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Numero do processo: 14090.720754/2017-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADES. ORIENTAÇÃO ADMINISTRATIVA
O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício quando o contribuinte se orienta de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal.
Não é o caso dos autos, tendo em vista que a multa de ofício foi aplicado por infração diversa daquela estampada nos precedentes citados pela contribuinte.
Numero da decisão: 3301-006.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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APLICAÇÃO DE PENALIDADES. ORIENTAÇÃO ADMINISTRATIVA O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício quando o contribuinte se orienta de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal. Não é o caso dos autos, tendo em vista que a multa de ofício foi aplicado por infração diversa daquela estampada nos precedentes citados pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 72 07 54 /2 01 7- 89 Fl. 10474DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 397413) opostos contra acórdão nº 3301005.546 proferido por esta turma ordinária em sessão de 28/11/2018, com argumentos de omissão ou contradição em diversos pontos da referida decisão. No entanto, apenas um ponto foi admitido pelo despacho de admissibilidade (fls. 469472) e, por bem resumir, transcrevo abaixo para fazer parte do relatório: A leitura dos embargos de declaração do contribuinte revela que, exceto em relação à aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, não foram alegados os vícios que rendem ensejo ao manejo do referido recurso, mas sim deduzidos argumentos que visaram atacar o julgado, objetivando sua reforma pela mesma instância em que foi proferido, o que não é a função dos embargos de declaração. Com efeito, alegar que o Acórdão manteve o auto de infração com fundamentação diferente daquela originalmente invocada pelo fisco não caracteriza contradição entre as premissas e a conclusão do julgado, mas sim verdadeira reação contra seus fundamentos, objetivando obter sua reforma pela mesma instância na qual foi proferido.. Também no que tange à alegação de suposta contradição na análise dos laudos do INT e do laboratório Falcão Bauer, a embargante está reagindo contra a valoração da prova efetuada pelo colegiado, pois a suposta contradição só existiria se a premissa levantada pela recorrente no parágrafo 4.3 dos embargos fosse verdadeira, qual seja: "a única conclusão possível" a ser extraída do laudo do INT é a de que os kits são um produto único. Caso contrário, se essa premissa não for verdadeira, então não haveria contradição alguma no julgado. Para avaliar se a premissa dos embargos é ou não verdadeira, o colegiado teria que reexaminar a prova, ou seja, julgar o processo novamente. Os embargos de declaração não se prestam para forçar o colegiado a revolver o conjunto probatório. O mesmo se diga quanto à suposta contradição na análise dos Atos da Suframa, pois do fato de o colegiado ter admitido a existência de tais atos, não decorre logicamente a conclusão de que eles se pronunciaram sobre a classificação fiscal dos concentrados. A embargante está fazendo um jogo de palavras em seu recurso, pois se "manifestar quanto à natureza do produto" é coisa completamente distinta de se manifestar quanto à classificação fiscal do produto. Aliás, o relator deixou essa circunstância bem clara nos seguintes excertos do voto condutor, in verbis: "(...) Também não assiste razão os argumentos acerca da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos objeto de projetos industriais aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais. Isso porque é atribuição da Receita Federal do Brasil o desenvolvimento desta tarefa, nos termos do art. 30 do Decreto nº Fl. 10475DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301006.085 S3C3T1 Fl. 10.475 3 70.235/1972. Ademais, o Fisco, no TVF, consignou que a SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos em questão, tendo a classificação fiscal sido colocada no projeto e avaliação técnica trazida pela própria RECOFARMA para aprovação do projeto e obtenção da sua aprovação pela SUFRAMA. Compete à SUFRAMA a fiscalização do atendimento aos requisitos para gozo da isenção, mas o atendimento da legislação tributária, incluindose classificação fiscal e a alíquota utilizada pelos adquirentes para cálculo dos créditos, é tema de fiscalização da RFB. (...)" Portanto, não existe contradição alguma no fato de admitir a existência dos atos da Suframa e decidir que aquele órgão não se pronunciou sobre o enquadramento dos concentrados na Nomenclatura porque ele não tem competência para realizar esse mister. Por fim, quanto à aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, verificase que a defesa alegou no item 7 do recurso voluntário, folhas 10.147 e ss. que a multa de ofício seria inaplicável nos casos em que os contribuintes agem conforme entendimento fixado em decisão administrativa irrecorrível. Consultando a decisão embargada, verificase que assiste razão a embargante quanto a omissão alegada. A decisão guerreada não se manifestou sobre a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. Com esses fundamentos, valhome do art. 65, § 3º do RICARF, para rejeitar em caráter definitivo os embargos de declaração, em relação às contradições alegadas, em virtude da inexistência dos vícios e da improcedência das alegações e acolho os embargos de declaração, relativamente à omissão na apreciação da aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. (grifei) É o relatório Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Conforme apontado na síntese acima, a Embargante trouxe em seu recurso voluntário o argumento subsidiário para o afastamento da multa de ofício. Assim, caso mantida a autuação, sob a alegação de que entendia não ter a obrigação de conferir a classificação fiscal adotada pelo seu fornecedor RECOFARMA na nota fiscal quando do recebimento das mercadorias. Afirma a Embargante, e também afirmou em seu Recurso Voluntário, a existência de decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 0202.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro ANTONIO CARLOS Fl. 10476DF CARF MF 4 ATULIM; 0202.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO e 02 0.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA) Em vista disso, como decorrência do princípio da confiança, o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício, verbis: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; Realmente, não foi proferida decisão sobre este ponto, havendo omissão. O contexto é o art. o art. 62 da Lei nº 4.502/1964, que estabelece o dever do adquirente de verificar se os produtos adquiridos para utilização em sua produção apresentam correção nas notas fiscais, isto é, se este documento atende as prescrições da legislação. O questionamento é se este dispositivo exige ou não que se examine a classificação fiscal dos produtos dada pelo fornecedor. Ressaltese que no voto Embargado restou consignado que sim, a classificação fiscal está inserida neste dispositivo: Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. (grifei) Os regulamentos do IPI anteriores, ao regulamentar o art. 62 do da Lei 4.502/1964, traziam consigo uma disposição expressa de que a verificação das "prescrições legais" das notas fiscais incluíam a classificação fiscal, porém, na atual redação do dispositivo dada pelo Art. 327 do RIPI/2010, tal especificação foi retirada do texto, passando a ter a mesma redação do art. 62 do dispositivo legal retrocitado. As decisões administrativas citadas pela Embargante afastaram as penalidades aplicada sobre a obrigatoriedade da conferência das notas fiscais para fins de identificar se atendiam todas "as prescrições legais e regulamentares". Estas decisões tratam da discussão se nesta exigência estão inseridas ou não a conferência da correção da classificação fiscal. Pois bem, ao analisar os precedentes citados pela ora Embargante, constatase que não estão relacionados com o caso dos autos. Isso porque, no caso em análise, foi aplicada a multa de ofício prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/1964. Esta sanção é aplicada para os Fl. 10477DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301006.085 S3C3T1 Fl. 10.476 5 casos de falta de pagamento de imposto, tendo a Embargante incorrido nesta hipótese de incidência por ter escriturado um crédito de IPI a maior do que o devido, com base em classificação fiscal equivocada. Nos precedentes citados pela Embargante a infração é outra, específica para o art. 62. A sanção é a seguinte: caso o adquirente de uma mercadoria detecte equívocos no documento fiscal que desobedeçam as prescrições legais e regulamentares, deve informar o fornecedor e o Fisco; a falta do cumprimento deste dever incorre em uma sanção. Assim, a discussão destes precedentes gira em torno da obrigação de o adquirente comunicar ao fornecedor e ao fisco, eventuais irregularidades da nota fiscal de aquisição. Referidos precedentes tratavam de fatos geradores ocorridos sob a vigência do RIPI/1982 ou do RIPI/1998 que previam esta penalidade em seus artigos 368 e 465, respectivamente, que nada mais faziam do que repetir a penalidade prevista no art. 82 da Lei nº 4.502/1964. No atual regulamento vigente, RIPI/2010, a penalidade é a mesma e o dispositivo equivalente é o art. 575. Esta penalidade é aplicada especificamente para o contexto do art. 62 acima transcrito, onde se prevê, como no caso de seu § 1º, a obrigação de informar o Fisco caso o adquirente verifique alguma incorreção na nota fiscal. Caso o adquirente não realize esta comunicação, será penalizado com a sanção prevista no art. 82, verbis: Art . 82. A inobservância das prescrições do artigo 62 e de seus parágrafos, pelos adquirentes e depositários ali mencionados, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao produtor ou remetente dos produtos pela falta apurada, considerada, porém, para efeito de fixação e graduação da penalidade, o capital registrado daqueles responsáveis. Nos precedentes citados pela Embargante esta penalidade foi afastada porque havia uma discussão sobre se o adquirente estava obrigado a verificar a correção da classificação fiscal estampada no documento fiscal emitido pelo fornecedor, isto é, se na expressão sobre se os documentos fiscais "satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares" constante na parte final do art. 62 da Lei nº 4.502/1964 inclui a verificação da classificação fiscal. O entendimento foi que a verificação da classificação fiscal não estava incluída. Inclusive, um dos acórdãos ainda ressalta que há dúvida na interpretação na expressão "prescrições legais e regulamentares", havendo fortes argumentos tanto para se entender que não está incluída a necessidade de verificar a classificação fiscal, quanto que está incluída. Daí porque, diante da dúvida, referido acórdão (nº 202118.900) aplicou o art. 112, I do CTN para afastar a penalidade do art. 82 da Lei nº 4.502/1964. Entretanto, a autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo Embargante, da correção da classificação fiscal adotada pelo fornecedor e seu consequente dever de informar o Fisco os eventuais equívocos encontrados. A multa aplicada não foi por causa desta falta. A multa de ofício aplicada na presente autuação fiscal é prevista no art. 80 da Lei 4.502/1964 e foi aplicada em razão da falta de recolhimento de imposto, por se ter Fl. 10478DF CARF MF 6 constatado que a Embargante se creditou indevidamente do IPI com base em classificação fiscal equivocada, gerando um grande volume de créditos, que culminou na falta de pagamento do imposto. Esta foi a sanção aplicada no auto de infração e julgada por esta turma no acórdão ora Embargado. A Embargante utiliza jogo de palavras para confundir os julgadores, já que a multa de ofício não foi aplicada porque deixou de conferir a nota fiscal e informar os equívocos como ordena o art. 62 da Lei nº 6402/1964, o que poderia até lhe dar guarida por existir estas raras decisões da CSRF afastando a penalidade pela falta de informação se o equívoco ou divergência for em relação à classificação fiscal. Este argumento da conferência ou não é absolutamente lateral no caso dos autos, já a multa foi aplicada porque não houve recolhimento do imposto, justamente porque a Embargante se pautou em classificação fiscal equivocada, inclusive já afirmada na Solução de Consulta SRRF02/Diana nº 5/2010, de 20/05/2010 (anterior aos fatos geradores), ratificada pela Informação Coana/Ceclam nº 8/2015, no sentido de que a classificação correta do denominado kit é a 2106.9010, sem o ex trarifário. Desta feita, os precedentes citados pela Embargante, como decisões administrativas de última instância que orientaram sua conduta, não prestam para o caso em análise, pois tratam de outra sanção, diversa da dos autos, sendo assim, não se aplica o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964. Tratase de assunto que não foi objeto da autuação fiscal, por mais que ventilado em sede de recurso voluntário e que, em verdade, no julgamento do recurso, deveria ser matéria não conhecida. CONCLUSÃO Isto posto, acolho os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 10479DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.720116/2017-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/10/2014
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TEC. TIPI.
A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados.
TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial.
Numero da decisão: 3301-006.932
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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NCM. TEC. TIPI. A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 01 16 /2 01 7- 20 Fl. 1756DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 01-19.265 - 3ª Turma da DRJ/BEL (fls 1734/1739 e seguintes): Trata-se de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 1499/1507, lavrado em 31/07/2017, com ciência da contribuinte em 03/08/2017 (fl. 1527), totalizando o crédito tributário de R$ 10.757.591,44, sendo R$ 4.973.251,78 de imposto, R$ 2.054.400,91 de juros calculados até 07/2017 e R$ 3.729.938,75 de multa proporcional. Segundo a descrição dos fatos de fls. 1500/1501, o estabelecimento equiparado a industrial deu saída a produto tributado, no período de janeiro/2013 a dezembro/2014, com lançamento a menor do imposto, por erro de classificação fiscal e alíquota menor. A fiscalização discorre sobre a irregularidade no relatório de ação fiscal de fls. 1508/1522, da seguinte forma: - a fiscalizada é estabelecimento equiparado a industrial porque importa e revende, no mercado interno, DVRs (Digital Vídeo Recorder); - a contribuinte apresentou a Solução de Consulta COANA nº 219//2015, na qual, como consulente, sustenta que os DVRs por ela importados deveriam ser classificados no código NCM 8521.90.10, entretanto, a Solução de Consulta classificou os DVRs no código 8521.90.90; - a empresa informou possuir sentença judicial com decisão que lhe é favorável, oriunda do processo 502952784.2015.4.04.7000/PR, em que questiona a classificação tarifária correta (NCM) dos DVRs; tal sentença abrange os DVRs cuja classificação foi tratada na Solução de Consulta COANA nº 219/2015; - a Receita Federal lavrou autos de infração de II e IPI vinculado à importação, relativos aos produtos importados com classificação fiscal errada; lançou com exigibilidade suspensa, em relação aos produtos abrangidos pela sentença judicial, e sem suspensão da exigibilidade, para os produtos não abrangidos; - o presente lançamento refere-se a outro fato gerador do IPI, a revenda dos DVRs no mercado interno; - a sentença judicial favorável à autuada somente obriga a RFB a aceitar a classificação fiscal dos DVRs na TEC 8521.90.10 nos processos de importação, ou seja, durante o procedimento aduaneiro; não é dirigida para a tributação de IPI sobre a venda de produtos no mercado interno; - a petição inicial da ação judicial trata de classificação fiscal utilizada nas importações e a consequente tributação, e em nenhum momento, a petição inicial trata de tributação dos produtos comercializados no mercado interno; - os pedidos apresentados na ação judicial definem o seu objeto; de acordo com os pedidos formulados pela própria fiscalizada, se o Fisco efetuar lançamentos fora do âmbito das importações, que é exatamente o que o presente auto de infração está efetuando, estes não estariam sujeitos à anulação, ou seja, o presente lançamento de IPI está fora do âmbito dos pedidos efetuados pela contribuinte na sua ação judicial; - tanto a petição inicial como a sentença utilizam o termo TEC, que significa Tarifa Externa Comum; embora a TEC tenha base na NCM, não se confunde com a Tabela de Incidência do IPI (TIPI), e seu uso é exclusivo nas operações internacionais, não tendo sentido no mercado interno; - mesmo que se considere que a sentença fosse dirigida para a tributação dos produtos no mercado interno, de acordo com a sentença judicial, ela não abrange os produtos importados até 28/08/2013; - a classificação fiscal dos DVRs importados é no código 8521.90.90 como bem fundamentado na Solução de Consulta COANA nº 219/2015; Fl. 1757DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Considerando-se a diferença de alíquota de IPI de 5% para 15%, foi realizada a apuração e lançamento do imposto em relação às revendas, no mercado interno, dos DVRs importados. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou, em 30/08/2017, a impugnação de fls 1533/1562, alegando, em síntese, que: - a impugnante importa para comercialização produtos classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM sob nº 8521.90.10, porém, diante de entendimento diverso da fiscalização surgido no ano de 2013, que passou a considerá-lo como sujeito à posição NCM nº 8521.90.90, procedeu-se à Consulta nº 15165.722814/2013-16 por esta contribuinte, cuja solução acabou adotando o posicionamento defendido pelo Fisco, qual seja o entendimento de que a posição NCM aplicável seria a de número 8521.90.90; - inconformada com a solução de consulta adotada, a ora impugnante obteve judicialmente o reconhecimento definitivo de classificar todos os produtos que importa e que tenham as funcionalidades de edição descritas na petição inicial sob a posição NCM nº 8521.90.10; - ao contrário do que se afirma no relatório fiscal da autuação em tela, a decisão judicial favorável à impugnante transitou em julgado para o Fisco, haja vista que a Fazenda Nacional, tendo sido dela intimada, não interpôs nenhum recurso, tendo renunciado ao prazo para o fazer, dando ensejo à aplicação das disposições dos artigos 502 e 507 do Código de Processo Civil; - surpreendentemente, assim, o que se extrai da autuação fiscal é a afirmação de que, na importação, os produtos internados para comercialização pela impugnante são, por força de decisão judicial, os da NCM nº 8521.90.10; porém, quando da venda desses mesmos produtos para o mercado interno, eles se transmudariam para a NCM nº 8521.90.90, posto que, segundo o entendimento da fiscalização, a decisão judicial só alcançaria as operações de importação e não as operações subsequentes, quando, porém, ao inverso, a demanda versou sobre a classificação fiscal da mercadoria, independentemente se na fase de sua entrada ou saída; - a sentença, proferida em 19 de maio de 2016, ratificou as liminares previamente concedidas, reconhecendo, assim, o direito da impugnante de ver classificada na posição NCM nº 8521.90.10 toda e qualquer mercadoria, que no caso dos equipamentos importados pela empresa promovem edição tanto de imagem quanto de som, ao contrário do que erroneamente pretende fazer crer a fiscalização quando afirma que tais equipamentos realizam somente backup, cujas características estão aludidas nos laudos anexos aos autos, sejam relativas às importações já realizadas, bem como às importações futuras; - o Fisco, ao pretender alterar o critério jurídico de classificação, jamais o poderia fazer para as operações passadas, de maneira que autuação fiscal ora impugnada, ao assim ter procedido, haverá de ser cancelada; - o STJ entendeu que a aplicação de alíquota pelo importador diversa daquela posteriormente aceita como válida pela autoridade fiscal não pode ser objeto de posterior auto de infração fiscal; - a classificação fiscal adotada pela impugnante para os equipamentos que importa e posteriormente revende ao mercado interno, qual seja a constante da posição específica TEC “8521.90.10 – Gravador- reprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético”, está correta e não pode ser outra diversa para o enquadramento na TIPI, por ser esta a descrição mais precisa e específica existente, estando o critério de classificação adotado pela impugnante em perfeita sintonia com a NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias estabelecidas pela Instrução Normativa SRFB no 157, de 10 de maio de 2002). Por fim, requereu o recebimento e processamento da presente impugnação, julgando-a procedente, seja por decorrência da nulidade da autuação em razão da inépcia suscitada Fl. 1758DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 preliminarmente, seja pela adequação da NCM utilizada pela impugnante para fins de obtenção da alíquota prevista na TIPI. Posteriormente, em 23/10/2017, a impugnante requereu a juntada dos documentos de fls. 1683/1733, que comprovam o trânsito em julgado da ação judicial em 04/10/2017. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/10/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TEC. TIPI. A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O presente processo foi encaminhado a este CARF, em face de recurso de ofício (fl. 1739), e a mim distribuído em decorrência de Despacho Judicial constante da fl. 1749 e seguintes, da qual transcrevo o decidendum: Decido. Pretende a parte autora o cumprimento da obrigação de fazer imposta na sentença de evento 58, integrada pela decisão de evento 77, que reconheceu "o direito da parte autora de classificar na posição TEC n° 8521.90.10 os equipamentos especificados nesta demanda e dos que vierem a ser importados no futuro que tenham a funcionalidade da edição, sendo compreendida a opção de simples corte, mesmo corte seco, ou ainda colagem, retoque ou alteração de cores, sem necessidade de que alterem as informações gravadas, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles" e determinou "que a ré se abstenha de reclassificar os produtos que a autora venha a importar (futuros), e desde que eles sejam equipamentos de gravação/ reprodução de som e imagem e cujos modelos foram abordados pelos laudos anexados aos autos (evento1, lau10, 17 e 18), de forma a manter, sobre eles, a NCM 8521.90.10, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles". Comprovado o cumprimento temporâneo de parte substancial da determinação proferida neste feito (com a extinção de seis dos PAFs apontados), restam dois PAFs em que se discute a extensão da coisa julgada material formada no presente feito e o enquadramento das mercadorias no presente título judicial e um Arrolamento de Bens decorrente dos referidos PAFs. Pleiteia a autora a extinção de todos os processos mencionados, uma vez que não haveria dúvidas de que as mercadorias alvo de autuação nos PAFs nº 12571.720116/2017-20 e nº 15165.722.365/2016-59 estão abarcadas pelo presente Fl. 1759DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 título, o que, por consequência, gera a extinção do Processo de Arrolamento de Bens nº 15165.722.639/2016-18. Com razão a parte autora. De fato, quanto ao PAF nº 12571.720116/2017-2, não há qualquer razoabilidade em pretender que, no momento da importação, os produtos estejam abarcados pela decisão proferida nestes autos e sejam classificados na posição TEC n° 8521.90.10, e, no momento de sua venda no mercado interno, passem para a NCM nº 8521.90.90. Não há modificação em sua natureza que autorize uma tal transmutação, sendo que, de fato, a presente demanda debruçou-se sobre a classificação fiscal das mercadorias discutidas, indiferente a fase de entrada ou de saída, não cabendo o estreitamento da coisa julgada material formada, em prejuízo da parte autora. Ora, não há, assim, sequer dúvidas administrativas a este respeito, devendo ser imediatamente extintos os PAFs no. 12571.720116/2017-20 e no. 15165.722.365/2016- 59, em respeito à coisa julgada material formada no presente feito, e o Processo de Arrolamento de Bens no. 15165.722.639/2016-18, em consequência. Intimem-se. 2. Decorrido o prazo preclusivo da presente decisão, intime-se a União-FN para que, no prazo de 5 (cinco) dias, comprove, nestes autos, ter dado total cumprimento à decisão prolatada neste feito, com a extinção dos PAFs no. 12571.720116/2017- 20 e no. 15165.722.365/2016-59 e do Processo de Arrolamento de Bens no. 15165.722.639/2016-18. Uma vez que foi confirmado o descumprimento da obrigação fixada nestes autos, será devida, imediatamente após o decurso do prazo fixado supra, a multa fixada no item 1 da decisão de evento 216, que majoro ao valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), em vista da clara reticência da parte ré no cumprimento da determinação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O presente processo, conforme consta do Relatório, chegou a este CARF em razão de Recurso de Ofício e a esta turma, em virtude de determinação judicial. Na decisão de piso, conclui-se que a contribuinte tem o direito de adotar a classificação fiscal que pleiteia em razão de decisão judicial transitada em julgado. Reproduzo essa decisão: A fiscalização lavrou o auto de infração por ter entendido que a contribuinte, após importar, revendeu no mercado interno, no período de janeiro/2013 a dezembro/2014, a DVRs (Digital Vídeo Recorder) com erro de classificação fiscal e alíquota menor. Segundo a auditoria, a classificação fiscal correta, inclusive confirmada na Solução de Consulta COANA nº 219/2015, seria no código 8521.90.90 da TIPI, e não no código 8521.90.10 utilizado pela autuada. O autuante afirma ainda, que a contribuinte está amparada em decisão judicial que contempla somente as operações de importação, não abrangendo a revenda dos produtos no mercado interno. Por seu lado, a impugnante sustenta que a sentença judicial em favor da classificação fiscal que adota, transitou em julgado e ampara o procedimento efetuado nas revendas no mercado interno, dos DVRs importados. Neste contexto, deve-se esclarecer que não há controvérsia em relação às operações realizadas pela empresa, ou seja, a autuada deu saída, no mercado interno, a DVRs por ela importados, utilizando a classificação no código 8521.90.10 da TIPI. Fl. 1760DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Em relação à correta classificação fiscal dos produtos, também não há o que se discutir. Do ponto de vista administrativo, considerando-se a Solução de Consulta COANA nº 219/2015, da qual a autuada é consulente, não há dúvidas de que a classificação fiscal admitida é no código 8521.90.90 da TIPI. Por outro lado, também não há dúvida de que a sentença judicial transitou em julgado (vide documentos de fls. 1683/1733), e que o Poder Judiciário entendeu que a classificação correta para os produtos é no código NCM 8521.90.10. Dessa forma, a solução da lide concentra-se na determinação da extensão dos efeitos da sentença judicial. Caso se entenda que a sentença não contempla as operações de revenda no mercado interno, cabe ao julgador administrativo adotar a classificação fiscal indicada na Solução de Consulta. Em contrapartida, se o entendimento for no sentido de que a sentença abrange as operações objeto do lançamento fiscal, então há que se submeter ao entendimento do Poder Judiciário, pois este afasta a apreciação da matéria questionada dos órgãos julgadores administrativos. Inicialmente, deve-se discorrer sobre a TEC (Tarifa Externa Comum) e a TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados). A fiscalização defende que a ação judicial impetrada pela contribuinte refere-se exclusivamente à TEC, e por isso, tem por escopo, exclusivamente, as operações de importação. Ainda que se concluísse que a demanda judicial se referia somente à TEC, a tese da fiscalização não se sustenta. A TEC tem como base a NCM (Nomenclatura Comum do MERCOSUL), que também é a mesma base da TIPI. A classificação fiscal adotada na TEC, tem equivalência direta na TIPI. Desse modo, na operação de importação, a classificação fiscal adotada na TEC para apurar o imposto de importação deve ser a mesma classificação a ser adotada na TIPI, para apurar o IPI vinculado à importação. No caso concreto, a sentença judicial estabeleceu que a classificação correta dos DVRs importados é no código 8521.90.10 da TEC. Conseqüentemente, a classificação fiscal na TIPI, para cálculo do IPI vinculado à importação, é no código 8521.90.10 da TIPI, o que a própria fiscalização reconhece. Portanto, já de início, não procede a alegação da auditoria de que a sentença judicial abrange somente a classificação fiscal do produto na TEC. O que pretende a fiscalização é uma desvinculação entre a classificação fiscal na importação e na operação de revenda no mercado interno. Tal desvinculação afrontaria toda a sistemática de classificação dos produtos. Tratando-se de simples revenda, não há alteração no produto, e por conseqüência, não há alteração na classificação fiscal do produto na TIPI. A determinação judicial de classificar o produto no código 8521.90.10 da TEC, tem como conseqüência lógica, a classificação do produto no código 8521.90.10 da TIPI. Processo 12571.720116/2017-20 Acórdão n.º 14-76.135 DRJ/RPO Fls. 6 6 Do que foi discorrido, já é possível concluir pela improcedência do lançamento, pois o produto não poderia ser classificado na TIPI de uma forma na importação, e ter, posteriormente, a classificação modificada na revenda no mercado interno. Porém há outro aspecto relevante a ser analisado. Na parte dispositiva da sentença, o Exmo. Juiz assim determinou (vide fl. 1710): “b) determinar que a ré se abstenha de reclassificar os produtos que a autora venha a importar (futuros), e desde que eles sejam equipamentos de gravação/ reprodução de som e imagem e cujos modelos foram abordados pelos laudos anexados aos autos (evento1, lau10, 17 e 18), de forma a manter, sobre eles, a NCM 8521.90.10, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles” Como se pode notar, a sentença determina que a Receita Federal se abstenha de reclassificar o produto, de forma a manter a NCM 8521.90.10. Note-se que a determinação refere-se à NCM, e não à TEC. Na TIPI, a classificação fiscal equivalente é no código 8521.90.10. Fl. 1761DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Sendo assim, não há como acatar a tese do autuante. A decisão judicial, transitada em julgado, abrange a classificação fiscal dos DVRs, não somente nas operações de importação, como também nas revendas no mercado interno. Assim, considerando-se que o entendimento judicial expendido nas decisões proferidas são imutáveis, há que se cancelar o lançamento efetuado. Ante o exposto, VOTO por julgar procedente a impugnação, ressalvando-se que a presente decisão está sujeita ao recurso de ofício. Conforme se consignou na decisão de piso, não há dúvida de que a sentença judicial transitou em julgado e que o Poder Judiciário entendeu que a classificação correta para os produtos é no código NCM 8521.90.10. Em face do exposto, proponho manter integralmente a decisão de piso, pelos seus próprios fundamentos, e voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1762DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.002642/2004-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/08/2001
Ementa:
LANÇAMENTO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONTENCIOSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ENQUADRAMENTO EM CÓDIGO NOVO. IMPORTADOR. INFRAÇÃO POR CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA. IMPUTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para exclusão ou relevação da pena de multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos em que a contribuinte classifica incorretamente o produto, mesmo que o enquadramento determinado pela Fiscalização Federal no auto de infração revele-se igualmente indevido.
Se a autuação expõe os fundamentos para rejeição da classificação escolhida pelo importador e a ele foi concedido direito a ampla defesa, também não há que se falar em vício na formalização da exigência.
Numero da decisão: 9303-008.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLARIANT S.A ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/08/2001 Ementa: LANÇAMENTO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONTENCIOSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ENQUADRAMENTO EM CÓDIGO NOVO. IMPORTADOR. INFRAÇÃO POR CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA. IMPUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para exclusão ou relevação da pena de multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos em que a contribuinte classifica incorretamente o produto, mesmo que o enquadramento determinado pela Fiscalização Federal no auto de infração revelese igualmente indevido. Se a autuação expõe os fundamentos para rejeição da classificação escolhida pelo importador e a ele foi concedido direito a ampla defesa, também não há que se falar em vício na formalização da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 26 42 /2 00 4- 82 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente de recurso especial de divergência, interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão de embargos 3201002.152, de 27/04/2016, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade,omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato. Embargos de Declaração acolhidos. Cuida o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência do II, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em conjunto com a multa capitulada no art. 84, inciso I da MP n° 2.15835, de 24/08/2001, tendo em vista a classificação incorreta de mercadoria importada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Ao apreciar o feito por força de impugnação, a DRJ manteve o lançamento somente quanto a multa prevista no inciso I do art. 84 da MP nº 2.15835/2001, porquanto os julgadores divergiram tanto da classificação adotada pela fiscalização quanto da classificação eleita pelo contribuinte. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 4 3 Por ocasião do julgamento do recurso voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF decidiu anular a decisão da DRJ, por cerceamento de defesa. Em sede de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, o colegiado a quo entendeu pela ocorrência de vício de contradição entre os fundamentos e a conclusão do Acórdão 3202000.881, de 21/08/2013, conheceu e acolheu os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para considerar improcedente o lançamento. A nova ementa do acórdão embargado passou ao seguinte texto: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/08/2001 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso tanto daquele utilizado pela impugnante, quanto daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente. No especial obstaculizado, a Procuradoria da Fazenda Nacional aponta divergência jurisprudencial referente aplicação da multa prevista no art. 84, I, da Medida provisória nº2.15835/2001(multa por erro de classificação fiscal). O apelo recebeu juízo positivo de admissibilidade, (efls. 212/214), ao entendimento de que o paradigma invocado trata de caso similar ao dos autos, no qual houve reclassificação da mercadoria importada, tendo os julgadores descartado tanto a classificação promovida pelo contribuinte, como também aquela invocada pelo Fisco, chegandose a uma “terceira classificação”. Contudo, em que pese esse desfecho, o acórdão paradigma manteve a multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835/01. A Contribuinte apresentou Contrarrazões (efls.222/232 ), pugna pela inadmissibilidade do Recurso interposto, caso conhecido seja negado provimento ao Recurso. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 12.179,84 referente a imposto de importação, multa de oficio, multa por mercadoria classificada incorretamente na NCM e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que a Contribuinte importou mercadorias amparadas pela Declaração de Importação nº01/08494653 (fls.10 a 12), descrevendoas como CASSAPPRET SRNA LIQ 0120 e classificandoas na NCM 3907.99.18 Tereftalato de polibutileno em líquidos e pastas. Analisada amostra do produto o Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda LABOR, emitiu o Laudo nº 22214/01 (f1.14), concluindo que se trata de preparação química à base de poliéster do ácido tereftálico, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil. Em função do resultado da análise laboratorial, foi realizada revisão aduaneira na Declaração de Importação, sendo reclassificada a mercadoria para a NCM 3809.91.90. Em decorrência dessa nova classificação fiscal foi constituído auto de infração paia cobrança da diferença de Imposto de Importação, da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, da multa devido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n° 2.158/2001,1 e dos juros de mora. Em sede de manifestação de inconformidade, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0715.184 (fls. 127/131), mantendo crédito tributário no valor de R$ 500,00. Fundamentouse no sentido de que tanto a classificação fiscal apontada pela fiscalização, quanto a adotada pelo importador, estavam equivocadas. O tributo exigido foi exonerado (também multa de ofício vinculada e juros de mora), mas mantida a prevista no art. 84, I, da Medida Provisória – MP n.º 2.15635, de 2001, por erro de classificação fiscal. Ao apreciar o Recurso Voluntário, a turma a quo decidiu dar provimento recurso para reformar o acórdão recorrido, ao entendimento de que constatandose que a classificação fiscal da mercadoria não é a adotada pela fiscalização nem a declarada pelo contribuinte, o lançamento deve ser julgado improcedente. Com efeito, para melhor elucidar o feito, faço algumas considerações quanto ao Instituto de Classificação Fiscal de Mercadoria. Em que pese a Classificação fiscal de mercadorias sempre ter sido importante nos processos de importação, os Contribuintes só começaram a se preocupar a partir da publicação da Medida Provisória 215835 de 24/08/2010. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 6 5 A referida Medida Provisória MP, estabeleceu multa de 1% ou o valor mínimo de R$ 500,00 quando a aplicação do percentual resultar valor inferior, sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM, nas nomenclaturas complementares ou nas mercadorias quantificadas incorretamente na medida estatística definida pelo governo para as mercadorias. Posteriormente foi publicada a Lei 10.833/2003, a qual amplia o rigor em relação as mercadorias, exigindo corretamente a descrição das mercadorias, não aceitando mais descrições genéricas, como se via anteriormente, chegando a se descrever uma mercadoria em uma Declaração de Importação simplesmente com o número de referencia do fabricante. Reclamações eram exaradas por despachantes aduaneiros, empresários e advogados, alegando tratarse de uma medida injusta, já que muitas vezes o erro ocasionava até o pagamento de valor a maior do imposto, o que não justificaria a aplicação de uma penalidade. Sem embargo, o Governo Federal utiliza a NCM (Nomenclatura Comum do MERCOSUL) com objetivo de fazer um acompanhamento estatístico dos produtos importados, visando elaborar uma política mais justa e real para a pauta de produtos importados e ainda proteger a indústria nacional. Tal controle e acompanhamento perdem totalmente a eficácia na hipótese de informar classificação tarifária equivocada, propositalmente ou não. Por isso, a exigência de se indicar a correta Classificação nas importações. Outro controle que fica comprometido na hipótese de erro na classificação fiscal, é o controle do valor aduaneiro, base de cálculo para os impostos incidentes nas importações. Mercadoria com classificação equivocada leva a erro o Siscomex, que não encaminha para Canal Cinza DI’s com mercadorias que deveriam se submeter a tal controle. Alguns Contribuintes, não todos, tentam elaborar um planejamento tributário equivocado alterando a classificação fiscal das mercadorias correta, para outra que apresenta alíquotas menores nos impostos, principalmente no Imposto de Importação e IPI , os quais são impostos seletivos e variam de NCM para NCM. Quando isso ocorre os tributos diminuem, o importador supostamente passa a obter uma falsa economia, como bom Brasileiro, vende seu produto mais barato, em detrimento dos concorrentes que operam de modo correto. Caso haja reclassificação fiscal, de onde poderá o importador obter recursos para arcar com sua irresponsabilidade, evidentemente ele responde por todas as receitas, e os processos aqui acabam, gerando um passivo e estoque de processo para julgamento infindável. Portanto, recomendase agir nos termos da lei. DISCIPLINA JURÍDICA DA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSULNCM. Necessário se faz, trazer breves considerações acerca da disciplina jurídica da NCM. A classificação fiscal dos produtos industrializados tem como princípio basilar o denominado Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 7 6 que, em síntese , representa o grande acordo entre as nações para a criação de uma nomenclatura de mercadorias de cunho universal e harmônico. O objetivo primeiro do Sistema Harmonizado é tornar o comércio internacional mais fácil e ágil, vez que referido sistema criou uma linguagem única para identificar as mais diversas mercadorias. Nem sempre as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição são suficientes para orientar e dirigir a classificação de um determinado objeto mercadológico para a posição que deve obrigálo. Isso ocorre principalmente com objetos químicos e com as máquinas em geral, dando a impressão que o Sistema Harmonizado tem deficiências que comprometam sua utilização. Visando minimizar essa problemática, o Sistema Harmonizado dispõe de um grupo de observações de fundamentação eminentemente tecnológica, que esclarece certos aspectos de todas as suas posições. Tais observações são reunidas sob o título de Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (Nesh), que constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das notas de Seção, capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. As Nesh foram introduzidas no ordenamento jurídico nacional por meio do Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992, sofrendo constantes atualizações, em que a Receita Federal do Brasil dá publicidade na forma de Instrução Normativa nº697/07, (alterações) devidamente publicada no DOU. PRINCÍPIOS JURÍDICOS INTRODUTÓRIOS DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIASNCM A Classificação de Mercadorias tem, pelo menos, cinco princípios, conforme se verifica a seguir: 1°) Princípio da Equivalência Conceitual: “mercadoria, produto e bem são termos que expressam o mesmo conceito, não tendo sentido fazer qualquer distinção entre os mesmos”; 2°) Princípio da Plena Identificação da Mercadoria: “a mercadoria a ser classificada deverá se apresentar desvendada, ou seja, conhecida naquelas características, propriedades e funções necessárias à sua classificação”; 3°) Princípio da Hierarquia: “merceologia é parte integrante da Classificação de Mercadorias; 4°) Princípio da Unicidade da Classificação: “numa nomenclatura de mercadorias e dentro do universo dos possíveis códigos para abarcar uma mercadoria específica, não pode a mesma ser classificada em dois ou mais códigos”; 5°) Princípio da Distinção das Mercadorias: “as mercadorias não devem ser distinguidas por critérios diferentes daquelas características que as fazem próprias”. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 8 7 Além dos princípios elencados, a classificação de qualquer mercadoria é guiada também por 6 ( seis) Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI). (6 RGI/SH), bem como, na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras disciplinadas pela Resolução Camex n° 42, de 2001, e pela Instrução Normativa IN SRF n° 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). Deste modo, a classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Retornando a lide, vêse que a instância de origem entendeu incorreta a classificação fiscal apontada pela fiscalização, razão pela qual exonerou o imposto de importação e seus consectários legais, porém, como também considerou incorreta a utilizada pelo importador, manteve a multa prevista no art. 84, I, da MP n.º 2.15835, de 2001. Por sua vez, a DRJ decidiu em manter a exigência da penalidade, com fundamento diverso daquele registrado no campo “Descrição dos Fatos” do auto de infração. Contudo, a Autoridade Fiscal alegou que a classificação fiscal correta do produto importado seria 3809.91.90 (“preparação química à base de poliéster do ácido tereftálico, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil”), com base em que promoveu a cobrança do II, acrescido de multa e juros, e da penalidade por erro de classificação fiscal. Não sendo correta a classificação fiscal utilizada pela fiscalização para proceder ao lançamento, não poderia a instância de origem, considerando correta uma terceira classificação, manter a penalidade isolada, pois esse fato caracteriza em reclassificação fiscal, cerceando o direito da Contribuinte, uma vez que não houve elementos para contraditar em sua manifestação sobre uma terceira classificação fiscal. Esta E. Câmara Superior, julga conflitos jurisprudenciais, na caso em espécie, inferese da leitura dos dispositivos supramencionados, que assiste razão a Contribuinte, a instância de origem nada mais fez do que promover uma alteração na fundamentação do ato administrativo (lançamento), visto que o motivo de fato do qual resultou a exigência da penalidade foi que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estava errada porque correta era a indicada pela fiscalização. Portanto, nítida a violação do artigo 146 do CTN, a seguir transcrito: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Esse dispositivo, fundado na segurança jurídica, proíbe a aplicação de novo critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 9 8 Sobre o tema, trago à colação ensinamento de Leandro Paulsen e Luciano Amaro, respectivamente: "O art. 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. (In Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 1049) Parece evidente que o dispositivo procura traduzir norma de proteção do sujeito passivo. Quem aplica critério jurídico de lançamento é a autoridade (já que se trata de atividade que é dela privativa). A autoridade, portanto, é que está impedida de aplicar novo critério em lançamentos relativos a fatos geradores já ocorridos antes de sua introdução. Nessa ordem de idéias, o preceito só cabe nos casos em que o novo critério jurídico beneficia o Fisco, restando proibida, nessa hipótese, sua aplicação em relação ao passado. A vedação se reporta “a um mesmo sujeito passivo” (e atémse a fatos geradores ocorridos antes da introdução do novo critério, o que significa que todas as obrigações tributárias já nascidas (em face da ocorrência do seu pressuposto de fato) terão de ser lançados de acordo com o critério jurídico (mais favorável) que o Fisco já tiver adotado em lançamento anteriormente realizado, em relação a cada sujeito passivo, o que implica reconhecer no preceito um direito subjetivo invocável contra o Fisco por quem, figurando como sujeito passivo em certo lançamento, efetuado de acordo com determinado critério jurídico, tem o direito de não ver inovado esse critério (em futuros lançamentos), a não ser em relação a fatos geradores ocorridos após a introdução do novo critério". (In Direito tributário brasileiro. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 379). O dispositivo supra, trata, mais do que a mera inalterabilidade do lançamento por mudança de critério jurídico, determina a inalterabilidade do critério a todos os fatos geradores já ocorridos, mesmo quando ainda estejam na pendência de lançamento, como leciona Luciano Amaro (p. 377378). Destaco: "O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base em novos critérios jurídicos; é a aplicação desses novos critérios a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não necessariamente terão sido objeto de lançamento ). Se, quanto ao fato gerador de ontem, a autoridade não pode, hoje, aplicar critério jurídico (diferente do que, no passado, tenha aplicado em relação a outros fatos geradores atinentes ao mesmo sujeito passivo), a questão não se refere (ou não se resume) à revisão de lançamento (velho, mas abarca a consecução de lançamento (novo). É claro que, não Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 10 9 podendo o novo critério ser aplicado para lançamento novo com base em fato gerador ocorrido antes da introdução do critério, com maior razão este também não poderá ser aplicado para rever lançamento velho. Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança de critério não seria apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores passados. O motivo da introdução do novo critério (a par da iniciativa de ofício da autoridade) pode ser uma decisão (administrativa ou judicial), contida num processo que, obviamente, se refere a fato gerador pretérito. Se o critério introduzido é aplicável só para fatos geradores futuros, é evidente que ele não terá sido o critério aceito como legítimo para o lançamento objeto do processo, cuja decisão porém, teria provocado a autoridade a introduzir o novo critério.” (In Direito tributário brasileiro. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 377378) Da leitura dos autos, firmo meu entendimento pessoal que houve alteração de critério jurídico, com violação ao 146 do Código Tributário Nacional CTN. Contudo, para resolução do conflito jurisprudencial posto a julgamento nesta E. Câmara Superior, adoto como razões de decidir (mérito) a decisão recorrida, por seus próprios fundamentos, que passa fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "Notese,inicialmente, que o fundamento utilizado pela DRJ para manter a exigência da penalidade isolada é diverso daquele registrado no campo “Descrição dos Fatos” do auto de infração. Com efeito, a fiscalização alegou que a classificação fiscal correta do produto importado seria 3809.91.90 (“preparação química à base de poliéster do ácido tereftálico, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil”), com base em que promoveu a cobrança do II, acrescido de multa e juros, e da penalidade por erro de classificação fiscal. Não sendo correta a classificação fiscal utilizada pela fiscalização para proceder ao lançamento, não poderia a instância de origem, considerando correta uma terceira classificação, manter a penalidade isolada, pois esse fato caracteriza cerceamento ao direito de defesa, uma vez que à Recorrente não se conferiu oportunidade de se pronunciar, em sua impugnação, sobre esta terceira classificação fiscal. Abraçando esse entendimento, transcrevese a seguinte ementa de decisão do CARF: FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fático jurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. (CARF/Segunda Seção/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 11 10 Acórdão n.º 2401002.593, de 14/08/2012). Assim, a instância de origem nada mais fez do que promover uma alteração na fundamentação do ato administrativo (lançamento), visto que o motivo de fato do qual resultou a exigência da penalidade foi que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estava errada porque correta era a indicada pela fiscalização. Configurado prejuízo ao direito de defesa, é de se declarar nula decisão proferida pela DRJ, com fulcro no art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza" Dispositivo. Ante o exposto, conheço do Recurso interposto, negolhe provimento, mantendose a decisão recorrida por seus próprios fundamentos jurídicos. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém divirjo de suas conclusões a respeito do afastamento da multa por classificação fiscal incorreta. Esclareço que na sessão de julgamento de 14/03/2018, este colegiado proferiu o acórdão nº 9303006474, de minha relatoria, no qual decidimos esta mesma matéria. Portanto, com fundamento no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, transcrevo abaixo aquele voto e o adoto como fundamento de decidir. (...) Os autos dão conta de que a decisão de primeira instância manteve a autuação apenas na fração correspondente à multa por erro de classificação fiscal, prevista no art. 84 da MP n.° 215835/2001, no percentual de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria importada. A decisão recorrida, por seu turno, exonerou também essa multa. É contra essa exoneração que a Fazenda recorre. As demais penalidades originalmente impostas, assim como a diferença de tributos foram consideradas improcedentes pela DRJ. Uma vez que o Fisco tenha classificado incorretamente a mercadoria no auto de infração, ainda que incontroverso o erro de mesma natureza cometido pelo importador, todas as exigências escoradas na NCM indicada no auto foram consideradas insubsistentes. Até aí, nenhuma novidade. A jurisprudência administrativa é quase uníssona em relação aos efeitos da decisão que, no seu bojo, rejeita a classificação escolhida pela Fiscalização. Quando se chega a essa conclusão, a exigência é considerada improcedente como um todo, ainda que a classificação adotada pela contribuinte também esteja equivocada. De fato, para a NCM que emerge do julgamento há circunstâncias desconhecidas: outra alíquota (talvez ad valorem, talvez específica), outro tratamento administrativo, necessidade de novos esclarecimento técnicos sobre o produto etc. A adequação a essas novas circunstâncias exigiria que todo o procedimento fiscal fosse revisto, o que equivaleria a um novo lançamento, medida que, como se sabe, não foi contemplada pela legislação tributária. Por essa razão, inevitavelmente, a pretensão veiculada nos autos termina sendo abandonada. Contudo, essa máxima não pode ser instantaneamente aplicada quando o assunto envolve a multa decorrente do erro de classificação fiscal em si. Diferentemente da exigência vinculada à diferença de tributos, à multa por declaração inexata/falta de pagamento e à multa por infração ao controle administrativo das importações, todas associadas e dependentes do tratamento tarifário concedido a determinada NCM, a infração por erro de classificação não é afetada quando o enquadramento escolhido pelo Fisco também se revela Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 13 12 equivocado. Tratase de uma infração dissociada de quaisquer exigências e particularidades tributárias e/ou administrativas a que se subsumem as operações com mercadorias classificadas em determinado código tarifário. Noutro giro, releva também destacar que a infração de que aqui se trata, tal como tipificada no art. 84 da MP n.° 215835/2001, não comporta controvérsia em face dos efeitos do ato de que resulta ou de outros aspectos com viés subjetivo. Com a devida vênia aos que pensam de forma diferente, não vejo propósito na discussão travada nos autos acerca da intenção do agente, da extensão dos efeitos do ato ou da presença ou não da máfé comprovada ou demonstrada nos atos praticados pelo infrator. A infração por erro de classificação fiscal, tal como é próprio das infrações de natureza tributária, é objetiva. Como se sabe, à presença do elemento volitivo nos atos infracionais são atribuídas consequências próprias. Via de regra, o dolo dá ensejo ao agravamento da multa exigida; não está associado à circunstância material da infração. Com base nessas premissas, afastase, desde logo, a interpretação que sugere a exclusão da pena perante a ausência de intenção do agente ou de efeitos lesivos do ato. Do ponto de vista estritamente legal, quaisquer destas circunstâncias carecem de conteúdo normativo que lhes conceda efeito jurídico. Conforme disposto na norma legal infracional, a materialidade da infração encontrase na conduta; no erro de classificação fiscal. A priori, uma vez que isso ocorra, nenhuma das circunstâncias acima descritas tem o condão de relevar a pena que decorre do ato de classificar indevidamente a mercadoria. E esse pressuposto aplicase, igualmente, às situações nas quais a classificação escolhida pelo Fisco revelase equivocada. A norma geral e abstrata se materializa na ação do contribuinte que classifica indevidamente a mercadoria. Não há pena prevista para o Erário nem mitigação decorrente de uma escolha também indevida. Tampouco há disposição normativa que exclua a penalidade em face de tal ocorrência. Isto posto, resta examinar a possibilidade de que a imprecisão de que se trata resulte em prejuízo da integridade do auto de infração em si. Ao indicar classificação tarifária equivocada, é possível que a acusação padeça de uma precariedade insuperável na fundamentação que lhe é exigida, do que resultaria todo o procedimento eivado de vício material. A esse respeito, encontrase à efolha 12, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração, a explicação da Autoridade autuante para desclassificação da mercadoria importada. (...) O caso dos autos é exemplar. A toda evidência, há razões suficientes e autônomas para que se chegue à conclusão de que o importador incorreu em erro na escolha da classificação tarifária da mercadoria. Tratase de uma decisão que encerra em si mesma sua motivação, independe da classificação escolhida pelo Fisco. Ainda que esta seja incorreta, as razões e os fundamentos que levaram à rejeição da classificação escolhida pelo importador subsistirão e foram satisfatoriamente explicitadas no auto. Ao administrado foi concedido o direito de contraditálas. E que se diga que, de fato, a simples escolha de determinada classificação tarifária em detrimento de outra tem relevante potencial lesivo e pode ser evitada à luz de elementos de convicção relativamente superficiais. Isso pode ser observado, Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 14 13 com alguma frequência, no caso de importação de mercadorias passíveis de serem classificadas no conhecido Capítulo 29 da TEC. Vejase o exemplo a seguir. No ano de 2001, por meio da Resolução Camex nº 42/20011, a Câmara de Comércio Exterior, supostamente por razões de cunho econômico, decidiu reduzir a zero a alíquota do imposto de importação incidente sobre cerca de 360 (trezentos e sessenta) códigos tarifários compreendidos no Capítulo 29. Investigar a regularidade na escolha desse capítulo, normalmente, não exige mais do que uma informação elementar acerca da composição química da mercadoria: se tratase de um composto de constituição química definida ou não. Já classificar com precisão um produto químico pode demandar demoradas pesquisas bibliográficas e exames laboratoriais. Isso significa que a simples constatação de erro na opção pelo Capítulo 29, independentemente da classificação tarifária a que o produto deveria ser submetido, garante ao Fisco a condição de coibir a opção do administrado por enquadramento com tratamento tarifário beneficiado, ao qual ele sabia ou deveria saber que não tinha direito. Assim, considerando todo o exposto, não vislumbro nenhum argumento que conduza à decisão de excluir a pena imposta à contribuinte; seja em face das alegações associadas à ausência de qualificação do ato, dos efeitos dele decorrentes, da falta de fundamentação ou mesmo da preterição ao direito de defesa. A contestação, a meu ver, carece de motivação real e de base legal. 1 RESOLUÇÃO CAMEX Nº 42, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2001 DOU 29/12/2001 O PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3º do art. 6º do Decreto no 3.981, de 24 de outubro de 2001, e tendo em vista as Decisões nos 67/00 e 06/01, do Conselho do Mercado Comum (CMC), e Resoluções nos 11/01, 12/01, 29/01, 30/01, 32/01, 45/01, 46/01, 48/01 e 57/01, do Grupo Mercado Comum (GMC), do MERCOSUL, e as emendas à Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, RESOLVE, ad referendum da Câmara: (...) Art. 3º Ficam reduzidas a zero por cento, até 31 de agosto de 2002, as alíquotas do Imposto de Importação das mercadorias descritas nos códigos relacionados no Anexo V a esta Resolução, gravados na TEC com o símbolo “§”. (Prorrogada pelo art. 1º da Resolução Camex nº 08, DOU 31/03/2003) (Prorrogada pelo art. 1º da Resolução Camex nº 19, DOU 01/07/2003) (...) Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 9303008.194 CSRFT3 Fl. 15 14 (...) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.721963/2015-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
Súmula CARF nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
GLOSA DE CRÉDITOS ILEGÍTIMOS TOMADOS PELO ADQUIRENTE EM RAZÃO DE ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL COMETIDO PELO FORNECEDOR.
Constatado pela fiscalização que a classificação fiscal de insumos no fabricante estava errada, reduzindo a zero o IPI destacado nas notas fiscais de saída, legítima a glosa do IPI creditado a maior no comprador.
Recurso Especial do Procurador provido e Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-007.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Interessado FAZENDA NACIONAL e VONPAR REFRESCOS S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. GLOSA DE CRÉDITOS ILEGÍTIMOS TOMADOS PELO ADQUIRENTE EM RAZÃO DE ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL COMETIDO PELO FORNECEDOR. Constatado pela fiscalização que a classificação fiscal de insumos no fabricante estava errada, reduzindo a zero o IPI destacado nas notas fiscais de saída, legítima a glosa do IPI creditado a maior no comprador. Recurso Especial do Procurador provido e Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 19 63 /2 01 5- 28 Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 3 2 Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência oposto pela Fazenda Nacional (fls. 1632/1646), admitido pelo despacho de fls. 1648/1650, insurgindose contra parte do acórdão 3402003.800, de 26/01/2017, que deu provimento ao recurso voluntário para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Nessa parte, eis a ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A literalidade do artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430, de 1996, separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Assim falta previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de infração lavrados pela RFB. O contribuinte contraarrazoou o recurso fazendário (fls. 1690/1706), postulando, em suma, que seja negado provimento àquele. Igualmente, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência (fls. 1752/1819) requerendo o cancelamento integral do auto de infração. O despacho de admissibilidade de fls. 1996/2006, de 14/03/2018, admitiu parcialmente o recurso exclusivamente em relação à possibilidade de efetuar a glosa de créditos ilegítimos tomados pelo adquirente em razão de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor. Agravado esse despacho pelo contribuinte (fls. 2049/2058), o mesmo foi rejeitado (fls. 2061/2066) pela Presidente da CSRF. A ementa do recorrido não fez menção expressa quanto à esta matéria, mas foi objeto de análise expressa. Na parte admitida, sustenta que deve prevalecer o entendimento dos acórdãos paradigmas (3401003.751 e CSRF/0202.895), pois, afirma, agiu licitamente ao aceitar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela RECOFARMA, constante de nota fiscal idônea. Alega não mais existir previsão regulamentar no sentido de que o adquirente deveria verificar a classificação fiscal do produto indicada pelo fornecedor. Por tal, entende que não pode o crédito ser glosado nem aplicada multa de ofício. De fls. 2073/2090, contrarrazões da PGFN. Inicialmente, alega a procuradoria que o recurso não deve ser conhecido porque os paradigmas tratam de crédito básico de IPI, enquanto o recorrido versa sobre crédito incentivado de IPI. Reportase ao TVF que articula esse fato em seu item 100. Acresce que "a sistemática do crédito presumido e a do crédito escritural são completamente diversas, não havendo como se comparar duas situações distintas". Em relação ao paragonado nº CSRF/0202.895, assevera que nesse julgado o que Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 4 3 estava em discussão era a exigência de multa regulamentar por erro de classificação fiscal, situação que não se confunde com a destes autos em que não está sob análise a responsabilidade por infração. Quanto ao mérito, em resumo, consigna que o cerne da demanda é o descumprimento dos requisitos legais para o aproveitamento do crédito de IPI e não, propriamente, a regularidade formal do preenchimento da nota fiscal, o que conduziria à rejeição da tese no particular. Entende que constatado o erro de classificação fiscal, impõese o lançamento do tributo pela autoridade fiscal nos termos do art. 142 do CTN. Alfim, pede a Fazenda que seja negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator I RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Conheço do recurso nos termos e fundamentos do despacho que o admitiu. Acerca do recurso especial fazendário, descabe maiores digressões ante o teor da Súmula 108 do CARF, aprovado em setembro deste ano, cujo enunciado dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, é de ser provido o especial do Procurador para que sobre a multa de ofício aplicada ao lançamento incida a taxa SELIC. II RECURSO DO CONTRIBUINTE CONHECIMENTO O recurso especial do contribuinte foi admitido unicamente quanto à possibilidade de efetuar a glosa de créditos ilegítimos tomados pelo adquirente em razão de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor. Ao contrário do que pondera a Fazenda, entendo que a questão de fundo travada no paradigma 3401003.751 é a mesma, independentemente de tratarse de crédito básico ou ficto, posto que o mérito é a possibilidade de glosarse crédito escritural indevido em função de reclassificação fiscal dos produtos adquiridos. Mas com razão a Fazenda ao alegar que o outro paragonado é imprestável por falta de similitude fática, vez que naquele a matéria referiase à penalidade que então constava no RIPI pela falta de comunicação ao adquirente quando constatado pelo comprador erro na nota fiscal quanto às suas formalidades, inclusive erro na classificação fiscal das mercadoria adquiridas. Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 5 4 O seguimento do despacho pelo Presidente da Quarta Câmara desta Terceira Seção, concluiu da seguinte forma: Com fundamento nos artigos 18, III, 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, admitindo a rediscussão da matéria possibilidade de efetuar a glosa de créditos ilegítimos tomados pelo adquirente em razão de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor. Portanto, ao contrário do afirmado na motivação do despacho de admissibilidade, apenas essa questão pode ser conhecida. Em consequência, descabido o argumento do subscritor do despacho quando assevera em relação à matéria admitida, o seguinte: A admissão desta divergência devolve à CSRF o conhecimento das seguintes matérias alegadas como divergentes, mas que na verdade são argumentos do contribuinte para infirmar a tese fazendária: a) se houve ou não houve mudança de critério jurídico no lançamento; e b) competência da Suframa para aprovar projetos de concessão de benefícios fiscais e validade do Ato Administrativo emitido pela Suframa. Essas duas divergências alegadas pelo contribuinte nada mais são do que argumentos utilizados para contestar a glosa dos créditos efetuada pela fiscalização. Não é necessário apresentar paradigmas contra argumentos. Admitida a tese divergente, a CSRF escolherá qual tese irá prevalecer e os argumentos que a sustentarão. Ora, as questões de alteração de critério jurídico e a competência da SUFRAMA são argumentos autônomos e assim foram articulados pela recorrente, devendo claramente ser cotejadas com algum paradigma com a devida similitude fática. Portanto, estreme de dúvida, demandariam motivação e análise particular, o que não foi feito, pelo que, inclusive, não constam do despacho do Sr. Presidente da Quarta Câmara. Assim, o que subiu para nossa análise foi o determinado especificamente ao final pela autoridade competente quanto ao teor das matérias admitidas. E esta foi transcrita acima, qual seja, possibilidade de efetuar a glosa de créditos ilegítimos tomados pelo adquirente em razão de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor. Em suma, somente em relação a essa questão é que conheço do recurso, porém exclusivamente com arrimo no aresto paradigma 3401003.751, vez que o CSRF/02 02.895 trata de matéria em que não há similitude fática. III RESUMO DOS FATOS Consta dos autos, que a empresa VONPAR Refrescos S/A, CNPJ n° 91.235.549/000978, tem como ramo de atividade a fabricação de refrigerantes. No período de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, o estabelecimento produziu os seguintes refrigerantes: CocaCola, CocaCola Zero, CocaCola Light, Fanta Laranja, Fanta Uva, Sprite, Guaraná Kuat, Guaraná Kuat Light e Guaraná Taí. Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 6 5 No referido período, a maior parte dos créditos do IPI escriturados pela autuada foram oriundos de insumos adquiridos da empresa RECOFARMA, esta situada na Zona Franca de Manaus (ZFM), a qual elabora produtos destinados à fabricação de bebidas não alcoólicas da posição 22.02 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Tais produtos são constituídos de até seis componentes, sendo que cada componente sai do estabelecimento industrial em embalagem individual. Esses produtos são distribuídos para diversas fábricas engarrafadoras espalhadas no território nacional, que atuam em regime de franquia. A VONPAR é uma dessas franqueadas. No presente processo, o Fisco revisou sua posição sobre o RE nº 212.484RS, no qual a autuada foi autora, tendo o julgado transitado em julgado em seu favor, concordando com o entendimento de que ele continua com efeitos válidos entre as partes. Assim, admite que a empresa autuada tem o direito de aproveitar créditos do IPI correspondentes ao valor do tributo incidente sobre produtos procedentes da Zona Franca de Manaus, mesmo que os bens recebidos somente façam jus à isenção do artigo 81, inciso II, do RIPI/2010 (artigo 69, inciso II, do RIPI/2002). Nas notas fiscais de saída emitidas até o final de 2010, a RECOFARMA identificou esses produtos como "concentrados contendo kits", formados por "partes". Ressaltase que nas notas fiscais de saída emitidas pela RECOFARMA não há destaque de IPI, tendo sido registrado que os produtos estariam isentos do IPI com base nos artigo 69, inciso II, e artigo 82, inciso III, do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI). Verificouse que nas notas fiscais de saída emitidas até o final do ano de 2010, a RECOFARMA registrou que os “concentrados” se classificariam no código 2106.90.10 (Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas). Gizese que os produtos enquadrados neste código são tributados à alíquota zero. A partir de janeiro de 2011, passou a constar nas notas a indicação do "Ex 01" do código 2106.90.10 (Preparações compostas, não alcoólicas extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Em janeiro de 2011, a RECOFARMA emitiu cartas de correção relativas à ausência da indicação do "Ex 01" nas notas emitidas nos anos anteriores. Até 30/09/2012, os produtos enquadrados no "Ex 01" do código 2106.90.10 eram tributados à alíquota de 27% (Decreto nº 6.006, de 28/12/2006, e Decreto nº 7.660, de 23/12/2011). A partir de 01/10/2012, os produtos enquadrados no "Ex 01" do código 2106.90.10, passaram a ser tributados à alíquota de 20%. Ao final, a fiscalização demonstra em seu Relatório de Ação Fiscal, que apesar de a VONPAR, por força do o RE nº 212.484RS, ter direito a se creditar do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, permanece plenamente justificada a glosa total dos créditos oriundos de "kits para refrigerantes", por ser igual a zero o valor do IPI calculado, como se devido fosse, sobre os produtos em questão. IV DELIMITAÇÃO DA LIDE Como dito alhures, o que foi devolvido ao nosso conhecimento foi a questão acerca da possibilidade do Fisco efetuar a glosa de créditos ilegítimos tomados pelo Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 7 6 adquirente, no caso a autuada, em razão de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor. Portanto, desde já afastase a discussão sobre o mérito quanto à classificação fiscal dos produtos que saíram da RECOFARMA isoladamente e que, desta forma, foram reclassificados pelo Fisco. Para que dúvida não paire, vejase o teor do despacho de admissibilidade do recurso de divergência do contribuinte sobre qual a correta classificação fiscal. Para que reste caracterizado o dissídio jurisprudencial, na forma exigida pelo regimento, é necessário que os Acórdãos confrontados tenham interpretado a mesma norma jurídica quando aplicada a fatos iguais ou semelhantes, implicando a adoção de entendimentos distintos. No caso concreto, nenhum dos paradigmas apresentados decidiu se os diversos componentes dos "kits" devem ser classificados como uma mercadoria única ou separadamente. Analisando o inteiro teor do Acórdão 3201001.873, verificase que a questão da classificação fiscal dos "kits" nem sequer foi levantada pela fiscalização. O colegiado tratou os "kits" como mercadoria única porque a fiscalização não questionou a classificação adotada pelo contribuinte. O recurso voluntário foi parcialmente provido neste paradigma porque o colegiado entendeu que o contribuinte tinha direito à manutenção do crédito com base no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. Analisando o inteiro teor dos paradigmas 20301.939 e CSRF/0303.335, verificase que eles versaram sobre a classificação fiscal de cosméticos, tendo restado decidido que os certificados de registro expedidos pelo Ministério da Saúde deveriam ser considerados, pois se trata de órgão técnico que analisa a composição química de cada produto. A situação fática versada nesses paradigmas é totalmente distinta da do caso concreto, pois a Suframa não analisa a composição dos produtos, como ocorre com outros órgãos técnicos da Administração Pública, como o Ministério da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Vigilância Sanitária e etc. A Suframa se limita a aprovar o projeto acolhendo as informações prestadas pelos interessados em se instalar em Manaus. Os Atos Administrativos expedidos pela Suframa não analisaram a composição química dos concentrados e nem se eles se enquadram na posição X ou Y da tabela. Portanto, inexistindo divergência entre a tese fixada no Acórdão recorrido e os paradigmas acima analisados, o recurso especial não pode ter seguimento quanto à questão da classificação fiscal dos chamados "kits para produção de refrigerantes". ... Uma vez fixada a premissa de que a classificação fiscal adotada pela fornecedora dos concentrados está errada, resta a Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 8 7 conclusão de que o insumo é classificado em uma outra posição da tabela, cuja alíquota, segundo o fisco, é zero. Se a alíquota é zero, então o crédito é zero. Se o crédito é zero e o contribuinte se apropriou de um crédito maior do que zero, o excesso deve ser glosado da escrita. E, segundo a tese de mérito adotada no Acórdão recorrido, essa glosa pode ser feita porque a coisa julgada formada no RE 212.484 só ampara o crédito ficto em relação a produtos isentos. ... Portanto, está perfeitamente caracterizado o dissídio jurisprudencial, pois enquanto no caso concreto o colegiado prolator do acórdão recorrido decidiu que é possível glosar créditos tomados em excesso pelo adquirente, em virtude de erro de classificação fiscal cometido pelo fornecedor dos insumos; no paradigma colacionado a tese adotada foi diametralmente oposta, no sentido de que não é possível efetuar essa glosa, resultando no cancelamento do crédito tributário correspondente. V A LEGITIMIDADE DA FISCALIZAÇÃO EM GLOSAR CRÉDITOS DO ADQUIRENTE, AUTUADO, EM FUNÇÃO DA RECLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS ADQUIRIDOS DA RECOFARMA, FORNECEDOR. Alega a recorrente que não tinha a obrigação de verificar a regularidade da classificação fiscal indicada na Nota Fiscal para o "concentrado" e que os créditos de IPI objeto do auto de infração em julgamento, foram apurados sob a vigência de Lei e do RIPI, que não impõem a obrigação de o adquirente examinar a classificação fiscal do produto. E como a classificação dos concentrados na posição 2106.90.10 "Ex. 01", foi definida pela RECOFARMA (fornecedora do concentrado), não há qualquer infração praticada por ela ao aceitar tal classificação fiscal e utilizar a respectiva alíquota para calcular o crédito de IPI isento, sendo esse procedimento um ato lícito. Em suma, entende que não pode o Fisco glosar a alíquota do crédito de IPI decorrente da aquisição do concentrado pela recorrente, fundado em suposto erro da classificação fiscal efetuada pela fornecedora RECOFARMA. No caso, há que se ressaltar uma questão de fato que foi ignorado pela autuada. Conforme consta em Termos e Relatórios elaborados pelo Fisco, nas Notas Fiscais de saída emitidas pela VONPAR até o final do ano de 2010, a RECOFARMA registrou que os “concentrados” se classificariam no código 2106.90.10 (Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas), sem o "Ex 01", cuja alíquota do IPI é zero. Ademais, a recorrente, conforme TVF, tinha ciência que o Fisco com base em MPF nacional estava executando trabalho no estabelecimento da RECOFARMA em Manaus, tendo sido analisado o direito creditório ao aproveitamento de créditos de IPI por parte dos adquirentes da RECOFARMA localizados em todo território nacional. Inclusive, consta no item 33 do TVF, que por meio de Termos lavrados pela DRF de Porto Alegre em 12/11/2013 e em 20/12/2013, a matriz da Vonpar foi cientificada de que o trabalho na RECOFARMA estava em andamento. Em 29/12/2014, em termo lavrado no estabelecimento da Vonpar, esta tomou ciência da conclusão do trabalho realizado na RECOFARMA. Portanto, a autuada estava ciente Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 9 8 de que os créditos que vinha aproveitando estavam, antes da ciência do lançamento, no entender da fiscalização, errados, pois a alíquota, para o Fisco, seria zero. O TVF acresce: "(...) 70) Em Impugnação ao Auto de Infração lavrado por meio do processo nº 11080.733630/201441, Vonpar alegou que as notas fiscais emitidas pela Recofarma atendiam a todos os requisitos legais, tendo declarado que “conforme referência expressa contida nas notas fiscais emitidas pela RECOFARMA”, a empresa adquiriu concentrados isentos, amparados pela isenção prevista no art. 82, III, do RIPI/02 e classificados na posição 2106.90.10 Ex. 01 da TIPI/2006. 70.1 Na realidade, por muitos anos constou nas notas fiscais emitidas por Recofarma apenas o registro do código de classificação fiscal 2106.90.10, cuja alíquota é zero, sem a indicação do Ex 01". O Fisco também relatou que somente nas notas fiscais emitidas a partir de janeiro de 2011, passou a constar a indicação do "Ex 01" do código 2106.90.10, e que em janeiro de 2011 a RECOFARMA emitiu as respectivas cartas de correção relativas à ausência da indicação do "Ex 01" para as notas emitidas nos anos anteriores. Tal procedimento, também foi informado pela própria Recorrente, conforme consta em seu recurso voluntário. Vejase: "Com efeito, a RECOFARMA emitiu cartas de correção, na qual explicitou o enquadramento no Ex 01 que tem, inclusive, alíquota inferior a do Ex 02, qual seja, 27%". Salientese que nestes autos estão sendo analisados fatos geradores de IPI ocorridos até o mês de dezembro ano de 2010. Portanto, neste processo a autuada efetuou o cálculo dos créditos de IPI com a utilização de alíquota que não correspondia ao código indicado nas notas fiscais. Alega a recorrente que as notas fiscais emitidas pela RECOFARMA atendem a todos os requisitos, de forma que, na qualidade de adquirente de boafé teria direito à manutenção do referido crédito de IPI. Mesmo que a recorrente não tivesse como saber que o código de classificação fiscal estava incorreto, o que não é o caso dos autos, cabível a glosa, pois não existe previsão legal para a manutenção de créditos indevidos/ilegítimos, quando constatado pela Fazenda, seu poderdever fazer a glosa nessas hipóteses. Para a Fazenda é uma questão inter alios. Ademais, entendo que aplicase ao caso o art. 3271 do RIPI/2010, que nada mais faz do que reproduzir o art. 62 da Lei 4.502/67, quando determina que o recebedor da 1 Art. 327. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62 ). Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 10 9 mercadoria tem o dever legal de verificar se as mercadoria recebidas em seu estabelecimento "estão acompanhadas dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento". Quisesse eximirse da presente cobrança, vez que sabia de antemão o posicionamento da RFB, devia valerse do previsto no § 1º do art. 62 da Lei 4.502, que dispõe: § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. Dessarte, entendo legítima a glosa ante a constatação do Fisco que os insumos recebidos pela recorrente estavam com classificação fiscal incorreta. DISPOSITIVO Forte no exposto, conheço de ambos recurso e: 1 Dou provimento ao recurso fazendário para que sobre a multa aplicada incida a taxa SELIC, nos termos da Súmula CARF 108, e: 2 Nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) § 1o Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º ). § 2o A comunicação feita com as formalidades previstas no § 1o exime de responsabilidade os recebedores ou adquirentes da mercadoria pela irregularidade verificada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º ). § 3o No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de controle, a rotulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 2º, e Lei no 9.532, de 1997, art. 37, inciso V ). § 4o A declaração, na nota fiscal, da data da entrada da mercadoria no estabelecimento será feita no mesmo dia da entrada. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 11 10 Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 11070.721963/201528 Acórdão n.º 9303007.869 CSRFT3 Fl. 12 11 Fl. 2110DF CARF MF
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Numero do processo: 10494.000101/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 21/03/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO.
A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis.
Assunto: Classificação Fiscal
SOLUÇÃO DE CONSULTA
Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada a mercadoria importada.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHO DE RAIOS X PARA DIAGNOSTICO DE PATOLOGIAS DA MAMA. CÓDIGO NCM 9022.14.11.
Está correta a classificação fiscal para a importação de aparelho de raios X para diagnóstico de patologias da mama adotada no lançamento, no código NCM 9022.14.11.
MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL.
A exoneração da multa de ofício ocorre com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, que vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002. A penalidade de ofício só vale para as importações registradas a partir de 11/09/2002.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados
IPI. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE APARELHO DE EXAMES PARA CLÍNICA MÉDICA.
Incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Ver RE nº 723.651/PR.
Numero da decisão: 3201-005.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997.
(documento assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente
(documento assinado digitalmente)
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada a mercadoria importada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHO DE RAIOS X PARA DIAGNOSTICO DE PATOLOGIAS DA MAMA. CÓDIGO NCM 9022.14.11. Está correta a classificação fiscal para a importação de aparelho de raios X para diagnóstico de patologias da mama adotada no lançamento, no código NCM 9022.14.11. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. A exoneração da multa de ofício ocorre com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, que vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002. A penalidade de ofício só vale para as importações registradas a partir de 11/09/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 01 01 /2 00 7- 12 Fl. 153DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE APARELHO DE EXAMES PARA CLÍNICA MÉDICA. Incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Ver RE nº 723.651/PR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 103/132, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 07-21.278 - 1ª Turma da DRJ/FNS, e-fls. 82/91, que julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcreve-se a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 313.330,36 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados. multas de oficio sobre eles incidentes, multa por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul e juros de mora. Depreende-se do relatório de fiscalização. anexo e parte integrante dos autos de infração, que: A interessada registrou em 21/03/2002 a Declaração de Importação n° 02/0249129-8. para importar, mercadoria descrita como “Sistema GE digital modelo Senographe 2000D, constituído de gerador; tubo de raios-X; detector digital; grade removível; programas aplicativos; estação de aquisição; estação de revisão; pedais de compressão: fantoma; manuais; cabos de interconexão; controle remoto”, classificando-a no código NCM 9022.14.90. Em data anterior ao registro da Declaração de Importação, em 05/03/2002. a interessada protocolou processo de consulta sobre a classificação fiscal de mercadoria de idêntica denominação: “Sistema de raios-x Senographe 2000D”. Em 16/07/2002 a Divisão de Fl. 154DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Administração Aduaneira da 10" Região Fiscal expediu a Solução de Consulta. cientificando a interessada em 04/09/2002. na qual concluiu que a mercadoria se classifica no código NCM 9022.14.1 1. Mesmo cientificada da correta classificação fiscal da mercadoria importada, de acordo com a Solução de Consulta, a interessada não providenciou a retificação da Declaração de Importação n° 02/0249129-8 e/ou o recolhimento da diferença de tributos incidentes em razão da reclassificação fiscal devida. Assim, foi realizada a revisão aduaneira em relação à Declaração de Importação em tela e lavrados os autos de infração de folhas 02 a 14 para exigência das diferenças de impostos (de importação e sobre produtos industrializados), multas de oficio sobre eles incidentes, multa prevista no inciso 1 do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158- '35/200l e juros de mora. Cientificada regularmente dos autos de infração pela via pessoal (ciência 11s. 03. 09 e 13). a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 44 a 63, anexando os documentos de folhas 64 a 75. A impugnante alega. resumidamente. que: A reclassificação fiscal é extemporânea, conforme o disposto nos artigos 48 e 50 do Decreto-lei n° 37/66. A solução de consulta concluiu equivocadamente em relação à classificação fiscal da mercadoria. pois a classificação adotada está correta frente às características do equipamento e das regras de classificação fiscal de mercadorias. Existe ex-tarifário que ampara a mercadoria. de acordo com a Resolução Camex 41 de 02/12/2005 que detemiinou a classificação no código NCM 90.22.11-1.90 ex 001. E que. inclusive. não possui similar nacional. A classificação fiscal pretendida pelo Fisco refere-se a equipamento que possui similar nacional, “mamógrafo”. ao qual não pode ser comparado. As multas são inaplicáveis, pois não há diferenças de impostos. e conforme se depreende dos Atos Declaratórios Normativos n° 10/97 e 12/97. O produto foi corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua identificação e não ocorreu nenhum intuito de dolo ou ma-fé. O Regulamento Aduaneiro foi omisso em relação ao procedimento a ser adotado para aplicação da multa prevista em seu artigo 636, fato que justifica a impugnação. Assim. entendendo que a classificação fiscal da mercadoria está incorreta. a autoridade administrativa deveria oportunizar à interessada a apresentação de defesa e somente com a deliberação final da instância administrativa haveria que se consolidar a classificação. Portanto. a multa exigida. sobre a classificação fiscal, não deve prosperar. A aplicação da taxa Selic de juros é indevida. pelas diversas razões que expõe. como a ilegalidade e inconstitucionalidade. O imposto sobre produtos industrializados é indevido pois a impugnante não é contribuinte desse imposto. conforme doutrina e decisão do STF cujo excerto transcreve. Deve-se aplicar o disposto no inciso II do artigo 1 12 do Código Tributário Nacional. Lei n° 5.172/1966. Requer o cancelamento do auto de infração É o relatório O Acórdão n.º 07-21.278 - 1ª Turma da DRJ/FNS está assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2002 Fl. 155DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. COMPETÊNCIA. A competência legal para realizar a classificação fiscal de mercadorias importadas é de ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, atribuição de caráter privativo. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO Dos FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com consequente aplicação da penalidade prevista. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: 2 - Da Extemporânea Classificação Tarifária A Recorrente alega que a classificação tarifária indicada pela fiscalização é extemporânea. Reitera a Recorrente a sua estranheza visto que foram passados vários anos da “ciência” da resposta da consulta formulada, cuja resposta "concessa vaenia" discorda a Impugnante, considerando que a classificação adotada pelo Importador reputa-se correta e adequada, consoante às características do equipamento sob análise, que possui Ex Tarifário, não tendo, nem à época da importação, tampouco nos dias atuais, qualquer similar nacional, portanto, impossível ser enquadro e tributado conforme pretendera o nobre Fisco e ratificado indevidamente pela Colenda Delegacia a quo. (e-fl. 105) Nesse linha de argumentação cita o art. 50 do Decreto Lei 37/66 defendendo que o prazo para a fiscalização verificar a classificação tarifária seria de 5 (cinco) dias depois de ultimada a conferência aduaneira. 3 - Da Mudança de Critério Jurídico - Impossibilidade A Recorrente argumenta que houve mudança de critério jurídico, sendo tal prática vedada em lei. Reforça tal argumento citando jurisprudência. 4 - Da Classificação Fiscal Adotada pela Recorrente A Recorrente defende a classificação adotada quando da importação do equipamento objeto da lide. Sobre o assunto menciona a interpretação do Sistema Harmonizado para concluir que o código da NCM correto seria a 9022.14.90 em oposição ao 9022.14.11 indicado pela fiscalização. O Sistema Digital GE Senographe ZOOOD, cuja função está claramente descrita "visualização de patologias mamárias, com produção de imagens digitais em tela, dispensando filmes radiográficos e possibilitando a impressão de imagens, sua transmissão por rede e seu arquivamento em meio magnético.”, não possuindo similar nacional, justificando-se integralmente a diferenciação “ad valorem" e item tarifário adotado pela Impugnante. (e-fl. 110) Fl. 156DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Sustenta que a classificação adotada pela fiscalização seria para um equipamento de geração ultrapassada, enquanto o equipamento importado seria moderno. 5 – Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005 - Classificação A Recorrente afirma que a Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005, determinou que o aludido equipamento objeto do contencioso possuísse a classificação 90.22.14.90 EX 001, com alíquota do imposto de importação de 0% (zero por cento). 6 – IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – Não Incidência – Precedentes – Supremo Tribunal Federal A Recorrente acredita serem indevidos os valores cobrados a título de IPI na importação, levando-se em conta a não-cumulatividade e o entendimento de que o importador não estaria enquadrado na categoria de contribuinte. Nesse ponto, explica que se trata de um prestador de serviços, que não tem como realizar a regra da não-cumulatividade. Cita jurisprudência relativa a importação de veículo por pessoa física. 7 – Da Não Aplicação de Penalidades (Multa de 75%) A Recorrente acredita ser descabida a exigência da multa de 75% sobre a cobrança dos tributos. Alega a seu favor o Ato Declaratório nº 10/97 afirmando que descreveu corretamente o produto importado. 7.1 – Multa de 1% - divergência de classificação A Recorrente se insurge contra a cobrança da multa de 1% instituída pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, por classificação incorreta. Alega que houve omissão quanto ao procedimento a ser adotado para apuração da classificação fiscal. É que a atividade funcional administrativa é plenamente vinculada, de sorte que, entendendo a Autoridade Administrativa Aduaneira que a classificação da mercadoria apresentada é incorreta, caberia a ela a aplicação da multa. Todavia, a Autoridade Administrativa também está sujeita a equívocos e, desse modo, não pode a Recorrente ser compelida ao pagamento de multas, sujeitas unicamente ao entendimento da referida Autoridade, sem que lhe seja dada oportunidade de apresentar sua defesa, aduzindo suas razões na busca pela correta classificação, que somente após deliberação final da instância administrativa, haverá de se consolidar. (e-fl. 119) 8 – Correção Monetária de Crédito Tributário - Selic A Recorrente combate a incidência de correção monetária e juros com a utilização da Taxa Selic sobre os débitos apurados. A taxa selic é um referencial fornecido pelo Banco Central do Brasil objetivando controlar o fluxo comercial da moeda nacional, ora favorecendo, ora restringindo a circulação do dinheiro. Assim, juntamente com as taxas de juros (de alteração mais restrita) a taxa Selic serve para o Banco Central balizar a atividade das instituições financeiras de acordo com interesses políticos e financeiros da União. Neste diapasão, em hipótese alguma a taxa Selic pode ser utilizada, seja como índice de correção monetária, seja como taxa de juros, principalmente de débitos tributários. (e-fl. 121) 9 – Da Interpretação da Legislação Tributária A Recorrente alega que a decisão recorrida contraria princípios elementares de Direito Tributário, consoante dispõe o Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66. 10 – Do Pedido Fl. 157DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Tendo a Recorrente se insurgido contra a decisão de primeira instância, ao final do seu recurso voluntário requer o cancelamento do auto de infração. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Voto Conselheiro LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, trata-se de processo relativo à classificação fiscal de mercadorias. 2 - Da Extemporânea Classificação Tarifária A Recorrente alega que a classificação tarifária indicada pela fiscalização é extemporânea. Não assiste razão a Recorrente. Conforme disposto pela decisão de primeira instância, o art. 50 do Decreto-lei n° 37/1966, teve sua redação alterada pelo Decreto-lei n° 2.472/1988 passando a viger com a seguinte redação. in verbis: Art. 50. A verificação da mercadoria. no curso da conferência aduaneira ou em qualquer outra ocasião, será realizada por Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional, na presença do importador ou de seu representante, e se estenderá sobre toda a mercadoria importada, ou parte dela, conforme critérios fixados em regulamento. Ainda na linha de esclarecer a legislação em vigência, cabe citar o disposto no art. 54 do Decreto-lei n° 37/1966, com redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/1988 que trata do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de importação (DI), para apurar a regularidade do pagamento do imposto ou do benefício fiscal aplicado. Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Sendo assim, verifica-se que o trabalho de verificação da classificação fiscal da mercadoria importada não foi extemporâneo, conforme afirmado pela Recorrente. Nega-se provimento. 3 - Da Mudança de Critério Jurídico - Impossibilidade A Recorrente argumenta que houve mudança de critério jurídico. Não assiste razão a Recorrente. Inicialmente compete esclarecer que não há mudança de critério jurídico se nada foi determinado ou decidido em relação ao período anterior não autuado. Fl. 158DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Nessa linha, de forma resumida, a revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a arguição de mudança de critério jurídico. Nega-se provimento. 4 - Da Classificação Fiscal Adotada pela Recorrente A Recorrente defende sua classificação fiscal. Não assiste razão a Recorrente. Inicialmente compete esclarecer que a classificação fiscal de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é matéria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do disposto nos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, nos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6/03/1972, no art. 1º do Decreto nº 97.409, de 22/12/1988, no art. 2º do Decreto nº 766, de 3/03/1993, nos arts. 88 a 102 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, e nos arts. 2º a 4º do Decreto nº 7.660, de 23/12/2011. A NCM toma por base a Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Convenção do SH) administrado pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA), também conhecido como Organização Mundial de Aduanas (OMA), cuja sede fica em Bruxelas. A Convenção do SH é a base de todos os Acordos de comércio negociados na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em outros organismos internacionais. Tal instrumento possui atualmente 157 partes contratantes dentre países territórios e uniões econômicas. O Brasil é signatário da referida Convenção desde 31/10/1986, tendo ratificado sua adesão em 08/11/1988. A promulgação da Convenção do SH foi feita por meio do Decreto n° 97.409, de 22/12/1988. De forma resumida, a Convenção do SH possui seis Regras Gerais de Interpretação (RGI) que servem de pilares para o sistema de codificação de mercadorias. Dentre as seis RGI, a mais importante é a RGI 1 que determina a força legal dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura rege-se pelas seguintes Regras: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. A RGI 1 atesta que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Fl. 159DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Nesse sentido, cabe esclarecer que a Recorrente realizou consulta e obteve resposta quanto ao correto código de classificação fiscal NCM 9022.14.11 a ser adotado quando da importação do equipamento por meio da Solução de Consulta SRRF/l0°RF/Diana n° 59/2002 (e-fls. 18 a 19). A referida Solução de Consulta está assim ementada: Código TEC 9022.14.11 Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: Mercadoria Aparelho de raios X, -para diagnóstico de patologias da mama, comercialmente denominado “Sistema de Raios X Senographe 2000D”, apresentado sob a forma de unidade funcional constituída pelos seguintes elementos: - unidade de aquisição de imagens (gerador de raios X com detector digital) - anteparo de proteção com painel de controle -cabine do gerador, com sistema de fornecimento de energia para a unidade de aquisição de imagens e para o carro AWS, componentes eletrônicos de gerenciamento e sistema de refrigeração/secagem do detector digital - carro AWS, com máquina automática para processamento de dados (console de operação e unidade de processamento, diagnóstico e arquivamento de imagens, com unidades de entrada e saída) - cabos de conexão Dispositivos Legais: RGI 1 (Notas 4 da Seção XVI e 3 do Capítulo 90 e texto da posição 9022) e 6 (texto da subposição 9022.14), e RGC-1 (textos do item 9022.14.1 e do subitem 9022.14.11), da TEC aprovada pela Resolução Camex n° 42, de 2001 Conforme consta da Solução de Consulta, a classificação do equipamento no código NCM 9022.14.11 está vinculado ao diagnóstico de enfermidades da mama da mulher e não, conforme imagina a Recorrente ao grau de modernidade tecnológico do equipamento. Os aparelhos de raios X, para usos médicos, classificam-se na posição 9022 e, mais especificamente, na subposição 9022.14; o sistema objeto da consulta tem por função, de acordo com sua especificação, o diagnóstico de enfermidades da mama da mulher, e, portanto, enquadra-se no item 9022.l4.1, e não no item 9022.14.90, como quer o consulente. Enfim, por se tratar de aparelho de raios X para mamografia, classifica-se no subitem 9022.14.11. (e-fl. 18) Sobre os efeitos da solução de consulta eficaz, cabe cito exemplos de jurisprudência deste CARF. UNIDADES EVAPORADORAS - SOLUÇÃO DE CONSULTA. Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada, mesmo que posteriormente tenha havido edição de nova TIPI, porém não alterando, em essência, os termos da Solução de Consulta. (CARF, Acórdão nº 9303-007.029 do Processo 11065.005554/2008-21) CONSULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO. APLICAÇÃO. A solução de consulta eficaz sobre classificação fiscal de mercadoria aplica-se a todas as declarações de importação apresentadas pelo consulente. No prazo de trinta dias da ciência do resultado da consulta, a administração aduaneira está impedida de instaurar procedimento fiscal contra o consulente versando sobre a matéria objeto da consulta. (CARF, Acórdão nº 3302-001.926 do Processo 19647.002997/2005-88) Fl. 160DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 No presente caso, a Solução de Consulta foi realizada para o equipamento em questão e a Recorrente tomou ciência da resposta tendo direito garantido seu direito de corrigir a classificação sem a incidência de multa. Não obstante, preferiu manter a classificação equivocada e incorrer nos riscos da revisão aduaneira. Assim, engana-se a Recorrente no tocante a classificação fiscal e nego provimento. 5 – Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005 - Classificação Conforme esclarecido em tópico anterior, a classificação fiscal de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é matéria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e não da CAMEX. Nego provimento. 6 – IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – Não Incidência – Precedentes – Supremo Tribunal Federal O mérito cinge-se à sujeição passiva da empresa Recorrente (prestadora de serviço médico) ao pagamento do IPI vinculado a importação, de bem importado para compor seu ativo fixo. Sobre essa alegação, cabe esclarecer que a incidência do IPI ocorre no momento do registro da DI, conforme previsão do art. 110, I, do Decreto 2.637/1998 (Regulamento do IPI). Considera-se irrelevante “a finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º, § 2º)" (Decreto 2.637/1998, art. 36). Dessa forma, e ainda de forma análoga ao julgamento firmado no RE nº 723.651/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, restou definido que "incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Não assiste razão a Recorrente e nego provimento. 7 – Da Não Aplicação de Penalidades (Multa de 75%) A Recorrente acredita ser descabida a exigência da multa de 75% sobre a cobrança dos tributos. Alega a seu favor o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997 afirmando que descreveu corretamente o produto importado. O argumento foi analisado pelo juízo a quo conforme abaixo com a conclusão de que o ADI 13/2002 revogou o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/1997. A tese da impugnante de que o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/1997 ampara sua alegação de que a multa em referência é indevida e' improcedente. O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/l997. assim dispunha. in verbis: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições (___) Declara. (...). que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218. de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. a solicitação. feita no despacho aduaneiro. de reconhecimento de imunidade tributária. isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional. quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex). desde que o produto esteja corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua Fl. 161DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. e que não se constate. em qualquer dos casos. intuito doloso ou ma fé por parte do declarante. Todavia referido Ato foi revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo n° 13/2002. que dispôs nos seguintes termos, in verbis: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL. no uso da atribuição (..) declara: Art. 1 Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996. a solicitação. feita no despacho de importação. de reconhecimento de imunidade tributária. isenção ou redução do imposto de importação e preferencia percentual negociada em acordo internacional. quando incabíveis. bem assim a indicação indevida de destaque ex. desde que o produto esteja corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. e que não se constate. em qualquer dos casos. intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2° Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit n 10, de 16 de janeiro. de 1997. De se notar do teor do ADI n° 13/2002 que, dentre as hipóteses de não caracterização da infração punível com a multa prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, não consta a classificação fiscal incorreta da mercadoria importada. Essa, inclusive, é a diferença fundamental entre o aludido ADI SRF n° 13/2002 e o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997, por ele revogado. A edição do ADI SRF n° 13/2002 se fez necessária em razão da previsão do inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001. que passou a caracterizar como infração a incorreta classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul. Portanto, desde a publicação da Medida Provisória n° 2.l58-35/2001 o entendimento do ADN Cosit n° l0/1997 deixou de prevalecer. Ademais, ainda que assim não fosse, a descrição da mercadoria na Declaração de Importação em tela é insuficiente para se permitir à correta identificação e ao enquadramento tarifário dessa mercadoria. Portanto, as multas de oficio, previstas no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, não podem ser excluídas. Ocorre todavia, que o fato gerador é de 21/03/2002 e o ADI 13/2002 é de 10/09/2002, ou seja, posterior a data do fato gerador. Assim, a época do fato gerador ainda vigia o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. O CARF tem jurisprudência sobre o tema. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. Uma vez que a exoneração da multa de ofício ocorreu com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, e esse vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002, as importações registradas partir de 11/09/2002 não mais estão guarnecidas pela exclusão da penalidade de ofício. (CARF, Acórdão nº 3101-001.208 do Processo 12466.004376/2006-07, de 22/08/2012) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI – VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL – A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos afasta a aplicação das penalidades de ofício, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 10/97. (CARF, Acórdão nº 3101-000.572 do Processo 11128.004058/2002-82, de 08/12/2010) Sendo assim, com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997, não procede a multa de ofício, se a descrição da mercadoria se revela suficiente para a classificação tarifária. Dessa forma, voto por dar provimento nesse ponto. 7.1 – Multa de 1% - divergência de classificação Fl. 162DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 A Recorrente se insurge contra a cobrança da multa de 1% instituída pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, por classificação incorreta. Não assisti razão a Recorrente. Os autos fazem prova de que a Recorrente, mesmo recebendo o resultado do processo de consulta, permaneceu no erro, classificando incorretamente a mercadoria. Dessa forma, nego provimento. 8 – Correção Monetária de Crédito Tributário - Selic A discussão quanto a correção monetária por meio da taxa Selic foi sumulada neste CARF. Nesse ponto reproduzo a Súmula CARF nº 108. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dessa forma, nego provimento. 9 – Da Interpretação da Legislação Tributária O CARF não tem competência para analisar a alegação de interpretação da legislação tributária contrária a princípios elementares de Direito Tributário, consoante dispõe o Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, nego provimento. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. É como voto. (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.725765/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 19/08/2015
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA
O fato de a decisão recorrida ter apreciado a questão e decidido de forma contrária à pretensão do contribuinte e com argumentos dos quais discorda não caracteriza falta de motivação.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972.
UNIDADES EVAPORADORAS DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTI-SPLIT e VRF (VRV).
As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multi-split e do tipo VRF (VRV), para montagem embutida no teto, cassete round flow, apresentadas separadamente, são classificadas no código no código 8415.90.10 (evaporadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica.
MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 3201-005.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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INOCORRÊNCIA. DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA O fato de a decisão recorrida ter apreciado a questão e decidido de forma contrária à pretensão do contribuinte e com argumentos dos quais discorda não caracteriza falta de motivação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972. UNIDADES EVAPORADORAS DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTISPLIT e VRF (VRV). As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multisplit e do tipo VRF (VRV), para montagem embutida no teto, cassete round flow, apresentadas separadamente, são classificadas no código no código 8415.90.10 (evaporadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 57 65 /2 01 5- 21 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 395 2 de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Impugnação, o qual está consignado nos seguintes termos: "O importador, por meio da declaração de importação DI n° 15/14790442, de 19/08/2015 importou as mercadorias descritas na fl. 86 como unidades evaporadoras para sistema de ar Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 396 3 condicionado do tipo VRF (VRV), para montagem embutida no teto, cassete round flow, marca DAIKIN, classificando na NCM 8415.82.10, com alíquotas de 18% de II e 20% de IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 8415.90.10. Especificamente para os produtos dos itens 2, 3, 4 e 6 da adição 001, aplicase ainda o EX 01 da TIPI, com a alíquota de 35% de IPI. Baseouse a fiscalização nos catálogos técnicos dos produtos e nas Regras de Classificação do Sistema Harmonizado. Através do presente Auto de Infração, cobrouse a multa por erro na classificação fiscal de 1% do valor aduaneiro, além das diferenças de IPI e multas de ofício. Intimada do Auto de Infração em 10/12/2015 (fl. 102), a interessada apresentou impugnação e documentos em 05/01/2016, juntados às folhas 199 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por falta de fundamentação técnica. Alega que não foi solicitado laudo técnico para identificar a mercadoria. Alega que o ato administrativo carece de motivação nos termos do art. 2° da Lei n° 9.784/99. Alega que a reclassificação não foi motivada detalhadamente. Cita jurisprudência judicial sobre o tema. 2. Tece comentários sobre o Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias. Cita doutrina sobre o tema. Alega que, inexistindo classificação fiscal específica, deve ser aplicada a classificação fiscal residual. Alega que o conceito de “SplitSystem” está definido nas NESH da posição 8415. Alega que tal conceito determina a existência de apenas um único condensador e um único evaporador. Cita a Coletânea de Pareceres de Classificação da OMA publicada pela IN RFB n° 1.459/2014. Alega que os Pareceres de Classificação da OMA são vinculativos para a fiscalização nos termos do § único do art. 1° da mesma Instrução Normativa. Alega que os equipamentos por ela importados são do tipo “MultiSplit” e “VRF”, com diversas unidades condensadoras e variados tipos de unidades evaporadoras. Alega que os componentes do sistema “SplitSystem” não são compatíveis com os dos sistemas “MultiSplit” e “VRF”. Cita o Acórdão CARF n° 3403003.537 que segundo a impugnante reconheceria a diferença técnica entre os citados sistemas. Cita Portarias Interministeriais e Portarias do INMETRO que tratam dos sistemas “SplitSystem”, “MultiSplit” e “VRF”. Alega que a classificação fiscal da NCM 8415.90.10 referese apenas a unidades evaporadoras de aparelhos de arcondicionado do tipo “SplitSystem” com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora. Alega que o próprio relatório fiscal confirma que as unidades evaporadoras importadas são do tipo “MultiSplit”. Cita que essa também é a descrição constante da declaração de importação. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 397 4 3. Afirma que a classificação fiscal por ela adotada na importação está correta. Reafirma que o equipamento importado não seria classificado na subposição 8415.1 por não ser do tipo “SplitSystem”. Tampouco seria incluído na subposição 8415.2 por não ser destinada a automóveis. Restaria, segundo a impugnante, a subposição residual 8415.8. Afirma ainda que as unidades evaporadoras não seriam partes de aparelhos de arcondicionado na acepção da subposição 8415.9. Alega que a unidade evaporadora poderia ser classificada como o aparelho de arcondicionado completo pois a NCM 8415.83.00 descreve um aparelho de ar condicionado sem dispositivo de refrigeração. 4. Alega que as penalidades aplicadas deveriam ser excluídas em função do art. 100 do CTN. Afirma que as normas administrativas citadas conceituam o sistema “SplitSystem”, o qual não seria aplicado à importação em tela. Alega ainda que a fiscalização reiteradamente desembaraçou as mercadorias importadas pela impugnante em sua classificação fiscal, validando tacitamente a prática adotada. Cita jurisprudência do CARF sobre licença de importação substitutiva. Cita jurisprudência judicial sobre juros de mora, correção monetária e multa de mora. 5. Alega que não seria cabível a aplicação de duas multas sobre o mesmo fato pelo Princípio da Consunção/Absorção. Alega que as duas multas se baseiam na “adoção de NCM supostamente incorreta”. Alega que a multa por erro na classificação seria absorvida pela multa pelo não recolhimento de tributos. Cita jurisprudência do CARF sobre o tema. 6. Alega que a cumulação de multas no caso concreto equipara se à aplicação de multas de 125% ou 150%, caracterizando confisco. Cita jurisprudência judicial sobre multas confiscatórias. 7. Alega a ilegalidade da incidência da taxa SELIC sobre a multa. Cita o art. 61 da Lei n° 9.430/96. 8. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as questões preliminares ou, no mérito, que seja declarado improcedente o presente auto de infração. É o relatório." A Impugnação foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/08/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL A mercadorias importadas descritas comercialmente como unidades evaporadoras para sistema de ar condicionado do Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 398 5 tipo VRF (VRV), para montagem embutida no teto, cassete round flow, marca DAIKIN, com as características expostas neste processo, encontram correta classificação fiscal na NCM 8415.90.10. Para as unidades com capacidade de resfriamento inferior a 7.500 frigorias/hora, aplicase ainda o EX 01 da TIPI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido " O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) em razão da suposta classificação incorreta de 382 unidades evaporadoras para sistemas de ar condicionado do tipo MultiSplit / VRF (VRV) quando da importação destas por meio da Declaração de Importação (“DI”) n° 15/14790442 foi autuada para cobrança do IPI e multa regulamentar; (ii) há vários anos realiza a importação de unidades condensadoras para sistemas de ar condicionado do tipo MultiSplit / VRF (VRV) sob o código 8415.82.10 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (“NCM”); (iii) a decisão recorrida deve ser anulada por falta de motivação; (iv) a decisão é frágil em sua base conceitual em razão de utilizar conceitos obtidos na internet no site 'Wikipedia’; (v) o Auto de Infração é nulo por ausência de provas técnicas, em especial em relação ao processo de classificação de mercadorias; (vi) o agente fiscal efetuou um exame de subsunção equivocado do fato concreto (forma de utilização dos produtos importados) às Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (“RGI”); (vii) não há fundamentação técnica que ampare, enquanto motivação, o Auto de Infração, pois desprovido de laudo técnico que qualifique tecnicamente os produtos importados com vistas a sustentar a (incorreta) classificação fiscal; (viii) o dever de motivar os atos administrativos (gênero no qual se incluem os autos de infração) é tema incontroverso, dada a clareza da Lei nº 9.784/99 (lei do processo administrativo federal) e que a atividade administrativa de lançamento é estritamente vinculada, ex.vi. dos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; (ix) o Sistema Harmonizado foi concebido com base em códigos de seis dígitos, sendo dividido em capítulos (dois primeiros dígitos), posições (conjunto dos quatro primeiros dígitos) e subposições (conjunto dos seis primeiros dígitos). Aos países ou grupos econômicos, é facultada a criação de itens e subitens, conforme seu interesse; (x) a versão brasileira do Sistema Harmonizado, que recebeu o nome de NBM/SH – Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Sistema Harmonizado – previu o detalhamento das mercadorias em itens, conforme a Resolução 75/88 do Comitê Brasileiro de Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 399 6 Nomenclatura, acrescentando mais 02 (dois) dígitos aos 06 (seis) já estabelecidos pelo Sistema Harmonizado aprovado pela Convenção mencionada; (xi) a partir de janeiro de 1996, em razão da necessidade de maior integração econômica nas operações de comércio exterior com os demais membros do MERCOSUL, a NBM/SH foi substituída pela Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), utilizada uniformemente nesse grupo econômico; (xii) o conceito de “SplitSystem” para fins de classificação fiscal está previsto nas NESH da Posição 8415; (xiii) o conceito anterior estabelece que os “SplitSystems” são compostos por elementos interno (evaporador) e externo (condensador) separados (o que apenas reafirma a tradução literal da expressão “SplitSystem”), adicionando ainda um conteúdo de quantidade desses elementos; (xiv) as próprias NESH da Posição 8415 apresentam conceito próprio de sistemas de ar condicionado “SplitSystem” para fins de classificação fiscal, aplicando o conceito de “SplitSystem” de forma restritiva aos equipamentos compostos por apenas uma unidade evaporadora e condensadora; (xv) a interpretação de que os “SplitSystems” são compostos unicamente por uma unidade evaporadora e uma unidade condensadora também encontra fundamento na Terceira Edição da Coletânea dos Pareceres de Classificação publicada pela Instrução Normativa nº 1.459/2014; (xvi) os sistemas do tipo “SplitSystem” consistem em modelos de ar condicionado nos quais há apenas uma unidade evaporadora para uma unidade condensadora; (xvii) diferentemente dos “SplitSystems” acima mencionados, há ainda outros sistemas mais complexos e modernos, que possuem características técnicas e de finalidade diferenciadas, os quais recebem o nome de “MultiSplit” e “VRF” – e que são exatamente os sistemas importados; (xviii) os sistemas de ar condicionado dos tipos “MultiSplit” e “VRF” podem ser configurados de forma a integrar – num mesmo sistema – diversas condensadoras e os mais variados tipos de unidades evaporadoras (Hiwall, cassete, dutada, etc), com controle individual de temperatura para cada unidade evaporadora, caracterizando, assim, complexo sistema para empreendimentos de médio / grande porte, distinguindose dos modestos sistemas “SplitSystem”; (xix) Laudo Técnico emitido por Perito em outro processo (11128.722.584/201623) acabou por comprovar que a classificação fiscal adotada pela Peticionaria está correta, e que os produtos importados não se caracterizam como aparelhos do tipo “SplitSystem”; (xx) a diferença entre “SplitSystem” e “MultiSplit” foi reconhecida pelo perito oficial quando da elaboração do Laudo Técnico solicitado pela autoridade fiscal, conforme se verifica dos seguintes excertos: Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 400 7 “3º Quesito – Em se tratando de unidades evaporadoras apresentadas isoladamente, explicar detalhadamente seu funcionamento, e, as diferenças entre esse tipo de aparelho e os demais tipos máquinas e/ou aparelhos destinados a modificar a temperatura e a umidade do ar, em recintos fechados. * Resposta – Os sistemas de refrigeração por expansão direta são aqueles onde o gás refrigerante troca calor diretamente com o ar do ambiente. Os condicionadores de ar podem ser do tipo ACJ (Ar Condicionado de Janela), splitsystem, multisplit VRF system e selfcontained.”; (xxi) o Sr. Perito deixa ainda mais claro que os sistemas ‘MultiSplit’ não são meras espécies de ‘SplitSystems’, mas sim maquinas diversas e com tecnologia própria, conforme abaixo se verifica: “As unidades evaporadoras "multisplit VRF system" desta importação, distinguemse das unidades evaporadoras "splitsystem" tradicionais principalmente por possuírem válvula de expansão eletrônica e sistema de comunicação em rede computadorizado.”; (xxii) o Sr. Perito ainda prossegue, trazendo em detalhes as diversas diferenças entre os dois tipos de sistema: “No sistema multisplit VRF system, as unidades evaporadoras possuem papel ativo no controle do fluxo de fluido refrigerante, pois cada uma delas possui uma válvula de expansão individual controlada eletronicamente que atua em conjunto com a rede de comunicação eletrônica entre as unidades evaporadoras e a unidade condensadora, resultando em um controle preciso de fluxo de fluido refrigerante, e conseqüentemente controle de capacidade, eficiência e conforto mais precisos. A unidade condensadora também possui avançada eletrônica que controla a variação da velocidade do compressor e ventilador, pressões de condensação e evaporação, retorno de óleo e recebe dados de todas as unidades evaporadoras conectadas, que são utilizados no controle do sistema como um todo. Já nos sistemas splitsystem tradicionais as unidades evaporadoras não possuem válvula de expansão. O dispositivo de expansão nesse sistema fica localizado na unidade condensadora, e possui controle limitado do fluxo de fluido refrigerante, devido à existência de apenas uma unidade evaporadora conectada. A eletrônica da unidade evaporadora neste sistema também é limitada, pois realiza somente a recepção do sinal do controle remoto e controla a temperatura, enviando sinal de abrir ou fechar para a unidade condensadora, que irá controlar a vazão do fluido refrigerante, sem o tratamento nem envio de dados ao evaporador. Enfim, o diferencial do sistema VRF system, comparado ao split system, é a combinação de tecnologia eletrônica com sistemas de controle micro processado, aliado a combinação de múltiplas unidades evaporadoras em um só ciclo de refrigeração.”; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 401 8 (xxiii) a diferença entre “SplitSystem” e “MultiSplit” também já foi reconhecida pelo próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Acórdão nº 3403¬003.537 ); (xxiv) há ainda uma série de outras normas no ordenamento jurídico que reafirmam a premissa de que tais sistemas são compostos por uma única evaporadora e uma única condensadora e sua distinção dos “MultiSplit” e “VRF”, tais como a Portaria Interministerial nº 364, de 24 de dezembro de 2007; Portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (“INMETRO”) n.º 007, de 04 de janeiro de 2011 Portaria Interministerial nº 8, de 22 de janeiro de 2014 e Portaria INMETRO n.º 299, de 19 de junho de 2013; (xxv) superada a conceituação de “SplitSystem”, fica patente a impossibilidade de classificação dos produtos importados na NCM pretendida pelas autoridades fiscais; (xxvi) é inequívoco nos autos que as evaporadoras importadas são do tipo utilizadas em “VRFs” e, em sua maioria, comportam dutos,; (xxvii) o próprio relatório fiscal do Auto de Infração confirma que os produtos importados pela Recorrente são do tipo “MultiSplit” / “VRF”, e que comportam dutos; (xxix) a própria descrição da mercadoria apresentada quando do registro da DI já evidencia que se trata de evaporadora utilizada em sistemas “MultiSplit”; (xxx) os equipamentos importados são máquinas para a produção de ar condicionado, cuja descrição da Subposição 8415.8 e NESH aplicáveis não os excluiu dessa Subposição pelo mero fato de se apresentar isoladamente dos outros elementos que compõem o sistema; (xxxi) seria contraditória a existência de uma NCM de máquina sem dispositivo de refrigeração para classificar uma máquina ou equipamento de ar condicionado; (xxxii) levando em consideração todo o arcabouço legislativo, assim como o histórico de importações e liberações regulares desses produtos sem questionamento por parte das autoridades fiscais, é mister que se exclua a penalidade imposta em razão da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional; (xxxiii) as autoridades fiscais reiteradamente desembaraçaram os produtos importados, validando tacitamente o critério que vinha sendo adotado pelo contribuinte; (xxxiv) a prática reiterada de as autoridades fiscais / aduaneiras analisarem as operações de importação e liberálas sem ressalvas acabam por nortear a conduta do contribuinte, o qual assume como correto o procedimento até então adotado e constantemente aceito pela fiscalização; (xxxv) não é possível a duplicidade de penalidades ( multa de 75% do valor dos tributos supostamente devidos pela falta de pagamento de tributos incidentes na importação em razão da adoção de NCM supostamente incorreta e multa de 1% sobre o valor das operações de importações em razão da adoção de NCM supostamente incorreta);. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 402 9 (xxxvi) a cumulação de multas caracteriza efeito confiscatório; e (xxxvii) é ilegal a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. A Recorrente em petição protocolizada em 12/04/2019 anexa dois laudos técnicos que, afirma concluírem que os componentes do tipo “SplitSystem” não são compatíveis do ponto de vista técnico com aqueles integrantes de sistemas “MultiSplit” e “VRF”, dada a diferença de tecnologia abarcada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Das preliminares No que tange ao argumento de que a decisão recorrida deve ser anulada por falta de motivação, não há como concordar com a tese recursal. A decisão atacada pelo Recurso Voluntário interposto encontrase devidamente fundamentada e lastreada em aspectos técnicos pertinentes à matéria, sendo que a circunstância de ter utilizado em parte da justificação uma referência ao sítio eletrônico wikipedia não tem o condão de desqualificála.. O fato de a Recorrente não concordar com os argumentos utilizados não invalida a decisão e caracteriza mero inconformismo. Já na parte que a Recorrente alega o Auto de Infração é nulo por ausência de provas técnicas, em especial em relação ao processo de classificação de mercadorias e não há fundamentação técnica que ampare, enquanto motivação, o Auto de Infração, bem como, ofensa aos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, de igual modo são improcedentes. No caso concreto, o Auto de Infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática. O Auto de Infração contém a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indica os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõe de os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos que ensejaram a lavratura do mesmo. O Decreto nº 70.235/1972, dispões, respectivamente, em seus arts. 10 e 59: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 403 10 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Não logrou êxito a Recorrente em demonstrar que o Auto de Infração possui alguma mácula capaz de ensejar ilegalidade. Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa da Recorrente. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a Recorrente apresentou Impugnação e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. A título ilustrativo, acrescento o entendimento uníssono do CARF sobre a matéria: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 404 11 "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/06/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontrase válido e eficaz. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO TIPIFICAÇÃO LEGAL. VÍCIO. INOCORRÊNCIA. A prestação intempestiva de qualquer informação pelos intervenientes no comércio exterior embaraça ou dificulta a fiscalização aduaneira, pois impedea de bem planejar e eficientemente executar as operações de fiscalização e repressão inerentes à sua finalidade constitucional.Ademais, o autuado deve se defender dos fatos que lhe foram imputados e não da capitulação da infração. Estando a descrição dos fatos corretamente narrada no Auto de Infração e ficando evidente, nos autos, que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente do que era acusado e exerceu plenamente seu direito à Ampla Defesa e ao Contraditório, não ocorre vício no procedimento administrativo. (...)" (Processo nº 11128.000142/200651; Acórdão nº 3002000.487; Relator Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves; sessão de 22/11/2018) Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2008 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares argüidas. (...)" (Processo nº 13864.720160/201201; Acórdão nº 1201002.301; Relator Conselheiro Rafael Gasparello Lima; sessão de 25/07/2018) Diante do exposto, uma vez que não se encontram presentes nenhuma das hipóteses ensejadoras de nulidade encartadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não é de se acatar os argumentos postos na peça recursal em tal tópico. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 405 12 Diante do exposto, não acolho as preliminares suscitadas pela Recorrente. Do mérito Conforme já relatado, a Recorrente, por meio da declaração de importação DI n° 15/14790442, de 19/08/2015 importou as mercadorias descritas na fl. 86 como unidades evaporadoras para sistema de ar condicionado do tipo VRF (VRV), para montagem embutida no teto, cassete round flow, marca DAIKIN, classificando na NCM 8415.82.10, com alíquotas de 18% de II e 20% de IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 8415.90.10, EX 01 da TIPI, com as alíquotas de 18% de II e de 35% de IPI. Baseouse a fiscalização no catálogo técnico do produto e nas Regras de Classificação do Sistema Harmonizado. A própria Recorrente em sua peça recursal admite que se está tratando de equipamento do modelo multisplit e VRF: 71. Diferentemente dos “SplitSystems” acima mencionados, há ainda outros sistemas mais complexos e modernos, que possuem características técnicas e de finalidade diferenciadas, os quais recebem o nome de “MultiSplit” e “VRF” – e que são exatamente os sistemas importados pela Recorrente." Assim, não há dúvida que no caso concreto se está a tratar de "unidades evaporadoras para sistema de ar condicionado do tipo multisplit e VRF". A questão concernente à classificação fiscal de mercadorias relativa a unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multisplit já foi apreciada por esta Turma de Julgamento. Por ocasião do julgamento do processo nº 10283.720654/201319, de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, esta Turma, em composição diversa da atual, decidiu, por unanimidade de votos, que a classificação fiscal correta para o equipamento em apreço é a prevista no código 8415.90.10. Assim, é de reproduzir como razões de decidir, os principais excertos do voto proferido pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira (Acórdão nº 3201003.065 sessão de 26/07/2017), conforme a seguir: "A recorrente esforçase por mostrar que os splitsystem consistem em apenas 1 condensador e 1 evaporador, e permitem atender apenas a um ambiente. Vejamse os seguintes trechos de seu recurso (fl. 3.289): “Ocorre que, em que pese a suposta descrição acerca da tecnologia VRF no acórdão da Impugnação, bem como de que esta não afetaria a classificação fiscal da mercadoria, trazemos abaixo, de forma breve e suscinta, a diferenciação entre Multisistemas e SplitSystem.” Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 406 13 Fl. 3.291: Como consequência, tanto nacionalmente como internacionalmente, Split System e Multi System (MXZ e VRF) são sempre discriminados distintamente por fabricantes, associações de fabricantes, usuários, engenheiros e institutos de pesquisa de mercado. Todavia, não é o que dizem as Nesh – Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Conforme as Nesh, a subposição 8415.10 abrange os sistemas multisplit, na qual poderá haver vários arranjos de evaporadores e condensadores. O que não se inclui nesta subposição são os aparelhos de arcondicionado central, onde o ar resfriado é conduzido aos ambientes por dutos, sem que haja um aparelho evaporador no ambiente a resfriar: Subposição 8415.10 A presente subposição compreende as máquinas e aparelhos para condicionamento de ar dos tipos para paredes ou para janelas, formando um só corpo ou do tipo splitsystem (sistema com elementos separados). As máquinas e aparelhos “formando um corpo único” são constituídas de um só dispositivo contendo todos os elementos necessários formando um só corpo. As máquinas e aparelhos do tipo splitsystem são aparelhos que não comportam dutos mas utilizam um evaporador individual para cada área a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). São, pelo contrário, excluídas desta subposição as centrais de ar condicionado providas de dutos que utilizam esses dutos para conduzir o ar condicionado de um evaporador para diversos ambientes a resfriar. (...) Desse modo, todas as outras considerações técnicas são irrelevantes para a classificação fiscal, porque firme nas Regras Gerais de Interpretação, complementadas pelas Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pela OMA – Organização Mundial das Aduanas, que são a interpretação oficial, em nível internacional, do Sistema Harmonizado, e aprovadas no Brasil, segundo a competência conferida pela Portaria MF 91/1994, pelas Instruções Normativas RFB 807/2008 e 1.260/2012. Corrobora nesta classificação a Solução de Consulta Coana 134/14: Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: Código NCM: 8415.10.90 Mercadoria: Sistema de arcondicionado do tipo splitsystem (sistema de elementos separados), de tecnologia VRF (Variable Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 407 14 Refrigerant Flow), constituído por: (01) uma unidade externa (condensadora) comportando, num mesmo receptáculo, compressor, motor de ventilação, ventilador e válvula de inversão de ciclo térmico, com capacidade de refrigeração de 48.160 frigorias/h 380V/ 60Hz; (03) três unidades internas (evaporadoras) comportando, cada uma, num mesmo receptáculo, evaporador, motor de ventilação e ventilador, com capacidade de refrigeração de 9.630Kcal/h 220V/ 60Hz; (02) duas unidades internas (evaporadoras) comportando, cada uma, num mesmo receptáculo, evaporador, motor de ventilação e ventilador, com capacidade de refrigeração de 12.040Kcal/h 220V/ 60Hz. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI/SH 1 (texto da posição 84.15), RGI/SH 6 (texto da subposição 8415.10) e RGC/NCM 1 (texto do item 8415.10.90) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 2011. (...) Os sistemas VRF e MHZ são multisystem, ou seja, os sistemas completos contém uma ou várias unidades condensadoras e evaporadoras. Assim, as importações das unidades, no caso desses sistemas, não podem ser tratados como sistemas completos, mas como partes. E, nesse, sentido, explicam as Nesh, para tais mercadorias: Subposição 8415.90 (Incluída pela IN RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010) Esta subposição compreende, quando apresentadas separadamente, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem da subposição 8415.10. Essas unidades são concebidas para ser conectadas entre si por fios elétricos e tubos de cobre pelos quais o fluido frigorígeno circula entre as unidades internas e externas. A partir da vigência da Resolução Camex 69, de 20/09/2011, existem códigos específicos para as partes de que se trata: Portanto, a classificação correta para evaporadoras e condensadores de sistemas de arcondicionado multisplit, com Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 408 15 capacidade individual inferior 30.000 frigorias/hora, tais como os sistemas VRF e MXZ, apresentados separadamente, são as posições 8415.90.00, até a vigência da Resolução Camex 69, de 20/09/2011, e 8415.90.10 e 8415.90.20, respectivamente, após a vigência da referida Resolução." Ainda, é de se entender como correta a decisão recorrida quando consigna: "Consultando o catálogo técnico do produto e a própria impugnação, percebese claramente que os equipamentos importados são configurados para serem instalados em diversos cômodos como evaporadores, conectados a uma unidade condensadora externa. Dessa forma, eles preenchem exatamente a definição das NESH de partes de aparelhos de ar condicionado do tipo SplitSystem. A leitura atenta das NESH revela que em nenhum momento estas definem o aparelho de ar condicionado SplitSystem como aquele que possui uma única unidade evaporadora interna. Pelo contrário, a definição é clara: Uma unidade condensadora externa conectada a várias unidades evaporadoras internas, conforme o número de cômodos. De fato, o elemento chave no conceito das NESH sobre ar condicionado SplitSystem não é o número de elementos evaporadores mas sim a expressão “(sistema com elementos separados)”." Com relação aos dois recentes laudos anexados ao processo pela Recorrente, perfilho o entendimento de que não possuem o condão de alterar a conclusão ora exposta, em especial, pelo fato de não adentrarem na classificação fiscal da mercadoria. Assim, entendo que a classificação fiscal da mercadoria adotada pela Fiscalização e confirmada em decisão de 1ª instância é correta, razão pela qual não merece provimento o Recurso Voluntário interposto. Com relação aos demais argumentos recursais, de igual modo, são improcedentes. Pugna a Recorrente pela aplicação do art. 100, incs. I e III e parágrafo único do Código Tributário Nacional, com vistas a exclusão (i) de penalidades,; (ii) da cobrança de juros de mora e (iii) da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Não trouxe a Recorrente nenhuma Solução de Consulta ou Solução de Divergência a demonstrar que a administração tributária aduaneira foi instada a se manifestar sobre a classificação para esse tipo de produto e que não havia uma posição oficial da instituição efetivamente pacificadora. O fato de existirem portarias, tais como, a Portaria Interministerial nº 364, de 24 de dezembro de 2007; Portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (“INMETRO”) n.º 007, de 04 de janeiro de 2011 e a Portaria Interministerial nº 8, de 22 de janeiro de 2014, as quais no entendimento da Recorrente explicitam existir uma distinção entre “SplitSystem” e “MultiSplit” ou “VRF”, compreendo que não se adequam para os fins de classificação fiscal de mercadorias, bem como não são instrumentos hábeis a lastrear a aplicação do contido no parágrafo único do art. 100 do CTN. É acertada a decisão recorrida quando consigna: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 409 16 "Inaplicável o art. 100 do CTN ao caso em tela. Primeiramente, pois as normas administrativas citadas (Portarias Interministeriais e Portarias do INMETRO) em nenhum momento contradizem a conceituação de ar condicionado Split System das NESH. Mesmo que o fizessem, não teriam validade para fins de classificação fiscal pois esta é determinada legalmente pelos textos da TEC e pelas NESH. Em segundo lugar, o desembaraço aduaneiro não gera homologação da classificação fiscal. O fato de o despacho ocorrer sem restrições não impede a apuração de sua regularidade pela fiscalização. A fiscalização não se pode presumir infalível, motivo pelo qual existe o instituto da Revisão Aduaneira previsto no art. 54 do Decretolei nº 37/66 e regulamentada pelo art. 638 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09): “Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei.” “Art. 638. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.” (grifo meu) Portanto, uma vez submetidos os produtos importados à conferência aduaneira e desembaraçados sem exigência fiscal, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro." Para que se pudesse aplicar o contido no art. 100 do CTN, deveria a Recorrente ter trazido aos autos a existência de ato normativo de caráter geral emitido pela Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 410 17 administração pública contemplando o código NCM adotado, o qual entende como correto, ou soluções de consulta da Receita Federal, indicando como correto o código NCM utilizado e, ainda, alguma decisão administrativa em contencioso fiscal da Recorrente no mesmo sentido. Desse contexto, penso que não se pode inferir plausível o pedido recursal. Esse quadro, conduz a conclusão de que não se está diante de uma situação que se enquadra nas hipóteses previstas nos incisos I e III e do parágrafo único do artigo 100 do CTN, razão pela qual é de se concluir pela improcedência do pedido. A multa de 75% do valor dos tributos devidos pela falta de pagamento de tributos incidentes na importação em razão da adoção de NCM incorreta e a multa de 1% sobre o valor das operações de importações em razão da adoção de NCM incorreta, encontram amparo legal e por isso devem ser mantidas. A falta ou insuficiência de recolhimento espontâneo de tributo pelo sujeito passivo é ato ilícito por omissão, o qual constitui hipótese de incidência da norma legal punitiva, com a aplicação da multas cabíveis Com efeito, para a caracterização da infração punível com a multa de ofício de 75%, basta que reste demonstrado a ausência de recolhimento espontâneo dos tributos devidos pelo sujeito passivo. A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração sancionada com a multa de 1% do valor aduaneiro. No caso, o agente administrativo está meramente aplicando as penalidades descritas na legislação como adequadas e suficientes para a situação concreta retratada nos autos, não havendo motivação para afastála. Assim, entendo que em decorrência do equívoco cometido pela Recorrente devem ser mantidas em sua integralidade. Neste sentido é a jurisprudência deste colegiado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 18/02/2004 (...) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. MULTA DE OFÍCIO. PARECER COSIT 477/88. REVOGADO. ADI SRF nº 13/2002. O Parecer COSIT nº 477/88 deixou de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de ofício 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exigese a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Neste processo, sobre a referida diferença de II apurada em face das declarações Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 411 18 equivocadas, sem dolo, devese aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11128.008696/200868; Acórdão nº 3201 004.062; Relator Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo; sessão de 25/07/2018) "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 10/03/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Manutenção da multa de ofício de 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exigese a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Sobre a referida diferença de II apurada em face da reclassificação tarifária, sem dolo, devese aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, notadamente quando a característica essencial à classificação se encontra declarada na DI." (Processo nº 11128.006258/200784; Acórdão nº 3201004.182; Relator Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo; sessão de 29/08/2018) "Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 412 19 Data do fato gerador: 13/06/2000, 27/09/2000, 28/09/2000, 18/10/2000, 08/11/2000, 28/11/2000, 13/12/2000, 11/01/2001, 20/03/2001, 13/06/2001 II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ADUANEIRA. A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplicase ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria.Recurso voluntário negado." (Processo 10508.000118/200412; Acórdão 3202001.400; Relator Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 12/11/2014) "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 16/06/2003 a 11/08/2004 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Comprovado o equívoco na classificação fiscal da mercadoria, é exigível o Imposto de Importação, juntamente com os acréscimos legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINS Importação. CERTIFICADO DE ORIGEM. São desqualificados os certificados de origem obtidos com indicação de errônea classificação fiscal, cuja alteração (da classificação) implique concomitantemente em modificação do requisito de origem. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. INAPLICABILIDADE. Aplicase a multa por falta e Licença de Importação nas importações, em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158 Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11128.725765/201521 Acórdão n.º 3201005.281 S3C2T1 Fl. 413 20 35/2001. Recurso voluntário negado." (Processo 11444.000314/200875; Acórdão 3202000.518; Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 27/06/2012) Com relação ao alegado efeito confiscatório das penalidades, o afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. Sobre a ilegalidade da incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício, a recente Súmula CARF nº 108 pacificou a questão no âmbito administrativo. Aludida Súmula possui a seguinte redação: "Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Novamente, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, resta resolvida a matéria. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 413DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.001092/00-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 14/07/1999 a 20/03/2000
Ementa:
LANÇAMENTO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONTENCIOSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ENQUADRAMENTO EM CÓDIGO NOVO. IMPORTADOR. INFRAÇÃO POR CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA. IMPUTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para exclusão ou relevação da pena de multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos em que a contribuinte classifica incorretamente o produto, mesmo que o enquadramento determinado pela Fiscalização Federal no auto de infração revele-se igualmente indevido.
Se a autuação expõe os fundamentos para rejeição da classificação escolhida pelo importador e a ele foi concedido direito a ampla defesa, também não há que se falar em vício na formalização da exigência.
Numero da decisão: 9303-008.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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CONTENCIOSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ENQUADRAMENTO EM CÓDIGO NOVO. IMPORTADOR. INFRAÇÃO POR CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA. IMPUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para exclusão ou relevação da pena de multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos em que a contribuinte classifica incorretamente o produto, mesmo que o enquadramento determinado pela Fiscalização Federal no auto de infração revelese igualmente indevido. Se a autuação expõe os fundamentos para rejeição da classificação escolhida pelo importador e a ele foi concedido direito a ampla defesa, também não há que se falar em vício na formalização da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 10 92 /0 0- 12 Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 3 2 Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, interposto pela Fazenda Nacional, tempestivamente,. ao amparo dos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009, em face do acórdão nº 3102000.946, que traz a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 14/07/1999 a 20/03/2000 Ementa: Produto Denominado Comercialmente “Atmer 163”. Enquadramento Tarifário. O produto químico denominado comercialmente “Atmer 163”, identificado O produto comercialmente denominado Atmer 163, um antiestático para redução do ciclo de injeção do processo produtivo de polipropeno, constituído por uma mistura de alquil dietanolamina, sem constituição química definida, deve ser classificado no código NCM/SH 3824.90.39. RGI 1, RGI 6, RGC1 e Nota 1 do Capítulo 29. Recurso Voluntário Provido. No especial obstaculizado, a recorrente insurgiuse contra o entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente à classificação fiscal do produto importado. Em relação a tal matéria, traz os seguintes paradigmas, cujas respectivas ementas, idênticas, são transcritas a seguir: Acórdãos n's 30334.948 e 30334.949 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CAPITULO 29 DA TIP" O capitulo 29 da TIPI destinase aos produtos de constituição química definida, apresentado isoladamente, ainda que contenham impurezas, ou em soluções aquosas. ATMER 163. Apesar de ser classificado quimicamente como pertencente et função aminoálcool, não é unia substância de constituição definida, pois se trata de uma mistura de aminoálcoois. podendo conter isômeros e homólogos. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 4 3 Do juízo de admissibilidade, o Presidente da 1ª Câmara da 3º Seção de Julgamento do CARF, deu seguimento ao Recurso, ás (efls. 730 731). Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões (efls. 734 740), pugna para que decisão recorrida seja mantida por seus próprios fundamentos. No essencial é o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, a 1º Câmara da 2º Turma Ordinária da 3º Seção, deu provimento ao Recurso Voluntário por entender que uma terceira classificação fiscal, diversa da apontada pela Autoridade Fiscal e pelo Contribuinte, não há como manter a exigência fiscal, nem muito menos inovar na autuação e determinar a manutenção da exigência com base nesse novo código tarifário, sob pena de se violar os comandos inseridos no art. 9º17 e no parágrafo 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Inferese da leitura dos dispositivos, assiste razão a Contribuinte, a instância de origem nada mais fez do que promover uma alteração na fundamentação do ato administrativo (lançamento), visto que o motivo de fato do qual resultou a exigência da penalidade foi que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estava errada porque correta era a indicada pela fiscalização. No que tange essa matéria, adoto como razões de decidir o processo nº 10715.002642/200482, acórdão nº 9303008.194, de minha relatoria, que passa a fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "Com efeito, para melhor elucidar o feito, faço algumas considerações quanto ao Instituto de Classificação Fiscal de Mercadoria. Em que pese a Classificação fiscal de mercadorias sempre ter sido importante nos processos de importação, os Contribuintes só começaram a se preocupar a partir da publicação da Medida Provisória 215835 de 24/08/2010. A referida Medida Provisória MP, estabeleceu multa de 1% ou o valor mínimo de R$ 500,00 quando a aplicação do percentual resultar valor inferior, sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM, nas nomenclaturas complementares ou nas mercadorias quantificadas incorretamente na medida estatística definida pelo governo para as mercadorias. Posteriormente foi publicada a Lei 10.833/2003, a qual amplia o rigor em relação as mercadorias, exigindo corretamente a descrição das mercadorias, não aceitando mais descrições genéricas, como se via anteriormente, chegando a se descrever Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 5 4 uma mercadoria em uma Declaração de Importação simplesmente com o número de referencia do fabricante. Reclamações eram exaradas por despachantes aduaneiros, empresários e advogados, alegando tratarse de uma medida injusta, já que muitas vezes o erro ocasionava até o pagamento de valor a maior do imposto, o que não justificaria a aplicação de uma penalidade. Sem embargo, o Governo Federal utiliza a NCM (Nomenclatura Comum do MERCOSUL) com objetivo de fazer um acompanhamento estatístico dos produtos importados, visando elaborar uma política mais justa e real para a pauta de produtos importados e ainda proteger a indústria nacional. Tal controle e acompanhamento perdem totalmente a eficácia na hipótese de informar classificação tarifária equivocada, propositalmente ou não. Por isso, a exigência de se indicar a correta Classificação nas importações. Outro controle que fica comprometido na hipótese de erro na classificação fiscal, é o controle do valor aduaneiro, base de cálculo para os impostos incidentes nas importações. Mercadoria com classificação equivocada leva a erro o Siscomex, que não encaminha para Canal Cinza DI’s com mercadorias que deveriam se submeter a tal controle. Alguns Contribuintes, não todos, tentam elaborar um planejamento tributário equivocado alterando a classificação fiscal das mercadorias correta, para outra que apresenta alíquotas menores nos impostos, principalmente no Imposto de Importação e IPI , os quais são impostos seletivos e variam de NCM para NCM. Quando isso ocorre os tributos diminuem, o importador supostamente passa a obter uma falsa economia, como bom Brasileiro, vende seu produto mais barato, em detrimento dos concorrentes que operam de modo correto. Caso haja reclassificação fiscal, de onde poderá o importador obter recursos para arcar com sua irresponsabilidade, evidentemente ele responde por todas as receitas, e os processos aqui acabam, gerando um passivo e estoque de processo para julgamento infindável. Portanto, recomendase agir nos termos da lei. DISCIPLINA JURÍDICA DA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSULNCM. Necessário se faz, trazer breves considerações acerca da disciplina jurídica da NCM. A classificação fiscal dos produtos industrializados tem como princípio basilar o denominado Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, que, em síntese , Fl. 746DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 6 5 representa o grande acordo entre as nações para a criação de uma nomenclatura de mercadorias de cunho universal e harmônico. O objetivo primeiro do Sistema Harmonizado é tornar o comércio internacional mais fácil e ágil, vez que referido sistema criou uma linguagem única para identificar as mais diversas mercadorias. Nem sempre as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição são suficientes para orientar e dirigir a classificação de um determinado objeto mercadológico para a posição que deve obrigálo. Isso ocorre principalmente com objetos químicos e com as máquinas em geral, dando a impressão que o Sistema Harmonizado tem deficiências que comprometam sua utilização. Visando minimizar essa problemática, o Sistema Harmonizado dispõe de um grupo de observações de fundamentação eminentemente tecnológica, que esclarece certos aspectos de todas as suas posições. Tais observações são reunidas sob o título de Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (Nesh), que constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das notas de Seção, capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. As Nesh foram introduzidas no ordenamento jurídico nacional por meio do Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992, sofrendo constantes atualizações, em que a Receita Federal do Brasil dá publicidade na forma de Instrução Normativa nº697/07, (alterações) devidamente publicada no DOU. PRINCÍPIOS JURÍDICOS INTRODUTÓRIOS DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIASNCM A Classificação de Mercadorias tem, pelo menos, cinco princípios, conforme se verifica a seguir: 1°) Princípio da Equivalência Conceitual: “mercadoria, produto e bem são termos que expressam o mesmo conceito, não tendo sentido fazer qualquer distinção entre os mesmos”; 2°) Princípio da Plena Identificação da Mercadoria: “a mercadoria a ser classificada deverá se apresentar desvendada, ou seja, conhecida naquelas características, propriedades e funções necessárias à sua classificação”; 3°) Princípio da Hierarquia: “merceologia é parte integrante da Classificação de Mercadorias; 4°) Princípio da Unicidade da Classificação: “numa nomenclatura de mercadorias e dentro do universo dos possíveis códigos para abarcar uma mercadoria específica, não pode a mesma ser classificada em dois ou mais códigos”; Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 7 6 5°) Princípio da Distinção das Mercadorias: “as mercadorias não devem ser distinguidas por critérios diferentes daquelas características que as fazem próprias”. Além dos princípios elencados, a classificação de qualquer mercadoria é guiada também por 6 ( seis) Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI). (6 RGI/SH), bem como, na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras disciplinadas pela Resolução Camex n° 42, de 2001, e pela Instrução Normativa IN SRF n° 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). Deste modo, a classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Retornando a lide, vêse que a instância de origem entendeu incorreta a classificação fiscal apontada pela fiscalização, razão pela qual exonerou o imposto de importação e seus consectários legais, porém, como também considerou incorreta a utilizada pelo importador, manteve a multa prevista no art. 84, I, da MP n.º 2.15835, de 2001. Por sua vez, a DRJ decidiu em manter a exigência da penalidade, com fundamento diverso daquele registrado no campo “Descrição dos Fatos” do auto de infração. Contudo, a Autoridade Fiscal alegou que a classificação fiscal correta do produto importado seria 3809.91.90 (“preparação química à base de poliéster do ácido tereftálico, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil”), com base em que promoveu a cobrança do II, acrescido de multa e juros, e da penalidade por erro de classificação fiscal. Não sendo correta a classificação fiscal utilizada pela fiscalização para proceder ao lançamento, não poderia a instância de origem, considerando correta uma terceira classificação, manter a penalidade isolada, pois esse fato caracteriza em reclassificação fiscal, cerceando o direito da Contribuinte, uma vez que não houve elementos para contraditar em sua manifestação sobre uma terceira classificação fiscal. Esta E. Câmara Superior, julga conflitos jurisprudenciais, no caso em espécie, inferese da leitura dos dispositivos supramencionados, que assiste razão a Contribuinte, a instância de origem nada mais fez do que promover uma alteração na fundamentação do ato administrativo (lançamento), visto que o motivo de fato do qual resultou a exigência da penalidade foi que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estava errada porque correta era a indicada pela fiscalização. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 8 7 Portanto, nítida a violação do artigo 146 do CTN, a seguir transcrito: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Esse dispositivo, fundado na segurança jurídica, proíbe a aplicação de novo critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Sobre o tema, trago à colação ensinamento de Leandro Paulsen e Luciano Amaro, respectivamente: "O art. 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. (In Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 1049) Parece evidente que o dispositivo procura traduzir norma de proteção do sujeito passivo. Quem aplica critério jurídico de lançamento é a autoridade (já que se trata de atividade que é dela privativa). A autoridade, portanto, é que está impedida de aplicar novo critério em lançamentos relativos a fatos geradores já ocorridos antes de sua introdução. Nessa ordem de idéias, o preceito só cabe nos casos em que o novo critério jurídico beneficia o Fisco, restando proibida, nessa hipótese, sua aplicação em relação ao passado. A vedação se reporta “a um mesmo sujeito passivo” (e atémse a fatos geradores ocorridos antes da introdução do novo critério, o que significa que todas as obrigações tributárias já nascidas (em face da ocorrência do seu pressuposto de fato) terão de ser lançados de acordo com o critério jurídico (mais favorável) que o Fisco já tiver adotado em lançamento anteriormente realizado, em relação a cada sujeito passivo, o que implica reconhecer no preceito um direito subjetivo invocável contra o Fisco por quem, figurando como sujeito passivo em certo lançamento, efetuado de acordo com determinado critério jurídico, tem o direito de não ver inovado esse critério (em futuros lançamentos), a não ser em relação a fatos geradores ocorridos após a introdução do novo critério". (In Direito tributário brasileiro. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 379). O dispositivo supra, trata, mais do que a mera inalterabilidade do lançamento por mudança de critério jurídico, determina a inalterabilidade do critério a todos os fatos geradores já Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 9 8 ocorridos, mesmo quando ainda estejam na pendência de lançamento, como leciona Luciano Amaro (p. 377378). Destaco: "O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base em novos critérios jurídicos; é a aplicação desses novos critérios a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não necessariamente terão sido objeto de lançamento ). Se, quanto ao fato gerador de ontem, a autoridade não pode, hoje, aplicar critério jurídico (diferente do que, no passado, tenha aplicado em relação a outros fatos geradores atinentes ao mesmo sujeito passivo), a questão não se refere (ou não se resume) à revisão de lançamento (velho, mas abarca a consecução de lançamento (novo). É claro que, não podendo o novo critério ser aplicado para lançamento novo com base em fato gerador ocorrido antes da introdução do critério, com maior razão este também não poderá ser aplicado para rever lançamento velho. Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança de critério não seria apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores passados. O motivo da introdução do novo critério (a par da iniciativa de ofício da autoridade) pode ser uma decisão (administrativa ou judicial), contida num processo que, obviamente, se refere a fato gerador pretérito. Se o critério introduzido é aplicável só para fatos geradores futuros, é evidente que ele não terá sido o critério aceito como legítimo para o lançamento objeto do processo, cuja decisão porém, teria provocado a autoridade a introduzir o novo critério.” (In Direito tributário brasileiro. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 377378) Da leitura dos autos, firmo meu entendimento pessoal que houve alteração de critério jurídico, com violação ao 146 do Código Tributário Nacional CTN. Contudo, para resolução do conflito jurisprudencial posto a julgamento nesta E. Câmara Superior, adoto como razões de decidir (mérito) a decisão recorrida, por seus próprios fundamentos, que passa fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "Notese,inicialmente, que o fundamento utilizado pela DRJ para manter a exigência da penalidade isolada é diverso daquele registrado no campo “Descrição dos Fatos” do auto de infração. Com efeito, a fiscalização alegou que a classificação fiscal correta do produto importado seria 3809.91.90 (“preparação química à base de poliéster do ácido tereftálico, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil”), com base em que promoveu a cobrança do II, acrescido de multa e juros, e da penalidade por erro de classificação fiscal. Não sendo correta a classificação fiscal utilizada pela fiscalização para proceder ao lançamento, não poderia a instância de origem, considerando correta uma terceira Fl. 750DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 10 9 classificação, manter a penalidade isolada, pois esse fato caracteriza cerceamento ao direito de defesa, uma vez que à Recorrente não se conferiu oportunidade de se pronunciar, em sua impugnação, sobre esta terceira classificação fiscal. Abraçando esse entendimento, transcrevese a seguinte ementa de decisão do CARF: FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fático jurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. (CARF/Segunda Seção/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 2401002.593, de 14/08/2012). Assim, a instância de origem nada mais fez do que promover uma alteração na fundamentação do ato administrativo (lançamento), visto que o motivo de fato do qual resultou a exigência da penalidade foi que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estava errada porque correta era a indicada pela fiscalização. Configurado prejuízo ao direito de defesa, é de se declarar nula decisão proferida pela DRJ, com fulcro no art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza" Dispositivo. Ante o exposto, conheço do Recurso interposto, e negolhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 751DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redador designado Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém divirjo de suas conclusões a respeito do afastamento da multa por classificação fiscal incorreta. Esclareço que na sessão de julgamento de 14/03/2018, este colegiado proferiu o acórdão nº 9303006474, de minha relatoria, no qual decidimos esta mesma matéria. Portanto, com fundamento no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, transcrevo abaixo aquele voto e o adoto como fundamento de decidir. (...) Os autos dão conta de que a decisão de primeira instância manteve a autuação apenas na fração correspondente à multa por erro de classificação fiscal, prevista no art. 84 da MP n.° 215835/2001, no percentual de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria importada. A decisão recorrida, por seu turno, exonerou também essa multa. É contra essa exoneração que a Fazenda recorre. As demais penalidades originalmente impostas, assim como a diferença de tributos foram consideradas improcedentes pela DRJ. Uma vez que o Fisco tenha classificado incorretamente a mercadoria no auto de infração, ainda que incontroverso o erro de mesma natureza cometido pelo importador, todas as exigências escoradas na NCM indicada no auto foram consideradas insubsistentes. Até aí, nenhuma novidade. A jurisprudência administrativa é quase uníssona em relação aos efeitos da decisão que, no seu bojo, rejeita a classificação escolhida pela Fiscalização. Quando se chega a essa conclusão, a exigência é considerada improcedente como um todo, ainda que a classificação adotada pela contribuinte também esteja equivocada. De fato, para a NCM que emerge do julgamento há circunstâncias desconhecidas: outra alíquota (talvez ad valorem, talvez específica), outro tratamento administrativo, necessidade de novos esclarecimento técnicos sobre o produto etc. A adequação a essas novas circunstâncias exigiria que todo o procedimento fiscal fosse revisto, o que equivaleria a um novo lançamento, medida que, como se sabe, não foi contemplada pela legislação tributária. Por essa razão, inevitavelmente, a pretensão veiculada nos autos termina sendo abandonada. Contudo, essa máxima não pode ser instantaneamente aplicada quando o assunto envolve a multa decorrente do erro de classificação fiscal em si. Diferentemente da exigência vinculada à diferença de tributos, à multa por declaração inexata/falta de pagamento e à multa por infração ao controle administrativo das importações, todas associadas e dependentes do tratamento tarifário concedido a determinada NCM, a infração por erro de classificação não é afetada quando o enquadramento escolhido pelo Fisco também se revela Fl. 752DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 12 11 equivocado. Tratase de uma infração dissociada de quaisquer exigências e particularidades tributárias e/ou administrativas a que se subsumem as operações com mercadorias classificadas em determinado código tarifário. Noutro giro, releva também destacar que a infração de que aqui se trata, tal como tipificada no art. 84 da MP n.° 215835/2001, não comporta controvérsia em face dos efeitos do ato de que resulta ou de outros aspectos com viés subjetivo. Com a devida vênia aos que pensam de forma diferente, não vejo propósito na discussão travada nos autos acerca da intenção do agente, da extensão dos efeitos do ato ou da presença ou não da máfé comprovada ou demonstrada nos atos praticados pelo infrator. A infração por erro de classificação fiscal, tal como é próprio das infrações de natureza tributária, é objetiva. Como se sabe, à presença do elemento volitivo nos atos infracionais são atribuídas consequências próprias. Via de regra, o dolo dá ensejo ao agravamento da multa exigida; não está associado à circunstância material da infração. Com base nessas premissas, afastase, desde logo, a interpretação que sugere a exclusão da pena perante a ausência de intenção do agente ou de efeitos lesivos do ato. Do ponto de vista estritamente legal, quaisquer destas circunstâncias carecem de conteúdo normativo que lhes conceda efeito jurídico. Conforme disposto na norma legal infracional, a materialidade da infração encontrase na conduta; no erro de classificação fiscal. A priori, uma vez que isso ocorra, nenhuma das circunstâncias acima descritas tem o condão de relevar a pena que decorre do ato de classificar indevidamente a mercadoria. E esse pressuposto aplicase, igualmente, às situações nas quais a classificação escolhida pelo Fisco revelase equivocada. A norma geral e abstrata se materializa na ação do contribuinte que classifica indevidamente a mercadoria. Não há pena prevista para o Erário nem mitigação decorrente de uma escolha também indevida. Tampouco há disposição normativa que exclua a penalidade em face de tal ocorrência. Isto posto, resta examinar a possibilidade de que a imprecisão de que se trata resulte em prejuízo da integridade do auto de infração em si. Ao indicar classificação tarifária equivocada, é possível que a acusação padeça de uma precariedade insuperável na fundamentação que lhe é exigida, do que resultaria todo o procedimento eivado de vício material. A esse respeito, encontrase à efolha 12, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração, a explicação da Autoridade autuante para desclassificação da mercadoria importada. (...) O caso dos autos é exemplar. A toda evidência, há razões suficientes e autônomas para que se chegue à conclusão de que o importador incorreu em erro na escolha da classificação tarifária da mercadoria. Tratase de uma decisão que encerra em si mesma sua motivação, independe da classificação escolhida pelo Fisco. Ainda que esta seja incorreta, as razões e os fundamentos que levaram à rejeição da classificação escolhida pelo importador subsistirão e foram satisfatoriamente explicitadas no auto. Ao administrado foi concedido o direito de contraditálas. E que se diga que, de fato, a simples escolha de determinada classificação tarifária em detrimento de outra tem relevante potencial lesivo e pode ser evitada à luz de elementos de convicção relativamente superficiais. Isso pode ser observado, Fl. 753DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 13 12 com alguma frequência, no caso de importação de mercadorias passíveis de serem classificadas no conhecido Capítulo 29 da TEC. Vejase o exemplo a seguir. No ano de 2001, por meio da Resolução Camex nº 42/20011, a Câmara de Comércio Exterior, supostamente por razões de cunho econômico, decidiu reduzir a zero a alíquota do imposto de importação incidente sobre cerca de 360 (trezentos e sessenta) códigos tarifários compreendidos no Capítulo 29. Investigar a regularidade na escolha desse capítulo, normalmente, não exige mais do que uma informação elementar acerca da composição química da mercadoria: se tratase de um composto de constituição química definida ou não. Já classificar com precisão um produto químico pode demandar demoradas pesquisas bibliográficas e exames laboratoriais. Isso significa que a simples constatação de erro na opção pelo Capítulo 29, independentemente da classificação tarifária a que o produto deveria ser submetido, garante ao Fisco a condição de coibir a opção do administrado por enquadramento com tratamento tarifário beneficiado, ao qual ele sabia ou deveria saber que não tinha direito. Assim, considerando todo o exposto, não vislumbro nenhum argumento que conduza à decisão de excluir a pena imposta à contribuinte; seja em face das alegações associadas à ausência de qualificação do ato, dos efeitos dele decorrentes, da falta de fundamentação ou mesmo da preterição ao direito de defesa. A contestação, a meu ver, carece de motivação real e de base legal. 1 RESOLUÇÃO CAMEX Nº 42, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2001 DOU 29/12/2001 O PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3º do art. 6º do Decreto no 3.981, de 24 de outubro de 2001, e tendo em vista as Decisões nos 67/00 e 06/01, do Conselho do Mercado Comum (CMC), e Resoluções nos 11/01, 12/01, 29/01, 30/01, 32/01, 45/01, 46/01, 48/01 e 57/01, do Grupo Mercado Comum (GMC), do MERCOSUL, e as emendas à Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, RESOLVE, ad referendum da Câmara: (...) Art. 3º Ficam reduzidas a zero por cento, até 31 de agosto de 2002, as alíquotas do Imposto de Importação das mercadorias descritas nos códigos relacionados no Anexo V a esta Resolução, gravados na TEC com o símbolo “§”. (Prorrogada pelo art. 1º da Resolução Camex nº 08, DOU 31/03/2003) (Prorrogada pelo art. 1º da Resolução Camex nº 19, DOU 01/07/2003) (...) Fl. 754DF CARF MF Processo nº 11050.001092/0012 Acórdão n.º 9303008.113 CSRFT3 Fl. 14 13 (...) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 755DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.004863/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 26/08/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TINUVIN 292. POSIÇÃO 3812.30.29.
O produto TINUVIN 292, identificado como "Mistura de reação constituída de Sebacato de bis-(1, 2, 2, 6, 6, - Pentamentil-4-Pipetidila) e Sebacato de Metil-(1, 2, 2, 6, 6, - Pentamentil-4-Pipetidila)", outro estabilizador composto para plástico, classifica-se no código (NCM) 3812.30.29.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A aplicabilidade da taxa SELIC sobre débitos fiscais está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula CARF nº 4.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2.
A caracterização da multa como confiscatória implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF n° 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-006.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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TINUVIN 292. POSIÇÃO 3812.30.29. O produto “TINUVIN 292”, identificado como "Mistura de reação constituída de Sebacato de bis-(1, 2, 2, 6, 6, - Pentamentil-4-Pipetidila) e Sebacato de Metil-(1, 2, 2, 6, 6, - Pentamentil-4-Pipetidila)", outro estabilizador composto para plástico, classifica-se no código (NCM) 3812.30.29. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A aplicabilidade da taxa SELIC sobre débitos fiscais está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula CARF nº 4. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A caracterização da multa como confiscatória implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF n° 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 48 63 /2 00 5- 59 Fl. 295DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.962 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.004863/2005-59 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 13/07/2005, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora e multa proporcional, além multa do controle administrativo no valor de R$ 243.001,95, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação N. 02/1084703-9, de 06/12/2002, os seguintes produtos: TINUVIN 292 (adição 002) recebendo classificação fiscal no código NCM 2933.39.99 com incidência das alíquotas de 0%(nihil) para o Imposto de Importação e 0%(nihil) para o Imposto sobre Produtos Industrializados; IRGAMET 30 (adição 003) recebendo classificação fiscal no código NCM 2933.99.99 com incidência das alíquotas de 0%(nihil) para o Imposto de Importação e 0%(nihil) para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Foram elaborados a pedido da fiscalização os laudos de assistência técnica 0718.03 e 0718.04. O produto declarado na adição 002 - item 002, analisado pelo laudo de assistência técnica 0718.03, foi identificado como "Mistura de reação constituída de 71% de Sebacato de bis-(1,2,2,6,6,-Pentamentil-4-Pipetidila) e 29% Sebacato de Meti l-(1,2,2,6,6,-Pentamentil-4-Pipetidila)", um outro estabilizador composto para plástico, com classificação fiscal no código NCM 3812.30.29, com incidência das alíquotas de 15,5% para o Imposto de Importação e 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; O produto declarado na adição 003, analisado pelo laudo de assistência técnica 0718.04, foi identificado como "N'N — bis (2-Etil-Hexil)-1H-1,2,4-Triazol-l- Metanamina, outro composto cuja estrutura contém ciclo Triazol, composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de nitrogênio, com classificação fiscal no código NCM 2933.99.69, com incidência das alíquotas de 2% para o Imposto de Importação e 0%(nihil) para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento - AR, em 02/08/2005, (f1s.39-verso), o contribuinte, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 31/08/2005, de fls. 42 à 49, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • A fiscalização efetuou ou enquadramento do produto TINUVIN 292, no capítulo 38, definindo-o como preparação, conclusão que em nenhum de momento é afirmada no laudo de assistência técnica; • Os subprodutos encontrados pela FUCAMP são resultantes de matérias iniciais não convertidas e homólogos do produto principal, já que as matérias não são 100% puras. Os referidos subprodutos não são deliberadamente deixados no produto Fl. 296DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.962 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.004863/2005-59 final para torná-lo particularmente apto para usos específicos, e sim por limitações no processo de produção; • São elementos que corroboram para a classificação fiscal do produto TINUVIN 292 no código NCM 2933.39.99: O componente principal é o Sebacato de bis-(1,2,2,6,6,-Pentamentil-4-Pipetidila), aproximadamente 70%; Quando da reação de seus componentes químicos, tem uma taxa de conversão de 97%, gerando o componente principal, o secundário e seus homólogos; Ao final da reação, não é promovida nenhuma etapa adicional para a separação do componente secundário e homólogos gerados, já que possuem a mesma propriedade, além do que isso iria encarecer o processo; A posição 2933.3 da NCM refere-se a "Compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não) não condensado". • Ao apontar a classificação fiscal do TINUVIN 292 no código NCM 3812.30.29, não fundamentou em nenhuma Regra Geral do Sistema Harmonizado, estando o auto de infração eivado de legalidade; • Pleiteia a aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional; • Inaplicável a multa prevista no artigo 84,I da Medida Provisória N. 2158/01 dada a descrição correta do produto, não agindo nem com dolo ou má fé; Como bem apontado pela decisão de piso, a classificação fiscal do produto IRGAMET 30 não foi contestada A 1ª Turma da DRJ/SP2, acórdão n° 17-35.037, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/08/2002 Importação dos seguintes produtos: TINUVIN 292 e IRGAMET 30 TINUVIN 292 foi identificado como "Mistura de reação constituída de Sebacato de bis- (1,2,2,6,6,-Pentamentil-4-Pipetidila) e Sebacato de Metil-(1,2,2,6,6,- Pentamentil-4-Pipetidila)", um outro estabilizador composto para plástico, com classificação fiscal no código NCM 3812.30.29. IRGAMET 30 foi identificado como "N'N - bis (2-Etil-Hexil)-1H-1,2,4- Triazol-1-Metanamina, outro composto cuja estrutura contém ciclo Triazol, composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de nitrogênio, com classificação fiscal no código NCM 2933.99.69. A classificação fiscal do produto IRGAMET 30 não foi contestada. A classificação fiscal reclamada pela fiscalização para o produto TINUVIN 292 se mostra a adequada segundo o resultado do laudo de assistência técnica e a Regra 1 da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Em recurso voluntário, a empresa ataca as premissas da decisão recorrida e ratifica os argumentos de sua impugnação. Ao final, requer o cancelamento da autuação de IPI e Imposto de Importação; o afastamento das multas aplicadas e a invalidade da Taxa SELIC como índice de correção do crédito. Fl. 297DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.962 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.004863/2005-59 A Recorrente juntou aos autos em 24 de setembro, petição com Laudo Técnico produzido no curso de ação anulatória n° 0010021-98.2014.4.03.61.19. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Petição de 24 de setembro A Recorrente juntou aos autos em 24 de setembro, petição com Laudo Técnico produzido no curso de ação anulatória n° 0010021-98.2014.4.03.61.19, apontando que: - O Laudo Técnico obtido pela BASF reconheceu que a classificação fiscal mais adequada ao TINUVIN é a NCM 2933.39.99. - O Laudo Pericial produzido nos autos do Processo Judicial nº 0010021- 98.2014.4.03.61.19, reconheceu que o TINUVIN 292 se trata de um composto de constituição química definida (não é uma mistura). - A Sentença proferida nos autos do Processo Judicial nº 0010021- 98.2014.4.03.61.19 cancelou a autuação por erro da RFB ao adotar a NCM 3812.30.29. Há a possibilidade de apresentação de novas provas pelo contribuinte após o protocolo da impugnação administrativa, flexibilizando a aplicação da regra prevista no §4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, em virtude do princípio da verdade material. Entretanto, entendo que o Laudo produzido na ação judicial não opera efeitos no presente processo administrativo, já que foi produzido unicamente em ação anulatória de auto de infração específico. Mérito A autuação decorreu de divergência de classificação fiscal do produto TINUVIN 292. A empresa classificou-o no NCM 2933.39.99. Por sua vez, a fiscalização entende que a classificação fiscal correta é o NCM 3812.30.29: 2933 — COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS EXCLUSIVAMENTE DE HETEROÁTOMO(S) DE NITROGÊNIO (AZOTO) Fl. 298DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.962 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.004863/2005-59 2933.3 — COMPOSTO CUJA ESTRUTURA CONTÉM UM CICLO PIRIDINA(HIDROGENADO OU NÃO) NÃO CONDENSADO 2933.39 — Outros 2933.39.9 — Outros 3812 — PREPARAÇÕES DENOMINADAS "ACELERADORES DE VULCANIZAÇÃO" PLASTIFICANTES COMPOSTOS PARA BORRACHA OU PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES; PREPARAÇÕES ANTIOXIDANTES E OUTROS ESTABILIZADORES COMPOSTOS, PARA BORRACHA OU PLÁSTICOS. 3812.30 - Preparações antioxidantes e outros estabilizadores compostos, para borracha ou plásticos. 3812.30.2 — Para plásticos. 3812.30.21 — Contendo derivados N-substituídos de p-fenilenodiamina. 3812.30.29 — Outros O código 3812.30.29 tem maior carga tributária, por isso a fiscalização constituiu por meio do auto de infração, a exigência de Imposto de Importação e IPI acrescidos de juros de mora e multa proporcional, além multa do controle administrativo. É sabido que a reclassificação fiscal exige análise técnica da natureza, composição e constituição do produto. Dessa forma, cabe à fiscalização o ônus da prova que sustente a nova classificação atribuída, afastando aquela empregada pelo contribuinte. O Laudo solicitado pela autoridade traz as seguintes conclusões: Por isso, a reclassificação foi para o item “outros estabilizadores para plásticos”. Correta como se observa da Norma RGI-SH n° 1 (38.12): Preparações denominadas "aceleradores de vulcanização"; plastificardes compostos para borracha ou plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições preparações antioxidantes -e outros estabilizem/ores compostos para borracha ou plásticos. Fl. 299DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.962 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.004863/2005-59 Com base na RGI n° 6, inclui-se o produto na subposição. 3812.30 da NCM - "Preparações antioxidantes e outros estabilizadores compostos, para borracha ou plásticos". Na subposição 3812.30 da NCM, há descrição para 3812.30.2 como: “Para plásticos". Por fim, por não existir descrição específica em nível de item o produto TINUVIN 292 classifica-se no código 3812.30.29 da NCM. "Outros". Nesse sentido, cito o acórdão n° 3102-00.683, Relator José Fernandes do Nascimento, que analisou a mesma mercadoria, do mesmo contribuinte: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/03/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DENOMINADO COMERCIALMENTE "TINUVIN 292". ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto denominado comercialmente "TINUVIN 292" é urna mistura de reação constituída de Sebacato de bis-(1, 2, 2, 6, 6, -Pentamentil-4-Pipetidila) e Sebacato de Metil-(1,2,2,6,6,-Pentamentil-4-Pipetidila), um outro estabilizador composto para plástico, classificado no código 3812.30.29 da NCM. DECLARAÇÃO INEXATA ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL, MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO). APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na NCM materializa a hipótese da inflação por declaração inexata, lixada no art. 44 da lei nº 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou má-fé do importador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA, MULTA DE 1% (UM POR CENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE. A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art., 84, 1, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Recurso Voluntário Negado. Então não logrou êxito a Recorrente em comprovar que classificou corretamente as mercadorias importadas. Logo, devem ser mantidas as cobranças dos tributos na importação, com as respectivas multas, bem como deve ser mantida a multa regulamentar do art. 84, I, MP 2158-35/01. Confiscatoriedade da multa aplicada A caracterização da multa como confisco implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2 Fl. 300DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.962 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.004863/2005-59 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Incidência de juros de mora sobre a multa Este tema também está pacificado no âmbito deste Conselho, objeto da Súmula CARF n° 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 301DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.725764/2015-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 03/09/2015
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA
O fato de a decisão recorrida ter apreciado a questão e decidido de forma contrária à pretensão do contribuinte e com argumentos dos quais discorda não caracteriza falta de motivação.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972.
UNIDADES EVAPORADORAS DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTI-SPLIT.
As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multi-split, para montagem embutida no teto, cassete round flow, apresentadas separadamente, são classificadas no código no código 8415.90.10 (evaporadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica.
MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 3201-005.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 374 1 373 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.725764/201586 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.280 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente DAIKIN MCQUAY AR CONDICIONADO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/09/2015 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA O fato de a decisão recorrida ter apreciado a questão e decidido de forma contrária à pretensão do contribuinte e com argumentos dos quais discorda não caracteriza falta de motivação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972. UNIDADES EVAPORADORAS DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTISPLIT. As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multisplit, para montagem embutida no teto, cassete round flow, apresentadas separadamente, são classificadas no código no código 8415.90.10 (evaporadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 57 64 /2 01 5- 86 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 375 2 de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Impugnação, o qual está consignado nos seguintes termos: "O importador, por meio da declaração de importação DI n° 15/15731652, de 03/09/2015 importou as mercadorias descritas na fl. 16 como unidades evaporadoras para sistema de ar Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 376 3 condicionado do tipo multisplit para montagem embutida no teto, cassete round flow, marca DAIKIN, classificando na NCM 8415.82.10, com alíquotas de 18% de II e 20% de IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 8415.90.10. Especificamente para os produtos do item 3 da adição 001, aplicase ainda o EX 01 da TIPI, com a alíquota de 35% de IPI. Baseouse a fiscalização nos catálogos técnicos dos produtos e nas Regras de Classificação do Sistema Harmonizado. Através do presente Auto de Infração, cobrouse a multa por erro na classificação fiscal de 1% do valor aduaneiro, além das diferenças de IPI e multas de ofício. Intimada do Auto de Infração em 10/12/2015 (fl. 84), a interessada apresentou impugnação e documentos em 05/01/2016, juntados às folhas 177 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por falta de fundamentação técnica. Alega que não foi solicitado laudo técnico para identificar a mercadoria. Alega que o ato administrativo carece de motivação nos termos do art. 2° da Lei n° 9.784/99. Alega que a reclassificação não foi motivada detalhadamente. Cita jurisprudência judicial sobre o tema. 2. Tece comentários sobre o Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias. Cita doutrina sobre o tema. Alega que, inexistindo classificação fiscal específica, deve ser aplicada a classificação fiscal residual. Alega que o conceito de “SplitSystem” está definido nas NESH da posição 8415. Alega que tal conceito determina a existência de apenas um único condensador e um único evaporador. Cita a Coletânea de Pareceres de Classificação da OMA publicada pela IN RFB n° 1.459/2014. Alega que os Pareceres de Classificação da OMA são vinculativos para a fiscalização nos termos do § único do art. 1° da mesma Instrução Normativa. Alega que os equipamentos por ela importados são do tipo “MultiSplit” e “VRF”, com diversas unidades condensadoras e variados tipos de unidades evaporadoras. Alega que os componentes do sistema “SplitSystem” não são compatíveis com os dos sistemas “MultiSplit” e “VRF”. Cita o Acórdão CARF n° 3403003.537 que segundo a impugnante reconheceria a diferença técnica entre os citados sistemas. Cita Portarias Interministeriais e Portarias do INMETRO que tratam dos sistemas “SplitSystem”, “MultiSplit” e “VRF”. Alega que a classificação fiscal da NCM 8415.90.10 referese apenas a unidades evaporadoras de aparelhos de arcondicionado do tipo “SplitSystem” com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora. Alega que o próprio relatório fiscal confirma que as unidades evaporadoras importadas são do tipo “MultiSplit”. Cita que essa também é a descrição constante da declaração de importação. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 377 4 3. Afirma que a classificação fiscal por ela adotada na importação está correta. Reafirma que o equipamento importado não seria classificado na subposição 8415.1 por não ser do tipo “SplitSystem”. Tampouco seria incluído na subposição 8415.2 por não ser destinada a automóveis. Restaria, segundo a impugnante, a subposição residual 8415.8. Afirma ainda que as unidades evaporadoras não seriam partes de aparelhos de arcondicionado na acepção da subposição 8415.9. Alega que a unidade evaporadora poderia ser classificada como o aparelho de arcondicionado completo pois a NCM 8415.83.00 descreve um aparelho de arcondicionado sem dispositivo de refrigeração. 4. Alega que as penalidades aplicadas deveriam ser excluídas em função do art. 100 do CTN. Afirma que as normas administrativas citadas conceituam o sistema “SplitSystem”, o qual não seria aplicado à importação em tela. Alega ainda que a fiscalização reiteradamente desembaraçou as mercadorias importadas pela impugnante em sua classificação fiscal, validando tacitamente a prática adotada. Cita jurisprudência do CARF sobre licença de importação substitutiva. Cita jurisprudência judicial sobre juros de mora, correção monetária e multa de mora. 5. Alega que não seria cabível a aplicação de duas multas sobre o mesmo fato pelo Princípio da Consunção/Absorção. Alega que as duas multas se baseiam na “adoção de NCM supostamente incorreta”. Alega que a multa por erro na classificação seria absorvida pela multa pelo não recolhimento de tributos. Cita jurisprudência do CARF sobre o tema. 6. Alega que a cumulação de multas no caso concreto equiparase à aplicação de multas de 125% ou 150%, caracterizando confisco. Cita jurisprudência judicial sobre multas confiscatórias. 7. Alega a ilegalidade da incidência da taxa SELIC sobre a multa. Cita o art. 61 da Lei n° 9.430/96. 8. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as questões preliminares ou, no mérito, que seja declarado improcedente o presente auto de infração. É o relatório." A Impugnação foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/09/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 378 5 A mercadorias importadas descritas comercialmente como unidades evaporadoras para sistema de ar condicionado do tipo multisplit para montagem embutida no teto, cassete round flow, marca DAIKIN, com as características expostas neste processo, encontram correta classificação fiscal na NCM 8415.90.10. Para as unidades com capacidade de resfriamento inferior a 7.500 frigorias/hora, aplicase ainda o EX 01 da TIPI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido " O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) em razão da suposta classificação incorreta de 85 unidades evaporadoras para sistemas de ar condicionado VRF (VRV) quando da importação destas por meio da Declaração de Importação (“DI”) n° 15/15731652 foi autuada para cobrança do IPI e multa regulamentar; (ii) há vários anos realiza a importação de unidades condensadoras para sistemas de ar condicionado do tipo MultiSplit / VRF (VRV) sob o código 8415.82.10 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (“NCM”); (iii) a decisão recorrida deve ser anulada por falta de motivação; (iv) a decisão é frágil em sua base conceitual em razão de utilizar conceitos obtidos na internet no site 'Wikipedia’; (v) o Auto de Infração é nulo por ausência de provas técnicas, em especial em relação ao processo de classificação de mercadorias; (vi) o agente fiscal efetuou um exame de subsunção equivocado do fato concreto (forma de utilização dos produtos importados) às Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (“RGI”); (vii) não há fundamentação técnica que ampare, enquanto motivação, o Auto de Infração, pois desprovido de laudo técnico que qualifique tecnicamente os produtos importados com vistas a sustentar a (incorreta) classificação fiscal; (viii) o dever de motivar os atos administrativos (gênero no qual se incluem os autos de infração) é tema incontroverso, dada a clareza da Lei nº 9.784/99 (lei do processo administrativo federal) e que a atividade administrativa de lançamento é estritamente vinculada, ex.vi. dos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; (ix) o Sistema Harmonizado foi concebido com base em códigos de seis dígitos, sendo dividido em capítulos (dois primeiros dígitos), posições (conjunto dos quatro primeiros dígitos) e subposições (conjunto dos seis primeiros dígitos). Aos países ou grupos econômicos, é facultada a criação de itens e subitens, conforme seu interesse; (x) a versão brasileira do Sistema Harmonizado, que recebeu o nome de NBM/SH – Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Sistema Harmonizado – previu o detalhamento das mercadorias em itens, conforme a Resolução 75/88 do Comitê Brasileiro de Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 379 6 Nomenclatura, acrescentando mais 02 (dois) dígitos aos 06 (seis) já estabelecidos pelo Sistema Harmonizado aprovado pela Convenção mencionada; (xi) a partir de janeiro de 1996, em razão da necessidade de maior integração econômica nas operações de comércio exterior com os demais membros do MERCOSUL, a NBM/SH foi substituída pela Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), utilizada uniformemente nesse grupo econômico; (xii) o conceito de “SplitSystem” para fins de classificação fiscal está previsto nas NESH da Posição 8415; (xiii) o conceito anterior estabelece que os “SplitSystems” são compostos por elementos interno (evaporador) e externo (condensador) separados (o que apenas reafirma a tradução literal da expressão “SplitSystem”), adicionando ainda um conteúdo de quantidade desses elementos; (xiv) as próprias NESH da Posição 8415 apresentam conceito próprio de sistemas de ar condicionado “SplitSystem” para fins de classificação fiscal, aplicando o conceito de “SplitSystem” de forma restritiva aos equipamentos compostos por apenas uma unidade evaporadora e condensadora; (xv) a interpretação de que os “SplitSystems” são compostos unicamente por uma unidade evaporadora e uma unidade condensadora também encontra fundamento na Terceira Edição da Coletânea dos Pareceres de Classificação publicada pela Instrução Normativa nº 1.459/2014; (xvi) os sistemas do tipo “SplitSystem” consistem em modelos de ar condicionado nos quais há apenas uma unidade evaporadora para uma unidade condensadora; (xvii) diferentemente dos “SplitSystems” acima mencionados, há ainda outros sistemas mais complexos e modernos, que possuem características técnicas e de finalidade diferenciadas, os quais recebem o nome de “MultiSplit” e “VRF” – e que são exatamente os sistemas importados; (xviii) os sistemas de ar condicionado dos tipos “MultiSplit” e “VRF” podem ser configurados de forma a integrar – num mesmo sistema – diversas condensadoras e os mais variados tipos de unidades evaporadoras (Hiwall, cassete, dutada, etc), com controle individual de temperatura para cada unidade evaporadora, caracterizando, assim, complexo sistema para empreendimentos de médio / grande porte, distinguindose dos modestos sistemas “SplitSystem”; (xix) Laudo Técnico emitido por Perito em outro processo (11128.722.584/201623) acabou por comprovar que a classificação fiscal adotada pela Peticionaria está correta, e que os produtos importados não se caracterizam como aparelhos do tipo “SplitSystem”; (xx) a diferença entre “SplitSystem” e “MultiSplit” foi reconhecida pelo perito oficial quando da elaboração do Laudo Técnico solicitado pela autoridade fiscal, conforme se verifica dos seguintes excertos: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 380 7 “3º Quesito – Em se tratando de unidades evaporadoras apresentadas isoladamente, explicar detalhadamente seu funcionamento, e, as diferenças entre esse tipo de aparelho e os demais tipos máquinas e/ou aparelhos destinados a modificar a temperatura e a umidade do ar, em recintos fechados. * Resposta – Os sistemas de refrigeração por expansão direta são aqueles onde o gás refrigerante troca calor diretamente com o ar do ambiente. Os condicionadores de ar podem ser do tipo ACJ (Ar Condicionado de Janela), splitsystem, multisplit VRF system e selfcontained.”; (xxi) o Sr. Perito deixa ainda mais claro que os sistemas ‘MultiSplit’ não são meras espécies de ‘SplitSystems’, mas sim maquinas diversas e com tecnologia própria, conforme abaixo se verifica: “As unidades evaporadoras "multisplit VRF system" desta importação, distinguemse das unidades evaporadoras "splitsystem" tradicionais principalmente por possuírem válvula de expansão eletrônica e sistema de comunicação em rede computadorizado.”; (xxii) o Sr. Perito ainda prossegue, trazendo em detalhes as diversas diferenças entre os dois tipos de sistema: “No sistema multisplit VRF system, as unidades evaporadoras possuem papel ativo no controle do fluxo de fluido refrigerante, pois cada uma delas possui uma válvula de expansão individual controlada eletronicamente que atua em conjunto com a rede de comunicação eletrônica entre as unidades evaporadoras e a unidade condensadora, resultando em um controle preciso de fluxo de fluido refrigerante, e conseqüentemente controle de capacidade, eficiência e conforto mais precisos. A unidade condensadora também possui avançada eletrônica que controla a variação da velocidade do compressor e ventilador, pressões de condensação e evaporação, retorno de óleo e recebe dados de todas as unidades evaporadoras conectadas, que são utilizados no controle do sistema como um todo. Já nos sistemas splitsystem tradicionais as unidades evaporadoras não possuem válvula de expansão. O dispositivo de expansão nesse sistema fica localizado na unidade condensadora, e possui controle limitado do fluxo de fluido refrigerante, devido à existência de apenas uma unidade evaporadora conectada. A eletrônica da unidade evaporadora neste sistema também é limitada, pois realiza somente a recepção do sinal do controle remoto e controla a temperatura, enviando sinal de abrir ou fechar para a unidade condensadora, que irá controlar a vazão do fluido refrigerante, sem o tratamento nem envio de dados ao evaporador. Enfim, o diferencial do sistema VRF system, comparado ao split system, é a combinação de tecnologia eletrônica com sistemas de controle micro processado, aliado a combinação de múltiplas unidades evaporadoras em um só ciclo de refrigeração.”; Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 381 8 (xxiii) a diferença entre “SplitSystem” e “MultiSplit” também já foi reconhecida pelo próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Acórdão nº 3403¬003.537 ); (xxiv) há ainda uma série de outras normas no ordenamento jurídico que reafirmam a premissa de que tais sistemas são compostos por uma única evaporadora e uma única condensadora e sua distinção dos “MultiSplit” e “VRF”, tais como a Portaria Interministerial nº 364, de 24 de dezembro de 2007; Portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (“INMETRO”) n.º 007, de 04 de janeiro de 2011 Portaria Interministerial nº 8, de 22 de janeiro de 2014 e Portaria INMETRO n.º 299, de 19 de junho de 2013; (xxv) superada a conceituação de “SplitSystem”, fica patente a impossibilidade de classificação dos produtos importados na NCM pretendida pelas autoridades fiscais; (xxvi) é inequívoco nos autos que as evaporadoras importadas são do tipo utilizadas em “VRFs” e, em sua maioria, comportam dutos,; (xxvii) o próprio relatório fiscal do Auto de Infração confirma que os produtos importados pela Recorrente são do tipo “MultiSplit” / “VRF”, e que comportam dutos; (xxix) a própria descrição da mercadoria apresentada quando do registro da DI já evidencia que se trata de evaporadora utilizada em sistemas “MultiSplit”; (xxx) os equipamentos importados são máquinas para a produção de ar condicionado, cuja descrição da Subposição 8415.8 e NESH aplicáveis não os excluiu dessa Subposição pelo mero fato de se apresentar isoladamente dos outros elementos que compõem o sistema; (xxxi) seria contraditória a existência de uma NCM de máquina sem dispositivo de refrigeração para classificar uma máquina ou equipamento de ar condicionado; (xxxii) levando em consideração todo o arcabouço legislativo, assim como o histórico de importações e liberações regulares desses produtos sem questionamento por parte das autoridades fiscais, é mister que se exclua a penalidade imposta em razão da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional; (xxxiii) as autoridades fiscais reiteradamente desembaraçaram os produtos importados, validando tacitamente o critério que vinha sendo adotado pelo contribuinte; (xxxiv) a prática reiterada de as autoridades fiscais / aduaneiras analisarem as operações de importação e liberálas sem ressalvas acabam por nortear a conduta do contribuinte, o qual assume como correto o procedimento até então adotado e constantemente aceito pela fiscalização; (xxxv) não é possível a duplicidade de penalidades ( multa de 75% do valor dos tributos supostamente devidos pela falta de pagamento de tributos incidentes na importação em razão da adoção de NCM supostamente incorreta e multa de 1% sobre o valor das operações de importações em razão da adoção de NCM supostamente incorreta);. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 382 9 (xxxvi) a cumulação de multas caracteriza efeito confiscatório; e (xxxvii) é ilegal a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. A Recorrente em petição protocolizada em 12/04/2019 anexa dois laudos técnicos que, afirma concluírem que os componentes do tipo “SplitSystem” não são compatíveis do ponto de vista técnico com aqueles integrantes de sistemas “MultiSplit” e “VRF”, dada a diferença de tecnologia abarcada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Das preliminares No que tange ao argumento de que a decisão recorrida deve ser anulada por falta de motivação, não há como concordar com a tese recursal. A decisão atacada pelo Recurso Voluntário interposto encontrase devidamente fundamentada e lastreada em aspectos técnicos pertinentes à matéria, sendo que a circunstância de ter utilizado em parte da justificação uma referência ao sítio eletrônico wikipedia não tem o condão de desqualificála.. O fato de a Recorrente não concordar com os argumentos utilizados não invalida a decisão e caracteriza mero inconformismo. Já na parte que a Recorrente alega o Auto de Infração é nulo por ausência de provas técnicas, em especial em relação ao processo de classificação de mercadorias e não há fundamentação técnica que ampare, enquanto motivação, o Auto de Infração, bem como, ofensa aos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, de igual modo são improcedentes. No caso concreto, o Auto de Infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática. O Auto de Infração contém a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indica os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõe de os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos que ensejaram a lavratura do mesmo. O Decreto nº 70.235/1972, dispões, respectivamente, em seus arts. 10 e 59: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 383 10 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Não logrou êxito a Recorrente em demonstrar que o Auto de Infração possui alguma mácula capaz de ensejar ilegalidade. Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa da Recorrente. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a Recorrente apresentou Impugnação e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. A título ilustrativo, acrescento o entendimento uníssono do CARF sobre a matéria: Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 384 11 "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/06/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontrase válido e eficaz. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO TIPIFICAÇÃO LEGAL. VÍCIO. INOCORRÊNCIA. A prestação intempestiva de qualquer informação pelos intervenientes no comércio exterior embaraça ou dificulta a fiscalização aduaneira, pois impedea de bem planejar e eficientemente executar as operações de fiscalização e repressão inerentes à sua finalidade constitucional.Ademais, o autuado deve se defender dos fatos que lhe foram imputados e não da capitulação da infração. Estando a descrição dos fatos corretamente narrada no Auto de Infração e ficando evidente, nos autos, que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente do que era acusado e exerceu plenamente seu direito à Ampla Defesa e ao Contraditório, não ocorre vício no procedimento administrativo. (...)" (Processo nº 11128.000142/200651; Acórdão nº 3002000.487; Relator Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves; sessão de 22/11/2018) Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2008 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares argüidas. (...)" (Processo nº 13864.720160/201201; Acórdão nº 1201002.301; Relator Conselheiro Rafael Gasparello Lima; sessão de 25/07/2018) Diante do exposto, uma vez que não se encontram presentes nenhuma das hipóteses ensejadoras de nulidade encartadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não é de se acatar os argumentos postos na peça recursal em tal tópico. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 385 12 Diante do exposto, não acolho as preliminares suscitadas pela Recorrente. Do mérito Conforme já relatado, a Recorrente, por meio da declaração de importação DI n° 15/15731652, de 03/09/2015 importou as mercadorias descritas na fl. 16 como unidades evaporadoras para sistema de ar condicionado do tipo multisplit para montagem embutida no teto, cassete round flow, marca DAIKIN, classificando na NCM 8415.82.10, com alíquotas de 18% de II e 20% de IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 8415.90.10, EX 01 da TIPI, com as alíquotas de 18% de II e de 35% de IPI. Baseouse a fiscalização no catálogo técnico do produto e nas Regras de Classificação do Sistema Harmonizado. A própria Recorrente em sua peça recursal admite que se está tratando de equipamento do modelo multisplit: 71. Diferentemente dos “SplitSystems” acima mencionados, há ainda outros sistemas mais complexos e modernos, que possuem características técnicas e de finalidade diferenciadas, os quais recebem o nome de “MultiSplit” e “VRF” – e que são exatamente os sistemas importados pela Recorrente." Assim, não há dúvida que no caso concreto se está a tratar de "unidades evaporadoras para sistema de ar condicionado do tipo multisplit". A questão concernente à classificação fiscal de mercadorias relativa a unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multisplit já foi apreciada por esta Turma de Julgamento. Por ocasião do julgamento do processo nº 10283.720654/201319, de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, esta Turma, em composição diversa da atual, decidiu, por unanimidade de votos, que a classificação fiscal correta para o equipamento em apreço é a prevista no código 8415.90.10. Assim, é de reproduzir como razões de decidir, os principais excertos do voto proferido pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira (Acórdão nº 3201003.065 sessão de 26/07/2017), conforme a seguir: "A recorrente esforçase por mostrar que os splitsystem consistem em apenas 1 condensador e 1 evaporador, e permitem atender apenas a um ambiente. Vejamse os seguintes trechos de seu recurso (fl. 3.289): “Ocorre que, em que pese a suposta descrição acerca da tecnologia VRF no acórdão da Impugnação, bem como de que esta não afetaria a classificação fiscal da mercadoria, trazemos abaixo, de forma breve e suscinta, a diferenciação entre Multisistemas e SplitSystem.” Fl. 3.291: Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 386 13 Como consequência, tanto nacionalmente como internacionalmente, Split System e Multi System (MXZ e VRF) são sempre discriminados distintamente por fabricantes, associações de fabricantes, usuários, engenheiros e institutos de pesquisa de mercado. Todavia, não é o que dizem as Nesh – Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Conforme as Nesh, a subposição 8415.10 abrange os sistemas multisplit, na qual poderá haver vários arranjos de evaporadores e condensadores. O que não se inclui nesta subposição são os aparelhos de arcondicionado central, onde o ar resfriado é conduzido aos ambientes por dutos, sem que haja um aparelho evaporador no ambiente a resfriar: Subposição 8415.10 A presente subposição compreende as máquinas e aparelhos para condicionamento de ar dos tipos para paredes ou para janelas, formando um só corpo ou do tipo splitsystem (sistema com elementos separados). As máquinas e aparelhos “formando um corpo único” são constituídas de um só dispositivo contendo todos os elementos necessários formando um só corpo. As máquinas e aparelhos do tipo splitsystem são aparelhos que não comportam dutos mas utilizam um evaporador individual para cada área a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). São, pelo contrário, excluídas desta subposição as centrais de ar condicionado providas de dutos que utilizam esses dutos para conduzir o ar condicionado de um evaporador para diversos ambientes a resfriar. (...) Desse modo, todas as outras considerações técnicas são irrelevantes para a classificação fiscal, porque firme nas Regras Gerais de Interpretação, complementadas pelas Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pela OMA – Organização Mundial das Aduanas, que são a interpretação oficial, em nível internacional, do Sistema Harmonizado, e aprovadas no Brasil, segundo a competência conferida pela Portaria MF 91/1994, pelas Instruções Normativas RFB 807/2008 e 1.260/2012. Corrobora nesta classificação a Solução de Consulta Coana 134/14: Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: Código NCM: 8415.10.90 Mercadoria: Sistema de arcondicionado do tipo splitsystem (sistema de elementos separados), de tecnologia VRF (Variable Refrigerant Flow), constituído por: (01) uma unidade externa (condensadora) comportando, num mesmo Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 387 14 receptáculo, compressor, motor de ventilação, ventilador e válvula de inversão de ciclo térmico, com capacidade de refrigeração de 48.160 frigorias/h 380V/ 60Hz; (03) três unidades internas (evaporadoras) comportando, cada uma, num mesmo receptáculo, evaporador, motor de ventilação e ventilador, com capacidade de refrigeração de 9.630Kcal/h 220V/ 60Hz; (02) duas unidades internas (evaporadoras) comportando, cada uma, num mesmo receptáculo, evaporador, motor de ventilação e ventilador, com capacidade de refrigeração de 12.040Kcal/h 220V/ 60Hz. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI/SH 1 (texto da posição 84.15), RGI/SH 6 (texto da subposição 8415.10) e RGC/NCM 1 (texto do item 8415.10.90) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 2011. (...) Os sistemas VRF e MHZ são multisystem, ou seja, os sistemas completos contém uma ou várias unidades condensadoras e evaporadoras. Assim, as importações das unidades, no caso desses sistemas, não podem ser tratados como sistemas completos, mas como partes. E, nesse, sentido, explicam as Nesh, para tais mercadorias: Subposição 8415.90 (Incluída pela IN RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010) Esta subposição compreende, quando apresentadas separadamente, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem da subposição 8415.10. Essas unidades são concebidas para ser conectadas entre si por fios elétricos e tubos de cobre pelos quais o fluido frigorígeno circula entre as unidades internas e externas. A partir da vigência da Resolução Camex 69, de 20/09/2011, existem códigos específicos para as partes de que se trata: Portanto, a classificação correta para evaporadoras e condensadores de sistemas de arcondicionado multisplit, com capacidade individual inferior 30.000 frigorias/hora, tais como os sistemas VRF e MXZ, apresentados separadamente, são as Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 388 15 posições 8415.90.00, até a vigência da Resolução Camex 69, de 20/09/2011, e 8415.90.10 e 8415.90.20, respectivamente, após a vigência da referida Resolução." Ainda, é de se entender como correta a decisão recorrida quando consigna: "Consultando o catálogo técnico do produto e a própria impugnação, percebese claramente que os equipamentos importados são configurados para serem instalados em diversos cômodos como evaporadores, conectados a uma unidade condensadora externa. Dessa forma, eles preenchem exatamente a definição das NESH de partes de aparelhos de ar condicionado do tipo SplitSystem. A leitura atenta das NESH revela que em nenhum momento estas definem o aparelho de ar condicionado SplitSystem como aquele que possui uma única unidade evaporadora interna. Pelo contrário, a definição é clara: Uma unidade condensadora externa conectada a várias unidades evaporadoras internas, conforme o número de cômodos. De fato, o elemento chave no conceito das NESH sobre ar condicionado SplitSystem não é o número de elementos evaporadores mas sim a expressão “(sistema com elementos separados)”." Com relação aos dois recentes laudos anexados ao processo pela Recorrente, perfilho o entendimento de que não possuem o condão de alterar a conclusão ora exposta, em especial, pelo fato de não adentrarem na classificação fiscal da mercadoria. Assim, entendo que a classificação fiscal da mercadoria adotada pela Fiscalização e confirmada em decisão de 1ª instância é correta, razão pela qual não merece provimento o Recurso Voluntário interposto. Com relação aos demais argumentos recursais, de igual modo, são improcedentes. Pugna a Recorrente pela aplicação do art. 100, incs. I e III e parágrafo único do Código Tributário Nacional, com vistas a exclusão (i) de penalidades,; (ii) da cobrança de juros de mora e (iii) da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Não trouxe a Recorrente nenhuma Solução de Consulta ou Solução de Divergência a demonstrar que a administração tributária aduaneira foi instada a se manifestar sobre a classificação para esse tipo de produto e que não havia uma posição oficial da instituição efetivamente pacificadora. O fato de existirem portarias, tais como, a Portaria Interministerial nº 364, de 24 de dezembro de 2007; Portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (“INMETRO”) n.º 007, de 04 de janeiro de 2011 e a Portaria Interministerial nº 8, de 22 de janeiro de 2014, as quais no entendimento da Recorrente explicitam existir uma distinção entre “SplitSystem” e “MultiSplit” ou “VRF”, compreendo que não se adequam para os fins de classificação fiscal de mercadorias, bem como não são instrumentos hábeis a lastrear a aplicação do contido no parágrafo único do art. 100 do CTN. É acertada a decisão recorrida quando consigna: Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 389 16 "Inaplicável o art. 100 do CTN ao caso em tela. Primeiramente, pois as normas administrativas citadas (Portarias Interministeriais e Portarias do INMETRO) em nenhum momento contradizem a conceituação de ar condicionado Split System das NESH. Mesmo que o fizessem, não teriam validade para fins de classificação fiscal pois esta é determinada legalmente pelos textos da TEC e pelas NESH. Em segundo lugar, o desembaraço aduaneiro não gera homologação da classificação fiscal. O fato de o despacho ocorrer sem restrições não impede a apuração de sua regularidade pela fiscalização. A fiscalização não se pode presumir infalível, motivo pelo qual existe o instituto da Revisão Aduaneira previsto no art. 54 do Decretolei nº 37/66 e regulamentada pelo art. 638 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09): “Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei.” “Art. 638. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.” (grifo meu) Portanto, uma vez submetidos os produtos importados à conferência aduaneira e desembaraçados sem exigência fiscal, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro." Para que se pudesse aplicar o contido no art. 100 do CTN, deveria a Recorrente ter trazido aos autos a existência de ato normativo de caráter geral emitido pela Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 390 17 administração pública contemplando o código NCM adotado, o qual entende como correto, ou soluções de consulta da Receita Federal, indicando como correto o código NCM utilizado e, ainda, alguma decisão administrativa em contencioso fiscal da Recorrente no mesmo sentido. Desse contexto, penso que não se pode inferir plausível o pedido recursal. Esse quadro, conduz a conclusão de que não se está diante de uma situação que se enquadra nas hipóteses previstas nos incisos I e III e do parágrafo único do artigo 100 do CTN, razão pela qual é de se concluir pela improcedência do pedido. A multa de 75% do valor dos tributos devidos pela falta de pagamento de tributos incidentes na importação em razão da adoção de NCM incorreta e a multa de 1% sobre o valor das operações de importações em razão da adoção de NCM incorreta, encontram amparo legal e por isso devem ser mantidas. A falta ou insuficiência de recolhimento espontâneo de tributo pelo sujeito passivo é ato ilícito por omissão, o qual constitui hipótese de incidência da norma legal punitiva, com a aplicação da multas cabíveis Com efeito, para a caracterização da infração punível com a multa de ofício de 75%, basta que reste demonstrado a ausência de recolhimento espontâneo dos tributos devidos pelo sujeito passivo. A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração sancionada com a multa de 1% do valor aduaneiro. No caso, o agente administrativo está meramente aplicando as penalidades descritas na legislação como adequadas e suficientes para a situação concreta retratada nos autos, não havendo motivação para afastála. Assim, entendo que em decorrência do equívoco cometido pela Recorrente devem ser mantidas em sua integralidade. Neste sentido é a jurisprudência deste colegiado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 18/02/2004 (...) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. MULTA DE OFÍCIO. PARECER COSIT 477/88. REVOGADO. ADI SRF nº 13/2002. O Parecer COSIT nº 477/88 deixou de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de ofício 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exigese a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Neste processo, sobre a referida diferença de II apurada em face das declarações Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 391 18 equivocadas, sem dolo, devese aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11128.008696/200868; Acórdão nº 3201 004.062; Relator Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo; sessão de 25/07/2018) "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 10/03/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Manutenção da multa de ofício de 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exigese a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Sobre a referida diferença de II apurada em face da reclassificação tarifária, sem dolo, devese aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, notadamente quando a característica essencial à classificação se encontra declarada na DI." (Processo nº 11128.006258/200784; Acórdão nº 3201004.182; Relator Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo; sessão de 29/08/2018) "Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 392 19 Data do fato gerador: 13/06/2000, 27/09/2000, 28/09/2000, 18/10/2000, 08/11/2000, 28/11/2000, 13/12/2000, 11/01/2001, 20/03/2001, 13/06/2001 II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ADUANEIRA. A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplicase ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria.Recurso voluntário negado." (Processo 10508.000118/200412; Acórdão 3202001.400; Relator Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 12/11/2014) "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 16/06/2003 a 11/08/2004 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Comprovado o equívoco na classificação fiscal da mercadoria, é exigível o Imposto de Importação, juntamente com os acréscimos legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINS Importação. CERTIFICADO DE ORIGEM. São desqualificados os certificados de origem obtidos com indicação de errônea classificação fiscal, cuja alteração (da classificação) implique concomitantemente em modificação do requisito de origem. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. INAPLICABILIDADE. Aplicase a multa por falta e Licença de Importação nas importações, em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158 Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11128.725764/201586 Acórdão n.º 3201005.280 S3C2T1 Fl. 393 20 35/2001. Recurso voluntário negado." (Processo 11444.000314/200875; Acórdão 3202000.518; Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 27/06/2012) Com relação ao alegado efeito confiscatório das penalidades, o afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. Sobre a ilegalidade da incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício, a recente Súmula CARF nº 108 pacificou a questão no âmbito administrativo. Aludida Súmula possui a seguinte redação: "Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Novamente, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, resta resolvida a matéria. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 393DF CARF MF
score : 2.5700495
Numero do processo: 19311.720355/2017-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1466; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 869 1 868 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720355/201790 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201002.103 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente PIRELLI PNEUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Trata o presente de Auto de Infração de fls. 02/09, lavrado contra o contribuinte para exigir, com relação a fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2013, R$ 12.984.184,57 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 6.348.853,44 de juros de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 35 5/ 20 17 -9 0 Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 870 2 mora calculados até novembro de 2017 e R$ 9.738.138,38 de multa proporcional ao valor do imposto, representando um crédito tributário total consolidado de R$ 29.071.176,39. De acordo com o que consta do referido Auto de Infração, o lançamento foi efetuado por ter sido constatado que o autuado "deu saída a produto(s) tributado(s), sem lançamento do imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro na alíquota do imposto". A PIRELLI fabricou e/ou importou pneus das linhas CHRONO e SCORPION para utilização em vans, pick ups, utilitários, carga leve e SUVs. Os pneus foram classificados pela recorrente na posição NCM 4011.20.90 – Outros (Dos tipos usados em ônibus ou caminhões) com a aplicação das Regras Interpretativas 3a e 4 e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”), tributados pelo IPI à alíquota de 2%, conforme disposições da Tabela de Incidência do IPI (“TIPI”) anexa ao Decreto nº 7.212/10. Segundo seu entendimento tais Regras determinam a adoção de posição mais específica e, na ausência de descrição específica, adotase o código que descreva produto mais semelhante. No curso do procedimento de auditoria, concluiu a autoridade fiscal que a classificação adotada pela PIRELLI foi equivocadamente efetuada na NCM 4011.20.90 infringindo a 1ª Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), com desrespeito ao princípio da seletividade característico do IPI. A Fiscalização entendeu que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estaria equivocado e deveriam ser adotados (1) o NCM “40.11.99.90 – Outros” para as vans para transporte de carga ou de passageiros, pickups e utilitários e (2) o NCM “40.11.10.00 – Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluindo os veículos de uso misto (station wagons) e os automóveis de corrida)” para as SUVs. Os fundamentos da reclassificação estão descritos no Relatório Fiscal. Inicialmente a Fiscalização cuidou de apontar a correta aplicação das Regras de interpretação do Sistema Harmonizado para afastar a classificação de todos os pneus no código 4011.20.90, utilizados em ônibus e caminhões, pois não se destinam a veículos dessa natureza, como segue: 6.2 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS De antemão devese destacar que a principal regra para a classificação é a RGI/SH nº1, ou seja, a classificação deve orientarse pelos textos das posições, subposições e das Notas de Seção e de Capítulo. As regras seguintes apenas são aplicáveis desde que as suas aplicações não rendam ensejo a classificação que contrarie o texto das posições, das subposições e das Notas das Seções, dos Subcapítulos, das Posições e das Subposições. (...) Ora, o texto da Posição 4011 se refere a “Pneumáticos novos, de borracha” e o texto da Subposição 4011.20, consigna “Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões”. Logo, incabível a classificação de pneus outros que não dos tipos utilizados em ônibus e caminhões Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 871 3 em quaisquer dos subitens da subposição 4011.20, sequer mediante esforço interpretativo a partir das Regras 3a e 4 (...) pois, repiso, a aplicação das demais regras não pode ofender o texto da posição nem da subposição. O argumento que o contribuinte empreendeu – de que não apenas os pneus usados em ônibus e caminhões, mas também de características similares, diante da expressão “tipos” da subposição 4011.20 , não tem qualquer sentido, pois, na realidade, a expressão é sinônimo de “modelos”. (...) Saliento, que a resistência e durabilidade do pneu não é, de acordo com a lógica do sistema harmonizado, elemento de definição da classificação fiscal do produto, delineada pelo veículo em que ele é utilizado. Daí porque não teve essa autoridade fiscal como escapar de definir a classificação fiscal dos veículos em que os pneumáticos são comumente empregados. Descartada a possibilidade de classificação na subposição 4011.20 (Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões) – e, sendo incontroversa a possibilidade de enquadramento nas subposições (...) – apenas restaram, para classificar os pneus analisados, as posições 4011.10 (Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) e 4011.99.90 (Outros). A seguir, a Fiscalização abordou a classificação dos pneus segundo o tipo de veículo: vans, para transporte de passageiros (microônibus) ou cargas (furgões); 6.2.1 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS PARA VANS As Vans são veículos que podem ser usados para transportar passageiros ou cargas – sendo, nesta hipótese, conhecida como furgões. As vans para passageiros disponíveis no mercado nacional – em alguns casos referidas como microônibus, mas nunca como ônibus – possuem, em sua quase totalidade, capacidade de 09 a 19 passageiros, podendo assim, totalizar, com o motorista, até 20 ocupantes; logo, como os veículos com capacidade para 10 ou mais pessoas devem ser classificados na posição 8702, da TIPI, concluise que os pneus destinados as vans que realizam transporte de passageiros não podem ser classificados na subposição 4011.10, referente, segundo seu texto, a pneumáticos utilizados em veículos classificados na posição 8703. (...) (...) De modo semelhante, como as vans para transporte de cargas (furgões) se classificam no Ex 01 dos desdobramentos das subposições de nível 8704.21, seus pneus não podem ser classificados na subposição 4011.10. (...) Dessa forma, por exclusão, os pneumáticos utilizados em vans – tanto de passageiros quanto de cargas – devem ser classificados no código 4011.99.90 “Outros”. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 872 4 6.2.2 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS PARA PICKUP E PARA UTILITÁRIOS Da mesma forma que as vans para transporte de cargas, as Pickups e Utilitários classificamse no Ex01 dos desdobramentos da subposição 8704.21. Assim, os pneus destinados a esses veículos não podem ser classificados na subposição 4011.10, reservada a pneus para automóveis de passageiros (posição 8703) e, assim, como não se tratam de ônibus nem de caminhões, para estes veículos apenas restou, por exclusão, o enquadramento no código 4011.99.90 “Outros” . 6.2.3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS PARA SUV Os veículos conhecidos por SUV (Sport Utility Vehicle) são veículos mistos, que se destinam ao transporte de passageiros, mas apresentam uma capacidade de carga superior aos demais automóveis. A NESH da posição 8703 da TIPI (Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluídos os veículos de uso misto "station wagons" e os automóveis de corrida) define que: “Entendemse por veículos de uso misto (break ou station wagons), na acepção da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o do motorista), cujo interior pode ser utilizado, sem modificação da estrutura, tanto para o transporte de pessoas como para o de mercadorias.” Como se vê, para fins de Nomenclatura, os veículos SUV se enquadram no conceito de veículo misto e devem ser classificados na posição 8703 (vide quadro 5 abaixo). Assim, os pneumáticos destinados a esses veículos devem ser classificados no código 4011.10.00 (...) 6.2.4 CLASSIFICAÇÃO DOS PNEUS UTILIZADOS SIMULTANEAMENTE EM PICKUP E SUV Em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal nº 01, a empresa PIRELLI informou que alguns tipos de pneus eram de uso simultâneo em Pickups e SUVs. Dessa forma, tais pneus poderiam ser classificados na NCM 4011.10.00 ou na NCM 4011.99.90. Essa possibilidade de dupla classificação não se coaduna com a diretriz do Sistema Harmonizado (SH) a qual cada produto deve ter um único código inequívoco. A fim de obter maiores esclarecimentos, no dia 30/10/2017 foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 4, solicitando que a empresa indicasse em qual veículo cada pneumático era predominantemente utilizado. No dia 06/11/2017 a PIRELLI continuou a informar o duplo uso em Pickup e em SUV. Para alguns apenas informou “Changeover”. (...) Como não podíamos utilizar a Regra Geral nº 01 para resolver tal questão, utilizamos as Regras Gerais seguintes de forma sucessiva, que se adequassem ao caso. Para sanear essa aparente duplicidade de classificação, utilizamos a Regra Geral 3a do SH, que determina: Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 873 5 (...)3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas.(...) Assim, essa fiscalização, para pneumáticos indicados como utilizados em Pick ups e em SUVs foram classificados na NCM 4011.10.00, classificação para pneus utilizados em SUV (Sport Utility Vehicle) , veículos mistos , por ser a mais específica. A classificação dos pneus utilizados em Pickups (NCM 4011.99.90 –Outros) é a mais genérica de todas e utilizada por exclusão de todos os outros códigos da posição 4011, conforme explicado acima. 6.2.5 CLASSIFICAÇÃO DOS PNEUS 175/65R14C90T CHRONO e 185/75R16C104R CHRONO Conforme resposta ao Termo de Reintimação Fiscal nº 01, a PIRELLI fez remissão aos processos 11065.722023/201525 e 10830721798/201764 para consulta dos argumentos e informações já debatidas naqueles procedimentos fiscais, também relativos a classificação de pneus. Após análise detalhada das respostas dadas às outras fiscalizações, observouse que consta na página 471 do processo 11065.722023/201525, como resposta ao Termo de Início de Fiscalização, no Anexo I, a classificação dos pneus 175/65R14C90T CHRONO e 185/75R16C104R CHRONO, (...) (...) Para o pneu 175/65R14C90T CHRONO ora a empresa classifica apenas como utilizado em Pickup, ora classifica como utilizado em Pickup e em Van. Para o pneu 185/75R16C104R CHRONO obtivemos 3 respostas diferentes. Para o processo 11065.722023/2015 25, a empresa indicou que tal pneu não era utilizado no Brasil. No processo 10830721798/201764, já indica os veículos nos quais são utilizados e classifica tal pneu como utilizado em VAN. Por fim, na atual fiscalização, indica duplo uso para tais pneus (VAN/Pickup) e não exemplifica em quais veículos seriam utilizados. Ora, se uma empresa do porte da PIRELLI não sabe dizer em qual veículo um pneu é utilizado ou se responde de forma tão divergente, é de suspeitar se a empresa não estaria agindo para dificultar o trabalho da Receita Federal do Brasil na busca da correta classificação de tais pneumáticos e para ulterior determinação da alíquota do IPI incidente na saída do produto do estabelecimento. Como forma de harmonizar tal divergência, essa autoridade fiscal fará a classificação do pneu 175/65R14C90T CHRONO como utilizado em Pickup, conforme vem sendo o entendimento das outras fiscalizações. E para o pneu 185/75R16C104R CHRONO, como utilizado em VAN, também seguindo o uniforme entendimento da Receita Federal até aqui. 6.2.6 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS E PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE NA TRIBUTAÇÃO Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 874 6 Relembro que o IPI é seletivo em função da essencialidade do produto. Nisto, não seria razoável adotar uma linha de interpretação para a classificação fiscal de produtos da qual resulte a tributação de pneus para veículos como SUV, Vans, Pickup e utilitários (que são veículos tributados às alíquotas de 8% e 10% “Ex 01 dos NCMs 8704.21.10, 8704.21.20, 8704.21.30 e 8704.21.90) a uma mesma alíquota que os pneus para caminhões, veículos em regra submetidos à alíquota de 5% (Ex 01 dos NCMs 8704.31.10, 8704.31.20, 8704.31.30 e 8704.31.90) e para ônibus, sobre os quais pode até recair alíquota zero (Ex 02 do NCM 8702.90.90). Seriam os pneus usados por SUV, vans, pickup e utilitários mais essenciais que os veículos em si? Não me parece razoável entender dessa forma; mas, se o legislador, eventualmente, tivesse este pensamento, deveria fazer constar isto expressamente na norma aplicável. É totalmente inconcebível que esforços interpretativos possam ensejar o maltrato ao princípio da seletividade. 6.2.7 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS IMPORTADOS E OCORRÊNCIAS ADUANEIRAS DA EMPRESA PIRELLI Para uma visão mais ampla da divergência de classificação utilizada pela empresa e a determinada pela Receita Federal, essa autoridade tributária fez pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil e constatou que desde 2010 também a Aduana tem feito a reclassificação dos pneus importados com NCM 4011.20.90 para NCM 4011.10.00 ou para NCM 4011.99.90, conforme os casos que serão a seguir narrados. (...) Dessa forma, se vê que também na área aduaneira o entendimento da correta classificação é uniforme com a classificação adotada pelos Auditoresfiscais que fiscalizam o tributo interno IPI, ou seja, pneus que não são utilizados em ônibus e não são utilizados em caminhões NÃO PODEM SER CLASSIFICADOS NA NCM 4011.20.90. Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação na qual suscitou, em síntese: nulidade do auto de infração, em razão da precariedade do procedimento de fiscalização (a Fiscalização considerou as marcas e os modelos dos veículos em vez de considerar as características técnicas dos pneus; a Fiscalização desconsiderou as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, imprescindíveis para a classificação fiscal de mercadorias e desconsiderou as informações prestadas pela Recorrente ao longo do procedimento de investigação, sem ter apresentado sequer um fundamento para tanto); o código NCM adotado pela Recorrente para classificar os pneus está correto, em conformidade com as regras de interpretação 3a e 4 do Sistema Harmonizado (similaridade com os pneus descritos no NCM 4011.20.90, pela maior durabilidade e resistência dos pneus) e de acordo com a classificação técnica validada pelo INMETRO; a reclassificação fiscal proposta pela Fiscalização é ilegítima e deve ser afastada, pois contraria a classificação exigida e validada pelo INMETRO e também as regras internacionais de interpretação do Sistema Harmonizado; indevida alteração do critério jurídico de lançamento, na medida em que para os produtos importados, a classificação fiscal adotada pela Recorrente foi confirmada quando do desembaraço e agora, nesse segundo momento, estão sendo contestadas; Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 875 7 a própria RFB confirmou a legitimidade do procedimento de classificação adotado pela Recorrente, tendo em vista a expedição da Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª Região) vinculada à própria Recorrente; a necessidade de cancelamento da autuação em relação aos produtos objeto de saídas para a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana, visto que sujeitas às regras de isenção e, por fim excesso na constituição do crédito tributário, a saber: (i) a indevida exigência de IPI na revenda de produtos importados; (ii) a ilegítima exigência de multa e juros; e, (iii) a incorreta aplicação de juros sobre multa. Como afirmado linhas acima, a Recorrente fez a juntada do laudo técnico pericial, elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia – “INT”, no qual os engenheiros, após análise das características dos pneus para utilitários, vans, SUVs e pickup objeto da autuação concluiram que os pneus das linhas Chrono e Scorpion para vans, pick ups, utilitários, carga leve e SUVs – são semelhantes aos pneus dos tipos usados em ônibus ou caminhões, pois possuem características técnicas que os distanciam dos pneus utilizados em veículos leves e os aproxima daqueles pneus utilizados em veículos de transporte de cargas (do “tipo” caminhões/caminhonetas) e de transporte de passageiros (do “tipo” ônibus, vans e micro ônibus). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 1159.648, sessão de 25/04/2018, julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICKUP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para vans, para pickup e para utilitários se classificam no código 4011.99.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenha características de veículo de uso misto, classificamse no código 4011.10.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDOS PERICIAIS. Os laudos periciais devem se ater aos aspectos técnicos, sendo que a classificação fiscal não é assim considerada. A competência administrativa para considerar correta, em caso concreto, a classificação fiscal de produto específico pertence às autoridades fiscais do quadro da RFB. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PRODUTO IMPORTADO. REVENDA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 876 8 Na revenda no território nacional, incide o imposto sobre o produto importado, mesmo quando internamente não submetido a nova industrialização. ISENÇÃO. REQUISITOS. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Descabe lançamento de ofício do imposto quando não demonstrado o descumprimento dos requisitos materiais para gozo de isenção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PRODUTO IMPORTADO. RECLASSIFICAÇÃO APÓS O DESPACHO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. É possível a reclassificação fiscal de produto importado após a conclusão do despacho aduaneiro e a correspondente formalização dos tributos devidos no mercado interno. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONSULTA SOBRE PRODUTO ESPECÍFICO. EFEITOS SOBRE PRODUTOS DISTINTOS. INEXISTÊNCIA. A consulta sobre classificação fiscal de determinado produto específico não tem efeitos em relação a produtos distintos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão foi nos seguintes termos: A Delegacia de Julgamento adotou no voto os fundamentos do Acórdão proferido no processo nº 11065.722023/201525, que versa fatos semelhantes da mesma contribuinte, para não acatar as alegações da impugnante, dando razão às razões à Fiscalização quanto à classificação fiscal empreendida. Argumentou que, de fato, van, pickup, utilitário e SUV não são ônibus nem caminhões. Em relação à diferenciação entre vans para transporte de passageiros e ônibus, bem esclareceu a autoridade fiscal que “a TIPI não apresenta elementos que permitam identificar com precisão o que é um ônibus, cabe utilizarse do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não são sinônimo de ônibus (...)”. A classificação prescrita pela COANA no ADE nº 023/2014 (8702.10.00 Ex02), referese a ‘Veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista Ex 02 Com volume interno de habitáculo, destinado a passageiros e motorista, igual ou superior a 9 m³. Portanto o fato de um veículo se enquadrar nessa classificação não significa que ele é um ônibus. De fato, nessa classificação se enquadram tanto as vans (quer sejam merceologicamente denominadas microônibus ou não) quanto os ônibus. No caso em tela, o próprio ADE identificou as vans como sendo microônibus (de teto alto ou teto baixo) e não como ônibus”. Quanto às vans destinadas ao transporte de cargas (furgões), pickup e utilitários, também comungo do entendimento da autoridade fiscal, que a requerente não consegue infirmar, de que “a diferenciação entre caminhões e furgões/pickup/ utilitários é expressa na Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 877 9 Nomenclatura. Todos desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes”. As NESH da posição 8704 discriminam dois tipos de veículos ali classificáveis: os caminhões e os chamados “veículos polivalentes” e dá, como exemplo destes veículos, justamente os furgões, as pickup e certos veículos utilitários esportivos – o que evidencia a diferenciação, para fins do SH, entre estes veículos polivalentes e os caminhões. Para fins de Nomenclatura do SH, os veículos SUV, que têm função mista (transporte de passageiros e maior capacidade de carga), devem ser considerados mistos. A conclusão acima não resta prejudicada nas hipóteses em que a SUV tenha características de “light truck” quando atendidas as condições da NESH da Posição 8703. Verificase na imagem abaixo, capturada no site da Pirelli, que o Pneu Scorpion ATR é usado em SUV. Resta claro que o Hummer é um veículo misto, pois tem uma maior capacidade de carga (daí porque requer a utilização de pneus mais resistentes), mas mantém relevante função de transporte de passageiros, o que resta evidenciado pelo claro conforto e sofisticação que o veículo apresenta. Os pneus objeto da fiscalização foram certificados na Categoria 3, o que vem apenas reforçar que não se tratam de pneumáticos usados por ônibus e caminhões, que devem ser certificados em Categoria distinta. Quanto à pretensão da aplicação ao caso do conteúdo da SC, a DRJ refutou pois que o objeto daquela consulta eram pneus utilizados indistintamente em caminhões, ônibus e demais veículos comerciais, ao passo que no presente autos não são usados por caminhões nem por ônibus, razão pela qual é totalmente inaplicável o entendimento da enfocada Decisão. Em relação à alegação de impossibilidade de alteração da classificação fiscal após despacho aduaneiro assentou que revela impertinente o entendimento de que o desembaraço aduaneiro e a liberação da mercadoria importaria a homologação do pagamento realizado em relação à mercadoria importada. Com fundamento na decisão do STJ julgada no rito dos recursos repetitivos forma afastadas os argumentos da contribuinte quanto à impossibilidade de exigência de IPI sobre produtos importados que não foram submetidos, no território nacional, a processo de industrialização. Por fim, mantevese a incidência de juros e multa de mora e a cobrança de juros sobre a multa e apenas exonerou a exigência do IPI em relação aos produtos nacionais ou nacionalizados entrados na ALCMS pois cumpridos os requisitos para fruição da isenção de que trata os arts. 116 e 117 do RIPI/2010. Em resumo, a decisão de 1ª instância: (i) não tomou conhecimento do questionamento de juros sobre multa de ofício; (ii) indeferiu o pedido de realização de perícia; (iii) rejeitou a preliminar de nulidade da autuação; (iv) exonerou a parcela do crédito tributário correspondente ao lançamento das saídas de produtos com alíquota zero para a ALCMS; e (v) manteve a reclassificação laborada Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 878 10 pela fiscalização por considerar que nenhum dos pneus fabricados ou importados destinavam se à utilização em caminhões ou ônibus. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário reiterando os mesmos argumentos versados em impugnação e contesta os fundamentos da decisão recorrida que manteve a reclassificação que constou da autuação fiscal. Expôs seus argumentos e pedidos manifestados nos tópicos: 1. Preliminares: 1.1 Nulidade da decisão recorrida, por ausência de fundamentação; 1.2. Nulidade da decisão recorrida, em razão da desconsideração do laudo juntado e o indeferimento imotivado da prova pericial; 1.3. Nulidade do auto de infração e da decisão recorrida, porque se basearam nas propriedades dos veículos e não dos pneus e ignoraram as regras do sistema harmonizado; 1.4. Nulidade do auto de infração, em razão da precariedade do processo de investigação fiscal, por violação ao artigo 142, CTN. 2. Mérito: 2.1. Considerações acerca das Regras Gerais para a classificação fiscal, do sistema Harmonizado. das Regras Gerais de Interpretação; 2.2. As características técnicas dos pneus, a nomenclatura internacional utilizada e a classificação fiscal 2.3. A natureza e categoria dos pneus objeto da autuação e o entendimento do INMETRO e da ALAPA 2.4. A classificação defendida pela recorrente quanto aos pneus destinados a vans/microônibus, pickups (caminhonetes), SUV e utilitários; 2.5 A Solução de Consulta nº 348/1997 da 8ª Região Fiscal; 2.6 Alteração do critério jurídico adotado em despachos aduaneiros; 2.7. Ilegitimidade da cobrança de IPI na saída de produtos objeto de importação; 2.8. Ilegitimidade da cobrança de juros e de multa (artigo 100 CTN); 2.9. Ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre multa. Finaliza seu recurso com os Pedidos, nos seguintes termos: Diante de tudo o quanto exposto acima, requerse que o presente Recurso Voluntário seja provido para que este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se digne a anular a r. decisão recorrida, considerando todos os fundamentos trazidos no ITEM IV. 562. Ainda que assim não se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, requerse a reforma da r. decisão recorrida, conforme argumentos expostos nos ITENS V.l a V.5 acima, para determinar o cancelamento integral da autuação. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 879 11 563. Subsidiariamente, requerse o reconhecimento do excesso da constituição do crédito tributário, conforme argumentos apresentados nos ITENS V.6 e V.7 acima, determinandose, ao menos, a redução do montante exigido. 564. A Recorrente protesta pela sustentação oral do presente recurso, nos termos do Regimento Interno do E. CARF, requerendo seja previamente intimada nas pessoas dos seus representantes legais a seguir relacionados: RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS, OAB/SP n° 76.649, MARCO ANTÔNIO GOMES BEHRNDT, OAB/SP n° 173.362, e DANIELLA ZAGARI GONÇALVES, OAB/SP n° 116.343, respectivamente, com escritório localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima, 3144, 11° andar. São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator A primeira e principal matéria a ser enfrentada trata da classificação fiscal de pneus fabricados e/ou importados pela recorrente e destinados ao uso nos veículos mencionados. Fundamentos da classificação da PIRELLI: Nos autos constam que os pneus objeto da autuação são, conforme informação da PIRELLI, utilizados em veículos que se prestam a transporte de cargas e passageiros identificados como vans/microônibus, pickup, utilitários e SUVs. A recorrente classificou seus pneus no mesmo código tarifário daqueles utilizados em ônibus e caminhões NCM/Tipi 4011.20.90 e tomou por base a classificação indicada na Solução de Consulta nº 348/97, em que foi a própria consulente. Em verdade, a PIRELLI não afirma que os veículos em que serão utilizados seus pneus são ônibus e caminhões, apenas advoga a mesma classificação dos pneus utilizados nesses veículos com fundamento nas características (construção e capacidade de carga) que os aproxima de ônibus/caminhões e os afasta dos códigos destinados à veículos de passeio. Postula/Entende a recorrente que a inexistência de uma classificação específica que descreva expressamente a utilização dos pneus em vans/microônibus, pickup, utilitários e SUVs a fez aplicar as Regras "3a" e "4" da RGI, segundo o critério de semelhança dos pneus desses veículos com os de ônibus/caminhões. Fundamentos da classificação do Fisco: A fiscalização entende que somente os pneus exclusivamente utilizados em ônibus ou caminhões podem ser classificados no código pretendido pela recorrente 4011.20, Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 880 12 que consigna os pneus "Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões". Assim, assevera que qualquer outro pneu sem tal destinação terá classificação fiscal diferente da 4011.20. A aplicação das RGI "3a" e "4" são contrárias à RGI "1" o que impossibilita suas utilizações. Aduz que o argumento que o contribuinte empreendeu – de que não apenas os pneus usados em ônibus e caminhões, mas também de características similares, diante da expressão “tipos” da subposição 4011.20 , não tem qualquer sentido, pois, na realidade, a expressão é sinônimo de “modelos”. Salienta, que a resistência e durabilidade do pneu não é, de acordo com a lógica do sistema harmonizado, elemento de definição da classificação fiscal do produto, delineada pelo veículo em que ele é utilizado. Daí porque não teve essa autoridade fiscal como escapar de definir a classificação fiscal dos veículos em que os pneumáticos são comumente empregados. Conclui que, descartada a possibilidade de classificação na subposição 4011.20 (Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões) – e, sendo incontroversa a possibilidade de enquadramento nas subposições – apenas restaram, para classificar os pneus analisados, as posições 4011.10 (Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) e 4011.99.90 (Outros). Pois bem, cumpre colacionar os textos e códigos da classificação tarifária dos pneumáticos: 40.11 Pneumáticos novos, de borracha 4011.10.00 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões 4011.30 Dos tipos utilizados em veículos aéreos 4011.40 Dos tipos utilizados em motocicletas 4011.50 Dos tipos utilizados em bicicletas 4011.6 Outros, com bandas de rodagem em forma de "espinha de peixe" e semelhantes 4011.9 Outros 4011.92 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas agrícolas ou florestais 4011.93.00 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro inferior ou igual a 61cm 4011.94 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro superior a 61cm 4011.99 Outros Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 881 13 4011.99.10 Com seção de largura superior ou igual a 1.143mm (45”), para aros de diâmetro superior ou igual a 1.143mm (45”) 4011.99.90 Outros Os textos das posições, notas de Seção ou Capitulo não fazem qualquer referência a informações ou características técnicas de construção, formato da banda de rodagem (exceto para a posição 4011.6) e capacidade de cargas, como as apontadas em Laudo ou Manual para determinar a classificação de pneus. Sequer há notas explicativas do Sistema Harmonizado contemplem as classificações dos pneus. Depreendese que os textos das posições 4011 remetem a aplicação do pneus a determinadas categorias de veículos, a saber: caminhões e ônibus, automóveis, aeronaves, motocicletas, bicicletas, to tipo "espinha de peixe", máquinas agrícolas e, residualmente, outros. Firmado na premissa de que o Sistema Harmonizado (SH) não traz o código tarifário específico para pneus de vans/furgões, microônibus, pickup (caminhonetes), utilitários (camionetas) e SUVs impende verificar se conforme as disposições do próprio SH, além das normas técnicas que dispõem acerca de veículos e da legislação da Receita Federal, tais veículos podem ou não ser considerados caminhões/ônibus. A dificuldade se impõe quando se constata que o SH não define tais veículos de forma a diferenciálos de caminhões ou ônibus. Esta Turma analisou a classificação dos pneus utilizados em alguns desses veículos, utilizados no transporte de carga, em duas oportunidades1, com a manifestação de seus Conselheiros, por unanimidade de votos, que furgões/vans e caminhonetes incluemse na espécie de caminhões, conforme a adoção dos fundamentos do voto condutor no acórdão DRJ/Florianópolis/SC nº 730.385/2013, da lavra do AuditorFiscal Orlando Rutigliani Berri, cujos excertos reproduzo no que interessa à classificação dos veículos abordados neste tópico: "Dos trechos reproduzidos da posição 8704 podemos deduzir que a exceção tarifária “Ex 01 De camionetas, furgões, “pickups” e semelhantes” está inserida apenas na subposição composta 8704.21, que comporta os veículos automotores destinados ao transporte de mercadorias, concebidos com motor de pistão, de ignição por compressão (diesel ou semidiesel), de peso em carga máxima inferior a 5 toneladas, evidenciando também que os veículos denominados merceologicamente como camionetas, furgões, “pickups” e similares são uma espécie de caminhão cuja carga máxima em peso não pode superar 5 toneladas. Ademais, as Nesh dessa posição igualmente determinam que a classificação desses tipos de veículos é determinada em função de algumas características que indicam ser concebidos para o transporte de mercadorias e não de pessoas, especialmente quando se trata de informar a classificação daqueles veículos cuja carga em peso bruto é inferior a 5 toneladas, o que nos permite concluir que nessa categoria de veículos automotores estão compreendidos os conhecidos também como polivalentes, ou seja, os furgões, picapes e até certos utilitários esportivos. 1 Acórdãos nºs 3201002.874, de 26/06/2017 e 3201004.254, de 26/09/2018. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 882 14 Demais disso, corroborando com as Nesh, o material técnico que especifica os veículos que utilizam os pneus em apreço cabe destacar as seguintes características básicas: possuem componentes mecânicos, carroçaria com capacidade de carga superior a 1.500 kg e são compatíveis com o transporte de mercadorias em curtas, médias e longas distâncias." [...] Não bastasse o acima colacionado, a norma TB 152/1978 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), alterada para NBR 6067 após registro no IMETRO, Somente para pontuar, [...] convém observar também que a transcrita norma técnica não exige carroçaria do tipo plataforma nem separação dessa carroçaria da cabina do condutor para que se considere um determinado veículo como sendo um “caminhão”, destacando, em especial, sua capacidade de transporte de carga. A Administração Tributária também já se manifestou quando dispôs sobre o conceito de caminhão chassi e de caminhão monobloco. É o que evidencia a Instrução Normativa SRF nº 237/2002 (DOU 06.11.2002), vejamos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no § 2º, inciso I, do art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, resolve: Art. 1º Para fins do disposto no § 2º, inciso I, do art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, entendese: I caminhões chassi, como os veículos de capacidade de carga útil igual ou superior a 1.800 kg, classificados na posição 87.04 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, providos de chassi com motor e de cabina justaposta ao compartimento de carga; II caminhões monobloco, como os veículos de capacidade de carga útil igual ou superior a 1.500 kg, classificados na posição 87.04 da TIPI, com cabina e compartimento de carga inseparáveis, constituindo um corpo único, tal como projetado e concebido; III carga útil, como o peso da carga máxima prevista para o veículo, considerado o peso do condutor, do passageiro e do reservatório de combustível cheio. (...). Diante do entendimento exarado acima, entendo necessário identificar os veículos para transporte de cargas a que se destinam os pneumáticos submetidos à análise de classificação tarifária, com os parâmetros que se extraem dos incisos do art. 1º da IN SRF 237/2002. Dessa forma, a solução é a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a apresentar, em relação aos veículos de transporte de carga (ainda que não prioritariamente), quadro/planilha de correlação entre o pneumático e o(s) Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 883 15 veículo(s) a(aos) que(quais) se destina com as características técnicas (do veículo) que permita aferir o atendimento às especificações do inciso I ou II do art. 1º da IN SRF nº237/2002, comprovandose com documento (catálogo ou equivalente) do fabricante do veículo. Ressaltase dispensável, para efeitos da proposta de diligência, a análise em relação aos veículos microônibus uma vez que não contemplados nas definições da referida Instrução Normativa. Conclusão Diante do exposto, voto para que o julgamento do presente processo seja convertido em diligência com a remessa dos autos à Unidade de Origem para as seguintes providências, em relação aos pneumáticos utilizados em veículos de carga: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, podendo a autoridade fiscal acrescentar solicitações de informações ou elementos que julgar pertinentes ou relevantes à solução da lide, a: 1.1 Elaborar quadro/planilha que correlacione os pneumáticos submetidos à reclassificação fiscal com os veículos a que se destinam, e estes (veículos) sejam identificados com as especificações técnicas do fabricante, observando as definições de que tratam os incisos I e II do art. 1º da IN SRF nº 237/2002; 1.2 Apresentar documentação técnica demonstrando objetivamente as informações consignadas no quadro/planilha a ser elaborado; 2. Elabore relatório conclusivo quanto ao atendimento da intimação; 3. Dê ciência ao contribuinte e a oportunidade para se manifestar no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias. Encerrada a instrução processual, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1081DF CARF MF
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