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Numero do processo: 15586.720289/2016-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
KITS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários, que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deve ser classificado no código próprio da Tabela de Incidência do IPI.
Numero da decisão: 3401-006.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários, que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deve ser classificado no código próprio da Tabela de Incidência do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 89 /2 01 6- 96 Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.011 2 Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração lançado contra supostos créditos de IPI, efetivados nos pedidos de ressarcimento referentes ao período de julho a dezembro de 2011, relativos aos PER/DCOMP n°s 14517.65585.271011.1.1.010530 e 06880.12708.260112.1.1.01.8745, bem como exigiu o imposto que deixou de ser recolhido em razão desse aproveitamento. Transcrevo o relatório da decisão recorrida posta que fiel aos acontecimentos dos autos: Tratase de impugnação contra auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários no montante total de R$ 16.649.141,90 (inclusos juros de mora e multa de ofício, consolidados na data do lançamento conforme demonstrativo), em decorrência de glosa de créditos indevidos. Consoante Relatório de Fiscalização, o procedimento do qual resultou o auto de infração teve como escopo original a aferição da legitimidade dos créditos pleiteados pela autuada, efetivados nos pedidos de ressarcimento referentes ao período de julho a dezembro de 2011, relativos aos PER/DCOMP n°s 14517.65585.271011.1.1.010530 e 06880.12708.260112.1.1.01.8745, nos valores de R$ 801.777,48 (Oitocentos e um mil setecentos e setenta e sete reais e quarenta e oito centavos) e R$ 927.157,14 (Novecentos e vinte e oito mil, cento e cinqüenta e sete reais e quatorze centavos), apresentados em 27.10.2011 e 26.01.2012, respectivamente. De acordo com o Fisco, os produtos fornecidos pela Recofarma, exceto componentes que contêm extrato de guaraná, não poderiam gerar direito ao aproveitamento dos créditos objeto do artigo 237 do RIPI/2010. E, ainda que, apenas por hipótese, houvesse o direito de aproveitamento de créditos do IPI correspondentes ao valor do tributo incidente sobre produtos procedentes da Zona Franca de Manaus, o valor do IPI dos créditos oriundos de kits para refrigerantes seria igual a zero, pois houve erro de classificação fiscal dos produtos em comento. O Fisco alega que os ditos kits para refrigerantes devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. Ou seja, constatouse que nenhum dos componentes poderia ser classificado no Ex 01 do código 2106.90.10, pois isoladamente não apresentam as características de um extrato concentrado. Tal fato foi confirmado em exames laboratoriais requisitados pelo Fisco. Também restou verificado que entre os créditos escriturados no código 2.101, há alguns que, segundo o entendimento da fiscalização, não se enquadram no conceito de MP, PI e ME (produtos de limpeza adquiridos da empresa DIVERSEY BRASIL INDUSTRIA QUÍMICA LTDA / CNPJ: 03.049.181/0001 39 CNAE: 2061400 / Fabricação de sabões e detergentes sintéticos). Cientificada do lançamento, a autuada apresentou impugnação, aduzindo em sua defesa as razões sumariamente expostas a seguir: Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.012 3 IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO COISA JULGADA FORMADA NO MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL A classificação fiscal dos concentrados adquiridos pela Impugnante com isenção do IPI de fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus não comporta, a esta altura, qualquer questionamento por parte da Fiscalização, uma vez que, nos autos do MS, este ponto foi devidamente abordado (confirmado pela própria Secretaria da Receita Federal) e ficou definido e protegido pela coisa julgada. Não bastasse, é salutar registrar que a classificação fiscal dos concentrados adquiridos pela Impugnante, independentemente da individualização dos itens utilizados para a sua fabricação, não possui relevância para fins de reconhecimento do direito ao aproveitamento dos créditos de IPI quando das aquisições provenientes da ZFM. Cumpre esclarecer que o objeto do pedido formulado pela Impugnante foi o reconhecimento do direito ao creditamento nos casos de aquisição de insumos isentos por força do item XXI do art. 45 do RIPI/82, cuja redação está abaixo transcrita, uma vez que, para os produtos enquadrados no item XXVI. o art. 82, inc. XI, do RIPI/82, assegurava expressamente esse direito. Confirase: "Art. 45. São ainda isentos do imposto: XXI os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, por estabelecimentos com projetos aprovados pela Superintendência da mesma Zona Franca, e destinados a seu consumo interno ou a comercialização em qualquer outro ponto do território nacional, excetuados os obtidos pelo processo de acondicionamento ou reacondicionamento e excluídos armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros, compreendidos, respectivamente, nos capítulos 93, 33, 24, 22 (códigos 22.03.00.00, 22.05.00.00 a 22.07.00.00, 22.09.02.00 a 22.09.18.00, 22.09.19.02 a 22.09.19.99, e 22.09.99.00) e 87 (códigos 87.02.01.00, 87.02.02.00, 87.02.05.00 e 87.02.06.00) da Tabela (Decretosleis n°s 288/67, art. 9o, 340/67, art. 1°; e 355/68, art. Io); (...) XXVI os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus. A isenção não alcança o rumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas dos Códigos 22.03.00.00, 22.05.00.00 a 22.07.00.00 e 22.09.02.00 a 22.09.99.00 da Tabela (DecretosLeis n°s 1.435/75, artigo 6o, e 1.593/77, artigo 34);" A primeira conclusão que se alcança é a de que o direito ao aproveitamento dos créditos, quanto ao item XXVI do art. 45, era indubitável, razão pela qual tal ponto não estava compreendido no objeto da Consulta. Com efeito, o Mandado de Segurança, diante da resposta negativa à Consulta em relação ao direito à aproveitamento dos créditos de IPI nas situações enquadradas no item XXI do art. 45 do RIPI/82, teve esse ponto como objeto especifico. Na inicial do MS (doc. 03), a Impugnante esclareceu que a negativa da SRF deu ensejo à ação judicial: Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.013 4 Ademais, na sentença proferida no MS (doc. 04), há expressa indicação de que a SRF (então Autoridade Impetrada) ratificou a posição exarada na resposta à consulta, oportunidade em que confirmou a classificação fiscal dos concentrados (desde o princípio indicada como sendo a 2106.90) e a isenção do IPI, bem como que a Impugnante não teria direito aos créditos: "(...) Em suas informações (fls. 56/62), após assinalar a inexistência de direito líquido e certo, confirma a autoridade impetrada a classificação fiscal do produto e a existência da isenção, concluindo, no entanto, que a ela não faz jus o Impetrante." Dos excertos colacionados é possível constatar que a própria SRF confirmou a correção da classificação fiscal dos concentrados, sendo a discordância e, pois, motivo da impetração do MS a possibilidade da Impugnante aproveitar os créditos de IPI dos mencionados insumos isentos provenientes da ZFM enquadrados no item XXI do art. 45 do RIPI/82. A sentença reconheceu o direito da Impugnante e julgou procedente o pedido (doc. 04): "(...) No mérito, inexiste qualquer dúvida quanto ao direito pleiteado pelo Impetrante. Com efeito, é taxativa a Constituição Federal no sentido de reconhecer a não cumulatividade ao Imposto sobre Produtos Industrializados, de modo que implica a entrada sofrer compensação com a saída da mercadoria para efeito de cálculo do tributo. Retirarse o atributo da compensação quanto à mercadoria isenta, configurase o mesmo que tornar letra morta o que determinado na Constituição, não podendo valerse o intérprete de norma referente ao ICMS, distinguindo onde a lei maior não distingue. ISTO POSTO, CONCEDO A SEGURANÇA, confirmando a liminar, para assegurar à Impetrante o direito â manutenção do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados na aquisição de insumos isentos provenientes da zona franca de Manaus." Remetido o processo ao Tribunal Regional Federal da 2a Região, foi negado provimento à remessa oficial (doc. 05). É de se ponderar, ademais, que referidos dispositivos foram reproduzidos nos regulamentos do IPI posteriores, conforme quadro comparativo abaixo, o que vem a ratificar e robustecer o direito da Impugnante de aproveitar os créditos decorrentes da aquisição dos insumos isentos da ZFM: Inferese, pois, que a classificação fiscal dos insumos adquiridos pela Impugnante de fornecedor localizado na ZFM não é relevante, na medida em que a coisa julgada do MS lhe assegurou o direito ao aproveitamento dos créditos nas situações enquadradas no item XXI do art. 45 do RIPI/82 (atual art. 81, II, do RIPI/2010), a qual não está condicionada à classificação adotada. CONTEÚDO, EXTENSÃO E EFEITOS, NO TEMPO, DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. O MS individual, ajuizado pela Impugnante em 08/07/1991, teve escopo muito claramente definido (manutenção dos créditos de IPI na aquisição de insumos isentos provenientes da ZFM), conforme se observa do pedido constante da petição inicial (doc. 03). A sentença reconheceu o direito e julgou procedente o pedido (doc. 04), conforme trecho transcrito no tópico anterior. Remetido o processo ao TRF2 Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.014 5 para fins de reexame necessário (leiase: para a reanálise de toda a matéria fática e jurídica relevante para o julgamento da demanda), a Quarta Turma do referido Tribunal, por unanimidade de votos, proferiu a seguinte decisão na data de 17/05/1999 (doc. 05). Este acórdão transitou em julgado em 13/03/2000 (doc. 06), o que, por decorrência lógica, implica a conclusão de que se tomou imutável o conteúdo da sua parte dispositiva. A decisão transitada em julgado no MS definiu a estrutura da relação jurídicotributária a ser observada pela Impugnante e a União no que concerne à apuração do IPI. Noutras palavras: fixouse a norma individual e concreta que deveria ser seguida independentemente de qualquer questionamento. A coisa julgada, não custa recordar o básico e elementar, é a qualidade ou atributo consistente na imutabilidade que a lei atribui ao conteúdo da parte dispositiva da decisão, após o trânsito em julgado. Em nosso Ordenamento, constitui garantia pétrea, nos termos do art. 5o, XXXVI, da CF: "Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada:" Assim, a coisa julgada pode ser definida como a imutabilidade e perenidade do comando emergente de decisão3 que, aliás, o protege até mesmo contra os fundamentos supervenientes, conforme se infere do citado preceito constitucional, ao protegêla mesmo diante de nova lei. Portanto, tendo em vista a parte dispositiva, que efetivamente transitou em julgado, a determinação é "para assegurar à Impetrante o direito à manutenção do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados na aquisição de insumos isentos provenientes da zona franca de Manaus". Não há dúvida de que a Impugnante pautou sua conduta estritamente nos termos da determinação, razão pela qual o AI não merece prosperar. Conforme se verá nos tópicos seguintes, a jurisprudência do STF (RE 594.3504) e do STJ (REsp Repetitivo n° 1.118.8935) continua a prestigiar o primado constitucional da coisa julgada, sendo deveras criteriosa quanto ao rol de situações que possam, em tese, conduzir a uma relativização desse instituto. Portanto, sob qualquer ângulo que se analise a questão, constatase que o AI é desprovido de plausibilidade. Diante da decisão passada em julgado no MS, não tinham (e não têm) a Impugnante e a União (Receita Federal do Brasil) alternativa, senão cumprila integralmente, sob pena de descumprimento de ordem judicial. A Impugnante tem cumprido estritamente o que determina a ordem transitada em julgado; a Receita Federal, por meio de seus agentes, a desafia com o AI. IMPOSSIBILIDADE DE UM SUPOSTO EQUÍVOCO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL SER TOMADO COMO FATO SUPERVENIENTE APTO A PREJUDICAR A COISA JULGADA. Na fundamentação do AI, a Autoridade Administrativa dá a entender que a coisa julgada a favor da Impugnante, que reconheceu o direito ao crédito do IPI na aquisição dos insumos isentos provenientes da ZFM, não poderia produzir efeitos no caso concreto, diante da existência de um fato Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.015 6 supostamente novo, relativo ao modo equivocado como são classificados os insumos em questão (concentrados para a produção de refrigerantes). Contudo, conforme destacado no tópico acima, é importante reiterar que o modo como tais concentrados, adquiridos de fornecedor situado na ZFM, são classificados na TIPI é fato que foi levado formalmente ao conhecimento da Receita Federal desde 20/11/1990, quando formulada consulta fiscal (doc. 07) pela Impugnante. Igualmente, foi objeto de consideração inequívoca nos autos do referido Mandado de Segurança no qual, em nenhum momento, ressalvouse que o direito da Impugnante estaria comprometido em razão de eventual equívoco de classificação fiscal. Apenas para recapitular: em 20/11/1990, a Impugnante levou a conhecimento formal da RFB a posição fiscal em que classificados os concentrados em questão; o MS foi impetrado em 08/07/1991: a sentença foi proferida em 14/10/1991; o acórdão do TRF2 foi exarado em 17/05/1999; e, o trânsito em julgado ocorreu em 13/03/2000. Independentemente de qualquer outra consideração, o fato é que, quando foi proferida a sentença, os insumos em tela já eram classificados na posição 2106.90 e tal fato já era formalmente conhecido pela RFB e pelo Judiciário, sendo que tal cenário foi considerado pela sentença (que, inclusive, afirma que a RFB confirmou a classificação fiscal adotada pela Impugnante). Se mais não fosse, cabe observar que: (i) Por ocasião do julgamento, houve sim, a consideração de todo o cenário fático e jurídico envolvido. Isto ocorre por imposição do art. 474 do CPC/73 (art. 508 do CPC/2015), que estabelece a presunção jure et jure de que se reputam deduzidas e repelidas, com o trânsito em julgado, todas as alegações e defesas que a parte poderia opor ao acolhimento ou rejeição do pedido inicial; (ii) Ademais, caso pretendesse um enfrentamento ainda mais explícito do tema relativo à classificação fiscal (como eventual impeditivo do direito), já adotada ao tempo da sentença, deveria a Fazenda ter oposto os competentes Embargos de Declaração ou, no limite, ação rescisória (no prazo de dois anos do transito em julgado). Nada disso foi feito; (iii) O acórdão do Tribunal (de 17/05/1999), mais uma vez, confirmou o pleno direito da Impugnante, diante de todo o cenário acima: "Vale destacar, ainda, que, não havendo na Constituição Federal de 1988. nenhuma restrição expressa ao direito pleiteado, dispositivos e normas infraconstitucionais, como a RIPI/82, não podem prosperar, vez que não legitimados pelos preceitos constitucionais vigentes. Mister o detalhamento das conclusões anteriores, para maior compreensão da matéria sub judice. IILL2.1 Consideração de todo os fundamentos correspondentes à demanda: efeito da coisa julgada Considerando toda a legislação vigente, bem como o cenário fático existente, quando da prolação da sentença, e depois, quando da prolação do acórdão, o Judiciário reconheceu o direito da Impugnante ao creditamento do IPI dos insumos isentos provenientes da ZFM. Importantíssimo mencionar, nesse contexto, a presunção absoluta encerrada pelo comando do art. 474 do CPC/73 474 do CPC/73 (correspondente ao art. 508 do CPC/2015), segundo o qual, uma vez transitada em julgado a decisão, reputamse deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, inclusive Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.016 7 aquelas que pretensamente pudessem prejudicar a tese da Impugnante (como a frágil tese de que a supostamente equivocada classificação fiscal dos insumos impediria a tomada dos créditos). A dicção do referido preceito é claríssima quanto ao tema: CPC/73 "Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido". CPC/2015 "Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar seão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas, que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido". Portanto, por mais este argumento, não procede a alegação de que a coisa julgada no MS não poderia produzir efeitos no caso concreto, por suposto equívoco na classificação fiscal adotada para os insumos, visto que, tanto a sentença como o acórdão foram proferidos em momento posterior à verificação dessa situação de fato e levou em conta (senão por força de presunção absoluta) a aludida situação, em atenção aos artigo 474, do CPC/73 (atualmente, art. 508 do CPC/2015). Esta norma, ademais, é consentânea e coerente com o consagrado preceito de que é a parte dispositiva da decisão que faz coisa julgada, sendo irrelevantes, para fins exclusivos de imutabilidade da decisão judicial, os fundamentos apreciados ou expostos na decisão, consoante o disposto nos artigos 467, 468 e 469, do CPC6. Essa presunção absoluta da coisa julgada (de conhecimento e afastamento de todas as causas que, supostamente, prejudicariam o direito da Impugnante) foi bem considerada no acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora no julgamento da Impugnação apresentada no Processo Administrativo n° 16682.720793/201232. Insta consignar que, naquela oportunidade, o dispositivo processual em tela foi invocado para afastar a tentativa (frustrada) da fiscalização em referir a EC 3/93 com suposto elemento "novo" para se mitigar os efeitos da coisa julgada. Agora, a tentativa da fiscalização é semelhante, socorrendose de argumento de fato supostamente novo, com o intuito de enfraquecer o direito da Impugnante. Vejase o que foi decidido, já na DRJ (em decisão que, após, foi confirmada pelo CARF, transitando administrativamente em julgado, conforme se reportará mais adiante): «(...) A jurisprudência é mansa no sentido de que o magistrado deve considerar, inclusive de oficio, as circunstâncias supervenientes com que se deparar no transcurso do processo. Omissão constatada, devem os autos retornar ao magistrado que, ao decidir, ignorou alterações de fato e/ou de direito que influíram no perfil do provimento demandado na ação. Ou seja, é nula a sentença na qual a prestação jurisdicional tenha sido forjada sem tomar em conta elementos surgidos aposteriori com potencial de interferência na decisão final. Dessa forma, invocar ilegitimidade da coisa julgada com fulcro em ato legal interveniente surgido antes do provimento final é, sem dúvida, trabalhar com a hipótese de omissão cometida no julgamento da lide. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.017 8 Ocorre que, se omissão houve, deveria a Fazenda Pública ter agido por meio da apresentação de todos os remédios recursais cabíveis. Mas não o fez. Segundo informações obtidas nos autos, a Fazenda não só não apresentou embargos, como também deixou escoar o prazo para apresentar apelação contra a sentença de primeiro grau (apelação intempestiva segundo se lê na decisão do TRF2 que decidiu em sede de reexame necessário art. 475, inciso II, do CPO. Igualmente não há notícia de qualquer ação rescisória. O citado reexame necessário, origem da coisa julgada material obtida no MS 91.00287245. refletiu nada mais do que o estado de fato e de direito existente no momento do julgamento da demanda, como exige o art. 462 do CPC. Se dúvidas houvesse a respeito, tivesse agido a Fazenda; e ela não o fez. Observese que o presente auto de infração nada mais reveste do que uma variação da mesma estratégia (equivocada) da fiscalização, que não se conforma com o fato de a Impugnante ter, em seu favor, decisão judicial transitada em julgado, buscando trazer elementos supostamente "novos", na desesperada tentativa de frustrar o cumprimento de determinação do Judiciário. Assim, o entendimento preconizado pela Impugnante, corroborado pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora e em Belém (e peio CARF, em processos da própria Impugnante, conforme será devidamente reportado adiante), conduz à improcedência do lançamento. Percebese que o que pretende a Fazenda, neste momento, é se beneficiar de sua própria desídia, sob o frágil argumento de que a decisão transitada em julgado não considerou a postura da Impugnante no tocante a classificação que já adotava à época. Ora, caso a União pretendesse um enfrentamento explícito do referido tema, por entender que estaria equivocada a Impugnante na classificação fiscal adotada (e informada), deveria ter sido diligente e interposto o competente recurso de Embargos de Declaração, conforme lhe faculta a legislação processual (art. 535 do CPC/73; art. 1022 do CPC/2015). Não o fez e a decisão transitou em julgado. Aliás, também poderia ter ajuizado ação rescisória com este fundamento. Também não o fez, embora contasse com o prazo de dois anos para tanto! O próprio CPC é enfático que, mesmo nas relações de trato sucessivo (ou continuativas), as supostas mudanças de estado de fato ou direito capazes de influenciar as relações devem ser suscitadas em ação judicial própria, de natureza revisional (art. 471,1, do CPC/73; art. 505 do CPC/2015)8. Nada disso, como já dito, foi feito no caso, pretendendo a Fazenda se valer do espúrio instrumento do AI como via transversa (formalmente vedada pelo ordenamento reiterese) para suplantar sua omissão no ajuizamento da rescisória/revisional. IMPOSSIBILIDADE DE RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA. A Fiscalização busca, com a lavratura do AI, "relativizar a coisa julgada" que assegura à Impugnante o direito ao aproveitamento dos créditos decorrentes de aquisição de insumos isentos da ZFM, mediante a estranha invocação de pontos concernentes à classificação fiscal dos produtos (que, não bastasse, também foi objeto de expressa ratificação no curso do MS). Curiosamente, ao assim fazer, acaba desprestigiando o próprio STF, enfático no tocante à necessidade de se respeitar a autoridade da coisa julgada. Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.018 9 A jurisprudência do STF é pacífica pela manutenção dos efeitos da coisa julgada, mesmo que eventualmente essas decisões estejam em sentido contrário à superveniente jurisprudência dominante na própria Corte, o que não se verifica na espécie. Ou seja, prestigia o STF a estabilidade das relações sociais e deixa clara a sua posição contrária à imortalidade dos litígios. Vêse, também, que a jurisprudência do STJ é clara ao pontificar que a coisa julgada é inatingível pelo entendimento superveniente do STF sobre o mesmo tema. Noutras palavras: transitada em julgado uma decisão, mesmo que o STF modifique o entendimento sobre o assunto em momento posterior, a estabilidade da relação decidida definitivamente não será atingida pelo novel posicionamento. Demais disso, na remotíssima hipótese de se admitir alguma relativização, deveria a Fazenda se utilizar da via procedimental própria (ajuizamento prévio de ação judicial rescisória/revisional, ex.vi. do art. 505, I c/c art. 966, do CPC/CPC/2015). Jamais poderia, ex ofício, atalhando o devido processo legal, utilizar a via direta do AI como sucedâneo para tanto. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA EM CASOS IDÊNTICOS DA PRÓPRIA IMPUGNANTE A matéria em debate nos presentes autos também foi objeto de questionamento nos Processos Administrativos n°s 16682.720793/201237, 16682.721553/201331 e 16682.720686/201471, decorrentes de Autos de Infração lavrados contra a própria Impugnante (sua matriz localizada no Rio de Janeiro) para glosar os créditos de IPI oriundos da aquisição dos mesmos insumos isentos provenientes da ZFM nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010, respectivamente. Em todos os processos administrativos noticiados, os Autos de Infração possuíam como fundamento a suposta cessação da eficácia dos efeitos da coisa julgada formada no MS noticiado. E, em todos os processos, as Delegacias de Julgamento de Juiz de Fora, Ribeirão Preto e Belém, respectivamente, decidiram pela improcedência dos lançamentos, escoradas no entendimento de que a Impugnante agiu em estrita observância ao conteúdo da coisa julgada formada no MS, razão pela qual não poderia a fiscalização questionar o acerto ou não da decisão não mais sujeita a recurso. Por força de Recursos de Ofício, os autos dos três processos administrativos foram remetidos ao E. CARF, que, por unanimidade de votos, negou provimento a todos os recursos, mantendose as decisões pela improcedência dos lançamentos. As ementas dos acórdãos são as seguintes: Vejase, portanto, que, além dos fundamentos expostos nos itens precedentes, que conduzem à total improcedência do lançamento combatido, a jurisprudência do E. CARF, em casos idênticos da própria Impugnante, corrobora o entendimento preconizado, justamente pela necessidade de respeito incondicional da coisa julgada. IMPROPRIEDADE DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Caso se entenda que ainda há margem para discutir a classificação fiscal do kit de concentrado, a Impugnante passa a demonstrar a insubsistência do argumento em questão. Destaquese que os argumentos abaixo são tecidos de forma ad argumentandum, uma vez que a correção da postura da Impugnante Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.019 10 relativamente à classificação fiscal dos concentrados já está sedimentada pela coisa julgada, conforme já exposto. No entendimento da Fiscalização, os concentrados não poderiam ser classificados na posição 2106.90.10, que trata de misturas para preparação de bebidas, mas deveriam ser decompostos e nas notas fiscais deveria ser indicado, de forma individualizada, cada um dos itens utilizados na sua fabricação, supostamente com fundamento nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, regra 3 b) XI. De acordo com o AI, a regra 3 b) XI impõe sejam os concentrados decompostos e indicados os insumos utilizados na sua preparação de forma individualizada. Vejase o teor do verbete: "XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo." Contudo, olvida a Fiscalização para o fato de que a mencionada regra se destina às situações em que os componentes acondicionados separadamente podem ser comercializados também de forma individualizada, sem comprometer a qualidade do produto resultante da sua mistura. Em outras palavras, considere, por exemplo, que a bebida X é produzida a partir da junção de 3 itens, cada um com suas propriedades e passíveis de substituição sem qualquer prejuízo. É como se um dos itens fosse açúcar, o outro extrato de fruta e o terceiro água, os quais são misturados para que se alcance a bebida. No caso em tela, ao revés, o concentrado para cada tipo de refrigerante produzido pela Impugnante é insumo único e não comporta divisões, sob pena, por óbvio, de descaracterização do próprio produto. O concentrado é preparado e as partes acondicionadas separadamente em função das características de cada uma delas, as quais não podem ser substituídas e devem ser utilizadas sempre em conjunto com a outra parte do mesmo item de série. Tanto isso é verdade que, se determinada parte do kit, por qualquer motivo, precisa ser descartada, todo o kit é desprezado. Esse aspecto é de grande importância. E sem contar que o concentrado é apenas um dos insumos que são utilizados para a fabricação dos refrigerantes, aos quais, na produção, são adicionados outros componentes, resultando nas bebidas comercializadas. Desse modo, não há justificativa plausível para a tentativa da Fiscalização de descaracterizar os kits de concentrados como unidade tão somente porque estes são transportados e armazenados em recipientes diferentes. Reiterese que a Fiscalização compara os concentrados para fabricação de refrigerantes a sanduíches que são transportados desmontados. Porém, ao contrário do que ocorre com os ingredientes do sanduíche (por exemplo, o hambúrguer, que pode ser consumido no próprio sanduíche ou mesmo separado), os concentrados não são passíveis de desmembramento e o fato de alguns itens estarem acondicionados em recipientes individualizados não permite a sua utilização em separado. Em outras palavras, se parte do concentrado for desmembrada, esta não terá qualquer utilidade; enquanto que, se o hambúrguer for retirado do kit do sanduíche, este pode ser normalmente consumido individualizadamente. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.020 11 Imaginese, por absurdo, se a fiscalização passasse a exigir de todos os contribuintes a desconsideração da classificação fiscal do produto acabado a ser comercializado e impusesse que os contribuintes apontassem nas respectivas notas fiscais de venda todos os itens que integram as mercadorias. Como seria, por exemplo, a nota fiscal da aquisição de um pão? Deveria a panificadora indicar a quantidade de farinha, fermento, ovo e água que são misturados na fabricação do pão? É exatamente isso que a Autoridade Fiscal está a exigir da Impugnante, que ignora o fato de o kit concentrado para refrigerante ser produto único e indivisível. Diante desse cenário, a interpretação a ser feita da Nota Explicativa n° XI da RGI n° 3, citada pela fiscalização, se dá no sentido de que os produtos em questão não estariam regidos por esta nota, mas, diante de sua unidade incindível, pela Nota Explicativa n° X da RGI 2, que assim dispõe em sua parte final: "Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1” Quanto aos Laudos do Laboratórios Falcão Bauer, citados como suposta prova da autuação, é importante consignar que estes sequer podem ser considerados como amparo válido para a presente fiscalização, uma vez que efetuados: (i) no contexto de auditoria fiscal realizada em face de outra empresa, que não a contribuinte aqui autuada (embora tenha sido dado amplo acesso à fiscalização, ao seu estabelecimento e aos insumos em tela), e; (ii) sem que tenha sido dada qualquer oportunidade à Impugnante de apresentar quesitos ou mesmo qualquer manifestação no curso da aludida perícia. Assim, rigorosamente falando, totalmente desprovido de amparo técnico a presente fiscalização. Cabe observar, ademais, que a própria forma de quesitação formulada pela fiscalização naquele outro contexto é tendenciosa, pois indaga acerca de cada parte isoladamente considerada, furtandose a indagar, justamente, quanto a unidade funcional relativa aos aludidos kits. Não obstante, a própria fiscalização, quando se apóia nas conclusões inferidas a partir do referido material, se contradiz, uma vez que conclui justamente pelo caráter indissociável dos componentes em tela. Isso fica evidente quando afirma, por exemplo, que não se pode atribuir capacidade de diluição a nenhum componente dos kits em questão. Se o conteúdo da embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e fisicoquímicas do refrigerante que se pretende produzir a partir do kit completo. (...) Se assim não fosse, seriam desnecessárias as outras partes que compõem o kit". Percebese, portanto, que a própria fiscalização reconhece que os elementos em questão devem ser tratado com unicidade! Nesse contexto, resta inequívoca, mais uma vez, que os concentrados devem ser classificados como produto único, na posição 2106.90.10, ex. 01, da TIPI, sendo totalmente descabidas e equivocadas as conclusões a que chegou a fiscalização em tela. Frente ao exposto, demonstrada a impropriedade da reclassificação efetivada, justamente por não ter a Fiscalização se atentado para as características dos concentrados, leve o AI ser julgado improcedente. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.021 12 CORRETA CARACTERIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. A controvérsia dos presentes autos reside em determinar a possibilidade ou não de tomada de créditos em razão da aquisição de insumos isentos oriundos da ZFM, especialmente, em virtude de coisa julgada obtida no MS. E não houve na linha do tempo qualquer alteração quanto à forma de realização das aquisições de insumos feitas pela Impugnante da sua fornecedora localizada na ZFM. Não existiria razão plausível para que isso ocorresse. Nem se poderia fazêlo, eis que se trata de situação regulada por normas gerais e abstratas e por individuais e concretas, protegidas pela coisa julgada. Nos presentes autos, contudo, consciente da fragilidade de linha de autuação que vem sendo praticada nos outros autos de infração lavrados contra outro estabelecimento da Impugnante, a Fiscalização procura dar "nova roupagem" para a acusação fiscal, como se a situação fática e jurídica, aqui versada, comportasse alguma divergência em relação às operações praticadas em exercícios anteriores. Procura estabelecer que, em vez de operações de aquisição de insumos isentos, teriam sido praticadas operações de aquisição de insumos sujeitas a alíquota zero, desconsiderando por completo que se tratam dos mesmos insumos, oriundos do mesmo fornecedor e adquirente e mesmíssima operação de sempre. Para que não restem dúvidas a este respeito, a Impugnante anexa à presente Impugnação os DANFE e respectivas cartas de correção das Notas Fiscais, emitidos pela RECOFARMA e que acompanharam os referidos produtos na entrada no estabelecimento da Impugnante, correspondentes às notas fiscais a que alude a Fiscalização. No campo "dados adicionais" (com as retificações apontadas rias cartas de correção), há nítida indicação da natureza e fundamento da desoneração fiscal do IPI isenção em razão da produção na ZFM, constando os seguintes dizeres: "ISENÇÃO DE IPI ART. 81 INC I e II, ART. 95, INC. III E ART. 237 todos do DECRETO 7212/2010." Portanto, conforme se comprova pelos DANFE's e respectivas cartas de correção, não procede a assertiva de que as operações que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização teriam a natureza jurídica de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero. Nunca tiveram porque não é esse o seu regime jurídico. Confiramse o teor dos dispositivos citados neste documento, com indicação do seu contexto no Regulamento do IPI. As transcrições acima deixam evidenciada a natureza da desoneração: sempre, isenção do IPI de natureza regional, dada a localização do estabelecimento fabricantefornecedor na Zona Franca de Manaus. Não há o que tergiversar sobre esse ponto. Vejase, desde logo, que não há qualquer indicativo, no campo observações (ou em qualquer outro campo dos DANFEs, bem como das respectivas cartas de correção, de se tratar de operação sujeita à alíquota zero. Estaria errado e seria passível de correção até mesmo de ofício se assim estivesse disposto. Coerentemente, o campo dos DANFEs (espaço destinado à indicação da alíquota) não indica o número zero, tampouco há essa indicação nas cartas Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.022 13 de correção, atestando mais uma vez não se tratar de operação sujeita à alíquota zero. Não há indicação de alíquota alguma, justamente como deve ser em caso de isenção de natureza subjetiva (em função da localização do fornecedor). A classificação fiscal do produto "2106.90.10", "EX" Tarifário n° 01, indicada no campo pertinente dos aludidos documentos fiscais, também deixa evidenciado que não se trata de produto sujeito à alíquota zero, eis que, durante todo o período fiscalizado (julho a dezembro de 2011), o produto em referência nunca chegou a ter o tratamento jurídico de alíquota zero. Repita se, porque o regime jurídico adequado é o da isenção. Em termos objetivos e jurídicos, o produto adquirido ("extrato concentrado para a elaboração de bebida"), possui alíquota diferente de zero (alíquota positiva de 27%), sendo essa, ademais, que informa o valor percentual do crédito tomado pela Impugnante em sua escrituração do IPI. A desoneração do produto, importa recordar, não decorre objetivamente do produto em si, mas do local de sua produção, considerando a regra desonerativa referente à ZFM. Fosse o mesmo concentrado produzido em outra região do País não incentivada, seria tributado à alíquota de 27%. Como é produzido na ZFM, por fornecedor que possui as devidas certificações pela SUFRAMA, está sujeito à isenção regional a que aludem os arts. 81, II, e 95, III, do Decreto n° 7.212/2010. Portanto, não há como dizer (como o faz a Fiscalização) que o produto foi adquirido sob o regime jurídico de alíquota zero, ou de qualquer regime jurídico diferente da isenção regional, se, juridicamente, não existe qualquer norma que dê esse tratamento fiscal ao produto ou à operação em questão! Em suma: não há dúvidas acerca do regime jurídico das operações durante todo o período em tela. Os documentos fiscais recebidos juntamente com os produtos que deram origem aos créditos registrados pela Impugnante e que foram glosados pela Fiscalização possuem indicativos inequívocos de que se trata de aquisição de produtos sujeitos à isenção regional ZFM. Clara é a realidade fática e a substância jurídica das operações com os concentrados adquiridos, devidamente comprovada; inequívoco o adequado tratamento jurídico da situação sob análise. Importante esclarecer, ademais, que a Impugnante é adquirente de boafé e não poderia, mesmo que por hipótese, ser prejudicada por eventual equívoco da fornecedora localizada na ZFM no preenchimento dos documentos fiscais que amparam as operações de aquisição de insumos. Ou seja, ainda que se pudesse admitir, ad argumentandum, que a classificação fiscal indicada pela Recofarma não foi a correta, é fato que a Impugnante não pode sofrer as conseqüências dessa falha. A esse respeito, a jurisprudência do STJ já pacificou o entendimento de que o adquirente de boafé não pode ser prejudicado em razão de irregularidades praticadas por terceiros. E o que consta do Recurso Especial Repetitivo n° 1.148.444/MG: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INDIÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.023 14 posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, unia vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rei. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rei. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rei. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rei. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rei. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ23.05.2005; REsp 176.270/MG, Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rei. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rei. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rei. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuia verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in caxu, ao alienante). (...) ê 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas anos a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na Tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex time, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1148444/MG, Rei. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) (destaques acrescidos) O entendimento foi, inclusive, objeto da Súmula n° 509, que assim dispõe: "É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda." Devidamente esclarecida a natureza jurídica das aquisições em tela (aquisição de produtos sujeitos à isenção regional ZFM), correto o procedimento adotado pela Impugnante, plenamente amparado que esteve por decisão judicial transitada em julgado, nos autos do Mandado de Segurança individual n° 91.00287245. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO POR FORÇA DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE DO IPI Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.024 15 Da leitura do art. 153, § 3°, inciso II, da CF12, verificase que o IPI é imposto nãocumulativo, sendo apurado mediante sistema de confronto entre débitos e créditos: o imposto incidente nas aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados à industrialização geram créditos de IPI, que devem ser abatidos do tributo incidente nas saídas. Assim, basta que existam operações anteriores dentro do campo constitucional de competência tributária concernente ao IPI para que exista o direito ao crédito do imposto. Isto porque, a norma constitucional que garante o direito ao crédito do IPI é totalmente autônoma em relação à norma que determina a imposição do tributo13. Nessa relação autônoma, o direito de crédito é matéria de índole constitucional e não pode ser atingido pelas regras de exigência do tributo, o que toma irrelevante saber, para fins de creditamento, se há pagamento efetivo nas operações anteriores. Noutras palavras, o direito ao crédito e à compensação do IPI, em atenção ao princípio da nãocumulatividade, exige apenas a existência de operações anteriores que ocasionarão, ou poderiam ocasionar, créditos para as operações posteriores. Trazendo tais conceitos para o caso concreto, concluise que o fato de a operação anterior de aquisição de insumos pela Impugnante ser isenta (porque proveniente da ZFM) não lhe impede o direito de crédito. De efeito, esta relação jurídica não é afetada pela regra de incidência do IPI nas operações, sendo essa a correta interpretação da expressão montante "cobrado" do texto constitucional. A própria CF, ao contrário do que ocorre com o ICMS, assegura que para o IPI não existe exceção ao princípio da nãocumulatividade, o que apenas reforça o direito ao crédito da Impugnante, pois mesmo nas operações anteriores isentas há direito ao crédito do IPI. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO COMO MEDIDA DE PRESERVAÇÃO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO DA ZFM INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 153, §3°, INC. II, DA CF/88 E DOS ARTS 40 E 92 DO ADCT. O Governo Federal sempre se preocupou com o equilíbrio socioeconômico das variadas regiões do País. Dentre suas preocupações está a região da Amazônia, com baixa densidade populacional e com poucos investimentos privados, principalmente por estar em local distante dos grandes centros econômicos (São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo). Assim, arquitetou modelo de desenvolvimento regional de forma a possibilitar que as indústrias, empresas comerciais e empresas em geral ali se instalassem. Logo, a partir da vigência da CF de 1988, o regime diferenciado da ZFM passou a ter status constitucional, não podendo ser alterado ou mitigado pela legislação inferior ou mesmo pelas autoridades fiscais. Isto porque, nesse tema, o combate às desigualdades regionais e a segurança jurídica são fundamentais para que as empresas tenham efetivas condições de implementar e manter o pólo industrial na região amazônica, tendo em vista as dificuldades que isolam essa região e por se tratar de investimentos de longo prazo. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.025 16 Na situação em tela, caso não se admitam os créditos de insumos oriundos da ZFM, não haverá diferença positiva entre os adquirentes de insumos da ZFM e os de qualquer outra região do território nacional (produtos que não seriam beneficiados, mas dariam créditos a serem abatidos). O benefício da ZFM ficaria esvaziado, não alcançando a sua finalidade principal, que é a de suprir a desvantagem competitiva das empresas lá localizadas quando comparadas com aquelas situadas nas áreas mais próximas dos grandes centros produtores e consumidores. Estariam prejudicados aqueles contribuintes que optaram por se instalar na região carecedora de incentivo e também aqueles que adquiriram os produtos das empresas lá instaladas. Não custa lembrar, em remate, que, em mais de uma oportunidade, o STF cuidou de afastar medidas legislativas ou administrativas que tendessem a mitigar os benefícios fiscais da ZFM, como se observa da ADI/MC 310119, da ADI 1.79920 e da ADI 2.34821. Além dos precedentes citados, o E. STF, em 21/10/2010, reconheceu, no Recurso Extraordinário n° 592.891/SP ("RE 592.891"), a existência de repercussão geral da tese de creditamento de IPI em razão de aquisição de insumos isentos da ZFM, exatamente a debatida nesses autos: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI NÂOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL." (RE 592891 RG, Relator(a); Min. ELLEN GRACIE, julgado em 21/10/2010, DJe226 DIVULG 2411 2010 PUBLIC 25112010 EMENT VOL 0243802 PP00339 ) (destaques acrescidos) É oportuno registrar que o julgamento do RE 592.891 iniciou no último dia 25 de maio, assentada na qual foram proferidos três votos favoráveis aos contribuintes (Mins. Rosa Weber, Edson Fachin e Roberto Barroso), que ressaltaram que o tratamento diferenciado à ZFM conferido pela CF tem como objetivo a redução das desigualdades regionais e o incentivo ao desenvolvimento de regiões mais distantes dos grandes centros consumidores. Além disso, é medida que permitir sejam viáveis e economicamente sustentáveis os investimentos feitos pelas empresas naquela região, que assim terão condições de competir com fabricantes de insumos localizados em outras regiões do país. Não há dúvida, portanto, de que é legítimo o direito ao crédito, considerando o princípio da nãocumulatividade do IPI insculpido no art. 150, § 3o, da CF, e em atenção aos arts. 40 e 92 do ADCT. A vedação ao creditamento implica a desconsideração da política nacional, prevista na própria CF, de reduzir a desigualdade e estimular o desenvolvimento das regiões mais carentes, afrontandose, por decorrência, os artigos 5o, XXXVI, 150, II, 151,1, 165, § 7o, 170, IV, VI e VII, 174, § Io, 218, §§ Io a 4o, todos da CF, e 40 do ADCT, e também o artigo 178 do CTN. LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS DE PRODUTOS DE LIMPEZA E MANUTENÇÃO DA LINHA DE PRODUÇÃO EM OPERAÇÕES REGISTRADAS SOB O CFOP 2.101 Especificamente no que se refere à glosa dos créditos decorrentes de operações registradas sob o CFOP 2.101, como justificativa para essa Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.026 17 decisão, a Autoridade Fiscal alegou que não seria admissível o crédito de produtos de limpeza, "que não se enquadram no conceito de MP, PI e ME. O crédito decorrente do imposto incidente na aquisição dos referidos produtos tem pleno amparo na legislação vigente à época dos fatos, especificamente ante à norma autorizativa posta no art. 226, I, do RIPI. É certo que os produtos de limpeza utilizados pela Impugnante não são consumidos imediatamente na linha de produção e que tampouco se integram ao produto final por ela comercializado. A despeito disso, no entanto, são produtos consumidos no processo de industrialização, que não integram o ativo permanente e, salientese, cujo emprego é essencial à manutenção da linha de produção, já que asseguram o padrão de qualidade e higiene necessário e exigido na industrialização de alimentos destinados ao consumo humano. A imprescindibilidade dos referidos produtos decorre do próprio controle regulatório a que estão sujeitas as companhias que atuam no setor de alimentos ou bebidas. Não se pode olvidar que tais empresas possuem rigorosos procedimentos para manter os locais e as máquinas utilizados na produção das mercadorias que serão comercializadas limpos. Nesse sentido, os produtos de limpeza assumem papel fundamental, uma vez que são empregados na manutenção e esterilização dos ambientes e dos equipamentos. Logo, não se pode negar que o IPI incidente sobre tais produtos geram créditos do imposto para compensação nas saídas de produtos tributados. É inadmissível a limitação a esse crédito à margem do disposto na legislação, como faz a Fiscalização no presente caso. O próprio RIPI apenas excetua da possibilidade de crédito os bens do ativo permanente dos contribuintes, sem impor qualquer outra ressalva ao aproveitamento daqueles relativos a bens efetivamente empregados no processo produtivo. Ao questionar a legitimidade do crédito tomado pela Requerente, a Autoridade Fiscal se fundamenta tão somente no Parecer Normativo CST n° 65/79, que, à guisa de interpretar a norma, introduziu requisito sem embasamento legal, restringindo o aproveitamento do crédito apenas aos bens que entram em contato físico com o produto em fabricação, em direta afronta à própria legalidade que deve reger os atos da administração pública, ex vi do art. 5°, II, 37, caput, e 150,1, da CF. Ora, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional e em consonância com o primado da legalidade, os Pareceres Normativos, assim como qualquer outro ato expedido por Autoridade Administrativa, não podem inovar, modificar ou alterar a ordem jurídica vigente, criando ou extinguindo, por conseguinte, obrigações ou direitos. Isto porque, estas normas têm por função única a operacionalização da norma já posta no ordenamento jurídico, permitindo uma perfeita execução da lei, bem como a regulação do tratamento e da atuação da própria Administração dentre os seus diversos Órgãos e, ainda, do tratamento dela própria para com os seus administrados. Por fim, há que se observar que, ainda que a legislação tivesse restringido expressamente o crédito apenas aos bens que entram em contato com o produto em fabricação, o crédito decorrente dos produtos de limpeza em Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.027 18 questão seria admissível – tais produtos se destinam à remoção dos resíduos do produto final remanescentes no maquinário ao fim de cada turno de operação, razão pela qual eles de fato estão inseridos no processo de fabricação. Em vista disso, os créditos relativos ao tributo cobrado na aquisição referidos produtos são plenamente legítimos, sendo de rigor o reconhecimento improcedência do lançamento também nessa parte. Por fim, requereu seja julgado improcedente o Auto de Infração, cancelando se integralmente o crédito tributário constituído, protestando pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas. O relatório ficou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição inicial. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade julgadora a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. BOAFÉ A responsabilidade pela infração tributária independe da intenção do agente ou da efetividade, natureza ou extensão dos efeitos do ato ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2011 KIT PARA PREPARAÇÃO DE BEBIDA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. a) NCM 2106.90.10 (1) Preparação para bebida constituída de Solução aquosa à base de extrato de Noz de Cola, Caramelo. Cafeína, Ácido Fosfórico, alfaTerpineno, Limoneno e betaTerpineno; (2) Preparação para bebida constituída de Solução aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Caramelo, Pineno, Limoneno e Terpineno"; (3) Preparação para bebida à base de Propileno Glicol, Pineno, Mentadieno e Terpineno, (4) Preparação para bebida à base de Álcool Etílico, Mentatrieno, Pineno, Limoneno e Mentadieno. b) NCM 2106.90.90 Acessulfame de Potássio, Aspartame e Benzoato de Sódio c) NCM 2916.3121 Benzoato de sódio. d) NCM 2918.14.00 Ácido cítrico anidro. e) NCM 2918.15.00 Citrato de Sódio f) NCM 2916.19.11 Sorbato de Potássio ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2011 INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.028 19 Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com gastos gerais de fabricação. GLOSA DE CRÉDITO. ERRO DE ALÍQUOTA. LANÇAMENTO. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota na aquisição de insumos (quando isentos ZFM), justifica o lançamento de ofício do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi interposto Recurso Voluntário em que a Recorrente reitera as razões da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Adoto, por pertinentes, as razões de decidir externadas pelo Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares no Processo Administrativo nº 16682.721348/201707: Afirma a defesa que a classificação fiscal dos concentrados adquiridos pela Recorrente com isenção do IPI de fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus não comporta, a esta altura, qualquer questionamento, uma vez que, nos autos do Mandado de Segurança (MS) nº 91.00287245, este ponto teria sido devidamente abordado (confirmado pela própria Secretaria da Receita Federal) e estaria protegido pelos efeitos da coisa julgada. Sustenta, ainda, que, intimada a prestar informações no âmbito do aludido MS, a SRF (Autoridade Impetrada) teria confirmado a classificação fiscal dos concentrados (desde o princípio indicada como sendo a 2106.90) e a isenção regional do IPI (com amparo no então vigente art. 45, inciso XXI, do RIPI82), e que a sentença, assumindo como premissa a manifestação da SRF de correção da classificação fiscal que vinha sendo adotada, teria reconhecido o direito da Impugnante e julgado procedente o pedido. Contudo, analisando as informações prestadas pela RFB no âmbito do aludido MS, às fls. 1208/1212, verifico que a SRF não confirmou a classificação fiscal dos concentrados como sendo a 2106.90. Não há, nas referidas informações, qualquer menção a uma posição na TIPI ou NCM, nenhuma análise sobre qual a correta posição e como se teria chegado a esta, mas tão somente dois parágrafos, a seguir transcritos da fl. 1208: Inicialmente, é de se ressaltar que não resta a menor dúvida quanto à isenção com que recebe os produtos (insumos) advindos da Zona Franca de Manaus, conforme, aliás, o atestam as Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias, que anexa ao "mandamus". Também com base nas referidas Notas Fiscais, Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.029 20 não resta a menor dúvida quanto à classificação fiscal do produto (concentrado B para preparo de CocaCola 6000LU), qual seja inciso XXI do artigo 45 do Decreto 87981/82, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados. De acordo com a classificação supra, não resta dúvida que, no mérito, a matéria em pauta já foi amplamente analisada nos processos de consulta e recurso à decisão da consulta, motivo pelo qual, com a devida "venia", não nos alongaremos sobre o mesmo. A seguir, à fl. 1210, iniciase a prestação das informações propriamente dita, com a seguinte ementa, e sem nenhuma menção à palavra “classificação” ou à expressão “classificação fiscal”: Ementa: O direito ao crédito do imposto pela aquisição de produtos isentos procedentes da Zona Franca de Manaus somente pode ser utilizado na hipótese de os mesmos estarem enquadrados no item XXVI do art. 45 do RIPI/82, sobre os quais se aplica o disposto no item XI do art. 82 do mesmo Regulamento. No caso de o produto se enquadrar no item XXI do referido art. 45 do RIPI/82, não há direito ao crédito do imposto calculado como se devido fosse, por falta de previsão 1ega1. Parece bastante claro, da leitura da ementa acima colacionada, que a matéria sob análise é o “enquadramento”, ou “classificação” dos produtos isentos procedentes da ZFM na isenção do art. 45, inciso XXVI, do RIPI/82, para o qual há previsão legal de creditamento no art. 82, ou na isenção do art. 45, inciso XXI, para o qual não há previsão legal de creditamento. E o trecho à fl. 1208, também colacionado acima, conclui, sobre essa matéria, que não resta a menor dúvida quanto à “classificação fiscal” do produto (produto este o concentrado B para preparo de CocaCola 6000LU) no inciso XXI do artigo 45 do Decreto 87981/82, que é justamente o RIPI/82. Apesar de usar o termo “classificação fiscal” para o enquadramento da isenção naquela prevista no art. 45, inciso XXI, não vejo como se possa sequer imaginar que a RFB esteja utilizando o termo “classificação fiscal” para a designação do código do produto na NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), apesar de, em ambos os casos, ser este o termo utilizado. Observese que a Informação prestada pelo Fisco conclui o seguinte, às fls. 1211 e 1212: 6. Dessa forma, se o "concentrado de refrigerante" procedente da Zona Franca de Manaus, adquirido pela Interessada, para emprego na industrialização de refrigerantes, sair com isenção do IPI, com fundamento no inciso XXVI do artigo 45 do RIPI/82, poderá, ela, creditarse do valor do imposto calculado como se devido fosse, a título de incentivo fiscal, nos termos do inciso XI do artigo 82 do RIPI/82. No entanto, se a isenção a que faz jus o produto proveniente da Zona Franca de Manaus se der com base no inciso XXI do artigo 45 do mesmo RIPI, não haverá direito ao Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.030 21 crédito do imposto como se devido fosse, por falta de previsão legal. 7. Para complementar, deve ser esclarecido que cabe ao fornecedor informar na Nota Fiscal, nos termos dos incisos I ou II do artigo 244 do RIP1/82, a base legai da isenção do produto. 8. Considerando o exposto e que a autoridade de primeira instância decidiu corretamente a consulta, propomos o desprovimento dos recursos de ofício e voluntário interpostos. Não há qualquer conclusão acerca de uma “classificação fiscal” com base nas normas de classificação da NCM, cujos códigos são utilizados na TIPI (Tabela de Incidência do IPI) para indicar as alíquotas de IPI respectivas. O que se conclui neste documento é que a “classificação fiscal” da isenção objeto de análise deve se dar no inciso XXI do art. 45, e não no inciso XXVI. Não se pode negar que a terminologia utilizada no referido documento não foi a mais adequada tecnicamente, mas esse fato não conduz a qualquer possibilidade de se validar a tese do Recorrente. Quanto à alegação de que a “classificação fiscal na TIPI” dos insumos adquiridos teria sido devidamente abordada nos autos do MS nº 91.0028724 5 e estaria protegida pelos efeitos da coisa julgada, entendo que basta a simples transcrição do Acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) que transitou em julgado para esclarecer a questão. O Acórdão é tão sintético que pode ser aqui integralmente transcrito, inclusive com o Relatório: RELATÓRIO Tratase de Remessa "ExOfficio", consignada em sentença que concedeu segurança para assegurar à impetrante o direito à manutenção do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, na aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus. Intempestiva a apelação, subiram os autos a esta Corte, por força da remessa necessária, e deles teve vista o Representante do Ministério Público Federal que, às fls.79/80, opinou pela manutenção da sentença, por seus próprios fundamentos. É o relatório. VOTO O Exm° Sr. Desembargador Federal Fernando Marques (Relator) Tratase, no caso dos autos, de empresa que se dedica à fabricação, venda e comércio de bebidas e refrigerantes. Adquire ela concentrado refrigerante oriundo da Zona Franca de Manaus. Defende a nãocumulatividade constitucional do IPI, pleiteando, com o presente mandado de segurança preventivo, lhe seja assegurado o direito à manutenção do crédito do Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.031 22 referido tributo na aquisição dos insumos isentos provenientes da Zona Franca, e suspensão de quaisquer medidas tendentes à exigência do referido imposto e ao pagamento de diferenças supostamente devidas, a ele referentes. Inicialmente, cumpre lembrar o disposto, sobre o IPI, no art. 153, § 3°, II, da Constituição Federal de 1988, in verbis: (...) Constatase, assim, do texto citado, que o IPI submetese à regra da nãocumulatividade, prevendo, ainda a Carta Magna, em relação a esse tributo, a compensação de crédito em operações subseqüentes. Ainda quando a operação anterior gozar do benefício da isenção tributária, é de se reconhecer o direito à compensação. Para defesa de tal argumento, cumpre ressaltar as características da isenção. É ela forma de exclusão do crédito tributário. Nela ocorre o fato gerador, fazendo nascer a obrigação tributária. O fenômeno encontrase dentro do campo de incidência da tributação, mas, por algum motivo, o legislador o dispensa do pagamento de tributo que é devido. Assim, mesmo ocorrendo a isenção tributária na operação anterior, exsurge o direito à compensação, já que o que gera tal direito não é o lançamento do imposto, mas sua própria existência, incidindo, portanto, sobre os produtos. Tanto é que, suspensa a isenção, o imposto reaparece pleno, posto que sempre existiu. Portanto, nada há de inconstitucional no fato do contribuinte que aproveitar créditos do IPI de produtos isentos. Nesse sentido, posicionamento de nossos tribunais, conforme ementas a seguir transcritas: (...) Vale destacar, ainda, que, não havendo na Constituição Federal de 1988, nenhuma restrição expressa ao direito pleiteado, dispositivos e normas infraconstitucionais, como a RIPI/82, não podem prosperar, vez que não legitimados pelos preceitos constitucionais vigentes. Assim, é de se confirmar a sentença do Juízo singular. Pelo exposto, nego provimento à remessa necessária. É como voto. Mais uma vez resta evidente que a decisão acima não aborda, nem mesmo superficialmente, a questão da “classificação fiscal na TIPI” dos insumos adquiridos pelo Recorrente. Como bem ressaltado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas Contrarrazões, o art. 503 do novo CPC exige que a decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.032 23 expressamente decidida. A PFN trouxe análises doutrinárias deste dispositivo: Depreendese de tais normas que “a imutabilidade, ínsita à coisa julgada, somente atinge a parte dispositiva da sentença, na qual se estabeleceu a lei do caso concreto. Todo o restante, ou seja, a fundamentação e o relatório, não restam imutáveis” (MARINONI, Luiz Guilherme. Processo de conhecimento, 12ª ed., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014, p. 648). Como ressalta Fredie Didier Jr., o advérbio “expressamente”, inserido no art. 503 do CPC/2015 “serve para reforçar a regra de que não há coisa julgada implícita – ou seja, não há coisa julgada do que está implícito na decisão ou do que não foi decidido”, o que, aliás, já prevalecia no sistema processual anterior (Curso de direito processual civil, v. 2., 10ª ed., Salvador: Ed. Jus Podivm, 2015, p. 525). Voto por negar provimento a este pedido do Recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201696 Acórdão n.º 3401006.884 S3C4T1 Fl. 1.033 24 Fl. 1033DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720209/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO.
As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares devem servir de fundamento para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) - Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) - Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI).
Pneumáticos novos, radiais, de borracha, para camionetas, furgões, vans, utilitários esportivos etc., classificam-se no código da NCM/NBM 4011.99.90.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDOS PERICIAIS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Os laudos periciais devem se ater aos aspectos técnicos, e não têm o condão de tipificar ou classificar para fins fiscais o produto periciado, pois a classificação se trata de ato de aplicação do direito por parte da autoridade competente a fazê-lo. De igual sorte, a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, inteligência que deflui do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3401-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.527 1 1.526 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.720209/201429 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.498 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2017 Matéria Classificação Fiscal de mercadorias Recorrente LAGB ACESSORIOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares devem servir de fundamento para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Pneumáticos novos, radiais, de borracha, para camionetas, furgões, vans, utilitários esportivos etc., classificamse no código da NCM/NBM 4011.99.90. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDOS PERICIAIS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Os laudos periciais devem se ater aos aspectos técnicos, e não têm o condão de tipificar ou classificar para fins fiscais o produto periciado, pois a classificação se trata de ato de aplicação do direito por parte da autoridade competente a fazêlo. De igual sorte, a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, inteligência que deflui do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 09 /2 01 4- 29 Fl. 1527DF CARF MF 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos Relatório 1. Tratase auto de infração, situado às fls. 2 a 35, lavrado com a finalidade de formalizar a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de juros e de multa de ofício de 75%, em virtude do não recolhimento do imposto, referente aos períodos de apuração de 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010 e 01/2011 a 12/2011, no valor histórico de R$ 2.897.495,80, correspondente às seguintes DIs: 2. Segundo se depreende do Termo de Verificação Fiscal, situado às fls. 32 a 67, a contribuinte, estabelecimento equiparado a industrial: (i) no período de 02/2009 a 12/2011, deu saída a pneumáticos novos importados "utilizados em ônibus e caminhões", classificados na posição 4011.20, oferecidos à tributação do IPI a uma alíquota de 2%. Entendeu a autoridade fiscal, no entanto, ao aplicar as RGI do Sistema Harmonizado e as NESH, que o produto em questão deveria ter sido classificado na subposição 2011.99.90, com alíquota de IPI correspondente a 15%, pois, na verdade, os produtos seriam utilizados em "camionetas e similares"; (ii) no período de 01/2009 a 12/2009, deixou de recolher saldo devedor de IPI escriturado, inexistindo, neste interregno, guia DARF correspondente ou Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401003.498 S3C4T1 Fl. 1.528 3 informação de IPI nas DCTF; (iii) no período de 01/2009 a 07/2010, constatouse a utilização de crédito indevido, por inexistente. 3. A contribuinte apresentou, em 20/03/2014, impugnação, situada às fls. 1294 a 1433, argumentando, em síntese: (i) ter recolhido, por meio de guia DARF, o crédito tributário consistente nos itens "ii" e "iii" acima, em data posterior à lavratura do auto de infração ora combalido, por reconhecer se tratar de matéria incontroversa, restando, assim, apenas a discussão acerca do erro de classificação fiscal na saída de pneumáticos novos importados no período de 02/2009 a 12/2011, cujo crédito tributário correspondente, acrescido de juros e multa de 75%, resulta no valor histórico de R$ 822.021,51; (ii) a nulidade do auto de infração por inexistência de justa causa e inocorrência de ilicitude; (iii) quanto ao mérito, a correção da classificação adotada, uma vez que a autoridade fiscal detalhou de forma incompleta as medidas/modelos dos pneus importados e que estaria equivocada quanto ao seu uso 4. Em 12/03/2014, o crédito tributário não impugnado foi transferido para o Processo Administrativo nº 13982.720.187/201419, em conformidade com o Termo de Transferência de Crédito Tributário, situado às fls. 1292 a 1293, para cobrança imediata dos seguintes valores: 5. Foi, ainda, formalizada Representação Fiscal para fins Penais, no Processo Administrativo nº 10925.720.210/201453 contra LUIZ AFONSO GONSALES, inscrito no CPF sob o nº 020.170.72923 e JOÃO PAULO GONSALES, inscrito no CPF sob o nº 071.063.13912, que se encontra apensado a este processo conforme termo de apensação situado à fl. 1278. 6. Em sessão de 16/09/2014, foi proferido o Acórdão DRJ nº 01 30.060, situado às fls. 1442 a 1465, e proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Belém (PA), sob a relatoria da AuditoraFiscal Claudia Gorresen Mello, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 1529DF CARF MF 4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Pneumáticos novos, radiais, de borracha, para camionetas, furgões, vans, utilitários esportivos etc., classificamse no código da NCM/NBM 4011.99.90. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDOS PERICIAIS. Os laudos periciais devem se ater aos aspectos técnicos, sendo que a classificação fiscal não é assim considerada. A competência administrativa para considerar correta, em caso concreto, a classificação fiscal de produto específico pertence às autoridades fiscais do quadro da SRF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATOS ADMINISTRATIVOS VINCULADOS. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. Descabe a alegação de falta de motivação para a lavratura de auto de infração quando as autoridades fiscais o fizeram indicando os pressupostos de fato e de direito em que se fundamentaram os lançamentos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando prescindíveis novos meios de prova. 7. A contribuinte, intimada da decisão em 26/09/2014, mediante envio postal acompanhado de aviso de recebimento, interpôs, em 27/10/2014, recurso voluntário, situado às fls. 1477 a 1517, no qual reiterou as razões defendidas em sua impugnação unicamente quanto: (i) à classificação fiscal da mercadoria e (ii) ao pedido de perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401003.498 S3C4T1 Fl. 1.529 5 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. PEDIDO DE DILIGÊNCIA PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA 9. Em síntese, a recorrente requereu a baixa em diligência para a realização de prova pericial nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o que formulou nos seguintes termos, que recortamos das razões do seu recurso voluntário: 10. O acórdão de primeira instância administrativa indeferiu o requerimento de produção de prova pericial sob a alegação de que: (i) tal pedido não se coaduna com a natureza e finalidade do processo administrativo, pois realizado sem fundamento em causa justa e plausível; e (ii) há elementos suficientes nestes autos administrativos para o deslinde da questão. 11. De fato, o pedido é realizado de maneira genérica, sem especificar em nenhum momento qual aspecto técnico seria melhor esclarecido com a realização da prova pericial, chegando mesmo a afirmar que a diligência deveria trazer a "(...) tipificação, caracterização, e classificação" do produto, que se trata, justamente, da matéria controversa posta em debate, pretensão que se repete, em outras palavras no item "c" acima transcrito, e de maneira expressa no item "b" ao pretender "(...) tipificar, caracterizar e classificar". 12. Ademais, há de se ressaltar que os quesitos elaborados pela contribuinte na verdade confundem as respostas técnicas aptas a classificar as mercadorias segundo as regras da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias com aquelas voltadas a periciar os elementos constitutivos do produto. Já nos pronunciamos a respeito do tema em declaração de voto apresentada no Fl. 1531DF CARF MF 6 Acórdão CARF nº 3401003.431, proferido em 28/03/2017, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira: "A perícia não se volta à classificação, mas a subsidia na medida em que esclarece características do material a se classificar. Isto ocorre porque a decisão de vincular um produto a um código se trata de um típico ato de aplicação do direito, ou seja, uma atividade jurídica por excelência. O classificador se volta às regras e metaregras de seu repertório normativo, enquanto que o perito se volta aos elementos constitutivos do produto. Logo, indiferente é, ao profissional que realiza a perícia, a classificação correta, padecendo de qualquer propósito a pretensão veiculada acima de que, por meio de um laudo técnico, "tipifiquese" ou "classifiquese" o produto, pois não é tarefa do químico, do engenheiro ou do matemático aplicar o direito neste caso: podem participar da confecção da norma concreta, mas jungidos, restritos e atrelados a seu especialíssimo campo de atuação. Suas considerações técnicas acerca do produto deverão ser, sempre que pertinentes, acolhidas com redobrado interesse pelo direito, que envidará esforços para compreendêlas, mas quaisquer suposições no que pertine à sua inserção em uma ou outra posição da nomenclatura deverão ser relegadas ao esquecimento no momento da concreção normativa" (seleção e grifos nossos). 13. De outro lado, o art. 18 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, e não do impugnante, o que afasta a alegação de que o indeferimento de perícia consubstanciaria um cerceamento do direito de defesa: Decreto nº 70.235/72 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o art. 28 in fine". 14. Entendo, ao analisar o pedido de reabertura da fase de instrução formulado pela recorrente, que os quesitos por ela formulados pouco ou nada acrescerão à formação de minha convicção sobre o caso trazido a conhecimento, alinhandome à posição do julgador de primeira instância administrativa no sentido de que ela seria plenamente prescindível. A avaliação da necessidade de se realizar a perícia participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes deste Conselho, como se depreende da leitura do Acórdão nº 3201000.617, de 02/02/2011 (3ª Seção), do Acórdão nº 20501.497, de 03/02/2009 (2ª Seção), e do Acórdão nº 10323.470, de 28/05/2008 (1ª Seção). 15. Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto pelo indeferimento do pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da recorrente. Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401003.498 S3C4T1 Fl. 1.530 7 2. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA 16. Concerne à questão de fundo deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (4011.20.90), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (4011.99.90): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado. 17. Para a contribuinte recorrente, a mercadoria deve ser classificada no Capítulo 40 ("Borracha e suas obras"), Posição 4011 ("Pneumáticos novos, de borracha"), Subposição 4011.20 ("Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões"), Item e Subitem 4011.20.90 ("Outros"), submetida, portanto, a uma alíquota de 2% de IPI. 18. Por outro lado, a autoridade fiscal, em que pese concordar com a classificação quanto ao Capítulo 40 ("Borracha e suas obras") e quanto à Posição 4011 ("Pneumáticos novos, de borracha"), discorda quanto aos seus sucedâneos, reputando como correta a Subposição, Item e Subitem 4011.99.90 ("Outros"), submetida, portanto, a uma alíquota de 15% de IPI. 19. Cabe, portanto, conceber se o produto objeto do presente debate se trata de um pneumático novo, de borracha utilizado em (i) ônibus e caminhões, como defende a contribuinte, ou (ii) camionetes e similares, como defende a autoridade fiscal. 20. Para se responder à indagação acima, recorrese, em primeiro lugar, à regras gerais de interpretação (RGI) estabelecidas no anexo da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias firmada em 1983, à qual o Brasil veio a aderir três anos depois, e que dão base à Tarifa Externa Comum (TEC) e internalizadas ao direito brasileiro por meio do Decreto Legislativo nº 71/1988 e promulgada por meio do Decreto nº 97.409/1988. Para tal análise, deverá o aplicador considerar, ainda, as notas explicativas do sistema harmonizado (NESH) que servem de orientação interpretativa até o nível das subposições, aprovadas pelo Decreto nº 435/1992, bem como as regras gerais complementares (RGC) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por seu turno, é fonte para a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) aplicáveis aos itens e subitens. 21. Quanto à classificação internacional, a inserção do produto no capítulo 40 ("borracha e suas obras") é incontroversa, encontrandose a discordância no que se refere à subposição de primeiro nível: 4011.20, reputada correta pela contribuinte, ou 4011.9, reputada correta pela autoridade fiscal. A se explorar a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias que subsidia a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), a posição 4011 se refere a "pneumáticos novos, de borracha". Em conformidade com a RGI nº 6, a classificação de mercadorias nas subposições é determinada pelo texto tanto destas subposições como das respectivas notas de subposição. Voltase o intento classificatório, a partir deste momento, à análise das mercadorias importadas: pneus novos de borracha das marcas: Kumho Tire, Goodride, Westlake e Linglong, com as seguintes medidas e modelos. conforme Relatório Fiscal, situado à fl. 44: Fl. 1533DF CARF MF 8 22. De acordo com a RGI nº 1, os títulos de seções, capítulos e subcapítulos têm valor meramente indicativo, devendo ser determinada a classificação de acordo com os textos das posições e notas. 23. Ressaltase, por outro lado, que, com amparo na Solução de Consulta SRRF da 9ª RF/DIANA nº 115/2007, produto similar, ainda que de outra marca (Hankook) foi classificado no Código 4011.99.90, nos seguintes termos: "Pneumático novo de borracha, codificação 205/75R16C110/108RD RA08, radial, do tipo sem câmaradear, com diâmetro de raio de 406,4mm (14"), com capacidade de carga correspondente a 8 lonas (D), que não apresenta banda de rodagem em forma de "espinha de peixe" ou semelhante, enquadrado no Manual de Normas Técnicas 20052006 da ALAPA (Associação Latino Americana de Pneus e Aros), na categoria de pneus para camionetas (que inclui camionetas, microônibus e utilitários), reconhecido no mercado internacional como pneumático para camionetas ("light trucks", "pickup"), furgões, vans, utilitários esportivos ("SUV") etc., e não enquadrado na categoria de pneumáticos para "ônibus ou caminhões", marca Hankook" (seleção e grifos nossos). Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401003.498 S3C4T1 Fl. 1.531 9 24. Como se sabe, para se resolver a questão sob litígio, necessário o recurso às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de mercadorias (NESH). Uma vez que se trate de pneumático novo de borracha (posição 4011), a determinação deve se ater ao campo das subposições e, de acordo com a RGI nº 6, a classificação nas Subposições de uma mesma posição é realizada pelos textos dessas Subposições e pelas notas de Subposições respectivas. Ao se perscrutarem as subposições de primeiro nível da posição em referência, temse o seguinte quadro: "4011.10 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto e os automóveis de corrida); 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões; 4011.3 Dos tipos utilizados em veículos aéreos; 4011.40 Dos tipos utilizados em motocicletas; 4011.50 Dos tipos utilizados em bicicletas; 4011.6 Outros, com bandas de rodagem em forma de "espinha de peixe" e semelhantes; 4011.9 – Outros" (seleção e grifos nossos). 25. Diante deste quadro, a contribuinte alega, em suas razões recursais, que: (i) o Código de Trânsito Brasileiro se limita a definir caminhão como "veículo destinado a transporte de carga", o que não incluiria passageiros, transporte típico de ônibus ou semelhante; (ii) a ABNT, na NBR 9762:2005, item 2.5, define caminhão como "veículo automotor complementado com equipamento veicular que o torna apto a desempenhar os trabalhos de transporte a que se destina"; (iii) as Resoluções CONTRAN nº 291 e 292/2008, com alterações subseqüentes, e as Portarias DETRAN nº 1.100 e 1.101 definem caminhão como "veículo automotor complementado com equipamento veicular que o torna apto a desempenhar os trabalhos de transporte a que se destina se o peso bruto total (PBT) for superior a 3.500 kg"; (iv) que o Código Brasileiro de Trânsito define as categorias da habilitação para dirigir veículo automotor de acordo com o parâmetro de 3.500 kg, peso a partir do qual é exigida a "categoria C"; (v) que, de acordo com a posição oficial do Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina, manifestada por meio de Ofício de 22/02/2012, caminhão é "veículo destinado ao transporte de carga com peso bruto maior do que três mil e quinhentos quilogramas". A partir de tal arrazoado, conclui a recorrente que a classificação correta dos pneumáticos em referência deve ser "utilizados em ônibus e caminhões", pois suportam carga superior a 3.500 kg. 26. Necessário se ressaltar que, em casos de classificação fiscal de mercadorias, ainda que inúmeras fontes subsidiárias possam ser utilizadas pelo aplicador, tais como pareceres, notas explicativas ou mesmo manuais de classificação, devese, em primeiro lugar, observância às RGI elaboradas pelo Conselho de Cooperação Aduaneira, complementadas pelas Regras Gerais Complementares (RGC) estabelecidas pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira/Divisão de Nomenclatura e Divisão Fiscal (Coana/Dinom), pelo Grupo Mercado Comum e pela Associação LatinoAmericada de Integração (Aladi). Fontes periciais, manuais ou pareceres são importantes para elucidar a classificação a partir da perspectiva destas regras de classificação, não podendo jamais antecedêlas ou ocluílas. Neste sentido, de iluminar a interpretação dos textos das subposições, que a autoridade fiscal buscou subsidiar seu entendimento em informações da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), que confirmou que o produto objeto da controvérsia em análise se enquadra na categoria de "pneus para camionetas" de acordo com os padrões da Associação Latino Americana de Pneus e Aros (ALAPA) e de outras organizações internacionais, o que se Fl. 1535DF CARF MF 10 comprovou por meio do Manual ALAPA e, ainda em conformidade com os dados da Solução de Consulta SRRF da 9ª RF/DIANA nº 115/2007, o pneumático em referência se encontra relacionado no Capitulo 3 ("Pneus para Camionetas"). 27. Observese que caminho oposto foi eleito pela contribuinte ao iniciar o seu intento classificatório por meio da consulta aos dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro, às normas da ABNT, às resoluções CONTRAN, às Portarias DETRAN, e à interpretação do Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina. Caso houvesse se atentado, em primeiro lugar, às RGI, constataria que o emprego dos pneumáticos em veículos do tipo "camionetas" (ou equivalente) não é encontrado em nenhum momento nos textos das subposições da Posição 4011. Assim, correta a decisão recorrida ao destacar, da solução de consulta acima mencionada, o seguinte trecho, em tudo pertinente ao deslinde do caso: "(...) não há uma correlação direta entre essa categoria técnicocomercial de pneus e os desdobramentos da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Todavia, o consulente, com a ratificação da AN1P, ao que parece, interpretou a matéria de maneira analógica, comparandose a utilização "comercial" desses pneumáticos com aqueles utilizados por "ônibus ou caminhões" e, por conseguinte, fez o enquadramento da mercadoria na Subposição 4011.20. Pelo que foi informado, fabricantes nacionais e/ou outros importadores estariam procedendo da mesma maneira. A interpretação adotada, no entanto, está equivocada e não tem amparo legal. Isso porque, de acordo com a mencionada Regra Geral n° 6 do Sistema Harmonizado, na Subposição 4011.20 só podem ser incluídos os artigos que sejam abrangidos pelo seu texto (ou dizeres). Nesse código, portanto, só podem ser classificados os pneumáticos especificamente concebidos para ônibus ou caminhões, o que não é o caso dos pneumáticos para camionetas e similares" (seleção e grifos nossos). 28. A reclassificação da mercadoria para o código 4011.99.90 foi, portanto, esclarecida por meio dos questionamentos realizados à ANIP, que concluiu que os pneumáticos se enquadravam na categoria "pneus para camionetas", o que é consentâneo com o entendimento da ALAPA, bem como "(...) pelas informações extraídas dos sítios na internet dos três maiores fabricantes/importadores (Michelin, Pirelli e Goodyear)", pois há, em tais loci, especificação de categoria apartada para ônibus e caminhões. 29. Os fundamentos trazidos pela contribuinte passam completamente ao largo das regras e metaregras ínsitas à Nomenclatura do Sistema Harmonizado e, ainda que construa a definição de "caminhão" com base nos termos da Portaria DETRAN nº 1.101/2011, mesmo que em perfeita harmonia com o Código de Trânsito Brasileiro, tais diplomas, em que pese sua irrefutável importância para outros momentos de aplicação do direito, não vinculam a classificação fiscal e, observese, tampouco a infirmam no presente caso, o que se, caso ocorresse, permitiria se cogitar eventual ofensa ao art. 110 do Código Tributário Nacional no sentido de que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado para definir ou limitar competências tributárias. Não se trata, nem de longe, deste caso, e tampouco foi este o sentido da argumentação sustentada na peça recursal. 30. Correta, portanto, a classificação indicada pela autoridade fiscal, devendo ser aplicada a Subposição, Item e Subitem 4011.99.90 ("Outros") ao produto em Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401003.498 S3C4T1 Fl. 1.532 11 análise e, assim, voto negar provimento ao recurso voluntário interposto naquilo que concerne à classificação fiscal da mercadoria. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantido o crédito tributário correspondente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1537DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.721225/2014-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida Procuradoria Geral da Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Tratase do Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 13839.721225/201404, situado às fls. 1201158, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), acrescidos de juros de mora e multa de ofício, além da multa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .7 21 22 5/ 20 14 -0 4 Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASS AWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 13839.721225/201404 Resolução nº 3401000.910 S3C4T1 Fl. 1001 2 regulamentar de 1% do valor aduaneiro em decorrência do erro de classificação fiscal, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 20.189.703,23. Adoto, inicialmente, o relatório elaborado pela primeira instância administrativa para, em seguida, complementálo: "Segundo o que relata a auditoria fiscal (fls. 1204/1220), o contribuinte importou, no período de fevereiro/2010 a abril/2013, equipamentos que, baseado na descrição em DI transcritas no quadro “A”, efetuam a reprodução de imagem e som em disco (DVD/BD) com leitura por meio óptico (raio laser), o que usualmente se denomina “DVD PLAYER ou BLU RAY”. Informa a fiscalização que, para a determinação da sua correta classificação fiscal na NCM, tendo em vista que os aparelhos reprodutores de DVD e/ou BD são integrados com amplificadores de áudio e receptores de rádio AM/FM, valeuse da Nota 3 da Seção XVI do Sistema Harmonizado, considerando que a função exercida pelo reprodutor classificação deste conjunto reprodutor de DVD/BD e das caixas acústicas, foi aplicada a Nota 4, considerando as posições 85.21 (reprodutor de DVD/BD) e 85.18 (caixas acústicas), tendo em vista que, apesar de serem elementos distintos (corpos separados), desempenham conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições dos Capítulos 84 ou 85. Considera que a função principal é “a de reprodutor de DVD/BD, pois as caixas de som simplesmente servem para produzir o som que estava gravado nos discos ópticos ou de outra forma foram decodificados e amplificados pelo reprodutor”, mantendose , assim, na posição 85.21 da NCM. Assim, explica que os Home Theater System em questão, por não ser de fita magnética, classificase na subposição residual 8521.90 e, no âmbito dessa subposição, por não ser um gravadorreprodutor e editor de imagem e som, enquadrase no item residual 8521.90.90 constante da TEC (Resolução Camex nº 94/2011). Relata que, na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), referente ao código NCM 8521.90.90, existem dois destaques: Ex 01 Aparelho de gravação ou reprodução, e edição, de imagem e som de televisão em disco rígido, por meio magnético, óptico ou optomagnético; Ex 02 Aparelhos de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico ou optomagnético. Assim, os equipamentos importados estariam enquadrados no “Ex” tarifário 02, pois se trata de “um aparelho próprio para reprodução de imagem e som gravado em disco cuja leitura é feita por meio óptico (tanto o DVD quanto o BD são mídias para leitura por raio laser), o que não foi observado pelo contribuinte, tendo em vista que ao invés de destacar a alíquota de IPI de 25% determinada para o “Ex” 02, destacou a alíquota de IPI normal de 15%. Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASS AWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 13839.721225/201404 Resolução nº 3401000.910 S3C4T1 Fl. 1002 3 Salienta que o IPI calculado e recolhido em valor inferior ao devido, refletiu no recolhimento a menor das contribuições para o PIS e para a Cofins incidentes na importação, tendo em vista que o valor do IPI, a época dos fatos, integrava a base de cálculo destas contribuições. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 1308/1365, na qual, em síntese: Concorda que importa os chamados Home Theater Systems "HTS", ou aparelhos de cinema domésticos, classificados na NCM sob o código 8521.90.90, basicamente por se tratarem de "aparelhos videofônicos de reprodução", na nomenclatura utilizada por esse sistema de classificação. Entretanto, alega que não foram consideradas pela autoridade autuante as características principais dos produtos importados, especialmente no que se refere à multiplicidade de formas de reprodução de áudio e vídeo, as quais não se limitam à "reprodução por meio de disco", a qual, ao revés disso, se mostra como apenas uma das formas possíveis de utilização do aparelho e, digase, das menos utilizadas atualmente. Aduz que a autoridade fiscal não trouxe qualquer elemento de prova suficiente à pretendida reclassificação, baseandose unicamente em sua presunção de que a função dos aparelhos importados seja "reprodução de DVD e/ou BD", presunção esta incompatível com a realidade dos fatos. E que foram 35 (trinta e cinco) produtos diferentes objeto de reclassificação, tratados todos de forma rasa e genérica pela fiscalização. Argumenta que a revisão do lançamento tributário baseouse em mudança no critério jurídico, pois houve a liberação das mercadorias pelas competentes autoridades aduaneiras, com a classificação fiscal adotada pela Impugnante e com a descrição das mercadorias devidamente realizada, sendo vedada a alteração de seu posicionamento após o desembaraço aduaneiro, por típico caso de erro de direito, sob pena de ofensa aos art. 145, 146 e 149 do CTN. Alega que os "HTS" importados são aparelhos videofônicos reprodutores de múltiplos formatos de mídia, sejam elas físicas ou digitais, por meio de streaming ou download da internet, e não simples "reprodutores de DVD e/ou BD", como quer fazer parecer a fiscalização. Esses aparelhos contam com conexão à internet (via cabo "ethernet" ou "wifi"), e também portas para conexão de dispositivos "USB", como a maioria dos discos rígidos e "flash drives". Contam com conectividade a "smartphones" e "tablets", podendo reproduzir imagens, áudio e vídeo diretamente desses dispositivos. Indica sites para verificação dos produtos de acordo com a descrição constante na DI. Argumenta que o "Ex02" da posição NCM 8521.90.90 trata apenas de reprodutores de discos óticos, exclusivamente a leitores de DVD e/ou BD, produtos estes ultrapassados pelas chamadas "mídias digitais" e que se diferenciam largamente dos produtos objeto da presente autuação. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASS AWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 13839.721225/201404 Resolução nº 3401000.910 S3C4T1 Fl. 1003 4 Informa que a classificação utilizada pelo fisco, nos oito dígitos da NCM, não diverge daquela por ela utilizada e que a posição 8521 da NCM é demasiadamente abrangente, consignando todos os aparelhos videofônicos, sejam ele apenas reprodutores ou também gravadores e editores. Todavia, por se tratarem de exceções tarifárias, os "Ex" devem possuir interpretação restritiva, sob pena de se tornarem a "regra" em vez da "exceção". Aduz que o equívoco da fiscalização implicaria a impossibilidade de classificação de um produto fora dos Ex01 e Ex02, ou seja, um produto jamais poderia ser classificado exclusivamente na NCM 8521.90.90, fora de qualquer dos seus "Ex". Informa do parecer elaborado pela Alston Consultoria (doc. 03), que concluiu que os HTS "não podem ser classificados no Ex 02 do código 8521.90.90 sob pena de pôrse de lado o critério da literalidade para interpretação de extarifários". E também do parecer elaborado pelo Dr. Edson Satoshi Gomi (doc. 04), o qual concluiu que "se deve classificar o aparelho Philips HTS6100 com o código 8521.90.90 da NCM, mas não se deve colocálo no conjunto dos produtos atingidos pela EX02". Aduz que isso é óbvio, pois, se assim não fosse, não haveria razão para a criação do "Ex02", bastando aumentar a alíquota do NCM 8521.90.90 para 25% e criar somente o "Ex01" (aparelhos que gravam e reproduzem). O fato de existirem três alíquotas possíveis (15%, 0% e 25%) evidencia que o "Ex" só pode ser interpretado restritivamente, sendo que aquilo que não puder ser enquadrado exatamente nas descrições dos dois "Ex", por exclusão lógica, será classificado no item da NCM sem previsão de "Ex". Alega que a função de reprodutor videofônico por meio da leitura de discos óticos não é a principal, mas, sim, a de ser um cinema doméstico, com áudio e vídeo de qualidade superior, lidos através de diversas fontes, desde a internet, passando por discos rígidos, flash drives e, inclusive (mas nunca limitado ou primordialmente) de discos óticos. Argumenta que deve ser afastada a cobrança das exigidas diferenças do PIS Importação e da COFINSImportação, decorrentes da majoração reflexa de suas bases de cálculo em razão do aumento da alíquota de IPI, pois, em face da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, o art. 7º, inciso I, da Lei n° 10.865/04, foi alterado pela Lei n° 12.865/13, passando a reconhecer que a base de cálculo das contribuições é apenas o valor aduaneiro. Insurgese contra a cobrança da multa de ofício e da multa de 1% do valor aduaneiro, pois os produtos importados estão corretamente descritos, com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação, havendo, apenas, divergência quanto à aplicação do Extarifário. E havendo dúvida na classificação fiscal aplicável aos produtos importados, não poderia a autoridade autuante ter aplicado qualquer penalidade, nos termos do art. 112 do CTN. Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASS AWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 13839.721225/201404 Resolução nº 3401000.910 S3C4T1 Fl. 1004 5 Ademais, não poderiam ambas as multas serem aplicadas concomitantemente. Aduz que não poderia haver a incidência dos juros de mora sobre os valores relativos à multa de ofício. Requer seja cancelada a exigência fiscal ou, subsidiariamente, seja afastada a exigência de diferenças de PIS e COFINS e a aplicação da multa administrativa, bem como não incida juros de mora sobre os valores relativos às penalidades aplicadas". Quando à alegação de alteração de critério jurídico, o julgador de primeira instância administrativa decidiu o que segue: "A adoção de critério jurídico, conforme consta do art. 146 do CTN, no que se refere à classificação fiscal, só ocorre quando a classificação estiver devidamente estabelecida em: a) legislação normativa específica, tal como instrução normativa, quando a abrangência é geral, ou seja, engloba todos os contribuintes em situação análoga; ou b) processo de consulta ou lançamento, quando somente atinge o mesmo contribuinte abrangido pela decisão anterior. No presente caso, não há qualquer legislação normativa que trate especificadamente da mercadoria em questão, não há processo de consulta em que a impugnante seja a consulente e não houve lançamento anterior, que ora se pretenda revisar, para o mesmo contribuinte". Rejeitada a preliminar apresentada, verificou que a classificação fiscal é questão incontroversa entre recorrente e recorrido, devendo o Home Theather System ("HTS")se enquadrar no código NCM 8521.90.90, restringindose a contenda ao "ex tarifário" 2, indicado como correto pela autoridade fiscal e previsto na TIPI, enquanto que o contribuinte, ao não informar o destaque correspondente, teria realizado recolhimento a menor. Em seguida, verificou que o aparelho principal é o player de DVD ou de Bluray, que serve para reprodução da imagem e do som. Entendeu, ainda, que a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal deveria ser mantida, pois "(...) será a classificação efetuada no código ou detalhamento atualmente previsto para a função a que serve o aparelho ora analisado, ainda que o contribuinte a considere mais antiga". Manteve a aplicação da multa de 75% de ofício, independentemente de dolo, máfé ou fraude por parte do contribuinte. Com relação aos juros sobre a multa de ofício, entendeu que o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual incidem os juros de mora. O contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASS AWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 13839.721225/201404 Resolução nº 3401000.910 S3C4T1 Fl. 1005 6 Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, relator. A recorrente argumenta, entre outro pontos, a existência de alteração no critério jurídico, vedado para fins de revisão do lançamento com base no art. 146 CTN. Apesar de mencionar rapidamente a existência de mercadorias importadas por meio do canal vermelho, não há como se apontar com certeza, na análise dos documentos trazidos ao presente processo, se de fato houve parametrização por este canal, ainda que tais afirmações, em conjunto com as provas, apontem indício de que elas realmente tenham ocorrido. Ainda assim, serão necessários alguns outros esclarecimentos a cargo da Administração, inclusive sob o pálio do contraditório, com manifestação expressa sobre tais fatos e documentos, para a formação de nosso convencimento a respeito da matéria, vez que este parece ser um dado muito importante para o julgamento do feito. Para casos como o ora analisado, em que efetivamente se materializa a insuficiência de provas para o deslinde da análise do processado, o próprio regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72) prevê, no art. 29, o seguinte: Decreto nº 70.235/72 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Assim sendo, entendo que o processo não se encontra suficientemente instruído e as provas existentes não foram ainda totalmente exauridas e analisadas sob o pálio do contraditório, não se encontrando, conseqüentemente, em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências, cuja redação retiro do Acórdão nº 3402000.658, ora utilizado tanto como modelo de quesitos como precedente para justificar o entendimento pela conversão: a) Relacionar todas as Declarações de Importação (DIs) que compõem o lançamento constante deste processo administrativo fiscal (PAF), de modo a adicionar colunas com a classificação adotada, a data do desembaraço aduaneiro e o canal de parametrização no qual cada referida DI foi desembaraçada (verde, amarelo, vermelho ou cinza); b) Esclarecer se em relação às DIs objeto de revisão aduaneira neste PAF, alguma delas foi objeto de determinação administrativa, quando do processo de desembaraço aduaneiro, para alteração da classificação fiscal, com ou sem imposição de multa por erro de classificação fiscal, em caso positivo relacionandoas e indicando as respectivas classificações fiscais empregadas pelo sujeito passivo e pela Autoridade Aduaneira, bem como as datas de desembaraço aduaneiro. c) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, relativamente aos documentos relativos aos desembaraços aduaneiros, os canais de Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASS AWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 13839.721225/201404 Resolução nº 3401000.910 S3C4T1 Fl. 1006 7 parametrização e eventuais erros de classificações fiscais quando dos desembaraços aduaneiros; d) Após, seja intimando o contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, relator. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASS AWARA DE ARAUJO BRANCO
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Numero do processo: 10665.722826/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
NORMAS LEGAIS. CONSTITUCIONALIDADE. EXAME. CARF. IMPOSSIBILIDADE.
A teor do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, e Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não detém competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de leis tributárias válidas e vigentes.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NORMAS DE REGÊNCIA. PRODUTOS LAMINADOS PLANOS.
A partir dos critérios definidos nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH, para classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), estando os produtos correspondentes a laminados planos e a barras objetivamente delineados na Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, pela descrição das dimensões constantes dos documentos fiscais ou fornecidas à fiscalização pelo contribuinte, esses devem ser os parâmetros adotados no enquadramento tarifário, não sendo possível o recurso a definições fornecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, Normatização de Siderurgias para Países do Mercosul ou outros organismo, como método de integração da legislação.
IPI. FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/64 c/c art. 488 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), a falta de destaque do imposto na respectiva nota fiscal rende ensejo à cobrança de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), não elidindo a infração em destaque o fato do contribuinte possuir créditos e/ou saldo credor em montante suficiente à cobertura dos valores não destacados, pela aplicação do princípio da não cumulatividade.
IPI. RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. OPERAÇÕES TRIBUTADAS. EXCLUSÃO.
Devem ser excluídos os débitos indevidamente lançados sobre notas fiscais canceladas com operações tributadas relacionados após Diligência Fiscal que analisou a escrita fiscal e contábil da contribuinte.
Numero da decisão: 3401-003.410
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, exclusivamente para acolher o resultado da diligência. Na votação, acompanharam o relator, vencido, os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que indicou que fará declaração de voto, divergindo os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Robson José Bayerl, que davam provimento parcial em menor extensão, somente para acolher o resultado da diligência, e, inicialmente, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que votava pela realização de nova diligência, mas, diante dos entendimentos externados, aderiu ao posicionamento do relator, tornando desnecessária a segunda votação a que se refere o parágrafo único do artigo 60 do RICARF. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Robson José Bayerl - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 NORMAS LEGAIS. CONSTITUCIONALIDADE. EXAME. CARF. IMPOSSIBILIDADE. A teor do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, e Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não detém competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de leis tributárias válidas e vigentes. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NORMAS DE REGÊNCIA. PRODUTOS LAMINADOS PLANOS. A partir dos critérios definidos nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH, para classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), estando os produtos correspondentes a laminados planos e a barras objetivamente delineados na Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, pela descrição das dimensões constantes dos documentos fiscais ou fornecidas à fiscalização pelo contribuinte, esses devem ser os parâmetros adotados no enquadramento tarifário, não sendo possível o recurso a definições fornecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, Normatização de Siderurgias para Países do Mercosul ou outros organismo, como método de integração da legislação. IPI. FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/64 c/c art. 488 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), a falta de destaque do imposto na respectiva nota fiscal rende ensejo à cobrança de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), não elidindo a infração em destaque o fato do contribuinte possuir créditos e/ou saldo credor em montante suficiente à cobertura dos valores não destacados, pela aplicação do princípio da não cumulatividade. IPI. RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. OPERAÇÕES TRIBUTADAS. EXCLUSÃO. Devem ser excluídos os débitos indevidamente lançados sobre notas fiscais canceladas com operações tributadas relacionados após Diligência Fiscal que analisou a escrita fiscal e contábil da contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, exclusivamente para acolher o resultado da diligência. Na votação, acompanharam o relator, vencido, os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que indicou que fará declaração de voto, divergindo os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Robson José Bayerl, que davam provimento parcial em menor extensão, somente para acolher o resultado da diligência, e, inicialmente, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que votava pela realização de nova diligência, mas, diante dos entendimentos externados, aderiu ao posicionamento do relator, tornando desnecessária a segunda votação a que se refere o parágrafo único do artigo 60 do RICARF. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. Rosaldo Trevisan - Presidente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Robson José Bayerl - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 NORMAS LEGAIS. CONSTITUCIONALIDADE. EXAME. CARF. IMPOSSIBILIDADE. A teor do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, e Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não detém competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de leis tributárias válidas e vigentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NORMAS DE REGÊNCIA. PRODUTOS LAMINADOS PLANOS. A partir dos critérios definidos nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH, para classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), estando os produtos correspondentes a “laminados planos” e a “barras” objetivamente delineados na Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, pela descrição das dimensões constantes dos documentos fiscais ou fornecidas à fiscalização pelo contribuinte, esses devem ser os parâmetros adotados no enquadramento tarifário, não sendo possível o recurso a definições fornecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, Normatização de Siderurgias para Países do Mercosul ou outros organismo, como método de integração da legislação. IPI. FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/64 c/c art. 488 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), a falta de destaque do imposto na respectiva nota fiscal rende AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 28 26 /2 01 2- 13 Fl. 1804DF CARF MF 2 ensejo à cobrança de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), não elidindo a infração em destaque o fato do contribuinte possuir créditos e/ou saldo credor em montante suficiente à cobertura dos valores não destacados, pela aplicação do princípio da não cumulatividade. IPI. RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. OPERAÇÕES TRIBUTADAS. EXCLUSÃO. Devem ser excluídos os débitos indevidamente lançados sobre notas fiscais canceladas com operações tributadas relacionados após Diligência Fiscal que analisou a escrita fiscal e contábil da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, exclusivamente para acolher o resultado da diligência. Na votação, acompanharam o relator, vencido, os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que indicou que fará declaração de voto, divergindo os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Robson José Bayerl, que davam provimento parcial em menor extensão, somente para acolher o resultado da diligência, e, inicialmente, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que votava pela realização de nova diligência, mas, diante dos entendimentos externados, aderiu ao posicionamento do relator, tornando desnecessária a segunda votação a que se refere o parágrafo único do artigo 60 do RICARF. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. Rosaldo Trevisan Presidente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Robson José Bayerl Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi. Relatório Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.792 3 1. Tratase de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 10665.722826/201213, situado às fls. 03 a 10, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no montante de R$5.751.908,48, acrescido de multa de ofício no valor de R$ 12.184.180,24, e juros de mora no valor de R$ 1.615.666,61 decorrente de ação fiscal realizada com o objetivo de determinar a legitimidade de créditos básicos de IPI no período de janeiro de 2008 a setembro de 2010 cujos saldos trimestrais foram objeto de pedidos de ressarcimento e compensação. 2. Segundo se depreende do Termo de Verificação Fiscal, situado às fls. 25 a 34, o produto denominado "laminado plano" foi classificado em desacordo com a Tabela de Incidência do IPI (TIPI), cuja Nota 1, alínea 'K' do Capítulo 72 define nos seguintes termos (fl. 25): 3. A contribuinte, não obstante, classificou a mercadoria na cuja Nota 1, alínea 'm' do Capítulo 72, destinado a "barras": Fl. 1806DF CARF MF 4 4. Observese que, enquanto os "laminados planos" estão classificados nas posições 7208 a 7212 da TIPI, sujeitos a uma alíquota de 5%, as barras estão classificadas nas posições 7214 e 7215, tendo sido a primeira delas (7214) aquela eleita pela contribuinte. A partir de 08/02/2006, os produtos classificados na posição 7214 tiveram a sua alíquota reduzida a zero por disposição do inciso I do art. 1º do Decreto nº 5.697/2006. 5. A contribuinte, intimada a justificar a escolha da posição 7214 para fins de classificação fiscal de sua mercadoria, apresentou laudo técnico produzido pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e informou, ainda, que seguia as normas da ABNT. 6. Na análise das notas fiscais de saída dos produtos em comento, verificouse, ainda, no campo da descrição, a denominação de "tarugo", produto semimanufaturado classificado na posição 7207 da TIPI tributado a uma alíquota de 5%, ainda que a classificação fiscal adotada tenha sido a de "barras", com posição 72149100, com alíquota zero, o que levou a autoridade fiscal a observar estar diante de "laminados planos descritos como tarugos e classificados como barras": "Intimada a esclarecer as divergências ( Item ‘b’ do Termo de Intimação de 25/09/2012), a empresa diz ter descrito incorretamente os produtos vendidos, já que não os fabrica. Explica que seus produtos são obtidos por laminação, atividade que exerce, enquanto que os tarugos são produtos maciços, obtidos por vazamento contínuo. Quanto à classificação fiscal, limitase a informar que foi adotada a posição 7214 por se tratar de produtos com largura inferior a 300mm, sem fazer qualquer referência às posições da TIPI por ela mesma informadas. Acatada a justificativa quanto ao erro na descrição dos produtos, , foi considerada a classificação fiscal 7211.1300, informada pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, por estarem os produtos dentro das especificações da Nota 1, alínea K do Capítulo 72 da TIPI (espessura igual ou maior que 4,75mm e largura superior a 150mm)". 7. A contribuinte reconheceu, ainda, ter havido a venda de produtos com ausência do destaque de IPI, o que justificou com a mudança de seu sistema de computação. Ato contínuo, ainda durante o curso do procedimento de fiscalização, apresentou notas fiscais complementares relativas ao lançamento de IPI, confessando o crédito tributário no montante de R$ 51.822,89. 8. No concernente ao aproveitamento dos créditos e ao lançamento dos débitos, relatou: "Foi ainda analisada a regularidade dos registros dos débitos por estornos de créditos decorrentes de pedidos de ressarcimento apresentados. Até o mês de agosto de 2009, o Livro de Registro de Apuração de IPI apresentado pelo contribuinte indica tais estornos no mês em que a compensação de tributos é realizada. A partir de outubro de 2009, o estorno passa ser feito, corretamente, no mês da apresentação do Perdcomp Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.793 5 (...). Para o lançamento dos débitos (consolidados, conforme demonstrativo de n. 04), foi considerado o Livro de registro de Apuração de IPI, com sua escrituração reconstituída, para se registrar os estornos de créditos de acordo com as datas de apresentação dos Perdcomp. Foram ainda estornados débitos em valores correspondentes à insuficiência de saldos de créditos solicitados em Perdcomp (demonstrativo de n. 4)". 9. Os saldos devedores foram exigidos por meio de auto de infração e a contribuinte, irresignada, apresentou impugnação, situada às fls. 1339 a 1357 em 09/01/2013, cujos principais fundamentos foram resumidos pelo Acórdão DRJ nº 0943.684, proferido em sessão de 30/04/2013, pelo colegiado da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 1.527 em Juiz de Fora (MG), que tomamos de empréstimo: Cientificada do lançamento de ofício em 13/12/2012 (fls. 04 c/c 31), a autuada, por meio dos procuradores regularmente constituídos (fl. 1358), apresentou em 09/01/2013 a impugnação de fls. 1339/1357, na qual, em síntese, argumentou que: a impugnação era tempestiva; o Fisco reconstituiu a escrita fiscal, fazendo “incidir tributação sobre NOTAS FISCAIS CANCELADAS, conforme relação e cópias em anexo, gerando imposto sobre o valor de R$2.142.472,04. Ora, com efeito, se as notas ficais foram canceladas, nenhuma transação comercial fora concretizada, pelo que não há falar em incidência de IPI sobre as mesmas, pena de enriquecimento sem causa por parte da Administração Fazendária, pelo que se impõe seja expungido do Auto de Infração o tributo incidente sobre as referidas notas fiscais, o que desde já é requerido”; “No que tange aos anexos 1, 2 e 3, que tratam da ‘Barras Chatas’, fundamentou a Agente Fiscal desse órgão Fazendário, em suma ‘que os laminados planos’ foram indevidamente classificados pela impugnante como ‘barras chatas’, afirmando que aqueles estão classificados nas posições 7208 e 7212 da TIPI e são tributados pela alíquota de 5% (cinco por cento), enquanto que estas estão classificadas nas posições 7214 e 7215, sendo que a posição 7214, a partir de 08 de fevereiro de 2006, tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero, por força do disposto no artigo 1º, inciso i, do decreto 5.697/2006”; a autuação violava o disposto no art. 1º, inciso I, do Decreto nº 5.697, de 8 de fevereiro de 2006, o qual estabelecia “que as ‘Barras’ classificadas na posição 72.14 tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero”; o laudo técnico do professor Paulo Villani Marques, do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais, solicitado pela impugnante, corroborava a classificação adotada pela impugnante como “barra chata” na posição 72.14, com alíquota do IPI reduzida a zero pelo Decreto nº 5.697, de 2006, para os produtos considerados na autuação. As fotografias ilustrativas em tal laudo de perícia técnica demonstravam Fl. 1808DF CARF MF 6 claramente a diferenciação entre “aços longos – barras chatas”, abrangidos pelo Decreto nº 5.697, de 2006, e os “laminados planos”; os aços longos eram também conhecidos como barras chatas e enquadravamse na posição 72.14 da TIPI, diferenciandose dos laminados planos, enquadrados na posição 72.08 a 72.12 da TIPI, em razão de estes serem “aplicados, na sua maioria, na linha de fabricação automotiva e eletrodomésticos, aqueles são utilizados na construção civil”. Tal fator havia sido determinante para a redução do IPI à alíquota zero, imposta pelo o Governo Federal por meio do aludido Decreto nº 5.697, de 2006, para aqueles produtos “aços longos – “barras chatas”, o que ia ao encontro do entendimento defendido pela autuada, consoante uma interpretação teleológica das normas tributárias; antes mesmo de a alíquota do IPI ter sido reduzida a zero pelo citado decreto, a classificação do produto já era adotada pela impugnante na posição 72.14" Diante desse contexto, concluise, com segurança, que a distinção entre ‘laminados planos’ e ‘barras chatas’, não pode se restringir apenas às suas dimensões, nos termos das notas explicativas do capítulo 72 da TIPI (...) Como se vê, o legislador definiu a ‘barra chata’ por exclusão, ou seja, todos os laminados que não se enquadrassem em outra categoria deverá ser assim classificado. E dessa forma, o produto em questão, objeto da lavratura do presente Auto de Infração, erroneamente classificado pela fiscalização a pretexto de imporlhe tributação não autorizada por lei, não se tratando de laminado plano, ainda que por exceção, apresente dimensões dentro do estabelecido na línea ‘k’, não poderá ser assim considerado”; pela ausência de elementos a estabelecer a exata distinção entre os laminados longos, nos quais se inseriam as barras chatas, e os laminados planos, era necessário buscar auxílio numa interpretação sistemática das normas, que considerava o sistema jurídico como um todo harmônico. Isso incluía, de um lado, o laudo técnico do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais e, de outro lado, as determinações da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT –, cuja função era promover “um conhecimento sistematizado que permitam a produção, comercialização e uso de bens e serviços de forma competitiva e sustentável”. Nesse contexto, a norma ABNT NBR5907 estabelecia, dentre outros, condições gerais, dimensões, tolerâncias de barras chatas de aço laminadas a quente: “a barra chata é uma barra de seção retangular, de cantos vivos (ou arredondados), com espessura superior a 5mm até 60mm inclusive, e largura igual ou superior a 10mm e inferior a 300mm” De acordo com a descrição da digna autoridade fiscal, verificase que os produtos comercializados pela ora impugnante se enquadram nessas características, estando, portanto, de acordo com o padrão estabelecido e corretamente classificados na posição 72.14, cuja alíquota do IPI fora reduzida a zero pelo artigo 1º , inciso I, do Decreto 5.697, de 08 de fevereiro de 2006”; ademais, “a classificação dos referidos produtos como ‘barra chata’ encontrase de pleno acordo com a Normatização da Siderurgia para países do Mercosul, NM 182:99”, assim definida no seu item 3.1: “Barra chata: barra de seção transversal retangular de bordas planas com cantos vivos ou arredondados ou de bordas livres, com espessura de 3mm a 60mm inclusive, e largura entre 10mm a 250mm. Temse, por conseguinte, que referida Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.794 7 norma, por ser internacional e mais específica é hierarquicamente superior ao Decreto que traz a Tabela dos Códigos de Classificação Fiscal e alíquotas do IPI. Nesse sentido, determina o art. 98 do Código Tributário Nacional”; do exposto, restava evidente que o auto de infração violava o art. 1º, inciso I, do Decreto nº 5.697, de 2006, além do art. 150 da Constituição da República, que tratava das limitações ao poder de tributar; Quanto ao anexo 4, em que a fiscalização alegou tratarse de produto manufaturado, classificado na posição 7207 da TIPI e, portanto, sujeito à incidência de 5% de IPI, na realidade, embora a mercadoria tenha sido descrita como ‘tarugo’, tratase de ‘barras chatas’, que, incorretamente, foram descritas de forma diversa (tarugos) nas notas fiscais de saída. Tanto é verdade que a impugnante possui como atividade principal a laminação, enquanto que os produtos semimanufaturados de acordo com a TIPI são produtos maciços obtidos por vazamento contínuo, o que não é a hipótese da laminação. Nesta hipótese, a impugnante contesta veemente [sic] a atuação fiscal e ratifica e reitera todos os argumentos expendidos nos itens ‘4’ a ‘4.3’ desta impugnação”; No que tange ao anexo 5, que trata de venda de produtos sem destaque do IPI, gerando um tributo no valor de R$51.822,89, a impugnante concorda que realmente houve equívoco, incorrido quando da implantação do novo sistema de computação ‘SAP’.”; sobre a multa de ofício aplicada no percentual de 75%, os R$4.313.931,38 incidentes sobre o IPI apurado no importe de R$5.751.908,48 constituíam evidente utilização do poder de tributar com finalidade confiscatória, indo de encontro ao disposto no art. 150, inciso IV da Constituição da República. Nessa linha entendia o Poder Judiciário – STF, STJ e TRFs – bem como a doutrina (transcreveu excertos judiciais e doutrinários como supedâneo das suas assertivas); era literal, simplória e sem apego aos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade a interpretação do Fisco sobre o art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, no sentido de que “basta ter havido falta de indicação do valor do IPI nas notas fiscais, ou seja, uma simples obrigação acessória, que, por si só, de forma nenhuma representa falta de recolhimento do imposto, para o contribuinte ficar sujeito à multa de ofício de 75% do valor do imposto que deixou de ser indicado. Mas, quando a lei referese a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto ou a valor do imposto que deixou de ser lançado, evidentemente que está subentendido que se trata de valor que deixou de ser lançado e recolhido. O legislador considerou isso tão evidente, que no se deu ao trabalho de explicitar de forma didática que, além de o valor do imposto deixar de ser indicado na nota fiscal, deveria haver a falta do recolhimento do mesmo valor, para sujeitar o contribuinte à multa. O legislador já pressupôs que da falta de lançamento do valor do imposto já decorreria naturalmente a falta de recolhimento correspondente”; “(...) a maior parte do valor da multa, R$7.870.248,86, foi cobrada pela simples falta de indicação do valor do imposto nas notas fiscais, uma mera obrigação acessória sem maiores conseqüências, mas não houve falta de Fl. 1810DF CARF MF 8 recolhimento do imposto, uma vez que o seu débito foi compensado com saldo credor do mesmo imposto que a recorrente tinha nos períodos de apuração correspondentes”; “Ainda que, por absurdo, se admitisse, o que se faz aqui apenas para argumentar, que a recorrente estaria sujeita à multa prevista no mencionado caput do art. 80 da Lei n° 4.502/64, mesmo em relação aos períodos de apuração em que os valores de IPI não lançados nas notas fiscais estavam cobertos com créditos do imposto, não havendo, portanto, nenhuma falta de recolhimento do imposto, ainda assim a multa pretendida pelo Fisco não pode ser cobrada. Os valores não lançados nas notas fiscais relativamente aos períodos em que os créditos superavam tais valores não lançados foram quitados por meio de compensação com tais créditos, em vista da regra constitucional da nãocumulação do IPI. Mesmo que o valor do imposto não tenha sido lançado na nota fiscal, há, relativamente a cada período em que os créditos superam os débitos do imposto, uma denúncia espontânea da infração, uma vez que o valor do imposto, embora não lançado na nota fiscal, é pago por meio de abatimento dos créditos do período correspondente. Assim sendo, a tal situação se aplica a regra do art.138 do CTN, que prevê a exclusão da responsabilidade da infração pela denúncia espontânea”; Ao final, por tudo que expôs, requereu a improcedência total do auto de infração, ou, quando não, a redução da multa para o percentual de 20% sob pena de violação ao princípio constitucional do não confisco" (seleção e grifos nossos). 10. Transcrevese, abaixo, a ementa do Acórdão DRJ nº 0943.684, proferido em sessão de 30/04/2013: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os critérios a ser utilizados para a classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) dos produtos correspondentes a “laminados planos” e a “barras” estão objetivamente determinados na Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, devendo ser estritamente observados a teor da Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado. MULTA DE OFÍCIO. IPI NÃO LANÇADO (DESTACADO) EM NOTA FISCAL. A falta de destaque (lançamento) do IPI em nota fiscal de saída de produto tributado do estabelecimento industrial subsumese à infração tributária capitulada na primeira parte do caput do art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, sujeitandose à multa de ofício estabelecida na parte final desse art. 80: 75% do imposto não lançado (destacado) na nota fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.795 9 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Mantémse a autuação no tocante à matéria que não tenha sido expressamente impugnada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária, dentre elas a multa de ofício no percentual de 75% sobre o IPI não lançado em nota fiscal de saída, presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido". 11. A contribuinte interpôs recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância administrativa repisando as razões versadas em sua impugnação. 12. Em sessão de 24/04/2014, a 1ª turma da 1ª Câmara da 3ª Seção prolatou o Resolução CARF nº 3101000.355, convertendo o julgamento em diligência nos seguintes termos: "Preliminarmente devemos apreciar a assertiva da Recorrente, também trazidas na impugnação, de que Fisco, em sua reconstituição de ofício da escrita fiscal, fez incidir tributação sobre notas fiscais canceladas, em relação aos documentos relacionadas em sua impugnação (fls. 1399 a 1401) e anexadas (fls. 1402 a 1510), gerando imposto sobre o valor de R$2.142.472,04. A Recorrente alega que o cancelamento das notas fiscais emitidas eletronicamente são autorizadas pela Fazenda Estadual e sob fiscalização desta, pelo não possuía a Recorrente meios de anexar à sua impugnação os “blocos” ou “formulários contínuos” de todas as vias das referidas notas, alegando ainda que tal fato poderia ter sido constatado em procedimento de diligência fiscal. Entendo que a questão merece ser melhor esclarecida, com a efetiva apuração da ocorrência ou não do fato gerador do IPI nas operações vinculadas às notas fiscais alegadamente canceladas. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA, com retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora apure a ocorrência do fato gerador do IPI nas operações vinculadas às notas fiscais relacionadas pela recorrente às fls. 1399 a 1401 e anexadas às fls. 1402 a 1510, de forma a comprovar o efetivo Fl. 1812DF CARF MF 10 cancelamento das mesmas, com análise de sua escrita fiscal e contábil, elaborando um parecer conclusivo acerca da alegação da recorrente de incidência de tributação de IPI sobre notas fiscais canceladas, e demonstrativo de cálculo, no caso de apuração de lançamento indevido. Do resultado da diligência deverá ser dado ciência ao contribuinte, abrindo lhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual". 13. Intimada para apresentação de documentos, a contribuinte apresentou, conforme informa à fl. 1618, o laudo com o relatório técnico nº 000.819/14 emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT) que descreveu o processo de produção "(...) ficando claro que a empresa não tem condições de produzir o Laminado Plano". 14. Em seu Relatório de Diligência Fiscal, situado às fls. 1776 a 1783, a autoridade fiscal confirma, após diligência física ao estabelecimento da contribuinte, as notas fiscais de fls. 1402 a 1510 foram canceladas, mas que nem todas tiveram operações tributadas no auto de infração em debate por se tratarem de venda de produtos não objeto da reclassificação fiscal pela autoridade lançadora, ou por outros motivos, como se tratar de saída para a Zona Franca de Manaus. Em seguida, discrimina as notas fiscais canceladas que tiveram operações tributadas pelo auto de infração e demonstra o valor dos débitos relativos ao ano base de 2008 a serem alterados no auto de infração, após a exclusão dos débitos indevidamente lançados sobre as notas fiscais canceladas. 15. O processo foi devolvido a este Conselho e, em seguida, encaminhado para a minha relatoria. É o relatório. Voto Vencido Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 16. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 17. A questão se resume à indagação sobre se a mercadoria importada se trata de um "laminado plano" (posições 7208 a 7212 da TIPI), como reputa correto a autoridade fiscal, ou de uma "barra" (7214), classificação eleita pela contribuinte. 18. Valemonos do estudo do laudo técnico produzido pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que explica a laminação se tratar de um processo por meio do qual o material é forçado a passar entre dois Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.796 11 cilindros que giram em sentidos opostos com uma distância entre eles menor do que a dimensão inicial do material a ser deformado: 19. O laudo em referência aponta que, em regra, o aço é processado mais de uma vez, fazendose necessário, portanto, que o equipamento de laminação seja capaz de submeter o material a uma seqüência de passagens. 20. Esclarece, ainda, a existência de dois caminhos para se processar o aço. Tal processo, conhecido como "lingotamento contínuo do aço", é jungido pela finalidade da obtenção ou de (i) produtos longos: perfis, barras ou tarugos; ou de (ii) produtos planos: placas, chapas e tiras: 21. Colaciona fluxograma que demonstra a seqüência da produção típica de um processo de laminação em uma siderúrgica. Por meio dele, é possível se depreender que o processo de laminação, independentemente do resultado que se deseje obter (produtos longos ou planos, conforme acima descritos), pode ter dois pontos de partida diferentes, ou de um (i) lingote ou de um (ii) bloco ou placa. Sendo uma placa, haverá a necessidade de um "laminador Fl. 1814DF CARF MF 12 primário" (também chamado de "laminador debastador") que transformará os lingotes em blocos ou placas. 22. A seqüência de produção, portanto, é: partese de um lingote (produto primário), que é passado por um "laminador primário" para ser transformado em um bloco ou placa (produto semiacabado) que, por sua vez, poderá ser transformado em produtos longos ou produtos planos. 23. A partir da obtenção dos produtos semiacabados (blocos ou placas), o material passa por um processo de reaquecimento térmico e, a partir de então, passa (i) por um "laminador de chapas grossas"; ou (ii) por um "laminador de tiras a quente" 24. No caso da contribuinte ora recorrente, observase que a empresa não produz o seu próprio aço: a empresa adquire de terceiros chapas grossas ou lingotes de terceiros e as corta para a obtenção de tiras. 25. A partir das tiras cortadas em seu processo siderúrgico, transformaas em produtos longos (que, recordese, podem consistir em perfis, barras ou tarugos): Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.797 13 26. Com base nestes fundamentos, e nas normas técnicas brasileiras, conclui o laudo técnico no sentido de que o material produzido pela contribuinte recorrente denominado "barra chata" se trata de um produto longo, e não de um laminado plano. Observa, ademais, que, de modo geral, são raras as fábricas no mundo que produzem os dois tipos em uma mesma planta, alegando a contribuinte, ademais, não escapar à regra. 27. Ressaltase, ademais, a seguinte consideração da autoridade fiscal no sentido de que firmou a sua convicção com base na TIPI: 28. Consideramos, por outro lado, a partir da leitura das notas explicativas do Capítulo 72 da TIPI, mais especificamente as alíneas 'k' e 'm', em primeiro lugar a definição daquilo que seria um "laminado plano", trazendo, por conseguinte, a sua definição técnica. Em seguida, na alínea 'm', ao tratar das barras, descreveas da seguinte forma: "Os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes nas alíneas 'i', 'j', 'k' e 'l', nem à de fio, e cuja seção transversal, maciça e constante, tenha a forma de círculo, de segmento circular, oval, de quadrado, retângulo, triângulo ou de outros polígonos convexos (...)". A "barra", e logo sua subespécie "barra chata", é definida por exclusão pelo legislador. Fl. 1816DF CARF MF 14 Em outras palavras: todos os produtos que não se enquadrem em outra categoria no processo siderúrgico, e que não sejam fios, devem se enquadrar na categoria "barra". 29. O laudo técnico acima referenciado dá exemplos de produtos longos, entre os quais as barras: 30. A classificação de tal produto como "barra chata", ademais, harmonizase com a "Normatização da Siderurgia" para países do Mercosul (NM 182:99) que, no item 3.1 a define como uma "barra de seção transversal retangular de bordas planas com cantos vivos ou arredondados ou de bordas livres, com espessura de 3mm a 60mm, inclusive, e largura de 10mm a 250mm, inclusive". 31. Os processos produtivos são, de fato, segundo nossos estudos realizados para o deslinde do presente feito, marcadamente diversos e a contribuinte, pelo material produzido nestes autos, sequer tem estrutura e maquinário próprios para produzir laminados planos em sua planta. É crível que se subsuma à realidade descrita nas notas fiscais a venda de tarugos, pois pertencentes à família dos produtos longos, mas não laminados. 32. Essa classificação, ademais, é central para a resolução do mérito, uma vez que a produção de cada grupo (ou longos ou planos) envolve tecnologias marcadamente diferentes, como se denota da leitura dos laudos técnicos. 33. Tal argumentação é confirmada, por fim, pelo relatório técnico nº 000.819/14 emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT) que descreveu o processo de produção levado a termo pela contribuinte como voltado à obtenção de produtos longos, "(...) ficando claro que a empresa não tem condições de produzir o Laminado Plano". 34. Em que pese tudo indicar que se trata de uma "barra" de aço o produto em análise, não é possível se afirmar com segurança sobre qual seria a classificação correta a ser adotada no caso presente. Não obstante, já é possível se afirmar com alto grau de certeza, com base nos fundamentos acima expendidos, que tal produto não se trata de um Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.798 15 laminado plano, restando afastada, portanto, a classificação reputada correta pela autoridade fiscal. 35. Em prestígio ao resultado da Resolução CARF nº 3101000.355, proferida em 24/04/2014 pela a 1ª turma da 1ª Câmara desta Seção, devem, ainda, ser excluídos os débitos indevidamente lançados sobre as notas fiscais canceladas com operações tributadas, nos exatos e precisos termos do Relatório de Diligência Fiscal, situado às fls. 1776 a 1783 dos presentes autos administrativos. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com as vênias de praxe, discordo do posicionamento estampado pelo eminente Conselheiro Relator, pelas razões que passo a expor. A matéria de fundo deste lançamento, classificação fiscal dos produtos que cita, não é nova neste sodalício, tendo inclusive esse colegiado, ainda que em composição distinta, já se manifestado a seu respeito, ex vi do PA 10665.001722/201000, envolvendo o mesmo contribuinte e praticamente os mesmos produtos, noAcórdão 3401001.946, de 25/09/2012: "BARRAS DE FERRO E AÇO. PRODUTOS LAMINADOS PLANOS. A classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI [TIPI] dos produtos denominados 'barras de ferro e aço' e 'laminados planos' deve seguir os critérios determinados na Nota 1 do Capitulo 72 da TIPI, observandose ainda a Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida. IPI NÃO LANÇADO NA NOTA FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFICIO. Fl. 1818DF CARF MF 16 Sobre o valor do IPI não destacado na nota fiscal de saída dos produtos, no caso, em face de erro na sua classificação fiscal, calculase a multa de oficio de 75%, desse valor desmembrandose outros 75% calculados sobre o IPI apurado a partir da reconstituição de oficio dos saldos da escrita fiscal. Recurso Voluntário provido em parte." A única diferença entre este feito e aquele reside na ausência de produtos reclassificados para o código 7208.51.00, mas apenas 7211.13.00, 7211.14.00 e 7211.19.00. O contribuinte, em sua peça defensiva, apela para o conceito de “barras chatas” fornecido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT e pela Normatização de Siderurgias para Países do Mercosul, bem como, para uma interpretação sistemática destas acepções, todavia, não contesta diretamente a classificação fiscal adotada pela fiscalização, sob a ótica das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH. Destarte, dispõem os arts. 16 e 17 do Decreto nº 4.544/02, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração dos Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, que a classificação fiscal na TIPI (Tabela de Incidência do IPI) farseá em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), sendo que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e de Codificação de Mercadorias (NESH), do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão luso brasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem assim das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Portanto, não há espaço para admissão de conceitos outros, para finalidade de classificação fiscal, como defende o recorrente, senão aqueles previstos na legislação de regência. Segundo as notas do capítulo 72, são qualificadas como barras os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) e 1) acima, nem à de fio, e cuja seção transversal, maciça e constante, tenha a forma de círculo, de segmento circular, oval, de quadrado, retângulo, triângulo ou de outros polígonos convexos (incluídos os ‘círculos achatados’ e os ‘retângulos modificados’, em que dois dos lados opostos tenham a forma de arcos de círculo convexo e os dois outros sejam retilíneos, iguais e paralelos). Como destacado no Acórdão 3401001.946, o conceito de “barra” se dá por exclusão. É residual. Ou seja, uma vez não satisfeitas quaisquer das definições específicas, o produto é tratado como "barra". No caso vertente, os produtos descritos pelo contribuinte em seus documentos fiscais, mormente na especificação de suas dimensões, não correspondem a essa definição residual de barras chatas, tal como fornecida pelas Notas de Seção e de Capítulo da TIPI, encontrando previsão própria na alínea “k”, que define os produtos laminados planos, como pontuado pelo lançamento e pela decisão de primeiro grau administrativo. A teor da aludida alínea “k” da Nota 1, do Capítulo 72, a acepção de “laminados planos” é a seguinte: Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.799 17 “ os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1ij) (produtos semimanufaturados) anterior: em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm, ou de largura superior a 150mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75mm. Os produtos que apresentem motivos em relevo provenientes diretamente da laminagem (por exemplo: ranhuras, estrias, gofragens, lágrimas, botões, losangos) e os que tenham sido perfurados, ondulados, polidos, classificamse como produtos laminados planos, desde que aquelas operações não lhes confiram as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições. Os produtos laminados planos, de quaisquer formas (excluídas a quadrada ou retangular) e dimensões, classificamse como produtos de largura igual ou superior a 600mm, desde que não tenham as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições.” (destacado) Sobre a classificação fiscal propriamente dita, valiosa a transcrição do trecho respectivo do voto condutor da DRJ: “Do exposto, temse que a aplicação da Regra Geral nº 1 (observância das Notas de Seção e de Capítulo da TIPI) traduzse na condição sine qua non – ou seja, na regra de partida, ou premissa básica – para se efetuar a classificação fiscal de mercadorias, uma vez que somente se não houver fuga nem contrariedade às determinações dessa Regra Geral nº 1 é possível a aplicação das demais regras. Com efeito, a aplicação da Regra Geral nº 1 é muitas vezes suficiente para se obter, direta e precisamente, a classificação fiscal de uma mercadoria/produto. Exatamente assim ocorre no caso concreto ora em apreço. Isso porque, a teor da Nota 1, alíneas ‘k’ e ‘m’ do Capítulo 72 da TIPI, para efeito da classificação fiscal na TIPI, os ‘produtos laminados planos’ das posições 7208 e 7211 (adotadas pela Fiscalização) e as ‘barras’ classificadas na posição 7214 (adotada pela autuada) diferenciamse com base em critérios exclusivamente objetivos, quais sejam: conforme a alínea ‘k’ da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, os ‘laminados planos’ são definidos em razão das proporções entre suas larguras e espessuras; Fl. 1820DF CARF MF 18 já as ‘barras’, consoante a alínea ‘m’ da aludida Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, são definidas por exclusão, isto é, quando não se enquadrem nas definições dadas pelas alíneas ‘ij’, ‘k’ ou ‘l’ daquela Nota 1 do Capítulo 72. No auto de infração, conforme explanado no termo de verificação fiscal e expressamente indicado no demonstrativo 1 do auto de infração (anexo I do presente processo), a Fiscalização efetuou a classificação dos produtos em questão industrializados pela autuada tomando como parâmetro os critérios objetivos apontados acima. Aliás, da argumentação exposta na impugnação, percebese que a própria autuada concorda que, para a legislação tributária, são os critérios objetivos supramencionados que diferenciam os ‘laminados planos’ e as ‘barras’. Porém, discorda que tal distinção seja dada exclusivamente por tais critérios. Para tanto, alegando aplicar uma interpretação sistemática das normas a abranger o sistema jurídico como um todo harmônico, busca amparo em pareceres e definições de órgãos técnicos como o Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou a Normatização da Siderurgia para Países do Mercosul, visando justificar a sua consideração dos produtos em questão como ‘barras’ classificadas na posição 7214 da TIPI.” A decisão da DRJ bem aborda a questão e não merece revisão. Em síntese, os produtos fabricados pela recorrente e objeto de lançamento, consoante as regras de classificação fiscal, não podem ser consideradas “barras”, mas sim produtos laminados planos, como apontado pela fiscalização. Outrossim, merece destaque a alegação do voto vencido, fundada em laudos particulares (produzidos unilateralmente pelo recorrente), que a autuada não teria condições de produzir “produtos laminados planos”, pois, tal qual ocorrido no PA 10665.001722/201000, essa matéria de defesa, não foi deduzida em impugnação ou mesmo em recurso voluntário, mas tão somente invocada, por via reflexa, com a apresentação de um laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), apresentado por ocasião da diligência, que sequer tratava do tema, mas apenas das glosas pelo cancelamento de notas fiscais, de modo que teria se operado, em relação a esse ponto, a preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Demais disso, o conceito de "produtos laminados planos" utilizado nos laudos não é aquele definido pelas regras comuns de enquadramento tarifário previstas nos arts. 16 e 17, do Decreto nº 4.544/02, adrede transcritos, mas de acepções fornecidas por outras fontes. Quanto à alegação, do recorrente, que empresas concorrentes estariam se valendo da errônea classificação para produtos similares, de sua fabricação, entendo que o argumento não seja juridicamente válido, ainda que sob invocação de respeito ao "princípio da igualdade", a amparar a pretensão de exonerarse do lançamento, eis que não se mostra sensato, especialmente do ponto de vista legal, reputar exigência fiscal improcedente simplesmente porque outros contribuintes, do mesmo ramo, não foram autuados. Em situações como essa, o caminho indicado para a solução é a formulação de comunicação desses fatos à Administração Tributária para que sejam adotadas as providências fiscalizatórias demandadas. Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.800 19 Nesta senda, uma vez acatada a classificação indicada pelas autoridades fiscais, necessário o enfrentamento dos demais temas deduzidos em recurso. Respeitante ao equívoco da descrição dos produtos, nos documentos fiscais, como "tarugos", mas que, na verdade, corresponderiam a "barras chatas", segundo a concepção do recorrente, a decisão sob vergasta, bem como, a própria autuação, acataram a ocorrência do lapso descritivo e, a partir das especificações fornecidas pelo recorrente, concluíram que se tratavam de “laminados planos”, como os demais produtos sujeitos ao reenquadramento tarifário, como se verifica da seguinte passagem do voto condutor da decisão de primeiro grau administrativo: "Voltase, agora, para a apreciação da infração nº 0002 – 2ª parte considerada no auto de infração, que corresponde ao tópico nº 2 (intitulado “‘Laminados planos’ descritos como ‘Tarugos’ e classificados como ‘Barras’ ”) do termo de verificação fiscal; à 6ª coluna do demonstrativo nº 02 desse termo, bem como ao anexo 04 do termo de intimação fiscal de 25/09/2012. Para a Fiscalização, o lançamento de ofício assentouse no seguinte: nas notas fiscais de saída relacionadas no anexo 04 do termo de intimação fiscal de 25/09/2012 (fls. 1154/1159), os produtos estavam descritos como “tarugos” (cuja classificação era 7207 na TIPI, com alíquota de 5%), mas com a classificação fiscal relativa a “barras” (7214.9100); de outro lado, “segundo informações prestadas pela própria empresa, em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, a classificação fiscal de tais produtos, identificados por códigos de mercadorias, seria 7211.1300 e 7211.1400, ambas relativas a ‘laminados planos’, com tributação pela alíquota de 5% (cinco por cento)”; instada a esclarecer as divergências, conforme o item “b” do termo de intimação fiscal de 25/0/2012 (fl. 110), a contribuinte respondeu (fl. 1167): “Os produtos relacionados no Anexo 04 foram classificados na posição 7214 por tratarse de largura inferior a 300mm, e a descrição de Tarugos ficaram todas incorretas, pois trataramse produtos laminados que é a atividade principal da empresa Ciafal, e os semimanufaturados de acordo com a TIPI são os produtos maciços obtidos por vazamento contínuo, que não é o caso de Laminação.” sendo assim, segundo a Fiscalização, a classificação adequada para os aludidos produtos era 7211.1300, “informada pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, por estarem os produtos dentro das especificações da Nota 1, alínea K do Capítulo 72 da TIPI (espessura igual ou maior que 4,75mm e largura superior a 150mm), conforme demonstrativo de . 02”. Já a autuada alegou na impugnação que: “Quanto ao anexo 4, em que a fiscalização alegou tratarse de produto manufaturado, classificado na posição 7207 da TIPI e, portanto, sujeito à incidência de 5% de IPI, na Fl. 1822DF CARF MF 20 realidade, embora a mercadoria tenha sido descrita como ‘tarugo’, tratase de ‘barras chatas’, que, incorretamente, foram descritas de forma diversa (tarugos) nas notas fiscais de saída. Tanto é verdade que a impugnante possui como atividade principal a laminação, enquanto que os produtos semimanufaturados de acordo com a TIPI são produtos maciços obtidos por vazamento contínuo, o que não é a hipótese da laminação. Nesta hipótese, a impugnante contesta veemente [sic] a atuação fiscal e ratifica e reitera todos os argumentos expendidos nos itens ‘4’ a ‘4.3’ desta impugnação”; No juízo deste relator, a razão está com a Fiscalização, haja vista as considerações elencadas abaixo. 1) Primeiramente, houve o expresso reconhecimento da impugnante de que os produtos relacionados nas notas fiscais notas fiscais de saída indicadas no anexo 04 do termo de intimação fiscal de 25/09/2012 (fls. 1154/1159) não se travam de “tarugos”, mas sim, segundo a sua concepção, de “barras chatas”. Não sendo “tarugos”, não havia como o Fisco ter adotado a classificação 7207 mencionada na impugnação. Isso de fato não ocorreu, pois, a classificação considerada no lançamento de ofício foi 7211.1300, relativa a “laminados planos”. 2) A autuada, tanto na sua resposta13 ao anexo 04 do termo de intimação fiscal de 25/09/2012, quanto na sua impugnação14, não negou que industrializava os produtos em questão – as “barras chatas” na sua concepção –, que decorriam da sua atividade principal: a laminação. De fato, nas tabelas de fls. 1154/1159, relativas àquele anexo 04, os CFOPs indicados para as aludidas notas fiscais são 5101 e 6101, correspondentes, respectivamente, a vendas (saídas) de produção própria para o estado; e a vendas (saídas) de produção própria para outros estados. 3) a autuada, contrariamente ao teor das informações que prestara no atendimento ao termo de início de ação fiscal em prol da classificação 7211.1300 e 7211.1400, justificou na sua resposta ao anexo 04 do termo de intimação fiscal de 25/09/2012 que os produtos em questão que industrializava – “barras chatas” na sua concepção – estariam classificados na posição 7214 “por tratarse de largura inferior a 300mm”. Ora, conforme já exaustivamente fundamentado neste voto, a classificação fiscal na TIPI dos produtos em questão é determinada segundo os parâmetros objetivos explicitados na Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, encaixandose, assim, nas especificações objetivas dadas pela alínea “k” para os “laminados planos” (espessura igual ou maior que 4,75mm e largura superior a 150mm), o que afasta a possibilidade de se enquadrarem na definição dada somente por exclusão pela alínea “m” para as “barras chatas”." (destacado) As observações relatadas pela decisão recorrida estão em consonância com as conclusões até aqui estampadas nesse voto vencedor, de maneira que devem ser mantidas. Quanto ao descabimento da multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, em função da falta de destaque de imposto nas notas fiscais de saída, não assiste razão ao recorrente. Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.801 21 O dispositivo é literal ao prever que cabe a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do imposto não lançado na respectiva nota fiscal, como no presente processo, não havendo que se falar em equívoco interpretativo algum, como sugere o recorrente. Não discrepa dessa assertiva o art. 488 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), ao estabelecer que a falta de destaque do valor do imposto no documento fiscal sujeita o infrator à multa em comento. O fato do contribuinte possuir saldo credor disponível e suficiente para cobertura dos valores não destacados não afasta a incidência da penalidade prescrita, haja vista que o princípio da nãocumulatividade, representado pelo confronto entre créditos e débitos do imposto em determinado período de apuração, não tem o condão de elidir a infração verificada, mas tãosomente impedir a cobrança do tributo não lançado até o limite do crédito/saldo credor apurado. No caso dos autos, a exigência limitouse à multa de ofício, logo não há qualquer irregularidade no procedimento. As alegações de inconstitucionalidade erigidas em recurso não serão conhecidas, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015) e súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Também não se mostra cabível o reconhecimento do instituto da "denuncia espontânea", prevista no art. 138 do CTN, pela tãosó razão de, nesses casos, onde houve falta de destaque, uma vez apurado saldo devedor decorrentes de outros documentos fiscais, o recorrente haver efetuado o recolhimento ou compensação. Nos termos do dispositivo, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização a ela relacionada. A infração apurada e autuada não diz respeito à falta de recolhimento dos saldos devedores levantados, mas sim à falta de destaque do imposto em determinados documentos fiscais, em relação aos quais não houve qualquer iniciativa do sujeito passivo tendente a corrigila, razão porque não há que se falar em denúncia espontânea quanto à transgressão administrativa catalogada. Por derradeiro, quanto à exclusão do lançamento do valor correspondente às notas fiscais canceladas, deve ser acatada a reclamação do recorrente, como demonstrado pela diligência realizada, que reconheceu a efetivo cancelamento dos documentos fiscais relacionados em planilha anexa à informação fiscal, conforme documento de fls. 1.776 e ss. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso para que seja acolhido o resultado da diligência realizada, com o consequente reajuste do crédito tributário exigido. Robson José Bayerl Fl. 1824DF CARF MF 22 Declaração de Voto Conselheiro André Henrique Lemos Com respeito aos votos divergentes, acompanho o entendimento do relator, entendo que assiste razão a contribuinte, e ao voto escorreito do e. Relator, adiciono destaques, por meio das considerações abaixo. A celeuma está, ao meu sentir, em saber qual a correta classificação fiscal do produto industrializado pela contribuinte, com repercussões tributárias no âmbito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, este, portanto, o nó a ser desatado. Como se viu, a autoridade fiscal lançadora entendeu que o produto deveria ser classificado como “laminado plano”, ao passo que a contribuinte, por sua vez, o classificou como “barras”. Noutro falar, o Fisco entende que os produtos fabricados pelo Recorrente, devem ser classificados na posição 72.11 da Tabela TIPI, Letra K, onde prevê a classificação dos “produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600mm, não folhados ou chapeados nem revestidos”. A empresa CIAFAL – Recorrente, classificou seus produtos, na posição 72.14 da Tabela TIPI, Letra M, onde prevê a classificação das “Barras de ferro ou aço não ligado, simplesmente forjadas, laminadas, estiradas ou extrudadas, a quente incluindo as que tenham sido submetidas à torção após laminagem.” Dividirei meu destaque em duas partes distintas. A primeira, com relação às provas técnicas trazidas pela contribuinte. A segunda, referente à questão de Direito positivada ao caso concreto. Assim, principio pelas provas técnicas – laudos – produzidas pela contribuinte, e que se diga, não derruídos pela Administração Pública Federal, me conduzem a entender que a verdade real está com a contribuinte. Verdade real, bom se diga, é que se deve ser perseguida por todo o operador do Direito, por todo o julgador, independentemente de qualquer outro signo eleito pelo ordenamento, fazendo com que se atinja a segurança e a estabilidade nas relações sociais, mormente entre a Administração Pública e o administrado. Os laudos técnicos apresentados pela contribuinte foram elaborados pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo INT, estando de acordo com o artigo 30 do Decreto 70.235/721, vinculando, por corolário, a Administração Pública, a qual, não comprovou a improcedência destes. Aliás, comentando o referido dispositivo normativo, na obra Processo Administrativo Fiscal Anotado, de autoria do servidor Gilson Wessler Michels, lotado na DRJ/FNS/S, disponibilizada no sítio da Receita Federal do Brasil, (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Decreto/ProcAdmFiscal/PAF.Pdf), assim nos ensina: 1Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.802 23 • LAUDOS – VALOR PROBANTE E GRAU DE VINCULAÇÃO DO JULGADOR: (b) exceção: a exceçãoà regra geral da não vinculação dos julgadores aos laudos está no caput do artigo 30 do Decreto nº 70.235/1972, dispositivo este que atribui aos laudos e pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres, o vigor de uma prova só afastável diante da demonstração da existência de vícios em suas lavraturas. “ De bom alvitre consignar que os referidos laudos técnicos atestam que o método utilizado e a capacidade técnica do parque industrial, realizados em 2 (dois) momentos e por instituições distintas – logo, por profissionais diversos –afirmam que a empresa CIAFAL NÃO POSSUI EQUIPAMENTOS E CAPACIDADE TÉCNICA PARA PRODUZIR AÇOS PLANOS. Importante se diga que em momento algum os Laudos Técnicos apresentados pela empresa CIAFAL fazem menção à classificação fiscal, vez que tal prerrogativa é de exclusiva competência da Receita Federal do Brasil. Estando, portanto, os Laudos Técnicos, nos parâmetros legais adequados. É lição corrente no Direito que, na hierarquia das provas, a técnica é a que está no seu ápice, e repito, com toda a vênia dos posicionamentos contrários, entendo que a adoção da regra de interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, de modo não contextualizado e confrontado com a verdade real, pode ocasionar equívocos de classificação dos produtos para fins de tributação do IPI, como ocorreu no caso concreto, e mais, havendo conflito entre o Sistema Harmonizado e a verdade real, esta, por lógica, coerência e ordem das coisas, há de prevalecer. Neste norte navega a jurisprudência deste E. CARF, a primeira, inclusive, com a participação do nosso ilustre Presidente: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF – Terceira Seção QUARTA CÂMARA – PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO MATÉRIA: IPI ACÓRDÃO: 3401002.382 “....NORMAS PROCESSUAIS. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. Recurso Voluntário Provido em Parte” Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean CleuterSimoes Mendonca, Fernando Fl. 1826DF CARF MF 24 Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF – Terceira Seção MATÉRIA: IPI processos NT –ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi) ACÓRDÃO: 3402001.826 “...LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o creditamento dos produtos que se enquadram no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 340201.037 em 28/02/2011 ASSUNTO: NORMAS TRIBUTÁRIAS. EMENTA IPI. CRÉDITO. É cabível o registro de créditos de IPI nas aquisições de itens que não devam ser classificados no ativo permanente e se desgastem em virtude do contato direito com o produto em elaboração. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso,..... consoante conclusões técnicas expressas no laudo do Instituto Nacional de Tecnologia. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF – Terceira Seção MATÉRIA: IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO: 3402001.825 Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2000 a Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.803 25 31/01/2000 .... LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência. .... Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o creditamento dos produtos que se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) No mesmo sentido: (acórdãos 340201042, 340200217, 340201043 e 340201 041). Ademais, primeiramente é preciso saber, exatamente, o que e qual é o produto que será classificado, para depois valerse das Regras de Classificação em consonância com o Sistema Harmonizado, e, Tabela TIPI, classificandoo no “local”próprio/adequado, do contrário, o resultado poderá ser desastroso. A propósito, o Capítulo III – da Classificação dos Produtos , da Lei. 4.502/64, em seus artigos 10 a 12, dispõem sobre o assunto: Art . 10. Na Tabelaanexa, os produtos estão classificados em alíneas, capítulos, subcapítulos, posições e incisos. § 1º O código numérico e o texto relativo aos capítulos e posiçõescorrespondemaosusadospelanomenclaturaaprovadapeloConselho de Cooperação Aduaneira de Bruxelas. § 2º As Posições não reproduzidas na Tabela correspondem a produtos não sujeitos ao impôsto. § 3º Quando uma posição figurar na Tabela com redação diferente da usada pela Nomenclatura de Bruxelas, entendese que o nôvo texto restringe o conteúdo da referida posição. Art . 11. A classificação dos produtos nas alíneas, capítulos, subcapítulos, posições e incisos da Tabela farseá de conformidade com as seguintes regras: 1ª o texto dos títulos de cada alínea, capítulo ou subcapítulo tem apenas valor indicativo, sendo a classificação determinada legalmente pelos dizeres das posições e incisos pelas Notas de cada uma das alíneas, capítulos e, supletivamente, pelas regras que se seguem. 2ª A menção de uma matéria numa determinada posição da Tabela entendese como a ela se referindo, quer esteja em estado puro, quer misturada ou associada a outras. A menção de um produto, como sendo de determinada matéria, a êle diz respeito, mesmo que constituído apenas parcialmente dessa matéria. A classificação de um produto, quandomisturadooucomposto de mais de umamatéria, seráefetuada de acôrdocom a regraseguinte. 3ª Quando, aplicada a regra 2ª ouemqualquer outro caso, o produtopossaserincluídoemduasoumaisposições, suaclassificaçãoefetuarseá, sucessiva e excludentemente, naordemseguinte: a) naposiçãoemquetiverdescriçãomaisespecífica; b) naposição da matériaouartigoquelheconferircaráteressencial, quando o produtofôrmisturado, composto de diferentesmatériasouconstituídopelareunião de Fl. 1828DF CARF MF 26 diversosartigos; c) naposiçãoquedêlugar a aplicação da alíquotamais elevada. 4ª Quandouma Nota de umaalíneaoucapítuloprevir a exclusão de certosprodutos, fazendoreferência a outrasalíneasoucapítulosou a determinadasposições, a exclusãoalcançará, salvo disposiçãoemcontrário, todososprodutosincluídosnessasalíneas, capítulosouposições, mesmoque a enumeraçãosejaincompleta. § 1º A parte oupeçasemclassificaçãopróprianaTabela e identificávelcomopertencente a determinadoproduto, seguirá o regime do todo. § 2º Osconjuntosouestojos de objetossortidosquandoacondicionadosem um mesmoenvoltórioouembalagemparaassimseremvendidos no varejo, serãoclassificadosnaposição do objetosujeito à alíquotamaiselevada. § 3º O recipiente, envoltórioouembalagemque, peloseu alto valor, estejaemdesproporção com o do produtoqueacondiciona, determinará a classificaçãodêste, semprequeissoimportenaaplicação de alíquotamaiselevada. Art . 12. As NotasExplícativas da Nomenclaturareferida no § 1º do artigo 10, atualizadaatéjunho de 1966, constituemelementos de informaçãopara a corretainterpretação das Notas e do texto das Posiçõesconstantes da TabelaAnexa. (Redação dada peloDecretoLei nº 34, de 1966) Sobre este assunto, colaciono entendimento deste E. Conselho, contido no acórdão 3402001700, da 4a. Câmara da 2a. Turma Ordinária da 3a Seção de Julgamento, relator: Conselheiro Fernando Luiz Gama Lobo D’Eça, no qual, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso de ofício: Processo nº 12897.000581/200968 Recurso nº 920.792 De Ofício Acórdão nº3402001.700 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 3a Seção Sessão de 21 de março de 2012 Matéria: IPI – CLASSIFICAÇÃO – DESODORANTE Recorrente CIA. BRASILEIRA DE PRODUTOS DE HIGIENE E TOUCADOR Interessado DRJ JUIZ DE FORA – MG PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – Evidenciada, pela decisão recorrida, a correção da classificação utilizada pela Recorrida, referendada por laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia, no âmbito de sua competência, concluindo que o produto comercialmente denominado “Desodorante Leite de Rosas” é um desodorante, classificandose, portanto, na posição 3307.20.10 de conformidade com as Regras Gerais de Classificação nº 3.a, constante da NESH e notas explicativas da posição e do capítulo respectivo, negase provimento ao recurso de oficio para manter a decisão recorrida que cancelou o lançamento. Extraise do r. Acórdão: “É certo que cabe à Administração Tributária a classificação dos produtos na Nomenclatura para fins de estabelecer a alíquota do IPI e que esta classificação obedece a regras próprias. Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.804 27 Contudo, antes da aplicação das regras de interpretação do Sistema Harmonizado para estabelecer a classificação de um produto, é preciso saber o que é este produto. (Grifo deste conselheiro). Visando dirimir esta dúvida e comprovar que o seu produto era de fato um desodorante a impugnante apresentou o Relatório Técnico de fls. 820 a 825, emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia. Conclui o citado órgão que o produto levado para análise era composto de sais de clorexidina, cloreto de benzalcônio, água, etanol, sorbitol e óxido de zinco. “Desta forma, embora a classificação tarifária não faça parte das atribuições do INT, os subsídios técnicos aqui apresentados permitem sugerir a inclusão do desodorante “Leite de Rosas” analisado no Capitulo 33 da NESH, mais especificamente na posição 33.07.20.10 por tratarse de um desodorante corporal, sob forma líquida (grifei).” Com efeito, para o deslinde do presente processo, e em obediência ao principio da estrita legalidade, importante trazer à colação o que dispõe o art. 30 do Decreto nº 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. É certo que o processo administrativo fiscal está sujeito ao princípio da livre convicção do julgador, consoante dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Neste prisma têmse que assinalar que em regra os laudos não vinculam o julgador, como ressalta Luiz Henrique Barros (in Processo Administrativo Fiscal, Ed. Resenha Tributária, 2º edição, p. 72), quando), quando informa que os julgadores não estão vinculados às conclusões dos laudos, não obstante a grande significação da pericia como meio de experiência de técnicos. No entanto, a exceção à regra geral da não vinculação dos julgadores aos laudos está no caput do art. 30 do mencionado Decreto, cujo dispositivo atribui ao parecer do Instituto Nacional de Tecnologia o vigor de uma prova só passível de afastamento diante da demonstração inequívoca de sua improcedência.” No mesmo sentido são os acórdãos3202001428, 3101001431, 3402001826, 340201040 e 342002017. Fl. 1830DF CARF MF 28 Como disse alhures, além das questões de prova técnica, considerações de Direito serão abordadas a seguir, ratificando meu entendimento para acompanhar o nobre relator, conhecendo do recurso voluntário para lhe dar provimento integral. A primeira delas, diz respeito ao Ato Declaratório Executivo RFN nº 6, de 17/12/2014 (DOU de 18/12/2014, seção 1, pág. 62), o qual dispõe sobre a adequação da TIPI em decorrência de alterações na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM): Art. 1º A Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de dezembro de 2011, passa a vigorar com as alterações constantes no Anexo I, mantidas as alíquotas vigentes. Art. 2º Ficam criados na Tipi os códigos de classificação constantes no Anexo II, com a descrição dos produtos, observadas as respectivas alíquotas. Art. 3º As Notas de Capítulo passam a vigorar com as alterações constantes no Anexo III. Art. 4º Fica suprimido da Tipi o código 0709.93.00. Art. 5º Este Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União, produzindo efeitos a partir de 30 de outubro de 2014. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ANEXO I Código TIPI DESCRIÇÃO 72.05 Granalhas e pós de ferro fundido bruto, de ferro spiegel (especular), de ferro ou aço. 8418.61.00 Bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de ar condicionado da posição 84.15 94.05 Aparelhos de iluminação (incluindo os projetores) e suas partes, não especificados nem compreendidos noutras posições; anúncios, cartazes ou tabuletas, placas indicadoras luminosos, e artigos semelhantes, que contenham uma fonte luminosa fixa permanente, e suas partes não especificadas nem compreendidas noutras posições. 9405.60.00 Anúncios, cartazes ou tabuletas, placas indicadoras luminosos, e artigos semelhantes ANEXO II Código TIPI DESCRIÇÃO Alíquota (%) 0709.93 Abóboras, abobrinhas (curgetes*) e cabaças (Cucurbita spp.) NT 3911.90.27 Cloreto de hexadimetrina 5 ANEXO III TIPI NOVA REDAÇÃO Capítulo 30, nota 4, alínea “l” l) Os equipamentos identificáveis para ostomia, isto é os sacos, cortados no Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10665.722826/201213 Acórdão n.º 3401003.410 S3C4T1 Fl. 1.805 29 formato para colostomia, ileostomia e urostomia bem como os seus protetores cutâneos adesivos ou placas frontais. Capítulo 72, nota 1, alínea “k”, primeiro parágrafo, segundo item. não enrolados, de uma largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, se esta for inferior a 4,75 mm, ou de uma largura superior a 150 mm, se a espessura for igual ou superior a 4,75 mm, sem, no entanto, exceder a metade da largura. (grifei). Capítulo 17, nota 2. 2. A subposição 1701.13 abrange unicamente o açúcar de cana obtido sem centrifugação, cujo conteúdo de sacarose, em peso, no estado seco, corresponde a uma leitura no polarímetro igual ou superior a 69º, mas inferior a 93º. O produto contém apenas microcristais naturais xenomórficos, não visíveis à vista desarmada, envolvidos em resíduos de melaço e de outros componentes do açúcar de cana. De se ver que, com a alteração advinda do ADE RFB 6/2014, a controvérsia interpretativa não mais remanescente, aliás, como se sabe, quando se trata de matéria de Direito Público, seu conteúdo, suas determinações, implicam em seu pronto conhecimento e aplicação nos termos contidos nos atos, devendo ser aplicadas e reconhecidas pelo Poder Público de Ofício, ou seja, na chamada “autotela administrativa”. Corrobora tal assertiva, o enunciado da Súmula 473, do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Destaco a expressão “ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade”. Entendo que ao fazer parte do Sistema Harmonizado do Mercosul e de outros órgãos internacionais, o Brasil como signatário tem o direito e também o dever de se adequar a tais normas, tudo em consonância com a conveniência e oportunidade. Em segundo, a exegese dos artigos 1o e 2o do Decreto nº 4.679/2003 c/c o art. 106, I, do CTN, respectivamente: Art. 1º Fica a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda autorizada a adequar, sempre que não implicar alteração de alíquota, a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), em decorrência de alterações promovidas na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), pela Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), ao amparo do disposto no art. 2º, inciso III, alínea c, do Decreto no 3.981, de 24 de outubro de 2001. Fl. 1832DF CARF MF 30 Art. 2º Aplicase ao ato de adequação o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Em terceiro, os dispostos nos artigos 1o ao 4o, do Decreto 8.950, de 29/12/2016 – que aprovou a TIPI c/c art. 106, I do CTN: Art. 1º Fica aprovada a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, anexa a este Decreto. Art. 2º A TIPI tem por base a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. Art. 3º A NCM constitui a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NBM/SH para todos os efeitos previstos no art. 2º do DecretoLei nº 1.154, de 1º de março de 1971. Art. 4º Fica a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB autorizada a adequar a TIPI, sempre que não implicar alteração de alíquota, em decorrência de alterações promovidas na NCM pela Resolução nº 125, de 15 de dezembro de 2016, da Câmara de Comércio Exterior Camex. Parágrafo único. Aplicase ao ato de adequação editado pela RFB o disposto no inciso I do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Neste contexto, estes são meus destaques, acompanhando o voto do e. Relator. André Henrique Lemos Fl. 1833DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720034/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011
PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador.
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.
Reconhecimento da extinção por decadência dos créditos relativos a lançamentos efetuados com base em declarações de importação registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, (II, IPI, PIS-Importação e Cofins-Importação).
REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. Artigo 54 do DL 37/1966.
É de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e os lançamentos pendentes de homologação. Independentemente do canal em que se efetivou o despacho aduaneiro, o resultado da revisão assim realizada não significa mudança de critério jurídico. Aplica-se o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. Somente nessa situação a revisão aduaneira estará concidionada pelo disposto no artigo 149 do CTN. O artigo 54 do DL 37/1966 também autoriza a revisão dos lançamentos homologados.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO. PAINÉIS LCD.
O produto identificado como "dispositivos de cristal líquido - LCD" ou "Painéis LCD", quando destinado "exclusiva ou principalmente" aos aparelhos das posições 8527 ou 8528, não pode ser classificado no código NCM 9013.80.10.
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7° DA LEI N° 10.865/2004.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". Em sintonia com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento estabelece, simplesmente, que a base de cálculo do PIS/Pasep - importação e da COFINS - Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) será "o valor aduaneiro", redação a qual foi dada pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013.
MORA E PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO.
Apesar de não se tratar de uma mudança de critério jurídico, a posição firmada a partir da revisão aduaneira que nega a prática reiterada das autoridades do despacho, exercidas individualmente, configura a situação para a qual se deve invocar a aplicação da lei posta no parágrafo único do artigo 100 do CTN, a ser aplicada nos termos da competência estatuída pela lei do processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972) e estatuída na lei aduaneira (artigo 97 e 101 do DL 37/1966).
Numero da decisão: 3401-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: (a) Preliminar de nulidade por cerceamento de defesa - negou-se provimento, por unanimidade; (b) Preliminar de decadência - deu-se provimento para excluir as DIs registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, por unanimidade, sendo que os conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida acompanharam pelas conclusões; (c) Revisão aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do art. 146 do CTN) - negou-se provimento, por maioria, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que dava provimento às declarações de importação parametrizadas para o canal vermelho, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que dava provimento, designado o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor; (d) Classificação fiscal - negou-se provimento, por unanimidade, os conselheiros Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio acompanharam pelas conclusões; (e) Exclusão de penalidades e juros de mora - deu-se provimento ao recurso, por unanimidade; e, (f) quanto à inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/COFINS-Importação, deu-se provimento, por unanimidade.
Robson José Bayerl - Presidente substituto em exercício.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto em exercício), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernande
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011 PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Reconhecimento da extinção por decadência dos créditos relativos a lançamentos efetuados com base em declarações de importação registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, (II, IPI, PIS-Importação e Cofins-Importação). REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. Artigo 54 do DL 37/1966. É de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e os lançamentos pendentes de homologação. Independentemente do canal em que se efetivou o despacho aduaneiro, o resultado da revisão assim realizada não significa mudança de critério jurídico. Aplica-se o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. Somente nessa situação a revisão aduaneira estará concidionada pelo disposto no artigo 149 do CTN. O artigo 54 do DL 37/1966 também autoriza a revisão dos lançamentos homologados. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO. PAINÉIS LCD. O produto identificado como "dispositivos de cristal líquido - LCD" ou "Painéis LCD", quando destinado "exclusiva ou principalmente" aos aparelhos das posições 8527 ou 8528, não pode ser classificado no código NCM 9013.80.10. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7° DA LEI N° 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". Em sintonia com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento estabelece, simplesmente, que a base de cálculo do PIS/Pasep - importação e da COFINS - Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) será "o valor aduaneiro", redação a qual foi dada pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. MORA E PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. Apesar de não se tratar de uma mudança de critério jurídico, a posição firmada a partir da revisão aduaneira que nega a prática reiterada das autoridades do despacho, exercidas individualmente, configura a situação para a qual se deve invocar a aplicação da lei posta no parágrafo único do artigo 100 do CTN, a ser aplicada nos termos da competência estatuída pela lei do processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972) e estatuída na lei aduaneira (artigo 97 e 101 do DL 37/1966).
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Recorrida Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011 PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Reconhecimento da extinção por decadência dos créditos relativos a lançamentos efetuados com base em declarações de importação registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, (II, IPI, PISImportação e Cofins Importação). REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. ARTIGO 54 DO DL 37/1966. É de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e os lançamentos pendentes de homologação. Independentemente do canal em que se efetivou o despacho aduaneiro, o resultado da revisão assim realizada não significa mudança de critério jurídico. Aplicase o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. Somente nessa situação a revisão aduaneira estará concidionada pelo disposto no artigo 149 do CTN. O artigo 54 do DL 37/1966 também autoriza a revisão dos lançamentos homologados. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO. PAINÉIS LCD. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 34 /2 01 2- 49 Fl. 3471DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 O produto identificado como "dispositivos de cristal líquido LCD" ou "Painéis LCD", quando destinado "exclusiva ou principalmente" aos aparelhos das posições 8527 ou 8528, não pode ser classificado no código NCM 9013.80.10. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7° DA LEI N° 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". Em sintonia com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento estabelece, simplesmente, que a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINS Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) será "o valor aduaneiro", redação a qual foi dada pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. MORA E PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. Apesar de não se tratar de uma mudança de critério jurídico, a posição firmada a partir da revisão aduaneira que nega a prática reiterada das autoridades do despacho, exercidas individualmente, configura a situação para a qual se deve invocar a aplicação da lei posta no parágrafo único do artigo 100 do CTN, a ser aplicada nos termos da competência estatuída pela lei do processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972) e estatuída na lei aduaneira (artigo 97 e 101 do DL 37/1966). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: (a) Preliminar de nulidade por cerceamento de defesa negouse provimento, por unanimidade; (b) Preliminar de decadência deuse provimento para excluir as DIs registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, por unanimidade, sendo que os conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida acompanharam pelas conclusões; (c) Revisão aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do art. 146 do CTN) negouse provimento, por maioria, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que dava provimento às declarações de importação parametrizadas para o canal vermelho, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que dava provimento, designado o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor; (d) Classificação fiscal negouse provimento, por unanimidade, os conselheiros Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio acompanharam pelas conclusões; (e) Exclusão de penalidades e juros de mora deuse provimento ao recurso, por unanimidade; e, (f) quanto à inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/COFINSImportação, deu se provimento, por unanimidade. Fl. 3472DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.467 3 ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente substituto em exercício. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto em exercício), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice presidente), Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernande Relatório 1. Tratase do Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 11829.720034/201249, situado às fls. 021935, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), acrescidos de juros de mora e multa de ofício, além da multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro em decorrência do erro de classificação fiscal, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 195.596.606,40. 2. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), situado às fls. 19362018 do presente processo administrativo, apontase equívoco unicamente quanto à classificação dos itens constantes nas Declarações de Importação (DIs) registradas pela contribuinte ora recorrente no período de 03/07/2007 a 20/06/2011. 3. Assim, a discussão se cinge ao fato de o contribuinte ter realizado, durante o período fiscalizado, a importação de chaves magnéticas por meio do NCM 9013.80.10 ("dispositivos de cristais líquidos LCD"), cuja alíquota do II é de 0% e do IPI de 5%, tendo a autoridade fiscal concluído que, na verdade, a classificação correta seria a NCM 8529.90.20 ("aparelhos das posições 8527 ou 8528"), cuja alíquota do II é de 12% e a do IPI de 10%, lançando não apenas a diferença destes tributos, mas também a diferença devida a título de PISImportação e CofinsImportação, aplicando, ainda, a multa regulamentar de 1% prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. 4. A classificação NCM 8529.90.20, reputada correta pela autoridade fiscal, referese, não obstante, a aparelhos das posições 8527 ("aparelhos receptores para radiodifusão, mesmo combinados num mesmo invólucro, com um aparelho de gravação ou de reprodução, ou com um relógio") ou 8528 "monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens", conforme abaixo se colaciona: Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 9013.80.10 | UTILIZADO PELO CONTRIBUINTE PARA REALIZAR A IMPORTAÇÃO Capítulo 90 Instrumentos e aparelhos de óptica, fotografia ou cinematografia, medida, controle ou de precisão; instrumentos e aparelhos médicocirúrgicos; suas partes e acessórios. Posição 9013 Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições; "lasers", exceto diodos "laser"; outros aparelhos e instrumentos de óptica, não especificados nem compreendidos em outras posições do presente Capítulo. Subposição 9013.80 Outros dispositivos, aparelhos e instrumentos. Item e subitem 9013.80.10 Dispositivos de cristais líquidos (LCD) 8529.90.20 | REPUTADO CORRETO PELA AUTORIDADE FISCAL Capítulo 85 Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios. Posição 8529 Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 8525 a 8528. Subposição 8529.90 Outras Item e subitem 8529.90.20 De aparelhos das posições 8527 ou 8528. Posição 8527 Aparelhos receptores para radiodifusão, mesmo combinados num mesmo invólucro, com um aparelho de gravação ou de reprodução, ou com um relógio. Posição 8528 Monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens. 5. Adoto, inicialmente, como relatório, aquele elaborado pelo Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, que me antecedeu na presente relatoria: Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.468 5 "Tratase de autos de infração relativos a diferenças de recolhimento apuradas quanto ao Imposto de Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e PIS/COFINSImportação, decorrente de procedimento interno de Revisão Aduaneira, pela qual a fiscalização atribuiu como correta a classificação na Posição NCM n° 8529.90.20 para os displays de monitores e de televisores, fundamentandose em Laudo Técnico, e com isso alterando a classificação fiscal empregada pelo sujeito passivo quando dos despachos aduaneiros de importação, que havia sido na Posição NCM n° 9013.80.10 relativa a “dispositivos de cristal líquido (LCD)”. Cientificado do Auto de Infração em 30/10/2012, o contribuinte apresentou em 28/11/2012, as fls. 2231 e ss. (numeração eletrônica) sua Impugnação, que por bem resumidos os pontos de defesa do contribuinte nela suscitados no Relatório da decisão da DRJ/SP1, transcrevese: “ foi notificada em 08/11/2012, sendo ilegítimos os créditos lançados antes de 08/11/2007. a NCM 9013.80.10 é a classificação adequada para os dispositivos de cristal líquido, não havendo tributos a serem exigidos. a posição 9013 não indica que os dispositivos de cristal líquido nela enquadrados sejam apenas aqueles destinados à ótica. conforme laudo anexado, os painéis de LCD não configuram dispositivo eletrônico, mas sim dispositivo óptico passivo. na posição 9012 estão incluídos aparelhos complexos como microscópios eletrônicos e protônicos, na posição 9018 aparelhos para cintilografia e na posição 9022 aparelhos de tomografia computadorizada. existe decisão do Conselho de Contribuintes, atual CARF, classificando os dispositivos na NCM 9013.80.10. os painéis importados estão incluídos na Lista de Bens sem similar nacional, o que justifica aplicação de alíquota zero. os painéis de LCD não são partes exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. conforme relatório do LACTEC, os painéis podem ser destinados a diversas outras máquinas. não se aplica a Nota 2, da Seção XVI da TEC. Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 a posição 9013 é mais específica, além de ser a posição situada em último lugar na ordem numérica dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. não passou a adotar a NCM 8529.90.20 mas sim as Ex tarifárias instituídas pela Resolução CAMEX 84/2010 que descrevem mais especificamente os produtos importados do que a NCM 9013.80.10. como havia soluções de consulta prevendo a NCM 9013.80.10 para os dispositivos de cristal líquido essa era a classificação a ser adotada, sendo que a mudança de critério jurídico adotada pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento. não houve falsidade. não são cabíveis as penalidades por ter respeitado as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, aplicandose ao caso o inciso III e o parágrafo único do art. 100 do CTN. na base de cálculo dos tributos não se inclui o ICMS e se for incluso somente com alíquota de 12% e não de 18%. a taxa SELIC sobre a multa é ilegal. Requer perícia, indicando perito e quesitos. Requer a insubsistência dos autos de infração.” Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), houve por bem considerar improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o lançamento tributário em questão, tendo proferido o Acórdão nº 1646.685, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011 Displays de cristal líquido. Aplicase a NCM 8529.90.20 quando forem partes de monitores ou de televisores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificado do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, arguindo preliminarmente a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa ante ao indeferimento do pedido de perícia, e no mérito, em apertadíssima síntese, reproduzindo os mesmos fundamentos de fato e de direito já trazidos em sede de Impugnação, Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.469 7 dando ênfase nos pontos que contradizem o julgado recorrido, para ao final, requerer o provimento do Recurso Voluntário interposto". 6. O conselheiro relator que me precedeu concluiu, ainda, que: "Em suas razões de defesa, tanto na impugnação quanto na peça recursal, o sujeito passivo afirma que efetivou inúmeras importações dos mesmos produtos importados e objetos de (re)classificação fiscal nestes autos, nas quais teria empregado a Classificação Fiscal na Posição NCM n° 9013.80.10, e que tais processos de importação e pertinentes Declarações de Importação – DI’s, foram parametrizadas no 'canal vermelho', inclusive juntando provas ilustrativas destas suas afirmações através de anexo à sua impugnação. Essas afirmações do sujeito passivo, juntamente com a juntada de provas que demonstram, ao menos como fortes indícios de que realmente houveram (sic) essas parametrizações em canal vermelho, que são necessários alguns outros esclarecimentos a cargo da Administração, inclusive sob o pálio do contraditório, com manifestação expressa sobre tais fatos e documentos". 7. Nestes termos, foi aprovada pelo colegiado, por unanimidade de votos, a conversão do julgamento em diligência, decisão consubstanciada na Resolução nº 3402000658 de 24/04/2014 para a finalidade de: "a) Relacionar todas as Declarações de Importação – DI’s. que compõem o lançamento constante deste processo administrativo fiscal PAF, de modo a adicionar colunas com a classificação adotada, a data do desembaraço aduaneiro e o canal de parametrização no qual cada referida DI foi desembaraçada (verde, amarelo, vermelho ou cinza); b) Esclarecer se em relação as DI’s. objeto de revisão aduaneira neste PAF, alguma delas foi objeto de determinação administrativa, quando do processo de desembaraço aduaneiro, para alteração da classificação fiscal, com ou sem imposição de multa por erro de classificação fiscal, em caso positivo relacionandoas e indicando as respectivas classificações fiscais empregadas pelo sujeito passivo e pela Autoridade Aduaneira, assim como, as datas de desembaraço aduaneiro". 8. Em cumprimento à diligência requerida, quanto ao item "a" da Resolução em referência, a autoridade fiscal aponta que "(...) a classificação adotada e a data do desembaraço aduaneiro de todas as Declarações de Importação – DI’s já se encontram respectivamente individualizadas nas colunas “Q” –“COD NCM UTILIZADO” e “C” – “DIA DESEMBARAÇO” conforme detalhado à fl. 17 do Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos (fl. 1.952 dos Autos) nada havendo para acrescentar". Em seguida, quanto ao canal de parametrização, informa que acrescentou "(...) uma nova coluna “AA” – “CANAL DE Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 PARAMETRIZAÇÃO” na TABELA 1, passando a identificar esta nova planilha eletrônica por “TABELA 1CARF”". 9. Quanto ao item "b" da Resolução proferida pelo colegiado, sobre se alguma DI objeto de revisão aduaneira deste processo teria sido objeto de determinação administrativa, quando do desembaraço, para a finalidade de alteração da classificação fiscal, a autoridade fiscal respondeu que "Não é o caso. Nenhuma DI objeto deste Auto de Infração foi objeto de determinação administrativa". 10. Em sua manifestação, protocolada em 31/10/2014, sobre o relatório conclusivo da diligência realizada, a recorrente afirma que: (a) ao compulsar a tabela 1CARF, elaborada pela autoridade fiscal, constata que as DIs foram todas objeto de desembaraço aduaneiro, "(...) sem que a Fiscalização aduaneira em nenhum momento haja oposto qualquer óbice em decorrência da adoção, pela recorrente, da NCM 9013.80.10 para a classificação dos painéis de LCD"; (b) que dezenas das DIs objeto do auto de infração ora discutido foram parametrizadas para o Canal Vermelho, o que ocorreu em diversos momentos espalhados por todo o período coberto pela autuação e em todas as três "(...) unidades da Receita Federal por onde a recorrente realizou as importações"; (c) mitiga a informação prestada pela autoridade fiscal no sentido de que "(...) nenhuma DI objeto deste Auto de Infração foi objeto de determinação administrativa" informando que, para as DIs que fundamentam o auto de infração sob vergasta, de fato não houve determinação administrativa, mas que assim ocorreu em outros casos, citando exemplos; (d) por fim, repisa e reitera os argumentos e pedidos formulados no recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, relator. 11. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. I. DO CERCEAMENTO DE DEFESA 12. Passo a analisar, em primeiro lugar, a alegação de nulidade pertinente a suposto cerceamento de defesa. 13. Em síntese, a recorrente requereu a realização de prova pericial nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o que formulou nos seguintes termos, que recortamos das razões do seu recurso voluntário: Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.470 9 14. O acórdão de primeira instância administrativa indeferiu o requerimento de produção de prova pericial sob a alegação de que: (i) em suas palavras, "(...) tanto a fiscalização quanto a interessada não discordam do fato de que os produtos são dispositivos de cristal líquido LCD"; e (ii) haveria suficientes indícios de que os dispositivos em referência seriam utilizados como monitores LCD ou TV LCD. 15. Desnecessário, portanto, fazse qualquer diligência para responder ao primeiro quesito proposto pela recorrente, pois o fato de a mercadoria se tratar de dispositivo de cristal líquido LCD é questão incontroversa, e aqui não se observa qualquer cerceamento de defesa. 16. Quanto ao pedido de prova pericial para a finalidade de comprovar que os produtos importados não seriam "exclusiva ou principalmente" destinados aos aparelhos das posições 8527 ou 8528, entendo descabido, pois a própria recorrente poderia produzir conteúdo probatório apto a dar guarida às suas alegações no caso em debate. 17. De outro lado, o art. 18 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, e não do impugnante, o que afasta a alegação de que o indeferimento de perícia consubstanciaria um cerceamento do direito de defesa: Decreto nº 70.235/72 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o art. 28 in fine". 18. Entendo, ao analisar o pedido de reabertura da fase de instrução formulado pela recorrente, que os quesitos por ela formulados pouco ou nada acrescerão à formação de minha convicção sobre o caso trazido a conhecimento, alinhandome à posição do julgador de primeira instância administrativa no sentido de que ela seria plenamente prescindível. A avaliação da necessidade de se realizar a perícia participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes deste Conselho, como se depreende da leitura do Acórdão nº 3201000.617, de 02/02/2011, do Acórdão nº 205 01.497, de 03/02/2009, e do Acórdão nº 10323.470, de 28/05/2008. 19. Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 referenciados, voto pelo indeferimento do pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da recorrente. II. DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA 20. O período de apuração contemplado pela autoridade fiscal no curso do presente processo administrativo compreende o período de 03/07/2007 a 20/06/2011. 21. A ciência do sujeito passivo do conteúdo do auto de infração lavrado ocorreu em 31/10/2012. 22. Alega a recorrente que os créditos tributários relativos às DIs registradas antes de 31/10/2007 estariam extintos pela decadência, nos termos do art. 54 do DecretoLei nº 37/66, que determina que a revisão aduaneira deve ser processada no prazo de 5 anos contado do registro da declaração de importação, conforme abaixo se transcreve: DecretoLei nº 37/66 “Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da Declaração de que trata o artigo 44 deste Decretolei.” 23. Desta feita, o lançamento efetuado em relação às declarações de importação registradas entre 03/07/2007 a 30/10/2007 estariam atingidos pela decadência. 24. A partir deste marco, ou seja, entre 31/10/2007 a 20/06/2011, não haveria que se falar em decadência, pois os lançamentos estariam dentro do prazo decadencial de cinco anos contados do registro das declarações de importação. 25. Esta, aliás, foi a conclusão do voto vencido da 24ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo I (SPI) que, por esta razão, exonerou créditos relativos às declarações de importação deste período. 26. O voto vencedor, por outro lado, trouxe à consideração o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, que trata do inciso I do art. 173 e do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional nos seguintes termos: Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008 "40. (...) o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial, isto é, do § 4º do art. 150 do CTN; a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, projetados nas contribuições previdenciárias. Isto é, no que se refere à contagem dos prazos de decadência. Tal concepção, em princípio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdenciárias” (seleção e grifos nossos). Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.471 11 27. Transcrevese, ainda, o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional que, segundo se depreende do parecer em referência, será aplicado no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento, ainda que parcial, tenha sido efetuado, desde que na ausência de dolo, fraude ou simulação: Código Tributário Nacional "Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” (seleção e grifos nossos). 28. Por outro lado, na inobservância da condição proposta, ou seja, de pagamento, ainda que parcial, ou, ainda, caso se verifique o dolo, a fraude ou a simulação, será aplicável o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, que ora se transcreve: Código Tributário Nacional "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) I. Do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (seleção e grifos nossos). 29. A turma julgadora de primeira instância administrativa entendeu que, ao analisar o caso concreto, deparouse com a inexistência de recolhimento de tributos, situação que enseja a aplicação do art. 173 CTN. Assim, rejeitou a decadência por maioria. 30. Ocorre que, conforme a recorrente explica em seu recurso voluntário, e se confirma por meio da análise do próprio TVF, houve recolhimento de IPI, PISImportação e CofinsImportação, ainda que sob classificação fiscal diversa daquela pretendida pela recorrida. Não parece haver dúvida, portanto, de que assiste razão ao argumento de que os créditos tributários referentes às declarações de importação registradas antes de 31/10/2007, no concernente a estes tributos, foram atingidos pelo manto da decadência. 31. Quanto ao imposto de importação, todavia, a alíquota correspondente ao código NCM 9013.80.10 é zero, o que explica a inexistência de recolhimento deste tributo, ainda que parcial. Nada havia a ser recolhido no entendimento adotado pelo sujeito passivo à época dos fatos. 32. Assim, lançamento houve, mas a base de cálculo foi submetida a uma alíquota zero, o que, evidentemente, obstou qualquer pagamento. 33. Em apoio a este entendimento, transcrevo trecho do Acórdão nº 1803 00092, de 27/09/2009: "O lançamento por homologação é aquele em que a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Notese que a lei fala em dever de antecipar, e não de efetiva antecipação. Assim, ele ocorre independentemente de pagamento, ou seja, Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 não é relevante para a configuração do lançamento por homologação a existência de pagamento. Isto porque, o objeto da homologação não é o pagamento, mas sim, a atividade exercida pelo sujeito passivo, para determinar e quantificar a prestação tributária (...). O objeto da prestação não é o pagamento, mas sim a atividade exercida pelo contribuinte" (seleção e grifos nossos). 34. Na análise do caso concreto, a atividade esperada, e efetivamente exercida, por parte do contribuinte, foi oferecer a informação na declaração de importação, cabendo à autoridade competente realizar o lançamento do imposto de importação. 35. Uma vez que se decida (i) que a classificação fiscal adotada pela recorrente estava correta, ou uma vez (ii) que se comprove ter havido alteração do critério jurídico adotado pela autoridade fiscal, como é o caso, como se verá a seguir, exigir pagamento, quando se sabe que a alíquota é zero, é pedir à contribuinte mais do que ela poderia fazer. 36. Assim, entendo pelo reconhecimento da extinção por decadência dos créditos relativos a lançamentos efetuados com base em declarações de importação registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, com fundamento no DecretoLei nº 37/66, dos seguintes tributos: Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o Programa de Integração SocialImportação (PISImportação) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialImportação (CofinsImportação). III. DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL E DA REVISÃO DO LANÇAMENTO 37. A recorrente aponta, desde a sua impugnação, a impossibilidade da revisão do lançamento tributário efetuado, o que implicaria alteração do critério jurídico. 38. Há de se atentar para o fato de que a recorrente realizou, ao longo dos anos, a importação da peça em apreço, os referidos "dispositivo de cristal líquido LCD", diversas vezes sob a classificação fiscal NCM 9013.80.10, tendo havido, inclusive, a parametrização da mercadoria objeto da presente discussão pelos canais vermelho e amarelo, conforme verificado em diligência específica para esta finalidade em atendimento a Resolução votada, em decisão unânime, por este Conselho. 39. Observese que a verificação de peças idênticas pelo "canal vermelho" implica não apenas a conferência documental como também a conferência física da mercadoria, o que caracteriza existência de universo amostral a partir do qual é plenamente possível se verificar a adequação à classificação fiscal correta. Não fazêlo e, mais, não fazê lo reiteradas vezes, como é o caso trazido a conhecimento implica não apenas a mera homologação e lançamento, mas, sobretudo, a cristalização de um critério jurídico que servirá de baliza ou pólo magnético para orientar a relação fiscocontribuinte. 40. Não se trata, de maneira nenhuma, de negar à recorrida a plena eficácia do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 combinado com o art. 570 do Decreto nº 4.543/2002, que prevêem a possibilidade da revisão aduaneira como ato por meio do qual, após o desembaraço, apurase a regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames devidos, bem como a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.472 13 importação. Evidenciase que os erros de fato constatados serão revistos com base nos dispositivos em referência 41. O que não se evidencia, e jamais se poderia evidenciar, é a contrariedade destes dispositivos infralegais ao art. 146 do Código Tributário Nacional: Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 42. Neste sentido, conforme estudo realizado por Francisco Secaf Alves Silveira, "(...) prestadas as informações na Declaração de Importação e ocorrido o despacho aduaneiro, o contribuinte passa a estar protegido pelo art. 146 do Código Tributário Nacional",1 o que, não obstante, implica em vedação à modificação do lançamento "(...) e, portanto, sua revisão, quando decorrente de erro de direito".2 43. A revisão aduaneira prevista pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, diploma recepcionado como lei complementar pela Constituição da República de 1988. Assim, prestase a revisar os erros de fato, mas jamais os erros de direito. Ao se propor a alterar os termos da relação que mantém com o contribuinte, o Estado deverá fazêlo apenas com relação aos fatos geradores ainda a serem praticados, sem alcançar aqueles já praticados, pois o passado prossegue resguardado: sob o crivo dos novos critérios, de uma nova política fiscal, decidirá o contribuinte se continuará ou não a realizar importações, resguardado o direito de organizar os seus negócios. 44. O art. 146 do Código Tributário Nacional não pode ser ignorado pelo aplicador ao tratar da revisão do lançamento, pois atua como norma reguladora das limitações constitucionais ao poder de tributar e, neste sentido, resguarda o valor jurídico da segurança jurídica, de modo a deslindar previamente o conflito eventual entre legalidade e boafé do contribuinte: "(...) essa tensão é resolvida pela lei complementar, que dá prevalência à proteção à boafé".3 Assim, nas palavras de Luís Eduardo Schoueri, "(...) não se pode invocar a legalidade para a revisão de lançamento por erro de direito".4 45. Com base nos estudos de Heinrich Kruse, conclui que, ressalvado o caso em que uma característica do bem avaliado estivesse oculta do conhecimento do aplicador, "(...) a avaliação não é mera questão de fato, mas antes um resultado de conclusões 1 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 318. 2 Idem, p. 319. 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 5ª edição, 2015, pp. 620622. 4 Ibidem. Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 acerca das propriedades valorativas do bem",5 ou, em outras palavras, uma questão de direito: "(...) na verdade, poucas são as questões que não constituem modificação de critério jurídico em matéria de lançamento". Colocada a questão sob tais premissas, utiliza o seguinte exemplo, em tudo consentâneo com o caso sobre o qual ora nos debruçamos: "(...) por exemplo, no caso do imposto sobre produtos industrializados, adotase classificação fiscal para a identificação da alíquota aplicável à luz da seletividade. Se um mesmo produto recebia, antes, uma classificação e, posteriormente, outra classificação é adotada, não há dúvida de que se está sobre o mesmo fato o qual, entretanto, passa a ser apreciado de outro modo: o aplicador da lei vê, no mesmo fato, características que antes não eram tomadas em conta. Conquanto se trate de uma apreciação do fato, temse novo critério jurídico, i.e., nova valoração jurídica do fato. Uma mudança em tais critérios jurídicos dobrase à regra do art. 146".6 46. Assim, "(...) a mera divergência na interpretação da norma que culmina em classificação equivocada configura erro de direito",7 não havendo possibilidade de revisão do lançamento sob pena de se malferir norma complementar de limitação ao poder de tributar. 47. Para Rubens Gomes de Sousa, não caberia ao Fisco a prerrogativa de invocar o "erro de direito" com a finalidade de revisar lançamento anterior,8 e muito menos adotar uma dada conceituação jurídica para, em um segundo momento, revêla, de forma a albergar outra, mais onerosa ao contribuinte. Esta era a posição jurisprudencial, aliás, que registrava ser pacífica já em sua época: o critério jurídico na apreciação do fato gerador, para o autor do anteprojeto do Código Tributário Nacional, deverá ser estável. 9 48. Entre os mais percucientes estudos sobre o tema da revisão fiscal deve ser trazido, sem qualquer espaço para dúvidas, aquele realizado por Ruy Barbosa Nogueira na sua clássica tese de cátedra "Teoria do lançamento tributário". Na época em que a escreveu, o CTN ainda era um projeto, mas já então, confirmando o apontamento realizado por Rubens Gomes de Sousa, relatava que "(...) a prática, a doutrina e a legislação, na proteção da certeza jurídica não admitem, em princípio, que seja feita revisão do lançamento pela superveniência de outros critérios jurídicos".10 Aduziu, ainda, que o Supremo Tribunal Federal já havia enfrentado a questão no Recurso Extraordinário nº 37.141, cujo acórdão foi prolatado em 26/08/1958, no qual se decidiu que "(...) não é lícito ao fisco rever o lançamento fiscal com base em mudança de critério, mas só com fundamento em êrro de fato".11 5 Ibidem. 6 Ibidem. 7 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 320. 8 SOUSA, Rubens Gomes. Compêndio de legislação tributária. São Paulo: Editora Resenha Tributária, 3ª edição, 1975, p. 108. 9 Ibidem. 10 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Teoria do lançamento tributário.São Paulo: Editora Resenha Tributária, 1973, p. 133. O Capítulo VIII, "A revisão do lançamento", está compreendido entre as páginas 99138. 11 Ibidem. Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.473 15 49. Noticia Ruy Barbosa Nogueira que também no Código Tributário da Alemanha, de 1919, elaborado por Enno Becker, o lançamento retificativo ou a chamada "verificação retificativa" não pode ser pautada por uma alteração de critérios meramente jurídicos, o que impede que se aplique "(...) retroativamente à realização do fato gerador um critério jurídico diferente do então adotado, e assim prevê para garantir a certeza do direito".12 O preceito, em seu entendimento, teria "(...) grande aplicação, protegendo a estabilidade jurídica".13 Na esteira do ensinamento de Tullio Ascarelli, preleciona ser absolutamente inadmissível que o fisco possa venire contra factum proprium de maneira a anular ex officio um lançamento, substituindoo por outro, "(...) ou ainda proceder a lançamento suplementar, baseandose na alegação de ter passado a adotar critérios jurídicos diferentes dos que aceitara por ocasião de um primeiro lançamento".14 50. Ainda sob a lição de Ascarelli, haveria "(...) uma falta de certeza jurídica se o fisco pudesse (...) voltar a lançar (...) em virtude de uma mudança de critérios jurídicos, não obstante todos os prazos e tôda a organização instituída para a revisão das declarações dos contribuintes".15 Assim, para Ruy Barbosa Nogueira, enquanto o fisco é detentor da direção do procedimento do lançamento, caberia a ele a fixação final dos seus elementos. Apenas caberia uma revisão quanto aos erros de fato, pois se admite que "(...) as relações fáticas da vida, das quais partem os fatos geradores tributários legais são (...) numerosas e multiformes".16 51. Não é diversa da quase sexagenária decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 a jurisprudência contemporânea ao momento da leitura pública deste voto: em igual sentido, o Acórdão nº 3302002.444 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, em sessão de 25/02/2014, em votação unânime: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Seguese a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito" (grifos nossos). 12 Idem, p. 134. 13 Idem, p. 135. 14 Idem, p. 136. 15 Ibidem. 16 Idem, p. 137. Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 52. Do acórdão ora referido se extrai o seguinte trecho: "(...) a fiscalização entendeu que os produtos importados pela Recorrente não poderiam seguir com a classificação fiscal indicada pela contribuinte no momento do desembaraço. Não há, pelo que consta dos autos, divergência quanto à natureza do produto, que permanece sendo o mesmo, mas à forma como foi classificado. Tal diferença é primordial para se compreender que não houve “erro de fato”, o que ocorreria se a fiscalização tivesse indicado que a importação de produto diverso daquele declarado pela Recorrente" (grifos nossos). 53. Esta também era a posição sumulada do extinto Tribunal Fiscal de Recursos (TFR) editada em 1986: Tribunal Fiscal de Recursos (TFR) Súmula nº 227 de 24/11/1986 "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". 54. O posicionamento sustentado pelo Tribunal Fiscal de Recursos, outrora já sumulado, foi reeditado e reiterado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como, por exemplo, no Recurso Especial nº 202.958/RJ, relatado pelo Ministro Franciulli Netto e cujo acórdão foi publicado em 22/03/2004: “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA REVISÃO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE ERRO QUANTO À IDENTIFICAÇÃO FÍSICA DA MERCADORIA ART. 149 DO CTN. A impetrante importou da França 2.200 Kg do produto TESAL e recolheu o imposto de importação após regular conferência da mercadoria pela autoridade fiscal. Diante dessas circunstâncias, é de elementar inferência que não poderia o contribuinte, em momento posterior, ser notificado para novo recolhimento do imposto de importação, sob a alegação de que a classificação do produto deveria ser diversa, com incidência de alíquota maior. O art. 149 do CTN autoriza a revisão do lançamento, dentre outras hipóteses, "quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória", ou seja, quando há erro de direito. Se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, arca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação do imposto pago por eventual equívoco na Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.474 17 classificação do bem. Divergência jurisprudencial não configurada ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. Recurso especial improvido” (STJ REsp nº 202.958/RJ, Min. Franciulli Netto, publicado em 22/03/2004) (grifos e destaques nossos). 55. No Recurso Especial nº 478.389/PR, de Relatoria do Ministro Humberto Martins, cujo acórdão foi publicado em 05/10/2007, constou em ementa que "(...) se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, marca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação ou revisão". Este é justamente o caso ora em análise em que, conforme se expôs, contou com mercadorias parametrizadas pelo canal vermelho. 56. Em idêntico sentido o entendimento do Ministro Luiz Fux no Recurso Especial nº 1.112.702/SP, cujo acórdão foi publicado em 06/11/2009 nos seguintes termos: "(...) a revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico vedada pelo CTN". Assim, "(...) o lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito". 57. A posição é também reiterada pela jurisprudência ainda mais recente do Superior Tribunal de Justiça, conforme se tem notícia a partir do acórdão a seguir transcrito, do Recurso Especial nº 1.347.324/RS, de relatoria da Ministra Eliana Calmon, de 14/08/2013: “TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 227 DO EXTINTO TFR. 1. É permitida a revisão do lançamento tributário, quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 2. A jurisprudência do STJ, acompanhando o entendimento do extinto TRF consolidado na Súmula 227, tem entendido que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 3. Hipótese em que o contribuinte atribuiu às mercadorias classificação fiscal amparada em laudo técnico oficial confeccionado a pedido da auditoria fiscal, por profissional técnico credenciado junto à autoridade alfandegária e aceita por ocasião do desembaraço aduaneiro. 4. Agravo regimental não provido” (STJ AgRg no REsp nº 1.347.324/RS – Agravo Regimental no Recurso Especial – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 14/08/13) (grifos e destaques nossos). Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 58. Observese que, em nome da segurança e da previsibilidade das relações jurídicas, o Superior Tribunal de Justiça chega a adotar a postura extremada de afirmar que sequer o erro de classificação por parte do contribuinte permitiria a alteração do critério jurídico da classificação fiscal: “TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – IPI – DESEMBARAÇO DUANEIRO ERRO A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA DOS ATOS RECLASSIFICAÇÃO A MERCADORIA IMPOSSIBILIDADE. 1. O contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 2. O erro de direito cometido pelo contribuinte, mas não detectado pelo Fisco, é o mesmo que alteração de critério jurídico, vedado pelo CTN. Precedentes. 3. Recurso especial provido” (STJ REsp nº 1079.383/SP – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 01/07/09) (grifos e destaques nossos). 59. Sem qualquer pretensão de ingressar no mérito da decisão, há de se apontar para o fato de que, independentemente de quem incorreu em erro, seja Estado ou particular, o que se prestigia, na dicção da Corte Superior, é a estabilidade das relações e da aplicação do direito. A decisão que impede a modificação dos critérios jurídicos que regem o relacionamento entre o Estado e os particulares prestigia a segurança jurídica e, portanto, o próprio convívio social. Decidir de maneira diversa, acatandose a alteração da classificação fiscal da mercadoria seria agir em completo desprestígio ao trabalho da autoridade aduaneira que efetuou o desembaraço, homologando os dados constantes na declaração de importação. 60. Luciano Amaro, ao tratar do art. 146 do Código Tributário Nacional, preconiza que o dispositivo torna defesa a aplicação de critério jurídico novo a fatos geradores anteriores à sua introdução, de maneira a atestar a sua irretroatividade: "(...) o dispositivo é severo com o Fisco",17 que "(...) deve primeiro divulgar o novo critério para depois poder aplicálos nos lançamentos futuros pertinentes a fatos geradores também futuros",18 ponto no qual diverge de Alberto Xavier, para quem a norma se destinaria aos fatos geradores já ocorridos, porém ainda não lançados. 19 61. E o que resta, ao nos voltarmos ao caso concreto da recorrente? De um lado, resta a sedimentação jurisprudencial em torno do tema por mais de meio século, desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 até as decisões mais recentes, sejam aquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, sejam aquelas proferidas por este Conselho, o que aponta para o que José Maria Arruda de Andrade chama de amadurecimento institucional que cede lugar a regularidades comportamentais.20 De outro lado, resta um 17 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Editora Saraiva, 16ª edição, 2010, pp. 380381. 18 Ibidem. 19 Ibidem. 20 ANDRADE, José Maria Arruda de. Interpretação da norma tributária. São Paulo: MP Editora/APET, 2006, p. 137. Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.475 19 relacionamento que, a considerar apenas o período fiscalizado, remonta a cinco anos, período no qual se realizou a importação reiterada da mesma mercadoria por um mesmo código NCM, sem qualquer óbice ou dificuldade, mesmo pelo canal vermelho de parametrização. Assim, para onde quer que se olhe, o que há é estabilidade e uniformidade. 62. Sob o escólio de Humberto Ávila, há de se sustentar que “(...) a segurança jurídica pode da mesma forma ter como objeto não a norma propriamente dita, mas a sua aplicação uniforme”.21 e, bem poderíamos adicionar, sem qualquer prejuízo, a sua aplicação estável. 63. Assim, seja por uma questão de uniformidade da aplicação do entendimento jurisprudencial, neste caso tanto judicial como administrativo, seja por um imperativo de estabilidade que deve pautar as relações, de maneira a não ser admissível a alteração de critérios para fatos pretéritos, acolhese o argumento de impossibilidade de revisão de lançamento já homologado com fundamento em alteração de critério jurídico, entendendo se pelo provimento do recurso voluntário neste particular. IV. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL IV. 1. Análise do caso concreto e classificação fiscal da mercadoria 64. Caso superado o argumento acima, cabe a análise da questão de fundo trazida a conhecimento deste Conselho, que se restringe a saber se a mercadoria importada pela recorrente, além de tratarse de "dispositivo de cristal líquido" é exclusiva ou principalmente destinada ou não aos seguintes aparelhos: televisores ou monitores. · 8527: aparelhos receptores para radiodifusão, mesmo combinados num mesmo invólucro, com um aparelho de gravação ou de reprodução, ou com um relógio"); ou · 8528 monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens". 65. Em caso positivo, deixarão de se enquadrar na NCM 9013.80.10, pois, em que pese ainda se tratar de um "dispositivo de cristal líquido LCD, neste caso passa a ser aplicável a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nº 01, que dispões, para o aplicador, uma metaregra de aplicação consistente em a NCM 8529.90.20 ("aparelhos das posições 8527 ou 8528"). 66. Em nosso sentir, a principal prova trazida aos autos pela recorrente é o Relatório Técnico da Divisão de Sistemas Eletrônicos (DVEL) elaborado pelo Instituto de Tecnologia para o desenvolvimento (LACTEC), situado às fls. 19691977 do presente processo 21 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica – entre permanência, mudança e realização no direito tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 2011, p. 142. Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 20 administrativo. Nele, apontase que os dispositivos de cristal líquido, ou "painéis LCD" não são partes exclusivamente de televisores ou monitores, podendo conhecer outras destinações. 67. Aduz, ainda, que em inúmeras oportunidades a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu expressamente que os "painéis LCD" devem ser classificados no código NCM 9013.80.10, como na Decisão nº 443 de 24/11/1997, ou na Solução de Consulta nº 37, de 17/09/2007, entre outras. 68. A recorrente informa, ainda, que tais decisões da Receita Federal foram posteriormente reformadas, o que comprova apontando diversas Soluções de Divergência, como a nº 13 de 11/11/2011, ou a nº 14 de 11/11/2011, que passaram a decidir pela aplicação do código NCM 8529.90.20. 69. Observo que, em que pese tal esforço realizado pela contribuinte, ora recorrente, seja apto a demonstrar de maneira mais do que satisfatória a alteração do critério jurídico por parte da autoridade administrativa, em contrariedade ao art. 146 do CTN, e que tal argumentação de fato torne ainda mais robusta a sua razão quanto à impossibilidade da revisão do lançamento, conforme se discutiu no item anterior, não se altera a percepção em torno da classificação fiscal que deva ser adotada efetivamente pela contribuinte. 70. Isto porque, apesar de o Relatório Técnico LACTEC apontar que os painéis LCD podem ter destinação diversa, que não em monitores e televisores, podendo ter outras destinações as mais variadas, e apesar de as soluções de consulta da Receita Federal apontarem que tais produtos deveriam estar classificados sob o código NCM 9013.80.10, o núcleo da questão não está na busca das aplicações potenciais do produto, mas no seu uso efetivo pelo contribuinte. 71. Conforme aprendi por meio da leitura das informações técnicas carreadas ao processo sobre os painéis de LCD, não há controvérsia sobre a multiplicidade de formas em que tal material poderá ser empregado. As diferentes classificações possíveis são suficientes para demonstrálo. 72. O que é necessário saber é se, no caso concreto, a mercadoria importada foi destinada "exclusiva ou principalmente" ao emprego em televisores ou monitores, o que se resolveria única e exclusivamente por meio da produção de provas que elidissem a argumentação sustentada no TVF e este ponto, com todas as vênias, no meu entender, não ficou claro. 73. Em outras palavras, para fazer valer a classificação fiscal por ela defendida, deveria a recorrente ter feito prova cabal de que não destina "exclusiva ou principalmente" os painéis de LCD que importa para estas finalidades, mas para outras. 74. Seleciono trecho do acórdão recorrido que esclarece este ponto, e demonstra a prova, contrária à recorrente, produzida pela autoridade fiscal: "Em nenhum momento a interessada diz que os dispositivos não vão compor monitores ou televisores mas sim que podem ser utilizados para outras finalidades, inclusive protestando por laudo pericial para que isso seja esclarecido. Ocorre que a fiscalização, em diligência junto à interessada, conseguiu reunir documentação suficiente para definir, através dos “part number” de cada produto, sua utilização principal, que é como monitor LCD ou TV LCD" (seleção e grifos nossos). Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.476 21 75. A fiscalização comparou, ainda, as declarações de importação da contribuinte registradas no Siscomex para as mercadorias que foram objeto do auto de infração sob análise, singularizadas pelos "part number", e apontou que, sempre que fez uso à ex tarifária da NCM 8529.90.20, descrevia "(...) cada tela de LCD com todos os elementos necessários ao enquadramento como parte de monitores ou de televisores e, quando não, descrevia apenas como dispositivo de cristal líquido". 76. Assim, com base nestes elementos, e tendo em vista, sobretudo, a ausência de contraprova que elida a argumentação tecida pela autoridade fiscal, voto pela improcedência do recurso voluntário neste ponto, de maneira a entender que o código NCM 9013.80.10 não deve ser aplicado ao presente caso. IV.2. Da multa regulamentar 77. A recorrente, em que pese não demonstrar satisfatoriamente a destinação dos painéis LCD, apontou com clareza a alteração de critério empreendida pela autoridade fiscal, o que comprova a existência de uma dúvida quanto à aplicação de dispositivos jurídicos, pois a atividade de aplicar envolve não apenas cognoscibilidade e volição do aplicador, mas, sobretudo, a aproximação casuística às bases fáticas apresentadas pelas partes. 78. Frente, portanto, a duas interpretações possíveis para o mesmo fato, devese aplicar o art. 112 do Código Tributário Nacional que determina a interpretação mais favorável ao acusado na cominação de penalidades ao definir infrações, não havendo, portanto, que se falar em multa regulamentar por se tratar, em nosso entendimento, de vero erro escusável, ainda que se concluísse pela procedência do auto de infração, o que, como se demonstrou no "Item III" deste voto, não é o caso. 79. Ademais, as dezenas, ou mesmo centenas de importações realizadas pela recorrente, sob a mesma classificação fiscal, e muitas das quais parametrizadas para o canal vermelho, configuram uma prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, na qualidade, portanto, de norma complementar das leis e decretos, havendo, desta feita, a necessidade da aplicação do disposto no art. 100, parágrafo único: "a observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo". 80. Assim sendo, ainda que superada a nulidade apontada no "Item III" deste voto, devem ser excluídas as penalidades, entre elas a multa regulamentar, além dos juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo. V. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ART. 7º DA LEI Nº 10.865/2004 81. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 22 decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". 82. Em consonância com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento, a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINS Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) deverá ser "o valor aduaneiro", redação dada, ademais, pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. 83. Com base nestes fundamentos, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para a finalidade de reconhecer: (i) a nulidade da revisão de lançamento já homologado com fundamento em alteração de critério jurídico; (ii) a extinção por decadência dos créditos relativos a lançamentos efetuados com base em declarações de importação registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive; (iii) a exclusão da multa regulamentar e a impossibilidade da imposição de penalidades, cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo; e (iv) a exclusão do valor referente ao ICMS incidente no desembaraço aduaneiro da base de cálculo das contribuições sobre a importação, fazendo com que o PISImportação e a CofinsImportação incidam exclusivamente sobre o valor aduaneiro. (assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator designado. SOBRE A REVISÃO ADUANEIRA O contribuinte argumenta que, no presente caso, os lançamentos realizados pela Fiscalização em relação a fatos jurídicos passados, em conseqüência de desclassificação fiscal promovida após o desembaraço aduaneiro, decorreram de verdadeira mudança de critério jurídico, de modo que os Autos de Infração não pode prevalecer." E que os produtos importados foram desembaraçados pela Receita Federal do Brasil após a análise das informações inseridas nas respectivas Declarações de Importação, aí incluída, portanto, a classificação fiscal por ela adotada e a aplicação da alíquota decorrente desta classificação. E isso inclusive em um semnúmero de casos em que as importações foram direcionadas para o canal vermelho, com a conferência física dos produtos e com a vistoria dos documentos." Lei n. 5.172/1966: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.477 23 pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, (grifouse) E continuando, a argumentação da contribuinte sugere que a autoridade fiscal não discute a natureza dos produtos, sua aplicação e tão pouco afirma que houve equívoco em sua descrição nas Declarações de Importação, o que evidencia a inexistência de erro de fato — que seria a única hipótese em que se poderia cogitar a revisão de lançamento, na medida em que, identificado erro de fato, poderseia cogitar de alteração de classificação fiscal que não decorresse de mudança de critério jurídico. Nessa linha de argumentação, afirma que a revisão de ofício pela Autoridade Administrativa só é cabível caso se verifique alguma das hipóteses previstas no artigo 149 do Código Tributário Nacional, dentre as quais a de comprovação de falsidade, erro ou omissão na declaração, o que, a toda evidência, não é o caso dos autos. E acrescenta, em sua interpretação a respeito dos limites da revisão aduaneira, que, a correta construção da norma de que trata o artigo 54 do DecretoLei n° 37/1966 leva à conclusão de que a revisão aduaneira, ato praticado após o desembaraço aduaneiro e, portanto, após a ocorrência da homologação pela Autoridade Administrativa das informações e dos atos praticados pelo contribuinte, só poderá resultar em lançamento suplementar ou em novo lançamento promovido por parte dessa Autoridade se for identificada a ocorrência de alguma das hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional e desde que isso não configure mudança de critério jurídico, nos termos do artigo 146 do Código Tributário Nacional. Não consigo acolher a argumentação do contribuinte sobre as condições e limites da revisão aduaneira. Para nossa apreciação da matéria, peço permissão para recordar os Conselheiros que o despacho aduaneiro, nos moldes atuais, é realizado com base em sistema informatizado (SISCOMEX), por meio do qual o importador preenche a Declaração de Importação. Esse sistema é solução necessária para se conseguir lidar com a enorme quantidade de pedidos de importações, que cresceu substantivamente nos últimos 20 anos, e, ao mesmo tempo, proporcionar maior rapidez e menores custos a todos os interessados, tanto do lado do interesse público, quanto do interesse privado. Os Conselheiros imaginem que antes desse sistema, cada Declaração de Importação era datilografada em formulário de papel (com 6 vias com carbono), que não podia ter rasuras de qualquer natureza, e que os valores constantes do formulário (ex.: apropriação do frete total e do seguro no valor de cada mercadoria importada, determinação do valor de cada tributo na multiplicação da alíquota correspondente sobre a base de tributação, e outros) se apoiavam no uso manual de máquina de calcular tanto parte do despachante, quanto por parte da autoridade fiscal . Essas limitações foram superadas pela automatização no tratamento dos dados, e pela desmaterialização de alguns dos documentos em papel. Foi um grande avanço para o comércio exterior brasileiro. A análise feita pela autoridade fiscal durante o despacho aduaneira se dá sob condições que lhe são próprias, e estabelecem distinção substantiva quando comparada com a análise fiscal feita em uma fiscalização realizada, por exemplo, na contabilidade ou nas DACONS ou DCTFS do contribuinte. Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 24 Enquanto nessa a autoridade fiscal pode administrar e conduzir sua análise usando o tempo que entender necessário, naquela, no despacho aduaneiro, há a concorrência de muitas importações que devem ser analisadas pela mesma autoridade fiscal dentro do mesmo período de tempo. Apenas para termos uma perspectiva, há alfândegas que recebem milhares de pedidos de importação por dia, outras centenas. è uma quantidade absurdamente alta para boa parte dos recintos alfandegados. Cada hora a mais dedicada pela autoridade fiscal para analisar um aspecto de determinada importação implicará, inevitavelmente, em um tempo maior de espera para essa importação, e também para todas as outras que estão na fila aguardando a atenção desta autoridade fiscal. Isso, sem falarmos nas mercadorias perecíveis, que demandam prioridades particulares e acabam por passar à frente das outras, Ocorre que a duração de tempo de cada despacho aduaneiro significa em maior ou menor custo para o importador ( preço do tempo de armazenamento). Ocorre que a duração maior de tempo no despacho de um importador, significará custo maior para este importador e também custo maior para os outros que aguardam sua vez. Esta é uma realidade que o sistema SISCOMEX vem lidando. A aduana moderna, cada vez mais, procura soluções para dar maior agilidade ao processamento nos portos e aeroportos e pontos de fronteira, e para dar condições para que se possa fazer uma fiscalização mais aprofundada e efetiva após a passagem das mercadorias pelos recintos alfandegados. É a articulação dos controles aduaneiros com a logística para se chegar à celeridade e à eficiência almejadas nesses tempos atuais. O direito e a lei não existem em um plano abstrato, mas inseridos nas condições concretas da existência social. Temos de considerar as condições em que esse direito e essa lei vão adquirir materialidade para compreender seu sentido, sua significação, sua aplicabilidade. O ordenamento jurídico rejeita a lei de aplicação impossível. O Sistema SISCOMEX atualmente seleciona uma dentre 3 possibilidades de tratamento para conduzir cada despacho aduaneiro: uma possibilidade é o tratamento de desembaraço automático, sem qualquer ação fiscal, o denominado canal verde; a outra possibilidade é a que prescreve o exame dos documentos; e por último, a que prescreve além do exame dos documentos, a inspeção física dos produtos e da carga. Por isso, afirmo com tranqüilidade minha convicção: (a) que as importações desembaraçadas sob o canal verde, sem qualquer conferência, não podem ser consideradas como homologação de lançamento ou estabelecimento de critério jurídico; (b) que a análise fiscal durante o despacho aduaneiro (Canais amarelo e vermelho) é feita em condições particulares, substantivamente diferentes das feitas a posteriori dos fatos econômicos e logísticos, tais como, por exemplo, as fiscalizações do IRPJ, as auditorias de DCTF e DACON, ou mesmo a revisão aduaneira. (c) E, ainda, defendo que a aceitação pela autoridade do despacho aduaneiro das informações constantes da Declaração de Importação não significa a formulação de um critério jurídico ou a homologação do lançamento. A análise feita durante o despacho é uma verificação que dificilmente pode alcançar o aprofundamento do qual possamos afirmar que ela constitui critério jurídico. Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.111 S3C4T1 Fl. 3.478 25 Mas qual a lógica da revisão aduaneira? A norma que autoriza a revisão aduaneira, no prazo de cinco anos do registro da Declaração de Importação, possibilita à administração trabalhar a posteriori do fato econômico e logístico. Ela possibilita a administração verificar a regularidade do despacho, que havia sido liberado naquelas condições precárias para uma análise mais detalhada, quando se tinha muitas importações concorrentes e o impacto real sobre os custos pelo tempo de fiscalização. O artigo 54 do Decretolei n. 37, de 1966, é norma especial, e posterior ao CTN, como já vimos antes neste voto, e que disciplina matéria mais ampla que o artigo 149 do CTN. Mas naquilo em que elas parecem concorrer, penso que elas não se negam, ou retiram eficácia uma da outra. A meu ver, o artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever de ofício as declarações prestadas por contribuinte, e que autoriza a revisão de lançamentos pendentes de homologação. Ela ainda autoriza a administração rever os lançamentos homologados. O artigo 54 do Decretolei n. 37, de 1966, traz norma válida e que autoriza procedimento que pode alcançar não só aspectos tributários (incluído aí o lançamento) da importação desembaraçada, mas aspectos não tributários (ex.: elementos estatísticos, regimes especiais, etc). A autoridade administrativa aduaneira poderá circunscrever o alcance do seu procedimento de revisão. Por exemplo, como é o caso, analisar somente a classificação fiscal, e deixar para outra revisão analisar os fundamentos legais dos benefícios fiscais usufruidos. Em meu ponto de vista, a revisão aduaneira se constituirá em homologação do lançamento naquele aspecto tratado na revisão. É uma prerrogativa da administração gerenciar a amplitude do exercício da sua fiscalização junto àquele contribuinte (ex.: se vai ver somente passivo fictício, ou somente PIS faturamento, ou somente DCTF, ou somente a classificação adotada na DI, etc). A análise feita pela autoridade fiscal durante o despacho aduaneiro não corresponde ao sentido de homologação do lançamento feito por iniciativa da administração, como consta do CTN. O sentido trazido pelo CTN é outro, diferente do ato de desembaraço aduaneiro. Regra geral, a meu ver, o desembaraço aduaneiro não tem a qualidade de homologação do lançamento representado pela Declaração de Importação. O espaço é curto para detalhar hipóteses de exceção à regra geral. Mas a homologação do lançamento representado pela DI, por iniciativa da administração, vai se dar ou na revisão aduaneira, ou em outro tipo de revisão de ofício. Continuando a nossa apreciação dessa matéria, quando o fiscal durante o despacho aduaneiro discorda da classificação escolhida pelo importador e estabelece uma exigência, há, nesse momento, a definição, por parte da autoridade competente de entendimento que se transformará em um critério jurídico se o importador concordar, ou se, ele não concordando, ficar assim decidido como resultado de decisão proferida no devido processo legal. Por essas considerações é que proponho a rejeição dos argumentos da recorrente de que a revisão aduaneira estaria adstrita às hipóteses do artigo 149 do CTN e que ela afrontaria o artigo 146 do CTN. Creio que haveria afronta ao artigo 146 citado somente quando a autoridade do despacho firma, nos termos previstos na lei, divergência jurídica que acaba por se constituir Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 26 em definição que altera o conteúdo da Declaração de Importação. Nessa situação, deve prevalecer o artigo 146 do CTN. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator designado. Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 02/08/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 19311.720224/2017-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014
IPI. ISENÇÃO. PRODUTOS EXTRATIVOS E AGRÍCOLAS DE PRODUÇÃO REGIONAL. AMAZÔNIA OCIDENTAL. MATÉRIA-PRIMA E MATERIAL INTERMEDIÁRIO. EMPREGO. INDUSTRIALIZAÇÃO. CRÉDITO FICTO. DIREITO.
Nos termos do art. 6º, § 1º do Decreto-Lei nº 1.435/75, são isentos de IPI os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decreto-lei nº 291/67 (Amazônia Ocidental), garantindo-se o direito ao crédito do imposto, como se devido fosse, aos estabelecimentos que os empregarem como matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.
RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO
A autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido.
PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE.
A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REGRIGERANTES. IPI.
Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deverá ser classificado no código próprio da TIPI.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014
POSICIONAMENTO REITERADO DA ADMINISTRAÇÃO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA.
O simples silêncio da Administração quanto à classificação fiscal adotada pela contribuinte não implica o reconhecimento tácito de sua correção ou incorreção, e a lavratura de auto de infração específico para esta finalidade não implica inovação e muito menos modificação dos critérios jurídicos do lançamento ou da acusação fiscal, uma vez que eles jamais foram efetivamente firmados.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014
DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009.
Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª-A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator.
Numero da decisão: 3401-005.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a aplicação, no caso concreto, dos efeitos do mandado de segurança coletivo impetrado, vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), que votou ainda pelo provimento em relação à classificação das mercadorias e à impossibilidade de glosa de crédito em função de não observação, pelo adquirente, da correção da classificação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. O Conselheiro Tiago Guerra Machado declarou impedimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente) e Márcio Robson Costa (que atuou em substituição ao conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ISENÇÃO. PRODUTOS EXTRATIVOS E AGRÍCOLAS DE PRODUÇÃO REGIONAL. AMAZÔNIA OCIDENTAL. MATÉRIA PRIMA E MATERIAL INTERMEDIÁRIO. EMPREGO. INDUSTRIALIZAÇÃO. CRÉDITO FICTO. DIREITO. Nos termos do art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75, são isentos de IPI os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291/67 (Amazônia Ocidental), garantindose o direito ao crédito do imposto, como se devido fosse, aos estabelecimentos que os empregarem como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO A autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 24 /2 01 7- 11 Fl. 4196DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.197 2 cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REGRIGERANTES. IPI. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 POSICIONAMENTO REITERADO DA ADMINISTRAÇÃO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. O simples silêncio da Administração quanto à classificação fiscal adotada pela contribuinte não implica o reconhecimento tácito de sua correção ou incorreção, e a lavratura de auto de infração específico para esta finalidade não implica inovação e muito menos modificação dos critérios jurídicos do lançamento ou da acusação fiscal, uma vez que eles jamais foram efetivamente firmados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ªA da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4197DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.198 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a aplicação, no caso concreto, dos efeitos do mandado de segurança coletivo impetrado, vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), que votou ainda pelo provimento em relação à classificação das mercadorias e à impossibilidade de glosa de crédito em função de não observação, pelo adquirente, da correção da classificação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. O Conselheiro Tiago Guerra Machado declarou impedimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente) e Márcio Robson Costa (que atuou em substituição ao conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento). Relatório 1. Tratase de auto de infração, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao período compreendido entre 01/07/2013 a 31/12/2014, acrescido de multa e juros de mora, de maneira a totalizar o crédito tributário histórico de R$ 511.865.982,94. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 3.469 a 3.530, narra a autoridade fiscal que o procedimento constatou que a contribuinte efetuou o registro de créditos de IPI, calculados como se devidos fossem, sobre produtos adquiridos com isenção, sendo que a maior parte dos créditos escriturados são oriundos de kits contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 22.02, além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos de RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, por esta identificados como um “concentrado”. O objeto da ação fiscal resultou na análise do direito de aproveitamento de créditos do IPI por parte dos adquirentes, integrantes do SISTEMA COCACOLA BRASIL, localizados em todo o território nacional. Neste procedimento (processo nº 11080.732960/201410), foram apuradas irregularidades quanto à classificação fiscal dos produtos denominados “kits para fabricação de bebidas” na saída do estabelecimento da Recofarma. Nas notas fiscais de saída emitidas pela Recofarma, não há destaque de IPI, sob a alegação das isenções do art. 81, II, e art. 95, III, c/c com o art. 237, todos do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010). Fl. 4198DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.199 4 3. A contribuinte, cientificada do auto de infração, apresentou tempestiva impugnação na qual argumentou, em síntese, que: (i) estar amparada pela disposição expressa do art. 6º do Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975; (ii) o STF, em sessão plenária, no julgamento do recurso extraordinário RE nº 212.484RS, já concluiu que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI tem direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para o próprio insumo, em face do princípio da nãocumulatividade; (iii) decisão proferida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 assegurou aos integrantes da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC) o direito de se creditarem do IPI relativo à aquisição de insumo isento, adquirido de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na industrialização de seus refrigerantes; (iv) a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos (com benefício da isenção subjetiva), utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI. Assim, não caberia a aplicação de penalidade (multa de ofício), nos termos do art. 76, II, “a”, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 4. Em 23/01/2018, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1475.739, situado às fls. 2961 a 4003, de relatoria do AuditorFiscal Celso Toshio Sakamoto, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSAS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam, efetivamente, uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização, ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. Fl. 4199DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.200 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMPETÊNCIA DA DELEGACIA DE JULGAMENTO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A escrituração do RAIPI é obrigação acessória e não faz parte do rol das matérias passíveis de serem submetidas ao rito do contencioso regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Não consta, entre as competências atribuídas às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), apreciar a suspensão da obrigação de reconstituir o RAIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DE CRÉDITO DE IPI NA APURAÇÃO DO SALDO DEVEDOR. INOCORRÊNCIA. Tendo a autoridade fiscal afastada, expressa e indubitavelmente, a possibilidade de apropriação de crédito de IPI, e não se vislumbrando, nos autos, a presença de elementos que autorizem imaginar o reconhecimento da existência de parcela de algum tipo de crédito, não cabe cogitar de qualquer ilegalidade na apuração dos saldos devedores, fundamentada na desconsideração de crédito de IPI na referida apuração. APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico deve ser entendida como uma mudança de posição interpretativa da Administração a respeito de determinada norma. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa por parte da Administração Tributária. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. CLASSIFICAÇÃO EQUIVOCADA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Na situação, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa. Fl. 4200DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.201 6 DECISÕES DO STF EM SEDE DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EFEITOS ERGA OMNES. DECRETO Nº 2.346, DE 1997. As decisões judiciais atinentes a casos concretos possuem apenas efeitos inter partes e não vincula os atos da Administração Tributária. Uma decisão emanada do Supremo Tribunal Federal somente alcançaria terceiros não participantes da lide se observadas as condições descritas pelo Decreto nº 2.346, de 1997. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição, e seu alcance restringese aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS EXPEDIDOS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a que se refere o inciso I do art. 100 do CTN, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos que versem sobre matéria tributária. São atos gerais e abstratos, tais como portarias, instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos legais ou de instrumentar o cumprimento das obrigações tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos termos de parágrafo único do art. 100 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. Não há que se falar em aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 100, II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 4201DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.202 7 5. A contribuinte, intimada da decisão em 29/01/2018, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 4009, interpôs, em 26/02/2018 em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 4010, recurso voluntário, situado às fls. 4012 a 4089, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Antes da análise da admissibilidade do recurso voluntário, necessário se enfrentar a questão atinente à competência deste colegiado, tendo em vista a edição da Resolução CARF nº 3401000.581, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que decidiu pelo sobrestamento do Processo a este vinculado até a ulterior decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: 1. EXTENSÃO DA COISA JULGADA FORMADA NO MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO Nº 91.00477834 8. A contribuinte alega, desde sua primeira manifestação, estar amparada por decisão judicial transitada em julgado e obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que tramitou perante a 22ª Vara Federal da Subseção do Rio de Janeiro, que reconheceu o direito de todos os associados, entre os quais se inclui, ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de empresas situadas na Zona Franca de Manaus. 9. A constatação da existência de coisa julgada deve ser analisada de maneira prévia à análise dos demais argumentos, pois, uma vez reconhecida, estaria a autoridade fiscal diante de obstáculo forte, impeditivo da própria lavratura do auto de infração, expungindose da Administração Pública a competência para reabrir discussão já sedimentada sob o manto de decisão judicial irrecorrível. Tratase, portanto, de preliminar entre preliminares que, caso confirmada, tornará prescindível a análise da alegação de outras comorbidades que eventualmente venham a assolar a acusação fiscal. 10. Depreendese da leitura das peças e demais documentos que instruem os presentes autos que, em 14/08/1991, a ASSOCIAÇÃO DOS FABRICANTES DE COCACOLA (AFBCC), com sede na cidade do Rio de Janeiro, impetrou mandado de segurança com o pedido de estorno de crédito de IPI incidente sobre aquisições de matériasprimas isentas provenientes da Zona Franca de Manaus com saída tributada. Em 02/12/1999, transitou em julgado a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no agravo de instrumento nº 252.801RJ, que negou seguimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão concessivo da segurança. Fl. 4202DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.203 8 11. Entendo que os recursos em referência possam ser objeto de apreciação por esta turma julgadora, em decorrência de um primeiro fato superveniente à Resolução: o trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361RJ em 23/02/2017, proferido nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados. Transcrevese, neste sentido, trecho do despacho de 17/11/2016 de lavra do relator, Ministro Og Fernandes: "Em relação ao art. 2ºA da Lei n. 9.497/97, introduzido pela MP 1.7981/99, e ao art. 16 da Lei n. 7.347/85, com redação dada pela Lei n. 9.494/97, a jurisprudência desta Corte firmou se no sentido de que a limitação contida no art. 2ºA, caput, da Lei n. 9.494/97 de que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações (...) No caso, dos autos, a instância ordinária expressamente afirmou que o mandado de segurança foi impetrado em data anterior a vigência da MP n. 2.18035/2001 (eSTJ, fl. 429)" (seleção e grifos nossos). 12. A decisão em referência, como se conclui a partir tanto dos documentos trazidos a conhecimento deste colegiado, bem como por meio do extrato do processo obtido por este Relator no site do Superior Tribunal de Justiça, transitou em julgado em 23/02/2017: 13. O Recurso Especial nº 1.438.361RJ, por seu turno, tem, como recorrente, a contribuinte autuada, como se pode verificar a partir do extrato a seguir recortado: Fl. 4203DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.204 9 14. O segundo fato superveniente à decisão foi a decretação, pelo Supremo Tribunal Federal, em 18/08/2017, da extinção da Reclamação nº 7.778, em virtude da perda superveniente de objeto, reconhecendo que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.438.361RJ teve por efeito a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em conformidade com despacho do relator, Ministro Gilmar Mendes, que abaixo se transcreve: "Tratase de embargos de declaração opostos pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra acórdão do Plenário (eDOC 52), que negou provimento ao agravo regimental em reclamação, ementado nos seguintes termos: “Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento”. (eDOC 52, p. 2) Ocorre que, após a oposição dos embargos, a parte embargante noticia, por meio da Petição 17.128/2017, o trânsito em julgado Fl. 4204DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.205 10 da decisão da 2ª Turma do STJ que reformou o ato impugnado pela presente reclamação (eDOC 6). Ante o exposto, julgo prejudicados os embargos declaração e julgo extinto o presente feito, ante a perda superveniente do seu objeto (art. 21, IX, do RISTF). Publiquese. Brasília, 11 de maio de 2017. Ministro Gilmar Mendes Relator 15. A decisão em referência transitou em julgado em 18/08/2017, como se denota da seguinte certidão: 16. Tais fatos supervenientes devolvem a questão ao conhecimento deste colegiado, uma vez que são prejudiciais ao objeto da Resolução, que se prestou a sobrestar o processo a fim de aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca do mérito, inacessível ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão administrativo, a partir do reconhecimento judicial da coisa julgada. Devolvemna, no entanto, unicamente para que se reconheça a superveniência da decisão judicial no sentido da aplicação da coisa julgada ao caso presente. 17. Assim, diferente do contexto fático apreciado quando da prolação do Acórdão CARF nº 3401003.750, proferido em sessão de 26/04/2017, de minha relatoria, no qual externamos as razões pelas quais deveriam ser reconhecidos os efeitos da coisa julgada da decisão judicial transitada em julgado e obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que reconheceu o direito de todos os associados ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de empresas situadas na Zona Franca de Manaus, no momento da prolação da presente decisão, a questão restou judicial e definitivamente decidida, o que afasta a jurisdição e a competência deste Conselho. 18. Desta forma, inoportuno e descabido a este Relator ou a este colegiado se pronunciarem a respeito da extensão dos efeitos da coisa julgada, como, aliás, tivemos a oportunidade de fazer, detidamente, no Acórdão CARF nº 3401003.750, e, muito menos, a respeito da matéria de fundo, ou seja, o direito ao creditamento do IPI. Isto porque, Fl. 4205DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.206 11 conforme já defendemos naquela ocasião, uma vez que se reconheça a prevalência e, logo, a primazia da coisa julgada (matéria que o colegiado tem a obrigação de conhecer previamente, sem jamais deixar de decidir a respeito dela, sob pena de caracterização do non liquet), descabido será o pronunciamento quanto ao mérito. 19. Outro não poderia ser o desfecho do presente caso, sob pena de afronta à separação constitucional do Poder, tendo em vista a necessidade de observância, por parte das instâncias administrativas, do trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361 RJ (Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834), reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados e, portanto, inclusive da contribuinte ora recorrente, bem como a perda de objeto da Reclamação nº 7.778 que tramitou no Supremo Tribunal Federal. 20. Assim, voto no sentido do cumprimento da decisão judicial naquilo que concerne à não aplicação da interpretação da limitação territorial da coisa julgada no caso em análise, devendo a decisão obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que tramitou na 22ª Vara Federal da Subseção do Rio de Janeiro, aproveitar à contribuinte em tela. 2. CRÉDITO FICTO DO IPI NA AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES 21. Entendeu a decisão recorrida que os insumos fabricados pela Recofarma não fariam jus à isenção prevista pelo art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975, uma vez que não teriam sido elaborados com matériaprima agrícola regional. No entendimento do julgador a quo, que corrobora a acusação fiscal, a fornecedora dos insumos ("kits") empregados pelo estabelecimento industrial não utiliza diretamente, em seu processo de industrialização, matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. 22. Para a recorrente, o DecretoLei nº 1.435/1975 outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais nele previstos em seu art. 6º e, assim, a Receita Federal não teria competência para desconsiderar o ato concessório do benefício outorgado pela SUFRAMA. Entendo, no entanto, que não se está a questionar a validade dos atos da SUFRAMA: seus atos em momento algum foram questionados ou tiveram a sua eficácia afastada. 23. Neste sentido, ademais, decidiu esta turma no Acórdão CARF nº 3401003.750,1 por unanimidade de votos, de redatoria do Conselheiro Robson José Bayerl, no seguinte sentido: 1 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, e André Henrique Lemos. Fl. 4206DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.207 12 24. O acórdão, ao tratar da matéria em apreço, contou com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2012 IPI. ISENÇÃO. PRODUTOS EXTRATIVOS E AGRÍCOLAS DE PRODUÇÃO REGIONAL. AMAZÔNIA OCIDENTAL. MATÉRIAPRIMA E MATERIAL INTERMEDIÁRIO. EMPREGO. INDUSTRIALIZAÇÃO. CRÉDITO FICTO. DIREITO. Nos termos do art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75, são isentos de IPI os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291/67 (Amazônia Ocidental), garantindose o direito ao crédito do imposto, como se devido fosse, aos estabelecimentos que os empregarem como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. Fl. 4207DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.208 13 25. Transcrevese abaixo, por pertinente, trecho do voto do Conselheiro Robson José Bayerl sobre a matéria, que adotamos como razão de decidir: As razões do lançamento consistem, basicamente, na impossibilidade de aproveitamento dos efeitos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, em função do disposto no art. 2ºA da Lei nº 9.494/97, e também na ausência de previsão legal, ante o princípio da não cumulatividade (art. 153 da CF/88), de aproveitamento de créditos de IPI pela aquisição de produtos isentos. A impugnação referenciou o direito de crédito no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 (arts 82, III e 175 do RIPI/02), destacado expressamente nos documentos fiscais de aquisição de concentrado, além de contestar a impossibilidade de usufruir dos efeitos do MSC 91.00477834. Dentre as provas colacionadas a justificar o direito ao crédito a que alude o art. 6º do DL 1.435/75 (art. 82, III do RIPI/02), trouxe o recorrente a Resolução SUFRAMA nº 298/2007 (fl. 533), que aprovou o projeto de atualização do empreendimento titularizado por Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. (RECOFARMA), fornecedora da matéria prima isenta, e o Parecer Técnico nº 224/2007 (fl. 535), que relatou as verificações da atualização do empreendimento e relacionou as matériasprimas regionais utilizadas na industrialização do produto "concentrado para bebidas não alcoólicas", posteriormente vendidos aos fabricantes de bebidas, que o utilizarão como insumo na produção de refrigerantes. A Resolução SUFRAMA 298/2007, teve como fundamento técnico para sua expedição, o Parecer Técnico nº 224/2007. Por ser oportuno ao deslinde da questão, vale o recorte de trecho do referido parecer técnico que lista os insumos regionais utilizados pela RECOFARMA: Fl. 4208DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.209 14 Fl. 4209DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.210 15 Notese que o açúcar cristal e mascavo, de produção regional, é adquirido pela RECOFARMA e enviado à DD. WILLIANSON DO BRASIL, também localizada no Pólo Industrial de Manaus, para produção terceirizada do corante caramelo, também insumo do referido "concentrado". Dentre os incentivos fiscais regionais, naquela oportunidade, requereu a RECORFARMA a isenção do art. 6º do DL 1.435/77. As notas fiscais de aquisição de concentrado que respaldam o crédito não reconhecido pela fiscalização encontramse às Fl. 4210DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.211 16 fls. 497/531, constando em seu corpo a alusão ao preceptivo. O MSC 91.00477834, TRF 2ª Região, por seu turno, dentre os seus pedidos, arrolou o reconhecimento a todos os seus associados de aproveitar o crédito pela aquisição de produtos isentos da ZFM, conforme se verifica de sua petição inicial: A sentença de primeiro grau julgou improcedente o pedido. Em apelação, o TRF 2ª Região, reverteu a decisão para reconhecer o direito pleiteado. A Fazenda Nacional, através do AI 252.8013, levou a questão ao STF, através de reexame de juízo negativo de admissibilidade do RE, cabendo ao Min. Marco Aurélio, em decisão monocrática, conhecer do agravo e negarlhe provimento, por estar a decisão recorrida em consonância com a jurisprudência então vigente (fls. 596/601). A decisão da DRJ afastou o aproveitamento do Mando de Segurança Coletivo nº 91.00477834, porém, reconheceu o direito ao crédito na compra do "concentrado para bebidas não alcoólicas" adquirido da empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS, por força do disposto no art. 6º do DL 1.435/75, dado que a empresa tem projeto aprovado pela SUFRAMA e utiliza insumos regionais produzidos no interior do Estado do Amazonas, como atesta o Parecer Técnico nº 224/2007. A PFN, em suas razões ao recurso de ofício, debate a impossibilidade do direito de crédito de IPI, nas aquisições Fl. 4211DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.212 17 isentas e a inobservância dos requisitos para fruição do benefício previsto no art. 6º do DL 1.435/75, alegando que a RECOFARMA não utiliza produto de origem extrativa vegetal diretamente na fabricação do concentrado, pois o açúcar, produto extrativo vegetal, é utilizado na produção do corante caramelo, que, em si, não é um produto extrativo vegetal: "Conforme se verifica dos documentos acostados aos autos, inclusive de documentos emitidos pela própria Suframa, o concentrado produzido pela Recofarma não é elaborado com matériasprimas agrícolas ou extrativas vegetais de produção regional, mas sim com produtos intermediários/industrializados. Nesse sentido, a Suframa (documento 3 juntado pela contribuinte junto com a impugnação) informa que o concentrado para fabricação de refrigerante sabor cola é feito com açúcar e álcool e, ainda, que o açúcar cristal é adquirido pela Recofarma e enviado para a DD. Williamson do Brasil, que produz o corante caramelo, matériaprima dos concentrados da empresa. (...) Levandose em conta que a Lei determina, para o gozo da isenção (art. 6º, caput, do DL 1435/75), que os produtos sejam produzidos com MATERIA PRIMA agrícola ou extrativa, e não com PRODUTO INTERMEDIÁRIO, correta a glosa dos créditos, ainda mais considerandose que quando o legislador pretendeu tratar de insumos de forma genérica, o fez referindose não apenas à matériaprima, mas também a produtos intermediários e materiais de embalagem, a exemplo do que se vê, inclusive, no dispositivo que permite o crédito na aquisição de produto isento (art. 6º, § 1º do DL 1435/72). Apoiando sua tese, cita os Acórdãos nºs 3302002.673, 3302001.790 e 3403003.491, que chegaram às mesmas conclusões. Esse o quadro factual. Preambularmente, para melhor apreciar as questões postas, transcrevo o referido art. 6º do DL 1.435/75: “Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. Fl. 4212DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.213 18 § 1º Os produtos a que se refere o ‘caput’ deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA.” (destacouse) No caso vertente, a matériaprima regional utilizada na produção do concentrado, segundo o Parecer Técnico nº 224/2007, é o açúcar cristal e o açúcar mascavo. Nos termos do caput do dispositivo, são isentos do IPI os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Os açúcares cristal e mascavo são elaborados a partir da canadeaçúcar produzida no interior do Estado do Amazonas, por pequenas propriedades rurais e pela Agropecuária Jayoro, esta localizada no Município de Presidente Figueiredo/AM, de maneira que resta atendido o primeiro requisito (produção na área da Amazônia Ocidental, conforme art. 1º, § 14º do DL 291/67). Na seqüência, consoante o parágrafo primeiro, os produtos referidos no caput, isto é, aqueles produzidos com matéria prima agrícola e extrativa no caso dos autos, os açúcares cristal e mascavo gerarão créditos do IPI, como se devido fosse, sempre que empregado como matériaprima ou produto intermediário, na industrialização, em qualquer parte do território nacional, de produto sujeito ao pagamento do imposto. O açúcar cristal produzido pela Agropecuária Jayoro, segundo o parecer técnico da SUFRAMA, é adquirido pela RECOFARMA e enviado, para industrialização do corante caramelo, pela DD. WILLIANSON DO BRASIL. A PFN sustentou que o corante caramelo não seria matériaprima de origem agrícola ou extrativa; entretanto, não há como negar que é componente seu o açúcar cristal (produto agrícola) de produção regional produzido pela Agropecuária Jayoro, revelando que o açúcar cristal seria, por assim dizer, a "matériaprima da matériaprima" na produção do concentrado, o que Fl. 4213DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.214 19 acarretaria a admissibilidade do creditamento sub examine. Demais disso, o mesmo parecer técnico destacou, na letra "f", do item "7" (Compromissos assumidos pela empresa), fl. 544, que a RECOFARMA utilizaria, na produção do concentrado, 21,27% de insumos locais/regionais, sendo que, nos concentrados à base de cola, seria utilizada a matériaprima regional açúcar (cristal e mascavo). A meu ver, o fato do açúcar ser utilizado como matéria prima do corante caramelo e este como matériaprima do concentrado, como antecipado, não retira o direito ao crédito do art. 6º do DL 1.435/75, até porque não é possível extrair do parecer técnico que todo o açúcar utilizado, no processo produtivo da RECOFARMA, seja destinado exclusivamente à produção do corante caramelo. Como não bastasse, ainda segundo o mencionado parecer técnico, o açúcar cristal empregado na produção do corante caramelo é adquirido pela RECOFARMA e remetido, para industrialização desta matériaprima, a empresa localizada na própria área do Pólo Industrial de Manaus. Em minha visão, o açúcar cristal utilizado, ainda que indiretamente, na produção do concentrado de bebidas não alcoólicas produzido pela RECOFARMA, emprega canadeaçúcar, produto agrícola, plantada em áreas do interior do Amazonas, de modo que atende ao segundo requisito. Por fim, a RECOFARMA possui projeto aprovado pela SUFRAMA, atendendo assim à terceira exigência. Concernente ao argumento deduzido pela PFN, ao questionar a referência a duas bases legais para respaldo da isenção, art. 6º do DL 1.435/75 (que garante o crédito pretendido) e o art. 9º do DL 288/67 (que não garante o direito de crédito), quando deveria ser indicada o dispositivo específico, entendo que tal situação, no caso vertente, pelas especificidades do processo, não prejudica a fruição do benefício fiscal, haja vista que ambas as isenções foram pleiteadas pela RECOFARMA no projeto de atualização aprovado pela Resolução nº 298/2007, consoante item "4" (Incentivos pleiteados), do parecer técnico, de maneira que a SUFRAMA, no uso de suas atribuições, reconhece que a Fl. 4214DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.215 20 peticionante atende aos requisitos para ambas as isenções. Acentuese que não se está, nesse ínterim, a afirmar que a competência para o reconhecimento das isenções invocadas pertenceria à SUFRAMA, como pode parecer à primeira vista, mas tãosomente que, cuidandose de isenções condicionadas à observância de certas exigências, caberia à SUFRAMA, no limite de suas atribuições, reconhecer que o peticionante, no caso a RECOFARMA, preencheria os requisitos previstos na legislação e estaria apta a usufruir dessa vantagem fiscal, cumprindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a fiscalização da correta apuração do tributo, aí incluído o aproveitamento de créditos do imposto (IPI). Por outro lado, se porventura a empresa RECOFARMA não vem obedecendo ao projeto aprovado pela SUFRAMA, com o emprego compromissado das matériasprimas agrícolas de origem de produção regional, cabe à fiscalização da RFB, também na medida de suas atribuições, investigar a situação com profundidade e apurar as respectivas infrações e responsabilidades, não, porém, imputar esse ônus probatório ao beneficiário da vantagem fiscal, como ocorrido. Mesmo porque, o lançamento não desce a essa minúcia – ausência de preenchimento dos requisitos para fruição dos benefício do art. 6º do DL 1.435/75 –, limitandose a denegar o direito ao crédito pela aquisição de produtos isentos com fulcro no princípio da não cumulatividade insculpido no art. 153 da CF/88, uma vez ultrapassada a possibilidade de usufruir dos efeitos do MSC 91.00477834, conforme se verifica da seguinte passagem do TVF: Fl. 4215DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.216 21 Portanto, ainda que se admitisse o não cumprimento de todos os requisitos, o que se faz exclusivamente como concessão dialética (uma vez que, no entender desse Conselheiro, houve atendimento às exigências legais), não seria possível manter o lançamento nos termos em que lavrado, porque não foi essa a sua motivação, o que representaria inovação indevida do seu fundamento jurídico. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 26. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário interposto neste particular para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito de IPI. 3. DA APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS POR DESTAQUE DE VALOR DE IPI A MAIOR 27. De fato, a contribuinte ora recorrente figura como terceiro adquirente dos concentrados para bebidas não alcoólicas, tendo sido a fornecedora (Recofarma) a emissora das notas fiscais e, logo, responsável pela descrição dos produtos e pela sua classificação fiscal, o que levou a recorrente a utilizar a alíquota utilizada para fins de cálculo do crédito do IPI. Por outro lado, observo que o art. 62 da Lei nº 4.502/1964 determina que o adquirente verifique se os produtos ingressados no seu estabelecimento e as notas fiscais que o acompanham atendem às prescrições legais aplicáveis à espécie, chegando as normas regulamentares (RIPI de 1972, 1979 e 1982) à minúcia de preverem expressamente que tal exame contemplaria também a correção da classificação fiscal. Fl. 4216DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.217 22 28. A discussão, portanto, se refere à extensão da obrigatoriedade de que o adquirente verifique a correção dos documentos fiscais de lavra dos fornecedores, e se tal verificação contempla ou não a análise quanto à classificação fiscal. 29. Já decidiu esta turma, no Acórdão CARF nº 3401003.838, de 28/04/2017, por unanimidade de votos, ser descabida a glosa de créditos apropriados pelo adquirente relativos a produtos entrados no estabelecimento da contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: IMPOSSIBILIDADE DE SE PROCEDER À GLOSA DE CRÉDITOS DO ADQUIRENTE PROVENIENTES DE DESTAQUE DE VALOR DE IPI A MAIOR POR PARTE DO FORNECEDOR. É descabida a glosa de créditos apropriados pelo adquirente relativos a produtos entrados no estabelecimento da contribuinte. Art. 225 RIPI e art. 49 CTN, sob pena de duplo enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, sendo cabível ao fornecedor requerer a restituição do valor pago a maior nos termos do art. 166 CTN. Os deveres dirigidos à contribuinte adquirente inerentes ao art. 266 do RIPI, salvo exigências específicas que defluem da própria norma, são aqueles evidentes, decorrentes da simples análise da mercadoria e dos documentos fiscais, não sendo cabível se exigir que o adquirente verifique a correção da alíquota aplicada pelo fornecedor. 30. Transcrevese, abaixo, por pertinente, o voto proferido e acompanhado por unanimidade naquela oportunidade: Isto porque, se o fornecedor da mercadoria realizou indevidamente destaque a maior de IPI, não havendo qualquer indício ou hipótese nos autos de simulação ou de fraude, não há, na situação presente, qualquer prejuízo à Fazenda, mas verdadeiro enriquecimento ilícito. Devido à repercussão econômica do tributo, ao fornecedor caberia, em tese, proceder à restituição das quantias pagas a maior desde que satisfeitos os "requisitos diabólicos" do art. 166 do Código Tributário Nacional, tocando à contribuinte recorrente prover a autorização expressa em virtude dos chamados "efeitos translativos" do tributo. Observese que, a concretizar o inciso II do § 3º do art. 153 da Constituição de 1988, o art. 225 do RIPI (Decreto nº 7.212/2010) estabelece que a nãocumulatividade do IPI é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte adquirente para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. No mesmo sentido, o art. 49 do Código Tributário Nacional determina que o montante devido do imposto é "a diferença a maior, Fl. 4217DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.218 23 em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados". Assim, de uma perspectiva econômica, ao se autorizar a glosa dos créditos tomados pela autuada, admitese, em verdade, um arrasto cumulativo sobre a cadeia econômica, pois a empresa terá realizado o recolhimento de seu imposto sobre o preço de saída e terá cancelado o crédito correspondente. Há de se considerar, por outro lado, a obrigação insculpida no RIPI e dirigida ao adquirente da mercadoria: RIPI Art. 266. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). § 1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo, cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). A decisão recorrida admite, corretamente, que tal dispositivo não obriga a adquirente a "(...) verificar a classificação fiscal da mercadoria e a alíquota consignadas nas notas fiscais", mas considera que o efeito de tal constatação é unicamente afastar a aplicação da pena do art. 492 do RIPI.2 Assim não nos parece: ao se concluir que a dicção do art. 266 do RIPI não obriga o adquirente a verificar classificação fiscal e alíquotas das notas fiscais 2 RIPI Art. 492. A inobservância das prescrições do art. 266 e de seus § 1º e §3º, pelos adquirentes e depositários de produtos mencionados no mesmo dispositivo, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 82). Fl. 4218DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.219 24 emitidas por seus fornecedores, inviabilizase a própria glosa dos créditos correspondentes. Observese, neste sentido, a completa impraticabilidade da norma caso a leitura fosse diversa: estarseia a exigir de uma contribuinte como a recorrente, que adquire possivelmente milhares de peças e insumos, a análise fundamentada de cada item adquirido. Conjeturase que não haveria suficientes tributaristas no mercado fosse esta a interpretação. Desnecessário dizer que o desígnio da norma evidentemente não é este. O objetivo do dispositivo é alcançar apenas aquilo que o adquirente "sabe ou deveria saber", sobre erros formais ou de identificação imediata ou evidente. Em outras palavras: cabe à adquirente examinar se os produtos estão rotulados, marcados, selados (caso estiverem sujeitos ao selo de controle) e se estão acompanhados dos documentos exigidos, e se tais documentos satisfazem às prescrições (formais) do Regulamento. Quando a exigência de verificação é específica, exigindose um verdadeiro dever de fiscalização ou de colaboração do adquirente, a norma é expressa, e.g. ao exigir que verifique se a mercadoria está selada, estando a fornecedora sujeita ao selo de controle, o que obriga a empresa a saber se há ou não a sujeição de seu fornecedor à norma em apreço. No Acórdão CARF nº 340200.719, proferido em 27/07/2010, de relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, ponderase justamente sobre os limites do art. 266 do RIPI e da própria responsabilidade que o dispositivo atribui ao adquirente. O caso concreto tratado pelo voto é justamente aquele do exemplo dado, em que a norma exige, de maneira expressa e cogente, um conhecimento específico da adquirente sobre seus fornecedores: "Não há dúvida de que o adquirente de produtos pode ser responsabilizado por infrações relativas às mercadorias compradas sempre que a lei assim o dispuser. E assim é o caso quando tais mercadorias estejam submetidas à exigência de selagem. Em tais circunstâncias deve o adquirente recusar o recebimento daquelas que, a ele sujeitas, não o portem. Essa obrigação está expressamente prevista nos artigos legais citados no auto de infração: 253 e 266 do RIPI/98. Ocorre que, a meu sentir, não é disso que se cuida. Fl. 4219DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.220 25 É que, a meu ver, a norma apenas alcança as situações em que o adquirente sabe, ou deveria saber à vista dos atos legais e normativos que regem a espécie, que o produto recebido está sujeito à exigência de selagem. (...) Quanto aos cigarros e aos relógios de pulso ou de bolso isso não apresenta qualquer dificuldade visto que a regra é a exigência, cabendo poucas exceções para sua dispensa" (seleção e grifos nossos). Assim, em alguns casos muito específicos é possível se responder à seguinte indagação realizada pelo relator: "(...) deveras, como se pode exigir do adquirente que questione o seu fornecedor acerca da classificação por ele adotada?", sendo o caso do selo bastante emblemático. Em outros casos, como no presente, em que nem a lei nem as disposições infralegais exigem o conhecimento da alíquota correta aplicável (repitase: não havendo indícios ou acusação de simulação ou fraude), não pode o aplicador realizar, por vontade própria, tal exigência, claramente excessiva. Para além das exigências específicas, portanto, a obrigação dos adquirentes é aquela decorrente da cognição perfunctória, aferível mediante simples conferência dos documentos e da mercadoria, conforme transparece da ementa do acórdão em referência: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/09/2003 OBRIGAÇÕES DOS ADQUIRENTES, RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. A responsabilização do adquirente de produtos sujeitos ao selo de controle, que os receba sem tal condição, só se aplica quando a exigência seja identificável pela classificação fiscal aposta nos documentos de aquisição ou pela simples identificação da mercadoria. Se, entretanto, a classificação fiscal, reconhecida em ato da própria SRF, indica tratarse de produto não sujeito ao selo, eventual reclassificação fiscal, baseada em laudo técnico elaborado, apenas pode afetar o fabricante. Fl. 4220DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.221 26 Recurso provido 31. De fato, não se controverte que a contribuinte realizou o cálculo do crédito decorrente da aplicação da alíquota de 20% em conformidade justamente com a classificação no Código NCM/SH nº 2106.90.10 ex 01 feita pelo fornecedor do insumo, justamente aquela adotada pelo seu fornecedor. 32. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado neste particular. 4. VEDAÇÃO À ALTERÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO 33. Já conhecida por este colegiado a posição deste Relator a respeito do convívio harmônico dos institutos da revisão fiscal e da revisão tributária do lançamento, como, e.g., externado minudentemente no Acórdão CARF nº 3401004.020, de nossa relatoria, proferido em sessão de 28/11/2017, passamos a sintetizar nossas convicções para, em seguida, partir à análise do caso concreto. 34. A revisão fiscal, assim como a aduaneira, conforme preceptivo normativo do DecretoLei nº 37/1966, tem o escopo de verificar, textualmente: (i) regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames; (ii) aplicação de benefício fiscal; e (iii) exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração. Apurase, por meio deste expediente, se os tributos e demais consectários foram pagos, se há aplicação de benefício e em que termos, e se as informações da declaração correspondem às características dos produtos importados. Diante da discrepância entre a mercadoria objeto de importação e a informação prestada, procedese à revisão fiscal. 35. Diversa é a revisão tributária (do lançamento): enquanto na primeira o que se revisa são os fatos que deram ensejo a um vínculo jurídicotributário, nesta o que se reavalia são os critérios do próprio lançamento. Enquanto na revisão fiscal os fatos corretos substituem os incorretos e dão ensejo a um novo lançamento, nesta o que se revisa é, diante dos mesmos fatos, o próprio lançamento que, revolvido em suas entranhas, é reconfigurado. 36. Assim, a revisão fiscal ou aduaneira prevista, e.g., pelo art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, em uma relação de completa compatibilidade. Na dicção do decretolei, o Estado poderá revisar os erros de fato, as inconsistências, o nãopagamento dos tributos incidentes sobre a importação. O Código Tributário Nacional impõe, como norma geral de matéria tributária, a condição de que não sejam transmudados os critérios jurídicos. 37. Recordese: a informação oculta ou falseada pela contribuinte, com o desígnio de iludir a autoridade aduaneira, está sujeita à revisão fiscal, e este é o sentido do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 que converge para a previsão do art. 149 do Código Tributário Nacional: lançase de ofício quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória (inciso IV), ou quando se comprove omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada (inciso V), ou diante da ação ou omissão do sujeito Fl. 4221DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.222 27 passivo (inciso VI), ou quando o sujeito passivo tenha agido com dolo ou simulação (inciso VII), ou deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, o (inciso VIII), ou se comprovada fraude ou falta funcional, ou mesmo omissão por parte da autoridade fiscal (inciso IX). Assim, diante de um novo arranjo fático, a revisão (dos fatos) permitirá um novo lançamento (de ofício). Tal situação, como se percebe por meio desta decomposição lógica dos predicados legislativos acima analisados, é em tudo diversa da previsão do art. 146, que se volta à revisão do lançamento original. 38. Passase, assim, à apreciação das provas e, na espécie, o que se denota é que a contribuinte alega ter sido questionada sobre a classificação fiscal adotada apenas a partir de 17/09/2015, momento em que foi intimada do auto de infração discutido no Processo Administrativo nº 19311.720185/201581, marco inaugural da possibilidade da adoção de um novo critério jurídico por parte da Administração. 39. Entendemos que, para o exercício da liberdade ser considerado intangível, é necessário que haja uma base de confiança exercida e posteriormente frustrada. 40. É possível se afirmar que tal base é regida por critérios orientadores tais como a permanência, no sentido de nãomodificabilidade, bem como a durabilidade da relação no tempo, que sejam aptos a conduzir a uma aparência de legitimidade que aumentem a confiança depositada pela contribuinte em seu relacionamento com as autoridades fiscais e aduaneiras. 41. Por outro lado, ao perscrutarmos os indícios para a reconstrução da intensidade da confiança, deparamonos com uma manifestação em grau baixo, pois construída sobre negativas, ou seja, o fato de antes não ter sido questionada a respeito da classificação. Não se está diante, por exemplo, de um despacho administrativo específico apontando para a correção do código NCM adotado, ou uma solução de consulta, ou qualquer comportamento positivo da Administração no sentido de indicar a formação de uma convicção, não sendo possível se falar, portanto, de uma manifestação estatal posterior contraditória por parte da Administração que, no primeiro momento em que acessou o repertório fático em concreto, procedeu à lavratura de um auto de infração, como aponta a própria recorrente, de maneira a declarar expressamente qual seria o seu entendimento sobre a matéria, diverso daquele adotado pela contribuinte, o que culminou, no caso em apreço neste momento, de maneira coerente, com a lavratura do auto de infração sob disputa. 42. É evidente que existem graves e severas restrições ao poder de revisão dos atos administrativos, fundadas na crença na palavra do Estado, mas a proteção da confiança do cidadão, como um dos fatores materiais da boafé, deve ser avaliada de acordo com os seus respectivos requisitos de aplicação e, no presente caso, não se vislumbra a cristalização de qualquer critério anterior: a partir do conhecimento ou possibilidade de conhecimento dos fatos, a autoridade passou a verificar a regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames, fixando, de maneira inaugural, um critério jurídico objeto de recalcitrância pela contribuinte por meio de recurso próprio, que ora se aprecia. 43. Assim, voto por conhecer, mas julgar improcedente o recurso voluntário neste particular. Fl. 4222DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.223 28 5. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS KITS PARA A PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES 44. A contribuinte se baseia na RGI 1 para classificar os kits no Ex 01 do código NCM/SH nº 2106.90.10. No entendimento da autoridade fiscal, referendado pelo julgador de primeiro piso, o texto da posição não faz referência à possibilidade de apresentação em embalagens individuais, uma vez que o Ex 01 utiliza as palavras “preparação”, “concentrado” e “capacidade de diluição”, que indicam se tratar de um produto apresentado em corpo único. Baseia seu raciocínio no fato de que as Notas da Seção IV e as Notas dos Capítulos 21 e 22 não trazem qualquer previsão de que um conjunto de artigos individuais, como os que compõem os kits recebidos de Manaus, possa ser classificado em código único: A RGI 2.a abrange artigos que se apresentem desmontados ou por montar e que já possuam as características essenciais do artigo completo ou acabado. Porém, os insumos fornecidos pela Recofarma não possuem as características essenciais do artigo completo ou acabado (que é o concentrado). Observase, também, que vários componentes servem para outros fins que não seja o uso em bebidas. Além disso, o item VII da Nota Explicativa da RGI 2.a deixa claro que a regra em questão não pode ser aplicada a insumos do setor alimentício. Já a RGI 3.b do SH trata de hipótese em que obras constituídas pela reunião de artigos diferentes e mercadorias apresentadas em sortidos, acondicionados para venda a retalho, devem ser classificadas como uma mercadoria única. Alguns produtos finais do setor alimentício destinados a venda a retalho podem ser classificados como mercadoria única por aplicação da RGI 3.b, quando atendidos todos os requisitos legais. Neste caso, porém, a classificação é definida em função do artigo individual que confere a característica essencial do conjunto, e não com base nas características do conjunto inteiro. Qualquer possibilidade de que um kit contendo insumos destinados à fabricação de bebidas pudesse ser tratado como uma mercadoria única foi eliminada com a inclusão na NESH do item XI da Nota Explicativa da RGI 3.b. Os kits que podem ser classificados em código único correspondem a bens que já se constituem em produto final, ou que são destinados a constituir um produto final de forma imediata. Em geral, tratamse de artigos acondicionados para venda a retalho, vendidos a consumidores finais. Desta maneira, inexistindo qualquer norma legal que permita classificar em código único as embalagens individuais contendo ingredientes para elaboração de bebidas, a classificação destas mercadorias deve ser efetuada pela aplicação da RGI 1 sobre cada componente do kit, ou seja, cada componente segue sua classificação própria. (...) Fl. 4223DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.224 29 A mistura do conteúdo dos componentes dos kits fornecidos pela Recofarma, realizada dentro do estabelecimento engarrafador, caracterizase como operação de transformação definida no art. 4º, I, RIPI/2010. Só depois de realizada a operação industrial de mistura dos componentes dos kits é que se obtem a preparação, conhecida como xarope composto, que deve ser enquadrada na exceção tarifária do código NCM 2106.90.10. Nos termos do art. 3º do RIPI/2010, a elaboração do xarope composto, quando destinado a receber tratamento adicional em etapa posterior do processo produtivo da fiscalizada, é uma operação de transformação intermediária. Além de produto intermediário, o xarope composto também pode se constituir em um produto final (quando vendido para terceiros a fim de ser diluído nas máquinas de post mix). (...) Os kits fornecidos pela Recofarma incluem embalagens individuais contendo substâncias puras, como benzoato de sódio, sorbato de potássio ou ácido cítrico. Tais substâncias passam somente por operação de reacondicionamento no estabelecimento de Recofarma, e não são reconhecíveis como destinadas ao uso na industrialização de bebidas, exceto por rótulos colados nas embalagens de transporte. Os componentes dos kits (exceto os elaborados com extrato de guaraná) não fazem jus à isenção do art. 95, III, RIPI/2010. No caso de embalagem individual contendo uma substância objeto de reacondicionamento, a mercadoria não faz jus nem mesmo à isenção do art. 81, II, RIPI/2010. A inclusão de matérias recebidas de outras regiões do país e reacondicionadas em Manaus permite que o fornecedor consiga inflar ainda mais o preço do kit, gerando enormes valores de créditos fictos do IPI para o adquirente. (...) Foi anexado ao presente processo a versão original e a tradução juramentada de uma ruling letter (carta decisória) que trata da classificação fiscal de “kits de alimentos” a serem importados com a marca Griddle StackerTM e que, segundo informou a interessada, consistem em diferentes componentes de alimentos que são agrupados em formato de kit. Essa carta decisória foi respondida pelo Diretor do “National Commodity Specialist Division” de Nova Iorque. O documento está disponível no seguinte endereço da internet: http://www.faqs.org/rulings/rulings2006NYR03167.html. (...) Fl. 4224DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.225 30 Inexiste discordância entre o Fisco e a SUFRAMA quanto à classificação fiscal do produto. A SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos em questão, nem teria competência legal para fazêlo. A Fiscalização não deixou de reconhecer efeitos de ato da SUFRAMA. O que a Fiscalização está questionando aqui não é o atendimento a requisitos para gozo da isenção, mas sim a alíquota utilizada pelos adquirentes para cálculo dos créditos, decorrente da adoção de classificação fiscal incorreta. No caso de classificação de mercadorias, o instrumento apropriado para fixação de critério jurídico é a consulta, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB nº 1.464, de 8 de maio de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. Os entendimentos registrados em Relatórios Fiscais têm efeitos delimitados aos procedimentos de fiscalização regularmente executados pelo AuditorFiscal da RFB, relativos a estabelecimentos e períodos específicos. A decisão do CCA (Conselho de Cooperação Aduaneira), como ficou expresso em seu texto, foi incorporada na NESH por meio do item XI da Nota Explicativa da Regra 3.b, tornandose de observância obrigatória pelos estados contratantes, dentre os quais se inclui o Brasil. Desta maneira, a decisão foi oficializada na NESH, cujas regras devem obrigatoriamente serem obedecidas no sistema jurídico brasileiro. Cada país signatário da OMA (Organização Mundial das Aduanas) pode criar subdivisões a um nível mais detalhado que o do SH, mas é obrigatório que seja respeitada a posição e a subposição definidas pela organização internacional. A operação industrial em que ocorre a mistura dos componentes dos kits não corresponde ao tratamento complementar a que se refere o item 12 da NESH da posição 21.06. (...) Pelo menos uma das embalagens dos kits fornecidos pela Recofarma contém extratos e ingredientes aromatizantes específicos para a bebida a ser industrializada. Por exemplo, os componentes mais importantes dos kits sabor Cola são aqueles que contêm extrato de noz de cola, aromatizantes e corante caramelo. Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que contenha a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida se classifica no escopo da posição 21.06, a qual trata das “Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições”, conforme esclarecem as Notas Explicativas dessa posição: Fl. 4225DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.226 31 Para que uma mercadoria se classifique no Ex 01 do código 2106.90.10, deve apresentar cumulativamente as seguintes características: a) Ser uma preparação composta; b) não ser alcoólica; c) caracterizarse como extrato concentrado ou sabor concentrado; d) ser própria para elaboração de bebida da posição 22.02; e) ter capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. O Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, por meio dos Laudos de Análise nº 1266/20131.0, 1266/2013 2.0, 1266/20133.0 e 1266/20134.0, respondeu da seguinte forma quando perguntado sobre as “partes” que contém extrato de noz de cola: Quesito nº 12: O produto pode ser descrito como um extrato concentrado? Resposta: Não Quesito nº 13: O produto pode ser descrito como um sabor concentrado? Resposta: Não Concluise que um componente de kit para refrigerantes que contenha extrato e outros ingredientes, acondicionado em embalagem individual, não pode ser enquadrado em Ex ao código 2106.90.10, pois isoladamente não apresenta as características de um extrato concentrado. O componente em questão classifica se no código 2106.9010, como uma “Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”, cuja alíquota do IPI é zero. A fiscalizada recebeu os componentes dos kits como se fosse um produto único, sem discriminação da classificação fiscal e valor de cada item embalado individualmente. Desta maneira, a empresa recebeu produtos que não estavam corretamente identificados nas notas fiscais. 45. Entendo, no entanto, assistir razão à recorrente neste particular. 46. Da leitura da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08, de 25/02/1998 é possível se derivar a definição do PPB dos concentrados para bebidas não alcoólicas, oportunidade em que a norma reconhece que o produto é único, composto por partes líquidas e sólidas, devendo a sua homogeneização ocorrer "quando necessário". Tal disposição indica que o aplicador está diante de produto uno (concentrado para bebidas não alcoólicas), entregue pelo fornecedor de maneira desmembrada ("kits"), conclusão esta que se encontra em estreita conformidade com a Resolução CAS 298/2007 e pelo Parecer Técnico nº 224/2007, além de estar de acordo com as informações constantes do laudo do Instituto nacional de Tecnologia (INT), que concluiu que as preparações oriundas do PPB constituem um "produto único", o que deve ser acatado pelo julgador nos termos do §1º do art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, por se tratar de aspecto técnico, sem jamais assumir a pretensão de classificar a mercadoria, o que o inquinaria de nulidade: Fl. 4226DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.227 32 47. A Posição 2106.90.10 se refere a "preparações compostas não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados)", sendo que nos Ex 01 e Ex. 02 aponta justamente para sua utilização na elaboração da bebida, com a particularidade de o Ex 01 compreender as "preparações compostas" destinadas à "elaboração de bebida na posição 22.02", sendo de todo descabida a interpretação no sentido de que tal destaque tarifário se refere unicamente ao concentrado já homogeneizado: 48. Neste sentido, a encomiosa declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto no Acórdão CARF nº 3402004.988, de 21/03/2018, vencido pelo voto de qualidade: O Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) é um sistema padronizado de codificação e classificação desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Aduanas — OMA, da qual o Brasil faz parte (Decreto 97.409/1988 que promulgou a Convenção Internacional sobre o SH, aprovada pelo Decreto Legislativo 71/1988). Um dos compromissos assumidos como Parte Contratante dessa Convenção (art. 3º) consiste em aplicar as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado, sem aditamentos nem modificações, bem como todas as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição e a não modificar a estrutura das Seções, dos Capítulos, das posições ou das subposições. Fl. 4227DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.228 33 De acordo com os arts. 16 e 17 do RIPI/2002 (art. 10 da Lei 4.502/1964), a classificação deverá ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, integrantes do seu texto. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (IN RFB 807/2008), constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Verificase, pois, que a discussão da classificação fiscal, neste caso, vem como um deus ex machina um artifício encontrado pelo auditor para negar o crédito pretendido pelo contribuinte. Para isso, utilizouse de uma série de premissas absolutamente equivocadas para construir, somadas a um emaranhado de disposições regulamentares que nada tem a ver com a classificação das mercadorias em análise (chegando inclusive a tratar de soluções de consulta proferidas pela Alfândega norteamericana), e por fim pincelando com diversos dispositivos do NESH (que em nada se referem ao caso específico) para justificar a conclusão de que o kit deve ser classificado parte a parte. No Laudo anexado aos autos, se verifica que os "kits de concentrados" abrangem basicamente preparações líquidas e sólidas, sendo estas últimas compostas de Ácido Cítrico, Sorbato de Sódio e Benzoato de Sódio, que vem às vezes misturados com outros sais, e em outras isolados. Em seguida, o Fiscal desconsidera a indicação feita pelo Laudo de que se tratariam de preparações, para adotar seu próprio sentido atécnico, digase que obteve à partir de uma consulta ao dicionário Priberam, na internet, concluindo assim que "preparações" devem ser entendidos apenas como produtos prontos para uso, já tendo sido processados, enquanto no caso dos kits, os componentes são misturados no processo de elaboração da bebida final. Para fundamentar, cita a distinção entre preparações alimentícias simples e compostas, para enquadrar o caso em tela na preparação alimentícia composta homogeneizada. Pontua então uma de suas falácias: Ora, não apenas a utilização da mercadoria é relevante para fins de classificação como a própria TIPI delineia elementos teleológicos no bojo de suas classificações, especialmente na posição 2106.90.10 e seus Ex 01 e 02: Fl. 4228DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.229 34 É dizer, faz toda a diferença para fins classificatórios o fato da mercadoria receber determinada destinação ou não, para esse caso dos concentrados, como também para diversos outros. Outro exemplo banal da erronia da premissa assumida pelo Fiscal é a classificação de produtos inorgânicos não misturados, que embora sejam usualmente incluídos no capítulo 28 da TIPI, são excluídos do mesmo quando se apresentem sob formas ou acondicionamentos especiais, ou quando submetidos a tratamentos que mantenham sua constituição química, como no caso da posição 30.04 (produtos para uso terapêutico ou profilático, que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho). De qualquer forma, resta trivial que o Sistema Harmonizado privilegia a destinação da mercadoria e o papel comercial que a mesma exercerá, sobre o simples dado de sua constituição físicoquímica. Vejamos o que a NESH tem a dizer a respeito da posição indicada pelo Contribuinte: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). A Nota Explicativa A referentes à classificação 2106.90 é expressa em afirmar que a preparação não perde o seu caráter enquanto tal pelo simples fato de posteriormente passar por um tratamento, mencionando especificamente a possibilidade de dissolução, que implica mistura fato este utilizado pelo fiscal como argumento para afastar a natureza de preparação. Ou seja, a preparação não precisa estar "pronta para uso", mas sim deve trazer os elementos que, conjuntamente e após tratamento, componham a preparação necessária para a elaboração da bebida da posição 22.02. Isso é corroborado quando se compulsa a NESH XI à RGI/SH 3, que traz exceção expressa à aplicação da regra 3 de interpretação do SH: XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. O referido dispositivo deixa claro ao tratar de "mercadorias constituídas por diferentes componentes" que os kits de concentrado devem ser tratados como uma única mercadoria, a despeito da existência de diversas partes (em embalagem comum ou não) e em proporções fixas. Fl. 4229DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.230 35 Isso conduziria a uma aparente contradição com a RGI/SH 2.b, que trata da classificação de produtos misturados ou artigos compostos, remetendo expressamente à Regra 3, verbis: Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. Tal contradição se dissipa, todavia, diante da NESH X à RGI/SH 2.b, que determina expressamente que: Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1. Em razão disso, a metarregra interpretativa a ser aplicada passa a ser a RGI/SH 1, com o respaldo das Notas Explicativas mencionadas acima, autorizando o Contribuinte a tratar como uma só mercadoria o "kit de concentrado", constituído por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), e em proporções fixas. Fica expressamente afastada pela NESH a primeira falácia do TVF. Além disso, afirma categoricamente o auditorfiscal que: Com tal afirmativa em mente, que nos parece ser a segunda falácia, prossigamos para a Nota Explicativa B, relativa à classificação 2106.90 da NESH: B) As preparações constituídas, inteira ou parcialmente, por substâncias alimentícias que entrem na preparação de bebidas ou de alimentos destinados ao consumo humano. Incluemse, entre outras, nesta posição as preparações constituídas por misturas de produtos químicos (ÁCIDOS ORGÂNICOS, SAIS DE CÁLCIO, ETC.) com SUBSTÂNCIAS ALIMENTÍCIAS (farinhas, açúcares, leite em pó, por exemplo), para serem incorporadas em preparações alimentícias, quer como ingredientes destas preparações, quer para melhorarlhes algumas das suas características (apresentação, conservação, etc.) (ver as Considerações Gerais do Capítulo 38). E prossegue no subitem 7: Fl. 4230DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.231 36 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; SÃO TAMBÉM FREQÜENTEMENTE UTILIZADOS NA INDÚSTRIA PARA EVITAR OS TRANSPORTES DESNECESSÁRIOS DE GRANDES QUANTIDADES DE ÁGUA, DE ÁLCOOL, ETC. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Em primeiro lugar, a NESH considera expressamente que Ácido Cítrico e conservantes (Sorbato de Sódio, Benzoato de Sódio e Citrato de Sódio) fazem parte da "preparação" que se enquadra na posição indicada pelo contribuinte ela é absolutamente literal a esse respeito! E mais, ela desce à minúcia de indicar que a "preparação" pode ser enviada sem passar pela diluição, ou seja, encampando as diversas partes do "kit", para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Há uma preocupação expressa com uma limitação técnica, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscalizadora. Isso não implica dizer que o auditor necessite pesquisar a realidade econômica e mercadológica para definir a classificação fiscal de todas as mercadorias, mas apenas daquelas cujas disposições do NCMSH e a respectiva NESH tragam expressas a relevância da destinação e a pertinência na consideração da limitação técnica. E mais, vejamos o subitem 12: 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: (...) Estas preparações destinamse a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. Novamente, a NESH desce ao detalhe a respeito de tal posição do NCM, para indicar que a "preparação" não perde seu caráter enquanto tal simplesmente pelo fato de sofrer diluição ou algum Fl. 4231DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.232 37 tipo de tratamento complementar no estabelecimento da Recorrente. Portanto, resta claro pela leitura das notas explicativas que: i) o fato do kit envolver partes sólidas e líquidas que sofreram diluição posteriormente no estabelecimento da adquirente não desnatura a sua natureza de "preparação". ii) o fato do kit ser destinado a uma empresa que produz refrigerantes é relevante para a classificação de tal mercadoria no Ex 01 da posição 2106.90. iii) os sólidos presentes no kit são produtos de conservação e ácido cítrico, todos expressamente mencionados como partes integrantes das preparações, podendo ser misturados posteriormente aos extratos, no momento da diluição. Minha convicção pessoal é de que a questão estaria definitivamente sepultada já neste ponto, pela leitura minimamente atenciosa da NESH, mas devemos prosseguir na análise do longo arrazoado fiscal. E mais, não deve causar qualquer espécie tal situação. Situação análoga é presente na classificação dos produtos químicos importados em "kits" para, após mistura, comporem os explosivos classificados na Posição 36.02 (Seção VI) do SH nesse caso, ainda que não se apresentem prontos para a utilização, se classificam na Posição por determinação da Nota 3 da Seção VI: 3) Os produtos apresentados em sortidos compostos de diversos elementos constitutivos distintos, classificáveis, no todo ou em parte, pela presente Seção e reconhecíveis como destinados, depois de misturados, a constituir um produto das Seções VI ou VII, devem classificarse na posição correspondente a este último produto, desde que esses elementos constitutivos sejam: a)Em razão do seu acondicionamento, nitidamente reconhecíveis como destinados a serem utilizados conjuntamente sem prévio reacondicionamento; b)Apresentados ao mesmo tempo; c)Reconhecíveis, dada a sua natureza ou quantidades respectivas, como complementares uns dos outros. Tratamse de critérios que só aclaram (ainda que por analogia) ainda mais os parâmetros que devem ser considerados para a classificação dos kits de concentrados, os quais são nitidamente destinados à fabricação de bebidas não alcoólicas, em utilização conjunta, enviados simultaneamente (kits) e em proporção e quantidades suficientes para a produção dos concentrados a serem diluídos. Em seguida, o fiscal recorre a classificações fiscais do U.S. Customs and Border Protection, órgão aduaneiro dos Estados Unidos responsável pela classificação de mercadorias, para Fl. 4232DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.233 38 sustentar que os produtos de um kit devem ser considerados individualmente. Como se verifica no documento, o produto importado era um kit com um número exato de panquecas, hambúrgueres de salsicha e/ou de ovo para a feitura de doze sanduíches, além de embalagens e etiquetas para o sanduíche pronto. O Fiscal responsável pelo parecer acerca da questão entendeu que como as partes vinham separadas, deveriam receber suas classificações próprias, porque passariam por um processo de montagem. Todavia, parece que o auditor responsável pela lavratura deste auto de infração "esqueceu" de citar o seguinte trecho do parece estrangeiro: Na tradução juramentada, anexa ao TVF: Convenientemente, o fiscal colheu do parecer apenas o que lhe interessava, esquecendo de mencionar a exceção expressamente feita pelo autor do mesmo, na interpretação das regras de classificação fiscal. Ele tenta, insistentemente, aplicar à "preparação" as regras de classificação a produtos sujeitos a montagem (como foi feito com o caso dos sanduíches), a despeito de nada ter a ver tal classificação com o caso em tela, no qual envolve mera diluição dos componentes tratamento este expressamente previsto nas Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado. A insistência do fiscal em justificar o injustificável fica clara com a profusão desordenada de portarias e dispositivos que cita, onde o termo "concentrado" está presente, mas que em nada tem a ver com classificação fiscal. O fato do "kit" envolver diversos produtos que serão reunidos no estabelecimento da Recorrente não altera o fato de que a legislação aduaneira determina que a sua classificação deverá ser na posição 2106.90.10, no Ex 01. Mais ainda, recorre à Lei nº 8918/1994 e ao Decreto 6.871/2009 para afirmar que o fato dos "kits de concentrados" não terem registro no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) desqualificaria o mesmo como "Preparados líquidos ou sólidos para bebidas". Ora, a mencionada lei exige o registro de bebidas junto ao MAPA. Inclusive o regulamento veiculado pelo Decreto º 6.871/09 traz uma expressa definição da mesma, para estes fins: Art.2o Para os fins deste Regulamento, considerase: Iestabelecimento de bebida: o espaço delimitado que compreende o local e a área que o circunda, onde se efetiva Fl. 4233DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.234 39 conjunto de operações e processos, que tem como finalidade a obtenção de bebida, assim como o armazenamento e transporte desta e suas matériasprimas; IIbebida: o produto de origem vegetal industrializado, destinado à ingestão humana em estado líquido, sem finalidade medicamentosa ou terapêutica; IIItambém bebida: a polpa de fruta, o xarope sem finalidade medicamentosa ou terapêutica, os preparados sólidos e líquidos para bebida, a soda e os fermentados alcoólicos de origem animal, os destilados alcoólicos de origem animal e as bebidas elaboradas com a mistura de substâncias de origem vegetal e animal; IVmatériaprima: todo produto ou substância de origem vegetal, animal ou mineral que, para ser utilizado na composição da bebida, necessita de tratamento e transformação, em conjunto ou separadamente; Vingrediente: toda substância, incluídos os aditivos, empregada na fabricação ou preparação de bebidas e que esteja presente no produto final, em sua forma original ou modificada; VIcomposição: a especificação qualitativa e quantitativa da matériaprima e dos ingredientes empregados na fabricação ou preparação da bebida; VIIaditivo: qualquer ingrediente adicionado intencionalmente à bebida, sem propósito de nutrir, com o objetivo de conservar ou modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante a produção, elaboração, padronização, engarrafamento, envasamento, armazenagem, transporte ou manipulação; Entendeu o fiscal que o "kit de concentrado" se enquadraria nos "preparados sólidos e líquidos", equiparados a bebida pelo inciso II, pois tais preparados são aqueles produtos destinados ao consumidor ou varejista, para preparação de refrigerante nas máquinas em que a venda ocorre diretamente nos copos (máquinas Post Mix), através da adição de água à mistura é o que deixa claro os artigos 27 a 29 do Decreto, verbis: Art.29.Preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante é o produto que contiver suco ou extrato vegetal de sua origem, adicionado de água potável para o seu consumo, com ou sem açúcares. Art.30.O preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o respectivo refrigerante. Parágrafo único.O preparado líquido para refrigerante, quando adicionado de açúcares, deverá ter a designação adoçado, acrescido à sua denominação. Se verifica com clareza que se tratam de preparações absolutamente diferentes. O "kit de concentrado" é vendido à Fl. 4234DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.235 40 indústria que produz o refrigerante, e qualificase como um conjunto de matériasprimas e aditivos, conforme expressamente acatados pela Nota Explicativa B, relativa à classificação 2106.90 da NESH, já mencionada anteriormente. O que se verifica, pois, é a utilização por parte do fiscal, de uma terminologia eminentemente técnica para induzir à falsa ideia de que os preparados de que trata o inc. III do art. 2º do Decreto 6871/09 seriam a mesma coisa das preparações da Posição 2106.90.10 do NCMSH. Por fim, para a mais absoluta surpresa deste julgador, a decisão a quo não apenas inovou na argumentação trazida por extenso TVF, como também anexou documentos novos ao processo! Permitome citar o trecho canhestro de confessado desatino procedimental: Não obstante a clareza da citada Nota Explicativa, para enriquecimento da argumentação desenvolvida no TVF, anexei ao processo cópia da tradução juramentada da documentação do Conselho de Cooperação Aduaneira CCA (atual OMA), obtida do processo que tem por objeto o auto de infração lavrado contra a fornecedora Recofarma (11080.723817/201428). O documento anexo, por si, sequer deveria ser conhecido por este colegiado, por se tratar de "prova" (apenas em um sentido largamente lato) nova, produzida por sujeito incompetente para tanto e sem que fosse oportunizada o direito de defesa do contribuinte a seu respeito, em sede de Impugnação. Apenas por amor à argumentação, e por um dever de retidão, irei demonstrar que, ainda que considerado, tal documento em nada altera o desfecho do raciocínio alinhavado neste voto. (...) Desse modo, devese afastar de pronto o argumento levantado pela decisão a quo pelos seguintes motivos: I) o julgador de 1ª instância não pode juntar novos documentos ao processo; II) não foi oportunizado à Recorrente o direito de se manifestar sobre esse documento na impugnação; c) tratase de inovação à fundamentação da autuação; d) o documento juntado não possui qualquer valor normativo, não tendo sido publicado oficialmente como parecer, tampouco internalizado no Direito Brasileiro. Fica clara a improcedência dos argumentos esgrimidos na autuação e na decisão a quo. Tudo isso que foi demonstrado transparece uma profunda arbitrariedade perpetrada pela fiscalização, que olvidou das regras classificatórias expressas para buscar, por meios oblíquos e subterfúgios, a glosa dos créditos. Isso fica muito mais claro por diversos momentos em que informações Fl. 4235DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.236 41 relevantes são voluntariamente omitidas do TVF para manter a integridade das escusas conclusões alcançadas. Corrobora esse entendimento o fato de este fundamento relacionado à classificação fiscal estar presente apenas nos casos da AMBEV, coincidentemente a empresa que detém um provimento judicial definitivo a seu favor. Tratase, pois, de uma solução arbitrária da fiscalização para conseguir autuar especificamente a AMBEV, o que se qualifica perfeitamente como um vício subjetivo de arbitrariedade e pessoalidade no ato administrativo de lançamento, maculando integralmente a validade do mesmo. Portanto, a despeito da patente nulidade apontada no início, estamos fortes nos fundamentos acima delineados quanto à concessão de provimento favorável do mérito ao sujeito passivo, razão pela qual não pronunciaremos tal nulidade no dispositivo da decisão. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito relativo às aquisições de produtos compostos por extrato de guaraná. 49. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Redator designado Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundamentado voto do Conselheiro Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ouso dele discordar em relação à classificação fiscal dos "kits" para a produção de refrigerantes. Com efeito, afirma o ilustre Relator que "A contribuinte se baseia na RGI 1 para classificar os kits no Ex 01 do código NCM/SH nº 2106.90.10", para em seguida, concordar com tal posicionamento, como se depreende do seguinte excerto do seu voto: 89. Entendo, no entanto, assistir razão à recorrente neste particular. Fl. 4236DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.237 42 90. Da leitura da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08, de 25/02/1998 é possível se derivar a definição do PPB dos concentrados para bebidas nãoalcoólicas, oportunidade em que a norma reconhece que o produto é único, composto por partes líquidas e sólidas, devendo a sua homogeneização ocorrer "quando necessário". Tal disposição indica que o aplicador está diante de produto uno (concentrado para bebidas não alcoólicas), entregue pelo fornecedor de maneira desmembrada ("kits"), conclusão esta que se encontra em estreita conformidade com a Resolução CAS 298/2007 e pelo Parecer Técnico nº 224/2007, além de estar de acordo com as informações constantes do laudo do Instituto nacional de Tecnologia (INT), que concluiu que as preparações oriundas do PPB constituem um "produto único", o que deve ser acatado pelo julgador nos termos do §1º do art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, por se tratar de aspecto técnico, sem jamais assumir a pretensão de classificar a mercadoria, o que o inquinaria de nulidade: Os argumentos trazidos pelo Impugnante, entretanto, não podem ser julgados procedentes. Com efeito, a Constituição Federal, em seus arts. 37 e 146, estabelece o seguinte: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XVIII a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; (...) Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 4237DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.238 43 A Lei Complementar vigente, a que se refere o texto constitucional, é a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN). A referida Lei, por sua vez, estabelece o seguinte: Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. (...) Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Por seu turno, a Lei que regula a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação é a Lei nº 10.593, de 06/12/2002. Esta, em seu art. 6º, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 16/03/2007, estabelece o seguinte: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (...) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 4238DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.239 44 Para disciplinar a competência da RFB sobre o controle aduaneiro, prevista na alínea "c" acima transcrita, o Poder Executivo editou o Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 (Regulamento Aduaneiro). Sobre a classificação fiscal de mercadorias, assim dispõe o referido ato normativo: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, DECRETA: Art. 1º A administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior serão exercidos em conformidade com o disposto neste Decreto. (...) LIVRO V DO CONTROLE ADUANEIRO DE MERCADORIAS TÍTULO I DO DESPACHO ADUANEIRO CAPÍTULO I DO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO (...) Seção V Da Conferência Aduaneira Art. 564. A conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. (...) CAPÍTULO VI DO PROCESSO DE CONSULTA Art.790. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os processos administrativos de consulta, relativos a interpretação da legislação tributária e a classificação fiscal de mercadoria, serão solucionados em instância única (Lei nº 9.430, de 1996, art. 48, caput). (...) §3º A consulta relativa a classificação fiscal de mercadorias será solucionada pela aplicação das disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 1972, e de normas complementares Fl. 4239DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.240 45 editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.430, de 1996, art. 50, caput). Tais dispositivos tem por base legal os arts. 48 e 50 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual determina que os processos de consulta relativos à classificação de mercadorias devem seguir os ditames dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235/72 (norma que regulamenta o Processo Administrativo Federal): Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1º A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia, na forma disciplinada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, poderá ser atribuída: I a unidade central; ou II a unidade descentralizada. § 2º Os atos normativos expedidos pelas autoridades competentes serão observados quando da solução da consulta. § 3º Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia. § 4º As soluções das consultas serão publicadas pela imprensa oficial, na forma disposta em ato normativo emitido pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 48 desta Lei. § 1º O órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. (...) § 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pela órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48. Feita essa digressão legislativa, concluise que é da RFB a competência para, inclusive através de processos de consulta, decidir sobre classificação fiscal. Obviamente, esta competência não se restringe ao âmbito das aduanas (alfândegas), nem a processos de importação/exportação, pois não é possível uma mercadoria ter uma classificação segundo a NCM em uma importação e outra classificação para fins de apuração do IPI. Fl. 4240DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.241 46 Vale ressaltar, inicialmente, que a Autoridade Tributária em nenhum momento questionou a concessão do benefício fiscal por parte da SUFRAMA, ou demais atos por esta emanados, pois se encontram dentro de suas atribuições institucionais. A classificação fiscal, por sua vez, define a alíquota de IPI aplicável ao produto; assim sendo, está diretamente vinculada à apuração do tributo, matéria sobre a qual a Constituição Federal prevê que a administração fazendária tem precedência sobre os demais setores administrativos. Quanto à classificação fiscal propriamente dita, vejamos o texto da posição na qual o recorrente entende que os produtos objeto da ação fiscal devem ser classificados: Código da posição Texto da posição Alíquota 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas 0 Ex 01 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 27 A fiscalização, por sua vez, entendeu que a classificação dos produtos adquiridos pelo recorrente deveria ser individualizada, uma vez que estes não se caracterizam como uma preparação "composta", ou como um "extrato concentrado ou sabor concentrado", sendo, em verdade, apenas "kits", ou seja, ingredientes ou partes para produzir, já dentro das instalações do recorrente, os "concentrados", sendo enviados pelo seu fornecedor acondicionados separadamente, apesar de apresentados em conjunto, sem sofrer qualquer processo de homogeneização. Dessa forma, a classificação fiscal atribuída pela fiscalização foi específica para cada produto acondicionado separadamente. Para que o contribuinte possa se creditar do IPI nas operações objeto da autuação, fazse necessário determinar quais as alíquotas que incidiriam nestas operações, caso não fossem isentas. Para tanto, deve realizar a classificação fiscal das mercadorias pela TIPI, e assim obter as alíquotas correspondentes a cada classificação. O recorrente classificou todos os produtos acondicionados separadamente como se fossem um produto único, na posição 2106.90.10, EX. 01, cuja alíquota era de 27% e, posteriormente, de 20%. Fazendo incidir estas alíquotas sobre o valor das suas aquisições isentas de IPI, o recorrente obteve o valor do crédito de IPI registrado em sua escrita fiscal. A fiscalização, por sua vez, ao realizar a classificação conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal (TVF), verificou que a maioria dos produtos que compõem os kits classificamse em posições cuja alíquota de IPI correspondente era zero, e dessa forma glosou os créditos do recorrente. Os arts. 10 a 12 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI (Imposto de Consumo, à época), determinam como se dará esta classificação: CAPÍTULO III Da Classificação dos Produtos Fl. 4241DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.242 47 Art. 10. Na Tabela anexa, os produtos estão classificados em alíneas, capítulos, subcapítulos, posições e incisos. § 1º O código numérico e o texto relativo aos capítulos e posições correspondem aos usados pela nomenclatura aprovada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira de Bruxelas. (...) Art. 11. A classificação dos produtos nas alíneas, capítulos, sub capítulos, posições e incisos da Tabela farseá de conformidade com as seguintes regras: (...) Art. 12. As Notas Explicativas da Nomenclatura referida no § 1º do artigo 10, atualizada até junho de 1966, constituem elementos de informação para a correta interpretação das Notas e do texto das Posições constantes da Tabela Anexa. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) Os arts. 15 a 17 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (Regulamento do IPI RIPI/2010), regulamentam a classificação fiscal dos produtos, com base legal na Lei nº 4.502/64: TÍTULO III DA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS Art. 15. Os produtos estão distribuídos na TIPI por Seções, Capítulos, Subcapítulos, Posições, Subposições, Itens e Subitens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, integrantes do seu texto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), versão lusobrasileira, foram aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992, e alterações posteriores: Fl. 4242DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.243 48 Art. 1° São aprovadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, com sede em Bruxelas, Bélgica, na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto. Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Art. 2° As alterações introduzidas na Nomenclatura do Sistema Harmonizado e nas suas Notas Explicativas pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (Comitê do Sistema Harmonizado), devidamente traduzidas para a língua portuguesa pelo referido Grupo Binacional, serão aprovadas pelo Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, ou autoridade a quem delegar tal atribuição. Art. 3° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. O Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) é um sistema padronizado de codificação e classificação desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Aduanas — OMA, da qual o Brasil faz parte (Decreto 97.409/1988 que promulgou a Convenção Internacional sobre o SH, aprovada pelo Decreto Legislativo 71/1988). A Regra Geral para Interpretação (RGI) nº 1 prevê que classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Tal entendimento é estendido para os textos dos itens, subitens e “Ex”. As regras aplicáveis ao presente caso e as correspondentes notas explicativas são as seguintes: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. NOTA EXPLICATIVA I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Estas mercadorias estão agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos tão concisos quanto possível, indicando a categoria ou o tipo de produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobálas ou enumerálas completamente nos títulos daqueles agrupamentos. Fl. 4243DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.244 49 (...) III) A segunda parte da Regra prevê que a classificação seja determinada: (...) b) Quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. (...) REGRA 2 (...) b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. NOTA EXPLICATIVA (...) REGRA 2 b) (Produtos misturados e artigos compostos) X) A Regra 2 b) diz respeito às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e às obras constituídas por duas ou mais matérias. As posições às quais ela se refere são as que mencionam uma matéria determinada, por exemplo, a posição 05.07, marfim, e as que se referem às obras de uma matéria determinada, por exemplo, a posição 45.03, artigos de cortiça. Deve notarse que esta Regra só se aplica quando não contrariar os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo (por exemplo, posição 15.03 ... óleo de banha de porco ... sem mistura). Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1. XI) O efeito desta Regra é ampliar o alcance das posições que mencionam uma matéria determinada, de modo a incluir nessas posições a matéria misturada ou associada a outras matérias. Também tem o efeito de ampliar o alcance das posições que mencionam as obras de determinada matéria, de modo a incluir naquelas posições as obras parcialmente constituídas por esta matéria. Fl. 4244DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.245 50 XII) Contudo, esta Regra não amplia o alcance das posições a que se refere, a ponto de poder nelas incluir mercadorias que não satisfaçam, como exige a Regra 1, os dizeres dessas posições, como ocorre quando se adicionam outras matérias ou substâncias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições. XIII) Consequentemente, as matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e as obras constituídas por duas ou mais matérias, que sejam suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições, devem classificarse conforme as disposições da Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: (...) b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, QUANDO FOR POSSÍVEL REALIZAR ESTA DETERMINAÇÃO. (...) NOTA EXPLICATIVA (...) REGRA 3 b) VI) Este segundo método de classificação visa unicamente: 1) Os produtos misturados; 2) As obras compostas por matérias diferentes; 3) As obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; 4) As mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Esta Regra só se aplica se a Regra 3 a) for inoperante. (...) X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: (...) Fl. 4245DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.246 51 A expressão “venda a retalho” não inclui as vendas de mercadorias que se destinam a ser revendidas após a sua posterior fabricação, preparação ou reacondicionamento, ou após incorporação ulterior com ou noutras mercadorias. Em consequência, a expressão “mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho” compreende apenas os sortidos que se destinam a ser vendidos ao utilizador final quando as mercadorias individuais se destinam a ser utilizadas em conjunto. Por exemplo, diferentes produtos alimentícios destinados a serem utilizados conjuntamente na preparação de um prato ou uma refeição, prontoacomer, embalados em conjunto e destinados ao consumo pelo comprador, constituem um “sortido acondicionado para venda a retalho”. (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – camarões (posição 16.05), pasta (patê) de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas de coquetel (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; – uma garrafa de bebida espirituosa da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Isto aplicase também, por exemplo, ao café solúvel num frasco de vidro (posição 21.01), uma xícara (chávena) de cerâmica (posição 69.12) e um pires de cerâmica (posição 69.12), acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. (...) XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. O recorrente afirma se basear na RGI 1 para classificar os kits na posição 2106.90.10 Ex.01, da NCM. No entanto, esta regra apenas especifica que a classificação deve ser determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e não pelos títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos, os quais têm apenas valor indicativo. Esta é a primeira parte da regra. A segunda parte prevê que a classificação seja determinada de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Fl. 4246DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.247 52 A questão decisiva para este caso é saber se todos os "kits" enviados para o recorrente devem ser classificadas como mercadoria única, ou se cada volume acondicionado separadamente deverá ter sua própria classificação, a qual será feita, obviamente, em qualquer dos casos, de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, como requer a RGI 1. Para ser classificada como mercadoria única, como pretende a recorrente, seria necessário ter uma posição específica para classificar "kits", com um texto de posição que possibilitasse a utilização da RGI 1. Contudo, não existe tal posição, nem regra que amplie o alcance de outras posições a ponto de incluir os kits, como ocorre com a "RGI 2 b)", segundo a qual "Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria". Isso porque a Nota Explicativa XII, desta regra, afirma que "esta Regra não amplia o alcance das posições a que se refere, a ponto de poder nelas incluir mercadorias que não satisfaçam, como exige a Regra 1, os dizeres dessas posições, como ocorre quando se adicionam outras matérias ou substâncias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições". Não existindo uma posição específica para "kits para produção de refrigerantes", tal classificação através da RGI 1 é impossível, pois à olhos nús se verifica que o produto em questão, o "kit", é composto pela reunião de diversos outros produtos, acondicionados separadamente, cada qual contendo produtos diferentes, todos eles com classificação fiscal própria, sendo que nenhum deles confere ao kit a sua característica essencial. De acordo com o texto da posição, e seguindo o que determina a RGI 1, para que alguma das mercadorias que compõem os kits, ou o próprio kit, pudesse ser classificada no Ex 01 do código 2106.90.10, deveria apresentar as seguintes características: a) que seja uma "preparação composta"; b) que não seja alcoólica; c) que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado; d) que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02; e) que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Não há um conceito técnico preciso do termo "preparação" nas NESH. Entretanto, em seu sentido comum, ainda assim verificaria se tratar de "coisa preparada, composta, manipulada, obtida por meio de composição, de forma a poder ser utilizado" ou "qualquer coisa feita, equipada ou composta para determinado fim, que tenha sofrido operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço". Como "preparação química", seria uma mistura de substâncias adequadas para uma determinada experiência ou operação química. Nesse sentido, teríamos uma mistura, algo que não fosse uma matéria individual. E "pronto para uso" não significa que não possa sofrer alterações posteriores, ou que tenha que se destinar a um consumidor final. Um produto intermediário, por exemplo, pode perfeitamente ser uma "preparação composta". Dessa forma, entendo que os produtos que compõem, individualmente, os kits, são, realmente, preparações compostas. Fl. 4247DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.248 53 Em seguida, para verificar se algum dos produtos seria um "extrato concentrado ou sabor concentrado", tal como exige o texto da posição, deve ser utilizado o art. 13, § 4º, c/c o art. 29, ambos do Decreto nº 6.871, de 04/06/2009, que regulamenta a Lei nº 8.918/94, a qual dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas, o qual especifica o que seja um produto (extrato ou sabor) concentrado: CAPÍTULO VII DA PADRONIZAÇÃO DAS BEBIDAS Seção I Das Disposições Preliminares Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. (...) § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal. (...) Art. 29. Preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante é o produto que contiver suco ou extrato vegetal de sua origem, adicionado de água potável para o seu consumo, com ou sem açúcares. As mercadorias adquiridas pelo recorrente, quando diluídas, não apresentam as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal. O AuditorFiscal identificou esse fato a partir da verificação do seu processo produtivo pois, conforme o fluxograma do processo produtivo, constante do TVF, além de todas as partes que compõem os "kits" só serem misturados dentro das instalações do recorrente, também a adição de açúcar (ou de edulcorantes artificiais, no caso das bebidas "zero calorias") só ocorre nesse momento. A partir desta conceituação, verificase que nenhum dos produtos acondicionados individualmente e que compõe os kits pode ser considerado um "preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante". Mesmo o item do kit que contém o suco ou extrato vegetal não pode ser assim considerado, pois não está adicionado de água potável para o seu consumo. Dessa forma, não há como se tratar as mercadorias fornecidas ao recorrente, mesmo se consideradas como um conjunto único, como um "extrato ou sabor concentrado", segundo o conceito especificado no art. 13, § 4º, do Decreto nº 6.871/2009. Fl. 4248DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.249 54 Há, ainda, uma segunda razão para a mercadoria não ser classificada na posição 2106.90.10 Ex. 01 por aplicação automática da RGI 1, derivada do motivo acima identificado. Como os "kits" ainda não estão prontos para consumo após a simples diluição, por conta da necessidade de introdução do açúcar na preparação, sua capacidade de diluição não é superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Como determina o art. 13, § 4º, do Decreto nº 6.871/2009, o "kit", após ser diluído em, no mínimo, 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, deveria resultar em um produto "com as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal", o que não ocorre, efetivamente. Assim, esta segunda característica, exigida pelo texto da posição 2106.90.10 Ex. 01, também não restaria atendida. Claro está, portanto, que mesmo que se pudesse considerar todas os produtos acondicionados individualmente como uma mercadoria única, ainda assim não seria possível utilizar a RGI 1 para sua classificação direta na posição 2106.90.10 Ex. 01, pois a sua diluição não resultaria em um produto "com as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal", tendo em vista a necessidade de adição de açúcar ou de edulcorantes artificais, muito menos em um produto "com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Por fim, analisaremos as Notas Explicativas X e XI da RGI 3 b), as quais, a meu ver, põem uma pá de cal sobre toda a celeuma: X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – camarões (posição 16.05), pasta (patê) de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas de coquetel (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; – uma garrafa de bebida espirituosa da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Isto aplicase também, por exemplo, ao café solúvel num frasco de vidro (posição 21.01), uma xícara (chávena) de cerâmica (posição 69.12) e um pires de cerâmica (posição 69.12), acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. (...) Fl. 4249DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.250 55 XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. Observese que, na Nota Explicativa X, são dados três exemplos de produtos vendidos em conjunto, porém acondicionados separadamente: 1) camarões, pasta de fígado, queijo, bacon em fatias e salsichas de coquetel, cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; 2) bebida espirituosa da posição 22.08 e vinho da posição 22.04, cada qual em sua respectiva garrafa; e 3) café solúvel, acondicionado em um frasco de vidro, com uma xícara de cerâmica e um pires de cerâmica, porém acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. A Nota afirma, de forma cristalina, que "No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada". Dessa forma, não pode ser classificado pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, ou seja, tratado como uma mercadoria única e recebendo uma única classificação fiscal para todo o conjunto. Além disso, a Nota Explicativa XI da RGI 3 b) também não permite que mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, possa ser classificado pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, ou seja, tratado como uma mercadoria única. Em relação à Nota Explicativa XI da RGI 3 b) ainda há uma particularidade, referente à análise levada a efeito pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) por ocasião da edição da precitada nota explicativa. Segundo este documento, a Nota Explicativa XI da RGI 3 b) foi incluído na NESH após análise efetuada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira nos anos de 1985 e 1986, em resposta a consultas recebidas de países membros da organização internacional sobre a classificação de produtos com as mesmas características dos "kits para fabricação de bebidas" objeto do presente processo. Da leitura do material, vemos que o referido dispositivo teve por origem consultas sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas às dos insumos adquiridos pela recorrente, inclusive bases para elaboração de FANTA (marca produzida pelas empresas do grupo CocaCola) e de um refrigerante sabor Cola. Depois de uma demorada análise, o CCA decidiu que os componentes individuais de bases para fabricação de bebidas deveriam ser classificados separadamente. O texto da análise do CCA, equivale a uma detalhada exposição de motivos para o item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), deixando claro que a criação dessa Nota teve por objetivo determinar que os componentes dos kits para fabricação de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. Tendo em vista a existência na NESH de determinação expressa não permitindo classificar em uma única posição da TIPI os componentes individuais dos "kits" Fl. 4250DF CARF MF Processo nº 19311.720224/201711 Acórdão n.º 3401005.942 S3C4T1 Fl. 4.251 56 contendo ingredientes para elaboração de bebidas, a classificação destas mercadorias deve ser efetuada pela aplicação da RGI 1 sobre cada componente do kit, ou seja, cada componente segue sua classificação própria, exatamente como fez o AuditorFiscal. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Redator designado Fl. 4251DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.721057/2017-64
Data da sessão: Thu Nov 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não devem ser admitidos/conhecidos os embargos de declaração quando inexistente a omissão apontada.
Numero da decisão: 3401-010.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Não devem ser admitidos/conhecidos os embargos de declaração quando inexistente a omissão apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente processo trata de Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte, tempestivos, em face do Acórdão nº 3401-006.182, de 21/05/2019, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, o qual decidiu, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 10 57 /2 01 7- 64 Fl. 817DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.253 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.721057/2017-64 PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICK-UP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para vans, para pick-ups e para utilitários classificam-se no código 4011.99.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV, PICK-UPS E CAMIONETES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, usados indistintamente em SUV (Sport Utility Vehicle), pick-ups e camionetes utilitárias classificam-se no código 4011.99.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM. A Embargante tomou ciência do Acórdão de Recurso Voluntário em 08/11/2019 (fl. 757) e apresentou os Embargos em 18/11/2019 (fl. 759/ss), portanto, tempestivamente. Alega a embargante que teria havido contradições, obscuridades e omissões no voto em relação aos seguintes pontos: (i) Obscuridade relativa à possibilidade de aplicação da SC COSIT nº. 98.101/19 ao caso concreto; (ii) Omissão relativa à inexistência de um conceito explícito de “ônibus” e “caminhão” na TIPI e a irrelevância da política de marketing adotada pela Embargante, para fins de classificação fiscal; (iii) Omissão relativa à correção da NCM adotada pela Embargante face às interpretações gramatical, sistemática e teleológica da Tabela NCM; (iv) Omissão relativa ao conteúdo da IN SRF nº. 237/02; e (v) Omissão relativa ao erro de fundamentação em relação aos pneumáticos destinados à SUVs. A r. presidência admitiu os embargos nos seguintes termos: Diante do exposto, com base nos argumentos acima e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pela interessada, para dar seguimento apenas em relação à matéria tratada no item (v) – Omissão relativa ao erro de fundamentação em relação aos pneumáticos destinados à SUVs. Em relação a este tópico pontuou: Nessa matéria a Embargante aduz que no tópico IV.4 (“Erro de fundamentação em relação aos pneus de SVU: o equívoco da Fiscalização quanto à classificação fiscal enseja a improcedência do Auto de Infração”) do recurso voluntário, a Embargante asseverou, em caráter subsidiário, que a d. Autoridade Fiscal errou a classificação dos pneumáticos utilizados exclusivamente em SUVs. Afirma também que tal argumento teria sido levado à discussão da Turma julgadora, conforme consta das folhas nºs. 692 a 698 (Recurso Voluntário). Nesse sentido, vide trechos abaixo transcritos: “Sendo assim, a D. Autoridade Fiscal reconhece expressamente que os pneumáticos destinados aos SUVs deveriam ser classificados no código NCM 4011.10.00 (“Do tipo utilizado em automóveis de passageiros Fl. 818DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.253 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.721057/2017-64 incluindo os veículos de uso misto (station wagons) e os automóveis de corrida”). (...) Eis, então, o erro de classificação fiscal em que incorreu a D. Autoridade Fiscal, já que os pneumáticos destinados a veículos do tipo SUV deveriam ser, necessariamente, classificados no código NCM 4011.10.00, e não no código NCM 4011.99.90. (...) Pouco importa, outrossim, o fato de os Srs. Julgadores também considerarem equivocada a classificação fiscal adotada pela Recorrente. Se a D. Autoridade Fiscal, ao promover a reclassificação fiscal, também elege um código NCM que se mostra equivocado, configura-se erro de fundamentação do próprio Auto de Infração, devendo ser reconhecida a sua improcedência.” (folhas nºs. 693 a 694 e 697 do e-processo – destacado) Assim, no entender da Embargante o acórdão embargado teria se omitido sobre esse tema. Compulsando-se o voto vencedor do acórdão recorrido não foi possível constatar a devida apreciação da matéria citada no tópico IV.4 do Recurso Voluntário, onde a Recorrente buscou demonstrar o suposto erro cometido pela Autoridade Fiscal em relação à classificação dos pneumáticos utilizados exclusivamente em SUVs. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, relator Inicialmente cumpre ressaltar que os embargos não são o recurso apropriado para rediscutir o mérito da demanda, mas para esclarecer e sanar casos de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, nos termos do art. 65 do RICARF. Nesse sentido, não há reparos a serem feitos em relação ao r. despacho de admissibilidade no que não admitiu o recurso em relação à (i) Obscuridade relativa à possibilidade de aplicação da SC COSIT nº. 98.101/19 ao caso concreto; (ii) Omissão relativa à inexistência de um conceito explícito de “ônibus” e “caminhão” na TIPI e a irrelevância da política de marketing adotada pela Embargante, para fins de classificação fiscal; (iii) Omissão relativa à correção da NCM adotada pela Embargante face às interpretações gramatical, sistemática e teleológica da Tabela NCM; e (iv) Omissão relativa ao conteúdo da IN SRF nº. 237/02. Fl. 819DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.253 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.721057/2017-64 Isto porque, no fundo, os embargos acabam atacando os fundamentos indicados pelo voto vencedor, fugindo à competência dos embargos, que não servem para reanálise da matéria de mérito. No que foram admitidos, suposta Omissão relativa ao erro de fundamentação em relação aos pneumáticos destinados à SUVs. Data máxima a i. presidência que acolheu preliminarmente os embargos, entendo de forma diversa. Concorde-se ou não, o voto vencedor da i. Conselheira Mara Cristina Sifuentes é expresso ao se posicionar que: Para a contribuinte, os pneumáticos são do tipo utilizado em ônibus e caminhões, enquanto que para a autoridade fiscal, não, pois vans, pick-ups, camionetas, utilitários e SUVs não correspondem ao conceito de "ônibus e caminhões". Para se alcançar a classificação correta, é necessário se recorrer das regras gerais de interpretação (RGI) estabelecidas no anexo da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias internalizada ao direito brasileiro por meio do Decreto Legislativo nº 71/1988 e promulgada por meio do Decreto nº 97.409/1988, e que dão base à Tarifa Externa Comum (TEC), conforme já esclareceu o relator vencido em seu voto. Como se verifica, a partir da delimitação da questão, o voto vencedor passa a tratar da classificação dos pneus de forma genérica. E segue, a partir da Solução de Consulta cujo racional entendeu aplicável ao caso: 11. A mercadoria em análise é própria para veículos que desempenham atividades comerciais (caminhonetes, micro-ônibus e seus rebocados), logo está descartado seu enquadramento nas subposições 4011.10 (do tipo utilizado em automóveis de passageiros, incluindo os veículos de uso misto e os automóveis de corrida), 4011.20 (do tipo utilizado em ônibus (autocarros*) ou caminhões), 4011.30 (do tipo utilizado em veículos aéreos), 4011.40 (do tipo utilizado em motocicletas), 4011.50 (do tipo utilizado em bicicletas), 4011.70 (do tipo utilizado em veículos e máquinas agrícolas ou florestais) e 4011.80 (do tipo utilizado em veículos e máquinas para a construção civil, de mineração e de manutenção industrial). 12. Não estando incluído nas subposições anteriores e de acordo com a RGI 6, o produto se classifica na subposição residual 4011.90, que se desdobra nos seguintes itens (...) Concluindo ao fim que: Entendo que a mercadoria objeto da Solução de consulta reproduzida equivalem, ipsis litteris, à mercadoria do presente processo, portanto é de se aplicar a mesma classificação à mercadoria analisada, qual seja, para os “pneumáticos utilizados em caminhões leves, micro-ônibus, Fl. 820DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.253 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.721057/2017-64 camionetas, vans, pick-ups e utilitários” devem ser classificados na NCM nº 4011.99.90. Em outras palavras, a classificação fiscal que se atribuiu ao caso aos pneus foi NCM nº 4011.99.90, em conformidade com o que lançado. O suposto erro na classificação acaba sendo afastado quando o voto vencedor expõe as razões que entende devam ser estendidas a todas as categorias de veículos, que não pode ser atacada via embargos. Ainda que reste vencido no tocante à admissibilidade, de qualquer forma não assistiria razão à embargante. Resta claro do RAF que os pneus classificados no presente caso não são de uso exclusivo em SUVs: Como se vê, para fins de Nomenclatura, os veículos SUV se enquadram no conceito de veículo misto e devem ser classificados na posição 8703. Assim, os pneumáticos destinados a esses veículos deveriam ser classificados no código 4011.10.00. Todavia, no caso em tela, todos os modelos destinados a veículos do tipo SUV também poderiam ser utilizados em pick-ups e camionetes utilitárias. Assim, na inexistência de código específico de “pneus de veículos de passeio, pick-ups e camionetes utilitárias”, prevalece o código genérico “4011.99.90 – Outros”. Cabe ressaltar, entretanto, que tanto no caso de classificação no código 4011.10.00 (pneus exclusivo para SUV) quanto no 4011.99.90 (pneus para uso em SUV e pick-ups ou veiculos utilitários) seria cabível o lançamento do mesmo montante, já que ambos possuem alíquota de 15,00%. Restando evidenciada a coerência interna do voto vencedor ao classificar o pneu de forma genérica de acordo com a TIPI, não havendo que se falar, portanto, em erro específico para SUVs. Ultrapassar essa barreira fugiria ao escopo dos embargos. Ante o exposto, voto por não conhecer dos presentes embargos. (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 821DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11829.720034/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. VÍCIO DE OMISSÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE ANÁLISE DO CÓDIGO NCN ADOTADO NO LANÇAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO.
Em processos administrativos que decorrem de divergência na classificação fiscal de produtos importados pelo contribuinte, é essencial que a autoridade julgadora enfrente e se manifeste acerca da legalidade do código NCM adotado pela Fiscalização no lançamento, pois a revisão de legalidade é do ato administrativo do lançamento.
A conclusão no sentido de que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está incorreta não leva necessariamente à conclusão de que a classificação fiscal realizada pela Fiscalização no lançamento está correta, sendo possível que a autoridade julgadora entenda que o código NCM adotado pelo contribuinte é equivocado, mas mesmo assim determine o cancelamento do lançamento, quando este adotar como fundamento classificação fiscal também equivocada e entender a autoridade julgadora que o correto é um terceiro código NCM.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020.
Está correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) adotada no lançamento, no código NCM 8529.9020 (Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28.
Numero da decisão: 3401-003.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração apresentados para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, entendendo correta a classificação fiscal adotada pela Fiscalização, vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator, que preferiu seu voto no sentido de dar provimento integral aos embargos de declaração, com efeitos infringentes; e o Conselheiro André Henrique Lemos, que votou para que fosse dada ciência à Fazenda Nacional, em razão de possíveis efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira.
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto.
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator.
Augusto Fiel Jorge d'Oliveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cleber Magalhães (Suplente convocado), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente). Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Interessado Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. VÍCIO DE OMISSÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE ANÁLISE DO CÓDIGO NCN ADOTADO NO LANÇAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. Em processos administrativos que decorrem de divergência na classificação fiscal de produtos importados pelo contribuinte, é essencial que a autoridade julgadora enfrente e se manifeste acerca da legalidade do código NCM adotado pela Fiscalização no lançamento, pois a revisão de legalidade é do ato administrativo do lançamento. A conclusão no sentido de que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está incorreta não leva necessariamente à conclusão de que a classificação fiscal realizada pela Fiscalização no lançamento está correta, sendo possível que a autoridade julgadora entenda que o código NCM adotado pelo contribuinte é equivocado, mas mesmo assim determine o cancelamento do lançamento, quando este adotar como fundamento classificação fiscal também equivocada e entender a autoridade julgadora que o correto é um terceiro código NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020. Está correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) adotada no lançamento, no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 34 /2 01 2- 49 Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.760 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração apresentados para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, entendendo correta a classificação fiscal adotada pela Fiscalização, vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator, que preferiu seu voto no sentido de dar provimento integral aos embargos de declaração, com efeitos infringentes; e o Conselheiro André Henrique Lemos, que votou para que fosse dada ciência à Fazenda Nacional, em razão de possíveis efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Presidente substituto. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cleber Magalhães (Suplente convocado), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em 10/04/2017 contra o Acórdão CARF nº 3401003.111, proferido em sessão de 25/02/2016, de minha relatoria, que possui a ementa abaixo transcrita: "Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 03/07/2007 a 20/06/2011 PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Reconhecimento da extinção por decadência dos créditos relativos a lançamentos efetuados com base em declarações de importação registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, (II, IPI, PISImportação e CofinsImportação). REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. Artigo 54 do DL 37/1966. É de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.761 3 os lançamentos pendentes de homologação. Independentemente do canal em que se efetivou o despacho aduaneiro, o resultado da revisão assim realizada não significa mudança de critério jurídico. Aplicase o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. Somente nessa situação a revisão aduaneira estará concidionada pelo disposto no artigo 149 do CTN. O artigo 54 do DL 37/1966 também autoriza a revisão dos lançamentos homologados. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO. PAINÉIS LCD. O produto identificado como "dispositivos de cristal líquido LCD" ou "Painéis LCD", quando destinado "exclusiva ou principalmente" aos aparelhos das posições 8527 ou 8528, não pode ser classificado no código NCM 9013.80.10. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7° DA LEI N° 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". Em sintonia com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento estabelece, simplesmente, que a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINS Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) será "o valor aduaneiro", redação a qual foi dada pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. MORA E PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. Apesar de não se tratar de uma mudança de critério jurídico, a posição firmada a partir da revisão aduaneira que nega a prática reiterada das autoridades do despacho, exercidas individualmente, configura a situação para a qual se deve invocar a aplicação da lei posta no parágrafo único do artigo 100 do CTN, a ser aplicada nos termos da competência estatuída pela lei do processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972) e estatuída na lei aduaneira (artigo 97 e 101 do DL 37/1966)". A embargante alega a ocorrência do vício de omissão, em virtude de o acórdão em referência afastar a classificação fiscal adotada pela contribuinte, mas sem antes "(...) haver se manifestado em relação ao fundamento referente ao equívoco da classificação fiscal pretendida pela Fiscalização", pelas razões abaixo transcritas: "1.1. No que tange à classificação fiscal dos Painéis de LCD, a Embargante apresentou dois fundamentos distintos em seu Recurso Voluntário: a) a classificação fiscal por ela adotada (NCM 9013.80.10) está correta (itens Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.762 4 3.3.1.1 a 3.3.1.25 do Recurso Voluntário); b) a classificação fiscal pretendida pela Fiscalização (NCM 8529.90.20) está incorreta (itens 3.3.1.26 a 3.3.1.65 do Recurso Voluntário) 1.2 Destaquese que se tratam de fundamentos autônomos, capazes, cada um deles, per si, de conduzir ao provimento do Recurso Voluntário. 1.3 Com efeito, em se tratando de classificação fiscal, para a manutenção do Auto de Infração, não basta que se demonstre que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está equivocada, sendo necessário também que se demonstre que a classificação fiscal adotada pela Fiscalização esteja correta. Isso porque, mesmo que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte esteja incorreta, se a classificação defendida pela Fiscalização também estiver incorreta, sendo correta uma terceira classificação fiscal, o lançamento deverá ser declarado insubsistente. De fato, a autuação deve fundarse, obrigatoriamente, na correta reclassificação, pela Fiscalização, da mercadoria importada. Havendo equívoco por parte da Fiscalização quanto à correta classificação da mercadoria importada, há vício insanável no lançamento tributário, efetuado em desatenção aos ditames do artigo 142 do Código Tributário Nacional. 1.4 Assim, não há dúvida de que o r. Acórdão embargado deveria haver analisado também o fundamento trazido pela Embargante em seu Recurso Voluntário, no sentido de que a classificação fiscal adotada pela Fiscalização está equivocada. 1.5 Ocorre que o r. Acórdão embargado não se manifestou sobre este fundamento, limitandose a analisar o fundamento relativo à adoção da NCM 9013.80.1O para a classificação fiscal dos Painéis de LCD. (...).1.8 Nesse contexto, ao não haver se manifestado em relação ao fundamento referente ao equívoco da classificação fiscal pretendida pela Fiscalização, o r. Acórdão embargado, data maxima venia, incorreu em omissão, nos termos do artigo .65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. E essa omissão que se espera seja sanada por meio dos presentes Embargos de Declaração" (seleção e grifos nossos). Por ordem do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, conforme artigo 65, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("RICARF"), fui designado para realizar o exame de admissibilidade dos embargos opostos. Proferi despacho. situado às fls. 2.301 a 2.306, pela admissão dos embargos, considerandoos tempestivos, tendo indicado objetivamente o vício de obscuridade, em observância ao disposto no artigo 65, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF, que determina: "§2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.763 5 os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Acredito que o vício tenha sido objetivamente apontado e que a alegação da embargante não é manifestamente improcedente, o que acarretou o despacho de admissibilidade dos embargos para que este colegiado apreciasse as razões tecidas para a finalidade de sanar o vício apontado ou, não sendo o caso, aprimorar a decisão embargada. A embargante fundamenta a oposição de seus embargos no fato de ter apresentado dois argumentos distintos em seu recurso voluntário: (i) a correção da classificação fiscal por ela adotada (NCM 9013.80.10); e (ii) a incorreção da classificação fiscal pretendida pela autoridade fiscal (NCM 8529.90.20). Observase que, de fato, os argumentos são autônomos e o acolhimento de cada um, isoladamente considerado, seria suficiente para o provimento do recurso voluntário interposto. Não obstante, o acórdão embargado se manifestou unicamente sobre a incorreção da classificação adotada pela contribuinte, infirmando, assim, o Código NCM nº 9013.80.10. Nada se decidiu, no entanto, a respeito da classificação reputada correta pela autoridade fiscal, omitindose, portanto, o acórdão, quanto à análise da correção do Código NCM nº 8529.90.20. Este segundo argumento, ademais, foi objeto de expressa recalcitrância por parte da ora embargante, como se depreende da leitura dos itens 3.3.1.26 a 3.3.1.65 das razões de seu recurso voluntário. Transcrevese, a seguir, a redação do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho: Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (Regimento Interno do CARF) Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Há de se reconhecer, portanto, mesmo em análise perfunctória, que o recurso manejado, ao se voltar ao objetivo de sanar omissão quanto ao "(...) fundamento referente ao equívoco da classificação fiscal pretendida pela Fiscalização" do acórdão embargado, subsumese à perfeição à figura prevista no art. 65 do RICARF, tendo sido o vício, portanto, objetivamente apontado. Como consabido, tanto afirmar a correção da classificação adotada pela contribuinte, como afastar, por incorreção, a classificação pretendida pela autoridade fiscal, terá como efeito o provimento do recurso voluntário e, por este motivo, não é o presente Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.764 6 recurso manifestamente improcedente, merecendo maior análise quanto à matéria de fundo não analisada no acórdão embargado. Assim, quanto à classificação fiscal da mercadoria, aproveitamos a oportunidade para apontar explicitamente o nosso posicionamento acerca da matéria, sobre a qual já escrevemos em outras oportunidades. Ao analisar as considerações acima tecidas acerca da existência da revisão fiscal, entendemos que o desembaraço configurou, no caso presente, uma modalidade de lançamento tributário. O lançamento, para ocorrer, de fato não pode prescindir de nenhum de seus elementos constitutivos, sob pena de se aceitar a possibilidade de um inexistente fato gerador pendente ou "complexivo" (sic) que parte substanciosa da doutrina, como Antonio Sampaio Dória ou Henry Tilbery já defendeu em oposição àqueles fatos geradores "instantâneos". Em outras palavras, ou se conhecem todos os elementos do fato gerador ou não é possível à autoridade competente proceder ao lançamento do tributo e, logo, diferente de nosso entendimento anterior, irrelevante o uso efetivo que se dará à mercadoria em momento posterior ao desembaraço aduaneiro. Este, ademais, é o sentido do art. 72 conjugado com dos artigos 73 e 94 do Regulamento Aduaneiro. A partir desta perspectiva, passa a fazer sentido o argumento trazido pela contribuinte no sentido de que os painéis LCD podem ter diferentes usos. Maior segurança seria conferida a este colegiado caso a contribuinte comprovasse que os materiais importados foram efetivamente utilizados para a destinação prevista pela classificação NCM, ou, no sentido de sua defesa, comprovar que não foram utilizados para aqueles aparelhos listados nas posições 85.27 ou 85.28 ("monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens"). Contudo, entendo agora com bastante clareza que tal comprovação não se faz necessária. O uso potencial dos painéis LCD tanto para aqueles aparelhos acima descritos como também para outros usos comerciais já é suficiente para descaracterizar a posição específica 8529.9020 reputada como correta pela autoridade fiscal. Isto porque a materialidade deve ser aferida, como foi, no momento do desembaraço conforme explicado acima. Conforme trecho da própria Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, que entendeu que a correta classificação fiscal do produto Display de Cristal Líquido (LCD)”, a incerteza se manifesta nos seguintes termos: "20. Assim, conforme mencionado pelo Interessado em sua petição, é impossível definir com exatidão o produto no qual será montada, visto que a mesma pode ser acoplada a qualquer aparelho capaz de fornecer um sinal de vídeo através de uma conexão adequada – em que pese o fato de que, pelo tamanho, seja possível, por exemplo, presumir que uma certa tela deva servir para um aparelho receptor de TV, o que não impede, entretanto, que se utilize esta mesma tela para a fabricação de um equipamento médico, por exemplo”. Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.765 7 Assim, uma vez caracterizada a dúvida, a RGI nº I determina que a classificação fiscal seja feita primordialmente no texto das posições e a posição 9013 descreve exatamente “dispositivos de cristal líquido”; dessa forma, os produtos importados se enquadram perfeitamente nessa descrição, levando em consideração que são dispositivos de cristal líquidos como atestado nos laudos e que “podem se destinar às mais diversas finalidades e equipamentos, não se podendo, no momento da importação classificálos sob uma finalidade específica”. Na medida em que a posição 9013 se refere a “dispositivos de cristal líquido", não vejo como negar que os produtos se enquadrem à perfeição nessa descrição, não sendo possível, e este é um ponto importante, atestarse o seu uso específico no momento da importação. Assim, quando a Nota “1.m”, da Seção XVI, exclui expressamente “os artefatos classificados no Capítulo 90", entendo que os produtos importados se qualificam como instrumento de óptica que, por decorrência lógica, não poderiam se classificar no código 8529.90.20. Esta a conclusão, não obstante, a que chegou o parecer de lavra de José Luiz Rossari nos seguintes termos: "(...) a Nota 1, letra “m”, da Seção XVI da NCM, por si só, confirma que sendo o display de LCD um artefato descrito na posição 9013 do Capitulo 90, não podia ele se classificar na posição 8525 a 8528, devido a essa imposição de cumprimento obrigatório estabelecida no Sistema Harmonizado (...) em vista do exposto, mormente inclusive das soluções de consulta emanadas da RFB, podese afirmar sem qualquer dúvida, que, à época das importações, a posição 9013 era a mais adequada para a classificação do produto”. Transcrevemos, ademais, neste sentido, a percuciente declaração de voto realizada pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima no Acórdão CARF nº 3201 002.026, julgado em sessão de 28/01/2016 pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção: " Meu entendimento é convergente com julgamento anterior deste próprio Conselho, que reconheceu como correta a classificação da NCM 90.13.80.10 para os Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, para o mesmo contribuinte ora parte no presente procedimento administrativo. O contribuinte classificou corretamente as mercadorias importadas na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM Dispositivos de Cristais Líquidos LCD 9013.80.10 (Classificação nas Declarações de Importação de 20 de Maio de 2007 a 31 de Dezembro de 2011). O único fundamento do Auto de Infração é a suposição de erro na classificação fiscal. Consequentemente a fiscalização imputou a multa de 1% sobre o valor aduaneiro e lançou as diferenças de alíquotas dos Impostos de Produtos Industrializados IPI, de Importação II, PIS e COFINS, correspondentes às NCM's que a fiscalização entendeu como corretas (NCM 8529.90.20, Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.766 8 NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00). Apesar da questão da suspensão do IPI não alterar a linha de motivação e nem a conclusão da presente declaração de voto, aqui é importante reproduzir a declaração de voto constante na Decisão da DRJ de São Paulo, que reconheceu a suspensão do IPI a partir de junho de 2009, conforme Art. 11, IN 948/2009. No estudo dos autos verificase que este fato pode ter atraído a atenção do agente fiscal, situação que pode ter motivado o início da fiscalização. Segue declaração mencionada: Declaração de Voto Salvo melhor juízo, tenho entendimento divergente ao do relator apenas em relação à exigibilidade dos créditos de IPI relativos a mercadorias importadas sob o regime de suspensão do art. 29, §1º, inciso I, “c” da Lei nº 10.637/02, regulamentado art. 11, inciso II da Instrução Normativa RFB nº 948/09. É fato incontroverso tanto para a fiscalização como para a impugnante que os bens importados em questão enquadravamse na hipótese de suspensão acima citada. Logo, não há que se cogitar da exigência tributária do IPI no momento da ocorrência do fato gerador na importação, qual seja, o registro da respectiva declaração de importação. A eventual resolução da suspensão do IPI depende da apuração individual de cada venda no mercado interno de bens contendo tais insumos importados, visto que é neste segundo momento que o tributo volta a ser exigível, apurandose concomitantemente o efetivo recolhimento porventura já realizado pela empresa em cada operação. A fiscalização não respeitou tal exigência, presumindo os recolhimentos nas vendas ao mercado interno e considerando o IPI exigível desde a data de registro das importações. Dessa forma, entendo incabível o lançamento realizado em relação a essas importações alcançadas pela suspensão do IPI." Ainda que não seja fato controverso a identificação da mercadoria, Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, a fiscalização obrigou o contribuinte a identificar cada item importado de acordo com uma possível aplicação futura, de acordo com o P/N utilizado para os controles de produção e estoques. Apesar de haver múltiplas e simultâneas possibilidades de aplicações futuras dos produtos importados, o contribuinte teve de respeitar a intimação e respondeu de acordo com a planilha dos Anexos I e VIII da intimação 2012 000140, restringindo essas possíveis aplicações futuras. Foi de acordo com esta planilha que a fiscalização decidiu que a NCM utilizada pelo contribuinte não era suficiente para atender a todas as exigências regulamentares. Discordo de como procedeu a fiscalização e da conclusão desta, pois correta a classificação utilizada pelo contribuinte. É incontestável que a classificação da mercadoria, primeiro, deve ser baseada nas características do produto no momento do despacho aduaneiro, independentemente de sua futura possível utilização. Fisco Fl. 3766DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.767 9 encaixou em subitens de posições de NCM's, como se fossem mais específicas. Oneroso e burocrático auferir de forma clara, concisa e legal todas as possíveis futuras aplicações da mercadoria importada no momento do despacho aduaneiro. Logo, a fiscalização decidiu restringir e de forma arbitrária a classificação. Apesar de haver uma projeção do contribuinte em seu plano de negócios da aplicação futura das mercadorias importadas, os negócios industriais têm estruturas dinâmicas, "orgânicas" e devem acompanhar e atender a oferta e procura, o que pode alterar de imediato a projeção da utilização futura das mercadorias importadas. Entendo que a fiscalização deixou de considerar o Regulamento Aduaneiro nos seus Artigos 72, 73 e 94 que positivaram essa garantia jurídica, da classificação da mercadoria de acordo com suas características no momento do despacho aduaneiro. Com relação ao entendimento minucioso da aplicação ou não da NCM 9013.80.10, basta observar a Regra Geral nº 1 para interpretação do sistema harmonizado e concluir que esta NCM é a correta para a mercadoria importada. Regra 1: " Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legai, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas se seção e de capítulo [...]"Vejamos o texto da posição 90.13 "Dispositivo de Cristal Líquido LCD" na posição específica 80.10 "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". É evidente que a mercadoria é um artefato da posição 90.13, identificada logo pelo texto e de acordo com RG nº 1, para "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". Ainda que já solucionado pela RG1, uma vez que o texto é adequado em sua posição e não em subposições como nos casos das NCM 8529.90.20, NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00, em que o texto da posição não está de acordo com a mercadoria importada. Não se observaria a Regra Geral n.º 1 do Sistema Harmonizado se classificarmos a mercadoria nos textos: NCM 8517 “Aparelhos Telefônicos, incluídos os telefones para redes celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos [...]”. NCM 8529 – “Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. NCM 8531 – Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes [...]” (seleção e grifos nossos). Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.768 10 Em mesmo sentido, o declaração de voto realizada pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima no Acórdão CARF nº 3201002.026, julgado em sessão de 28/01/2016: "Se observarmos a Regra Geral n.º 3, na remota hipótese da situação não ter solucionado com a Regra Geral n.º 1, essa também elege a posição 90.13 como a correta pois é mais específica tanto no item quanto no subitem, de acordo com a Nota 2.a, Capítulo 90 da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. É exatamente o que foi decidido no Acórdão definitivo deste Conselho, Acórdão de n.º 30333.326, de 12 de julho de 2006, com relação ao próprio contribuinte, que reconheceu o direito de aplicar aos Dispositivos de Cristal Líquido LCD a NCM 9013.80.10. Para reforçar o presente entendimento, a posição da NCM 9013 indica nominalmente um artigo em particular, enquanto que as outras NCM’s apontadas pela fiscalização designam uma família de artigos, o que torna estas classificações da fiscalização menos específicas uma vez que a Nota IV e IV, b, da R.G. n.º 3, expressamente vinculam que a especificidade deve ser analisada conforme a natureza do produto e não conforme sua futura utilização, além de delimitar ser a posição mais específica aquela que nominalmente descreve um artigo em particular e não aquela que aponta uma família de artigos. Não foi considerada na análise da fiscalização a Nota 1, m, da Seção XVI, que abrangem as classificações pretendidas pela autoridade fiscal. O caput da Nota 2 expressamente exclui das suas disposições os casos contemplados pela Nota 1 da Seção XVI. A análise desta Nota confirma a classificação adotada pelo contribuinte, pois exclui do seu alcance os “artefatos classificados no capítulo 90”. A fiscalização deixou de observar a vigência dos Ex Tarifários 001 e 002 da posição 8529.90.20 (Resolução CAMEX 84 de Dezembro de 2010). Deixou de observar que as mercadorias tem reconhecida importância no Brasil e por este motivo foram concedidas as exceções à Tarifa Externa Comum, para contemplar sem onerar e impedir o desenvolvimento do setor. Foi nesse sentido que se publicou a resolução CAMEX 84/2010 com os Ex Tarifários, acompanhados de coerência tarifária para os dispositivos de LCD e mantido o mesmo nível tarifário da NCM 9013.80.10. Assim, é temerário concluir que a CAMEX teria classificado os dispositivos somente no subitem 9013.80.10 se esta NCM fosse a correta para o produto. Não há lógica em determinada conclusão uma vez que a NCM 9013.80.10 é também expressa no Anexo I do Decreto e é razão do Ex Tarifário, além de ser prática reiterada no âmbito da administração pública. O texto "Displays de Cristal Líquido" apenas foi inserido na NCM 85.29.90.20, após a redação do Decreto 7.600/11. Fl. 3768DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.769 11 Anteriormente este texto estava presente somente na NCM 9013, o que configura mudança de critério jurídico, uma clara alteração do critério de classificação anteriormente adotado em múltiplos níveis da administração pública. Vejamos: Não houve reclassificações de outras DI’s da empresa parametrizadas em canal vermelho; Consultas de n.º 98/99 da 8.ª Região DIANA, 31/07 da 10.ª Região e 37/07 da 6.ª Região apontam a NCM 9013.80.10 como a correta classificação para a mercadoria; Decisão Administrativa definitiva que determina a NCM 9013.80.10 neste Conselho, P.A. 10860.000559/200586; IN RFB 740/2007, Art. 3.º, II, vigente à época. O Contribuinte ficou impedido de realizar nova consulta sobre tema já decidido, conforme Art. 52 do Decreto 70.235/72. E não só, ficou vinculado a classificar as mercadorias na NCM 9013.80.10. Declarações de Importação foram incluídas após a lavratura do Auto de infração (fato conhecido na DRJ), erros de cálculo não foram sanados, mas a divergência desta declaração de voto é no mérito e neste, o contribuinte acertou na classificação, inclusive Pareceres e Laudos Técnicos confirmam a natureza técnica do produto e sua direta relação com a NCM utilizada. O contribuinte preencheu as regras gerais e interpretativas, contribuiu para a manutenção das praticas reiteradas e observou as decisões de consulta e deste conselho. Está configurada a característica de normas complementares às práticas reiteradas das autoridades administrativas. Com fundamento em todo o exposto e principalmente nos Artigos 100, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, que estabelecem a legalidade das práticas administrativas reiteradamente observadas e protegem o contribuinte das modificações de critério jurídico, não há legitimidade para o lançamento pois é "conditio sine qua non" que o Auto de Infração tenha elementos suficientes para a configuração do fato tributável. Por todo o exposto, por faltar objeto e não restar configurado o suposto "erro de classificação" da mercadoria, diante do vício material insanável que caracteriza o lançamento, voto pela improcedência do Auto de Infração, seu cancelamento integral e consequente cancelamento de todas as penalidades e demais encargos, e seja conhecido e provido o Recurso Voluntário em sua integralidade. Assim, voto por conhecer dos embargos de declaração opostos, dandolhes integral provimento para a finalidade de colmatar a omissão apontada, razão pela qual voto pelo provimento integral do recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.770 12 Voto Vencedor Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Redator designado. De acordo com o artigo 65, do Regimento Interno do CARF: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar se a turma". A doutrina entende que o vício de omissão está presente “quando o tribunal deixa de apreciar questões relevantes para o julgamento, suscitadas por qualquer das partes ou examináveis de ofício (...) ou quando deixa de pronunciarse acerca de algum tópico da matéria submetida à sua deliberação (...)”. Por outro lado, o órgão judicial não tem “o dever expressar sua convicção acerca de todos os argumentos utilizados pela partes, por mais impertinentes e irrelevantes que sejam; mas, salvo quando totalmente óbvia, há de declarar a razão pela qual assim os considerou”. 1 Por isso, é firme na jurisprudência o entendimento no sentido de que "não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução"2. Além disso, os embargos de declaração não são o instrumento adequado para rediscussão do mérito com o objetivo de reformar o julgado, mas se prestam a sanar os vícios de omissão, contradição, obscuridade e/ou erro material, para fins de aprimoramento da decisão, sendo possível atribuirlhes efeitos modificativos da decisão apenas em casos excepcionais3. Impende ainda destacar que a finalidade dos embargos de declaração é revelar o verdadeiro conteúdo da decisão embargada e não inovar ou trazer substancial alteração do julgado, sob pena de, a pretexto de sanar vícios na primeira decisão, acarretar novo vício, dessa vez de contradição entre a primeira e a segunda decisão. Logo, a perspectiva na apreciação dos vícios apontados pelo Embargante deve ser sempre, a partir do que foi fixado ou deveria ter sido fixado pela decisão embargada. Nesse sentido, por todos, Pontes de Miranda afirmava: "A sentença dos embargos de declaração não substitui a outra, porque diz o que a outra disse. Nem pode dizer algo menos, nem diferente, nem mais. Se o diz, foi a decisão embargada que o disse"4. (grifos nossos) Dessa forma, é entendimento pretoriano firme que "não têm os embargos de declaração a faculdade de alterar decisão para ajustála a orientação posteriormente 1 Moreira, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. vol. V: arts 476 a 565. Rio de Janeiro. Forense. 2006. p 555560. 2 AgRg no AREsp 659.116/SP, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/11/2015, DJe 03/12/2015. 3 ACO 2065 AgRAgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 06/10/2015 4 Comentários ao CPC (de 1973), t. VII, p. 341. Fl. 3770DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.771 13 firmada"5 pelo Relator ou pelo Colegiado, apesar de recentemente ter se admitido, de forma excepcional, em apenas três hipóteses, os "efeitos infringentes aos embargos de declaração para ajustar o acórdão embargado a novo entendimento jurisprudencial, quando esse mostrarse conflitante com posicionamento firmado por esta Corte em recurso repetitivo, bem como quando divergente de orientação assentada pelo Supremo Tribunal Federal em recurso com repercussão geral ou sedimentada em Súmula Vinculante"6. No presente caso, tratamse de embargos de declaração de fls. 3722 e seguintes, nos quais o contribuinte, ora Embargante, alega a ocorrência de vício de omissão referente ao exame da classificação fiscal dos produtos por ela importados. Segundo a Embargante, o acórdão embargado se limitou a examinar a classificação fiscal adotada pela Embargante, no código NCM 9013.80.10 a qual, ao final, entendeu incorreta , e foi omisso ao deixar de apreciar o fundamento trazido pela Embargante, no sentido de que a classificação fiscal adotada no lançamento, no código NCM 8529.90.20, estaria equivocada. Ao se examinar a decisão embargada, verificase que há a afirmação de que o raciocínio ali desenvolvido e os fundamentos apresentados levariam à conclusão de que a classificação fiscal adotada pela Embargante é incorreta E a classificação fiscal do lançamento é a correta, quando expõe: "Em caso positivo, deixarão de se enquadrar na NCM 9013.80.10, pois, em que pese ainda se tratar de um "dispositivo de cristal líquido LCD, neste caso passa a ser aplicável a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nº 01, que dispões, para o aplicador, uma metaregra de aplicação consistente em a NCM 8529.90.20 ("aparelhos das posições 8527 ou 8528")". (fls. 3489) Apesar disso, a conclusão da decisão embargada realmente se limita a expor o entendimento de que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte não é correta, quando afirma: "Assim, com base nestes elementos, e tendo em vista, sobretudo, a ausência de contraprova que elida a argumentação tecida pela autoridade fiscal, voto pela improcedência do recurso voluntário neste ponto, de maneira a entender que o código NCM 9013.80.10 não deve ser aplicado ao presente caso" (fls. 3491). Ainda, esse entendimento acabou sendo espelhado na ementa do julgado que consignou: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO. PAINÉIS LCD. O produto identificado como "dispositivos de cristal líquido LCD" ou "Painéis LCD", quando destinado "exclusiva ou principalmente" aos aparelhos das posições 8527 ou 8528, não pode ser classificado no código NCM 9013.80.10". Diante disso, da mesmo forma que o ilustre Relator, acredito que há omissão sobre questão relevante na decisão embargada, tendo em vista que em processos administrativos que decorrem de divergência na classificação fiscal de produtos importados pelo contribuinte, é essencial que a autoridade julgadora enfrente e se manifeste acerca da legalidade do código NCM adotado pela Fiscalização no lançamento, pois a revisão de legalidade é do ato administrativo do lançamento. 5 EDcl no REsp 1044019/SC, Rel. MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2008, DJe 01/12/2008. 6 EDcl no AgRg no REsp 1319418/MG, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/06/2017, DJe 09/06/2017 Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.772 14 Devese observar que a conclusão no sentido de que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está incorreta não leva necessariamente à conclusão de que a classificação fiscal realizada pela Fiscalização no lançamento está correta, sendo possível que a autoridade julgadora entenda que o código NCM adotado pelo contribuinte é equivocado, mas mesmo assim determine o cancelamento do lançamento, quando este adotar como fundamento classificação fiscal também equivocada e entender a autoridade julgadora que o correto é um terceiro código NCM. Contudo, apesar de concordar com o relator no reconhecimento do vício omissão, apresento divergência no enfrentamento e saneamento dessa omissão, o que será exposto adiante, partindo da premissa de que o objetivo dos embargos de declaração é revelar o conteúdo da decisão embargada, aquilo que foi assentado pelo Colegiado naquela ocasião, ainda que com vício de omissão. Como relatado, enquanto a Embargante entende como correto o código NCM 9013.80.10 da Tarifa Externa Comum (TEC) (“Dispositivos de cristais líquidos – LCD”), a autoridade fiscal entende que a mercadoria deveria ter sido classificada no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), com base, entre outros motivos, no entendimento firmado na Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, que entendeu que a correta classificação fiscal do produto Display de Cristal Líquido (LCD)” é no código 8529.90.20 da NCM. Pela leitura do Termo de Verificação Fiscal, da Solução de Consulta em questão e dos argumentos levantados pela Embargante ao longo do processo, os pontos controversos para a realização da classificação fiscal são a função dos produtos importados pela Embargante e a possibilidade de se enquadrarem como produtos de óptica da posição 9013, pois, uma vez ultrapassados, maiores divergências não se encontrariam para a aplicação das regras de classificação, que apontariam para um ou outro código NCM e para a conclusão de que ou a classificação adotada pelo contribuinte ou pelo lançamento é procedente. Quanto à função, o lançamento apontou que "as mercadorias importadas pela SAMSUNG e discriminados na TABELA dos Autos SÃO UTILIZADAS NA FABRICAÇÃO DE MONITORES OU APARELHOS DE TELEVISÃO, ou seja, são PARTES QUE PODEMOS IDENTIFICAR COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS A MONITORES OU APARELHOS DE TELEVISÃO". Nesse tópico, impendese reconhecer que a aplicação futura do produto ou o uso de determinado produto após a importação não tem qualquer influência em sua classificação fiscal, porém, diante de seguidas importações, ao longo dos anos, de um mesmo produto, para a mesma destinação, há um indicativo que o produto foi concebido e fabricado para essa destinação, podendose concluir que o produto, no estado em que foi importado, tem como destinação exclusiva ou principal o uso em monitores ou televisores. Contra essa conclusão, há apenas as alegações da Embargante, que é amparada por laudo técnico que, a meu ver, não é satisfatório, pois indica que o produto importado não está sujeito a diversas aplicações, sem a necessidade de ajustes e intervenções humanas, após o processo de fabricação e à importação, o que fica evidenciado na resposta a seguir transcrita: "(...) Para a sua utilização, basta que o projetista compatibilize a comunicação dos dados a serem exibidos com a forma que o dispositivo de cristal líquido Fl. 3772DF CARF MF Processo nº 11829.720034/201249 Acórdão n.º 3401003.959 S3C4T1 Fl. 3.773 15 "compreenda". Desde que as especificações elétricas, mecânicas e ambientais sejam atendidas, o dispositivo irá operar satisfatoriamente em qualquer tipo de equipamento". Para afastar a conclusão firmada no lançamento, é preciso saber se os produtos importados, no estado em que foram fabricados e importados possuem capacidade de se destinar a múltiplas aplicações. O fato de o dispositivo operar satisfatoriamente apenas em qualquer tipo de equipamento "desde que as especificações elétricas, mecânicas e ambientais sejam atendidas" não quer dizer que o produto, como foi concebido, fabricado e importado, esteja pronto para se destinar a mais de uma aplicação ou que existam alternativas diversas de uso resultante da própria fabricação, sem uma ação humana após sua fabricação. Com relação à possibilidade dos produtos se enquadrarem na posição 9013, se podem se qualificar como aparelhos ou instrumento de óptica, a partir da análise dos textos das posições contidas naquele Capítulo, entendo como correta a afirmação feita pela Coana de que os produtos importados pela Embargante excedem o previsto em tal posição, por possuírem dispositivos eletrônicos e de retroiluminação, indo além do alcance da posição 90.13. Feitas essas considerações, ante a ausência de uma contraprova robusta por parte da Embargante no que se refere à identificação das características dos produtos por ela importados, seguindo a linha de entendimento exposta no Termo de Verificação Fiscal, penso que, pela aplicação da RGI nº 1, a posição correta é a 85.29, que trata de “Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. Continuando, dentre as subposições, os produtos não se enquadram na subposição 8529.10 (“Antenas e refletores de antenas de qualquer tipo; partes reconhecíveis como de utilização conjunta com esses artefatos”), devendo se enquadrar na subposição 8529.90 (“Outras”), por aplicação da RGI nº 06. Seguindo, quanto ao item e subitem, por aplicação da RGC nº 01, acredito que a classificação correta seja no código NCM 8529.90.20 (“De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”). Pelo exposto, apesar do diligente trabalho realizado pela Embargante em sua defesa, acredito que a prova produzida nos autos não lhe socorre, estando, a meu ver, correta a classificação fiscal utilizada pela Fiscalização para fundamentar o lançamento e incorreta a classificação fiscal adotada pela Embargante nas operações de importação , motivo pelo qual qual apresento divergência para conhecer e negar provimento aos Embargos de Declaração opostos. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Fl. 3773DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.720035/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/09/2010, 30/11/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DO SISTEMA HARMONIZADO. INOBSERVÂNCIA.
A atividade de classificação fiscal exige a perfeita identificação das mercadorias sub examine, de tal sorte que seja possível esclarecer todas as especificidades que influem na escolhe do código tarifário correto, conforme determinado nas Regras Gerais do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, sob pena de restar prejudicado o trabalho da fiscalização.
Numero da decisão: 3401-010.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Ronaldo Souza Dias.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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REGRAS GERAIS DO SISTEMA HARMONIZADO. INOBSERVÂNCIA. A atividade de classificação fiscal exige a perfeita identificação das mercadorias sub examine, de tal sorte que seja possível esclarecer todas as especificidades que influem na escolhe do código tarifário correto, conforme determinado nas Regras Gerais do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, sob pena de restar prejudicado o trabalho da fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Ronaldo Souza Dias. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice- Presidente), e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório Adoto o relatório acostado ao acórdão de resolução n. 3401-001.384, complementando- ao final com o necessário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 72 00 35 /2 01 6- 61 Fl. 1286DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Fl. 1287DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Fl. 1288DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Naquela sentada, esta e. Turma decidiu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Fl. 1289DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Juntado o laudo técnico pericial de fls. 1143-1244, foram as seguintes conclusões apresentadas: Fl. 1290DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Fl. 1291DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Fl. 1292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 A unidade de preparo intimou a Recorrente para apresentar sua manifestação acerca do laudo. A recorrente aduz que: 10 - Ao invés de apenas confrontar o Laudo Pericial já existente com os argumentos da Manifestante e do Laudo Técnico apresentado por esta, como foi expressamente determinado pela Turma Julgadora, o Expert apresentou novo Laudo Pericial, propondo uma terceira metodologia (perícia indireta) para classificação dos produtos da Manifestante. 11 - Em razão desse desvio de finalidade da diligência, o d. Expert deixou de atuar dentro dos limites da sua análise técnica, tendo se arvorado na compentência de julgador, exclusiva dessa d. Turma. (...) 18 - A Instrução Normativa RFB n. 1.800/2018 define detalhadamente o procedimento de realização de laudos periciais, deixando ainda mais evidente a vedação da indicação no Laudo Técnico de posições, subposições, itens ou códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). 19 - No presente caso, o d. Expert dedicou a primeira parte do seu Laudo exclusivamente a sua opinião sobre a correta classificação dos produtos da Manifestante baseado apenas em supostos documentos retirados da internet. (...) 23 - O segundo vício constante do Laudo Técnico Pericial (fl. 1.143) elaborado pelo Engenheiro Aloísio Motta Amorim refere-se à ausência de fundamentação válida, com indicação de bibliografia técnica adequada, sendo baseado apenas em site de internet, também sem indicação de bibliografia ou origem válida. (...) 31 - Apesar do d. expert ter concluído corretamente que a Geomembrana é fabricada de polietileno, equivocou-se absurdamente ao não perceber que os produtos fabricados pelo Manifestante objeto da presente lide não são Geomembrana. A Manifestante só começou a comercializar Geomembrana em 2018 e estas são de fato fabricadas com polietileno virgem e tributadas pelo IPI na classificação própria de polietileno 32 - Contudo, as lonas plásticas objeto do presente processo, como constatado pela própria fiscalização e consta do Laudo Pericial de fl. 565 e ss., são fabricadas com plástico reciclado pós consumo adquirido de recicladores (comumente conhecidas como lonas pretas). Tais lonas são produtos totalmente diferente da Geomembrana, são lonas com estrutura mais simples, menos resistentes, menos duráveis, destinadas, normalmente, para a cobertura, proteção contra poeira ou pisos em obras, tendo algumas emprego no agronegócio para silagem, cobertura etc.. 38 - A Manifestante sustentou em suas petições e demonstrou pelo Laudo Técnico do Prof. Dr. Hélio Wiebeck, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de Fl. 1293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 São Paulo (USP), as seguintes imprecisões e equívocos do Laudo Pericial: (i) ausência de participação da Manifestante na perícia realizada; (ii) metodologia imprecisa, utilização do termo “polietileno reciclado” sem a definição do que seria esse produto e sua similitude ou não como “polímero de etileno” usado na classificação fiscal; (iii) ausência de realização de testes químicos no material analisado, como expressamente determinado na diligência; (iv) ausência de resposta sobre a transformação do material no processo de reciclagem; (v) a perícia foi realizada anos depois do fato gerador, restando comprometida em razão da variabilidade do material reciclado pós consumo ao longo do tempo, pela evolução dos materiais plásticos encontrados; (vi) a perícia foi realizada em amostras coletadas de um mesmo lote de insumos e produtos, sendo que o material reciclado apresenta variações ao longo do ano em razão do tipo de plástico encontrado nas diferentes épocas do ano; (vii) a utilização do método de Espectrometria de Absorção no Infravermelho/ATR é inútil, pois esse é incapaz de identificar a mistura de polímeros semelhantes como o polietileno e polipropileno (compostos apenas de carbono e hidrogênio). (viii) a utilização da técnica de Espectrometria de Absorção no Infravermelho/ATR também é imprestável para identificação de materiais sólidos heterogêneos, como a lona de plástico reciclado, uma vez que alcança uma pequena superfície (0,5 a 5 μ) do material e apenas em um ponto específico; (ix) utilizou-se das normas técnicas ASTM D-2621, própria para tintas e D-2702, própria para borrachas flexíveis, que não são adequadas ao material analisado, plástico sólido, cuja norma técnica é ASTM E-1252. (...) 42 - Como alegado pela Manifestante, a perícia realizada nos insumos e produtos da Manifestante foi produzida sem a oportunização da participação da mesma, realizada sem prévio aviso tanto da coleta de amostras quanto dos testes laboratoriais, impedindo a participação do assistente técnico da Manifestante. (...) 47 - O segundo ponto reconhecido de forma clara pela d. expert, Engenheiro Aloísio Motta Amorim, é a imprestabilidade do Laudo Pericial baseado em testes laboratoriais realizados anos depois dos fatos geradores, quando se tratam de produtos reciclados, cuja composição varia no tempo. (...) 53 - Dessa forma, fica evidenciado que a perícia realizada não é capaz de comprovar a composição dos produtos da Manifestante como sendo de polietileno, como constou do auto de infração objeto do presente processo, sendo impossível a manutenção da reclassificação dos produtos da Manifestante realizada pela d. fiscalização. Fl. 1294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 (...) 55 - Outra questão relevante para demonstrar a imprestabilidade da Perícia Técnica Realizada por erro metodológico, é o reconhecimento pelo d. expert, Engenheiro Aloísio Motta Amorim, de que o laboratório Solutech utilizou da norma técnica errada na análise dos resultados laboratoriais. 56 - Como já sustentado pela Manifestante e por seu assistente técnico em Laudo apresentado, o laboratório Solutech utilizou-se nas normas técnicas u ASTM D-2621, própria para tintas, e D-2702, própria para borrachas flexíveis, que não são adequadas ao material analisado, plástico sólido, cuja normas técnica é ASTM E-1252. (...) 65 - O último ponto e, provavelmente, mais importante do Laudo Técnico Pericial (fl. 1.143) elaborado pelo Engenheiro Aloísio Motta Amorim é o reconhecimento de que a técnica de Espectrometria de Absorção no Infravermelho/ATR – Ref ASTM D2621 e D2702 é incapaz de diferenciar polímeros encontrados nos plásticos reciclados pós consumo. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, relator O Recurso é tempestivo, interposto por procuradores devidamente constituídos, e preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele passo a conhecer. 1. constituído. 2. Conforme relatório, verifica-se que o perito técnico contratado pela unidade de preparo indicou como metodologia mais adequada (i) verificar o contrato social da empresa; (ii) pesquisar qual norma técnica regulamenta o produto fabricado; (iii) Verificar na tabela TIPI qual a classificação fiscal mais adequada. 3. Data máxima vênia ao entendimento adotado pelo i. perito, referida metodologia dispensa qualquer conhecimento técnico, podendo ser cumprida inclusive por um leigo, adotando inclusive uma falsa premissa, qual seja, a de que o produto é conhecido. 4. Oras, se soubéssemos com precisão qual o produto, no que tangencia sua composição física, não necessitaríamos de uma perícia. Enfim, o resultado da “perícia” apenas me convenceu de uma coisa que a primeira perícia realizada não se mostrou adequada para conduzir o julgamento em análise. 5. Nesse sentido, parece correto o entendimento exarado pelo Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, seguido por todos seus pares, ao votar o processo administrativo nº 13603.001081/2006-11, referente ao mesmo contribuinte, cujo acórdão n. 3201-00.264 restou assim ementado: Fl. 1295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2004 . CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DO SISTEMA HARMONIZADO. INOBSERVÂNCIA. A atividade de classificação fiscal exige a perfeita identificação das mercadorias sub examine, de tal sorte que seja possível esclarecer todas as especificidades que influem na escolhe do código tarifário correto, conforme determinado nas Regras Gerais do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, sob pena de restar prejudicado o trabalho da fiscalização. Recurso Voluntário Provido. 6. Por esse motivo, transcrevo o voto que acompanho em sua inteireza: Fl. 1296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Fl. 1297DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Fl. 1298DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Fl. 1299DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Fl. 1300DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-010.543 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10976.720035/2016-61 Ante o exposto, voto por conhecer do presente recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 1301DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13005.000464/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. MULTA ISOLADA. FALTA DE LANÇAMENTO.
Uma vez constatado o erro na classificação fiscal da mercadoria, caso constatada a falta de lançamento do IPI, comina-se a multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/1964 a ser exigida, por desígnio do § 8º do dispositivo em referência, conjuntamente com o imposto não lançado ou recolhido, ou isoladamente nos demais casos.
Numero da decisão: 3401-005.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. MULTA ISOLADA. FALTA DE LANÇAMENTO. Uma vez constatado o erro na classificação fiscal da mercadoria, caso constatada a falta de lançamento do IPI, comina-se a multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/1964 a ser exigida, por desígnio do § 8º do dispositivo em referência, conjuntamente com o imposto não lançado ou recolhido, ou isoladamente nos demais casos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. MULTA ISOLADA. FALTA DE LANÇAMENTO. Uma vez constatado o erro na classificação fiscal da mercadoria, caso constatada a falta de lançamento do IPI, cominase a multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/1964 a ser exigida, por desígnio do § 8º do dispositivo em referência, conjuntamente com o imposto não lançado ou recolhido, ou isoladamente nos demais casos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida, em negar provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 04 64 /2 01 0- 06 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13005.000464/201006 Acórdão n.º 3401005.205 S3C4T1 Fl. 186 2 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: "Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, em que foi constituído crédito no valor total de R$ 107.302,34, referente a multa isolada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64. A fiscalização deixou de lançar o IPI em virtude do contribuinte possuir saldo de crédito superior a este valor no período. 2. Segundo a Unidade (Relatório de Ação Fiscal de fls. 32/39), foi detectado erro na classificação fiscal e determinação da alíquota de IPI nas notas fiscais de saída do produto “resfriador de água”, cuja função é de resfriar a água utilizada na produção de massa de pão em padarias e confeitarias, tendo a empresa utilizado o código 8438.10.00, com alíquota zero, entendendo a fiscalização estar correta a classificação 8418.69.31, com alíquota de quinze por cento. 3. Cientificada em 17.05.2012 (AR fl. 121), a interessada apresentou, tempestivamente, em 15.06.2010, impugnação (fls. 122/126) na qual apresenta os seguintes argumentos: a) Requer o julgamento conjunto com o processo 13005.000016/201002, onde se discute o saldo credor de IPI do quarto trimestre de 2009; b) Entende que: “Do ponto de vista jurídicotributário, considerando a hierarquia das leis, inconstitucional a imposição de multa de oficio sobre a falta de lançamento do valor, total ou Parcial, do imposto sobre produtos industrializados IPI na respectiva nota fiscal, no caso de saldo credor no final do período, sem imposto a pagar, apurado pelo regime não cumulativo, por contrariar a Carta Magna, art. 153, § 3°, inciso II”; c) Tece comentários acerca da não cumulatividade do IPI, defendendo: “obedecendo a hierarquia das leis, mostrase que o lançamento e cobrança da multa isolada de 75%, por parte do Fisco Federal, contrariam os dispositivos legais do regime não cumulativo de IPI.”; Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13005.000464/201006 Acórdão n.º 3401005.205 S3C4T1 Fl. 187 3 d) “Como se vê, devido à dita infração de errônea classificação fiscal de mercadoria, a Fiscalização Federal reconheceu que o debito do imposto é inferior ao credito a favor da contribuinte, no mesmo período. Por isso, somente reduziu o saldo credor de IPI, aplicando o regime nãocumulativo.” e) “Ora, a Autoridade Fiscal, na expressão ‘não será cobrado’, está aplicando o regime nãocumulativo do IPI e reconhecendo que não há a falta do pagamento do imposto (IPI), e sim, redução do saldo credor, tornandose absurda a cobrança da multa isolada de 75%.”; f) Ao final, requer: “Diante do exposto, a Contribuinte requer à V. Excelências o seguinte: a) Em preliminar, seja feito o julgamento nas Instâncias Administrativas (DRJ e CARF), sobre a matéria da multa isolada de 75% (Lei nº 4502/64, art. 80) do presente processo, de forma conjunta com as matérias, do processo administrativo n° 13005.000016/201002; b) Em preliminar, declarar a inconstitucionalidade conforme fundamentos expostos no item ‘1.2’; e c) No mérito, considerando o regime nãocumulativo de IPI (CF/88, art. 153, § 30 , inciso II), seja dado provimento total a presente Impugnação, para declarar a nulidade da multa isolada de 75%" (seleção e grifos nossos). 2. Em 11/06/2013, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0126.457, situado às fls. 149 a 153 de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE LANÇAMENTO. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964 é claro quando prevê multa para “falta de lançamento” do IPI, estabelecendo no § 8º que a mesma será exigida junto com o imposto quando este não tiver sido lançado ou recolhido e isoladamente nos demais casos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. Impugnação Improcedente Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13005.000464/201006 Acórdão n.º 3401005.205 S3C4T1 Fl. 188 4 Crédito Tributário Mantido 3. A contribuinte foi intimada via postal em 12/07/2013, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 157 e, em 12/08/2013, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 159 a 171, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a seguinte ressalva. 5. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Assim, não merece conhecimento o recurso voluntário interposto neste particular, por se ressentir de competência material este colegiado. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13005.000464/201006 Acórdão n.º 3401005.205 S3C4T1 Fl. 189 5 8. Transcrevese, abaixo, trecho da decisão recorrida quanto às demais matérias devolvidas à cognição deste Conselho: "(...) 4. A impugnante requer que o presente julgamento seja feito em conjunto com o processo que analisa o direito creditório do último trimestre de 2009. Não se vê necessidade para tal. Conforme se observa nos autos, a própria Unidade lançadora já reconheceu a existência de crédito suficiente para que não fosse lançado o imposto decorrente do erro na classificação, não tendo qualquer decisão que venha a ser tomada no processo referente ao crédito influência sobre o presente litígio. 5. Diferente seria se neste processo tivesse sido lançado o IPI. Aí sim seria necessária a apreciação conjunta, uma vez que um possível reconhecimento de crédito no julgamento daquele processo influenciaria diretamente neste lançamento. (...) 9. A impugnante entende ser ilegal a exigência de multa de ofício quando não havia imposto a pagar em função da não cumulatividade do IPI. 10. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com as alterações das Leis nº 11.488, de 2007, prescreve: 'Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. .......... § 8o A multa de que trata este artigo será exigida: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I. juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II. isoladamente nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) ..........' (grifouse) 11. Vêse que o caput do dispositivo é bem claro quando pune com a aplicação da multa a 'falta de lançamento' do imposto, o que de fato ocorreu (mesmo porque a impugnante não contesta a mudança de classificação e alíquota feita pela fiscalização), estabelecendo no parágrafo 8º que a multa será exigida junto com o imposto quando este não tiver sido lançado ou recolhido e isoladamente nos demais casos, tal qual o presente, no qual inexiste imposto a ser lançado ou recolhido em decorrência da cobertura de créditos. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13005.000464/201006 Acórdão n.º 3401005.205 S3C4T1 Fl. 190 6 12. Assim, entendese estar correto o lançamento efetuado". 9. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental 10. Acrescese, ademais, que, em que pese a correta conclusão do julgador a quo pela desnecessidade do reconhecimento da conexão, o Processo Administrativo nº 13005.00001./201002 se encontra pautado para julgamento conjunto com o caso em análise e, nele, concluiu este colegiado que a mercadoria “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, restando, desta forma, equivocada a classificação adotada pela contribuinte recorrente e correta aquela atribuída pela autoridade fiscal. 11. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer parcialmente e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 190DF CARF MF
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