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Numero do processo: 11516.002843/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO.
Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 - SRRF09/Diana.
Numero da decisão: 3301-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 - SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindo-se da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO. Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 SRRF09/Diana. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindose da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 43 /2 00 6- 51 Fl. 297DF CARF MF 2 Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 298 3 Relatório Por economia processual, adoto o relatório constante da decisão embargada (fls. 243 e seguintes dos autos): Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 176. Em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF e MPF Complementar nº 09.2.01.00.2005.0043561, fls. 1 e 2, a autoridade fiscal desenvolveu procedimento de fiscalização, tendo por objeto o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 170, no valor total de R$ 3.286.588,56. O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 1.543.947,07, a título de imposto, R$ 584.681,44 a título de juros de mora e R$ 1.157.960,05, a título de multa. Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindose, assim, em contribuinte do IPI. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 185, durante o procedimento de fiscalização foram efetuados outros autos de infração conforme processos 11516.002571/200609 e 11516.002677/200692, com as infrações neles apontadas. Quanto ao presente processo, as condutas infracionais imputadas ao contribuinte são as seguintes: a) A empresa adotou classificações fiscais para o produto CATALIZADOR PU resultando em falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, conforme DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no código 3824.90.32, com alíquota de 10% (fl. 108), tem por base as informações prestadas pela empresa e está amparada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 6ª e notas explicativas nº 1, do capítulo 29, nº 4 do capítulo 32 e nº 3 da posição 3909 (IN 123/98), conforme detalhado nos itens 3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. b) Os SOLVENTES E DILUENTES, segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 3ª “a”, estão classificados na TIPI no código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). Das classificações adotadas pela empresa resultou falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal, por infringência ao disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). Fl. 299DF CARF MF 4 Foi elaborado o DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO – THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/10/2006 e apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade fiscal não ter alicerçado seu entendimento em prova pericial; 2. Inobservância por parte da autoridade administrativa do princípio do ônus da prova, assentandose o lançamento tributário em suas interpretações próprias; 3. Reprodução das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), alegando, ao final, não ser lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta”; 4. Afirma que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta, não devendo prevalecer aquela adotada pela autoridade fiscal, podendo o produto CATALISADOR PU ser classificado nos capítulos 39 ou 32, bastando ser considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundouse, tão somente, à falta de provas de que referido produto contivesse componentes aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de juros com base na taxa SELIC. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 11516.002843/200651 Interessado FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA CNPJ/CPF 85.111.441/000113 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não tendo o contribuinte apresentado argumentos suficientes para ilidir a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa, que se mostra correta, há de se manter o lançamento de ofício. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 299 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de catalisadores, também chamados endurecedores, e dependendo do tipo do produto a classificação fiscal é diferente. Aduzindo também que na verdade o Fisco não teria discordado da classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 20.10.2003 havia formulado referidos produtos com 65% ou mais de solventes aromáticos em sua composição, e como não teve oportunidade de juntar as suas ordens de produção, a autoridade simplesmente adotou a presunção, sem contudo certificarse de provar que os mencionados produtos não tinham mais de 65% de componentes aromáticos em sua formulação. Afirma por fim ter ocorrido vício material insanável, distante do erro de classificação fiscal quanto aos produtos “catalisadores pu”, bem como que teria sido contrariado o efeito vinculante da Solução de Consulta nº 117 – SRRF09/Diana, e em relação aos thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou mais em sua formulação de solventes aromáticos. Ao analisar o caso, este Conselho entendeu, através do Acórdão nº 3301 002.117, por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, sob o fundamento de que, para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, seria necessário que o interessado comprovasse com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido. O contribuinte, então, interpôs embargos declaratórios, através dos quais alega que a decisão recorrida teria incorrido nos seguintes vícios: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); Fl. 301DF CARF MF 6 (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES, a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. Ato contínuo, em sessão realizada em 28/09/2016, este Conselho entendeu por converter o julgamento em diligência, para que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana. Cumprida esta diligência, os autos retornaram a esta julgadora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 300 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios opostos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Conforme relatado acima, foram três os fundamentos apresentados pelo embargante em seu recurso, quais sejam: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. Quanto ao item (i), entendo que não assiste razão à Embargante. Isso porque, embora tenha a decisão recorrida mencionado que o recurso voluntário teria reiterado os termos da impugnação, o fato de a Recorrente ter trazido argumentos novos em seu recurso não leva à existência de omissão/erro material da decisão recorrida. O Julgador não precisa tratar necessariamente sobre todos os argumentos trazidos aos autos pelo contribuinte, bastando que fundamente a sua decisão em elementos suficientes à conclusão a que chegou em seu julgado. No que tange ao item (iii), entendo que tampouco assiste razão ao contribuinte. Isso porque, verificase que a decisão recorrida não foi omissa neste ponto, tendo tratado sobre o tema, ainda que de forma sucinta. É o que se extrai da transcrição a seguir: Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Fl. 303DF CARF MF 8 Ou seja, entendeu o julgador naquela oportunidade que, para fazer jus à classificação que lhe atribuía alíquota de 0%, deveria o contribuinte comprovar que o produto preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento, e que o contribuinte não teria se desincumbido deste ônus. Não há que se falar, portanto, em omissão do julgado recorrido, mas em insurgência do contribuinte quanto ao seu conteúdo, o que não se pode admitir em sede de embargos declaratórios. Quanto ao item (ii), alega o contribuinte que teria havido omissão/erro material em razão de o relator ter deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão), tendo consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material). Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Para que melhor se compreenda a discussão ora em debate, transcrevemse as passagens dos seguintes documentos constantes dos autos: (a) decisão da DRJ; (b) decisão do CARF; (c) embargos declaratórios opostos pelo contribuinte: Decisão da DRJ (fl. 209 dos autos) Ao querer atribuir validade ao lançamento somente após “parecer técnico”, a interessada deturpa integralmente o instituto. Curioso, que a própria interessada poderia ser mais diligente na classificação fiscal de seus produtos, inclusive utilizandose de perícias, ou de modo mais eficaz, de consulta fiscal, o que não fez. Ressaltese que a interessada não está obrigada a solicitar esclarecimentos prévios sobre eventual classificação fiscal de seus produtos, seja em consulta fiscal ou parecer técnico, sendo de sua exclusiva responsabilidade os atos de sua iniciativa, nos termos do artigo 20 e seu parágrafo único da Lei 4.502/64. Art . 20. O lançamento consistirá na descrição da operação que o originar e do produto a que se referir, na classificação fiscal dêste no cálculo do impôsto devido e no registro de seu valor, em parcela destacada, na guia ou na nota fiscal em que deva ser efetuado. Parágrafo único. O lançamento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte. Nesse sentido, se comprovado pela autoridade fiscal que o contribuinte errou na classificação fiscal de seus produtos, legítima e necessária a reclassificação fiscal, em obediência às normas de tributação, ainda que essa reclassificação seja mais onerosa ao contribuinte, não configurando postura odiosa por parte do Ente tributante e sim obediência à legalidade. Acórdão nº 3301002.117 (fls. 246/247 dos autos) De acordo com a decisão recorrida a interessada, ora Recorrente, adotou, para um mesmo produto, várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 301 9 Em sua defesa, para este produto, conforme fls. 195, a interessada afirma que a classificação fiscal por ela adotada está correta, afirmando através das informações técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: CATALISADORES Os produtos 175.010, 273.927, 273023, 273.725, 273.730, 273.925, 273.828, 273.750, 273.033, 273.021, 573.600 e 573.700 a partir de 02/06/2005 alteramos a classificação fiscal para 2929.1029. De acordo com a descrição abaixo através de uma análise técnica e comparação com o praticado no mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima descrito e por nós comercializado; THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em volume) de solventes aromáticos em sua formulação Desta forma, conforme bem fundamentou o acórdão recorrido, para um mesmo produto, a interessada, ora Recorrente adotou várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Na análise dos autos, verifico que as regras foram devidamente observadas e os produtos devidamente classificados. Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Grifos apostos). Embargos declaratórios (fls. 252/253) "Notese que em seu recurso voluntário a recorrente, primeiro, suscitou a necessidade de cancelamento do ato fiscal pela ocorrência de vício material insanável, pois, no que tange aos CATALISADORES PU, a autoridade notificante não aprofundou sua análise a cada tipo de produto industrializado pela recorrente, partindo da premissa de que existe apenas um tipo de CATALISADOR PU, e que, por isso, todos eles mereceriam ser indistintamente classificados sob a NCM 3824.90.32, o que ficou demonstrado ser um erro, principalmente, pela conclusão diversa a que chegou a própria Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, de 18 de maio de 2010, que foi trazida aos autos por ocasião do recurso voluntário, segundo a qual tais produtos deveriam se classificar nas NCM 3208.90.39 e 3911.90.29. Fl. 305DF CARF MF 10 Acontece que, laborando com omissão e também erro material, o acórdão deixou de analisar a classificação dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente e consignou que, conforme afirmado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela recorrente. Todavia, nesse ponto, o vício é grosseiro. A uma, porque a decisão de primeira instância em momento algum se referiu à existência ou inexistência de qualquer Solução de Consulta, pois este tema definitivamente não havia sido objeto da impugnação. A duas, porque não poderia ser mesmo objeto da impugnação qualquer Solução de Consulta, já que a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana é de 18.05.2010, enquanto a impugnação data da 16.11.2006. Portanto, é cronologicamente impossível ter havido o debate sobre a validade de Solução de Consulta na impugnação. Por isso é que a recorrente trouxe à baila, na íntegra, a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana quando do seu recurso voluntário. A três, porque, ao partir dessa premissa, o acórdão embargado deixou de se manifestar quanto ao vício da notificação fiscal por colidência com o resultado da Solução de Consulta e o efeito vinculante desta, suscitado com base no princípio da retroatividade benigna da lei tributária". Consoante se extrai da análise da decisão embargada, verificase que esta, de fato, incorreu em erro material ao dispor que "a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta". Isso porque, consoante apontou a Embargante, a indicação da solução de consulta que pretendia ver analisada (Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010) ocorreu apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, não tendo sido objeto da Impugnação apresentada em 2006 pelo contribuinte. Logo, entendo que a DRJ, ao dispor que não fora apresentada consulta por parte do contribuinte, o fez em sentido genérico, dispondo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar que a classificação fiscal realizada pelo mesmo havia se dado corretamente. Ou seja, não tratou a decisão da DRJ da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010. Contudo, uma vez apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário um argumento novo, atinente à existência da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, este Conselho deveria ter se pronunciado sobre o mesmo, tendo a decisão embargada incorrido em omissão/erro material ao não fazêlo. Até porque, à primeira vista, apresentavase relevante do argumento trazido à tona pelo contribuinte, qual seja, existência de Consulta Fiscal em que a própria Receita Federal teria concluído pela classificação fiscal de determinados produtos objeto da presente autuação nos NCMs 3208.90.39 e 3911.90.29. A importância dessa análise decorria ainda do argumento do contribuinte de que a referida empresa produziria 20 tipos diferentes de CATALISADORES PU, ao passo que a fiscalização teria considerado todos como sendo um só produto. A distinção entre os referidos CATALISADORES teria sido analisada na referida Solução de Consulta. Porém, embora o contribuinte tivesse alegado a existência da referida Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, tendo transcrito passagens da mesma em seu Recurso Voluntário, não havia juntado aos presentes autos o seu inteiro teor. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 302 11 Diante disso, a presente demanda foi convertida em diligência, no intuito de que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, para que este Conselho pudesse analisar a sua extensão e aplicabilidade ao caso concreto ora analisado. Uma vez juntada a referida solução de consulta, podese verificar que esta teve como interessada a Farben S/A Indústria Química, teve por objeto o "endurecedor PU", vulgarmente denominado "catalisador PU", e concluiu que as mercadorias consultadas deveriam ser classificadas nos códigos 3208.90.39 (alíquota de 10%), produtos indicados na Tabela 1, e 3911.90.29 (alíquota de 5%), produtos indicados na tabela 2. Ocorre que, embora a decisão embargada tenha sido omissa quanto à apreciação da referida solução de consulta, a sua análise não socorre o contribuinte para fins de embasar a classificação fiscal adotada pelo mesmo. Isso porque, naquele documento, foram indicadas como corretas as seguintes classificações fiscais: 3208.90.39 e 3911.90.29. Acontece que o contribuinte adotou classificações fiscais distintas, consoante se extrai do esclarecimento prestado pelo mesmo (vide fl. 178 dos autos): Porém, embora a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana não socorra o contribuinte em sua pretensão de justificar a classificação fiscal por ele adotada, serve para demonstrar que tampouco a classificação fiscal adotada pela fiscalização, considerando uma mesma classificação fiscal para todos os CATALISADORES PU de forma indistinta, estava correta. Notese que a solução de consulta analisou os seguintes produtos: De outro norte, extraise do auto de infração aqui combatido que foi objeto de fiscalização os seguintes produtos: Fl. 307DF CARF MF 12 Ou seja, é inconteste que há identidade entre certos produtos analisados. E, consoante destacou o contribuinte em seu Recurso Voluntário, a referida solução de consulta identificou a classificação correta de acordo com cada código do produto ali analisado (vide tabelas 1 e 2 às fls. 278/281). Sendo assim, entendo que a apresentação da referida solução de consulta faz prova em favor do contribuinte, no sentido de demonstrar, quanto a determinadas mercadorias, a classificação correta a ser considerada no caso concreto aqui analisado. E, uma vez identificada que a classificação correta era diversa da apontada pela fiscalização, há de ser reconhecida a improcedência do auto de infração quanto a tais mercadorias específicas. Nesse sentido, trazse à colação decisão desta turma julgadora: Acórdão: 3301003.147 Número do Processo: 10831.724290/201465 Data de Publicação: 02/05/2017 Contribuinte: PADTEC S/A Relator(a): LIZIANE ANGELOTTI MEIRA Ementa: Classificação Fiscal Período de apuração: 2006 a 2010 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Recurso Voluntário Provido Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Diante do acima exposto, entendo que deverão ser parcialmente acolhidos os embargos declaratórios opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para fins de sanear a omissão apontada e, com base na análise da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, concluir que o Recurso Voluntário deverá ser parcialmente provido, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, excluindose da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta. É como voto. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 303 13 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 309DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.727759/2017-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/2017-49, afastadas as preliminares relativas à responsabilidade da recorrente por erro de classificação fiscal do fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Recorrente NORSA REFRIGERANTES S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/201749, afastadas as preliminares relativas à responsabilidade da recorrente por erro de classificação fiscal do fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, para constituir créditos tributários em desfavor da contribuinte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 27 75 9/ 20 17 -9 8 Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 3 2 epigrafada, no montante total de R$ 104.655.326,18 (cento e quatro milhões, seiscentos e cinqüenta e cinco mil, trezentos e vinte e seis reais e dezoito centavos), consolidado na data do lançamento, em decorrência das infrações abaixo enumeradas: Ø Créditos Indevidos crédito básico indevido : o estabelecimento industrial creditouse indevidamente de créditos básicos, em desrespeito à legislação do imposto; Ø Créditos Indevidos (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) : O estabelecimento industrial calculou erroneamente créditos de IPI decorrentes de aquisições de "Kit concentrados" da empresa Recofarma, e Ø Créditos Indevidos SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR INDEVIDO: O estabelecimento industrial creditouse indevidamente de saldo credor de período anterior, em desrespeito à legislação do imposto. A fiscalização concluiu que o procedimento correto para classificação fiscal dos kits adquiridos pela fiscalizada é a aplicação da RGI n° 1 sobre cada componente individual, e não sobre o conjunto, como fez a empresa e tendo em vista que os componentes dos kits devem ser enquadrados em códigos tributados à alíquota zero, o imposto calculado, como se devido fosse, seria zero. Assim, seria INEXISTENTE o direito a crédito de IPI decorrente das aquisições dos Kits da Recofarma. Além dos créditos indevidos decorrentes das aquisições da Recofarma, a empresa escriturou como créditos de IPI valores decorrentes da aquisição bens de consumo, a exemplo de solventes e detergentes, os quais não se prestam a ofertar créditos por não se enquadrarem como insumos. Analisando a notas fiscais de entrada, com créditos de IPI aproveitados pela fiscalizada, verificouse que ela se creditou do IPI incidente sobre a aquisição de ANTIBACTERIAL, OXONIA ATIVO, LUBODRIVE etc, que não podem ser considerados matériasprimas , pois não se incorporam aos produtos fabricados, posto que são, in facto, produtos de limpeza. Também não se prestam a material de embalagem. Quanto a serem produtos intermediários, igualmente não podem ser assim considerados, por não restar caracterizada a “ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele”. Esses itens são, em verdade, material de consumo, não ensejando o direito ao crédito do IPI, consoante entendimento adotado pela administração tributária no Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação n° 65/79. Procedeuse, então à reconstituição da escrita fiscal do IPI no período compreendido entre março de 2015 e dezembro de 2016. A planilha “Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI” leva em consideração os seguintes estornos de créditos glosados nesta fiscalização: 1. a coluna “Glosas Recofarma” representa os créditos calculados sobre os Kits adquiridos da Recofarma e que não são reconhecidos pela Receita Federal; e Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 4 3 2. a coluna “Glosas uso/consumo”, representa o estorno do IPI que foi aproveitado quando da entrada de bens de consumo, posto que tais aquisições não têm o condão de produzir créditos. Ainda ressaltou que a fiscalização desconsiderou o saldo credor lançado pela Norsa Refrigerantes, em sua escrita fiscal, já que o ora fiscalizado iniciou suas atividades em março de 2015, fruto de um processo de cisão com a Refrescos Guararapes, quando trouxe o saldo de IPI (de fevereiro/2015) apresentado pelo estabelecimento da Refresco Guararapes inscrito no CNPJ sob o n° 08.715.757/000416, no valor de R$ 24.516.709,06. Ocorre que aquele estabelecimento da Refrescos Guararapes sofreu idêntica fiscalização desta Receita Federal, quando se constatou a inexistência de saldo credor ao final de fevereiro de 2015. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou impugnação, aduzindo em sua defesa as razões sumariamente expostas a seguir: ü Da responsabilidade da impugnante (terceiro adquirente do concentrado); ü Nunca existiu na lei e não existe mais sequer previsão regulamentar estabelecendo a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal; ü Os fatos geradores objeto do AUTO sob exame foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto; ü Da alteração de critério jurídico; ü A IMPUGNANTE sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; ü Da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal; ü Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do referido produto beneficiado; ü Registrese que a RFB também tem competência para definir a classificação fiscal de produtos, mas essa não é exclusiva; ü A SUFRAMA definiu a classificação fiscal para o concentrado produzido pela RECOFARMA; Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 5 4 ü A própria SUFRAMA reconhece que o concentrado, por configurar "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produto único (de concentrado para refrigerantes), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado por isso classificado no EX. 01, a qual tinha alíquota de 27%; ü A própria SUFRAMA confirma que a RECOFARMA continua cumprindo a classificação fiscal do concentrado; ü Dessa forma, a classificação fiscal do concentrado para refrigerantes, utilizada pela RECOFARMA, qual seja, 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, está consubstanciada em ato administrativo vinculatório (Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007); ü Com efeito, pelo histórico das TIPIs, desde 1988, constatase que o concentrado para refrigerantes sempre foi classificado como uma mercadoria única constituída por diversos componentes, sendo relevante e suficiente para determinar a classificação como produto único a existência de um extrato concentrado/sabor concentrado daquela posição para que todos os demais componentes que a ele se juntem integrem o mesmo produto e sejam classificados na mesma posição; ü O item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) também reforça o fato de que os concentrados para refrigerantes, entregues em forma de "kits", são tratados como produtos únicos, porque a sua literalidade demonstra que esses concentrados constituem mercadoria unitária, integrada por diferentes componentes; ü E a razão de ser afastada a aplicação da regra de exceção 3 b) (que determina que os produtos misturados ou sortidos devem ser classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial) é justamente porque já existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados para refrigerantes da posição 22.02, qual seja, a posição 2106.90.10 EX. 01 e, pois, por essa razão deve ser aplicada a Regra Geral de Interpretação 1; ü De fato, as Notas Explicativas III, a), e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há uma posição específica para classificar a mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias; Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 6 5 ü Destaquese ainda que há outras mercadorias que, da mesma forma que o concentrado para refrigerantes, são entregues conjuntamente, em embalagens separadas, e, a despeito disso, são classificadas em uma única posição; ü Por fim, se houvesse qualquer dúvida quanto à aplicação da posição 21.06.90.10 EX. 01 aos concentrados para refrigerantes, constante das notas fiscais emitidas pela RECOFARMA, essa deveria prevalecer por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, devendo ser aplicado ao presente caso o disposto no art. 112 do CTN; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária. Em 23 de janeiro de 2018, através do Acórdão de Impugnação n° 1475.794, a 8ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü Na situação em comento, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário ao direito pretendido pela interessada. Ainda que legítimas e idôneas, aspecto que não é alvo de embate neste processo, não possuem mais a capacidade suficiente para respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa, pois não existe previsão legal para a manutenção de créditos indevidos. Principalmente por estes créditos serem incentivados, já que a saída se deu por isenção, e não houve qualquer ônus financeiro por parte da contribuinte. Admitir que uma isenção indevida possa conferir direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe cabe, haja vista que este ônus é inerente ao risco da atividade mercantilista; ü Quando constatado que algum procedimento ou abordagem contraria normas jurídicas, a sua alteração não se trata de mudança de critério jurídico, pois, frisese, critério jurídico supõe a adoção de uma posição interpretativa que a autoridade entenda ser a mais adequada ao caso concreto e outros similares, sem que a outra interpretação, preterida, possa ser tida como ilegal ou ilegítima. Ou seja, critério jurídico permite certa discricionariedade por parte do agente público, não se admitindo, nesta discricionariedade, interpretações que transbordem os limites impostos pelos normativos vigentes; ü Segundo a disposição do PAF, a classificação fiscal não é aspecto técnico e, desta forma, o laudo de especialistas não tem qualquer vinculação para a autoridade administrativa no que a ela se refere, pois a própria autoridade, considerando as regras aplicáveis à classificação, tem competência para formar seu juízo a respeito. Em outras palavras, o que define a classificação fiscal de um produto não Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 7 6 são as características técnicas, condição esta que, aliás, também é extraída das RGI/SH (Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado) e da própria TIPI, posto que não há nenhuma menção de que as descrições contidas nos textos devam estar condicionadas às características técnicas das mercadorias como determinantes para enquadramento em um ou outro código, a não ser quando elas assim especificam; ü A alegação de que outros órgãos técnicos poderiam ser responsáveis pela classificação fiscal dos produtos é absolutamente equivocada. Tanto é que nenhuma disposição normativa que trate dessa suposta competência foi mencionada na impugnação; ü Portanto, é totalmente descabido afirmar que a SUFRAMA tenha competência para efetuar a classificação fiscal de produtos ou tenha definido a classificação fiscal dos produtos da Recofarma; ü À evidência dos fatos, improcede qualquer tentativa de conduzir a discussão em uma linha de interpretação que considere os chamados “concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, a exemplo do que consta da impugnação; ü Não se está a discutir, a partir da classificação adotada pela contribuinte, a interpretação capaz de considerar os chamados “concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, mas se a realidade fática atinente a essas mercadorias admite uma única classificação ou classificações individualizadas a cada componente do kit. É neste contexto que a aplicação da Regra 2.a e Regra 3.b, que mais se aproximam do intento de conferir única classificação fiscal ao kit, foi suscitada, tendoas por inapropriadas; ü A narrativa dos fatos constatados pela Fiscalização revela que a empresa Recofarma, fornecedora dos insumos (kits) empregados pelo estabelecimento industrial, não utiliza diretamente, em seu processo de industrialização, matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; ü Não é a SUFRAMA que concede a isenção. Esta decorre da lei. A SUFRAMA aprova o projeto apresentado pela empresa. Somente estas empresas, cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA, é que podem beneficiarse da isenção; ü Ocorre que o açúcar cristal e demais matériasprimas utilizadas pela Recofarma já são produtos resultantes de processo industrial, são matériasprimas industrializadas e não se constituem em “matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de ü produção regional” a que a legislação faz menção específica. Somente poderiam ser Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 8 7 ü enquadradas na tipificação legal a canadeaçúcar e a semente de guaraná matériasprimas agrícolas e extrativas regionais por excelência; ü Os produtos de limpeza não tem contato direto com o refrigerante. Deve ser observado que a legislação que rege a matéria não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, nem ao conceito estabelecido pelos dicionários ou pela doutrina, mas especificamente ao conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem usualmente adotado pela legislação do imposto. Logo, para se considerar que tais gastos ensejam em direito ao crédito, estes terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados (MP, ME, PI); ü Tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. A empresa NORSA REFRIGERANTES S.A foi cientificada do Acórdão de Impugnação em 14/02/2018, por via eletrônica, às folhas 754. A empresa NORSA REFRIGERANTES S.A ingressou com Recurso Voluntário em 14/03/2018, folhas 756, apresentando suas razões de folhas 828 à 901. Foi alegado em síntese que: ü Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; ü Da alteração de critério jurídico; ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Da natureza do produto elaborado pela RECOFARMA como mercadoria única; ü Da classificação fiscal do produto definida pela SUFRAMA, pelas regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; ü Da aplicação do art. 112 do CTN; ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; ü Do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do art. 9° do DL N° 288/67; ü Da coisa julgada formada no MSI N° 95.00094703; ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 9 8 ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária; ü Da impossibilidade de exigência de multa; ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo de industrialização dos refrigerantes; ü Da improcedência da exigência de juros sobre a multa de ofício exigida no auto. DO PEDIDO Pelo exposto, a RECORRENTE pede e espera que seja dado provimento ao presente recurso para reformar a DECISÃO, cancelar o auto de infração em epigrafe e extinguir o crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 14 de fevereiro de 2018, por via eletrônica, às folhas 754 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 14 de março de 2018, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. ü Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; ü Da alteração de critério jurídico; ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; ü Da natureza do produto elaborado pela RECOFARMA como mercadoria única; Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 10 9 ü Da classificação fiscal do produto definida pela SUFRAMA, pelas regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; ü Da aplicação do art. 112 do CTN; ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; ü Do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do art. 9° do DL N° 288/67 da coisa julgada formada no MSI N° 95.00094703; ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; ü Da impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária; ü Da impossibilidade de exigência de multa; ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo de industrialização dos refrigerantes; ü Da improcedência da exigência de juros sobre a multa de ofício exigida no auto. Passase à análise. DAS PRELIMINARES. Da não responsabilidade da recorrente (terceiro, adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado. É alegado nos itens 3.14 a 3.17 do Recurso Voluntário: Como se vê, não há na lei (art. 62 da Lei n° 4.502/64) e não existe no regulamento a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal, sendo certo que os fatos geradores objeto do AUTO foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto. No caso, há aliquota especifica de 20% prevista na TIPI para o produto da posição 21.06.90.10 EX. 01, constante da nota fiscal, e o cálculo é feito mediante simples operação aritmética: a RECORRENTE identifica a classificação fiscal indicada na nota pela RECOFARMA e verifica na TIPI qual é a aliquota prevista para tal classificação. E é incontroverso que a RECORRENTE calculou o crédito de IPI segundo a aliquota de 20%, decorrente da classificação fiscal na posição 21.06.90.10. EX. 01, feita pelo fornecedor do insumo. Portanto, como a classificação dos concentrados na posição 21.06.90.10 EX. 01 foi feita pela RECOFARMA, fornecedora do Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 11 10 concentrado, e não cabe ao adquirente questionar essa classificação fiscal, a RECORRENTE agiu licita e corretamente ao calcular o crédito de IPI com base na alíquota correspondente a essa classificação fiscal. Faço minhas as palavras da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em sua contribuição nas Contrarrazões apresentas no Processo 11065.721801/201721, que se aplicam adequadamente a questão: A recorrente sustenta que a responsabilidade pela classificação fiscal seria exclusiva dos fornecedores, de modo que lhe deve ser reconhecido o direito à manutenção dos créditos de IPI, “posto que agiu de boafé” (fl. 470). A rigor, o cerne da demanda é o descumprimento dos requisitos legais para o aproveitamento do crédito de IPI, e não a regularidade formal do preenchimento da nota fiscal, o que conduz à rejeição da tese no particular. Não se trata propriamente de responsabilidade por infração à legislação tributária, mas do reconhecimento de que, por erro de classificação fiscal, houve apuração indevida de crédito de IPI, com repercussão na base de cálculo do imposto devido pela recorrente, na condição de contribuinte, e não de responsável. Assim, afigurase irrelevante discutir se o erro de classificação fiscal deve ser imputado em tese exclusivamente às fornecedoras dos “kits”. Constatado o erro de classificação fiscal, impõese o lançamento do tributo pela autoridade fiscal, por se tratar de atividade vinculada, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Nessa linha, a letra do artigo 62 da Lei n° 4.502/64, onde se determina que o adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham atendem às prescrições legais e regulamentares: Art. 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares. A Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrentou o assunto no Acórdão n° 03 06.055, Sessão de 08 de setembro de 2008, e admitiu a aplicação do artigo 62 da Lei n° 4.502/64 em caso análogo: “O Recurso Especial do Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional atendeu aos pressupostos para sua admissibilidade. O apelo merece ser conhecido. No mérito, circunscreve a questão, ao meu ver, em definir a correta aplicação dos artigos 62 e 82, ambos da Lei n.° 4.502/64, que Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 12 11 estabelece a obrigação do adquirente de produtos industrializados de verificar a regularidade do documento fiscal e a respectiva sanção. Passo a apreciar, então, os argumentos expendidos pelo voto vencedor do aresto em questão, que se subdividem em duas grandes linhas de raciocínio: a primeira pugna pela necessidade de prévia existência de ação fiscal contra o produtor remetente para que se possa apenar o adquirente; a segunda defende que não se podería autuar o adquirente por descumprimento das obrigações previstas no artigo 173 do RJPI/82, quando estas se referirem à classificação fiscal. Na forma do artigo 62 da Lei n.° 4.502/64, “os fabricantes, comerciantes e depositários que recebem ou adquirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados, ou ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais”. Da alteração de critério jurídico. Os argumentos referentes a esse tópico são condensados no item 4.7 do Recurso Voluntário: 4.7. Em suma: a) o critério jurídico do lançamento efetuado em relação ao mesmo sujeito passivo somente pode ser modificado de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial para fatos geradores e/ou saldos credores de IPI posteriores à introdução do fato que ensejou a alteração do critério; b) no presente caso, o novo critério jurídico foi aplicado em relação ao período anterior a 11.09.2017, data da ciência do presente AUTO, no qual foram questionadas a natureza do produto adquirido e a sua classificação fiscal pela primeira vez em relação à RECORRENTE; e c) por conseguinte, a modificação do critério jurídico no sentido de que o produto não seria o concentrado para bebidas não alcoólicas e que haveria equivoco de classificação fiscal somente poderia ter sido introduzida para os lançamentos relativos a fatos geradores e/ou saldos credores de IPI referentes a operações posteriores ao referido marco. Não assiste razão ao Recorrente. A apontada violação do art. 146 do CTN decorreria de novo critério jurídico adotado pela autoridade fiscal, hipótese não constatada no caso dos autos. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 13 12 O fulcro da ação fiscal foi a consideração de uma situação de fato: A impossibilidade de se enquadrar os “concentrados” na classificação na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da NCM/TIPI. A Recorrente tenta distorcer a aplicação do art. 146 do CTN, que pressupõe mesma circunstância fática, mesmo sujeito passivo e alteração do critério jurídico para os mesmos fatos geradores, o que não é o caso. Artigo 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Nas palavras da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em sua contribuição nas Contrarrazões apresentas no Processo 11065.721801/201721, que se aplicam adequadamente a questão: O dispositivo em comento é claro ao estabelecer o parâmetro temporal para aplicação do novo critério jurídico em relação ao mesmo sujeito passivo, qual seja: os fatos geradores futuros, isto é, ocorridos após a introdução do critério jurídico modificado. O mandamento legal pressupõe a segurança do sujeito passivo, estabilizando a intepretação jurídica dos fatos geradores que interferirão na esfera jurídica do eventual autuado. No caso em tela, não houve qualquer alteração de critério jurídico relacionado aos fatos geradores do IPI lançados contra a Ambev. Desde o início do procedimento fiscal, a autoridade lançadora demonstrou, sob a mesma premissa jurídica, que a Recorrente não poderia ter utilizado dos créditos de IPI porque eles não atendiam aos preceitos legais concessivos do benefício, notadamente as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH. A Fiscalização demonstrou que a classificação dos kits de “concentrados” adquiridos pela “engarrafadora” não poderiam ter sido classificados na posição 21.06.90.10 Ex. 01 da TIPI, fato que impossibilita a recorrente de aproveitar os créditos de IPI com alíquota de 20% (vinte por cento). Além disso, o art. 146 do CTN é aplicável quando a modificação do critério jurídico no exercício do lançamento ocorre para o mesmo sujeito passivo. A recorrente não experimentou qualquer alteração nesse sentido, tendo em vista que ela não demonstrou que foi autuada precedentemente por auto de infração que tivesse manifestado expressamente classificação fiscal diversa em relação aos “kits”.. O fato de a recorrente ter supostamente adquirido “os mesmos kits de seus fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, sob a mesma classificação fiscal sem sofrer qualquer tipo de questionamento configura hipótese de mero silêncio administrativo, o que não se Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 14 13 confunde com adoção de critério jurídico pela autoridade administrativa. Se não houve previamente adoção de critério jurídico acerca da classificação fiscal do produto em relação ao mesmo sujeito passivo, é logicamente impossível que tenha havido posterior alteração de critério jurídico. Ademais, a tese recursal afronta os diversos precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão n° 3402004.073: Em meu entendimento, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados pelo próprio contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. Como a recorrente não especifica no recurso voluntário qual teria sido o ato administrativo anterior emitido com posicionamento divergente do presente lançamento, pelo contexto de suas alegações, entendese que a recorrente esteja se referindo à ausência de autuações anteriores para reclassificação fiscal dos denominados "kits". No entanto, o art. 146 do CTN não abriga a tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à fiscalização. Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto sobre o tema, no seu voto no Acórdão n° 1401001.649 4(' Câmara / 1 Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar esse entendimento da Recorrente, passase um atestado de onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar toda irregularidade existente na empresa, pois senão, nos anos seguintes, mesmo que detectado essa irregularidade o fiscal não poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o critério jurídico". Eventuais procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (lançamento ou decisão motivada de não lançar) não podem ser estendidos para períodos posteriores, eis que estão vinculados aos fins para os quais foram instaurados. O procedimento fiscal não pode ser dissociado dos fatos ocorridos naquele período fiscalizado e da matéria sob investigação, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores, no caso de resultar lançamento, por exemplo. Por essas razões não pode prosperar a alegação da recorrente de alteração dos critérios jurídicos adotados no lançamento a que se refere o art. 146 do CTN. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 15 14 Acórdão n° 3402003.799: ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento e não a lançamentos diversos, como aduzido neste caso. Quanto às “práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, cumpre assinalar que o termo “observadas”, no texto legal, tem a conotação de que a autoridade administrativa ao praticar, ou deixar de praticar um ato, ou conjunto de atos discricionários, analisouos e julgouos adequados àquela determinada situação. O termo “reiteradamente” leva ao entendimento de que a autoridade administrativa, após análise do caso concreto, julgando apropriado o procedimento adotado, repetiuo por vezes. A mera repetição, entretanto, não é suficiente. Não é qualquer ato praticado por autoridades administrativas que pode ser considerado como norma complementar. Somente os atos em relação aos quais é permitida certa discricionariedade, quando praticados reiteradamente, podem ser considerados como normas complementares nos termos do art. 100 do CTN. Por outro lado, os atos de natureza vinculada, quando praticados em desacordo com a legislação, não estão sujeitos a validação e não podem ser considerados como normas complementares. Como se pode facilmente constatar, as práticas reiteradas das autoridades administrativas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. Nesse sentido, para que se forme uma prática reiterada devem estar presentes o uso, ou seja, a conduta reiterada (requisito objetivo) e a convicção jurídica de que aquela conduta é a que deve ser observada (requisito subjetivo). Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica que deriva de longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção de sua necessidade jurídica. Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; O Sistema Harmonizado é uma nomenclatura utilizada internacionalmente, como um sistema padronizado, desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA), sediada em Bruxelas, da qual o Brasil é integrante e ativo participante. A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aplicável aos países membros do bloco desde 1995, é calcada no Sistema Harmonizado e segue rigorosamente as suas diretrizes, especialmente quanto a manter a uniformização no tratamento das transações do comércio internacional. A classificação de mercadorias, no país, como de resto toda a aplicação da legislação aduaneira, é da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma do Decreto nº 9.003, de 13/03/2017 e do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 16 15 Decreto nº 9.003, de 13/03/2017: Art. 25. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: (...) XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria; Regimento Interno da Receita Federal do Brasil: Art. 1º A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, tem por finalidade: (...) XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relativas a nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, e representar o País em reuniões internacionais sobre a matéria; Para aclarar a questão, colacionase fragmento do Acórdão n° CSRF 9303 006.987 da Câmara Superior de Recursos Fiscais de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços que administra a Zona Franca de Manaus, com a responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional que utilize de forma sustentável os recursos naturais, assegurando viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida das populações locais. Assim, é natural que o mecanismo escolhido pelo legislador para demonstrar que o projeto produtivo atende à política de desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da região tenha sido a aprovação pela SUFRAMA. Mas é a Receita Federal do Brasil, vinculada ao Ministério da Fazenda, quem tem a competência para verificar o cumprimento de todos os requisitos quando da efetiva utilização de benefícios fiscais, e cobrar os valores de imposto que sejam devidos, observando se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). Não há que se falar em conflito entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia, exercendo sua competência, aprovou o projeto de Recofarma, que reconhecidamente permanece válido para fins de atendimento a um dos requisitos previstos no art. 6° do Decreto Lei n° 1.435/75. O Fisco, exercendo a sua competência, analisou a legitimidade da utilização da isenção, e constatou que não foi atendida a exigência de emprego de matériaprima extrativa vegetal de Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10480.727759/201798 Resolução nº 3302000.915 S3C3T2 Fl. 17 16 produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, respeitandose a área de atuação de cada órgão. Esse mesmo entendimento é repisado pelos seguintes Acórdãos de Recurso Voluntário:3302003.741, 3302004.410 e 340202.934. Da utilização indevida de saldo credor do período anterior. O § 5o do artigo 6o da Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015., que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim determina:] Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. É alegado nos itens 9.1 e 9.2 do Recurso Voluntário: A AUTORIDADE glou, na escrita fiscal da RECORRENTE, o saldo credor apurado no periodo anterior à época dos fatos geradores do presente AUTO, em razão de o estabelecimento da Refrescos Guararapes (incorporado após cisão parcial) ter sofrido idêntica fiscalização que constatou a inexistência de saldo credor ao final de fevereiro de 2015 e que resultou na lavratura do auto de infração, objeto do processo administrativo n° 10480.729138/201749. Ocorre que a discussão administrativa referente ao PA n° 10480.729138/2017 49 ainda não está encerrada e, portanto, a escrita fiscal da RECORRENTE não deve ser reconstituída até que seja confirmada, ou não, a glosa do crédito Com estas considerações, voto no sentido de determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 1050DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.720547/2018-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II)
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada contradição entre os fundamentos e o dispositivo do Acórdão embargado é dever o provimento dos Aclaratórios.
Numero da decisão: 3401-011.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o dispositivo do voto embargado para o seguinte: Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Goncalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Roberto da Silva, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni.
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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CONTRADIÇÃO. Constatada contradição entre os fundamentos e o dispositivo do Acórdão embargado é dever o provimento dos Aclaratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o dispositivo do voto embargado para o seguinte: “Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira”. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Goncalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Roberto da Silva, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 05 47 /2 01 8- 82 Fl. 558DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720547/2018-82 Relatório 1.1. Trata-se de Embargos de Declaração contra Acórdão desta Turma de Relatoria da Conselheira Fernanda e que fui designado como Redator do Voto Vencedor, assim ementado: REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO PARAMETRIZADA EM CANAL VERMELHO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO CARACTERIZADA. O despacho aduaneiro por meio de canais de conferência que não sejam o verde, por resultarem em fiscalização efetiva (não automática/eletrônica) das informações prestadas pelo sujeito passivo como condição indispensável ao desembaraço das mercadorias, representam ato administrativo próprio do auditor-fiscal, o qual é regulamento e vincula o sujeito passivo, sendo instrumento genuíno à fiscalização e ao lançamento fiscal. Portanto, trata-se de procedimento pelo qual há clara fixação de critério jurídico do qual cabe, inclusive, discussão pelo contribuinte por meio de manifestação de inconformidade e que poderá ensejar auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RGI 3. COMPARAÇÃO. A RGI3 somente deve ser utilizada se houver confronto no mesmo nível da NCM. Subposição de primeiro nível somente é comparável a subposição de primeiro nível, não o é com subposição de segundo nível ou com subitem de qualquer nível. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EX TARIFÁRIO. O benefício fiscal nomeado de Ex tarifário é concedido para a descrição da máquina e não para a classificação fiscal. Assim, do mesmo modo que a incorreção na classificação fiscal não impede o gozo do benefício, o enquadramento do maquinário no benefício não impede a multa por classificação fiscal incorreta. 1.2. Em sua peça, a Embargante alega contradição entre os fundamentos do acórdão e o resultado de julgamento, pois, embora tenha sido cancelado a autuação apenas em parte, o dispositivo menciona o cancelamento da “totalidade do crédito tributário lançado”. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. Na forma do voto da sempre Justa Conselheira Fernanda, no auto de infração objeto do presente PAF foram lançados 1) multa por classificação fiscal incorreta, 2) multa por ausência de LI e 3) diferença entre os tributos recolhidos e os efetivamente devidos (todos com os respectivos consectários legais). 2.2. No tópico de número 2 do voto da Conselheira Fernanda, esta afastou os três lançamentos (multa por classificação fiscal incorreta, multa por ausência de LI e diferenças tributárias) de todas as mercadorias parametrizadas em canal vermelho de conferência; no que foi acompanhada por seus pares (este redator incluso) – ao menos, em número suficiente para reversão do lançamento. Fl. 559DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720547/2018-82 2.2.1. Porém, constata a Conselheira Fernanda (bem atenta aos autos) que também foram lançados tributos e sanções aduaneiras em mercadorias parametrizadas em outros canais de conferência. Conforme demonstrado pela recorrente, parte das importações objeto do lançamento, e cujo desembaraço aduaneiro ocorreu em anos diferentes e com espaçamento temporal entre as operações, dizem respeito a mercadorias importadas que foram desembaraçadas em canal vermelho. (...) Nestes termos, voto pela nulidade do lançamento ora analisado de forma completa em razão de as fiscalizações físicas terem se dado, ainda que alternadamente com outro canais de despacho, ao longo de todo o período autuado. Alternativamente, caso a Turma discorde desse posicionamento, entendo que, ao menos as DIs objeto de canal vermelho necessitam ser excluídas do lançamento, visto que estas foram objeto de fiscalização efetiva e incontestável em momento anterior à lavratura do AI. 2.2.1.1. Neste ponto, como se infere do voto, o lançamento foi integralmente mantido (ao menos, a priori); ou seja, a Turma discordou do primeiro posicionamento de nulidade, mas concordou que “ao menos as DIs objeto de canal vermelho necessitam ser excluídas do lançamento”, o que levou a Conselheira Fernanda a analisar os demais argumentos da Embargada no tópico 3. 2.3. No tópico 3 a Conselheira Fernanda apresenta fortes razões para o afastamento do lançamento com fundamento no acerto da classificação fiscal da Recorrente. Todavia, estas razões foram afastadas por outras levantadas por esta Turma e expressas em voto que fui agraciado com a redação. Assim, para as mercadorias não parametrizadas em canal vermelho, foi mantida a multa por erro de classificação fiscal. 2.4. Ao final, como a Conselheira Fernanda concordou com a classificação fiscal adotada pela Embargada, para essa nobre Julgadora restou prejudicada a análise da multa por ausência de Licença de Importação. Acontece que, vencida a tese da correção da classificação fiscal, ressurgiu o debate acerca da multa por ausência de Licença de Importação. 2.5. Nos debates, embora não esteja expresso no Acórdão, restou definida a impossibilidade de aplicação de multa por falta de licenciamento visto que, a) a mercadoria encontrava-se corretamente descrita e não houve constatação de dolo ou fraude da Embargada, o que leva ao afastamento da sanção com base no Ato Declaratório Normativo COSIT 12/1997, b) não se tratava de caso de falta de licença, mas de licença incorretamente emitida, c) para ambas as classificações o licenciamento era não automática. 2.5.1. Desta forma, o crédito decorrente da aplicação de sanção aduaneira por ausência de licença de importação foi afastado para as demais operações de importação (parametrizadas em outros canais de conferência) – e, daí, talvez, a confusão redacional, que há de ser corrigida ao ser alterada para a seguinte: Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Fl. 560DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720547/2018-82 Branco., (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira. 3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço dos Embargos de Declaração dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o dispositivo do voto embargado para o seguinte: Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco., (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 561DF CARF MF Original
score : 2.6356776
Numero do processo: 10314.004833/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. IMPROCEDÊNCIA DE RECLASSIFICAÇÃO FISCAL PROMOVIDA PELO FISCO. NULIDADE.
Constatado que a classificação fiscal da mercadoria objeto da lide diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pelo contribuinte na importação, quanto do indicado pelo Fisco no lançamento, este deve ser anulado por vício material, o que também acarreta a exoneração da multa isolada por erro de classificação fiscal.
Numero da decisão: 9303-005.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001 MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. IMPROCEDÊNCIA DE RECLASSIFICAÇÃO FISCAL PROMOVIDA PELO FISCO. NULIDADE. Constatado que a classificação fiscal da mercadoria objeto da lide diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pelo contribuinte na importação, quanto do indicado pelo Fisco no lançamento, este deve ser anulado por vício material, o que também acarreta a exoneração da multa isolada por erro de classificação fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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IMPROCEDÊNCIA DE RECLASSIFICAÇÃO FISCAL PROMOVIDA PELO FISCO. NULIDADE. Constatado que a classificação fiscal da mercadoria objeto da lide diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pelo contribuinte na importação, quanto do indicado pelo Fisco no lançamento, este deve ser anulado por vício material, o que também acarreta a exoneração da multa isolada por erro de classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 48 33 /2 00 3- 11 Fl. 218DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do acórdão nº 3202001.403, que possui a seguinte ementa: ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. Presentes os elementos de fato necessários ao julgamento, tornase prescindível a realização de perícia. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. A matéria de fundo referese a Autos de Infração, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, em razão da incorreta classificação fiscal de mercadoria importada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apreciando o pleito da Contribuinte, a DRJ julgou procedente em parte o lançamento, acolhendo apenas a alegação de decadência. Por ocasião do julgamento do recurso voluntário, a Segunda Turma, da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, promoveu uma “terceira classificação” da mercadoria importada, em razão de discordar tanto da classificação eleita pelo contribuinte, como daquela oferecida pelo Fisco, ocasião em que julgou por bem cancelar as multas cominadas em função do lançamento equivocadamente fundamentado A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência quanto à manutenção da multa de 1% por erro de classificação fiscal, que foi admitido pela demonstração de dissídio jurisprudencial, conforme despacho de admissibilidade às fls.142 a 145. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 201 a 205. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10314.004833/200311 Acórdão n.º 9303005.501 CSRFT3 Fl. 219 3 Voto Vencido Conselheiro RODRIGO DA COSTA PÔSSAS O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional quanto à manutenção da multa por erro de classificação ainda que improcedente a reclassificação promovida pelo Fisco, pelo fato de o contribuinte ter laborado em erro quando da sua classificação fiscal O Colegiado a quo concluiu que, em sendo improcedente a classificação promovida pelo Fisco, as multas cominadas seriam, consequentemente, improcedentes. Diversamente, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da Terceira Seção do CARF, manteve a multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835/01, mesmo no caso em que foi descartado tanto a classificação promovida pelo contribuinte, como também aquela invocada pelo Fisco, chegandose a uma “terceira classificação”. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à manutenção ou não da multa por erro de classificação fiscal, em caso de incorreção da reclassificação fiscal promovida pela autoridade fiscal. O Acórdão recorrido decidiu pelo afastamento das multas aplicadas tendo em vista a improcedência da reclassificação promovida pelo Fisco. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido: “[...] Consequetemente, sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado.” Em que se pese as considerações do julgador a quo, entendo que a decisão não foi devidamente fundamentada. Não foram apreciados os tipos infracionais das multas aplicadas para se chegar na conclusão de improcedência das multas aplicadas. Foram aplicadas as seguintes multas no Auto de Infração: (i) multa de ofício proporcional (Art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96); (ii) multa do Controle Administrativo (Art. 169, inciso I, alínea "b" do DecretoLei 37/66); e (iii) multa por classificação incorreta (Art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001). O afastamento da multa de ofício, de natureza tributária, é decorrência lógica do afastamento do principal cobrado. Entretanto, o mesmo não ocorre para as penalidades de natureza aduaneira lançadas. Como o Recurso Especial foi admitido apenas em relação à aplicação da multa por classificação incorreta, restringirei a análise a tal penalidade. Assim dispõe o inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, matriz legal da sanção aplicada: Fl. 220DF CARF MF 4 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...] Destacase que o tipo infracional é classificar incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul a mercadoria importada. A classificação incorreta é fato incontroverso, sendo admitida inclusive pelo acórdão recorrido. Independentemente da improcedência da reclassificação fiscal promovida pelo Fisco, constatase que efetivamente ocorreu o erro de classificação fiscal promovido pelo sujeito passivo em sua declaração de importação. A incidência da multa de um por cento prevista no art. 84 da MP 215835/2001 apenas reclama a mera classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria ou, alternativamente, a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Dessa forma, é apenas necessário comprovar a errônea classificação fiscal do produto importado (fato inequívoco nos autos) para a aplicação da penalidade prevista no art. 84 da MP 215835/2001, sendo de todo impertinente alegar, como motivo para a sua não exigência, o fato de o Fisco também ter se equivocado quando da classificação fiscal. O erro de classificação original persiste, bem como as consequências dele decorrentes. No presente caso, os fundamentos da exigência fiscal mantêmse incólumes. Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a exigência de multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835/01. (assinatura digital) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10314.004833/200311 Acórdão n.º 9303005.501 CSRFT3 Fl. 220 5 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado No presente caso, segundo o acórdão recorrido, o Fisco, no ato lançamento, e a contribuinte, quando da importação, igualmente equivocaramse ao promover a classificação fiscal do produto importado. Donde a integral exoneração dos valores lançados, inclusive da multa de um por cento em face do erro de classificação fiscal, entendimento contra a qual, especificamente quanto ao cancelamento desta última, insurgiuse a Recorrente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Consoante o mesmo acórdão recorrido, a exoneração das multas aplicadas, incluindo a multa isolada que decorre do erro de classificação, deveuse ao fato de o lançamento estar equivocadamente fundamentado. Já o il. relator do voto vencido, diz bastar, para a aplicação da mesma penalidade isolada, ser necessário apenas comprovar a errônea classificação fiscal do produto importado, sendo absolutamente irrelevante o fato de o Fisco também ter se equivocado em sua classificação fiscal, porque, acredita, o erro de classificação persistiu, bem como as consequências deste erro decorrentes. Discordamos. Primeiro, o fato de o erro de classificação fiscal persistir, ou seja, o fato de a classificação fiscal correta não ser a adotada pela contribuinte (classificação "A"), tampouco ser a indicada pelo Fisco (classificação "B"), mas, sim, uma terceira classificação (classificação "C"), não autoriza, só por isso, a manutenção da multa isolada. Se assim fosse, também se deveria manter a exigência do crédito tributário lançado, no caso em que, não obstante o erro de classificação da contribuinte e do Fisco, a terceira classificação fiscal, a classificação "C", se apresentasse com as mesmas alíquotas de II e de IPI vinculado que aquela indicada pelo Fisco no lançamento, a classificação "B". Afinal, neste caso, também continuaria a haver a falta de recolhimento de tributos na importação, assim como, é o que se defende, o erro de classificação (Onde há a mesma razão, haveria de se aplicar o mesmo direito). Segundo, porque, para apontar um erro de classificação fiscal, o Fisco deve indicar as regras de classificação não observadas e a classificação fiscal correta. E assim é porque, não fosse pelo caráter norteador das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado – as quais se direcionam a apontar como chegar à correta classificação fiscal do produto importado, não à errada! –, a Administração Tributária deve informar ao administrado (no caso, o importador) não apenas o erro que cometera, mas, também, como deveria ter agido, a fim de que o erro não venha a se repetir, com todas as consequências daí advindas (o art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999, impõe que, nos processos administrativos, a atuação da Administração Pública se dê segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé). Não se pode afirmar errada uma classificação, senão indicando a correta e apontando as regras que autorizam esta nova classificação (por isso, nunca vimos um auto de infração, e estou certo que jamais veremos, que apontasse o erro de classificação cometido pelo importador, mas não indicasse a classificação correta). Terceiro, o lançamento tributário é um ato administrativo que, como outros de mesma natureza, apresenta requisitos cuja não observância enseja a declaração de sua nulidade. Um desses requisitos é a motivação, consistente no relato, em linguagem adequada, do motivo do ato – o fato do mundo fenomênico que autoriza o lançamento. Noutras palavras, Fl. 222DF CARF MF 6 é a exposição, por escrito e de forma inteligível, de que os seus pressupostos de fato realmente ocorreram. Segundo o il. exConselheiro LUÍS EDUARDO BARBIERI, a "autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento, deve demonstrar e comprovar que a situação fática (fato jurídico relatado) se enquadrou perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal). Devese, portanto, demonstrar a subsunção entre o evento, ocorrido no mundo fenomênico e relatado na linguagem competente – fato jurídico, à hipótese de incidência tributária" (BARBIERI, Luís Eduardo Gorrossino, Lançamento tributário: vícios e seus defeitos, São Paulo: Novas Edições Acadêmicas, 2015, p. 226). Um dos equívocos apontados na mesma obra quanto à motivação do lançamento é a ausência, insuficiência ou o erro na descrição dos fatos do auto de infração (p. 227), erro como o que ora constatamos no presente lançamento, uma vez que, na sua motivação, a autoridade fiscal deveria ter demonstrado o equívoco que laborou a contribuinte, mediante análise das regras de interpretação que seriam aplicáveis ao caso e a indicação, como vimos, em face dessas mesmas regras, da classificação correta. A nosso juízo, portanto, a autoridade fiscal cometeu um vício de motivação no lançamento, do qual resulta, pura e simplesmente, a sua nulidade por vício material. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 223DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.724116/2017-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, fls. 437 a 4581, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$ 40.237.618,36, acrescido da multa de ofício de R$ 30.178.213,63 e dos juros de mora (calculados até 06/2017) de R$ 11.040.869,33, totalizando a exigência de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 24 11 6/ 20 17 -6 4 Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.174 2 81.456.701,32, cuja motivação fática encontrase no próprio documento e no Relatório Fiscal às fls. 397/436, dos quais, pela pertinência, reproduzemse os seguintes trechos: AUTO DE INFRAÇÃO CRÉDITOS INDEVIDOS ENTRADAS/AQUISIÇÕES INFRAÇÃO: CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO O estabelecimento industrial se creditou indevidamente do IPI na aquisição de insumos que foram classificados como básicos, compreendendo sabões, vassouras, antibactericidas e produtos em geral, que compõem o processo produtivo mas não se enquadrarem no conceito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, conforme descrito no Relatório Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. (...) CRÉDITOS INDEVIDOS OUTROS CRÉDITOS INFRAÇÃO: CRÉDITO INDEVIDO (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) O estabelecimento NORSA se creditou do IPI à alíquota de 20% na aquisição de insumos denominados "kits para fabricação de bebidas", adquiridos do estabelecimento RECOFARMA, situado na Amazônia Ocidental, e saídos com isenção desse imposto (crédito presumido). O Relatório Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, detalha todas as etapas do procedimento fiscal. Embora o fiscalizado tenha alegado, em resposta aos termos de intimação, que faz jus ao crédito presumido em virtude de decisão judicial transitada em julgado, esta fiscalização demonstrou que os produtos adquiridos não estão amparados na dita decisão, por não se classificarem no conceito de CONCENTRADO para a fabricação de refrigerantes.(...) RELATÓRIO FISCAL 1) DOS TRABALHOS 1.1) INTRODUÇÃO Os créditos de IPI objeto desta fiscalização são oriundos de mercadorias constituídas por diferentes componentes e acondicionados separadamente, porém comercializadas em conjunto, em proporções fixas, utilizadas na fabricação de bebidas como refrigerantes, refrescos, néctares, isotônicos e bebidas à base de extrato de chá. Embora, como regra geral, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos sem o destaque de IPI não propiciem o aproveitamento desse imposto, existem casos excepcionais previstos em lei. nos quais é possível o aproveitamento do crédito pelo adquirente, como o previsto no artigo 237 do RI PI/2010 (Decreto n.° 7.212. de 15 de junho de 2010). Este artigo, ao tratar dos créditos incentivados referentes a produtos da Amazônia Ocidental, determina que os adquirentes dos produtos saídos com a isenção do inciso III do artigo 95 poderiam se creditar do valor do IPI calculado como se devido fosse. A Amazônia Ocidental é composta pelos estados do Amazonas, Acre. Rondônia e Roraima. Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (DecretoLei nº 1.435. de 1975. art. 6º, §1º), (grifo nosso). Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.175 3 Por outro lado, o artigo 95 do mesmo diploma legal disciplina a isenção de IPI de produtos saídos da Amazônia Ocidental: Art. 95. São isentos do imposto: III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das Posições 22.03 a 22.06. dos Códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (DecretoLei n° 1.435, de 1975, art. 6o. e DecretoLei no 1.593. de 1977, art. 34). (...) O crédito do IPI na entrada de produtos com saída isenta deste imposto, previsto no artigo 95, inciso III do RI PI/2010, depende do emprego direto do insumo no processo produtivo, sendo este insumo necessariamente elaborado de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, não se incluindo as de origem pecuária. (...)Finalmente, vale ressaltar que. para os bens que tenham saído do estabelecimento industrial apenas com a isenção prevista pelo artigo 81. inciso II do RIPI 2010, própria para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, a legislação não prevê o direito a crédito de 1P1. pelo adquirente. (...)Com base nos dados da Escrituração Fiscal Digital EFD, entregue pelo contribuinte ao SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), verificouse que a maior parte dos créditos do IPI escriturados pela fiscalizada foram oriundos de insumos utilizados para a elaboração de refrigerantes e adquiridos da empresa RECOFARMA, localizada em Manaus/AM. e identificados nas notas fiscais de entrada como CONCENTRADOS. Apesar de não haver o destaque do IPI nas aquisições dos "kits para fabricação de bebidas" do fornecedor RECOFARMA. a NORSA baseouse no artigo 237 do RIPI/2010 para escriturar no seu livro Registro de Apuração do IPI. créditos calculados mediante a aplicação da alíquota de 20% sobre o valor registrado nas notas fiscais. Tais créditos foram erroneamente somados aos créditos básicos comuns, e não destacados no campo "Outros Créditos", vez que se tratariam de créditos presumidos. A visita ao local de fabricação dos refrigerantes verificou, a princípio, que não havia nenhum componente do "Kit para fabricação de bebidas" que fosse elaborado com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, exclusive as de origem pecuária, capa/es de propiciar o aproveitamento do crédito fie to de IPI pelo adquirente, ainda que os fabricantes estejam na Amazônia Ocidental e seus projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. (...) Do acima exposto fica evidente a necessidade de serem cumpridas as normas internacionais que versam sobre o Sistema Harmonizado, quando da aplicação da legislação interna, sendo impossível o enquadramento dos componentes dos " kits para fabricação de bebidas" em um código de classificação único, como se se tratasse de Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.176 4 matériaprima única (concentrado). Na verdade, o assinalado kit é constituído de 2 ou mais componentes, assim recebidos da RECOFARMA e posteriormente misturados com outros ingredientes, conforme Fluxograma do Processo Produtivo entregue à fiscalização e apresentado na página seguinte, conforme terminologia do contribuinte. Vale ressalvar que a impossibilidade de se considerar os "kits para fabricação de bebidas" como concentrado não decorre do fato de que ao longo do processo produtivo, outros insumos são acrescidos para a fabricação do produto final. Se a partir de um único componente do kit fosse possível a fabricação do refrigerante, mediante diluição, mantendose as características essenciais do produto final. AINDA QUE outros produtos tivessem que ser acrescentados, a classificação fiscal do kit como concentrado se sustentaria. O que ocorre é que. para a fabricação dos refrigerantes. TODOS OS COMPONENTES do kit precisam ser misturados; os insumos adquiridos sob a denominação de " kits para fabricação de bebidas' são, em verdade, classificados na posição 21.06.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas, e não no Ex Tarifário 01, pois não são um produto único, conforme vedado pelo item XI da Nota Explicativa 3 b) da RGI. já citado. (...)O concentrado do Ex 01 informado nas notas fiscais de entrada da NORSA é uma ficção, pois o xarope composto formado durante o processo produtivo não possui capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida, não existindo, portanto, base legal para que os insumos recebidos da RECORFARMA sejam classificados no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI. Tais produtos estão classificados no código 2106.90.10, sem a inclusão do Ex Tarifário, cujo IPI na saída é nulo. (...)Do exposto concluise que nenhum componente dos "kits para fabricação de refrigerante" se classifica no Ex 01 do código 2106.90.10. Ressaltese que o citado erro de classificação fiscal tem permitido a utilização de valores bilionários em incentivos fiscais a fabricantes de refrigerantes. (...)A análise dos créditos escriturados pelo contribuinte também detectou o aproveitamento de produtos utilizados na limpeza da fábrica e não na linha de produção, o que ensejou a expedição de intimação própria e maior aprofundamento no tema. Tratamse de sabões, produtos de desinfecção e até vassouras, cujos créditos foram escriturados pela NORSA como se tratassem de crédito básico. 1.2) DA AUDITORIA Os créditos escriturados na escrita fiscal da NORSA decorrem de aquisições da Amazônia, de mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente, para uso em proporções fixas, utilizadas na fabricação de bebidas como refrigerantes, refrescos, néctares, isotônicos e bebidas à base de extrato de chá. (...)A relação de notas fiscais de entrada apresentadas pelo contribuinte, com aproveitamento de credito de IPI em virtude da aquisição dos denominados CONCENTRADOS, soma R$ 43.685.694,50 em 2014 e 2015 conjuntamente. Em complemento à resposta de 03/05/2017, o contribuinte apresenta descrição do processo produtivo de refrigerantes, bem como o fluxograma (transcrito no capitulo anterior deste Relatório e parte dos autos), além de esclarecer que adquire da RECOFARMA produto único, o concentrado para refrigerantes, que é composto de partes, Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.177 5 entregues em embalagens separadas; acrescenta que NÃO É POSSÍVEL obter o produto final (refrigerante) a partir de apenas uma das partes do concentrado, tendo em vista que o concentrado deve ser encarado como produto único, sendo viável a fabricação do refrigerante somente com o uso do "kit" completo.(...) As glosas referentes a créditos básicos se concentraram nos produtos de limpeza denomInados Antibacterial C&S, Elgicide 26. Liquid K. Lubodrive OS, Lubodrive K. Stabilon AL Stabilon Plus, Topax 66 BB e TXCL BB. (…) 1.3) DO AUTO DE INFRAÇÃO 1.3.1) CRÉDITO INDEVIDO DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO CREDITO PRESUMIDO DO IPI Esta fiscalização constatou existência de ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL nos insumos adquiridos pela NORSA da RECOFARMA, conforme descrito neste Relatório Fiscal, parte do Auto de Infração, uma vez que tais insumos não podem ser classificados como CONCENTRADOS da posição 21.06.90.10 Ex 01. Desta constatação decorreu a glosa mensal de todos os créditos de IPI presumidamente escriturados, nos anos de 2014 e 2015. tendo sido efetuada REESCRITURAÇÀO DA ESCRITA FISCAL do IPI. apresentada no autos. Previamente ao lançamento, o contribuinte fora intimado a se manifestar a respeito dos pressupostos a que a fiscalização estaria assumindo, através da lavratura do Termo de Constatação Fiscal n° 004. A planilha denominada "RELAÇÃO DAS GLOSAS DE CONCENTRADOS ADQUIRIDOS DA RECOFARMA", anexa aos autos, contém a descrição de todas as mercadorias glosadas, de acordo com o dia do movimento, associada a cada nota eletrônica emitida (quando informada) e respectivos valores de IPI. 1.3.2 ) CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO A outra infração detectada no curso da ação fiscal fora o aproveitamento indevido do crédito de IPI referente a insumos descritos nas notas fiscais de entrada e escriturados sob a descrição de Compra para Industrialização, mas que não se enquadram no conceito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. (...)Desta feita, produtos como sabões para limpeza de mãos de operários, vassouras, copos de CocaCola de 300ml, sabões para limpeza e assepsia de esteiras, lubrificantes de esteiras e similares não possuem a menor possibilidade de serem considerados matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, por nem se integrarem ao produto final nem possuir contato íntimo com o mesmo, conforme todo o exposto anteriormente. Deste entendimento resultou a planilha denominada "GLOSAS DE INSUMOS Valores em Reais (R$)'\ anexa aos autos, contendo todos os insumos. cujo crédito do IPI na entrada fora glosado. Face ao exposto, esta autoridade efetuou a glosa da totalidade dos créditos incentivados do IPI oriundos de "kits para fabricação de bebidas" recebidos com isenção da RECOFARMA, e também dos créditos de IPI de produtos adquiridos para industrialização, mas cujos produtos não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.178 6 A planilha denominada "RELAÇÃO DAS GLOSAS TOTAIS EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO" exibe os totais mensais glosados, separadamente em créditos básicos e créditos incentivados. O auto de infração lavrado apresenta a planilha de reconstituição da escrita fiscal, considerandose os saldos credores de períodos anteriores ao início da fiscalização e os saldos de cada mês. No que toca aos pedidos de ressarcimento protocolados Receita Federal, os mesmos tiveram os créditos glosados no respectivo trimestre do período de apuração, conforme totais mensais da citada planilha acima. Desta feita, encerro a presente fiscalização, com exame e com resultado, e com glosa parcial dos créditos pleiteados nas PerdComps citadas. Portanto, tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA apontando glosas de crédito básico indevido, em razão de aquisições de insumos não classificáveis como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem ("como sabões para limpeza de mãos de operários, vassouras, sabões para limpeza e assepsia de esteiras, lubrificantes de esteiras"), e glosas de crédito presumido de IPI indevido, uma vez que os produtos adquiridos da RECOFARMA não foram elaborados por meio de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, bem como não podem ser classificados no código NCM 2106.90.10 Ex. 01, por não se tratar de aquisição de concentrado de refrigerante como produto único, e sim de diversos ingredientes adquiridos separadamente que se misturam para formar o concentrado de refrigerante e, posteriormente, a bebida final, não gerando crédito presumido do imposto. Após a ciência do Auto de Infração em 08/06/2017, fls. 459/460, insurgiuse o contribuinte contra o feito fiscal por meio do arrazoado de fls. 464/565, em 07/07/2017, que assim vai resumido: 1. DA TEMPESTIVIDADE 2. DOS FATOS 3. DA NULIDADE DO AUTO, DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DA AUSÊNCIA DE PROVA 3.1. Como visto acima, o fundamento principal do AUTO para desconsiderar a alíquota utilizada pela IMPUGNANTE para cálculo do crédito de IPI foi o suposto erro de classificação fiscal dos Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.179 7 concentrados para refrigerantes adquiridos pela IMPUGNANTE, em razão de tais concentrados serem entregues de forma desmembrada. 3.2. Não obstante, a AUTORIDADE não indicou os componentes do concentrado que deveriam ser classificados separadamente e em que posições da TIPI tais componentes do concentrado deveriam ser classificados. 3.3. Sem a indicação da AUTORIDADE da posição na qual os componentes do concentrado deveriam ser classificados na TIPI, a IMPUGNANTE está impossibilitada de verificar a alíquota correspondente para fins de cálculo do crédito de IPI, o que importa em verdadeiro cerceamento do direito de defesa. (...)3.7. Por outro lado, ainda que a AUTORIDADE tivesse indicado quais seriam as posições da TIPI a serem adotadas, de qualquer forma, deve ser mantida a classificação fiscal do concentrado para refrigerantes indicada pela fornecedora na posição 21.06.90.10 EX. 01. 3.8. Isso porque o tema classificação fiscal envolve uma análise técnica e, pois, não basta a AUTORIDADE apresentar as supostas razões que embasariam o equivoco da classificação fiscal indicada pelo contribuinte, é necessário que seja apresentada prova técnica justificando o seu entendimento. 3.9. Neste particular, registrese que o ônus de provar o equivoco da classificação fiscal incorrido pelo fornecedor do produto é da Fiscalização e, no caso, a AUTORIDADE não trouxe elementos comprobatórios técnicos que respaldem o suposto equivoco. (...) 4. DA NÃO RESPONSABILIDADE DA IMPUGNANTE (TERCEIRO, ADQUIRENTE DO CONCENTRADO) POR SUPOSTO ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO 4.1. É incontroverso que a IMPUGNANTE é terceiro, adquirente dos concentrados para refrigerantes, e que a RECOFARMA (fornecedora) foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal, o que é bastante e suficiente para justificar a aplicação da alíquota utilizada para fins do cálculo do crédito. (...)4.21. Assim, se não cabe ao adquirente questionar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela RECOFARMA, a IMPUGNANTE agiu licita e corretamente ao calcular o crédito de IPI, na alíquota correspondente a essa classificação fiscal. 5. DA ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO 5.1. Ainda que se entenda que o adquirente tem obrigação de verificar a correção da classificação fiscal do produto constante da nota fiscal, o que se admite apenas para fins de argumentação, mesmo assim a IMPUGNANTE tem direito de calcular o crédito de IPI à alíquota da classificação fiscal indicada pelo fornecedor, porque o AUTO violou o art. 146 do CTN. 5.2. Isso porque a IMPUGNANTE sempre calculou os créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista na TIPI para Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.180 8 a posição 21.06.90.10 EX. 01 e a AUTORIDADE sempre aceitou essa alíquota. (...) 5.4. De fato, esse novo critério jurídico utilizado pela AUTORIDADE foi originariamente introduzido quando da lavratura do auto de infração contra a RECOFARMA, em 22.12.2014, no qual foi questionada, pela primeira vez, a classificação fiscal do concentrado em relação àquela (RECOFARMA) que procedeu à referida classificação. (...)5.11. Vêse, pois, que, ainda que a IMPUGNANTE tivesse a obrigação de verificar a correção da classificação fiscal do produto constante da nota fiscal emitida pelo fornecedor, o que se admite apenas para fins de argumentação, é inconteste que houve modificação de critério jurídico aplicada de forma retroativa. 6. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES 6.1. DA COMPETÊNCIA DA SUFRAMA PARA DEFINIR A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS FABRICADOS EM PROJETO INDUSTRIAL APROVADO PARA FRUIÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS E DO ATO ADMINISTRATIVO 6.1.1. Ainda que afastados os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, caberia então analisar a competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos benefícios fiscais previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6o do DL n° 1.435/75. (...) 6.1.4. Ora, ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal. 6.1.5. Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do referido produto. (...) 6.1.9. Como se verifica da simples leitura dos referidos dispositivos, não há neles qualquer previsão no sentido de que a RFB teria competência exclusiva para definir a classificação fiscal de produto. (...) 6.2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO DEFINIDA PELA SUFRAMA 6.2.1. A AUTORIDADE concluiu que o concentrado não poderia ser classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, porque seria constituído de diversas partes inacabadas que não teriam o condão de formar um produto único e desconsiderou o fato de que a SUFRAMA definiu a classificação fiscal do concentrado produzido pela RECOFARMA. (...) 6.2.7. Vêse, pois, que, a partir da definição dada pela SUFRAMA ao produto fabricado pela RECOFARMA, a própria SUFRAMA reconhece que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.181 9 produto único (de concentrado para refrigerantes), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado por isso classificado no EX. 01, a qual tem alíquota de 20%, a saber: (...) 6.2.9. Dessa forma, a classificação fiscal do concentrado para refrigerantes, utilizada pela RECOFARMA, qual seja, 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, está consubstanciada em ato administrativo vinculatório (Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007), que tem presunção de legitimidade, veracidade e legalidade, de que nasceu e encontrase em conformidade com o ordenamento jurídico. (...) 6.3. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DEFINIDA PELAS REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO E NESH 6.3.1. No presente caso, a AUTORIDADE concluiu que o concentrado para refrigerantes em questão não poderia ter sido classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, porque: a) seria composto por diversas partes não misturadas, ou seja, não homogeneizadas, e, por essa razão, não seria uma mercadoria única e nem estaria pronta para uso pelo destinatário do produto, no caso a IMPUGNANTE; e b) não seria possível obter as mesmas características essenciais do refrigerante a partir da diluição de apenas um dos componentes do concentrado. 6.3.2. Ocorre que, ao contrário do afirmado pela AUTORIDADE, a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto n° 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto n° 435/92, leva: a) à conclusão de que está correta a classificação fiscal do concentrado para refrigerantes na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011; b) à mesma classificação dada pela SUFRAMA; e c) à mesma classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN n° 405/2003. (...) 6.3.15. Registrese, ainda, que o fato de os concentrados para refrigerantes adquiridos da RECOFARMA não terem sido previamente misturados não significa que eles não estejam prontos para uso pelo fabricante dos refrigerantes, porque, após o ingresso dos concentrados no estabelecimento da IMPUGNANTE, todo processo produtivo feito por ela é relativo à elaboração de refrigerantes e, por conseguinte, é óbvio que os referidos concentrados estão prontos para uso pelo seu destinatário que, no caso, é a IMPUGNANTE, na qualidade de fabricante de refrigerantes. 7. DO DIREITO AO CRÉDITO RELATIVO À AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS ISENTOS PARA ELABORAÇÃO DO REFRIGERANTE GUARANÁ Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.182 10 7.1. Afastada a glosa da alíquota do crédito de IPI, (i) seja porque erro de classificação fiscal não é imputável ao adquirente, (ii) seja porque a AUTORIDADE inovou retroativamente o critério jurídico do AUTO, (iii) seja porque a classificação fiscal do concentrado está consubstanciada em ato administrativo editado pela SUFRAMA ou (iv) seja porque está de acordo com Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e com a NESH, deve ser, automaticamente, reconhecido o direito da IMPUGNANTE ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados para elaboração do refrigerante Guaraná. 7.2. Nesse sentido, confirase o respectivo trecho do relatório fiscal que demonstra que a AUTORIDADE reconheceu que o concentrado para elaboração do refrigerante Guaraná faz jus à isenção prevista no art. 95, III, do IPI/2010: "Assim, preparações em cuja elaboração tenha sido efetivamente utilizado extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental fazem jus à isenção do IPI, na saida, conforme previsto no artigo 95, inciso III do RIPI/2010, mas não há que se falar em geração de crédito do IPI aos adquirentes, por serem tributados à alíquota zero. (...)"7.3. Vêse, pois, que o próprio AUTO reconheceu que tais concentrados fazem jus ao beneficio do art. 6o do DL n° 1.435/75 e, pois, superado o argumento do AUTO de erro da classificação fiscal do concentrado, a IMPUGNANTE faz jus ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados para elaboração do refrigerante Guaraná à alíquota de 20%. 8. DO DIREITO AO CRÉDITO RELATIVO A AQUISIÇÃO DOS DEMAIS CONCENTRADOS ISENTOS PARA ELABORAÇÃO DE REFRIGERANTES (...) a IMPUGNANTE também tem direito ao crédito de IPI, à alíquota de 20%, pelos fundamentos abaixo desenvolvidos que são autônomos e suficientes, entre si, para manutenção do crédito. 8.2. DA COISA JULGADA FORMADA NO MSI N° 95.00094703 IMPETRADO PELA IMPUGNANTE ISENÇÃO DO ART. 81, II, DO RIPI/10 (BASE LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67) 8.2.1. A AUTORIDADE reconheceu a existência da coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703 (fls. 163 a 223), mas concluiu que essa coisa julgada não produziria efeitos em relação aos produtos adquiridos pela IMPUGNANTE, porque aproveitaria apenas à aquisição de "concentrados", o que não seria o caso dos insumos adquiridos da RECOFARMA. 8.2.2. Ocorre que o pedido formulado na inicial do MSI n° 95.00094703 foi amplo e abrangeu todos os componentes do concentrado, porque tratou dos produtos classificados na posição 2106.90 da TIPI/88, conforme se verifica do respectivo pedido (fl. 177): (...) 8.2.3. Ora, a posição 21.06.90., referida no pedido inicial do MSI, abrangia todas as preparações compostas, não alcóolicas para elaboração de bebidas constituídas por um xarope ao qual se juntou Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.183 11 um extrato concentrado, contendo vários componentes, extrato de coca, ácido citrico, (...) 8.2.7. Neste particular, é importante ressaltar que é fato incontroverso que, à época em que impetrado o MSI n° 95.00094703, os "concentrados" fabricados pela RECOFARMA já eram entregues de forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e já eram chamados de "concentrados" pela fornecedora, conforme se verifica de nota fiscal de venda emitida pela RECOFARMA, em 22.11.1993, e anexada ao referido MSI (DOC. 08). 8.3. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 81, II, DO RIPI/10 (BASE LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67) (...) 8.3.2. Conforme também se verifica das notas fiscais (DOC. 09), o concentrado adquirido pela IMPUGNANTE da RECOFARMA também é isento, com fulcro no art. 81, II, do RIPI/10, que tem base legal no art. 9º do DL n° 288/67, porque oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de refrigerantes sujeitos ao IPI; isenção também concedida pela Resolução do CAS n° 298/2007. Eis o teor do art. 9º do DL n° 288/67: "Art. 9º Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional." 8.3.3. Com efeito, no julgamento do RE n° 212.484RS, o Plenário do STF assegurou à outra fabricante de refrigerantes o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição do concentrado isento para refrigerantes oriundo de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de refrigerantes cuja saída é sujeita ao IPI; confirase: (...) 8.3.9 Assim, não há dúvida de que deve ser aplicado ao presente caso o entendimento manifestado no RE n° 212.484, uma vez que a própria D. Procuradoria da Fazenda Nacional, em seu Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011, atribuilhe força vinculante, uma vez que determina a observância obrigatória das decisões judiciais proferidas pelo Plenário do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, anteriores a 03.05.2007, confirmadas em julgamentos posteriores do STF. (...) 8.3.12. De outro lado, no RE n° 592.891SP, o STF reconhecera ainda a existência de repercussão geral da questão concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus: (...) 8.4. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 95, III, DO RIPI/10 (BASE LEGAL NO ART. 6° DO DL N° 1.435/75) 8.4.1. Ainda que superados os argumentos desenvolvidos na seção anterior, a IMPUGNANTE tem direito ao aproveitamento do crédito de IPI em razão de os concentrados para refrigerantes serem beneficiados pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base legal no Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.184 12 art. 6° do DL n° 1.435/75, pois, além de serem produzidos na Zona Franca de Manaus, são elaborados com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental e utilizados na fabricação de refrigerantes sujeitos ao IPI. (...) 8.4.3. Não obstante, a AUTORIDADE concluiu que os concentrados não seriam beneficiados pela isenção do art. 6º do DL n° 1.435/75, pois um dos requisitos legais para concessão do beneficio teria sido descumprido pela RECOFARMA, qual seja, utilização direta de matériasprimas agrícolas extrativas vegetais na fabricação dos concentrados, tendo em vista que os insumos utilizados seriam industrializados, exceto na fabricação do concentrado para o refrigerante Guaraná. 8.4.4. Ocorre que, ao aprovar o Parecer Técnico n° 224/2007, parte integrante da Resolução do CAS n° 298/2007, a SUFRAMA entendeu que era suficiente e bastante para a aprovação do projeto para fruição do beneficio fiscal do art. 6o do DL n° 1.435/75 a utilização de açúcar e/ou álcool e/ou corante caramelo na produção do concentrado, produzido a partir de cana de açúcar, adquirida de produtores localizados na Amazônia Ocidental. (...) 8.4.6. E, nesse passo, a Resolução do CAS n° 298/2007, fundada no Parecer Técnico n° 224/2007, concedeu expressamente o beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75 para os concentrados fabricados pela RECOFARMA, nos seguintes termos: (...) 8.4.9. Com fulcro nessas normas, o despacho da autoridade administrativa (SUFRAMA), suficiente a comprovar a concessão da isenção da RECOFARMA, consoante o art. 179 do CTN, é a Resolução do CAS n° 298/2007, acima mencionada, fundada no Parecer Técnico n° 224/2007. (...) 8.4.11. Ora, se a legislação pertinente e a própria Resolução do CAS estabelecem que a SUFRAMA é o órgão competente para cancelar o beneficio concedido, o único raciocínio lógico possível, é o de que tal beneficio foi concedido pela própria SUFRAMA e somente ela poderá cancelálo. (...) 8.4.17. A IMPUGNANTE não nega que a RFB tenha competência para fiscalizar tributos federais; não obstante, essa competência não lhe autoriza a contrariar atos da SUFRAMA e cancelar unilateralmente beneficio oneroso concedido por esse Órgão dentro do exercício de sua competência.(...) 8.4.20. Dessa forma, na hipótese de discordar da SUFRAMA na concessão do referido beneficio à RECOFARMA, o qual é um beneficio condicionado, porque exigiu contraprestação por parte do industrial estabelecido na Zona Franca de Manaus, o Fisco só teria um caminho: questionálo perante a própria SUFRAMA, antes da lavratura de qualquer auto de infração contra o contribuinte, para que esta, na forma do art. 57 da Resolução do CAS n° 202/06 (com redação idêntica a do art. 54 da Resolução do CAS n° 203/2012, atualmente vigente), cancele o incentivo fiscal concedido, e não simples e unilateralmente desconsiderálo. (...) Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.185 13 8.4.28. Vêse, pois, que, para efeitos específicos dessa isenção, o termo matériaprima utilizado no próprio § Iº compreende tanto os produtos industrializados com matériaprima agrícola regional como a própria matériaprima agrícola regional. (...) 9. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA 9.1. Ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, a multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária. (...) 9.6. Assim, ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 20% decorrente da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com matériaprima adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental, a IMPUGNANTE agiu de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007. 9.7. Vêse, pois, que devem ser excluídos a multa, os juros moratórios e a correção monetária exigidos, sob pena de ofensa ao art. 100, parágrafo único, do CTN. 10. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA 10.1. Por outro lado, ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para argumentar, também não seria cabível a imposição de multa no presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64. 10.2 Com efeito, o art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64 assim dispõe: "Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (...)II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado." 10.3. No caso, há decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que (i) não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 0202.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM; 0202.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO e 020.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA), e (ii) o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus tem direito ao crédito de IPI (Acórdão n° 0201.212, de 11.11.2002), o que atrai os arts. 486, II, "a", do RIPI/02 e art. 567, II, "a", do RIPI/10, para fins de exclusão da multa exigida. Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.186 14 11. DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE LIMPEZA NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DOS REFRIGERANTES 11.1. A AUTORIDADE concluiu que a IMPUGNANTE não teria direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de produtos de limpeza, porque supostamente não teriam sido utilizados diretamente na fabricação dos refrigerantes e, pois, não seriam enquadráveis na definição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65/79. 11.2. Ora, a assertiva da AUTORIDADE está equivocada, porque não há dúvida de que os produtos utilizados para assepsia, sanitização e limpeza em geral integram o processo produtivo de refrigerantes, já que inerentes à sua produção, inclusive, por exigências sanitárias são utilizados de forma obrigatória e, pois, está correto o creditamento do imposto. 11.3. Registrese, ainda, que, embora os produtos de limpeza não tenham necessariamente contato direto com o refrigerante, tais produtos entram em contato direto com as embalagens dos refrigerantes, visto que são utilizados para higienizar as máquinas e esteiras, onde são elaborados os refrigerantes. (...) 11.5. 0 próprio Parecer Normativo CST n° 65/79, citado pela AUTORIDADE, concluiu que o conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora não sejam "consumidos" no processo de fabricação, exercem uma ação direta sobre o produto fabricado: (...)11.7. Por fim, a AUTORIDADE afirmou que considerou válido o aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de materiais de embalagem, não obstante essa afirmativa, a AUTORIDADE glosou os créditos de IPI decorrentes da aquisição de "Eucatex" e "bolsa BIB", os quais são materiais de embalagem. 11.8. Dessa forma, deve ser revertida a referida glosa, tendo em vista que o aproveitamento do crédito de IPI na hipótese de aquisição de material de embalagem está expressamente autorizado no art. 226, I, do RIPI/10, já transcrito acima. 12. DA IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA NO AUTO 12.1. Como aspecto adicional, superados os argumentos acima que afastam a aplicação de qualquer penalidade, o que se admite apenas para fins de argumentação, seria totalmente descabida a incidência de juros sobre a multa de oficio lançada contra a IMPUGNANTE, porque implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. (...) 12.7. Por essas razões, é ilegal a cobrança dos juros sobre a multa de oficio aplicada à IMPUGNANTE. 13. DO PEDIDO Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.187 15 13.1. Pelo exposto, a IMPUGNANTE pede e espera que seja cancelado o auto de infração em epígrafe, com a conseqüente extinção dos créditos tributários correspondentes." A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 NULIDADE. PREJUÍZO À DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Diante da não configuração de prejuízo à defesa, inexistindo cerceamento ao direito de defesa, não há que se falar em nulidade do processo. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO ANTERIOR PELA ADMINISTRAÇÃO. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa pela Administração Tributária. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. Decisões judiciais devem ser interpretadas de forma literal e restrita. A decisão judicial quanto à possibilidade de aproveitamento de crédito de insumo proveniente de saída isenta está restrita à aquisição de concentrados para refrigerantes, o que não é o caso dos insumos adquiridos da Recofarma, compostos por diversos produtos separados, e não um concentrado único para fabricação de refrigerantes. Apelação recebida em duplo grau, suspendendo os efeitos da decisão de 1ª instância, permitindo a plena atuação do órgão fiscalizador. Matéria sobrestada em razão do reconhecimento de repercussão geral, após manifestação do STF no âmbito do RE n° 243.858/CF, aguardando julgamento nos autos do RE 592.891. SUBMISSÃO A ENTENDIMENTO DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA. O art. 100 do CTN restringiu a aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502/64 e, por isso, a exclusão de penalidades para o contribuinte que observe decisão administrativa definitiva da qual não seja parte no processo específico reclama lei que atribua eficácia normativa às referidas decisões administrativas. Impossível a exclusão da penalidade também pelo fato de não mais prevalecer o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais que foi seguido pelo contribuinte. DE MULTA E DEMAIS ACRÉSCIMOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO (ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN). Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.188 16 Somente ato praticado por autoridade administrativa competente pode gerar o referido efeito previsto no parágrafo único do art. 100 do CTN. Não é o caso de ato praticado pela Suframa, que não detém competência para determinar a classificação fiscal de produtos. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 KIT (“CONCENTRADO”) PARA A FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES. ADOÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO DOS COMPONENTES. Demonstrado nos autos que o “concentrado” classificado pela interessada no código Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI tratase, na verdade, de KIT de insumos e de produtos intermediários, devese, por aplicação das regras gerais de classificação, adotar a classificação fiscal de cada um de seus componentes, ao invés de tratar referido KIT como produto único. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. A aprovação de projeto por parte da Suframa não exclui o poderdever da Receita Federal de verificar a legitimidade dos créditos de IPI escriturados pelo adquirente dos produtos e não garante, por si só, o direito ao crédito. Somente aqueles produtos de natureza específica, originados de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais é que possuem a aptidão de gerar crédito do IPI para o adquirente. DIREITO AO CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima, por si só, o aproveitamento de créditos de IPI. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não garante direito ao crédito de IPI se as operações de aquisição são desoneradas do imposto, ante a inexistência de autorização legal para tanto. A idoneidade das notas fiscais emitidas pelo fornecedor dos insumos isentos e a boa fé do adquirente não são suficientes para garantir o direito ao crédito como se devido fosse, se ausentes os requisitos legais previstos na norma de regência. IPI. CRÉDITOS. GLOSA. INSUMOS UTILIZADOS INDIRETAMENTE NO PROCESSO INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito ao crédito de IPI a entrada de insumos que sejam utilizados apenas indiretamente no processo industrial, não observando as condições estabelecidas no Parecer Normativo CST 65/79. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.189 17 Assim, não ensejam o direito creditório as aquisições de material para uso e consumo, tais como produtos de assepsia, sanitização e limpeza. EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” e, como tal, está sujeita à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) cerceamento do direito de defesa e ausência de prova, pois sem a indicação detalhada e individual pela autoridade, da posição na qual cada componente dos produtos deveria ser classificado na TIPI, o auto de infração fica eivado de ilegalidade, porque ofendeu os arts. 10 do Decreto 70.235/1972 e 142 do CTN; (ii) que a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que o auto de infração que não efetua a reclassificação fiscal de mercadoria incorre em ilegalidade (Acórdão nº 9303003.811); (iii) que a ilegalidade apontada não pode ser sanada pela autoridade julgadora, sob pena de ofensa ao art 146 do CTN, porque estaria alterando o critério jurídico do auto; (iv) ainda que a decisão tivesse indicado quais seriam as posições da TIPI a serem adotadas, deveria ser mantida a classificação fiscal do produto indicada pela fornecedora na posição 21.06.90.10 EX. 01,porque a autoridade não apresentou prova técnica justificando o seu entendimento; (v) a decisão, com a pretensão de distorcer as alegações feitas, invoca o art. 30, § 1º do Decreto 70.235/1972 para sustentar que a classificação fiscal não constitui aspecto técnico; (vi) o referido dispositivo determina que os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do INstituto Nacional de Tecnologia (INT), e de outros órgão congêneres não tem o condão de definir a classificação fiscal de determinado produto; não obstante, é incontroverso que os aspectos técnicos tratados no respectivo laudo são determinantes para que a autoridade proceda a classificação fiscal; (vii) o ônus de provar o equívoco da classificação fiscal incorrido pelo fornecedor do produto é do Fisco e, no caso, não há nos autos elementos comprobatórios técnicos que respaldem o suposto equívoco; (viii) a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF cancelou auto de infração que discutia classificação fiscal de mercadorias por entender que o ônus da prova para justificar a reclassificação fiscal do produto caberia à autoridade fiscal e que a insuficiência de elementos de prova seria bastante para manter a classificação fiscal definida pelo fabricante do produto (Acórdão nº 3301003.062); Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.190 18 (ix) os concentrados objeto do processo são beneficiados por duas isenções: (a) a do art. 81, inc. II, do Decreto nº 7.212/2010 Regulamento do IPI (RIPI/10), que tem base legal no art. 9º do DecretoLei nº 288/1967, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus, cujo crédito de IPI para a Recorrente foi assegurado, expressa e especificamente, pelo entendimento do Plenário do Supremo Tribunal Federal, manifestado no Recurso Extraordinário nº 212.484; (b) a do art. 95, inc. III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do DL nº 1.435, de 16.12.1975, cujo crédito de IPI para o adquirente decorre do próprio dispositivo legal (art. 6º, § 1º, do DL nº 1.435/75), que outorga crédito ao adquirente do insumo elaborado com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; (x) é incontroverso que a Recorrente é terceiro, adquirente dos concentrados para bebidas, e que a Recofarma (fornecedora) foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal, o que é suficiente para justificar a aplicação da alíquota utilizada; (xi) o Relatório de Fiscalização reconhece que a classificação fiscal dos concentrados para bebidas foi efetuada pela Recofarma na posição 21.06.90.10 EX. 01; (xii) o art. 62 da Lei nº 4.502/64 determina que o adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham atendem à prescrições legais e regulamentares; (xiii) O RIPI/1998 e os RIPI's de 2002 e 2010 suprimiram o acréscimo regulamentar de que o adquirente deveria examinar a correção da classificação fiscal do produto dada pelo fornecedor; (xiv) o CARF possui precedentes no sentido da inexistência de tal obrigação e pela exclusão da multa aplicável nos casos em que envolviam fatos geradores referentes a período da vigência do art. 173 do antigo RIPI/82; (xv) nunca existiu na lei e não existe mais sequer previsão regulamentar estabelecendo a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal; (xvi) os fatos geradores objeto do Auto de Infração sob exame foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto e, como a classificação dos concentrados foi feita pela Recofarma, fornecedora do concentrado, a Recorrente agiu lícita e corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI; (xvii) se é lícito e correto aceitar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela Recofarma, constante de nota fiscal idônea, não há controvérsia quanto ao direito de a adquirente calcular o crédito do IPI decorrente da alíquota correspondente à classificação fiscal; (xviii) se não cabe ao adquirente questionar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela Recofarma, a Recorrente agiu licitamente ao calcular o crédito de IPI, na alíquota correspondente a essa classificação fiscal; Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.191 19 (xix) no caso dos autos houve alteração de critério jurídico, pois em verificações fiscais anteriores não houve qualquer questionamento relativo à classificação fiscal adotada, com ofensa ao art. 146 do CTN; (xx) no lançamento tributário, a atividade da autoridade administrativa é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN; (xxi) no Parecer da PGFN nº 405/2003, que é vinculatório para a Administração, a PGFN adotou a classificação do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01, ao reconhecer o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado, à alíquota de 27% (vigente à época), visto que, para fins de IPI, não há como estabelecer a alíquota sem definir a respectiva classificação fiscal; (xxii) o novo critério jurídico adotado pela decisão recorrida só poderia alcançar fatos geradores posteriores a 08/06/2017, data em que a Recorrente foi cientificada do auto de infração, no qual, pela primeira vez, foi questionada a alíquota utilizada para cálculo do crédito de IPI; (xxiii) o novo critério jurídico utilizado pela decisão não pode retroagir para atingir fatos geradores anteriores a 08.06.2017, período no qual firmouse a prática no sentido de autorizar o creditamento do imposto calculado à alíquota correspondente à posição 21.06.90.10; (xxiv) é a SUFRAMA que possui a competência para definir a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos benefícios fiscais previstos no art. 9º do DL nº 288/67 e no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xxv) ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal; (xxvi) é inerente à competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do produto; (xxvii) o Superior Tribunal de Justiça entende que a Receita Federal não possui competência exclusiva para proceder à classificação fiscal de produto, prevalecendo a classificação fiscal definida pelo órgão técnico; (xxviii) o CARF possui precedentes no mesmo sentido; (xxix) a SUFRAMA tem competência para definir a classificação fiscal de "concentrado para bebidas não alcoólicas" produzido pela Recofarma; (xxx) a SUFRAMA exercendo sua competência técnica, editou a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007SPR/CGPRI/COAPI que (a) aprovou o projeto industrial da Recofarma e (b) definiu o concentrado para bebidas fabricado pela Recofarma como preparações químicas utilizadas como matériaprima para industrialização de bebidas; Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.192 20 (xxxi) a SUFRAMA reconhece que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produtos único (de concentrado para bebidas), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01; (xxxii) a SUFRAMA confirma que a Recofarma continua cumprindo a classificação fiscal do concentrado por ela estabelecida conforme se verifica do Ofício nº 4215 COPIN/CGAPI/SPR, de 28.08.2015 e apresentado em processo de outro estabelecimento da Recorrente, e do Ofício nº 3638SPR/CGAPI/COPIN, de 26.09.2014 e apresentado em processo similar e de interesse de outro fabricante de produtos CocaCola; (xxxiii) a SUFRAMA reconheceu que o concentrado para bebidas elaborado pela Recofarma e adquirido pela Recorrente é constituído por diversos componentes (partes líquidas e sólidas) e classificou o concentrado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2010; (xxxiv) a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto nº 435/1992 leva (a) à conclusão de que está correta a classificação fiscal do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; (b) à mesma classificação dada pela SUFRAMA e (c) à mesma classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN nº 405/2003; (xxxv) pelo histórico das TIPIs, desde 1988, constatase que o concentrado para bebidas sempre foi classificado como uma mercadoria única (descrita como preparações compostas, não alcooólicas, para elaboração de bebidas); (xxxvi) os EX. 01 e EX. 02 da posição 21.06.90.10 consolidaram todas as subposições da TIPI anterior e enfatizaram a sua destinação, condicionando à utilização dessas preparações compostas na fabicação das bebidas do Capítulo 22; (xxxvii) o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) reforça o fato de que os concentrados para bebidas, entregues em forma de "kits", são tratados como produtos únicos; (xxxviii) o fato de os concentrados para bebidas adquiridos da Recofarma não terem sido previamente misturados não significa que eles não estejam prontos para uso pelo fabricante das bebidas, porque, após o ingresso dos concentrados no estabelecimento da Recorrente, todo processo produtivo feito por ela é relativo à elaboração de bebidas e, por conseguinte, os referidos concentrados estão prontos para uso pelo seu destinatário, no caso a Recorrente; (xxxix) a NESH prevê que o concentrado pode ser entregue de forma desmembrada para facilitar o seu transporte e que, no processo produtivo de fabricação das bebidas, podem ser acrescidos outros insumos; (xl) se houvesse dúvida quanto à aplicação da posição 2106.90.10 EX. 01 aos concentrados para bebidas, constante das notas fiscais emitidas pela Recofarma, essa deveria prevalecer por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, devendo ao caso ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; (xli) possui direito ao crédito relativo à aquisição dos concentrados isentos para elaboração de bebidas; Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.193 21 (xlii) faz jus ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrado para elaboração dos seus refrigerantes, nos termos da coisa julgada formada no MSI nº 95.0009470 3; (xliii) a decisão proferida no Mandado de Segurança mencionado concedeu integralmente a segurança e, tal concessão integral comprova que o direito ao crédito de IPI foi reconhecido para todas as matérias primas isentas inclusive, o concentrado descrito nas notas fiscais que eram entregues em "kits", oriundas de fornecedor situado na Zona FRanca de Manaus, para emprego na fabricação dos seus produtos tributados; (xliv) para que seja aplicada a coisa julgada formada no referido Mandado de Segurança basta que seja demonstrado, no presente caso, que adquiriu matériaprima de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, para fabricação de refrigerantes, fato que é facilmente comprovado pelas notas fiscais anexadas ao processo e que não foi questinado pela Fiscalização nem pela decisão; (xlv) que o MSI nº 95.00174057, citado pela decisão recorrida, não interfere no presente processo, porque trata de matéria diversa da aqui discutida, qual seja, o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de açucarcrital decorrentes da área de atuação da SUDENE e da SUDAM; (xlvi) o direito ao aproveitamento do crédito de IPI decorre de os concentrados para bebidas serem beneficiados pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do DL nº 1.435/75, pois além de serem produzidos na ZOna Franca de Manaus, são elaborados com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental e utilizados na fabricação de bebidas sujeitas ao IPI; (xlvii) a isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75 é autônoma e suficiente para autorizar o creditamento do imposto em razão de o próprio dispositivo legal outorgar, expressa e especificamente, o crédito de IPI ao adquirente do produto; (xlviii) em relação aos concentrados para refrigerante (Guaraná), o auto expressamente reconheceu que eles foram elaborados com matériaprima extrativa vegetal e, pois, não pode a decisão alterar o critério jurídico utilizado pela autoridade para concluir que não teria sido utilizada matériaprima extrativa vegetal, sob pena de inovação e ofensa aos arts. 142 e 146 do CTN; (xlix) a multa, os juros de mora e a correção monetária não são devidos, em razão do contido no art. 100, parágrafo único do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; (l) no caso, a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, é ato administrativo que tem efeito normativo em relação aos adquirentes do concentrado, porque esses adquirentes não foram nem são partes no processo que ensejou a referida resolução, mas estão obrigados a observála, como ato administrativo que é; (li) ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 20% decorrente da aquisição de concentrados isentos para bebidas não alcoólicas oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com matériaprima adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental, a Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.194 22 Recorrente agiu de acordo com a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007; (lii) incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64; (liii) a CSRF tem aplicado referido dispositivo para determinar a exclusão de multa quando há decisão de última instância administrativa favorável ao contribuinte sobre a matéria em discussão, conforme Acórdão nº 9303003.517, que concluiu pela exclusão da multa de ofício imposta por auto de infração lavrado para exigir débitos de IPI decorrentes da glosa de créditos desse imposto, em razão da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 486, II, "a", do RIPI/02 e no art. 567, II, "a", do RIPI/10 (liv) existem decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação fiscal e o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus tem direito ao crédito de IPI, o que atrai os arts. 486, II, "a" do RIPI/02 e art. 567, II, "a", do RIPI/10, para fins de exclusão da multa exigida; (lv) que possui direito aos créditos oriundos da aquisição de produtos de limpeza no processo de industrialização das bebidas, pois os produtos são utilizados para assepsia, sanitização e limpeza em geral integram o processo produtivo de bebidas, eis que inerentes à sua produção, inclusive por exigências sanitárias; (lvi) o art. 226, I, do RIPI/10 dispõe sobre o direito sobre o direito ao crédito relativo à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; (lvii) o Parecer Normativo CST nº 65/79, citado pela decisão, concluiu que o conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora não sejam "consumidos" no processo de fabricação, exercem uma função direta sobre o produto fabricado; (lviii) o CARF concluiu que os produtos empregados no processo de fabricação de bebidas para higienização da produção qualificamse como produtos intermediários, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79, conforme Acórdão nº 340200.517; e (lix) é indevida e exigência de juros sobre a multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário em que contesta todas as alegações da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Defende a Recorrente que ao caso tem aplicação a coisa julgada formada no MSI nº 95.00094703, com o consequente reconhecimento do seu direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrado para elaboração dos seus refrigerantes. A decisão recorrida não acolheu a tese da Recorrente sob os pressupostos de que (i) as decisões judiciais devem ser interpretadas de forma literal e restrita e (ii) a decisão Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.195 23 judicial quanto à possibilidade de aproveitamento de crédito de insumo proveniente de saída isenta está restrita à aquisição de concentrados para refrigerantes, o que não é o caso dos insumos adquiridos da Recofarma, compostos por diversos produtos separados, e não um concentrado único para fabricação de refrigerantes, conforme consta da ementa de decisão sob exame. Defende a Recorrente que: "7.1.5 (...) à época em que impetrado o Mandado de Segurança, os produtos elaborados pela Recofarma eram entregues de forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e eram chamados de concentrados pela fornecedora, conforme se verifica de notas fiscais de venda emitidas pela Recofarma. (...) 7.1.7 O pedido formulado na inicial do MSI nº 95.00094703 abrange quaisquer aquisições de matériasprimas isentas oriundas de fornecedor situado na ZOna Franca de Manaus utilizadas na industrialização de produtos tributados, inclusive e exemplificativamente, o concentrado, classificado na posição 2106.90 e que conforme as notas fiscais já eram entregues de forma desmembrada." A Recorrente no Mandado de Segurança mencionado requereu: Prossegue a Recorrente: "7.1.9. Em 18.06.1997, transitou em julgado a decisão que concedeu integralmente a segurança e, pois, tal concessão integral comprova que o direito ao crédito de IPI foi reconhecido para todas as matérias primas isentas inclusive, o concentrado descrito nas notas fiscais que eram entregues em "kits", oriundas de fornecedor situado na Zona FRanca de Manaus, para emprego na fabricação dos seus produtos tributados." Dos autos (fl. 221) há um extrato de andamento processual em que consta que o processo foi "Arquivado Definitivamente BAIXA FINDO" e " Remetidos os autos com ARQUIVAMENTO COM BAIXA para Setor de Distribuição", conforme a seguir reproduzido: Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.196 24 Já na fl. 222, autos, outro extrato: Por sua vez, da decisão recorrida se extraem as seguintes informações: "A defesa alega que "o pedido formulado na inicial do MSI n° 95.0009470 3 foi amplo e abrangeu todos os componentes do concentrado, porque tratou dos produtos classificados na posição 2106.90 da TIPI/88", e que "à época em que impetrado o MSI n° 95.00094703, os 'concentrados' fabricados pela RECOFARMA já Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.197 25 eram entregues de forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e já eram chamados de 'concentrados' pela fornecedora". Por outro lado, ao contrário do que alega a contribuinte, a Autoridade Fiscal informa desconhecer o desfecho do Mandado de Segurança n° 95.00094703, nos seguintes termos: No que toca ao Mandado de Segurança MS n° 95.00094703 (0009470 05.1995.4.05.8100), impetrado pela fiscalizada e citado em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, cuja Apelação foi tombada sob outro (96.05.012766 000127632.1996.4.05.0000), só fora possível verificar o seu andamento processual e sua conexão com um segundo mandado de segurança, o de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100). Em consulta aos documentos juntados ao processo, este julgador teve acesso à Sentença nº 1280/95, às fls. 181/189, referente ao Mandado de Segurança nº 95.9470 3, com trecho reproduzido a seguir: 3.1 Em face dos fundamentos expendidos, concedo a ordem da impetrada, para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar dos valores relativos ao IPI, nas operações de aquisição de concentrado, ainda que essas operações sejam isentas do mesmo imposto na origem. (...) Por outro lado, da sentença, a União formalizou apelação, às fls. 190/197, autuada sob o processo nº 000127632.1996.4.05.0000, recebida em duplo grau, com Acórdão Publicado no DJ da União em 08.05.97 (1ª parte TRF5), da qual não se teve acesso e não foi encontrada cópia da decisão nos autos, conforme consulta abaixo. Ou seja, as informações disponíveis no processo administrativo dão conta de que a apelação da União em relação a referida decisão judicial foi recebida com efeito devolutivo e suspensivo, isto é, suspendendo os efeitos da decisão de 1ª instância, permitindo a plena atuação do órgão fiscalizador. Por fim, fundamental mencionar o apontamento da fiscalização no sentido de que fora possível verificar a conexão do Mandado de Segurança n° 95.00094703 "com um segundo mandado de segurança, o de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100). Ao contrário do MS n° 95.00094703 (000947005.1995.4.05.8100), o MS n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100) ainda está em trâmite no TRF da 5a Região, encontrandose sobrestado por repercussão geral, após manifestação do STF no âmbito do RE n° 243.858/CF". Como dito, ao contrário do que afirma a defesa, a Autoridade Fiscal não conseguiu verificar a existência da coisa julgada no MSI n° 95.00094703, estando a questão judicial que trata da matéria sobrestada em razão do reconhecimento de repercussão geral, após manifestação do STF no âmbito do RE n° 243.858/CF, conforme seguintes trechos da decisão: Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10580.724116/201764 Resolução nº 3201001.702 S3C2T1 Fl. 1.198 26 O Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal, ao examinar o RE 592.891, atualmente sob relatoria da Ministra Rosa Weber, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional ora discutida (Tema 322). Vejase a ementa do julgado: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.” Diante do exposto, com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF, determino o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam observadas as disposições do art. 543B do Código de Processo Civil." Denotase, portanto, que há dúvida razoável sobre o efetivo trânsito em julgado da decisão proferida no Mandado de Segurança invocado pela Recorrente. Somese a isso, que não trouxe a Recorrente certidão de inteiro teor do processo, bem como, certidão de trânsito em julgado constante dos autos de Mandado de Segurança, documentos imprescindíveis para demonstrar e comprovar o alegado, em especial, pelo fato de a própria decisão recorrida ter adotado como fundamento decisório a impossibilidade de se aferir (i) o trânsito em julgado no Mandado de Segurança nº 95.00094703; (ii) eventual conexão com outro Mandado de Segurança, cujo trâmite está sobrestado em razão de a matéria ser objeto de repercussão geral. Assim, a conversão do feito em diligência é medida que se impõe para se aferir o efetivo trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 95.00094703, conforme alegado pela Recorrente e não acatado pela decisão recorrida proferida neste processo administrativo fiscal. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência, para que a Recorrente, no prazo de até 60 (sessenta) dias providencie (i) certidão de trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 95.00094703; (ii) certidão de inteiro teor do referido processo (certidão de objeto e pé) e (iii) certidão e documentos para que se possa aferir eventual conexão do Mandado de Segurança nº 95.00094703, com o Mandado de Segurança de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100). (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1198DF CARF MF
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Numero do processo: 13924.000158/00-19
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
CLASSIFICAÇÃO FISCAL E O PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE.
O princípio da seletividade, em função da essencialidade, é levado em consideração pelos Poderes Políticos do Estado, e nada tem a ver com classificação fiscal de mercadorias, tarefa eminentemente técnica, na qual uma vez identificado o produto, classifica-se na devida posição, subposição, item e subitem, sem atentar para a tarifação do produto, que é a última fase do procedimento fiscal classificatório.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS.
Almas e colarinhos de papel, utilizados na embalagem de camisas, classificam-se no código 4823.90.90 da TIPI/96.
DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA. MATÉRIA PRELIMINAR À CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS.
Havendo matéria preliminar à classificação fiscal de mercadorias,
no tocante ao produto agendas para brindes, que segundo a
recorrente estaria fora do campo de incidência do IPI, ao egrégio
Segundo Conselho de Contribuintes cumpre manifestar-se.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.472
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto a classificação fiscal dos produtos almas e colarinhos de papel, e declinar da competência do julgamento de
questão preliminar à classificação fiscal do produto agendas para brindes ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL E O PRINCÍPIO DA. SELETIVIDADE. O princípio da seletividade, em função da essencialidade, é levado em consideração pelos Poderes Políticos do Estado, e nada tem a ver com classificação fiscal de mercadorias, tarefa eminentemente técnica, na qual uma vez identificado o produto, classifica-se na devida posição, subposição, item e subitem, sem atentar para a tarifação do produto, que é a última fase do procedimento fiscal classificatório. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Almas e colarinhos de papel, utilizados na embalagem de camisas, classificam-se no código 4823.90.90 da TIPI/96. DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA. MATÉRIA PRELIMINAR À CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Havendo matéria preliminar à classificação fiscal de mercadorias, no tocante ao produto agendas para brindes, que segundo a recorrente estaria fora do campo de incidência do IPI, ao egrégio Segundo Conselho de Contribuintes cumpre manifestar-se. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto a classificação fiscal dos produtos almas e colarinhos de papel, e declinar da competência do julgamento de questão preliminar à classificação fiscal do produto agendas para brindes ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator. • Processo n° 13924.000158/00-19 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302.39,472 Fls. 173 i JUDITH DO ' . ' ' A / ( ARCONDES ARMANDO - residente il # CORINTHO OLLVEI ''' MACHADO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castr e Luis Carlos Maia Cerqueira (Suplente). Ausente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'morim. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecília Barbosa. • 1 , 2 . Processo n° 13924.000158/00-19 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302•9.472 Fls. 174 Relatório Adoto o relato do i. Conselheiro-relator WALBER JOSÉ DA SILVA, por ocasião do julgamento deste no Segundo Conselho de Contribuintes, naquela ocasião não foi conhecido o recurso, porquanto foi declinada a competência de julgamento a este Terceiro Conselho de Contribuintes, em razão da matéria: No dia 31/8/2000, a empresa KAMARO ARTES GRÃ ' FICAS LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com o pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, relativo ao primeiro trimestre de 2000, no valor de R$ 12.374,05 (doze mil, trezentos e setenta e quatro reais e • cinco centavos). Em diligência realizada com vistas a apurar a regularidade do pedido, a fiscalização entendeu que a interessada efetuou a classificação fiscal de forma errônea para os produtos "almas" e "colarinhos" de papel, utilizados na embalagem de camisas, e "agendas para brinde". A interessada classificou os referidos produtos no código 4911.99 e a fiscalização entende que a classificação correta é 48.23.90.90, para almas e colarinhos de papel utilizados na embalagem de camisas, e 4820.10.00, para agendas para brindes. Na classificação efetuada pela interessada, a aliquota do IPI é zero. Na classificação efetuada pela .fiscalização, a aliquota é de 15%. A fiscalização calculou o IPI que deixou de ser lançado e abateu o valor apurado do valor pedido do ressarcimento. O valor ressarcido foi reduzido para R$ 10.984,08 (R$ 12.374,05 — R$ 2.179,97). • Ciente da decisão da DRF em Cascavel — PR, em 3/4/2001, fl. 121, a contribuinte interpôs impugnação em 3/5/2001, onde contesta a , classificação fiscal adotada pela fiscalização. A 1" Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria - RS indeferiu o pleito da recorrente, nos termos do Acórdão DRJ/STM n° 4.557, de 2219/2005, cuja ementa abaixo transcrevo: "(...) CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. Almas e colarinhos de papel, utilizados na embalagem de camisas, classificam-se no código 4823.90.90 da TIPI/96. Agendas para brindes classificam-se no código 4820.10.00. Solicitação Indeferida". Ciente da decisão de primeira instância em 22/11/2005, fl. 144, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 9/12/2005, onde reprisa os 1 argumentos da impugnação. 3 1 Processo n° 13924.000158/00-19 CCO31CO2 ikcOrdà0 n.° 302-39.472 Fls. 175 Sem arrolamento de bens, na forma do sç 7" do art. 2" da IN SRF n" 264/2002. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 26/4/2006, conforme despacho exarado na última folha dos autos —11/ 160. É o Relatório. • • 4 ‘ Processo n° 13924.000158/00•19 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.472 Fls. 176 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, insta observar que o expediente em tela, apesar de não ter conhecido o seu recurso no Segundo Conselho de Contribuintes, porquanto foi declinada a competência de julgamento a este Terceiro Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, não pode ser atualmente julgado por inteiro por esta Câmara, uma vez que contém matéria preliminar à classificação fiscal de mercadorias, no tocante ao produto agendas para brindes • (estariam fora do campo de incidência do IPI), que precisa ser enfrentada pelo e. Segundo Conselho de Contribuintes, porquanto este Conselho não tem competência para julgá-la, restando, por ora, investigar a classificação fiscal apenas dos produtos "almas" e "colarinhos" de papel, utilizados na embalagem de camisas. DA CLASSIFICACÃO FISCAL DE MERCADORIAS Preambularmente, releva dizer que a classificação fiscal de mercadorias no País segue regras internacionais, haja vista o Brasil ser signatário da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, desde 31/10/1986. Dessarte, tanto a TEC (utilizada para as operações de comércio exterior) como a TIPI (utilizada para fins do IPI) contêm as mesmas posições e subposições. E mais, com a criação da NCM - Nomenclatura Comum do Mercosul, e sua entrada em vigor, em 10 de janeiro de 1995, que serviu de base para a reformulação da TIPI, em 10 de janeiro de 1997, inclusive os itens e subitens das duas Tabelas são os mesmos. e A fórmula encontrada pela Administração Tributária para adaptar as Tabelas às suas especificidades são os EX tarifários, que são diversos para a TEC e para a TIPI, e justamente ai entra a observação do Poder Público à regra da essencialidade, constante da matriz constitucional do IPI, e referida pela recorrente. O principio da seletividade, em função da essencialidade é levado em consideração pelo Poder Executivo quando é concedido um EX da TIPI a determinado produto, devidamente descrito sob o código de subitem, ou ainda, quando o Poder Legislativo confere isenção a determinado produto da TIPI. O principio da essencialidade é levado em consideração pelos Poderes Políticos do Estado, e nada tem a ver com classificação fiscal de mercadorias, tarefa eminentemente técnica - uma vez identificado o produto, classifica-se na devida posição, subposição, item e subitem, sem atentar para a tarifação do produto, que é a última fase do procedimento fiscal classificatório. Para ilustrar esta parte do voto, trago aresto desta Câmara, da relatoria da ilustre Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. (..) PRINCÍPIOS QUE INFORMAM A TRIBUTAÇÃO DO IPI 5 Processo n° 13924.000158/00-19 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.472 Fls. 177 O princípio da seletividade em função da essencialidade do produto é instrumento do manejo por parte do legislador, cabendo ao contribuinte do IPI o cumprimento da legislação vigente. Recurso parcialmente provido por maioria. Acórdão 302-35294; Sessão de 19/09/2002 Dito isso, e como não há outras preliminares, passo desde logo ao mérito da pendenga, no que diz com a classificação fiscal das "almas" e "colarinhos" de papel, utilizados na embalagem de camisas. A autuada classificou os produtos na posição 4911.99.00, que tem sua colocação na TIPI assim: 4911 OUTROS IMPRESSOS, INCLUÍDAS AS ESTAMPAS, GRAVURAS E FOTOGRAFIAS. • 4911.10 - Impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes 4911.10.10 Contendo informações relativas ao funcionamento, manutenção, reparo ou utilização de máquinas, aparelhos, veículos e outras mercadorias de origem extrazona O 4911.10.90 Outros O 4911.9 - Outros 4911.91.00 - - Estampas, gravuras e fotografias O 4911.99.00 - - Outros O A fiscalização classificou os produtos na posição 4823.90.90, que tem sua colocação na TIPI assim: 4823 OUTROS PAPÉIS, CARTÕES, PASTA ("OUATE") DE 11110 CELULOSE E MANTAS DE FIBRAS DE CELULOSE, CORTADOS EM FORMA PRÓPRIA; OUTRAS OBRAS DE PASTA DE PAPEL, PAPEL, CARTÃO, PASTA ("OUATE") DE CELULOSE OU DE MANTAS DE FIBRAS DE CELULOSE. 4823.1 - Papel gomado ou adesivo, em tiras ou em rolos 4823.11.00 - - Auto-adesivos 15 4823.19.00 - - Outros 12 4823.20.00 - Papel-filtro e cartão-filtro 15 4823.40.00 - Papéis-diagrama para aparelhos registradores, em bobinas, em folhas ou em discos 15 4823.5 - Outros papéis e cartões dos tipos utilizados para escrita, impressão ou outras finalidades gráficas 4823.51.00 - - Impressos, estampados ou peifúrados 12 6 Processo n° 13924.000158/00-19 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302.39.472 Fls. 178 4823.59.00 - - Outros 12 4823.60.00 - Bandejas, travessas, pratos, xícaras ou chávenas, taças, copos e artigos semelhantes, de papel ou cartão 15 4823.70.00 - Artigos moldados ou prensados, de pasta de papel 15 4823.90 - Outros 4823.90.10 Cartões perfurados para mecanismos "Vacquard" 15 4823.90.20 De rigidez dielétrica superior ou igual a 600V (Norma ASTM D 202 ou equivalente) e de peso inferior ou igual a 60g/m2 15 • 4823.90.90 Outros 15 Posteriormente, em sede de impugnação e recurso voluntário, a recorrente defende a classificação fiscal dos produtos na posição 4819.20.00, que tem sua colocação na TIPI assim: 4819 CAIXAS, SACOS, BOLSAS, CARTUCHOS E OUTRAS EMBALAGENS, DE PAPEL, CARTÃO, PASTA ("OUATE") DE CELULOSE OU DE MANTAS DE FIBRAS DE CELULOSE; CARTONAGENS PARA ESCRITÓRIOS, LOJAS E ESTABELECIMENTOS SEMELHANTES 4819.10.00 - Caixas de papel ou cartão, ondulados (canelados*) 8 4819.20.00 - Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados (não canelados*) 8 4819.30.00 Sacos cuja base tenha largura igual ou superior a 40cm 15 4819.40.00 Outros sacos; bolsas e cartuchos 15 4819.50.00 Outras embalagens, incluídas as capas para discos 8 4819.60.00 Cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes 15 Da análise das classificações apontadas para "almas" e "colarinhos" de papel, somente a ofertada pelo fisco tem condições de prosperar, uma vez que os produtos fabricados pela recorrente não podem ser classificados como outros impressos, incluídas as estampas, gravuras e fotografias, porquanto a função precipua dos produtos não é veicular publicidade, aliás, em momento algum a recorrente afirma serem impressos as "almas" e "colarinhos" de papel; ao contrário, abandona a classificação originária, e apresenta uma segunda classificação fiscal, Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados (não canelados*), que também não condiz com o produto, pois além de não serem os produtos dobráveis, não se confundem com caixas ou cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes. 7 • Processo n° 13924.000158/00-19 CCO3/CO2 . Acórdão n.° 302-39.472 Fls. 179 Posto isso, cumpre subscrever o que decidido pelo órgão julgador de primeira instância, pelo que voto por DESPROVER o recurso voluntário, na parte referente às "almas" e "colarinhos" de papel, e devolver ao Segundo Conselho de Contribuintes, para análise da questão preliminar supramencionada, quanto ao produto agendas para brindes. Sala das Sessões, em 20 d: .io de 2008 / CORINTHO OLIV I NI ACHADO - Relator • 40 8 1
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Numero do processo: 11128.003520/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/04/2003
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão de primeira instância indefere, justificadamente, pedido de diligência, considerada desnecessária.
Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/04/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto “GERMALL PLUS”, por ser uma preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código NCM 2933.29.99, devendo prevalecer o código NCM 3808.90.29. Inaplicabilidade das Regras 2b e 3b das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 169, I, “b”, do DL nº 37/66, aplica-se na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento não-automático.
Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência.
MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Constatado o erro na classificação fiscal, satisfaz-se a condição que enseja a aplicação da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/01.
Numero da decisão: 3201-001.065
Decisão: Decidiu o colegiado: por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência, e negar provimento quanto a multa proporcional ao valor aduaneiro por erro de classificação fiscal; e, por maioria de votos, negar provimento quanto à classificação fiscal, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira; e dar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa por falta de licenciamento, vencido o Conselheiro Paulo Sergio Celani, tendo a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhado o relator pelas conclusões quanto a esta matéria.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/04/2003 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão de primeira instância indefere, justificadamente, pedido de diligência, considerada desnecessária. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 22/04/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto “GERMALL PLUS”, por ser uma preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código NCM 2933.29.99, devendo prevalecer o código NCM 3808.90.29. Inaplicabilidade das Regras 2b e 3b das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 169, I, “b”, do DL nº 37/66, aplicase na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento nãoautomático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado o erro na classificação fiscal, satisfazse a condição que enseja a aplicação da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Decidiu o colegiado: por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência, e negar provimento quanto a multa proporcional ao valor aduaneiro por erro de classificação fiscal; e, por maioria de votos, negar provimento quanto à classificação fiscal, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira; e dar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa por falta de licenciamento, vencido o Conselheiro Paulo Sergio Celani, tendo a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhado o relator pelas conclusões quanto a esta matéria. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 17/05/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, multa de controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 2.503,49, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, através da Declaração de Importação No. 03/03309193, de 22/04/2003, adição 001, a mercadoria descrita como "GERMALL PLUS DIAZOLIDINIL URÉIA E BUTILCARBONATO DE IODO PROPINILA", com classificação fiscal no código NCM 2933.29.99, com incidência da alíquota. .0% (nihil) para o Imposto de Importação e o Imposto de Produtos Industrializados; • Através do Laudo de Assistência Técnica No. 1904.01, de 31/07/2003, foi apurado que o produto em análise não se trata apenas de diazolidinil uréia e nem qualquer outro composto cuja estrutura contém um ciclo Imidazol não condensado. Tratase de preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 3 Iodo2Propilina e Dialodinil Uréia, uma outra preparação antimicrobiana. • A fiscalização entendeu ser correta para o produto a classificação fiscal no código NCM 3808.90.29; • A conclusão da fiscalização se pautou nas Regras No. 1 e No. 6 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/200739 Acórdão n.º 3201001.065 S3C2T1 Fl. 2 3 Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 03/07/2007 (fls. 40verso), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 02/08/2007, de fls. 43 à 49, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante informou que: • O produto GERMALL PLUS tem por finalidade preservar produtos como shampoos, condicionadores, cremes, maquiagens... • A Diazodinil Uréia é um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomo de nitrogênio cuja estrutura contém um ciclo imidazol; • Na composição do produto GERMALL PLUS, a Diazodinil Uréia (99%) é a matéria que confere característica essencial ao produto; • Em função da Regra No. 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado, não assiste razão a classificação fiscal adotada pela fiscalização NCM 3808.90.29, pois no Capítulo 38 não há nenhuma referência a composto orgânico de constituição química definida; • A classificação fiscal adotada pelo impugnante é a adequada, em função das Regras 1, 2b) e 3b) das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; • Pelo fato da Diazodinil Uréia (99%) ser a matéria que confere característica essencial ao produto GERMALL PLUS, que por sua vez é definido como composto cuja estrutura contém um ciclo Imidazol, em função das Regras 2b) e 3b), deve prevalecer a classificação fiscal no código NCM 2933.29.99; • A nota de subposição 1 do Capítulo 29 prevê que "no âmbito de uma posição do presente Capítulo, os derivados de um composto químico devem classificarse na mesma subposição que esse composto, desde que não se incluam mais especificamente em outra subposição e que não exista subposição residual..." • Solicita perícia, pois o resultado do Laudo de Assistência Técnica No. 1904.01, de 31/07/2003 não corresponde a correta constituição da amostras da mercadoria ''GERMALL PLUS', nomeando perito e apresentando quesitos. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 17/02/2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1748.574 de fls. 7783: Assunto: Classificação de Mercadorias Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Data do fato gerador: 22/04/2003 Importação do produto "GERMALL PLUS DIAZOLIDINIL URÉIA E BUTILCARBONATO DE IODO PROPINILA", com classificação fiscal no código NCM 2933.29.99. O Laudo de Assistência Técnica apurou que o produto se trata de preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 3Iodo2Propilina e Diazolidinil Uréia, uma outra preparação antimicrobiana. O prospecto apresentado junto ao Laudo de Assistência Técnica ressalta as funções do produto de herbicida e fungicida. Por não possuir código NCM específico, sua classificação fiscal recai no código NCM residual 3808.90.29, conforme aplicação das Regras No. 1 e No. 6 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 17/03/2011 (fl. 85v), tendo protocolado seu recurso voluntário (fls. 88/99), também por via postal, em 18/04/2011 (fls. 87). Nele, a Recorrente reitera os argumentos já suscitados em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 e no art. 56, § 5º, do Decreto nº 7.574 de 2011, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. O cerne da disputa consiste em saber se o produto importado pela Recorrente deve ser classificado na posição NCM 2933.29.99, referente a “outros compostos heterocíclicos cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado”, ou na posição NCM 3808.90.29, referente a “outros inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, etc.”. Inicialmente, a Recorrente pleiteia a nulidade da decisão recorrida tendo em vista que cerceou o seu direito de defesa na medida em que julgou desnecessária a realização da diligência requerida na impugnação. Apenas para reavivar os quesitos formulados pela Recorrente em sua defesa inicial, transcrevoos abaixo: 1) Qual a constituição do produto "GERMAL PLUS"? 2) O "GERMALL PLUS" pode ser caracterizado como algum destes produtos: Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/200739 Acórdão n.º 3201001.065 S3C2T1 Fl. 3 5 crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas? 3) O que é uma mistura, como conceito químico? 4) As substâncias que compões o "GERMALL PLUS" são consideradas compostos orgânicos de constituição química definida? Sobre essa preliminar, entendo que as respostas aos quesitos formulados pela Recorrente não alterarão o deslinde da controvérsia na 1ª instância administrativa, tendo em vista a fundamentação adotada pela decisão recorrida. Ademais, parte dos quesitos já foi respondida no próprio Laudo FUNCAMP nº 1904.01 (fl.22), eis que informa a constituição do produto GERMALL PLUS e indica as suas funções bactericidas e fungicidas. Com efeito, entendo que não deve ser acolhida a preliminar de cerceamento de defesa motivada pelo indeferimento do pedido de perícia. Quanto ao mérito, o argumento central da Recorrente para sustentar a posição NCM 2933.29.99 como correta é que o GERMALL PLUS é quase que integralmente composto de Diazolidinil Uréia (99%), vale dizer, composto químico definido cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado, que lhe dá a sua característica essencial. Tratase de um produto utilizado para preservar produtos cosméticos contra bactérias e fungos. Assim, considerando que o GERMALL PLUS é um produto misturado e não sendo aplicável o item 3.a das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a Recorrente defende a aplicação da classificação fiscal da matéria que lhe confere a característica essencial, nos termos do item 3.b. Nesse caso, o GERMALL PLUS seria classificado na posição NCM própria do Diazolidinil Uréia. Por outro lado, de acordo com o Laudo FUNCAMP nº 1904.01 (fl.22), a amostra analisada do GERMALL PLUS não corresponde a lidinil Uréia e nem a qualquer outro composto cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado, e sim uma outra preparação antimicrobiana. Isso porque, no próprio portal que empresa controladora da Recorrente possuía na internet à época dos acontecimentos, o produto estava definido como bactericida e fungicida. Interessante notar, nesse ponto, que o laudo e a posição da Recorrente não conflitam, pois a Recorrente não defende que o GERMALL PLUS é um composto orgânico de constituição química definida apresentada isoladamente, e sim que o produto deve ser classificado na posição NCM relativa ao Diazolidinil Uréia, tendo em vista se tratar de matéria que lhe confere a característica essencial. A despeito disso, a fiscalização entendeu que o GERMALL PLUS não poderia ser classificado na posição NCM 2933.29.99, tendo em vista que a nota 1.a) do Capítulo 29 estabelece que estabelece que “ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capitulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; ...”. Logo, por haver indicação do laudo técnico de que o produto seria uma preparação antimicrobiana, entendeu por bem classificálo na posição NCM 3808.90.29. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Corroborando o entendimento da fiscalização, identifiquei a seguinte solução de consulta sobre a classificação fiscal de produto com funções semelhantes às do GERMALL PLUS: Solução de Consulta nº 4/02 Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 8a. RF Diana Assunto: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Ementa: CÓDIGO TEC: Mercadoria: 3808.40.29 Preparação bacteriostática e fungicida para a formulação de produtos cosméticos e para cuidados pessoais, constituída pela mistura de 1,3bis(hidroximetil)5,5 dimetilhidantoína e 3iodo2propinil butil carbamato apresentada na forma de pó, grânulos e solução líquida, acondicionada em recipientes plásticos de 18,14 kg e 226,80 kg, marca Glydant(r)Plus, fabricante Lonza Inc. Dispositivos legais: RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 3808 e da subposição 3808.40), c/c RGC1, da TEC, do Mercosul (Decreto nº 2.376/97 Anexos Resolução Camex nº 42/2001), com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n° 435/92 alterado pela IN SRF n.º 123/98, 005/99 , 054/99, 059/00 e 095/00). WERNER HESS Chefe Obs: Aplicada a correlação NCM 2002 x NCM 2007 Data: 24/01/2002, publicado no DOU de 28/03/2002. Portanto, considerando que 1% do GERMALL PLUS é composto de Butilcarbamato de 3Iodo2Propinila, não sendo esse componente mera impureza para os efeitos da nota 1.a) do Capítulo 29, o produto em análise é realmente uma preparação antimicrobiana com função preservativa, devendo, por isso, ser classificado na posição 3808.90.29. No tocante à aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37 de 1966, entendo que a mesma não é devida, pois a fiscalização não fez prova de que a nova classificação fiscal exigiria licenciamento nãoautomático. Nesse sentido, convém esclarecer que o referido entendimento está escorado no entendimento da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: NORMAS TRIBUTÁRIAS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVA DE QUE A MERCADORIA EFETIVAMENTE IMPORTADA ESTAVA SUBMETIDA A LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 526 II do Regulamento Aduaneiro baixado pelo Decreto 91.030/94 aplicase na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/200739 Acórdão n.º 3201001.065 S3C2T1 Fl. 4 7 submetida ao regime de licenciamento nãoautomático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. (Acórdão nº 9303001.908, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, Sessão de 08/03/2012) Finalmente, no tocante à multa regulamentar por erro de classificação fiscal, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, melhor sorte não assiste à Recorrente. A classificação fiscal por ela empregada não estava correta, de modo que, em termos objetivos, a infração cometida está plenamente tipificada. Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a multa de controle administrativo prevista no art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37 de 1966. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10980.723210/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Exercício: 2010, 2011, 2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os Embargos de Declaração se prestam a sanar omissão existente no acórdão quanto ao pedido de diligência.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NOVAS PROVAS. DESCABIDO.
Desnecessária qualquer diligência ou prova adicional para comprovar as alegações recursais trazidas pelas empresas no sentido de que seu produto seria um filme e a semelhança existente entre seus produtos e os toners de impressoras ou ao papel carbono. Tratam-se de alegações que não se mostraram relevantes para alterar a classificação fiscal das mercadorias adotada pela fiscalização.
Embargos Acolhidos para sanar a omissão, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3402-007.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim e Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada). Ausente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: Maysa de Sá Pittondo Deligne
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OMISSÃO. Os Embargos de Declaração se prestam a sanar omissão existente no acórdão quanto ao pedido de diligência. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NOVAS PROVAS. DESCABIDO. Desnecessária qualquer diligência ou prova adicional para comprovar as alegações recursais trazidas pelas empresas no sentido de que seu produto seria um “filme” e a semelhança existente entre seus produtos e os toners de impressoras ou ao papel carbono. Tratam-se de alegações que não se mostraram relevantes para alterar a classificação fiscal das mercadorias adotada pela fiscalização. Embargos Acolhidos para sanar a omissão, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim e Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada). Ausente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 32 10 /2 01 4- 41 Fl. 2666DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 Relatório Tratam-se de embargos de declaração interpostos pela empresa MASTERCORP DO BRASIL EIRELI e pelo responsável solidário Sr. Juliano Anderson Galera Cunha às e-fls. 2.605/2.621 (ratificado pela petição da e-fl. 2.627) em face do acórdão n.º 3402-004.076, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI com os acréscimos legais cabíveis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. ART. 124, INCISO I DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. A responsabilidade tributária prescrita no art. 124, inciso I do CTN pressupõe a partilha do mesmo fato gerador pelos interessados, o que não se configura com a presença de um simples interesse econômico do responsabilizado na prática do fato gerador tributado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 8o DO DECRETO-LEI N. 1.736/79 E ART. 28 DO DECRETO 7.212/2010. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES VINCULANTES DOS TRIBUNAIS JUDICIAIS SUPERIORES. O art. 8o do Decreto-lei n. 1.736/79 que, por sua vez, está fundado no disposto no art. 28 do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI/2010), se contrapõe a precedente vinculante veiculado pelo STJ quando do julgamento do REsp n. 1.101.728/SP, julgado sob o rito de repetitivos, oportunidade em que O citado Tribunal reconheceu que a simples inadimplência fiscal não é, per si, causa de responsabilização em matéria tributária. Tais dispositivos legais também são inconstitucionais, conforme já decidido pelo STF (RE n. 562.276) em caso afetado por repercussão geral. Nesta oportunidade o STF decidiu que apenas lei complementar pode tratar de questão afeta à responsabilidade tributária, nos termos do que prevê o art. 146, inciso III, alínea "b" da Magna Lex. Os dois precedentes citados vinculam este Tribunal Administrativo, exatamente como estabelece o art. 927 do Código de Processo Civil, aqui aplicado subsidiariamente, nos termos do art. 15 do citado Codex, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, incisos I e II, alínea "b" do RICARF. Recurso provido em parte. (e-fls. 2.569/2.570) Os Embargos de Declaração foram parcialmente admitidos pelo r. despacho de admissibilidade das e-fls. 2.642/2.652 nos seguintes termos: CONCLUSÃO Isso posto, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, apenas no que tange ao item vício de omissão pela juntada de novos documentos e provas. (e-fl. 2.651) Fl. 2667DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 Após a conversão do julgamento dos Embargos em diligência por meio da Resolução nº 3402-001.758 para sua livre distribuição dentre os integrantes desta Turma julgadora, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. Conheço dos Embargos de Declaração no ponto em que foi admitido no Despacho de admissibilidade proferido, especificamente quanto ao pedido de produção de provas complementares. Neste ponto, o despacho de admissibilidade foi proferido nos seguintes termos: 2 - OMISSÃO QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA E OUTRAS PROVAS Argui a Embargante omissão com relação a duas matérias: Omissão pela não apreciação do pedido de diligência e juntada de outras provas e omissão quanto à apreciação do Laudo Técnico apresentado. Verifica-se que em seu Recurso voluntário, fl.2.449, assim alega: Pugna, pois repisando a impugnação, pela juntada de novos documentos e provas, se tal se mostrar oportuno. Da análise do acórdão embargado, em que pese o bem fundamentado e minudente voto do referido acórdão embargado, constata-se que em relação ao pedido [pela juntada de novos documentos e provas, se tal se mostrar oportuno,] não há apreciação da matéria. Com relação ao Laudo Técnico, assim se manifesta a peça embargada: Por fim, quanto ao Laudo a que se refere a recorrente, este nada mais faz do que discriminar as formas de produção, técnica e uso entre o produto da empresa e as fitas de máquinas de escrever, que pouco importa para a correta classificação fiscal dos produtos. Já a classificação fiscal que o Laudo aponta como correta não vincula a autoridade fiscal, pois consabido que a classificação fiscal de produtos não é considerada como aspecto técnico dos laudos. A propósito, veja- se o disposto no art. 64 do Decreto 7.574/2011, o qual reproduz os termos do Decreto 70.235/72.(grifei) Art. 64. Os laudos e os pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres (Decreto no 70.235, de 1972, art. 30, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). § 1º Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Diante do exposto, correta a classificação fiscal adotada pelo Fisco. Para melhor explicitação da matéria arguida, transcreve-se a seguir excertos da decisão recorrida: Fl. 2668DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 Ademais, o fato de se classificar as impressoras importadas pela empresa na posição 8433, não implica necessariamente enquadrar o produto produzido por ela no mesmo código, já que a empresa não produz impressoras e sim fitas para impressão – classificação excluída da seção que se encontra a posição 84. Com relação ao Laudo Técnico, não assiste razão à embargante, haja vista que o julgador detém a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, já destacado na presente análise, e no caso específico de classificação fiscal, estando o produto corretamente identificado, como se constata pelos robustos fundamentos do voto- condutor, conforme excertos acima, a título exemplificativo, o órgão oficial no Brasil com competência para pronunciar-se sobre classificação fiscal de mercadorias é a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB, portanto, por expressa determinação legal, não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos, assim ratificou o voto embargado a classificação adotada pela fiscalização, que segundo seu entendimento, adequava-se às normas legais para classificação fiscal, que são as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e, subsidiariamente, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH), uma vez que sendo o Brasil, Parte Contratante da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de mercadorias aplica no processo classificatório de uma mercadoria/produto referidas as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e, subsidiariamente, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH). (...) Assim, os vícios apontados, exceto quanto ao pedido para junta de documentos, não se confirmaram na análise do acórdão embargado, na realidade as razões trazidas em sede de embargos, visam não só rediscutir as razões já trazidas em sede de recurso voluntário, como o contexto probatório, assim constata-se que os argumentos manejados pela Embargante, não podem ser acolhidos em sede de embargos, uma vez que fogem ao escopo regimental, expresso na dicção do artigo 65, caput, do RICARF, haja vista que estando os fatos contextualizados e restando clara a linha decisória no julgado ora embargado, fica evidenciado que não foi demonstrado no acórdão embargado, omissão com relação ao item 3 ou contradição, com relação aos itens 1 e 3, logo a análise pretendida, na visão da Embargante, ensejaria um novo julgamento, hipótese não admitida em sede de embargos, visto que demandaria rediscutir questões que já foram examinadas e sobre as quais o Colegiado já proferiu o seu entendimento, como bem demonstrado no acórdão embargado. CONCLUSÃO Isso posto, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, apenas no que tange ao item 2- vício de omissão pela juntada de novos documentos e provas. (e-fls. 2.648/2.651 - grifei) Com efeito, como mencionado no r. despacho acima transcrito, no acórdão embargado o I. Conselheiro Relator não adentrou especificamente em um tópico quanto a desnecessidade de novas provas e diligências no presente caso. Há, portanto, uma omissão a ser sanada nesta oportunidade, para analisar esse pedido. A leitura do acórdão embargado quanto à classificação fiscal evidencia que as provas produzidas e alegações trazidas pelos sujeitos passivos foram enfrentadas naquela oportunidade, indicando que os documentos apresentados pelo sujeito passivo não levantaram Fl. 2669DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 dúvida quanto à correta classificação fiscal da mercadoria, o que, por conseguinte, evidencia o entendimento que prevaleceu no Colegiado pela desnecessidade de diligência ou complementação de provas. Cabe, portanto, evidenciar esse raciocínio para afastar expressamente esse pedido formulado pelas Recorrentes. Vejamos os trechos do acórdão embargado que evidenciam a análise das provas e alegações carreadas nos autos: Trecho do relatório (...) Não resignada com a r. decisão, a empresa interpôs o presente recurso (fls. 2440/2509), no qual, em suma, alega: 1 Ser totalmente descabida a pretensão de classificar filme de termo de termo transferência como subgrupo de fita de máquina de escrever, pois não há qualquer similaridade. Afirma que o produto que fabrica é utilizado em impressoras e aparelhos de fax com a finalidade de imprimir papéis, etiquetas, crachás e outros meios, como, entende, descrito na tabela da posição 84.43 (impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos da posição 84.42). Acresce que "esse grupo abrange todos os métodos de impressão utilizados no mercado, impressão por jato de tinta, impressão a laser e impressão por sistema térmico, sendo que certamente existe a necessidade de abrir um novo grupo para classificar os produtos desta família, que sabidamente não tem classificação específica", concluindo que "deveria existir a linha de produto 8443.99.5 (que não existe) impressoras de termo-transferência, pois, afinal, a impressão por transferência térmica é uma tecnologia que não pode ser equiparada à impressão térmica". Em resumo, entende que "se todo o aparato de impressão a jato de tinta e laser estão no grupo 8443, e lá estão também as impressoras e equipamentos de fax que utilizam os filmes de termo-transferência, é lógico que os filmes estão também neste grupo", o que o laudo que acosta conclui. Acresce às suas razões o fato de que as impressoras e equipamentos de fax que importa classifica-se no código 8443.32.99, conforme entendimento do próprio Fisco. Assim, conclui que "os filmes de termo-transferência estão no grupo 8443, que alberga todos os meios de impressão, máquinas, equipamentos, partes, peças e suprimentos". Na sequência, trata em item apartado (CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS FILMES DE TERMO-TRANSFERÊNCIA) sobre a classificação fiscal objeto da lide, com arrimo em Laudo produzido a seu pedido por "engenheiros especialistas em exame de processos produtivos". Veja-se o quesito e a resposta abaixo, inserto no mencionado Laudo; Com base nesse Laudo, arremata: "Diante de todo o exposto e dos pareceres técnicos a respeito dos produtos produzidos pela empresa autuada, mostra-se claro que não podem ser aplicados na NCM 9612". Discorre, ainda sobre seu processo produtivo, e conclui no tópico: Fl. 2670DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 A seguir, traça análise comparativa entre os processos produtivos de fitas de máquinas de escrever e filmes de termo-transferência, concluindo que "enquanto a fita de máquina de escrever pode ser fabricada na garagem de casa, o filme de termo- transferência é produto de alta tecnologia de produção, em diferentes etapas e procedimentos que requerem conhecimentos específicos e avançados". Em relação às exportações que utiliza o código 9612.10.19, conforme anotado no relato fiscal, alega que "existem empresas que solicitam que os produtos sejam enquadrados em uma ou outra classificação fiscal, provavelmente com o objetivo de alcançarem vantagens fiscais à luz da legislação fiscal de regência da cada país." E continua: "Assim, existem casos pontuais de exportações realizadas com a classificação fiscal desejada pela autoridade fiscal 9612.10.19". Acresce que o SISCOMEX em seu sistema de registro de exportações somente tem aceito o registro com esse código, ou seja, alude, "este é imposto pela RFB, não uma opção ou escolha do contribuinte". Trecho do voto quanto à classificação fiscal das mercadorias CLASSIFICAÇÃO FISCAL Igualmente improcedente as alegações do contribuinte quanto à classificação fiscal dos produtos denominados ribbons. Antes de adentrar nesse mérito, registre-se, como salientado no TVF, que esta mesma empresa teve contra si um auto de infração de período distinto, portanto desvinculados entre si quer por conexão quer por dependência, com mesma imputação fiscal. Ou seja, no processo 10980.724847/2010- 21, já lhe tinha sido dado conhecimento acerca da Solução de Divergência COANA 1, de 19/03/2003, referente à classificação fiscal dos produtos comercializados pelo contribuinte, que deveriam ser classificados no código 9612.10.19 e tributados à alíquota de 20%. Ora, se o contribuinte tem convicção de que a classificação fiscal dos (TTR thermal transfer ribbons) é a que adota desde então, código 8443.91.99 (alíquota zero), deveria ter buscado resguardar seu entendimento com base em consulta fiscal sobre a classificação fiscal desses produtos, instrumento importante para a segurança do contribuinte/Fisco em relação à aplicação da legislação fiscal e classificação fiscal de mercadorias. Assim, caso a resposta à consulta fosse ao encontro do seu entendimento, não mais haveria qualquer controvérsia sobre o tema. Mas quedou-se inerte nesses quatro anos mesmo sabendo do entendimento fiscal, o que poderia levar, como veio a concretizar-se, em nova exigência sobre mesmo fato! E, mais, chegou ao absurdo de explicitar em sua peça recursal que quando exportou os ribbons com a NBM 9612.10.19, o fez porque assim os importadores o exigiam, como se a classificação fiscal de mercadorias não tivesse imposição legal com base em regras internacionais, ficando ao alvedrio de conveniências mercadológicas e discricionárias para tanto. Talvez por isso, toda sua longa articulação tentando "impor" a classificação fiscal que adotava, sequer tangenciou as RGI e/ou as NESH, normas legais impositivas que devem nortear a devida classificação fiscal, devidamente examinadas no libelo fiscal. Passemos ao exame da matéria. A fiscalização classificou os produtos fabricados pelo estabelecimento filial da empresa no código 9612.10.19, fundamentado na aplicação dos critérios de classificação indicados nas Regras Gerais de Interpretação (RGI), que dão uniformidade à aplicação Fl. 2671DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 da Nomeclatura do Sistema Harmonizado (NESH), o Fisco considerou o conceito de “fitas para impressão” que está presente na posição 9612, cuja descrição reproduz- se, incluídos seus códigos derivados: A fiscalização enquadrou os produtos da recorrente no código 96.12.10.19 por corresponderem a fitas impressoras de material plástico não enquadradas nos subitens anteriores. Observe-se que, no caso, a alíquota correspondente é a de 20% (que é a mesma alíquota para qualquer elemento da mesma posição). Em contrapartida, como relatado, a classificação adotada pelo contribuinte é 84.43.91.99, outras partes e acessórios de máquinas e aparelhos de impressão que operem por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão, conforme abaixo: Em síntese, o contribuinte contestou à classificação adota pela fiscalização no código 9612.10.19, afirmando que seus produtos não são “fitas” e sim “filmes”, alegando que a distinção ainda que sutil adquire relevância quando se trata de nominar e qualificar o produto, com vista à sua classificação fiscal, e manifestou a semelhança existente entre seus produtos e os toners de impressoras ou ao papel carbono, afirmando que seus produtos são muito mais complexos do que os produtos da posição 96.12. Criticou as impressões da fiscalização acerca de seu processo produtivo, que seria de maior complexidade do que o percebido pela fiscalização. Mencionou também o laudo técnico pericial apresentado nos autos. Não reproduzo aqui, mas os produtos sob análise são aqueles discriminados no suso relato e cujas fotos encontram-se tanto no TVF como na decisão recorrida (fls. 2408/2414). REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Tendo estes parâmetros em mente, vamos analisar a classificação pretendida pelo contribuinte: 84.43.91.99 Partes de máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos da posição 84.42. Fl. 2672DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 Essa classificação enquadra inicialmente os produtos na posição 84.43, que diretamente se refere a máquinas e indiretamente irá se referir a seus elementos constituintes (partes e acessórios). Ocorre que os produtos fabricados pela contribuinte são elementos a serem utilizados em máquinas de impressão térmica. Assim, somente poderiam se enquadrar nessa posição se houvesse uma determinante identidade com as subposições desse grupo, conforme determina a RGI. Porém, isso não ocorre, pois a subposição 84.43.91 se refere a partes de máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos da posição 84.42, que é relativa a clichês, blocos, cilindros, pedras litográficas, placas e similares, preparados para impressão. Todos esses são elementos rígidos e usados para impressão em relevo (tipografia, offset e outros), e não elementos macios para impressão (plástico, tecidos, papel). Acrescente-se o fato de as Notas de Seção, mas especificamente a Nota nº 1, excluir expressamente as fitas impressoras para máquinas de escrever e fitas impressoras semelhantes da classificação nesta seção. SEÇÃO XVI MÁQUINAS E APARELHOS, EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS Notas. 1.A presente Seção não compreende: a) (...) q) as fitas impressoras para máquinas de escrever e fitas impressoras semelhantes, montadas ou não em bobinas ou em cartuchos (regime da matéria constitutiva, ou posição 96.12, caso estejam tintadas ou de outra forma preparadas para imprimir). Não se enquadrando em nenhum destes elementos (clichês, blocos, cilindros, pedras litográficas, placas e similares, preparados para impressão) o produto em questão não pode ser classificado nesta posição mesmo que, a grosso modo, possa se assemelhar a toner (impressora laser) ou jato de tinta. Releva que o produto da empresa não é toner e não é jato de tinta, nem a eles se assemelham. Toner é uma tinta em pó usada nas impressoras a laser e fotocopiadoras para formar texto e imagens em papel. As partículas do toner são transferidas para o papel por meio de cargas magnéticas e fricção, e logo após fundidas no papel pelo calor do rolo fusor enquanto o papel é impresso. O tamanho das partículas de toner variam de 1 a 15 micrômetros. O toner é fornecido em um cartucho que é instalado na impressora. Nesses casos, a tinta não está impregnada ou revestida em papel, plástico ou tecido, e é transferida diretamente para o material a ser impresso. No caso do produto do contribuinte, uma película plástica é revestida com tinta e silicone que ao receber calor transfere a tinta para o material a ser impresso. Não identifico qualquer similaridade técnica com os produtos em questão (ribbon, toner e jato de tinta) ou mesmos similaridade visual. O produto também não é papel carbono ou papel copiativo, ou a eles se assemelham, pois sua função não é obter um segundo exemplar ou cópia do que está sendo escrito e o papel carbono e copiativo não servem para “imprimir”, mas para copiar. Logo, evidente que essa classificação não inclui o material produzido pelo contribuinte. Ao aplicar a RGI 1 e 3A, verifica-se que entre o texto da posição 96.12 (Fitas impressoras para máquinas de escrever e fitas impressoras semelhantes, tintadas ou preparadas de outra forma para imprimir, montadas ou não em carretéis ou cartuchos; almofadas de carimbo, impregnadas ou não, com ou sem caixa) e o da posição 84.43 (Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de Fl. 2673DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 impressão da posição 84.42); a posição que mais se adequa ao produto “filmes para impressão” é, inexoravelmente, a 96.12, isto porque: 1. Tratam os produtos de material impressor (película plástica) revestido com tinta; montados em bobinas e, como podemos observar pelas fotos, cortados em tiras, faixas ou fitas de diversos tamanhos. Sendo que, no caso, o uso do termo fita caracteriza a unidade em faixas sem especificação de tamanho. 2. A própria tradução do termo em inglês “ribbon” é fita, cinta, faixa, portanto serve para caracterizar o produto como “fita”; 3. A impressão se dá por meio da fita de plástica, e não por blocos, cilindros, placas, clichês, etc. 4. A caracterização principal da posição é a “impressão” por meio de material tintado (revestido); 5. A Posição não especifica que tipo de impressão (texto, imagens, gráficos, paisagens, desenhos), a qualidade técnica do produto ou de sua produção e não especifica o tipo de material a ser impresso, se papel, metal plástico, entre outros, somente exige ser fita impressora. Apenas afirma que devem ser fitas impressoras semelhantes a de máquina de escrever, tintadas ou preparadas de outra forma para imprimir. 6. O filme a que se refere o contribuinte nada mais é do que o elemento constitutivo da fita (polietileno tereftalato – material plástico). Assim o produto produzido é “fita de filme”. 7. Somente se caracterizam como filmes, o insumo do produto, ou seja, a matéria-prima: Jumbo (filmes virgens de poliéster polietileno tereftalato), ou os filmes (Jumbo) tintados mas ainda não aptos ao uso em equipamento de impressão (não cortados em bobinas) que são classificados na posição NCM 3921.90.90 (outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plástico). A matéria-prima (Jumbo) tem dimensões variadas, tendo em media 678mm de largura por 20.000m de comprimento e peso ao redor de 150kg. O produto acabado é denominado ribbon e apresentado em bobinas variáveis de 25 a 220 mm de largura e de 51 a 600 metros de comprimento. Isto porque, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado à Posição 9612 compreende: 1) As fitas impressoras montadas ou não em carretéis ou cartuchos, para máquinas de escrever, calcular, e quaisquer máquinas que comportem um dispositivo que imprima por meio destas fitas (básculas automáticas, tabuladoras, teleimpressoras, etc). Estas fitas são, na maioria das vezes, de tecidos de matérias têxteis, mas também podem ser de plásticos ou de papel. Para se incluírem nesta posição, devem ser tintadas ou preparadas para imprimir (impregnadas, no caso de fitas têxteis, revestidas, no caso de fitas de plástico ou de papel, de uma matéria corante, de tinta, etc.). Assim, a qualidade técnica do produto e sua forma de produção, o tipo de impressão e o tipo de material impresso pouco importam para assumir a classificação fiscal no código 96.12, pois o que caracteriza a regra é o produto ser similar a fita de impressão das máquinas de escrever, ou seja, ser tintado, ser cortado em faixas, fitas ou tiras e servir para a impressão em máquinas de imprimir. E é exatamente esta a característica do produto fabricado pelo contribuinte, que serve para imprimir código de barras e fax, em impressoras térmicas. Aqui, a similaridade se dá tanto pela forma como pela função de impressão e não pelo produto em si (características técnicas, tamanho e tipo), como entendeu o contribuinte. Mesmo a interpretação de que as fitas devam ter menos de 3cm para Fl. 2674DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 que possam ser consideradas fitas similares às da máquina de escrever está equivocada. O que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH da posição 96.12 quis dizer com “Excluem-se desta posição: a) os rolos de papel carbono (químico*) ou de outros papéis copiativos, que são colocados em máquinas de calcular, caixas registradoras etc, para obtenção de um segundo exemplar das fichas impressas. Estes rolos, que não podem ser utilizados como fitas de maquinas de escrever, são geralmente muito mais largos (mais de 3cm)” é que este tipo de papel não pode ser utilizado/classificado como fita de máquina de escrever, por serem mais largos, mas não diz que as fitas impressoras semelhantes devem ter menos de 3cm, mesmo porque os rolos de papel copiativos nem se enquadram neste conceito (fitas impressoras semelhantes). Aplicando a RGI nº 6, temos que o produto se enquadra na subposição 9612.10, já que o material utilizado na confecção do produto é o polietileno tereftalato (PET), um tipo de plástico e mais especificamente no codigo NCM 9612.10.19 (“outros”), ja que o produto não pode ser classificado em nenhum outro subitem dentro desse item. Alegou ainda a recorrente que a classificação no código 9612.10.19 é obrigatória no SISCOMEX, pois o sistema não aceitaria outra. Contudo, como já dito, a classificação fiscal deve seguir as normas legais e não as conveniências comerciais ou a operacionalidade de sistemas de informática. Se o SISCOMEX obriga a classificação dos “ribbons” na posição 9612.10.19, não seria porque esta é a classificação correta? (...) Por fim, quanto ao Laudo a que se refere a recorrente, este nada mais faz do que discriminar as formas de produção, técnica e uso entre o produto da empresa e as fitas de máquinas de escrever, que pouco importa para a correta classificação fiscal dos produtos. Já a classificação fiscal que o Laudo aponta como correta não vincula a autoridade fiscal, pois consabido que a classificação fiscal de produtos não é considerada como aspecto técnico dos laudos. (e-fls. 2.578/2.584 - grifei) Observa-se, portanto, que segundo o acórdão embargado, “as formas de produção, técnica e uso entre o produto da empresa e as fitas de máquinas de escrever” (e-fl. 2.584) (raciocínio desenvolvido pelos sujeitos passivos para considerar o seu produto como “filme”) não importam para a correta classificação fiscal dos produtos considerando as orientações trazidas na NESH. Indica o acórdão que “a qualidade técnica do produto e sua forma de produção, o tipo de impressão e o tipo de material impresso pouco importam para assumir a classificação fiscal no código 96.12, pois o que caracteriza a regra é o produto ser similar a fita de impressão das máquinas de escrever, ou seja, ser tintado, ser cortado em faixas, fitas ou tiras e servir para a impressão em máquinas de imprimir.”(e-fl. 2.582) Da mesma forma, foi expressamente afastada qualquer semelhança existente entre os produtos da Recorrente e os toners de impressoras ou ao papel carbono para fins de classificação fiscal. Com base na NESH, o i. Conselheiro relator afirmou que “não identifico qualquer similaridade técnica com os produtos em questão (ribbon, toner e jato de tinta) ou mesmos similaridade visual.” (e-fl. 2.581) Diante deste contexto, mostra-se desnecessária qualquer diligência ou prova adicional para comprovar as alegações recursais trazidas pelos então Recorrentes, repita-se, no sentido de que seu produto seria um “filme” e a semelhança existente entre seus produtos e os Fl. 2675DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-007.507 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723210/2014-41 toners de impressoras ou ao papel carbono. Tratam-se de alegações que não se mostraram relevantes para alterar a classificação fiscal das mercadorias adotada pela fiscalização. Ou seja, os elementos modificativos trazidos pelos então Recorrentes em seu Recurso não foram admitidos como relevantes para alterar a classificação fiscal adotada pela fiscalização, evidenciando, por conseguinte, a desnecessidade de provas ou diligências adicionais para que que essas alegações fossem demonstradas. Dessa forma, considerando que as provas e alegações trazidas pelos sujeitos passivos nos autos quanto à classificação fiscal das mercadorias foram enfrentadas e afastadas no acórdão recorrido, resta evidente a desnecessidade de provas e diligências adicionais, devendo ser este pedido expressamente afastado. Assim, uma vez que todas as alegações trazidas pelas então Recorrentes foram afastadas face a irrelevância para alterar a classificação fiscal das mercadorias adotada pela fiscalização, cabe ser igualmente afastada qualquer necessidade de nova diligência para levantamento adicional de provas. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração opostos para sanar a omissão, sem efeitos infringentes, indeferindo o pedido de diligência e nova produção de provas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 2676DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 14090.720754/2017-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADES. ORIENTAÇÃO ADMINISTRATIVA
O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício quando o contribuinte se orienta de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal.
Não é o caso dos autos, tendo em vista que a multa de ofício foi aplicado por infração diversa daquela estampada nos precedentes citados pela contribuinte.
Numero da decisão: 3301-006.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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APLICAÇÃO DE PENALIDADES. ORIENTAÇÃO ADMINISTRATIVA O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício quando o contribuinte se orienta de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal. Não é o caso dos autos, tendo em vista que a multa de ofício foi aplicado por infração diversa daquela estampada nos precedentes citados pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 72 07 54 /2 01 7- 89 Fl. 10474DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 397413) opostos contra acórdão nº 3301005.546 proferido por esta turma ordinária em sessão de 28/11/2018, com argumentos de omissão ou contradição em diversos pontos da referida decisão. No entanto, apenas um ponto foi admitido pelo despacho de admissibilidade (fls. 469472) e, por bem resumir, transcrevo abaixo para fazer parte do relatório: A leitura dos embargos de declaração do contribuinte revela que, exceto em relação à aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, não foram alegados os vícios que rendem ensejo ao manejo do referido recurso, mas sim deduzidos argumentos que visaram atacar o julgado, objetivando sua reforma pela mesma instância em que foi proferido, o que não é a função dos embargos de declaração. Com efeito, alegar que o Acórdão manteve o auto de infração com fundamentação diferente daquela originalmente invocada pelo fisco não caracteriza contradição entre as premissas e a conclusão do julgado, mas sim verdadeira reação contra seus fundamentos, objetivando obter sua reforma pela mesma instância na qual foi proferido.. Também no que tange à alegação de suposta contradição na análise dos laudos do INT e do laboratório Falcão Bauer, a embargante está reagindo contra a valoração da prova efetuada pelo colegiado, pois a suposta contradição só existiria se a premissa levantada pela recorrente no parágrafo 4.3 dos embargos fosse verdadeira, qual seja: "a única conclusão possível" a ser extraída do laudo do INT é a de que os kits são um produto único. Caso contrário, se essa premissa não for verdadeira, então não haveria contradição alguma no julgado. Para avaliar se a premissa dos embargos é ou não verdadeira, o colegiado teria que reexaminar a prova, ou seja, julgar o processo novamente. Os embargos de declaração não se prestam para forçar o colegiado a revolver o conjunto probatório. O mesmo se diga quanto à suposta contradição na análise dos Atos da Suframa, pois do fato de o colegiado ter admitido a existência de tais atos, não decorre logicamente a conclusão de que eles se pronunciaram sobre a classificação fiscal dos concentrados. A embargante está fazendo um jogo de palavras em seu recurso, pois se "manifestar quanto à natureza do produto" é coisa completamente distinta de se manifestar quanto à classificação fiscal do produto. Aliás, o relator deixou essa circunstância bem clara nos seguintes excertos do voto condutor, in verbis: "(...) Também não assiste razão os argumentos acerca da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos produtos objeto de projetos industriais aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais. Isso porque é atribuição da Receita Federal do Brasil o desenvolvimento desta tarefa, nos termos do art. 30 do Decreto nº Fl. 10475DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301006.085 S3C3T1 Fl. 10.475 3 70.235/1972. Ademais, o Fisco, no TVF, consignou que a SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos em questão, tendo a classificação fiscal sido colocada no projeto e avaliação técnica trazida pela própria RECOFARMA para aprovação do projeto e obtenção da sua aprovação pela SUFRAMA. Compete à SUFRAMA a fiscalização do atendimento aos requisitos para gozo da isenção, mas o atendimento da legislação tributária, incluindose classificação fiscal e a alíquota utilizada pelos adquirentes para cálculo dos créditos, é tema de fiscalização da RFB. (...)" Portanto, não existe contradição alguma no fato de admitir a existência dos atos da Suframa e decidir que aquele órgão não se pronunciou sobre o enquadramento dos concentrados na Nomenclatura porque ele não tem competência para realizar esse mister. Por fim, quanto à aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, verificase que a defesa alegou no item 7 do recurso voluntário, folhas 10.147 e ss. que a multa de ofício seria inaplicável nos casos em que os contribuintes agem conforme entendimento fixado em decisão administrativa irrecorrível. Consultando a decisão embargada, verificase que assiste razão a embargante quanto a omissão alegada. A decisão guerreada não se manifestou sobre a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. Com esses fundamentos, valhome do art. 65, § 3º do RICARF, para rejeitar em caráter definitivo os embargos de declaração, em relação às contradições alegadas, em virtude da inexistência dos vícios e da improcedência das alegações e acolho os embargos de declaração, relativamente à omissão na apreciação da aplicabilidade do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. (grifei) É o relatório Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Conforme apontado na síntese acima, a Embargante trouxe em seu recurso voluntário o argumento subsidiário para o afastamento da multa de ofício. Assim, caso mantida a autuação, sob a alegação de que entendia não ter a obrigação de conferir a classificação fiscal adotada pelo seu fornecedor RECOFARMA na nota fiscal quando do recebimento das mercadorias. Afirma a Embargante, e também afirmou em seu Recurso Voluntário, a existência de decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 0202.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro ANTONIO CARLOS Fl. 10476DF CARF MF 4 ATULIM; 0202.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO e 02 0.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA) Em vista disso, como decorrência do princípio da confiança, o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964 prevê o afastamento da multa de ofício, verbis: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; Realmente, não foi proferida decisão sobre este ponto, havendo omissão. O contexto é o art. o art. 62 da Lei nº 4.502/1964, que estabelece o dever do adquirente de verificar se os produtos adquiridos para utilização em sua produção apresentam correção nas notas fiscais, isto é, se este documento atende as prescrições da legislação. O questionamento é se este dispositivo exige ou não que se examine a classificação fiscal dos produtos dada pelo fornecedor. Ressaltese que no voto Embargado restou consignado que sim, a classificação fiscal está inserida neste dispositivo: Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. (grifei) Os regulamentos do IPI anteriores, ao regulamentar o art. 62 do da Lei 4.502/1964, traziam consigo uma disposição expressa de que a verificação das "prescrições legais" das notas fiscais incluíam a classificação fiscal, porém, na atual redação do dispositivo dada pelo Art. 327 do RIPI/2010, tal especificação foi retirada do texto, passando a ter a mesma redação do art. 62 do dispositivo legal retrocitado. As decisões administrativas citadas pela Embargante afastaram as penalidades aplicada sobre a obrigatoriedade da conferência das notas fiscais para fins de identificar se atendiam todas "as prescrições legais e regulamentares". Estas decisões tratam da discussão se nesta exigência estão inseridas ou não a conferência da correção da classificação fiscal. Pois bem, ao analisar os precedentes citados pela ora Embargante, constatase que não estão relacionados com o caso dos autos. Isso porque, no caso em análise, foi aplicada a multa de ofício prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/1964. Esta sanção é aplicada para os Fl. 10477DF CARF MF Processo nº 14090.720754/201789 Acórdão n.º 3301006.085 S3C3T1 Fl. 10.476 5 casos de falta de pagamento de imposto, tendo a Embargante incorrido nesta hipótese de incidência por ter escriturado um crédito de IPI a maior do que o devido, com base em classificação fiscal equivocada. Nos precedentes citados pela Embargante a infração é outra, específica para o art. 62. A sanção é a seguinte: caso o adquirente de uma mercadoria detecte equívocos no documento fiscal que desobedeçam as prescrições legais e regulamentares, deve informar o fornecedor e o Fisco; a falta do cumprimento deste dever incorre em uma sanção. Assim, a discussão destes precedentes gira em torno da obrigação de o adquirente comunicar ao fornecedor e ao fisco, eventuais irregularidades da nota fiscal de aquisição. Referidos precedentes tratavam de fatos geradores ocorridos sob a vigência do RIPI/1982 ou do RIPI/1998 que previam esta penalidade em seus artigos 368 e 465, respectivamente, que nada mais faziam do que repetir a penalidade prevista no art. 82 da Lei nº 4.502/1964. No atual regulamento vigente, RIPI/2010, a penalidade é a mesma e o dispositivo equivalente é o art. 575. Esta penalidade é aplicada especificamente para o contexto do art. 62 acima transcrito, onde se prevê, como no caso de seu § 1º, a obrigação de informar o Fisco caso o adquirente verifique alguma incorreção na nota fiscal. Caso o adquirente não realize esta comunicação, será penalizado com a sanção prevista no art. 82, verbis: Art . 82. A inobservância das prescrições do artigo 62 e de seus parágrafos, pelos adquirentes e depositários ali mencionados, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao produtor ou remetente dos produtos pela falta apurada, considerada, porém, para efeito de fixação e graduação da penalidade, o capital registrado daqueles responsáveis. Nos precedentes citados pela Embargante esta penalidade foi afastada porque havia uma discussão sobre se o adquirente estava obrigado a verificar a correção da classificação fiscal estampada no documento fiscal emitido pelo fornecedor, isto é, se na expressão sobre se os documentos fiscais "satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares" constante na parte final do art. 62 da Lei nº 4.502/1964 inclui a verificação da classificação fiscal. O entendimento foi que a verificação da classificação fiscal não estava incluída. Inclusive, um dos acórdãos ainda ressalta que há dúvida na interpretação na expressão "prescrições legais e regulamentares", havendo fortes argumentos tanto para se entender que não está incluída a necessidade de verificar a classificação fiscal, quanto que está incluída. Daí porque, diante da dúvida, referido acórdão (nº 202118.900) aplicou o art. 112, I do CTN para afastar a penalidade do art. 82 da Lei nº 4.502/1964. Entretanto, a autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo Embargante, da correção da classificação fiscal adotada pelo fornecedor e seu consequente dever de informar o Fisco os eventuais equívocos encontrados. A multa aplicada não foi por causa desta falta. A multa de ofício aplicada na presente autuação fiscal é prevista no art. 80 da Lei 4.502/1964 e foi aplicada em razão da falta de recolhimento de imposto, por se ter Fl. 10478DF CARF MF 6 constatado que a Embargante se creditou indevidamente do IPI com base em classificação fiscal equivocada, gerando um grande volume de créditos, que culminou na falta de pagamento do imposto. Esta foi a sanção aplicada no auto de infração e julgada por esta turma no acórdão ora Embargado. A Embargante utiliza jogo de palavras para confundir os julgadores, já que a multa de ofício não foi aplicada porque deixou de conferir a nota fiscal e informar os equívocos como ordena o art. 62 da Lei nº 6402/1964, o que poderia até lhe dar guarida por existir estas raras decisões da CSRF afastando a penalidade pela falta de informação se o equívoco ou divergência for em relação à classificação fiscal. Este argumento da conferência ou não é absolutamente lateral no caso dos autos, já a multa foi aplicada porque não houve recolhimento do imposto, justamente porque a Embargante se pautou em classificação fiscal equivocada, inclusive já afirmada na Solução de Consulta SRRF02/Diana nº 5/2010, de 20/05/2010 (anterior aos fatos geradores), ratificada pela Informação Coana/Ceclam nº 8/2015, no sentido de que a classificação correta do denominado kit é a 2106.9010, sem o ex trarifário. Desta feita, os precedentes citados pela Embargante, como decisões administrativas de última instância que orientaram sua conduta, não prestam para o caso em análise, pois tratam de outra sanção, diversa da dos autos, sendo assim, não se aplica o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/1964. Tratase de assunto que não foi objeto da autuação fiscal, por mais que ventilado em sede de recurso voluntário e que, em verdade, no julgamento do recurso, deveria ser matéria não conhecida. CONCLUSÃO Isto posto, acolho os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto a alegação de inaplicabilidade da multa de ofício. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 10479DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.001851/2006-66
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS
Partes de Resfriador de Leite, que não os gabinetes ou móveis concebidos para receber um equipamento, classificam-se no código 8418.99.00.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar o recurso voluntário sobre a aplicação da legislação referente ao IPI. Parte do recurso não conhecido por declínio de competência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.850
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à classificação fiscal e declinar da competência do julgamento das demais matérias ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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' MINISTÉRIO DA FAZENDA• .-..) TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 11070.001851/2006-66 Recurso n° 139.467 Voluntário Matéria IPI/CLASSIFICAÇÃO FISCAL Acórdão n° 302-39.850 Sessão de 14 de outubro de 2008 Recorrente METALÚRGIA MUSSKOPF LTDA Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS Nik W ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Partes de Resfriador de Leite, que não os gabinetes ou móveis concebidos para receber um equipamento, classificam-se no código 8418.99.00. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar o recurso voluntário sobre a aplicação da legislação referente ao IPI. Parte , do recurso não conhecido por declínio de competência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. 1110 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à classificação fiscal e declinar da competência do julgamento das demais matérias ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator. I 1 JUDIT O o • i ' • MARCONDES ARMANDO - P -sidente t \ 1 1 P RIC • ' 40 nn 'Iti • 1 L • ROSA - Relator n 1 Processo n° 11070.001851/2006-66 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.850 Fls. 850 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente), Davi Machado Evangelista (Suplente) e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). Ausentes os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecília Barbosa. • 110 2 Processo n° 11070.001851/2006-66 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.850 Fls. 851 Relatório Reproduzo abaixo excertos do relatório que embasou a decisão de primeira instância, em especial no que concerne à competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes, qual seja, a classificação fiscal da mercadoria, tem o seguinte teor. O estabelecimento acima qualificado foi autuado pela fiscalização do IPI, para exigência desse imposto, no valor de R$ 208.160,04, acrescido de juros de mora e da multa de oficio de 75%, por falta de lançamento, inclusive nos períodos de apuração em que houve cobertura de créditos do IPI, ou por falta de recolhimento, ou acrescido da multa de 300%, pela ocorrência de duas circunstâncias qualificativas, no caso, fraude e conluio, perfazendo a exigência de R$ 754.042,27, na data da lavratura do Auto de Infração, das fls. 706 a 714 (vol. IV), e anexos. A ação fiscal que culminou no lançamento de oficio foi empreendida para verificar a legitimidade do pedido de ressarcimento de crédito do IPI, formalizando no Processo n° 11070.002691/2005-91, relativo ao segundo trimestre de 2005, crédito esse utilizado para compensação com débitos próprios, nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declarações de Compensação(PER/DCOMPs) n 0s 19789.31106.101005.1.3.01-5020 e 02676.38266.141005.1.3.01-3361. A descrição dos fatos e os respectivos enquadramentos legais constam do Termo de Verificação Fiscal, das fls. 715 a 730 (vol. IV), e vêm resumidos na seqüência. Erro de classificação fiscal e de aliquota "12. Quanto ao erro de classificação fiscal e de aliquota, relativo à saída amparada pela Nota Fiscal n° 41820, para o estabelecimento Haubert e Reichert Ltda., a impugnação também é desprovida de argumentos, pois o interessado simplesmente alega que os produtos 110 foram corretamente classificados, restando inócua a sua inconformidade e mantido o lançamento de oficio, sob esse argumento". É o relatório. qç 3 • Processo n° 11070.001851/2006-66 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.850 Fls. 852 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. No que diz respeito à classificação fiscal das mercadorias, o Recurso Voluntário é apresentado nos seguintes termos: 1.2 — Erro de Classificação Fiscal e de Aliquota Em relação aos produtos vendidos na nota fiscal n. 41820 para a • empresa HABERT E REICHERT LTDA, CNPJ 02.195.357/0001-06, entende o contribuinte que deva ser mantida a classificação inicialmente adotada, não concordando com a reclassificaçã o adotada pela fiscalização". Consta no Termo de Verificação Fiscal, folha 721 do processo, as razões para a reclassificação fiscal da mercadoria em questão. "Irregularidade 02: Erro de classificaçã o fiscal e de aliquota. Segundo informações apresentadas pelo contribuinte (lis. 490 e 491), os produtos acima tratam-se de partes do aparelho Resfriador de Leite, produzido por seu cliente. O Resfriador de Leite é classificado no código NCM 8418.69.20. As partes das máquinas e aparelhos da posição 8418, que não os gabinetes ou móveis concebidos para receber um equipamento, classificam-se no código 8418.99.00, código este adotado pela fiscalização". O texto da posição escolhida pela fiscalização é o seguinte: 8418 REFRIGERADORES, CONGELADORES ("FREEZERS") E OUTROS MATERIAIS, MÁQUINAS E APARELHOS PARA A PRODUÇÃO DE FRIO, COM EQUIPAMENTO ELÉTRICO OU OUTRO; BOMBAS DE CALOR, EXCLUÍDAS AS MÁQUINAS E APARELHOS DE AR-CONDICIONADO DA POSIÇÃO 84.15 8418.9 Partes 8418.91.00 Gabinetes ou móveis concebidos para receber um equipamento para a produção de frio 8418.99.00 Outras Liminarmente, é de se considerar que a matéria em litígio deve ser considerada como não impugnada, haja vista o teor do artigo 16 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores, que determina que a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e 4 Processo n° 11070.001851/2006-66 CCO3/CO2 • Acórdão n.° 302-39.850 Fls. 853 de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, o que não ocorreu. De qualquer forma, considerando que, na ausência de argumentos apresentadas pelo contribuinte capazes de contrapor as razões da fiscalização, não vejo como poderia ser acolhido o pleito do contribuinte no tocante ao erro de classificação fiscal, já que as regras de classificação fiscal foram, ao meu ver, corretamente aplicadas pelos fiscais autuantes. Superado o litígio no que tange à classificação fiscal, considerando que este Colegiado não detém competência para enfrentar as demais matérias, que, conforme Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, competem ao Segundo Conselho de Contribuintes, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no tocante à classificação fiscal e - clinar da competência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes referente à aplicação : legislação do IPI. Sala • •. 'es, em 14 de outubro de 2008 • RI A: P 1 \ 4 ROSA — Relator 110 5
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