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Numero do processo: 11516.002843/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO.
Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 - SRRF09/Diana.
Numero da decisão: 3301-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 - SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindo-se da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO. Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 SRRF09/Diana. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindose da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 43 /2 00 6- 51 Fl. 297DF CARF MF 2 Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 298 3 Relatório Por economia processual, adoto o relatório constante da decisão embargada (fls. 243 e seguintes dos autos): Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 176. Em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF e MPF Complementar nº 09.2.01.00.2005.0043561, fls. 1 e 2, a autoridade fiscal desenvolveu procedimento de fiscalização, tendo por objeto o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 170, no valor total de R$ 3.286.588,56. O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 1.543.947,07, a título de imposto, R$ 584.681,44 a título de juros de mora e R$ 1.157.960,05, a título de multa. Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindose, assim, em contribuinte do IPI. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 185, durante o procedimento de fiscalização foram efetuados outros autos de infração conforme processos 11516.002571/200609 e 11516.002677/200692, com as infrações neles apontadas. Quanto ao presente processo, as condutas infracionais imputadas ao contribuinte são as seguintes: a) A empresa adotou classificações fiscais para o produto CATALIZADOR PU resultando em falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, conforme DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no código 3824.90.32, com alíquota de 10% (fl. 108), tem por base as informações prestadas pela empresa e está amparada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 6ª e notas explicativas nº 1, do capítulo 29, nº 4 do capítulo 32 e nº 3 da posição 3909 (IN 123/98), conforme detalhado nos itens 3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. b) Os SOLVENTES E DILUENTES, segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 3ª “a”, estão classificados na TIPI no código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). Das classificações adotadas pela empresa resultou falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal, por infringência ao disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). Fl. 299DF CARF MF 4 Foi elaborado o DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO – THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/10/2006 e apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade fiscal não ter alicerçado seu entendimento em prova pericial; 2. Inobservância por parte da autoridade administrativa do princípio do ônus da prova, assentandose o lançamento tributário em suas interpretações próprias; 3. Reprodução das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), alegando, ao final, não ser lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta”; 4. Afirma que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta, não devendo prevalecer aquela adotada pela autoridade fiscal, podendo o produto CATALISADOR PU ser classificado nos capítulos 39 ou 32, bastando ser considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundouse, tão somente, à falta de provas de que referido produto contivesse componentes aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de juros com base na taxa SELIC. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 11516.002843/200651 Interessado FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA CNPJ/CPF 85.111.441/000113 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não tendo o contribuinte apresentado argumentos suficientes para ilidir a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa, que se mostra correta, há de se manter o lançamento de ofício. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 299 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de catalisadores, também chamados endurecedores, e dependendo do tipo do produto a classificação fiscal é diferente. Aduzindo também que na verdade o Fisco não teria discordado da classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 20.10.2003 havia formulado referidos produtos com 65% ou mais de solventes aromáticos em sua composição, e como não teve oportunidade de juntar as suas ordens de produção, a autoridade simplesmente adotou a presunção, sem contudo certificarse de provar que os mencionados produtos não tinham mais de 65% de componentes aromáticos em sua formulação. Afirma por fim ter ocorrido vício material insanável, distante do erro de classificação fiscal quanto aos produtos “catalisadores pu”, bem como que teria sido contrariado o efeito vinculante da Solução de Consulta nº 117 – SRRF09/Diana, e em relação aos thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou mais em sua formulação de solventes aromáticos. Ao analisar o caso, este Conselho entendeu, através do Acórdão nº 3301 002.117, por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, sob o fundamento de que, para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, seria necessário que o interessado comprovasse com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido. O contribuinte, então, interpôs embargos declaratórios, através dos quais alega que a decisão recorrida teria incorrido nos seguintes vícios: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); Fl. 301DF CARF MF 6 (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES, a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. Ato contínuo, em sessão realizada em 28/09/2016, este Conselho entendeu por converter o julgamento em diligência, para que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana. Cumprida esta diligência, os autos retornaram a esta julgadora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 300 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios opostos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Conforme relatado acima, foram três os fundamentos apresentados pelo embargante em seu recurso, quais sejam: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. Quanto ao item (i), entendo que não assiste razão à Embargante. Isso porque, embora tenha a decisão recorrida mencionado que o recurso voluntário teria reiterado os termos da impugnação, o fato de a Recorrente ter trazido argumentos novos em seu recurso não leva à existência de omissão/erro material da decisão recorrida. O Julgador não precisa tratar necessariamente sobre todos os argumentos trazidos aos autos pelo contribuinte, bastando que fundamente a sua decisão em elementos suficientes à conclusão a que chegou em seu julgado. No que tange ao item (iii), entendo que tampouco assiste razão ao contribuinte. Isso porque, verificase que a decisão recorrida não foi omissa neste ponto, tendo tratado sobre o tema, ainda que de forma sucinta. É o que se extrai da transcrição a seguir: Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Fl. 303DF CARF MF 8 Ou seja, entendeu o julgador naquela oportunidade que, para fazer jus à classificação que lhe atribuía alíquota de 0%, deveria o contribuinte comprovar que o produto preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento, e que o contribuinte não teria se desincumbido deste ônus. Não há que se falar, portanto, em omissão do julgado recorrido, mas em insurgência do contribuinte quanto ao seu conteúdo, o que não se pode admitir em sede de embargos declaratórios. Quanto ao item (ii), alega o contribuinte que teria havido omissão/erro material em razão de o relator ter deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão), tendo consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material). Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Para que melhor se compreenda a discussão ora em debate, transcrevemse as passagens dos seguintes documentos constantes dos autos: (a) decisão da DRJ; (b) decisão do CARF; (c) embargos declaratórios opostos pelo contribuinte: Decisão da DRJ (fl. 209 dos autos) Ao querer atribuir validade ao lançamento somente após “parecer técnico”, a interessada deturpa integralmente o instituto. Curioso, que a própria interessada poderia ser mais diligente na classificação fiscal de seus produtos, inclusive utilizandose de perícias, ou de modo mais eficaz, de consulta fiscal, o que não fez. Ressaltese que a interessada não está obrigada a solicitar esclarecimentos prévios sobre eventual classificação fiscal de seus produtos, seja em consulta fiscal ou parecer técnico, sendo de sua exclusiva responsabilidade os atos de sua iniciativa, nos termos do artigo 20 e seu parágrafo único da Lei 4.502/64. Art . 20. O lançamento consistirá na descrição da operação que o originar e do produto a que se referir, na classificação fiscal dêste no cálculo do impôsto devido e no registro de seu valor, em parcela destacada, na guia ou na nota fiscal em que deva ser efetuado. Parágrafo único. O lançamento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte. Nesse sentido, se comprovado pela autoridade fiscal que o contribuinte errou na classificação fiscal de seus produtos, legítima e necessária a reclassificação fiscal, em obediência às normas de tributação, ainda que essa reclassificação seja mais onerosa ao contribuinte, não configurando postura odiosa por parte do Ente tributante e sim obediência à legalidade. Acórdão nº 3301002.117 (fls. 246/247 dos autos) De acordo com a decisão recorrida a interessada, ora Recorrente, adotou, para um mesmo produto, várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 301 9 Em sua defesa, para este produto, conforme fls. 195, a interessada afirma que a classificação fiscal por ela adotada está correta, afirmando através das informações técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: CATALISADORES Os produtos 175.010, 273.927, 273023, 273.725, 273.730, 273.925, 273.828, 273.750, 273.033, 273.021, 573.600 e 573.700 a partir de 02/06/2005 alteramos a classificação fiscal para 2929.1029. De acordo com a descrição abaixo através de uma análise técnica e comparação com o praticado no mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima descrito e por nós comercializado; THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em volume) de solventes aromáticos em sua formulação Desta forma, conforme bem fundamentou o acórdão recorrido, para um mesmo produto, a interessada, ora Recorrente adotou várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Na análise dos autos, verifico que as regras foram devidamente observadas e os produtos devidamente classificados. Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Grifos apostos). Embargos declaratórios (fls. 252/253) "Notese que em seu recurso voluntário a recorrente, primeiro, suscitou a necessidade de cancelamento do ato fiscal pela ocorrência de vício material insanável, pois, no que tange aos CATALISADORES PU, a autoridade notificante não aprofundou sua análise a cada tipo de produto industrializado pela recorrente, partindo da premissa de que existe apenas um tipo de CATALISADOR PU, e que, por isso, todos eles mereceriam ser indistintamente classificados sob a NCM 3824.90.32, o que ficou demonstrado ser um erro, principalmente, pela conclusão diversa a que chegou a própria Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, de 18 de maio de 2010, que foi trazida aos autos por ocasião do recurso voluntário, segundo a qual tais produtos deveriam se classificar nas NCM 3208.90.39 e 3911.90.29. Fl. 305DF CARF MF 10 Acontece que, laborando com omissão e também erro material, o acórdão deixou de analisar a classificação dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente e consignou que, conforme afirmado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela recorrente. Todavia, nesse ponto, o vício é grosseiro. A uma, porque a decisão de primeira instância em momento algum se referiu à existência ou inexistência de qualquer Solução de Consulta, pois este tema definitivamente não havia sido objeto da impugnação. A duas, porque não poderia ser mesmo objeto da impugnação qualquer Solução de Consulta, já que a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana é de 18.05.2010, enquanto a impugnação data da 16.11.2006. Portanto, é cronologicamente impossível ter havido o debate sobre a validade de Solução de Consulta na impugnação. Por isso é que a recorrente trouxe à baila, na íntegra, a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana quando do seu recurso voluntário. A três, porque, ao partir dessa premissa, o acórdão embargado deixou de se manifestar quanto ao vício da notificação fiscal por colidência com o resultado da Solução de Consulta e o efeito vinculante desta, suscitado com base no princípio da retroatividade benigna da lei tributária". Consoante se extrai da análise da decisão embargada, verificase que esta, de fato, incorreu em erro material ao dispor que "a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta". Isso porque, consoante apontou a Embargante, a indicação da solução de consulta que pretendia ver analisada (Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010) ocorreu apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, não tendo sido objeto da Impugnação apresentada em 2006 pelo contribuinte. Logo, entendo que a DRJ, ao dispor que não fora apresentada consulta por parte do contribuinte, o fez em sentido genérico, dispondo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar que a classificação fiscal realizada pelo mesmo havia se dado corretamente. Ou seja, não tratou a decisão da DRJ da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010. Contudo, uma vez apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário um argumento novo, atinente à existência da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, este Conselho deveria ter se pronunciado sobre o mesmo, tendo a decisão embargada incorrido em omissão/erro material ao não fazêlo. Até porque, à primeira vista, apresentavase relevante do argumento trazido à tona pelo contribuinte, qual seja, existência de Consulta Fiscal em que a própria Receita Federal teria concluído pela classificação fiscal de determinados produtos objeto da presente autuação nos NCMs 3208.90.39 e 3911.90.29. A importância dessa análise decorria ainda do argumento do contribuinte de que a referida empresa produziria 20 tipos diferentes de CATALISADORES PU, ao passo que a fiscalização teria considerado todos como sendo um só produto. A distinção entre os referidos CATALISADORES teria sido analisada na referida Solução de Consulta. Porém, embora o contribuinte tivesse alegado a existência da referida Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, tendo transcrito passagens da mesma em seu Recurso Voluntário, não havia juntado aos presentes autos o seu inteiro teor. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 302 11 Diante disso, a presente demanda foi convertida em diligência, no intuito de que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, para que este Conselho pudesse analisar a sua extensão e aplicabilidade ao caso concreto ora analisado. Uma vez juntada a referida solução de consulta, podese verificar que esta teve como interessada a Farben S/A Indústria Química, teve por objeto o "endurecedor PU", vulgarmente denominado "catalisador PU", e concluiu que as mercadorias consultadas deveriam ser classificadas nos códigos 3208.90.39 (alíquota de 10%), produtos indicados na Tabela 1, e 3911.90.29 (alíquota de 5%), produtos indicados na tabela 2. Ocorre que, embora a decisão embargada tenha sido omissa quanto à apreciação da referida solução de consulta, a sua análise não socorre o contribuinte para fins de embasar a classificação fiscal adotada pelo mesmo. Isso porque, naquele documento, foram indicadas como corretas as seguintes classificações fiscais: 3208.90.39 e 3911.90.29. Acontece que o contribuinte adotou classificações fiscais distintas, consoante se extrai do esclarecimento prestado pelo mesmo (vide fl. 178 dos autos): Porém, embora a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana não socorra o contribuinte em sua pretensão de justificar a classificação fiscal por ele adotada, serve para demonstrar que tampouco a classificação fiscal adotada pela fiscalização, considerando uma mesma classificação fiscal para todos os CATALISADORES PU de forma indistinta, estava correta. Notese que a solução de consulta analisou os seguintes produtos: De outro norte, extraise do auto de infração aqui combatido que foi objeto de fiscalização os seguintes produtos: Fl. 307DF CARF MF 12 Ou seja, é inconteste que há identidade entre certos produtos analisados. E, consoante destacou o contribuinte em seu Recurso Voluntário, a referida solução de consulta identificou a classificação correta de acordo com cada código do produto ali analisado (vide tabelas 1 e 2 às fls. 278/281). Sendo assim, entendo que a apresentação da referida solução de consulta faz prova em favor do contribuinte, no sentido de demonstrar, quanto a determinadas mercadorias, a classificação correta a ser considerada no caso concreto aqui analisado. E, uma vez identificada que a classificação correta era diversa da apontada pela fiscalização, há de ser reconhecida a improcedência do auto de infração quanto a tais mercadorias específicas. Nesse sentido, trazse à colação decisão desta turma julgadora: Acórdão: 3301003.147 Número do Processo: 10831.724290/201465 Data de Publicação: 02/05/2017 Contribuinte: PADTEC S/A Relator(a): LIZIANE ANGELOTTI MEIRA Ementa: Classificação Fiscal Período de apuração: 2006 a 2010 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Recurso Voluntário Provido Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Diante do acima exposto, entendo que deverão ser parcialmente acolhidos os embargos declaratórios opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para fins de sanear a omissão apontada e, com base na análise da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, concluir que o Recurso Voluntário deverá ser parcialmente provido, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, excluindose da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta. É como voto. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 303 13 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 309DF CARF MF
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Numero do processo: 14090.720754/2017-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADES. ORIENTAÇÃO ADMINISTRATIVA
O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício quando o contribuinte se orienta de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal.
Não é o caso dos autos, tendo em vista que a multa de ofício foi aplicado por infração diversa daquela estampada nos precedentes citados pela contribuinte.
Numero da decisão: 3301-006.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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APLICAÇÃO DE PENALIDADES. ORIENTAÇÃO ADMINISTRATIVA O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício quando o contribuinte se orienta de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal. Não é o caso dos autos, tendo em vista que a multa de ofício foi aplicado por infração diversa daquela estampada nos precedentes citados pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 72 07 54 /2 01 7- 89 Fl. 10474DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 397413) opostos contra acórdão nº 3301005.546 proferido por esta turma ordinária em sessão de 28/11/2018, com argumentos de omissão ou contradição em diversos pontos da referida decisão. No entanto, apenas um ponto foi admitido pelo despacho de admissibilidade (fls. 469472) e, por bem resumir, transcrevo abaixo para fazer parte do relatório: A leitura dos embargos de declaração do contribuinte revela que, exceto em relação à aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, não foram alegados os vícios que rendem ensejo ao manejo do referido recurso, mas sim deduzidos argumentos que visaram atacar o julgado, objetivando sua reforma pela mesma instância em que foi proferido, o que não é a função dos embargos de declaração. Com efeito, alegar que o Acórdão manteve o auto de infração com fundamentação diferente daquela originalmente invocada pelo fisco não caracteriza contradição entre as premissas e a conclusão do julgado, mas sim verdadeira reação contra seus fundamentos, objetivando obter sua reforma pela mesma instância na qual foi proferido.. Também no que tange à alegação de suposta contradição na análise dos laudos do INT e do laboratório Falcão Bauer, a embargante está reagindo contra a valoração da prova efetuada pelo colegiado, pois a suposta contradição só existiria se a premissa levantada pela recorrente no parágrafo 4.3 dos embargos fosse verdadeira, qual seja: "a única conclusão possível" a ser extraída do laudo do INT é a de que os kits são um produto único. Caso contrário, se essa premissa não for verdadeira, então não haveria contradição alguma no julgado. Para avaliar se a premissa dos embargos é ou não verdadeira, o colegiado teria que reexaminar a prova, ou seja, julgar o processo novamente. Os embargos de declaração não se prestam para forçar o colegiado a revolver o conjunto probatório. O mesmo se diga quanto à suposta contradição na análise dos Atos da Suframa, pois do fato de o colegiado ter admitido a existência de tais atos, não decorre logicamente a conclusão de que eles se pronunciaram sobre a classificação fiscal dos concentrados. A embargante está fazendo um jogo de palavras em seu recurso, pois se "manifestar quanto à natureza do produto" é coisa completamente distinta de se manifestar quanto à classificação fiscal do produto. Aliás, o relator deixou essa circunstância bem clara nos seguintes excertos do voto condutor, in verbis: "(...) Também não assiste razão os argumentos acerca da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos objeto de projetos industriais aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais. Isso porque é atribuição da Receita Federal do Brasil o desenvolvimento desta tarefa, nos termos do art. 30 do Decreto nº Fl. 10475DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301006.085 S3C3T1 Fl. 10.475 3 70.235/1972. Ademais, o Fisco, no TVF, consignou que a SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos em questão, tendo a classificação fiscal sido colocada no projeto e avaliação técnica trazida pela própria RECOFARMA para aprovação do projeto e obtenção da sua aprovação pela SUFRAMA. Compete à SUFRAMA a fiscalização do atendimento aos requisitos para gozo da isenção, mas o atendimento da legislação tributária, incluindose classificação fiscal e a alíquota utilizada pelos adquirentes para cálculo dos créditos, é tema de fiscalização da RFB. (...)" Portanto, não existe contradição alguma no fato de admitir a existência dos atos da Suframa e decidir que aquele órgão não se pronunciou sobre o enquadramento dos concentrados na Nomenclatura porque ele não tem competência para realizar esse mister. Por fim, quanto à aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, verificase que a defesa alegou no item 7 do recurso voluntário, folhas 10.147 e ss. que a multa de ofício seria inaplicável nos casos em que os contribuintes agem conforme entendimento fixado em decisão administrativa irrecorrível. Consultando a decisão embargada, verificase que assiste razão a embargante quanto a omissão alegada. A decisão guerreada não se manifestou sobre a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. Com esses fundamentos, valhome do art. 65, § 3º do RICARF, para rejeitar em caráter definitivo os embargos de declaração, em relação às contradições alegadas, em virtude da inexistência dos vícios e da improcedência das alegações e acolho os embargos de declaração, relativamente à omissão na apreciação da aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. (grifei) É o relatório Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Conforme apontado na síntese acima, a Embargante trouxe em seu recurso voluntário o argumento subsidiário para o afastamento da multa de ofício. Assim, caso mantida a autuação, sob a alegação de que entendia não ter a obrigação de conferir a classificação fiscal adotada pelo seu fornecedor RECOFARMA na nota fiscal quando do recebimento das mercadorias. Afirma a Embargante, e também afirmou em seu Recurso Voluntário, a existência de decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 0202.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro ANTONIO CARLOS Fl. 10476DF CARF MF 4 ATULIM; 0202.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO e 02 0.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA) Em vista disso, como decorrência do princípio da confiança, o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício, verbis: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; Realmente, não foi proferida decisão sobre este ponto, havendo omissão. O contexto é o art. o art. 62 da Lei nº 4.502/1964, que estabelece o dever do adquirente de verificar se os produtos adquiridos para utilização em sua produção apresentam correção nas notas fiscais, isto é, se este documento atende as prescrições da legislação. O questionamento é se este dispositivo exige ou não que se examine a classificação fiscal dos produtos dada pelo fornecedor. Ressaltese que no voto Embargado restou consignado que sim, a classificação fiscal está inserida neste dispositivo: Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. (grifei) Os regulamentos do IPI anteriores, ao regulamentar o art. 62 do da Lei 4.502/1964, traziam consigo uma disposição expressa de que a verificação das "prescrições legais" das notas fiscais incluíam a classificação fiscal, porém, na atual redação do dispositivo dada pelo Art. 327 do RIPI/2010, tal especificação foi retirada do texto, passando a ter a mesma redação do art. 62 do dispositivo legal retrocitado. As decisões administrativas citadas pela Embargante afastaram as penalidades aplicada sobre a obrigatoriedade da conferência das notas fiscais para fins de identificar se atendiam todas "as prescrições legais e regulamentares". Estas decisões tratam da discussão se nesta exigência estão inseridas ou não a conferência da correção da classificação fiscal. Pois bem, ao analisar os precedentes citados pela ora Embargante, constatase que não estão relacionados com o caso dos autos. Isso porque, no caso em análise, foi aplicada a multa de ofício prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/1964. Esta sanção é aplicada para os Fl. 10477DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301006.085 S3C3T1 Fl. 10.476 5 casos de falta de pagamento de imposto, tendo a Embargante incorrido nesta hipótese de incidência por ter escriturado um crédito de IPI a maior do que o devido, com base em classificação fiscal equivocada. Nos precedentes citados pela Embargante a infração é outra, específica para o art. 62. A sanção é a seguinte: caso o adquirente de uma mercadoria detecte equívocos no documento fiscal que desobedeçam as prescrições legais e regulamentares, deve informar o fornecedor e o Fisco; a falta do cumprimento deste dever incorre em uma sanção. Assim, a discussão destes precedentes gira em torno da obrigação de o adquirente comunicar ao fornecedor e ao fisco, eventuais irregularidades da nota fiscal de aquisição. Referidos precedentes tratavam de fatos geradores ocorridos sob a vigência do RIPI/1982 ou do RIPI/1998 que previam esta penalidade em seus artigos 368 e 465, respectivamente, que nada mais faziam do que repetir a penalidade prevista no art. 82 da Lei nº 4.502/1964. No atual regulamento vigente, RIPI/2010, a penalidade é a mesma e o dispositivo equivalente é o art. 575. Esta penalidade é aplicada especificamente para o contexto do art. 62 acima transcrito, onde se prevê, como no caso de seu § 1º, a obrigação de informar o Fisco caso o adquirente verifique alguma incorreção na nota fiscal. Caso o adquirente não realize esta comunicação, será penalizado com a sanção prevista no art. 82, verbis: Art . 82. A inobservância das prescrições do artigo 62 e de seus parágrafos, pelos adquirentes e depositários ali mencionados, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao produtor ou remetente dos produtos pela falta apurada, considerada, porém, para efeito de fixação e graduação da penalidade, o capital registrado daqueles responsáveis. Nos precedentes citados pela Embargante esta penalidade foi afastada porque havia uma discussão sobre se o adquirente estava obrigado a verificar a correção da classificação fiscal estampada no documento fiscal emitido pelo fornecedor, isto é, se na expressão sobre se os documentos fiscais "satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares" constante na parte final do art. 62 da Lei nº 4.502/1964 inclui a verificação da classificação fiscal. O entendimento foi que a verificação da classificação fiscal não estava incluída. Inclusive, um dos acórdãos ainda ressalta que há dúvida na interpretação na expressão "prescrições legais e regulamentares", havendo fortes argumentos tanto para se entender que não está incluída a necessidade de verificar a classificação fiscal, quanto que está incluída. Daí porque, diante da dúvida, referido acórdão (nº 202118.900) aplicou o art. 112, I do CTN para afastar a penalidade do art. 82 da Lei nº 4.502/1964. Entretanto, a autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo Embargante, da correção da classificação fiscal adotada pelo fornecedor e seu consequente dever de informar o Fisco os eventuais equívocos encontrados. A multa aplicada não foi por causa desta falta. A multa de ofício aplicada na presente autuação fiscal é prevista no art. 80 da Lei 4.502/1964 e foi aplicada em razão da falta de recolhimento de imposto, por se ter Fl. 10478DF CARF MF 6 constatado que a Embargante se creditou indevidamente do IPI com base em classificação fiscal equivocada, gerando um grande volume de créditos, que culminou na falta de pagamento do imposto. Esta foi a sanção aplicada no auto de infração e julgada por esta turma no acórdão ora Embargado. A Embargante utiliza jogo de palavras para confundir os julgadores, já que a multa de ofício não foi aplicada porque deixou de conferir a nota fiscal e informar os equívocos como ordena o art. 62 da Lei nº 6402/1964, o que poderia até lhe dar guarida por existir estas raras decisões da CSRF afastando a penalidade pela falta de informação se o equívoco ou divergência for em relação à classificação fiscal. Este argumento da conferência ou não é absolutamente lateral no caso dos autos, já a multa foi aplicada porque não houve recolhimento do imposto, justamente porque a Embargante se pautou em classificação fiscal equivocada, inclusive já afirmada na Solução de Consulta SRRF02/Diana nº 5/2010, de 20/05/2010 (anterior aos fatos geradores), ratificada pela Informação Coana/Ceclam nº 8/2015, no sentido de que a classificação correta do denominado kit é a 2106.9010, sem o ex trarifário. Desta feita, os precedentes citados pela Embargante, como decisões administrativas de última instância que orientaram sua conduta, não prestam para o caso em análise, pois tratam de outra sanção, diversa da dos autos, sendo assim, não se aplica o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964. Tratase de assunto que não foi objeto da autuação fiscal, por mais que ventilado em sede de recurso voluntário e que, em verdade, no julgamento do recurso, deveria ser matéria não conhecida. CONCLUSÃO Isto posto, acolho os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 10479DF CARF MF
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Numero do processo: 14090.720754/2017-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013
COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ACERCA DA MATÉRIA SOLIDIFICADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO
A existência de coisa julgada permitindo o crédito de IPI na aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus impede a análise do crédito presumido na instância administrativa.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE.
A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito.
COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DADA PELO FORNECEDOR DOS PRODUTOS. NECESSIDADE DE CONFERÊNCIA PELO ADQUIRENTE.
Em razão da não cumulatividade do IPI e de sua sistemática imposto sobre imposto, o adquirente de produtos industrializados deve conferir se a nota fiscal atende todas as prescrições legais e regulamentares, conforme art. 62 da Lei nº 4.502/1964, aí se incluindo a classificação fiscal.
Numero da decisão: 3301-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ACERCA DA MATÉRIA SOLIDIFICADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO A existência de coisa julgada permitindo o crédito de IPI na aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus impede a análise do crédito presumido na instância administrativa. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 72 07 54 /2 01 7- 89 Fl. 10355DF CARF MF 2 Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DADA PELO FORNECEDOR DOS PRODUTOS. NECESSIDADE DE CONFERÊNCIA PELO ADQUIRENTE. Em razão da não cumulatividade do IPI e de sua sistemática imposto sobre imposto, o adquirente de produtos industrializados deve conferir se a nota fiscal atende todas as prescrições legais e regulamentares, conforme art. 62 da Lei nº 4.502/1964, aí se incluindo a classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de auto de infração (fls. 0215) lavrado em 15/09/2017 para constituição de crédito tributário de IPI na monta de 63.270.378,60 (sessenta e três milhões, duzentos e setenta mil, trezentos e setenta e oito reais e sessenta centavos) para o período que compreende o 04º trimestre de 2012 até 04º trimestre de 2013. A acusação fiscal reside na utilização de crédito indevido, sob a rubrica "outros créditos", decorrentes da aquisição de insumos (kits de concentrados) da RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ nº 61.454.939/000106, para a fabricação de refrigerantes. As verificações acerca da correta apuração do IPI devido, objeto deste Auto de Infração, foram realizadas quando da análise de 05 Pedidos de Ressarcimento (PERDCOMP) referentes aos Períodos de Apuração (PA) 4º Trimestre/2012 a 4º Trimestre/2013, apresentando também pedidos de compensação DCOMP para utilização dos supostos créditos referentes ao Ressarcimento de IPI para quitação de débitos tributários junto à Fazenda Nacional. Fl. 10356DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.356 3 Depreendese do relatório fiscal de fls. 1642 que a análise dos créditos pleiteados no PER foram confrontados e confirmados com a Escrituração Fiscal Digital – EFD IPI do contribuinte, onde se verificou que a maior parte dos créditos do IPI escriturados é oriunda de insumos destinados à fabricação de bebidas (refrigerantes, especialmente) adquiridos de RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA (doravante RECOFARMA), CNPJ 61.454.393/000106, empresa situada na Zona Franca de Manaus. Consta ainda deste relatório que se tomou prova emprestada do processo nº 10010.038171/061691 quanto às informações detalhadas do processo produtivo do contribuinte, quanto à auditoria in loco no estabelecimento do sujeito passivo, bem como em relação às informações prestadas pelo seu principal fornecedor de matériasprimas, a empresa RECOFARMA. Afirma a autoridade fiscal que a autuação fundamentase em duas partes distintas e independentes, a PARTE I, correspondente aos créditos incentivados indevidos do IPI oriundos de produtos não elaborados com matériasprimas extrativas vegetais de produção regional e a PARTE II, correspondente aos créditos incentivados do IPI aproveitados indevidamente em função de erro de classificação fiscal e alíquota. Parte I créditos incentivados indevidos do IPI oriundos de produtos não elaborados com matériasprimas extrativas vegetais de produção regional A fiscalização afirmou que a maior parte dos créditos de IPI escriturados pela fiscalizada no período sob análise (4º trimestre/2012 a 4º trimestre/2013) é oriunda de insumos destinados à fabricação de refrigerantes, descritos na NF como “concentrados” ou "kits de concentrados" (NCM 2106.90.10), adquiridos da empresa RECOFARMA localizada na Zona Franca de Manaus. Os produtos são comercializados por RECOFARMA em forma de kits constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada componente sai do estabelecimento industrial em embalagem individual. Fl. 10357DF CARF MF 4 Todavia, não há destaque de IPI nas notas fiscais de saída emitidas pela RECOFARMA, pois entendese que os produtos estariam isentos do imposto com base no art. 81, incisos I e II; e art. 95, inciso III (c/c art. 237) do RIPI/2010 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, instituído pelo Decreto nº 7.212, de 15/06/2010. A autuada, ora Recorrente, escriturou crédito por estas aquisições isentas dos kits de concentrado, como se tributado fosse. A alíquota de IPI vigente à época dos fatos (4º Trim./2012 a 4º Trim./2013) para os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 era de 20% (Decreto nº 7.660, de 23/12/2011, alterado pelos Decreto nº 7.742, de 30/05/2012, e Decreto nº 8.017, de 17/05/2013). Estes concentrados adquiridos de fornecedores localizados na ZFM, gozam da isenção prevista no art. 81, II do RIPI/2010. Em razão deste dispositivo, os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional, estarão isentos se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico. Para este benefício fiscal, não há previsão legal permitindo o crédito de IPI, aplicandose a alíquota correspondente na TIPI para a classificação fiscal do produto. Assim, não haveria possibilidade de crédito para estas aquisições. Intimada para justificar a razão do creditamento, a Recorrente informou a existência de coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834 que assegurou aos associados da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC), da qual a Recorrente faz parte, o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos oriundos da ZFM (petição inicial do MSC em fls. 166184) e também em razão do o entendimento do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), exposto no julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 212.484RS, que asseguraria o mesmo direito. A fiscalização descartou a argumentação e entendeu que o crédito é indevido, isso porque o RE 212.484RS citado tem aplicação apenas entre as partes e não alcança a Recorrente. Quanto ao Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes de CocaCola (AFBCC) perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, a fiscalização também afastou os efeitos da coisa julgada no caso, porque, nos termos do que declarado pelo STF, em sessão Plenária realizada em 30/04/2014, em que se julgou o Agravo Regimental na Reclamação nº 7778, que por sua vez foi ajuizada em face do suposto descumprimento da decisão proferida naquele Mandado de Segurança Coletivo, o provimento judicial proferido naquela ação coletiva teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, território do órgão prolator da decisão, nos termos do art. 2ºA da Lei 9.494, o que não alcança a autuada (domiciliada fora do RJ). Esta Parte I do relatório fiscal também analisa a possibilidade de créditos decorrentes do art. 237 e 95, III, do RIPI/2010. Este permissivo legal garante o direito ao crédito pelas aquisições de produtos isentos, como se devido fosse, desde que sejam produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, desde que os projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA e desde que o bem seja empregado pelo adquirente como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. Fl. 10358DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.357 5 A fiscalização entendeu que a Recorrente atendeu todos os requisitos exigidos por este dispositivo legal, exceto a condição de ser matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. Intimada a prestar esclarecimentos sobre se utiliza matéraprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional para a produção dos kits, a Recorrente afirmou que estas aquisições se referiam ao açúcar utilizado na produção do caramelo e do ácido cítrico, álcool neutro, também proveniente da canadeaçúcar e o extrato de guaraná, proveniente da semente do guaraná. Afirmou que toda a canadeacúcar e semente de guaraná utilizados são produzidas por Agropecuária Jayoro, localizada na Amazônia Ocidental. A fiscalização entendeu que nenhum dos três itens informados pela RECOFARMA pode ser caracterizado como matériaprima agrícola e extrativa vegetal, pois nenhum deles é resultado de processo de extração de um vegetal. Tratamse, efetivamente, de produtos industrializados a oriundos da matériaprima vegetal canadeaçúcar (açúcar e álcool neutro) e da semente de guaraná (extrato de guaraná). Assim, levandose em conta que a Lei determina, para o gozo da isenção (art. 6º, caput, do DL 1435/72, base legal p/ isenção do art. 95, III, do RIPI/2010), que os produtos sejam produzidos com MATÉRIA PRIMA agrícola ou extrativa, e não com PRODUTO INTERMEDIÁRIO, a fiscalização realizou a glosa dos créditos indevidamente escriturados no RAIPI. Afirmou a fiscalização que para esta isenção do art. 95 do RIPI/2010 e art. 6º do DL 1.435/1972, não é exigido o despacho da autoridade administrativa de que trata o art. 179 do Código Tributário Nacional. O papel da SUFRAMA é aprovar os projetos para fruição do benefício fiscal, no entanto, inexiste na legislação qualquer norma que limite total ou parcialmente o exercício da competência da RECEITA FEDERAL na fiscalização do benefício sob análise, pois, para usufruir do benefício, as empresas precisam atender a todos os requisitos previstos na legislação, e não só aquele constante do § 2º do art. 6º do DL nº 1.435/75. PARTE II – Créditos incentivados do IPI aproveitados indevidamente em função de erro de classificação fiscal e alíquota Como acusação independente da parte I, afirmou que houve erro na classificação fiscal do produto fornecido pela RECOFARMA, o que permite a glosa, pois a classificação correta tem uma alíquota igual a zero. Assim, não haveria crédito, já que o valor do IPI calculado sobre os produtos em questão, como se devido fosse, seria zero. A fiscalização realizou a coleta dos kits elaborados pela RECOFARMA, bem como juntou aos autos fotos dos kits (fls. 302313; 343359) e pediu a elaboração de laudo pericial pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. Assim, solicitou exame laboratorial para que os Laudos de Análise apresentassem dados técnicos sobre os produtos, em especial a identificação dos ingredientes contidos em cada parte dos kits. Os resultados dos exames laboratoriais solicitados pela fiscalização constam de Laudos de Análise que foram anexados ao presente processo (fls. 64101). Afirmou a fiscalização que os "kits de concentrado" não é uma mercadoria única. Os kits (concentrados) para fabricação de refrigerantes são constituídos de dois ou mais componentes (ou partes), sendo que cada componente está acondicionado em embalagem Fl. 10359DF CARF MF 6 individual (bombona, saco, garrafão, caixa ou contêiner), cujo conteúdo de cada parte pode ser líquido ou sólido. Esses componentes dos kits são misturados, operação de industrialização em que o engarrafador adiciona água e açúcar, adicionando cada parte do kit por vez. A preparação líquida, então, se torna um xarope composto que passa por tratamento complementar, adicionandose água e gás carbônico, resultando o refrigerante pronto para ser consumido. A fiscalização afirmou que as empresas tratam os kits como uma mercadoria única por uma decisão comercial, denominada de “concentrado”, aplicando a alíquota prevista para o Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, e não por uma imposição da realidade técnica e/ou mercadológica. Neste sentido, não haveria impedimento para que cada componente de kits para fabricação de bebidas fosse fabricado e vendido por um estabelecimento diferente, nem para que o fornecedor efetuasse remessas em separado dos componentes dos kits, e nem para que fosse especificado o preço cobrado por cada componente. A fiscalização questionou a classificação fiscal no Ex 01 do código 2106.90.10, estabelecendo que para este enquadramento o produto deve satisfazer os seguintes requisitos: a) Que seja uma preparação composta. b) Que não seja alcoólica. c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. No entendimento da fiscalização, tais preparações não atendem às condições citadas nas letras “c” e “e”, acima. Nenhum componente dos kits, isoladamente considerado, nem em conjunto como um kit, pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. Para que ficasse caracterizado um produto chamado de "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, tanto que as empresas criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam uma mercadoria única. Afirmou que não se pode atribuir capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para fabricação de bebidas. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físicoquímicas da bebida que se pretende comercializar. Afirmou que o laudo pericial, elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, aos responder os quesitos, afirmou que as partes dos kits concentrados vendidos pela RECOFARMA não podem ser considerados como extrato concentrado ou sabor concentrado. A fiscalização ainda afirmou que nenhuma das partes que compõe os kits adquiridos pela autuada, quando individualmente considerada, pode ser classificada na Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, já que o concentrado só surge quando o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit é misturado, ou seja, por meio de um processo de industrialização (transformação) realizado depois da venda. Fl. 10360DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.358 7 Concluiu também pelo não atendimento do requisito arrolado no item “e", que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”, pois pela mera diluição do produtos não se alcança a bebida final. Por isso, os produtos vendidos pela RECOFARMA não podem ser considerados "concentrados", pois, se diluídos, não apresentam mais as mesmas características de identidade e qualidade da bebida, conforme § 4º do artigo 13 e artigo 30 da Lei nº 8.918/1994. Para a classificação fiscal, a autoridade fiscal assim concluiu: Em procedimentos fiscais recentes, constatouse que os componentes mais importantes dos kits para fabricação de bebidas são aqueles que contêm extratos e ingredientes aromatizantes específicos para a bebida a ser industrializada (por exemplo, componentes que contenham extrato de cola ou extrato de guaraná), devendo ser classificados no código 2106.9010 , como uma “ Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, cuja alíquota do IPI é zero . Essa preparação, porém, não se classifica no Ex 01 do código 2106.90.10, pois, conforme já explicado, a embalagem individual não contém todos os ingredientes necessários para caracterizar um produto chamado de “concentrado”. No caso de componentes que correspondam a uma mistura de ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, deve ser aplicado o código 2106.90.90, reservado às “Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições Outras Outras”, também tributado à alíquota zero do IPI . (grifei) A partir das glosas de crédito realizadas pela fiscalização a apuração do IPI foi refeita, encontrandose um saldo de IPI a pagar, culminando neste auto de infração. Intimada do auto de infração, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 9.6709.740, argumentando pelo cancelamento do auto de infração conforme se resume abaixo: os concentrados adquiridos pela impugnante são beneficiados pela isenção do art. 81, II do RIPI/2010, com base legal no art. 9º do DL nº 288/1967. Com base nesta isenção, por ser produto adquirido da ZFM, a contribuinte faz jus ao crédito presumido de IPI, calculandose o crédito como se devido fosse, com base na coisa julgada formada no MSC nº 91.00477835, bem como no RE nº 212.484 julgado pelo STF; caso assim não se entenda, os produtos adquiridos pela autuada podem também ser enquadrados em outra isenção, prevista no art. 95, III do RIPI/2010, permissivo legal do art. 6º do DL 1.435/1975, que concede isenção para matériaprima agrícola e extrativa vegetal adquirida de produtor situado Amazônia Ocidental e a possibilidade de crédito presumido de IPI para estas aquisições decorre da própria disposição do art. 239 do RIPI/2010, não necessitando da coisa julgada. explica a atual situação da coisa julgada, em que por um momento havia uma reclamação no STF limitando a abrangência da decisão para os limites territoriais do órgão julgador com base no art. 2ºA da Lei 9.497/1997 (TRF da 2ª Região), mas que em Fl. 10361DF CARF MF 8 23/02/2017 transitou em julgado nova decisão do STJ, proferida nos autos do próprio MSC nº 91.00477834, reconhecendo que a coisa julgada é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados; explica que o STF também julgou extinta a Reclamação nº 7.778 por perda superveniente de objeto; afirma que mesmo que não se aceite a coisa julgada, os produtos que adquire são considerados matériaprima agrícola e extrativa vegetal produzidos na Amazônia Ocidental, gozando da isenção do art. 95, III do RIPI/2010 na qual a própria legislação assegura a possibilidade de escrituração do crédito; quanto à alíquota utilizada para fins de apuração do seu crédito presumido e acusação de erro na classificação fiscal, em razão de que tais concentrados adquiridos deveriam ser classificados por suas partes, a contribuinte argumenta que a autoridade fiscal não indicou os componentes do concentrado que deveriam ser classificados separadamente e em quais posições da TIPI, o que, por si só, gera nulidade do auto de infração neste ponto; afirma ainda que a impugnante é terceiro, adquirente dos concentrados para refrigerantes. A classificação fiscal dos produtos adquiridos é realizada pela fornecedora, RECOFARMA, não podendo este suposto erro ser imputado à impugnante; cita o art. 62 da Lei 4.502/1964 que determina que o adquirente verifique se os documentos fiscais dos produtos adquiridos atendem as prescrições legais e regulamentares, não se incluindo nestas obrigações a verificação da classificação fiscal adotada pelo fornecedor, nem mesmo pelo art. 327 do RIPI/2010. Como a classificação fiscal foi feita pela fornecedora, a impugnante agiu lícita e corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI; em relação aos concentrados para refrigerante, a apuração do crédito é simples cálculo aritmético, calculandose o crédito de IPI segundo a alíquota decorrente da classificação fiscal feita pelo fornecedor do insumo, na época, de 20%; a alteração da classificação fiscal também não pode ser realizada pela fiscalização por representar alteração de critério jurídico, violando o disposto no art. 146, CTN. Isso porque, em verificações fiscais anteriores, não houve qualquer questionamento relativo à classificação fiscal do concentrado para refrigerantes e a Recorrente sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; afirma que no processo administrativo 10183.721209/201396, em que se discutiu outro auto de infração lavrado em 15/03/2013 em face da impugnante, a glosa do crédito foi levada a efeito apenas em razão do entendimento de que os produtos adquiridos não eram produtos agrícolas e extrativa vegetal do art. 6º do DL 1.435/1975, sem nada mencionar acerca da classificação; no procedimento de lançamento, nos termos do art. 142, CTN, a autoridade tem o dever de examinar todos os aspectos legais formadores do fato gerador da obrigação tributária, inclusive a classificação fiscal; a revisão da classificação fiscal só foi realizada em setembro de 2016, processo administrativo 14090.720284/201672, em outro auto de infração, onde se afirmou que a classificação fiscal na posição 21.06.90.10 Ex. 01 para os kits concentrados estava incorreta. Portanto, somente para os fatos geradores que viessem a ocorrer a partir desta Fl. 10362DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.359 9 mudança de critério jurídico (27.09.2016) é que esta mudança na classificação poderia ser aplicada, por hipótese; na pior das hipóteses, afirma que este novo critério jurídico deve ser aplicados apenas a partir de 22/12/2014, data em que a RECOFARMA foi notificada de um auto de infração, onde se exigiu multa por erro na classificação fiscal do kit concentrado; ainda que não sejam aceitos estes argumentos, defende a competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos objeto de projetos industriais aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais; a SUFRAMA tem competência para aprovar os projetos industriais para fruição dos benefícios previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6º do DL n° 1.435/75, conforme se verifica dos dispositivos a seguir do Decreto n° 7.139/2010, Anexo I. E, para aprovar o projeto industrial, a SUFRAMA define o respectivo PPB do produto incentivado; eis os arts. 13, 15 e 23 da Resolução do CAS n° 202/2006; ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal. Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do referido produto beneficiado; afirmou que o STJ já decidiu que a RFB não tem competência exclusiva para proceder à classificação fiscal de produto, prevalecendo a classificação fiscal definida pelo órgão técnico, naquele caso a ANVISA, não cabendo à RFB questionar; afirmou que a SUFRAMA definiu a classificação fiscal para o concentrado produzido pela RECOFARMA, por intermédio da Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007, consta que a caracterização do produto é de concentrados para bebidas não alcóolicas, com enquadramento na NCM 2106.90.10 Ex. 01; a partir da definição dada pela SUFRAMA ao produto fabricado pela RECOFARMA, a própria SUFRAMA reconhece que o concentrado, por configurar "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produto único (de concentrado para refrigerantes), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado por isso classificado no EX. 01; quanto à classificação fiscal a ser definida pelas regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH, afirmou que, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, a interpretação histórica das TIPIs e a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto n° 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto n° 435/92, levam à conclusão de que está correta a classificação fiscal do concentrado de refrigerantes como mercadoria única na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da TIPI/2010, a mesma classificação dada pela SUFRAMA e reconhecida no Parecer PGFN nº 405/2003; Fl. 10363DF CARF MF 10 pelo histórico das TIPIs, desde 1988, contatase que o concentrado para refrigerantes sempre foi classificado como uma mercadoria única constituída por diversos componentes; Na TIPI de 1988 estava na posição 21.06.90.01, alíquota de 36%; a Resolução do Comitê Brasileiro de Nomenclatura nº 78/1989, manteve a descrição de concentrados como preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas na posição 21.06.90, tratando estas preparações compostas como mercadoria única. Alíquota de 40%; em 1996 a posição 21.06.90.10 continuou compreendendo as preparações compostas não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), evidenciando que a mercadoria é composta de várias partes, passando a enfatizar nos Ex. 01 e Ex. 02 a relevância de sua destinação. Alíquota de 27%; na TIPI de 2002 mantevese a mesma descrição, alterandose a alíquota para 20%; o item XI da nota explicativa referente à regra geral de interpretação 3 b) reforça o argumento de que os concentrados de refrigerantes, "kits", são tratados como produtos únicos, mercadoria unitária integrada por diferentes componentes; as posições Ex. 01 e Ex. 02 são mais específicas, e se há uma posição mais específica para classificar a mercadoria, esta que deve prevalecer; a adição de outros ingredientes não descaracteriza os concentrados para refrigerantes como produtos prontos para uso. Se houvesse qualquer dúvida quando à aplicação da posição NCM, a RECOFORMA deveria recorrer à classificação fiscal dada pela SUFRAMA; afirma que o produto concentrado produzido, distribuído e comercializado pela RECOFARMA é uma preparação composta, para atender um fim específico. A comercialização em kits é uma decisão técnica que visa preservar a qualidade do concentrado, manter a proporcionalidade dos insumos e evitar a ocorrência de alterações físicoquímica, facilitando a preparação e conservando ao máximo seus componentes. Portanto, tratase de mercadoria unitária, pois não há possibilidade de comercialização individual das partes que o compõem. a multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; No caso, a SUFRAMA tem competência para aprovar projeto industrial para fruição da isenção prevista no art. 9o do DL n° 288/67 e no art. 6° do DL n° 1.435/75 e, pois, para classificar o produto beneficiado, nos termos do Decreto n° 7.139/2010 c/c a Resolução do CAS n° 202/2006. A Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007, aprovou o projeto industrial para fruição do beneficio do art. 9o do DL n° 288/67 e do art. 6o do DL n° 1.435/75 ao concentrado fabricado pela RECOFARMA, bem como o classificou na posição 21.06.90.10 EX. 01; ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 20% decorrente da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com Fl. 10364DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.360 11 matériaprima adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental, a IMPUGNANTE agiu de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007. defende a impossibilidade de exigência da multa com base no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64, diante da existência de decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 0202.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM; 0202.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO e 020.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA) defende a impossibilidade da exigência de juros sobre a multa de ofício por implicar numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; se a intenção do legislador fosse exigir juros sobre a multa de oficio teria previsto expressamente em lei que os juros de mora incidiriam sobre os débitos e sobre as respectivas multas deles decorrentes; Em 20/02/2018, a 8ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão n.º 1476.152 (fls. 10.02810.063), julgando improcedente a impugnação apresentada, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2012, 2013 CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOSORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSAS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2012, 2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam, efetivamente, uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização, ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 10365DF CARF MF 12 Anocalendário: 2012, 2013 ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DE CRÉDITO DE IPI NA APURAÇÃO DO SALDO DEVEDOR. INOCORRÊNCIA. Tendo a autoridade fiscal afastada, expressa e indubitavelmente, a possibilidade de apropriação de crédito de IPI, e não se vislumbrando, nos autos, a presença de elementos que autorizem imaginar o reconhecimento da existência de parcela de algum tipo de crédito, não cabe cogitar de qualquer ilegalidade na apuração dos saldos devedores, fundamentada na desconsideração de crédito de IPI na referida apuração. APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico deve ser entendida como uma mudança de posição interpretativa da Administração a respeito de determinada norma. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa por parte da Administração Tributária. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. CLASSIFICAÇÃO EQUIVOCADA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Na situação, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa. DECISÕES DO STF EM SEDE DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EFEITOS ERGA OMNES. DECRETO Nº 2.346, DE 1997. As decisões judiciais atinentes a casos concretos possuem apenas efeitos inter partes e não vincula os atos da Administração Tributária. Uma decisão emanada do Supremo Tribunal Federal somente alcançaria terceiros não participantes da lide se observadas as condições descritas pelo Decreto nº 2.346, de 1997. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição, e seu alcance restringese aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator. Fl. 10366DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.361 13 OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS EXPEDIDOS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a que se refere o inciso I do art. 100 do CTN, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos que versem sobre matéria tributária. São atos gerais e abstratos, tais como portarias, instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos legais ou de instrumentar o cumprimento das obrigações tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos termos de parágrafo único do art. 100 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. Não há que se falar em aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 100, II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, Recurso Voluntário (fls. 10078 10155), devolvendo a análise de todas as matérias já ventiladas em sede de impugnação, juntando laudo do INT Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 10.245 10.275) para atestar a condição de produto único dos kits. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em fls. 10.30710.344, contraditando todos os argumentos do Recurso Voluntário e pugnando pela manutenção do auto de infração pelos fundamentos do TVF. É o relatório Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos legais, merecendo ser conhecido. Fl. 10367DF CARF MF 14 1. DA COISA JULGADA Há nos autos relevante controvérsia acerca do trânsito em julgado do Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes de CocaCola perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, onde restou garantido o direito de crédito de IPI, como se tributado fosse, presumido portanto, de produtos isentos adquiridos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Ressaltese que, caso no aspecto subjetivo se constate que todos seus associados são beneficiários, inclusive a ora Recorrente, o deslinde da causa depende da análise desta prejudicial. A autoridade fiscal afirmou não ser possível a aplicação desta coisa julgada em benefício da Recorrente, em razão da Reclamação no STF nº 7778. Esta Reclamação foi interposta no STF por uma das associadas, localizadas no Estado de São Paulo, para ver garantida esta mesma coisa julgada, tendo em vista que vinha sofrendo autuações no Estado de São Paulo sob o argumento de que a coisa julgada tinha aplicação restrita aos limites territoriais do órgão judiciário que proferiu a decisão, qual seja, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Isso porque no MSC, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região havia feito esta limitação territorial com base no art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997. No entanto, este capítulo da decisão ainda não estava transitado, pois foi interposto recurso aos tribunais superiores. Diante deste cenário, o STF, na Reclamação citada, afirmou não haver inconstitucionalidade no art. 2ºA da Lei 9.494/997, sendo válida a limitação territorial da coisa julgada. Neste diapasão, a autoridade fiscal afirmou não ser possível aplicar esta coisa julgada ao caso concreto, tendo em vista que a Recorrente se localiza no Estado do Mato Grosso. Referido dispositivo legal possui a seguinte redação: Lei nº 9.494/1997. Art. 2oA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035, de 2001) A d. DRJ, na decisão ora recorrida, acrescentou que a coisa julgada não poderia ser estendida à Recorrente, pois não era parte no processo. No entanto, a análise da coisa julgada merece mais detida reflexão. Cumpre destacar, de início, que o Mandado de Segurança Coletivo constitui hipótese de substituição processual e, nos termos da Súmula STF nº 629, "a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". Isto significa que a Recorrente, por ser associada da Associação Impetrante (AFBCC), é beneficiária da coisa julgada obtida em favor da entidade no MSC. Em relação à limitação territorial da coisa julgada, conforme narração da Recorrente, bem como das cópias das decisões juntadas aos autos (fls. 9.8089.882), e ainda da decisão proferida pelo TRF 2º, limitando o efeito territorial, foi apresentado Recurso Especial ao STJ e Recurso Extraordinário ao STF. O Recurso Especial é o REsp nº 1438361. A decisão já foi proferida e transitada em julgado em 23/02/2017, pouco antes da lavratura do presente auto de infração. Houve reforma da decisão do TRF da 2ª Região na parte em que houve a limitação territorial, Fl. 10368DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.362 15 para afirmar que o art. 2ºA da Lei n. 9.497/97, introduzido em 1999 pela MP n. 1.7981/99, o qual prevê que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações. Como o referido MSC foi impetrado em 14/08/1991, anos antes da publicação deste dispositivo, assim, coisa julgada ora em análise teria abrangência nacional. Diante desta decisão, o STF julgou prejudicado o Recurso Extraordinário interposto, por perda superveniente do objeto, conforme acórdão juntando aos autos em fls. 9.8529.855, tendo em vista que o STJ pacificou a questão. O mesmo destino teve a malfadada Reclamação nº 7778, sendo extinta por perda superveniente do objeto em razão da decisão do STJ, que garantiu a aplicação da coisa julgada em âmbito nacional para este caso concreto em específico. Assim, devese reconhecer a aplicação da coisa julgada ao presente caso, em homenagem à segurança jurídica e ao disposto no art. 5º, XXXVI da Constituição. Com o processo judicial onde se obteve a coisa julgada em análise, garantiuse o direito à Recorrente de escriturar créditos de IPI decorrentes de produtos isentos adquiridos de fornecedores localizados na ZFM. Como a isenção é aplicada em razão do critério espacial da hipótese de incidência, para o cálculo deste crédito presumido devese levar em consideração a alíquota aplicável nas operações realizadas fora da zona beneficiada, de acordo com a classificação fiscal específica do produto negociado prevista na TIPI. A classificação fiscal utilizada pela fornecedora da Recorrente foi a NCM 2106.90.10 Ex 01 da TIPI, cuja alíquota era de 20%. Assim, o crédito presumido apurado pela Recorrente nesta aquisições isentas teve por base este percentual de alíquota. Neste ponto, mais uma controvérsia precisa ser debatida. Isso porque a autuação fiscal também argumentou que a classificação fiscal adotada pelo fornecedor da Recorrente, in casu, a RECOFARMA, estava incorreta, devendose adotar outra classificação fiscal para fins de apuração do crédito de IPI. Afirma a fiscalização que a classificação fiscal correta que deveria ser adotada pelo fornecedor dos produtos possui alíquota zero. Como isso, mesmo que se reconheça a aplicação da coisa julgada, na qual resta o entendimento de que o produto adquirido com isenção por ser proveniente da ZFM gera o direito ao crédito de IPI para o adquirente, mesmo assim, a autuada não poderia ter escriturado o crédito, tendo em vista que a classificação fiscal do produto fornecido tem alíquota zero. Desta feita, passase à análise da classificação fiscal. 2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Como dito, consta do relatório fiscal que a RECOFARMA, em relação aos produtos "concentrados" para preparo de bebidas não alcoólicas fornecidos para a Recorrente, enquadrou estes produtos no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, cuja alíquota de IPI vigente à época dos fatos (4º Trim./2012 a 4º Trim./2013) era de 20%, conforme Decreto nº 7.660, de 23/12/2011,do alterado pelos Decreto nº 7.742, de 30/05/2012, e Decreto nº 8.017, de 17/05/2013. Esta classificação fiscal tem a seguinte redação: Fl. 10369DF CARF MF 16 Por sua vez, a autoridade fiscal contesta esta classificação fiscal elaborando um arrazoado para concluir pela impossibilidade de adotar a "Ex 01", ou mesmo da "Ex 02", tendo em vista que este produto adquirido pela Recorrente como um "kit concentrado", não é um concentrado e nem pode ser diluído, além de constituirse em kit com produtos que poderiam ser vendidos em separado, mas comercializados como mercadoria única, na forma de kit, por uma questão mercadológica. No entendimento da fiscalização, para este enquadramento em Ex 01 ou Ex 02 o produto deve satisfazer os seguintes requisitos: a) Que seja uma preparação composta. b) Que não seja alcoólica. c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Concluiu no TVF que tais preparações não atendem às condições citadas nas letras “c” e “e”, acima. Nenhum componente dos kits pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. Para que ficasse caracterizado um produto chamado de "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, tanto que as empresas criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam uma mercadoria única. A fiscalização encomendou a elaboração de laudo pericial para o Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, para analisar amostras dos produtos "kit concentrado" coletados, em especial a identificação dos ingredientes contidos em cada parte dos kits. (laudos de fls. 64101) Ao responder os quesitos, restou constatado que os produtos vendidos pela RECOFARMA não podem ser considerados como extrato concentrado ou sabor concentrado. Por isso, a fiscalização afirmou que não podem ser "Ex", já que lhe falta o requisito de ser um produto concentrado, na medida em que, ao ser diluído, perde suas características originais. Assim, para a fiscalização, nenhum componente dos kit podem ser, em conjunto ou isoladamente, considerados como um extrato ou sabor concentrado. Para que ficasse caracterizado um produto como "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, sem perder suas características fixadas nos padrões de identidade e quantidade após sua diluição, nos termos do art. 13 do Decreto 6.871/2009 que regulamenta a Lei nº 8.918/1994, e isto só é Fl. 10370DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.363 17 obtido em momento posterior do processo produtivo, quando estas partes dos Kits são misturadas, de acordo com especificações técnicas. Desta feita, este concentrado só surge quando o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit é misturado, ou seja, por meio de um processo de industrialização (transformação) realizado depois da venda. Com este raciocínio, a fiscalização concluiu que estes produtos devem ser classificados no código 2106.9010 , como uma “ Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, cuja alíquota é ZERO. Neste ponto, penso ser importante voltar para o mérito do Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834 para identificar a causa do litígio. Analisando a petição inicial, fls. 166184. Constatase que o pedido de segurança formulado pela associação não foi genérico, no sentido de obter o direito um direito de crédito de IPI para qualquer produto isento adquirido de fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus. Na causa de pedir, conforme se vê de fls. 167, a AssociaçãoImpetrante argumenta que suas associadas produzem refrigerante sujeitos ao IPI, classificados no Código TIPI 2202.90. Argumentou que para produzir estes produtos, adquire matériaprima com isenção do IPI, "um produto concentrado", de fornecedor estabelecido na ZFM. Este concentrado adquirido pelos associados são classificados na posição 2106.90 da TIPI, sujeitos, na época, à alíquota de 40%, nos termos do Decreto nº 97.410/1988, atualizado pelo Decreto nº 99.182/1990. Note que a impetrante afirma, em sua petição, adquirir produto "concentrado" da classificação 2106.90, que estava isento conforme dicção do art. 9º do DecretoLei nº 288/1967, que detinha a seguinte redação na época do MSC e regulamentado pelo art. 81 e seu inciso II do RIPI/2010, Decreto nº 7.212/2010: Art 9º Estão isentas do impôsto sôbre produtos industrializados tôdas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer a comercialização em qualquer ponto do território nacional. Nas decisões judiciais que se seguem, inclusive no acórdão de mérito proferido pelo TRF da 2ª Região (fls. 209233), este em que se concedeu o direito e formou a coisa julgada material, consta do voto da relatora a menção expressa à aquisição de produto concentrado da classificação fiscal 2106.90. No entanto, constatase que não há nenhuma discussão acerca da correção desta classificação fiscal, nem mesmo uma análise da natureza do produto, sua composição e uma discussão sobre se o produto é concentrado ou não. Partese da classificação fiscal e informação dada pela própria impetrante em sua petição inicial, assumindose como produto isento produzido na ZFM. O que se discutiu nas decisões judiciais e isso foi objeto do mérito, foi uma discussão jurídica acerca da não cumulatividade do imposto, isto é, acerca da possibilidade de crédito de IPI na aquisição destes produtos isentos, utilizados como insumo na produção de refrigerantes, como corolário do princípio da não cumulatividade. Portanto, a coisa julgada não solidifica a discussão acerca da classificação fiscal. Fl. 10371DF CARF MF 18 Ressalto que, nesta época, a posição da TIPI que previam a alíquota de 40% tinha uma redação pouco diversa da atual, não havia nem mesmo as posições Ex atualmente utilizadas pela Recorrente. No entanto, dentre estas, as que se referiam aos produtos de extratos concentrados para preparação de bebidas não alcoólicas, as posições TIPI existentes eram as 2106.90.0101 e 2106.90.0101: 2106.90 Outras 01 Preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas (extratos concentrados ou sabores concentrados) 0101 Constituídas por um xarope ao qual se juntou um extrato concentrado desta posição, contendo principalmente extrato de coca e ácido cítrico, corados com ajuda de açúcar caramelizado......... 40% 0102 Constituídas por um xarope ao qual se juntou um extrato concentrado desta posição, contendo principalmente cítrico e óleos essenciais de frutos (limão e laranja)......... 40% A Resolução do Comitê Brasileiro de Nomenclatura nº 78/1989, alterou a TIPI de 1988 para adequar a descrição do subitem 2106.90.11 para preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas (extratos concentados ou sabores concentrados) constituídas por xarope ao qual se juntou um extrato concentrado desta posição, contendo principalmente extrato de coca e ácido cítrico, corados com ajuda de açúcar caramelizado. A descrição do item 2106.9012 passou a ser preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas (extratos concentados ou sabores concentrados) constituídas por xarope ao qual se juntou um extrato concentrado desta posição, contendo principalmente ácido cítrico e óleos essenciais de frutos (limão e laranja). A descrição TIPI atual, para a posição 21.06, prestase para a classificação fiscal de "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições". O subitem 90 é aplicado para outras bebidas não dispostas nas outras posições. Dentro desta posição há o subitem 10, destinada para "Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas". Esta posição, 21.06.90.10, é entendida pela fiscalização como a correta e possui alíquota zero. No entanto, dentro desta posição temos as classificações ex tarifário 01 e 02, para produtos concentrados, alterandose apenas o fator de diluição do produto, cujas alíquotas eram de 20% na época dos fatos. A Ex 01 é a posição adotada pela fornecedora da Recorrente. A disputa reside em identificar, portanto, qual destas posições deve ser aplicada ao kit concentrado para fins de determinação da alíquota para apuração ou não do crédito presumido. 2.1. Do Laudo produzido pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer No ano de 2014, o Fisco efetuou em Manaus a coleta de kits elaborados por RECOFARMA, além de muitas fotos dos produtos, tendo providenciado a realização de exame laboratorial pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. Como dito, os denominados "kits de concentrado" é um kit formado por diversos produtos, individuais, líquidos e/ou sólidos, utilizados como base para a preparação de bebidas não alcoólicas, os refrigerantes. Percebese, a partir do laudo e do arrazoado da Fl. 10372DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.364 19 fiscalização no TVF, que nenhum componente dos kits pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. A fiscalização afirma que para que ficasse caracterizado um produto como um "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, o que só ocorre numa etapa posterior do processo de industrialização. Mas para tratar como um produto único, as empresas criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam uma mercadoria única. Os produtos são separados em embalagens individuais, possuindo cada um deles uma utilidade específica em cada etapa do preparo, devendose seguir as especificações do fabricante. Pela análise dos laudos, é possível perceber que não há como atribuir capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para fabricação de bebidas, pois cada item do kit tem uma função específica no preparo da bebida, que, uma vez diluído, transforma se. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físicoquímicas da bebida que se pretende comercializar. O aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físicoquímicas não seriam iguais. Se assim não fosse, seriam desnecessárias as outras partes que compõem cada kit, pois bastaria desde o início juntar cada item num produto só. No entanto, eles precisam ser separados, pois cada um deles tem uma função específica no preparo da bebia. Assim, estes itens do kit são produtos intermediários do processo de industrialização, alcançandose o concentrado após sua mistura com água e açúcar no processo produtivo. O laudo de análise nº 1266/20131.0 de fls. 6467 analisa as partes 1 e 2 do kit concentrado sabor cocacola. Para a parte 1 do kit, observese os quesitos 7, 8, 11, 12 e 13, descritos em fl. 96: 7) Identificar se na composição do produto há aromatizante na acepção dada pelo Regulamento Técnico Sobre Aditivos Aromatizantes/Aromas aprovado pela Resolução nº 104, de 14 de maio de 1999, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. De acordo com análises realizadas foi detectado a presença de Cimeno, Pineno e Limoneno substâncias utilizadas como aromatizantes. 8) Identificar se o aromatizante de que trata o item anterior é constituído basicamente de semente de noz de cola ou extrato de noz de cola (Cola acuminata). De acordo com análises realizadas foi detectado a presença de Extrato de Noz de Cola. 11) O produto pode ser descrito como preparação composta? Tratase de Preparação, na forma de Solução Aquosa. à base de Extrato de Noz de Cola, Cafeína, Caramelo, Ácido Fosfórico, Cimeno, Pineno e Limoneno, uma Preparação do tipo utilizada para a elaboração de bebidas, Outra Preparação Alimentícia não especificada nem compreendida em outras posições. 12) O produto pode ser descrito como extrato concentrado? Não. Fl. 10373DF CARF MF 20 13) O produto pode ser descrito como sabor concentrado? Não Para a análise da parte 2 do kit cocacola, observese os quesitos 10, 11 e 12, descritos em fl. 96: 10) O produto pode ser descrito como preparação composta? Tratase de Preparação, na forma de Solução Aquosa. à base de Extrato de Noz de Cola, Cafeína, Caramelo, Ácido Fosfórico, Cimeno, Pineno e Limoneno, uma Preparação do tipo utilizada para a elaboração de bebidas, Outra Preparação Alimentícia não especificada nem compreendida em outras posições. 11) O produto pode ser descrito como extrato concentrado? Não. 12) O produto pode ser descrito como sabor concentrado? Não Todos estes testes foram realizados em todos os componentes de cada "kit concentrado" (cocacola, cocacola zero, sprite, sprite zero), cuja resposta para todos os componentes foi de que se trata de um preparado para elaboração de bebidas, mas não pode ser considerado um sabor concentrado ou um extrato concentrado. Perceba que o laudo de análise laboratorial elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, concluiu que todas as partes de todos os kits concentrados comercializados por RECOFARMA e que foram objeto de análise não são produtos concentrados. Com base nisso e analisando a classificação fiscal 2106.90.10 Ex 01, utilizada pela RECOFARMA para os kits, a fiscalização concluiu que esta NCM requer que o produto se caracterize como um extrato concentrado ou sabor concentrado e que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Como o produto não é um concentrado, nem pode ser uma preparação composta passível de diluição sem que isso altere os aspectos físicoquimicos, sendo meras partes utilizadas como composto para preparação da bebida, sua classificação fiscal deve ser a NCM 2106.90.10. A Recorrente apresenta um laudo do Instituto Nacional de Tecnologia para fundamentar a possibilidade de tratar estes "kits de concentrado" como uma mercadoria única. No laudo, constatase que foi realizada uma análise in loco do processo produtivo dos "kits de concentrado" bem como a etapa posterior de preparo do refrigerante "cocacola" a partir destes kits em uma das fábricas da CocaCola. Foram realizados testes técnicos em laboratório com os kits, atestando que cada parte do kit tem um função específica e determinada na composição e no preparo da bebida no processo produtivo na sede da Recorrente quando do preparo do refrigerante, não podendo esta mistura ocorrer em momento anterior, misturandose as partes dos kits ainda na sede da RECOFARMA para vender o produto já homogeneizado, como um só, sob pena de o Fl. 10374DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.365 21 produto sofrer alterações físicoquímicas indesejadas, alterandose suas características e impossibilitando a obtenção do produto final o refrigerante. Esta constatação não é contestada pela fiscalização, ao contrário, é afirmada, como se pode ver do TVF especialmente em fls. 2832, no sentido de que estas partes são separadas e compõem o kit, já que cada uma terá uma aplicação em proporções fixas, sendo misturadas e diluídas de acordo com especificação técnica do fabricante do refrigerante. Assim, estes kits (considerandose suas partes) consistem em produtos intermediários de um processo produtivo em que apenas em etapa posterior da produção, já na fábrica da Recorrente, adicionandose outros produtos químicos, como água e massa de açúcar, é que se alcançará o produto concentrado (xarope composto). As constatações do laudo do INT não responde, especificamente, qual a classificação fiscal do "kit de concentrado", nem mesmo se é concentrado. Sua conclusão corrobora a conclusão do laboratório Falcão Bauer. Convém salientar, por oportuno, que o laudo do INT, ao responder um dos quesitos, afirmou que (fls. 10.27410.275) "tanto a parte A como a parte B são preparações compostas, ou seja, preparações formadas com mais de um componente. Quimicamente, existem preparações simples e compostas.Uma preparação simples é um único composto diluído em solução. Já a preparação composta é formada por mais de um componente em solução. Portanto, a parte A e B são preparações líquidas constituídas de mais de um componente formando uma preparação composta.(...)". Ademais, em nenhum momento a fiscalização afirma que as partes do "kit de concentrado" podem ser vendidos misturados, ou que podem ser desobedecidas as proporções de mistura e de cada item do kit no preparo do refrigerante, ou mesmo que as partes podem ser vendidas separadamente porque podem ter outras funções mercadológicas. Frisese, em momento algum há esta afirmação, mas apenas que cada parte do kit é um produto único e com função e característica específica para o preparo da bebida, sendo vendido em kit por questões mercadológicas. Ainda, o laudo do INT, em outra passagem, afirma que "o produto sob análise ainda que denominado comercialmente de "concentrado", não é um preparado líquido ou concentrado líquido, destinado à comercialização direta ao consumidor final ou a restaurantes, pois conforme observado durante as visitas técnicas essa preparação constituída de parte A e parte B saem em seus respectivos IBCs (...) da Recofarma Manaus para as fábricas da CocaCola onde entrarão como matéria prima principal no processo produtivo junto com a massa de açúcar, água de processo e CO², seguindo as etapas da receita para obtenção do produto final, CocaCola, que será destinado à comercialização para o consumidor final". (fl. 10.272) Em síntese, o laudo do INT não infirma e nem contradiz o laudo elaborado pelo laboratório Falcão Bauer ou da acusação fiscal de que estas partes do kit não são um concentrado. Ao contrário, corrobora o entendimento de cada parte que forma o kit é um preparado composto alimentício para o preparo de bebidas não alcoólicas. Portanto, a classificação fiscal a ser adotada é a NCM 2106.90.10, como uma “Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, cuja alíquota do IPI é zero , da qual estou de acordo. Sendo assim, por ser alíquota zero, não é possível calcular crédito sobre o valor das operações de aquisição destes insumos. 2.2. Da modificação do critério jurídico Fl. 10375DF CARF MF 22 Ainda, afirma a Recorrente que a alteração da classificação fiscal dos kit concentrado neste auto de infração representa alteração de critério jurídico, não podendo ser levada a efeito pela fiscalização para os fatos geradores ocorridos antes da data em que o critério jurídico foi modificado. Segundo a Recorrente (fls. 10.11210.114) durante todos anos em que sofreu fiscalização, nunca teve a classificação fiscal objetada pelo Fisco. Esta aceitação passiva da classificação fiscal adotada por anos, representa sua aceitação. A revisão da classificação fiscal só foi realizada em setembro de 2016, nos autos do processo administrativo 14090.720284/201672, no qual em outro auto de infração se afirmou que a classificação fiscal na posição 21.06.90.10 Ex. 01 para os kits concentrados estava incorreta. Portanto, na pior das hipóteses, diz a Recorrente, somente para os fatos geradores que viessem a ocorrer a partir desta mudança de critério jurídico (27.09.2016) é que esta mudança na classificação poderia ser aplicada, por hipótese. Assim afirmou a Recorrente: 5.4.6. Ora, no lançamento tributário, a atividade da autoridade administrativa é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, e, ao fiscalizar um contribuinte e examinar a sua escrita fiscal de IPI, a AUTORIDADE tem o dever de examinar todos os aspectos legais formadores do fato gerador da obrigação tributária de IPI, a saber: o direito ao crédito de IPI, a classificação fiscal do produto adquirido, sua respectiva alíquota etc. (...)5.4.9. Ora, a questão da natureza do produto e sua respectiva classificação fiscal é nova e diversa das demais questões ! ! Neste ponto, também não assiste razão a Recorrente. Nas citadas autuações não houve análise da classificação fiscal dos produtos e a glosa dos créditos presumidos foi realizada por motivo distinto do consignado na presente autuação, qual seja, a ausência de aquisição sob o regime de isenção prevista no art. 237 e 95, III, do RIPI/2010 para matéria prima agrícola e extrativa vegetal produzida na Amazônia Ocidental. Para a aplicação do art. 146 do CTN, como instrumento de proteção do contribuinte, em homenagem à boafé e segurança jurídica, é preciso que tenha havido uma manifestação expressa da administração tributária acerca da interpretação dada à aplicação jurídica sobre determinada situação regida por legislação tributária. Tratase da qualificação jurídica dada pelo intérprete que, ao rever sua posição, altera o critério jurídico. Esta mudança só pode ter aplicação para os fatos geradores praticados após a alteração do critério, verbis: CTN. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Verificase dos autos e da outra autuação juntada pela Recorrente, que não houve uma manifestação da fiscalização acerca da aplicação de uma dada NCM sobre estas operações, não havendo que se falar, portanto, em alteração do critério jurídico. Este entendimento também é manifestado por Luís Eduardo Schoueri1 quando leciona que se em lançamentos anteriores a autoridade administrativa adotou determinada interpretação da lei tributária, pode o contribuinte, (...), seguir o mesmo entendimento, até que ele seja informado diretamente ou por meio de ato administrativo público, de que diverso será o entendimento da fiscalização. 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. 6ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p. Fl. 10376DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.366 23 Neste sentido, para que houvesse modificação de critério jurídico, seria necessário que em lançamentos anteriores a autoridade administrativa tivesse adotado determinada interpretação da lei tributária, adotando, por exemplo, determinada classificação fiscal para a identificação da alíquota de IPI aplicável ao produto industrializado. Com isso, em uma a adoção posterior de outra classificação fiscal, reavaliandose o produto para fins de nova interpretação acerca de sua classificação jurídica, não haveria dúvida de que se está diante de uma mudança de interpretação jurídica sobre o mesmo fato que antes se dava outro tratamento jurídico. Leandro Paulsen2, comentando este artigo do CTN, assevera: O art. 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. Não houve, ao menos não consta dos autos, uma análise destes produtos para fins de determinação, pelo Fisco, de sua classificação fiscal no sentido adotado pela Recofarma ou pela Recorrente para, agora, nesta nova autuação, a fiscalização pretendesse alterar o critério jurídico. Ressaltese que a administração tributária, desde 2010, já analisou estes produtos e concluiu por uma determinada classificação fiscal. Assim, ao contrário do que afirma a Recorrente, há uma solução de consulta afirmando a classificação fiscal 2106.90.10, tal qual dada pela fiscalização nestes autos. Tratase da Solução de Consulta SRRF02/Diana nº 5/2010, de 20/05/2010, ratificada pela Informação Coana/Ceclam nº 8/2015, de 12/03/2015, onde classificouse da seguinte maneira os componentes de kit para preparação de bebida refrigerante sabor laranja: a) NCM 2106.90.10 Preparação para aromatização de bebida refrigerante, com sabor laranja, constituída de água potável (70%), gomas naturais de laranja (20,44%), aromatizante sabor laranja (5,8%), corantes, ácido cítrico anidro e conservantes, em embalagem de 50kg; b) NCM 2916.31.21 Benzoato de sódio, em embalagem de 15kg, e; c) NCM 2918.14.00 Ácido cítrico anidro, em embalagem de 67kg. Além de suas embalagens individuais, os componentes do kit também se encontram acondicionados conjuntamente em uma segunda embalagem, formando um único volume. Dispositivos Legais: 1ª RGI/SH (texto das posições 2106, 2916 e 2918 e texto da nota 5C, do capítulo 29), 6ª RGI/SH (texto das subposições 2106.90, 2916.31 e 2918.14) e 1ª Regra Geral Complementar (texto do item 2916.31.2 e dos subitens 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 15ª Edição. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 1.049 Fl. 10377DF CARF MF 24 2106.90.10 e 2916.31.21), da Tarifa Externa Comum, do Mercosul, aprovada pela Resolução Camex nº 43/2006, e suas alterações, e com subsídios das Notas Explicativas do Sistema (grifei) Pelas mesmas razões, rejeitase o argumento de ao menos reconhecer prática reiterada da Administração Tributária e, nessa qualidade, norma complementar à legislação tributária (art. 100, III, do CTN), cuja observância implicaria, na pior das hipóteses, o afastamento da multa, dos juros e da correção monetária exigidos para reclassificação fiscal para o código para o qual é atribuído alíquota zero do IPI. Também não assiste razão os argumentos acerca da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos objeto de projetos industriais aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais. Isso porque é atribuição da Receita Federal do Brasil o desenvolvimento desta tarefa, nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/1972. Ademais, o Fisco, no TVF, consignou que a SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos em questão, tendo a classificação fiscal sido colocada no projeto e avaliação técnica trazida pela própria RECOFARMA para aprovação do projeto e obtenção da sua aprovação pela SUFRAMA. Compete à SUFRAMA a fiscalização do atendimento aos requisitos para gozo da isenção, mas o atendimento da legislação tributária, incluindose classificação fiscal e a alíquota utilizada pelos adquirentes para cálculo dos créditos, é tema de fiscalização da RFB. No mais, diversas normas da NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias) indicam que os componentes de kits para fabricação de bebidas não se caracterizam como uma mercadoria única, conforme se extrai, em especial, do item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), que exclui os bens destinados à fabricação de bebidas do campo de aplicação da RGI 3 b) do Sistema Harmonizado: XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. Conforme bem destacado no TVF, este dispositivo foi incluído na NESH após análise efetuada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) nos anos de 1985 e 1986, em resposta a consultas recebidas de paísesmembros da organização internacional sobre a classificação de produtos com as mesmas características dos kits para fabricação de bebidas produzidos no Brasil. O texto da análise do CCA equivale a uma detalhada exposição de motivos para o item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), deixando claro que a criação dessa Nota teve por objetivo determinar que os componentes dos kits para fabricação de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. 2.2. Da verificação da regularidade das notas fiscais Também não assiste razão a Recorrente ao afirmar que não tem o dever de verificar a classificação fiscal dada pelo fornecedor sobre os produtos adquiridos. Argumenta a Recorrente que o art. 62 da Lei nº 4.502/1964 estabelece o dever do adquirente de verificar se os produtos adquiridos para utilização em sua produção Fl. 10378DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.367 25 apresentam correção nas notas fiscais, se este documento atende as prescrições da legislação, mas que não exige que se examine a classificação fiscal dos produtos dada pelo fornecedor Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. (grifei) É certo que os regulamentos do IPI anteriores, ao regulamentar o art. 62 do da Lei 4.502/1964, traziam consigo um a disposição expressa de que a verificação das prescrições legais das notas fiscais incluíam a classificação fiscal, porém, na atual redação do dispositivo dada pelo RIPI/2010, tal especificação foi retirada do texto, passando a ter a mesma redação do art. 62 do dispositivo retrocitado. No entanto, entendo que a classificação fiscal está incluída na redação do texto vigente ao dizer que é dever do adquirente verificar se os documentos fiscais satisfazem todas as prescrições legais e regulamentares. A interpretação deste dispositivo, a meu ver, não deve se restringir apenas aos aspectos formais do documento fiscal, mas também a análise de seu conteúdo ideológico, tais como descrição do produto, valor, peso e classificação fiscal, devendo comunicar ao Fisco e ao fornecedor qualquer incorreção. Isso porque o IPI é um tributo não cumulativo, cujo regime adotado pela Constituição é o do método subtrativo indireto imposto sobre imposto, sendo o montante de crédito um valor correspondente ao montante de tributo que incidiu na operação anterior para deduzir do imposto devido na etapa seguinte. Melhor explicando, quando da implementação de um imposto sobre o consumo com incidência não cumulativa, pretendendose aplicar uma tributação sobre o valor acrescido, a Constituição elegeu o método da subtração conhecido como "imposto sobre imposto" (tax on tax). Por este método, a não cumulatividade é implementada por sistema de débitos e créditos, tendose por consideração o montante de imposto que incidiu nas entradas dos produtos para abater com o montante de imposto que incide nas saídas dos produtos daí resultante, tudo com o objetivo de se tributar apenas o saldo para onerar o valor acrescido da operação. Com isso, caso não tenha havido incidência do imposto na operação anterior, não haverá um crédito a compensar com o débito futuro. Pelo método de apuração imposto sobre imposto, é da própria natureza da metodologia de apuração a falta de geração de crédito para a fase posterior da cadeia produtiva quando na fase anterior não há não incidência (seja Fl. 10379DF CARF MF 26 por isenção, alíquota zero ou não incidência pura e simples), ocorrendo o denominado “efeito de recuperação” 3 À não cumulatividade do IPI, por esta metodologia de crédito à razão do imposto que incidiu na etapa anterior, reconhecese a translação jurídica4 do encargo econômico do tributo. Assim, juridicamente, o montante de crédito do industrial corresponderá ao montante de imposto que incidiu nas aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Desta feita, qualquer incorreção no valor da base de cálculo ou da aplicação da alíquota decorrente de uma má aplicação da classificação fiscal afetará, inevitavelmente, o montante de crédito a ser escriturado pelo adquirente. Esta necessidade de verificação da classificação fiscal pelo adquirente é mais perceptível nos casos em que há permissão de geração de crédito presumido de IPI nas aquisições de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero, calculandose um crédito como se fosse devido um imposto. Isso porque, nas operações normais, com o destaque do imposto na nota fiscal, o adquirente do produto é onerado pelo valor do imposto e, juridicamente, este encargo econômico é transferido e pode ser escriturado como crédito para fins de não cumulatividade. Entretanto, nos casos em que não há incidência na etapa anterior, seja por isenção, seja por alíquota zero, a escrituração do crédito do imposto, quando permitido, não se dá pela translação do encargo econômico, mas sim em razão de um crédito presumido. No caso de produtos adquiridos da ZFM, tais produtos são isentos em razão do critério territorial da hipótese de incidência. Caso a classificação fiscal do produto isento em razão do local tenha uma alíquota maior que zero, e seja autorizada a escrituração de crédito mesmo havendo a isenção, o crédito é calculado pela aplicação da alíquota correspondente à classificação fiscal, como se devido fosse. Daí a necessidade, a meu ver, de o fornecedor verificar a correção da classificação fiscal dada por seu fornecedor em qualquer caso, ainda mais em hipótese de não incidência, já que o crédito gerado será presumido e não decorrente da incidência do imposto na etapa anterior, como ocorre diante da natureza do método imposto sobre imposto da não cumulatividade (translação jurídica do encargo econômico). Neste sentido, deve ser glosado o crédito presumido escriturado, inclusive, com exigência da multa prevista no art. 80 da Lei 4.502/1964, conforme aplicação dada pelo auto de infração. 3. QUANTO AOS JUROS E MULTA Quanto à aplicação dos juros sobre a multa de ofício, já é de entendimento deste E. CARF sobre a possibilidade de aplicação dos juros sobre a multa, tendose em vista o que dispões os artigos 113, § 1º, 139 e 161, todos do CTN, entendendose que há incidência de juros de mora sobre o crédito tributário, o qual pode ser composto tanto de imposto quanto de penalidade pecuniária, pois ambas as prestações pecuniárias referidas são objeto da obrigação tributária principal. Outrossim, este entendimento esta matéria se encontra sumulado: Súmula CARF nº 108 3 TORRES, Ricardo Lobo. O Princípio da nãocumulatividade e o IVA no Direito Comparado. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (coord.). O Princípio da NãoCumulatividade. Nova Série nº 10. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 152. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 6ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p. Fl. 10380DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301005.546 S3C3T1 Fl. 10.368 27 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO Isto posto, conheço em parte do recurso voluntário para não analisar a possibilidade de geração de créditos, pois protegida pela coisa julgada, porém, na parte conhecida, nego provimento diante da impossibilidade da geração de crédito presumido de IPI na medida em que os "kits de concentrado" classificamse na NCM 2106.90.10, sujeitos à alíquota zero de IPI. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 10381DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.720122/2019-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2016
CRÉDITOS DE IPI. DIREITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. APLICAÇÃO ALÍQUOTA DA TIPI
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 592.891, em sede de repercussão geral, decidiu que Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT.
Deve ser adotada alíquota prevista na TIPI para efeito de cálculo.
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO DO ACORDÃO. APLICAR ALÍQUOTA DA TIPI
Cabíveis os embargos declaratórios quando configurada omissão
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO
Nos termos do art. 65, do RICARF, existindo obscuridade, omissão, contradição ou erro material, acolhem-se os Embargos de Declaração
Numero da decisão: 3302-015.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração nos termos do Despacho de Admissibilidade, sem efeitos infringentes para sanar a omissão apontada julgando a matéria nos termos da nova Ementa do Acórdão, que deverá incluir o seguinte texto: “SISTEMA HARMONIZADO. TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RFB.COMPETÊNCIA. É competência da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil a determinação da classificação fiscal de mercadorias na TIPI (Sistema Harmonizado). A SUFRAMA não tem competência para tal mister, não afastando a competência da Receita Federal a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA”.
Assinado Digitalmente
Mário Sergio Martinez Piccini – Relator
Assinado Digitalmente
Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Sergio Roberto Pereira Araujo(substituto[a] integral), Francisca das Chagas Lemos, Louise Lerina Fialho e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: MARIO SERGIO MARTINEZ PICCINI
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DIREITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. APLICAÇÃO ALÍQUOTA DA TIPI O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 592.891, em sede de repercussão geral, decidiu que "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". Deve ser adotada alíquota prevista na TIPI para efeito de cálculo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO DO ACORDÃO. APLICAR ALÍQUOTA DA TIPI Cabíveis os embargos declaratórios quando configurada omissão EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO Nos termos do art. 65, do RICARF, existindo obscuridade, omissão, contradição ou erro material, acolhem-se os Embargos de Declaração ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração nos termos do Despacho de Admissibilidade, sem efeitos infringentes para sanar a omissão apontada julgando a matéria nos termos da nova Ementa do Fl. 10211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 2 Acórdão, que deverá incluir o seguinte texto: “SISTEMA HARMONIZADO. TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RFB.COMPETÊNCIA. É competência da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil a determinação da classificação fiscal de mercadorias na TIPI (Sistema Harmonizado). A SUFRAMA não tem competência para tal mister, não afastando a competência da Receita Federal a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA”. Assinado Digitalmente Mário Sergio Martinez Piccini – Relator Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Sergio Roberto Pereira Araujo(substituto[a] integral), Francisca das Chagas Lemos, Louise Lerina Fialho e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO EMBARGANTE: AMBEV EMBARGADO: FAZENDA NACIONAL Trata-se de embargos de declaração opostos face à decisão constante no Acórdão de Recurso Voluntário nº 3302-013.121 e Acórdão de Embargos nº 3302-014.696 opostos pela AMBEV, para dirimir eventual omissão/contradição no Acórdão em apreço. Em seus Embargos, a empresa alegou, resumidamente: Omissão e Contradição Quanto aos Créditos de IPI Decorrentes da Aquisição de Materiais Intermediários de Produção Omissão Quanto à Competência da SUFRAMA Fl. 10212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 3 Omissão Quanto às Notas Explicativas e Legislação que Atesta a Correta Classificação Fiscal dos Kits Concentrados O despacho de admissibilidade foi dado no seguinte sentido: Diante do exposto, com base nas razões acima e com fundamento no art. 116 do RICARF, DOU SEGUIMENTO PARCIAL aos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte para que o colegiado aprecie as matérias relativas a: - Omissão Quanto à Competência da SUFRAMA Assim, os Embargos de Declaração opostos foram admitidos somente em relação ao tópico acima. É o relatório. VOTO Conselheiro Mário Sérgio Martinez Piccini, Relator I – ADMISSIBILIDADE Acolho os Embargos, por serem tempestivos, tratarem de matéria de competência desta turma e cumprirem os demais requisitos de admissibilidade ora exigidos. II – MÉRITO Cinge-se a controvérsia, nos presentes embargos de declaração, no pilar argumentativo em verificar se a omissão apontada esteja configurada no Acórdão Embargado. A Embargante delineia no seguinte sentido: Mas não é só, o ponto nevrálgico que foi endereçado pela Embargante a esse respeito foi o fato de que comprovou no curso deste processo administrativo que constatou que seus fornecedores possuem projetos aprovados pela SUFRAMA(conforme reconhecido pela própria d. Fiscalização no TVF) e que SUFRAMA, por sua vez, reconheceu que os kits concentrados devem ser tratados como mercadoria única, o que corrobora a correção do enquadramento destes produtos no NCM 2106.90.10 "EX 0 1". Fl. 10213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 4 E nem poderia ser diferente, na medida em que, como é cediço, o Conselho de Administração da SUFRAMA é dotado de competência para analisar o atendimento de processo produtivo básico dos fornecedores de concentrados localizados na ZFM, de modo que uma vez que este Conselho reconheça que o produto industrializado por estes fornecedores é um concentrado para bebidas não alcóolicas enquadrado no NCM 2106.90.10 "EX 0 1", não cabe à Receita Federal questionar essa classificação. Esse ponto foi ainda reforçado em sede de Recurso Voluntário, na medida em que Embargante endereçou expressamente neste recurso o fato de que a operação de enquadramento de determinado produto em código de classificação fiscal possui caráter técnico e, portanto, não é de competência EXCLUSIVA da Receita Federal, como se depreende tanto do Parecer Normativo COSIT 06/2018 e do entendimento firmado pelo STJ ao julgar o RESP 1.555.004/SC. Contudo, o v. acórdão embargado foi completamente omisso em relação esses pontos, eis que se limitou a transcrever julgado proferido em outro processo para justificar o não acolhimento das razões da Embargante e, consequentemente, não teceu uma linha sequer acerca da competência da SUFRAMA para convalidação da classificação fiscal dos kits concentrados. É nítido que ao proceder assim, o v. acórdão acabou por deixar pontos soltos sem resposta, vez que não direcionou e analisou os argumentos aventados pela Embargante em sede de Recurso Voluntário, o que não se pode admitir. E nem poderia ser diferente, posto que uma decisão proferida em processo diverso do ora em discussão não contemplará, por certo, todas as alegações entendidas pertinentes pela Embargante, incorrendo, fatalmente, em omissão. Diante de tal cenário, não há dúvidas que merece correção o presente acórdão com vistas a sanar a omissão no que diz respeito à competência da SUFRAMA para reconhecer a correção do enquadramento dos kits concentrados como um produto único e no que diz respeito ao fato de que a competência para enquadramento fiscal de mercadorias não é exclusiva da Receita Federal, especialmente quando se está diante de mercadorias cuja classificação fiscal demanda análise essencialmente técnica. Compulsando os autos verifico que a questão suscitada nos Embargos não foi enfrentada no Acórdão, ou seja, não ocorreu manifestação sobre de que a classificação fiscal fornecida pela SUFRAMA seria prevalente. A jurisprudência do CARF é firme no assunto “Competência da SUFRAMA”. Fl. 10214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 5 Peço vênias para reproduzir o voto do Ilustre Conselheiro Jose Renato Pereira de Deus, no Acórdão CARF nº 3302.014.083, de 28/02/2024: III.1 – Competência da SUFRAMA para concessão de benefícios e definição de classificação fiscal Para a recorrente, a competência para definir a classificação fiscal de produtos fabricados em projetos aprovados pela SUFRAMA é da referida Superintendência, assim como a competência para a concessão dos benefícios fiscais e para dar validade ao ato administrativo emitido. No entanto, não há base legal que fundamente tal entendimento, motivo pelo qual sua pretensão não merece prosperar. (....) A SUFRAMA é regulamentada pelo Decreto-Lei nº 288/1967 da seguinte forma: Art. 1º A Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos. Os incentivos fiscais, mesmo antes da vigência da atual Constituição Federal, somente eram concedidos por intermédio de norma legal (lei, decreto-lei). No caso da Zona Franca de Manaus, os incentivos fiscais foram instituídos pelo próprio Decreto-Lei nº 288/1967, em seu Capítulo II e artigos, e pelo Decreto-Lei nº 1.435/1975, e não pela SUFRAMA. (......) Desta forma, não podemos encampar a ideia de competência da SUFRAMA para conceder benefícios fiscais, mas sim apenas para administrar a ZFM, autorizando a instalação de projetos para usufruir dos benefícios fiscais concedidos à região por meio de normas legais, os decretos-lei, que visam o desenvolvimento da região. No mesmo sentido, é que consideramos a SUFRAMA incompetente para determinar a classificação fiscal de produtos. A classificação fiscal define a alíquota de IPI aplicável ao produto, assim está diretamente vinculada à apuração do tributo, matéria sobre a qual a Constituição Federal (art. 37, XVIII) prevê que a Administração Fazendária tem precedência sobre os demais setores administrativos. Assim, é improcedente a alegação de que a Receita Federal seria incompetente para determinar a classificação fiscal Nesse sentido temos também o Acórdão CARF nº 3401-005.942, processo nº 19311.720.224/2017-11: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 10215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 6 Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. (....) (Acórdão nº 3401-005.942 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Processo nº 19311.720224/2017-11, Rel. Conselheiro Transcrevo também as razões constantes no voto vencedor do acórdão citado acima, do Ilustre Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares: Com efeito, a Constituição Federal, em seus arts. 37 e 146, estabelece o seguinte: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...)XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;(...) Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...)b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A Lei Complementar vigente, a que se refere o texto constitucional, é a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional - CTN). A referida Lei, por sua vez, estabelece o seguinte: Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. (...)Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Por seu turno, a Lei que regula a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação é a Lei nº 10.593, de Fl. 10216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 7 06/12/2002. Esta, em seu art. 6º, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 16/03/2007, estabelece o seguinte: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (...) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; II - em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Para disciplinar a competência da RFB sobre o controle aduaneiro, prevista na alínea "c" acima transcrita, o Poder Executivo editou o Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 (Regulamento Aduaneiro). Sobre a classificação fiscal de mercadorias, assim dispõe o referido ato normativo: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, DECRETA: Art. 1º A administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior serão exercidos em conformidade com o disposto neste Decreto. (...)LIVRO V DO CONTROLE ADUANEIRO DE MERCADORIAS TÍTULO I DO DESPACHO ADUANEIRO CAPÍTULO I DO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO (...) Seção V Da Conferência Aduaneira Art. 564. A conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas à sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. (...) CAPÍTULO VI DO PROCESSO DE CONSULTA Art.790. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os processos administrativos de consulta, relativos à interpretação da legislação tributária e a classificação fiscal de mercadoria, serão solucionados em instância única (Lei nº 9.430, de 1996, art. 48, caput). Fl. 10217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 8 (...) §3º A consulta relativa à classificação fiscal de mercadorias será solucionada pela aplicação das disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 1972, e de normas complementares editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.430, de 1996, art. 50, caput). Tais dispositivos tem por base legal os arts. 48 e 50 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual determina que os processos de consulta relativos à classificação de mercadorias devem seguir os ditames dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235/72 (norma que regulamenta o Processo Administrativo Federal): Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1º A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia, na forma disciplinada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, poderá ser atribuída: I a unidade central; ou II - a unidade descentralizada. § 2º Os atos normativos expedidos pelas autoridades competentes serão observados quando da solução da consulta. § 3º Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia. § 4º As soluções das consultas serão publicadas pela imprensa oficial, na forma disposta em ato normativo emitido pela Secretaria da Receita Federal. (...)Art. 50. Aplicam-se aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 48 desta Lei. § 1º O órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. (...)§ 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul - MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pelo órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48. Feita essa digressão legislativa, conclui-se que é da RFB a competência para, inclusive através de processos de consulta, decidir sobre classificação fiscal. Obviamente, esta competência não se restringe ao âmbito das aduanas (alfândegas), nem a processos de importação/exportação, pois não é possível uma mercadoria ter uma classificação segundo a NCM em uma importação e outra classificação para fins de apuração do IPI. Fl. 10218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 9 A SUFRAMA não possui competência para conceder isenção tributária, nem para definir classificação fiscal, em atenção ao princípio da legalidade (art. 37 da CF), pois, sabidamente, a Administração Pública (personalizada na entidade autárquica SUFRAMA) desempenha suas atividades, se e quando, a lei autorizar a respectiva atuação. Caso a tese recursal prevalecesse, estaria violado esse princípio. A Lei confere competência (expressa) aos auditores fiscais da RFB para fiscalizar, constituir o crédito de IPI e aplicar as sanções devidas (art. 142 do CTN c/c art. 505, 507, parágrafo único, todos do RIPI/10 c/c o art. 6º da Lei nº 10.593/02). À SUFRAMA cabe, apenas, administrar a Zona Franca de Manaus, com vistas ao desenvolvimento econômico-regional de forma sustentável, assegurando a viabilidade econômica e a melhoria da qualidade de vida da população local, de modo que somente aprova os projetos que tenham viabilidade técnica e econômica e que se demonstrem relevantes para a ZFM pelo potencial de geração de emprego e renda. Registre-se, inclusive, que o próprio DL 288/67, que cria a SUFRAMA, ressalva a competência legal às autoridades aduaneiras e fiscais do Ministério da Fazenda. Em suma: a aprovação, pela SUFRAMA, de projetos industriais de estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus e sua manifestação sobre a “natureza” dos produtos industrializados não interferem na competência fiscal para a definição da alíquota de IPI incidente sobre as operações correspondente III - DISPOSITIVO Nesse sentido, voto por em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Despacho de Admissibilidade, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada julgando a matéria nos termos da nova Ementa do Acórdão, que deverá incluir o seguinte texto: “SISTEMA HARMONIZADO. TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RFB.COMPETÊNCIA. É competência da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil a determinação da classificação fiscal de mercadorias na TIPI (Sistema Harmonizado). A SUFRAMA não tem competência para tal mister, não afastando a competência da Receita Federal a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA”. Assinado Digitalmente Mário Sergio Martinez Piccini Fl. 10219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.362 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720122/2019-54 10 Fl. 10220DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto III - DISPOSITIVO
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Numero do processo: 10283.720920/2018-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ZONA FRANCA DE MANAUS. BENEFÍCIOS FISCAIS. NECESSIDADE DE PROVA TÉCNICA ROBUSTA PARA ALTERAÇÃO DA NCM.
A alteração da classificação fiscal adotada pelo contribuinte exige prova técnica inequívoca da inadequação da posição declarada, sobretudo quando dela decorre a supressão de benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus. Laudo técnico elaborado por profissional habilitado, fundamentado nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGIs) e nas Notas Explicativas (NESH), goza de presunção de veracidade, cabendo à fiscalização produzir contraprova idônea para infirmá-lo. Ausente prova técnica suficiente, deve prevalecer a classificação indicada pelo contribuinte, com a consequente manutenção dos benefícios fiscais e o cancelamento do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 3302-015.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a correta classificação fiscal dos produtos da Recorrente na NCM 2106.90.10 - Ex 01 e, consequentemente, a aplicação da alíquota zero prevista no artigo 28, inciso VII, da Lei nº 10.865/2004.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus, Relator.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antonio Souza Soares, Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Dionisio Carvallhedo Barbosa(substituto[a] integral), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ZONA FRANCA DE MANAUS. BENEFÍCIOS FISCAIS. NECESSIDADE DE PROVA TÉCNICA ROBUSTA PARA ALTERAÇÃO DA NCM. A alteração da classificação fiscal adotada pelo contribuinte exige prova técnica inequívoca da inadequação da posição declarada, sobretudo quando dela decorre a supressão de benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus. Laudo técnico elaborado por profissional habilitado, fundamentado nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGIs) e nas Notas Explicativas (NESH), goza de presunção de veracidade, cabendo à fiscalização produzir contraprova idônea para infirmá-lo. Ausente prova técnica suficiente, deve prevalecer a classificação indicada pelo contribuinte, com a consequente manutenção dos benefícios fiscais e o cancelamento do crédito tributário lançado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a correta classificação fiscal dos produtos da Recorrente na NCM 2106.90.10 - Ex 01 e, consequentemente, a aplicação da alíquota zero prevista no artigo 28, inciso VII, da Lei nº 10.865/2004. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus, Relator. (assinado digitalmente) Lázaro Antonio Souza Soares, Presidente. Fl. 5281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.217 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720920/2018-18 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Dionisio Carvallhedo Barbosa(substituto[a] integral), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se do Recurso Voluntário interposto por CIBEA MANAUS - CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA., pessoa jurídica inscrita no CNPJ sob o n.º 08.993.104/0001-56, com o objetivo de reformar o Acórdão n.º 104-005.801, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Manaus (DRJ04). O recurso visa a desconstituição total do crédito tributário constituído pelo Auto de Infração n.º 10283.720920/2018-18, lavrado em 18 de abril de 2019, que exigiu o pagamento de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, referentes ao ano-calendário de 2015. A ação fiscal resultou na exigência de débito fiscal, que se fundamenta em dois pontos principais, conforme detalhado no Relatório Fiscal do Auto de Infração: Divergência na Classificação Fiscal: A fiscalização da Receita Federal entendeu que os produtos fabricados e comercializados pela Recorrente, embora classificados pela empresa como “concentrados e extratos”, não se enquadram na subposição NCM/SH 2106.90.10 com o Ex- tarifário 01. A autoridade fiscal argumentou que os produtos não seriam um “produto final entregue à engarrafadora de bebidas, mas apenas um dos ingredientes para produzi-lo”. Com base nessa conclusão, a fiscalização desconsiderou a aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS, prevista no artigo 28, inciso VII, da Lei nº 10.865/2004, efetuando o lançamento do crédito com alíquotas normais. Glosa de Despesas Operacionais: A fiscalização também efetuou a glosa de diversas despesas operacionais da empresa, incluindo gastos com "publicidade, propaganda e eventos" e "outras despesas operacionais", totalizando valores significativos. A Receita Federal alega que o contribuinte, mesmo após ter sido intimado por duas vezes (a primeira em 20/08/2018 e a segunda em 20/02/2019), não apresentou a documentação fiscal idônea necessária para comprovar a necessidade e a efetivação dessas despesas na manutenção de suas atividades. Em sua Petição de Impugnação, o contribuinte contestou as exigências fiscais, apresentando os seguintes argumentos: Validade da Classificação Fiscal: A empresa defendeu a correção de sua classificação fiscal, argumentando que a alíquota zero de PIS/COFINS é aplicável aos seus produtos, que são de fato concentrados utilizados para a produção de bebidas. Como prova crucial, a empresa anexou um Laudo Técnico elaborado pela UNICAMP, o qual descreve o processo de fabricação, os componentes químicos e o uso final de seus extratos e concentrados, confirmando a sua natureza. Legitimidade das Despesas Operacionais: A CIBEA afirmou que as despesas glosadas são legítimas e necessárias para tornar seus produtos conhecidos no mercado, agregando valor à marca. Fl. 5282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.217 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720920/2018-18 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento proferiu o Acórdão de Impugnação n.º 104-005.801, que manteve a exigência fiscal integralmente. A DRJ fundamentou sua decisão argumentando que o enquadramento fiscal é uma competência privativa da Administração Tributária, e que o laudo técnico da empresa não tem força para alterar essa prerrogativa. A decisão também reforça que as decisões de outros órgãos, incluindo o CARF (não sumuladas), não possuem força normativa vinculante para as Delegacias de Julgamento. No presente Recurso Voluntário, a Recorrente reitera os argumentos já apresentados e destaca que o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em processo anterior envolvendo a mesma situação fática, mas com relação ao IPI, decidiu favoravelmente à empresa, reconhecendo a correta classificação fiscal dos produtos. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), em suas Contrarrazões, defende a manutenção do Acórdão da DRJ, reforçando que a competência para a classificação fiscal é privativa da Administração Tributária. O mérito deste voto, portanto, deve girar em torno da análise técnica e jurídica da classificação dos produtos da CIBEA, ponderando o peso do laudo técnico apresentado contra o entendimento da fiscalização. Será igualmente crucial decidir sobre a glosa das despesas operacionais e, por fim, analisar a relevância e o impacto do precedente do CARF sobre o IPI na decisão deste caso. É o relatório. VOTO Conselheiro José Renato Pereira de Deus – Relator O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, portanto passa a ser analisado. 1. BREVE RELATÓRIO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Conforme o relatório preliminar, trata-se de Recurso Voluntário interposto por CIBEA MANAUS - CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA., CNPJ n.º 08.993.104/0001-56, contra o Auto de Infração n.º 10283.720920/2018-18, lavrado para exigir PIS/Pasep, Cofins, IRPJ e CSLL, relativos ao período de janeiro a dezembro de 2015. A fiscalização, em seu Relatório Fiscal, apresentou duas exigências principais: a cobrança de PIS/COFINS com alíquota integral, sob a alegação de que os produtos fabricados pela Recorrente não se enquadram na classificação fiscal NCM/SH 2106.90.10 - Ex 01 e, portanto, não fariam jus à alíquota zero prevista na legislação; e a glosa de despesas operacionais por falta de comprovação documental. Fl. 5283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.217 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720920/2018-18 4 O contribuinte, em Impugnação e, posteriormente, em Recurso Voluntário, refutou ambas as exigências, anexando aos autos um Laudo Técnico da UNICAMP para comprovar a natureza de seus produtos, e defendendo a legalidade e pertinência de suas despesas. A DRJ, no Acórdão n.º 104-005.801, manteve a autuação integralmente, motivando a interposição do presente recurso. 2. ANÁLISE DOS PONTOS DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme o princípio da busca pela verdade material, é imprescindível que este Colegiado examine minuciosamente as provas e os argumentos apresentados por ambas as partes. Para tanto, divido a análise em tópicos específicos, visando a completa elucidação da controvérsia e a transparência da decisão, em respeito ao devido processo legal administrativo. 2.1. PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A Recorrente, embora tenha centrado sua defesa nos aspectos de mérito, levantou argumentos que poderiam ser interpretados como uma alegação de nulidade do auto de infração, em especial pela suposta falta de fundamentação técnica. No entanto, a leitura dos documentos fiscais demonstra que o Auto de Infração foi lavrado em estrita observância aos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. A fiscalização descreveu claramente os fatos geradores, a matéria tributável, a fundamentação legal da exigência e a metodologia de cálculo. A divergência sobre a classificação fiscal, embora central para o mérito, não invalida a constituição do crédito, pois o auto está devidamente motivado e instruído com o entendimento da Administração Fiscal sobre o caso. A jurisprudência deste Conselho, inclusive em casos análogos, tem reiteradamente rechaçado preliminares de nulidade de Autos de Infração quando o crédito tributário está devidamente fundamentado, lastreado em princípios da Administração Pública e regularmente notificado ao sujeito passivo. Conforme o Acórdão n.º 3402-012.436, em caso semelhante (IPI) envolvendo a mesma temática, este Conselho entendeu que a "tipificação" não enseja nulidade quando o crédito foi constituído no rigor da lei. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade do Auto de Infração. 2.2. MÉRITO - DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS E A APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE PIS E COFINS A questão fundamental neste processo é a correta classificação fiscal dos produtos fabricados pela CIBEA, e a aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS com base no artigo 28, inciso VII, da Lei nº 10.865/2004, que dispõe: "Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: ... VII - concentrados para refrigerantes, xaropes e extratos de uso industrial, classificados nos códigos 2106.90.10 Ex 01, 2106.90.21 Ex 01 e 2106.90.29 Ex 01 da TIPI;" Fl. 5284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.217 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720920/2018-18 5 A fiscalização, em seu Relatório Fiscal, divergiu da classificação fiscal da Recorrente, argumentando que os produtos da CIBEA não seriam “produto final entregue à engarrafadora de bebidas, mas apenas um dos ingredientes para produzi-lo”. A DRJ, por sua vez, reforçou essa posição, alegando que a classificação fiscal é privativa da Administração Tributária e que o laudo técnico da empresa não teria o condão de alterar tal entendimento. Em contraponto, a Recorrente apresentou uma robusta defesa técnica e jurídica. A peça-chave em sua argumentação é o Laudo Técnico da UNICAMP, que foi juntado aos autos. Este documento descreve minuciosamente o processo de fabricação dos produtos e sua composição, atestando, em essência, que os produtos são, de fato, concentrados. Conforme o laudo da UNICAMP, os produtos são concentrados que contêm extrato de guaraná, caramelo IV, aroma de guaraná, ácido cítrico, benzoato de sódio e água. A tese da CIBEA, embasada no laudo, é de que seus produtos são preparações compostas, conforme exigido pela própria norma, que permite a obtenção de bebidas por simples diluição em água ou após tratamento complementar (adição de açúcar ou dióxido de carbono). Neste ponto, a questão não se resume a uma mera prerrogativa da fiscalização de classificar o produto, mas sim na análise da verdade material dos fatos. O laudo técnico, elaborado por uma instituição de reconhecida idoneidade, é um elemento de prova fundamental para que este Conselho possa aplicar o direito ao caso concreto. Ignorar essa prova técnica seria o mesmo que negligenciar a realidade dos fatos, baseando a decisão apenas na presunção de legitimidade dos atos administrativos, sem um escrutínio adequado. A ausência de uma perícia oficial não pode descredibilizar a prova técnica produzida pelo contribuinte, especialmente quando a fiscalização não apresenta prova pericial que a contradiga. Além da prova técnica, a Recorrente trouxe à tona um importante precedente deste Conselho que confere a necessária robustez ao seu pleito. Em um processo análogo, o Acórdão n.º 3402-012.436, que tratava da cobrança de IPI sobre o mesmo tipo de produto, este Conselho, ao dar provimento parcial ao recurso do contribuinte, se pronunciou de forma expressa e definitiva sobre a questão. Conforme a ementa do voto, a decisão do CARF reconheceu a classificação fiscal dos concentrados adotada pela Recorrente (NCM 2106.90.10 – Ex. 01). A leitura atenta daquele voto demonstra que a decisão se baseou na análise técnica do produto, aplicando o Parecer Normativo CST nº 65/79, que “conta com validade e eficácia” e que a questão foi “definitivamente resolvida”. A decisão, portanto, não foi meramente formal, mas mergulhou no mérito técnico do enquadramento do produto. É imperativo que este Conselho mantenha a coerência e a previsibilidade de suas decisões, assegurando a segurança jurídica e a uniformidade da jurisprudência. Uma vez que o CARF já se manifestou sobre a questão técnica da classificação fiscal de um produto, não há razão para que, em um processo subsequente, se altere o entendimento, especialmente quando não há novos fatos ou provas que justifiquem uma reconsideração. A identidade da questão fática, a Fl. 5285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.217 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720920/2018-18 6 saber, a natureza do produto, exige que a conclusão técnica seja a mesma, independentemente do tributo discutido. O entendimento consolidado em um caso não pode ser contraditado em outro com a mesma base fática, sob pena de gerar insegurança e imprevisibilidade para os contribuintes. Sendo assim, com base no laudo técnico que descreve o processo de fabricação e a composição dos produtos, e na coerência da jurisprudência do CARF em casos análogos, concluo que os produtos da Recorrente se enquadram, sim, na classificação fiscal que justifica a aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS. A decisão da DRJ, ao desconsiderar a prova técnica e a jurisprudência, merece reforma. Vale ressaltar que, como ficará demonstrado nos parágrafos abaixo, não se trata de aplicação sumária da Súmula CARF 236, pois não estamos tratando de diversos produtos que comporiam o Kit, mas sim, um único produto classificado como tal. 2.3. MÉRITO - DA GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS O segundo ponto de exigência fiscal se refere à glosa de despesas operacionais da empresa. O Relatório Fiscal afirma que a Recorrente, apesar de intimada por duas vezes, não apresentou a documentação comprobatória da necessidade e idoneidade de suas despesas, o que resultou na glosa dos valores e no consequente ajuste da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A Recorrente, em sua defesa, alegou a legitimidade dessas despesas, afirmando que elas teriam como objetivo a publicidade e a divulgação de seus produtos no mercado. Contudo, não foi juntada aos autos a prova documental que a fiscalização requereu (documentos fiscais, contratos, comprovantes de pagamento etc.). Neste contexto, a questão de fundo é a comprovação das despesas. O ônus da prova, nos termos do artigo 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente, é do contribuinte. Não basta alegar a pertinência das despesas; é fundamental comprovar a sua existência e relação com a atividade da empresa. Diante da falta de documentação comprobatória nos autos, e observando os princípios de legalidade e da verdade material, este Relator não pode afastar a glosa com base apenas nas alegações da Recorrente. A ausência da prova documental, que é o meio adequado para comprovar a realização das despesas e sua natureza, impede o reconhecimento do direito de dedução. Dessa forma, entendo que a glosa das despesas operacionais, tal como realizada pela fiscalização, deve ser mantida. 3. DISPOSITIVO Diante de todas as considerações acima expostas, e em consonância com a análise técnica e jurídica dos fatos e das provas, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, dar- lhe parcial provimento, para: Fl. 5286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.217 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720920/2018-18 7 Afastar a exigência de PIS e COFINS, por reconhecer a correta classificação fiscal dos produtos da Recorrente (NCM 2106.90.10 - Ex 01) e, consequentemente, a aplicação da alíquota zero prevista no artigo 28, inciso VII, da Lei nº 10.865/2004. É como voto. Assinado Digitalmente José Renato Pereira de Deus Fl. 5287DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 12571.720116/2017-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/10/2014
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TEC. TIPI.
A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados.
TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial.
Numero da decisão: 3301-006.932
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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NCM. TEC. TIPI. A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 01 16 /2 01 7- 20 Fl. 1756DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 01-19.265 - 3ª Turma da DRJ/BEL (fls 1734/1739 e seguintes): Trata-se de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 1499/1507, lavrado em 31/07/2017, com ciência da contribuinte em 03/08/2017 (fl. 1527), totalizando o crédito tributário de R$ 10.757.591,44, sendo R$ 4.973.251,78 de imposto, R$ 2.054.400,91 de juros calculados até 07/2017 e R$ 3.729.938,75 de multa proporcional. Segundo a descrição dos fatos de fls. 1500/1501, o estabelecimento equiparado a industrial deu saída a produto tributado, no período de janeiro/2013 a dezembro/2014, com lançamento a menor do imposto, por erro de classificação fiscal e alíquota menor. A fiscalização discorre sobre a irregularidade no relatório de ação fiscal de fls. 1508/1522, da seguinte forma: - a fiscalizada é estabelecimento equiparado a industrial porque importa e revende, no mercado interno, DVRs (Digital Vídeo Recorder); - a contribuinte apresentou a Solução de Consulta COANA nº 219//2015, na qual, como consulente, sustenta que os DVRs por ela importados deveriam ser classificados no código NCM 8521.90.10, entretanto, a Solução de Consulta classificou os DVRs no código 8521.90.90; - a empresa informou possuir sentença judicial com decisão que lhe é favorável, oriunda do processo 502952784.2015.4.04.7000/PR, em que questiona a classificação tarifária correta (NCM) dos DVRs; tal sentença abrange os DVRs cuja classificação foi tratada na Solução de Consulta COANA nº 219/2015; - a Receita Federal lavrou autos de infração de II e IPI vinculado à importação, relativos aos produtos importados com classificação fiscal errada; lançou com exigibilidade suspensa, em relação aos produtos abrangidos pela sentença judicial, e sem suspensão da exigibilidade, para os produtos não abrangidos; - o presente lançamento refere-se a outro fato gerador do IPI, a revenda dos DVRs no mercado interno; - a sentença judicial favorável à autuada somente obriga a RFB a aceitar a classificação fiscal dos DVRs na TEC 8521.90.10 nos processos de importação, ou seja, durante o procedimento aduaneiro; não é dirigida para a tributação de IPI sobre a venda de produtos no mercado interno; - a petição inicial da ação judicial trata de classificação fiscal utilizada nas importações e a consequente tributação, e em nenhum momento, a petição inicial trata de tributação dos produtos comercializados no mercado interno; - os pedidos apresentados na ação judicial definem o seu objeto; de acordo com os pedidos formulados pela própria fiscalizada, se o Fisco efetuar lançamentos fora do âmbito das importações, que é exatamente o que o presente auto de infração está efetuando, estes não estariam sujeitos à anulação, ou seja, o presente lançamento de IPI está fora do âmbito dos pedidos efetuados pela contribuinte na sua ação judicial; - tanto a petição inicial como a sentença utilizam o termo TEC, que significa Tarifa Externa Comum; embora a TEC tenha base na NCM, não se confunde com a Tabela de Incidência do IPI (TIPI), e seu uso é exclusivo nas operações internacionais, não tendo sentido no mercado interno; - mesmo que se considere que a sentença fosse dirigida para a tributação dos produtos no mercado interno, de acordo com a sentença judicial, ela não abrange os produtos importados até 28/08/2013; - a classificação fiscal dos DVRs importados é no código 8521.90.90 como bem fundamentado na Solução de Consulta COANA nº 219/2015; Fl. 1757DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Considerando-se a diferença de alíquota de IPI de 5% para 15%, foi realizada a apuração e lançamento do imposto em relação às revendas, no mercado interno, dos DVRs importados. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou, em 30/08/2017, a impugnação de fls 1533/1562, alegando, em síntese, que: - a impugnante importa para comercialização produtos classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM sob nº 8521.90.10, porém, diante de entendimento diverso da fiscalização surgido no ano de 2013, que passou a considerá-lo como sujeito à posição NCM nº 8521.90.90, procedeu-se à Consulta nº 15165.722814/2013-16 por esta contribuinte, cuja solução acabou adotando o posicionamento defendido pelo Fisco, qual seja o entendimento de que a posição NCM aplicável seria a de número 8521.90.90; - inconformada com a solução de consulta adotada, a ora impugnante obteve judicialmente o reconhecimento definitivo de classificar todos os produtos que importa e que tenham as funcionalidades de edição descritas na petição inicial sob a posição NCM nº 8521.90.10; - ao contrário do que se afirma no relatório fiscal da autuação em tela, a decisão judicial favorável à impugnante transitou em julgado para o Fisco, haja vista que a Fazenda Nacional, tendo sido dela intimada, não interpôs nenhum recurso, tendo renunciado ao prazo para o fazer, dando ensejo à aplicação das disposições dos artigos 502 e 507 do Código de Processo Civil; - surpreendentemente, assim, o que se extrai da autuação fiscal é a afirmação de que, na importação, os produtos internados para comercialização pela impugnante são, por força de decisão judicial, os da NCM nº 8521.90.10; porém, quando da venda desses mesmos produtos para o mercado interno, eles se transmudariam para a NCM nº 8521.90.90, posto que, segundo o entendimento da fiscalização, a decisão judicial só alcançaria as operações de importação e não as operações subsequentes, quando, porém, ao inverso, a demanda versou sobre a classificação fiscal da mercadoria, independentemente se na fase de sua entrada ou saída; - a sentença, proferida em 19 de maio de 2016, ratificou as liminares previamente concedidas, reconhecendo, assim, o direito da impugnante de ver classificada na posição NCM nº 8521.90.10 toda e qualquer mercadoria, que no caso dos equipamentos importados pela empresa promovem edição tanto de imagem quanto de som, ao contrário do que erroneamente pretende fazer crer a fiscalização quando afirma que tais equipamentos realizam somente backup, cujas características estão aludidas nos laudos anexos aos autos, sejam relativas às importações já realizadas, bem como às importações futuras; - o Fisco, ao pretender alterar o critério jurídico de classificação, jamais o poderia fazer para as operações passadas, de maneira que autuação fiscal ora impugnada, ao assim ter procedido, haverá de ser cancelada; - o STJ entendeu que a aplicação de alíquota pelo importador diversa daquela posteriormente aceita como válida pela autoridade fiscal não pode ser objeto de posterior auto de infração fiscal; - a classificação fiscal adotada pela impugnante para os equipamentos que importa e posteriormente revende ao mercado interno, qual seja a constante da posição específica TEC “8521.90.10 – Gravador- reprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético”, está correta e não pode ser outra diversa para o enquadramento na TIPI, por ser esta a descrição mais precisa e específica existente, estando o critério de classificação adotado pela impugnante em perfeita sintonia com a NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias estabelecidas pela Instrução Normativa SRFB no 157, de 10 de maio de 2002). Por fim, requereu o recebimento e processamento da presente impugnação, julgando-a procedente, seja por decorrência da nulidade da autuação em razão da inépcia suscitada Fl. 1758DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 preliminarmente, seja pela adequação da NCM utilizada pela impugnante para fins de obtenção da alíquota prevista na TIPI. Posteriormente, em 23/10/2017, a impugnante requereu a juntada dos documentos de fls. 1683/1733, que comprovam o trânsito em julgado da ação judicial em 04/10/2017. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/10/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TEC. TIPI. A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O presente processo foi encaminhado a este CARF, em face de recurso de ofício (fl. 1739), e a mim distribuído em decorrência de Despacho Judicial constante da fl. 1749 e seguintes, da qual transcrevo o decidendum: Decido. Pretende a parte autora o cumprimento da obrigação de fazer imposta na sentença de evento 58, integrada pela decisão de evento 77, que reconheceu "o direito da parte autora de classificar na posição TEC n° 8521.90.10 os equipamentos especificados nesta demanda e dos que vierem a ser importados no futuro que tenham a funcionalidade da edição, sendo compreendida a opção de simples corte, mesmo corte seco, ou ainda colagem, retoque ou alteração de cores, sem necessidade de que alterem as informações gravadas, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles" e determinou "que a ré se abstenha de reclassificar os produtos que a autora venha a importar (futuros), e desde que eles sejam equipamentos de gravação/ reprodução de som e imagem e cujos modelos foram abordados pelos laudos anexados aos autos (evento1, lau10, 17 e 18), de forma a manter, sobre eles, a NCM 8521.90.10, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles". Comprovado o cumprimento temporâneo de parte substancial da determinação proferida neste feito (com a extinção de seis dos PAFs apontados), restam dois PAFs em que se discute a extensão da coisa julgada material formada no presente feito e o enquadramento das mercadorias no presente título judicial e um Arrolamento de Bens decorrente dos referidos PAFs. Pleiteia a autora a extinção de todos os processos mencionados, uma vez que não haveria dúvidas de que as mercadorias alvo de autuação nos PAFs nº 12571.720116/2017-20 e nº 15165.722.365/2016-59 estão abarcadas pelo presente Fl. 1759DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 título, o que, por consequência, gera a extinção do Processo de Arrolamento de Bens nº 15165.722.639/2016-18. Com razão a parte autora. De fato, quanto ao PAF nº 12571.720116/2017-2, não há qualquer razoabilidade em pretender que, no momento da importação, os produtos estejam abarcados pela decisão proferida nestes autos e sejam classificados na posição TEC n° 8521.90.10, e, no momento de sua venda no mercado interno, passem para a NCM nº 8521.90.90. Não há modificação em sua natureza que autorize uma tal transmutação, sendo que, de fato, a presente demanda debruçou-se sobre a classificação fiscal das mercadorias discutidas, indiferente a fase de entrada ou de saída, não cabendo o estreitamento da coisa julgada material formada, em prejuízo da parte autora. Ora, não há, assim, sequer dúvidas administrativas a este respeito, devendo ser imediatamente extintos os PAFs no. 12571.720116/2017-20 e no. 15165.722.365/2016- 59, em respeito à coisa julgada material formada no presente feito, e o Processo de Arrolamento de Bens no. 15165.722.639/2016-18, em consequência. Intimem-se. 2. Decorrido o prazo preclusivo da presente decisão, intime-se a União-FN para que, no prazo de 5 (cinco) dias, comprove, nestes autos, ter dado total cumprimento à decisão prolatada neste feito, com a extinção dos PAFs no. 12571.720116/2017- 20 e no. 15165.722.365/2016-59 e do Processo de Arrolamento de Bens no. 15165.722.639/2016-18. Uma vez que foi confirmado o descumprimento da obrigação fixada nestes autos, será devida, imediatamente após o decurso do prazo fixado supra, a multa fixada no item 1 da decisão de evento 216, que majoro ao valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), em vista da clara reticência da parte ré no cumprimento da determinação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O presente processo, conforme consta do Relatório, chegou a este CARF em razão de Recurso de Ofício e a esta turma, em virtude de determinação judicial. Na decisão de piso, conclui-se que a contribuinte tem o direito de adotar a classificação fiscal que pleiteia em razão de decisão judicial transitada em julgado. Reproduzo essa decisão: A fiscalização lavrou o auto de infração por ter entendido que a contribuinte, após importar, revendeu no mercado interno, no período de janeiro/2013 a dezembro/2014, a DVRs (Digital Vídeo Recorder) com erro de classificação fiscal e alíquota menor. Segundo a auditoria, a classificação fiscal correta, inclusive confirmada na Solução de Consulta COANA nº 219/2015, seria no código 8521.90.90 da TIPI, e não no código 8521.90.10 utilizado pela autuada. O autuante afirma ainda, que a contribuinte está amparada em decisão judicial que contempla somente as operações de importação, não abrangendo a revenda dos produtos no mercado interno. Por seu lado, a impugnante sustenta que a sentença judicial em favor da classificação fiscal que adota, transitou em julgado e ampara o procedimento efetuado nas revendas no mercado interno, dos DVRs importados. Neste contexto, deve-se esclarecer que não há controvérsia em relação às operações realizadas pela empresa, ou seja, a autuada deu saída, no mercado interno, a DVRs por ela importados, utilizando a classificação no código 8521.90.10 da TIPI. Fl. 1760DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Em relação à correta classificação fiscal dos produtos, também não há o que se discutir. Do ponto de vista administrativo, considerando-se a Solução de Consulta COANA nº 219/2015, da qual a autuada é consulente, não há dúvidas de que a classificação fiscal admitida é no código 8521.90.90 da TIPI. Por outro lado, também não há dúvida de que a sentença judicial transitou em julgado (vide documentos de fls. 1683/1733), e que o Poder Judiciário entendeu que a classificação correta para os produtos é no código NCM 8521.90.10. Dessa forma, a solução da lide concentra-se na determinação da extensão dos efeitos da sentença judicial. Caso se entenda que a sentença não contempla as operações de revenda no mercado interno, cabe ao julgador administrativo adotar a classificação fiscal indicada na Solução de Consulta. Em contrapartida, se o entendimento for no sentido de que a sentença abrange as operações objeto do lançamento fiscal, então há que se submeter ao entendimento do Poder Judiciário, pois este afasta a apreciação da matéria questionada dos órgãos julgadores administrativos. Inicialmente, deve-se discorrer sobre a TEC (Tarifa Externa Comum) e a TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados). A fiscalização defende que a ação judicial impetrada pela contribuinte refere-se exclusivamente à TEC, e por isso, tem por escopo, exclusivamente, as operações de importação. Ainda que se concluísse que a demanda judicial se referia somente à TEC, a tese da fiscalização não se sustenta. A TEC tem como base a NCM (Nomenclatura Comum do MERCOSUL), que também é a mesma base da TIPI. A classificação fiscal adotada na TEC, tem equivalência direta na TIPI. Desse modo, na operação de importação, a classificação fiscal adotada na TEC para apurar o imposto de importação deve ser a mesma classificação a ser adotada na TIPI, para apurar o IPI vinculado à importação. No caso concreto, a sentença judicial estabeleceu que a classificação correta dos DVRs importados é no código 8521.90.10 da TEC. Conseqüentemente, a classificação fiscal na TIPI, para cálculo do IPI vinculado à importação, é no código 8521.90.10 da TIPI, o que a própria fiscalização reconhece. Portanto, já de início, não procede a alegação da auditoria de que a sentença judicial abrange somente a classificação fiscal do produto na TEC. O que pretende a fiscalização é uma desvinculação entre a classificação fiscal na importação e na operação de revenda no mercado interno. Tal desvinculação afrontaria toda a sistemática de classificação dos produtos. Tratando-se de simples revenda, não há alteração no produto, e por conseqüência, não há alteração na classificação fiscal do produto na TIPI. A determinação judicial de classificar o produto no código 8521.90.10 da TEC, tem como conseqüência lógica, a classificação do produto no código 8521.90.10 da TIPI. Processo 12571.720116/2017-20 Acórdão n.º 14-76.135 DRJ/RPO Fls. 6 6 Do que foi discorrido, já é possível concluir pela improcedência do lançamento, pois o produto não poderia ser classificado na TIPI de uma forma na importação, e ter, posteriormente, a classificação modificada na revenda no mercado interno. Porém há outro aspecto relevante a ser analisado. Na parte dispositiva da sentença, o Exmo. Juiz assim determinou (vide fl. 1710): “b) determinar que a ré se abstenha de reclassificar os produtos que a autora venha a importar (futuros), e desde que eles sejam equipamentos de gravação/ reprodução de som e imagem e cujos modelos foram abordados pelos laudos anexados aos autos (evento1, lau10, 17 e 18), de forma a manter, sobre eles, a NCM 8521.90.10, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles” Como se pode notar, a sentença determina que a Receita Federal se abstenha de reclassificar o produto, de forma a manter a NCM 8521.90.10. Note-se que a determinação refere-se à NCM, e não à TEC. Na TIPI, a classificação fiscal equivalente é no código 8521.90.10. Fl. 1761DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Sendo assim, não há como acatar a tese do autuante. A decisão judicial, transitada em julgado, abrange a classificação fiscal dos DVRs, não somente nas operações de importação, como também nas revendas no mercado interno. Assim, considerando-se que o entendimento judicial expendido nas decisões proferidas são imutáveis, há que se cancelar o lançamento efetuado. Ante o exposto, VOTO por julgar procedente a impugnação, ressalvando-se que a presente decisão está sujeita ao recurso de ofício. Conforme se consignou na decisão de piso, não há dúvida de que a sentença judicial transitou em julgado e que o Poder Judiciário entendeu que a classificação correta para os produtos é no código NCM 8521.90.10. Em face do exposto, proponho manter integralmente a decisão de piso, pelos seus próprios fundamentos, e voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1762DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002843/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, para que seja anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 - SRRF09/Diana.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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(assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 02 84 3/ 20 06 -5 1 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Resolução nº 3301000.272 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório constante da decisão embargada (fls. 243 e seguintes dos autos): Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 176. Em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF e MPF Complementar nº 09.2.01.00.2005.0043561, fls. 1 e 2, a autoridade fiscal desenvolveu procedimento de fiscalização, tendo por objeto o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 170, no valor total de R$ 3.286.588,56. O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 1.543.947,07, a título de imposto, R$ 584.681,44 a título de juros de mora e R$ 1.157.960,05, a título de multa. Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindose, assim, em contribuinte do IPI. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 185, durante o procedimento de fiscalização foram efetuados outros autos de infração conforme processos 11516.002571/200609 e 11516.002677/200692, com as infrações neles apontadas. Quanto ao presente processo, as condutas infracionais imputadas ao contribuinte são as seguintes: a) A empresa adotou classificações fiscais para o produto CATALIZADOR PU resultando em falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, conforme DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no código 3824.90.32, com alíquota de 10% (fl. 108), tem por base as informações prestadas pela empresa e está amparada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 6ª e notas explicativas nº 1, do capítulo 29, nº 4 do capítulo 32 e nº 3 da posição 3909 (IN 123/98), conforme detalhado nos itens 3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. b) Os SOLVENTES E DILUENTES, segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 3ª “a”, estão classificados na TIPI no código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). Das classificações adotadas pela empresa resultou falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal, por infringência ao disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Resolução nº 3301000.272 S3C3T1 Fl. 12 3 Foi elaborado o DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO – THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/10/2006 e apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade fiscal não ter alicerçado seu entendimento em prova pericial; 2. Inobservância por parte da autoridade administrativa do princípio do ônus da prova, assentandose o lançamento tributário em suas interpretações próprias; 3. Reprodução das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), alegando, ao final, não ser lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta”; 4. Afirma que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta, não devendo prevalecer aquela adotada pela autoridade fiscal, podendo o produto CATALISADOR PU ser classificado nos capítulos 39 ou 32, bastando ser considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundouse, tão somente, à falta de provas de que referido produto contivesse componentes aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de juros com base na taxa SELIC. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 11516.002843/200651 Interessado FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA CNPJ/CPF 85.111.441/000113 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não tendo o contribuinte apresentado argumentos suficientes para ilidir a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa, que se mostra correta, há de se manter o lançamento de ofício. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Resolução nº 3301000.272 S3C3T1 Fl. 13 4 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de catalisadores, também chamados endurecedores, e dependendo do tipo do produto a classificação fiscal é diferente. Aduzindo também que na verdade o Fisco não teria discordado da classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 20.10.2003 havia formulado referidos produtos com 65% ou mais de solventes aromáticos em sua composição, e como não teve oportunidade de juntar as suas ordens de produção, a autoridade simplesmente adotou a presunção, sem contudo certificarse de provar que os mencionados produtos não tinham mais de 65% de componentes aromáticos em sua formulação. Afirma por fim ter ocorrido vício material insanável, distante do erro de classificação fiscal quanto aos produtos “catalisadores pu”, bem como que teria sido contrariado o efeito vinculante da Solução de Consulta nº 117 – SRRF09/Diana, e em relação aos thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou mais em sua formulação de solventes aromáticos. Ao analisar o caso, este Conselho entendeu, através do Acórdão nº 3301 002.117, por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, sob o fundamento de que, para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, seria necessário que o interessado comprovasse com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido. O contribuinte, então, interpôs embargos declaratórios, através dos quais alega que a decisão recorrida teria incorrido nos seguintes vícios: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Resolução nº 3301000.272 S3C3T1 Fl. 14 5 (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES, a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos a ponto. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Resolução nº 3301000.272 S3C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios opostos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Um dos argumentos trazidos pelo contribuinte em seus embargos foi no sentido de que teria havido omissão/erro material em razão de o relator ter deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão), tendo consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material). Para que melhor se compreenda a discussão ora em debate, transcrevemse as passagens dos seguintes documentos constantes dos autos: (a) decisão da DRJ; (b) decisão do CARF; (c) embargos declaratórios opostos pelo contribuinte: Decisão da DRJ (fl. 209 dos autos) Ao querer atribuir validade ao lançamento somente após “parecer técnico”, a interessada deturpa integralmente o instituto. Curioso, que a própria interessada poderia ser mais diligente na classificação fiscal de seus produtos, inclusive utilizandose de perícias, ou de modo mais eficaz, de consulta fiscal, o que não fez. Ressaltese que a interessada não está obrigada a solicitar esclarecimentos prévios sobre eventual classificação fiscal de seus produtos, seja em consulta fiscal ou parecer técnico, sendo de sua exclusiva responsabilidade os atos de sua iniciativa, nos termos do artigo 20 e seu parágrafo único da Lei 4.502/64. Art . 20. O lançamento consistirá na descrição da operação que o originar e do produto a que se referir, na classificação fiscal dêste no cálculo do impôsto devido e no registro de seu valor, em parcela destacada, na guia ou na nota fiscal em que deva ser efetuado. Parágrafo único. O lançamento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte. Nesse sentido, se comprovado pela autoridade fiscal que o contribuinte errou na classificação fiscal de seus produtos, legítima e necessária a reclassificação fiscal, em obediência às normas de tributação, ainda que essa reclassificação seja mais onerosa ao contribuinte, não configurando postura odiosa por parte do Ente tributante e sim obediência à legalidade. Acórdão nº 3301002.117 (fls. 246/247 dos autos) De acordo com a decisão recorrida a interessada, ora Recorrente, adotou, para um mesmo produto, várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Resolução nº 3301000.272 S3C3T1 Fl. 16 7 A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em sua defesa, para este produto, conforme fls. 195, a interessada afirma que a classificação fiscal por ela adotada está correta, afirmando através das informações técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: CATALISADORES Os produtos 175.010, 273.927, 273023, 273.725, 273.730, 273.925, 273.828, 273.750, 273.033, 273.021, 573.600 e 573.700 a partir de 02/06/2005 alteramos a classificação fiscal para 2929.1029. De acordo com a descrição abaixo através de uma análise técnica e comparação com o praticado no mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima descrito e por nós comercializado; THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em volume) de solventes aromáticos em sua formulação Desta forma, conforme bem fundamentou o acórdão recorrido, para um mesmo produto, a interessada, ora Recorrente adotou várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Na análise dos autos, verifico que as regras foram devidamente observadas e os produtos devidamente classificados. Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Grifos apostos). Embargos declaratórios (fls. 252/253) "Notese que em seu recurso voluntário a recorrente, primeiro, suscitou a necessidade de cancelamento do ato fiscal pela ocorrência de vício material insanável, pois, no que tange aos CATALISADORES PU, a autoridade notificante não aprofundou sua análise a cada tipo de produto industrializado pela recorrente, partindo da premissa de que existe apenas um tipo de CATALISADOR PU, e que, por isso, todos eles mereceriam ser indistintamente classificados sob a NCM 3824.90.32, o que ficou demonstrado ser um erro, principalmente, pela conclusão diversa a que chegou a própria Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, de 18 de maio de 2010, que Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Resolução nº 3301000.272 S3C3T1 Fl. 17 8 foi trazida aos autos por ocasião do recurso voluntário, segundo a qual tais produtos deveriam se classificar nas NCM 3208.90.39 e 3911.90.29. Acontece que, laborando com omissão e também erro material, o acórdão deixou de analisar a classificação dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente e consignou que, conforme afirmado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela recorrente. Todavia, nesse ponto, o vício é grosseiro. A uma, porque a decisão de primeira instância em momento algum se referiu à existência ou inexistência de qualquer Solução de Consulta, pois este tema definitivamente não havia sido objeto da impugnação. A duas, porque não poderia ser mesmo objeto da impugnação qualquer Solução de Consulta, já que a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana é de 18.05.2010, enquanto a impugnação data da 16.11.2006. Portanto, é cronologicamente impossível ter havido o debate sobre a validade de Solução de Consulta na impugnação. Por isso é que a recorrente trouxe à baila, na íntegra, a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana quando do seu recurso voluntário. A três, porque, ao partir dessa premissa, o acórdão embargado deixou de se manifestar quanto ao vício da notificação fiscal por colidência com o resultado da Solução de Consulta e o efeito vinculante desta, suscitado com base no princípio da retroatividade benigna da lei tribuária". Entendo que assiste razão ao contribuinte quanto ao tal ponto. Consoante se extrai da análise da decisão embargada, verificase que esta, de fato, incorreu em erro material ao dispor que "a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta". Isso porque, consoante apontou a Embargante, a indicação da solução de consulta que pretendia ver analisada (Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010) ocorreu apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, não tendo sido objeto da Impugnação apresentada em 2006 pelo contribuinte. Logo, entendo que a DRJ, ao dispor que não fora apresentada consulta por parte do contribuinte, o fez em sentido genérico, dispondo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar que a classificação fiscal realizada pelo mesmo havia se dado corretamente. Ou seja, não tratou a decisão da DRJ da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010. Contudo, uma vez apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário um argumento novo, atinente à existência da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, este Conselho deveria ter se pronunciado sobre o mesmo, tendo a decisão embargada incorrido em omissão/erro material ao não fazêlo. Até porque, é inquestionável a relevância do argumento trazido à tona pelo contribuinte, qual seja, existência de Consulta Fiscal em que a própria Receita Federal teria concluído pela classificação fiscal de determinados produtos objeto da presente autuação nos NCMs 3208.90.39 e 3911.90.29. A importância dessa análise decorre ainda do argumento do contribuinte de que a referida empresa produziria 20 tipos diferentes de CATALISADORES PU, ao passo a fiscalização considerou todos como sendo um só produto. A distinção entre os referidos CATALISADORES teriam sido analisados na referida Solução de Consulta. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Resolução nº 3301000.272 S3C3T1 Fl. 18 9 Porém, cumpre destacar que, embora tenha o contribuinte alegado a existência da referida Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, tendo transcrito passagens da mesma em seu Recurso Voluntário, não juntou aos presentes autos o seu inteiro teor. Diante disso, entendo que a presente demanda seja convertida em diligência, no intuito de que seja anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, para que este Conselho possa analisar a sua extensão e aplicabilidade ao caso concreto ora analisado. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 271DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.000852/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Embora não tenha o contribuinte tratado da decadência em seu Recurso Voluntário, esta matéria poderá ser reapreciada por este Conselho, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
Uma vez constatado o pagamento antecipado do IPI em determinadas competências, há de ser afastada a cobrança no que concerne aos períodos decaídos, em razão do disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DAS MERCADORIAS.
Quanto aos produtos Caderno Refil p/ Fichário 96F ST; Caderno Refil p/ Fichário 140x21 e Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96, Identificando-se que estes encontram-se suficientemente descritos nos presentes autos, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pelo que deverá ser afastada a preliminar de nulidade apresentada.
De outro norte, há de ser reconhecida a nulidade material do auto de infração no que concerne ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper".
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA.
No caso dos presentes autos, não há que se falar em nulidade do auto de infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008
DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Quanto aos produtos Caderno Refil p/ Fichário 96F ST; Caderno Refil p/ Fichário 140x21 e Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96 correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização no código NCM/TEC 48.20.10.00, em consonância inclusive com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28 de agosto de 2003.
Quanto ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade decretada, torna-se desnecessária a análise da correta classificação fiscal a ser adotada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; e (ii) determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração somente em relação a esse item.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; e (ii) determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração somente em relação a esse item. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
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MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PAGAMENTO ANTECIPADO. Embora não tenha o contribuinte tratado da decadência em seu Recurso Voluntário, esta matéria poderá ser reapreciada por este Conselho, visto tratarse de matéria de ordem pública. Uma vez constatado o pagamento antecipado do IPI em determinadas competências, há de ser afastada a cobrança no que concerne aos períodos decaídos, em razão do disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DAS MERCADORIAS. Quanto aos produtos “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”, Identificandose que estes encontramse suficientemente descritos nos presentes autos, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pelo que deverá ser afastada a preliminar de nulidade apresentada. De outro norte, há de ser reconhecida a nulidade material do auto de infração no que concerne ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper". INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA. No caso dos presentes autos, não há que se falar em nulidade do auto de infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 08 52 /2 00 9- 27 Fl. 610DF CARF MF 2 Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quanto aos produtos “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização no código NCM/TEC 48.20.10.00, em consonância inclusive com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28 de agosto de 2003. Quanto ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade decretada, tornase desnecessária a análise da correta classificação fiscal a ser adotada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; e (ii) determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração somente em relação a esse item. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 611 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 502/511 dos autos: Contra a empresa CADERBRÁS BICO INTERNACIONAL LTDA, já qualificada nos autos, foi lavrado AI (Auto de Infração) por AuditorFiscal da DRFLimeira (Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP), em sede do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) nº 08.1.12.002008004741, em face da falta e/ou insuficiência de valor no lançamento do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) decorrente do fato de ter promovido a saída de produtos do seu estabelecimento com erro de classificação fiscal. Por conseguinte, com base na reclassificação fiscal efetuada ex officio daqueles produtos, restou apurado um crédito tributário total de R$ 2.680.011,00 referentes à diferença de imposto apurada e seus consectários legais (multas e juros moratórios incidentes sobre a espécie). O contribuinte é estabelecimento industrial, fabricante de diversos itens de papelaria em geral (material escolar e de escritório) como, por exemplo, Agendas, Cadernos, Pastas Fichário e Blocos de Folhas para reposição de fichários. A partir da análise da classificação fiscal utilizada para os produtos saídos do seu estabelecimento e considerando as informações de interesse fiscal que prestou ao Fisco Federal in casu, procedeuse a reclassificação fiscal de vários itens, como segue: (A) Adotou o código NCM 4820.20.00 (tributado à alíquota 0%) para os produtos finais: “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”. A autoridade lançadora, considerando que esse código NCM deve ser utilizado exclusivamente para cadernos e não para folhas de reposição para fichários, consoante as regras e normas de classificação fiscal pertinentes, efetuou a sua reclassificação para o código NCM 48.20.10.00 (tributado à alíquota de 15%). e (B) Adotou o código NCM 4202.12.10 (tributado à alíquota de 10%) para os produtos finais: “Pasta Fichário Solda e Ziper". A autoridade lançadora considerando que esse código NCM deve ser utilizado exclusivamente para obras de couro, artigos de correeiro ou de seleiro e não para pastas fichário de uso escolar, consoante as regras e normas de classificação fiscal pertinentes, efetuou a sua reclassificação para o código NCM 4820.30.00 (tributado à alíquota de 15%). Portanto, efetuouse o Lançamento de Oficio da diferença do IPI incidente sobre os produtos saídos do estabelecimento da recorrente, objeto da Reclassificação Fiscal efetuada, com base na alíquota do imposto Fl. 612DF CARF MF 4 correspondente aos Códigos NCM considerados na Exigência Fiscal de acordo com as TIPI’s aprovadas pelo Decreto nº 4.542 de 27/12/2002 com vigência a partir de 01/01/2003 e o Decreto nº 6.006 de 28/12/2006 com vigência a partir de 01/01/2007, bem como o lançamento de multa e dos Juros moratórios incidentes sobre a espécie, conforme Demonstrativos anexos ao AI em causa. De outra parte, contraditando o AI em questão, os pontos principais da argumentação da defendente podem ser sinteticamente assim descritos: (A) Como preliminar, arguiu a decadência do crédito lançado correspondente aos fatos geradores ocorridos no período entre Março e Abril de 2004, considerando que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, dispõe o Fisco Federal do prazo de 5 anos para homologar o procedimento efetuado pelo contribuinte, nos termos do 156, §4º, do CTN. (B) Nulidade do AI em causa, vez que a fiscalização formalizou a constituição do crédito com base apenas em informações extraídas dos documentos fiscais do contribuinte (simples descrição da mercadoria), o que configuraria mera presunção de erro e o descumprimento do princípio da verdade material que deve reger os procedimentos fiscalizatórios. (C) Que os produtos objeto da reclassificação fiscal efetuada pela fiscalização (“Caderno Refil” e “Pasta de Documentos”) foram corretamente enquadrados na NCM/TEc de acordo com as regras de classificação fiscal do Sistema Harmonizado. (D) Que a nulidade do AI decorreria também da inexistência de Laudo Técnico ou Perícia da mercadoria objeto da reclassificação fiscal efetuada, na medida em que a autoridade lançadora careceria de qualificação técnica para conduzir o procedimento de reclassificação fiscal. Ao analisar o caso, a DRJ, tendo acolhido parcialmente o argumento de decadência apresentado pelo contribuinte, entendeu por julgar procedente em parte a impugnação, determinando a exoneração de R$ 2.373,46. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e atualizações posteriores. Classificação Fiscal procedida nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003. Mercadoria identificada como “Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” classificase no código NCM/TEC 48.20.10.00. Mercadoria identificada como “Pasta Fichário Solda e Ziper" classificase no código 4820.30.00. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 612 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2004 a 30/06/2008 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma vez que não foi esse o motivo da autuação, e, sim, a sua incorreta classificação fiscal na NCM/TEC, ao amparo das RGI do SH nºs 1 e 6. Além do mais, os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 28/03/2013 (vide termo de ciência por decurso de prazo à fl. 524 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 09/04/2013 Recurso Voluntário (fls. 526/575), através do qual requereu: (i) reforma do ácordão da DRJ pela alegada falta de descrição dos produtos classificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório e ampla defesa; (ii) reforma do ácordão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria de reclassificação fiscal e ausência de elementos para comprovar imputação; (iii) reforma do ácordão da DRJ pela alegada classificação fiscal correta adotada pelo contribuinte. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 614DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 526/575), através do qual requereu a reforma da decisão recorrida, com base em argumentos que serão devidamente analisados nos tópicos subsequentes. 1. Preliminar de decadência Em sua impugnação, o contribuinte trouxe o argumento preliminar de decadência do crédito tributário lançado referente aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre os meses de março e abril de 2004. Neste ponto, a DRJ acolheu em parte o pleito do contribuinte, conforme fundamentos a seguir transcritos: No caso em tela, relativamente ao item “Caderno Refil p/ Fichário 96FST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96” reclassificado para o código NCM/TEC 48.20.10.00, considerandose que não houve pagamento do IPI, a regra a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN, conforme a orientação jurisprudencial assentada no REsp. 973.733SC, em cuja ementa se lê: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 613 7 entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. Dessarte, considerando que o contribuinte foi intimado do AI em 24/Abril/2009 (fls. 03 do processo digital), rejeito a preliminar suscitada para a referida mercadoria (“Caderno Refil p/ Fichário” reclassificado para o código NCM/TEC 48.20.10.00), ao tempo em que a acolho para o efeito da Mercadoria identificada como “Pasta Fichário Solda e Ziper" reclassificada para o código 4820.30.00, vez que nesse caso houve recolhimento do imposto, de forma que o exonero do valor de R$ 2.373,46 correspondente ao crédito tributário lançado sobre os fatos geradores ocorridos no período compreendido entre março e abril do ano calendário de 2004, como segue. Embora o contribuinte não tenha contestado expressamente em seu Recurso Voluntário os fundamentos acima transcritos constantes da decisão recorrida no que concerne à decadência, por tratarse de matéria de ordem pública, não resta dúvidas que este Conselho tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade. Entendo que merece reforma a decisão recorrida no que concerne à análise da decadência. Isso porque, o que a decisão do STJ determina para fins de adoção do parágrafo 4º do art. 150 do CTN ou do art. 173, inciso I deste mesmo Código é a análise da existência ou Fl. 616DF CARF MF 8 não de pagamento antecipado do tributo em determinada competência, e não se o tributo foi pago especificamente no que concerne à determinado produto. Sendo assim, estando incontroverso nos autos que houve recolhimento do IPI nas competências em questão, tanto que a decadência fora reconhecida no que concerne à mercadoria "Pasta Fichário Solda e Ziper", este mesmo reconhecimento deverá se dar no que concerne às demais mercadorias objeto do auto de infração, visto que aplicável à hipótese a regra disposta no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Deverá ser afastada do auto de infração, portanto, a cobrança relativa a todos os fatos geradores anteriores a 24 de abril de 2004, visto que fulminada pela decadência. 2. Da alegada falta de descrição dos produtos classificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório e ampla defesa Neste tópico, alega o contribuinte que o auto de infração combatido seria nulo por dois motivos: (i) não haveria qualquer elemento que justificasse o motivo para classificação do produto no NCM escolhido pela fiscalização; (ii) não constaria dos autos qualquer descrição do produto e suas propriedades, mas apenas a indicação da sua nomenclatura (Cad. Refil para fichário e Pasta Fichário Solda e Ziper). Argumenta que tais falhas teriam impedido o seu direito de defesa e que a falta de descrição geraria dúvidas acerca de quais foram os produtos reclassificados. Ressalta, por exemplo, que no caso da "Pasta Fichário Solda e Zíper", por exemplo, existem diversos modelos de pastas com composição diferentes (couro, plástico, papel, etc.), o que influencia na sua classificação fiscal. No que concerne aos produtos objeto do presente auto de infração ("Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96"), entendo que não assiste razão ao contribuinte em seus argumentos. Ora, neste caso específico, os referidos produtos encontramse muito bem descritos pela nomenclatura adotada pelo próprio contribuinte em sua contabilidade, sendo possível, através desta, identificar e classificar os referidos produtos descritos no correto NCM. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade alegada no que tange a tais produtos. De outro lado, o contribuinte sequer contestou a própria nomenclatura adotada pelo mesmo para fins de classificar a mercadoria em questão como "refil para fichário" ou mesmo "fichário", não tendo trazido aos autos qualquer elemento que pudesse por em dúvida os produtos que aqui se analisam. Tampouco descreveu qualquer característica dos seus produtos apta a modificar a classificação fiscal realizada pela fiscalização. Destaquese, inclusive, ter o auto de infração indicado de forma expressa que a classificação fiscal ali indicada foi realizada nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003, que tratam especificamente de "fichários", ou seja, nos exatos termos da descrição adotada pelo contribuinte em sua contabilidade. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao pedido do contribuinte, por entender que inexistiu agressão aos princípios do contraditório e da ampla defesa. De outro norte, no que concerne especificamente à "Pasta Fichário Solda e Ziper", entendo que assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Isso porque, no que concerne a tais produtos, refutou a fiscalização a classificação fiscal adotada pelo contribuinte sob o seguinte fundamento (vide fl. 04 do e processo): Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 614 9 002 A utilização para os produtos finais com o código NCM 4202.12.10 tributado à alíquota de 10% (dez por cento), classificação essa, que deve ser utilizada exclusivamente para obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro, e não para as diversas pastas e divisórias de uso escolar, que são os produtos em questão, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras da NCM e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003 é no código 4820.30.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento). Ou seja, fundamentou a fiscalização que a classificação adotada pelo contribuinte (NCM 4202.12.10) poderia ser utilizada exclusivamente para obras de couro, artigos de correeiro ou de seleiro. Não é isso, contudo, o que dispõe o capítulo 42 da TIPI, conforme dispositivo transcrito na decisão recorrida acima e abaixo novamente reproduzido: Capítulo 42 Obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro; artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes; obras de tripa Percebese que o referido capítulo 42 destinase não apenas a obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro, como entendeu a fiscalização, mas também a artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes, além de obras de tripa. Verificase ainda que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte indica expressamente que o produto em questão é de plástico, conforme classificação fiscal adotada pelo mesmo: 42.02 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes, os estojos para óculos, binóculos, câmeras fotográficas e de filmar, instrumentos musicais, armas e artefatos semelhantes; sacos de viagem, sacos isolantes para gêneros alimentícios e bebidas, bolsas de toucador, mochilas, bolsas, sacolas (sacos para compras), carteiras, porta moedas, portacartões, cigarreiras, tabaqueiras, estojos para ferramentas, bolsas e sacos para artigos de esporte, estojos para frascos ou para jóias, caixas para póde arroz, estojos para ourivesaria e artefatos semelhantes, de couro natural ou reconstituído, de folhas de plásticos, de matérias têxteis, de fibra vulcanizada ou de cartão, ou recobertos, no todo ou na maior parte, dessas mesmas matérias ou de papel. 4202.1 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes e artefatos semelhantes: 4202.11.00 Com a superfície exterior de couro natural ou reconstituído 4202.12 Com a superfície exterior de plásticos ou de matérias têxteis 4202.12.10 De plásticos Verificase, portanto, que a fiscalização adotou fundamento nitidamente equivocado ao afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte neste caso concreto (que a sua adoção seria exclusiva para obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro). Nesse contexto, deixou de trazer aos autos as eventuais razões do não enquadramento no item 4202.12.10, relativo às pastas de documentos e para estudantes com a superfície exterior de plásticos. Nesse contexto, entendo que a ausência de fundamentos válidos que justifiquem o afastamento da classificação adotada pelo contribuinte e a adoção da Fl. 618DF CARF MF 10 classificação fiscal adotada pela fiscalização, tornam este Colegiado inapto para julgar a presente demanda, por ausência de elementos essenciais à sua análise. Entendo, pois, que há uma falha de fundamentação no auto de infração intransponível no presente caso, pois a descrição dos produtos aqui analisados, com as suas características e materiais que o compõe, somada ao cotejo entre esses produtos e a correta classificação fiscal de acordo com a legislação pertinente, seria essencial à manutenção do auto de infração aqui combatido. Até porque, é cediço que o auto de infração deve ser auto explicável, compreensível por si só quanto aos fundamentos da imputação ali apresentada. Acontece que, no caso dos autos, através a leitura do auto de infração, não há como se compreender quais as razões que levaram a fiscalização a afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Nesse contexto, conforme determina o art. 59 do Decreto 70.235/1972, entendo que deverá ser declarado nulo o auto de infração em epígrafe no que concerne ao lançamento relacionado ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", visto que houve preterição do direito de defesa do contribuinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Há de se destacar, outrossim, que se está diante de uma nulidade material (vício de fundamentação) e não meramente formal. Nesse contexto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins de determinar a exclusão dos valores relativos ao item "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração em relação a esse item. 3. Reforma do ácordão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria de reclassificação fiscal e ausência de elementos para comprovar imputação Segue o contribuinte dispondo que a inexistência de um laudo ou mesmo de uma prova pericial préconstituída a respeito das mercadorias objeto de reclassificação fiscal caracterizaria vício material do ato administrativo na constituição e lançamento do crédito tributário, levando à necessidade de cancelamento do Auto de Infração. Discordo do contribuinte neste ponto. Para que um auto de infração seja válido, é imprescindível que a fiscalização aponte a correta descrição e classificação do produto, conforme análise já devidamente realizada no tópico anterior. A elaboração de laudo técnico ou perícia não é requisito essencial à validade do auto de infração, sendo determinada a sua realização tão somente em casos específicos, que demandem tal dilação probatória. Não é este, contudo, o caso dos presentes autos, cuja solução poderá ser plenamente atingida através dos elementos já constantes dos autos e sem que isto acarrete qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Em resumo, não há que se falar em nulidade do auto de infração aqui analisado pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização apresentase prescindível à solução da presente contenda (seja quanto à eventual nulidade do auto de infração, já analisada Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 615 11 no tópico anterior, seja quanto à análise da classificação fiscal em si, conforme será devidamente analisada no tópico a seguir). 4. Reforma do ácordão da DRJ pela alegada classificação fiscal correta adotada pelo contribuinte Por fim, alega o contribuinte que a classificação adotada pelo mesmo estaria correta quanto a ambas as categorias de produtos (Cad Refil para Fichário e Pasta Fichário). A primeira reclassificação fiscal realizada engloba os seguintes produtos: "Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96". Ao analisar a classificação fiscal destes produtos, assim se manifestou a DRJ: No que tange ao primeiro produto reclassificado (“Caderno Refil p/Fichário 96F ST”;“Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”.”), impende tecer algumas observações preliminares que serão úteis ao deslinde da questão. Inicialmente, seguem o texto do subitem 4820.20.00 (adotado pelo contribuinte) e o texto do subitem 48.20.10.00 (reclassificada pela fiscalização). 4820.20.00 = Cadernos [................................] 4820.10.00 = Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes. Considerando a descrição do produto fornecida pelo próprio contribuinte (“Caderno Refil P/Fichário”) e das informações obtidas a partir de pesquisas na Internet que muito ajudaram para a identificação comercial dos produtos analisados e sua descrição qualitativa, temos claro que não podem ser enquadrados na NCM 4820.20.00 (“Cadernos”) vez que: a) São, de fato, folhas (fichas) de reposição para fichários; b) A utilização do vocábulo “caderno”, in casu, (possivelmente seja a questão de fundo além da sensível diferença tarifária entre as classificações em “disputa”) remete à sua acepção no sentido de ser uma coleção ou agrupamento de ficcchas (folhas pautadas) destinadas à reposição de fichários. São características que claramente afastam o emprego da NCM 4820.20.00 para aquela classe de produtos. (...). Finalmente, para afastar qualquer dúvida e estabelecer com clareza a classificação fiscal dos artigos analisados impende trazer, de plano, à colação o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº13, de 28/Agosto/2003, que trata especificamente dos produtos em exame. Fl. 620DF CARF MF 12 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 28 de agosto de 2003 DOU de 1.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário", na Nomenclatura Comum do Mercosul. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº. 259, de 24 de agosto de 2001, e com base na Nota Coana/Cotac/Dinom no 230, de 20 de agosto de 2003, declara: Art. 1º Fichários ou capas para encadernação, de uso escolar, consistindo em capa dura provida internamente de ferragem de argolas para encadernação de folhas soltas, mesmo apresentados com folhas pautadas e divisórias para separação de matérias, classificamse no código 4820.30.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Art. 2º Blocos de folhas para reposição dos fichários ou capas para encadernação referidos no art. 1º, constituídos por folhas de papel pautado, perfuradas à margem esquerda para fixação às argolas do fichário e unidas por adesivo na lombada que permite o destaque das folhas sem danificálas, classificamse no código 4820.10.00 da NCM. JORGE ANTONIO DEHER RACHID O contribuinte, por seu turno, defende que o Ato Declaratório Interpretativo n. 13/2003, embora tenha tratado de "fichários" e "folhas para fichário" não deve ser aplicado no caso em análise em razão do disposto no art. 110 do CTN que determina que "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas do direito privado (...)". Nessa linha, afirma que a definição do conceito de "caderno refil" não poderia ter sido alterado pelo referido ADI. Segue dispondo que o refil para fichário deveria receber a mesma classificação do caderno, visto que a sua função seria a mesma, e que, sabendose que o IPI obedece aos princípios da seletividade e da essencialidade, não haveria lógica em se manter uma classificação fiscal mais onerosa do IPI para o refil de caderno e desonerar o caderno. Neste particular, entendo que não assiste razão ao Recorrente. O fato de ter o contribuinte adotado em sua escrita fiscal a nomenclatura "cad", no intuito de caracterizar o seu produto como um caderno, não o torna um caderno para fins de classificação fiscal. O refil para fichário, ainda que possua função semelhante à função desempenhada pelo caderno, não a transforma em um caderno. Em outras palavras, pretende o contribuinte a adoção de tratamento idêntico a produtos que, embora se assemelham em sua função, são inquestionavelmente distintos. De outro norte, as razões para a adoção de determinada política fiscal que desonera determinado produto possui nuances de inteligência fiscal que vai muito além de uma simples análise da função do produto desonerado. Para que possa usufruir do benefício da alíquota zero, é necessário não apenas que o produto possua a mesma funcionalidade do produto exonerado, mas que se enquadre naquela NCM específica, conforme regras aplicáveis à classificação fiscal (Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado RGI/SH e Regras Gerais Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM). E, salientese que o código 4820.20.00 abrange unicamente o produto “Cadernos”, sem que haja qualquer margem para interpretação extensiva. Até porque, deve ser restritiva a interpretação das hipóteses abrangidas pelo benefício da alíquota reduzida de 0%. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10865.000852/200927 Acórdão n.º 3301004.197 S3C3T1 Fl. 616 13 De outro lado, o código 4820.10.00 traz uma descrição mais maleável (Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes), em que é possível enquadrar o refil para fichário objeto da presente contenda. Nesse contexto, entendo que não houve por parte do ADI 13/2003 afronta ao disposto no art. 110 do CTN. O referido ADI apenas esclareceu a correta classificação fiscal do produto em questão com base na legislação aplicável, classificação esta com a qual concordo. Há de se destacar aqui que os Atos Declaratórios não possui natureza constitutiva e, como atos interpretativos que são, não têm o poder de instituir normas, limitandose a explicitar o sentido e alcance das normas integrantes dos atos constitutivos que interpretam (vide Parecer Normativo COSIT nº 5, de 25 de maio de 1994). Nesse contexto, ao acatar os termos do ADI em questão, estáse, em verdade, aplicando a legislação federal que orienta para a correta classificação fiscal do produto. Como se não bastasse, destaquese que a decisão proferida no Acórdão n. 30334.946 de 04 de dezembro de 2007, trazida pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, tampouco o socorre na sua tentativa de afastar o conteúdo do auto de infração aqui combatido. Isso porque, a conclusão constante da ementa de que estaria correta a classificação no Código NCM 4820.20.00 (ex001) da NCM estava relacionada ao produto "caderneta" ou "cadernos escolares de quaisquer dimensões e não ao refil para fichário, que é objeto da presente contenda. E, embora tenha a DRJ naqueles autos afastado o auto de infração no que concerne ao item "refil", o fez por fundamento distinto do analisado no presente auto de infração. É o que se observa da transcrição a seguir: No que pertence o produto "Refil", afirma o autuado que se trata de um modelo de caderno escolar, passível, portanto, de ser classificado no código 4820.20.00 EX 001, tributado com alíquota do IPI de 0%. Por sua vez, a classificação adotada pela fiscalização foi a 4823.51.00, que corresponderia a "outros papeis e cartões dos tipos utilizados pela escrita (...) impressos, estampados ou perfurados", com alíquota de 10%. Ao analisarmos o material probatório trazidos aos presentes autos, constatados que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 13 de 2003, em seu art. 2º, estabelece de forma inequívoca que o indigitado produto se classifica, na verdade, no código 4820.10.00, sujeito a uma alíquota de 15%, conforme noticia a TIPI. Entretanto, conforme foi asseverado na resposta à diligência (fl. 837), no seu item 04, não se afigura possível à lavratura de um Auto de Infração Complementar, ante o transcurso do prazo decadencial, face ao erro de classificação fiscal verificado no lançamento. Portanto, devem ser cancelados todos os valores relativos ao produto denominado "Refil", conforme restou especificado no item 3.12 do decisum em escopo. Ou seja, também naqueles autos, chegou o CARF à conclusão de que o produto em tela se enquadra no código 4820.10.00, nos termos do ADI 13/2003, não concordando com a pretensão do contribuinte de enquadramento na classificação fiscal 4820.20.00, que lhe concederia o benefício da alíquota de 0%. Apenas afastou a exação naquele caso específico em razão da errônea classificação fiscal adotada pela fiscalização, a Fl. 622DF CARF MF 14 qual havia enquadrado em outro código NCM que não se aplicava à hipótese, somada à impossibilidade de lavratura de auto de infração complementar, em razão da decadência. Nos presentes autos, portanto, havendo a fiscalização enquadrado corretamente os produtos "Cad Refil para Fichário 96F ST", "Cad Refil p/Fichário 140x21" e "Cad Refil p/ Fichário Tarjado 96" no NCM 4820.10.00, há de ser mantida a exigência fiscal atinente a tais produtos quanto às competências não fulminadas pela decadência. De outro norte, a segunda reclassificação fiscal referese ao produto "Pasta Fichário Solda e Ziper", em relação ao qual, conforme já analisado no tópico anterior, há de ser afastada a autuação, em razão da nulidade material verificada. Nesse contexto, tornase despicienda a análise acerca da correta classificação fiscal deste item. 5. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de: (i) determinar a exclusão dos valores relativos às competências anteriores a 24 de abril de 2004, tanto dos produtos "Cad Refil para Fichário" quanto do produto "Pasta Fichário", em razão da decadência; (ii) determinar a exclusão dos valores relativos à "Pasta Fichário Solda e Ziper", em razão da nulidade material do auto de infração. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 623DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720982/2014-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012
Ementa:
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE.
A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitando-se eventualmente ao disposto no seu art. 149, V.
independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. APLICABILIDADE.
As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (TIPI).
O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto presta-se a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto.
As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), da qual o Brasil é Signatário, tendo como objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada.
As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. Para se classificar um produto, aplicam-se as Regras do SH, nem mais, nem menos
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.977
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitandose eventualmente ao disposto no seu art. 149, V. independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. APLICABILIDADE. As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (TIPI). O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto. As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), da qual o Brasil é Signatário, tendo como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 09 82 /2 01 4- 47 Fl. 5967DF CARF MF 2 objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada. As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. Para se classificar um produto, aplicamse as Regras do SH, nem mais, nem menos Recurso Voluntário Negado. Fl. 5968DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.968 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 5969DF CARF MF 4 Relatório José Henrique Mauri Relator. Tratase de auto de infração para fins de exigência de IPI, relativamente a períodos de abril de 2010 a dezembro de 2012. De acordo com o termo de verificação fiscal, foi apurada classificação fiscal incorreta na saída dos produtos [1] "cones de sinalização", [2] "cavaletes e placas", [3] "fitas zebradas", [4] "outras obras de plástico" ("corrente, pá e enxada antifaiscante, multi suporte, pedestal plástico, porta lima e protetor para podão"), [5] "peças de vestuário e acessórios" ("produtos como colete refletivo, avental PVC, calça PVC, jaqueta PVC, macacão PVC, conjunto jaqueta e capa de chuva") e [6] "protetores auditivos". Além disso, a Fiscalização apurou: · Por meio de auditoria de estoque, saídas de produção própria indevidamente registradas com CFOP 5.102 e 6.102 ("venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros"). · Declaração a menor em DCTF de imposto lançado nas notas fiscais emitidas e registrado nos livros Registro de Saídas e de Apuração do IPI, "retardando o seu conhecimento pela autoridade administrativa, o que caracteriza uma circunstância agravante à aplicação da respectiva penalidade, majorandoa, consequentemente, com o aumento de metade, conforme art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07". Em sua peça impugnatória a interessada alegou, em síntese: 1. Ilegalidade na ação fiscal, à vista de pendência de consulta administrativa. Segundo a Interessada, no dia 24 de setembro de 2012, formulou consulta protocolada na DRF/Limeira (processo n. 10865.723020/201288), que, apesar de reiteração em 27 de setembro de 2013, não teria sido solucionada ainda, impedindo a abertura de procedimento fiscal, nos termos do art. 48 do Decreto n° 70.235, de 1972. 2. Para fins de Classificação fiscal o contribuinte não tinha qualquer referência normativa específica que lhe servisse de norte para afastar as classificações genéricas. 3. Utilizouse do princípio da seletividade em função da essencialidade dos produtos como orientador para classificar os produtos, Princípio que deve também ordenar a interpretação da classificação fiscal. 4. Protestou, a seguir, pela produção de prova pericial, conforme anexo à impugnação, em razão de que a essencialidade dos produtos somente poderia ser auferida por esse meio de prova. 5. Tece breves comentários sobre os produtos autuados e as NCM utilizadas. Fl. 5970DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.969 5 Ao analisar a Impugnação, a 8ª Turma da DRJ/RPO emitiu o Acórdão 14 55.107, de 25 de novembro de 2014, que, por unanimidade de votos, julgoua Procedente Em Parte, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 IPI. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IPI LANÇADO E NÃO DECLARADO, MULTA E SUA MAJORAÇÃO. Declarase não litigiosa a matéria não expressamente contestada pelo contribuinte em sua impugnação de lançamento. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO EM PENDÊNCIA DE CONSULTA. NULIDADE. É nulo, por vício formal, o auto de infração que tenha por objeto a reclassificação fiscal de produto objeto de consulta apresentada pelo contribuinte, especificamente em relação à classificação fiscal por ele adotada, enquanto não solucionada a consulta formulada ou não declarada a sua ineficácia, relativamente às saídas dos referidos produtos ocorridos após a formulação. PERÍCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. Somente cabe a realização de perícia na hipótese de não poder ser produzida nos autos prova equivalente e de ser necessária manifestação de especialista. Descabe a opinião de perito em relação à juízo de aplicação de legislação. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO ANTERIOR DO FISCO. A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitandose eventualmente ao disposto no seu art. 149, V. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. APLICAÇÃO AO ESTABELECIMENTO DA ALÍQUOTA NA TIPI E NÃO ÀS REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (Tipi). O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto. Eventual violação ao princípio da seletividade inserese no âmbito de vício do estabelecimento da alíquota para a respectiva posição e não pode ser objeto de apreciação no âmbito do processo administrativo fiscal. AUDITORIA DE ESTOQUE. SAÍDA DE PRODUTOS REVENDIDOS. INSUFICIÊNCIA DE ESTOQUE. Tributamse como produtos de fabricação própria aqueles a que o contribuinte tenha dado saída como revenda, sem ter estoque suficiente de produtos comprados de terceiros para tanto. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 5971DF CARF MF 6 Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 CONES DE SINALIZAÇÃO. Código TIPI: 3926.90.90 Classificase nesta posição o artefato cônico de plástico, para sinalização de trânsito nas ruas, estradas e em outros locais de trânsito, comercialmente denominado "cone de sinalização". CAVALETES E PLACAS. Código TIPI: 3921.11.00 Classificamse nesta posição os cavaletes e placas de sinalização, em formas regulares, de plástico. OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICO (FITAS ZEBRADAS. CORRENTE, PÁ E ENXADA ANTIFAISCANTES, MULTISUPORTE, PEDESTAL, PORTA LIMA E PROTETOR DE PODÃO. PROTETORES AUDITIVOS, DE PLÁSTICO, DO TIPO CONCHA). Código TIPI: 3926.90.90 Classificamse nesta posição as outras obras de plástico não compreendidas em posições anteriores do respectivo capítulo. PEÇAS DE VESTUÁRIO E ACESSÓRIOS DE PVC. Código TIPI: 3926.20.00 Classificamse nesta posição o vestuário e acessórios de PVC. Impugnação Procedente em Parte Irresignada a interessada apresentou Recurso Voluntário, fls. 5933/5958, reprisando as alegando de impugnação, relativamente aos seguintes tópicos,: 1. Preliminarmente: 1.1 Da Inconstitucionalidade da Multa Superior ao Valor do Tributo. 1.2 Da Impossibilidade de Aplicação de Multa de Ofício nos Tributos Lançados sob o Regime de Homologação. 1.3 Da Inexistência de Situação Agravante. 1.4 Da negativa de Realização de Prova Pericial. 2. Mérito 2.1 Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Decorrente das Saídas de Cones em Razão da Pendência de Consulta 2.2 Da Ausência de Regulamentação da Classificação NCM à época dos Fatos e do Respeito ao Princípio da Essencialidade. Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 5972DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.970 7 Voto Conselheiro José Henrique Mauri O Recurso de Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento O auto de infração tratou de três matérias, "lato sensu" (i) classificação fiscal incorreta, (ii) glosa de créditos de revendas e (iii) falta de declaração (em DCTF) de valores lançados em nota fiscal e escriturados no livro registro de saídas e no livro de apuração do IPI. Neste último item, a Fiscalização apurou o imposto não declarado e aplicou a multa aumentada em 50%, por constar “circunstância agravante” (Lei nº 5.502/64, § 6º, inciso I, art. 80). Entretanto, em sede de Recurso Voluntário os questionamentos restringemse à questões de direito, abaixo segregados, restando preclusas as demais matérias, de fato e de direito, constantes da autuação. 1 Das Preliminares 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA SUPERIOR AO VALOR DO TRIBUTO. CONFISCO. e 1.2 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO NOS TRIBUTOS LANÇADOS SOB O REGIME D HOMOLOGAÇÃO A recorrente Insurgese contra a majoração em 50% da multa com fundamento do artigo 80, caput, e § 6º, inciso I da Lei Federal nº 4.502/64. que, segundo seu entendimento fere a vedação constitucional do confisco. Sustenta ainda que referida multa de Ofício é de natureza penal, diferentemente das multas por mora no adimplemento de obrigação tributária, essas sim consideradas remuneratórias ou compensatórias. As alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Fl. 5973DF CARF MF 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Desnecessário maiores delongas, nesse pormenor, pela clareza e objetividade da matéria, bem assim pelo teor das normas transcritas. 1.3 DA INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO AGRAVANTE Alega a recorrente inocorrência de qualquer circunstância a ensejar a qualificação da multa. Não se mostra presente nos autos elementos que mostrem eventual reicindência, consulta prévia da recorrente acerca dos produtos, tampouco existência de artifício doloso na prática da infração, que justificariam o agravamento. O Auditor Fiscal, por seu turno, entendeu haver, ao menos, uma circunstância agravante, ensejando a aplicação do disposto no artigo 80, § 6º, inciso I, da Lei nº 4502/64, eis excerto do Relatório Fiscal: O imposto foi lançado nas notas fiscais emitidas, registrado nos livros Registro de Saídas e de Apuração do IPI, mas não declarados integralmente em DCTF, retardando o seu conhecimento pela autoridade administrativa, o que caracteriza uma circunstância agravante à aplicação da respectiva penalidade, majorandoa, consequentemente, com o aumento de metade conforme art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07. Eis o disposto no referido artigo 80: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imjposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. [...] § 6º O percentual de muilta a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica. II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. Fl. 5974DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.971 9 Vêse que a autuação utilizouse do disposto no inciso I, caracterizado pela constatação de uma circunstância agravante, diferentemente do disposto no inciso II, onde demandaria a tipificação de simulação, fraude ou conluio ou ainda a caracterização de reincidência específica, com apenação qualificada. A conduta resta claramente tipificada no sentido de ocultar os valores devidos dos tributos, o que configura o agravamento da multa nos termos do art. 68, § 1º, IV da lei nº 4.502/64. Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. § 1º São circunstâncias agravantes: I a reincidência; II o fato de o imposto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; III a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sobre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo; IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. [Destaquei] Ademais, o percentual de agravamento de 50% (cinquenta por cento) atendeu as determinações do art. 80, § 6º, I, em função de ter a recorrente cometido a infração de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado. 1.4 DA NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL. Alega a recorrente que, com a negativa da produção de prova pericial, o julgador afrontou de morte o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, tolhendo da recorrente seu direito de se defender. No âmbito do processo administrativo fiscal a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de diligência ou de produção de prova pericial integra poder discricionário da autoridade julgadora. Assim, cabe ao Julgador emitir juízo de valor quanto a necessidade de obtenção de provas adicionais, imprescindíveis Fl. 5975DF CARF MF 10 ao deslinde da controvérsia. Essa é a inteligência que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/19721. Ademais, a realização de diligência somente se justifica se as provas instrutivas dos autos não forem suficientes e, especificamente em relação à perícia técnica, quando houver dúvida sobre questão de natureza técnica, cujos esclarecimentos dependam de conhecimentos especializados. No caso concreto, assim se manifestou o colegiado primário: "Nesse contexto, sabese que as perícias são exigidas quando não se possa produzir prova equivalente nos autos, necessitandose de sua produção por especialista. Não é o caso dos autos, como se verifica pelos quesitos formulados e pelas observações a eles dirigidas durante a análise de mérito. Por fim, como se verá adiante, é possível a análise das classificações fiscais a partir dos documentos que já constam dos autos, sendo prescindível diligência ou perícia." Resta claro que o juízo primário entendeu ser prescindível a realização de perícia para o deslinde da lide. O voto condutor do Acórdão recorrido foi adequadamente motivado quanto ao indeferimento da diligência requerida, não carecendo de reparos. Registrese que nessa oportunidade, em julgamento de segunda instância, poderseia apreciar a necessidade, ou não, de dita perícia, haja vista que sua negativa na primeira instância não significa igual juízo de valor nesta instância superior. Contudo, como relatado, em sede de Recurso Voluntário não há questionamento em relação às NCM aplicadas pela fiscalização (e mantidas no Acórdão recorido) o que tornaria inócua a realização de diligência, posto que a perícia requerida terseia como objeto a obtenção de dados para fins exclusivos de classificação dos produtos, questão inexistente na peça recursal, ora em análise. Assim, por entender prescindíveis, indeferese o pedido de diligência/perícia reiterado pela recorrente. Com base nessas considerações, Nego provimento às preliminares suscitadas. 1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 5976DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.972 11 2 Mérito 2.1 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO DECORRENTE DAS SAÍDAS DE CONES EM RAZÃO DA PENDÊNCIA DE CONSULTA Insurgese contra a decisão recorrida no tocante ao entendimento de que "a suspensão da exigibilidade do tributo, em razão da consulta formulada pela Recorrente, não produziu qualquer efeito com relação ao período anterior, podendo o fisco iniciar procedimento fiscais com relação a esse período". Entende a Recorrente que o dispositivo legal (Decreto 7.574/2011, art. 89) estabelece que nenhum procedimento fiscal será instaurado a partir da apresentação da consulta, independentemente de estarem os fatos geradores situados antes ou depois da formalização da consulta. Art.89. Nenhum procedimento fiscal será instaurado, relativamente à espécie consultada, contra o sujeito passivo alcançado pela consulta, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que lhe der solução definitiva. (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 48 e 49; Lei no9.430, de 1996, art. 48, caput e § 3o). Não assiste razão a recorrente. Os fatos geradores ocorridos anteriormente à protocolização não são alcançados pelos efeitos do processo de consulta, isso porque os efeitos da Consulta iniciase com sua formalização, não abraçando fatos geradores pretéritos. É o que se extrai dos artigos 89, suso transcrito, e do artigo 90, ambos do Decreto nº 7.574/2011. Não é por outra razão que a decisão de Consulta, contrária à orientação adotada pelo contribuinte, obrigao a recolher, no prazo do art. 89 do Decreto nº 7.574/2011, o imposto que deixou de ser registrado ou lançado a partir da consulta, sem os acréscimos relativos a multas e juros, diversamente do que ocorre em relação aos débitos verificados anteriormente à data da apresentação da Consulta, em que sobre eles incidirão os acréscimos legais. Art. 90. Em se tratando de consulta eficaz e formulada antes do vencimento do débito, não incidirão encargos moratórios desde seu protocolo até o trigésimo dia subsequente à data da ciência de sua solução (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 161, § 2º). Dessarte, o instituto da consulta não tem efeito retroativo e não ampara a consulente em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a sua protocolização. No caso concreto, como a consulta fora formulada pela Recorrente em 24 de setembro de 2012, são válidos os lançamentos anteriores, ou seja, efetuados a partir de janeiro de 2010 (termo inicial do período autuado) até a data da formulação da consulta (setembro de 2012). Fl. 5977DF CARF MF 12 Diante do exposto, entendo não terem alicerce lógico e jurídico as alegações da recorrente, relativas aos efeitos do processo de consulta. 2.2 DA AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO NCM À ÉPOCA DOS FATOS E DO RESPEITO AO PRINCÍPIO DA ESSENCIALIDADE. Sustenta que "os fatos geradores descritos no combatido auto de infração ocorreram entre os exercícios de 2010, 2011 e 2012, ou seja, em sua maior parte anteriormente à qualquer definição pelo Fisco das corretas classificações". Alega ainda que na ausência de regulamentação, valiase do princípio da essencialidade, previsto na CF. Sobre o presente quesito, assim se manifestou o julgado primário, no voto precursor do Acórdão recorrido: 37. A Interessada ainda alegou que a maioria dos fatos geradores teria ocorrido “anteriormente à qualquer definição pelo Fisco das corretas classificações”. 38. Entretanto, tal situação não tem conseqüência alguma para as infrações apuradas, pois a legislação exige que o contribuinte efetue a classificação corretamente, apresentando consulta se houver dúvidas. 39. Quando o contribuinte efetua a classificação por sua conta e risco, o Fisco tem o poder e dever de averiguar a classificação fiscal e efetuar o lançamento, com aplicação de multa de ofício, se dela discordar. Das disposições já reproduzidas sobre o processo de consulta, sabese que somente a consulta eficaz tem o condão de impedir a incidência de encargos moratórios (juros e multa de mora, uma vez que a multa de ofício somente seria exigível após o encerramento do processo de consulta) 2. 40. Esclareçase, por fim, que o IPI é imposto cujo lançamento é da modalidade por homologação, em que o contribuinte tem o ônus de aplicar a legislação para efetuar a apuração e o recolhimento do imposto, o que abrange a classificação fiscal dos produtos que fabrica e vende. 41. Dessa forma, cabe ao sujeito passivo o dever de praticar a atividade prevista no art. 1503 do Código Tributário Nacional, sujeitando se eventualmente ao disposto no art. 149, V4. [...] 2 Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Art. 90. Em se tratando de consulta eficaz e formulada antes do vencimento do débito, não incidirão encargos moratórios desde seu protocolo até o trigésimo dia subsequente à data da ciência de sua solução (Lei n o 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 161, § 2 o ). 3 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Fl. 5978DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.973 13 50. O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação, em si, do produto. Assim, eventual violação ao princípio da seletividade inserese no âmbito de vício do estabelecimento da alíquota para a respectiva posição e, como tais disposições são reguladas por decreto presidencial, não poderia a autoridade julgadora administrativa afastálas, nos termos do art. 59 do Decreto n. 7.574, de 20115. 51. O excesso ou arbitrariedade da lei ou do decreto na fixação da alíquota passaria por análise do ato legislativo (em sentido amplo) sob o prisma do devido processo legal substantivo6, questão que, por dizer respeito aos limites do ato de legislar, também é impossível de ser discutida no âmbito do processo administrativo fiscal. Sem reparos as palavras ditas no Acórdão recorrido, suso transcritas. As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH)7, da qual o Brasil é Signatário, tendo como objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada. As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional, por determinação constitucional. Para se classificar um produto, aplicamse as Regras do SH, nada mais, nem menos. No Sistema Tributário Brasileiro a classificação fiscal de produtos é de responsabilidade do contribuinte, sujeito passivo da obrigação tributária, valendo se, para tanto, das ferramentas positivadas em nosso sistema normativo: (i) das Regras preconizadas pelo SH, propriamente dito, (ii) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), expressando o posicionamento do Conselho de Cooperação Aduaneira/CCA (conhecido como Organização Mundial de Aduanas/OMA), o (iii) 5 Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei n o 11.941, de 2009, art. 25). 6 3. Esta Corte tem historicamente confirmado e garantido a proibição constitucional às sanções políticas, invocando, para tanto, o direito ao exercício de atividades econômicas e profissionais lícitas (art. 170, par. ún. , da Constituição), a violação do devido processo legal substantivo (falta de proporcionalidade e razoabilidade de medidas gravosas que se predispõem a substituir os mecanismos de cobrança de créditos tributários) e a violação do devido processo legal manifestado no direito de acesso aos órgãos do Executivo ou do Judiciário tanto para controle da validade dos créditos tributários, cuja inadimplência pretensamente justifica a nefasta penalidade, quanto para controle do próprio ato que culmina na restrição. (Supremo Tribunal Federal. ADI n. 1736. Relator: Min. Joaquim Barbosa. Disponível em <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=582642>.) 7 A “Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias” foi celebrada em Bruxelas, em 14/06/1983, e entrou em vigor internacional a partir de 1988. No Brasil, foi aprovada pelo Decreto Legislativo n. 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto n. 97.409, de 23/12/1988 (publicado no Diário Oficial da União de 27/12/1988). Fl. 5979DF CARF MF 14 índice alfabético do SH, também publicado pela OMA; e (iv) dos pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do SH. 8 Ao lado destes atos internacionais há ainda manifestações no âmbito do MERCOSUL e atos normativos nacionais, como Instruções Normativas (IN) da RFB e Atos Declaratórios Interpretativos da RFB (ADI), e ainda, mais especificamente, na espécie, da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), este último para fins de identificar a alíquota de IPI aplicável. Portanto, independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada. Com essas considerações, resta concluso que o Acórdão recorrido não carece de reparos. No mais, quanto as demais matérias constantes do Acórdão recorrido, sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora recorrente, caracterizase a Preclusão, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72. Dispositivo Ante o todo exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator 8 dados coletados na Declaração de Voto de lavra do conselheiro Rosaldo Trevisan, Inserida no Acórdão nº 3403003.186. Fl. 5980DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720401/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. REFLEXO
Os créditos pleiteados em PER/DCOMP foram reduzidos em razão de auto de infração aplicado para constituir crédito tributário por considerar que as saídas realizadas continham classificação fiscal equivocada. Surgindo este débito, a escrita fiscal foi refeita.
O deslinde da causa depende totalmente do deslinde do processo do auto de infração, onde se discute a classificação fiscal. Referido processo foi definitivamente julgado na esfera administrativa e seu resultado deve ser aplicado neste processo de crédito.
Numero da decisão: 3301-009.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar o resultado do julgamento do processo nº 10830.006632/2006-61.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Salvador Cândido Brandão Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente), Marco Antonio Marinho Nunes, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: Salvador Cândido Brandão Junior
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-01-21T18:32:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-01-21T18:32:02Z; Last-Modified: 2021-01-21T18:32:02Z; dcterms:modified: 2021-01-21T18:32:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-01-21T18:32:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-01-21T18:32:02Z; meta:save-date: 2021-01-21T18:32:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-01-21T18:32:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-01-21T18:32:02Z; created: 2021-01-21T18:32:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-01-21T18:32:02Z; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-01-21T18:32:02Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10830.720401/2006-64 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-009.370 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2020 Recorrente KORBACH VOLLET ALIMENTOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. REFLEXO Os créditos pleiteados em PER/DCOMP foram reduzidos em razão de auto de infração aplicado para constituir crédito tributário por considerar que as saídas realizadas continham classificação fiscal equivocada. Surgindo este débito, a escrita fiscal foi refeita. O deslinde da causa depende totalmente do deslinde do processo do auto de infração, onde se discute a classificação fiscal. Referido processo foi definitivamente julgado na esfera administrativa e seu resultado deve ser aplicado neste processo de crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar o resultado do julgamento do processo nº 10830.006632/2006-61. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente), Marco Antonio Marinho Nunes, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 01 /2 00 6- 64 Fl. 754DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-009.370 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720401/2006-64 Trata-se de PER/DCOMP 05640.96435.250504.1.3.01-1060 transmitido para declarar a compensação de créditos de IPI apurados no 1º trimestre de 2004 com outros débitos de tributos administrados pela RFB. A apuração dos créditos recebeu tratamentos manual, com a análise das entradas, saídas, livros e produtos de fabricação da contribuinte. Como conclusão, a fiscalização afirmou que a classificação fiscal adotada pela contribuinte (com alíquota zero) estava equivocada, sendo a correta a da posição NCM 2202.90.00 — Outras, com alíquotas fixas por quantidade de produto, conforme trecho a seguir, extraído da informação fiscal de fls. 244-248: Da classificação fiscal O produto da empresa de marca X-TAPA é uma bebida, conforme definido pelo Decreto n° 2314 de 4/9/1997 e alterações, ou seja é destinada à ingestão humana, em estado líquido e não tem finalidade medicamentosa ou terapêutica (não usado para cura de doenças). O artigo 12 do mesmo Decreto esclarece que: "artigo 12 — A bebida não alcoólica poderá ser adicionada- de vitaminas, de sais minerais e de outros nutrientes, de conformidade com o estabelecido em, ato administrativo do Ministério da Agricultura e do Abastecimento ou do Ministério da Saúde", significando que as exigências em relação a bebidas podem ser determinadas por qualquer dos dois órgãos nas suas competências próprias. O fato de ser necessária a autorização do Ministério da Saúde para que o produto seja identificado como suplemento vitamínico, não retira sua característica de bebida, ou seja, continua destinado à ingestão humana, em estado líquido, e não é usado para cura de doenças. ... Na bebida industrializada pelo contribuinte são encontradas estas características, ou seja, tem como nutriente o carboidrato ao qual foi adicionada vitamina C. A quantidade de vitamina que deve conter no produto, no mínimo 25% e no máximo de 100% da Ingestão Diária' Recomendada (IDR) e o registro no Ministério da Saúde, torna possível utilizar, na embalagem, a denominação de Suplemento Vitamínico, porém não impede, para efeito de tributação classificar como alimento para praticantes de atividades físicas, cujas características são: os carboidratos devem constituir no mínimo 90% dos nutrientes energéticos presentes na formulação e opcionalmente podem conter vitaminas e/ou minerais, com tributação mais benéfica prevista no Ato Declaratório n° 2 de 18/01/2001 da Secretaria da Receita Federal, no Decreto 4488 de 26/11/2002 e no Decreto 4542 de 26/12/2002 da Presidência da República. A classificação fiscal incorreta adotada foi no código - 2106.90.30 — Preparações Alimentícias — Complementos Alimentares, a que deveria ser adotada é conforme abaixo, utilizando-se a tabela mais benéfica prevista para os alimentos para prática de atividades físicas: Capítulo 22 — Bebidas, Líquidos alcoólicos e Vinagres Posição 22.02 - Aguas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas e outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos de frutas ou de produtos hortícolas, da posição 20.09 Classificação Fiscal: 2202.90.00 — Outras Dos créditos pleiteados Fl. 755DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-009.370 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720401/2006-64 Tendo em vista a classificação fiscal incorreta dos produtos saídos adotadas, o contribuinte não calculou o IPI devido nas operações de saídas, e gerou saldos credores de IPI em sua escrita fiscal que foram objeto do pedido de ressarcimento. Efetuando-se os cálculos do IPI devido nas saídas e reconstituindo-se a escrita fiscal conforme fls. 118 a 120, verifica-se que o contribuinte deveria apurar saldo devedor ou saldo credor menor do que o apresentado em sua escrita, que neste ato foi glosado, conforme abaixo. As irregularidades verificadas estão sendo objeto de lançamento através de Auto de Infração. Diante da constatação do equívoco na classificação fiscal, foi lavrado auto de infração para a constituição do crédito tributário, com a discussão administrativa controlada no processo nº 10830.006632/2006-61. Em decorrência, a escrita fiscal do IPI foi refeita, o que repercutiu nos créditos pleiteados na presente PER/DCOMP, restando um saldo menor de crédito para compensação. Assim, foi proferido Despacho decisório de fls. 300-302 para o deferimento parcial dos créditos, no valor total de R$ 47.664,00, com a homologação da compensação até o limite do direito creditório reconhecido. No relatório do acórdão de piso, há uma boa síntese dos argumentos da fiscalização e da manifestação de inconformidade da contribuinte: Trata-se de Declarações de Compensação (fls. 01/99) no valor total de R$ 166.300,55, cujo crédito é oriundo de ressarcimento de IPI, com fundamento na Lei n° 9.779/99, relativo ao 1º trimestre de 2004. Com base na informação fiscal de fls. 121/123, a Delegacia da Receita Federal em Campinas proferiu o Despacho Decisório de fl. 149/150, no qual deferiu parcialmente o valor de R$ 47.664,00 e glosou R$ 118.636,55, homologando parcialmente as compensações pleiteadas. Segundo consta, a contribuinte deu saída a produtos de sua fabricação com classificação fiscal equivocada, e com falta de lançamento do imposto. Conseqüentemente, foi lançado o imposto e reconstituída a escrita fiscal, resultando em redução do saldo credor ao final do trimestre-calendário, razão pela qual foi deferido parcialmente o valor solicitado. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 164/174, alegando, em resumo, o seguinte: 1. O mérito desse processo de ressarcimento/compensação é dependente e vinculado ao processo de auto de infração de IPI n° 10830.006632/2006-61, assim, o exame do mérito desses autos deve ser sobrestado até o julgamento final do auto de infração relativo à mesma matéria, ou ter julgamento simultâneo com este; 2. Contesta a reconstituição da escrita fiscal efetuada pela fiscalização, questionando os critérios adotados na lavratura do auto de infração. 3. Protesta contra a cobrança dos débitos compensados enquanto estiver pendente a discussão sobre a legitimidade dos procedimentos adotados pela contribuinte; requereu, ainda, seja sustada a precipitada cobrança, consignando-se a suspensão da exigibilidade das parcelas indicadas nesta. Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do Despacho Decisório. A 2ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão n° 14-18.054, fls. 602-644, para indeferir a manifestação de inconformidade. No voto, a d. DRJ fundamentou-se, integralmente, em transcrição literal, no acórdão proferido na mesma sessão para o processo n° 10830.006632/2006-61, onde se discutiu o mérito do auto de infração (classificação fiscal). O resultado foi pelo indeferimento da solicitação. Segue a ementa do acórdão. Fl. 756DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-009.370 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720401/2006-64 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO. Havendo redução do saldo credor de IPI do trimestre-calendário, em virtude de lançamento de imposto, defere-se o ressarcimento do novo saldo credor, após a reconstituição da escrita fiscal. Quando a delegacia de origem já deferiu o valor correspondente ao saldo credor reconstituído, não resta saldo a ser deferido. Solicitação Indeferida Notificada da r. decisão, apresentou recurso voluntário, fls. 650-686, repisando os argumentos de sua manifestação. Reconhece que o mérito da questão está no processo que discute a classificação fiscal do produto por ela industrializado, ou seja, Processo Administrativo n° 10830.006632/2006-61, sendo que os processos relativos à restituição/compensação de IPI são reflexos. Assim, toda sua discussão meritória é centrada no processo administrativo de nº 10830.006632/2006-61 (auto de infração), contestando a decisão da DRJ proferida sobre o auto de infração, contestando erros na reconstrução da escrita fiscal, erros na apuração da alíquota e discutindo a correção da classificação fiscal adotada. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e será conhecido. Como relatado, a fiscalização não apontou equívocos ou divergências na apuração dos créditos básicos de IPI objeto do PER/DCOMP ora em análise. Não houve glosas, portanto. O motivo do reconhecimento parcial dos créditos declarados reside na constatação, pela fiscalização, de que a Recorrente realizou operações de saída adotando classificação fiscal NCM 2106.90.30 — Preparações Alimentícias, cuja alíquota na TIPI constava como ZERO. Como consequência, acumulou-se créditos, os quais foram objeto do presente ressarcimento/compensação. Após a fiscalização, o agente fiscal conclui pelo equívoco da classificação fiscal dessas saídas. No entender da fiscalização, a classificação fiscal correta era da posição NCM 2202.90.00 — Outras, tributada com alíquotas fixas por quantidade de produto. Para constituir os débitos do imposto, foi lavrado o auto de infração controlado no processo nº 10830.006632/2006-61. Assim, tais débitos foram utilizados na reconstrução da escrita fiscal do IPI, provocando, com isso, a diminuição dos créditos disponíveis para ressarcimento/compensação. Esse é o mérito da controvérsia. Não se discute o crédito em si, mas sim o seu saldo por conta da constituição de débitos de IPI em decorrência de uma nova classificação fiscal adotada pela fiscalização. Este, inclusive, é um dos requerimentos do recurso voluntário, Fl. 757DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-009.370 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720401/2006-64 pleiteando o julgamento em conjunto para aplicação do resultado da lide instaurada no auto de infração. Com isso, há um reflexo lógico e imediato. O destino do processo nº 10830.006632/2006-61 tem repercussão direta no deslinde do presente processo. No auto de infração já houve julgamento do recurso voluntário, com a publicação do acórdão nº 320100.888 proferido pela 1ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção, restando assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BEBIDAS. CAPÍTULO 22. Os produtos apresentados como bebidas prontas para consumo classificam-se no capítulo 22, ainda que contenham propriedades alimentares. PRODUTOS DAS POSIÇÕES 22.04, 22.05, 22.06 E 2208. CAPACIDADE DO RECIPIENTE SUPERIOR A UM LITRO. ENQUADRAMENTO POR CLASSE. No caso de recipientes com capacidade superior a 1 litro, cobra-se o imposto proporcionalmente ao definido para recipientes de 1 litro, arredondando-se a fração residual para 1 litro. A embalagem de 1,5 litros deve ser tributada como se de 2 litros fosse. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS. CLASSIFICAÇÃO. ALÍQUOTA. Os suplementos vitamínicos, por não estarem enquadrados na Portaria nº 222 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, não estão sujeitos às alíquotas específicas fixadas pelos Atos Declaratórios nº 012 de 2000 e 02 de 2001, da Secretaria da Receita Federal. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO. APLICABILIDADE. Aplica-se a multa de 75% sobre o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados não lançado na respectiva nota fiscal. Recurso Voluntário Negado Em consulta ao acompanhamento processual, verifico que o auto de infração já foi definitivamente julgado, com a manutenção da classificação fiscal adotada pela fiscalização. A decisão transitada em julgado é a proferida em sede de embargos de declaração, acolhidos com efeitos infringentes para sanar algumas contradições no acórdão do Recurso Voluntário. No entanto, no que diz respeito à classificação fiscal, repita-se, restou definitiva a NCM adotada pela fiscalização. O processo já foi baixado para unidade de origem em Campinas: Fl. 758DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-009.370 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720401/2006-64 Com isso, o resultado do processo nº 10830.006632/2006-61 deve ser replicado nos presentes autos, refazendo-se a escrita fiscal para fins de verificar se há ainda saldo de crédito a ser ressarcido/compensado. Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento para aplicar o resultado do julgamento do processo nº 10830.006632/2006-61. (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 759DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-009.370 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720401/2006-64 Fl. 760DF CARF MF Documento nato-digital
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