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Numero do processo: 12571.720116/2017-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/10/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TEC. TIPI. A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial.
Numero da decisão: 3301-006.932
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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NCM. TEC. TIPI. A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 01 16 /2 01 7- 20 Fl. 1756DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 01-19.265 - 3ª Turma da DRJ/BEL (fls 1734/1739 e seguintes): Trata-se de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 1499/1507, lavrado em 31/07/2017, com ciência da contribuinte em 03/08/2017 (fl. 1527), totalizando o crédito tributário de R$ 10.757.591,44, sendo R$ 4.973.251,78 de imposto, R$ 2.054.400,91 de juros calculados até 07/2017 e R$ 3.729.938,75 de multa proporcional. Segundo a descrição dos fatos de fls. 1500/1501, o estabelecimento equiparado a industrial deu saída a produto tributado, no período de janeiro/2013 a dezembro/2014, com lançamento a menor do imposto, por erro de classificação fiscal e alíquota menor. A fiscalização discorre sobre a irregularidade no relatório de ação fiscal de fls. 1508/1522, da seguinte forma: - a fiscalizada é estabelecimento equiparado a industrial porque importa e revende, no mercado interno, DVRs (Digital Vídeo Recorder); - a contribuinte apresentou a Solução de Consulta COANA nº 219//2015, na qual, como consulente, sustenta que os DVRs por ela importados deveriam ser classificados no código NCM 8521.90.10, entretanto, a Solução de Consulta classificou os DVRs no código 8521.90.90; - a empresa informou possuir sentença judicial com decisão que lhe é favorável, oriunda do processo 502952784.2015.4.04.7000/PR, em que questiona a classificação tarifária correta (NCM) dos DVRs; tal sentença abrange os DVRs cuja classificação foi tratada na Solução de Consulta COANA nº 219/2015; - a Receita Federal lavrou autos de infração de II e IPI vinculado à importação, relativos aos produtos importados com classificação fiscal errada; lançou com exigibilidade suspensa, em relação aos produtos abrangidos pela sentença judicial, e sem suspensão da exigibilidade, para os produtos não abrangidos; - o presente lançamento refere-se a outro fato gerador do IPI, a revenda dos DVRs no mercado interno; - a sentença judicial favorável à autuada somente obriga a RFB a aceitar a classificação fiscal dos DVRs na TEC 8521.90.10 nos processos de importação, ou seja, durante o procedimento aduaneiro; não é dirigida para a tributação de IPI sobre a venda de produtos no mercado interno; - a petição inicial da ação judicial trata de classificação fiscal utilizada nas importações e a consequente tributação, e em nenhum momento, a petição inicial trata de tributação dos produtos comercializados no mercado interno; - os pedidos apresentados na ação judicial definem o seu objeto; de acordo com os pedidos formulados pela própria fiscalizada, se o Fisco efetuar lançamentos fora do âmbito das importações, que é exatamente o que o presente auto de infração está efetuando, estes não estariam sujeitos à anulação, ou seja, o presente lançamento de IPI está fora do âmbito dos pedidos efetuados pela contribuinte na sua ação judicial; - tanto a petição inicial como a sentença utilizam o termo TEC, que significa Tarifa Externa Comum; embora a TEC tenha base na NCM, não se confunde com a Tabela de Incidência do IPI (TIPI), e seu uso é exclusivo nas operações internacionais, não tendo sentido no mercado interno; - mesmo que se considere que a sentença fosse dirigida para a tributação dos produtos no mercado interno, de acordo com a sentença judicial, ela não abrange os produtos importados até 28/08/2013; - a classificação fiscal dos DVRs importados é no código 8521.90.90 como bem fundamentado na Solução de Consulta COANA nº 219/2015; Fl. 1757DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Considerando-se a diferença de alíquota de IPI de 5% para 15%, foi realizada a apuração e lançamento do imposto em relação às revendas, no mercado interno, dos DVRs importados. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou, em 30/08/2017, a impugnação de fls 1533/1562, alegando, em síntese, que: - a impugnante importa para comercialização produtos classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM sob nº 8521.90.10, porém, diante de entendimento diverso da fiscalização surgido no ano de 2013, que passou a considerá-lo como sujeito à posição NCM nº 8521.90.90, procedeu-se à Consulta nº 15165.722814/2013-16 por esta contribuinte, cuja solução acabou adotando o posicionamento defendido pelo Fisco, qual seja o entendimento de que a posição NCM aplicável seria a de número 8521.90.90; - inconformada com a solução de consulta adotada, a ora impugnante obteve judicialmente o reconhecimento definitivo de classificar todos os produtos que importa e que tenham as funcionalidades de edição descritas na petição inicial sob a posição NCM nº 8521.90.10; - ao contrário do que se afirma no relatório fiscal da autuação em tela, a decisão judicial favorável à impugnante transitou em julgado para o Fisco, haja vista que a Fazenda Nacional, tendo sido dela intimada, não interpôs nenhum recurso, tendo renunciado ao prazo para o fazer, dando ensejo à aplicação das disposições dos artigos 502 e 507 do Código de Processo Civil; - surpreendentemente, assim, o que se extrai da autuação fiscal é a afirmação de que, na importação, os produtos internados para comercialização pela impugnante são, por força de decisão judicial, os da NCM nº 8521.90.10; porém, quando da venda desses mesmos produtos para o mercado interno, eles se transmudariam para a NCM nº 8521.90.90, posto que, segundo o entendimento da fiscalização, a decisão judicial só alcançaria as operações de importação e não as operações subsequentes, quando, porém, ao inverso, a demanda versou sobre a classificação fiscal da mercadoria, independentemente se na fase de sua entrada ou saída; - a sentença, proferida em 19 de maio de 2016, ratificou as liminares previamente concedidas, reconhecendo, assim, o direito da impugnante de ver classificada na posição NCM nº 8521.90.10 toda e qualquer mercadoria, que no caso dos equipamentos importados pela empresa promovem edição tanto de imagem quanto de som, ao contrário do que erroneamente pretende fazer crer a fiscalização quando afirma que tais equipamentos realizam somente backup, cujas características estão aludidas nos laudos anexos aos autos, sejam relativas às importações já realizadas, bem como às importações futuras; - o Fisco, ao pretender alterar o critério jurídico de classificação, jamais o poderia fazer para as operações passadas, de maneira que autuação fiscal ora impugnada, ao assim ter procedido, haverá de ser cancelada; - o STJ entendeu que a aplicação de alíquota pelo importador diversa daquela posteriormente aceita como válida pela autoridade fiscal não pode ser objeto de posterior auto de infração fiscal; - a classificação fiscal adotada pela impugnante para os equipamentos que importa e posteriormente revende ao mercado interno, qual seja a constante da posição específica TEC “8521.90.10 – Gravador- reprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético”, está correta e não pode ser outra diversa para o enquadramento na TIPI, por ser esta a descrição mais precisa e específica existente, estando o critério de classificação adotado pela impugnante em perfeita sintonia com a NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias estabelecidas pela Instrução Normativa SRFB no 157, de 10 de maio de 2002). Por fim, requereu o recebimento e processamento da presente impugnação, julgando-a procedente, seja por decorrência da nulidade da autuação em razão da inépcia suscitada Fl. 1758DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 preliminarmente, seja pela adequação da NCM utilizada pela impugnante para fins de obtenção da alíquota prevista na TIPI. Posteriormente, em 23/10/2017, a impugnante requereu a juntada dos documentos de fls. 1683/1733, que comprovam o trânsito em julgado da ação judicial em 04/10/2017. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/10/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TEC. TIPI. A Tarifa Externa Comum (TEC) e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) têm como base a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), havendo uma equivalência na classificação fiscal a ser adotada para a apuração do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O presente processo foi encaminhado a este CARF, em face de recurso de ofício (fl. 1739), e a mim distribuído em decorrência de Despacho Judicial constante da fl. 1749 e seguintes, da qual transcrevo o decidendum: Decido. Pretende a parte autora o cumprimento da obrigação de fazer imposta na sentença de evento 58, integrada pela decisão de evento 77, que reconheceu "o direito da parte autora de classificar na posição TEC n° 8521.90.10 os equipamentos especificados nesta demanda e dos que vierem a ser importados no futuro que tenham a funcionalidade da edição, sendo compreendida a opção de simples corte, mesmo corte seco, ou ainda colagem, retoque ou alteração de cores, sem necessidade de que alterem as informações gravadas, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles" e determinou "que a ré se abstenha de reclassificar os produtos que a autora venha a importar (futuros), e desde que eles sejam equipamentos de gravação/ reprodução de som e imagem e cujos modelos foram abordados pelos laudos anexados aos autos (evento1, lau10, 17 e 18), de forma a manter, sobre eles, a NCM 8521.90.10, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles". Comprovado o cumprimento temporâneo de parte substancial da determinação proferida neste feito (com a extinção de seis dos PAFs apontados), restam dois PAFs em que se discute a extensão da coisa julgada material formada no presente feito e o enquadramento das mercadorias no presente título judicial e um Arrolamento de Bens decorrente dos referidos PAFs. Pleiteia a autora a extinção de todos os processos mencionados, uma vez que não haveria dúvidas de que as mercadorias alvo de autuação nos PAFs nº 12571.720116/2017-20 e nº 15165.722.365/2016-59 estão abarcadas pelo presente Fl. 1759DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 título, o que, por consequência, gera a extinção do Processo de Arrolamento de Bens nº 15165.722.639/2016-18. Com razão a parte autora. De fato, quanto ao PAF nº 12571.720116/2017-2, não há qualquer razoabilidade em pretender que, no momento da importação, os produtos estejam abarcados pela decisão proferida nestes autos e sejam classificados na posição TEC n° 8521.90.10, e, no momento de sua venda no mercado interno, passem para a NCM nº 8521.90.90. Não há modificação em sua natureza que autorize uma tal transmutação, sendo que, de fato, a presente demanda debruçou-se sobre a classificação fiscal das mercadorias discutidas, indiferente a fase de entrada ou de saída, não cabendo o estreitamento da coisa julgada material formada, em prejuízo da parte autora. Ora, não há, assim, sequer dúvidas administrativas a este respeito, devendo ser imediatamente extintos os PAFs no. 12571.720116/2017-20 e no. 15165.722.365/2016- 59, em respeito à coisa julgada material formada no presente feito, e o Processo de Arrolamento de Bens no. 15165.722.639/2016-18, em consequência. Intimem-se. 2. Decorrido o prazo preclusivo da presente decisão, intime-se a União-FN para que, no prazo de 5 (cinco) dias, comprove, nestes autos, ter dado total cumprimento à decisão prolatada neste feito, com a extinção dos PAFs no. 12571.720116/2017- 20 e no. 15165.722.365/2016-59 e do Processo de Arrolamento de Bens no. 15165.722.639/2016-18. Uma vez que foi confirmado o descumprimento da obrigação fixada nestes autos, será devida, imediatamente após o decurso do prazo fixado supra, a multa fixada no item 1 da decisão de evento 216, que majoro ao valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), em vista da clara reticência da parte ré no cumprimento da determinação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O presente processo, conforme consta do Relatório, chegou a este CARF em razão de Recurso de Ofício e a esta turma, em virtude de determinação judicial. Na decisão de piso, conclui-se que a contribuinte tem o direito de adotar a classificação fiscal que pleiteia em razão de decisão judicial transitada em julgado. Reproduzo essa decisão: A fiscalização lavrou o auto de infração por ter entendido que a contribuinte, após importar, revendeu no mercado interno, no período de janeiro/2013 a dezembro/2014, a DVRs (Digital Vídeo Recorder) com erro de classificação fiscal e alíquota menor. Segundo a auditoria, a classificação fiscal correta, inclusive confirmada na Solução de Consulta COANA nº 219/2015, seria no código 8521.90.90 da TIPI, e não no código 8521.90.10 utilizado pela autuada. O autuante afirma ainda, que a contribuinte está amparada em decisão judicial que contempla somente as operações de importação, não abrangendo a revenda dos produtos no mercado interno. Por seu lado, a impugnante sustenta que a sentença judicial em favor da classificação fiscal que adota, transitou em julgado e ampara o procedimento efetuado nas revendas no mercado interno, dos DVRs importados. Neste contexto, deve-se esclarecer que não há controvérsia em relação às operações realizadas pela empresa, ou seja, a autuada deu saída, no mercado interno, a DVRs por ela importados, utilizando a classificação no código 8521.90.10 da TIPI. Fl. 1760DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Em relação à correta classificação fiscal dos produtos, também não há o que se discutir. Do ponto de vista administrativo, considerando-se a Solução de Consulta COANA nº 219/2015, da qual a autuada é consulente, não há dúvidas de que a classificação fiscal admitida é no código 8521.90.90 da TIPI. Por outro lado, também não há dúvida de que a sentença judicial transitou em julgado (vide documentos de fls. 1683/1733), e que o Poder Judiciário entendeu que a classificação correta para os produtos é no código NCM 8521.90.10. Dessa forma, a solução da lide concentra-se na determinação da extensão dos efeitos da sentença judicial. Caso se entenda que a sentença não contempla as operações de revenda no mercado interno, cabe ao julgador administrativo adotar a classificação fiscal indicada na Solução de Consulta. Em contrapartida, se o entendimento for no sentido de que a sentença abrange as operações objeto do lançamento fiscal, então há que se submeter ao entendimento do Poder Judiciário, pois este afasta a apreciação da matéria questionada dos órgãos julgadores administrativos. Inicialmente, deve-se discorrer sobre a TEC (Tarifa Externa Comum) e a TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados). A fiscalização defende que a ação judicial impetrada pela contribuinte refere-se exclusivamente à TEC, e por isso, tem por escopo, exclusivamente, as operações de importação. Ainda que se concluísse que a demanda judicial se referia somente à TEC, a tese da fiscalização não se sustenta. A TEC tem como base a NCM (Nomenclatura Comum do MERCOSUL), que também é a mesma base da TIPI. A classificação fiscal adotada na TEC, tem equivalência direta na TIPI. Desse modo, na operação de importação, a classificação fiscal adotada na TEC para apurar o imposto de importação deve ser a mesma classificação a ser adotada na TIPI, para apurar o IPI vinculado à importação. No caso concreto, a sentença judicial estabeleceu que a classificação correta dos DVRs importados é no código 8521.90.10 da TEC. Conseqüentemente, a classificação fiscal na TIPI, para cálculo do IPI vinculado à importação, é no código 8521.90.10 da TIPI, o que a própria fiscalização reconhece. Portanto, já de início, não procede a alegação da auditoria de que a sentença judicial abrange somente a classificação fiscal do produto na TEC. O que pretende a fiscalização é uma desvinculação entre a classificação fiscal na importação e na operação de revenda no mercado interno. Tal desvinculação afrontaria toda a sistemática de classificação dos produtos. Tratando-se de simples revenda, não há alteração no produto, e por conseqüência, não há alteração na classificação fiscal do produto na TIPI. A determinação judicial de classificar o produto no código 8521.90.10 da TEC, tem como conseqüência lógica, a classificação do produto no código 8521.90.10 da TIPI. Processo 12571.720116/2017-20 Acórdão n.º 14-76.135 DRJ/RPO Fls. 6 6 Do que foi discorrido, já é possível concluir pela improcedência do lançamento, pois o produto não poderia ser classificado na TIPI de uma forma na importação, e ter, posteriormente, a classificação modificada na revenda no mercado interno. Porém há outro aspecto relevante a ser analisado. Na parte dispositiva da sentença, o Exmo. Juiz assim determinou (vide fl. 1710): “b) determinar que a ré se abstenha de reclassificar os produtos que a autora venha a importar (futuros), e desde que eles sejam equipamentos de gravação/ reprodução de som e imagem e cujos modelos foram abordados pelos laudos anexados aos autos (evento1, lau10, 17 e 18), de forma a manter, sobre eles, a NCM 8521.90.10, sem prejuízo das obrigações tributárias acessórias e, ainda, do direito de o Fisco realizar a regular fiscalização sobre eles” Como se pode notar, a sentença determina que a Receita Federal se abstenha de reclassificar o produto, de forma a manter a NCM 8521.90.10. Note-se que a determinação refere-se à NCM, e não à TEC. Na TIPI, a classificação fiscal equivalente é no código 8521.90.10. Fl. 1761DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.932 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12571.720116/2017-20 Sendo assim, não há como acatar a tese do autuante. A decisão judicial, transitada em julgado, abrange a classificação fiscal dos DVRs, não somente nas operações de importação, como também nas revendas no mercado interno. Assim, considerando-se que o entendimento judicial expendido nas decisões proferidas são imutáveis, há que se cancelar o lançamento efetuado. Ante o exposto, VOTO por julgar procedente a impugnação, ressalvando-se que a presente decisão está sujeita ao recurso de ofício. Conforme se consignou na decisão de piso, não há dúvida de que a sentença judicial transitou em julgado e que o Poder Judiciário entendeu que a classificação correta para os produtos é no código NCM 8521.90.10. Em face do exposto, proponho manter integralmente a decisão de piso, pelos seus próprios fundamentos, e voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1762DF CARF MF

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Numero do processo: 10831.724290/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Classificação Fiscal Período de apuração: 2006 a 2010 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DECLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-003.147
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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TERCEIRA HIPÓTESE DECLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.367 2 Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Adota-se o Relatório da Resolução nº 3301000.239, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (constante das fls. 2263 a 2270), nos seguintes termos: Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: "A impugnante promoveu o registro das declarações de importação relacionadas nas fls. 06 a 17 do auto de infração submetendo a despacho mercadorias descritas como: 'transponder óptico para sistema dwdm 10 GBPS para telecomunicação', doravante 'módulo 10G', classificando na NCM 8541.50.20. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta é a NCM 8517.90.99 até 31/12/06 e a NCM 8517.70.99 a partir de 01/01/07. Baseou-se a fiscalização nos Laudos de Assistência Técnica nº 19814/018/2009 de Julho de 2009, fl. 584 e sua Adição de Outubro de 2009, fl. 617 e no Laudo nº 10831/03/2010, fl. 674 e em seu Aditamento, fl. 820, ambos realizados por peritos credenciados pela Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos. Foram lançados pelo presente auto de infração as diferenças de II, IPI, PIS/Importação e Cofins/Importação, multas por classificação fiscal incorreta além de juros de mora e multas de ofício. A autuação totalizou o valor de R$ 12.845.765,67. Intimada do Auto de Infração em 29/06/2011 (fl. 1202), a interessada apresentou impugnação e documentos em 29/07/2011, juntados às fls. 1229 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que o auto de infração é “obscuro”, não possui “coerência interna” e e caracteriza como uma “colcha de retalhos”. 2. Alega que o produto importado , apesar de ser tecnicamente chamado de transponder é de fato um transceiver. Alega que esse transceiver é um dos componentes do transponder comercializado pela impugnante. Alega que o transceiver tem como função converter o sinal elétrico em luz coerente em comprimento de onda definido e vice versa. 3. Alega preliminarmente que ocorreram erros por parte da fiscalização na autuação com a inclusão de produtos diferentes do objeto de reclassificação 'transponder'. Alega que mais de 20% dos produtos importados não são “Módulo 10G”, o que significaria mais de 3000 itens. Alega que ocorreu erro de direito. Cita doutrina sobre o tema. Cita doutrina sobre a motivação do ato administrativo. Cita jurisprudência administrativa sobre reclassificação fiscal. 4. Alega que, em decorrência da inclusão de produtos na autuação distintos do Módulo 10G, ocorreu erro na determinação da base de cálculo. 5. Questiona a validade do laudo de assistência técnica pois não foi emitida a ART conforme Resolução CONFEA nº 1025/09. Alega que foram utilizadas conclusões de outros dois laudos emitidos anteriormente à esta fiscalização e com objetivos diferentes, configurando prova emprestada. Alega que o lançamento não pode basear-se exclusivamente em prova emprestada. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Reafirma que a autuação não possui coerência interna e que é confusa, sendo portanto nula. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.368 3 6. Alega que o produto importado, Módulo 10G, tem uma parte (função essencial) que converte sinais elétricos em sinais ópticos (luz coerente) e outra parte (função acessória) que converte sinais ópticos em elétricos. Alega que o Módulo 10G é utilizado para compor os produtos Transponder, Muxponders e Combiners, na forma de placas de circuito impresso montadas. Alega que a citada função principal é realizada pelo “módulo Laser”. Faz citações dos laudos indicando que o módulo 10G possui função própria independente do produto ao qual é acoplado. Cita que o equipamento é utilizado por diversas empresas em aplicações distintas, como em “analisadores digitais de transmissão”. Alega que essa aplicação não se caracteriza como processo de comunicação, afastando a premissa da fiscalização. Alega que a fiscalização interpretou incorretamente a nota 2 a) do Capítulo 90. Alega que a fiscalização considerou que as partes de aparelhos dos capítulos 84, 85, 90 ou 91 devem seguir a classificação dos aparelhos. Cita as NESH alegando que o módulo 10G seria classificado em outra posição do Capítulo 85 que não a indicada pela fiscalização. Cita as Notas da Seção XVI, notadamente a nota 2 a). Alega violação à Regra de Classificação 3 a). 7. Reforça a afirmação de que outros produtos que não o módulo 10G foram erroneamente incluídos na autuação. 8. Alega ser incabível a multa por erro na classificação fiscal. Afirma que a fiscalização não indicou especificamente qual a conduta praticada que gerou a tipificação. Afirma que os bens estavam descritos com elementos suficientes para a correta classificação fiscal. 9. Peticiona pela realização de perícia complementar indicando assistente pericial e quesitos. 10. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares alegadas e/ou no mérito seja julgada improcedente a autuação fiscal. Tendo em vista as manifestações dos itens 3 e 7, foi realizada a diligência de fls. 1781 a 1783 para apuração da eventual inclusão na autuação de itens diferentes do transceiver – módulo 10G. Intimada a apresentar uma relação dos itens que estariam erroneamente incluídos na autuação, a impugnante limitou-se a apresentar uma lista amostral, não se manifestando sobre todos os itens lançados. A fiscalização elaborou então uma planilha com todos os itens autuados e seu parecer sobre a inclusão ou não na autuação e encaminhou à impugnante para manifestação. Não houve resposta da impugnante. Novamente intimada a impugnante alegou a nulidade do auto de infração e indicou divergências de valores de alguns itens. A fiscalização novamente intimou a impugnante para confirmar se haveriam outras indicações errôneas de valores. A impugnante afirmou que poderiam haver outros erros, mas não indicou quais. A fiscalização reexaminou a planilha de valores e afirmou que não foram encontradas novas divergências. Finalmente a fiscalização intimou a impugnante da planilha definitiva para que esta se manifestasse antes do retorno do processo a esta DRJ. A impugnante apenas sustentou que a autuação seria nula. O processo retornou então para julgamento.' Ao analisar referida impugnação, a 24ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 16-61.519, de 17/09/2014, acatando parcialmente a impugnação, cuja ementa transcreve-se abaixo: 'ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto importado caracterizado como um transceiver e descrito como módulo 10G, utilizado na produção do produto final transponder, com as características técnicas deste processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 8517.90.99 até 31/12/2006 e na NCM 8517.70.99 a partir de 01/01/2007. Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.369 4 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão do limite de alçada imposto pela Portaria MF nº 03/2008, foi apresentado recurso de ofício ao CARF." Cumpre esclarecer que, por ocasião da lavratura dos autos de infração, foi aberto o processo administrativo nº 11829.720003/201115 para acompanhamento do lançamento fiscal e controle dos créditos tributários. Portanto todo o acórdão recorrido faz referência somente ao processo acima citado. Após cientificar o contribuinte da referida decisão, e não tendo sido apresentado o recurso voluntário, o serviço de arrecadação da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, por meio do despacho de fl. 4, separou os débitos do processo de origem, 11829.720003/201115, em duas partes. A parte referente ao recurso de ofício ficou no processo original e a parte restante no presente processo. Após apresentar ao sujeito passivo a cobrança final do crédito, com fins de encaminhamento para inscrição na Dívida Ativa da União, este apresentou o recurso voluntário que está sendo apreciado neste momento. No recurso voluntário, o contribuinte apresenta uma série de argumentações a respeito da tempestividade do seu recurso. Além disto faz um longo arrazoado para tentar demonstrar que a sua classificação fiscal estaria correta e que a fiscalização e a DRJ erraram na análise dos fatos. Em apertada síntese alega que o acórdão recorrido ignorou completamente o Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), sendo que o Módulo 10G importado possui funcionalidade própria, fato este que comprovaria a correta classificação fiscal adotada quando de sua importação. Em 23 de fevereiro de 2016, a 1ª Turma Ordinária da da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 3301000.239, decidiu por maioria pelo conhecimento do recurso voluntário, entendendo pela sua tempestividade (cf. fl. 2266), e propôs diligência para que este processo fosse encaminhado ao Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam), para emissão de parecer sobre a classificação fiscal do produto em discussão (fl. 2270). Na Informação Fiscal Coana/Ceclam nº 1 de 2016, de 8 de abril de 2016 (fls. 2273 a 2278), conclui-se que : 29. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1 (Nota 2 a) da Seção XVI e texto da posição 85.17), RGI 6 (textos da subposição de primeiro nível 8517.6 e da subposição de segundo nível 8517.62) e RGC-1 (textos do item 8517.62.5 e do subitem 8517.62.59) constantes da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n.º 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n.º 7.660, de 2011, o transponder eletro-óptico para sistema DWDM 10 Gbps, também conhecido como módulo 10G classifica-se no código NCM 8517.62.59. 30. Ressalte-se que tal classificação tem validade a partir de 1 de janeiro de 2007, sendo que anteriormente a esta data o produto classificava-se na NCM 8517.50.99. (grifos nossos) Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.370 5 É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário, conforme se entendeu na Resolução nº 3301000.239, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Tendo em conta que na Informação Fiscal Coana/Ceclam nº 1, de 2016, elaborada em decorrência da diligência determinada neste processo, concluiu-se que a classificação correta do módulo 10G é o código NCM 8517.50.99 (até 31/12/2006) e NCM 8517.62.59, (a partir de 2007), entendo que são essas as classificações corretas. Colaciono observações constantes dos Memoriais da recorrente (fl. 2355): "Importante observar que, a COANA é a maior autoridade no país para sanear dúvidas sobre a classificação fiscal e seus pareceres são vinculantes para a administração tributária aduaneira." Cumpre lembrar a classificação adotada pelo contribuinte: 8541.50.20; e também a constante do auto de infração: 8517.90.99 (até 31/12/2006) e 85.17.70.99 (a partir de 2007). Dessarte, ainda que seja visível o erro cometido pela recorrente, ainda que a correta classificação se aproxime muito mais daquela adotada pela Fiscalização, a classificação da recorrente não foi correta e tampouco foi adequada a classificação adotada pela autoridade fiscal. A invalidade da classificação atribuída pelo Fisco torna improcedente o auto de infração, diante da impossibilidade de modificação da fundamentação do lançamento. No mesmo sentido ora adotado, segue a jurisprudência: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001 ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. Presentes os elementos de fato necessários ao julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia. Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 10831.724290/2014-65 Acórdão n.º 3301-003.147 S3-C3T1 Fl. 2.371 6 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decreto-lei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso voluntário provido (Acordão nº 3202001.403 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária). Consequentemente, sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Liziane Angelotti Meira - Relatora Fl. 2378DF CARF MF

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Numero do processo: 10314.720037/2015-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011 DIREITOS ANTIDUMPING . CALÇADOS DA CHINA. ESCOPO. Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estavam, em regra, sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS E DIREITOS ANTIDUMPING. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. AFRONTA À SEGURANÇA JURÍDICA. Considerando que no caso específico aqui analisado as mercadorias do contribuinte passaram por uma detalhada análise acerca da sua correta classificação fiscal e sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping, tendo a fiscalização concluído, após a realização de vistoria técnica, pela necessidade de reclassificação fiscal do NCM inicialmente adotado pelo contribuinte (6402) para o NCM 6401.99.90, inclusive com a cobrança de multa em razão da errônea classificação fiscal, conclui-se que a posterior lavratura de auto de infração indicando que o enquadramento correto seria no NCM 6402.99.90, ao invés do NCM 6401.99.90, representa mudança de critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica que deve nortear as relações entre Fisco e contribuinte. Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação fiscal diversa daquela indicada no NCM 6401.99.90, indicado anteriormente pela própria fiscalização, em procedimento de análise detida e cautelosa, como sendo o NCM correto, não há como subsistir a cobrança de direitos antidumping, que devem ser aplicados apenas aos calçados classificados nas posições 6402 a 6405.
Numero da decisão: 3301-004.043
Decisão: Recurso Voluntário Provido Por voto de qualidade, deu-se provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Redatora designada, Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora), Larissa Nunes Girard, Semiramis de Oliveira Dura e Marcos Roberto da Silva que negavam provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Redatora Designada Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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3301­004.043  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de agosto de 2017  Matéria   DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE  SALVAGUARDAS COMERCIAIS   Recorrente  CROCS BRASIL COMERCIO DE CALCADOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011  DIREITOS ANTIDUMPING . CALÇADOS DA CHINA. ESCOPO.   Calçados  classificados  nas  posições  6402  a  6405  da NCM  e  originários  da  República  Popular  da  China  estavam,  em  regra,  sujeitos  ao  pagamento  de  direito  antidumping  à  alíquota  específica  fixa  de  US$  13,85  por  par,  nos  termos da Resolução Camex n° 14/2010.   CLASSIFICAÇÃO  DE  MERCADORIAS  E  DIREITOS  ANTIDUMPING.  MUDANÇA  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  AFRONTA  À  SEGURANÇA  JURÍDICA.  Considerando  que  no  caso  específico  aqui  analisado  as  mercadorias  do  contribuinte  passaram  por  uma  detalhada  análise  acerca  da  sua  correta  classificação fiscal e sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping,  tendo  a  fiscalização  concluído,  após  a  realização  de  vistoria  técnica,  pela  necessidade  de  reclassificação  fiscal  do  NCM  inicialmente  adotado  pelo  contribuinte  (6402)  para  o  NCM  6401.99.90,  inclusive  com  a  cobrança  de  multa  em  razão  da  errônea  classificação  fiscal,  conclui­se  que  a  posterior  lavratura de auto de infração indicando que o enquadramento correto seria no  NCM  6402.99.90,  ao  invés  do  NCM  6401.99.90,  representa  mudança  de  critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica que deve nortear as  relações entre Fisco e contribuinte.  Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação  fiscal diversa daquela indicada no NCM 6401.99.90, indicado anteriormente  pela  própria  fiscalização,  em  procedimento  de  análise  detida  e  cautelosa,  como  sendo  o  NCM  correto,  não  há  como  subsistir  a  cobrança  de  direitos  antidumping, que devem ser aplicados apenas aos calçados classificados nas  posições 6402 a 6405.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 37 /2 01 5- 62 Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.557          2 Recurso Voluntário Provido  Por voto de qualidade, deu­se provimento ao Recurso Voluntário, nos termos  do voto da Redatora designada, Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, vencidos  os  Conselheiros  Liziane  Angelotti  Meira  (Relatora),  Larissa  Nunes  Girard,  Semiramis  de  Oliveira Dura e Marcos Roberto da Silva que negavam provimento.     (ASSINADO DIGITALMENTE)  José Henrique Mauri ­ Presidente Substituto.     (ASSINADO DIGITALMENTE)  Liziane Angelotti Meira­ Relatora.    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Redatora Designada  Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros  José Henrique  Mauri  (Presidente  Substituto),  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  Marcelo  Costa  Marques  D’Oliveira,  Liziane  Angelotti  Meira,  Valcir  Gassen,  Larissa  Nunes  Girard  (suplente  convocada),  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  e  Marcos  Roberto  da  Silva  (suplente  convocado).      Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida  (fls. 2408/2426), abaixo transcrito:  Trata­se  de  Auto  de  Infração,  lavrado  em  07/01/2015,  para  formalizar  o  lançamento  da  diferença  de  direitos  antidumping  não  recolhidos  nas  operações  de  importação,  registradas  no  período de 04/01/2011 a 10/05/2011, de calçados originários da  República  Popular  da  China,  acrescidos  de  multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  devidos  pela  classificação  incorreta  na  posição  6401  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  (NCM)  e  interpretação  incorreta  das  exceções  da  NCM  6402.20.00,  conforme previsto na Resolução Camex nº 14, de 2010, e no art.  717, inciso II e § 2º, no art. 788, §§ 1º a 3º, e no art. 789, todos  do Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), no valor  total  apurado  de  R$  14.402.790,81  (quatorze  milhões,  quatrocentos e dois mil, setecentos e noventa reais e oitenta e um  centavos).  Em  síntese,  segundo  a  fiscalização,  com  o  intuito  de  fugir  do  recolhimento  dos  direitos  antidumping,  as  mercadorias  Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.558          3 importadas – calçados de diversos modelos da marca CROCS –  foram assim classificadas na NCM:  Posição 6401 – “Calçados impermeáveis de sola exterior e parte  superior  de  borracha  ou  plásticos,  em  que  a  parte  superior  não  tenha  sido  reunida  à  sola  exterior  por  costura  ou  por  meio  de  rebites, pregos, parafusos, espigões ou dispositivos semelhantes,  nem  formada  por  diferentes  partes  reunidas  pelos  mesmos  processos”, mais especificamente na posição  6401.99.90 (“Outros; Outros”);  NCM  6402.20.00  –  “Calçados  com  parte  superior  em  tiras  ou  correias, fixadas à sola por pregos, tachas, pinos e semelhantes”.  No caso dos calçados classificados na NCM de Posição 6401, o  contribuinte  fez  uso  de  uma  caracterização  equivocada  de  seus  produtos  para  enquadrá­los  nessa  posição,  que  o  exime  do  pagamento de direitos antidumping , conforme descrito a seguir.  Segundo o relato da fiscalização, a maioria dos calçados CROCS  importados  classificados  na  posição  6401.99.90  –  calçados  relacionados  na  Tabela  01  –  deveria  ser  classificada  na  NCM  6402.99.90  (“Outros  Calçados  com  Sola  Exterior  e  Parte  Superior  de  Borracha  ou  Plásticos;  Outros  Calçados;  Outros;  Outros”),  com  pagamento  de  direitos  antidumping  à  alíquota  específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares estadunidenses e  oitenta  e  cinco  centavos  por  par),  nos  termos  da  Resolução  Camex  n°  14/2010,  pois  tais  produtos  não  se  enquadram  na  descrição  de  “CALÇADOS  IMPERMEÁVEIS”,  conforme  a  descrição  das  Notas  Explicativas  (NESH)  da  posição  6401,  e  “NÃO SE CONSTITUEM EM PEÇA INTEIRIÇA, EM RAZÃO  DE HAVER ALÇA ENCAIXADA À PARTE SUPERIOR DOS  CALÇADOS”,  em  concordância  com  a  Nota  Técnica  044/2013/CGAS/DECOM/SECEX, que trata de produto similar.  Outrossim,  alguns  modelos  específicos  de  calçados  CROCS,  também  classificados  incorretamente  na  NCM  6401.99.90  –  calçados relacionados na Tabela 02 – deveriam ser classificados  na NCM 6404.19.00 (“Calçados com Sola Exterior de Borracha,  Plásticos,  Couro  Natural  ou  Reconstituído  e  Parte  Superior  de  Matérias Têxteis; ­Calçados com sola exterior de borracha ou de  plásticos;  ­­Outros”),  com  pagamento  de  direitos  antidumping  .  Alguns desses modelos  tampouco são  impermeáveis nos termos  das Notas Explicativas (NESH) da posição 6401, pois são abertos  atrás,  bem  como  não  possuem  a  parte  superior  constituída  de  borracha ou plástico. Outros modelos, embora fechados atrás ou  em  formato  de  botas,  também  não  possuem  a  parte  superior  constituída de borracha ou plástico – característica essencial para  classificá­los na NCM 6401.99.90.  Por  sua  vez,  no  caso  dos  calçados  classificados  na  NCM  6402.20.00 – relacionados na Tabela 03 – embora a classificação  adotada  esteja  correta,  o  contribuinte  fez  uma  interpretação  equivocada das exceções de pagamento dos direitos antidumping  previstas na Resolução Camex nº 14/2010, visto que os calçados  Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.559          4 são  constituídos  de  PLÁSTICO,  conforme  Laudo  Pericial  apresentado  pelo  próprio  contribuinte,  e  não  de  borracha  –  estendendo  essa  excludente  para  seus  produtos  e  deixando  de  recolher os valores devidos.  Regularmente  cientificado  da  autuação  por  intimação  postal,  o  importador  apresentou,  em  12/02/2015,  impugnação  alegando,  em síntese, o que segue.  Após breve introdução, o impugnante faz um histórico dos fatos,  afirmando que classificava (praticamente) todos os seus modelos  na  posição  6402  da  NCM  até  o  registro  da  Declaração  de  Importação  (DI)  nº  09/1306574­3,  quando  tomou  ciência  de  exigência feita pela fiscalização aduaneira, em 02/10/2009, para  o  recolhimento  de  direitos  antidumping  na  importação  de  calçados  de  diversos  modelos  da  China,  na  vigência  da  Resolução nº 48/2009 da Câmara de Comércio Exterior (Camex),  publicada  em  08/09/2009,  que  aplicava  direito  antidumping  provisório,  por  até  6  meses,  nas  importações  brasileiras  de  calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM, a ser  recolhido  sob  a  forma  de  alíquota  específica  fixa  de  US$  12,47/par.  Anteriormente, já preocupado com as consequências de eventual  equívoco  na  interpretação  das  regras  de  aplicação  do  direito  antidumping  ,  desde  a  época  das  investigações  iniciadas  com  a  publicação  da  Circular  Secex  nº  95/2008,  o  impugnante  havia  feito  duas  solicitações  ao  Ministério  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior  (MDIC)  e,  logo  depois  da  exigência  fiscal,  fez  outra  petição  dirigida  à  Camex,  obtendo  finalmente  como  resposta  a  Nota  Técnica  nº  109/2009,  a  qual  informa expressamente que seus produtos, por serem injetados e  impermeáveis,  estão  classificados  na  posição  6401  e,  portanto,  naturalmente fora do campo de aplicação do direito antidumping.  De posse da referida Nota Técnica, solicitou a retificação da DI  nº  09/1306574­3  a  fim  de  corrigir  a  classificação  fiscal  dos  calçados, passando da NCM 6402.99.90 para a NCM 6401.99.90,  o  que  gerou  uma  “Solicitação  de  Vistoria  Técnica”  com  a  “designação  de  assistente  técnico”,  cujo  resultado  restou  consignado  no  Laudo  SAT  6304/09  EQCOF.  Assim,  em  14/01/2010, obteve a reclassificação pretendida e a liberação das  mercadorias.  Em  05/03/2010,  foi  publicada  a  Resolução  Camex  nº  14/2010,  aplicando  direito  antidumping  definitivo,  por  até  5  anos,  nas  importações  brasileiras  de  calçados  chineses  classificados  nas  posições 6402 a 6405 da NCM, a  ser  recolhido sob a  forma de  alíquota  específica  fixa  de  US$  13,85/par  (treze  dólares  estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par).  A  partir  daí,  com  base  em  dois  documentos  elaborados  por  diferentes  órgãos  da  administração  pública  federal  –  a  Nota  Técnica nº 109/2009, da Camex, e o laudo referente à Solicitação  de  Assistência  Técnica  da  Alfândega  do  Porto  de  Santos  SAT  Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.560          5 6.304/09  EQCOF,  da  Receita  Federal  –  adotou  a  classificação  desses produtos importados na posição 6401 da NCM.  Em  suma,  considerando  os  fatos  narrados  e  os  documentos  anexados  à  impugnação,  o  interessado  aduz  os  seguintes  argumentos,  pugnando  pela  improcedência  total  do  Auto  de  Infração:  A  autuação  foi  extremamente  genérica  ao  tratar  todos  os  produtos  importados,  de  diversos modelos,  cada  qual  com  suas  peculiaridades (como muito bem mostram as Tabelas 01, 02 e 03  do Anexo do Relatório Fiscal), em apenas dois grandes grupos.  A  Fiscal  autuante  desobedeceu  a  comando  emanado  de  autoridade competente na aplicação da medida antidumping , ao  ignorar por completo a conclusão da Camex no  tocante a  todos  os produtos classificados na posição NCM 6401.  A  fiscalização  também  invalidou  conclusão  contida  em  laudo  oficial que  levou a inspeção aduaneira a determinar a utilização  da  NCM  6401  na  classificação  das  mercadorias  importadas  registradas  na DI  nº  09/1306574­3,  além das práticas  reiteradas  de  agentes  da  Receita  Federal  nos  portos  de  entrada  em  posteriores operações de importação de produtos com as mesmas  características.  O  referido  laudo  foi  pedido  por  um  Agente  Fiscal  da  Receita  Federal  do Brasil  e  elaborado  por  profissional  credenciada  pela  Alfândega  do  Porto  de  Santos,  logo  representa  a  posição  e  a  conclusão  oficial  das  autoridades  fiscais  federais  a  respeito  da  classificação dos produtos na NCM 6401.  Posteriormente,  em  todas  as  importações  dos  produtos  classificados  na  NCM  6401  (a  maioria  dos  produtos  desta  autuação), inclusive submetidas ao canal amarelo e vermelho, as  autoridades  fiscais  reiteradamente  observaram  referido  laudo  e  não exigiram o recolhimento do direito antidumping , segundo o  que determina o § 3º do art. 30 do Decreto­Lei (sic) nº 70.235/72,  agora desrespeitado.  Assim,  houve  mudança  de  critério  jurídico  por  parte  da  fiscalização,  inaplicável a fatos pretéritos,  com base no art. 146  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN)  e  na  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  em  casos  absolutamente  similares,  inclusive  julgado  sob  o  rito  do  art.  543­C  do  então  vigente Código de Processo Civil (CPC), cujo entendimento deve  ser observado nesta esfera administrativa, nos termos do art. 62­ A  da  Portaria  nº  256/09  –  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).  No mínimo, os encargos moratórios (juros e multa de mora) não  deveriam ser cobrados, conforme preceitua o parágrafo único do  art. 100 do CTN (que repousa na própria essência da moralidade  administrativa  e  também  no  princípio  da  boa­fé),  pois  o  impugnante  observou  não  só  atos  normativos  e  decisões  de  autoridades administrativas, mas  também práticas  reiteradas das  Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.561          6 autoridades fiscais aduaneiras, que sempre observavam o laudo e  chancelavam importações com a defendida classificação fiscal.  Quanto  aos  aspectos  técnicos  da  classificação  das mercadorias,  as  Notas  Explicativas  (NESH)  não  compõem  o  Sistema  Harmonizado  (SH)  e  não  são  vinculantes,  possuindo  apenas  a  função  de  orientar  a  interpretação  do  SH,  de  acordo  com  entendimento  confirmado  pelo  “Painel  da  OMC  no  caso  European  Commmunities  –  Customs  Classification  of  Frozen  Bonelees Chicken Cuts  (DS269)”. Ademais, as NESH possuem  “menor  valor  como  prova”  no  ordenamento  jurídico  brasileiro,  conforme disposto  no  parágrafo  único do  art.  94  do Decreto  nº  6.759/2009, indicado nos autos pela própria autoridade fiscal.  O  produto  da CROCS  é  impermeável,  pois  o  sentido  literal  do  termo  “impermeável”,  extraído  do  dicionário  Houaiss  (2009),  não comporta a  interpretação excessiva da fiscalização, baseada  apenas  em  um  pequeno  trecho  da  NESH  e  sem  qualquer  embasamento  técnico,  assim  como  a  posição  6401  da  NCM  engloba todos os tipos de calçados impermeáveis, e não somente  aqueles  “calçados  fechados  que  protegem  o  pé  inteiro,  semelhantes a botas e galochas”, como sustenta a fiscalização.  Além  disso,  os  calçados  do  impugnante  não  só  são  feitos  de  material  impermeável,  mas  também  são  –  eles  próprios  –  impermeáveis,  segundo  a  engenheira  responsável  pelo  Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF,  sendo  que  a  impermeabilidade  do  produto pode ser constatada até mesmo por um leigo, já que sua  característica  impede  que  os  pés  do  usuário  se molhem mesmo  quando utilizado em superfície úmida ou molhada.  A reforçar essa característica, apresentou ao MDIC petição com  laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) que avaliou o  modelo  CROCS  Bistro  (cuja  semelhança  é  inegável  com  os  demais  CROCS  classificados  na  NCM  6401)  e  concluiu  que  o  produto  cumpre  o  requisito  da  impermeabilidade,  levando  à  expedição  do  “Certificado  de  Aprovação  nº  27.622”,  do  Ministério  do  Trabalho  (cuja  descrição  não  deixa  dúvidas),  aprovando­o  como  calçado  de  segurança  a  ser  utilizado  em  ambientes diversos, inclusive úmidos, como cozinhas.  O  produto  da  CROCS  é  composto  de  uma  peça  única,  pois  a  autuação se baseou na Nota Técnica nº 44/2013 do Departamento  de Defesa Comercial (Decom), que não é autoridade competente  para esclarecer dúvidas sobre classificação tarifária – o que cabe  à  Receita  Federal  do  Brasil,  conforme  Instrução  Normativa  nº  1.464/2014  –  bem  como  o  produto  de  outra  empresa  avaliado  pelo  Decom  não  se  confunde  com  os  diferentes  modelos  de  calçados classificados pela CROCS na posição 6401 da NCM.  Outrossim,  segundo  a  Nota  4(A)  do  Capítulo  64  do  SH,  os  protetores  de  tornozelo  (como  as  tiras  de  tornozelo  de  alguns  calçados  da  CROCS),  por  serem  considerados  acessórios,  são  irrelevantes para a determinação do material que compõe a parte  superior de um calçado,  logo não  integram a parte  superior dos  mesmos, a qual seria composta apenas pelo material que cobre a  Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.562          7 lateral e o peito do pé – conclusão que encontra respaldo na Nota  Explicativa D do Capítulo 64.  O calçado pode ser utilizado com a tira colocada na parte de cima  ou retraída como apoio de calcanhar sem danificar o calçado ou  mudar a sua aplicação, assim como ela pode ser completamente  removida  sem  causar  danos  ao  produto.  Desse  modo,  a  parte  superior não é “formada por diferentes partes reunidas” nem foi  reunida  à  sola  exterior  por  costura,  rebite,  pregos  ou  qualquer  outro  processo  semelhante  (como  vedado  pela  descrição  da  posição 6401 da NCM), sendo que ambas compõem uma só peça  produzida  por  processo  de  moldagem  por  injeção  de  plástico,  conforme consta do laudo da Alfândega do Porto de Santos.  O  produto  da  CROCS,  além  de  impermeável,  é  composto  de  plástico. Embora alguns modelos apresentem materiais têxteis na  parte superior ou na sola do produto, isso não significa que essas  partes não sejam feitas de plástico, pois, segundo apontado pela  própria  autoridade,  as  NESH  indicam  que  a  posição  6401  abrange os calçados de sola exterior e parte superior de borracha,  plástico ou “ainda de tecido ou outro suporte têxtil que apresente  uma  camada  exterior  de  borracha  ou  de  plástico  perceptível  à  vista  desarmada”  –  como  é  o  caso  de  todos  os  modelos  questionados  que  foram  reclassificados  pela  fiscalização  para  a  NCM 6404.99.90.  A  respeito  da  aplicação  dos  direitos  antidumping  sobre  as  sandálias  praianas  de  plástico,  corretamente  classificadas  na  NCM 6402.20.00, a  intenção da Camex e do Decom foi excluir  as “sandálias praianas” como um todo, que são aquelas utilizadas  para  ir  à  praia,  independentemente  do material  com  o  qual  são  feitas, sendo o termo separado por vírgula – “confeccionadas em  borracha e cujas  tiras são fixadas ao solado por espigões (...)” –  mero  aposto  gramatical,  utilizado  para  exemplificar  o  produto  excluído  e  orientar  a  compreensão,  fazendo  alusão  às  famosas  sandálias Havaianas, que são feitas de borracha.  Por  fim,  a  Camex  e  o  Decom  não  poderiam  excluir  apenas  as  sandálias  praianas  de  borracha,  pois  isso  implicaria  um  tratamento preferencial em detrimento de empresas concorrentes  que  continuariam  sujeitas  às medidas antidumping  ,  violando  o  princípio  da  impessoalidade,  cuja  aplicação  ao  caso  concreto  demonstra  que  produtos  similares  fazem  jus  ao  mesmo  tratamento pela Administração Pública. Quanto à similaridade, a  análise  de  cada  um  dos  critérios  elencados  pela  legislação  –  matéria­prima,  composição  química,  características  físicas,  normas e especificações técnicas aplicáveis, processo produtivo,  usos  e  aplicações,  grau  de  substitutibilidade,  canais  de  distribuição – além do mercado e da classificação tarifária, deixa  claro  que  as  sandálias  praianas  de  plástico  da  CROCS  e  as  sandálias praianas de borracha  são  semelhantes,  estando  isentas  do pagamento de direitos antidumping .  Mais tarde, em 17/04/2015, apresentou petição com documentos  para  “informar  fato  novo,  surgido  após  a  apresentação  de  sua  Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.563          8 defesa,  mas  de  extrema  relevância  para  a  questão  aqui  controvertida”  –  no  caso, o  advento  da Circular  Secex  nº  9,  de  2015,  publicada  em  02/03/2015,  que  torna  públicas  algumas  informações  contidas  no  Parecer  Decom  nº  6/15,  iniciando  processo  de  revisão  do  direito  antidumping  instituído  pela  Resolução  Camex  nº  14/10  (fls.  2338/2405).  Mais  uma  vez,  afirma­se  –  tal  como  na  Nota  Técnica  nº  109/2009  –  que  os  “calçados  injetados”  são  costumeiramente  classificados  na  posição  6401  da  NCM  e  “não  são  produto  objeto  da  presente  revisão,  uma  vez  que  foram  expressamente  excluídos  da  Resolução Camex nº 14/10”, logo devem ser excluídos do âmbito  de aplicação dos direitos antidumping .  Ao julgar a impugnação, a 7ª Turma da DRJ/FNS proferiu o Acórdão n° 07­ 38.269 ­ 7ª Turma da DRJ/FNS, com a seguinte ementa( fl. 2408):  ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING , COMPENSATÓRIOS OU DE  SALVAGUARDAS COMERCIAIS  Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011  DIREITOS ANTIDUMPING . CALÇADOS DA CHINA. ESCOPO.  Calçados  classificados  nas  posições  6402  a  6405  da  NCM  e  originários  da  República  Popular  da  China  estão,  em  regra,  sujeitos  ao  pagamento  de  direito  antidumping  à  alíquota  específica  fixa  de  US$  13,85  por  par,  nos  termos  da  Resolução  Camex  n°  14/2010.  DIREITOS  ANTIDUMPING.  SANDÁLIAS  PRAIANAS. EXCLUSÃO.  A  Resolução  Camex  n°  14/2010  é  taxativa  ao  excluir  da  aplicação  do  direito  antidumping  as  sandálias  praianas  feitas  de  borracha,  somente.  DIREITOS  ANTIDUMPING .   COMPETÊNCIA. Compete  à  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  promover  a  cobrança  de  direitos  antidumping  ,  conforme  fixados  em  Resolução  da  Camex,  sendo  vedada  qualquer  apreciação  acerca  de  matéria  de  defesa  comercial  e  similaridade entre produtos (cujo exame compete à Secex), ou avaliação  do  escopo  de  aplicação  de  direitos  antidumping  (de  competência  da Camex,  com  base em estudos do Decom/Secex).  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011  REVISÃO ADUANEIRA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA.  Revisão  aduaneira  consiste  no  reexame  de  despacho  de  importação  e  não  de  lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, logo é  incabível  a  arguição  de  mudança  de  critério  jurídico  para  a  correta  classificação  fiscal das mercadorias.  NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO. OBSERVÂNCIA.  As  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  (NESH)  são  de  observância  obrigatória  para  a  Administração  Pública  e  constituem  elemento  subsidiário  de  caráter  fundamental  para  a  correta  interpretação  do  conteúdo  das  posições  e  subposições,  bem  como  das Notas  de  Seção, Capítulo,  posições  e  subposições  da  Nomenclatura do Sistema Harmonizado.  CALÇADO IMPERMEÁVEL. PARTE SUPERIOR. MATÉRIA CONSTITUTIVA.  PEÇA ÚNICA. CLASSIFICAÇÃO.  Somente  se  classificam  na  posição  6401  da  NCM  os  calçados  impermeáveis  (concebidos para assegurar uma proteção contra  a água ou outros  líquidos)  com a  parte superior de borracha ou plásticos e que não tenha sido formada por diferentes  partes reunidas.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.564          9 Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011  PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Só  se  configura  a  excludente  de  penalidades  e  juros  de  mora  na  observância  de  convênio,  ato  ou  decisão  com  eficácia  normativa  atribuída  por  lei  ou  práticas  reiteradas da  administração perfeitamente caracterizadas,  sendo  inadmissível  a sua  formação contra legem.   Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido     A Crocs Brasil Comércio de Calçados Ltda apresentou recurso voluntário (fls  2436/2494), no qual apresenta basicamente as mesmas alegações da Impugnação e agrega que  preliminar de nulidade da decisão recorrida por "absoluta ausência de análise dos argumentos  apresentados" pela Recorrente (fl. 2439).     É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Liziane Angelotti Meira  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de  admissibilidade e deve ser conhecido.  A  Crocs  Brasil  Comércio  de  Calçados  alega  preliminarmente  nulidade  da  decisão  recorrida  por  falta  de  análise  dos  argumentos  apresentados.  Contudo,  verifica­se  na  decisão recorrida que foi considerado  integralmente o pedido da Recorrente e analisado cada  um dos pontos, ainda que não se tenha dado provimento à Impugnação.  A  Recorrente  apresenta  o  contexto  do  problema  e  faz  referência  à  Nota  Técnica  no  109/2009,  da  Secex,  onde  esta  teria  aquiescido  que  os  produtos  importados  pela  Recorrente estariam classificados na posição 6401 e, portanto, fora do campo de aplicação das  medidas antidumping .  Cabe  considerar  que  tanto  a  competência  para  definir  a  classificação  fiscal  quanto para aplicar as medidas antidumping pertence à Secretaria da Receita Federal do Brasil,  nos termos dos artigos 48 e 49 da Lei no 9.430/1996, e do art. 7o, § 6o, da Lei no 9.019/1995.  Contudo,  apesar  de  ser  titular  da  competência  para  estabelecer  a  correta  classificação  fiscal  e  aplicar os direitos antidumping  ,  a Fiscalização mencionou no Auto de  Infração (fl. 5) a Nota Técnica no 044/2013/CGAS/DECOM/SECEX (fl. 993), no qual a Secex  expressa  seu  entendimento  de  que  produto  similar  ao  importado  pela  Crocs  está  sujeito  aos  direitos antimdumping, colaciono um trecho:  "4 ­ DO PRODUTO OBJETO DE AVALIAÇÃO DE ESCOPO  O produto objeto dessa avaliação consiste em sandália com sola  exterior  e  parte  superior  constituída  de  plástico,  com  alça  Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.565          10 encaixada  à  parte  superior  permitindo  o  uso  alternativa  como  chinelo ou como sandália.  No requerimento de avaliação de escopo a TOYLAND apresenta  laudo  técino  elaborado  pela  "interface  Engenharia  Aduaneira"  sobre  o  produto  objeto  da  análise.  Nele  consta  tratar­se  de  calçado  plástico,  sendo  peça  inteiriça  ­  sem  colagme,  costura,  pregos  ou  qualquer  outro  tipo  de  união  ­  formada  em máquina  injetora, fabricada com material  impermeável denominado EVA  (sigla  em  inglês  para Etileno Acetado  de Vinila). No  laudo há,  ainda,  informação  de  que  a  funcionalidade  e  a  utilização  desse  tipo  de  calçado  são  similares  às  da  sandália  ou  chinelo  de  de  dedo, de borracha ou plástico.    5­ DAS CONSIDERAÇÃO DO DECOM  Com  base  nas  informações  fornecidas  pela  TOYLAND,  bem  como  no  teor  da Resolução CAMEX no 14,  de  4  de março  de  2010, os técnicos desse Departamento atestaram que:  a)  O  produto  objeto  da  avaliação  de  escopo  não  pode  ser  classificado no item 6401.99.90 da NCM, devido ao fato de não  constituir­se em peça inteiriça, em razão de haver alça encaixada  à parte superior do calçado;  b) A despeito do que argumentou a TOYLAND, o Departamento  não endossa a similaridade sugerida pela empra entre o produto  objeto  da  avaliação  de  escopo  e  as  sandálias  praianas  (comumente  classificadas  no  item  6402.20.00),  excluídas  da  aplicação  da  medida.  A  exclusão  refere­se  a  produtos  em  borracha e com tiras fixadas ao solado. por espigões. O produto  objeto da avaliação de escopo constitui­se em plástico, estando,  portanto,  no  âmbito  da  aplicação  da  medida  antidumping  em  vigor.  O  DECOM  também  não  compartilha  a  ideia  de  simlaridade  entre  os  produtos  no  que  se  refere  às  funções,  aos  usos e ao mercado consumidor.  Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.566          11 d) O Departamento concorda com a reclassificação realizada  pela autoridade aduaneira da Secretaria da Receita Federal  do Brasil no item 6402.99.90 da NCM.  Conclui­se,  portanto  que  as  sandálias  de  plástico,  tipo  chinelo,  sempre  estiveram  sujeitos  a  medida  antidumping  em  vigor  prevista na Resolução CAMEX no. 14, de 4 de março de 2010 e,  portanto, devem sofrer cobranças da autoridade aduaneira acerca  desse direito. (grifei)  Quanto  ao  laudo  técnico,  cumpre  assinalar que,  ainda que  a  análise  técnica  tenha sido realizada a pedido da autoridade fiscal, a competência para determinar a matéria e  aplicar a lei continua com a autoridade fiscal, nos termos do art. 142 do CTN e do art. 744 do  Decreto  no  6.759,  de  2009,  sendo  o  laudo  um  dos  elementos  de  sua  convicção,  mas  não  a  vinculando.  No que concerne à alegação de mudança de critério jurídico e a aplicação dos  artigos  100  e  146  do  CTN,  colaciono  o  entendimento  da  decisão  recorrida,  com  o  qual  comungo integralmente (fls. 2415/2420):  Da mudança de critério jurídico  O  impugnante  pleiteia  o  cancelamento  do Auto  de  Infração em  face  da  aplicação  do  art.  146  do  CTN  à  espécie,  além  de  jurisprudência pacífica do STJ que deve ser observada na esfera  administrativa, nos termos do art. 62­A do Regimento Interno do  Carf.  Para  tanto,  argumenta  que  a  fiscalização  desobedeceu  a  dois  documentos que  trazem manifestações expressas com a posição  oficial  das  autoridades  competentes,  ambas  a  respeito  da  classificação  dos  produtos  na  posição  6401  da  NCM:  a  Nota  Técnica  nº  109/2009,  da  Camex,  e  o  Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF,  da  Receita  Federal  (referente  à  DI  nº  09/1306574­3),  além  das  práticas  reiteradas  em  posteriores  operações  de  importação.  Segundo os argumentos que constroem a  tese do  impugnante, a  revisão  aduaneira  que  originou  a  reclassificação  fiscal  das  mercadorias  constituiria  mudança  nos  critérios  jurídicos  adotados,  contrariando  os  termos  do  art.  146  do  Código  Tributário Nacional.  Art.  146.  A  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em  conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios  jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do  lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo  sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à  sua introdução.  Assim, quando a norma se  refere à possibilidade de adoção por  parte  da  autoridade  administrativa  de  um  critério  jurídico,  está  implícito  que  possa  existir  mais  de  um  critério  e,  ainda,  o  processo volitivo de escolha pelo qual passará a autoridade.  Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.567          12 Em  sede  de  administração  pública,  esse  processo  volitivo  sofre  considerável  limitação.  De  se  salientar  que  a  autoridade  administrativa  fiscal,  pelo  fato  de  sua  atividade  ser  plenamente  vinculada e hierarquicamente estruturada, só pode adotar (seguir)  um  critério  jurídico  quando  efetuar  um  lançamento  (conforme  deferido  pelo  art.  146  do  CTN),  ou  quando  esse  critério  lhe  é  imposto  pela  legislação  ou  por  determinação  de  autoridade  que  lhe for hierarquicamente superior, como se observa do parágrafo  único do art. 142 do CTN, verbis:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o  procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do  fato  gerador  da  obrigação correspondente,  determinar  a matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade  cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.   Também não se pode perder de vista que, devido justamente aos  princípios  da  legalidade  e  da  vinculação,  é  que  não  se  pode  admitir que o agente público adote qualquer critério que não seja  o legalmente estabelecido.  Aí reside a diferença entre erro de direito e mudança de critério  jurídico. O erro de direito se configura quando em determinada  situação  onde  deva  incidir  a  norma  legal,  ela  tenha  sido  inteiramente  desconsiderada,  atribuindo­se  ao  fato  significação  jurídica inteiramente incompatível com dita norma. Neste caso, o  erro deve  ser  corrigido  e  seus  efeitos devem  retroagir  aos  fatos  passados.  O critério jurídico adotado pela autoridade administrativa revela  a  posição  assumida  diante  do  fato  jurídico  dentre  aquelas  possíveis e aceitáveis de interpretações da norma legal.  Nesse  sentido,  há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade,  após  expressamente  manifestar  seu  entendimento  quanto ao fato e ao contribuinte, decide mudá­lo.   Cito o ensinamento de HUGO DE BRITO MACHADO:  “Há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade  administrativa  simplesmente  muda  de  interpretação,  substitui  uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer  das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico  quando  a  autoridade  administrativa,  tendo  adotado  uma  entre  várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do  lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a  escolha  de  outras  das  alternativas  admitidas  e  que  enseja  determinação  de  um  crédito  tributário  em  valor  diverso,  geralmente  mais  elevado.”  (Curso  de  Direito  Tributário,  Malheiros, São Paulo, 1994)  Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.568          13 Por  sua  vez,  a  escolha  de  um  critério  jurídico  em  sede  administrativa  é  necessariamente  uma  escolha  expressa  da  autoridade administrativa, pois somente os atos expressos podem  dar ao administrado a segurança jurídica necessária.  No  que  se  refere  à  classificação  fiscal  de mercadorias  e  outros  aspectos  fiscais,  o  interessado  tem  o  direito  de  ingressar  com  PROCESSO DE CONSULTA – com base nos arts.  46  a 53 do  Decreto nº 70.235/72 e  arts.  48  a 50 da Lei nº 9.430/96 – para  que a administração declare expressamente o critério jurídico que  adotará para aquela questão, o qual  também estará ao abrigo do  art. 146 do CTN.  A consulta  sobre classificação  fiscal  de mercadorias,  formulada  por escrito perante a Receita Federal do Brasil, de acordo com o  disciplinado  atualmente  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.464/14, é o instrumento que o contribuinte possui para dirimir  dúvidas  sobre  a  correta  classificação  fiscal  das  mercadorias  na  Nomenclatura  Comum  do Mercosul  (NCM)  constante  tanto  na  Tarifa  Externa Comum  (TEC),  quanto  na Tabela  de  Incidência  do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI).  Também  em  relação  à  classificação  fiscal,  a  autoridade  aduaneira,  diante  da  mercadoria  que  lhe  é  apresentada  no  despacho  de  importação,  deve  adotar,  entre  as  classificações  normativas  porventura  existentes,  aquela  que  se  refira  a  ela,  ou  seja,  deve  proceder  à  subsunção  do  fato  concreto  à  norma  determinada  pela  legislação  competente  (que  estabelece  os  códigos  de  classificação  fiscal  a  serem  seguidos  pela  administração). Deve também adotar a classificação estabelecida  pela  autoridade  competente  da Receita  Federal  em  processo  de  consulta, salvo modificações ordenadas por instância superior ou  por  esta  diretamente  estabelecida,  ou  ainda,  consagrada  pelo  Comitê  Internacional  do  Sistema  Harmonizado  (nesse  caso  definitiva), do qual o Brasil é um dos países signatários.  Portanto,  quando  existir  um  código  estabelecido  pela  administração  (critério  jurídico  da  classificação),  ou  mesmo  judicialmente,  nos  casos  concretos,  para  determinado  tipo  de  mercadoria,  a  fiscalização  deve  adotá­lo  por  estar  a  ele  vinculada.  Entretanto,  no momento  do  lançamento,  caso  não  haja  nenhum  critério jurídico já adotado pela administração, o art. 146 do CTN  defere  à  autoridade  fiscal  a  prerrogativa  de  adotar  um  determinado critério.  Assim,  nos  casos  em  que  exista  um  critério  jurídico  anterior  adotado  pela  administração  ou  critério  jurídico  estabelecido  no  ato  do  lançamento,  eventual  mudança  administrativa  posterior,  obviamente, constituirá mudança de critério jurídico, sendo então  aplicável o mandamento do art. 146 do CTN.  O entendimento explanado está posto na fl. 247 do livro Processo  Administrativo  Fiscal,  de  Antônio  Silva  Cabral,  Ed.  Saraiva,  1993, verbis:  Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.569          14 Aliomar Baleeiro (Direito tributário brasileiro, p. 451) entendeu  os critérios jurídicos como sinônimos de normas complementares  que  fazem  parte  da  legislação  tributária  e  se  concretizam  em  pareceres,  instruções  normativas,  portarias  etc.,  atos  estes  que  estão relacionados com a norma legal e fornecem critérios para a  tributação.   Por  outro  lado,  quando  não  existe  classificação  fiscal  estabelecida em decisões administrativas de cunho normativo ou  concreto, ou, ainda, por decisões judiciais, não há que se falar em  critério  jurídico  adotado  pela  administração  anteriormente  ao  lançamento.  Neste  diapasão,  também  é  possível  afirmar  que  a  autoridade  fiscal, após proceder aos exames que lhe competem no momento  do  lançamento,  materializada  a  necessidade  de  se  proceder  à  subsunção  do  fato  à  norma,  adote  um  critério  jurídico  relativamente  à  classificação  fiscal,  conforme  se  depreende  do  art.  146  do  CTN  que  expressamente  dispõe  sobre  “...critérios  jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do  lançamento”. Ressalte­se  que,  nestes  casos,  o  contribuinte  pode  também  contestar  o  critério  estabelecido  pela  autoridade  fiscal  através de recursos administrativos tempestivamente interpostos.  Concluindo,  o  lançamento  de  ofício  expressa  um  ato  administrativo constitutivo/declaratório e,  como  tal, é  indicativo  de adoção do critério jurídico quanto ao fato jurídico/contribuinte  lançado,  e  eventual  mudança  de  classificação  fiscal  posterior,  obviamente, constituirá mudança de critério jurídico, sendo então  aplicável o art. 146 do CTN.  É mister ressaltar, pois, que o desembaraço de mercadorias, ainda  que  no  canal  vermelho  de  conferência,  não  obsta  a  revisão  aduaneira  dentro  do  prazo  decadencial,  que  é  o  procedimento  pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço, reexamina os  despachos  aduaneiros,  conforme  dispõe  o  Código  Tributário  Nacional (CTN) nos arts. 150, § 4º, e 156, inciso V, combinados  com o art. 54 do Decreto­Lei nº 37, de 1966, alterado pelo art. 2º  do Decreto­Lei nº 2.472, de 1988.  Com efeito,  o  acatamento por  parte  da  autoridade  aduaneira  de  determinado  enquadramento  tarifário,  durante  o  despacho,  não  constitui  decisão  definitiva  nem  tampouco  possui  efeito  vinculante,  eis  que  o  despacho  aduaneiro  não  representa  um  lançamento  tributário  e  o  desembaraço  não  se  confunde  com  homologação  do  lançamento  –  aliás,  deste  se  distingue  por  ter  natureza e desiderato diferentes.  Portanto,  ainda  que  as  mercadorias  sejam  submetidas  à  conferência  aduaneira  e  desembaraçadas  sem  exigência  fiscal  para alteração na classificação, não há vedação ao reexame dos  despachos  aduaneiros,  inclusive  para  a  subsunção  dos  produtos  importados aos códigos da NCM/TEC utilizados.  Quanto  à  Nota  Técnica  nº  109/2009/CGPI/DECOM/SECEX  –  cujo objeto não tratava de classificação de mercadoria, e sim da  Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.570          15 pretendida  retificação  da  Resolução  Camex  nº  48/2009  –  na  verdade, o Decom/Secex  (e não  a Camex) pronunciou­se,  obter  dictum,  com  base  na  descrição  do  produto  feita  pela  própria  empresa,  ou  seja,  “uma  vez  injetado  e  impermeável”.  Já  o  Parecer  Decom  nº  6/15  (anexo  à  Circular  Secex  nº  9/15),  que  corroboraria a citada Nota Técnica, menciona, en passant, que os  calçados injetados “são costumeiramente classificados na posição  6401” e “foram expressamente excluídos da Resolução CAMEX  nº 14/10”.  Notoriamente,  ambas  as manifestações  não  são  idôneas  para  se  determinar  a  correta  classificação  fiscal  de  cada  produto  importado pelo impugnante.  Mesmo assim, esse tipo de pronunciamento jamais poderia gerar  efeitos  fiscais  ou  aduaneiros,  pois  nenhum  desses  órgãos  ou  departamentos  detêm  competência  legal  para  realizar  a  classificação  fiscal  de  mercadorias  importadas,  a  qual  compete  privativamente  ao Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  como  autoridade  fiscal  e  aduaneira  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil (RFB) – órgão responsável pela fiscalização do  comércio exterior dentro da estrutura do Ministério da Fazenda,  em obediência ao art. 237 da Constituição Federal de 1988.  Por sinal, esse também é o entendimento do próprio impugnante  expresso  à  fl.  2315, que  cai  em  flagrante  contradição, portanto,  ao defender uma suposta classificação feita pelo Decom/Secex:  “Primeiramente, o DECOM não é a autoridade competente para  esclarecer dúvidas sobre classificação tarifária. De acordo com o  artigo 6o do Decreto n° 8.058/2013, cabe ao DECOM conduzir as  investigações  de  defesa  comercial  iniciadas  pela  Secretaria  de  Comércio  Exterior  (SECEX).  De  acordo  com  a  Instrução  Normativa  n°  1.464/2014,  a  autoridade  competente  para  se  manifestar  sobre  classificação  tarifária  é  a  Receita  Federal  do  Brasil.  Dessa  forma,  qualquer  opinião  expressa  pelo  DECOM  sobre  classificação  tarifária,  esteja  ela  correta  ou  não,  não  tem  nenhum valor para fins tributários.” (grifos no original)  Por  sua  vez,  o  “Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF”  (fls.  997/1012)  não  foi  elaborado  pela  Receita  Federal,  mas  sim  por  uma  assistente  técnica  particular  designada,  que  decerto  não  representa  a posição  ou  conclusão  oficial  da  autoridade  pública  competente. Com efeito, de acordo com o art. 37 do Decreto nº  7.574/11, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a  realização de diligências e de perícias compete ao Auditor­Fiscal  da Receita Federal do Brasil.  Outrossim,  naquela  oportunidade  a  assistente  técnica  se  manifestou  sobre  5  (cinco)  modelos  específicos  de  calçados  importados (declarados na DI nº 09/1306574­3) que sequer estão  presentes no rol de modelos  indicados nas Tabelas 01, 02 e 03,  anexas  ao Relatório Fiscal  –  objeto  da  autuação  em  comento  –  logo  tampouco  pode­se  atribuir  eficácia  ao  referido  laudo  em  face do presente caso, por não atender as condições impostas nas  Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.571          16 alíneas do § 3º do  art.  30 do Decreto nº 70.235/72, citado pelo  próprio impugnante.  Além  do mais,  o mesmo  art.  30  do Decreto  nº  70.235/72  trata  especificamente dos laudos e pareceres do Laboratório Nacional  de  Análises,  do  Instituto  Nacional  de  Tecnologia  e  de  outros  órgãos  federais congêneres –  situação estranha ao caso em  tela.  Não obstante, considerando que todo laudo pericial expedido por  terceiros  só  poderá  ser  adotado  nos  aspectos  técnicos  de  sua  competência,  certamente  não  se  poderá  levar  em  conta  neste  processo  quaisquer  respostas  ou  conclusões  da  engenheira  responsável  que  extrapolem  a  sua  área  técnica  de  competência,  mormente no que diga respeito à classificação fiscal de produtos  – o que, aliás, foi expressamente excluído pelo § 1º do art. 30 do  citado Decreto.  Quanto  às  práticas  reiteradas  das  autoridades  administrativas,  elas nada mais são do que os usos e costumes da Administração.  Nesse  sentido,  para  que  se  forme  uma  prática  reiterada  devem  estar  presentes  o  uso,  ou  seja,  a  conduta  reiterada  (requisito  objetivo)  e a  convicção  jurídica de  que  aquela  conduta  é  a  que  deve ser observada (requisito subjetivo).  Presentes  o  uso  e  a  convicção  jurídica,  surge  a  norma  jurídica  que  deriva  da  longa  prática  uniforme,  pública  e  geral  de  determinado  ato,  com  a  convicção  de  sua  necessidade  jurídica  (in: Maria Helena Diniz. Curso de Direito Civil Brasileiro, São  Paulo: Saraiva, 13º ed., 1997, pág. 67).  Como  no  âmbito  do  direito  tributário  vige  o  princípio  da  legalidade  estrita,  as  práticas  reiteradas  das  autoridades  administrativas só podem se formar em caráter praeter legem, ou  seja, como forma de suprir a lei nos casos omissos.  No  caso  dos  autos,  a  conduta  do  Fisco  em  não  impugnar  as  classificações  fiscais  que  vinham  sendo  adotadas  pelo  contribuinte  não  atende  a  nenhum  dos  dois  requisitos  para  a  formação  do  costume.  A  uma,  porque  não  foi  uma  conduta  pública e generalizada em  relação ao universo de  contribuintes,  não caracterizando o elemento objetivo. A duas, porque não está  presente  a  convicção  geral  de  sua  necessidade  jurídica,  não  restando caracterizado o elemento subjetivo.  Ademais,  a  interpretação  em  sentido  contrário  –  ou  seja,  no  sentido de que as práticas  reiteradas da administração poderiam  se  formar  em  relação  a  um  contribuinte  em  particular  –  não  prospera  porque,  no  caso  concreto,  significaria  admitir­se  a  formação  de  um  costume  contra  legem,  uma  vez  que  existe  norma jurídica positivada determinando a forma como devem ser  classificados os produtos na Nomenclatura.  Por  fim,  esta  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  é  unidade  descentralizada  que  pertence  à  Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão que não se  confunde  com  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (Carf),  embora  ambos  integrem  a  estrutura  do  Ministério  da  Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.572          17 Fazenda.  Portanto,  como  órgãos  tecnicamente  distintos  e  administrativamente  apartados,  não  há  que  se  falar  na  possibilidade de aplicação das disposições do Regimento Interno  do Carf  no  âmbito  do  julgamento  de  processos  administrativos  fiscais  em  primeira  instância  dentro  da RFB,  cuja  competência  foi  conferida  às DRJ  segundo  definido  pelo Regimento  Interno  da RFB.  Dessa forma, concluo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que a revisão  procedida  da  importação  em  tela,  com  a  consequente  reclassificação  tarifária,  não  constitui  mudança de critério jurídico da administração, sendo perfeitamente admitida pelo ordenamento  jurídico pátrio.  Sobre a exclusão de penalidades e encargos moratórios, a Recorrente sustenta  que, no mínimo, os encargos moratórios  (juros e multa de mora) não deveriam ser cobrados,  conforme  preceitua  o  parágrafo  único  do  art.  100  do  CTN,  pois  observou  não  só  atos  normativos  e  decisões  de  autoridades  administrativas,  mas  também  práticas  reiteradas  das  autoridades  fiscais  aduaneiras,  que  sempre  observavam  o  laudo  e  chancelavam  importações  com a defendida classificação fiscal.  No  entanto,  conforme  conclui­se  na  decisão  recorrida,  o  art.  94,  §  2º,  do  Decreto­Lei  nº  37/66  e  o  art.  136  do  CTN,  a  penalidade  é  aplicada  em  razão  do  simples  descumprimento de obrigação, não se cogitando de ter havido, ou não, dolo ou culpa por parte  do  sujeito  passivo,  uma  vez  que  a  responsabilidade  pela  infração  tem  natureza  objetiva  e  independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos  efeitos do ato praticado.  Ou seja, uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma, é  defeso  à  autoridade  aduaneira mitigar  a  aplicação  da penalidade  imposta  pela  legislação,  eis  que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização  aplicar  a  sanção  em  sua  inteireza  conforme  determina  a  norma  legal,  em  atendimento  ao  preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional.  Transcrevem­se  inferências  constantes  da  decisão  recorrida,  com  as  quais  comungo:  Assim, nos  estritos  termos do  invocado art.  100 do CTN,  só  se  configuraria  a  excludente  de  imposição  de  penalidades  e  cobrança de juros de mora caso se constatasse a observância de  ato normativo, decisão com eficácia normativa atribuída por lei,  convênio  ou  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas,  quando  perfeitamente  caracterizadas, sendo inadmissível a sua formação contra legem.  Porém,  tal  como  foi  abordado  retro,  a  Nota  Técnica  nº  109/2009/CGPI/DECOM/SECEX  e  o  “Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF”  não  representam  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  competentes  para  se  manifestar  sobre  classificação  fiscal de mercadorias, muito menos consistem em “decisões dos  órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que  a  lei  atribua  eficácia  normativa”,  assim  como  tampouco  restou  configurada  a  formação  das  alegadas  práticas  reiteradas  da  Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.573          18 administração  com  efeitos  determinantes  para  a  adoção  da  classificação fiscal pretendida.  Dessa  forma,  adoto  a  conclusão  da  decisão  recorrida  de  que  "  embora  não  conste exigência de multa moratória nos autos, nenhuma multa (inclusive a lançada de ofício)  ou  penalidade  imposta  deve  ser  afastada  no  presente  caso,  bem  como  os  juros  de  mora  cobrados."  Quantos  aos  aspectos  técnicos,  especificamente  sobre  a  aplicação  no Brasil  das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, também adota­se o entendimento expresso na  decisão recorrida, nos seguintes termos:   Além  dos  argumentos  já  examinados,  o  impugnante  se  insurge  contra a classificação fiscal adotada pela fiscalização para grande  parte  de  seus  produtos,  alegando,  em  suma,  que  as  Notas  Explicativas  (NESH)  não  compõem  o  Sistema  Harmonizado  (SH) e não são vinculantes, possuindo “menor valor como prova”  no ordenamento jurídico, bem como se esforça para demonstrar  que o seu produto é impermeável, composto de uma peça única e  também  tem  a  parte  superior  composta  de  plástico,  embora  alguns modelos apresentem materiais têxteis.  Como é cediço, no Sistema Harmonizado (SH) estão dispostas 6  (seis) Regras Gerais de Interpretação (RGI) que, se aplicadas de  maneira  adequada,  conduzem  à  classificação  correta  e  homogênea  de  qualquer  mercadoria  dentro  do  SH.  Como  a  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  (NCM)  tem  como  base  o  SH, essas regras também são aplicadas no âmbito do Mercosul –  que, por sua vez, criou as Regras Gerais Complementares (RGC)  para  determinar  a  classificação  de  uma mercadoria  no  item  da  NCM e, dentro deste, no subitem correspondente.  Por  coerência  e  finalidade,  o  sistema  de  classificação  deve  vincular uma mercadoria a uma única codificação. Nesse sentido,  as  RGI  constituem  os  princípios  fundamentais  nos  quais  se  baseia  o  SH,  garantindo  uma  uniforme  interpretação  legal  ao  estabelecer um procedimento  de  classificação da mercadoria  de  acordo  com  a  hierarquia  dentro  do  sistema,  de  forma  que  uma  mesma  mercadoria  seja  sempre  classificada  na  mesma  codificação.  Contudo, nem sempre a aplicação das Regras Gerais – seguindo­ se  os  textos  das  posições  e  das Notas  de  Seção  e  de Capítulo,  bem como das subposições de uma mesma posição – é suficiente  para  orientar  e  dirigir  a  classificação  de  uma  determinada  mercadoria  no  código  adequado.  Assim,  visando  a  auxiliar  a  classificação  de  mercadorias,  foi  criado  no  SH  um  grupo  de  informações  de  caráter  técnico  que  ajudam  a  esclarecer  certos  aspectos  de  cada  uma  das  posições/subposições  do  SH.  Tais  observações  técnicas  estão  reunidas  sob  o  título  de  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  Codificação de Mercadorias (NESH).  As NESH foram introduzidas no Brasil por meio do Decreto n°  435,  de  27  de  janeiro  de  1992,  e  vêm  sofrendo  constantes  Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.574          19 atualizações pela Organização Mundial da Aduanas (OMA), que  são regularmente incorporadas ao ordenamento jurídico nacional  por meio de Instruções Normativas expedidas pelo secretário da  Receita Federal – segundo a competência delegada pela Portaria  MF n° 91, de 24 de fevereiro de 1994, nos termos do art. 2º do  Decreto  nº  435/92.  Atualmente,  as  NESH  em  vigor  foram  aprovadas  pela  Instrução  Normativa  RFB  n°  1.260,  de  20  de  março de 2012.  Seguem os artigos do Decreto nº 435/92 que tratam das NESH:  Art.  1°  São  aprovadas  as  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  de Designação  e  de Codificação  de Mercadorias,  do Conselho de Cooperação Aduaneira,  com sede em Bruxelas,  Bélgica,  na  versão  luso­brasileira,  efetuada  pelo  Grupo  Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto.  Parágrafo  único.  As  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  constituem  elemento  subsidiário  de  caráter  fundamental  para  a  correta  interpretação  do  conteúdo  das  posições  e  subposições,  bem  como  das  Notas  de  Seção,  Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema  Harmonizado,  anexas  à  Convenção  Internacional  de  mesmo  nome.  Art.  2° As  alterações  introduzidas na Nomenclatura do Sistema  Harmonizado  e  nas  suas  Notas  Explicativas  pelo  Conselho  de  Cooperação  Aduaneira  (Comitê  do  Sistema  Harmonizado),  devidamente  traduzidas  para  a  língua  portuguesa  pelo  referido  Grupo Binacional, serão  aprovadas pelo Ministro da Economia,  Fazenda  e  Planejamento,  ou  autoridade  a  quem  delegar  tal  atribuição. (grifei)  Por  sua  vez,  a  utilização  de  RGI,  RGC  e  NESH  para  fins  de  classificação fiscal de mercadorias possui amparo legal no art. 3°  do Decreto­Lei n° 1.154, de 1° de março de 1971, sendo que o  art.  94  do  Decreto  nº  6.759/09  reproduziu  essa  base  legal,  adequando a sua nomenclatura à atualidade:  Art.  94.  A  alíquota  aplicável  para  o  cálculo  do  imposto  é  a  correspondente  ao  posicionamento  da  mercadoria  na  Tarifa  Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez  identificada  sua  classificação  fiscal  segundo  a  Nomenclatura  Comum do Mercosul.  Parágrafo único. Para  fins  de  classificação  das mercadorias, a  interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da  Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância  das  Regras  Gerais  para  Interpretação,  das  Regras  Gerais  Complementares  e  das  Notas  Complementares  e,  subsidiariamente,  das  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias,  da  Organização Mundial  das  Aduanas  (Decreto­ Lei n° 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3°, caput). (grifei)  Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.575          20 Portanto,  resta  evidente  que  as  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  (NESH)  são  de  observância  obrigatória  para  a  Administração  Pública  e  constituem  elemento  de  caráter  fundamental  (ainda que subsidiário) para a correta  interpretação  do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de  Seção,  Capítulo,  posições  e  subposições  da  Nomenclatura  do  Sistema Harmonizado, para fins de classificação das mercadorias  – sendo, pois, descabido rechaçar a sua força legal e cogente ao  tratá­las  como  tendo  “menor  valor  como  prova”  dentro  do  ordenamento jurídico brasileiro.  Ademais, não entendo que exista a mencionada contradição entre as NESH e  as Notas de Capítulo e Seção mencionadas pela Recorrente às fls. 2466.  Quanto à classificação dos produtos importados pela Crocs, também se adota  o entendimento constante da decisão recorrida:  A partir do texto da Nota reproduzida, o impugnante concluiu, de  forma açodada, que “os acessórios não integram a parte superior  dos calçados”. Entretanto, isso não é verdade, visto que a referida  Nota é bem clara ao definir,  tão somente, que os acessórios (ou  reforços)  são  considerados  irrelevantes  para  se  determinar  a  matéria  que  constitui  a  parte  superior  dos  calçados  –  o  que  é  completamente diverso do que entendeu o impugnante.  Assim,  fica  prejudicada  a  análise  da  “Nota  Explicativa  D  do  Capítulo  64”,  que  se  presta  apenas  a  esclarecer  como  se  determina  a  matéria  constitutiva  da  parte  superior  para  fins  de  classificação dos calçados nas posições do referido Capítulo.  Quanto  às  diversas  possibilidades  de  utilização  da  alça  ou  “tira  do  tornozelo”,  inclusive  a  sua  remoção,  são  circunstâncias  irrelevantes que não determinam a correta classificação fiscal dos  produtos examinados, conforme a legislação aplicável.  Portanto,  procede o  entendimento da  fiscalização que  constatou  que  a  parte  superior  dos  calçados  é  formada  por  mais  de  uma  parte  reunida,  ao  invés  de  uma  única  peça  inteiriça,  excluindo  esses produtos da posição 6401 da NCM.  A respeito dos calçados relacionados na Tabela 02,  segundo as  RGI (nº 1 e nº 6), as RGC (nº 1) e as NESH (das posições 6401 e  6404),  a  fiscalização  reclassificou esses produtos para o  código  6404.19.00 da NCM, por dois motivos:  1) não se enquadram na descrição de “calçados impermeáveis”;  2)  não  possuem  a  parte  superior  constituída  de  borracha  ou  plástico.  Uma  vez  superada  a  primeira  questão,  com  base  nas  razões  minuciosamente  aduzidas  retro,  que  aqui  se  aplicam  integralmente,  passa­se  diretamente  ao  exame  da  matéria  constitutiva  da  parte  superior  desses  calçados,  segundo  a  legislação aplicável.  Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.576          21 O  texto  da  posição  6401  refere­se  literalmente  a  “Calçados  impermeáveis  de  sola  exterior  e  parte  superior  de  borracha  ou  plásticos (...)”, sendo que as NESH dessa posição esclarecem que  a parte superior pode ser “ainda de tecido ou outro suporte têxtil  que  apresente  uma  camada  exterior  de  borracha  ou  de  plástico  perceptível  à  vista  desarmada  (ver  a  Nota  3a)  do  presente  Capítulo)”.  Por  sua  vez,  na  posição  6404  (“Calçados  com  sola  exterior  de  borracha,  plásticos,  couro  natural  ou  reconstituído  e  parte  superior  de  matérias  têxteis”),  as  respectivas  NESH  dispõem que “a presente posição abrange os calçados com a parte  superior  (ver  a  alínea  D)  das  Considerações  Gerais  deste  Capítulo) em matérias têxteis”.   Novamente, é possível constatar, mediante simples exame visual  das respectivas imagens, que esses modelos de calçados possuem  a parte superior em matérias  têxteis, considerando  também que,  segundo  o  texto  da  Nota  4,  letra  a,  do  Capítulo  64  (invocada  anteriormente  pelo  próprio  impugnante),  “a  matéria  da  parte  superior dos  calçados  é determinada pela que constitua  a maior  superfície do revestimento exterior, considerando­se irrelevantes  os  acessórios  ou  reforços,  tais  como  orlas,  protetores  de  tornozelos,  adornos,  fivelas,  presilhas,  ilhoses  (ilhós*)  ou  dispositivos semelhantes”   Portanto,  também  é  procedente  o  entendimento  da  fiscalização  quanto a esses calçados, excluindo­os da posição 6401 da NCM.  Concluindo, somente se classificam na posição 6401 da NCM os  calçados impermeáveis (concebidos para assegurar uma proteção  contra  a  água  ou  outros  líquidos)  com  a  parte  superior  de  borracha ou plásticos e que não tenha sido formada por diferentes  partes reunidas.  Por  fim, quanto às sandálias praianas de plástico da Tabela 03,  corretamente  classificadas  dentro  da  NCM,  o  impugnante  defende  que  a  intenção  da  Camex  e  do  Decom  foi  excluir  as  “sandálias  praianas”  como  um  todo,  independentemente  do  material  com  o  qual  são  feitas,  e  que  não  poderiam  excluir  apenas as sandálias praianas de borracha,pois isso implicaria um  tratamento preferencial em detrimento de empresas concorrentes  cujos produtos são semelhantes – no caso, as sandálias praianas  de plástico importadas peloimpugnante.  Nos  autos,  não  há  controvérsia  sobre  o  fato  de  que  a matéria­ prima que constitui os calçados do impugnante (resina de célula  fechada  CROSLITE™)  trata­se  de  PLÁSTICO  injetado  de  Copolímero  de  EVA  (Etileno Vinil  Acetato  ou  Etileno­Acetato  de Vinila) – independentemente das propriedades, características  e singularidade de cada produto.  Por outro lado, a Resolução nº 14/2010 da Camex, no inciso I do  parágrafo único do art. 1º, é  taxativa ao excluir da aplicação do  direito  antidumping  as  sandálias  praianas  feitas  de  borracha,  somente:  Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.577          22 Art. 1º Aplicar direito antidumping definitivo, por até 5 (cinco)  anos,  nas  importações  brasileiras  de  calçados,  classificados  nas  posições  6402  a  6405  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  (NCM),  da  República  Popular  da  China,  a  ser  recolhido  sob  a  forma de alíquota específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares  estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par).  Parágrafo  único.  Os  calçados  a  seguir  relacionados  estão  excluídos da aplicação do  direito antidumping definitivo,  ainda  que classificados nas posições tarifárias 6402 a 6405:  I  ­  sandálias  praianas,  confeccionadas  em  borracha  e  cujas  tiras  são  fixadas  ao  solado  por  espigões  (comumente  classificadas na NCM 6402.20.00); (grifei)  Para  corroborar  essa  conclusão,  vale  transcrever  o  trecho  pertinente  das  conclusões  da  Nota  Técnica  044/2013/CGAS/DECOM/SECEX (extraído da letra b do item 5  ­“Das Considerações  do Decom”),  em que  o Decom,  dentro  de  sua  competência  legal,  tratou  de  avaliar  o  escopo  do  direito  antidumping  aplicado  às  importações  de  calçados,  a  pedido  de  outraempresa:  “(...)  o  Departamento  não  endossa  a  similaridade  sugerida  pela  empresa  entre  o  produto  objeto  da  avaliação  de  escopo  e  as  sandálias  praianas  (comumente  classificadas  no  item  6402.20.00),  excluídas  da  aplicação  da  medida.  A  exclusão  refere­se a produtos feitos em borracha e com tiras fixadas ao  solado  por  espigões.  O  produto  objeto  da  avaliação  de  escopo  constitui­se  em  plástico,  estando,  portanto,  no  âmbito  de  aplicação da medida antidumping em vigor.”(grifei)  De mais a mais, não compete à Receita Federal do Brasil apreciar  alegação  acerca  de  matéria  de  defesa  comercial  e  similaridade  entre produtos  (cujo exame compete à Secex), nem estender ou  restringir  o  escopo  de  aplicação  de  direitos  antidumping  (de  competência da Camex, com base em estudos do Decom/Secex),  de  acordo  com  a  Lei  nº  9.019/95  e  o  Decreto  nº  8.058/13,  e  alterações posteriores.  Portanto, a extensa argumentação do impugnante não se sustenta.  Diante do exposto, voto por manter integralmente a decisão recorrida e negar  provimento ao Recurso Voluntário.    Liziane Angelotti Meira ­ Relatora Voto Vencedor  Dada  a  devida  vênia  aos  fundamentos  constantes  da  decisão  proferida  pela  Relatora  no  caso  concreto  aqui  analisado,  ouso  discordar  da  conclusão  ali  apresentada,  consoante razões a seguir delineadas.  Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.578          23 De início, é importante que se esclareça que não houve divergência na sessão  de julgamento realizada no que concerne à classificação fiscal a ser adotada no presente caso,  tendo  os  Conselheiros  concordado  com  a  conclusão  apresentada  pela  Relatora  quanto  a  tal  ponto.  A  matéria  objeto  da  controvérsia,  então,  girou  em  torno  da  preliminar  apresentada pelo contribuinte atinente à alegação de mudança de critério  jurídico. Sobre este  ponto, assim entendeu a Relatora:  No que concerne à alegação de mudança de critério jurídico e a aplicação dos  artigos 100 e 146 do CTN,  colaciono o entendimento da decisão  recorrida,  com o  qual comungo integralmente (fls. 2415/2420):  Da mudança de critério jurídico  O  impugnante  pleiteia  o  cancelamento  do  Auto  de  Infração  em  face  da  aplicação do art. 146 do CTN à espécie, além de  jurisprudência pacífica do  STJ que deve ser observada na esfera administrativa, nos termos do art. 62­A  do Regimento Interno do Carf.  Para tanto, argumenta que a fiscalização desobedeceu a dois documentos que  trazem  manifestações  expressas  com  a  posição  oficial  das  autoridades  competentes, ambas a respeito da classificação dos produtos na posição 6401  da NCM: a Nota  Técnica  nº  109/2009,  da Camex,  e  o  Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF,  da  Receita  Federal  (referente  à  DI  nº  09/1306574­3),  além  das  práticas reiteradas em posteriores operações de importação.  Segundo  os  argumentos  que  constroem  a  tese  do  impugnante,  a  revisão  aduaneira que originou a reclassificação  fiscal das mercadorias  constituiria  mudança nos critérios jurídicos adotados, contrariando os termos do art. 146  do Código Tributário Nacional.  Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão  administrativa  ou  judicial,  nos  critérios  jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento  somente  pode  ser  efetivada,  em  relação  a  um  mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato  gerador  ocorrido  posteriormente à sua introdução.  Assim,  quando  a  norma  se  refere  à  possibilidade  de  adoção  por  parte  da  autoridade  administrativa  de  um  critério  jurídico,  está  implícito  que  possa  existir mais de um critério e, ainda, o processo volitivo de escolha pelo qual  passará a autoridade.  Em sede de administração pública, esse processo volitivo sofre considerável  limitação. De se salientar que a autoridade administrativa fiscal, pelo fato de  sua  atividade  ser  plenamente  vinculada  e  hierarquicamente  estruturada,  só  pode  adotar  (seguir)  um  critério  jurídico  quando  efetuar  um  lançamento  (conforme  deferido  pelo  art.  146  do  CTN),  ou  quando  esse  critério  lhe  é  imposto  pela  legislação  ou  por  determinação  de  autoridade  que  lhe  for  hierarquicamente  superior,  como se observa do parágrafo único do art. 142  do CTN, verbis:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.579          24 tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  o  caso,  propor  a  aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.   Também não se pode perder de vista que, devido justamente aos princípios da  legalidade e da vinculação, é que não se pode admitir que o agente público  adote qualquer critério que não seja o legalmente estabelecido.  Aí reside a diferença entre erro de direito e mudança de critério jurídico. O  erro  de  direito  se  configura  quando  em  determinada  situação  onde  deva  incidir a norma legal, ela tenha sido inteiramente desconsiderada, atribuindo­ se  ao  fato  significação  jurídica  inteiramente  incompatível  com  dita  norma.  Neste caso, o erro deve ser corrigido e seus efeitos devem retroagir aos fatos  passados.  O critério  jurídico adotado pela autoridade administrativa revela a posição  assumida  diante  do  fato  jurídico  dentre  aquelas  possíveis  e  aceitáveis  de  interpretações da norma legal.  Nesse  sentido,  há mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade,  após  expressamente manifestar seu entendimento quanto ao fato e ao contribuinte,  decide mudá­lo.   Cito o ensinamento de HUGO DE BRITO MACHADO:  “Há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade  administrativa  simplesmente muda  de  interpretação,  substitui  uma  interpretação  por  outra,  sem  que  se  possa  dizer  que  qualquer  das  duas  seja  incorreta.  Também  há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade  administrativa,  tendo  adotado  uma  entre  várias  alternativas  expressamente  admitidas  pela  lei,  na  feitura  do  lançamento,  depois  pretende  alterar  esse  lançamento, mediante  a  escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja determinação de um  crédito  tributário  em  valor  diverso,  geralmente  mais  elevado.”  (Curso  de  Direito Tributário, Malheiros, São Paulo, 1994)  Por  sua  vez,  a  escolha  de  um  critério  jurídico  em  sede  administrativa  é  necessariamente  uma  escolha  expressa  da  autoridade  administrativa,  pois  somente  os  atos  expressos  podem dar ao  administrado  a  segurança  jurídica  necessária.  No  que  se  refere  à  classificação  fiscal  de  mercadorias  e  outros  aspectos  fiscais,  o  interessado  tem  o  direito  de  ingressar  com  PROCESSO  DE  CONSULTA – com base nos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235/72 e arts. 48 a  50  da Lei  nº  9.430/96  –  para  que  a  administração declare  expressamente  o  critério  jurídico que adotará para aquela questão, o qual  também estará ao  abrigo do art. 146 do CTN.  A consulta  sobre classificação  fiscal de mercadorias,  formulada por  escrito  perante a Receita Federal do Brasil, de acordo com o disciplinado atualmente  pela Instrução Normativa RFB nº 1.464/14, é o instrumento que o contribuinte  possui  para  dirimir  dúvidas  sobre  a  correta  classificação  fiscal  das  mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constante tanto na  Tarifa  Externa  Comum  (TEC),  quanto  na  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre Produtos Industrializados (TIPI).  Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.580          25 Também em relação à classificação fiscal, a autoridade aduaneira, diante da  mercadoria que  lhe  é apresentada no despacho de  importação, deve adotar,  entre as classificações normativas porventura existentes, aquela que se refira  a  ela,  ou  seja,  deve  proceder  à  subsunção  do  fato  concreto  à  norma  determinada  pela  legislação  competente  (que  estabelece  os  códigos  de  classificação  fiscal  a  serem  seguidos  pela  administração).  Deve  também  adotar  a  classificação  estabelecida  pela  autoridade  competente  da  Receita  Federal em processo de consulta, salvo modificações ordenadas por instância  superior  ou  por  esta  diretamente  estabelecida,  ou  ainda,  consagrada  pelo  Comitê Internacional do Sistema Harmonizado (nesse caso definitiva), do qual  o Brasil é um dos países signatários.  Portanto, quando existir um código estabelecido pela administração (critério  jurídico da classificação), ou mesmo judicialmente, nos casos concretos, para  determinado tipo de mercadoria, a fiscalização deve adotá­lo por estar a ele  vinculada.  Entretanto,  no  momento  do  lançamento,  caso  não  haja  nenhum  critério  jurídico já adotado pela administração, o art. 146 do CTN defere à autoridade  fiscal a prerrogativa de adotar um determinado critério.  Assim,  nos  casos  em  que  exista  um  critério  jurídico  anterior  adotado  pela  administração  ou  critério  jurídico  estabelecido  no  ato  do  lançamento,  eventual mudança administrativa posterior, obviamente, constituirá mudança  de critério jurídico, sendo então aplicável o mandamento do art. 146 do CTN.  O  entendimento  explanado  está  posto  na  fl.  247  do  livro  Processo  Administrativo Fiscal, de Antônio Silva Cabral, Ed. Saraiva, 1993, verbis:  Aliomar Baleeiro (Direito tributário brasileiro, p. 451) entendeu os critérios  jurídicos  como  sinônimos  de  normas  complementares  que  fazem  parte  da  legislação  tributária  e  se  concretizam  em  pareceres,  instruções  normativas,  portarias etc., atos estes que estão relacionados com a norma legal e fornecem  critérios para a tributação.   Por  outro  lado,  quando  não  existe  classificação  fiscal  estabelecida  em  decisões  administrativas  de  cunho  normativo  ou  concreto,  ou,  ainda,  por  decisões  judiciais,  não  há  que  se  falar  em  critério  jurídico  adotado  pela  administração anteriormente ao lançamento.  Neste  diapasão,  também  é  possível  afirmar  que  a  autoridade  fiscal,  após  proceder  aos  exames  que  lhe  competem  no  momento  do  lançamento,  materializada  a  necessidade  de  se  proceder  à  subsunção  do  fato  à  norma,  adote  um  critério  jurídico  relativamente  à  classificação  fiscal,  conforme  se  depreende  do  art.  146  do CTN  que  expressamente  dispõe  sobre  “...critérios  jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento”.  Ressalte­se  que,  nestes  casos,  o  contribuinte  pode  também  contestar  o  critério  estabelecido  pela  autoridade  fiscal  através  de  recursos  administrativos tempestivamente interpostos.  Concluindo,  o  lançamento  de  ofício  expressa  um  ato  administrativo  constitutivo/declaratório  e,  como  tal,  é  indicativo  de  adoção  do  critério  jurídico quanto ao fato jurídico/contribuinte lançado, e eventual mudança de  classificação  fiscal  posterior,  obviamente,  constituirá  mudança  de  critério  jurídico, sendo então aplicável o art. 146 do CTN.  Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.581          26 É mister  ressaltar,  pois,  que  o  desembaraço  de mercadorias,  ainda  que  no  canal vermelho de conferência, não obsta a revisão aduaneira dentro do prazo  decadencial,  que  é  o  procedimento  pelo  qual  a  autoridade  fiscal,  após  o  desembaraço, reexamina os despachos aduaneiros, conforme dispõe o Código  Tributário Nacional  (CTN)  nos  arts.  150,  §  4º,  e  156,  inciso V,  combinados  com o art. 54 do Decreto­Lei nº 37, de 1966, alterado pelo art. 2º do Decreto­ Lei nº 2.472, de 1988.  Com efeito, o acatamento por parte da autoridade aduaneira de determinado  enquadramento tarifário, durante o despacho, não constitui decisão definitiva  nem  tampouco  possui  efeito  vinculante,  eis  que  o  despacho  aduaneiro  não  representa um  lançamento  tributário  e o desembaraço não  se  confunde com  homologação  do  lançamento  –  aliás,  deste  se  distingue  por  ter  natureza  e  desiderato diferentes.  Portanto,  ainda  que  as  mercadorias  sejam  submetidas  à  conferência  aduaneira  e  desembaraçadas  sem  exigência  fiscal  para  alteração  na  classificação,  não  há  vedação  ao  reexame  dos  despachos  aduaneiros,  inclusive  para  a  subsunção  dos  produtos  importados  aos  códigos  da  NCM/TEC utilizados.  Quanto à Nota Técnica nº 109/2009/CGPI/DECOM/SECEX – cujo objeto não  tratava  de  classificação  de  mercadoria,  e  sim  da  pretendida  retificação  da  Resolução Camex nº 48/2009 – na verdade, o Decom/Secex (e não a Camex)  pronunciou­se,  obter  dictum,  com  base  na  descrição  do  produto  feita  pela  própria  empresa,  ou  seja,  “uma  vez  injetado  e  impermeável”.  Já  o Parecer  Decom nº 6/15  (anexo à Circular Secex nº 9/15),  que  corroboraria a  citada  Nota  Técnica,  menciona,  en  passant,  que  os  calçados  injetados  “são  costumeiramente  classificados  na  posição  6401”  e  “foram  expressamente  excluídos da Resolução CAMEX nº 14/10”.  Notoriamente, ambas as manifestações não são idôneas para se determinar a  correta classificação fiscal de cada produto importado pelo impugnante.  Mesmo  assim,  esse  tipo  de  pronunciamento  jamais  poderia  gerar  efeitos  fiscais  ou  aduaneiros,  pois  nenhum  desses  órgãos  ou  departamentos  detêm  competência  legal  para  realizar  a  classificação  fiscal  de  mercadorias  importadas,  a  qual  compete  privativamente  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  como  autoridade  fiscal  e  aduaneira  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  –  órgão  responsável  pela  fiscalização  do  comércio  exterior  dentro  da  estrutura  do  Ministério  da  Fazenda,  em  obediência ao art. 237 da Constituição Federal de 1988.  Por sinal, esse também é o entendimento do próprio impugnante expresso à fl.  2315,  que  cai  em  flagrante  contradição,  portanto,  ao  defender  uma  suposta  classificação feita pelo Decom/Secex:  “Primeiramente, o DECOM não é a autoridade competente para esclarecer  dúvidas sobre classificação tarifária. De acordo com o artigo 6o do Decreto n°  8.058/2013, cabe ao DECOM conduzir as  investigações de defesa comercial  iniciadas  pela  Secretaria  de Comércio Exterior  (SECEX). De  acordo  com  a  Instrução  Normativa  n°  1.464/2014,  a  autoridade  competente  para  se  manifestar sobre classificação tarifária é a Receita Federal do Brasil. Dessa  forma, qualquer opinião expressa pelo DECOM sobre classificação tarifária,  esteja ela correta ou não, não tem nenhum valor para fins tributários.” (grifos  no original)  Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.582          27 Por  sua  vez,  o  “Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF”  (fls.  997/1012)  não  foi  elaborado pela Receita Federal, mas sim por uma assistente técnica particular  designada,  que  decerto  não  representa  a  posição  ou  conclusão  oficial  da  autoridade  pública  competente.  Com  efeito,  de  acordo  com  o  art.  37  do  Decreto nº 7.574/11, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a  realização de diligências e de perícias compete ao Auditor­Fiscal da Receita  Federal do Brasil.  Outrossim, naquela oportunidade a assistente  técnica se manifestou sobre 5  (cinco)  modelos  específicos  de  calçados  importados  (declarados  na  DI  nº  09/1306574­3)  que  sequer  estão  presentes  no  rol  de  modelos  indicados  nas  Tabelas  01,  02  e  03,  anexas  ao  Relatório  Fiscal  –  objeto  da  autuação  em  comento – logo tampouco pode­se atribuir eficácia ao referido laudo em face  do presente caso, por não atender as condições impostas nas alíneas do § 3º  do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, citado pelo próprio impugnante.  Além do mais, o mesmo art. 30 do Decreto nº 70.235/72 trata especificamente  dos  laudos  e  pareceres  do  Laboratório  Nacional  de  Análises,  do  Instituto  Nacional  de  Tecnologia  e  de  outros  órgãos  federais  congêneres  –  situação  estranha ao caso em tela. Não obstante, considerando que todo laudo pericial  expedido  por  terceiros  só  poderá  ser  adotado  nos  aspectos  técnicos  de  sua  competência,  certamente  não  se  poderá  levar  em  conta  neste  processo  quaisquer respostas ou conclusões da engenheira responsável que extrapolem  a  sua  área  técnica  de  competência,  mormente  no  que  diga  respeito  à  classificação fiscal de produtos – o que, aliás, foi expressamente excluído pelo  § 1º do art. 30 do citado Decreto.  Quanto  às  práticas  reiteradas  das  autoridades  administrativas,  elas  nada  mais são do que os usos e costumes da Administração. Nesse sentido, para que  se  forme  uma  prática  reiterada  devem  estar  presentes  o  uso,  ou  seja,  a  conduta  reiterada  (requisito  objetivo)  e  a  convicção  jurídica  de  que  aquela  conduta é a que deve ser observada (requisito subjetivo).  Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica que deriva da  longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção  de sua necessidade  jurídica  (in: Maria Helena Diniz. Curso de Direito Civil  Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 13º ed., 1997, pág. 67).  Como no âmbito do direito  tributário vige o princípio da legalidade estrita,  as práticas reiteradas das autoridades administrativas só podem se formar em  caráter praeter legem, ou seja, como forma de suprir a lei nos casos omissos.  No  caso  dos  autos,  a  conduta  do Fisco  em  não  impugnar  as  classificações  fiscais que vinham sendo adotadas pelo contribuinte não atende a nenhum dos  dois  requisitos  para  a  formação  do  costume.  A  uma,  porque  não  foi  uma  conduta pública e generalizada em relação ao universo de contribuintes, não  caracterizando  o  elemento  objetivo.  A  duas,  porque  não  está  presente  a  convicção  geral  de  sua  necessidade  jurídica,  não  restando  caracterizado  o  elemento subjetivo.  Ademais, a interpretação em sentido contrário – ou seja, no sentido de que as  práticas  reiteradas  da  administração  poderiam  se  formar  em  relação  a  um  contribuinte  em  particular  –  não  prospera  porque,  no  caso  concreto,  significaria admitir­se a formação de um costume contra legem, uma vez que  existe  norma  jurídica  positivada  determinando  a  forma  como  devem  ser  classificados os produtos na Nomenclatura.  Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.583          28 Por fim, esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é  unidade  descentralizada  que  pertence  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil (RFB), órgão que não se confunde com o Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais (Carf), embora ambos integrem a estrutura do Ministério da  Fazenda. Portanto, como órgãos tecnicamente distintos e administrativamente  apartados, não há que se falar na possibilidade de aplicação das disposições  do  Regimento  Interno  do  Carf  no  âmbito  do  julgamento  de  processos  administrativos  fiscais  em  primeira  instância  dentro  da  RFB,  cuja  competência foi conferida às DRJ segundo definido pelo Regimento Interno da  RFB.  Dessa forma, concluo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que a revisão  procedida  da  importação  em  tela,  com  a  consequente  reclassificação  tarifária,  não  constitui  mudança  de  critério  jurídico  da  administração,  sendo  perfeitamente  admitida pelo ordenamento jurídico pátrio.  Naquela  oportunidade,  apresentou  a  Relatora  a  seguinte  ementa  quanto  à  análise deste fundamento específico:  CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO ADUANEIRA. ERRO  DE CLASSIFICAÇÃO  FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO  JURÍDICO.  INEXISTÊNCIA.   Revisão aduaneira consiste no reexame de despacho de importação e não de  lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita,  logo  é  incabível  a  arguição  de  mudança  de  critério  jurídico  para  a  correta  classificação fiscal das mercadorias.   Ao analisar o conteúdo da decisão acima, é importante que se esclareça que  houve concordância com muitos dos fundamentos ali apresentados. Porém, com base na análise  de  determinados  aspectos  peculiares  e  específicos  da  demanda  aqui  analisada,  entenderam  a  maioria dos julgadores que a conclusão a ser proferida por este Conselho deve ser diversa da  adotada pela Relatora do caso. É o que será devidamente esclarecido a seguir.  Mencione­se,  desde  logo,  que  não  resta  qualquer  dúvida  que,  via  de  regra,  não  há  de  ser  acatado  o  argumento  corriqueiramente  apresentado  pelos  contribuintes  de  mudança de critério jurídico em razão de reclassificação fiscal realizada em revisão aduaneira.  Neste mesmo sentido, inclusive, já me manifestei em outros julgados.   Isso porque, entendo que esta matéria encontra­se superada por este Conselho  Administrativo  de Recursos  Fiscais,  o  qual  possui  decisões  recorrentes  no  sentido  de  que  a  fiscalização  possui  5  (cinco)  anos  contados  do  desembaraço  aduaneiro  para  exigir  eventuais  diferenças que entender devidas atinentes à classificação incorreta realizada pela importadora.  Ou seja, o fato de a mercadoria ter sido desembaraçada pela fiscalização sem que tenha havido  qualquer  ressalva  naquela  oportunidade  não  impede  que  a  fiscalização  revise  este  ato,  procedendo à cobrança de eventuais diferenças que entender devidas.  É  o  que  se  extrai,  por  exemplo,  da  decisão  constante  do Acórdão  n.  3401­ 003.431, de 28/03/2017):  Assunto: Classificação de Mercadorias  Período de apuração: 31/10/2006 a 09/02/2011  Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.584          29 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. GRAVADORES.  (...).  CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÂMERAS.  (...).  REVISÃO ADUANEIRA.  A  revisão  aduaneira,  procedimento  que  faz  parte  do  despacho  aduaneiro  (artigo 44 e seguintes do Decreto­Lei nº 347/1966), é distinta da revisão de  ofício, que pressupõe a existência de um lançamento anterior e será realizada  nas  hipóteses  previstas  no  artigo  149  do  CTN.  Apenas  nos  despachos  aduaneiros  em  que  houve  lançamento,  é  possível  se  cogitar  da  vedação  de  alteração de critério jurídico, prevista no artigo 146, do CTN.  (...).  Nesse  contexto,  há  de  se  reconhecer  que  a  fiscalização,  ao  realizar  reclassificação fiscal quando da revisão aduaneira, não está, via de regra, violando o art. 146 do  CTN, pois não há que se falar em mudança de critério jurídico em tal caso.  A  revisão  aduaneira  poderá  ser  realizada  pela  fiscalização,  portanto,  dentro  do prazo decadencial de 5 anos contado do registro da DI, independentemente de se perquirir  acerca de eventual  fraude, erro ou omissão por parte do contribuinte. Foi prevista,  inclusive,  em  benefício  dos  próprios  contribuintes,  no  intuito  de  conferir  maior  celeridade  ao  procedimento de desembaraço aduaneiro.   Ou  seja,  tal  desembaraço  muitas  vezes  é  realizado  sem  que  a  fiscalização  tenha condições de realizar uma análise mais cautelosa acerca da classificação fiscal realizada  pelo  contribuinte,  mas  sem  prejuízo  de  que  esta  revisão  seja  realizada  posteriormente  pela  fiscalização, quando entender necessário.   Porém,  apesar  dos  fundamentos  acima  expostos,  que  são  corriqueiramente  adotados  nos  julgamentos  proferidos  por  este  Conselho,  entendo  que  há  elementos  fáticos  adicionais  no  presente  caso  que  levam  à  conclusão  diversa  para  o  caso  específico  aqui  analisado.  Para  fins  de  contextualização  do  caso  concreto  sobre  o  qual  ora  nos  debruçamos,  trago  a  seguir  a  cronologia  dos  fatos  conforme  relato  apresentado  pelo  contribuinte:  "31/12/2008 ­ Publicação da circular SECEX n. 95/08 (fls. 2.209/2.218), que  deu  início  à  investigação  para  averiguar  a  existência  de  dumping  nas  importações de  calçados da China  ­ A Recorrente  classificava praticamente  todos os seus modelos na NCM 6402;  04/08/2009  ­  A  Recorrente  apresentou  petição  ao MDIC  (fls.  2.219/2.226)  expondo  que  seus  calçados  eram  impermeáveis/injetados  e  solicitava  a  exclusão destes da investigação;  08/09/2009  ­  Publicada  a  Resolução  CAMEX  48/09  (fls.  1.744/1.751)  aplicando o direito antidumping provisório aos calçados importados da China  e classificados nas posições NCM 6402 e 6405 e expressamente excluindo da  Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.585          30 investigação os calçados impermeáveis/injetados comumente classificados na  NCM 6401 da investigação;  09/09/2009 ­ A Recorrente apresenta nova petição ao MDIC (fls. 1.752/1753)  apontando dificuldades que já vinha enfrentando junto ao DECEX na análise  e  liberação  de  suas  LIs,  que  em  muitos  casos  ultrapassavam  60  dias,  prontificando­se  a  alterar  a  classificação  então usada  (6402) para  a 6401  já  que seus calçados eram claramente impermeáveis/injetados;  02/10/2009 ­ A Recorrente tomou conhecimento de exigência da autoridade  aduaneira do Porto de Santos/SP para  recolhimento de direitos antidumping  na DI 09/1306574­3 (fls. 1.754) que continha diversos modelos;  07/10/2009  ­  A  Recorrente  protocolou  petição  perante  a  CAMEX  (fls.  1.755/1.757)  informando  sobre  a  exigência  das  autoridades  aduaneiras  do  Porto  de  Santos  e  solicitou  a  retificação  da CAMEX n.  48  para  incluir  no  artigo 1º, parágrafo único os calçados impermeáveis/injetados;  23/10/2009  ­  A  CAMEX  emitiu  a  Nota  Técnica  n.  109/2009  (fls.  1.758/1.761) na qual informou não caber a retificação da Resolução CAMEX  n. 48/09 por se tratar de norma positiva, mas reconhece expressamente que os  calçados da Recorrente são impermeáveis/injetados, classificados na posição  6401 e, portanto, fora do alcance da medida;  12/11/2009  ­  A  Recorrente,  então,  informou  tal  situação  ao  Sr.  Inspetor­ Chefe  da  Alfândega  do  Porto  de  Santos  (fls.  1.762/1.764)  e  requereu  autorização  para  corrigir  a  classificação  fiscal  de  6402.99.90  para  6401.99.90;  19/11/2009 ­ O Sr. Inspetor­Chefe da Alfândega do Porto de Santos fez uma  "Solicitação de Vistoria Técnica" SAT 6304/09 EQCOF (fls. 997 ou 1.765) e  requereu  a  designação  de  assistente  técnico  para  responder  alguns  quesitos  sobre os produtos da Recorrente, conforme Portaria n. 103/09 da Alfândega  do  Porto  de  Santos  que  foi  realizada  na  presença  do  Sr.  AFRFB  Mario  Tomiyasu Hukazono ­ matrícula 3.011.518­3;  26/12/2009  ­  Depois  da  vistoria  técnica,  a  perita  designada  (Engª  Débora  Aparecida  Mayer  ­  CREA  0681939442)  elaborou  o  Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF  que  confirmou  que  "todas  as  amostras  realizadas  tratam­se  de  calçados  impermeáveis  produzidos  pelo  processo  de moldagem por  injeção  de plástico, 100% CrosliteTM" (fls. 999/1.112 ou 1.767/1.781);  14/01/2010  ­  O  Sr.  Agente  Fiscal  liberou  as  mercadorias  da  Recorrente,  conforme tela do SISCOMEX (fls. 1.782) com a observação abaixo, havendo  sido  autorizadas  e  realizadas  as  retificações  das DIs,  conforme documentos  de fls. 1.783/1.784:  TENDO  EM  VISTA  O  PARECER  DO  ADRFB  MARIO  HOKAZONO:  'CONFORME  LAUDO  TÉCNICO  ANEXADO  TRATA­SE  DE  CALÇADO  INFANTIL  PRODUZIDO  EM  PLÁSTICO  INJETADO,  DE  100%  CROSSLITE.  NO  MEU  ENTENDIMENTO,  É  CABÍVEL  O  PEDIDO  DO  IMPORTADOR  PROTOCOLIZADO  EM  12/11/2009.  D.I.  ENCAMINHADO AO  EQDAT  PARA  PROSSEGUIMENTO.',  RETIRO A  EXIGÊNCIA  Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.586          31 DE  RECOLHIMENTO  DE  ANTIDUMPING.  RECLASSIFICAR  A MERCADORIA  NA  POSIÇÃO NCM 6401.99.90. RECOLHER MULTA POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO.  RECOLHER ICMS COMPLEMENTAR.  A  partir  da  edição  da Nota  Técnica  n  109/2009  e  da  elaboração  do  Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF a Recorrente passou a classificar suas mercadorias na NCM 6401.99.90 que foram  desembaraçadas  pelas  autoridades  fiscais,  mesmo  quando  submetidas  a  novas  vistorias  físicas pelos canais amarelo e vermelho.  05/03/2010 ­ publicada a Resolução CAMEX 14/10 (fls. 1.795/1.800) aplicando os direitos  antidumping definitivos para os calçados  importados da China e classificados nas posições  NCM 6402 a 6405;  07/01/2015 ­ lavratura do auto de infração"  De uma simples análise dos fatos acima narrado, verifica­se que não se está  diante de um caso padrão em que as mercadorias foram inicialmente desembaraçadas sem que  tenha  sido  feita  uma  análise  detida  das  características  do  produto  importado,  verificando­se  posteriormente,  em  revisão  aduaneira,  que  a  classificação  fiscal  adotada  pelo  contribuinte  estava equivocada.  Trata­se,  in  casu,  de  situação  muito  particular,  em  que  o  contribuinte,  em  várias  oportunidades,  buscou  esclarecer  tanto  perante  a  CAMEX  quanto  perante  a  Receita  Federal  a  correta  classificação  fiscal  do  seu  produto  e  a  sua  sujeição  ou  não  às  regras  antidumping, tendo obtido, quando da liberação da DI n. 09/1306574­3, decisão administrativa  em  que  a  fiscalização  concluiu,  após  a  realização  de  vistoria  técnica  realizada  por  perita  designada  pela  própria  fiscalização,  que  o  contribuinte  deveria  reclassificar  a  mercadoria  originalmente  importada  com  base  no  NCM  6402  para  o  NCM  6401.99.90,  inclusive  procedendo ao recolhimento de multa por erro na classificação fiscal.   Tem­se,  portanto,  a  escolha  de  um  critério  jurídico  em  sede  administrativa  realizada pela fiscalização, após procedimento em que fora realizada uma análise minuciosa e  detida  das  mercadorias  importadas,  inclusive  através  da  realização  de  vistoria  técnica  determinada pela própria  fiscalização. Ou seja, o ato que expressa o critério  jurídico adotado  pela fiscalização para este caso específico não é o Laudo SAT 6.304/09 em si, elaborado por  engenheira credenciada, mas sim a determinação  fiscal de reclassificação  fiscal para o NCM  6401.99.90, realizada por Auditor Fiscal, autoridade competente para fins de determinação de  classificação fiscal e de cobrança de direitos antidumping.  Com  base  nesta  decisão  administrativa  proferida  naquela  oportunidade,  a  qual  tornou­se  definitiva  em  razão  do  acatamento  por  parte  do  contribuinte  das  conclusões  obtidas  pela  fiscalização,  o  contribuinte  passou  a  realizar  as  suas  importações  subsequentes  com base no NCM 6401.99.90, por acreditar que  esta  era  a  correta  classificação  fiscal  a  ser  adotada  no  seu  caso  específico.  E  entendo  que,  diante  das  particularidades  que  envolvem  o  caso concreto em relevo, não há como se exigir do contribuinte conduta diversa.  Isso  porque,  houve  uma minuciosa  análise  por  parte  da  fiscalização  acerca  das  características  específicas dos produtos  em  relevo, da  correta  classificação a  ser  adotada  pelo  contribuinte,  inclusive  analisando  se  estariam  tais  mercadorias  sujeitas  às  regras  antidumping,  culminando  em  decisão  administrativa  expressa  e  definitiva  proferida  naquela  oportunidade. Entendo, portanto, que a lavratura de auto de infração com a adoção de critério  jurídico  diverso  do  ali  indicado  representa  uma  verdadeira  afronta  à  segurança  jurídica  que  deve reger as relações entre Fisco e contribuinte.   Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.587          32 Até porque, entendo que a decisão proferida pela fiscalização que culminou  na determinação de reclassificação da mercadoria para a NCM 6401.99.90, com a exigência de  multa  por  erro  na  classificação  fiscal,  representa,  na  verdade,  um  lançamento  fiscal  apto  a  expressar  o  critério  jurídico  adotado  pela  Receita  Federal  para  a  importação  daquelas  mercadorias. Entendo, pois, que há particularidades neste caso concreto que levam à conclusão  diversa daquela adotada pela Relatora.  Este  Conselho,  inclusive,  já  decidiu  pela  impossibilidade  de  aplicação  de  multa  quando  comprovado  que  o  sujeito  passivo  agira  em  conformidade  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida  anteriormente  à  ocorrência  de  fatos  geradores  (vide  Acórdão  2202­00142  de  03/06/2009).  Embora  a  decisão  ali  proferida  trate  de  caso  diverso  do  aqui  analisado,  entendo  que  a  ratio  decidendi  segue  orientação  similar,  no  sentido  de  entender  que  não  se  pode  exigir  do  contribuinte  que haja  em desconformidade  com o  que  determinara  a  própria  fiscalização  em  decisão definitiva anteriormente proferida.   Considerando que o caso concreto objeto da presente demanda corresponde  ao  período  de  apuração  de  04/01/2011  a  10/05/2011,  ou  seja,  posterior  à  liberação  das  mercadorias realizada em 14/01/2010 (após a reclassificação fiscal realizada para 6401.99.90),  entendo que o contribuinte pautou os seus atos em estrita boa­fé, estando convicto de que agia  dentro  dos  parâmetros  da  legislação  federal  e  da  própria  interpretação  desta  conferida  pela  Receita Federal do Brasil, conforme critério jurídico fixado de forma expressa pela fiscalização  em processo complexo e detalhadamente instruído, inclusive com realização de perícia técnica.   Até  porque,  não  seria  razoável  exigir  do  contribuinte  que,  após  todo  o  procedimento realizado naquela oportunidade (elaboração de perícia técnica e determinação no  sentido de que a fiscalizada procedesse à reclassificação fiscal,  inclusive com o recolhimento  de multa por erro na classificação fiscal), realizasse importações futuras em que mantivesse a  classificação fiscal anteriormente adotada pela mesma, com base na NCM 6402. Até porque,  caso assim procedesse, é provável que findaria por sofrer a lavratura de auto de infração, tendo  que arcar com a exigência de penalidades atinentes ao erro na classificação fiscal adotada, ao  passo  que  teria  pouquíssimas  chances  de  êxito  em  sua  defesa,  visto  que  teria  descumprido  orientação dada pela fiscalização em decisão administrativa anterior e definitiva.   Há  de  se  reforçar,  inclusive  que  a  análise  realizada  pela  fiscalização  ao  determinar  a  reclassificação  fiscal  em  14/01/2010  levou  em  consideração  os  aspectos  específicos  relativos  aos  direitos  antidumping.  Ou  seja,  a  reclassificação  fiscal  determinada  pela  fiscalização  naquela oportunidade  analisou  situação  idêntica  a  que  é objeto  do  presente  auto  de  infração,  lavrado  para  fins  de  formalizar  o  lançamento  da  diferença  de  direitos  antidumping não recolhidos nas operações de importação.  Ademais, restou demonstrado pelo contribuinte que os modelos analisados no  Laudo  SAT  6.304/09  EQCOF  são  essencialmente  iguais  aos  modelos  objeto  de  análise  da  presente  autuação,  apenas  com  pequenas  variações  de  cores,  estampas  e  outros  pequenos  detalhes, que não influenciam na classificação fiscal das mercadorias, conforme se verifica do  Relatório  Fiscal  às  fls.  124/125  dos  autos.  Entendo,  portanto,  que  não  subsiste  a  afirmação  constante da decisão da DRJ no sentido de que os 5 (cinco) modelos específicos de calçados  importados  sequer  estariam  presentes  no  rol  de  modelos  indicados  no  auto  de  infração  em  relevo.  Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 10314.720037/2015­62  Acórdão n.º 3301­004.043  S3­C3T1  Fl. 2.588          33 Sendo assim, diante do contexto  fático acima apresentado, e em atenção ao  princípio  da  segurança  jurídica,  estampado  implicitamente  em  diversas  passagens  da  nossa  Constituição Federal, entendo que não há como subsistir a cobrança realizada através do auto  de  infração  combatido,  pois  não  havia  como  se  exigir  conduta  diversa  do  contribuinte neste  caso concreto.  Importante  registrar,  ainda,  que  a  conclusão  aqui  obtida  não  repercute  necessariamente em outros casos, ainda que similares, cujas características específicas deverão  ser observadas com base nas particularidades do caso concreto a ser apreciado.  Conclusão  Considerando  que  no  caso  concreto  aqui  analisado  as  mercadorias  do  contribuinte  passaram  por  uma  detalhada  análise  acerca  da  sua  correta  classificação  fiscal  e  sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping,  tendo a fiscalização concluído, após a  realização de vistoria técnica, pela necessidade de reclassificação fiscal do NCM inicialmente  adotado pelo contribuinte (6402) para o NCM 6401.99.90, inclusive com a cobrança de multa  em  razão  da  errônea  classificação  fiscal,  conclui­se  que  a  posterior  lavratura  de  auto  de  infração indicando que o enquadramento correto seria no NCM 6402.99.90, ao invés do NCM  6401.99.90, representa mudança de critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica  que deve nortear as relações entre Fisco e contribuinte.  Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação  fiscal  diversa  daquela  indicada  no  NCM  6401.99.90,  indicado  anteriormente  pela  própria  fiscalização, em procedimento de análise detida e cautelosa, como sendo o NCM correto, não  há  como  subsistir  a  cobrança  de  direitos  antidumping,  que  devem  ser  aplicados  apenas  aos  calçados classificados nas posições 6402 a 6405.  Diante  do  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  integral  provimento  ao  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte,  para  fins  de  cancelar  a  autuação  fiscal  em  referência.  É como voto.  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Redatora Designada)                  Fl. 2606DF CARF MF

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Numero do processo: 10517.720002/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para que para que o Ceclam emita parecer sobre a classificação fiscal dos produtos em tela. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para que para que o Ceclam emita parecer sobre a classificação fiscal dos produtos em tela. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório

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27 de abril de 2017  Assunto  CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Recorrente  DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS BRASIL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  processo em diligência para que para que o Ceclam emita parecer sobre a classificação fiscal  dos produtos em tela.    Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do  Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen,  Antônio Carlos  da Costa Cavalcanti,  José Henrique Mauri,  Liziane Angelotti Meira  e Maria  Eduarda Alencar Câmara Simões.      Relatório Por bem descrever os  fatos,  adoto o  relatório  elaborado pela decisão  recorrida  (fls. 836/853), abaixo transcrito:  A interessada promoveu a importação de diversos produtos do exterior,  entendendo  a  fiscalização,  com  relação  a  alguns  deles  a  seguir  explicitados,  em  razão  de  laudos  oficiais  elaborados,  ter  havido  classificação fiscal incorreta, o que resultou na cobrança de diferença  de imposto de  importação,  juros de mora, multa de ofício prevista na  lei 9430/96 e multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria  prevista  na  MP  2158­35/01  combinada  com  a  Lei  10833/03,  totalizando R$ 18.538.425,57.  (...)     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 17 .7 20 00 2/ 20 14 -6 6 Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 10517.720002/2014­66  Resolução nº  3301­000.320  S3­C3T1  Fl. 1.703          2 A interessada apresentou impugnação alegando, em síntese, que(...):  ­ a impugnação é tempestiva;   ­  a  falta  de  sua  participação  na  elaboração  dos  laudos  macula  os  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  sendo  que  não  se  manifestou sobre eles;  ­ não houve equívoco na descrição das mercadorias o que enseja a não  aplicação da penalidade de ofício em razão do ADN/COSIT 10/97;  ­  o mero  equívoco  na  classificação  fiscal  não  enseja  a  aplicação  da  penalidade  de  1%  do  valor  aduaneiro  uma  vez  que  a  descrição  das  mercadorias permitem a sua identificação;  ­ uma leitura criteriosa do art 711, I do Dec. 6759/09 leva a entender a  aplicação  da  multa  somente  se  do  fato  resulte  a  impossibilidade  de  identificação da mercadoria;  ­ cita em seu favor o ADN/COSIT 12/97;   ­ cita e analisa as regras de classificação fiscal;  ­ inquestionavelmente se aplicam melhor as NESH da posição 2936;  ­ a mercadoria PARSOL SLX é de sua fabricação e nada pode ser mais  específico que isso;  ­ a ração animal pode conter vitaminas mas o contrário não é possível;  ­ a essencialidade da RGI 3, b deve ser levada em conta ao considerar  vitaminas mais específicas do que ração animal;  ­ a RGI 3, c traz critérios de desempate para ser aplicado ao caso;  ­ a classificação das vitaminas de seu no Capítulo 29, Posição 36 em  função  da  especificidade  e  da  essencialidade  dos  produtos,  estando  incorreta a classificação apresentada pela fiscalização;  ­  os  laudos  nunca  concluíram  que  os  produtos  importados  não  eram  vitaminas  mas  apenas  acrescentaram  outras  substâncias,  que  são  simples  facilitadores  para  o  transporte  e  a  conservação,  bem  como  para auxiliar a manipulação e a dosagem no preparo da ração animal;  ­  os  laudos em análise não  informam as quantidades dos  excipientes,  contrariando  a  Nota  Explicativa  da  posição  2309  que  fala  em  quantidade  das  substâncias  acrescentadas,  que  não  sejam  superiores  aos necessários à sua conservação ou  transporte e não modifiquem o  caráter do produto tornando­o apto para uso específico de preferência  à sua aplicação geral;  ­ as vitaminas  importadas não  foram obtidas por meio do  tratamento  de  matérias  vegetais  ou  animais  e  muito  menos  perderam  suas  características específicas e essenciais;  ­ quanto ao PARSOL, que produz, cita as NESH da posição 3910;  Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10517.720002/2014­66  Resolução nº  3301­000.320  S3­C3T1  Fl. 1.704          3 ­ a Decisão COANA 2, de 1999 classificou a vitamina E adsorvida em  sílica na posição 2936;  ­ decisões da DRJ/SP, com base nas decisões COANA 2, 3, 11 e 14, de  1999, desconsideraram as autuações fiscais na Posição 2309;  ­  a  Nota  1  do Capítulo  23  das NESH  diz  que  a  inclusão  na  posição  2309  somente  se  dá  se  os  produtos  não  estiverem  especificados  nem  compreendidos em outras posições;  ­  ainda  que  a  vitamina,  de  nome  comercial  ROVIMIX  E­50  ADSORBATE.  vá  ser  adicionada  à  ração  animal,  a  correta  classificação é 2936.28.12, sendo também esta a correta classificação  da vitamina de nome comercial ROVIMIX E­50 SD;  ­  a  vitamina de nome comercial ROVIMIX D3 500 apresenta  correta  classificação  na  posição  2936  pois  a  inclusão  de  excipientes  na  composição  é  admitida  pela  legislação  em  vigor  e  não  há  qualquer  comprovação de que em quantidade superior admitida para transporte  e conservação;  ­  perito  químico  ex  funcionário  da  Receita  Federal  confirmou  a  classificação  adotada  pela  impugnante,  bem  como  decisão  do  CARF  onde foi adicionada lactose à vitamina D3;  ­  a  vitamina  de  nome  comercial  ROVIMIX  C­EC  apresenta  correta  classificação 2936.27.10, não  sendo  suficiente a adição de  excipiente  como  derivado  de  celulose  para  retirar  a  sua  especialidade  e  a  sua  essencialidade de vitamina, o que foi entendimento do CARF;  ­  a  vitamina  de  nome  comercial  ROVIMIX  FOLIC  80  SD  apresenta  correta  classificação  2936.29.11,  não  sendo  suficiente  a  adição  de  excipiente como um polissacarídeo para retirar a sua especialidade e a  sua essencialidade de vitamina, o que foi entendimento do CARF;  ­  a  vitamina  de  nome  comercial  ROVIMIX  B2  SD  apresenta  correta  classificação  na  posição  2936  pois  a  inclusão  de  excipientes  na  composição  é  admitida  pela  legislação  em  vigor  e  não  há  qualquer  comprovação de que em quantidade superior admitida para transporte  e conservação, o que foi entendimento do CARF;  ­  quanto  ao  produto  PARSOL,  em  momento  algum  o  laudo  faz  referência  ao  peso  molecular  da  amostra  coletada,  não  havendo  a  conclusão de que os pré­polímeros misturados, obtidos por hidrólise de  dimetildiclorosilano,  não  poderiam  ser  equiparados  ao  polissiloxano  contendo grupamento de éster, não tendo havido fundamentação legal  ou técnica para desconsiderar a classificação utilizada.  Posteriormente  à  impugnação,  a  interessada  pleiteou  a  juntada  de  laudos  técnicos,  o  que  foi  atendido  por  esta DRJ/SP,  constante  do e­ processo.  Ao  julgar a  impugnação, a 24ª Turma da DRJ/SPO proferiu o Acórdão n° 16­ 72.690 ­ 24ª Turma da DRJ/SPO, com a seguinte ementa( 836):  ASSUNTO:  CLASSIFICAÇÃO  DE  MERCADORIAS  Período  de  apuração:  01/01/2010 a 31/12/2013 Preparação para ser adicionada à ração animal.  Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 10517.720002/2014­66  Resolução nº  3301­000.320  S3­C3T1  Fl. 1.705          4 Preparações  especificamente  elaboradas  para  serem  adicionadas  à  ração  animal  apresentam correta classificação fiscal 2309.90.90.  Óleo de Silicone. Polissiloxano contendo Grupamento Éster, na forma líquida, outro  óleo de silicone, apresenta correta classificação fiscal 3910.00.19.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido  A DSM  Produtos  Nutricionais  Brasil  S/A  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls  881/935), no qual apresenta as mesmas alegações e pedidos constantes da Impugnação.  Às  fls.  939/940,  a  Recorrente  informou  o  oferecimento  de  seguro­garantia  no  montante total e atualizado do débito discutido neste processo e pediu juntada dos documentos  pertinentes (fls 941/953).  Às  fls.  956/961,  a  Recorrente  juntou  documento  onde  retoma  suas  razões,  especificamente:  ·  defendeu  a  impossibilidade  de  aplicação  das  multas  cominadas,  asseverando que o ADN Cosit no 10/97 foi substituído pelo ADI SRF no  13/97,  o  qual  inequivocamente  afastou  a  aplicação  da  multa  regulamentar desde que o produto esteja corretamente descrito;  · asseverou  que  "sendo  certo  que  a  aplicação  da  multa  de  ofício  (ou  proporcional)  ocorreu  em  função  da  suposta  classificação  incorreta  da  mercadoria,  não  restam  dúvidas  de  que  o  ADN  Cosit  no  12/97,  dispositivo  legal vigente,  deve  ser  aplicado  a estes  autos para  afastar  a  cobrança desta multa, sob pena de aplicação não isonômica da legislação  posto  que  inúmeros  outros  Contribuintes,  na  exata  situação  da  Recorrente, já foram beneficiados com o cancelamento deste débito";  · alegou  "ausência  de  fundamentação  que  justifique  a  manutenção  da  classificação  pretendida  pela  Receita";  e  pediu  "que,  a  exemplo  dos  demais  julgamentos já realizados por este Conselho, sejam confirmadas  as  classificações  fiscais  indicadas  pela  Recorrente  nas  importações  objeto de análise, cancelando­se assim, por consequência, a integralidade  do auto de infração aqui combatido."  É o relatório.    Voto  O objetivo primordial do presente julgamento é obter a verdade material quanto  à correta classificação  fiscal dos produtos, pois a decisão  trará  reflexos  tanto para o presente  processo quanto para vários outros pendentes, bem como para as futuras importações a serem  realizadas pela recorrente.  Diante do exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência  para  que  o  presente  processo  seja  encaminhado  ao  Centro  de  Classificação  Fiscal  de  Mercadorias  (Ceclam),  criado  pela  Portaria  RFB  nº  1921/2017,  para  que  emita  parecer  a  respeito da classificação fiscal do produto em discussão.  Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10517.720002/2014­66  Resolução nº  3301­000.320  S3­C3T1  Fl. 1.706          5  Caso  o  Ceclam  entenda  que  os  laudos  técnicos  produzidos  no  presente  processo, sejam insuficientes, para a perfeita caracterização técnica do produto, fica autorizado  a solicitar a realização de perícia técnica.  Após  concluído  o  seu  exame,  o  Ceclam  deverá  enviar  o  presente  processo  à  unidade  de  controle  de  origem,  para  cientificar  o  contribuinte  quanto  ao  parecer  elaborado,  dandolhe prazo de 30 dias para se pronunciar a respeito dos elementos produzidos.  Concluídas  as  etapas  anteriores  o  processo  deve  ser  devolvido  ao CARF  para  que se prossiga no julgamento.    Liziane Angelotti Meira ­ Relatora  Fl. 1706DF CARF MF

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Numero do processo: 11065.721693/2015-24
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 DECISÃO FUNDAMENTADA EM MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater-se aos fundamentos por elas indicados (REsp nº 946.447/RS e art. 489, § 1º, inciso IV, do CPC/2015). A observância do Convênio ICMS 52/91 não afasta a aplicação de penalidades e outras exigências, na forma do art. 100, parágrafo único, do CTN, pois o órgão competente para efetuar a classificação de mercadorias é a RFB, não se verifica omissão no julgado. FUNDAMENTAÇÃO. CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE. A fundamentação da decisão pode se dar mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, que serão parte integrante da mesma (art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99 e art. 114, § 12, I, do RICARF). CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ANÁLISE COM BASE NAS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, SOB AS DIVERSAS PERSPECTIVAS PLAUSÍVEIS. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo a decisão relativa à classificação fiscal dos produtos sido fundamentada em detalhada análise, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, ainda que sob mais de uma perspectiva, incluindo a defendida pela recorrente, não há que se falar em contradição ou obscuridade.
Numero da decisão: 9303-014.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 DECISÃO FUNDAMENTADA EM MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater-se aos fundamentos por elas indicados (REsp nº 946.447/RS e art. 489, § 1º, inciso IV, do CPC/2015). A observância do Convênio ICMS 52/91 não afasta a aplicação de penalidades e outras exigências, na forma do art. 100, parágrafo único, do CTN, pois o órgão competente para efetuar a classificação de mercadorias é a RFB, não se verifica omissão no julgado. FUNDAMENTAÇÃO. CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE. A fundamentação da decisão pode se dar mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, que serão parte integrante da mesma (art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99 e art. 114, § 12, I, do RICARF). CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ANÁLISE COM BASE NAS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, SOB AS DIVERSAS PERSPECTIVAS PLAUSÍVEIS. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo a decisão relativa à classificação fiscal dos produtos sido fundamentada em detalhada análise, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, ainda que sob mais de uma perspectiva, incluindo a defendida pela recorrente, não há que se falar em contradição ou obscuridade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 16 93 /2 01 5- 24 Fl. 3241DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Trata-se de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte (fls. 3.156 a 3.174) contra o Acórdão nº 9303-013.126 (fls. 3.120 a 3.139), proferido por esta 3ª Turma da CSRF em 14/04/2022, de relatoria do ilustre Conselheiro Valcir Gassen, no qual foi negado provimento ao Recurso Especial, por unanimidade: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 GEOMEMBRANAS IMPERMEABILIZANTES DE RESERVATÓRIOS, AINDA QUE VENDIDAS ACOMPANHADAS DE ACESSÓRIOS PARA INSTALAÇÃO. OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICO, CLASSIFICAÇÃO FISCAL 3926.90.90. ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES. LISTA EXAUSTIVA. As Geomembranas plásticas trabalhadas pela implantação de ilhoses por soldagem ultrassônica, destinadas à impermeabilização de reservatórios destinados à piscicultura, carcinocultura, reserva de dejetos, dentre outras aplicações que lhes são características, não se constituem em reservatórios, ainda que fornecidas com os acessórios necessários para instalação por empresas terceirizadas, ou prontos para instalação, na forma de "kits" acompanhados de manual de instruções. Assim, não se encaixam na lista exaustiva de artefatos para apetrechamento de construções da Posição 39.25, trazida na Nota 11 do Capítulo 39 da TIPI, sendo classificadas como outras obras de plástico, Código 3926.90.90. Conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos (fls. 3.198 a 3.204), foram alegados: 1) Omissão, advinda da falta de exame das disposições do art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, em relação aos Silos e Silos Bags; 2) Contradição e obscuridade, quanto à classificação fiscal dos reservatórios de geomembrana. O contribuinte também havia apresentado Embargos de Declaração (fls. 2.216 a 2.238) contra o Acórdão de Recurso Voluntário (fls. 2.164 a 2.213), também alegando: V. Obscuridades e contradições específicas aos reservatórios (geomembranas e silos); VII. Omissão – A multa deve ser afastada por força do art. 100 do CTN Os Embargos foram rejeitados, monocraticamente, pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 2.242 a 2.262). É o Relatório. Voto Fl. 3242DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 Conselheira Liziane Angelotti Meira, Relatora. 1) Omissão (art.100, parágrafo único, do CTN). O dispositivo legal que não teria sido apreciado no Acórdão embargado prevê o seguinte: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. (grifou-se). Nos termos dos Embargos de Declaração: 14. No decorrer do processo, a Embargante sustentou que não poderia a fiscalização ter atribuído classificação fiscal aos silos e aos silos bags diferente do NCM 3925.10.00, sob pena de descumprir o Convênio ICMS nº 52/19911, editado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (“CONFAZ”). 15. Pois bem, a Embargante também ressaltou que, subsidiariamente, ainda que não acatada a classificação do referido convênio, em razão do art. 100 do CTN, jamais poderia ser cobrada a multa de ofício e os juros: (...) 16. No relatório do acórdão embargado, o relator bem aponta que em sede de Recurso Especial discute-se apenas a aplicação do referido artigo, ou seja, a possibilidade de aplicação ou não da multa e dos juros: (...) 17. No entanto, com a devida vênia, o trecho do Acórdão recorrido transcrito pelo relator e que supostamente fundamentaria o afastamento do art. 100 do CTN nada menciona sobre juros e multa! Trata apenas da competência da Receita Federal para classificar mercadorias: (...) 18. Ora, como bem delineado no relatório da decisão embargada, o tópico admitido e objeto do Recurso Especial não se refere à classificação fiscal dos silos, nem tampouco discute quem possui competência para classificar mercadorias. A matéria objeto de julgamento é a impossibilidade de o fisco cobrar multa e juros diante da existência de norma do CONFAZ. 19. Pelo exposto, resta evidente que a decisão embargada é absolutamente omissa no que se refere ao referido tópico. Não há absolutamente nenhum fundamento para afastar a aplicação do art. 100 do CTN. (grifou-se). O Acórdão de Recurso Especial segmenta as discussões em duas matérias, sendo a primeira expressamente intitulada: “Inaplicabilidade da Multa – art. 100, parágrafo único do CTN – Silos e Silos Bags”. Como fundamentação transcreve excertos do Despacho (fls. 2.242 Fl. 3243DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 a 2.262) em que se rejeitaram Embargos de Declaração contra o Acórdão de Recurso Voluntário, nos quais o contribuinte, conforme já relatado, trouxe idêntica alegação de omissão. Naquele Despacho, por sua vez, foram transcritas as fundamentações do Acórdão de Recurso Voluntário quanto à observância do Convênio ICMS 52/91 (fls. 2.196): (A recorrente ...) Continua alegando que o Convênio ICMS 52/91 e por consequência os Regulamentos de ICMS dos Estados classificam o silo de lona dupla face/aberto na mesma posição NCM praticada pela Recorrente. Dessa forma, não faria qualquer sentido que a Recorrente, ao aplicar o Convênio, adotasse classificação distinta para o mesmo produto em suas notas fiscais, sob pena de violação ao Convênio e às leis estaduais e incoerência interna na postura da Recorrente. forma como foi classificada uma determinada mercadoria em atos normativos A expedidos pelos diversos entes da federação não são elementos levados em consideração para se efetuar a classificação das mercadorias. Além do mais é preciso confirmar se o ato se refere à mesma mercadoria. Como já exposto o órgão competente para efetuar a classificação das mercadorias é a RFB, e se os diversos órgão públicos publicam referências ao código NCM adequado para determinada mercadoria em seus atos administrativos, em tese, eles deveriam consultar a RFB para ter certeza e propiciar segurança para os contribuintes. Claro que não se está aqui a questionar o ato referenciado pelo contribuinte, já que deveria haver uma análise mais aprofundada do mesmo para evitar constatações precipitadas. (grifou-se). O Acórdão de Recurso Voluntário não cita, especificamente, o art. 100, parágrafo único do CTN, mas, ainda assim, no Despacho que rejeitou os Embargos, entendeu-se que não ficou configurada a omissão: Verifica-se que a decisão embargada refutou expressamente a tese da recorrente de utilização do Convênio ICMS 52/91, como regra aplicável aos silos (de lonas de dupla face e abertos/silos bolsas), demonstrando que o órgão competente para efetuar a classificação de mercadorias é a RFB, e se os diversos órgãos públicos publicam referências ao código NCM adequado para determinada mercadoria em seus atos administrativos, em tese, eles deveriam consultar a RFB para ter certeza e propiciar segurança para os contribuintes, sendo estes portanto os fundamentos relevantes, segundo a decisão embargada no contexto dos autos para a solução do litígio não se configurando a omissão suscitada, já que a matéria nuclear o presente caso é a classificação dos produtos já destacados, demonstrando fundamentadamente a decisão embargada que as regras jurídicas aplicáveis são as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e, subsidiariamente, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH) e não o Convênio ICMS 52/91, para fins de determinar a classificação fiscal de um produto, como arguiu a recorrente em sede de recurso voluntário. (grifou-se). Com base nisto, no Acórdão de Recurso Especial, por unanimidade, entendeu- se “pela inaplicabilidade do art. 100, Parágrafo Único, do CTN”. No Acórdão embargado foi dedicado um item específico para este tema, “1) Inaplicabilidade da multa – art. 100, Parágrafo Único do Código Tributário Nacional – Silos e Silos bags”. No mencionado item, deixou-se expressa a conclusão adotada: “Com a devida vênia verifica-se não assistir razão ao Contribuinte no que tange a aplicação do disposto no art. 100, Parágrafo Único, do CTN.” Ademais, consignou-se de onde vinham os fundamentos desse Fl. 3244DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 entendimento: “Atente-se que essa matéria já foi objeto de Embargos de Declaração, rejeitados com os seguintes argumentos com os quais se fundamenta a decisão:” (grifou-se). Dentre esse fundamentos estão destacados os seguintes: A forma como foi classificada uma determinada mercadorias em atos normativos expedidos pelos diversos entes da federação não são elementos levados em consideração para para se efetuar a classificação das mercadorias. Além do mais é preciso confirmar se o ato se refere à mesma mercadoria. Como já exposto o órgão competente para efetuar a classificação das mercadorias é a RFB, e se os diversos órgãos públicos publicam referência ao código NCM adequado para determinada mercadoria em seus atos administrativos, em tese, eles deveriam consultar a RFB para ter certeza e propiciar segurança para os contribuintes. (destaques constam da decisão embargada) (grifou-se). Dessa forma, evidencia-se de forma bastante clara o entendimento esposado na na decisão embargada: um Convênio ICMS não se presta à classificação fiscal de mercadorias, pois o órgão competente para tal é a RFB. Assim, a observância do disposto Convênio ICMS nº 52/91 não se enquadraria nas hipótese do art. 100 do CTN, para afastar imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Portanto, é de se concluir que não houve omissão. Assim, rejeito os Embargos de Declaração no que se refere à omissão relativa ao art. 100, parágrafo único, do CTN. 2) Contradição e obscuridade (classificação fiscal dos reservatórios de geomembrana). Esta foi a segunda matéria admitida do Recurso Especial, intitulada no Acórdão embargado como “2) Classificação fiscal dos reservatórios de geomembranas”. Após transcrever as alegações do contribuinte no Recurso Especial, o Conselheiro Valcir, aquiescendo com a decisão do CARF, com base na legislação processual, transcreve os respectivos trecho do Voto Condutor. Ressalte-se que, conforme expressamente indicado, a motivação foi mediante declaração de concordância com a decisão recorrida, nos termos do o art. 50, § 1°, da Lei n° 9.784, de 29/01/1999. Cumpre apenas mencionar que o art. 114 do RICARF (aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023) contempla dispositivo no mesmo sentido do texto legal mencionado. Nesse sentido, foi transcrita a decisão recorrida, que se tornou parte integrante do Acórdão da CSRF e, dessa forma, entendeu-se acertada a decisão ora recorrida, que por unanimidade entendeu que a correta classificação é a NCM 3926.90.90. Assim, cabe analisar se as alegadas contradiçõese obscuridades se verificam (ou não) no Acórdão de Recurso Voluntário, pois, no Acórdão de Recurso Especial, toda a fundamentação se dá mediante declaração de concordância com os fundamentos do Acórdão recorrido. Nos termos dos Embargos de Declaração: 33. ... o acórdão embargado também é contraditório, obscuro e omisso no que concerne à análise da classificação fiscal dos reservatórios de geomembrana. Fl. 3245DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 34. Em relação aos reservatórios, o argumento principal utilizado por esta E. CSRF para manter a classificação proposta pela fiscalização, foi no sentido de que o NCM 39.25 pretendido pela Embargante não seria adequado, na medida em que tal capítulo se destinaria exclusivamente a “artigos para a construção”, de modo que o produto a ser classificado não poderia se confundir com a própria construção. Confira-se: Como se pode verificar se se considerar a geomembrana com um “reservatório”, como quer entender a empresa, então ele não seria parte de uma construção, mas a construção em si, completa e acabada. Assim é que os reservatórios referidos na Nota 11 são aqueles que apetrecham uma construção, como uma caixa d’água ou uma estrutura para armazenamento de líquidos em uma indústria. Não se referem, portanto, às obras de construção civil que se caracterizam per si como reservatórios. O que leva a conclusão de não ser possível o enquadramento na posição 39.25, por faltar-lhe a característica essencial de ser um artigo para construção. 35. Para dar suporte a este argumento, o acórdão destaca que os demais itens do código 39.25 se referem a partes de uma construção, como portas, janelas, alisares, etc., ou seja, produtos que compõem a construção, mas não se confundem com a própria construção. 36. Nessa linha, o acórdão conclui que a classificação pretendida pela Embargante não seria possível, já que “se se considerar a geomembrana como um “reservatório”, (...), então ele não seria parte de uma construção, mas a construção em si, completa e acabada”, assim, não seria possível “o enquadramento na posição 39.25, por faltar- lhe a característica essencial de ser um artigo para construção”. 37. Ora, há uma evidente obscuridade e contradição na medida em que o próprio acórdão embargado menciona que os reservatórios se destinam a equipar as construções de fábricas, estações de tratamento de lixo, fazenda de piscicultura, etc. No entanto, confunde o reservatório com a obra civil que ele equipa e trata a escavação como se reservatório fosse: Questionado se a escavação e/ou eventual concretagem dos reservatórios era de sua responsabilidade, o contribuinte informou que não. Essa etapa da construção dos reservatórios cabe a seus clientes. Como se vê, embora identificados como "reservatórios" e vendidas sob medida juntamente com os serviços de instalação, as geomembranas produzidas pelo contribuinte são, de fato, lâminas de polietileno destinadas à impermeabilização de reservatórios. Tais reservatórios são obras de construção civil executadas pelos clientes da fiscalizada mediante escavação, movimentação de terra e, eventualmente, concretagem. Como já referido, as funções desses reservatórios incluem lagoas de oxidação biológica, tanques em agroindústrias, valas de aterros sanitários, valas de resíduos industriais, tanques de oxidação, esterqueira, mineração, piscicultura, reservatórios de água, entre outras aplicações. Portanto, os reservatórios não são construídos nem vendidos pela fiscalizada. Eles são construídos pelos seus clientes e poderiam ser – em grande parte dos casos – utilizados imediatamente sem qualquer impermeabilização. (...) Nesses casos, a fiscalizada é contratada para executar a impermeabilização mediante a produção e aplicação de geomembranas, em conformidade com projetos específicos de impermeabilização para cada obra. Fl. 3246DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 38. Vale destacar que a obra civil é um projeto maior como a construção de uma unidade de piscicultura ou de uma usina de tratamento, que exige diversos outros equipamentos como casa de máquinas, central elétrica, sendo o reservatório um apetrecho, um acessório da referida construção e não a própria obra. Essa é a contradição e obscuridade! 39. Ou seja, os reservatórios de geomembrana servem para integrar/aparelhar construções de usinas de tratamento, de unidades de carcinicultura, aterros sanitários, indústrias, centros de mineração, usinas de reciclagem. Isto é, o reservatório é um equipamento que compõe uma construção com o fim de permitir o armazenamento de substâncias líquidas e sólidas originadas da atividade exercida em cada obra, de modo que o reservatório observará as necessidades específicas de cada projeto. 40. Nesse sentido, sendo equipamento que compõe uma construção, com o fim de permitir o armazenamento de substâncias líquidas e sólidas originadas da atividade exercida em cada obra, o reservatório observará as necessidades específicas de cada projeto. 41. No processo produtivo dos reservatórios de geomembrana, leva-se em conta o projeto, ou seja, é o projeto do reservatório que determina a capacidade e formato da escavação e não o contrário: (...) 42. Por isso, tais reservatórios não são compostos exclusivamente pelas geomembranas que constituem as paredes, pelo contrário, exigem componentes indissociáveis e indispensáveis à instalação, a exemplo dos Engelock e do cordão/fio de solda. 43. Arremate-se, pois, que o simples fato de os componentes do reservatório geomembrana serem transportados desmontados, não desqualifica o produto industrializado pela Embargante como reservatório, conforme já decidido em julgados do E. CARF: (...) 44. Isto é, apesar de serem transportados desmontados, devem ser considerados produtos prontos e acabados (Nota Explicativa VII da Regra 2a das NESH), porquanto, os reservatórios em questão se inserem na alínea “a” da Nota Explicativa 11 da Posição 39.25: 11 – A posição 39.25 aplica-se exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: a) reservatórios, cisternas (incluídas as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros; 45. Isso porque, os reservatórios desmontados, assim como os demais itens citados na Nota 11, detêm as características essenciais dos produtos. As funcionalidades se aperfeiçoam e são exercidas quando agregadas as partes, conforme o projeto. O mesmo ocorre com um móvel planejado, um tanque industrial de fermentação desmontado para transporte, etc. 46. Nesse sentido, o acórdão nº 3101-001.310 que – diga-se de passagem – julgou autuação lavrada contra empresa do grupo da Embargante (Engepol) e Fl. 3247DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 que debatia a classificação fiscal de reservatório do mesmo material (geomembrana), entendeu que não era possível descaracterizar a premissa fixada pelos pareceres e laudos técnicos, isto é, que “os produtos nominados ‘reservatórios’ são, de fato, reservatórios a serem classificados em código diverso do das lâminas de polietileno”. 47. Destaca-se que o conceito de reservatório encontra fundamento legal nos arts. 1º e 2º da Lei nº 12.334/20102. Observe-se que a definição legal não restringe o conceito de reservatórios àqueles autoportantes (elevado, stand pipe ou apoiado) nem tampouco, àqueles produzidos com material rígido: (...) 48. Assim, conforme laudos técnicos acostados, entende-se que a mercadoria é um Reservatório e, por via de consequência, a classificação fiscal mais adequada é na posição 3925.10.00, por tratar-se de “artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições”, mais especificamente, “reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros”, tendo em vista que os menores volumes dos reservatórios produzidos encontram-se na ordem dos milhares de litros”. 49. Ou seja, deve-se sanar a obscuridade do Acórdão que tratou a mera escavação como se reservatório fosse e que o confundiu com a própria obra. 50. Por fim, a Embargante ressaltou que, na hipótese de as Autoridades Julgadoras não se convencerem de que a correta classificação das geomembranas no presente caso é na posição 39.25, deveria ao menos ser classificada na posição 39.20., o que implica no reconhecimento da nulidade da autuação por erro na classificação fiscal. 51. Neste ponto, evidente a omissão desta E. CSRF por não diferenciar a classificação aplicada às Geomembranas Trabalhas e Não Trabalhadas. 52. Conforme se depreende do acordão embargado, esta E. CSRF tomou por premissa que todas as geomembranas comercializadas pela Embargante seriam trabalhadas com a aplicação de ilhoses, devendo ser excluídas da posição 39.20: Ora no caso na geomembrana são aplicados ilhoses, conforme consta na descrição da fabricação do produto, constantes no laudo do INT e IPT, fls. 171 a 232 e 343 a 359, na página da empresa na internet, e documentos adicionais apresentados, fls. 322 a 376: Trata-se de mantas de polietileno de alta ou baixa densidade com espessuras de 0,5 a 2 mm, largura de 5,80 a 7,00 metros e comprimento de 50 a 100 metros, podendo haver adequações nas medidas em razão do projeto. A matéria prima utilizada é o polietileno juntamente com aditivos (pigmentos, antioxidantes, etc). O processo de produção é realizado em extrusora balão. Após a confecção da manta de geomembrana, o produto é submetido à implantação de ilhoses por soldagem ultrassônica, que permite a passagem de cintas que auxiliam no desenrolar das bobinas e manuseio na instalação e, eventualmente, como auxiliar na ancoragem durante o processo de instalação nos reservatórios. Portanto, a implantação de ilhoses por soldagem ultrassônica configura que as lâminas de polietileno foram trabalhadas de outra forma (diversa de uma mera impressão ou trabalho na superfície), não sendo possível a classificação das geomembranas nas posições 39.20 e 39.21. Fl. 3248DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 Resta pois para análise a posição 39.26, e na ausência de código deve-se utilizar o código “3926.90.90 – Outras”: 53. Contudo, conforme bem demonstrado durante o procedimento fiscalizatório, desde o início a Embargante deixou claro que a aplicação de ilhoses era realizada apenas em algumas geomembranas, a depender do projeto específico de cada cliente (fl. 266 dos autos): (...) 54. O próprio laudo elaborado pela Dalston Consultoria atesta que os projetos de reservatórios contêm geomembranas não trabalhadas e geomembranas trabalhadas pela aplicação de ilhoses (fl. 1.996 dos autos): (...) 55. Ainda é importante esclarecer, que os trabalhos com ilhoses são pontuais e totalmente superficiais, aplicadas apenas nas extremidades do reservatório, como elemento de fixação: (...) 57. Ressalta-se que a própria Solução de Consulta SRRF08/Diana nº 67, de 24 de outubro de 2002 (Doc. 02), em que a Embargante foi consulente e que trata da classificação fiscal das geomembranas, segrega em classificações distintas as geomembranas trabalhadas e não trabalhadas. Mas esse ponto foi ignorado no acórdão: (...) 58. Ainda, também foi ignorado que a própria Solução de Consulta já menciona que quando há o fornecimento de manuais e demais acessórios, deve-se seguir classificação própria: (...) 59. Na Solução de Consulta, restou claro que: • a venda da simples Geomembrana, sem emendas, reforços ou ilhoses deve-se classificar no código 3920.10.90; • a venda de simples Geomembrana com emendas soldadas, com ou sem reforços laterais e sem ilhoses; ou soldadas com reforços laterais e ilhoses, classificam-se no código 3926.90.90; e • quando se trata de um projeto com manuais de instalação, foi reconhecido que o conjunto composto pela geomembrana, demais itens necessários à instalação do reservatório (como perfil de polietileno e fio de solda) e as atividades de montagem, instalação, “deve seguir seu próprio regime de classificação”, ou seja, não deve ser confundido com as meras bobinas de geomembrana, que são apenas um dos componentes dos reservatórios. 60. Assim, não pode a E. CSRF do CARF negar aplicação a Solução de Consulta do contribuinte, sendo que a partir da data de sua publicação ela tem efeito vinculante no âmbito da Receita Federal. Fl. 3249DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 61. A decisão embargada nega o enquadramento específico dos kits que compõem os reservatórios e não anulou o Auto de Infração que deixou de segregar geomembranas trabalhadas das não trabalhadas. 62. Ou seja, é fato incontroverso que cada reservatório é composto por geomembranas sem qualquer trabalho (maior parte) e apenas nas bordas é que pode ser necessária a aplicação de ilhoses. 63. Como se pode observar, a Solução de Consulta bem determina que as geomembranas não trabalhadas (que também compõem os Kits de Reservatório) devem ser classificadas na posição 3920, ao passo que, apenas as geomembranas com reforços laterais e/ou ilhoses, na falta de classificação específica, deveriam ser compreendidas pela posição 3926. 64. Essa segregação, nos termos do que determina a SC, não foi feita pela autoridade fiscal, portanto deve-se reconhecer a nulidade da autuação por erro de classificação fiscal. 65. Vale destacar que além da referida Solução de Consulta, a necessária aplicação do código 3920 em relação às geomembranas não trabalhadas também foi reconhecida nos julgados do E. CARF colacionados abaixo: (...) 66. Como visto, flagrante foi a omissão do acórdão embargado quanto à não diferenciação da classificação específica para as membranas trabalhadas e não trabalhadas. 67. Portanto, diante das contradições e omissões apresentadas, querer a Embargante sejam saneados os vícios apontados. (grifou-se). No Despacho que admitiu os Embargos sob análise, está consignado o seguinte: Como se vê dos trechos recortados, entendeu-se que não se pode classificar a geomembrana como reservatório pois ele não seria parte de construção e sim construção em si. Porém, linhas adiante, diz o embargado: (...) A leitura em confronto dos excertos do vergastado permite a constatação da contradição exarada. Qual é a função da geomembrana? Artigo para construção ou a construção em si? Logo não se trata de mero inconformismo do sujeito passivo com a decisão e sim uma necessidade de compreensão da mesma. Ao se entender que o acórdão é passível de reapreciação através de embargos de declaração, mormente quando detectada situação que afeta sua clareza ou coerência, torna-se necessário explicitar as razões de decidir e, se for o caso, conferir-lhes efeito infringente. (grifou-se). Em nenhum momento o Despacho de Admissibilidade faz referência à omissão alegada, quanto à aplicação dos ilhoses. Fl. 3250DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 Conforme aqui já relatado, contra o Acórdão de Recurso Voluntário também foram opostos Embargos de Declaração, alegando “V. Obscuridades e Contradições Específicas aos Reservatórios (Geomembranas e Silos)” e também o caráter vinculante da Solução de Consulta SRRF 08/Diana nº 67/2002, Embargos este que foram rejeitados. A análise da classificação fiscal levada a efeito pela Turma do CARF é minuciosa e segue as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. A Fiscalização entendeu que as geomembranas deveriam ser classificadas na NCM 3926.90.90 e o contribuinte na NCM 3925.10.00: 39.25 Artigos para apetrechamento de construções, de plástico, não especificados nem compreendidos noutras posições Alíquota 3925.10.00 - Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 l 0 39.26 Outras obras de plástico e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.14. Alíquota 3926.90.90 Outras 15 Na parte em que trata da classificação fiscal das geomembranas, o Relator, primeiramente, transcreve trechos do Relatório Fiscal, sendo que o primeiro trecho transcrito nos Embargos sob análise é daquele Relatório. Retomando a aplicação das Regras de Interpretação, a Regra 1 especifica: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Nos termos do Acórdão de Recurso Voluntário: Pela aplicação da Regra 1 a classificação é determinada pelo texto das posições, levando a entender que para que a geomembrana seja enquadrada na posição 39.25 ela deve ser um “artefato para apetrechamento de construção”, deve ser “de plástico” e “não pode estar especificado e nem compreendido em outras posições”. Portanto se houver uma posição que identifique melhor a mercadoria ela deve ser utilizada, já que pelo texto da posição 39.25, essa é uma posição de exceção, ela só deve ser utilizada caso não seja possível a utilização de outras posições, conforme pode ser concluído da leitura do texto da posição. O primeiro ponto a ser observado é que a posição 39.25 fala de “artefato para apetrechamento de construção”. (...) 39.25 - ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES, DE PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES. ... a posição especifica é que são artigos ou artefatos para construção. Fl. 3251DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 A partir daí podemos concluir que a geomembrana, se for considerada como um reservatório, como quer entender a recorrente, deve ser um reservatório que seja um “artigo para a construção”. Veja que não se está falando de qualquer artigo de plástico, mas especificamente de um artigo de plástico que seja destinado a construção. A lógica nos leva a concluir que o artigo de plástico a que se refere à posição 39.25 deve ser parte de uma construção, já que a definição faz referência à destinação do artigo com o uso da preposição “para”. Ora se é parte de uma construção não é o todo. Não se trata de uma construção completa. Para enfatizar essa conclusão a respeito da posição 3925 fazer referência apenas a artigos para construção, ou seja, partes de construção podemos observar o desdobramento da posição: 39.25 Artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos noutras posições. 3925.10.00 - Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 l 3925.20.00 - Portas, janelas e seus caixilhos, alizares e soleiras 3925.30.00 - Postigos, estores (incluindo as venezianas) e artefatos semelhantes, e suas partes 3925.90 - Outros 3925.90.10 - De poliestireno expandido (EPS) 3925.90.90 - outros Todos os itens e subitens desdobrados da posição referem-se a partes de uma construção, ou seja, artigos, apetrechos para construção, tais como portas, janelas, soleiras, etc... A recorrente afirma que comercializa reservatórios de geomembrana como produto final: 46. Os reservatórios de geomembranas consistem em um conjunto de componentes, que são transportados desmontados, por conta de sua grande magnitude, e montados já na localidade definida pelo cliente, para fim de conformação do produto final comercializado pela Recorrente. ... No caso em exame, trata-se de verdadeiro reservatório vendido na forma desmontada, cuja conclusão do processo produtivo ocorre no local definido no projeto. E o reservatório de geomembrana é utilizado como reservatórios de água, Lago artificial, Canal de Irrigação, Reservatório de aquicultura, Esterqueiras (suinocultura), Barragem de rejeitos, Carcinicultura, Aterros Sanitários e industriais, Tanque de oxidação biológica, Tanque de tratamento de resíduos industriais, Canal de adução em UHE e PCH, Tanque e canal de vinhaça, Base de pilha de lixiviação, dentre outras possibilidades. Como se pode verificar se se considerar a geomembrana com um “reservatório”, como quer entender a empresa, então ele não seria parte de uma construção, mas a construção em si, completa e acabada. Fl. 3252DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 Assim é que os reservatórios referidos na Nota 11 são aqueles que apetrecham uma construção, como uma caixa d’água ou uma estrutura para armazenamento de líquidos em uma indústria. Não se referem, portanto, às obras de construção civil que se caracterizam per si como reservatórios. O que leva a conclusão de não ser possível o enquadramento na posição 39.25, por faltar-lhe a característica essencial de ser um artigo para construção. Efetuando o raciocínio inverso, se se considerar a geomembrana como componente e não como um todo, ele poderia ser considerado um artigo para a construção de um reservatório. Entretanto isso nos leva a leitura das notas do capítulo, já que a Regra 1 determina que a classificação seja efetuada pelos textos das notas de seção e de capítulo. No capítulo 39 existe a Nota 11 importante para a nossa análise. A nota mostra que a posição 39.25 é uma posição restrita, sendo que somente podem ser classificada nessa posição as mercadorias que fazem parte da lista exaustiva exposta na Nota. Veja que a nota fala que se aplica exclusivamente, o que restringe a aplicação da posição à lista apresentada. Não sendo possível incluir nessa posição uma mercadoria que não corresponda aos itens enumerados: 11 – A posição 39.25 aplica-se exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: a) reservatórios, cisternas (incluídas as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros; (...) Verifica-se que se a geomembrana for um reservatório ela não atende a descrição da posição 39.25 e se for um componente ela não se inclui nas restrições da nota 11. O que nos leva a concluir pela impossibilidade de enquadramento na posição 39.25, como quer a recorrente. Superada a possibilidade de enquadramento na posição defendida pela recorrente passemos a classificação decidida pela fiscalização. Como já referido as geomembranas são lâminas de polietileno com aditivos, produzidas por processo de extrusão e que sofrem a implantação de ilhoses por meio de soldagem ultrassônica. A Regra 1 especifica que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo, então utilizamos os títulos para balizamento da nossa busca, o que nos leva ao Capítulo 39 da NCM que trata de obras de plástico (polietileno). Se observarmos a estrutura do Capítulo 39, a classificação dos produtos neste Capítulo do SH ocorre da seguinte forma: - Parte I - FORMAS PRIMÁRIAS - Classificação definida pela composição das mercadorias; - Parte II - DESPERDÍCIOS, RESÍDUOS E APARAS; PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS; OBRAS - Classificação definida pela forma de apresentação. Dentre as posições a serem consideradas temos como possíveis as posições 39.20, 39.21 e 39.26: 39.25 - Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias. Fl. 3253DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 39.21 - Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos. 39.26 - Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.14. 3925.30.00 - Postigos, estores (incluindo as venezianas) e artefatos semelhantes, e suas partes 3925.90 - Outros 3925.90.10 - De poliestireno expandido (EPS) 3925.90.90 - Outros Efetuando a leitura das notas do capítulo 39 temos que a Nota 10 faz restrições às posições 39.20 e 39.21, excluindo os casos em que a mercadoria foi trabalhada: 10 - Na acepção das posições 39.20 e 39.21, a expressão “chapas, folhas, películas, tiras e lâminas” aplica-se exclusivamente às chapas, folhas, películas, tiras e lâminas (exceto as do Capítulo 54) e aos blocos de forma geométrica regular, mesmo impressos ou trabalhados de outro modo na superfície, não recortados ou simplesmente cortados em forma quadrada ou retangular, mas não trabalhados de outra forma (mesmo que essa operação lhes dê a característica de artigos prontos para o uso). Ora no caso na geomembrana são aplicados ilhoses, conforme consta na descrição da fabricação do produto, constantes no laudo do INT e IPT, fls. 171 a 232 e 343 a 359, na página da empresa na internet, e documentos adicionais apresentados, fls. 322 a 376: Trata-se de mantas de polietileno de alta ou baixa densidade com espessuras de 0,5 a 2 mm, largura de 5,80 a 7,00 metros e comprimento de 50 a 100 metros, podendo haver adequações nas medidas em razão do projeto. A matéria prima utilizada é o polietileno juntamente com aditivos (pigmentos, antioxidantes, etc). O processo de produção é realizado em extrusora balão. Após a confecção da manta de geomembrana, o produto é submetido à implantação de ilhoses por soldagem ultrassônica, que permite a passagem de cintas que auxiliam no desenrolar das bobinas e manuseio na instalação e, eventualmente, como auxiliar na ancoragem durante o processo de instalação nos reservatórios. Portanto, a implantação de ilhoses por soldagem ultrassônica configura que as lâminas de polietileno foram trabalhadas de outra forma (diversa de uma mera impressão ou trabalho na superfície), não sendo possível a classificação das geomembranas nas posições 39.20 e 39.21. Resta pois para análise a posição 39.26, e na ausência de código deve-se utilizar o código "3926.90.90 - Outras": 39.26 - OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICOS E OBRAS DE OUTRAS MATÉRIAS DAS POSIÇÕES 39.01 A 39.14 - Alíquota 15 3926.90.90 - Outras Conclui-se que é correta a classificação fiscal determinada pela fiscalização e que por isso a autuação deve ser mantida nesse particular. Apenas para efeitos de amor ao debate, já que os tópicos levantados pela recorrente não foram importantes para análise, abro um parênteses para falar sobre ser o produto um reservatório e as conclusões do laudo apresentado. Fl. 3254DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 Sobre a possibilidade do enquadramento como reservatórios incompletos, a Regra 2 a) diz: REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. As NESH da Regra 2 a) reforçam: I) A primeira parte da Regra 2 a) amplia o alcance das posições que mencionam um artigo determinado, de maneira a englobar não apenas o artigo completo, mas também o artigo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. O argumento da recorrente de que se trata de reservatórios incompletos não atende o disposto na regra 2 a) do SH pois para que fossem considerados reservatórios incompletos, as geomembranas teriam que apresentar a característica essencial dos reservatórios que é a de armazenar, conservar ou guardar alguma coisa, como pode ser verificado em qualquer dicionário da língua portuguesa. Ora as geomembranas no estado em que se apresentam não possuem a capacidade de armazenar ou guardar nada, logo não há o que se falar em possuírem a característica essencial dos reservatórios, não sendo caracterizadas como reservatórios incompletos e excluindo sua classificação na posição 39.25 do SH. Também serve de amparo à argumentação trazida até o momento a Solução de Consulta SRRF08/Diana nº 67, de 24 de outubro de 2002, em que foi solicitado pela recorrente a classificação fiscal das geomembranas, (produto idêntico ao aqui discutido apesar de no presente processo a recorrente entender tratar-se de um reservatório) e foi decidido: (...) Da leitura da Solução de Consulta podemos verificar que desde 2002 existe a definição da classificação da mercadoria na posição 3926, a pedido da própria consulente e tendo em vista a necessidade de enquadramento no ex-tarifário. Em nenhum momento a empresa alegou que produzia reservatórios, mas como desejava o enquadramento no ex-tarifário afirmou que produzia a geomembrana, como painéis para revestimento. Voto por negar provimento e manter a classificação efetuada pela fiscalização para as geomembranas. (grifou-se). Dessarte, cumpre destacar que, no Acórdão de Recurso Voluntário, o Relator: - inicialmente afasta a classificação pretendida pelo contribuinte (39.25), “por faltar-lhe a característica essencial de ser um artigo para construção”; - efetua um “raciocínio inverso”, considerando a geomembrana “como um componente e não como um todo”. Observando a Nota 11 da posição 39.25, conclui que “se for um componente”, ela não se inclui nas restrições daquela Nota; Fl. 3255DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 9303-014.770 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.721693/2015-24 - “Superada a possibilidade de enquadramento na posição defendida pela recorrente”, passa à análise da classificação defendida pela Fiscalização; - “Apenas para efeitos de amor ao debate”, abriu “um parênteses para falar sobre ser o produto um reservatório”; - faz referência à Solução de Consulta SRRF 08/Diana nº 67/2002. - por fim, de forma clara e direta, nega provimento ao Recurso do contribuinte e a classificação efetuada pela fiscalização para as geomembranas. Dessa forma, não há contradições ou obscuridades. A fundamentação da decisão do CARF – com os quais houve declaração de concordância unânime desta 3ª Turma da CSRF –, analisa a questão sobre vários ângulos, sendo clara e congruente em suas conclusões. À vista do exposto, rejeito os Embargos de Declaração, também no que se refere às contradições ou obscuridades relativas à classificação fiscal dos reservatórios de geomembrana. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 3256DF CARF MF Original

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10272557 #
Numero do processo: 16045.720040/2017-41
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS, PARA FINS DE EQUIVALÊNCIA A PAGAMENTO. Para fins de equivalência a pagamento, com reflexos na contagem do prazo decadencial, os créditos de IPI devem ser admitidos pela legislação e não se incluem os apropriados na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, ainda que sem a verificação de dolo, fraude ou simulação, verificando-se, no entanto, a decadência, se interpretado em decisão administrativa final que, na correta classificação fiscal, os insumos são tributados à alíquota positiva. DECADÊNCIA. DIREITO DE GLOSAR CRÉDITOS ESCRITURAIS. INEXISTÊNCIA. Decadência é uma forma de extinção do crédito tributário, com o decurso do prazo para constituí-lo por
Numero da decisão: 9303-014.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, exclusivamente em relação aos temas “contagem do prazo decadencial à vista de créditos não admitidos pela legislação” e “impossibilidade de glosa de créditos em razão da decadência”. No mérito, deu-se provimento parcial ao recurso, por maioria de votos, para reconhecer que, para fins de equivalência a pagamento, com reflexos na contagem do prazo decadencial, os créditos de IPI devem ser admitidos pela legislação, não incluídos os apropriados na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, ainda que sem a constatação de dolo, fraude ou simulação; e para reconhecer que inexiste decadência do direito de glosar créditos escriturais, vencidas as Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário e Cynthia Elena de Campos, que entenderam ser aplicável a decadência para a glosa de créditos escriturais. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisario (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), Liziane Angelotti Meira (Presidente)
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-01-11T19:33:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: en-US; dcterms:created: 2024-01-11T19:33:24Z; Last-Modified: 2024-01-11T19:33:24Z; dcterms:modified: 2024-01-11T19:33:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-01-11T19:33:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-01-11T19:33:24Z; meta:save-date: 2024-01-11T19:33:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-01-11T19:33:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: en-US; meta:creation-date: 2024-01-11T19:33:24Z; created: 2024-01-11T19:33:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2024-01-11T19:33:24Z; pdf:charsPerPage: 2580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-01-11T19:33:24Z | Conteúdo => CCSSRRFF--TT33 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 16045.720040/2017-41 RReeccuurrssoo Especial do Procurador AAccóórrddããoo nnºº 9303-014.477 – CSRF / 3ª Turma SSeessssããoo ddee 19 de outubro de 2023 RReeccoorrrreennttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo BS&C INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A. - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS, PARA FINS DE EQUIVALÊNCIA A PAGAMENTO. Para fins de equivalência a pagamento, com reflexos na contagem do prazo decadencial, os créditos de IPI devem ser admitidos pela legislação e não se incluem os apropriados na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, ainda que sem a verificação de dolo, fraude ou simulação, verificando-se, no entanto, a decadência, se interpretado em decisão administrativa final que, na correta classificação fiscal, os insumos são tributados à alíquota positiva. DECADÊNCIA. DIREITO DE GLOSAR CRÉDITOS ESCRITURAIS. INEXISTÊNCIA. Decadência é uma forma de extinção do crédito tributário, com o decurso do prazo para constituí-lo por Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, exclusivamente em relação aos temas “contagem do prazo decadencial à vista de créditos não admitidos pela legislação” e “impossibilidade de glosa de créditos em razão da decadência”. No mérito, deu-se provimento parcial ao recurso, por maioria de votos, para reconhecer que, para fins de equivalência a pagamento, com reflexos na contagem do prazo decadencial, os créditos de IPI devem ser admitidos pela legislação, não incluídos os apropriados na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, ainda que sem a constatação de dolo, fraude ou simulação; e para reconhecer que inexiste decadência do direito de glosar créditos escriturais, vencidas as Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário e Cynthia Elena de Campos, que entenderam ser aplicável a decadência para a glosa de créditos escriturais. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gilson AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 72 00 40 /2 01 7- 41 Fl. 1942DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 Macedo Rosenburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisario (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), Liziane Angelotti Meira (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.794 a 1.832) contra o Acórdão nº 3301-006.707, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.743 a 1.792), sob a seguinte ementa (no que interessa à discussão): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2015 NÃO CUMULATIVIDADE DE IPI. PRAZO DECADENCIAL PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PAGAMENTO. Em razão da sistemática não cumulativa do imposto, apurando-se créditos e débitos num dado período de apuração, com a possibilidade de manutenção dos créditos para períodos posteriores em caso de o montante de crédito ser superior ao dos débitos, entende-se que o montante de créditos equivalem ao pagamento para fins de extinção do crédito tributário, conforme reconhece o art. 183 do RIPI. O IPI é tributo sujeito ao lançamento por homologação e caso existam créditos escriturados utilizados para o abatimento do imposto, há de ser considerado como pagamento para fins de contagem do prazo decadencial, aplicando-se o art. 150, § 4º do CTN. O fisco pode rever a escrituração e realizar lançamento de ofício para constituir o crédito tributário de eventuais diferenças, desde que respeitado o prazo decadencial, contado de cada fato gerador quando houver pagamento antecipado. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento, reconhecendo a decadência da apuração do crédito tributário, inclusive glosas, entre os períodos de fevereiro de 2012 até agosto de 2012, mantendo-se as glosas de crédito dos insumos consumidos indiretamente na industrialização e as glosas de crédito decorrentes das notas fiscais de entrada emitidas pela própria fiscalizada para cancelar notas fiscais de saída, mas afastando as glosas de crédito dos insumos concentrados para elaboração de bebidas conforme classificação EX 01 da NCM 2106.9010, bem como afastando a multa de ofício sobre as operações com YOGOMIX, tanto em razão de não haver erro na classificação fiscal, pois fundado em solução de consulta, quanto porque até agosto de 2012 a apuração do débito já havia decaído. (grifou-se). No Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.836 a 1.846), a PGFN, suscita a divergência quanto às seguintes matérias: 1) “Ocorrência da decadência do direito do Fisco de constituição de créditos tributários, em se tratando de créditos de IPI não admitidos pela legislação e, consequentemente, glosados”; 2) “Impossibilidade de glosa de créditos de IPI em razão da decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário”; 3) “Ineficácia de Solução de Consulta calcada em legislação posteriormente revogada”. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 1.858 a 1.888), contestando, em caráter preliminar, o conhecimento do Recurso, por razões diversas. Fl. 1943DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 É o Relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira, Relatora. Em relação ao conhecimento: 1) Contagem do prazo decadencial à vista de créditos não admitidos pela legislação. No paradigma admitido (Acórdão 9303-008.195, de 21/02/2019), de um fabricante de bebidas, as glosas de créditos também eram relativas às aquisições de kits (“concentrados”) para refrigerantes, sendo patente a divergência: DECADÊNCIA. IPI. DÉBITO ESCRITURADO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO IRREGULAR. PRAZO QUINQUENAL. CONTAGEM. O aproveitamento de crédito escritural não admitido pelo Regulamento do IPI não é considerado pagamento do imposto, para efeito de antecipação e/ ou extinção do valor devido, o que implica na contagem do prazo decadencial quinquenal do direito de a Fazenda Nacional constituir o respectivo crédito, a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. (grifou-se). Poder-se-ia se alegar que no paradigma, desta 3ª Turma da CSRF, os créditos não haviam sido admitidos pela Turma do CARF e, aqui, os créditos em questão – na sua maior parte (99,8 %), que interessa, composta pelos glosados em razão da classificação fiscal, na visão da Fiscalização, incorreta - foram admitidos pela Turma a quo, não havendo, portanto a necessária similitude. Ocorre, no entanto, que, ainda que as glosas tivessem sido mantidas, isso seria irrelevante para o Relator do Acórdão recorrido, o qual inclusive analisou (e ratificou) a decadência antes da análise classificação fiscal, interpretando que: Crédito admitido não é o crédito admitido por uma autoridade fiscal, em avaliação subjetiva. Crédito admitido deve ser entendido como aquele em que a legislação autoriza o creditamento, seja ele crédito estrutural (crédito básico) ou crédito presumido, utilizado para pagamento dos débitos verificados no período e que não tenha sido escriturado com dolo, fraude ou simulação. (grifou-se). Daí se infere que, na visão do Relator, sendo o bem adquirido em questão (“kits/concentrados” para refrescos/refrigerantes) um insumo (matéria-prima), o crédito seria “admitido”, sendo a classificação correta ou não. 2) Impossibilidade de glosa de créditos em razão da decadência. O paradigma admitido (Acórdão 3403-003.537, de 24/02/2015) não foi reformado, nesta matéria, e a divergência está bem caracterizada, na própria ementa: GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSAR. INEXISTÊNCIA A decadência fulmina o direito da fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar glosas no livro de IPI. As glosas podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. (grifou-se). Fl. 1944DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 No paradigma julgou-se o Recurso Voluntário de um fabricante de aparelhos de ar condicionado, mas a ausência de semelhança fática, nesta matéria, não constitui óbice ao conhecimento. 3) Ineficácia de Solução de Consulta calcada em legislação posteriormente revogada. No Acórdão paradigma (nº 9101-003.012, de 09/08/2017), interpretou-se que a solução de consulta perde sua eficácia quando há revogação das normas que a fundamentam, conforme a ementa abaixo, parcialmente transcrita: CONSULTA. EFICÁCIA. LEGISLAÇÃO REVOGADA. ATIVIDADE RURAL. A solução de consulta perde a eficácia quando há revogação das normas que a fundamentam. [...] O voto condutor assim se manifestou: “Com efeito, a resposta à consulta foi dada ao contribuinte, sob contexto legislativo que será a seguir mencionado. O Decreto Lei nº 902/1969 tratava da forma de tributação dos rendimentos da exploração agrícola ou pastoril, definido em seu artigo 1º a pessoa física exploradora destas atividades: [...] O mesmo Decreto-Lei nº 902/1969, em seu artigo 7º, trata das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade similar, da forma que segue: [...] Estes dispositivos legais foram reproduzidos no RIR/1980 (Decreto nº 85.840/1980), conforme artigo 278 e 406: [...] É relevante observar que este artigo 7º exclui as empresas de transformação de seus produtos e subprodutos dos benefícios tratados pelas alíneas destes artigo. Pois bem. Sob este contexto legislativo, a Receita Federal do Brasil respondeu consulta do contribuinte (Processo Administrativo nº 13983.000036/8932), concluindo que [...] A decisão foi objeto de recurso de ofício à Coordenação do Sistema de Tributação (fls. 603), que a confirmou. A resposta à consulta, assim, concluiu pela aplicação dos regimes do artigo 278 e 406, do RIR 1980 à consulente. Ocorre que este panorama legislativo foi substancialmente modificado pela Lei nº 8.023/1990, que em sua redação original, redefiniu o que seriam atividades rurais, nos seguintes termos: [...] Posteriormente, este artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990 sofreu alteração pela Lei nº 9.250/1995, que também inseriu parágrafo único para assim dispor: [...] Esta disposição foi reproduzida no Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda, em seu artigo 58. É importante anotar que o DecretoLei nº 902/1969 e artigo 1º do Decreto Lei nº 1.382/1974, que são as matrizes legais dos artigos 278 e 406 do anti go RIR/1980, foram revogados expressamente pela Lei nº 8.023/1990, conforme seu artigo 23: [...] Fl. 1945DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 A solução de consulta analisa claramente a legislação revogada e que teve substancial alteração pelo novo regramento. Ressalto, ainda, que a Lei nº 9.430/1996 trata de solução de consulta, constando do §12, do artigo 48: [...] Se a mera alteração de entendimento pela Administração Pública torna ineficaz - a partir de então implica na perda da eficácia de consulta anterior, com mais razão, a alteração legislativa impede o prosseguimento dos efeitos da Solução de Consulta.” Por outro lado, o acórdão recorrido considerou a seguinte ementa: EXISTÊNCIA DE SOLUÇÃO DE CONSULTA. IMPOSSIBILIDADE DA AUTUAÇÃO. Havendo solução de consulta para o próprio contribuinte informando a adoção de uma determinada classificação fiscal, não é possível a revisão deste entendimento por meio de auto de infração. Não consta dos autos nenhuma norma da administração para se inferir que a solução de consulta da contribuinte foi revogada. Também não se verifica a existência de outras soluções de consulta ou normas complementares que a assegurem a interpretação do texto da qualificação fiscal no sentido pretendido pela Administração Tributária para que se possa rever e sobrepor a solução de consulta dada à própria contribuinte. Insubsistência do lançamento tributário neste ponto. O voto condutor trouxe a seguinte análise: “Para que não se alegue omissão, há, no entanto, um ponto relevante a se analisar, trazido aos autos pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional em sede de contrarrazões. Afirma-se que houve alteração na situação jurídica, na medida em que a redação vigente da posição NCM 2202.90.00 Ex 01 na época da consulta (1998), foi alterada e divergia de sua redação desta NCM na época dos fatos geradores (2012-2015). Em 1998, vigia a tabela TIPI estabelecida pelo Decreto nº 2.092/1992. A redação da NCM em questão tinha o seguinte teor: [...] Veja que a leitura deste texto seria no sentido de que bebidas alimentares à base de leite, bebidas alimentares à base de cacau e bebidas alimentares à base de soja (por estar contido no etc.), estariam enquadradas na posição Ex 01. No ano de 2000, foi publicado o Decreto nº 3.581, com vigência a partir de 01 de setembro de 2000, para alterar a redação da posição Ex 01 da NCM 2202.90.00 para "bebidas alimentares à base de soja ou de leite e cacau". O que se pretende analisar aqui é, esta alteração na redação trouxe alteração na interpretação da NCM? A d. Procuradoria afirma que a alteração da redação alterou o sentido da classificação fiscal, alterando-se a situação jurídica utilizada como base pela solução de consulta, o que resultaria no afastamento de sua aplicação ao caso concreto. Isso porque, no período autuado, vigia a Tabela de Incidência do IPI estabelecida pelo Decreto nº 7.660/2011, que manteve esta nova redação para a posição Ex 01 conforme quadro abaixo: [...] A fiscalização, a DRJ e a Procuradoria manifestaram o entendimento de que as bebidas à base de leite têm que ter cacau em sua composição (leite e cacau). Ressalto que, segundo seus argumentos, esta é uma interpretação literal, porém, não há nenhum posicionamento da Fazenda no mesmo sentido, nem mesmo uma solução de consulta, tratando se, assim, de mera interpretação subjetiva da autoridade fiscal. A interpretação gramatical da posição Ex 01 pode variar de acordo com a identificação da natureza da conjunção "e" utilizada pela nova redação para prescrever bebidas alimentares à base de leite e cacau. Fl. 1946DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 Isso porque, a depender do sentido que se dê ao conectivo “e”, pode ter havido alteração no sentido desta posição NCM vigente em 1998. Se houve alteração, a resposta à consulta prestada em 1998 não teria mais aplicação a partir de 01 de setembro de 2000, em razão do Decreto nº 3.581/2000, o qual supostamente alterou do fundamento jurídico que serviu de base à conclusão da classificação. Este é, como dito, o entendimento da d. Procuradoria, afirmando que a conjunção “e” na classificação fiscal significa que a bebida deve ser à base de leite, contendo cacau em sua composição. Entretanto, pela análise desta posição, conclui-se que não houve alteração relevante na leitura do seu texto. Vejamos: Na redação da TIPI vigente na solução de consulta (1998), como visto acima, ao invés da conjunção "e" separando os termos "leite" do termo "cacau", havia uma vírgula, podendo se enquadrar nesta posição tanto as bebidas à base de leite quanto as bebidas à base de cacau, exercendo a vírgula a função de separação de objetos que não se confundem, até porque havia mais um elemento a seguir – o "etc", podendo ser incluída aí as bebidas à base de soja. Atualmente, e isso desde 01/09/2000, a redação é "bebidas alimentares à base de soja ou de leite e cacau". A indagação que se faz é, caso houvesse esta redação na época da consulta, a resposta dada ao consulente seria a mesma? Acredita-se que sim. Apesar de a fiscalização não ter feito esta reflexão, mas tão somente a d. Procuradoria em sede de contrarrazões, o fato é que a autuação fiscal foi levada a efeito porque tanto a fiscalização (e também os nobres julgadores) fundamentou (aram) seu entendimento no sentido de que esta classificação fiscal compreende as bebidas à base de leite que contenham cacau em sua composição. Isto significa dizer que, no entender da fiscalização, o conector "e" para bebidas à base de leite e cacau previsto na posição Ex 01 da NCM 2202.90.00 teria a função de conjunção aditiva1 , mas uma conjunção aditiva um tanto estranha, pois exigiria que o "e" tivesse o sentido de estar integrado um no outro, ou seja, deve ser uma bebida de leite COM (adicionado de) cacau, verbis (relatório fiscal fl. 66): [...] No entanto, não parece ser esta a melhor interpretação desta redação. Isso porque, de acordo com as regras gramaticais, a conjunção "e" não significa que um elemento se integre ao outro, mas sim que pode ser um “e” outro. Assim, pode ter a função separadora das palavras, exercendo a função de conjunção coordenada, que seriam aquelas que reúnem orações que pertencem ao mesmo nível sintático: dizem-se independentes umas das outras e, por isso mesmo, podem aparecer em enunciados separados2. [...] Desta feita, não teria havido alteração substancial na redação que vigia em 1998. Não há diferença, portanto, entre se escrever leite "e" cacau ou se escrever leite, cacau. Entender que a letra "e" entre os termos seria aditivo no sentido de um dentro do outro (ao invés de um E o outro), neste caso específico, seria o mesmo que dizer que a expressão "leite e café" do exemplo acima significa o mesmo que "leite com café" (ou leite com café em sua composição, como disse a fiscalização). Em conclusão, a leitura que parece ser mais correta da redação atual da posição Ex 01 é aquela que trata as conjunções "ou" e "e" como separadores de coordenação, tendo o mesmo resultado se fossem: "bebidas alimentares à base de soja, à base de leite e à base de cacau", incluindo-se nesta posição tanto as bebidas à base de soja, quanto as bebidas à base de leite, quanto as bebidas à base de cacau (que pode ser com água, leite ou soja).” Contudo, não se verificou divergência no posicionamento dos acórdãos confrontados, pois o acórdão recorrido também entendeu que, havendo alteração no sentido da norma, a solução de consulta perderia seus efeitos, conforme o excerto abaixo: Fl. 1947DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 Isso porque, a depender do sentido que se dê ao conectivo “e”, pode ter havido alteração no sentido desta posição NCM vigente em 1998. Se houve alteração, a resposta à consulta prestada em 1998 não teria mais aplicação a partir de 01 de setembro de 2000, em razão do Decreto nº 3.581/2000, o qual supostamente alterou do fundamento jurídico que serviu de base à conclusão da classificação. Este é, como dito, o entendimento da d. Procuradoria, afirmando que a conjunção “e” na classificação fiscal significa que a bebida deve ser à base de leite, contendo cacau em sua composição. Assim, para o colegiado recorrido, uma alteração na legislação, que fosse substancial, também provocaria a anulação dos efeitos da consulta após a referida alteração. No paradigma, houve entendimento de que a alteração da legislação fora substancial, o que levou à consideração de que a solução não mais era aplicável. Assim, as situações fáticas tratadas são distintas, porque para haver o dissídio, o paradigma deveria simplesmente entender que qualquer alteração, por irrelevante que fosse, implicasse a não aplicação da solução para fatos posteriores. Mas não, o paradigma efetuou uma valoração sobre a relevância da alteração, assim como no acórdão recorrido. Como os julgados versaram sobre diferentes legislações, não há como estabelecer uma distinção na apreciação da relevância da alteração normativa, que foi essencial para definir se a solução de consulta manteria seus efeitos ou não. A tese desenvolvida no paradigma utilizou como pressuposto a substancial alteração da legislação, conforme excerto abaixo: A solução de consulta analisa claramente a legislação revogada e que teve substancial alteração pelo novo regramento. Ora, por esta tese, não há como depreender que o colegiado do paradigma considerasse que a solução aqui analisada estivesse superada, pois dependeria da valoração da alteração aqui empreendida. Como a recorrente não questionou a valoração da alteração, é preciso considerar que esta valoração é definitiva, ou seja, que a alteração não fora relevante. Destarte, por se tratar de situações fática distintas, não conheço do recurso especial nesta matéria. Ainda que se pudesse ultrapassar e reconhecer a divergência, deve-se salientar que a matéria acima fora abordada no capítulo decisório “II - Quanto ao débito. Erro na classificação fiscal na saída dos produtos industrializados "Yogomix"”. Esta matéria foi objeto do lançamento de débitos de IPI, no período de 04/2012 a 09/2013, havendo saldos devedores de IPI apenas de 04/2012 a 05/2012 e que os fundamentos para o provimento do recurso voluntário foram: “Neste diapasão, seja em razão da decadência até agosto/2012, seja por aplicação desta solução de consulta para benefício da Recorrente para os períodos posteriores, seja por haver vedação legal de aplicação de penalidades quando há consulta fiscal, nos termos do art. 76 da Lei nº 4.502/1964, seja por não haver justificativas gramaticais e do princípio da seletividade, neste ponto, a r. decisão recorrida deve ser revertida.” Verifica-se, assim, que a aplicação da Solução de Consulta não foi o único fundamento a prover o recurso. A própria interpretação da classificação fiscal foi realizada pelo colegiado, conforme o excerto abaixo: “A d. Procuradoria afirma que a alteração da redação alterou o sentido da classificação fiscal, alterando-se a situação jurídica utilizada como base pela solução de consulta, o que resultaria no afastamento de sua aplicação ao caso concreto. Isso porque, no período Fl. 1948DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 autuado, vigia a Tabela de Incidência do IPI estabelecida pelo Decreto nº 7.660/2011, que manteve esta nova redação para a posição Ex 01 conforme quadro abaixo: [...] A fiscalização, a DRJ e a Procuradoria manifestaram o entendimento de que as bebidas à base de leite têm que ter cacau em sua composição (leite e cacau). Ressalto que, segundo seus argumentos, esta é uma interpretação literal, porém, não há nenhum posicionamento da Fazenda no mesmo sentido, nem mesmo uma solução de consulta, tratando se, assim, de mera interpretação subjetiva da autoridade fiscal. A interpretação gramatical da posição Ex 01 pode variar de acordo com a identificação da natureza da conjunção "e" utilizada pela nova redação para prescrever bebidas alimentares à base de leite e cacau. Isso porque, a depender do sentido que se dê ao conectivo “e”, pode ter havido alteração no sentido desta posição NCM vigente em 1998. Se houve alteração, a resposta à consulta prestada em 1998 não teria mais aplicação a partir de 01 de setembro de 2000, em razão do Decreto nº 3.581/2000, o qual supostamente alterou do fundamento jurídico que serviu de base à conclusão da classificação. Este é, como dito, o entendimento da d. Procuradoria, afirmando que a conjunção “e” na classificação fiscal significa que a bebida deve ser à base de leite, contendo cacau em sua composição. Entretanto, pela análise desta posição, conclui-se que não houve alteração relevante na leitura do seu texto. Vejamos: Na redação da TIPI vigente na solução de consulta (1998), como visto acima, ao invés da conjunção "e" separando os termos "leite" do termo "cacau", havia uma vírgula, podendo se enquadrar nesta posição tanto as bebidas à base de leite quanto as bebidas à base de cacau, exercendo a vírgula a função de separação de objetos que não se confundem, até porque havia mais um elemento a seguir – o "etc", podendo ser incluída aí as bebidas à base de soja. Atualmente, e isso desde 01/09/2000, a redação é "bebidas alimentares à base de soja ou de leite e cacau". A indagação que se faz é, caso houvesse esta redação na época da consulta, a resposta dada ao consulente seria a mesma? Acredita-se que sim. Apesar de a fiscalização não ter feito esta reflexão, mas tão somente a d. Procuradoria em sede de contrarrazões, o fato é que a autuação fiscal foi levada a efeito porque tanto a fiscalização (e também os nobres julgadores) fundamentou (aram) seu entendimento no sentido de que esta classificação fiscal compreende as bebidas à base de leite que contenham cacau em sua composição. Isto significa dizer que, no entender da fiscalização, o conector "e" para bebidas à base de leite e cacau previsto na posição Ex 01 da NCM 2202.90.00 teria a função de conjunção aditiva1 , mas uma conjunção aditiva um tanto estranha, pois exigiria que o "e" tivesse o sentido de estar integrado um no outro, ou seja, deve ser uma bebida de leite COM (adicionado de) cacau, verbis (relatório fiscal fl. 66): Não merece guarida a fundamentação apresentada pela fiscalizada, acima reproduzida, uma vez que a legislação é clara no sentido de que para se classificar o produto no Ex 01 do código 2202.90.00 é necessário que ele contenha cacau em sua composição. Com efeito, a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto nº 6.006 de 28/12/2006, dispõe no mencionado Ex 01: “Bebidas alimentares à base de soja ou de leite e cacau”, ou seja, somente a bebida à base de leite e cacau se classifica no Ex 01 dessa posição. (grifei) No entanto, não parece ser esta a melhor interpretação desta redação. Isso porque, de acordo com as regras gramaticais, a conjunção "e" não significa que um elemento se integre ao outro, mas sim que pode ser um “e” outro. Assim, pode ter a função separadora das palavras, exercendo a função de conjunção coordenada, que seriam aquelas que reúnem orações que pertencem ao mesmo nível sintático: dizem-se independentes umas das outras e, por isso mesmo, podem aparecer em enunciados separados2 . Fl. 1949DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 Uma frase que exemplificaria esta função coordenada seria a que segue: Fui ao mercado comprar leite e café. A frase poderia ser separada em duas, independentes: fui ao mercado comprar leite, fui ao mercado comprar café. Em nada esta frase poderia ter o sentido de que o texto quer dizer que o café esteja integrado ao leite, isto é, fazendo parte de sua composição. Desta feita, não teria havido alteração substancial na redação que vigia em 1998. Não há diferença, portanto, entre se escrever leite "e" cacau ou se escrever leite, cacau. Entender que a letra "e" entre os termos seria aditivo no sentido de um dentro do outro (ao invés de um E o outro), neste caso específico, seria o mesmo que dizer que a expressão "leite e café" do exemplo acima significa o mesmo que "leite com café" (ou leite com café em sua composição, como disse a fiscalização). Em conclusão, a leitura que parece ser mais correta da redação atual da posição Ex 01 é aquela que trata as conjunções "ou" e "e" como separadores de coordenação, tendo o mesmo resultado se fossem: "bebidas alimentares à base de soja, à base de leite e à base de cacau", incluindo-se nesta posição tanto as bebidas à base de soja, quanto as bebidas à base de leite, quanto as bebidas à base de cacau (que pode ser com água, leite ou soja). Sem prejuízo de toda a argumentação até aqui desenvolvida, se levado a efeito a interpretação dada pela fiscalização, poderia também haver ofensa ao princípio da seletividade, prevista para o IPI no art. 153, § 3º, I da Constituição. Isso porque uma bebida à base de soja teria alíquota ZERO, enquanto que a bebida à base de leite (ou mesmo à base de cacau sem o leite) teria alíquota de 27%, a não ser que fosse uma bebida à base de leite que tivesse em sua composição o cacau, sem que exista parâmetros ou critérios justificáveis para a realização deste tratamento desigual. A tabela do IPI vigente na época dos fatos geradores tinha a seguinte redação, que, novamente, pede-se licença para transcrever: [...] Não parece fazer sentido, nem justificável por um critério de igualdade e que se justifique em relação à seletividade, que uma bebida à base de leite que tenha a fruta cacau em sua composição seja mais essencial para a alimentação humana do que uma bebida à base de leite que tenha qualquer outra fruta em sua composição (ou que não contenha nenhuma) ao ponto de aplicar-lhe uma alíquota de IPI mais onerosa, de 27%. Não há, frise-se, critérios razoáveis para se fazer esta distinção. Não faz sentido uma bebida alimentícia à base de leite ter a mesma tributação que a cerveja sem álcool (posição Ex 03) ou mesmo de bebidas para praticantes de atividade física, as quais passam por rigoroso controle da Anvisa (posição Ex 04), apenas porque não têm cacau em sua composição. Pela interpretação da fiscalização, afirmando-se ser uma interpretação literal, caso a bebida seja à base de leite de soja, estará na posição Ex 01, não importando a fruta que há na composição. Por sua vez, se a bebida for à base de leite, somente estará na posição Ex 01 se for preparada com a fruta cacau, isto é, se tiver chocolate. Reitere-se, não faz sentido algum, ofende a seletividade por não se identificar critérios justificáveis para a distinção, ofendendo a igualdade. Tanto não faz sentido que no âmbito do ICMS há o Convênio CONFAZ nº 03/2005 autorizando os Estados federados a concederem redução da base de cálculo do imposto para as bebidas alimentares elaboradas à base de leite, cacau, soja e néctares de fruta, conforme se vê na redação abaixo, extraída do Anexo II do Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo - RICMS/2000: A leitura deste dispositivo, em relação ao conectivo "e", não pode ser da forma como feita pela fiscalização e pela DRJ, entendendo-o como uma conjunção aditiva para apenas reduzir a base de cálculo das bebidas alimentares a base de leite COM cacau COM néctares de fruta. Ao contrário, estará beneficiado pela redução da base de cálculo as bebidas à base de leite, à base de soja, à base de cacau e néctares de fruta. A conjunção "e" se presta para separar termos que pertencem ao mesmo nível sintático. Fl. 1950DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 Os convênios celebrados no âmbito do CONFAZ (órgão do Ministério da Fazenda) para concessão ou revogação de benefícios fiscais de ICMS são normas jurídicas de caráter nacional, em que a Constituição pretendeu haver uma norma de harmonização do imposto e coordenação dos Estados para concessão de incentivos fiscais, em homenagem ao federalismo cooperativo, tanto que o órgão é presidido por um representante da União Federal, na pessoa do Ministro da Fazenda. Assim, por uma norma de caráter nacional, em razão de uma política fiscal de orientação nacional, autoriza-se a concessão de redução da base de cálculo do ICMS para bebidas alimentares à base de leite, cacau, soja e néctares de fruta, em razão da essencialidade destes produtos para alimentação humana, enquanto que a União pretende tributar uma bebida à base de leite pela alíquota de 27%, na completa contramão. Enfim, esta suposta interpretação literal da posição Ex 01 da NCM 2202.90.00, caso levada a efeito, distorce a sistemática da tributação do IPI para estas bebidas alimentares, destoando da intenção do legislador e ofendendo a seletividade. Neste diapasão, seja em razão da decadência até agosto/2012, seja por aplicação desta solução de consulta para benefício da Recorrente para os períodos posteriores, seja por haver vedação legal de aplicação de penalidades quando há consulta fiscal, nos termos do art. 76 da Lei nº 4.502/1964, seja por não haver justificativas gramaticais e do princípio da seletividade, neste ponto, a r. decisão recorrida deve ser revertida.” Assim, o acórdão não se restringiu a aplicar a Solução de Consulta, mas também realizou a interpretação da descrição da posição na TIPI para chegar à classificação fiscal. Contudo, a recorrente questionou apenas a contagem do prazo decadencial à vista de créditos não admitidos pela legislação, a impossibilidade de glosa de créditos em razão da decadência e a ineficácia de Solução de Consulta fundada em legislação revogada. Não houve por parte da recorrente o questionamento acerca da interpretação da redação da posição do ex01 - Bebidas alimentares à base de soja ou de leite e cacau. Destarte, quanto a este ponto, a decisão é definitiva, ou seja, a interpretação dada no acórdão recorrido de que os produtos da recorrente questionados se enquadram na posição 2202.90.00 ex 01 é definitiva e não foi objeto do recurso especial. No caso, mesmo que se afastasse a aplicação da Solução de Consulta o entendimento do colegiado permaneceria o mesmo quanto à classificação fiscal. Percebe-se que o argumento de aplicação da Solução de Consulta não foi o único apreciado pelo acórdão, que, efetivamente, interpretou a redação do código ex01. Destarte, o recurso especial em face de apenas um argumento não é suficiente para alterar a decisão que se pautou em outros fundamentos não atacados na peça recursal, restando imprestável o recurso nesta matéria, pois ainda que se desse razão à recorrente, a decisão não poderia ser alterada em razão dos outros fundamentos de decidir. Portanto, não conheço da divergência nesta matéria, por falta de dialeticidade recursal em relação ao fundamento de decidir calcado na interpretação da TIPI. Assim, preenchidos os demais requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, parcialmente, quanto às matérias 1) Contagem do prazo decadencial à vista de créditos não admitidos pela legislação e 2) Impossibilidade de glosa de créditos em razão da decadência. No mérito: 1) Contagem do prazo decadencial à vista de créditos não admitidos pela legislação. Fl. 1951DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 A redação do art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010 é clara quanto às duas exigências para que o creditamento seja considerado pagamento: (i) que os créditos sejam admitidos e (ii) que não resulte saldo a recolher: Art. 183. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoam-se com o pagamento do imposto ou com a compensação deles ... Parágrafo único. Considera-se pagamento: (...) III - a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. (grifou-se). Esse dispositivo não tem base legal, mas como está em decreto, vincula este Colegiado. Assim, considerando-se “pagamento”, ainda que parcial, aplica-se a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. A discussão em pauta pertine sobre a interpretação do termo “admitidos”. O Relator do Acórdão recorrido, como já observado na análise do conhecimento, analisou a decadência como se fora uma preliminar, antes da análise da classificação fiscal (créditos que representam mais de 99 % do valor das glosas), do que se infere que, na sua interpretação, ainda que fossem mantidas as glosas, teria se operado a decadência, que fulmina todo o Auto de Infração, pois, na reconstituição da escrita fiscal, só resultaram valores a recolher nos períodos de 02/2012 até 05/2012. Estes 99% dos créditos glosados são relativos à aquisição dos “kits/concentrados” da Zona Franca de Manaus, com isenção do imposto, principal insumo utilizado na fabricação de refrescos/refrigerantes, fornecidos pela BRASFANTA. Nas Notas Fiscais, eles foram classificados como insumo no Código NCM 2106.90.10, Ex 01, tributado à alíquota de 27 %, até setembro/2012, e de 20 %, a partir de outubro/2012. O contribuinte apropriou-se do crédito “ficto” (como se devido fosse) na aquisição destes insumos isentos, amparado por uma decisão judicial transitada em julgado (MS nº 2007.61.21.000573-3). A Fiscalização, no entanto, interpretou que esses kits não são um produto “concentrado” e assim deveriam ser classificados no Código 2106.90.10 (não no seu Ex tarifário), tributado à alíquota zero; portanto, sem direito ao crédito “ficto”, totalizando as glosas o valor de R$ 214.439.324,33 para o período de fevereiro/2012 até dezembro/2015. A Fiscalização ainda levou a efeito outras glosas de créditos – estas mantidas pela Turma a quo, decorrentes de: 2) Aquisições de produtos não considerados insumos (lubrificantes de esteira, detergente para limpeza, solvente e diluente para limpeza), no valor de R$ 105.578,96, para o período de abril/2012 até dezembro/2015; 3) Notas fiscais de entrada emitidas pela própria fiscalizada para cancelar notas fiscais de saída referentes à venda de produtos, as quais foram registradas na EFD-ICMS/IPI como devoluções de produto, no valor de R$ 310.685,04, para o período de abril/2012 até dezembro/2015; Lançou ainda (4) a multa isolada por falta de lançamento com cobertura de crédito, em razão de erro na classificação fiscal do produto fabricado YOGOMIX, no valor de R$ 35.537,17, que foi mantida no julgamento do Recurso Voluntário, mas não interessa à discussão, nas primeiras duas divergências aqui sob análise. Fl. 1952DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 Vale retomar, pois fundamental, conforme transcrito na análise do conhecimento, o Relator, interpretando a expressão “créditos admitidos”, entendeu que: Crédito admitido não é o crédito admitido por uma autoridade fiscal, em avaliação subjetiva. Crédito admitido deve ser entendido como aquele em que a legislação autoriza o creditamento, seja ele crédito estrutural (crédito básico) ou crédito presumido, utilizado para pagamento dos débitos verificados no período e que não tenha sido escriturado com dolo, fraude ou simulação. (grifou-se). Daí se infere que, na visão do Relator, sendo o bem adquirido em questão (“kits/concentrados” para refrescos/refrigerantes) um insumo (matéria-prima), o crédito seria “admitido”, sendo a classificação correta ou não. O crédito, na aquisição de um insumo, na sua interpretação, só seria indevido “se escriturado com dolo, fraude ou simulação”. O Relator iniciou sua análise de mérito com fulcro no decidido pelo STJ, na sistemática dos Recursos Repetitivos, no REsp nº 973.733/SC (que levou inclusive à edição da Súmula nº 555), fixando a seguinte Tese: Tese Firmada (Tema Repetitivo 163): O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (grifou-se). Veja-se que existe um condicionante: que o débito não tenha sido declarado, previamente. Mas, tendo sido apurado saldo credor, por óbvio não teria o contribuinte o que confessar em DCTF. Como já anotado, não estão em discussão os efeitos do pagamento antecipado, ainda que parcial ou “feito” mediante a dedução de créditos na escrita fiscal, mas sim o que seriam créditos “indevidos”, para fins de aplicação do dispositivo regulamentar. Sobre a questão se houve dolo, fraude ou simulação na apropriação de créditos na aquisição dos “kis/concentrados”, pode-se inferir que não. Todos (senão quase todos) os fabricantes de refrescos/refrigerantes do Brasil se apropriaram (ou mesmo continuam se apropriando) de créditos de mesma natureza, sendo mais que recorrente, há anos, esta discussão quanto à classificação fiscal destes insumos. Quanto ao creditamento “ficto” (como se devido fosse), mesmo sendo os insumos isentos, o contribuinte tinha uma ação judicial, transitada em julgado, em seu favor, além do que, hoje o assunto está pacificado, para os adquiridos da ZFM, com a decisão do STF no RE nº 592.891/SP, com Repercussão Geral. O Relator do Acórdão recorrido interpretou que, estando previsto na legislação, o crédito é devido, e o creditamento na aquisição de matérias-primas, é o “mais básico”, no caso do IPI e, ainda que os insumos sejam isentos, quando adquiridos da ZFM e atendidos outros requisitos, há previsão expressa para o creditamento, no art. 237, c/c art. 95, III, do RIPI/2010: Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditar-se do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95 , desde que para emprego como matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. (grifou-se). Fl. 1953DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7212.htm#art95 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7212.htm#art95 Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 Esse creditamento “ficto”, no entanto, está condicionado a que o insumo tenha alíquota positiva na TIPI, e nesta medida, conforme se pode extrair do Voto da Ministra Rosa Weber no julgamento do RE nº 592.891/SP, está expresso na Nota SEI nº 18/2020/COJUD/CRJ/PGAJUD/PGFN-ME, e pacificado na jurisprudência desta Turma, conforme Acórdão nº 9303-013.357, unânime, de relatoria da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. TEMA 322 DO STF. Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus, na medida em que sua alíquota de IPI seja maior que zero, nos termos do decidido no RE 592.891 e da Nota SEI 18/2020/COJUD/CRJ/PGAJUD/PGFN-ME, de 24/06/2020. (grifou-se). Assim, a correta classificação fiscal, no caso, é, sim, determinante para que se considere o crédito como “admitido”, ou não. Consignou o Relator do Acórdão recorrido que “Crédito admitido não é o crédito admitido por uma autoridade fiscal, em avaliação subjetiva”. A Tuma a quo, em detida análise, interpretou que estava correta a classificação fiscal constante das Notas Fiscais dos “kits/concentrados”. A Câmara Superior de Recursos Fiscais não se constitui em uma 3ª instância de julgamento, limitada a divergências, e não foi trazida à apreciação divergência quanto à classificação fiscal dos “kits/concentrados”, ficando assim esta Turma adstrita, nesta matéria, à decadência, em tese. O provimento do Recurso Especial, neste caso, não terá efeitos concretos, à vista de que, no Acórdão recorrido, acatou-se a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, mas, para fins de uniformização de jurisprudência, que é a função deste Colegiado, há que se consignar no dispositivo a discordância da interpretação dada ao termos “créditos admitidos” do dispositivo regulamentar em questão. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial nesta matéria, interpretando que, para fins de equivalência a pagamento, com reflexos contagem do prazo decadencial, os créditos de IPI devem ser admitidos pela legislação, não estando aí contemplados os apropriados na aquisição de insumos tributados á alíquota zero, ainda que sem a verificação de dolo, fraude ou simulação. 2) Impossibilidade de glosa de créditos em razão da decadência. Conforme previsto na Constituição Federal (art. 146, III, “b”), “cabe a lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre decadência”. Decadência, no Código Tributário Nacional, é forma de extinção do crédito tributário (art. 156, V) e se dá pelo decurso do prazo para que seja feito o lançamento, que constitui o crédito. Não existe decadência para glosa de créditos escriturais. Existe a prescrição para a sua utilização pelo sujeito passivo, de cinco anos, conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Fl. 1954DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-014.477 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16045.720040/2017-41 Em relação aos créditos escriturais, o único prazo que tem a Fazenda Pública – não propriamente para a glosa, em si, mas a ela relacionado –, é o de cinco anos para a análise de Declarações de Compensação lastreadas em Pedidos de Ressarcimento. Feitas as glosas e resultando, após a reconstituição da escrita fiscal, saldos devedores do imposto, o lançamento dos valores que deixaram de ser recolhidos, este, sim, terá que observar o prazo decadencial, do art. 150, § 4º, ou do art. 173 do CTN, a depender do caso. O provimento do Recurso Especial, também para esta divergência, neste caso, não terá efeitos concretos, à vista de que a Turma a quo admitiu 99,8 % dos créditos glosados, mas, para fins de uniformização da jurisprudência, que é a função deste Colegiado, há que se consignar no dispositivo a discordância quanto à esta “decadência”. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial nesta matéria, interpretando que inexiste decadência do direito de glosar créditos escriturais. À vista de todo o exposto, voto dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, interpretando que: 1) Para fins de equivalência a pagamento, com reflexos na contagem do prazo decadencial, os créditos de IPI devem ser admitidos pela legislação, não incluídos os apropriados na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, ainda que sem a constatação de dolo, fraude ou simulação; 2) Inexiste decadência do direito de glosar crédito escriturais; (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1955DF CARF MF Original

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7580024 #
Numero do processo: 10880.728198/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja dado ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional de laudo técnico apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 1686/1785), abaixo transcrito: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010; consoante capitulação legal consignada às fls. 914 e 915, foi lavrado o auto de infração à fl. 912, em 27/07/2016, para exigir R$ 10.219.731,18 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 4.201.000,38 de juros de mora calculados até 31/07/2016, e R$ 7.664.798,31 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 22.085.529,87. A AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, sujeito passivo da autuação, sucedeu por incorporação, em janeiro de 2014, o estabelecimento com CNPJ 02.808.708/0081- 83, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido iniciada, conforme os arts. 129 e 132 do CTN. Fatos e Infrações Consoante a descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 913/915, e o teor do relatório fiscal (termo de descrição dos fatos), às fls. 797/911, não houve o recolhimento do imposto, de janeiro a dezembro de 2012, em razão do aproveitamento dos seguintes tipos de créditos indevidos: CRÉDITOS DE INSUMOS PARA BEBIDAS Créditos fictícios do imposto apropriado como se devido fosse na aquisição de insumos (concentrados, filmes “stretch” e artefatos como rolhas e tampas plásticas) de estabelecimentos situados na Amazônia Ocidental, escriturados da seguinte maneira: “Outros Créditos - Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – IPI rec. s/aquisição Amazônia” ou “Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – art. 175 Dec. 4.544 26/12/2002” A isenção do imposto em tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental e comercializados em outras partes do país é prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010. O dispositivo específico sobre a Zona Franca de Manaus (art. 81, II) não assegura o aproveitamento dos créditos pelas aquisições por estabelecimentos localizados em outras regiões do país. Por outro lado, para a isenção do art. 95, III, há a possibilidade de aproveitamento dos créditos (crédito incentivado, art. 237) pelos adquirentes em outras regiões se forem satisfeitas as seguintes condições cumulativas: 1. Que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional; 2. Que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima); 3. Que o estabelecimento tenha projeto aprovado no Conselho de Administração da Suframa. Ademais, consoante a redação do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º, os insumos adquiridos com isenção devem ser empregados no processo industrial de produtos sujeitos ao imposto. A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na escrita fiscal. Intimada a contribuinte a esclarecer a origem dos créditos fictos (incentivados) registrados na escrita fiscal, há o seguinte a destacar conforme os dados fornecidos. Créditos de rolhas e tampas plásticas adquiridas de RAVIBRAS Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/0001-73: ROLHA PLAST VERDE PC TW NIV ROLHA PLAST AZUL PC NIV ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI ROLHA PLAST GUARANÁ VERMELHA NIV11 R ROLHA PLAST SODA L ANT ROLHA PLAST SUKITA VERDE TAMPA PLAST AMARELA GUARANÁ ANTART O dispositivo legal para isenção declarado como adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II) nas vendas prevê apenas a isenção nas saídas dos produtos do industrializador, sem a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de filme “stretch” adquirido de VALFILM Amazônia Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/0001-07: FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Idem nas saídas de produtos da VALFILM a partir de maio de 2010 (isenção prevista no seguinte dispositivo: RIPI/2010, art. 81, II). Créditos de concentrados adquiridos de AROSUCO Aromas e Sucos Ltda., CNPJ 03.134.910/0001-55: CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT CONC NAT LIMAO FE1403 KIT CONC NAT S LARANJA BR KIT CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT No caso da AROSUCO também foi informado que a falta de destaque do imposto nas saídas de concentrados (exceto quanto aos concentrados de sabor guaraná) se deveu à isenção prevista (RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de concentrados adquiridos de PEPSI-COLA Industrial da Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/0001-60: KIT PEPSI COLA 350050602 PEPSICO KIT PEPSI COLA TWIST KIT PEPSI COLA LIGH KIT H2OH LIMAO KIT PTWZERO; Os concentrados (kits) foram produzidos pela PEPSI-COLA com a utilização de insumo (corante caramelo) produzido, por sua vez, pela empresa D. D. WILLIAMSON do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/0001-25, localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante caramelo foi utilizado, até junho de 2011, açúcar de cana fornecido pela Usina Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/0001-70, situada no Estado do Mato Grosso, que não compõe a chamada Amazônia Ocidental, abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do Decreto-lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 4º. Em procedimento de diligência encetado, a D. D. WILLIAMSON informou que, a partir de 14/06/2011, passara a fornecer o corante caramelo à PEPSI-COLA com, na respectiva composição (misturados), açúcar proveniente da Usina Itamarati S/A e açúcar mascavo oriundo da Cooperativa Agroextrativista da Vila União, CNPJ 10.778.894/0001-07, situada em Eirunepe, Amazonas. Em resposta a intimação, a PEPSI-COLA declarou que era habilitada pela SUFRAMA a produzir concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas com ambos os incentivos: Zona Franca de Manaus (RIPI/2010, art. 81, II) e Amazônia Ocidental (RIPI/2010, art. 95, III). O corante caramelo, utilizado na produção de kits (concentrados de refrigerante) pela PEPSI-COLA, é industrializado pela D. D. WILLIAMSON com açúcar fabricado em Mato Grosso a partir de cana de açúcar lá cultivada e não se caracteriza como matéria prima agrícola e, por conseguinte, os concentrados de refrigerante não são produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Por isso, não há direito ao crédito pelas aquisições de concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA de janeiro a dezembro de 2012. Alcance do conceito de matéria prima agrícola de produção regional do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435, de 1975 No caso da produção dos concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA, empregados no processo industrial da unidade da AMBEV em Almirante Tamandaré, PR, o corante caramelo é um insumo do insumo que, no fim das contas, não é uma matéria prima agrícola, ainda que seja um insumo de produção regional. O corante caramelo é resultante de um processo industrial a partir de açúcar cristal e açúcar mascavo, de certa complexidade, com a aplicação de diversos compostos químicos e que abrange duas etapas, conforme consta do relatório fiscal: “a) Processo de hidrólise: ocorre através da inversão da sacarose, sendo utilizados como matérias-primas o açúcar cristal, água e catalisador ácido. Esse processo quebra a molécula da sacarose, gerando outros tipos de açúcares. O produto resultante é o açúcar hidrolisado, que é uma mistura de sacarose, glicose e frutose. b) Processo de manufatura do corante caramelo: ocorre em reatores, através do processo de caramelização, utilizando o açúcar hidrolisado da etapa anterior, acrescido de água, sal de amônio e solução alcalina. Durante todo esse processo existe o acompanhamento de técnicos de laboratório, coletando e analisando todos os parâmetros de qualidade”. A cana de açúcar é a matéria prima agrícola por excelência na produção dos açúcares, mas não é a matéria prima agrícola e extrativa vegetal na produção dos concentrados. A autuada efetuou a apropriação de créditos fictos nas aquisições dos “kits” para refrigerantes sem a indispensável utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Nem a aquisição de corante caramelo daria azo ao aproveitamento de créditos, pois os açúcares cristal e mascavo são, também, produtos intermediários e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Na justificativa do projeto do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, o termo “matérias primas agrícolas” exclui da definição insumos oriundos da agroindústria. Em uma primeira industrialização, pode-se falar na utilização de matéria prima extrativa vegetal de produção regional. Contudo, na etapa posterior (segunda industrialização), trata-se do emprego de produto intermediário. À luz do art. 4º do RIPI/2010, após um processo de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, renovação ou recondicionamento), o artefato de natureza agrícola resultante não pode mais ser considerado como matéria prima agrícola in natura: é produto intermediário. A isenção prevista no diploma legal é objetiva (em razão do produto) e não subjetiva (em razão do beneficiário); assim, é imprescindível a comprovação da legitimidade da isenção para cada produto, sendo a aprovação de projeto pela SUFRAMA (órgão com competência exclusiva para a aprovação de projetos) apenas um dos requisitos para a efetiva fruição do benefício fiscal. Os créditos incentivados apropriados pelo sujeito passivo são, destarte, indevidos, pois se referem a aquisições de kits para refrigerantes da PEPSI-COLA, assim como os créditos referentes às aquisições de kits da AROSUCO (exceto aqueles de guaraná) com base na isenção do art. 81, II, do RIPI/2010. Esses créditos fictos devem ser glosados. Erro de classificação fiscal e a alíquota zero dos “concentrados de refrigerantes” Para o aproveitamento de créditos fictos relativos a insumos adquiridos com a isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, os créditos devem ser calculados como se o imposto fosse devido, ou seja, os insumos devem sofrer a incidência do imposto, com alíquota diferente de zero. É o texto do Decreto-lei nº 1.435, 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, matriz legal para o crédito incentivado do RIPI/2010, art. 237: § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.(g.m.) O subitem 2106.90.10 da TIPI, correspondente a “preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas”, tem a alíquota de 0%. Todavia, constam nas notas fiscais de aquisição dos concentrados ou “kits” oriundos da PEPSI-COLA (isenções dos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010, quanto aos kits para fabricação de refrigerante) e da AROSUCO (isenção do art. 81, II, do RIPI/2010, no tocante aos kits de sabores diferentes de guaraná; isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, no caso dos kits de sabor guaraná) o código de classificação fiscal NCM 2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27% (alterada para 20% a partir de 31/05/2012 pelo Decreto nº 7.742, de 2012) e o seguinte texto: "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Todos os sobreditos códigos de classificação fiscal vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. Há erro de classificação fiscal cometido pelas empresas fornecedoras PEPSI-COLA (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes Pepsi e H2OH) e AROSUCO (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes sabor guaraná, limão, laranja e água tônica), à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). Ora, no próprio texto do código de classificação fiscal adotado pelas empresas fornecedoras em questão há a alusão a “preparações compostas”, ao passo que nas notas fiscais os insumos em questão são referidos como “concentrados” e identificados como itens únicos. Nas notas fiscais emitidas pela AROSUCO, os concentrados são discriminados como “kits”, conforme a nota fiscal nº 1.206 (reprodução parcial à fl. 848). Em nota fiscal emitida pela PEPSI-COLA (documento auxiliar de nota fiscal eletrônica – DANFE, com reprodução à fl. 849), há a discriminação das várias partes integrantes do “concentrado de refrigerante”, sendo as seguintes as considerações do termo de descrição dos fatos e de encerramento da ação fiscal: “Observa-se que kits sabor Pepsi-Cola, em verdade, seriam duas mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35005*06 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III”; "Acid Ingr 35005 *01*01 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” E que kits sabor Pepsi-Cola light, em verdade, seriam quatro mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35009*60 01A 4UN p/ vol”; "Aroma Ingr 35009*61 1UN p/ vol acid, organic, 8, pg III"; " SAIS: INGR. 35009*61*05 2 UM P/VOL" ; "Acid Ingr 35009 *80*33A 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” Ainda que, em algumas notas os kits sejam discriminados como um item único, os concentrados ou "kits", em realidade, chegam à AMBEV em partes, não em um único componente. Mesmo que os fornecedores Pepsi e Arosuco entendam que o concentrado é uma preparação composta, uma mercadoria única, já pronta, os produtos que a Pepsi ou a Arosuco chamam de "concentrado" ou "kit" são na realidade conjuntos de matérias-primas e produtos intermediários, que saíram dos seus estabelecimentos embalados separadamente, em bombonas, ou sacos, na forma líquida (Flavours ou aromas) ou sólida (sais). O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (Flavours ou aromas), quando, aí sim, é obtido o concentrado”. Por ocasião de visita à fábrica em diligência efetuada em filial do sujeito passivo, foi constatado o seguinte: “Que o processo produtivo do estabelecimento pode ser resumido da seguinte forma: 1) As matérias-primas, recebidas dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhadas a uma sala de estocagem. 2) Recebem açúcar de determinados fornecedores que não os do item 1, não oriundo de Manaus, com o qual é elaborado, por meio de dissolução em água, o xarope simples a quente na xaroparia simples”. 3) A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes, após receber tratamento, alimenta um equipamento conhecido como “dissolvedor”, onde é produzido o xarope simples por meio do aquecimento do açúcar e sua diluição em água. 4) Que, na linha de produção, na área da Xaroparia Simples, produz-se o Xarope Simples, por meio do aquecimento do açúcar cristal e refinado, insumo não proveniente da região da Amazônia, e da sua diluição em água. 5) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. 6) Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. 7) Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. 8) Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto, a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. 9) Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. 10) Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente, e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, pois o kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. 11) Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. 12) Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. 13) Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto5; muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. 14) Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados (acondicionados) em bombonas separadas. 15) Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; 16) São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. 17) E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1.703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola”. A seguir, transcrição de trecho do auto de infração que consta do processo administrativo fiscal de n° 10830-725.247/2015-16: "Para melhor esclarecer este assunto, em 13/03/2015, 01/06/2015 e 15/09/2015 realizamos diligências nas salas de estocagem de matérias-primas da AMBEV e no início das linhas de produção de Gatorade e Refrigerantes, em companhia do Gerente de fábrica Fábio Henrique Cardoso de Souza. 225) A pessoa citada acima esclareceu que: a) Quanto ao processo produtivo básico de refrigerantes e Gatorade i) Recebimento de matérias-primas - As matérias-primas, basicamente aromas e sais, são recebidos dos fornecedores, e então encaminhados a uma sala de estocagem, antes do preparo propriamente dito. ii) Tratamento da água - A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes é "declorada", após tratamento. iii) Adição dos sais - Essa água declorada alimenta um equipamento (tanque de solução), conhecido como "dissolvedor", onde lhe são adicionados os sais industrializados; iv) Adição de Aromas - A solução resultante é então encaminhada aos tanques onde serão adicionados os aromas (flavours), de acordo com a formulação do refrigerante a ser fabricado v) Enchimento - A mistura é então dirigida às linhas de enchimento, onde é feita uma diluição. No caso dos refrigerantes é adicionado o gás, e finalmente segue para envase. b) Quanto ao recebimento das matérias-primas i) Os aromas chegam à AMBEV acondicionados em bombonas e os sais acondicionados em sacos, conjunto esse convencionalmente chamado de "kit" para fabricação de refrigerante. Os Aromas, chamados de flavours, são os componentes que contêm os aromas das bebidas a serem fabricadas, p.ex. laranja, tangerina, limão, guaraná. Vêm embalados em bombonas, e se apresentam na fase líquida. iii) Os sais vêm embalados em sacos, na fase sólida, e são basicamente acidulantes e conservantes. iv) No caso dos refrigerantes, os sais são ácido cítrico, sorbato e benzoato. v) Tais componentes do kit não podem ser misturados já no fornecedor e transportados lá na forma do concentrado pronto, porque as misturas para cada produto tem dosagens e sequências diferentes, e se o concentrado já viesse pronto, o volume do produto seria maior. vi) Os kits, quando são recebidos do fornecedor, não apresentam ainda as características essenciais do concentrado pronto. Para que isso aconteça é necessário que eles sejam misturados apenas durante o processo de preparo das bebidas, na AMBEV. 226) Fomos então às salas de estocagem de matérias-primas e registramos fotos de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada”.(g.m.) Reproduções fotográficas de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada às fls. 853/864. As fotografias apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 006 demonstram igualmente que: “Quanto ao chamado concentrado “Pepsi zero”, são na verdade cinco mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi zero sais: embalagem contendo composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. 2) Kit Pepsi zero flavour: embalagem contendo aromatizante. 3) Kit Pepsi zero acidulante: conforme embalagem, seria composto de acidificante INS 330 e 338. 4) Kit Pepsi zero natural flavour. 5) Kit Pepsi zero Max flavour: embalagem contento aromatizante IV. E, quanto ao chamado concentrado “Pepsi twist”, seriam as três mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi twist (limão): kit 92318*01. 2) Kit Pepsi twist (cola flavour): kit 35005*14. 3) Kit Pepsi twist sais: composto de conservante INS 211 e estabilizante INS 331. Já o chamado concentrado “Água tônica”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: composto de aroma natural. 2) Kit B: formado de dois acidulantes e dois conservantes. E, por fim, o chamado concentrado “Guaraná Antarctica zero”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: FE 1431Z (aroma natural, corante de caramelo, extrato vegetal de guaraná). 2) Kit B: acidulante INS 334, conservante INS 211 e dois edulcorantes”. O fluxograma da elaboração de refrigerantes ou Gatorade é reproduzido à fl. 866: no Tanque de Solução (Dissolvedor), há a obtenção de xarope simples, a partir da mistura de água declorada e sais; no Tanque para Adição dos Aromas (Flavours), há a obtenção do xarope final ou concentrado líquido (ponto somente a partir do qual é obtido o concentrado propriamente dito); o produto final (refrigerante ou Gatorade) é obtido a partir da mistura de água e gás carbono (para refrigerante). “O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (flavours), sendo nesta ocasião obtido o concentrado. E, a despeito dos fornecedores adotarem o código da NCM Ex 01 do subitem 2106.90.10, esse ex-tarifário é próprio para preparação composta, e os concentrados para refrigerante não podem assim serem classificados, pois algo que não está preparado nem misturado, não se caracteriza como preparação. Repise-se: para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. E, quando da entrada no estabelecimento da Ambev, as partes dos concentrados não estão misturadas, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Ainda que em manifestação às constatações relatadas no Termo de Constatação Fiscal, os representantes da fiscalizada afirmem que as Partes que comporiam um concentrado ou kit são transportadas em conjunto, a verdade é que, conforme relatado em ambos Termos de Constatação Fiscal, cada Parte (Parte A ou Parte B da Arosuco, e Kit Pepsi ou Kit Pepsi Acidulante, da Pepsi) é embalada e acondicionada separadamente, tanto que a Parte A se trata de um líquido, transportado em Bombonas, e a Parte B, um sólido (pó), embalado em caixas, ainda que possam ser transportadas em um único caminhão por exemplo, de Manaus a Curitiba. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss, o vocábulo "preparação" indica uma ação - o ato de preparar, e um resultado - o preparado: "Ato ou efeito de preparar-se; preparo, preparamento, preparativo 1 operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço 2 elaboração dos alimentos para transformá-los nos diversos pratos, iguarias, etc. 3 feitura de um preparado; preparo 4 m.q. PREPARADO ("produto") (grifo nosso) Portanto, os termos "preparações", citados nos Ex 01 e Ex 02 devem ser entendidos como produtos prontos para uso, cuja origem advém de um processo de preparo. Para que se caracterize um bem chamado de preparação, os insumos empregados devem sofrer algum tipo de processamento, de transformação, podendo ser uma simples mistura de ingredientes ou complementada com algo mais elaborado como cozimento, por exemplo. Não é o caso dos "kits". Conforme constatado em razão da diligência efetuada, o que certamente ocorria no processo de industrialização de refrigerantes no estabelecimento da Ambev Curitiba, pois que os produtos elaborados bem como as matérias-primas são idênticos —, os componentes dos chamados “concentrados” são misturados pelo adquirente durante o processo de elaboração da bebida final, procedimento que é executado seguindo complexas edetalhadas especificações técnicas. O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. Não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais, como é o caso dos insumos no momento em que dão entrada na Ambev!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Veja-se. No mesmo sentido dos dicionários, a Nomenclatura do Sistema Harmonizado emprega o vocábulo "Preparação" como uma mercadoria misturada, pronta para uso pelo seu adquirente. Quando as matérias misturadas se classificam no mesmo Capítulo da NCM, a preparação é do tipo "simples". A elas a Nomenclatura se refere apenas como preparações. Exemplificando: a) Preparações de carne do Capítulo 16, cuja Nota de Subposição n° 1 diz: 1.- Na acepção da subposição 1602.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de carne, miudezas ou sangue, finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) b) Preparações do Capítulo 20, cujas Notas de Subposição n° 1 e n° 2 dizem: 1.- Na acepção da subposição 2005.10, consideram-se "produtos hortícolas homogeneizados", as preparações de produtos hortícolas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (..) 2.- Na acepção da subposição 2007.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de frutas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) Visível é que as preparações ("simples") acima citadas contém cada uma, apenas um tipo de matéria base. Numa são carnes (Capítulo 16), noutra são produtos hortícolas (Capítulo 20), e na última são apenas frutas (Capítulo 20). Cada um desses alimentos de base da preparação é classificado num determinado Capítulo. Nas preparações ("simples") não há mistura de matérias de base de Capítulos diferentes. Quando as preparações contêm matérias de base de Capítulos distintos, a Nomenclatura as distingue das preparações ("simples"), denominando-as de preparações compostas. Exemplificando, no caso das preparações alimentícias da posição 21.04, em que há uma mistura de substâncias de base como carne, peixe, produtos hortícolas e frutas, a Nota de Subposição n° 3 diz: "3.- Na acepção da posição 21.04, consideram-se "preparações alimentícias compostas homogeneizadas" as preparações constituídas por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de base, como carne, peixe, produtos hortícolas, frutas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis." (grifo nosso) Da mesma forma que no exemplo acima, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de "preparações compostas" constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Não é o caso dos chamados "kits" ou "concentrados" adquiridos pela fiscalizada. Esses são um conjunto de mercadorias, partes que, como já dito, estão acondicionadas cada uma na sua embalagem individual; não estão misturadas e não estão prontas para uso pelo adquirente, no caso, a fiscalizada. A mistura dos componentes dos kits para refrigerantes se caracteriza como a operação de transformação definida no artigo 4°, inciso I, do RIPI/2010: Art. 4º- Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n° 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n° 4.502, de 1964, art. 3°, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Nos termos do art. 3°, do RIPI de 2010, o kit para elaboração de refigerantes, ou concentrado é um produto industrializado resultante de uma operação de transformação intermediária, pois, em etapas posteriores do processo industrial, esse concentrado ou preparado líquido recebe tratamento adicional, até transformar-se em refrigerante, produto final fabricado pela AMBEV. Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n°4.502, de 1964, art. 3°). Assim, para definição do enquadramento na NCM dos "concentrados", o que deve ser analisado são as características dos produtos no momento da ocorrência do fato gerador, quando cada uma das partes dos kits apresenta suas próprias características individuais. As empresas do Grupo AMBEV e seus fornecedores, como a Pepsi-Cola, podem realizar suas operações da forma que considerarem mais conveniente e chamar os produtos pelos nomes que julgarem adequados. No entanto, o fato de nomearem diversos produtos como se um único fosse, isto é, a ficção de que cada componente dos kits não se constitui isoladamente em uma mercadoria, não os transforma perante a legislação em um único produto, já que não encontra guarida na legislação regente da matéria. De acordo com a legislação, cada uma das partes deve seguir sua classificação própria. E, prosseguindo no tema classificação fiscal, tem-se, como já mencionado, que os procedimentos, no Brasil, são regulamentados pelo conjunto de normas do chamado Sistema Harmonizado (SH), tabela internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual o Brasil é signatário. A classificação fiscal de mercadorias deve ser realizada com aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI-SH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 23 de dezembro de 1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2° do Decreto n° 766, de 3 de março de 1993, bem assim das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul, constante da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados e da Tarifa Externa Comum (NCM/TIPI/TEC). Os Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e os Ditames do Mercosul são, igualmente, de cumprimento obrigatório para a solução de consultas de classificação fiscal de mercadorias. Repise-se: a classificação fiscal de mercadorias deve, do mesmo modo, seguir as orientações e esclarecimentos fornecidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), internalizadas no Brasil pelo Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992. A versão atual das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) n° 807, de 11 de janeiro de 2008, atualizada pelas IN RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010 e n° 1.260, de 20 de março de 2012, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 10 da Portaria MF n° 91, de 24 de fevereiro de 1994. E, as NESH são elemento subsidiário fundamental e indispensável para interpretação da Nomenclatura do SH e correta classificação fiscal de uma determinada mercadoria. Estas normas determinam a metodologia dos procedimentos por meio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH). Tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) têm por base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por sua vez, tem sua forma derivada a partir do Sistema Harmonizado. Como constatado em diligência realizada na unidade industrial de CNPJ nº 07.526.557/0034-78 os componentes dos "kits" saem do estabelecimento industrial embalados em bombonas, caixas ou contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido. As citadas mercadorias vêm sendo classificadas pela Pepsi e pela Arosuco, bem como pela Ambev e por outros produtores nacionais, no código 2106.90.10 – Ex 01 da TIPI, fazendo uso do argumento de que são "sortidos apresentados para venda a retalho". A Regra Geral 1 assim dispõe: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Determinada, portanto, pela mencionada Regra Geral é que a classificação de mercadorias deve ser feita pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, só se fazendo recurso às demais RGI quando não for possível o enquadramento por aplicação da RGI-1, bem como nos casos de produtos com características específicas. De outra feita, a RGI-6 aplica às subposições as mesmas Regras utilizadas em nível de posição, enquanto que as RGC são utilizadas no nível da NCM. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. A análise e aplicação das Regras de classificação e os esclarecimentos fornecidos pelas NESH irão, desse modo, definir o código correto para classificação das mercadorias. À luz da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3b (RGI n° 3b) que, entende-se que atendidas determinadas condições, alguns bens, dentre eles produtos compostos constituídos pela reunião de diferentes materiais, devem ser classificados em código único, próprio para o artigo que lhes confira a característica essencial: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Todavia, considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.262, de 2012, especificamente o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), tem-se que excluídos são, do campo de aplicação da mencionada regra (Regra 3 b) do Sistema Harmonizado), os produtos destinados à fabricação de bebidas, tais como os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco: XI) a presente regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. E, mais, somente nos casos específicos previstos nas Regras 2 a) e 3 b) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), existiria a possibilidade de classificação de componentes de kits ou sortidos como se formassem uma mercadoria única. Assim, o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b) elimina qualquer possibilidade de que esta Regra do Sistema Harmonizado possa ser aplicada no caso sob análise, prevendo expressamente que os conjuntos para a fabricação industrial de bebidas não podem ser classificados de acordo com a Regra 3 b). Do exposto até então, já afastada a possibilidade de serem entendidos o conjunto de mercadorias denominadas pela fiscalizada de “concentrado de refrigerante” como um produto único. O cerne da questão resume-se, desse modo, em definir se os diversos componentes dos “Concentrados de refrigerantes”, atendem à definição de “sortidos apresentados para venda a retalho” sendo classificados num código único. A respeito das mercadorias constituídas pela reunião de artigos diferentes, bem como dos produtos “apresentados em sortidos acondicionados para venda a retalho”, as NESH esclarecem, item X da Regra 3 b): X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto, considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada; c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). Embora seja constituído de elementos classificados em posições distintas da nomenclatura, e de seus elementos servirem à satisfação de uma atividade específica e bem determinada (a produção de determinada bebida refrigerante), o “kit” objeto desta consulta não atende ao requisito previsto no item “c” da Nota Explicativa acima reproduzida, pois que não há que se falar em sortidos acondicionados para venda a retalho. Ora, a venda a retalho, também chamada de varejo, caracteriza-se pela venda de produtos em pequenos volumes, diretamente ao consumidor final. O produto em apreço, entretanto, trata-se nitidamente de um produto intermediário, o qual servirá de insumo em uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado. A dosagem dos componentes também demonstra claramente que se trata de um artigo destinado à aplicação industrial, incompatível, portanto, com o conceito de venda a varejo. Afastada as hipóteses de enquadramento suscitadas pela Regra 3-b, conclui-se que a classificação fiscal da mercadoria "Concentrados de refrigerantes" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles. Em função de exclusões previstas nas NESH, igualmente é inaplicável a Regra 2 a) do Sistema Harmonizado aos produtos do capítulo 21 da TIPI. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. O item III da Nota Explicativa da Regra 2 a), transcrito a seguir, ao tratar dos artigos incompletos ou inacabados, prevê que a primeira parte da RGI 2 a) não se aplica, normalmente, aos produtos das Seções I a VI. Tal exclusão abrange os produtos do capítulo 21 da TIPI, que fazem parte da Seção IV da Nomenclatura. III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. Ademais, por produto incompleto ou inacabado, entende-se como aquele em que o processo de fabricação foi interrompido em determinado ponto por alguma necessidade ou conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte. Tais produtos devem apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se tornarem o produto completo ou acabado cujas características eles apresentam. De qualquer maneira, os kits adquiridos pela AMBEV não apresentam, no estado em que são recebidos, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Exemplos são os Kits B do Guaraná Antárctica (FE 1430 - Sais), e os Kits B da Soda Limonada Antárctica (FE 1403 - Sais), compostos de Acidulante e Conservantes, que não apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado. Quanto à segunda parte da Regra 2 a), que trata de um artigo apresentado desmontado ou por montar, o item VII da Nota Explicativa da Regra 2 a), a seguir transcrito, deixa claro que os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco não se enquadram como artigos apresentados desmontados ou por montar: Notas Explicativas – Regra 2 a) VII) Deve considerar-se como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinam-se a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Observe-se que o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua parte final que "Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1". Tal texto refere-se a produtos misturados, que não é o caso dos kits para refrigerantes. Assim, o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) só vem a corroborar o entendimento já esposado de que os concentrados não podem ser classificados como um produto único mediante aplicação da Regra 1. Para definição da classificação fiscal dos kits ou chamados “concentrados” de refrigerantes, inclusive os de sabor guaraná, o procedimento correto é analisar individualmente cada embalagem, onde estão acondicionados produtos misturados, utilizando-se a Regra 1 para classificar o componente analisado, de acordo com o conteúdo da embalagem. Colaciona-se documentação referente à análise efetuada pelo CCA (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a classificação fiscal de bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados em conjunto em proporções fixas em uma remessa, e que elimina qualquer possibilidade de discussão sobre o que pretende o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). A análise foi realizada em função de consulta sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas à dos insumos adquiridos pela AMBEV, um deles, inclusive, referente a Concentrado de Pepsi-Cola. Ao final da análise, decidiu-se incluir nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). O idioma original da documentação em questão é o inglês. Por isto, junto com a análise efetuada pelo CCA, está a sua tradução juramentada. A tradução juramentada encontra-se nos autos do presente processo administrativo fiscal. A seguir estão transcritos trechos retirados da tradução juramentada em questão: O Secretariado recebeu cartas de três administrações em busca de aconselhamento sobre a classificação no CCCN da Base de Preparação da Bebida Fanta Frutada, Concentrado de Mirinda Laranja e Concentrado de Pepsi-Cola. As cópias destas três cartas encontram-se como anexo a este documento assim denominados Anexos I a III deste documento. Em uma das cartas, foi levantada uma questão em relação a se a base da bebida deveria ser classificada numa única posição pela aplicação da Regra de Interpretação 3 (b) ou os componentes individuais deveriam ser classificados em separado. (...) Em suas sessões de outubro de 1985 (na 55a. Sessão do Comitê de Nomenclatura e 55a. Sessão do Comitê do Sistema Harmonizado Interino), os Comitês examinaram a classificação das bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados conjuntamente em proporções fixas em uma remessa. Os Comitês concordaram com que os componentes individuais deveriam ser classificados separadamente. Os Comitês também concordaram em incorporar o conteúdo da decisão na Nota Explicativa da Regra Interpretativa 3 (b), como um exemplo da não aplicação desta Regra (...) Regra Interpretativa Geral 3 (b) . Novo Item (XI). Após Item ( X ), insira o seguinte novo Item ( XI) : " (XI) A presente Regra não se aplica a produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, mesmo estando em embalagem comum, em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. " (grifo nosso) Evidente é, da decisão do CCA que deu origem ao item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), que essa Regra 3b) não se aplica a insumos para fabricação industrial de bebidas que sejam produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, como é o caso das denominadas Partes dos concentrados ou kits utilizados pela Ambev. Um dos fundamentos para a decisão do CCA de que a Regra 3 b), das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), não pode ser aplicada a bases para refrigerantes foi a ausência na Seção IV da Nomenclatura de uma Nota semelhante à Nota 3 da Seção VI e à Nota da Seção VII. A Nota 3 da Seção VI e a Nota da Seção VII dizem respeito à classificação dos produtos que se apresentam em sortidos compostos de diversos elementos constitutivos distintos. Todavia, estas Notas apenas visam os sortidos cujos elementos constitutivos se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII. Não há nas NESH a previsão de que possa ser aplicada a Regra 3 do Sistema Harmonizado quando os sortidos são destinados, após mistura, a constituir um produto da Seção IV. Nos textos traduzidos também constam motivos pelos quais a Regra 2 a) das NESH não pode ser aplicada a bases para refrigerantes. Assim, mesmo antes da inclusão do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), já existiam normas nas NESH que mostravam que kits de produtos do capítulo 21 não poderiam ser classificados como uma mercadoria única. Com a incorporação do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), eliminou-se qualquer dúvida de que os componentes individuais das bases para bebidas devem ser classificados separadamente. Inicia-se então, a reclassificação dos componentes dos concentrados de refrigerantes em separado, de acordo com as Regras estabelecidas para Interpretação do Sistema Harmonizado”. Classificação fiscal correta das partes dos kits de refrigerante São as seguintes as considerações acerca dos corretos códigos de classificação fiscal a ser aplicados aos componentes dos kits (concentrados para refrigerantes) adquiridos pela contribuinte: “Da diligência realizada, constatou-se que em relação às mercadorias que formariam o chamado “concentrado” para refrigerante PepsiCola: Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados em bombonas separadas. Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi-Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1703 litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola. Já com relação às mercadorias fornecidas pela Arosuco para elaboração do refrigerante Guaraná Antartica, nomeadas pelo fornecedor de “concentrado” para o Guaraná verificou-se, o Kit denominado kit A é composto de Flavours: Extrato de Guaraná, Aromatizante, corante caramelo IV; o Kit denominado kit B é composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio. Kit A é líquido, transportado em bombonas e o Kit B é sólido, transportado em caixas. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*) Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto aos demais refrigerantes, Soda Limonada, Sukita Uva, Sukita Laranja, e Água tônica, verificou-se que: Que a Arosuco fornece insumos para a fabricação de refrigerantes Guaraná Antarctica, Soda Limonada, Soda Limonada diet, Sukita Uva, Sukita Laranja, Guaraná diet, Água tônica. Que os insumos utilizados para a fabricação de refrigerantes são identificados como “kit concentrado para refrigerantes”. Que esses insumos chegam ao estabelecimento parte em bombonas (kits A da Arosuco), parte em caixas (kits B da Arosuco) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. E para todos os kits: Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*)Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto às bebidas sem adição de açúcar, tem-se que a Soda Limonada Zero, constatou-se também que: Também se verificou os insumos enviados pela Arosuco para a produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, que são dois kits: Kit A da Soda Antarctica Diet, líquido transportado em bombona plástica; e Kit B da Soda Antarctica Diet, sólido transportado em caixa. Que, no caso da produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área da Xaroparia Composta: a) primeiramente, o Kit B da Soda Antarctica Diet é dissolvido a quente (95ºC) por 20 minutos, em separado no Tanque de Sais, onde permanece até que alcance a temperatura em torno de 25ºC, sendo então enviado ao Tanque maior por um sistema de tubulação quando é diluído em água, já que não é agregado ao refrigerante diet açúcar para a sua mistura é dissolvido no Xarope Simples; b) e, posteriormente, o Kit A da Soda Antarctica Diet é dissolvido a frio, em separado, no Tanque de Sais, sendo então agregado ao Tanque maior junto ao preparado originado do Kit B, quando também é dissolvido em água, produzindo-se assim o Xarope Composto, o qual apresenta o mesmo fator de diluição mencionado para o refrigerante para os insumos da Pepsi-Cola. c) que o Kit A da Soda Antarctica Diet não pode ser fervido ou aquecido, por perder causar a perda das características do produto refrigerante, sendo que é composto do líquido natural da bebida a ser fabricada; d) que o Kit B da Soda Antarctica Diet é composto dos sais, como os acidulantes e conservantes. Que, ainda, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área de Envase, o Xarope Composto, produzido a partir do Kit A da Soda Antarctica Diet e do Kit B da Soda Antarctica Diet em conjunto, é transportado para área do Envase, para sua dissolução em água carbonatada. E por fim, com relação a todos insumos, sejam fornecidos pela Pepsi, sejam fornecidos por Arosuco: Por fim, relata-se que foi informado pelo corpo técnico que, a um, as partes dos kits são transportadas em embalagens individuais, porém na mesma remessa, e, a dois, que não seria possível produzir, a partir de cada “Kit” (parte do nomeado “kit” de refrigerante pelo fornecedor em suas notas fiscais), o refrigerante, porque, se apenas uma das partes fosse diluída em água carbonatada, a preparação resultante não teria as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir do kit completo. O aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Prosseguindo-se na análise da classificação fiscal mais acertada para as partes dos kits de refrigerante, incia-se pelo chamado Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero, e pelos chamados Kits A das bebidas fornecidos pela Arosuco bem como do Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão. Tem-se, do material colhido e informações angariadas no curso da ação fiscal (fotos, diligência e outros), em resumo que: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; - Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; - Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; - Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; - Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Importante observar o disposto na RGI 3 a) do SH, que assim versa: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que contenha extrato que é ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida, além de outras substâncias, classifica-se no escopo da posição 21.06, a qual trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições", conforme esclarecem as Notas Explicativas dessa posição: “Classificam-se especialmente aqui: [...]As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a mesma se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", que por certo não se trata dos produtos em comento. Assim, uma preparação que contenha extrato de noz de cola e outros aromatizantes/saborizantes deve ser enquadrada na subposição 2106.90, destinada a "outras" preparações. Já a subposição 2106.90 só se desdobra em um único item 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", que é a correta. Por fim, verifica-se que no código NCM 2106.90.10 há dois Ex-tarifários (exceções tarifárias): o Ex 01 e o Ex 02, a seguir transcritos: "Ex 01 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado Ex 02 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (grifos nossos) Os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de “preparações compostas” constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Exaustivamente exposto já foi que, não se trata do caso dos “concentrados de refrigerante” fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, pois este é um conjunto de partes, mercadorias, cada uma na sua embalagem individual, as quais não estão misturadas e não estão prontas para uso, diferenciando-se da definição de preparações compostas. Como já dissecado neste Relatório, os concentrados para refrigerantes (conjunto de componentes não misturados, embalados individualmente) não podem ser chamados de "preparações compostas". E, volve-se a dizer: os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 trazem como condição de enquadramento que as preparações não alcoólicas correspondam a "extratos concentrados" ou "sabores concentrados". Não são contemplados no ex- tarifário da NCM 2106.90.10 “concentrados” ou “sabores”, como faz o texto. O Ex 01 da NCM 2106.90.10 se refere a “extratos concentrados” ou “sabores concentrados”. E, é isento de dúvidas o fato de que a mercadoria para ser classificada em qualquer um dos Ex-tarifários há de ser uma preparação composta concentrada, tanto que uma diferença fundamental entre o Ex 01 e o Ex 02 é a "capacidade de diluição". No primeiro, a capacidade de diluição é superior a 10 vezes, enquanto no segundo é igual ou menor do que 10 vezes. Além disso, no próprio Ex ao final do texto há referência à preparação composta como concentrado. Um componente, parte, que corresponda a uma mistura de extrato (ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida) com outros aromatizantes/saborizantes forma uma preparação composta. A diferença entre extrato concentrado e sabor concentrado é que neste último o extrato do vegetal de origem é totalmente substituído por aromatizantes/saborizantes artificiais. O refrigerante que não contém matéria-prima natural, elaborado a partir de sabor concentrado, é denominado de artificial. Não é o caso dos refrigerantes engarrafados por Ambev. A Lei nº 8.918, de 1994, mandamento válido para qualquer bebida, foi regulamentada pelo Decreto nº 2.314, de 1994, posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.871, de 2009. Em ambos, consta uma definição apurada sobre concentrados para bebidas, abaixo transcrita, na dicção do Regulamento vigente: "Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. [...]. § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal." (...) “Art. 30. O preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o respectivo refrigerante.” Deste modo, o extrato concentrado, por ser uma preparação composta, deve conter o extrato vegetal de sua origem e os todos os demais aditivos necessários (matérias de base classificadas em capítulos distintos), a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir dele. O Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Refrigerantes, Anexo à Portaria nº 544, de 16 de novembro de 1998, complementa os padrões de identidade e qualidade estabelecidos no Decreto nº 6.871 de 2009. Quando esse Regulamento aborda a Composição e Requisitos dos refrigerantes, estabelece como requisito: "As características sensoriais e físicoquímicas deverão estar em consonância com a composição do produto". Da diligência realizada, bem como dos DANFE que acompanham as mercadorias adquiridas pela autuada da Pepsi-Cola e da Arosuco, visível é que cada mercadoria/componente cujo ingrediente fosse o extrato e outros aromatizantes ao serem simplesmente diluídos, não apresentariam as mesmas características sensoriais e físico-químicas do refrigerante a cuja elaboração se destinam. Isto porque os “kits” são formados por esses componentes sempre em conjunto com outras partes, que, por óbvio, são indispensáveis à elaboração do refrigerante. Certo é que o aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Se assim não fosse, como já dito, seriam desnecessárias as demais partes de cada concentrado de refrigerante. Para que se tenha um produto próprio a ser nomeado de extrato concentrado, haveria esse produto de ser composto de todo o conteúdo das "partes" do concentrado de refrigerante, reunidos nesse único produto. Isso posto, cada componente dos concentrados adquiridos da Pepsi e da Arosuco para fabricação de refrigerantes pela fiscalizada deve ser classificado individualmente. E, devem ser classificados no código NCM 2106.90.10 (“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), cuja alíquota do IPI é zero os seguintes insumos: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; 11 Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; 11 Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; 11 Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; 11 Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Tais componentes não se enquadram no Ex 01 do referido código, uma vez que para ser extrato concentrado, que é uma preparação composta, deverá conter o extrato vegetal de sua origem e todos os demais aditivos necessários, a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes na bebida elaborada a partir dele. Entende-se, portanto, com base na RGC-1, estrutura basilar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto 6.006, de 28 de dezembro de 200610 e, subsidiariamente, nos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, com alterações da IN RFB nº 1.072, de 2010, e da IN RFB nº 1.262, de 2012, que: o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero (Kit Pepsi Twist Zero (limão), Kit Pepsi Twist (limão), Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour e kits Pepsi Twist Zero flavours); o kit A do Guaraná Antarctica (versão regular e versão diet), que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes, e os kits A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, os quais contêm o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante (natural limão diet fe1403 z kit, natural limão fe1403 kit, natural; s tônica fe1401 kit, natural laranja rm kit, h2oh limão, e destinados à preparação dos refrigerante SUKITA) e bem como o Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão; classificam-se no código 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", cuja alíquota conforme a TIPI é 0% (zero). Nos itens a seguir, trata-se da classificação fiscal dos demais kits dos chamados concentrados para refrigerantes adquiridos por Ambev. Quanto ao Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, de acordo com informações prestadas durante a diligência realizada na unidade situada em Curitiba (filial Curitibana), seria uma Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 a qual, de acordo com a manifestação da ora autuada, teria ainda, cafeína em sua composição. Do rótulo, verifica-se que é composto de Acidificante INS 338 e corante INS 150d. O mesmo ocorre com Kit Pepsi Zero Acidulante: conforme fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, seria composto de acidificantes INS 330 e 338. E, de acordo as mencionadas fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, o Kit Pepsi Twist Sais seria uma Solução de conservante INS 211 e estabilizante INS 331, enquanto que o Kit Pepsi Zero Sais seria composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. Assim também ocorre com os demais kits dos insumos fornecidos por Pepsi, os quais contêm ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, que são comercializados já misturados pelo fornecedor, na forma líquida e sólida, os Kits Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural. Já os Kits B fornecidos pela Arosuco, conforme as fotos das embalagens e demais informações angariadas na referida diligência (na qual mostrou-se caixa aberta de um Kit B aparentando ser um único produto), seriam sólidos, transportados em caixas em embalagens separadas dos kits A. E, no caso dos insumos do refrigerante Guaraná Antarctica, o Kit B seria composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio, bem como o Kit B dos insumos do refrigerante Soda Limonada; e o Kit B do Guaraná Antarctica Zero seria composto de acidulante INS 334, Benzoato de Sódio e dois edulcorantes. Quanto aos demais insumos dos refrigerantes, o Kit B seria composto de diversos sais, como acidulantes (Ácido Cítrico), conservantes (Benzoato de Sódio e/ou Sorbato de Potássio), sequestrante (EDTA cálcio dissódico), e, no caso dos refrigerantes sem adição de açúcar, Edulcorantes. Em suma, as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes. Nesse sentido, manifestação da autuada quanto ao Termo de Constatação Fiscal da Diligência realizada em abril de 2016, trecho colacionado abaixo: “(...) do Termo, que a Parte B do Kit fornecido pela empresa Arosuco é composto de diversos sais, ácidos e conservadores químicos, caracterizados em gênero como conservantes e acidulantes”. Procedendo-se à classificação fiscal dos kits B, ou as chamadas Partes B dos insumos das bebidas fabricadas pela Ambev, bem como do Kit Pepsi Acidulante, tem-se que as matérias-primas utilizadas nos kits fornecidos pela Pepsi ou pela Arosuco não se caracterizam como óleos essenciais da posição 33.01. Em verdade, a mistura de pelo menos dois desses ingredientes (conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes) resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas. Por aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-1/SH, as "Preparações alimentícias diversas" classificam-se no Capítulo 21. Como não se verifica uma posição específica que trate das preparações em questão, resta a posição 21.06, que trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições ". Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a essa se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", enquanto a subposição 2106.90 é reservada a "outras" preparações. Assim, a preparação em análise deve ser enquadrada na subposição 2106.90. Tendo em vista que a preparação sob análise é utilizada de forma geral para qualquer tipo de indústria alimentícia e, portanto, não é do tipo específico utilizado para elaboração de bebidas de que trata o item 2106.90.1, e igualmente não é do tipo utilizado para fabricação de pudins do item 2106.90.2, nem é um complemento alimentar do item 2106.90.3, mas também não é uma mistura à base de ascorbato de sódio referido no item 2106.90.3, nem se enquadra como goma de mascar do item 2106.90.5, e muito menos como caramelos do item 2106.90.6, resta-lhe o item residual "Outras" do código 2106.90.9. Diante desse fato, dentre os componentes fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, os Kits B e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural, os quais são os formados por uma mistura de conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes, e de outras matérias que não o extrato vegetal de guaraná nem o líquido natural refrigerantes sabor limão ou laranja ou ainda uva, ou extrato de noz de cola, devem ser classificados no código residual 2106.90.90, reservado às "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições - Outras - Outras", tributado à alíquota zero do IPI. Conclui-se desse modo, que os créditos incentivados escriturados pela autuada no período de apuração de janeiro a dezembro de 2012, em razão da aquisição dos kits “Kit A” e “Kit B” da AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA., inclusive os kits para elaboração dos refrigerantes de sabor de Guaraná, e Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão da PEPSI COLA INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA., são indevidos porque para a classificação fiscal das mercadorias adquiridas NCM 2106.90.10 e NCM, a TIPI previa à época dos fatos, a alíquota 0% (zero). Em síntese, tem-se que: São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), a qual declarou que a falta de destaque do IPI nas vendas dos desses concentrados estava amparada na isenção prevista no atual art. 81, II, do Regulamento do IPl de 2010, em razão de não haver previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada. Também são indevidos e hão de serem glosados, os créditos fictos calculados e escriturados em decorrência das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Em relação aos insumos filmes plásticos produzidos pela VALFILM AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA., CNPJ sob o nº 03.071.894/0001-07, informou essa que, a partir de 05/2010, fez uso, na saída de seus produtos, da isenção prevista no art. 81, II do RIPI de 2010, por conseguinte, nos períodos de apuração a partir de junho de 2010, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, logo, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. Já, a RAVIBRAS EMBALAGENS DA AMAZONIA LTDA., Cadastro de Pessoas Jurídicas – CNPJ sob o nº 08.658.519/0001-73, apresentou declaração confirmando que suas vendas eram isentas por se enquadrarem no art. 81, II do RIPI de 2010, ou seja, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, portanto, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. E por fim, a fiscalizada creditou-se indevidamente das aquisições de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, de Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão, e de janeiro de 2012 até dezembro de 2012, aquisições da Pepsi INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA, pois que a saída dos “kits” deu-se com a isenção do art. 9º do Decreto-lei nº 288, de 1967, que não gera crédito ficto, bem como, porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Considerando o acima exposto, conclui-se que esses créditos foram indevidamente escriturados e utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, o que ocasionou a falta de recolhimento de IPI, devendo serem glosados”. Os valores glosados dos créditos incentivados indevidos estão consignados na planilha inserta no relatório fiscal à fl. 888. Responsabilidade do adquirente pela infração à legislação tributária A responsabilidade pela infração à legislação tributária é do adquirente, tendo este que verificar se os insumos recebidos cumprem todas as prescrições legais e regulamentares previamente ao cálculo e à escrituração fiscal do crédito incentivado (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 62). Aliás, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável (CTN, art. 136); ou seja, a responsabilidade por infrações não tem como antecedente lógico o dolo ou a culpa. Os componentes dos “kits” foram recebidos pela adquirente como se fossem um produto único, sem discriminação e quantificação individualizadas. Adicionalmente, no relatório fiscal: “No presente caso, ocorreram danos ao erário em função do cálculo e aproveitamento de créditos fictos indevidos por parte da fiscalizada, resultantes da aplicação de alíquota incorreta do IPI, além do aproveitamento de entradas Na hipótese da autuada se considerar prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial nº 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de vir o contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). Ressalta-se que o entendimento esposado quanto ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS, decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, não pode no presente caso ser aplicado, porque a autuada se trata de adquirente de produtos isentos. A decisão prolatada no REsp nº 1.148.444 do Superior Tribunal de Justiça (DJ de 27/04/2010, Ministro Luiz Fux Relator), que entendeu que o adquirente que receber as chamadas "notas frias" pode manter os créditos só foi adotado porque ficou demonstrado que ocorreu o pagamento da operação comercial que precedeu o aproveitamento do ICMS. Nesse Recurso Especial, houve comprovação de pagamento do ICMS, já que o tributo está incluído no preço de venda da mercadoria, e “no que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas". A autuação trata de caso diverso, uma vez que a fiscalizada calculou um crédito ficto, assim não houve pagamento de imposto nas aquisições, pois os produtos saíram do fornecedor com isenção do IPI. E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB nº 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação. Tratando-se de procedimento que implicaria aproveitamento de milhões de reais a cada mês, a autuada se desejasse agir com diligência no cumprimento de suas obrigações fiscais, só aproveitaria os créditos fictos caso tivesse base muito sólida. Constatando que os fornecedores não tomaram a iniciativa de esclarecer o assunto, à fiscalizada caberia solicitar que eles formalizassem consulta. O estabelecimento industrial não teria motivos para deixar de atender a tal pedido, a não ser que tivesse receio do resultado da consulta. Os fornecedores sempre estiveram cientes da importância da classificação fiscal de seus produtos, em função dos enormes valores de créditos gerados para seus adquirentes. O fato dos fornecedores não terem formalizado consulta sobre classificação fiscal de mercadorias junto à Receita Federal seria motivo suficiente para a fiscalizada entender que eles não confiam na correção da classificação que adotam e se abster de aproveitar o crédito duvidoso. A fiscalizada não demonstrou o menor interesse em se certificar da correção da classificação indicada pelos fornecedores, apesar de não existir base legal para aproveitamento de créditos que não correspondam ao exato produto entre o valor tributável do IPI e a alíquota correta do imposto. E mais, a fiscalizada se aproveitou de créditos incentivados, tendo sido ela, e não o fornecedor, que efetuou o cálculo do imposto mediante aplicação de alíquota incidente incorreta. Isso posto, entende-se que restou caracterizada responsabilidade da autuada, que, ao menos, assumiu o risco que permitiu a ocorrência da infração”. Créditos totais glosados no importe de R$ 24.406.881,48, consoante as planilhas às fls. 779 e 888. CRÉDITOS REFERENTES A ARTIGOS ADQUIRIDOS PARA USO E CONSUMO Foram aproveitados, outrossim, créditos distintos de créditos básicos admissíveis, alusivos a artefatos adquiridos para uso e consumo em 2012, mais especificamente: itens de manutenção e material intermediário de produção, conforme detalhamento inequívoco na planilha que integra o termo de descrição dos fatos às fls. 896 e 897. Na acepção do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, incluem-se entre as matérias primas e os produtos intermediários aqueles que, embora não integrem o produto final, sofram alterações (desgaste, dano ou perda de propriedades físicas e químicas) na ação exercida diretamente sobre o produto em industrialização. Nem todos os insumos adquiridos e utilizados na produção caracterizam-se como matérias primas ou produtos intermediários. Na mesma linha lógica já havia o Parecer Normativo nº 181, de 1974. De acordo com o relatório fiscal: “Destarte, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, e do Parecer Normativo n° 181, de 1974, e, em consonância com o inciso I do art. 226 do RIPI de 2010, geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários "stricto-sensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, isto é, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. E não existe amparo legal que dê direito ao crédito do imposto referente aos insumos peças e partes de máquinas, produtos para higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos. Não devem ser aceitos, portanto, os valores referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, peças de reposição e uniformes dos empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não se incluem no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização, únicos insumos admitidos por lei”. O direito ao crédito de IPI pressupõe a existência de duas condições aditivas: a) integração do insumo ao produto final ou consumo daquele em contato direto com o produto em industrialização; b) o insumo não pode ser parte ou peça de máquinas e equipamentos, nem pode corresponder a produtos empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, incluídos óleos e lubrificantes. Créditos indevidos no montante de R$ 24.657,33 discriminados nos demonstrativos às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE BEBIDAS ADQUIRIDAS PARA COMERCIALIZAÇÃO Houve, ademais, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de produtos acabados (bebidas refrigerantes) provenientes de diversos estabelecimentos da AMBEV. As industrializações não foram efetuadas por encomenda e a impugnante deu saída às bebidas recebidas mediante a emissão de notas fiscais de venda para terceiros, com destaque do imposto, e de notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais com suspensão do imposto. O estabelecimento matriz da empresa fiscalizada é optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), sendo a opção válida para todos os estabelecimentos. Durante o ano de 2012, o sujeito passivo estava sujeito ao Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), previsto nos arts. 58-A a 58-U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010, arts. 204 a 206), de acordo com o disposto originalmente na Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do imposto destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas em virtude de que: a) se trata de produtos acabados destinados a comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; b) o imposto incide sobre os produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vale dizer, o imposto não é mais devido em operação posterior (art. 58-N, I); c) não houve operação de industrialização por encomenda, que representa uma exceção ao regime de incidência única (na industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na saída do estabelecimento encomendante) (art. 58-N, § único). Planilha de notas fiscais às fls. 780/790 e créditos indevidos no total de R$ 818.682,68 discriminados no demonstrativo às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES ADQUIRIDOS DE OUTRO ESTABELECIMENTO DA MESMA EMPRESA COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Ocorreu também, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de “kits” para refrigerantes acobertados por notas fiscais emitidas por diversos estabelecimentos da AMBEV, conforme a transcrição que segue: “Acontece que, tais kits foram classificados incorretamente nas notas fiscais de entrada, no Ex 01 do código 2106.90.10. "preparações para elaboração de bebidas" (NCM 2106.90.10) e "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (Ex 1 da NCM 2106.90.10) ". De tudo até aqui exposto, considera-se que foi devidamente provado que o enquadramento no Ex-tarifário 01 é indevido, sendo que os kits de refrigerante a seguir listados são classificados de acordo com as regras do Sistema Harmonizado na posição da NCM 2106.90.10, para qual a Tabela de Incidência de IPI, à época dos fatos previa a alíquota de 0% (zero): - CONC NAT S GUARANA DIET FE1431 KIT - KIT PTWZERO - KIT PEPSI COLA TWIST - CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT - CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT - CONC NAT S LARANJA BR KIT - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA 20L KI - CONC NAT LIMAO FE1403 BOMBONA - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA Intimou-se a fiscalizada então demonstrar o pagamento realizado pela aquisição desses insumos, em resposta, a autuada asseverou que a transferência de recursos ao emitente é realizada via encontro de contas. Também apresentou documentos e notas fiscais relacionadas a resposta apresentada. Não restou claro que a autuada tenha arcado com o ônus financeiro do imposto na entrada dos produtos, e, considerando que tais créditos básicos são indevidos e que, caso a autuada se considere prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos, há que serem glosados tais créditos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial n° 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de viro contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB n° 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação”. Portanto, foram glosados os créditos básicos escriturados em razão da entrada de insumos (kits de refrigerantes) por ser a alíquota prevista para tais mercadorias de 0% (zero), nos termos do art. 25, da Lei n° 4.502, de 1964, e art. 226, do RIPI/2010, no montante de R$ 1.283.622,24, consoante planilha à fl. 791. Glosa dos Créditos e Reconstituição da Escrita Fiscal O crédito passível de glosa é no importe de R$ 26.531.843,73, sendo que, em virtude da existência de saldos credores no período fiscalizado, foi empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo às fls. 923/925. A escrita fiscal passível de reconstituição não é aquela definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC), tendo em conta que os pedidos de ressarcimento cumulados com declarações de compensação (PER/DCOMP) dos trimestres de 2012 encontravam-se, à época da lavratura da peça fiscal, pendentes de análise. E, adicionalmente, há a seguinte transcrição: “Cabe ressaltar quanto à reconstituição da escrita fiscal, que por ter sido objeto de PerdComp analisada e indeferida, havendo inclusive lançamento anterior do saldo devedor (processo administrativo fiscal de nº 10880.727044/2015-61), houve alteração da escrita fiscal da fiscalizada do saldo credor do período anterior (quarto trimestre de 2011) aos períodos de apuração de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, que foi considerado inexistente. Igualmente, o estorno de crédito (débito) escriturado em janeiro de 2012, em razão do pedido de ressarcimento do quarto trimestre de 2011, foi considerado igual a zero. A partir dessa escrita, é que se realizou a reconstituição em função das glosas e demais lançamentos da autuação. Nos períodos de apuração em que a fiscalizada apresentou Pedido de Ressarcimento do trimestre anterior (abril, julho e outubro de 2012), em sua escrituração, houve Estorno de Créditos no valor dos pedidos formulados, na forma de débitos de IPI. Deste modo, tendo a fiscalização concluído pela glosa de diversos créditos escriturados, o que implicou saldo credor inexistente em todos os períodos em que o sujeito passivo formulou tais pedidos de ressarcimento – sendo, portanto, esses improcedentes –, a fiscalização, ao realizar a reconstituição da escrita fiscal, incluiu, no período de apuração nos quais se constatou estorno de crédito efetuado pela fiscalizada, crédito no mesmo valor do estorno, para impedir que a glosa de créditos, em conjunto com o estorno de crédito já escriturado, resultasse em cobrança de valores em duplicidade. A escrita fiscal para o período janeiro de 2012 a dezembro de 2012 passa a ser a descrita no Auto de Infração, e, no fim do período de apuração de 2012, não houve saldo credor disponível ao final do período e sim, tributo a pagar”. Considerações Finais Foram articuladas as seguintes considerações pela autoridade fiscal acerca da classificação fiscal dos insumos fornecidos pelas empresas PEPSI e AROSUCO: “A análise das características dos insumos fornecidos por Pepsi e Arosuco, evidenciou que o produto que as empresas chamam de "concentrado" é na realidade um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários. Assim, o termo "concentrado" foi empregado de maneira tecnicamente incorreta, e seu uso refletiu apenas a prática comercial das empresas. E, a classificação fiscal é definida pelas características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador. É irrelevante, para fins de classificação fiscal, que Pepsi e Arosuco sempre remetam os produtos para fabricantes de bebidas, pois a legislação não permite que o enquadramento na TIPI seja determinado caso a caso, conforme a utilização que será dada pelos destinatários da mercadoria. Manifesto é que as características de um produto industrializado são influenciadas pela utilização para a qual o produto foi concebido. Entretanto, mesmo nas situações em que o destino e a forma de utilização da mercadoria são fundamentais, a NESH não prevê que se deva analisar a motivação de destinatários específicos ou outros aspectos da realidade econômica em que se insere o fabricante. Analisa-se, sim, a embalagem do produto, o seu formato, e outras características que independem dos fatores mencionados. Por exemplo, uma das características que podem definir o código de classificação da mercadoria é sua apresentação. O art. 6º do RIPI, de 2010, trata das definições de embalagens de transporte e de apresentação, aplicadas quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto. A NESH prevê vários casos em que o código de classificação a ser adotado é determinado pela embalagem de apresentação onde está acondicionada a mercadoria. Como exemplo, traz-se trecho da NESH, transcrito a seguir, retirado das Considerações Gerais do Capítulo 28: Alguns produtos inorgânicos não misturados, embora normalmente incluídos no Capítulo 28, podem excluir-se deste Capítulo quando se apresentem sob formas ou acondicionamentos especiais ou ainda quando tenham sido submetidos a tratamentos que não modifiquem a sua constituição química. É o que sucede nos seguintes casos: a) Produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição 30.04). (...) Prosseguindo-se no exemplo, de acordo com a NESH, todos os produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho são excluídos do Capítulo 28, devendo ser classificados na posição 30.04. Deve-se observar que tal regra é válida para qualquer operação, inclusive na hipótese de que ocorram saídas destinadas a adquirentes que nunca utilizem os produtos para fins terapêuticos ou profiláticos Ainda com relação ao mencionado exemplo, se o estabelecimento industrial, por outro lado, vender produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos sem que eles estejam acondicionados para venda a retalho ou em doses, eles devem ser classificados no Capítulo 28, ainda que o fabricante em questão tenha contrato de exclusividade com adquirente que utilize a mercadoria somente para usos terapêuticos ou profiláticos. Voltando-se aos kits ou concentrados para preparação de refrigerantes, como já devidamente exposto, os kits não podem ser classificados em código próprio para preparação composta, pois algo que não está misturado, pronto para uso pelo adquirente, não se caracteriza como preparação. Mesmo que se alegue que em trabalhos anteriores realizados pelo Fisco em estabelecimentos da Ambev jamais houve qualquer tipo de discordância quanto ao enquadramento dos "kits" para a fabricação de bebidas no Ex 01 do código 2106.90.10, tal argumentação não merece prosperar. A fiscalizada decidiu por sua conta e risco calcular os créditos incentivados aplicando as alíquotas de 27% (vinte e sete por cento) ou 20% (vinte por cento) nas aquisições dos kits, apesar da inexistência de consultas para a Receita Federal do Brasil sobre a correta classificação dos insumos adquiridos. Certo é que não houve, por parte do Fisco, emissão de qualquer ato administrativo dando amparo à classificação fiscal adotada pela fiscalizada. E, não está correto asseverar que o tratamento fiscal conferido por Ambev aos kits tenha sido homologado no âmbito dos lançamentos prévios. Em procedimentos fiscais anteriores relativos aos créditos oriundos das compras de Pepsi e Arosuco, o Fisco tratou do direito de Ambev aproveitar créditos do IPI correspondentes ao valor do tributo incidente sobre “concentrados” procedentes da Zona Franca de Manaus, no caso de bens que somente faziam jus à isenção do art. 69, inciso II, do RIPI, de 2002. Não tendo analisado a correção da classificação utilizada para os insumos isentos, o Fisco empregou em seus relatórios o código e alíquota adotados pela empresa, sem que isto significasse concordância ou não com sua correção. A análise do direito ao crédito do IPI em aquisições de insumos isentos há muito tempo vem sendo efetuada pela Justiça, inclusive em ações judiciais propostas por engarrafadores de refrigerantes. Nestas ações, os “concentrados” são tratados como uma mercadoria única cuja alíquota é de 27% (vinte e sete por cento), mas não está em julgamento se os insumos são ou não uma mercadoria única, nem a correta classificação fiscal de acordo com a NCM. Aguarda-se a decisão final do STF sobre o direito ao crédito oriundo de insumos isentos fabricados em Manaus. Na hipótese de que o STF decida adotar entendimento favorável às empresas no que se refere ao crédito oriundo dos insumos isentos, isto não significaria concordância da Justiça com os critérios e formas de cálculo utilizados pelos contribuintes. Há que se ter em mente que a citação, pelo Fisco, dos códigos de classificação adotados, pelo contribuinte, não se caracteriza como homologação de critério jurídico. Entender que a cada encerramento, ainda que parcial, de procedimento de fiscalização, há homologação das classificações fiscais adotadas pelo contribuinte, significaria que o simples encerramento de uma ação fiscal relativa ao IPI, mesmo que não se tenha avaliado a correção de códigos de classificação fiscal, produziria efeito similar ao de Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal. E, quanto a quaisquer afirmações de que a reclassificação fiscal das mercadorias pretendida pela Fiscalização haveria de estar respaldada por laudo técnico, é cediço que cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil determinar a classificação fiscal de mercadorias de acordo com as regras do Sistema Harmonizado independentemente da existência de laudo técnico. Ademais, a questão que se discute quanto à classificação fiscal é se podem ser classificados como se fossem uma mercadoria única os kits acondicionados individualmente e assim transportados até o adquirente. São incontroversos os dados que levaram a fiscalização a concluir pelo erro na classificação e alíquota utilizada pela empresa. Nesse sentido, o § 1°, do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz que não se considera como aspecto técnico, a classificação fiscal de produtos: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...) Retornando-se a classificação fiscal das mercadorias que teriam gerado o creditamento incentivado nesta autuação considerado indevido, concluiu-se que para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. Sendo que, no momento em que os insumos são recebidos por Ambev, eles não estão misturados, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Averiguou-se, no curso deste procedimento fiscal, é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. E repita-se, não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Tanto é que, de acordo com a decisão do CCA objeto de tradução juramentada, a matéria pura benzoato de sódio, ainda que fazendo sendo um dos componentes (Parte) de um kit para fabricação de bebidas, deve ser classificada separadamente no código 2916.31. Os trechos transcritos da NESH da posição 21.06 não especificam o entendimento a ser adotado em relação a mercadorias classificadas na posição 29.16, referindo-se sim, a um produto industrializado em que, em alguns casos, tem o benzoato de sódio como um de seus ingredientes. E, constatou-se que, sendo os kits formados por vários componentes acondicionados em embalagens individuais, tratam-se de mercadorias que não estão prontas para uso pelo adquirente (aquele que utiliza os insumos para elaborar refrigerantes), precisando passar por operação de industrialização intermediária. Depois da etapa do processo industrial, em que acontece a mistura dos componentes dos kits (Parte A e Parte B, Kit Pepsi e Kit Pepsi Acidulante), o qual ocorre no estabelecimento da Ambev após o fato gerador, aí então é que se forma uma preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, a qual ainda recebe tratamento complementar, com o acréscimo de água e gás carbônico. Caso não fosse necessária a adição de água, a preparação composta não poderia ser chamada de concentrado, preparação classificada na posição 21.06 cuja característica básica é ter um volume muito menor do que as bebidas não alcoólicas da posição 22.02. E a Nota Explicativa da posição 2106, quando fala em tratamento complementar, não está se referindo à operação de industrialização realizada com as matérias-primas após seu recebimento pelo engarrafador. Refere-se, sim, à adição de água e outras operações complementares efetuadas sobre o concentrado – preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, resultante da mistura de diversos ingredientes. Sobre a definição correta de concentrado, menciona-se o § 4º do art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, o qual define expressamente as características do concentrado: § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” E claro é que a norma transcrita nesse dispositivo, art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, não abrange apenas “bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas)”, que são os concentrados cuja diluição é feita pelo consumidor final, pois em seus §§ 6º e 7º dão orientações que são de interesse apenas de estabelecimentos que industrializam bebidas, como é o caso de Ambev: Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. § 1o A bebida que apresentar característica sensorial própria da matéria-prima de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe, conterá, obrigatoriamente, esta matéria-prima, ressalvados os casos previstos no caput. § 2º O xarope e o preparado sólido para refresco que não contiverem a matéria-prima de origem vegetal serão classificados e considerados artificiais, integrando à sua denominação o termo artificial. [...]§ 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” [...]§ 6o Na bebida que contiver gás carbônico, a medida da pressão gasosa será expressa em atmosfera, à temperatura de vinte graus Celsius. § 7o A água destinada à produção de bebida deverá atender ao padrão oficial de potabilidade. E vale, por fim, aqui repisar que o fato da aquisição das Partes dos denominados concentrados ocorrer em conjunto por questões industriais e logísticas, em nada altera a classificação fiscal a ser dada para cada Parte (componente)”. Ciência e Impugnação A empresa tomou ciência da exação em 01/08/2016, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – Comunicado (fl. 933). Em 31/08/2016, insubmissa, a contribuinte apresentou, por meio de Termo de Solicitação de Juntada (fl. 935), a impugnação às fls. 936/980, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados na documentação de representação às fls 981/992 e instruída com a documentação às fls. 1.021/1.615 e 1.622/1.635, em que aduz, em síntese, o seguinte: Preliminarmente – Nulidade do auto de infração: 1) Ilegitimidade Passiva: o auto de infração foi lavrado em relação a empresa sucessora que não realizou as operações que deram causa à glosa de créditos; a Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV, CNPJ 02.808.708 foi incorporada em janeiro de 2014 pelo sujeito passivo da autuação, a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, que é o estabelecimento matriz, localizado em São Paulo, SP; o estabelecimento que efetuou os créditos, ora glosados, era uma filial da empresa, com CNPJ 02.808.708/0081-83, situada em Almirante Tamandaré, PR, e, depois da incorporação, passou a ter o CNPJ 07.526.557/0034- 78, desenvolvendo a mesma atividade fabril anterior; por força do CTN, art. 51, § único, c/c 132, e do RIPI/2010, art. 24, que tratam da autonomia dos estabelecimentos no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias e da responsabilidade tributária pelos sucessores, o auto de infração somente poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento sucessor, conforme julgados do CARF; há a resposta nº 29 referente a “Perguntão” da própria Receita Federal, pela qual seriam da filial resultante da incorporação os direitos e obrigações relativos ao estabelecimento adquirido; a autuação deve ser anulada por erro na identificação do sujeito passivo; 2) Alteração dos Critérios Jurídicos: houve violação do art. 146 do CTN, uma vez que não pode haver modificações abruptas nos critérios jurídicos adotados pela Administração Tributária; no caso concreto, houve mudança de entendimento pela fiscalização quanto aos motivos de vedação ao aproveitamento de créditos referentes a aquisições de produtos da PEPSI-COLA, da AROSUCO e da VALFILM: a) erro de classificação fiscal dosinsumos; b) matérias primas regionais submetidas a processamento industrial anterior; em autos de infração lavrados anteriormente sobre operações semelhantes, a causa das glosas foi a falta de cumprimento de requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, e nunca a classificação fiscal dos “kits”; assim como, anteriormente eram aceitas matérias primas com processamento industrial prévio; tudo conforme amostra de autuações anteriores (processos nº 10880.727044/2015-61 e nº 10480.721667/2015-32), a classificação fiscal adotada para os “kits” (2106.90.10 Ex 01) e a apropriação de créditos referentes a produtos elaborados na ZFM com insumos industrializados foram homologadas expressamente em atos oficiais, sendo que a previsibilidade (segurança jurídica) deve reger o sistema tributário e a retroação de normas mais gravosas é expressamente vedada pela Constituição Federal (art. 150, III), em harmonia com os arts. 144 e 146 do CTN, de acordo com doutrina e jurisprudência; a lavratura do auto de infração questionada somente poderia ter ocorrido mediante a expedição prévia de norma de caráter geral (ato normativo) ou individual (notificação fiscal) com a comunicação da mudança de procedimento das autoridades fazendárias; de qualquer modo, a aceitação em ações fiscais anteriores do tratamento fiscal dado pelo sujeito passivo às questões caracterizaria prática reiteradamente adotada pela Administração Tributária e, portanto, norma complementar à legislação tributária (art. 100, III, do CTN), o que motivaria, no mínimo, o afastamento da multa, dos juros e da correção monetária exigidos; 3) Iliquidez e Incerteza do Lançamento: o lançamento é ilíquido e incerto, portanto nulo, conforme entendimento do CARF, pois não foi utilizada a escrita fiscal definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC) em virtude da pendência de análise dos pedidos de ressarcimento apresentados pela contribuinte no tocante aos trimestres de janeiro a dezembro de 2012, contudo, os pedidos de ressarcimento/compensação deveriam ter sido considerados como plenamente eficazes por força do CTN, art. 150, § 1º, pelo qual o pagamento antecipado extingue o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação; o saldo credor existente em dezembro de 2011 não deveria ter sido desprezado, pois o indeferimento do pedido do processo administrativo nº 10880.727044/2015-61 depende de decisão definitiva; portanto; o saldo credor de dezembro de 2011 e todos os créditos objeto de PER/DCOMP dos trimestres de 2012 foram desconsiderados indevidamente, o que implica a exclusão de créditos passíveis de ressarcimento no montante de R$ 20.961.717,80 (doc. 09); a glosa do saldo credor de 2011 não foi definitiva, sendo que a contestação teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III), embora, segundo a doutrina, não haja suspensão mas sim um simples impedimento procedimental (o crédito não se encontraria definitivamente constituído); tendo sido ofertada a impugnação em janeiro de 2016 (doc. 09) em relação ao processo administrativo nº 10880.727044/2015-61, o julgamento do presente feito deve ser sobrestado até a superveniência de decisão final naquele processo, conforme manifestações do CARF nessa linha; No mérito – Direito aos créditos glosados: 1) Falta de preenchimento dos requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 para o aproveitamento de créditos de insumos adquiridos dos fornecedores AROSUCO, PEPSI-COLA, RAVIBRÁS e VALFILM, e ainda que cumpridos os requisitos, não haveria o direito aos créditos em face da alíquota zero dos insumos adquiridos da AROSUCO e da PEPSI-COLA: 1.1) A correta interpretação do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, impõe que seja aceita, além da utilização de matéria prima regional in natura (matéria prima bruta), a utilização de matéria prima processada: a noção de matéria prima empregada pela lei é ampla e genérica, sendo que qualquer produto pode funcionar como matéria prima de outro produto; o mencionado art. 6º não faz alusão a “matéria prima bruta” ou “provinda da natureza”, sendo a única interpretação possível é a de que o benefício é aplicável a qualquer mercadoria que contenha matérias primas de base vegetal, independentemente de haver ou não processamento; do benefício são apenas excetuadas as matérias primas de origem animal; o benefício é de natureza objetiva; conforme a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8/98 (doc. 05), que trata do processo produtivo básico dos concentrados para refrigerantes, é “admitida a realização, por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção”, ou seja, há o reconhecimento de que o benefício abrange produtos elaborados com matérias primas de origem agrícola ou extrativas vegetais submetidas a processamento anterior por outras empresas da ZFM; na mesma Portaria Interministerial, acerca da fabricação do corante caramelo, inexiste a exigência de que o açúcar seja originário da Amazônia Ocidental; 1.2) O entendimento oficial da SUFRAMA, órgão que detém a competência exclusiva para aprovar e fiscalizar os projetos de empresas que pretendam usufruir dos benefícios fiscais do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 (além de estabelecer normas, exigências, limitações e condições para a aprovação dos projetos), em resposta a consulta formulada pela PEPSI-COLA (doc. 06), é o seguinte: “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido localmente que não seja típico da região amazônica (por ex. açúcar de cana) é beneficiada com o incentivo previsto no art. 6º do Decreto-lei n. 1.435/75 (...)”O contribuinte de boa-fé, adquirente dos produtos, não pode ser penalizado pelo “entendimento oficial” dos órgãos que disciplinam e jurisdicionam o incentivo (no caso, MPO/MICT/MCT e SUFRAMA) e a atuação das autoridades fazendárias deve ser coerente com a posição oficial do órgão ao qual compete exclusivamente aprovar os projetos referentes ao benefício fiscal, o que é ratificado por decisão do CARF; a anulação de ato administrativo por “vício de ilegalidade” deve ser efetuada de forma expressa e com observância do devido processo legal, não meramente por via interpretativa, de acordo com posição do STJ: “quando se confere a certo e determinado órgão administrativo alguma atribuição operacional, se está, ipso facto, excluindo os demais órgãos administrativos do desempenho legítimo dessa mesma atribuição; essa é uma das pilastras do sistema organizativo e funcional estatal e abalá-la seria o mesmo que abrir a porta da Administração para a confusão, a celeuma e mesmo o caos”; o auto de infração é improcedente, pois a glosa de créditos relativos aos produtos da AROSUCO e da PEPSI-COLA contraria o disposto no art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75; 2) Os créditos sobre a aquisição de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus têm apropriação assegurada; a empresa fornecedora é titular de incentivo fiscal com tratamento diferenciado assegurado pelo art. 40 do ADCT, o que foi reconhecido pelo STF em ressalva contida em acórdão proferido no RE 566.819/RS, sendo que a repercussão geral será apreciada nos autos do RE nº 592.891/SP; a manutenção dos créditos garante o tratamento tributário mais benéfico para as aquisições oriundas da ZFM; 3) Ilegitimidade (nulidade por carência de motivação fática e, no mérito, improcedência) da glosa de créditos em virtude de erro de classificação fiscal dos “kits” adquiridos da PEPSI-COLA e da AROSUCO: 3.1) O trabalho fiscal é nulo porque, à luz da “teoria dos motivos determinantes”, não houve comprovação do “erro” pelo Fisco, sendo cruciais a indicação dos motivos de fato e de direito e a perfeita correlação (subsunção) do fato à norma para a validade do ato administrativo; sendo auto de infração, os requisitos do art. 142 do CTN devem estar presentes (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido); não há elementos técnicos para embasar a reclassificação fiscal, esta empreendida “com base em alegações calcadas em conhecimentos empíricos, sem amparo em laudo técnico que justificasse a nova classificação fiscal imputada de ofício”; a classificação fiscal dos produtos é de responsabilidade dos respectivos fornecedores, e a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação, colhendo informações dos fornecedores e submetendo-as a órgão técnico especializado, inclusive com a colheita de amostras e solicitação de perícia, não só meras fotografias de embalagens dos “kits”; há precedentes do CARF de nulidade absoluta para situações de reclassificação fiscal sem prova técnica; a motivação fática da glosa também é insuficiente, além de deficiente, porque a NCM 2106.90.10 Ex 01 contempla, além dos concentrados, os sabores: seria necessário também comprovar que nenhum dos componentes dos “kits” corresponde ao conceito de “sabores” para a fabricação de bebidas; 3.2) Para a fiscalização, mesmo que os insumos destinados à fabricação de bebidas fornecidos pela PEPSI-COLA e pela AROSUCO estivessem de acordo com as diretrizes do Decreto-lei nº 1.435/75, não haveria créditos do imposto a apropriar “como se devido fosse” em virtude de erro de classificação fiscal: os insumos deveriam ser enquadrados em códigos diversos, com alíquota zero, e não no código NCM 2106.90.10 Ex 01, já que os “kits” não poderiam ser tratados como produtos únicos e não constituem “preparações compostas para fabricação de refrigerantes” por não estarem prontas para uso pelo adquirente (a diluição e a gazeificação são feitas por este e não pelo fornecedor); a acusação fiscal tem esteio na presunção de que a PEPSI-COLA e a AROSUCO teriam aplicado as RGI/SH 2.a) e 3.b) com o objetivo de tratar os “kits” como mercadorias únicas classificadas no código NCM 2106.90.10 Ex 01, mas é manifestamente improcedente porque a fiscalização olvidou da RGI/SH nº 1, regra preponderante sobre as demais; prossegue a impugnante conforme a transcrição que segue: “Com efeito, assim dispõe o NCM 2106.90.10, "ex. 01", cerne da acusação fazendária: "21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições. 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas. Ex 01 (IPI) Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" A mera leitura das normas transcritas revela que o código 2106.90.10 designa apenas as preparações destinadas à fabricação de bebidas e o seu "ex. 01", mais específico, restringe-se às "preparações compostas" (mais de uma substância) não alcoólicas, utilizadas "para a elaboração" de refrigerantes/refrescos (posição 22.02), com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. O discrimen utilizado na especificação da NCM, portanto, é finalístico, sendo a sua pedra de toque o fato de uma determinada preparação composta, sem teor alcoólico e com determinada capacidade de diluição, ser remetida para a fabricação de refrescos/refrigerantes. É esta a especificidade do "ex" em relação à descrição contida no "caput" da subposição. De outro lado, as notas da posição 2106, universo no qual se insere a NCM n. 2106.90.10, inclusive o respectivo "ex. 01", são claras no sentido de que os extratos concentrados ou sabores para a preparação industrial de bebidas estão nela compreendidos, ainda que necessitem de processo industrial complementar ou da adição de outros ingredientes, para se tornarem aptos ao consumo: “(...) a presente posição compreende: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). • Classificam-se especialmente aqui: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: - xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferir-lhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o n° 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; - suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinam-se a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. ...................................” Como se vê, diferentemente do que sustenta a Fiscalização, enquadram-se no conceito de "preparações compostas", a que se refere o ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, todas as substâncias formadas por um conjunto de ingredientes que lhes confira um propriedade aromática passível de determinar, isoladamente ou mediante combinação com outras substâncias, o sabor característico de determinada bebida. Acentue-se que a própria Fiscalização admite que: “O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta.” (p. 71). Ora, diante da expressa admissão de que todos os ingredientes dos kits são preparações compostas e da circunstância de que todos eles são utilizados como insumos para a fabricação de refrescos, é forçoso concluir pela sua inclusão no âmbito do ex 01 da posição 2106.90.10 da TIPI/NCM. O item XI da RGI 3b) da NESH em nada interfere com a questão. Tal item apenas diz que a regra em questão “não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo”, sem, contudo, especificar qual o tratamento a ser dado a tais mercadorias. Essa observação é importante, pois a regra contém três possibilidades de classificação (letras “a”, “b” e “c”) e, como nenhuma delas se aplica ao caso, fica confirmado que a solução do caso não pode se basear na referida RGI 3. Por isso, são igualmente irrelevantes para o caso as manifestações do Conselho de Cooperação Aduaneira citadas pela Fiscalização. Até porque, tais manifestações não estão listadas quer na IN RFB 1.459/2014, quer na IN RFB 873/2013. Para aferir a correta classificação dos produtos adquiridos pela Impugnante deve, pois, ser observada a RGI/SH 1, mesmo porque o texto do ex 01 da suposição 2106.90.10 e as respectivas notas explicativas são suficientes para a correta classificação dos “kits”. Afinal, como explicam as notas da posição 2106, as preparações compostas para a fabricação de bebidas podem conter apenas “parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida” para utilização “depois de tratamento complementar”, inclusive com a eventual “adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono”, ou mesmo de “outras preparações alimentícias”. A segregação de tais preparações se justifica para “evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc”, justamente porque elas “não se destinam a ser consumidas como bebidas”, mas sim como insumos para a fabricação das bebidas. Diante disso, cai por terra a tese da Fiscalização de que só poderiam ser consideradas como "preparações compostas", nos termos do ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, aquelas que já estivessem de tal maneira processadas que permitissem a obtenção da bebida mediante mera diluição em água. Nitidamente, o Fisco confunde a bebida pronta em estado concentrado (como as da posição 20.09 da NCM) com os diversos tipos de concentrados e sabores utilizados como insumos para a fabricação de bebidas (posição 2106.90.10, ex 01, da NCM). Prova disso é a utilização, como argumento de acusação, da Lei 8.918/94 e seu regulamento, os quais tratam da "padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas". Os arts. 13, §4°, e 30 do Decreto 6.817/200931, transcritos no TDF, tratam justamente do produto concentrado, isto é, da bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas). Aliás, o caput do art. 13 diz serem inaplicáveis suas previsões ao "xarope" e ao "preparado sólido para refresco", o que realça o equívoco do Fisco. Assim, na medida em que a Fiscalização reconhece todos os “kits” contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor “Pepsi”, sabor “guaraná”, “sabor Sukita” etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, é evidente que todos eles caracterizam, no seu conjunto ou individualmente, preparações compostas para a fabricação de bebidas abrangidas pelo ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. Em outras palavras, os “kits” autuados consistem em ingredientes destinados à fabricação de bebidas, compostos por substâncias diversas, as quais, consideradas no conjunto ou individualmente, classificam-se como preparações compostas, com a função de conferir à bebida a ser produzida o seu sabor próprio e as suas demais características sensoriais, dando identidade ao produto vendido aos consumidores. Certo, alega a Fiscalização que "as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes", sendo que "a mistura de pelo menos dois desses ingredientes resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas." (destacamos) Ocorre que tais ingredientes, ainda que não tenham sabores específicos, são formados pela reunião de várias substâncias e cada kit contém a quantidade exata para mistura com os extratos e outros aromatizantes característicos de cada bebida. Dessa maneira, os itens adicionais contribuem para formação do aroma do produto final, o que justifica a sua classificação no ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. De qualquer forma, ainda que, para argumentar, se entendesse que as partes dos kits com acidulantes, conservantes e outros itens que não contêm extratos ou aromatizantes específicos, devessem ser classificadas em outro código da NCM, não haveria qualquer valor de IPI a ser glosado pelo Fisco no caso concreto. De fato, os documentos fiscais juntados aos autos demonstram que todos os "kits" contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor "Pepsi", sabor "guaraná", "sabor Sukita" etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, sendo comercializados por preços compreensivos do todo (cujo dimensionamento se dá pela fórmula de cada bebida, objeto de segredo industrial). Isso se explica porque a aquisição dos sabores em conjunto com as substâncias adicionais dá-se por questões industriais e logísticas, sendo certo que estas últimas, isoladamente consideradas, não possuem valor econômico para os fins da operação praticada. Vale dizer, a prova acostada pelo próprio Fisco confirma não se trata de produtos vendidos separadamente, mas de unidades para diluição e envase acondicionadas separadamente por questões de eficiência logística (menor volume transportado), como, aliás, é expressamente admitido pelas notas da posição 2106 acima citadas. Assim, ainda que houvesse a segregação dos itens adicionais do kit que não constituem extratos ou outros aromatizantes, nem assim haveria crédito tributário a constituir, pois eles não têm valor econômico, no contexto da operação. Em face do exposto, conclui-se que não houve erro de classificação fiscal nas notas de aquisição dos “kits” de concentrados e sabores destinados à fabricação de bebidas, pois: (1) o “kit” contempla uma unidade de ingredientes para a fabricação de bebidas que, pela diversidade de substâncias envolvidas, configura preparação composta; e (2) cada item do “kit”, isoladamente considerado, também configura preparação composta que confere sabor e outros traços sensoriais à bebida fabricada. Além disso, mesmo que parte dos itens devesse ser classificada em outra subposição da NCM, não haveria valor econômico individual que possibilitasse a glosa do IPI”. 4) É improcedente a glosa de créditos relativos a mercadorias adquiridas para emprego no processo industrial: matérias primas e materiais intermediários tais como peças e partes de máquinas, produtos para higienização de maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, uniformes de empregados; todos os itens mencionados são necessários e foram consumidos na atividade produtiva, não sendo destinados ao ativo permanente; o disposto no RIPI/2010 (art. 226, I, c/c art. 610, II) e no PN/CST nº 65/1979 sofre distorção interpretação da fiscalização, porque não há necessidade do contato direto com o produto final, mas deve haver a aplicação dos bens, de alguma maneira, na produção; alguns itens são imprescindíveis ao processo produtivo, consoante laudo técnico anexado (doc. 07); em alguns julgados, há posição do CARF favorável ao direito ao crédito em situações similares; 5) Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo, provenientes de empresas do mesmo grupo econômico e sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias, conforme documentação anexada; quando muito, a fiscalização poderia ter exigido acréscimos moratórios de forma isolada por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem), conforme ato normativo referente a IRPJ e CSLL e precedentes do CARF; ademais, foram computadas entradas de mercadorias a título de devoluções de vendas realizadas previamente e registradas sob os códigos de CFOP nº 1403, 1410, 2401, 2410, 2411 e 2949, e que devem ser excluídas do lançamento; 6) Quanto aos kits destinados ao preparo de refrigerantes, recebidos de fornecedores de outras regiões do país, primeiramente, a classificação fiscal adotada está correta, conforme já discorrido em tópico precedente; em segundo lugar, o pagamento de recursos ao emitente de notas fiscais é feito mediante encontro de contas, o que é normal nas relações entre empresas de um mesmo grupo econômico, sendo que os créditos não decorrem do pagamento do imposto pelo remetente, mas da cobrança do imposto na operação anterior (RIPI/2010, art. 226), sendo incontroverso o destaque do IPI na documentação fiscal emitida e o direito ao crédito, sob pena de ocorrência de bi-tributação e de violação do princípio da nãocumulatividade; além do mais, é despropositada a exigência de demonstração do pagamento pelo valor de compra para assegurar a manutenção dos créditos, já que a comprovação da assunção do ônus financeiro do imposto somente é necessária na hipótese de repetição de imposto pago indevidamente pelo fornecedor (CTN, art. 166); 7) A impugnante é adquirente de boa-fé e os créditos aproveitados devem ser convalidados, uma vez que a correta classificação fiscal dos produtos, as respectivas alíquotas e os valores do imposto são de responsabilidade do emissor da nota fiscal (RIPI/2010, arts. 407 e 413), conforme situação análoga na órbita do ICMS com pronunciamento do STJ. Por fim, requer que seja reconhecida a improcedência das acusações fiscais, com o cancelamento definitivo do auto de infração; por outro lado, com o fito de dirimir dúvidas porventura existentes, pugna pela realização de diligência e/ou perícia técnica no que concerne às operações com produtos sujeitos ao regime monofásico, conforme os quesitos enunciados em anexo. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 14-62.485 - 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1686/1688), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos incentivados concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero, sendo os produtos oriundos da Amazônia Ocidental e, portanto, isentos. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a aquisições de produtos onerados pelo imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE ARTEFATOS DESCARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS OU MATERIAL DE EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo industrial, segundo o estrito entendimento albergado na legislação tributária do que pode ser considerado como insumos. GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO. Devem ser glosados os créditos concernentes a concentrados para refrigerantes adquiridos com erro de classificação fiscal e de alíquota, sendo correta a alíquota de 0% e inexistente a comprovação de que a adquirente tenha arcado com o ônus financeiro do imposto destacado nas notas fiscais de aquisição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ÁREA DE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL. Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, ainda que haja imunidade condicionada ou isenção, podem ser objeto de fiscalização tributária, sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a autoridade competente para a condução das atividades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Mesmo sendo o caso de estabelecimento filial que continue a atividade industrial e mantenha a documentação e livros fiscais, inexiste nulidade por erro de identificação do sujeito passivo se o auto de infração for lavrado contra o estabelecimento matriz, pois, na hipótese de ocorrência de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela empresa sucedida (estabelecimento matriz e filiais) até a data do ato sucessório. NULIDADE. FALTA DE LIQUIDEZ E DE CERTEZA DA EXIGÊNCIA FISCAL. DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE SALDOS CREDORES. Em virtude da ausência de erros na fixação da dimensão quantitativa do crédito tributário constituído, com o cômputo de todos os saldos credores legítimos existentes na escrita fiscal, inexiste nulidade por falta de liquidez e de certeza da peça acusatória. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. NULIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A classificação fiscal de mercadorias consiste em atividade de índole estritamente tributária, sendo que a reclassificação fiscal dos produtos recebidos dos fornecedores foi perfeitamente motivada, com a perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias que tratam de classificação fiscal de mercadorias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de realização de diligência ou perícia prescindível para o deslinde da causa, a despeito da presença dos requisitos básicos como a indicação do perito e a formulação dos quesitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 1873 e seguintes, no qual a Recorrente apresenta as seguintes razões: 1. Nulidade do Auto de Infração 1.1. Ilegitimidade passiva. Erro na determinação do sujeito passivo. Precedentes. 1.2. Erros na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento. 1.3. Alteração dos critérios jurídicos adotados pelas autoridades fiscais em relação aos “kits” para a produção de refrigerantes fornecidos pela PEPSI/AROSUCO e aos materiais de embalagem fornecidos pela VALFILM. Violação ao art. 146 do CTN. 2. Direito aos créditos glosados pelo Fisco 2.1. Ilegitimidade da glosa dos créditos relativos aos insumos e materiais de embalagem para fabricação de refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus. 2.2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao regime especial de que trata o art. 58-N da Lei n. 10.833/03. O imposto foi recolhido na saída das mercadorias. Haveria, no máximo, postergação no seu pagamento. 2.3. Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de bens de uso ou consumo pela Recorrente (matérias primas, materiais de embalagem e materiais intermediários de produção). 2.4. Ilegitimidade da glosa de créditos relativos a mercadorias (preparações compostas para a fabricação de bebidas e materiais de embalagem) tributadas que não seriam enquadradas na subposição 2106.90.10, “ex. 01”, da TIPI/NCM (e sim em outras posições, com alíquota zero do imposto). É o relatório. Voto
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja dado ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional de laudo técnico apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 1686/1785), abaixo transcrito: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010; consoante capitulação legal consignada às fls. 914 e 915, foi lavrado o auto de infração à fl. 912, em 27/07/2016, para exigir R$ 10.219.731,18 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 4.201.000,38 de juros de mora calculados até 31/07/2016, e R$ 7.664.798,31 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 22.085.529,87. A AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, sujeito passivo da autuação, sucedeu por incorporação, em janeiro de 2014, o estabelecimento com CNPJ 02.808.708/0081- 83, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido iniciada, conforme os arts. 129 e 132 do CTN. Fatos e Infrações Consoante a descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 913/915, e o teor do relatório fiscal (termo de descrição dos fatos), às fls. 797/911, não houve o recolhimento do imposto, de janeiro a dezembro de 2012, em razão do aproveitamento dos seguintes tipos de créditos indevidos: CRÉDITOS DE INSUMOS PARA BEBIDAS Créditos fictícios do imposto apropriado como se devido fosse na aquisição de insumos (concentrados, filmes “stretch” e artefatos como rolhas e tampas plásticas) de estabelecimentos situados na Amazônia Ocidental, escriturados da seguinte maneira: “Outros Créditos - Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – IPI rec. s/aquisição Amazônia” ou “Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – art. 175 Dec. 4.544 26/12/2002” A isenção do imposto em tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental e comercializados em outras partes do país é prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010. O dispositivo específico sobre a Zona Franca de Manaus (art. 81, II) não assegura o aproveitamento dos créditos pelas aquisições por estabelecimentos localizados em outras regiões do país. Por outro lado, para a isenção do art. 95, III, há a possibilidade de aproveitamento dos créditos (crédito incentivado, art. 237) pelos adquirentes em outras regiões se forem satisfeitas as seguintes condições cumulativas: 1. Que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional; 2. Que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima); 3. Que o estabelecimento tenha projeto aprovado no Conselho de Administração da Suframa. Ademais, consoante a redação do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º, os insumos adquiridos com isenção devem ser empregados no processo industrial de produtos sujeitos ao imposto. A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na escrita fiscal. Intimada a contribuinte a esclarecer a origem dos créditos fictos (incentivados) registrados na escrita fiscal, há o seguinte a destacar conforme os dados fornecidos. Créditos de rolhas e tampas plásticas adquiridas de RAVIBRAS Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/0001-73: ROLHA PLAST VERDE PC TW NIV ROLHA PLAST AZUL PC NIV ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI ROLHA PLAST GUARANÁ VERMELHA NIV11 R ROLHA PLAST SODA L ANT ROLHA PLAST SUKITA VERDE TAMPA PLAST AMARELA GUARANÁ ANTART O dispositivo legal para isenção declarado como adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II) nas vendas prevê apenas a isenção nas saídas dos produtos do industrializador, sem a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de filme “stretch” adquirido de VALFILM Amazônia Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/0001-07: FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Idem nas saídas de produtos da VALFILM a partir de maio de 2010 (isenção prevista no seguinte dispositivo: RIPI/2010, art. 81, II). Créditos de concentrados adquiridos de AROSUCO Aromas e Sucos Ltda., CNPJ 03.134.910/0001-55: CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT CONC NAT LIMAO FE1403 KIT CONC NAT S LARANJA BR KIT CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT No caso da AROSUCO também foi informado que a falta de destaque do imposto nas saídas de concentrados (exceto quanto aos concentrados de sabor guaraná) se deveu à isenção prevista (RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de concentrados adquiridos de PEPSI-COLA Industrial da Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/0001-60: KIT PEPSI COLA 350050602 PEPSICO KIT PEPSI COLA TWIST KIT PEPSI COLA LIGH KIT H2OH LIMAO KIT PTWZERO; Os concentrados (kits) foram produzidos pela PEPSI-COLA com a utilização de insumo (corante caramelo) produzido, por sua vez, pela empresa D. D. WILLIAMSON do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/0001-25, localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante caramelo foi utilizado, até junho de 2011, açúcar de cana fornecido pela Usina Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/0001-70, situada no Estado do Mato Grosso, que não compõe a chamada Amazônia Ocidental, abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do Decreto-lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 4º. Em procedimento de diligência encetado, a D. D. WILLIAMSON informou que, a partir de 14/06/2011, passara a fornecer o corante caramelo à PEPSI-COLA com, na respectiva composição (misturados), açúcar proveniente da Usina Itamarati S/A e açúcar mascavo oriundo da Cooperativa Agroextrativista da Vila União, CNPJ 10.778.894/0001-07, situada em Eirunepe, Amazonas. Em resposta a intimação, a PEPSI-COLA declarou que era habilitada pela SUFRAMA a produzir concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas com ambos os incentivos: Zona Franca de Manaus (RIPI/2010, art. 81, II) e Amazônia Ocidental (RIPI/2010, art. 95, III). O corante caramelo, utilizado na produção de kits (concentrados de refrigerante) pela PEPSI-COLA, é industrializado pela D. D. WILLIAMSON com açúcar fabricado em Mato Grosso a partir de cana de açúcar lá cultivada e não se caracteriza como matéria prima agrícola e, por conseguinte, os concentrados de refrigerante não são produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Por isso, não há direito ao crédito pelas aquisições de concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA de janeiro a dezembro de 2012. Alcance do conceito de matéria prima agrícola de produção regional do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435, de 1975 No caso da produção dos concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA, empregados no processo industrial da unidade da AMBEV em Almirante Tamandaré, PR, o corante caramelo é um insumo do insumo que, no fim das contas, não é uma matéria prima agrícola, ainda que seja um insumo de produção regional. O corante caramelo é resultante de um processo industrial a partir de açúcar cristal e açúcar mascavo, de certa complexidade, com a aplicação de diversos compostos químicos e que abrange duas etapas, conforme consta do relatório fiscal: “a) Processo de hidrólise: ocorre através da inversão da sacarose, sendo utilizados como matérias-primas o açúcar cristal, água e catalisador ácido. Esse processo quebra a molécula da sacarose, gerando outros tipos de açúcares. O produto resultante é o açúcar hidrolisado, que é uma mistura de sacarose, glicose e frutose. b) Processo de manufatura do corante caramelo: ocorre em reatores, através do processo de caramelização, utilizando o açúcar hidrolisado da etapa anterior, acrescido de água, sal de amônio e solução alcalina. Durante todo esse processo existe o acompanhamento de técnicos de laboratório, coletando e analisando todos os parâmetros de qualidade”. A cana de açúcar é a matéria prima agrícola por excelência na produção dos açúcares, mas não é a matéria prima agrícola e extrativa vegetal na produção dos concentrados. A autuada efetuou a apropriação de créditos fictos nas aquisições dos “kits” para refrigerantes sem a indispensável utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Nem a aquisição de corante caramelo daria azo ao aproveitamento de créditos, pois os açúcares cristal e mascavo são, também, produtos intermediários e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Na justificativa do projeto do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, o termo “matérias primas agrícolas” exclui da definição insumos oriundos da agroindústria. Em uma primeira industrialização, pode-se falar na utilização de matéria prima extrativa vegetal de produção regional. Contudo, na etapa posterior (segunda industrialização), trata-se do emprego de produto intermediário. À luz do art. 4º do RIPI/2010, após um processo de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, renovação ou recondicionamento), o artefato de natureza agrícola resultante não pode mais ser considerado como matéria prima agrícola in natura: é produto intermediário. A isenção prevista no diploma legal é objetiva (em razão do produto) e não subjetiva (em razão do beneficiário); assim, é imprescindível a comprovação da legitimidade da isenção para cada produto, sendo a aprovação de projeto pela SUFRAMA (órgão com competência exclusiva para a aprovação de projetos) apenas um dos requisitos para a efetiva fruição do benefício fiscal. Os créditos incentivados apropriados pelo sujeito passivo são, destarte, indevidos, pois se referem a aquisições de kits para refrigerantes da PEPSI-COLA, assim como os créditos referentes às aquisições de kits da AROSUCO (exceto aqueles de guaraná) com base na isenção do art. 81, II, do RIPI/2010. Esses créditos fictos devem ser glosados. Erro de classificação fiscal e a alíquota zero dos “concentrados de refrigerantes” Para o aproveitamento de créditos fictos relativos a insumos adquiridos com a isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, os créditos devem ser calculados como se o imposto fosse devido, ou seja, os insumos devem sofrer a incidência do imposto, com alíquota diferente de zero. É o texto do Decreto-lei nº 1.435, 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, matriz legal para o crédito incentivado do RIPI/2010, art. 237: § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.(g.m.) O subitem 2106.90.10 da TIPI, correspondente a “preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas”, tem a alíquota de 0%. Todavia, constam nas notas fiscais de aquisição dos concentrados ou “kits” oriundos da PEPSI-COLA (isenções dos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010, quanto aos kits para fabricação de refrigerante) e da AROSUCO (isenção do art. 81, II, do RIPI/2010, no tocante aos kits de sabores diferentes de guaraná; isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, no caso dos kits de sabor guaraná) o código de classificação fiscal NCM 2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27% (alterada para 20% a partir de 31/05/2012 pelo Decreto nº 7.742, de 2012) e o seguinte texto: "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Todos os sobreditos códigos de classificação fiscal vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. Há erro de classificação fiscal cometido pelas empresas fornecedoras PEPSI-COLA (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes Pepsi e H2OH) e AROSUCO (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes sabor guaraná, limão, laranja e água tônica), à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). Ora, no próprio texto do código de classificação fiscal adotado pelas empresas fornecedoras em questão há a alusão a “preparações compostas”, ao passo que nas notas fiscais os insumos em questão são referidos como “concentrados” e identificados como itens únicos. Nas notas fiscais emitidas pela AROSUCO, os concentrados são discriminados como “kits”, conforme a nota fiscal nº 1.206 (reprodução parcial à fl. 848). Em nota fiscal emitida pela PEPSI-COLA (documento auxiliar de nota fiscal eletrônica – DANFE, com reprodução à fl. 849), há a discriminação das várias partes integrantes do “concentrado de refrigerante”, sendo as seguintes as considerações do termo de descrição dos fatos e de encerramento da ação fiscal: “Observa-se que kits sabor Pepsi-Cola, em verdade, seriam duas mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35005*06 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III”; "Acid Ingr 35005 *01*01 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” E que kits sabor Pepsi-Cola light, em verdade, seriam quatro mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35009*60 01A 4UN p/ vol”; "Aroma Ingr 35009*61 1UN p/ vol acid, organic, 8, pg III"; " SAIS: INGR. 35009*61*05 2 UM P/VOL" ; "Acid Ingr 35009 *80*33A 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” Ainda que, em algumas notas os kits sejam discriminados como um item único, os concentrados ou "kits", em realidade, chegam à AMBEV em partes, não em um único componente. Mesmo que os fornecedores Pepsi e Arosuco entendam que o concentrado é uma preparação composta, uma mercadoria única, já pronta, os produtos que a Pepsi ou a Arosuco chamam de "concentrado" ou "kit" são na realidade conjuntos de matérias-primas e produtos intermediários, que saíram dos seus estabelecimentos embalados separadamente, em bombonas, ou sacos, na forma líquida (Flavours ou aromas) ou sólida (sais). O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (Flavours ou aromas), quando, aí sim, é obtido o concentrado”. Por ocasião de visita à fábrica em diligência efetuada em filial do sujeito passivo, foi constatado o seguinte: “Que o processo produtivo do estabelecimento pode ser resumido da seguinte forma: 1) As matérias-primas, recebidas dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhadas a uma sala de estocagem. 2) Recebem açúcar de determinados fornecedores que não os do item 1, não oriundo de Manaus, com o qual é elaborado, por meio de dissolução em água, o xarope simples a quente na xaroparia simples”. 3) A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes, após receber tratamento, alimenta um equipamento conhecido como “dissolvedor”, onde é produzido o xarope simples por meio do aquecimento do açúcar e sua diluição em água. 4) Que, na linha de produção, na área da Xaroparia Simples, produz-se o Xarope Simples, por meio do aquecimento do açúcar cristal e refinado, insumo não proveniente da região da Amazônia, e da sua diluição em água. 5) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. 6) Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. 7) Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. 8) Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto, a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. 9) Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. 10) Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente, e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, pois o kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. 11) Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. 12) Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. 13) Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto5; muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. 14) Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados (acondicionados) em bombonas separadas. 15) Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; 16) São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. 17) E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1.703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola”. A seguir, transcrição de trecho do auto de infração que consta do processo administrativo fiscal de n° 10830-725.247/2015-16: "Para melhor esclarecer este assunto, em 13/03/2015, 01/06/2015 e 15/09/2015 realizamos diligências nas salas de estocagem de matérias-primas da AMBEV e no início das linhas de produção de Gatorade e Refrigerantes, em companhia do Gerente de fábrica Fábio Henrique Cardoso de Souza. 225) A pessoa citada acima esclareceu que: a) Quanto ao processo produtivo básico de refrigerantes e Gatorade i) Recebimento de matérias-primas - As matérias-primas, basicamente aromas e sais, são recebidos dos fornecedores, e então encaminhados a uma sala de estocagem, antes do preparo propriamente dito. ii) Tratamento da água - A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes é "declorada", após tratamento. iii) Adição dos sais - Essa água declorada alimenta um equipamento (tanque de solução), conhecido como "dissolvedor", onde lhe são adicionados os sais industrializados; iv) Adição de Aromas - A solução resultante é então encaminhada aos tanques onde serão adicionados os aromas (flavours), de acordo com a formulação do refrigerante a ser fabricado v) Enchimento - A mistura é então dirigida às linhas de enchimento, onde é feita uma diluição. No caso dos refrigerantes é adicionado o gás, e finalmente segue para envase. b) Quanto ao recebimento das matérias-primas i) Os aromas chegam à AMBEV acondicionados em bombonas e os sais acondicionados em sacos, conjunto esse convencionalmente chamado de "kit" para fabricação de refrigerante. Os Aromas, chamados de flavours, são os componentes que contêm os aromas das bebidas a serem fabricadas, p.ex. laranja, tangerina, limão, guaraná. Vêm embalados em bombonas, e se apresentam na fase líquida. iii) Os sais vêm embalados em sacos, na fase sólida, e são basicamente acidulantes e conservantes. iv) No caso dos refrigerantes, os sais são ácido cítrico, sorbato e benzoato. v) Tais componentes do kit não podem ser misturados já no fornecedor e transportados lá na forma do concentrado pronto, porque as misturas para cada produto tem dosagens e sequências diferentes, e se o concentrado já viesse pronto, o volume do produto seria maior. vi) Os kits, quando são recebidos do fornecedor, não apresentam ainda as características essenciais do concentrado pronto. Para que isso aconteça é necessário que eles sejam misturados apenas durante o processo de preparo das bebidas, na AMBEV. 226) Fomos então às salas de estocagem de matérias-primas e registramos fotos de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada”.(g.m.) Reproduções fotográficas de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada às fls. 853/864. As fotografias apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 006 demonstram igualmente que: “Quanto ao chamado concentrado “Pepsi zero”, são na verdade cinco mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi zero sais: embalagem contendo composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. 2) Kit Pepsi zero flavour: embalagem contendo aromatizante. 3) Kit Pepsi zero acidulante: conforme embalagem, seria composto de acidificante INS 330 e 338. 4) Kit Pepsi zero natural flavour. 5) Kit Pepsi zero Max flavour: embalagem contento aromatizante IV. E, quanto ao chamado concentrado “Pepsi twist”, seriam as três mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi twist (limão): kit 92318*01. 2) Kit Pepsi twist (cola flavour): kit 35005*14. 3) Kit Pepsi twist sais: composto de conservante INS 211 e estabilizante INS 331. Já o chamado concentrado “Água tônica”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: composto de aroma natural. 2) Kit B: formado de dois acidulantes e dois conservantes. E, por fim, o chamado concentrado “Guaraná Antarctica zero”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: FE 1431Z (aroma natural, corante de caramelo, extrato vegetal de guaraná). 2) Kit B: acidulante INS 334, conservante INS 211 e dois edulcorantes”. O fluxograma da elaboração de refrigerantes ou Gatorade é reproduzido à fl. 866: no Tanque de Solução (Dissolvedor), há a obtenção de xarope simples, a partir da mistura de água declorada e sais; no Tanque para Adição dos Aromas (Flavours), há a obtenção do xarope final ou concentrado líquido (ponto somente a partir do qual é obtido o concentrado propriamente dito); o produto final (refrigerante ou Gatorade) é obtido a partir da mistura de água e gás carbono (para refrigerante). “O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (flavours), sendo nesta ocasião obtido o concentrado. E, a despeito dos fornecedores adotarem o código da NCM Ex 01 do subitem 2106.90.10, esse ex-tarifário é próprio para preparação composta, e os concentrados para refrigerante não podem assim serem classificados, pois algo que não está preparado nem misturado, não se caracteriza como preparação. Repise-se: para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. E, quando da entrada no estabelecimento da Ambev, as partes dos concentrados não estão misturadas, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Ainda que em manifestação às constatações relatadas no Termo de Constatação Fiscal, os representantes da fiscalizada afirmem que as Partes que comporiam um concentrado ou kit são transportadas em conjunto, a verdade é que, conforme relatado em ambos Termos de Constatação Fiscal, cada Parte (Parte A ou Parte B da Arosuco, e Kit Pepsi ou Kit Pepsi Acidulante, da Pepsi) é embalada e acondicionada separadamente, tanto que a Parte A se trata de um líquido, transportado em Bombonas, e a Parte B, um sólido (pó), embalado em caixas, ainda que possam ser transportadas em um único caminhão por exemplo, de Manaus a Curitiba. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss, o vocábulo "preparação" indica uma ação - o ato de preparar, e um resultado - o preparado: "Ato ou efeito de preparar-se; preparo, preparamento, preparativo 1 operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço 2 elaboração dos alimentos para transformá-los nos diversos pratos, iguarias, etc. 3 feitura de um preparado; preparo 4 m.q. PREPARADO ("produto") (grifo nosso) Portanto, os termos "preparações", citados nos Ex 01 e Ex 02 devem ser entendidos como produtos prontos para uso, cuja origem advém de um processo de preparo. Para que se caracterize um bem chamado de preparação, os insumos empregados devem sofrer algum tipo de processamento, de transformação, podendo ser uma simples mistura de ingredientes ou complementada com algo mais elaborado como cozimento, por exemplo. Não é o caso dos "kits". Conforme constatado em razão da diligência efetuada, o que certamente ocorria no processo de industrialização de refrigerantes no estabelecimento da Ambev Curitiba, pois que os produtos elaborados bem como as matérias-primas são idênticos —, os componentes dos chamados “concentrados” são misturados pelo adquirente durante o processo de elaboração da bebida final, procedimento que é executado seguindo complexas edetalhadas especificações técnicas. O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. Não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais, como é o caso dos insumos no momento em que dão entrada na Ambev!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Veja-se. No mesmo sentido dos dicionários, a Nomenclatura do Sistema Harmonizado emprega o vocábulo "Preparação" como uma mercadoria misturada, pronta para uso pelo seu adquirente. Quando as matérias misturadas se classificam no mesmo Capítulo da NCM, a preparação é do tipo "simples". A elas a Nomenclatura se refere apenas como preparações. Exemplificando: a) Preparações de carne do Capítulo 16, cuja Nota de Subposição n° 1 diz: 1.- Na acepção da subposição 1602.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de carne, miudezas ou sangue, finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) b) Preparações do Capítulo 20, cujas Notas de Subposição n° 1 e n° 2 dizem: 1.- Na acepção da subposição 2005.10, consideram-se "produtos hortícolas homogeneizados", as preparações de produtos hortícolas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (..) 2.- Na acepção da subposição 2007.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de frutas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) Visível é que as preparações ("simples") acima citadas contém cada uma, apenas um tipo de matéria base. Numa são carnes (Capítulo 16), noutra são produtos hortícolas (Capítulo 20), e na última são apenas frutas (Capítulo 20). Cada um desses alimentos de base da preparação é classificado num determinado Capítulo. Nas preparações ("simples") não há mistura de matérias de base de Capítulos diferentes. Quando as preparações contêm matérias de base de Capítulos distintos, a Nomenclatura as distingue das preparações ("simples"), denominando-as de preparações compostas. Exemplificando, no caso das preparações alimentícias da posição 21.04, em que há uma mistura de substâncias de base como carne, peixe, produtos hortícolas e frutas, a Nota de Subposição n° 3 diz: "3.- Na acepção da posição 21.04, consideram-se "preparações alimentícias compostas homogeneizadas" as preparações constituídas por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de base, como carne, peixe, produtos hortícolas, frutas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis." (grifo nosso) Da mesma forma que no exemplo acima, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de "preparações compostas" constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Não é o caso dos chamados "kits" ou "concentrados" adquiridos pela fiscalizada. Esses são um conjunto de mercadorias, partes que, como já dito, estão acondicionadas cada uma na sua embalagem individual; não estão misturadas e não estão prontas para uso pelo adquirente, no caso, a fiscalizada. A mistura dos componentes dos kits para refrigerantes se caracteriza como a operação de transformação definida no artigo 4°, inciso I, do RIPI/2010: Art. 4º- Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n° 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n° 4.502, de 1964, art. 3°, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Nos termos do art. 3°, do RIPI de 2010, o kit para elaboração de refigerantes, ou concentrado é um produto industrializado resultante de uma operação de transformação intermediária, pois, em etapas posteriores do processo industrial, esse concentrado ou preparado líquido recebe tratamento adicional, até transformar-se em refrigerante, produto final fabricado pela AMBEV. Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n°4.502, de 1964, art. 3°). Assim, para definição do enquadramento na NCM dos "concentrados", o que deve ser analisado são as características dos produtos no momento da ocorrência do fato gerador, quando cada uma das partes dos kits apresenta suas próprias características individuais. As empresas do Grupo AMBEV e seus fornecedores, como a Pepsi-Cola, podem realizar suas operações da forma que considerarem mais conveniente e chamar os produtos pelos nomes que julgarem adequados. No entanto, o fato de nomearem diversos produtos como se um único fosse, isto é, a ficção de que cada componente dos kits não se constitui isoladamente em uma mercadoria, não os transforma perante a legislação em um único produto, já que não encontra guarida na legislação regente da matéria. De acordo com a legislação, cada uma das partes deve seguir sua classificação própria. E, prosseguindo no tema classificação fiscal, tem-se, como já mencionado, que os procedimentos, no Brasil, são regulamentados pelo conjunto de normas do chamado Sistema Harmonizado (SH), tabela internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual o Brasil é signatário. A classificação fiscal de mercadorias deve ser realizada com aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI-SH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 23 de dezembro de 1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2° do Decreto n° 766, de 3 de março de 1993, bem assim das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul, constante da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados e da Tarifa Externa Comum (NCM/TIPI/TEC). Os Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e os Ditames do Mercosul são, igualmente, de cumprimento obrigatório para a solução de consultas de classificação fiscal de mercadorias. Repise-se: a classificação fiscal de mercadorias deve, do mesmo modo, seguir as orientações e esclarecimentos fornecidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), internalizadas no Brasil pelo Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992. A versão atual das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) n° 807, de 11 de janeiro de 2008, atualizada pelas IN RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010 e n° 1.260, de 20 de março de 2012, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 10 da Portaria MF n° 91, de 24 de fevereiro de 1994. E, as NESH são elemento subsidiário fundamental e indispensável para interpretação da Nomenclatura do SH e correta classificação fiscal de uma determinada mercadoria. Estas normas determinam a metodologia dos procedimentos por meio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH). Tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) têm por base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por sua vez, tem sua forma derivada a partir do Sistema Harmonizado. Como constatado em diligência realizada na unidade industrial de CNPJ nº 07.526.557/0034-78 os componentes dos "kits" saem do estabelecimento industrial embalados em bombonas, caixas ou contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido. As citadas mercadorias vêm sendo classificadas pela Pepsi e pela Arosuco, bem como pela Ambev e por outros produtores nacionais, no código 2106.90.10 – Ex 01 da TIPI, fazendo uso do argumento de que são "sortidos apresentados para venda a retalho". A Regra Geral 1 assim dispõe: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Determinada, portanto, pela mencionada Regra Geral é que a classificação de mercadorias deve ser feita pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, só se fazendo recurso às demais RGI quando não for possível o enquadramento por aplicação da RGI-1, bem como nos casos de produtos com características específicas. De outra feita, a RGI-6 aplica às subposições as mesmas Regras utilizadas em nível de posição, enquanto que as RGC são utilizadas no nível da NCM. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. A análise e aplicação das Regras de classificação e os esclarecimentos fornecidos pelas NESH irão, desse modo, definir o código correto para classificação das mercadorias. À luz da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3b (RGI n° 3b) que, entende-se que atendidas determinadas condições, alguns bens, dentre eles produtos compostos constituídos pela reunião de diferentes materiais, devem ser classificados em código único, próprio para o artigo que lhes confira a característica essencial: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Todavia, considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.262, de 2012, especificamente o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), tem-se que excluídos são, do campo de aplicação da mencionada regra (Regra 3 b) do Sistema Harmonizado), os produtos destinados à fabricação de bebidas, tais como os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco: XI) a presente regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. E, mais, somente nos casos específicos previstos nas Regras 2 a) e 3 b) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), existiria a possibilidade de classificação de componentes de kits ou sortidos como se formassem uma mercadoria única. Assim, o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b) elimina qualquer possibilidade de que esta Regra do Sistema Harmonizado possa ser aplicada no caso sob análise, prevendo expressamente que os conjuntos para a fabricação industrial de bebidas não podem ser classificados de acordo com a Regra 3 b). Do exposto até então, já afastada a possibilidade de serem entendidos o conjunto de mercadorias denominadas pela fiscalizada de “concentrado de refrigerante” como um produto único. O cerne da questão resume-se, desse modo, em definir se os diversos componentes dos “Concentrados de refrigerantes”, atendem à definição de “sortidos apresentados para venda a retalho” sendo classificados num código único. A respeito das mercadorias constituídas pela reunião de artigos diferentes, bem como dos produtos “apresentados em sortidos acondicionados para venda a retalho”, as NESH esclarecem, item X da Regra 3 b): X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto, considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada; c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). Embora seja constituído de elementos classificados em posições distintas da nomenclatura, e de seus elementos servirem à satisfação de uma atividade específica e bem determinada (a produção de determinada bebida refrigerante), o “kit” objeto desta consulta não atende ao requisito previsto no item “c” da Nota Explicativa acima reproduzida, pois que não há que se falar em sortidos acondicionados para venda a retalho. Ora, a venda a retalho, também chamada de varejo, caracteriza-se pela venda de produtos em pequenos volumes, diretamente ao consumidor final. O produto em apreço, entretanto, trata-se nitidamente de um produto intermediário, o qual servirá de insumo em uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado. A dosagem dos componentes também demonstra claramente que se trata de um artigo destinado à aplicação industrial, incompatível, portanto, com o conceito de venda a varejo. Afastada as hipóteses de enquadramento suscitadas pela Regra 3-b, conclui-se que a classificação fiscal da mercadoria "Concentrados de refrigerantes" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles. Em função de exclusões previstas nas NESH, igualmente é inaplicável a Regra 2 a) do Sistema Harmonizado aos produtos do capítulo 21 da TIPI. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. O item III da Nota Explicativa da Regra 2 a), transcrito a seguir, ao tratar dos artigos incompletos ou inacabados, prevê que a primeira parte da RGI 2 a) não se aplica, normalmente, aos produtos das Seções I a VI. Tal exclusão abrange os produtos do capítulo 21 da TIPI, que fazem parte da Seção IV da Nomenclatura. III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. Ademais, por produto incompleto ou inacabado, entende-se como aquele em que o processo de fabricação foi interrompido em determinado ponto por alguma necessidade ou conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte. Tais produtos devem apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se tornarem o produto completo ou acabado cujas características eles apresentam. De qualquer maneira, os kits adquiridos pela AMBEV não apresentam, no estado em que são recebidos, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Exemplos são os Kits B do Guaraná Antárctica (FE 1430 - Sais), e os Kits B da Soda Limonada Antárctica (FE 1403 - Sais), compostos de Acidulante e Conservantes, que não apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado. Quanto à segunda parte da Regra 2 a), que trata de um artigo apresentado desmontado ou por montar, o item VII da Nota Explicativa da Regra 2 a), a seguir transcrito, deixa claro que os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco não se enquadram como artigos apresentados desmontados ou por montar: Notas Explicativas – Regra 2 a) VII) Deve considerar-se como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinam-se a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Observe-se que o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua parte final que "Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1". Tal texto refere-se a produtos misturados, que não é o caso dos kits para refrigerantes. Assim, o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) só vem a corroborar o entendimento já esposado de que os concentrados não podem ser classificados como um produto único mediante aplicação da Regra 1. Para definição da classificação fiscal dos kits ou chamados “concentrados” de refrigerantes, inclusive os de sabor guaraná, o procedimento correto é analisar individualmente cada embalagem, onde estão acondicionados produtos misturados, utilizando-se a Regra 1 para classificar o componente analisado, de acordo com o conteúdo da embalagem. Colaciona-se documentação referente à análise efetuada pelo CCA (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a classificação fiscal de bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados em conjunto em proporções fixas em uma remessa, e que elimina qualquer possibilidade de discussão sobre o que pretende o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). A análise foi realizada em função de consulta sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas à dos insumos adquiridos pela AMBEV, um deles, inclusive, referente a Concentrado de Pepsi-Cola. Ao final da análise, decidiu-se incluir nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). O idioma original da documentação em questão é o inglês. Por isto, junto com a análise efetuada pelo CCA, está a sua tradução juramentada. A tradução juramentada encontra-se nos autos do presente processo administrativo fiscal. A seguir estão transcritos trechos retirados da tradução juramentada em questão: O Secretariado recebeu cartas de três administrações em busca de aconselhamento sobre a classificação no CCCN da Base de Preparação da Bebida Fanta Frutada, Concentrado de Mirinda Laranja e Concentrado de Pepsi-Cola. As cópias destas três cartas encontram-se como anexo a este documento assim denominados Anexos I a III deste documento. Em uma das cartas, foi levantada uma questão em relação a se a base da bebida deveria ser classificada numa única posição pela aplicação da Regra de Interpretação 3 (b) ou os componentes individuais deveriam ser classificados em separado. (...) Em suas sessões de outubro de 1985 (na 55a. Sessão do Comitê de Nomenclatura e 55a. Sessão do Comitê do Sistema Harmonizado Interino), os Comitês examinaram a classificação das bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados conjuntamente em proporções fixas em uma remessa. Os Comitês concordaram com que os componentes individuais deveriam ser classificados separadamente. Os Comitês também concordaram em incorporar o conteúdo da decisão na Nota Explicativa da Regra Interpretativa 3 (b), como um exemplo da não aplicação desta Regra (...) Regra Interpretativa Geral 3 (b) . Novo Item (XI). Após Item ( X ), insira o seguinte novo Item ( XI) : " (XI) A presente Regra não se aplica a produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, mesmo estando em embalagem comum, em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. " (grifo nosso) Evidente é, da decisão do CCA que deu origem ao item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), que essa Regra 3b) não se aplica a insumos para fabricação industrial de bebidas que sejam produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, como é o caso das denominadas Partes dos concentrados ou kits utilizados pela Ambev. Um dos fundamentos para a decisão do CCA de que a Regra 3 b), das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), não pode ser aplicada a bases para refrigerantes foi a ausência na Seção IV da Nomenclatura de uma Nota semelhante à Nota 3 da Seção VI e à Nota da Seção VII. A Nota 3 da Seção VI e a Nota da Seção VII dizem respeito à classificação dos produtos que se apresentam em sortidos compostos de diversos elementos constitutivos distintos. Todavia, estas Notas apenas visam os sortidos cujos elementos constitutivos se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII. Não há nas NESH a previsão de que possa ser aplicada a Regra 3 do Sistema Harmonizado quando os sortidos são destinados, após mistura, a constituir um produto da Seção IV. Nos textos traduzidos também constam motivos pelos quais a Regra 2 a) das NESH não pode ser aplicada a bases para refrigerantes. Assim, mesmo antes da inclusão do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), já existiam normas nas NESH que mostravam que kits de produtos do capítulo 21 não poderiam ser classificados como uma mercadoria única. Com a incorporação do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), eliminou-se qualquer dúvida de que os componentes individuais das bases para bebidas devem ser classificados separadamente. Inicia-se então, a reclassificação dos componentes dos concentrados de refrigerantes em separado, de acordo com as Regras estabelecidas para Interpretação do Sistema Harmonizado”. Classificação fiscal correta das partes dos kits de refrigerante São as seguintes as considerações acerca dos corretos códigos de classificação fiscal a ser aplicados aos componentes dos kits (concentrados para refrigerantes) adquiridos pela contribuinte: “Da diligência realizada, constatou-se que em relação às mercadorias que formariam o chamado “concentrado” para refrigerante PepsiCola: Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados em bombonas separadas. Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi-Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1703 litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola. Já com relação às mercadorias fornecidas pela Arosuco para elaboração do refrigerante Guaraná Antartica, nomeadas pelo fornecedor de “concentrado” para o Guaraná verificou-se, o Kit denominado kit A é composto de Flavours: Extrato de Guaraná, Aromatizante, corante caramelo IV; o Kit denominado kit B é composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio. Kit A é líquido, transportado em bombonas e o Kit B é sólido, transportado em caixas. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*) Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto aos demais refrigerantes, Soda Limonada, Sukita Uva, Sukita Laranja, e Água tônica, verificou-se que: Que a Arosuco fornece insumos para a fabricação de refrigerantes Guaraná Antarctica, Soda Limonada, Soda Limonada diet, Sukita Uva, Sukita Laranja, Guaraná diet, Água tônica. Que os insumos utilizados para a fabricação de refrigerantes são identificados como “kit concentrado para refrigerantes”. Que esses insumos chegam ao estabelecimento parte em bombonas (kits A da Arosuco), parte em caixas (kits B da Arosuco) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. E para todos os kits: Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*)Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto às bebidas sem adição de açúcar, tem-se que a Soda Limonada Zero, constatou-se também que: Também se verificou os insumos enviados pela Arosuco para a produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, que são dois kits: Kit A da Soda Antarctica Diet, líquido transportado em bombona plástica; e Kit B da Soda Antarctica Diet, sólido transportado em caixa. Que, no caso da produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área da Xaroparia Composta: a) primeiramente, o Kit B da Soda Antarctica Diet é dissolvido a quente (95ºC) por 20 minutos, em separado no Tanque de Sais, onde permanece até que alcance a temperatura em torno de 25ºC, sendo então enviado ao Tanque maior por um sistema de tubulação quando é diluído em água, já que não é agregado ao refrigerante diet açúcar para a sua mistura é dissolvido no Xarope Simples; b) e, posteriormente, o Kit A da Soda Antarctica Diet é dissolvido a frio, em separado, no Tanque de Sais, sendo então agregado ao Tanque maior junto ao preparado originado do Kit B, quando também é dissolvido em água, produzindo-se assim o Xarope Composto, o qual apresenta o mesmo fator de diluição mencionado para o refrigerante para os insumos da Pepsi-Cola. c) que o Kit A da Soda Antarctica Diet não pode ser fervido ou aquecido, por perder causar a perda das características do produto refrigerante, sendo que é composto do líquido natural da bebida a ser fabricada; d) que o Kit B da Soda Antarctica Diet é composto dos sais, como os acidulantes e conservantes. Que, ainda, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área de Envase, o Xarope Composto, produzido a partir do Kit A da Soda Antarctica Diet e do Kit B da Soda Antarctica Diet em conjunto, é transportado para área do Envase, para sua dissolução em água carbonatada. E por fim, com relação a todos insumos, sejam fornecidos pela Pepsi, sejam fornecidos por Arosuco: Por fim, relata-se que foi informado pelo corpo técnico que, a um, as partes dos kits são transportadas em embalagens individuais, porém na mesma remessa, e, a dois, que não seria possível produzir, a partir de cada “Kit” (parte do nomeado “kit” de refrigerante pelo fornecedor em suas notas fiscais), o refrigerante, porque, se apenas uma das partes fosse diluída em água carbonatada, a preparação resultante não teria as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir do kit completo. O aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Prosseguindo-se na análise da classificação fiscal mais acertada para as partes dos kits de refrigerante, incia-se pelo chamado Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero, e pelos chamados Kits A das bebidas fornecidos pela Arosuco bem como do Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão. Tem-se, do material colhido e informações angariadas no curso da ação fiscal (fotos, diligência e outros), em resumo que: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; - Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; - Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; - Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; - Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Importante observar o disposto na RGI 3 a) do SH, que assim versa: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que contenha extrato que é ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida, além de outras substâncias, classifica-se no escopo da posição 21.06, a qual trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições", conforme esclarecem as Notas Explicativas dessa posição: “Classificam-se especialmente aqui: [...]As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a mesma se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", que por certo não se trata dos produtos em comento. Assim, uma preparação que contenha extrato de noz de cola e outros aromatizantes/saborizantes deve ser enquadrada na subposição 2106.90, destinada a "outras" preparações. Já a subposição 2106.90 só se desdobra em um único item 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", que é a correta. Por fim, verifica-se que no código NCM 2106.90.10 há dois Ex-tarifários (exceções tarifárias): o Ex 01 e o Ex 02, a seguir transcritos: "Ex 01 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado Ex 02 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (grifos nossos) Os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de “preparações compostas” constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Exaustivamente exposto já foi que, não se trata do caso dos “concentrados de refrigerante” fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, pois este é um conjunto de partes, mercadorias, cada uma na sua embalagem individual, as quais não estão misturadas e não estão prontas para uso, diferenciando-se da definição de preparações compostas. Como já dissecado neste Relatório, os concentrados para refrigerantes (conjunto de componentes não misturados, embalados individualmente) não podem ser chamados de "preparações compostas". E, volve-se a dizer: os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 trazem como condição de enquadramento que as preparações não alcoólicas correspondam a "extratos concentrados" ou "sabores concentrados". Não são contemplados no ex- tarifário da NCM 2106.90.10 “concentrados” ou “sabores”, como faz o texto. O Ex 01 da NCM 2106.90.10 se refere a “extratos concentrados” ou “sabores concentrados”. E, é isento de dúvidas o fato de que a mercadoria para ser classificada em qualquer um dos Ex-tarifários há de ser uma preparação composta concentrada, tanto que uma diferença fundamental entre o Ex 01 e o Ex 02 é a "capacidade de diluição". No primeiro, a capacidade de diluição é superior a 10 vezes, enquanto no segundo é igual ou menor do que 10 vezes. Além disso, no próprio Ex ao final do texto há referência à preparação composta como concentrado. Um componente, parte, que corresponda a uma mistura de extrato (ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida) com outros aromatizantes/saborizantes forma uma preparação composta. A diferença entre extrato concentrado e sabor concentrado é que neste último o extrato do vegetal de origem é totalmente substituído por aromatizantes/saborizantes artificiais. O refrigerante que não contém matéria-prima natural, elaborado a partir de sabor concentrado, é denominado de artificial. Não é o caso dos refrigerantes engarrafados por Ambev. A Lei nº 8.918, de 1994, mandamento válido para qualquer bebida, foi regulamentada pelo Decreto nº 2.314, de 1994, posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.871, de 2009. Em ambos, consta uma definição apurada sobre concentrados para bebidas, abaixo transcrita, na dicção do Regulamento vigente: "Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. [...]. § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal." (...) “Art. 30. O preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o respectivo refrigerante.” Deste modo, o extrato concentrado, por ser uma preparação composta, deve conter o extrato vegetal de sua origem e os todos os demais aditivos necessários (matérias de base classificadas em capítulos distintos), a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir dele. O Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Refrigerantes, Anexo à Portaria nº 544, de 16 de novembro de 1998, complementa os padrões de identidade e qualidade estabelecidos no Decreto nº 6.871 de 2009. Quando esse Regulamento aborda a Composição e Requisitos dos refrigerantes, estabelece como requisito: "As características sensoriais e físicoquímicas deverão estar em consonância com a composição do produto". Da diligência realizada, bem como dos DANFE que acompanham as mercadorias adquiridas pela autuada da Pepsi-Cola e da Arosuco, visível é que cada mercadoria/componente cujo ingrediente fosse o extrato e outros aromatizantes ao serem simplesmente diluídos, não apresentariam as mesmas características sensoriais e físico-químicas do refrigerante a cuja elaboração se destinam. Isto porque os “kits” são formados por esses componentes sempre em conjunto com outras partes, que, por óbvio, são indispensáveis à elaboração do refrigerante. Certo é que o aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Se assim não fosse, como já dito, seriam desnecessárias as demais partes de cada concentrado de refrigerante. Para que se tenha um produto próprio a ser nomeado de extrato concentrado, haveria esse produto de ser composto de todo o conteúdo das "partes" do concentrado de refrigerante, reunidos nesse único produto. Isso posto, cada componente dos concentrados adquiridos da Pepsi e da Arosuco para fabricação de refrigerantes pela fiscalizada deve ser classificado individualmente. E, devem ser classificados no código NCM 2106.90.10 (“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), cuja alíquota do IPI é zero os seguintes insumos: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; 11 Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; 11 Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; 11 Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; 11 Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Tais componentes não se enquadram no Ex 01 do referido código, uma vez que para ser extrato concentrado, que é uma preparação composta, deverá conter o extrato vegetal de sua origem e todos os demais aditivos necessários, a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes na bebida elaborada a partir dele. Entende-se, portanto, com base na RGC-1, estrutura basilar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto 6.006, de 28 de dezembro de 200610 e, subsidiariamente, nos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, com alterações da IN RFB nº 1.072, de 2010, e da IN RFB nº 1.262, de 2012, que: o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero (Kit Pepsi Twist Zero (limão), Kit Pepsi Twist (limão), Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour e kits Pepsi Twist Zero flavours); o kit A do Guaraná Antarctica (versão regular e versão diet), que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes, e os kits A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, os quais contêm o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante (natural limão diet fe1403 z kit, natural limão fe1403 kit, natural; s tônica fe1401 kit, natural laranja rm kit, h2oh limão, e destinados à preparação dos refrigerante SUKITA) e bem como o Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão; classificam-se no código 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", cuja alíquota conforme a TIPI é 0% (zero). Nos itens a seguir, trata-se da classificação fiscal dos demais kits dos chamados concentrados para refrigerantes adquiridos por Ambev. Quanto ao Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, de acordo com informações prestadas durante a diligência realizada na unidade situada em Curitiba (filial Curitibana), seria uma Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 a qual, de acordo com a manifestação da ora autuada, teria ainda, cafeína em sua composição. Do rótulo, verifica-se que é composto de Acidificante INS 338 e corante INS 150d. O mesmo ocorre com Kit Pepsi Zero Acidulante: conforme fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, seria composto de acidificantes INS 330 e 338. E, de acordo as mencionadas fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, o Kit Pepsi Twist Sais seria uma Solução de conservante INS 211 e estabilizante INS 331, enquanto que o Kit Pepsi Zero Sais seria composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. Assim também ocorre com os demais kits dos insumos fornecidos por Pepsi, os quais contêm ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, que são comercializados já misturados pelo fornecedor, na forma líquida e sólida, os Kits Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural. Já os Kits B fornecidos pela Arosuco, conforme as fotos das embalagens e demais informações angariadas na referida diligência (na qual mostrou-se caixa aberta de um Kit B aparentando ser um único produto), seriam sólidos, transportados em caixas em embalagens separadas dos kits A. E, no caso dos insumos do refrigerante Guaraná Antarctica, o Kit B seria composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio, bem como o Kit B dos insumos do refrigerante Soda Limonada; e o Kit B do Guaraná Antarctica Zero seria composto de acidulante INS 334, Benzoato de Sódio e dois edulcorantes. Quanto aos demais insumos dos refrigerantes, o Kit B seria composto de diversos sais, como acidulantes (Ácido Cítrico), conservantes (Benzoato de Sódio e/ou Sorbato de Potássio), sequestrante (EDTA cálcio dissódico), e, no caso dos refrigerantes sem adição de açúcar, Edulcorantes. Em suma, as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes. Nesse sentido, manifestação da autuada quanto ao Termo de Constatação Fiscal da Diligência realizada em abril de 2016, trecho colacionado abaixo: “(...) do Termo, que a Parte B do Kit fornecido pela empresa Arosuco é composto de diversos sais, ácidos e conservadores químicos, caracterizados em gênero como conservantes e acidulantes”. Procedendo-se à classificação fiscal dos kits B, ou as chamadas Partes B dos insumos das bebidas fabricadas pela Ambev, bem como do Kit Pepsi Acidulante, tem-se que as matérias-primas utilizadas nos kits fornecidos pela Pepsi ou pela Arosuco não se caracterizam como óleos essenciais da posição 33.01. Em verdade, a mistura de pelo menos dois desses ingredientes (conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes) resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas. Por aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-1/SH, as "Preparações alimentícias diversas" classificam-se no Capítulo 21. Como não se verifica uma posição específica que trate das preparações em questão, resta a posição 21.06, que trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições ". Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a essa se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", enquanto a subposição 2106.90 é reservada a "outras" preparações. Assim, a preparação em análise deve ser enquadrada na subposição 2106.90. Tendo em vista que a preparação sob análise é utilizada de forma geral para qualquer tipo de indústria alimentícia e, portanto, não é do tipo específico utilizado para elaboração de bebidas de que trata o item 2106.90.1, e igualmente não é do tipo utilizado para fabricação de pudins do item 2106.90.2, nem é um complemento alimentar do item 2106.90.3, mas também não é uma mistura à base de ascorbato de sódio referido no item 2106.90.3, nem se enquadra como goma de mascar do item 2106.90.5, e muito menos como caramelos do item 2106.90.6, resta-lhe o item residual "Outras" do código 2106.90.9. Diante desse fato, dentre os componentes fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, os Kits B e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural, os quais são os formados por uma mistura de conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes, e de outras matérias que não o extrato vegetal de guaraná nem o líquido natural refrigerantes sabor limão ou laranja ou ainda uva, ou extrato de noz de cola, devem ser classificados no código residual 2106.90.90, reservado às "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições - Outras - Outras", tributado à alíquota zero do IPI. Conclui-se desse modo, que os créditos incentivados escriturados pela autuada no período de apuração de janeiro a dezembro de 2012, em razão da aquisição dos kits “Kit A” e “Kit B” da AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA., inclusive os kits para elaboração dos refrigerantes de sabor de Guaraná, e Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão da PEPSI COLA INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA., são indevidos porque para a classificação fiscal das mercadorias adquiridas NCM 2106.90.10 e NCM, a TIPI previa à época dos fatos, a alíquota 0% (zero). Em síntese, tem-se que: São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), a qual declarou que a falta de destaque do IPI nas vendas dos desses concentrados estava amparada na isenção prevista no atual art. 81, II, do Regulamento do IPl de 2010, em razão de não haver previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada. Também são indevidos e hão de serem glosados, os créditos fictos calculados e escriturados em decorrência das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Em relação aos insumos filmes plásticos produzidos pela VALFILM AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA., CNPJ sob o nº 03.071.894/0001-07, informou essa que, a partir de 05/2010, fez uso, na saída de seus produtos, da isenção prevista no art. 81, II do RIPI de 2010, por conseguinte, nos períodos de apuração a partir de junho de 2010, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, logo, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. Já, a RAVIBRAS EMBALAGENS DA AMAZONIA LTDA., Cadastro de Pessoas Jurídicas – CNPJ sob o nº 08.658.519/0001-73, apresentou declaração confirmando que suas vendas eram isentas por se enquadrarem no art. 81, II do RIPI de 2010, ou seja, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, portanto, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. E por fim, a fiscalizada creditou-se indevidamente das aquisições de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, de Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão, e de janeiro de 2012 até dezembro de 2012, aquisições da Pepsi INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA, pois que a saída dos “kits” deu-se com a isenção do art. 9º do Decreto-lei nº 288, de 1967, que não gera crédito ficto, bem como, porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Considerando o acima exposto, conclui-se que esses créditos foram indevidamente escriturados e utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, o que ocasionou a falta de recolhimento de IPI, devendo serem glosados”. Os valores glosados dos créditos incentivados indevidos estão consignados na planilha inserta no relatório fiscal à fl. 888. Responsabilidade do adquirente pela infração à legislação tributária A responsabilidade pela infração à legislação tributária é do adquirente, tendo este que verificar se os insumos recebidos cumprem todas as prescrições legais e regulamentares previamente ao cálculo e à escrituração fiscal do crédito incentivado (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 62). Aliás, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável (CTN, art. 136); ou seja, a responsabilidade por infrações não tem como antecedente lógico o dolo ou a culpa. Os componentes dos “kits” foram recebidos pela adquirente como se fossem um produto único, sem discriminação e quantificação individualizadas. Adicionalmente, no relatório fiscal: “No presente caso, ocorreram danos ao erário em função do cálculo e aproveitamento de créditos fictos indevidos por parte da fiscalizada, resultantes da aplicação de alíquota incorreta do IPI, além do aproveitamento de entradas Na hipótese da autuada se considerar prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial nº 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de vir o contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). Ressalta-se que o entendimento esposado quanto ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS, decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, não pode no presente caso ser aplicado, porque a autuada se trata de adquirente de produtos isentos. A decisão prolatada no REsp nº 1.148.444 do Superior Tribunal de Justiça (DJ de 27/04/2010, Ministro Luiz Fux Relator), que entendeu que o adquirente que receber as chamadas "notas frias" pode manter os créditos só foi adotado porque ficou demonstrado que ocorreu o pagamento da operação comercial que precedeu o aproveitamento do ICMS. Nesse Recurso Especial, houve comprovação de pagamento do ICMS, já que o tributo está incluído no preço de venda da mercadoria, e “no que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas". A autuação trata de caso diverso, uma vez que a fiscalizada calculou um crédito ficto, assim não houve pagamento de imposto nas aquisições, pois os produtos saíram do fornecedor com isenção do IPI. E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB nº 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação. Tratando-se de procedimento que implicaria aproveitamento de milhões de reais a cada mês, a autuada se desejasse agir com diligência no cumprimento de suas obrigações fiscais, só aproveitaria os créditos fictos caso tivesse base muito sólida. Constatando que os fornecedores não tomaram a iniciativa de esclarecer o assunto, à fiscalizada caberia solicitar que eles formalizassem consulta. O estabelecimento industrial não teria motivos para deixar de atender a tal pedido, a não ser que tivesse receio do resultado da consulta. Os fornecedores sempre estiveram cientes da importância da classificação fiscal de seus produtos, em função dos enormes valores de créditos gerados para seus adquirentes. O fato dos fornecedores não terem formalizado consulta sobre classificação fiscal de mercadorias junto à Receita Federal seria motivo suficiente para a fiscalizada entender que eles não confiam na correção da classificação que adotam e se abster de aproveitar o crédito duvidoso. A fiscalizada não demonstrou o menor interesse em se certificar da correção da classificação indicada pelos fornecedores, apesar de não existir base legal para aproveitamento de créditos que não correspondam ao exato produto entre o valor tributável do IPI e a alíquota correta do imposto. E mais, a fiscalizada se aproveitou de créditos incentivados, tendo sido ela, e não o fornecedor, que efetuou o cálculo do imposto mediante aplicação de alíquota incidente incorreta. Isso posto, entende-se que restou caracterizada responsabilidade da autuada, que, ao menos, assumiu o risco que permitiu a ocorrência da infração”. Créditos totais glosados no importe de R$ 24.406.881,48, consoante as planilhas às fls. 779 e 888. CRÉDITOS REFERENTES A ARTIGOS ADQUIRIDOS PARA USO E CONSUMO Foram aproveitados, outrossim, créditos distintos de créditos básicos admissíveis, alusivos a artefatos adquiridos para uso e consumo em 2012, mais especificamente: itens de manutenção e material intermediário de produção, conforme detalhamento inequívoco na planilha que integra o termo de descrição dos fatos às fls. 896 e 897. Na acepção do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, incluem-se entre as matérias primas e os produtos intermediários aqueles que, embora não integrem o produto final, sofram alterações (desgaste, dano ou perda de propriedades físicas e químicas) na ação exercida diretamente sobre o produto em industrialização. Nem todos os insumos adquiridos e utilizados na produção caracterizam-se como matérias primas ou produtos intermediários. Na mesma linha lógica já havia o Parecer Normativo nº 181, de 1974. De acordo com o relatório fiscal: “Destarte, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, e do Parecer Normativo n° 181, de 1974, e, em consonância com o inciso I do art. 226 do RIPI de 2010, geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários "stricto-sensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, isto é, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. E não existe amparo legal que dê direito ao crédito do imposto referente aos insumos peças e partes de máquinas, produtos para higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos. Não devem ser aceitos, portanto, os valores referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, peças de reposição e uniformes dos empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não se incluem no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização, únicos insumos admitidos por lei”. O direito ao crédito de IPI pressupõe a existência de duas condições aditivas: a) integração do insumo ao produto final ou consumo daquele em contato direto com o produto em industrialização; b) o insumo não pode ser parte ou peça de máquinas e equipamentos, nem pode corresponder a produtos empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, incluídos óleos e lubrificantes. Créditos indevidos no montante de R$ 24.657,33 discriminados nos demonstrativos às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE BEBIDAS ADQUIRIDAS PARA COMERCIALIZAÇÃO Houve, ademais, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de produtos acabados (bebidas refrigerantes) provenientes de diversos estabelecimentos da AMBEV. As industrializações não foram efetuadas por encomenda e a impugnante deu saída às bebidas recebidas mediante a emissão de notas fiscais de venda para terceiros, com destaque do imposto, e de notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais com suspensão do imposto. O estabelecimento matriz da empresa fiscalizada é optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), sendo a opção válida para todos os estabelecimentos. Durante o ano de 2012, o sujeito passivo estava sujeito ao Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), previsto nos arts. 58-A a 58-U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010, arts. 204 a 206), de acordo com o disposto originalmente na Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do imposto destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas em virtude de que: a) se trata de produtos acabados destinados a comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; b) o imposto incide sobre os produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vale dizer, o imposto não é mais devido em operação posterior (art. 58-N, I); c) não houve operação de industrialização por encomenda, que representa uma exceção ao regime de incidência única (na industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na saída do estabelecimento encomendante) (art. 58-N, § único). Planilha de notas fiscais às fls. 780/790 e créditos indevidos no total de R$ 818.682,68 discriminados no demonstrativo às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES ADQUIRIDOS DE OUTRO ESTABELECIMENTO DA MESMA EMPRESA COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Ocorreu também, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de “kits” para refrigerantes acobertados por notas fiscais emitidas por diversos estabelecimentos da AMBEV, conforme a transcrição que segue: “Acontece que, tais kits foram classificados incorretamente nas notas fiscais de entrada, no Ex 01 do código 2106.90.10. "preparações para elaboração de bebidas" (NCM 2106.90.10) e "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (Ex 1 da NCM 2106.90.10) ". De tudo até aqui exposto, considera-se que foi devidamente provado que o enquadramento no Ex-tarifário 01 é indevido, sendo que os kits de refrigerante a seguir listados são classificados de acordo com as regras do Sistema Harmonizado na posição da NCM 2106.90.10, para qual a Tabela de Incidência de IPI, à época dos fatos previa a alíquota de 0% (zero): - CONC NAT S GUARANA DIET FE1431 KIT - KIT PTWZERO - KIT PEPSI COLA TWIST - CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT - CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT - CONC NAT S LARANJA BR KIT - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA 20L KI - CONC NAT LIMAO FE1403 BOMBONA - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA Intimou-se a fiscalizada então demonstrar o pagamento realizado pela aquisição desses insumos, em resposta, a autuada asseverou que a transferência de recursos ao emitente é realizada via encontro de contas. Também apresentou documentos e notas fiscais relacionadas a resposta apresentada. Não restou claro que a autuada tenha arcado com o ônus financeiro do imposto na entrada dos produtos, e, considerando que tais créditos básicos são indevidos e que, caso a autuada se considere prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos, há que serem glosados tais créditos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial n° 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de viro contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB n° 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação”. Portanto, foram glosados os créditos básicos escriturados em razão da entrada de insumos (kits de refrigerantes) por ser a alíquota prevista para tais mercadorias de 0% (zero), nos termos do art. 25, da Lei n° 4.502, de 1964, e art. 226, do RIPI/2010, no montante de R$ 1.283.622,24, consoante planilha à fl. 791. Glosa dos Créditos e Reconstituição da Escrita Fiscal O crédito passível de glosa é no importe de R$ 26.531.843,73, sendo que, em virtude da existência de saldos credores no período fiscalizado, foi empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo às fls. 923/925. A escrita fiscal passível de reconstituição não é aquela definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC), tendo em conta que os pedidos de ressarcimento cumulados com declarações de compensação (PER/DCOMP) dos trimestres de 2012 encontravam-se, à época da lavratura da peça fiscal, pendentes de análise. E, adicionalmente, há a seguinte transcrição: “Cabe ressaltar quanto à reconstituição da escrita fiscal, que por ter sido objeto de PerdComp analisada e indeferida, havendo inclusive lançamento anterior do saldo devedor (processo administrativo fiscal de nº 10880.727044/2015-61), houve alteração da escrita fiscal da fiscalizada do saldo credor do período anterior (quarto trimestre de 2011) aos períodos de apuração de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, que foi considerado inexistente. Igualmente, o estorno de crédito (débito) escriturado em janeiro de 2012, em razão do pedido de ressarcimento do quarto trimestre de 2011, foi considerado igual a zero. A partir dessa escrita, é que se realizou a reconstituição em função das glosas e demais lançamentos da autuação. Nos períodos de apuração em que a fiscalizada apresentou Pedido de Ressarcimento do trimestre anterior (abril, julho e outubro de 2012), em sua escrituração, houve Estorno de Créditos no valor dos pedidos formulados, na forma de débitos de IPI. Deste modo, tendo a fiscalização concluído pela glosa de diversos créditos escriturados, o que implicou saldo credor inexistente em todos os períodos em que o sujeito passivo formulou tais pedidos de ressarcimento – sendo, portanto, esses improcedentes –, a fiscalização, ao realizar a reconstituição da escrita fiscal, incluiu, no período de apuração nos quais se constatou estorno de crédito efetuado pela fiscalizada, crédito no mesmo valor do estorno, para impedir que a glosa de créditos, em conjunto com o estorno de crédito já escriturado, resultasse em cobrança de valores em duplicidade. A escrita fiscal para o período janeiro de 2012 a dezembro de 2012 passa a ser a descrita no Auto de Infração, e, no fim do período de apuração de 2012, não houve saldo credor disponível ao final do período e sim, tributo a pagar”. Considerações Finais Foram articuladas as seguintes considerações pela autoridade fiscal acerca da classificação fiscal dos insumos fornecidos pelas empresas PEPSI e AROSUCO: “A análise das características dos insumos fornecidos por Pepsi e Arosuco, evidenciou que o produto que as empresas chamam de "concentrado" é na realidade um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários. Assim, o termo "concentrado" foi empregado de maneira tecnicamente incorreta, e seu uso refletiu apenas a prática comercial das empresas. E, a classificação fiscal é definida pelas características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador. É irrelevante, para fins de classificação fiscal, que Pepsi e Arosuco sempre remetam os produtos para fabricantes de bebidas, pois a legislação não permite que o enquadramento na TIPI seja determinado caso a caso, conforme a utilização que será dada pelos destinatários da mercadoria. Manifesto é que as características de um produto industrializado são influenciadas pela utilização para a qual o produto foi concebido. Entretanto, mesmo nas situações em que o destino e a forma de utilização da mercadoria são fundamentais, a NESH não prevê que se deva analisar a motivação de destinatários específicos ou outros aspectos da realidade econômica em que se insere o fabricante. Analisa-se, sim, a embalagem do produto, o seu formato, e outras características que independem dos fatores mencionados. Por exemplo, uma das características que podem definir o código de classificação da mercadoria é sua apresentação. O art. 6º do RIPI, de 2010, trata das definições de embalagens de transporte e de apresentação, aplicadas quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto. A NESH prevê vários casos em que o código de classificação a ser adotado é determinado pela embalagem de apresentação onde está acondicionada a mercadoria. Como exemplo, traz-se trecho da NESH, transcrito a seguir, retirado das Considerações Gerais do Capítulo 28: Alguns produtos inorgânicos não misturados, embora normalmente incluídos no Capítulo 28, podem excluir-se deste Capítulo quando se apresentem sob formas ou acondicionamentos especiais ou ainda quando tenham sido submetidos a tratamentos que não modifiquem a sua constituição química. É o que sucede nos seguintes casos: a) Produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição 30.04). (...) Prosseguindo-se no exemplo, de acordo com a NESH, todos os produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho são excluídos do Capítulo 28, devendo ser classificados na posição 30.04. Deve-se observar que tal regra é válida para qualquer operação, inclusive na hipótese de que ocorram saídas destinadas a adquirentes que nunca utilizem os produtos para fins terapêuticos ou profiláticos Ainda com relação ao mencionado exemplo, se o estabelecimento industrial, por outro lado, vender produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos sem que eles estejam acondicionados para venda a retalho ou em doses, eles devem ser classificados no Capítulo 28, ainda que o fabricante em questão tenha contrato de exclusividade com adquirente que utilize a mercadoria somente para usos terapêuticos ou profiláticos. Voltando-se aos kits ou concentrados para preparação de refrigerantes, como já devidamente exposto, os kits não podem ser classificados em código próprio para preparação composta, pois algo que não está misturado, pronto para uso pelo adquirente, não se caracteriza como preparação. Mesmo que se alegue que em trabalhos anteriores realizados pelo Fisco em estabelecimentos da Ambev jamais houve qualquer tipo de discordância quanto ao enquadramento dos "kits" para a fabricação de bebidas no Ex 01 do código 2106.90.10, tal argumentação não merece prosperar. A fiscalizada decidiu por sua conta e risco calcular os créditos incentivados aplicando as alíquotas de 27% (vinte e sete por cento) ou 20% (vinte por cento) nas aquisições dos kits, apesar da inexistência de consultas para a Receita Federal do Brasil sobre a correta classificação dos insumos adquiridos. Certo é que não houve, por parte do Fisco, emissão de qualquer ato administrativo dando amparo à classificação fiscal adotada pela fiscalizada. E, não está correto asseverar que o tratamento fiscal conferido por Ambev aos kits tenha sido homologado no âmbito dos lançamentos prévios. Em procedimentos fiscais anteriores relativos aos créditos oriundos das compras de Pepsi e Arosuco, o Fisco tratou do direito de Ambev aproveitar créditos do IPI correspondentes ao valor do tributo incidente sobre “concentrados” procedentes da Zona Franca de Manaus, no caso de bens que somente faziam jus à isenção do art. 69, inciso II, do RIPI, de 2002. Não tendo analisado a correção da classificação utilizada para os insumos isentos, o Fisco empregou em seus relatórios o código e alíquota adotados pela empresa, sem que isto significasse concordância ou não com sua correção. A análise do direito ao crédito do IPI em aquisições de insumos isentos há muito tempo vem sendo efetuada pela Justiça, inclusive em ações judiciais propostas por engarrafadores de refrigerantes. Nestas ações, os “concentrados” são tratados como uma mercadoria única cuja alíquota é de 27% (vinte e sete por cento), mas não está em julgamento se os insumos são ou não uma mercadoria única, nem a correta classificação fiscal de acordo com a NCM. Aguarda-se a decisão final do STF sobre o direito ao crédito oriundo de insumos isentos fabricados em Manaus. Na hipótese de que o STF decida adotar entendimento favorável às empresas no que se refere ao crédito oriundo dos insumos isentos, isto não significaria concordância da Justiça com os critérios e formas de cálculo utilizados pelos contribuintes. Há que se ter em mente que a citação, pelo Fisco, dos códigos de classificação adotados, pelo contribuinte, não se caracteriza como homologação de critério jurídico. Entender que a cada encerramento, ainda que parcial, de procedimento de fiscalização, há homologação das classificações fiscais adotadas pelo contribuinte, significaria que o simples encerramento de uma ação fiscal relativa ao IPI, mesmo que não se tenha avaliado a correção de códigos de classificação fiscal, produziria efeito similar ao de Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal. E, quanto a quaisquer afirmações de que a reclassificação fiscal das mercadorias pretendida pela Fiscalização haveria de estar respaldada por laudo técnico, é cediço que cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil determinar a classificação fiscal de mercadorias de acordo com as regras do Sistema Harmonizado independentemente da existência de laudo técnico. Ademais, a questão que se discute quanto à classificação fiscal é se podem ser classificados como se fossem uma mercadoria única os kits acondicionados individualmente e assim transportados até o adquirente. São incontroversos os dados que levaram a fiscalização a concluir pelo erro na classificação e alíquota utilizada pela empresa. Nesse sentido, o § 1°, do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz que não se considera como aspecto técnico, a classificação fiscal de produtos: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...) Retornando-se a classificação fiscal das mercadorias que teriam gerado o creditamento incentivado nesta autuação considerado indevido, concluiu-se que para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. Sendo que, no momento em que os insumos são recebidos por Ambev, eles não estão misturados, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Averiguou-se, no curso deste procedimento fiscal, é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. E repita-se, não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Tanto é que, de acordo com a decisão do CCA objeto de tradução juramentada, a matéria pura benzoato de sódio, ainda que fazendo sendo um dos componentes (Parte) de um kit para fabricação de bebidas, deve ser classificada separadamente no código 2916.31. Os trechos transcritos da NESH da posição 21.06 não especificam o entendimento a ser adotado em relação a mercadorias classificadas na posição 29.16, referindo-se sim, a um produto industrializado em que, em alguns casos, tem o benzoato de sódio como um de seus ingredientes. E, constatou-se que, sendo os kits formados por vários componentes acondicionados em embalagens individuais, tratam-se de mercadorias que não estão prontas para uso pelo adquirente (aquele que utiliza os insumos para elaborar refrigerantes), precisando passar por operação de industrialização intermediária. Depois da etapa do processo industrial, em que acontece a mistura dos componentes dos kits (Parte A e Parte B, Kit Pepsi e Kit Pepsi Acidulante), o qual ocorre no estabelecimento da Ambev após o fato gerador, aí então é que se forma uma preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, a qual ainda recebe tratamento complementar, com o acréscimo de água e gás carbônico. Caso não fosse necessária a adição de água, a preparação composta não poderia ser chamada de concentrado, preparação classificada na posição 21.06 cuja característica básica é ter um volume muito menor do que as bebidas não alcoólicas da posição 22.02. E a Nota Explicativa da posição 2106, quando fala em tratamento complementar, não está se referindo à operação de industrialização realizada com as matérias-primas após seu recebimento pelo engarrafador. Refere-se, sim, à adição de água e outras operações complementares efetuadas sobre o concentrado – preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, resultante da mistura de diversos ingredientes. Sobre a definição correta de concentrado, menciona-se o § 4º do art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, o qual define expressamente as características do concentrado: § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” E claro é que a norma transcrita nesse dispositivo, art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, não abrange apenas “bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas)”, que são os concentrados cuja diluição é feita pelo consumidor final, pois em seus §§ 6º e 7º dão orientações que são de interesse apenas de estabelecimentos que industrializam bebidas, como é o caso de Ambev: Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. § 1o A bebida que apresentar característica sensorial própria da matéria-prima de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe, conterá, obrigatoriamente, esta matéria-prima, ressalvados os casos previstos no caput. § 2º O xarope e o preparado sólido para refresco que não contiverem a matéria-prima de origem vegetal serão classificados e considerados artificiais, integrando à sua denominação o termo artificial. [...]§ 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” [...]§ 6o Na bebida que contiver gás carbônico, a medida da pressão gasosa será expressa em atmosfera, à temperatura de vinte graus Celsius. § 7o A água destinada à produção de bebida deverá atender ao padrão oficial de potabilidade. E vale, por fim, aqui repisar que o fato da aquisição das Partes dos denominados concentrados ocorrer em conjunto por questões industriais e logísticas, em nada altera a classificação fiscal a ser dada para cada Parte (componente)”. Ciência e Impugnação A empresa tomou ciência da exação em 01/08/2016, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – Comunicado (fl. 933). Em 31/08/2016, insubmissa, a contribuinte apresentou, por meio de Termo de Solicitação de Juntada (fl. 935), a impugnação às fls. 936/980, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados na documentação de representação às fls 981/992 e instruída com a documentação às fls. 1.021/1.615 e 1.622/1.635, em que aduz, em síntese, o seguinte: Preliminarmente – Nulidade do auto de infração: 1) Ilegitimidade Passiva: o auto de infração foi lavrado em relação a empresa sucessora que não realizou as operações que deram causa à glosa de créditos; a Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV, CNPJ 02.808.708 foi incorporada em janeiro de 2014 pelo sujeito passivo da autuação, a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, que é o estabelecimento matriz, localizado em São Paulo, SP; o estabelecimento que efetuou os créditos, ora glosados, era uma filial da empresa, com CNPJ 02.808.708/0081-83, situada em Almirante Tamandaré, PR, e, depois da incorporação, passou a ter o CNPJ 07.526.557/0034- 78, desenvolvendo a mesma atividade fabril anterior; por força do CTN, art. 51, § único, c/c 132, e do RIPI/2010, art. 24, que tratam da autonomia dos estabelecimentos no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias e da responsabilidade tributária pelos sucessores, o auto de infração somente poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento sucessor, conforme julgados do CARF; há a resposta nº 29 referente a “Perguntão” da própria Receita Federal, pela qual seriam da filial resultante da incorporação os direitos e obrigações relativos ao estabelecimento adquirido; a autuação deve ser anulada por erro na identificação do sujeito passivo; 2) Alteração dos Critérios Jurídicos: houve violação do art. 146 do CTN, uma vez que não pode haver modificações abruptas nos critérios jurídicos adotados pela Administração Tributária; no caso concreto, houve mudança de entendimento pela fiscalização quanto aos motivos de vedação ao aproveitamento de créditos referentes a aquisições de produtos da PEPSI-COLA, da AROSUCO e da VALFILM: a) erro de classificação fiscal dosinsumos; b) matérias primas regionais submetidas a processamento industrial anterior; em autos de infração lavrados anteriormente sobre operações semelhantes, a causa das glosas foi a falta de cumprimento de requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, e nunca a classificação fiscal dos “kits”; assim como, anteriormente eram aceitas matérias primas com processamento industrial prévio; tudo conforme amostra de autuações anteriores (processos nº 10880.727044/2015-61 e nº 10480.721667/2015-32), a classificação fiscal adotada para os “kits” (2106.90.10 Ex 01) e a apropriação de créditos referentes a produtos elaborados na ZFM com insumos industrializados foram homologadas expressamente em atos oficiais, sendo que a previsibilidade (segurança jurídica) deve reger o sistema tributário e a retroação de normas mais gravosas é expressamente vedada pela Constituição Federal (art. 150, III), em harmonia com os arts. 144 e 146 do CTN, de acordo com doutrina e jurisprudência; a lavratura do auto de infração questionada somente poderia ter ocorrido mediante a expedição prévia de norma de caráter geral (ato normativo) ou individual (notificação fiscal) com a comunicação da mudança de procedimento das autoridades fazendárias; de qualquer modo, a aceitação em ações fiscais anteriores do tratamento fiscal dado pelo sujeito passivo às questões caracterizaria prática reiteradamente adotada pela Administração Tributária e, portanto, norma complementar à legislação tributária (art. 100, III, do CTN), o que motivaria, no mínimo, o afastamento da multa, dos juros e da correção monetária exigidos; 3) Iliquidez e Incerteza do Lançamento: o lançamento é ilíquido e incerto, portanto nulo, conforme entendimento do CARF, pois não foi utilizada a escrita fiscal definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC) em virtude da pendência de análise dos pedidos de ressarcimento apresentados pela contribuinte no tocante aos trimestres de janeiro a dezembro de 2012, contudo, os pedidos de ressarcimento/compensação deveriam ter sido considerados como plenamente eficazes por força do CTN, art. 150, § 1º, pelo qual o pagamento antecipado extingue o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação; o saldo credor existente em dezembro de 2011 não deveria ter sido desprezado, pois o indeferimento do pedido do processo administrativo nº 10880.727044/2015-61 depende de decisão definitiva; portanto; o saldo credor de dezembro de 2011 e todos os créditos objeto de PER/DCOMP dos trimestres de 2012 foram desconsiderados indevidamente, o que implica a exclusão de créditos passíveis de ressarcimento no montante de R$ 20.961.717,80 (doc. 09); a glosa do saldo credor de 2011 não foi definitiva, sendo que a contestação teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III), embora, segundo a doutrina, não haja suspensão mas sim um simples impedimento procedimental (o crédito não se encontraria definitivamente constituído); tendo sido ofertada a impugnação em janeiro de 2016 (doc. 09) em relação ao processo administrativo nº 10880.727044/2015-61, o julgamento do presente feito deve ser sobrestado até a superveniência de decisão final naquele processo, conforme manifestações do CARF nessa linha; No mérito – Direito aos créditos glosados: 1) Falta de preenchimento dos requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 para o aproveitamento de créditos de insumos adquiridos dos fornecedores AROSUCO, PEPSI-COLA, RAVIBRÁS e VALFILM, e ainda que cumpridos os requisitos, não haveria o direito aos créditos em face da alíquota zero dos insumos adquiridos da AROSUCO e da PEPSI-COLA: 1.1) A correta interpretação do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, impõe que seja aceita, além da utilização de matéria prima regional in natura (matéria prima bruta), a utilização de matéria prima processada: a noção de matéria prima empregada pela lei é ampla e genérica, sendo que qualquer produto pode funcionar como matéria prima de outro produto; o mencionado art. 6º não faz alusão a “matéria prima bruta” ou “provinda da natureza”, sendo a única interpretação possível é a de que o benefício é aplicável a qualquer mercadoria que contenha matérias primas de base vegetal, independentemente de haver ou não processamento; do benefício são apenas excetuadas as matérias primas de origem animal; o benefício é de natureza objetiva; conforme a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8/98 (doc. 05), que trata do processo produtivo básico dos concentrados para refrigerantes, é “admitida a realização, por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção”, ou seja, há o reconhecimento de que o benefício abrange produtos elaborados com matérias primas de origem agrícola ou extrativas vegetais submetidas a processamento anterior por outras empresas da ZFM; na mesma Portaria Interministerial, acerca da fabricação do corante caramelo, inexiste a exigência de que o açúcar seja originário da Amazônia Ocidental; 1.2) O entendimento oficial da SUFRAMA, órgão que detém a competência exclusiva para aprovar e fiscalizar os projetos de empresas que pretendam usufruir dos benefícios fiscais do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 (além de estabelecer normas, exigências, limitações e condições para a aprovação dos projetos), em resposta a consulta formulada pela PEPSI-COLA (doc. 06), é o seguinte: “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido localmente que não seja típico da região amazônica (por ex. açúcar de cana) é beneficiada com o incentivo previsto no art. 6º do Decreto-lei n. 1.435/75 (...)”O contribuinte de boa-fé, adquirente dos produtos, não pode ser penalizado pelo “entendimento oficial” dos órgãos que disciplinam e jurisdicionam o incentivo (no caso, MPO/MICT/MCT e SUFRAMA) e a atuação das autoridades fazendárias deve ser coerente com a posição oficial do órgão ao qual compete exclusivamente aprovar os projetos referentes ao benefício fiscal, o que é ratificado por decisão do CARF; a anulação de ato administrativo por “vício de ilegalidade” deve ser efetuada de forma expressa e com observância do devido processo legal, não meramente por via interpretativa, de acordo com posição do STJ: “quando se confere a certo e determinado órgão administrativo alguma atribuição operacional, se está, ipso facto, excluindo os demais órgãos administrativos do desempenho legítimo dessa mesma atribuição; essa é uma das pilastras do sistema organizativo e funcional estatal e abalá-la seria o mesmo que abrir a porta da Administração para a confusão, a celeuma e mesmo o caos”; o auto de infração é improcedente, pois a glosa de créditos relativos aos produtos da AROSUCO e da PEPSI-COLA contraria o disposto no art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75; 2) Os créditos sobre a aquisição de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus têm apropriação assegurada; a empresa fornecedora é titular de incentivo fiscal com tratamento diferenciado assegurado pelo art. 40 do ADCT, o que foi reconhecido pelo STF em ressalva contida em acórdão proferido no RE 566.819/RS, sendo que a repercussão geral será apreciada nos autos do RE nº 592.891/SP; a manutenção dos créditos garante o tratamento tributário mais benéfico para as aquisições oriundas da ZFM; 3) Ilegitimidade (nulidade por carência de motivação fática e, no mérito, improcedência) da glosa de créditos em virtude de erro de classificação fiscal dos “kits” adquiridos da PEPSI-COLA e da AROSUCO: 3.1) O trabalho fiscal é nulo porque, à luz da “teoria dos motivos determinantes”, não houve comprovação do “erro” pelo Fisco, sendo cruciais a indicação dos motivos de fato e de direito e a perfeita correlação (subsunção) do fato à norma para a validade do ato administrativo; sendo auto de infração, os requisitos do art. 142 do CTN devem estar presentes (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido); não há elementos técnicos para embasar a reclassificação fiscal, esta empreendida “com base em alegações calcadas em conhecimentos empíricos, sem amparo em laudo técnico que justificasse a nova classificação fiscal imputada de ofício”; a classificação fiscal dos produtos é de responsabilidade dos respectivos fornecedores, e a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação, colhendo informações dos fornecedores e submetendo-as a órgão técnico especializado, inclusive com a colheita de amostras e solicitação de perícia, não só meras fotografias de embalagens dos “kits”; há precedentes do CARF de nulidade absoluta para situações de reclassificação fiscal sem prova técnica; a motivação fática da glosa também é insuficiente, além de deficiente, porque a NCM 2106.90.10 Ex 01 contempla, além dos concentrados, os sabores: seria necessário também comprovar que nenhum dos componentes dos “kits” corresponde ao conceito de “sabores” para a fabricação de bebidas; 3.2) Para a fiscalização, mesmo que os insumos destinados à fabricação de bebidas fornecidos pela PEPSI-COLA e pela AROSUCO estivessem de acordo com as diretrizes do Decreto-lei nº 1.435/75, não haveria créditos do imposto a apropriar “como se devido fosse” em virtude de erro de classificação fiscal: os insumos deveriam ser enquadrados em códigos diversos, com alíquota zero, e não no código NCM 2106.90.10 Ex 01, já que os “kits” não poderiam ser tratados como produtos únicos e não constituem “preparações compostas para fabricação de refrigerantes” por não estarem prontas para uso pelo adquirente (a diluição e a gazeificação são feitas por este e não pelo fornecedor); a acusação fiscal tem esteio na presunção de que a PEPSI-COLA e a AROSUCO teriam aplicado as RGI/SH 2.a) e 3.b) com o objetivo de tratar os “kits” como mercadorias únicas classificadas no código NCM 2106.90.10 Ex 01, mas é manifestamente improcedente porque a fiscalização olvidou da RGI/SH nº 1, regra preponderante sobre as demais; prossegue a impugnante conforme a transcrição que segue: “Com efeito, assim dispõe o NCM 2106.90.10, "ex. 01", cerne da acusação fazendária: "21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições. 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas. Ex 01 (IPI) Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" A mera leitura das normas transcritas revela que o código 2106.90.10 designa apenas as preparações destinadas à fabricação de bebidas e o seu "ex. 01", mais específico, restringe-se às "preparações compostas" (mais de uma substância) não alcoólicas, utilizadas "para a elaboração" de refrigerantes/refrescos (posição 22.02), com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. O discrimen utilizado na especificação da NCM, portanto, é finalístico, sendo a sua pedra de toque o fato de uma determinada preparação composta, sem teor alcoólico e com determinada capacidade de diluição, ser remetida para a fabricação de refrescos/refrigerantes. É esta a especificidade do "ex" em relação à descrição contida no "caput" da subposição. De outro lado, as notas da posição 2106, universo no qual se insere a NCM n. 2106.90.10, inclusive o respectivo "ex. 01", são claras no sentido de que os extratos concentrados ou sabores para a preparação industrial de bebidas estão nela compreendidos, ainda que necessitem de processo industrial complementar ou da adição de outros ingredientes, para se tornarem aptos ao consumo: “(...) a presente posição compreende: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). • Classificam-se especialmente aqui: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: - xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferir-lhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o n° 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; - suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinam-se a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. ...................................” Como se vê, diferentemente do que sustenta a Fiscalização, enquadram-se no conceito de "preparações compostas", a que se refere o ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, todas as substâncias formadas por um conjunto de ingredientes que lhes confira um propriedade aromática passível de determinar, isoladamente ou mediante combinação com outras substâncias, o sabor característico de determinada bebida. Acentue-se que a própria Fiscalização admite que: “O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta.” (p. 71). Ora, diante da expressa admissão de que todos os ingredientes dos kits são preparações compostas e da circunstância de que todos eles são utilizados como insumos para a fabricação de refrescos, é forçoso concluir pela sua inclusão no âmbito do ex 01 da posição 2106.90.10 da TIPI/NCM. O item XI da RGI 3b) da NESH em nada interfere com a questão. Tal item apenas diz que a regra em questão “não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo”, sem, contudo, especificar qual o tratamento a ser dado a tais mercadorias. Essa observação é importante, pois a regra contém três possibilidades de classificação (letras “a”, “b” e “c”) e, como nenhuma delas se aplica ao caso, fica confirmado que a solução do caso não pode se basear na referida RGI 3. Por isso, são igualmente irrelevantes para o caso as manifestações do Conselho de Cooperação Aduaneira citadas pela Fiscalização. Até porque, tais manifestações não estão listadas quer na IN RFB 1.459/2014, quer na IN RFB 873/2013. Para aferir a correta classificação dos produtos adquiridos pela Impugnante deve, pois, ser observada a RGI/SH 1, mesmo porque o texto do ex 01 da suposição 2106.90.10 e as respectivas notas explicativas são suficientes para a correta classificação dos “kits”. Afinal, como explicam as notas da posição 2106, as preparações compostas para a fabricação de bebidas podem conter apenas “parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida” para utilização “depois de tratamento complementar”, inclusive com a eventual “adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono”, ou mesmo de “outras preparações alimentícias”. A segregação de tais preparações se justifica para “evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc”, justamente porque elas “não se destinam a ser consumidas como bebidas”, mas sim como insumos para a fabricação das bebidas. Diante disso, cai por terra a tese da Fiscalização de que só poderiam ser consideradas como "preparações compostas", nos termos do ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, aquelas que já estivessem de tal maneira processadas que permitissem a obtenção da bebida mediante mera diluição em água. Nitidamente, o Fisco confunde a bebida pronta em estado concentrado (como as da posição 20.09 da NCM) com os diversos tipos de concentrados e sabores utilizados como insumos para a fabricação de bebidas (posição 2106.90.10, ex 01, da NCM). Prova disso é a utilização, como argumento de acusação, da Lei 8.918/94 e seu regulamento, os quais tratam da "padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas". Os arts. 13, §4°, e 30 do Decreto 6.817/200931, transcritos no TDF, tratam justamente do produto concentrado, isto é, da bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas). Aliás, o caput do art. 13 diz serem inaplicáveis suas previsões ao "xarope" e ao "preparado sólido para refresco", o que realça o equívoco do Fisco. Assim, na medida em que a Fiscalização reconhece todos os “kits” contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor “Pepsi”, sabor “guaraná”, “sabor Sukita” etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, é evidente que todos eles caracterizam, no seu conjunto ou individualmente, preparações compostas para a fabricação de bebidas abrangidas pelo ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. Em outras palavras, os “kits” autuados consistem em ingredientes destinados à fabricação de bebidas, compostos por substâncias diversas, as quais, consideradas no conjunto ou individualmente, classificam-se como preparações compostas, com a função de conferir à bebida a ser produzida o seu sabor próprio e as suas demais características sensoriais, dando identidade ao produto vendido aos consumidores. Certo, alega a Fiscalização que "as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes", sendo que "a mistura de pelo menos dois desses ingredientes resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas." (destacamos) Ocorre que tais ingredientes, ainda que não tenham sabores específicos, são formados pela reunião de várias substâncias e cada kit contém a quantidade exata para mistura com os extratos e outros aromatizantes característicos de cada bebida. Dessa maneira, os itens adicionais contribuem para formação do aroma do produto final, o que justifica a sua classificação no ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. De qualquer forma, ainda que, para argumentar, se entendesse que as partes dos kits com acidulantes, conservantes e outros itens que não contêm extratos ou aromatizantes específicos, devessem ser classificadas em outro código da NCM, não haveria qualquer valor de IPI a ser glosado pelo Fisco no caso concreto. De fato, os documentos fiscais juntados aos autos demonstram que todos os "kits" contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor "Pepsi", sabor "guaraná", "sabor Sukita" etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, sendo comercializados por preços compreensivos do todo (cujo dimensionamento se dá pela fórmula de cada bebida, objeto de segredo industrial). Isso se explica porque a aquisição dos sabores em conjunto com as substâncias adicionais dá-se por questões industriais e logísticas, sendo certo que estas últimas, isoladamente consideradas, não possuem valor econômico para os fins da operação praticada. Vale dizer, a prova acostada pelo próprio Fisco confirma não se trata de produtos vendidos separadamente, mas de unidades para diluição e envase acondicionadas separadamente por questões de eficiência logística (menor volume transportado), como, aliás, é expressamente admitido pelas notas da posição 2106 acima citadas. Assim, ainda que houvesse a segregação dos itens adicionais do kit que não constituem extratos ou outros aromatizantes, nem assim haveria crédito tributário a constituir, pois eles não têm valor econômico, no contexto da operação. Em face do exposto, conclui-se que não houve erro de classificação fiscal nas notas de aquisição dos “kits” de concentrados e sabores destinados à fabricação de bebidas, pois: (1) o “kit” contempla uma unidade de ingredientes para a fabricação de bebidas que, pela diversidade de substâncias envolvidas, configura preparação composta; e (2) cada item do “kit”, isoladamente considerado, também configura preparação composta que confere sabor e outros traços sensoriais à bebida fabricada. Além disso, mesmo que parte dos itens devesse ser classificada em outra subposição da NCM, não haveria valor econômico individual que possibilitasse a glosa do IPI”. 4) É improcedente a glosa de créditos relativos a mercadorias adquiridas para emprego no processo industrial: matérias primas e materiais intermediários tais como peças e partes de máquinas, produtos para higienização de maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, uniformes de empregados; todos os itens mencionados são necessários e foram consumidos na atividade produtiva, não sendo destinados ao ativo permanente; o disposto no RIPI/2010 (art. 226, I, c/c art. 610, II) e no PN/CST nº 65/1979 sofre distorção interpretação da fiscalização, porque não há necessidade do contato direto com o produto final, mas deve haver a aplicação dos bens, de alguma maneira, na produção; alguns itens são imprescindíveis ao processo produtivo, consoante laudo técnico anexado (doc. 07); em alguns julgados, há posição do CARF favorável ao direito ao crédito em situações similares; 5) Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo, provenientes de empresas do mesmo grupo econômico e sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias, conforme documentação anexada; quando muito, a fiscalização poderia ter exigido acréscimos moratórios de forma isolada por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem), conforme ato normativo referente a IRPJ e CSLL e precedentes do CARF; ademais, foram computadas entradas de mercadorias a título de devoluções de vendas realizadas previamente e registradas sob os códigos de CFOP nº 1403, 1410, 2401, 2410, 2411 e 2949, e que devem ser excluídas do lançamento; 6) Quanto aos kits destinados ao preparo de refrigerantes, recebidos de fornecedores de outras regiões do país, primeiramente, a classificação fiscal adotada está correta, conforme já discorrido em tópico precedente; em segundo lugar, o pagamento de recursos ao emitente de notas fiscais é feito mediante encontro de contas, o que é normal nas relações entre empresas de um mesmo grupo econômico, sendo que os créditos não decorrem do pagamento do imposto pelo remetente, mas da cobrança do imposto na operação anterior (RIPI/2010, art. 226), sendo incontroverso o destaque do IPI na documentação fiscal emitida e o direito ao crédito, sob pena de ocorrência de bi-tributação e de violação do princípio da nãocumulatividade; além do mais, é despropositada a exigência de demonstração do pagamento pelo valor de compra para assegurar a manutenção dos créditos, já que a comprovação da assunção do ônus financeiro do imposto somente é necessária na hipótese de repetição de imposto pago indevidamente pelo fornecedor (CTN, art. 166); 7) A impugnante é adquirente de boa-fé e os créditos aproveitados devem ser convalidados, uma vez que a correta classificação fiscal dos produtos, as respectivas alíquotas e os valores do imposto são de responsabilidade do emissor da nota fiscal (RIPI/2010, arts. 407 e 413), conforme situação análoga na órbita do ICMS com pronunciamento do STJ. Por fim, requer que seja reconhecida a improcedência das acusações fiscais, com o cancelamento definitivo do auto de infração; por outro lado, com o fito de dirimir dúvidas porventura existentes, pugna pela realização de diligência e/ou perícia técnica no que concerne às operações com produtos sujeitos ao regime monofásico, conforme os quesitos enunciados em anexo. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 14-62.485 - 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1686/1688), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos incentivados concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero, sendo os produtos oriundos da Amazônia Ocidental e, portanto, isentos. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a aquisições de produtos onerados pelo imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE ARTEFATOS DESCARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS OU MATERIAL DE EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo industrial, segundo o estrito entendimento albergado na legislação tributária do que pode ser considerado como insumos. GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO. Devem ser glosados os créditos concernentes a concentrados para refrigerantes adquiridos com erro de classificação fiscal e de alíquota, sendo correta a alíquota de 0% e inexistente a comprovação de que a adquirente tenha arcado com o ônus financeiro do imposto destacado nas notas fiscais de aquisição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ÁREA DE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL. Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, ainda que haja imunidade condicionada ou isenção, podem ser objeto de fiscalização tributária, sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a autoridade competente para a condução das atividades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Mesmo sendo o caso de estabelecimento filial que continue a atividade industrial e mantenha a documentação e livros fiscais, inexiste nulidade por erro de identificação do sujeito passivo se o auto de infração for lavrado contra o estabelecimento matriz, pois, na hipótese de ocorrência de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela empresa sucedida (estabelecimento matriz e filiais) até a data do ato sucessório. NULIDADE. FALTA DE LIQUIDEZ E DE CERTEZA DA EXIGÊNCIA FISCAL. DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE SALDOS CREDORES. Em virtude da ausência de erros na fixação da dimensão quantitativa do crédito tributário constituído, com o cômputo de todos os saldos credores legítimos existentes na escrita fiscal, inexiste nulidade por falta de liquidez e de certeza da peça acusatória. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. NULIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A classificação fiscal de mercadorias consiste em atividade de índole estritamente tributária, sendo que a reclassificação fiscal dos produtos recebidos dos fornecedores foi perfeitamente motivada, com a perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias que tratam de classificação fiscal de mercadorias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de realização de diligência ou perícia prescindível para o deslinde da causa, a despeito da presença dos requisitos básicos como a indicação do perito e a formulação dos quesitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 1873 e seguintes, no qual a Recorrente apresenta as seguintes razões: 1. Nulidade do Auto de Infração 1.1. Ilegitimidade passiva. Erro na determinação do sujeito passivo. Precedentes. 1.2. Erros na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento. 1.3. Alteração dos critérios jurídicos adotados pelas autoridades fiscais em relação aos “kits” para a produção de refrigerantes fornecidos pela PEPSI/AROSUCO e aos materiais de embalagem fornecidos pela VALFILM. Violação ao art. 146 do CTN. 2. Direito aos créditos glosados pelo Fisco 2.1. Ilegitimidade da glosa dos créditos relativos aos insumos e materiais de embalagem para fabricação de refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus. 2.2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao regime especial de que trata o art. 58-N da Lei n. 10.833/03. O imposto foi recolhido na saída das mercadorias. Haveria, no máximo, postergação no seu pagamento. 2.3. Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de bens de uso ou consumo pela Recorrente (matérias primas, materiais de embalagem e materiais intermediários de produção). 2.4. Ilegitimidade da glosa de créditos relativos a mercadorias (preparações compostas para a fabricação de bebidas e materiais de embalagem) tributadas que não seriam enquadradas na subposição 2106.90.10, “ex. 01”, da TIPI/NCM (e sim em outras posições, com alíquota zero do imposto). É o relatório. Voto

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3301­001.005  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de novembro de 2018  Assunto  Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Recorrente  AMBEV S.A.            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade  de  Origem,  para  que  o  processo  seja  dado  ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional de laudo técnico apresentado pelo contribuinte.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira Presidente       (assinado digitalmente)   Liziane Angelotti Meira     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'  Oliveira,  Ari  Vendramini,  Salvador  Cândido  Brandão  Junior,  Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos  Roberto da Silva (Suplente Convocado).    Relatório  Por bem descrever os  fatos,  adoto o  relatório  elaborado pela decisão  recorrida  (fls. 1686/1785), abaixo transcrito:  Com  fulcro  no  Regulamento  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de  junho  de  2010;  consoante  capitulação  legal  consignada  às  fls.  914  e     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 28 19 8/ 20 16 -5 1 Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.966            2 915,  foi  lavrado  o  auto  de  infração  à  fl.  912,  em  27/07/2016,  para  exigir  R$  10.219.731,18  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI), R$ 4.201.000,38 de juros de mora calculados até 31/07/2016, e  R$  7.664.798,31  de  multa  proporcional  ao  valor  do  imposto,  o  que  representa o crédito tributário total consolidado de R$ 22.085.529,87.  A  AMBEV  S/A,  CNPJ  07.526.557/0001­00,  sujeito  passivo  da  autuação,  sucedeu  por  incorporação,  em  janeiro  de  2014,  o  estabelecimento  com  CNPJ  02.808.708/0081­  83,  COMPANHIA  DE  BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido  iniciada, conforme os arts. 129 e 132 do CTN.  Fatos e Infrações Consoante a descrição dos fatos do auto de infração,  às  fls.  913/915,  e  o  teor  do  relatório  fiscal  (termo  de  descrição  dos  fatos), às fls. 797/911, não houve o recolhimento do imposto, de janeiro  a dezembro de 2012, em razão do aproveitamento dos seguintes  tipos  de créditos indevidos:  CRÉDITOS  DE  INSUMOS  PARA  BEBIDAS  Créditos  fictícios  do  imposto  apropriado  como  se  devido  fosse  na  aquisição  de  insumos  (concentrados,  filmes  “stretch”  e  artefatos  como  rolhas  e  tampas  plásticas)  de  estabelecimentos  situados  na  Amazônia  Ocidental,  escriturados  da  seguinte  maneira:  “Outros  Créditos  ­  Aquisição  Mercadorias  Oriunda  da  Amazônia  Ocidental  –  IPI  rec.  s/aquisição  Amazônia”  ou  “Aquisição  Mercadorias  Oriunda  da  Amazônia  Ocidental – art. 175 Dec. 4.544 26/12/2002” A isenção do imposto em  tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na  Amazônia  Ocidental  e  comercializados  em  outras  partes  do  país  é  prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010.  O dispositivo específico  sobre a Zona Franca de Manaus  (art. 81,  II)  não  assegura  o  aproveitamento  dos  créditos  pelas  aquisições  por  estabelecimentos localizados em outras regiões do país.  Por  outro  lado,  para  a  isenção do  art.  95,  III,  há  a  possibilidade  de  aproveitamento  dos  créditos  (crédito  incentivado,  art.  237)  pelos  adquirentes  em  outras  regiões  se  forem  satisfeitas  as  seguintes  condições cumulativas:  1.  Que  o  produto  seja  elaborado  com  matéria  prima  agrícola  e  extrativa vegetal de produção regional;  2.  Que  o  estabelecimento  seja  localizado  na  Amazônia  Ocidental  (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima);  3.  Que  o  estabelecimento  tenha  projeto  aprovado  no  Conselho  de  Administração da Suframa.  Ademais, consoante a redação do Decreto­lei nº 1.435, de 1975, art. 6º,  §  1º,  os  insumos  adquiridos  com  isenção  devem  ser  empregados  no  processo industrial de produtos sujeitos ao imposto.  A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na  escrita fiscal.  Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.967            3 Intimada  a  contribuinte  a  esclarecer  a  origem  dos  créditos  fictos  (incentivados)  registrados  na  escrita  fiscal,  há  o  seguinte  a  destacar  conforme os dados fornecidos.  Créditos  de  rolhas  e  tampas  plásticas  adquiridas  de  RAVIBRAS  Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/0001­73:  ROLHA PLAST VERDE PC TW NIV ROLHA PLAST AZUL PC NIV  ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI ROLHA PLAST  GUARANÁ  VERMELHA  NIV11  R  ROLHA  PLAST  SODA  L  ANT  ROLHA  PLAST  SUKITA  VERDE  TAMPA  PLAST  AMARELA  GUARANÁ ANTART O dispositivo legal para isenção declarado como  adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II)  nas  vendas  prevê  apenas  a  isenção  nas  saídas  dos  produtos  do  industrializador, sem a possibilidade de apropriação de  créditos pelo  adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237).  Créditos  de  filme  “stretch”  adquirido  de  VALFILM  Amazônia  Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/0001­07:  FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Idem nas saídas de produtos da  VALFILM  a  partir  de  maio  de  2010  (isenção  prevista  no  seguinte  dispositivo: RIPI/2010, art. 81, II).  Créditos  de  concentrados  adquiridos  de  AROSUCO Aromas  e  Sucos  Ltda., CNPJ 03.134.910/0001­55:  CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT CONC NAT LIMAO FE1403  KIT CONC NAT S LARANJA BR KIT CONC NAT S TONICA FE 1401  KIT  No  caso  da  AROSUCO  também  foi  informado  que  a  falta  de  destaque  do  imposto  nas  saídas  de  concentrados  (exceto  quanto  aos  concentrados  de  sabor  guaraná)  se  deveu  à  isenção  prevista  (RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação  de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237).  Créditos  de  concentrados  adquiridos  de  PEPSI­COLA  Industrial  da  Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/0001­60:  KIT PEPSI COLA 350050602 PEPSICO KIT PEPSI COLA TWIST KIT  PEPSI COLA LIGH KIT H2OH LIMAO KIT PTWZERO;  Os  concentrados  (kits)  foram  produzidos  pela  PEPSI­COLA  com  a  utilização de  insumo  (corante caramelo) produzido, por  sua vez, pela  empresa D. D. WILLIAMSON do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/0001­ 25,  localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante  caramelo  foi  utilizado,  até  junho  de  2011,  açúcar  de  cana  fornecido  pela  Usina  Itamarati  S/A,  CNPJ  15.009.178/0001­70,  situada  no  Estado  do  Mato  Grosso,  que  não  compõe  a  chamada  Amazônia  Ocidental,  abrangida  pelos  Estados  do  Amazonas,  Acre,  Rondônia  e  Roraima, nos termos do Decreto­lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967,  art. 4º.  Em  procedimento  de  diligência  encetado,  a  D.  D.  WILLIAMSON  informou  que,  a  partir  de  14/06/2011,  passara  a  fornecer  o  corante  caramelo à PEPSI­COLA com, na respectiva composição (misturados),  açúcar proveniente da Usina Itamarati S/A e açúcar mascavo oriundo  Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.968            4 da  Cooperativa  Agroextrativista  da  Vila  União,  CNPJ  10.778.894/0001­07, situada em Eirunepe, Amazonas.  Em resposta a intimação, a PEPSI­COLA declarou que era habilitada  pela  SUFRAMA  a  produzir  concentrado,  base  e  edulcorante  para  bebidas  não  alcoólicas  com  ambos  os  incentivos:  Zona  Franca  de  Manaus (RIPI/2010, art. 81, II) e Amazônia Ocidental (RIPI/2010, art.  95, III).  O  corante  caramelo,  utilizado  na  produção  de  kits  (concentrados  de  refrigerante)  pela  PEPSI­COLA,  é  industrializado  pela  D.  D.  WILLIAMSON com açúcar fabricado em Mato Grosso a partir de cana  de  açúcar  lá  cultivada  e  não  se  caracteriza  como  matéria  prima  agrícola  e,  por  conseguinte,  os  concentrados de  refrigerante não  são  produtos  elaborados  com  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais de produção regional.  Por isso, não há direito ao crédito pelas aquisições de concentrados de  refrigerante  fornecidos  pela  PEPSI­COLA  de  janeiro  a  dezembro  de  2012.  Alcance do conceito de matéria prima agrícola de produção regional  do art. 6º do Decreto­lei nº 1.435, de 1975 No caso da produção dos  concentrados  de  refrigerante  fornecidos  pela  PEPSI­COLA,  empregados  no  processo  industrial  da  unidade  da  AMBEV  em  Almirante Tamandaré, PR, o corante caramelo é um insumo do insumo  que, no fim das contas, não é uma matéria prima agrícola, ainda que  seja um insumo de produção regional.  O corante caramelo é resultante de um processo industrial a partir de  açúcar  cristal  e  açúcar  mascavo,  de  certa  complexidade,  com  a  aplicação de diversos compostos químicos e que abrange duas etapas,  conforme consta do relatório fiscal:  “a)  Processo  de  hidrólise:  ocorre  através  da  inversão  da  sacarose,  sendo  utilizados  como  matérias­primas  o  açúcar  cristal,  água  e  catalisador  ácido.  Esse  processo  quebra  a  molécula  da  sacarose,  gerando  outros  tipos  de  açúcares.  O  produto  resultante  é  o  açúcar  hidrolisado, que é uma mistura de sacarose, glicose e frutose.  b) Processo de manufatura do corante caramelo: ocorre em reatores,  através do processo de caramelização, utilizando o açúcar hidrolisado  da etapa anterior, acrescido de água, sal de amônio e solução alcalina.  Durante  todo  esse  processo  existe  o  acompanhamento  de  técnicos  de  laboratório,  coletando  e  analisando  todos  os  parâmetros  de  qualidade”.  A  cana  de  açúcar  é  a  matéria  prima  agrícola  por  excelência  na  produção dos açúcares, mas não é a matéria prima agrícola e extrativa  vegetal na produção dos concentrados.  A autuada efetuou a apropriação de créditos fictos nas aquisições dos  “kits”  para  refrigerantes  sem  a  indispensável  utilização  de  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais.  Nem  a  aquisição  de  corante  caramelo  daria  azo  ao  aproveitamento  de  créditos,  pois  os  açúcares  Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.969            5 cristal e mascavo são, também, produtos intermediários e não matérias  primas agrícolas e extrativas vegetais.  Na  justificativa  do  projeto  do Decreto­lei  nº  1.435, de  1975,  o  termo  “matérias primas agrícolas” exclui da definição  insumos oriundos da  agroindústria.  Em  uma  primeira  industrialização,  pode­se  falar  na  utilização  de  matéria  prima  extrativa  vegetal  de  produção  regional.  Contudo,  na  etapa  posterior  (segunda  industrialização),  trata­se  do  emprego  de  produto intermediário.  À  luz  do  art.  4º  do RIPI/2010,  após  um  processo  de  industrialização  (transformação,  beneficiamento,  montagem,  acondicionamento  ou  reacondicionamento,  renovação ou  recondicionamento),  o  artefato  de  natureza  agrícola  resultante  não  pode  mais  ser  considerado  como  matéria prima agrícola in natura: é produto intermediário.  A isenção prevista no diploma legal é objetiva (em razão do produto) e  não  subjetiva  (em  razão  do  beneficiário);  assim,  é  imprescindível  a  comprovação da  legitimidade da  isenção para cada produto,  sendo a  aprovação  de  projeto  pela  SUFRAMA  (órgão  com  competência  exclusiva para a aprovação de projetos) apenas um dos requisitos para  a efetiva fruição do benefício fiscal.  Os créditos incentivados apropriados pelo sujeito passivo são, destarte,  indevidos,  pois  se  referem  a  aquisições  de  kits  para  refrigerantes  da  PEPSI­COLA, assim como os créditos referentes às aquisições de kits  da  AROSUCO  (exceto  aqueles  de  guaraná)  com  base  na  isenção  do  art. 81, II, do RIPI/2010. Esses créditos fictos devem ser glosados.  Erro  de  classificação  fiscal  e  a  alíquota  zero  dos  “concentrados  de  refrigerantes”  Para  o  aproveitamento  de  créditos  fictos  relativos  a  insumos  adquiridos  com  a  isenção  do  art.  95,  III,  do  RIPI/2010,  os  créditos devem ser calculados como se o imposto fosse devido, ou seja,  os  insumos  devem  sofrer  a  incidência  do  imposto,  com  alíquota  diferente de zero.  É o texto do Decreto­lei nº 1.435, 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º,  matriz legal para o crédito incentivado do RIPI/2010, art. 237:  § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito  do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido  fosse,  sempre  que  empregados  como  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais  de  embalagem,  na  industrialização,  em  qualquer  ponto  do  território  nacional,  de  produtos  efetivamente  sujeitos ao pagamento do referido imposto.(g.m.)  O  subitem  2106.90.10  da  TIPI,  correspondente  a  “preparações  dos  tipos utilizados para elaboração de bebidas”, tem a alíquota de 0%.  Todavia, constam nas notas  fiscais de aquisição dos concentrados ou  “kits” oriundos da PEPSI­COLA (isenções dos arts. 81, II, e 95, III, do  RIPI/2010,  quanto  aos  kits  para  fabricação  de  refrigerante)  e  da  AROSUCO (isenção do art. 81, II, do RIPI/2010, no tocante aos kits de  sabores diferentes de guaraná; isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, no  Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.970            6 caso dos kits de sabor guaraná) o código de classificação fiscal NCM  2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27% (alterada para 20% a partir de  31/05/2012  pelo  Decreto  nº  7.742,  de  2012)  e  o  seguinte  texto:  "Preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados  ou  sabores  concentrados),  para  elaboração de  bebida  da  posição  22.02,  com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada  parte do concentrado".  Todos os sobreditos códigos de classificação fiscal vigentes à época da  ocorrência dos fatos geradores.  Há erro de classificação  fiscal cometido pelas empresas fornecedoras  PEPSI­COLA  (fornece  insumos  para  a  fabricação  das  bebidas  refrigerantes  Pepsi  e  H2OH)  e  AROSUCO  (fornece  insumos  para  a  fabricação das bebidas  refrigerantes  sabor guaraná,  limão,  laranja  e  água tônica), à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de  Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias  (NESH),  das  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  (RGI/SH)  e  das  Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM).  Ora, no próprio  texto do código de classificação  fiscal adotado pelas  empresas  fornecedoras  em  questão  há  a  alusão  a  “preparações  compostas”, ao passo que nas notas fiscais os insumos em questão são  referidos como “concentrados” e identificados como itens únicos.  Nas  notas  fiscais  emitidas  pela  AROSUCO,  os  concentrados  são  discriminados  como  “kits”,  conforme  a  nota  fiscal  nº  1.206  (reprodução parcial à fl. 848).  Em nota fiscal emitida pela PEPSI­COLA (documento auxiliar de nota  fiscal  eletrônica  –  DANFE,  com  reprodução  à  fl.  849),  há  a  discriminação  das  várias  partes  integrantes  do  “concentrado  de  refrigerante”,  sendo  as  seguintes  as  considerações  do  termo  de  descrição dos fatos e de encerramento da ação fiscal:  “Observa­se  que  kits  sabor  Pepsi­Cola,  em  verdade,  seriam  duas  mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35005*06 1 UN p/ vol Solution,  8, pg III”; "Acid Ingr 35005 *01*01 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” E  que  kits  sabor  Pepsi­Cola  light,  em  verdade,  seriam  quatro  mercadorias,  no  mínimo:  "Aroma  Ingr  35009*60  01A  4UN  p/  vol”;  "Aroma  Ingr  35009*61 1UN p/  vol acid,  organic,  8,  pg  III";  " SAIS:  INGR. 35009*61*05 2 UM P/VOL" ; "Acid Ingr 35009 *80*33A 1 UN  p/ vol Solution, 8, pg III” Ainda que, em algumas notas os kits sejam  discriminados  como  um  item  único,  os  concentrados  ou  "kits",  em  realidade, chegam à AMBEV em partes, não em um único componente.  Mesmo  que  os  fornecedores  Pepsi  e  Arosuco  entendam  que  o  concentrado  é  uma  preparação  composta,  uma mercadoria  única,  já  pronta,  os  produtos  que  a  Pepsi  ou  a  Arosuco  chamam  de  "concentrado" ou "kit" são na realidade conjuntos de matérias­primas  e  produtos  intermediários,  que  saíram  dos  seus  estabelecimentos  embalados  separadamente,  em bombonas,  ou sacos, na  forma  líquida  (Flavours ou aromas) ou sólida (sais).  O  que  ocorre  é  que  o  concentrado  apenas  é  produzido  na  etapa  de  fabricação  dos  refrigerantes,  nas  linhas  de  produção  da  AMBEV,  Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.971            7 quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à  água,  são  adicionados  os  aromas  (Flavours  ou  aromas),  quando,  aí  sim, é obtido o concentrado”.  Por  ocasião  de  visita  à  fábrica  em  diligência  efetuada  em  filial  do  sujeito passivo, foi constatado o seguinte:  “Que o processo produtivo do  estabelecimento pode  ser  resumido da  seguinte forma:  1)  As  matérias­primas,  recebidas  dos  fornecedores  em  embalagens  individuais, são encaminhadas a uma sala de estocagem.  2) Recebem açúcar de determinados fornecedores que não os do  item  1,  não  oriundo  de  Manaus,  com  o  qual  é  elaborado,  por  meio  de  dissolução em água, o xarope simples a quente na xaroparia simples”.  3) A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes, após receber  tratamento, alimenta um equipamento conhecido como “dissolvedor”,  onde é produzido o xarope simples por meio do aquecimento do açúcar  e sua diluição em água.  4) Que, na linha de produção, na área da Xaroparia Simples, produz­ se  o  Xarope  Simples,  por  meio  do  aquecimento  do  açúcar  cristal  e  refinado,  insumo  não  proveniente  da  região  da  Amazônia,  e  da  sua  diluição em água.  5)  E  que  os  Kits  denominados  Parte  B  fornecidos  pela  Arosuco  são  sólidos  transportados  em  caixas,  os  quais  conteriam  os  sais:  conservantes e acidulantes.  6)  Que  os  Kits  denominados  Parte  A  fornecidos  pela  Arosuco  são  transportados  em  bombonas,  sendo  líquidos  que  formariam  os  Flavours,  extrato  natural  do  sabor  do  refrigerante  (Sukita  Uva  e  outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo.  7) Que o kit  sólido,  transportado em caixas, é dissolvido a quente no  tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido  a  frio  e  enviado,  após  o  kit  sólido,  ao  tanque  de  xarope,  quando  são  dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de  5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra  linha, a  produção  da  Pepsi  necessita  de  um  tempo  de maturação  de  12  a  24  horas.  8) Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte  exige diluição prévia para serem agregados, e  também porque os kits  da  Arosuco  em  caixas,  parte  sólida,  demandam  diluição  a  quente  (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem  misturados ao Xarope Simples, enquanto, a parte do flavour (kit A da  Arosuco  e  Kit  Pepsi­Cola  no  da  Pepsi  Amazonia)  não  pode  ser  aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura  elevada.  A  parte  do Acidulante, Kit  B,  deve  aguardar  alcançar  25ºC  para  poder  ser  agregado,  bem  como  nos  demais  refrigerantes  produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco.  9) Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz­se o  refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada.  Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.972            8 10) Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente,  e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em  conjunto, pois o kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples.  11) Que 1(um) Kit A  (5  litros) + 1  (um) Kit B  (30  kg)  rendem 1.703  litros  de  Xarope  Composto,  que  é  diluído  novamente  no  envase  rendendo 22.000 litros em água carbonatada.  12)  Que  o  Xarope  Composto  também  vai  em  bag  in  box  em  outras  filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes.  13) Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que  uma  parte  (Kit  A  ou Kit B)  não  é  suficiente  para  produzir  o  Xarope  Composto5; muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte  em água carbonatada.  14) Que para o  refrigerante da Pepsi­Cola,  o Kit  denominado Pepsi­ Cola  é  composto  de  Extrato  de  noz  de  cola,  corante  caramelo  e  Flavours;  o Kit  denominado Acidulante  contém  como  conservantes  o  Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes  são líquidos transportados (acondicionados) em bombonas separadas.  15)  Que,  na  sala  de  estoque  de  Insumos  para  a  área  da  Xaroparia  Composta, constatou­se que:  a)  o  Kit  Pepsi  Acidulante  –  Solução  de  Ácido  Fosfórico,  código  35005*01*01 – líquido;  b) e o Kit Pepsi­Cola código 35005*06, também líquido;  16) São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a  produção  do  refrigerante  Pepsi­  Cola,  os  quais  não  podem  ser  transportados  em  conjunto,  só  podendo  ser  misturados  na  hora  da  preparação do Xarope Composto.  17) E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico:   a)  que,  na  preparação  do  Xarope  Composto,  primeiramente,  o  Kit  Pepsi­Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da  Xaroparia  Composta,  e  posteriormente,  é  agregado  ao  tanque  o  Kit  Pepsi Acidulante.  b)  e  que,  a  mistura  denominada  de  Xarope Composto  permanece  no  tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto.  c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi­Cola ao serem  dissolvidos rendem 1703 litros de Xarope Composto.  d) que, após a maturação, o Xarope Composto é  transportado para a  área  de  envase,  quando  então  inicia­se  a  etapa  de  dissolução  da  mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi­  Cola, quando 1.703 (mil setecentos e  três) litros de Xarope Composto  produzido  na  filial  de  Curitiba  produz  10.000  (dez  mil)  litros  de  refrigerante Pepsi­Cola”.  A  seguir,  transcrição  de  trecho  do  auto  de  infração  que  consta  do  processo administrativo fiscal de n° 10830­725.247/2015­16:  Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.973            9 "Para  melhor  esclarecer  este  assunto,  em  13/03/2015,  01/06/2015  e  15/09/2015 realizamos diligências nas salas de estocagem de matérias­ primas da AMBEV e no  início das  linhas de produção de Gatorade e  Refrigerantes,  em  companhia  do Gerente  de  fábrica  Fábio  Henrique  Cardoso de Souza.  225) A pessoa citada acima esclareceu que:  a) Quanto ao processo produtivo básico de refrigerantes e Gatorade i)  Recebimento  de  matérias­primas  ­  As  matérias­primas,  basicamente  aromas e sais, são recebidos dos fornecedores, e então encaminhados a  uma sala de estocagem, antes do preparo propriamente dito.  ii)  Tratamento  da  água  ­  A  água  utilizada  para  a  fabricação  dos  refrigerantes é "declorada", após tratamento.  iii) Adição dos  sais  ­ Essa água declorada alimenta um equipamento  (tanque  de  solução),  conhecido  como  "dissolvedor",  onde  lhe  são  adicionados os sais industrializados;  iv) Adição de Aromas ­ A solução resultante é então encaminhada aos  tanques onde serão adicionados os aromas (flavours), de acordo com a  formulação do refrigerante a ser fabricado v) Enchimento ­ A mistura é  então dirigida às linhas de enchimento, onde é feita uma diluição. No  caso  dos  refrigerantes  é  adicionado  o  gás,  e  finalmente  segue  para  envase.  b) Quanto ao recebimento das matérias­primas i) Os aromas chegam à  AMBEV  acondicionados  em  bombonas  e  os  sais  acondicionados  em  sacos,  conjunto  esse  convencionalmente  chamado  de  "kit"  para  fabricação de refrigerante.  Os Aromas, chamados de flavours, são os componentes que contêm os  aromas  das  bebidas  a  serem  fabricadas,  p.ex.  laranja,  tangerina,  limão, guaraná. Vêm embalados em bombonas, e se apresentam na fase  líquida.  iii) Os sais vêm embalados em sacos, na fase sólida, e são basicamente  acidulantes e conservantes.  iv)  No  caso  dos  refrigerantes,  os  sais  são  ácido  cítrico,  sorbato  e  benzoato.   v) Tais componentes do kit não podem ser misturados já no fornecedor  e transportados lá na forma do concentrado pronto, porque as misturas  para  cada  produto  tem  dosagens  e  sequências  diferentes,  e  se  o  concentrado já viesse pronto, o volume do produto seria maior.  vi) Os kits, quando são recebidos do fornecedor, não apresentam ainda  as  características  essenciais  do  concentrado  pronto.  Para  que  isso  aconteça  é  necessário  que  eles  sejam  misturados  apenas  durante  o  processo de preparo das bebidas, na AMBEV.  226)  Fomos  então  às  salas  de  estocagem  de  matérias­primas  e  registramos  fotos  de  kits  básicos  para  elaboração  de  Gatorade,  Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada”.(g.m.)  Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.974            10 Reproduções fotográficas de kits básicos para elaboração de Gatorade,  Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada às fls. 853/864.  As fotografias apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 006  demonstram igualmente que:  “Quanto ao chamado concentrado “Pepsi zero”, são na verdade cinco  mercadorias distintas:  1) Kit Pepsi zero sais: embalagem contendo composto de edulcorante  INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385.  2) Kit Pepsi zero flavour: embalagem contendo aromatizante.  3) Kit Pepsi zero acidulante: conforme embalagem, seria composto de  acidificante INS 330 e 338.  4) Kit Pepsi zero natural flavour.  5) Kit Pepsi zero Max flavour: embalagem contento aromatizante IV.  E,  quanto  ao  chamado  concentrado  “Pepsi  twist”,  seriam  as  três  mercadorias distintas:  1) Kit Pepsi twist (limão): kit 92318*01.  2) Kit Pepsi twist (cola flavour): kit 35005*14.  3)  Kit  Pepsi  twist  sais:  composto  de  conservante  INS  211  e  estabilizante INS 331.  Já  o  chamado  concentrado  “Água  tônica”,  seriam  as  duas  mercadorias distintas:  1) Kit A: composto de aroma natural.  2) Kit B: formado de dois acidulantes e dois conservantes.  E, por fim, o chamado concentrado “Guaraná Antarctica zero”, seriam  as duas mercadorias distintas:  1)  Kit  A:  FE  1431Z  (aroma  natural,  corante  de  caramelo,  extrato  vegetal de guaraná).  2)  Kit  B:  acidulante  INS  334,  conservante  INS  211  e  dois  edulcorantes”.  O  fluxograma  da  elaboração  de  refrigerantes  ou  Gatorade  é  reproduzido  à  fl.  866:  no  Tanque  de  Solução  (Dissolvedor),  há  a  obtenção de xarope simples, a partir da mistura de água declorada e  sais; no Tanque para Adição dos Aromas (Flavours), há a obtenção do  xarope final ou concentrado líquido (ponto somente a partir do qual é  obtido o concentrado propriamente dito); o produto final (refrigerante  ou Gatorade) é obtido a partir da mistura de água e gás carbono (para  refrigerante).  “O que  ocorre  é  que  o  concentrado apenas  é  produzido  na etapa  de  fabricação  dos  refrigerantes,  nas  linhas  de  produção  da  AMBEV,  Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.975            11 quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à  água,  são  adicionados  os  aromas  (flavours),  sendo  nesta  ocasião  obtido o concentrado.  E, a despeito dos  fornecedores adotarem o código da NCM Ex 01 do  subitem  2106.90.10,  esse  ex­tarifário  é  próprio  para  preparação  composta, e os concentrados para refrigerante não podem assim serem  classificados, pois algo que não está preparado nem misturado, não se  caracteriza como preparação.  Repise­se:  para  ser  classificada  nos  ex­tarifários  do  código  2106.90.10. da NCM é  indispensável que os  ingredientes que  formam  determinada preparação composta estejam misturados.  E,  quando  da  entrada  no  estabelecimento  da  Ambev,  as  partes  dos  concentrados não estão misturadas, e, portanto, não se constituem na  preparação  composta  a  que  se  refere  a  Nota  Explicativa  da  posição  2106.  Ainda  que  em  manifestação  às  constatações  relatadas  no  Termo  de  Constatação  Fiscal,  os  representantes  da  fiscalizada  afirmem  que  as  Partes  que  comporiam  um  concentrado  ou  kit  são  transportadas  em  conjunto,  a  verdade  é  que,  conforme  relatado  em  ambos  Termos  de  Constatação Fiscal, cada Parte (Parte A ou Parte B da Arosuco, e Kit  Pepsi ou Kit Pepsi Acidulante, da Pepsi) é embalada e acondicionada  separadamente,  tanto  que  a  Parte  A  se  trata  de  um  líquido,  transportado em Bombonas, e a Parte B, um sólido (pó), embalado em  caixas, ainda que possam ser transportadas em um único caminhão por  exemplo, de Manaus a Curitiba.  Segundo  o  dicionário  eletrônico  Houaiss,  o  vocábulo  "preparação"  indica uma ação ­ o ato de preparar, e um resultado ­ o preparado:   "Ato  ou  efeito  de  preparar­se;  preparo,  preparamento,  preparativo  1  operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço  2  elaboração  dos  alimentos  para  transformá­los  nos  diversos  pratos,  iguarias, etc.  3  feitura de um preparado; preparo 4 m.q. PREPARADO ("produto")  (grifo nosso)  Portanto, os  termos "preparações", citados nos Ex 01 e Ex 02 devem  ser entendidos como produtos prontos para uso, cuja origem advém de  um processo de preparo. Para que se caracterize um bem chamado de  preparação,  os  insumos  empregados  devem  sofrer  algum  tipo  de  processamento, de transformação, podendo ser uma simples mistura de  ingredientes  ou  complementada  com  algo  mais  elaborado  como  cozimento, por exemplo.  Não é o caso dos "kits". Conforme constatado em razão da diligência  efetuada, o que certamente ocorria no processo de industrialização de  refrigerantes  no  estabelecimento  da  Ambev  Curitiba,  pois  que  os  produtos elaborados bem como as matérias­primas são idênticos —, os  componentes  dos  chamados  “concentrados”  são  misturados  pelo  adquirente  durante  o  processo  de  elaboração  da  bebida  final,  Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.976            12 procedimento  que  é  executado  seguindo  complexas  edetalhadas  especificações técnicas.  O  que  se  verificou  no  curso  deste  procedimento  fiscal  é  que  cada  componente  do  kit  (Parte),  isoladamente  considerado,  configura  preparação  composta,  não  existindo  qualquer  fundamento  no  entendimento  de  que  um  conjunto  de  preparações  compostas  não  misturadas entre si forma uma preparação composta.  Não  existe  preparação,  seja  ela  simples  ou  composta,  em  que  os  ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais, como  é o caso dos insumos no momento em que dão entrada na Ambev!!!  O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada  componente  (Parte)  se  enquadra  em  um  código  de  classificação  próprio,  podendo  incluir  inclusive  bens  que  não  se  classificam  na  posição 21.06.  Veja­se.  No  mesmo  sentido  dos  dicionários,  a  Nomenclatura  do  Sistema  Harmonizado  emprega  o  vocábulo  "Preparação"  como  uma  mercadoria misturada, pronta para uso pelo seu adquirente.  Quando as matérias misturadas  se classificam no mesmo Capítulo da  NCM,  a  preparação  é  do  tipo  "simples".  A  elas  a  Nomenclatura  se  refere apenas como preparações. Exemplificando:  a) Preparações de carne do Capítulo 16, cuja Nota de Subposição n° 1  diz:  1.­  Na  acepção  da  subposição  1602.10,  consideram­se  "preparações  homogeneizadas"  as  preparações  de  carne,  miudezas  ou  sangue,  finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como  alimentos  para  crianças  ou  para  usos  dietéticos,  em  recipientes  de  conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta  definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes  que  possam  ter  sido  adicionados  à  preparação  para  tempero,  conservação ou outros fins. (...)  b) Preparações do Capítulo 20, cujas Notas de Subposição n° 1 e n° 2  dizem:  1.­  Na  acepção  da  subposição  2005.10,  consideram­se  "produtos  hortícolas  homogeneizados",  as  preparações  de  produtos  hortícolas  finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como  alimentos  para  crianças  ou  para  usos  dietéticos,  em  recipientes  de  conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta  definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes  que  possam  ter  sido  adicionados  à  preparação  para  tempero,  conservação ou outros fins. (..)  2.­  Na  acepção  da  subposição  2007.10,  consideram­se  "preparações  homogeneizadas" as preparações de frutas finamente homogeneizadas,  acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou  para  usos  dietéticos,  em  recipientes  de  conteúdo de peso  líquido  não  superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as  Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.977            13 pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados  à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...)  Visível  é  que  as  preparações  ("simples")  acima  citadas  contém  cada  uma, apenas um tipo de matéria base. Numa são carnes (Capítulo 16),  noutra são produtos hortícolas  (Capítulo 20),  e na última são apenas  frutas (Capítulo 20).  Cada um desses alimentos de base da preparação é classificado num  determinado Capítulo. Nas preparações ("simples") não há mistura de  matérias de base de Capítulos diferentes.  Quando  as  preparações  contêm  matérias  de  base  de  Capítulos  distintos,  a  Nomenclatura  as  distingue  das  preparações  ("simples"),  denominando­as  de  preparações  compostas.  Exemplificando,  no  caso  das preparações alimentícias da posição 21.04, em que há uma mistura  de substâncias de base como carne, peixe, produtos hortícolas e frutas,  a Nota de Subposição n° 3 diz:  "3.­  Na  acepção  da  posição  21.04,  consideram­se  "preparações  alimentícias  compostas  homogeneizadas"  as  preparações  constituídas  por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de  base,  como  carne,  peixe,  produtos  hortícolas,  frutas,  acondicionadas  para  venda  a  retalho  como  alimentos  para  crianças  ou  para  usos  dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso  líquido não superior a  250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas  quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura  para  tempero,  conservação  ou  outros  fins.  Estas  preparações  podem  conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis." (grifo nosso)  Da mesma forma que no exemplo acima, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do  código  2106.90.10  tratam  de  "preparações  compostas"  constituídas  por  uma  mistura  de  diversas  substâncias,  as  quais  por  diluição  deveriam produzir o refrigerante.  Não é o caso dos chamados "kits" ou "concentrados" adquiridos pela  fiscalizada.  Esses são um conjunto de mercadorias, partes que, como já dito, estão  acondicionadas  cada  uma  na  sua  embalagem  individual;  não  estão  misturadas  e  não  estão  prontas  para  uso  pelo  adquirente,  no  caso,  a  fiscalizada.  A mistura dos componentes dos  kits  para  refrigerantes  se  caracteriza  como a operação de transformação definida no artigo 4°,  inciso I, do  RIPI/2010:  Art. 4º­ Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique  a  natureza,  o  funcionamento,  o  acabamento,  a  apresentação  ou  a  finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n°  5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n° 4.502, de 1964, art.  3°, parágrafo único):  I ­ a que, exercida sobre matérias­primas ou produtos intermediários,  importe na obtenção de espécie nova (transformação);  Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.978            14 Nos  termos  do  art.  3°,  do  RIPI  de  2010,  o  kit  para  elaboração  de  refigerantes,  ou  concentrado  é  um  produto  industrializado  resultante  de  uma  operação  de  transformação  intermediária,  pois,  em  etapas  posteriores  do  processo  industrial,  esse  concentrado  ou  preparado  líquido  recebe  tratamento  adicional,  até  transformar­se  em  refrigerante, produto final fabricado pela AMBEV.  Art.  3°  Produto  industrializado  é  o  resultante  de  qualquer  operação  definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta,  parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art.  46, parágrafo único, e Lei n°4.502, de 1964, art. 3°).  Assim, para definição do enquadramento na NCM dos "concentrados",  o  que  deve  ser  analisado  são  as  características  dos  produtos  no  momento da ocorrência do fato gerador, quando cada uma das partes  dos kits apresenta suas próprias características individuais.  As  empresas  do  Grupo  AMBEV  e  seus  fornecedores,  como  a  Pepsi­ Cola, podem realizar suas operações da forma que considerarem mais  conveniente  e  chamar  os  produtos  pelos  nomes  que  julgarem  adequados.  No entanto, o  fato de nomearem diversos produtos como se um único  fosse, isto é, a ficção de que cada componente dos kits não se constitui  isoladamente  em  uma  mercadoria,  não  os  transforma  perante  a  legislação  em  um  único  produto,  já  que  não  encontra  guarida  na  legislação regente da matéria. De acordo com a legislação, cada uma  das partes deve seguir sua classificação própria.  E,  prosseguindo  no  tema  classificação  fiscal,  tem­se,  como  já  mencionado, que os procedimentos, no Brasil, são regulamentados pelo  conjunto  de  normas  do  chamado  Sistema  Harmonizado  (SH),  tabela  internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e  administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual  o Brasil é signatário.  A classificação fiscal de mercadorias deve ser realizada com aplicação  das  Regras  Gerais  Interpretativas  para  o  Sistema  Harmonizado  de  Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI­SH), constantes do  Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil  pelo  Decreto  Legislativo  n°  71,  de  11  de  outubro  de  1988,  e  promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 23 de dezembro de 1988, com  posteriores  alterações  aprovadas  pelo  Secretário  da  Receita  Federal  do Brasil, por  força da competência que  lhe  foi delegada pelo art. 2°  do  Decreto  n°  766,  de  3  de  março  de  1993,  bem  assim  das  Regras  Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul,  constante  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados e da Tarifa Externa Comum (NCM/TIPI/TEC).  Os Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas  (OMA)  e  os  Ditames  do  Mercosul  são,  igualmente,  de  cumprimento  obrigatório  para  a  solução  de  consultas  de  classificação  fiscal  de  mercadorias.  Repise­se: a classificação fiscal de mercadorias deve, do mesmo modo,  seguir  as  orientações  e  esclarecimentos  fornecidos  pelas  Notas  Fl. 1978DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.979            15 Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação  de Mercadorias (NESH), internalizadas no Brasil pelo Decreto n° 435,  de 27 de janeiro de 1992.  A  versão  atual  das NESH  foi  aprovada  pela  Instrução Normativa  da  Receita Federal do Brasil (IN RFB) n° 807, de 11 de janeiro de 2008,  atualizada  pelas  IN  RFB  n°  1.072,  de  30  de  setembro  de  2010  e  n°  1.260, de 20 de março de 2012, por força da delegação de competência  outorgada  pelo  art.  10  da Portaria MF n°  91,  de  24  de  fevereiro  de  1994.  E, as NESH são elemento subsidiário fundamental e indispensável para  interpretação da Nomenclatura do SH e correta classificação fiscal de  uma determinada mercadoria.  Estas normas determinam a metodologia dos procedimentos por meio  das  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  (RGI/SH). Tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de  Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)  têm por  base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por  sua vez, tem sua forma derivada a partir do Sistema Harmonizado.  Como  constatado  em  diligência  realizada  na  unidade  industrial  de  CNPJ  nº  07.526.557/0034­78  os  componentes  dos  "kits"  saem  do  estabelecimento  industrial  embalados  em  bombonas,  caixas  ou  contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido.  As  citadas  mercadorias  vêm  sendo  classificadas  pela  Pepsi  e  pela  Arosuco, bem como pela Ambev e por outros produtores nacionais, no  código 2106.90.10 – Ex 01 da TIPI, fazendo uso do argumento de que  são "sortidos apresentados para venda a retalho".  A Regra Geral 1 assim dispõe:  1.  Os  títulos  das  Seções,  Capítulos  e  Subcapítulos  têm  apenas  valor  indicativo. Para os efeitos  legais, a classificação é determinada pelos  textos  das  posições  e  das Notas  de Seção  e  de Capítulo  e,  desde que  não sejam contrárias aos  textos das  referidas posições e Notas, pelas  Regras seguintes:  Determinada,  portanto,  pela  mencionada  Regra  Geral  é  que  a  classificação de mercadorias deve ser feita pelos textos das posições e  das Notas de Seção e de Capítulo, só se fazendo recurso às demais RGI  quando  não  for  possível  o  enquadramento  por  aplicação  da  RGI­1,  bem como nos casos de produtos com características específicas.  De  outra  feita,  a  RGI­6  aplica  às  subposições  as  mesmas  Regras  utilizadas em nível de posição, enquanto que as RGC são utilizadas no  nível da NCM.  6.  A  classificação  de  mercadorias  nas  subposições  de  uma  mesma  posição  é  determinada,  para  efeitos  legais,  pelos  textos  dessas  subposições  e  das  Notas  de  Subposição  respectivas,  assim  como,  mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo­se que apenas  são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente  Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.980            16 Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo  disposições em contrário.  A análise e aplicação das Regras de classificação e os esclarecimentos  fornecidos pelas NESH irão, desse modo, definir o código correto para  classificação das mercadorias.  À luz da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3b  (RGI  n°  3b)  que,  entende­se  que  atendidas  determinadas  condições,  alguns bens, dentre eles produtos compostos constituídos pela reunião  de  diferentes  materiais,  devem  ser  classificados  em  código  único,  próprio para o artigo que lhes confira a característica essencial:  3.  Quando  pareça  que  a  mercadoria  pode  classificar­se  em  duas  ou  mais  posições  por  aplicação  da  Regra  2  b)  ou  por  qualquer  outra  razão, a classificação deve efetuar­se da forma seguinte:  a)  A  posição  mais  específica  prevalece  sobre  as  mais  genéricas.  Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a  apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado  ou  de  um  artigo  composto,  ou  a  apenas  um  dos  componentes  de  sortidos  acondicionados  para  venda  a  retalho,  tais  posições  devem  considerar­se,  em  relação  a  esses  produtos  ou  artigos,  como  igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição  mais precisa ou completa da mercadoria.  b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes  ou  constituídas  pela  reunião  de  artigos  diferentes  e  as  mercadorias  apresentadas  em  sortidos  acondicionados  para  venda  a  retalho,  cuja  classificação  não  se  possa  efetuar  pela  aplicação  da  Regra  3  a),  classificam­se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica  essencial, quando for possível realizar esta determinação.  Todavia, considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado  de Designação  e  de Codificação  de Mercadorias  (NESH),  aprovadas  pelo  Decreto  nº  435,  de  28  de  janeiro  de  1992,  com  seu  texto  consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de  2008,  alterada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.072,  de  30  de  setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.262, de 2012,  especificamente  o  item XI da Nota Explicativa  da Regra  3  b),  tem­se  que excluídos são, do campo de aplicação da mencionada regra (Regra  3 b) do Sistema Harmonizado), os produtos destinados à fabricação de  bebidas, tais como os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco:  XI)  a  presente  regra  não  se  aplica  às  mercadorias  constituídas  por  diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados  em  conjunto  (mesmo  em  embalagem  comum),  em  proporções  fixas,  para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo.  E, mais, somente nos casos específicos previstos nas Regras 2 a) e 3 b)  das Notas Explicativas  do  Sistema Harmonizado de Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias  (NESH),  existiria  a  possibilidade  de  classificação  de  componentes  de  kits  ou  sortidos  como  se  formassem  uma mercadoria única.  Fl. 1980DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.981            17 Assim, o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b) elimina qualquer  possibilidade  de  que  esta  Regra  do  Sistema  Harmonizado  possa  ser  aplicada  no  caso  sob  análise,  prevendo  expressamente  que  os  conjuntos  para  a  fabricação  industrial  de  bebidas  não  podem  ser  classificados de acordo com a Regra 3 b).  Do exposto até então, já afastada a possibilidade de serem entendidos  o  conjunto  de  mercadorias  denominadas  pela  fiscalizada  de  “concentrado de refrigerante” como um produto único.  O cerne da questão resume­se, desse modo, em definir  se os diversos  componentes  dos  “Concentrados  de  refrigerantes”,  atendem  à  definição  de  “sortidos  apresentados  para  venda  a  retalho”  sendo  classificados num código único.  A  respeito  das  mercadorias  constituídas  pela  reunião  de  artigos  diferentes,  bem  como  dos  produtos  “apresentados  em  sortidos  acondicionados para venda a retalho”, as NESH esclarecem, item X da  Regra 3 b):  X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham,  simultaneamente,  as  condições  a  seguir  indicadas  devem  ser  consideradas  como  “apresentadas  em  sortidos  acondicionados  para  venda a retalho”:  a)  serem  compostas,  pelo  menos,  de  dois  artigos  diferentes  que,  à  primeira  vista,  seriam  suscetíveis  de  se  incluírem  em  posições  diferentes.  Não  seriam,  portanto,  considerados  sortido,  no  sentido  desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo.  b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto  para a  satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma  atividade determinada;  c)  serem  acondicionadas  de  maneira  a  poderem  ser  vendidas  diretamente aos  consumidores  sem novo acondicionamento  (em  latas,  caixas, panóplias, por exemplo).  Embora  seja  constituído  de  elementos  classificados  em  posições  distintas da nomenclatura, e de seus elementos servirem à satisfação de  uma  atividade  específica  e  bem  determinada  (a  produção  de  determinada  bebida  refrigerante),  o  “kit”  objeto  desta  consulta  não  atende  ao  requisito  previsto  no  item  “c”  da  Nota  Explicativa  acima  reproduzida, pois que não há que se falar em sortidos acondicionados  para venda a retalho.  Ora,  a  venda  a  retalho,  também  chamada  de  varejo,  caracteriza­se  pela  venda  de  produtos  em  pequenos  volumes,  diretamente  ao  consumidor  final.  O  produto  em  apreço,  entretanto,  trata­se  nitidamente de um produto intermediário, o qual servirá de insumo em  uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado.  A  dosagem  dos  componentes  também  demonstra  claramente  que  se  trata  de  um  artigo  destinado  à  aplicação  industrial,  incompatível,  portanto, com o conceito de venda a varejo.  Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.982            18 Afastada  as  hipóteses  de  enquadramento  suscitadas  pela  Regra  3­b,  conclui­se que a classificação  fiscal da mercadoria "Concentrados de  refrigerantes" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do  "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles.  Em função de exclusões previstas nas NESH, igualmente é inaplicável  a Regra 2 a) do Sistema Harmonizado aos produtos do capítulo 21 da  TIPI.  2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange  esse artigo mesmo  incompleto ou  inacabado, desde que apresente, no  estado  em  que  se  encontra,  as  características  essenciais  do  artigo  completo ou acabado.  Abrange  igualmente  o  artigo  completo  ou  acabado,  ou  como  tal  considerado  nos  termos  das  disposições  precedentes,  mesmo  que  se  apresente desmontado ou por montar.  O  item  III da Nota Explicativa da Regra 2 a),  transcrito a  seguir, ao  tratar  dos  artigos  incompletos  ou  inacabados,  prevê  que  a  primeira  parte da RGI 2 a) não se aplica, normalmente, aos produtos das Seções  I a VI. Tal exclusão abrange os produtos do capítulo 21 da TIPI, que  fazem parte da Seção IV da Nomenclatura.  III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente  parte  da  Regra  não  se  aplica,  normalmente,  aos  produtos  dessas  Seções.  Ademais,  por  produto  incompleto  ou  inacabado,  entende­se  como  aquele  em  que  o  processo  de  fabricação  foi  interrompido  em  determinado  ponto  por  alguma  necessidade  ou  conveniência  de  embalagem,  manipulação,  ou  de  transporte.  Tais  produtos  devem  apresentar  as  características  essenciais  do  artigo  completo  ou  acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se  tornarem  o  produto  completo  ou  acabado  cujas  características  eles  apresentam.  De qualquer maneira, os kits adquiridos pela AMBEV não apresentam,  no estado em que são recebidos, as características essenciais do artigo  completo ou acabado.  Exemplos são os Kits B do Guaraná Antárctica (FE 1430 ­ Sais), e os  Kits B da Soda Limonada Antárctica  (FE 1403  ­ Sais),  compostos de  Acidulante  e  Conservantes,  que  não  apresentam  as  características  essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado.  Quanto  à  segunda  parte  da  Regra  2  a),  que  trata  de  um  artigo  apresentado desmontado ou por montar, o item VII da Nota Explicativa  da Regra 2 a),  a  seguir  transcrito,  deixa  claro que os  kits  fornecidos  pela Pepsi  ou Arosuco não  se  enquadram como artigos apresentados  desmontados ou por montar: Notas Explicativas – Regra 2 a)  VII)  Deve  considerar­se  como  artigo  apresentado  no  estado  desmontado  ou  por  montar,  para  a  aplicação  da  presente  Regra,  o  artigo cujos diferentes elementos destinam­se a ser montados, quer por  meios  de  parafusos,  cavilhas,  porcas,  etc.,  quer  por  rebitagem  ou  Fl. 1982DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.983            19 soldagem,  por  exemplo,  desde  que  se  trate  de  simples  operações  de  montagem.  Observe­se que o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua  parte  final  que  "Os  produtos misturados  que  constituam  preparações  mencionadas  como  tais,  numa  Nota  de  Seção  ou  de Capítulo  ou  nos  dizeres de uma posição, devem classificar­se por aplicação da Regra  1". Tal texto refere­se a produtos misturados, que não é o caso dos kits  para refrigerantes.  Assim, o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) só vem a corroborar  o  entendimento  já  esposado  de  que  os  concentrados  não  podem  ser  classificados como um produto único mediante aplicação da Regra 1.  Para  definição  da  classificação  fiscal  dos  kits  ou  chamados  “concentrados”  de  refrigerantes,  inclusive  os  de  sabor  guaraná,  o  procedimento  correto  é  analisar  individualmente  cada  embalagem,  onde estão acondicionados produtos misturados, utilizando­se a Regra  1 para classificar o componente analisado, de acordo com o conteúdo  da embalagem.  Colaciona­se  documentação  referente  à  análise  efetuada  pelo  CCA  (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a  classificação  fiscal  de  bases  de  bebidas  constituídas  por  diferentes  componentes  importados  em  conjunto  em  proporções  fixas  em  uma  remessa, e que elimina qualquer possibilidade de discussão sobre o que  pretende o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b).  A  análise  foi  realizada  em  função  de  consulta  sobre  a  classificação  fiscal de bens com características  idênticas à dos  insumos adquiridos  pela AMBEV,  um deles,  inclusive,  referente  a Concentrado de Pepsi­ Cola. Ao final da análise, decidiu­se incluir nas Notas Explicativas do  Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias  (NESH), o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b).  O  idioma original  da  documentação  em questão  é  o  inglês. Por  isto,  junto  com  a  análise  efetuada  pelo  CCA,  está  a  sua  tradução  juramentada.  A  tradução  juramentada  encontra­se  nos  autos  do  presente  processo  administrativo fiscal.  A  seguir  estão  transcritos  trechos  retirados da  tradução  juramentada  em questão:  O  Secretariado  recebeu  cartas  de  três  administrações  em  busca  de  aconselhamento  sobre  a  classificação  no  CCCN  da  Base  de  Preparação  da  Bebida  Fanta  Frutada,  Concentrado  de  Mirinda  Laranja  e  Concentrado  de  Pepsi­Cola.  As  cópias  destas  três  cartas  encontram­se  como  anexo  a  este  documento  assim  denominados  Anexos I a III deste documento.  Em uma das cartas, foi levantada uma questão em relação a se a base  da bebida deveria ser classificada numa única posição pela aplicação  da  Regra  de  Interpretação  3  (b)  ou  os  componentes  individuais  deveriam ser classificados em separado.  Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.984            20 (...)  Em  suas  sessões  de  outubro  de  1985  (na  55a.  Sessão  do  Comitê  de  Nomenclatura  e  55a.  Sessão  do  Comitê  do  Sistema  Harmonizado  Interino), os Comitês examinaram a classificação das bases de bebidas  constituídas por diferentes componentes importados conjuntamente em  proporções fixas em uma remessa.  Os  Comitês  concordaram  com  que  os  componentes  individuais  deveriam ser classificados separadamente.  Os  Comitês  também  concordaram  em  incorporar  o  conteúdo  da  decisão  na Nota  Explicativa  da  Regra  Interpretativa  3  (b),  como  um  exemplo da não aplicação desta Regra (...)  Regra Interpretativa Geral 3 (b) . Novo Item (XI).  Após Item ( X ), insira o seguinte novo Item ( XI) :  "  (XI)  A  presente  Regra  não  se  aplica  a  produtos  constituídos  por  diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados  em  conjunto,  mesmo  estando  em  embalagem  comum,  em  proporções  fixas,  para  a  fabricação  industrial  de  bebidas,  por  exemplo.  "  (grifo  nosso)  Evidente  é,  da  decisão  do  CCA  que  deu  origem  ao  item  XI  da  Nota  Explicativa da Regra 3 b), que essa Regra 3b) não se aplica a insumos  para fabricação industrial de bebidas que sejam produtos constituídos  por  diferentes  componentes  acondicionados  separadamente  e  apresentados em conjunto, como é o caso das denominadas Partes dos  concentrados ou kits utilizados pela Ambev.  Um dos fundamentos para a decisão do CCA de que a Regra 3 b), das  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de  Codificação  de Mercadorias  (NESH),  não  pode  ser  aplicada  a  bases  para refrigerantes foi a ausência na Seção IV da Nomenclatura de uma  Nota semelhante à Nota 3 da Seção VI e à Nota da Seção VII.  A  Nota  3  da  Seção  VI  e  a  Nota  da  Seção  VII  dizem  respeito  à  classificação dos  produtos  que  se  apresentam  em  sortidos  compostos  de  diversos  elementos  constitutivos  distintos.  Todavia,  estas  Notas  apenas visam os sortidos cujos elementos constitutivos se reconheçam  como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI  ou VII. Não há nas NESH a previsão de que possa ser aplicada a Regra  3  do  Sistema  Harmonizado  quando  os  sortidos  são  destinados,  após  mistura, a constituir um produto da Seção IV.  Nos textos traduzidos também constam motivos pelos quais a Regra 2  a) das NESH não pode ser aplicada a bases para refrigerantes.  Assim,  mesmo  antes  da  inclusão  do  item  XI  da  Nota  Explicativa  da  Regra 3 b),  já existiam normas nas NESH que mostravam que kits de  produtos  do  capítulo  21  não  poderiam  ser  classificados  como  uma  mercadoria única. Com a incorporação do item XI da Nota Explicativa  da  Regra  3  b),  eliminou­se  qualquer  dúvida  de  que  os  componentes  individuais  das  bases  para  bebidas  devem  ser  classificados  separadamente.  Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.985            21 Inicia­se então, a reclassificação dos componentes dos concentrados de  refrigerantes  em  separado,  de  acordo  com  as  Regras  estabelecidas  para Interpretação do Sistema Harmonizado”.  Classificação fiscal correta das partes dos kits de refrigerante São as  seguintes  as  considerações  acerca  dos  corretos  códigos  de  classificação  fiscal  a  ser  aplicados  aos  componentes  dos  kits  (concentrados para refrigerantes) adquiridos pela contribuinte:  “Da diligência realizada, constatou­se que em relação às mercadorias  que  formariam  o  chamado  “concentrado”  para  refrigerante  PepsiCola:  Que para o refrigerante da Pepsi­Cola, o Kit denominado Pepsi­Cola é  composto de Extrato de noz de  cola,  corante  caramelo e Flavours; o  Kit  denominado  Acidulante  contém  como  conservantes  o  Ácido  Fosfórico,  que  compõe  a  Parte  Pepsi  Acidulante.  Ambas  partes  são  líquidos transportados em bombonas separadas.  Que,  na  sala  de  estoque  de  Insumos  para  a  área  da  Xaroparia  Composta, constatou­se que:  a)  o  Kit  Pepsi  Acidulante  –  Solução  de  Ácido  Fosfórico,  código  35005*01*01 – líquido;  b) e o Kit Pepsi­Cola código 35005*06, também líquido;  São  insumos  fornecidos  pela  Pepsi  Industrial  da  Amazônia  para  a  produção  do  refrigerante  Pepsi­Cola,  os  quais  não  podem  ser  transportados  em  conjunto,  só  podendo  ser  misturados  na  hora  da  preparação do Xarope Composto.  E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico:  a)  que,  na  preparação  do  Xarope  Composto,  primeiramente,  o  Kit  Pepsi­Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da  Xaroparia  Composta,  e  posteriormente,  é  agregado  ao  tanque  o  Kit  Pepsi Acidulante.  b)  e  que,  a  mistura  denominada  de  Xarope Composto  permanece  no  tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto.  c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi­Cola ao serem  dissolvidos  rendem  1703  (mil  setecentos  e  três)  litros  de  Xarope  Composto.  d) que, após a maturação, o Xarope Composto é  transportado para a  área  de  envase,  quando  então  inicia­se  a  etapa  de  dissolução  da  mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi­  Cola,  quando 1703  litros de Xarope Composto produzido na  filial  de  Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi­Cola.  Já  com  relação  às  mercadorias  fornecidas  pela  Arosuco  para  elaboração  do  refrigerante  Guaraná  Antartica,  nomeadas  pelo  fornecedor  de  “concentrado”  para  o  Guaraná  verificou­se,  o  Kit  denominado  kit  A  é  composto  de  Flavours:  Extrato  de  Guaraná,  Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.986            22 Aromatizante, corante caramelo IV; o Kit denominado kit B é composto  de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio.  Kit  A  é  líquido,  transportado  em  bombonas  e  o  Kit  B  é  sólido,  transportado em caixas.  Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o  Kit  A  deve  ser  dissolvido  a  frio.  Não  podem  ser  transportados  em  conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples.  Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros  de  Xarope  Composto,  que  é  diluído  novamente  no  envase  rendendo  22.000 litros em água carbonatada.  Que o Xarope Composto  também vai  em bag  in box  em outras  filiais  para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes.  Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma  parte  (Kit  A  ou  Kit  B)  não  é  suficiente  para  produzir  o  Xarope  Composto(*);  muito  menos,  o  refrigerante,  por  meio  da  diluição  da  parte em água carbonatada.  (*)  Para  uma  melhor  compreensão,  ressalta­se  que  o  corpo  técnico  também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a  partir da diluição do Xarope Composto  em água carbonatada;  e que  essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as  máquinas de refrigerantes.  Quanto aos demais  refrigerantes,  Soda Limonada, Sukita Uva, Sukita  Laranja, e Água tônica, verificou­se que:  Que  a  Arosuco  fornece  insumos  para  a  fabricação  de  refrigerantes  Guaraná Antarctica, Soda Limonada, Soda Limonada diet, Sukita Uva,  Sukita Laranja, Guaraná diet, Água tônica.  Que  os  insumos  utilizados  para  a  fabricação  de  refrigerantes  são  identificados como “kit concentrado para refrigerantes”.  Que  esses  insumos  chegam  ao  estabelecimento  parte  em  bombonas  (kits A da Arosuco), parte em caixas (kits B da Arosuco)   E  que  os  Kits  denominados  Parte  B  fornecidos  pela  Arosuco  são  sólidos  transportados  em  caixas,  os  quais  conteriam  os  sais:  conservantes e acidulantes.  Que  os  Kits  denominados  Parte  A  fornecidos  pela  Arosuco  são  transportados  em  bombonas,  sendo  líquidos  que  formariam  os  Flavours,  extrato  natural  do  sabor  do  refrigerante  (Sukita  Uva  e  outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo.  E para todos os kits:  Que  o  kit  sólido,  transportado  em  caixas,  é  dissolvido  a  quente  no  tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido  a  frio  e  enviado,  após  o  kit  sólido,  ao  tanque  de  xarope,  quando  são  dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de  5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra  linha, a  Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.987            23 produção  da  Pepsi  necessita  de  um  tempo  de maturação  de  12  a  24  horas.  Que  os  kits  não  são  transportados  em  conjunto,  porque  cada  parte  exige diluição prévia para serem agregados, e  também porque os kits  da  Arosuco  em  caixas,  parte  sólida,  demandam  diluição  a  quente  (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem  misturados ao Xarope Simples, enquanto a parte do  flavour  (kit A da  Arosuco  e  Kit  Pepsi­Cola  no  da  Pepsi  Amazonia)  não  pode  ser  aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura  elevada.  A  parte  do Acidulante, Kit  B,  deve  aguardar  alcançar  25ºC  para  poder  ser  agregado,  bem  como  nos  demais  refrigerantes  produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco.  Que  a  partir  do  Xarope  Composto,  na  linha  de  envase,  produz­se  o  refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada.  Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o  Kit  A  deve  ser  dissolvido  a  frio.  Não  podem  ser  transportados  em  conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples.  Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros  de  Xarope  Composto,  que  é  diluído  novamente  no  envase  rendendo  22.000 litros em água carbonatada.  Que o Xarope Composto  também vai  em bag  in box  em outras  filiais  para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes.  Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma  parte  (Kit  A  ou  Kit  B)  não  é  suficiente  para  produzir  o  Xarope  Composto(*);  muito  menos,  o  refrigerante,  por  meio  da  diluição  da  parte em água carbonatada.  (*)Para  uma  melhor  compreensão,  ressalta­se  que  o  corpo  técnico  também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a  partir da diluição do Xarope Composto  em água carbonatada;  e que  essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as  máquinas de refrigerantes.  Quanto às bebidas sem adição de açúcar, tem­se que a Soda Limonada  Zero, constatou­se também que:  Também  se  verificou  os  insumos  enviados  pela  Arosuco  para  a  produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, que são dois kits: Kit A  da Soda Antarctica Diet, líquido transportado em bombona plástica; e  Kit B da Soda Antarctica Diet, sólido transportado em caixa.  Que,  no  caso  da  produção  do  refrigerante  Soda  Antarctica  Diet,  de  acordo com o relato do referido corpo técnico, na área da Xaroparia  Composta:  a)  primeiramente,  o  Kit  B  da  Soda  Antarctica  Diet  é  dissolvido  a  quente  (95ºC) por 20 minutos, em separado no Tanque de Sais, onde  permanece  até  que  alcance  a  temperatura  em  torno  de  25ºC,  sendo  então enviado ao Tanque maior por um sistema de tubulação quando é  diluído  em  água,  já  que  não  é  agregado  ao  refrigerante  diet  açúcar  para a sua mistura é dissolvido no Xarope Simples;  Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.988            24 b)  e,  posteriormente,  o Kit  A  da  Soda Antarctica Diet  é  dissolvido  a  frio, em separado, no Tanque de Sais, sendo então agregado ao Tanque  maior  junto  ao  preparado  originado  do  Kit  B,  quando  também  é  dissolvido  em água, produzindo­se assim o Xarope Composto,  o qual  apresenta o mesmo  fator de diluição mencionado para o  refrigerante  para os insumos da Pepsi­Cola.  c)  que  o  Kit  A  da  Soda  Antarctica  Diet  não  pode  ser  fervido  ou  aquecido,  por  perder  causar  a  perda  das  características  do  produto  refrigerante, sendo que é composto do líquido natural da bebida a ser  fabricada;  d) que o Kit B da Soda Antarctica Diet é composto dos sais, como os  acidulantes e conservantes.  Que, ainda, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área  de Envase, o Xarope Composto, produzido a partir do Kit A da Soda  Antarctica  Diet  e  do  Kit  B  da  Soda  Antarctica  Diet  em  conjunto,  é  transportado  para  área  do  Envase,  para  sua  dissolução  em  água  carbonatada.  E por fim, com relação a todos insumos, sejam fornecidos pela Pepsi,  sejam fornecidos por Arosuco:  Por fim, relata­se que foi  informado pelo corpo técnico que, a um, as  partes dos kits são transportadas em embalagens individuais, porém na  mesma remessa, e, a dois, que não seria possível produzir, a partir de  cada “Kit”  (parte  do  nomeado “kit”  de  refrigerante pelo  fornecedor  em  suas  notas  fiscais),  o  refrigerante,  porque,  se  apenas  uma  das  partes fosse diluída em água carbonatada, a preparação resultante não  teria as mesmas características de identidade presentes no refrigerante  elaborado a  partir  do  kit  completo. O aroma,  o  sabor  e  a  coloração  (elementos das características sensoriais), bem como as características  físico­químicas não seriam iguais.  Prosseguindo­se na análise da classificação fiscal mais acertada para  as  partes  dos  kits  de  refrigerante,  incia­se  pelo  chamado  Kit  Pepsi­ Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da  Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero, e pelos chamados Kits A das bebidas  fornecidos  pela  Arosuco  bem  como  do  Kit  que  contém  o  líquido  natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão.  Tem­se,  do  material  colhido  e  informações  angariadas  no  curso  da  ação fiscal (fotos, diligência e outros), em resumo que:  ­ Kit Pepsi­Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código  35005*14,  Kit  Pepsi  Zero  flavour,  Kit  Pepsi  Zero max  flavour  e  Kit  Pepsi  Zero  natural  flavour,  e  Kits  Pepsi  Twist  Zero  que  contenha  flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros  aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à  preparação dos refrigerantes PepsiCola;  ­ kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que  contém  extrato  vegetal  de  guaraná,  misturado  com  outros  aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica  e Guaraná Antartica Diet);  Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.989            25 ­ kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e  Kits  fornecidos  pela Pepsi:  são  os  kits  que  contém o  líquido  natural,  suco,  extrato,  além  de  aromatizante,  estabilizantes  e  corante  dos  denominados:  ­  Para  o  refrigerante  Soda  Limonada  Antarctica  Zero,  o  Kit  A  dos  concentrados natural limão diet fe1403 z kit ;  ­  Para  o  refrigerante  Soda  Limonada  Antarctica,  o  Kit  A  dos  concentrados natural limão fe1403 kit;  ­  Para  a  bebida  Água  Tônica  Antarctica,  o  Kit  A  dos  concentrados  natural s tônica fe1401 kit;  ­ Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural  laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit;  ­ Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão;  ­ Para o  refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural  Sukita  Uva  FE1456–  destinados  à  preparação  dos  refrigerantes  SUKITA;  ­ Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero  (limão), e o  Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão.  Importante observar o disposto na RGI 3 a) do SH, que assim versa:  3.  Quando  pareça  que  a  mercadoria  pode  classificar­se  em  duas  ou  mais  posições  por  aplicação  da  Regra  2  b)  ou  por  qualquer  outra  razão, a classificação deve efetuar­se da forma seguinte:  a)  A  posição  mais  específica  prevalece  sobre  as  mais  genéricas.  Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a  apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado  ou  de  um  artigo  composto,  ou  a  apenas  um  dos  componentes  de  sortidos  acondicionados  para  venda  a  retalho,  tais  posições  devem  considerar­se,  em  relação  a  esses  produtos  ou  artigos,  como  igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição  mais precisa ou completa da mercadoria.  Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que  contenha extrato que é ingrediente fundamental no aroma ou no sabor  da  bebida,  além  de  outras  substâncias,  classifica­se  no  escopo  da  posição  21.06,  a  qual  trata  das  "Preparações  alimentícias  não  especificadas  nem  compreendidas  noutras  posições",  conforme  esclarecem as Notas Explicativas dessa posição:  “Classificam­se especialmente aqui:  [...]As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de  substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas  bebidas  não  alcoólicas  ou  alcoólicas.  Estas  preparações  podem  ser  obtidas  adicionando  aos  extratos  vegetais  da  posição  13.02  diversas  substâncias,  tais  como  ácido  láctico,  ácido  tartárico,  ácido  cítrico,  ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de  frutas,  etc.  Estas  preparações  contêm  a  totalidade  ou  parte  dos  Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.990            26 ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida.  Em  conseqüência,  a  bebida  em  questão  pode,  geralmente,  ser  obtida  pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou  sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns  destes  produtos  são  preparados  especialmente  para  consumo  doméstico;  são  também  freqüentemente  utilizados  na  indústria  para  evitar os  transportes desnecessários de grandes quantidades de água,  de  álcool,  etc.  Tal  como  se  apresentam,  estas  preparações  não  de  destinam  a  ser  consumidas  como  bebidas,  o  que  as  distingue  das  bebidas do Capítulo 22.  Verifica­se da estrutura da posição 21.06, que a mesma se desdobra em  apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos  "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", que  por certo não se trata dos produtos em comento.  Assim, uma preparação que contenha extrato de noz de cola e outros  aromatizantes/saborizantes  deve  ser  enquadrada  na  subposição  2106.90, destinada a "outras" preparações.  Já a subposição 2106.90 só se desdobra em um único item 2106.90.10  da  NCM  :"Preparações  dos  tipos  utilizados  para  elaboração  de  bebidas", que é a correta.  Por  fim,  verifica­se  que  no  código  NCM  2106.90.10  há  dois  Ex­ tarifários (exceções tarifárias): o Ex 01 e o Ex 02, a seguir transcritos:  "Ex  01  ­  Preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da  posição  22.02,  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  parte  do  concentrado  Ex  02  ­  Preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados  ou  sabores  concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22,  com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte  do concentrado" (grifos nossos)  Os  textos  dos  Ex  01  e  Ex  02  do  código  2106.90.10  tratam  de  “preparações  compostas”  constituídas  por  uma  mistura  de  diversas  substâncias,  as  quais  por  diluição  deveriam  produzir  o  refrigerante.  Exaustivamente  exposto  já  foi  que,  não  se  trata  do  caso  dos  “concentrados de refrigerante” fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco,  pois  este  é  um  conjunto  de  partes,  mercadorias,  cada  uma  na  sua  embalagem  individual,  as  quais  não  estão  misturadas  e  não  estão  prontas  para  uso,  diferenciando­se  da  definição  de  preparações  compostas.  Como já dissecado neste Relatório, os concentrados para refrigerantes  (conjunto de componentes não misturados, embalados individualmente)  não podem ser chamados de "preparações compostas".  E, volve­se a dizer: os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10  trazem  como  condição  de  enquadramento  que  as  preparações  não  alcoólicas  correspondam  a  "extratos  concentrados"  ou  "sabores  concentrados".  Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.991            27 Não  são  contemplados  no  ex­  tarifário  da  NCM  2106.90.10  “concentrados”  ou  “sabores”,  como  faz  o  texto.  O  Ex  01  da  NCM  2106.90.10  se  refere  a  “extratos  concentrados”  ou  “sabores  concentrados”.  E, é isento de dúvidas o fato de que a mercadoria para ser classificada  em qualquer um dos Ex­tarifários há de ser uma preparação composta  concentrada, tanto que uma diferença fundamental entre o Ex 01 e o Ex  02 é a "capacidade de diluição". No primeiro, a capacidade de diluição  é superior a 10 vezes, enquanto no segundo é igual ou menor do que 10  vezes.  Além  disso,  no  próprio  Ex  ao  final  do  texto  há  referência  à  preparação composta como concentrado.  Um  componente,  parte,  que  corresponda  a  uma  mistura  de  extrato  (ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida) com outros  aromatizantes/saborizantes  forma  uma  preparação  composta.  A  diferença  entre  extrato  concentrado  e  sabor  concentrado  é  que  neste  último  o  extrato  do  vegetal  de  origem  é  totalmente  substituído  por  aromatizantes/saborizantes artificiais.  O  refrigerante  que  não  contém  matéria­prima  natural,  elaborado  a  partir de sabor concentrado, é denominado de artificial. Não é o caso  dos refrigerantes engarrafados por Ambev.  A Lei nº 8.918, de 1994, mandamento válido para qualquer bebida, foi  regulamentada  pelo  Decreto  nº  2.314,  de  1994,  posteriormente  revogado  pelo  Decreto  nº  6.871,  de  2009.  Em  ambos,  consta  uma  definição apurada sobre concentrados para bebidas, abaixo transcrita,  na dicção do Regulamento vigente:  "Art.  13.  A  bebida  deverá  conter,  obrigatoriamente,  a matéria­prima  vegetal,  animal  ou  mineral,  responsável  por  sua  característica  sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco.  [...].  §  4º  O  produto  concentrado,  quando  diluído,  deverá  apresentar  as  mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade  para a bebida na concentração normal."  (...)  “Art.  30.  O  preparado  líquido  ou  concentrado  líquido  para  refrigerante,  quando  diluído,  deverá  apresentar  as  mesmas  características  fixadas  nos  padrões  de  identidade  e qualidade para o  respectivo refrigerante.”  Deste modo, o extrato concentrado, por ser uma preparação composta,  deve  conter  o  extrato  vegetal  de  sua  origem  e  os  todos  os  demais  aditivos  necessários  (matérias  de  base  classificadas  em  capítulos  distintos),  a  fim  de  apresentar,  quando  diluído,  as  mesmas  características  de  identidade  presentes  no  refrigerante  elaborado  a  partir dele.  O  Regulamento  Técnico  para  Fixação  dos  Padrões  de  Identidade  e  Qualidade  para  Refrigerantes,  Anexo  à  Portaria  nº  544,  de  16  de  novembro de 1998, complementa os padrões de identidade e qualidade  Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.992            28 estabelecidos no Decreto nº 6.871 de 2009. Quando esse Regulamento  aborda a Composição e Requisitos dos refrigerantes, estabelece como  requisito: "As características sensoriais e físicoquímicas deverão estar  em consonância com a composição do produto".  Da diligência  realizada,  bem  como  dos DANFE que acompanham as  mercadorias  adquiridas  pela  autuada  da  Pepsi­Cola  e  da  Arosuco,  visível  é  que  cada  mercadoria/componente  cujo  ingrediente  fosse  o  extrato  e  outros  aromatizantes  ao  serem  simplesmente  diluídos,  não  apresentariam  as mesmas  características  sensoriais  e  físico­químicas  do refrigerante a cuja elaboração se destinam.  Isto porque os “kits” são formados por esses componentes sempre em  conjunto  com  outras  partes,  que,  por  óbvio,  são  indispensáveis  à  elaboração do refrigerante.  Certo  é  que  o  aroma,  o  sabor  e  a  coloração  (elementos  das  características sensoriais), bem como as características físico­químicas  não  seriam  iguais.  Se  assim  não  fosse,  como  já  dito,  seriam  desnecessárias as demais partes de cada concentrado de refrigerante.  Para  que  se  tenha  um  produto  próprio  a  ser  nomeado  de  extrato  concentrado, haveria esse produto de ser composto de todo o conteúdo  das  "partes"  do  concentrado  de  refrigerante,  reunidos  nesse  único  produto.  Isso posto, cada componente dos concentrados adquiridos da Pepsi e  da Arosuco para fabricação de refrigerantes pela fiscalizada deve ser  classificado individualmente.  E, devem ser  classificados no  código NCM 2106.90.10  (“Preparação  do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), cuja alíquota do IPI é  zero os seguintes insumos:  ­ Kit Pepsi­Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código  35005*14,  Kit  Pepsi  Zero  flavour,  Kit  Pepsi  Zero max  flavour  e  Kit  Pepsi  Zero  natural  flavour,  e  Kits  Pepsi  Twist  Zero  que  contenha  flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros  aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à  preparação dos refrigerantes PepsiCola;  ­ kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que  contém  extrato  vegetal  de  guaraná,  misturado  com  outros  aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica  e Guaraná Antartica Diet);  ­ kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e  Kits  fornecidos  pela Pepsi:  são  os  kits  que  contém o  líquido  natural,  suco,  extrato,  além  de  aromatizante,  estabilizantes  e  corante  dos  denominados:  ­  Para  o  refrigerante  Soda  Limonada  Antarctica  Zero,  o  Kit  A  dos  concentrados natural limão diet fe1403 z kit ;  ­  Para  o  refrigerante  Soda  Limonada  Antarctica,  o  Kit  A  dos  concentrados natural limão fe1403 kit;  Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.993            29 ­  Para  a  bebida  Água  Tônica  Antarctica,  o  Kit  A  dos  concentrados  natural s tônica fe1401 kit;  11  Para  o  refrigerante  Sukita  Laranja,  o  Kit  A  dos  concentrados  natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit;  11 Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão;  11 Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural  Sukita  Uva  FE1456–  destinados  à  preparação  dos  refrigerantes  SUKITA;  11 Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o  Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão.  Tais componentes não se enquadram no Ex 01 do referido código, uma  vez que para ser extrato concentrado, que é uma preparação composta,  deverá  conter  o  extrato  vegetal  de  sua  origem  e  todos  os  demais  aditivos necessários,  a  fim de apresentar, quando diluído, as mesmas  características  de  identidade  presentes  na  bebida  elaborada  a  partir  dele.  Entende­se, portanto, com base na RGC­1, estrutura basilar da Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (TIPI),  aprovada  pelo  Decreto  6.006,  de  28  de  dezembro  de  200610  e,  subsidiariamente,  nos  esclarecimentos  das  Notas  Explicativas  do  Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias  (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com  seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de  janeiro de 2008, com alterações da IN RFB nº 1.072, de 2010, e da IN  RFB nº 1.262, de 2012, que: o Kit Pepsi­Cola código 35005*06, e Kits  Flavours,  tanto  da  Pepsi  Zero,  quanto  da  Pepsi  Twist  e  Pepsi  Twist  Zero (Kit Pepsi Twist Zero (limão), Kit Pepsi Twist (limão), Kit Pepsi  Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi  Zero max  flavour  e Kit Pepsi  Zero  natural  flavour  e  kits  Pepsi  Twist  Zero flavours); o kit A do Guaraná Antarctica (versão regular e versão  diet),  que  contém  extrato  vegetal  de  guaraná,  misturado  com  outros  aromatizantes/saborizantes,  e  os  kits  A  dos  kits  para  os  demais  refrigerantes  fornecidos  pela  Arosuco,  os  quais  contêm  o  líquido  natural,  suco,  extrato,  além  de  aromatizante,  estabilizantes  e  corante  (natural  limão  diet  fe1403  z  kit,  natural  limão  fe1403  kit,  natural;  s  tônica  fe1401  kit,  natural  laranja  rm  kit,  h2oh  limão,  e  destinados  à  preparação dos refrigerante SUKITA) e bem como o Kit que contém o  líquido  natural,  suco,  extrato,  para  preparação  da  H2OH  Limão;  classificam­se no código 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos  utilizados para elaboração de bebidas", cuja alíquota conforme a TIPI  é 0% (zero).  Nos itens a seguir,  trata­se da classificação fiscal dos demais kits dos  chamados concentrados para refrigerantes adquiridos por Ambev.  Quanto  ao  Kit  35005*01*01  –  Kit  Pepsi  Acidulante,  de  acordo  com  informações  prestadas  durante  a  diligência  realizada  na  unidade  situada  em  Curitiba  (filial  Curitibana),  seria  uma  Solução  de  Ácido  Fosfórico, código 35005*01*01 a qual, de acordo com a manifestação  Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.994            30 da  ora  autuada,  teria  ainda,  cafeína  em  sua  composição. Do  rótulo,  verifica­se que é composto de Acidificante INS 338 e corante INS 150d.  O mesmo ocorre com Kit Pepsi Zero Acidulante: conforme fotografias  fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, seria  composto de acidificantes INS 330 e 338.  E, de acordo as mencionadas fotografias fornecidas em atendimento ao  Termo  de  Intimação Fiscal  nº  006,  o Kit  Pepsi  Twist  Sais  seria  uma  Solução de conservante INS 211 e estabilizante INS 331, enquanto que  o Kit Pepsi  Zero  Sais  seria  composto  de  edulcorante  INS 950 e  955;  conservante INS 211; sequestrante INS 385.  Assim também ocorre com os demais kits dos  insumos  fornecidos por  Pepsi, os quais contêm ingredientes comumente utilizados em diversos  produtos  da  indústria  alimentícia,  tais  como  sais,  acidulantes  e  conservantes, que são comercializados já misturados pelo fornecedor,  na  forma  líquida  e  sólida,  os  Kits  Pepsi  Twist  Zero  Sais,  Kit  Pepsi  Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão  que que não contenha o extrato ou suco natural.  Já  os  Kits  B  fornecidos  pela  Arosuco,  conforme  as  fotos  das  embalagens  e  demais  informações  angariadas  na  referida  diligência  (na  qual  mostrou­se  caixa  aberta  de  um  Kit  B  aparentando  ser  um  único  produto),  seriam  sólidos,  transportados  em  caixas  em  embalagens separadas dos kits A.  E,  no  caso  dos  insumos  do  refrigerante Guaraná Antarctica,  o Kit B  seria  composto  de  Ácido  Cítrico,  Benzoato  de  Sódio  e  Sorbato  de  Potássio,  bem  como  o  Kit  B  dos  insumos  do  refrigerante  Soda  Limonada;  e  o Kit B  do Guaraná Antarctica Zero  seria  composto  de  acidulante INS 334, Benzoato de Sódio e dois edulcorantes.  Quanto aos demais insumos dos refrigerantes, o Kit B seria composto  de  diversos  sais,  como  acidulantes  (Ácido  Cítrico),  conservantes  (Benzoato  de  Sódio  e/ou  Sorbato  de  Potássio),  sequestrante  (EDTA  cálcio dissódico),  e,  no caso dos  refrigerantes  sem adição de açúcar,  Edulcorantes.  Em suma, as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal  de  guaraná,  nem  líquido  natural  dos  refrigerantes  sabor  limão  ou  laranja,  ou  Sukita  ou  extrato  de  noz  de  cola,  são  formadas  por  acidulantes,  conservantes  e  outros  ingredientes,  como  edulcorantes  e/ou sequestrantes.  Nesse  sentido,  manifestação  da  autuada  quanto  ao  Termo  de  Constatação Fiscal  da Diligência  realizada  em abril  de  2016,  trecho  colacionado abaixo:  “(...) do Termo, que a Parte B do Kit fornecido pela empresa Arosuco é  composto  de  diversos  sais,  ácidos  e  conservadores  químicos,  caracterizados em gênero como conservantes e acidulantes”.  Procedendo­se à classificação fiscal dos kits B, ou as chamadas Partes  B dos  insumos das bebidas  fabricadas pela Ambev, bem como do Kit  Pepsi  Acidulante,  tem­se  que  as  matérias­primas  utilizadas  nos  kits  Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.995            31 fornecidos pela Pepsi ou pela Arosuco não se caracterizam como óleos  essenciais da posição 33.01.  Em  verdade,  a  mistura  de  pelo  menos  dois  desses  ingredientes  (conservantes,  acidulantes,  sequestrante  e/ou  edulcorantes)  resulta  numa  preparação  para  uso  em  diversos  alimentos,  mas  não  especificamente para aplicação em bebidas.  Por  aplicação  da  Regra  Geral  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  ­  RGI­1/SH,  as  "Preparações  alimentícias  diversas"  classificam­se no Capítulo 21.  Como não se verifica uma posição específica que trate das preparações  em  questão,  resta  a  posição  21.06,  que  trata  das  "Preparações  alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições ".  Verifica­se da estrutura da posição 21.06, que a essa se desdobra em  apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos  "Concentrados  de  proteínas  e  substâncias  proteicas  texturizadas",  enquanto  a  subposição  2106.90  é  reservada  a  "outras"  preparações.  Assim,  a  preparação  em  análise  deve  ser  enquadrada  na  subposição  2106.90.  Tendo em vista que a preparação sob análise é utilizada de forma geral  para qualquer tipo de  indústria alimentícia e, portanto, não é do tipo  específico  utilizado  para  elaboração  de  bebidas  de  que  trata  o  item  2106.90.1,  e  igualmente  não  é  do  tipo  utilizado  para  fabricação  de  pudins  do  item  2106.90.2,  nem  é  um  complemento  alimentar  do  item  2106.90.3,  mas  também  não  é  uma  mistura  à  base  de  ascorbato  de  sódio  referido  no  item  2106.90.3,  nem  se  enquadra  como  goma  de  mascar  do  item  2106.90.5,  e  muito  menos  como  caramelos  do  item  2106.90.6, resta­lhe o item residual "Outras" do código 2106.90.9.  Diante desse fato, dentre os componentes fornecidos pela Pepsi e pela  Arosuco, os Kits B e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi  Zero Acidulante, Kit  Pepsi  Twist  Sais, Kit  Pepsi  zero  Sais, Kit  Pepsi  Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação  da  bebida  H2OH  Limão  que  que  não  contenha  o  extrato  ou  suco  natural,  os  quais  são  os  formados  por  uma mistura  de  conservantes,  acidulantes,  sequestrante  e/ou edulcorantes,  e de outras matérias que  não o extrato vegetal de guaraná nem o  líquido natural  refrigerantes  sabor limão ou laranja ou ainda uva, ou extrato de noz de cola, devem  ser  classificados  no  código  residual  2106.90.90,  reservado  às  "Preparações  alimentícias  não  especificadas  nem  compreendidas  noutras posições ­ Outras ­ Outras", tributado à alíquota zero do IPI.  Conclui­se desse modo, que os créditos incentivados escriturados pela  autuada no período de apuração de  janeiro a dezembro de 2012,  em  razão da aquisição dos kits “Kit A” e “Kit B” da AROSUCO AROMAS  E SUCOS LTDA.,  inclusive os kits para elaboração dos  refrigerantes  de  sabor  de  Guaraná,  e  Kits  Kit  35005*06  –  Kit  PepsiCola  e  Kit  35005*01*01  –  Kit  Pepsi  Acidulante,  Kit  Pepsi  Zero  Acidulante,  Kit  Pepsi  Twist  Sais,  Kit  Pepsi  Zero  sais,  Kit  Pepsi  Twist  cola  flavour  código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour,  Kit Pepsi  Zero  natural  flavour  e Kit Pepsi  Twist  código  92318*01,  e  kits  Pepsi  Twist  ZERO,  e  kits  H20H  limão  da  PEPSI  COLA  Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.996            32 INDUSTRIAL  DA  AMAZONIA  LTDA.,  são  indevidos  porque  para  a  classificação  fiscal  das  mercadorias  adquiridas  NCM  2106.90.10  e  NCM, a TIPI previa à época dos fatos, a alíquota 0% (zero).  Em síntese, tem­se que:  São  créditos  indevidos  e  hão  de  serem  glosados  os  decorrentes  das  aquisições  de  concentrados  para  refrigerantes,  que  não  os  de  sabor  guaraná,  da  pessoa  jurídica  AROSUCO  AROMAS  E  SUCOS  LTDA.  (CNPJ n° 03.134.910/0001­55 – matriz), a qual declarou que a falta de  destaque do IPI nas vendas dos desses concentrados estava amparada  na isenção prevista no atual art. 81, II, do Regulamento do IPl de 2010,  em razão de não haver previsão legal para o creditamento de valores  de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada.  Também  são  indevidos  e  hão  de  serem  glosados,  os  créditos  fictos  calculados  e  escriturados  em  decorrência  das  aquisições  de  concentrados  para  refrigerantes,  que  não  os  de  sabor  guaraná,  da  pessoa  jurídica  AROSUCO  AROMAS  E  SUCOS  LTDA.  (CNPJ  n°  03.134.910/0001­55  –  matriz),  porque  a  alíquota  prevista  na  TIPI  (Decreto  nº  6.006,  de  28  de  dezembro  de  2006)  para  os  produtos  fornecidos  por  essa  pessoa  jurídica  ser  0%  (ZERO),  em  razão  de  a  classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento  do  IPl  de  2010,  e  com  as  Regras  Gerais  para  Interpretação  ­  RGI,  Regras Gerais Complementares ­ RGC e Notas Complementares ­ NC,  todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL ­ NCM, integrantes do  seu  texto,  ser  o  subitem 2106.90.10,  inexistindo  créditos  incentivados  em função disso.  São  créditos  indevidos  e  hão  de  serem  glosados  os  decorrentes  das  aquisições  de  concentrados  para  refrigerantes  de  sabor  guaraná,  da  pessoa  jurídica  AROSUCO  AROMAS  E  SUCOS  LTDA.  (CNPJ  n°  03.134.910/0001­55  –  matriz),  porque  a  alíquota  prevista  na  TIPI  (Decreto  nº  6.006,  de  28  de  dezembro  de  2006)  para  os  produtos  fornecidos  por  essa  pessoa  jurídica  ser  0%  (ZERO),  em  razão  de  a  classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento  do  IPl  de  2010,  e  com  as  Regras  Gerais  para  Interpretação  ­  RGI,  Regras Gerais Complementares ­ RGC e Notas Complementares ­ NC,  todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL ­ NCM, integrantes do  seu  texto,  ser  o  subitem 2106.90.10,  inexistindo  créditos  incentivados  em função disso.  Em  relação  aos  insumos  filmes  plásticos  produzidos  pela  VALFILM  AMAZONIA  INDUSTRIA  E  COMERCIO  LTDA.,  CNPJ  sob  o  nº  03.071.894/0001­07,  informou essa que, a partir de 05/2010,  fez uso,  na saída de seus produtos, da isenção prevista no art. 81, II do RIPI de  2010, por conseguinte, nos períodos de apuração a partir de junho de  2010, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI  na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, logo, são esses  créditos indevidos e hão de serem glosados.  Já, a RAVIBRAS EMBALAGENS DA AMAZONIA LTDA., Cadastro de  Pessoas  Jurídicas  –  CNPJ  sob  o  nº  08.658.519/0001­73,  apresentou  declaração  confirmando  que  suas  vendas  eram  isentas  por  se  enquadrarem  no  art.  81,  II  do  RIPI  de  2010,  ou  seja,  não  havia  previsão  legal  para  o  creditamento  de  valores  de  IPI  na  aquisição  Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.997            33 desses produtos por parte da  fiscalizada, portanto,  são  esses  créditos  indevidos e hão de serem glosados.  E  por  fim,  a  fiscalizada  creditou­se  indevidamente  das  aquisições  de  janeiro  de  2012  a  dezembro  de  2012,  de  Kits  Kit  35005*06  –  Kit  PepsiCola e Kit  35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero  Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist  cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero  max  flavour, Kit Pepsi Zero natural  flavour  e Kit Pepsi Twist  código  92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão, e de janeiro de  2012  até  dezembro  de  2012,  aquisições  da  Pepsi  INDUSTRIAL  DA  AMAZONIA LTDA, pois que a saída dos “kits” deu­se com a isenção  do art. 9º do Decreto­lei nº 288, de 1967, que não gera crédito  ficto,  bem como, porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28  de  dezembro  de  2006)  para  os  produtos  fornecidos  por  essa  pessoa  jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de  acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras  Gerais  para  Interpretação  ­  RGI,  Regras  Gerais  Complementares  ­  RGC e Notas Complementares  ­ NC,  todas  da Nomenclatura Comum  do  MERCOSUL  ­  NCM,  integrantes  do  seu  texto,  ser  o  subitem  2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso.  Considerando  o  acima  exposto,  conclui­se  que  esses  créditos  foram  indevidamente escriturados e utilizados na apuração do Imposto sobre  Produtos Industrializados, o que ocasionou a falta de recolhimento de  IPI, devendo serem glosados”.  Os  valores  glosados  dos  créditos  incentivados  indevidos  estão  consignados na planilha inserta no relatório fiscal à fl. 888.  Responsabilidade do adquirente pela infração à legislação tributária A  responsabilidade pela infração à legislação tributária é do adquirente,  tendo  este  que  verificar  se  os  insumos  recebidos  cumprem  todas  as  prescrições  legais  e  regulamentares  previamente  ao  cálculo  e  à  escrituração  fiscal  do  crédito  incentivado  (Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro de 1964, art. 62).  Aliás,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe da intenção do agente ou do responsável (CTN, art. 136); ou  seja,  a  responsabilidade  por  infrações  não  tem  como  antecedente  lógico o dolo ou a culpa.  Os  componentes dos “kits”  foram recebidos pela adquirente como se  fossem  um  produto  único,  sem  discriminação  e  quantificação  individualizadas.  Adicionalmente, no relatório fiscal:  “No presente caso, ocorreram danos ao erário em função do cálculo e  aproveitamento  de  créditos  fictos  indevidos  por  parte  da  fiscalizada,  resultantes  da  aplicação  de  alíquota  incorreta  do  IPI,  além  do  aproveitamento  de  entradas  Na  hipótese  da  autuada  se  considerar  prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu  direito  de  regresso,  para  reaver  os  montantes  perdidos.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  tem  decisões  neste  sentido,  como  é  o  caso  do  Recurso  Especial  nº  58.845  (DJ  de  28/08/2000,  Ministra  Eliana  Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.998            34 Calmon  Relatora),  que  tratou  de  caso  onde  o  contribuinte  de  direito  era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir:  1.  Pelo mecanismo  dos  impostos  indiretos,  a  relação  jurídica  que  se  estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco.  (...)  3. Possibilidade de vir o contribuinte de direito (vendedor) a ingressar  com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito  (o comprador).  Ressalta­se  que  o  entendimento  esposado  quanto  ao  comerciante  de  boa­fé  aproveitar  os  créditos  de  ICMS,  decorrentes  de  nota  fiscal  posteriormente  declarada  inidônea,  não  pode  no  presente  caso  ser  aplicado, porque a autuada se trata de adquirente de produtos isentos.  A  decisão  prolatada  no  REsp  nº  1.148.444  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (DJ de  27/04/2010, Ministro Luiz Fux Relator),  que  entendeu  que o adquirente que receber as chamadas "notas frias" pode manter  os  créditos  só  foi  adotado  porque  ficou  demonstrado  que  ocorreu  o  pagamento da operação comercial que precedeu o aproveitamento do  ICMS. Nesse Recurso Especial, houve comprovação de pagamento do  ICMS, já que o tributo está incluído no preço de venda da mercadoria,  e “no que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de  pagamento  às  empresas  cujas  notas  fiscais  foram  declaradas  inidôneas".  A autuação trata de caso diverso, uma vez que a  fiscalizada calculou  um  crédito  ficto,  assim  não  houve  pagamento  de  imposto  nas  aquisições, pois os produtos saíram do fornecedor com isenção do IPI.  E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias,  os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do  Brasil,  procedimento  atualmente  regulado  por  meio  da  IN  RFB  nº  1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente.  No  caso  dos  kits  para  refrigerantes,  não  se  formalizou  qualquer  consulta sobre sua classificação.  Tratando­se  de  procedimento  que  implicaria  aproveitamento  de  milhões  de  reais  a  cada  mês,  a  autuada  se  desejasse  agir  com  diligência no cumprimento de suas obrigações fiscais, só aproveitaria  os  créditos  fictos  caso  tivesse  base muito  sólida. Constatando que  os  fornecedores  não  tomaram  a  iniciativa  de  esclarecer  o  assunto,  à  fiscalizada  caberia  solicitar  que  eles  formalizassem  consulta.  O  estabelecimento industrial não teria motivos para deixar de atender a  tal pedido, a não ser que tivesse receio do resultado da consulta.  Os  fornecedores  sempre  estiveram  cientes  da  importância  da  classificação  fiscal  de  seus  produtos,  em  função dos  enormes  valores  de créditos gerados para seus adquirentes. O fato dos fornecedores não  terem  formalizado  consulta  sobre  classificação  fiscal  de mercadorias  junto  à  Receita  Federal  seria  motivo  suficiente  para  a  fiscalizada  entender  que  eles  não  confiam  na  correção  da  classificação  que  adotam e se abster de aproveitar o crédito duvidoso.  Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.999            35 A  fiscalizada  não  demonstrou  o  menor  interesse  em  se  certificar  da  correção da classificação indicada pelos fornecedores, apesar de não  existir  base  legal  para  aproveitamento  de  créditos  que  não  correspondam  ao  exato  produto  entre  o  valor  tributável  do  IPI  e  a  alíquota correta do imposto.  E mais, a fiscalizada se aproveitou de créditos incentivados, tendo sido  ela,  e  não  o  fornecedor,  que  efetuou  o  cálculo  do  imposto  mediante  aplicação de alíquota incidente incorreta.  Isso  posto,  entende­se  que  restou  caracterizada  responsabilidade  da  autuada, que, ao menos, assumiu o risco que permitiu a ocorrência da  infração”.  Créditos totais glosados no importe de R$ 24.406.881,48, consoante as  planilhas às fls. 779 e 888.  CRÉDITOS REFERENTES A ARTIGOS ADQUIRIDOS PARA USO E  CONSUMO  Foram  aproveitados,  outrossim,  créditos  distintos  de  créditos básicos admissíveis, alusivos a artefatos adquiridos para uso e  consumo  em  2012,  mais  especificamente:  itens  de  manutenção  e  material  intermediário  de  produção,  conforme  detalhamento  inequívoco na planilha que  integra o  termo de descrição dos  fatos às  fls. 896 e 897.  Na  acepção  do  Parecer  Normativo  CST  nº  65,  de  1979,  incluem­se  entre  as  matérias  primas  e  os  produtos  intermediários  aqueles  que,  embora  não  integrem  o  produto  final,  sofram  alterações  (desgaste,  dano  ou  perda  de  propriedades  físicas  e  químicas)  na  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  em  industrialização.  Nem  todos  os  insumos  adquiridos  e  utilizados  na  produção  caracterizam­se  como  matérias primas ou produtos intermediários.  Na mesma linha lógica já havia o Parecer Normativo nº 181, de 1974.   De acordo com o relatório fiscal:  “Destarte, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, e do  Parecer Normativo n° 181, de 1974, e, em consonância com o inciso I  do  art.  226  do  RIPI  de  2010,  geram  direito  ao  crédito,  além  das  matérias primas, produtos intermediários "stricto­sensu" e material de  embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens —  desde  que  não  contabilizados  pelo  contribuinte  em  seu  ativo  permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico,  ou  melhor  dizendo,  que  sofram,  em  função  de  ação  exercida  diretamente sobre o produto em fabricação, isto é, proveniente de ação  exercida  diretamente  pelo  bem  em  industrialização,  alterações  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  restando  definitivamente  excluídos  aqueles  que  não  se  integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização.  E  não  existe  amparo  legal  que  dê  direito  ao  crédito  do  imposto  referente  aos  insumos  peças  e  partes  de  máquinas,  produtos  para  higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na  manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos.  Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.000            36 Não  devem  ser  aceitos,  portanto,  os  valores  referentes  a  gastos  com  combustíveis  e  lubrificantes,  energia  elétrica,  equipamentos  de  segurança,  filtros  e  retentores,  material  de  limpeza  e  higienização,  material  elétrico  e  hidráulico,  peças  de  reposição  e  uniformes  dos  empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não  se  incluem  no  conceito  de  matéria­prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem,  consumidos  no  processo  de  industrialização,  únicos insumos admitidos por lei”.  O direito ao  crédito de  IPI pressupõe a  existência de duas  condições  aditivas: a) integração do insumo ao produto final ou consumo daquele  em contato direto com o produto em industrialização; b) o insumo não  pode  ser  parte  ou  peça  de  máquinas  e  equipamentos,  nem  pode  corresponder  a  produtos  empregados  na  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos, incluídos óleos e lubrificantes.  Créditos  indevidos  no  montante  de  R$  24.657,33  discriminados  nos  demonstrativos às fls. 897 e 898.  CRÉDITOS DE BEBIDAS ADQUIRIDAS PARA COMERCIALIZAÇÃO  Houve,  ademais,  no  período  de  janeiro  a  dezembro  de  2012,  a  apropriação  de  créditos  de  IPI  na  entrada  de  produtos  acabados  (bebidas  refrigerantes)  provenientes  de  diversos  estabelecimentos  da  AMBEV.  As  industrializações  não  foram  efetuadas  por  encomenda  e  a  impugnante  deu  saída  às  bebidas  recebidas  mediante  a  emissão  de  notas  fiscais de venda para  terceiros, com destaque do  imposto,  e de  notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais com  suspensão do imposto.  O estabelecimento matriz da empresa fiscalizada é optante do Regime  Especial  de  Tributação  de  Bebidas  Frias  (REFRI),  sendo  a  opção  válida para todos os estabelecimentos.  Durante  o  ano  de  2012,  o  sujeito  passivo  estava  sujeito  ao  Regime  Especial  de  Tributação  de Bebidas  Frias  (REFRI),  previsto  nos  arts.  58­A  a  58­U  da  Lei  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  com  a  redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010,  arts.  204  a  206),  de  acordo  com  o  disposto  originalmente  na  Lei  nº  7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do  imposto  destacado  nas  notas  fiscais  de  transferência  de  bebidas  em  virtude  de  que:  a)  se  trata  de  produtos  acabados  destinados  a  comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou  material de embalagem;  b)  o  imposto  incide  sobre  os  produtos  acabados  uma  única  vez,  na  saída  do  estabelecimento  industrial  ou  equiparado  a  industrial,  vale  dizer, o  imposto não é mais devido em operação posterior  (art. 58­N,  I);  c)  não  houve  operação  de  industrialização  por  encomenda,  que  representa  uma  exceção  ao  regime  de  incidência  única  (na  industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na  saída do estabelecimento encomendante) (art. 58­N, § único).  Planilha de notas fiscais às fls. 780/790 e créditos indevidos no total de  R$ 818.682,68 discriminados no demonstrativo às fls. 897 e 898.  Fl. 2000DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.001            37 CRÉDITOS  DE  CONCENTRADOS  PARA  REFRIGERANTES  ADQUIRIDOS  DE  OUTRO  ESTABELECIMENTO  DA  MESMA  EMPRESA  COM  ERRO  DE  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  Ocorreu  também, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de  créditos  de  IPI  na  entrada  de  “kits”  para  refrigerantes  acobertados  por  notas  fiscais  emitidas  por  diversos  estabelecimentos  da  AMBEV,  conforme a transcrição que segue:  “Acontece que,  tais kits  foram classificados  incorretamente nas notas  fiscais de entrada, no Ex 01 do código 2106.90.10. "preparações para  elaboração de bebidas" (NCM 2106.90.10) e "Preparações compostas,  não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para  elaboração de  bebida  da  posição  22.02,  com  capacidade  de  diluição  superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (Ex 1  da NCM 2106.90.10) ".  De  tudo  até  aqui  exposto,  considera­se  que  foi  devidamente  provado  que o enquadramento no Ex­tarifário 01 é indevido, sendo que os kits  de  refrigerante  a  seguir  listados  são  classificados  de  acordo  com  as  regras do Sistema Harmonizado na posição da NCM 2106.90.10, para  qual a Tabela de Incidência de IPI, à época dos fatos previa a alíquota  de 0% (zero):  ­ CONC NAT S GUARANA DIET FE1431 KIT ­ KIT PTWZERO ­ KIT  PEPSI COLA TWIST ­ CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT ­ CONC  NAT  S  TONICA  FE  1401  KIT  ­  CONC  NAT  S  LARANJA  BR  KIT  ­  CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA 20L KI  ­ CONC NAT  LIMAO  FE1403  BOMBONA  ­  CONC  NAT  S  GUARANA  FE1430  BOMBONA  Intimou­se  a  fiscalizada  então  demonstrar  o  pagamento  realizado  pela  aquisição  desses  insumos,  em  resposta,  a  autuada  asseverou que a transferência de recursos ao emitente é realizada via  encontro  de  contas.  Também  apresentou  documentos  e  notas  fiscais  relacionadas a resposta apresentada.  Não restou claro que a autuada tenha arcado com o ônus financeiro do  imposto  na  entrada  dos  produtos,  e,  considerando  que  tais  créditos  básicos são indevidos e que, caso a autuada se considere prejudicada  pelos  fornecedores,  terá o direito de buscar na  Justiça  seu direito de  regresso,  para  reaver  os montantes  perdidos,  há  que  serem  glosados  tais créditos.  O Superior  Tribunal  de  Justiça  tem decisões  neste  sentido,  como  é  o  caso  do  Recurso  Especial  n°  58.845  (DJ  de  28/08/2000,  Ministra  Eliana  Calmon  Relatora),  que  tratou  de  caso  onde  o  contribuinte  de  direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir:  1.  Pelo mecanismo  dos  impostos  indiretos,  a  relação  jurídica  que  se  estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco.  (...)  3. Possibilidade de viro contribuinte de direito (vendedor) a ingressar  com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito  (o comprador).  Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.002            38 E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias,  os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do  Brasil,  procedimento  atualmente  regulado  por  meio  da  IN  RFB  n°  1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente.  No  caso  dos  kits  para  refrigerantes,  não  se  formalizou  qualquer  consulta sobre sua classificação”.  Portanto, foram glosados os créditos básicos escriturados em razão da  entrada de  insumos  (kits de  refrigerantes) por  ser a alíquota prevista  para  tais mercadorias de 0% (zero), nos  termos do art. 25, da Lei n°  4.502,  de  1964,  e  art.  226,  do  RIPI/2010,  no  montante  de  R$  1.283.622,24, consoante planilha à fl. 791.  Glosa  dos  Créditos  e  Reconstituição  da  Escrita  Fiscal  O  crédito  passível  de  glosa  é  no  importe  de  R$  26.531.843,73,  sendo  que,  em  virtude  da  existência  de  saldos  credores  no  período  fiscalizado,  foi  empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo  às fls. 923/925.  A  escrita  fiscal  passível  de  reconstituição  não é  aquela  definida  pelo  Sistema  de  Controle  de  Créditos  e  Compensações  (SCC),  tendo  em  conta que os pedidos de ressarcimento cumulados com declarações de  compensação (PER/DCOMP) dos  trimestres de 2012 encontravam­se,  à época da lavratura da peça fiscal, pendentes de análise.  E, adicionalmente, há a seguinte transcrição:  “Cabe ressaltar quanto à reconstituição da escrita  fiscal, que por  ter  sido  objeto  de  PerdComp  analisada  e  indeferida,  havendo  inclusive  lançamento  anterior  do  saldo  devedor  (processo  administrativo  fiscal  de  nº  10880.727044/2015­61),  houve  alteração  da  escrita  fiscal  da  fiscalizada  do  saldo  credor  do  período  anterior  (quarto  trimestre  de  2011)  aos  períodos  de  apuração  de  janeiro  de  2012  a  dezembro  de  2012, que foi considerado inexistente. Igualmente, o estorno de crédito  (débito)  escriturado  em  janeiro  de  2012,  em  razão  do  pedido  de  ressarcimento  do  quarto  trimestre  de  2011,  foi  considerado  igual  a  zero.  A partir dessa escrita, é que se realizou a reconstituição em função das  glosas e demais lançamentos da autuação.  Nos períodos de apuração em que a fiscalizada apresentou Pedido de  Ressarcimento do  trimestre anterior  (abril,  julho  e outubro de 2012),  em sua escrituração, houve Estorno de Créditos no valor dos pedidos  formulados, na forma de débitos de IPI.  Deste  modo,  tendo  a  fiscalização  concluído  pela  glosa  de  diversos  créditos escriturados, o que implicou saldo credor inexistente em todos  os  períodos  em  que  o  sujeito  passivo  formulou  tais  pedidos  de  ressarcimento – sendo, portanto, esses improcedentes –, a fiscalização,  ao  realizar  a  reconstituição  da  escrita  fiscal,  incluiu,  no  período  de  apuração  nos  quais  se  constatou  estorno  de  crédito  efetuado  pela  fiscalizada,  crédito  no  mesmo  valor  do  estorno,  para  impedir  que  a  glosa de créditos, em conjunto com o estorno de crédito já escriturado,  resultasse em cobrança de valores em duplicidade.  Fl. 2002DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.003            39 A  escrita  fiscal  para  o  período  janeiro  de  2012  a  dezembro  de  2012  passa  a  ser  a  descrita  no Auto  de  Infração,  e,  no  fim  do  período  de  apuração  de  2012,  não  houve  saldo  credor  disponível  ao  final  do  período e sim, tributo a pagar”.  Considerações  Finais  Foram  articuladas  as  seguintes  considerações  pela  autoridade  fiscal  acerca  da  classificação  fiscal  dos  insumos  fornecidos pelas empresas PEPSI e AROSUCO:  “A  análise  das  características  dos  insumos  fornecidos  por  Pepsi  e  Arosuco,  evidenciou  que  o  produto  que  as  empresas  chamam  de  "concentrado"  é  na  realidade  um  conjunto  de  matérias­primas  e  produtos intermediários. Assim, o termo "concentrado" foi empregado  de maneira tecnicamente incorreta, e seu uso refletiu apenas a prática  comercial das empresas.  E,  a  classificação  fiscal  é definida  pelas  características  intrínsecas  e  extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador.  É  irrelevante,  para  fins  de  classificação  fiscal,  que  Pepsi  e  Arosuco  sempre  remetam  os  produtos  para  fabricantes  de  bebidas,  pois  a  legislação não permite que o enquadramento na TIPI seja determinado  caso a  caso,  conforme a utilização que  será dada pelos destinatários  da mercadoria.  Manifesto  é que as  características de um produto  industrializado  são  influenciadas  pela  utilização  para  a  qual  o  produto  foi  concebido.  Entretanto,  mesmo  nas  situações  em  que  o  destino  e  a  forma  de  utilização da mercadoria são fundamentais, a NESH não prevê que se  deva  analisar  a  motivação  de  destinatários  específicos  ou  outros  aspectos  da  realidade  econômica  em  que  se  insere  o  fabricante.  Analisa­se,  sim,  a  embalagem  do  produto,  o  seu  formato,  e  outras  características que independem dos fatores mencionados.  Por  exemplo,  uma das  características  que  podem definir  o  código  de  classificação da mercadoria é sua apresentação.  O  art.  6º  do  RIPI,  de  2010,  trata  das  definições  de  embalagens  de  transporte  e  de  apresentação,  aplicadas  quando  a  incidência  do  imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto.  A  NESH  prevê  vários  casos  em  que  o  código  de  classificação  a  ser  adotado  é  determinado  pela  embalagem  de  apresentação  onde  está  acondicionada a mercadoria. Como exemplo, traz­se trecho da NESH,  transcrito a seguir, retirado das Considerações Gerais do Capítulo 28:  Alguns  produtos  inorgânicos  não  misturados,  embora  normalmente  incluídos  no Capítulo  28, podem  excluir­se  deste Capítulo  quando  se  apresentem  sob  formas  ou  acondicionamentos  especiais  ou  ainda  quando  tenham sido  submetidos a  tratamentos que não modifiquem a  sua constituição química.  É o que sucede nos seguintes casos:  a)  Produtos  próprios  para  usos  terapêuticos  ou  profiláticos  que  se  apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição  30.04). (...)  Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.004            40 Prosseguindo­se  no  exemplo,  de  acordo  com  a  NESH,  todos  os  produtos  próprios  para  usos  terapêuticos  ou  profiláticos  que  se  apresentem  em  doses  ou  acondicionados  para  venda  a  retalho  são  excluídos do Capítulo 28, devendo ser classificados na posição 30.04.  Deve­se  observar  que  tal  regra  é  válida  para  qualquer  operação,  inclusive na hipótese de que ocorram saídas destinadas a adquirentes  que  nunca  utilizem os  produtos  para  fins  terapêuticos  ou  profiláticos  Ainda  com  relação  ao  mencionado  exemplo,  se  o  estabelecimento  industrial,  por  outro  lado,  vender  produtos  próprios  para  usos  terapêuticos ou profiláticos sem que eles estejam acondicionados para  venda a retalho ou em doses, eles devem ser classificados no Capítulo  28, ainda que o fabricante em questão tenha contrato de exclusividade  com  adquirente  que  utilize  a  mercadoria  somente  para  usos  terapêuticos ou profiláticos.  Voltando­se  aos  kits  ou  concentrados  para  preparação  de  refrigerantes,  como  já  devidamente  exposto,  os  kits  não  podem  ser  classificados em código próprio para preparação composta, pois algo  que  não  está  misturado,  pronto  para  uso  pelo  adquirente,  não  se  caracteriza como preparação.  Mesmo  que  se  alegue  que  em  trabalhos  anteriores  realizados  pelo  Fisco  em  estabelecimentos  da  Ambev  jamais  houve  qualquer  tipo  de  discordância quanto ao enquadramento dos "kits" para a fabricação de  bebidas no Ex 01 do código 2106.90.10, tal argumentação não merece  prosperar.  A  fiscalizada  decidiu  por  sua  conta  e  risco  calcular  os  créditos  incentivados aplicando as alíquotas de 27% (vinte e sete por cento) ou  20% (vinte por cento) nas aquisições dos kits, apesar da inexistência de  consultas  para  a  Receita  Federal  do  Brasil  sobre  a  correta  classificação dos insumos adquiridos.  Certo  é  que  não  houve,  por  parte  do Fisco,  emissão  de qualquer  ato  administrativo  dando  amparo  à  classificação  fiscal  adotada  pela  fiscalizada.  E,  não  está  correto  asseverar  que  o  tratamento  fiscal  conferido  por  Ambev  aos  kits  tenha  sido  homologado  no  âmbito  dos  lançamentos  prévios.  Em  procedimentos  fiscais  anteriores  relativos  aos  créditos  oriundos  das compras de Pepsi e Arosuco, o Fisco  tratou do direito de Ambev  aproveitar  créditos  do  IPI  correspondentes  ao  valor  do  tributo  incidente  sobre  “concentrados”  procedentes  da  Zona  Franca  de  Manaus, no caso de bens que somente faziam jus à isenção do art. 69,  inciso II, do RIPI, de 2002.  Não  tendo  analisado  a  correção  da  classificação  utilizada  para  os  insumos  isentos,  o  Fisco  empregou  em  seus  relatórios  o  código  e  alíquota  adotados  pela  empresa,  sem  que  isto  significasse  concordância ou não com sua correção.  A análise do direito ao crédito do IPI em aquisições de insumos isentos  há muito  tempo  vem  sendo  efetuada  pela  Justiça,  inclusive  em  ações  Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.005            41 judiciais propostas por engarrafadores de refrigerantes. Nestas ações,  os  “concentrados”  são  tratados  como  uma  mercadoria  única  cuja  alíquota é de 27% (vinte e sete por cento), mas não está em julgamento  se  os  insumos  são  ou  não  uma  mercadoria  única,  nem  a  correta  classificação fiscal de acordo com a NCM.  Aguarda­se a decisão final do STF sobre o direito ao crédito oriundo  de insumos isentos  fabricados em Manaus. Na hipótese de que o STF  decida adotar entendimento favorável às empresas no que se refere ao  crédito oriundo dos insumos isentos, isto não significaria concordância  da  Justiça  com  os  critérios  e  formas  de  cálculo  utilizados  pelos  contribuintes.  Há  que  se  ter  em  mente  que  a  citação,  pelo  Fisco,  dos  códigos  de  classificação  adotados,  pelo  contribuinte,  não  se  caracteriza  como  homologação de critério jurídico.  Entender  que  a  cada  encerramento,  ainda  que  parcial,  de  procedimento  de  fiscalização,  há  homologação  das  classificações  fiscais  adotadas  pelo  contribuinte,  significaria  que  o  simples  encerramento  de  uma  ação  fiscal  relativa  ao  IPI, mesmo  que  não  se  tenha  avaliado  a  correção  de  códigos  de  classificação  fiscal,  produziria  efeito  similar  ao  de  Soluções  de  Consulta  emitidas  pela  Receita Federal.  E,  quanto  a  quaisquer  afirmações de  que  a  reclassificação  fiscal  das  mercadorias pretendida pela Fiscalização haveria de estar respaldada  por  laudo  técnico,  é  cediço  que  cabe  ao  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal do Brasil determinar a classificação fiscal de mercadorias de  acordo com as regras do Sistema Harmonizado independentemente da  existência de laudo técnico.  Ademais,  a  questão  que  se  discute  quanto  à  classificação  fiscal  é  se  podem ser classificados como se fossem uma mercadoria única os kits  acondicionados  individualmente  e  assim  transportados  até  o  adquirente. São incontroversos os dados que levaram a fiscalização a  concluir pelo erro na classificação e alíquota utilizada pela empresa.  Nesse sentido, o § 1°, do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz  que  não  se  considera  como  aspecto  técnico,  a  classificação  fiscal  de  produtos:  Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises,  do  Instituto  Nacional  de  Tecnologia  e  de  outros  órgãos  federais  congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência,  salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres.  § 1° Não  se considera  como aspecto  técnico a classificação  fiscal de  produtos.  (...)  Retornando­se  a  classificação  fiscal  das  mercadorias  que  teriam  gerado  o  creditamento  incentivado  nesta  autuação  considerado  indevido,  concluiu­se  que  para  ser  classificada  nos  ex­tarifários  do  Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.006            42 código  2106.90.10.  da NCM  é  indispensável  que  os  ingredientes  que  formam determinada preparação composta estejam misturados.  Sendo que, no momento em que os insumos são recebidos por Ambev,  eles  não  estão  misturados,  e,  portanto,  não  se  constituem  na  preparação  composta  a  que  se  refere  a  Nota  Explicativa  da  posição  2106.  Averiguou­se,  no  curso  deste  procedimento  fiscal,  é  que  cada  componente  do  kit  (Parte),  isoladamente  considerado,  configura  preparação  composta,  não  existindo  qualquer  fundamento  no  entendimento  de  que  um  conjunto  de  preparações  compostas  não  misturadas entre si forma uma preparação composta.  E  repita­se,  não existe preparação,  seja ela  simples ou  composta,  em  que  os  ingredientes  estejam  acondicionados  em  embalagens  individuais!!!  O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada  componente  (Parte)  se  enquadra  em  um  código  de  classificação  próprio,  podendo  incluir  inclusive  bens  que  não  se  classificam  na  posição 21.06.  Tanto  é  que,  de  acordo  com  a  decisão  do  CCA  objeto  de  tradução  juramentada,  a  matéria  pura  benzoato  de  sódio,  ainda  que  fazendo  sendo  um  dos  componentes  (Parte)  de  um  kit  para  fabricação  de  bebidas, deve ser classificada separadamente no código 2916.31.  Os  trechos  transcritos  da NESH da  posição  21.06  não  especificam o  entendimento a ser adotado em relação a mercadorias classificadas na  posição 29.16, referindo­se sim, a um produto industrializado em que,  em  alguns  casos,  tem  o  benzoato  de  sódio  como  um  de  seus  ingredientes.  E,  constatou­se  que,  sendo  os  kits  formados  por  vários  componentes  acondicionados em embalagens individuais,  tratam­se de mercadorias  que não estão prontas para uso pelo adquirente (aquele que utiliza os  insumos para elaborar refrigerantes), precisando passar por operação  de industrialização intermediária.  Depois da etapa do processo industrial, em que acontece a mistura dos  componentes  dos  kits  (Parte  A  e  Parte  B,  Kit  Pepsi  e  Kit  Pepsi  Acidulante),  o  qual  ocorre  no  estabelecimento  da Ambev  após  o  fato  gerador, aí então é que se  forma uma preparação composta, produto  da  industrialização  ocorrida  no  estabelecimento  fiscalizado,  a  qual  ainda recebe tratamento complementar, com o acréscimo de água e gás  carbônico.  Caso não  fosse necessária a adição de água, a preparação composta  não poderia ser chamada de concentrado, preparação classificada na  posição 21.06 cuja característica básica é ter um volume muito menor  do que as bebidas não alcoólicas da posição 22.02.  E  a  Nota  Explicativa  da  posição  2106,  quando  fala  em  tratamento  complementar,  não  está  se  referindo  à  operação  de  industrialização  Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.007            43 realizada  com  as  matérias­primas  após  seu  recebimento  pelo  engarrafador.  Refere­se,  sim, à adição de água e outras operações  complementares  efetuadas  sobre  o  concentrado  –  preparação  composta,  produto  da  industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, resultante da  mistura de diversos ingredientes.  Sobre a definição correta de concentrado, menciona­se o § 4º do art.  13,  do  Decreto  n°  6.871,  de  2009,  o  qual  define  expressamente  as  características do concentrado:  §  4º  O  produto  concentrado,  quando  diluído,  deverá  apresentar  as  mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade  para a bebida na concentração normal.”  E claro é que a norma transcrita nesse dispositivo, art. 13, do Decreto  n° 6.871, de 2009, não abrange apenas “bebida pronta concentrada (e  não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas)”, que  são  os  concentrados  cuja diluição  é  feita  pelo  consumidor  final,  pois  em  seus  §§  6º  e  7º  dão  orientações  que  são  de  interesse  apenas  de  estabelecimentos que industrializam bebidas, como é o caso de Ambev:  Art.  13.  A  bebida  deverá  conter,  obrigatoriamente,  a  matéria­prima  vegetal,  animal  ou  mineral,  responsável  por  sua  característica  sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco.  §  1o  A  bebida  que  apresentar  característica  sensorial  própria  da  matéria­prima de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe,  conterá,  obrigatoriamente,  esta  matéria­prima,  ressalvados  os  casos  previstos no caput.  § 2º O xarope e o preparado sólido para refresco que não contiverem a  matéria­prima  de  origem  vegetal  serão  classificados  e  considerados  artificiais, integrando à sua denominação o termo artificial.  [...]§ 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as  mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade  para a bebida na concentração normal.”  [...]§ 6o Na bebida que contiver gás carbônico, a medida da pressão  gasosa  será  expressa  em  atmosfera,  à  temperatura  de  vinte  graus  Celsius.  § 7o A água destinada à produção de bebida deverá atender ao padrão  oficial de potabilidade.  E  vale,  por  fim,  aqui  repisar  que  o  fato  da  aquisição  das Partes  dos  denominados  concentrados  ocorrer  em  conjunto  por  questões  industriais e logísticas, em nada altera a classificação fiscal a ser dada  para cada Parte (componente)”.  Ciência  e  Impugnação  A  empresa  tomou  ciência  da  exação  em  01/08/2016, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem  – Comunicado (fl. 933).  Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.008            44 Em  31/08/2016,  insubmissa,  a  contribuinte  apresentou,  por  meio  de  Termo  de  Solicitação  de  Juntada  (fl.  935),  a  impugnação  às  fls.  936/980,  subscrita  pelos  patronos  da  pessoa  jurídica  qualificados  na  documentação  de  representação  às  fls  981/992  e  instruída  com  a  documentação  às  fls.  1.021/1.615  e  1.622/1.635,  em  que  aduz,  em  síntese, o seguinte:  Preliminarmente – Nulidade do auto de infração:  1) Ilegitimidade Passiva: o auto de infração foi  lavrado em relação a  empresa sucessora que não realizou as operações que deram causa à  glosa de créditos; a Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV,  CNPJ  02.808.708  foi  incorporada  em  janeiro  de  2014  pelo  sujeito  passivo da autuação, a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001­00, que é  o  estabelecimento  matriz,  localizado  em  São  Paulo,  SP;  o  estabelecimento que efetuou os créditos, ora glosados, era uma filial da  empresa,  com  CNPJ  02.808.708/0081­83,  situada  em  Almirante  Tamandaré,  PR,  e,  depois  da  incorporação,  passou  a  ter  o  CNPJ  07.526.557/0034­ 78, desenvolvendo a mesma atividade fabril anterior;  por  força do CTN, art.  51,  § único,  c/c 132,  e do RIPI/2010, art. 24,  que  tratam  da  autonomia  dos  estabelecimentos  no  tocante  ao  cumprimento  das  obrigações  tributárias  e  da  responsabilidade  tributária pelos sucessores, o auto de infração somente poderia ter sido  lavrado  contra  o  estabelecimento  sucessor,  conforme  julgados  do  CARF; há a resposta nº 29 referente a “Perguntão” da própria Receita  Federal,  pela  qual  seriam  da  filial  resultante  da  incorporação  os  direitos  e  obrigações  relativos  ao  estabelecimento  adquirido;  a  autuação  deve  ser  anulada  por  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo;  2)  Alteração  dos  Critérios  Jurídicos:  houve  violação  do  art.  146  do  CTN, uma vez que não pode haver modificações abruptas nos critérios  jurídicos  adotados  pela  Administração  Tributária;  no  caso  concreto,  houve mudança de entendimento pela fiscalização quanto aos motivos  de  vedação ao  aproveitamento  de  créditos  referentes  a  aquisições  de  produtos da PEPSI­COLA, da AROSUCO e da VALFILM: a) erro de  classificação  fiscal  dosinsumos;  b)  matérias  primas  regionais  submetidas a processamento industrial anterior; em autos de infração  lavrados  anteriormente  sobre  operações  semelhantes,  a  causa  das  glosas foi a falta de cumprimento de requisitos do art. 6º do Decreto­lei  nº  1.435/75,  e  nunca  a  classificação  fiscal  dos  “kits”;  assim  como,  anteriormente  eram  aceitas  matérias  primas  com  processamento  industrial  prévio;  tudo  conforme  amostra  de  autuações  anteriores  (processos  nº  10880.727044/2015­61  e  nº  10480.721667/2015­32),  a  classificação  fiscal  adotada  para  os  “kits”  (2106.90.10  Ex  01)  e  a  apropriação de créditos referentes a produtos elaborados na ZFM com  insumos  industrializados  foram  homologadas  expressamente  em  atos  oficiais, sendo que a previsibilidade (segurança jurídica) deve reger o  sistema  tributário  e  a  retroação  de  normas  mais  gravosas  é  expressamente  vedada  pela  Constituição  Federal  (art.  150,  III),  em  harmonia com os arts. 144 e 146 do CTN, de acordo com doutrina e  jurisprudência;  a  lavratura  do  auto  de  infração questionada  somente  poderia ter ocorrido mediante a expedição prévia de norma de caráter  geral  (ato  normativo)  ou  individual  (notificação  fiscal)  com  a  comunicação  da  mudança  de  procedimento  das  autoridades  Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.009            45 fazendárias; de qualquer modo, a aceitação em ações fiscais anteriores  do  tratamento  fiscal  dado  pelo  sujeito  passivo  às  questões  caracterizaria  prática  reiteradamente  adotada  pela  Administração  Tributária  e,  portanto,  norma  complementar  à  legislação  tributária  (art. 100, III, do CTN), o que motivaria, no mínimo, o afastamento da  multa, dos juros e da correção monetária exigidos;  3)  Iliquidez  e  Incerteza  do  Lançamento:  o  lançamento  é  ilíquido  e  incerto, portanto nulo, conforme entendimento do CARF, pois não foi  utilizada a escrita fiscal definida pelo Sistema de Controle de Créditos  e  Compensações  (SCC)  em  virtude  da  pendência  de  análise  dos  pedidos  de  ressarcimento  apresentados  pela  contribuinte  no  tocante  aos trimestres de janeiro a dezembro de 2012, contudo, os pedidos de  ressarcimento/compensação  deveriam  ter  sido  considerados  como  plenamente  eficazes  por  força  do  CTN,  art.  150,  §  1º,  pelo  qual  o  pagamento antecipado extingue o crédito sob condição resolutória de  ulterior homologação; o  saldo credor existente em dezembro de 2011  não  deveria  ter  sido  desprezado,  pois  o  indeferimento  do  pedido  do  processo administrativo nº 10880.727044/2015­61 depende de decisão  definitiva;  portanto;  o  saldo  credor  de  dezembro  de  2011  e  todos  os  créditos  objeto  de  PER/DCOMP  dos  trimestres  de  2012  foram  desconsiderados  indevidamente,  o que  implica a  exclusão de  créditos  passíveis de ressarcimento no montante de R$ 20.961.717,80 (doc. 09);  a  glosa  do  saldo  credor  de  2011  não  foi  definitiva,  sendo  que  a  contestação  teve  o  condão  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  (CTN, art. 151,  III),  embora,  segundo a doutrina, não haja  suspensão mas sim um simples  impedimento procedimental  (o crédito  não se encontraria definitivamente constituído);  tendo sido ofertada a  impugnação  em  janeiro  de  2016  (doc.  09)  em  relação  ao  processo  administrativo  nº  10880.727044/2015­61,  o  julgamento  do  presente  feito deve ser sobrestado até a superveniência de decisão final naquele  processo, conforme manifestações do CARF nessa linha;  No mérito – Direito aos créditos glosados:  1) Falta de preenchimento dos  requisitos do art. 6º do Decreto­lei nº  1.435/75 para o aproveitamento de créditos de insumos adquiridos dos  fornecedores  AROSUCO,  PEPSI­COLA,  RAVIBRÁS  e  VALFILM,  e  ainda que cumpridos os requisitos, não haveria o direito aos créditos  em  face da alíquota  zero dos  insumos adquiridos da AROSUCO e da  PEPSI­COLA:  1.1)  A  correta  interpretação  do  art.  6º  do  Decreto­lei  nº  1.435/75,  impõe que seja aceita, além da utilização de matéria prima regional in  natura  (matéria  prima  bruta),  a  utilização  de  matéria  prima  processada: a noção de matéria prima empregada pela  lei  é ampla e  genérica,  sendo  que  qualquer  produto  pode  funcionar  como  matéria  prima  de  outro  produto;  o  mencionado  art.  6º  não  faz  alusão  a  “matéria  prima  bruta”  ou  “provinda  da  natureza”,  sendo  a  única  interpretação  possível  é  a  de  que  o  benefício  é  aplicável  a  qualquer  mercadoria  que  contenha  matérias  primas  de  base  vegetal,  independentemente  de  haver  ou  não  processamento;  do  benefício  são  apenas excetuadas as matérias primas de origem animal; o benefício é  de  natureza  objetiva;  conforme  a  Portaria  Interministerial  MPO/MICT/MCT  nº  8/98  (doc.  05),  que  trata  do  processo  produtivo  Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.010            46 básico dos concentrados para refrigerantes, é “admitida a realização,  por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações  inerentes  ao  atendimento  às  etapas  de  produção”,  ou  seja,  há  o  reconhecimento de que o benefício abrange produtos elaborados com  matérias primas de origem agrícola ou extrativas vegetais submetidas  a  processamento  anterior  por  outras  empresas  da  ZFM;  na  mesma  Portaria  Interministerial,  acerca  da  fabricação  do  corante  caramelo,  inexiste  a  exigência  de  que  o  açúcar  seja  originário  da  Amazônia  Ocidental;  1.2)  O  entendimento  oficial  da  SUFRAMA,  órgão  que  detém  a  competência  exclusiva  para  aprovar  e  fiscalizar  os  projetos  de  empresas  que  pretendam usufruir  dos  benefícios  fiscais  do  art.  6º  do  Decreto­lei  nº  1.435/75  (além  de  estabelecer  normas,  exigências,  limitações e condições para a aprovação dos projetos), em resposta a  consulta formulada pela PEPSI­COLA (doc. 06), é o seguinte:  “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não  alcoólicas  a  partir  de  matéria­prima  industrializada  com  extrato  vegetal  produzido  a  partir  de  matéria­prima  industrializada  com  extrato  vegetal  produzido  localmente  que  não  seja  típico  da  região  amazônica  (por  ex.  açúcar  de  cana)  é  beneficiada  com  o  incentivo  previsto  no  art.  6º  do Decreto­lei  n.  1.435/75  (...)”O  contribuinte  de  boa­fé,  adquirente  dos  produtos,  não  pode  ser  penalizado  pelo  “entendimento oficial” dos  órgãos  que  disciplinam e  jurisdicionam o  incentivo  (no  caso, MPO/MICT/MCT  e  SUFRAMA)  e  a  atuação  das  autoridades  fazendárias  deve  ser  coerente  com  a  posição  oficial  do  órgão ao qual compete exclusivamente aprovar os projetos referentes  ao  benefício  fiscal,  o  que  é  ratificado  por  decisão  do  CARF;  a  anulação  de  ato  administrativo  por  “vício  de  ilegalidade”  deve  ser  efetuada  de  forma  expressa  e  com  observância  do  devido  processo  legal, não meramente por via interpretativa, de acordo com posição do  STJ: “quando  se  confere a  certo  e determinado órgão administrativo  alguma atribuição operacional, se está, ipso facto, excluindo os demais  órgãos  administrativos  do  desempenho  legítimo  dessa  mesma  atribuição;  essa  é  uma  das  pilastras  do  sistema  organizativo  e  funcional  estatal  e  abalá­la  seria  o  mesmo  que  abrir  a  porta  da  Administração para a confusão, a celeuma e mesmo o caos”; o auto de  infração  é  improcedente,  pois  a  glosa  de  créditos  relativos  aos  produtos da AROSUCO e da PEPSI­COLA contraria o disposto no art.  6º do Decreto­lei nº 1.435/75;  2)  Os  créditos  sobre  a  aquisição  de  produtos  fabricados  na  Zona  Franca  de  Manaus  têm  apropriação  assegurada;  a  empresa  fornecedora  é  titular  de  incentivo  fiscal  com  tratamento  diferenciado  assegurado pelo art. 40 do ADCT, o que foi reconhecido pelo STF em  ressalva contida em acórdão proferido no RE 566.819/RS, sendo que a  repercussão  geral  será  apreciada  nos  autos  do  RE  nº  592.891/SP;  a  manutenção dos créditos garante o tratamento tributário mais benéfico  para as aquisições oriundas da ZFM;  3)  Ilegitimidade  (nulidade  por  carência  de  motivação  fática  e,  no  mérito,  improcedência)  da  glosa  de  créditos  em  virtude  de  erro  de  classificação  fiscal  dos  “kits”  adquiridos  da  PEPSI­COLA  e  da  AROSUCO:  Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.011            47 3.1)  O  trabalho  fiscal  é  nulo  porque,  à  luz  da  “teoria  dos  motivos  determinantes”, não houve comprovação do “erro” pelo Fisco, sendo  cruciais  a  indicação  dos  motivos  de  fato  e  de  direito  e  a  perfeita  correlação  (subsunção)  do  fato  à  norma  para  a  validade  do  ato  administrativo;  sendo  auto  de  infração,  os  requisitos  do  art.  142  do  CTN devem estar presentes (verificação da ocorrência do fato gerador,  determinação  da matéria  tributável  e  cálculo  do montante  do  tributo  devido);  não  há  elementos  técnicos  para  embasar  a  reclassificação  fiscal,  esta  empreendida  “com  base  em  alegações  calcadas  em  conhecimentos  empíricos,  sem  amparo  em  laudo  técnico  que  justificasse  a  nova  classificação  fiscal  imputada  de  ofício”;  a  classificação fiscal dos produtos é de responsabilidade dos respectivos  fornecedores, e a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação,  colhendo  informações  dos  fornecedores  e  submetendo­as  a  órgão  técnico  especializado,  inclusive  com  a  colheita  de  amostras  e  solicitação  de  perícia,  não  só  meras  fotografias  de  embalagens  dos  “kits”; há precedentes do CARF de nulidade absoluta para situações  de  reclassificação  fiscal  sem  prova  técnica;  a  motivação  fática  da  glosa  também  é  insuficiente,  além  de  deficiente,  porque  a  NCM  2106.90.10 Ex 01 contempla, além dos concentrados, os sabores: seria  necessário  também  comprovar  que  nenhum  dos  componentes  dos  “kits”  corresponde  ao  conceito  de  “sabores”  para  a  fabricação  de  bebidas;  3.2)  Para  a  fiscalização,  mesmo  que  os  insumos  destinados  à  fabricação de bebidas fornecidos pela PEPSI­COLA e pela AROSUCO  estivessem de acordo com as diretrizes do Decreto­lei nº 1.435/75, não  haveria  créditos  do  imposto  a  apropriar  “como  se  devido  fosse”  em  virtude  de  erro  de  classificação  fiscal:  os  insumos  deveriam  ser  enquadrados em códigos diversos, com alíquota zero, e não no código  NCM  2106.90.10  Ex  01,  já  que  os  “kits”  não  poderiam  ser  tratados  como produtos únicos e não constituem “preparações compostas para  fabricação  de  refrigerantes”  por  não  estarem  prontas  para  uso  pelo  adquirente  (a diluição e a gazeificação são feitas por este e não pelo  fornecedor);  a  acusação  fiscal  tem  esteio  na  presunção  de  que  a  PEPSI­COLA  e  a  AROSUCO  teriam  aplicado  as  RGI/SH  2.a)  e  3.b)  com  o  objetivo  de  tratar  os  “kits”  como  mercadorias  únicas  classificadas no código NCM 2106.90.10 Ex 01, mas é manifestamente  improcedente  porque  a  fiscalização  olvidou  da  RGI/SH  nº  1,  regra  preponderante  sobre  as  demais;  prossegue  a  impugnante  conforme  a  transcrição que segue:  “Com  efeito,  assim  dispõe  o  NCM  2106.90.10,  "ex.  01",  cerne  da  acusação fazendária:  "21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas  noutras posições.  2106.90.10  Preparações  dos  tipos  utilizados  para  elaboração  de  bebidas.  Ex  01  (IPI)  Preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da  posição  22.02,  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  parte  do  concentrado"  A mera  leitura  das  normas  Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.012            48 transcritas  revela  que  o  código  2106.90.10  designa  apenas  as  preparações destinadas à fabricação de bebidas e o seu "ex. 01", mais  específico,  restringe­se  às  "preparações  compostas"  (mais  de  uma  substância)  não  alcoólicas,  utilizadas  "para  a  elaboração"  de  refrigerantes/refrescos  (posição  22.02),  com  capacidade  de  diluição  superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado.  O discrimen utilizado na especificação da NCM, portanto, é finalístico,  sendo  a  sua  pedra  de  toque  o  fato  de  uma  determinada  preparação  composta,  sem  teor  alcoólico  e  com  determinada  capacidade  de  diluição, ser  remetida para a  fabricação de refrescos/refrigerantes. É  esta  a  especificidade  do  "ex"  em  relação  à  descrição  contida  no  "caput" da subposição.  De outro lado, as notas da posição 2106, universo no qual se insere a  NCM  n.  2106.90.10,  inclusive  o  respectivo  "ex.  01",  são  claras  no  sentido de que os extratos concentrados ou sabores para a preparação  industrial de bebidas estão nela compreendidos, ainda que necessitem  de  processo  industrial  complementar  ou  da  adição  de  outros  ingredientes, para se tornarem aptos ao consumo:  “(...) a presente posição compreende:  A)  As  preparações  para  utilização  na  alimentação  humana,  quer  no  estado  em  que  se  encontram,  quer  depois  de  tratamento  (cozimento,  dissolução ou ebulição em água, leite, etc.).  • Classificam­se especialmente aqui:  7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de  substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas  bebidas  não  alcoólicas  ou  alcoólicas.  Estas  preparações  podem  ser  obtidas  adicionando  aos  extratos  vegetais  da  posição  13.02  diversas  substâncias,  tais  como  ácido  láctico,  ácido  tartárico,  ácido  cítrico,  ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de  frutas,  etc.  Estas  preparações  contêm  a  totalidade  ou  parte  dos  ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida.  Em  conseqüência,  a  bebida  em  questão  pode,  geralmente,  ser  obtida  pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou  sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns  destes  produtos  são  preparados  especialmente  para  consumo  doméstico;  são  também  freqüentemente  utilizados  na  indústria  para  evitar os  transportes desnecessários de grandes quantidades de água,  de  álcool,  etc.  Tal  como  se  apresentam,  estas  preparações  não  de  destinam  a  ser  consumidas  como  bebidas,  o  que  as  distingue  das  bebidas do Capítulo 22.  12)  As  preparações  compostas  para  fabricação  de  refrescos  ou  refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por:  ­  xaropes  aromatizados  ou  corados,  que  são  soluções  de  açúcar  adicionadas  de  substâncias  naturais  ou  artificiais  destinadas  a  conferir­lhes,  por  exemplo,  o  gosto  de  certas  frutas  ou  plantas  (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido  cítrico ou de agentes de conservação;  Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.013            49 ­  um  xarope  a  que  se  tenha  adicionado,  para  aromatizar,  uma  preparação  composta  da  presente  posição  (ver  o  n°  7,  acima),  contendo,  por  exemplo,  quer  extrato  de  cola  e  ácido  cítrico,  corado  com  açúcar  caramelizado,  quer  ácido  cítrico  e  óleos  essenciais  de  frutas (por exemplo, limão ou laranja);  ­  um  xarope  a  que  se  tenha  adicionado,  para  aromatizar,  sucos  de  frutas  adicionados  de  diversos  componentes,  tais  como  ácido  cítrico,  óleos  essenciais  extraídos  da  casca  da  fruta,  em  quantidade  tal  que  provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural;  ­ suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção  que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco  natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc.  Estas  preparações  destinam­se  a  ser  consumidas  como  bebidas,  por  simples  diluição  em  água  ou  depois  de  tratamento  complementar.  Algumas  preparações  deste  tipo  servem  para  se  adicionar  a  outras  preparações alimentícias.  ...................................”  Como  se  vê,  diferentemente  do  que  sustenta  a  Fiscalização,  enquadram­se no conceito de "preparações compostas", a que se refere  o  ex  01  da  subposição  2106.90.10  da  NCM,  todas  as  substâncias  formadas  por  um  conjunto  de  ingredientes  que  lhes  confira  um  propriedade  aromática  passível  de  determinar,  isoladamente  ou  mediante  combinação  com  outras  substâncias,  o  sabor  característico  de determinada bebida.  Acentue­se que a própria Fiscalização admite que: “O que se verificou  no  curso  deste  procedimento  fiscal  é  que  cada  componente  do  kit  (Parte),  isoladamente  considerado,  configura  preparação  composta,  não  existindo  qualquer  fundamento  no  entendimento  de  que  um  conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma  preparação composta.”  (p.  71). Ora, diante da  expressa admissão de  que  todos  os  ingredientes  dos  kits  são  preparações  compostas  e  da  circunstância  de  que  todos  eles  são  utilizados  como  insumos  para  a  fabricação de refrescos, é forçoso concluir pela sua inclusão no âmbito  do ex 01 da posição 2106.90.10 da TIPI/NCM.  O item XI da RGI 3b) da NESH em nada interfere com a questão. Tal  item apenas diz que a regra em questão “não se aplica às mercadorias  constituídas  por  diferentes  componentes  acondicionados  separadamente  e  apresentados  em  conjunto  (mesmo  em  embalagem  comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas,  por exemplo”, sem, contudo, especificar qual o tratamento a ser dado a  tais mercadorias. Essa observação é  importante, pois a  regra contém  três  possibilidades  de  classificação  (letras  “a”,  “b”  e  “c”)  e,  como  nenhuma  delas  se  aplica  ao  caso,  fica  confirmado  que  a  solução  do  caso não pode se basear na referida RGI 3. Por  isso,  são  igualmente  irrelevantes para o caso as manifestações do Conselho de Cooperação  Aduaneira  citadas  pela  Fiscalização.  Até  porque,  tais  manifestações  não  estão  listadas  quer  na  IN  RFB  1.459/2014,  quer  na  IN  RFB  873/2013.  Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.014            50 Para  aferir  a  correta  classificação  dos  produtos  adquiridos  pela  Impugnante  deve,  pois,  ser  observada  a  RGI/SH  1,  mesmo  porque  o  texto  do  ex  01  da  suposição  2106.90.10  e  as  respectivas  notas  explicativas são suficientes para a correta classificação dos “kits”.  Afinal,  como  explicam  as  notas  da  posição  2106,  as  preparações  compostas para a  fabricação de bebidas podem conter apenas “parte  dos  ingredientes  aromatizantes  que  caracterizam  uma  determinada  bebida”  para  utilização  “depois  de  tratamento  complementar”,  inclusive  com  a  eventual  “adição,  por  exemplo,  de  açúcar  ou  de  dióxido de carbono”, ou mesmo de “outras preparações alimentícias”.  A  segregação  de  tais  preparações  se  justifica  para  “evitar  os  transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool,  etc”, justamente porque elas “não se destinam a ser consumidas como  bebidas”, mas sim como insumos para a fabricação das bebidas.  Diante disso, cai por terra a tese da Fiscalização de que só poderiam  ser consideradas como "preparações compostas", nos termos do ex 01  da  subposição  2106.90.10  da NCM,  aquelas  que  já  estivessem de  tal  maneira processadas que permitissem a obtenção da bebida mediante  mera diluição em água.  Nitidamente, o Fisco confunde a bebida pronta em estado concentrado  (como  as  da  posição  20.09  da  NCM)  com  os  diversos  tipos  de  concentrados e sabores utilizados como insumos para a fabricação de  bebidas (posição 2106.90.10, ex 01, da NCM).  Prova  disso  é  a  utilização,  como  argumento  de  acusação,  da  Lei  8.918/94  e  seu  regulamento,  os  quais  tratam  da  "padronização,  a  classificação,  o  registro,  a  inspeção,  a  produção  e  a  fiscalização  de  bebidas". Os arts. 13, §4°, e 30 do Decreto 6.817/200931,  transcritos  no TDF, tratam justamente do produto concentrado,  isto é, da bebida  pronta  concentrada  (e  não  de  concentrados  ou  sabores  para  a  fabricação de bebidas). Aliás, o caput do art. 13 diz serem inaplicáveis  suas  previsões  ao  "xarope"  e  ao  "preparado  sólido para  refresco",  o  que realça o equívoco do Fisco.  Assim,  na  medida  em  que  a  Fiscalização  reconhece  todos  os  “kits”  contemplam  os  sabores  específicos  das  bebidas  respectivas  (sabor  “Pepsi”,  sabor  “guaraná”,  “sabor  Sukita”  etc.),  bem  como  as  substâncias  adicionais  que  os  modificam,  é  evidente  que  todos  eles  caracterizam,  no  seu  conjunto  ou  individualmente,  preparações  compostas  para  a  fabricação  de  bebidas  abrangidas  pelo  ex  01  da  subposição 2106.90.10 da NCM.  Em  outras  palavras,  os  “kits”  autuados  consistem  em  ingredientes  destinados  à  fabricação  de  bebidas,  compostos  por  substâncias  diversas,  as  quais,  consideradas  no  conjunto  ou  individualmente,  classificam­se como preparações compostas, com a função de conferir  à  bebida  a  ser  produzida  o  seu  sabor  próprio  e  as  suas  demais  características  sensoriais,  dando  identidade  ao  produto  vendido  aos  consumidores.  Certo, alega a Fiscalização que "as partes dos kits fornecidos que não  contém  extrato  vegetal  de  guaraná,  nem  líquido  natural  dos  refrigerantes  sabor  limão ou  laranja,  ou  Sukita  ou  extrato  de  noz  de  Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.015            51 cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes,  como edulcorantes e/ou sequestrantes",  sendo que "a mistura de pelo  menos dois desses ingredientes resulta numa preparação para uso em  diversos  alimentos,  mas  não  especificamente  para  aplicação  em  bebidas." (destacamos)  Ocorre  que  tais  ingredientes,  ainda  que  não  tenham  sabores  específicos, são formados pela reunião de várias substâncias e cada kit  contém  a  quantidade  exata  para  mistura  com  os  extratos  e  outros  aromatizantes característicos de cada bebida. Dessa maneira, os itens  adicionais contribuem para formação do aroma do produto final, o que  justifica  a  sua  classificação  no  ex  01  da  subposição  2106.90.10  da  NCM.  De qualquer forma, ainda que, para argumentar, se entendesse que as  partes  dos  kits  com  acidulantes,  conservantes  e  outros  itens  que  não  contêm  extratos  ou  aromatizantes  específicos,  devessem  ser  classificadas em outro código da NCM, não haveria qualquer valor de  IPI a ser glosado pelo Fisco no caso concreto.  De  fato,  os  documentos  fiscais  juntados  aos  autos  demonstram  que  todos  os  "kits"  contemplam  os  sabores  específicos  das  bebidas  respectivas (sabor "Pepsi", sabor "guaraná", "sabor Sukita" etc.), bem  como  as  substâncias  adicionais  que  os  modificam,  sendo  comercializados  por  preços  compreensivos  do  todo  (cujo  dimensionamento se dá pela fórmula de cada bebida, objeto de segredo  industrial). Isso se explica porque a aquisição dos sabores em conjunto  com  as  substâncias  adicionais  dá­se  por  questões  industriais  e  logísticas,  sendo  certo  que  estas  últimas,  isoladamente  consideradas,  não possuem valor econômico para os fins da operação praticada.  Vale dizer, a prova acostada pelo próprio Fisco confirma não se trata  de produtos vendidos separadamente, mas de unidades para diluição e  envase  acondicionadas  separadamente  por  questões  de  eficiência  logística  (menor  volume  transportado),  como,  aliás,  é  expressamente  admitido pelas notas da posição 2106 acima citadas.  Assim, ainda que houvesse a segregação dos itens adicionais do kit que  não  constituem  extratos  ou  outros  aromatizantes,  nem  assim  haveria  crédito  tributário a  constituir,  pois eles não  têm valor  econômico, no  contexto da operação.  Em  face  do  exposto,  conclui­se  que  não  houve  erro  de  classificação  fiscal  nas  notas  de  aquisição  dos  “kits”  de  concentrados  e  sabores  destinados  à  fabricação de  bebidas,  pois:  (1)  o “kit”  contempla  uma  unidade  de  ingredientes  para  a  fabricação  de  bebidas  que,  pela  diversidade  de  substâncias  envolvidas,  configura  preparação  composta; e (2) cada item do “kit”, isoladamente considerado, também  configura  preparação  composta  que  confere  sabor  e  outros  traços  sensoriais à bebida fabricada. Além disso, mesmo que parte dos itens  devesse  ser  classificada  em  outra  subposição  da  NCM,  não  haveria  valor econômico individual que possibilitasse a glosa do IPI”.  4)  É  improcedente  a  glosa  de  créditos  relativos  a  mercadorias  adquiridas  para  emprego  no  processo  industrial:  matérias  primas  e  materiais  intermediários  tais  como  peças  e  partes  de  máquinas,  Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.016            52 produtos para higienização de maquinário ou de embalagens, produtos  utilizados  na manutenção das máquinas,  combustíveis  e  lubrificantes,  energia  elétrica,  equipamentos  de  segurança,  filtros  e  retentores,  material  de  limpeza  e  higienização,  material  elétrico  e  hidráulico,  uniformes de empregados; todos os itens mencionados são necessários  e  foram consumidos na atividade produtiva,  não  sendo destinados ao  ativo permanente; o disposto no RIPI/2010 (art. 226, I, c/c art. 610, II)  e no PN/CST nº 65/1979 sofre distorção interpretação da fiscalização,  porque não há necessidade do contato direto com o produto final, mas  deve  haver  a  aplicação  dos  bens,  de  alguma maneira,  na  produção;  alguns  itens  são  imprescindíveis  ao  processo  produtivo,  consoante  laudo  técnico  anexado  (doc.  07);  em  alguns  julgados,  há  posição  do  CARF favorável ao direito ao crédito em situações similares;  5) Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada  apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o  consumo,  provenientes  de  empresas  do  mesmo  grupo  econômico  e  sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na  saída  das  mercadorias,  conforme  documentação  anexada;  quando  muito,  a  fiscalização  poderia  ter  exigido  acréscimos  moratórios  de  forma  isolada  por  força  da  postergação  na  satisfação  da  obrigação  principal, mas nunca o  tributo  (bis  in  idem),  conforme ato normativo  referente  a  IRPJ  e  CSLL  e  precedentes  do  CARF;  ademais,  foram  computadas entradas de mercadorias a título de devoluções de vendas  realizadas previamente e registradas sob os códigos de CFOP nº 1403,  1410,  2401,  2410,  2411  e  2949,  e  que  devem  ser  excluídas  do  lançamento;  6) Quanto aos kits destinados ao preparo de refrigerantes, recebidos de  fornecedores de outras regiões do país, primeiramente, a classificação  fiscal  adotada  está  correta,  conforme  já  discorrido  em  tópico  precedente; em segundo lugar, o pagamento de recursos ao emitente de  notas fiscais é  feito mediante encontro de contas, o que é normal nas  relações entre empresas de um mesmo grupo econômico, sendo que os  créditos não decorrem do pagamento do imposto pelo remetente, mas  da  cobrança  do  imposto  na  operação  anterior  (RIPI/2010,  art.  226),  sendo incontroverso o destaque do IPI na documentação fiscal emitida  e  o  direito  ao  crédito,  sob  pena  de  ocorrência  de  bi­tributação  e  de  violação  do  princípio  da  nãocumulatividade;  além  do  mais,  é  despropositada a exigência de demonstração do pagamento pelo valor  de  compra  para  assegurar  a  manutenção  dos  créditos,  já  que  a  comprovação  da  assunção  do  ônus  financeiro  do  imposto  somente  é  necessária  na  hipótese  de  repetição  de  imposto  pago  indevidamente  pelo fornecedor (CTN, art. 166);  7)  A  impugnante  é  adquirente  de  boa­fé  e  os  créditos  aproveitados  devem ser convalidados, uma vez que a correta classificação fiscal dos  produtos,  as  respectivas  alíquotas  e  os  valores  do  imposto  são  de  responsabilidade  do  emissor  da  nota  fiscal  (RIPI/2010,  arts.  407  e  413),  conforme  situação  análoga  na  órbita  do  ICMS  com  pronunciamento do STJ.  Por  fim,  requer que seja reconhecida a  improcedência das acusações  fiscais,  com o cancelamento definitivo do auto de  infração; por outro  lado, com o  fito de dirimir dúvidas porventura existentes, pugna pela  Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.017            53 realização  de  diligência  e/ou  perícia  técnica  no  que  concerne  às  operações  com  produtos  sujeitos  ao  regime monofásico,  conforme  os  quesitos enunciados em anexo.  Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 14­ 62.485 ­ 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1686/1688), com a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período  de  apuração:  01/01/2012  a  31/12/2012  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  CRÉDITOS  INCENTIVADOS.  PRODUTOS  ISENTOS  ADQUIRIDOS  DA  AMAZÔNIA  OCIDENTAL.  DESCUMPRIMENTO  DE REQUISITOS.  São  insuscetíveis  de  apropriação  na  escrita  fiscal  os  créditos  incentivados concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego  no  processo  industrial,  mas  não  elaborados  com  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  de  produção  regional  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na  Amazônia Ocidental,  a  despeito  de  que  os  projetos  sejam  aprovados  pelo Conselho de Administração da SUFRAMA.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  CRÉDITOS  INCENTIVADOS.  PRODUTOS  ADQUIRIDOS  DA  AMAZÔNIA  OCIDENTAL  COM  ERRO  DE  CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA.  São  passíveis  de  aproveitamento  na  escrita  fiscal  apenas  os  créditos  incentivados  relativos  a  produtos  com  classificação  fiscal  correspondente  a  alíquota  diferente  de  zero,  sendo  os  produtos  oriundos da Amazônia Ocidental e, portanto, isentos.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  PRODUTOS  ISENTOS  ADQUIRIDOS  DA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  CRÉDITOS  FICTÍCIOS.  APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Somente  são  passíveis  de  aproveitamento  na  escrita  fiscal  do  sujeito  passivo  os  créditos  concernentes  a  aquisições  de  produtos  onerados  pelo imposto.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  AQUISIÇÕES  DE  ARTEFATOS  DESCARACTERIZADOS  COMO  MATÉRIAS  PRIMAS,  PRODUTOS  INTERMEDIÁRIOS  OU  MATERIAL  DE  EMBALAGEM.  APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Somente  são  passíveis  de  aproveitamento  na  escrita  fiscal  do  sujeito  passivo  os  créditos  concernentes  a  matérias  primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  empregados  no  processo  industrial,  segundo  o  estrito  entendimento  albergado  na  legislação  tributária do que pode ser considerado como insumos.  GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE  TRIBUTAÇÃO  ESPECIAL.  INCIDÊNCIA  ÚNICA  DO  IMPOSTO.  TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS.  No  regime  de  tributação  especial  previsto  para  as  bebidas  não  alcoólicas,  as  saídas  de  produtos  acabados  têm  incidência  única  do  Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.018            54 imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas  aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal.  GLOSA DE CRÉDITOS. CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES.  ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. FALTA DE  COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO.  Devem  ser  glosados  os  créditos  concernentes  a  concentrados  para  refrigerantes adquiridos com erro de classificação fiscal e de alíquota,  sendo correta a alíquota de 0% e inexistente a comprovação de que a  adquirente tenha arcado com o ônus financeiro do imposto destacado  nas notas fiscais de aquisição.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de  apuração:  01/01/2012  a  31/12/2012  ÁREA  DE  COMPETÊNCIA  DA  FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL.  Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações  tributárias  principais  e  acessórias,  ainda  que  haja  imunidade  condicionada  ou  isenção,  podem  ser  objeto  de  fiscalização  tributária,  sendo o Auditor  Fiscal  da Receita Federal  do Brasil  a  autoridade  competente  para  a  condução das atividades.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração:  01/01/2012  a  31/12/2012  NULIDADE.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA. INCORPORAÇÃO.  Mesmo sendo o caso de estabelecimento filial que continue a atividade  industrial  e  mantenha  a  documentação  e  livros  fiscais,  inexiste  nulidade  por  erro  de  identificação  do  sujeito  passivo  se  o  auto  de  infração for lavrado contra o estabelecimento matriz, pois, na hipótese  de  ocorrência  de  incorporação,  a  pessoa  jurídica  incorporadora  é  responsável  pelos  tributos  devidos  pela  empresa  sucedida  (estabelecimento matriz e filiais) até a data do ato sucessório.  NULIDADE. FALTA DE LIQUIDEZ E DE CERTEZA DA EXIGÊNCIA  FISCAL.  DESCONSIDERAÇÃO  INDEVIDA  DE  SALDOS  CREDORES.  Em virtude da ausência de erros na fixação da dimensão quantitativa  do  crédito  tributário  constituído,  com  o  cômputo  de  todos  os  saldos  credores  legítimos  existentes  na  escrita  fiscal,  inexiste  nulidade  por  falta de liquidez e de certeza da peça acusatória.  NULIDADE.  ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIOS  JURÍDICOS.  INOBSERVÂNCIA  DE  PRÁTICAS  REITERADAS  PELA  ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.  A alteração de  estratégia de  fiscalização, com o aprofundamento das  investigações  acerca  da  legitimidade  de  créditos  incentivados  relativamente  a  procedimento  fiscal  anterior,  não  corresponde  a  modificação  de  critérios  jurídicos  (aplicação  retrospectiva  de  ato  normativo  com  disposições  mais  onerosas  ao  sujeito  passivo)  ou  inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e,  destarte, inexiste nulidade.  NULIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO.  Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.019            55 A classificação  fiscal de mercadorias  consiste  em atividade de  índole  estritamente tributária, sendo que a reclassificação fiscal dos produtos  recebidos dos fornecedores foi perfeitamente motivada, com a perfeita  subsunção dos fatos às normas tributárias que tratam de classificação  fiscal de mercadorias.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA  OU  PERÍCIA.  INDEFERIMENTO.  PRESCINDIBILIDADE.  Indefere­se o pedido de realização de diligência ou perícia prescindível  para o deslinde da causa, a despeito da presença dos requisitos básicos  como a indicação do perito e a formulação dos quesitos.  Impugnação  Improcedente  Crédito  Tributário  Mantido  Foi  apresentado  Recurso  Voluntário  às  fls.  1873  e  seguintes,  no  qual  a  Recorrente apresenta as seguintes razões:  1.  Nulidade  do  Auto  de  Infração  1.1.  Ilegitimidade  passiva.  Erro  na  determinação do sujeito passivo. Precedentes.   1.2. Erros na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento.  1.3.  Alteração  dos  critérios  jurídicos  adotados  pelas  autoridades  fiscais  em  relação  aos  “kits”  para  a  produção  de  refrigerantes  fornecidos  pela  PEPSI/AROSUCO  e  aos  materiais  de  embalagem  fornecidos pela VALFILM. Violação ao art. 146 do CTN.  2. Direito aos créditos glosados pelo Fisco 2.1. Ilegitimidade da glosa  dos  créditos  relativos  aos  insumos  e  materiais  de  embalagem  para  fabricação de refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus.  2.2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao  regime especial de que trata o art. 58­N da Lei n. 10.833/03. O imposto  foi  recolhido  na  saída  das  mercadorias.  Haveria,  no  máximo,  postergação no seu pagamento.  2.3.  Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de bens  de  uso  ou  consumo  pela  Recorrente  (matérias  primas,  materiais  de  embalagem e materiais intermediários de produção).  2.4.  Ilegitimidade  da  glosa  de  créditos  relativos  a  mercadorias  (preparações  compostas para a  fabricação de bebidas  e materiais de  embalagem)  tributadas  que  não  seriam  enquadradas  na  subposição  2106.90.10,  “ex.  01”,  da  TIPI/NCM  (e  sim  em  outras  posições,  com  alíquota zero do imposto).  É o relatório.      Voto   Conselheira Liziane Angelotti Meira.  Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.020            56  O recurso voluntário é  tempestivo e atende aos demais pressupostos  legais de  admissibilidade e deve ser conhecido.  A  Recorrente  juntou  parecer  do  Instituto  Nacional  de  Tecnologia  ­  INT,  fls.  1935/1963.  Contudo,  não  foi  dado  conhecimento  de  tal  parecer  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional.  Sendo  assim,  voto  por  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade de Origem, para que o processo seja dado ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional  de laudo técnico apresentado pelo contribuinte       (assinado digitalmente)  Liziane Angelotti Meira  Fl. 2020DF CARF MF

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Numero do processo: 11487.720010/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão em relação às alegações de nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/2001 e da aplicação da instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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3301­005.706  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2019  Matéria  COFINS            Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2013  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CONTRADIÇÃO  MATERIAL.  OMISSÃO.   Verificada  contradição  e  omissão  no  acórdão  embargado,  cumpre  dar  provimento aos embargos, sem efeitos infringentes.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos  de  declaração,  sem  efeitos  infringentes,  para  sanar  a  omissão  em  relação  às  alegações de nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158­35/2001 e da  aplicação da instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira Presidente     (assinado digitalmente)   Liziane Angelotti Meira     Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'  Oliveira,  Ari  Vendramini,  Salvador  Cândido  Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e  Winderley Morais Pereira (Presidente).  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 48 7. 72 00 10 /2 01 3- 99 Fl. 19153DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.154          2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante da decisão embargada  (fls. 18620/18637):  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  elaborado  pela  decisão recorrida (fls.18.397/18.438), abaixo transcrito:  Trata o presente processo de Auto de Infração formalizado para  exigência da diferença de tributos, acrescida de multa de ofício e  juros  de  mora,  além  de  multa  regulamentar,  em  virtude  da  reclassificação  fiscal  de mercadorias  importadas  por  meio  das  Declarações  de  Importação  (DI)  relacionadas  na  peça  impositiva, perfazendo o valor total do crédito tributário exigido  R$ 27.305.431,57.  Relata  a  fiscalização  que  procedeu  à  análise  da  classificação  fiscal  adotada  pela  interessada  na  importação  de  produtos,  no  período de janeiro de 2009 a março de 2013, classificados sob o  código  NCM  8473.30.49  ­  outros  circuitos  impressos  com  componentes  elétricos  ou  eletrônicos  montados,  com  alíquotas  de  12%  para  o  Imposto  de  Importação  (II),  15%  para  o  IPI,  1,65%  para  o  PIS­Importação  e  7,60%  para  a  COFINS­ Importação (8,60% a partir de 01/08/2012).  Com  base  nas  informações  fornecidas  pela  empresa  durante  o  procedimento  fiscal,  consubstanciadas  em  descritivos  técnicos  (data  sheets),  relatório  técnico  e  planilha  com  a  correta  descrição dos part­numbers (Anexos 8 e 9), a fiscalização afirma  que  pôde  conhecer  os  produtos  e  proceder  à  sua  correta  classificação  fiscal,  levando  em  conta  sua  descrição,  função  e  aplicabilidade.  Segundo o fisco, a contribuinte colocou sob o mesmo código uma  diversidade  de  produtos,  sendo  os  diferentes  tipos  de  placas  importados descritos de forma genérica e não elucidativa. Cita o  fato  de  a  empresa  ter  declarado  trazer  placas  controladoras,  quando  pesquisa  na  internet  revelou  que  a  chamada  “placa  controladora”  pode  se  referir  a  placas  de  vídeo,  de  áudio,  de  som  e  até  ter  função  de  modem.  Aduz  que  mesmo  quando  os  produtos  foram  descritos  de  forma  mais  clara,  foram  classificados  sem  a  observância  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado,  as  quais  determinam  que  a  classificação  de  uma  mercadoria  dar­se­á  através  da  correspondência literal entre produto comercializado e título da  posição, assim como pela sua função precípua. Ao final, conclui  como  caracterizado  o  erro  de  fato  por  parte  da  empresa  autuada.  Em  consequência,  houve  a  lavratura  de Auto  de  Infração  para  exigência da diferença de  tributos,  acrescidos de  juros  e multa  de ofício, e  também da multa por classificação  fiscal  incorreta,  prevista  pelo  artigo  84,  inciso  I,  da  MP  2.158­35/2001,  relativamente aos seguintes produtos:  1) PLACA MÃE = reclassificada da posição 8473.30.49 para a  posição  8473.30.41  –  “placas­mãe  (mother  board)”,  com  Fl. 19154DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.155          3 alíquotas de 12% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PIS­ Importação  e  7,60%  para  a  COFINS­Importação  (8,60%  a  partir  de  01/08/2012).  Nesse  caso,  apesar  de  não  haver  diferença de tributos a ser exigida, houve o lançamento da multa  regulamentar;  2)  PLACA  DE  REDE  =  reclassificada  da  posição  8473.30.49  para  a  posição  8517.62.59  –  “outros  aparelhos  para  transmissão  ou  recepção  de  voz,  imagem  ou  outros  dados  em  rede com fio”, com alíquotas de 14% para o II (25% a partir de  05/05/2010),  15% para  o  IPI,  1,65% para  o PIS­Importação  e  7,60%  para  a  COFINS­Importação  (8,60%  a  partir  de  01/08/2012);  3) PLACA DE MODEM = reclassificada da posição 8473.30.49  para  a  posição  8517.62.55  –  “moduladores/demoduladores  (modems)”,  com  alíquotas  de  16% para  o  II,  15%  para  o  IPI,  1,65%  para  o  PIS­Importação  e  7,60%  para  a  COFINS­ Importação  (8,60%  a  partir  de  01/08/2012).  Neste  caso,  para  referendar seu entendimento, o fisco cita a Solução de Consulta  n° 19 ­SRRF09/Diana, de 28 de fevereiro de 2012;   4) PLACA DE VÍDEO =  reclassificada  da  posição  8473.30.49  para  a  posição  8471.80.00  –  “outras  unidades  de  máquinas  automáticas  para  processamento  de  dados”,  com  alíquotas  de  16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PIS­Importação e  7,60%  para  a  COFINS­Importação  (8,60%  a  partir  de  01/08/2012).  Neste  caso,  para  referendar  seu  entendimento,  o  fisco  cita  a  Solução  de  Consulta  n°  6  Coana,  de  20/07/2009,  fundada  no  Parecer  nº  8471.80/2  da Organização Mundial  da  Aduanas (OMA), internalizado no Brasil pela IN RFB nº 873/08;  5)  PLACA  DE  SOM  =  reclassificada  da  posição  8473.30.49  para  a  posição  8471.80.00  –  “outras  unidades  de  máquinas  automáticas  para  processamento  de  dados”,  com  alíquotas  de  16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PIS­Importação e  7,60%  para  a  COFINS­Importação  (8,60%  a  partir  de  01/08/2012).  Neste  caso,  para  referendar  seu  entendimento,  o  fisco  cita  o  Parecer  nº  8471.80/3  da  OMA,  internalizado  no  Brasil pela IN RFB nº 873/08.  A  fiscalização  observa  que  a  contribuinte  registrou  8.649  declarações utilizando o código NCM 8473.30.49  (referidas DI  estão listadas no Anexo 11­1, fls. 1.671/1.918). As DI registradas  no  regime  aduaneiro  especial  de RECOF não  foram  objeto  da  exigência  de  diferenças  tributárias,  apenas  da  exigência  da  multa por classificação fiscal incorreta.  Cientificada do  lançamento  em 21/08/2013  (fls.  3.842/3.891),  a  contribuinte apresentou impugnação em 19/09/2013, juntada às  fls. 3.903 e seguintes, alegando, em síntese, que:  a) em preliminar, alega nulidade do auto de infração por falta de  elementos essenciais, pois inexiste no processo qualquer planilha  de apuração que lhe permitisse verificar os valores  lançados, o  que  configura  nítida  violação  aos  artigos  9  e  10,  inciso  V,  do  Fl. 19155DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.156          4 Decreto nº 70.235/72. Observa que, dentre as DI  relacionadas,  há uma série de placas de computadores que não  foram objeto  de  reclassificação  fiscal  e,  por  força  da  ausência  dos  demonstrativos,  não  tem  como  verificar  se  estas  demais  placas  foram excluídas do lançamento. Também não tem como verificar  a regularidade do cálculo das multas de ofício e multa por erro  de  classificação.  Do  processo  não  consta  ainda  o  auto  de  infração  do  Imposto  de  Importação,  bem  como  qualquer  demonstração de apuração de juros e multas, fato que por si só  já contamina todo o auto de infração. Aduz que o valor lançado  a  título  de  PIS­Importação  é  quatro  vezes  superior  àquele  lançado a título de II, resultado impossível que demonstra que os  lançamentos  são  incoerentes.  Diante  do  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  entende  que  o  lançamento  deve  ser  anulado  integralmente. Cita doutrina e jurisprudência;  b) ainda em preliminar, alega nulidade do auto de infração pela  falta  de  indicação  da  classificação  fiscal  das  placas  controladoras. O  fato de a  fiscalização sustentar que as placas  controladoras  importadas  seriam,  na verdade, placas  de  vídeo,  de  áudio,  de  som  e  até  ter  função  de modem,  incorre  em  dois  graves  problemas.  Primeiro,  porque  as  placas  importadas,  embora  tenham  a  função  de  estender  a  funcionalidade  e  o  desempenho  do  computador,  são  especificadas  para  outras  funções  que  não  as  de  vídeo,  áudio  ou  modem.  Conforme  informações prestadas na resposta à intimação fiscal (fl. 1.648),  tais  placas  têm  finalidade  de  controle  de  memória  rígida  e  periféricos. Segundo problema: a fiscalização não apontou qual  a  suposta  função  precípua  de  cada  uma  das  placas  controladoras  objeto  do  lançamento,  omitindo­se  assim  no  seu  dever de apontar qual seria a correta descrição e classificação  destas placas;  c) no mérito, alega que o procedimento da Fiscalização realiza  uma nítida distorção dos fatos: primeiro sustenta uma inverídica  descrição  inexata  das  Placas  Controladoras  para,  posteriormente, sustentar erros de fato que justifiquem a revisão  da  classificação  fiscal  de  outras  placas  (que  não  as  Placas  Controladoras).  No  caso,  não  há  que  se  falar  em  erro  de  descrição  das  mercadorias  importadas,  nem  para  as  Placas  Controladoras e, menos ainda, para as demais placas objeto do  auto de infração. Tanto é verdade que, ao tratar da classificação  fiscal  das  demais  placas  (Placa­Mãe,  Placa  de  Rede,  Placa  Modem, Placa de Vídeo e Placa de Som), a Fiscalização se vale  da própria descrição  realizada pela  Impugnante. Evidente que,  não  tendo  havido  erro  quanto  à matéria  de  fato  constante  das  Declarações  de  Importação,  isto  é,  no  que  concerne  à  identificação física das placas importadas, não há que se admitir  a  revisão  do  lançamento,  conforme  prevê  o  art.  146  do  CTN.  Cita jurisprudência pacífica do E. STJ;  d)  situação  que  deixa  ainda  mais  evidente  a  tentativa  de  alteração  dos  critérios  jurídicos  aplicados  na  ocasião  do  ato  administrativo  do  desembaraço  aduaneiro  é  o  fato  de  que  a  Impugnante  classificou  parte  das  placas  objeto  do  auto  de  Fl. 19156DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.157          5 infração de acordo com orientação expressa da Receita Federal  do  Brasil  expedida  através  da  IN  n°  80/96,  a  qual  apontou  a  NCM 8473.3049 como aplicável para as Placas de Rede, Placas  de Vídeo e Placas de Som;  e) ainda que se admita a ocorrência de erro de fato, o que se faz  apenas  para  argumentar,  tal  hipótese  se  limitaria  às  Placas  Controladoras,  cujo  suposto  erro  de  fato  foi  apontado  pela  fiscalização às  fls.  532/533. Mas ainda  assim,  seria  indevida a  revisão,  uma  vez  que  inúmeras  DI  foram  desembaraçadas  através dos canais vermelho e amarelo de parametrização, não  mais  se  admitindo  nesses  casos  a  posterior  revisão  do  lançamento, conforme jurisprudência que cita do E. STJ;  f) no tocante à classificação fiscal das mercadorias, entende que,  com exceção da classificação  fiscal das Placas­Mãe, as demais  classificações pretendidas pelo  fisco são  indevidas, eis que não  atentam para as Regras do Sistema Harmonizado. E mesmo no  caso da classificação das Placas­Mãe, o equívoco cometido pela  impugnante  não  gerou  qualquer  prejuízo  aos  cofres  públicos,  uma  vez  que  as  alíquotas  aplicáveis  são  as mesmas  e  inexistiu  qualquer impacto no controle aduaneiro a justificar a imposição  da multa de 1%;  g) em relação às (i) Placas de Rede, (ii) Placas de Modem, (iii)  Placas de Vídeo e  (iv) Placas de Som, entendeu a Fiscalização  que as mesmas não se classificam na Posição NCM referente às  partes  e  acessórios  de  computadores  (8473),  mas  sim  nas  posições  correspondentes  aos  equipamentos  (ou  unidades)  relativos às funções que irão executar. Ocorre que as placas em  questão  não  podem  ser  consideradas  aparelhos,  máquinas  ou  unidades,  uma  vez  que  não  possuem  uma  finalidade  própria,  assim como não têm funcionalidade se não estiverem conectadas  a um computador. Ou seja, qualquer das placas objeto do auto  de  infração  se  trata  de  circuitos  impressos  sem  funcionalidade  autônoma,  que  somente  irá  desempenhar  sua  função  se  estiver  instalada em uma unidade central de processamento;  h)  adicionalmente,  ainda  para  se  verificar  se  as  placas  em  questão  são  (i)  partes  e  acessórios  (8473)  ou  (ii)  aparelhos  (8517) ou máquinas e suas unidades (8471), deve­se considerar  as características físicas destas placas, as quais não dispõem de  invólucro  ou  gabinete,  sendo  que  os  seus  circuitos  e  demais  componentes ficam expostos, característica típica de PARTES de  máquinas e aparelhos;  i) portanto, considerando­se as características técnicas e físicas  das placas objeto do auto de infração, dúvidas não podem haver  de  que  as  mesmas  se  tratam  de  partes  e  acessórios,  de  forma  que, de acordo com os  textos das Posições  (RGI 1),  devem ser  classificadas na Posição 8473. Esse entendimento é corroborado  pela Nota 2 a) da Seção XVI donde se extrai que as partes, que  constituam  artefatos  compreendidos  em  qualquer  das  Posições  dos Capítulos 84 ou 85, devem ser classificadas nas posições em  Fl. 19157DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.158          6 que  estão  compreendidas,  qualquer  seja  a  máquina  a  que  se  destinem;  j) cita, como exemplo, a placa de rede. Para que uma Placa de  Rede  importada  pela  Impugnante  pudesse  ser  considerada  compreendida na Posição 8517, teria que apresentar, no estado  em que se encontra, as características essenciais dos "aparelhos  para comunicação em redes por fio ou redes sem fio" (texto fiel  da Posição 8517). Entretanto, como vimos, a Placa de Rede não  pode  ser  considerada  um  aparelho,  pois  não  exerce  função  alguma  sem  a  unidade  de  processamento.  Assim,  não  se  pode  afirmar que a mesma apresenta, no estado em que se encontra,  as características essenciais de um aparelho para comunicação  em rede;  k)  e no  tocante à nota 2 b)  se  verifica que a mesma  tem plena  aplicação  para  a  classificação  das  placas  em  questão.  Isso  porque  é  inconteste  que  as  placas  objeto  do  auto  de  infração  podem  ser  identificadas  "como  exclusiva  ou  principalmente  destinadas a uma máquina determinada" (texto fiel da Nota 2 b)  ),  qual  seja:  a  "máquina  automática  para  processamento  de  dados" prevista na Posição 8471. Assim, de acordo com a Nota 2  b), as placas de computador em questão devem ser classificadas  na  Posição  8473,  eis  que  é  Posição  específica  para  partes  e  acessórios  das  máquinas  automáticas  para  processamento  de  dados, contendo subposição (simples) específica para "circuitos  impressos  com  componentes  elétricos  ou  eletrônicos,  montandos",  que  são  justamente  as  características  das  placas  objeto  do  auto  de  infração.  Querer  classificar  uma  parte  ou  acessório  reconhecível  como  exclusiva  ou  principalmente  destinadas  às  máquinas  da  Posição  8471  (no  caso,  o  computador) em outra posição que não a Posição 8473, é tornar  letra morta o texto desta última posição (8473);  l)  ademais,  a  classificação  fiscal  adotada pela  Impugnante,  em  relação  às Placas  de Rede,  Placas  de Vídeo  e Placas  de  Som,  encontra amparo em orientação expressa da Receita Federal do  Brasil, através da Instrução Normativa n° 80/96. Foi confirmada  também com a criação do Ex Tarifário (Ex 001) específico para  "Placas de circuito impresso flexível montada com componentes  de  conexão  e/ou  de  áudio  e/ou  de  vídeo"  criado  na  NCM  8473.30.49  pela  Resolução  CAMEX  N°  73,  publicada  em  16/09/2013;  m)  com  relação  às  soluções  de  consulta  citadas  pela  fiscalização,  observa  que  não  vinculam  a  impugnante  nem  o  julgador administrativo, estando sujeitas a erros e, se for o caso,  devem ser revistas;  n) no  tocante à Solução de Consulta nº 19 ­ SRRF09/Diana, de  28 de fevereiro de 2012, citada pelo fisco, na verdade corrobora  a posição da impugnante, uma vez que a mercadoria objeto da  consulta evidentemente não é uma Placa de Modem, mas sim um  Aparelho de Modem;  Fl. 19158DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.159          7 o)  no  que  tange  às  Placas  de  Vídeo  e  às  Placas  de  Som,  a  Fiscalização realizou a reclassificação fiscal para  incluí­las na  NCM  8471.8000.  A  Fiscalização  afirma  que  estas  duas  placas  são  análogas  e  que  se  enquadram  no  conceito  de  unidades  da  Posição 8471. Para  sustentar  seu entendimento,  a Fiscalização  cita um Parecer da OMA, introduzido pela IN RFB n° 873, de 26  de agosto de 2008, que entende que estas placas correspondem a  unidades  das  máquinas  de  processamento  de  dados  e,  assim,  devem  ser  classificadas  na  NCM  8471.8000.  Neste  aspecto,  a  Impugnante  não  concorda  com  o  posicionamento  do  referido  parecer, uma vez que viola o conceito de unidade adotado pelo  Sistema  Harmonizado,  bem  como  a  Nomenclatura  de  Valor  Aduaneiro e Estatística ("NVE"), a qual  teve o seu anexo único  alterado  através  da  IN  RFB  953/2009,  que  manteve  a  classificação  das  Placas  de  Vídeo  e  Placas  de  Som  na  NCM  8473.3049.  Observa  que  a  IN  RFB  953/2009  é  posterior  à  IN  RFB  n°  873/2008,  que  introduziu  o Parecer  da OMA,  devendo  prevalecer sobre esta;  p) a afirmação da Fiscalização de que a classificação inexata da  mercadoria  teria  se  dado  "com  impacto  direto  no  Controle  Aduaneiro"  é  inverídica.  Primeiro,  porque  não  houve  erro  na  descrição  das  mercadorias.  Segundo,  porque  os  códigos  discutidos estão colocados em patamar de igualdade tanto para  a incidência dos tributos devidos na importação, quanto para o  cumprimento  de  requisitos  administrativos.  Além  disso,  a  Fiscalização  não  expõe  quais  seriam  os  impactos  alegados,  tampouco justifica porque os supostos impactos seriam "diretos".  Por fim, a aplicação da penalidade não procede tendo em vista a  impossibilidade  de  verificação  do  limite  de  10%  imposto  pela  lei;  q)  é  indevida  a  cobrança  de  diferenças  em  relação  ao  PIS  e  COFINS,  em  face  da  indevida  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo dessas contribuições. Tendo o Supremo Tribunal Federal  decidido,  em  sede  de  "repercussão  geral",  pela  inconstitucionalidade  da  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do PIS e COFINS­Importação, devem os lançamentos realizados  a título destas contribuições ser igualmente cancelados. Observa  que o reconhecimento da inconstitucionalidade de parte do art.  7o  da  Lei  n°  10.865/04  deve  ser  aplicado  pela  administração  pública, com fulcro no Decreto nº 2.346/97 e também com base  no art. 62­A do Regimento Interno do CARF;  r) por fim, não há que se falar em incidência de multas, juros de  mora  e  atualização monetária  do  valor  da  base  de  cálculo  do  tributo, por força da incidência do disposto no parágrafo único  do  art.  100  do  CTN.  Com  efeito,  conforme  demonstrado  na  presente  impugnação,  o  procedimento  fiscal  adotado  pela  Impugnante e objeto do presente auto de infração esteve pautado  de acordo com a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística  ("NVE"), instituída através da Instrução Normativa n° 80/96;  s)  requer,  ao  final,  seja  o  lançamento  declarado  nulo  em  face  das  preliminares  arguidas  e,  no  mérito,  seja  julgado  Fl. 19159DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.160          8 improcedente  o  auto  de  infração,  consoante  as  diversas  razões  deduzidas.  Encaminhados  os  autos  a  esta  Delegacia  para  julgamento,  foi  observado pelo Serviço de Recepção e Triagem de Processos –  Seret,  que  não  constavam  dos  autos  o  Auto  de  Infração  do  II,  bem  como  os  demonstrativos  de  cálculos  de  todos  os  valores  lançados,  razão  pela  qual  aquele  Serviço  devolveu  os  autos  à  repartição de origem (fl. 3.988). Os documentos faltantes, então,  foram  anexados  aos  autos,  que  retornaram  na  sequência  para  julgamento.  Da análise  do  processo,  esta  julgadora propôs  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  por  meio  do  Despacho  nº  39,  de  18/12/2013,  para  que  fossem  adotadas  as  seguintes  providências:  (i)  juntada  aos  autos  dos  Anexos  9  e  10;  (ii)  apresentação de  tradução  juramentada dos descritivos  técnicos  dos produtos que se encontravam em língua inglesa; (iii) ciência  ao  contribuinte  de  todos  os  documentos  anexados  aos  autos,  facultando­lhe  prazo  de  30  dias  para  manifestação  (fls.  9.327/9.328).  Cientificada  do  resultado  da  diligência,  em  17/03/2014  (fls.  9.415/16),  a  impugnante  apresentou  manifestação  em  15/04/2014,  juntada  às  fls.  9.425  e  seguintes,  alegando,  em  síntese, que:  a)  somente  teve  ciência  do  auto  de  infração  do  II  e  dos  demonstrativos de apuração após diligência requerida pela DRJ  e,  portanto,  não  resta  dúvida  quanto  à  tempestividade  da  presente manifestação;  b) reitera a nulidade do auto de infração pelo fato de não conter  elementos  essenciais  relativos  à  apuração  dos  débitos,  estando  inclusive  ausente  o  AI  do  II.  Observa  que  anexar  arquivos  compactados às folhas em formato “.pdf” é contrário às normas  que regem o PAF, ainda mais se considerado que a contribuinte  nunca  foi  informada acerca  dos documentos “acostados”. Tais  documentos,  ademais,  foram  compactados  pela  fiscalização  no  formato “.rar”, cuja descompactação para  fins de  visualização  exige software pago, o que contraria a publicidade do processo  administrativo.  Finalmente,  a  anexação  dos  arquivos  tal  como  feita pela fiscalização fere regra prevista no CPC, uma vez que a  numeração  de  páginas  processuais  é  medida  que  garante  segurança jurídica para as partes e para o julgador;  c)  todos  esses  fatos  demonstram  que  o  verdadeiro  intuito  da  fiscalização  era  dificultar  e  até mesmo  inviabilizar  o  exercício  da  ampla  defesa,  caracterizando  vício  material  no  lançamento  que  enseja  sua  nulidade  absoluta,  não  sendo  passível  de  retificação,  conforme  jurisprudência  administrativa  e  doutrina  que cita;  d)  mesmo  que  se  reconheça  a  possibilidade  de  anexação  de  arquivos  digitais,  ou  ainda  a  possibilidade  de  retificação  do  lançamento,  ainda  assim  subsistem  vícios  insanáveis  nos  autos  Fl. 19160DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.161          9 de infração de COFINS e PIS­Importação, tendo em vista a falta  de  elementos  essenciais  em  seus  respectivos  demonstrativos.  Conforme  já  referido  na  impugnação,  sem  a  presença  de  demonstrativos  que  apontem  detalhadamente  cada  DI,  adição,  produto,  NCM  aplicada,  base  de  cálculo,  alíquota,  valor  apurado,  valor  recolhido,  data  do  vencimento,  multa  e  juros  aplicáveis,  resta  inviabilizada  a  verificação  dos  valores  lançados;  e)  nos  demonstrativos  de  apuração  da  COFINS  e  PIS­ Importação  não  foram  indicadas  a  NCM  aplicada,  a  base  de  cálculo  e  a  alíquota,  o  que  impossibilitou  verificar  se  o  lançamento  estava  de  acordo  com  as  premissas  apontadas  no  Relatório  Fiscal,  causando  evidente  prejuízo  ao  seu  direito  de  defesa, cujo vício é insanável em face da falta de materialização  da relação jurídica que o lançamento visa constituir na forma do  art. 142 do CTN. Cita jurisprudência;  f) observa que só foi possível verificar que os valores lançados a  título de COFINS e PIS­Importação estavam incorretos, a partir  de  um  cálculo  realizado  ao  inverso.  Partindo  da  fórmula  de  cálculo  definida  na  IN  SRF  572/2005,  e  mesmo  considerando  que  houvesse  uma  elevação  de  4%  no  II  em  todas  as  adições  glosadas  nas  DI,  o  diferencial  de  COFINS  e  PIS­Importação  seria de apenas 0,53% do valor já recolhido. Ocorre que o auto  de  infração  pretende  cobrar  mais  de  555  vezes  os  valores  máximos  devidos  a  título  de  diferencial  de  COFINS  e  PIS­ Importação,  o  que  demonstra  a  total  incoerência  e  improcedência do auto de infração, aliada à constatação de que  os  valores  das  contribuições  lançados  superam  o  valor  do  próprio II lançado, quando apenas este último sofreu majoração  de alíquota. Cita exemplo utilizando a DI 09/0443340­9;  g) em relação à juntada do Anexo 9, requerido pelo Despacho 39  da  24ª  Turma  da DRJ,  requer  seja  intimada  para  apresentá­lo  novamente, se for o caso;  h) ao final, requer a nulidade do auto de infração em razão dos  vícios  apontados  ou  então  seu  cancelamento  pelas  razões  de  mérito já apresentadas na impugnação.  Por meio do Termo nº 05 – de Constatação e Encerramento de  Diligência  (fls.  9.461/66),  a  fiscalização  observa,  em  síntese,  que: (i) não há necessidade de a empresa reapresentar o Anexo  9 para  juntada aos autos;  (ii)  nos CD entregues à  contribuinte  pela  fiscalização  já  havia  a  informação  de  que  os  arquivos  compactados  podem  ser  descompactados  utilizando  software  gratuito,  sendo  que  o  representante  legal  da  empresa  já  havia  sido  cientificado  desses  documentos,  conforme  telas  comprobatórias  que  constam  do  referido  Termo.  Deste  expediente,  a  empresa  foi  cientificada  em  12/05/2014  (fls.  9.467/68), não havendo se manifestado.  Quando  do  retorno  dos  autos  para  julgamento,  esta  julgadora  houve por bem propor novamente a conversão do julgamento em  Fl. 19161DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.162          10 diligência,  por  meio  do  Despacho  nº  20,  de  25/06/2014  (fls.  9.471/74), para que fossem adotadas as seguintes providências:  a) fosse anexado demonstrativo de apuração dos valores a título  de  Imposto  de  Importação  e  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (modelo  Anexo  A),  contendo  os  seguintes  campos:  data  de  registro,  número  da  DI,  número  da  adição,  descrição  detalhada  do  produto  conforme  consta  na  DI,  NCM  aplicada,  base  de  cálculo,  alíquota  do  tributo,  valor  devido,  valor recolhido, diferença apurada, valor lançado;  b) fosse anexado demonstrativo de apuração dos valores a título  de  COFINS  e  PIS­Importação  (modelo  Anexo  B),  contendo  os  seguintes  campos:  data  de  registro,  número  da DI,  número  da  adição, descrição detalhada do produto conforme consta na DI,  NCM aplicada, valor aduaneiro, alíquota do II, alíquota do IPI,  alíquota  do  PIS­Importação,  alíquota  da  Cofins­Importação,  alíquota  do  ICMS,  valor  do  X  conforme  fórmula  estabelecida  pela  IN  SRF  nº  572/2005,  valor  devido,  valor  recolhido,  diferença apurada, valor lançado;  c)  fosse  anexado  demonstrativo  dos  valores  a  título  de  multa  regulamentar (modelo Anexo C), contendo os seguintes campos:  data  de  registro,  número  da  DI,  número  da  adição,  descrição  detalhada  do  produto  conforme  consta  na  DI,  NCM  aplicada,  base de cálculo, valor apurado da multa, valor devido da multa  (observadas  as  restrição  de  valor  mínimo  por  adição  e  valor  máximo por DI), valor lançado;  d)  fosse  anexado  demonstrativo  consolidando  os  valores  totais  devidos  para  cada  tributo  (tributo,  multa  de  ofício,  juros  de  mora) e também para a multa regulamentar (modelo Anexo D), o  qual  deverá  refletir  eventuais  correções  quanto  ao  crédito  tributário lançado.  Como resultado dessa diligência, a fiscalização juntos aos autos  os  Anexos  solicitados,  demonstrando  a  apuração  dos  valores  devidos  e  procedendo  à  correção  dos  valores  indevidamente  lançados, o que implicou em nova apuração do crédito tributário  objeto  de  exigência,  desta  feita,  no  montante  total  de  R$  3.110.082,83.  Por meio  do Despacho  de  fls.  13.197/99,  o  fisco  detalhou  as  seguintes  correções  realizadas  em  relação  aos  cálculos anteriormente realizados, a saber:  a)  foi  corrigida  a  base  de  cálculo  do  II  relativo  à  DI  12/0683152­0, adição 001,  item 01, e DI 09/0000067­2, adição  018,  item  03,  com  efeitos  no  cálculo  dos  demais  tributos  lançados, conforme informações extraídas do Siscomex;  b)  foram  excluídos  os  valores  exigidos  a  título  de  diferenças  tributárias em relação à DI 11/1156810­5, adição 014, item 02,  e DI 13/0393934­9, adição 012, item 03, mantendo­se apenas a  exigência  de  multa  regulamentar,  haja  vista  as  alíquotas  decorrentes  da  reclassificação  fiscal  serem  as  mesmas  da  classificação adotada pela contribuinte;  Fl. 19162DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.163          11 c)  foram  corrigidas  as  alíquotas  do  II  utilizadas  no  demonstrativo  de  apuração  do  imposto,  relativamente  aos  produtos  relacionados  na  tabela  de  fls.  13.198,  uma  vez  que  estavam  em desacordo  com  as  alíquotas  corretas,  devidamente  indicadas no Termo de Verificação Fiscal;  d) o  demonstrativo  da multa  regulamentar  detalha  a  aplicação  da  alíquota  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro,  bem  como  a  observância do limite inferior de R$ 500,00 por mercadoria (art.  84, I, §1º, da MP 2.158­35/01), e do limite superior de 10% do  valor aduaneiro da DI (art. 69, IV, da Lei 10.833/2003);  e) para cálculo dos juros devidos foi utilizada como referência a  data de lavratura do Auto de Infração (14/08/2013).  Cientificada  do  resultado  dessa  diligência  em  02/10/2014  (fls.  13.200/01),  a  impugnante  apresentou  manifestação  em  31/10/2014,  juntadas  às  fls.  13.203  e  seguintes,  alegando  em  síntese, a par das razões anteriormente deduzidas, que:  a)  a  fiscalização  reconheceu  erro  na  indicação  da  base  de  cálculo  do  II  e  a  incorreção  do  lançamento  de  diferenças  tributárias em relação às DI que menciona; bem como, erro nas  alíquotas  de  II  utilizadas  nos  demonstrativos  de  apuração  do  auto  de  infração  com  relação  a  todas  as  mercadorias  reclassificadas.  Aduz  que  foi  realizado  novo  cálculo  da  multa  regulamentar,  e  que  o  resultado  da  diligência  implicou  em  significativa  redução  do  valor  lançado,  de  R$  27.305.431,57  para R$ 3.110.082,83;  b) todavia, em que pese a diligência realizada tenha resultado no  cancelamento  de  parcela  significativa  dos  valores  lançados  (mais de 88%), não tem o condão de convalidar as nulidades do  auto  de  infração,  antes  as  confirmam  diante  da  gravidade  dos  equívocos  cometidos  pela  fiscalização.  Mesmo  que  seja  considerado válido o auto de  infração, o que  se admite apenas  para  argumentar,  no  mérito  os  lançamentos  não  merecem  subsistir, pelas razões que seguem expostas;  c) em preliminar, reitera a impossibilidade de retificação de auto  de  lançamento  atingido  por  nulidade  absoluta,  posto  que  a  impossibilidade de a contribuinte ter acesso aos demonstrativos  dos lançamentos caracteriza vício material insanável, exigindo a  realização  de  novo  lançamento,  conforme  jurisprudência  do  CARF;  d) ademais,  com relação à multa  regulamentar prevista no art.  84  da  MP  2.158­35/2001,  as  nulidades  relativas  a  esse  lançamento  sequer  foram  corrigidas  pela  diligência,  caso  se  admitisse isso como possível. Isso porque, no caso dessa multa,  há  duas bases  de  cálculo a  considerar,  conforme  entendimento  da  fiscalização. Uma é o valor da mercadoria que, em tese,  foi  incorretamente  classificada,  valor  sobre  o  qual  é  aplicado  o  percentual de 1%. A segunda base de cálculo é a que deve ser  utilizada no cálculo do limite da multa, nos casos em que 1% do  valor da mercadoria resultar em valor inferior a R$ 500,00.  Fl. 19163DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.164          12 Nesses  casos,  a  fiscalização  entende  que  a  base  de  cálculo  do  limite de 10% do valor da multa regulamentar é o valor da DI.  Todavia, essa segunda base de cálculo, essencial ao cálculo da  multa,  não  foi  indicada  no  demonstrativo  de  apuração,  o  que  causa  prejuízo  insanável  ao  exercício  dos  direitos  ao  contraditório  e  ampla  defesa,  maculando  de  nulidade  o  lançamento, já que não há meios de verificar se o valor lançado  está correto ou não;  e) reitera não ser verdadeira a afirmação da fiscalização de que  a  impugnante  teria  realizado  descrição  inexata  das  placas  e,  portanto, cometido erro de fato a autorizar a revisão aduaneira  das DI. Com efeito, as descrições que subsidiaram a equivocada  reclassificação que  fundamentou o auto de infração,  fornecidas  pela empresa autuada, não possuem diferença ou acréscimo de  informação relevantes com relação às descrições realizadas nas  declarações de importação, conforme  tabelas que apresenta (fl.  13.220). Desta  forma,  não  tendo havido  erro  quanto  à matéria  de fato concernente à identificação física das placas  importadas,  não  há  que  se  admitir  a  revisão  do  lançamento,  conforme  determinam  os  artigos  146  e  149  do  CTN.  Cita  jurisprudência  do E.  STJ, para  concluir que,  tendo  a  autuação  em  tela  decorrido  de  erro  de  classificação  jurídica  (erro  de  direito)  resta  configurada  uma  mudança  de  critério  jurídico,  situação vedada pelo CTN para dar azo à alteração/revisão do  lançamento.  Aduz  que  referida  decisão  ressalta  a  plena  aplicabilidade  da  Sumula  227  do  extinto  TFR,  além  de  referendar  entendimento  reiterado  pela  jurisprudência  daquele  Tribunal  Superior.  Entende,  assim,  que  o  auto  deve  ser  integralmente cancelado por razões de mérito;  f) em relação à tabela apresentada pela fiscalização em resposta  ao pedido de diligência,  é possível  identificar que o cálculo da  penalidade imposta excede, em várias DI, ao limite imposto pelo  art. 69 da Lei 10.833/2003 (10% do valor total das mercadorias  constantes da DI). Cita, como exemplo, as DI 09/00000062­1 e  13/0601323­4,  e  conclui  que  o  valor  da  penalidade  imposta  continua a merecer revisão;  g)  requer,  ao  final,  o  cancelamento  do  auto  de  infração  pelas  nulidades  apontadas  e,  subsidiariamente,  seu  cancelamento  pelas razões de mérito apresentadas.  Por meio do Termo nº 06 – de Constatação e Encerramento de  Diligência  (fls.  13.232/33),  a  fiscalização  observa,  em  síntese,  que: (i) as alíquotas do II foram corrigidas apenas para os itens  das DI relacionados no item 5 do despacho de fls. 13.197/99; (ii)  o valor total da DI, para cálculo do  limite  superior de 10% da  multa regulamentar, pode ser encontrado nos demonstrativos de  fls.  6.351/6.874;  (iii)  nas DI  citadas  como exemplos de  cálculo  da  multa  regulamentar,  a  impugnante  utilizou  os  valores  das  mercadorias reclassificadas para aplicar o percentual de 10% e  determinar o limite superior da multa, ao invés do valor total das  Fl. 19164DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.165          13 mercadorias constantes da DI, conforme preconiza o art. 69 da  Lei nº 10.833/2003.  Deste expediente, a empresa foi cientificada em 06/11/2014 (fls.  13.236),  havendo  apresentado,  em  20/11/2014,  a  manifestação  de  fls.  13.240/13.250  onde,  além  das  razões  anteriormente  expendidas, aduz, em síntese, que:  a) diante  da manifestação  do  fisco  acerca  do  cálculo  da multa  regulamentar,  entende  restar  clara  uma  divergência  de  interpretação  entre  impugnante  e  fisco,  pois  enquanto  ela  entende  que  a  base  de  cálculo  do  limite  de  10%  da  multa  regulamentar  somente  irá  coincidir  com  o  valor  total  da  DI  quando  a  totalidade  dos  itens  nela  declarados  for  objeto  de  reclassificação fiscal, o fisco sustenta que essa base de cálculo é  o  valor  total  das  mercadorias,  desconsiderando  que  em  uma  mesma DI podem constar diversas outras mercadorias que não  foram objeto de reclassificação;  b) argumenta que somente a sua interpretação do art. 69 da Lei  10.833/2003  é  compatível  com  a  finalidade  da  sanção  em  questão,  bem  como  com  os  princípios  da  proporcionalidade,  razoabilidade e individualização da pena, bem como com o art.  112, IV, do CTN, pois não haveria qualquer sentido em se punir  importações  realizadas  de  acordo  com  a  correta  classificação  fiscal;  c) requer, ao final, que na remota hipótese de vir a ser mantido o  auto de infração, deve ser recalculada a multa regulamentar.   Considerando  que,  (i)  em  24/10/2014,  houve  o  trânsito  em  julgado  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  559.937/RS,  pelo  qual  o  STF  declarou,  com  repercussão  geral,  a  inconstitucionalidade  do  art.  7º,  I,  da  Lei  nº.  10.865/2004,  na  parte em que acrescenta à base de cálculo do PIS e da COFINS,  o valor do ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro, bem  como o  valor  referente a  essas  próprias  contribuições;  (ii)  que  referida matéria foi objeto da Nota PGFN nº 1.254/2014, a qual  a RFB  encontra­se  vinculada nos  termos  da Portaria Conjunta  nº 01/2014, os autos foram baixados em diligência por meio do  Despacho nº 04, de 18/03/2015 (fls. 13.776/13.779), para fins de  nova  apuração  das  contribuições  devidas  ao  PIS  e  COFINS­ Importação,  em  respeito à decisão  judicial  (Anexos E e F). Na  ocasião,  requisitou­se  também  que  fosse  elaborado  demonstrativo  consolidando os  valores  lançados  para  cada um  dos produtos objeto de reclassificação (Anexo G).  A fiscalização apresentou os demonstrativos solicitados (Anexos  E, F e G) e manifestou­se acerca do resultado da diligência às  18.373/18.377.  No  tocante à solicitação para que os valores de PIS e COFINS  fossem  apurados  em  consonância  com  a  decisão  do  STF,  os  demonstrativos  elaborados  pelo  fisco  revelaram  não  subsistir  valor  devido  a  título  dessas  contribuições,  uma  vez  aplicada  a  base de cálculo estabelecida pela decisão judicial definitiva.   Fl. 19165DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.166          14 No  tocante  ao  demonstrativo  do  Anexo  G,  o  fisco  fez  considerações com relação às DI nº 09/0412820­7, 09/1035581­ 3,  09/1210261­0,  09/1555949­2,  10/1364961­5  e  10/1472012­7,  nas  quais  foram  declaradas  placas  de  vídeo  e  de  som  reclassificadas para a mesma NCM. Como no caso dessas DI, a  multa regulamentar de 1% foi aplicada pelo limite inferior de R$  500,00,  não  foi  possível  determinar  o  valor  dessa  multa  por  produto.  Da  mesma  forma,  no  caso  das  DI  09/1389715­3  e  09/1389773­0, em que a multa  foi aplicada pelo  limite superior  de  10%  do  valor  aduaneiro  total  da  DI,  também  não  possível  determinar o valor dessa multa por produto.  Cientificada  do  resultado  dessa  diligência  em  06/08/2015  (fl.  18.381), a impugnante apresentou manifestação em 04/09/2015,  juntadas  às  fls.  18.383  e  seguintes,  alegando  em  síntese,  a  par  das razões anteriormente deduzidas, que:  a) a  involução dos  lançamentos objeto do presente processo só  demonstra os graves erros cometidos pela fiscalização, os quais  vão desde a elaboração dos cálculos, passando por nulidades e  atingindo o mérito da reclassificação fiscal pretendida, conforme  se observa da seguinte planilha:  (...)  b)  analisando  os  demonstrativos  e  as  considerações  apresentadas  pela  fiscalização,  percebe­se  que  persistem  erros  na aplicação da multa prevista no art. 84 da MP 2.158­35/2001;  c)  primeiramente,  ressalva  que  a  DI  0915559492  está  equivocadamente  tratada  nas  considerações,  pois  a  multa  aplicada nesse caso não foi de R$ 500,00, mas de R$ 673,32;  d) em segundo lugar, observa que a fiscalização segue aplicando  limitador  da  multa  em  desconformidade  com  os  parâmetros  legais, pois conforme anteriormente argumentado, entende que,  nos termos do art. 69 da Lei 10.833/2003, a base de cálculo do  limite de 10% da multa regulamentar somente irá coincidir com  o valor total da DI quando a totalidade dos itens nela declarados  for  objeto  de  reclassificação  fiscal,  estando  equivocado  o  entendimento do fisco de que essa base de cálculo é o valor total  das  mercadorias,  desconsiderando  que  em  uma  mesma  DI  podem  constar  diversas  outras  mercadorias  que  não  foram  objeto de reclassificação;  d)  requer,  mais  uma  vez,  que  na  remota  hipótese  de  vir  a  ser  mantido  o  auto  de  infração,  seja  recalculada  a  multa  regulamentar.    A  Dell  Computadores  do  Brasil  Ltda.  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls  18578/18616),  como preliminar  defende  que "O  Auto de Lançamento combatido no presente processo  encontra­ se maculado de nulidades  insanáveis  que vão desde a  forma de  apresentação  dos  demonstrativos  de  apuração  dos  lançamentos  Fl. 19166DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.167          15 até  o  conteúdo  de  tais  demonstrativos  de  apuração,  que,  por  deficientes,  impedem  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  da  contribuinte"  Defende  a  Recorrente  que  "é  inadmissível  a  retificação  do  lançamento  como  pretendido  no  presente  processo  a  partir  da  diligência  determinada  pelo  Despacho  nº  20  da  24ª  Turma  da  DRJ/SPO e admitido pela decisão Recorrida, pois  a dificuldade  de  acesso  a  documentos  essenciais  configura  uma  nulidade  absoluta,  não  passível  de  ratificação.  Inclusive,  tal  situação  configura a lavratura do lançamento sem a presença de todos os  seus  requisitos  legais, no caso em  tela,  sem o demonstrativo de  cálculo do valor do crédito tributário, conforme determina o art.  11, inciso II do Decreto nº. 70.235/72".  Afirma a Recorrente que as várias diligências  realizadas  após a  lavratura do Auto de Infração, antes de convalidar o lançamento,  confirmam  a  sua  nulidade  e  ainda  assevera  que,  mesmo  com  todas as diligências realizadas, remanescem substanciais erros de  cálculo  nos  lançamentos  referentes  à  multa  regulamentar,  não  obstante  todas  as manifestações  da Recorrente  para que  fossem  corrigidos.  Ainda  em  preliminar,  defende  a  nulidade  de  todos  os  lançamentos porque não teria ocorrido o erro de fato que baseou  a autuação fiscal. Afirma a Recorrente que "No Auto de Infração,  a  Fiscalização  sustentou  que  a  Recorrente  teria  realizado  a  descrição das placas de computador objeto do auto de infração de  forma  incorreta  nas  suas  declarações  de  importação  ("DIs").  Assim, em razão desse suposto erro de descrição (erro de fato), a  Fiscalização  teria  se  arvorado  no  direito  (dever)  de  revisar  as  classificações fiscais realizadas e, assim, cobrar as diferenças de  tributos  e  penalidades  que  entende  cabíveis".  Conclui  que,  não  tendo  ocorrido  a  descrição  inexata  das mercadorias,  não  houve  erro  de  fato,  sendo  indevida  a  revisão  de  lançamento  e  da  classificação  fiscal  e,  portanto,  devendo  ser  o Auto de  Infração  integralmente cancelado.   No mérito, a Recorrente no qual apresenta as mesmas alegações  e  pedidos  constantes  da  Impugnação. Ou  seja,  com  exceção  da  mercadoria  denominada  "Placas­Mãe",  defende  a  classificação  que  consta  das  suas  declarações  de  importação.  Questiona  a  aplicação de multas,  juros de mora  e  atualização monetária dos  valores dos tributos em pauta. Requer, ao final, que o lançamento  seja  declarado  nulo  em  face  das  preliminares  levantadas  e  que  seja  julgado  improcedente o auto de infração segundo as  razões  aduzidas.     Analisados  o  Recurso  Voluntário  e  o  Recurso  de  Ofício,  esta  Turma  do  CARF decidiu mediante o Acórdão no. 3301­004.095– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, com a  seguinte ementa:   Assunto: Classificação de Mercadorias  Fl. 19167DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.168          16 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2013  Ementa:  CLASSIFICAÇÃO  DE  MERCADORIAS.  O  produto  descrito  como  “placa­mãe  para  computadores”,  classifica­se  no  código  NCM 8473.30.41. O produto descrito como “placa de rede para  computadores”,  classifica­se  no  código  NCM  8517.62.59.  O  produto  descrito  como  “placa  de  modem  para  computadores”,  classifica­se no código NCM 8517.62.55. Os produtos descritos  como “placa de vídeo para computadores” e “placa de som para  computadores”, classificam­se no código NCM 8471.80.00.  CLASSIFICAÇÃO  INCORRETA.  A  classificação  incorreta  de  mercadoria  é  penalizada  com  a  multa  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158­35/2001.  Referida multa não poderá ser superior a 10% do valor total das  mercadorias  constantes  da  Declaração  de  Importação  (art.  69,  caput, da Lei nº 10.833/2003).  MUDANÇA DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  ART.  146  DO CTN.  Não  se  caracteriza  como  mudança  de  critério  jurídico  a  reclassificação  fiscal  de  mercadorias  procedida  em  sede  de  revisão  aduaneira,  mormente  quando  a  legislação  que  cuida  da  classificação fiscal não foi alterada.  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  Demonstrado  nos  autos  que  as  omissões e  incorreções apontadas pela impugnante vieram a ser  devidamente sanadas, permitindo­lhe exercer  sem restrições  seu  direito à ampla defesa, não há que se declarar a nulidade do auto  de  infração,  a  teor  do  disposto  no  art.  60  do  Decreto  nº  70.235/72.  Recurso Voluntário Negado e Recurso de Ofício Negado  O contribuinte interpôs embargos de declaração alegando os seguintes vícios  (fls. 18.776/18.887): "a) inocorrência do suposto erro de fato; b) nulidade do lançamento da multa  prevista  no  art.  84  da MP  nº  2.158­35/2001;  c)  classificação  fiscal  das  placas  importadas;  e,  d)  instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN" (conforme Despacho, fl. 19.150)  Os embargos foram admitidos em parte, em relação aos itens: "b) nulidade do  lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158­35/2001"; e, "d) instrução Normativa  nº 80/96 e o art. 100 do CTN".    Voto             Conselheira Liziane Angelotti Meira  O  contribuinte  apresentou  embargos  de  declaração  (fls.  18.776/18.887),  os  quais foram admitidos (fls. 2946/2948) em relação aos seguintes pontos ( fl. 19.150):   Fl. 19168DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.169          17 b) nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84  da MP nº 2.158­35/2001;   d) instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN  Passo a discorrer sobre cada uma das questões embargadas e admitidas, em  duas partes e conclusão.    Parte I    b) nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84  da MP nº 2.158­35/2001; c) classificação fiscal das placas  importadas  Defende,  a  Embargante,  a  nulidade  da  multa  em  epígrafe,  nos  seguintes  termos:  nulidade  do  acórdão  16­71.694  diz  respeito  à  admissão  da  aplicabilidade  da  multa  prevista  pelo  artigo  84,  I,  da  Medida  Provisória nº 2.158­35/2001, combinado com o artigo 69, da Lei  nº  10.833/2003,  em  decorrência  de  classificação  errônea  das  mercadorias  na  NCM  com  relação  às  placas mãe,  classificadas  pela 8473.30.49 e 8473.30.41.  É  que  neste  caso  as  posições  discutidas  são  equiparadas  tanto  para  fins  de  pagamento  dos  tributos,  eis  que  as  alíquotas  aplicáveis para  II,  IPI, PIS e COFINS  incidentes na  importação  são  rigorosamente  iguais  e  assim  também  as  obrigações  acessórias, tais quais o licenciamento da operação de importação  ou anuência de órgãos federais.  Não  estando  sujeitas  ao  Licenciamento  da  Importação  e,  tampouco,  à  aprovação  por  qualquer  órgão  federal,  e  não  havendo  diferenciação  da  carga  tributária  incidente  na  importação,  não  há  como  sustentar  qualquer  espécie  de  diferenciação no tratamento dado pela legislação às mercadorias  classificadas  no  código  NCM  8473.30.49  em  comparação  com  aquelas  previstas  no  código  NCM  8473.30.41.  Ou  seja,  as  mercadorias  são  equiparadas  tanto  para  pagamento  dos  tributos  quanto para cumprimento de obrigações administrativas.  (...)  Desta feita, o que se observa é o apego exclusivo ao princípio da  responsabilidade  objetiva  na  aplicação  de  penalidades  aduaneiras,  uma  vez  que,  em  tese,  esta  seria  a  única  fundamentação  capaz  de  salvar  a  imposição  da  penalidade  no  caso concreto. (...)  E, no presente caso, em que pese se possa admitir tenha ocorrido  um ilícito com relação à classificação fiscal das placas­mães, não  Fl. 19169DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.170          18 houve dano algum, seja com relação ao recolhimento de tributos,  seja com relação ao controle aduaneiro. Sendo assim, impossível  cogitar­se da aplicação a penalidade prevista no art. 84, da MP nº  2.15835/2001, mesmo em face do princípio da responsabilidade  objetiva.  Ademais,  não  se  pode  olvidar  do  contexto  fático  envolvido  na  presente  controvérsia,  em  que  as  importações  sujeitaram­se  a  canal  vermelho  de  parametrização  aduaneira,  conforme  expressamente reconhecido pela Fiscalização (fls. 527) e referido  no  tópico  anterior.  Nesse  contexto,  a  jurisprudência  vem  reconhecendo que a soma dos elementos (i) ausência de prejuízo  ao erário com (ii) ocorrência de verificação das mercadorias pelo  Fisco  em  seu  desembaraço  impede  a  aplicação  da  multa  aduaneira.  Isso  porque,  nessas  circunstâncias,  além  de  inexistir  qualquer  dano  ao  fisco,  verifica­se  que  o  contribuinte  tinha  um  justo  motivo para acreditar estar agindo da forma correta, qual seja, o  comportamento  da  própria  Fiscalização  Aduaneira,  estabelecendo  uma  relação  de  confiabilidade  entre  as  ações  do  contribuinte  (apontar  a  classificação  fiscal  8473.30.49)  com  as  práticas  reiteradas  da  fiscalização  ao  revisar  DIs  com  tais  mercadorias.  Tal  fato  denota  que  a  classificação  fiscal  adotada  era,  no mínimo, duvidosa, o que  atrai a  incidência do comando  inserto  no  art.  112,  do  CTN,  que  impede  a  aplicação  da  penalidade ao contribuinte;  (...)  Nesse contexto, é possível concluir, diversamente do disposto na  sentença, por uma verdadeira mudança de critério jurídico, ainda  que limitada à seara fática da controvérsia.  Torna­se  relevante,  ainda,  a  ausência  de  prejuízo  ao  erário  ­  o  qual não restou demonstrado nos autos. No concernente, além de  inexistir qualquer outro vício capaz de macular as operações de  importação  realizadas  pela  autora,  cabe  sopesar  que  as  falhas  humanas,  porventura  existentes  nos  complexos  processos  do  comércio  internacional,  podem ou  não  resultar  na  supressão  de  tributos. (...)  (...)  Pelo exposto, ainda que admitidos os lançamentos de diferenças  de  tributos,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar  tendo  em  vista as nulidades arguidas nos tópicos 3.1 e 3.2, deve a multa de  1% aplicada no presente caso ser integralmente cancelada no que  diz  respeito  às  importações  de  placas­mãe,  considerando­se  a  inexistência  de  prejuízo  ao  erário  e  a  verificação  das  DI  em  canais vermelho e amarelo de parametrização aduaneira.  A  multa  impugnada  está  prevista  no  artigo  84,  inciso  I,  da  MP  2.158­  35/2001, que assim dispõe:  Fl. 19170DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.171          19 “Art.  84.  Aplica­se  a  multa  de  um  por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro da mercadoria:  I  ­  classificada  incorretamente  na  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  nas  nomenclaturas  complementares  ou  em  outros  detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou”  Verificado o erro cometido na classificação dos produtos (erro na informação  da  correta  classificação  fiscal),  o  fato  enquadra­se  na  norma  prevista  no  dispositivo  acima  mencionado, tornando legítima a exigência da multa.  Com relação às alegações de que a inexatidão na classificação não acarretou  falta  de  pagamento  de  tributos,  nem  existiu  qualquer  impacto  no  controle  aduaneiro,  basta  lembrar que  a multa não está condicionada a consequências ou  resultados materiais, ou seja,  trata­se de um ilícito formal. Outrossim, a multa não está vinculada a prejuízo tributário, pois  as  informações  além  de  serem  utilizadas  para  o  controle  aduaneiro,  servem  para  outras  finalidades, inclusive estatísticas e definição de políticas públicas.   Interessante  lembrar  ainda  a  responsabilidade  objetiva  em  relação  às  infrações aduaneiras, ou seja, responsabilidade mesmo sem dolo ou culpa do infrator, conforme  o art. 673 do Regulamento Aduaneiro, mencionado na decisão da Delegacia de Julgamento, da  qual reproduzimos trecho:  Com  relação  às  alegações  de  que  a  inexatidão  na  classificação  não  acarretou  falta  de  pagamento  de  tributos,  nem  existiu  qualquer  impacto  no  controle  aduaneiro,  esbarram  no  princípio  da  responsabilidade  objetiva,  consagrado  pelo  artigo  673  do  Regulamento Aduaneiro de 2009, cuja matriz legal é o art. 94 do  Decreto­Lei nº 37/66:  “Art. 673 – Constitui  infração toda ação ou omissão, voluntária  ou  involuntária, que  importe  inobservância, por parte de pessoa  física  ou  jurídica,  de  norma  estabelecida  ou  disciplinada  neste  Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado  a completá­lo.  Parágrafo  único.  Salvo  disposição  expressa  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infração  independe  da  intenção  do  agente  ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos  efeitos do ato.”  Dessarte, propõe­se manter integralmente a decisão da Delegacia de  Julgamento nesta questão.     Parte 2  Vamos agora ao segundo ponto dos embargos admitido:  d) instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN    Segundo  a  Embargante,  "mesmo  na  remota  hipótese  de  manutenção  dos  lançamentos referentes aos tributos objeto do lançamento impugnado, o que se admite apenas  Fl. 19171DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.172          20 para  efeitos  de argumentação, não há que se  falar  em  incidência de multas,  juros de mora  e  atualização  monetária  do  valor  da  base  de  cálculo  do  tributo,  por  força  da  incidência  do  disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN" (fl. 36 do Recurso Voluntário).  Defende a Embargante que:  a classificação fiscal adotada pela Recorrente esteve pautada pela  Nomenclatura  de  Valor  Aduaneiro  e  Estatística  (“NVE”),  instituída  através  da  Instrução  Normativa  nº  80/96.  A  decisão  recorrida  não  nega  tal  fato,  porém,  a  fim  de  salvar  o  Auto  de  Lançamento em sua  integralidade e não tendo outro argumento,  nega  o  próprio  caráter  de  norma  complementar  àquilo  que  foi  objeto  de  uma  instrução  normativa  emitida  pelo  Secretário  da  Receita Federal     Sobre este ponto cumpre inicialmente retomar os fundamentos da decisão da  Delegacia de Julgamento, a qual adotamos integralmente:  Esse entendimento, todavia, não tem como prevalecer, posto que  a NVE, instituída pela IN SRF nº 80/96, conforme consta de seu  artigo 1º, “tem por finalidade identificar a mercadoria submetida  a  despacho  aduaneiro  de  importação,  para  efeito  de  valoração  aduaneira,  e  aprimorar  os  dados  estatísticos  de  comércio  exterior.”  Não  consta  da  legislação  que  criou  e  regula  referida  Nomenclatura  a  tarefa  de  proceder  ou  sequer  subsidiar  a  classificação  fiscal  de  mercadorias,  tarefa  esta  que  compete  exclusivamente às Regras Gerais para a Interpretação do Sistema  Harmonizado.  Não  é  demais  lembrar  que  o  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de Codificação  de Mercadorias,  ou  simplesmente  Sistema  Harmonizado  (SH),  é  um  método  internacional  de  classificação  de  mercadorias,  desenvolvido  pela  OMA,  submetido  a  constantes  revisões  para  mantê­lo  atualizado  de  acordo com as mudanças de tecnologia e padrões comerciais. Sua  estrutura compreende (i)  a Nomenclatura propriamente dita;  (ii)  as Regras Gerais para a  Interpretação do Sistema Harmonizado,  através  das  quais  são  estabelecidas  as  regras  gerais  de  classificação  das  mercadorias  na  Nomenclatura;  (iii)  as  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  (NESH),  que  fornecem  esclarecimentos  e  interpretam  o  Sistema  Harmonizado,  estabelecendo,  detalhadamente,  o  alcance  e  conteúdo  da  Nomenclatura.  A  Convenção  Internacional  sobre  o  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  Codificação  de  Mercadorias,  celebrada  em  Bruxelas, em 14 de junho de 1983, foi aprovada pelo Congresso  Nacional através do Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro  de  1988  e  promulgada  pelo  Decreto  nº  97.409,  28/12/1988,  fazendo parte, desde então, da legislação tributária do País, com  superveniência sobre a legislação interna, nos termos dos artigos  96 e 98 do CTN.  Fl. 19172DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.173          21 Com  o  advento  do  MERCOSUL,  foi  criada  a  Nomenclatura  Comum  do  MERCOSUL  (NCM),  tendo  por  base  a  Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Assim, dos oito dígitos  que compõem a NCM, os seis primeiros seguem o mesmo padrão  do  Sistema  Harmonizado,  enquanto  o  sétimo  e  oitavo  dígitos  correspondem  a  desdobramentos  específicos  atribuídos  no  âmbito do MERCOSUL. Tendo como alicerce a NCM, foi criada  em  janeiro  de  1995,  a  Tarifa  Externa  Comum  (TEC),  na  qual  cada  código  da  NCM  é  correlacionado  a  um  gravame  de  importação (alíquota).  Das  considerações  acima  expendidas,  ressalta,  portanto,  a  superveniência,  para  fins  de  classificação  fiscal,  da  Convenção  Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de  Codificação  de  Mercadorias,  com  suas  Regras  Gerais  Para  a  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  e  Notas  Explicativas,  sobre  qualquer  regramento  do  ordenamento  normativo  interno  que  a  contrarie.  Esta  prevalência  encontra­se  contemplada  no  Regulamento Aduaneiro de 2009, conforme a seguir se reproduz:  “Art.  94.  A  alíquota  aplicável  para  o  cálculo  do  imposto  é  a  correspondente  ao  posicionamento  da  mercadoria  na  Tarifa  Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez  identificada  sua  classificação  fiscal  segundo  a  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul.  Parágrafo  único.  Para  fins  de  classificação  das  mercadorias,  a  interpretação  do  conteúdo  das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do  Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para  Interpretação,  das  Regras  Gerais  Complementares  e  das  Notas  Complementares  e,  subsidiariamente,  das  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias,  da  Organização  Mundial  das  Aduanas  (Decreto­Lei  no  1.154,  de  1o  de março  de  1971,  art.  3o, caput)” (negritamos)  Considerando,  assim,  que  a  NVE  não  se  trata  de  um  ato  normativo  destinado  a  regular  a  classificação  fiscal  de  mercadorias  e,  portanto,  não  se  enquadra  na  hipótese  prevista  pelo inciso I do art. 100 do CTN, concluímos ser improcedente o  pleito da impugnante pela exclusão das multas e juros de mora.  Finalmente, quanto à afirmação de que a classificação fiscal das  placas de vídeo e som na NCM 8473.30.49 veio a ser confirmada  com  a  criação  do  Ex  Tarifário  (Ex  001)  nessa  posição,  pela  Resolução CAMEX N° 73, publicada em 16/09/2013; deixamos  de  adentrar  o  mérito  dessa  discussão,  uma  vez  que  esse  dispositivo  não  tem  aplicação  à  situação  sob  exame,  haja  vista  sua publicação ter se dado em data posterior aos fatos geradores  deste processo.    Dessa  forma,  cumpre  observar,  conforme  a  decisão  da  Delegacia  de  Julgamento,  que  a  legislação,  especialmente  o  art.  94  do Regulamento Aduaneiro,  indica  os  procedimentos  e  a  base  normativa  para  realização  da  classificação  fiscal,  não  sendo  a NVE  adequada para tal finalidade.  Fl. 19173DF CARF MF Processo nº 11487.720010/2013­99  Acórdão n.º 3301­005.706  S3­C3T1  Fl. 19.174          22 Consigne­se ainda que, conforme consta da decisão embargada, com relação  à placa de rede (código 8517.62.59), existem, inclusive, Soluções de Consulta emitidas pelas 9ª  e 10ª Regiões Fiscais, todas alinhadas nesse mesmo código NCM.  Dessa  forma,  propõe­se  manter  integralmente  também  neste  ponto  o  entendimento da decisão da Delegacia de Julgamento.     Conclusões  Diante do exposto, voto no sentido acolher os embargos de declaração, sem  efeitos infringentes, na forma indicada no presente voto.     (assinado digitalmente)  Liziane Angelotti Meira ­ Relatora                               Fl. 19174DF CARF MF

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7464441 #
Numero do processo: 19647.005328/2005-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 07/07/2000 a 14/05/2007 VÍCIO DE OMISSÃO NA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. . NULIDADE. Nos termos do artigo 59, inciso II, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/1972, é nula a decisão de primeira instância, na hipótese em que apresenta vício de omissão.
Numero da decisão: 3301-004.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para anular a decisão de primeira instância e realização de novo julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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3301­004.986  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de julho de 2018  Matéria  Classificação Fiscal  Recorrente  RHODIA STER FIBRAS E RESINAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 07/07/2000 a 14/05/2007  VÍCIO  DE  OMISSÃO  NA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  .  NULIDADE.   Nos termos do artigo 59, inciso II, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/1972, é  nula a decisão de primeira instância, na hipótese em que apresenta vício de  omissão.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial  provimento para anular a decisão de primeira instância e realização de novo julgamento.      (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira      (assinado digitalmente)   Liziane Angelotti Meira ­ Relatora      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D  Oliveira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Salvador  Candido  Brandão  Junior,  Ari  Vendramini,  Semiramis  de  Oliveira  Duro,  Valcir  Gassen e Winderley Morais Pereira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 53 28 /2 00 5- 68 Fl. 452DF CARF MF Processo nº 19647.005328/2005­68  Acórdão n.º 3301­004.986  S3­C3T1  Fl. 453          2 Relatório  Adota­se o o relatório do constante da decisão recorrrida, Acórdão 1138.682­ 6ª Turma da DRJ/REC¸(constante das fls 354/361), nos seguintes termos:  Contra  a  empresa  RHODIA  STER  FIBRAS  E  RESINAS  LTDA,  já  qualificada nos autos, foi lavrado AI (Auto de Infração) por Auditora­Fiscal da IRF­  Inspetoria  da  Receita  Federal  em  Recife/PE,  em  sede  do  MPF  (Mandado  de  Procedimento  Fiscal)  nº  0417600/00016/05,  em  face  da  declaração  inexata  de  mercadorias importadas pela impugnante, mediante Declarações de Importação (DI)  registradas no período de 07/07/2000 a 14/01/2005. Por  conseguinte,  com base na  reclassificação  fiscal  efetuada  ex officio daqueles bens,  restou  apurado um crédito  tributário total de R$ 300.220,73 referentes à diferença de impostos, multas e juros  moratórios incidentes sobre a espécie.  A impugnante submeteu a Despacho Aduaneiro de Importação 960.175,00  kgs  de Dióxido  de Titânio  para mateamento  (deslustrar)  de  fibras  artificiais  (Nome  Comercial  HOMBITAN  LWSU),  tendo  adotado  o  seguinte  Código  NCM/TEC 2823.00.10.  A autoridade fiscal, em sede de revisão aduaneira, ao investigar a regularidade  da  citada  classificação  fiscal  empregada  pela  recorrente,  em  face  do  sistema  legal  estatuído pelas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e  as  Regras  Gerais  Complementares  (RGC),  que  são  o  suporte  legal  para  a  classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa  Comum  (NCM/TEC/2007),  aprovada  pela Resolução Camex nº  43,  de  2006,  com  suas  atualizações  posteriores,  procedeu  à  sua  reclassificação  fiscal  para  o  Código  NCM/TEC 3206.11.20.  Portanto,  em  sede  do  procedimento  de  Revisão  Aduaneira,  previsto  no  art.570, cumprindo o disposto no art.659 e observado a norma contida no art.668, do  Regulamento Aduaneiro,  efetuou­se o Lançamento de Oficio do  Imposto de  Importação incidente sobre a mercadoria objeto da Reclassificação Fiscal à alíquota  correspondente aos Códigos NCM considerados na Exigência Fiscal; base de cálculo  informada em cada Adição/DI ou, ajustada, considerando os itens de mercadoria em  exame,  tendo em vista  a  aplicação de nova  alíquota;  bem como o  lançamento dos  Juros  de Mora  e  da Multa  de  Oficio  por  declaração  inexata  do  valor  do  tributo,  previstos  respectivamente,  no  art.43,  §  único,  e  art.44,  inciso  I,  da  Lei  n°  9.430,  1996, com a nova redação dada pelo art.14 da Lei n° 11.488, de 2007, do que restou  apurado  um crédito  tributário  total  de R$ R$ 300.220,73,  referente  à  diferença de  impostos,  multas  e  juros  moratórios  incidentes  sobre  a  espécie,  conforme  Demonstrativos anexos ao AI em causa.  De  outra  parte,  contraditando  o  AI  em  questão,  os  pontos  principais  da  argumentação da defendente podem ser sinteticamente assim descritos:  (A) Nulidade da autuação, na medida em que a Fiscalização não demonstrou  de modo preciso, a suposta infração tributária praticada pela impugnante; não tendo  se  valido  de  qualquer  laudo  ou  perícia  da  mercadoria,  para  proceder  à  sua  reclassificação fiscal. Neste ponto, a fim comprovar o acerto da classificação fiscal  adotada  na  importação  do  produto  (Hombitan  LWSU),  a  Impugnante  colacionou  laudo técnico elaborado para essa finalidade.  (B)  Colacionou  correspondências  trocadas  entre  o  seu  fornecedor  brasileiro  (Brancolitho Representações  Ltda.)  e  o Departamento  de Operações  de Comércio  Exterior — DECEX,  departamento  integrante  do  atual  denominado Ministério  do  Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em que se faz menção ao produto  "Hombitan  LWSU"  como  enquadrado  na  posição  2823,  bem  como  orientação  do  fornecedor estrangeiro (Sachtlebeen Chemie) no mesmo sentido.  Fl. 453DF CARF MF Processo nº 19647.005328/2005­68  Acórdão n.º 3301­004.986  S3­C3T1  Fl. 454          3 (C) Requereu a juntada de outros documentos e a elaboração de laudo técnico  expedido  por  uma  entidade  independente,  que  confirmaria  a  classificação  fiscal  adotada pela Impugnante.  (D) Arguiu  ilegitimidade da Taxa Selic para  correção monetária de créditos  tributário por, supostamente, violar a Constituição Federal, considerando que a Taxa  SELIC foi instituída pela Circular BACEN n° 466/79 com o objetivo especifico de  remunerar  o  capital  próprio  investido  em  títulos  federais.  Sua  aplicação  para  a  correção  de  débitos  fiscais  gera  aumento  de  tributo,  sem  existência  de  lei  que  o  determine (violação ao artigo 150, I da Constituição Federal).  Nesse sentido, como a Lei n° 9.065/95 não institui  (definiu) a Taxa SELIC,  mas  tão  somente  determinou  a  sua  aplicação,  houve  manifesta  violação  a  esse  dispositivo do Código Tributário Nacional. I Inconstitucionalidade do § 40 do art. 39  da  Lei  9.250  de  26  de  dezembro  de  1995,  que  estabeleceu  a  utilização  da  taxa  SELIC , uma vez que essa taxa não foi criada para fins tributários.    Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento julgou improcedente, com a seguinte ementa (fl. 354):      ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 07/07/2000 a 14/01/2005  Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC  As  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte  legal  para  a  classificação  de  mercadorias  na  Nomenclatura  Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007),  aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e  atualizações  posteriores.  Mercadoria  identificada  pelo  nome  comercial:  HOMBITAN  LWSU. Pigmento à base de dióxido de titânio, contendo 99% de  minério  TiO2  e  1%  de  impurezas  classifica­se  no  código  NCM/TEC 3206.11.20.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 07/07/2000 a 14/01/2005  Perícia. Indeferimento.  Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma  vez que não foi esse o motivo da autuação, e, sim, a sua incorreta  classificação fiscal na NCM/TEC, ao amparo das RGI do SH nºs  1  e  6.  Além  do  mais,  os  documentos  integrantes  dos  autos  revelam­se  suficientes  para  a  formação  de  convicção  e  conseqüente  julgamento do  feito. Pedido indeferido, nos  termos  do  artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972,  com a  redação do  artigo  1º  da Lei  nº 8.748, de  1993,  c/c  artigo  35  do Decreto nº  7.574, de  2011.      Foi  apresentado  Recurso  Voluntário  (fls.  401/422),  no  qual  a  Recorrente  apresentou as seguintes questões, que serão individualmente analisadas no voto:   · nulidade  da  decisão  recorrida  por  falta  de  análise  dos  argumentos  apresentados na impugnação;  Fl. 454DF CARF MF Processo nº 19647.005328/2005­68  Acórdão n.º 3301­004.986  S3­C3T1  Fl. 455          4 · nulidade  do  Auto  de  Infração  por  não  demonstrar  os  fatos  e  os  elementos de prova da infração atribuída à Recorrente e também por  não se embasar em laudo técnico ou perícia da mercadoria objeto da  classificação fiscal;  · no mérito, defende que a classificação que adotara está correta;  · subsidiariamente  pugna  pela  impossibilidade  de  exigência  de  juros  sobre a multa punitiva e a inexistência de mora    É o relatório.    Voto               Conselheira Liziane Angelotti Meira ­ Relatora  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de  admissibilidade e deve ser conhecido.  Conforme  consta  do  Relatório  da  decisão  recorrida,  a  Recorrente  alegou  "Nulidade da autuação, na medida em que a Fiscalização não demonstrou de modo preciso, a  suposta infração tributária praticada pela impugnante; não tendo se valido de qualquer laudo ou  perícia da mercadoria, para proceder à sua reclassificação fiscal. Neste ponto, a fim comprovar  o  acerto  da  classificação  fiscal  adotada  na  importação  do  produto  (Hombitan  LWSU),  a  Impugnante colacionou laudo técnico elaborado para essa finalidade" (fl. 356).  No entanto, na decisão recorrida, a análise se limitou ao mérito da questão,  não tratando da preliminar.   A  Recorrente,  por  sua  vez,  reafirmou  seu  entendimento  pela  nulidade  do  Auto  de  Infração  e  pugnou  pela  nulidade  da  decisão  recorrida  por  falta  de  análise  dos  argumentos  apresentados  na  impugnação. E  realmente  assiste  razão  à  recorrente,  no  voto  da  decisão recorrida sequer aventou­se a nulidade do Auto de Infração alegada na impugnação.  Assim, considerando que, nos termos do artigo 59, inciso II, parágrafo 3º, do  Decreto nº 70.235/1972, é nula a decisão e primeira  instância, na hipótese em que  apresenta  vício  de  omissão,  proponho  dar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  anular  a  decisão  recorrida e determinar o retorno do processo à 6ª Turma da DRJ/REC para que seja proferida  nova decisão com a devida apreciação da alegação de nulidade do Auto de Infração.      (assinado digitalmente)  Liziane Angelotti Meira  Fl. 455DF CARF MF Processo nº 19647.005328/2005­68  Acórdão n.º 3301­004.986  S3­C3T1  Fl. 456          5                               Fl. 456DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.728198/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem adote as seguintes providências: (i) com relação à glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo (operações sujeitas à sistemática monofásica): (i.a) deverá a autoridade fiscal, intimar o autuado para fazer prova cabal de sua alegação referente à glosa de créditos em operações posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertando-se à Recorrente de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito, inclusive em razão de aplicação subsidiária do art. 6º do NCPC (Código de Processo Civil); (i.b) com base na prova produzida nesses termos pela Recorrente, reconstitua-se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; e (i.c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em Relatório circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações que julgar pertinentes; (ii) com relação à alegação de ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado, considerando os argumentos da Recorrente sobre o processo de incorporação ocorrido durante o procedimento fiscal, consignando que "após a incorporação, o referido estabelecimento filial (CNPJ nº 02.808.708/008183) continuou sendo explorado pela empresa sucessora, com o CNPJ nº 07.526.557/003478 e que portanto o Auto de Infração só poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento que sucedeu aquele ao qual foram imputadas as infrações e não contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica", solicito à autoridade fiscal: (ii.a) intimar a Recorrente a apresentar os documentos concernentes à reestruturação societária incorporação (ATAS e Termos da Assembléia, etc), bem como apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, que tenha como objeto subsidiar a situação posta nos autos; (ii.b) ao final, deverá o Fisco fazer constar no Relatório conclusivo posição sobre a análise dos documentos e sobre as alegações promovidas pela Recorrente nesse tópico; (iii). Quanto ao PAF nº 10880.727.044/2015-61 citado pela Recorrente em seu recurso, calcular e informar no Relatório conclusivo o reflexo da decisão atual nele constante, determinado que cópia desta diligência seja juntado àquela processo; (iv) quanto à glosa oriunda da aquisição de insumos de empresa do mesmo grupo econômico, intimar a autuada para que comprove suas alegações, alertando-a de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam; (v) tendo em conta o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-¬prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891, com repercussão geral, solicita-se verificar se existem glosas que seriam afastadas com base exclusivamente neste entendimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem adote as seguintes providências: (i) com relação à glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo (operações sujeitas à sistemática monofásica): (i.a) deverá a autoridade fiscal, intimar o autuado para fazer prova cabal de sua alegação referente à glosa de créditos em operações posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertando-se à Recorrente de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito, inclusive em razão de aplicação subsidiária do art. 6º do NCPC (Código de Processo Civil); (i.b) com base na prova produzida nesses termos pela Recorrente, reconstitua-se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; e (i.c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em Relatório circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações que julgar pertinentes; (ii) com relação à alegação de ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado, considerando os argumentos da Recorrente sobre o processo de incorporação ocorrido durante o procedimento fiscal, consignando que "após a incorporação, o referido estabelecimento filial (CNPJ nº 02.808.708/008183) continuou sendo explorado pela empresa sucessora, com o CNPJ nº 07.526.557/003478 e que portanto o Auto de Infração só poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento que sucedeu aquele ao qual foram imputadas as infrações e não contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica", solicito à autoridade fiscal: (ii.a) intimar a Recorrente a apresentar os documentos concernentes à reestruturação societária incorporação (ATAS e Termos da Assembléia, etc), bem como RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 28 19 8/ 20 16 -5 1 Fl. 2033DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, que tenha como objeto subsidiar a situação posta nos autos; (ii.b) ao final, deverá o Fisco fazer constar no Relatório conclusivo posição sobre a análise dos documentos e sobre as alegações promovidas pela Recorrente nesse tópico; (iii). Quanto ao PAF nº 10880.727.044/2015-61 citado pela Recorrente em seu recurso, calcular e informar no Relatório conclusivo o reflexo da decisão atual nele constante, determinado que cópia desta diligência seja juntado àquela processo; (iv) quanto à glosa oriunda da aquisição de insumos de empresa do mesmo grupo econômico, intimar a autuada para que comprove suas alegações, alertando-a de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam; (v) tendo em conta o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-¬prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891, com repercussão geral, solicita-se verificar se existem glosas que seriam afastadas com base exclusivamente neste entendimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 1686/1785), abaixo transcrito: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010; consoante capitulação legal consignada às fls. 914 e 915, foi lavrado o auto de infração à fl. 912, em 27/07/2016, para exigir R$ 10.219.731,18 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 4.201.000,38 de juros de mora calculados até 31/07/2016, e R$ 7.664.798,31 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 22.085.529,87. Fl. 2034DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 A AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, sujeito passivo da autuação, sucedeu por incorporação, em janeiro de 2014, o estabelecimento com CNPJ 02.808.708/0081- 83, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido iniciada, conforme os arts. 129 e 132 do CTN. Fatos e Infrações Consoante a descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 913/915, e o teor do relatório fiscal (termo de descrição dos fatos), às fls. 797/911, não houve o recolhimento do imposto, de janeiro a dezembro de 2012, em razão do aproveitamento dos seguintes tipos de créditos indevidos: CRÉDITOS DE INSUMOS PARA BEBIDAS Créditos fictícios do imposto apropriado como se devido fosse na aquisição de insumos (concentrados, filmes “stretch” e artefatos como rolhas e tampas plásticas) de estabelecimentos situados na Amazônia Ocidental, escriturados da seguinte maneira: “Outros Créditos - Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – IPI rec. s/aquisição Amazônia” ou “Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – art. 175 Dec. 4.544 26/12/2002” A isenção do imposto em tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental e comercializados em outras partes do país é prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010. O dispositivo específico sobre a Zona Franca de Manaus (art. 81, II) não assegura o aproveitamento dos créditos pelas aquisições por estabelecimentos localizados em outras regiões do país. Por outro lado, para a isenção do art. 95, III, há a possibilidade de aproveitamento dos créditos (crédito incentivado, art. 237) pelos adquirentes em outras regiões se forem satisfeitas as seguintes condições cumulativas: 1. Que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional; 2. Que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima); 3. Que o estabelecimento tenha projeto aprovado no Conselho de Administração da Suframa. Ademais, consoante a redação do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º, os insumos adquiridos com isenção devem ser empregados no processo industrial de produtos sujeitos ao imposto. A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na escrita fiscal. Intimada a contribuinte a esclarecer a origem dos créditos fictos (incentivados) registrados na escrita fiscal, há o seguinte a destacar conforme os dados fornecidos. Créditos de rolhas e tampas plásticas adquiridas de RAVIBRAS Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/0001-73: ROLHA PLAST VERDE PC TW NIV ROLHA PLAST AZUL PC NIV ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI ROLHA PLAST GUARANÁ VERMELHA NIV11 R ROLHA PLAST SODA L ANT ROLHA PLAST SUKITA VERDE TAMPA PLAST AMARELA GUARANÁ ANTART O dispositivo legal para isenção declarado como adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II) nas vendas prevê apenas a isenção nas saídas dos Fl. 2035DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 produtos do industrializados, sem a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de filme “stretch” adquirido de VALFILM Amazônia Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/0001-07: FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Idem nas saídas de produtos da VALFILM a partir de maio de 2010 (isenção prevista no seguinte dispositivo: RIPI/2010, art. 81, II). Créditos de concentrados adquiridos de AROSUCO Aromas e Sucos Ltda., CNPJ 03.134.910/0001-55: CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT CONC NAT LIMAO FE1403 KIT CONC NAT S LARANJA BR KIT CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT No caso da AROSUCO também foi informado que a falta de destaque do imposto nas saídas de concentrados (exceto quanto aos concentrados de sabor guaraná) se deveu à isenção prevista (RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de concentrados adquiridos de PEPSI-COLA Industrial da Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/0001-60: KIT PEPSI COLA 350050602 PEPSICO KIT PEPSI COLA TWIST KIT PEPSI COLA LIGH KIT H2OH LIMAO KIT PTWZERO; Os concentrados (kits) foram produzidos pela PEPSI-COLA com a utilização de insumo (corante caramelo) produzido, por sua vez, pela empresa D. D. WILLIAMSON do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/0001-25, localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante caramelo foi utilizado, até junho de 2011, açúcar de cana fornecido pela Usina Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/0001-70, situada no Estado do Mato Grosso, que não compõe a chamada Amazônia Ocidental, abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do Decreto-lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 4º. Em procedimento de diligência encetado, a D. D. WILLIAMSON informou que, a partir de 14/06/2011, passara a fornecer o corante caramelo à PEPSI-COLA com, na respectiva composição (misturados), açúcar proveniente da Usina Itamarati S/A e açúcar mascavo oriundo da Cooperativa Agroextrativista da Vila União, CNPJ 10.778.894/0001-07, situada em Eirunepe, Amazonas. Em resposta a intimação, a PEPSI-COLA declarou que era habilitada pela SUFRAMA a produzir concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas com ambos os incentivos: Zona Franca de Manaus (RIPI/2010, art. 81, II) e Amazônia Ocidental (RIPI/2010, art. 95, III). O corante caramelo, utilizado na produção de kits (concentrados de refrigerante) pela PEPSI-COLA, é industrializado pela D. D. WILLIAMSON com açúcar fabricado em Mato Grosso a partir de cana de açúcar lá cultivada e não se caracteriza como matéria prima agrícola e, por conseguinte, os concentrados de refrigerante não são produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Por isso, não há direito ao crédito pelas aquisições de concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA de janeiro a dezembro de 2012. Fl. 2036DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Alcance do conceito de matéria prima agrícola de produção regional do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435, de 1975 No caso da produção dos concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA, empregados no processo industrial da unidade da AMBEV em Almirante Tamandaré, PR, o corante caramelo é um insumo do insumo que, no fim das contas, não é uma matéria prima agrícola, ainda que seja um insumo de produção regional. O corante caramelo é resultante de um processo industrial a partir de açúcar cristal e açúcar mascavo, de certa complexidade, com a aplicação de diversos compostos químicos e que abrange duas etapas, conforme consta do relatório fiscal: “a) Processo de hidrólise: ocorre através da inversão da sacarose, sendo utilizados como matérias-primas o açúcar cristal, água e catalisador ácido. Esse processo quebra a molécula da sacarose, gerando outros tipos de açúcares. O produto resultante é o açúcar hidrolisado, que é uma mistura de sacarose, glicose e frutose. b) Processo de manufatura do corante caramelo: ocorre em reatores, através do processo de caramelização, utilizando o açúcar hidrolisado da etapa anterior, acrescido de água, sal de amônio e solução alcalina. Durante todo esse processo existe o acompanhamento de técnicos de laboratório, coletando e analisando todos os parâmetros de qualidade”. A cana de açúcar é a matéria prima agrícola por excelência na produção dos açúcares, mas não é a matéria prima agrícola e extrativa vegetal na produção dos concentrados. A autuada efetuou a apropriação de créditos fictos nas aquisições dos “kits” para refrigerantes sem a indispensável utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Nem a aquisição de corante caramelo daria azo ao aproveitamento de créditos, pois os açúcares cristal e mascavo são, também, produtos intermediários e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Na justificativa do projeto do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, o termo “matérias primas agrícolas” exclui da definição insumos oriundos da agroindústria. Em uma primeira industrialização, pode-se falar na utilização de matéria prima extrativa vegetal de produção regional. Contudo, na etapa posterior (segunda industrialização), trata-se do emprego de produto intermediário. À luz do art. 4º do RIPI/2010, após um processo de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, renovação ou recondicionamento), o artefato de natureza agrícola resultante não pode mais ser considerado como matéria prima agrícola in natura: é produto intermediário. A isenção prevista no diploma legal é objetiva (em razão do produto) e não subjetiva (em razão do beneficiário); assim, é imprescindível a comprovação da legitimidade da isenção para cada produto, sendo a aprovação de projeto pela SUFRAMA (órgão com competência exclusiva para a aprovação de projetos) apenas um dos requisitos para a efetiva fruição do benefício fiscal. Os créditos incentivados apropriados pelo sujeito passivo são, destarte, indevidos, pois se referem a aquisições de kits para refrigerantes da PEPSI-COLA, assim como os créditos referentes às aquisições de kits da AROSUCO (exceto aqueles de guaraná) com base na isenção do art. 81, II, do RIPI/2010. Esses créditos fictos devem ser glosados. Erro de classificação fiscal e a alíquota zero dos “concentrados de refrigerantes” Para o aproveitamento de créditos fictos relativos a insumos adquiridos com a isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, os créditos devem ser calculados como se o imposto fosse devido, ou seja, os insumos devem sofrer a incidência do imposto, com alíquota diferente de zero. É o texto do Decreto-lei nº 1.435, 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, matriz legal para o crédito incentivado do RIPI/2010, art. 237: § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados Fl. 2037DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 como matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.(g.m.) O subitem 2106.90.10 da TIPI, correspondente a “preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas”, tem a alíquota de 0%. Todavia, constam nas notas fiscais de aquisição dos concentrados ou “kits” oriundos da PEPSI-COLA (isenções dos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010, quanto aos kits para fabricação de refrigerante) e da AROSUCO (isenção do art. 81, II, do RIPI/2010, no tocante aos kits de sabores diferentes de guaraná; isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, no caso dos kits de sabor guaraná) o código de classificação fiscal NCM 2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27% (alterada para 20% a partir de 31/05/2012 pelo Decreto nº 7.742, de 2012) e o seguinte texto: "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Todos os sobreditos códigos de classificação fiscal vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. Há erro de classificação fiscal cometido pelas empresas fornecedoras PEPSI-COLA (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes Pepsi e H2OH) e AROSUCO (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes sabor guaraná, limão, laranja e água tônica), à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). Ora, no próprio texto do código de classificação fiscal adotado pelas empresas fornecedoras em questão há a alusão a “preparações compostas”, ao passo que nas notas fiscais os insumos em questão são referidos como “concentrados” e identificados como itens únicos. Nas notas fiscais emitidas pela AROSUCO, os concentrados são discriminados como “kits”, conforme a nota fiscal nº 1.206 (reprodução parcial à fl. 848). Em nota fiscal emitida pela PEPSI-COLA (documento auxiliar de nota fiscal eletrônica – DANFE, com reprodução à fl. 849), há a discriminação das várias partes integrantes do “concentrado de refrigerante”, sendo as seguintes as considerações do termo de descrição dos fatos e de encerramento da ação fiscal: “Observa-se que kits sabor Pepsi-Cola, em verdade, seriam duas mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35005*06 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III”; "Acid Ingr 35005 *01*01 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” E que kits sabor Pepsi-Cola light, em verdade, seriam quatro mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35009*60 01A 4UN p/ vol”; "Aroma Ingr 35009*61 1UN p/ vol acid, organic, 8, pg III"; " SAIS: INGR. 35009*61*05 2 UM P/VOL" ; "Acid Ingr 35009 *80*33A 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” Ainda que, em algumas notas os kits sejam discriminados como um item único, os concentrados ou "kits", em realidade, chegam à AMBEV em partes, não em um único componente. Mesmo que os fornecedores Pepsi e Arosuco entendam que o concentrado é uma preparação composta, uma mercadoria única, já pronta, os produtos que a Pepsi ou a Arosuco chamam de "concentrado" ou "kit" são na realidade conjuntos de matérias- primas e produtos intermediários, que saíram dos seus estabelecimentos embalados separadamente, em bombonas, ou sacos, na forma líquida (Flavours ou aromas) ou sólida (sais). O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, Fl. 2038DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (Flavours ou aromas), quando, aí sim, é obtido o concentrado”. Por ocasião de visita à fábrica em diligência efetuada em filial do sujeito passivo, foi constatado o seguinte: “Que o processo produtivo do estabelecimento pode ser resumido da seguinte forma: 1) As matérias-primas, recebidas dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhadas a uma sala de estocagem. 2) Recebem açúcar de determinados fornecedores que não os do item 1, não oriundo de Manaus, com o qual é elaborado, por meio de dissolução em água, o xarope simples a quente na xaroparia simples”. 3) A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes, após receber tratamento, alimenta um equipamento conhecido como “dissolvedor”, onde é produzido o xarope simples por meio do aquecimento do açúcar e sua diluição em água. 4) Que, na linha de produção, na área da Xaroparia Simples, produz-se o Xarope Simples, por meio do aquecimento do açúcar cristal e refinado, insumo não proveniente da região da Amazônia, e da sua diluição em água. 5) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. 6) Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. 7) Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. 8) Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto, a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. 9) Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. 10) Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente, e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, pois o kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. 11) Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. 12) Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. 13) Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto5; muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. 14) Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados (acondicionados) em bombonas separadas. Fl. 2039DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 15) Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou- se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; 16) São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. 17) E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1.703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola”. A seguir, transcrição de trecho do auto de infração que consta do processo administrativo fiscal de n° 10830-725.247/2015-16: "Para melhor esclarecer este assunto, em 13/03/2015, 01/06/2015 e 15/09/2015 realizamos diligências nas salas de estocagem de matérias-primas da AMBEV e no início das linhas de produção de Gatorade e Refrigerantes, em companhia do Gerente de fábrica Fábio Henrique Cardoso de Souza. 225) A pessoa citada acima esclareceu que: a) Quanto ao processo produtivo básico de refrigerantes e Gatorade i) Recebimento de matérias-primas - As matérias-primas, basicamente aromas e sais, são recebidos dos fornecedores, e então encaminhados a uma sala de estocagem, antes do preparo propriamente dito. ii) Tratamento da água - A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes é "declorada", após tratamento. iii) Adição dos sais - Essa água declorada alimenta um equipamento (tanque de solução), conhecido como "dissolvedor", onde lhe são adicionados os sais industrializados; iv) Adição de Aromas - A solução resultante é então encaminhada aos tanques onde serão adicionados os aromas (flavours), de acordo com a formulação do refrigerante a ser fabricado v) Enchimento - A mistura é então dirigida às linhas de enchimento, onde é feita uma diluição. No caso dos refrigerantes é adicionado o gás, e finalmente segue para envase. b) Quanto ao recebimento das matérias-primas i) Os aromas chegam à AMBEV acondicionados em bombonas e os sais acondicionados em sacos, conjunto esse convencionalmente chamado de "kit" para fabricação de refrigerante. Os Aromas, chamados de flavours, são os componentes que contêm os aromas das bebidas a serem fabricadas, p.ex. laranja, tangerina, limão, guaraná. Vêm embalados em bombonas, e se apresentam na fase líquida. Fl. 2040DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 iii) Os sais vêm embalados em sacos, na fase sólida, e são basicamente acidulantes e conservantes. iv) No caso dos refrigerantes, os sais são ácido cítrico, sorbato e benzoato. v) Tais componentes do kit não podem ser misturados já no fornecedor e transportados lá na forma do concentrado pronto, porque as misturas para cada produto tem dosagens e sequências diferentes, e se o concentrado já viesse pronto, o volume do produto seria maior. vi) Os kits, quando são recebidos do fornecedor, não apresentam ainda as características essenciais do concentrado pronto. Para que isso aconteça é necessário que eles sejam misturados apenas durante o processo de preparo das bebidas, na AMBEV. 226) Fomos então às salas de estocagem de matérias-primas e registramos fotos de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada”.(g.m.) Reproduções fotográficas de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada às fls. 853/864. As fotografias apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 006 demonstram igualmente que: “Quanto ao chamado concentrado “Pepsi zero”, são na verdade cinco mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi zero sais: embalagem contendo composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. 2) Kit Pepsi zero flavour: embalagem contendo aromatizante. 3) Kit Pepsi zero acidulante: conforme embalagem, seria composto de acidificante INS 330 e 338. 4) Kit Pepsi zero natural flavour. 5) Kit Pepsi zero Max flavour: embalagem contento aromatizante IV. E, quanto ao chamado concentrado “Pepsi twist”, seriam as três mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi twist (limão): kit 92318*01. 2) Kit Pepsi twist (cola flavour): kit 35005*14. 3) Kit Pepsi twist sais: composto de conservante INS 211 e estabilizante INS 331. Já o chamado concentrado “Água tônica”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: composto de aroma natural. 2) Kit B: formado de dois acidulantes e dois conservantes. E, por fim, o chamado concentrado “Guaraná Antarctica zero”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: FE 1431Z (aroma natural, corante de caramelo, extrato vegetal de guaraná). 2) Kit B: acidulante INS 334, conservante INS 211 e dois edulcorantes”. O fluxograma da elaboração de refrigerantes ou Gatorade é reproduzido à fl. 866: no Tanque de Solução (Dissolvedor), há a obtenção de xarope simples, a partir da mistura de água declorada e sais; no Tanque para Adição dos Aromas (Flavours), há a obtenção do xarope final ou concentrado líquido (ponto somente a partir do qual é obtido o concentrado propriamente dito); o produto final (refrigerante ou Gatorade) é obtido a partir da mistura de água e gás carbono (para refrigerante). “O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, Fl. 2041DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (flavours), sendo nesta ocasião obtido o concentrado. E, a despeito dos fornecedores adotarem o código da NCM Ex 01 do subitem 2106.90.10, esse ex-tarifário é próprio para preparação composta, e os concentrados para refrigerante não podem assim serem classificados, pois algo que não está preparado nem misturado, não se caracteriza como preparação. Repise-se: para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. E, quando da entrada no estabelecimento da Ambev, as partes dos concentrados não estão misturadas, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Ainda que em manifestação às constatações relatadas no Termo de Constatação Fiscal, os representantes da fiscalizada afirmem que as Partes que comporiam um concentrado ou kit são transportadas em conjunto, a verdade é que, conforme relatado em ambos Termos de Constatação Fiscal, cada Parte (Parte A ou Parte B da Arosuco, e Kit Pepsi ou Kit Pepsi Acidulante, da Pepsi) é embalada e acondicionada separadamente, tanto que a Parte A se trata de um líquido, transportado em Bombonas, e a Parte B, um sólido (pó), embalado em caixas, ainda que possam ser transportadas em um único caminhão por exemplo, de Manaus a Curitiba. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss, o vocábulo "preparação" indica uma ação - o ato de preparar, e um resultado - o preparado: "Ato ou efeito de preparar-se; preparo, preparamento, preparativo 1 operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço 2 elaboração dos alimentos para transformá-los nos diversos pratos, iguarias, etc. 3 feitura de um preparado; preparo 4 m.q. PREPARADO ("produto") (grifo nosso) Portanto, os termos "preparações", citados nos Ex 01 e Ex 02 devem ser entendidos como produtos prontos para uso, cuja origem advém de um processo de preparo. Para que se caracterize um bem chamado de preparação, os insumos empregados devem sofrer algum tipo de processamento, de transformação, podendo ser uma simples mistura de ingredientes ou complementada com algo mais elaborado como cozimento, por exemplo. Não é o caso dos "kits". Conforme constatado em razão da diligência efetuada, o que certamente ocorria no processo de industrialização de refrigerantes no estabelecimento da Ambev Curitiba, pois que os produtos elaborados bem como as matérias-primas são idênticos —, os componentes dos chamados “concentrados” são misturados pelo adquirente durante o processo de elaboração da bebida final, procedimento que é executado seguindo complexas edetalhadas especificações técnicas. O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. Não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais, como é o caso dos insumos no momento em que dão entrada na Ambev!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Veja-se. Fl. 2042DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 No mesmo sentido dos dicionários, a Nomenclatura do Sistema Harmonizado emprega o vocábulo "Preparação" como uma mercadoria misturada, pronta para uso pelo seu adquirente. Quando as matérias misturadas se classificam no mesmo Capítulo da NCM, a preparação é do tipo "simples". A elas a Nomenclatura se refere apenas como preparações. Exemplificando: a) Preparações de carne do Capítulo 16, cuja Nota de Subposição n° 1 diz: 1.- Na acepção da subposição 1602.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de carne, miudezas ou sangue, finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) b) Preparações do Capítulo 20, cujas Notas de Subposição n° 1 e n° 2 dizem: 1.- Na acepção da subposição 2005.10, consideram-se "produtos hortícolas homogeneizados", as preparações de produtos hortícolas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (..) 2.- Na acepção da subposição 2007.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de frutas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) Visível é que as preparações ("simples") acima citadas contém cada uma, apenas um tipo de matéria base. Numa são carnes (Capítulo 16), noutra são produtos hortícolas (Capítulo 20), e na última são apenas frutas (Capítulo 20). Cada um desses alimentos de base da preparação é classificado num determinado Capítulo. Nas preparações ("simples") não há mistura de matérias de base de Capítulos diferentes. Quando as preparações contêm matérias de base de Capítulos distintos, a Nomenclatura as distingue das preparações ("simples"), denominando-as de preparações compostas. Exemplificando, no caso das preparações alimentícias da posição 21.04, em que há uma mistura de substâncias de base como carne, peixe, produtos hortícolas e frutas, a Nota de Subposição n° 3 diz: "3.- Na acepção da posição 21.04, consideram-se "preparações alimentícias compostas homogeneizadas" as preparações constituídas por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de base, como carne, peixe, produtos hortícolas, frutas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis." (grifo nosso) Da mesma forma que no exemplo acima, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de "preparações compostas" constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Não é o caso dos chamados "kits" ou "concentrados" adquiridos pela fiscalizada. Fl. 2043DF CARF MF Fl. 12 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Esses são um conjunto de mercadorias, partes que, como já dito, estão acondicionadas cada uma na sua embalagem individual; não estão misturadas e não estão prontas para uso pelo adquirente, no caso, a fiscalizada. A mistura dos componentes dos kits para refrigerantes se caracteriza como a operação de transformação definida no artigo 4°, inciso I, do RIPI/2010: Art. 4º- Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n° 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n° 4.502, de 1964, art. 3°, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Nos termos do art. 3°, do RIPI de 2010, o kit para elaboração de refigerantes, ou concentrado é um produto industrializado resultante de uma operação de transformação intermediária, pois, em etapas posteriores do processo industrial, esse concentrado ou preparado líquido recebe tratamento adicional, até transformar-se em refrigerante, produto final fabricado pela AMBEV. Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n°4.502, de 1964, art. 3°). Assim, para definição do enquadramento na NCM dos "concentrados", o que deve ser analisado são as características dos produtos no momento da ocorrência do fato gerador, quando cada uma das partes dos kits apresenta suas próprias características individuais. As empresas do Grupo AMBEV e seus fornecedores, como a Pepsi-Cola, podem realizar suas operações da forma que considerarem mais conveniente e chamar os produtos pelos nomes que julgarem adequados. No entanto, o fato de nomearem diversos produtos como se um único fosse, isto é, a ficção de que cada componente dos kits não se constitui isoladamente em uma mercadoria, não os transforma perante a legislação em um único produto, já que não encontra guarida na legislação regente da matéria. De acordo com a legislação, cada uma das partes deve seguir sua classificação própria. E, prosseguindo no tema classificação fiscal, tem-se, como já mencionado, que os procedimentos, no Brasil, são regulamentados pelo conjunto de normas do chamado Sistema Harmonizado (SH), tabela internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual o Brasil é signatário. A classificação fiscal de mercadorias deve ser realizada com aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI-SH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 23 de dezembro de 1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2° do Decreto n° 766, de 3 de março de 1993, bem assim das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul, constante da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados e da Tarifa Externa Comum (NCM/TIPI/TEC). Os Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e os Ditames do Mercosul são, igualmente, de cumprimento obrigatório para a solução de consultas de classificação fiscal de mercadorias. Repise-se: a classificação fiscal de mercadorias deve, do mesmo modo, seguir as orientações e esclarecimentos fornecidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), internalizadas no Brasil pelo Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992. Fl. 2044DF CARF MF Fl. 13 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 A versão atual das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) n° 807, de 11 de janeiro de 2008, atualizada pelas IN RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010 e n° 1.260, de 20 de março de 2012, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 10 da Portaria MF n° 91, de 24 de fevereiro de 1994. E, as NESH são elemento subsidiário fundamental e indispensável para interpretação da Nomenclatura do SH e correta classificação fiscal de uma determinada mercadoria. Estas normas determinam a metodologia dos procedimentos por meio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH). Tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) têm por base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por sua vez, tem sua forma derivada a partir do Sistema Harmonizado. Como constatado em diligência realizada na unidade industrial de CNPJ nº 07.526.557/0034-78 os componentes dos "kits" saem do estabelecimento industrial embalados em bombonas, caixas ou contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido. As citadas mercadorias vêm sendo classificadas pela Pepsi e pela Arosuco, bem como pela Ambev e por outros produtores nacionais, no código 2106.90.10 – Ex 01 da TIPI, fazendo uso do argumento de que são "sortidos apresentados para venda a retalho". A Regra Geral 1 assim dispõe: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Determinada, portanto, pela mencionada Regra Geral é que a classificação de mercadorias deve ser feita pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, só se fazendo recurso às demais RGI quando não for possível o enquadramento por aplicação da RGI-1, bem como nos casos de produtos com características específicas. De outra feita, a RGI-6 aplica às subposições as mesmas Regras utilizadas em nível de posição, enquanto que as RGC são utilizadas no nível da NCM. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. A análise e aplicação das Regras de classificação e os esclarecimentos fornecidos pelas NESH irão, desse modo, definir o código correto para classificação das mercadorias. À luz da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3b (RGI n° 3b) que, entende-se que atendidas determinadas condições, alguns bens, dentre eles produtos compostos constituídos pela reunião de diferentes materiais, devem ser classificados em código único, próprio para o artigo que lhes confira a característica essencial: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos Fl. 2045DF CARF MF Fl. 14 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Todavia, considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.262, de 2012, especificamente o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), tem-se que excluídos são, do campo de aplicação da mencionada regra (Regra 3 b) do Sistema Harmonizado), os produtos destinados à fabricação de bebidas, tais como os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco: XI) a presente regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. E, mais, somente nos casos específicos previstos nas Regras 2 a) e 3 b) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), existiria a possibilidade de classificação de componentes de kits ou sortidos como se formassem uma mercadoria única. Assim, o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b) elimina qualquer possibilidade de que esta Regra do Sistema Harmonizado possa ser aplicada no caso sob análise, prevendo expressamente que os conjuntos para a fabricação industrial de bebidas não podem ser classificados de acordo com a Regra 3 b). Do exposto até então, já afastada a possibilidade de serem entendidos o conjunto de mercadorias denominadas pela fiscalizada de “concentrado de refrigerante” como um produto único. O cerne da questão resume-se, desse modo, em definir se os diversos componentes dos “Concentrados de refrigerantes”, atendem à definição de “sortidos apresentados para venda a retalho” sendo classificados num código único. A respeito das mercadorias constituídas pela reunião de artigos diferentes, bem como dos produtos “apresentados em sortidos acondicionados para venda a retalho”, as NESH esclarecem, item X da Regra 3 b): X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto,considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada; c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). Embora seja constituído de elementos classificados em posições distintas da nomenclatura, e de seus elementos servirem à satisfação de uma atividade específica e bem determinada (a produção de determinada bebida refrigerante), o “kit” objeto desta consulta não atende ao requisito previsto no item “c” da Nota Explicativa acima reproduzida, pois que não há que se falar em sortidos acondicionados para venda a retalho. Ora, a venda a retalho, também chamada de varejo, caracteriza-se pela venda de produtos em pequenos volumes, diretamente ao consumidor final. O produto em apreço, entretanto, trata-se nitidamente de um produto intermediário, o qual servirá de insumo em uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado. A dosagem Fl. 2046DF CARF MF Fl. 15 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 dos componentes também demonstra claramente que se trata de um artigo destinado à aplicação industrial, incompatível, portanto, com o conceito de venda a varejo. Afastada as hipóteses de enquadramento suscitadas pela Regra 3-b, conclui-se que a classificação fiscal da mercadoria "Concentrados de refrigerantes" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles. Em função de exclusões previstas nas NESH, igualmente é inaplicável a Regra 2 a) do Sistema Harmonizado aos produtos do capítulo 21 da TIPI. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. O item III da Nota Explicativa da Regra 2 a), transcrito a seguir, ao tratar dos artigos incompletos ou inacabados, prevê que a primeira parte da RGI 2 a) não se aplica, normalmente, aos produtos das Seções I a VI. Tal exclusão abrange os produtos do capítulo 21 da TIPI, que fazem parte da Seção IV da Nomenclatura. III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. Ademais, por produto incompleto ou inacabado, entende-se como aquele em que o processo de fabricação foi interrompido em determinado ponto por alguma necessidade ou conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte. Tais produtos devem apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se tornarem o produto completo ou acabado cujas características eles apresentam. De qualquer maneira, os kits adquiridos pela AMBEV não apresentam, no estado em que são recebidos, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Exemplos são os Kits B do Guaraná Antárctica (FE 1430 - Sais), e os Kits B da Soda Limonada Antárctica (FE 1403 - Sais), compostos de Acidulante e Conservantes, que não apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado. Quanto à segunda parte da Regra 2 a), que trata de um artigo apresentado desmontado ou por montar, o item VII da Nota Explicativa da Regra 2 a), a seguir transcrito, deixa claro que os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco não se enquadram como artigos apresentados desmontados ou por montar: Notas Explicativas – Regra 2 a) VII) Deve considerar-se como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinam-se a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Observe-se que o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua parte final que "Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1". Tal texto refere-se a produtos misturados, que não é o caso dos kits para refrigerantes. Assim, o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) só vem a corroborar o entendimento já esposado de que os concentrados não podem ser classificados como um produto único mediante aplicação da Regra 1. Para definição da classificação fiscal dos kits ou chamados “concentrados” de refrigerantes, inclusive os de sabor guaraná, o procedimento correto é analisar individualmente cada embalagem, onde estão acondicionados produtos misturados, utilizando-se a Regra 1 para classificar o componente analisado, de acordo com o conteúdo da embalagem. Fl. 2047DF CARF MF Fl. 16 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Colaciona-se documentação referente à análise efetuada pelo CCA (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a classificação fiscal de bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados em conjunto em proporções fixas em uma remessa, e que elimina qualquer possibilidade de discussão sobre o que pretende o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). A análise foi realizada em função de consulta sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas à dos insumos adquiridos pela AMBEV, um deles, inclusive, referente a Concentrado de Pepsi-Cola. Ao final da análise, decidiu-se incluir nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). O idioma original da documentação em questão é o inglês. Por isto, junto com a análise efetuada pelo CCA, está a sua tradução juramentada. A tradução juramentada encontra-se nos autos do presente processo administrativo fiscal. A seguir estão transcritos trechos retirados da tradução juramentada em questão: O Secretariado recebeu cartas de três administrações em busca de aconselhamento sobre a classificação no CCCN da Base de Preparação da Bebida Fanta Frutada, Concentrado de Mirinda Laranja e Concentrado de Pepsi-Cola. As cópias destas três cartas encontram-se como anexo a este documento assim denominados Anexos I a III deste documento. Em uma das cartas, foi levantada uma questão em relação a se a base da bebida deveria ser classificada numa única posição pela aplicação da Regra de Interpretação 3 (b) ou os componentes individuais deveriam ser classificados em separado. (...) Em suas sessões de outubro de 1985 (na 55a. Sessão do Comitê de Nomenclatura e 55a. Sessão do Comitê do Sistema Harmonizado Interino), os Comitês examinaram a classificação das bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados conjuntamente em proporções fixas em uma remessa. Os Comitês concordaram com que os componentes individuais deveriam ser classificados separadamente. Os Comitês também concordaram em incorporar o conteúdo da decisão na Nota Explicativa da Regra Interpretativa 3 (b), como um exemplo da não aplicação desta Regra (...) Regra Interpretativa Geral 3 (b) . Novo Item (XI). Após Item ( X ), insira o seguinte novo Item ( XI) : " (XI) A presente Regra não se aplica a produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, mesmo estando em embalagem comum, em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. " (grifo nosso) Evidente é, da decisão do CCA que deu origem ao item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), que essa Regra 3b) não se aplica a insumos para fabricação industrial de bebidas que sejam produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, como é o caso das denominadas Partes dos concentrados ou kits utilizados pela Ambev. Um dos fundamentos para a decisão do CCA de que a Regra 3 b), das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), não pode ser aplicada a bases para refrigerantes foi a ausência na Seção IV da Nomenclatura de uma Nota semelhante à Nota 3 da Seção VI e à Nota da Seção VII. A Nota 3 da Seção VI e a Nota da Seção VII dizem respeito à classificação dos produtos que se apresentam em sortidos compostos de diversos elementos constitutivos distintos. Fl. 2048DF CARF MF Fl. 17 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Todavia, estas Notas apenas visam os sortidos cujos elementos constitutivos se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII. Não há nas NESH a previsão de que possa ser aplicada a Regra 3 do Sistema Harmonizado quando os sortidos são destinados, após mistura, a constituir um produto da Seção IV. Nos textos traduzidos também constam motivos pelos quais a Regra 2 a) das NESH não pode ser aplicada a bases para refrigerantes. Assim, mesmo antes da inclusão do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), já existiam normas nas NESH que mostravam que kits de produtos do capítulo 21 não poderiam ser classificados como uma mercadoria única. Com a incorporação do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), eliminou-se qualquer dúvida de que os componentes individuais das bases para bebidas devem ser classificados separadamente. Inicia-se então, a reclassificação dos componentes dos concentrados de refrigerantes em separado, de acordo com as Regras estabelecidas para Interpretação do Sistema Harmonizado”. Classificação fiscal correta das partes dos kits de refrigerante São as seguintes as considerações acerca dos corretos códigos de classificação fiscal a ser aplicados aos componentes dos kits (concentrados para refrigerantes) adquiridos pela contribuinte: “Da diligência realizada, constatou-se que em relação às mercadorias que formariam o chamado “concentrado” para refrigerante PepsiCola: Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados em bombonas separadas. Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi-Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1703 litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola. Já com relação às mercadorias fornecidas pela Arosuco para elaboração do refrigerante Guaraná Antartica, nomeadas pelo fornecedor de “concentrado” para o Guaraná verificou-se, o Kit denominado kit A é composto de Flavours: Extrato de Guaraná, Aromatizante, corante caramelo IV; o Kit denominado kit B é composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio. Kit A é líquido, transportado em bombonas e o Kit B é sólido, transportado em caixas. Fl. 2049DF CARF MF Fl. 18 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*) Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto aos demais refrigerantes, Soda Limonada, Sukita Uva, Sukita Laranja, e Água tônica, verificou-se que: Que a Arosuco fornece insumos para a fabricação de refrigerantes Guaraná Antarctica, Soda Limonada, Soda Limonada diet, Sukita Uva, Sukita Laranja, Guaraná diet, Água tônica. Que os insumos utilizados para a fabricação de refrigerantes são identificados como “kit concentrado para refrigerantes”. Que esses insumos chegam ao estabelecimento parte em bombonas (kits A da Arosuco), parte em caixas (kits B da Arosuco) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. E para todos os kits: Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Fl. 2050DF CARF MF Fl. 19 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*)Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto às bebidas sem adição de açúcar, tem-se que a Soda Limonada Zero, constatou- se também que: Também se verificou os insumos enviados pela Arosuco para a produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, que são dois kits: Kit A da Soda Antarctica Diet, líquido transportado em bombona plástica; e Kit B da Soda Antarctica Diet, sólido transportado em caixa. Que, no caso da produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área da Xaroparia Composta: a) primeiramente, o Kit B da Soda Antarctica Diet é dissolvido a quente (95ºC) por 20 minutos, em separado no Tanque de Sais, onde permanece até que alcance a temperatura em torno de 25ºC, sendo então enviado ao Tanque maior por um sistema de tubulação quando é diluído em água, já que não é agregado ao refrigerante diet açúcar para a sua mistura é dissolvido no Xarope Simples; b) e, posteriormente, o Kit A da Soda Antarctica Diet é dissolvido a frio, em separado, no Tanque de Sais, sendo então agregado ao Tanque maior junto ao preparado originado do Kit B, quando também é dissolvido em água, produzindo-se assim o Xarope Composto, o qual apresenta o mesmo fator de diluição mencionado para o refrigerante para os insumos da Pepsi-Cola. c) que o Kit A da Soda Antarctica Diet não pode ser fervido ou aquecido, por perder causar a perda das características do produto refrigerante, sendo que é composto do líquido natural da bebida a ser fabricada; d) que o Kit B da Soda Antarctica Diet é composto dos sais, como os acidulantes e conservantes. Que, ainda, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área de Envase, o Xarope Composto, produzido a partir do Kit A da Soda Antarctica Diet e do Kit B da Soda Antarctica Diet em conjunto, é transportado para área do Envase, para sua dissolução em água carbonatada. E por fim, com relação a todos insumos, sejam fornecidos pela Pepsi, sejam fornecidos por Arosuco: Por fim, relata-se que foi informado pelo corpo técnico que, a um, as partes dos kits são transportadas em embalagens individuais, porém na mesma remessa, e, a dois, que não seria possível produzir, a partir de cada “Kit” (parte do nomeado “kit” de refrigerante pelo fornecedor em suas notas fiscais), o refrigerante, porque, se apenas uma das partes fosse diluída em água carbonatada, a preparação resultante não teria as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir do kit completo. O aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Prosseguindo-se na análise da classificação fiscal mais acertada para as partes dos kits de refrigerante, incia-se pelo chamado Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero, e pelos chamados Kits A das bebidas fornecidos pela Arosuco bem como do Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão. Fl. 2051DF CARF MF Fl. 20 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Tem-se, do material colhido e informações angariadas no curso da ação fiscal (fotos, diligência e outros), em resumo que: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; - Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; - Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; - Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; - Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Importante observar o disposto na RGI 3 a) do SH, que assim versa: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que contenha extrato que é ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida, além de outras substâncias, classifica-se no escopo da posição 21.06, a qual trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições", conforme esclarecem as Notas Explicativas dessa posição: “Classificam-se especialmente aqui: [...] As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, Fl. 2052DF CARF MF Fl. 21 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a mesma se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", que por certo não se trata dos produtos em comento. Assim, uma preparação que contenha extrato de noz de cola e outros aromatizantes/saborizantes deve ser enquadrada na subposição 2106.90, destinada a "outras" preparações. Já a subposição 2106.90 só se desdobra em um único item 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", que é a correta. Por fim, verifica-se que no código NCM 2106.90.10 há dois Ex-tarifários (exceções tarifárias): o Ex 01 e o Ex 02, a seguir transcritos: "Ex 01 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado Ex 02 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (grifos nossos) Os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de “preparações compostas” constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Exaustivamente exposto já foi que, não se trata do caso dos “concentrados de refrigerante” fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, pois este é um conjunto de partes, mercadorias, cada uma na sua embalagem individual, as quais não estão misturadas e não estão prontas para uso, diferenciando-se da definição de preparações compostas. Como já dissecado neste Relatório, os concentrados para refrigerantes (conjunto de componentes não misturados, embalados individualmente) não podem ser chamados de "preparações compostas". E, volve-se a dizer: os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 trazem como condição de enquadramento que as preparações não alcoólicas correspondam a "extratos concentrados" ou "sabores concentrados". Não são contemplados no ex- tarifário da NCM 2106.90.10 “concentrados” ou “sabores”, como faz o texto. O Ex 01 da NCM 2106.90.10 se refere a “extratos concentrados” ou “sabores concentrados”. E, é isento de dúvidas o fato de que a mercadoria para ser classificada em qualquer um dos Ex-tarifários há de ser uma preparação composta concentrada, tanto que uma diferença fundamental entre o Ex 01 e o Ex 02 é a "capacidade de diluição". No primeiro, a capacidade de diluição é superior a 10 vezes, enquanto no segundo é igual ou menor do que 10 vezes. Além disso, no próprio Ex ao final do texto há referência à preparação composta como concentrado. Um componente, parte, que corresponda a uma mistura de extrato (ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida) com outros aromatizantes/saborizantes forma uma preparação composta. A diferença entre extrato concentrado e sabor concentrado é que neste último o extrato do vegetal de origem é totalmente substituído por aromatizantes/saborizantes artificiais. O refrigerante que não contém matéria-prima natural, elaborado a partir de sabor concentrado, é denominado de artificial. Não é o caso dos refrigerantes engarrafados por Ambev. Fl. 2053DF CARF MF Fl. 22 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 A Lei nº 8.918, de 1994, mandamento válido para qualquer bebida, foi regulamentada pelo Decreto nº 2.314, de 1994, posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.871, de 2009. Em ambos, consta uma definição apurada sobre concentrados para bebidas, abaixo transcrita, na dicção do Regulamento vigente: "Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. [...]. § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal." (...) “Art. 30. O preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o respectivo refrigerante.” Deste modo, o extrato concentrado, por ser uma preparação composta, deve conter o extrato vegetal de sua origem e os todos os demais aditivos necessários (matérias de base classificadas em capítulos distintos), a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir dele. O Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Refrigerantes, Anexo à Portaria nº 544, de 16 de novembro de 1998, complementa os padrões de identidade e qualidade estabelecidos no Decreto nº 6.871 de 2009. Quando esse Regulamento aborda a Composição e Requisitos dos refrigerantes, estabelece como requisito: "As características sensoriais e físicoquímicas deverão estar em consonância com a composição do produto". Da diligência realizada, bem como dos DANFE que acompanham as mercadorias adquiridas pela autuada da Pepsi-Cola e da Arosuco, visível é que cada mercadoria/componente cujo ingrediente fosse o extrato e outros aromatizantes ao serem simplesmente diluídos, não apresentariam as mesmas características sensoriais e físico-químicas do refrigerante a cuja elaboração se destinam. Isto porque os “kits” são formados por esses componentes sempre em conjunto com outras partes, que, por óbvio, são indispensáveis à elaboração do refrigerante. Certo é que o aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Se assim não fosse, como já dito, seriam desnecessárias as demais partes de cada concentrado de refrigerante. Para que se tenha um produto próprio a ser nomeado de extrato concentrado, haveria esse produto de ser composto de todo o conteúdo das "partes" do concentrado de refrigerante, reunidos nesse único produto. Isso posto, cada componente dos concentrados adquiridos da Pepsi e da Arosuco para fabricação de refrigerantes pela fiscalizada deve ser classificado individualmente. E, devem ser classificados no código NCM 2106.90.10 (“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), cuja alíquota do IPI é zero os seguintes insumos: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); Fl. 2054DF CARF MF Fl. 23 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; 11 Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; 11 Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; 11 Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; 11 Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Tais componentes não se enquadram no Ex 01 do referido código, uma vez que para ser extrato concentrado, que é uma preparação composta, deverá conter o extrato vegetal de sua origem e todos os demais aditivos necessários, a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes na bebida elaborada a partir dele. Entende-se, portanto, com base na RGC-1, estrutura basilar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto 6.006, de 28 de dezembro de 200610 e, subsidiariamente, nos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, com alterações da IN RFB nº 1.072, de 2010, e da IN RFB nº 1.262, de 2012, que: o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero (Kit Pepsi Twist Zero (limão), Kit Pepsi Twist (limão), Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour e kits Pepsi Twist Zero flavours); o kit A do Guaraná Antarctica (versão regular e versão diet), que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes, e os kits A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, os quais contêm o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante (natural limão diet fe1403 z kit, natural limão fe1403 kit, natural; s tônica fe1401 kit, natural laranja rm kit, h2oh limão, e destinados à preparação dos refrigerante SUKITA) e bem como o Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão; classificam-se no código 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", cuja alíquota conforme a TIPI é 0% (zero). Nos itens a seguir, trata-se da classificação fiscal dos demais kits dos chamados concentrados para refrigerantes adquiridos por Ambev. Quanto ao Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, de acordo com informações prestadas durante a diligência realizada na unidade situada em Curitiba (filial Curitibana), seria uma Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 a qual, de acordo com a manifestação da ora autuada, teria ainda, cafeína em sua composição. Do rótulo, verifica-se que é composto de Acidificante INS 338 e corante INS 150d. O mesmo ocorre com Kit Pepsi Zero Acidulante: conforme fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, seria composto de acidificantes INS 330 e 338. E, de acordo as mencionadas fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, o Kit Pepsi Twist Sais seria uma Solução de conservante INS Fl. 2055DF CARF MF Fl. 24 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 211 e estabilizante INS 331, enquanto que o Kit Pepsi Zero Sais seria composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. Assim também ocorre com os demais kits dos insumos fornecidos por Pepsi, os quais contêm ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, que são comercializados já misturados pelo fornecedor, na forma líquida e sólida, os Kits Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural. Já os Kits B fornecidos pela Arosuco, conforme as fotos das embalagens e demais informações angariadas na referida diligência (na qual mostrou-se caixa aberta de um Kit B aparentando ser um único produto), seriam sólidos, transportados em caixas em embalagens separadas dos kits A. E, no caso dos insumos do refrigerante Guaraná Antarctica, o Kit B seria composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio, bem como o Kit B dos insumos do refrigerante Soda Limonada; e o Kit B do Guaraná Antarctica Zero seria composto de acidulante INS 334, Benzoato de Sódio e dois edulcorantes. Quanto aos demais insumos dos refrigerantes, o Kit B seria composto de diversos sais, como acidulantes (Ácido Cítrico), conservantes (Benzoato de Sódio e/ou Sorbato de Potássio), sequestrante (EDTA cálcio dissódico), e, no caso dos refrigerantes sem adição de açúcar, Edulcorantes. Em suma, as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes. Nesse sentido, manifestação da autuada quanto ao Termo de Constatação Fiscal da Diligência realizada em abril de 2016, trecho colacionado abaixo: “(...) do Termo, que a Parte B do Kit fornecido pela empresa Arosuco é composto de diversos sais, ácidos e conservadores químicos, caracterizados em gênero como conservantes e acidulantes”. Procedendo-se à classificação fiscal dos kits B, ou as chamadas Partes B dos insumos das bebidas fabricadas pela Ambev, bem como do Kit Pepsi Acidulante, tem-se que as matérias-primas utilizadas nos kits fornecidos pela Pepsi ou pela Arosuco não se caracterizam como óleos essenciais da posição 33.01. Em verdade, a mistura de pelo menos dois desses ingredientes (conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes) resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas. Por aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-1/SH, as "Preparações alimentícias diversas" classificam-se no Capítulo 21. Como não se verifica uma posição específica que trate das preparações em questão, resta a posição 21.06, que trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições ". Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a essa se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", enquanto a subposição 2106.90 é reservada a "outras" preparações. Assim, a preparação em análise deve ser enquadrada na subposição 2106.90. Tendo em vista que a preparação sob análise é utilizada de forma geral para qualquer tipo de indústria alimentícia e, portanto, não é do tipo específico utilizado para elaboração de bebidas de que trata o item 2106.90.1, e igualmente não é do tipo utilizado para fabricação de pudins do item 2106.90.2, nem é um complemento alimentar do item 2106.90.3, mas também não é uma mistura à base de ascorbato de sódio referido no item 2106.90.3, nem se enquadra como goma de mascar do item Fl. 2056DF CARF MF Fl. 25 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 2106.90.5, e muito menos como caramelos do item 2106.90.6, resta-lhe o item residual "Outras" do código 2106.90.9. Diante desse fato, dentre os componentes fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, os Kits B e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural, os quais são os formados por uma mistura de conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes, e de outras matérias que não o extrato vegetal de guaraná nem o líquido natural refrigerantes sabor limão ou laranja ou ainda uva, ou extrato de noz de cola, devem ser classificados no código residual 2106.90.90, reservado às "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições - Outras - Outras", tributado à alíquota zero do IPI. Conclui-se desse modo, que os créditos incentivados escriturados pela autuada no período de apuração de janeiro a dezembro de 2012, em razão da aquisição dos kits “Kit A” e “Kit B” da AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA., inclusive os kits para elaboração dos refrigerantes de sabor de Guaraná, e Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão da PEPSI COLA INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA., são indevidos porque para a classificação fiscal das mercadorias adquiridas NCM 2106.90.10 e NCM, a TIPI previa à época dos fatos, a alíquota 0% (zero). Em síntese, tem-se que: São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), a qual declarou que a falta de destaque do IPI nas vendas dos desses concentrados estava amparada na isenção prevista no atual art. 81, II, do Regulamento do IPl de 2010, em razão de não haver previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada. Também são indevidos e hão de serem glosados, os créditos fictos calculados e escriturados em decorrência das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Em relação aos insumos filmes plásticos produzidos pela VALFILM AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA., CNPJ sob o nº 03.071.894/0001-07, informou essa que, a partir de 05/2010, fez uso, na saída de seus produtos, da isenção prevista no art. 81, II do RIPI de 2010, por conseguinte, nos períodos de apuração a partir de junho Fl. 2057DF CARF MF Fl. 26 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 de 2010, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, logo, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. Já, a RAVIBRAS EMBALAGENS DA AMAZONIA LTDA., Cadastro de Pessoas Jurídicas – CNPJ sob o nº 08.658.519/0001-73, apresentou declaração confirmando que suas vendas eram isentas por se enquadrarem no art. 81, II do RIPI de 2010, ou seja, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, portanto, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. E por fim, a fiscalizada creditou-se indevidamente das aquisições de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, de Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão, e de janeiro de 2012 até dezembro de 2012, aquisições da Pepsi INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA, pois que a saída dos “kits” deu-se com a isenção do art. 9º do Decreto-lei nº 288, de 1967, que não gera crédito ficto, bem como, porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Considerando o acima exposto, conclui-se que esses créditos foram indevidamente escriturados e utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, o que ocasionou a falta de recolhimento de IPI, devendo serem glosados”. Os valores glosados dos créditos incentivados indevidos estão consignados na planilha inserta no relatório fiscal à fl. 888. Responsabilidade do adquirente pela infração à legislação tributária A responsabilidade pela infração à legislação tributária é do adquirente, tendo este que verificar se os insumos recebidos cumprem todas as prescrições legais e regulamentares previamente ao cálculo e à escrituração fiscal do crédito incentivado (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 62). Aliás, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável (CTN, art. 136); ou seja, a responsabilidade por infrações não tem como antecedente lógico o dolo ou a culpa. Os componentes dos “kits” foram recebidos pela adquirente como se fossem um produto único, sem discriminação e quantificação individualizadas. Adicionalmente, no relatório fiscal: “No presente caso, ocorreram danos ao erário em função do cálculo e aproveitamento de créditos fictos indevidos por parte da fiscalizada, resultantes da aplicação de alíquota incorreta do IPI, além do aproveitamento de entradas Na hipótese da autuada se considerar prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial nº 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de vir o contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). Fl. 2058DF CARF MF Fl. 27 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Ressalta-se que o entendimento esposado quanto ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS, decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, não pode no presente caso ser aplicado, porque a autuada se trata de adquirente de produtos isentos. A decisão prolatada no REsp nº 1.148.444 do Superior Tribunal de Justiça (DJ de 27/04/2010, Ministro Luiz Fux Relator), que entendeu que o adquirente que receber as chamadas "notas frias" pode manter os créditos só foi adotado porque ficou demonstrado que ocorreu o pagamento da operação comercial que precedeu o aproveitamento do ICMS. Nesse Recurso Especial, houve comprovação de pagamento do ICMS, já que o tributo está incluído no preço de venda da mercadoria, e “no que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas". A autuação trata de caso diverso, uma vez que a fiscalizada calculou um crédito ficto, assim não houve pagamento de imposto nas aquisições, pois os produtos saíram do fornecedor com isenção do IPI. E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB nº 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação. Tratando-se de procedimento que implicaria aproveitamento de milhões de reais a cada mês, a autuada se desejasse agir com diligência no cumprimento de suas obrigações fiscais, só aproveitaria os créditos fictos caso tivesse base muito sólida. Constatando que os fornecedores não tomaram a iniciativa de esclarecer o assunto, à fiscalizada caberia solicitar que eles formalizassem consulta. O estabelecimento industrial não teria motivos para deixar de atender a tal pedido, a não ser que tivesse receio do resultado da consulta. Os fornecedores sempre estiveram cientes da importância da classificação fiscal de seus produtos, em função dos enormes valores de créditos gerados para seus adquirentes. O fato dos fornecedores não terem formalizado consulta sobre classificação fiscal de mercadorias junto à Receita Federal seria motivo suficiente para a fiscalizada entender que eles não confiam na correção da classificação que adotam e se abster de aproveitar o crédito duvidoso. A fiscalizada não demonstrou o menor interesse em se certificar da correção da classificação indicada pelos fornecedores, apesar de não existir base legal para aproveitamento de créditos que não correspondam ao exato produto entre o valor tributável do IPI e a alíquota correta do imposto. E mais, a fiscalizada se aproveitou de créditos incentivados, tendo sido ela, e não o fornecedor, que efetuou o cálculo do imposto mediante aplicação de alíquota incidente incorreta. Isso posto, entende-se que restou caracterizada responsabilidade da autuada, que, ao menos, assumiu o risco que permitiu a ocorrência da infração”. Créditos totais glosados no importe de R$ 24.406.881,48, consoante as planilhas às fls. 779 e 888. CRÉDITOS REFERENTES A ARTIGOS ADQUIRIDOS PARA USO E CONSUMO Foram aproveitados, outrossim, créditos distintos de créditos básicos admissíveis, alusivos a artefatos adquiridos para uso e consumo em 2012, mais especificamente: itens de manutenção e material intermediário de produção, conforme detalhamento inequívoco na planilha que integra o termo de descrição dos fatos às fls. 896 e 897. Na acepção do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, incluem-se entre as matérias primas e os produtos intermediários aqueles que, embora não integrem o produto final, sofram alterações (desgaste, dano ou perda de propriedades físicas e químicas) na ação exercida diretamente sobre o produto em industrialização. Nem todos os insumos Fl. 2059DF CARF MF Fl. 28 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 adquiridos e utilizados na produção caracterizam-se como matérias primas ou produtos intermediários. Na mesma linha lógica já havia o Parecer Normativo nº 181, de 1974. De acordo com o relatório fiscal: “Destarte, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, e do Parecer Normativo n° 181, de 1974, e, em consonância com o inciso I do art. 226 do RIPI de 2010, geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários "stricto-sensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, isto é, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. E não existe amparo legal que dê direito ao crédito do imposto referente aos insumos peças e partes de máquinas, produtos para higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos. Não devem ser aceitos, portanto, os valores referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, peças de reposição e uniformes dos empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não se incluem no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização, únicos insumos admitidos por lei”. O direito ao crédito de IPI pressupõe a existência de duas condições aditivas: a) integração do insumo ao produto final ou consumo daquele em contato direto com o produto em industrialização; b) o insumo não pode ser parte ou peça de máquinas e equipamentos, nem pode corresponder a produtos empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, incluídos óleos e lubrificantes. Créditos indevidos no montante de R$ 24.657,33 discriminados nos demonstrativos às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE BEBIDAS ADQUIRIDAS PARA COMERCIALIZAÇÃO Houve, ademais, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de produtos acabados (bebidas refrigerantes) provenientes de diversos estabelecimentos da AMBEV. As industrializações não foram efetuadas por encomenda e a impugnante deu saída às bebidas recebidas mediante a emissão de notas fiscais de venda para terceiros, com destaque do imposto, e de notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais com suspensão do imposto. O estabelecimento matriz da empresa fiscalizada é optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), sendo a opção válida para todos os estabelecimentos. Durante o ano de 2012, o sujeito passivo estava sujeito ao Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), previsto nos arts. 58-A a 58-U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010, arts. 204 a 206), de acordo com o disposto originalmente na Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do imposto destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas em virtude de que: a) se trata de produtos acabados destinados a comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; Fl. 2060DF CARF MF Fl. 29 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 b) o imposto incide sobre os produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vale dizer, o imposto não é mais devido em operação posterior (art. 58-N, I); c) não houve operação de industrialização por encomenda, que representa uma exceção ao regime de incidência única (na industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na saída do estabelecimento encomendante) (art. 58-N, § único). Planilha de notas fiscais às fls. 780/790 e créditos indevidos no total de R$ 818.682,68 discriminados no demonstrativo às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES ADQUIRIDOS DE OUTRO ESTABELECIMENTO DA MESMA EMPRESA COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Ocorreu também, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de “kits” para refrigerantes acobertados por notas fiscais emitidas por diversos estabelecimentos da AMBEV, conforme a transcrição que segue: “Acontece que, tais kits foram classificados incorretamente nas notas fiscais de entrada, no Ex 01 do código 2106.90.10. "preparações para elaboração de bebidas" (NCM 2106.90.10) e "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (Ex 1 da NCM 2106.90.10) ". De tudo até aqui exposto, considera-se que foi devidamente provado que o enquadramento no Ex-tarifário 01 é indevido, sendo que os kits de refrigerante a seguir listados são classificados de acordo com as regras do Sistema Harmonizado na posição da NCM 2106.90.10, para qual a Tabela de Incidência de IPI, à época dos fatos previa a alíquota de 0% (zero): - CONC NAT S GUARANA DIET FE1431 KIT - KIT PTWZERO - KIT PEPSI COLA TWIST - CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT - CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT - CONC NAT S LARANJA BR KIT - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA 20L KI - CONC NAT LIMAO FE1403 BOMBONA - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA Intimou-se a fiscalizada então demonstrar o pagamento realizado pela aquisição desses insumos, em resposta, a autuada asseverou que a transferência de recursos ao emitente é realizada via encontro de contas. Também apresentou documentos e notas fiscais relacionadas a resposta apresentada. Não restou claro que a autuada tenha arcado com o ônus financeiro do imposto na entrada dos produtos, e, considerando que tais créditos básicos são indevidos e que, caso a autuada se considere prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos, há que serem glosados tais créditos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial n° 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) Fl. 2061DF CARF MF Fl. 30 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 3. Possibilidade de viro contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB n° 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação”. Portanto, foram glosados os créditos básicos escriturados em razão da entrada de insumos (kits de refrigerantes) por ser a alíquota prevista para tais mercadorias de 0% (zero), nos termos do art. 25, da Lei n° 4.502, de 1964, e art. 226, do RIPI/2010, no montante de R$ 1.283.622,24, consoante planilha à fl. 791. Glosa dos Créditos e Reconstituição da Escrita Fiscal O crédito passível de glosa é no importe de R$ 26.531.843,73, sendo que, em virtude da existência de saldos credores no período fiscalizado, foi empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo às fls. 923/925. A escrita fiscal passível de reconstituição não é aquela definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC), tendo em conta que os pedidos de ressarcimento cumulados com declarações de compensação (PER/DCOMP) dos trimestres de 2012 encontravam-se, à época da lavratura da peça fiscal, pendentes de análise. E, adicionalmente, há a seguinte transcrição: “Cabe ressaltar quanto à reconstituição da escrita fiscal, que por ter sido objeto de PerdComp analisada e indeferida, havendo inclusive lançamento anterior do saldo devedor (processo administrativo fiscal de nº 10880.727044/2015-61), houve alteração da escrita fiscal da fiscalizada do saldo credor do período anterior (quarto trimestre de 2011) aos períodos de apuração de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, que foi considerado inexistente. Igualmente, o estorno de crédito (débito) escriturado em janeiro de 2012, em razão do pedido de ressarcimento do quarto trimestre de 2011, foi considerado igual a zero. A partir dessa escrita, é que se realizou a reconstituição em função das glosas e demais lançamentos da autuação. Nos períodos de apuração em que a fiscalizada apresentou Pedido de Ressarcimento do trimestre anterior (abril, julho e outubro de 2012), em sua escrituração, houve Estorno de Créditos no valor dos pedidos formulados, na forma de débitos de IPI. Deste modo, tendo a fiscalização concluído pela glosa de diversos créditos escriturados, o que implicou saldo credor inexistente em todos os períodos em que o sujeito passivo formulou tais pedidos de ressarcimento – sendo, portanto, esses improcedentes –, a fiscalização, ao realizar a reconstituição da escrita fiscal, incluiu, no período de apuração nos quais se constatou estorno de crédito efetuado pela fiscalizada, crédito no mesmo valor do estorno, para impedir que a glosa de créditos, em conjunto com o estorno de crédito já escriturado, resultasse em cobrança de valores em duplicidade. A escrita fiscal para o período janeiro de 2012 a dezembro de 2012 passa a ser a descrita no Auto de Infração, e, no fim do período de apuração de 2012, não houve saldo credor disponível ao final do período e sim, tributo a pagar”. Considerações Finais Foram articuladas as seguintes considerações pela autoridade fiscal acerca da classificação fiscal dos insumos fornecidos pelas empresas PEPSI e AROSUCO: “A análise das características dos insumos fornecidos por Pepsi e Arosuco, evidenciou que o produto que as empresas chamam de "concentrado" é na realidade um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários. Assim, o termo "concentrado" foi empregado de maneira tecnicamente incorreta, e seu uso refletiu apenas a prática comercial das empresas. Fl. 2062DF CARF MF Fl. 31 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 E, a classificação fiscal é definida pelas características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador. É irrelevante, para fins de classificação fiscal, que Pepsi e Arosuco sempre remetam os produtos para fabricantes de bebidas, pois a legislação não permite que o enquadramento na TIPI seja determinado caso a caso, conforme a utilização que será dada pelos destinatários da mercadoria. Manifesto é que as características de um produto industrializado são influenciadas pela utilização para a qual o produto foi concebido. Entretanto, mesmo nas situações em que o destino e a forma de utilização da mercadoria são fundamentais, a NESH não prevê que se deva analisar a motivação de destinatários específicos ou outros aspectos da realidade econômica em que se insere o fabricante. Analisa-se, sim, a embalagem do produto, o seu formato, e outras características que independem dos fatores mencionados. Por exemplo, uma das características que podem definir o código de classificação da mercadoria é sua apresentação. O art. 6º do RIPI, de 2010, trata das definições de embalagens de transporte e de apresentação, aplicadas quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto. A NESH prevê vários casos em que o código de classificação a ser adotado é determinado pela embalagem de apresentação onde está acondicionada a mercadoria. Como exemplo, traz-se trecho da NESH, transcrito a seguir, retirado das Considerações Gerais do Capítulo 28: Alguns produtos inorgânicos não misturados, embora normalmente incluídos no Capítulo 28, podem excluir-se deste Capítulo quando se apresentem sob formas ou acondicionamentos especiais ou ainda quando tenham sido submetidos a tratamentos que não modifiquem a sua constituição química. É o que sucede nos seguintes casos: a) Produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição 30.04). (...) Prosseguindo-se no exemplo, de acordo com a NESH, todos os produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho são excluídos do Capítulo 28, devendo ser classificados na posição 30.04. Deve-se observar que tal regra é válida para qualquer operação, inclusive na hipótese de que ocorram saídas destinadas a adquirentes que nunca utilizem os produtos para fins terapêuticos ou profiláticos Ainda com relação ao mencionado exemplo, se o estabelecimento industrial, por outro lado, vender produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos sem que eles estejam acondicionados para venda a retalho ou em doses, eles devem ser classificados no Capítulo 28, ainda que o fabricante em questão tenha contrato de exclusividade com adquirente que utilize a mercadoria somente para usos terapêuticos ou profiláticos. Voltando-se aos kits ou concentrados para preparação de refrigerantes, como já devidamente exposto, os kits não podem ser classificados em código próprio para preparação composta, pois algo que não está misturado, pronto para uso pelo adquirente, não se caracteriza como preparação. Mesmo que se alegue que em trabalhos anteriores realizados pelo Fisco em estabelecimentos da Ambev jamais houve qualquer tipo de discordância quanto ao enquadramento dos "kits" para a fabricação de bebidas no Ex 01 do código 2106.90.10, tal argumentação não merece prosperar. A fiscalizada decidiu por sua conta e risco calcular os créditos incentivados aplicando as alíquotas de 27% (vinte e sete por cento) ou 20% (vinte por cento) nas aquisições dos Fl. 2063DF CARF MF Fl. 32 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 kits, apesar da inexistência de consultas para a Receita Federal do Brasil sobre a correta classificação dos insumos adquiridos. Certo é que não houve, por parte do Fisco, emissão de qualquer ato administrativo dando amparo à classificação fiscal adotada pela fiscalizada. E, não está correto asseverar que o tratamento fiscal conferido por Ambev aos kits tenha sido homologado no âmbito dos lançamentos prévios. Em procedimentos fiscais anteriores relativos aos créditos oriundos das compras de Pepsi e Arosuco, o Fisco tratou do direito de Ambev aproveitar créditos do IPI correspondentes ao valor do tributo incidente sobre “concentrados” procedentes da Zona Franca de Manaus, no caso de bens que somente faziam jus à isenção do art. 69, inciso II, do RIPI, de 2002. Não tendo analisado a correção da classificação utilizada para os insumos isentos, o Fisco empregou em seus relatórios o código e alíquota adotados pela empresa, sem que isto significasse concordância ou não com sua correção. A análise do direito ao crédito do IPI em aquisições de insumos isentos há muito tempo vem sendo efetuada pela Justiça, inclusive em ações judiciais propostas por engarrafadores de refrigerantes. Nestas ações, os “concentrados” são tratados como uma mercadoria única cuja alíquota é de 27% (vinte e sete por cento), mas não está em julgamento se os insumos são ou não uma mercadoria única, nem a correta classificação fiscal de acordo com a NCM. Aguarda-se a decisão final do STF sobre o direito ao crédito oriundo de insumos isentos fabricados em Manaus. Na hipótese de que o STF decida adotar entendimento favorável às empresas no que se refere ao crédito oriundo dos insumos isentos, isto não significaria concordância da Justiça com os critérios e formas de cálculo utilizados pelos contribuintes. Há que se ter em mente que a citação, pelo Fisco, dos códigos de classificação adotados, pelo contribuinte, não se caracteriza como homologação de critério jurídico. Entender que a cada encerramento, ainda que parcial, de procedimento de fiscalização, há homologação das classificações fiscais adotadas pelo contribuinte, significaria que o simples encerramento de uma ação fiscal relativa ao IPI, mesmo que não se tenha avaliado a correção de códigos de classificação fiscal, produziria efeito similar ao de Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal. E, quanto a quaisquer afirmações de que a reclassificação fiscal das mercadorias pretendida pela Fiscalização haveria de estar respaldada por laudo técnico, é cediço que cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil determinar a classificação fiscal de mercadorias de acordo com as regras do Sistema Harmonizado independentemente da existência de laudo técnico. Ademais, a questão que se discute quanto à classificação fiscal é se podem ser classificados como se fossem uma mercadoria única os kits acondicionados individualmente e assim transportados até o adquirente. São incontroversos os dados que levaram a fiscalização a concluir pelo erro na classificação e alíquota utilizada pela empresa. Nesse sentido, o § 1°, do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz que não se considera como aspecto técnico, a classificação fiscal de produtos: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...) Fl. 2064DF CARF MF Fl. 33 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Retornando-se a classificação fiscal das mercadorias que teriam gerado o creditamento incentivado nesta autuação considerado indevido, concluiu-se que para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. Sendo que, no momento em que os insumos são recebidos por Ambev, eles não estão misturados, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Averiguou-se, no curso deste procedimento fiscal, é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. E repita-se, não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Tanto é que, de acordo com a decisão do CCA objeto de tradução juramentada, a matéria pura benzoato de sódio, ainda que fazendo sendo um dos componentes (Parte) de um kit para fabricação de bebidas, deve ser classificada separadamente no código 2916.31. Os trechos transcritos da NESH da posição 21.06 não especificam o entendimento a ser adotado em relação a mercadorias classificadas na posição 29.16, referindo-se sim, a um produto industrializado em que, em alguns casos, tem o benzoato de sódio como um de seus ingredientes. E, constatou-se que, sendo os kits formados por vários componentes acondicionados em embalagens individuais, tratam-se de mercadorias que não estão prontas para uso pelo adquirente (aquele que utiliza os insumos para elaborar refrigerantes), precisando passar por operação de industrialização intermediária. Depois da etapa do processo industrial, em que acontece a mistura dos componentes dos kits (Parte A e Parte B, Kit Pepsi e Kit Pepsi Acidulante), o qual ocorre no estabelecimento da Ambev após o fato gerador, aí então é que se forma uma preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, a qual ainda recebe tratamento complementar, com o acréscimo de água e gás carbônico. Caso não fosse necessária a adição de água, a preparação composta não poderia ser chamada de concentrado, preparação classificada na posição 21.06 cuja característica básica é ter um volume muito menor do que as bebidas não alcoólicas da posição 22.02. E a Nota Explicativa da posição 2106, quando fala em tratamento complementar, não está se referindo à operação de industrialização realizada com as matérias-primas após seu recebimento pelo engarrafador. Refere-se, sim, à adição de água e outras operações complementares efetuadas sobre o concentrado – preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, resultante da mistura de diversos ingredientes. Sobre a definição correta de concentrado, menciona-se o § 4º do art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, o qual define expressamente as características do concentrado: § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” E claro é que a norma transcrita nesse dispositivo, art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, não abrange apenas “bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas)”, que são os concentrados cuja diluição é feita pelo consumidor final, pois em seus §§ 6º e 7º dão orientações que são de interesse apenas de estabelecimentos que industrializam bebidas, como é o caso de Ambev: Fl. 2065DF CARF MF Fl. 34 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. § 1o A bebida que apresentar característica sensorial própria da matéria-prima de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe, conterá, obrigatoriamente, esta matéria-prima, ressalvados os casos previstos no caput. § 2º O xarope e o preparado sólido para refresco que não contiverem a matéria-prima de origem vegetal serão classificados e considerados artificiais, integrando à sua denominação o termo artificial. [...] § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” [...] § 6o Na bebida que contiver gás carbônico, a medida da pressão gasosa será expressa em atmosfera, à temperatura de vinte graus Celsius. § 7o A água destinada à produção de bebida deverá atender ao padrão oficial de potabilidade. E vale, por fim, aqui repisar que o fato da aquisição das Partes dos denominados concentrados ocorrer em conjunto por questões industriais e logísticas, em nada altera a classificação fiscal a ser dada para cada Parte (componente)”. Ciência e Impugnação A empresa tomou ciência da exação em 01/08/2016, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – Comunicado (fl. 933). Em 31/08/2016, insubmissa, a contribuinte apresentou, por meio de Termo de Solicitação de Juntada (fl. 935), a impugnação às fls. 936/980, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados na documentação de representação às fls 981/992 e instruída com a documentação às fls. 1.021/1.615 e 1.622/1.635, em que aduz, em síntese, o seguinte: Preliminarmente – Nulidade do auto de infração: 1) Ilegitimidade Passiva: o auto de infração foi lavrado em relação a empresa sucessora que não realizou as operações que deram causa à glosa de créditos; a Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV, CNPJ 02.808.708 foi incorporada em janeiro de 2014 pelo sujeito passivo da autuação, a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, que é o estabelecimento matriz, localizado em São Paulo, SP; o estabelecimento que efetuou os créditos, ora glosados, era uma filial da empresa, com CNPJ 02.808.708/0081-83, situada em Almirante Tamandaré, PR, e, depois da incorporação, passou a ter o CNPJ 07.526.557/0034- 78, desenvolvendo a mesma atividade fabril anterior; por força do CTN, art. 51, § único, c/c 132, e do RIPI/2010, art. 24, que tratam da autonomia dos estabelecimentos no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias e da responsabilidade tributária pelos sucessores, o auto de infração somente poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento sucessor, conforme julgados do CARF; há a resposta nº 29 referente a “Perguntão” da própria Receita Federal, pela qual seriam da filial resultante da incorporação os direitos e obrigações relativos ao estabelecimento adquirido; a autuação deve ser anulada por erro na identificação do sujeito passivo; 2) Alteração dos Critérios Jurídicos: houve violação do art. 146 do CTN, uma vez que não pode haver modificações abruptas nos critérios jurídicos adotados pela Administração Tributária; no caso concreto, houve mudança de entendimento pela fiscalização quanto aos motivos de vedação ao aproveitamento de créditos referentes a aquisições de produtos da PEPSI-COLA, da AROSUCO e da VALFILM: a) erro de classificação fiscal dosinsumos; b) matérias primas regionais submetidas a processamento industrial anterior; em autos de infração lavrados anteriormente sobre Fl. 2066DF CARF MF Fl. 35 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 operações semelhantes, a causa das glosas foi a falta de cumprimento de requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, e nunca a classificação fiscal dos “kits”; assim como, anteriormente eram aceitas matérias primas com processamento industrial prévio; tudo conforme amostra de autuações anteriores (processos nº 10880.727044/2015-61 e nº 10480.721667/2015-32), a classificação fiscal adotada para os “kits” (2106.90.10 Ex 01) e a apropriação de créditos referentes a produtos elaborados na ZFM com insumos industrializados foram homologadas expressamente em atos oficiais, sendo que a previsibilidade (segurança jurídica) deve reger o sistema tributário e a retroação de normas mais gravosas é expressamente vedada pela Constituição Federal (art. 150, III), em harmonia com os arts. 144 e 146 do CTN, de acordo com doutrina e jurisprudência; a lavratura do auto de infração questionada somente poderia ter ocorrido mediante a expedição prévia de norma de caráter geral (ato normativo) ou individual (notificação fiscal) com a comunicação da mudança de procedimento das autoridades fazendárias; de qualquer modo, a aceitação em ações fiscais anteriores do tratamento fiscal dado pelo sujeito passivo às questões caracterizaria prática reiteradamente adotada pela Administração Tributária e, portanto, norma complementar à legislação tributária (art. 100, III, do CTN), o que motivaria, no mínimo, o afastamento da multa, dos juros e da correção monetária exigidos; 3) Iliquidez e Incerteza do Lançamento: o lançamento é ilíquido e incerto, portanto nulo, conforme entendimento do CARF, pois não foi utilizada a escrita fiscal definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC) em virtude da pendência de análise dos pedidos de ressarcimento apresentados pela contribuinte no tocante aos trimestres de janeiro a dezembro de 2012, contudo, os pedidos de ressarcimento/compensação deveriam ter sido considerados como plenamente eficazes por força do CTN, art. 150, § 1º, pelo qual o pagamento antecipado extingue o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação; o saldo credor existente em dezembro de 2011 não deveria ter sido desprezado, pois o indeferimento do pedido do processo administrativo nº 10880.727044/2015-61 depende de decisão definitiva; portanto; o saldo credor de dezembro de 2011 e todos os créditos objeto de PER/DCOMP dos trimestres de 2012 foram desconsiderados indevidamente, o que implica a exclusão de créditos passíveis de ressarcimento no montante de R$ 20.961.717,80 (doc. 09); a glosa do saldo credor de 2011 não foi definitiva, sendo que a contestação teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III), embora, segundo a doutrina, não haja suspensão mas sim um simples impedimento procedimental (o crédito não se encontraria definitivamente constituído); tendo sido ofertada a impugnação em janeiro de 2016 (doc. 09) em relação ao processo administrativo nº 10880.727044/2015-61, o julgamento do presente feito deve ser sobrestado até a superveniência de decisão final naquele processo, conforme manifestações do CARF nessa linha; No mérito – Direito aos créditos glosados: 1) Falta de preenchimento dos requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 para o aproveitamento de créditos de insumos adquiridos dos fornecedores AROSUCO, PEPSI-COLA, RAVIBRÁS e VALFILM, e ainda que cumpridos os requisitos, não haveria o direito aos créditos em face da alíquota zero dos insumos adquiridos da AROSUCO e da PEPSI-COLA: 1.1) A correta interpretação do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, impõe que seja aceita, além da utilização de matéria prima regional in natura (matéria prima bruta), a utilização de matéria prima processada: a noção de matéria prima empregada pela lei é ampla e genérica, sendo que qualquer produto pode funcionar como matéria prima de outro produto; o mencionado art. 6º não faz alusão a “matéria prima bruta” ou “provinda da natureza”, sendo a única interpretação possível é a de que o benefício é aplicável a qualquer mercadoria que contenha matérias primas de base vegetal, independentemente de haver ou não processamento; do benefício são apenas excetuadas as matérias primas de origem animal; o benefício é de natureza objetiva; conforme a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8/98 (doc. 05), que trata do processo produtivo básico dos concentrados para refrigerantes, é “admitida a realização, por Fl. 2067DF CARF MF Fl. 36 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção”, ou seja, há o reconhecimento de que o benefício abrange produtos elaborados com matérias primas de origem agrícola ou extrativas vegetais submetidas a processamento anterior por outras empresas da ZFM; na mesma Portaria Interministerial, acerca da fabricação do corante caramelo, inexiste a exigência de que o açúcar seja originário da Amazônia Ocidental; 1.2) O entendimento oficial da SUFRAMA, órgão que detém a competência exclusiva para aprovar e fiscalizar os projetos de empresas que pretendam usufruir dos benefícios fiscais do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 (além de estabelecer normas, exigências, limitações e condições para a aprovação dos projetos), em resposta a consulta formulada pela PEPSI-COLA (doc. 06), é o seguinte: “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido a partir de matéria- prima industrializada com extrato vegetal produzido localmente que não seja típico da região amazônica (por ex. açúcar de cana) é beneficiada com o incentivo previsto no art. 6º do Decreto-lei n. 1.435/75 (...)” O contribuinte de boa-fé, adquirente dos produtos, não pode ser penalizado pelo “entendimento oficial” dos órgãos que disciplinam e jurisdicionam o incentivo (no caso, MPO/MICT/MCT e SUFRAMA) e a atuação das autoridades fazendárias deve ser coerente com a posição oficial do órgão ao qual compete exclusivamente aprovar os projetos referentes ao benefício fiscal, o que é ratificado por decisão do CARF; a anulação de ato administrativo por “vício de ilegalidade” deve ser efetuada de forma expressa e com observância do devido processo legal, não meramente por via interpretativa, de acordo com posição do STJ: “quando se confere a certo e determinado órgão administrativo alguma atribuição operacional, se está, ipso facto, excluindo os demais órgãos administrativos do desempenho legítimo dessa mesma atribuição; essa é uma das pilastras do sistema organizativo e funcional estatal e abalá-la seria o mesmo que abrir a porta da Administração para a confusão, a celeuma e mesmo o caos”; o auto de infração é improcedente, pois a glosa de créditos relativos aos produtos da AROSUCO e da PEPSI-COLA contraria o disposto no art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75; 2) Os créditos sobre a aquisição de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus têm apropriação assegurada; a empresa fornecedora é titular de incentivo fiscal com tratamento diferenciado assegurado pelo art. 40 do ADCT, o que foi reconhecido pelo STF em ressalva contida em acórdão proferido no RE 566.819/RS, sendo que a repercussão geral será apreciada nos autos do RE nº 592.891/SP; a manutenção dos créditos garante o tratamento tributário mais benéfico para as aquisições oriundas da ZFM; 3) Ilegitimidade (nulidade por carência de motivação fática e, no mérito, improcedência) da glosa de créditos em virtude de erro de classificação fiscal dos “kits” adquiridos da PEPSI-COLA e da AROSUCO: 3.1) O trabalho fiscal é nulo porque, à luz da “teoria dos motivos determinantes”, não houve comprovação do “erro” pelo Fisco, sendo cruciais a indicação dos motivos de fato e de direito e a perfeita correlação (subsunção) do fato à norma para a validade do ato administrativo; sendo auto de infração, os requisitos do art. 142 do CTN devem estar presentes (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido); não há elementos técnicos para embasar a reclassificação fiscal, esta empreendida “com base em alegações calcadas em conhecimentos empíricos, sem amparo em laudo técnico que justificasse a nova classificação fiscal imputada de ofício”; a classificação fiscal dos produtos é de responsabilidade dos respectivos fornecedores, e a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação, colhendo informações dos fornecedores e submetendo-as a órgão técnico especializado, inclusive com a colheita de amostras e solicitação de perícia, não só meras fotografias de embalagens dos “kits”; há precedentes do CARF de nulidade Fl. 2068DF CARF MF Fl. 37 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 absoluta para situações de reclassificação fiscal sem prova técnica; a motivação fática da glosa também é insuficiente, além de deficiente, porque a NCM 2106.90.10 Ex 01 contempla, além dos concentrados, os sabores: seria necessário também comprovar que nenhum dos componentes dos “kits” corresponde ao conceito de “sabores” para a fabricação de bebidas; 3.2) Para a fiscalização, mesmo que os insumos destinados à fabricação de bebidas fornecidos pela PEPSI-COLA e pela AROSUCO estivessem de acordo com as diretrizes do Decreto-lei nº 1.435/75, não haveria créditos do imposto a apropriar “como se devido fosse” em virtude de erro de classificação fiscal: os insumos deveriam ser enquadrados em códigos diversos, com alíquota zero, e não no código NCM 2106.90.10 Ex 01, já que os “kits” não poderiam ser tratados como produtos únicos e não constituem “preparações compostas para fabricação de refrigerantes” por não estarem prontas para uso pelo adquirente (a diluição e a gazeificação são feitas por este e não pelo fornecedor); a acusação fiscal tem esteio na presunção de que a PEPSI-COLA e a AROSUCO teriam aplicado as RGI/SH 2.a) e 3.b) com o objetivo de tratar os “kits” como mercadorias únicas classificadas no código NCM 2106.90.10 Ex 01, mas é manifestamente improcedente porque a fiscalização olvidou da RGI/SH nº 1, regra preponderante sobre as demais; prossegue a impugnante conforme a transcrição que segue: “Com efeito, assim dispõe o NCM 2106.90.10, "ex. 01", cerne da acusação fazendária: "21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições. 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas. Ex 01 (IPI) Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" A mera leitura das normas transcritas revela que o código 2106.90.10 designa apenas as preparações destinadas à fabricação de bebidas e o seu "ex. 01", mais específico, restringe-se às "preparações compostas" (mais de uma substância) não alcoólicas, utilizadas "para a elaboração" de refrigerantes/refrescos (posição 22.02), com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. O discrimen utilizado na especificação da NCM, portanto, é finalístico, sendo a sua pedra de toque o fato de uma determinada preparação composta, sem teor alcoólico e com determinada capacidade de diluição, ser remetida para a fabricação de refrescos/refrigerantes. É esta a especificidade do "ex" em relação à descrição contida no "caput" da subposição. De outro lado, as notas da posição 2106, universo no qual se insere a NCM n. 2106.90.10, inclusive o respectivo "ex. 01", são claras no sentido de que os extratos concentrados ou sabores para a preparação industrial de bebidas estão nela compreendidos, ainda que necessitem de processo industrial complementar ou da adição de outros ingredientes, para se tornarem aptos ao consumo: “(...) a presente posição compreende: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). • Classificam-se especialmente aqui: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, Fl. 2069DF CARF MF Fl. 38 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: - xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferir-lhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o n° 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; - suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinam-se a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. ...................................” Como se vê, diferentemente do que sustenta a Fiscalização, enquadram-se no conceito de "preparações compostas", a que se refere o ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, todas as substâncias formadas por um conjunto de ingredientes que lhes confira um propriedade aromática passível de determinar, isoladamente ou mediante combinação com outras substâncias, o sabor característico de determinada bebida. Acentue-se que a própria Fiscalização admite que: “O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta.” (p. 71). Ora, diante da expressa admissão de que todos os ingredientes dos kits são preparações compostas e da circunstância de que todos eles são utilizados como insumos para a fabricação de refrescos, é forçoso concluir pela sua inclusão no âmbito do ex 01 da posição 2106.90.10 da TIPI/NCM. O item XI da RGI 3b) da NESH em nada interfere com a questão. Tal item apenas diz que a regra em questão “não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo”, sem, contudo, especificar qual o tratamento a ser dado a tais mercadorias. Essa observação é importante, pois a regra contém três possibilidades de classificação (letras “a”, “b” e “c”) e, como nenhuma delas se aplica ao caso, fica confirmado que a solução do caso não pode se basear na referida RGI 3. Por isso, são igualmente irrelevantes para o caso as manifestações do Conselho de Cooperação Aduaneira citadas pela Fiscalização. Até porque, tais manifestações não estão listadas quer na IN RFB 1.459/2014, quer na IN RFB 873/2013. Fl. 2070DF CARF MF Fl. 39 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Para aferir a correta classificação dos produtos adquiridos pela Impugnante deve, pois, ser observada a RGI/SH 1, mesmo porque o texto do ex 01 da suposição 2106.90.10 e as respectivas notas explicativas são suficientes para a correta classificação dos “kits”. Afinal, como explicam as notas da posição 2106, as preparações compostas para a fabricação de bebidas podem conter apenas “parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida” para utilização “depois de tratamento complementar”, inclusive com a eventual “adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono”, ou mesmo de “outras preparações alimentícias”. A segregação de tais preparações se justifica para “evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc”, justamente porque elas “não se destinam a ser consumidas como bebidas”, mas sim como insumos para a fabricação das bebidas. Diante disso, cai por terra a tese da Fiscalização de que só poderiam ser consideradas como "preparações compostas", nos termos do ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, aquelas que já estivessem de tal maneira processadas que permitissem a obtenção da bebida mediante mera diluição em água. Nitidamente, o Fisco confunde a bebida pronta em estado concentrado (como as da posição 20.09 da NCM) com os diversos tipos de concentrados e sabores utilizados como insumos para a fabricação de bebidas (posição 2106.90.10, ex 01, da NCM). Prova disso é a utilização, como argumento de acusação, da Lei 8.918/94 e seu regulamento, os quais tratam da "padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas". Os arts. 13, §4°, e 30 do Decreto 6.817/200931, transcritos no TDF, tratam justamente do produto concentrado, isto é, da bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas). Aliás, o caput do art. 13 diz serem inaplicáveis suas previsões ao "xarope" e ao "preparado sólido para refresco", o que realça o equívoco do Fisco. Assim, na medida em que a Fiscalização reconhece todos os “kits” contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor “Pepsi”, sabor “guaraná”, “sabor Sukita” etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, é evidente que todos eles caracterizam, no seu conjunto ou individualmente, preparações compostas para a fabricação de bebidas abrangidas pelo ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. Em outras palavras, os “kits” autuados consistem em ingredientes destinados à fabricação de bebidas, compostos por substâncias diversas, as quais, consideradas no conjunto ou individualmente, classificam-se como preparações compostas, com a função de conferir à bebida a ser produzida o seu sabor próprio e as suas demais características sensoriais, dando identidade ao produto vendido aos consumidores. Certo, alega a Fiscalização que "as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes", sendo que "a mistura de pelo menos dois desses ingredientes resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas." (destacamos) Ocorre que tais ingredientes, ainda que não tenham sabores específicos, são formados pela reunião de várias substâncias e cada kit contém a quantidade exata para mistura com os extratos e outros aromatizantes característicos de cada bebida. Dessa maneira, os itens adicionais contribuem para formação do aroma do produto final, o que justifica a sua classificação no ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. De qualquer forma, ainda que, para argumentar, se entendesse que as partes dos kits com acidulantes, conservantes e outros itens que não contêm extratos ou aromatizantes específicos, devessem ser classificadas em outro código da NCM, não haveria qualquer valor de IPI a ser glosado pelo Fisco no caso concreto. De fato, os documentos fiscais juntados aos autos demonstram que todos os "kits" contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor "Pepsi", sabor Fl. 2071DF CARF MF Fl. 40 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 "guaraná", "sabor Sukita" etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, sendo comercializados por preços compreensivos do todo (cujo dimensionamento se dá pela fórmula de cada bebida, objeto de segredo industrial). Isso se explica porque a aquisição dos sabores em conjunto com as substâncias adicionais dá-se por questões industriais e logísticas, sendo certo que estas últimas, isoladamente consideradas, não possuem valor econômico para os fins da operação praticada. Vale dizer, a prova acostada pelo próprio Fisco confirma não se trata de produtos vendidos separadamente, mas de unidades para diluição e envase acondicionadas separadamente por questões de eficiência logística (menor volume transportado), como, aliás, é expressamente admitido pelas notas da posição 2106 acima citadas. Assim, ainda que houvesse a segregação dos itens adicionais do kit que não constituem extratos ou outros aromatizantes, nem assim haveria crédito tributário a constituir, pois eles não têm valor econômico, no contexto da operação. Em face do exposto, conclui-se que não houve erro de classificação fiscal nas notas de aquisição dos “kits” de concentrados e sabores destinados à fabricação de bebidas, pois: (1) o “kit” contempla uma unidade de ingredientes para a fabricação de bebidas que, pela diversidade de substâncias envolvidas, configura preparação composta; e (2) cada item do “kit”, isoladamente considerado, também configura preparação composta que confere sabor e outros traços sensoriais à bebida fabricada. Além disso, mesmo que parte dos itens devesse ser classificada em outra subposição da NCM, não haveria valor econômico individual que possibilitasse a glosa do IPI”. 4) É improcedente a glosa de créditos relativos a mercadorias adquiridas para emprego no processo industrial: matérias primas e materiais intermediários tais como peças e partes de máquinas, produtos para higienização de maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, uniformes de empregados; todos os itens mencionados são necessários e foram consumidos na atividade produtiva, não sendo destinados ao ativo permanente; o disposto no RIPI/2010 (art. 226, I, c/c art. 610, II) e no PN/CST nº 65/1979 sofre distorção interpretação da fiscalização, porque não há necessidade do contato direto com o produto final, mas deve haver a aplicação dos bens, de alguma maneira, na produção; alguns itens são imprescindíveis ao processo produtivo, consoante laudo técnico anexado (doc. 07); em alguns julgados, há posição do CARF favorável ao direito ao crédito em situações similares; 5) Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo, provenientes de empresas do mesmo grupo econômico e sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias, conforme documentação anexada; quando muito, a fiscalização poderia ter exigido acréscimos moratórios de forma isolada por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem), conforme ato normativo referente a IRPJ e CSLL e precedentes do CARF; ademais, foram computadas entradas de mercadorias a título de devoluções de vendas realizadas previamente e registradas sob os códigos de CFOP nº 1403, 1410, 2401, 2410, 2411 e 2949, e que devem ser excluídas do lançamento; 6) Quanto aos kits destinados ao preparo de refrigerantes, recebidos de fornecedores de outras regiões do país, primeiramente, a classificação fiscal adotada está correta, conforme já discorrido em tópico precedente; em segundo lugar, o pagamento de recursos ao emitente de notas fiscais é feito mediante encontro de contas, o que é normal nas relações entre empresas de um mesmo grupo econômico, sendo que os créditos não decorrem do pagamento do imposto pelo remetente, mas da cobrança do imposto na operação anterior (RIPI/2010, art. 226), sendo incontroverso o destaque do IPI na documentação fiscal emitida e o direito ao crédito, sob pena de ocorrência de bi- tributação e de violação do princípio da nãocumulatividade; além do mais, é despropositada a exigência de demonstração do pagamento pelo valor de compra para assegurar a manutenção dos créditos, já que a comprovação da assunção do ônus Fl. 2072DF CARF MF Fl. 41 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 financeiro do imposto somente é necessária na hipótese de repetição de imposto pago indevidamente pelo fornecedor (CTN, art. 166); 7) A impugnante é adquirente de boa-fé e os créditos aproveitados devem ser convalidados, uma vez que a correta classificação fiscal dos produtos, as respectivas alíquotas e os valores do imposto são de responsabilidade do emissor da nota fiscal (RIPI/2010, arts. 407 e 413), conforme situação análoga na órbita do ICMS com pronunciamento do STJ. Por fim, requer que seja reconhecida a improcedência das acusações fiscais, com o cancelamento definitivo do auto de infração; por outro lado, com o fito de dirimir dúvidas porventura existentes, pugna pela realização de diligência e/ou perícia técnica no que concerne às operações com produtos sujeitos ao regime monofásico, conforme os quesitos enunciados em anexo. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 14- 62.485 - 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1686/1688), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos incentivados concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero, sendo os produtos oriundos da Amazônia Ocidental e, portanto, isentos. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a aquisições de produtos onerados pelo imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE ARTEFATOS DESCARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS OU MATERIAL DE EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo industrial, segundo o estrito entendimento albergado na legislação tributária do que pode ser considerado como insumos. GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. Fl. 2073DF CARF MF Fl. 42 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 GLOSA DE CRÉDITOS. CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO. Devem ser glosados os créditos concernentes a concentrados para refrigerantes adquiridos com erro de classificação fiscal e de alíquota, sendo correta a alíquota de 0% e inexistente a comprovação de que a adquirente tenha arcado com o ônus financeiro do imposto destacado nas notas fiscais de aquisição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ÁREA DE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL. Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, ainda que haja imunidade condicionada ou isenção, podem ser objeto de fiscalização tributária, sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a autoridade competente para a condução das atividades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Mesmo sendo o caso de estabelecimento filial que continue a atividade industrial e mantenha a documentação e livros fiscais, inexiste nulidade por erro de identificação do sujeito passivo se o auto de infração for lavrado contra o estabelecimento matriz, pois, na hipótese de ocorrência de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela empresa sucedida (estabelecimento matriz e filiais) até a data do ato sucessório. NULIDADE. FALTA DE LIQUIDEZ E DE CERTEZA DA EXIGÊNCIA FISCAL. DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE SALDOS CREDORES. Em virtude da ausência de erros na fixação da dimensão quantitativa do crédito tributário constituído, com o cômputo de todos os saldos credores legítimos existentes na escrita fiscal, inexiste nulidade por falta de liquidez e de certeza da peça acusatória. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. NULIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A classificação fiscal de mercadorias consiste em atividade de índole estritamente tributária, sendo que a reclassificação fiscal dos produtos recebidos dos fornecedores foi perfeitamente motivada, com a perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias que tratam de classificação fiscal de mercadorias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de realização de diligência ou perícia prescindível para o deslinde da causa, a despeito da presença dos requisitos básicos como a indicação do perito e a formulação dos quesitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2074DF CARF MF Fl. 43 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 1873 e seguintes. Esta turma do CARF, por meio da Resolução no. 3301-000.005 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária(fl 1965/2020), determinou diligência na unidade de origem para que seja dado ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional de laudo técnico apresentado pelo contribuinte às fls. 1935/1963. A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do documento, conforme documento às fls. 2022/2029. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Constam do Recurso Voluntário as seguintes alegações: 1. Nulidade do Auto de Infração 1.1. Ilegitimidade passiva. Erro na determinação do sujeito passivo. Precedentes. 1.2. Erros na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento. 1.3. Alteração dos critérios jurídicos adotados pelas autoridades fiscais em relação aos “kits” para a produção de refrigerantes fornecidos pela PEPSI/AROSUCO e aos materiais de embalagem fornecidos pela VALFILM. Violação ao art. 146 do CTN. 2. Direito aos créditos glosados pelo Fisco 2.1. Ilegitimidade da glosa dos créditos relativos aos insumos e materiais de embalagem para fabricação de refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus. 2.1.1. Direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos para a fabricação de bebidas e materiais de embalagem da Zona Franca de Manaus – ZFM. 2.1.2.1. A reclassificação fiscal das mercadorias pretendida pelo Fisco não está respaldada por laudo técnico. Motivação (acervo probatório) deficiente. Violação ao art. 142 do CTN (verdade material). 2.1.2.2. Improcedência da glosa de crédito amparada na alegação de que os insumos adquiridos junto à PEPSI e à AROSUCO seriam tributados à alíquota zero de IPI, por ser inaplicável a NCM n. 2601.90.10, “ex. 1”. 2.2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao regime especial de que trata o art. 58-N da Lei n. 10.833/03. O imposto foi recolhido na saída das mercadorias. Haveria, no máximo, postergação no seu pagamento. 2.3. Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de bens de uso ou consumo pela Recorrente (matérias primas, materiais de embalagem e materiais intermediários de produção). 2.4. Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de insumos tributados de empresa do mesmo grupo econômico. Considerando as alegações da Recorrente e com o objetivo de melhor subsidiar o julgamento da presente lide e de se evitar a exigência em duplicidade de crédito tributário, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 proponho converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem adote as seguintes providências: (i) com relação à glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo (operações sujeitas à sistemática monofásica): (i.a) deverá a autoridade fiscal, intimar o autuado para fazer prova cabal de sua alegação referente à glosa de créditos em operações Fl. 2075DF CARF MF Fl. 44 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertando-se à Recorrente de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito, inclusive em razão de aplicação subsidiária do art. 6º do NCPC (Código de Processo Civil); (i.b) com base na prova produzida nesses termos pela Recorrente, reconstitua-se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; e (i.c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em Relatório circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações que julgar pertinentes; (ii) com relação à alegação de ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado, considerando os argumentos da Recorrente sobre o processo de incorporação ocorrido durante o procedimento fiscal, consignando que "após a incorporação, o referido estabelecimento filial (CNPJ nº 02.808.708/008183) continuou sendo explorado pela empresa sucessora, com o CNPJ nº 07.526.557/003478 e que portanto o Auto de Infração só poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento que sucedeu aquele ao qual foram imputadas as infrações e não contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica", solicito à autoridade fiscal: (ii.a) intimar a Recorrente a apresentar os documentos concernentes à reestruturação societária incorporação (ATAS e Termos da Assembléia, etc), bem como apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, que tenha como objeto subsidiar a situação posta nos autos; (ii.b) ao final, deverá o Fisco fazer constar no Relatório conclusivo posição sobre a análise dos documentos e sobre as alegações promovidas pela Recorrente nesse tópico; (iii). Quanto ao PAF nº 10880.727.044/2015-61 citado pela Recorrente em seu recurso, calcular e informar no Relatório conclusivo o reflexo da decisão atual nele constante, determinado que cópia desta diligência seja juntado àquela processo; (iv) quanto à glosa oriunda da aquisição de insumos de empresa do mesmo grupo econômico, intimar a autuada para que comprove suas alegações, alertando-a de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam; (v) tendo em conta o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-¬prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891, com repercussão geral, solicita-se verificar se existem glosas que seriam afastadas com base exclusivamente neste entendimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 2076DF CARF MF

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