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Numero do processo: 11128.003520/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/04/2003 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão de primeira instância indefere, justificadamente, pedido de diligência, considerada desnecessária. Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 22/04/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto “GERMALL PLUS”, por ser uma preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código NCM 2933.29.99, devendo prevalecer o código NCM 3808.90.29. Inaplicabilidade das Regras 2b e 3b das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 169, I, “b”, do DL nº 37/66, aplica-se na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento não-automático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado o erro na classificação fiscal, satisfaz-se a condição que enseja a aplicação da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/01.
Numero da decisão: 3201-001.065
Decisão: Decidiu o colegiado: por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência, e negar provimento quanto a multa proporcional ao valor aduaneiro por erro de classificação fiscal; e, por maioria de votos, negar provimento quanto à classificação fiscal, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira; e dar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa por falta de licenciamento, vencido o Conselheiro Paulo Sergio Celani, tendo a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhado o relator pelas conclusões quanto a esta matéria.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     2 Decidiu  o  colegiado:  por  unanimidade  de  votos,  afastar  a  preliminar  de  decadência,  e  negar  provimento  quanto  a multa  proporcional  ao  valor  aduaneiro  por  erro  de  classificação  fiscal;  e,  por maioria  de  votos,  negar  provimento  quanto  à  classificação  fiscal,  vencido  o  Conselheiro  Marcelo  Ribeiro  Nogueira;  e  dar  provimento  ao  recurso  quanto  à  aplicação  da  multa  por  falta  de  licenciamento,  vencido  o  Conselheiro  Paulo  Sergio  Celani,  tendo  a  Conselheira  Mércia  Helena  Trajano  D'Amorim  acompanhado  o  relator  pelas  conclusões quanto a esta matéria.  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.   DANIEL MARIZ GUDIÑO ­ Relator.  EDITADO EM: 25/10/2012  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  (presidente da  turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes  (vice­presidente),  Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani  e Daniel  Mariz Gudiño.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  a  data  da  prolação  do  acórdão  recorrido,  transcrevo  abaixo  o  relatório  do  órgão  julgador  de  1ª  instância,  incluindo,  em  seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente:  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração,  lavrado  em  17/05/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a  exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora  e multa proporcional, multa de controle administrativo  e multa  proporcional  ao  valor  aduaneiro  no  valor  de  R$  2.503,49,  em  face dos fatos a seguir descritos.  • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro,  através  da  Declaração  de  Importação  No.  03/0330919­3,  de  22/04/2003,  adição  001,  a  mercadoria  descrita  como  "GERMALL  PLUS  DIAZOLIDINIL  URÉIA  E  BUTILCARBONATO DE IODO PROPINILA", com classificação  fiscal  no  código NCM 2933.29.99,  com  incidência  da  alíquota.  .0%  (nihil)  para  o  Imposto  de  Importação  e  o  Imposto  de  Produtos Industrializados;  •  Através  do  Laudo  de  Assistência  Técnica  No.  1904.01,  de  31/07/2003,  foi apurado que o produto em análise não se  trata  apenas de diazolidinil uréia e nem qualquer outro composto cuja  estrutura contém um ciclo Imidazol não condensado. Trata­se de  preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 3­ Iodo­2­Propilina  e  Dialodinil  Uréia,  uma  outra  preparação  antimicrobiana.  •  A  fiscalização  entendeu  ser  correta  para  o  produto  a  classificação fiscal no código NCM 3808.90.29;  • A conclusão da fiscalização se pautou nas Regras No. 1 e No. 6  das Regras Gerais do Sistema Harmonizado;  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/2007­39  Acórdão n.º 3201­001.065  S3­C2T1  Fl. 2          3 Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento ­ AR,  em  03/07/2007  (fls.  40­verso),  o  contribuinte  protocolizou  impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto  70.235/72, em 02/08/2007, de  fls. 43 à 49,  instaurando assim a  fase litigiosa do procedimento.  Na  forma  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  a  impugnante  informou que:  •  O  produto  GERMALL  PLUS  tem  por  finalidade  preservar  produtos  como  shampoos,  condicionadores,  cremes,  maquiagens...  •  A  Diazodinil  Uréia  é  um  composto  orgânico  de  constituição  química  definida,  caracterizando­se  como  um  composto  heterocíclico exclusivamente de heteroátomo de nitrogênio cuja  estrutura contém um ciclo imidazol;  •  Na  composição  do  produto  GERMALL  PLUS,  a  Diazodinil  Uréia (99%) é a matéria que confere característica essencial ao  produto;  •  Em  função  da  Regra  No.  1  das  Regras  Gerais  do  Sistema  Harmonizado,  não  assiste  razão  a  classificação  fiscal  adotada  pela  fiscalização NCM 3808.90.29, pois no Capítulo 38 não há  nenhuma  referência  a  composto  orgânico  de  constituição  química definida;  • A classificação fiscal adotada pelo impugnante é a adequada,  em função das Regras 1, 2b) e 3b) das Regras Gerais do Sistema  Harmonizado;  • Pelo fato da Diazodinil Uréia (99%) ser a matéria que confere  característica  essencial  ao  produto GERMALL  PLUS,  que  por  sua  vez  é  definido  como  composto  cuja  estrutura  contém  um  ciclo Imidazol, em função das Regras 2b) e 3b), deve prevalecer  a classificação fiscal no código NCM 2933.29.99;  • A nota de subposição 1 do Capítulo 29 prevê que "no âmbito de  uma posição do presente Capítulo, os derivados de um composto  químico  devem  classificar­se  na  mesma  subposição  que  esse  composto,  desde  que  não  se  incluam  mais  especificamente  em  outra subposição e que não exista subposição residual..."  •  Solicita  perícia,  pois  o  resultado  do  Laudo  de  Assistência  Técnica No. 1904.01, de 31/07/2003 não corresponde a correta  constituição  da  amostras  da  mercadoria  ''GERMALL  PLUS',  nomeando perito e apresentando quesitos.  Na  decisão  de  primeira  instância,  proferida  na  Sessão  de  Julgamento  de  17/02/2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo  II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 17­48.574 de  fls. 77­83:  Assunto: Classificação de Mercadorias  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     4 Data do fato gerador: 22/04/2003  Importação  do  produto  "GERMALL  PLUS  DIAZOLIDINIL  URÉIA  E  BUTILCARBONATO  DE  IODO  PROPINILA",  com  classificação fiscal no código NCM 2933.29.99.  O Laudo de Assistência Técnica apurou que o produto se  trata  de preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de  3­Iodo­2­Propilina  e Diazolidinil Uréia,  uma outra preparação  antimicrobiana.  O prospecto apresentado junto ao Laudo de Assistência Técnica  ressalta as funções do produto de herbicida e fungicida.  Por não possuir código NCM específico, sua classificação fiscal  recai no código NCM residual ­ 3808.90.29, conforme aplicação  das  Regras  No.  1  e  No.  6  das  Regras  Gerais  do  Sistema  Harmonizado.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A Recorrente  foi  cientificada  do  teor  do  acórdão  por  intimação  postal,  em  17/03/2011  (fl.  85­v),  tendo  protocolado  seu  recurso  voluntário  (fls.  88/99),  também por  via  postal, em 18/04/2011 (fls. 87). Nele, a Recorrente reitera os argumentos já suscitados em sua  impugnação.  Na  forma  regimental,  o  processo  digitalizado  foi  distribuído  e,  posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Daniel Mariz Gudiño  Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 33  do Decreto  nº  70.235  de  1972  e  no  art.  56,  §  5º,  do Decreto  nº  7.574  de  2011,  conheço  o  recurso voluntário e passo a analisá­lo.  O cerne da disputa consiste em saber se o produto importado pela Recorrente  deve  ser  classificado  na  posição  NCM  2933.29.99,  referente  a  “outros  compostos  heterocíclicos cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado”, ou na posição NCM  3808.90.29, referente a “outros inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, etc.”.  Inicialmente, a Recorrente pleiteia a nulidade da decisão recorrida tendo em  vista que cerceou o seu direito de defesa na medida em que julgou desnecessária a realização  da  diligência  requerida  na  impugnação.  Apenas  para  reavivar  os  quesitos  formulados  pela  Recorrente em sua defesa inicial, transcrevo­os abaixo:  1) Qual a constituição do produto "GERMAL PLUS"?  2)  O  "GERMALL  PLUS"  pode  ser  caracterizado  como  algum  destes  produtos:  Inseticidas,  rodenticidas,  fungicidas,  herbicidas,  inibidores  de  germinação  e  reguladores  de  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/2007­39  Acórdão n.º 3201­001.065  S3­C2T1  Fl. 3          5 crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes,  apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou  como  preparações  ou  ainda  sob  a  forma  de  artigos,  tais  como  fitas, mechas e velas sulfuradas e papel mata­moscas?  3) O que é uma mistura, como conceito químico?  4)  As  substâncias  que  compões  o  "GERMALL  PLUS"  são  consideradas  compostos  orgânicos  de  constituição  química  definida?  Sobre essa preliminar, entendo que as respostas aos quesitos formulados pela  Recorrente não  alterarão  o  deslinde  da  controvérsia  na  1ª  instância  administrativa,  tendo  em  vista  a  fundamentação  adotada  pela  decisão  recorrida.  Ademais,  parte  dos  quesitos  já  foi  respondida no próprio Laudo FUNCAMP nº 1904.01 (fl.22), eis que informa a constituição do  produto GERMALL PLUS e indica as suas funções bactericidas e fungicidas.  Com efeito, entendo que não deve ser acolhida a preliminar de cerceamento  de defesa motivada pelo indeferimento do pedido de perícia.  Quanto ao mérito, o argumento central da Recorrente para sustentar a posição  NCM 2933.29.99 como correta é que o GERMALL PLUS é quase que integralmente composto  de Diazolidinil Uréia (99%), vale dizer, composto químico definido cuja estrutura contém um  ciclo  imidazol  não  condensado,  que  lhe  dá  a  sua  característica  essencial.  Trata­se  de  um  produto utilizado para preservar produtos cosméticos contra bactérias e fungos.  Assim, considerando que o GERMALL PLUS é um produto misturado e não  sendo aplicável o  item 3.a das Regras Gerais  para  Interpretação do Sistema Harmonizado,  a  Recorrente  defende  a  aplicação  da  classificação  fiscal  da  matéria  que  lhe  confere  a  característica  essencial,  nos  termos  do  item  3.b.  Nesse  caso,  o  GERMALL  PLUS  seria  classificado na posição NCM própria do Diazolidinil Uréia.  Por  outro  lado,  de  acordo  com  o  Laudo  FUNCAMP  nº  1904.01  (fl.22),  a  amostra analisada do GERMALL PLUS não corresponde a lidinil Uréia e nem a qualquer outro  composto  cuja  estrutura  contém  um  ciclo  imidazol  não  condensado,  e  sim  uma  outra  preparação  antimicrobiana.  Isso  porque,  no  próprio  portal  que  empresa  controladora  da  Recorrente possuía na  internet  à  época dos  acontecimentos,  o  produto  estava  definido  como  bactericida e fungicida.  Interessante  notar,  nesse  ponto,  que  o  laudo  e  a posição  da Recorrente  não  conflitam, pois a Recorrente não defende que o GERMALL PLUS é um composto orgânico de  constituição  química  definida  apresentada  isoladamente,  e  sim  que  o  produto  deve  ser  classificado na posição NCM relativa ao Diazolidinil Uréia, tendo em vista se tratar de matéria  que lhe confere a característica essencial.  A  despeito  disso,  a  fiscalização  entendeu  que  o  GERMALL  PLUS  não  poderia  ser  classificado  na  posição  NCM  2933.29.99,  tendo  em  vista  que  a  nota  1.a)  do  Capítulo  29  estabelece  que  estabelece  que  “ressalvadas  as  disposições  em  contrário,  as  posições  do  presente  Capitulo  apenas  compreendem:  a)  os  compostos  orgânicos  de  constituição  química  definida  apresentados  isoladamente,  mesmo  contendo  impurezas;  ...”.  Logo,  por  haver  indicação  do  laudo  técnico  de  que  o  produto  seria  uma  preparação  antimicrobiana, entendeu por bem classificá­lo na posição NCM 3808.90.29.  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     6 Corroborando o entendimento da fiscalização, identifiquei a seguinte solução  de consulta sobre a classificação fiscal de produto com funções semelhantes às do GERMALL  PLUS:  Solução de Consulta nº 4/02  Superintendência Regional da Receita Federal ­ SRRF / 8a. RF ­  Diana  Assunto: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS  Ementa: CÓDIGO TEC: Mercadoria:  3808.40.29  Preparação  bacteriostática  e  fungicida  para  a  formulação  de  produtos  cosméticos  e  para  cuidados  pessoais,  constituída  pela  mistura  de  1,3­bis(hidroximetil)­5,5­ dimetilhidantoína  e  3­iodo­2­propinil  butil  carbamato  apresentada  na  forma  de  pó,  grânulos  e  solução  líquida,  acondicionada em recipientes plásticos de 18,14 kg e 226,80 kg,  marca Glydant(r)Plus, fabricante Lonza Inc.  Dispositivos  legais: RGIs 1.ª e 6.ª  (textos da posição 3808 e da  subposição 3808.40), c/c RGC­1, da TEC, do Mercosul (Decreto  nº  2.376/97  ­  Anexos  Resolução  Camex  nº  42/2001),  com  os  esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado  (Decreto n° 435/92 ­ alterado pela IN SRF n.º 123/98, 005/99 ,  054/99, 059/00 e 095/00).  WERNER HESS  Chefe  Obs: Aplicada a correlação NCM 2002 x NCM 2007  Data: 24/01/2002, publicado no DOU de 28/03/2002.  Portanto,  considerando  que  1%  do  GERMALL  PLUS  é  composto  de  Butilcarbamato  de  3­Iodo­2­Propinila,  não  sendo  esse  componente  mera  impureza  para  os  efeitos  da  nota  1.a)  do  Capítulo  29,  o  produto  em  análise  é  realmente  uma  preparação  antimicrobiana  com  função  preservativa,  devendo,  por  isso,  ser  classificado  na  posição  3808.90.29.  No tocante à aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto­Lei nº  37 de 1966, entendo que a mesma não é devida, pois a fiscalização não fez prova de que a nova  classificação  fiscal  exigiria  licenciamento  não­automático. Nesse  sentido,  convém  esclarecer  que o referido entendimento está escorado no entendimento da Câmara Superior do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, a saber:  NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  MULTA  POR  DESCUMPRIMENTO  DO  CONTROLE  ADMINISTRATIVO  DAS  IMPORTAÇÕES.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DE  QUE  A  MERCADORIA  EFETIVAMENTE  IMPORTADA  ESTAVA  SUBMETIDA  A  LICENCIAMENTO NÃO­AUTOMÁTICO. DESCABIMENTO.  A  multa prevista no art. 526 II do Regulamento Aduaneiro baixado  pelo  Decreto  91.030/94  aplica­se  na  hipótese  de  incorreta  ou  insuficiente descrição do produto na declaração de  importação  que  impeça  a  verificação  quanto  a  sua  correta  classificação  fiscal,  desde  que  a  mercadoria  efetivamente  importada  esteja  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/2007­39  Acórdão n.º 3201­001.065  S3­C2T1  Fl. 4          7 submetida  ao  regime  de  licenciamento  não­automático.  Não  tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível  a manutenção de sua exigência.  (Acórdão nº 9303­001.908, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos,  Sessão de 08/03/2012)  Finalmente, no tocante à multa regulamentar por erro de classificação fiscal,  prevista  no  art.  84  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35  de  2001,  melhor  sorte  não  assiste  à  Recorrente.  A  classificação  fiscal  por  ela  empregada  não  estava  correta,  de  modo  que,  em  termos objetivos, a infração cometida está plenamente tipificada.  Diante  de  todo  o  exposto,  DOU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  para  excluir  a  multa  de  controle  administrativo  prevista  no  art.  169,  I,  “b”,  do  Decreto­Lei nº 37 de 1966.  É como voto.  Daniel Mariz Gudiño ­ Relator                                Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10580.724116/2017-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 1.173          1 1.172  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.724116/2017­64  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­001.702  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  30 de janeiro de 2019  Assunto  DILIGÊNCIA  Recorrente  NORSA REFRIGERANTES S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do Recurso em diligência.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Marcelo  Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Leonardo Correia Lima Macedo,  Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.    ­ Relatório  Por  retratar  com  fidelidade  os  fatos,  adoto,  com  os  devidos  acréscimos,  o  relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos:  "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração,  fls.  437  a  4581,  para  exigência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI  no  valor  de  R$  40.237.618,36,  acrescido  da  multa de ofício de R$ 30.178.213,63 e dos  juros de mora (calculados  até  06/2017)  de  R$  11.040.869,33,  totalizando  a  exigência  de  R$     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 24 11 6/ 20 17 -6 4 Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.174          2 81.456.701,32,  cuja  motivação  fática  encontra­se  no  próprio  documento  e  no  Relatório  Fiscal  às  fls.  397/436,  dos  quais,  pela  pertinência, reproduzem­se os seguintes trechos:  AUTO  DE  INFRAÇÃO  CRÉDITOS  INDEVIDOS  ­  ENTRADAS/AQUISIÇÕES  INFRAÇÃO:  CRÉDITO  BÁSICO  INDEVIDO O estabelecimento industrial se creditou indevidamente do  IPI  na  aquisição  de  insumos  que  foram  classificados  como  básicos,  compreendendo  sabões,  vassouras,  anti­bactericidas  e  produtos  em  geral, que compõem o processo produtivo mas não se enquadrarem no  conceito  de  matéria  prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem,  conforme  descrito  no  Relatório  Fiscal,  parte  integrante  deste Auto de Infração. (...)  CRÉDITOS  INDEVIDOS  ­  OUTROS  CRÉDITOS  INFRAÇÃO:  CRÉDITO INDEVIDO (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO)   O  estabelecimento  NORSA  se  creditou  do  IPI  à  alíquota  de  20%  na  aquisição de insumos denominados "kits para fabricação de bebidas",  adquiridos  do  estabelecimento  RECOFARMA,  situado  na  Amazônia  Ocidental, e saídos com isenção desse imposto (crédito presumido). O  Relatório Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, detalha todas  as etapas do procedimento fiscal. Embora o fiscalizado tenha alegado,  em resposta aos termos de intimação, que faz jus ao crédito presumido  em virtude de decisão judicial transitada em julgado, esta fiscalização  demonstrou que os produtos adquiridos não estão amparados na dita  decisão,  por  não  se  classificarem  no  conceito  de  CONCENTRADO  para a fabricação de refrigerantes.(...)   RELATÓRIO  FISCAL  1)  DOS  TRABALHOS  1.1)  INTRODUÇÃO Os  créditos de IPI objeto desta fiscalização são oriundos de mercadorias  constituídas  por  diferentes  componentes  e  acondicionados  separadamente,  porém  comercializadas  em  conjunto,  em  proporções  fixas,  utilizadas  na  fabricação  de  bebidas  como  refrigerantes,  refrescos, néctares, isotônicos e bebidas à base de extrato de chá.   Embora,  como  regra  geral,  as  matérias­primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem adquiridos sem o destaque de  IPI  não  propiciem  o  aproveitamento  desse  imposto,  existem  casos  excepcionais previstos em lei. nos quais é possível o aproveitamento do  crédito pelo adquirente, como o previsto no artigo 237 do RI PI/2010  (Decreto n.° 7.212. de 15 de junho de 2010). Este artigo, ao tratar dos  créditos  incentivados  referentes  a  produtos  da  Amazônia  Ocidental,  determina  que  os  adquirentes  dos  produtos  saídos  com  a  isenção  do  inciso III do artigo 95 poderiam se creditar do valor do IPI calculado  como se devido fosse. A Amazônia Ocidental é composta pelos estados  do Amazonas, Acre. Rondônia e Roraima.  Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditar­se do valor  do  imposto  calculado,  como  se  devido  fosse,  sobre  os  produtos  adquiridos  com  a  isenção  do  inciso  III  do  art.  95,  desde  que  para  emprego  como  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem,  na  industrialização  de  produtos  sujeitos  ao  imposto  (Decreto­Lei nº 1.435. de 1975. art. 6º, §1º), (grifo nosso).  Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.175          3 Por  outro  lado,  o  artigo  95  do  mesmo  diploma  legal  disciplina  a  isenção de IPI de produtos saídos da Amazônia Ocidental:  Art. 95. São isentos do imposto:   III  ­  os  produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na  Amazônia  Ocidental,  cujos  projetos  tenham  sido  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração da SUFRAMA, excetuados o  fumo do Capítulo 24 e as  bebidas  alcoólicas,  das  Posições  22.03  a  22.06.  dos  Códigos  2208.20.00  a  2208.70.00  e  2208.90.00  (exceto  o  Ex  01)  da  TIPI  (Decreto­Lei  n°  1.435,  de  1975,  art.  6o.  e  Decreto­Lei  no  1.593.  de  1977, art. 34).  (...) O  crédito  do  IPI  na  entrada  de  produtos  com  saída  isenta  deste  imposto,  previsto  no  artigo  95,  inciso  III  do  RI  PI/2010,  depende  do  emprego  direto  do  insumo  no  processo  produtivo,  sendo  este  insumo  necessariamente  elaborado  de matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais de produção regional, não se incluindo as de origem pecuária.  (...)Finalmente, vale ressaltar que. para os bens que  tenham saído do  estabelecimento  industrial  apenas  com a  isenção prevista  pelo  artigo  81.  inciso II do RIPI 2010, própria para produtos industrializados na  Zona Franca de Manaus por estabelecimentos com projetos aprovados  pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, a legislação não prevê  o direito a crédito de 1P1. pelo adquirente. (...)Com base nos dados da  Escrituração  Fiscal  Digital  ­  EFD,  entregue  pelo  contribuinte  ao  SPED  (Sistema  Público  de  Escrituração  Digital),  verificou­se  que  a  maior  parte  dos  créditos  do  IPI  escriturados  pela  fiscalizada  foram  oriundos  de  insumos  utilizados  para  a  elaboração  de  refrigerantes  e  adquiridos  da  empresa  RECOFARMA,  localizada  em Manaus/AM.  e  identificados nas notas fiscais de entrada como CONCENTRADOS.   Apesar de não haver o destaque do  IPI nas aquisições dos "kits para  fabricação  de  bebidas"  do  fornecedor  RECOFARMA.  a  NORSA  baseou­se  no  artigo  237  do  RIPI/2010  para  escriturar  no  seu  livro  Registro de Apuração do IPI. créditos calculados mediante a aplicação  da  alíquota  de  20%  sobre  o  valor  registrado  nas  notas  fiscais.  Tais  créditos  foram erroneamente somados aos créditos básicos comuns, e  não destacados no campo "Outros Créditos",  vez que se  tratariam de  créditos presumidos.   A visita ao local de fabricação dos refrigerantes verificou, a princípio,  que  não  havia  nenhum  componente  do  "Kit  para  fabricação  de  bebidas" que  fosse elaborado com matéria­prima agrícola e extrativa  vegetal de produção regional, exclusive as de origem pecuária, capa/es  de propiciar o aproveitamento do crédito fie to de IPI pelo adquirente,  ainda  que  os  fabricantes  estejam  na  Amazônia  Ocidental  e  seus  projetos  tenham  sido  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  Suframa. (...)  Do acima exposto fica evidente a necessidade de serem cumpridas as  normas  internacionais  que  versam  sobre  o  Sistema  Harmonizado,  quando  da  aplicação  da  legislação  interna,  sendo  impossível  o  enquadramento  dos  componentes  dos  "  kits  para  fabricação  de  bebidas" em um código de classificação único, como se se tratasse de  Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.176          4 matéria­prima  única  (concentrado).  Na  verdade,  o  assinalado  kit  é  constituído  de  2  ou  mais  componentes,  assim  recebidos  da  RECOFARMA  e  posteriormente  misturados  com  outros  ingredientes,  conforme Fluxograma do Processo Produtivo entregue à fiscalização e  apresentado  na  página  seguinte,  conforme  terminologia  do  contribuinte.   Vale  ressalvar  que  a  impossibilidade  de  se  considerar  os  "kits  para  fabricação de bebidas" como concentrado não decorre do fato de que  ao longo do processo produtivo, outros insumos são acrescidos para a  fabricação do produto final. Se a partir de um único componente do kit  fosse  possível  a  fabricação  do  refrigerante,  mediante  diluição,  mantendo­se  as  características  essenciais  do  produto  final.  AINDA  QUE outros produtos  tivessem que ser acrescentados,  a  classificação  fiscal do kit como concentrado se sustentaria. O que ocorre é que. para  a  fabricação  dos  refrigerantes.  TODOS  OS  COMPONENTES  do  kit  precisam ser misturados; os insumos adquiridos sob a denominação de  "  kits  para  fabricação  de  bebidas'  são,  em  verdade,  classificados  na  posição  21.06.90.10  ­  Preparações  dos  tipos  utilizados  para  elaboração  de  bebidas,  e  não  no  Ex  Tarifário  01,  pois  não  são  um  produto único, conforme vedado pelo item XI da Nota Explicativa 3 b)  da  RGI.  já  citado.  (...)O  concentrado  do  Ex  01  informado  nas  notas  fiscais  de  entrada  da  NORSA  é  uma  ficção,  pois  o  xarope  composto  formado  durante  o  processo  produtivo  não  possui  capacidade  de  diluição superior a 10 partes da bebida, não existindo, portanto, base  legal  para  que  os  insumos  recebidos  da  RECORFARMA  sejam  classificados  no  Ex  01  do  código  2106.90.10  da  TIPI.  Tais  produtos  estão  classificados  no  código  2106.90.10,  sem  a  inclusão  do  Ex  Tarifário,  cujo  IPI  na  saída  é  nulo.  (...)Do  exposto  conclui­se  que  nenhum  componente  dos  "kits  para  fabricação  de  refrigerante"  se  classifica no Ex 01 do código 2106.90.10. Ressalte­se que o citado erro  de classificação fiscal tem permitido a utilização de valores bilionários  em  incentivos  fiscais a  fabricantes de  refrigerantes.  (...)A análise dos  créditos  escriturados  pelo  contribuinte  também  detectou  o  aproveitamento de produtos utilizados na limpeza da fábrica e não na  linha de produção, o que ensejou a expedição de  intimação própria e  maior  aprofundamento  no  tema.  Tratam­se  de  sabões,  produtos  de  desinfecção  e  até  vassouras,  cujos  créditos  foram  escriturados  pela  NORSA como se tratassem de crédito básico.  1.2)  DA  AUDITORIA  Os  créditos  escriturados  na  escrita  fiscal  da  NORSA  decorrem  de  aquisições  da  Amazônia,  de  mercadorias  constituídas  por  diferentes  componentes  acondicionados  separadamente, para uso em proporções fixas, utilizadas na fabricação  de bebidas como refrigerantes, refrescos, néctares, isotônicos e bebidas  à  base  de  extrato  de  chá.  (...)A  relação  de  notas  fiscais  de  entrada  apresentadas pelo contribuinte, com aproveitamento de credito de IPI  em virtude da aquisição dos denominados CONCENTRADOS, soma R$  43.685.694,50 em 2014 e 2015 conjuntamente.  Em  complemento  à  resposta  de  03/05/2017,  o  contribuinte  apresenta  descrição  do  processo  produtivo  de  refrigerantes,  bem  como  o  fluxograma (transcrito no capitulo anterior deste Relatório e parte dos  autos),  além  de  esclarecer  que  adquire  da  RECOFARMA  produto  único,  o  concentrado  para  refrigerantes,  que  é  composto  de  partes,  Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.177          5 entregues  em  embalagens  separadas;  acrescenta  que  NÃO  É  POSSÍVEL  obter  o  produto  final  (refrigerante)  a  partir  de  apenas  uma  das  partes  do  concentrado,  tendo  em  vista  que  o  concentrado  deve ser encarado como produto único, sendo viável a fabricação do  refrigerante somente com o uso do "kit" completo.(...)   As glosas  referentes a créditos básicos  se concentraram nos produtos  de  limpeza  denomInados  Antibacterial  C&S,  Elgicide  26.  Liquid  K.  Lubodrive OS, Lubodrive K. Stabilon AL Stabilon Plus, Topax 66 BB e  TXC­L BB. (…)  1.3)  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  1.3.1)  CRÉDITO  INDEVIDO  ­  DEMAIS  MODALIDADES  DE  CRÉDITO  CREDITO  PRESUMIDO  DO  IPI  Esta  fiscalização  constatou  existência  de  ERRO  DE  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  nos  insumos  adquiridos  pela  NORSA  da  RECOFARMA, conforme descrito neste Relatório Fiscal, parte do Auto  de  Infração,  uma  vez  que  tais  insumos  não  podem  ser  classificados  como  CONCENTRADOS  da  posição  21.06.90.10  Ex  01.  Desta  constatação  decorreu  a  glosa  mensal  de  todos  os  créditos  de  IPI  presumidamente  escriturados,  nos  anos  de  2014  e  2015.  tendo  sido  efetuada  REESCRITURAÇÀO  DA  ESCRITA  FISCAL  do  IPI.  apresentada no autos. Previamente ao lançamento, o contribuinte fora  intimado  a  se  manifestar  a  respeito  dos  pressupostos  a  que  a  fiscalização  estaria  assumindo,  através  da  lavratura  do  Termo  de  Constatação Fiscal n° 004.   A  planilha  denominada  "RELAÇÃO  DAS  GLOSAS  DE  CONCENTRADOS  ADQUIRIDOS  DA  RECOFARMA",  anexa  aos  autos, contém a descrição de todas as mercadorias glosadas, de acordo  com  o  dia  do  movimento,  associada  a  cada  nota  eletrônica  emitida  (quando informada) e respectivos valores de IPI.  1.3.2 ) CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO A outra infração detectada no  curso da ação fiscal fora o aproveitamento indevido do crédito de IPI  referente  a  insumos  descritos  nas  notas  fiscais  de  entrada  e  escriturados  sob  a  descrição  de  Compra  para  Industrialização,  mas  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  matéria  prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem.  (...)Desta  feita,  produtos  como sabões para limpeza de mãos de operários, vassouras, copos de  Coca­Cola  de  300ml,  sabões  para  limpeza  e  assepsia  de  esteiras,  lubrificantes de esteiras e similares não possuem a menor possibilidade  de  serem  considerados  matéria­prima,  produto  intermediário  ou  material  de embalagem, por nem se  integrarem ao produto  final nem  possuir  contato  íntimo  com  o  mesmo,  conforme  todo  o  exposto  anteriormente.  Deste  entendimento  resultou  a  planilha  denominada  "GLOSAS DE  INSUMOS  ­  Valores  em Reais  (R$)'\  anexa  aos  autos,  contendo  todos  os  insumos.  cujo  crédito  do  IPI  na  entrada  fora  glosado.   Face  ao  exposto,  esta  autoridade  efetuou  a  glosa  da  totalidade  dos  créditos  incentivados  do  IPI  oriundos  de  "kits  para  fabricação  de  bebidas"  recebidos  com  isenção  da  RECOFARMA,  e  também  dos  créditos  de  IPI  de  produtos  adquiridos  para  industrialização,  mas  cujos  produtos  não  se  enquadram  no  conceito  de  matéria­prima,  produto intermediário ou material de embalagem.   Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.178          6 A  planilha  denominada  "RELAÇÃO  DAS  GLOSAS  TOTAIS  EFETUADAS  PELA  FISCALIZAÇÃO"  exibe  os  totais  mensais  glosados, separadamente em créditos básicos e créditos incentivados.   O auto de  infração lavrado apresenta a planilha de reconstituição da  escrita  fiscal,  considerando­se  os  saldos  credores  de  períodos  anteriores ao  início da  fiscalização e os  saldos de  cada mês. No que  toca  aos  pedidos  de  ressarcimento  protocolados  Receita  Federal,  os  mesmos  tiveram  os  créditos  glosados  no  respectivo  trimestre  do  período  de  apuração,  conforme  totais  mensais  da  citada  planilha  acima.     Desta  feita,  encerro  a  presente  fiscalização,  com  exame  e  com  resultado, e com glosa parcial dos créditos pleiteados nas PerdComps  citadas.  Portanto,  trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  pela  fiscalização  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Salvador/BA  apontando  glosas de crédito básico indevido, em razão de aquisições de insumos  não  classificáveis  como  matéria  prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem  ("como  sabões  para  limpeza  de  mãos  de  operários,  vassouras,  sabões  para  limpeza  e  assepsia  de  esteiras,  lubrificantes  de  esteiras"),  e  glosas  de  crédito  presumido  de  IPI  indevido,  uma  vez  que  os  produtos  adquiridos  da RECOFARMA  não  foram elaborados por meio de matérias­primas agrícolas e extrativas  vegetais de produção regional, bem como não podem ser classificados  no código NCM 2106.90.10 Ex. 01, por não se tratar de aquisição de  concentrado  de  refrigerante  como  produto  único,  e  sim  de  diversos  ingredientes adquiridos separadamente que se misturam para formar o  concentrado  de  refrigerante  e,  posteriormente,  a  bebida  final,  não  gerando crédito presumido do imposto.   Após  a  ciência  do  Auto  de  Infração  em  08/06/2017,  fls.  459/460,  insurgiu­se o contribuinte contra o feito fiscal por meio do arrazoado  de fls. 464/565, em 07/07/2017, que assim vai resumido:  1. DA TEMPESTIVIDADE   2. DOS FATOS   3. DA NULIDADE DO AUTO, DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE  DEFESA E DA AUSÊNCIA DE PROVA   3.1.  Como  visto  acima,  o  fundamento  principal  do  AUTO  para  desconsiderar  a  alíquota  utilizada  pela  IMPUGNANTE  para  cálculo  do  crédito  de  IPI  foi  o  suposto  erro  de  classificação  fiscal  dos  Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.179          7 concentrados  para  refrigerantes  adquiridos  pela  IMPUGNANTE,  em  razão de tais concentrados serem entregues de forma desmembrada.  3.2.  Não  obstante,  a  AUTORIDADE  não  indicou  os  componentes  do  concentrado  que  deveriam  ser  classificados  separadamente  e  em  que  posições  da  TIPI  tais  componentes  do  concentrado  deveriam  ser  classificados.   3.3.  Sem  a  indicação  da  AUTORIDADE  da  posição  na  qual  os  componentes  do  concentrado  deveriam  ser  classificados  na  TIPI,  a  IMPUGNANTE  está  impossibilitada  de  verificar  a  alíquota  correspondente para  fins de cálculo do crédito de  IPI, o que  importa  em  verdadeiro  cerceamento  do  direito  de  defesa.  (...)3.7.  Por  outro  lado,  ainda  que  a  AUTORIDADE  tivesse  indicado  quais  seriam  as  posições  da  TIPI  a  serem  adotadas,  de  qualquer  forma,  deve  ser  mantida  a  classificação  fiscal  do  concentrado  para  refrigerantes  indicada pela fornecedora na posição 21.06.90.10 EX. 01.   3.8. Isso porque o tema classificação fiscal envolve uma análise técnica  e, pois, não basta a AUTORIDADE apresentar as supostas razões que  embasariam  o  equivoco  da  classificação  fiscal  indicada  pelo  contribuinte,  é  necessário  que  seja  apresentada  prova  técnica  justificando o seu entendimento.   3.9. Neste particular, registre­se que o ônus de provar o equivoco da  classificação  fiscal  incorrido  pelo  fornecedor  do  produto  é  da  Fiscalização  e,  no  caso,  a  AUTORIDADE  não  trouxe  elementos  comprobatórios técnicos que respaldem o suposto equivoco. (...)  4.  DA NÃO  RESPONSABILIDADE DA  IMPUGNANTE  (TERCEIRO,  ADQUIRENTE  DO  CONCENTRADO)  POR  SUPOSTO  ERRO  NA  CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO  4.1. É  incontroverso que a  IMPUGNANTE é  terceiro,  adquirente dos  concentrados para refrigerantes, e que a RECOFARMA (fornecedora)  foi quem emitiu as notas  fiscais, descreveu os produtos e  efetuou  sua  classificação  fiscal,  o  que  é  bastante  e  suficiente  para  justificar  a  aplicação  da  alíquota  utilizada  para  fins  do  cálculo  do  crédito.  (...)4.21. Assim, se não cabe ao adquirente questionar a classificação  fiscal  dos  produtos  fornecidos  pela  RECOFARMA,  a  IMPUGNANTE  agiu  licita  e  corretamente  ao  calcular  o  crédito  de  IPI,  na  alíquota  correspondente a essa classificação fiscal.   5. DA ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO   5.1. Ainda que se entenda que o adquirente tem obrigação de verificar  a correção da classificação fiscal do produto constante da nota fiscal,  o  que  se  admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  mesmo  assim  a  IMPUGNANTE tem direito de calcular o crédito de IPI à alíquota da  classificação fiscal indicada pelo fornecedor, porque o AUTO violou o  art. 146 do CTN.   5.2. Isso porque a IMPUGNANTE sempre calculou os créditos de IPI  decorrentes  da  aquisição  de  concentrados  isentos  para  refrigerantes  oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista na TIPI para  Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.180          8 a posição 21.06.90.10 EX. 01 e a AUTORIDADE sempre aceitou essa  alíquota. (...)  5.4. De fato, esse novo critério jurídico utilizado pela AUTORIDADE  foi  originariamente  introduzido  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração  contra  a  RECOFARMA,  em  22.12.2014,  no  qual  foi  questionada,  pela  primeira  vez,  a  classificação  fiscal  do  concentrado  em  relação  àquela  (RECOFARMA)  que  procedeu  à  referida  classificação.  (...)5.11.  Vê­se,  pois,  que,  ainda  que  a  IMPUGNANTE  tivesse a obrigação de  verificar a  correção da classificação  fiscal do  produto  constante  da  nota  fiscal  emitida  pelo  fornecedor,  o  que  se  admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  é  inconteste  que  houve  modificação de critério jurídico aplicada de forma retroativa.  6.  DA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DOS  CONCENTRADOS  PARA  REFRIGERANTES   6.1.  DA  COMPETÊNCIA  DA  SUFRAMA  PARA  DEFINIR  A  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DOS  PRODUTOS  FABRICADOS  EM  PROJETO  INDUSTRIAL  APROVADO  PARA  FRUIÇÃO  DE  BENEFÍCIOS FISCAIS E DO ATO ADMINISTRATIVO  6.1.1. Ainda que afastados os argumentos acima desenvolvidos, o que  se admite apenas para fins de argumentação, caberia então analisar a  competência  da  SUFRAMA  para  definir  a  classificação  fiscal  dos  produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos  benefícios fiscais previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6o do  DL n° 1.435/75. (...)  6.1.4.  Ora,  ao  definir  o  PPB  do  produto  incentivado,  para  fins  de  fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique  qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins  de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal.   6.1.5. Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB  a definição da classificação fiscal do referido produto. (...)  6.1.9.  Como  se  verifica  da  simples  leitura  dos  referidos  dispositivos,  não  há  neles  qualquer  previsão  no  sentido  de  que  a  RFB  teria  competência  exclusiva  para  definir  a  classificação  fiscal  de  produto.  (...)  6.2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO DEFINIDA  PELA SUFRAMA   6.2.1.  A AUTORIDADE  concluiu  que  o  concentrado  não  poderia  ser  classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, porque seria  constituído de diversas partes inacabadas que não teriam o condão de  formar um produto único e desconsiderou o  fato de que a SUFRAMA  definiu  a  classificação  fiscal  do  concentrado  produzido  pela  RECOFARMA. (...)  6.2.7. Vê­se, pois, que, a partir da definição dada pela SUFRAMA ao  produto fabricado pela RECOFARMA, a própria SUFRAMA reconhece  que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue  desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de  Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.181          9 produto  único  (de  concentrado  para  refrigerantes),  classificado  na  posição  21.06.90.10  EX.  01  da  TIPI/2011,  qual  seja,  preparações  compostas  para  bebidas  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes da bebida para cada concentrado ­ por isso classificado no EX.  01, a qual tem alíquota de 20%, a saber: (...)  6.2.9.  Dessa  forma,  a  classificação  fiscal  do  concentrado  para  refrigerantes, utilizada pela RECOFARMA, qual seja, 21.06.90.10 EX.  01  da  TIPI/2011,  está  consubstanciada  em  ato  administrativo  vinculatório  (Resolução do CAS n° 298/2007,  integrada pelo Parecer  Técnico n° 224/2007), que tem presunção de legitimidade, veracidade e  legalidade,  de  que  nasceu  e  encontra­se  em  conformidade  com  o  ordenamento jurídico. (...)  6.3.  DA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DEFINIDA  PELAS  REGRAS  GERAIS  DE  INTERPRETAÇÃO  DO  SISTEMA  HARMONIZADO  E  NESH   6.3.1. No presente caso, a AUTORIDADE concluiu que o concentrado  para  refrigerantes  em  questão  não  poderia  ter  sido  classificado  na  posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, porque:   a)  seria  composto  por  diversas  partes  não  misturadas,  ou  seja,  não  homogeneizadas, e, por essa razão, não seria uma mercadoria única e  nem  estaria  pronta  para  uso  pelo  destinatário  do  produto,  no  caso  a  IMPUGNANTE;  e  b)  não  seria  possível  obter  as  mesmas  características  essenciais  do  refrigerante  a  partir  da  diluição  de  apenas um dos componentes do concentrado.   6.3.2.  Ocorre  que,  ao  contrário  do  afirmado  pela  AUTORIDADE,  a  aplicação  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado,  aprovadas  pelo  Decreto  n°  97.409/88,  e  das  NESH,  aprovadas pelo Decreto n° 435/92, leva:   a)  à  conclusão  de  que  está  correta  a  classificação  fiscal  do  concentrado  para  refrigerantes  na  posição  21.06.90.10  EX.  01  da  TIPI/2011;   b)  à  mesma  classificação  dada  pela  SUFRAMA;  e  c)  à  mesma  classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN n° 405/2003. (...)  6.3.15.  Registre­se,  ainda,  que  o  fato  de  os  concentrados  para  refrigerantes adquiridos da RECOFARMA não terem sido previamente  misturados  não  significa  que  eles  não  estejam prontos  para  uso  pelo  fabricante dos refrigerantes, porque, após o ingresso dos concentrados  no  estabelecimento  da  IMPUGNANTE,  todo  processo  produtivo  feito  por ela é  relativo à elaboração de refrigerantes e, por conseguinte, é  óbvio que  os  referidos  concentrados  estão  prontos  para  uso pelo  seu  destinatário  que,  no  caso,  é  a  IMPUGNANTE,  na  qualidade  de  fabricante de refrigerantes.  7.  DO  DIREITO  AO  CRÉDITO  RELATIVO  À  AQUISIÇÃO  DE  CONCENTRADOS  ISENTOS  PARA  ELABORAÇÃO  DO  REFRIGERANTE GUARANÁ  Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.182          10 7.1. Afastada a glosa da alíquota do crédito de IPI, (i) seja porque erro  de classificação fiscal não é imputável ao adquirente, (ii) seja porque a  AUTORIDADE  inovou  retroativamente  o  critério  jurídico  do  AUTO,  (iii)  seja  porque  a  classificação  fiscal  do  concentrado  está  consubstanciada em ato administrativo editado pela SUFRAMA ou (iv)  seja  porque  está  de  acordo  com  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  e  com  a  NESH,  deve  ser,  automaticamente,  reconhecido o direito da IMPUGNANTE ao crédito de IPI decorrente  da  aquisição  de  concentrados  para  elaboração  do  refrigerante  Guaraná.   7.2. Nesse sentido, confira­se o respectivo trecho do relatório fiscal que  demonstra  que  a AUTORIDADE  reconheceu  que o concentrado para  elaboração do refrigerante Guaraná faz jus à isenção prevista no art.  95, III, do IPI/2010:  "Assim,  preparações  em  cuja  elaboração  tenha  sido  efetivamente  utilizado extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental  fazem  jus à isenção do IPI, na saida, conforme previsto no artigo 95,  inciso  III do RIPI/2010, mas não há que se falar em geração de crédito do IPI  aos adquirentes, por serem tributados à alíquota zero. (...)"7.3. Vê­se,  pois, que o próprio AUTO reconheceu que tais concentrados fazem jus  ao  beneficio  do  art.  6o  do  DL  n°  1.435/75  e,  pois,  superado  o  argumento do AUTO de erro da classificação fiscal do concentrado, a  IMPUGNANTE  faz  jus  ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  concentrados para elaboração do refrigerante Guaraná à alíquota de  20%.  8.  DO  DIREITO  AO  CRÉDITO  RELATIVO  A  AQUISIÇÃO  DOS  DEMAIS  CONCENTRADOS  ISENTOS  PARA  ELABORAÇÃO  DE  REFRIGERANTES  (...)  a  IMPUGNANTE  também  tem  direito  ao  crédito  de  IPI,  à  alíquota  de  20%,  pelos  fundamentos  abaixo  desenvolvidos  que  são  autônomos  e  suficientes,  entre  si,  para  manutenção do crédito.   8.2.  DA  COISA  JULGADA  FORMADA  NO  MSI  N°  95.0009470­3  IMPETRADO PELA IMPUGNANTE ­ ISENÇÃO DO ART. 81, II, DO  RIPI/10 (BASE LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67)   8.2.1.  A  AUTORIDADE  reconheceu  a  existência  da  coisa  julgada  formada no MSI  n°  95.0009470­3  (fls.  163  a  223), mas  concluiu que  essa  coisa  julgada  não  produziria  efeitos  em  relação  aos  produtos  adquiridos  pela  IMPUGNANTE,  porque  aproveitaria  apenas  à  aquisição  de  "concentrados",  o  que  não  seria  o  caso  dos  insumos  adquiridos da RECOFARMA.   8.2.2.  Ocorre  que  o  pedido  formulado  na  inicial  do  MSI  n°  95.0009470­3  foi  amplo  e  abrangeu  todos  os  componentes  do  concentrado,  porque  tratou  dos  produtos  classificados  na  posição  2106.90  da  TIPI/88,  conforme  se  verifica  do  respectivo  pedido  (fl.  177): (...)  8.2.3.  Ora,  a  posição  21.06.90.,  referida  no  pedido  inicial  do  MSI,  abrangia  todas  as  preparações  compostas,  não  alcóolicas  para  elaboração de  bebidas  constituídas  por  um  xarope ao  qual  se  juntou  Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.183          11 um extrato concentrado, contendo vários componentes, extrato de coca,  ácido citrico, (...)  8.2.7. Neste particular, é importante ressaltar que é fato incontroverso  que,  à  época  em  que  impetrado  o  MSI  n°  95.0009470­3,  os  "concentrados"  fabricados  pela  RECOFARMA  já  eram  entregues  de  forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e já eram chamados de  "concentrados" pela fornecedora, conforme se verifica de nota fiscal de  venda  emitida  pela  RECOFARMA,  em  22.11.1993,  e  anexada  ao  referido MSI (DOC. 08).  8.3. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 81, II, DO RIPI/10 (BASE  LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67)   (...)  8.3.2.  Conforme  também  se  verifica  das  notas  fiscais  (DOC.  09),  o  concentrado adquirido pela IMPUGNANTE da RECOFARMA também  é  isento, com fulcro no art. 81,  II, do RIPI/10, que  tem base  legal no  art. 9º do DL n° 288/67, porque oriundo da Zona Franca de Manaus e  utilizado  na  fabricação  de  refrigerantes  sujeitos  ao  IPI;  isenção  também concedida pela Resolução do CAS n° 298/2007. Eis o teor do  art. 9º do DL n° 288/67:  "Art. 9º Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)  todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se  destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer  ponto do Território Nacional."  8.3.3. Com efeito, no julgamento do RE n° 212.484­RS, o Plenário do  STF assegurou à outra fabricante de refrigerantes o direito ao crédito  do  IPI  decorrente  da  aquisição  do  concentrado  isento  para  refrigerantes  oriundo  de  fornecedor  situado  na  Zona  Franca  de  Manaus e utilizado na fabricação de refrigerantes cuja saída é sujeita  ao IPI; confira­se: (...)  8.3.9 Assim, não há dúvida de que deve ser aplicado ao presente caso o  entendimento manifestado no RE n° 212.484, uma vez que a própria D.  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  em  seu  Parecer  PGFN/CRJ  n°  492/2011,  atribui­lhe  força  vinculante,  uma  vez  que  determina  a  observância obrigatória das decisões judiciais proferidas pelo Plenário  do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, anteriores a  03.05.2007, confirmadas em julgamentos posteriores do STF. (...)  8.3.12. De outro lado, no RE n° 592.891­SP, o STF reconhecera ainda  a existência de repercussão geral da questão concernente ao direito ao  crédito de IPI relativo à aquisição de insumos oriundos de fornecedor  situado na Zona Franca de Manaus: (...)  8.4. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 95, III, DO RIPI/10 (BASE  LEGAL NO ART. 6° DO DL N° 1.435/75)   8.4.1.  Ainda  que  superados  os  argumentos  desenvolvidos  na  seção  anterior, a IMPUGNANTE tem direito ao aproveitamento do crédito de  IPI em razão de os concentrados para refrigerantes serem beneficiados  pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base legal no  Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.184          12 art.  6°  do DL  n°  1.435/75,  pois,  além  de  serem  produzidos  na  Zona  Franca  de  Manaus,  são  elaborados  com  matéria­prima  agrícola  adquirida de produtor  situado na Amazônia Ocidental e utilizados na  fabricação de refrigerantes sujeitos ao IPI. (...)  8.4.3.  Não  obstante,  a  AUTORIDADE  concluiu  que  os  concentrados  não  seriam  beneficiados  pela  isenção  do  art.  6º  do DL  n°  1.435/75,  pois  um  dos  requisitos  legais  para  concessão  do  beneficio  teria  sido  descumprido  pela  RECOFARMA,  qual  seja,  utilização  direta  de  matérias­primas  agrícolas  extrativas  vegetais  na  fabricação  dos  concentrados,  tendo  em  vista  que  os  insumos  utilizados  seriam  industrializados,  exceto  na  fabricação  do  concentrado  para  o  refrigerante Guaraná.   8.4.4. Ocorre  que,  ao  aprovar  o Parecer  Técnico  n°  224/2007,  parte  integrante da Resolução do CAS n° 298/2007, a SUFRAMA entendeu  que era suficiente e bastante para a aprovação do projeto para fruição  do beneficio fiscal do art. 6o do DL n° 1.435/75 a utilização de açúcar  e/ou  álcool  e/ou  corante  caramelo  na  produção  do  concentrado,  produzido  a  partir  de  cana  de  açúcar,  adquirida  de  produtores  localizados na Amazônia Ocidental. (...)  8.4.6.  E,  nesse  passo,  a  Resolução  do CAS  n°  298/2007,  fundada  no  Parecer Técnico n° 224/2007, concedeu expressamente o beneficio do  art.  6º  do  DL  n°  1.435/75  para  os  concentrados  fabricados  pela  RECOFARMA, nos seguintes termos: (...)  8.4.9.  Com  fulcro  nessas  normas,  o  despacho  da  autoridade  administrativa  (SUFRAMA),  suficiente  a  comprovar  a  concessão  da  isenção da RECOFARMA, consoante o art. 179 do CTN, é a Resolução  do CAS n° 298/2007, acima mencionada, fundada no Parecer Técnico  n° 224/2007. (...)  8.4.11. Ora, se a legislação pertinente e a própria Resolução do CAS  estabelecem que a SUFRAMA é o órgão competente para  cancelar o  beneficio concedido, o único raciocínio lógico possível, é o de que tal  beneficio foi concedido pela própria SUFRAMA e somente ela poderá  cancelá­lo. (...)  8.4.17. A IMPUGNANTE não nega que a RFB tenha competência para  fiscalizar  tributos  federais;  não  obstante,  essa  competência  não  lhe  autoriza  a  contrariar  atos  da  SUFRAMA  e  cancelar  unilateralmente  beneficio oneroso concedido por esse Órgão dentro do exercício de sua  competência.(...)   8.4.20.  Dessa  forma,  na  hipótese  de  discordar  da  SUFRAMA  na  concessão do referido beneficio à RECOFARMA, o qual é um beneficio  condicionado,  porque  exigiu  contraprestação  por  parte  do  industrial  estabelecido na Zona Franca de Manaus, o Fisco só teria um caminho:  questioná­lo  perante  a  própria  SUFRAMA,  antes  da  lavratura  de  qualquer  auto  de  infração  contra  o  contribuinte,  para  que  esta,  na  forma  do  art.  57  da  Resolução  do  CAS  n°  202/06  (com  redação  idêntica  a  do  art.  54  da  Resolução  do CAS  n°  203/2012,  atualmente  vigente),  cancele  o  incentivo  fiscal  concedido,  ­  e  não  simples  e  unilateralmente desconsiderá­lo. (...)  Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.185          13 8.4.28. Vê­se, pois, que, para efeitos específicos dessa isenção, o termo  matéria­prima utilizado no próprio § Iº compreende tanto os produtos  industrializados com matéria­prima agrícola regional como a própria  matéria­prima agrícola regional. (...)  9. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE  MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA   9.1. Ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o  que se admite apenas para fins de argumentação, a multa, os juros de  mora  e  a  correção monetária  também  não  são  devidos  em  razão  do  disposto  no  art.  100,  parágrafo  único,  do CTN,  que  estabelece  que a  observância  de  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de  mora e correção monetária. (...)  9.6. Assim, ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 20% decorrente da  aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona  Franca  de  Manaus  e  elaborados  com  matéria­prima  adquirida  de  produtor  situado  na  Amazônia  Ocidental,  a  IMPUGNANTE  agiu  de  acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer  Técnico n° 224/2007.   9.7. Vê­se, pois, que devem ser excluídos a multa, os juros moratórios e  a  correção  monetária  exigidos,  sob  pena  de  ofensa  ao  art.  100,  parágrafo único, do CTN.   10. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA  10.1. Por outro lado, ainda que superados todos os argumentos acima  desenvolvidos, o que se admite apenas para argumentar,  também não  seria  cabível  a  imposição  de  multa  no  presente  caso,  em  razão  do  disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64.  10.2 Com efeito, o art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64 assim dispõe:  "Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (...)II ­ enquanto prevalecer  o entendimento ­ aos que tiverem agido ou pago o imposto:   a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida  em  processo  fiscal,  inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado."  10.3.  No  caso,  há  decisões  irrecorríveis  de  última  instância  administrativa  proferidas  em  processos  fiscais  no  sentido  de  que  (i)  não  cabe  ao  adquirente  do  produto  verificar  a  sua  correta  classificação  fiscal  (Acórdãos:  02­02.895,  de  28.01.2008,  relator  Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM; 02­02.752, de 02.07.2007,  relator  Conselheiro  ANTONIO  BEZERRA  NETO  e  02­0.683,  de  18.11.1997,  relator  Conselheiro  MARCOS  VINÍCIUS  NEDER  DE  LIMA), e (ii) o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca  de Manaus  tem  direito  ao  crédito  de  IPI  (Acórdão  n°  02­01.212,  de  11.11.2002), o que atrai os arts. 486, II, "a", do RIPI/02 e art. 567, II,  "a", do RIPI/10, para fins de exclusão da multa exigida.  Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.186          14 11.  DOS  CRÉDITOS ORIUNDOS DA  AQUISIÇÃO DE  PRODUTOS  DE  LIMPEZA  NO  PROCESSO  DE  INDUSTRIALIZAÇÃO  DOS  REFRIGERANTES   11.1. A AUTORIDADE concluiu que a IMPUGNANTE não teria direito  ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  produtos  de  limpeza,  porque  supostamente  não  teriam  sido  utilizados  diretamente  na  fabricação  dos  refrigerantes  e,  pois,  não  seriam  enquadráveis  na  definição  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65/79.   11.2. Ora, a assertiva da AUTORIDADE está equivocada, porque não  há  dúvida  de  que  os  produtos  utilizados  para  assepsia,  sanitização  e  limpeza  em  geral  integram  o  processo  produtivo  de  refrigerantes,  já  que inerentes à sua produção, inclusive, por exigências sanitárias são  utilizados de forma obrigatória e, pois, está correto o creditamento do  imposto.   11.3.  Registre­se,  ainda,  que,  embora  os  produtos  de  limpeza  não  tenham  necessariamente  contato  direto  com  o  refrigerante,  tais  produtos  entram  em  contato  direto  com  as  embalagens  dos  refrigerantes,  visto  que  são  utilizados  para  higienizar  as máquinas  e  esteiras, onde são elaborados os refrigerantes. (...)  11.5.  0  próprio  Parecer  Normativo  CST  n°  65/79,  citado  pela  AUTORIDADE,  concluiu  que  o  conceito  de  produto  intermediário  é  amplo,  alcançando  também  os  bens  que,  embora  não  sejam  "consumidos"  no  processo  de  fabricação,  exercem  uma  ação  direta  sobre o produto fabricado: (...)11.7. Por fim, a AUTORIDADE afirmou  que  considerou  válido  o  aproveitamento  dos  créditos  de  IPI  decorrentes  da  aquisição  de  materiais  de  embalagem,  não  obstante  essa afirmativa, a AUTORIDADE glosou os créditos de IPI decorrentes  da  aquisição  de  "Eucatex"  e  "bolsa  BIB",  os  quais  são materiais  de  embalagem.   11.8. Dessa forma, deve ser revertida a referida glosa, tendo em vista  que  o  aproveitamento  do  crédito  de  IPI  na  hipótese  de  aquisição  de  material  de  embalagem está  expressamente autorizado no art.  226,  I,  do RIPI/10, já transcrito acima.  12.  DA  IMPROCEDÊNCIA  DA  EXIGÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO  EXIGIDA  NO  AUTO  12.1.  Como  aspecto  adicional, superados os argumentos acima que afastam a aplicação de  qualquer  penalidade,  o  que  se  admite  apenas  para  fins  de  argumentação, seria totalmente descabida a incidência de juros sobre  a multa de oficio lançada contra a IMPUGNANTE, porque implicaria  numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em  mora na exigência de multa. (...)  12.7. Por essas razões, é ilegal a cobrança dos juros sobre a multa de  oficio aplicada à IMPUGNANTE.   13. DO PEDIDO   Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.187          15 13.1. Pelo exposto, a IMPUGNANTE pede e espera que seja cancelado  o  auto  de  infração  em  epígrafe,  com  a  conseqüente  extinção  dos  créditos tributários correspondentes."  A decisão  recorrida  julgou  improcedente  a  Impugnação e apresenta  a  seguinte  ementa:  "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período  de  apuração:  01/01/2014  a  31/12/2015  NULIDADE.  PREJUÍZO  À  DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.   Diante  da  não  configuração  de  prejuízo  à  defesa,  inexistindo  cerceamento ao direito de defesa, não há que se falar em nulidade do  processo.   ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  INOCORRÊNCIA.  AUSÊNCIA  DE  MANIFESTAÇÃO  ANTERIOR  PELA  ADMINISTRAÇÃO.   Não  ocorre  alteração  de  critério  jurídico  nem  ofensa  ao  art.  146  do  CTN  se  a  Fiscalização  promove  autuação  baseada  em  entendimento  distinto  daquele  que  seguidamente  adota  o  contribuinte,  mas  que  jamais  foi  objeto  de  manifestação  expressa  pela  Administração  Tributária.   AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE.   Decisões judiciais devem ser interpretadas de forma literal e restrita. A  decisão  judicial  quanto  à  possibilidade  de  aproveitamento  de  crédito  de  insumo  proveniente  de  saída  isenta  está  restrita  à  aquisição  de  concentrados  para  refrigerantes,  o  que  não  é  o  caso  dos  insumos  adquiridos da Recofarma, compostos por diversos produtos separados,  e não um concentrado único para fabricação de refrigerantes.   Apelação recebida em duplo grau,  suspendendo os efeitos da decisão  de 1ª instância, permitindo a plena atuação do órgão fiscalizador.   Matéria sobrestada em razão do reconhecimento de repercussão geral,  após  manifestação  do  STF  no  âmbito  do  RE  n°  243.858/CF,  aguardando julgamento nos autos do RE 592.891.   SUBMISSÃO  A  ENTENDIMENTO  DA  CÂMARA  SUPERIOR  DE  RECURSOS  FISCAIS.  MULTA  DE  OFÍCIO.  POSSIBILIDADE  DE  EXIGÊNCIA.   O art. 100 do CTN restringiu a aplicação do disposto no art. 76, II, a,  da  Lei  nº  4.502/64  e,  por  isso,  a  exclusão  de  penalidades  para  o  contribuinte que observe decisão administrativa definitiva da qual não  seja  parte  no  processo  específico  reclama  lei  que  atribua  eficácia  normativa às referidas decisões administrativas.  Impossível  a  exclusão  da  penalidade  também  pelo  fato  de  não  mais  prevalecer  o  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  que foi seguido pelo contribuinte.   DE MULTA E DEMAIS ACRÉSCIMOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE  DE APLICAÇÃO (ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN).   Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.188          16 Somente ato praticado por autoridade administrativa competente pode  gerar o referido efeito previsto no parágrafo único do art. 100 do CTN.   Não  é  o  caso  de  ato  praticado  pela  Suframa,  que  não  detém  competência para determinar a classificação fiscal de produtos.   ASSUNTO:  CLASSIFICAÇÃO  DE  MERCADORIAS  Período  de  apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 KIT (“CONCENTRADO”) PARA  A  FABRICAÇÃO  DE  REFRIGERANTES.  ADOÇÃO  DA  CLASSIFICAÇÃO DOS COMPONENTES.   Demonstrado  nos  autos  que  o  “concentrado”  classificado  pela  interessada no código Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI trata­se, na  verdade, de KIT de insumos e de produtos intermediários, deve­se, por  aplicação  das  regras  gerais  de  classificação,  adotar  a  classificação  fiscal de cada um de seus componentes, ao invés de tratar referido KIT  como produto único.   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período  de  apuração:  01/01/2014  a  31/12/2015  DIREITO  AO  CRÉDITO  DE  IPI.  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DA  AMAZÔNIA  OCIDENTAL.  DESCUMPRIMENTO  DE  REQUISITOS.  GLOSA.  PROCEDÊNCIA.   A aprovação de projeto por parte da Suframa não exclui o poder­dever  da  Receita  Federal  de  verificar  a  legitimidade  dos  créditos  de  IPI  escriturados pelo adquirente dos produtos e não garante, por si só, o  direito ao crédito.   Somente  aqueles  produtos  de  natureza  específica,  originados  de  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  é  que  possuem  a  aptidão de gerar crédito do IPI para o adquirente.   DIREITO AO CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO­CUMULATIVIDADE.  INSUMOS  ISENTOS.  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  IMPOSSIBILIDADE.   A  aquisição  de  insumos  isentos,  provenientes  da  Zona  Franca  de  Manaus, não legitima, por si só, o aproveitamento de créditos de IPI.   O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não garante direito ao crédito de IPI se as  operações  de  aquisição  são  desoneradas  do  imposto,  ante  a  inexistência de autorização legal para tanto.   A  idoneidade  das  notas  fiscais  emitidas  pelo  fornecedor  dos  insumos  isentos  e  a  boa  fé  do  adquirente  não  são  suficientes  para  garantir  o  direito ao crédito como se devido fosse, se ausentes os requisitos legais  previstos na norma de regência.  IPI. CRÉDITOS. GLOSA. INSUMOS UTILIZADOS INDIRETAMENTE  NO PROCESSO INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.   Não geram direito ao crédito de  IPI a entrada de  insumos que sejam  utilizados  apenas  indiretamente  no  processo  industrial,  não  observando  as  condições  estabelecidas  no  Parecer  Normativo  CST  65/79.   Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.189          17 Assim, não ensejam o direito creditório as aquisições de material para  uso e consumo, tais como produtos de assepsia, sanitização e limpeza.   EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal”  e,  como tal, está sujeita à incidência de juros de mora sobre a multa de  ofício a partir de seu vencimento.   Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido"   O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva,  contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos:  (i) cerceamento do direito de defesa e ausência de prova, pois sem a indicação  detalhada  e  individual  pela  autoridade,  da  posição  na  qual  cada  componente  dos  produtos  deveria ser classificado na TIPI, o auto de infração fica eivado de ilegalidade, porque ofendeu  os arts. 10 do Decreto 70.235/1972 e 142 do CTN;  (ii) que a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que o auto  de  infração  que  não  efetua  a  reclassificação  fiscal  de  mercadoria  incorre  em  ilegalidade  (Acórdão nº 9303­003.811);  (iii) que a  ilegalidade apontada não pode ser sanada pela autoridade  julgadora,  sob pena de ofensa ao art 146 do CTN, porque estaria alterando o critério jurídico do auto;  (iv)  ainda  que  a  decisão  tivesse  indicado  quais  seriam  as  posições  da  TIPI  a  serem adotadas, deveria ser mantida a classificação fiscal do produto indicada pela fornecedora  na posição 21.06.90.10 EX. 01,porque a autoridade não apresentou prova técnica justificando o  seu entendimento;  (v) a decisão, com a pretensão de distorcer as alegações feitas, invoca o art. 30,  §  1º  do  Decreto  70.235/1972  para  sustentar  que  a  classificação  fiscal  não  constitui  aspecto  técnico;  (vi) o referido dispositivo determina que os laudos ou pareceres do Laboratório  Nacional  de  Análises,  do  INstituto  Nacional  de  Tecnologia  (INT),  e  de  outros  órgão  congêneres  não  tem  o  condão  de  definir  a  classificação  fiscal  de  determinado  produto;  não  obstante,  é  incontroverso  que  os  aspectos  técnicos  tratados  no  respectivo  laudo  são  determinantes para que a autoridade proceda a classificação fiscal;  (vii)  o  ônus  de  provar  o  equívoco  da  classificação  fiscal  incorrido  pelo  fornecedor  do  produto  é  do  Fisco  e,  no  caso,  não  há  nos  autos  elementos  comprobatórios  técnicos que respaldem o suposto equívoco;  (viii) a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF cancelou auto de  infração que discutia classificação fiscal de mercadorias por entender que o ônus da prova para  justificar a reclassificação fiscal do produto caberia à autoridade fiscal e que a insuficiência de  elementos de prova seria bastante para manter a classificação fiscal definida pelo fabricante do  produto (Acórdão nº 3301­003.062);  Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.190          18 (ix) os concentrados objeto do processo são beneficiados por duas isenções: (a)  a do art. 81,  inc. II, do Decreto nº 7.212/2010 ­ Regulamento do IPI (RIPI/10), que tem base  legal no art. 9º do Decreto­Lei nº 288/1967, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus,  cujo  crédito  de  IPI  para  a  Recorrente  foi  assegurado,  expressa  e  especificamente,  pelo  entendimento  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  manifestado  no  Recurso  Extraordinário nº 212.484; (b) a do art. 95, inc. III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do  DL  nº  1.435,  de  16.12.1975,  cujo  crédito  de  IPI  para  o  adquirente  decorre  do  próprio  dispositivo legal (art. 6º, § 1º, do DL nº 1.435/75), que outorga crédito ao adquirente do insumo  elaborado com matéria­prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental;  (x)  é  incontroverso  que  a  Recorrente  é  terceiro,  adquirente  dos  concentrados  para bebidas, e que a Recofarma (fornecedora) foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os  produtos  e  efetuou  sua  classificação  fiscal,  o  que  é  suficiente  para  justificar  a  aplicação  da  alíquota utilizada;  (xi)  o  Relatório  de  Fiscalização  reconhece  que  a  classificação  fiscal  dos  concentrados para bebidas foi efetuada pela Recofarma na posição 21.06.90.10 EX. 01;  (xii)  o  art.  62  da  Lei  nº  4.502/64  determina  que  o  adquirente  verifique  se  os  produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham  atendem à prescrições legais e regulamentares;  (xiii)  O  RIPI/1998  e  os  RIPI's  de  2002  e  2010  suprimiram  o  acréscimo  regulamentar  de  que  o  adquirente  deveria  examinar  a  correção  da  classificação  fiscal  do  produto dada pelo fornecedor;  (xiv) o CARF possui precedentes no sentido da  inexistência de tal obrigação e  pela  exclusão  da  multa  aplicável  nos  casos  em  que  envolviam  fatos  geradores  referentes  a  período da vigência do art. 173 do antigo RIPI/82;  (xv)  nunca  existiu  na  lei  e  não  existe  mais  sequer  previsão  regulamentar  estabelecendo  a  obrigação  de  o  adquirente  verificar  a  correção  da  classificação  fiscal  do  produto na nota fiscal;  (xvi) os fatos geradores objeto do Auto de Infração sob exame foram apurados  sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o  adquirente  examinar  o  acerto  da  classificação  fiscal  do  produto  e,  como  a  classificação  dos  concentrados foi feita pela Recofarma, fornecedora do concentrado, a Recorrente agiu lícita e  corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI;  (xvii) se é lícito e correto aceitar a classificação fiscal dos produtos fornecidos  pela Recofarma,  constante  de  nota  fiscal  idônea,  não  há  controvérsia  quanto  ao  direito  de  a  adquirente  calcular  o  crédito  do  IPI  decorrente  da  alíquota  correspondente  à  classificação  fiscal;  (xviii) se não cabe ao adquirente questionar a classificação fiscal dos produtos  fornecidos  pela  Recofarma,  a  Recorrente  agiu  licitamente  ao  calcular  o  crédito  de  IPI,  na  alíquota correspondente a essa classificação fiscal;  Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.191          19 (xix) no caso dos autos houve alteração de critério jurídico, pois em verificações  fiscais  anteriores  não  houve  qualquer  questionamento  relativo  à  classificação  fiscal  adotada,  com ofensa ao art. 146 do CTN;  (xx)  no  lançamento  tributário,  a  atividade  da  autoridade  administrativa  é  vinculada, nos termos do art. 142 do CTN;  (xxi) no Parecer da PGFN nº 405/2003, que é vinculatório para a Administração,  a PGFN adotou a classificação do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01, ao  reconhecer o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado, à alíquota de 27% (vigente  à  época),  visto  que,  para  fins  de  IPI,  não  há  como  estabelecer  a  alíquota  sem  definir  a  respectiva classificação fiscal;  (xxii) o novo critério jurídico adotado pela decisão recorrida só poderia alcançar  fatos geradores posteriores a 08/06/2017, data em que a Recorrente foi cientificada do auto de  infração, no qual, pela primeira vez, foi questionada a alíquota utilizada para cálculo do crédito  de IPI;  (xxiii)  o  novo  critério  jurídico  utilizado  pela  decisão  não  pode  retroagir  para  atingir fatos geradores anteriores a 08.06.2017, período no qual firmou­se a prática no sentido  de  autorizar  o  creditamento  do  imposto  calculado  à  alíquota  correspondente  à  posição  21.06.90.10;  (xxiv)  é  a  SUFRAMA  que  possui  a  competência  para  definir  a  classificação  fiscal  dos  produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  a  fruição  dos  benefícios  fiscais previstos no art. 9º do DL nº 288/67 e no art. 6º do DL nº 1.435/75;  (xxv)  ao  definir  o  PPB  do  produto  incentivado,  para  fins  de  fruição  de  benefícios  fiscais,  é necessário que  a SUFRAMA  identifique qual  é  a  classificação  fiscal  do  produto  incentivado,  porque,  para  fins  de  IPI,  definir  o  produto  é  efetuar  sua  classificação  fiscal;  (xxvi)  é  inerente  à  competência  para  aprovação  do  PPB  a  definição  da  classificação fiscal do produto;  (xxvii) o Superior Tribunal de Justiça entende que a Receita Federal não possui  competência  exclusiva  para  proceder  à  classificação  fiscal  de  produto,  prevalecendo  a  classificação fiscal definida pelo órgão técnico;  (xxviii) o CARF possui precedentes no mesmo sentido;  (xxix)  a  SUFRAMA  tem  competência  para  definir  a  classificação  fiscal  de  "concentrado para bebidas não alcoólicas" produzido pela Recofarma;  (xxx) a SUFRAMA exercendo sua competência técnica, editou a Resolução do  CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007­SPR/CGPRI/COAPI  que  (a)  aprovou  o  projeto  industrial  da Recofarma  e  (b)  definiu  o  concentrado  para  bebidas  fabricado  pela  Recofarma  como  preparações  químicas  utilizadas  como  matéria­prima  para  industrialização de bebidas;  Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.192          20 (xxxi)  a  SUFRAMA  reconhece  que  o  concentrado,  por  ser  "preparações  químicas",  pode  ser  entregue  desmembrado  em  partes/kits,  sem  que  isso  desnature  a  sua  condição de produtos único (de concentrado para bebidas), classificado na posição 21.06.90.10  EX. 01;  (xxxii)  a  SUFRAMA  confirma  que  a  Recofarma  continua  cumprindo  a  classificação fiscal do concentrado por ela estabelecida conforme se verifica do Ofício nº 4215­ COPIN/CGAPI/SPR,  de  28.08.2015  e  apresentado  em  processo  de  outro  estabelecimento  da  Recorrente,  e  do  Ofício  nº  3638­SPR/CGAPI/COPIN,  de  26.09.2014  e  apresentado  em  processo similar e de interesse de outro fabricante de produtos Coca­Cola;  (xxxiii)  a  SUFRAMA  reconheceu  que  o  concentrado  para  bebidas  elaborado  pela Recofarma  e  adquirido  pela Recorrente  é  constituído  por  diversos  componentes  (partes  líquidas e sólidas) e classificou o concentrado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2010;  (xxxiv)  a  aplicação  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto nº  435/1992  leva  (a)  à  conclusão de que  está  correta  a  classificação  fiscal  do  concentrado para  bebidas  na  posição  21.06.90.10  EX.  01  da  TIPI;  (b)  à  mesma  classificação  dada  pela  SUFRAMA e (c) à mesma classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN nº 405/2003;  (xxxv) pelo histórico das TIPIs, desde 1988, constata­se que o concentrado para  bebidas  sempre  foi  classificado  como  uma  mercadoria  única  (descrita  como  preparações  compostas, não alcooólicas, para elaboração de bebidas);  (xxxvi)  os  EX.  01  e  EX.  02  da  posição  21.06.90.10  consolidaram  todas  as  subposições da TIPI anterior e enfatizaram a sua destinação, condicionando à utilização dessas  preparações compostas na fabicação das bebidas do Capítulo 22;  (xxxvii) o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação  3  b)  reforça  o  fato  de  que  os  concentrados  para  bebidas,  entregues  em  forma  de  "kits",  são  tratados como produtos únicos;  (xxxviii) o  fato de os concentrados para bebidas  adquiridos da Recofarma não  terem sido previamente misturados não  significa que  eles não  estejam prontos para uso pelo  fabricante  das  bebidas,  porque,  após  o  ingresso  dos  concentrados  no  estabelecimento  da  Recorrente,  todo  processo  produtivo  feito  por  ela  é  relativo  à  elaboração  de  bebidas  e,  por  conseguinte, os referidos concentrados estão prontos para uso pelo seu destinatário, no caso a  Recorrente;  (xxxix)  a  NESH  prevê  que  o  concentrado  pode  ser  entregue  de  forma  desmembrada  para  facilitar  o  seu  transporte  e  que,  no  processo  produtivo  de  fabricação  das  bebidas, podem ser acrescidos outros insumos;  (xl)  se houvesse dúvida quanto à aplicação da posição 2106.90.10 EX. 01 aos  concentrados para bebidas, constante das notas  fiscais emitidas pela Recofarma, essa deveria  prevalecer  por  ser  a  classificação  dada  pela  SUFRAMA,  em  ato  administrativo,  devendo  ao  caso ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN;  (xli) possui direito ao crédito relativo à aquisição dos concentrados isentos para  elaboração de bebidas;  Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.193          21 (xlii)  faz  jus  ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  concentrado  para  elaboração dos seus refrigerantes, nos termos da coisa julgada formada no MSI nº 95.0009470­ 3;  (xliii)  a  decisão  proferida  no  Mandado  de  Segurança  mencionado  concedeu  integralmente a segurança e, tal concessão integral comprova que o direito ao crédito de IPI foi  reconhecido para todas as matérias primas isentas  inclusive, o concentrado descrito nas notas  fiscais  que  eram  entregues  em  "kits",  oriundas  de  fornecedor  situado  na  Zona  FRanca  de  Manaus, para emprego na fabricação dos seus produtos tributados;  (xliv) para que  seja  aplicada  a  coisa  julgada  formada no  referido Mandado de  Segurança  basta  que  seja  demonstrado,  no  presente  caso,  que  adquiriu  matéria­prima  de  fornecedor  situado  na  Zona  Franca  de Manaus,  para  fabricação  de  refrigerantes,  fato  que  é  facilmente comprovado pelas notas fiscais anexadas ao processo e que não foi questinado pela  Fiscalização nem pela decisão;  (xlv) que o MSI nº 95.00174057, citado pela decisão recorrida, não interfere no  presente  processo,  porque  trata  de matéria  diversa  da  aqui  discutida,  qual  seja,  o  direito  ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  açucar­crital  decorrentes  da  área  de  atuação  da  SUDENE e da SUDAM;  (xlvi) o direito ao aproveitamento do crédito de IPI decorre de os concentrados  para bebidas serem beneficiados pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base  legal no art. 6º do DL nº 1.435/75, pois além de serem produzidos na ZOna Franca de Manaus,  são  elaborados  com  matéria­prima  agrícola  adquirida  de  produtor  situado  na  Amazônia  Ocidental e utilizados na fabricação de bebidas sujeitas ao IPI;  (xlvii) a  isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75 é autônoma e suficiente  para  autorizar  o  creditamento  do  imposto  em  razão  de  o  próprio  dispositivo  legal  outorgar,  expressa e especificamente, o crédito de IPI ao adquirente do produto;  (xlviii)  em  relação  aos  concentrados  para  refrigerante  (Guaraná),  o  auto  expressamente  reconheceu que  eles  foram elaborados  com matéria­prima extrativa vegetal  e,  pois, não pode a decisão alterar o critério jurídico utilizado pela autoridade para concluir que  não teria sido utilizada matéria­prima extrativa vegetal, sob pena de inovação e ofensa aos arts.  142 e 146 do CTN;  (xlix)  a multa,  os  juros  de mora  e  a  correção monetária  não  são  devidos,  em  razão do contido no  art.  100, parágrafo único do CTN, que  estabelece  que a observância de  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  tem  o  condão  de  excluir  a  cobrança de multa, juros de mora e correção monetária;  (l) no caso, a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº  224/2007,  é  ato  administrativo  que  tem  efeito  normativo  em  relação  aos  adquirentes  do  concentrado,  porque  esses  adquirentes  não  foram  nem  são  partes  no  processo  que  ensejou  a  referida resolução, mas estão obrigados a observá­la, como ato administrativo que é;  (li)  ao  utilizar  o  crédito  de  IPI  à  alíquota  de  20%  decorrente  da  aquisição  de  concentrados  isentos  para  bebidas  não  alcoólicas  oriundos  da  Zona  Franca  de  Manaus  e  elaborados  com  matéria­prima  adquirida  de  produtor  situado  na  Amazônia  Ocidental,  a  Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.194          22 Recorrente  agiu  de  acordo  com  a  Resolução  do  CAS  nº  298/2007,  integrada  pelo  Parecer  Técnico nº 224/2007;  (lii) incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a",  da Lei nº 4.502/64;  (liii)  a CSRF  tem  aplicado  referido  dispositivo  para  determinar  a  exclusão  de  multa quando há decisão de última instância administrativa favorável ao contribuinte sobre a  matéria  em  discussão,  conforme  Acórdão  nº  9303­003.517,  que  concluiu  pela  exclusão  da  multa de ofício imposta por auto de infração lavrado para exigir débitos de IPI decorrentes da  glosa de créditos desse imposto, em razão da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona  Franca de Manaus, nos termos do art. 486, II, "a", do RIPI/02 e no art. 567, II, "a", do RIPI/10  (liv) existem decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos  fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação  fiscal  e o  adquirente de  insumos  isentos oriundos da Zona Franca de Manaus  tem direito  ao  crédito de IPI, o que atrai os arts. 486, II, "a" do RIPI/02 e art. 567,  II, "a", do RIPI/10, para  fins de exclusão da multa exigida;  (lv) que possui direito aos créditos oriundos da aquisição de produtos de limpeza  no  processo  de  industrialização  das  bebidas,  pois  os  produtos  são  utilizados  para  assepsia,  sanitização e limpeza em geral  integram o processo produtivo de bebidas, eis que inerentes à  sua produção, inclusive por exigências sanitárias;  (lvi) o art. 226,  I, do RIPI/10 dispõe sobre o direito  sobre o direito  ao crédito  relativo à aquisição de matéria­prima, produto intermediário e material de embalagem;  (lvii)  o  Parecer Normativo CST  nº  65/79,  citado  pela  decisão,  concluiu  que  o  conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora não sejam  "consumidos"  no  processo  de  fabricação,  exercem  uma  função  direta  sobre  o  produto  fabricado;  (lviii) o CARF concluiu que os produtos empregados no processo de fabricação  de  bebidas  para  higienização  da  produção  qualificam­se  como  produtos  intermediários,  nos  termos  do  Parecer  Normativo  CST  nº  65/79,  conforme  Acórdão  nº  3402­00.517;  e  (lix)  é  indevida e exigência de juros sobre a multa de ofício.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  apresentou  Contrarrazões  ao  Recurso  Voluntário em que contesta todas as alegações da Recorrente.  É o relatório.  ­ Voto  Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator   Defende  a  Recorrente  que  ao  caso  tem  aplicação  a  coisa  julgada  formada  no  MSI  nº  95.0009470­3,  com  o  consequente  reconhecimento  do  seu  direito  ao  crédito  de  IPI  decorrente da aquisição de concentrado para elaboração dos seus refrigerantes.  A decisão recorrida não acolheu a tese da Recorrente sob os pressupostos de que  (i)  as  decisões  judiciais  devem  ser  interpretadas  de  forma  literal  e  restrita  e  (ii)  a  decisão  Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.195          23 judicial quanto à possibilidade de aproveitamento de crédito de  insumo proveniente de saída  isenta  está  restrita  à  aquisição  de  concentrados  para  refrigerantes,  o  que  não  é  o  caso  dos  insumos  adquiridos  da  Recofarma,  compostos  por  diversos  produtos  separados,  e  não  um  concentrado único para fabricação de refrigerantes, conforme consta da ementa de decisão sob  exame.  Defende a Recorrente que:  "7.1.5  (...)  à  época  em  que  impetrado  o Mandado  de  Segurança,  os  produtos  elaborados  pela  Recofarma  eram  entregues  de  forma  desmembrada,  divididos  em  parte  1  e  2  e  eram  chamados  de  concentrados pela fornecedora, conforme se verifica de notas fiscais de  venda emitidas pela Recofarma.  (...)  7.1.7 O pedido formulado na inicial do MSI nº 95.0009470­3 abrange  quaisquer  aquisições  de  matérias­primas  isentas  oriundas  de  fornecedor  situado  na  ZOna  Franca  de  Manaus  utilizadas  na  industrialização  de  produtos  tributados,  inclusive  e  exemplificativamente, o concentrado, classificado na posição 2106.90 e  que  conforme  as  notas  fiscais  já  eram  entregues  de  forma  desmembrada."  A Recorrente no Mandado de Segurança mencionado requereu:     Prossegue a Recorrente:  "7.1.9.  Em  18.06.1997,  transitou  em  julgado  a  decisão  que  concedeu  integralmente a segurança e, pois, tal concessão integral comprova que  o  direito  ao  crédito  de  IPI  foi  reconhecido  para  todas  as  matérias  primas  isentas  inclusive, o concentrado descrito nas notas  fiscais que  eram  entregues  em  "kits",  oriundas  de  fornecedor  situado  na  Zona  FRanca  de Manaus,  para  emprego  na  fabricação  dos  seus  produtos  tributados."  Dos autos (fl. 221) há um extrato de andamento processual em que consta que o  processo  foi  "Arquivado Definitivamente  ­  BAIXA  ­  FINDO"  e  "  Remetidos  os  autos  com  ARQUIVAMENTO  COM  BAIXA  para  Setor  de  Distribuição",  conforme  a  seguir  reproduzido:  Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.196          24    Já na fl. 222, autos, outro extrato:     Por sua vez, da decisão recorrida se extraem as seguintes informações:  "A  defesa  alega  que  "o  pedido  formulado  na  inicial  do  MSI  n°  95.0009470­  3  foi  amplo  e  abrangeu  todos  os  componentes  do  concentrado,  porque  tratou  dos  produtos  classificados  na  posição  2106.90  da  TIPI/88",  e  que  "à  época  em  que  impetrado  o  MSI  n°  95.0009470­3,  os  'concentrados'  fabricados  pela  RECOFARMA  já  Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.197          25 eram entregues de forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e já  eram chamados de 'concentrados' pela fornecedora".  Por outro lado, ao contrário do que alega a contribuinte, a Autoridade  Fiscal  informa desconhecer o desfecho do Mandado de Segurança n°  95.00094703, nos seguintes termos:  No que toca ao Mandado de Segurança MS n° 95.00094703 (0009470­  05.1995.4.05.8100), impetrado pela fiscalizada e citado em resposta ao  Termo  de  Início  do Procedimento Fiscal,  cuja  Apelação  foi  tombada  sob outro (96.05.012766 ­ 000127632.1996.4.05.0000), só fora possível  verificar o seu andamento processual e sua conexão com um segundo  mandado  de  segurança,  o  de  n°  95.00174057  (001740596.1995.4.05.8100).  Em consulta aos documentos  juntados ao processo, este julgador  teve  acesso à Sentença nº 1280/95, às fls. 181/189, referente ao Mandado de  Segurança nº 95.9470­ 3, com trecho reproduzido a seguir:  3.1  Em  face  dos  fundamentos  expendidos,  concedo  a  ordem  da  impetrada, para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar  dos  valores  relativos  ao  IPI,  nas  operações  de  aquisição  de  concentrado,  ainda  que  essas  operações  sejam  isentas  do  mesmo  imposto na origem.  (...)  Por  outro  lado,  da  sentença,  a  União  formalizou  apelação,  às  fls.  190/197,  autuada  sob  o  processo  nº  0001276­32.1996.4.05.0000,  recebida em duplo grau, com Acórdão Publicado no DJ da União em  08.05.97  (1ª  parte  ­  TRF5),  da  qual  não  se  teve  acesso  e  não  foi  encontrada cópia da decisão nos autos, conforme consulta abaixo.  Ou  seja,  as  informações  disponíveis  no  processo  administrativo  dão  conta  de  que  a  apelação  da  União  em  relação  a  referida  decisão  judicial  foi  recebida  com  efeito  devolutivo  e  suspensivo,  isto  é,  suspendendo os efeitos da decisão de 1ª  instância, permitindo a plena  atuação do órgão fiscalizador.  Por  fim,  fundamental  mencionar  o  apontamento  da  fiscalização  no  sentido  de  que  fora  possível  verificar  a  conexão  do  Mandado  de  Segurança n° 95.00094703 "com um segundo mandado de segurança,  o de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100). Ao contrário do MS  n°  95.00094703  (0009470­05.1995.4.05.8100),  o MS  n°  95.00174057  (001740596.1995.4.05.8100)  ainda  está  em  trâmite  no  TRF  da  5a  Região,  encontrando­se  sobrestado  por  repercussão  geral,  após  manifestação do STF no âmbito do RE n° 243.858/CF".  Como dito, ao contrário do que afirma a defesa, a Autoridade Fiscal  não  conseguiu  verificar  a  existência  da  coisa  julgada  no  MSI  n°  95.0009470­3,  estando  a  questão  judicial  que  trata  da  matéria  sobrestada  em  razão  do  reconhecimento  de  repercussão  geral,  após  manifestação  do  STF  no  âmbito  do  RE  n°  243.858/CF,  conforme  seguintes trechos da decisão:  Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10580.724116/2017­64  Resolução nº  3201­001.702  S3­C2T1  Fl. 1.198          26 O Plenário Virtual  do  Supremo Tribunal Federal,  ao  examinar  o RE  592.891, atualmente sob relatoria da Ministra Rosa Weber, reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral  da  questão  constitucional  ora  discutida (Tema 322). Veja­se a ementa do julgado:  “TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  IPI.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DIREITO  AO  CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO  GERAL.”  Diante do exposto, com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF,  determino o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam observadas  as disposições do art. 543­B do Código de Processo Civil."  Denota­se, portanto, que há dúvida razoável sobre o efetivo trânsito em julgado  da decisão proferida no Mandado de Segurança invocado pela Recorrente.   Some­se a isso, que não trouxe a Recorrente certidão de inteiro teor do processo,  bem  como,  certidão  de  trânsito  em  julgado  constante  dos  autos  de Mandado  de  Segurança,  documentos imprescindíveis para demonstrar e comprovar o alegado, em especial, pelo fato de  a  própria  decisão  recorrida  ter  adotado  como  fundamento  decisório  a  impossibilidade  de  se  aferir  (i)  o  trânsito  em  julgado  no  Mandado  de  Segurança  nº  95.0009470­3;  (ii)  eventual  conexão com outro Mandado de Segurança, cujo trâmite está sobrestado em razão de a matéria  ser objeto de repercussão geral.  Assim, a conversão do feito em diligência é medida que se impõe para se aferir  o efetivo  trânsito em  julgado do Mandado de Segurança nº 95.0009470­3, conforme alegado  pela Recorrente  e não  acatado pela decisão  recorrida proferida neste processo  administrativo  fiscal.   Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência,  para que a Recorrente, no prazo de até 60 (sessenta) dias providencie (i) certidão de trânsito em  julgado do Mandado de Segurança  nº  95.0009470­3;  (ii)  certidão  de  inteiro  teor  do  referido  processo  (certidão  de  objeto  e  pé)  e  (iii)  certidão  e  documentos  para  que  se  possa  aferir  eventual conexão do Mandado de Segurança nº 95.0009470­3, com o Mandado de Segurança  de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100).  (assinado digitalmente)  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator    Fl. 1198DF CARF MF

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9656414 #
Numero do processo: 10950.726233/2017-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3201-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência a fim de que Unidade de Origem (i) analise os argumentos e a documentação adicional apresentada pela Recorrente, em especial, o Laudo Técnico Contábil Complementar e seus respectivos Anexos, com a elaboração de relatório conclusivo sobre a existência ou não de valores efetivamente comprovados (demonstração de que os produtos acabados devolvidos – refrigerantes – tiveram sua posterior saída tributada) e (ii) após, deverá ser dado ciência do relatório elaborado à Recorrente, para que, em querendo, manifeste-se no prazo de 30 (trinta) dias. Concluídas tais etapas, os autos deverão retornar a este Conselho para seu regular prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência a fim de que Unidade de Origem (i) analise os argumentos e a documentação adicional apresentada pela Recorrente, em especial, o Laudo Técnico Contábil Complementar e seus respectivos Anexos, com a elaboração de relatório conclusivo sobre a existência ou não de valores efetivamente comprovados (demonstração de que os produtos acabados devolvidos – refrigerantes – tiveram sua posterior saída tributada) e (ii) após, deverá ser dado ciência do relatório elaborado à Recorrente, para que, em querendo, manifeste-se no prazo de 30 (trinta) dias. Concluídas tais etapas, os autos deverão retornar a este Conselho para seu regular prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos no presente processo administrativo, passo a reproduzir o relatório da Delegacia Regional de Julgamento: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 26 23 3/ 20 17 -1 5 Fl. 2765DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 Trata-se IMPUGNAÇÃO contra auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, para constituir créditos tributários em desfavor da contribuinte epigrafada, no montante total de R$ 50.150.014,92 (incluso multa de ofício e juros de mora), em decorrência de o estabelecimento industrial ter recolhido IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados - a menor por se utilizar de créditos indevidos oriundos da aquisição de insumos ("kits concentrados") para a fabricação de refrigerantes e oriundos da aquisição de produtos acabados (refrigerantes) de optantes pelo Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias, em desrespeito à legislação, conforme os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal. Em acordo com o Termo de Verificação Fiscal o estabelecimento se apropriou indevidamente de créditos de IPI sob rubrica de "outros créditos" , referentes a aquisições de insumos fornecidos por Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, inscrita no CNPJ sob nº 61.454.393/0001-06, localizada na cidade de Manaus (AM), em função de não ocorrer a utilização (exceto no caso de preparações elaboradas com extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental), no processo de industrialização de Recofarma, de matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, requisito essencial previsto no Regulamento do IPI e no art. 6º do Decreto-Lei n° 1.435, de 1975. O Fisco acrescentou que os insumos em questão, denominados pelas empresas de "concentrados", são constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada componente está acondicionado em embalagem individual (bombona, saco, garrafão, caixa ou contêiner), alguns contendo substâncias puras e, por isso, cada produto individual que compõe o conjunto deve ser classificado separadamente. Tais créditos foram glosados da escrita fiscal juntamente com os créditos de IPI decorrentes das aquisições de bens para uso ou consumo (detergentes, sabões, solventes, óleos lubrificantes, tratamento de efluentes, desinfetantes, etc.) e os créditos das aquisições de bebidas de optantes do REFRI. Refeita a escrita fiscal, os saldos devedores foram lançados no presente auto de infração. Foi atribuída responsabilidade à Matriz da SPAIPA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS LTDA, em vista de o estabelecimento industrial (Filial em Maringá-PR, inscrito no CNPJ sob nº 00.904.448/0013-73), contribuinte do IPI, que se aproveitou indevidamente dos créditos à época da ocorrência dos fatos geradores, ter sido incorporado pela SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A, em decorrência da cisão parcial da SPAIPA, ocorrida na data de 30/11/2013. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou impugnação, aduzindo em sua defesa as razões sumariamente expostas a seguir: DA DECADÊNCIA A AUTORIDADE decaiu do direito de glosar e/ou exigir o imposto relativo ao período anterior a 09.01.2013, porque transcorridos mais de cinco anos entre os fatos geradores e a ciência do AUTO, visto que aplicável à hipótese o art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/10. ..., para fins específicos do lançamento por homologação do IPI, o art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/10 considera pagamento o encontro de crédito admitido e débito na escrita fiscal em que resulta saldo credor. Nos termos do já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), é suficiente para aplicar o referido dispositivo que os créditos utilizados para dedução dos débitos sejam admitidos pelo próprio contribuinte, ainda que erradamente e desde que o contribuinte não tenha agido com dolo, fraude ou simulação e não tenha sido imposta multa qualificada (Acórdão da CSRF n° 9303-003.299, de 24.03.2015, da relatoria do Conselheiro JULIO CÉSAR ALVES RAMOS). Fl. 2766DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 Ainda que assim não fosse, o que se admite para argumentação, o referido dispositivo continuaria aplicável à presente hipótese. Isso porque houve apuração de outros créditos (legítimos) que não foram glosados pela Fiscalização, conforme reconhecido pela própria AUTORIDADE no Termo de Verificação Fiscal e nas planilhas de reconstrução da escrita que acompanham o AUTO (fl. 1.219), tal qual o pagamento antecipado a menor. Ou seja, a lógica adotada é idêntica à do pagamento antecipado a menor: o pagamento antecipado insuficiente não atrai o art. 173, I, do CTN, pelo que o creditamento insuficiente também não atrai a aplicação do art. 173, I, do CTN. Por fim, ainda que afastados os entendimentos acima expostos, o que se admite para fins de argumentação, deve ser considerado que os créditos decorrentes da aquisição de insumos isentos são créditos admitidos por força da coisa julgada coletiva formada no MSC n° 91.0047783-4. DO DIREITO AO CRÉDITO RELATIVO À AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. Como visto acima, constam das respectivas notas fiscais que os insumos elaborados pela RECOFARMA são beneficiados por duas isenções, cada uma autônoma, independente, suficiente e bastante, entre si, para que seja reconhecido o direito ao crédito de IPI: a do art. 81, II, do Decreto n° 7.212, de 15.06.2010 - Regulamento de IPI - RIPI/10, que tem base legal no art. 9o do DL n° 288/67, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus, cujo crédito de IPI para a IMPUGNANTE, foi assegurado, expressa e especificamente, pela coisa julgada formada no MSC n° 91.0047783-4; e a do art. 95, III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do DL n° 1.435/75, a qual não foi objeto do referido MSC n° 91.0047783-4, mas cujo crédito de IPI para o adquirente decorre do próprio dispositivo legal (art. 6º, § 1º, do DL n° 1.435/75), porque o insumo foi elaborado com matéria-prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental. DA COISA JULGADA FORMADA NO MSC N°91.0047783-4 ISENÇÃO DO ART. 81, II, DO RIPI/10 No caso, a AUTORIDADE só não aplicou a coisa julgada formada no MSC n° 91.0047783-4 e, pois, deixou de reconhecer o direito da IMPUGNANTE ao crédito de IPI, porque, no seu entendimento, estariam em vigor a decisão do TRF da 2ª Região e a decisão do STF, referidas nos itens 5.5.1. "d" e "g", que teriam limitado subjetiva e territorialmente o alcance da referida coisa julgada coletiva. Ocorre que as referidas decisões somente restringiram o alcance da coisa julgada coletiva formada no MSC 91.0047783-4 em relação à IPIRANGA, e, pois, em relação à IMPUGNANTE, nunca houve qualquer restrição. De qualquer forma, na data em que lavrado o presente AUTO, já haviam sido reformadas aquelas decisões do TRF da 2a Região e do STF que haviam restringido o alcance da coisa julgada em relação à IPIRANGA. Com efeito, em 23.02.2017, transitou em julgado nova decisão proferida pelo STJ no recurso especial (RESP) n° 1.438.361-RJ, nos autos do referido MSC, que reformou e substituiu aquele referido acórdão do TRF da 2a Região, que havia limitado subjetiva e territorialmente o alcance da referida coisa julgada coletiva à IPIRANGA (DOC. 03). O STF também já decretou, em decisão transitada em julgado em 18.08.2017, a extinção da Rcl n° 7.778, por perda superveniente de seu objeto, reconhecendo o efeito daquela decisão do STJ proferida no RESP n° 1.438.361-RJ (DOC. 05). Fl. 2767DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 ...Portanto, as decisões utilizadas pelo AUTO para afastar a aplicação da coisa julgada coletiva foram reformadas por decisões judiciais que já transitaram em julgado, e o fundamento jurídico utilizado pelo AUTO para não aplicar a referida coisa julgada coletiva à IMPUGNANTE deixou de existir em razão das decisões proferidas pelo STJ no RESP n° 1.438.361 no próprio MSC e pelo STF na própria Rcl n° 7.778. Em suma, é imperiosa a observância da referida coisa julgada à IMPUGNANTE, decorrente da decisão do STF, transitada em julgado em 02.12.1999, que reconheceu a todos os associados da AFBCC o direito de utilizar o crédito de IPI decorrente das aquisições de insumos isentos adquiridos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, inclusive, porque decisão judicial, anterior ou posterior, se sobrepõe à decisão administrativa nos termos do Parecer Normativo COSIT n° 7, de 22.08.2014, que é vinculatório para todos os órgãos da RFB. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 95, III, DO RIPI/10 (BASE LEGAL NO ART. 6º DO DL N° 1.435/75). Não obstante ser suficiente e bastante a existência da coisa julgada para assegurar o direito ao crédito de IPI, porque a isenção tratada na referida coisa julgada (art. 9º do DL n° 288/67) é autônoma, independente e suficiente, a ora IMPUGNANTE passa a rebater também a afirmativa do AUTO de que os insumos fabricados pela RECOFARMA não fariam jus ao beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75, porque não teriam sido elaborados com matéria-prima agrícola regional. Com efeito, os referidos produtos também gozam do beneficio do art. 6 o do DL n° 1.435/75, que foi outorgado pela Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007 e que também consta das respectivas notas fiscais. No recente Acórdão n° 3401-003.750, de 26.04.2017, o CARF decidiu que a SUFRAMA tem competência para verificar se o contribuinte preencheu os requisitos legais para fruição do beneficio do art. 6 o do DL n° 1.435/75. DA NÃO RESPONSABILIDADE DA IMPUGNANTE (TERCEIRO, ADQUIRENTE) Inicialmente, cabe esclarecer que é incontroverso que a IMPUGNANTE é terceiro adquirente dos concentrados para bebidas não alcoólicas e que foi a RECOFARMA (fornecedora) quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal, o que é bastante e suficiente para justificar a utilização pela IMPUGNANTE da respectiva alíquota para cálculo do crédito do IPI. O próprio Termo de Verificação Fiscal reconhece que a classificação fiscal dos produtos foi efetuada pela RECOFARMA na posição 21.06.90.10 EX. 01. Com efeito, o art. 62 da Lei n° 4.502/64 determina que o adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham atendem às prescrições legais e regulamentares. Os RIPIs de 1972, 1979 e 1982, ao regulamentarem esse art. 62 da Lei n° 4.502/64, haviam acrescentado a obrigação para o adquirente de examinar também a correção da classificação fiscal do produto consignada na nota fiscal pelo fornecedor, como se verifica do art. 173 do RIPI/82, que reproduz fielmente os arts. 169 e 266 dos RIPIs de 1972 e 1979, respectivamente: Na esfera judicial restou pacificado o entendimento de que aquele acréscimo de obrigação, imposto pelos RIPI de 1972, 1979 e 1982, para o adquirente verificar a correção da classificação fiscal não encontrava amparo legal no art. 62 da Lei n° 4.502/64: Fl. 2768DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 No mesmo sentido, em 28.01.2008, no julgamento do PA n° 10860.001597/97-30, de que foi relator o Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, referente a fatos geradores ocorridos ainda na vigência daquele art. 173 do RIPI/82, acima transcrito, a 2a Turma da CSRF decidiu que não cabia exigir do adquirente a obrigação de examinar a correção da classificação fiscal do produto dada pelo fornecedor. O RIPI/98 e os RIPIs de 2002 e 2010 (arts. 266 e 327, respectivamente) suprimiram tal acréscimo regulamentar. Aliás, mesmo após a referida supressão regulamentar, mas julgando fatos ocorridos ainda na vigência do RIPI/82, o CARF, por força da retroatividade benigna, decidiu pela inexistência dessa obrigação e pela exclusão da multa aplicável nos casos em que envolviam fatos geradores referentes a periodo da vigência daquele art. 173 do antigo RIPI/82. Recentemente, a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF proferiu os acórdãos n°s 3401-003.751 de 26.04.2017, e 3401-003.838 de 28.04.2017, ambos sob a relatoria do Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO, no sentido de que, em face do disposto no art. 62 da Lei n° 4 . 502/64, não cabe à autoridade glosar crédito de IPI no adquirente se calculado conforme a classificação fiscal consignada pelo fornecedor na respectiva nota fiscal. Não há na lei (art. 62 da Lei n° 4.502/64) e não existe no regulamento a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal. Ou seja, os fatos geradores objeto do AUTO foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto e, como a classificação dos concentrados na posição 21.06.90.10 EX. 01 foi feita pela RECOFARMA, fornecedora do concentrado, a IMPUGNANTE agiu licita e corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI. Comprovado, pois, que a IMPUGNANTE calculou o crédito de IPI segundo a alíquota decorrente da classificação fiscal na posição 21.06.90.10. EX. 01, feita pelo fornecedor do insumo: 20%. Assim, se não cabe ao adquirente questionar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela RECOFARMA, a IMPUGNANTE agiu lícita e corretamente ao calcular o crédito de IPI, na alíquota correspondente a essa classificação fiscal. DA ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO Ainda que se entendesse que o adquirente teria obrigação de verificar a correção da classificação fiscal do produto constante da nota fiscal, o que se admite apenas para fins de argumentação, mesmo assim a IMPUGNANTE tem direito de calcular o crédito de IPI à alíquota da classificação fiscal indicada pelo fornecedor, porque o AUTO violou o art. 146 do CTN. A AUTORIDADE concluiu que o AUTO não teria violado o art. 146 do CTN, pois as autuações fiscais anteriores não teriam o condão de definir um critério jurídico em relação à classificação fiscal de mercadorias, sendo a consulta fiscal o instrumento apropriado para essa definição. Ocorre que, no lançamento tributário, a atividade da autoridade administrativa é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, e, ao fiscalizar um contribuinte e examinar a sua escrita fiscal de IPI, a AUTORIDADE tem o dever de examinar todos os aspectos legais formadores do fato gerador da obrigação tributária de IPI, a saber: o direito ao crédito de IPI, a classificação fiscal do produto adquirido, sua respectiva alíquota etc. Não obstante, no caso em exame, utilizando-se desse novo critério jurídico de que o produto adquirido pela IMPUGNANTE não seria o concentrado para bebidas não Fl. 2769DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 alcoólicas e que não estaria classificado na posição 21.06.90.10 Ex. 01, da TIPI/2011, a AUTORIDADE lavrou o presente AUTO. Ora, esse novo critério jurídico adotado pela AUTORIDADE só poderia alcançar fatos geradores posteriores a 28.01.2016, data da ciência do auto de infração lavrado contra a IMPUGNANTE, no qual foi questionada a natureza do produto adquirido e sua classificação fiscal pela primeira vez em relação à IMPUGNANTE, em discussão no PA n° 10980.720139/2016-14. Ou seja, à época em que foram apurados os créditos de IPI glosados no presente AUTO - (ou seja, no período de janeiro de 2013 a novembro de 2013), vigia o entendimento no sentido de não glosar a alíquota utilizada para cálculo do respectivo crédito de IPI decorrente da aquisição dos concentrados para bebidas não alcoólicas. Assim, o novo critério jurídico utilizado pela AUTORIDADE não pode retroagir para atingir fatos geradores anteriores a 28.01.2016, período no qual firmou-se o entendimento no sentido de autorizar o creditamento do imposto calculado à alíquota correspondente à posição 21.06.90.10. EX. 01. DA COMPETÊNCIA DA SUFRAMA PARA EFETUAR A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS FABRICADOS EM PROJETO INDUSTRIAL. Ocorre que a SUFRAMA tem competência para aprovar projeto industrial para fruição dos beneficies fiscais previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6° do DL n° 1.435/75 para produtos que possuam PPB já definido em Portaria Interministerial. Portanto, é insita à competência da SUFRAMA efetuar a classificação fiscal do referido produto beneficiado produzido conforme PPB definido em Portaria Interministerial, porque somente com a respectiva classificação fiscal é possível identificar o produto beneficiado, para fins de IPI. Registre-se que a RFB também tem competência para efetuar a classificação fiscal de produtos, mas essa competência não é exclusiva nem excludente. ..., o STJ já decidiu que a RFB não tem competência exclusiva nem excludente para efetuar a classificação fiscal de produto, prevalecendo a classificação fiscal efetuada pelo órgão técnico (naquele caso, a ANVISA) e não cabendo à RFB questionar aquela classificação. Entendimento idêntico já havia sido aplicado pelo CARF no julgamento do PA n° 13701.000675/90-04, pela Terceira Câmara do Segundo CC, no qual restou decidido que a RFB não tem competência exclusiva nem excludente para efetuar a classificação fiscal de produto, prevalecendo, no referido processo, a classificação fiscal efetuada pelo Ministério da Saúde. Dessa forma, deve ser observado o entendimento firmado pelo STJ e pelo CARF no sentido de que órgãos técnicos têm também competência para efetuar a classificação fiscal de produtos e, nesses casos, deve prevalecer a classificação efetuada pelo órgão técnico, em razão do seu conhecimento especifico. Portanto, sendo o órgão responsável para aprovar o projeto industrial para que determinado produto fabricado conforme PPB usufrua de incentivos fiscais, a SUFRAMA é o órgão técnico para efetuar a classificação fiscal do produto incentivado, fabricado conforme o respectivo PPB previsto em Portaria Interministerial, constante do projeto aprovado. DA NATUREZA DO PRODUTO ELABORADO PELA RECOFARMA. Fl. 2770DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 A AUTORIDADE concluiu que o produto elaborado pela RECOFARMA não consistiria em uma mercadoria única e, pois, não seria o concentrado para bebidas não alcoólicas, classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011. Ocorre que tal conclusão conflita diretamente com a definição dada ao produto elaborado pela RECOFARMA, com base em PPB definido em Portaria Interministerial e objeto de projeto industrial aprovado pela SUFRAMA, qual seja: concentrado para bebidas não alcoólicas - código 0653. Com efeito, a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT n° 08, de 25.02.1998, (i) define o PPB dos concentrados para bebidas não alcoólicas, (ii) reconhece que o referido produto é único e composto por partes líquidas e sólidas e (iii) estabelece expressamente que a sua homogeneização somente ocorrerá quando necessário. Considerando o PPB definido na referida Portaria Interministerial, a SUFRAMA editou a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto n° 224/2007- SPR/CGPRI/COAPI, que: aprovou o projeto industrial da RECOFARMA para fabricação dos concentrados para bebidas não alcoólicas, para fruição dos benefícios do art. 9º do DL n° 288/67 e do art. 6° do DL n° 1.435/75; b)reconheceu que esse produto elaborado pela RECOFARMA está sujeito e observa o PPB previsto na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT n° 08/98 que é específica para esses produtos; c)definiu o concentrado para bebidas não alcoólicas fabricado pela RECOFARMA e fabricado conforme PPB previsto em Portaria Interministerial como ". preparações químicas utilizadas como matéria-prima para industrialização de bebidas não alcoólicas, com capacidade de diluição superior a 10 partes de bebida para cada parte de concentrado"; d)esclareceu que o concentrado é mercadoria única composta por partes líquidas e sólidas não homogeneizadas; e e)efetuou a sua classificação fiscal na posição 21.06.90.10 EX. 01. Vê-se que a própria SUFRAMA reconhece que esse produto é o concentrado para bebidas não alcoólicas fabricado conforme PPB definido em Portaria Interministerial e que esse concentrado, por configurar "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produto único (de concentrado para bebidas não alcoólicas), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado - por isso classificado no EX. 01, a qual tinha alíquota de 27%. Incontroverso, pois, que a SUFRAMA tem conhecimento de que os concentrados para bebidas não alcoólicas fabricados pela RECOFARMA no projeto industrial por ela, SUFRAMA, aprovado, são entregues pelo fornecedor (RECOFARMA) de forma desmembrada ("kits"), conforme o próprio PPB definido em Portaria Interministerial, e que tal fato mantém inalterada sua condição de mercadoria única, qual seja, concentrado para bebidas não alcoólicas classificado na posição 21.06.90.10, EX. 01. Ainda que por absurdo se entendesse que a SUFRAMA não teria competência para efetuar a classificação fiscal dos produtos incentivados objeto de projeto industrial e fabricados consoante respectivo PPB definido em Portaria Interministerial, o que se admite apenas para argumentar, fato é que a SUFRAMA definiu o produto incentivado em questão como o concentrado para bebidas não alcoólicas, mercadoria única, classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 e que essa classificação constou de ato administrativo. Fl. 2771DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DEFINIDA PELAS REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO E NESH Inicialmente, registre-se que o parecer do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), examinando os aspectos técnicos de cada parte das preparações elaboradas pela RECOFARMA, chegou à conclusão de que essas preparações, oriundas do PPB da referida Portaria Interministerial, constituem um produto único (DOC. 11) . Assim, na parte em que definiu, sob o ponto de vista técnico, que os produtos elaborados pela RECOFARMA são mercadoria única, entregues desmembradas em kits, o laudo do INT deve ser adotado imperiosamente, nos termos do art. 30, caput, do Decreto n° 70.235/72 . Observe-se, neste particular, que, ao contrário do alegado pela AUTORIDADE, não se aplica no presente caso o § 1º do art. 30 do Decreto n° 70.235/72. Ora, o laudo do INT, em nenhuma das suas 31 páginas, faz qualquer referência à classificação fiscal; o laudo, tão somente, analisa os aspectos técnicos do produto fabricado pela RECOFARMA e conclui que esse produto consiste em uma mercadoria única. Nesse sentido, em caso semelhante ao presente, o CARF determinou a observância do laudo emitido pelo INT, conforme se verifica da ementa e de trechos do voto proferido no Acórdão n° 301-33.786, de 24.04.2007. DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN Por fim, se houvesse qualquer dúvida quanto à correção da posição 21.06.90.10 EX. 01 aos produtos adquiridos pela IMPUGNANTE, constante das notas fiscais emitidas pela RECOFARMA, essa classificação fiscal deveria prevalecer por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, devendo ser aplicado ao presente caso o disposto no art. 112 do CTN. DA ILEGALIDADE DO AUTO Caso sejam superados todos os fundamentos expostos nas seções anteriores e a autoridade julgadora entenda que o produto fabricado e vendido pela RECOFARMA não seria o concentrado para bebidas não alcoólicas, o que se admite apenas para fins de argumentação, ainda assim o AUTO deveria ser cancelado face a sua evidente ilegalidade, pois deixou de considerar uma parcela do crédito de IPI na respectiva apuração. Com efeito, a AUTORIDADE desconsiderou a alíquota utilizada pela IMPUGNANTE e concluiu que as partes do produto em questão estariam classificadas, em sua maioria, em posições cujas alíquotas seriam zero. Não obstante, a AUTORIDADE também reconheceu e afirmou que uma das partes que integra os produtos fabricados e vendidos pela RECOFARMA seria classificada na posição 3302.10.00, cuja alíquota é de 5%, mas concluiu que não seria possível efetuar o cálculo do crédito de IPI decorrente da aquisição da referida parte, porque a IMPUGNANTE teria recebido o concentrado para bebidas não alcoólicas como produto único. Ocorre que a conclusão da AUTORIDADE é ilógica e ilegal, porque, se ela adotou o entendimento de que é possível separar as partes do referido produto para verificar individualmente a classificação fiscal de cada parte, deveria ter arbitrado o valor da parte supostamente classificada na posição 3302.10.00, ao invés de afirmar que não seria possível calcular essa parcela do crédito individualmente. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA Ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, a multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos em razão do disposto no art. 100, Fl. 2772DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária. No caso. como já visto, a SUFRAMA tem competência para aprovar projeto industrial para fruição da isenção prevista no art. 9 o do DL n° 288/67 e no art. 6 o do DL n° 1.435/75 e, pois, para efetuar a classificação fiscal do produto beneficiado, nos termos do Decreto n° 7.139/2010 c/c a Resolução do CAS n° 202/2006. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA Por outro lado, ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para argumentar, também não seria cabível a imposição de multa no presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64, que está em pleno vigor. No caso, há decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 02-02.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM; 02-02.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO e 02-0.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA), o que atrai os arts. 486, II, "a", do RIPI/02 e 567, II, "a", do RIPI/10, para fins de exclusão da multa exigida. DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DOS REFRIGERANTES. A AUTORIDADE concluiu que a IMPUGNANTE não teria direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de produtos de limpeza e de lubrificantes que, no seu entendimento, não se enquadrariam no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem previsto no Parecer Normativo CST n° 65/79. Ora, a conclusão da AUTORIDADE está equivocada, porque não há dúvida de que os produtos de limpeza, utilizados para assepsia e sanitização, integram o processo produtivo dos refrigerantes, já que inerentes à sua produção, inclusive, por exigências sanitárias são utilizados de forma obrigatória e, pois, está correto o creditamento do imposto. Com efeito, embora os produtos de limpeza e os lubrificantes não tenham necessariamente contato direto com a bebida, tais produtos entram em contato direto com as embalagens dos refrigerantes, visto que são utilizados para higienizar as máquinas e lubrificar as esteiras, onde são elaborados os refrigerantes. Além disso, é inconteste que a utilização dos produtos de limpeza e dos lubrificantes também atende aos requisitos estabelecidos pela jurisprudência do STJ para fins de aproveitamento do crédito de IPI (RESP n° 1.075.508 - SC, DJe de 13.10.2009, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos), visto que (i) não integram o ativo imobilizado e (ii) são consumidos integralmente no processo de industrialização dos refrigerantes. Nesse sentido, o art. 226, I, do RIPI/10, ao dispor sobre o direito ao crédito relativo à aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, expressamente reconhece que dá direito ao crédito o produto que, embora não se integrando ao novo produto, sejam "consumidos" no processo de industrialização. O próprio Parecer Normativo CST n° 65/79, citado pela AUTORIDADE no Termo de Verificação Fiscal, reconhece que expressão "consumidos" deve ser entendida no seu sentido amplo. DOS CRÉDITOS DECORRENTES DAS ENTRADAS DE REFRIGERANTES PARA COMERCIALIZAÇÃO. Fl. 2773DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 A AUTORIDADE constatou, ainda, que a IMPUGNANTE se creditou do IPI destacado em notas fiscais relativas a entradas de refrigerantes para comercialização e concluiu que o creditamento seria indevido porque a IMPUGNANTE é optante do REFRI e, segundo esse regime, o IPI deve incidir uma única vez; logo, já tendo havido a incidência do imposto, por ocasião da saída do refrigerante do estabelecimento industrial, o IPI não seria mais devido na operação seguinte e, consequentemente, não caberia o crédito relativo à operação antecedente. Ocorre que, ao contrário do afirmado, a IMPUGNANTE tem direito ao crédito de IPI oriundo das entradas de refrigerantes, o qual decorre de operações de recebimento (em transferência) entre estabelecimentos filiais da IMPUGNANTE. Inicialmente, cabe esclarecer que as notas fiscais de transferência glosadas no presente AUTO decorrem de operações realizadas entre estabelecimentos da SPAIPA, e não da SPAL, como afirmado no Termo de Verificação Fiscal. Com efeito, os refrigerantes foram recebidos em transferência, com destaque de imposto, tendo havido, também, o recolhimento do IPI na etapa seguinte, conforme atestado pelas notas fiscais de saída, pois a IMPUGNANTE é estabelecimento industrial e, nessa etapa, que os produtos foram efetivamente destinados à comercialização (DOC. 14). Neste particular, não procede a afirmativa da AUTORIDADE no sentido de que, pelo fato de o IPI já ter sido pago na etapa de transferência, não seria mais devido na etapa de venda e que, portanto, careceria de base legal o aproveitamento dos créditos oriundos das aquisições dos refrigerantes. Isso porque a legislação que instituiu o REFRI não trata especificamente dessa matéria; a regra geral é no sentido de que a suspensão é facultativa na transferência entre estabelecimentos da mesma empresa (art. 43, X, do RIPI/10); sendo assim, o estabelecimento remetente pode optar pelo destaque do IPI na nota fiscal, cabendo, nesse caso, ao estabelecimento destinatário, o direito ao crédito do imposto dela constante, quando se debitar na salda, sob pena de afronta ao principio da não- cumulatividade. Cabe destacar, ainda, o voto do Cons. ANTONIO CARLOS ATULIM, proferido no processo n° 13116.720483/2012-59 (Acórdão n° 3402-002.927), que trata de hipótese semelhante à presente, no qual a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF decidiu, por unanimidade de votos, que deve ser reconhecido o crédito de IPI incidente na transferência entre estabelecimentos de refrigerantes já prontos para comercialização, desde que tenha sido debitado o IPI na efetiva salda para comercialização, sob pena de incorrer em bis in idem, independentemente do contribuinte estar sujeito à tributação fixa. Por fim, caso haja alguma dúvida quanto ao fato de que houve efetivamente recolhimento do imposto na saída final dos refrigerantes do estabelecimento da IMPUGNANTE para comercialização, essa requer que o julgamento seja convertido em diligência para que possa ser comprovado tal fato. Vê-se, pois, que devem ser mantidos os créditos de IPI ora questionados. DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA NO AUTO. Como aspecto adicional, superados os argumentos acima que afastam a aplicação de qualquer penalidade, o que se admite apenas para fins de argumentação, seria totalmente descabida a incidência de juros sobre a multa de oficio lançada contra a IMPUGNANTE, porque implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Fl. 2774DF CARF MF Original Fl. 11 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 A empresa SPAIPA apresentou impugnação, que, em resumo, solicitou o cancelamento do auto de infração e o reconhecimento do direito ao crédito e, neste particular, a IMPUGNANTE se reportou a todos os argumentos utilizados pela SPAL em sua impugnação, que também integraram a defesa (DOC. 03). A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente o pleito da contribuinte, proferindo o acórdão assim ementado: GLOSA DE CRÉDITO. INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com gastos gerais de fabricação. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSAS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental. CRÉDITOS INDEVIDOS. PRODUTOS SUJEITOS AO REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO DE BEBIDAS FRIAS (REFRI). INCIDÊNCIA ÚNICA. Como o IPI incide uma única vez sobre o produto na saída do estabelecimento industrial, não cabe o destaque do imposto em saídas subseqüentes para outros estabelecimentos, da mesma firma ou de terceiros, assim como o creditamento pelo estabelecimento adquirente. ERRO DE ALÍQUOTA. LANÇAMENTO. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota na aquisição de insumos (quando isentos - ZFM), justifica o lançamento de ofício do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam, efetivamente, uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização, ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013 APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico deve ser entendida como uma mudança de posição interpretativa da Administração a respeito de determinada norma. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa por parte da Administração Tributária. Fl. 2775DF CARF MF Original Fl. 12 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. CLASSIFICAÇÃO EQUIVOCADA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Na situação, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição inicial. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS EXPEDIDOS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a que se refere o inciso I do art. 100 do CTN, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos que versem sobre matéria tributária. São atos gerais e abstratos, tais como portarias, instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos legais ou de instrumentar o cumprimento das obrigações tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos termos de parágrafo único do art. 100 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. Não há que se falar em aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 100, II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. Inconformada, a Spal Indústria apresentou Recurso Voluntário, pleiteando reforma em síntese: a) pela decadência, uma vez, que a contribuinte foi intimada do auto de infração em 09.01.2018, sendo que a exigência do IPI é de período anterior 09.01.2013; b) da não responsabilidade da recorrente por suposto erro na classificação fiscal; c) alteração de critério jurídico; d) da classificação fiscal dos concentrados para bebidas não alcoólicas – da alíquota utilizada para cálculo dos créditos de IPI; e) ilegalidade do auto de infração por ausência de arbitramento; f) ausência de provas para embasar a autuação; Fl. 2776DF CARF MF Original Fl. 13 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 g) do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do art. 9º. do DL no 288/67; h) do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6º. do DL no. 1.435/75; i) impossibilidade da exigência de multa, juros de mora e correção monetária; j) dos crédito oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo de industrialização dos refrigerantes; k) dos créditos decorrentes das entradas de refrigerantes para comercialização; Ainda a solidária Spaipa Indústria apresentou recurso voluntário querendo reforma para que seja acolhido os argumentos aduzidos pela Spal. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões para que seja mantenha incólume o Acórdão DRJ. É o relatório. VOTO Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. O presente foi convertido em diligência, nos seguintes termos: Conforme consta do Relatório Fiscal, a Recorrente é optante do REFRI - Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias, conforme arts. 58-A e 58-J a 58-T da Lei nº 10.833/03. Durante o curso da Fiscalização, foi identificado que a Recorrente promoveu a saída de mercadorias destinadas a outros estabelecimentos da mesma empresa, utilizando-se da suspensão do IPI, fundamentando tal prática no art. 42, X do RIPI/02 ou art. 43, X do RIPI/10. A Fiscalização entendeu indevida a suspensão aplicada, efetuando a cobrança da totalidade do imposto lançado como suspenso, independentemente do fato de ter ocorrido ou não o seu recolhimento pelos estabelecimentos recebedores das mercadorias. Desta forma, a fim de melhor subsidiar o julgamento da lide e de se evitar a exigência em duplicidade de crédito tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) intimar o autuado a fazer prova cabal de sua alegação de lançamento indevido de débitos nas saídas de mercadorias recebidas para revenda, alertando-se o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; Fl. 2777DF CARF MF Original Fl. 14 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstitua-se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançadosApós, vista à PFN, por igual período. c) repercutir a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; Concluído, retornem os autos para julgamento. (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Devidamente intimada, no termo de intimação fiscal de e-fl. 2359 assim constou: (...)fica o contribuinte acima identificado, na condição de responsável tributário, INTIMADO a, no prazo de 20 (vinte) dias: 1. Fazer prova cabal de sua alegação de lançamento indevido de débitos nas saídas de mercadorias recebidas para revenda. OBS.: Fica o contribuinte alertado de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito. Seguindo a marcha processual normal, em e-fls. 2366/2367, a contribuinte se manifestou e juntou documentos, bem como laudo técnico. No laudo técnico em e-fl. 2413 consta: Verifica-se, que o laudo técnico correlaciona os documentos com o direito ao crédito pretendido. Fl. 2778DF CARF MF Original Fl. 15 da Resolução n.º 3201-003.337 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.726233/2017-15 No termo de encerramento de diligência fiscal em e-fl. 2471/2473, concluiu a fiscalização que a contribuinte não logrou sorte em conciliar o seu direito ao crédito. Ao meu entender, o laudo consta a correlação dos valores, e ainda, a contribuinte colaciona documentos não pagináveis, que demonstra todo o seu fluxo. Assim, é necessário o retornado do presente processo administrativo, para que à unidade de origem, analise os documentos apresentados pela contribuinte, sob risco, de considerar o laudo apresentado pela contribuinte como verídico, conforme já julgado no CARF: CRÉDITOS BÁSICOS. GLOSA. BEBIDAS SUJEITAS AO REGIME MONOFÁSICO. "BIS IN IDEN". Restando comprovado na diligência que uma parcela dos produtos sujeitos ao regime monofásico - que geraram créditos indevidos na entrada - foi tributada na saída, reverte-se parcialmente a glosa efetuada a fim de se afastar o "bis in iden". (...) A objeção oposta pelo ilustre AuditorFiscal autuante, quanto à falta de uniformidadenocritériodeescrituraçãodoslivrosdeentradaedesaída,nãoprejudicouenem interferiu na apuração elaborada pela auditoria, pois a KPMG rastreou apenas os produtos objeto da glosa (os quais, obviamente, geraram o crédito indevido), conforme restou consignadonorelatóriodaKPMG(fl.2264): (...) Já a aplicabilidade do princípio da razoabilidade no caso concreto reside apenas e tão- somente na aceitabilidade da prova produzida na diligência. Embora o correto fosseapurarodébitodaformaalegadapelafiscalização,essatarefaépraticamenteimpossível no caso concreto, diante da fungibilidade dos produtos. O trabalho realizado pela auditoria KPMG produzaconvicção nojulgador de que 82,26% das saídas dos produtosmonofásicos glosados ao longo de 2008 ocorreram com tributação do IPI. A aplicação uniforme desse percentual sobre as glosas de créditos básicos efetuadas em cada período de apuração, configura prestígio daAdministração àqueles dois princípioslegais sem nenhum prejuízo ao interessedaspartes.AUniãoestarárecebendooIPIlançadodeofícioapenassobreaparcela do crédito que beneficiou indevidamente o contribuinte. E o contribuinte estará pagando apenaspeloprejuízoquecausouàUniãoepagandocomjurosdemoraemultadeofício. Acórdãonº 3402002.927. Relator. Carlos Antonio Atulim Nesses termos, proponho que retorne a diligência nos mesmos termos da diligência anterior. Laércio Cruz Uliana Junior Conselheiro Fl. 2779DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10380.908082/2017-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Para se configurar alteração de critério jurídico, é necessário que, em algum momento no passado, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. ATOS NORMATIVOS. NATUREZA JURÍDICA. Os atos normativos considerados como normas complementares são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento das leis, tratados e decretos em matéria tributária, não abarcando os atos administrativos definidores de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veiculam. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se na apuração do crédito ficto a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito do imposto os insumos ou produtos intermediários que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida, situação em que não se enquadram os produtos utilizados na limpeza do parque industrial.
Numero da decisão: 3201-011.917
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.915, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10380.908083/2017-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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INOCORRÊNCIA. Para se configurar alteração de critério jurídico, é necessário que, em algum momento no passado, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. ATOS NORMATIVOS. NATUREZA JURÍDICA. Os atos normativos considerados como normas complementares são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento das leis, tratados e decretos em matéria tributária, não abarcando os atos administrativos definidores de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veiculam. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. 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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.915, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10380.908083/2017-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Fl. 1572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 3 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) em que se julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem em que se indeferira o Pedido de Ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em razão da glosa de créditos, e, por conseguinte, não se homologara a compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a reforma do despacho decisório, com o reconhecimento integral do crédito pleiteado e, consequentemente, a homologação total da compensação declarada, aduzindo o seguinte: a) os créditos de IPI tiveram origem, precipuamente, na aquisição de concentrados para produção de bebidas não alcóolicas, fabricados pela empresa Recofarma, sediada na Zona Franca de Manaus (ZFM), empregados na fabricação de refrigerantes, sendo beneficiados por duas isenções, a saber: a primeira, cujo direito ao crédito fora reconhecido em mandado de segurança transitado em julgado, decorrente do art. 81, II, do RIPI/2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967, e a segunda do art. 95, inciso III, do mesmo RIPI/2010 (base legal: art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975), dado tratar-se de insumos elaborados com matéria-prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; b) direito ao desconto de crédito nas aquisições de concentrados para bebidas não alcoólicas e de produtos de limpeza utilizados no processo produtivo de refrigerantes; c) relação direta deste processo com o de auto de infração, uma vez que, em ambos, se discutem as mesmas glosas, razão pela qual eventual decisão naquele processo deve ser observada nestes autos, uma vez que o destino da compensação está vinculado ao que for decidido no processo do lançamento de ofício; d) alteração de critério jurídico (art. 146 do CTN), pois a fiscalização, em revisões anteriores, tendo a mesma pessoa jurídica como requerente, já havia concluído acerca da natureza dos concentrados no mesmo sentido do adotado nestes autos pelo contribuinte; e) inocorrência de responsabilidade do requerente (terceiro adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do produto; f) a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto no 435/92, impõe que está correta a classificação fiscal do concentrado para bebidas não alcoólicas na posição 2106.90.10 EX. 01 da TIPI; Fl. 1573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 4 g) a Suframa tem competência para efetuar a classificação fiscal do produto beneficiado produzido conforme PPB (Processo Produtivo Básico) definido em Portaria Interministerial, porque somente com a respectiva classificação fiscal é possível identificar o produto beneficiado para fins de IPI (arts. 1º, 4, I, c do Anexo I do Decreto nº 1.139/2010 e 10, 13, 15 e 23, todos da Resolução do CAS nº 202/2006); h) ilegalidade do despacho decisório por falta de provas, uma vez que o laudo técnico utilizado se refere a fatos geradores de outro período de apuração; i) impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária, tendo em vista o disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN. O acórdão da DRJ denegatório do pedido restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: (...) CRÉDITO INDEVIDO NA AQUISIÇÃO DE “KITS” DE PRODUTOS ISENTOS DO IPI, UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE BEBIDAS. É ilegítimo o crédito do IPI calculado como se devido fosse na aquisição de “kits” de produtos isentos do referido imposto, utilizados na elaboração de bebidas, mediante adoção de alíquota incorreta, decorrente de classificação fiscal equivocada em código único da Tabela de Incidência do IPI, próprio para concentrados, em detrimento da classificação correta, individualizada, em relação a cada um dos componentes dos “kits”. SUPERINTENDÊNCIA DA ZONA FRANCA DE MANAUS (SUFRAMA). SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIAS. A competência da Suframa no âmbito dos benefícios próprios da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental não exclui a competência da Receita Federal em matéria de classificação fiscal de produtos, para formalizar exigência do IPI, decorrente de glosa de créditos indevidos. CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: (...) ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO INDEVIDA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O lançamento de ofício baseado em entendimento distinto daquele que usualmente adota o sujeito passivo, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária, não caracteriza modificação no critério Fl. 1574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 5 jurídico adotado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil no exercício do lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que se indeferiu o Pedido de Ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em razão da glosa de créditos, e, por conseguinte, não se homologou a compensação declarada. No Recurso Voluntário, o Recorrente solicitou somente que, nestes autos, se considerassem “todos os argumentos apresentados no recurso voluntário interposto no PA nº 10480.725940/2018-41” (...) e que ambos os processos fossem reunidos para que o julgamento em 2ª instância ocorresse simultaneamente. Como ambos os processos se encontram em julgamento na mesma sessão, reproduz-se, na sequência, o mesmo voto adotado no processo nº 10480.725940/2018-41. Segundo a fiscalização, a maior parte dos créditos do IPI escriturados pelo Recorrente refere-se aos chamados “kits” contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 2202, além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., que adotara, na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM), a classificação fiscal 2106.90.10, código Ex 01, sem destaque do imposto nas respectivas nas notas fiscais, por entender aplicável a isenção. A fiscalização promoveu a reclassificação fiscal da mercadoria por considerar que, na verdade, estar-se-ia diante, não de um produto único (concentrado), mas de uma mistura de componentes que são misturados Fl. 1575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 6 em etapa realizada dentro do estabelecimento do engarrafador, em que os ingredientes são diluídos em xarope simples ou água, tendo-se por caracterizada, assim, uma operação de transformação, definida no art. 4º, inciso I, do RIPI/2010, cujo resultado é uma preparação conhecida como xarope composto que se classifica na posição NCM 2106.90.10. Feitas essas considerações, passa-se à análise dos argumentos do recurso. I. Crédito ficto. Isenção. Arbitramento. De início, o Recorrente alega que os concentrados adquiridos da Recofarma são beneficiados por duas isenções com direito a crédito ficto do IPI, a saber: a primeira decorrente do art. 81, II, do RIPI/2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967, e a segunda do art. 95, inciso III, do mesmo RIPI/2010, base legal: art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975. Segundo ele, o crédito de IPI reclamado encontrava-se previsto no art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975, direito esse reconhecido pelo julgador a quo, sendo que, no MSI nº 95.0008470-3, não se controverteu acerca desse fato. Na petição inicial do MSI nº 95.0008470-3, o Recorrente pleiteou o direito de manter o crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplicando-se a alíquota do imposto prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), vindo a constar da sentença da Justiça Federal no Ceará a concessão da ordem “para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar dos valores relativos ao IPI nas operações de aquisição do concentrado, ainda que essas operações sejam isentas do mesmo imposto na origem”, decisão essa mantida no TRF5, não tendo havido, contudo, definição judicial acerca da composição ou da natureza dos concentrados. Não se pode se esquecer, ainda, principalmente em razão de sua força vinculante, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, submetido à sistemática da repercussão geral, nos seguintes termos: "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". Entretanto, independentemente de ter havido reconhecimento de isenção pela fiscalização ou em ação judicial, ou, ainda, de previsão expressa na própria legislação, no presente caso, conforme se apurou no auto de infração, está-se diante de aquisições, em sua grande maioria, sujeitas à alíquota zero da TIPI, sendo esse o fundamento do não reconhecimento do direito ao crédito ficto do imposto. Fl. 1576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 7 Em relação à pequena parcela sujeita à alíquota de 5%, o Recorrente não se desincumbiu - dado tratar-se de um direito creditório - do ônus de discriminar e determinar o valor tributário dessas mercadorias, tendo sido alegado tratar-se de medida impraticável. Essa alegação de impossibilidade de discriminação dos diferentes itens que compõem o conjunto identificado como “concentrado” não se mostra verossímil, pois, na produção de cada componente do concentrado, têm-se os custos dos fatores de produção que podem ser extraídos destacadamente – salvo na hipótese de total ausência de controle da produção –, uma vez tratar-se de produtos contendo composição físico- química própria, que foram comercializados separadamente, ainda que em conjunto. Tendo havido provimento judicial transitado em julgado assegurando o direito a crédito na aquisição de produto isento, esse crédito precisa ser quantificado em função da alíquota a que estiver sujeito o produto, sendo que, diante da oposição do interessado à individualização dos diferentes componentes adquiridos, oposição essa relativa a um crédito que o beneficia, pretendeu-se transferir peremptoriamente à fiscalização referido ônus probatório, exigindo dela um arbitramento destituído das premissas básicas necessárias à apuração da natureza e da composição do produto, sem qualquer colaboração da parte beneficiária, contrariando o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ressalte-se que, de acordo com o inciso IV do art. 4º da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF)1, é dever do administrado “prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos”. Portanto, não merece guarida este tópico do Recurso Voluntário. II. Classificação fiscal do concentrado. O Recorrente argumenta que demonstrara que o produto objeto da autuação é um produto único, qual seja, concentrado para bebidas não alcóolicas da posição TIPI 2106.90.10 Ex 01, estando sua defesa em conformidade com a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, em que se estabeleceu o Processo Produtivo Básico (PPB) para projetos industriais da Zona Franca de Manaus (ZFM), bem como com a Resolução CAS nº 298/2007 e com outros atos administrativos da Suframa relativos à aprovação do projeto industrial da Recofarma. 1 Lei nº 9.784/1999 (...) Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 1577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 8 Ainda segundo ele, o “concentrado” previsto na referida portaria interministerial - portaria essa que é vinculatória para a Receita Federal e a Suframa - pode ser homogeneizado ou não homogeneizado, uma vez que tal ato estatuiu não ser obrigatória a etapa de homogeneização, tendo sido tais constatações referendadas no laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Firmada a premissa de se tratar de um concentrado, continua o Recorrente, a classificação fiscal correta, com base na Regra Geral de Interpretação nº 1 do Sistema Harmonizado (SH), é a da posição TIPI 2106.90.10 Ex 01 (posição mais específica). Contudo, a fiscalização demonstrou que o chamado “kit” era, na verdade, um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários distintos fornecidos pela Recofarma aos fabricantes de refrigerantes em embalagens separadas, havendo dentre eles, inclusive, substâncias na forma pura, como o benzoato de sódio e o ácido cítrico. Ainda de acordo com a fiscalização, bem como com a DRJ e a PGFN, o termo "preparações” dos Ex 01 e Ex 02 da posição TIPI 2106.90.10 refere-se a produtos já preparados, prontos para uso, o que as diferencia dos “concentrados”, estes vendidos separadamente e que serão misturados pelo adquirente dos insumos no processo final de fabricação do refrigerante. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. Não se pode ignorar que, na classificação fiscal de mercadorias, devem-se observar as Regras Gerais para Interpretação e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que se originam do entendimento firmado pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) ou Organização Mundial das Aduanas (OMA) a partir da análise técnica de dúvidas e questionamentos a ela submetidos. Na Regra 3b da NESH, inseriu-se a Nota Explicativa XI definindo que os “sortidos” não alcançavam as “mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas”, o que indica que o sistema deu tratamento próprio aos componentes separados vendidos em conjunto para fabricação de bebidas, componentes esses que deverão ser classificados de forma individualizada. Fl. 1578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 9 A classificação fiscal defendida pelo Recorrente cuida de “preparações compostas não alcóolicas” para preparação de refrigerantes, em que os componentes já se encontram misturados, dependendo apenas da diluição final, situação essa distinta daquela em que os componentes vendidos separadamente serão misturados somente no processo produtivo final do engarrafador. Nas notas explicativas da posição 2106 da NESH, as “preparações compostas” presentes na classificação fiscal defendida pelo Recorrente encontram-se definidas da seguinte forma: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), do tipo utilizado na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos (sumos) de fruta, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em consequência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, mesmo com adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também frequentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. (g.n.) Verifica-se do excerto supra que as “preparações compostas” da posição 2106 decorrem da mistura de diversas substâncias e contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida, mistura essa que dependerá apenas da diluição final para se caracterizar como bebida para consumo, inclusive doméstico. Referidas preparações compostas não são produzidas pelo fornecedor Recofarma, pois este comercializa componentes vendidos separadamente, ainda que em conjunto, vindo as referidas preparações compostas a ser fabricadas somente no ambiente produtivo do adquirente, havendo, portanto, especificidades técnicas que não podem ser ignoradas na classificação fiscal dessas mercadorias. É o próprio Sistema Harmonizado que assim definiu tais regras de classificação, não podendo atos administrativos da Suframa ou de outros órgãos e entidades estatais e paraestatais pretender alterá-las ou ignorá-las sob o argumento de se tratar de matéria técnica afeta a sua área de competência ou de administração. Fl. 1579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 10 A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no acórdão nº 9303-006.987, de 14/06/2018, decidiu pela compatibilidade entre as atribuições administrativas da Suframa com a competência fiscalizatória da Receita Federal, verbis: CONFLITO DE COMPETÊNCIAS ENTRE A SUFRAMA E A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em conflito de competências entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia aprova os projetos dos fabricantes de concentrados para refrigerantes localizados na Amazônia Ocidental, cabendo ao Fisco analisar a legitimidade da utilização do benefício, verificando se foi atendida a exigência de emprego de matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, observando-se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). (g.n.) Inobstante o importante suporte que laudos e outros documentos de natureza técnica possam fornecer ao procedimento de classificação fiscal de mercadorias, não se pode ignorar que eles são utilizados apenas como subsídio, pois é o agente competente que definirá a classificação a partir das Regras Gerais para Interpretação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e não a partir de orientações advindas de outras fontes, ainda que de origem pública. Assim, para a fiscalização, tratando-se de componente de kit de uma matéria pura acondicionada em embalagem individual, ele deve ser classificado de forma individualizada, nos seguintes termos: “o código 2916.31.21, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de benzoato de sódio”, “o código 2916.19.11, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de sorbato de potássio”, “o código 2918.14.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de ácido cítrico” e “o código 2918.15.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de citrato de sódio”. Parte significativa da jurisprudência do CARF caminha nesse sentido, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 31/07/2013 a 31/12/2014 (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em Fl. 1580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 11 diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. (...) (Acórdão 3201-009.972, rel. Márcio Robson Costa, j. 22/11/2022) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2014 a 30/09/2018 (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero e no que concerne a matérias primas originárias da ZFM e da Amazônia Legal; glosam-se os créditos relativos a insumos adquiridos em desobediência aos requisitos legais (matérias-primas agrícolas, extrativas vegetais de produção regional e da fauna e flora regionais), sendo inaplicável a esses casos o RE nº 592.891/SP. (Acórdão 3301-013.805, red. Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, j. 27/02/2024) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação Fl. 1581DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 12 composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se, na apuração do crédito ficto, a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. (...) (Acórdão 3201-006.669, rel. Hélcio Lafetá Reis, j. 17/03/2020) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 (...) PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da Fl. 1582DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 13 RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REFRIGERANTES. IPI. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. (Acórdão 3401-005.943, rel. Lázaro Antônio Souza Soares, j. 27/02/2019) Segundo o agente fiscal, “as únicas “partes” tributadas a alíquotas positivas adquiridas pela fiscalizada são aquelas classificadas no código 3302.10.00, próprio para preparação à base de mistura de substâncias odoríferas, cuja alíquota é de 5%”, sendo que a Recofarma se recusou a informar para a fiscalização o valor individual dos componentes de kits”, o que impediu o cálculo do valor do imposto oriundo de preparações enquadradas no código 3302.10.00, como se devido fosse. O Recorrente alegara, na primeira instância, que, quanto aos meses de janeiro a março de 2017, “deveria ter sido reconhecido crédito relativo às partes do concentrado classificadas pela Autoridade Fiscal na posição 2106.90.10, uma vez que Decreto nº 8.950, de 29.12.2016, que aprovou a nova TIPI, teria alterado a alíquota da referida posição de zero para 14%”, vindo a DRJ a destacar que, de fato, na publicação original constara a alíquota de 14% para o código, sendo que o erro veio a ser retificado no DOU de 30 de dezembro de 2016, Seção 1, voltando a constar alíquota zero. No Recurso Voluntário, o Recorrente argui que, diferentemente do afirmado no acórdão recorrido, a retificação do Decreto nº 8.950/2016 reduzindo a alíquota do imposto de 14% para zero somente foi publicada no DOU em 31/03/2017, encontrando-se vigente, portanto, a referida alíquota no período de janeiro a março de 2017, o que indica mais uma ilegalidade do auto de infração não passível de correção por parte do CARF. Contudo, em consulta ao referido Decreto na internet, 2 obtém-se a seguinte informação: Aprova a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI. (Publicado no Diário Oficial da União de 30 de dezembro de 2016, Seção 1) 2 Disponível em: <<https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/d8950.htm#anexo>> Acesso em 11/06/2024. Fl. 1583DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 14 RETIFICAÇÃO No Capítulo 21 da Seção IV da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI anexa ao Decreto nº 8.950, de 29 de dezembro de 2016, onde se lê: “NCM-DESCRIÇÃO-ALÍQUOTA (%) 2106.10.00 - Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas – 14 2106.90 – Outras - 2106.90.10 - Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas - 14 Leia-se: “NCM-DESCRIÇÃO-ALÍQUOTA (%) 2106.10.00--Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas 2106.90--Outras- 2106.90.10-Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas - 0 Assim, constata-se haver razão à DRJ quanto à retificação da alíquota. Por outro lado, o Recorrente alega que, com a redução da alíquota de 20% para 4% para os produtos classificados no código 2106.90.10 Ex 01, promovida por meio do Decreto nº 9.394/2018, a Receita Federal pretendeu reduzir os créditos fictos decorrentes de aquisições de insumos isentos (concentrados) oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM) e, por decorrência, aumentar a arrecadação tributária, o que tornava inconteste que o produto por ele adquirido é aquele previsto na referida posição da TIPI. Segundo ele, a interpretação autêntica do Decreto nº 9.394/2018 formulada pela própria Receita Federal é vinculante, inclusive para o CARF, por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 62 do seu Regimento Interno. No entanto, mesmo que se admita a existência da alegada “interpretação autêntica” da Receita Federal, não se pode ignorar que, nas manifestações daquele órgão identificadas pelo Recorrente, fez-se referência aos produtos classificados no código TIPI 2106.90.10 Ex 01 mas sem identificá-los. Nesse código, conforme já dito, classificam-se os concentrados já misturados, dependentes apenas da diluição final a se realizar no ambiente produtivo do adquirente, hipótese essa, conforme já dito exaustivamente neste voto, não coincidente com a sob análise nestes autos. O fato de a redução da alíquota de 20% para 4% ter como objetivo o aumento da arrecadação em nada altera a presente análise, pois, aqui, conforme já apontado, controverte-se sobre componentes vendidos Fl. 1584DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 15 separadamente, ainda que em uma operação conjunta, situação em que os argumentos do Recorrente não se ajustam. Nesse sentido, também não se acolhe a defesa do Recorrente quanto a essa matéria. III. Erro na classificação fiscal. Responsabilidade. O Recorrente alega que, por ausência de previsão na legislação de regência, ele não podia ser responsabilizado por erro na classificação indicada na nota fiscal emitida pelo fornecedor da mercadoria, conforme jurisprudência judicial e administrativa. Contudo, é dever da fiscalização verificar a correta classificação fiscal dos produtos, obrigação essa que, a princípio, perpassa eventual boa-fé do adquirente3, e, sendo a atividade fiscalizatória vinculante e obrigatória, ela independe da intenção do sujeito passivo, salvo nas hipóteses de agravamento ou qualificação da multa de ofício. O Recorrente alega que o RIPI 2002/2010 não determina a responsabilidade do adquirente na verificação da correta classificação fiscal adotada pelo fornecedor, no entanto, tal possibilidade não pode ser interpretada como um dado imutável, pois, uma vez demonstrado o erro na classificação fiscal constante do documento, a fiscalização tem o poder-dever de ajustá-la às normas jurídicas correspondentes, sob pena de violação do art. 142 do CTN4, conforme já decidiu, recentemente, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em processo do mesmo contribuinte destes autos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013 APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. NOTA FISCAL. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. LEI 4.502/1964, ART. 62. A leitura do art. 62 da Lei no 4.502/1964 demanda ponderação. Quando o dispositivo legal se refere à necessidade de verificar se os produtos “estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares”, está-se a exigir do adquirente que verifique não só requisitos formais, mas a substância do documento, 3 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 4 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1585DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 16 mormente quando de tal substância pode decorrer (ou não) crédito incentivado condicionado a características do fornecedor e da classificação da mercadoria ou enquadramento em “Ex Tarifário”, como nas aquisições isentas no âmbito da Zona Franca de Manaus, à luz do RE no 592.891/SP. Acórdão 9303-015.038, rel. Rosaldo Trevisan, j. 10/04/2024) A 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF também já decidiu no mesmo sentido, conforme se verifica das ementas mais recentes a seguir transcritas: RESPONSABILIDADE PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL INDICADA NAS NOTAS FISCAIS DOS KITS. BOA-FÉ DO ADQUIRENTE. O art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boa-fé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. A boa-fé do adquirente é sempre levada em conta na graduação da multa de ofício aplicável, pois caso fosse constatada a intenção do Recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequência da sua conduta, pois incidiria na previsão de multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. (Acórdão nº 3401-007.043 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 23/10/2019) AUTUAÇÃO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE PASSIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN: Artigo 136). É legítima a sujeição passiva de estabelecimento em autuação que teve por objeto a glosa de créditos de IPI tidos como indevido pela fiscalização em razão de possível erro de classificação fiscal. (Acórdão nº 3402-006.589 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/05/2019) Conforme se verifica dos excertos transcritos acima, a 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF já alterou o entendimento externado nos acórdãos nº 3401- 003.751 e 3401-003.838, citados pelo Recorrente, o que desfavorece, indubitavelmente, a defesa quanto a essa matéria. Além disso, as decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) referenciadas pelo Recorrente não têm conexão direta com a controvérsia destes autos, pois que cuidaram de matérias julgadas no âmbito da competência tributária dos Estados e relativas ao ICMS, este regido pela Lei Complementar nº 87/1996. Afasta-se, também, o recurso voluntário quanto a este item. IV. Alteração de critério jurídico. Fl. 1586DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 17 Alegando violação ao art. 146 do CTN,5 o Recorrente argumenta ter havido, no lançamento de ofício sob comento, alteração de critério jurídico, pelo fato de que, segundo ele, o Fisco chancelara a revisão de lançamentos sujeitos à homologação anteriores relativamente à mesma matéria. De pronto, deve-se destacar que o Recorrente faz uma alegação genérica acerca de um posicionamento anterior da fiscalização quanto à classificação fiscal do mesmo produto, posicionamento esse que a impediria de aplicar nova interpretação da norma jurídica tributária a fatos ocorridos anteriormente à sua introdução, não indicando em que situação isso se dera e nem em que momento, alegação essa que se mostra, portanto, desprovida de lastro probatório. Neste tópico, o Recorrente se ampara em acórdão do CARF (3401-002.537) cujo entendimento já foi superado na mesma turma de julgamento (1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção), verbis: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O fato de uma classificação fiscal não ter sofrido reclassificação em procedimentos anteriores não implica sua aceitação pelo Fisco de forma expressa, a ponto de vincular a Administração Tributária. Para que haja mudança de critério jurídico, é necessário que, em algum momento, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. (Acórdão nº 3401-007.043, de 23/10/2019) NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. (Acórdão nº 3401- 006.879, de 24/09/2019) Nesse contexto, nada há de irregular no lançamento de ofício quanto a essa questão. V. Exigência de multa, juros e correção monetária. Amparando-se no art. 100, parágrafo único, do CTN6, o Recorrente pleiteia a exclusão da multa, dos juros de mora e de correção monetária, alegando 5 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 6 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 1587DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 18 observância de atos normativos, a saber: a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, em que se estabeleceu o Processo Produtivo Básico (PPB) para projetos industriais da Zona Franca de Manaus (ZFM), bem como com a Resolução CAS nº 298/2007 e com outros atos administrativos da Suframa relativos à aprovação do projeto industrial da Recofarma. No entanto, o inciso I do art. 100 do CTN faz referência a atos “normativos”, cuja característica básica é a veiculação de um comando abstrato e geral de explicitação das leis e dos decretos e não a definição de um processo produtivo ou a aprovação de um determinado projeto industrial. “Os atos administrativos normativos a que se refere o CTN são, basicamente, as instruções normativas e as portarias, bastante utilizadas em matéria tributária”7. Nesse sentido, os atos normativos sob comento são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento da legislação tributária. Os atos administrativos invocados pelo Recorrente não desempenham tal função, restringindo-se à definição de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veicularam, definições essas que, conforme já dito neste voto, podem até subsidiar o aplicador da legislação tributária, mas sem vinculá-lo, pois é à Administração tributária, ou a outras instâncias autorizadas por lei, que cabe a função de expedir atos “normativos” em matéria tributária. Nesse sentido, afasta-se a alegação do Recorrente de inexigibilidade dos acréscimos legais. VI. Impossibilidade de exigência de multa por erro de classificação fiscal. Reportando-se ao art. 76, inciso II, “a” da Lei nº 4.502/1964 8 , que corresponde ao art. 567, inciso II, “a” do RIPI/2010, o Recorrente pleiteia o cancelamento da multa de ofício por ter agido de acordo com a interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa (acórdão CARF nº 9303-003.517, de 15/03/2016). Referida matéria foi julgada recentemente nesta 1ª Turma Ordinária, relativamente à mesma matéria destes autos, tendo prevalecido o seguinte entendimento: Exigência de multa em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. 7 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição, código tributário e à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 841. 8 Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II - enquanto prevalecer o entendimento - aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; Fl. 1588DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 19 A Recorrente defende ser incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. Nesse ponto, a turma discordou do i. Relator em razão dos mesmos argumentos já mencionados no item anterior, a saber: antiguidade no posicionamento de classificação fiscal proveniente dos Comitês do CCA/OMA (1985/1986), porte da empresa, tipo de mercadoria e interesse tributário decorrente nos créditos. Assim, em que pese a menção aos Acórdãos: 02-02.89, de 28.01.2008, relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; 02-02.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto e 02-0.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, a turma entendeu que o cerne da questão está na harmonização dos códigos de classificação no âmbito da Convenção do SH de itens amplamente comercializados, sem que reste dúvidas quanto a sua correta classificação fiscal, assunto decidido internacionalmente desde a década de 80. Em outras palavras, a questão não deve ser analisada sob a luz da dúvida em relação à correta classificação fiscal. Afirmo que a correta classificação fiscal foi decidida desde a década de 80 por parte dos Comitês do CCA/OMA e que o Brasil, representado pela Receita Federal, participa de tais Comitês. A tentativa, por parte de quem quer que seja, de classificar os itens de forma conjunta para fins de aproveitamento de créditos deve ser rechaçada. O adquirente do produto é empresa representante da marca Coca-Cola e de outras bebidas conhecidas em diversos Estados da Federação, sendo inadmissível a falta de controle quanto aos códigos de mercadorias objeto do seu negócio principal que resultaram em créditos indevidos. Em resumo, a classificação fiscal para os itens dos concentrados vendidos em kits, deve ser feita de forma individualizada para cada item, sendo tal regra válida para todos os países signatários da Convenção do SH do CCA/OMA. Dessa forma, considera-se correta a imposição da multa de ofício para o caso dos autos. (Acórdão nº 3201-005.476, red. Leonardo Correia Lima Macedo, j. 17/06/2019) Referido acórdão restou ementado nos seguintes termos: MULTAS. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não se aplica o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 para exclusão das multas quando ficar claro que não havia dúvidas quanto à correta classificação fiscal em matéria decidida internacionalmente desde a década de 80. A interpretação fiscal não foi questionada, sendo os atos oriundos de autoridades sem competência para a classificação fiscal. Fl. 1589DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 20 O entendimento da 3ª Turma da CSRF referenciado pelo Recorrente no acórdão 9303-003.517 já foi reformado pela mesma turma, tendo-se em conta a súmula CARF nº 167, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DE PENALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 76, II, "A" DA LEI Nº 4.502/1964. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 167. A questão restou pacificada com a edição da Súmula CARF n° 167, aprovada pelo Pleno em 06/08/2021, com vigência a partir de 16/08/2021: O art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. Mantendo-se o entendimento supra, afasta-se a pretensão do Recorrente quanto à exclusão da multa de ofício. VII. Crédito. Produtos de limpeza. Requer o Recorrente, ainda, o reconhecimento do direito de desconto de crédito do IPI nas aquisições de produtos de limpeza utilizados na assepsia e sanitização durante o processo produtivo, inclusive por exigências sanitárias, as quais, contudo, ele não identifica. Inobstante se tratar de produtos relevantes para o processo produtivo do Recorrente, há que se considerar que o direito a crédito do IPI não se pauta pelo critério da relevância ou essencialidade, mas pela subsunção dos insumos na conceituação de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, conceituação essa consolidada há bastante tempo, conforme Parecer Normativo (PN) CST nº. 65/1979, em que se definiu que a expressão "consumidos na produção" prevista no RIPI abrange o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas em ação direta do bem sobre o produto em fabricação. O inciso I do art. 164 do RIPI/2002 assim dispõe: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias- primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (g.n.) Conforme destacado pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, o Parecer Normativo CST nº 181, de 23/10/1974, dispôs, no seu item 13, que Fl. 1590DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 21 “não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento”, abrangendo “limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” Dessa forma, somente geram direito a crédito do IPI, além das matérias- primas, produtos intermediários strictu senso e material de embalagem, os produtos não contabilizados no Ativo Permanente consumidos no processo produtivo em contato físico direto com o bem em produção, hipótese essa que não alcança os produtos utilizados ou empregados na limpeza do parque industrial. O CARF já assentou esse entendimento, por unanimidade de votos, em outros processos do mesmo contribuinte destes autos, conforme se verifica dos excertos de ementas a seguir transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) CRÉDITOS BÁSICOS. LEGISLAÇÃO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAL DE HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de higiene e limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames que serão utilizados na industrialização de refrigerantes. (Acórdão 3402-011.693, rel. Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, j. 20/03/2024) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza utilizados na fabricação de refrigerantes, apesar de constituírem uma despesa necessária para a produção, não integram efetivamente o produto final nem sofrem perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre este último, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. (Acórdão 3201-009.501, rel. Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, j. 24/11/2021) Fl. 1591DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 22 [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. LEGISLAÇÃO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAL DE HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de higiene e limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames que serão utilizados na industrialização de refrigerantes. (Acórdão 9303-011.895, j. 13/09/2021) Nesse sentido, mantém-se a referida glosa de créditos. VIII. Débitos. Lançamento de Ofício. O Recorrente se contrapõe à afirmativa da DRJ de que ele não contestara os débitos apurados e inseridos na reconstituição fiscal promovida pela fiscalização, tendo alegado apenas que, uma vez reconhecidos os créditos pleiteados, eles seriam suficientes para compensação dos débitos apurados, motivo pelo qual se considerou não impugnada essa parte do lançamento de ofício. No Recurso Voluntário, ele reafirma a referida questão, aduzindo, ainda, que se trata de “débitos devidos em razão de notas fiscais de saída não escrituradas, matéria que não é discutida no presente processo”, sendo, “portanto, descabida a afirmativa da decisão no sentido de que não teria sido impugnada”. Nesse sentido, por não influir na decisão tomada neste voto, essa questão não demanda maiores perscrutações. IX. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por negar provimento ao Recurso Voluntário. Tendo-se em conta a decisão supra, bem como o fato de que, nestes autos, se controverte sobre pedido de ressarcimento indeferido e de declaração de compensação não homologada em decorrência da reconstituição da escrita fiscal que acarretou a lavratura do auto de infração no processo nº 10480.725940/2018-41, vota-se, aqui, no mesmo sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 1592DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.917 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908082/2017-15 23 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 1593DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11128.725738/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 21/08/2015 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA O fato de a decisão recorrida ter apreciado a questão e decidido de forma contrária à pretensão do contribuinte e com argumentos dos quais discorda não caracteriza falta de motivação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972. UNIDADES EVAPORADORAS DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTI-SPLIT. As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multi-split, apresentadas separadamente, são classificadas no código no código 8415.90.10 (evaporadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 3201-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.

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3201­005.279  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de abril de 2019  Matéria  CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Recorrente  DAIKIN MCQUAY AR CONDICIONADO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 21/08/2015  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  DECISÃO  DEVIDAMENTE  MOTIVADA  O  fato  de  a  decisão  recorrida  ter  apreciado  a  questão  e  decidido  de  forma  contrária  à  pretensão  do  contribuinte  e  com  argumentos  dos  quais  discorda  não caracteriza falta de motivação.  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos  10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/1972.  UNIDADES  EVAPORADORAS  DE  SISTEMAS  DE  AR  CONDICIONADO MULTI­SPLIT.  As unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multi­split,  apresentadas  separadamente,  são  classificadas  no  código  no  código  8415.90.10  (evaporadoras),  ou  no  Ex  tarifário  correspondente,  conforme  a  capacidade frigorífica.  MULTA  DE  OFÍCIO.  75%.  APLICABILIDADE.  ERRO  DA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL O  erro  na  indicação  da  classificação  fiscal  se  subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em  que  representa  prestação  de  “declaração  inexata”,  máxime  quando  a  descrição  empregada  na  declaração  de  importação  seria  capaz  de  provocar  erro  por  parte  do  agente  do  Fisco.  Por  outro  lado,  o  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  n°  13,  de  2002,  que  revogou  expressamente  o  Ato  Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência  de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria  estivesse correta e suficientemente descrita.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 57 38 /2 01 5- 58 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 420          2 ERRO  DE  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  MULTA  DE  UM  POR  CENTO  SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.  Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza  a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.  ARGUMENTOS  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA.  SÚMULA Nº 108 DO CARF.  Incidem juros moratórios, calculados à  taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC, sobre o valor correspondente à multa de  ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Paulo Roberto Duarte Moreira ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Giovani  Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Marcos  Roberto  da  Silva  (suplente  convocado  em  substituição  ao  Conselheiro  Charles  Mayer  de  Castro  Souza),  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Laércio  Cruz  Uliana  Junior  e  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira  (Presidente  em  Exercício).  Ausente  o  conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.    Relatório  Por  retratar  com  fidelidade  os  fatos,  adoto,  com  os  devidos  acréscimos,  o  relatório produzido em sede de Impugnação, o qual está consignado nos seguintes termos:  "O  importador,  por  meio  da  declaração  de  importação  DI  n°  15/1493287­5,  de  21/08/2015  importou  a  mercadoria  descrita  como  “Unidade  evaporadora  para  sistema  de  ar  condicionado  do  tipo  multi­split  para  montagem  do  tipo  hi­wall,  marca  DAIKIN, modelo FTXS35KVM, com capacidade de resfriamento  Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 421          3 de  12.000  BTU/hora”,  classificando  na  NCM  8415.82.10,  com  alíquotas de 18% de II e 20% de IPI.   Segundo  a  fiscalização,  a  classificação  fiscal  correta  para  os  produtos é a NCM 8415.90.10, EX 01 da TIPI, com as alíquotas  de  18%  de  II  e  de  35%  de  IPI.  Baseou­se  a  fiscalização  no  catálogo  técnico  do  produto  e  nas  Regras  de  Classificação  do  Sistema Harmonizado.   Através  do  presente  Auto  de  Infração,  cobrou­se  a  multa  por  erro na classificação fiscal de 1% do valor aduaneiro, além das  diferenças de IPI e multas de ofício.   Intimada  do  Auto  de  Infração  em  01/12/2015  (fl.  100),  a  interessada  apresentou  impugnação  e  documentos  em  23/12/2015,  juntados  às  folhas  169  e  seguintes,  alegando  em  síntese:   1. Alega preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por  falta de fundamentação técnica. Alega que não foi solicitado  laudo técnico para identificar a mercadoria. Alega que o ato  administrativo carece de motivação nos termos do art. 2° da  Lei n° 9.784/99. Alega que a reclassificação não foi motivada  detalhadamente. Cita jurisprudência judicial sobre o tema.   2.  Tece  comentários  sobre  o  Sistema  Harmonizado  de  Classificação de Mercadorias. Cita doutrina sobre o tema. Alega  que, inexistindo classificação fiscal específica, deve ser aplicada  a  classificação  fiscal  residual.  Alega  que  o  conceito  de  “Split­ System” está definido nas NESH da posição 8415. Alega que tal  conceito  determina  a  existência  de  apenas  um  único  condensador  e  um  único  evaporador.  Cita  a  Coletânea  de  Pareceres de Classificação da OMA publicada pela IN RFB n°  1.459/2014.  Alega  que  os Pareceres  de Classificação  da OMA  são  vinculativos  para  a  fiscalização  nos  termos  do  §  único  do  art.  1°  da  mesma  Instrução  Normativa.  Alega  que  os  equipamentos  por  ela  importados  são  do  tipo  “Multi­Split”  e  “VRF”, com diversas unidades condensadoras e variados  tipos  de unidades evaporadoras. Alega que os componentes do sistema  “Split­System” não são compatíveis com os dos sistemas “Multi­ Split”  e  “VRF”.  Cita  o  Acórdão  CARF  n°  3403­003.537  que  segundo a impugnante reconheceria a diferença técnica entre os  citados sistemas. Cita Portarias Interministeriais e Portarias do  INMETRO  que  tratam  dos  sistemas  “Split­System”,  “Multi­ Split”  e  “VRF”.  Alega  que  a  classificação  fiscal  da  NCM  8415.90.10  refere­se  apenas  a  unidades  evaporadoras  de  aparelhos  de  ar­condicionado  do  tipo  “Split­System”  com  capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora. Alega que  o  próprio  relatório  fiscal  confirma  que  as  unidades  evaporadoras  importadas  são  do  tipo  “Multi­Split”.  Cita  que  essa  também  é  a  descrição  constante  da  declaração  de  importação.   3.  Afirma  que  a  classificação  fiscal  por  ela  adotada  na  importação está correta. Reafirma que o equipamento importado  Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 422          4 não seria classificado na subposição 8415.1 por não ser do tipo  “Split­System”. Tampouco  seria  incluído na  subposição 8415.2  por  não  ser  destinada  a  automóveis.  Restaria,  segundo  a  impugnante, a subposição residual 8415.8. Afirma ainda que as  unidades  evaporadoras  não  seriam  partes  de  aparelhos  de  ar­ condicionado  na  acepção  da  subposição  8415.9.  Alega  que  a  unidade evaporadora poderia  ser classificada como o aparelho  de  ar­condicionado  completo  pois  a NCM 8415.83.00  descreve  um  aparelho  de  ar­condicionado  sem  dispositivo  de  refrigeração.   4. Alega que as penalidades aplicadas deveriam ser excluídas  em  função  do  art.  100  do  CTN.  Afirma  que  as  normas  administrativas citadas conceituam o sistema “Split­System”,  o qual não seria aplicado à importação em tela. Alega ainda  que  a  fiscalização  reiteradamente  desembaraçou  as  mercadorias  importadas  pela  impugnante  em  sua  classificação fiscal, validando tacitamente a prática adotada.  Cita  jurisprudência  do  CARF  sobre  licença  de  importação  substitutiva. Cita jurisprudência judicial sobre juros de mora,  correção monetária e multa de mora.   5.  Alega  que  não  seria  cabível  a  aplicação  de  duas  multas  sobre  o mesmo  fato  pelo Princípio  da Consunção/Absorção.  Alega  que  as  duas  multas  se  baseiam  na  “adoção  de  NCM  supostamente  incorreta”.  Alega  que  a  multa  por  erro  na  classificação  seria  absorvida  pela  multa  pelo  não  recolhimento de tributos. Cita jurisprudência do CARF sobre  o tema.   6.  Alega  que  a  cumulação  de  multas  no  caso  concreto  equipara­se  à  aplicação  de  multas  de  125%  ou  150%,  caracterizando  confisco.  Cita  jurisprudência  judicial  sobre  multas confiscatórias.   7. Alega  a  ilegalidade da  incidência  da  taxa SELIC  sobre a  multa. Cita o art. 61 da Lei n° 9.430/96.   8.  Requer,  por  fim,  que  sejam  reconhecidas  as  questões  preliminares ou, no mérito, que seja declarado improcedente  o presente auto de infração.   É o relatório."  A  Impugnação  foi  julgada  improcedente  e  a  decisão  apresenta  a  seguinte  ementa:  "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS   Data do fato gerador: 21/08/2015   CLASSIFICAÇÃO FISCAL   A  mercadoria  importada  descrita  comercialmente  como  “Unidade  evaporadora  para  sistema  de  ar  condicionado  do  Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 423          5 tipo  multi­split  para  montagem  do  tipo  hi­wall,  marca  DAIKIN,  modelo  FTXS35KVM,  com  capacidade  de  resfriamento  de  12.000  BTU/hora”,  com  as  características  expostas neste processo, encontra correta classificação fiscal  na NCM 8415.90.10, EX 01 da TIPI.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido"  O  Recurso  Voluntário  da  Recorrente  foi  interposto  de  forma  hábil  e  tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos:  (i)  em  razão  da  suposta  classificação  incorreta  de  2.600  unidades  evaporadoras para  sistemas de  ar  condicionado Multi­Split  quando da  importação destas por  meio da Declaração de Importação (“DI”) n° 15/1493287­5 foi autuada para cobrança do IPI e  multa regulamentar;  (ii)  há  vários  anos  realiza  a  importação  de  unidades  condensadoras  para  sistemas  de  ar  condicionado  do  tipo Multi­Split  /  VRF  (VRV)  sob  o  código  8415.82.10  da  Nomenclatura Comum do MERCOSUL (“NCM”);  (iii) a decisão recorrida deve ser anulada por falta de motivação;  (iv) a decisão é frágil em sua base conceitual em razão de utilizar conceitos  obtidos na internet no site 'Wikipedia’;  (v) o Auto de Infração é nulo por ausência de provas técnicas, em especial em  relação ao processo de classificação de mercadorias;  (vi)  o  agente  fiscal  efetuou  um  exame  de  subsunção  equivocado  do  fato  concreto (forma de utilização dos produtos  importados) às Regras Gerais de Interpretação do  Sistema Harmonizado (“RGI”);  (vii) não há fundamentação técnica que ampare, enquanto motivação, o Auto  de  Infração,  pois  desprovido  de  laudo  técnico  que  qualifique  tecnicamente  os  produtos  importados com vistas a sustentar a (incorreta) classificação fiscal;  (viii) o dever de motivar os atos administrativos (gênero no qual se incluem  os autos de infração) é tema incontroverso, dada a clareza da Lei nº 9.784/99 (lei do processo  administrativo  federal)  e  que  a  atividade  administrativa  de  lançamento  é  estritamente  vinculada, ex.vi. dos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional;  (ix)  o  Sistema  Harmonizado  foi  concebido  com  base  em  códigos  de  seis  dígitos,  sendo  dividido  em  capítulos  (dois  primeiros  dígitos),  posições  (conjunto  dos  quatro  primeiros dígitos)  e  subposições  (conjunto dos  seis primeiros dígitos). Aos países ou  grupos  econômicos, é facultada a criação de itens e subitens, conforme seu interesse;  (x)  a  versão  brasileira  do  Sistema  Harmonizado,  que  recebeu  o  nome  de  NBM/SH  –  Nomenclatura  Brasileira  de  Mercadorias/Sistema  Harmonizado  –  previu  o  detalhamento das mercadorias em itens, conforme a Resolução 75/88 do Comitê Brasileiro de  Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 424          6 Nomenclatura, acrescentando mais 02 (dois) dígitos aos 06 (seis) já estabelecidos pelo Sistema  Harmonizado aprovado pela Convenção mencionada;  (xi) a partir de janeiro de 1996, em razão da necessidade de maior integração  econômica nas  operações  de  comércio  exterior  com os  demais membros do MERCOSUL,  a  NBM/SH  foi  substituída  pela  Nomenclatura  Comum  do  MERCOSUL  (NCM),  utilizada  uniformemente nesse grupo econômico;  (xii)  o  conceito  de  “Split­System”  para  fins  de  classificação  fiscal  está  previsto nas NESH da Posição 8415;  (xiii)  o  conceito  anterior  estabelece  que  os  “Split­Systems”  são  compostos  por elementos interno (evaporador) e externo (condensador) separados (o que apenas reafirma  a tradução literal da expressão “Split­System”), adicionando ainda um conteúdo de quantidade  desses elementos;  (xiv)  as  próprias  NESH  da  Posição  8415  apresentam  conceito  próprio  de  sistemas  de  ar  condicionado  “Split­System”  para  fins  de  classificação  fiscal,  aplicando  o  conceito de “Split­System” de  forma  restritiva  aos  equipamentos  compostos  por apenas uma  unidade evaporadora e condensadora;  (xv) a interpretação de que os “Split­Systems” são compostos unicamente por  uma  unidade  evaporadora  e  uma  unidade  condensadora  também  encontra  fundamento  na  Terceira  Edição  da  Coletânea  dos  Pareceres  de  Classificação  publicada  pela  Instrução  Normativa nº 1.459/2014;  (xvi)  os  sistemas  do  tipo  “Split­System”  consistem  em  modelos  de  ar  condicionado nos quais há apenas uma unidade evaporadora para uma unidade condensadora;  (xvii)  diferentemente  dos  “Split­Systems”  acima  mencionados,  há  ainda  outros  sistemas  mais  complexos  e  modernos,  que  possuem  características  técnicas  e  de  finalidade  diferenciadas,  os  quais  recebem  o  nome  de  “Multi­Split”  e  “VRF”  –  e  que  são  exatamente os sistemas importados;  (xviii)  os  sistemas  de  ar  condicionado  dos  tipos  “Multi­Split”  e  “VRF”  podem ser configurados de forma a integrar – num mesmo sistema – diversas condensadoras e  os mais variados tipos de unidades evaporadoras (Hi­wall, cassete, dutada, etc), com controle  individual  de  temperatura  para  cada  unidade  evaporadora,  caracterizando,  assim,  complexo  sistema para empreendimentos de médio / grande porte, distinguindo­se dos modestos sistemas  “Split­System”;  (xix)  Laudo  Técnico  emitido  por  Perito  em  outro  processo  (11128.722.584/2016­23)  acabou  por  comprovar  que  a  classificação  fiscal  adotada  pela  Peticionária está correta, e que os produtos importados não se caracterizam como aparelhos do  tipo “Split­System”;  (xx)  a  diferença  entre  “Split­System”  e  “Multi­Split”  foi  reconhecida  pelo  perito  oficial  quando  da  elaboração  do  Laudo  Técnico  solicitado  pela  autoridade  fiscal,  conforme se verifica dos seguintes excertos:   Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 425          7 “3º  Quesito  –  Em  se  tratando  de  unidades  evaporadoras  apresentadas  isoladamente,  explicar  detalhadamente  seu  funcionamento,  e,  as  diferenças  entre  esse  tipo  de  aparelho  e  os  demais  tipos  máquinas  e/ou  aparelhos  destinados  a  modificar  a  temperatura  e  a  umidade  do  ar,  em  recintos  fechados.   *  Resposta  –  Os  sistemas  de  refrigeração  por  expansão  direta  são  aqueles  onde  o  gás  refrigerante  troca  calor  diretamente  com  o  ar  do  ambiente.  Os  condicionadores de ar podem ser do tipo ACJ (Ar Condicionado de Janela),  split­system, multi­split VRF system e selfcontained.”;  (xxi) o Sr. Perito deixa ainda mais claro que os sistemas ‘Multi­Split’ não são  meras  espécies  de  ‘Split­Systems’,  mas  sim  maquinas  diversas  e  com  tecnologia  própria,  conforme abaixo se verifica:   “As  unidades  evaporadoras  "multi­split  VRF  system"  desta  importação,  distinguem­se  das  unidades  evaporadoras  "split­system"  tradicionais  principalmente  por  possuírem  válvula  de  expansão  eletrônica  e  sistema  de  comunicação em rede computadorizado.”;  (xxii)  o  Sr.  Perito  ainda  prossegue,  trazendo  em  detalhes  as  diversas  diferenças entre os dois tipos de sistema:   “No  sistema  multi­split  VRF  system,  as  unidades  evaporadoras  possuem  papel ativo no controle do fluxo de fluido refrigerante, pois cada uma delas possui uma válvula  de  expansão  individual  controlada  eletronicamente  que  atua  em  conjunto  com  a  rede  de  comunicação eletrônica entre as unidades evaporadoras e a unidade condensadora, resultando  em  um  controle  preciso  de  fluxo  de  fluido  refrigerante,  e  conseqüentemente  controle  de  capacidade,  eficiência  e  conforto  mais  precisos.  A  unidade  condensadora  também  possui  avançada eletrônica que controla a variação da velocidade do compressor e ventilador, pressões  de  condensação  e  evaporação,  retorno  de  óleo  e  recebe  dados  de  todas  as  unidades  evaporadoras conectadas, que são utilizados no controle do sistema como um todo.   Já  nos  sistemas  split­system  tradicionais  as  unidades  evaporadoras  não  possuem  válvula  de  expansão.  O  dispositivo  de  expansão  nesse  sistema  fica  localizado  na  unidade  condensadora,  e  possui  controle  limitado  do  fluxo  de  fluido  refrigerante,  devido  à  existência  de  apenas  uma  unidade  evaporadora  conectada.  A  eletrônica  da  unidade  evaporadora  neste  sistema  também  é  limitada,  pois  realiza  somente  a  recepção  do  sinal  do  controle  remoto  e  controla  a  temperatura,  enviando  sinal  de  abrir  ou  fechar  para  a  unidade  condensadora, que irá controlar a vazão do fluido refrigerante, sem o tratamento nem envio de  dados ao evaporador.   Enfim, o diferencial do sistema VRF system, comparado ao split system,  é a combinação de tecnologia eletrônica com sistemas de controle micro processado, aliado a  combinação de múltiplas unidades evaporadoras em um só ciclo de refrigeração.”;  (xxiii)  a  diferença  entre  “Split­System”  e  “Multi­Split”  também  já  foi  reconhecida pelo próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  ­ CARF  (Acórdão nº  3403¬003.537 );  Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 426          8 (xxiv)  há  ainda  uma  série  de  outras  normas  no  ordenamento  jurídico  que  reafirmam a premissa de que  tais  sistemas são compostos por uma única evaporadora e uma  única  condensadora  e  sua  distinção  dos  “Multi­Split”  e  “VRF”,  tais  como  a  Portaria  Interministerial  nº  364,  de  24  de  dezembro  de  2007;  Portaria  do  Instituto  Nacional  de  Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial  (“INMETRO”) n.º 007, de 04 de janeiro de  2011 Portaria Interministerial nº 8, de 22 de janeiro de 2014 e Portaria INMETRO n.º 299, de  19 de junho de 2013;   (xxv)  superada  a  conceituação  de  “Split­System”,  fica  patente  a  impossibilidade  de  classificação  dos  produtos  importados  na  NCM  pretendida  pelas  autoridades fiscais;  (xxvi)  é  inequívoco  nos  autos  que  as  evaporadoras  importadas  são  do  tipo  utilizadas em “VRFs” e, em sua maioria, comportam dutos;  (xxvii)  o  próprio  relatório  fiscal  do  Auto  de  Infração  confirma  que  os  produtos  importados  pela  Recorrente  são  do  tipo  “Multi­Split”  /  “VRF”,  e  que  comportam  dutos;  (xxix) a própria descrição da mercadoria apresentada quando do registro da  DI já evidencia que se trata de evaporadora utilizada em sistemas “Multi­Split”;  (xxx)  os  equipamentos  importados  são  máquinas  para  a  produção  de  ar  condicionado,  cuja descrição da Subposição 8415.8  e NESH aplicáveis não os  excluiu dessa  Subposição pelo mero fato de se apresentar isoladamente dos outros elementos que compõem o  sistema;  (xxxi)  seria  contraditória  a  existência  de  uma  NCM  de  máquina  sem  dispositivo de refrigeração para classificar uma máquina ou equipamento de ar condicionado;  (xxxii) levando em consideração todo o arcabouço legislativo, assim como o  histórico de importações e liberações regulares desses produtos sem questionamento por parte  das autoridades fiscais, é mister que se exclua a penalidade imposta em razão da aplicação do  parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional;  (xxxiii)  as  autoridades  fiscais  reiteradamente  desembaraçaram  os  produtos  importados, validando tacitamente o critério que vinha sendo adotado pelo contribuinte;  (xxxiv) a prática reiterada de as autoridades fiscais / aduaneiras analisarem as  operações  de  importação  e  liberá­las  sem  ressalvas  acabam  por  nortear  a  conduta  do  contribuinte, o qual assume como correto o procedimento até então adotado e constantemente  aceito pela fiscalização;  (xxxv) não é possível a duplicidade de penalidades ( multa de 75% do valor  dos tributos supostamente devidos pela falta de pagamento de tributos incidentes na importação  em  razão  da  adoção  de  NCM  supostamente  incorreta  e  multa  de  1%  sobre  o  valor  das  operações de importações em razão da adoção de NCM supostamente incorreta);.  (xxxvi) a cumulação de multas caracteriza efeito confiscatório; e  (xxxvii) é ilegal a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício.  Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 427          9 A  Recorrente  em  petição  protocolizada  em  12/04/2019  anexa  dois  laudos  técnicos  que,  afirma  concluírem  que  os  componentes  do  tipo  “Split­System”  não  são  compatíveis  do  ponto  de  vista  técnico  com  aqueles  integrantes  de  sistemas  “Multi­Split”  e  “VRF”, dada a diferença de tecnologia abarcada.   É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator  ­ Das preliminares  No que tange ao argumento de que a decisão recorrida deve ser anulada por  falta de motivação, não há como concordar com a tese recursal.  A  decisão  atacada  pelo  Recurso  Voluntário  interposto  encontra­se  devidamente fundamentada e lastreada em aspectos técnicos pertinentes à matéria, sendo que a  circunstância  de  ter  utilizado  em  parte  da  justificação  uma  referência  ao  sítio  eletrônico  wikipedia não tem o condão de desqualificá­la..  O  fato  de  a  Recorrente  não  concordar  com  os  argumentos  utilizados  não  invalida a decisão e caracteriza mero inconformismo.  Já na parte que a Recorrente alega o Auto de Infração é nulo por ausência de  provas técnicas, em especial em relação ao processo de classificação de mercadorias e não há  fundamentação  técnica  que  ampare,  enquanto  motivação,  o  Auto  de  Infração,  bem  como,  ofensa aos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, de igual modo são  improcedentes.  No  caso  concreto,  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado  de  acordo  com  os  dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação  jurídica e fática.  O Auto de  Infração contém a descrição pormenorizada dos fatos  imputados  ao  sujeito  passivo,  indica  os  dispositivos  legais  que  ampararam o  lançamento  e  expõe  de os  elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos que  ensejaram a lavratura do mesmo.  O Decreto nº 70.235/1972, dispões, respectivamente, em seus arts. 10 e 59:  "Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 428          10 III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula."  "Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa."  Não logrou êxito a Recorrente em demonstrar que o Auto de Infração possui  alguma mácula capaz de ensejar ilegalidade.  Ainda,  entendo  que  estão  cumpridos  os  requisitos  do  art.  142  do  Código  Tributário Nacional ­ CTN, a seguir transcrito:  "Art.  142. Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional."  No  caso  dos  autos  não  se  vislumbra  qualquer  das  hipóteses  ensejadoras  da  decretação  de  nulidade  do  lançamento  consignadas  nos  citados  dispositivos  que  regem  a  matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem  como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa da Recorrente.  Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados  na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa,  estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa.  Corrobora  tal  fato que a Recorrente apresentou  Impugnação e Recurso com  alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos  inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal.  A  título  ilustrativo,  acrescento  o  entendimento  uníssono  do  CARF  sobre  a  matéria:  "Assunto: Obrigações Acessórias  Data do fato gerador: 01/06/2004  Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 429          11 AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA.  Tendo  sido  o  Auto  de  Infração  lavrado  segundo  os  requisitos  estipulados  no  art.  10  do Decreto  70.235,  de  06  de  março  de  1972,  e  não  incorrendo  em  nenhuma  das  causas  de  nulidade  dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra­se válido  e eficaz.  AUTO DE  INFRAÇÃO.  ERRO TIPIFICAÇÃO  LEGAL.  VÍCIO.  INOCORRÊNCIA.  A  prestação  intempestiva  de  qualquer  informação  pelos  intervenientes  no  comércio  exterior  embaraça  ou  dificulta  a  fiscalização  aduaneira,  pois  impede­a  de  bem  planejar  e  eficientemente executar as operações de fiscalização e repressão  inerentes  à  sua  finalidade  constitucional.Ademais,  o  autuado  deve  se  defender  dos  fatos  que  lhe  foram  imputados  e  não  da  capitulação  da  infração.  Estando  a  descrição  dos  fatos  corretamente  narrada  no  Auto  de  Infração  e  ficando  evidente,  nos autos,  que o  sujeito passivo  compreendeu perfeitamente do  que  era  acusado  e  exerceu  plenamente  seu  direito  à  Ampla  Defesa  e  ao  Contraditório,  não  ocorre  vício  no  procedimento  administrativo.  (...)"  (Processo  nº  11128.000142/2006­51;  Acórdão nº 3002­000.487; Relator Conselheiro Carlos Alberto da  Silva Esteves; sessão de 22/11/2018)  Assunto: Simples Nacional  Ano­calendário: 2008  NULIDADES.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros  requisitos  formais,  a  capitulação  legal  e a  descrição  dos  fatos.  Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na  invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa.  Ademais,  se  o  sujeito  passivo  revela  conhecer  plenamente  as  acusações que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as,  uma a uma,  de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras  questões  preliminares  como  razões  de  mérito,  descabe  a  proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a  legitimidade  do  lançamento  efetuado  de  ofício  e  cumpridas  as  formalidades  legais  dispostas  em  lei  para  sua  efetivação,  afastam­se,  por  improcedentes,  as  preliminares  argüidas.  (...)"  (Processo nº 13864.720160/2012­01; Acórdão nº 1201­002.301;  Relator  Conselheiro  Rafael  Gasparello  Lima;  sessão  de  25/07/2018)  Diante  do  exposto,  uma  vez  que  não  se  encontram  presentes  nenhuma  das  hipóteses ensejadoras de nulidade encartadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não é de se  acatar os argumentos postos na peça recursal em tal tópico.  Diante do exposto, não acolho as preliminares suscitadas pela Recorrente.    Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 430          12 ­ Do mérito  Conforme já relatado, a Recorrente, por meio da declaração de importação DI  n° 15/1493287­5, de 21/08/2015 importou a mercadoria descrita como “Unidade evaporadora  para  sistema  de  ar  condicionado  do  tipo  multi­split  para  montagem  do  tipo  hi­wall,  marca  DAIKIN,  modelo  FTXS35KVM,  com  capacidade  de  resfriamento  de  12.000  BTU/hora”,  classificando na NCM 8415.82.10, com alíquotas de 18% de II e 20% de IPI.   Segundo  a  fiscalização,  a  classificação  fiscal  correta  para  os  produtos  é  a  NCM 8415.90.10, EX 01 da TIPI, com as alíquotas de 18% de II e de 35% de IPI. Baseou­se a  fiscalização  no  catálogo  técnico  do  produto  e  nas  Regras  de  Classificação  do  Sistema  Harmonizado.  A  própria  Recorrente  em  sua  peça  recursal  admite  que  se  está  tratando  de  equipamento do modelo multi­split:  71. Diferentemente dos  “Split­Systems”  acima mencionados,  há  ainda  outros  sistemas  mais  complexos  e  modernos,  que  possuem  características  técnicas  e  de  finalidade  diferenciadas,  os  quais  recebem  o  nome  de  “Multi­Split”  e  “VRF” – e  que  são exatamente os  sistemas  importados  pela  Recorrente."  Assim,  não  há  dúvida  que  no  caso  concreto  se  está  a  tratar  de  "unidades  evaporadoras para sistema de ar condicionado do tipo multi­split".  A  questão  concernente  à  classificação  fiscal  de  mercadorias  relativa  a  unidades evaporadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multi­split já foi apreciada por  esta Turma de Julgamento.  Por  ocasião  do  julgamento  do  processo  nº  10283.720654/2013­19,  de  relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, esta Turma, em composição diversa da atual,  decidiu, por unanimidade de votos, que a  classificação  fiscal  correta para o equipamento em  apreço é a prevista no código 8415.90.10.  Assim, é de reproduzir como razões de decidir, os principais excertos do voto  proferido  pelo  Conselheiro  Marcelo  Giovani  Vieira  (Acórdão  nº  3201­003.065  ­  sessão  de  26/07/2017), conforme a seguir:  "A  recorrente  esforça­se  por  mostrar  que  os  split­system  consistem em apenas 1 condensador e 1 evaporador, e permitem  atender apenas a um ambiente. Vejam­se os seguintes trechos de  seu recurso (fl. 3.289):  “Ocorre que, em que pese a suposta descrição acerca da  tecnologia VRF no acórdão da Impugnação, bem como de  que esta não afetaria a classificação fiscal da mercadoria,  trazemos  abaixo,  de  forma  breve  e  suscinta,  a  diferenciação entre Multi­sistemas e Split­System.”  Fl. 3.291:  Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 431          13 Como  consequência,  tanto  nacionalmente  como  internacionalmente,  Split  System  e Multi  System  (MXZ  e  VRF)  são  sempre  discriminados  distintamente  por  fabricantes,  associações  de  fabricantes,  usuários,  engenheiros e institutos de pesquisa de mercado.  Todavia,  não  é  o  que  dizem  as  Nesh  –  Notas  Explicativas  do  Sistema Harmonizado. Conforme as Nesh, a subposição 8415.10  abrange  os  sistemas  multisplit,  na  qual  poderá  haver  vários  arranjos de evaporadores e condensadores. O que não se inclui  nesta  subposição  são  os  aparelhos  de  ar­condicionado  central,  onde  o  ar  resfriado  é  conduzido  aos  ambientes  por  dutos,  sem  que haja um aparelho evaporador no ambiente a resfriar:  Subposição  8415.10  A  presente  subposição  compreende  as máquinas e aparelhos para condicionamento de ar dos  tipos  para  paredes  ou  para  janelas,  formando  um  só  corpo  ou  do  tipo  split­system  (sistema  com  elementos  separados).  As máquinas e aparelhos “formando um corpo único” são  constituídas  de  um  só  dispositivo  contendo  todos  os  elementos necessários formando um só corpo.  As  máquinas  e  aparelhos  do  tipo  split­system  são  aparelhos  que  não  comportam  dutos  mas  utilizam  um  evaporador individual para cada área a climatizar (cada  cômodo de uma casa, por exemplo).  São,  pelo  contrário,  excluídas  desta  subposição  as  centrais  de  ar  condicionado  providas  de  dutos  que  utilizam esses dutos para conduzir o ar condicionado de  um evaporador para diversos ambientes a resfriar.  (...)  Desse  modo,  todas  as  outras  considerações  técnicas  são  irrelevantes para a classificação fiscal, porque firme nas Regras  Gerais  de  Interpretação,  complementadas  pelas  Notas  Explicativas  ao  Sistema  Harmonizado  (Nesh),  aprovadas  pela  OMA  –  Organização  Mundial  das  Aduanas,  que  são  a  interpretação  oficial,  em  nível  internacional,  do  Sistema  Harmonizado,  e  aprovadas  no  Brasil,  segundo  a  competência  conferida  pela  Portaria  MF  91/1994,  pelas  Instruções  Normativas RFB 807/2008 e 1.260/2012.  Corrobora  nesta  classificação  a  Solução  de  Consulta  Coana  134/14:  Assunto: Classificação de Mercadorias   Ementa:  Código NCM:  8415.10.90 Mercadoria:  Sistema  de  arcondicionado  do  tipo  splitsystem  (sistema  de  elementos  separados),  de  tecnologia  VRF  (Variable  Refrigerant  Flow),  constituído  por:  (01)  uma  unidade  externa  (condensadora)  comportando,  num  mesmo  Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 432          14 receptáculo, compressor, motor de ventilação, ventilador  e válvula de inversão de ciclo térmico, com capacidade de  refrigeração de 48.160 frigorias/h 380V/ 60Hz;  (03)  três  unidades  internas  (evaporadoras)  comportando,  cada  uma,  num  mesmo  receptáculo,  evaporador,  motor  de  ventilação  e  ventilador,  com  capacidade  de  refrigeração  de 9.630Kcal/h 220V/ 60Hz;  (02) duas unidades  internas  (evaporadoras)  comportando,  cada  uma,  num  mesmo  receptáculo,  evaporador,  motor  de  ventilação  e  ventilador,  com  capacidade  de  refrigeração  de  12.040Kcal/h 220V/ 60Hz.  DISPOSITIVOS  LEGAIS:  RGI/SH  1  (texto  da  posição  84.15),  RGI/SH  6  (texto  da  subposição  8415.10)  e  RGC/NCM 1 (texto do item 8415.10.90) da Nomenclatura  Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa  Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 94, de  2011,  e  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (Tipi),  aprovada  pelo  Decreto  nº 7.660, de 2011.  (...)  Os  sistemas  VRF  e MHZ  são multisystem,  ou  seja,  os  sistemas  completos  contém  uma  ou  várias  unidades  condensadoras  e  evaporadoras.  Assim,  as  importações  das  unidades,  no  caso  desses  sistemas,  não  podem  ser  tratados  como  sistemas  completos, mas como partes.  E, nesse, sentido, explicam as Nesh, para tais mercadorias:  Subposição  8415.90  (Incluída  pela  IN RFB  nº  1.072,  de  30 de setembro de 2010)  Esta  subposição  compreende,  quando  apresentadas  separadamente,  as  unidades  internas  e  externas  de  aparelhos  de  ar­condicionado  splitsystem  da  subposição  8415.10.  Essas  unidades  são  concebidas  para  ser  conectadas  entre  si  por  fios  elétricos  e  tubos  de  cobre  pelos quais o fluido frigorígeno circula entre as unidades  internas e externas.  A  partir  da  vigência  da  Resolução  Camex  69,  de  20/09/2011,  existem códigos específicos para as partes de que se trata:    Portanto,  a  classificação  correta  para  evaporadoras  e  condensadores  de  sistemas  de  ar­condicionado  multisplit,  com  capacidade  individual  inferior  30.000  frigorias/hora,  tais  como  os  sistemas  VRF  e  MXZ,  apresentados  separadamente,  são  as  Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 433          15 posições 8415.90.00, até a vigência da Resolução Camex 69, de  20/09/2011, e 8415.90.10 e 8415.90.20, respectivamente, após a  vigência da referida Resolução."  Ainda, é de se entender como correta a decisão recorrida quando consigna:  "Consultando  o  catálogo  técnico  do  produto  e  a  própria  impugnação,  percebe­se  claramente  que  os  equipamentos  importados são configurados para serem instalados em diversos  cômodos  como  evaporadores,  conectados  a  uma  unidade  condensadora externa. Dessa forma, eles preenchem exatamente  a definição das NESH de partes de aparelhos de ar condicionado  do  tipo  Split­System. A  leitura  atenta das NESH  revela  que  em  nenhum momento estas definem o aparelho de ar condicionado  Split­System  como  aquele  que  possui  uma  única  unidade  evaporadora  interna. Pelo  contrário,  a  definição  é  clara: Uma  unidade  condensadora  externa  conectada  a  várias  unidades  evaporadoras internas, conforme o número de cômodos. De fato,  o elemento chave no conceito das NESH sobre ar condicionado  Split­System não é o número de elementos evaporadores mas sim  a expressão “(sistema com elementos separados)”."  Com relação aos dois recentes laudos anexados ao processo pela Recorrente,  perfilho o entendimento de que não possuem o condão de alterar a conclusão ora exposta, em  especial, pelo fato de não adentrarem na classificação fiscal da mercadoria.  Assim,  entendo  que  a  classificação  fiscal  da  mercadoria  adotada  pela  Fiscalização  e  confirmada  em  decisão  de  1ª  instância  é  correta,  razão  pela  qual  não merece  provimento o Recurso Voluntário interposto.  Com  relação  aos  demais  argumentos  recursais,  de  igual  modo,  são  improcedentes.  Pugna a Recorrente pela aplicação do art. 100, incs. I e III e parágrafo único  do Código Tributário Nacional, com vistas a exclusão (i) de penalidades,; (ii) da cobrança de  juros de mora e (iii) da atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.  Não  trouxe  a  Recorrente  nenhuma  Solução  de  Consulta  ou  Solução  de  Divergência a demonstrar que a administração tributária aduaneira foi  instada a se manifestar  sobre  a  classificação  para  esse  tipo  de  produto  e  que  não  havia  uma  posição  oficial  da  instituição efetivamente pacificadora.   O fato de existirem portarias, tais como, a Portaria Interministerial nº 364, de  24  de  dezembro  de  2007;  Portaria  do  Instituto  Nacional  de  Metrologia,  Normalização  e  Qualidade  Industrial  (“INMETRO”)  n.º  007,  de  04  de  janeiro  de  2011  e  a  Portaria  Interministerial  nº  8,  de  22  de  janeiro  de  2014,  as  quais  no  entendimento  da  Recorrente  explicitam existir uma distinção entre “Split­System” e “Multi­Split” ou “VRF”, compreendo  que  não  se  adequam para  os  fins  de  classificação  fiscal  de mercadorias,  bem  como  não  são  instrumentos hábeis a lastrear a aplicação do contido no parágrafo único do art. 100 do CTN.   É acertada a decisão recorrida quando consigna:  Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 434          16 "Inaplicável o art. 100 do CTN ao caso em tela. Primeiramente,  pois  as  normas  administrativas  citadas  (Portarias  Interministeriais  e  Portarias  do  INMETRO)  em  nenhum  momento contradizem a conceituação de ar condicionado Split­ System das NESH. Mesmo que  o  fizessem,  não  teriam  validade  para  fins  de  classificação  fiscal  pois  esta  é  determinada  legalmente  pelos  textos  da  TEC  e  pelas  NESH.  Em  segundo  lugar,  o  desembaraço  aduaneiro  não  gera  homologação  da  classificação fiscal. O fato de o despacho ocorrer sem restrições  não impede a apuração de sua regularidade pela fiscalização. A  fiscalização  não  se  pode  presumir  infalível,  motivo  pelo  qual  existe  o  instituto  da  Revisão  Aduaneira  previsto  no  art.  54  do  Decreto­lei  nº  37/66  e  regulamentada  pelo  art.  638  do  Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09):  “Art. 54 ­ A apuração da regularidade do pagamento do  imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional  ou  do  benefício  fiscal  aplicado,  e  da  exatidão  das  informações prestadas pelo importador será realizada na  forma  que  estabelecer  o  regulamento  e  processada  no  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contado  do  registro  da  declaração de que trata o art.44 deste Decreto­Lei.”   “Art.  638.  Revisão  Aduaneira  é  o  ato  pelo  qual  é  apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade  do  pagamento  dos  impostos  e  dos  demais  gravames  devidos  à  Fazenda  Nacional,  da  aplicação  de  benefício  fiscal  e  da  exatidão  das  informações  prestadas  pelo  importador  na  declaração  de  importação,  ou  pelo  exportador  na  declaração  de  exportação  (Decreto­lei  nº  37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decreto­lei  nº 2.472, de 1988, art. 2o, e Decreto­lei nº 1.578, de 1977,  art. 8º).   § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na  revisão,  a  autoridade  aduaneira  deverá  observar  os  prazos referidos nos arts. 752 e 753.   § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo  de cinco anos, contado da data:   I  ­  do  registro  da  declaração  de  importação  correspondente (Decreto­lei nº 37, de 1966, art. 54, com a  redação dada pelo Decreto­lei nº 2.472, de 1988, art. 2º);  e II ­ do registro de exportação.   § 3º Considera­se concluída a revisão aduaneira na data  da  ciência,  ao  interessado,  da  exigência  do  crédito  tributário apurado.” (grifo meu)   Portanto,  uma  vez  submetidos  os  produtos  importados  à  conferência  aduaneira  e  desembaraçados  sem  exigência  fiscal,  não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro."  Para  que  se  pudesse  aplicar  o  contido  no  art.  100  do  CTN,  deveria  a  Recorrente  ter  trazido  aos  autos  a  existência  de  ato  normativo  de  caráter  geral  emitido  pela  Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 435          17 administração pública contemplando o código NCM adotado, o qual entende como correto, ou  soluções de consulta da Receita Federal,  indicando como correto o código NCM utilizado e,  ainda, alguma decisão administrativa em contencioso fiscal da Recorrente no mesmo sentido.   Desse contexto, penso que não se pode inferir plausível o pedido recursal.   Esse quadro, conduz a conclusão de que não se está diante de uma situação  que se enquadra nas hipóteses previstas nos incisos I e III e do parágrafo único do artigo 100  do CTN, razão pela qual é de se concluir pela improcedência do pedido.  A multa  de  75% do  valor  dos  tributos  devidos  pela  falta  de  pagamento  de  tributos incidentes na importação em razão da adoção de NCM incorreta e a multa de 1% sobre  o  valor  das  operações  de  importações  em  razão  da  adoção  de  NCM  incorreta,  encontram  amparo legal e por isso devem ser mantidas.  A  falta  ou  insuficiência  de  recolhimento  espontâneo  de  tributo  pelo  sujeito  passivo  é  ato  ilícito  por  omissão,  o  qual  constitui  hipótese  de  incidência  da  norma  legal  punitiva, com a aplicação da multas cabíveis  Com efeito, para a caracterização da infração punível com a multa de ofício  de  75%,  basta  que  reste  demonstrado  a  ausência  de  recolhimento  espontâneo  dos  tributos  devidos pelo sujeito passivo.   A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da  infração sancionada com a multa de 1% do valor aduaneiro.  No  caso,  o  agente  administrativo  está meramente  aplicando  as  penalidades  descritas  na  legislação  como  adequadas  e  suficientes  para  a  situação  concreta  retratada  nos  autos, não havendo motivação para afastá­la.  Assim,  entendo que  em  decorrência  do  equívoco  cometido  pela Recorrente  devem ser mantidas em sua integralidade.  Neste sentido é a jurisprudência deste colegiado:  Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II  Data do fato gerador: 18/02/2004  (...)  IMPOSTO  DE  IMPORTAÇÃO.  DIFERENÇA  NÃO  RECOLHIDA. MULTA DE OFÍCIO. PARECER COSIT 477/88.  REVOGADO. ADI SRF nº 13/2002.  O Parecer COSIT nº 477/88 deixou de ter aplicação em virtude  do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de ofício 75% por  falta  de  recolhimento  dos  tributos  na  importação  em  razão  de  erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro  de  classificação  fiscal  das  mercadorias  nas  declarações  de  importação  especificadas,  exige­se  a  diferença  de  imposto  de  importação  (II)  que  deixou  de  ser  recolhida.  Neste  processo,  sobre a referida diferença de II apurada em face das declarações  Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 436          18 equivocadas, sem dolo, deve­se aplicar a multa de ofício de 75%  prevista na Lei 9.430/96, art.44, I.  MULTA  POR  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  INCORRETA  NA  NCM.  Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o  valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal  adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP  2.158­35/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003.  (...)"  (Processo  nº  11128.008696/2008­68;  Acórdão  nº  3201­ 004.062;  Relator  Conselheiro  Leonardo  Correia  Lima Macedo;  sessão de 25/07/2018)    "Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II  Data do fato gerador: 10/03/2003  IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.  Manutenção da multa de ofício de 75% por falta de recolhimento  dos  tributos  na  importação  em  razão  de  erro  na  classificação  fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal  das mercadorias  nas  declarações  de  importação  especificadas,  exige­se a diferença de imposto de importação (II) que deixou de  ser recolhida. Sobre a referida diferença de II apurada em face  da reclassificação tarifária, sem dolo, deve­se aplicar a multa de  ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I.  MULTA  POR  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  INCORRETA  NA  NCM. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ­FÉ.  Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o  valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal  adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP  2.158­35/2001.  MULTA.  INFRAÇÃO  AO  CONTROLE  DAS  IMPORTAÇÕES.  ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS.  O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que  acompanhado  de  falha  na  descrição  da  mercadoria,  não  é  suficiente  para  imposição  da  multa  por  falta  de  licença  de  importação,  notadamente  quando  a  característica  essencial  à  classificação  se  encontra  declarada  na  DI."  (Processo  nº  11128.006258/2007­84;  Acórdão  nº  3201­004.182;  Relator  Conselheiro  Leonardo  Correia  Lima  Macedo;  sessão  de  29/08/2018)    "Assunto: Normas de Administração Tributária  Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 437          19 Data  do  fato  gerador:  13/06/2000,  27/09/2000,  28/09/2000,  18/10/2000,  08/11/2000,  28/11/2000,  13/12/2000,  11/01/2001,  20/03/2001, 13/06/2001  II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL  O  produto  denominado  switch  classifica­se  no  código  8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul.  MULTA DE OFÍCIO. MULTA ADUANEIRA.  A  insuficiência  de  recolhimento,  decorrente  de  classificação  errônea  de  mercadoria,  enseja  o  lançamento  da  diferença  do  imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora  e  multa  de  75%.  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  após  27/08/2001,  aplica­se  ainda  a  multa  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria.Recurso  voluntário  negado."  (Processo  10508.000118/2004­12;  Acórdão  3202­001.400;  Relator  Conselheiro  GILBERTO  DE  CASTRO  MOREIRA  JUNIOR; Sessão de 12/11/2014)    "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS   Período  de  Apuração:  16/06/2003  a  11/08/2004  RECLASSIFICAÇÃO FISCAL.   Comprovado o equívoco na classificação fiscal da mercadoria, é  exigível o Imposto de Importação, juntamente com os acréscimos  legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINS­ Importação.  CERTIFICADO  DE  ORIGEM.  São  desqualificados  os  certificados  de  origem  obtidos  com  indicação  de  errônea  classificação  fiscal,  cuja  alteração  (da  classificação)  implique  concomitantemente em modificação do requisito de origem.  MULTA.  INFRAÇÃO  AO  CONTROLE  DAS  IMPORTAÇÕES.  INAPLICABILIDADE. Aplica­se a multa por  falta e Licença de  Importação  nas  importações,  em  que  as  mercadorias  não  estejam  corretamente  descritas,  com  todos  os  elementos  necessários  à  sua  identificação  e  ao  enquadramento  tarifário  pleiteado.  MULTA  DE  OFÍCIO.  75%.  APLICABILIDADE.  O  erro na  indicação da classificação  fiscal se  subsume à conduta  descrita  no  art.44,  I,  da Lei  9.430  de  1996,  na medida  em que  representa prestação de “declaração  inexata”, máxime quando  a descrição empregada na declaração de importação seria capaz  de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o  Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou  expressamente  o  Ato  Declaratório  Normativo  Cosit  n°  10,  de  1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão  de  erro  de  classificação,  ainda  que,  a  mercadoria  estivesse  correta e suficientemente descrita.  MULTA.  CLASSIFICAÇÃO  INCORRETA.  A  classificação  incorreta de mercadoria é penalizada com multa de 1% sobre o  valor  aduaneiro,  prevista  no  artigo  84,  inciso  I,  da MP  2.158­ Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11128.725738/2015­58  Acórdão n.º 3201­005.279  S3­C2T1  Fl. 438          20 35/2001.  Recurso  voluntário  negado."  (Processo  11444.000314/2008­75;  Acórdão  3202­000.518;  Conselheiro  GILBERTO  DE  CASTRO  MOREIRA  JUNIOR;  Sessão  de  27/06/2012)  Com  relação  ao  alegado  efeito  confiscatório  das  penalidades,  o  afasto  em  razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação  tributária.  A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009  a seguir ementada:  “Súmula  CARF  nº  2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”   Assim,  sendo  referida  súmula  de  aplicação  obrigatória  por  este  colegiado,  maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias.  Sobre a  ilegalidade da  incidência da  taxa SELIC sobre a multa de ofício, a  recente Súmula CARF nº 108 pacificou a questão no âmbito administrativo. Aludida Súmula  possui a seguinte redação:  "Súmula CARF nº 108  Incidem juros moratórios, calculados à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício."  Novamente,  sendo  referida  súmula  de  aplicação  obrigatória  por  este  colegiado, resta resolvida a matéria.   Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e,  no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator                                  Fl. 438DF CARF MF

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Numero do processo: 10494.000101/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/03/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Assunto: Classificação Fiscal SOLUÇÃO DE CONSULTA Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada a mercadoria importada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHO DE RAIOS X PARA DIAGNOSTICO DE PATOLOGIAS DA MAMA. CÓDIGO NCM 9022.14.11. Está correta a classificação fiscal para a importação de aparelho de raios X para diagnóstico de patologias da mama adotada no lançamento, no código NCM 9022.14.11. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. A exoneração da multa de ofício ocorre com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, que vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002. A penalidade de ofício só vale para as importações registradas a partir de 11/09/2002. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE APARELHO DE EXAMES PARA CLÍNICA MÉDICA. Incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Ver RE nº 723.651/PR.
Numero da decisão: 3201-005.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO

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ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada a mercadoria importada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHO DE RAIOS X PARA DIAGNOSTICO DE PATOLOGIAS DA MAMA. CÓDIGO NCM 9022.14.11. Está correta a classificação fiscal para a importação de aparelho de raios X para diagnóstico de patologias da mama adotada no lançamento, no código NCM 9022.14.11. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. A exoneração da multa de ofício ocorre com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, que vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002. A penalidade de ofício só vale para as importações registradas a partir de 11/09/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 01 01 /2 00 7- 12 Fl. 153DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE APARELHO DE EXAMES PARA CLÍNICA MÉDICA. Incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Ver RE nº 723.651/PR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 103/132, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 07-21.278 - 1ª Turma da DRJ/FNS, e-fls. 82/91, que julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcreve-se a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 313.330,36 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados. multas de oficio sobre eles incidentes, multa por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul e juros de mora. Depreende-se do relatório de fiscalização. anexo e parte integrante dos autos de infração, que: A interessada registrou em 21/03/2002 a Declaração de Importação n° 02/0249129-8. para importar, mercadoria descrita como “Sistema GE digital modelo Senographe 2000D, constituído de gerador; tubo de raios-X; detector digital; grade removível; programas aplicativos; estação de aquisição; estação de revisão; pedais de compressão: fantoma; manuais; cabos de interconexão; controle remoto”, classificando-a no código NCM 9022.14.90. Em data anterior ao registro da Declaração de Importação, em 05/03/2002. a interessada protocolou processo de consulta sobre a classificação fiscal de mercadoria de idêntica denominação: “Sistema de raios-x Senographe 2000D”. Em 16/07/2002 a Divisão de Fl. 154DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Administração Aduaneira da 10" Região Fiscal expediu a Solução de Consulta. cientificando a interessada em 04/09/2002. na qual concluiu que a mercadoria se classifica no código NCM 9022.14.1 1. Mesmo cientificada da correta classificação fiscal da mercadoria importada, de acordo com a Solução de Consulta, a interessada não providenciou a retificação da Declaração de Importação n° 02/0249129-8 e/ou o recolhimento da diferença de tributos incidentes em razão da reclassificação fiscal devida. Assim, foi realizada a revisão aduaneira em relação à Declaração de Importação em tela e lavrados os autos de infração de folhas 02 a 14 para exigência das diferenças de impostos (de importação e sobre produtos industrializados), multas de oficio sobre eles incidentes, multa prevista no inciso 1 do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158- '35/200l e juros de mora. Cientificada regularmente dos autos de infração pela via pessoal (ciência 11s. 03. 09 e 13). a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 44 a 63, anexando os documentos de folhas 64 a 75. A impugnante alega. resumidamente. que: A reclassificação fiscal é extemporânea, conforme o disposto nos artigos 48 e 50 do Decreto-lei n° 37/66. A solução de consulta concluiu equivocadamente em relação à classificação fiscal da mercadoria. pois a classificação adotada está correta frente às características do equipamento e das regras de classificação fiscal de mercadorias. Existe ex-tarifário que ampara a mercadoria. de acordo com a Resolução Camex 41 de 02/12/2005 que detemiinou a classificação no código NCM 90.22.11-1.90 ex 001. E que. inclusive. não possui similar nacional. A classificação fiscal pretendida pelo Fisco refere-se a equipamento que possui similar nacional, “mamógrafo”. ao qual não pode ser comparado. As multas são inaplicáveis, pois não há diferenças de impostos. e conforme se depreende dos Atos Declaratórios Normativos n° 10/97 e 12/97. O produto foi corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua identificação e não ocorreu nenhum intuito de dolo ou ma-fé. O Regulamento Aduaneiro foi omisso em relação ao procedimento a ser adotado para aplicação da multa prevista em seu artigo 636, fato que justifica a impugnação. Assim. entendendo que a classificação fiscal da mercadoria está incorreta. a autoridade administrativa deveria oportunizar à interessada a apresentação de defesa e somente com a deliberação final da instância administrativa haveria que se consolidar a classificação. Portanto. a multa exigida. sobre a classificação fiscal, não deve prosperar. A aplicação da taxa Selic de juros é indevida. pelas diversas razões que expõe. como a ilegalidade e inconstitucionalidade. O imposto sobre produtos industrializados é indevido pois a impugnante não é contribuinte desse imposto. conforme doutrina e decisão do STF cujo excerto transcreve. Deve-se aplicar o disposto no inciso II do artigo 1 12 do Código Tributário Nacional. Lei n° 5.172/1966. Requer o cancelamento do auto de infração É o relatório O Acórdão n.º 07-21.278 - 1ª Turma da DRJ/FNS está assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2002 Fl. 155DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. COMPETÊNCIA. A competência legal para realizar a classificação fiscal de mercadorias importadas é de ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, atribuição de caráter privativo. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO Dos FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com consequente aplicação da penalidade prevista. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: 2 - Da Extemporânea Classificação Tarifária A Recorrente alega que a classificação tarifária indicada pela fiscalização é extemporânea. Reitera a Recorrente a sua estranheza visto que foram passados vários anos da “ciência” da resposta da consulta formulada, cuja resposta "concessa vaenia" discorda a Impugnante, considerando que a classificação adotada pelo Importador reputa-se correta e adequada, consoante às características do equipamento sob análise, que possui Ex Tarifário, não tendo, nem à época da importação, tampouco nos dias atuais, qualquer similar nacional, portanto, impossível ser enquadro e tributado conforme pretendera o nobre Fisco e ratificado indevidamente pela Colenda Delegacia a quo. (e-fl. 105) Nesse linha de argumentação cita o art. 50 do Decreto Lei 37/66 defendendo que o prazo para a fiscalização verificar a classificação tarifária seria de 5 (cinco) dias depois de ultimada a conferência aduaneira. 3 - Da Mudança de Critério Jurídico - Impossibilidade A Recorrente argumenta que houve mudança de critério jurídico, sendo tal prática vedada em lei. Reforça tal argumento citando jurisprudência. 4 - Da Classificação Fiscal Adotada pela Recorrente A Recorrente defende a classificação adotada quando da importação do equipamento objeto da lide. Sobre o assunto menciona a interpretação do Sistema Harmonizado para concluir que o código da NCM correto seria a 9022.14.90 em oposição ao 9022.14.11 indicado pela fiscalização. O Sistema Digital GE Senographe ZOOOD, cuja função está claramente descrita "visualização de patologias mamárias, com produção de imagens digitais em tela, dispensando filmes radiográficos e possibilitando a impressão de imagens, sua transmissão por rede e seu arquivamento em meio magnético.”, não possuindo similar nacional, justificando-se integralmente a diferenciação “ad valorem" e item tarifário adotado pela Impugnante. (e-fl. 110) Fl. 156DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Sustenta que a classificação adotada pela fiscalização seria para um equipamento de geração ultrapassada, enquanto o equipamento importado seria moderno. 5 – Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005 - Classificação A Recorrente afirma que a Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005, determinou que o aludido equipamento objeto do contencioso possuísse a classificação 90.22.14.90 EX 001, com alíquota do imposto de importação de 0% (zero por cento). 6 – IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – Não Incidência – Precedentes – Supremo Tribunal Federal A Recorrente acredita serem indevidos os valores cobrados a título de IPI na importação, levando-se em conta a não-cumulatividade e o entendimento de que o importador não estaria enquadrado na categoria de contribuinte. Nesse ponto, explica que se trata de um prestador de serviços, que não tem como realizar a regra da não-cumulatividade. Cita jurisprudência relativa a importação de veículo por pessoa física. 7 – Da Não Aplicação de Penalidades (Multa de 75%) A Recorrente acredita ser descabida a exigência da multa de 75% sobre a cobrança dos tributos. Alega a seu favor o Ato Declaratório nº 10/97 afirmando que descreveu corretamente o produto importado. 7.1 – Multa de 1% - divergência de classificação A Recorrente se insurge contra a cobrança da multa de 1% instituída pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, por classificação incorreta. Alega que houve omissão quanto ao procedimento a ser adotado para apuração da classificação fiscal. É que a atividade funcional administrativa é plenamente vinculada, de sorte que, entendendo a Autoridade Administrativa Aduaneira que a classificação da mercadoria apresentada é incorreta, caberia a ela a aplicação da multa. Todavia, a Autoridade Administrativa também está sujeita a equívocos e, desse modo, não pode a Recorrente ser compelida ao pagamento de multas, sujeitas unicamente ao entendimento da referida Autoridade, sem que lhe seja dada oportunidade de apresentar sua defesa, aduzindo suas razões na busca pela correta classificação, que somente após deliberação final da instância administrativa, haverá de se consolidar. (e-fl. 119) 8 – Correção Monetária de Crédito Tributário - Selic A Recorrente combate a incidência de correção monetária e juros com a utilização da Taxa Selic sobre os débitos apurados. A taxa selic é um referencial fornecido pelo Banco Central do Brasil objetivando controlar o fluxo comercial da moeda nacional, ora favorecendo, ora restringindo a circulação do dinheiro. Assim, juntamente com as taxas de juros (de alteração mais restrita) a taxa Selic serve para o Banco Central balizar a atividade das instituições financeiras de acordo com interesses políticos e financeiros da União. Neste diapasão, em hipótese alguma a taxa Selic pode ser utilizada, seja como índice de correção monetária, seja como taxa de juros, principalmente de débitos tributários. (e-fl. 121) 9 – Da Interpretação da Legislação Tributária A Recorrente alega que a decisão recorrida contraria princípios elementares de Direito Tributário, consoante dispõe o Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66. 10 – Do Pedido Fl. 157DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Tendo a Recorrente se insurgido contra a decisão de primeira instância, ao final do seu recurso voluntário requer o cancelamento do auto de infração. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Voto Conselheiro LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, trata-se de processo relativo à classificação fiscal de mercadorias. 2 - Da Extemporânea Classificação Tarifária A Recorrente alega que a classificação tarifária indicada pela fiscalização é extemporânea. Não assiste razão a Recorrente. Conforme disposto pela decisão de primeira instância, o art. 50 do Decreto-lei n° 37/1966, teve sua redação alterada pelo Decreto-lei n° 2.472/1988 passando a viger com a seguinte redação. in verbis: Art. 50. A verificação da mercadoria. no curso da conferência aduaneira ou em qualquer outra ocasião, será realizada por Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional, na presença do importador ou de seu representante, e se estenderá sobre toda a mercadoria importada, ou parte dela, conforme critérios fixados em regulamento. Ainda na linha de esclarecer a legislação em vigência, cabe citar o disposto no art. 54 do Decreto-lei n° 37/1966, com redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/1988 que trata do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de importação (DI), para apurar a regularidade do pagamento do imposto ou do benefício fiscal aplicado. Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Sendo assim, verifica-se que o trabalho de verificação da classificação fiscal da mercadoria importada não foi extemporâneo, conforme afirmado pela Recorrente. Nega-se provimento. 3 - Da Mudança de Critério Jurídico - Impossibilidade A Recorrente argumenta que houve mudança de critério jurídico. Não assiste razão a Recorrente. Inicialmente compete esclarecer que não há mudança de critério jurídico se nada foi determinado ou decidido em relação ao período anterior não autuado. Fl. 158DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Nessa linha, de forma resumida, a revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a arguição de mudança de critério jurídico. Nega-se provimento. 4 - Da Classificação Fiscal Adotada pela Recorrente A Recorrente defende sua classificação fiscal. Não assiste razão a Recorrente. Inicialmente compete esclarecer que a classificação fiscal de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é matéria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do disposto nos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, nos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6/03/1972, no art. 1º do Decreto nº 97.409, de 22/12/1988, no art. 2º do Decreto nº 766, de 3/03/1993, nos arts. 88 a 102 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, e nos arts. 2º a 4º do Decreto nº 7.660, de 23/12/2011. A NCM toma por base a Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Convenção do SH) administrado pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA), também conhecido como Organização Mundial de Aduanas (OMA), cuja sede fica em Bruxelas. A Convenção do SH é a base de todos os Acordos de comércio negociados na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em outros organismos internacionais. Tal instrumento possui atualmente 157 partes contratantes dentre países territórios e uniões econômicas. O Brasil é signatário da referida Convenção desde 31/10/1986, tendo ratificado sua adesão em 08/11/1988. A promulgação da Convenção do SH foi feita por meio do Decreto n° 97.409, de 22/12/1988. De forma resumida, a Convenção do SH possui seis Regras Gerais de Interpretação (RGI) que servem de pilares para o sistema de codificação de mercadorias. Dentre as seis RGI, a mais importante é a RGI 1 que determina a força legal dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura rege-se pelas seguintes Regras: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. A RGI 1 atesta que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Fl. 159DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Nesse sentido, cabe esclarecer que a Recorrente realizou consulta e obteve resposta quanto ao correto código de classificação fiscal NCM 9022.14.11 a ser adotado quando da importação do equipamento por meio da Solução de Consulta SRRF/l0°RF/Diana n° 59/2002 (e-fls. 18 a 19). A referida Solução de Consulta está assim ementada: Código TEC 9022.14.11 Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: Mercadoria Aparelho de raios X, -para diagnóstico de patologias da mama, comercialmente denominado “Sistema de Raios X Senographe 2000D”, apresentado sob a forma de unidade funcional constituída pelos seguintes elementos: - unidade de aquisição de imagens (gerador de raios X com detector digital) - anteparo de proteção com painel de controle -cabine do gerador, com sistema de fornecimento de energia para a unidade de aquisição de imagens e para o carro AWS, componentes eletrônicos de gerenciamento e sistema de refrigeração/secagem do detector digital - carro AWS, com máquina automática para processamento de dados (console de operação e unidade de processamento, diagnóstico e arquivamento de imagens, com unidades de entrada e saída) - cabos de conexão Dispositivos Legais: RGI 1 (Notas 4 da Seção XVI e 3 do Capítulo 90 e texto da posição 9022) e 6 (texto da subposição 9022.14), e RGC-1 (textos do item 9022.14.1 e do subitem 9022.14.11), da TEC aprovada pela Resolução Camex n° 42, de 2001 Conforme consta da Solução de Consulta, a classificação do equipamento no código NCM 9022.14.11 está vinculado ao diagnóstico de enfermidades da mama da mulher e não, conforme imagina a Recorrente ao grau de modernidade tecnológico do equipamento. Os aparelhos de raios X, para usos médicos, classificam-se na posição 9022 e, mais especificamente, na subposição 9022.14; o sistema objeto da consulta tem por função, de acordo com sua especificação, o diagnóstico de enfermidades da mama da mulher, e, portanto, enquadra-se no item 9022.l4.1, e não no item 9022.14.90, como quer o consulente. Enfim, por se tratar de aparelho de raios X para mamografia, classifica-se no subitem 9022.14.11. (e-fl. 18) Sobre os efeitos da solução de consulta eficaz, cabe cito exemplos de jurisprudência deste CARF. UNIDADES EVAPORADORAS - SOLUÇÃO DE CONSULTA. Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada, mesmo que posteriormente tenha havido edição de nova TIPI, porém não alterando, em essência, os termos da Solução de Consulta. (CARF, Acórdão nº 9303-007.029 do Processo 11065.005554/2008-21) CONSULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO. APLICAÇÃO. A solução de consulta eficaz sobre classificação fiscal de mercadoria aplica-se a todas as declarações de importação apresentadas pelo consulente. No prazo de trinta dias da ciência do resultado da consulta, a administração aduaneira está impedida de instaurar procedimento fiscal contra o consulente versando sobre a matéria objeto da consulta. (CARF, Acórdão nº 3302-001.926 do Processo 19647.002997/2005-88) Fl. 160DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 No presente caso, a Solução de Consulta foi realizada para o equipamento em questão e a Recorrente tomou ciência da resposta tendo direito garantido seu direito de corrigir a classificação sem a incidência de multa. Não obstante, preferiu manter a classificação equivocada e incorrer nos riscos da revisão aduaneira. Assim, engana-se a Recorrente no tocante a classificação fiscal e nego provimento. 5 – Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005 - Classificação Conforme esclarecido em tópico anterior, a classificação fiscal de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é matéria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e não da CAMEX. Nego provimento. 6 – IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – Não Incidência – Precedentes – Supremo Tribunal Federal O mérito cinge-se à sujeição passiva da empresa Recorrente (prestadora de serviço médico) ao pagamento do IPI vinculado a importação, de bem importado para compor seu ativo fixo. Sobre essa alegação, cabe esclarecer que a incidência do IPI ocorre no momento do registro da DI, conforme previsão do art. 110, I, do Decreto 2.637/1998 (Regulamento do IPI). Considera-se irrelevante “a finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º, § 2º)" (Decreto 2.637/1998, art. 36). Dessa forma, e ainda de forma análoga ao julgamento firmado no RE nº 723.651/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, restou definido que "incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Não assiste razão a Recorrente e nego provimento. 7 – Da Não Aplicação de Penalidades (Multa de 75%) A Recorrente acredita ser descabida a exigência da multa de 75% sobre a cobrança dos tributos. Alega a seu favor o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997 afirmando que descreveu corretamente o produto importado. O argumento foi analisado pelo juízo a quo conforme abaixo com a conclusão de que o ADI 13/2002 revogou o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/1997. A tese da impugnante de que o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/1997 ampara sua alegação de que a multa em referência é indevida e' improcedente. O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/l997. assim dispunha. in verbis: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições (___) Declara. (...). que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218. de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. a solicitação. feita no despacho aduaneiro. de reconhecimento de imunidade tributária. isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional. quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex). desde que o produto esteja corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua Fl. 161DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. e que não se constate. em qualquer dos casos. intuito doloso ou ma fé por parte do declarante. Todavia referido Ato foi revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo n° 13/2002. que dispôs nos seguintes termos, in verbis: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL. no uso da atribuição (..) declara: Art. 1 Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996. a solicitação. feita no despacho de importação. de reconhecimento de imunidade tributária. isenção ou redução do imposto de importação e preferencia percentual negociada em acordo internacional. quando incabíveis. bem assim a indicação indevida de destaque ex. desde que o produto esteja corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. e que não se constate. em qualquer dos casos. intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2° Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit n 10, de 16 de janeiro. de 1997. De se notar do teor do ADI n° 13/2002 que, dentre as hipóteses de não caracterização da infração punível com a multa prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, não consta a classificação fiscal incorreta da mercadoria importada. Essa, inclusive, é a diferença fundamental entre o aludido ADI SRF n° 13/2002 e o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997, por ele revogado. A edição do ADI SRF n° 13/2002 se fez necessária em razão da previsão do inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001. que passou a caracterizar como infração a incorreta classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul. Portanto, desde a publicação da Medida Provisória n° 2.l58-35/2001 o entendimento do ADN Cosit n° l0/1997 deixou de prevalecer. Ademais, ainda que assim não fosse, a descrição da mercadoria na Declaração de Importação em tela é insuficiente para se permitir à correta identificação e ao enquadramento tarifário dessa mercadoria. Portanto, as multas de oficio, previstas no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, não podem ser excluídas. Ocorre todavia, que o fato gerador é de 21/03/2002 e o ADI 13/2002 é de 10/09/2002, ou seja, posterior a data do fato gerador. Assim, a época do fato gerador ainda vigia o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. O CARF tem jurisprudência sobre o tema. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. Uma vez que a exoneração da multa de ofício ocorreu com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, e esse vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002, as importações registradas partir de 11/09/2002 não mais estão guarnecidas pela exclusão da penalidade de ofício. (CARF, Acórdão nº 3101-001.208 do Processo 12466.004376/2006-07, de 22/08/2012) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI – VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL – A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos afasta a aplicação das penalidades de ofício, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 10/97. (CARF, Acórdão nº 3101-000.572 do Processo 11128.004058/2002-82, de 08/12/2010) Sendo assim, com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997, não procede a multa de ofício, se a descrição da mercadoria se revela suficiente para a classificação tarifária. Dessa forma, voto por dar provimento nesse ponto. 7.1 – Multa de 1% - divergência de classificação Fl. 162DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 A Recorrente se insurge contra a cobrança da multa de 1% instituída pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, por classificação incorreta. Não assisti razão a Recorrente. Os autos fazem prova de que a Recorrente, mesmo recebendo o resultado do processo de consulta, permaneceu no erro, classificando incorretamente a mercadoria. Dessa forma, nego provimento. 8 – Correção Monetária de Crédito Tributário - Selic A discussão quanto a correção monetária por meio da taxa Selic foi sumulada neste CARF. Nesse ponto reproduzo a Súmula CARF nº 108. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dessa forma, nego provimento. 9 – Da Interpretação da Legislação Tributária O CARF não tem competência para analisar a alegação de interpretação da legislação tributária contrária a princípios elementares de Direito Tributário, consoante dispõe o Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, nego provimento. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. É como voto. (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Fl. 163DF CARF MF

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10642019 #
Numero do processo: 10480.725940/2018-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2015 a 31/03/2017 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Para se configurar alteração de critério jurídico, é necessário que, em algum momento no passado, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. ATOS NORMATIVOS. NATUREZA JURÍDICA. Os atos normativos considerados como normas complementares são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento das leis, tratados e decretos em matéria tributária, não abarcando os atos administrativos definidores de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veiculam. MULTA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente, sendo legítima a sujeição passiva em autuação cujo objeto foi a glosa de créditos de IPI tidos como indevidos em razão de erro na classificação fiscal. EXCLUSÃO DE PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 167. O art. 76, inciso II, alínea a da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Súmula CARF nº 167) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2015 a 31/03/2017 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se na apuração do crédito ficto a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito do imposto os insumos ou produtos intermediários que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida, situação em que não se enquadram os produtos utilizados na limpeza do parque industrial.
Numero da decisão: 3201-011.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 23 de julho de 2024. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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INOCORRÊNCIA. Para se configurar alteração de critério jurídico, é necessário que, em algum momento no passado, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. ATOS NORMATIVOS. NATUREZA JURÍDICA. Os atos normativos considerados como normas complementares são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento das leis, tratados e decretos em matéria tributária, não abarcando os atos administrativos definidores de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veiculam. MULTA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente, sendo legítima a sujeição passiva em autuação cujo objeto foi a glosa de créditos de IPI tidos como indevidos em razão de erro na classificação fiscal. EXCLUSÃO DE PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 167. O art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Súmula CARF nº 167) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Fl. 2687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 2 Período de apuração: 01/03/2015 a 31/03/2017 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se na apuração do crédito ficto a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito do imposto os insumos ou produtos intermediários que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida, situação em que não se enquadram os produtos utilizados na limpeza do parque industrial. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 23 de julho de 2024. Fl. 2688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 3 Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) em que se julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado para se contrapor ao auto de infração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), decorrente da glosa de créditos do imposto e da constatação de ocorrência de saídas de produtos do estabelecimento sem o devido lançamento. Do Termo de Informação Fiscal, que embasou o lançamento de ofício, extraem-se as seguintes constatações: a) “a maior parte dos créditos do IPI escriturados pela fiscalizada foram oriundos de “kits” contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 22.02, além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos de RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., CNPJ 61.454.393/0001-06, fornecedor localizado em Manaus/AM”; b) o fornecedor, Recofarma, adotou a classificação fiscal 2106.90.10, código Ex 01, e “não destacou o IPI nas notas fiscais de saída dos kits, por entender que os produtos estariam isentos do imposto”; c) “[a] fiscalizada, apesar de não efetuar pagamento do IPI nas aquisições dos insumos fornecidos por Recofarma, baseou-se no artigo 237 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, instituído pelo Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) para escriturar no livro Registro de Apuração do IPI créditos calculados mediante aplicação da alíquota prevista na TIPI para o Ex 01 do código 2106.90.10 sobre o valor dos kits” (27% até 30/09/2012 e 20% a partir de 01/10/2012); d) diante da recusa da empresa Recofarma em apresentar dados técnicos dos produtos por ela vendidos, a Fiscalização procedeu à coleta de amostras dos kits, enviando-as ao Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, responsável pela realização dos exames laboratoriais, cujos laudos de análise foram anexados aos presentes autos; e) os kits fornecidos por Recofarma são constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada um está acondicionado em embalagem individual (bombona, saco, garrafão, caixa ou contêiner), cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido, havendo, ainda, extratos e ingredientes aromatizantes específicos para a bebida a ser industrializada; Fl. 2689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 4 f) o processo produtivo dos refrigerantes (exceto as bebidas sem açúcar) pode ser resumido da seguinte forma: (i) a água utilizada para a fabricação das bebidas, após receber tratamento, é misturada com açúcar, insumo que não faz parte dos kits oriundos de Manaus, obtendo-se o xarope simples, e (ii) o conteúdo das embalagens que integram os kits e o xarope simples são misturados entre si, em operações executadas seguindo detalhadas especificações técnicas, havendo, ainda, em alguns casos, adição de suco de frutas recebido de terceiros, obtendo-se, assim, o xarope composto, que é dirigido às linhas de enchimento, onde é feita sua diluição; g) “o xarope composto tanto pode ser um produto intermediário (quando destinado a ser diluído em água carbonatada no próprio estabelecimento do engarrafador), como um produto final (quando vendido para terceiros a fim de ser diluído nas máquinas de Post Mix)”; h) “nos casos em que os fabricantes comercializam um conjunto de partes, peças, matérias ou artigos, cada bem individual que compõe o conjunto deve ser classificado separadamente”, tendo-se em conta a disciplina do item XI da Nota Explicativa da Regra Geral de Interpretação (RGI) 3b e a classificação obtida a partir da aplicação da RGI 1 da NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado); i) o “item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b) foi incluído na NESH após análise efetuada pelo CCA (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a classificação fiscal de bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados em conjunto em proporções fixas em uma remessa.”; j) “não se pode admitir (...) que uma preparação que não contenha ingredientes como ácido cítrico, agentes de conservação, sucos de frutas e/ou outros extratos seja considerada como um concentrado, pois ela não tem capacidade de diluição. Para resultar na bebida, não basta diluir esta preparação em água, ou submetê-la a um “tratamento complementar”, sendo obrigatória a realização de uma quantidade significativa de operações industriais, algumas delas complexas, as quais não podem ser ignoradas para fins de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados”; k) a “mistura do conteúdo dos componentes dos kits fornecidos por Recofarma, etapa realizada dentro do estabelecimento do engarrafador em que os ingredientes são diluídos em xarope simples ou água, caracteriza-se como a operação de transformação definida no artigo 4º, inciso I, do RIPI/2010”, após o quê “se forma uma preparação, conhecida como xarope composto, que deve ser enquadrada em exceção tarifária do código NCM 2106.90.10”; l) os “componentes dos kits (exceto os elaborados com extrato de guaraná) não fazem jus à isenção do artigo 95, inciso III, do RIPI/2010”, e “nem mesmo à isenção do artigo 81, inciso II, do RIPI/2010”, dado tratar-se de processo de acondicionamento ou reacondicionamento; m) “as preparações compostas não alcoólicas próprias para elaboração de bebida da posição 22.02 que não se enquadrem como concentrados para elaboração de bebidas devem ser enquadradas no “caput” do código 2106.90.10, independentemente de sua importância no Fl. 2690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 5 processo produtivo (o texto do Ex 01 do código 2106.90.10 não faz qualquer menção à relevância do insumo na composição do produto final)”, ou seja, “um componente de kit para refrigerantes que contém extrato e outros ingredientes, acondicionado em embalagem individual, classifica-se no código 2106.90.10, como uma “Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”, cuja alíquota do IPI é zero”; n) aplicando-se a “1ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI- 1/SH, as "Preparações alimentícias diversas" classificam-se no Capítulo 21”, sendo que, “como não se verifica uma posição específica que trate das preparações em questão, resta a posição 21.06, que trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições”, posição essa que “se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", enquanto a subposição 2106.90 é reservada a "outras" preparações”; assim, “a preparação em análise deve ser enquadrada na subposição 2106.90”; o) “no caso de componente de kit fornecido por Recofarma que corresponda a uma matéria pura acondicionada em embalagem individual, deve ser utilizado o código adequado para a respectiva matéria”, nos seguintes termos: “o código 2916.31.21, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de benzoato de sódio”, “o código 2916.19.11, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de sorbato de potássio”, “o código 2918.14.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de ácido cítrico” e “o código 2918.15.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de citrato de sódio”; p) “as únicas “partes” tributadas a alíquotas positivas adquiridas pela fiscalizada são aquelas classificadas no código 3302.10.00, próprio para preparação à base de mistura de substâncias odoríferas, cuja alíquota é de 5%”, sendo que, por não serem elaboradas com matéria- prima extrativa vegetal, elas não podem gerar direito a crédito. Além disso, “a fiscalizada recebeu produtos que não estavam corretamente identificados nas notas fiscais, pois nos documentos emitidos por Recofarma não consta a identificação dos componentes dos kits, com os respectivos valores de cada item embalado individualmente”. “No curso dos trabalhos realizados em Recofarma, a empresa se recusou a informar para a fiscalização o valor individual dos componentes de kits”, o que impede o cálculo do valor do imposto oriundo de preparações enquadradas no código 3302.10.00, como se devido fosse; q) “inexiste discordância entre o Fisco e a SUFRAMA quanto à classificação fiscal do produto. A SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos em questão, nem teria competência legal para fazê-lo”; r) a Suframa “é uma autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com a “responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional que utilize de forma sustentável os recursos naturais”, cabendo, no Brasil, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) “a competência em relação Fl. 2691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 6 aos aspectos tecnológicos da fabricação de bebidas, inclusive definições de produtos”, conforme previsto na Lei nº 8.918/1994; s) “as empresas do Sistema Coca-Cola alegam que desde 1988 o texto das TlPl identificaria o concentrado para refrigerantes como uma mercadoria única constituída por diversos componentes, sendo que a existência de um extrato concentrado/sabor concentrado seria suficiente para que todos os demais componentes [integrassem] o mesmo produto”, sendo que “o texto das TIPI mais antigas indica o contrário do alegado”; t) “a prática que foi adotada por Recofarma é a de comercializar insumos menos completos. Dentre os insumos que geram créditos para fabricantes de bebidas, incluem-se até mesmo substâncias que são adquiridas no centro do país e passam por simples reacondicionamento em Manaus. Assim, os insumos adquiridos pela fiscalizada têm baixo valor agregado, sendo responsáveis pela criação de uma quantidade bastante reduzida de empregos diretos e indiretos na região amazônica”; u) além dos créditos indevidos decorrentes das aquisições da Recofarma, “a fiscalizada escriturou como créditos de IPI valores decorrentes da aquisição bens de uso e consumo, a exemplo de antibactericidas, detergentes, dentre outros agentes orgânicos de superfície, os quais não se prestam a ofertar créditos por não se enquadrarem no conceito de insumos.” Na Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, aduzindo o seguinte: a) os créditos de IPI tiveram origem, precipuamente, na aquisição de concentrados para produção de bebidas não alcóolicas, fabricados pela empresa Recofarma, sediada na Zona Franca de Manaus (ZFM), empregados na fabricação de refrigerantes, sendo beneficiados por duas isenções, a saber: a primeira, cujo direito ao crédito fora reconhecido em mandado de segurança transitado em julgado, decorrente do art. 81, II, do RIPI/2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967, e a segunda do art. 95, inciso III, do mesmo RIPI/2010 (base legal: art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975), dado tratar-se de insumos elaborados com matéria-prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; b) direito ao desconto de crédito nas aquisições de concentrados para bebidas não alcoólicas e de produtos de limpeza utilizados no processo produtivo de refrigerantes; c) alteração de critério jurídico (art. 146 do CTN), pois a fiscalização, em verificações fiscais anteriores, tendo a mesma pessoa jurídica como requerente, já havia concluído acerca da natureza dos concentrados no mesmo sentido do adotado nestes autos pelo contribuinte; d) ilegalidade do auto de infração por ausência de arbitramento quanto aos créditos referentes a insumos com alíquota positiva de 5%; e) inocorrência de responsabilidade do requerente (terceiro adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do produto; Fl. 2692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 7 f) a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto no 435/92, impõe que está correta a classificação fiscal do concentrado para bebidas não alcoólicas na posição 2106.90.10 EX. 01 da TIPI; g) a Suframa tem competência para efetuar a classificação fiscal do produto beneficiado produzido conforme PPB (Processo Produtivo Básico) definido em Portaria Interministerial, porque somente com a respectiva classificação fiscal é possível identificar o produto beneficiado para fins de IPI (arts. 1º, 4, I, c do Anexo I do Decreto nº 1.139/2010 e 10, 13, 15 e 23, todos da Resolução do CAS nº 202/2006); h) o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), cujas análises/laudos vinculam a Administração Pública, “também reconheceu que o produto fabricado pela RECOFARMA é o concentrado para bebidas não alcoólicas, tal como consta do código 0653, e que este concentrado, oriundo do PPB da referida Portaria Interministerial MPO/MICT /MCT no 08/98, tem a natureza de uma mercadoria única”; i) ilegalidade do auto de infração em razão das seguintes constatações: (i) a Fiscalização reconheceu que uma das partes do concentrado se sujeitava à alíquota de 5% mas deixou de computar o referido crédito, (ii) “em relação aos meses de janeiro a março de 2017, deveria ter sido reconhecida também a alíquota de 14% para cálculo do crédito de IPI relativo às partes do concentrado classificadas na posição 27.06.90.10 pela autoridade, porque o Decreto nº 8. 950, de 29.12.2016, que aprovou a nova TIPI, alterou a alíquota da referida posição de zero para 14%”, e (iii) falta de provas, uma vez que o laudo técnico utilizado pela Fiscalização se refere a período que não abrange a totalidade dos fatos geradores destes autos e nem mesmo foi juntado em sua integralidade; j) impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária, tendo em vista o disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN; k) improcedência da exigência de juros sobre a multa de ofício. O acórdão da DRJ denegatório do pedido restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/03/2015 a 31/03/2017 CRÉDITO INDEVIDO NA AQUISIÇÃO DE “KITS” DE PRODUTOS ISENTOS DO IPI, UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE BEBIDAS. É ilegítimo o crédito do IPI calculado como se devido fosse na aquisição de “kits” de produtos isentos do referido imposto, utilizados na elaboração de bebidas, mediante adoção de alíquota incorreta, decorrente de classificação fiscal equivocada em código único da Tabela de Incidência do IPI, próprio para concentrados, em detrimento da classificação correta, individualizada, em relação a cada um dos componentes dos “kits”. Fl. 2693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 8 GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. É legítimo o lançamento de ofício do IPI, acrescido de juros de mora e de multa de ofício, por falta de recolhimento desse imposto, decorrente de glosa de créditos indevidos. SUPERINTENDÊNCIA DA ZONA FRANCA DE MANAUS (SUFRAMA). SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIAS. A competência da Suframa no âmbito dos benefícios próprios da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental não exclui a competência da Receita Federal em matéria de classificação fiscal de produtos, para formalizar exigência do IPI, decorrente de glosa de créditos indevidos. CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2018 ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO INDEVIDA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O lançamento de ofício baseado em entendimento distinto daquele que usualmente adota o sujeito passivo, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária, não caracteriza modificação no critério jurídico adotado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil no exercício do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto condutor do acórdão de primeira instância, se extraem os seguintes trechos: 1) “de fato houve o trânsito em julgado o Mandado de Segurança n° 95.0009470-3, renumerado para 0009470-05.1995.4.05.8100, impetrado por Refrescos Cearenses S/A, atual Norsa Refrigerantes S/A, cuja sentença garantiu "à parte impetrante o direito de se creditar dos valores relativos ao IPI, nas operações de aquisição de concentrado, ainda que essas operações sejam isentas do mesmo imposto, na origem.". Interposta apelação, a mesma foi negada pela Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), com baixa definitiva em 18 de junho de 1997”; 2) “as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário ao direito pretendido pela interessada. Ainda que legítimas e idôneas, aspecto que não é alvo de embate neste processo, não possuem mais a Fl. 2694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 9 capacidade suficiente para respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa, pois não existe previsão legal para a manutenção de créditos indevidos. Principalmente por estes créditos serem incentivados, já que a saída se deu por isenção, e não houve qualquer ônus financeiro por parte da contribuinte”; 3) “os componentes individuais destinados à fabricação industrial de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados a cada um deles, não como uma mercadoria única. Trata-se, simplesmente, da razão de ser da Nota Explicativa XI à Regra 3.b), em nítida colisão com a tese que a impugnante pretende fazer prosperar”; 4) segundo “a Informação Fiscal anexa aos autos, foram relatadas diversas dificuldades enfrentadas pelo Fisco para obter esclarecimentos sobre os componentes do Kit: Os engarrafadores, quando solicitados a apresentar esclarecimentos respondem que o questionamento deve ser dirigido à Recofarma. Quando questionada sobre o assunto, Recofarma se recusa a prestar informações básicas sobre seus produtos.” (...) “Assim, não há como calcular o montante do crédito alegado, já que o produto foi apresentado como mercadoria única e a contribuinte se recusa a discriminá-la. Aqui, o ônus da prova cabe à manifestante. Se ela quer se aproveitar do crédito do imposto, deve provar sua existência e seu valor.”; 5) quanto à alegação do Recorrente de que, quanto aos meses de janeiro a março de 2017, “deveria ter sido reconhecido crédito relativo às partes do concentrado classificadas pela Autoridade Fiscal na posição 2106.90.10, uma vez que Decreto nº 8.950, de 29.12.2016, que aprovou a nova TIPI, teria alterado a alíquota da referida posição de zero para 14%”, há que se destacar que “referido ato aprovou a nova Tipi, em vigor a partir de janeiro de 2017 e, de fato, em sua publicação original constou a alíquota de 14% para o código, sendo, entretanto, que o erro foi retificado no DOU de 30 de dezembro de 2016, Seção 1, voltando a constar alíquota zero.”; 6) quanto ao art. art. 81, II, do RIPI/2010, que preconiza a isenção de produtos industrializados da Zona Franca de Manaus, “inexiste previsão legal expressa e específica a permitir a apropriação de créditos, valendo-se a impugnante da decisão judicial para defender o cabimento do crédito. Entretanto, conforme já afirmado, a glosa deu-se pela utilização para cálculo dos créditos de alíquota não aplicável aos insumos vendidos, em momento algum negando a validade da referida decisão”; 7) “o valor correspondente ao consumo” dos produtos de limpeza “deve ser considerado como gasto geral de fabricação, ou custo indireto incorrido na produção, sendo, via de regra, atribuído aos produtos por meio de rateio, como também os são outros custos incorridos, tais como inspeção, manutenção, almoxarifado, supervisão, seguros e administração da fábrica, etc.”; 8) “não há contestação acerca dos débitos apurados e inseridos na reconstituição, motivo pelo qual se considera não impugnada essa parte do lançamento”. Cientificado do acórdão de primeira instância em 15/02/2019 (fl. 2.357), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 15/03/2019 (fl. 2.366) e requereu a reforma da decisão, com o cancelamento do auto de infração, repisando os argumentos de defesa, sendo Fl. 2695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 10 enfatizados os seguintes argumentos: (i) de acordo com a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, os atos administrativos da Suframa, o laudo do INT e a decisão transitada em julgado no MS 95.0009470-3, todos com caráter vinculante para a Receita Federal e à Suframa, o concentrado não homogeneizado é concentrado, produto único, não se tratando de hipótese de industrialização a sua mera homogeneização, dada a ausência de mudança no produto, devendo, portanto, ser classificado na posição 2106-9010 Ex. 01, com o consequente direito de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos junto a fornecedor sediado na ZFM, (ii) o Decreto nº 9.394/2018 alterou de 20% para 4% a alíquota do produto classificado na posição 2106-9010 Ex. 01, com vistas a aumentar a arrecadação tributária, dada a redução do crédito, fato esse a indicar que a própria Receita Federal, em interpretação autêntica, coaduna com o entendimento adotado pelo Recorrente, (iii) diferentemente do afirmado no acórdão recorrido, a retificação do Decreto nº 8.950/2016 reduzindo a alíquota do imposto de 14% para zero somente foi publicada no DOU em 31/03/2017, encontrando-se vigente, portanto, a referida alíquota no período de janeiro a março de 2017, o que indica mais uma ilegalidade do auto de infração não passível de correção por parte do CARF. As contrarrazões da Procuradoria-Geral da Fazenda (PGFN) encontram-se às fls. 2.502 a 2.562. É o relatório. VOTO Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de auto de infração referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), decorrente da glosa de créditos do imposto e da constatação de ocorrência de saídas de produtos do estabelecimento sem o devido lançamento. Segundo a fiscalização, a maior parte dos créditos do IPI escriturados pelo Recorrente refere-se aos chamados “kits” contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 2202, além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., que adotara, na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM), a classificação fiscal 2106.90.10, código Ex 01, sem destaque do imposto nas respectivas nas notas fiscais, por entender aplicável a isenção. A fiscalização promoveu a reclassificação fiscal da mercadoria por considerar que, na verdade, estar-se-ia diante, não de um produto único (concentrado), mas de uma mistura de componentes que são misturados em etapa realizada dentro do estabelecimento do engarrafador, em que os ingredientes são diluídos em xarope simples ou água, tendo-se por caracterizada, Fl. 2696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 11 assim, uma operação de transformação, definida no art. 4º, inciso I, do RIPI/2010, cujo resultado é uma preparação conhecida como xarope composto que se classifica na posição NCM 2106.90.10. Feitas essas considerações, passa-se à análise dos argumentos do recurso. I. Crédito ficto. Isenção. Arbitramento. De início, o Recorrente alega que os concentrados adquiridos da Recofarma são beneficiados por duas isenções com direito a crédito ficto do IPI, a saber: a primeira decorrente do art. 81, II, do RIPI/2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967, e a segunda do art. 95, inciso III, do mesmo RIPI/2010, base legal: art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975. Segundo ele, o crédito de IPI reclamado encontrava-se previsto no art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975, direito esse reconhecido pelo julgador a quo, sendo que, no MSI nº 95.0008470-3, não se controverteu acerca desse fato. Na petição inicial do MSI nº 95.0008470-3, o Recorrente pleiteou o direito de manter o crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplicando-se a alíquota do imposto prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), vindo a constar da sentença da Justiça Federal no Ceará a concessão da ordem “para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar dos valores relativos ao IPI nas operações de aquisição do concentrado, ainda que essas operações sejam isentas do mesmo imposto na origem”, decisão essa mantida no TRF5, não tendo havido, contudo, definição judicial acerca da composição ou da natureza dos concentrados. Não se pode se esquecer, ainda, principalmente em razão de sua força vinculante, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, submetido à sistemática da repercussão geral, nos seguintes termos: "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". Entretanto, independentemente de ter havido reconhecimento de isenção pela fiscalização ou em ação judicial, ou, ainda, de previsão expressa na própria legislação, no presente caso, conforme se apurou no auto de infração, está-se diante de aquisições, em sua grande maioria, sujeitas à alíquota zero da TIPI, sendo esse o fundamento do não reconhecimento do direito ao crédito ficto do imposto. Em relação à pequena parcela sujeita à alíquota de 5%, o Recorrente não se desincumbiu - dado tratar-se de um direito creditório - do ônus de discriminar e determinar o valor tributário dessas mercadorias, tendo sido alegado tratar-se de medida impraticável. Fl. 2697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 12 Essa alegação de impossibilidade de discriminação dos diferentes itens que compõem o conjunto identificado como “concentrado” não se mostra verossímil, pois, na produção de cada componente do concentrado, têm-se os custos dos fatores de produção que podem ser extraídos destacadamente – salvo na hipótese de total ausência de controle da produção –, uma vez tratar-se de produtos contendo composição físico-química própria, que foram comercializados separadamente, ainda que em conjunto. Tendo havido provimento judicial transitado em julgado assegurando o direito a crédito na aquisição de produto isento, esse crédito precisa ser quantificado em função da alíquota a que estiver sujeito o produto, sendo que, diante da oposição do interessado à individualização dos diferentes componentes adquiridos, oposição essa relativa a um crédito que o beneficia, pretendeu-se transferir peremptoriamente à fiscalização referido ônus probatório, exigindo dela um arbitramento destituído das premissas básicas necessárias à apuração da natureza e da composição do produto, sem qualquer colaboração da parte beneficiária, contrariando o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ressalte-se que, de acordo com o inciso IV do art. 4º da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF)1, é dever do administrado “prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos”. Portanto, não merece guarida este tópico do Recurso Voluntário. II. Classificação fiscal do concentrado. O Recorrente argumenta que demonstrara que o produto objeto da autuação é um produto único, qual seja, concentrado para bebidas não alcóolicas da posição TIPI 2106.90.10 Ex 01, estando sua defesa em conformidade com a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, em que se estabeleceu o Processo Produtivo Básico (PPB) para projetos industriais da Zona Franca de Manaus (ZFM), bem como com a Resolução CAS nº 298/2007 e com outros atos administrativos da Suframa relativos à aprovação do projeto industrial da Recofarma. Ainda segundo ele, o “concentrado” previsto na referida portaria interministerial - portaria essa que é vinculatória para a Receita Federal e a Suframa - pode ser homogeneizado ou não homogeneizado, uma vez que tal ato estatuiu não ser obrigatória a etapa de homogeneização, tendo sido tais constatações referendadas no laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). 1 Lei nº 9.784/1999 (...) Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 2698DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 13 Firmada a premissa de se tratar de um concentrado, continua o Recorrente, a classificação fiscal correta, com base na Regra Geral de Interpretação nº 1 do Sistema Harmonizado (SH), é a da posição TIPI 2106.90.10 Ex 01 (posição mais específica). Contudo, a fiscalização demonstrou que o chamado “kit” era, na verdade, um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários distintos fornecidos pela Recofarma aos fabricantes de refrigerantes em embalagens separadas, havendo dentre eles, inclusive, substâncias na forma pura, como o benzoato de sódio e o ácido cítrico. Ainda de acordo com a fiscalização, bem como com a DRJ e a PGFN, o termo "preparações” dos Ex 01 e Ex 02 da posição TIPI 2106.90.10 refere-se a produtos já preparados, prontos para uso, o que as diferencia dos “concentrados”, estes vendidos separadamente e que serão misturados pelo adquirente dos insumos no processo final de fabricação do refrigerante. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. Não se pode ignorar que, na classificação fiscal de mercadorias, devem-se observar as Regras Gerais para Interpretação e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que se originam do entendimento firmado pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) ou Organização Mundial das Aduanas (OMA) a partir da análise técnica de dúvidas e questionamentos a ela submetidos. Na Regra 3b da NESH, inseriu-se a Nota Explicativa XI definindo que os “sortidos” não alcançavam as “mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas”, o que indica que o sistema deu tratamento próprio aos componentes separados vendidos em conjunto para fabricação de bebidas, componentes esses que deverão ser classificados de forma individualizada. A classificação fiscal defendida pelo Recorrente cuida de “preparações compostas não alcóolicas” para preparação de refrigerantes, em que os componentes já se encontram misturados, dependendo apenas da diluição final, situação essa distinta daquela em que os componentes vendidos separadamente serão misturados somente no processo produtivo final do engarrafador. Nas notas explicativas da posição 2106 da NESH, as “preparações compostas” presentes na classificação fiscal defendida pelo Recorrente encontram-se definidas da seguinte forma: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), do tipo utilizado na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido Fl. 2699DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 14 tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos (sumos) de fruta, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em consequência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, mesmo com adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também frequentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. (g.n.) Verifica-se do excerto supra que as “preparações compostas” da posição 2106 decorrem da mistura de diversas substâncias e contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida, mistura essa que dependerá apenas da diluição final para se caracterizar como bebida para consumo, inclusive doméstico. Referidas preparações compostas não são produzidas pelo fornecedor Recofarma, pois este comercializa componentes vendidos separadamente, ainda que em conjunto, vindo as referidas preparações compostas a ser fabricadas somente no ambiente produtivo do adquirente, havendo, portanto, especificidades técnicas que não podem ser ignoradas na classificação fiscal dessas mercadorias. É o próprio Sistema Harmonizado que assim definiu tais regras de classificação, não podendo atos administrativos da Suframa ou de outros órgãos e entidades estatais e paraestatais pretender alterá-las ou ignorá-las sob o argumento de se tratar de matéria técnica afeta a sua área de competência ou de administração. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no acórdão nº 9303-006.987, de 14/06/2018, decidiu pela compatibilidade entre as atribuições administrativas da Suframa com a competência fiscalizatória da Receita Federal, verbis: CONFLITO DE COMPETÊNCIAS ENTRE A SUFRAMA E A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em conflito de competências entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia aprova os projetos dos fabricantes de concentrados para refrigerantes localizados na Amazônia Ocidental, cabendo ao Fisco analisar a legitimidade da utilização do benefício, verificando se foi atendida a exigência de emprego de matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, observando-se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). (g.n.) Inobstante o importante suporte que laudos e outros documentos de natureza técnica possam fornecer ao procedimento de classificação fiscal de mercadorias, não se pode Fl. 2700DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 15 ignorar que eles são utilizados apenas como subsídio, pois é o agente competente que definirá a classificação a partir das Regras Gerais para Interpretação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e não a partir de orientações advindas de outras fontes, ainda que de origem pública. Assim, para a fiscalização, tratando-se de componente de kit de uma matéria pura acondicionada em embalagem individual, ele deve ser classificado de forma individualizada, nos seguintes termos: “o código 2916.31.21, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de benzoato de sódio”, “o código 2916.19.11, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de sorbato de potássio”, “o código 2918.14.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de ácido cítrico” e “o código 2918.15.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de citrato de sódio”. Parte significativa da jurisprudência do CARF caminha nesse sentido, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 31/07/2013 a 31/12/2014 (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. (...) (Acórdão 3201-009.972, rel. Márcio Robson Costa, j. 22/11/2022) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2014 a 30/09/2018 (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. Fl. 2701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 16 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero e no que concerne a matérias primas originárias da ZFM e da Amazônia Legal; glosam-se os créditos relativos a insumos adquiridos em desobediência aos requisitos legais (matérias-primas agrícolas, extrativas vegetais de produção regional e da fauna e flora regionais), sendo inaplicável a esses casos o RE nº 592.891/SP. (Acórdão 3301-013.805, red. Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, j. 27/02/2024) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se, na apuração do crédito ficto, a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. (...) (Acórdão 3201-006.669, rel. Hélcio Lafetá Reis, j. 17/03/2020) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 (...) Fl. 2702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 17 PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REFRIGERANTES. IPI. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. (Acórdão 3401-005.943, rel. Lázaro Antônio Souza Soares, j. 27/02/2019) Segundo o agente fiscal, “as únicas “partes” tributadas a alíquotas positivas adquiridas pela fiscalizada são aquelas classificadas no código 3302.10.00, próprio para preparação à base de mistura de substâncias odoríferas, cuja alíquota é de 5%”, sendo que a Recofarma se recusou a informar para a fiscalização o valor individual dos componentes de kits”, o que impediu o cálculo do valor do imposto oriundo de preparações enquadradas no código 3302.10.00, como se devido fosse. O Recorrente alegara, na primeira instância, que, quanto aos meses de janeiro a março de 2017, “deveria ter sido reconhecido crédito relativo às partes do concentrado classificadas pela Autoridade Fiscal na posição 2106.90.10, uma vez que Decreto nº 8.950, de 29.12.2016, que aprovou a nova TIPI, teria alterado a alíquota da referida posição de zero para 14%”, vindo a DRJ a destacar que, de fato, na publicação original constara a alíquota de 14% para o código, sendo que o erro veio a ser retificado no DOU de 30 de dezembro de 2016, Seção 1, voltando a constar alíquota zero. No Recurso Voluntário, o Recorrente argui que, diferentemente do afirmado no acórdão recorrido, a retificação do Decreto nº 8.950/2016 reduzindo a alíquota do imposto de Fl. 2703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 18 14% para zero somente foi publicada no DOU em 31/03/2017, encontrando-se vigente, portanto, a referida alíquota no período de janeiro a março de 2017, o que indica mais uma ilegalidade do auto de infração não passível de correção por parte do CARF. Contudo, em consulta ao referido Decreto na internet,2 obtém-se a seguinte informação: Aprova a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI. (Publicado no Diário Oficial da União de 30 de dezembro de 2016, Seção 1) RETIFICAÇÃO No Capítulo 21 da Seção IV da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI anexa ao Decreto nº 8.950, de 29 de dezembro de 2016, onde se lê: “NCM-DESCRIÇÃO-ALÍQUOTA (%) 2106.10.00 - Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas – 14 2106.90 – Outras - 2106.90.10 - Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas - 14 Leia-se: “NCM-DESCRIÇÃO-ALÍQUOTA (%) 2106.10.00--Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas 2106.90--Outras- 2106.90.10-Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas - 0 Assim, constata-se haver razão à DRJ quanto à retificação da alíquota. Por outro lado, o Recorrente alega que, com a redução da alíquota de 20% para 4% para os produtos classificados no código 2106.90.10 Ex 01, promovida por meio do Decreto nº 9.394/2018, a Receita Federal pretendeu reduzir os créditos fictos decorrentes de aquisições de insumos isentos (concentrados) oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM) e, por decorrência, aumentar a arrecadação tributária, o que tornava inconteste que o produto por ele adquirido é aquele previsto na referida posição da TIPI. Segundo ele, a interpretação autêntica do Decreto nº 9.394/2018 formulada pela própria Receita Federal é vinculante, inclusive para o CARF, por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 62 do seu Regimento Interno. No entanto, mesmo que se admita a existência da alegada “interpretação autêntica” da Receita Federal, não se pode ignorar que, nas manifestações daquele órgão identificadas pelo Recorrente, fez-se referência aos produtos classificados no código TIPI 2106.90.10 Ex 01 mas sem identificá-los. Nesse código, conforme já dito, classificam-se os concentrados já misturados, dependentes apenas da diluição final a se realizar no ambiente 2 Disponível em: <<https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/d8950.htm#anexo>> Acesso em 11/06/2024. Fl. 2704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 19 produtivo do adquirente, hipótese essa, conforme já dito exaustivamente neste voto, não coincidente com a sob análise nestes autos. O fato de a redução da alíquota de 20% para 4% ter como objetivo o aumento da arrecadação em nada altera a presente análise, pois, aqui, conforme já apontado, controverte-se sobre componentes vendidos separadamente, ainda que em uma operação conjunta, situação em que os argumentos do Recorrente não se ajustam. Por fim, informa-se que, conforme divulgado na imprensa em 15/07/2024, “por 7 votos a 1, a 3ª Turma da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) negou ao contribuinte o direito de aproveitar créditos do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre o kit de concentrados para produção de refrigerantes. Prevaleceu a tese da Fazenda Nacional, de que a classificação fiscal dos kits não deve ser feita como se o kit fosse um produto único, e sim como matérias-primas separadas.” (acórdão ainda não publicado). Em relação a eventual decisão judicial favorável à empresa Recofarma, constata-se dos anexos trazidos aos autos recentemente pelo Recorrente, que se trata da apreciação de um caso específico, qual seja, um auto de infração formalizado no processo nº 11080.732817/2014- 28, não alcançando os fatos controvertidos nestes autos. Os fundamentos da decisão judicial até podem subsidiar a presente análise, mas eles não detêm caráter vinculante. Nesse sentido, também não se acolhe a defesa do Recorrente quanto a essa matéria. III. Erro na classificação fiscal. Responsabilidade. O Recorrente alega que, por ausência de previsão na legislação de regência, ele não podia ser responsabilizado por erro na classificação indicada na nota fiscal emitida pelo fornecedor da mercadoria, conforme jurisprudência judicial e administrativa. Contudo, é dever da fiscalização verificar a correta classificação fiscal dos produtos, obrigação essa que, a princípio, perpassa eventual boa-fé do adquirente3, e, sendo a atividade fiscalizatória vinculante e obrigatória, ela independe da intenção do sujeito passivo, salvo nas hipóteses de agravamento ou qualificação da multa de ofício. O Recorrente alega que o RIPI 2002/2010 não determina a responsabilidade do adquirente na verificação da correta classificação fiscal adotada pelo fornecedor, no entanto, tal possibilidade não pode ser interpretada como um dado imutável, pois, uma vez demonstrado o erro na classificação fiscal constante do documento, a fiscalização tem o poder-dever de ajustá-la 3 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 2705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 20 às normas jurídicas correspondentes, sob pena de violação do art. 142 do CTN4, conforme já decidiu, recentemente, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em processo do mesmo contribuinte destes autos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013 APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. NOTA FISCAL. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. LEI 4.502/1964, ART. 62. A leitura do art. 62 da Lei no 4.502/1964 demanda ponderação. Quando o dispositivo legal se refere à necessidade de verificar se os produtos “estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares”, está-se a exigir do adquirente que verifique não só requisitos formais, mas a substância do documento, mormente quando de tal substância pode decorrer (ou não) crédito incentivado condicionado a características do fornecedor e da classificação da mercadoria ou enquadramento em “Ex Tarifário”, como nas aquisições isentas no âmbito da Zona Franca de Manaus, à luz do RE no 592.891/SP. Acórdão 9303-015.038, rel. Rosaldo Trevisan, j. 10/04/2024) A 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF também já decidiu no mesmo sentido, conforme se verifica das ementas mais recentes a seguir transcritas: RESPONSABILIDADE PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL INDICADA NAS NOTAS FISCAIS DOS KITS. BOA-FÉ DO ADQUIRENTE. O art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boa-fé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. A boa-fé do adquirente é sempre levada em conta na graduação da multa de ofício aplicável, pois caso fosse constatada a intenção do Recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequência da sua conduta, pois incidiria na previsão de multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. (Acórdão nº 3401-007.043 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 23/10/2019) AUTUAÇÃO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE PASSIVA. 4 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 2706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 21 A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN: Artigo 136). É legítima a sujeição passiva de estabelecimento em autuação que teve por objeto a glosa de créditos de IPI tidos como indevido pela fiscalização em razão de possível erro de classificação fiscal. (Acórdão nº 3402-006.589 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/05/2019) Conforme se verifica dos excertos transcritos acima, a 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF já alterou o entendimento externado nos acórdãos nº 3401-003.751 e 3401-003.838, citados pelo Recorrente, o que desfavorece, indubitavelmente, a defesa quanto a essa matéria. Além disso, as decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) referenciadas pelo Recorrente não têm conexão direta com a controvérsia destes autos, pois que cuidaram de matérias julgadas no âmbito da competência tributária dos Estados e relativas ao ICMS, este regido pela Lei Complementar nº 87/1996. Afasta-se, também, o recurso voluntário quanto a este item. IV. Alteração de critério jurídico. Alegando violação ao art. 146 do CTN,5 o Recorrente argumenta ter havido, no lançamento de ofício sob comento, alteração de critério jurídico, pelo fato de que, segundo ele, o Fisco chancelara a revisão de lançamentos sujeitos à homologação anteriores relativamente à mesma matéria. De pronto, deve-se destacar que o Recorrente faz uma alegação genérica acerca de um posicionamento anterior da fiscalização quanto à classificação fiscal do mesmo produto, posicionamento esse que a impediria de aplicar nova interpretação da norma jurídica tributária a fatos ocorridos anteriormente à sua introdução, não indicando em que situação isso se dera e nem em que momento, alegação essa que se mostra, portanto, desprovida de lastro probatório. Neste tópico, o Recorrente se ampara em acórdão do CARF (3401-002.537) cujo entendimento já foi superado na mesma turma de julgamento (1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção), verbis: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O fato de uma classificação fiscal não ter sofrido reclassificação em procedimentos anteriores não implica sua aceitação pelo Fisco de forma expressa, a ponto de vincular a Administração Tributária. Para que haja mudança de critério jurídico, é necessário que, em algum momento, tal 5 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 2707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 22 critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. (Acórdão nº 3401-007.043, de 23/10/2019) NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. (Acórdão nº 3401-006.879, de 24/09/2019) Nesse contexto, nada há de irregular no lançamento de ofício quanto a essa questão. V. Exigência de multa, juros e correção monetária. Amparando-se no art. 100, parágrafo único, do CTN6, o Recorrente pleiteia a exclusão da multa, dos juros de mora e de correção monetária, alegando observância de atos normativos, a saber: a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, em que se estabeleceu o Processo Produtivo Básico (PPB) para projetos industriais da Zona Franca de Manaus (ZFM), bem como com a Resolução CAS nº 298/2007 e com outros atos administrativos da Suframa relativos à aprovação do projeto industrial da Recofarma. No entanto, o inciso I do art. 100 do CTN faz referência a atos “normativos”, cuja característica básica é a veiculação de um comando abstrato e geral de explicitação das leis e dos decretos e não a definição de um processo produtivo ou a aprovação de um determinado projeto industrial. “Os atos administrativos normativos a que se refere o CTN são, basicamente, as instruções normativas e as portarias, bastante utilizadas em matéria tributária”7. Nesse sentido, os atos normativos sob comento são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento da legislação tributária. Os atos administrativos invocados pelo Recorrente não desempenham tal função, restringindo-se à definição de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veicularam, definições essas que, conforme já dito neste voto, podem até subsidiar o aplicador da legislação 6 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 7 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição, código tributário e à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 841. Fl. 2708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 23 tributária, mas sem vinculá-lo, pois é à Administração tributária, ou a outras instâncias autorizadas por lei, que cabe a função de expedir atos “normativos” em matéria tributária. Nesse sentido, afasta-se a alegação do Recorrente de inexigibilidade dos acréscimos legais. VI. Impossibilidade de exigência de multa por erro de classificação fiscal. Reportando-se ao art. 76, inciso II, “a” da Lei nº 4.502/19648, que corresponde ao art. 567, inciso II, “a” do RIPI/2010, o Recorrente pleiteia o cancelamento da multa de ofício por ter agido de acordo com a interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa (acórdão CARF nº 9303-003.517, de 15/03/2016). Referida matéria foi julgada recentemente nesta 1ª Turma Ordinária, relativamente à mesma matéria destes autos, tendo prevalecido o seguinte entendimento: Exigência de multa em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. A Recorrente defende ser incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. Nesse ponto, a turma discordou do i. Relator em razão dos mesmos argumentos já mencionados no item anterior, a saber: antiguidade no posicionamento de classificação fiscal proveniente dos Comitês do CCA/OMA (1985/1986), porte da empresa, tipo de mercadoria e interesse tributário decorrente nos créditos. Assim, em que pese a menção aos Acórdãos: 02-02.89, de 28.01.2008, relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; 02-02.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto e 02-0.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, a turma entendeu que o cerne da questão está na harmonização dos códigos de classificação no âmbito da Convenção do SH de itens amplamente comercializados, sem que reste dúvidas quanto a sua correta classificação fiscal, assunto decidido internacionalmente desde a década de 80. Em outras palavras, a questão não deve ser analisada sob a luz da dúvida em relação à correta classificação fiscal. Afirmo que a correta classificação fiscal foi decidida desde a década de 80 por parte dos Comitês do CCA/OMA e que o Brasil, representado pela Receita Federal, participa de tais Comitês. A tentativa, por parte de quem quer que seja, de classificar os itens de forma conjunta para fins de aproveitamento de créditos deve ser rechaçada. 8 Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II - enquanto prevalecer o entendimento - aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; Fl. 2709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 24 O adquirente do produto é empresa representante da marca Coca-Cola e de outras bebidas conhecidas em diversos Estados da Federação, sendo inadmissível a falta de controle quanto aos códigos de mercadorias objeto do seu negócio principal que resultaram em créditos indevidos. Em resumo, a classificação fiscal para os itens dos concentrados vendidos em kits, deve ser feita de forma individualizada para cada item, sendo tal regra válida para todos os países signatários da Convenção do SH do CCA/OMA. Dessa forma, considera-se correta a imposição da multa de ofício para o caso dos autos. (Acórdão nº 3201-005.476, red. Leonardo Correia Lima Macedo, j. 17/06/2019) Referido acórdão restou ementado nos seguintes termos: MULTAS. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não se aplica o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 para exclusão das multas quando ficar claro que não havia dúvidas quanto à correta classificação fiscal em matéria decidida internacionalmente desde a década de 80. A interpretação fiscal não foi questionada, sendo os atos oriundos de autoridades sem competência para a classificação fiscal. O entendimento da 3ª Turma da CSRF referenciado pelo Recorrente no acórdão 9303-003.517 já foi reformado pela mesma turma, tendo-se em conta a súmula CARF nº 167, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DE PENALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 76, II, "A" DA LEI Nº 4.502/1964. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 167. A questão restou pacificada com a edição da Súmula CARF n° 167, aprovada pelo Pleno em 06/08/2021, com vigência a partir de 16/08/2021: O art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. Mantendo-se o entendimento supra, afasta-se a pretensão do Recorrente quanto à exclusão da multa de ofício. VII. Crédito. Produtos de limpeza. Fl. 2710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 25 Requer o Recorrente, ainda, o reconhecimento do direito de desconto de crédito do IPI nas aquisições de produtos de limpeza utilizados na assepsia e sanitização durante o processo produtivo, inclusive por exigências sanitárias, as quais, contudo, ele não identifica. Inobstante se tratar de produtos relevantes para o processo produtivo do Recorrente, há que se considerar que o direito a crédito do IPI não se pauta pelo critério da relevância ou essencialidade, mas pela subsunção dos insumos na conceituação de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, conceituação essa consolidada há bastante tempo, conforme Parecer Normativo (PN) CST nº. 65/1979, em que se definiu que a expressão "consumidos na produção" prevista no RIPI abrange o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas em ação direta do bem sobre o produto em fabricação. O inciso I do art. 164 do RIPI/2002 assim dispõe: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (g.n.) Conforme destacado pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, o Parecer Normativo CST nº 181, de 23/10/1974, dispôs, no seu item 13, que “não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento”, abrangendo “limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” Dessa forma, somente geram direito a crédito do IPI, além das matérias-primas, produtos intermediários strictu senso e material de embalagem, os produtos não contabilizados no Ativo Permanente consumidos no processo produtivo em contato físico direto com o bem em produção, hipótese essa que não alcança os produtos utilizados ou empregados na limpeza do parque industrial. O CARF já assentou esse entendimento, por unanimidade de votos, em outros processos do mesmo contribuinte destes autos, conforme se verifica dos excertos de ementas a seguir transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) Fl. 2711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 26 CRÉDITOS BÁSICOS. LEGISLAÇÃO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAL DE HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de higiene e limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames que serão utilizados na industrialização de refrigerantes. (Acórdão 3402-011.693, rel. Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, j. 20/03/2024) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza utilizados na fabricação de refrigerantes, apesar de constituírem uma despesa necessária para a produção, não integram efetivamente o produto final nem sofrem perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre este último, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. (Acórdão 3201-009.501, rel. Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, j. 24/11/2021) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. LEGISLAÇÃO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAL DE HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de higiene e limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames que serão utilizados na industrialização de refrigerantes. (Acórdão 9303-011.895, j. 13/09/2021) Nesse sentido, mantém-se a referida glosa de créditos. VIII. Débitos. Lançamento de Ofício. O Recorrente se contrapõe à afirmativa da DRJ de que ele não contestara os débitos apurados e inseridos na reconstituição fiscal promovida pela fiscalização, tendo alegado apenas que, uma vez reconhecidos os créditos pleiteados, eles seriam suficientes para compensação dos débitos apurados, motivo pelo qual se considerou não impugnada essa parte do lançamento de ofício. No Recurso Voluntário, ele reafirma a referida questão, aduzindo, ainda, que se trata de “débitos devidos em razão de notas fiscais de saída não escrituradas, matéria que não é Fl. 2712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.914 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.725940/2018-41 27 discutida no presente processo”, sendo, “portanto, descabida a afirmativa da decisão no sentido de que não teria sido impugnada”. Nesse sentido, por não influir na decisão tomada neste voto, essa questão não demanda maiores perscrutações. IX. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis Fl. 2713DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10380.908561/2018-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2017 a 31/03/2017 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Para se configurar alteração de critério jurídico, é necessário que, em algum momento no passado, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. ATOS NORMATIVOS. NATUREZA JURÍDICA. Os atos normativos considerados como normas complementares são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento das leis, tratados e decretos em matéria tributária, não abarcando os atos administrativos definidores de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veiculam. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se na apuração do crédito ficto a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito do imposto os insumos ou produtos intermediários que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida, situação em que não se enquadram os produtos utilizados na limpeza do parque industrial.
Numero da decisão: 3201-011.922
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.915, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10380.908083/2017-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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INOCORRÊNCIA. Para se configurar alteração de critério jurídico, é necessário que, em algum momento no passado, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. ATOS NORMATIVOS. NATUREZA JURÍDICA. Os atos normativos considerados como normas complementares são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento das leis, tratados e decretos em matéria tributária, não abarcando os atos administrativos definidores de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veiculam. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Fl. 1520DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 2 Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se na apuração do crédito ficto a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito do imposto os insumos ou produtos intermediários que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida, situação em que não se enquadram os produtos utilizados na limpeza do parque industrial. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.915, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10380.908083/2017-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Fl. 1521DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 3 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) em que se julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem em que se indeferira o Pedido de Ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em razão da glosa de créditos, e, por conseguinte, não se homologara a compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a reforma do despacho decisório, com o reconhecimento integral do crédito pleiteado e, consequentemente, a homologação total da compensação declarada, aduzindo o seguinte: a) os créditos de IPI tiveram origem, precipuamente, na aquisição de concentrados para produção de bebidas não alcóolicas, fabricados pela empresa Recofarma, sediada na Zona Franca de Manaus (ZFM), empregados na fabricação de refrigerantes, sendo beneficiados por duas isenções, a saber: a primeira, cujo direito ao crédito fora reconhecido em mandado de segurança transitado em julgado, decorrente do art. 81, II, do RIPI/2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967, e a segunda do art. 95, inciso III, do mesmo RIPI/2010 (base legal: art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975), dado tratar-se de insumos elaborados com matéria-prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; b) direito ao desconto de crédito nas aquisições de concentrados para bebidas não alcoólicas e de produtos de limpeza utilizados no processo produtivo de refrigerantes; c) relação direta deste processo com o de auto de infração, uma vez que, em ambos, se discutem as mesmas glosas, razão pela qual eventual decisão naquele processo deve ser observada nestes autos, uma vez que o destino da compensação está vinculado ao que for decidido no processo do lançamento de ofício; d) alteração de critério jurídico (art. 146 do CTN), pois a fiscalização, em revisões anteriores, tendo a mesma pessoa jurídica como requerente, já havia concluído acerca da natureza dos concentrados no mesmo sentido do adotado nestes autos pelo contribuinte; e) inocorrência de responsabilidade do requerente (terceiro adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do produto; f) a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto no 435/92, impõe que está correta a classificação fiscal do concentrado para bebidas não alcoólicas na posição 2106.90.10 EX. 01 da TIPI; Fl. 1522DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 4 g) a Suframa tem competência para efetuar a classificação fiscal do produto beneficiado produzido conforme PPB (Processo Produtivo Básico) definido em Portaria Interministerial, porque somente com a respectiva classificação fiscal é possível identificar o produto beneficiado para fins de IPI (arts. 1º, 4, I, c do Anexo I do Decreto nº 1.139/2010 e 10, 13, 15 e 23, todos da Resolução do CAS nº 202/2006); h) ilegalidade do despacho decisório por falta de provas, uma vez que o laudo técnico utilizado se refere a fatos geradores de outro período de apuração; i) impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária, tendo em vista o disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN. O acórdão da DRJ denegatório do pedido restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: (...) CRÉDITO INDEVIDO NA AQUISIÇÃO DE “KITS” DE PRODUTOS ISENTOS DO IPI, UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE BEBIDAS. É ilegítimo o crédito do IPI calculado como se devido fosse na aquisição de “kits” de produtos isentos do referido imposto, utilizados na elaboração de bebidas, mediante adoção de alíquota incorreta, decorrente de classificação fiscal equivocada em código único da Tabela de Incidência do IPI, próprio para concentrados, em detrimento da classificação correta, individualizada, em relação a cada um dos componentes dos “kits”. SUPERINTENDÊNCIA DA ZONA FRANCA DE MANAUS (SUFRAMA). SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIAS. A competência da Suframa no âmbito dos benefícios próprios da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental não exclui a competência da Receita Federal em matéria de classificação fiscal de produtos, para formalizar exigência do IPI, decorrente de glosa de créditos indevidos. CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: (...) ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO INDEVIDA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O lançamento de ofício baseado em entendimento distinto daquele que usualmente adota o sujeito passivo, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária, não caracteriza modificação no critério Fl. 1523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 5 jurídico adotado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil no exercício do lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que se indeferiu o Pedido de Ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em razão da glosa de créditos, e, por conseguinte, não se homologou a compensação declarada. No Recurso Voluntário, o Recorrente solicitou somente que, nestes autos, se considerassem “todos os argumentos apresentados no recurso voluntário interposto no PA nº 10480.725940/2018-41” (...) e que ambos os processos fossem reunidos para que o julgamento em 2ª instância ocorresse simultaneamente. Como ambos os processos se encontram em julgamento na mesma sessão, reproduz-se, na sequência, o mesmo voto adotado no processo nº 10480.725940/2018-41. Segundo a fiscalização, a maior parte dos créditos do IPI escriturados pelo Recorrente refere-se aos chamados “kits” contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 2202, além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., que adotara, na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM), a classificação fiscal 2106.90.10, código Ex 01, sem destaque do imposto nas respectivas nas notas fiscais, por entender aplicável a isenção. A fiscalização promoveu a reclassificação fiscal da mercadoria por considerar que, na verdade, estar-se-ia diante, não de um produto único (concentrado), mas de uma mistura de componentes que são misturados Fl. 1524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 6 em etapa realizada dentro do estabelecimento do engarrafador, em que os ingredientes são diluídos em xarope simples ou água, tendo-se por caracterizada, assim, uma operação de transformação, definida no art. 4º, inciso I, do RIPI/2010, cujo resultado é uma preparação conhecida como xarope composto que se classifica na posição NCM 2106.90.10. Feitas essas considerações, passa-se à análise dos argumentos do recurso. I. Crédito ficto. Isenção. Arbitramento. De início, o Recorrente alega que os concentrados adquiridos da Recofarma são beneficiados por duas isenções com direito a crédito ficto do IPI, a saber: a primeira decorrente do art. 81, II, do RIPI/2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967, e a segunda do art. 95, inciso III, do mesmo RIPI/2010, base legal: art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975. Segundo ele, o crédito de IPI reclamado encontrava-se previsto no art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975, direito esse reconhecido pelo julgador a quo, sendo que, no MSI nº 95.0008470-3, não se controverteu acerca desse fato. Na petição inicial do MSI nº 95.0008470-3, o Recorrente pleiteou o direito de manter o crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplicando-se a alíquota do imposto prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), vindo a constar da sentença da Justiça Federal no Ceará a concessão da ordem “para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar dos valores relativos ao IPI nas operações de aquisição do concentrado, ainda que essas operações sejam isentas do mesmo imposto na origem”, decisão essa mantida no TRF5, não tendo havido, contudo, definição judicial acerca da composição ou da natureza dos concentrados. Não se pode se esquecer, ainda, principalmente em razão de sua força vinculante, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, submetido à sistemática da repercussão geral, nos seguintes termos: "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". Entretanto, independentemente de ter havido reconhecimento de isenção pela fiscalização ou em ação judicial, ou, ainda, de previsão expressa na própria legislação, no presente caso, conforme se apurou no auto de infração, está-se diante de aquisições, em sua grande maioria, sujeitas à alíquota zero da TIPI, sendo esse o fundamento do não reconhecimento do direito ao crédito ficto do imposto. Fl. 1525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 7 Em relação à pequena parcela sujeita à alíquota de 5%, o Recorrente não se desincumbiu - dado tratar-se de um direito creditório - do ônus de discriminar e determinar o valor tributário dessas mercadorias, tendo sido alegado tratar-se de medida impraticável. Essa alegação de impossibilidade de discriminação dos diferentes itens que compõem o conjunto identificado como “concentrado” não se mostra verossímil, pois, na produção de cada componente do concentrado, têm-se os custos dos fatores de produção que podem ser extraídos destacadamente – salvo na hipótese de total ausência de controle da produção –, uma vez tratar-se de produtos contendo composição físico- química própria, que foram comercializados separadamente, ainda que em conjunto. Tendo havido provimento judicial transitado em julgado assegurando o direito a crédito na aquisição de produto isento, esse crédito precisa ser quantificado em função da alíquota a que estiver sujeito o produto, sendo que, diante da oposição do interessado à individualização dos diferentes componentes adquiridos, oposição essa relativa a um crédito que o beneficia, pretendeu-se transferir peremptoriamente à fiscalização referido ônus probatório, exigindo dela um arbitramento destituído das premissas básicas necessárias à apuração da natureza e da composição do produto, sem qualquer colaboração da parte beneficiária, contrariando o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ressalte-se que, de acordo com o inciso IV do art. 4º da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF)1, é dever do administrado “prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos”. Portanto, não merece guarida este tópico do Recurso Voluntário. II. Classificação fiscal do concentrado. O Recorrente argumenta que demonstrara que o produto objeto da autuação é um produto único, qual seja, concentrado para bebidas não alcóolicas da posição TIPI 2106.90.10 Ex 01, estando sua defesa em conformidade com a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, em que se estabeleceu o Processo Produtivo Básico (PPB) para projetos industriais da Zona Franca de Manaus (ZFM), bem como com a Resolução CAS nº 298/2007 e com outros atos administrativos da Suframa relativos à aprovação do projeto industrial da Recofarma. 1 Lei nº 9.784/1999 (...) Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 1526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 8 Ainda segundo ele, o “concentrado” previsto na referida portaria interministerial - portaria essa que é vinculatória para a Receita Federal e a Suframa - pode ser homogeneizado ou não homogeneizado, uma vez que tal ato estatuiu não ser obrigatória a etapa de homogeneização, tendo sido tais constatações referendadas no laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Firmada a premissa de se tratar de um concentrado, continua o Recorrente, a classificação fiscal correta, com base na Regra Geral de Interpretação nº 1 do Sistema Harmonizado (SH), é a da posição TIPI 2106.90.10 Ex 01 (posição mais específica). Contudo, a fiscalização demonstrou que o chamado “kit” era, na verdade, um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários distintos fornecidos pela Recofarma aos fabricantes de refrigerantes em embalagens separadas, havendo dentre eles, inclusive, substâncias na forma pura, como o benzoato de sódio e o ácido cítrico. Ainda de acordo com a fiscalização, bem como com a DRJ e a PGFN, o termo "preparações” dos Ex 01 e Ex 02 da posição TIPI 2106.90.10 refere-se a produtos já preparados, prontos para uso, o que as diferencia dos “concentrados”, estes vendidos separadamente e que serão misturados pelo adquirente dos insumos no processo final de fabricação do refrigerante. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. Não se pode ignorar que, na classificação fiscal de mercadorias, devem-se observar as Regras Gerais para Interpretação e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que se originam do entendimento firmado pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) ou Organização Mundial das Aduanas (OMA) a partir da análise técnica de dúvidas e questionamentos a ela submetidos. Na Regra 3b da NESH, inseriu-se a Nota Explicativa XI definindo que os “sortidos” não alcançavam as “mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas”, o que indica que o sistema deu tratamento próprio aos componentes separados vendidos em conjunto para fabricação de bebidas, componentes esses que deverão ser classificados de forma individualizada. Fl. 1527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 9 A classificação fiscal defendida pelo Recorrente cuida de “preparações compostas não alcóolicas” para preparação de refrigerantes, em que os componentes já se encontram misturados, dependendo apenas da diluição final, situação essa distinta daquela em que os componentes vendidos separadamente serão misturados somente no processo produtivo final do engarrafador. Nas notas explicativas da posição 2106 da NESH, as “preparações compostas” presentes na classificação fiscal defendida pelo Recorrente encontram-se definidas da seguinte forma: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), do tipo utilizado na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos (sumos) de fruta, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em consequência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, mesmo com adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também frequentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. (g.n.) Verifica-se do excerto supra que as “preparações compostas” da posição 2106 decorrem da mistura de diversas substâncias e contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida, mistura essa que dependerá apenas da diluição final para se caracterizar como bebida para consumo, inclusive doméstico. Referidas preparações compostas não são produzidas pelo fornecedor Recofarma, pois este comercializa componentes vendidos separadamente, ainda que em conjunto, vindo as referidas preparações compostas a ser fabricadas somente no ambiente produtivo do adquirente, havendo, portanto, especificidades técnicas que não podem ser ignoradas na classificação fiscal dessas mercadorias. É o próprio Sistema Harmonizado que assim definiu tais regras de classificação, não podendo atos administrativos da Suframa ou de outros órgãos e entidades estatais e paraestatais pretender alterá-las ou ignorá-las sob o argumento de se tratar de matéria técnica afeta a sua área de competência ou de administração. Fl. 1528DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 10 A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no acórdão nº 9303-006.987, de 14/06/2018, decidiu pela compatibilidade entre as atribuições administrativas da Suframa com a competência fiscalizatória da Receita Federal, verbis: CONFLITO DE COMPETÊNCIAS ENTRE A SUFRAMA E A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em conflito de competências entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia aprova os projetos dos fabricantes de concentrados para refrigerantes localizados na Amazônia Ocidental, cabendo ao Fisco analisar a legitimidade da utilização do benefício, verificando se foi atendida a exigência de emprego de matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, observando-se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). (g.n.) Inobstante o importante suporte que laudos e outros documentos de natureza técnica possam fornecer ao procedimento de classificação fiscal de mercadorias, não se pode ignorar que eles são utilizados apenas como subsídio, pois é o agente competente que definirá a classificação a partir das Regras Gerais para Interpretação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e não a partir de orientações advindas de outras fontes, ainda que de origem pública. Assim, para a fiscalização, tratando-se de componente de kit de uma matéria pura acondicionada em embalagem individual, ele deve ser classificado de forma individualizada, nos seguintes termos: “o código 2916.31.21, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de benzoato de sódio”, “o código 2916.19.11, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de sorbato de potássio”, “o código 2918.14.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de ácido cítrico” e “o código 2918.15.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de citrato de sódio”. Parte significativa da jurisprudência do CARF caminha nesse sentido, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 31/07/2013 a 31/12/2014 (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em Fl. 1529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 11 diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. (...) (Acórdão 3201-009.972, rel. Márcio Robson Costa, j. 22/11/2022) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2014 a 30/09/2018 (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero e no que concerne a matérias primas originárias da ZFM e da Amazônia Legal; glosam-se os créditos relativos a insumos adquiridos em desobediência aos requisitos legais (matérias-primas agrícolas, extrativas vegetais de produção regional e da fauna e flora regionais), sendo inaplicável a esses casos o RE nº 592.891/SP. (Acórdão 3301-013.805, red. Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, j. 27/02/2024) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação Fl. 1530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 12 composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se, na apuração do crédito ficto, a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. (...) (Acórdão 3201-006.669, rel. Hélcio Lafetá Reis, j. 17/03/2020) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 (...) PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da Fl. 1531DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 13 RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REFRIGERANTES. IPI. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. (Acórdão 3401-005.943, rel. Lázaro Antônio Souza Soares, j. 27/02/2019) Segundo o agente fiscal, “as únicas “partes” tributadas a alíquotas positivas adquiridas pela fiscalizada são aquelas classificadas no código 3302.10.00, próprio para preparação à base de mistura de substâncias odoríferas, cuja alíquota é de 5%”, sendo que a Recofarma se recusou a informar para a fiscalização o valor individual dos componentes de kits”, o que impediu o cálculo do valor do imposto oriundo de preparações enquadradas no código 3302.10.00, como se devido fosse. O Recorrente alegara, na primeira instância, que, quanto aos meses de janeiro a março de 2017, “deveria ter sido reconhecido crédito relativo às partes do concentrado classificadas pela Autoridade Fiscal na posição 2106.90.10, uma vez que Decreto nº 8.950, de 29.12.2016, que aprovou a nova TIPI, teria alterado a alíquota da referida posição de zero para 14%”, vindo a DRJ a destacar que, de fato, na publicação original constara a alíquota de 14% para o código, sendo que o erro veio a ser retificado no DOU de 30 de dezembro de 2016, Seção 1, voltando a constar alíquota zero. No Recurso Voluntário, o Recorrente argui que, diferentemente do afirmado no acórdão recorrido, a retificação do Decreto nº 8.950/2016 reduzindo a alíquota do imposto de 14% para zero somente foi publicada no DOU em 31/03/2017, encontrando-se vigente, portanto, a referida alíquota no período de janeiro a março de 2017, o que indica mais uma ilegalidade do auto de infração não passível de correção por parte do CARF. Contudo, em consulta ao referido Decreto na internet, 2 obtém-se a seguinte informação: Aprova a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI. (Publicado no Diário Oficial da União de 30 de dezembro de 2016, Seção 1) 2 Disponível em: <<https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/d8950.htm#anexo>> Acesso em 11/06/2024. Fl. 1532DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 14 RETIFICAÇÃO No Capítulo 21 da Seção IV da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI anexa ao Decreto nº 8.950, de 29 de dezembro de 2016, onde se lê: “NCM-DESCRIÇÃO-ALÍQUOTA (%) 2106.10.00 - Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas – 14 2106.90 – Outras - 2106.90.10 - Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas - 14 Leia-se: “NCM-DESCRIÇÃO-ALÍQUOTA (%) 2106.10.00--Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas 2106.90--Outras- 2106.90.10-Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas - 0 Assim, constata-se haver razão à DRJ quanto à retificação da alíquota. Por outro lado, o Recorrente alega que, com a redução da alíquota de 20% para 4% para os produtos classificados no código 2106.90.10 Ex 01, promovida por meio do Decreto nº 9.394/2018, a Receita Federal pretendeu reduzir os créditos fictos decorrentes de aquisições de insumos isentos (concentrados) oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM) e, por decorrência, aumentar a arrecadação tributária, o que tornava inconteste que o produto por ele adquirido é aquele previsto na referida posição da TIPI. Segundo ele, a interpretação autêntica do Decreto nº 9.394/2018 formulada pela própria Receita Federal é vinculante, inclusive para o CARF, por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 62 do seu Regimento Interno. No entanto, mesmo que se admita a existência da alegada “interpretação autêntica” da Receita Federal, não se pode ignorar que, nas manifestações daquele órgão identificadas pelo Recorrente, fez-se referência aos produtos classificados no código TIPI 2106.90.10 Ex 01 mas sem identificá-los. Nesse código, conforme já dito, classificam-se os concentrados já misturados, dependentes apenas da diluição final a se realizar no ambiente produtivo do adquirente, hipótese essa, conforme já dito exaustivamente neste voto, não coincidente com a sob análise nestes autos. O fato de a redução da alíquota de 20% para 4% ter como objetivo o aumento da arrecadação em nada altera a presente análise, pois, aqui, conforme já apontado, controverte-se sobre componentes vendidos Fl. 1533DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 15 separadamente, ainda que em uma operação conjunta, situação em que os argumentos do Recorrente não se ajustam. Nesse sentido, também não se acolhe a defesa do Recorrente quanto a essa matéria. III. Erro na classificação fiscal. Responsabilidade. O Recorrente alega que, por ausência de previsão na legislação de regência, ele não podia ser responsabilizado por erro na classificação indicada na nota fiscal emitida pelo fornecedor da mercadoria, conforme jurisprudência judicial e administrativa. Contudo, é dever da fiscalização verificar a correta classificação fiscal dos produtos, obrigação essa que, a princípio, perpassa eventual boa-fé do adquirente3, e, sendo a atividade fiscalizatória vinculante e obrigatória, ela independe da intenção do sujeito passivo, salvo nas hipóteses de agravamento ou qualificação da multa de ofício. O Recorrente alega que o RIPI 2002/2010 não determina a responsabilidade do adquirente na verificação da correta classificação fiscal adotada pelo fornecedor, no entanto, tal possibilidade não pode ser interpretada como um dado imutável, pois, uma vez demonstrado o erro na classificação fiscal constante do documento, a fiscalização tem o poder-dever de ajustá-la às normas jurídicas correspondentes, sob pena de violação do art. 142 do CTN4, conforme já decidiu, recentemente, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em processo do mesmo contribuinte destes autos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013 APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. NOTA FISCAL. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. LEI 4.502/1964, ART. 62. A leitura do art. 62 da Lei no 4.502/1964 demanda ponderação. Quando o dispositivo legal se refere à necessidade de verificar se os produtos “estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares”, está-se a exigir do adquirente que verifique não só requisitos formais, mas a substância do documento, 3 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 4 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1534DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 16 mormente quando de tal substância pode decorrer (ou não) crédito incentivado condicionado a características do fornecedor e da classificação da mercadoria ou enquadramento em “Ex Tarifário”, como nas aquisições isentas no âmbito da Zona Franca de Manaus, à luz do RE no 592.891/SP. Acórdão 9303-015.038, rel. Rosaldo Trevisan, j. 10/04/2024) A 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF também já decidiu no mesmo sentido, conforme se verifica das ementas mais recentes a seguir transcritas: RESPONSABILIDADE PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL INDICADA NAS NOTAS FISCAIS DOS KITS. BOA-FÉ DO ADQUIRENTE. O art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boa-fé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. A boa-fé do adquirente é sempre levada em conta na graduação da multa de ofício aplicável, pois caso fosse constatada a intenção do Recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequência da sua conduta, pois incidiria na previsão de multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. (Acórdão nº 3401-007.043 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 23/10/2019) AUTUAÇÃO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE PASSIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN: Artigo 136). É legítima a sujeição passiva de estabelecimento em autuação que teve por objeto a glosa de créditos de IPI tidos como indevido pela fiscalização em razão de possível erro de classificação fiscal. (Acórdão nº 3402-006.589 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/05/2019) Conforme se verifica dos excertos transcritos acima, a 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF já alterou o entendimento externado nos acórdãos nº 3401- 003.751 e 3401-003.838, citados pelo Recorrente, o que desfavorece, indubitavelmente, a defesa quanto a essa matéria. Além disso, as decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) referenciadas pelo Recorrente não têm conexão direta com a controvérsia destes autos, pois que cuidaram de matérias julgadas no âmbito da competência tributária dos Estados e relativas ao ICMS, este regido pela Lei Complementar nº 87/1996. Afasta-se, também, o recurso voluntário quanto a este item. IV. Alteração de critério jurídico. Fl. 1535DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 17 Alegando violação ao art. 146 do CTN,5 o Recorrente argumenta ter havido, no lançamento de ofício sob comento, alteração de critério jurídico, pelo fato de que, segundo ele, o Fisco chancelara a revisão de lançamentos sujeitos à homologação anteriores relativamente à mesma matéria. De pronto, deve-se destacar que o Recorrente faz uma alegação genérica acerca de um posicionamento anterior da fiscalização quanto à classificação fiscal do mesmo produto, posicionamento esse que a impediria de aplicar nova interpretação da norma jurídica tributária a fatos ocorridos anteriormente à sua introdução, não indicando em que situação isso se dera e nem em que momento, alegação essa que se mostra, portanto, desprovida de lastro probatório. Neste tópico, o Recorrente se ampara em acórdão do CARF (3401-002.537) cujo entendimento já foi superado na mesma turma de julgamento (1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção), verbis: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O fato de uma classificação fiscal não ter sofrido reclassificação em procedimentos anteriores não implica sua aceitação pelo Fisco de forma expressa, a ponto de vincular a Administração Tributária. Para que haja mudança de critério jurídico, é necessário que, em algum momento, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. (Acórdão nº 3401-007.043, de 23/10/2019) NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. (Acórdão nº 3401- 006.879, de 24/09/2019) Nesse contexto, nada há de irregular no lançamento de ofício quanto a essa questão. V. Exigência de multa, juros e correção monetária. Amparando-se no art. 100, parágrafo único, do CTN6, o Recorrente pleiteia a exclusão da multa, dos juros de mora e de correção monetária, alegando 5 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 6 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 1536DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 18 observância de atos normativos, a saber: a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, em que se estabeleceu o Processo Produtivo Básico (PPB) para projetos industriais da Zona Franca de Manaus (ZFM), bem como com a Resolução CAS nº 298/2007 e com outros atos administrativos da Suframa relativos à aprovação do projeto industrial da Recofarma. No entanto, o inciso I do art. 100 do CTN faz referência a atos “normativos”, cuja característica básica é a veiculação de um comando abstrato e geral de explicitação das leis e dos decretos e não a definição de um processo produtivo ou a aprovação de um determinado projeto industrial. “Os atos administrativos normativos a que se refere o CTN são, basicamente, as instruções normativas e as portarias, bastante utilizadas em matéria tributária”7. Nesse sentido, os atos normativos sob comento são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento da legislação tributária. Os atos administrativos invocados pelo Recorrente não desempenham tal função, restringindo-se à definição de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veicularam, definições essas que, conforme já dito neste voto, podem até subsidiar o aplicador da legislação tributária, mas sem vinculá-lo, pois é à Administração tributária, ou a outras instâncias autorizadas por lei, que cabe a função de expedir atos “normativos” em matéria tributária. Nesse sentido, afasta-se a alegação do Recorrente de inexigibilidade dos acréscimos legais. VI. Impossibilidade de exigência de multa por erro de classificação fiscal. Reportando-se ao art. 76, inciso II, “a” da Lei nº 4.502/1964 8 , que corresponde ao art. 567, inciso II, “a” do RIPI/2010, o Recorrente pleiteia o cancelamento da multa de ofício por ter agido de acordo com a interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa (acórdão CARF nº 9303-003.517, de 15/03/2016). Referida matéria foi julgada recentemente nesta 1ª Turma Ordinária, relativamente à mesma matéria destes autos, tendo prevalecido o seguinte entendimento: Exigência de multa em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. 7 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição, código tributário e à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 841. 8 Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II - enquanto prevalecer o entendimento - aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; Fl. 1537DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 19 A Recorrente defende ser incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. Nesse ponto, a turma discordou do i. Relator em razão dos mesmos argumentos já mencionados no item anterior, a saber: antiguidade no posicionamento de classificação fiscal proveniente dos Comitês do CCA/OMA (1985/1986), porte da empresa, tipo de mercadoria e interesse tributário decorrente nos créditos. Assim, em que pese a menção aos Acórdãos: 02-02.89, de 28.01.2008, relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; 02-02.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto e 02-0.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, a turma entendeu que o cerne da questão está na harmonização dos códigos de classificação no âmbito da Convenção do SH de itens amplamente comercializados, sem que reste dúvidas quanto a sua correta classificação fiscal, assunto decidido internacionalmente desde a década de 80. Em outras palavras, a questão não deve ser analisada sob a luz da dúvida em relação à correta classificação fiscal. Afirmo que a correta classificação fiscal foi decidida desde a década de 80 por parte dos Comitês do CCA/OMA e que o Brasil, representado pela Receita Federal, participa de tais Comitês. A tentativa, por parte de quem quer que seja, de classificar os itens de forma conjunta para fins de aproveitamento de créditos deve ser rechaçada. O adquirente do produto é empresa representante da marca Coca-Cola e de outras bebidas conhecidas em diversos Estados da Federação, sendo inadmissível a falta de controle quanto aos códigos de mercadorias objeto do seu negócio principal que resultaram em créditos indevidos. Em resumo, a classificação fiscal para os itens dos concentrados vendidos em kits, deve ser feita de forma individualizada para cada item, sendo tal regra válida para todos os países signatários da Convenção do SH do CCA/OMA. Dessa forma, considera-se correta a imposição da multa de ofício para o caso dos autos. (Acórdão nº 3201-005.476, red. Leonardo Correia Lima Macedo, j. 17/06/2019) Referido acórdão restou ementado nos seguintes termos: MULTAS. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não se aplica o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 para exclusão das multas quando ficar claro que não havia dúvidas quanto à correta classificação fiscal em matéria decidida internacionalmente desde a década de 80. A interpretação fiscal não foi questionada, sendo os atos oriundos de autoridades sem competência para a classificação fiscal. Fl. 1538DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 20 O entendimento da 3ª Turma da CSRF referenciado pelo Recorrente no acórdão 9303-003.517 já foi reformado pela mesma turma, tendo-se em conta a súmula CARF nº 167, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DE PENALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 76, II, "A" DA LEI Nº 4.502/1964. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 167. A questão restou pacificada com a edição da Súmula CARF n° 167, aprovada pelo Pleno em 06/08/2021, com vigência a partir de 16/08/2021: O art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. Mantendo-se o entendimento supra, afasta-se a pretensão do Recorrente quanto à exclusão da multa de ofício. VII. Crédito. Produtos de limpeza. Requer o Recorrente, ainda, o reconhecimento do direito de desconto de crédito do IPI nas aquisições de produtos de limpeza utilizados na assepsia e sanitização durante o processo produtivo, inclusive por exigências sanitárias, as quais, contudo, ele não identifica. Inobstante se tratar de produtos relevantes para o processo produtivo do Recorrente, há que se considerar que o direito a crédito do IPI não se pauta pelo critério da relevância ou essencialidade, mas pela subsunção dos insumos na conceituação de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, conceituação essa consolidada há bastante tempo, conforme Parecer Normativo (PN) CST nº. 65/1979, em que se definiu que a expressão "consumidos na produção" prevista no RIPI abrange o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas em ação direta do bem sobre o produto em fabricação. O inciso I do art. 164 do RIPI/2002 assim dispõe: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias- primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (g.n.) Conforme destacado pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, o Parecer Normativo CST nº 181, de 23/10/1974, dispôs, no seu item 13, que Fl. 1539DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 21 “não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento”, abrangendo “limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” Dessa forma, somente geram direito a crédito do IPI, além das matérias- primas, produtos intermediários strictu senso e material de embalagem, os produtos não contabilizados no Ativo Permanente consumidos no processo produtivo em contato físico direto com o bem em produção, hipótese essa que não alcança os produtos utilizados ou empregados na limpeza do parque industrial. O CARF já assentou esse entendimento, por unanimidade de votos, em outros processos do mesmo contribuinte destes autos, conforme se verifica dos excertos de ementas a seguir transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) CRÉDITOS BÁSICOS. LEGISLAÇÃO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAL DE HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de higiene e limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames que serão utilizados na industrialização de refrigerantes. (Acórdão 3402-011.693, rel. Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, j. 20/03/2024) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza utilizados na fabricação de refrigerantes, apesar de constituírem uma despesa necessária para a produção, não integram efetivamente o produto final nem sofrem perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre este último, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. (Acórdão 3201-009.501, rel. Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, j. 24/11/2021) Fl. 1540DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 22 [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. LEGISLAÇÃO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAL DE HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de higiene e limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames que serão utilizados na industrialização de refrigerantes. (Acórdão 9303-011.895, j. 13/09/2021) Nesse sentido, mantém-se a referida glosa de créditos. VIII. Débitos. Lançamento de Ofício. O Recorrente se contrapõe à afirmativa da DRJ de que ele não contestara os débitos apurados e inseridos na reconstituição fiscal promovida pela fiscalização, tendo alegado apenas que, uma vez reconhecidos os créditos pleiteados, eles seriam suficientes para compensação dos débitos apurados, motivo pelo qual se considerou não impugnada essa parte do lançamento de ofício. No Recurso Voluntário, ele reafirma a referida questão, aduzindo, ainda, que se trata de “débitos devidos em razão de notas fiscais de saída não escrituradas, matéria que não é discutida no presente processo”, sendo, “portanto, descabida a afirmativa da decisão no sentido de que não teria sido impugnada”. Nesse sentido, por não influir na decisão tomada neste voto, essa questão não demanda maiores perscrutações. IX. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por negar provimento ao Recurso Voluntário. Tendo-se em conta a decisão supra, bem como o fato de que, nestes autos, se controverte sobre pedido de ressarcimento indeferido e de declaração de compensação não homologada em decorrência da reconstituição da escrita fiscal que acarretou a lavratura do auto de infração no processo nº 10480.725940/2018-41, vota-se, aqui, no mesmo sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 1541DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.922 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908561/2018-12 23 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 1542DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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9119859 #
Numero do processo: 10111.720279/2017-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 31 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 30/08/2012 a 12/09/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO O Laudo técnico é prescindível quando existam elementos de prova suficientes nos autos para se efetuar a identificação da mercadoria.
Numero da decisão: 3201-009.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. O conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima acompanhou pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Carlos Delson Santiago (suplente convocado).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis

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AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO O Laudo técnico é prescindível quando existam elementos de prova suficientes nos autos para se efetuar a identificação da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. O conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima acompanhou pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Carlos Delson Santiago (suplente convocado). Relatório Tratam-se de Embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 3201-005.609, proferido em 22/08/2019, que cuidou de Recurso de Ofício e Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 02 79 /2 01 7- 02 Fl. 1195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.543 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10111.720279/2017-02 O auto de infração foi relativo à exigência de crédito tributário da diferença de Imposto de Importação, multa de ofício, multa por erro de classificação fiscal e acréscimos legais, tendo a fiscalização considerado que houve erro na classificação fiscal utilizada pelo importador para as mercadorias das Declarações de Importação (DI), o que teria resultado em recolhimento a menor dos tributos incidentes nas respectivas operações de importação. A mercadoria foi assim descrita nas referidas DI: “Equipamento multifuncional de radionavegação por sistema de posicionamento global via satélite (GPS), com capacidade de reprodução de áudio e vídeo, sintonização de rádio AM/FM, USB 2.0, intercomunicação com aparelhos de telefonia celular através de tecnologia bluetooth e leitor de CD/DVD, destinado a instalação em veículos e automóveis.” Registrou a fiscalização que o importador utilizou para os equipamentos, conhecidos como “Centrais Multimídia Automotivas” de modelos MAVN-100JMBR, MTX8925LMEU e MTXT700JMBR, o código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC), específico para aparelhos de radionavegação, quando o certo, por se tratar de equipamento multifuncional que desempenha uma gama variada de funções, entre elas, a radionavegação, seria o código 8528.72.00: NCM 8528.7: - Aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens: NCM 8528.72.00: - - Outros, a cores (policromo) A DRJ, ao analisar a impugnação, votou pela sua procedência parcial para “DECLARAR A NULIDADE, por vício formal, de parte dos lançamentos correspondentes ao Imposto de Importação, de forma a exonerar a parcela do crédito tributário no valor total de R$ 14.289.597,88, mais os respectivos acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), referentes às Declarações de Importação indicadas ao final do voto do relator;”. A decisão final no Acórdão CARF foi pelo parcial provimento, por maioria de votos, ao recurso voluntário e negar provimento, por unanimidade, ao recurso de ofício. Os conselheiros vencidos votaram pelo provimento total do recurso voluntário: Pelo exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte apenas para (i) alterar a fundamentação e conclusão do voto proferido pela DRJ de modo a reconhecer que o cancelamento de parte da exigência fiscal se deve por vício material incorrido pela Fiscalização e (ii) afastar o agravamento da multa de ofício. Quanto ao Recurso de Ofício, voto por NEGAR PROVIMENTO. E na ementa constou o seguinte: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 30/08/2012 a 12/09/2014 NULIDADE. VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Fl. 1196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.543 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10111.720279/2017-02 Não é nula a decisão que manifesta-se de forma discordante acerca de provas e alegações apresentadas pelo Contribuinte. NULIDADE. PROVA TÉCNICA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESNECESSIDADE. A atividade de classificação fiscal prescinde de prova técnica quando todos os elementos do produto são conhecidos. REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. É legítimo o procedimento de revisão aduaneira quando, no desembaraço, são examinados apenas os aspectos formais das declarações prestadas pelo contribuinte, sem a verificação física das mercadorias. Trata-se da hipótese prevista nos arts. 147 e 150 do CTN, quando a Fiscalização efetua a revisão dos dados prestados pelo contribuinte, dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL INADEQUADA AO PRODUTO EXAMINADO. Quando fiscalização utiliza-se de premissa equivocada para efetuar a reclassificação fiscal, adotando NCM inaplicável ao produto, incorre em vício material, sendo, portanto, hipótese de cancelamento do lançamento, especialmente quando todos os fatos já eram conhecidos no momento da autuação fiscal. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT MULTIMÍDIA PARA VEÍCULOS. MULTIPLICIDADE DE FUNÇÕES. PREPONDERÂNCIA. RGI 3C. Comprovado, mediante exame dos manuais técnicos dos produtos, que este possui múltipla funções, sem que seja possível identificar uma que seja preponderante às demais, “classifica-se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração” (RGI 3c). Dentre as diversas funções identificadas pela Fiscalização, correta a eleição da NCM correspondente a aparelho receptor de TV, quando, no próprio manual técnico do produto, tal função é apresentada. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. ATENDIMENTO PARCIAL ÀS INTIMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. Verificado o atendimento das intimações pelo Contribuinte, ainda que de forma incompleta, afasta-se o agravamento da multa, mormente quando a ausência de determinados documentos ou esclarecimentos não impediu o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Fl. 1197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.543 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10111.720279/2017-02 A multa por classificação incorreta de mercadoria repercute no controle de fronteiras e regulação aduaneira, independentemente de caracterização ou não de dano ao erário por meio da subtração ou omissão de tributos devidos. Assim, a multa por classificação incorreta de mercadoria e a multa de ofício por ausência de recolhimento de tributo devido punem condutas distintas, inexistindo, portanto, bis in idem. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF Nº 108. “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” RECURSO DE OFÍCIO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. Constatado, pelo exame probatório dos autos, que o equipamento importado de múltiplas funções, sem preponderância, não possui a função indicada pela Fiscalização, é incorreta a reclassificação fiscal efetuada com fundamento na respectiva posição NCM, devendo ser cancelado o respectivo lançamento. Em seguida a contribuinte apresentou embargos de declaração, onde identificou os seguintes vícios: 1. Contradição e omissão quanto à prescindibilidade de apresentação de provas técnicas para fundamentar a reclassificação fiscal – imprecisão do fundamento quanto à suposta existência de motivação do lançamento; 2. Omissão e obscuridade quanto à desconsideração de características técnicas dos equipamentos importados – ausência de fundamentação quanto à correção do NCM. O exame de admissibilidade foi efetuado em 06/04/2020, onde conclui que: - quanto a contradição, a afirmação efetuada pela relatoria de que a classificação fiscal prescinde de substrato técnico, art. 30 do Decreto nº 70.235/72 é obscura, já que a fiscalização se baseou nos manuais técnicos disponibilizados pelo fabricante na internet; - não foi vislumbrada obscuridade. O acórdão atribuiu à embargante o ônus de demonstrar que a informação de inexistência de função de recepção de TV não constava do seu manual ou que teria havido erro de interpretação das informações. Ponderou que o laudo foi elaborado por funcionários da própria recorrente, sendo, portanto, unilateral e que a afirmação nele contida não estava amparada por qualquer comprovação. Apontou ainda que o laudo apresentado não negara a informação dos manuais dos usuários e recomendaria consultar o manual físico do veículo, o que não foi apresentado pela embargante; - a respeito da omissão e obscuridade quanto à desconsideração de características técnicas dos equipamentos, na realidade, a embargante se insurge quanto à valoração probatória realizada pelo colegiado, o que não é pressuposto ao manejo de embargos. Com base nas razões acima expostas, admito, parcialmente, os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para sanar a contradição alegada quanto à afirmação contida na decisão de que a classificação fiscal prescinde de substrato técnico e concluir que os manuais obtidos no sítio eletrônico da Hyundai suportavam a acusação fiscal. Encaminhe-se para novo sorteio e distribuição no âmbito desta turma, uma vez que a relatora original não mais compõe o quadro de conselheiros do CARF. Fl. 1198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-009.543 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10111.720279/2017-02 Em razão da relatora do acórdão embargado não mais compor o Colegiado, o processo foi a mim sorteado. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. A análise da tempestividade dos embargos foi efetuada no exame de admissibilidade, pelo que a acompanho. Como relatado a admissibilidade dos embargos ocorreu pela identificação de contradição no acórdão recorrido, considerando que a afirmação efetuada pela relatora de que a classificação fiscal prescinde de substrato técnico, art. 30 do Decreto nº 70.235/72, é obscura, já que a fiscalização se baseou nos manuais técnicos disponibilizados pelo fabricante na internet. Contradição e omissão quanto à prescindibilidade de apresentação de provas técnicas para fundamentar a reclassificação fiscal – imprecisão do fundamento quanto à suposta existência de motivação do lançamento A embargante alega contradição na decisão ao afirmar que a classificação fiscal prescinde de substrato técnico e ora se concluir que os manuais obtidos no sítio eletrônico da Hyundai (que, como se saber, são genéricos e se referem a versões posteriores a dos equipamentos autuados) teriam a descrição técnica suficiente para dar suporte à acusação. Afirma, ainda, que a decisão é obscura ao apresentar os motivos pelos quais acatou o argumento da fiscalização de que os manuais apresentariam o descritivo técnico dos produtos. O excerto tido como contraditório é o seguinte: “Inicialmente, há que se esclarecer que a atividade de classificação fiscal prescinde de substrato técnico (por exemplo, laudos periciais). É o que estabelece o §1º do art. 30 do Dec. 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo.” Entendo que a afirmação feita no acórdão é, de fato, obscura. Ao se referir ao §1º do artigo 30 do Decreto nº 70.235/72, a relatora, provavelmente, quis dizer que a atividade de classificação fiscal não é em si um aspecto técnico a ser definido em laudos periciais, por exemplo, mas sim um aspecto de interpretação das regras aduaneiras, especialmente as regras do Sistema Harmonizado. Contudo, a afirmação feita foi de que a classificação fiscal prescinde de substrato técnico, o que, no caso presente, foi justamente o contrário, pois a classificação fiscal realizada pela fiscalização baseou em aspectos técnicos dos manuais técnicos dos equipamentos disponibilizados pelo fabricante, conforme excerto abaixo: Fl. 1199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-009.543 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10111.720279/2017-02 “Assim, entendo que não houve erro de premissa pela Fiscalização. A autuação e a decisão da DRJ são bastante específicas quanto ao fato de que as informações foram extraídas dos manuais técnicos dos equipamentos disponibilizados pelo fabricante e a Contribuinte não é capaz de infirmar essa constatação fiscal.” A embargante apresenta os seguintes argumentos para justificar a necessidade embargos de declaração. Esclarece que a fiscalização reconhece que a classificação fiscal dos equipamentos depende da análise das características de cada uma das funcionalidades por eles desempenhadas, mas o lançamento foi fundamentado em manuais disponibilizados pelo fabricante no sítio eletrônico, defasados, que não fazem referência aos equipamentos autuados, apresentam conteúdo genérico e são referentes a outras versões, de modo que não poderiam dar suporte à reclassificação pretendida. Aduz que a fiscalização não apresentou qualquer prova técnica apta a dar suporte a reclassificação fiscal, sendo que a embargante trouxe argumentos robustos para evidenciar que o lançamento é nulo por ausência de motivação. Afirma que a decisão embargada foi contraditória e obscura, deixando de apresentar de forma clara os motivos pelos quais o NCM adotado pela Embargante não poderia prevalecer. Primeiro a decisão embargada foi categórica ao afirmar que a atividade de classificação fiscal prescinde de substrato técnico, por exemplo, laudos periciais, fundamenta-se no §1º, art. 30 do PAF. Em seguida afirma que entendeu a fiscalização que os manuais técnicos do produto apresentavam de forma clara o descritivo técnico do produto, e que não existiriam dúvidas a serem sanadas. Concluindo que não existe nulidade no procedimento de lançamento, mas, inconformismo quanto às conclusões obtidas. Conclui que a contradição reside no fato de ora se afirmar que a classificação prescinde de substrato técnico e ora se concluir que os manuais obtidos no sítio eletrônico da Hyundai teriam a descrição técnica suficiente para dar suporte à acusação. Tal fato é agravado por a empresa ter apresentado laudo técnico, que foi utilizado contrariamente ao seu conteúdo e mantida o posicionamento fiscal. Ou seja, em momento algum o acórdão embargado traz de forma precisa os motivos pelos quais entende que os referidos manuais, ainda que genéricos e relativos a versões distintas dos equipamentos autuados, seriam suficientes para embasar a reclassificação fiscal. O acórdão embargado traz as seguintes afirmações, principais, envolvendo a contradição apresentada: - a fiscalização entende que há uma multiplicidade de funções e pela impossibilidade de se apontar a função principal, utilizando a Regra RGI 3-c; - a contribuinte defende que o equipamento tem como função principal o GPS, já que todas as demais funções necessitam de peças adicionais; e que o laudo técnico demonstra Fl. 1200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-009.543 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10111.720279/2017-02 que os modelos não possuem função de receptores de televisão, sub-posição apresentada pela fiscalização; - afirma a voto que a multiplicidade de funções do equipamento importado é incontroversa; cabendo examinar se existe uma função primordial, e se seria essa a função de GPS. E se a função receptor de televisão é uma das funções existentes que levariam a aplicação da última posição (sic) aplicável, NCM 85.28.7); - quanto a alegação de nulidade por ausência de apreciação de provas, o acórdão embargado esclarece que: - a afirmação da DRJ que os equipamentos importados possuem função de recepção e sintonização de sinais de televisão não é mera presunção, foi retirada dos manuais dos produtos; - a ausência de exame da prova técnica apresentada foi motivada por ausência de valor probatório; - os argumentos apresentados que a contribuinte alegou que não foram considerados no acórdão de piso, não foram demonstrados quaisquer argumentos que pudessem alterar a convicção do julgador. Na análise sobre o argumento de que o lançamento não foi instruído com provas técnicas suficientes o acórdão embargado se posiciona: - Inicialmente, há que se esclarecer que a atividade de classificação fiscal prescinde de substrato técnico (por exemplo, laudos periciais). É o que estabelece o §1º do art. 30 do Dec. 70.235/72; - na hipótese dos autos, entendeu a Fiscalização que os manuais técnicos do produto apresentavam de forma clara o descritivo técnico do produto, e que não existiriam dúvidas a serem sanadas; - em sua defesa a empresa insiste no laudo técnico em que ao ser questionado se os aparelhos possuíam receptores para televisão respondeu que “nenhum equipamento radionavegador possui a função de recepção de televisão habilitada originalmente de fábrica”; - no voto a relatora entende que caberia à contribuinte demonstrar ou que esta informação, inexistência de função de recepção de TV, não consta do seu manual técnico, ou que se trataria de um erro de interpretação acerca das informações ali contidas; - afirma que não se nega a existência nos autos de documentos denominado “laudo técnico” emitido e assinado por funcionários da própria recorrente, mas a afirmação de caráter unilateral não está amparada por qualquer comprovação; O “laudo ténico” não nega a informação de que os manuais dos usuários utilizados pela Fiscalização apresentam tal funcionalidade, e, ao justificar tal menção, aduz que “Para receber orientações de uso específicas de um determinado modelo de equipamento, recomenda-se consultar o manual físico do veículo ou dirigir-se a uma concessionária autorizada”. Fl. 1201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-009.543 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10111.720279/2017-02 Já que dirigir-se a uma concessionária autorizada não é uma opção a ser considerada como instrumento de prova, então, no mínimo, se faria necessário que o Contribuinte apresentasse aos autos o manual físico do veículo. Às fls. 853 e seguintes, consta cópia de um manual relativo ao “mapa de navegação”, que seria, exatamente, a alegada função principal do equipamento. Tal manual, contudo, não possui qualquer identificação de fabricante ou mesmo da Contribuinte. Não se trata do “manual físico do veículo”, tampouco há identificação de que se trate do kit multimída examinado. Nesse aspecto, questiona-se: Por que a Contribuinte não apresentou aos autos o “manual físico do veículo” que, segundo seu próprio Laudo Técnico, seria capaz de comprovar a inexistência da função de recepção de TV nos equipamentos utilizados em seu veículo, contrariando o manual disponibilizado pelo fabricante? Se o equipamento possui ou não a função de recepção de TV, isso estaria claramente disposto no manual do veículo, já que se trata, evidentemente, de um aspecto intrinsecamente ligado à comercialização do veículo. Pelos excertos do voto trazidos acima verifica-se que houve utilização do laudo técnico apresentado pela empresa, entretanto tal lado, conforme foi constatado, padecia de algumas impropriedades. Primeiro as afirmações no laudo foram efetuadas por funcionários da empresa e desacompanhadas de documentos que dessem suporte às afirmações efetuadas. Em nenhum momento o laudo ou a empresa contradisseram o que estava descrito no manual do produto utilizado pela fiscalização. A única afirmação era de que se tratava de um manual genérico, mas em todas as instâncias de julgamento foi demonstrado que o conteúdo do manual foi suficiente para se decidir sobre a classificação fiscal dos produtos. A única afirmação no acórdão embargado que poderia dar margens a dúvidas é a que a relatora efetua sobre a atividade de fiscalização prescindir de substrato técnico e citar o §1º do art. 30 do Dec. 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo.” Entretanto pela leitura do voto como um todo, e não apenas pela leitura de partes separadas, pode-se verificar que o real significado de tal afirmação é ser o laudo técnico dispensável nos casos em que existam elementos suficientes para a identificação da mercadoria presentes nos autos. A empresa pode apresentar laudo técnico, como parte de suas argumentações, mas como afirmado no acórdão embargado, o laudo deve estar acompanhado de outros elementos de prova, já que ele, por si só, não é suficiente para confrontar outras informações constantes no processo e que não foram rechaçadas pela contribuinte. E também, a classificação fiscal de mercadorias não é aspecto técnico, é atividade jurídica e deve ser feita a partir de informações técnicas de um perito que informa quais são as Fl. 1202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-009.543 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10111.720279/2017-02 características e a composição da mercadoria; o especialista em classificação, então, deve classificar a mercadoria, seguindo as disposições do ordenamento jurídico. É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos).Essas duas categorias são frequentemente confundidas. O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função de, a partir de análise da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área(mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem, como já entendeu este colegiado unanimemente, por exemplo, nos Acórdãos no 3401- 005.287,de28/08/2018;3401004.454,de 22/03/2018;3401004.380,de26/02/2018;e3401- 003.775,de22/05/2017. (acórdão nº 3401-005.797 de 30/01/2019) Concluo que não houve contradição no acórdão embargado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos opostos pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Fl. 1203DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10380.908081/2017-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2015 a 30/06/2015 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Para se configurar alteração de critério jurídico, é necessário que, em algum momento no passado, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. ATOS NORMATIVOS. NATUREZA JURÍDICA. Os atos normativos considerados como normas complementares são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento das leis, tratados e decretos em matéria tributária, não abarcando os atos administrativos definidores de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veiculam. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se na apuração do crédito ficto a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito do imposto os insumos ou produtos intermediários que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida, situação em que não se enquadram os produtos utilizados na limpeza do parque industrial.
Numero da decisão: 3201-011.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.915, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10380.908083/2017-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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INOCORRÊNCIA. Para se configurar alteração de critério jurídico, é necessário que, em algum momento no passado, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. ATOS NORMATIVOS. NATUREZA JURÍDICA. Os atos normativos considerados como normas complementares são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento das leis, tratados e decretos em matéria tributária, não abarcando os atos administrativos definidores de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veiculam. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Fl. 1523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 2 Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se na apuração do crédito ficto a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito do imposto os insumos ou produtos intermediários que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida, situação em que não se enquadram os produtos utilizados na limpeza do parque industrial. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.915, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10380.908083/2017-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Fl. 1524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 3 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) em que se julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem em que se indeferira o Pedido de Ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em razão da glosa de créditos, e, por conseguinte, não se homologara a compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a reforma do despacho decisório, com o reconhecimento integral do crédito pleiteado e, consequentemente, a homologação total da compensação declarada, aduzindo o seguinte: a) os créditos de IPI tiveram origem, precipuamente, na aquisição de concentrados para produção de bebidas não alcóolicas, fabricados pela empresa Recofarma, sediada na Zona Franca de Manaus (ZFM), empregados na fabricação de refrigerantes, sendo beneficiados por duas isenções, a saber: a primeira, cujo direito ao crédito fora reconhecido em mandado de segurança transitado em julgado, decorrente do art. 81, II, do RIPI/2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967, e a segunda do art. 95, inciso III, do mesmo RIPI/2010 (base legal: art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975), dado tratar-se de insumos elaborados com matéria-prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; b) direito ao desconto de crédito nas aquisições de concentrados para bebidas não alcoólicas e de produtos de limpeza utilizados no processo produtivo de refrigerantes; c) relação direta deste processo com o de auto de infração, uma vez que, em ambos, se discutem as mesmas glosas, razão pela qual eventual decisão naquele processo deve ser observada nestes autos, uma vez que o destino da compensação está vinculado ao que for decidido no processo do lançamento de ofício; d) alteração de critério jurídico (art. 146 do CTN), pois a fiscalização, em revisões anteriores, tendo a mesma pessoa jurídica como requerente, já havia concluído acerca da natureza dos concentrados no mesmo sentido do adotado nestes autos pelo contribuinte; e) inocorrência de responsabilidade do requerente (terceiro adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do produto; f) a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto no 435/92, impõe que está correta a classificação fiscal do concentrado para bebidas não alcoólicas na posição 2106.90.10 EX. 01 da TIPI; Fl. 1525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 4 g) a Suframa tem competência para efetuar a classificação fiscal do produto beneficiado produzido conforme PPB (Processo Produtivo Básico) definido em Portaria Interministerial, porque somente com a respectiva classificação fiscal é possível identificar o produto beneficiado para fins de IPI (arts. 1º, 4, I, c do Anexo I do Decreto nº 1.139/2010 e 10, 13, 15 e 23, todos da Resolução do CAS nº 202/2006); h) ilegalidade do despacho decisório por falta de provas, uma vez que o laudo técnico utilizado se refere a fatos geradores de outro período de apuração; i) impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária, tendo em vista o disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN. O acórdão da DRJ denegatório do pedido restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: (...) CRÉDITO INDEVIDO NA AQUISIÇÃO DE “KITS” DE PRODUTOS ISENTOS DO IPI, UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE BEBIDAS. É ilegítimo o crédito do IPI calculado como se devido fosse na aquisição de “kits” de produtos isentos do referido imposto, utilizados na elaboração de bebidas, mediante adoção de alíquota incorreta, decorrente de classificação fiscal equivocada em código único da Tabela de Incidência do IPI, próprio para concentrados, em detrimento da classificação correta, individualizada, em relação a cada um dos componentes dos “kits”. SUPERINTENDÊNCIA DA ZONA FRANCA DE MANAUS (SUFRAMA). SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIAS. A competência da Suframa no âmbito dos benefícios próprios da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental não exclui a competência da Receita Federal em matéria de classificação fiscal de produtos, para formalizar exigência do IPI, decorrente de glosa de créditos indevidos. CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: (...) ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO INDEVIDA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O lançamento de ofício baseado em entendimento distinto daquele que usualmente adota o sujeito passivo, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária, não caracteriza modificação no critério Fl. 1526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 5 jurídico adotado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil no exercício do lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que se indeferiu o Pedido de Ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em razão da glosa de créditos, e, por conseguinte, não se homologou a compensação declarada. No Recurso Voluntário, o Recorrente solicitou somente que, nestes autos, se considerassem “todos os argumentos apresentados no recurso voluntário interposto no PA nº 10480.725940/2018-41” (...) e que ambos os processos fossem reunidos para que o julgamento em 2ª instância ocorresse simultaneamente. Como ambos os processos se encontram em julgamento na mesma sessão, reproduz-se, na sequência, o mesmo voto adotado no processo nº 10480.725940/2018-41. Segundo a fiscalização, a maior parte dos créditos do IPI escriturados pelo Recorrente refere-se aos chamados “kits” contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 2202, além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., que adotara, na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM), a classificação fiscal 2106.90.10, código Ex 01, sem destaque do imposto nas respectivas nas notas fiscais, por entender aplicável a isenção. A fiscalização promoveu a reclassificação fiscal da mercadoria por considerar que, na verdade, estar-se-ia diante, não de um produto único (concentrado), mas de uma mistura de componentes que são misturados Fl. 1527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 6 em etapa realizada dentro do estabelecimento do engarrafador, em que os ingredientes são diluídos em xarope simples ou água, tendo-se por caracterizada, assim, uma operação de transformação, definida no art. 4º, inciso I, do RIPI/2010, cujo resultado é uma preparação conhecida como xarope composto que se classifica na posição NCM 2106.90.10. Feitas essas considerações, passa-se à análise dos argumentos do recurso. I. Crédito ficto. Isenção. Arbitramento. De início, o Recorrente alega que os concentrados adquiridos da Recofarma são beneficiados por duas isenções com direito a crédito ficto do IPI, a saber: a primeira decorrente do art. 81, II, do RIPI/2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967, e a segunda do art. 95, inciso III, do mesmo RIPI/2010, base legal: art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975. Segundo ele, o crédito de IPI reclamado encontrava-se previsto no art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/1975, direito esse reconhecido pelo julgador a quo, sendo que, no MSI nº 95.0008470-3, não se controverteu acerca desse fato. Na petição inicial do MSI nº 95.0008470-3, o Recorrente pleiteou o direito de manter o crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplicando-se a alíquota do imposto prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), vindo a constar da sentença da Justiça Federal no Ceará a concessão da ordem “para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar dos valores relativos ao IPI nas operações de aquisição do concentrado, ainda que essas operações sejam isentas do mesmo imposto na origem”, decisão essa mantida no TRF5, não tendo havido, contudo, definição judicial acerca da composição ou da natureza dos concentrados. Não se pode se esquecer, ainda, principalmente em razão de sua força vinculante, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, submetido à sistemática da repercussão geral, nos seguintes termos: "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". Entretanto, independentemente de ter havido reconhecimento de isenção pela fiscalização ou em ação judicial, ou, ainda, de previsão expressa na própria legislação, no presente caso, conforme se apurou no auto de infração, está-se diante de aquisições, em sua grande maioria, sujeitas à alíquota zero da TIPI, sendo esse o fundamento do não reconhecimento do direito ao crédito ficto do imposto. Fl. 1528DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 7 Em relação à pequena parcela sujeita à alíquota de 5%, o Recorrente não se desincumbiu - dado tratar-se de um direito creditório - do ônus de discriminar e determinar o valor tributário dessas mercadorias, tendo sido alegado tratar-se de medida impraticável. Essa alegação de impossibilidade de discriminação dos diferentes itens que compõem o conjunto identificado como “concentrado” não se mostra verossímil, pois, na produção de cada componente do concentrado, têm-se os custos dos fatores de produção que podem ser extraídos destacadamente – salvo na hipótese de total ausência de controle da produção –, uma vez tratar-se de produtos contendo composição físico- química própria, que foram comercializados separadamente, ainda que em conjunto. Tendo havido provimento judicial transitado em julgado assegurando o direito a crédito na aquisição de produto isento, esse crédito precisa ser quantificado em função da alíquota a que estiver sujeito o produto, sendo que, diante da oposição do interessado à individualização dos diferentes componentes adquiridos, oposição essa relativa a um crédito que o beneficia, pretendeu-se transferir peremptoriamente à fiscalização referido ônus probatório, exigindo dela um arbitramento destituído das premissas básicas necessárias à apuração da natureza e da composição do produto, sem qualquer colaboração da parte beneficiária, contrariando o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ressalte-se que, de acordo com o inciso IV do art. 4º da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF)1, é dever do administrado “prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos”. Portanto, não merece guarida este tópico do Recurso Voluntário. II. Classificação fiscal do concentrado. O Recorrente argumenta que demonstrara que o produto objeto da autuação é um produto único, qual seja, concentrado para bebidas não alcóolicas da posição TIPI 2106.90.10 Ex 01, estando sua defesa em conformidade com a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, em que se estabeleceu o Processo Produtivo Básico (PPB) para projetos industriais da Zona Franca de Manaus (ZFM), bem como com a Resolução CAS nº 298/2007 e com outros atos administrativos da Suframa relativos à aprovação do projeto industrial da Recofarma. 1 Lei nº 9.784/1999 (...) Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 1529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 8 Ainda segundo ele, o “concentrado” previsto na referida portaria interministerial - portaria essa que é vinculatória para a Receita Federal e a Suframa - pode ser homogeneizado ou não homogeneizado, uma vez que tal ato estatuiu não ser obrigatória a etapa de homogeneização, tendo sido tais constatações referendadas no laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Firmada a premissa de se tratar de um concentrado, continua o Recorrente, a classificação fiscal correta, com base na Regra Geral de Interpretação nº 1 do Sistema Harmonizado (SH), é a da posição TIPI 2106.90.10 Ex 01 (posição mais específica). Contudo, a fiscalização demonstrou que o chamado “kit” era, na verdade, um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários distintos fornecidos pela Recofarma aos fabricantes de refrigerantes em embalagens separadas, havendo dentre eles, inclusive, substâncias na forma pura, como o benzoato de sódio e o ácido cítrico. Ainda de acordo com a fiscalização, bem como com a DRJ e a PGFN, o termo "preparações” dos Ex 01 e Ex 02 da posição TIPI 2106.90.10 refere-se a produtos já preparados, prontos para uso, o que as diferencia dos “concentrados”, estes vendidos separadamente e que serão misturados pelo adquirente dos insumos no processo final de fabricação do refrigerante. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. Não se pode ignorar que, na classificação fiscal de mercadorias, devem-se observar as Regras Gerais para Interpretação e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que se originam do entendimento firmado pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) ou Organização Mundial das Aduanas (OMA) a partir da análise técnica de dúvidas e questionamentos a ela submetidos. Na Regra 3b da NESH, inseriu-se a Nota Explicativa XI definindo que os “sortidos” não alcançavam as “mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas”, o que indica que o sistema deu tratamento próprio aos componentes separados vendidos em conjunto para fabricação de bebidas, componentes esses que deverão ser classificados de forma individualizada. Fl. 1530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 9 A classificação fiscal defendida pelo Recorrente cuida de “preparações compostas não alcóolicas” para preparação de refrigerantes, em que os componentes já se encontram misturados, dependendo apenas da diluição final, situação essa distinta daquela em que os componentes vendidos separadamente serão misturados somente no processo produtivo final do engarrafador. Nas notas explicativas da posição 2106 da NESH, as “preparações compostas” presentes na classificação fiscal defendida pelo Recorrente encontram-se definidas da seguinte forma: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), do tipo utilizado na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos (sumos) de fruta, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em consequência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, mesmo com adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também frequentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. (g.n.) Verifica-se do excerto supra que as “preparações compostas” da posição 2106 decorrem da mistura de diversas substâncias e contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida, mistura essa que dependerá apenas da diluição final para se caracterizar como bebida para consumo, inclusive doméstico. Referidas preparações compostas não são produzidas pelo fornecedor Recofarma, pois este comercializa componentes vendidos separadamente, ainda que em conjunto, vindo as referidas preparações compostas a ser fabricadas somente no ambiente produtivo do adquirente, havendo, portanto, especificidades técnicas que não podem ser ignoradas na classificação fiscal dessas mercadorias. É o próprio Sistema Harmonizado que assim definiu tais regras de classificação, não podendo atos administrativos da Suframa ou de outros órgãos e entidades estatais e paraestatais pretender alterá-las ou ignorá-las sob o argumento de se tratar de matéria técnica afeta a sua área de competência ou de administração. Fl. 1531DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 10 A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no acórdão nº 9303-006.987, de 14/06/2018, decidiu pela compatibilidade entre as atribuições administrativas da Suframa com a competência fiscalizatória da Receita Federal, verbis: CONFLITO DE COMPETÊNCIAS ENTRE A SUFRAMA E A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em conflito de competências entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia aprova os projetos dos fabricantes de concentrados para refrigerantes localizados na Amazônia Ocidental, cabendo ao Fisco analisar a legitimidade da utilização do benefício, verificando se foi atendida a exigência de emprego de matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, observando-se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). (g.n.) Inobstante o importante suporte que laudos e outros documentos de natureza técnica possam fornecer ao procedimento de classificação fiscal de mercadorias, não se pode ignorar que eles são utilizados apenas como subsídio, pois é o agente competente que definirá a classificação a partir das Regras Gerais para Interpretação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e não a partir de orientações advindas de outras fontes, ainda que de origem pública. Assim, para a fiscalização, tratando-se de componente de kit de uma matéria pura acondicionada em embalagem individual, ele deve ser classificado de forma individualizada, nos seguintes termos: “o código 2916.31.21, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de benzoato de sódio”, “o código 2916.19.11, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de sorbato de potássio”, “o código 2918.14.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de ácido cítrico” e “o código 2918.15.00, tributado à alíquota zero, é próprio para partes compostas exclusivamente de citrato de sódio”. Parte significativa da jurisprudência do CARF caminha nesse sentido, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 31/07/2013 a 31/12/2014 (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em Fl. 1532DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 11 diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. (...) (Acórdão 3201-009.972, rel. Márcio Robson Costa, j. 22/11/2022) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2014 a 30/09/2018 (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero e no que concerne a matérias primas originárias da ZFM e da Amazônia Legal; glosam-se os créditos relativos a insumos adquiridos em desobediência aos requisitos legais (matérias-primas agrícolas, extrativas vegetais de produção regional e da fauna e flora regionais), sendo inaplicável a esses casos o RE nº 592.891/SP. (Acórdão 3301-013.805, red. Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, j. 27/02/2024) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. KITS CONCENTRADOS. INSUMOS. PRODUTOS DISTINTOS. Os chamados “kits concentrados” para refrigerantes, dada a sua natureza de produtos vendidos separadamente, ainda que em conjunto, não podem ser classificados em código único como se fossem uma preparação Fl. 1533DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 12 composta, pois cada um dos produtos vendidos conjuntamente tem sua classificação fiscal individualizada. CRÉDITO FICTO. ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Mesmo na hipótese de aquisição isenta de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), aplica-se, na apuração do crédito ficto, a alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Constatado que a decisão judicial transitada em julgado se restringe ao reconhecimento da isenção dos produtos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM), inexiste vinculação quanto à classificação fiscal e à apuração da alíquota aplicável no cálculo do crédito ficto. CRÉDITO. INDIVIDUALIZAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO. Para fins de classificação fiscal e apuração do crédito, o produto adquirido deve estar devidamente individualizado, com identificação da quantidade e do valor correspondentes. (...) (Acórdão 3201-006.669, rel. Hélcio Lafetá Reis, j. 17/03/2020) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 (...) PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da Fl. 1534DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 13 RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REFRIGERANTES. IPI. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. (Acórdão 3401-005.943, rel. Lázaro Antônio Souza Soares, j. 27/02/2019) Segundo o agente fiscal, “as únicas “partes” tributadas a alíquotas positivas adquiridas pela fiscalizada são aquelas classificadas no código 3302.10.00, próprio para preparação à base de mistura de substâncias odoríferas, cuja alíquota é de 5%”, sendo que a Recofarma se recusou a informar para a fiscalização o valor individual dos componentes de kits”, o que impediu o cálculo do valor do imposto oriundo de preparações enquadradas no código 3302.10.00, como se devido fosse. O Recorrente alegara, na primeira instância, que, quanto aos meses de janeiro a março de 2017, “deveria ter sido reconhecido crédito relativo às partes do concentrado classificadas pela Autoridade Fiscal na posição 2106.90.10, uma vez que Decreto nº 8.950, de 29.12.2016, que aprovou a nova TIPI, teria alterado a alíquota da referida posição de zero para 14%”, vindo a DRJ a destacar que, de fato, na publicação original constara a alíquota de 14% para o código, sendo que o erro veio a ser retificado no DOU de 30 de dezembro de 2016, Seção 1, voltando a constar alíquota zero. No Recurso Voluntário, o Recorrente argui que, diferentemente do afirmado no acórdão recorrido, a retificação do Decreto nº 8.950/2016 reduzindo a alíquota do imposto de 14% para zero somente foi publicada no DOU em 31/03/2017, encontrando-se vigente, portanto, a referida alíquota no período de janeiro a março de 2017, o que indica mais uma ilegalidade do auto de infração não passível de correção por parte do CARF. Contudo, em consulta ao referido Decreto na internet, 2 obtém-se a seguinte informação: Aprova a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI. (Publicado no Diário Oficial da União de 30 de dezembro de 2016, Seção 1) 2 Disponível em: <<https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/d8950.htm#anexo>> Acesso em 11/06/2024. Fl. 1535DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 14 RETIFICAÇÃO No Capítulo 21 da Seção IV da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI anexa ao Decreto nº 8.950, de 29 de dezembro de 2016, onde se lê: “NCM-DESCRIÇÃO-ALÍQUOTA (%) 2106.10.00 - Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas – 14 2106.90 – Outras - 2106.90.10 - Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas - 14 Leia-se: “NCM-DESCRIÇÃO-ALÍQUOTA (%) 2106.10.00--Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas 2106.90--Outras- 2106.90.10-Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas - 0 Assim, constata-se haver razão à DRJ quanto à retificação da alíquota. Por outro lado, o Recorrente alega que, com a redução da alíquota de 20% para 4% para os produtos classificados no código 2106.90.10 Ex 01, promovida por meio do Decreto nº 9.394/2018, a Receita Federal pretendeu reduzir os créditos fictos decorrentes de aquisições de insumos isentos (concentrados) oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM) e, por decorrência, aumentar a arrecadação tributária, o que tornava inconteste que o produto por ele adquirido é aquele previsto na referida posição da TIPI. Segundo ele, a interpretação autêntica do Decreto nº 9.394/2018 formulada pela própria Receita Federal é vinculante, inclusive para o CARF, por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 62 do seu Regimento Interno. No entanto, mesmo que se admita a existência da alegada “interpretação autêntica” da Receita Federal, não se pode ignorar que, nas manifestações daquele órgão identificadas pelo Recorrente, fez-se referência aos produtos classificados no código TIPI 2106.90.10 Ex 01 mas sem identificá-los. Nesse código, conforme já dito, classificam-se os concentrados já misturados, dependentes apenas da diluição final a se realizar no ambiente produtivo do adquirente, hipótese essa, conforme já dito exaustivamente neste voto, não coincidente com a sob análise nestes autos. O fato de a redução da alíquota de 20% para 4% ter como objetivo o aumento da arrecadação em nada altera a presente análise, pois, aqui, conforme já apontado, controverte-se sobre componentes vendidos Fl. 1536DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 15 separadamente, ainda que em uma operação conjunta, situação em que os argumentos do Recorrente não se ajustam. Nesse sentido, também não se acolhe a defesa do Recorrente quanto a essa matéria. III. Erro na classificação fiscal. Responsabilidade. O Recorrente alega que, por ausência de previsão na legislação de regência, ele não podia ser responsabilizado por erro na classificação indicada na nota fiscal emitida pelo fornecedor da mercadoria, conforme jurisprudência judicial e administrativa. Contudo, é dever da fiscalização verificar a correta classificação fiscal dos produtos, obrigação essa que, a princípio, perpassa eventual boa-fé do adquirente3, e, sendo a atividade fiscalizatória vinculante e obrigatória, ela independe da intenção do sujeito passivo, salvo nas hipóteses de agravamento ou qualificação da multa de ofício. O Recorrente alega que o RIPI 2002/2010 não determina a responsabilidade do adquirente na verificação da correta classificação fiscal adotada pelo fornecedor, no entanto, tal possibilidade não pode ser interpretada como um dado imutável, pois, uma vez demonstrado o erro na classificação fiscal constante do documento, a fiscalização tem o poder-dever de ajustá-la às normas jurídicas correspondentes, sob pena de violação do art. 142 do CTN4, conforme já decidiu, recentemente, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em processo do mesmo contribuinte destes autos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013 APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. NOTA FISCAL. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. LEI 4.502/1964, ART. 62. A leitura do art. 62 da Lei no 4.502/1964 demanda ponderação. Quando o dispositivo legal se refere à necessidade de verificar se os produtos “estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares”, está-se a exigir do adquirente que verifique não só requisitos formais, mas a substância do documento, 3 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 4 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1537DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 16 mormente quando de tal substância pode decorrer (ou não) crédito incentivado condicionado a características do fornecedor e da classificação da mercadoria ou enquadramento em “Ex Tarifário”, como nas aquisições isentas no âmbito da Zona Franca de Manaus, à luz do RE no 592.891/SP. Acórdão 9303-015.038, rel. Rosaldo Trevisan, j. 10/04/2024) A 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF também já decidiu no mesmo sentido, conforme se verifica das ementas mais recentes a seguir transcritas: RESPONSABILIDADE PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL INDICADA NAS NOTAS FISCAIS DOS KITS. BOA-FÉ DO ADQUIRENTE. O art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boa-fé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. A boa-fé do adquirente é sempre levada em conta na graduação da multa de ofício aplicável, pois caso fosse constatada a intenção do Recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequência da sua conduta, pois incidiria na previsão de multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. (Acórdão nº 3401-007.043 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 23/10/2019) AUTUAÇÃO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE PASSIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN: Artigo 136). É legítima a sujeição passiva de estabelecimento em autuação que teve por objeto a glosa de créditos de IPI tidos como indevido pela fiscalização em razão de possível erro de classificação fiscal. (Acórdão nº 3402-006.589 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/05/2019) Conforme se verifica dos excertos transcritos acima, a 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF já alterou o entendimento externado nos acórdãos nº 3401- 003.751 e 3401-003.838, citados pelo Recorrente, o que desfavorece, indubitavelmente, a defesa quanto a essa matéria. Além disso, as decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) referenciadas pelo Recorrente não têm conexão direta com a controvérsia destes autos, pois que cuidaram de matérias julgadas no âmbito da competência tributária dos Estados e relativas ao ICMS, este regido pela Lei Complementar nº 87/1996. Afasta-se, também, o recurso voluntário quanto a este item. IV. Alteração de critério jurídico. Fl. 1538DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 17 Alegando violação ao art. 146 do CTN,5 o Recorrente argumenta ter havido, no lançamento de ofício sob comento, alteração de critério jurídico, pelo fato de que, segundo ele, o Fisco chancelara a revisão de lançamentos sujeitos à homologação anteriores relativamente à mesma matéria. De pronto, deve-se destacar que o Recorrente faz uma alegação genérica acerca de um posicionamento anterior da fiscalização quanto à classificação fiscal do mesmo produto, posicionamento esse que a impediria de aplicar nova interpretação da norma jurídica tributária a fatos ocorridos anteriormente à sua introdução, não indicando em que situação isso se dera e nem em que momento, alegação essa que se mostra, portanto, desprovida de lastro probatório. Neste tópico, o Recorrente se ampara em acórdão do CARF (3401-002.537) cujo entendimento já foi superado na mesma turma de julgamento (1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção), verbis: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O fato de uma classificação fiscal não ter sofrido reclassificação em procedimentos anteriores não implica sua aceitação pelo Fisco de forma expressa, a ponto de vincular a Administração Tributária. Para que haja mudança de critério jurídico, é necessário que, em algum momento, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. (Acórdão nº 3401-007.043, de 23/10/2019) NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. (Acórdão nº 3401- 006.879, de 24/09/2019) Nesse contexto, nada há de irregular no lançamento de ofício quanto a essa questão. V. Exigência de multa, juros e correção monetária. Amparando-se no art. 100, parágrafo único, do CTN6, o Recorrente pleiteia a exclusão da multa, dos juros de mora e de correção monetária, alegando 5 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 6 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 1539DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 18 observância de atos normativos, a saber: a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998, em que se estabeleceu o Processo Produtivo Básico (PPB) para projetos industriais da Zona Franca de Manaus (ZFM), bem como com a Resolução CAS nº 298/2007 e com outros atos administrativos da Suframa relativos à aprovação do projeto industrial da Recofarma. No entanto, o inciso I do art. 100 do CTN faz referência a atos “normativos”, cuja característica básica é a veiculação de um comando abstrato e geral de explicitação das leis e dos decretos e não a definição de um processo produtivo ou a aprovação de um determinado projeto industrial. “Os atos administrativos normativos a que se refere o CTN são, basicamente, as instruções normativas e as portarias, bastante utilizadas em matéria tributária”7. Nesse sentido, os atos normativos sob comento são aqueles destinados a explicitar os comandos legais, de maneira a favorecer o fiel cumprimento da legislação tributária. Os atos administrativos invocados pelo Recorrente não desempenham tal função, restringindo-se à definição de critérios técnicos na área de atuação dos órgãos e instituições que os veicularam, definições essas que, conforme já dito neste voto, podem até subsidiar o aplicador da legislação tributária, mas sem vinculá-lo, pois é à Administração tributária, ou a outras instâncias autorizadas por lei, que cabe a função de expedir atos “normativos” em matéria tributária. Nesse sentido, afasta-se a alegação do Recorrente de inexigibilidade dos acréscimos legais. VI. Impossibilidade de exigência de multa por erro de classificação fiscal. Reportando-se ao art. 76, inciso II, “a” da Lei nº 4.502/1964 8 , que corresponde ao art. 567, inciso II, “a” do RIPI/2010, o Recorrente pleiteia o cancelamento da multa de ofício por ter agido de acordo com a interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa (acórdão CARF nº 9303-003.517, de 15/03/2016). Referida matéria foi julgada recentemente nesta 1ª Turma Ordinária, relativamente à mesma matéria destes autos, tendo prevalecido o seguinte entendimento: Exigência de multa em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. 7 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição, código tributário e à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 841. 8 Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II - enquanto prevalecer o entendimento - aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; Fl. 1540DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 19 A Recorrente defende ser incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. Nesse ponto, a turma discordou do i. Relator em razão dos mesmos argumentos já mencionados no item anterior, a saber: antiguidade no posicionamento de classificação fiscal proveniente dos Comitês do CCA/OMA (1985/1986), porte da empresa, tipo de mercadoria e interesse tributário decorrente nos créditos. Assim, em que pese a menção aos Acórdãos: 02-02.89, de 28.01.2008, relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; 02-02.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto e 02-0.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, a turma entendeu que o cerne da questão está na harmonização dos códigos de classificação no âmbito da Convenção do SH de itens amplamente comercializados, sem que reste dúvidas quanto a sua correta classificação fiscal, assunto decidido internacionalmente desde a década de 80. Em outras palavras, a questão não deve ser analisada sob a luz da dúvida em relação à correta classificação fiscal. Afirmo que a correta classificação fiscal foi decidida desde a década de 80 por parte dos Comitês do CCA/OMA e que o Brasil, representado pela Receita Federal, participa de tais Comitês. A tentativa, por parte de quem quer que seja, de classificar os itens de forma conjunta para fins de aproveitamento de créditos deve ser rechaçada. O adquirente do produto é empresa representante da marca Coca-Cola e de outras bebidas conhecidas em diversos Estados da Federação, sendo inadmissível a falta de controle quanto aos códigos de mercadorias objeto do seu negócio principal que resultaram em créditos indevidos. Em resumo, a classificação fiscal para os itens dos concentrados vendidos em kits, deve ser feita de forma individualizada para cada item, sendo tal regra válida para todos os países signatários da Convenção do SH do CCA/OMA. Dessa forma, considera-se correta a imposição da multa de ofício para o caso dos autos. (Acórdão nº 3201-005.476, red. Leonardo Correia Lima Macedo, j. 17/06/2019) Referido acórdão restou ementado nos seguintes termos: MULTAS. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não se aplica o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 para exclusão das multas quando ficar claro que não havia dúvidas quanto à correta classificação fiscal em matéria decidida internacionalmente desde a década de 80. A interpretação fiscal não foi questionada, sendo os atos oriundos de autoridades sem competência para a classificação fiscal. Fl. 1541DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 20 O entendimento da 3ª Turma da CSRF referenciado pelo Recorrente no acórdão 9303-003.517 já foi reformado pela mesma turma, tendo-se em conta a súmula CARF nº 167, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DE PENALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 76, II, "A" DA LEI Nº 4.502/1964. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 167. A questão restou pacificada com a edição da Súmula CARF n° 167, aprovada pelo Pleno em 06/08/2021, com vigência a partir de 16/08/2021: O art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. Mantendo-se o entendimento supra, afasta-se a pretensão do Recorrente quanto à exclusão da multa de ofício. VII. Crédito. Produtos de limpeza. Requer o Recorrente, ainda, o reconhecimento do direito de desconto de crédito do IPI nas aquisições de produtos de limpeza utilizados na assepsia e sanitização durante o processo produtivo, inclusive por exigências sanitárias, as quais, contudo, ele não identifica. Inobstante se tratar de produtos relevantes para o processo produtivo do Recorrente, há que se considerar que o direito a crédito do IPI não se pauta pelo critério da relevância ou essencialidade, mas pela subsunção dos insumos na conceituação de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, conceituação essa consolidada há bastante tempo, conforme Parecer Normativo (PN) CST nº. 65/1979, em que se definiu que a expressão "consumidos na produção" prevista no RIPI abrange o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas em ação direta do bem sobre o produto em fabricação. O inciso I do art. 164 do RIPI/2002 assim dispõe: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias- primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (g.n.) Conforme destacado pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, o Parecer Normativo CST nº 181, de 23/10/1974, dispôs, no seu item 13, que Fl. 1542DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 21 “não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento”, abrangendo “limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” Dessa forma, somente geram direito a crédito do IPI, além das matérias- primas, produtos intermediários strictu senso e material de embalagem, os produtos não contabilizados no Ativo Permanente consumidos no processo produtivo em contato físico direto com o bem em produção, hipótese essa que não alcança os produtos utilizados ou empregados na limpeza do parque industrial. O CARF já assentou esse entendimento, por unanimidade de votos, em outros processos do mesmo contribuinte destes autos, conforme se verifica dos excertos de ementas a seguir transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) CRÉDITOS BÁSICOS. LEGISLAÇÃO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAL DE HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de higiene e limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames que serão utilizados na industrialização de refrigerantes. (Acórdão 3402-011.693, rel. Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, j. 20/03/2024) [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza utilizados na fabricação de refrigerantes, apesar de constituírem uma despesa necessária para a produção, não integram efetivamente o produto final nem sofrem perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre este último, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. (Acórdão 3201-009.501, rel. Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, j. 24/11/2021) Fl. 1543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 22 [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. LEGISLAÇÃO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAL DE HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de higiene e limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames que serão utilizados na industrialização de refrigerantes. (Acórdão 9303-011.895, j. 13/09/2021) Nesse sentido, mantém-se a referida glosa de créditos. VIII. Débitos. Lançamento de Ofício. O Recorrente se contrapõe à afirmativa da DRJ de que ele não contestara os débitos apurados e inseridos na reconstituição fiscal promovida pela fiscalização, tendo alegado apenas que, uma vez reconhecidos os créditos pleiteados, eles seriam suficientes para compensação dos débitos apurados, motivo pelo qual se considerou não impugnada essa parte do lançamento de ofício. No Recurso Voluntário, ele reafirma a referida questão, aduzindo, ainda, que se trata de “débitos devidos em razão de notas fiscais de saída não escrituradas, matéria que não é discutida no presente processo”, sendo, “portanto, descabida a afirmativa da decisão no sentido de que não teria sido impugnada”. Nesse sentido, por não influir na decisão tomada neste voto, essa questão não demanda maiores perscrutações. IX. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por negar provimento ao Recurso Voluntário. Tendo-se em conta a decisão supra, bem como o fato de que, nestes autos, se controverte sobre pedido de ressarcimento indeferido e de declaração de compensação não homologada em decorrência da reconstituição da escrita fiscal que acarretou a lavratura do auto de infração no processo nº 10480.725940/2018-41, vota-se, aqui, no mesmo sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 1544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.916 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.908081/2017-71 23 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 1545DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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