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Numero do processo: 13888.914725/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. Designado para o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
(assinado digitalmente)
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - REDATORA DESIGNADA.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. Designado para o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA– PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. (assinado digitalmente) TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO REDATORA DESIGNADA. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 14 72 5/ 20 11 -5 1 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13888.914725/201151 Resolução nº 3201001.265 S3C2T1 Fl. 141 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 43 em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 34, que indeferiu a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 e manteve o Pedido de Restituição indeferido, nos mesmos moldes do Despacho Decisório de fls. 27. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, de fls. 23/25, no valor de R$ R$ 5.544,62, do período de Novembro de 2000. A DRF de Piracicaba (SP), por meio do despacho decisório de fl. 27, indeferiu a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/8, na qual explicou que o indébito decorre da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, julgada inconstitucional pelo STF no RE 346.084. Alegou que o Conselho de Contribuintes já se pronunciou, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. Assim, requereu o deferimento de seu pedido de restituição." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/SP foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13888.914725/201151 Resolução nº 3201001.265 S3C2T1 Fl. 142 3 Os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Vencido. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, ainda que pelas conclusões, é possível manter a decisão de primeira instância sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte. Diante do exposto, entendo como desnecessária a diligência. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor. Redatora Designada Tatiana Josefovicz Belisário Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, originado de pagamento indevido ou a maior Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13888.914725/201151 Resolução nº 3201001.265 S3C2T1 Fl. 143 4 Em despacho decisório eletrônico, foi indeferida a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que o crédito decorre do recolhimento indevido da contribuição sobre parcelas que não integram o faturamento, nos termos da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foi anexada à Impugnação documentação comprobatória da existência do crédito. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse", o que não teria logrado comprovar a Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, ressalta que foram anexados diversos documentos à Manifestação de Inconformidade e requer a juntada e exame das cópias dos DARFs, Pedido de Restituição e Livro Razão Geral. Além disso, apresenta planilha demonstrativa do crédito postulado. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13888.914725/201151 Resolução nº 3201001.265 S3C2T1 Fl. 144 5 Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904634/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.523
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 34 /2 01 6- 51 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904634/201651 Acórdão n.º 3201003.523 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.500, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904634/201651 Acórdão n.º 3201003.523 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917571/2011-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 71 /2 01 1- 44 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10480.917571/201144 Acórdão n.º 3201003.589 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.480, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10480.917571/201144 Acórdão n.º 3201003.589 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10480.917571/201144 Acórdão n.º 3201003.589 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903903/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.237
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que a decisão expressa no despacho combatido era simplória e que o fundamento de ausência de crédito disponível para restituição não se sustentava, pois ele não era sequer contribuinte da Cofins. Alegou o então Manifestante ser ele uma sociedade cooperativa que não praticava atos “não cooperados”, tratandose sua atividade de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados (ato entre cooperativa e cooperado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 03 90 3/ 20 12 -7 7 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10830.903903/201277 Resolução nº 3201001.237 S3C2T1 Fl. 169 2 Ressaltou, ainda, quanto à declaração de débito da Cofins em DCTF ao qual o pagamento indicado como origem do crédito encontravase alocado , que, como esperava resposta do Pedido de Restituição, não retificara a DCTF e que, ultrapassados os cinco anos da data de sua entrega, viuse impossibilitado de fazêlo. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na inexistência do crédito, tendo em vista que o recolhimento alegado como sua origem encontravase integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. Ainda segundo o órgão julgador de primeira instância, a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, tendo sido revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.8586, de 1999, passando as cooperativas, a partir de então, a apurar a base de cálculo da contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas, com as exclusões específicas contidas na referida MP. Cientificado da decisão, o contribuinte pleiteou o provimento do Recurso Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte: a) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins; b) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas e os artigos 3°, 4º e 5º da Lei n° 5.764/1971 trazem, respectivamente, a definição de sociedade cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; c) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n° 5764/1971; d) no caso em apreço, há o exercício de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos cooperados todos os valores nela ingressados, valores esses destinados à contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, todos eles diretamente ligados à sua atividade. Por fim, o contribuinte pleiteou a análise pelo órgão recursal dos Balancetes do período e do Parecer elaborado pela empresa de auditoria SGC Auditores Independentes, trazidos aos autos juntamente com o Recurso Voluntário, que, segundo ele, comprovam que os valores dos ingressos se referem a contribuições dos cooperados (ato cooperativo), constituindose prova cabal do erro no preenchimento da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10830.903903/201277 Resolução nº 3201001.237 S3C2T1 Fl. 170 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.236, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903904/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.236): Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.903903/201277 Resolução nº 3201001.237 S3C2T1 Fl. 171 4 Os fatos que ensejaram a conversão em diligência do julgamento do processo paradigma também se encontram presentes nestes autos, justificando, por conseguinte, a aplicação da mesma decisão a este processo. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado e se ele é suficiente para a extinção do débito existente, tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que tome conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.918854/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/11/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/11/2012 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 54 /2 01 6- 61 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918854/201661 Acórdão n.º 3201003.535 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.676, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918854/201661 Acórdão n.º 3201003.535 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.007285/2001-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992
FINSOCIAL. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, de modo que devem ser aplicadas as regras de decadência previstas no Código Tributário Nacional - CTN
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, de modo que devem ser aplicadas as regras de decadência previstas no Código Tributário Nacional CTN Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 72 85 /2 00 1- 81 Fl. 209DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo relatório da decisão de primeira instância: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 10 a 15, lavrado pela DEINF/Rio de Janeiro em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 107.385,43, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 01/1992 a 03/1992, e aos juros de mora calculados até 31/05/2001. 2. A autoridade fiscal informa, à fl. 11 que o valor do crédito tributário foi apurado com base nos valores fornecidos pela sociedade e identificados com os valores informados na declaração de imposto de renda pessoa jurídica, anobase 1992. 2.1 O crédito tributário apurado foi constituído através do presente Auto de Infração, com sua exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n° 91.01193350 em trâmite na 14a Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ. 3. Os dispositivos legais infringidos foram descritos à f1.11 do auto de infração: Art. 1°, § 1°, do DecretoLei n° 1.940/82; arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do Finsocial, aprovado pelo Decreto n° 92.698/86. No que se refere ao juros de mora, os dispositivos legais aplicados constam da folha 14. 4. Cientificada em 25/06/2001 (fl. 15), a interessada, inconformada, apresentou, em 25/07/2001, a impugnação de fls. 22/33, na qual: 4.1 Preliminarmente alega que: 4.1.1 A impugnação é tempestiva, com base no disposto no artigo 15 do Decreto n° 70.235/72; 4.1.2 Decorreu o prazo de decadência para o fisco proceder ao lançamento em face do disposto no art. 173 do Código Tributário; 4.2 No mérito alega que: 4.2.1 Não cabe a incidência de juros de mora sobre o montante devido, uma vez que a exigibilidade do crédito encontrase suspensa, em vista do depósito da montante integral efetuado nos autos da Medida Cautelar n° 91.1193350, tendo sido levantados apenas 75% do montante depositado, permanecendo o valor bastante para o pagamento do Finsocial à alíquota de 0,5%; e 4.2.2 A partir do momento em que foi efetivado o depósito judicial, fica obstada a incidência dos juros de mora, sendo a remuneração do valor depositado paga pela instituição financeira depositária e não pelo impugnante. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10768.007285/200181 Acórdão n.º 3201003.754 S3C2T1 Fl. 3 3 A DRJ/Rio de Janeiro/RJ – 4ª Turma, por meio do Acórdão 11.778, de 10/03/2006, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: Ementa: FINSOCIAL. DECADÊNCIA. O prazo para constituição de crédito referente à Contribuição para o Finsocial é de dez anos, contados da data fixada para o seu recolhimento. JUROS MORATÓRIOS — INCLUSÃO EM AUTO DE INFRAÇÃO — LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA É cabível a inclusão dos juros moratórios no auto de infração, ressalvandose que a eventual conversão em renda da União Federal de depósito judicial extingue o crédito tributário lançado, tomandose como data limite para a apuração dos acréscimos moratórios a data da efetivação do depósito. O Recurso Voluntário reiterou os argumentos da Impugnação. O julgamento do processo no Carf foi convertido em diligência, por meio do Acórdão 320100.020, de 26/03/2009, para que a Receita Federal informasse a data de ciência da decisão recorrida, porque o Aviso de Recebimento AR constante dos autos fora dirigido a outro contribuinte. A Resolução determina ainda que as partes sejam intimadas para manifestação. À fl. 197 a Derat/RJ informa que o AR foi extraviado. As partes não foram intimadas. À fl. 207 consta Despacho de Saneamento, subscrito pelo Presidente da 3ª Seção, Rodrigo da Costa Pôssas, para que se dispende a intimação do contribuinte, porque, não conseguindo a administração provar a data de ciência, resta considerar o Recurso Voluntário como tempestivo, sem necessidade de intimação do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. Em vista do que foi relatado, considero o recurso tempestivo. Não havendo outros óbices, deve ser conhecido. A Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que estabeleciam a decadência em 10 anos, para contribuções sociais tais como o Finsocial. Resulta, desse modo, que o prazo decadencial é aquele previsto no Código Tributário Nacional. O art. 150, §4º, prevê o prazo de 5 anos contados do fato gerador, Fl. 211DF CARF MF 4 enquanto o art. 173, I, estabelece o prazo de 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O Superior Tribunal de Justiça, no Resp 973.733/SC, sob o regime dos recursos repetitivos, decidiu que “o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Tal decisão é vinculante para as Turmas do Carf, consoante art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. O lançamento foi cientificado ao contribuinte em 23/06/2001 (fl. 13), para fatos geradores do ano de 1992. Decorridos mais de nove anos dos fatos geradores, estava decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. Prejudicada a questão da incidência de juros de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.900254/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário de fls 192 em face do Acórdão de primeira instância proferido pela DRJ/DF de fls. 95, que negou provimento para a Manifestação de Inconformidade de fls. 9, mantendo o Despacho Decisório de fls 7 e, conseqüentemente, restou não homologado o crédito de Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .9 00 25 4/ 20 09 -1 1 Fl. 575DF CARF MF Processo nº 13116.900254/200911 Resolução nº 3201001.313 S3C2T1 Fl. 576 2 Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: Esta decisão de primeira instância proferida pela DRJ/DF foi publicada com a seguinte Ementa: Em resumo, o Recurso Voluntário reforçou as argumentações da impugnação e solicitou o reconhecimento da sua condição de cooperada e a não incidência dos Cofins em atos cooperados. Em fls. 108, esta Turma de julgamento proferiu Resolução nos seguintes moldes: Em fls 555 foi juntado o relatório fiscal e em fls. 563 a Manifestação do contribuinte, a primeira negando o direito ao crédito e a segunda reforçando a não incidência da Cofins em atos cooperados. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13116.900254/200911 Resolução nº 3201001.313 S3C2T1 Fl. 577 3 O processo digitalizado foi distribuído, encaminhado a este Conselheiro e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os tempestivos Recursos Voluntários devem ser conhecidos. Como se sabe, ao julgar o Recurso Extraordinário n.º 357.950, em 9/11/2005 (DJU de 15/8/2006), o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, de modo que as contribuições lançadas não incidem sobre as receitas financeiras e os juros recebidos pela Recorrente, assim como sobre qualquer outra receita que não decorra da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. A não incidência sobre a receita decorrente de atos cooperativos é tema que, depois de algumas discordâncias, parece estar superado. Com efeito, à luz do art. 791 da Lei nº 5.764, de 1971, diploma legal que disciplina as sociedades cooperativas, os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, sendo que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Assim sendo, os chamados atos cooperativos não podem ser tributados pelo PIS/Cofins. Esse é o entendimento atual no Superior Tribunal de Justiça: "DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA. A contribuição ao PIS e à Cofins incide sobre os atos praticados por cooperativa com terceiros. As receitas resultantes da prática de atos cooperativos que são aqueles que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas (art. 79 da Lei n. 5.764/1971) estão isentas do pagamento de tributos, inclusive de contribuições de 1 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 13116.900254/200911 Resolução nº 3201001.313 S3C2T1 Fl. 578 4 natureza previdenciária. Por outro lado, estão submetidas à tributação aquelas decorrentes da prática de atos da cooperativa com não associados. Assim, não se pode concluir que esteja vedada a tributação de toda e qualquer operação praticada pelas cooperativas. O fato de o art. 146, III, c, da CF prever o adequado tratamento tributário do ato cooperativo não significa isenção ou imunidade tributária ampla e irrestrita às cooperativas, com a desoneração do recolhimento de contribuições previdenciárias. Até porque, segundo os princípios da universalidade e da solidariedade social, em que se fundamentam os arts. 194 e 195 da CF, a expansão e manutenção do sistema de seguridade social serão financiadas por toda a sociedade, direta ou indiretamente. Precedentes citados: REsp 1.192.187SP, DJe 17/8/2010, e AgRg no REsp 911.778RN, DJe 24/4/2008. (AgRg no AREsp 170.608MG, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 9/10/2012.)" A propósito, o mesmo Tribunal já havia estabelecido que, não implicando o ato cooperativo operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, a revogação do inciso I do art. 6° da Lei Complementar n.º 70, de 1991, em nada alterou a não incidência da Pis/Cofins sobre os atos cooperativos. Portanto, o parágrafo único do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, não se encontra revogado, inexistindo, assim, qualquer antinomia de ordem legal. 2 O mesmo entendimento vem sendo reproduzido neste Colegiado Administrativo, conforme pode ser verificado nos seguintes precedentes: Acórdão nº 3302000.489, Acórdão nº 3801003.009. No Judiciário, o entendimento foi tomado de forma unânime nos julgamentos dos Recursos Especiais1.164.716 e 1.141.667. As ações foram analisadas sob o rito dos recursos repetitivos, o que significa que o resultado deverá ser aplicado pelas instâncias inferiores em casos idênticos. Diante do exposto, com fundamento na legislação e jurisprudência acima exposta, ficou evidente o direito do contribuinte ao não recolhimento da Cofins nas operações e, diante de tal verdade material que toma corpo na solução desta lide administrativa fiscal, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: A autoridade de origem analise as notas fiscais juntadas e demais elementos constantes nos autos e apresente seu parecer técnico a respeito: do enquadramento ou não nas atividades de cooperados que, em tese, não devem sofrer a incidência da Cofins; se era cooperado da Cooperativa Agroindustrial de Rubiataba Ltda; se a totalidade de sua produção foi encaminhada à Cooperativa; se não houve outras receitas sujeitas à incidência do tributo. Em seguida o contribuinte deve ser intimado do resultado do relatório fiscal para apresentar sua manifestação; Resolução proferida. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. 2 REsp 543.828MG, DJ 25/2/2004; AgRg no REsp 385.416MG, DJ 4/11/2002; AgRg no REsp 433.341MG, DJ 2/12/2002; AgRg no REsp 422.741MG, DJ 9/9/2002, e AgRg no REsp 429.610MG, DJ 29/9/2003. (REsp 616.219MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/10/2004). Fl. 578DF CARF MF Processo nº 13116.900254/200911 Resolução nº 3201001.313 S3C2T1 Fl. 579 5 Fl. 579DF CARF MF
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Numero do processo: 11968.000316/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/03/2000, 08/05/2000
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. PROVA.
A restituição de pagamento alegadamente indevido deve ser acompanhada dos respectivos elementos de prova. As meras alegações, ainda que verossímeis, são têm o condão de formalizar prova suficiente para a restituição de tributos.
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova pertence a quem alega, mormente quando as alegações vêm desprovidas dos requisitos elementares de registro obrigatório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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PAGAMENTO INDEVIDO. PROVA. A restituição de pagamento alegadamente indevido deve ser acompanhada dos respectivos elementos de prova. As meras alegações, ainda que verossímeis, são têm o condão de formalizar prova suficiente para a restituição de tributos. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova pertence a quem alega, mormente quando as alegações vêm desprovidas dos requisitos elementares de registro obrigatório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 03 16 /2 00 5- 11 Fl. 499DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório da Resolução 3201000.671: Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de pedido de restituição de R$ 136.829,99 e de R$ 98.826,03, recolhidos a título, respectivamente, de II e de IPI, quando do registro das Declarações de Importação n° 00/03285736, 00/04034044 e 00/04034206, registradas em 13/04/00 e 08/05/00. O Parecer 009/2005, de 19/07/05 de fls. 98/103, que fundamentou o indeferimento da solicitação aduz, em resumo, que a Constituição Federal somente veda a instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços de templos de qualquer culto, tais como o Imposto de Renda sobre as quantias doadas a título de dízimo e o IPTU relativo ao imóvel em que se realize o culto. A imunidade não se refere ao II e IPI, previstos no art. 153 da CF/88; a hipótese de que a importação de bens, em vindo a incorporarse ao patrimônio da entidade religiosa, também estaria alcançada pela vedação constitucional, é refutada pela interpretação do art. 150, VI, da CF/88 c/c art. 2°, da Lei n° 8.032, de 12/04/90, pois não haveria necessidade de urna lei posterior vir a conceder isenção e redução de impostos incidentes sobre a importação se esses tributos já estivessem contemplados na imunidade do dispositivo constitucional; também não há previsão legal de isenção ou redução para os impostos incidentes sobre as operações de importação de templos de qualquer culto, pois estes não estão elencados nas alíneas "a" a "f', do art. 2°, da Lei n° 8.032/90; de qualquer forma, ainda que se admitisse que a previsão constitucional do art. 150, VI, "b", c/c o seu § 40 também alcançasse os impostos incidentes sobre a importação, temse que, pela natureza das mercadorias não se vislumbra, em nenhuma delas, correlação intrínseca com a prática religiosa (grande quantidade de armários, fechaduras, chaves, espelhos, papéis de parede, carpetes, mantas, chaveiros, mesas, jarras, cadeiras, sofás, berço, quadros, lâmpadas, produtos de limpeza, secadora, livros, etc.); o paralelo que a requerente tenta traçar entre as mercadorias objeto da solução de consulta n° 254, de 06/09104 e as que são objeto do presente processo não é coerente, vez que a natureza de tais mercadorias é distinta. Naquela solução de consulta as mercadorias têm realmente significado religioso (pia batismal, objetos artesanais, objetos de decoração com significado religioso e demais artigos religiosos sem similares nacionais), enquanto estas não têm o mesmo cunho e não se observa sua vinculação Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11968.000316/200511 Acórdão n.º 3201003.751 S3C2T1 Fl. 3 3 com as finalidades essenciais da entidade religiosa; assim, temse por descartada a relação dos bens importados objeto do presente processo com as finalidades essenciais da interessada. Ocorre que a CF/88 é bastante clara ao dispor sobre a imunidade reconhecida a templos religiosos, esta que somente é prevista quando se tratar de patrimônio, renda e serviços relacionados diretamente com as suas finalidades essenciais, conforme preceitua em seu art. 150, inc.VI, alínea 'Tf e § 4°. Cientificado da decisão da Administração em 21/07/05, o interessado apresentou, em 19/08/05, a manifestação de inconformidade de fls. 106/120, onde argumenta basicamente que: A premissa da autoridade fiscal de que a imunidade se aplicaria unicamente ao Imposto de Renda (IR) e ao IPTU é equivocada. Se a Manifestante — Igreja é entidade sem fins lucrativos, não existe naturalmente renda a tributar. Por conseguinte, a mera • imunidade do IR não lhe aproveitaria. A premissa adotada levaria à insustentável conclusão que a imunidade constitucional não se aplicaria a nenhuma exação de competência da União, somente ao IPTU, de competência Municipal; de acordo com o art. 150, inc. VI, alínea b), § 4°, da CF/88, a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal não podem exigir dos templos de qualquer culto qualquer espécie de imposto que onere o patrimônio, a renda e os serviços com suas finalidades essenciais; tanto a intenção do legislador constituinte originário ("meus legislatori"), a quanto o objetivo da própria Constituição ("mens legis") foi um só: assegurar que os impostos, em razão de seus efeitos econômicos, não desfalquem o patrimônio, nem diminuam a eficácia de seus serviços ou a integral aplicação das rendas da entidade imune; com relação ao argumento de que a Lei n° 8.032/90 — cuja redação, digase de passagem, não obedeceu a melhor técnica legislativa — teria excluído as entidades religiosas do beneficio da imunidade, duas interpretações são possíveis, quais sejam: (a) ou a referida Lei pretendeu isentar as pessoas físicas e jurídicas nela mencionadas do II e, neste caso, ela "choveu no molhado" com relação às alíneas "a" e "h" do inc. I do art. 2°, pois a Carta Magna já prevê a imunidade tributária para elas; ou então (b) essa Lei quis revogar II direito constitucionalmente assegurado às entidades religiosas, sendo ela neste caso inequivocamente inconstitucional; a CF ao dispor sobre atividade essencial não outorgou competência às autoridades fazendárias para avaliar o significado religioso dos itens que uma Igreja adquire. Se o item adquirido foi utilizado na edificação do templo, o seu significado religioso é intrínseco, há de prevalecer a sua finalidade essencial, que não pode ser refutado por Fl. 501DF CARF MF 4 representante do Estado desconhecedor dos dogmas, práticas e simbolismos religiosos. A imunidade não se restringe apenas a determinados itens, mas se estende também aos demais que guarnecem o templo, em especial os itens decorativos como os que foram citados pela autoridade, em razão de seu espirito de adoração e simbolismos; os bens importados estão sendo utilizados no fiel cumprimento dos objetivos estatutários da organização. Da análise das opiniões de renomados tributaristas, constatase que o objetivo precipuo do § 4°, do art. 150 da CF, em linhas gerais, é vedar que as entidades imunes utilizemse de sua imunidade para fomentar a concorrência desleal; a Manifestante, em estrita observância ao seu Estatuto Social, constrói e mantém Templos, e, para construir esses Templos deve seguir rigorosamente os padrões estabelecidos pela sede da Igreja. No caso do templo de Recife, necessitou ela importar diversos bens, objeto do presente pedido de restituição, os quais foram efetivamente utilizados na sua construção e decoração e nele permanecem até hoje, conforme se poderá verificar, se necessário, por meio de diligência fiscal ao local, fazendo jus, portanto, à imunidade tributária. Diferentemente seria se ela importasse enorme quantidade de sofás, papel de parede, espelhos, quadros, carpetes e mesas e os colocasse a venda para terceiros a preços competitivos com o mercado moveleiro ou de decoração, ocasionando concorrência desleal; desconhece a manifestante qualquer demonstração mais robusta de utilização de recursos para finalidade essencial de sua constituição do que construir templos, razão pela qual a imunidade tributária deve ser reconhecida e a decisão proferida reformada. Registre se que ao longo de sua explanação, a manifestante citou respeitáveis decisões proferidas no âmbito judicial e administrativo e opiniões de renomados doutrinadores, no intuito de reforçar os argumentos apresentados. Em 23/08/05, o interessado compareceu aos autos para requerer a juntada da decisão proferida em 15/08/05 pelo Inspetor do Aeroporto Internacional do Recife — Guararapes, que, no processo administrativo n° 11808.000133/200520, deferiu integralmente o pedido de restituição de II e IPI recolhidos nas 10 DI elencadas na fl. 127, registradas no âmbito daquela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 125/131). Em 25/03/09, invocando, principalmente, as disposições do art. 5º, inc. LXXVIII, da CF/88, e o art. 49, da Lei n° 9.784/99, a associação compareceu novamente aos autos para requerer a adoção das medidas cabíveis no sentido de que o presente processo tenha seu andamento pautado pela observância do princípio constitucional da celeridade e das normas legais citadas, anexando no mesmo momento várias decisões a seu favor proferidas em outubro de 2008 Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11968.000316/200511 Acórdão n.º 3201003.751 S3C2T1 Fl. 4 5 na Alfândega do Aeroporto Salgado Filho (RS), "como elementos auxiliares na convicção do ilustre julgador". Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, que julgou, por maioria de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/04/2000, 08/05/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O enquadramento dos bens importados como vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa deverá pautarse em análise objetiva em cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição conforme prevista em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, assim como outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 13/04/2000, 08/05/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O enquadramento dos bens importados como vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa deverá pautarse em análise objetiva em cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição conforme prevista em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, assim como outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A 1º Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF decidiu, conforme voto do relator Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, pela conversão do julgamento em diligência, sendo determinado que: Por fim, após a diligência e a juntada do respectivo relatório de fiscalização aos autos, intimese o recorrente para, querendo, apresentar seus comentários acerca da prova produzida, facultandolhe juntada de laudo crítico, Fl. 503DF CARF MF 6 assinado por técnico legalmente habilitado e novos documentos, no prazo de 30 (trinta) dias. Decorrido este prazo e juntada a manifestação do contribuinte aos autos, se houver, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devendo a secretaria providenciar a intimação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias sobre o resultado da diligência realizada e a manifestação do contribuinte. A recorrente foi cientificada do resultado da diligência, apresentando tempestivamente suas razões. O processo veio a julgamento novamente, em 26/04/2016, e novamente o julgamento foi convertido em diligência. Transcrevo excerto do Acórdão 3201000.671: Diante do exposto, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja verificado: a forma de utilização dos produtos importados; e a utilização ou não dos créditos correspondentes de IPI, e a possível transferência do encargo financeiro. O resultado desta diligência deve ser cientificado à recorrente, sendo concedido prazo de 30 dias para manifestação. O Fisco então intimou a entidade a responder estas questões, e a entidade reafirma, por declaração, que os itens foram utilizados em seus templos, e que não utilizou ou repassou o IPI recolhido. O Fisco manifestase no sentido de que, após 17 anos, seria impossível atestar a identidade dos itens, que não têm número de série, reiterando o resultado da diligência anterior. A recorrente manifestase novamente, nos mesmos termos anteriores. Acrescenta que, no Ag 763263, o STF decidiu que o ônus da prova da destinação espúria dos bens é do Fisco, e não da entidade imune. Os autos então retornaram ao Carf para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo, e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. A imunidade aos impostos, para templos de qualquer culto, está prevista no artigo 150, VI, “b”, da Constituição Federal, com o requisito do §4º: Fl. 504DF CARF MF Processo nº 11968.000316/200511 Acórdão n.º 3201003.751 S3C2T1 Fl. 5 7 “§4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, copmreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.” A decisão recorrida considerou que os itens importados, a que se refere o presente processo, não atenderiam tais finalidades. Verbis (fl. 186): Analisandose os fins e propósitos da associação, declarados em seu estatuto, que são em suma: custódia, observância e divulgação do Evangelho de Jesus Cristo e o progresso e aprimoramento, notadamente o espiritual, dos membros da associação é forçoso concluir que armários, fechaduras, chaves, espelhos, papéis de parede, carpetes, mantas, chaveiros, mesas, jarras, cadeiras, sofás, quadros, material de limpeza, bijuterias, entre outros, embora possam ser úteis ou convenientes ao desempenho de suas atividades, não são bens necessários e indispensáveis à concretização dos objetivos a que se propõe a entidade, como impõe o dispositivo da CF/88. O templo consegue atingir os seus propósitos, exarados no Artigo 6 do seu Estatuto, sem aqueles produtos, não podendo ser oposta à Fazenda a alegação de que os bens, objeto do presente pedido de restituição, foram importados para que fossem atendidos "padrões rigorosamente estabelecidos pela sede da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias (situada em Salt Lake City, (..)", conforme pretende a Manifestante. Não poderia, pois, ser evocada a imunidade que se trata na importação de tais bens.” Divirjo dessa decisão. Os itens mencionados compõem, ordinariamente, os templos de qualquer culto e sua decoração, e não vejo qualquer item extravagante, que não pudesse fazer parte do patrimônio de tais templos, salvo se, comprovadamente, tiverem outro uso. Porém, como são itens de uso comum em qualquer estabelecimento, cumpre comprovar que efetivamente foram incorporados ao patrimônio da entidade imune, isto é, que tenham tido a destinação correta. Nesse sentido, verifico que a Igreja não conseguiu provar tal incorporação, porque seus livros e documentos foram destruídos em incêndio, em arquvo de empresa terceirizada (fl. 244). O Fisco fez diligência no local (fls. 440/441), e observou diversos itens semelhantes aos descritos nas Di´s, mas sem condições de atestar que foram os mesmos importados, porque não têm número de série. Deveras, no presente caso, os itens são de impossível identificação individual, como bancos, cadeiras, armários, quadros, tapetes, etc. A busca da verdade material é precária, no caso. As alegações da recorrente, de que todos os itens importados foram destinados ao templo, e que não utilizou ou repassou o IPI, são verossímeis, porém, permanecem como alegações. O zelo pelos recursos públicos, dever desta Casa, impõe a verificação probante. A verossimilhança não é suficiente para se restituir imposto. Fl. 505DF CARF MF 8 Com efeito, a ausência de livros que registrem o ativo permanente impede o reconhecimento do pedido. A existência desses livros permitiria a comparação das datas de entrada, móveis já existentes, baixas, etc, e, por consequência, permitiria a formação da convicção quanto à identidade e destinação dos itens. Na inexistência desses registros, não há senão opinião, o que se revela insuficiente para constituir direito de restituição de imposto já incorporado ao patrimônio da União. Não considero a aplicação da jurisprudência arguida pela recorrente, Ag 746263, porque, aqui, não há meios de o Fisco proceder a seu trabalho, na ausência dos livros e documentos pertinentes. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 506DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.721645/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 04/04/2012
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A importação com utilização de recursos de terceiros presume-se por conta e ordem deste, conforme art. 27 da Lei 10.637/2002.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO.
Quando o importador por conta e ordem não consta na DI, e o contexto fático indica seu conhecimento e participação na importação, revela-se o interesse na sua ocultação e a consequente caracterização de dano ao erário, conforme art. 23, V, do DL 37/66.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/04/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
Não se conhece de matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do PAF - Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(ASSINATURA DIGITAL)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(ASSINATURA DIGITAL)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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PRESUNÇÃO LEGAL. A importação com utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste, conforme art. 27 da Lei 10.637/2002. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. Quando o importador por conta e ordem não consta na DI, e o contexto fático indica seu conhecimento e participação na importação, revelase o interesse na sua ocultação e a consequente caracterização de dano ao erário, conforme art. 23, V, do DL 37/66. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/04/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Não se conhece de matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do PAF Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (ASSINATURA DIGITAL) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 16 45 /2 01 2- 71 Fl. 1525DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (ASSINATURA DIGITAL) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Importação, IPI, Pis e Cofins Importação, multa administrativa em substituição ao perdimento, multa administrativa de 100% da diferença entre o valor aduaneiro e o valor arbitrado, multas proporcionais de ofício e juros de mora. O trabalho foi levado a efeito pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Roberto Luis Rockenbach. O autuante acusa a recorrente de se constituir em interposta pessoa no comércio exterior, na operação de importação cadeiras, registrada na DI 12/0766860, na qual a recorrente consta como importadora direta. Os seguintes fatos foram utilizados para a conclusão do autuante: a recorrente fora submetida a procedimento especial, porque, por ocasião da renovação da habilitação de operação no comércio exterior; constatouse sua hiposuficiência econômica e financeira para a operação das importações efetuadas, conforme documentos do processo 15165.720665/201270, transladados para o presente processo. o empresário individual Henrique Tsuneto Matsubara foi sócio administrador da empresa Universal Mix Importação e Exportação, que comercializa as mesmas mercadorias, e que pagara despesas de uso de contêneires em outra operação da recorrente; ambas têm o mesmo endereço; a empresa foi intimada, no presente procedimento fiscal, a comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados na operação, juntamente com a documentação lastro, e não se desincumbiu satisfatoriamente; foram apresentados livros em folhas soltas, sem assinatura nem registro; à fl. 59 constam resumidas as falhas de comprovação; os demonstrativos financeiros trazidos são muito díspares daqueles apresentados no processo 15165.720665/201270, constando agora, como credora de mútuo, a Universal Mix; apontando diversas divergências, o Fisco os reputa como falsos (fls. 60,61); aponta, ainda, as divergências entre os extratos bancários e os registros contábeis (fls. 62/65); Informa ainda, o autuante, que intimou a empresa a apresentar os registros das negociações com o exportador/fornecedor, e a empresa não os apresentou. Diante disso, arbitrou o valor aduaneiro das mercadorias. Desse conjunto probatório, conclui pela interposição fraudulenta da recorrente, na importação efetuada pela Universal Mix – Importação e Exportação Ltda. Assim, com dano ao erário, tanto pela presunção legal (não comprovação dos recursos utilizados na operação de importação), quanto por subfaturamento. Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Acórdão n.º 3201003.757 S3C2T1 Fl. 3 3 Foram lançados os tributos e contribuições incidentes na importação sobre a diferença entre o valor registrado e o valor arbitrado, juntamente com as multas de ofício e juros, além da multa em substituição ao perdimento da mercadoria e da multa de 100% sobre a diferença de preços. Responsabilizou solidariamente a Universal Mix e pessoalmente os administradores Henrique Tsuneto Matsubara e Fabrício Sérgio Weber, da Universal Mix. Noticio também que recorrente impetrou Mandado de Segurança – 5002486 262012.404.7008/PR – apenas para liberação da mercadoria, quando retida na alfândega, sem discussão do mérito do procedimento fiscal. Houve liberação parcial de mercadorias, no limite dos valores da fiança depositada. Sobre a mercadoria que restou retida, o perdimento tramitou no processo 10907.721630/201211. O perdimento foi declarado definitivo nesse processo. No presente processo, o lançamento da multa em subsituição ao perdimento foi efetuada sobre a parte das mercadorias que foi liberada. A segurança restou denegada, cf. fls. 905, e valor caucionado foi convertido em renda. Cientificada, a empresa impugnou o lançamento, argumentando, conforme relatório da decisão de primeira instância: Que, ocorre cerceamento do direito de defesa. Solicitou a devolução dos documentos originais entregues à fiscalização, mas seu pedido foi negado. Cada auto de infração deve conter um dispositivo infringido e não uma infinidade, visto que citando vários impede a ampla defesa; Que, não sabe qual ilícito a fiscalização aponta: ocultação do sujeito passivo ou do real vendedor ou do comprador ou do responsável pela operação ou mediante fraude ou simulação ou com interposição fraudulenta de terceiros. Há nulidade; Que, não há qualquer justificativa plausível para que a exigência dos tributos, contribuições e multas, visto que a empresa tem endereço certo, pagou integralmente todos os impostos, demonstrou sua regularidade, esta regularmente instalada e em atividade,comercializou os produtos que importou, está identificada; Que, é, e sempre foi, o importador e o sujeito passivo das operações de importação. Os autos não possuem comprovação de fraudes ou simulações. Os procedimentos estão baseados em indícios; Que, nos próprios autos estão as provas de que tudo está conforme a legislação; Que, a fiscalização esquece que é possível operar com recursos de terceiros como: fornecedores, bancos, amigos que emprestam valores e as mais variadas formas de financiamento; Fl. 1527DF CARF MF 4 Que, a origem dos recursos foi comprovada e identificada: Recursos provenientes da empresa Universal Mix. Houve realmente mútuo de valores. Não há qualquer ilicitude no contrato celebrado entre as partes; Que, deve ser comprovada a conduta dolosa e restar demonstrado o dano ao Erário. Há confisco, o que é vedado pela Constituição Federal; Que, a Portaria MF n° 350/02 não permite que o Sr. Fiscal estabeleça critérios subjetivos; Que, o Fisco não agiu com o corriqueiro acerto, ignorando o princípio da legalidade imposto aos seus atos; Que, não tendo havido qualquer prejuízo ao Erário é certo que o procedimento é desarrazoado e desproporcional. Há que se respeitar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Que, requer diligência com a finalidade de o fisco verificar e constatar, no endereço da impugnante, que a empresa é o sujeito passivo, é o real importador e que revende as mercadorias importadas e emite todos os documentos exigidos pela lei; Requer seja acolhida a impugnação e julgado insubsistente o auto de infração. A Universal Mix também impugnou o lançamento, assim relatado pela decisão de primeira instância: Que, não havia interesse comum na situação da importação realizada por terceiros; Que, no máximo emprestou valores à empresa, não vinculados a qualquer ato específico; Que, não há qualquer justificativa plausível para que a atribuição de responsabilidade solidária, visto que a real importadora tem endereço certo, pagou integralmente todos os impostos, demonstrou sua regularidade, esta regularmente instalada e em atividade, comercializou os produtos que importou, está identificada a real importadora; Que, o que houve realmente foi o mútuo de valores; Que, a responsabilização do sócio só pode ser levada a cabo com a desconsideração da personalidade jurídica de sua empresa (judicialmente), o que não ocorreu; Requer seja acolhida a impugnação e excluída as responsabilidades atribuídas; Despacho de folhas 900, da unidade preparadora, indica que Sr. HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA não apresentou impugnação. A DRJ/Florianópolis/SC – 1ª Turma, por meio do Acórdão 0735.031, de 18/06/2014, decidiu pela improcedência das Impugnações, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Acórdão n.º 3201003.757 S3C2T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/04/2012 BASE DE CÁLCULO. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. ARBITRAMENTO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas são inferiores aos preços arbitrados, exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o tributos apurados. Constatada a existência de ocultação fraudulenta do real interessado na operação de importação, mediante simulação, é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício dos tributos. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/04/2012 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DAMERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com multa equivalente ao valor aduaneirocaso as mercadorias sejam entregues a consumo (revendidas). INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FRAUDE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. No caso desimulação, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado respondem solidariamente com a empresa. O sujeito passivo, Henrique Tsuneto Matsubara ME apresentou Recurso Voluntário, onde reitera as argumentos de Impugnação. Acrescenta: que o Termo de Arbitramento seria ilegal, porque não teria encontrado contexto fático e jurídico que o justificasse; que não há dano ao erário, quando inclusive caucionou o valor das mercadorias, em juízo, ocorrendo dupla penalização, a multa e o valor convertido em renda; Fl. 1529DF CARF MF 6 que deve ser aplicado o art. 112 do CTN, pela dúvida quanto à capitulação legal dos fatos; A responsável solidária Universal Mix apresentou Recurso Voluntário, nos mesmos termos do sujeito passivo. Acrescenta alegando que, embora os endereços de ambas sejam os mesmos, nesse endereço há 4 galpões em que exercem atividades separadas, e que os dois proprietários são amigos de longa data, porém, não agiram em simulação. O responsável solidário Fabrício Sérgio Weber não apresentou Recurso Voluntário, havendo o Termo de Perempção à fl. 1.076. O processo veio a julgamento em 28/09/2016, que foi convertido em diligência. A Resolução foi justificada conforme seguinte excerto (fls. 1.215/1.216): Não obstante, para que se configure o tipo legal da interposição fraudulenta, independentemente da falta de comprovação da capacidade econômica, deve haver a ocultação do sujeito passivo, do real comprador. Em outras palavras, para que se configure a interposição, o importador deverá importar em nome próprio para outrem, não revelado à fiscalização. No caso em apreço, no advento do julgamento, a sustentação oral do Recorrente e os indícios trazidos, trouxeram a hipótese de que as operações de importação foram efetivamente feitas pela e para a Recorrente, com recursos da Universal Mix, o que descaracterizaria, em princípio, a interposição. Nesse sentido, em homenagem ao princípio da verdade material, a turma houve por bem converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado à Recorrente a comprovação do alegado, pela juntada de documentos contábeis (livro de entrada, estoque e saída), referente às cadeiras importadas pela declaração de importação objeto do presente processo, demonstrando a sua localização, comprovação do seu preço, além de outros documentos que repute relevantes para o deslinde da lide, como os referentes à cisão da empresa. Retornados os processos à origem, as recorrentes foram intimadas a apresentar a documentação probatória, solicitada pela Resolução. Foi apresentado arquivo com diversos documentos em pdf, embora não paginável. O processo veio a julgamento novamente em 27/04/2017 e novamente foi convertido em diligência, porque não houve manifestação fiscal quanto aos documentos juntados. Copio trecho (fls. 1.239): Em face do exposto, não resta outra alternativa exceto novamente converter o julgamento em diligência, para a realização da juntada, em arquivos acessíveis, dos documentos contábeis (livro de entrada, estoque e saída), referente às cadeiras importadas pela declaração de importação objeto do presente processo, demonstrando a sua localização, comprovação do seu preço, além de outros documentos que repute relevantes para o deslindeda lide, como os referentes à Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Acórdão n.º 3201003.757 S3C2T1 Fl. 5 7 cisão da empresa, devendo ser elaborado relatório da fiscalização, oportunizandose à Recorrente manifestação, no prazo de trinta dias. Após retornem os autos para julgamento. No Relatório Fiscal, fls. 1.490/1.495, o Fisco manifestase no sentido do descabimento de apresentação de novas provas sobre fatos distintos daqueles postos à apreciação dos julgadores, e sobre a impropriedade, segundo entende, de que as Turmas do Carf possam determinar diligências sobre novas provas, o que seria cabível apenas à primeira instância, nos termos do art. 18 do PAF. Não obstante essas considerações, o Fisco se manifesta sobre os documentos apresentados, dizendo que não representam fato novo sobre os fundamentos do lançamento, quais sejam, “de que os recursos utilizados para quitação dos tributos e despesas relacionadas ao despacho de importação tiveram como origem a Universal Mix – Importação e Exportação Ltda. ME.” Ao contrário, afirma, a petição apresentada apenas confirma a proximidade financeira do sujeito passivo com a pessoa jurídica Universal Mix, e que a utilização de recursos desta configura sua irregular ocultação, reafirmando aplicar a presunção legal prevista no arts 27 da Lei 10.637/2002. O sujeito passivo foi cientificado do Relatório Fiscal e manifestou no sentido de que o Fisco não negou a validade dos documentos apresentados, limitandose a afirmar, segundo seu entender, equivocadamente, que as provas não se prestam a desconstituir o auto de infração combatido. Reitera que os documentos comprovariam a regularidade de funcionamento da recorrente. A responsável solidária foi cientificada e não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. Os recursos foram tempestivos. Juízo de conhecimento A matéria relativa à suscitada ilegalidade do arbitramento não foi objeto de impugnação, restando preclusa, nos termos do art. 17 do PAF. As demais matérias acrescentadas no Recurso Voluntário, acerca da inexistência de dano ao erário e aplicação do benefício da dúvida ao acusado, consistem em questões de mérito a serem enfrentadas adiante. Mérito Operação de comércio exterior : o dano ao erário Fl. 1531DF CARF MF 8 A ocultação fraudulenta de intervenientes em operação de comércio exterior é considerada “dano ao erário” e punida com o perdimento das mercadorias, cf. DL 1.455/76, art. 23, V, e §1º, ou com multa equivalente ao valor aduaneiro, cf. §3º1: A ocultação fraudulenta pode ser provada diretamente, pela coleta de provas ou indícios fortes e convergentes da fraude ou simulação, ou por presunção legal, pela demonstração da “nãocomprovação da origem disponibilidade e transferência dos recursos empregados” na operação, cf §2º, já transcrito. Desse modo, e por imposição legal, a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação enseja o perdimento ou multa substitutiva. Com efeito, em vista da infinidade de fraudes e interesses nas fraudes em comércio exterior2, e ainda, a impossibilidade de regulação de intervenientes estrangeiros, é que a legislação impõe transparência plena nas operações. Devemos, em seguida, caracterizar a nãocomprovação, e eventuais fraudes ou simulações, para todos os tipos de intervenientes no comércio exterior. São três tipos de operadores no comércio exterior, na importação: importador direto, importador por conta e ordem e encomendante predeterminado. Todos esses tipos de operadores devem ser habilitados e identificados na operação, sob pena de presunção legal, cf. o art. 11 da Lei 11.281/20063, e inclusive respondem solidariamente pelos tributos (art 32, III do DL 37/66), equiparamse a estabelecimento industrial para fins de IPI (Lei 11.281/2006, art. 14), dentre outras exigências. Por outro lado, o encomendante nãopredeterminado, isto é, o cliente de mercado interno, não se configura como operador de comércio exterior na importação, ainda 1 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Tais como a lavagem de dinheiro, operações fictícias para auferimento de benefícios à exportação, burla de controles administrativos e cotas em acordos comerciais, evasão tributária, blindagem patrimonial do real interveniente, e muitos outros. 3 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Acórdão n.º 3201003.757 S3C2T1 Fl. 6 9 que possa, eventualmente, comprar a mercadoria como encomenda. Tratase, nessa situação, de pessoa física ou jurídica que encomenda mercadoria no mercado interno, sendo atendido por empresa que atue no mercado interno como varejista/atacadista. O atendimento da encomenda pode se dar por mercadoria em estoque, aquisição no mercado interno ou aquisição no mercado externo. Ainda, o cliente de mercado interno não se responsabiliza por eventuais problemas na importação, e muitas vezes sequer sabe se a mercadoria é importada, sendo de total responsabilidade do encomendado o fornecimento das mercadorias, seja em estoque, seja por aquisição no mercado interno, seja por importação. Em suma, diferenciase o encomendante de mercadoria do encomendante de importação, que irá remunerar os serviços de importação, e não comprar, em ambiente de mercado, a mercadoria encomendada. E é somente este último encomendante que se subsume ao conceito legal de “encomendante predeterminado”. Nesta situação, de encomendante de mercadoria, há uma operação comercial interna normal, sem que o encomendante se caracterize como operador de comércio exterior, posto que aí não se revelam os contextos das finalidades da legislação aduaneira, observando o art. 5º da Lei de Introdução ao Direto Brasileiro: Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. (ressaltei) Isto porque a finalidade da legislação aduaneira, nesse aspecto, é obter equanimidade tributária entre a indústria nacional e o atacadista de mercadorias estrangeiras. Observo ainda que a utilização de recursos de terceiros enseja a presunção da importação por conta e ordem do financiador, cf. art. 27 da Lei 10.637/20024. Porém os meros adiantamento de recursos em operação de mercado interno não configuram “ a importação com recursos de terceiros”, tendo em vista as finalidades da Lei, posto que aí, há adiantamento para compra de mercadoria em ambiente de mercado interno, e não adiantamento de recurso para importação de mercadoria externa, em que a importadora ostensiva estivesse atuando como mera prestadora de serviços de importação, isto é, remunerada por comissão. Segue quadro resumo: Importador Direto Importador por Conta e Ordem Encomendante predeterminado interveniente de comércio exterior Cliente de mercado interno 4 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 1533DF CARF MF 10 Conceito simplificado Contribuinte que consta como importador ostensivo na DI Contribuinte que solicita importação e fornece os recursos financeiros. Contribuinte que solicita importação sem adiantar os recursos financeiros. Contribuinte/cliente de empresa atacadista/varejista, que solicita mercadoria via de regra como usuário final, sem vincular a importação. Responsabilidade tributária art. 31 DL 37/66 sujeito passivo art 32, III,"c" DL 37/66 solidário art 32, III,"d" DL 37/66 solidário Não Responsabilidade por infrações DL 37/66, art. 95, IV DL 37/66, art. 95, V DL 37/66, art. 95, VI Não Equiparação a Industrial Lei 4.502/64, art. 4º, I Lei 11.281/2006, art. 13 Lei 11.281/2006, art. 13 Não Necessidade de habilitação no comércio exterior Sim IN SRF 650/06, art. 1º, IN SRF 1.288/12, art. 1º Sim IN SRF 650/06, art. 26, caput, IN SRF 1.288/12, art. 24, caput, combinados com Lei 11.281/2006, art. 11, §1º Sim IN SRF 650/06, art. 26, §único, IN SRF 1.288/12, art. 24, § único, combinados com Lei 11.281/2006, art. 11, §1º Não Submetese a regras de preços de transferência Sim, Lei 9.430/96, Seção V Sim Lei 11.281/2006, art. 14 Sim Lei 11.281/2006, art. 14 Não O importador ostensivo consta na DI. O importador por conta e ordem e o encomendante predeterminado devem habilitarse perante as autoridades aduaneiras e também devem constar na DI, dentre outras formalidades previstas (IN´s RFB 237/2002 e 634/2006), senão estará se ocultando. Análise do caso No caso presente, as provas coligidas, conforme relatado, não deixam dúvidas quanto à caracterização da Universal Mix como importadora por conta e ordem. Vejamos: a importadora apresenta hiposuficiência financeira; a importadora apresenta alegações contraditórias para a origem dos recursos utilizados na operação, a importadora apresenta demonstrações financeiras divergentes; ambas as empresas têm o mesmo endereço, ainda que possam estar em galpões diferentes; são pessoas conhecidas e partilharam da mesma sociedade na Universal Mix; os recursos utilizados na operação, confessadamente, vieram da Universal Mix; Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Acórdão n.º 3201003.757 S3C2T1 Fl. 7 11 despesas de importação da importadora foram pagas pela Universal Mix. a Universal Mix já importou as mesmas mercadorias ou semelhantes, anteriormente. As recorrentes alegam que os recursos tiveram origem sim, na Univerval Mix, mas como mútuo financeiro, para o qual a empresa Henrique Tsuneto poderia dar qualquer destino que quisesse. Todavia, tal alegação carece de prova, posto que o mútuo sem qualquer registro ou coincidência de valores e datas perante os extratos bancários revelase como mera alegação frágil. O que resta como inconteste é a origem dos recursos utilizados na operação: a Universal Mix, que, também, comercializa mercadorias semelhantes, tem o mesmo endereço, e sócio comum. Portanto, o conjunto probatório revela e confirma a Universal Mix como aquela que ofereceu os recursos para a importação, e nesse caso, presumese como importadora por conta e ordem, nos termos do art. 27 da Lei 10.637/2002: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. E como importadora por conta e ordem, deveria constar na DI como tal. Ambas as empresas não podem alegar desconhecimento dos requisitos aduaneiros de transparência, que as obrigam a estarem consignadas na DI. Não se conhecem seus intentos para tal ocultação, o que é prescindível, por causa da presunção legal de dano ao erário pela ocultação do interveniente, não obstante, não se exige do Fisco a prova do dano ao erário, o que se exige é a demonstração da fraude ou simulação, na ocultação de interveniente na importação, o que, conforme indícios convergentes, formo convicção de que houve, no presente caso. Desse modo, correto o procedimento para perdimento das mercadorias. Responsabilidade da Universal Mix A responsabilidade solidária decorre da aplicação do art. 95, V do DL 37/66, para as importadoras por conta e ordem, tal como restou caracterizada a Universal Mix neste voto. Depósito caução para liberação das mercadorias Os procedimentos relativos ao Mandado de Segurança 5002486 262012.404.7008/PR não tem pertinência ao julgamento, posto que somente interferirão na liquidação do lançamento. Não obstante, apenas observo que a extinção do valor da multa em substituição ao perdimento poderá utilizar o valor convertido em renda da União, cf. despacho fls. 906. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 1535DF CARF MF 12 Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Acórdão n.º 3201003.757 S3C2T1 Fl. 8 13 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. A burocracia, a alta carga tributária, as exigências e requisitos, as responsabilidades e as conseqüências tributárias e criminais atribuídas solidariamente a todos os envolvidos nas operações legais de importação por conta e ordem de terceiro, conforme DL 37/96, IN SRF 225/02 e 247/02 e 650/06, levaram muitas empresas a ocultar o sujeito passivo real adquirente das mercadorias. A fraude no setor é uma realidade, principalmente porque a legislação ou não corresponde aos formatos comerciais de negócios internacionais ou propositadamente, foram criadas para determinar suas limitações. Esquemas fraudulentos de interposição de terceiros atingiram diversos países e se tornaram operações nocivas ao erário público uma vez que menos tributos são recolhidos, além de interferir e criar competitividade desleal com os produtos internos (nacionais). Por muitos motivos se justifica a atuação da fiscalização, mas é importante lembrar que a livre iniciativa é direito consagrado e pilar de um Estado Democrático de Direito, sob o regime Capitalista e, em observação a esta regra, assim como em preservação da segurança jurídica do contribuinte, toda situação apresentada como fraude ou crime tributário deve ser analisada de forma concreta e individualizada. Portanto, esta declaração de voto pretende traçar pontos fundamentados nos fatos e na estrita legalidade, de forma que tanto o crédito da União quanto o direito à livre iniciativa sejam prestigiados. O §1.º e §3.º, Art. 23 do DL 1.455/76, tem como núcleo do tipo a conduta dolosa de ocultar o real adquirente de mercadorias importadas, que promove a entrada de mercadoria por meio de fraude. Este tipo é conhecido como "interposição fraudulenta comprovada", porque deve ser comprovada pela fiscalização, nos moldes do Art. 142 do CTN. Por outro lado, diante da expressa determinação do §2.º do Art. 23 do DL 1455/76, a não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior poderia caracterizar a presunção da interposição fraudulenta. Este tipo é conhecido como "interposição fraudulenta presumida", porque se presume que a interposição fraudulenta na importação ocorreu se o contribuinte não comprovar a origem dos recursos empregados. Este tipo legal, da interposição fraudulenta presumida, foi o elencado no lançamento (AI, Relatório Fiscal). Delimitado o objeto e a lei, é necessário verificar se os fatos subsumemse à norma. Por raciocínio lógico diretamente inverso, a comprovação de recursos próprios ou da origem dos recursos é suficiente para descaracterizar a presunção de interposição fraudulenta de terceiros para ocultar sujeito passivo (real adquirente). Fl. 1537DF CARF MF 14 É importante entender melhor a propedêutica axiomática do tipo legal da interposição fraudulenta presumida por meio de questionamentos (PLATÃO. Teeteto — Crátilo. In: Diálogos de Platão. Tradução do grego por Carlos Alberto Nunes. 3a. ed., Belém: Universidade Federal do Pará, 2001, p. 45). Necessariamente o interposto (no caso de interposição fraudulenta) precisa ser uma empresa sem capacidade financeira? A origem dos recursos (determinada na capitulação) se refere a ter ou não capacidade econômica e financeira ou a determinado recurso ou transferência que foi recebido? Esta é uma reflexão que todo julgador e autoridade fiscal aduaneira deveria fazer, porque se na capitulação dos fatos a autoridade fiscal trouxe o conceito da "presunção" prevista no §2.º do Art 23 do DL 1455/76, a interposição fraudulenta somente poderá ser configurada se realmente não for comprovada a origem dos recurso empregados na operação. Ainda que alguma operação tenha indícios ou até provas de "transferências" bancárias de terceiro, é possível concluir pela interposição fraudulenta de terceiros de forma presumida? Em regra, não. É neste ponto que existe o limite legal entre a atuação da consagrada da autonomia da vontade civil e o limite do poder do Estado em punir os contribuintes. E a partir deste ponto, a avaliação de casos em concreto dependerá da posição doutrinária e jurisprudencial do julgador ou da autoridade de origem, e a exata linha que estabelece para este limite. No presente caso, sem considerar margem de lucro e sem avaliar os demais aspectos comerciais e de contabilidade das empresas, o fiscal argumenta e fundamenta o seu lançamento a partir de uma premissa equivocada, a premissa de que os contribuintes não têm liberdade para empregar seus recursos ou recursos recebidos de terceiros da forma que melhor atender seus negócios. Mesmo na modalidade de importação direta, existe uma flexibilidade nos detalhes financeiros e comerciais e o contribuinte tem a posse e o direito sobre estes recursos e qualquer limitação determinada na modalidade de importação, dependerá de expressa previsão em lei ou acordo celebrado entre as partes, sob a garantia consagrada da máxima pacta sunt servanda, representada pela autonomia da vontade civil. E dentro desta linha de raciocínio está uma das principais razões pela qual o contribuinte merece interpretação favorável, uma vez que não há nos autos uma prova comercial mais contundente de que estaria se tratando de outra modalidade que não a da importação direta. Após a análise dos autos e discussões em sessões de julgamento com os sócios das empresas, assim como após juntadas provas e indícios de que os sócios foram sócios no passado e, ao deixarem de ser sócios passaram a atuar com empresas diferentes e com produtos diferentes, restou comprovada a origem dos recursos empregados na importação. Tratouse de um empréstimo informal, chamado de contrato de mútuo pelo autoridade lançadora. Este empréstimo, conforme sustentação oral, provas e indícios, possuiu o objetivo de ressarcir um dos sócios após a separação societária, uma vez que nesta separação não houve a compra de ações ou a liquidação da cisão. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Acórdão n.º 3201003.757 S3C2T1 Fl. 9 15 Por fim, cabe ao intérprete da defesa apresentada pelo contribuinte, dar crença e legitimidade ao contrato informal de mútuo/empréstimo ou não. No presente caso, é possível concluir que, no mínimo, a defesa apresentada pelo contribuinte aponta que a origem dos recursos empregados foi legítima e, portanto, possível de gerar dúvida com relação à ocorrência da interposição fraudulenta presumida. Configurada a dúvida, a lide administrativa fiscal deve ser interpretada em favor do contribuinte, conforme previsto no Art. 112 do CTN. Diante dos exposto e, considerando também que ficou comprovado que o sócio que importou, apesar de utilizar moeda emprestada, a fez em nome próprio e revendeu as mercadorias também em nome próprio, ou seja, realizou uma importação direta regular, o lançamento não deve prosseguir, porque os fatos não se subsumem às normas, conforme previsto no Artigos 112, 113 e 142 do Código Tributário. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1539DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907063/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O não enfrentamento das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente.
Numero da decisão: 3201-003.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. Recorrente ABB LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O não enfrentamento das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com fundamento na Lei 9.779, de 1999. A unidade de origem reconheceu em parte o crédito vindicado, utilizado na compensação de débitos próprios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 70 63 /2 01 1- 25 Fl. 838DF CARF MF 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento relativo ao 4º trimestre de 2008, nos termos da Lei nº 9.779/99, cujo Despacho Decisório de fl. 687, reconheceu, parcialmente, o crédito solicitado no PER/DCOMP n° 11028.97291.190109.1.1.016531, em virtude de trabalho fiscal. Segundo as informações fiscais, o contribuinte deu saída de produtos de sua fabricação sem destaque do IPI, deixou de estornar créditos de IPI nas saídas de insumos a empresas não industriais e revendedoras, não destacou o IPI nas saídas de insumos a estabelecimentos industriais e revendedoras. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 12/11/2013, e irresignado apresentou sua Manifestação de Inconformidade deduzindo em sua defesa, o seguinte: 1. Superficialidade da instrução probatória com ferimento da Verdade Material e cerceamento ao direito de defesa da Requerente, o que acarreta nulidade do Despacho Decisório; 2. No mérito, que o direito creditório pleiteado está regular; 3. E que não incide o IPI, nas vendas de partes e peças utilizadas em reparos ou prestação de serviço; 4. Ilegalidade do método utilizado pela fiscalização para fazer o estorno dos créditos da requerente; O processo foi baixado para diligência em 27 de agosto de 2014, conforme Resolução de fls. , que solicitou esclarecimento sobre o seguinte: Nesse sentido, a fim de que sejam cumpridas as providências indispensáveis, voto, com fulcro no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, para que o processo seja restituído à unidade de origem para a realização de diligência, que deverá confirmar, para cada produto e nota fiscal constante do Demonstrativo (1.2) – Revenda de Insumos (nac e estrangeira) Efetuadas a Empresas Industriais e Revendedoras – se tais insumos foram utilizados em alguma etapa de “industrialização” ou “revenda” no adquirente. A diligência retornou a esta DRJ com a informação de que a impugnação ao Auto de Infração de imposição de penalidade e que trata da mesma matéria e períodos de apuração foi julgada improcedente em 28/02/2014, conforme Acórdão 0950.187 3ª Turma da DRJ/JFA, tendo efetuado o recolhimento do débito, processo 16095.720185/201323. É o Relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1456.804, de 25/02/2015 (fls. 705 e ss.), assim ementado: Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10882.907063/201125 Acórdão n.º 3201003.736 S3C2T1 Fl. 839 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 IPI. FALTA DE LANÇAMENTO. SAÍDAS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA E REVENDA DE INSUMOS. As saídas de produção própria bem como a revenda de insumos para industrialização ou nova revenda são passíveis de tributação pelo Imposto sobre Produtos Industrializados nos termos dos artigos 8º, 9º §4º e 24 do RIPI/2002. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 737 e ss., por meio do qual, além de requerer, por identidade de matéria, julgamento conjunto com os processos de nº 10882.907064/201170, 10882.907065/201114, 10882.907066/2011 69, 10882.907067/201111, 10882.907068/201158, 10882.907069/201101 e 10882.907070/201127, suscita, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: Nulidade da decisão da DRJ A DRJ copiou os fundamentos da decisão prolatada no processo administrativo de nº 16095.720185/201323, que consubstanciou auto de infração contra o mesmo contribuinte. Todavia, as defesas apresentadas no presente processo e no citado são bem diversas, inclusive foram elaboradas por patronos distintos. Os débitos referentes ao processo nº 16095.720185/201323 foram quitados, porque perdeuse o prazo para a interposição do recurso, mas isso em nada se relaciona com a materialidade dos fatos jurídicotributários que são objeto destes autos. Deveria ter a DRJ enfrentado todos os argumentos. Houve cerceamento do direito de defesa. Nulidade do Despacho Decisório O Despacho Decisório é nulo, em face da superficialidade das informações necessárias para a sua adequada decisão, o que fere o princípio da verdade material. O não reconhecimento de parte dos créditos devese à apuração de débitos em valor superior aos por ela apurados e à glosa de créditos referentes a estornos não realizados. Todavia, analisado o documento intitulado "Análise do Crédito", verificase uma completa superficialidade das alegações da fiscalização. Não houve explicação individualizada dos itens que o compõem. A fiscalização não se atentou para diversas situações em que não ocorre o fato gerador do IPI: a) saídas de insumos para utilização em conserto, manutenção ou reparo; b) revenda de insumos a não industriais ou a não revendedores. MÉRITO A fiscalização afirma que se deu saída, sem o destaque do IPI, de produtos de fabricação própria e de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) nacionais e importados a pessoas jurídicas revendedoras ou industriais. Não se atentou, contudo, que muitos desses produtos foram utilizados como insumos na manutenção e reparo, de modo que não poderiam ter sido tributados pelo IPI. Não é qualquer saída que autoriza a cobrança do imposto, mas aquela a que se realiza com a intenção de venda. No caso em que utilizou os insumos ou produtos industrializados na prestação de serviços de conserto, manutenção ou reparo, nunca teve a intenção de vendêlos, mas apenas Fl. 840DF CARF MF 4 de prestar o serviço (reproduz o art. 5º, XI, do RIPI/2010, e cita os Acórdãos nº 3202002.236 e 20215.523). A fiscalização não comprovou que as pessoas jurídicas compradoras dos insumos vendidos seriam revendedores ou industriais, o que, por si só, já é motivo de nulidade do Despacho Decisório. A fiscalização não separou as pessoas jurídicas adquirentes que são revendedores ou industriais das que não seriam (cita alguns exemplos de adquirentes de insumos que nunca revenderam ou os utilizaram nos seus processos industriais). Cita, por exemplo, a nota fiscal de nº 60004, que se refere a uma chave seccionadora 145 KV 2000A, que, obviamente, não foi utilizada no processo industrial da adquirente (produção de açúcar). A fiscalização utilizouse da mesma mercadoria para imputar duas infrações (cita a nota fiscal de nº 58535, que se refere a uma chave comutadora PS15120M, que se teria considerado como revenda de mercadoria a revendedores ou industriais e, ao mesmo tempo, como revenda de mercadoria a NÃO revendedores ou industriais). A fiscalização afirma que não foram estornados créditos quando da revenda de mercadorias a não revendedores e industriais, fato que foi levantado a partir da análise das notas fiscais de entrada e saída. Todavia, poderia ter solicitado documentos contábeis, como Livros Razão e de Apuração do IPI. A fiscalização afirmou que considerou para o estorno o valor do crédito destacado na nota fiscal de entrada mais próxima da nota fiscal de saída, ou das notas fiscais mais próxima, considerando a quantidade vendida. Não foram questionados critérios de contabilização de custos. Agiuse com verdadeira presunção. Deverseia ter ao menos adotado o critério de controle de estoques adotado pela empresa, que é da média ponderada, tal como declarado na DIPJ. O arbitramento do valor dos estoques é medida extrema (cita Acórdão nº 10707.694). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente requer, inicialmente, o julgamento conjunto deste processos com outros idênticos, entre os quais o de nº 10882.907069/201101, ainda não distribuído. Não obstante a sua não distribuição conjunta mediante sorteio, não há, com efeito, prejudicialidade para o julgamento dos indicados para a pauta, pelo que é de se indeferir o pleito. No que respeita ao litígio, a Recorrente apresentou PER/DCOMPs por meio dos quais requereu, com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, o ressarcimento de créditos de IPI com origem no 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010. Tal como informado nos respectivos Despachos Decisórios, os valores foram parcialmente reconhecidos, em face dos seguintes motivos: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; b) ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos e c) redução do saldo credor do trimestre passível de ressarcimento, em decorrência dos débitos apurados em procedimento fiscal. Na ocasião, a fiscalização também lavrou auto de infração, exigindo multa de ofício isolada por falta de lançamento do imposto, com cobertura de crédito, nas notas fiscais Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10882.907063/201125 Acórdão n.º 3201003.736 S3C2T1 Fl. 840 5 respectivas. Os Despachos Decisórios foram mantidos pela DRJ, assim como mantida foi a autuação. A Recorrente, contudo, embora intimada, não apresentou recurso voluntário nos autos do processo administrativo de nº 16095.720185/201323 (o auto de infração), de modo que os valores lançados de ofício tornaramse definitivos (conforme ela mesma afirmou, já foram, inclusive, quitados). A DRJ transcreveu os fundamentos do voto condutor do Acórdão DRJ/JFA nº 0950.187, de 28/02/2014, e os adotou como razão de decidir. Afinal, os fatos são exatamente os mesmos. Em resumo, a falta de destaque do IPI nas saídas de produtos com alíquota positiva na TIPI ou nas saídas de insumos nacionais e importados a estabelecimentos industriais ou revendedores, bem como a não anulação do crédito do imposto na revenda de insumos a estabelecimentos não industriais ou não revendedores. Refeita a apuração do IPI em face da constatação desses fatos, é que se lavrou o auto de infração. Todavia, não se atentou a DRJ para o fato de que as defesas apresentadas no processo nº 16095.720185/201323 e nos processos que consubstanciam os pedidos de ressarcimento suscitam alegações diversas (foram, inclusive, apresentadas por escritórios de advocacia também diversos), que, assim, não foram enfrentadas nas decisões proferidas nos processos de ressarcimento, como o ora em julgamento, fato que, a nosso juízo, caracteriza cerceamento do direito de defesa da Recorrente e reclama a anulação da decisão, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Referimonos, por exemplo, à alegação de que algumas das notas fiscais utilizadas pela fiscalização para comprovar as vendas de mercadorias recebidas ou adquiridas de terceiro referemse, na realidade, a uma prestação de serviços de reparo, conforme indicam as informações registradas nas acostadas à manifestação de inconformidade: a) nota fiscal nº 60404, com CFOP 6102, mas que, nos campos "Dados Adicionais" e "Descrição dos Produtos", traz a informação de tratarse a operação de um reparo; b) nota fiscal nº 60620, com CFOP 5102, que traz as mesmas informações registradas na anterior. Não sabemos se os valores correspondentes a tais notas fiscais foram ou não consideradas pela fiscalização. Porém, mesmo que acessássemos o processo que consubstanciou o auto de infração para verificálo, não se poderia suprimir uma instância administrativa, o que findaria por ocorrer se aqui, depois de fazêlo, decidíssemos a respeito, inclusive quanto às demais alegações de defesa. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para ANULAR a decisão pela DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na manifestação de inconformidade. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 842DF CARF MF 6 Fl. 843DF CARF MF
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