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Numero do processo: 10314.006761/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 26/04/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PERÍCIA
DESPICIENDA.
A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa é incompatível com a defesa efetiva produzida pela recorrente no contencioso desde o primeiro momento. Também não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa.
OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO COM DETERMINADO CÓDIGO.
CRITÉRIOS JURÍDICOS. REVISÃO ADUANEIRA.
A efetivação de outras operações de importação, com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte, pois cada operação de importação tem suas próprias características. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. O instituto da revisão aduaneira (com prazo
de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração discutido. Assim sendo, não se aplica o
art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente.
CLOROPARAFINA LÍQUIDA.
A mercadoria importada, cloroparafina líquida, de nome comercial
CERECLOR S52, que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, tem classificação fiscal no código NCM 3824.90.39.
Numero da decisão: 3101-001.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PERÍCIA DESPICIENDA. A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa é incompatível com a defesa efetiva produzida pela recorrente no contencioso desde o primeiro momento. Também não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa. OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO COM DETERMINADO CÓDIGO. CRITÉRIOS JURÍDICOS. REVISÃO ADUANEIRA. A efetivação de outras operações de importação, com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte, pois cada operação de importação tem suas próprias características. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. O instituto da revisão aduaneira (com prazo de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração discutido. Assim sendo, não se aplica o art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente. CLOROPARAFINA LÍQUIDA. A mercadoria importada, cloroparafina líquida, de nome comercial CERECLOR S52, que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, tem classificação fiscal no código NCM 3824.90.39. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 67 61 /2 00 5- 16 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto síntese do relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas retificações: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 11/07/2005, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora, multa regulamentar e multa proporcional ao valor aduaneiro , no valor de R$1.262.868,05, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio das Declarações de Importação relacionadas no corpo do auto de infração, PARAFINA CLORADA, com classificação fiscal no código NCM 2903.69.19; Ocorre que a fiscalização entende que a correta classificação fiscal do produto é no código NCM 3824.90.39; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento – AR, em 03/08/2005 (fls. 76verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 01/09/2005, de fls. 78 à 97, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: O auto de infração é nulo por não comprovar efetivamente a utilização de classificação fiscal errônea; A fiscalização não demonstrou as razões da escolha do código NCM eleito, desobedecendo assim os critérios do lançamento fiscal, disciplinado no artigo 142 do Código Tributário Nacional; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 246 3 O direito de defesa foi desrespeitado; O produto que a impugnante importou foi a PARAFINA CLORADA alocada no código NCM 2903.69.19; O código NCM eleito pela impugnante é o mais adequado em função da REGRA 3 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; A PARAFINA CLORADA deve ter classificação fiscal como parafina na posição NCM 2903; Ainda que o código NCM 2903.69.19 não seja o adequado, mais propício seria o código NCM 2712.20.00 àquele eleito pela fiscalização; O impugnante sempre importou nesse mesmo código. O STJ reconhece que a prática reiterada faz direito entre as partes; As hipóteses de alteração de lançamento disciplinadas no artigo 145 do Código Tributário Nacional não comportam o procedimento empreendido pela fiscalização, por não se tratar de erro de fato, e sim mudança de entendimento. Reforça tal argumento com textos da jurisprudência pátria; Para que se proceda revisão aduaneira indispensável a coleta de amostras e a elaboração de laudo de assistência técnica; Jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes repudia o instituto da prova emprestada quanto à classificação fiscal de mercadorias; Inaplicável a imposição de multas; Pugna a improcedência e alternativamente a nulidade do Auto de Infração. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução nº 885, de 16/04/2009, indagando que critérios foram utilizados para desclassificar o produto importado, PARAFINA CLORADA, da classificação fiscal no código NCM 2903.69.19 para o código NCM 3824.90.39, se esta conclusão foi embasada em que provas, fatos ou evidências e a exposição das Regras Gerais do Sistema Harmonizado e de que linha de argumentação valeu bem para atingir tal conclusão. Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 30/06/2009 (fls. 141verso), o interessado manifestou se no sentido de que a autoridade preparadora não respondeu Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 qualquer das questões formuladas, evidenciando assim a nulidade da ação fiscal. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Impugnação Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 26/04/2001 Importação de PARAFINA CLORADA, com classificação fiscal no código NCM 2903.69.19. A fiscalização entendeu que a correta classificação fiscal do produto é no código NCM 3824.90.39. Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição NCM 2903, determina sua classificação fiscal na posição NCM 3824. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 207 e seguintes, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância (preliminar de nulidade do auto de infração, classificação fiscal correta, modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados e inaplicabilidade da multa de ofício); aduz que a completa regulamentação do IPI só veio com o Decreto nº 4544/2002 e por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para cancelar a exigência fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 247 5 In limine cumpre dizer que a diligência levada a efeito em virtude de determinação do órgão judicante de primeiro grau o foi de forma precária, haja vista não terem sido respondidas as indagações formuladas pela DRJ, como bem assinalou a recorrente, entretanto, a autoridade julgadora nenhuma objeção fez à forma como aquela foi procedida (anexação aos autos da declaração de importação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH relativas às duas posições ora em confronto 2903 e 3824) e tenho para mim que não o fez porque deuse conta de que a identificação da mercadoria é incontroversa, e sendo a discussão adstrita apenas à classificação fiscal, o rito a ser seguido é o das regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), que prestigia as NESH como publicação complementar ao SH, compreendendo essa a interpretação oficial do Sistema Harmonizado elaborada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira. DO AUTO DE INFRAÇÃO A preliminar de nulidade do auto de infração está fincada em suposto cerceamento do direito de defesa, porquanto não foi declinada a RGI utilizada pela auditoria fiscal para reclassificar as mercadorias importadas e não foi elaborado laudo técnico para tanto. O acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento é pródigo em considerações acerca da indigitada preliminar; para ao final e ao cabo dizer que não houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que a então impugnante sabia o tempo todo do que estava sendo acusada, ou seja, os fatos foram descritos a contento pela peça fiscal, e inclusive invocou o brocardo romano que ilustra a conjuntura Da mihi factum, dabo tibi jus (Tragame o fato e lhe darei o direito). Penso que não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa (parafina clorada ou cloroparafina em estado líquido) e a carência de menção no auto de infração, da regra utilizada para a reclassificação fiscal veio de ser colmatada no decorrer do processo com a anexação das respectivas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, pela auditoriafiscal durante a diligência, e a explicitação das regras, de forma didática, foi concretizada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no voto. Por outro giro, notase que a recorrente desde o primeiro momento vem produzindo defesa efetiva no contencioso, não só alegando preliminares como discutindo com proficiência o mérito da classificação fiscal aqui sub analisis. Posto isso, entendo que a preliminar não merece prosperar. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 CRITÉRIOS JURÍDICOS O argumento de modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados pelo Fisco está estribado no fato de a recorrente ter patrocinado várias operações de importação da mesma mercadoria classificandoa no código 2903.69.19, ora impugnado pela auditoria fiscal, e também porque a autuação está fazendo uso do art. 149 do CTN sem que haja erro de fato, e sim de direito, o que é vedado, nos termos do art. 146 do diploma tributário citado. Aponta a Súmula 227 do antigo TFR A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza revisão do lançamento. Ao meu sentir, a alegação é extremamente frágil, pois que a efetivação de outras operações de importação com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. E não se tem notícia nos autos de que a recorrente tenha empreendido alguma consulta. Quanto ao uso do lançamento de ofício com espeque no art. 149 do CTN em matéria de classificação fiscal de mercadorias, também é assente nesta esfera administrativa e no plano judicial que o instituto da revisão aduaneira (com prazo de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração ora em discussão. Assim sendo, não se aplica o art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente. DA REGULAMENTAÇÃO DO IPI A alegação de falta de regulamentação do IPI antes do Decreto nº 4.544/2002 é totalmente descabida, uma vez que o aludido decreto, também nominado RIPI/2002, é apenas uma compilação das leis concernentes ao nupercitado imposto, e nenhuma diferença traz sua edição para a classificação fiscal aqui discutida, bem como à diferença de imposto exigida na peça fiscal. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL No que diz com o mérito deste expediente, afirma a recorrente que o v. acórdão recorrido insistiu no código 3824.90.39 (Preparações para borracha ou plásticos e Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 248 7 outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares; Outras) sem demonstrar o critério utilizado para chegar a essa classificação. E se não fosse o mais correto o código apresentado pela recorrente 2903.69.29 (DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS; Outros; Outros), a classificação fiscal correta seria 2712.20.00 (Parafina contendo, em peso, menos de 0,75% de óleo). De plano, insta observar que o voto do acórdão recorrido traz sim o critério utilizado para manter a reclassificação fiscal: São pontos divergentes quanto a classificação fiscal do produto: Código NCM 2903.69.19 adotado pelo importador; Código NCM 3824.90.39 reclamado pela fiscalização. A posição eleita pelo importador assim se apresenta: 29.03 DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS. ... 2903.6 Derivados halogenados dos hidrocarbonetos aromáticos: ... 2903.69 Outros As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado para a posição 2903, normatizada pela Instrução Normativa nº 157/2002 assim determinam: São compostos resultantes da substituição, na fórmula estrutural de um hidrocarboneto, de um ou mais átomos de hidrogênio, por um número igual de átomos de halogênio (flúor, cloro, bromo, iodo). A. DERIVADOS CLORADOS SATURADOS DOS HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS... Excluemse desta posição: a) As cloroparafinas, constituídas por misturas de derivados clorados: as cloroparafinas sólidas, que são ceras artificiais, incluemse na posição 34.04, enquanto que as cloroparafinas líquidas se classificam na posição 38.24.(grifo nosso) Sendo o produto cloroparafina líquida, conforme declarado pelo próprio importador, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição NCM 2903, determina sua classificação fiscal na posição NCM 3824, como procedeu a fiscalização. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES (+). ... 3824.90 Outros ... 3824.90.3 Preparações para borrachas ou plásticos, exceto das posição 3812, e outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares ... 3824.90.39 Outros A regra nº 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado assim determina: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Logo, o código NCM 3824.90.39 eleito pela fiscalização é o mais adequado. De outra banda, vale a pena referir que a mercadoria importada (CERECLOR S52) que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, etc., não pode ser confundida com a simples parafina, como quer a recorrente, porquanto esta classificase na posição 2712 quando pura ou misturada com os demais produtos da posição, consoante comentários das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado: Todos estes produtos estão compreendidos na presente posição, quer sejam em bruto, refinados ou misturados entre si ou mesmo corados. Empregamse, especialmente, na fabricação de velas (velas de parafina), de pomadas para calçados e encáusticos, como matérias isolantes, como revestimentos protetores, para o apresto de tecidos, para impregnação de fósforos, etc. Dito isso, penso que a classificação fiscal eleita pelos agentes do Fisco, de fato, é a correta, e não as apontadas pelo contribuinte. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 249 9 DA MULTA DE OFÍCIO A irresignação contra a multa de ofício, porque essa seria aplicável somente àqueles contribuintes que praticam evasão fiscal ou intentam lesar o Erário, não procede. O argumento não é sustentável, porquanto a imputação deriva simplesmente da falta de recolhimento do imposto, não sendo aplicada qualquer qualificação ou agravante à penalidade. Vale a pena rememorar o art. 136 do Código Tributário Nacional que predica: Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No vinco de todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração; e no mérito, por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações. Sala das Sessões, 24 de setembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10314.001670/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE.
Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3101-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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CONTRADIÇÃO INEXISTENTE. Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 19/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 70 /2 00 8- 29 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Reportome ao relato de fls. 579 e seguintes, adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou no acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142). IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL. Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos que serviram de base para a auditoriafiscal proceder à reclassificação fiscal cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificálas, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente. SOLUÇÕES DE CONSULTA E JURISPRUDÊNCIA. Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, Fl. 656DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.296 S3C1T1 Fl. 3 3 função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes. PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS. Os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações. Em 18/10/2012, foram opostos embargos declaratórios, fls. 628 e seguintes, tempestivos, pela supramencionada embargante, alegando haver contradição no acórdão que merece ser sanado. A contradição adviria de que o relator teria asseverado que o laudo técnico é fundamental para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados, e ao final fundamentou a multa de controle aduaneiro na incorreta classificação fiscal das mercadorias. O pedido é para que seja cancelada a multa do controle administrativo das importações, com esteio no ADN COSIT nº 12/97, e que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos patronos da causa. Ato seguido, são encaminhados os embargos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o Relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merecem ser apreciados. Impõese registrar, in limine, que o fundamento para a manutenção da multa do controle administrativo das importações não é apenas a classificação fiscal incorreta, e sim a conjugação disso com a descrição falha das mercadorias, sem todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, como se pode ver do Anexo III do auto de infração, fls. 321 e seguintes, o que impossibilita a aplicação do ADN COSIT nº 12/97 ao caso destes autos. E mais, a contradição apontada não existe também porque é de total coerência afirmar que o laudo técnico é necessários para dizer a função dos componentes adicionados às vitaminas, para fins de obtenção da classificação fiscal correta; e num segundo momento dizer que a classificação fiscal foi dificultada porque a descrição das mercadorias não continha todos os componentes adicionados às vitaminas. Ultimando, o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos patronos da causa também não merece acolhimento, uma vez que na legislação que rege o processo administrativo fiscal as intimações devem ser feitas no domicílio tributário do sujeito passivo. Nessa moldura, voto por DESPROVER os embargos declaratórios. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 658DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.296 S3C1T1 Fl. 4 5 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11128.001188/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do Fato gerador: 25/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - ERRO NO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO.
Verificado o equívoco no registro da declaração, deve ser reclassificada a mercadoria importada nos termos da Tarifa Externa Comum - TEC.
Importação de produto Cyanox 1790 enquadra-se na expressa determinação da TEC de que contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, portanto, classificável na posição 2933.69.29.
Mantida a cobrança do Imposto de Importação.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO
O artigo 636, do Decreto nº 4.542/2002 determina que a classificação fiscal errônea acarreta a incidência de multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado. Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa no caso em questão.
MULTA PROPORCIONAL (75%)
Aplicação do Ato Declaratório COSIT nº 10/97 que determina a exclusão da punição nas situações de classificação fiscal incorreta, se corretamente descritos todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante. Afastada a multa proporcional neste caso.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do Fato gerador: 25/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - ERRO NO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. Verificado o equívoco no registro da declaração, deve ser reclassificada a mercadoria importada nos termos da Tarifa Externa Comum - TEC. Importação de produto Cyanox 1790 enquadra-se na expressa determinação da TEC de que contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, portanto, classificável na posição 2933.69.29. Mantida a cobrança do Imposto de Importação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO O artigo 636, do Decreto nº 4.542/2002 determina que a classificação fiscal errônea acarreta a incidência de multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado. Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa no caso em questão. MULTA PROPORCIONAL (75%) Aplicação do Ato Declaratório COSIT nº 10/97 que determina a exclusão da punição nas situações de classificação fiscal incorreta, se corretamente descritos todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante. Afastada a multa proporcional neste caso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato gerador: 25/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRO NO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. Verificado o equívoco no registro da declaração, deve ser reclassificada a mercadoria importada nos termos da Tarifa Externa Comum TEC. Importação de produto Cyanox 1790 enquadrase na expressa determinação da TEC de que contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, portanto, classificável na posição 2933.69.29. Mantida a cobrança do Imposto de Importação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO O artigo 636, do Decreto nº 4.542/2002 determina que a classificação fiscal errônea acarreta a incidência de multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado. Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa no caso em questão. MULTA PROPORCIONAL (75%) Aplicação do Ato Declaratório COSIT nº 10/97 que determina a exclusão da punição nas situações de classificação fiscal incorreta, se corretamente descritos todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante. Afastada a multa proporcional neste caso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 11 88 /2 00 7- 78 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 149 2 ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração lavrado para a cobrança de crédito tributário a título de Imposto de Importação – II, acrescido de juros de mora, multa proporcional, multa de controle administrativo e multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro decorrente de erro na classificação fiscal da mercadoria no registro da importação. A Recorrente importou por meio da Declaração de Importação (DI) nº 03/02478439, registrada em 25/03/2003, mercadoria denominada “Cyanox 1790” que, diante de sua descrição, foi classificada na Tarifa Externa Comum sob o código NCM n° 2933.69.99 (Outros Compostos Heterocil.1Ciclo Triazina sem condensado). A classificação fiscal adotada pela Recorrente acarreta na aplicação de alíquotas zero do II e do IPI. Foi determinada a realização de exame laboratorial nº LAB795/GCOF pela FUNCAMP a partir da análise de amostras da mercadoria importada, Laudo de Análise FUNCAMP nº 1037/01/2003 através do qual restou determinado que: "(...)1. Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contem um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1, 3, 5 Tris(4tButil3Hidroxi2, 6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(IH,3H,5H)Trio na, Outro Composto cuja estrutura contem Funções Oxigenadas mas não contem Cloro em ligação covalente, Composto cuja a estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio (...)" Diante das conclusões constantes do laudo pericial, foi lavrado auto de infração para cobrança de crédito tributário a título de II (R$ 14.524,61), multa proporcional pela falta de pagamento do tributo de 75% (R$ 10.893,46), multa de controle aduaneiro de 30% sobre o valor da mercadoria (R$ 124.496,73) e multa proporcional ao valor aduaneiro de 1% (R$ 4.149,89). A Recorrente apresentou impugnação para postular o cancelamento do auto de infração, sob os seguintes fundamentos: 1 – O laudo pericial está correto quanto à composição das mercadorias importadas, contudo, alega a Recorrente que o as posições 2933.69.1 e 29333.69.2 referemse à Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 150 3 produtos cuja estrutura contenha ou não cloro em ligação covalente. Verificada a composição das mercadorias importadas, entende que não se enquadravam em nenhuma das duas posições, razão pela qual foram classificadas na posição 2933.69.99 – Outros; 2 – Para a classificação fiscal das mercadorias importadas deve ser considerada a Regral Geral de Interpretação nº 3, alínea “c”; 3 – Não é devida a incidência de multa de controle administrativo já que as mercadorias importadas não exigiam, quando de sua importação, licenças de importação; 4 – Não é devida a incidência de multa de ofício de 75% porque não houve declaração inexata dos produtos importados, mas somente divergência quanto à posições tarifárias; e 5 – Ainda quanto à multa de ofício de 75%, postula seu cancelamento em decorrência da disposição do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97 sobre a exclusão de multas no caso de classificação fiscal errônea, desde que descrito corretamente o produto importado e os demais elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. A DRJSão Paulo II proferiu acórdão que julgou parcialmente procedente a impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/03/2003 Importação do produto CYANOX 1790, produto à base de oxidante e estabilizante à base de 1,3,5TRI. Estado físico: Pó Branco, recebendo classificação tarifária no código NCM 2933.69.99. Pelas regras 1ª e 6ª das Regras Gerais do Sistema Harmonizado foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 2933.69.29. O texto do código NCM 2933.69.2 é expresso ao citar cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente. Descabe a aplicação da multa ao controle administrativo, vez que a mercadoria importada é a mesma constante da Declaração de Importação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos constantes da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A discussão travada nos autos é sobre a classificação fiscal atribuída pela Recorrente na importação de mercadoria através da DI nº 03/02478439, já que a mercadoria Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 151 4 foi classificada na posição da NCM nº 2933.69.99, enquanto que a autoridade alfandegária entende que a posição correta é a NCM nº 2933.69.29. A mercadoria foi descrita na DI como “Produto a base de antioxidante e estabilizante a base de 1,3,5 TRI. Nome comercial CYANOX 1790. Embalagem: Tambores de 125 LBS. Estado físico: pó branco. Finalidade: Produto utilizado como antioxidante e estabilizante na fabricação de elastano. O laudo proferido pela Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP – FUNCAMP determinou que: “CONCLUSÃO. Tratase de 1,3,5Tris (41Butil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil) – 1,3,5 – Triazina2,4,6 (1H, 3H, 5H) – Triaona. RESPOSTA AOS QUESITOS 1 – Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1,3,5 Tris(4tButil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(1H,3H,5H)Triona, Outro Composto cuja estrutura contém Funções Oxigenadas mas não contém Cloro em ligação convalente, Composto cuja estrutura contém um Cloro Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio. 2 – Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. 3 – De acordo com Referência Bibliográfica, a denominação comercial CYANOX 1790 se refere à 1,3,5Tris(4tButil3 Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3.5Triazina2,4,6(1H,3H,5H) Triona e utilizado para Preparações antioxidantes. 4 Prejudicada A análise para a realização da correta classificação fiscal neste caso deverá ser feita mediante interpretação das regras 1 e 6, das Regras Gerais de Interpretação, que determinam: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Ou seja, analisandose o título e o subtítulo da TEC, verificase que a mercadoria importada, tal como constante do laudo pericial e admitida pela Recorrente incluí se perfeitamente na subposição nº 2933.69.2 que cita, textualmente “Cuja estrutura contém Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 152 5 funções oxigenadas mas não contém cloro em ligação covalente, da mesma forma como constante da análise laboratorial. A conclusão da decisão recorrida de que a mercadoria importada consiste em outro composto cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, classificada na posição 2933.69.29 está correta, razão pela qual deve ser mantida, neste aspecto. Portanto, a classificação fiscal correta para a mercadoria importada pela Recorrente (Cyanox 1790) é a posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, razão da manutenção do lançamento. No que tange à multa proporcional ao valor aduaneiro, deve ser mantida a cobrança já que a penalidade decorre da classificação fiscal errônea verificada nos presentes autos, nos termos do artigo 636, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.542/2002): Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) Com relação à incidência de multa proporcional, todavia, entendo pela reforma do acórdão recorrido. A multa proporcional está definida no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Contudo, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 20 de janeiro de 1997 trouxe disposição expressa acerca da desconsideração da aplicação de penalidade no caso de classificação fiscal incorreta, consoante transcrição: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 153 6 descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Tal ato determinou a não aplicação de penalidade (multa proporcional de 75%) prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/96 nos casos de classificação fiscal incorreta, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, comprovada a inexistência de dolo ou máfé do declarante. No caso concreto, deve ser afastada a multa de 75% da forma acima mencionada já que a mercadoria está corretamente descrita na DI nº 03/02478439, constantes todos os elementos necessários à sua identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter a cobrança do II e da multa proporcional ao valor aduaneiro, em decorrência da incorreta classificação fiscal da mercadoria importada, contudo, deve ser afastada a multa proporcional (75%) em decorrência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. Luiz Roberto Domingo Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11128.001641/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 06/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - CYANOX 1790
O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadra-se na posição 2933.69.29.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%)
Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001.
MULTA PROPORCIONAL (75%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97.
MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício e a multa por falta de LI. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres quanto à multa de ofício.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL CYANOX 1790 O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadrase na posição 2933.69.29. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%) Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001. MULTA PROPORCIONAL (75%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 16 41 /2 00 7- 46 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 139 2 ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício e a multa por falta de LI. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres quanto à multa de ofício. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator. Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Importação – II, acrescido de juros de mora, multa de ofício, multa de controle administrativo e multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro decorrente de erro na classificação fiscal da mercadoria amparada nas Declaraçãos de Importação (DI) nº 03/01815636, registrada em 06/03/2003, de nome comercial “Cyanox 1790” que, diante de sua descrição, foram classificadas na no código NCM n° 2933.69.99 (Outros Compostos Heterocil.1Ciclo Triazina sem condensado). A administração determinou a realização de exames laboratoriais pela FUNCAMP a partir da análise de amostras das mercadorias importadas, Laudos de Análise FUNCAMP nºs 1488.01 (23/06/2003) e 1797.01 (24/07/2003) através dos quais restou determinado que: "(...)1. Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contem um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1, 3, 5 Tris(4tButil3Hidroxi2, 6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(IH,3H,5H)Trio na, Outro Composto cuja estrutura contem Funções Oxigenadas mas não contem Cloro em ligação covalente, Composto cuja a estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio (...)" Diante das conclusões dos laudos periciais, restou determinada que a classificação fiscal das mercadorias importadas seria posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, houve a lavratura do auto de infração. A Recorrente apresentou impugnação para postular o cancelamento do auto de infração, sob os seguintes fundamentos: 1 – O laudo pericial está correto quanto à composição das mercadorias importadas, contudo, alega a Recorrente que o as posições 2933.69.1 e 29333.69.2 referemse à produtos cuja estrutura contenha ou não cloro em ligação covalente. Verificada a composição Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 140 3 das mercadorias importadas, entende que não se enquadravam em nenhuma das duas posições, razão pela qual foram classificadas na posição 2933.69.99 – Outros; 2 – Para a classificação fiscal das mercadorias importadas deve ser considerada a Regral Geral de Interpretação nº 3, alínea “c”; 3 – Não é devida a incidência de multa de controle administrativo já que as mercadorias importadas não exigiam, quando de sua importação, licenças de importação; 4 – Não é devida a incidência de multa de ofício de 75% porque não houve declaração inexata dos produtos importados, mas somente divergência quanto à posições tarifárias; e 5 – Ainda quanto à multa de ofício de 75%, postula seu cancelamento em decorrência da disposição do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97 sobre a exclusão de multas no caso de classificação fiscal errônea, desde que descrito corretamente o produto importado e os demais elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. A DRJSão Paulo II proferiu acórdão que julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2003 Importação do produto CYANOX 1790, produto à base de oxidante e estabilizante à base de 1,3,5TRI, recebendo classificação tarifária no código NCM 2933.69.99. Pelas regras 1ª e 6ª das Regras Gerais do Sistema Harmonizado foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 2933.69.29. O texto do código NCM 2933.69.2 é expresso ao citar cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos constantes da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A discussão travada nos autos é sobre a classificação fiscal atribuída pela Recorrente na importação de mercadorias classificadas na posição da NCM nº 2933.69.99, enquanto que a autoridade alfandegária entende que a posição correta é a NCM nº 2933.69.29. As mercadorias foram descritas nas DI’s como “Produto a base de anti oxidante e estabilizante a base de 1,3,5 TRI. Nome comercial CYANOX 1790. Embalagem: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 141 4 Tambores de 125 LBS. Estado físico: pó branco. Finalidade: Produto utilizado como anti oxidante e estabilizante na fabricação de elastano. Os laudos proferidos pela Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP – FUNCAMP determinaram que: “CONCLUSÃO. Tratase de 1,3,5Tris (41Butil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil) – 1,3,5 – Triazina2,4,6 (1H, 3H, 5H) – Triaona. RESPOSTA AOS QUESITOS 1 – Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1,3,5 Tris(4tButil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(1H,3H,5H)Triona, Outro Composto cuja estrutura contém Funções Oxigenadas mas não contém Cloro em ligação convalente, Composto cuja estrutura contém um Cloro Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio. (...) A correta classificação fiscal neste caso deve ser obtida mediante interpretação das regras 1 e 6, das Regras Gerais de Interpretação, que determinam: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Ou seja, analisandose o título e o subtítulo da TEC, se verifica que as mercadorias importadas, tal como constante dos laudos periciais e admitidas pela Recorrente incluemse perfeitamente na subposição nº 2933.69.2 que cita, textualmente “Cuja estrutura contém funções oxigenadas mas não contém cloro em ligação covalente, da mesma forma como constante das análises laboratoriais. A conclusão da decisão recorrida de que as mercadoria importadas consistem em outros compostos cujas estruturas contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, classificadas na posição 2933.69.29 está correta, razão pela qual deve ser mantida, neste aspecto. No que tange à multa proporcional ao valor aduaneiro, deve ser mantida a cobrança já que a penalidade decorre da classificação fiscal errônea verificada nos presentes autos, nos termos do artigo 636, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.542/2002), que traduz a disposição legal da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 84: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 142 5 Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) Com relação à multa de controle administrativo de importações, assiste razão a Recorrente. O artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002 determina a incidência de multa de 30% nas situações em que ocorre importação de mercadorias sem licença de importação, quando obrigatória. A licença de importação não é obrigatória na importação dos produtos da Recorrente, nem na posição incorreta 2933.69.99, nem na objeto da autuação fiscal, 2933.69.29. A licença somente é obrigatória quando é exigida a vigilância de órgãos específicos de fiscalização (ANVISA – insumos farmacêuticos; DFPC – ciclometrilenotrinitramina; e MAPA – insumos agrícolas e agropecuários), o que não é o caso. Além disso, não houve alteração dos produtos constantes nas Declarações de Importação, consistindo nas mesmas mercadorias, quais sejam, Cyanox 1790. A divergência não ocorre com relação ao produto importado, mas, somente quanto à sua classificação fiscal. A exoneração da penalidade está prevista no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Neste sentido, deve ser afastada a multa de 30%. Com relação à incidência de multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, entendo pela reforma do acórdão recorrido também neste aspecto. É que o o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 20 de janeiro de 1997 trouxe disposição expressa Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 143 6 acerca da desconsideração da aplicação de penalidade no caso de classificação fiscal incorreta, consoante transcrição: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso concreto, as mercadorias estão corretamente descritas nas DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, constantes todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar as multas de ofício e de controle administrativo das importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. Luiz Roberto Domingo Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 12719.001041/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/01/2001 a 30/01/2003
FALTA DE LICENCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. PENALIDADE.
A licença de importação veio a substituir a guia de importação com a implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex, bem por isso aplica-se a penalidade administrativa aos casos de classificação fiscal errônea como o caso dos autos, notadamente porque a recorrente também descreveu a mercadoria de forma que dificultava a correta classificação fiscal.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora), Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento parcial para excluir a multa por falta de LI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
Redator Designado
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. PENALIDADE. A licença de importação veio a substituir a guia de importação com a implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, bem por isso aplicase a penalidade administrativa aos casos de classificação fiscal errônea como o caso dos autos, notadamente porque a recorrente também descreveu a mercadoria de forma que dificultava a correta classificação fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora), Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento parcial para excluir a multa por falta de LI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 10 41 /2 00 5- 29 Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 32 2 Relatora CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.1487 versos a 1488 versos dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto do relator Gustavo Lima Santos Souza, nos seguintes termos: “Trata o presente processo de auto de infração decorrentes de classificação fiscal incorreta com exigência de Imposto de Importação (II), juros de mora, multa proporcional (de oficio), multa por falta de licença de importação (LI) e multa por classificação fiscal incorreta. Valor total da autuação de R$ 1.047.860,56 (fls. 0181). Seguem as alegações da autuação. Em procedimento de auditoria, foi intimada a empresa fiscalizada para que a mesma apresentasse, dentre outras coisas, os documentos que instruíram as importações dos produtos com NCM 2615.10.90 e informasse qual a destinação dada ao produto importado e, em caso de utilização em processo produtivo próprio, que descrevesse o processo (fls. 8384). Em atendimento a intimação, apresentou a empresa esclarecimentos (fl. 8891), bem como as declarações de importação (DIs) e o restante da documentação relativa ao escopo da fiscalização (fls. 110978). A posição 2615 utilizada pelo contribuinte nas DIs que estão sendo auditadas abrange os minérios de zircónio. Ocorre que excluem desta posição a areia de zircão micronizada para ser utilizada como opacificante em esmaltagem, por ter sido submetida preparação diferente das normalmente reservadas aos minérios da indústria metalúrgica, no caso a micronização, conforme nota 2 do capítulo 26 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Neste caso, a areia de zircão micronizada classificase na posição 2530 (fl. 92). Com base em laudo técnico (fls. 94107), foi a empresa intimada a alterar a classificação fiscal da DI 02/10711110 da "farinha de zircônio GPA 25" do código2615.10.90 para 2530.90.20 com os recolhimentos devidos. A empresa concordou com o pleito fiscal e recolheu os valores devidos na intimação fiscal. Ao responder intimação, a empresa informa que até 30/01/2003, importava farinha de zircônio no código 2615.10.90 e que, a partir de então, por orientação da própria Receita Federal, passou a importar o produto no código 2530.90.20. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 33 3 Para corroborar o entendimento da fiscalização, a interessada respondeu a folha 90 que "o destino do produto importado Farinha de Zircônio, é utilizado exclusivamente como matéria prima na composição dos produtos, no processo produtivo próprio, na fabricação de fritas, esmaltes, englobes e bases serigráficas, que são matérias primas utilizadas nas indústrias cerâmicas". Conforme consta na folha 91, também informa a empresa que "Nas fritas, esmaltes, englobes e bases serigdficas, são utilizados a Farinha de Zircônio quando o desejado for o de opacificação, visto que, dentre todas as matérias primas utilizadas no setor cerâmico, a mais importante e utilizada, para se obter o grau desejado de opacificação é a Farinha de Zircônio". Dessa forma, concluise que a empresa utiliza a farinha de zircônio como matéria prima com fins de opacificação. Intimada a contribuinte (fl. 02), ingressou a mesma com a impugnação de fls.10051042. Seguem as alegações da empresa autuada. O MPF que autorizou a fiscalização previa o prazo final para seu efetivo cumprimento no dia 05/08/2005 (fl. 82), sendo que, conforme pode ser visto a folha 73, o prazo final foi o dia 11/08/2005, com ciência da empresa no dia 17/08/2005. Não foi a empresa intimada da prorrogação do MPF. Nunca houve oposição do fisco quanto ao procedimento adotado pela empresa, sendo sempre os produtos desembaraçados. Não há de prosperar as alegações fiscais uma vez que as mesmas estão desamparadas de qualquer laudo técnico especifico para as mercadorias importadas. Há tãosomente laudo técnico relativo A DI 02/10711110, sendo que deveria haver laudos técnicos conclusivos e realizados quando do desembaraço da mercadoria em cada um dos setenta e quatro lotes importados. Defende a inaplicabilidade da taxa Selic as folhas 10151021. Incabível a multa por falta de LI, uma vez que todos os seus processos de importação se fazia regularmente presente a licença de importação. Além disso, em qualquer uma das classificações fiscais que importam a este caso, o procedimento burocrático da LI é o mesmo. É inverídica a alegação do Fisco de que a classificação constante na autuação estaria submetida ao licenciamento não automático enquanto a antiga não, e, por isso, a mercadoria não teria sido analisada pelo Decex. Ao contrário do alegado pelo Fisco, o código 2615.10.90 também está sujeito ao licenciamento não automático a cargo do CNEN, tal qual o código adotado pela fiscalização (fl. 108 e Doc. 05 da impugnação). Existindo a anuência do CNEN, independente do código de classificação, não há que se falar em multa posto que, para ambos os casos, a análise do Decex foi regularmente efetuada. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 34 4 Acosta como Doc. 06 relatório emitido pelo próprio CNEN, no qual constam todas as importações efetuadas pela empresa entre 01/2001 e 12/2003 com os respectivos números de LI. Alega que tal documento demonstra que a classificação fiscal é de responsabilidade de Comissão do CNEN. Alega ausência de máfé ou dolo, sendo que a descrição da mercadoria nunca foi suprimida ou omitida, estando presentes todos os elementos indispensáveis à sua perfeita identificação. Constatase no Doc. 08 da impugnação que as solicitações de LI ao CNEN sempre contiveram todas as informações necessárias, uma vez que a mercadoria sempre esteve descrita como "farinha de zircônio para utilização na composição de esmalte cerâmico". Farinha de zircônio nada mais é que o nome vulgar dado a "areia de zircônio micronizada", isto é, farinha de zircônio é sinônima de areia de zircônio micronizada. Solicita aplicação dos ADNs Cosit n° 10 e 12, de 1997. Alega o caráter confiscatório da multa por falta de LI. Alega o princípio da proporcionalidade. Indevida a multa proporcional ao valor aduaneiro uma vez que não houve proposital classificação fiscal errônea por parte da empresa. Solicita, preliminarmente, a invalidade/nulidade do procedimento fiscal. No mérito, solicita a desconsideração da desclassificação fiscal, declarando improcedente a autuação. Subsidiariamente, solicita o afastamento da taxa Selic, bem como da multa por falta de LI e da multa proporcional ao valor aduaneiro. As folhas 1439, o processo é encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Diligência de folha 1440 solicitava comprovação dos poderes do signatário da impugnação de folhas 10051041 e cópia autenticada do documento de nome "Solicitação de Licença de Importação para Matérias Primas e Minerais" que compõe o Doc. 08 da impugnação (fls. 10631438). A unidade de origem retorna o processo a esta unidade para julgamento, conforme despacho de folha 1476. Diligência de folha 14771478 observava erro na numeração do processo e solicitava nova intimação da empresa para regularização da impugnação. Informação de folha 1485 acerca do atendimento da exigência por parte da empresa coma apresentação as folhas 14821483 dos documentos solicitados. Despacho de folha 1486 informando a renumeração do processo. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0714.452 de fls.1.487 traz a seguinte ementa: Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 35 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOlI Período de apuração: 04/01/2001 a 30/01/2003 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL – Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, é exigível a diferença de tributos com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). FALTA DE LICENCIAMENTO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licenciamento quando o importador, além de classificar erroneamente a mercadoria, descrevea de forma inexata, impedindo a sua correta identificação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/01/2001 a 30/01/2003 QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL As normas que regulamentam o MPF dizem respeito ao controle interno das atividades do órgão arrecadador, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade dos lançamentos. Lançamento Procedente” O contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho – CARF (fls.1539 a 1571), onde alega em suma o seguinte: I – A decisão recorrida não procede; II – Preliminar de vicio formal; III – Da desclassificação fiscal indevida; IV – Da inaplicabilidade da taxa SELIC; V – Da multa do controle Administrativo – a) que a mesma não encontra suporte jurídico; b) que em momento algum a Recorrente utilizou classificação fiscal supostamente errada por máfé; c) que se quer exigir da Recorrente a multa constante do art. 526, II do Decreto 91.030/85 (antigo RA) atualmente prevista no art. 633, II, ‘a’ do Decreto 4.543/2002; d) é descabida a exigência porque o tipo normativo previsto na legislação não se realizou, ou seja, apenas por ter havido suposta constatação de equívoco na classificação fiscal do produto importado de 01/2001 a 01/2003 não pode proceder; e) que em todos os seus Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 36 6 processos de importação a licença de importação se fazia regularmente presente; f) que tanto para a classificação fiscal 26.15.1090 como para a classificação fiscal 25.30.90.20 os procedimentos burocráticos para concretização da importação são exatamente os mesmos, não se subtraindo da administração, quer numa, quer noutra, o poder de realizar sua regular tarefa fiscalizatória; g) todas as suas importações encontramse regularmente amparadas pela licença de importação – vide doc.06; h) juntou, também, Doc.8 com todos os comprovantes de Importação com os respectivos extratos da DI; i) também, destaca Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10 de 16 de janeiro de 1997 e o Ato Declaratório nº 13 de 10/09/2002 que entendeu lhe favorecer; VI – Multa de caráter confiscatório; VII – Da multa proporcional ao valor aduaneiro Não houve quaisquer traços de dolo ou má fé; VIII – Do Pedido: a.) PRELIMINARMENTE, reconhecer o vício formal pela invalidade do Mandado de Procedimento Fiscal em tela e de todos os demais atos que dele decorreram; b.) NO MÉRITO, manter a classificação adotada pela Recorrente, declarando improcedente a exigência do Imposto de Importação com respectiva multa e juros de mora, bem como a exigência da multa do controle administrativo e a multa sobre o valor aduaneiro; b.1) sucessivamente, que seja desconsiderado o laudo paradigma ao menos em relação as importações realizadas junto a outros importadores que não a empresa "Mario Pilato Brast S.A.", mantendose a classificação adotada pela recorrente em relação a estas importações, declarando improcedente a exigência do Imposto de Importação com respectiva multa e juros de mora, bem como a exigência da multa do controle administrativo e a multa sobre o valor aduaneiro; c.) caso não seja este o entendimento, possibilidade que se admite pela dialética, determinar o afastamento da taxa SELIC incidentes sobre os valores apurados a título de Imposto de Importação; d.) em remota e esdrúxula hipótese, mantendose a exigência do Imposto de Importação, então, por tudo o mais que foi exposto, que seja banida a MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO aplicada à Recorrente, incidente em 30% (trinta por cento) sobre o valor das importações, para excluila do Auto de Infração, por não restar realizada a tipificação descrita na legislação aduaneira, uma vez que todas as importações fiscalizadas estão regularmente amparadas pela respectiva Licença de Importação, e, ainda, em especial observância aos preceitos do ATO NORMATIVO COSIT n° N 12/97, por inexistir simulação ou dolo puníveis na presente ocasião, não se podendo aplicar, assim, os preceitos do art. 526, II, do antigo Regulamento Aduaneiro nem do art. 633, II, a, do atual, bem como pelo caráter eminentemente confiscatório de aludida multa; e.) de igual modo, excluir a MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO, correspondente a 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, por não proceder a desclassificação fiscal operada pelo fisco e, também, por inexistir máfé ou dolo puníveis na presente ocasião, não se podendo aplicar, assim, o art. 636, do Regulamento Aduaneiro (art. 84, MP 2.158/01). Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 37 7 Entretanto, em fls. 1589 há um despacho por conta de que a Recorrente pede parcelamento com base na Lei 11491/2009 do Imposto de Importação, passando o mesmo imposto a ser parte do Processo 10.983.720.829/201121 e consequentemente desiste parcialmente do seu Recurso Voluntário. Assim, nesse presente processo permanecem e vai a julgamento aqui no CARF apenas em relação a Multa do Controle Administrativo – falta de LI e Multa Proporcional do Valor Aduaneiro. Os autos foram encaminhados para este Conselho e distribuídos por sorteio a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos da admissibilidade. O objeto residual da lide desse presente processo de auto de infração é decorrente de classificação fiscal incorreta com exigência de multa por falta de licença de importação (LI) e multa por classificação fiscal incorreta A preliminar arguida pela Recorrente de: “reconhecer o vício formal pela invalidade do Mandado de Procedimento Fiscal em tela e de todos os demais atos que dele decorreram” deve ser superada pela desistência parcial do Recurso Voluntário decorrente do pagamento parcelado do imposto de importação com base na Lei 11.491/2009, bem como com o julgamento de mérito das multas restante no presente processo. Assim, já entrando no mérito da exigência de multa do Controle Administrativo por falta de LI, não posso deixar de considerar as razões da Recorrente, bem como os documentos juntados em sua defesa. A exigência da multa constante do artigo 526, II, do Decreto nº 91.030/85 (antigo RA) e atualmente prevista no artigo 633, II, ‘a’ do Decreto 4.543/2002, que tem o mesmo texto, não pode ser exigida da Recorrente, porque, todas as suas importações apresentam a licença de importação, conforme podemos observar dos autos, bem como os respectivos extratos das DI estão presentes. Para fortalecer minha percepção no julgamento do presente caso trago o entendimento do Conselheiro Luiz Roberto Domingo exposto no seu voto no processo nº 11.128.001763/200228 que com minhas homenagens vou aqui repetir: “Quanto à penalidade prevista pelo inciso II do artigo 526 do Decreto nº 91.030/85, temos que: Art. 526 – Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penalidades: Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 38 8 [...] II – importar mercadoria sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] A divergência entre as classificações adotadas pela Recorrente e pela Fiscalização não gera, automaticamente, a conclusão pela ausência de Licença de Importação para o trigo efetivamente importado, de modo que, estando ou não corretamente classificada, desde que corretamente descrita, a mercadoria obtém a licença para adentrar em território nacional. Desenvolvo meu raciocínio no sentido de identificar qual seria o bem jurídico protegido por esta penalidade. Não podemos pensar que a falta de Licença de Importação seja objeto dessa proteção jurídica, pois, no mais das vezes, as importações independem de licença especial – quando o licenciamento é automático não há suporte lógico (modal deôntico) que justifique a aplicação de multa por falta de licença, daí porque uma das razões da alteração da norma para substituir a licença pela GI ou documento equivalente. A licença de importação está diretamente relacionada a uma época em que o Estado era o guardião do mercado interno, de modo que a concorrência estrangeira era vista como a vilã da harmonia e do equilíbrio da economia interna. Hoje não é mais assim, na verdade, nos dias de hoje a Guia de Importação (GI) e a Declaração de Importação (DI) praticamente se fundiram no Siscomex. Se a Licença não é mais motivo de tutela jurídica, poderíamos supor que a Guia de Importação ou a correspondente Declaração de Importação seriam objeto da proteção nuclear desta norma penal? Não haverá dúvida se o caso tratar de descaminho ou contrabando. Mas se se tratar de erro de classificação fiscal, cuja desconsideração do documento de importação exsurge dessa incompatibilidade, creio que a penalidade perde o suporte fático de incidência. Ontologicamente a norma visava coibir a intenção do agente de internar mercadoria de forma clandestina, ou seja, é parte indissociável do tipo a não apresentação da GI, DI ou qualquer outro documento equivalente na internação do bem. Se formos verificar como tal norma penal tem sido aplicada cotidianamente, encontraremos dois tipos de aplicação: (i) típica, na qual é inexiste qualquer documento; e (ii) atípica, apesar de existirem os documentos exigidos na importação, há alguma divergência do objeto declarado com o objeto importado. No segundo caso, inegavelmente há documento de importação, mas essa não contém informações suficientes para amparar aquela importação específica, mas mesmo esse grupo contempla dois subgrupos: (ii.a) aquele em que se verifica uma impropriedade absoluta – é o caso da importação de plásticos que a fiscalização constata um container de lixo; e (ii.b) aquele em que se verifica uma impropriedade relativa – é o caso da importação de produtos do Capítulo 10 que, na verdade se classificam, na posição 11 da Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 39 9 NCM, por conta de uma divergência de interpretação da norma tributária de regência ou das normas de outros entes da administração pública. Nos casos em que se verifica a ocorrência do item (ii.a) – impropriedade absoluta, a aplicação da penalidade é cabível, pois o cunho da declaração foi, inclusive, com intuito de evitar a verificação do conteúdo, ou seja, dado o fato de o canal verde ser praticamente uma normalidade para alguns tipos de importações, a declaração que forneça os dados que o sistema está “acostumado” (programado) para liberação, “facilitaria” a passagem ilesa do produto (um modo de efetivar a fraude). Note que a Declaração não continha qualquer relação com o fato. Assim, a desconsideração da Declaração de Importação se dá por sua nulidade absoluta, uma vez que não serve para dar suporte àquele bem importado. Todavia, quando se verifica a ocorrência do item (ii.b) – impropriedade relativa, como é o que se observa no caso em tela, a aplicação da penalidade é duvidosa. Isso porque o objeto pretendido e declarado na importação é realmente aquele que foi trazido para o País, de modo que eventual falha, ou defeito na descrição ou na classificação, não é grave o suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Notemos que o objeto trazido e sua respectiva descrição não são incompatíveis, mas apenas divergentes; próximos, mas divergentes. Esse defeito bastante e suficiente para alterar o fato gerador de importação da mercadoria classificada na posição do Capítulo 29 para importação da mercadoria classificada na posição do Capítulo 38, não é bastante e suficiente, por outro lado, para desclassificar a declaração, pois o ato é de ajuste não de desconsideração. Notase, portanto, que a guia e a DI, ainda que com algum erro, preenchem os elementos de conexão do “fato” que impedem sua declaração de nulidade, não havendo, assim, como fundamentar a tipicidade dos fatos narrados com art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85.” Assim, como o entendimento acima cai como uma luva ao caso presente, julgo descabida a multa do Controle Administrativo – falta de LI exigida nesse processo. Com respeito a multa proporcional ao valor aduaneiro, também, remanescente nesse processo, a Recorrente alega a seu favor que a mesma multa é indevida uma vez que não houve proposital classificação fiscal errônea por parte da empresa, logo, não estando presente qualquer traço de dolo ou má fé da mesma. Quanto a descrição da mercadoria, todas as solicitações de LI ao CNEN, sempre tiveram todas as informações necessárias, uma vez que a mercadoria sempre esteve descrita como "farinha de zircônio para utilização na composição de esmalte cerâmico". Farinha de zircônio nada mais é que o nome vulgar dado a "areia de zircônio micronizada", isto é, farinha de zircônio é sinônima de areia de zircônio micronizada. Por outro lado, o voto condutor da decisão recorrida dispõe a respeito da manutenção da referida multa que: “Devido à classificação fiscal incorreta, é devida a multa do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n°215835. (...) Em todas as DIs observadas, não há a informação acerca da utilização do produto na preparação de esmaltes cerâmicos. Além disso, nas DIs cujas empresas Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 40 10 exportadoras não são a Mario Pilato as mercadorias são descritas como minério de zircônio (exemplos, folhas 113, 401, 563, 608 619, 701). Devido a omissão de tais dados, tornase inaplicável os Atos Declaratórios Normativos Cosit n° 10 e 12, ambos do ano 1997.” Contudo, norteio o meu voto no sentido do voto condutor da decisão recorrida, porque o produto não estava corretamente descrito, inclusive com todos os elementos necessários à sua identificação, pois, realmente, a classificação dada pela Recorrente como a reclassificação do fisco há discrepância, vale dizer, conforme o já relatado a posição 2615 utilizada pelo contribuinte nas DIs que foram auditadas abrange os minérios de zircónio. Ocorre que excluem desta posição a areia de zircão micronizada para ser utilizada como opacificante em esmaltagem, por ter sido submetida preparação diferente das normalmente reservadas aos minérios da indústria metalúrgica, no caso a micronização, conforme nota 2 do capítulo 26 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Neste caso, a areia de zircão micronizada classificase na posição 2530 (fl. 92). Com base em laudo técnico (fls. 94107), foi a empresa intimada a alterar a classificação fiscal da DI 02/10711110 da "farinha de zircônio GPA 25" do código2615.10.90 para 2530.90.20 com os recolhimentos devidos. A empresa concordou com o pleito fiscal e recolheu os valores devidos na intimação fiscal. Ao responder intimação, a empresa informa que até 30/01/2003, importava farinha de zircônio no código 2615.10.90 e que, a partir de então, por orientação da própria Receita Federal, passou a importar o produto no código 2530.90.20. Assim, reconheço por tudo que há nos autos que a Recorrente não teve intuito doloso ou má fé em suas importações, recolheu a insuficiência de impostos, mas não descreveu corretamente o produto, inclusive omitindo elementos necessários à sua identificação e, portanto, não aplicável os Atos Declaratórios Normativos Cosit n° 10 e 12, ambos do ano 1997, bem como o Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir apenas a multa por falta de LI. Relator Valdete Aparecida Marinheiro Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado. Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pela I. Conselheira Relatora, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que a exigência fiscal deve ser mantida in totum, inclusive a multa por falta de Licença de Importação. A razão para tanto deriva do simples fato de que a licença de importação veio a substituir a guia de importação com a implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Dessarte, em casos de classificação fiscal errônea como o caso dos autos, Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 41 11 a penalidade administrativa continua sendo aplicável, notadamente porque a recorrente também descreveu a mercadoria de forma que dificultava a correta classificação fiscal. Nesse diapasão, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2013. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10314.003876/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 29/09/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
CARÊNCIA DE PROVAS.
O lançamento originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas de ser mantido. Observa-se que duas diligências foram necessárias com o escopo de ser compreendida a peça fiscal. Na primeira, veios aos autos o laudo que serviu como prova emprestada, de outra fiscalização, e mais algumas explicações, inclusive ficando provadas autuações em duplicidade. Na segunda, as declarações de importação objeto do auto de infração vieram a lume, para permitir ao i.
relator que tivesse acesso à descrição das mercadorias importadas.
Numero da decisão: 3101-001.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 29/09/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CARÊNCIA DE PROVAS. O lançamento originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas de ser mantido. Observa-se que duas diligências foram necessárias com o escopo de ser compreendida a peça fiscal. Na primeira, veios aos autos o laudo que serviu como prova emprestada, de outra fiscalização, e mais algumas explicações, inclusive ficando provadas autuações em duplicidade. Na segunda, as declarações de importação objeto do auto de infração vieram a lume, para permitir ao i. relator que tivesse acesso à descrição das mercadorias importadas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/09/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CARÊNCIA DE PROVAS. O lançamento originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas de ser mantido. Observase que duas diligências foram necessárias com o escopo de ser compreendida a peça fiscal. Na primeira, veios aos autos o laudo que serviu como prova emprestada, de outra fiscalização, e mais algumas explicações, inclusive ficando provadas autuações em duplicidade. Na segunda, as declarações de importação objeto do auto de infração vieram a lume, para permitir ao i. relator que tivesse acesso à descrição das mercadorias importadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 26/04/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados , acrescidos de juros de mora, multa e multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 5.379.391,75, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio de Declarações de Importação relacionadas no auto de infração, produto denominado “Antraquinona ”, recebendo classificação tarifária na código NCM 2914.61.00, com incidência da alíquota de 5 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 0% para o Imposto de Produtos Industrializados; Ocorre que foi apurado que a mercadoria efetivamente importada foi “ preparação constituída de antraquinona, composto etoxilado, e composto com caráter aniônico, na forma de pó, com classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na código NCM 3824.90.90, com incidência da alíquota de 17 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 10% para o Imposto de Produtos Industrializados; Cabível a multa por importação de mercadorias ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 18/06/2004, (fls. 152frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 19/07/2004, de fls. 154 à 159, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Incabível a multa por importação de mercadorias ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente já que a Impugnante importou o produto com toda documentação necessária; Algumas Declarações de Importação foram registradas antes do dia 02/06/1999, portanto o respectivo lançamento estaria eivado pela decadência; Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.003876/200460 Acórdão n.º 310101.054 S3C1T1 Fl. 1.039 3 A autuação sofre de duplicidade em razão dos MPFs 0817800/00042/00, 0817800/00026/00 e 0817800/00034/02, conforme documentação juntada; A classificação fiscal adotada pelo impugnante é a correta, conforme parecer até técnico apresentado; A fiscalização omitiu haver antraquinona em dispersão, em pó ou outra forma quando deu tratamento similar a questão para todas as Declarações de Importação; Em julgamento análogo, a 2ª Turma da DRJ/SPOII considerou improcedente o lançamento; Os produtos importados dizem respeito a diferentes apresentações físicas, constituindose de antraquinona em dispersão em pó, e adicionada antipoeira de baixíssimo teor – 99,5% de grau de pureza – com caráter aniônico, objetivando inibir a formação de mistura explosiva de poeira de antraquinona com o ar, nos termos permissivos das Notas do Capítulo 29 da TEC; Propugna a improcedência do Auto de Infração. É o Relatório. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução No. 840, de 10/09/2008, indagando se a classificação fiscal adotada pelo impugnante, se deu nos termos permissivos das Notas do Capítulo 29 da TEC, em virtude de inibir a formação de mistura explosiva de poeira de antraquinona com o ar? Foi solicitado a juntada de cópia do LAUDO que foi objeto da DI No. 00/06556510, e que serviu como prova emprestada para a presente autuação, além de indagar se procede a alegação de que parte das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração devem ser excluídas da pretensa exigência do crédito tributário, por já serem objeto dos MPFs 0817800/00042/00, 0817800/00026/00 e 0817800/00034/02? Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 24/04/2009 (fls. 367verso), o interessado se insurgiu contra a prova emprestada, uma vez que uma única análise não pode prestar de prova para todo um universo de Declaração de Importação. Para tanto, junta ementas da jurisprudência administrativa pátria. Em nova análise, foi constatada a impossibilidade de se julgar a multa do controle administrativo, por não poder se verificar a descrição da mercadoria atribuída pelo importador. Assim, Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 novamente os autos foram baixados à autoridade preparadora, através da Resolução No. 897, de 27/07/2009 para se proceder a juntada das Declarações de Importação objeto da presente autuação. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente a impugnação, EXONERANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO e recorrendo de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa ficou assim: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 29/09/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO CONSTITUÍDA DE ANTRAQUINONA. Importação do produto Antraquinona com classificação fiscal no Código NCM 2914.61.00. A fiscalização constatou se tratar de Preparação constituída de Antraquinona, com classificação fiscal no Código NCM 3824.90.90 “Preparação constituída de Antraquinona”, por ser especialmente formulado para ser utilizado na indústria do papel, incluise na posição 3809.| Descrição do produto correta. Improcedente a multa do controle administrativo por força do ATO DECLARATÓRIO COSIT N° 12/97. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. Após intimação do contribuinte, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.003876/200460 Acórdão n.º 310101.054 S3C1T1 Fl. 1.040 5 Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O crédito tributário exonerado no julgamento de primeira instância supera o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (um milhão de reais), razão pela qual tomo conhecimento do Recurso de Ofício. A exoneração do crédito tributário, pelo órgão judicante de primeiro grau, ocorreu porque a classificação fiscal eleita pela auditoriafiscal não se afeiçoou à melhor classificação fiscal para o produto importado (que seria a mesma de uma solução de consulta exarada por SRRF), apesar de não servir também a classificação fiscal apresentada pela então impugnante. Ainda foram canceladas as multas do controle administrativo das importações e a proporcional ao valor aduaneiro. No primeiro caso, foi aplicado o AD Cosit nº 12/97; e no segundo, a causa foi o fato de auditoriafiscal ter eleito classificação fiscal errônea. Apesar de não concordar por inteiro com a fundamentação expendida no voto do i. relator da decisão recorrida, pois ao meu sentir solução de consulta só vincula a auditoria fiscal para os casos em que o importador é consulente, e ainda, o fato de a auditoriafiscal eleger classificação fiscal errônea não afasta, de plano, a multa proporcional ao valor aduaneiro, porquanto a impugnante também errou ao classificar o bem importado; penso que não se pode dar provimento ao recurso de ofício, nem parcialmente, porquanto o lançamento originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas de ser mantido. Observase que duas diligências foram necessárias com o escopo de ser compreendida a peça fiscal. Na primeira, veios aos autos o laudo que serviu como prova emprestada, de outra fiscalização, e mais algumas explicações, inclusive ficando provadas autuações em duplicidade. Na segunda, as declarações de importação objeto do auto de infração vieram a lume, para permitir ao i. relator que tivesse acesso à descrição das mercadorias importadas. O cerceamento do direito de defesa está presente desde a origem do lançamento, sem sombra de dúvida. E mesmo com toda essa boa vontade do órgão judicante de primeira instância o trabalho fiscal não se sustentou. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 2.5305204
Numero do processo: 11050.001575/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 06/01/2005 a 19/12/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PERÍCIA. INTIMAÇÃO.
A ciência do contribuinte do Pedido de Exame ao Laboratório Nacional de Análises, no qual consta expressamente o procedimento de retirada das amostras das mercadorias descritas na Declaração de Importação e a informação de que foram lacradas, com o objetivo de serem submetidas a exame, e tendo sido lavrado documento específico assinado pela fiscalização e pelo representante legal do importador, com a declaração de que a tudo assistiu e recebeu em devolução a amostra lacrada e identificada, constitui intimação que atende aos requisitos previstos no art. 18 do PAF, não cabendo a alegação de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PRODUTOS DO CAPÍTULO 29.
O produto NEOBRITE-EHS apesar de tratar-se de composto orgânico de constituição definida, não se trata de Derivado Sulfonado, Nitrado ou Nitrosado dos Hidrocarbonetos, mesmo Halogenado, trata-se de Solução Aquosa de 2-Etilhexilsulfato de Sódio, um composto orgânico de constituição química definida, Sal de um Sulfato de Alquila de Seis Carbonos (6), Sal de Éster Sulfúrico, Sal de um Ester de Ácido Inorgânico de Não Metal, não atendendo aos requisitos da Posição 2904.10.90, mas sim na Posição 2920.90.41.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 06/01/2005 a 19/12/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PERÍCIA. INTIMAÇÃO. A ciência do contribuinte do Pedido de Exame ao Laboratório Nacional de Análises, no qual consta expressamente o procedimento de retirada das amostras das mercadorias descritas na Declaração de Importação e a informação de que foram lacradas, com o objetivo de serem submetidas a exame, e tendo sido lavrado documento específico assinado pela fiscalização e pelo representante legal do importador, com a declaração de que a tudo assistiu e recebeu em devolução a amostra lacrada e identificada, constitui intimação que atende aos requisitos previstos no art. 18 do PAF, não cabendo a alegação de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PRODUTOS DO CAPÍTULO 29. O produto NEOBRITE-EHS apesar de tratar-se de composto orgânico de constituição definida, não se trata de Derivado Sulfonado, Nitrado ou Nitrosado dos Hidrocarbonetos, mesmo Halogenado, trata-se de Solução Aquosa de 2-Etilhexilsulfato de Sódio, um composto orgânico de constituição química definida, Sal de um Sulfato de Alquila de Seis Carbonos (6), Sal de Éster Sulfúrico, Sal de um Ester de Ácido Inorgânico de Não Metal, não atendendo aos requisitos da Posição 2904.10.90, mas sim na Posição 2920.90.41. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/01/2005 a 19/12/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PERÍCIA. INTIMAÇÃO. A ciência do contribuinte do Pedido de Exame ao Laboratório Nacional de Análises, no qual consta expressamente o procedimento de retirada das amostras das mercadorias descritas na Declaração de Importação e a informação de que foram lacradas, com o objetivo de serem submetidas a exame, e tendo sido lavrado documento específico assinado pela fiscalização e pelo representante legal do importador, com a declaração de que a tudo assistiu e recebeu em devolução a amostra lacrada e identificada, constitui intimação que atende aos requisitos previstos no art. 18 do PAF, não cabendo a alegação de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PRODUTOS DO CAPÍTULO 29. O produto NEOBRITEEHS apesar de tratarse de composto orgânico de constituição definida, não se trata de Derivado Sulfonado, Nitrado ou Nitrosado dos Hidrocarbonetos, mesmo Halogenado, tratase de Solução Aquosa de 2Etilhexilsulfato de Sódio, um composto orgânico de constituição química definida, Sal de um Sulfato de Alquila de Seis Carbonos (6), Sal de Éster Sulfúrico, Sal de um Ester de Ácido Inorgânico de Não Metal, não atendendo aos requisitos da Posição 2904.10.90, mas sim na Posição 2920.90.41. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 15 75 /2 00 7- 55 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ que manteve o lançamento por erro de declaração fiscal. Entendeu a fiscalização que “o contribuinte importou, através da Declaração de Importação (DI) n° 05/00193325, produto com a marca comercial Neobrite EHS, classificado no código NCM 2904.10.90. A classificação adotada pelo importador tem o seguinte texto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A DI supracitada foi parametrizada para o canal vermelho de conferência aduaneira, ensejando sua conferencia física e documental. A DI foi desembaraçada após a retirada de amostra para análise por laboratório credenciado. O Laudo de Análise n° 1415.07 de 07/06/2005, da Funcamp (cópia anexa), concluiu que o produto tem constituição química definida, mas não se trata de derivado sulfonado, nitrado ou nitrosado dos hidrocarbonetos, mesmo halogenado. Portanto o produto está incorretamente classificado e será corretamente classificado na NCM 2920.90.41 conforme exposto no item 3 deste relatório. Após o recebimento do Laudo foram identificadas outras importações com o mesmo contribuinte, exportador e mercadorias. Tratase das DI's 05/02672042, 05/03554248, 05/07598770, 05/09467657, 05/12145894, 05/12592513, 05/14053563, 06/09098645, 06/13393001, 06/15441054, que também estão sendo objeto de lançamento neste Auto de Infração.” Em Recurso Voluntário a Recorrente alega que houve cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, por não ter sido intimada da realização da perícia e que os critérios adotados para classificação fiscal do produto não são adequados para o caso. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11050.001575/200755 Acórdão n.º 3101001.456 S3C1T1 Fl. 165 3 Em que pese os argumentos tecidos pela Recorrente na sua peça recursal, entendo que o lançamento fiscal é procedente. Quanto à preliminar, verifico que a Recorrente foi intimada do pedido para realização da perícia conforme termos assinado pelo seu representante legal às fls. 88, 93 e 98. Entendo que a ciência do contribuinte do Pedido de Exame ao Laboratório Nacional de Análises, no qual consta expressamente o procedimento de retirada das amostras das mercadorias descritas na Declaração de Importação e a informação de que foram lacradas, com o objetivo de serem submetidas a exame, e tendo sido lavrado documento específico assinado pela fiscalização e pelo representante legal do importador, com a declaração de que a tudo assistiu e recebeu em devolução a amostra lacrada e identificada, constitui intimação que atende aos requisitos previstos no art. 18 do PAF. Caberia à Recorrente, a partir daquele momento, indicar assistente técnico e formular os quesitos que entendesse cabíveis com o fim de acompanhar o procedimento, e não simplesmente aguardar o resultado. Desta forma, não há que falarse em cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, uma vez que ciente do deferimento da perícia poderia exigir sua participação nos procedimentos técnicos de análise por meio de assistente técnico habilitado. Quanto à classificação fiscal, entendo que o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – SH foi criado através de trabalho conjunto, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas, Comunidade Econômica Européia e Conselho de Cooperação Aduaneira, com os objetivos de criar uma codificação internacional e uniforme (linguagem aduaneira comum) para facilitar a identificação de mercadorias na comercialização aduaneira. O SH contempla não só a tabela de mercadorias designadas, decodificadas e classificadas, mas, também, Regras Gerais de Interpretação, que traçam as diretrizes básicas para a determinação da posição fiscal do produto e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH que explicam quais produtos são açambarcados pelas seções e capítulos do Sistema, ou como uma dada informação deve ser interpretada. As Notas Explicativas constituem elemento subsidiário de interpretação do conteúdo dos textos das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do SH. A classificação adotada pelo SH divide as mercadorias por categorias, reunindoas segundo suas origens animais, vegetais, produtos derivados, produtos da indústria química, minerais, metais trabalhados, máquinas, equipamentos e mercadorias diversas. Cada categoria é reunida em uma Seção, e as espécies de cada categoria, em Capítulos. Nos Capítulos encontramos as posições e subposições de cada mercadoria, devidamente classificadas e correlacionadas com uma numeração que a identifique (codificação). Diante da diversidade de mercadorias o SH tem a pretensão de contemplálas todas em seus 96 capítulos reunidos em 21 seções. Essa divisão apesar de seguir indicadores lógicos de reunião das mercadorias segundo sua natureza, material constitutivo, tipo ou função e destinarse a facilitar a visualização do intérprete dos conjuntos que formam o sistema, tem caráter apenas indicativo, não proporcionando em si, a classificação. Isso porque, a natureza física ou funcional da coisa, por si só, não é determinante para a classificação, uma vez que o Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 SH é uma convenção e segue os critérios artificialmente “convencionados” para determinar se uma mercadoria será incluída em uma classe e não em outra. Importante esclarecer que, para quem se empenha na tarefa de classificar mercadorias do SH, pouco importa os efeitos fiscais decorrentes da fixação da classificação em determinada posição. Ocorre que não é incomum encontrarmos situações em que o contribuinte ou Fisco tentam a partir da alíquota justificar a classificação adotada. A Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, celebrado em Bruxelas, em 14/06/1983, constituise norma internacional da qual o Brasil é signatário, desde 31/10/1986, tendo ratificado sua adesão em 08/11/1988. Internamente, o Brasil promulgou a convenção em 27/12/1988, por meio do Decreto n° 97.409/1988. Desta forma, tratase de norma jurídica que passou a integral o sistema de direito positivo interno, circunstância que o caracteriza como veículo introdutor de normas jurídicas. Tal constatação repercute de maneira relevante na solução de questões relativas à classificação de mercadorias, pois, em sendo norma jurídica as regras e disposições contidas no Sistema Harmonizado vinculam a administração pública (que se submete ao princípio constitucional da legalidade). Ademias, a aplicação e interpretação de tais normas submetemse à perspectiva da lógica jurídica. É de dizerse que a classificação de mercadorias é um procedimento afeto ao operador do Direito, por mais que elementos técnicos de outras ciências sejam requisitados. Antes de enfrentarmos a classificação fiscal do produto pelas Regras Gerais de Interpretação é imprescindível atendermos a “Regra Zero” de Classificação de mercadorias, ou seja, saber o que é a mercadoria: qual a sua definição e qual a significação que contempla a palavra na representação da mercadoria? No caso em tela, para evidenciar as características extrínsecas e intrínsecas dos produtos, foi realizado Laudo de Análise (fls. 44/46) pelo qual confirmouse que o produto NEOBRITEEHS apesar de tratarse de composto orgânico de constituição definida, não se trata de Derivado Sulfonado, Nitrado ou Nitrosado dos Hidrocarbonetos, mesmo Halogenado, tratase de Solução Aquosa de 2Etilhexilsulfato de Sódio, um composto orgânico de constituição química definida, Sal de um Sulfato de Alquila de Seis Carbonos (6), Sal de Éster Sulfúrico, Sal de um Ester de Ácido Inorgânico de Não Metal, ou seja, não contem as características para classificação na posição 2904.10.90. A lide, portanto, está centrada no atendimento ou não dos requisitos da posição 2904.10.90. Como definido pela Convenção, a classificação de mercadoria se dá pela aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI, cuja Regra 1 dispõe: “Regra 1 Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes.” Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11050.001575/200755 Acórdão n.º 3101001.456 S3C1T1 Fl. 166 5 Notese que as disposições da Convenção, que fornecem elementos e requisitos para a classificação das mercadorias, estão contidas nos textos das posições, nos textos das notas de seção e nos textos das notas de capítulo. É importante ressaltar, também, que, segundo a Regra 1, as demais regras de interpretação somente podem ser aplicadas se e quando não contrariarem tais dispositivos (os textos das posições, das notas de capítulo e das notas de seção). Assim, tendo sido atendido o pressuposto de caracterização do produto, sem maiores indagações ou deduções, o intérprete deve seguir as indicações das regras gerais interpretação do sistema harmonizado, buscando, inicialmente, localizar o produto dentre aqueles de mesma categoria, assim considerados aqueles que têm a mesma matéria constitutiva, que se encontram reunidos nas seções e respectivos capítulos. Desta forma, para que o produto seja inclusído na posição 2904 é necessário que seja DERIVADOS SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS DOS HIDROCARBONETOS, MESMO HALOGENADOS, fato que não ficou comprovado pelo laudo produzido. Aliás, o laudo é expresso em dizer que não se trata de Derivado Sulfonado, Nitrado ou Nitrosado dos Hidrocarbonetos, mesmo Halogenado, tratase de Solução Aquosa de 2Etilhexilsulfato de Sódio, um composto orgânico de constituição química definida, Sal de um Sulfato de Alquila de Seis Carbonos (6), Sal de Éster Sulfúrico, Sal de um Ester de Ácido Inorgânico de Não Metal. Notese que as conclusões trazidas pelos laudos não foram contrapostas pela Recorrente por laudos divergentes, limitandose a argumentar acerca da metodologia da classificação fiscal, o que não afasta a materialidade da prova que confere aos produtos características incompatíveis com a classe definida. No caso em pauta, pelas características identificadas no produto sua classificação fiscal se desloca para a posição 29209.20 ÉSTERES DOS OUTROS ÁCIDOS INORGÂNICOS DE NÃOMETAIS (EXCETO OS ÉSTERES DE HALOGENETOS DE HIDROGÊNIO) E SEUS SAIS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. Quanto às penalidades entendo devam ser mantidas por conta do erro de classificação fiscal verificado e pela falta de pagamento dos tributos devidos no registro da DI e no desembaraço aduaneiro. Diante do exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11128.001249/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 23/04/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL – CYANOX 1790
O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadra-se na posição 2933.69.29.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%)
Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001.
MULTA PROPORCIONAL (75%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os
elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97.
MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os
elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.126
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, deu-se
provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres. Esteve presente ao julgamento o advogado Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, OAB-DF nº 11.853, representante do sujeito passivo
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL – CYANOX 1790 O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadrase na posição 2933.69.29. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%) Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001. MULTA PROPORCIONAL (75%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, deuse provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 2 2 Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres. Esteve presente ao julgamento o advogado Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, OABDF nº 11.853, representante do sujeito passivo Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Relatório Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Importação – II, acrescido de juros de mora, multa de ofício, multa de controle administrativo e multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro decorrente de erro na classificação fiscal da mercadoria amparada nas Declarações de Importação (DI’s) nºs 03/03345424, registrada em 23/04/2003 e 03/05262747, registrada em 24/06/2003, de nome comercial “Cyanox 1790” que, diante de sua descrição, foram classificadas na no código NCM n° 2933.69.99 (Outros Compostos Heterocil.1Ciclo Triazina sem condensado). A administração determinou a realização de exames laboratoriais pela FUNCAMP a partir da análise de amostras das mercadorias importadas, Laudos de Análise FUNCAMP nºs 1488.01 (23/06/2003) e 1797.01 (24/07/2003) através dos quais restou determinado que: "(...)1. Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contem um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1, 3, 5 Tris(4tButil3Hidroxi2, 6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(IH,3H,5H)Trio na, Outro Composto cuja estrutura contem Funções Oxigenadas mas não contem Cloro em ligação covalente, Composto cuja a estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio (...)" Diante das conclusões dos laudos periciais, restou determinada que a classificação fiscal das mercadorias importadas seria posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, houve a lavratura do auto de infração. A Recorrente apresentou impugnação para postular o cancelamento do auto de infração, sob os seguintes fundamentos: 1 – O laudo pericial está correto quanto à composição das mercadorias importadas, contudo, alega a Recorrente que o as posições 2933.69.1 e 29333.69.2 referemse à produtos cuja estrutura contenha ou não cloro em ligação covalente. Verificada a composição das mercadorias importadas, entende que não se enquadravam em nenhuma das duas posições, razão pela qual foram classificadas na posição 2933.69.99 – Outros; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 3 3 2 – Para a classificação fiscal das mercadorias importadas deve ser considerada a Regral Geral de Interpretação nº 3, alínea “c”; 3 – Não é devida a incidência de multa de controle administrativo já que as mercadorias importadas não exigiam, quando de sua importação, licenças de importação; 4 – Não é devida a incidência de multa de ofício de 75% porque não houve declaração inexata dos produtos importados, mas somente divergência quanto à posições tarifárias; e 5 – Ainda quanto à multa de ofício de 75%, postula seu cancelamento em decorrência da disposição do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97 sobre a exclusão de multas no caso de classificação fiscal errônea, desde que descrito corretamente o produto importado e os demais elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. A DRJSão Paulo II proferiu acórdão que julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2003 Importação do produto CYANOX 1790, produto à base de oxidante e estabilizante à base de 1,3,5TRI, recebendo classificação tarifária no código NCM 2933.69.99. Pelas regras 1ª e 6ª das Regras Gerais do Sistema Harmonizado foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 2933.69.29. O texto do código NCM 2933.69.2 é expresso ao citar cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos constantes da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A discussão travada nos presentes autos é sobre a classificação fiscal atribuída pela Recorrente na importação de mercadorias através das DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, já que estas foram classificadas na posição da NCM nº 2933.69.99, enquanto que a autoridade alfandegária entende que a posição correta é a NCM nº 2933.69.29, sujeitas ao II à alíquota de 3,5% e IPI zero. As mercadorias foram descritas nas DI’s como “Produto a base de anti oxidante e estabilizante a base de 1,3,5 TRI. Nome comercial CYANOX 1790. Embalagem: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 4 4 Tambores de 125 LBS. Estado físico: pó branco. Finalidade: Produto utilizado como anti oxidante e estabilizante na fabricação de elastano. Os laudos proferidos pela Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP – FUNCAMP determinaram que: “CONCLUSÃO. Tratase de 1,3,5Tris (41Butil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil) – 1,3,5 – Triazina2,4,6 (1H, 3H, 5H) – Triaona. RESPOSTA AOS QUESITOS 1 – Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1,3,5 Tris(4tButil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(1H,3H,5H)Triona, Outro Composto cuja estrutura contém Funções Oxigenadas mas não contém Cloro em ligação convalente, Composto cuja estrutura contém um Cloro Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio. (...) A análise para a realização da correta classificação fiscal neste caso deverá ser feita mediante interpretação das regras 1 e 6, das Regras Gerais de Interpretação, que determinam: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Ou seja, analisandose o título e o subtítulo da TEC, se verifica que as mercadorias importadas, tal como constante dos laudos periciais e admitidas pela Recorrente incluemse perfeitamente na subposição nº 2933.69.2 que cita, textualmente “Cuja estrutura contém funções oxigenadas mas não contém cloro em ligação covalente, da mesma forma como constante das análises laboratoriais. A conclusão da decisão recorrida de que as mercadoria importadas consistem em outros compostos cujas estruturas contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, classificadas na posição 2933.69.29 está correta, razão pela qual deve ser mantida, neste aspecto. Portanto, a classificação fiscal correta para as mercadorias importadas pela Recorrente (Cyanox 1790) é a posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, razão da manutenção do lançamento. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 5 5 No que tange à multa proporcional ao valor aduaneiro, deve ser mantida a cobrança já que a penalidade decorre da classificação fiscal errônea verificada nos presentes autos, nos termos do artigo 636, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.542/2002), que traduz a disposição legal da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 84: Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) Com relação à multa de controle administrativo de importações, assiste razão a Recorrente. O artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002 determina a incidência de multa de 30% nas situações em que ocorre importação de mercadorias sem licença de importação, quando obrigatória. A licença de importação não é obrigatória na importação dos produtos da Recorrente, nem na posição incorreta 2933.69.99, nem na objeto da autuação fiscal, 2933.69.29. A licença somente é obrigatória quando é exigida a vigilância de órgãos específicos de fiscalização (ANVISA – insumos farmacêuticos; DFPC – ciclometrilenotrinitramina; e MAPA – insumos agrícolas e agropecuários), o que não é o caso. Além disso, não houve alteração dos produtos constantes nas Declarações de Importação, consistindo nas mesmas mercadorias, quais sejam, Cyanox 1790. A divergência não ocorre com relação ao produto importado, mas, somente quanto à sua classificação fiscal. A exoneração da penalidade está prevista no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Neste sentido, deve ser afastada a multa de 30%. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 6 6 Com relação à incidência de multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, entendo pela reforma do acórdão recorrido também neste aspecto. É que o o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 20 de janeiro de 1997 trouxe disposição expressa acerca da desconsideração da aplicação de penalidade no caso de classificação fiscal incorreta, consoante transcrição: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso concreto, as mercadorias estão corretamente descritas nas DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, constantes todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar as multas de ofício e de controle administrativo das importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. Luiz Roberto Domingo Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11128.001986/2002-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 31/07/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto o argumento de indicação de duas posições tarifárias, em verdade, não chegou a configurar problema para uma defesa efetiva por parte da recorrente. Além disso, a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo
chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeu-se muito bem das imputações.
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto.
LUPRANATE M 20 S.
Consoante informações do laudo do LABANA, da folha de dados de
segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89.
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÕES.
GUIA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO.
PENALIDADE.
Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos
e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, “b”, do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Aplica-se a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de ser legítima a taxa SELIC a partir de 1º de abril de 1995.
Numero da decisão: 3101-000.632
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa por falta de Licença de Importação, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, relator, e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Tarásio Campelo Borges para
redigir o voto vencedor.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto o argumento de indicação de duas posições tarifárias, em verdade, não chegou a configurar problema para uma defesa efetiva por parte da recorrente. Além disso, a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeuse muito bem das imputações. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. LUPRANATE M 20 S. Consoante informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco 3824.90.89. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÕES. GUIA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Guia e licenciamento de importação, documentos nãocontemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 169, I, “b”, do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplicase a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de ser legítima a taxa SELIC a partir de 1º de abril de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa por falta de Licença de Importação, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, relator, e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Tarásio Campelo Borges para redigir o voto vencedor. Henrique Pinheiro Torres Presidente Corintho Oliveira Machado Relator Tarásio Campelo Borges Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 16/04/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação, Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de multa proporcional e multa de controle administrativo, no valor de R$74.300,59, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro,através da Declaração de Importação nº 02/0023762 9, de 10/01/2002, o produto LUPRANATE M 20S, com classificação fiscal na posição NCM 2929.10.90, sofrendo a incidência das alíquotas de Imposto de Importação 3,5% e Imposto de Produtos Industrializados 0% A Declaração de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 275 3 Importação foi parametrizada para o CANAL VERDE do Siscomex, sendo desembaraçada automaticamente; Em 11 de janeiro de 2002, foi determinado que a referida Declaração de Importação fosse submetida a conferência física, conforme o artigo 36 da Instrução Normativa No. 69/96; A mercadoria foi submetida à conferência física com solicitação de Laudo Técnico do LABANA, através do pedido de exame LAB 102/GRAUFE; Com o resultado dos laudos de assistência técnica No. 0160.01 e No. 0160.02, acompanhado do aditamento No. 0370.01, foi constatado que a mercadoria efetivamente importada se tratava de MISTURA DE REAÇÃO À BASE DE ISOCIANATOS AROMÁTICOS, contendo 4,4 – DIISOCIANATO DE DIFENILMETANO; A fiscalização transcreveu as notas do Capítulo 29 da Tarifa Externa Comum e as Normas Explicativas do Sistema Harmonizado também do Capítulo 29, para descaracterizar a classificação fiscal do produto neste capítulo; A fiscalização, apoiada no laudo de assistência técnica e na literatura técnica, decompôs as principais propriedades do produto; Utilizando a Regra Geral do Sistema Harmonizado No. 1. em consonância com as notas do Capítulo 38 da Tarifa Externa Comum, entendeuse que este capítulo é o remanescente, não sendo o produto excluído pelas notas deste capítulo; De modo complementar, ao se valer da Regra Geral do Sistema Harmonizado No 6, a fiscalização elege a posição NCM 3824 como a adequada para a classificação fiscal do produto LUPRANATE M 20S, por ser produto à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições; Por fim, a fiscalização conclui o auto de infração elegendo como classificação fiscal adequada para o produto LUPRANATE M 20S a posição NCM 3824.90.89; Também é imposta multa por importação desampara de guia de importação ou documento equivalente, capitulada no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro Decreto 91.030/85, conduta consubstanciada pela não observância do Ato Declaratório Cosit No. 12/97; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento do Imposto de Importação, Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de multa proporcional e multa de controle administrativo, no valor de R$ 74.300,59 Cientificado do auto de infração, pessoalmente,, em 23/04/2002 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, por intermédio de seus advogados (procuração fls. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 42 protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 30/04/2002, de fls. 77 à 92, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: A impugnante aponta impropriedade na formulação do auto de infração por parte da fiscalização ao eleger como classificação fiscal correta para o produto LUPRANATE M 20S duas posições distintas; O auto de infração estaria maculado pela contradição, sendo nulo por vício de forma; Parecer Técnico No. 7071 do Instituto de Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT atesta que o produto LUPRANAT M20 S, nome comercial LUPRANOL tem classificação tarifária na posição NCM 2929.10.90, correspondente a “outros isocianatos”; Invoca a Regra Geral do Sistema Harmonizado No. 3 para evidenciar que a posição mais específica deve prevalecer sobre a mais genérica; Ante o disposto no Ato Declaratório COSIT 10/97, a multa do Imposto de Importação é incabível; A multa de controle administrativo também é inoportuna pois a impugnante não importou produto diverso do declarado; A aplicação da multa do Imposto de Produtos Industrializados não encontra respaldo legal no art. 80 da Lei 4.502/64; Enquanto discutível a questão através de Processo Administrativo Fiscal, incabível a exigência de juros moratórios; Estando a mercadoria em classificação fiscal correta, incabível a imposição da multa aplicada com base no artigo 84 da Medida Provisória 2.15835: A aplicação da Taxa Selic é inconstitucional; Em consonância com o artigo 16 do Decreto 70.235/72, elabora um rol de 14 quesitos para serem respondidos por peritos; Pugna a insubsistência do Auto de Infração. Em 18 de julho de 2007, foram juntadas considerações adicionais da autuada sobre a questão. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente o lançamento, vazando a ementa nos termos que seguem: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 24/07/2001 O produto LUPRANATE M 20 S, foi importado e classificado na posição NCM 2929.10.90, tida como incorreta pela fiscalização. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 276 5 O código utilizado pela Fiscalização, ou seja, o 3824.90.89 encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 146 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação, aduz que houve cerceamento do direito de defesa (em virtude de a DRJ não acatar o pedido de perícia) e requer provimento do apelo. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 224. Posteriormente é juntada documentação e requerimento da recorrente para ser intimada em novo endereço informado à RFB, fls. 262 a 273. Relatados, passo ao voto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preambularmente, a recorrente declina seu novo endereço, fl. 228, que diz ter informado à RFB e deve ser observado para fins de intimação dos atos desse processo. Há duas preliminares ao mérito nulidade do auto de infração (por suposta indicação de duas posições tarifárias, o que haveria dificultado a boa defesa da recorrente) e nulidade da decisão a quo (em virtude de a DRJ não acatar o pedido de perícia) e vários argumentos contrários à classificação fiscal levada a efeito pelo Fisco e em face da aplicação das multas. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeiro plano, cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto a menção à posição tarifária 3824.90.32, no início do relato fiscal, tratase de erro material, como bem apontou a recorrente, em seu arrazoado, sendo que posteriormente sempre foi apontado o código 3824.90.89 como o correto, e portanto não pode prosperar neste expediente a preliminar invocada de indicação de duas posições tarifárias. Releva dizer também que a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeuse muito bem das imputações, o que prova haver compreendido perfeitamente do que está sendo acusada. O que de fato ocorreu foi um erro material, que a decisão de primeiro grau bem enfrentou: Há que se diga que, logo no começo do auto de infração, a fiscalização cita a posição NCM 3824.90.32 como sendo a classificação fiscal correta do produto LUPRANATE M 20 S. Todavia, ao longo do corpo do auto de infração, a fiscalização montou um raciocínio lógico para indicar de modo substanciado suas conclusões no sentido de que a classificação fiscal correta do produto LUPRANATE M 20 S seria a posição NCM 3824.90.89. É evidente que a citação da posição se deu por mero descuido. Todos os argumentos usados pela fiscalização no desenrolar da formulação do auto de infração apontam para a posição NCM 3824.90.89, o que de modo algum atenta contra o princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o objeto da ação fiscal entendida aqui como a linha de argumentação que levou a desclassificação fiscal do produto LUPRANATE M 20 S para a posição NCM 3824.90.89 é preciso e determinado. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, fl. 139, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 277 7 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Quanto ao mérito do contencioso, peço licença para trazer à colação excerto do acórdão nº 310100.260, desta Turma, deliberado em 19 de outubro de 2009, cuja matéria é idêntica a deste contencioso, inclusive sendo o mesmo produto importado pela mesma recorrente. Naquela oportunidade, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso somente para afastar a multa de oficio por ausência de Licença de importação: DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Quanto ao mérito, reputo da maior importância dizer que o laudo do LABANA merece toda a credibilidade neste contencioso, porquanto a amostra colhida foi, incontroversamente, do produto efetivamente importado, suas conclusões cingemse a dizer o que é e para que serve a mercadoria periciada, abstendose de classificar o produto, atribuição que não é própria do perito designado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e sim da recorrente e da auditoria fiscal. Demais disso, o documento traduzido como Folha de dados de segurança do material, fls. 35/36, nos dá informações importantes acerca da mercadoria importada, tais como os ingredientes do produto, fl. 36. E o Boletim técnico, fl. 34, apesar de não ter sido vertido para o português, é de um inglês de boa compreensão (notadamente no que tange à aplicação da mercadoria) complementa essas informações, fazendo com que tenhase um conjunto razoável de provas da constituição e aplicação do produto químico, sendo despicienda, portanto, a perícia solicitada previamente. A defesa da recorrente, quanto à classificação fiscal, em síntese, diz que o produto importado tratase de uma mistura de isômeros, e para comprovar isso traz laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, fls. 75 a 77, produzido unilateralmente, que além de concluir que o produto LUPRANAT M20S, é provavelmente uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, e ainda afirma que o produto deve ser classificado na posição 2929.10.90 da TEC. Num segundo momento, caso a classificação fiscal adotada pela recorrente não se sustente, aponta a IN SRF nº 509/2005, editada três anos após o fato gerador sub analisis, que aprovou alterações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, no que tange ao capítulo 39, introduzindo o poli(isocianato de fenil metileno) no rol das resinas amínicas: CAPÍTULO 39. Página 731. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 1). Novo terceiro parágrafo. Inserir o novo terceiro parágrafo seguinte : "O poli(isocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado "MDI em bruto" ou "MDI polimérico") apresentase na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 anilina e de formaldeído para constituir o poli(metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante prépolímero utilizado na fabricação de poliuretanos." Página 732. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 3). 1.Primeiro parágrafo. Nova última frase. Inserir a nova última frase seguinte : "Estes produtos são geralmente vendidos como um elemento de um sistema ou de sortido com vários componentes." 2.Novo segundo parágrafo. Inserir o novo segundo parágrafo seguinte : "Este grupo compreende também as misturas de poliuretano com diisocianato polifuncionais não reagido (por exemplo, o diisocianato de tolueno)." Página 733. Posição 39.11. Primeiro parágrafo. Novo item 4). Inserir o novo item 4) seguinte : "4)Os polímeros com grupos isocianatos não especificados nem compreendidos em outras posições, tais como : a)As policarbamidas à base de diisocianato de hexametileno (HDI), sintetizadas por reação do HDI com água, para produzir prépolímeros apresentando uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 3 e 4. Estes produtos entram na fabricação de tintas e de vernizes. b)Os poliisocianuratos à base de diisocianato de hexametileno (HDI), sintetizados por reação do HDI para produzir pré polímeros apresentando ligações isocianuratos entre as unidades monoméricas. Os prépolímeros têm uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 3 e 5. Estes produtos entram na fabricação de tintas e de vernizes." O item 4) atual tornase 5). (Grifouse). Com efeito, notase que a classificação fiscal do produto importado não é operação fácil de ser efetivada. A própria recorrente demonstra na sua peça recursiva que não está assim tão convicta da classificação ofertada originariamente, no capítulo 29 PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS e pelo princípio da eventualidade já acena com uma classificação fiscal no capítulo 39 PLÁSTICOS E SUAS OBRAS para elidir a classificação fiscal dada pelo Fisco, no capítulo 38 PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 278 9 De todo modo, como já assinalado no início deste item (DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL) louvome nas informações trazidas no laudo do LABANA, na Folha de dados de segurança do material e no Boletim técnico produzido pela BASF para chegar ao meu convencimento, no sentido de que, de fato, aqui se está diante de um produto à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco 3824.90.89. A decisão recorrida traz subsídios valiosos a respeito do tema: Embora a Nota 1 “b” do capítulo 29 permite que nele se classifique uma mistura de isômeros de um mesmo produto, tanto a literatura técnica quanto as informações técnicas exaradas pelo Labana analisam o produto como sendo composto de 42% de 4,4´MDI (o produto puro), 3% de isômeros de 4,4´MDI e 51,5% de produtos oligoméricos ou oligômeros. Segundo a Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1995, um oligômero é uma “molécula de um polímero que apresenta poucas unidades monoméricas (de peso molecular intermediário entre os monômeros e os polímeros)”. Portanto, os oligômeros nada mais são que polímeros de poucos monômeros, não se confundindo, pois, com isômeros, que são substâncias que têm a mesma fórmula molecular, ou seja, os mesmos átomos nas mesmas quantidades, mas estruturas diferentes (os átomos, embora sejam os mesmos em cada isômero, se estruturam de maneira diferente em cada um deles). Em suma, o produto é uma mistura de reação constituída 42% produto puro(4,4´MDI ou 4,4´Diisocianato de Difenilmetano), isômeros deste produto, na proporção 3% do composto, e 51,5% de oligômeros. Aliás, questionado sobre se o produto era de constituição química definida ou uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico, em caso idêntico Acórdão DRJ Nº 17780 de 2002, o INT simplesmente respondeu afirmando que o produto tinha a composição acima referida, omitindose de entrar no mérito da questão formulada. Considerando que a presença de isômeros do 4,4´MDI é de apenas 3%, conforme esclareceu o Relatório do INT, é inconcebível aceitar a tese do impugnante de que o produto é uma simples mistura de isômeros. Ainda que fosse alegado que a mercadoria seria uma mistura de isômeros do mesmo produto, contendo impurezas, tal tese também impossível de se sustentar, pois, a admitila como verdadeira, o produto se comporia em sua maior parte de impurezas, posto que o produto principal (4,4´ MDI) e seus isômeros somam apenas 45% do composto. Além do mais, ficou claro tanto no Relatório do INT quanto na Informação Técnica do Labana que o produto identificado pela análise como PMDI (o Diisocianato de Difenilmetano polimérico) e o MDI (o produto puro, monomérico) têm propriedades físicoquímicas e registro no C.A.S. diferentes, o que prova serem duas substâncias de natureza diversas. Em Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 outras palavras, os oligômeros identificados pela análise laboratorial, mudam a natureza físicoquímica do produto principal, razão por que não podem ser consideradas meras impurezas. Acresçase a tudo isto, o fato de que o Labana juntou laudo técnico de análise do produto puro, o 4,4´ Diisocianato de Difenilmetano, conforme fls. 37, de nome comercial LUPRANAT MS, classificável no capítulo 29, fabricado pela própria BASF, do que se depreende que o LUPRANAT MS e o LUPRANAT M20S são substâncias distintas, o primeiro, de constituição química definida e isolado e o segundo, uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. Em face das considerações acima, não encontra respaldo a tese defendida pelo impugnante de que a mercadoria importada de nome comercial LUPRANAT M20S se classifica no capítulo 29, devendo, portanto, dele ser excluído. O fato de se tratar de uma mistura de reação, ou seja, uma mistura não intencional de vários elementos resultantes da mesma operação de síntese não assegura o seu enquadramento tarifário no capítulo 29. Este admite algumas misturas que, no geral, estão definidas na sua nota nº 1, o que não é o caso da mercadoria em discussão. Notase que o atual contencioso conta com as mesmas peças que formaram naquele outro processo um conjunto razoável de provas da constituição e aplicação do produto químico, sendo despicienda, portanto, a perícia solicitada previamente: o laudo do LABANA, fls. 49/52, Folha de dados de segurança do material, fls. 54/55, e o Boletim técnico, fl. 53. Dessarte, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que não é especificado nem compreendido em posição especifica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco 3824.90.89. DA MULTA ADMINISTRATIVA Para a multa administrativa valem as mesmas observações apostas no voto do acórdão prefalado: DA MULTA ADMINISTRATIVA Quanto à multa administrativa por falta de licença de importação, notase que a recorrente não descreveu a mercadoria com todos os elementos que permitissem a perfeita identificação do produto, não sendo portanto o caso de aplicação do AD(N) COSIT nº 12/96. A recorrente apôs a seguinte descrição do produto: LUPRANAT M 20 S 4,4 DIFENILMETILDIISOCIANATO; QUALIDADE: INDUSTRIAL; ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO; FINALIDADE: UTILIZADO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA, CONSTRUÇÃO CIVIL, ETC. O laudo do LABANA assim caracterizou o produto: Mistura de reação à base de isocianatos aromáticos, contendo 4,4’ – diisocianato de difenilmetano, na forma líquida. Ainda diz que a mercadoria é utilizada principalmente na fabricação de espumas de poliuretano. Nessa moldura, ao meu sentir, a indigitada multa é exigível. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 279 11 DOS JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC Quanto aos juros de mora calculados pela taxa SELIC, estes correspondem àqueles previstos na legislação de regência. O artigo 161 do Código Tributário Nacional prevê: Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. No caso em questão, os juros foram lançados com base no disposto no artigo 61, parágrafo 3º da Lei nº 9.430/96, conforme demonstrativo anexo ao auto de infração. Assim, não houve desobediência ao CTN, pois este estabelece que os juros de mora serão cobrados à taxa de 1% ao mês no caso de a lei não estabelecer forma diferente, o que veio a ocorrer a partir de janeiro de 1995, quando a legislação que trata da matéria determinou a cobrança com base na taxa SELIC. E o Código Tributário Nacional só prevê a dispensa dos juros de mora na hipótese de pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito tributário, art. 161, § 2º: Art 161(...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por outro lado, o artigo 5º do Decretolei nº 1.736/79, é taxativo quando determina que: Art. 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Quanto à taxa SELIC, entendo aplicável a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Posto isso, REJEITO AS PRELIMINARES, e no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Corintho Oliveira Machado Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Voto Vencedor Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Redator Designado Peço vênia ao eminente relator para discordar de suas conclusões no enfrentamento da multa do controle administrativo das importações, fundamentada no artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro de 2002 [1], cuja base legal é o Decreto lei 37, de 1966, artigo 169, I, “b”, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978 [2]. A aplicação dessa penalidade está ancorada em dois motivos: a) mercadoria considerada importada sem licenciamento, em face de sua incorreta classificação, motivou a cominação de pena cujo fato típico consignado no Decretolei 37, de 1966, é falta de guia de importação ou documento equivalente; b) entende o autuante que guia e licenciamento de importação são documentos equivalentes. Logo, fazse necessário, em primeiro lugar, identificar a natureza da guia e a do licenciamento de importação. Reportandonos à segunda metade da década de 50 do século XX, é fácil constatar que a guia de importação foi instituída “para fins de levantamento da estatística de importação do comércio exterior” [3], nos termos do § 3º do artigo 38 da Lei 3.244, de 14 de agosto de 1957, regulamentado pelo Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, posteriormente revogado por Decreto de 5 de setembro de 1991. Quase quatro décadas depois da instituição daquele documento de controle estatístico, no Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, parte integrante da já citada ata final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, aprovada pelo Decreto Legislativo 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgada pelo Decreto 1.355, de 30 de dezembro de 1994, o licenciamento de importação é definido como procedimentos administrativos [...] que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão 1 RA, artigo 633: Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): [...] (II) de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: (a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e [...]. 2 Decretolei 37, de 1966 (com a redação dada pela Lei 6.562, de 1978), artigo 169: Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (I) importar mercadorias do exterior: [...] (b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] (§ 6o) Para efeito do disposto neste artigo, o valor da mercadoria será aquele obtido segundo a aplicação da legislação relativa à base de cálculo do Imposto sobre a Importação. [...]. 3 Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, artigo 1º. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/200295 Acórdão n.º 310100.632 S3C1T1 Fl. 280 13 administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. [4] [Grifei] Portanto, têm naturezas diversas a guia e o licenciamento de importação. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. No que respeita à desconformidade do disposto no artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro de 2002, com sua matriz legal (Decretolei 37, de 1966, artigo 169, I, “b”, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978), soluciono esta aparente antinomia do ordenamento jurídico pelo critério hierárquico (lex superior), “aquele, pelo qual, entre duas normas incompatíveis, prevalece a hierarquicamente superior: lex superior derrogat inferiori” [5]. Assim, entendo equivocado, no caso concreto, infligir a multa do artigo 169, I, “b”, do Decretolei 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 18 de setembro de 1978, em razão de não ser fato típico dela a importação de mercadorias ao desamparo de licenciamento de importação. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência a multa do controle administrativo de importações equivalente a 30% do valor das mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento de importação. Tarásio Campelo Borges 4 Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, artigo 1, parágrafo 1. 5 BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. Tradução: Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos. Rev. técnica: Cláudio De Cicco. Apresentação: Tercio Sampaio Ferraz Júnior. 10 ed. Brasília: UnB, 1997, p. 93. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13009.000704/94-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: MPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1993
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MANCAL, POLIA, VOLANTE, TAMPA DO MANCAL E CARCAÇA DO VOLANTE.
Os produtos polias, mancai, volante e suas partes, quando não comprovado serem destinadas principal ou exclusivamente a máquinas das posições específicas de veículos automotores terrestres e aéreos, classificam-se na genérica posição 8483, por contemplar nominalmente esses produtos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.177
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA o . ; • -":»./.: "•• - .:k." - . "" • ' •• 51 -::'- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo IV 1.3009„000704/94-61 Recurso n° 131237 Voluntário Acórdão n° 3101-00.177 — 1° Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2009 Matéria IPI/CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente THYS SEM FUNDIÇÕES LTDA. Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1993 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MANCAL, POLIA, VOLANTE, TAMPA DO MANCAL E CARCAÇA DO VOLANTE. Os produtos polias, mancai, volante e suas partes, quando não comprovado serem destinadas principal ou exclusivamente a máquinas das posições específicas de veículos automotores terrestres e aéreos, classificam-se na genérica posição 8483, por contemplar nominalmente esses produtos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Xt7e4i)in1;eiro..(Torres :- PrePresidentefHei C------------- //// ' e Luiz Roberto Liomingo - Relator EDITADO EM: 27/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tm-ásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres, Ausente justificadamente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. 1 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face da decisão proferida pela 3" Turma da DRJ — Juiz de Fora/MG, que manteve em parte o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL — Independentemente da . finalidade a que se destinam, devem os mancais, virabrequins, polias e volantes e suas partes ser classificados na posição 8483, tendo em vista o disposto na Nota 2, alínea "a", Seção XVI da TIPI, aprovada pelo Decreto n" 97.410/88 BENENEFICIO FISCAL — LEI N". 7.554/86 — As peças de ferro fundido não fazem Jus ao beneficio .fiscal instituído pela Lei 7, 557/86 Se forem efetivados os depósitos previstos no art. 2" da citada lei, deve-se apenas proceder à transferência destes para a conta da Receita da União (art.4", sç 3"), não cabendo lançamento de ofício para exigência de tais valores sob pena de duplicidade de cobrança, PEDIDO DE PERICIA. É de ser considerado como não .formulado o pedido de perícia que desatenda aos requisitos presentes no ars 16, inciso IV, do Decreto n" 70,235/72 Lançamento Procedente em Parte. A divergência da classificação fiscal está assim consignada nos autos: Descrição Classificação do Contribuinte Classificação do Fisco Tampa no Mancai 73.26 84.83 Polias, Volantes, Mancal 84.31 84.83 Carcaça do Volante 84.09 84.83 Vale ressaltar, logo de início, que anteriormente à decisão supra mencionada, outras decisões já tinham sido proferidas nos autos desse processo, tanto em Primeira como em Segunda Instância, por essa razão, e a fim de facilitar o entendimento, passo a fazer um breve relato sobre o processo ah Mino até o seu estágio atual. - A contribuinte foi autuado pela DRF — Volta Redonda —RJ, sob o fundamento de erro de classificação fiscal e uso indevido de créditos incentivados que vieram a resultar em recolhimento a menor de IPI e ensejar a aplicação de multa por parte da fiscalização. - A contribuinte impugnou ao Auto de Infração, àsfis.212/220. - A DRJ/R.J/SEPIN, em 27/08/97, ás fls. 377/382, proferiu a Decisão de na,: 040/97 julgando procedente em parte o Auto de Infração, - Contra essa Decisão Singular o autuado interpôs Recurso Voluntário protocolado ás fls, 398/399 do processo.. C ------- -- , 2 Processo n" 1.3009 000704/94-61 S3-C1TI Acórdão n 3101-00.177 Fl. 682 - Diante do Recurso interposto os autos foram remetidos para a Segunda Câmara do Segundo Conselho dos Contribuintes. Essa colenda Câmara converteu o julgamento na Diligência d.: 202-02.146, em 23/01/01, para verificar informações referentes à glosa dos créditos incentivados e a ações judiciais pendentes sobre a questão. Nessa mesma ocasião, a Câmara manifestou o entendimento de que em relação ao assunto "classificação fiscal", o julgamento caberia ao Terceiro Conselho dos Contribuintes por ser este o órgão competente para julgamento da matéria. - O processo foi encaminhado para SAFIS/DRF/VRD/RJ para cumprimento de diligência, - Após o cumprimento da diligência, com o processo devidamente instruído, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão de 202- 1.3.8.36, em 18/06/2002, ás fls. 520/529, - O acórdão proferido pela Segunda Câmara anulou o processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, tendo em vista que a decisão singular emitida pela DRJ/RJ/SEPIN foi proferida, por pessoa outra que não o Delegado da Receita Federal. por delegação de competência. - O processo então retornou à Primeira Instância, para julgamento pela DRJ — Juiz de Fora/MG, em 09/09/2002, a qual proferiu a Decisão de 3.355 em 10/04/2003, às fls. 535/545, a qual extinguiu o crédito tributário com relação à glosa de créditos incentivados, haja vista, terem os depósitos referentes a IPI terem sido convertidos em renda da União. A Ementa dessa Decisão se encontra transcrita na íntegra no início desse Relatório. - Intimada da decisão de Primeira Instância (DRJ/JFA/MG) em 12/06/03 a contribuinte interpôs, em 11/07/2003, Recurso Voluntário, o qual, será objeto de apreciação pela Câmara, cujas razões são as seguintes: a) que o auto de infração se baseia em dois pontos, quais sejam: classificação fiscal de produtos em relação ao Decreto d. 97.410/88 (TIPI) e créditos incentivados com base na Lei 7,554/86; b) que com relação à classificação fiscal houve cerceamento do direito de defesa, porque foi negado o pedido de efetivação de prova técnica, essencial para identificar o enquadramento dos produtos em questão nos códigos 7326, 8409 e 84.31; c) que os produtos foram classificados em consonância com o que dispõe a nota 2, "a" da Seção XVI da T1PI, uma vez que foram enquadrados no capítulo 84 nas posições mais específicas a esses, de acordo com sua destinação; d) verificada a correta classificação fiscal é indevida a glosa de créditos. Ao final a Recorrente reiterou o pedido de realização de prova técnica para demonstrar o efetivo enquadramento na TIPI dos produtos em questão. O Recurso foi recebido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual por sua vez, por unanimidade de votos, proferiu Acórdão de n°.: 202- 15,865 pelo qual entendeu dar provimento ao crédito incentivado e por bem não conhecer do recurso na parte de classificação fiscal para declinar a competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes em razão da matéria. É o Relatório„ Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele tomo conhecimento para analisar a classificação fiscal dos produtos. Verifica-se nos autos que discute-se a respeito da classificação fiscal adotada para os produtos relacionados às 46/75, o qual a Recorrente entende ser classificado nos códigos 7326, 8409 e 8431, enquanto que a Fiscalização entende que tais produtos devem ser classificado no código 8483. Em que pese o pedido de pericia formulado pela Recorrente, entendo que deva ser rejeitado seja por não ser é necessário para identificar as mercadorias, seja pelo não preenchimento dos requisitos do art. 16, inciso IV, do Decreto n 70235/72. A Recorrente não expôs os motivos que justificassem a necessidade da pericia, bem como não formulou os quesitos referentes aos exames desejados nem o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. De toda forma, poderia a Recorrente ter apresentado laudo pericial em sua defesa para demonstrar que classificou corretamente os produtos por ela industrializados. Corno visto a divergência de classificação se dá por conta do entendimento do contribuinte de que seus produtos são classificados nas posições 7326, 8409, 8431, ao invés da posição 8483 aplicada pelo Fisco. POSIÇÃO 8431 De acordo com a relação de faturamento de fis. 46/70, observa-se que a Recorrente classificou nesta posição os seguintes produtos: polias, mancai, volante e suas partes. A posição 8431 em que se baseou a Recorrente dispõe: 84 31 - PARTES RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS ÀS MÁQUINAS E APARELHOS DAS POSIÇÕES 84 2.5 A 84.30. 8431 10 - Das máquinas e aparelhos da posição 8425 8431 20- De máquinas ou aparelhos da posição 84.27 8431 3 - Das máquinas e aparelhos da posição 84.28.r 8431 31 — De elevadores, monta-cargas ou de escadas rolantes 8431 39 — Outras 4 Processo ri° 13009.000704/94-61 S3-C1T1 Acórdão ri ° 3101-00,177 El 683 8431.4 - Das máquinas e aparelhos das posições 84.26, 84.29 ou 84.30: 8431 41 - - Caçambas (baldes*, mesmo de mandíbulas, pás, ganchos e tenazes 8431.42 - Lâminas para "bulldozers" ou "angledozers" 8431.43 - - Partes das máquinas de sondagem ou de perfuração das subposiçõe,s 8430.41 ou 8430.49 8431.49 - - Outras Ao analisar as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e os produtos classificados pela Recorrente nesta posição conclui-se que a Recorrente deveria demonstrar que as mercadorias produzidas sob a posição 8431 eram destinadas às máquinas das posições 8425 a 8430. Isso porque os produtos polias, mancai, volante e suas partes, destinados às máquinas das posições 8425 a 8430 (84.25 - TALHAS, CADERNAIS E MOITiÕES; GUINCHOS E CABRESTANTES; MACACOS; 84.26 - CÁBREAS; GUINDASTES, INCLUÍDOS OS DE CABO; PONTES ROLANTES, PÓRTICOS DE DESCARGA OU DE MOVIMENTAÇÃO, PONTES-GUINDASTES, CARROS-PÓRTICOS E CARROS- . GUINDASTES; 84.27 -EMPILHADEIRAS; OUTROS VEÍCULOS PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGA E SEMELHANTES, EQUIPADOS COM DISPOSITIVOS DE ELEVAÇÃO; 84.28 -OUTRAS MÁQUINAS E APARELHOS DE ELEVAÇÃO, DE CARGA, DE DESCARGA OU DE MOVIMENTAÇÃO (POR EXEMPLO: ELEVADORES OU ASCENSORES, ESCADAS ROLANTES, TRANSPORTADORES, TELEFÉRICOS); 84.29 - "BULLDOZERS", "ANGLEDOZERS", NIVELADORES, RASPO- TRANSPORTADORES ("SCRAPERS"), PÁS MECÂNICAS, ESCAVADORES, CARREGADORAS E PÁS CARREGADORAS, COMPACTADORES E ROLOS OU CILINDROS COMPRESSORES, AUTOPROPULSADOS; 84.30 - OUTRAS MÁQUINAS E APARELHOS DE TERRAPLENAGEM, NIVELAMENTO, RASPAGEM, ESCAVAÇÃO, COMPACTAÇÃO, EXTRAÇÃO OU PERFURAÇÃO DA TERRA, DE MINERAIS OU MINÉRIOS; BATE-ESTACAS E ARRANCA-ESTACAS; LIMPA-NEVES (+).) somente podem ser classificados na posição 8431 pela comprovação da destinação. Se tal destinação não está evidenciada por projetos descrição em nota fiscal e outros documentos legalmente aceitos, a posição tarifária é deslocada para regra geral. A especificidade da posição depende da destinação exclusiva ou principal às maquinas ou aparelhos das posições 8425 a 8430, conforme ressalva da nota da posição 84,31. Assim a posição 84.31 contém regra de exclusão que remete produtos para posição 84,31: Excluem-se também desta posição 1) As polias, palias para cadernais e engrenagens (posição 84.83). A Posição 84,83 dispõe: 84. 83 - ÁRVORES (VEIOS) DE TRANSMISSÃO [INCLUÍDAS AS ÁRVORES DE EXCÊNTRICOS (CAMES) VIRABREOUINS (CAMBOTAS)] E MANIVELAS,. MANCAIS (CHUMACEIRAS) E "BRONZES"; ENGRENAGENS E RODAS DE FRICÇÃO; EIXOS DE ESFERAS OU DE ROLETES,-- REDUTORES, MULTIPLICADORES, CAIXAS DE TRANSMISSÃO E VARIADORES DE VELOCIDADE, INCLUÍDOS OS CONVERSORES DE TORQUE (BINÁRIOS); VOLANTES E POLIAS, 1NCLUíDAS AS POLIAS PARA CADERNAIS; EMBREAGENS E DISPOSITIVOS DE ACOPLAMENTO, INCLU1DAS AS JUNTAS DE ARTICULAÇÃO. 8483.10 - Árvores (veios) de transmissão [incluídas as árvores de excêntricos (armes) e virabrequins (cambotas)] e manivelas 8483.20 - Mancais (chumaceiras) com rolamentos incorporados 8483 30 - Mancais (chumaceiras) sem rolamentos; "bronzes" 8483.40 - Engrenagens e rodas de fricção, exceto rodas dentadas simples e outros órgãos elementares de transmissão apresentados separadamente; eixos de esferas ou de mictes; caixas de transmissão, redutores, multiplicadores e variadores de velocidade, incluídos os conversores de torque (binários) 8483. 50 - Volantes e polias, incluídas as polias para cadernais 8483,60 - Embreagens e dispositivos de acoplamento, incluídas as juntas de articulação 848.3 90 - Rodas dentadas e outros órgãos elementares de transmissão apresentados separadamente; partes Cumpre ressaltar que a posição 84,83 contem nota de exclusão com a seguinte redação: Excluem-se desta posição: a) Os esboços de forja, em bruto, de virabrequins (cambotas), de árvores (veios) de transmissão, etc., da posição 72.07 b) Os órgãos de transmissão da natureza dos acima descritos (caixa de transmissão, árvores (veios) de transmissão, embreagens, diferenciais, etc ), com exceção dos órgãos que .façain parte intrínseca de motores- guando são reconhecíveis como destinados exclusiva ou principalmente aos veículos terrestres ou aéreos (Seção XVII). Por esta razão, um virabrequim (cambota) ou uma árvore de excêntricos (carnes) permanecem classificados aqui, mesmo se especialmente concebidos para um Inotor de automóvel; todavia, as árvores (veios) de transmissão, as caixas de transmissão e os diferenciais para veículos automóveis, classificam-se na posição 87.08. //f 6 Processo n' 13009 000704/94-61 S3-C1 TI Acórdão n ° 3101-00,177 Fl 684 Os órgãos de transmissão da natureza dos descritos na presente posição permanecem aqui classificados mesmo que sejam especialmente concebidos para navios. c) As peças para aparelhos de relojoaria (posição 91.14) A questão da destinação evidenciada na nota de exclusão acima demonstra que os virabrequim parte intrínseca de motores permanece na posição 84.31, mas os demais órgãos de transmissão – quando são reconhecíveis como destinados exclusiva ou principalmente aos veículos terrestres ou aéreos são classificados em posições específicas. Portanto, conclui-se que a classificação realizada pela Fiscalização na posição 84,83 é a correta para os produtos polias, manca!, volante. POSIÇÃO 7326 No que se refere à classificação defendida pela Recorrente ao produto denominado "tampa do mancai – FA 13488", conclui-se que como exposto acima, o Contribuinte deixou de trazer aos autos provas contundentes que demonstrasse que o produto fabricado classificasse especificamente nesta posição, nos termos da NESH. A posição adotada pela Recorrente é a 7326 para tampa do mancai: 73,26 - OUTRAS OBRAS DE FERRO OU AÇO (+). 73261 - Simplesmente forjadas ou estampadas: 7326 11 — Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 7326 19 — Outras 7326 20 - Obras de fios de ferro ou aço 7326 90 - Outras A NESH indica que "Classificam-se nesta posição as obras de ferro ou aço, obtidas por trabalho de forja ou estampagem, corte ou embutidura ou por outros trabalhos tais como dobragem, reunião, soldadura, trabalho de tomo, brocagem ou perfuração, não especificadas quer nas posições precedentes do presente Capítulo, quer na Nota 1 da Seção XV, quer nos Capítulos 82 ou 83, quer ainda em qualquer outra parte da Nomenclatura," Ou seja, havendo posição mas específica não será a mercadoria classificada aqui. Nas regras de exclusão a posição 7.3.26 dispõe em nota: A presente posição não inclui as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras ,forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar mas que apresentem as características essenciais de artefatos acabados. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, a NESH é clara ao trazer que não se classifica na posição 7326 "as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por ------- 7 exemplo), nem as obras forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar, mas que apresentem as características essenciais de artefatos acabados". Assim, a tampa do mancai por ser parte do mancai cumpre a regra das partes (nota da posição 8483): PARTES Ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção), também se incluem aqui as partes dos artefatos da presente posição. E nota da Seção XVI, sobre partes: H.- PARTES (Nota 2 da Seção) De um modo geral, ressalvadas as exclusões compreendidas no número I, acima, as partes reconhecíveis como e.wlusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou para várias máquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (Mesmo nas posições 84.79 ou 85. 43) classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluem-se, todavia, em posições próprias diferentes das das máquinas.' Portanto, conclui-se que está correta a classificação dada pela Fiscalização na posição 8483 para tampa de mancai cuja destinação não esteja evidenciada, POSIÇÃO 8409 Por último, temos a classificação adotada pela Recorrente na posição 8409 pata o produto denominado "carcaça de volante", sob o argumento que tal produto destina-se para motores de pistão, de ignição por centelha ou de ignição por compressão. Em que pese os argumentos tecidos pela Recorrente, novamente não houve prova que demonstrasse que o produto classificado nesta posição se destina à motores de pistão, de ignição por centelha ou de ignição por compressão. Ao contrário do alegado pela Recorrente as notas explicativas da posição 8409 é categórica ao afirma que exclui da referida posição os virabrequins (cambotas), árvores de excêntricos (carnes) e as caixas de transmissão, devendo ser classificados na posição 8483, posição esta adotada pela fiscalização: Excluem-se desta posição: a) As bombas injetoras (posição 84.1.3). b) Os virabrequins (cambotas) e árvores de excêntricos (carnes) (posição 84.83); as caixas de transmissão (posição 84.83). c) Os aparelhos e dispositivos elétricos de ignição ou arranque, incluídas as velas de ignição ou de aquecimento, (posição 85.11). i7 8 .--'.. ---) ,-......-......... Processo n' 1.3009 000704/94-61 S3-C1T1 Acórdão n 3101-00.177 11 685 Frisa-se que o próprio Recorrente afirma que os produtos fabricados destinam-se a caixa de transmissão (8483), logo os produtos classificados nesta posição possuem destinação excluída da posição 8409. Portanto, corno exposto nos itens anteriores, caberia ao Contribuinte demonstrar a destinação dos produtos classificados, mas não trouxe aos autos qualquer prova que demonstrasse a destinação dos produtos alienados, devendo ser aplicado desta forma, a classificação genérica aos produtos classificados nesta posição, para ser mantidos a classificação realizada pelo Fisco na posição 8481 Diante do exposto (5. PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. C12\--» Luiz Roberto Domingo 9
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