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Numero do processo: 11516.002843/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO.
Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 - SRRF09/Diana.
Numero da decisão: 3301-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 - SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindo-se da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO. Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 SRRF09/Diana. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindose da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 43 /2 00 6- 51 Fl. 297DF CARF MF 2 Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 298 3 Relatório Por economia processual, adoto o relatório constante da decisão embargada (fls. 243 e seguintes dos autos): Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 176. Em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF e MPF Complementar nº 09.2.01.00.2005.0043561, fls. 1 e 2, a autoridade fiscal desenvolveu procedimento de fiscalização, tendo por objeto o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 170, no valor total de R$ 3.286.588,56. O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 1.543.947,07, a título de imposto, R$ 584.681,44 a título de juros de mora e R$ 1.157.960,05, a título de multa. Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindose, assim, em contribuinte do IPI. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 185, durante o procedimento de fiscalização foram efetuados outros autos de infração conforme processos 11516.002571/200609 e 11516.002677/200692, com as infrações neles apontadas. Quanto ao presente processo, as condutas infracionais imputadas ao contribuinte são as seguintes: a) A empresa adotou classificações fiscais para o produto CATALIZADOR PU resultando em falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, conforme DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no código 3824.90.32, com alíquota de 10% (fl. 108), tem por base as informações prestadas pela empresa e está amparada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 6ª e notas explicativas nº 1, do capítulo 29, nº 4 do capítulo 32 e nº 3 da posição 3909 (IN 123/98), conforme detalhado nos itens 3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. b) Os SOLVENTES E DILUENTES, segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 3ª “a”, estão classificados na TIPI no código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). Das classificações adotadas pela empresa resultou falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal, por infringência ao disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). Fl. 299DF CARF MF 4 Foi elaborado o DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO – THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/10/2006 e apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade fiscal não ter alicerçado seu entendimento em prova pericial; 2. Inobservância por parte da autoridade administrativa do princípio do ônus da prova, assentandose o lançamento tributário em suas interpretações próprias; 3. Reprodução das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), alegando, ao final, não ser lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta”; 4. Afirma que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta, não devendo prevalecer aquela adotada pela autoridade fiscal, podendo o produto CATALISADOR PU ser classificado nos capítulos 39 ou 32, bastando ser considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundouse, tão somente, à falta de provas de que referido produto contivesse componentes aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de juros com base na taxa SELIC. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 11516.002843/200651 Interessado FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA CNPJ/CPF 85.111.441/000113 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não tendo o contribuinte apresentado argumentos suficientes para ilidir a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa, que se mostra correta, há de se manter o lançamento de ofício. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 299 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de catalisadores, também chamados endurecedores, e dependendo do tipo do produto a classificação fiscal é diferente. Aduzindo também que na verdade o Fisco não teria discordado da classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 20.10.2003 havia formulado referidos produtos com 65% ou mais de solventes aromáticos em sua composição, e como não teve oportunidade de juntar as suas ordens de produção, a autoridade simplesmente adotou a presunção, sem contudo certificarse de provar que os mencionados produtos não tinham mais de 65% de componentes aromáticos em sua formulação. Afirma por fim ter ocorrido vício material insanável, distante do erro de classificação fiscal quanto aos produtos “catalisadores pu”, bem como que teria sido contrariado o efeito vinculante da Solução de Consulta nº 117 – SRRF09/Diana, e em relação aos thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou mais em sua formulação de solventes aromáticos. Ao analisar o caso, este Conselho entendeu, através do Acórdão nº 3301 002.117, por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, sob o fundamento de que, para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, seria necessário que o interessado comprovasse com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido. O contribuinte, então, interpôs embargos declaratórios, através dos quais alega que a decisão recorrida teria incorrido nos seguintes vícios: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); Fl. 301DF CARF MF 6 (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES, a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. Ato contínuo, em sessão realizada em 28/09/2016, este Conselho entendeu por converter o julgamento em diligência, para que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana. Cumprida esta diligência, os autos retornaram a esta julgadora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 300 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios opostos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Conforme relatado acima, foram três os fundamentos apresentados pelo embargante em seu recurso, quais sejam: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. Quanto ao item (i), entendo que não assiste razão à Embargante. Isso porque, embora tenha a decisão recorrida mencionado que o recurso voluntário teria reiterado os termos da impugnação, o fato de a Recorrente ter trazido argumentos novos em seu recurso não leva à existência de omissão/erro material da decisão recorrida. O Julgador não precisa tratar necessariamente sobre todos os argumentos trazidos aos autos pelo contribuinte, bastando que fundamente a sua decisão em elementos suficientes à conclusão a que chegou em seu julgado. No que tange ao item (iii), entendo que tampouco assiste razão ao contribuinte. Isso porque, verificase que a decisão recorrida não foi omissa neste ponto, tendo tratado sobre o tema, ainda que de forma sucinta. É o que se extrai da transcrição a seguir: Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Fl. 303DF CARF MF 8 Ou seja, entendeu o julgador naquela oportunidade que, para fazer jus à classificação que lhe atribuía alíquota de 0%, deveria o contribuinte comprovar que o produto preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento, e que o contribuinte não teria se desincumbido deste ônus. Não há que se falar, portanto, em omissão do julgado recorrido, mas em insurgência do contribuinte quanto ao seu conteúdo, o que não se pode admitir em sede de embargos declaratórios. Quanto ao item (ii), alega o contribuinte que teria havido omissão/erro material em razão de o relator ter deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão), tendo consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material). Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Para que melhor se compreenda a discussão ora em debate, transcrevemse as passagens dos seguintes documentos constantes dos autos: (a) decisão da DRJ; (b) decisão do CARF; (c) embargos declaratórios opostos pelo contribuinte: Decisão da DRJ (fl. 209 dos autos) Ao querer atribuir validade ao lançamento somente após “parecer técnico”, a interessada deturpa integralmente o instituto. Curioso, que a própria interessada poderia ser mais diligente na classificação fiscal de seus produtos, inclusive utilizandose de perícias, ou de modo mais eficaz, de consulta fiscal, o que não fez. Ressaltese que a interessada não está obrigada a solicitar esclarecimentos prévios sobre eventual classificação fiscal de seus produtos, seja em consulta fiscal ou parecer técnico, sendo de sua exclusiva responsabilidade os atos de sua iniciativa, nos termos do artigo 20 e seu parágrafo único da Lei 4.502/64. Art . 20. O lançamento consistirá na descrição da operação que o originar e do produto a que se referir, na classificação fiscal dêste no cálculo do impôsto devido e no registro de seu valor, em parcela destacada, na guia ou na nota fiscal em que deva ser efetuado. Parágrafo único. O lançamento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte. Nesse sentido, se comprovado pela autoridade fiscal que o contribuinte errou na classificação fiscal de seus produtos, legítima e necessária a reclassificação fiscal, em obediência às normas de tributação, ainda que essa reclassificação seja mais onerosa ao contribuinte, não configurando postura odiosa por parte do Ente tributante e sim obediência à legalidade. Acórdão nº 3301002.117 (fls. 246/247 dos autos) De acordo com a decisão recorrida a interessada, ora Recorrente, adotou, para um mesmo produto, várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 301 9 Em sua defesa, para este produto, conforme fls. 195, a interessada afirma que a classificação fiscal por ela adotada está correta, afirmando através das informações técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: CATALISADORES Os produtos 175.010, 273.927, 273023, 273.725, 273.730, 273.925, 273.828, 273.750, 273.033, 273.021, 573.600 e 573.700 a partir de 02/06/2005 alteramos a classificação fiscal para 2929.1029. De acordo com a descrição abaixo através de uma análise técnica e comparação com o praticado no mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima descrito e por nós comercializado; THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em volume) de solventes aromáticos em sua formulação Desta forma, conforme bem fundamentou o acórdão recorrido, para um mesmo produto, a interessada, ora Recorrente adotou várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Na análise dos autos, verifico que as regras foram devidamente observadas e os produtos devidamente classificados. Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Grifos apostos). Embargos declaratórios (fls. 252/253) "Notese que em seu recurso voluntário a recorrente, primeiro, suscitou a necessidade de cancelamento do ato fiscal pela ocorrência de vício material insanável, pois, no que tange aos CATALISADORES PU, a autoridade notificante não aprofundou sua análise a cada tipo de produto industrializado pela recorrente, partindo da premissa de que existe apenas um tipo de CATALISADOR PU, e que, por isso, todos eles mereceriam ser indistintamente classificados sob a NCM 3824.90.32, o que ficou demonstrado ser um erro, principalmente, pela conclusão diversa a que chegou a própria Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, de 18 de maio de 2010, que foi trazida aos autos por ocasião do recurso voluntário, segundo a qual tais produtos deveriam se classificar nas NCM 3208.90.39 e 3911.90.29. Fl. 305DF CARF MF 10 Acontece que, laborando com omissão e também erro material, o acórdão deixou de analisar a classificação dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente e consignou que, conforme afirmado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela recorrente. Todavia, nesse ponto, o vício é grosseiro. A uma, porque a decisão de primeira instância em momento algum se referiu à existência ou inexistência de qualquer Solução de Consulta, pois este tema definitivamente não havia sido objeto da impugnação. A duas, porque não poderia ser mesmo objeto da impugnação qualquer Solução de Consulta, já que a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana é de 18.05.2010, enquanto a impugnação data da 16.11.2006. Portanto, é cronologicamente impossível ter havido o debate sobre a validade de Solução de Consulta na impugnação. Por isso é que a recorrente trouxe à baila, na íntegra, a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana quando do seu recurso voluntário. A três, porque, ao partir dessa premissa, o acórdão embargado deixou de se manifestar quanto ao vício da notificação fiscal por colidência com o resultado da Solução de Consulta e o efeito vinculante desta, suscitado com base no princípio da retroatividade benigna da lei tributária". Consoante se extrai da análise da decisão embargada, verificase que esta, de fato, incorreu em erro material ao dispor que "a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta". Isso porque, consoante apontou a Embargante, a indicação da solução de consulta que pretendia ver analisada (Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010) ocorreu apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, não tendo sido objeto da Impugnação apresentada em 2006 pelo contribuinte. Logo, entendo que a DRJ, ao dispor que não fora apresentada consulta por parte do contribuinte, o fez em sentido genérico, dispondo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar que a classificação fiscal realizada pelo mesmo havia se dado corretamente. Ou seja, não tratou a decisão da DRJ da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010. Contudo, uma vez apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário um argumento novo, atinente à existência da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, este Conselho deveria ter se pronunciado sobre o mesmo, tendo a decisão embargada incorrido em omissão/erro material ao não fazêlo. Até porque, à primeira vista, apresentavase relevante do argumento trazido à tona pelo contribuinte, qual seja, existência de Consulta Fiscal em que a própria Receita Federal teria concluído pela classificação fiscal de determinados produtos objeto da presente autuação nos NCMs 3208.90.39 e 3911.90.29. A importância dessa análise decorria ainda do argumento do contribuinte de que a referida empresa produziria 20 tipos diferentes de CATALISADORES PU, ao passo que a fiscalização teria considerado todos como sendo um só produto. A distinção entre os referidos CATALISADORES teria sido analisada na referida Solução de Consulta. Porém, embora o contribuinte tivesse alegado a existência da referida Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, tendo transcrito passagens da mesma em seu Recurso Voluntário, não havia juntado aos presentes autos o seu inteiro teor. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 302 11 Diante disso, a presente demanda foi convertida em diligência, no intuito de que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, para que este Conselho pudesse analisar a sua extensão e aplicabilidade ao caso concreto ora analisado. Uma vez juntada a referida solução de consulta, podese verificar que esta teve como interessada a Farben S/A Indústria Química, teve por objeto o "endurecedor PU", vulgarmente denominado "catalisador PU", e concluiu que as mercadorias consultadas deveriam ser classificadas nos códigos 3208.90.39 (alíquota de 10%), produtos indicados na Tabela 1, e 3911.90.29 (alíquota de 5%), produtos indicados na tabela 2. Ocorre que, embora a decisão embargada tenha sido omissa quanto à apreciação da referida solução de consulta, a sua análise não socorre o contribuinte para fins de embasar a classificação fiscal adotada pelo mesmo. Isso porque, naquele documento, foram indicadas como corretas as seguintes classificações fiscais: 3208.90.39 e 3911.90.29. Acontece que o contribuinte adotou classificações fiscais distintas, consoante se extrai do esclarecimento prestado pelo mesmo (vide fl. 178 dos autos): Porém, embora a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana não socorra o contribuinte em sua pretensão de justificar a classificação fiscal por ele adotada, serve para demonstrar que tampouco a classificação fiscal adotada pela fiscalização, considerando uma mesma classificação fiscal para todos os CATALISADORES PU de forma indistinta, estava correta. Notese que a solução de consulta analisou os seguintes produtos: De outro norte, extraise do auto de infração aqui combatido que foi objeto de fiscalização os seguintes produtos: Fl. 307DF CARF MF 12 Ou seja, é inconteste que há identidade entre certos produtos analisados. E, consoante destacou o contribuinte em seu Recurso Voluntário, a referida solução de consulta identificou a classificação correta de acordo com cada código do produto ali analisado (vide tabelas 1 e 2 às fls. 278/281). Sendo assim, entendo que a apresentação da referida solução de consulta faz prova em favor do contribuinte, no sentido de demonstrar, quanto a determinadas mercadorias, a classificação correta a ser considerada no caso concreto aqui analisado. E, uma vez identificada que a classificação correta era diversa da apontada pela fiscalização, há de ser reconhecida a improcedência do auto de infração quanto a tais mercadorias específicas. Nesse sentido, trazse à colação decisão desta turma julgadora: Acórdão: 3301003.147 Número do Processo: 10831.724290/201465 Data de Publicação: 02/05/2017 Contribuinte: PADTEC S/A Relator(a): LIZIANE ANGELOTTI MEIRA Ementa: Classificação Fiscal Período de apuração: 2006 a 2010 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Recurso Voluntário Provido Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Diante do acima exposto, entendo que deverão ser parcialmente acolhidos os embargos declaratórios opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para fins de sanear a omissão apontada e, com base na análise da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, concluir que o Recurso Voluntário deverá ser parcialmente provido, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, excluindose da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta. É como voto. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 303 13 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 309DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720034/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. VÍCIO DE OMISSÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE ANÁLISE DO CÓDIGO NCN ADOTADO NO LANÇAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO.
Em processos administrativos que decorrem de divergência na classificação fiscal de produtos importados pelo contribuinte, é essencial que a autoridade julgadora enfrente e se manifeste acerca da legalidade do código NCM adotado pela Fiscalização no lançamento, pois a revisão de legalidade é do ato administrativo do lançamento.
A conclusão no sentido de que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está incorreta não leva necessariamente à conclusão de que a classificação fiscal realizada pela Fiscalização no lançamento está correta, sendo possível que a autoridade julgadora entenda que o código NCM adotado pelo contribuinte é equivocado, mas mesmo assim determine o cancelamento do lançamento, quando este adotar como fundamento classificação fiscal também equivocada e entender a autoridade julgadora que o correto é um terceiro código NCM.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020.
Está correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) adotada no lançamento, no código NCM 8529.9020 (Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28.
Numero da decisão: 3401-003.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração apresentados para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, entendendo correta a classificação fiscal adotada pela Fiscalização, vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator, que preferiu seu voto no sentido de dar provimento integral aos embargos de declaração, com efeitos infringentes; e o Conselheiro André Henrique Lemos, que votou para que fosse dada ciência à Fazenda Nacional, em razão de possíveis efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira.
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto.
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator.
Augusto Fiel Jorge d'Oliveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cleber Magalhães (Suplente convocado), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente). Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Interessado Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. VÍCIO DE OMISSÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE ANÁLISE DO CÓDIGO NCN ADOTADO NO LANÇAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. Em processos administrativos que decorrem de divergência na classificação fiscal de produtos importados pelo contribuinte, é essencial que a autoridade julgadora enfrente e se manifeste acerca da legalidade do código NCM adotado pela Fiscalização no lançamento, pois a revisão de legalidade é do ato administrativo do lançamento. A conclusão no sentido de que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está incorreta não leva necessariamente à conclusão de que a classificação fiscal realizada pela Fiscalização no lançamento está correta, sendo possível que a autoridade julgadora entenda que o código NCM adotado pelo contribuinte é equivocado, mas mesmo assim determine o cancelamento do lançamento, quando este adotar como fundamento classificação fiscal também equivocada e entender a autoridade julgadora que o correto é um terceiro código NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020. Está correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) adotada no lançamento, no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 34 /2 01 2- 49 Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.760 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração apresentados para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, entendendo correta a classificação fiscal adotada pela Fiscalização, vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator, que preferiu seu voto no sentido de dar provimento integral aos embargos de declaração, com efeitos infringentes; e o Conselheiro André Henrique Lemos, que votou para que fosse dada ciência à Fazenda Nacional, em razão de possíveis efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Presidente substituto. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cleber Magalhães (Suplente convocado), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em 10/04/2017 contra o Acórdão CARF nº 3401003.111, proferido em sessão de 25/02/2016, de minha relatoria, que possui a ementa abaixo transcrita: "Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011 PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Reconhecimento da extinção por decadência dos créditos relativos a lançamentos efetuados com base em declarações de importação registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, (II, IPI, PISImportação e CofinsImportação). REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. Artigo 54 do DL 37/1966. É de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.761 3 os lançamentos pendentes de homologação. Independentemente do canal em que se efetivou o despacho aduaneiro, o resultado da revisão assim realizada não significa mudança de critério jurídico. Aplicase o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. Somente nessa situação a revisão aduaneira estará concidionada pelo disposto no artigo 149 do CTN. O artigo 54 do DL 37/1966 também autoriza a revisão dos lançamentos homologados. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO. PAINÉIS LCD. O produto identificado como "dispositivos de cristal líquido LCD" ou "Painéis LCD", quando destinado "exclusiva ou principalmente" aos aparelhos das posições 8527 ou 8528, não pode ser classificado no código NCM 9013.80.10. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7° DA LEI N° 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". Em sintonia com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento estabelece, simplesmente, que a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINS Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) será "o valor aduaneiro", redação a qual foi dada pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. MORA E PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. Apesar de não se tratar de uma mudança de critério jurídico, a posição firmada a partir da revisão aduaneira que nega a prática reiterada das autoridades do despacho, exercidas individualmente, configura a situação para a qual se deve invocar a aplicação da lei posta no parágrafo único do artigo 100 do CTN, a ser aplicada nos termos da competência estatuída pela lei do processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972) e estatuída na lei aduaneira (artigo 97 e 101 do DL 37/1966)". A embargante alega a ocorrência do vício de omissão, em virtude de o acórdão em referência afastar a classificação fiscal adotada pela contribuinte, mas sem antes "(...) haver se manifestado em relação ao fundamento referente ao equívoco da classificação fiscal pretendida pela Fiscalização", pelas razões abaixo transcritas: "1.1. No que tange à classificação fiscal dos Painéis de LCD, a Embargante apresentou dois fundamentos distintos em seu Recurso Voluntário: a) a classificação fiscal por ela adotada (NCM 9013.80.10) está correta (itens Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.762 4 3.3.1.1 a 3.3.1.25 do Recurso Voluntário); b) a classificação fiscal pretendida pela Fiscalização (NCM 8529.90.20) está incorreta (itens 3.3.1.26 a 3.3.1.65 do Recurso Voluntário) 1.2 Destaquese que se tratam de fundamentos autônomos, capazes, cada um deles, per si, de conduzir ao provimento do Recurso Voluntário. 1.3 Com efeito, em se tratando de classificação fiscal, para a manutenção do Auto de Infração, não basta que se demonstre que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está equivocada, sendo necessário também que se demonstre que a classificação fiscal adotada pela Fiscalização esteja correta. Isso porque, mesmo que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte esteja incorreta, se a classificação defendida pela Fiscalização também estiver incorreta, sendo correta uma terceira classificação fiscal, o lançamento deverá ser declarado insubsistente. De fato, a autuação deve fundarse, obrigatoriamente, na correta reclassificação, pela Fiscalização, da mercadoria importada. Havendo equívoco por parte da Fiscalização quanto à correta classificação da mercadoria importada, há vício insanável no lançamento tributário, efetuado em desatenção aos ditames do artigo 142 do Código Tributário Nacional. 1.4 Assim, não há dúvida de que o r. Acórdão embargado deveria haver analisado também o fundamento trazido pela Embargante em seu Recurso Voluntário, no sentido de que a classificação fiscal adotada pela Fiscalização está equivocada. 1.5 Ocorre que o r. Acórdão embargado não se manifestou sobre este fundamento, limitandose a analisar o fundamento relativo à adoção da NCM 9013.80.1O para a classificação fiscal dos Painéis de LCD. (...).1.8 Nesse contexto, ao não haver se manifestado em relação ao fundamento referente ao equívoco da classificação fiscal pretendida pela Fiscalização, o r. Acórdão embargado, data maxima venia, incorreu em omissão, nos termos do artigo .65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. E essa omissão que se espera seja sanada por meio dos presentes Embargos de Declaração" (seleção e grifos nossos). Por ordem do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, conforme artigo 65, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("RICARF"), fui designado para realizar o exame de admissibilidade dos embargos opostos. Proferi despacho. situado às fls. 2.301 a 2.306, pela admissão dos embargos, considerandoos tempestivos, tendo indicado objetivamente o vício de obscuridade, em observância ao disposto no artigo 65, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF, que determina: "§2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.763 5 os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Acredito que o vício tenha sido objetivamente apontado e que a alegação da embargante não é manifestamente improcedente, o que acarretou o despacho de admissibilidade dos embargos para que este colegiado apreciasse as razões tecidas para a finalidade de sanar o vício apontado ou, não sendo o caso, aprimorar a decisão embargada. A embargante fundamenta a oposição de seus embargos no fato de ter apresentado dois argumentos distintos em seu recurso voluntário: (i) a correção da classificação fiscal por ela adotada (NCM 9013.80.10); e (ii) a incorreção da classificação fiscal pretendida pela autoridade fiscal (NCM 8529.90.20). Observase que, de fato, os argumentos são autônomos e o acolhimento de cada um, isoladamente considerado, seria suficiente para o provimento do recurso voluntário interposto. Não obstante, o acórdão embargado se manifestou unicamente sobre a incorreção da classificação adotada pela contribuinte, infirmando, assim, o Código NCM nº 9013.80.10. Nada se decidiu, no entanto, a respeito da classificação reputada correta pela autoridade fiscal, omitindose, portanto, o acórdão, quanto à análise da correção do Código NCM nº 8529.90.20. Este segundo argumento, ademais, foi objeto de expressa recalcitrância por parte da ora embargante, como se depreende da leitura dos itens 3.3.1.26 a 3.3.1.65 das razões de seu recurso voluntário. Transcrevese, a seguir, a redação do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho: Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (Regimento Interno do CARF) Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Há de se reconhecer, portanto, mesmo em análise perfunctória, que o recurso manejado, ao se voltar ao objetivo de sanar omissão quanto ao "(...) fundamento referente ao equívoco da classificação fiscal pretendida pela Fiscalização" do acórdão embargado, subsumese à perfeição à figura prevista no art. 65 do RICARF, tendo sido o vício, portanto, objetivamente apontado. Como consabido, tanto afirmar a correção da classificação adotada pela contribuinte, como afastar, por incorreção, a classificação pretendida pela autoridade fiscal, terá como efeito o provimento do recurso voluntário e, por este motivo, não é o presente Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.764 6 recurso manifestamente improcedente, merecendo maior análise quanto à matéria de fundo não analisada no acórdão embargado. Assim, quanto à classificação fiscal da mercadoria, aproveitamos a oportunidade para apontar explicitamente o nosso posicionamento acerca da matéria, sobre a qual já escrevemos em outras oportunidades. Ao analisar as considerações acima tecidas acerca da existência da revisão fiscal, entendemos que o desembaraço configurou, no caso presente, uma modalidade de lançamento tributário. O lançamento, para ocorrer, de fato não pode prescindir de nenhum de seus elementos constitutivos, sob pena de se aceitar a possibilidade de um inexistente fato gerador pendente ou "complexivo" (sic) que parte substanciosa da doutrina, como Antonio Sampaio Dória ou Henry Tilbery já defendeu em oposição àqueles fatos geradores "instantâneos". Em outras palavras, ou se conhecem todos os elementos do fato gerador ou não é possível à autoridade competente proceder ao lançamento do tributo e, logo, diferente de nosso entendimento anterior, irrelevante o uso efetivo que se dará à mercadoria em momento posterior ao desembaraço aduaneiro. Este, ademais, é o sentido do art. 72 conjugado com dos artigos 73 e 94 do Regulamento Aduaneiro. A partir desta perspectiva, passa a fazer sentido o argumento trazido pela contribuinte no sentido de que os painéis LCD podem ter diferentes usos. Maior segurança seria conferida a este colegiado caso a contribuinte comprovasse que os materiais importados foram efetivamente utilizados para a destinação prevista pela classificação NCM, ou, no sentido de sua defesa, comprovar que não foram utilizados para aqueles aparelhos listados nas posições 85.27 ou 85.28 ("monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens"). Contudo, entendo agora com bastante clareza que tal comprovação não se faz necessária. O uso potencial dos painéis LCD tanto para aqueles aparelhos acima descritos como também para outros usos comerciais já é suficiente para descaracterizar a posição específica 8529.9020 reputada como correta pela autoridade fiscal. Isto porque a materialidade deve ser aferida, como foi, no momento do desembaraço conforme explicado acima. Conforme trecho da própria Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, que entendeu que a correta classificação fiscal do produto Display de Cristal Líquido (LCD)”, a incerteza se manifesta nos seguintes termos: "20. Assim, conforme mencionado pelo Interessado em sua petição, é impossível definir com exatidão o produto no qual será montada, visto que a mesma pode ser acoplada a qualquer aparelho capaz de fornecer um sinal de vídeo através de uma conexão adequada – em que pese o fato de que, pelo tamanho, seja possível, por exemplo, presumir que uma certa tela deva servir para um aparelho receptor de TV, o que não impede, entretanto, que se utilize esta mesma tela para a fabricação de um equipamento médico, por exemplo”. Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.765 7 Assim, uma vez caracterizada a dúvida, a RGI nº I determina que a classificação fiscal seja feita primordialmente no texto das posições e a posição 9013 descreve exatamente “dispositivos de cristal líquido”; dessa forma, os produtos importados se enquadram perfeitamente nessa descrição, levando em consideração que são dispositivos de cristal líquidos como atestado nos laudos e que “podem se destinar às mais diversas finalidades e equipamentos, não se podendo, no momento da importação classificálos sob uma finalidade específica”. Na medida em que a posição 9013 se refere a “dispositivos de cristal líquido", não vejo como negar que os produtos se enquadrem à perfeição nessa descrição, não sendo possível, e este é um ponto importante, atestarse o seu uso específico no momento da importação. Assim, quando a Nota “1.m”, da Seção XVI, exclui expressamente “os artefatos classificados no Capítulo 90", entendo que os produtos importados se qualificam como instrumento de óptica que, por decorrência lógica, não poderiam se classificar no código 8529.90.20. Esta a conclusão, não obstante, a que chegou o parecer de lavra de José Luiz Rossari nos seguintes termos: "(...) a Nota 1, letra “m”, da Seção XVI da NCM, por si só, confirma que sendo o display de LCD um artefato descrito na posição 9013 do Capitulo 90, não podia ele se classificar na posição 8525 a 8528, devido a essa imposição de cumprimento obrigatório estabelecida no Sistema Harmonizado (...) em vista do exposto, mormente inclusive das soluções de consulta emanadas da RFB, podese afirmar sem qualquer dúvida, que, à época das importações, a posição 9013 era a mais adequada para a classificação do produto”. Transcrevemos, ademais, neste sentido, a percuciente declaração de voto realizada pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima no Acórdão CARF nº 3201 002.026, julgado em sessão de 28/01/2016 pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção: " Meu entendimento é convergente com julgamento anterior deste próprio Conselho, que reconheceu como correta a classificação da NCM 90.13.80.10 para os Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, para o mesmo contribuinte ora parte no presente procedimento administrativo. O contribuinte classificou corretamente as mercadorias importadas na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM Dispositivos de Cristais Líquidos LCD 9013.80.10 (Classificação nas Declarações de Importação de 20 de Maio de 2007 a 31 de Dezembro de 2011). O único fundamento do Auto de Infração é a suposição de erro na classificação fiscal. Consequentemente a fiscalização imputou a multa de 1% sobre o valor aduaneiro e lançou as diferenças de alíquotas dos Impostos de Produtos Industrializados IPI, de Importação II, PIS e COFINS, correspondentes às NCM's que a fiscalização entendeu como corretas (NCM 8529.90.20, Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.766 8 NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00). Apesar da questão da suspensão do IPI não alterar a linha de motivação e nem a conclusão da presente declaração de voto, aqui é importante reproduzir a declaração de voto constante na Decisão da DRJ de São Paulo, que reconheceu a suspensão do IPI a partir de junho de 2009, conforme Art. 11, IN 948/2009. No estudo dos autos verificase que este fato pode ter atraído a atenção do agente fiscal, situação que pode ter motivado o início da fiscalização. Segue declaração mencionada: Declaração de Voto Salvo melhor juízo, tenho entendimento divergente ao do relator apenas em relação à exigibilidade dos créditos de IPI relativos a mercadorias importadas sob o regime de suspensão do art. 29, §1º, inciso I, “c” da Lei nº 10.637/02, regulamentado art. 11, inciso II da Instrução Normativa RFB nº 948/09. É fato incontroverso tanto para a fiscalização como para a impugnante que os bens importados em questão enquadravamse na hipótese de suspensão acima citada. Logo, não há que se cogitar da exigência tributária do IPI no momento da ocorrência do fato gerador na importação, qual seja, o registro da respectiva declaração de importação. A eventual resolução da suspensão do IPI depende da apuração individual de cada venda no mercado interno de bens contendo tais insumos importados, visto que é neste segundo momento que o tributo volta a ser exigível, apurandose concomitantemente o efetivo recolhimento porventura já realizado pela empresa em cada operação. A fiscalização não respeitou tal exigência, presumindo os recolhimentos nas vendas ao mercado interno e considerando o IPI exigível desde a data de registro das importações. Dessa forma, entendo incabível o lançamento realizado em relação a essas importações alcançadas pela suspensão do IPI." Ainda que não seja fato controverso a identificação da mercadoria, Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, a fiscalização obrigou o contribuinte a identificar cada item importado de acordo com uma possível aplicação futura, de acordo com o P/N utilizado para os controles de produção e estoques. Apesar de haver múltiplas e simultâneas possibilidades de aplicações futuras dos produtos importados, o contribuinte teve de respeitar a intimação e respondeu de acordo com a planilha dos Anexos I e VIII da intimação 2012 000140, restringindo essas possíveis aplicações futuras. Foi de acordo com esta planilha que a fiscalização decidiu que a NCM utilizada pelo contribuinte não era suficiente para atender a todas as exigências regulamentares. Discordo de como procedeu a fiscalização e da conclusão desta, pois correta a classificação utilizada pelo contribuinte. É incontestável que a classificação da mercadoria, primeiro, deve ser baseada nas características do produto no momento do despacho aduaneiro, independentemente de sua futura possível utilização. Fisco Fl. 3766DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.767 9 encaixou em subitens de posições de NCM's, como se fossem mais específicas. Oneroso e burocrático auferir de forma clara, concisa e legal todas as possíveis futuras aplicações da mercadoria importada no momento do despacho aduaneiro. Logo, a fiscalização decidiu restringir e de forma arbitrária a classificação. Apesar de haver uma projeção do contribuinte em seu plano de negócios da aplicação futura das mercadorias importadas, os negócios industriais têm estruturas dinâmicas, "orgânicas" e devem acompanhar e atender a oferta e procura, o que pode alterar de imediato a projeção da utilização futura das mercadorias importadas. Entendo que a fiscalização deixou de considerar o Regulamento Aduaneiro nos seus Artigos 72, 73 e 94 que positivaram essa garantia jurídica, da classificação da mercadoria de acordo com suas características no momento do despacho aduaneiro. Com relação ao entendimento minucioso da aplicação ou não da NCM 9013.80.10, basta observar a Regra Geral nº 1 para interpretação do sistema harmonizado e concluir que esta NCM é a correta para a mercadoria importada. Regra 1: " Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legai, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas se seção e de capítulo [...]"Vejamos o texto da posição 90.13 "Dispositivo de Cristal Líquido LCD" na posição específica 80.10 "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". É evidente que a mercadoria é um artefato da posição 90.13, identificada logo pelo texto e de acordo com RG nº 1, para "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". Ainda que já solucionado pela RG1, uma vez que o texto é adequado em sua posição e não em subposições como nos casos das NCM 8529.90.20, NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00, em que o texto da posição não está de acordo com a mercadoria importada. Não se observaria a Regra Geral n.º 1 do Sistema Harmonizado se classificarmos a mercadoria nos textos: NCM 8517 “Aparelhos Telefônicos, incluídos os telefones para redes celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos [...]”. NCM 8529 – “Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. NCM 8531 – Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes [...]” (seleção e grifos nossos). Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.768 10 Em mesmo sentido, o declaração de voto realizada pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima no Acórdão CARF nº 3201002.026, julgado em sessão de 28/01/2016: "Se observarmos a Regra Geral n.º 3, na remota hipótese da situação não ter solucionado com a Regra Geral n.º 1, essa também elege a posição 90.13 como a correta pois é mais específica tanto no item quanto no subitem, de acordo com a Nota 2.a, Capítulo 90 da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. É exatamente o que foi decidido no Acórdão definitivo deste Conselho, Acórdão de n.º 30333.326, de 12 de julho de 2006, com relação ao próprio contribuinte, que reconheceu o direito de aplicar aos Dispositivos de Cristal Líquido LCD a NCM 9013.80.10. Para reforçar o presente entendimento, a posição da NCM 9013 indica nominalmente um artigo em particular, enquanto que as outras NCM’s apontadas pela fiscalização designam uma família de artigos, o que torna estas classificações da fiscalização menos específicas uma vez que a Nota IV e IV, b, da R.G. n.º 3, expressamente vinculam que a especificidade deve ser analisada conforme a natureza do produto e não conforme sua futura utilização, além de delimitar ser a posição mais específica aquela que nominalmente descreve um artigo em particular e não aquela que aponta uma família de artigos. Não foi considerada na análise da fiscalização a Nota 1, m, da Seção XVI, que abrangem as classificações pretendidas pela autoridade fiscal. O caput da Nota 2 expressamente exclui das suas disposições os casos contemplados pela Nota 1 da Seção XVI. A análise desta Nota confirma a classificação adotada pelo contribuinte, pois exclui do seu alcance os “artefatos classificados no capítulo 90”. A fiscalização deixou de observar a vigência dos Ex Tarifários 001 e 002 da posição 8529.90.20 (Resolução CAMEX 84 de Dezembro de 2010). Deixou de observar que as mercadorias tem reconhecida importância no Brasil e por este motivo foram concedidas as exceções à Tarifa Externa Comum, para contemplar sem onerar e impedir o desenvolvimento do setor. Foi nesse sentido que se publicou a resolução CAMEX 84/2010 com os Ex Tarifários, acompanhados de coerência tarifária para os dispositivos de LCD e mantido o mesmo nível tarifário da NCM 9013.80.10. Assim, é temerário concluir que a CAMEX teria classificado os dispositivos somente no subitem 9013.80.10 se esta NCM fosse a correta para o produto. Não há lógica em determinada conclusão uma vez que a NCM 9013.80.10 é também expressa no Anexo I do Decreto e é razão do Ex Tarifário, além de ser prática reiterada no âmbito da administração pública. O texto "Displays de Cristal Líquido" apenas foi inserido na NCM 85.29.90.20, após a redação do Decreto 7.600/11. Fl. 3768DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.769 11 Anteriormente este texto estava presente somente na NCM 9013, o que configura mudança de critério jurídico, uma clara alteração do critério de classificação anteriormente adotado em múltiplos níveis da administração pública. Vejamos: Não houve reclassificações de outras DI’s da empresa parametrizadas em canal vermelho; Consultas de n.º 98/99 da 8.ª Região DIANA, 31/07 da 10.ª Região e 37/07 da 6.ª Região apontam a NCM 9013.80.10 como a correta classificação para a mercadoria; Decisão Administrativa definitiva que determina a NCM 9013.80.10 neste Conselho, P.A. 10860.000559/200586; IN RFB 740/2007, Art. 3.º, II, vigente à época. O Contribuinte ficou impedido de realizar nova consulta sobre tema já decidido, conforme Art. 52 do Decreto 70.235/72. E não só, ficou vinculado a classificar as mercadorias na NCM 9013.80.10. Declarações de Importação foram incluídas após a lavratura do Auto de infração (fato conhecido na DRJ), erros de cálculo não foram sanados, mas a divergência desta declaração de voto é no mérito e neste, o contribuinte acertou na classificação, inclusive Pareceres e Laudos Técnicos confirmam a natureza técnica do produto e sua direta relação com a NCM utilizada. O contribuinte preencheu as regras gerais e interpretativas, contribuiu para a manutenção das praticas reiteradas e observou as decisões de consulta e deste conselho. Está configurada a característica de normas complementares às práticas reiteradas das autoridades administrativas. Com fundamento em todo o exposto e principalmente nos Artigos 100, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, que estabelecem a legalidade das práticas administrativas reiteradamente observadas e protegem o contribuinte das modificações de critério jurídico, não há legitimidade para o lançamento pois é "conditio sine qua non" que o Auto de Infração tenha elementos suficientes para a configuração do fato tributável. Por todo o exposto, por faltar objeto e não restar configurado o suposto "erro de classificação" da mercadoria, diante do vício material insanável que caracteriza o lançamento, voto pela improcedência do Auto de Infração, seu cancelamento integral e consequente cancelamento de todas as penalidades e demais encargos, e seja conhecido e provido o Recurso Voluntário em sua integralidade. Assim, voto por conhecer dos embargos de declaração opostos, dandolhes integral provimento para a finalidade de colmatar a omissão apontada, razão pela qual voto pelo provimento integral do recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.770 12 Voto Vencedor Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Redator designado. De acordo com o artigo 65, do Regimento Interno do CARF: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar se a turma". A doutrina entende que o vício de omissão está presente “quando o tribunal deixa de apreciar questões relevantes para o julgamento, suscitadas por qualquer das partes ou examináveis de ofício (...) ou quando deixa de pronunciarse acerca de algum tópico da matéria submetida à sua deliberação (...)”. Por outro lado, o órgão judicial não tem “o dever expressar sua convicção acerca de todos os argumentos utilizados pela partes, por mais impertinentes e irrelevantes que sejam; mas, salvo quando totalmente óbvia, há de declarar a razão pela qual assim os considerou”. 1 Por isso, é firme na jurisprudência o entendimento no sentido de que "não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução"2. Além disso, os embargos de declaração não são o instrumento adequado para rediscussão do mérito com o objetivo de reformar o julgado, mas se prestam a sanar os vícios de omissão, contradição, obscuridade e/ou erro material, para fins de aprimoramento da decisão, sendo possível atribuirlhes efeitos modificativos da decisão apenas em casos excepcionais3. Impende ainda destacar que a finalidade dos embargos de declaração é revelar o verdadeiro conteúdo da decisão embargada e não inovar ou trazer substancial alteração do julgado, sob pena de, a pretexto de sanar vícios na primeira decisão, acarretar novo vício, dessa vez de contradição entre a primeira e a segunda decisão. Logo, a perspectiva na apreciação dos vícios apontados pelo Embargante deve ser sempre, a partir do que foi fixado ou deveria ter sido fixado pela decisão embargada. Nesse sentido, por todos, Pontes de Miranda afirmava: "A sentença dos embargos de declaração não substitui a outra, porque diz o que a outra disse. Nem pode dizer algo menos, nem diferente, nem mais. Se o diz, foi a decisão embargada que o disse"4. (grifos nossos) Dessa forma, é entendimento pretoriano firme que "não têm os embargos de declaração a faculdade de alterar decisão para ajustála a orientação posteriormente 1 Moreira, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. vol. V: arts 476 a 565. Rio de Janeiro. Forense. 2006. p 555560. 2 AgRg no AREsp 659.116/SP, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/11/2015, DJe 03/12/2015. 3 ACO 2065 AgRAgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 06/10/2015 4 Comentários ao CPC (de 1973), t. VII, p. 341. Fl. 3770DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.771 13 firmada"5 pelo Relator ou pelo Colegiado, apesar de recentemente ter se admitido, de forma excepcional, em apenas três hipóteses, os "efeitos infringentes aos embargos de declaração para ajustar o acórdão embargado a novo entendimento jurisprudencial, quando esse mostrarse conflitante com posicionamento firmado por esta Corte em recurso repetitivo, bem como quando divergente de orientação assentada pelo Supremo Tribunal Federal em recurso com repercussão geral ou sedimentada em Súmula Vinculante"6. No presente caso, tratamse de embargos de declaração de fls. 3722 e seguintes, nos quais o contribuinte, ora Embargante, alega a ocorrência de vício de omissão referente ao exame da classificação fiscal dos produtos por ela importados. Segundo a Embargante, o acórdão embargado se limitou a examinar a classificação fiscal adotada pela Embargante, no código NCM 9013.80.10 a qual, ao final, entendeu incorreta , e foi omisso ao deixar de apreciar o fundamento trazido pela Embargante, no sentido de que a classificação fiscal adotada no lançamento, no código NCM 8529.90.20, estaria equivocada. Ao se examinar a decisão embargada, verificase que há a afirmação de que o raciocínio ali desenvolvido e os fundamentos apresentados levariam à conclusão de que a classificação fiscal adotada pela Embargante é incorreta E a classificação fiscal do lançamento é a correta, quando expõe: "Em caso positivo, deixarão de se enquadrar na NCM 9013.80.10, pois, em que pese ainda se tratar de um "dispositivo de cristal líquido LCD, neste caso passa a ser aplicável a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nº 01, que dispões, para o aplicador, uma metaregra de aplicação consistente em a NCM 8529.90.20 ("aparelhos das posições 8527 ou 8528")". (fls. 3489) Apesar disso, a conclusão da decisão embargada realmente se limita a expor o entendimento de que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte não é correta, quando afirma: "Assim, com base nestes elementos, e tendo em vista, sobretudo, a ausência de contraprova que elida a argumentação tecida pela autoridade fiscal, voto pela improcedência do recurso voluntário neste ponto, de maneira a entender que o código NCM 9013.80.10 não deve ser aplicado ao presente caso" (fls. 3491). Ainda, esse entendimento acabou sendo espelhado na ementa do julgado que consignou: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO. PAINÉIS LCD. O produto identificado como "dispositivos de cristal líquido LCD" ou "Painéis LCD", quando destinado "exclusiva ou principalmente" aos aparelhos das posições 8527 ou 8528, não pode ser classificado no código NCM 9013.80.10". Diante disso, da mesmo forma que o ilustre Relator, acredito que há omissão sobre questão relevante na decisão embargada, tendo em vista que em processos administrativos que decorrem de divergência na classificação fiscal de produtos importados pelo contribuinte, é essencial que a autoridade julgadora enfrente e se manifeste acerca da legalidade do código NCM adotado pela Fiscalização no lançamento, pois a revisão de legalidade é do ato administrativo do lançamento. 5 EDcl no REsp 1044019/SC, Rel. MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2008, DJe 01/12/2008. 6 EDcl no AgRg no REsp 1319418/MG, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/06/2017, DJe 09/06/2017 Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.772 14 Devese observar que a conclusão no sentido de que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está incorreta não leva necessariamente à conclusão de que a classificação fiscal realizada pela Fiscalização no lançamento está correta, sendo possível que a autoridade julgadora entenda que o código NCM adotado pelo contribuinte é equivocado, mas mesmo assim determine o cancelamento do lançamento, quando este adotar como fundamento classificação fiscal também equivocada e entender a autoridade julgadora que o correto é um terceiro código NCM. Contudo, apesar de concordar com o relator no reconhecimento do vício omissão, apresento divergência no enfrentamento e saneamento dessa omissão, o que será exposto adiante, partindo da premissa de que o objetivo dos embargos de declaração é revelar o conteúdo da decisão embargada, aquilo que foi assentado pelo Colegiado naquela ocasião, ainda que com vício de omissão. Como relatado, enquanto a Embargante entende como correto o código NCM 9013.80.10 da Tarifa Externa Comum (TEC) (“Dispositivos de cristais líquidos – LCD”), a autoridade fiscal entende que a mercadoria deveria ter sido classificada no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), com base, entre outros motivos, no entendimento firmado na Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, que entendeu que a correta classificação fiscal do produto Display de Cristal Líquido (LCD)” é no código 8529.90.20 da NCM. Pela leitura do Termo de Verificação Fiscal, da Solução de Consulta em questão e dos argumentos levantados pela Embargante ao longo do processo, os pontos controversos para a realização da classificação fiscal são a função dos produtos importados pela Embargante e a possibilidade de se enquadrarem como produtos de óptica da posição 9013, pois, uma vez ultrapassados, maiores divergências não se encontrariam para a aplicação das regras de classificação, que apontariam para um ou outro código NCM e para a conclusão de que ou a classificação adotada pelo contribuinte ou pelo lançamento é procedente. Quanto à função, o lançamento apontou que "as mercadorias importadas pela SAMSUNG e discriminados na TABELA dos Autos SÃO UTILIZADAS NA FABRICAÇÃO DE MONITORES OU APARELHOS DE TELEVISÃO, ou seja, são PARTES QUE PODEMOS IDENTIFICAR COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS A MONITORES OU APARELHOS DE TELEVISÃO". Nesse tópico, impendese reconhecer que a aplicação futura do produto ou o uso de determinado produto após a importação não tem qualquer influência em sua classificação fiscal, porém, diante de seguidas importações, ao longo dos anos, de um mesmo produto, para a mesma destinação, há um indicativo que o produto foi concebido e fabricado para essa destinação, podendose concluir que o produto, no estado em que foi importado, tem como destinação exclusiva ou principal o uso em monitores ou televisores. Contra essa conclusão, há apenas as alegações da Embargante, que é amparada por laudo técnico que, a meu ver, não é satisfatório, pois indica que o produto importado não está sujeito a diversas aplicações, sem a necessidade de ajustes e intervenções humanas, após o processo de fabricação e à importação, o que fica evidenciado na resposta a seguir transcrita: "(...) Para a sua utilização, basta que o projetista compatibilize a comunicação dos dados a serem exibidos com a forma que o dispositivo de cristal líquido Fl. 3772DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.773 15 "compreenda". Desde que as especificações elétricas, mecânicas e ambientais sejam atendidas, o dispositivo irá operar satisfatoriamente em qualquer tipo de equipamento". Para afastar a conclusão firmada no lançamento, é preciso saber se os produtos importados, no estado em que foram fabricados e importados possuem capacidade de se destinar a múltiplas aplicações. O fato de o dispositivo operar satisfatoriamente apenas em qualquer tipo de equipamento "desde que as especificações elétricas, mecânicas e ambientais sejam atendidas" não quer dizer que o produto, como foi concebido, fabricado e importado, esteja pronto para se destinar a mais de uma aplicação ou que existam alternativas diversas de uso resultante da própria fabricação, sem uma ação humana após sua fabricação. Com relação à possibilidade dos produtos se enquadrarem na posição 9013, se podem se qualificar como aparelhos ou instrumento de óptica, a partir da análise dos textos das posições contidas naquele Capítulo, entendo como correta a afirmação feita pela Coana de que os produtos importados pela Embargante excedem o previsto em tal posição, por possuírem dispositivos eletrônicos e de retroiluminação, indo além do alcance da posição 90.13. Feitas essas considerações, ante a ausência de uma contraprova robusta por parte da Embargante no que se refere à identificação das características dos produtos por ela importados, seguindo a linha de entendimento exposta no Termo de Verificação Fiscal, penso que, pela aplicação da RGI nº 1, a posição correta é a 85.29, que trata de “Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. Continuando, dentre as subposições, os produtos não se enquadram na subposição 8529.10 (“Antenas e refletores de antenas de qualquer tipo; partes reconhecíveis como de utilização conjunta com esses artefatos”), devendo se enquadrar na subposição 8529.90 (“Outras”), por aplicação da RGI nº 06. Seguindo, quanto ao item e subitem, por aplicação da RGC nº 01, acredito que a classificação correta seja no código NCM 8529.90.20 (“De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”). Pelo exposto, apesar do diligente trabalho realizado pela Embargante em sua defesa, acredito que a prova produzida nos autos não lhe socorre, estando, a meu ver, correta a classificação fiscal utilizada pela Fiscalização para fundamentar o lançamento e incorreta a classificação fiscal adotada pela Embargante nas operações de importação , motivo pelo qual qual apresento divergência para conhecer e negar provimento aos Embargos de Declaração opostos. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Fl. 3773DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720982/2014-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012
Ementa:
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE.
A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitando-se eventualmente ao disposto no seu art. 149, V.
independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. APLICABILIDADE.
As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (TIPI).
O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto presta-se a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto.
As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), da qual o Brasil é Signatário, tendo como objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada.
As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. Para se classificar um produto, aplicam-se as Regras do SH, nem mais, nem menos
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.977
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitandose eventualmente ao disposto no seu art. 149, V. independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. APLICABILIDADE. As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (TIPI). O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto. As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), da qual o Brasil é Signatário, tendo como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 09 82 /2 01 4- 47 Fl. 5967DF CARF MF 2 objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada. As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. Para se classificar um produto, aplicamse as Regras do SH, nem mais, nem menos Recurso Voluntário Negado. Fl. 5968DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.968 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 5969DF CARF MF 4 Relatório José Henrique Mauri Relator. Tratase de auto de infração para fins de exigência de IPI, relativamente a períodos de abril de 2010 a dezembro de 2012. De acordo com o termo de verificação fiscal, foi apurada classificação fiscal incorreta na saída dos produtos [1] "cones de sinalização", [2] "cavaletes e placas", [3] "fitas zebradas", [4] "outras obras de plástico" ("corrente, pá e enxada antifaiscante, multi suporte, pedestal plástico, porta lima e protetor para podão"), [5] "peças de vestuário e acessórios" ("produtos como colete refletivo, avental PVC, calça PVC, jaqueta PVC, macacão PVC, conjunto jaqueta e capa de chuva") e [6] "protetores auditivos". Além disso, a Fiscalização apurou: · Por meio de auditoria de estoque, saídas de produção própria indevidamente registradas com CFOP 5.102 e 6.102 ("venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros"). · Declaração a menor em DCTF de imposto lançado nas notas fiscais emitidas e registrado nos livros Registro de Saídas e de Apuração do IPI, "retardando o seu conhecimento pela autoridade administrativa, o que caracteriza uma circunstância agravante à aplicação da respectiva penalidade, majorandoa, consequentemente, com o aumento de metade, conforme art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07". Em sua peça impugnatória a interessada alegou, em síntese: 1. Ilegalidade na ação fiscal, à vista de pendência de consulta administrativa. Segundo a Interessada, no dia 24 de setembro de 2012, formulou consulta protocolada na DRF/Limeira (processo n. 10865.723020/201288), que, apesar de reiteração em 27 de setembro de 2013, não teria sido solucionada ainda, impedindo a abertura de procedimento fiscal, nos termos do art. 48 do Decreto n° 70.235, de 1972. 2. Para fins de Classificação fiscal o contribuinte não tinha qualquer referência normativa específica que lhe servisse de norte para afastar as classificações genéricas. 3. Utilizouse do princípio da seletividade em função da essencialidade dos produtos como orientador para classificar os produtos, Princípio que deve também ordenar a interpretação da classificação fiscal. 4. Protestou, a seguir, pela produção de prova pericial, conforme anexo à impugnação, em razão de que a essencialidade dos produtos somente poderia ser auferida por esse meio de prova. 5. Tece breves comentários sobre os produtos autuados e as NCM utilizadas. Fl. 5970DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.969 5 Ao analisar a Impugnação, a 8ª Turma da DRJ/RPO emitiu o Acórdão 14 55.107, de 25 de novembro de 2014, que, por unanimidade de votos, julgoua Procedente Em Parte, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 IPI. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IPI LANÇADO E NÃO DECLARADO, MULTA E SUA MAJORAÇÃO. Declarase não litigiosa a matéria não expressamente contestada pelo contribuinte em sua impugnação de lançamento. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO EM PENDÊNCIA DE CONSULTA. NULIDADE. É nulo, por vício formal, o auto de infração que tenha por objeto a reclassificação fiscal de produto objeto de consulta apresentada pelo contribuinte, especificamente em relação à classificação fiscal por ele adotada, enquanto não solucionada a consulta formulada ou não declarada a sua ineficácia, relativamente às saídas dos referidos produtos ocorridos após a formulação. PERÍCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. Somente cabe a realização de perícia na hipótese de não poder ser produzida nos autos prova equivalente e de ser necessária manifestação de especialista. Descabe a opinião de perito em relação à juízo de aplicação de legislação. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO ANTERIOR DO FISCO. A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitandose eventualmente ao disposto no seu art. 149, V. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. APLICAÇÃO AO ESTABELECIMENTO DA ALÍQUOTA NA TIPI E NÃO ÀS REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (Tipi). O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto. Eventual violação ao princípio da seletividade inserese no âmbito de vício do estabelecimento da alíquota para a respectiva posição e não pode ser objeto de apreciação no âmbito do processo administrativo fiscal. AUDITORIA DE ESTOQUE. SAÍDA DE PRODUTOS REVENDIDOS. INSUFICIÊNCIA DE ESTOQUE. Tributamse como produtos de fabricação própria aqueles a que o contribuinte tenha dado saída como revenda, sem ter estoque suficiente de produtos comprados de terceiros para tanto. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 5971DF CARF MF 6 Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 CONES DE SINALIZAÇÃO. Código TIPI: 3926.90.90 Classificase nesta posição o artefato cônico de plástico, para sinalização de trânsito nas ruas, estradas e em outros locais de trânsito, comercialmente denominado "cone de sinalização". CAVALETES E PLACAS. Código TIPI: 3921.11.00 Classificamse nesta posição os cavaletes e placas de sinalização, em formas regulares, de plástico. OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICO (FITAS ZEBRADAS. CORRENTE, PÁ E ENXADA ANTIFAISCANTES, MULTISUPORTE, PEDESTAL, PORTA LIMA E PROTETOR DE PODÃO. PROTETORES AUDITIVOS, DE PLÁSTICO, DO TIPO CONCHA). Código TIPI: 3926.90.90 Classificamse nesta posição as outras obras de plástico não compreendidas em posições anteriores do respectivo capítulo. PEÇAS DE VESTUÁRIO E ACESSÓRIOS DE PVC. Código TIPI: 3926.20.00 Classificamse nesta posição o vestuário e acessórios de PVC. Impugnação Procedente em Parte Irresignada a interessada apresentou Recurso Voluntário, fls. 5933/5958, reprisando as alegando de impugnação, relativamente aos seguintes tópicos,: 1. Preliminarmente: 1.1 Da Inconstitucionalidade da Multa Superior ao Valor do Tributo. 1.2 Da Impossibilidade de Aplicação de Multa de Ofício nos Tributos Lançados sob o Regime de Homologação. 1.3 Da Inexistência de Situação Agravante. 1.4 Da negativa de Realização de Prova Pericial. 2. Mérito 2.1 Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Decorrente das Saídas de Cones em Razão da Pendência de Consulta 2.2 Da Ausência de Regulamentação da Classificação NCM à época dos Fatos e do Respeito ao Princípio da Essencialidade. Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 5972DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.970 7 Voto Conselheiro José Henrique Mauri O Recurso de Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento O auto de infração tratou de três matérias, "lato sensu" (i) classificação fiscal incorreta, (ii) glosa de créditos de revendas e (iii) falta de declaração (em DCTF) de valores lançados em nota fiscal e escriturados no livro registro de saídas e no livro de apuração do IPI. Neste último item, a Fiscalização apurou o imposto não declarado e aplicou a multa aumentada em 50%, por constar “circunstância agravante” (Lei nº 5.502/64, § 6º, inciso I, art. 80). Entretanto, em sede de Recurso Voluntário os questionamentos restringemse à questões de direito, abaixo segregados, restando preclusas as demais matérias, de fato e de direito, constantes da autuação. 1 Das Preliminares 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA SUPERIOR AO VALOR DO TRIBUTO. CONFISCO. e 1.2 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO NOS TRIBUTOS LANÇADOS SOB O REGIME D HOMOLOGAÇÃO A recorrente Insurgese contra a majoração em 50% da multa com fundamento do artigo 80, caput, e § 6º, inciso I da Lei Federal nº 4.502/64. que, segundo seu entendimento fere a vedação constitucional do confisco. Sustenta ainda que referida multa de Ofício é de natureza penal, diferentemente das multas por mora no adimplemento de obrigação tributária, essas sim consideradas remuneratórias ou compensatórias. As alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Fl. 5973DF CARF MF 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Desnecessário maiores delongas, nesse pormenor, pela clareza e objetividade da matéria, bem assim pelo teor das normas transcritas. 1.3 DA INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO AGRAVANTE Alega a recorrente inocorrência de qualquer circunstância a ensejar a qualificação da multa. Não se mostra presente nos autos elementos que mostrem eventual reicindência, consulta prévia da recorrente acerca dos produtos, tampouco existência de artifício doloso na prática da infração, que justificariam o agravamento. O Auditor Fiscal, por seu turno, entendeu haver, ao menos, uma circunstância agravante, ensejando a aplicação do disposto no artigo 80, § 6º, inciso I, da Lei nº 4502/64, eis excerto do Relatório Fiscal: O imposto foi lançado nas notas fiscais emitidas, registrado nos livros Registro de Saídas e de Apuração do IPI, mas não declarados integralmente em DCTF, retardando o seu conhecimento pela autoridade administrativa, o que caracteriza uma circunstância agravante à aplicação da respectiva penalidade, majorandoa, consequentemente, com o aumento de metade conforme art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07. Eis o disposto no referido artigo 80: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imjposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. [...] § 6º O percentual de muilta a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica. II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. Fl. 5974DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.971 9 Vêse que a autuação utilizouse do disposto no inciso I, caracterizado pela constatação de uma circunstância agravante, diferentemente do disposto no inciso II, onde demandaria a tipificação de simulação, fraude ou conluio ou ainda a caracterização de reincidência específica, com apenação qualificada. A conduta resta claramente tipificada no sentido de ocultar os valores devidos dos tributos, o que configura o agravamento da multa nos termos do art. 68, § 1º, IV da lei nº 4.502/64. Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. § 1º São circunstâncias agravantes: I a reincidência; II o fato de o imposto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; III a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sobre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo; IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. [Destaquei] Ademais, o percentual de agravamento de 50% (cinquenta por cento) atendeu as determinações do art. 80, § 6º, I, em função de ter a recorrente cometido a infração de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado. 1.4 DA NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL. Alega a recorrente que, com a negativa da produção de prova pericial, o julgador afrontou de morte o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, tolhendo da recorrente seu direito de se defender. No âmbito do processo administrativo fiscal a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de diligência ou de produção de prova pericial integra poder discricionário da autoridade julgadora. Assim, cabe ao Julgador emitir juízo de valor quanto a necessidade de obtenção de provas adicionais, imprescindíveis Fl. 5975DF CARF MF 10 ao deslinde da controvérsia. Essa é a inteligência que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/19721. Ademais, a realização de diligência somente se justifica se as provas instrutivas dos autos não forem suficientes e, especificamente em relação à perícia técnica, quando houver dúvida sobre questão de natureza técnica, cujos esclarecimentos dependam de conhecimentos especializados. No caso concreto, assim se manifestou o colegiado primário: "Nesse contexto, sabese que as perícias são exigidas quando não se possa produzir prova equivalente nos autos, necessitandose de sua produção por especialista. Não é o caso dos autos, como se verifica pelos quesitos formulados e pelas observações a eles dirigidas durante a análise de mérito. Por fim, como se verá adiante, é possível a análise das classificações fiscais a partir dos documentos que já constam dos autos, sendo prescindível diligência ou perícia." Resta claro que o juízo primário entendeu ser prescindível a realização de perícia para o deslinde da lide. O voto condutor do Acórdão recorrido foi adequadamente motivado quanto ao indeferimento da diligência requerida, não carecendo de reparos. Registrese que nessa oportunidade, em julgamento de segunda instância, poderseia apreciar a necessidade, ou não, de dita perícia, haja vista que sua negativa na primeira instância não significa igual juízo de valor nesta instância superior. Contudo, como relatado, em sede de Recurso Voluntário não há questionamento em relação às NCM aplicadas pela fiscalização (e mantidas no Acórdão recorido) o que tornaria inócua a realização de diligência, posto que a perícia requerida terseia como objeto a obtenção de dados para fins exclusivos de classificação dos produtos, questão inexistente na peça recursal, ora em análise. Assim, por entender prescindíveis, indeferese o pedido de diligência/perícia reiterado pela recorrente. Com base nessas considerações, Nego provimento às preliminares suscitadas. 1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 5976DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.972 11 2 Mérito 2.1 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO DECORRENTE DAS SAÍDAS DE CONES EM RAZÃO DA PENDÊNCIA DE CONSULTA Insurgese contra a decisão recorrida no tocante ao entendimento de que "a suspensão da exigibilidade do tributo, em razão da consulta formulada pela Recorrente, não produziu qualquer efeito com relação ao período anterior, podendo o fisco iniciar procedimento fiscais com relação a esse período". Entende a Recorrente que o dispositivo legal (Decreto 7.574/2011, art. 89) estabelece que nenhum procedimento fiscal será instaurado a partir da apresentação da consulta, independentemente de estarem os fatos geradores situados antes ou depois da formalização da consulta. Art.89. Nenhum procedimento fiscal será instaurado, relativamente à espécie consultada, contra o sujeito passivo alcançado pela consulta, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que lhe der solução definitiva. (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 48 e 49; Lei no9.430, de 1996, art. 48, caput e § 3o). Não assiste razão a recorrente. Os fatos geradores ocorridos anteriormente à protocolização não são alcançados pelos efeitos do processo de consulta, isso porque os efeitos da Consulta iniciase com sua formalização, não abraçando fatos geradores pretéritos. É o que se extrai dos artigos 89, suso transcrito, e do artigo 90, ambos do Decreto nº 7.574/2011. Não é por outra razão que a decisão de Consulta, contrária à orientação adotada pelo contribuinte, obrigao a recolher, no prazo do art. 89 do Decreto nº 7.574/2011, o imposto que deixou de ser registrado ou lançado a partir da consulta, sem os acréscimos relativos a multas e juros, diversamente do que ocorre em relação aos débitos verificados anteriormente à data da apresentação da Consulta, em que sobre eles incidirão os acréscimos legais. Art. 90. Em se tratando de consulta eficaz e formulada antes do vencimento do débito, não incidirão encargos moratórios desde seu protocolo até o trigésimo dia subsequente à data da ciência de sua solução (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 161, § 2º). Dessarte, o instituto da consulta não tem efeito retroativo e não ampara a consulente em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a sua protocolização. No caso concreto, como a consulta fora formulada pela Recorrente em 24 de setembro de 2012, são válidos os lançamentos anteriores, ou seja, efetuados a partir de janeiro de 2010 (termo inicial do período autuado) até a data da formulação da consulta (setembro de 2012). Fl. 5977DF CARF MF 12 Diante do exposto, entendo não terem alicerce lógico e jurídico as alegações da recorrente, relativas aos efeitos do processo de consulta. 2.2 DA AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO NCM À ÉPOCA DOS FATOS E DO RESPEITO AO PRINCÍPIO DA ESSENCIALIDADE. Sustenta que "os fatos geradores descritos no combatido auto de infração ocorreram entre os exercícios de 2010, 2011 e 2012, ou seja, em sua maior parte anteriormente à qualquer definição pelo Fisco das corretas classificações". Alega ainda que na ausência de regulamentação, valiase do princípio da essencialidade, previsto na CF. Sobre o presente quesito, assim se manifestou o julgado primário, no voto precursor do Acórdão recorrido: 37. A Interessada ainda alegou que a maioria dos fatos geradores teria ocorrido “anteriormente à qualquer definição pelo Fisco das corretas classificações”. 38. Entretanto, tal situação não tem conseqüência alguma para as infrações apuradas, pois a legislação exige que o contribuinte efetue a classificação corretamente, apresentando consulta se houver dúvidas. 39. Quando o contribuinte efetua a classificação por sua conta e risco, o Fisco tem o poder e dever de averiguar a classificação fiscal e efetuar o lançamento, com aplicação de multa de ofício, se dela discordar. Das disposições já reproduzidas sobre o processo de consulta, sabese que somente a consulta eficaz tem o condão de impedir a incidência de encargos moratórios (juros e multa de mora, uma vez que a multa de ofício somente seria exigível após o encerramento do processo de consulta) 2. 40. Esclareçase, por fim, que o IPI é imposto cujo lançamento é da modalidade por homologação, em que o contribuinte tem o ônus de aplicar a legislação para efetuar a apuração e o recolhimento do imposto, o que abrange a classificação fiscal dos produtos que fabrica e vende. 41. Dessa forma, cabe ao sujeito passivo o dever de praticar a atividade prevista no art. 1503 do Código Tributário Nacional, sujeitando se eventualmente ao disposto no art. 149, V4. [...] 2 Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Art. 90. Em se tratando de consulta eficaz e formulada antes do vencimento do débito, não incidirão encargos moratórios desde seu protocolo até o trigésimo dia subsequente à data da ciência de sua solução (Lei n o 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 161, § 2 o ). 3 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Fl. 5978DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.973 13 50. O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação, em si, do produto. Assim, eventual violação ao princípio da seletividade inserese no âmbito de vício do estabelecimento da alíquota para a respectiva posição e, como tais disposições são reguladas por decreto presidencial, não poderia a autoridade julgadora administrativa afastálas, nos termos do art. 59 do Decreto n. 7.574, de 20115. 51. O excesso ou arbitrariedade da lei ou do decreto na fixação da alíquota passaria por análise do ato legislativo (em sentido amplo) sob o prisma do devido processo legal substantivo6, questão que, por dizer respeito aos limites do ato de legislar, também é impossível de ser discutida no âmbito do processo administrativo fiscal. Sem reparos as palavras ditas no Acórdão recorrido, suso transcritas. As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH)7, da qual o Brasil é Signatário, tendo como objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada. As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional, por determinação constitucional. Para se classificar um produto, aplicamse as Regras do SH, nada mais, nem menos. No Sistema Tributário Brasileiro a classificação fiscal de produtos é de responsabilidade do contribuinte, sujeito passivo da obrigação tributária, valendo se, para tanto, das ferramentas positivadas em nosso sistema normativo: (i) das Regras preconizadas pelo SH, propriamente dito, (ii) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), expressando o posicionamento do Conselho de Cooperação Aduaneira/CCA (conhecido como Organização Mundial de Aduanas/OMA), o (iii) 5 Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei n o 11.941, de 2009, art. 25). 6 3. Esta Corte tem historicamente confirmado e garantido a proibição constitucional às sanções políticas, invocando, para tanto, o direito ao exercício de atividades econômicas e profissionais lícitas (art. 170, par. ún. , da Constituição), a violação do devido processo legal substantivo (falta de proporcionalidade e razoabilidade de medidas gravosas que se predispõem a substituir os mecanismos de cobrança de créditos tributários) e a violação do devido processo legal manifestado no direito de acesso aos órgãos do Executivo ou do Judiciário tanto para controle da validade dos créditos tributários, cuja inadimplência pretensamente justifica a nefasta penalidade, quanto para controle do próprio ato que culmina na restrição. (Supremo Tribunal Federal. ADI n. 1736. Relator: Min. Joaquim Barbosa. Disponível em <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=582642>.) 7 A “Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias” foi celebrada em Bruxelas, em 14/06/1983, e entrou em vigor internacional a partir de 1988. No Brasil, foi aprovada pelo Decreto Legislativo n. 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto n. 97.409, de 23/12/1988 (publicado no Diário Oficial da União de 27/12/1988). Fl. 5979DF CARF MF 14 índice alfabético do SH, também publicado pela OMA; e (iv) dos pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do SH. 8 Ao lado destes atos internacionais há ainda manifestações no âmbito do MERCOSUL e atos normativos nacionais, como Instruções Normativas (IN) da RFB e Atos Declaratórios Interpretativos da RFB (ADI), e ainda, mais especificamente, na espécie, da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), este último para fins de identificar a alíquota de IPI aplicável. Portanto, independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada. Com essas considerações, resta concluso que o Acórdão recorrido não carece de reparos. No mais, quanto as demais matérias constantes do Acórdão recorrido, sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora recorrente, caracterizase a Preclusão, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72. Dispositivo Ante o todo exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator 8 dados coletados na Declaração de Voto de lavra do conselheiro Rosaldo Trevisan, Inserida no Acórdão nº 3403003.186. Fl. 5980DF CARF MF
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Numero do processo: 10831.724290/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Classificação Fiscal Período de apuração: 2006 a 2010 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DECLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-003.147
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-02-21T02:34:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2017-02-21T02:34:07Z; Last-Modified: 2017-02-21T02:34:07Z; dcterms:modified: 2017-02-21T02:34:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-02-21T02:34:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-02-21T02:34:07Z; meta:save-date: 2017-02-21T02:34:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-02-21T02:34:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2017-02-21T02:34:07Z; created: 2017-02-21T02:34:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-02-21T02:34:07Z; pdf:charsPerPage: 1529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-02-21T02:34:07Z | Conteúdo => S3-C3T1 Fl. 2.366 1 2.365 S3-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10831.724290/2014-65 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301-003.147 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria Classificação Fiscal Recorrente PADTEC S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação Fiscal Período de apuração: 2006 a 2010 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DECLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.367 2 Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Adota-se o Relatório da Resolução nº 3301000.239, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (constante das fls. 2263 a 2270), nos seguintes termos: Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: "A impugnante promoveu o registro das declarações de importação relacionadas nas fls. 06 a 17 do auto de infração submetendo a despacho mercadorias descritas como: 'transponder óptico para sistema dwdm 10 GBPS para telecomunicação', doravante 'módulo 10G', classificando na NCM 8541.50.20. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta é a NCM 8517.90.99 até 31/12/06 e a NCM 8517.70.99 a partir de 01/01/07. Baseou-se a fiscalização nos Laudos de Assistência Técnica nº 19814/018/2009 de Julho de 2009, fl. 584 e sua Adição de Outubro de 2009, fl. 617 e no Laudo nº 10831/03/2010, fl. 674 e em seu Aditamento, fl. 820, ambos realizados por peritos credenciados pela Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos. Foram lançados pelo presente auto de infração as diferenças de II, IPI, PIS/Importação e Cofins/Importação, multas por classificação fiscal incorreta além de juros de mora e multas de ofício. A autuação totalizou o valor de R$ 12.845.765,67. Intimada do Auto de Infração em 29/06/2011 (fl. 1202), a interessada apresentou impugnação e documentos em 29/07/2011, juntados às fls. 1229 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que o auto de infração é “obscuro”, não possui “coerência interna” e e caracteriza como uma “colcha de retalhos”. 2. Alega que o produto importado , apesar de ser tecnicamente chamado de transponder é de fato um transceiver. Alega que esse transceiver é um dos componentes do transponder comercializado pela impugnante. Alega que o transceiver tem como função converter o sinal elétrico em luz coerente em comprimento de onda definido e vice versa. 3. Alega preliminarmente que ocorreram erros por parte da fiscalização na autuação com a inclusão de produtos diferentes do objeto de reclassificação 'transponder'. Alega que mais de 20% dos produtos importados não são “Módulo 10G”, o que significaria mais de 3000 itens. Alega que ocorreu erro de direito. Cita doutrina sobre o tema. Cita doutrina sobre a motivação do ato administrativo. Cita jurisprudência administrativa sobre reclassificação fiscal. 4. Alega que, em decorrência da inclusão de produtos na autuação distintos do Módulo 10G, ocorreu erro na determinação da base de cálculo. 5. Questiona a validade do laudo de assistência técnica pois não foi emitida a ART conforme Resolução CONFEA nº 1025/09. Alega que foram utilizadas conclusões de outros dois laudos emitidos anteriormente à esta fiscalização e com objetivos diferentes, configurando prova emprestada. Alega que o lançamento não pode basear-se exclusivamente em prova emprestada. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Reafirma que a autuação não possui coerência interna e que é confusa, sendo portanto nula. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.368 3 6. Alega que o produto importado, Módulo 10G, tem uma parte (função essencial) que converte sinais elétricos em sinais ópticos (luz coerente) e outra parte (função acessória) que converte sinais ópticos em elétricos. Alega que o Módulo 10G é utilizado para compor os produtos Transponder, Muxponders e Combiners, na forma de placas de circuito impresso montadas. Alega que a citada função principal é realizada pelo “módulo Laser”. Faz citações dos laudos indicando que o módulo 10G possui função própria independente do produto ao qual é acoplado. Cita que o equipamento é utilizado por diversas empresas em aplicações distintas, como em “analisadores digitais de transmissão”. Alega que essa aplicação não se caracteriza como processo de comunicação, afastando a premissa da fiscalização. Alega que a fiscalização interpretou incorretamente a nota 2 a) do Capítulo 90. Alega que a fiscalização considerou que as partes de aparelhos dos capítulos 84, 85, 90 ou 91 devem seguir a classificação dos aparelhos. Cita as NESH alegando que o módulo 10G seria classificado em outra posição do Capítulo 85 que não a indicada pela fiscalização. Cita as Notas da Seção XVI, notadamente a nota 2 a). Alega violação à Regra de Classificação 3 a). 7. Reforça a afirmação de que outros produtos que não o módulo 10G foram erroneamente incluídos na autuação. 8. Alega ser incabível a multa por erro na classificação fiscal. Afirma que a fiscalização não indicou especificamente qual a conduta praticada que gerou a tipificação. Afirma que os bens estavam descritos com elementos suficientes para a correta classificação fiscal. 9. Peticiona pela realização de perícia complementar indicando assistente pericial e quesitos. 10. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares alegadas e/ou no mérito seja julgada improcedente a autuação fiscal. Tendo em vista as manifestações dos itens 3 e 7, foi realizada a diligência de fls. 1781 a 1783 para apuração da eventual inclusão na autuação de itens diferentes do transceiver – módulo 10G. Intimada a apresentar uma relação dos itens que estariam erroneamente incluídos na autuação, a impugnante limitou-se a apresentar uma lista amostral, não se manifestando sobre todos os itens lançados. A fiscalização elaborou então uma planilha com todos os itens autuados e seu parecer sobre a inclusão ou não na autuação e encaminhou à impugnante para manifestação. Não houve resposta da impugnante. Novamente intimada a impugnante alegou a nulidade do auto de infração e indicou divergências de valores de alguns itens. A fiscalização novamente intimou a impugnante para confirmar se haveriam outras indicações errôneas de valores. A impugnante afirmou que poderiam haver outros erros, mas não indicou quais. A fiscalização reexaminou a planilha de valores e afirmou que não foram encontradas novas divergências. Finalmente a fiscalização intimou a impugnante da planilha definitiva para que esta se manifestasse antes do retorno do processo a esta DRJ. A impugnante apenas sustentou que a autuação seria nula. O processo retornou então para julgamento.' Ao analisar referida impugnação, a 24ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 16-61.519, de 17/09/2014, acatando parcialmente a impugnação, cuja ementa transcreve-se abaixo: 'ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto importado caracterizado como um transceiver e descrito como módulo 10G, utilizado na produção do produto final transponder, com as características técnicas deste processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 8517.90.99 até 31/12/2006 e na NCM 8517.70.99 a partir de 01/01/2007. Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.369 4 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão do limite de alçada imposto pela Portaria MF nº 03/2008, foi apresentado recurso de ofício ao CARF." Cumpre esclarecer que, por ocasião da lavratura dos autos de infração, foi aberto o processo administrativo nº 11829.720003/201115 para acompanhamento do lançamento fiscal e controle dos créditos tributários. Portanto todo o acórdão recorrido faz referência somente ao processo acima citado. Após cientificar o contribuinte da referida decisão, e não tendo sido apresentado o recurso voluntário, o serviço de arrecadação da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, por meio do despacho de fl. 4, separou os débitos do processo de origem, 11829.720003/201115, em duas partes. A parte referente ao recurso de ofício ficou no processo original e a parte restante no presente processo. Após apresentar ao sujeito passivo a cobrança final do crédito, com fins de encaminhamento para inscrição na Dívida Ativa da União, este apresentou o recurso voluntário que está sendo apreciado neste momento. No recurso voluntário, o contribuinte apresenta uma série de argumentações a respeito da tempestividade do seu recurso. Além disto faz um longo arrazoado para tentar demonstrar que a sua classificação fiscal estaria correta e que a fiscalização e a DRJ erraram na análise dos fatos. Em apertada síntese alega que o acórdão recorrido ignorou completamente o Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), sendo que o Módulo 10G importado possui funcionalidade própria, fato este que comprovaria a correta classificação fiscal adotada quando de sua importação. Em 23 de fevereiro de 2016, a 1ª Turma Ordinária da da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 3301000.239, decidiu por maioria pelo conhecimento do recurso voluntário, entendendo pela sua tempestividade (cf. fl. 2266), e propôs diligência para que este processo fosse encaminhado ao Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam), para emissão de parecer sobre a classificação fiscal do produto em discussão (fl. 2270). Na Informação Fiscal Coana/Ceclam nº 1 de 2016, de 8 de abril de 2016 (fls. 2273 a 2278), conclui-se que : 29. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1 (Nota 2 a) da Seção XVI e texto da posição 85.17), RGI 6 (textos da subposição de primeiro nível 8517.6 e da subposição de segundo nível 8517.62) e RGC-1 (textos do item 8517.62.5 e do subitem 8517.62.59) constantes da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n.º 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n.º 7.660, de 2011, o transponder eletro-óptico para sistema DWDM 10 Gbps, também conhecido como módulo 10G classifica-se no código NCM 8517.62.59. 30. Ressalte-se que tal classificação tem validade a partir de 1 de janeiro de 2007, sendo que anteriormente a esta data o produto classificava-se na NCM 8517.50.99. (grifos nossos) Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.370 5 É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário, conforme se entendeu na Resolução nº 3301000.239, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Tendo em conta que na Informação Fiscal Coana/Ceclam nº 1, de 2016, elaborada em decorrência da diligência determinada neste processo, concluiu-se que a classificação correta do módulo 10G é o código NCM 8517.50.99 (até 31/12/2006) e NCM 8517.62.59, (a partir de 2007), entendo que são essas as classificações corretas. Colaciono observações constantes dos Memoriais da recorrente (fl. 2355): "Importante observar que, a COANA é a maior autoridade no país para sanear dúvidas sobre a classificação fiscal e seus pareceres são vinculantes para a administração tributária aduaneira." Cumpre lembrar a classificação adotada pelo contribuinte: 8541.50.20; e também a constante do auto de infração: 8517.90.99 (até 31/12/2006) e 85.17.70.99 (a partir de 2007). Dessarte, ainda que seja visível o erro cometido pela recorrente, ainda que a correta classificação se aproxime muito mais daquela adotada pela Fiscalização, a classificação da recorrente não foi correta e tampouco foi adequada a classificação adotada pela autoridade fiscal. A invalidade da classificação atribuída pelo Fisco torna improcedente o auto de infração, diante da impossibilidade de modificação da fundamentação do lançamento. No mesmo sentido ora adotado, segue a jurisprudência: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001 ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. Presentes os elementos de fato necessários ao julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia. Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.371 6 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decreto-lei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso voluntário provido (Acordão nº 3202001.403 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária). Consequentemente, sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Liziane Angelotti Meira - Relatora Fl. 2378DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.008356/98-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 29/08/1997 a 10/03/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NOVO JULGAMENTO.
Princípio do Devido Processo Legal. Devem ser analisadas todas as questões de mérito suscitadas pelas partes. Não pode, por desobediência ao princípio de devido processo legal, o órgão julgador deixar de analisar o mérito da demanda, no caso, a classificação fiscal propriamente dita. Necessidade de novo julgamento.
DEVOLVA-SE OS AUTOS PARA DRJ.
Numero da decisão: 3301-003.673
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, devolver o processo para a 1ª instância, DRJ/Florianópolis/SC, para a realização de novo julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/08/1997 a 10/03/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NOVO JULGAMENTO. Princípio do Devido Processo Legal. Devem ser analisadas todas as questões de mérito suscitadas pelas partes. Não pode, por desobediência ao princípio de devido processo legal, o órgão julgador deixar de analisar o mérito da demanda, no caso, a classificação fiscal propriamente dita. Necessidade de novo julgamento. DEVOLVASE OS AUTOS PARA DRJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 00 83 56 /9 8- 35 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 515 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, devolver o processo para a 1ª instância, DRJ/Florianópolis/SC, para a realização de novo julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 516 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adequações de minha iniciativa, o relatório do Julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão 930300128, Sessão de 08 de julho de 2009, fls. 493/499 "O presente processo è decorrente de revisão aduaneira e iniciouse com Auto de Infração de fls. 1/28, lavrado em 23/12/98, em que foram exigidos os impostos de importação (de R$ 324.384,64) e sobre produtos industrializados (de R$ 172.208,15), acrescidos da multa de mora prevista no art. 61, § 2", da Lei n" 9.430, de 1996 e de juros de mora, incidentes nas importações da mercadoria descrita pelo importador como "Conversor de padrão de televisão FL/UHFVHF 550 MHZ", e que foi classificada no código TEC 8543.89.40 nas declarações de importação registradas entre 29/8/97 e 10/3/98. de controle remoto, desprovido de cinescópio, altofalante e circuito de decodificação, próprio para receber sinais cuja freqüência compatível com a utilizada pelos aparelhos de televisão comerciais, denominado comercialmente "Conversor" modelo 3661 Series". A autuação deveuse ao fato de ter a contribuinte desembaraçado as mercadorias em data anterior à protocolização do processo de consulta cuja decisão implicou aplicação de alíquotas superiores às utilizadas nos despachos de importação. Em sua impugnação (fls. 189/193) a contribuinte contestou a conclusão adotada pela Coana, entendendoa equivocada, assim como a anterior, e alegando que, além de ser decisão extrapetita, deu uma solução completamente diversa e não Préquestionada. Alegou, também, que o parecer da Coana agravou os valores que seriam devidos se prevalecesse a decisão reformada, e que a nova classificação é de 2a Instância e nula por alterar as conclusões da decisão singular contra a qual havia sido interposto recurso, e só poderia ser aplicada aos fatos geradores subseqüentes, de acordo com o art. 146 do CTN. O processo foi decidido em primeira instância pela Chefe da DITEX da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, com base na delegação de competência contida na Portaria DRJ/RJ n" 7/99 (DOU de 3/2/99), que proferiu a Decisão DRJ/RJO n° 1.636, de 19/10/99, cuja ementa transcrevo (fls. 301 a 306): CONSULTA SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EFEITOS. Parecer da CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro (COANA) que reforma, de oficio, decisão proferida por órgão regional em processo de consulta sobre a classificação de mercadorias. Correta a sua aplicação em relação a fatos geradores ocorridos antes da protocolização da consulta. LANÇAMENTO PROCEDENTE " A contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 314/320), questionando, basicamente, dois aspectos: Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 517 4 1) A vigência no tempo de decisões que alteram a classificação de mercadorias em razão de resposta à consulta formulada pela suplicante. A respeito, sustenta a recorrente que a nova classificação fiscal não tem caráter retroativo, entendendo que a decisão recorrida no processo de consulta era pela natureza definitiva, e que a avocatória constituise em prerrogativa da autoridade, mas representa reforma de uma decisão final anterior, que produzia efeitos até que fosse revogada. Entende que a consulta abrange todos os lançamentos realizados antes e no curso do processo administrativo e que a classificação final adotada pela Coana, reformando de oficio a decisão anterior, só poderia ser aplicada a partir da data da decisão que a instituiu, ou seja, 15/10/98; e 2) o mérito da classificação fiscal pretendida. Nessa parte, ratifica as alegações já expendidas por ocasião da impugnação, entendendo ser equivocada a classificação dada pela Coana e afirmando, pelas razões ali expendidas, "que se trata de conversores de padrão de TV classificados na Posição 85.43.8940 e não de receptores ou decodificadores da Posição 85.43.8990 ex13 ou muito menos de receptores de televisão da Posição 85.28.1290." O processo foi encaminhado a este Conselho sem a exigência do depósito para garantia de instancia, em vista de Acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região em apelação a mandado de segurança decidido favoravelmente à recorrente (certidão à fl. 346). As fls. 378/179 a recorrente aditou esclarecimentos sobre a matéria de direito, já expendidos na sustentação oral feita nesta Câmara, arguindo a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por considerar que as nulidades absolutas podem ser invocadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição, devendo, inclusive o julgador pronunciálas de ofício, mesmo quando não invocadas pelas partes. Em decorrência, apontou as irregularidades seguintes, solicitando a nulidade da decisão, em vista do disposto no art. 59, II, do Decreto n" 70.235/72: a) decisão prolatada por pessoa incompetente, a saber, a Chefe da DITEX/DRJ/RJ, em lugar de ser proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento, afrontando a lei e contrariando jurisprudência dos Segundo e Terceiro Conselho de Contribuintes; e b) cerceamento do direito de defesa, em vista de a autoridade prolatora da decisão se ter recusado a apreciar os fundamentos de mérito apresentados na impugnação, ao consignar "Pretende a Interessada reabrir a discussão sobre a classificação fiscal dos referidos CONVERSORES, insistindo em que seja acolhido o código tributário por ela adotado. Importa aqui, observar que o aspecto técnico da classificação fiscal da mercadoria já se encontra examinado pela Administração (Parecer COANA na 13/98). Não compete a este órgão julgador rediscuti lo." O processo foi julgado nessa 3ª Câmara na sessão de 5/11/2003, nos termos do Acórdão n° 30130.795, que declarou , por unanimidade, nulo os atos do processo a partir da decisão de primeira instancia, inclusive, e cuja ementa dispôs, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO A competência para decisão em primeira instancia administrativa de processos de determinação e exigência de créditos tributários, foi atribuída aos Delegados da Receita Federal de Julgamento, na vigência do art. Io da Lei n° 8.748/93, descabendo a delegação dessa atribuição a outra pessoa Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 518 5 que não o titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em face do disposto no art. 13 da Lei n° 9.784/99. ANULADO O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE" O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Florianópolis/SC para julgamento, em vista da competência desse órgão, decorrente da nova distribuição de atribuições para julgamento de processos, tendo sido a decisão consubstanciada no Acórdão DRJ/FNS n" 3.732, de 5/3/2004. Em que, por unanimidade de votos, concluise pela improcedência do lançamento, adotada a seguinte ementa, verbis: "HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. CONSULTA SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EFEITOS Tendo em vista que os processos administrativos de consulta são solucionados em instancia única, decisões em tais tipos de processos, exarados pelas Superintendências Regionais da Receita Federal e que estabelecem classificação fiscal de determinado produto, consolidam, para o consulente, um critério jurídico que deve ser seguido no lançamento. O critério jurídico adotado pela administração relativamente à classificação fiscal, abrange todas as importações pretéritas de produtos idênticos que estejam dentro do prazo que a SRF dispõe para proceder sua revisão, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da data de registro da DI. Pareceres da CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro que modifiquem a classificação fiscal obtida em processo de consulta somente são aplicáveis para importações realizadas em data posterior à da ciência desse parecer, por parte do interessado. Lançamento Improcedente. Em vista da exclusão integral do crédito tributário, em valor superior ao limite de instancia, foi feita a interposição de recurso de oficio, em obediência ao disposto no art. 34 do Decreto n" 70.235/72. O colegiado deu provimento ao Recurso de Ofício, e pode ser resumido no trecho final do Acórdão (fls. 410): Pelos motivos aqui expostos, não posso concordar com as afirmações do relator do processo no julgamento de primeira instância e que culminou com a improcedência do lançamento, o qual considerou que as importações foram efetuadas em período anterior ao da formalização da consulta e, ao mesmo tempo, entendeu que as mercadorias estariam abrigadas pela Decisão SRRF/7ª RF posteriormente reformada , e ainda acrescentou que a fiscalização deveria ter alterado a classificação fiscal das importações para o código da decisão reformada. E não há como se concordar por que, como acima explicitado, a consulta formulada pela recorrente não poderia produzir qualquer efeito em Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 519 6 relação aos fatos pretéritos, em face da legislação de regência e, em especial, do disposto no art.52, III, combinado com o art. 7º, III, do Decreto nº 70.235/72 e no Parecer Normativo CST nº 67/77. Diante do exposto, e em face do crédito tributário constituído dizer respeito tão somente a fatos geradores ocorridos antes da protocolização da consulta, entendo não terem alicerce lógico e jurídico as alegações retrocitadas contidas na decisão de primeira instância, relativas aos efeitos do processo de consulta, razão pela qual voto pelo provimento do recurso de oficio, para manter em sua integralidade o auto de infração. Desse Acórdão de segunda Instância (Acórdão de Recurso de Ofício), o contribuinte interpôs recurso1 à Câmara Superior para alegar que houve cerceamento ao seu direito de defesa quando não foram analisadas as razões meritórias trazidas por ele, no que tange à classificação adotada no auto de infração. Informa que apresentou dois laudos periciais que sequer foram analisados tanto pelos julgadores de 1ª Instância como pelos julgadores de 2ª Instância. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões (fls. 498 e seguintes) propondo que o Recurso Voluntário fosse negado. Ao apreciar o recurso a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9303000.128, fls. 493/499, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 29/08/1997 a 10/03/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Princípio do Devido Processo Legal. Devem ser analisadas todas as questões de mérito suscitadas pelas partes. Não pode, por desobediência ao princípio de devido processo legal, o órgão julgador deixar de analisar o mérito da demanda, no caso, a classificação fiscal propriamente dita. Necessidade de novo julgamento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Foime distribuído, por sorteio, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. 1 Pelo princípio da fungibilidade foi acatado o Recurso interposto pela Recorrente, à época, como Recurso Voluntário (fls. 476), apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 520 7 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator Conforme relatado, tratase de cumprimento de decisão da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais conforme Acórdão 9303000.128, fls. 493/499, no sentido de se apreciar o mérito quanto à Classificação Fiscal da mercadoria importada. Originariamente o litígio centravase em duas questões: (i) os efeitos de Consulta sobre Classificação Discal formulada pelo contribuinte e (ii) a correta Classificação das mercadorias importadas. Em passagem anterior pela Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, aquele Colegiado, ao apreciar Recurso de Ofício, Deu Provimento ao Recurso, restabelecendo o lançamento. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso à Câmara Superior que, acolhendoo, devolveu os autos ao Colegiado ordinário para novo julgamento ora em apreciação, em face de caracterização de cerceamento do direito de defesa. Isso porque, tanto a decisão de primeira instância quanto a de Segunda instância trataram especificamente sobre os efeitos da Consulta formulada pelo contribuinte, não se manifestando quanto a correta Classificação Fiscal da mercadoria, tópico defendido pela recorrente desde a impugnação. Quanto ao primeiro item litigado, os efeitos da Consulta formulada pelo contribuinte, a Decisão da Câmara Superior já o declara definitivamente decidido, na esfera administrativa, restando concluso que os efeitos da Consulta de classificação formalizado pela recorrente não atinge o período compreendido no presente lançamento. Assim, no presente julgamento, a matéria a ser tratada é unicamente quanto à correta classificação fiscal da mercadoria importada e, por conseqüência a procedência da exigência fiscal lançada. Conforme já dito, tanto esta instância recursal quanto a decisão de primeira instância incorreram em igual cerceamento de defesa, daí que a apreciação do mérito por parte desse colegiado, nessa oportunidade, implicaria supressão da primeira instância. Nessa mesma esteira, manifestouse a Relatora do voto precursor da Decisão da Câmara Superior: "Na verdade, entendo que o Acórdão Recorrido deveria ter devolvido o processo para que a DRJ fizesse a análise de mérito, uma vez que o resultado do Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 521 8 processo de consulta ou o parecer da COANA não vincula o julgamento deste Tribunal Administrativo." Assim tenho que os autos devem retornar à Primeira Instância para apreciação do mérito acerca da correta Classificação Fiscal. Dispositivo Ante o exposto, voto no sentido de devolver os autos à DRJ/Florianópolis/SC para novo julgamento, ultrapassada a questão dos efeitos da Consulta, e com o enfrentamento do mérito acerca da classificação fiscal. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 521DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722499/2009-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007
OCORRÊNCIA DE EQUÍVOCO ORIGINÁRIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO.
Necessário o retorno dos autos ao Colegiado de origem quando há ocorrência de equívoco originário no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-005.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar a classificação fiscal e as demais questões de mérito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargo Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 OCORRÊNCIA DE EQUÍVOCO ORIGINÁRIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. Necessário o retorno dos autos ao Colegiado de origem quando há ocorrência de equívoco originário no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar a classificação fiscal e as demais questões de mérito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 24 99 /2 00 9- 54 Fl. 1396DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargo Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3302002.444, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Seguese a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. PRESCRIÇÃO 5 ANOS DO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO INAPLICABILIDADE DA CONTAGEM DO PRAZO DO MOMENTO DA GERAÇÃO DO CRÉDITO. Em relação ao saldo credor de 2003, aproveitado no ano de 2005, sem razão a recorrente. É fato que quando ocorreu a fiscalização já havia transcorrido 5 anos do momento da geração do crédito. Todavia, não havia transcorrido 5 anos do momento do aproveitamento do crédito tributário, e é este o período em que a fiscalização pode analisar a contabilidade do contribuinte. ” Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 9303005.972 CSRFT3 Fl. 1.397 3 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que sustentou que constitui modificação de critério jurídico, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação do produto NCM, anteriormente adotada pelo importador. Traz, entre outros, que, · Em consonância com disposto no inciso I, o artigo 54 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, prevê expressamente a possibilidade de realização, após o desembaraço aduaneiro ou liberação da mercadoria, do procedimento de revisão das informações tributárias e outra natureza, prestadas pelo importador na DI que serviu de base para o processamento do despacho aduaneiro; · O porcelanato é um produto cerâmico, e, como tal, por aplicação da RG/SHI nº. 01, deve ser classificado no capítulo 69, na posição 6907(se não vidrado nem esmaltado) ou na posição 6908 (se vidrado ou esmaltado), razão pela qual mostrase correta a reclassificação procedida pelo Fisco. Em despacho às fls. 1306 a 1308, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso especial foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · A mudança repentina de entendimento por parte da receita federal viola o princípio da segurança jurídica, haja vista a ilegal revisão do lançamento com efeitos retroativos, após o desembaraço respaldado no entendimento da própria autoridade mediante resposta a pedido de informação acostada aos autos; · Não tendo havido erro ou omissão por parte da contribuinte quanto à matéria de fato constante de declaração de importação, no que concerne à identificação física da mercadoria, não há que se admitir a Fl. 1398DF CARF MF 4 revisão do lançamento, como feito no Auto de Infração ora objurgado, consoante se denota da análise dos incisos IV e V, do art. 149, do CTN; · Em relação à correta classificação fiscal da mercadoria importada: ü O porcelanato em nada se aproxima da porcelana; ü O porcelanato é um produto composto por feldspato, dolomita, quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15%, composição que, consoante restará evidenciado, é diversa da cerâmica e se assemelha a um granito, conforme laudo técnico elaborado com base no parecer técnico 8.202 do IPT e já convalidado pela DRJ em julgamento do processo 1964.013825/200882; ü As características técnicas do porcelanato são muito diferentes da cerâmica, posto que 75% do porcelanato é composto de matérias duras. Tratase de produto estável, mais resistente a temperaturas baixas, já a cerâmica sofre mais retração e expansão, com a oscilação de tempo; ü Quanto à cozedura e ponto de fusão há uma substancial diferença entre o porcelanato e uma cerâmica, o que demonstra o equívoco da Nota Coana/Cotac/Dinon 2007/0319 que ensejou a lavratura do auto de infração. Esse processo foi pautado para 18.1.2017, conforme publicação no Diário Oficial da União de 5.10.2017, retornando para julgamento, observandose pedido de vista, em novembro. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 9303005.972 CSRFT3 Fl. 1.398 5 Ora, do simples cotejo entre as ementas dos acórdãos recorrido e indicados como paradigmas, constatase a efetiva existência de interpretação divergente quanto à ocorrência ou não de modificação de critério jurídico na reclassificação fiscal de mercadorias promovida em sede de revisão aduaneira. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Não obstante ao decidido em acórdão recorrido, para melhor entendimento, importante recordar: · O Auto de Infração no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) trouxe, entre outros (Grifos meus): “001 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA DO IPI Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributos, “Porcelanatos”, de tamanhos, colorações, brilhos, formatos etc diversificados, com falta de destaque do IPI, por ter cometido erro na classificação fiscal e erro da alíquota do imposto, como descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo. [...] 002 – CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO O estabelecimento industrial não recolheu o IPI por ter registrado em sua escrita fiscal um crédito indevido, na forma do saldo credor inicial de janeiro de 2005. [...]” Fl. 1400DF CARF MF 6 · O Termo de Verificação Fiscal trouxe, entre outros (Grifos meus): “[...] No presente caso, impende destacar que a presente autuação decorre de procedimento fiscal anterior que identificou erro nos despachos aduaneiros de importação da empresa, visto que ela dotava uma equivocada classificação fiscal para a placas de "porcelanato" que importava para industrialização em seu estabelecimento.[...] Foi realizada então uma análise nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte a fim de constatar se ele adotara o mesmo equívoco da alíquota do IPI nas saídas de produtos industrializados. Concluída essa análise, foi possível constatar que a empresa tributou seus produtos "porcelanato" (de formatos, cores e brilhos diversos) com a classificação fiscal e a alíquota do IPI usadas no âmbito do despacho aduaneiro de importação.[...] Sendo assim, neste auto de infração, não serão autuadas as importâncias do IPIvinculado não recolhidas, mas apenas os valores do IPI das saídas com falta de destaque do imposto, não escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), por conta do erro ma classificação fiscal adotada pela empresa em suas vendas de produtos "porcelanatos", como expresso em suas notas fiscais de saída. [...] Concluída essa análise, foi possível constatar que a empresa tributou seus produtos “porcelanato” (de formatos, cores, brilho diversos) com a classificação fiscal e a alíquota do IPI usadas no âmbito do despacho aduaneiro de importação. [...] Por conseguinte, em respeito à qualidade dos argumentos expendidos no mencionado processo (particularmente, a Nota COANA/COTAC/DINOM nº 2007/0319), adotase, sem qualquer ressalva, neste auto de infração de infração a mesma classificação fiscal ali retratada – 6907.90.00 (para os porcelanatos não vidrados ou esmaltados) ou 6908.90.00 (para Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 9303005.972 CSRFT3 Fl. 1.399 7 os porcelanatos vidrados ou esmaltados), ambos com a mesma alíquota do IPI: [...] A prática do estabelecimento de promover saídas com a classificação fiscal errônea (NCM 6810.19.00) e a alíquota do IPI igual a 0% resultou, ao longo dos vários períodos de apuração, em infração à legislação do IPI, por ter deixado de realizar o destaque do imposto exigível na nota fiscal de saída e consequentemente ter deixado de recolher os eventuais saldos devedores do imposto, a serem detalhados. [...]” · A impugnação trouxe, entre outros: “[...] 14. A instauração de procedimentos administrativo com base em revisão de mercadorias importadas, regularmente desembaraçadas, submetidas a industrialização e comercialização, após quase 5 (cinco) anos, com base em mudança na classificação fiscal posterior, é manifestamente irregular e contrários às normas que regem o processo administrativo tributário pátrio, o que autoriza a decretação da nulidade de todos os atos até então praticados... [...]” · O acórdão de impugnação trouxe, entre outros: “[...] Partindo dessa premissa, não foram autuadas as importâncias relativas ao IPI vinculado à importação não recolhidas, mas apenas os valores do IPI correspondentes às saídas com falta de destaque do imposto, não escriturados no RAIPI, por conta do erro na classificação fiscal adotada pela empresa em suas vendas do produto, como expresso em suas notas fiscais de saída. [...]” · O acórdão de recurso voluntário trouxe, entre outros: “[...] Fl. 1402DF CARF MF 8 Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em relação ao período de jan/2005 a dez/2007, em virtude da reclassificação fiscal dos produtos importados pela Recorrente, que entendia ser aplicável, quando do despacho aduaneiro, o código 6810.19.00, aplicável à “outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas”, com alíquotas de 8% de II e 0% de IPI; enquanto a fiscalização entendia que os produtos deveriam ter sido importados sob as rubricas: 6907.90.00 (para os porcelanatos não vidrados nem esmaltados) e 6908.90.00 (para aqueles vidrados ou esmaltados), ambos com as mesmas alíquotas do IPI, a saber: 10% nos anos de 2005 e 2006; 5% no ano de 2007 (Decreto nº 6.006.2006). [...] Em resumo, tratase de diferença de crédito tributário apurada em procedimento de revisão aduaneira das Declarações de Importação da Recorrente em decorrência do entendimento da fiscalização de que houve adoção equivocada de critério de classificação fiscal.[...] Portanto, é condição necessária a existência de um prévio lançamento tributário. Os tributos recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro configuram antecipação de pagamento, na modalidade do lançamento por homologação. Entender que a conferência aduaneira e o conseqüente desembaraço da mercadoria configurariam lançamento tributário implica em dizer que houve homologação expressa do lançamento previsto no artigo 150 do CTN (lançamento por homologação), o que de fato não resta configurado no despacho aduaneiro. O despacho aduaneiro de importação é um procedimento de fiscalização, previsto no regulamento aduaneiro Decreto nº 4.543, de 2002 art. 482 e no Decreto 70.235, de 1972, art. 7º, inciso III, com vistas ao desembaraço aduaneiro. [...]”. Vêse, pela leitura dos trechos dos autos desse processo, que se trata efetivamente de discussão acerca da promoção de saídas com classificação fiscal errônea, Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 9303005.972 CSRFT3 Fl. 1.400 9 segundo a autoridade fiscal – que, por sua vez, trouxe que não foi realizado o destaque do imposto exigível na nota fiscal de saída. Tal constatação originouse da análise nos arquivos digitais apresentados pela contribuinte a fim de constatar se ele adotara o mesmo equívoco da alíquota do IPI nas saídas de produtos industrializados. Não se trata de classificação de IPI da “entrada”, tal como tratou o acórdão recorrido – que se adentrou ainda na discussão acerca da “revisão aduaneira”, mas sim da “saída”. Recordando ainda, quanto à menção de revisão aduaneira, que o auto se originou de análise nos arquivos digitais apresentados pelo sujeito passivo. Em vista de todo o exposto, considerando o equívoco trazido no acórdão recorrido, voto por dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, cancelando o acórdão recorrido com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar a classificação fiscal e as demais questões de mérito. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1404DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.726700/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2008
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Os produtos formulários contínuos personalizados multivias, formulários contínuos documento fiscal e formulários contínuos personalizados simples classificam-se na posição 4820 da TIPI.
O produto bobina de PDV personalizada classifica-se no código 4816.20.00 da TIPI.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-003.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos “formulários contínuos personalizados multivias”, “formulários contínuos documento fiscal” e “formulários contínuos personalizados simples” classificamse na posição 4820 da TIPI. O produto “bobina de PDV personalizada” classificase no código 4816.20.00 da TIPI. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 67 00 /2 01 1- 97 Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10480.726700/201197 Acórdão n.º 3401003.886 S3C4T1 Fl. 1.883 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls1. 3/21), lavrado em 18/08/2011 e cientificado em 20/08/2011 (AR à fl. 68), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$1.422.684,92, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, além de multa por IPI não lançado com cobertura de crédito, em razão de infrações por: (1) erro de classificação fiscal e/ou alíquota (arts. 15, 16 e 17, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/2002, com fulcro nos art. 10, da Lei nº 4.502/64; e art. 3º, do Decretolei nº 1.154/71) e (2) utilização de crédito básico indevido (art. 164, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/2002, com fulcro no art. 25, da Lei nº 4.502/64), no período de 01/01/2007 a 30/09/2008, segundo Relatório Fiscal, às fls. 23/67. Na Descrição dos Fatos (fls. 05/09), o autuante relata que, no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, constatou as seguintes infrações: (i) falta de lançamento do IPI na saída de produtos industrializados relativos a operações efetuadas com erro de classificação fiscal e de alíquota, em relação aos produtos: 1) BOBINA DE/PARA PDV; 2) FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO MULTIVIAS; 3) FORMULÁRIO CONTÍNUO DOCUMENTO FISCAL e 4) FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO SIMPLES; e (ii) falta de recolhimento do imposto em decorrência da escrituração e utilização de crédito indevido (imposto pago nas aquisições de insumos efetuadas de estabelecimento optante pelo Simples e de produtos não considerados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem), conforme descrito no Relatório Fiscal, itens III.A, III.B e demonstrativo com glosas de créditos de IPI, anexos. Cientificada do Auto de Infração, em 20/08/2011 (AR à fl. 68), apresentou Impugnação, em 20/09/2011 (fls. 1751/1778), alegando, em síntese, emprestada da decisão recorrida: "> É uma empresa prestadora de serviços de composição gráfica, produzindo impressos personalizados, posto que executados mediante encomenda, o que seria incontroverso em vista de ter sido devidamente caracterizado no auto de infração combatido. Nesse contexto, defende que na prestação de serviços de industrialização por encomenda, em que pese o triplo interesse fazendário pela sua tributação (IPI, ICMS e ISS), não se configuraria a obrigação de dar, mas sim a de fazer, porquanto o importante nessa circunstância é o serviço prestado, o que implicaria na incidência apenas do ISS, tributo de competência municipal. No sentido de defender a sua tese, colaciona excertos doutrinários e jurisprudência administrativa; >Prossegue sustentando a impossibilidade de incidência do IPI em relação às operações industriais que desenvolve, ou seja, sobre os serviços de composição gráfica personalizada e sob encomenda, e reafirma que, a teor do disposto na Lei Complementar 116/03, no § 1º do art. 8º do Dl 406/68 e na Súmula 156 do STJ, tais atividades estariam sujeitas apenas à incidência do ISS. A respeito do tema, apresenta ementas de decisões de tribunais judiciais; 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10480.726700/201197 Acórdão n.º 3401003.886 S3C4T1 Fl. 1.884 3 >Questiona a classificação fiscal indicada pela fiscalização, alegando que os impressos que produz não possuem apenas caráter acessório, visto que a impressão de logomarcas, timbres, nomes e brasões, entre outros, não pode ser considerada apenas uma atividade acessória, pois que seria a própria essência dos documentos produzidos. Nessa linha, aduz que sua principal atividade consiste em transformar bobinas de papel em determinados impressos previamente encomendados e que são submetidos a um processo de personalização; >Afirma que a impressão de documentos fiscais depende de autorização estatal e por isso a atividade gráfica desenvolvida por ele não pode ser considerada meramente acessória. Da mesma forma, por também estarem submetidos a formalidades e exigências legais, os impressos constantes de duplicatas, notas promissórias e títulos de créditos, não são meros acessórios; >Alega ser esdrúxula a tese da fiscalização, ao tentar equiparar uma nota fiscal a uma agenda e, com isso, desqualificar a atividade gráfica realizada e conseqüentemente inserir os seus produtos no capítulo 48 da TIPI, retirando os assim do capítulo 49 da mencionada tabela, que indica uma alíquota de 0%; >Apresenta abordagem a respeito do princípio constitucional da seletividade em razão da essencialidade, no sentido de defender que os produtos que fornece estão presentes nas mais diversas atividades comerciais, de forma que seria absurda a tentativa do Fisco de majorar a alíquota do imposto a ser aplicada;>Destaca que o TRF da 3ª Região já afastou a possibilidade de que o Fisco, ao se deparar com produtos que possam ser enquadrados em mais de uma posição, busque impor àquela de alíquota mais alta; >Houve mudança de entendimento da própria Delegacia da Receita Federal em RecifePE, em relação a procedimento de fiscalização anterior, em razão do qual continuou a utilizar a já referida classificação fiscal (Capítulo 49). Afirma que durante diversas fiscalizações ocorridas no ano de 2007 foi asseverado pela fiscalização que inexistia qualquer discrepância entre a classificação fiscal indicada pela Centauro com as estabelecidas pela legislação em vigor; >Os produtos “formulário personalizado multivias”, “formulário contínuo documento fiscal” e “formulário contínuo personalizado simples” devem ser enquadrados na classificação fiscal 4911.10.90, em vista de que todos são produzidos com impressos encomendados pelos respectivos clientes, o que os diferenciaria de um simples papel em branco; >Quanto ao produto “bobina de/para PDV”, aduz que este deveria ser classificado no código “NCM 4810.19.10 Em tiras de largura não superior a 15 cm ou em folhas nas quais nenhum lado exceda 360 mm” e não na classificação indicada pelo Fisco (4816.20.00 – Papel autocopiativo), devendo a divergência de descrições entre as duas classificações apontadas ser solucionada através de perícia técnica; >Argumenta que a multa de ofício aplicada é exorbitante, confiscatória e atinge frontalmente a sua capacidade contributiva. Afirma que sua imposição desrespeita o princípio da proporcionalidade; Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10480.726700/201197 Acórdão n.º 3401003.886 S3C4T1 Fl. 1.885 4 >Quanto à questão aduz ainda que, não tendo se configurado a ocorrência de dolo ou má fé, a aplicação da multa de 75% demonstraria ter havido desvio na finalidade da sanção, a qual, segundo expõe, deveria possuir um caráter educacional e não exclusivamente punitivo e arrecadatório. Transcreve excertos doutrinários e jurisprudência do STF; >Por fim, requer o reconhecimento da nãoincidência do IPI sobre os seus produtos e, na remota hipótese de ser admitida a incidência do IPI, seja reconhecida a classificação fiscal por ela adotada, a redução da multa de ofício imposta e a realização de perícia técnica com vistas a assegurar a correta aplicação da classificação fiscal." (grifei) A decisão de primeira instância, proferida em 23/01/2014 (fls. 1800/1815), foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 IPI. FATO GERADOR. SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO. Os serviços de composição e impressão gráfica, personalizados, previstos na lista anexa à Lei Complementar nº 116, de 2003, estão sujeitos à incidência do IPI. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos “formulários contínuos personalizados multivias”, “formulários contínuos documento fiscal” e “formulários contínuos personalizados simples” classificamse na posição 4820 da TIPI. O produto “bobina de PDV personalizada” classificase no código 4816.20.00 da TIPI. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR às fls. 1827/1828), em 09/12/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 1832/1868, em 06/01/2015, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação apresentada, exclusivamente, quanto ao reconhecimento da classificação fiscal por ela adotada e à redução da multa de ofício imposta. É o relatório. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10480.726700/201197 Acórdão n.º 3401003.886 S3C4T1 Fl. 1.886 5 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche o requisito formal de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Para melhor delimitação da lide, dentre as questões impugnadas pela ora recorrente: (i) reconhecimento da nãoincidência do IPI sobre os seus produtos; subsidiariamente, (ii) seja reconhecida a classificação fiscal por ela adotada; (iii) a redução da multa de ofício imposta e (iv) a realização de perícia técnica; apenas, sobre a classificação fiscal e a multa de ofício houve recurso. Sobre a matéria recorrida, erro de classificação fiscal e de alíquota, em relação aos produtos: 1) BOBINA DE/PARA PDV; 2) FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO MULTIVIAS; 3) FORMULÁRIO CONTÍNUO DOCUMENTO FISCAL e 4) FORMULÁRIO CONTÍNUO PERSONALIZADO SIMPLES, envolvendo o mesmo contribuinte, tributos e períodos de apuração anteriores aos em discussão (07/2007 à 09/2008), algumas manifestações do CARF, por meio dos Acórdãos nº 3401002.482, de 28/01/2014 (01/2004 à 12/2006), e nº 3201002.225, de 21/06/2016 (01 à 06/2007), ambos, adotando como razão de decidir, minhas razões no voto vencedor proferido junto ao Acórdão nº 3401002.482, as quais serão novamente utilizadas no tratamento da lide. Inicialmente, vale notar que, no mérito, o recorrente insurgiuse diretamente, apenas, contra a classificação fiscal dos produtos adotadas pela fiscalização e referendadas pela decisão recorrida. Não identifiquei na petição interposta razões recursais no sentido da impossibilidade de incidência simultânea do ISS e do IPI e/ou da inexistência da relação jurídica entre a recorrente e a União Federal quanto à obrigação tributária de recolher o IPI. Optou a defesa em demonstrar, verbis, "...que a premissa que deu origem ao trabalho fiscal encontrase prejudicada na medida em que os códigos NCM empregados pela Recorrente são os que melhor se aplicam aos produtos em questão..." (fl. 1834), trazendo argumentos sobre estar no Capítulo 49 da TIPI a correta classificação fiscal para os produtos: (1) Formulário Contínuo Personalizado Multivias, (2) Formulário Contínuo Documento Fiscal, (3) Formulário Contínuo Personalizado Simples, e (4) Bobina de/para PDV, e, portanto, sujeitos a alíquota zero, opondose a reclassificação fiscal que pretende redirecioná los ao Capítulo 48 da TIPI, como sendo detentores da alíquota de 15%. Portanto, importante fixar que a controvérsia recursal concentrase sobre a correta classificação fiscal dos produtos em questão, no mérito, limitandose o recorrente ao pedido de que sejam reconhecidas as classificações fiscais por ele adotadas e utilizadas, cancelandose, por conseguinte, o Auto de Infração lavrado. Nada obstante a posição do recorrente, no sentido de não acompanhar o entendimento externado pela decisão recorrida no que tange correta classificação fiscal dos produtos em questão, com todo o respeito, faço uma leitura dissonante, concluindo que o Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10480.726700/201197 Acórdão n.º 3401003.886 S3C4T1 Fl. 1.887 6 mesmo deve prevalecer, diante dos irrefutáveis fundamentos jurídicos apresentados, como passo a reproduzir e demonstrar. Nesse ponto, resumiu o Órgão Julgador a quo: " No que tange à classificação fiscal, entendeu a fiscalização que os produtos industrializados pelo contribuinte estão todos inseridos no capítulo 48 da TIPI e sujeitos à alíquota de 15% do IPI. Por seu turno, o contribuinte contesta as classificações indicadas, alegando de forma geral que os impressos que produz (exceção da bobina de/para PDV) não possuem apenas caráter acessório e que, a seu ver, teria havido uma tentativa de desqualificar a atividade gráfica realizada e, dessa forma, justificar a inserção dos seus produtos no capítulo 48 da TIPI, retirandoos assim da classificação indicada no capítulo 49 da referida tabela, a qual aponta uma alíquota de 0%." Formulário Contínuo Personalizado Multivias, Formulário Contínuo Documento Fiscal e Formulário Contínuo Personalizado Simples Entende o contribuinte que tais formulários são produzidos com impressos encomendados pelos clientes, de forma que não podem ser considerados como simples papéis em branco e devem ser enquadrados na classificação 4911.10.90 OUTROS dentre 4911 OUTROS IMPRESSOS, INCLUINDO AS ESTAMPAS, GRAVURAS E FOTOGRAFIAS, a qual é indicativa de alíquota zero. Já a acusação fiscal é no sentido de que os formulários contínuos em questão, enquadramse perfeitamente na(s) posição(ões): 4820 ARTIGOS DE PAPELARIA, especificamente, 4820.40.00 FORMULÁRIOS EM BLOCOS TIPO "MANIFOLD", MESMO COM FOLHAS INTERCALADAS DE PAPELCARBONO (Personalizado Multivias e Documento Fiscal) e 4820.90.00 OUTROS (Personalizado Simples). Entendeu a decisão a quo, a qual me afiliu, que deve ser aplicada a Regra Geral para Interpretação 3 “a”, a qual estabelece que “A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas”, entendendo que a posição 4820 é mais específica para os formulários contínuos produzidos do que a posição 4911. Tal especificidade pode ser identificada da leitura dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, tudo em consonância com a 1ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 1), conforme aduzido e motivado nas razões da decisão recorrida. Do exposto fica evidenciado, portanto, que os produtos de que se trata estão corretamente classificados na posição 4820, todos com alíquota de 15%. Bobina de/para PDV Argumenta a recorrente, reiterando os argumentos da impugnação ao Auto de Infração, que a Bobina de/para PDV deveria ser classificada no código 4810 PAPEL..., precisamente, 4810.19.10 EM TIRAS DE LARGURA NÃO SUPERIOR A 15CM OU EM FOLHAS EM QUE NENHUM LADO EXCEDA 360MM, QUANDO NÃO DOBRADAS, indicativo de alíquota de 5% e não no 4816 PAPEL CARBONO, PAPEL AUTOCOPIATIVO E OUTROS PAPEIS PARA CÓPIA OU DUPLICAÇÃO, individualizado no 4816.20.00 PAPEL AUTOCOPIATIVO, apontado pela fiscalização e que implica na adoção da alíquota de 15%, novamente pugnado pela realização de perícia para dirimir suposta Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10480.726700/201197 Acórdão n.º 3401003.886 S3C4T1 Fl. 1.888 7 divergência de entendimento, apesar de informação no relatório fiscal de fls. 63/91 de que a referida classificação 4810.19.10 nunca foi efetivamente adotada, inexistindo recolhimentos de IPI a 5% ou sob qualquer outra alíquota. Quanto a realização de perícia, nunca demais reafirmar o esclarecido pela decisão de piso, no sentido de que, para a solução de questão relacionada com classificação fiscal, é despiciendo qualquer esclarecimento técnico extra TIPI, levandose em conta o disposto no § 1º do art. 30 do PAF (Decreto nº 70.235/72), “Não se considera aspecto técnico a classificação Fiscal de produtos.”. No que se refere a classificação do produto em questão – bobina de papel para fins de uso em equipamento de emissão de cupom fiscal PDV – na posição 4810.19.10 da NCM, também entendo ser incabível, posto que esta contempla mercadorias que se apresentam apenas em uma via, enquanto a Bobina de/para PDV apresentase em duas ou três vias, conforme descrição constante das notas fiscais de saída. Pelo lado da acusação fiscal, indica a fiscalização a posição da NCM 4816.20.00 PAPEL AUTOCOPIATIVO, como a aplicável a Bobina de/para PDV. No ensinamento da DRJ Recife/PE, A Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 6) e a Regra Geral Complementar 1 (RGC 1) determinam que segue, in verbis a classificação de mercadorias, de acordo com o art. 3º do Decretolei nº 1.154/71, regulamentado pelos arts. 16 e 17 do RIPI/2002, se dá em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH). Reproduzo o ensinamento, trazido pela decisão recorrida, das NESH a respeito da posição 4816, in verbis: Esta posição compreende os papéis revestidos ou, às vezes, impregnados, que permitem reproduzir por pressão (por exemplo, utilizando os caracteres da máquina de escrever), por umidificação, aplicação de tinta, etc., um documento original num número variável de exemplares. Os papéis desta espécie apenas se incluem aqui se apresentados em rolos de largura não superior a 36 cm ou em folhas de forma quadrada ou retangular em que nenhum dos lados ultrapasse 36 cm, quando não dobrados, ou cortados em formas diferentes da quadrada ou retangular; quando se apresentarem de outro modo classificamse na posição 48.09. Os estênceis completos e as chapas ofsete não estão subordinadas a qualquer condição de dimensão. O papel compreendido nesta posição apresentase, geralmente, acondicionado em caixas. Podem, segundo o processo de reprodução que utilizam, agruparse em duas categorias: ....................................................................................................... 2) Os papéis autocopiativos. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10480.726700/201197 Acórdão n.º 3401003.886 S3C4T1 Fl. 1.889 8 Os papéis deste tipo, também chamados papéis sem carbono, apresentamse, em geral, em maços. A impressão resulta da reação entre dois ingredientes diferentes, normalmente separados um do outro, quer numa mesma folha, quer em folhas contíguas do maço, sendo esses ingredientes postos em contato pela pressão exercida por um estilete ou pelos caracteres de uma máquina de escritório. (grifei) Concluindo, no mesmo sentido, Assim, tendo em vista o texto das NESH da posição 4816, tornase claro que os papéis autocopiativos simplesmente cortados e que se apresentem em rolos não superiores a 36 cm, como é o caso do produto em questão, se classificam na posição 4816 da TIPI, de acordo com a RGI 1 Entende o contribuinte que tais formulários são produzidos com impressos encomendados pelos clientes, de forma que não podem ser considerados como simples papéis em branco e devem ser enquadrados na classificação 4911.10.90 OUTROS dentre 4911 OUTROS IMPRESSOS, INCLUINDO AS ESTAMPAS, GRAVURAS E FOTOGRAFIAS, a qual é indicativa de alíquota zero, apesar de informação no relatório fiscal de fls. 63/91, não contestada, de que a referida classificação nunca foi efetivamente adotada. Já a acusação fiscal é no sentido de que os formulários contínuos em questão, enquadramse perfeitamente na(s) posição(ões): 4820 ARTIGOS DE PAPELARIA, especificamente, 4820.40.00 FORMULÁRIOS EM BLOCOS TIPO "MANIFOLD", MESMO COM FOLHAS INTERCALADAS DE PAPELCARBONO (Personalizado Multivias e Documento Fiscal) e 4820.90.00 OUTROS (Personalizado Simples). Entendeu a decisão a quo, a qual me afiliu, que deve ser aplicada a Regra Geral para Interpretação 3 “a”, a qual estabelece que “A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas”, entendendo que a posição 4820 é mais específica para os formulários contínuos produzidos do que a posição 4911. Tal especificidade pode ser identificada da leitura dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, tudo em consonância com a 1ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 1), conforme aduzido e motivado nas razões da decisão recorrida. Do exposto fica evidenciado, portanto, que os produtos de que se trata estão corretamente classificados na posição 4820, todos com alíquota de 15%. MULTA DE OFÍCIO Não é possível acolher o argumento de que o percentual de multa aplicada desrespeita o princípio da proporcionalidade e da capacidade contributiva, sendo sua imposição inconstitucional, diante do seu caráter confiscatório, em ofensa ao inc. IV, do art. 150, da CF/88, pois, além da multa punitiva estar de acordo com a previsão legal, fixada no percentual exigido (75%), do artigo 80, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, como sabido: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2). Também não merece prosperar o pedido de exclusão, redução ou supressão das multas de ofício proporcionais de 75%, pois, lançadas de acordo com o supracitado art. 80, da Lei nº 4.502/64, e alterações posteriores (Lei nº 9.430/96 e MP nº 351/07, convertida na Lei Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10480.726700/201197 Acórdão n.º 3401003.886 S3C4T1 Fl. 1.890 9 nº 11.488/07), não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15). Ainda que em tópico diverso (Da mudança de entendimento da própria Delegacia da Receita Federal, em Recife/PE, em relação a procedimento de fiscalização anterior), não envolvendo diretamente questionamentos sobre as multas de ofício aplicadas, argüi a recorrente possuir intimação fiscal, datada em 07/03/2007, transcrevendo trechos do citado termo (fl. 1851), referente ao processo nº 10480.001222/200307, um dos processos onde, diferentemente do caso em apreço, alega, fora ratificada a classificação fiscal por ela adotada, porém, não caracterizada ou demonstrada interpretação fiscal constante de decisão administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta; ou de atos normativos interpretativos, expedidos pelas autoridades fazendárias, capazes à ensejar a não aplicação de penalidades, do artigo 76, inciso II, da Lei nº 4.502/64. Logo, no mesmo sentido da decisão recorrida, entendo devam ser mantidas as multas de ofício (75%), lançadas nos percentuais previstos na legislação de regência. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1890DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.723014/2015-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 04/05/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDOS TÉCNICOS. PERÍCIA. PERITOS CREDENCIADOS.
Importação dos produtos Tolonate HDB e Tolonate HDT com classificação tributária no código NCM 2929.10.90. A fiscalização entendeu que estes deveriam ser classificados sob o código de subitem da NCM 3911.90.29, por serem polímeros. A fiscalização aduaneira tem competência privativa de classificação tributária. Admissibilidade, pela especificidade técnica envolvida na classificação tributária, de laudos técnicos emitido por peritos credenciados, dos produtos Tolonate HDB e Tolonate HDT no código NCM 2929.10.90.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3301-003.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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LAUDOS TÉCNICOS. PERÍCIA. PERITOS CREDENCIADOS. Importação dos produtos Tolonate HDB e Tolonate HDT com classificação tributária no código NCM 2929.10.90. A fiscalização entendeu que estes deveriam ser classificados sob o código de subitem da NCM 3911.90.29, por serem polímeros. A fiscalização aduaneira tem competência privativa de classificação tributária. Admissibilidade, pela especificidade técnica envolvida na classificação tributária, de laudos técnicos emitido por peritos credenciados, dos produtos Tolonate HDB e Tolonate HDT no código NCM 2929.10.90. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 30 14 /2 01 5- 18 Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.496 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 16069.985 (fls. 1286 a 1330), de 24 de setembro de 2015, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) – DRJ/SPO – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 27/04/2015, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados na importação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, além de multa regulamentar, no valor de R$ 19.383.136,60 em virtude dos fatos a seguir escritos. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e em atendimento à programação do Serviço de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (SEPAC) desta Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (DELEX), realizouse ação fiscal na empresa PERSTORP QUÍMICA DO BRASIL LTDA. A fiscalização teve por intuito verificar a correção da classificação fiscal das substâncias químicas descritas como hexametileno diisocianato (doravante HDI), na forma biureto e na forma trímero, importadas de maio de 2010 a setembro de 2013. Após a realização do devido procedimento de fiscalização, a PERSTORP importou, através das adições de DI constantes do anexo I, os produtos químicos supracitados, classificandoos incorretamente sob o código de subitem da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 2929.10.90, quando estes deveriam ser classificados sob o código de subitem da NCM 3911.90.29. Essa classificação fiscal incorreta acarretou no recolhimento a menor dos tributos federais sobre o comércio exterior. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 05/05/2015 (fls. 1.190), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/07/2015, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 1.197 à 1.243, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: · DA SÍNTESE DA AUTUAÇÃO Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.497 3 No desenvolvimento de suas atividades operacionais, a Impugnante importou, até setembro de 2013, o produto químico hexametileno diisocianato (“HDI”) na forma biureto, comercialmente conhecido como Tolonate HDB, e na forma trímero, comercialmente conhecido como Tolonate HDT, objeto da presente autuação. Esses produtos são usados na fabricação de tintas e vernizes para aplicação em revestimentos na indústria automobilística e indústria em geral, em plásticos, madeira, vidros e outros materiais. Ressaltese que, desde outubro de 2013, a Impugnante não realiza mais a importação nem a comercialização de referidos produtos, conforme foi informado ao longo da fiscalização às Autoridades Fiscais. Atualmente, os produtos são importados e comercializados pela empresa Vencorex Brasil Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda. (“Vencorex Brasil”), subsidiária brasileira da Vencorex Chemicals, fabricante e exportadora desses produtos, que detém os direitos de importação e comercialização do Tolonate HDB e Tolonate HDT no Brasil. Não obstante toda a lisura dos procedimentos adotados frente ao Fisco Federal, em 30 de abril de 2015, a Impugnante foi cientificada da lavratura do Auto de Infração consubstanciado no Processo Administrativo n° 10314.723014/201518, que resultou da conclusão do procedimento de auditoria fiscal em referência, conduzido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (“DRF DELEX”), sob a alegação de que a Impugnante teria adotado classificação fiscal supostamente equivocada na importação dos produtos Tolonate F1DB e Tolonate E1DT, no período de maio de 2010 a setembro de 2013. A Fiscalização solicitou a elaboração de laudo técnico de modo a apurar a composição química dos produtos, à época, importados pela Impugnante Tolonate HDB e HDT mediante a Solicitação de Assistência Técnica n° 001 de 2014 à Dra. Soelly Magalhães do Valle, perita credenciada pela Receita Federal do Brasil (“RFB”). O laudo técnico foi apresentado pela perita à d. Fiscalização em 14 de novembro de 2014. Em sua elaboração, foram analisadas amostras do Tolonate HDB, importado por meio das DIs n°s 12/1616363031 e 13/15900795 e o Tolonate HDT, importado por meio das DIs n°s 12/01188514 e 13/16685065. Segundo suas conclusões, os produtos em questão são compostos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, o que, como veremos na sequência, afasta a classificação fiscal pretendida pela d. Fiscalização. Entretanto, alega a d. Fiscalização que as informações apresentadas no referido laudo técnico seriam “contraditórios e inverídicos (...) por essa razão, os laudos não merecem fé e foram, portanto, desconsiderados para a lavratura do presente Auto de Infração'”. Diante dessas alegações, a d. Fiscalização desconsiderou todas as informações e conclusões contidas no laudo técnico solicitado, sob a alegação de que não mereceríam fé. Nos termos do Relatório Fiscal, a d. Fiscalização baseou suas conclusões em “informações constantes em livros, em publicações especializadas, em dissertações de mestrado, em artigos científicos e nas NESIT\ além de informações fornecidas pela Impugnante e outras obtidas na página eletrônica da empresa que fabrica os produtos. Entende a d. Fiscalização, contudo, conforme se verifica do Auto de Infração, que a correta classificação fiscal de ambos os produtos da autuação Tolonate HDB e Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.498 4 Tolonate HDT deveria ser classificados na NCM 3911.90.29, o que resultaria na aplicação da alíquota de II e de IPI de 14% e 5%, respectivamente. PRELIMINAR · ERRO NO CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO Transcreve o artigo 84, inciso I, §§ Io e 2o da Medida Provisória n° 2158 35, de 24 de agosto de 2001 (“MP n° 215835/01”). Referido artigo encontrase regulamentado no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro. Como pode ser observado da leitura dos dispositivos acima transcritos, especificamente o disposto no §4° do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro, nos casos em que há mercadorias distintas “para as quais a correta classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul seja idêntica, a multa referida neste artigo será aplicada “somente uma vez” e sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias. Não obstante, a d. Fiscalização aplicou a multa de 1%, não sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias objeto da presente autuação, mas individualmente, de forma segregada por adição, sobre o valor aduaneiro de cada uma das mercadorias pretensamente classificadas na NCM incorreta. Como pode ser observado, da literalidade do §4° do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro, não há como sustentar que o piso de R$ 500,00 seja aplicado de forma autônoma, como se cada adição da Dl se tratasse de “infrações” distintas e não relacionadas. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Processo 10831.005398/200483 Recurso 344.725 Sessão de 26 de maio de 2010). Desta feita, da análise do cálculo da multa realizado pela d. Fiscalização, conforme exemplos acima, resta evidenciado o equívoco perpetrado na presente autuação fiscal, uma vez que não existe base legal autorizando o procedimento adotado no presente caso (aplicação de multa de ofício para cada adição pretensamente classificada errada na NCM à qual atribuise a mesma classificação fiscal pela d. Fiscalização), sendo imperioso o cancelamento da presente autuação fiscal. · DA AUSÊNCIA DE OBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES LEGAIS QUE REGULAMENTAM O PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO NULIDADE DO LANÇAMENTO Em 20 de janeiro de 2014, a d. Fiscalização emitiu a Solicitação de Assistência Técnica n° 001 de 2014 à perita química credenciada junto a RFB, Dra. Soelly Magalhães do Valle, no intuito de obter auxílio à análise química dos produtos objeto da presente autuação, os quais foram importados pela Impugnante até o ano de 2013, e assim, averiguar a correção da classificação fiscal adotada na importação desses produtos no período de 2010 a 2013. Para tanto, a d. Fiscalização elaborou uma série de quesitos a serem respondidos pela perita por meio de elaboração de Laudo Técnico. Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.499 5 Essa solicitação de perícia técnica pela d. Fiscalização, como acima já explicitado, deuse em virtude da necessidade de “colaboração técnica de uma especialista em química, afim de que fosse expedido laudo pericial acerca dessas substâncias”. Ou seja, no início do procedimento fiscal, a d. Fiscalização constatou que a verificação da adequação da classificação fiscal adotada pela Impugnante prescindiría de um laudo técnico emitido por profissional adequadamente habilitado, em virtude da complexidade do trabalho de análise química. Em 14 de novembro de 2014, foi emitido referido Laudo Técnico pela perita química. Ressaltese que, conforme constou no Laudo Técnico, a perita é engenheira química, nuclear e de segurança do trabalho, além de possuir o título de doutora em Engenharia em Ciências dos Materiais. No Laudo Técnico, a perita respondeu aos quesitos formulados pela própria d. Fiscalização, analisando a natureza dos produtos Tolonate HDB e Tolonate HDT, com base na análise das DIs n°s 12/1616363031 e 13/15900795 e DIs n°s 12/01188514 e 13/16685065, respectivamente, cujas amostras foram colhidas pela própria perita. Da análise às respostas dos quesitos, concluiuse pela adequação da classificação fiscal adotada pela Impugnante, na medida em que foi concluído que os produtos objeto de importação eram, de fato, compostos orgânicos de constituição química definida apresentado isoladamente. Não obstante, alegou a d. Fiscalização que as informações constantes no Laudo Técnico seriam contraditórias e inverídicas. Diante disso, a d. Fiscalização optou, simplesmente, por desconsiderar totalmente o Laudo Técnico por ela mesma solicitado à perita credenciada na RFB e promover sua própria análise com fundamentos em instrumentos que julgou unilateralmente serem adequados para tal no caso livros, publicações, dissertações de mestrado, artigos científicos, nas Notas Explicativas do sistema Harmonizado (“NESH”), além de informações fornecidas pela Impugnante e colhidas na página eletrônica da empresa fabricante dos produtos objeto da autuação. Transcreve fragmento do Relatório de Procedimento Fiscal. Ou seja, a d. Fiscalização, mesmo ciente da sua inabilidade técnica para realizar a análise química dos produtos objeto da presente autuação, fato que, inclusive, a levou, inicialmente, a solicitar a realização de Laudo Técnico à perita química, em um segundo momento, entendeu por bem desconsiderar por completo as conclusões trazidas no Laudo Técnico e realizar suas próprias conclusões sem qualquer embasamento técnico. Não poderia a d. Fiscalização, sob o argumento de não concordar com o resultado do Laudo Técnico, e sem ter conhecimento técnico da matéria, lavrar um Auto de Infração com cifras milionárias com base unicamente em análise unilateral de artigos científicos que não tratam precisamente do produto em questão e sem qualquer embasamento em laudo técnico, como ocorreu no presente processo. De fato, caso entendesse a d. Fiscalização pela existência de problemas no Laudo Técnico apresentado, deveria a d. Fiscalização ter solicitado a realização de novo Laudo a outro perito credenciado. E não simplesmente suprimir a prova pericial que é de importância crucial nesse tipo de autuação, com base unicamente em sua livre interpretação de textos técnicos. Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.500 6 Nesse contexto, diante da desconsideração do Laudo Técnico apresentado, o presente lançamento fiscal foi realizado sem a necessária prova pericial, requisito esse entendido como necessário pela própria d. Fiscalização quando da solicitação do Laudo Técnico. Não há dúvidas, que a existência do laudo é imprescindível à comprovação do suposto erro de classificação fiscal do produto, ainda mais diante da complexidade dos conceitos químicos necessários a esse tipo de análise. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Processo n°. 10314.000990/200357, Recurso de ofício n°. 339.807, Acórdão n°3101000.527, Ia Câmara, Ia Turma Ordinária, Terceira Seção de Julgamento, Sessão: 30 de setembro de 2010); (Processo n°. 10830.000763/9855, Recurso n°. 120.279, Acórdão n°. 302 34194, 2a Câmara, Terceiro Conselho de Contribuintes, Sessão: 24 de fevereiro de 2000). Como pode ser visto, na decisão proferida no Processo n°. 10314.005782/200514, foi confirmado que a ausência de prova pericial configuraria o cerceamento da ampla defesa e do contraditório. Notese, ainda, que os julgados administrativos acima transcritos adotaram entendimentos no sentido da indispensabilidade de elaboração de laudo técnico nos casos de alegação de incorreção da classificação adotada pelo contribuinte, sob pena de incerteza da materialidade da exigência. Não bastasse todo o acima exposto, também é imperioso que se argumente que as normas que tratam da prestação de serviços de perícia para a elaboração de laudos técnicos à RFB não preveem a possibilidade de autuação contrária a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, sem laudo técnico que a suporte. Nesses termos, ressaltamos que a IN n° 1.020/2010 disciplina a prestação de serviço de perícia para identificação e quantificação de mercadoria importada e a exportar e regula o processo de credenciamento de órgãos, entidades e peritos. Já a IN n° 1.063/2010 disciplina a coleta, prazo de guarda, destinação de amostras e emissão de laudo técnico resultante de análise laboratorial de mercadoria importada ou a exportar classificada nos Capítulos 25 a 39 da NCM. Assim, nos termos do artigo 8o da IN n° 1.063/10, finalizada a etapa da análise laboratorial com a emissão de laudo técnico, cabe à Autoridade Fiscal responsável por sua solicitação tomar as seguintes providências: (i) dar ciência ao importador do resultado da análise e, se for o caso, (ii) efetuar o respectivo lançamento de ofício. Transcreve o artigo 8o da IN n° 1.063/10. Diante do disposto no artigo 8o, inciso II da IN n° 1.063/10, resta evidente que não há previsão de autuação contrária à conclusão obtida mediante laudo técnico solicitado pela própria Autoridade Fiscal. Assim, sem sombra de dúvidas houve evidente impropriedade aplicada pela d. Fiscalização ao lavrar o presente Auto de Infração sem qualquer embasamento em laudo pericial que desse subsídio à alegação da d. Fiscalização. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Acórdãos n° 1750308 de 26 de abril de 2011 e 1748571 de 17 de fevereiro de 2011). · DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO DESPACHO ADUANEIRO ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.501 7 Anteriormente à lavratura do presente lançamento, inclusive, por ocasião do desembaraço da Dl n° 10/20822505 (doc. 04), parametrizada no canal vermelho, o produto Tolonate HDT foi submetido ao procedimento de coleta de amostras para análise laboratorial, nos termos do que dispõe a IN n° 1.063/2010. Após a coleta das amostras, em 23/03/2011 foi emitido o Laudo de Análise n° 778/20111 pelo laboratório Falcão Bauer, credenciado à RFB (doc. 05). Notese que a Dl n° 10/208222505 é, também, objeto da presente autuação como é possível observar da análise do Anexo I do Auto de Infração. De acordo com o Laudo de Análise n° 778/20111, foi confirmada a adequação da classificação fiscal adotada pela Impugnante, sendo certo que, após a sua emissão, as operações de importação envolvendo os produtos em comento não voltaram a ser alvo de questionamento fiscal de qualquer natureza, especialmente no que se refere à classificação fiscal adotada. Ressaltese que, apesar de o Laudo de Análise n° 778/20111 referirse apenas ao produto Tolonate HDT, suas conclusões também devem ser estendidas ao produto Tolonate HDB, dado que as características essenciais à classificação desses dois produtos são comuns, bem como os argumentos utilizados pela d. Fiscalização para questionamento da classificação fiscal do Tolonate HDB, tanto que a Impugnante classifica ambos os produtos na NCM 3911.90.29, e d. Fiscalização pretende o reenquadramento de ambos os produtos na NCM 2929.10.90. Diante desse contexto, como não podería deixar de ser, até o recebimento do Auto de Infração em epígrafe a Impugnante manteve o procedimento que vinha adotando para importação dos produtos sob discussão, tendo em vista que estes já haviam sido submetidos à análise fiscal anterior, via parametrização em canal vermelho, e naquela oportunidade a Autoridade Fiscal homologou a classificação tarifária adotada, com base em laudo Técnico emitido por instituto técnico de renome credenciado na RFB, no caso o Laboratório Falcão Bauer. Dessa forma, como não podería deixar de ser, pareceu à Impugnante que até o presente momento as Autoridades Fiscais anuíram com o procedimento adotado embasada em análise técnica. Assim, a lavratura do presente Auto de Infração, a toda evidência, configura evidente alteração do critério jurídico que vinha sendo adotado pelas Autoridades Fiscais. Transcreve o caput do artigo 566 do Regulamento Aduaneiro. Pois bem, ao efetuar a conferência aduaneira, deve o AuditorFiscal da Receita Federal, por expressa determinação legal, verificar a correta classificação fiscal, o lançamento dos tributos incidentes sobre a importação, bem como o adimplemento das referidas obrigações tributárias e consequentemente alterar o lançamento declarado pelo contribuinte, caso verifique alguma irregularidade. Inclusive, nos termos do parágrafo único do artigo 25 da IN 680, “na hipótese de descrição incompleta da mercadoria na Dl, que exija verificação física para sua perfeita identificação, com vistas a confirmar a correção da classificação fiscal ou da origem declarada, o AFRF responsável pelo exame poderá condicionar a conclusão da etapa à verificação da mercadoria. ” Isto quer dizer que a d. Fiscalização responsável pelo despacho aduaneiro somente pode liberar a mercadoria importada para desembaraço aduaneiro quando estiver convencida da correção da classificação fiscal adotada pelo importador. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.502 8 Como já demonstrado, as autoridades competentes expressamente homologaram as importações registradas pela Impugnante, embasada em próprio laudo emitido por laboratório credenciado, a qual continha a classificação fiscal ora questionada, não podendo agora a d. Fiscalização questionar operações realizadas exatamente com o mesmo produto, sem que haja nenhuma justificativa técnica ou legal para tanto para alteração do critério jurídico. Lembrese, inclusive, que o laudo técnico que “embasaria” o presente lançamento foi favorável à Impugnante, igualmente como os anteriores, e foi totalmente descartado pelo D. Autoridade Fiscal. Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (AgRg no Resp n°. 478.389/PR, Min. Humberto Martins, DJ. 05.10.2007, p. 245); (REsp n°. 202.958/RJ, Rei. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 25.11.2003, DJ. 22/03/2004, p. 263). Como se não bastasse a impossibilidade de revisão fiscal desses lançamentos, pois o caso dos autos não se enquadra nas determinações do artigo 149 do CTN, também não seria viável que a Autoridade revisasse de ofício lançamentos já homologados, com a introdução retroativa de novo critério jurídico nos lançamentos. · DO BIS IN IDEM: DA INDEVIDA CUMULAÇÃO DE PENALIDADES Na lavratura dos Autos de Infração em epígrafe houve duplicidade de imputação de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, a suposta adoção de NCM incorreta, o que não é permitido em nosso sistema jurídico. No caso, está a Impugnante sendo apenada por multa de 75% calculada sobre valor dos impostos que supostamente deixaram de ser recolhidos em razão da adoção de classificação fiscal incorreta (nos termos do inciso I, artigo 44 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996), bem como, neste mesmo Auto de Infração lhe está sendo imputada multa administrativa de 1% do valor aduaneiro, também, em razão da suposta adoção de classificação fiscal incorreta (nos termos do inciso I, do artigo 636 da Medida Provisória n° 2.15835 de 24 de agosto de 2001). Contudo, a nossa ordem jurídica não pode comportar tão grande multiplicidade de punições para uma e apenas uma conduta fiscal. Junta textos da jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo: (Relator(a): Geraldo Xavier; Comarca: Santo André; Órgão julgador: 14a Câmara de Direito Público; Data do julgamento: 10/11/2011; Data de registro: 19/01/2012; Outros números: 4295995900). Assim, demonstrado está o não cabimento da cobrança cumulativa da multa imposta de 75% sobre os impostos supostamente não recolhidos, em razão de adoção de classificação fiscal incorreta, bem como da multa de 1% do valor aduaneiro dos bens importados, também, sob a alegação de adoção de classificação fiscal incorreta, o que impõe, no mínimo, o cancelamento de uma das penalidades. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA IMPOSTA A aplicação de penalidade tão vultuosa representa verdadeiro confisco, o que é expressamente vedado pela Constituição Federal. Acerca desse ponto, importa mencionar que a Constituição Federal, em seu art. 5º, dispõe que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.503 9 do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos seguintes termos:(...)” Junta textos da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A proibição constitucional do confisco em matéria tributária ainda que se trate de multa fiscal resultante do inadimplemento, pelo contribuinte, de suas obrigações tributárias nada mais. O Poder Público, especialmente em sede de tributação (mesmo tratandose da definição do “quantum” pertinente ao valor das multas fiscais), não pode agir imoderadamente, pois a atividade governamental achase essencialmente condicionada pelo principio da razoabilidade que se qualifica como verdadeiro parâmetro de aferição da constitucionalidade material dos atos estatais. Não foi por outra razão que o eminente Ministro JOAQUIM BARBOSA, em decisão proferida no RE 492.842/RN, de que foi Relator, reconheceu, em caso aparentemente idêntico, o caráter confiscatório da multa de 75%, advertindo que tal índice percentual, porque extremamente elevado e desarrazoado, ofendia os postulados da nãoconfiscatoriedade e da capacidade contributiva. A existência de tal decisão e as razões que venho de expor revelamse suficientes para conferir, em juízo de estrita delibação, plausibilidade jurídica à pretensão cautelar deduzida na presente sede processual. Registrese, finalmente, que a parte ora requerente justificou, de maneira inteiramente adequada, as razões que caracterizam a concreta ocorrência, na espécie, de situação configuradora do “periculum in mora” (fls. 04/10). Dessa forma, face o exposto, resta evidenciado que as multas aplicadas à Impugnante não podem ser mantida, devendo ser reduzida a parâmetros justos e razoáveis, sob pena de violação ao supramencionado artigo 5o, “caput”, da Constituição Federal. NO MÉRITO · ANÁLISE DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO É de crucial relevância para o deslinde da questão a Nota do Capítulo 39, a qual engloba a NCM 3911.90.29, na qual pretende a d. Fiscalização classificar os produtos autuados, exclui expressamente os compostos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, como passíveis de enquadramento nesse Capítulo. O que comprova, portanto, o desacerto do lançamento fiscal. Dos Laudos Técnicos Favoráveis à Classificação Fiscal Adotada pela Impugnante Como já mencionado, mesmo nos casos em que o Laudo Técnico tratou apenas do produto Tolonate HDT, o entendimento é de que as conclusões devem ser estendidas para os dois produtos, ou seja, tanto o Tolonate HDT quanto o Tolonate HDB. Isso porque, as razões que teriam justificado a desclassificação desses produtos são comuns a ambos os produtos, tanto que a d. Fiscalização, em seu Relatório Fiscal, não fez distinção entre os argumentos aplicados para um e outro, uma vez que as características químicas cruciais a determinação da classificação esses produtos no Capítulo 29 ou 39 são verificadas no Tolonate HDB e HDT. Do laudo técnico emitido pela perita Dra Soelly Magalhães do Valle Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.504 10 Conforme é possível observar, para produção do Laudo Técnico a perita realizou uma série de visitas aos estabelecimentos da Impugnante, da Vencorex (empresa que atualmente importa e comercializa os produtos objeto de questionamento) e da cliente da Vencorex, que recebe o Tolonate HDB e Tolonate HDT importado pela Vencorex. De acordo com o relato da perita, a coleta das amostras foi realizada no estabelecimento da empresa cliente da Vencorex, que adquire esses produtos como matériasprimas para misturálas a solventes e vender o produto final para indústria de tintas. Em linha com os esclarecimentos contidos no Laudo Técnico, o Tolonate HDB e o Tolonate HDT são atualmente importados pela Vencorex e transportados em isotanques, os quais são preenchidos com nitrogênio a fim de evitar o contato do produto com o ar, pois este contato acelera seu processo de deteriorização. Ainda para impedir o processo de deteriorização, os isotanques são abertos, apenas, no momento da industrialização do produto, razão pela qual foi necessário que a perita fosse até o estabelecimento da empresa fabricante (no caso a cliente da Vencorex) para realizar a coleta do material analisado, como é possível observar das fotos anexadas ao Laudo Técnico. Além das visitas e coleta do material, a elaboração do Laudo Técnico envolveu ua) estudos laboratoriais dos produtos amostrados na Rhodia. b) Interpretação dos resultados analíticos, c) Estudo dos documentos recebidos, d) cruzamento das informações e interpretação técnica, e) Resposta aos Quesitos da Alfândega, f) Montagem de laudo técnico. No que se refere às respostas aos quesitos apresentados pela d. Fiscalização podemos observar que perita afirma de forma contundente, com base nas analises realizadas que: Os produtos analisados são “compostos orgânicos de constituição química definida e são apresentados isoladamente” (pág. 18 do Laudo Técnico). Conforme veremos na sequência essas conclusões são fundamentos técnicos essenciais para compreensão da discussão envolvendo a classificação fiscal dos produtos analisados, pois são mais que suficientes para afastar a aplicação da NCM 3911.90.29 pretendida pela d. Fiscalização, conforme veremos em mais detalhes na sequência. Por ora o que impende destacar é que as conclusões a que chegou a perita foram baseadas na analise técnica dos produtos coletados e não unicamente em artigos científicos acerca de produtos supostamente idênticos aos importados pela Impugnante. Pela análise do Laudo é possível, ainda, observar o efetivo trabalho desenvolvido pela perita que além das análises laboratoriais realizou visita às empresas que atualmente comercializam o produto e se baseou na literatura cientifica para emitir sua opinião. . Embora não restem dúvidas de que a d. Fiscalização tem a prerrogativa de não concordar com as conclusões sugeridas por peritos, o que se observa no presente caso é que foram totalmente desconsideradas todas as informações técnicas fornecidas pela perita, profissional capacitada que efetivamente avaliou tecnicamente o produto, sem qualquer suporte ou contra laudo para justificar a sua desconsideração. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.505 11 No entanto, apesar do evidente descrédito dado pela d. Fiscalização a analise técnica realizada, o Laudo da Dra Soelly está em linha com a opinião emitida por outros laboratórios renomados que tiveram a oportunidade de avaliar o produto a pedido da própria Receita Federal, conforme será demonstrado na sequência. Do laudo técnico emitido pelo laboratório Falcão Bauer (doc. 05) Como já mencionado, por ocasião do desembaraço da Dl n° 10/20822505, a qual foi parametrizada no canal vermelho, o produto Tolonate HDT foi submetido ao procedimento de coleta de amostras para análise laboratorial, nos termos do que dispõe a IN n° 1.063/2010. Após a coleta das amostras, em 23/03/2011 foi emitido o Laudo de Análise n° 778/20111 pelo laboratório Falcão Bauer, credenciado à RFB, a pedido do próprio órgão. Pela análise do Laudo emitido é possível confirmar que os produtos analisados são constituídos unicamente por “poliisocianato alifático de viscosidade média, sem solventes, baseado no trímero do disocianato de hexametileno”, e são utilizados para “revestimentos e vernizes bifásicos de poliuretano, revestimento de proteção externa para peças de automóveis, maquinaria industrial, etc”. De acordo com o Laudo de Análise n° 778/20111, foi confirmada a adequação da classificação fiscal adotada pela Impugnante, uma vez que este laboratório, também, entendeu que o Tolonate FIDT é um “composto orgânico de constituição química definida ”. Notese, portanto, que o entendimento técnico a que chegou referido laboratório está em linha com as conclusões emitidas pelo Laudo Técnico da Dra Soelly Magalhães do Valle. Do laudo técnico emitido pelo perito Dr. Luiz Aurélio Alonso Como pode ser observado, o Laudo Técnico em questão, também, se refere ao produto Tolonate HDT, importado pela Vencorex por meio da Dl n° 14/02636980 o qual foi submetida a despacho aduaneiro por meio de canal vermelho. Como já mencionado a Vencorex adquiriu a linha de negócios do Tolonate HDB e HDT no Brasil, tanto que a coleta do material analisado no Laudo Técnico emitido pela Dr. Soelly foi realizada com o auxilio dessa empresa, uma vez que a Impugnante não dispõe mais de amostras do produto. A Vencorex, que também, teve várias de suas importações submetidas a canal vermelho no ano de 2013, quando assumiu essa linha de negócios, solicitou ao Dr. Luiz Aurélio Alonso, a pedido da própria RFB, que realizasse a análise técnica do produto Tolonate HDT afim de que fossem prestados os esclarecimentos solicitados pelas Autoridades Fiscais Federais quando do desembaraço de seus produtos. Conforme demonstrado, o Laudo Técnico emitido pela perita Dra Soelly Magalhães Valle, o qual foi desconsiderado pela d. Fiscalização, encontrase perfeitamente em linha com as opiniões técnicas emitidas por outros dois laboratórios de renome, que também realizaram a análise do produto em questão. A existência de três Laudos Técnicos emitidos por profissionais confiáveis, credenciados pela própria RFB, é prova mais que suficiente de que as opiniões emitidas merecem fé e não poderiam ter sido simplesmente desconsideradas com Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.506 12 base em livre análise de textos técnicos que não tratam especificamente dos produtos em questão. Feitas as considerações acima e de posse de dados técnicos relevantes, partiremos à análise do correto procedimento que deveria ter sido adotado para definição da classificação fiscal dos produtos autuados, o qual, caso tivesse sido fielmente seguido pela d. Fiscalização levaria, mais uma vez, a homologação da classificação fiscal adotada pela Impugnante. · DA CORRETA APLICAÇÃO DAS REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Transcreve respostas fornecidas no Laudo Técnico emitido pela perita química Dra. Soelly Magalhães do Valle. Transcreve respostas fornecidas no Laudo Técnico emitido pelo laboratório Falcão Bauer. Não há dúvidas de que para chegar a essa conclusão técnica é necessário não só ser profissional habilitado com conhecimentos técnicos específicos acerca da matéria,como, também, é imprescindível que se realize a análise laboratorial e química do produto em discussão. No entanto, a d. Fiscalização sem possuir nem um nem outro dentre esses requisitos, simplesmente afirma que o Tolonate HDB e Tolonate HDT não são compostos de constituição química definida, utilizandose, para tanto, da sua livre interpretação de artigos técnicos, contrariando o entendimento firmado por peritos técnicos habilitados pela própria RFB. Notese que a definição do produto como “compostos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente''', por si só já afasta a classificação fiscal pretendida pela d. Fiscalização, como é possível concluir da análise da Nota 2.c do Capítulo 39, no qual está tentando a d. Fiscalização fazer o reenquadramento do produto. Transcreve a a Nota 2.c do Capítulo 39 da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Portanto, da análise da Nota 2.c do Capítulo 39 combinado com os Laudos Técnicos que analisaram o produto, já é possível concluir que a autuação em comento não podería subsistir, tendo vista que já está mais que demonstrado que o Tolonate HDB e Tolonate HDT são compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente. Ciente de que não podería classificar os compostos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, no Capítulo 39, a d. Fiscalização insiste no argumento de que o Tolonate HDB e Tolonate HDT seriam, na verdade polímeros. No entanto, essa afirmativa é afastada de forma contundente ao longo de todo o Laudo Técnico pericial emitido pela perita Dra Solelly. Transcreve respostas fornecidas no Laudo Técnico emitido pela perita química Dra. Soelly Magalhães do Valle. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.507 13 Notese que a pergunta é realizada mais vez pela d. Fiscalização no quesito 9, e a resposta da perita é no sentido de reafirmar o não enquadramento dos produtos em questão no conceito de “polímeros”. Desta forma, considerando que todas as informações técnicas prestadas foram no sentido de afirmar que os produtos Tolonate HDB e Tolonate HDT são compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, nos termos do que determina a RGI1 já resta definido o Capítulo 29 como aquele em que deverão ser enquadrados os produtos analisados, de forma que devemos partir para análise das posições do Capítulo 29 em que devem ser classificados os produtos. Seguindo nossa análise com base na RGI1, observamos que dentre as Notas de posição do Capítulo 29, a Nota da posição 29.29 traz descrição de produto químico que se adéqua perfeitamente ao produto analisado. O produto Tolonates HDB e HDT são diisocianatos de hexametileno (HDI) o que demonstra a perfeita compatibilidade das características técnicas dos produtos em questão com o disposto na Nota lda posição 29.29. Portanto, face todo o exposto, seguindo o que determina as regras de classificação previstas pelo artigo 94 do Regulamento Aduaneiro e as conclusões técnicas firmadas pelos laboratórios credenciados pela RFB, que analisaram os produtos autuados, não restam dúvidas quanto ao acerto da classificação dos produtos Tolonate HDB e Tolonate HDT na NCM 2929.10.90 que foi utilizada pela Impugnante no registro de suas importações, não podendo, portanto, subsistir a presente autuação. · DA INADEQUAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE CONSULTA QUE EMBARASARAM A AUTUAÇÃO Como pode ser observado da análise do Relatório Fiscal, a d. Fiscalização encerra sua análise fazendo menção a duas Soluções de Consulta emitidas pela RFB acerca de produtos notadamente diferentes do Tolonate F1DB e HDT, como justificativa para adoção da classificação fiscal 3911.90.29. No caso da Solução de Consulta DIANA/SRRF n° 23 de 27 de junho de 2014 (“Solução de Consulta 23/2014”), o produto analisado era um “Poliisocianato alifático, em solução de acetato de nbutila e solvente nafta 100, obtido a partir do diisocianato de hexametileno (“HDI”)”. Já na Solução de Consulta DIANA/SRRF n° 27 de 27 de junho de 2014 (“Solução de Consulta 24/2014”), o produto analisado era um “Poli isocianato alifático, em solução de acetato de 1 metil2metoxietila e xileno, obtido a partir do diisocianato de hexametileno (“HDI”)”. Pela simples descrição dos produtos é possível observar que se estamos diante de produtos diferentes do Tolonate HDB e Tolonate HDT. Conforme descrito no Laudo Técnico emitido pela Dra Soelly (pág. 10), o Tolonate HDB e Tolonate HDT são matériasprimas que, no mercado, costumam ser adicionadas a solventes para venda para as indústrias de tinta. Ou seja, os Tolonates HDB e HDT são matériasprimas, enquanto que os produtos analisados pelas Soluções de Consulta, citadas pela d. Fiscalização, correspondem aos produtos produzidos a partir de processo de fabricação em que são utilizadas matériasprimas como os Tolonates HDB e HDT. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.508 14 Notese que em nenhum momento a d. Fiscalização sustentou que os produtos autuados estariam misturados a algum tipo de solução, inclusive, como é possível observar do item 5.3.5 do Relatório Fiscal (págs. 40 e 41), a d. fiscalização reconhece que os produtos autuados, diferentemente, dos que foram objeto das Soluções de Consulta citadas, não estão dissolvidos em algum tipo de solução. No entanto, a d. Fiscalização, sem esclarecer o fundamento dessa conclusão, afirma que o fato do percentual de dissolução dos produtos objeto das consultas citadas serem inferiores a 50%, restaria demonstrado que esses produtos seriam análogos, para fins de classificação fiscal aos Tolonates HDB e HDT. Como já mencionado acima, foi devidamente demonstrado por meio de Laudos Técnicos que os produtos autuados são “compostos orgânicos de constituição qidmica definida apresentados isoladamente” nos termos do que dispõe a Nota l.a do Capítulo 29. Pela descrição contida nas Soluções de Consulta acima citadas, resta claro que não estaríamos diante da hipótese descrita na Nota l.e, uma vez que, as soluções mencionadas não são aquosas. Restando, portanto, a análise da Nota l.e, é possível observar que a classificação fiscal no Capítulo 29 é mantida apenas para o caso dos “compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente” em questão estejam dissolvidos em soluções que “constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; ”. Ou seja, salvo a hipótese descrita na Nota l.e, a regra é que as soluções de compostos orgânicos de constituição química definida não sejam enquadradas no Capítulo 29, não havendo qualquer referência ao percentual dessa dissolução, como mencionado pela d. Fiscalização. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Processo n°. 10314.000990/200357, Recurso de ofício n°. 339.807, Acórdão n°3101000.527, 1a Câmara, 1a Turma Ordinária, Terceira Seção de Julgamento, Sessão: 30 de setembro de 2010). O precedente acima citado reflete situação idêntica a ora analisada em que se observa que a d. Fiscalização, sem maiores esclarecimentos, faz referência a duas Soluções de Consulta que tem por objeto produtos que não possuem identidade com os produtos autuados, como se tais Consultas pudessem se utilizadas como fundamento da autuação. · DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requer a Impugnante que seja o Auto de Infração em epígrafe julgado totalmente improcedente sem apreciação do mérito em razão da nulidade do lançamento: I. tendo em vista que o mesmo foi originado de procedimento de fiscalização que contraria a regulamentação aplicável ao procedimento fiscal de produção provas por meio de coleta de amostras para emissão de laudo técnico laboratorial; e Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.509 15 II. decorre da alteração do critério jurídico que vinha sendo adotado na análise das importações dos produtos ora questionados; devendo ser declarado, ainda, nulidade de parte da multa de 1% em face da flagrante incorreção do cálculo fiscal. Caso assim não se entenda o limo Julgador, a Impugnante pleiteia, subsidiariamente, o cancelamento das multas impostas, em razão da impossibilidade de cumulação de pena acerca do mesmo fato e da inobservância ao princípio da confiscatoriedade e, quanto ao mérito, que o presente processo seja extinto em razão da incorreção da classificação fiscal pretendida pelas Autoridades Fiscais, por ausência de fundamentos técnicos consistentes que justifiquem a reclassificação do produto e por dita reclassificação não encontrar guarida nas RGIs, conforme o demonstrado. A Impugnante protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente de Laudo de Técnicos acerca da natureza e funcionalidade dos produtos objeto da presente discussão. Tendo em vista a negativa do ora analisado Acórdão o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 1362 a 1437), em 4 de novembro de 2015, visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 1362 a 1437), de 4 de novembro de 2015, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 16069.985 (fls. 1286 a 1330), de 24 de setembro de 2015, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DEMERCADORIAS Data do fato gerador: 04/05/2010 Importação dos produtos Tolonate HDB e Tolonate HDT com classificação tributária no código NCM 2929.10.90. A fiscalização entendeu que estes deveriam ser classificados sob o código de subitem da NCM 3911.90.29, por serem polímeros. O Tolonate HDB e o Tolonate HDT são polímeros obtidos a partir do monômero HDI, informação contundente obtida a partir do catálogo do fabricante o que inviabiliza a classificação tributária dos produtos no Capítulo 29 da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL. Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.510 16 A NESH da posição 39.11 cita como exemplos de isocianatos poliméricos, nos itens “a” e “b” da nota 4 da posição 39.11, exatamente os dois produtos químicos importados. A fiscalização aduaneira ao exercer sua competência privativa de classificação tributária, de maneira alguma está vinculada ao resultado da PERÍCIA. Cito o pedido do recurso a fim de esclarecer o que se requer no presente processo: 301. Diante de todo o exposto, requer a Recorrente que o Recurso Voluntário seja recebido por esse E. Conselho e o v. acórdão recorrido seja reformado para que o Auto de Infração em epígrafe seja julgado totalmente improcedente sem apreciação do mérito em razão da nulidade do v. acórdão, que se furtou à apreciar as provas apresentadas pela d. Fiscalização, e/ou do lançamento: (i) tendo em vista que o mesmo foi originado de procedimento de fiscalização que contraria a regulamentação aplicável ao procedimento fiscal de produção provas por meio de coleta de amostra para emissão de laudo técnico laboratorial e (ii) decorre da alteração do critério jurídico que vinha sendo adotado na análise das importações dos produtos ora questionados; devendo ser declarado, ainda, nulidade de parte da multa de 1% em face da flagrante incorreção do cálculo fiscal. 302. Caso assim não se entenda o Ilmo julgadores, a Recorrente pleiteia, subsidiariamente, o cancelamento das multas impostas, em razão da impossibilidade de cumulação de pena acerca do mesmo fato e da inobservância ao princípio da confiscatoriedade e, quanto ao mérito, que o presente processo seja extinto em razão da incorreção da classificação fiscal pretendida pelas Autoridades Fiscais, por ausência de fundamentos técnicos consistentes que justifiquem a reclassificação do produto e por dita reclassificação não encontrar guarita nas RGIs, conforme o demonstrado. 303. A Recorrente protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente de Laudo de Técnicos acerca da natureza e funcionalidade dos produtos objeto da presente discussão. 304. Quando do julgamento, a Recorrente requer ser devidamente intimada para a realização de sustentação oral. Isto posto, como requerimento final do Recurso Voluntário, passo à análise das preliminares de mérito e posteriormente ao mérito do presente feito. I) Preliminares de mérito O Contribuinte alega, em seu Recurso Voluntário, de forma preliminar ao mérito os seguintes pontos (fls. 1372 a 1399): · A nulidade da decisão por ausência de apreciação das provas apresentadas; · A nulidade do lançamento por ausência de observância das disposições legais que regulamentam a fiscalização; · A impossibilidade de revisão do despacho aduaneiro – alteração de critério jurídico; Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.511 17 · O caráter confiscatório da multa imposta; · O erro no cálculo da multa de ofício; · A indevida cumulação de penalidades – bis in idem; O Contribuinte alega, por primeiro, que não houve, por parte da DRJ/SPO a devida análise dos laudos apresentados que, segundo o Contribuinte, são favoráveis ao seu entendimento a respeito da classificação fiscal, nesse sentido cito trecho do Recurso Voluntário para elucidar os argumentos do Contribuinte (fls. 1373 a 1374): 49. Na esfera administra, nos termos do artigo 31 do Decreto 70.235/72, a decisão de 1ª Instância Administrativa deverá conter: relatório, fundamentos legais e conclusão, devendo, ainda, o I. Órgão Julgador referirse expressamente às razões de defesa suscitadas, inclusive a documentação apresentada, pela Recorrente: “Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo Recorrente contra todas as exigências. 50. É dever, portanto, do I. Julgador de 1ª Instância Administrativa analisar todas as razões expostas na defesa pelo contribuinte, principalmente os documentos e provas que as fundamentam, sendo irrenunciável essa sua obrigação. É o que estabelece a lei nº 7.784/99 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: “Art. 48. A administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência.” 51. Assim, a não apreciação da matéria levada à apreciação do Julgador de 1ª Instância deturpa e viola por completo o procedimento constitucional e legalmente previsto do processo administrativo fiscal, afastando claramente do contribuinte o seu direito de ampla defesa e do contraditório, sendo, por conseguinte, absolutamente nula. 51. Todavia, da simples leitura do v. acórdão, constatase facilmente a existência de vício insanável em seu teor, isto é, omissão consistente na completa carência de apreciação das provas trazidas pela Recorrente. 53. É surpreendente que o I. Julgador decidiu por simplesmente ignorar as provas apresentadas pela Recorrente, como se essas não estivessem nos autos ou não existissem. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte, entendo que apesar de necessária a análise dos documentos comprobatórios apresentados, o órgão julgador não precisa, necessariamente, responder de forma específica por cada meio de prova trazidos aos autos, bastando que receba todos os meios de prova admitidos em direito e fundamente sua decisão com base na legislação aplicável. O Contribuinte aduz, também, que se deve considerar nulo o lançamento, uma vez que, segundo este, houve a inobservância de disposições legais, conforme se verifica neste trecho do Recurso Voluntário (fl. 1377): Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.512 18 71. Ou seja, a d. Fiscalização, mesmo ciente da sua inabilidade técnica para realizar a análise química dos produtos objeto da presente autuação, fato que, inclusive, a levou, inicialmente, a solicitar a realização de Laudo Técnico à perita química, em um segundo momento, entendeu por bem desconsiderar por completo as conclusões trazidas no Laudo Técnico e realizar suas próprias conclusões sem qualquer embasamento técnico. 72. Como já mencionado, é importante mais uma vez destacar que a Recorrente não se insurge contra a possibilidade de a d. Fiscalização realiza seu próprio julgamento do Laudo Técnico apresentado. 73. Não obstante, não poderia a d. Fiscalização, sob o argumento de não concordar com o resultado do Laudo Técnico, e sem ter conhecimento técnico da matéria, lavrar um Auto de Infração com cifras milionárias com base unicamente em análise unicameral de artigos extraídos de fontes as mais diversas, que não tratam precisamente do produto em questão e sem qualquer embasamento em laudo técnico, como ocorreu no presente processo. (...) 82. Em resposta aos argumentos apresentados, o v. acórdão destaca trecho do §2º, art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 680 de 02 de outubro de 2006 (“IN SRF 680/2006), para sustentar que o pedido de assistência técnica seria uma faculdade da Autoridade Fiscal, que faria dita solicitação “caso entenda necessário”. 83. Ocorre que, como já demonstrado, no caso sob análise a d. Fiscalização entendeu pela necessidade de Laudo Técnico, mas, em um segundo momento, após receber Laudo Técnico confirmando o acerto da classificação fiscal adotada pela Recorrente, achou por bem proceder a suposta “análise” do produto por conta própria, sem qualquer tipo de suporte técnico. Devese observar que este Órgão Julgador, apesar de aceitar laudos e provas periciais a respeito de temas com elevado grau de complexidade, não estará, em nenhum momento, vinculado ao conteúdo expresso nestes documentos, tendo liberdade para decidir a partir do seu livre convencimento motivado. O Contribuinte argumenta por terceiro, a respeito da impossibilidade de revisão do despacho aduaneiro, alegando que isto acaba por alterar o critério jurídico aplicado ao fato ora analisado, como se verifica a seguir (fls. 1387 a 1388): 109. Como é possível observar do v. acórdão, a Autoridade Fiscal Julgadora afasta o argumento de impossibilidade de alteração de critério jurídico, sob o argumento de que a autoridade fiscal teria obrigação de rever o lançamento fiscal, caso conclua ter ocorrido algum equívoco, pondo em destaque princípios como o da verdade material. 110. Ocorre que a Recorrente em momento algum sustenta que não poderia a Autoridade Fiscal rever seu posicionamento, caso constate algum equívoco (o que de toda forma não se aplica ao caso em análise), mas sim, que esse procedimento não poderia ser aplicado a fatos ocorridos no passado, os quais já foram validados pelas autoridades fiscais quando do desembaraço aduaneiro. A respeito deste ponto entendo esclarecedor trecho do ora analisado Acórdão, portanto citoo como forma de elucidação e razões para decidir (fl. 1305 e 1306): Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.513 19 Na relação processual entre o Estado, enquanto defensor do Direito da Sociedade e Cidadão, enquanto defensor de si próprio, ou seja, dos Direitos e Garantias Individuais as normas concretas oscilam, ora pendendo para um lado ora para outro, pois somente assim se estabelece o verdadeiro equilíbrio. Se as normas fossem sempre uniformes para todos os direitos materiais e movimentos processuais, ora favoreceria, ora prejudicaria desequilibradamente as partes. No estudo das diversas normas observase que em muitos casos a lei estabelece ao Estado prerrogativas que o Cidadão não tem e em outros dá ao Cidadão direitos que veda ao Estado. Assim, quando se trata do crédito tributário a exigência fiscal não pode ser olhada através das lentes dos arts. 128 e 264 do CPC, próprias para relações entre particulares, ou seja, o art. 146 do CTN não pode ser colocado no mesmo frasco dos mencionados artigos, mesmo porque o art. 145, I do CTN, ampliando as hipóteses do art. 149 do mesmo diploma legal, expressamente abre a possibilidade de a autoridade julgadora determinar a alteração do lançamento ao dispor, in verbis: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo ; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. O artigo 149 do Código Tributário Nacional assim determina: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.514 20 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O inciso IV menciona quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. O importador errou ao proceder a classificação fiscal dos produtos em análise, conforme foi demonstrado. Concluise, assim, que diante da indisponibilidade do crédito tributário o contribuinte não estará sujeito apenas à análise do lançamento da forma que lhe seja benéfica, mas também que possa lhe ser prejudicial, pois a autoridade lançadora, na busca da verdade material poderá apurar a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação frente a legislação aplicável, conforme consta do artigo 638 do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/2009. Me filio a posição adotada pelo Acórdão ora recorrido e, portanto, nego o que requer o Contribuinte neste ponto específico. A respeito da alegação do caráter confiscatório da multa aplicada sigo, também, o entendimento consubstanciado no Acórdão ora recorrido no sentido de que foge da competência deste órgão a análise do caráter confiscatório ou não da disposição legal expressa. Neste sentido, cito trecho do referido voto para elucidação do argumento (fl. 1309): Ademais, o exame da proporcionalidade entre o fato infracional e o valor da multa não é passível de exame neste foro, porquanto a autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para alterar o valor da multa definido na lei. O citado juízo de proporcionalidade foi exercido pelo legislador ao aprovar a lei fixando o valor da multa, somente podendo ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário, estando, porém, fora da esfera de competência da autoridade administrativa a quem cabe tãosomente aplicar a lei. Portanto, o órgão administrativo não detém competência legal para dispensar ou reduzir multas, sem que isso esteja expressamente previsto em lei. Nesse mesmo sentido aponta a jurisprudência administrativa: “(...). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária. (Súmula nº 1º CC nº 2). (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.612, processo 11618.003150/200556, Relª Cons. Sandra Maria Faroni; sessão de 06/03/2008, DOU 10/09/2008, pág. 23) “MULTA. PENALIDADE. A aplicação de percentual de multa determinado em lei não afronta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, nem o princípio da vedação ao confisco, dado seu caráter punitivo Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.515 21 repressivo. Recurso negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão nº 202 17.799, processo nº 11543.001077/200418, sessão de 28 de fevereiro de 2007). Compete às DRJ tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Isto posto em relação ao quarto item, aferese, em resumo, que tendo por objeto essas quatro primeiras preliminares, nego provimento ao recurso voluntário do Contribuinte. Outros dois pontos que o Contribuinte incluiu como preliminares de mérito são a respeito da indevida cumulação de penalidades e a respeito do erro no cálculo da multa de ofício. Considero que ambos estão relacionados com a discussão referente ao mérito do processo ora analisado. II) Do mérito A discussão acerca do mérito do presente processo baseiase na análise da classificação fiscal dos produtos importados pelo Contribuinte. De fato, percebese que o Acórdão ora recorrido argumenta no sentido de que houve, por parte do Contribuinte, a incorreta classificação dos produtos ora analisados. Conforme se verifica no seguinte trecho (fl. 1310): Para uma adequada análise, imprescindível a reprodução dos textos do código NCM 3911.90.29, reclamado pela fiscalização, e código NCM 2929.10.90, apontado na impugnação como a correta: 29.20 Ésteres dos outros ácidos inorgânicos de nãometais (exceto os ésteres de halogenetos de hidrogênio) e seus sais; seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados. 29.29 Compostos de outras funções nitrogenadas (azotadas). 2929.10 Isocianatos 2929.10.90 Outros – Importador 39.11 Resinas de petróleo, resinas de cumaronaindeno, politerpenos, polissulfetos, polissulfonas e outros produtos mencionados na Nota 3 do presente Capítulo, não especificados nem compreendidos noutras posições, em formas primárias. 3911.90 Outros 3911.90.29 Outros Fiscalização O enquadramento que o Contribuinte aduz como sendo o correto para os referidos produtos é o de “compostos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo que contenha impurezas”. Como se verifica no seguinte trecho retirado do Recurso Voluntário (fl. 1401 a 1402): Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.516 22 161. Na pág. 30 do Relatório Fiscal a d. Fiscalização explora o conceito de compostos orgânicos de constituição química definida, e para tanto destaca a Nota 1 do Capítulo 29 da NESH, que dispõe: “Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo”. (grifos da fiscalização) 162. Logo abaixo, do excerto em destaque surge, sem nenhum fundamento, mesmo que puramente teórico, a seguinte afirmativa: Dessarte, no capítulo 29, em regra, classificamse as substâncias químicas compostas por uma molécula (monômeros). A NESH da posição 29.29, por sua vez, esclarece que: “Entre os compostos compreendidos nesta posição citamse especialmente: 1)Os isocianatos Este grupo de produtos químicos compreende os isocianatos mono – e polifuncionais. Os isocianatos di – ou polifuncionais, tais como o isocianato de difenil metileno (MDI), o diisocianato de hexametileno (HDI), o diisocianato de tolueno (TDI) e o dímero de diisocianato de tolueno, são bastante utilizados na fabricação de poliuretanos. Esta posição não compreente o poli (isocianato de fenil metileno), o MDI em bruto ou o MDI polimérico (posição 39.09)” (Grifo nosso) 163. Do excerto acima o que se observa é que a d. Fiscalização insinua, e o v. acórdão recorrido afirma, que as substâncias químicas classificadas no capítulo 29 devem ser compostas por uma única molécula (monômetros), o que está equivocado. 164. O texto da NESH fala que a substância deve ser constituída por uma única espécie molecular, e conforme explicitado na NESH, substância composta por uma única espécie molecular é aquela cuja composição “é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único”. Este é precisamente o caso das substâncias sob análise, que podem ser representadas pelos diagramas estruturais únicos. (...) 165. Não é preciso ser especialista em química orgânica para confirmar esse conceito. A NESH da posição 29.29, destacada pela própria fiscalização traz como exemplo de isocianato, classificado na posição 29.29, tanto o monômetro “diisocianato de tolueno (TDI)”, quanto o “dímero de diisocianato de tolueno”. (...) Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.517 23 167. Como pode ser observado, o TDI dímero não é um monômero, ou seja, não possui uma única molécula, mas uma substância química composta por duas moléculas de diisocianato de tolueno representados em uma estrutura molecular única. Mesmo não se tratando de um monômetro, o TDI dímero é um composto orgânico não apenas classificado na posição 29.29 como expressamente mencionado na NESH como composto que deve ser enquadrado na posição do NCM 29.29. 168. Portanto, não há dúvidas que os compostos orgânicos de constituição química definida não são necessariamente monômeros (uma única molécula), sendo possível a classificação de outros compostos orgânicos no Capítulo 29 da NCM, desde que seja constituído por uma única espécie molecular, que é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. 169. Ocorre que, a Autoridade Fiscal Julgadora, ignora a conclusão a que chegou três diferentes laboratórios credenciados a RFB que realizaram a análise dos produtos, para repetir, sem qualquer julgamento, a conclusão da d. Fiscalização de que os produtos do Capítulo 29 seriam “em regra” (mesmo não restando claro onde teria sido extraída tal regra) compostos por uma única molécula (monômetros). Vide pág. 1.319 do v. acórdão: Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Dessarte, no capítulo 29, em regra, classificamse as substâncias químicas compostas por uma molécula (monômeros). Cabe notar que o Relatório Final (fls. 341 a 385), detalhadamente construído às folhas 375 a 379, aponta as inconsistências do laudo pericial nos nove quesitos formulados acerca da correta ou incorreta classificação dessas substâncias químicas. Nesse sentido observase que no decorrer do processo ora analisado foram juntados quatro diferentes laudos técnicos, visando assegurar a correta classificação fiscal do produto objeto da respectiva autuação. A Fiscalização, reconhecendo sua inabilidade técnica para realizar a análise química necessária para a correta classificação fiscal, solicitou que fosse apresentado lauto técnico pela Dra. Soelly Magalhães do Valle. O referido laudo constatou que os produtos submetidos à análise são “compostos orgânicos de constituição química definida e são apresentados isoladamente”. Tal conclusão leva ao entendimento de que o Contribuinte estava utilizando a correta classificação fiscal e que a Fiscalização incorreu em erro ao aplicar a NCM 3911.90.29. Houve, também, a realização de laudo técnico a respeito do referido produto pelo laboratório Falcão Bauer, cujo entendimento caminha no mesmo sentido do consubstanciado no laudo da Dra. Soelly Magalhães do Valle, ou seja, de que o Tolonate FIDT é “um composto orgânico de constituição química definida”, e que, portanto, o Contribuinte classificou de forma correta o produto. Respondendo a pedido da própria Receita Federal do Brasil, o Dr. Luiz Aurélio Alonso apresentou laudo técnico para que se esclarecessem alguns pontos a respeito da Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.518 24 correta classificação do produto Tolonate HDT. Mais uma vez o laudo apresentado encontrase em consonância ao emitido pela Dra. Soelly Magalhães do Valle. Notese o seguinte trecho: A Vencorex, que também, teve várias de suas importações submetidas a canal vermelho no ano de 2013, quando assumiu essa linha de negócios, solicitou ao Dr. Luiz Aurélio Alonso, a pedido da própria RFB, que realizasse a análise técnica do produto Tolonate HDT afim de que fossem prestados os esclarecimentos solicitados pelas Autoridades Fiscais Federais quando do desembaraço de seus produtos. Houve ainda a juntada nos autos de laudo técnico, a pedido do Contribuinte, realizado pela empresa LAAP (fls. 1445 a 1492), segundo o qual concluiu da seguinte forma: ...É nossa opinião que os produtos estudados “TOLONATE HDB” E “TOLONATE HDT”, respectivamente, hexametileno diissocianato, na forma biureto (dímero) – HDB e hexametileno diissocianato, na forma trímero – HDT, classificamse no seguinte código tarifário: 2929.10.90 (NCM/TEC/TIPI/NESH). Importante observar que a Fiscalização não está vinculada às conclusões apresentadas pelos laudos técnicos, possuindo total liberdade para motivar as razões do seu entendimento. O que ocorre, no entanto, é que a Fiscalização, ao requerer que fossem apresentados laudos, reconheceu de forma indireta sua incapacidade técnica de avaliar o produto analisado, e ao desconsiderar o laudo apresentado pela perita não requereu contra laudo para que fosse utilizado como comparação. Percebese, com isso, que a Fiscalização em um primeiro momento se julgou incapacitada para realizar a correta classificação do produto, e em um momento posterior desconsiderou o laudo técnico apresentado e lavrou auto de infração baseado na leitura de artigos científicos a respeito do produto sem a coleta e análise química das substâncias. Com a devida vênia, a Autoridade Fiscalizadora possui, nos autos deste processo, quatro diferentes laudos, de quatro diferentes peritos, todos credenciados na própria Receita Federal do Brasil, que chegaram às mesmas conclusões, qual seja de que o Contribuinte classificou de forma correta o produto objeto da presente autuação. Portanto, entendendo que, de fato, não assiste razão a Autoridade Fiscalizadora em não considerar os laudos técnicos pela especificidade técnica envolvida . Com isso posto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e aos fatos trazidos aos autos do presente processo, principalmente no que diz respeito aos laudos técnicos apresentados, voto no sentido de conhecer e dar provimento quanto ao mérito e, consequentemente, por afastar a aplicação de penalidades. Conclusão De acordo com os autos e a legislação aplicável, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. Valcir Gassen Relator Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 10314.723014/201518 Acórdão n.º 3301003.172 S3C3T1 Fl. 1.519 25 Fl. 1560DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.000803/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/10/2006
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 08 03 /2 00 6- 64Fl. 1180DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 06/12364040, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. O julgamento foi convertido em diligência para juntada de cópias de processos judiciais atinentes à questão (MS 2004.34.00.0066088 e AO 0053926 61.2010.4.01.3400) Uma vez cumprida a diligência determinada, a DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, mormente quando a realização de diligência oportuniza dirimir eventuais dúvidas. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando da realização de diligência, é admissível que a fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10111.000803/200664 Acórdão n.º 3401003.514 S3C4T1 Fl. 11 3 DOCUMENTO GRAFADO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. ADMISSIBILIDADE. A ausência de tradução juramentada de documento grafado em idioma estrangeiro não impede sua utilização nos autos, desde que fique demonstrada a ausência de prejuízo para as partes envolvidas. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte, como preliminar, argüiu a impossibilidade de juntada de documentos e esclarecimentos pela autoridade preparadora e a invalidade de documentos em língua estrangeira. No mérito, teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.301, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Fl. 1182DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10111.000803/200664 Acórdão n.º 3401003.514 S3C4T1 Fl. 12 5 qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, Fl. 1184DF CARF MF 6 como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1185DF CARF MF
score : 2.5631456
Numero do processo: 10111.000673/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/08/2006
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/08/2006 OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados.
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 06 73 /2 00 6- 60Fl. 1239DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 06/10187630, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. O julgamento foi convertido em diligência para juntada de cópias de processos judiciais atinentes à questão (MS 2004.34.00.0066088 e AO 0053926 61.2010.4.01.3400) Uma vez cumprida a diligência determinada, a DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, mormente quando a realização de diligência oportuniza dirimir eventuais dúvidas. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando da realização de diligência, é admissível que a fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10111.000673/200660 Acórdão n.º 3401003.512 S3C4T1 Fl. 11 3 DOCUMENTO GRAFADO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. ADMISSIBILIDADE. A ausência de tradução juramentada de documento grafado em idioma estrangeiro não impede sua utilização nos autos, desde que fique demonstrada a ausência de prejuízo para as partes envolvidas. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte, como preliminar, argüiu a impossibilidade de juntada de documentos e esclarecimentos pela autoridade preparadora e a invalidade de documentos em língua estrangeira. No mérito, teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.299, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Fl. 1241DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10111.000673/200660 Acórdão n.º 3401003.512 S3C4T1 Fl. 12 5 qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, Fl. 1243DF CARF MF 6 como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1244DF CARF MF
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