolos distintos através de uma WAN. Vêse que, de acordo com a perícia, o aumento da velocidade para 4Mbps, além de depender de nova configuração, inviabiliza a utilização da interface, alusiva ao Roteador Cisco 1601R. Dessa forma, ao contrário do que afirmou o recorrente, o laudo não deixa dúvidas de que o Roteador Cisco 1601R não pode ter a "velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s", sendo desnecessária a realização de diligência para verificar tal dado, ante a inexistência de qualquer indício que aponte em sentido diverso. Friso, por igual, que a eventual hipótese (não provada nos autos) de o Roteador Cisco 1601R poder alcançar, de forma insegura e não confiável, a velocidade de 4 Mbits/s, não ensejaria a mudança da classificação fiscal, adotada pelo Fisco, porquanto a Posição NCM 8517.30.69 fala em velocidade de pelo menos 4 Mbits/s, o que, de nenhum, Fl. 461DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 modo, se subsome a uma hipotética velocidade máxima de 4 Mbits/s alcançada de forma instável. Outrossim, discordo da recorrente quando pretende aplicar o art. 112 do CTN, pois a Posição NCM 8517.30.69 não traz dúvida quanto à capitulação legal do fato nem tampouco existe imprecisão quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s do Roteador Cisco 1601R). Consequentemente, mantenho a Posição NCM 8517.30.69, indicada pela fiscalização, e nego provimento ao recurso voluntário nessa parte. Ante o exposto DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer como correta as posições NCM 8517.30.41 e NCM 8517.90.10, indicadas pela empresa, anulando os lançamentos (Adição 001 e Adição 002 dos autos de infração), na parte em que exigem diferença de tributos, por conta da reclassificação das sobreditas mercadorias. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 462DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10711.005303/2006-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 08/08/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
O produto ULTRAFINE FILLER GM 27884, um aluminoborosilicato de bário, classifica-se no código NCM 2842.10.90.
MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158/35, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/08/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto ULTRAFINE FILLER GM 27884, um aluminoborosilicato de bário, classifica-se no código NCM 2842.10.90. MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158/35, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. Recurso voluntário negado.
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O produto ULTRAFINE FILLER GM 27884, um aluminoborosilicato de bário, classificase no código NCM 2842.10.90. MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158/35, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou máfé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 53 03 /2 00 6- 50 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação – II, acrescido de juros e de multas proporcional e regulamentar, no valor total de R$ 24.357,39. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração decorrente de classificação fiscal com lançamentos do Imposto de Importação, multa proporcional e multa por classificação fiscal. Valor total da autuação R$ 24.357,39. Alega a fiscalização aduaneira que os produtos da Declaração de Importação (DI) 06/09324432 (Silicato de alumínio e Bário) devem ser classificados no código NCM/SH 2842.10.90, em vez do código 2842.90.00. Intimada a empresa autuada (fl. 01), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 2325. Seguem as alegações da empresa. A atividade preponderante da empresa é a produção de produtos odontológicos, categoria farmacêutica. A multa do art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, é imprópria, uma vez que a mercadoria está corretamente descrita. Defende a classificação fiscal constante na DI pelo fato de não haver restrição a tal classificação fiscal nas Notas do Capítulo, pela aplicação da Regra 3c de interpretação do Sistema Harmonizado, as mercadorias devem ser classificadas na posição situada em último lugar na ordem numérica dentre as suscetíveis de validade. Alega a quantidade de empregados na empresa e na possibilidade de criação de empregos no exterior com o posicionamento da Receita Federal. Solicita a improcedência da autuação e a realização do desembaraço das mercadorias. À fl. 44 encaminhouse o processo para julgamento. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0711.688, de 11/01/2008 (fls. 50/56; acórdão dispensado de ementa). Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário de fls. 64/75, por meio do qual repisa argumentos já delineados em sua impugnação. Em síntese, além de insurgirse contra as multas aplicadas, sustenta que o laudo técnico que serviu de base à autuação é deficiente por não ter identificado “a sílica (dióxido de silício = SiO2), que compõe mais de 50% (cinquenta por cento) da composição”. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.005303/200650 Acórdão n.º 3202001.125 S3C2T2 Fl. 229 3 Por meio da Resolução n.º 320100.115, de 17/03/2010 (fls. 115/117), a 1ª Turma Ordinária da 2° Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência, a fim de dirimir dúvidas acerca dos aspectos merceológicos do produto. Por meio do doc. de fl. 181, deuse ciência, em 11/10/2012 (fl. 182), à Recorrente da não realização da diligência, uma vez que não se manifestou sobre o orçamento fornecido pelo laboratório Instituto Nacional de Tecnologia. A Recorrente, então, requereu a juntada de laudo técnico elaborado pelo mesmo laboratório e realizado no mesmo produto – ULTRAFINE FILLER GM 27884 (fls. 183, 205/212). Às fls. 217/225, encontrase anexada manifestação da Recorrente sobre o laudo técnico que carreou aos autos. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne da questão diz com a errônea classificação fiscal de produto importado pela Recorrente (ULTRAFINE FILLER GM 27884), o que teria acarretado a cobrança do II, acrescido de juros e multa proporcional e regulamentar decorrente do erro de classificação fiscal. Com base no Laudo Técnico de fl. 20, a fiscalização aduaneira reclassificou o produto importado para o código NCM 2842.10.90, enquanto que a Recorrente classificouo no código NCM 2842.90.00. A posição, subposições, itens e subitens a que correspondem os códigos indicados estão assim descritos na NCM: 28.42 Outros sais dos ácidos ou peroxoácidos inorgânicos (incluindo os aluminossilicatos de constituição química definida ou não), exceto as azidas. 2842.10 Silicatos duplos ou complexos, incluindo os aluminossilicatos de constituição química definida ou não 2842.10.10 Zeólitas dos tipos utilizados como trocadores de íons para o tratamento de águas 2 2842.10.90 Outros 10 2842.90.00 Outros 2 Constatase, pois, que a controvérsia reside apenas na subposição simples, haja vista que não há dissenso quanto à posição em que se classifica o produto importado. A meu ver, a razão está com a fiscalização. Para tornar claro motivo do nosso convencimento, passamos a reproduzir a seguinte nota à posição 2842 encartada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH (aprovadas pela Instrução Normativa – IN RFB n.º 807, de 2008, na redação conferida pela IN RFB 1.260, de 2012), sobre os sais duplos ou complexos: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 II. SAIS DUPLOS OU COMPLEXOS (...) L) Silicatos duplos ou complexos. São compreendidos neste grupo os aluminossilicatos, quer se trate ou não de compostos de constituição química definida apresentados isoladamente. Os aluminossilicatos são utilizados em vidraria e como isolantes, trocadores de íons, catalisadores, peneiras moleculares, etc. São compreendidas nesta categoria as zeólitas sintéticas de fórmula genérica M2/nO.Al2O3.ySiO2.wH2O, onde M é um cátion de valência n (geralmente sódio, potássio, magnésio ou cálcio), y um número igual ou superior a 2 e w o número de moléculas de água. Ora, conforme o laudo técnico trazido aos autos pela própria Recorrente, o produto importado é um aluminoborosilicato de bário. Ademais, depois de afirmarem que o produto sofreu processo de vitrificação, os profissionais responsáveis pela sua elaboração ainda consignaram (fl. 209; no penúltimo parágrafo): “O vidro é considerado por alguns autores, no caso dos vidros que têm como formadores o óxido de silício (SiO2) e outros formadores como óxido de boro (B2O3) e ainda intermediário como óxido de alumínio (Al2O3), como alumino silicatos ou aluminoborosilicatos, que são silicatos duplos ou complexos respectivamente, de origem artificial”. Portanto, não resta dúvida sobre o acerto do reenquadramento fiscal levado a efeito pela fiscalização. No caso, é de se aplicar a Regra Geral de Interpretação – RGI n.º 6, segundo a qual a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, não, como pretende a Recorrente, a RGI n.º 3C. Em conclusão, deve ser mantido o tributo não recolhido em razão do erro de classificação fiscal, acrescido de juros de mora de multa proporcional, além da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro em virtude do erro de classificação fiscal, cuja incidência apenas reclama a mera classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria ou, alternativamente, a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. A exigência da multa proporcional reclama apenas a falta de recolhimento do tributo (art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996), não sendo de aplicar, por analogia, o disposto no Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 10, de 1997, uma vez que a situação aqui examinada nada tem a ver com solicitação incabível de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.005303/200650 Acórdão n.º 3202001.125 S3C2T2 Fl. 230 5 Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 2.5761623
Numero do processo: 10711.002181/2007-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 04/09/2003
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação-LI, quando da hipótese, em que ocorre a reclassificação fiscal e a mesma não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada.
MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158- 35, de agosto de 2001 (Lei de n° 10.833/2003), é aplicada quando do erro de classificação fiscal, proporcional ao valor aduaneiro. Recurso o qual se dá provimento em parte.
Numero da decisão: 3802-003.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa por falta de licença de importação-LI. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra que negava provimento.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
2.5698922 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 19717) [SchemaSimilarity], result of:
2.5698922 = score(freq=19.0), computed as boost * idf * tf from:
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48351 = N, total number of documents with field
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 04/09/2003 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação-LI, quando da hipótese, em que ocorre a reclassificação fiscal e a mesma não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158- 35, de agosto de 2001 (Lei de n° 10.833/2003), é aplicada quando do erro de classificação fiscal, proporcional ao valor aduaneiro. Recurso o qual se dá provimento em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa por falta de licença de importação-LI. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra que negava provimento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/09/2003 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importaçãoLI, quando da hipótese, em que ocorre a reclassificação fiscal e a mesma não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de agosto de 2001 (Lei de n° 10.833/2003), é aplicada quando do erro de classificação fiscal, proporcional ao valor aduaneiro. Recurso o qual se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa por falta de licença de importaçãoLI. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra que negava provimento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 21 81 /2 00 7- 21 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 77.128,26, referentes à multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1%, classificação fiscal incorreta). A interessada por meio da declaração de importação (DI) nº 03/07556420 (fls. 11 a 19) submeteu a despacho mercadoria descrita como “CONCENTRADO DE ZINCO”, classificando no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 2608.00.90: 2608.00 MINÉRIOS DE ZINCO E SEUS CONCENTRADOS 2608.00.90 Outros Com base no Laudo de Análise n° 0298/03, do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fl. 07), efetuado com base em amostra retirada da mercadoria em questão, e que indicou que a mercadoria tratase de “minério de zinco, sulfeto de zinco (esfarelita)”, a fiscalização concluiu que a mercadoria não pode ser classificada no código da NCM declarado pela interessada. Assim, com base nas informações acima e nas regras de classificação fiscal, a fiscalização reclassificou as mercadorias para o código da NCM 2608.00.10: 2608.00 MINÉRIOS DE ZINCO E SEUS CONCENTRADOS 2608.00.10 Sulfetos Tendo em vista que a descrição apresentada pela interessada e o erro na classificação fiscal, a fiscalização lançou a multa por considerar a importação desamparada de guia ou documento equivalente e, aplicou a multa por ter sido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Regularmente cientificada (AR, fl. 21 verso), a interessada apresentou impugnação de folhas 22 a 36, anexando os documentos de folhas 37 a 48. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, o LABOR não fez qualquer citação técnica detalhada a respeito do percentual de esfarelita, e se nessa condição em que se apresenta, o mesmo descaracteriza o produto como sendo um Concentrado de Zinco; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10711.002181/200721 Acórdão n.º 3802003.922 S3TE02 Fl. 130 3 Que, o produto é concentrado de zinco e está corretamente descrito. É um produto de qualidade industrial, cuja composição tem produto de origem mineral à base de zinco, e não sendo somente minério de zinco, sulfeto de zinco (esfarelita), enquadrase corretamente na posição NCM/TEC 2608.00.90; Que, requer seja convertido o julgamento em diligência para que o LABOR retifique o entendimento firmado no Laudo, formula os quesitos que entende pertinentes (fl. 27). O não atendimento à solicitação implica em cerceamento ao seu direito de defesa; Que, as mercadorias importadas estão amparadas por licenciamento automático, que não deixa de ser licenciamento regular. Há que se aplicar ao caso o disposto no Parecer COSIT SRF n° 477/88 e Ato Declaratório COSIT SRF n° 10/97; Que, não é cabível a aplicação da penalidade por erro de classificação fiscal; Requer, seja o auto de infração em tela julgado totalmente improcedente e insubsistente, caso persista alguma dúvida a respeito, requer sejam providenciadas diligências ao LABOR, ao Instituto Nacional de Tecnologia. Protesta pela juntada de novos documentos, bem como pela juntada “a posteriori” de laudo pericial antes ou após a realização da perícia, bem como indicação de assistente técnico e apresentação de quesitos suplementares; É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0720.406, de 02/07/2010, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/MS, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/09/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A mercadoria constituída por “minério de zinco, sulfeto de zinco (esfarelita)” classificase no código NCM 2608.00.10 por aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgamento foi no sentido de julgar procedente o lançamento, bem como rejeitar preliminar de cerceamento de defesa. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Tendo em vista que o litígio referese à desclassificação fiscal dos produtos importados, e consequente exigência, dentre elas, da Multa ao Controle Administrativo das Importações; foi convertido o julgamento em diligência, nos termos da Resolução de n° 3201 000.317, de 01/03/2012, dessa forma: se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato, em que modalidade do sistema administrativo, a respectiva importação encontravase inserida: dispensada de licenciamento, licenciamento automático ou licenciamento não automático. Pois, Registro que a importação brasileira, de uma forma geral, esteve sujeita a tratamento administrativo, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou não automática e atualmente nas modalidades: dispensada de licenciamento, licenciamento automático ou licenciamento não automático, nos termos da Portaria Secex n° 23/2011. Consta à fl. 119 (pdf) o retorno da diligência demandada, que resultou: ........ em atendimento à diligência, foram anexadas cópias das telas ao tratamento administrativo (fls.117/118pdf), ambas as classificações fiscais não estavam sujeitas a licenciamento não automático. Porém, evidenciase erro na descrição da mercadoria e na classificação fiscal. O processo digitalizado foi a mim redistribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de crédito tributário no valor de R$ 77.128,26, referentes à multa do controle administrativo, por falta de licenciamento e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1%, classificação fiscal incorreta). Os fatos controversos são se a mercadoria descrita para fins de obtenção de licença para importação e correspondente despacho aduaneiro é divergente da mercadoria efetivamente importada; situação que acarretou na reclassificação fiscal da mercadoria, do código NCM 2608.00.90 para o código NCM 2608.00.10, segundo a fiscalização, daí o pedido da diligência, inclusive. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10711.002181/200721 Acórdão n.º 3802003.922 S3TE02 Fl. 131 5 O julgamento de primeira instância foi no sentido de manter o crédito Inicialmente, temse que a classificação de um produto é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo (Regra Geral nº 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado – RGI 1), e pelas demais regras de classificação. Já a classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse, mutatis mutandis, para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar nº 1 – RGC 1). Percebese, de pronto, que a divergência é em nível de item. Para se concluir pela classificação fiscal, a fiscalização anexou aos autos cópia do Laudo de Análise de n° 0298/03 (LABOR), laudo cuja conclusão indica que a mercadoria referese à minério de zinco, sulfeto de zinco (esfarelita). Observase no Laudo de Análise citado que a mercadoria é composta por minério de zinco, especificamente esfarelita. Logo, se o laudo não cita outros minérios ou componentes constituintes da mercadoria, podese concluir que o minério de zinco se refere à totalidade da mercadoria. Considerando que não há, na NCM, classificação fiscal relacionada à quantia de sulfeto de zinco existente no minério (esfarelita), a informação relacionada ao percentual de sulfeto de zinco no minério passa a ser desnecessária para a solução do litígio, como argumenta a recorrente. Pois bem, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto nº 435/1992 referentes à posição 2608 assim dispõem: Os principais minérios geralmente classificados nesta posição são: a)A blenda (esfalerita), sulfeto de zinco. b)A calamina (ou hemimorfita), hidrossilicato de zinco. c)A smithsonita, carbonato de zinco. d)A zincita, óxido de zinco. (Grifos acrescidos) Verificase, na alínea “a” da nota explicativa, esta posição abrange a blenda (esfarelita). A decisão de primeira instância faz a seguinte observação sobre esfarelita: .....segundo o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.11a é o mesmo que esfalerita), sulfeto de zinco. Exatamente a mercadoria em questão. A Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RG1), estabelece que: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 1.OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. (Grifos acrescidos) Chegase à conclusão que a mercadoria, minério de zinco, classificase na posição 2608 – MINÉRIOS DE ZINCO E SEUS CONCENTRADOS. Por sua vez, a posição 2608 não possui desdobramento em nível de subposição: 2608.00, como já comentado. Como se trata de minério de zinco, sulfeto de zinco (esfarelita), deve a mercadoria ser classificada, por aplicação da Regra Geral Complementar n° 1, no desdobramento em nível regional 2608.00.10 – Sulfetos: 1.AS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO SE APLICARÃO, MUTATIS MUTANDIS, PARA DETERMINAR DENTRO DE CADA POSIÇÃO OU SUBPOSIÇÃO, O ITEM APLICÁVEL E, DENTRO DESTE ÚLTIMO, O SUBITEM CORRESPONDENTE, ENTENDENDO SE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS DESDOBRAMENTOS REGIONAIS (ITENS E SUBITENS) DO MESMO NÍVEL. Pelo exposto, assiste razão à fiscalização na reclassificação fiscal, por aplçicação da Regra Geral de Interpretação n°1, bem como da Regra Geral de Interpretação Complementar de n° 1. Definida a classificação fiscal (2608.00.10), temse que a recorrente informou o nome comercial das mercadorias em sua declaração de importaçãoDI (CONCENTRADO DE ZINCO). Passando à multa pela importação de mercadoria sem licença de importação LI ou documento de efeito equivalente, a qual decorre do previsto no artigo 490 e do previsto na alínea “a”, inciso II do artigo 633 do Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro, à época do fato gerador): Art. 490. A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou nãoautomática, por meio do Siscomex. ... § 3o Os Ministros de Estado da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior determinarão, de forma conjunta, as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento. ... Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10711.002181/200721 Acórdão n.º 3802003.922 S3TE02 Fl. 132 7 ... II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação; e ... (Grifos acrescidos) Fixada a classificação fiscal, o importador ou seu representante legal passará a averiguar o tratamento administrativo a ser rigorosamente seguido, que equivale a autorização para importar ou mesmo que licenciamento da importação. Historicamente, temse que até 31 de dezembro de 1996, o documento licenciatório era conhecido como guia de importaçãoGI. No entanto, a partir de 1997, com a inauguração do Sistema de Comércio ExteriorSiscomex, módulo importação, o registro informatizado da licença de importação LI passou a substituir a GI, para todos os efeitos legais. Recordese que a implantação do Siscomex (inicialmente introduzido através do módulo exportação) foi conduzida pelo Decreto n° 660, de 25 de setembro de 1992. O controle administrativo na importação, nesta época (implantação do SISCOMEXimportação), foi disciplinado através de normas administrativas consolidadas nas portarias SECEX, inicialmente a de n° 21/96, depois 22/96, 17/2003 e nos comunicados DECEX n°s 02/97, 12/97, 27/98 e posteriores alterações. A propósito da guia de importaçãoGI ou documento equivalente é importante lembrar o disposto no Decreto n° 660/1992 (instituiu o SiscomexSistema Integrado de Comércio Exterior): Art. 2° O SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, mediante fluxo único, computadorizado, de informações. (...) Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...) (Grifos acrescidos) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Vale destacar os seguintes dispositivos constantes da Portaria MF/MICT nº 291/1996 (12/12/1996): Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 1997, as atividades de licenciamento, despacho aduaneiro e controle cambial, relativas às operações de importação, serão exercidas pela Secretaria de Comércio Exterior SECEX, do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo MICT, pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda MF, e pelo Banco Central do Brasil BACEN, em suas respectivas áreas de competência, por intermédio do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. ... Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. (…) Anexo II (…) 18 Descrição detalhada da mercadoria Descrição completa da mercadoria de modo a permitir sua perfeita identificação e caracterização. 18.1 Especificação Espécie, tipo, marca, número, série, referência, medida, nome científico e/ou comercial etc. da mercadoria.” ... (Grifos acrescidos) A recorrente possuía licença (concedida automaticamente) para a importação de “concentrado de zinco”, entretanto trouxe “minério de zinco composto por sulfeto de zinco (blenda, esfarelita ou esfalerita)” . Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10711.002181/200721 Acórdão n.º 3802003.922 S3TE02 Fl. 133 9 Entendo, pois, que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, se este erro apontado pela fiscalização, remetese à exigência de novo licenciamento ou não, pois bem, é preciso sempre avaliar se esse erro redunda em novo licenciamento. Bem como, analisar se com a reclassificação fiscal se a mesma não interfere ou interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria efetivamente importada. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. No presente caso, verificase que o produto foi classificado pela recorrente na posição NCM 2608.00.90, sendo posteriormente reclassificado pela Fiscalização no código NCM 2608.00.10. Pelo resultado da diligência, peço vênia para discordar da fiscalização, bem como da decisão de primeira instância, pois ao meu ver, seria preciso decidir se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, (se era preciso de fato o documento da licença), exigindo, por conseguinte, novo licenciamento, e o que se constata, que foram anexadas cópias das telas ao tratamento administrativo e ambas as classificações fiscais não estavam sujeitas a licenciamento não automático. Assim como, não se evidencia intuito doloso ou má fé por parte do importador/declarante. A Portaria SECEX n° 21/96, vigente à época da ocorrência do fato gerador, preceituava que: Art. 7° O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. [...] Art. 8° Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. [...] Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto. Pelo exposto, averiguase que a matéria diz respeito, tão somente, à divergência quanto à sua classificação fiscal, e considerando que a recorrente efetuou as respectivas importações devidamente autorizadas, sem licenciamento não automático, não há que se aplicar a multa, originalmente capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985, e conforme o inciso II do artigo 633 do Decreto n° 4.543/02, vigente à época do fato gerador, como já ressaltado. Em assim sendo, descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. No entanto, com relação a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, aplicase ao presente caso, em erro de classificação fiscal, pois a mesma encontra previsão legal, nos termos do art. 84, I, da Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 (Lei de n° 10.833/2003): Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria;[...] Apurase que o tipo infracional exige apenas que a classificação fiscal informada pelo importador na Declaração de ImportaçãoDI esteja incorreta na Nomenclatura Comum do MercosulNCM; não dispõe sobre a descrição e independe do intuito doloso ou má fé por parte do importador, sendo suficiente que as hipóteses de incidência estejam presentes. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para afastar a infração por falta de licenciamento; prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11128.005550/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório. Uma vez constatada a contradição alegada pela embargante, procede-se as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3102-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório. Uma vez constatada a contradição alegada pela embargante, procedese as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 55 50 /2 00 5- 18 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 370/373), com pedido de efeitos modificativos, opostos pelo Delegado da DRJ São Paulo II, com o objetivo sanar suposta contradição no Acórdão nº 310200.695, de 01 de julho de 2010, proferido por este Colegiado, em que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para afastar a prejudicial de concomitância relativamente as multas regulamentar, por classificação fiscal incorreta, e do controle administrativo, por falta de licenciamento, e devolver o processo ao órgão julgador de primeira instancia para que fossem enfrentadas as razões da impugnação atreladas a essa fração da exigência, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos, ipsis litteris: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. PARCIAL CONCOMITÂNCIA ANÁLISE DO MÉRITO. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal não se toma conhecimento da matéria submetida à apreciação judicial, por qualquer modalidade processual, entretanto, havendo matéria distinta em litígio no processo administrativo esta parcela deve ser conhecida, sob pena de grave prejuízo aos princípios do contraditório e da ampla defesa de índole constitucional. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com o princípio do duplo grau de jurisdição e para que não configure supressão de instância, a matéria não conhecida no julgamento de primeiro grau que, em nível recursal, seja admitido o seu conhecimento, deve ser devolvida ao Órgão julgador de primeiro grau, para conhecimento e apreciação do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte Em 25/11/2010, o embargante foi cientificado do referido acórdão (fl. 364). Na mesma data, apresentou os citado embargos de declaração, em que alegou contradição que a decisão embargada era contraditória com seus próprios termos, pois havia reconhecido os efeitos judiciais sobre o cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e Cofins Importação e não visualizado os mesmos efeitos judiciais sobre o mérito das multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciamento. Nos excertos a seguir transcritos, o recorrente esclarece, com mais detalhes, as razões da alegada contradição, in verbis: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.005550/200518 Acórdão n.º 3102002.261 S3C1T2 Fl. 375 3 Apesar de considerar que as multas por erro de classificação e por falta de licenciamento não são objeto da ação judicial, o referido acórdão entende que o lançamento das diferenças de PISImportação e CofinsImportação, que também não são discutidos na ação judicial, estão abrangidos pelo instituto da concomitância. [...] Logo, o acórdão ora embargado entende que, apesar do PIS Importação e do CofinsImportação não serem discutidos no processo judicial, a decisão judicial produz reflexo óbvio e direto no cálculo desses tributos. Ocorre que, da mesma forma, a análise das multas por erro na classificação fiscal e por falta de licenciamento envolve necessariamente a apreciação do mérito da classificação fiscal. O mérito da classificação fiscal é objeto da ação judicial como já visto acima. Qualquer decisão judicial sobre a classificação fiscal dos bens, necessariamente vincula o desfecho da multa por erro de classificação e por falta de LI deste processo administrativo. Dessa forma, caso esta turma apreciasse o mérito da classificação fiscal, estaria violando o principio da unicidade de jurisdição. Em suma, para o recorrente, se o mérito da classificação fiscal era objeto da mencionada ação judicial, consequentemente, qualquer que fosse o resultado da decisão judicial, necessariamente, ele vincularia o desfecho da decisão concernente à aplicação tanto da multa por erro de classificação fiscal quanto da multa por falta de LI, objeto deste processo administrativo. Em cumprimento ao disposto no art. 65, § 2º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 junho de 2009, que dispõe sobre Regimento Interno deste Conselho (RICARF), por meio do Despacho de fls. 370/373, foi proposta a admissibilidade dos referidos embargos ao Presidente desta Turma de Ordinária, que, no uso da competência estabelecida no art. 65, § 3°, do Anexo II do RICARF, admitiuo e determinou que o processo fosse posto em pauta, para fim de realização de novo julgamento, com vista à integração do acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os presentes embargos declaração são tempestivos e foram admitidos na forma regimental, portanto, devem ser conhecidos. Nos embargos admitidos, a recorrente alegou contradição que a decisão embargada era contraditória com seus próprios termos, pois havia reconhecido os efeitos Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 judiciais sobre o cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação e não visualizado os mesmos efeitos judiciais sobre o mérito das multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciamento da importação. Assiste razão ao embargante. A uma, porque o desfecho das referidas multas está vinculado diretamente ao que decidido, em caráter definitivo, no âmbito do citado processo judicial. A duas, porque o motivo da aplicação das referidas penalidades, conforme descrito no correspondente auto de infração (fls. 19/22), foi a incorreta descrição e classificação fiscal do produto no código NCM 8421.39.90, apresentada pela autuada na Declaração de Importção (DI) nº 05/03052525, adição 001, quando o corrento seria no código NCM 8414.60.00. A três, porque a recorrente limitouse em alegar, no seu recurso voluntário, que a importação e o desembaraço da mercadoria importada não fora realizada com a classificação incorreta, mas, sim, conforme a classificação fiscal autorizada judicialmente, qual seja, na posição 8421.39.90, razão pela qual deviam ser canceladas as exigências de multa. Por todas essas, melhor sopesando os fundamentos fáticos e jurídicos da autuaçao e as razões de defesa suscitadas pela recorrente, inferese que também está caracterizada a concomitância em relação às multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciameneto da importação. Assim, demonstrado que as razões de defesa suscitadas pela recorrente encontrase sub judice, tal circunstância implica renúncia tácita à instância administrativa, pois há coincidência com a matéria litigiosa submetida à apreciação deste Colegiado. Tal consequência, é uma decorrência direta da aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Por força desse princício, o monopólio do exercício da jurisdição cabe ao Poder Judiciário, a quem incumbe o pronunciamento definitivo sobre os conflitos originários da aplicação da legislação tributária. No caso presente, como a matérias litigiosa foi submetida à análise do Poder Judiciário, obviamente, carece de sentido e efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca do assunto, haja vista que, se corroborar o entendimento judicial, seria inócua, ou se decidir em sentido diverso, estaria contrariando ou descumprindo a decisão judicial, o que seria mais grave. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando, expressamente, a proeminência do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário, a exemplo do artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737/79, e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. De acordo com os referidos comandos legais, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, a partir da edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.005550/200518 Acórdão n.º 3102002.261 S3C1T2 Fl. 376 5 SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, não se toma conhecimento da matéria controvertida suscitada no recurso em apreço, por ser idêntica a que foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, no âmbito da referida ação judicial. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos embargos, para, conferindolhes efeitos infringentes, retificar a conclusão do voto condutor do acórdão embargado, que passa a ter a seguinte redação: votase por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por concomitância de toda a matéria litigada, devendo ser mantido na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 381DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 12719.000550/2005-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.436
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a recorrente de todo o conteúdo da diligência fiscal, nos termos do voto do relator.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a recorrente de todo o conteúdo da diligência fiscal, nos termos do voto do relator. Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a recorrente de todo o conteúdo da diligência fiscal, nos termos do voto do relator. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 19 .0 00 55 0/ 20 05 -3 4 Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Reportome ao relato da Resolução nº 310100.71, de 16/11/2009: Adoto como parte de meu relato, o quanto relatado pelo I. relator do decisum a quo: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 23 a 136 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fls. 23 a 102 1 R$ 75.837,95 (setenta e cinco mil, oitocentos e trinta e sete reais e noventa e cinco centavos) a título de Imposto de Importação. 2 R$ 56.878,46 (cinqüenta e seis mil, oitocentos e setenta e oito reais e quarenta e seis reais) a título de Multa de Ofício de 75%. 3 R$ 145.611,05 (cento e quarenta e cinco mil, seiscentos e onze reais e cinco centavos) de Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro – Mercadoria Classificada Incorretamente. fls. 103 a 135 4 R$ 9.662,48 (nove mil, seiscentos e sessenta e dois reais e quarenta e oito centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados. 5 R$ 7.246,86 (sete mil, duzentos e quarenta e seis reais e oitenta e seis centavos) de Multa de ofício de 75%. Os juros de mora lançados foram calculados até 29/04/2005. A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 139 a 146, em síntese: A presente auditoria tem por escopo a verificação da correta classificação fiscal nas posições da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM 8541 e NCM 8542, abrangendo o período de janeiro de 2002 a fevereiro de 2003. Analisando as Declarações de Importação – DI (fls. 611 a 2936), documentações instrutivas que ampararam as importações do interessado e a legislação vigente, verificamos que foram editadas Resoluções da Câmara de Comércio Exterior – CAMEX (fls. 3319 a 3346), aplicáveis às posições da NCM utilizadas pelo contribuinte para classificar as mercadorias importadas no referido período, que implicavam alteração da classificação fiscal utilizada bem como da alíquota aplicável. A interessada realizou importações, no período fiscalizado, de produtos, como, por exemplo, circuitos integrados, transistores e Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3803000.436 S3TE03 Fl. 4 3 dispositivos semelhantes, classificáveis na posição NCM 8541 e 8542. Nas importações relativas ao ano calendário de 2002, as mercadorias foram enquadradas em classificações dos “Extarifários”, ou seja, nesta ocasião, o contribuinte considerou que a mercadoria importada estava enquadrada na descrição estabelecida para o “Ex”. Porém, nas importações relativas ao ano de 2003, estas mesmas mercadorias voltaram a receber o tratamento cabível pelo enquadramento na regra geral, ou seja, não foram mais enquadradas no “Ex”. Vale salientar que durante o período fiscalizado foram publicadas resoluções CAMEX, que estabeleceram alterações nas alíquotas das mercadorias importadas pela interessada. No curso do desembaraço aduaneiro, foram solicitados laudos técnicos para dirimir dúvidas quanto às características, especificidades e finalidade das mercadorias importadas, com a finalidade de verificar se o enquadramento da mercadoria na classificação fiscal da TEC utilizado pelo contribuinte estava correto. Analisando os referidos laudos, observamos que o contribuinte, em algumas importações, adotou a classificação fiscal indevida, uma vez que foi utilizada a classificação fiscal geral quando havia para essa mesma classificação um “Extarifário”, cuja descrição coincidia com a estabelecida no laudo técnico para esta mercadoria. Todas as DI’s analisadas que apresentaram divergência ou erro de classificação fiscal estão relacionadas na Tabela de Divergência de Classificação Fiscal (fls. 147 a 155). Os autos de infração contêm 03 (três) diferentes infrações: Mercadoria não enquadrada em “Ex” (fls. 86), onde o contribuinte não enquadrou as mercadorias na classificação fiscal da posição NCM “Ex” e sim na classificação geral e está sendo cobrada a diferença de II. Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (fls. 90), onde estão relacionadas todas DI’s onde houve classificação fiscal incorreta e está sendo cobrada a multa sobre o valor aduaneiro. Reconstituição da base de cálculo do IPI, tendo em vista a alteração do valor do II (fls. 131). Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3378 a 3388, acompanhada dos documentos de fls. 3389 a 3473, alegando, em síntese: Descreve os procedimentos da fiscalização. Que a Intelbras impugnará cada uma das infrações mencionadas pelos auditores. Mercadoria não enquadrada em “ex”: Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3803000.436 S3TE03 Fl. 5 4 Entendem os auditores, que a Intelbras deixou de enquadrar mercadorias no código NCM “Ex”, enquadrandoas na classificação geral, contudo, conforme pode ser constatado nos comentários à Tabela de Divergência de Classificação Fiscal, em anexo, na maioria dos casos a Intelbras enquadrou suas mercadorias na NCM correta, sendo que se a enquadrasse no “Ex” estaria fugindo da real descrição da mercadoria. Exemplificando, a DI nº 02/02969791, adição 006, foi classificada pela Intelbras na NCM 8542.29.21, contudo a receita entende que a classificação correta seria incluíla no “Ex” 026, porém, conforme poderá ser observado no comentário em anexo, a Intelbras não procedeu desta maneira tendo em vista que “o Ex 026 em questão encontravase na época na parte de circuitos digitais, não se enquadrando com o item em questão”. Em algumas importações a Intelbras não enquadrou a mercadoria no “Ex” tendo em vista a burocracia que envolvia o procedimento para que o “Ex” fosse utilizado (licença prévia de importação centralizado no Decex do Rio de Janeiro – prazo de 30 dias para concessão), ademais, tal decisão foi tomada em face da não obrigatoriedade ao uso do “Ex”, que se trata, no caso da Intelbras, de um benefício para redução da alíquota do Imposto de Importação. Que o intuito do “Extarifário” é conceder um benefício de redução da alíquota do Imposto de Importação, pelo que poderia ou não a empresa utilizálo, sendo que em alguns casos, em face da necessidade urgente da importação da mercadoria, era mais vantajoso para a empresa abrir mão do “Ex” e pagar o Imposto de Importação a maior do que ter que esperar a Licença prévia da importação. Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul: A Intelbras entende que não houve incorreção na classificação das mercadorias que importou, sendo que, de forma a comprovar que as mercadorias estavam corretamente classificadas, segue em anexo Relatório (fls. 3411/3473) com os comentários à Tabela de Divergência de Classificação Fiscal, com a mesma ordem de itens da tabela de fls. 147 a 155 apresentada pelos auditores. Que em alguns itens a Intelbras concorda que houve erro na classificação e concorda com a classificação apresentada pela receita. Estes itens constam destacados no Relatório em anexo. Que os laudos técnicos solicitados no curso do desembaraço aduaneiro, em algumas situações, não se prestam a atender o fim ao qual foram solicitados, eis que quesitos constantes da solicitação de laudo técnico de mercadoria eram tendenciosos a levar o perito a responder de forma diversa a que efetivamente seria correta. Exemplificando, o fiscal ao solicitar o laudo de fls. 196/199 apresentou alguns itens e solicitou ao perito que identificasse a mercadoria (LM1458MX) a um dos itens anunciados. O Sr. Perito relacionou a mercadoria ao item 12, que se referia ao “Ex” 023, contudo dentre os itens relacionados não existia nenhum que relacionava o produto ao “Ex” 014, que seria o correto. Assim, o Perito relacionou a mercadoria Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3803000.436 S3TE03 Fl. 6 5 ao item 12, que dentre os enunciados era o que mais condizia com a mercadoria, situação esta que seria totalmente diferente se o fiscal ao solicitar o laudo tivesse enunciado dentre os itens, um que tivesse relação ao “Ex” 014, que foi utilizado pela Intelbras e era o correto. Requer seja realizada perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, indicando como seu perito o Sr. Louis Pierre Hubert. Reconstituição da base de cálculo do IPI: Que não há que se falar em reconstituição da base de cálculo do IPI, eis que conforme demonstrado a classificação fiscal utilizada pela Intelbras era a correta. Assim, inexistindo erro de classificação, não há diferença de imposto de importação pelo que se afasta totalmente a reconstituição da base de cálculo do IPI. Conforme as razões sobejamente demonstradas, o indigitado auto de infração merece reforma integral, de modo que seja adaptado às verdadeiras circunstâncias ora apontadas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FLORIANÓPOLIS/SC julgou o lançamento procedente em parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde requer a reforma da decisão a quo. Subiram então os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora do domicílio da recorrente providenciasse o seguinte: 1) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau, separar a parte relativa às mercadorias que o contribuinte não impugnou, levando em consideração para tanto o documento intitulado Comentário Intelbrás tabela de divergência NCM, fls. 3.411 a 3.473, em confronto com a Tabela de divergência de classificação fiscal, fls. 147 a 155, e promover a cobrança, em autos apartados a este, consignando o procedimento de transferência dos créditos tributários nestes autos; 2) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau e impugnado, fls. 3.411 a 3.473, separar a parte relativa às mercadorias em que a infração apontada é o simples não enquadramento em ex tarifário, elaborar um quadro com as respectivas alíquotas, e apontar se há algum extarifário cuja alíquota é superior à alíquota geral; 3) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau e impugnado, fls. 3.411 a 3.473, separar a parte relativa às mercadorias em que há divergência entre os códigos NCM ou entre os extarifários Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3803000.436 S3TE03 Fl. 7 6 adotados pela recorrente e pelo Fisco (sem levar em conta o simples não enquadramento em extarifário) e há alegação de tendenciosidade na elaboração dos quesitos por parte do Fisco, para que seja feita nova perícia, dessa feita promovida com quesitos também por parte da recorrente, nos moldes preconizados pelos §§ 1º e 2º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, sendo carreados aos autos os laudos dos peritos da União e da recorrente (vide qualificação à fl. 3.534); 4) intimar novamente a recorrente, depois de efetivados todos os itens supra, para, se quiser, manifestarse, no prazo de 30 dias, no sentido de homenagear os princípios do contraditório e da ampla defesa. Após atendimento da providência de nº 1, fl. 3563, e de nº 2, fls. 3564 e seguintes; foi considerada prejudicada a providência de nº 3; sendo totalmente desconsiderada a providência de nº 4, que é justamente a oportunidade da recorrente manifestarse acerca da diligência empreendida. Os autos vieram de volta ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Consoante relatado, faltou o atendimento ao item 4 do dispositivo da Resolução deste Conselho, a saber, intimação da recorrente para se manifestar a respeito da diligência efetivada, que pode ser sintetizada nos seguintes dizeres da auditoriafiscal: Em atendimento ao item 2 da folha 3561 (verso), informo que: as DI onde há mercadorias em que a infração apontada é o não enquadramento em extarifário estão relacionadas nas folhas 86 a 89 do processo e em todas elas o extarifário possui alíquota de II ou IPI superior à alíquota geral (segue em anexo quadro com respectivas alíquotas). quanto à separação da parte do crédito mantido pela decisão de primeiro grau relativa às mercadorias onde há divergência de classificação fiscal entre fisco e interessado e que haja alegação de tendenciosidade na elaboração dos quesitos dos laudos, informo que o interessado não relacionou de forma clara, completa e explícita quais as mercadorias ou DI em que há alegada tendenciosidade, tampouco Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3803000.436 S3TE03 Fl. 8 7 apontou para cada mercadoria importada e seu respectivo laudo quais seriam os quesitos que considerou tendenciosos. O interessado limitou se a qualificar seu perito, sem discorrer sobre quais seriam todos os quesitos e questões tendenciosas nos laudos já elaborados. Desta forma, considero prejudicada a execução do item 3 do voto da citada Resolução (fls.3556). Ante o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, mais uma vez, para que a autoridade preparadora do domicílio da recorrente intime a recorrente de todo o conteúdo da diligência fiscal, ofertando prazo de 30 dias para manifestação voluntária, no sentido de homenagear os princípios do contraditório e da ampla defesa. Após escoado o prazo supra, com ou sem manifestação da recorrente, retornem os autos a esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10907.000597/2006-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/02/2005, 06/04/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPORTAÇÃO MODALIDADE ANTECIPADA.
Por imperativo de segurança jurídica, se a Administração autoriza que seja adiantada a importação mediante determinada classificação, baseada na mesma descrição que foi posteriormente utilizada nas declarações de importação, apenas a existência de divergência entre a descrição informada e a descrição concreta do equipamento poderia autorizar a mudança de entendimento da classificação fiscal. Se não se demonstra divergência entre a descrição concreta do equipamento e a descrição constante na DI e no processo que autorizou a importação antecipada, deve ser mantida a classificação fiscal.
Unidade dupla para a fabricação de falso tecido que é composta de módulos integrados em um único equipamento, funcionando em conjunto e de maneira interligada, realizando os processos de soldagem térmica, aplicação de aditivo, secagem e bobinamento em linha, consubstancia em seu conjunto a função de fabricação do falso tecido, devendo receber a classificação 8449.00.20.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3403-003.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Esteve presente ao julgamento a Dra. Anete Mair Medeiros, OAB/DF nº 15.787.
(assinatura digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinatura digital)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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IMPORTAÇÃO MODALIDADE ANTECIPADA. Por imperativo de segurança jurídica, se a Administração autoriza que seja adiantada a importação mediante determinada classificação, baseada na mesma descrição que foi posteriormente utilizada nas declarações de importação, apenas a existência de divergência entre a descrição informada e a descrição concreta do equipamento poderia autorizar a mudança de entendimento da classificação fiscal. Se não se demonstra divergência entre a descrição concreta do equipamento e a descrição constante na DI e no processo que autorizou a importação antecipada, deve ser mantida a classificação fiscal. Unidade dupla para a fabricação de falso tecido que é composta de módulos integrados em um único equipamento, funcionando em conjunto e de maneira interligada, realizando os processos de soldagem térmica, aplicação de aditivo, secagem e bobinamento em linha, consubstancia em seu conjunto a função de fabricação do falso tecido, devendo receber a classificação 8449.00.20. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Esteve presente ao julgamento a Dra. Anete Mair Medeiros, OAB/DF nº 15.787. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 05 97 /2 00 6- 36 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase, na origem, de auto de infração lavrado para a constituição de crédito tributário de Imposto de Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além de aplicar multa regulamentar por classificação incorreta, por entender a Fiscalização que houve classificação fiscal errada da mercadoria. Transcrevo a descrição dos fatos apresentada pelo Acórdão da DRJ (fls. 455/456): O interessado por meio das declarações de importação (DI's) n° 05/00530410 e 05/03383389 (fls. 29 a 41), registradas em 17/01/2005 e 04/04/2005, modalidade de despacho com registro antecipado e entrega fracionada, submeteu a despacho, segundo a autoridade fiscal (relatório fls. 16 a 27), "uma UNIDADE DUPLA para a fabricação de falso tecido (Double beam spunbond line)" , marca REIFENHAUSER, modelo REICOFIL 4 SS 3200mm, classificando todas as partes que compõe a unidade fabril no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8449.00.20. Relata a fiscalização que à vista da documentação apresentada (fls. 42 a 96 — documentos Dl's; fls. 97 a 122 — esclarecimentos apresentados pela interessada; fls. 129 a 150 informações sobre não tecido; fls. 151 a 159 mandado segurança PIS e COFINS incidentes sobre a importação) e da verificação fisica no local da fábrica (fls. 160 a 170 — fotografias), po dese constatar que o "Módulo umidificador", o "Módulo secador", a "Unidade de bobinamento e corte" e a "Máquina cortadora bobinadora tipo speedy" não formam um corpo único com a "Unidade de Fabricação de Falso Tecido" e contrariam o disposto nas Notas 3 e 4 (inclusive sua nota explicativa) da Seção XVI, e também contrário ao disposto nas Notas Explicativas. Assim, por serem funções auxiliares e não formarem um corpo único tais componentes devem seguir seu próprio regime isolado de classificação: "Módulo umidificador" e "Módulo secador" NCM 8449.00.80 (por aplicação da RUI no combinada com a RGCNCM n° 1 — texto da posição e das Notas 3 e 4 da Seção XVI); "Unidade de bobinamento" NCM 8451.50.90 (por aplicação da RGI n° combinada com a RGC/NCM n° 1 — texto da posição e das Notas 3 e 4 da Seção XVI e Nota 7 do Capitulo 84); "Máquina de corte e bobinamento, tipo speedy" NCM 8451.50.90. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.000597/200636 Acórdão n.º 3403003.481 S3C4T3 Fl. 471 3 À folhas 173 a 176 foi anexado pela unidade preparadora "Laudo Técnico" indicando ter sido realizada a "vistoria técnica aduaneira final" relativa às mercadorias descritas nas DI's em apreço, com as mesmas já montadas na fábrica. Traz Memorial técnico descritivo do processo de fabricação de não tecido e quanto à descrição da mercadoria faz referência (fl. 175) à "declarações de importação em anexo", contudo as mesmas não se encontram anexadas aos autos, fato corroborado pela indicação no próprio "Laudo Técnico" (fl. 174) que indica que o mesmo seria composto de 21 páginas, tendo sido juntadas aos autos apenas as paginas 1/21 (fl. 174), 2/21 (fl. 175) e 3/21 (fl. 176). Cientificada (AR fl. 178), a interessada apresentou impugnação de folhas 179 a 208, anexando os documentos de folhas 209 a 430. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, importou da fábrica alemã Reifenhauser uma unidade dupla para a fabricação de falso tecido, modelo REICOFIL 4 SS 3200 mm completa classificada na posição tarifária 8449.00.20. Uma das partes necessárias a esta unidade fabril de falso tecido sintético de polipropileno é o módulo de rebobinamento, desbobinamento e bobinamento o falso tecido, que faz parte da composição final do processo de fabricação. Tal módulo foi importado da empresa italiana A. Celli Spa e incluída na mesma classificação da unidade fabril, vez que a empresa alemã não fabrica este módulo; Que, considerando a impossibilidade de embarque único, a aquisição de suas partes em empresas diferentes, bem como a necessidade de sua entrega antecipada ao importador, a interessada protocolou e teve deferido (processo administrativo fiscal n° 10907.000014/200596) os pedidos efetuados, tendo sido designado perito credenciado que lavrou um Laudo Técnico parcial para cada embarque, bem como Laudo Técnico conclusivo para fins de verificação da correta classificação da mercadoria; Que, o entendimento da fiscalização é equivocado, que a divisão em etapas para a linha de montagem não condiz com a realidade, tratase sim de um conjunto de máquinas que forma um corpo único, haja vista que nenhuma de suas partes exerce função auxiliar, ou mesmo de acabamento; Que, aplicadas as regras de classificação fiscal e respeitadas as notas se conclui que a classificação fiscal adotada pela impugnante é correta; Que, já efetuou a importação de máquinas semelhantes (DI n° 00/0901260 0) restando devidamente demonstrado que a classificação adotada é correta; Que, junta Laudo Técnico elaborado pela TECPAR (Instituto de Tecnologia do Parana), onde o Engenheiro Meca nico Claudio Rubens Busatto atesta que se trata de um equipamento composto Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 de vários módulos interligados entre si e que garantem a fabricação continua do produto; Que, a aplicação das multas são indevidas, a interessada agiu de boafé, efetuou as importações nos termos em que autorizada por ocasião do processo administrativo fiscal n° 10907.000014/200596, estando lá consignada a classificação fiscal adotada. Requer, seja julgado improcedente o auto de infração, alternativamente a exclusão das multas visto que não houve cometimento de qualquer infração legal pela impugnante. (grifos editados) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ), por meio do Acórdão no 0719.818, de 7 de maio de 2010 (fls. 454/462), deu provimento à impugnação do contribuinte, cancelando a exigência fiscal em razão do seguinte fundamento, sintetizando em sua ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/02/2005, 06/04/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. UNIDADES FUNCIONAIS. Máquina constituída por elementos distintos, de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada (fabricação de falso tecido), deve ser classificada no código NCM 8449.00.20 por força da aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1 (Nota 4 da Seção XVI) e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O voto proferido pelo Relator do Acórdão detalha as seguintes constatações: Para que se possa formar convicção quanto ao adequado enquadramento tarifário de uma mercadoria, e indispensável conhecer, com detalhes, todas as suas características, para assim chegarse a sua correta identificação e, em observa ncia ás normas pertinentes, laborar a correspondente classificação fiscal. Justamente neste quesito, conhecimento das mercadorias importadas, é que se encontra motivo suficiente para que se decida a lide. Isto porque as mercadorias em tela foram submetidas a exame técnico, havendo informações em Laudos Técnicos com dados técnicos suficientes que permitem o perfeito conhecimento das mercadorias, sendo que o litígio atinge, essencialmente, questões relacionadas com a identificação das mesmas. A interessada, em sua impugnação, traz aos autos cópias de partes do processo administrativo fiscal no 10907.000014/2005 96 (fls. 281 a 318), onde solicita, entre outros procedimentos, enquadramento tarifário no código NCM 8449.00.20 tanto para as partes importadas por ocasião da DI n° 05/00530410 (fl. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.000597/200636 Acórdão n.º 3403003.481 S3C4T3 Fl. 472 5 297), quanto para as partes importadas por ocasião da DI n° 05/03383389 (fls. 311 a 314). A folhas 307 a 310 consta cópia do despacho da autoridade aduaneira concedendo autorização para importar as mercadorias na modalidade antecipada, com vários conhecimentos de embarque (parte registrada posteriormente na DI n° 05/0053041 0), estando consignado pela autoridade às folhas 309 e 310 que deveriam ser adotados os seguintes procedimentos: II. que em cada embarque, inclusive no primeiro, sejam apresentados os seguintes documentos: a. pedido de designação de Perito credenciado junto à DRF/PARANAGUÁ, o qual deverá acompanhar a abertura e a desembalagem dos volumes no estabelecimento do Interessado, além de elaborar Laudo Técnico com o fim de permitir a perfeita identificação das partes constantes do embarque. O AFRF responsável deverá designar um mesmo perito para emissão dos Laudos, para que se possa ter o acompanhamento global da operação; b.... III. Em se tratando do último embarque os documentos acima deverão indicar tal situação, devendo ser acrescentado outro pedido de designação de Perito com a finalidade de elaborar Laudo Técnico com vistas à correta classificação fiscal da mercadoria. Para tanto a análise deverá ser feita do equipamento já montado; V. O desembaraço aduaneiro somente poderá ser informado no SISCOMEX após a elaboração do Laudo referido no item III, podendo ser requeridos novos Laudos ou outras providências que se façam necessárias. A folhas 315 a 318 consta despacho da autoridade aduaneira extendendo a' anterior para importar as partes restantes das mercadorias (parte registrada posteriormente na DI n° 05/03383389), estando consignado pela autoridade à folhas 317 e 318 que deveriam ser adotados os seguintes procedimentos: II. que seja tratada a chegada do módulo citado — em dois embarques, conforme informação do Interessado — como o 4° e o último nos moldes da autorização concedida anteriormente no processo 10907.000014/200596, adotandose os procedimentos la descritos para tais situações; V. Ratificase a determinação de que o desembaraço aduaneiro somente poderá ser informado no SISCOMEX após a elaboração do Laudo expedido com o equipamento já montado, conforme prescrito na autorização anterior, e de que poderão ser requeridos novos Laudos ou outras providências que se façam necessárias no curso do despacho. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Não há registro na autuação de que os Laudos emitidos pelo perito credenciado tenham indicado que as mercadorias efetivamente importadas fossem divergentes daquelas declaradas pela interessada por ocasião do registro das declarações de importação. Também não há registro na autuação de que as mercadorias descritas nas declarações de importações sejam divergentes daquelas para as quais a interessada havia sido autorizada a importar por ocasião do processo administrativo fiscal n° 10907.000014/200596. Assim, resta perfeitamente delineado que os motivos da reclassificação fiscal adotado pela fiscalização não encontram guarida em eventual descumprimento do compromisso assumido pela interessada por ocasião do processo administrativo fiscal n° 10907.000014/200596, vale dizer, a interessada, até se apresentem provas em contrario, importou as mercadorias autorizadas pela autoridade aduaneira no procedimento administrativo preliminar A efetiva importação. Também não há registros de que a interessada tenha adotado classificação fiscal, por ocasião do registro das declarações de importação, distinta daquela a que tenha sido informada no processo administrativo fiscal n° 10907.000014/200596 preliminar A efetiva importação. O complemento fiscal à descrição dos fatos (relatório de folhas 16 a 27) traz a argumentação fiscal destinada a amparar a reclassificação fiscal de determinadas partes da mercadoria importada, contudo, tal argumentação não está lastreada no competente Laudo Técnico emitido pelo perito credenciado e designado para a lavratura do Laudo Técnico nos termos em que autorizada a importação. Também não há registro de que a mercadoria tenha sido submetida a novo exame pericial após a perícia determinada no a mbito do processo administrativo fiscal n° 10907.000014/200596. As cópias dos Laudos Técnicos emitidos por ocasião dos embarques parciais (fls. 320 a 337) apresentam resposta afirmativa do perito quanto As partes descritas naqueles laudos trataremse de módulos/partes de uma unidade dupla para a fabricação de falsos tecidos (fls. 323, 329, 333, 336 e 339): Em que pese o entendimento diverso apresentado pela autoridade fiscal, considerando as informações apostas nos Laudos Técnicos, a Nota 4 da Seção XVI é plenamente aplicável ao presente caso. As informações apostas em sobreditos laudos não demonstram que tais partes/módulos tenham funções auxiliares e que não concorram para a função do conjunto, ao contrário indicam afirmativamente que tais componentes pertencem unidade dupla para fabricação de falsos tecidos. Mais especificamente em relação às maquinas para fabricação de falsos tecidos a NESH da posição 8449 traz a seguinte nota explicativa: Nota Explicativa Fl. 475DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.000597/200636 Acórdão n.º 3403003.481 S3C4T3 Fl. 473 7 Esta posição referese ás máquinas e aparelhospara fabricação ou acabamento de feltro de qualquer espécie ou defalsos tecidos e de artefatos destas matérias, com exceção dos tecidos feltrados. Esta posição abrange também as formas de chapelaria. A. MÁQUINAS E AP ARELHOS P ARA A F ABRICAÇÃO OU 0 ACABAMENTO DO FELTRO OUDE FALSOS TECIDOS EM GERAL Pertencem a este grupo entre outros: 6)As máquinas de fabricar falsos tecidos, tais como as que utilizam a via seca, a via 'Aida ou afiação direta. (Grifos acrescidos) Isto posto, superada a definição do que venha a ser a mercadoria em questão, apresentadas as explicações contidas na NESH e a Nota 4 da Seção XVI, e considerando ainda que trata se de "UMA UNIDADE DUPLA PARA A FABRICAÇÃO DE FALSOS TECIDOS", deve a mercadoria em questão ser classificada na posição 8449, posição referente a "MÁQUINAS E APARELHOS P ARA F ABRICAÇÃO OU ACABAMENTO DE FELTRO OU DE F ALSOS TECIDOS, EM PEÇA OU EM FORMAS DETERMINADAS, INCLUÍDAS AS MÁQUINAS E APARELHOS PARA FABRICAÇÃO DE CHAPÉUS DE FELTRO; FORMAS PARA CHAPELARIA". (...) Finalmente, por se tratar de uma máquina constituída por elementos distintos, de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada (fabricação de falso tecido), deve ser classificada no item e subitem respeitando a Rega Geral Complemen ar (RGC) n° 1, resultando na classificação final: 8449.00.20: (...) Resta claro, por conseguinte, que a mercadoria em tela classificase no código NCM 8449.00.20, por força da aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1 e também da Rega Geral de Interpretação Complementar n° 1, justamente como entende a interessada. Em razão da exoneração referirse a valor superior ao teto previsto na Portaria MF no 38/2003, houve a interposição de recurso de ofício pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Fl. 476DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 O acórdão da DRJ, ao concluir pelo cancelamento integral do lançamento, exonerou crédito tributário valor superior ao previsto na Portaria MF no 3/2008, sendo, por isso, correta a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 34 do PAF. Por esta razão, conheço do recurso de ofício. O provimento da impugnação pela DRJ aconteceu baseada em dois fundamentos. O primeiro fundamento reside no fato de a operação de importação ter acontecido amparada em autorização para a importação na modalidade antecipada, o que comprometeu o Fisco em relação à classificação fiscal dos equipamento descrito. Ou seja, autorizada a importação antecipada, considerando a classificação fiscal realizada com base na descrição feita pelo contribuinte, apenas caberia ao Fisco conferir, depois da importação, se o equipamento (e as suas partes) concretamente importados correspondiam exatamente àquela descrição e especificações existentes no processo de qual foi emitida a autorização para importação na modalidade antecipada. Assim, o lançamento fiscal apenas seria legítimo se baseado na divergência entre o equipamento concretamente importante e o equipamento descrito no processo importação antecipada. Não há registro na autuação de que os Laudos emitidos pelo perito credenciado tenham indicado que as mercadorias efetivamente importadas fossem divergentes daquelas declaradas pela interessada por ocasião do registro das declarações de importação. Também não há registro na autuação de que as mercadorias descritas nas declarações de importações sejam divergentes daquelas para as quais a interessada havia sido autorizada a importar por ocasião do processo administrativo fiscal n° 10907.000014/200596. Assim, resta perfeitamente delineado que os motivos da reclassificação fiscal adotado pela fiscalização não encontram guarida em eventual descumprimento do compromisso assumido pela interessada por ocasião do processo administrativo fiscal n° 10907.000014/200596, vale dizer, a interessada, até se apresentem provas O entendimento da DRJ, como visto, é de que não se deve permitir a reclassificação se a mercadoria importada corresponde à descrição e à classificação que serviram de fundamento para a autorização de importação antecipada. Se a descrição do equipamento permanece a mesma e não há nenhuma prova de que o equipamento ou suas partes sejam diferentes daquela descrição, devese entender pela impossibilidade de alteração do critério da importação antecipada. Entendo que deve ser ratificado o entendimento da DRJ. Assim, por imperativo de segurança jurídica, se a Administração autoriza que seja adiantada a importação mediante determinada classificação, baseada na mesma descrição que foi posteriormente utilizada nas declarações de importação, apenas a existência de divergência entre a descrição informada e a descrição concreta do equipamento poderia autorizar a mudança de entendimento da classificação fiscal. Se não se demonstra divergência entre a descrição concreta do equipamento e a descrição constante na DI e no processo que autorizou a importação antecipada, deve ser mantida a classificação fiscal. O segundo fundamento da DRJ para afastar o lançamento reside na análise do mérito da classificação fiscal. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.000597/200636 Acórdão n.º 3403003.481 S3C4T3 Fl. 474 9 Entendeu a DRJ, em síntese, que “a Nota 4 da Seção XVI é plenamente aplicável ao presente caso. As informações apostas em sobreditos laudos não demonstram que tais partes/módulos tenham funções auxiliares e que não concorram para a função do conjunto, ao contrário indicam afirmativamente que tais componentes pertencem a unidade dupla para fabricação de falsos tecidos” e que “por se tratar de uma máquina constituída por elementos distintos, de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada (fabricação de falso tecido), deve ser classificada no item e subitem respeitando a Regra Geral Complementar (RGC) n° 1, resultando na classificação final: 8449.00.20”. Os laudos demonstram que a máquina em questão – unidade dupla para a fabricação de falso tecido – é um equipamento composto de módulos interligados entre si, todos funcionando em conjunto para permitir a fabricação contínua deste produto (fl. 430). A descrição do processo produtivo (fl. 431) também deixa claro que os processos de soldagem térmica, aplicação de aditivo, secagem e bobinamento em linha são realizados por módulos integrados de um mesmo equipamento, consubstanciando em seu conjunto a função de fabricação do falso tecido. Concordo, por isso, com o entendimento da DRJ de que por aplicação da Nota 4 da Seção XVI e da Regra Geral Complementar nº 1, a classificação do equipamento deve ser feita em conjunto na classificação 8449.00.20. Por tais fundamentos, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 478DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10830.005599/97-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
LISTIPENDÊNCIA. DECISÕES ANTAGÔNICAS SOBRE O MESMO FATO DITO INFRATOR. NULIDADE DA SEGUNDA DECISÃO.
O não sobrestamento, em face do auto de infração objeto do processo administrativo de nº. 10830.003322/98-04, implicou em litispendência sobre o mesmo fato fiscalizado, acarretando decisões diametralmente opostas sobre a mesma infração, implicando na nulidade da segunda decisão, ora recorrida.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-002.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial para anular a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos ao Colegiado a quo para apreciação do recurso voluntário considerando a classificação dada no Processo 10830.003322/98-04.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Júlio César Alves Ramos - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 LISTIPENDÊNCIA. DECISÕES ANTAGÔNICAS SOBRE O MESMO FATO DITO INFRATOR. NULIDADE DA SEGUNDA DECISÃO. O não sobrestamento, em face do auto de infração objeto do processo administrativo de nº. 10830.003322/9804, implicou em litispendência sobre o mesmo fato fiscalizado, acarretando decisões diametralmente opostas sobre a mesma infração, implicando na nulidade da segunda decisão, ora recorrida. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial para anular a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos ao Colegiado “a quo” para apreciação do recurso voluntário considerando a classificação dada no Processo 10830.003322/9804. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Júlio César Alves Ramos Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 55 99 /9 7- 18 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10830.005599/9718 Acórdão n.º 9303002.903 CSRFT3 Fl. 578 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto em fevereiro de 2009 pela Fazenda Nacional com fulcro tanto no artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como no inciso II do mesmo dispositivo, contra o acórdão de nº 30238.360, prolatado pela Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, entendeu como correta a classificação fiscal adotada pelo contribuinte (8901.90 02 00 da IPI/88) para as suas embarcações, as quais foram entendidas como “embarcações para o transporte de mercadorias e pessoas, de pequeno calado, para uso exclusivamente local, até 200 ton. de registro”, determinando, posteriormente, o retorno dos autos ao extinto Segundo Conselho de Contribuintes para que este se pronunciasse sobre o pedido de ressarcimento do IPI, conforme ementa abaixo: “Embarcações para o transporte de mercadorias e pessoas, de pequeno calado, para uso exclusivamente local, até 200 ton. de registro. Classificação fiscal TIPI/88 – 8901.90 02 00. RESSARCIMENTO DE IPI. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes o julgamento de matérias referentes a ressarcimento de IPI. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Aludido acórdão foi prolatado em atendimento ao declínio de competência, realizado por meio do acórdão de nº 20177.426, pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, entendeu no sentido de “declinar a competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes para decidir sobre a classificação fiscal adequada ao produto guerreado, determinando, após o trânsito em julgado da decisão, sejam devolvidos os autos para esta Egrégia Câmara, para o fim de decidir sobre a questão do ressarcimento requerido”. A Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes entendeu ser relevante a apuração sobre a classificação fiscal das embarcações para que, posteriormente, pudesse apreciar sobre o pedido de ressarcimento dos créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos utilizados na industrialização das aludidas embarcações, as quais, a depender da classificação fiscal adotada, estariam ou não abrangidas pelo benefício da isenção previsto no artigo 1º, inciso XV, da Lei 8.402/92, bem como no artigo 17, § 2º, do DecretoLei nº 2.433/81. A fiscalização, durante a análise do pedido de ressarcimento em questão, constatou que as classificações fiscais adotadas pelo contribuinte, quais sejam, os códigos 8901.90.0200 e 8901.90.9900 da TIPI/88, bem como 8901.90.00 e 8902.00.90 da TIPI/96, estariam equivocadas, eis que, “tendo em vista sua pequena capacidade de carga (223 a 680 Kg) e de passageiros (3 a 5 pessoas), as mesmas seriam impróprias para o transporte de mercadorias e de pessoas”, bem como as mesmas seriam “impróprias para a pesca profissional, tendo em vista seu pequeno Porte (comprimento igual ou menor que 5,00 metros) e pequena capacidade de carga e de pessoas, bem como a falta de equipamentos e espaço necessários para a Fl. 578DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10830.005599/9718 Acórdão n.º 9303002.903 CSRFT3 Fl. 579 3 pesca profissional, tais como redes, equipamentos de refrigeração e conservação dos peixes, etc”. Verificou, outrossim, que as embarcações seriam próprias exatamente para “a pesca esportiva e as atividades de recreação”, cabendo as mesmas serem classificadas na posição 8903 da TIPI/88. Por essas razões, a fiscalização indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI pleiteado pelo contribuinte e, paralelamente, lavrou o auto de infração objeto do processo administrativo de nº 10830.003322/9804, juntando a cópia do mesmo ao despacho de indeferimento do pedido. A Fazenda Nacional, ciente do acórdão prolatado pelo extinto Terceiro Conselho de Contribuintes acima mencionado, opôs embargos de declaração suscitando que haveria omissão do mesmo quanto à necessidade de associação do presente processo ao de nº 10830.003322/9804, no qual teria sido prolatada decisão administrativa definitiva que teria entendido como correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização, qual seja, a constante do código 8903 da TIPI/88, e, paralelamente, teria mantido o auto de infração. Submetido à exame pela Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, os aludidos embargos foram rejeitados, por meio do acórdão de nº 30239.624, sob alegação de que a Fazenda Nacional pretendia se utilizar dos embargos para alterar a decisão do Colegiado e fazer prevalecer a decisão de outro, que lhe é mais favorável. Aduziu, também, que o meio cabível para suprir tal indignação seria por meio da interposição de recurso especial. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs seu recurso especial suscitando tanto a contrariedade à lei e à prova dos autos, no que se refere à matéria suscitada em seus embargos, quanto à divergência, no que se refere ao mérito objeto dos presentes autos. No que se refere à contrariedade à lei, a Fazenda Nacional aduziu: (i) a nulidade do acórdão recorrido, tendo em visa que, com base no artigo 265 do CPC e do § 6º do artigo 8º da IN SRF nº 27/97, o julgamento do presente processo deveria ter sido sobrestado para que se aguardasse decisão definitiva no auto de infração objeto do processo administrativo de nº 10830.003322/9804; (ii) violação ao artigo 170 do CTN, devido à inexistência de certeza e liquidez do crédito, cujas premissas já teriam sido apreciadas nos autos do processo administrativo de nº 10830.003322/9804, que reconheceu, em caráter definitivo, como incorreta a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Quanto à contrariedade às provas, a Fazenda Nacional aduziu que (iii) as provas produzidas no âmbito do processo administrativo de nº 10830.003322/9804, onde teria sido realizada diligência fiscal, demonstram que a correta classificação fiscal é aquela adotada pelo Fisco, não podendo prevalecer a decisão ora recorrida que foi prolatada sem respaldo probatório, conforme mencionado pela mesma ao concluir que “à luz das parcas informações objetivas sobre os barcos, restame valerme tão só das informações contidas às fls. 41 a 45”. Subsidiariamente, para o caso de se entender pela improcedência das razões de contrariedade à lei e à prova dos autos, a Fazenda Nacional suscitou a divergência entre o acórdão recorrido e aquele prolatado nos autos do processo administrativo de nº 10830.003322/9804, no qual foi reconhecido que as mesmas embarcações objeto dos presentes autos seriam destinadas à navegação recreativa ou esportiva, conforme ementa a seguir: Fl. 579DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10830.005599/9718 Acórdão n.º 9303002.903 CSRFT3 Fl. 580 4 “EMBARCAÇÕES PARA NAVEGAÇÃO RECREATIVA OU ESPORTIVA. As embarcações miúdas que possuam características próprias para a navegação recreativa ou esportiva não estão contempladas pelo enquadramento nos termos do art. 1º, inciso XV da Lei nº 8.042/92 e do art. 17, §2º do Decretolei nº 2.433/81, com a redação dada pelo art. 1º do Decretolei nº 2.451/88. Negado provimento ao recurso.” Em despacho de fls. 171/172, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF conheceu integralmente o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e lhe deu seguimento. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 543/558 requerendo fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional de forma que fosse integralmente mantido o acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 576, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais de redigir o presente acórdão. Ressaltese que a relatora original disponibilizou à secretaria da Câmara Superior o relatório e a ementa acima transcritos, bem como o voto que será aqui igualmente aproveitado. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Dessa forma, adoto o voto entregue pela relatora original, Conselheira Nanci Gama, vazado nos seguintes termos: O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e não resta dúvida que sua admissibilidade se encontra, em razão da incontroversa divergência acerca da classificação fiscal da embarcação produzida pelo contribuinte fiscal, elemento imprescindível para a análise de seu pedido de ressarcimento objeto do presente processo. Com efeito, não posso deixar de consignar que o não sobrestamento do feito pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em face do auto de infração objeto do processo administrativo de nº 10830.003322/9804, implicou litispendência sobre o mesmo fato fiscalizado, acarretando decisões diametralmente opostas sobre a mesma infração – eis a divergência que sustenta o presente recurso especial –, inclusive apontada e decorrente do mesmo levantamento fiscal, o que deve ser evitado. Isto porque, a fiscalização, durante a análise do pedido de ressarcimento em questão, entendeu que as classificações fiscais das embarcações adotadas pelo Fl. 580DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10830.005599/9718 Acórdão n.º 9303002.903 CSRFT3 Fl. 581 5 contribuinte, quais sejam, os códigos 8901.90.0200 e 8901.90.9900 da TIPI/88, bem como 8901.90.00 e 8902.00.90 da TIPI/96, estariam equivocadas, eis que, “tendo em vista sua pequena capacidade de carga (223 a 680 Kg) e de passageiros (3 a 5 pessoas), as mesmas seriam impróprias para o transporte de mercadorias e de pessoas”, bem como as mesmas seriam “impróprias para a pesca profissional, tendo em vista seu pequeno Porte (comprimento igual ou menor que 5,00 metros) e pequena capacidade de carga e de pessoas, bem como a falta de equipamentos e espaço necessários para a pesca profissional, tais como redes, equipamentos de refrigeração e conservação dos peixes, etc”. Por essas razões, a fiscalização indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI pleiteado pelo contribuinte e, paralelamente, lavrou o auto de infração objeto do processo administrativo de nº 10830.003322/9804, juntando a cópia do mesmo ao despacho de indeferimento do pedido. Induvidoso que a situação acima descrita motiva a nulidade da decisão recorrida, que deveria aguardar a decisão definitiva no processo de nº 10830.003322/9804, que tinha por objeto cobrança de IPI em face da classificação fiscal das embarcações. Assim, ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso da Fazenda Nacional e darlhe provimento para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, com retorno do processo à instância a quo para apreciar o recurso voluntário considerando a classificação fiscal definida no processo de nº 10830003322/9804. Com base nesses fundamentos a relatora original deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para anular a decisão recorrida, sendo acompanhada por unanimidade do Colegiado, e esse é o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 581DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 10314.012536/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2009
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORREÇÃO. MULTA. CABIMENTO. DÚVIDA FUNDADA. INOCORRÊNCIA.
Não se revela fundada a dúvida acerca de classificação fiscal quando, após alteração de texto das Normas Explicativas do Sistema Harmonizado - NESH, resta claro em qual posição da TEC/NCM deve ser enquadrado o produto, de maneira que, nestes casos, ainda que inexistente a intenção de lesar a Fazenda Nacional, aplica-se a multa a prevista no art. 84 da MP 2.158-35/2001.
Recurso voluntário negado.
Não se qualifica como cerceamento do direito de defesa o indeferimento, devidamente fundamentado, de pedido de perícia ou diligência que, pela sua natureza, mostra-se desnecessário ou desinfluente para solução do conflito, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3401-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2009 NORMAS LEGAIS. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. AVALIAÇÃO. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar a respeito de inconstitucionalidade de normas legais válidas e vigentes, ou mesmo manifestarse sobre aspectos atinentes à razoabilidade e proporcionalidade do seu conteúdo, por expressa vedação legal constante do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação modificada pela Lei nº 11.941/09. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se qualifica como cerceamento do direito de defesa o indeferimento, devidamente fundamentado, de pedido de perícia ou diligência que, pela sua natureza, mostrase desnecessário ou desinfluente para solução do conflito, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORREÇÃO. MULTA. CABIMENTO. DÚVIDA FUNDADA. INOCORRÊNCIA. Não se revela fundada a dúvida acerca de classificação fiscal quando, após alteração de texto das Normas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, resta claro em qual posição da TEC/NCM deve ser enquadrado o produto, de maneira que, nestes casos, ainda que inexistente a intenção de lesar a Fazenda Nacional, aplicase a multa a prevista no art. 84 da MP 2.158 35/2001. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 25 36 /2 00 9- 34Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Em procedimento de revisão aduaneira verificouse errônea classificação fiscal, na TEC/NCM, na importação do produto descrito como “COMPONENT B227” (“COMPONENT B227” ou “BCOMPONENT 227”), através de declarações de importação registradas no período de janeiro/2005 a junho/2009. O relatório de autuação informou que o produto, segundo laudo confeccionado pelo L. A. FALCÃO BAUER – Laboratório de Análises, juntado aos autos, corresponde a um Poli (Isocianato de Fenil Metileno) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma líquida, e/ou outra resina amínica, em forma primária, utilizada na fabricação de poliuretanos, estando descrita na NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado) como uma resina amínica modificada quimicamente. A classificação adotada pelo contribuinte se deu nas posições 3824.90.89 e 3909.50.19, enquanto a fiscalização apontou, como adequada, a posição 3909.30.20 (outras resinas amínicas em forma primária, sem carga), razão porque aplicou a multa equivalente a 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria (art. 84 da MP 2.15835/2001). Em impugnação o contribuinte alegou tratarse o produto de uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, de fórmula geral C15H10N2O2, mistura de isocianatos cíclicos, que, por não possuir classificação específica, deveria ser enquadrado nas posições por ele empregadas até o advento da IN SRF 807/08, que aprovou o texto da NESH, quando passou então a ser cabível a posição 3909.30.20; que a mercadoria foi classificada de acordo com as normas vigentes em cada época de ocorrência das importações, normas estas mutáveis no transcurso do tempo; que a espécie “medida provisória” não seria o instrumento legal adequado para veicular a penalidade aplicada; que estaria amparado pelo ADN COSIT 10/97, que afasta a aplicação da multa quando a mercadoria estiver descrita corretamente com os elementos necessários ao seu correto enquadramento fiscal; que o produto, no período de 1998 a 2004, foi classificado pelo próprio Fisco em variadas classificações, o que revelaria a incerteza do enquadramento tarifário correto; que, pela aplicação dos arts. 105 e 112 do CTN, a classificação adotada pela fiscalização somente poderia ser exigida a partir da vigência da IN SRF 807/08; que as importações realizadas consubstanciariam “ato jurídico perfeito”, não sendo passível de revisão, a teor do art. 5º, XXXVI da CF/88 e art. 6º da LICC; que a Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.012536/200934 Acórdão n.º 3401002.693 S3C4T1 Fl. 11 3 imposição da multa em epígrafe padeceria de falta de razoabilidade, proporcionalidade e representaria violação ao princípio da isonomia; e, ao final, dentre outros pedidos, requereu a realização de perícia técnica. A DRJ Fortaleza/CE julgou o lançamento parcialmente procedente, exonerando os fatos geradores ocorridos anteriormente à edição da IN SRF 509/2005, acolhendo os argumentos de irretroatividade da lei tributária, de interpretação benigna e de mudança de critério jurídico, em decisão que restou assim ementada: “PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SISTEMA HARMONIZADO. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. NOTAS EXPLICATIVAS. O produto declarado como “COMPONENT B 227” e suas variações “COMPONENT B227” e “BCOMPONENT 227”, identificado em laudo técnico como sendo “Poli (Isocianato de Fenil Metileno) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma liquida, Outra Resina Amínica, em forma primária”, classificase, à luz das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e em conformidade com a descrição constante das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), na redação vigente na época dos fatos, na posição 3909.30.20 da Nomenclatura Comum do Mercosul. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. IRRETROATIVIDADE. Demonstrado que, depois de oscilar, por diversas vezes, quanto à classificação fiscal adequada para o produto importado pelo sujeito passivo, a autoridade administrativa passou a adotar para esse produto, e em relação ao mesmo sujeito passivo, uma nova classificação fiscal, decorrente da alteração no texto das NESH que introduziu subsídios fundamentais para a exata determinação da classificação fiscal do produto, temse como configurada a mudança de critério jurídico, que, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, somente é válida, em relação ao mesmo sujeito passivo, para os fatos geradores ocorridos posteriormente à sua introdução. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO. CARÁTER FUNDAMENTAL. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 A arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, porquanto a autoridade administrativa carece de competência para apreciar matéria reservada ao Poder Judiciário. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. APLICABILIDADE. Sempre que houver dúvida quanto à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, a legislação relativa a aplicação de penalidade deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado. PENALIDADE. RETROATIVIDADE. Por não preencher qualquer das condições estabelecidas no art. 106 do Código Tributário Nacional, a Instrução Normativa que aprovou as alterações nas NESH que subsidiaram de forma fundamental a correta classificação fiscal da mercadoria importada pelo sujeito passivo na posição NCM 3909.30.20, somente alcança os fatos geradores ocorridos posteriormente à sua publicação, descabendo falarse em aplicação de penalidade, por erro na classificação fiscal, quanto aos fatos anteriores à sua vigência. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. OPORTUNIDADE. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, salvo quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; quando se refira a fato ou a direito superveniente; ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas. LAUDO PERICIAL TÉCNICO. PRESCINDIBILIDADE. A ausência de laudo técnico não configura motivo para a nulidade do lançamento quando não pairem dúvidas acerca da identificação das mercadorias. Impugnação procedente em parte.” Em recurso voluntário o contribuinte apontou cerceamento no direito de defesa, pelo indeferimento da perícia requerida; destacou a ausência de proporcionalidade e razoabilidade na fixação da multa, pois não haveria vinculação alguma entre a classificação fiscal e o valor aduaneiro; insistiu na aplicação do ADN COSIT 10/1997; aduziu que, em face da dúvida havida na classificação fiscal, deveria ser observado o art. 112 do CTN; no mais, reprisou as alegações já deduzidas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.012536/200934 Acórdão n.º 3401002.693 S3C4T1 Fl. 12 5 Antes de examinar a preliminar argüida, registro que o próprio recorrente acata a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa, posição 3909.30.20, porém, restringe o seu emprego ao início da IN SRF 807/08, que aprovou o texto das Notas Explicativas do sistema Harmonizado NESH, como se extrai da seguinte passagem do recurso interposto: “Vale frisar que somente a partir da Instrução Normativa nº 807/08 foi aprovado o texto da NESH que estabelece a classificação exata do B227 como sendo uma ‘resina amínica modificada quimicamente’, sendo certo que, a partir daquele texto, sua classificação passou a ser, sem qualquer dúvida, a de número 3909.30.20.” (grifos no original) Neste diapasão, mostrase completamente desnecessária a realização da perícia pleiteada, porquanto não há dúvida alguma acerca do produto e sua qualificação, designado pelo laudo técnico que instrui o processo como sendo um Poli (Isocianato de Fenil Metileno) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma líquida, e outra resina amínica, em forma primária, utilizada na fabricação de poliuretanos, descrita na NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado) como uma resina amínica modificada quimicamente. Portanto, plenamente aplicável as disposições do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, mesmo porque a classificação fiscal, a teor do art. 30, § 1º, não é aspecto técnico sujeito a laudo pericial, como asseverado pela decisão recorrida, que não incorreu em qualquer nulidade e tampouco vilipendiou o direito ao contraditório ao indeferir a vindicada perícia. No que diz respeito à alegada ausência de razoabilidade e proporcionalidade da regra insculpida no art. 84 da MP 2.15835/2001, tenho repetido que não compete às instâncias administrativas de julgamento aquilatar as razões que norteiam o legislador pátrio no exercício do poder legiferante constitucionalmente conferido, muito menos avaliar as pretensas vicissitudes de normas válidas e vigentes, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, bem assim, o enunciado da súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária), de maneira que, neste ponto, o recurso não deve sequer ser conhecido. Tocante à aplicação do ADN Cosit 10/97, o tema foi bem enfrentado pela decisão de piso, que destacou a revogação expressa de aludido ato opinativo pelo ADI SRF nº 13/2002: “Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997.” Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 Como não bastasse, a inteligência do ato administrativo em tela limitase textualmente à aplicação da multa de ofício proporcional prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não se estendendo à penalidade do art. 84 da MP 2.15835/2001. De outra banda, ainda que possível admitir a pretensa aplicação do ato declaratório em destaque, em minha opinião, considerando que a descrição do produto nas declarações de importação se limitou à expressão “COMPONENT B227”, não há como reconhecer que esteja adequadamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, como exigido, pois, apenas com estes dados, isoladamente, é impossível efetuar a sua classificação fiscal, principalmente por se tratar de produto químico. Quanto à aplicação do benefício do art. 112 do CTN, consistente na interpretação mais favorável ao contribuinte perante lei tributária que define infrações, sustenta o recorrente que a certeza da classificação fiscal do produto “COMPONENT B227” somente ocorreu com a publicação da IN SRF 807/08, que aprovou novo texto das Notas explicativas do Sistema Harmonizado – NESH; todavia, como acentuado pela decisão a quo, a redação trazida por este ato normativo, na parte que interessa ao presente julgado, é idêntica àquela introduzida pela IN SRF 509/05, senão vejase: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001 , e pelo art. 1º da Portaria MF nº 91, de 24 de fevereiro de 1994, resolve: Artigo 1º Aprovar as alterações às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, decorrentes das Atualizações nº 5 (fevereiro de 2004) e 6 (agosto de 2004, efetuadas pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA)), devidamente traduzidas para a língua portuguesa, conforme o anexo a esta Instrução Normativa. Artigo 2º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. JORGE ANTÔNIO DEHER RACHID Anexo Único (...) CAPÍTULO 39. Página 731. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 1). Novo terceiro parágrafo. Inserir o novo terceiro parágrafo seguinte : ‘O poli(isocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado " MDI em bruto" ou " MDI polimérico" ) apresentase na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de anilina e de formaldeído para constituir o poli(metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.012536/200934 Acórdão n.º 3401002.693 S3C4T1 Fl. 13 7 resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante pré polímero utilizado na fabricação de poliuretanos.’ (...)” (IN SRF 509/2005, DOU 15/02/2005) (sublinhado e destacado) “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007 , e tendo em conta a competência que lhe foi outorgada pelo art. 1º da Portaria nº 91, de 24 de fevereiro de 1994, do Ministro de Estado da Fazenda, resolve: Art. 1 º Aprovar, na forma do Anexo Único a esta Instrução Normativa, o texto atualizado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, incorporando todas as alterações efetuadas pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) decorrentes da Recomendação do Conselho de Cooperação Aduaneira de 26 de junho de 2004, em vigor a partir de 1º de janeiro de 2007 (Quarta Emenda ao Sistema Harmonizado), devidamente traduzidas para a língua portuguesa. Art. 2 º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. JORGE ANTONIO DEHER RACHID ANEXO ÚNICO (...) 39.09 Resinas amínicas, resinas fenólicas e poliuretanos, em formas primárias. 3909.10 Resinas ureicas; resinas de tioureia 3909.20 Resinas melamínicas 3909.30 Outras resinas amínicas 3909.40 Resinas fenólicas 3909.50 Poliuretanos (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 Esta posição abrange: 1) As resinas amínicas Resultam da condensação de aminas ou amidas com aldeídos (formaldeído, furfurol ou outros). Os mais importantes são os produtos de condensação do formaldeído com uréia ou com tiouréia (resinas uréicas e resinas de tiouréia), com a melamina (resinas melamínicas) ou com anilina (resinas de anilina). Estas resinas utilizamse na fabricação de artefatos de plástico transparente, translúcido ou colorido e com brilho notável; são muito empregadas para moldação, utensílios de mesa, artigos de fantasia ou objetos para usos eletrotécnicos. Em soluções e dispersões (emulsões e suspensões) (modificadas ou não por óleos vegetais, ácidos graxos (gordos*), álcoois ou outros polímeros sintéticos), utilizamse como colas, aprestos para têxteis, etc. (ver as Considerações Gerais deste Capítulo, exclusão b), para a classificação das colas). O poli(isocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado “MDI em bruto” ou “MDI polimérico”) apresentase na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de anilina e de formaldeído para constituir o poli(metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante pré polímero utilizado na fabricação de poliuretanos.” (IN SRF 807/2008, DOU 07/02/2008) (destacado) Confrontandose os dois textos acima transcritos, que reproduzem o conteúdo da NESH, constatase sem grande dificuldade que, como dito, a redação é idêntica, de maneira que, diversamente do que alega o recorrente, a suposta pacificação quanto à classificação fiscal em debate ocorreu então em 2005, através da IN SRF 509/2005, e não com o advento da IN SRF 807/2008, o que acarreta a inaplicabilidade do citado art. 112 do CTN. Outrossim, quanto à dificuldade histórica em se classificar o produto, entendo que não gera reflexo algum sobre o período autuado remanescente, que engloba fevereiro/2005 a junho/2009, haja vista que se verificou no período de 1998 a 2004, portanto, em momento anterior e não abrangido pela autuação. Demais disso, como consignado, o recorrente admite que após a novel redação da NESH a obscuridade existente teria se solucionado, o que se concretizou com a publicação da IN SRF 509/2005, como esclarecido, de modo que não se verifica a influência do problema relatado ao caso vertente. Também não se mostra procedente o argumento de aplicação retroativa da norma, haja vista que isto não ocorreu no caso sub examine, como já demonstrado. Concernente à configuração do ato jurídico perfeito e conseqüente impossibilidade de revisão das declarações de importação, equivocase o contribuinte quanto ao seu alcance, ao passo que tanto o art. 5º, XXXVI da CF/88, quanto o art. 6º, I da Lei de Lei de Introdução ao Código Civil (DecretoLei nº 4.657/42), garantem a irretroatividade da lei Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.012536/200934 Acórdão n.º 3401002.693 S3C4T1 Fl. 14 9 para prejudicar o “ato jurídico perfeito”, assim entendido aquele já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. Na legislação tributária, aludido corolário foi agasalhado pelos arts. 106 e 144 do Código Tributário Nacional. Contudo, a impossibilidade de retroatividade da norma para interferir no ato jurídico perfeito não se confunde com a revisão do lançamento por homologação para aferição, justamente, de sua prática segundo a legislação então vigente. Tratandose, na espécie, de vícios em obrigações acessórias atreladas a tributos sujeitos a lançamento na modalidade por homologação a própria lei confere à Administração Tributária a prerrogativa de proceder à sua revisão, desde que observado o prazo qüinqüenal assinalado no art. 150, § 4º do CTN. A legislação específica dispõe que a revisão aduaneira conceituada como o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação , deve ser realizada dentro do prazo de 05 (cinco) anos contados, no caso de importação, da data do registro da respectiva declaração, tudo devidamente respaldado do art. 54 do DecretoLei nº 37/66, na redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88), não havendo nessa atividade qualquer violação ao ato jurídico consumado, mas apenas exercício de um direito legalmente assegurado. Em síntese, a decisão sob vergasta não merece reparo algum, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Por derradeiro, ressalto que não houve questionamento direto à classificação fiscal definida pela autuação, mas tão somente aspectos relativos à aplicação da penalidade. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 316DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10314.002225/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO NAS IMPORTAÇÕES.
O afastamento da penalidade está condicionado a que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Ainda, deve ser verificado se o produto estava sujeito à licenciamento no momento da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes e Adriene Maria de Miranda Veras.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO NAS IMPORTAÇÕES. O afastamento da penalidade está condicionado a que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Ainda, deve ser verificado se o produto estava sujeito à licenciamento no momento da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes e Adriene Maria de Miranda Veras. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriene Maria de Miranda Veras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 22 25 /2 00 7- 03 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório A ora Recorrente , em processo de revisão aduaneira, foi autuada (fls. 02 a 66) para pagar a diferença de tributos aduaneiros, multa por falta de licenciamento na importação, multa de 1% por classificação incorreta, na importação da mercadoria “Etoxicina”, de graduação 66,6%, 91%, 92%, 95% e 100%, produto descrito nas DI´s como “aditivos antioxidantes para alimentação animal”, por ela classificada na NCM 2933.49.90, alíquotas de II e IPI de 0% , até 04/02/2004 e, 2% para o II, a partir daquela data, até 31/12/2006. A fiscalização aduaneira reclassificou a mercadoria para a NCM 2309.90.90. Apresentada impugnação, a 2a Turma da DRJ/SP2, através do Acórdão 17 5030818.343, julgou parcialmente procedente o pedido da Recorrente, para, em síntese: i. manter a classificação fiscal adotada pela Recorrente, considerandose que no procedimento de revisão aduaneira, não foi realizado laudo técnico indispensável à plena caracterização da mercadoria; ii. manter a multa por infração administrativa ao controle das importações, para as importações realizadas até o advento da Portaria SECEX n. 17/2003, que determinou como regra, a dispensa de licenciamento, de sorte que a aplicação da multa depende da comprovação de que a mercadoria importada esteja excluída da regra geral; iii. reconhecer parte do pagamento efetuado pela Recorrente; iv. reconhecer como definitivo o lançamento em relação à parte da matéria não impugnada a reclassificação fiscal da “Etoxicina 66,6%” ; v. manter os juros corrigidos pela taxa SELIC, tratandose de argüição de matéria constitucional. Por conseguinte, do valor inicial da autuação, de R$6.045.966,80, a DRJ entendeu remanescer o valor de R$ 93.992,06, referente a parcela de relativa ao produto cuja desclassificação fiscal foi reconhecida pela importadora, a “Etoxicina 66,6%”, que aderiu a programa de parcelamento. Em relação à “Etoxicina 66,6%” foi mantida a multa proporcional ao controle administrativo das importações, bem como a multa por erro de classificação fiscal, de 1%, pois na decisão recorrida entendeuse que a referida mercadoria não teria sido suficientemente descrita, enquanto preparação do tipo utilizado para alimentação de animais, o que teria prejudicado o correto enquadramento da mercadoria. Assim sendo, manteve a multa por infração administrativa ao controle das importações, contudo, fazendo a ressalva de que, por força da Portaria SECEX 17/2003, a regra geral é que as mercadorias sejam dispensadas de licenciamento, de maneira que a autoridade de autuação deveria demonstrar que a .“Etoxicina 66,6%” estava sujeita a licenciamento. Concluiu, assim que, para as importações ocorridas a partir de 02/12/2003 quando entrou em vigor a Portaria SECEX 17/2003, não houve fundamento legal para a manutenção da multa, mantendoa apenas para a DI 03/08255300. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10314.002225/200703 Acórdão n.º 3201001.600 S3C2T1 Fl. 94 3 No que tange à multa por erro de classificação fiscal, considerando o reconhecimento do equívoco pela própria contribuinte, mantevea integralmente. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente informou que concordavas com o pagamento da multa de 1%, no valor de R$ 36.285,16, prosseguindo com o litígio, apenas no que tange à multa ao controle administrativo, em relação à qual, alegou: i. a descrição das mercadorias era suficiente para identificar o produto importado, devendo ser aplicado o disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/97; ii. aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna, previsto no art.106 do CTN, em vista da edição da Portaria SECEX 17/2003. Na sessão de maio de 2013 essa Turma Julgadora, converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora juntasse aos autos a DI 03/08255300, bem como informasse se o produto importado, “Etoxicina 66,6%”, estava sujeita a licenciamento à época dos fatos. Retornando os autos, às fls.445 e ss foi juntada a DI requerida, bem como , às fls. 448, foi juntada informação da autoridade preparadora no sentido de que : Considerandose a NCM tomada como correta pela Autoridade Fiscal realizadora da autuação (NCM 2309.90.90), foram feitas pesquisas ao histórico do seu Tratamento Administrativo à época da autuação, onde foi identificada a existência do Destaque nº 001 para o capítulo 23. Tal destaque determina a necessidade de LI não automática concedida pelo Ministério da Agricultura quando o produto se destina a “USO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL”. Instada a se manifestar, a Recorrente afirmou que a descrição dos referidos produtos traz claramente a informação de que se tratam de aditivos antioxidantes para alimentação animal, não sendo crível a alegação de não ser possível percebêlos como "uma preparação do tipo utilizado na alimentação de animais", devendo , portanto, ser aplicado ao presente caso, o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97. Ainda, entendeu a Recorrente que a diligência realizada não atende integralmente à finalidade pretendida, posto que se restringiu a avaliar o tratamento administrativo aplicável ao NCM 2309.90.90, não avaliando o tratamento administrativo atribuído ao NCM 2933.49.90, que era a classificação fiscal originalmente atribuída. Requer ao final, a complementação da conclusão da diligência, para o fim de que seja informado qual o tratamento administrativo dado ao NCM 2933.49.90 na época dos fatos geradores, intimandose a Recorrente do respectivo resultado. Alternativamente, requer a reforma parcial do Acórdão DRJ/SP2 n° 17 50.308, de modo que seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal relativamente à multa ao controle administrativo das importações, correspondente a 30% do valor aduaneiro, prevista no artigo 633, II, do Decreto n° 4.543/2002, em vigor à época. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em relação à revisão de ofício, entendo que não há reparos a serem feitos à decisão da DRJ/SPO2, na medida em que as mercadorias “Etoxicina”, em sua diversas concentrações, foram reclassificadas com base tãosomente, nas descrições das declarações de importação em cotejo com as regras incidentes sobre a classificação fiscal de mercadorias. A importadora descreveu as referidas mercadorias como “aditivo antioxidante para alimentação animal”, de sorte que a fiscalização entendeu que esses produtos deveriam se classificar na posição 2309, para “preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais”. Observese que foram apresentados três laudos técnicos pela importadora, do Laboratório de Análises da Fundação de desenvolvimento da UNICAMPFUNCAMP, corroborando a classificação fiscal empregada pela empresa, caracterizando a mercadoria como produto químico de composição isolada e definida, devendose classificar na NCM 2933.49.90, uma vez que estariam excluídos da posição “2309”, na qual se classificam as “preparações”. Ora, a controvérsia, portanto, cingiuse à caracterização das mercadorias importadas enquanto “produtos químicos de composição isolada e definida” ou como “preparações”, discrímen erigido pelo Sistema Harmonizado, para levar a classificação a um ou outro capítulo. Por conseguinte, é inexorável se entender que apenas um laudo técnico poderia dirimir a controvérsia, procedimento o qual se absteve a fiscalização. Nesse passo, vale a transcrição da decisão ora recorrida: Consoante noção cediça, para que se possa formar convicção quanto ao adequado enquadramento tarifário de um produto, é indispensável conhecer, com minudência, todas as características, para assim chegarse a sua correta identificação e, em observância às normas pertinentes, laborar a correspondente classificação fiscal. [...] Compulsando os autos, constatamos que o fisco não trouxe qualquer documento no sentido de identificar as mercadorias e, assim, comprovar o acerto da reclassificação procedida. De outro lado, a impugnante apresentou três Laudos Técnicos emitidos pelo Laboratório de Análises da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp FUNCAMP, relativamente a três DIs glosadas no Auto de Infração, os quais se originaram de Fl. 475DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10314.002225/200703 Acórdão n.º 3201001.600 S3C2T1 Fl. 95 5 pedido de exame laboratorial feito pela Receita federal Alfândega do Porto de Santos (fls.198/203) Ao omitirse sobre a produção do laudo técnico, validouse a classificação empregada pela importadora, mormente porque esta apresentou os laudos técnicos que estribavam a classificação adotada, devendo nessa parte ser mantida a decisão recorrida que julgou improcedente o lançamento e seus respectivos consectários legais. Assim sendo, nego provimento à revisão de ofício. Com relação ao recurso voluntário, este preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto ao produto cuja desclassificação fiscal foi reconhecida pela importadora, a “Etoxicina 66,6%”, que aderiu a programa de parcelamento, foi mantida a multa proporcional ao controle administrativo das importações, bem como a multa por erro de classificação fiscal, de 1%. É de se observar que a Recorrente, com relação a essa mercadoria, aceitou a (re)classificação fiscal imposta pela autoridade aduaneira, pagando a multa de 1% por erro de classificação fiscal, informando na peça de recurso voluntário, que procederia ao pagamento. Por conseguinte, o objeto do recurso voluntário cingese à multa por falta de licenciamento das importações, relativa à “Etoxicina 66,6%”, apurada no valor de R$47.636,90, pois apenas foram consideradas as importações anteriores à vigência da Portaria SECEX 17/2003. Em consonância com o relatório, a multa por infração ao controle administrativo às importações apenas foi mantida em relação à DI 03/08255300, a única que teria sido registrada anteriormente à Portaria SECEX 17/2003. Ora, no caso em tela, há norma administrativa da própria Secretaria da receita Federal, Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/97, que prescreve não restar caracterizada a infração combatida, caso haja descrição da mercadoria, que permita à autoridade administrativa perquirir sobre a correta classificação fiscal a ser adotada. Analisandose o resultado da diligência, com a juntada da DI 03/08255300, verificase que no campo “descrição detalhada da mercadoria” consta “SANTOQUIM MIXTURE 655.1” (fl.447). A referida descrição não é suficiente para que se possa alcançar a posição 2309 da Tarifa Externa Comum, que abarca “preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais”, ressaltandose que, a Recorrente não se opôs, nesse caso, contra a desclassificação fiscal perpetrada. Sobre a alegação segundo a qual a diligência realizada não atenderia integralmente à finalidade pretendida, posto não avaliou o tratamento administrativo atribuído ao NCM 2933.49.90, que era a classificação fiscal originalmente atribuída, é despicienda para a formação da convicção do julgador. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Isto porque a multa por infração ao controle administrativo das importações, enquanto multa administrativa aduaneira, visa a coibir que mercadorias importadas que possam afetar a segurança e saúde pública, ingressem no território nacional , sem o controle dos órgãos anuentes. Ou seja, a sua racionalidade dirigese a importações que, por erro na classificação fiscal, possam se furtar ao correto tratamento administrativo, previsto na legislação. Em síntese,considerandose que, do resultado da diligência, constatouse que o produto não estava corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, bem como, que à época do fato gerador, estava sujeito ao licenciamento na importação, é de ser mantida a penalidade. Em face do exposto, julgo improcedente o recurso de ofício, bem como improcedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 477DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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