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Numero do processo: 10480.727759/2017-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/2017-49, afastadas as preliminares relativas à responsabilidade da recorrente por erro de classificação fiscal do fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Recorrente NORSA REFRIGERANTES S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/201749, afastadas as preliminares relativas à responsabilidade da recorrente por erro de classificação fiscal do fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, para constituir créditos tributários em desfavor da contribuinte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 27 75 9/ 20 17 -9 8 Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 3 2 epigrafada, no montante total de R$ 104.655.326,18 (cento e quatro milhões, seiscentos e cinqüenta e cinco mil, trezentos e vinte e seis reais e dezoito centavos), consolidado na data do lançamento, em decorrência das infrações abaixo enumeradas: Ø Créditos Indevidos crédito básico indevido : o estabelecimento industrial creditouse indevidamente de créditos básicos, em desrespeito à legislação do imposto; Ø Créditos Indevidos (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) : O estabelecimento industrial calculou erroneamente créditos de IPI decorrentes de aquisições de "Kit concentrados" da empresa Recofarma, e Ø Créditos Indevidos SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR INDEVIDO: O estabelecimento industrial creditouse indevidamente de saldo credor de período anterior, em desrespeito à legislação do imposto. A fiscalização concluiu que o procedimento correto para classificação fiscal dos kits adquiridos pela fiscalizada é a aplicação da RGI n° 1 sobre cada componente individual, e não sobre o conjunto, como fez a empresa e tendo em vista que os componentes dos kits devem ser enquadrados em códigos tributados à alíquota zero, o imposto calculado, como se devido fosse, seria zero. Assim, seria INEXISTENTE o direito a crédito de IPI decorrente das aquisições dos Kits da Recofarma. Além dos créditos indevidos decorrentes das aquisições da Recofarma, a empresa escriturou como créditos de IPI valores decorrentes da aquisição bens de consumo, a exemplo de solventes e detergentes, os quais não se prestam a ofertar créditos por não se enquadrarem como insumos. Analisando a notas fiscais de entrada, com créditos de IPI aproveitados pela fiscalizada, verificouse que ela se creditou do IPI incidente sobre a aquisição de ANTIBACTERIAL, OXONIA ATIVO, LUBODRIVE etc, que não podem ser considerados matériasprimas , pois não se incorporam aos produtos fabricados, posto que são, in facto, produtos de limpeza. Também não se prestam a material de embalagem. Quanto a serem produtos intermediários, igualmente não podem ser assim considerados, por não restar caracterizada a “ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele”. Esses itens são, em verdade, material de consumo, não ensejando o direito ao crédito do IPI, consoante entendimento adotado pela administração tributária no Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação n° 65/79. Procedeuse, então à reconstituição da escrita fiscal do IPI no período compreendido entre março de 2015 e dezembro de 2016. A planilha “Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI” leva em consideração os seguintes estornos de créditos glosados nesta fiscalização: 1. a coluna “Glosas Recofarma” representa os créditos calculados sobre os Kits adquiridos da Recofarma e que não são reconhecidos pela Receita Federal; e Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 4 3 2. a coluna “Glosas uso/consumo”, representa o estorno do IPI que foi aproveitado quando da entrada de bens de consumo, posto que tais aquisições não têm o condão de produzir créditos. Ainda ressaltou que a fiscalização desconsiderou o saldo credor lançado pela Norsa Refrigerantes, em sua escrita fiscal, já que o ora fiscalizado iniciou suas atividades em março de 2015, fruto de um processo de cisão com a Refrescos Guararapes, quando trouxe o saldo de IPI (de fevereiro/2015) apresentado pelo estabelecimento da Refresco Guararapes inscrito no CNPJ sob o n° 08.715.757/000416, no valor de R$ 24.516.709,06. Ocorre que aquele estabelecimento da Refrescos Guararapes sofreu idêntica fiscalização desta Receita Federal, quando se constatou a inexistência de saldo credor ao final de fevereiro de 2015. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou impugnação, aduzindo em sua defesa as razões sumariamente expostas a seguir: ü Da responsabilidade da impugnante (terceiro adquirente do concentrado); ü Nunca existiu na lei e não existe mais sequer previsão regulamentar estabelecendo a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal; ü Os fatos geradores objeto do AUTO sob exame foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto; ü Da alteração de critério jurídico; ü A IMPUGNANTE sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; ü Da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal; ü Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do referido produto beneficiado; ü Registrese que a RFB também tem competência para definir a classificação fiscal de produtos, mas essa não é exclusiva; ü A SUFRAMA definiu a classificação fiscal para o concentrado produzido pela RECOFARMA; Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 5 4 ü A própria SUFRAMA reconhece que o concentrado, por configurar "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produto único (de concentrado para refrigerantes), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado por isso classificado no EX. 01, a qual tinha alíquota de 27%; ü A própria SUFRAMA confirma que a RECOFARMA continua cumprindo a classificação fiscal do concentrado; ü Dessa forma, a classificação fiscal do concentrado para refrigerantes, utilizada pela RECOFARMA, qual seja, 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, está consubstanciada em ato administrativo vinculatório (Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007); ü Com efeito, pelo histórico das TIPIs, desde 1988, constatase que o concentrado para refrigerantes sempre foi classificado como uma mercadoria única constituída por diversos componentes, sendo relevante e suficiente para determinar a classificação como produto único a existência de um extrato concentrado/sabor concentrado daquela posição para que todos os demais componentes que a ele se juntem integrem o mesmo produto e sejam classificados na mesma posição; ü O item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) também reforça o fato de que os concentrados para refrigerantes, entregues em forma de "kits", são tratados como produtos únicos, porque a sua literalidade demonstra que esses concentrados constituem mercadoria unitária, integrada por diferentes componentes; ü E a razão de ser afastada a aplicação da regra de exceção 3 b) (que determina que os produtos misturados ou sortidos devem ser classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial) é justamente porque já existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados para refrigerantes da posição 22.02, qual seja, a posição 2106.90.10 EX. 01 e, pois, por essa razão deve ser aplicada a Regra Geral de Interpretação 1; ü De fato, as Notas Explicativas III, a), e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há uma posição específica para classificar a mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias; Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 6 5 ü Destaquese ainda que há outras mercadorias que, da mesma forma que o concentrado para refrigerantes, são entregues conjuntamente, em embalagens separadas, e, a despeito disso, são classificadas em uma única posição; ü Por fim, se houvesse qualquer dúvida quanto à aplicação da posição 21.06.90.10 EX. 01 aos concentrados para refrigerantes, constante das notas fiscais emitidas pela RECOFARMA, essa deveria prevalecer por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, devendo ser aplicado ao presente caso o disposto no art. 112 do CTN; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária. Em 23 de janeiro de 2018, através do Acórdão de Impugnação n° 1475.794, a 8ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü Na situação em comento, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário ao direito pretendido pela interessada. Ainda que legítimas e idôneas, aspecto que não é alvo de embate neste processo, não possuem mais a capacidade suficiente para respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa, pois não existe previsão legal para a manutenção de créditos indevidos. Principalmente por estes créditos serem incentivados, já que a saída se deu por isenção, e não houve qualquer ônus financeiro por parte da contribuinte. Admitir que uma isenção indevida possa conferir direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe cabe, haja vista que este ônus é inerente ao risco da atividade mercantilista; ü Quando constatado que algum procedimento ou abordagem contraria normas jurídicas, a sua alteração não se trata de mudança de critério jurídico, pois, frisese, critério jurídico supõe a adoção de uma posição interpretativa que a autoridade entenda ser a mais adequada ao caso concreto e outros similares, sem que a outra interpretação, preterida, possa ser tida como ilegal ou ilegítima. Ou seja, critério jurídico permite certa discricionariedade por parte do agente público, não se admitindo, nesta discricionariedade, interpretações que transbordem os limites impostos pelos normativos vigentes; ü Segundo a disposição do PAF, a classificação fiscal não é aspecto técnico e, desta forma, o laudo de especialistas não tem qualquer vinculação para a autoridade administrativa no que a ela se refere, pois a própria autoridade, considerando as regras aplicáveis à classificação, tem competência para formar seu juízo a respeito. Em outras palavras, o que define a classificação fiscal de um produto não Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 7 6 são as características técnicas, condição esta que, aliás, também é extraída das RGI/SH (Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado) e da própria TIPI, posto que não há nenhuma menção de que as descrições contidas nos textos devam estar condicionadas às características técnicas das mercadorias como determinantes para enquadramento em um ou outro código, a não ser quando elas assim especificam; ü A alegação de que outros órgãos técnicos poderiam ser responsáveis pela classificação fiscal dos produtos é absolutamente equivocada. Tanto é que nenhuma disposição normativa que trate dessa suposta competência foi mencionada na impugnação; ü Portanto, é totalmente descabido afirmar que a SUFRAMA tenha competência para efetuar a classificação fiscal de produtos ou tenha definido a classificação fiscal dos produtos da Recofarma; ü À evidência dos fatos, improcede qualquer tentativa de conduzir a discussão em uma linha de interpretação que considere os chamados “concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, a exemplo do que consta da impugnação; ü Não se está a discutir, a partir da classificação adotada pela contribuinte, a interpretação capaz de considerar os chamados “concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, mas se a realidade fática atinente a essas mercadorias admite uma única classificação ou classificações individualizadas a cada componente do kit. É neste contexto que a aplicação da Regra 2.a e Regra 3.b, que mais se aproximam do intento de conferir única classificação fiscal ao kit, foi suscitada, tendoas por inapropriadas; ü A narrativa dos fatos constatados pela Fiscalização revela que a empresa Recofarma, fornecedora dos insumos (kits) empregados pelo estabelecimento industrial, não utiliza diretamente, em seu processo de industrialização, matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; ü Não é a SUFRAMA que concede a isenção. Esta decorre da lei. A SUFRAMA aprova o projeto apresentado pela empresa. Somente estas empresas, cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA, é que podem beneficiarse da isenção; ü Ocorre que o açúcar cristal e demais matériasprimas utilizadas pela Recofarma já são produtos resultantes de processo industrial, são matériasprimas industrializadas e não se constituem em “matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de ü produção regional” a que a legislação faz menção específica. Somente poderiam ser Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 8 7 ü enquadradas na tipificação legal a canadeaçúcar e a semente de guaraná matériasprimas agrícolas e extrativas regionais por excelência; ü Os produtos de limpeza não tem contato direto com o refrigerante. Deve ser observado que a legislação que rege a matéria não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, nem ao conceito estabelecido pelos dicionários ou pela doutrina, mas especificamente ao conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem usualmente adotado pela legislação do imposto. Logo, para se considerar que tais gastos ensejam em direito ao crédito, estes terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados (MP, ME, PI); ü Tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. A empresa NORSA REFRIGERANTES S.A foi cientificada do Acórdão de Impugnação em 14/02/2018, por via eletrônica, às folhas 754. A empresa NORSA REFRIGERANTES S.A ingressou com Recurso Voluntário em 14/03/2018, folhas 756, apresentando suas razões de folhas 828 à 901. Foi alegado em síntese que: ü Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; ü Da alteração de critério jurídico; ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Da natureza do produto elaborado pela RECOFARMA como mercadoria única; ü Da classificação fiscal do produto definida pela SUFRAMA, pelas regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; ü Da aplicação do art. 112 do CTN; ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; ü Do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do art. 9° do DL N° 288/67; ü Da coisa julgada formada no MSI N° 95.00094703; ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 9 8 ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária; ü Da impossibilidade de exigência de multa; ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo de industrialização dos refrigerantes; ü Da improcedência da exigência de juros sobre a multa de ofício exigida no auto. DO PEDIDO Pelo exposto, a RECORRENTE pede e espera que seja dado provimento ao presente recurso para reformar a DECISÃO, cancelar o auto de infração em epigrafe e extinguir o crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 14 de fevereiro de 2018, por via eletrônica, às folhas 754 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 14 de março de 2018, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. ü Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; ü Da alteração de critério jurídico; ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Da natureza do produto elaborado pela RECOFARMA como mercadoria única; Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 10 9 ü Da classificação fiscal do produto definida pela SUFRAMA, pelas regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; ü Da aplicação do art. 112 do CTN; ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; ü Do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do art. 9° do DL N° 288/67 da coisa julgada formada no MSI N° 95.00094703; ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária; ü Da impossibilidade de exigência de multa; ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo de industrialização dos refrigerantes; ü Da improcedência da exigência de juros sobre a multa de ofício exigida no auto. Passase à análise. DAS PRELIMINARES. Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado. É alegado nos itens 3.14 a 3.17 do Recurso Voluntário: Como se vê, não há na lei (art. 62 da Lei n° 4.502/64) e não existe no regulamento a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal, sendo certo que os fatos geradores objeto do AUTO foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto. No caso, há aliquota especifica de 20% prevista na TIPI para o produto da posição 21.06.90.10 EX. 01, constante da nota fiscal, e o cálculo é feito mediante simples operação aritmética: a RECORRENTE identifica a classificação fiscal indicada na nota pela RECOFARMA e verifica na TIPI qual é a aliquota prevista para tal classificação. E é incontroverso que a RECORRENTE calculou o crédito de IPI segundo a aliquota de 20%, decorrente da classificação fiscal na posição 21.06.90.10. EX. 01, feita pelo fornecedor do insumo. Portanto, como a classificação dos concentrados na posição 21.06.90.10 EX. 01 foi feita pela RECOFARMA, fornecedora do Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 11 10 concentrado, e não cabe ao adquirente questionar essa classificação fiscal, a RECORRENTE agiu licita e corretamente ao calcular o crédito de IPI com base na alíquota correspondente a essa classificação fiscal. Faço minhas as palavras da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em sua contribuição nas Contrarrazões apresentas no Processo 11065.721801/201721, que se aplicam adequadamente a questão: A recorrente sustenta que a responsabilidade pela classificação fiscal seria exclusiva dos fornecedores, de modo que lhe deve ser reconhecido o direito à manutenção dos créditos de IPI, “posto que agiu de boafé” (fl. 470). A rigor, o cerne da demanda é o descumprimento dos requisitos legais para o aproveitamento do crédito de IPI, e não a regularidade formal do preenchimento da nota fiscal, o que conduz à rejeição da tese no particular. Não se trata propriamente de responsabilidade por infração à legislação tributária, mas do reconhecimento de que, por erro de classificação fiscal, houve apuração indevida de crédito de IPI, com repercussão na base de cálculo do imposto devido pela recorrente, na condição de contribuinte, e não de responsável. Assim, afigurase irrelevante discutir se o erro de classificação fiscal deve ser imputado em tese exclusivamente às fornecedoras dos “kits”. Constatado o erro de classificação fiscal, impõese o lançamento do tributo pela autoridade fiscal, por se tratar de atividade vinculada, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Nessa linha, a letra do artigo 62 da Lei n° 4.502/64, onde se determina que o adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham atendem às prescrições legais e regulamentares: Art. 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares. A Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrentou o assunto no Acórdão n° 03 06.055, Sessão de 08 de setembro de 2008, e admitiu a aplicação do artigo 62 da Lei n° 4.502/64 em caso análogo: “O Recurso Especial do Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional atendeu aos pressupostos para sua admissibilidade. O apelo merece ser conhecido. No mérito, circunscreve a questão, ao meu ver, em definir a correta aplicação dos artigos 62 e 82, ambos da Lei n.° 4.502/64, que Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 12 11 estabelece a obrigação do adquirente de produtos industrializados de verificar a regularidade do documento fiscal e a respectiva sanção. Passo a apreciar, então, os argumentos expendidos pelo voto vencedor do aresto em questão, que se subdividem em duas grandes linhas de raciocínio: a primeira pugna pela necessidade de prévia existência de ação fiscal contra o produtor remetente para que se possa apenar o adquirente; a segunda defende que não se podería autuar o adquirente por descumprimento das obrigações previstas no artigo 173 do RJPI/82, quando estas se referirem à classificação fiscal. Na forma do artigo 62 da Lei n.° 4.502/64, “os fabricantes, comerciantes e depositários que recebem ou adquirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados, ou ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais”. Da alteração de critério jurídico. Os argumentos referentes a esse tópico são condensados no item 4.7 do Recurso Voluntário: 4.7. Em suma: a) o critério jurídico do lançamento efetuado em relação ao mesmo sujeito passivo somente pode ser modificado de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial para fatos geradores e/ou saldos credores de IPI posteriores à introdução do fato que ensejou a alteração do critério; b) no presente caso, o novo critério jurídico foi aplicado em relação ao período anterior a 11.09.2017, data da ciência do presente AUTO, no qual foram questionadas a natureza do produto adquirido e a sua classificação fiscal pela primeira vez em relação à RECORRENTE; e c) por conseguinte, a modificação do critério jurídico no sentido de que o produto não seria o concentrado para bebidas não alcoólicas e que haveria equivoco de classificação fiscal somente poderia ter sido introduzida para os lançamentos relativos a fatos geradores e/ou saldos credores de IPI referentes a operações posteriores ao referido marco. Não assiste razão ao Recorrente. A apontada violação do art. 146 do CTN decorreria de novo critério jurídico adotado pela autoridade fiscal, hipótese não constatada no caso dos autos. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 13 12 O fulcro da ação fiscal foi a consideração de uma situação de fato: A impossibilidade de se enquadrar os “concentrados” na classificação na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da NCM/TIPI. A Recorrente tenta distorcer a aplicação do art. 146 do CTN, que pressupõe mesma circunstância fática, mesmo sujeito passivo e alteração do critério jurídico para os mesmos fatos geradores, o que não é o caso. Artigo 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Nas palavras da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em sua contribuição nas Contrarrazões apresentas no Processo 11065.721801/201721, que se aplicam adequadamente a questão: O dispositivo em comento é claro ao estabelecer o parâmetro temporal para aplicação do novo critério jurídico em relação ao mesmo sujeito passivo, qual seja: os fatos geradores futuros, isto é, ocorridos após a introdução do critério jurídico modificado. O mandamento legal pressupõe a segurança do sujeito passivo, estabilizando a intepretação jurídica dos fatos geradores que interferirão na esfera jurídica do eventual autuado. No caso em tela, não houve qualquer alteração de critério jurídico relacionado aos fatos geradores do IPI lançados contra a Ambev. Desde o início do procedimento fiscal, a autoridade lançadora demonstrou, sob a mesma premissa jurídica, que a Recorrente não poderia ter utilizado dos créditos de IPI porque eles não atendiam aos preceitos legais concessivos do benefício, notadamente as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH. A Fiscalização demonstrou que a classificação dos kits de “concentrados” adquiridos pela “engarrafadora” não poderiam ter sido classificados na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da TIPI, fato que impossibilita a recorrente de aproveitar os créditos de IPI com alíquota de 20% (vinte por cento). Além disso, o art. 146 do CTN é aplicável quando a modificação do critério jurídico no exercício do lançamento ocorre para o mesmo sujeito passivo. A recorrente não experimentou qualquer alteração nesse sentido, tendo em vista que ela não demonstrou que foi autuada precedentemente por auto de infração que tivesse manifestado expressamente classificação fiscal diversa em relação aos “kits”.. O fato de a recorrente ter supostamente adquirido “os mesmos kits de seus fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, sob a mesma classificação fiscal sem sofrer qualquer tipo de questionamento configura hipótese de mero silêncio administrativo, o que não se Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 14 13 confunde com adoção de critério jurídico pela autoridade administrativa. Se não houve previamente adoção de critério jurídico acerca da classificação fiscal do produto em relação ao mesmo sujeito passivo, é logicamente impossível que tenha havido posterior alteração de critério jurídico. Ademais, a tese recursal afronta os diversos precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão n° 3402004.073: Em meu entendimento, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados pelo próprio contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. Como a recorrente não especifica no recurso voluntário qual teria sido o ato administrativo anterior emitido com posicionamento divergente do presente lançamento, pelo contexto de suas alegações, entendese que a recorrente esteja se referindo à ausência de autuações anteriores para reclassificação fiscal dos denominados "kits". No entanto, o art. 146 do CTN não abriga a tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à fiscalização. Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto sobre o tema, no seu voto no Acórdão n° 1401001.649 4(' Câmara / 1 Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar esse entendimento da Recorrente, passase um atestado de onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar toda irregularidade existente na empresa, pois senão, nos anos seguintes, mesmo que detectado essa irregularidade o fiscal não poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o critério jurídico". Eventuais procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (lançamento ou decisão motivada de não lançar) não podem ser estendidos para períodos posteriores, eis que estão vinculados aos fins para os quais foram instaurados. O procedimento fiscal não pode ser dissociado dos fatos ocorridos naquele período fiscalizado e da matéria sob investigação, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores, no caso de resultar lançamento, por exemplo. Por essas razões não pode prosperar a alegação da recorrente de alteração dos critérios jurídicos adotados no lançamento a que se refere o art. 146 do CTN. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 15 14 Acórdão n° 3402003.799: ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento e não a lançamentos diversos, como aduzido neste caso. Quanto às “práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, cumpre assinalar que o termo “observadas”, no texto legal, tem a conotação de que a autoridade administrativa ao praticar, ou deixar de praticar um ato, ou conjunto de atos discricionários, analisouos e julgouos adequados àquela determinada situação. O termo “reiteradamente” leva ao entendimento de que a autoridade administrativa, após análise do caso concreto, julgando apropriado o procedimento adotado, repetiuo por vezes. A mera repetição, entretanto, não é suficiente. Não é qualquer ato praticado por autoridades administrativas que pode ser considerado como norma complementar. Somente os atos em relação aos quais é permitida certa discricionariedade, quando praticados reiteradamente, podem ser considerados como normas complementares nos termos do art. 100 do CTN. Por outro lado, os atos de natureza vinculada, quando praticados em desacordo com a legislação, não estão sujeitos a validação e não podem ser considerados como normas complementares. Como se pode facilmente constatar, as práticas reiteradas das autoridades administrativas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. Nesse sentido, para que se forme uma prática reiterada devem estar presentes o uso, ou seja, a conduta reiterada (requisito objetivo) e a convicção jurídica de que aquela conduta é a que deve ser observada (requisito subjetivo). Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica que deriva de longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção de sua necessidade jurídica. Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; O Sistema Harmonizado é uma nomenclatura utilizada internacionalmente, como um sistema padronizado, desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA), sediada em Bruxelas, da qual o Brasil é integrante e ativo participante. A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aplicável aos países membros do bloco desde 1995, é calcada no Sistema Harmonizado e segue rigorosamente as suas diretrizes, especialmente quanto a manter a uniformização no tratamento das transações do comércio internacional. A classificação de mercadorias, no país, como de resto toda a aplicação da legislação aduaneira, é da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma do Decreto nº 9.003, de 13/03/2017 e do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 16 15 Decreto nº 9.003, de 13/03/2017: Art. 25. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: (...) XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria; Regimento Interno da Receita Federal do Brasil: Art. 1º A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, tem por finalidade: (...) XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relativas a nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, e representar o País em reuniões internacionais sobre a matéria; Para aclarar a questão, colacionase fragmento do Acórdão n° CSRF 9303 006.987 da Câmara Superior de Recursos Fiscais de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços que administra a Zona Franca de Manaus, com a responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional que utilize de forma sustentável os recursos naturais, assegurando viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida das populações locais. Assim, é natural que o mecanismo escolhido pelo legislador para demonstrar que o projeto produtivo atende à política de desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da região tenha sido a aprovação pela SUFRAMA. Mas é a Receita Federal do Brasil, vinculada ao Ministério da Fazenda, quem tem a competência para verificar o cumprimento de todos os requisitos quando da efetiva utilização de benefícios fiscais, e cobrar os valores de imposto que sejam devidos, observando se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). Não há que se falar em conflito entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia, exercendo sua competência, aprovou o projeto de Recofarma, que reconhecidamente permanece válido para fins de atendimento a um dos requisitos previstos no art. 6° do Decreto Lei n° 1.435/75. O Fisco, exercendo a sua competência, analisou a legitimidade da utilização da isenção, e constatou que não foi atendida a exigência de emprego de matériaprima extrativa vegetal de Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 17 16 produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, respeitandose a área de atuação de cada órgão. Esse mesmo entendimento é repisado pelos seguintes Acórdãos de Recurso Voluntário:3302003.741, 3302004.410 e 340202.934. Da utilização indevida de saldo credor do período anterior. O § 5o do artigo 6o da Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015., que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim determina:] Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. É alegado nos itens 9.1 e 9.2 do Recurso Voluntário: A AUTORIDADE glou, na escrita fiscal da RECORRENTE, o saldo credor apurado no periodo anterior à época dos fatos geradores do presente AUTO, em razão de o estabelecimento da Refrescos Guararapes (incorporado após cisão parcial) ter sofrido idêntica fiscalização que constatou a inexistência de saldo credor ao final de fevereiro de 2015 e que resultou na lavratura do auto de infração, objeto do processo administrativo n° 10480.729138/201749. Ocorre que a discussão administrativa referente ao PA n° 10480.729138/2017 49 ainda não está encerrada e, portanto, a escrita fiscal da RECORRENTE não deve ser reconstituída até que seja confirmada, ou não, a glosa do crédito Com estas considerações, voto no sentido de determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 1050DF CARF MF
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Numero do processo: 14090.720754/2017-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013
COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ACERCA DA MATÉRIA SOLIDIFICADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO
A existência de coisa julgada permitindo o crédito de IPI na aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus impede a análise do crédito presumido na instância administrativa.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE.
A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito.
COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DADA PELO FORNECEDOR DOS PRODUTOS. NECESSIDADE DE CONFERÊNCIA PELO ADQUIRENTE.
Em razão da não cumulatividade do IPI e de sua sistemática imposto sobre imposto, o adquirente de produtos industrializados deve conferir se a nota fiscal atende todas as prescrições legais e regulamentares, conforme art. 62 da Lei nº 4.502/1964, aí se incluindo a classificação fiscal.
Numero da decisão: 3301-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ACERCA DA MATÉRIA SOLIDIFICADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO A existência de coisa julgada permitindo o crédito de IPI na aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus impede a análise do crédito presumido na instância administrativa. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 72 07 54 /2 01 7- 89 Fl. 10355DF CARF MF 2 Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DADA PELO FORNECEDOR DOS PRODUTOS. NECESSIDADE DE CONFERÊNCIA PELO ADQUIRENTE. Em razão da não cumulatividade do IPI e de sua sistemática imposto sobre imposto, o adquirente de produtos industrializados deve conferir se a nota fiscal atende todas as prescrições legais e regulamentares, conforme art. 62 da Lei nº 4.502/1964, aí se incluindo a classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de auto de infração (fls. 0215) lavrado em 15/09/2017 para constituição de crédito tributário de IPI na monta de 63.270.378,60 (sessenta e três milhões, duzentos e setenta mil, trezentos e setenta e oito reais e sessenta centavos) para o período que compreende o 04º trimestre de 2012 até 04º trimestre de 2013. A acusação fiscal reside na utilização de crédito indevido, sob a rubrica "outros créditos", decorrentes da aquisição de insumos (kits de concentrados) da RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ nº 61.454.939/000106, para a fabricação de refrigerantes. As verificações acerca da correta apuração do IPI devido, objeto deste Auto de Infração, foram realizadas quando da análise de 05 Pedidos de Ressarcimento (PERDCOMP) referentes aos Períodos de Apuração (PA) 4º Trimestre/2012 a 4º Trimestre/2013, apresentando também pedidos de compensação DCOMP para utilização dos supostos créditos referentes ao Ressarcimento de IPI para quitação de débitos tributários junto à Fazenda Nacional. Fl. 10356DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.356 3 Depreendese do relatório fiscal de fls. 1642 que a análise dos créditos pleiteados no PER foram confrontados e confirmados com a Escrituração Fiscal Digital – EFD IPI do contribuinte, onde se verificou que a maior parte dos créditos do IPI escriturados é oriunda de insumos destinados à fabricação de bebidas (refrigerantes, especialmente) adquiridos de RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA (doravante RECOFARMA), CNPJ 61.454.393/000106, empresa situada na Zona Franca de Manaus. Consta ainda deste relatório que se tomou prova emprestada do processo nº 10010.038171/061691 quanto às informações detalhadas do processo produtivo do contribuinte, quanto à auditoria in loco no estabelecimento do sujeito passivo, bem como em relação às informações prestadas pelo seu principal fornecedor de matériasprimas, a empresa RECOFARMA. Afirma a autoridade fiscal que a autuação fundamentase em duas partes distintas e independentes, a PARTE I, correspondente aos créditos incentivados indevidos do IPI oriundos de produtos não elaborados com matériasprimas extrativas vegetais de produção regional e a PARTE II, correspondente aos créditos incentivados do IPI aproveitados indevidamente em função de erro de classificação fiscal e alíquota. Parte I créditos incentivados indevidos do IPI oriundos de produtos não elaborados com matériasprimas extrativas vegetais de produção regional A fiscalização afirmou que a maior parte dos créditos de IPI escriturados pela fiscalizada no período sob análise (4º trimestre/2012 a 4º trimestre/2013) é oriunda de insumos destinados à fabricação de refrigerantes, descritos na NF como “concentrados” ou "kits de concentrados" (NCM 2106.90.10), adquiridos da empresa RECOFARMA localizada na Zona Franca de Manaus. Os produtos são comercializados por RECOFARMA em forma de kits constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada componente sai do estabelecimento industrial em embalagem individual. Fl. 10357DF CARF MF 4 Todavia, não há destaque de IPI nas notas fiscais de saída emitidas pela RECOFARMA, pois entendese que os produtos estariam isentos do imposto com base no art. 81, incisos I e II; e art. 95, inciso III (c/c art. 237) do RIPI/2010 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, instituído pelo Decreto nº 7.212, de 15/06/2010. A autuada, ora Recorrente, escriturou crédito por estas aquisições isentas dos kits de concentrado, como se tributado fosse. A alíquota de IPI vigente à época dos fatos (4º Trim./2012 a 4º Trim./2013) para os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 era de 20% (Decreto nº 7.660, de 23/12/2011, alterado pelos Decreto nº 7.742, de 30/05/2012, e Decreto nº 8.017, de 17/05/2013). Estes concentrados adquiridos de fornecedores localizados na ZFM, gozam da isenção prevista no art. 81, II do RIPI/2010. Em razão deste dispositivo, os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional, estarão isentos se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico. Para este benefício fiscal, não há previsão legal permitindo o crédito de IPI, aplicandose a alíquota correspondente na TIPI para a classificação fiscal do produto. Assim, não haveria possibilidade de crédito para estas aquisições. Intimada para justificar a razão do creditamento, a Recorrente informou a existência de coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834 que assegurou aos associados da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC), da qual a Recorrente faz parte, o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos oriundos da ZFM (petição inicial do MSC em fls. 166184) e também em razão do o entendimento do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), exposto no julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 212.484RS, que asseguraria o mesmo direito. A fiscalização descartou a argumentação e entendeu que o crédito é indevido, isso porque o RE 212.484RS citado tem aplicação apenas entre as partes e não alcança a Recorrente. Quanto ao Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes de CocaCola (AFBCC) perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, a fiscalização também afastou os efeitos da coisa julgada no caso, porque, nos termos do que declarado pelo STF, em sessão Plenária realizada em 30/04/2014, em que se julgou o Agravo Regimental na Reclamação nº 7778, que por sua vez foi ajuizada em face do suposto descumprimento da decisão proferida naquele Mandado de Segurança Coletivo, o provimento judicial proferido naquela ação coletiva teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, território do órgão prolator da decisão, nos termos do art. 2ºA da Lei 9.494, o que não alcança a autuada (domiciliada fora do RJ). Esta Parte I do relatório fiscal também analisa a possibilidade de créditos decorrentes do art. 237 e 95, III, do RIPI/2010. Este permissivo legal garante o direito ao crédito pelas aquisições de produtos isentos, como se devido fosse, desde que sejam produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, desde que os projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA e desde que o bem seja empregado pelo adquirente como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. Fl. 10358DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.357 5 A fiscalização entendeu que a Recorrente atendeu todos os requisitos exigidos por este dispositivo legal, exceto a condição de ser matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. Intimada a prestar esclarecimentos sobre se utiliza matéraprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional para a produção dos kits, a Recorrente afirmou que estas aquisições se referiam ao açúcar utilizado na produção do caramelo e do ácido cítrico, álcool neutro, também proveniente da canadeaçúcar e o extrato de guaraná, proveniente da semente do guaraná. Afirmou que toda a canadeacúcar e semente de guaraná utilizados são produzidas por Agropecuária Jayoro, localizada na Amazônia Ocidental. A fiscalização entendeu que nenhum dos três itens informados pela RECOFARMA pode ser caracterizado como matériaprima agrícola e extrativa vegetal, pois nenhum deles é resultado de processo de extração de um vegetal. Tratamse, efetivamente, de produtos industrializados a oriundos da matériaprima vegetal canadeaçúcar (açúcar e álcool neutro) e da semente de guaraná (extrato de guaraná). Assim, levandose em conta que a Lei determina, para o gozo da isenção (art. 6º, caput, do DL 1435/72, base legal p/ isenção do art. 95, III, do RIPI/2010), que os produtos sejam produzidos com MATÉRIA PRIMA agrícola ou extrativa, e não com PRODUTO INTERMEDIÁRIO, a fiscalização realizou a glosa dos créditos indevidamente escriturados no RAIPI. Afirmou a fiscalização que para esta isenção do art. 95 do RIPI/2010 e art. 6º do DL 1.435/1972, não é exigido o despacho da autoridade administrativa de que trata o art. 179 do Código Tributário Nacional. O papel da SUFRAMA é aprovar os projetos para fruição do benefício fiscal, no entanto, inexiste na legislação qualquer norma que limite total ou parcialmente o exercício da competência da RECEITA FEDERAL na fiscalização do benefício sob análise, pois, para usufruir do benefício, as empresas precisam atender a todos os requisitos previstos na legislação, e não só aquele constante do § 2º do art. 6º do DL nº 1.435/75. PARTE II – Créditos incentivados do IPI aproveitados indevidamente em função de erro de classificação fiscal e alíquota Como acusação independente da parte I, afirmou que houve erro na classificação fiscal do produto fornecido pela RECOFARMA, o que permite a glosa, pois a classificação correta tem uma alíquota igual a zero. Assim, não haveria crédito, já que o valor do IPI calculado sobre os produtos em questão, como se devido fosse, seria zero. A fiscalização realizou a coleta dos kits elaborados pela RECOFARMA, bem como juntou aos autos fotos dos kits (fls. 302313; 343359) e pediu a elaboração de laudo pericial pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. Assim, solicitou exame laboratorial para que os Laudos de Análise apresentassem dados técnicos sobre os produtos, em especial a identificação dos ingredientes contidos em cada parte dos kits. Os resultados dos exames laboratoriais solicitados pela fiscalização constam de Laudos de Análise que foram anexados ao presente processo (fls. 64101). Afirmou a fiscalização que os "kits de concentrado" não é uma mercadoria única. Os kits (concentrados) para fabricação de refrigerantes são constituídos de dois ou mais componentes (ou partes), sendo que cada componente está acondicionado em embalagem Fl. 10359DF CARF MF 6 individual (bombona, saco, garrafão, caixa ou contêiner), cujo conteúdo de cada parte pode ser líquido ou sólido. Esses componentes dos kits são misturados, operação de industrialização em que o engarrafador adiciona água e açúcar, adicionando cada parte do kit por vez. A preparação líquida, então, se torna um xarope composto que passa por tratamento complementar, adicionandose água e gás carbônico, resultando o refrigerante pronto para ser consumido. A fiscalização afirmou que as empresas tratam os kits como uma mercadoria única por uma decisão comercial, denominada de “concentrado”, aplicando a alíquota prevista para o Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, e não por uma imposição da realidade técnica e/ou mercadológica. Neste sentido, não haveria impedimento para que cada componente de kits para fabricação de bebidas fosse fabricado e vendido por um estabelecimento diferente, nem para que o fornecedor efetuasse remessas em separado dos componentes dos kits, e nem para que fosse especificado o preço cobrado por cada componente. A fiscalização questionou a classificação fiscal no Ex 01 do código 2106.90.10, estabelecendo que para este enquadramento o produto deve satisfazer os seguintes requisitos: a) Que seja uma preparação composta. b) Que não seja alcoólica. c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. No entendimento da fiscalização, tais preparações não atendem às condições citadas nas letras “c” e “e”, acima. Nenhum componente dos kits, isoladamente considerado, nem em conjunto como um kit, pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. Para que ficasse caracterizado um produto chamado de "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, tanto que as empresas criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam uma mercadoria única. Afirmou que não se pode atribuir capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para fabricação de bebidas. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físicoquímicas da bebida que se pretende comercializar. Afirmou que o laudo pericial, elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, aos responder os quesitos, afirmou que as partes dos kits concentrados vendidos pela RECOFARMA não podem ser considerados como extrato concentrado ou sabor concentrado. A fiscalização ainda afirmou que nenhuma das partes que compõe os kits adquiridos pela autuada, quando individualmente considerada, pode ser classificada na Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, já que o concentrado só surge quando o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit é misturado, ou seja, por meio de um processo de industrialização (transformação) realizado depois da venda. Fl. 10360DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.358 7 Concluiu também pelo não atendimento do requisito arrolado no item “e", que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”, pois pela mera diluição do produtos não se alcança a bebida final. Por isso, os produtos vendidos pela RECOFARMA não podem ser considerados "concentrados", pois, se diluídos, não apresentam mais as mesmas características de identidade e qualidade da bebida, conforme § 4º do artigo 13 e artigo 30 da Lei nº 8.918/1994. Para a classificação fiscal, a autoridade fiscal assim concluiu: Em procedimentos fiscais recentes, constatouse que os componentes mais importantes dos kits para fabricação de bebidas são aqueles que contêm extratos e ingredientes aromatizantes específicos para a bebida a ser industrializada (por exemplo, componentes que contenham extrato de cola ou extrato de guaraná), devendo ser classificados no código 2106.9010 , como uma “ Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, cuja alíquota do IPI é zero . Essa preparação, porém, não se classifica no Ex 01 do código 2106.90.10, pois, conforme já explicado, a embalagem individual não contém todos os ingredientes necessários para caracterizar um produto chamado de “concentrado”. No caso de componentes que correspondam a uma mistura de ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, deve ser aplicado o código 2106.90.90, reservado às “Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições Outras Outras”, também tributado à alíquota zero do IPI . (grifei) A partir das glosas de crédito realizadas pela fiscalização a apuração do IPI foi refeita, encontrandose um saldo de IPI a pagar, culminando neste auto de infração. Intimada do auto de infração, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 9.6709.740, argumentando pelo cancelamento do auto de infração conforme se resume abaixo: os concentrados adquiridos pela impugnante são beneficiados pela isenção do art. 81, II do RIPI/2010, com base legal no art. 9º do DL nº 288/1967. Com base nesta isenção, por ser produto adquirido da ZFM, a contribuinte faz jus ao crédito presumido de IPI, calculandose o crédito como se devido fosse, com base na coisa julgada formada no MSC nº 91.00477835, bem como no RE nº 212.484 julgado pelo STF; caso assim não se entenda, os produtos adquiridos pela autuada podem também ser enquadrados em outra isenção, prevista no art. 95, III do RIPI/2010, permissivo legal do art. 6º do DL 1.435/1975, que concede isenção para matériaprima agrícola e extrativa vegetal adquirida de produtor situado Amazônia Ocidental e a possibilidade de crédito presumido de IPI para estas aquisições decorre da própria disposição do art. 239 do RIPI/2010, não necessitando da coisa julgada. explica a atual situação da coisa julgada, em que por um momento havia uma reclamação no STF limitando a abrangência da decisão para os limites territoriais do órgão julgador com base no art. 2ºA da Lei 9.497/1997 (TRF da 2ª Região), mas que em Fl. 10361DF CARF MF 8 23/02/2017 transitou em julgado nova decisão do STJ, proferida nos autos do próprio MSC nº 91.00477834, reconhecendo que a coisa julgada é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados; explica que o STF também julgou extinta a Reclamação nº 7.778 por perda superveniente de objeto; afirma que mesmo que não se aceite a coisa julgada, os produtos que adquire são considerados matériaprima agrícola e extrativa vegetal produzidos na Amazônia Ocidental, gozando da isenção do art. 95, III do RIPI/2010 na qual a própria legislação assegura a possibilidade de escrituração do crédito; quanto à alíquota utilizada para fins de apuração do seu crédito presumido e acusação de erro na classificação fiscal, em razão de que tais concentrados adquiridos deveriam ser classificados por suas partes, a contribuinte argumenta que a autoridade fiscal não indicou os componentes do concentrado que deveriam ser classificados separadamente e em quais posições da TIPI, o que, por si só, gera nulidade do auto de infração neste ponto; afirma ainda que a impugnante é terceiro, adquirente dos concentrados para refrigerantes. A classificação fiscal dos produtos adquiridos é realizada pela fornecedora, RECOFARMA, não podendo este suposto erro ser imputado à impugnante; cita o art. 62 da Lei 4.502/1964 que determina que o adquirente verifique se os documentos fiscais dos produtos adquiridos atendem as prescrições legais e regulamentares, não se incluindo nestas obrigações a verificação da classificação fiscal adotada pelo fornecedor, nem mesmo pelo art. 327 do RIPI/2010. Como a classificação fiscal foi feita pela fornecedora, a impugnante agiu lícita e corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI; em relação aos concentrados para refrigerante, a apuração do crédito é simples cálculo aritmético, calculandose o crédito de IPI segundo a alíquota decorrente da classificação fiscal feita pelo fornecedor do insumo, na época, de 20%; a alteração da classificação fiscal também não pode ser realizada pela fiscalização por representar alteração de critério jurídico, violando o disposto no art. 146, CTN. Isso porque, em verificações fiscais anteriores, não houve qualquer questionamento relativo à classificação fiscal do concentrado para refrigerantes e a Recorrente sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; afirma que no processo administrativo 10183.721209/201396, em que se discutiu outro auto de infração lavrado em 15/03/2013 em face da impugnante, a glosa do crédito foi levada a efeito apenas em razão do entendimento de que os produtos adquiridos não eram produtos agrícolas e extrativa vegetal do art. 6º do DL 1.435/1975, sem nada mencionar acerca da classificação; no procedimento de lançamento, nos termos do art. 142, CTN, a autoridade tem o dever de examinar todos os aspectos legais formadores do fato gerador da obrigação tributária, inclusive a classificação fiscal; a revisão da classificação fiscal só foi realizada em setembro de 2016, processo administrativo 14090.720284/201672, em outro auto de infração, onde se afirmou que a classificação fiscal na posição 21.06.90.10 Ex. 01 para os kits concentrados estava incorreta. Portanto, somente para os fatos geradores que viessem a ocorrer a partir desta Fl. 10362DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.359 9 mudança de critério jurídico (27.09.2016) é que esta mudança na classificação poderia ser aplicada, por hipótese; na pior das hipóteses, afirma que este novo critério jurídico deve ser aplicados apenas a partir de 22/12/2014, data em que a RECOFARMA foi notificada de um auto de infração, onde se exigiu multa por erro na classificação fiscal do kit concentrado; ainda que não sejam aceitos estes argumentos, defende a competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos objeto de projetos industriais aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais; a SUFRAMA tem competência para aprovar os projetos industriais para fruição dos benefícios previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6º do DL n° 1.435/75, conforme se verifica dos dispositivos a seguir do Decreto n° 7.139/2010, Anexo I. E, para aprovar o projeto industrial, a SUFRAMA define o respectivo PPB do produto incentivado; eis os arts. 13, 15 e 23 da Resolução do CAS n° 202/2006; ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal. Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do referido produto beneficiado; afirmou que o STJ já decidiu que a RFB não tem competência exclusiva para proceder à classificação fiscal de produto, prevalecendo a classificação fiscal definida pelo órgão técnico, naquele caso a ANVISA, não cabendo à RFB questionar; afirmou que a SUFRAMA definiu a classificação fiscal para o concentrado produzido pela RECOFARMA, por intermédio da Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007, consta que a caracterização do produto é de concentrados para bebidas não alcóolicas, com enquadramento na NCM 2106.90.10 Ex. 01; a partir da definição dada pela SUFRAMA ao produto fabricado pela RECOFARMA, a própria SUFRAMA reconhece que o concentrado, por configurar "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produto único (de concentrado para refrigerantes), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado por isso classificado no EX. 01; quanto à classificação fiscal a ser definida pelas regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH, afirmou que, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, a interpretação histórica das TIPIs e a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto n° 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto n° 435/92, levam à conclusão de que está correta a classificação fiscal do concentrado de refrigerantes como mercadoria única na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da TIPI/2010, a mesma classificação dada pela SUFRAMA e reconhecida no Parecer PGFN nº 405/2003; Fl. 10363DF CARF MF 10 pelo histórico das TIPIs, desde 1988, contatase que o concentrado para refrigerantes sempre foi classificado como uma mercadoria única constituída por diversos componentes; Na TIPI de 1988 estava na posição 21.06.90.01, alíquota de 36%; a Resolução do Comitê Brasileiro de Nomenclatura nº 78/1989, manteve a descrição de concentrados como preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas na posição 21.06.90, tratando estas preparações compostas como mercadoria única. Alíquota de 40%; em 1996 a posição 21.06.90.10 continuou compreendendo as preparações compostas não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), evidenciando que a mercadoria é composta de várias partes, passando a enfatizar nos Ex. 01 e Ex. 02 a relevância de sua destinação. Alíquota de 27%; na TIPI de 2002 mantevese a mesma descrição, alterandose a alíquota para 20%; o item XI da nota explicativa referente à regra geral de interpretação 3 b) reforça o argumento de que os concentrados de refrigerantes, "kits", são tratados como produtos únicos, mercadoria unitária integrada por diferentes componentes; as posições Ex. 01 e Ex. 02 são mais específicas, e se há uma posição mais específica para classificar a mercadoria, esta que deve prevalecer; a adição de outros ingredientes não descaracteriza os concentrados para refrigerantes como produtos prontos para uso. Se houvesse qualquer dúvida quando à aplicação da posição NCM, a RECOFORMA deveria recorrer à classificação fiscal dada pela SUFRAMA; afirma que o produto concentrado produzido, distribuído e comercializado pela RECOFARMA é uma preparação composta, para atender um fim específico. A comercialização em kits é uma decisão técnica que visa preservar a qualidade do concentrado, manter a proporcionalidade dos insumos e evitar a ocorrência de alterações físicoquímica, facilitando a preparação e conservando ao máximo seus componentes. Portanto, tratase de mercadoria unitária, pois não há possibilidade de comercialização individual das partes que o compõem. a multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; No caso, a SUFRAMA tem competência para aprovar projeto industrial para fruição da isenção prevista no art. 9o do DL n° 288/67 e no art. 6° do DL n° 1.435/75 e, pois, para classificar o produto beneficiado, nos termos do Decreto n° 7.139/2010 c/c a Resolução do CAS n° 202/2006. A Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007, aprovou o projeto industrial para fruição do beneficio do art. 9o do DL n° 288/67 e do art. 6o do DL n° 1.435/75 ao concentrado fabricado pela RECOFARMA, bem como o classificou na posição 21.06.90.10 EX. 01; ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 20% decorrente da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com Fl. 10364DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.360 11 matériaprima adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental, a IMPUGNANTE agiu de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007. defende a impossibilidade de exigência da multa com base no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64, diante da existência de decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 0202.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM; 0202.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO e 020.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA) defende a impossibilidade da exigência de juros sobre a multa de ofício por implicar numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; se a intenção do legislador fosse exigir juros sobre a multa de oficio teria previsto expressamente em lei que os juros de mora incidiriam sobre os débitos e sobre as respectivas multas deles decorrentes; Em 20/02/2018, a 8ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão n.º 1476.152 (fls. 10.02810.063), julgando improcedente a impugnação apresentada, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2012, 2013 CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOSORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSAS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2012, 2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam, efetivamente, uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização, ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 10365DF CARF MF 12 Anocalendário: 2012, 2013 ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DE CRÉDITO DE IPI NA APURAÇÃO DO SALDO DEVEDOR. INOCORRÊNCIA. Tendo a autoridade fiscal afastada, expressa e indubitavelmente, a possibilidade de apropriação de crédito de IPI, e não se vislumbrando, nos autos, a presença de elementos que autorizem imaginar o reconhecimento da existência de parcela de algum tipo de crédito, não cabe cogitar de qualquer ilegalidade na apuração dos saldos devedores, fundamentada na desconsideração de crédito de IPI na referida apuração. APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico deve ser entendida como uma mudança de posição interpretativa da Administração a respeito de determinada norma. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa por parte da Administração Tributária. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. CLASSIFICAÇÃO EQUIVOCADA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Na situação, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa. DECISÕES DO STF EM SEDE DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EFEITOS ERGA OMNES. DECRETO Nº 2.346, DE 1997. As decisões judiciais atinentes a casos concretos possuem apenas efeitos inter partes e não vincula os atos da Administração Tributária. Uma decisão emanada do Supremo Tribunal Federal somente alcançaria terceiros não participantes da lide se observadas as condições descritas pelo Decreto nº 2.346, de 1997. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição, e seu alcance restringese aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator. Fl. 10366DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.361 13 OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS EXPEDIDOS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a que se refere o inciso I do art. 100 do CTN, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos que versem sobre matéria tributária. São atos gerais e abstratos, tais como portarias, instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos legais ou de instrumentar o cumprimento das obrigações tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos termos de parágrafo único do art. 100 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. Não há que se falar em aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 100, II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, Recurso Voluntário (fls. 10078 10155), devolvendo a análise de todas as matérias já ventiladas em sede de impugnação, juntando laudo do INT Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 10.245 10.275) para atestar a condição de produto único dos kits. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em fls. 10.30710.344, contraditando todos os argumentos do Recurso Voluntário e pugnando pela manutenção do auto de infração pelos fundamentos do TVF. É o relatório Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos legais, merecendo ser conhecido. Fl. 10367DF CARF MF 14 1. DA COISA JULGADA Há nos autos relevante controvérsia acerca do trânsito em julgado do Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes de CocaCola perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, onde restou garantido o direito de crédito de IPI, como se tributado fosse, presumido portanto, de produtos isentos adquiridos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Ressaltese que, caso no aspecto subjetivo se constate que todos seus associados são beneficiários, inclusive a ora Recorrente, o deslinde da causa depende da análise desta prejudicial. A autoridade fiscal afirmou não ser possível a aplicação desta coisa julgada em benefício da Recorrente, em razão da Reclamação no STF nº 7778. Esta Reclamação foi interposta no STF por uma das associadas, localizadas no Estado de São Paulo, para ver garantida esta mesma coisa julgada, tendo em vista que vinha sofrendo autuações no Estado de São Paulo sob o argumento de que a coisa julgada tinha aplicação restrita aos limites territoriais do órgão judiciário que proferiu a decisão, qual seja, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Isso porque no MSC, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região havia feito esta limitação territorial com base no art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997. No entanto, este capítulo da decisão ainda não estava transitado, pois foi interposto recurso aos tribunais superiores. Diante deste cenário, o STF, na Reclamação citada, afirmou não haver inconstitucionalidade no art. 2ºA da Lei 9.494/997, sendo válida a limitação territorial da coisa julgada. Neste diapasão, a autoridade fiscal afirmou não ser possível aplicar esta coisa julgada ao caso concreto, tendo em vista que a Recorrente se localiza no Estado do Mato Grosso. Referido dispositivo legal possui a seguinte redação: Lei nº 9.494/1997. Art. 2oA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035, de 2001) A d. DRJ, na decisão ora recorrida, acrescentou que a coisa julgada não poderia ser estendida à Recorrente, pois não era parte no processo. No entanto, a análise da coisa julgada merece mais detida reflexão. Cumpre destacar, de início, que o Mandado de Segurança Coletivo constitui hipótese de substituição processual e, nos termos da Súmula STF nº 629, "a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". Isto significa que a Recorrente, por ser associada da Associação Impetrante (AFBCC), é beneficiária da coisa julgada obtida em favor da entidade no MSC. Em relação à limitação territorial da coisa julgada, conforme narração da Recorrente, bem como das cópias das decisões juntadas aos autos (fls. 9.8089.882), e ainda da decisão proferida pelo TRF 2º, limitando o efeito territorial, foi apresentado Recurso Especial ao STJ e Recurso Extraordinário ao STF. O Recurso Especial é o REsp nº 1438361. A decisão já foi proferida e transitada em julgado em 23/02/2017, pouco antes da lavratura do presente auto de infração. Houve reforma da decisão do TRF da 2ª Região na parte em que houve a limitação territorial, Fl. 10368DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.362 15 para afirmar que o art. 2ºA da Lei n. 9.497/97, introduzido em 1999 pela MP n. 1.7981/99, o qual prevê que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações. Como o referido MSC foi impetrado em 14/08/1991, anos antes da publicação deste dispositivo, assim, coisa julgada ora em análise teria abrangência nacional. Diante desta decisão, o STF julgou prejudicado o Recurso Extraordinário interposto, por perda superveniente do objeto, conforme acórdão juntando aos autos em fls. 9.8529.855, tendo em vista que o STJ pacificou a questão. O mesmo destino teve a malfadada Reclamação nº 7778, sendo extinta por perda superveniente do objeto em razão da decisão do STJ, que garantiu a aplicação da coisa julgada em âmbito nacional para este caso concreto em específico. Assim, devese reconhecer a aplicação da coisa julgada ao presente caso, em homenagem à segurança jurídica e ao disposto no art. 5º, XXXVI da Constituição. Com o processo judicial onde se obteve a coisa julgada em análise, garantiuse o direito à Recorrente de escriturar créditos de IPI decorrentes de produtos isentos adquiridos de fornecedores localizados na ZFM. Como a isenção é aplicada em razão do critério espacial da hipótese de incidência, para o cálculo deste crédito presumido devese levar em consideração a alíquota aplicável nas operações realizadas fora da zona beneficiada, de acordo com a classificação fiscal específica do produto negociado prevista na TIPI. A classificação fiscal utilizada pela fornecedora da Recorrente foi a NCM 2106.90.10 Ex 01 da TIPI, cuja alíquota era de 20%. Assim, o crédito presumido apurado pela Recorrente nesta aquisições isentas teve por base este percentual de alíquota. Neste ponto, mais uma controvérsia precisa ser debatida. Isso porque a autuação fiscal também argumentou que a classificação fiscal adotada pelo fornecedor da Recorrente, in casu, a RECOFARMA, estava incorreta, devendose adotar outra classificação fiscal para fins de apuração do crédito de IPI. Afirma a fiscalização que a classificação fiscal correta que deveria ser adotada pelo fornecedor dos produtos possui alíquota zero. Como isso, mesmo que se reconheça a aplicação da coisa julgada, na qual resta o entendimento de que o produto adquirido com isenção por ser proveniente da ZFM gera o direito ao crédito de IPI para o adquirente, mesmo assim, a autuada não poderia ter escriturado o crédito, tendo em vista que a classificação fiscal do produto fornecido tem alíquota zero. Desta feita, passase à análise da classificação fiscal. 2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Como dito, consta do relatório fiscal que a RECOFARMA, em relação aos produtos "concentrados" para preparo de bebidas não alcoólicas fornecidos para a Recorrente, enquadrou estes produtos no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, cuja alíquota de IPI vigente à época dos fatos (4º Trim./2012 a 4º Trim./2013) era de 20%, conforme Decreto nº 7.660, de 23/12/2011,do alterado pelos Decreto nº 7.742, de 30/05/2012, e Decreto nº 8.017, de 17/05/2013. Esta classificação fiscal tem a seguinte redação: Fl. 10369DF CARF MF 16 Por sua vez, a autoridade fiscal contesta esta classificação fiscal elaborando um arrazoado para concluir pela impossibilidade de adotar a "Ex 01", ou mesmo da "Ex 02", tendo em vista que este produto adquirido pela Recorrente como um "kit concentrado", não é um concentrado e nem pode ser diluído, além de constituirse em kit com produtos que poderiam ser vendidos em separado, mas comercializados como mercadoria única, na forma de kit, por uma questão mercadológica. No entendimento da fiscalização, para este enquadramento em Ex 01 ou Ex 02 o produto deve satisfazer os seguintes requisitos: a) Que seja uma preparação composta. b) Que não seja alcoólica. c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Concluiu no TVF que tais preparações não atendem às condições citadas nas letras “c” e “e”, acima. Nenhum componente dos kits pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. Para que ficasse caracterizado um produto chamado de "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, tanto que as empresas criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam uma mercadoria única. A fiscalização encomendou a elaboração de laudo pericial para o Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, para analisar amostras dos produtos "kit concentrado" coletados, em especial a identificação dos ingredientes contidos em cada parte dos kits. (laudos de fls. 64101) Ao responder os quesitos, restou constatado que os produtos vendidos pela RECOFARMA não podem ser considerados como extrato concentrado ou sabor concentrado. Por isso, a fiscalização afirmou que não podem ser "Ex", já que lhe falta o requisito de ser um produto concentrado, na medida em que, ao ser diluído, perde suas características originais. Assim, para a fiscalização, nenhum componente dos kit podem ser, em conjunto ou isoladamente, considerados como um extrato ou sabor concentrado. Para que ficasse caracterizado um produto como "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, sem perder suas características fixadas nos padrões de identidade e quantidade após sua diluição, nos termos do art. 13 do Decreto 6.871/2009 que regulamenta a Lei nº 8.918/1994, e isto só é Fl. 10370DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.363 17 obtido em momento posterior do processo produtivo, quando estas partes dos Kits são misturadas, de acordo com especificações técnicas. Desta feita, este concentrado só surge quando o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit é misturado, ou seja, por meio de um processo de industrialização (transformação) realizado depois da venda. Com este raciocínio, a fiscalização concluiu que estes produtos devem ser classificados no código 2106.9010 , como uma “ Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, cuja alíquota é ZERO. Neste ponto, penso ser importante voltar para o mérito do Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834 para identificar a causa do litígio. Analisando a petição inicial, fls. 166184. Constatase que o pedido de segurança formulado pela associação não foi genérico, no sentido de obter o direito um direito de crédito de IPI para qualquer produto isento adquirido de fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus. Na causa de pedir, conforme se vê de fls. 167, a AssociaçãoImpetrante argumenta que suas associadas produzem refrigerante sujeitos ao IPI, classificados no Código TIPI 2202.90. Argumentou que para produzir estes produtos, adquire matériaprima com isenção do IPI, "um produto concentrado", de fornecedor estabelecido na ZFM. Este concentrado adquirido pelos associados são classificados na posição 2106.90 da TIPI, sujeitos, na época, à alíquota de 40%, nos termos do Decreto nº 97.410/1988, atualizado pelo Decreto nº 99.182/1990. Note que a impetrante afirma, em sua petição, adquirir produto "concentrado" da classificação 2106.90, que estava isento conforme dicção do art. 9º do DecretoLei nº 288/1967, que detinha a seguinte redação na época do MSC e regulamentado pelo art. 81 e seu inciso II do RIPI/2010, Decreto nº 7.212/2010: Art 9º Estão isentas do impôsto sôbre produtos industrializados tôdas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer a comercialização em qualquer ponto do território nacional. Nas decisões judiciais que se seguem, inclusive no acórdão de mérito proferido pelo TRF da 2ª Região (fls. 209233), este em que se concedeu o direito e formou a coisa julgada material, consta do voto da relatora a menção expressa à aquisição de produto concentrado da classificação fiscal 2106.90. No entanto, constatase que não há nenhuma discussão acerca da correção desta classificação fiscal, nem mesmo uma análise da natureza do produto, sua composição e uma discussão sobre se o produto é concentrado ou não. Partese da classificação fiscal e informação dada pela própria impetrante em sua petição inicial, assumindose como produto isento produzido na ZFM. O que se discutiu nas decisões judiciais e isso foi objeto do mérito, foi uma discussão jurídica acerca da não cumulatividade do imposto, isto é, acerca da possibilidade de crédito de IPI na aquisição destes produtos isentos, utilizados como insumo na produção de refrigerantes, como corolário do princípio da não cumulatividade. Portanto, a coisa julgada não solidifica a discussão acerca da classificação fiscal. Fl. 10371DF CARF MF 18 Ressalto que, nesta época, a posição da TIPI que previam a alíquota de 40% tinha uma redação pouco diversa da atual, não havia nem mesmo as posições Ex atualmente utilizadas pela Recorrente. No entanto, dentre estas, as que se referiam aos produtos de extratos concentrados para preparação de bebidas não alcoólicas, as posições TIPI existentes eram as 2106.90.0101 e 2106.90.0101: 2106.90 Outras 01 Preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas (extratos concentrados ou sabores concentrados) 0101 Constituídas por um xarope ao qual se juntou um extrato concentrado desta posição, contendo principalmente extrato de coca e ácido cítrico, corados com ajuda de açúcar caramelizado......... 40% 0102 Constituídas por um xarope ao qual se juntou um extrato concentrado desta posição, contendo principalmente cítrico e óleos essenciais de frutos (limão e laranja)......... 40% A Resolução do Comitê Brasileiro de Nomenclatura nº 78/1989, alterou a TIPI de 1988 para adequar a descrição do subitem 2106.90.11 para preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas (extratos concentados ou sabores concentrados) constituídas por xarope ao qual se juntou um extrato concentrado desta posição, contendo principalmente extrato de coca e ácido cítrico, corados com ajuda de açúcar caramelizado. A descrição do item 2106.9012 passou a ser preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas (extratos concentados ou sabores concentrados) constituídas por xarope ao qual se juntou um extrato concentrado desta posição, contendo principalmente ácido cítrico e óleos essenciais de frutos (limão e laranja). A descrição TIPI atual, para a posição 21.06, prestase para a classificação fiscal de "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições". O subitem 90 é aplicado para outras bebidas não dispostas nas outras posições. Dentro desta posição há o subitem 10, destinada para "Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas". Esta posição, 21.06.90.10, é entendida pela fiscalização como a correta e possui alíquota zero. No entanto, dentro desta posição temos as classificações ex tarifário 01 e 02, para produtos concentrados, alterandose apenas o fator de diluição do produto, cujas alíquotas eram de 20% na época dos fatos. A Ex 01 é a posição adotada pela fornecedora da Recorrente. A disputa reside em identificar, portanto, qual destas posições deve ser aplicada ao kit concentrado para fins de determinação da alíquota para apuração ou não do crédito presumido. 2.1. Do Laudo produzido pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer No ano de 2014, o Fisco efetuou em Manaus a coleta de kits elaborados por RECOFARMA, além de muitas fotos dos produtos, tendo providenciado a realização de exame laboratorial pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. Como dito, os denominados "kits de concentrado" é um kit formado por diversos produtos, individuais, líquidos e/ou sólidos, utilizados como base para a preparação de bebidas não alcoólicas, os refrigerantes. Percebese, a partir do laudo e do arrazoado da Fl. 10372DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.364 19 fiscalização no TVF, que nenhum componente dos kits pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. A fiscalização afirma que para que ficasse caracterizado um produto como um "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, o que só ocorre numa etapa posterior do processo de industrialização. Mas para tratar como um produto único, as empresas criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam uma mercadoria única. Os produtos são separados em embalagens individuais, possuindo cada um deles uma utilidade específica em cada etapa do preparo, devendose seguir as especificações do fabricante. Pela análise dos laudos, é possível perceber que não há como atribuir capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para fabricação de bebidas, pois cada item do kit tem uma função específica no preparo da bebida, que, uma vez diluído, transforma se. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físicoquímicas da bebida que se pretende comercializar. O aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físicoquímicas não seriam iguais. Se assim não fosse, seriam desnecessárias as outras partes que compõem cada kit, pois bastaria desde o início juntar cada item num produto só. No entanto, eles precisam ser separados, pois cada um deles tem uma função específica no preparo da bebia. Assim, estes itens do kit são produtos intermediários do processo de industrialização, alcançandose o concentrado após sua mistura com água e açúcar no processo produtivo. O laudo de análise nº 1266/20131.0 de fls. 6467 analisa as partes 1 e 2 do kit concentrado sabor cocacola. Para a parte 1 do kit, observese os quesitos 7, 8, 11, 12 e 13, descritos em fl. 96: 7) Identificar se na composição do produto há aromatizante na acepção dada pelo Regulamento Técnico Sobre Aditivos Aromatizantes/Aromas aprovado pela Resolução nº 104, de 14 de maio de 1999, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. De acordo com análises realizadas foi detectado a presença de Cimeno, Pineno e Limoneno substâncias utilizadas como aromatizantes. 8) Identificar se o aromatizante de que trata o item anterior é constituído basicamente de semente de noz de cola ou extrato de noz de cola (Cola acuminata). De acordo com análises realizadas foi detectado a presença de Extrato de Noz de Cola. 11) O produto pode ser descrito como preparação composta? Tratase de Preparação, na forma de Solução Aquosa. à base de Extrato de Noz de Cola, Cafeína, Caramelo, Ácido Fosfórico, Cimeno, Pineno e Limoneno, uma Preparação do tipo utilizada para a elaboração de bebidas, Outra Preparação Alimentícia não especificada nem compreendida em outras posições. 12) O produto pode ser descrito como extrato concentrado? Não. Fl. 10373DF CARF MF 20 13) O produto pode ser descrito como sabor concentrado? Não Para a análise da parte 2 do kit cocacola, observese os quesitos 10, 11 e 12, descritos em fl. 96: 10) O produto pode ser descrito como preparação composta? Tratase de Preparação, na forma de Solução Aquosa. à base de Extrato de Noz de Cola, Cafeína, Caramelo, Ácido Fosfórico, Cimeno, Pineno e Limoneno, uma Preparação do tipo utilizada para a elaboração de bebidas, Outra Preparação Alimentícia não especificada nem compreendida em outras posições. 11) O produto pode ser descrito como extrato concentrado? Não. 12) O produto pode ser descrito como sabor concentrado? Não Todos estes testes foram realizados em todos os componentes de cada "kit concentrado" (cocacola, cocacola zero, sprite, sprite zero), cuja resposta para todos os componentes foi de que se trata de um preparado para elaboração de bebidas, mas não pode ser considerado um sabor concentrado ou um extrato concentrado. Perceba que o laudo de análise laboratorial elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, concluiu que todas as partes de todos os kits concentrados comercializados por RECOFARMA e que foram objeto de análise não são produtos concentrados. Com base nisso e analisando a classificação fiscal 2106.90.10 Ex 01, utilizada pela RECOFARMA para os kits, a fiscalização concluiu que esta NCM requer que o produto se caracterize como um extrato concentrado ou sabor concentrado e que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Como o produto não é um concentrado, nem pode ser uma preparação composta passível de diluição sem que isso altere os aspectos físicoquimicos, sendo meras partes utilizadas como composto para preparação da bebida, sua classificação fiscal deve ser a NCM 2106.90.10. A Recorrente apresenta um laudo do Instituto Nacional de Tecnologia para fundamentar a possibilidade de tratar estes "kits de concentrado" como uma mercadoria única. No laudo, constatase que foi realizada uma análise in loco do processo produtivo dos "kits de concentrado" bem como a etapa posterior de preparo do refrigerante "cocacola" a partir destes kits em uma das fábricas da CocaCola. Foram realizados testes técnicos em laboratório com os kits, atestando que cada parte do kit tem um função específica e determinada na composição e no preparo da bebida no processo produtivo na sede da Recorrente quando do preparo do refrigerante, não podendo esta mistura ocorrer em momento anterior, misturandose as partes dos kits ainda na sede da RECOFARMA para vender o produto já homogeneizado, como um só, sob pena de o Fl. 10374DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.365 21 produto sofrer alterações físicoquímicas indesejadas, alterandose suas características e impossibilitando a obtenção do produto final o refrigerante. Esta constatação não é contestada pela fiscalização, ao contrário, é afirmada, como se pode ver do TVF especialmente em fls. 2832, no sentido de que estas partes são separadas e compõem o kit, já que cada uma terá uma aplicação em proporções fixas, sendo misturadas e diluídas de acordo com especificação técnica do fabricante do refrigerante. Assim, estes kits (considerandose suas partes) consistem em produtos intermediários de um processo produtivo em que apenas em etapa posterior da produção, já na fábrica da Recorrente, adicionandose outros produtos químicos, como água e massa de açúcar, é que se alcançará o produto concentrado (xarope composto). As constatações do laudo do INT não responde, especificamente, qual a classificação fiscal do "kit de concentrado", nem mesmo se é concentrado. Sua conclusão corrobora a conclusão do laboratório Falcão Bauer. Convém salientar, por oportuno, que o laudo do INT, ao responder um dos quesitos, afirmou que (fls. 10.27410.275) "tanto a parte A como a parte B são preparações compostas, ou seja, preparações formadas com mais de um componente. Quimicamente, existem preparações simples e compostas.Uma preparação simples é um único composto diluído em solução. Já a preparação composta é formada por mais de um componente em solução. Portanto, a parte A e B são preparações líquidas constituídas de mais de um componente formando uma preparação composta.(...)". Ademais, em nenhum momento a fiscalização afirma que as partes do "kit de concentrado" podem ser vendidos misturados, ou que podem ser desobedecidas as proporções de mistura e de cada item do kit no preparo do refrigerante, ou mesmo que as partes podem ser vendidas separadamente porque podem ter outras funções mercadológicas. Frisese, em momento algum há esta afirmação, mas apenas que cada parte do kit é um produto único e com função e característica específica para o preparo da bebida, sendo vendido em kit por questões mercadológicas. Ainda, o laudo do INT, em outra passagem, afirma que "o produto sob análise ainda que denominado comercialmente de "concentrado", não é um preparado líquido ou concentrado líquido, destinado à comercialização direta ao consumidor final ou a restaurantes, pois conforme observado durante as visitas técnicas essa preparação constituída de parte A e parte B saem em seus respectivos IBCs (...) da Recofarma Manaus para as fábricas da CocaCola onde entrarão como matéria prima principal no processo produtivo junto com a massa de açúcar, água de processo e CO², seguindo as etapas da receita para obtenção do produto final, CocaCola, que será destinado à comercialização para o consumidor final". (fl. 10.272) Em síntese, o laudo do INT não infirma e nem contradiz o laudo elaborado pelo laboratório Falcão Bauer ou da acusação fiscal de que estas partes do kit não são um concentrado. Ao contrário, corrobora o entendimento de cada parte que forma o kit é um preparado composto alimentício para o preparo de bebidas não alcoólicas. Portanto, a classificação fiscal a ser adotada é a NCM 2106.90.10, como uma “Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, cuja alíquota do IPI é zero , da qual estou de acordo. Sendo assim, por ser alíquota zero, não é possível calcular crédito sobre o valor das operações de aquisição destes insumos. 2.2. Da modificação do critério jurídico Fl. 10375DF CARF MF 22 Ainda, afirma a Recorrente que a alteração da classificação fiscal dos kit concentrado neste auto de infração representa alteração de critério jurídico, não podendo ser levada a efeito pela fiscalização para os fatos geradores ocorridos antes da data em que o critério jurídico foi modificado. Segundo a Recorrente (fls. 10.11210.114) durante todos anos em que sofreu fiscalização, nunca teve a classificação fiscal objetada pelo Fisco. Esta aceitação passiva da classificação fiscal adotada por anos, representa sua aceitação. A revisão da classificação fiscal só foi realizada em setembro de 2016, nos autos do processo administrativo 14090.720284/201672, no qual em outro auto de infração se afirmou que a classificação fiscal na posição 21.06.90.10 Ex. 01 para os kits concentrados estava incorreta. Portanto, na pior das hipóteses, diz a Recorrente, somente para os fatos geradores que viessem a ocorrer a partir desta mudança de critério jurídico (27.09.2016) é que esta mudança na classificação poderia ser aplicada, por hipótese. Assim afirmou a Recorrente: 5.4.6. Ora, no lançamento tributário, a atividade da autoridade administrativa é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, e, ao fiscalizar um contribuinte e examinar a sua escrita fiscal de IPI, a AUTORIDADE tem o dever de examinar todos os aspectos legais formadores do fato gerador da obrigação tributária de IPI, a saber: o direito ao crédito de IPI, a classificação fiscal do produto adquirido, sua respectiva alíquota etc. (...)5.4.9. Ora, a questão da natureza do produto e sua respectiva classificação fiscal é nova e diversa das demais questões ! ! Neste ponto, também não assiste razão a Recorrente. Nas citadas autuações não houve análise da classificação fiscal dos produtos e a glosa dos créditos presumidos foi realizada por motivo distinto do consignado na presente autuação, qual seja, a ausência de aquisição sob o regime de isenção prevista no art. 237 e 95, III, do RIPI/2010 para matéria prima agrícola e extrativa vegetal produzida na Amazônia Ocidental. Para a aplicação do art. 146 do CTN, como instrumento de proteção do contribuinte, em homenagem à boafé e segurança jurídica, é preciso que tenha havido uma manifestação expressa da administração tributária acerca da interpretação dada à aplicação jurídica sobre determinada situação regida por legislação tributária. Tratase da qualificação jurídica dada pelo intérprete que, ao rever sua posição, altera o critério jurídico. Esta mudança só pode ter aplicação para os fatos geradores praticados após a alteração do critério, verbis: CTN. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Verificase dos autos e da outra autuação juntada pela Recorrente, que não houve uma manifestação da fiscalização acerca da aplicação de uma dada NCM sobre estas operações, não havendo que se falar, portanto, em alteração do critério jurídico. Este entendimento também é manifestado por Luís Eduardo Schoueri1 quando leciona que se em lançamentos anteriores a autoridade administrativa adotou determinada interpretação da lei tributária, pode o contribuinte, (...), seguir o mesmo entendimento, até que ele seja informado diretamente ou por meio de ato administrativo público, de que diverso será o entendimento da fiscalização. 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. 6ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p. Fl. 10376DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.366 23 Neste sentido, para que houvesse modificação de critério jurídico, seria necessário que em lançamentos anteriores a autoridade administrativa tivesse adotado determinada interpretação da lei tributária, adotando, por exemplo, determinada classificação fiscal para a identificação da alíquota de IPI aplicável ao produto industrializado. Com isso, em uma a adoção posterior de outra classificação fiscal, reavaliandose o produto para fins de nova interpretação acerca de sua classificação jurídica, não haveria dúvida de que se está diante de uma mudança de interpretação jurídica sobre o mesmo fato que antes se dava outro tratamento jurídico. Leandro Paulsen2, comentando este artigo do CTN, assevera: O art. 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. Não houve, ao menos não consta dos autos, uma análise destes produtos para fins de determinação, pelo Fisco, de sua classificação fiscal no sentido adotado pela Recofarma ou pela Recorrente para, agora, nesta nova autuação, a fiscalização pretendesse alterar o critério jurídico. Ressaltese que a administração tributária, desde 2010, já analisou estes produtos e concluiu por uma determinada classificação fiscal. Assim, ao contrário do que afirma a Recorrente, há uma solução de consulta afirmando a classificação fiscal 2106.90.10, tal qual dada pela fiscalização nestes autos. Tratase da Solução de Consulta SRRF02/Diana nº 5/2010, de 20/05/2010, ratificada pela Informação Coana/Ceclam nº 8/2015, de 12/03/2015, onde classificouse da seguinte maneira os componentes de kit para preparação de bebida refrigerante sabor laranja: a) NCM 2106.90.10 Preparação para aromatização de bebida refrigerante, com sabor laranja, constituída de água potável (70%), gomas naturais de laranja (20,44%), aromatizante sabor laranja (5,8%), corantes, ácido cítrico anidro e conservantes, em embalagem de 50kg; b) NCM 2916.31.21 Benzoato de sódio, em embalagem de 15kg, e; c) NCM 2918.14.00 Ácido cítrico anidro, em embalagem de 67kg. Além de suas embalagens individuais, os componentes do kit também se encontram acondicionados conjuntamente em uma segunda embalagem, formando um único volume. Dispositivos Legais: 1ª RGI/SH (texto das posições 2106, 2916 e 2918 e texto da nota 5C, do capítulo 29), 6ª RGI/SH (texto das subposições 2106.90, 2916.31 e 2918.14) e 1ª Regra Geral Complementar (texto do item 2916.31.2 e dos subitens 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 15ª Edição. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 1.049 Fl. 10377DF CARF MF 24 2106.90.10 e 2916.31.21), da Tarifa Externa Comum, do Mercosul, aprovada pela Resolução Camex nº 43/2006, e suas alterações, e com subsídios das Notas Explicativas do Sistema (grifei) Pelas mesmas razões, rejeitase o argumento de ao menos reconhecer prática reiterada da Administração Tributária e, nessa qualidade, norma complementar à legislação tributária (art. 100, III, do CTN), cuja observância implicaria, na pior das hipóteses, o afastamento da multa, dos juros e da correção monetária exigidos para reclassificação fiscal para o código para o qual é atribuído alíquota zero do IPI. Também não assiste razão os argumentos acerca da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos objeto de projetos industriais aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais. Isso porque é atribuição da Receita Federal do Brasil o desenvolvimento desta tarefa, nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/1972. Ademais, o Fisco, no TVF, consignou que a SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos em questão, tendo a classificação fiscal sido colocada no projeto e avaliação técnica trazida pela própria RECOFARMA para aprovação do projeto e obtenção da sua aprovação pela SUFRAMA. Compete à SUFRAMA a fiscalização do atendimento aos requisitos para gozo da isenção, mas o atendimento da legislação tributária, incluindose classificação fiscal e a alíquota utilizada pelos adquirentes para cálculo dos créditos, é tema de fiscalização da RFB. No mais, diversas normas da NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias) indicam que os componentes de kits para fabricação de bebidas não se caracterizam como uma mercadoria única, conforme se extrai, em especial, do item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), que exclui os bens destinados à fabricação de bebidas do campo de aplicação da RGI 3 b) do Sistema Harmonizado: XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. Conforme bem destacado no TVF, este dispositivo foi incluído na NESH após análise efetuada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) nos anos de 1985 e 1986, em resposta a consultas recebidas de paísesmembros da organização internacional sobre a classificação de produtos com as mesmas características dos kits para fabricação de bebidas produzidos no Brasil. O texto da análise do CCA equivale a uma detalhada exposição de motivos para o item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), deixando claro que a criação dessa Nota teve por objetivo determinar que os componentes dos kits para fabricação de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. 2.2. Da verificação da regularidade das notas fiscais Também não assiste razão a Recorrente ao afirmar que não tem o dever de verificar a classificação fiscal dada pelo fornecedor sobre os produtos adquiridos. Argumenta a Recorrente que o art. 62 da Lei nº 4.502/1964 estabelece o dever do adquirente de verificar se os produtos adquiridos para utilização em sua produção Fl. 10378DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.367 25 apresentam correção nas notas fiscais, se este documento atende as prescrições da legislação, mas que não exige que se examine a classificação fiscal dos produtos dada pelo fornecedor Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. (grifei) É certo que os regulamentos do IPI anteriores, ao regulamentar o art. 62 do da Lei 4.502/1964, traziam consigo um a disposição expressa de que a verificação das prescrições legais das notas fiscais incluíam a classificação fiscal, porém, na atual redação do dispositivo dada pelo RIPI/2010, tal especificação foi retirada do texto, passando a ter a mesma redação do art. 62 do dispositivo retrocitado. No entanto, entendo que a classificação fiscal está incluída na redação do texto vigente ao dizer que é dever do adquirente verificar se os documentos fiscais satisfazem todas as prescrições legais e regulamentares. A interpretação deste dispositivo, a meu ver, não deve se restringir apenas aos aspectos formais do documento fiscal, mas também a análise de seu conteúdo ideológico, tais como descrição do produto, valor, peso e classificação fiscal, devendo comunicar ao Fisco e ao fornecedor qualquer incorreção. Isso porque o IPI é um tributo não cumulativo, cujo regime adotado pela Constituição é o do método subtrativo indireto imposto sobre imposto, sendo o montante de crédito um valor correspondente ao montante de tributo que incidiu na operação anterior para deduzir do imposto devido na etapa seguinte. Melhor explicando, quando da implementação de um imposto sobre o consumo com incidência não cumulativa, pretendendose aplicar uma tributação sobre o valor acrescido, a Constituição elegeu o método da subtração conhecido como "imposto sobre imposto" (tax on tax). Por este método, a não cumulatividade é implementada por sistema de débitos e créditos, tendose por consideração o montante de imposto que incidiu nas entradas dos produtos para abater com o montante de imposto que incide nas saídas dos produtos daí resultante, tudo com o objetivo de se tributar apenas o saldo para onerar o valor acrescido da operação. Com isso, caso não tenha havido incidência do imposto na operação anterior, não haverá um crédito a compensar com o débito futuro. Pelo método de apuração imposto sobre imposto, é da própria natureza da metodologia de apuração a falta de geração de crédito para a fase posterior da cadeia produtiva quando na fase anterior não há não incidência (seja Fl. 10379DF CARF MF 26 por isenção, alíquota zero ou não incidência pura e simples), ocorrendo o denominado “efeito de recuperação” 3 À não cumulatividade do IPI, por esta metodologia de crédito à razão do imposto que incidiu na etapa anterior, reconhecese a translação jurídica4 do encargo econômico do tributo. Assim, juridicamente, o montante de crédito do industrial corresponderá ao montante de imposto que incidiu nas aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Desta feita, qualquer incorreção no valor da base de cálculo ou da aplicação da alíquota decorrente de uma má aplicação da classificação fiscal afetará, inevitavelmente, o montante de crédito a ser escriturado pelo adquirente. Esta necessidade de verificação da classificação fiscal pelo adquirente é mais perceptível nos casos em que há permissão de geração de crédito presumido de IPI nas aquisições de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero, calculandose um crédito como se fosse devido um imposto. Isso porque, nas operações normais, com o destaque do imposto na nota fiscal, o adquirente do produto é onerado pelo valor do imposto e, juridicamente, este encargo econômico é transferido e pode ser escriturado como crédito para fins de não cumulatividade. Entretanto, nos casos em que não há incidência na etapa anterior, seja por isenção, seja por alíquota zero, a escrituração do crédito do imposto, quando permitido, não se dá pela translação do encargo econômico, mas sim em razão de um crédito presumido. No caso de produtos adquiridos da ZFM, tais produtos são isentos em razão do critério territorial da hipótese de incidência. Caso a classificação fiscal do produto isento em razão do local tenha uma alíquota maior que zero, e seja autorizada a escrituração de crédito mesmo havendo a isenção, o crédito é calculado pela aplicação da alíquota correspondente à classificação fiscal, como se devido fosse. Daí a necessidade, a meu ver, de o fornecedor verificar a correção da classificação fiscal dada por seu fornecedor em qualquer caso, ainda mais em hipótese de não incidência, já que o crédito gerado será presumido e não decorrente da incidência do imposto na etapa anterior, como ocorre diante da natureza do método imposto sobre imposto da não cumulatividade (translação jurídica do encargo econômico). Neste sentido, deve ser glosado o crédito presumido escriturado, inclusive, com exigência da multa prevista no art. 80 da Lei 4.502/1964, conforme aplicação dada pelo auto de infração. 3. QUANTO AOS JUROS E MULTA Quanto à aplicação dos juros sobre a multa de ofício, já é de entendimento deste E. CARF sobre a possibilidade de aplicação dos juros sobre a multa, tendose em vista o que dispões os artigos 113, § 1º, 139 e 161, todos do CTN, entendendose que há incidência de juros de mora sobre o crédito tributário, o qual pode ser composto tanto de imposto quanto de penalidade pecuniária, pois ambas as prestações pecuniárias referidas são objeto da obrigação tributária principal. Outrossim, este entendimento esta matéria se encontra sumulado: Súmula CARF nº 108 3 TORRES, Ricardo Lobo. O Princípio da nãocumulatividade e o IVA no Direito Comparado. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (coord.). O Princípio da NãoCumulatividade. Nova Série nº 10. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 152. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 6ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p. Fl. 10380DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.368 27 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO Isto posto, conheço em parte do recurso voluntário para não analisar a possibilidade de geração de créditos, pois protegida pela coisa julgada, porém, na parte conhecida, nego provimento diante da impossibilidade da geração de crédito presumido de IPI na medida em que os "kits de concentrado" classificamse na NCM 2106.90.10, sujeitos à alíquota zero de IPI. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 10381DF CARF MF
score : 2.6208491
Numero do processo: 10711.006342/2007-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 29/12/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CERÂMICA CARBOLITE, PRODUTO COMPOSTO DE MULITA.
Em razão do disposto na Nota Explicativa nº 01 do Capítulo 25, os produtos que, embora compostos de mulita, sejam resultantes de uma mistura, não nas se incluem nas posições do referido capítulo.
Correta a classificação fiscal realizada pela fiscalização no código 3824.90.79.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrente BJ QUÍMICA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/12/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CERÂMICA CARBOLITE, PRODUTO COMPOSTO DE MULITA. Em razão do disposto na Nota Explicativa nº 01 do Capítulo 25, os produtos que, embora compostos de mulita, sejam resultantes de uma mistura, não nas se incluem nas posições do referido capítulo. Correta a classificação fiscal realizada pela fiscalização no código 3824.90.79. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 63 42 /2 00 7- 55 Fl. 607DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 91/92 dos autos: Trata o presente processo de quatro autos de infração. O primeiro auto trata do Imposto de Importação, juros de mora, multa de oficio e multa por classificação fiscal incorreta (fls. 0107) em decorrência de classificação fiscal incorreta de mercadoria. Valor da autuação R$ 7.203,51. O segundo auto trata do Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multa de oficio (fls. 0811) em decorrência de classificação fiscal incorreta de mercadoria. Valor da autuação R$ 7.586,73. Os terceiros e quarto autos de infração tratam respectivamente das contribuições sociais Cofins e PisPasep incidentes na importação (fls. 1317 de R$ 228,83 e 1822 de R$ 49,70). Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. A empresa autuada, mediante a DI n° 05/14215024, importou a mercadoria descrita na adição 01 como "NOME COMERCIAL: CERAMICA CARBO LITE 16/20 QUALIDADE DE USO: AGENTES DE SUSTENTAÇÃO DE FRATURAS DE POÇOS DE PETROLEO TEOR DE PUREZA: NÃO AVALIAVEL ESTADO FISICO: SOLIDO" e classificou a mercadoria no código 2508.60.00. Retirada amostra do produto e emitido laudo técnico Labor, a mercadoria foi identificada como "Preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro", classificável no código 3824.90.79. Intimada a empresa autuada (fl. 53), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 5476. Seguem as alegações da empresa. A classificação pretendida pelo fiscal elimina a possibilidade de a cerâmica ser tipificada em qualquer uma das posições correspondentes aos produtos do capitulo 25 da TEC, posicionamento inadmissível ante ao fato de que cerâmicas são produtos típicos, perfeitamente classificáveis no capitulo 25, mormente, como mulita. Inconformada com a classificação pretendida pela fiscalização que, equivocadamente enquadrara os produtos no Capitulo 38 da TEC, a impugnante, demonstrando sua boafé em definir a natureza do produto, encomendou dois laudos técnicos de laboratórios e profissionais distintos. As folhas 5860, transcreve trechos dos Laudos. A Nesh referente ao Capitulo 25 afirma a possibilidade da inclusão de produtos calcinados nas Posições do Capitulo. O Laudo técnico em anexo à impugnação conclui que a mercadoria é um caulim calcinado, sendo que a mulita se origina da calcinação do caulim. Logo, a Nesh do Capitulo 25 é totalmente inaplicável ao caso em questão uma vez que a mulita não passa por qualquer processo de calcinação, apenas decorre da calcinação do caulim. O caulim calcinado se apresenta na forma de mulita e tal substância está expressamente prevista na posição 2508. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 608 3 O Conselho de Contribuintes já decidiu pela prevalência do Laudo dos profissionais especializados em caso de discordância com o Laudo da fiscalização. Alega já haver importado mercadorias sob o código constante na DI sem qualquer questionamento por parte da Alfândega, muitas vezes até com análise documental e verificação física, inclusive na DI do caso em questão. O artigo 146 do CTN veda a mudança de critério jurídico. Alega a boa fé e o artigo 100 do CTN. Defende a aplicação do artigo 112 do CTN. Solicita a improcedência da autuação. Protesta pela intimação em endereço indicado à folha 76. Solicita pela produção de provas em direito admitidas. Indica perito e quesitos. A folha 172, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação. Juntada de documentos à folha 173192. À sua manifestação de inconformidade, o contribuinte anexou os seguintes documentos: i) cartão de CNPJ e atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 159/196); ii) auto de infração (fls. 201/245); iii) laudo de análise elaborado pelo Ministério da Fazenda (fl. 247); iv) outros documentos relacionados à importação da mercadoria (fls. 251/194); v) informações prestadas pelo fabricante da mercadoria importada, com a respectiva tradução juramentada (fl.295/315); vi) laudo elaborado pelo Dr. Amílcar Pereira da Silva Filho (fls. 319 a 323) e iv) laudo elaborado pelo laboratório "Analytical Solutions" (fls. 327/345). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento (fls.395/408), sob o fundamento de que os laudos apresentados pelo contribuinte não afastaram as conclusões atingidas pelo laudo da fiscalização, tendo, pelo contrário, corroborado com elas, visto que o produto em questão corresponde a uma mistura/preparação, razão pela qual não poderia ser classificada nas posições do capítulo 25 da TEC. A partir da análise das posições apontadas pela fiscalização e pelo contribuinte como corretas, bem como dos laudos elaborados por ambas as partes e, também, analisadas as regras para interpretação do sistema harmonizado, a primeira instância concluiu que a posição apontada pela fiscalização para a classificação fiscal da mercadoria estaria correta. Rejeitou o argumento de que o costume de importar a mercadoria sob o mesmo código constante da DI sob análise representaria norma complementar (art. 100 CTN), sob o fundamento de que tal fato não gera direito adquirido e que a administração tem direito de rever seus atos. Sobre a aplicação do artigo 112 do CTN, o acórdão consignou não existir dúvida a autorizar tal procedimento. Entendeu, como consequência de considerar a classificação fiscal incorreta, existir diferença de tributo a ser recolhida junto com multa de ofício e juros de mora, nos termos da autuação. O acórdão afastou, ainda, a aplicação do artigo 146 do CTN, sob fundamento de que o despacho aduaneiro não constitui declaração expressa de homologação nem implica em adoção de critério jurídico. Consignou que, nos termos do artigo 54 do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 2º do Decretolei 2.472/88, o Fisco pode reexaminar, no prazo de 05 Fl. 609DF CARF MF 4 (cinco) anos, a partir do registro da DI, as informações prestadas pelo importador na ocasião do despacho aduaneiro para verificar a regularidade do pagamento do imposto. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 19/05/2009 (vide AR à fl. 410 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/06/2009, Recurso Voluntário (fls. 418/450). Em seu recurso, o contribuinte alegou que o acórdão deve ser reformado por se basear em premissas equivocadas. Argumentou que: i) a posição por ele adotada é a correta por ser mais específica para o produto do que a posição indicada pelo Fisco; ii) conforme os laudos acostados à impugnação, foi constatada, no produto, a presença de mulita, que decorre do processo de calcinação do caulim, sendo este produto classificado no capítulo 25, sob o código 2508.60.00; iii) com base nas regras de interpretação do sistema harmonizado e nas notas explicativas ao capítulo 25 da TEC, a correta classificação do produto é a apontada pelo contribuinte; iv) a recorrente encomendou um terceiro parecer técnico elaborado com base em laudo da USP, dos quais requer a juntada, e pede que sejam apreciados em homenagem ao princípio da verdade material; v) a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou pela possibilidade de apresentação de laudos técnicos em fase de recurso; vi) em caso de conflito entre parecer técnico da Receita Federal e parecer elaborado por profissionais especializados, deve prevalecer este último, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes. Pediu, ao fim, a reforma do acórdão para que sejam anuladas as exigências de II, IPI, PISimportação, COFINSimportação e respectivas multas, considerandose a flagrante improcedência da autuação, conforme laudos técnicos de renomados laboratórios do País. Acostou, com o recurso, procuração e atos societários (fls. 456/488 e 573/604) e parecer técnico (fls. 492/566). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, a presente contenda versa sobre a correta classificação fiscal do produto objeto da presente autuação, conforme descrição a seguir, realizada pelo contribuinte: "NOME COMERCIAL: CERAMICA CARBO LITE 16/20 QUALIDADE DE USO: AGENTES DE SUSTENTAÇÃO DE FRATURAS DE POÇOS DE PETRÓLEO TEOR DE PUREZA: NÃO AVALIÁVEL ESTADO FÍSICO: SÓLIDO". O contribuinte classificou tal produto no código 2508.60.00 da Tarifa Externa Comum (incidência de 4% de II e 0% de IPI), ao passo que a fiscalização entendeu que a classificação correta seria a descrita no código 3824.90.79 da TEC (incidência de 14% de II e 10% de IPI), em razão do laudo técnico elaborado pelo LABOR que identificou a mercadoria como "Preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro". Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 609 5 Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevo a seguir o teor das referidas classificações fiscais, extraída da TIPI aprovada por meio do Decreto nº 4.542/2002, vigente à época do fato gerador em questão, ocorrido em 29/12/2005: 25.08 OUTRAS ARGILAS (EXCETO ARGILAS EXPANDIDAS DA POSIÇÃO 68.06), ANDALUZITA, CIANITA, SILIMANITA, MESMO CALCINADAS; MULITA; BARRO COZIDO EM PÓ (TERRA DE "CHAMOTTE") E TERRA DE DINAS 2508.60.00 Mulita *** 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3824.90 Outros 3824.90.7 Produtos e preparações à base de elementos químicos ou de seus compostos inorgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições 3824.90.79 Outros Ao analisar o caso, a DRJ entendeu que a classificação indicada pela fiscalização seria a correta, visto que a Nota nº 01 do capítulo 25, abaixo transcrita, vedaria a inserção nas posições do capítulo de misturas: Notas de Capitulo 1. Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições. Destacou, inclusive, que a empresa autuada não contestou o fato do produto em tela corresponder a uma mistura e que os laudos anexados ao processo confirmariam essa informação. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada, extraída da decisão recorrida: Fl. 611DF CARF MF 6 (...) Em seu recurso voluntário, o contribuinte volta a defender que a classificação por ele adotada seria a correta, trazendo, em resumo os seguintes fundamentos: (i) a posição 2508.60.00 é mais específica para o produto do que a posição indicada pelo Fisco, razão pela qual deveria prevalecer; ii) conforme os laudos acostados à impugnação, foi constatada, no produto, a presença de mulita, que decorre do processo de calcinação do caulim; iii) com base nas regras de interpretação do sistema harmonizado e nas notas explicativas ao capítulo 25 da TEC, a correta classificação do produto é a apontada pelo contribuinte; iv) a recorrente encomendou um terceiro parecer técnico elaborado com base em laudo da USP, dos quais requer a juntada, e pede que sejam apreciados em homenagem ao princípio da verdade material; v) a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou pela possibilidade de apresentação de laudos técnicos em fase de recurso; vi) em caso de conflito entre parecer técnico da Receita Federal e parecer elaborado por profissionais especializados, deve prevalecer este último, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes. Da análise do recurso voluntário interposto, portanto, verificase que o contribuinte não se insurgiu quanto ao principal fundamento constante da decisão recorrida no sentido de que o produto importado corresponde a uma mistura. Insistiu em defender que a classificação fiscal adotada por ele estaria correta visto que o produto seria composto primordialmente por mulita, sem, contudo, justificar porque a Nota nº 01 do capítulo 25 que Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 610 7 afasta a possibilidade de classificação neste capítulo de produtos resultantes de misturas deveria ser desconsiderada. Conforme laudos anexados pelo contribuinte aos presentes autos, não restam dúvidas que o produto importado possui mulita em sua composição. Ocorre que os referidos laudos constataram, além da mulita, a presença de outras substâncias, levando à conclusão de que corresponde a uma mistura, o que impossibilitaria o seu enquadramento no capítulo 25, como pretendido pelo contribuinte, em razão do disposto na Nota nº 01 já referida. Ademais, entendo que o terceiro laudo técnico elaborado pelo Laboratório de Análises da Universidade de São Paulo USP trazido aos autos pelo contribuinte quando do Recurso Voluntário, cuja análise poderá ser admitida no presente caso e será realizada nesta oportunidade, não lhe socorre quanto à sua pretensão. Para que se possa compreender a análise que aqui se faz, trazse à colação a conclusão constante do referido laudo: Como se vê, o referido laudo concluiu que o produto é formado preponderantemente, e não exclusivamente, como mulita. Nesse contexto, ao meu ver, não logra modificar a conclusão a que chegou a DRJ na decisão recorrida de que o produto corresponde a uma mistura. Inaplicável, portanto, o art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, como pretendido pela Recorrente. Por outro lado, quanto à parte constante do laudo apresentado em que aponta que a posição 2508.60.00 corresponderia à correta classificação fiscal do produto, penso que esta passagem deverá ser desconsiderada. Isso porque, entendo que o laudo deverá limitarse à análise das características técnicas do produtos, para que a classificação fiscal possa ser corretamente identificada pelo órgão competente para fazêlo. Eventual classificação fiscal apontada em laudo técnico elaborado por um laboratório, decerto não vincula este Colegiado, a quem compete a análise e aplicação das normas que versam sobre classificação fiscal. Nesse sentido, assim dispõe o parágrafo 1º do art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Fl. 613DF CARF MF 8 § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Diante das razões acima expostas, entendo que o contribuinte não logrou comprovar no presente caso que o produto em tela não corresponde a uma mistura. Ao contrário, trouxe aos autos laudos técnicos que levam justamente à conclusão oposta. E, face à disposição expressa na Nota nº 01, não há como enquadrar o produto resultante de uma mistura no referido capítulo. De outro norte, na mesma linha das razões constantes da decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo a seguir, adotandoos como razão de decidir, entendo correta a classificação fiscal indicada pela fiscalização, no código 3824.90.79, diante da impossibilidade de classificar o produto em tela no capítulo 25, que leva, invariavelmente, à inexistência de classificação fiscal mais específica: A Nota n° 1 do Capitulo 38 (Id razão ao procedimento da fiscalização aduaneira, uma vez que prevê que produtos de constituição química definida não são classificáveis no Capitulo 38, o que, a contrario sensu, quer dizer que produtos que não são de constituição química definida devem ser ali classificados., CAPÍTULO 38 PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS Notas de Capitulo 1.0 presente Capitulo não compreende: a)os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: (.) Conforme o Laudo Técnico de folhas 24, a mercadoria não tem constituição química definida, uma vez que é uma mistura (preparação) de quatro tipos diferentes de óxidos. A Nota Explicativa do Sistema Harmonizado do Capitulo 38 é ainda mais explicita ao afirmar que não são classificados ali os produtos de composição química definida apresentados isoladamente, sendo que a mercadoria em questão é uma mistura de vários tipos de óxidos, todos misturados. (grifos nossos). Considerações Gerais Página 553 (IN 123/98): Este Capitulo abrange um número considerável de matérias pertencentes ao domínio das indústrias químicas ou das indústrias conexas. Não compreende os produtos de composição química definida, apresentados isoladamente (que se incluem, em geral, nos Capítulos 28 ou 29), com exceção, porém, dos produtos enumerados na seguinte lista limitativa: Por força da Regra n° 1 do Sistema Harmonizado, a mercadoria descrita no Laudo Técnico corresponde à Posição 3824 — Produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais, não especificados nem compreendidos em outras posições). Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 611 9 Como nenhuma subposição descrevia a classificação de preparações à base de óxidos, deve ser adotada a subposição 90 (3824.90). Dentro da subposição 90, deve ser adotado o item 7, uma vez que óxidos são elementos químicos inorgânicos e nos outros itens não havia previsão de classificação. E, finalmente, dentro do item 7 (3824.90.7) deve ser adotado o subitem 9 (3824.90.79), uma vez que nenhum dos subitens anteriores previa a classificação dos tipos de óxido descrito no Laudo de folhas 81. Correta, portanto, a classificação adotada pela Fiscalização Aduaneira. Há de se destacar, inclusive, que este Conselho já teve a oportunidade de analisar a classificação fiscal deste produto em auto de infração lavrado em face deste mesmo contribuinte, tendo concluído, da mesma forma, pela correção da classificação fiscal indicada pela fiscalização, constante do código 3824.90.79. É o que se extrai da ementa a seguir colacionada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/04/2001 Apresentação de Laudo Técnico na Fase Recursal A faculdade de determinar, de ofício, a realização de diligência ou perícia, por via oblíqua, autoriza que, excepcionalmente, se conheça de laudo técnico juntado aos autos juntamente com o recurso voluntário. Atentaria contra a economia processual converter o julgamento em diligência para que fossem realizados novos exames a fim de apurar aquilo que o sujeito passivo já realizou ou, o que seria mais grave, determinar a juntada aos autos daquilo que já se encontra juntado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/04/2001 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. Ademais, não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/04/2001 Carbolite. Classificação Produto comercialmente denominado Carbolite, composto de Mulita, obtida artificialmente por meio de processo de calcinação, e Sílica como criatobalita, classificase no código 3824.90.79 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. Fl. 615DF CARF MF 10 A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/04/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O erro na indicação da classificação fiscal ou a insuficiência na descrição da mercadoria não são suficientes para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Parcialmente Provido (Acórdão 3102001.346 de 26/01/2012). Da conclusão Diante das razões supra expendidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 616DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721965/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC-1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3401-005.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente às saídas de tais itens no período autuado.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 470 1 469 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.721965/201181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.152 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Recorrente TIGRE S.A. TUBOS E CONEXÕES. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente às saídas de tais itens no período autuado. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 65 /2 01 1- 81 Fl. 470DF CARF MF 2 TIAGO GUERRA MACHADO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 443 e seguintes) contra decisão da 12ª Turma, DRJ/RPO, que considerou improcedentes, em parte, as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF Campinas, em 17.06.2011, com ciência pela Contribuinte na mesma data (fl. 433), referente a título de multa de IPI não lançado com cobertura de crédito, em virtude da falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados de sua fabricação com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e de alíquota, período de 31.07.2006 a 31.12.2007. Do Lançamento (fls. 362 e seguintes) Naquela ocasião, a Fiscalização lançou multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito (saldo credor), em dito tributário de IPI (fls. 362 e seguintes), totalizando a exigência em R$ 254.057,35 (duzentos e cinquenta e quatro mil, cinquenta e sete reais e trinta e cinco centavos), em virtude da falta de lançamento do imposto em razão de o contribuinte ter efetuado a saída de produtos tributados, por erro de classificação fiscal, com alíquota inferior à devida. No respectivo Termo de Verificação Fiscal de fls. 358/361, a fiscalizada promoveu a saída de produtos de matéria plástica – PVC (arco, arremate, caixa acústica, canto, estruturas geométricas, folha, guarda corpo, janelas, marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, portas, quadro fixo, trilhos e veneziana), adotando para todos os produtos a classificação fiscal 3925.20.00 da TIPI, tributados à alíquota 0%. Contudo, segundo a fiscalização, baseada na TIPI/2007, os produtos relacionados se enquadrariam nas seguintes classificações fiscais: Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%; Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%; Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%; Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%. Como resultado dessa reclassificação, a autoridade fazendária veio a lançar penalidade em decorrência da falta de lançamento de IPI nas notas fiscais de saídas do estabelecimento, não havendo imposto a recolher em razão de a contribuinte possuir saldo credor suficiente para ilidir o recolhimento à época dos fatos geradores. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 471 3 Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 17.06.2011 (fl.433), e interpôs impugnação, em 15.07.2011 (fls.385 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: (a) Sobre os cálculos elaborados pela Fiscalização: "(...) constatouse que os montantes considerados mês a mês referente ao produto 'perfil' estão divergentes daqueles valores originários do arquivo magnético de NFs de Saídas de Jul/2006 a Dez/2007, como pode ser verificado na planilha constante desse mesmo arquivo, com o nome 'Cálculo Perfil I Revisado'. Cabível, então, uma revisão desses valores apurados e tabulados erroneamente, procedendose à respectiva correção"; (b) Sobre a incorreta indicação de NCM para os "demais produtos": requer a correção da indicação do código NCM 3925.90.00 como classificação fiscal do item de produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI; (c) Sobre o pedido de "perícia": Parecendo desconhecer o caráter jurídico do procedimento de classificação fiscal de mercadorias, pediu "perícia técnica", nomeando o Instituto Nacional de Tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia, formulando os quesitos da fl. 389 e nomeando peritoassistente; (d) Sobre o mérito da classificação fiscal: "Relativamente aos produtos reclassificados, aduz que não são vendidos de forma isolada ou individualmente. Ao contrário, a comercialização sempre é feita pelo conjunto de itens que compõem cada projeto e/ou orçamento, até por uma razão muito simples: sem essa aquisição e instalação conjunta dos itens de produtos que compõem cada projeto, este não tem funcionalidade. Tratase, portanto, de uma série de itens de produtos que não tem função isolada, própria, ou específica, mas que se complementam numa única função, seja de porta, janela ou esquadria, devendo, por conseguinte, serem objeto de classificação fiscal nessa condição. Portanto, o que efetivamente prevalece para fins de classificação fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é a sua destinação. No caso, nenhuma dúvida persiste que os componentes se destinam a formar um conjunto específico, e como tal deve haver o respectivo enquadramento, exatamente como efetuado pela impugnante."; (e) Aduz sobre a impossibilidade de aplicação de multa por ausência de dano ao Erário, bem como sobre o caráter "manifestamente confiscatório". Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão1450.065, exarado pela 12ª Turma, da DRJ/RPO, em 29.04.2014, com ciência em 22.05.2014 (fl. 440), através do qual foi mantido, em parte, o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 Fl. 472DF CARF MF 4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Segundo a TIPI/2007, produtos fabricados com matéria plástica (PVC), tais como: perfis, venezianas (persianas) e artefatos para apetrechamento de construções, são classificados nos códigos 3916.90.90, 3925.30.00 e 3925.90.90, respectivamente. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3916 e 3925) e 6ª (texto da subposição 3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1). APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA MENOR QUE A DEVIDA. Aplicação de alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de alíquota/classificação fiscal dos produtos, justifica o lançamento de ofício da diferença, com os respectivos acréscimos legais. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cabível a revisão dos valores lançados a maior. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação é o marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Sobre a classificação fiscal dos "demais itens" e do cálculo impugnado pela Impugnante ora Recorrente: A impugnante requer uma revisão dos valores lançados referente ao produto “perfil” e a correção da indicação do código NCM 3925.90.00 como classificação fiscal do item de produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI. Diante das alegações de revisão, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972, verbis: (...) No que diz respeito ao código NCM 3925.90.00, classificação fiscal do item de produtos “outros”, referido código estava presente na TIPI aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002. A partir de 1º de janeiro de 2007, entra em vigor o Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, alterandoo para NCM 3925.90.90. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 472 5 No presente caso, eventual falha no enquadramento do NCM, para os períodos a partir de 1º de janeiro de 2007, não deixa dúvidas acerca da imputação. Assim, afastada o cerceamento a ampla defesa da interessada, a conclusão é de que, apesar de alguma imperfeição do enquadramento, o lançamento é válido e eficaz. Quanto à revisão dos valores lançados a maior, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a planilha “Apuração da Divergência no Somatório dos valores das Notas Fiscais de Saídas”, no qual se posiciona pela existência de divergências na apuração referente ao produto “perfil”, no valor total de R$ 4.412,27. Referida correção é calculada ao final do presente voto. (...) Sobre a classificação fiscal dos produtos: portas, janelas, persianas e perfis Versa a lide sobre a correta classificação das seguintes mercadorias: arco, arremate, caixa acústica, canto, estruturas geométricas, folha, guardacorpo, janelas, marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, portas, quadro fixo, trilhos e venezianas. Todos os produtos são fabricados com matéria plástica (PVC). A contribuinte adotou para todos os produtos a classificação fiscal 3925.20.00, tributados à alíquota de 0%. No entanto, a fiscalização considerou as seguintes classificações fiscais: Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%; Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%; Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%; Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%. É mister afirmar, prévia e didaticamente, que a operação de enquadramento de produto em código de classificação fiscal não tem caráter técnico e sim estritamente tributário, nos termos do PAF, art. 30, § 1º, cabendo ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil executar o referido enquadramento à luz da legislação tributária aplicável: consoante o RIPI/2002, arts. 15 a 17 (RIPI/2010, arts. 15 a 17), a classificação fiscal de mercadorias deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM); as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), e suas alterações, além das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM, prestamse como elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições da NCM. Assim dispõem as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI): “1. Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. (...) Fl. 474DF CARF MF 6 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário”. Vale dizer, são os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e dos destaques “Ex”, que determinam a classificação fiscal de um produto. As regras de 2 a 5 somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o devido enquadramento. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), sendo fonte subsidiária de interpretação, é, por essa razão, instrumento hábil, embora não suficiente, para o enquadramento correto de classificação fiscal de mercadorias. Em sua defesa, a contribuinte aduz que os produtos reclassificados não são vendidos de forma isolada ou individualmente. Ao contrário, a comercialização sempre é feita pelo conjunto de itens que compõem cada projeto e/ou orçamento. Tratase, portanto, de uma série de itens de produtos que não tem função isolada, própria, ou específica, mas que se complementam numa única função, seja de porta, janela ou esquadria, devendo, por conseguinte, serem objeto de classificação fiscal nessa condição. Portanto, o que efetivamente prevalece para fins de classificação fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é a sua destinação. (...) No entanto, compulsando os autos, extraise que os produtos fabricados pela contribuinte são de matéria plástica e suas obras, enquadradas no Capítulo 39 da TIPI, tendo como principal atividade a fabricação de portas, janelas, seus caixilhos e alisares. Portanto, de acordo com os fatos apresentados, nem todas as saídas são de portas ou janelas, e sim de seus acessórios, com vendas separadas, daí resultando em classificações independentes. A Nota Explicativa, relativamente à Seção VII, relativo a “PLÁSTICOS E SUAS OBRAS; BORRACHA E SUAS OBRAS”, invocada pela impugnante, dispõe: Notas de Seção. 1. Os produtos apresentados em sortidos formados por vários elementos constitutivos distintos, incluídos, na totalidade ou em parte, na presente Seção, e que se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII, devem classificarse na posição correspondente a este último produto, desde que tais elementos constitutivos sejam: a) em face do seu modo de acondicionamento claramente reconhecíveis como destinados a utilização conjunta sem prévio reacondicionamento; b) apresentados ao mesmo tempo; c) reconhecíveis, dadas a sua natureza ou respectivas quantidades, como complementares uns dos outros. É imprescindível que as situações “a”, “b” e “c” estejam presentes para de fato os produtos reclassificados sejam considerados e classificados como portas ou janelas, ou seja, no NCM 3925.20.00. Caso contrário, serão classificados de forma autônoma, exatamente como procedeu a fiscalização na reclassificação efetuada. Também corrobora com a situação a própria Solução de Consulta nº 9, de 22 de fevereiro de 2001, igualmente invocada pela contribuinte, na qual especifica que a mercadoria classificada no NCM 3925.20.00 tratase de “porta desmontada, Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 473 7 constituída por elementos de plástico rígido (PVC)”. Em nenhum momento, sequer cita a possibilidade de classificar no NCM 3925.20.00 as partes em que compõe a porta ou janela. No caso em tela, estamos diante de saídas de acessórios para portas ou janelas, e não saídas de portas ou janelas desmontadas. Face ao exposto, verificamse infrutíferas as alegações da requerente no sentido de que os produtos por ela fabricados deveriam ser classificados como portas ou janelas NCM 3925.20.00. Neste sentido, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3916 e 3925) e 6ª (texto da subposição 3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1), concluo que as classificações adotadas pela fiscalização estão corretas. (...) Sobre aplicação da multa de ofício. A recorrente contesta o que entendeu “ser excessivo o valor da referida penalidade aplicada, pois nenhum pretenso imposto deixou de ser recolhido”. No entanto, o autuante aplicou somente a multa de ofício de 75%, a qual está fundamentada no art. 80, inciso II, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96, e alterações posteriores: (...) Valores divergentes apurados em diligência. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a planilha “Apuração da Divergência no Somatório dos valores das Notas Fiscais de Saídas”, no qual se posiciona pela existência de divergências na apuração referente ao produto “perfil”, no valor total de R$ 4.412,27. Nesse sentido, devese cancelar o lançamento das diferenças de IPI apuradas no relatório fiscal. O demonstrativo abaixo demonstra o novo valor de IPI apurado (...). Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: Fl. 476DF CARF MF 8 (...) Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 474 9 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar de Nulidade Fl. 478DF CARF MF 10 A recorrente aduz que o erro, durante o lançamento, na reclassificação fiscal para código NCM inexistente representaria óbice à suficiente instrução da sua defesa, devendo ser, per si, anulado o auto de infração, com fulcro no artigo 59, do Decreto Federal 70.235/1972. Ora, não reside razão a tal assertiva da contribuinte. A reclassificação para um código NCM inexistente, no presente caso, não a inibiu de apresentar sua defesa, mesmo porque está foi calcada na possibilidade técnica no enquadramento no código NCM ora impugnado. Além disso, considerando que a Fiscalização atribuiu os produtos ao código NCM genérico então vigente ("Outros"), e de mesma posição, é possível inferir que o erro em imputar o código NCM inexistente 3925.90.00 ao invés do código NCM 3925.90.90 é absolutamente sanável, inexistindo portanto hipótese da nulidade prevista no artigo 59, supramencionado, aplicável ao presente lançamento. Do Mérito Da Classificação Fiscal Sobre a classificação fiscal das mercadorias, não vejo necessidade de qualquer emenda ao embasamento jurídico da decisão de primeiro piso. Todavia, há de se ressaltar que, a meu ver, não houve suficiente esmero da decisão em analisar faticamente os produtos que foram reenquadrados em código NCM distinto do que a contribuinte considera como corretos. Analisando os catálogos comerciais disponíveis no site da Recorrente (https://www.tigre.com.br/claris/produtos), verificase que alguns dos itens foram erroneamente enquadrados no lançamento, uma vez que por sua descrição, natureza e utilização deveriam ser relacionados em código NCM específico, a saber: Arco 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Caixa acústica 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Folha 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Maxiar 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Pinázio 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Quadro fixo 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Trilhos 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Explico. O arco e o pinázio são formas de acabamento que integram a folha da janela, que nada mais é do que estrutura que abriga o vidro, não podendo se distinguir dela própria. A caixa acústica é a estrutura componente da janela que envolve a(s) folha(s). Maxiar nada mais é do que um modelo específico de janela oferecido pela Recorrente, do tipo basculante; da mesma forma que o "quadro fixo", nada mais que uma janela sem qualquer modo de abertura. Por fim, os trilhos são estruturas que compõem as janelas que possuem folhas que não possuem dobradiças ou básculas (ou seja, são janelas "de correr"). Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 475 11 Veja que a subposição 3925.20.00 trata das janelas e seus caixilhos, alizares e soleiras; nessa linha, pareceme claro que a intenção é de se classificar nessa subposição todos os itens essenciais à estrutura das portas e janelas de todos os tipos e não só o produto consolidado. Não por coincidência, a subposição seguinte (3925.30.00) é que alberga venezianas e estores, que por mais que possam ser integradas às janelas e portas, não são essenciais a sua estrutura, não cabendo reforma da decisão ora recorrida no que tange às venezianas. Os seguintes itens não merecem tampouco reforma, adotando as razões apontadas no entendimento exarado pela DRJ pelo fato de não ter sido trazido pela Recorrente, em nenhum momento da lide, qualquer elemento que pudessem convencer que seriam componentes essenciais à estrutura da janela, e não apenas decorativos: "arremate", "canto", "estruturas geométricas", "marco", "módulos", "perfis". Por fim, quanto ao item "guardacorpo", vêse indistintamente que não se trata de porta ou janela. É um guardacorpo; portanto reputo correta a classificação fiscal nos termos do lançamento original, eis que não há correlação nas subposições anteriores, devendo manterse classificado como 3925.90.90. Da Alegação de Impossibilidade de Lavratura de Penalidade quando não há dano ao Erário sob pena de efeito de confisco Diante dos argumentos de ordem constitucional apresentados pelo contribuinte para afastamento da aplicação de multa pecuniária (“manifestamente confiscatória”), ressalto que esse colegiado está limitado a discussão de matéria infraconstitucional, de modo que o pretenso afastamento da norma legal vigente se encontra impossibilidade pela obediência à Súmula CARF nº 2. Tal fato implica na inadmissão do pedido expresso na peça recursal. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém doulhe parcial provimento apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI/2007 refere aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente as saídas de tais itens no período autuado. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 480DF CARF MF 12 Fl. 481DF CARF MF
score : 2.61226
Numero do processo: 10865.000852/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Embora não tenha o contribuinte tratado da decadência em seu Recurso Voluntário, esta matéria poderá ser reapreciada por este Conselho, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
Uma vez constatado o pagamento antecipado do IPI em determinadas competências, há de ser afastada a cobrança no que concerne aos períodos decaídos, em razão do disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DAS MERCADORIAS.
Quanto aos produtos Caderno Refil p/ Fichário 96F ST; Caderno Refil p/ Fichário 140x21 e Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96, Identificando-se que estes encontram-se suficientemente descritos nos presentes autos, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pelo que deverá ser afastada a preliminar de nulidade apresentada.
De outro norte, há de ser reconhecida a nulidade material do auto de infração no que concerne ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper".
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA.
No caso dos presentes autos, não há que se falar em nulidade do auto de infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Quanto aos produtos Caderno Refil p/ Fichário 96F ST; Caderno Refil p/ Fichário 140x21 e Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96 correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização no código NCM/TEC 48.20.10.00, em consonância inclusive com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28 de agosto de 2003.
Quanto ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade decretada, torna-se desnecessária a análise da correta classificação fiscal a ser adotada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; e (ii) determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração somente em relação a esse item.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; e (ii) determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração somente em relação a esse item. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
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MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PAGAMENTO ANTECIPADO. Embora não tenha o contribuinte tratado da decadência em seu Recurso Voluntário, esta matéria poderá ser reapreciada por este Conselho, visto tratarse de matéria de ordem pública. Uma vez constatado o pagamento antecipado do IPI em determinadas competências, há de ser afastada a cobrança no que concerne aos períodos decaídos, em razão do disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DAS MERCADORIAS. Quanto aos produtos “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”, Identificandose que estes encontramse suficientemente descritos nos presentes autos, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pelo que deverá ser afastada a preliminar de nulidade apresentada. De outro norte, há de ser reconhecida a nulidade material do auto de infração no que concerne ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper". INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA. No caso dos presentes autos, não há que se falar em nulidade do auto de infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 08 52 /2 00 9- 27 Fl. 610DF CARF MF 2 Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quanto aos produtos “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização no código NCM/TEC 48.20.10.00, em consonância inclusive com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28 de agosto de 2003. Quanto ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade decretada, tornase desnecessária a análise da correta classificação fiscal a ser adotada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; e (ii) determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração somente em relação a esse item. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 611 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 502/511 dos autos: Contra a empresa CADERBRÁS BICO INTERNACIONAL LTDA, já qualificada nos autos, foi lavrado AI (Auto de Infração) por AuditorFiscal da DRFLimeira (Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP), em sede do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) nº 08.1.12.002008004741, em face da falta e/ou insuficiência de valor no lançamento do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) decorrente do fato de ter promovido a saída de produtos do seu estabelecimento com erro de classificação fiscal. Por conseguinte, com base na reclassificação fiscal efetuada ex officio daqueles produtos, restou apurado um crédito tributário total de R$ 2.680.011,00 referentes à diferença de imposto apurada e seus consectários legais (multas e juros moratórios incidentes sobre a espécie). O contribuinte é estabelecimento industrial, fabricante de diversos itens de papelaria em geral (material escolar e de escritório) como, por exemplo, Agendas, Cadernos, Pastas Fichário e Blocos de Folhas para reposição de fichários. A partir da análise da classificação fiscal utilizada para os produtos saídos do seu estabelecimento e considerando as informações de interesse fiscal que prestou ao Fisco Federal in casu, procedeuse a reclassificação fiscal de vários itens, como segue: (A) Adotou o código NCM 4820.20.00 (tributado à alíquota 0%) para os produtos finais: “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”. A autoridade lançadora, considerando que esse código NCM deve ser utilizado exclusivamente para cadernos e não para folhas de reposição para fichários, consoante as regras e normas de classificação fiscal pertinentes, efetuou a sua reclassificação para o código NCM 48.20.10.00 (tributado à alíquota de 15%). e (B) Adotou o código NCM 4202.12.10 (tributado à alíquota de 10%) para os produtos finais: “Pasta Fichário Solda e Ziper". A autoridade lançadora considerando que esse código NCM deve ser utilizado exclusivamente para obras de couro, artigos de correeiro ou de seleiro e não para pastas fichário de uso escolar, consoante as regras e normas de classificação fiscal pertinentes, efetuou a sua reclassificação para o código NCM 4820.30.00 (tributado à alíquota de 15%). Portanto, efetuouse o Lançamento de Oficio da diferença do IPI incidente sobre os produtos saídos do estabelecimento da recorrente, objeto da Reclassificação Fiscal efetuada, com base na alíquota do imposto Fl. 612DF CARF MF 4 correspondente aos Códigos NCM considerados na Exigência Fiscal de acordo com as TIPI’s aprovadas pelo Decreto nº 4.542 de 27/12/2002 com vigência a partir de 01/01/2003 e o Decreto nº 6.006 de 28/12/2006 com vigência a partir de 01/01/2007, bem como o lançamento de multa e dos Juros moratórios incidentes sobre a espécie, conforme Demonstrativos anexos ao AI em causa. De outra parte, contraditando o AI em questão, os pontos principais da argumentação da defendente podem ser sinteticamente assim descritos: (A) Como preliminar, arguiu a decadência do crédito lançado correspondente aos fatos geradores ocorridos no período entre Março e Abril de 2004, considerando que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, dispõe o Fisco Federal do prazo de 5 anos para homologar o procedimento efetuado pelo contribuinte, nos termos do 156, §4º, do CTN. (B) Nulidade do AI em causa, vez que a fiscalização formalizou a constituição do crédito com base apenas em informações extraídas dos documentos fiscais do contribuinte (simples descrição da mercadoria), o que configuraria mera presunção de erro e o descumprimento do princípio da verdade material que deve reger os procedimentos fiscalizatórios. (C) Que os produtos objeto da reclassificação fiscal efetuada pela fiscalização (“Caderno Refil” e “Pasta de Documentos”) foram corretamente enquadrados na NCM/TEc de acordo com as regras de classificação fiscal do Sistema Harmonizado. (D) Que a nulidade do AI decorreria também da inexistência de Laudo Técnico ou Perícia da mercadoria objeto da reclassificação fiscal efetuada, na medida em que a autoridade lançadora careceria de qualificação técnica para conduzir o procedimento de reclassificação fiscal. Ao analisar o caso, a DRJ, tendo acolhido parcialmente o argumento de decadência apresentado pelo contribuinte, entendeu por julgar procedente em parte a impugnação, determinando a exoneração de R$ 2.373,46. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e atualizações posteriores. Classificação Fiscal procedida nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003. Mercadoria identificada como “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” classificase no código NCM/TEC 48.20.10.00. Mercadoria identificada como “Pasta Fichário Solda e Ziper" classificase no código 4820.30.00. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 612 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma vez que não foi esse o motivo da autuação, e, sim, a sua incorreta classificação fiscal na NCM/TEC, ao amparo das RGI do SH nºs 1 e 6. Além do mais, os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 28/03/2013 (vide termo de ciência por decurso de prazo à fl. 524 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 09/04/2013 Recurso Voluntário (fls. 526/575), através do qual requereu: (i) reforma do ácordão da DRJ pela alegada falta de descrição dos produtos classificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório e ampla defesa; (ii) reforma do ácordão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria de reclassificação fiscal e ausência de elementos para comprovar imputação; (iii) reforma do ácordão da DRJ pela alegada classificação fiscal correta adotada pelo contribuinte. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 614DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 526/575), através do qual requereu a reforma da decisão recorrida, com base em argumentos que serão devidamente analisados nos tópicos subsequentes. 1. Preliminar de decadência Em sua impugnação, o contribuinte trouxe o argumento preliminar de decadência do crédito tributário lançado referente aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre os meses de março e abril de 2004. Neste ponto, a DRJ acolheu em parte o pleito do contribuinte, conforme fundamentos a seguir transcritos: No caso em tela, relativamente ao item “Caderno Refil p/ Fichário 96FST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” reclassificado para o código NCM/TEC 48.20.10.00, considerandose que não houve pagamento do IPI, a regra a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN, conforme a orientação jurisprudencial assentada no REsp. 973.733SC, em cuja ementa se lê: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 613 7 entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. Dessarte, considerando que o contribuinte foi intimado do AI em 24/Abril/2009 (fls. 03 do processo digital), rejeito a preliminar suscitada para a referida mercadoria (“Caderno Refil p/ Fichário” reclassificado para o código NCM/TEC 48.20.10.00), ao tempo em que a acolho para o efeito da Mercadoria identificada como “Pasta Fichário Solda e Ziper" reclassificada para o código 4820.30.00, vez que nesse caso houve recolhimento do imposto, de forma que o exonero do valor de R$ 2.373,46 correspondente ao crédito tributário lançado sobre os fatos geradores ocorridos no período compreendido entre março e abril do ano calendário de 2004, como segue. Embora o contribuinte não tenha contestado expressamente em seu Recurso Voluntário os fundamentos acima transcritos constantes da decisão recorrida no que concerne à decadência, por tratarse de matéria de ordem pública, não resta dúvidas que este Conselho tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade. Entendo que merece reforma a decisão recorrida no que concerne à análise da decadência. Isso porque, o que a decisão do STJ determina para fins de adoção do parágrafo 4º do art. 150 do CTN ou do art. 173, inciso I deste mesmo Código é a análise da existência ou Fl. 616DF CARF MF 8 não de pagamento antecipado do tributo em determinada competência, e não se o tributo foi pago especificamente no que concerne à determinado produto. Sendo assim, estando incontroverso nos autos que houve recolhimento do IPI nas competências em questão, tanto que a decadência fora reconhecida no que concerne à mercadoria "Pasta Fichário Solda e Ziper", este mesmo reconhecimento deverá se dar no que concerne às demais mercadorias objeto do auto de infração, visto que aplicável à hipótese a regra disposta no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Deverá ser afastada do auto de infração, portanto, a cobrança relativa a todos os fatos geradores anteriores a 24 de abril de 2004, visto que fulminada pela decadência. 2. Da alegada falta de descrição dos produtos classificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório e ampla defesa Neste tópico, alega o contribuinte que o auto de infração combatido seria nulo por dois motivos: (i) não haveria qualquer elemento que justificasse o motivo para classificação do produto no NCM escolhido pela fiscalização; (ii) não constaria dos autos qualquer descrição do produto e suas propriedades, mas apenas a indicação da sua nomenclatura (Cad. Refil para fichário e Pasta Fichário Solda e Ziper). Argumenta que tais falhas teriam impedido o seu direito de defesa e que a falta de descrição geraria dúvidas acerca de quais foram os produtos reclassificados. Ressalta, por exemplo, que no caso da "Pasta Fichário Solda e Zíper", por exemplo, existem diversos modelos de pastas com composição diferentes (couro, plástico, papel, etc.), o que influencia na sua classificação fiscal. No que concerne aos produtos objeto do presente auto de infração ("Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96"), entendo que não assiste razão ao contribuinte em seus argumentos. Ora, neste caso específico, os referidos produtos encontramse muito bem descritos pela nomenclatura adotada pelo próprio contribuinte em sua contabilidade, sendo possível, através desta, identificar e classificar os referidos produtos descritos no correto NCM. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade alegada no que tange a tais produtos. De outro lado, o contribuinte sequer contestou a própria nomenclatura adotada pelo mesmo para fins de classificar a mercadoria em questão como "refil para fichário" ou mesmo "fichário", não tendo trazido aos autos qualquer elemento que pudesse por em dúvida os produtos que aqui se analisam. Tampouco descreveu qualquer característica dos seus produtos apta a modificar a classificação fiscal realizada pela fiscalização. Destaquese, inclusive, ter o auto de infração indicado de forma expressa que a classificação fiscal ali indicada foi realizada nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003, que tratam especificamente de "fichários", ou seja, nos exatos termos da descrição adotada pelo contribuinte em sua contabilidade. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao pedido do contribuinte, por entender que inexistiu agressão aos princípios do contraditório e da ampla defesa. De outro norte, no que concerne especificamente à "Pasta Fichário Solda e Ziper", entendo que assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Isso porque, no que concerne a tais produtos, refutou a fiscalização a classificação fiscal adotada pelo contribuinte sob o seguinte fundamento (vide fl. 04 do e processo): Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 614 9 002 A utilização para os produtos finais com o código NCM 4202.12.10 tributado à alíquota de 10% (dez por cento), classificação essa, que deve ser utilizada exclusivamente para obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro, e não para as diversas pastas e divisórias de uso escolar, que são os produtos em questão, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras da NCM e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003 é no código 4820.30.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento). Ou seja, fundamentou a fiscalização que a classificação adotada pelo contribuinte (NCM 4202.12.10) poderia ser utilizada exclusivamente para obras de couro, artigos de correeiro ou de seleiro. Não é isso, contudo, o que dispõe o capítulo 42 da TIPI, conforme dispositivo transcrito na decisão recorrida acima e abaixo novamente reproduzido: Capítulo 42 Obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro; artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes; obras de tripa Percebese que o referido capítulo 42 destinase não apenas a obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro, como entendeu a fiscalização, mas também a artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes, além de obras de tripa. Verificase ainda que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte indica expressamente que o produto em questão é de plástico, conforme classificação fiscal adotada pelo mesmo: 42.02 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes, os estojos para óculos, binóculos, câmeras fotográficas e de filmar, instrumentos musicais, armas e artefatos semelhantes; sacos de viagem, sacos isolantes para gêneros alimentícios e bebidas, bolsas de toucador, mochilas, bolsas, sacolas (sacos para compras), carteiras, porta moedas, portacartões, cigarreiras, tabaqueiras, estojos para ferramentas, bolsas e sacos para artigos de esporte, estojos para frascos ou para jóias, caixas para póde arroz, estojos para ourivesaria e artefatos semelhantes, de couro natural ou reconstituído, de folhas de plásticos, de matérias têxteis, de fibra vulcanizada ou de cartão, ou recobertos, no todo ou na maior parte, dessas mesmas matérias ou de papel. 4202.1 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes e artefatos semelhantes: 4202.11.00 Com a superfície exterior de couro natural ou reconstituído 4202.12 Com a superfície exterior de plásticos ou de matérias têxteis 4202.12.10 De plásticos Verificase, portanto, que a fiscalização adotou fundamento nitidamente equivocado ao afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte neste caso concreto (que a sua adoção seria exclusiva para obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro). Nesse contexto, deixou de trazer aos autos as eventuais razões do não enquadramento no item 4202.12.10, relativo às pastas de documentos e para estudantes com a superfície exterior de plásticos. Nesse contexto, entendo que a ausência de fundamentos válidos que justifiquem o afastamento da classificação adotada pelo contribuinte e a adoção da Fl. 618DF CARF MF 10 classificação fiscal adotada pela fiscalização, tornam este Colegiado inapto para julgar a presente demanda, por ausência de elementos essenciais à sua análise. Entendo, pois, que há uma falha de fundamentação no auto de infração intransponível no presente caso, pois a descrição dos produtos aqui analisados, com as suas características e materiais que o compõe, somada ao cotejo entre esses produtos e a correta classificação fiscal de acordo com a legislação pertinente, seria essencial à manutenção do auto de infração aqui combatido. Até porque, é cediço que o auto de infração deve ser auto explicável, compreensível por si só quanto aos fundamentos da imputação ali apresentada. Acontece que, no caso dos autos, através a leitura do auto de infração, não há como se compreender quais as razões que levaram a fiscalização a afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Nesse contexto, conforme determina o art. 59 do Decreto 70.235/1972, entendo que deverá ser declarado nulo o auto de infração em epígrafe no que concerne ao lançamento relacionado ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", visto que houve preterição do direito de defesa do contribuinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Há de se destacar, outrossim, que se está diante de uma nulidade material (vício de fundamentação) e não meramente formal. Nesse contexto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins de determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração em relação a esse item. 3. Reforma do ácordão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria de reclassificação fiscal e ausência de elementos para comprovar imputação Segue o contribuinte dispondo que a inexistência de um laudo ou mesmo de uma prova pericial préconstituída a respeito das mercadorias objeto de reclassificação fiscal caracterizaria vício material do ato administrativo na constituição e lançamento do crédito tributário, levando à necessidade de cancelamento do Auto de Infração. Discordo do contribuinte neste ponto. Para que um auto de infração seja válido, é imprescindível que a fiscalização aponte a correta descrição e classificação do produto, conforme análise já devidamente realizada no tópico anterior. A elaboração de laudo técnico ou perícia não é requisito essencial à validade do auto de infração, sendo determinada a sua realização tão somente em casos específicos, que demandem tal dilação probatória. Não é este, contudo, o caso dos presentes autos, cuja solução poderá ser plenamente atingida através dos elementos já constantes dos autos e sem que isto acarrete qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Em resumo, não há que se falar em nulidade do auto de infração aqui analisado pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização apresentase prescindível à solução da presente contenda (seja quanto à eventual nulidade do auto de infração, já analisada Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 615 11 no tópico anterior, seja quanto à análise da classificação fiscal em si, conforme será devidamente analisada no tópico a seguir). 4. Reforma do ácordão da DRJ pela alegada classificação fiscal correta adotada pelo contribuinte Por fim, alega o contribuinte que a classificação adotada pelo mesmo estaria correta quanto a ambas as categorias de produtos (Cad Refil para Fichário e Pasta Fichário). A primeira reclassificação fiscal realizada engloba os seguintes produtos: "Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96". Ao analisar a classificação fiscal destes produtos, assim se manifestou a DRJ: No que tange ao primeiro produto reclassificado (“Caderno Refil p/Fichário 96F ST”;“Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”.”), impende tecer algumas observações preliminares que serão úteis ao deslinde da questão. Inicialmente, seguem o texto do subitem 4820.20.00 (adotado pelo contribuinte) e o texto do subitem 48.20.10.00 (reclassificada pela fiscalização). 4820.20.00 = Cadernos [................................] 4820.10.00 = Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes. Considerando a descrição do produto fornecida pelo próprio contribuinte (“Caderno Refil P/Fichário”) e das informações obtidas a partir de pesquisas na Internet que muito ajudaram para a identificação comercial dos produtos analisados e sua descrição qualitativa, temos claro que não podem ser enquadrados na NCM 4820.20.00 (“Cadernos”) vez que: a) São, de fato, folhas (fichas) de reposição para fichários; b) A utilização do vocábulo “caderno”, in casu, (possivelmente seja a questão de fundo além da sensível diferença tarifária entre as classificações em “disputa”) remete à sua acepção no sentido de ser uma coleção ou agrupamento de ficcchas (folhas pautadas) destinadas à reposição de fichários. São características que claramente afastam o emprego da NCM 4820.20.00 para aquela classe de produtos. (...). Finalmente, para afastar qualquer dúvida e estabelecer com clareza a classificação fiscal dos artigos analisados impende trazer, de plano, à colação o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003, que trata especificamente dos produtos em exame. Fl. 620DF CARF MF 12 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 28 de agosto de 2003 DOU de 1.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário", na Nomenclatura Comum do Mercosul. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº. 259, de 24 de agosto de 2001, e com base na Nota Coana/Cotac/Dinom no 230, de 20 de agosto de 2003, declara: Art. 1º Fichários ou capas para encadernação, de uso escolar, consistindo em capa dura provida internamente de ferragem de argolas para encadernação de folhas soltas, mesmo apresentados com folhas pautadas e divisórias para separação de matérias, classificamse no código 4820.30.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Art. 2º Blocos de folhas para reposição dos fichários ou capas para encadernação referidos no art. 1º, constituídos por folhas de papel pautado, perfuradas à margem esquerda para fixação às argolas do fichário e unidas por adesivo na lombada que permite o destaque das folhas sem danificálas, classificamse no código 4820.10.00 da NCM. JORGE ANTONIO DEHER RACHID O contribuinte, por seu turno, defende que o Ato Declaratório Interpretativo n. 13/2003, embora tenha tratado de "fichários" e "folhas para fichário" não deve ser aplicado no caso em análise em razão do disposto no art. 110 do CTN que determina que "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas do direito privado (...)". Nessa linha, afirma que a definição do conceito de "caderno refil" não poderia ter sido alterado pelo referido ADI. Segue dispondo que o refil para fichário deveria receber a mesma classificação do caderno, visto que a sua função seria a mesma, e que, sabendose que o IPI obedece aos princípios da seletividade e da essencialidade, não haveria lógica em se manter uma classificação fiscal mais onerosa do IPI para o refil de caderno e desonerar o caderno. Neste particular, entendo que não assiste razão ao Recorrente. O fato de ter o contribuinte adotado em sua escrita fiscal a nomenclatura "cad", no intuito de caracterizar o seu produto como um caderno, não o torna um caderno para fins de classificação fiscal. O refil para fichário, ainda que possua função semelhante à função desempenhada pelo caderno, não a transforma em um caderno. Em outras palavras, pretende o contribuinte a adoção de tratamento idêntico a produtos que, embora se assemelham em sua função, são inquestionavelmente distintos. De outro norte, as razões para a adoção de determinada política fiscal que desonera determinado produto possui nuances de inteligência fiscal que vai muito além de uma simples análise da função do produto desonerado. Para que possa usufruir do benefício da alíquota zero, é necessário não apenas que o produto possua a mesma funcionalidade do produto exonerado, mas que se enquadre naquela NCM específica, conforme regras aplicáveis à classificação fiscal (Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado RGI/SH e Regras Gerais Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM). E, salientese que o código 4820.20.00 abrange unicamente o produto “Cadernos”, sem que haja qualquer margem para interpretação extensiva. Até porque, deve ser restritiva a interpretação das hipóteses abrangidas pelo benefício da alíquota reduzida de 0%. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 616 13 De outro lado, o código 4820.10.00 traz uma descrição mais maleável (Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes), em que é possível enquadrar o refil para fichário objeto da presente contenda. Nesse contexto, entendo que não houve por parte do ADI 13/2003 afronta ao disposto no art. 110 do CTN. O referido ADI apenas esclareceu a correta classificação fiscal do produto em questão com base na legislação aplicável, classificação esta com a qual concordo. Há de se destacar aqui que os Atos Declaratórios não possui natureza constitutiva e, como atos interpretativos que são, não têm o poder de instituir normas, limitandose a explicitar o sentido e alcance das normas integrantes dos atos constitutivos que interpretam (vide Parecer Normativo COSIT nº 5, de 25 de maio de 1994). Nesse contexto, ao acatar os termos do ADI em questão, estáse, em verdade, aplicando a legislação federal que orienta para a correta classificação fiscal do produto. Como se não bastasse, destaquese que a decisão proferida no Acórdão n. 30334.946 de 04 de dezembro de 2007, trazida pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, tampouco o socorre na sua tentativa de afastar o conteúdo do auto de infração aqui combatido. Isso porque, a conclusão constante da ementa de que estaria correta a classificação no Código NCM 4820.20.00 (ex001) da NCM estava relacionada ao produto "caderneta" ou "cadernos escolares de quaisquer dimensões e não ao refil para fichário, que é objeto da presente contenda. E, embora tenha a DRJ naqueles autos afastado o auto de infração no que concerne ao item "refil", o fez por fundamento distinto do analisado no presente auto de infração. É o que se observa da transcrição a seguir: No que pertence o produto "Refil", afirma o autuado que se trata de um modelo de caderno escolar, passível, portanto, de ser classificado no código 4820.20.00 EX 001, tributado com alíquota do IPI de 0%. Por sua vez, a classificação adotada pela fiscalização foi a 4823.51.00, que corresponderia a "outros papeis e cartões dos tipos utilizados pela escrita (...) impressos, estampados ou perfurados", com alíquota de 10%. Ao analisarmos o material probatório trazidos aos presentes autos, constatados que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 13 de 2003, em seu art. 2º, estabelece de forma inequívoca que o indigitado produto se classifica, na verdade, no código 4820.10.00, sujeito a uma alíquota de 15%, conforme noticia a TIPI. Entretanto, conforme foi asseverado na resposta à diligência (fl. 837), no seu item 04, não se afigura possível à lavratura de um Auto de Infração Complementar, ante o transcurso do prazo decadencial, face ao erro de classificação fiscal verificado no lançamento. Portanto, devem ser cancelados todos os valores relativos ao produto denominado "Refil", conforme restou especificado no item 3.12 do decisum em escopo. Ou seja, também naqueles autos, chegou o CARF à conclusão de que o produto em tela se enquadra no código 4820.10.00, nos termos do ADI 13/2003, não concordando com a pretensão do contribuinte de enquadramento na classificação fiscal 4820.20.00, que lhe concederia o benefício da alíquota de 0%. Apenas afastou a exação naquele caso específico em razão da errônea classificação fiscal adotada pela fiscalização, a Fl. 622DF CARF MF 14 qual havia enquadrado em outro código NCM que não se aplicava à hipótese, somada à impossibilidade de lavratura de auto de infração complementar, em razão da decadência. Nos presentes autos, portanto, havendo a fiscalização enquadrado corretamente os produtos "Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96" no NCM 4820.10.00, há de ser mantida a exigência fiscal atinente a tais produtos quanto às competências não fulminadas pela decadência. De outro norte, a segunda reclassificação fiscal referese ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em relação ao qual, conforme já analisado no tópico anterior, há de ser afastada a autuação, em razão da nulidade material verificada. Nesse contexto, tornase despicienda a análise acerca da correta classificação fiscal deste item. 5. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; (ii) determinar a exclusão dos valores relativos à "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 623DF CARF MF
score : 2.606112
Numero do processo: 19515.003210/2003-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA.
O art. 30 do Decreto n° 70.235/72 determina ser obrigatório à Autoridade Julgadora acatar as conclusões dos laudos técnicos produzidos pelo INT - Instituto Nacional de Tecnologia trazidos aos autos.
No entanto, depreende-se haver uma limitação em seu §1º, segundo o qual em matéria de classificação fiscal dos produtos não serão considerados como aspectos técnicos as conclusões postas nos laudos. Assim, não há obrigatoriedade, no presente caso, de que as autoridades julgadoras adotem os laudos do INT trazidos pela Contribuinte.
A prudência sempre recomenda que questões envolvendo aspectos técnicos sejam tratadas com lastro em conhecimentos técnicos, em regra externados por meio de laudos periciais. Embora este Órgão Julgador possa utilizar-se dos laudos técnicos trazidos aos autos para nortear suas conclusões, não está obrigado a fazê-lo, podendo decidir a questão a partir de seu livre convencimento motivado.
Numero da decisão: 9303-006.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA. O art. 30 do Decreto n° 70.235/72 determina ser obrigatório à Autoridade Julgadora acatar as conclusões dos laudos técnicos produzidos pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia trazidos aos autos. No entanto, depreendese haver uma limitação em seu §1º, segundo o qual em matéria de classificação fiscal dos produtos não serão considerados como aspectos técnicos as conclusões postas nos laudos. Assim, não há obrigatoriedade, no presente caso, de que as autoridades julgadoras adotem os laudos do INT trazidos pela Contribuinte. A prudência sempre recomenda que questões envolvendo aspectos técnicos sejam tratadas com lastro em conhecimentos técnicos, em regra externados por meio de laudos periciais. Embora este Órgão Julgador possa utilizarse dos laudos técnicos trazidos aos autos para nortear suas conclusões, não está obrigado a fazêlo, podendo decidir a questão a partir de seu livre convencimento motivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 10 /2 00 3- 39 Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.117 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 310100.171 (fls. 2.347 a 2.363) proferido pela 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 09/07/2009, negando provimento ao recurso voluntário por maioria de votos, tendo sido rerratificado pelo Acórdão nº 3101001.343 (fls. 2.236 a 2.248), que deu parcial provimento aos embargos de declaração interpostos pelo Sujeito Passivo, in verbis: Acórdão nº 310100.171 (recurso voluntário) ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.118 3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTONAGENS. As cartonagens de papel ou cartão não ondulados, dobráveis, classificam se no código 4819.20.00, Ex 02, da NCM, com aliquota de 15% (a partir de 01/10/2002, no código 4819.20.00, com aliquota de 15%), tratandose de invólucros que simplesmente reúnem para apresentação e venda a retalho unidades de produtos (4, 6 ou 12), alimentícios ou não, encerrados em embalagens próprias (os invólucros não têm contato direto com os produtos alimentícios); por força da RGI n° 1 c/c n° 6 e da NESH referente à posição 4819. Recurso Voluntário Negado. Acórdão nº 3101001.343 (embargos de declaração) ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES. Merecem ser providos parcialmente os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existem omissões a serem supridas mediante rerratificação do dispositivo da decisão embargada, inclusive com efeitos infringentes relativamente à decadência. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Nos termos da jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação terá termo inicial na data do fato gerador conforme art. 150, § 4º, do CTN. IPI. BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÕES E VENDAS CANCELADAS. A simples alegação de que devoluções e vendas canceladas foram incluídas na base de cálculo, sem indicação da materialidade fática da ocorrência, não é suficiente para evidenciar o equívoco do lançamento. Ademais, considerando que as bases de cálculo levantadas pela Fiscalização foram extraídas dos livros de IPI, sendo que nestes, mormente, são consignados os registros das devoluções devidamente quantificadas na apuração, as devoluções e vendas canceladas foram considerados. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação da multa de ofício nos percentuais fixados no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.119 4 JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para apreciar juros de mora sobre multa de ofício, uma vez que se trata de matéria afeta à execução do acórdão, a cargo da autoridade preparadora da jurisdição do domicílio fiscal do contribuinte, e não propriamente de matéria constante do auto de infração discutido. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTONAGEM VERSUS CARTUCHO. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE. O voto vencedor começa anunciando justamente o desprestígio das definições de cartucho obtidas de dicionários e glossários de termos técnicos em favor do caráter estritamente tributário que a palavra cartucho deve assumir quando numa operação de classificação fiscal. Assim é que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado se fizeram presentes para dirimir o aparente conflito entre os termos cartonagem e cartucho, não havendo portanto contradição alguma no voto vencedor acerca da classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial aos embargos de declaração, para suprir as omissões relativas à decadência, base de cálculo, multa e juros, com efeitos infringentes relativamente à decadência; e negar provimento quanto à contradição acerca da classificação fiscal; e por maioria, não conhecer dos embargos de declaração quanto a juros sobre multa de ofício. Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo (Relator originário). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. O processo teve origem em Auto de Infração (fls. 267 a 274) lavrado em face da Contribuinte para exigência de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) referente ao período de janeiro/1998 a dezembro/2002, decorrente de recolhimento a menor em razão de suposto erro na indicação da classificação fiscal de produto e da alíquota correspondente. A impugnação da Contribuinte (fls. 279 a 308) foi julgada parcialmente procedente pela 2ª Turma da DRJ/RPOSP, por meio do Acórdão nº 4965 (fls. 1.050 a 1.066), para "[...] declarar de oficio a decadência parcial do feito, com a consequente exoneração de R$ 1.811.674,45 de imposto e de R$ 1.358.755,84 de multa de oficio, além Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.120 5 dos juros de mora correspondentes, e, assim, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento de oficio em pauta". No exame do recurso voluntário (fls. 1.809 a 1.850), a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos e nos termos do Acórdão nº 30132.701 (fls. 1.981 a 1.988), anulou a decisão de primeiro grau proferida pela DRJ/RPO SP, por cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, em razão de falta de apreciação dos laudos técnicos carreados aos autos pelo Sujeito Passivo para sustentar a classificação das mercadorias na posição entendida como correta. Retornados os autos à origem, foi proferida nova decisão pela 2ª Turma da DRJ/RPOSP, consubstanciada no Acórdão nº 1417.416 (fls. 1.997 a 2.011), rejeitando o pedido de apresentação de documentos adicionais e considerando procedente o lançamento de ofício efetuado pela Fiscalização, com o restabelecimento da exigência do crédito tributário em sua integralidade. Não resignado, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário (fls. 2.253 a 2.305) reiterando as razões de impugnação e alegando, em síntese, que: [...] (i) é nula a nova decisão de primeira instância, pois, assim como a anteriormente proferida, os laudos técnicos trazidos não foram analisados adequadamente; (ii) a nova decisão também não poderia ter deixado de considerar a decadência dos fatos ocorridos entre janeiro e agosto de 1998, reconhecida pela primeira decisão da DRJ, uma vez que majora a exigência fiscal, o que viola o instituto da não reformatio in pejus e torna a decisão nula, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72; (iii) "segundo o artigo 150, §4°, c.c. com o artigo 149, parágrafo único, ambos do CTN, o prazo decadencial para a revisão da exigência fiscal coincide com o prazo para a realização do lançamento. Assim, quando a D. Autoridade Julgadora de primeira instancia majorou a cobrança (ao não reconhecer a decadência dos fatos ocorridos de janeiro agosto de 1998), já havia decaído o seu direito de cobrar créditos relativos ao período de janeiro/1998 a novembro/2002; " (iv) "ainda que assim não se considere, nos termos do artigo 150, §4" do CTN, decaiu o direito de o Fisco tributar fatos relativos ao período de janeiro/1998 a agosto/1998, visto que eles só poderiam ter sido cobrados até agosto/2003, e o Auto de Infração apenas veio a ser lavrado em 5.9.2003"; (v) os produtos da Recorrente são cartuchos classificáveis na posição 4819.40.00 ex 3 (atualmente 4819.40.00), de acordo com a doutrina, RGISH, NESH, legislação e a jurisprudência aplicáveis; (vi) "cartonagens, na linguagem vulgar, podem ser entendidas como aqueles materiais destinadas a "caixas de papelão" amareladas, que servem para armazenar grandes quantidades de produtos ao passo que os Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.121 6 cartuchos, como no caso da Recorrente, se destinam a agrupar determinadas mercadorias para venda a consumidor final"; (vii) "as cartonagens decorrem da reunião de várias peças ao passo que os cartuchos silo feitos de uma única peça"; (viii) "os cartuchos em questão não servem a acondicionar produtos alimentícios, não mantendo contato direto com o conteúdo"; (ix) "não se pode admitir um Auto de Infração lavrado com base em consultas formais de outros contribuintes e em dicionários da língua portuguesa, sem qualquer embasamento legal ou técnico a respeito da questão"; (x) "as provas colacionadas pela Recorrente no curso do processo demonstram claramente a diferença entre as cartonagens (que não é o caso da Recorrente) dos cartuchos como de fato são"; (xi) a partir de 1.10.2002, a Recorrente passou a adotar a aliquota de 15% em cumprimento ao Decreto 4.396/02 e não por suposta concordância com a posição da D. Fiscalização"; (xi) cancelamento das exigências referente aos meses de outubro e novembro de 2002, visto que já foram recolhidos impostos com alíquota de 15% nos termos do Decreto 4.396/02; (xii) para fins de apuração do imposto, a D. Fiscalização considerou os valores relativos a cancelamentos e devoluções, os quais, definitivamente, não compõem a base de cálculo do imposto, pelo que a exigência deve ser cancelada; (xiii) a multa de oficio cobrada no valor de 75% é excessiva e extrapola os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida; (xiv) a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários. (grifouse) Sobreveio julgamento do recurso voluntário explicitado no Acórdão nº 3101 00.171 (fls. 2.347 a 2.363), ora recorrido, proferido pela 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 09/07/2009, por maioria de votos, no sentido de negar provimento ao recurso e consignar como correta a classificação das mercadorias no código 4819.20.00, Ex 2, da NCM (cartonagens), com alíquota de 15% (quinze por cento). A Contribuinte interpôs embargos de declaração (fls. 2.375 a 2.379), os quais restaram acolhidos em parte para, nos termos do Acórdão nº 3101001.343 (fls. 2.236 a 2.248), suprir as omissões relativas à decadência, reconhecendo a impossibilidade de cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos até 05/09/1998; base de cálculo; multa e juros, com efeitos infringentes relativamente à decadência; negar provimento quanto à contradição acerca da classificação fiscal; e não conhecer dos embargos de declaração quanto aos juros sobre multa de ofício. Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.122 7 No ensejo, foi apresentado recurso especial de divergência pela Contribuinte (fls. 2.956 a 2.985), trazendo como paradigma os acórdãos nºs 3402001.037, 380200.246 e 30329.256. Nas razões recursais, consigna os seguintes argumentos: (a) a nulidade do acórdão recorrido, conforme art. 59 do Decreto nº. 70.235/72, por preterição do direito de defesa; (b) a diferença essencial entre "cartucho" e "cartonagem" é a presença de tampa nesta, razão pela qual não há de se classificar como cartonagem as mercadorias da Recorrente; (c) da descrição contida no acórdão recorrido dos produtos fabricados pela Contribuinte, depreendese corresponderem a embalagens compostas por uma peça única, feitas de cartão e vincadas, que não entram em contato com o seu conteúdo, concluindose que os mesmos são cartuchos; (d) na classificação fiscal de mercadorias, além do aspecto tributário, não se pode prescindir do seu caráter técnico, devendo ser considerados os laudos, elaborados pelo IPT e pela ABTG, trazidos aos autos como prova de suas alegações; (e) levandose em consideração a definição das expressões cartucho e cartonagem, bem como que ambos referemse à forma de embalagem feitas de cartão, os produtos da Contribuinte podem ser classificados em duas subposições da posição 4819: "4819.20 Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados (não canelados)" ou "4819.40 Outros sacos; bolsas e cartuchos". Assim, se tomados por cartucho e cartonagem ao mesmo tempo, devese atentar para a especificidade e para os laudos técnicos, e por conseguinte ensejando a sua classificação como cartuchos, por ser mais específica e estar de acordo com a avaliação técnica; (f) pela aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH), aprovadas pelo Decreto nº 4.542/02, também prevalece a classificação dos produtos do Sujeito Passivo como "cartuchos", na posição 4819.40.00, ex 3, com alíquota do IPI em 8% (oito por cento). O recurso especial foi admitido por meio do despacho s/nº, de 07/17/2015 (fls. 3.080 a 3.084), em razão da comprovação da divergência jurisprudencial quanto à desconsideração de laudos técnicos acostados ao processo e ao conceito de cartucho para classificação das mercadorias da Recorrente. Ficou consignado, ainda, que a divergência relativa à classificação fiscal das mercadorias não precisaria ser analisada pois restaria sanada pela resolução da divergência admitida desconsideração dos laudos técnicos juntados aos autos. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 3.086 a 3.094) requerendo a improcedência do apelo especial da Contribuinte. Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.123 8 Incluído o processo em pauta, na sessão de julgamento de 09/06/2016, acatando proposição da Relatora, o Presidente do Colegiado determinou o retorno dos autos à Secretaria da 3ª Turma da CSRF para exame de admissibilidade da questão atinente à classificação fiscal das mercadorias (fls. 3.097 a 3.101). Ao proceder ao exame de admissibilidade, por meio do despacho de 29/07/2016 (fls. 3.103 a 3.107), o Ilustre Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em exercício à época, entendeu por negar seguimento ao recurso especial quanto à classificação fiscal dos produtos, pois ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas, imprescindível à comprovação da divergência jurisprudencial. O presente processo retornou a essa Relatora após saneamento da admissibilidade do recurso especial, consoante determinado no despacho de fls. 3.115, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento quanto à adoção dos laudos técnicos trazidos aos autos pela Recorrente. Mérito No mérito do recurso especial, as matérias a serem analisadas devem ter sido objeto de comprovação de prequestionamento e de divergência jurisprudencial, razão pela qual, embora sejam suscitadas outras matérias na peça do apelo, que não são de reconhecimento de ofício, estará delimitado o presente arrazoado à análise ao ponto que efetivamente atendeu a esse requisito: desconsideração do laudo técnico carreado aos autos. Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos fabricados pela Contribuinte. Sustenta a Fiscalização ser correta a classificação dos mesmos como "cartonagens" (posição 4819.20.00 alíquota do IPI de 15%), enquanto o Sujeito Passivo defende o seu enquadramento como "cartuchos" (posição 4819.40.00 alíquota do IPI de 8%). Seguem abaixo os Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.124 9 os capítulos, posições, subposições itens e subitens que tais número representam, conforme TIPI aprovada pelo Decreto nº 2092/96, vigente à época dos fatos geradores. Na determinação da classificação fiscal, o auto de infração embasouse precipuamente em definições estabelecidas em dicionário. De outro lado, para dar lastro à sua pretensão, a Contribuinte trouxe aos autos laudos técnicos que, embasados em aspectos técnicos dos produtos, apontam como correta a classificação como "cartuchos" (fls. 378 a 437): Laudo elaborado por INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS ITAL / CENTRO DE TECNOLOGIA DE EMBALAGEM CETEA) Embalagens de cartão Os cartões são empregados na confecção de cartuchos, "multipacks", caixas rígidas e estruturadas laminadas (cartonadas). Outras aplicações de interesse são os copos e tubos de cartão e a base de sustentação para blisters e "skinpacks". Cartuchos Os cartuchos são embalagens fabricadas a partir de uma chapa de cartão por meio de operações de corte e vinco. São geralmente expedidos pelo fabricante abertos ou colados e colapsados, sendo montados, enchidos e fechados apenas no usuário. Por esse motivo são facilmente estocados e transportados. Dependendo da escala de produção, a montagem do cartucho pode ser manual ou automática (FRIEDMAN, KIPNEES, 1987). Existem centenas de tipos de cartuchos variando em formato, forma de fechamento, uso final, etc. a) Cartucho convencional Basicamente, os cartuchos convencionais consistem de uma chapa de cartão dobrada sobre si mesma e colocada em um dos lados para formar um corpo regular. As extremidades, denominadas tampa e fundo, podem ser seladas ou presas de diferentes maneiras (Figura 5.10). A colagem lateral na maioria dos casos é feita pelo fabricante. [...] LAUDO ELABORADO POR INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS Relatório Técnico nº 67 403 i RESUMO A Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. solicitou ao IPT uma análise da classificação de seus produtos com a finalidade de verificação do enquadramento fiscal correspondente. Foram enviados três tipos de embalagens múltiplas contendo produtos alimentícios e vazias. Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.125 10 De acordo com a classificação NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, há duas posições que estão relacionadas com este produto: 4819.20.00 Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados (não canelados, e 4819.40.00 Outros sacos; bolsas e cartuchos. Recomendase utilizar a classificação 4819.40.00 Outros sacos; bolsas e cartuchos, pois estes envoltórios de embalagens em questão não constituem, claramente, caixas, por serem abertos nas extremidades. Tratamse de envoltórios de cartão cortado e vincado, conforme a NBR 919885. [...] Como o item 4819.20.00 trata de "caixas e cartonagens ...", mas só o termo caixas tem um significado válido, este deve ser o termo que conceitua o item. Ora, o envoltório de embalagens em questão não constitui, claramente, uma caixa, por ser aberto nas extremidades. Assim sendo, é preciso buscar uma outra classificação para tais envoltórios. Esta é encontrada no item 4819.40.00 — Outros sacos; bolsas e cartuchos. 0 termo cartucho não se refere, necessariamente, a uma caixa, mas a uma embalagem de cartão cortado e vincado, conforme a NBR. O encaminhamento do pedido de reclassificação fiscal deve, portanto, ser dirigido ao item 4819.40.00. [...] Nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, cabe às autoridades julgadoras adotar as conclusões técnicas trazidas em laudo quando não infirmadas por outros laudos presentes nos autos. Dispõe, ainda, o §1º do referido dispositivo que não será considerado como aspecto técnico a classificação fiscal dos produtos. Consoante exame de admissibilidade do recurso especial efetuado nos presentes autos, a controvérsia a ser dirimida nos presentes autos referese à análise da obrigatoriedade da autoridade julgadora de acatar as conclusões dos laudos técnicos produzidos pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia trazidos aos autos, conforme previsão contida no art. 30 do Decreto nº 70.235/72, art. 30. Da análise do dispositivo, depreendese haver uma limitação em seu §1º, segundo o qual em matéria de classificação fiscal dos produtos não serão considerados como aspectos técnicos as conclusões postas nos laudos. Assim, não há obrigatoriedade, no presente caso, de que as autoridades julgadoras adotem os laudos trazidos pela Contribuinte. A prudência sempre recomenda que questões envolvendo aspectos técnicos sejam tratadas com lastro em conhecimentos técnicos, em regra externados por meio de laudos periciais. Embora este Órgão Julgador possa utilizarse dos laudos técnicos trazidos aos autos para nortear suas conclusões, não está obrigado a fazêlo, podendo decidir a questão a partir de seu livre convencimento motivado. No caso em apreço, verificase que o Colegiado a quo não desconsiderou por completo os laudos técnicos trazidos pela Contribuinte, apenas deulhes interpretação diferente da pretendida pela Recorrente, classificando as mercadorias como cartonagens por entender Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 9303006.230 CSRFT3 Fl. 3.126 11 que em matéria de classificação fiscal tratase de aplicação da norma tributária e não de aspectos técnicos. Como no caso dos autos o recurso especial teve prosseguimento tão somente quanto à necessidade ou não de observância dos laudos periciais acostados aos autos, fica prejudicada qualquer manifestação deste Colegiado sobre a classificação fiscal dos produtos em discussão (se cartuchos ou cartonagens). Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 3126DF CARF MF
score : 2.578985
Numero do processo: 19814.000299/2006-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 11/04/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL.
O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador.
Atualmente, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31.
Numero da decisão: 3002-000.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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Recorrente HEWLETTPACKARD BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/04/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador. Atualmente, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 02 99 /2 00 6- 50 Fl. 410DF CARF MF 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 114/115 dos autos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/04/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Contribuição PIS/COFINS incidentes na importação, no valor de R$ 7.103,55, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Adição 001 da Declaração de Importação No. 06/04128252, de 11/04/2006, produtos descritos como "IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COLORIDA, MODELO PHOTOSMART MODELO 3110 AIO, COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, COM VELÓCIDADE DE IMPRESSÃO DE 32 PPM MONOCROMÁTICA E 31 PPM EM CORES; RESOLUÇÃO DE IMPRESSÃO DE 4800 X 1200 DPI; • Recebeu do importador classificação tarifária no código NCM 8471.60.30, com incidência da alíquota de 0 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 15% pára o Imposto de Produtos Industrializados; • Em ato de conferência física, foi apurado que os produtos importados eram equipamentos MULTIFUNCIONAIS. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00, com incidência da alíquota 'ide 14 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 20% para o Imposto de Produtos Industrializados; • A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009; Tipificação Legal: Artigos 2°, 3°, 482 a 485, 489, 491, 504, 602, 604, IV e 684 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/20022, artigos 10, 30 I, 40 I, 50 1, 70 1, 8° I, 13 I, 19 e 20 da Lei 10.865/04. Cientificado do auto de infração, pessoalmente em 25/04/2006 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente. Na forma do artigo 15 do Decreto, 70.235/72, em 02/05/2006, de fls. 46 à 55, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • O auto de infração é nulo, uma vez que não há nos autos qualquer prova indicando que a mercadoria importada se enquadra nos contornos do disposto do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005; • A função principal das multifuncionais é atuar como impressora, apresentadas assim individualmente e comercialmente. • Apesar de desempenhar outras funções, a função que prevalece é a impressão, devendo ter o equipamento classificação fiscal no código NCM 8471.60.30, conforme a Regra 3, b) das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; • O código NCM 9009.21.00 diz respeito a artefato óptico analógico que opera sem conexão com qualquer computador; •As fotocopiadoras não realizam qualquer das funções das multifuncionais uma vez que a obtenção de cópias ocorre por processos diferentes; Fl. 411DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3002000.410 S3C0T2 Fl. 411 3 •Solicita perícia técnica, apresentando quesitos; Pugna a nulidade e, alternativamente, a improcedência do Auto de Infração. O contribuinte juntou com a impugnação os atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 56/103). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/04/2006 Importação de impressoras a jato de tinta colorida, modelo photosmart modelo 3110 AIO, combinada com outras unidades; de entrada e saída com Classificação tarifária no código NCM 8471.60.30. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de, 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00. A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009. Lançamento Procedente Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 113/118) entendeu correta a reclassificação efetuada, com base no ADI SRF nº 7 de, 26/07/2005 e nas características do produto, conforme indicado na ementa acima transcrita. Indeferiu a perícia técnica requerida sob fundamento de que se revela desnecessária, por não ter sido apresentado nenhum argumento relevante que a propiciasse, e pelos quesitos formulados terem sido respondidos pela literatura técnica juntada aos autos. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 14/07/2009 (vide AR à fl. 121 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 03/08/09, Recurso Voluntário (fls. 122/134). Em seu recurso, o contribuinte reiterou os argumentos e pedidos de sua impugnação, argumentando e requerendo, em preliminar: i) a reunião do presente processo com os de nº 19814000297/200661 e 19814000298/200613; ii) nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido por prejuízo ao direito de defesa. No mérito: i) foi baixado o Decreto nº 5.802/2006, que reconheceu a classificação na posição SH 8471 para os produtos multifuncionais; ii) os produtos sob análise têm na função de imprimir sua característica preponderante, o que determina sua classificação na posição SH 8471. Pediu, ao fim, acolhimento da preliminar para que seja declarada a insubsistência da autuação, ou, no mérito, que seja aperfeiçoada a instrução e proferida decisão com base na legislação e nas provas dos autos. Juntou, com o recurso, os documentos listados na fl. 135. À fl. 294, consta intimação enviada ao contribuinte para apresentação de documentos, cujo AR consta à fl. 295, com vistas à regularização da representação processual. O contribuinte, então, juntou aos autos os documentos de fls. 306/390. Fl. 412DF CARF MF 4 Os autos foram enviados a este Conselho, para apreciação do recurso interposto. Às fls. 393/395, consta o acórdão nº 380302.539, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Sessão de Julgamento, declinando da competência para a 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Sessão. Na sequência, foi proferido novo acórdão, de fls. 405/408, em que a 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Sessão declinou e devolveu a competência para o julgamento deste recurso pela 3ª Turma Especial da Terceira Sessão. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Dos pedidos preliminares 1.1. Reunião do presente processo com os de nº 19814000297/200661 e 19814000298/200613 Em seu recurso, o contribuinte reiterou o pedido apresentado anteriormente nos autos, no sentido de que a presente demanda, que versa sobre a cobrança de PIS e COFINS importação, seja reunida com os dos processos acima indicados, lavrados em face da mesma DI, por meio dos quais são exigidos créditos tributários relacionados às diferenças de Imposto de Importação, IPI e multas. Entendo que o pleito do contribuinte é válido, visto que visa evitar decisões conflitantes, além de encontrar respaldo no Regimento Interno do CARF (art. 6º do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015). Acontece que, in casu, não se apresenta possível proceder à reunião dos referidos processos nesta oportunidade. Isso porque, em consulta ao andamento processual dos referidos processos, constatase que o processo nº 19814000297/200661 não se encontra no CARF, e que o processo nº 19814000298/200613 já foi julgado por este Conselho desde 26/06/2012, por meio do Acórdão nº 3802001.067. Nesse contexto, diante da impossibilidade de reunião dos referidos processos, este Colegiado deverá prosseguir com o julgamento da presente demanda. Feitas essas considerações preliminares, passo à análise dos demais fundamentos constantes do Recurso Voluntário interposto. 1.2. Nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido por prejuízo do direito de defesa Ainda preliminarmente, o contribuinte requereu fosse reconhecida, por prejuízo ao seu direito de defesa, a nulidade tanto do auto de infração quanto do acórdão recorrido. No Fl. 413DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3002000.410 S3C0T2 Fl. 412 5 que se reporta ao auto de infração, apresentou os seguintes fundamentos: (i) não consta dos autos nenhum suporte técnico relacionado com a identificação das mercadorias e funções por ela desempenhadas, para que se pudesse verificar a correção da classificação fiscal realizada; (ii) não teria sido anexado ao auto de infração o processo que gerou o ADI SRF nº 07/05. Quanto ao acórdão recorrido, defendeu que a nulidade adviria do indeferimento do pedido de perícia formulado. Entendo que não assiste razão ao contribuinte em seus fundamentos. Quanto ao auto de infração, verificase que este encontrase devidamente fundamentado, não possuindo qualquer mácula que possa eiválo do vício de nulidade alegado pelo contribuinte. Conforme restou analisado na decisão recorrida, a descrição do produto constante da própria declaração apresentada pelo contribuinte é suficiente à identificação do produto, para que se possa realizar a correta classificação fiscal. De outro norte, é certo que a ausência de juntada aos autos do inteiro teor ADI SRF nº 07/05 não torna nulo o auto de infração combatido, nem cerceia o direito de defesa do contribuinte, visto que o seu conteúdo, além de ter sido mencionado no auto de infração combatido, poderia ser facilmente consultado pelo contribuinte. De outro norte, no que concerne à suposta nulidade do acórdão recorrido, entendo que melhor sorte não assiste ao recorrente. Como se vê, a decisão recorrida encontra se corretamente fundamentada neste ponto, tendo indeferido a realização de perícia visto que prescindível à solução desta contenda. É o que se extrai da passagem a seguir transcrita, cujos fundamentos, no meu entender, apresentamse irretocáveis: Quanto à solicitação de perícia, o inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72 assim explicita: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, 'na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 19 Os elementos probatórios' deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2' Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este •e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A Pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. Fl. 414DF CARF MF 6 O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos 'no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que , leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que é propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícial tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Os quesitos formulados suscitam dúvidas já respondidas pela literatura técnica juntada. Diante disso, temse que a perícia se revela desnecessária dada sua assimetria com a linha probatória até aqui empreendida, não tendo por si o condão de trazer fato novo frente àqueles já evidenciados. Não obstante a recusa fundamentada, nos moldes dos artigos transcritos, o direito a ampla defesa e ao contraditório foi observado. Nesse contexto, entendo que deverá ser indeferida a preliminar de nulidade alegada, seja em relação ao auto de infração lavrado, seja em relação ao acórdão recorrido. 2. Do mérito Passase, então, à análise do mérito da presente contenda, relacionado à correta classificação fiscal dos produtos descritos como "IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COLORIDA, MODELO PHOTOSMART MODELO 3110 AIO, COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO DE 32 PPM MONOCROMÁTICA E 31 PPM EM CORES; RESOLUÇÃO DE IMPRESSÃO DE 4800 X 1200 DPI". O Recorrente classificou o referido produto no NCM 8471.60.30, com incidência da alíquota de 0% para o Imposto de Importação e da alíquota de 15% para o Imposto de Produtos Industrializados, ao passo que a fiscalização entendeu que a correta classificação fiscal seria a disposta no NCM 9009.21.00, com incidência da alíquota de 14% para o II e 20% para o IPI, por corresponderem a equipamentos multifuncionais. Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevese a seguir o teor das referidas classificações: 84.71 MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 8471.60 Unidades de entrada ou de saída, podendo conter, no mesmo corpo, unidades de memória 8471.60.30 Outras impressoras, com velocidade de impressão superior ou igual a 30 páginas por minuto Fl. 415DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3002000.410 S3C0T2 Fl. 413 7 *** 90.09 APARELHOS DE FOTOCÓPIA, POR SISTEMA ÓPTICO OU POR CONTATO, E APARELHOS DE TERMOCÓPIA 9009.2 Outros aparelhos de fotocópia 9009.21.00 Por sistema óptico A fiscalização fundamentou a reclassificação realizada no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07 de 26/07/2005, que assim dispõe: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e considerando o que consta no processo nº 10168.000174/200536, declara: Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificamse na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do Mercosul. E, consoante acima narrado, sabese que este Conselho já teve a oportunidade de se manifestar sobre a correta classificação fiscal dos mesmos produtos aqui analisados quando do julgamento do processo nº 19814000298/200613, que resultou no Acórdão nº 3802 001.067. É importante que se destaque, contudo, que, em que pese este Conselho já ter proferido decisão sobre a mesma matéria que aqui se analisa, este Colegiado não está vinculado ao conteúdo da decisão ali proferida, podendo proferir decisão no mesmo sentido, caso concorde com a conclusão ali posta, ou em sentido contrário, caso entenda diversamente do conteúdo da decisão outrora proferida. Ocorre que, ao analisar o conteúdo do referido acórdão, entendo que aquela Turma Julgadora analisou corretamente a matéria sob exame. E, por concordar com os fundamentos ali dispostos, transcrevoos a seguir, adotandoos como razão de decidir: Da classificação fiscal No presente caso, o impugnante pleiteia a classificação do seguinte produto mportado, descrito na DI nº 06/04128252 adição 01) como “IMPRESSORAS A JATO DE INTA COLORIDA, MODELO PHOTOSMART MODELO 3110 AIO, COMBINADA COM UTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO E 32 PPM MONOCROMÁTICA E 31 PPM EM CORES; RESOLUÇÃO DE IMPRESSÃO DE 4800 X 1200 DPI” no código NCM 8471.60.30 (II: 0% e IPI: 15%); Já a fiscalização, após apurar que os produtos importados eram equipamentos MULTIFUNCIONAIS, pretende, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, o código NCM 9009.21.00 (II: 14% e IPI: 20%). De acordo com a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº Fl. 416DF CARF MF 8 97.409/88), “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras seguintes”. Semelhante regramento, agora cuidando da classificação em subposições e em itens e subitens, encontramos na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 6 e na Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. A Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no Sistema Harmonizado, traz os seguintes textos relacionados aos códigos desejados: NCM 8471.60.30 8471.60.30 Outras impressoras, com velocidade de impressão superior ou igual a 30 páginas por minuto NCM 9009.21.00 9009 APARELHOS DE FOTOCÓPIA, POR SISTEMA ÓPTICO OU POR CONTATO, E APARELHOS DE TERMOCÓPIA 9009.2 Outros aparelhos de fotocópia 9009.21.00 Por sistema óptico Entretanto, caso pareça que a mercadoria possa classificarse em duas ou mais posições (superadas a Regras Gerais nºs 1 e 21), a classificação deverá efetuarse na forma da Regra Geral nº 32: pela posição mais específica; pela característica essencial; ou pela posição situada em último lugar na ordem numérica dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A discussão, portanto, acerca da correta classificação fiscal das multifuncionais perpassaria a possibilidade de se definir, acaso insuficientes as Regras Gerais nºs 1 e 2, a sua posição mais específica ou a que acolha a característica essencial – se a posição relacionada à função de impressão, ou a relacionada à função de cópia ou ainda a de transmissão de telecópia (fax). Nesse contexto, a Receita Federal editou o Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7, de 26/07/2005, onde expressou seu entendimento de que as máquinas multifuncionais classificariamse no código NCM 9009.21.00. Vejamos: Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificam se na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária – não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3002000.410 S3C0T2 Fl. 414 9 Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: Código TIPI Descrição Alíquota (%) 8471.60.21 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.22 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.23 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.24 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.25 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.26 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.29 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 8471.60.30 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. Em sentido semelhante assentou o Acórdão nº 310100.253 (3ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Relator Luiz Roberto Domingo, julgado em 19 de outubro de 2009): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/09/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afastaa da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente passificada (sic) no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado Fl. 418DF CARF MF 10 comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08) Recurso Voluntário Provido. (...). Nesse sentido, caracterizado o produto como uma impressora multifuncional, a classificação adotada pelo importador pode ser considerada, à época, como adequada para o produto em questão, devendo, pois, ser afastada a presente cobrança relativa à exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de multa de oficio. Com base nos fundamentos supra expendidos, concluise que a classificação fiscal defendida pelo contribuinte (8471.60.30 outras impressoras, com velocidade de impressão superior ou igual a 30 páginas por minuto), à época em que realizada, apresentavase correta. Verificase, ainda, que a posição pretendida pela fiscalização (9009.21.00 outros aparelhos de fotocópia) não encontra respaldo nas regras de classificação fiscal, seja atualmente em que prevalece a classificação com base no NCM 8443.31 , seja na época do fato gerador objeto da presente contenda. Sendo assim, deverá ser cancelado o auto de infração combatido. 3. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 419DF CARF MF
score : 2.5780041
Numero do processo: 15165.000471/2011-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 15/12/2008 a 26/10/2009
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MICROPROCESSAMENTO COM DISSIPADOR DE CALOR. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. POSSIBILIDADE.
Placas de microprocessamento ou processador com dissipador de calor classificam- se no código NCM 8473.30.43.
Aplica-se multa de 1 % por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente, nos termos do artigo 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001.
Numero da decisão: 9303-006.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 15/12/2008 a 26/10/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MICROPROCESSAMENTO COM DISSIPADOR DE CALOR. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. POSSIBILIDADE. Placas de microprocessamento ou processador com dissipador de calor classificam se no código NCM 8473.30.43. Aplicase multa de 1 % por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente, nos termos do artigo 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto qualidade, em dar lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 04 71 /2 01 1- 73 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 563 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3302002.930, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que, caso existindo dúvida razoável quanto à precisa identificação técnica do produto importado com relação a sua característica principal, visto que prejudicada a perfeita identificação desta pela ausência de laudo técnico, dado o grau de especificidade técnica do referido produto importando, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pelo contribuinte, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo art. 112, II do CTN, para exonerar o crédito referente à multa por classificação fiscal incorreta. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de Autos de Infração (fls. 5/102), em que formalizada a cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 8.317.673,23, compreendendo o somatório do Imposto sobre a Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação, acrescidos de multa de ofício, juros de mora, e multa regulamentar por erro de classificação fiscal. De acordo com Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/113, o motivo da presente autuação foi a constatação de que a autuada havia cometido erro na classificação fiscal das mercadorias importadas, ao enquadrálas no código NCM 8542.31.90 (Outros processadores e controladores), com alíquotas do II de 0% e do IPI de 2,0%, em vez de no código NCM 8473.30.49 (Outros circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos montados), com alíquotas do II de 12,0% e do IPI de 15,0%, por se tratar de placas de microprocessamento ou processador sem dissipador de calor. Segundo a fiscalização, o código NCM utilizado pela autuada aplicase apenas ao microprocessador isolado (placa de silício minúscula), ainda não montada numa placa de microprocessamento, ao passo que o produto efetivamente importado eram placas de microprocessamento montadas, com diversos componentes (substrato, capacitores, processador, dissipador de calor IHS e interface térmica TIM), que, portanto, incluía o microprocessador. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 564 3 Período de apuração: 15/12/2008 a 26/10/2009 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PLACAS DE MICROPROCESSAMENTO COM DISSIPADOR DE CALOR. CÓDIGO NCM. As placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor e de proteção do processador (placa de metal IHS Integrated Heat Spreader), especialmente concebida para utilização em uma máquina automática de processamento de dados, classificamse no código NCM 8473.30.43. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE E DA FISCALIZAÇÃO. TERCEIRO CÓDIGO NCM CONTENDO AS MESMAS ALÍQUOTAS DO CÓDIGO INFORMADO PELO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS E CONSECTÁRIOS LEGAIS. CABIMENTO. Se autuação foi fundamentada em código NCM não pertencente ao produto importado, cujo código NCM contém as mesmas alíquotas do código NCM errado declarado pelo contribuinte, inexiste diferença de tributos e respectivos consectários legais (juros moratórios e multa de ofício), por ausência da diferença de alíquotas que fundamentava o lançamento. ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA DA AUTUAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA DOS TRIBUTOS E CONSECTÁRIOS LEGAIS LANÇADOS. POSSIBILIDADE. Se código NCM correto do produto importado não corresponde ao código NCM declarado pelo importador nem ao utilizado na autuação pela fiscalização, por erro na fundamentação da autuação, não procede a cobrança dos tributos e consectários legais lançados. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO PARA A PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA NA AUTUAÇÃO. INTERPRETAÇÃO BENIGNA AUTORIZADA PELO ARTIGO 112 DO CTN. Restando demonstrado nos autos que a fiscalização não se utilizou de assistência técnica para identificar a mercadoria importada na autuação, requisito indispensável no caso da espécie dos autos pela especificidade técnica, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo artigo 112 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado". Fl. 564DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 565 4 Devidamente Cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitou divergência contra o entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente à exoneração da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM. Visando comprovar o dissenso foi apontado, como paradigma, o Acórdão nº 3102002.198. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por entender que foi comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 445/447. Em que pese ter obtido o provimento total do Recurso, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, suscita divergência quanto à correta classificação fiscal da mercadoria em foco. Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 3403002.595. O Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por entender que foi comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 514/516. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls.518/527. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator Os Recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, nos termos dos respectivos despachos de admissibilidade. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 566 5 Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. Com efeito, os Recursos serão julgados em conjunto, tendo em vista o Recurso Especial da Contribuinte que, embora, tenha sido provido totalmente, ela traz a divergência e dúvida quanto a devida classificação fiscal de sua mercadoria, em que pese o acórdão recorrido ter decidido a lide adotando a classificação fiscal com bem entendeu. Já quanto ao Recurso da Fazenda Nacional, a discussão diz respeito ao entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente à exoneração da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM. Compulsando aos autos, verifico que a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com o seguinte fundamento: "Restando demonstrado nos autos que a fiscalização não se utilizou de assistência técnica para identificar a mercadoria importada na autuação, requisito indispensável no caso da espécie dos autos pela especificidade técnica, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo artigo 112 do CTN. Conforme se demonstrou acima, a fundamentação do auto de infração não se fez acompanhar de assistência técnica para a perfeita identificação da mercadoria importada, balizamento imprescindível neste caso para possibilitar a correta análise classificatória. Assim a ausência de laudo técnico por parte da fiscalização, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pela recorrente justifica a exoneração da multa por classificação fiscal incorreta, estabelecida no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/ 2001, com escopo no artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN. Ressaltese que a interpretação benigna autorizada pelo art. 112 do CTN norteiase pelo que dispõem seus incisos [Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.. No presente caso existindo dúvida razoável quanto à precisa identificação técnica do produto importado com relação a sua característica principal, visto que prejudicada a perfeita identificação desta pela ausência de laudo técnico, dado o grau de especificidade técnica do referido produto importando, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pelo contribuinte, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo art. 112, II do Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 567 6 CTN, para exonerar o crédito referente à multa por classificação fiscal incorreta". Causa espanto, os fundamentos do voto vencedor, sequer fundamentou qual classificação fiscal deve ser adotada, simplesmente alega que: "a ausência de laudo técnico por parte da fiscalização, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pela recorrente justifica a exoneração da multa por classificação fiscal incorreta". Como visto, a decisão recorrida não empreendeu a melhor solução para lide, neste sentido, adoto como fundamento em minha razões de decidir os fundamentos e conclusões do Voto irretocável da lavra do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que passa a fazer parte integrante desse voto. Vejamos: "Assim, uma vez identificado o tipo de produto, inexiste controvérsia quanto ao enquadramento dele na NCM. Em outras palavras, não há dissenso quanto ao enquadramento do circuito integrado eletrônico na posição 85.42 da NCM e da placa de microprocessaemento na posição 84.73 da NCM. Nesse sentido, o enunciado da posição 84.73 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), afasta qualquer dúvida respeito, ao determinar que: “Excluemse também desta posição: [...] e) Os circuitos integrados (posição 85.42). De acordo com o texto da referida nota, ao excluir o circuito integrado da posição 84.73, que compreende “Partes e acessórios (exceto estojos, capas e semelhantes) reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas ou aparelhos das posições 84.69 a 84.72”, e enquadrálo na posição 85.42, que compreende “Circuitos integrados eletrônicos”, ficou claramente definido que a classificação fiscal dos “circuitos integrados eletrônicos” é determinada pela sua natureza intrínseca e não pela sua aplicação ou destinação. Assim, embora destinado, exclusiva ou principalmente, à montagem de máquinas automáticas para processamento de dados, pertencentes à posição 84.71 da NCM, se a parte ou acessório tiver natureza de “circuito integrado eletrônico” ele se classifica na posição 85.42 da NCM e não na posição 84.73 da NCM. Portanto, a classificação fiscal dos circuitos integrados é determinada pela sua natureza intrínseca e não em função da sua aplicação ou destinação. Dessa forma, para o deslinde da controvérsia, a questão relevante passa a ser a precisa identificação do componente eletrônico importado pela recorrente, que, segundo o Termo de Verificação Fiscal (fl. 106), tem a seguinte estrutura e composição: a) Package substrate; b) Capacitors; c) Processor core (die); d) IHS (Integrate Heat Spreader); e e) TIM (Thermal Interface Material), conforme ilustrado na figura a seguir reproduzida: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 568 7 A figura acima mostra um esboço dos componentes do pacote do processador e como eles são montados na placa do sistema (system board) e no soquete (socket). No centro, encontrase o núcleo do processador (processor core, die), o processador propriamente dito. Na base se pode visualizar a presença de capacitores, componentes eletrônicos passivos, com a função de filtrar e estabilizar a corrente. Na parte superior do conjunto, uma cobertura de alta condutividade térmica, o IHS (Integrated Heat Spreader ou Difusor de Calor Integrado), cuja função é difundir o calor interno gerado pelo funcionamento do chip. Ainda entre o processador e IHS existe uma interface de material térmico, o TIM (Thermal Interface Material ou Material de Interface Térmica). Também com base na referida figura, a fiscalização apresentou a seguinte descrição do produto importado, in verbis: No “substrate” estão montados o processador, os capacitores e o IHS. Temos, então, um circuito impresso com elementos eletrônicos (ativo e passivos), além do IHS. Os capacitores são considerados componentes eletrônicos passivos, que são simplesmente condutores de sinais elétricos; o processador, por sua vez, componente eletrônico ativo, suscetível de produzir, retificar, detectar, modular ou amplificar sinais elétricos. Observase também que os componentes eletrônicos passivos (capacitores) estão dispostos de forma não discreta no substrato. Cabe ainda ressaltar que, em relação a estrutura e composição do produto importado inexiste controvérsia, uma vez que a recorrente baseiase nos Fl. 568DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 569 8 mesmos elementos para apresentar a sua discordância em torno da conclusão apresentada pela fiscalização. Feito esses breves relevantes esclarecimentos, passase a analisar o ponto fulcral da controvérsia. Para esse fim, iniciase com a transcrição do texto da Nota 8 b) do Capitulo 85, que apresenta as características intrínsecas do circuito integrado, tais como os elementos de composição e os tipos de fabricação, com os seguintes dizeres, in verbis: 8.Na acepção das posições 85.41 e 85.42, consideramse: a) “Diodos, transistores e dispositivos semicondutores semelhantes”, os dispositivos cujo funcionamento se baseie na variação da resistividade sob a influência de um campo elétrico; b) Circuitos integrados: 1º) Os circuitos integrados monolíticos em que os elementos do circuito (diodos, transistores, resistências, condensadores, indutâncias, etc.) são criados essencialmente na massa e à superfície de um material semicondutor (por exemplo, silício impurificado (dopado), arsenieto de gálio, silíciogermânio, fosfeto (fosforeto*) de índio), formando um todo indissociável; 2º) Os circuitos integrados híbridos que reúnam de maneira praticamente indissociável, por interconexões ou cabos de ligação, sobre um mesmo substrato isolante (vidro, cerâmica, etc.) elementos passivos (resistências, condensadores, indutâncias, etc.) obtidos pela tecnologia dos circuitos de camada fina ou espessa e elementos ativos (diodos, transistores, circuitos integrados monolíticos, etc.), obtidos pela tecnologia dos semicondutores. Estes circuitos podem incluir também componentes discretos; 3º) Os circuitos integrados de múltiplos chips, constituídos por dois ou mais circuitos integrados monolíticos interconectados, combinados de maneira praticamente indissociável, dispostos ou não sobre um ou mais substratos isolantes, mesmo com elementos de conexão, mas sem outros elementos de circuito ativos ou passivos. Na classificação dos artefatos definidos na presente Nota, as posições 85.41 e 85.42 têm prioridade sobre qualquer outra posição da Nomenclatura, exceto a posição 85.23, suscetível de os incluir, em particular, em razão de sua função. (grifos não originais) Da simples leitura do texto transcrito, verificase que (i) a classificação do circuito integrado é definida pela sua natureza intrínseca e não em função da sua destinação, conforme ressaltada anteriormente, e (ii) que, de acordo com o tipo de processo de fabricação, existem três tipos de circuitos integrados: circuitos integrados monolíticos, circuitos integrados híbridos e circuitos integrados de múltiplos chips. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 570 9 Nos autos, há consenso de que o produto importado pela recorrente não atende as características do circuito integrado monolítico nem do circuito integrado de múltiplos chips. O dissenso reside em relação à identificação do produto como circuito integrado híbrido, da posição 85.42 da NCM, ou placa microprocessamento, da posição 84.73 da NCM, como já mencionado. Assim, com vista ao deslinde da controvérsia, iniciase a análise pelas características do tipo de circuito integrado eletrônico1 que se enquadra na posição 85.42 da NCM, que, segundo a recorrente é onde se enquadra o produto importado. Para esse fim, passase a analisar as pertinentes explicações apresentadas na nota da posição 85.42 das NESH sobre as características definidoras do referido produto, que seguem transcritas: Os artefatos da presente posição são definidos na Nota 8 b) do presente Capítulo. Esta posição compreende um conjunto de dispositivos eletrônicos, com uma densidade elevada de elementos ou componentes passivos e ativos, considerados como constituindo uma unidade (ver, no que diz respeito aos elementos ou componentes “passivos” ou “ativos”, a Nota Explicativa da posição 85.34, primeiro parágrafo). Pelo contrário, os circuitos eletrônicos compostos unicamente de elementos passivos são excluídos da presente posição. Diversamente dos circuitos integrados eletrônicos, os componentes discretos podem ter uma só função elétrica ativa (dispositivos semicondutores definidos na Nota 8 a) do Capítulo 85), ou uma só função elétrica passiva (resistências, capacidades, indutâncias, etc.). Os componentes discretos são indivisíveis e são os componentes eletrônicos básicos na construção de um sistema. Não se consideram, todavia, como componentes discretos os constituídos por vários elementos de um circuito elétrico, e com várias funções elétricas, tais como os circuitos integrados. Os circuitos integrados eletrônicos compreendem as memórias DRAM (memória de acesso aleatório dinâmica), SRAM (memória de acesso aleatório estática), EPROM (memória programável, apagável, apenas de leitura), EEPRO ou E2PROM (memória programável, eletricamente apagável, apenas de leitura), microcontroladores, circuitos de comando, circuitos lógicos, circuitos de redes de portas programadas gate arrays”, circuitos de interface, etc. Os circuitos integrados eletrônicos compreendem: [...] II. Os circuitos integrados híbridos. Os circuitos integrados híbridos são microestruturas eletrônicas construídas sobre um substrato isolante no qual um circuito de camada fina ou espessa foi formado. A formação deste circuito permite obter, simultaneamente, alguns Fl. 570DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 571 10 elementos passivos (resistências, capacitâncias, indutâncias, por exemplo). Contudo, para constituir um circuito integrado híbrido da presente posição, elementos semicondutores devem ser incorporados, quer sob a forma de microplaquetas (chips), encapsuladas ou não, quer sob a forma de semicondutores previamente encapsulados, por exemplo, dentro de invólucros miniaturas especialmente concebidos para esse fim. Os circuitos integrados híbridos podem também possuir elementos passivos obtidos individualmente e colocados no circuito da camada de base, da mesma maneira que os semicondutores. Tratase geralmente de componentes, tais como condensadores, resistências ou bobinas, sob a forma de microplaquetas (chips). Os substratos compostos de várias camadas (geralmente de cerâmica), reunidos por cozedura de maneira a formar um conjunto compacto, devem considerarse como constituindo um mesmo substrato na acepção da Nota 8 b) 2) do presente Capítulo. Os componentes que formam um circuito integrado híbrido devem estar reunidos de maneira praticamente indissociável, isto é, a retirada ou a substituição de alguns elementos é possível teoricamente, mas tal só pode ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam economicamente rentáveis. Exceto as combinações (praticamente indissociáveis) referidas nas partes II) e III), acima, relativas aos circuitos integrados híbridos, excluemse também desta posição os conjuntos obtidos por: a) Montagem de um ou mais componentes discretos num suporte formado, por exemplo, por um circuito impresso; 2º) Os outros conjuntos, de conformidade com as disposições que regem a classificação das partes de máquinas (Notas 2 b) e 2 c) da Seção XVI, em particular). Com base nas explicações anteriormente apresentadas e demais informações coligidas aos autos, depreendese que os produtos importados pela recorrente tratase de um conjunto obtido pela montagem, na placa do sistema (system board) e no soquete (socket), do processador, propriamente dito, dos capacitores e do dissipador integrado de calor (IHS). Ademais, verificase os capacitores, componentes eletrônicos passivos, estão dispostos de forma não discreta no substrato, mas montados na parte inferior da placa do sistema. Dessa forma, os produtos importados pela recorrente não pertencem a posição 85.42 da NCM, pois, não atende as característica dos circuitos integrados da referida posição, pois, o sistema contém alguns componentes eletrônicos passivos (capacitores) que não foram criados na massa ou à Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 572 11 superfície do circuito integrado, mas montados na parte inferior da placa do circuito impresso, portanto, não formam um todo indissociável. Em outras palavras, para que o produto importado pela recorrente fosse considerado um circuito integrado híbrido era necessário que os componentes que o formam estivessem reunidos de maneira praticamente indissociável, de modo que a retirada ou a substituição de alguns elementos fosse possível teoricamente, mas tal só poderia ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam economicamente viáveis. Não é o que ocorre com o tipo e característica dos microprocessadores importados pela recorrente, pois, conforme demonstrado, os seus componentes passivos e ativos estão dispostos na placa do sistema e no soquete, de forma que podem ser removidos normalmente. Ademais, os componentes passivos (os capacitores), não foram criados em circuito de camada fina ou espessa, condição necessária para caracterizar o componente eletrônico como circuito integrado híbrido. Assim, chegase a conclusão que o produto importado pela recorrente não se trata de um circuito integrado híbrido da posição 85.42 da NCM. Com base nessa conclusão, resta analisar se o produto importado pela recorrente tratase de placa de microprocessamento da posição do 84.73 da NCM, conforme enquadramento atribuído pela fiscalização. Para essa finalidade, recorrese ao disposto na nota 2 b da Seção XVI da NCM, que trata das partes de máquinas dos capítulos da referida Seção, que tem a seguinte redação: b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; Como as placas de microprocessamento, sabidamente, são partes das máquina da posição 84.71 da NCM, não resta qualquer dúvida que, no âmbito da posição 84.73, tais placas se enquadram na subposição 8473.30, que compreende as “Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71”. E em nível da subposição 8473.30, não há qualquer dificuldade em enquadrar as citadas placas no item 8473.30.4, que compreende os “Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados”. Este item desdobrase em quatro subitens, que, na época dos fatos, tinha a seguinte redação2, ipsis litteris: 8473.30.41 Placasmãe ("mother boards") Fl. 572DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 573 12 8473.30.42 Placas (módulos) de memória com uma superfície inferior ou igual a 50cm2 8473.30.43 Placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor, inclusive em cartuchos 8473.30.49 Outros (grifos não originais) Diante da descrição anteriormente apresentada, fica evidenciado que os produtos importados pela recorrente se enquadram no subitem 8473.30.43, relativo as “Placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor, inclusive em cartuchos”. Porém, este não foi o código da NCM atribuído ao produto nas presentes autuações. Para a fiscalização, os produtos importados pela recorrente classificarseiam no código NCM 8473.30.49, que compreende os “Outros” “Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados”. Os argumentos apresentados para adoção dessa classificação foram os seguintes (fls. 108/109) CLASSIFICAÇÕES FISCAIS ADOTADAS Em relação à classificação fiscal, o sujeito passivo considerou a classificação de processadores na NCM: 8542.31.90. Considerando que foram importadas Placas de microprocessamento sem a menção ao cooler ou especificamente sem cooler a classificação fiscal correta será 8473.30.49 Com a devida vênia, a conclusão apresentada pela fiscalização contém duas contradições insuperável. A primeira, ao afirmar que, por gerarem grande quantidade de calor, os processadores requerem dissipadores de calor ativos, ou seja, dissipadores de calor com ventoinhas (cooler). A segunda, ao afirmar que, por não ter feito menção à existência a dispositivo de ventilação ativo, ou a existência de cooler, a conclusão seria de que os processadores não continham dispositivo dissipador de calor. Além disso, o microprocessador ou placa de microprocessamento com dispositivo de calor é compatível com o sistema de resfriamento ativo, com a utilização de cooller, conforme, o entendimento esposado nos enunciados de ementas extraídos das Soluções de Consulta proferidas pela Divisão Administração Aduaneira (Diana) da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 6ª Região Fiscal (SRRF06), a seguir transcritas: Solução de Consulta SRRF06/Diana nº 33 de 12 de Abril de 2011 EMENTA: Código TEC Mercadoria 8473.30.43 Placa de microprocessador com dispositivo de dissipação de calor, especialmente concebida para utilização em uma máquina automática de processamento de dados, comercialmente denominada Processador Intel Pentium DualCore Fl. 573DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 574 13 E5400, apresentada isoladamente em bandeja (tray) ou acondicionada para venda a retalho em caixa de papelão com o sistema de solução térmica (dispositivo auxiliar de dissipação de calor com cooler). Solução de Consulta SRRF06/Diana nº 43 de 15 de Abril de 2011 EMENTA: Código TEC Mercadoria 8473.30.43 Placa de microprocessador Intel®, dotada de dispositivo para dissipação de calor e proteção do processador (placa de metal IHS Integrated Heat Spreader), especialmente concebida para utilização em uma máquina automática de processamento de dados, comercialmente denominada “Processador Intel Celeron 430”, apresentada isoladamente em bandeja (tray) ou acondicionada em caixa de papelão com o sistema de solução térmica (dispositivo auxiliar de dissipação de calor com cooler). Com base nessas considerações, fica demonstrado que os produtos importados pela recorrente, objeto das presente autuações, classificamse no código NCM 8473.30.43, por se tratar de placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor, que, na época dos fatos geradores, tinham alíquota do II de 0% e do IPI de 2%, que era as mesmas alíquotas dos outros circuitos integrados eletrônicos classificados no código NCM 8542.31.90, que foi a classificação fiscal adotada pela recorrente nas respectivas DI. Dessa forma, inexiste diferença de alíquota do II e do IPI a ser cobrada da recorrente, bem como as diferenças de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins lançadas, decorrentes do lançamento das referidas diferenças de alíquotas, e das multas de ofício lançadas. No caso, cabe ressaltar ainda que, se houvesse diferença positiva de alíquotas dos citados impostos, o crédito tributário lançado e os respectivos acréscimos legais (juros moratórios e multa de ofício), inequivocamente, também deveriam ser cancelados, por fundamentação equivocada do lançamento, caracterizado pelo enquadramento do produto em código NCM errado. Entretanto, esse equívoco por parte da fiscalização, não justifica o cancelamento da multa por classificação fiscal incorreta, estabelecida no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/ 2001, a seguir transcrita: Art. 84 Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...] Fl. 574DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 575 14 A referida multa deve ser mantida, porque ficou comprovado nos autos que a recorrente classificou incorretamente os produtos importados (placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor), ao atribuilos o código NCM 8542.31.90, ao invés do código NCM 8473.30.43". Por derradeiro, por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgar apenas conflitos jurisprudências, utilizo subsidiariamente em minhas razões de decidir, a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, que passa fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Por derradeiro, por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgar apenas conflitos jurisprudências, utilizo subsidiariamente em minhas razões de decidir, a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, que passa fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: Com essas considerações, reformo a decisão recorrida, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para que seja mantida a multa de 1% ( um por cento) sobre o valor aduaneiro, em razão de estar comprovado junto aos autos que a Contribuinte classificou incorretamente os produtos importados (placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor), ao atribuílos o código NCM 8542.31.90, ao invés do código NCM 8473.30.43, e Nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Fl. 575DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 576 15 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 577 16 Declaração de Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza No presente caso, segundo o acórdão recorrido, o Fisco, no ato lançamento, e a contribuinte, quando da importação, igualmente equivocaramse ao promover a classificação fiscal do produto importado. Donde a integral exoneração dos valores lançados, inclusive da multa de um por cento em face do erro de classificação fiscal, entendimento contra a qual, especificamente quanto ao cancelamento desta última, insurgiuse a Recorrente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Consoante o mesmo acórdão recorrido, a exoneração da multa aplicada, decorrente do erro de classificação, deveuse ao fato de o lançamento não estar bem fundamentado ("ausência de laudo técnico por parte da fiscalização, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pela recorrente justifica a exoneração da multa por classificação fiscal incorreta"). Já para o il. relator, bastaria, para a aplicação da mesma penalidade isolada, ser necessário apenas comprovar a errônea classificação fiscal do produto importado, sendo absolutamente irrelevante o fato de o Fisco também ter se equivocado em sua classificação fiscal, porque, acredita, o erro de classificação persistiu, bem como as consequências deste erro decorrentes. Discordamos. Primeiro, o fato de o erro de classificação fiscal persistir, ou seja, o fato de a classificação fiscal correta não ser a adotada pela contribuinte (classificação "A"), tampouco ser a indicada pelo Fisco (classificação "B"), mas, sim, uma terceira classificação (classificação "C"), não autoriza, só por isso, a manutenção da multa isolada. Se assim fosse, também se deveria manter a exigência do crédito tributário lançado, no caso em que, não obstante o erro de classificação da contribuinte e do Fisco, a terceira classificação fiscal, a classificação "C", se apresentasse com as mesmas alíquotas de II e de IPI vinculado que aquela indicada pelo Fisco no lançamento, a classificação "B". Afinal, neste caso, também continuaria a haver a falta de recolhimento de tributos na importação, assim como, é o que se defende, o erro de classificação ("Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito"). Segundo, porque, para apontar um erro de classificação fiscal, o Fisco deve indicar as regras de classificação não observadas e a classificação fiscal correta. E assim é porque, não fosse pelo caráter norteador das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado – as quais se direcionam a apontar como chegar à correta classificação fiscal do produto importado, não à errada! –, a Administração Tributária deve informar ao administrado (no caso, o importador) não apenas o erro que cometera, mas, também, como deveria ter agido, a fim de que o erro não venha a se repetir, com todas as consequências daí advindas (o art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999, impõe que, nos processos administrativos, a atuação da Administração Pública se dê segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé). Não se pode afirmar errada uma classificação, senão indicando a correta e apontando as regras que autorizam esta nova classificação. Terceiro, o lançamento tributário, como se sabe, é um ato administrativo e, como tal, como outros de mesma natureza, apresenta requisitos cuja não observância enseja a declaração de sua nulidade. Um desses requisitos é a motivação, consistente no relato, em linguagem adequada, do motivo do ato – o fato do mundo fenomênico que autoriza o Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 578 17 lançamento. Noutras palavras, é a exposição, por escrito e em forma inteligível, de que os seus pressupostos de fato realmente ocorreram. Segundo o il. Conselheiro LUÍS EDUARDO BARBIERI, a "autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento, deve demonstrar e comprovar que a situação fática (fato jurídico relatado) se enquadrou perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal). Devese, portanto, demonstrar a subsunção entre o evento, ocorrido no mundo fenomênico e relatado na linguagem competente – fato jurídico, à hipótese de incidência tributária" (BARBIERI, Luís Eduardo Gorrossino, Lançamento tributário: vícios e seus defeitos, São Paulo: Novas Edições Acadêmicas, 2015, p. 226). Um dos equívocos apontados, na mesma obra, quanto à motivação do lançamento, e com a qual concordamos, é a ausência, insuficiência ou o erro na descrição dos fatos do auto de infração (p. 227), erro como o que ora constatamos no presente lançamento, uma vez que, na sua motivação, a autoridade fiscal deveria ter demonstrado, como antes defendemos, o equívoco em que laborou a contribuinte, mediante a análise das regras de interpretação que seriam aplicáveis ao caso e a indicação, em face dessas mesmas regras, da classificação correta. A nosso juízo, portanto, a autoridade fiscal cometeu um vício de motivação no lançamento, do qual resulta, pura e simplesmente, a sua nulidade por vício material. Ainda que persista o erro de classificação – e isso não está em discussão –, há um defeito no ato administrativo que não admite convalidação. Ante o exposto, somos por negar provimento ao recurso especial da PFN. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 578DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.003557/99-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 13/02/1996 a 24/05/1996
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO QUÍMICO. AMOSTRA DESTRUÍDA. LAUDO DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA.
O fato de Receita Federal ter destruído a amostra que poderia resolver a divergência entre os laudos constantes dos autos; em se tratando de produto químico, notoriamente de difícil classificação sem o amparo de laudo técnico; juntamente com a existência de laudo do INT, torna impossível a manutenção da autuação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRODUTO QUÍMICO. AMOSTRA DESTRUÍDA. LAUDO DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. O fato de Receita Federal ter destruído a amostra que poderia resolver a divergência entre os laudos constantes dos autos; em se tratando de produto químico, notoriamente de difícil classificação sem o amparo de laudo técnico; juntamente com a existência de laudo do INT, torna impossível a manutenção da autuação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 35 57 /9 9- 71 Fl. 435DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 3.359, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que julgou procedente o lançamento de Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de multa de oficio e juros de mora. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “[...]Segundo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fl. 2, houve falta de recolhimento do II e do IPI, em virtude da reclassificação fiscal da mercadoria importada através das DI's/Adições no 003721/001, 003722/001 e 012203/001, todas de 1996. A mercadoria foi descrita como "mulita zircônia fundida ZRM" e classificada no código NCM 2818.10.90, sujeito As alíquotas do II de 2% do IPI de 0% (fls. 18, 34 e 49). O Laudo de Análise de fl. 56 concluiu tratarse de uma "preparação refratária contendo mulita (silicato de alumínio) e zircônia (óxido de zircônio)". Os Laudos de fls. 26 e 42 concluíram que se trata de uma "preparação refratária, A base de mulita e de zircônia". Com base nesses elementos, a fiscalização reclassificou o produto importado para o código NCM 3816.00.20, sujeito As alíquotas do II de 14 % e do IPI de 10 %. Ciente da autuação, a interessada apresentou a defesa de fl. 58, argumentando, em resumo, que: [...] Finalmente, requer seja julgado improcedente o lançamento. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10711.003557/9971 Acórdão n.º 3301005.313 S3C3T1 Fl. 436 3 Mediante despacho de fl. 135, foi determinada a realização de diligência, que resultou na juntada de Informação Técnica emitida pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fls. 136 e 137). Em atendimento ao despacho de fl. 140, a interessada foi cientificada da diligência realizada, sendolhe oferecida a oportunidade de apresentar o Parecer Técnico solicitado As fls. 71 e 122, o que resultou na juntada dos documentos de fls. 143 a 197.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 13/02/1996 a 24/05/1996 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULITA Z1RCÔNIAIFUNDIDA (sic). 0 produto mulita zircônia fundida, preparação refratária contendo mulita (silicato de alumínio) e zircônia (óxido de zircônio), classificase no código NCM 3816.00.20. Lançamento Procedente” Cientificado do referido acórdão em 15 de janeiro de 2004, a interessada apresentou recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2004, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Em 27 de fevereiro de 2007, houve julgamento do processo, sendo esse apreciado pelos membros da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes – o que, por conseguinte, resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto da relatora Judith Amaral Marcondes Armando –transcrito abaixo: “VOTO Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora. A questão trazida para julgamento referese à classificação fiscal do produto denominado Mulita Zirconia Fundida, classificado pelo importador na posição TEC 2818.10.90, e reclassificado pela Administração Tributária no código 3816.0020. A matéria é amplamente conhecida neste Conselho e já foi objeto de decisões dispares inclusive da CSRF. Filiome à posição defendida na "Declaração de Voto" do Conselheiro Henrique Prado Megda, nos autos do processo 11128.000643/0497, que resultou no Acórdão CSRF 03.03.215, de 20 de agosto de 2001, que se encontra as fls. 188, 189 190. Fl. 437DF CARF MF 4 Entretanto, a matéria não está pacificada neste Conselhos de Contribuintes, motivo pelo qual creio ser oportuno ouvir a posição da Coordenação Aduaneira, pelo seu órgão encarregado de classificação fiscal, a DINOM. Proponho, pois, que se converta o julgamento em diligência à COANA/DINOM.” Não obstante, em cumprimento à solicitação de diligência, foi expedido Informação Coana/Cotac/Dinom nº 2011/00124 em 2 de junho de 2011 – transcrito parte abaixo (destaques meus): [...] 9. Quanto à menção na Resolução n° 3021.341 do CARF de que a Coana/Dinom é o órgão encarregado da classificação fiscal, esclareçase que, nos termos da Portaria MF nº 587/2010, à Receita Federal do Brasil cabe "dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o Pais em reuniões internacionais sobre a matéria (art.1°, XIX)". À Coana/Dinom compete "coordenar, orientar e avaliar as atividades concernentes à nomenclatura, classificação fiscal e origem de mercadorias (art. 137)". 10. Portanto, todo auditor fiscal da RFB é competente para realizar a classificação fiscal de mercadorias, não sendo esta uma competência somente da Coana/Dinom. Em matéria de classificação fiscal, a Dinom tem competência para solucionar consultas formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional e apreciar recursos de divergência entre soluções de consultas efetuadas pelas Superintendências (SRRF), nos termos da IN RFB 740/2007, mas não a tem em se tratando de lide já instaurada. 11. No presente processo, a Receita Federal do Brasil (RFB), por intermédio da fiscalização aduaneira, já firmou posição sobre a classificação fiscal da mercadoria, não havendo previsão legal ou regulamentar para uma revisitação do feito por um órgão central de assessoramento do Secretário da RFB. 12. Na fase de julgamento em que o processo se encontra, a par de não haver previsão legal para qualquer manifestação da administração aduaneira, uma eventual opinião oficial de um órgão central como a Coana seria ilegítima, podendo inclusive ser entendida como uma quebra do principio do equilíbrio processual. 13. Por tais razões, recomendase a devolução dos autos ao CARF, sem exame de mérito, a fim de que o órgão julgador analise de forma isenta o litígio. [...]” Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10711.003557/9971 Acórdão n.º 3301005.313 S3C3T1 Fl. 437 5 A resolução sintetiza os argumentos do recurso voluntário, acerca da classificação fiscal: · por indicação expressa da NCM, a MULITA ZIRCONICA FUNDIDA deve ser classificada no Capitulo 28 pois, no citado capitulo está incluído o produto "Corindo artificial, quimicamente definido ou não", devendo, pois, ser afastada a alegação constante da r. decisão recorrida no sentido de que o produto importado não se classificaria na posição NCM 21818.10.90, "uma vez que o silicato de alumínio não se confunde com o óxido de alumínio"; · · De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, existem exceções ao principio de que no capitulo 28 estariam exclusivamente elementos químicos isolados ou os compostos inorgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente; · Assim, uma série de produtos relacionados nas referidas NESH, incluise no capitulo 28 mesmo que não constituam elementos ou compostos de constituição química definida; · Do mesmo modo, as NESH expõem que alguns elementos químicos e compostos inorgânicos de constituição química definida, quando isolados, excluemse do capitulo 28, mesmo quando quimicamente puros; · depreendese, então, que a regra inicial de interpretação do Capitulo 28 admite exceções, seja para excluir produtos isolados quimicamente puros, seja para incluir produtos ou elementos compostos, que não sejam isolados ou apresentados isoladamente, encontrandose entre eles justamente o Corindo Artificial da posição 2818: "c produtos incluídos no capitulo 28, mesmo que nao constituam elementos nem compostos de constituição definida: Posiçao 2818 Corindo Artificial" · aplicandose a Regra Geral de Interpretação transcrita, a mercadoria deve ser classificada na posição 2818.10.9900 uma vez que a posição especifica prevalece sobre as mais genéricas, e, ainda, considerando se o produto como "misturado", pela prevalência da matéria "que lhe confira a característica essencial": OXIDO DE ALUMÍNIO (mais de 40% da constituição do produto); · de acordo com o que determinam as Notas Explicativas para Interpretação do Sistema Harmonizado (NESH) e a RGI n.° 3, "a" e "b", a posição do Capitulo 28, adotada pelo contribuinte é mais especifica do que a posição do Capitulo 38 pretendida pelo Fisco, razão pela qual o posicionamento correto para a mercadoria é o 2818.10.9900 da TAB. Fl. 439DF CARF MF 6 · mesmo que a mulitazircônia seja denominada "composição refratária", não faz dela um refratário classificado na posição 3816, ou seja, um produto da indústria de refratários, não justificando a sua classificação na posição 3816; · a NBM e a NESH são bastantes claras. A posição pretendida, e 2 4 pela d. Fiscalização Federal se refere a alguns produtos refratários, quais sejam, "Cimentos, argamassas, concretos (betões) e composições semelhantes, refratários, exceto os produtos da Posição 38.01"; · O termo "refratários" nesta posição não é um substantivo, levandose em consideração que o mesmo cla qualidade ou característica aos demais substantivos; · desta forma, a Mulita Zircônia Fundida não é um produto refratário, nem PREPARAÇÃO REFRATÁRIA (argamassa, concreto, betão ou composição semelhante), mas sim MATÉRIA PRIMA PARA PRODUÇÃO DE REFRATÁRIOS, e, ainda que seja denominada "composição refratária", conforme exposto acima, isso não a faz enquadrarse na posição 3816, estando, por conseguinte, correta a classificação da mercadoria no código 2818 da NCM; · corroborando com tal entendimento, vale destacar as conclusões extraídas do Parecer Técnico elaborado pelo Engenheiro Químico Amilcar Guimarães Morato, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (integra do laudo encontrase colacionado nos autos), acerca do produto importado pela Recorrente objeto da presente autuação. E decide pela diligência, nos seguintes termos: · Intime a recorrente a apresentar quesitos para a providência de laudo de renomada instituição, preferencialmente entidade pública, ou perito credenciado junto à Receita Federal, com o intuito de se constatar a correta classificação fiscal da mercadoria importada. Tal Laudo, além dos quesitos apontados pela recorrente, deverão obrigatoriamente esclarecer se a Mulita Zircônia Fundida seria ou não um produto refratário ou preparação refratária (argamassa, concreto, betão ou composição semelhante) ou matéria prima para produção de refratários. [...] A então diligenciada Alfândega do Porto do Rio de Janeiro informa que: [...] em face das péssimas condições do prédio que abrigava o laboratório de análises da Receita Federal no Rio de Janeiro e, como consequência das inúmeras rachaduras e trincas surgidas em decorrência das perfurações e detonações ocorridas na construção de túnel subterrâneo abaixo, o mesmo foi interditado pela Defesa Civil. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10711.003557/9971 Acórdão n.º 3301005.313 S3C3T1 Fl. 438 7 Em razão da natureza tóxica dos produtos depositados, a SRRF 7ª RF, através da Portaria SRRF7RF nº 1.034, de 21/12/2016, designou servidores para compor comissão de destruição destinada ao acompanhamento da destruição dos produtos conforme Proposta de Destruição nº 0001/2016, de 22/12/2016. Para a destruição dos produtos, foi contratada empresa especializada conforme Processo Administrativo Fiscal nº 10707.000110/201210. Tendo em vista o exposto e, tendo sido incinerados todo o acervo do laboratório de análises clínicas da Receita Federal no Rio de Janeiro, tanto de amostras contraprova, tanto de produtos químicos e solventes, em dezembro de 2016, esta UA não dispõe de meios para responder aos quesitos de fls. 303/304 encartados na Resolução Carf 3202000.300 – 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, e complementado pelos quesitos apresentados pelo contribuinte às fls. 314 a 316. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado foi dado por tempestivo pela resolução em pauta1. A discussão gira em torno da classificação fiscal de produto químico. Na autuação (fl. 26) consta que "nas DIs. 03.721, 03.722 e 12.203/96, o Importador declarou a mercadoria ( mulita zirconia fundida ), cod. TEC 2818.10.90. Laudos tecnicos n. 910, 911 e 2.599/96, correspondentes as DIs acima concluiram tratarse de (preparação refratária, a base de mulita e de zirconia), a classificação correta e 3816.00.20". Os laudos referidos (fls. 53, 72 e 88), emitidos pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, concluíram tratase o produto sob análise de preparação refratária à base de mulita e de zircônia, o que fez a autoridade autuante associar o produto ao "CÓDIGO TAB 3816.00.20” correspondente a “CIMENTOS, ARGAMASSAS, CONCRETOS (BETÕES) E COMPOSIÇÕES SEMELHANTES, REFRATARIOS. OUTRAS PREPARAÇÕES" (grifos do original). A contribuinte insurgiuse contra a classificação e em sede de impugnação apresentou parecer técnico emitido pelo PARECER TÉCNICO do Dr. Paulo Roberto Gomes Brandão, Ph.D. Prof. Titular do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais, no sentido da “IMPOSSIBILIDADE DE CLASSIFICAÇÃO NA POSIÇÃO NBMTEC 3816.00.9900” (fl. 113 e seguintes do eprocesso), assim concluindo: Há nos auto referência a laudo do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) (fl. 206), lavrado em outro processo, o qual conclui: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10711.003557/9971 Acórdão n.º 3301005.313 S3C3T1 Fl. 439 9 Considerando o fato de Receita Federal ter destruído a amostra que poderia resolver a divergência entre os laudos constantes dos autos; em se tratando de produto químico, notoriamente de difícil classificação sem o amparo de laudo técnico; juntamente com a existência de laudo do INT; entendo impossível manter a autuação e voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 443DF CARF MF 10 Fl. 444DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.006459/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 24/11/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. DESCRIÇÃO TÉCNICA DE LAUDO.
A descrição dos aspectos técnicos de mercadoria em laudo deve ser observada pelo julgador administrativo, conforme art. 30 do PAF. A mercadoria Alquibenzeno 9, descrita tecnicamente como uma mistura de alquibenzenos, uma outra mistura de hidrocarboentos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior a 65% em volume, a 250º C, segundo método ASTM D86, classifica-se na NCM 2707.50.00.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/11/2003
MATÉRIA DE DEFESA. PRECLUSÃO.
A matéria não arguida em Impugnação resta preclusa, nos termos do artigo 17 do PAF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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DESCRIÇÃO TÉCNICA DE LAUDO. A descrição dos aspectos técnicos de mercadoria em laudo deve ser observada pelo julgador administrativo, conforme art. 30 do PAF. A mercadoria Alquibenzeno 9, descrita tecnicamente como uma mistura de alquibenzenos, uma outra mistura de hidrocarboentos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior a 65% em volume, a 250º C, segundo método ASTM D86, classificase na NCM 2707.50.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/11/2003 MATÉRIA DE DEFESA. PRECLUSÃO. A matéria não arguida em Impugnação resta preclusa, nos termos do artigo 17 do PAF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 64 59 /2 00 8- 62 Fl. 186DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório da primeira instância administrativa: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 10/04/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa de controle administrativo, por falta de licenciamento de importação, prevista no Art. 169, inc. I, alínea "b" e § 2°, inciso I do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 61 da Medida Provisória n° 135/03. e da multa por classificação fiscal incorreta, prevista no art. 84, I da MP 2158 85/2001, totalizando o valor de R$ 11.771,96, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, através da Declaração de Importação No. 03/10276700, de 24/11/2003, a mercadoria descrita como “HIGH FLASH LIVIANO (ALQUIL BENZENO), com classificação fiscal no código NCM 2707.99.00 – Outros óleos e produtos da destilação dos alcatrões da Hulha... – com incidência da alíquota 0% (nihil) para o Imposto de Importação e o Imposto de Produtos Industrializados; Através do pedido de exame laboratorial 3010/03, foi processado o Laudo de Assistência Técnica No. 3200.01, de 15/12/2003, foi apurado que o produto em análise se tratava de Mistura de Alquilbenzenos, uma outra mistura de hidrocarbonetos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior a 65%, em volume, a 250º C, segundo método ASTM D86; A fiscalização entendeu ser correta para o produto a classificação fiscal no código NCM 2707.50.00; A conclusão da fiscalização se pautou nas Regras Gerais No. 1 e No. 6 do Sistema Harmonizado; Cientificada do auto de infração, a interessada protocolizou impugnação na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, alegando, em síntese, que: O produto importado foi o “Alquilbenzeno 9”, utilizado para formulação de gasolina, fato não descaracterizado pelo exame laboratorial; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.006459/200862 Acórdão n.º 3201004.257 S3C2T1 Fl. 3 3 A classificação fiscal adotada pela PETROBRAS foi a mesma adotada pela empresa fabricante e pela empresa exportadora do produto quando de sua remessa ao Brasil; Estando o produto devidamente classificado pela empresa remetente, não poderia a empresa compradora adotar classificação fiscal diversa; Foi considerado o grau de pureza do produto para efetuar sua classificação fiscal em código NCM diverso daquele apontado como correto pela fiscalização; Por não haver um único critério para se proceder a classificação fiscal do produto, é razoável que ambas classificações sejam aceitas; A Receita Federal do Brasil RFB ao editar a Instrução Normativa No. 638/2006, reconhece que o produto Alquilbenzeno 9 pode ter classificação fiscal tanto no código NCM 2707.50.00, quanto no código NCM 2707.99.00; Houve boa fé da autuada; Em não havendo prejuízo ao Erário, devese anular o Auto de Infração. A DRJ/São Paulo/SP – 22ª Turma, por meio do Acórdão 1676.697, de 22/03/2017, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 24/11/2003 Mistura de Alquilbenzenos O resultado do Laudo de Assistência Técnica, que identificou o produto como uma Mistura de Alquilbenzenos, uma outra mistura de hidrocarbonetos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior a 65%, em volume, a 250º C, segundo método ASTM D86, encontra perfeita ressonância com o texto do código NCM 2707.50.00, conforme aplicação das Regras Gerais No. 1 e No. 6 do Sistema Harmonizado. A empresa então apresentou Recurso Voluntário onde reitera as razões da Impugnação. Acrescenta em suas razões a inaplicabilidade da multa por falta de licenciamento de importação, asseverando como correta a descrição da mercadoria, conforme Ato Declaratório Normativo SRF 13/2002, e que não se aplica multa nos casos de erro de classificação fiscal sem máfé, suscitando aplicação do Ato Declaratório Cosit 12/97. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo, veicula matéria de competência desta turma e, não havendo outros óbices, deve ser conhecido. 1 – Preclusão A recorrente suscita a inaplicabilidade das multas por aplicação do Ato Declaratório Interpretativo 12/97. Também suscita a inaplicabilidade da multa por falta de licenciamento das mercadorias, quando a mercadoria estiver corretamente descrita, com base no Ato Declaratório Normativo SRF 13/2002. Todavia, tais matérias não foram objeto de arguição na Impugnação, restando preclusas, nos termos do artigo 17 do PAF. 2 – Classificação Fiscal da Mercadoria A mercadoria em foco é descrita como “High Flash Liviano – Alquil Benzeno 9”. A empresa o classificou no código 2707.99.00 da NCM. O Fisco, com base em laudo da Funcamp, classificou no código 2707.50.00. Com efeito, a Instrução Normativa da Receita Federal 638/2006, trata de classificação de mercadoria que apresenta a mesma descrição do produto, nas duas posições utilizadas: O SECRETÁRIO RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e considerando o disposto na Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, com as alterações posteriores, nos Decretos nº 4.565, de 1º de janeiro de 2003, nº 4.940, de 29 de dezembro de 2003, e nº 5.060, de 30 de abril de 2004, e no que consta do processo nº 11128.003680/200435, resolve: Art. 1º O anexo II da Instrução Normativa SRF nº 422, de 17 de maio de 2004, fica acrescido dos seguintes códigos, respectivos produtos e unidade de medida estatística. PRODUTO UNIDADE DE MEDIDA ESTATÍSTICA NCM 2707.50.00 DC 801 Alquibenzeno 9 AB9 kg líquido NCM 2707.99.00 DC 801 Alquibenzeno 9 AB9 kg líquido Todavia, tal fato não significa, como pretende a recorrente, que ambos os códigos são possíveis para a mesma mercadoria. O que se estabeleceu é que há duas Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.006459/200862 Acórdão n.º 3201004.257 S3C2T1 Fl. 4 5 mercadorias, com mesma descrição, mas com composições/características diferentes, que devem ser classificadas em código diferentes a depender dessas composições/características. 27.07 Óleos e outros produtos provenientes da destilação dos alcatrões de hulha a alta temperatura; produtos análogos em que os constituintes aromáticos predominem, em peso, relativamente aos constituintes não aromáticos. 2707.10.00 Benzol (benzeno) 2707.20.00 Toluol (tolueno) 2707.30.00 Xilol (xilenos) 2707.40.00 Naftaleno 2707.50.00 Outras misturas de hidrocarbonetos aromáticos que destilem, incluindo as perdas, uma fração igual ou superior a 65 %, em volume, a 250 °C, segundo o método ASTM D 86 2707.9 Outros: 2707.91.00 Óleos de creosoto 2707.99 Outros 2707.99.10 Cresóis 2707.99.90 Outros Conforme se verifica, a mercadoria em foco, por atender exatamente ao texto da subposição 2707.5, conforme o laudo (fl. 31), deve ser lá classificada. A caracterização técnica dos laudos deve ser observada pelo julgador administrativo, conforme artigo 301 do PAF. A correta classificação fiscal na NCM é obrigação do importador, conforme artigo 942 do regulamento aduaneiro, independentemente da classificação utilizada pelo fornecedor. 3 – Erro de boafé A ausência de dolo ou máfé não é oponível no caso de infração objetiva, nos termos do artigo 136 do CTN3 e artigo 673 do regulamento aduaneiro4. 4 – Conclusão 1 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. 2 Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas (DecretoLei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o, caput) 3 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 4 Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Fl. 190DF CARF MF 6 Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 191DF CARF MF
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