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Numero do processo: 19647.011786/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA - NULIDADE - NÃO OCORRÊNCIA.
É facultado à autoridade julgadora indeferir a solicitação de perícia, quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Não ocorrendo o pedido na forma do estabelecido no art. 16, IV, §1º do Decreto 70.235/75 não há que se falar em nulidade do auto de infração.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA - ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96.
Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA NULIDADE NÃO OCORRÊNCIA. É facultado à autoridade julgadora indeferir a solicitação de perícia, quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Não ocorrendo o pedido na forma do estabelecido no art. 16, IV, §1º do Decreto 70.235/75 não há que se falar em nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 17 86 /2 00 6- 17 Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.167 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) – Fiscalização nº 04.1.01.002005000662 (fl. 01) e seu Complementar nº 04.1.01.0020050006621 (fl. 02), iniciouse a ação fiscal referente aos anoscalendário 2001 e 2002, a fim de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Em 02/02/05, o recorrente foi intimado, mediante Termo de Início de Fiscalização (fls. 1517), a apresentar: a) as Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física referentes aos anoscalendário 2001 e 2002; b) extratos bancários das contas correntes, das contas poupanças e das contas de investimento mantidas nos anoscalendário 2001 e 2002; c) comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias mantidas nos anos calendário 2001 e 2002; d) especificar, apresentando documentação comprobatória, a natureza da(s) atividade(s) profissional(ai) e/ou ato(s) negocial(ais) que ensejou(ram) os depósitos efetuados nas contas bancárias mantidas nos anoscalendário 2001 e 2002; e) cópia, autenticada pela instituição financeira, da ficha cadastral de cada uma das contas bancárias mantidas nos anoscalendário 2001 e 2002 (ou declaração, por escrito, prestada pela mesma instituição financeira), na qual contasse a informação de ter havido ou não, naqueles anos, co titular(es) da conta bancário. Em caso afirmativo, deveriam estar identificado(s), na citada documentação, o nome o número do CPF do(s) outro(s) titular(es) da conta bancária; f) caso tivesse(m) sido outorgada(s) procuração(ões) a terceiro(s) para fins de movimentação das contas bancárias mantidas nos anoscalendário 2001 e 2005, apresentasse cópia(s) da(s) mesma(s) autenticada(s) pela instituição financeira. Em que pese o pedido de prorrogação de prazo do contribuinte (fl. 19), não houve atendimento à intimação. Em 30/03/05, o recorrente foi reintimado a apresentar os documentos e informações solicitadas (fls. 1518), novamente sem resposta. Diante da omissão do recorrente em atender aos termos de intimação fiscal, foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) ao Banco Bradesco (fl. 583), para que fornecesse os documentos e informações anteriormente solicitadas Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 e não fornecidas pelo contribuinte. Consta atendimento ao RMF às fls. 585589, contendo extratos da conta corrente e de poupança mantidas sob a titularidade do contribuinte nos anos calendário 2001 e 2002. Após ciência ao contribuinte da continuidade da ação fiscal (fls. 26, 33), e de pedido de prorrogação de prazo (fls. 2829), o recorrente apresentou em 20/07/05 e em 01/08/05 alguns documentos (fls. 37 90, 911008, 111199, 202272, 109110). Após uma série de pedidos de prorrogação de prazo (fls. 501, 504, 508), o contribuinte apresentou em 31/10/05 (fls. 509517) esclarecimentos acompanhados de uma relação referente a cheques que teriam sido emitidos por ele, nos anoscalendário 2001 e 2002, para pagamento de mercadorias a fornecedores. Na oportunidade foi solicitada nova prorrogação de prazo. Desta forma, a fiscalização intimou o recorrente, em 06/02/06, para que identificasse os referidos fornecedores, informasse, por escrito, a razão social, o número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e o endereço completo dos mesmos (fls. 524). Não houve atendimento por parte do contribuinte. Diante da inércia do contribuinte em apresentar a documentação comprobatória da origem dos recursos depositados em conta bancária sob sua titularidade, a fiscalização procedeu com a elaboração de demonstrativos de “Depósitos Bancários a Comprovar a Origem” (fls. 528566). Desta feita, o contribuinte foi intimado (fls. 526527), em 16/02/06, a apresentar documentação comprobatória hábil e idônea da origem dos recursos relacionados nos demonstrativos de “Depósitos Bancários a Comprovar Origem”. Em 20/07/06, o contribuinte foi novamente intimado a apresentar os documentos e informações anteriormente solicitados e a apresentar outros documentos específicos. Em 28/11/05 foi expedida nova RMF ao Banco Bradesco (fl. 590) para que fosse fornecido os documentos bancários solicitados e não apresentados pelo contribuinte, restando atendida a solicitação às fls. 595599 e 602661. Com base nos documentos apresentados pelo contribuinte e pelo Banco Bradesco S/A, foram realizadas diligências junto aos supostos fornecedores do recorrente. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal, “as pessoas físicas identificadas nos comprovantes encaminhados a esta Repartição pelo Banco Bradesco S/A, referentes a lançamentos efetuados a crédito, e as pessoas físicas e jurídicas identificadas nas cópias dos cheques apresentadas anteriormente pelo contribuinte, emitidos contra a conta bancária mantida sob a titularidade do mesmo, nos anoscalendário 2001 e 2002, no total de 46 (quarenta e seis), foram intimadas (fls. 662799 e 802961) a informar, por escrito, apresentando documentação comprobatória, a natureza do ato negocial e/ou atividade profissional realizada que ensejou o(s) crédito(s) na conta bancária do contribuinte (fls. 595 599 e 602661) e/ou o recebimento de cheque(s) emitidos por meio dessa conta (fls. 91199, 202272, 277399, 402500), bem como informar por escrito, sobre a pessoa ou empresa com quem a operação foi tratada. Caso as operações não tivessem sido realizadas com o contribuinte mais sim por meio de outras pessoas ou empresas, as mesmas deveriam ser identificadas.” (fl. 974). Assim, a fiscalização encerrou o procedimento fiscal e procedeu à lavratura do auto de infração. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.168 5 2 Auto de Infração Com base na documentação recolhida e no resultado das diligências realizadas junto a pessoas físicas e jurídicas, a fiscalização decidiu lavrar o Auto de Infração (fls. 0510) imputando infração por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, nos anoscalendário 2001 e 2002, com crédito tributário apurado de R$ 2.583.587,28, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 9931004), esgrimindo, em síntese, os seguintes argumentos: a) praticou operações de intermediação de compra e venda de mercadoria entre terceiros, sendo grande parte dos aportes relacionados a valores que os compradores de mercadorias entregavam a ele para a aquisição se desse por seu intermédio, não devendo tais valores ser compreendidos como receitas omitidas da tributação. Tais operações foram amplamente comprovadas por meio de documentação anexa aos autos; b) houve quebra do sigilo bancário para obtenção de informações e documentos junto a instituições bancárias sem autorização judicial, sendo ilegítimo o procedimento que culminou no lançamento de oficio do crédito tributário; c) o mero trânsito de recursos financeiros, mediante depósitos bancários do contribuinte, não serve para comprovar omissão de receita sujeita à tributação do Imposto de Renda; d) postulou a realização de perícia contábil com o objetivo de se apurar os verdadeiros valores a serem tributados. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 2ª Turma da DRJ/REC, que acordou, por unanimidade, pela procedência do Auto de Infração (fls. 10131039), mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Os fundamentos foram os seguintes: a) há previsão legal para omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo; b) nos casos de presunção legal, o ônus da prova é do contribuinte, cabendo lhe comprovar a origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários; c) é lícito à autoridade fiscal, independente de autorização judicial, requerer informações perante instituições financeiras quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis; Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 d) as autoridades administrativas estão obrigadas a observar da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade dos atos normativos regulamente editados; e) as decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, apenas produzem efeitos para as partes envolvidas no processo; f) deve ser indeferido o pedido de perícia que não contiver os requisitos estabelecidos pelo art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, e quanto dos autos do processo se constate os elementos necessários à livro convicção do julgador. O recorrente tomou ciência da decisão em 22/06/09. 5 Recurso Voluntário O contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 1043 1053), em 22/07/09, repisando os argumentos da impugnação. 6 Sobrestamento Em 12/03/13, através da Resolução nº 2202000.455 (fls. 11571165 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.169 7 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 583 e 590), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.170 9 Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.171 11 vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99, é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. No presente caso, somente foi possível a constituição do crédito tributário, tendo como base o art. 60, § 2º, do RIR/99, através das provas obtidas junto à instituição financeira por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de atividade rural e não teria requerido que o contribuinte apresentasse seu Livro Caixa, bem como não teria considerado tais valores no momento de lavrar o auto de infração. Assim, entendo que deve ser admitida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração. 1.3 Da Solicitação de Perícia O recorrente requer a realização de perícia contábil para apuração dos verdadeiros valores a serem tributados. O pedido de perícia é subsídio à formação da convicção do julgador, e visa aprofundar as questões referentes às provas e aos elementos constantes nos autos, não podendo ser utilizado para suprir o descumprimento de uma obrigação legal. Prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine.” Como se depreende da leitura do dispositivo acima, é facultado à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia, quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador, de 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 modo que apenas se falará na necessidade da prova pericial quando houver dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador. Nesse sentido, é o entendimento desta Turma: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 03/03/1994 a 26/09/1996 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Constando dos autos os documentos necessários à comprovação dos fatos em questão, mostrase desnecessária a diligência requerida. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade da decisão a quo por cerceamento do direito de defesa quando o indeferimento do pedido de diligência é explicitado na fundamentação do acórdão recorrido, e a desnecessidade da diligência é ratificada em segunda instância. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Uma vez que a descrição dos fatos e do enquadramento legal foram suficientemente claros para propiciar o entendimento da infração imputada, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Constatado que empresa incorporada e incorporadora pertenciam, em quase sua totalidade, ao mesmo sócio, não há como dar guarida à tese invocada pela recorrente, de liberação das penalidades em nome da incorporada, sob pena de macular o instituto da responsabilidade tributária por sucessão. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. Os juros cobrados a título de mora, cujos índices estão pautados pela taxa SELIC, têm base legal em consonância com o Código Tributário Nacional. Inexiste correção monetária no País desde momento anterior ao auto de infração lavrado em desfavor da recorrente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202 001.774. Rel. Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Julg. 11/09/2007). O art. 16, IV, §1º, do Decreto nº 70.235/72 é claro ao estabelecer condições para que reste deferido o pedido de perícia. In verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. No caso em exame, não houve a exposição dos motivos que justificariam a perícia. Além disso, por ocasião do recurso voluntário o contribuinte poderia anexar aos autos os documentos comprobatórios cabíveis para sua tese, o que não ocorreu. Convém ressaltar que o pedido de perícia pode ser considerado descabido quando os elementos necessários à comprovação das exclusões da base de cálculo são provas Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.172 13 documentais, as quais o contribuinte deixou de apresentar, ou apresentou de forma insatisfatória aos anseios da fiscalização, como no caso em análise. Da análise dos autos, verificase que a decisão de Primeira Instância entendeu pelo indeferimento do pedido de realização de perícia ao argumento de que: “No caso presente, verificase que o autuado não atendeu aos requisitos legais acima mencionados na apresentação do seu pedido de perícia, pois não indicou perito nem formulou quesitos, tendo, de forma genérica, apenas mencionado que o objetivo seria a apuração dos valores a serem tributados. Isso já determina, de pronto, que seja considerado como não formulado. Ademais, já restou provado neste Voto que a tributação do IRPF incidirá sobre os valores a serem tributados. Ademais, já restou provado neste Voto que a tributação do IRPF incidirá sobre os valores considerados no lançamento. 92.Observase, assim, que não há como subverter a ordem das incumbências, pois caberia ao impugnante apresentar, repitase, mediante documentação hábil e idônea, a comprovação da origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias (conta corrente e de poupança). Portanto, diante dos fatos e das conclusões expostas no presente Voto, e por constarem dos autos os elementos necessários à formação da livre convicção desta Julgadora, considerase prescindível a realização da perícia solicitada, razão por que se indefere o pedido.” A responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte, não cabendo à determinação de perícia para a busca de provas. No caso, a autoridade julgadora de Primeira Instância indeferiu o pedido de perícia, uma vez que a oportunidade para apresentação das provas precluiu, entendendo a produção de tal prova prescindível ao julgamento da lide. Assim, entendo ser incabível a solicitação de perícia nesse momento processual uma vez que o foi devidamente oportunizado que o recorrente juntasse aos autos os documentos comprobatórios que considerasse relevante, portanto, prejudicado o pedido do autor, sendo o produzido ao longo do processo suficiente para firmar o convencimento da Primeira Instância, e suficiente para formar o deste Relator. 2. MÉRITO Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais créditos tributários, apurados regularmente, e argumentos suscitados pelo recorrente. Da Consideração de Depósitos Bancários como Fato Gerador do Imposto de Renda O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de Presunção, esta sendo o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável. Tendo respaldo legal e admitindo prova em contrário (presunção relativa), é considerada válida no direito tributário. No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial; tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação, logo omitido – o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que a contribuinte seja intimado regularmente, e que este seja intimado do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Sendo assim, não é plausível o argumento esgrimido pela contribuinte de que os depósitos bancários não seriam base de cálculo para o Imposto de Renda, o que afastaria a tributação. Ademais, por não ter apresentado provas que infirmassem a presunção gerada pelos depósitos bancários, considerase acertada a autuação. Conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Ao tentar comprovar as origens, o recorrente sustenta que os depósitos decorreram das operações de intermediação de compra e venda de mercadoria a terceiros, sendo grande parte dos aportes relacionados a valores que os compradores de mercadorias entregavam a ele para que a aquisição se desse por seu intermédio. Como se percebe, o recorrente simplesmente imputou todas as quantias restantes como decorrentes dessa atividade, sem identificar quais valores se refeririam aos comprovantes apresentados. Embora a fiscalização tenha realizado diligências, intimando todas as pessoas físicas e jurídicas identificadas nos comprovantes e nas alegações do recorrente, a fim de comprovar as alegações do contribuinte, as pessoas físicas intimadas não apresentaram qualquer documento que comprovasse as declarações de que os depósitos havidos na conta do Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.173 15 recorrente eram oriundos da atividade de intermediação de compra e venda de mercadorias entre terceiros, e que grande parte dos depósitos eram valores que os compradores de mercadorias entregavam a ele para a aquisição se desse por seu intermédio. Quanto às pessoas jurídicas intimadas, algumas sequer manifestaramse, outras, contudo, apresentaram documentos não escriturados, que apenas informam valores de entrada e saída, sem haver qualquer especificação quanto ao motivo do ingresso e saída dos valores, ou quem seriam os destinatários dos numerários. Quanto aos cheques trazidos aos autos, todos são cheques do contribuinte, ou seja, nenhum cheque comprova o ingresso de qualquer valor em sua conta bancária, mas apenas saídas. Conquanto possa ser considerada pelo contribuinte como desproporcional a medida, a verdade é que existe diploma normativo válido e vigente que impõe a este dever, não cabendo a este Conselho declarar a inconstitucionalidade e afastar sua aplicação. Assim, considerando que o recorrente não comprovou de forma individualizada a origem dos depósitos feitos em sua conta corrente, e que não há congruência entre os valores indicados nas notas fiscais, ou nas informações dos livros de saída, e aqueles contidos na planilha da fiscalização que informa os depósitos glosados, não merece prosperar a alegação do recorrente quanto à origem dos depósitos. Nesse sentido é o entendimento desta Turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado. (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202 002.591. Rel. Conselheiro Rafael Pandolfo. Julg. 18/03/2014). Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR de prova ilícita, voto por INDEFERIR o pedido de diligência, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.174 17 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 18 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.011786/200617 Acórdão n.º 2202002.758 S2C2T2 Fl. 1.175 19 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar arguido quanto ilicitude da prova, acompanhado o Conselheiro Relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000824/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA.CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. JURISPRUDÊNCIA DA CSRF. IMPOSSIBILIDADE.
A Jurisprudência da CSRF milita no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada, por incidirem sobre a mesma base de cálculo, nos termos do Acórdão CSRF nº 0104.987, de 15/6/2004.Multa isolada que se desconstitui.
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-002.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso .
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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JURISPRUDÊNCIA DA CSRF. IMPOSSIBILIDADE. A Jurisprudência da CSRF milita no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada, por incidirem sobre a mesma base de cálculo, nos termos do Acórdão CSRF nº 0104.987, de 15/6/2004.Multa isolada que se desconstitui. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 24 /2 00 8- 89 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Tratase de Auto de Infração , referente ao Exercício de 2006, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$124.831,86, sendo R$ 48.676,06 de imposto, R$ 11.998,64 de juros de mora, R$ 36.507,04 de multa de ofício, além de R$ 27.650,12 a título de multa isolada. No Termo de Constatação e de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 123, consta que no decorrer do procedimento fiscal realizado junto ao contribuinte, foram apuradas as seguintes infrações: 001Omissão de Rendimentos de Recebidos de Pessoas Físicas Sujeitos a CarnêLeão –omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, conforme Termo de Verificação de Infração em anexo. Valor: R$ 179.648,37; 002 Multa Isolada Por Falta de Recolhimento do IRPF a Título de Carnê Leão – multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, em decorrência de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, apurada conforme Termo de Verificação de Infração em anexo. Valor da Multa: R$ 27.650,12. Impugnou o lançamento(fls.142,147 e 151), alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: · que a impugnação é parcial, haja vista que vai providenciar o recolhimento do valor de R$ 78.928,22 no dia 05/08/2008, com o desconto de 50% da multa de ofício. · que será impugnada a multa exigida isoladamente cobrada em concomitância com a multa de ofício; · afirma que a jurisprudência administrativa não acata a aplicação concomitante da multa exigida isoladamente e da multa de ofício. Por isso, não podem ser imputadas cumulativamente. · Por fim, requer que seja afastada a aplicação concomitante das multas de ofício e isolada. Em 05 de agosto de 2008, o contribuinte apresentou petição de fl. 151 para informar o parcelamento efetuado e reiterar os termos da impugnação. Registrase que foi transferido para o Processo Administrativo Fiscal nº 15582.000596/200887 o imposto no valor de R$ 48.676,06. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000824/200889 Acórdão n.º 2202002.698 S2C2T2 Fl. 495 3 Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO.SIMULTANEIDADE. É cabível o lançamento da multa isolada sobre carnêleão não recolhido concomitante à multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício, visto se tratarem de infrações distintas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da supramencionada decisão, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 169 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ e, revolvendo os argumentos esgrimidos em sua impugnação, irresignase exclusivamente quanto à imposição da multa isolada por falta de antecipação do IRPF. É o relatório. Voto Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso deve ser recebido, por tempestivo, naquilo que constitui o seu objeto,isto é ,a irresignação quanto à manutenção da imposição de multa isolada. De fato, reiteradas decisões do CARF estabelecem que é vedada a cumulação de multa de ofício e multa isolada no período objeto do lançamento impugnado, por incidirem sobre a mesma base de cálculo, desde que verificada a concomitância quando do lançamento de ofício, nos termos do que decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF nº0104.987,de 15/6/2004. Isto posto, dou provimento ao recurso, tão somente para excluir do lançamento a imposição da multa isolada. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10580.721247/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que provia o recurso .
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 13/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente Em Exercício), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte.
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 47 /2 00 9- 80 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que provia o recurso . (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 13/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente Em Exercício), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721247/200980 Acórdão n.º 2202002.709 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do acórdão 1526.393 3 ª Turma da DRJ/SDR que deu parcial provimento à impugnação ao Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 161.727,89, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, tão somente para adequação da alíquota aplicável, mantendo o imposto no valor R$ 73.389,69, e exonerando o valor de R$ 3.124,44. Conforme descrição constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos estes que foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar Estadual nº 20, de 08 de setembro de 2003. A contribuinte sustentou em sua impugnação, em apertada síntese que: a) classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) O Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. Em sessão realizada em 03 de março de 2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a 3ª turma julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, Acórdão de fls. 139/144, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pela contribuinte, afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao não cabimento da tributação de verbas relativas à correção Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721247/200980 Acórdão n.º 2202002.709 S2C2T2 Fl. 4 5 incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, a DRJ acolheu a impugnação, desconstituindo em parte o auto de infração para adequálo às corretas alegações da contribuinte. Quanto ao art. 3º da Lei Complementar 20/2003, do Estado da Bahia, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. A impugnante reclama isonomia de tratamento frente aos membros da esfera federal, entretanto, tratase de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, cada um com suas peculiaridades. Observese, ainda, que o reconhecimento da isenção na esfera federal decorreu de resolução no âmbito do poder judiciário federal, cujo alcance não pode ser ampliado mediante a aplicação da analogia. Quanto à alegação de que o responsável pela retenção do imposto era a fonte pagadora, cabe observar o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É certo, também, que o parágrafo único do art. 100 do CDTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, nos casos em que o contribuinte age em observância às normas Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 complementares nele previstas. Entretanto, os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não tem caráter normativo, nem a autoridade administrativa emitente tem competência para tratar a matéria tributável federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nessa situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 10 de junho de 2011 (fls. 149/230), representada por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória sem trazer qualquer novo elemento, no sentido de conduzirem todos ao cancelamento do lançamento, salvo quando argui que a DRJ não enfrentou a tese de ilegitimidade da União para exigência do imposto, o que exigiria o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, de forma a não haver supressão de instância. Em sessão de julgamento do dia 26 de setembro de 2011 determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão a Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Assim também, devese ressaltar que, nada obstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, Fl. 269DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721247/200980 Acórdão n.º 2202002.709 S2C2T2 Fl. 5 7 entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento contestado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões do recorrente, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A tese é simples e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Assim, para ilustrar, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Importante destacar que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002 posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” De tal modo, com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721247/200980 Acórdão n.º 2202002.709 S2C2T2 Fl. 6 9 A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pela Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer eiva de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso percebese ter ocorrido uma recomposição salarial que, apesar da extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721247/200980 Acórdão n.º 2202002.709 S2C2T2 Fl. 7 11 De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, rejeito as preliminares arguidas e no mérito voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13003.001857/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 21/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 21/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. O presente Auto de Infração (fls. 03/09) originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao Exercício 2003 Anocalendário 2002 em que foi alterado o valor declarado a título de carnêleão de R$ 53.786,41 para R$ 5.872,57, por falta de comprovação nos registros da então Secretaria da Receita Federal, resultando imposto de renda suplementar no valor de R$ 47.913,84, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até maio/2007. Também foi lançada a multa exigida isoladamente no valor de R$ 23.956,87 (demonstrativo de apuração na fl. 09). O valor total do crédito tributário apurado foi R$ 139.180,07. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 03 .0 01 85 7/ 20 08 -2 4 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13003.001857/200824 Resolução nº 2202000.587 S2C2T2 Fl. 495 2 Impugnou o lançamento, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: · A contribuinte, apresentou impugnação tempestiva, alegando que quanto ao imposto de renda suplementar, no valor de R$ 47.913,84 (código 2904) foi solicitada sua inclusão no PAES Parcelamento Especial, em 29 de julho de 2003, na forma da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003. · Relata (fls.15/18) que por ocasião da adesão ao PAES, ingressou com Pedido de Desistência de Processo Administrativo (fl. 14 do processo 13003.000030/200712) e forneceu planilha de levantamento dos débitos a serem consolidados no PAES (fl. 15 do processo 13003.000030/2007 12), dando suporte ao valor da parcela recolhida. · Anexa a Confirmação do Recebimento do Pedido de Parcelamento Especial, emitido pela Secretaria da Receita Federal, com o número da conta PAES: 210300166552 (fl. 14). · Conforme protocolo datado de 31/07/2003 (fl. 14 do processo 13003.000030/200712), o qual foi recebido pelo auditorfiscal Sr. José Maurício de S. Queiroz, chefe da DISOP, ou seja, desde a adesão ao PAES, a vontade expressa da contribuinte é a de ter o débito de carnêleão do anocalendário 2002 parcelado. Outra prova disso é que o valor principal da parcela corresponde a 1/180 do total do débito declarado no âmbito do PAES (planilha na fl. 15 do processo 13003.000030/200712), a qual vêm sendo recolhida pontualmente, desde julho de 2003. · Solicita o cancelamento integral do presente Auto de Inflação e que a Receita Federal reconheça a consolidação dos débitos no parcelamento do PAES. A DRJ julga a impugnação procedente, nos termos da ementa a seguir: Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO MENSAL OBRIGATÓRIO (CARNÊLEÃO). MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. Não estando comprovado que o valor do imposto de renda decorrente da dedução indevida a título de pagamento mensal obrigatório (carnêleão) encontrase incluído em parcelamento formalizado, não cabe a desoneração do contribuinte, bem como da correspondente multa exigida isoladamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13003.001857/200824 Resolução nº 2202000.587 S2C2T2 Fl. 496 3 Cientificado da supramencionada decisão, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 54 e ss., invocando a preliminar de nulidade do auto de Infração – alega que não é possível existir um Auto de Infração em relação a tributo de foi parcelado. No mérito: Ressalta que acata o lançamento, mas que o débito já foi parcelado em sua totalidade. Informa que o pedido de desistência do processo administrativo nº 11080.007630/200178, datado de 28/07/2003, também menciona, as planilhas de levantamento e débitos a serem consolidados no PAES. Observa que a planilha que contempla todos os seus débitos apresentados para inclusão no PAES, contempla o imposto devido a título de carnê leão –ano de 2002, no valor de R$47.913,84, com a respectiva multa e juros de mora e compõe o valor total apurado para cálculo da primeira parcela, no valor de R$1.678,29 recolhida em 29/07/2003 e que serviu de base para as demais parcelas pagas mensalmente desde então. Destaca que o PAES foi transmitido em 28 de julho de 2003 e foi devidamente registrado, gerando a conta PAES nº 210300166552. Contesta a multa de ofício de 75% e a multa exigida isoladamente no valor de R$23.956,87 tendo m vista que a data do pedido de parcelamento é 28/07/2003. Enfatiza que foi a falta de atualização do sistema informatizado da RFB é que ensejou na manutenção parcial do crédito tributário cobrado por meio do processo 13003.001857/200812, na forma do Acórdão 1031.866 de 236 de maio de 2011. É o relatório. VOTO Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso deve ser recebido, por tempestivo, naquilo que constitui o seu objeto,isto é ,a irresignação quanto à manutenção da imposição de multa isolada. Essencialmente o litígio cuida da comprovação ou não de que o valor do imposto de renda decorrente da dedução indevida a título de pagamento mensal obrigatório (carnêleão) encontrase incluído em parcelamento PAES formalizado pelo recorrente, por meio da conta PAES nº 210300166552 . A contribuinte, assegura que o imposto de renda suplementar, no valor de R$ 47.913,84 (código 2904) foi incluído no PAES Parcelamento Especial, em 29 de julho de 2003, na forma da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003. Não se pode ignorar que às fl. 14 dos autos encontrase a Confirmação do Recebimento do Pedido de Parcelamento Especial, transmitido em 28/07/2003, e que foi devidamente registrado, com informação da Conta PAES n° 210300166552. Tela de validação do pedido em 28/07/2003, fl. 43 do processo 13003.000030/200712. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13003.001857/200824 Resolução nº 2202000.587 S2C2T2 Fl. 497 4 Há, contudo, situação de plausibilidade das alegações e esforço probatório razoável, o que justifica a realização de diligência para que a DRF Porto Alegre, informe se o imposto de renda devido, pelo recorrente, a título de carnê leão –ano de 2002, no valor de R$47.913,84, foi incluído no PAES. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 19515.003271/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar a decadência. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar as preliminares Recurso negado.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 71 /2 00 5- 68 Fl. 668DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar a decadência. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Acórdão n.º 2202002.767 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MAURICE HARARI, acima identificado, foi autuado e notificado a recolher as importâncias constantes do Auto de Infração de fls. 531/534, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, cujo valor apurado foi R$ 9.538.376,80 de imposto, R$ 6.917.149,20 de juros de mora ( calculados até 30/11/2005) e R$ 7.153.782,59 de multa proporcional , totalizando o crédito tributário de R$ 23.609.308,59. O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originou se na constatação das seguintes infrações: Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em Instituição financeira, em relação aos quais, o fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cientificado em 29/12/2005 (fl. 536) e inconformado com a autuação sofrida, o contribuinte, por intermédio de procurador legalmente habilitado, apresentou, em 26/01/2006( fl. 537), a impugnação de fls. 538 a 553, alegando, em síntese: 1) que, preliminarmente, há de ser considerada, de plano, a inexistência de parte do débito exigido, em razão da efetiva ocorrência da decadência do direito de lançálo; 2) que, de fato, uma vez que os pretensos períodos de apuração se referem a 31 de janeiro a 30 de novembro de 2000, o correspondente lançamento deveria ter sido efetivado até 30 de novembro de 2005 e só o foi, contudo, em 16 de dezembro de 2005, o que acarretou a extinção parcial do crédito tributário pelo decurso do prazo de decadência estabelecido no Código Tributário Nacional; 3) que haja vista que o Imposto sobre a Renda se submete ao lançamento por homologação, uma vez decorrido o prazo legal para a sua realização pela autoridade administrativa, o direito à constituição do crédito tributário correspondente extinguirseá,, como, aliás, entende a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda; 4) que, por outro lado, totalmente eivado de nulidade está o procedimento fiscal sub examine, isto porque ele não decorre do real inadimplemento da obrigação tributária atinente ao Imposto sobre a Renda, mas resulta, sim, de efetiva presunção, por parte da d. agente autuante, de que teriam sido omitidos rendimentos tributáveis pelo aludido imposto; 5) que não há como se admitir que a d. autoridade fiscal, sem nenhuma prova concreta da infração alegada, presuma, por meio de extratos bancários, a falta de recolhimento do Imposto de Renda pelo impugnante, presunção esta que tem sido rechaçada, com veemência, pelo E.Conselho de Contribuintes, como se infere das ementas das decisões que transcreve; Fl. 670DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 6) que mais do que ilegítimo, portanto, é o auto de infração impugnado, cujo fim é exigir o Imposto sobre a Renda fundado em indícios e presunções, sem a necessária verificação da real existência do respectivo fato gerador; 7) que o sigilo, inclusive, o bancário, está compreendido na proteção maior que a Carta Magna propicia à intimidade e à privacidade dos cidadãos(art. 5o , incisos X e XII, da CF), que consubstanciam as chamadas cláusulas pétreas; 8) que, assim sendo, não há como negar a inconstitucionalidade do inciso III do parágrafo 3 o do art. 1 o da Lei Complementar n° 105/01, ao prever a inexistência de violação ao dever de sigilo em se tratando de informações utilizadas pela Secretaria da Receita federal com o intuito de exigir impostos e contribuições por ela arrecadados; 9) que, na hipótese dos autos, o sigilo bancário do impugnante foi quebrado sem a primordial autorização judicial, procedimento este que tem sido repelido, de forma constante, pelo Supremo Tribunal Federal; 10) que, em suma, a autuação fiscal levada a efeito encontrase viciada, visto que, obrigatoriamente, o sigilo bancário do impugnante somente poderia ter sido quebrado, com a devida autorização judicial, o que a torna nula de pleno direito; 11) que a cobrança de multa de mora, de juros, alegadamente moratórios e de correção monetária em patamares elevados como ocorre na hipótese configura evidente excesso e arbitrariedade administrativa, em virtude de constituir cobrança de penalidades de igual natureza reparatória; 12) que são incabíveis a prática de confisco e a infligência excessiva e arbitrária da sanção à infração tributária cometida, tendo em vista a dúplice exigência de acréscimos legais com a mesma finalidade; 13) que, por fim, não há como deixar de s e argüir as manifestas ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC, que não s e presta para a caracterização dos juros fiscais, por ter, ao invés, a finalidade de remunerar o capital; 14) que deveriam ser aplicados tão somente sobre o pretendido débito os juros de mora calculados à taxa de 1% ao mês estatuídos no parágrafo primeiro do artigo 161 do Código Tributário Nacional. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Acórdão n.º 2202002.767 S2C2T2 Fl. 4 5 A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DECADÊNCIA. NATUREZA DO LANÇAMENTO. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme o disposto no art. 173,1 do CTN DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O princípio da vedação ao confisco está previsto no art. 150, IV, da CF. e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A multa de ofício é devida em face da infração tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC A apuração do crédito tributário, incluindo a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic, decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. Lançamento Procedente Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Que ocorreu a decadência do direito de lançar; Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários; Da irregular quebra do sigilo bancário; Dos juros aplicados; Da multa confiscatória. É o relatório. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Acórdão n.º 2202002.767 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 674DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Decadência No tocante ao ano calendário de 2000, para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos verifica se que ocorreu em 29/12/2005. Na apreciação da decadência, no caso concreto, ainda que se considerase que não caiba a qualificação da multa, não há como considerar o lançamento decadente. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a Fl. 675DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Acórdão n.º 2202002.767 S2C2T2 Fl. 6 9 rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que não foi identificado o recolhimento de qualquer tributo no ano calendário 2000. Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por Fl. 676DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 677DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Acórdão n.º 2202002.767 S2C2T2 Fl. 7 11 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação Fl. 678DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 679DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Acórdão n.º 2202002.767 S2C2T2 Fl. 8 13 poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso o período mais antigo lançado referese a janeiro de 2000, não há que se falar em decadência, independente de a qualificação da multa for mantida ou não. Recordese, por pertinente, que não foi identificado qualquer recolhimento de imposto relativo a pessoa física no ano calendário de 2000, tal como se constata do demonstrativo de fls. 533 do eprocesso. Isto posto, rejeitase portanto a preliminar de decadência. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a Fl. 680DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 588 e 589 (do e processo), não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: Verificase do exame das peças constituintes dos autos que o interessado não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes e de poupança, relacionados nos extratos bancários obtidos das Instituições Financeiras Banco do Brasil S/A e Banco Bradesco S/A (Planilhas de fls. 387 a 489), caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930/96, com os limites alterados pelo art.; 4 o da lei n° 9.481/97 e artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000/99). Os argumentos aduzidos pelo interessado não tem o condão de alterar os fatos imputados como omissão de rendimentos, mormente porque, conforme anteriormente explanado, o ônus da comprovação da origem dos recursos depositados em conta corrente é de sua competência. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que Fl. 681DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Acórdão n.º 2202002.767 S2C2T2 Fl. 9 15 trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados! nessas operações é obrigação do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que Fl. 682DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 683DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003271/200568 Acórdão n.º 2202002.767 S2C2T2 Fl. 10 17 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13888.720738/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF no.26).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 07 38 /2 01 1- 61 Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, IVAN CARLOS MACEDO, foi lavrado Auto de Infração (fls. 1.367/1.379) referente ao ano calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008 que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 2.737.281,80, sendo R$ 1.329.149,36 de imposto de renda; R$ 996.862,01 de multa; e R$ 411.270,43 de juros de mora (calculados até 28/02/2011). Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.338/1.366, o procedimento de fiscalização foi decorrente de demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, tendo por objeto a movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados para os anos de 2005 a 2008. No Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 30/06/2010, foi solicitado do contribuinte: * Justificar a apresentação de Declaração Anual de Isento para os anos base 2005 e 2006, ou apresentar as devidas Declarações de Ajuste Anual, caso se enquadrasse nas hipóteses de obrigatoriedade; * Apresentar recibos de entrega das Declarações de Ajuste Anual dos anos base 2007 e 2008, ou justificar a não apresentação das mesmas. Ou ainda, apresentar as devidas Declarações de Ajuste Anual, caso se enquadrasse nas hipóteses de obrigatoriedade; * Apresentar documentos de aquisição e alienação de bens móveis e imóveis nos anos de 2005 a 2008; * Apresentar extratos bancários de suas contas junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, mantidas em seu nome e de seus dependentes, referentes ao período compreendido entre janeiro/2005 e dezembro/2008, bem como uma relação de todas as suas contas nesse período; * Apresentar cópia de documentos pessoais e informação sobre atividade econômico profissional exercida. Em 02/08/2010 compareceu ao Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba o Sr. Carlos Nazareno Angeleli, procurador do contribuinte, ocasião em que protocolou o Termo de Apresentação de Documentos e de Esclarecimentos (fls. 07 e 08) e apresentou os seguintes elementos: * Informes de rendimentos financeiros emitidos pelo Unibanco (anos calendário 2008 e 2009 – fls. 16 e 17) * Extrato da conta n° 213.6035 do Unibanco, referente aos meses de julho a dezembro de 2008 (fls. 20 a 25); * Extratos da conta n° 32.4620 do banco Bradesco referentes aos anos de 2006 a 2008 (fls. 26 a 148); * Informações de que não possuía outras contas além das mantidas junto ao Unibanco, Bradesco e Caixa Econômica Federal (fls. 08); Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 * Procuração, tendo como outorgados Carlos Nazareno Angeleli e Patrícia de Campos Ferreira (fls. 11). Em 06/08/2010 a outra procuradora do contribuinte, Sra. Patrícia de Campos Ferreira, compareceu ao Serviço de Fiscalização da Delegacia da RFB em Piracicaba (DRF/Piracicaba) para protocolar resposta mais detalhada ao Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 149 a 151), bem como extratos do banco Bradesco relativos ao período de maio/2005 a dezembro/2005 (fls. 153 a 163). Por meio de Termo de Apresentação de Documentos e Esclarecimentos, assinado pelo procurador Carlos Nazareno Angeleli, informou que: Não apresentou Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) para os exercícios 2006, 2007, 2008 e 2009 porque, apesar da grande movimentação bancária, não auferira lucro que justificasse a entrega da Declaração; Exercia a atividade econômica de compra de carros em leilões e de venda desses veículos, associandose a pessoas as quais depositavam valores em suas contas bancárias; Seu único bem imóvel é um terreno com o início de uma construção; Os extratos da Caixa Econômica Federal ainda não haviam sido disponibilizados pela instituição financeira; Possuía, entre 2005 e 2008, contas junto aos bancos Caixa Econômica Federal (nesse em conjunto com sua esposa, Mary Estela Bandoria Macedo), Unibanco (em que a conta era individual, aberta em 2008) e Bradesco (onde a conta também era individual); Não possui quaisquer documentos referentes a rendimentos tributáveis para o período em questão, "visto que os valores que recebia não era tributável" (sic). Em 17/08/2010 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal (fls. 164 a 166), cuja ciência ao sujeito passivo se deu por via postal em 23/08/2010, por meio do qual o contribuinte foi intimado a: * Mencionar as pessoas com as quais alegou ter se associado para compra de veículos em leilões entre 2005 e 2008; * Apresentar os extratos de contas que não haviam sido entregues até então; * Informar todos os rendimentos auferidos entre 2005 e 2008, identificando as fontes pagadoras; * Apresentar matrículas dos imóveis de sua propriedade; * Confirmar ou refutar a informação de que movimentava a conta de sua esposa junto ao banco Bradesco; No dia 23/08/2010 foram entregues pelo procurador do contribuinte os extratos da conta 32.9669 junto à Caixa Econômica Federal, relativos aos anos 2005 a 2008 (folhas 167 a 484), com exceção do extrato do mês de dezembro de 2005. Tendo em vista que o contribuinte não havia entregue, até aquele momento, os extratos do banco Bradesco referentes ao período de janeiro a abril de 2005, apesar de já transcorridos os prazos dados nas intimações, e que não apresentara justificativas para a não entrega, restou configurada a hipótese prevista no art. 33, I, da Lei n° 9.430/1996, c.c. art. 3o, V, do Decreto n° 3.724/2001, e art. 2°, II, da Portaria SRF n° 180/2001, sendo emitida, em 24/08/2010, pela Delegada da DRF/Piracicaba, a Requisição de Informações sobre Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 4 5 Movimentação Financeira (RMF) n° 08125002010001299 para que aquele banco disponibilizasse à Receita Federal do Brasil tais extratos (fls. 485 a 489). No dia 08/09/2010, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 17/08/2010, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, entregou extratos da Caixa Econômica Federal dos meses de junho e julho de 2008 (os quais já haviam sido entregues anteriormente) e de dezembro de 2005 (fls. 516 a 520), apresentou a matrícula de um terreno e prédio em seu nome (fls. 493 e 494), e protocolou resposta (fls. 490 a 492) por meio da qual afirmou que: * Não tinha a documentação relativa aos negócios que alegou realizar, de compra e venda de veículos, os quais eram feitos em parceria com os próprios clientes e com outros revendedores, que também compravam carros em leilões. * Não possuía os comprovantes de rendimentos solicitados na intimação, uma vez que trabalhava na informalidade; * Nem todo o dinheiro que transitara por suas contas bancárias eram oriundos de seu próprio trabalho, pois alguns créditos correspondiam a "negócios realizados em parcerias com terceiros"; * Era a única pessoa que movimentava a conta de sua esposa, Mary Estela Bandoria Macedo, junto ao banco Bradesco, por meio de cheques por ela assinados e através da utilização das senhas por ela fornecidas. Essa conta era utilizada em seus negócios de compra e venda de veículos; Em complemento aos documentos entregues em atendimento à intimação de 17/08/2010, o contribuinte, por meio de seu procurador, entregou à fiscalização, em 27/09/2010, documentos que traziam a informação de que a conta 32.4620 (da agência 24317, banco Bradesco) não havia sido movimentada entre 01/01/2005 e 31/04/2005 (fls. 521 a 523). Com relação à RMF emitida em 24/08/2010 e encaminhada ao banco Bradesco, aquela instituição financeira, por meio de documento datado de 09/09/2010, apresentou os documentos solicitados, entre eles a ficha cadastral do contribuinte, os informes de rendimentos financeiros dos anos calendário 2005 a 2008, e os extratos bancários que ainda não haviam sido apresentados pelo contribuinte (fls. 524 a 555), Tendo em vista as alegações feitas pelo contribuinte até então, no dia 27/09/2010 foi lavrado novo Termo de Intimação Fiscal (fls. 556 a 568), por meio do qual foram solicitadas ao sujeito passivo as seguintes informações: * Indicar as empresas de leilão ou leiloeiros de quem comprava veículos; * Apresentar documentos de aquisição dos veículos comprados; * Apresentar documentos relativos taxas de despachantes contratados, taxas de transferências, laudos e seguros obrigatórios referentes aos veículos comprados para revenda; * Informar o nome das pessoas que lembrava de ter se associado para compra de veículos; Nesse mesmo Termo, solicitouse a comprovação da origem de parte dos créditos efetuados em suas contas bancárias no ano de 2005, bem como esclarecimentos sobre a destinação de parte dos valores debitados de suas contas (fls. 557). Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Para atendimento dessa mais recente intimação, o contribuinte compareceu pessoalmente à DRF/Piracicaba, em 05/10/2010, e fez as seguintes alegações, as quais foram reduzidas a termo assinado pelo contribuinte (fls. 569): * Parte dos valores movimentados em suas contas entre 2005 e 2008 tinham origem na venda de veículos comprados em leilões; * Outra parte dos créditos advinha de comissões em vendas de veículos; * Utilizava a conta de sua esposa para poder usufruir do limite de crédito do cheque especial e de empréstimos junto ao banco; * Informou como leiloeiros de quem comprava veículos: Sodré Santoro, Viseu Leilões, Nosso Leilão e Sousa Leilões; * Informou como despachantes que contratava, eventualmente, Mauro Despachante e Despachante Ezuza, ambos de PiracicabaSP; * Alegou que conhecia as pessoas com as quais se juntava para comprar veículos em leilões apenas pelo primeiro nome ou pelo apelido, não tendo vínculo como os mesmos nem qualquer documento formal que comprovasse as associações alegadas. Nesse mesmo dia apresentou novo Termo de Apresentação de Documentos e Esclarecimentos, previamente redigido, por meio do qual informava não se lembrar das empresas de leilão de quem comprava veículos, não possuir documentos relativos a compras de veículos, não possuir sócios para realizar as compras, limitando se a fazer parcerias com pessoas do mesmo ramo, e de não possuir documentação hábil a comprovar os créditos e os débitos em suas contas solicitados no último Termo de Intimação Fiscal (fls. 571 e 572). Diante da necessidade de se certificar da veracidade das alegações do contribuinte de que sua principal atividade econômica, entre 2005 e 2008, era a compra e venda de veículos, de onde teriam se originado, segundo ele, os créditos em suas contas bancárias, alegações estas desamparadas de quaisquer documentos comprobatórios ou informações que indicassem um rumo para verificação do teor das informações prestadas, foram feitas diligências junto a bancos, por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeiras (RMF), e junto a despachantes, leiloeiros e outros contribuintes pessoas físicas. O banco Bradesco encaminhou os documentos relativos ao ano de 2005 de forma parcial, em quatro oportunidades, até o completo atendimento da requisição, a saber: em 27/10/2010, em 11/11/2010, em 18/11/2010 e em 30/11/2010 (fls. 589 a 891). A Caixa Econômica Federal encaminhou resposta em 10/02/2011, para os documentos solicitados relativos ao ano de 2005 (folhas 892 a 956). Tendo em vista o elevado volume de créditos nas contas do sujeito passivo, os quais foram devidamente questionados quanto às suas origens por meio de Termos de Intimações Fiscais já mencionados, créditos esses que o contribuinte não logrou comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos, foram emitidas, em 31/12/2010, novas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), direcionadas aos bancos Bradesco e Caixa Econômica Federal, por meio das quais foram solicitados documentos relativos a créditos e débitos nas contas do sujeito passivo relativos aos anos 2006, 2007 e 2008. As respostas foram encaminhadas pelos bancos à DRF/Piracicaba em 28/01/2011 (Bradesco, fls. 1.161 a 1.278) e 10/02/2011 (Caixa Econômica Federal, fls. 1.116 a 1.159). No intuito de se buscar a veracidade das alegações do contribuinte sobre atividade econômica de comércio de veículos, foi emitido pela DRF/Piracicaba o Ofício n° 920, de 15/10/2010, encaminhado à 13a CIRETRAN de PiracicabaSP (fls. 957), pelo qual Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 5 7 solicitou se uma relação de todos os veículos que estiveram em nome do contribuinte nos anos de 2005 a 2008. Em resposta datada de 26/10/2010, o Delegado de Polícia Diretor da CIRETRAN de Piracicaba apresentou documento onde constavam 13 veículos que estiveram em nome de Ivan Carlos Macedo no período questionado (fls. 959 a 960). Na mesma linha de investigação, em 19/10/2010 foram feitas diligências junto às pessoas a seguir relacionadas, escolhidas em virtude das alegações do Sr. Ivan (fls. 569). Os despachantes foram questionados sobre eventuais serviços prestados ao Sr. Ivan Carlos Macedo entre 2005 e 2008, com a indicação dos veículos que porventura tivessem sido objetos desses serviços. Os leiloeiros, por sua vez, foram questionados se haviam vendido veículos ao sujeito passivo nesse período por meio de leilões. As respostas às intimações foram as seguintes: a) Agência de Despachos Ezuza (folhas 961 a 980) Prestou serviços referentes a veículos adquiridos pelo sujeito passivo, sendo quatro veículos em 2005, um em 2006 e um em 2007. b) Despachante Mauro Agenor Previatti (fls. 1037 a 1041) Não prestou serviços a Ivan Carlos Macedo. c) Leiloeiro José Eduardo de Abreu Sodré Santoro (fls. 981 a 987) Informou que o sujeito passivo adquiriu três veículos em 2006. d) Leiloeiro Flávio Cunha Sodré Santoro (fls. 988 a 992) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. e) Leiloeiro Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro (fls. 993 a 996) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. f) Leiloeira Maria Beatriz Cunha Sodré Santoro (fls. 997 a 1000) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. g) Leiloeiro Rodrigo de Queiroz Sodré Santoro (fls. 1001 a 1011) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. h) Leiloeiro Washington Luiz Pereira Vizeu (folha 1012 a 1026) Vendeu uma moto a Ivan Carlos Macedo em 2006. í) Leiloeiro Ezequiel Sebastião Mayor (fls. 1027 a 1031) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. j) Leiloeiro José Oswaldo de Carvalho (fls. 1032 a 1036) Não vendeu veículos a Ivan Carlos Macedo. Com base nos documentos apresentados pelo CIRETRAN (fls. 959 e 960), e pelos leiloeiros e despachantes (fls. 961 a 1041), foi possível elaborar tabela, na qual são relacionados os veículos que estiveram relacionados, de alguma forma, com o contribuinte entre 2005 e 2008. Com relação a três veículos, constatou se que o contribuinte os revendeu após longo espaço de tempo da aquisição, fato que os afasta da característica de mercadoria destinada ao comércio, não podendo assim serem considerados na alegada atividade econômica de compra e venda de veículos. Com relação a outros cinco veículos, não foi possível verificar por quanto tempo ficaram em poder do sujeito passivo, uma vez que o próprio não apresentou qualquer documentação que pudesse levar ao entendimento de se tratarem de mercadoria ou de Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 destinação para uso próprio. Nos documentos conseguidos junto a terceiros (CIRETRAN, leiloeiros e despachantes) não há informações sobre suas eventuais alienações. Por fim, restaram dez veículos, dos quais um foi adquirido em 2004, cinco foram adquiridos em 2005, dois em 2006, um em 2007 e um em 2008. Assim, a autoridade fiscal considerou que não fica evidenciado que o sujeito passivo exercia, em nome individual, com habitualidade e profissionalismo, a atividade de compra e venda de veículos Em outra análise, sobre os extratos bancários do sujeito passivo e dos documentos relativos aos créditos em suas contas, verificouse que muitos dos depósitos lançados eram compostos de vários cheques de pequeno valor, como, por exemplo, o depósito feito no banco Bradesco em 15/10/2008, no valor total de R$ 5.188,86, no qual constavam 26 cheques de valores como R$ 32,00, R$ 27,60, R$ 20,00, R$ 60,00, R$ 30,00, etc. Esse fato corrobora, juntamente com a não apresentação de quaisquer documentos pelo contribuinte, a leitura de que a grande maioria dos créditos nas contas do contribuinte não provinha de atividade comercial de venda de veículos (atividade essa que, como já explanado, também não foi comprovada), pois é notório que não se verifica, nas práticas usuais de compra e venda de carros, pagamentos com vários cheques de baixos valores. Além disso, a grande maioria dos depósitos nas contas do sujeito passivo não condiz com vendas de veículos. Note se que a média dos valores creditados de 2005 a 2008 em suas contas é de, aproximadamente, R$ 2.600,00 por depósito. Em 04/01/2011, com base nas informações extraídas dos documentos relativos a lançamentos efetuados nas contas bancárias, conseguidas até então no transcurso dos trabalhos de fiscalização, foram feitas diligências junto a pessoas que emitiram cheques que foram depositados nas contas do sujeito passivo. Dessa forma, foram encaminhados aos contribuintes abaixo, selecionados por amostragem, Termos de Diligência Fiscal, amparados por Mandados de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD), por meio dos quais foram questionados sobre o motivo da emissão dos cheques e sobre o vínculo que porventura tivessem com Ivan Carlos Macedo: Paulo Roberto Muniz (MPFD 08125002011000016) Informou não conhecer Ivan Carlos Macedo. Apresentou cópia de canhotos de cheques nos quais são mencionados lançamentos a título de diesel; Walter Miguel (MPFD 08125002011000024) Informou desconhecer Ivan Carlos Macedo. Apresentou cópia dos cheques questionados, as quais, embora tragam o nome de Ivan Carlos Macedo como beneficiário, não trazem informações que indiquem a negociação que envolveu a emissão dos cheques. Airton Roberto Beltramini (MPFD 08125002011000032) – Informou desconhecer Ivan Carlos Macedo e não se recordar para quem emitiu os cheques em questão, dos quais apresentou cópias em que não constam os beneficiários nem o motivo da emissão desses documentos. Arcedilho Felisberto dos Santos (MPFD 08125002011000040) – Informou que os cheques foram passados em um bar (conhecido, segundo ele, como "Bar do Posto"), o qual não existe mais, para compras pequenas como cigarros e outros produtos de menor valor. Nesse posto, informou, existiam máquinas caça níqueis, as quais foram apreendidas pela polícia. Considerou a autoridade fiscal que, se comparado o volume dos negócios realizados pelo Sr. Ivan Carlos Macedo (baseados nos documentos conseguidos junto a Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 6 9 terceiros) ao montante de créditos (a título de depósitos e transferências) nas suas contas (R$ 5.589.966,41, de 2005 a 2008, conforme exposto no item 4 deste Termo), e levando se em consideração o fato de o contribuinte não ter apresentado quaisquer documentos que fundamentassem suas alegações, restam frágeis e sem sentido as suas justificativas de que sua movimentação financeira tem por origem a compra e venda de veículos. Essa fragilidade ficaria ainda mais evidenciada com a constatação, já mencionada, de que considerável parte dos créditos efetuados em suas contas são depósitos constituídos de vários cheques de pequeno valor. O conjunto desses indícios rechaçaria a vinculação da grande maioria dos depósitos com as alegadas vendas de carros e motos. Diante das respostas dos despachantes e leiloeiros às intimações, que demonstraram uma baixa quantidade de veículos negociada pelo Sr. Ivan, o que eliminaria a caracterização de um "comércio", em 19/11/2010 foi encaminhado ao sujeito passivo novo Termo de Intimação Fiscal (folha 1042), por meio do qual foi questionado se a atividade econômica de compra e venda de veículos era a única exercida profissionalmente ou se desenvolvia outras atividades, devendo mencionálas. Foi novamente intimado a comprovar por documentação hábil e idônea a origem de créditos em suas contas bancárias no ano de 2005, sendo alertado de que a não comprovação ensejaria lançamento de ofício por omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Em 02/12/2010 foi enviado novo Termo de Intimação Fiscal ao contribuinte (fls. 1053) para que esclarecesse e comprovasse, também, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias nos anos de 2006, 2007 e 2008, bem como esclarecer a destinação dada a alguns valores que saíram de sua conta nesse período. Foi alertado das consequências do não atendimento. Por meio desse Termo foi informado sobre as diligências efetuadas junto aos despachantes e leiloeiros por ele informados, através das quais foram obtidos indícios de uma irrisória quantidade de veículos negociados, especialmente em face do vultoso volume de créditos em suas contas bancárias. Diante disso, foi ratificada a solicitação feita no Termo de Intimação anterior de informar a efetiva atividade econômica exercida nos anos 2005 a 2008. A ciência desse Termo deuse por via postal em 07/12/2010 (fls. 1100). Em 03/12/2010, o contribuinte, por meio de seu procurador, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 19/11/2010, informou que exercia diversas atividades profissionais, como pintor, eletricista, segurança de eventos e instalador de cortinas e carpetes. Quantos aos créditos questionados no referido Termo, alegou, mais uma vez, não possuir documentação que os comprovassem (fls. 1.101). No dia 21/12/2010, o contribuinte, por meio de seu procurador, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 02/12/2010, informou que não possuía os documentos solicitados, relativos aos créditos e débitos questionados (de 2006, 2007 e 2008), que não tinha controle dos valores depositados em suas contas e que realizava parcerias com seus clientes e outros revendedores de veículos, sem citar nomes (fls. 1.102 e 1.103). Para os exercícios 2006 e 2007 (anos calendário 2005 e 2006) o contribuinte apresentou Declaração Anual de Isento. Para os exercícios 2008 e 2009 (anoscalendário 2007 e 2008), não apresentou Declarações de Ajuste Anual. De posse dos extratos das contas bancárias do contribuinte, os dados foram tabulados para fins de análise dos lançamentos neles constantes, sendo que a movimentação referente ao Bradesco alcançou R$ 573.876,32; da Caixa Econômica Federal, R$ 1.824.055,65; e do Unibanco, R$ 1.796.835,54. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Visando à otimização dos trabalhos de fiscalização, tendo em vista o grande volume de lançamentos nas contas bancárias do contribuinte, a autoridade fiscal desconsiderou os créditos abaixo de R$ 500,00 junto ao banco Bradesco em 2005 e abaixo de R$ 1.000,00 nesse mesmo banco nos anos de 2006, 2007 e 2008. Quanto à Caixa Econômica Federal, foram desprezados os créditos inferiores a R$ 1.000,00 para os anos 2005 a 2008. E com relação ao Unibanco, foram desconsiderados os créditos abaixo de R$ 1.000,00, para o ano de 2008. Também foram excluídos da análise créditos a título de resgate de título de capitalização, cheques emitidos devolvidos, estornos e reduções de saldo devedor. Com esses ajustes, chegou se aos valores de crédito cuja origem foi considerada não identificada, os quais foram submetidos ao sujeito passivo, por meio dos Termos de Intimações Fiscais já mencionados (de 19/11/2010, fls, 1.042 a 1.052, e de 02/12/2010, fls. 1.053 a 1.100), para que comprovasse e esclarecesse, mediante documentação hábil e idônea, com compatibilidade de datas e valores, as suas origens. O total dos créditos sob questionamento (R$ 5.309.720,02) representa 94,99% dos créditos em suas contas junto a instituições financeiras entre 2005 e 2008 a título de depósitos e transferências bancárias. Na análise dos extratos bancários, verificouse que alguns cheques depositados nas contas do sujeito passivo foram devolvidos pela compensação bancária, por motivos diversos (ausência de fundos, sustação, divergência ou ausência de assinatura, etc). Esses extratos também indicam que o registro de alguns depósitos efetuados em caixa eletrônico foram feitos com valores maiores do que o numerário constante dentro dos envelopes, e ainda, que dentro de alguns envelopes havia cheques com irregularidades, não se efetivando, por vezes, os créditos. Verificouse também que, entre os créditos questionados junto ao contribuinte por meio de intimação fiscal, constavam um resgate de título de capitalização e dois cheques por ele emitidos com irregularidades, que foram devolvidos. Os somatórios desses valores, que subtrairão os montantes dos créditos submetidos ao contribuinte, para fins de lançamento, constam do lançamento. Excluindose os valores relativos aos cheques depositados e que foram devolvidos pela compensação bancária, os depósitos por meio de envelope que não se concretizaram, o resgate de título de capitalização e os cheques do contribuinte que não foram sacados (por irregularidades nos cheques), os valores dos créditos a título de depósitos e transferências para as contas do contribuinte, cujas origens foram questionadas por intimação fiscal e não foram comprovadas, totalizaram R$ 4.922.238,34, para os anos calendário 2005 a 2008. Ressaltase que os valores relativos à Caixa Econômica Federal foram obtidos com a divisão, por dois, dos créditos nesse banco (e exclusões efetuadas), tendo em vista que a conta nessa instituição financeira era conjunta com sua esposa, Mary Estela Bandoria Macedo, conforme informado pelo próprio contribuinte em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, situação que foi verificada nas cópias de cheques de sua emissão (fls. 1.150, 1.152 e 1.158, por exemplo). Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 7 11 Com relação à alegação do contribuinte de que era o único que movimentava a conta de sua esposa, Mary Estela Bandoria Macedo, junto ao banco Bradesco (fls 491, VI), a autoridade fiscal considerou que não ficou comprovada, por meio de documentos hábeis e idôneos, essa afirmação. Lavrado o Auto de Infração e cientificado o contribuinte, apresentou a defesa de fls. 1.382/1.387, afirmando que não estaria demonstrado que houve supressão de tributos e que colaborou para a elucidação dos fatos, sendo que nem todo o dinheiro representa lucros e que as atividades desenvolvidas teriam sido confirmadas pelo contribuinte e pelas demais pessoas intimadas a apresentar informações. Afirma que exercia trabalho informal destinando todo o rendimento para o seu próprio sustento e de sua família e que o dinheiro da conta era decorrente das atividades de comercialização de veículos, realização de festas, dinheiro de clientes para pagamentos de fornecedores, etc, cuja margem de lucro seria muito pequena. Afirma que eram recebidos cheques de terceiros, os quais eram depositados na sua conta corrente para pagar inúmeros fornecedores, prática esta utilizada por todos os comerciantes atacadistas e varejistas. Afirma que não há memória para justificar todos os lançamentos. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.º 9.430 de 1996, consideram se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da natureza das operações, que não refletem variação patrimonial; Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários. É o relatório. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 8 13 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 9 15 estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 1405 (do e processo), não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: Portanto, com exceção de dois leiloeiros, nenhuma outra pessoa ou órgão confirmou qualquer das versões trazidas pelo contribuinte, o que reforça a desconfiança que se deva atribuir ao quanto defendido por ele no procedimento fiscal e em sua defesa. Como muito bem aponta a autoridade fiscal, muitos dos depósitos lançados eram compostos de vários cheques de pequeno valor, como, por exemplo, o depósito feito no banco Bradesco em 15/10/2008, no valor total de R$ 5.188,86, no qual constavam 26 cheques de valores como R$ 32,00, R$ 27,60, R$ 20,00, R$ 60,00, R$ 30,00, etc. Apesar de ciente da constatação fiscal, o contribuinte não traz um único argumento plausível e/ou documentação para justificar esse tipo de movimentação bancária. Deveras, não é crível que o contribuinte faça negociações que alcancem a casa de milhões de reais nos anos calendário em questão e não possuam sequer um único documento comprobatório de tais transações. Não se deve olvidar que, a despeito de o ônus da prova competir ao contribuinte, a autoridade fiscal, como se viu, além de instar o contribuinte por diversas vezes a esclarecer e comprovar as supostas atividades comerciais, diligenciou junto a beneficiários, depositantes, pessoas indicadas pelo contribuinte e órgãos públicos (DETRAN) no sentido de melhor esclarecer os negócios que teriam gerado tal movimentação bancária. Todavia, sem qualquer auxílio efetivo do contribuinte, não foi possível apurar a verdade dos fatos. Não serve de justificativa a assertiva de que não há memória para justificar todos os lançamentos. Deve o contribuinte cumprir com seu ônus e apresentar prova de tais transações comerciais, sob pena de arcar com a conseqüência legal de tributação da totalidade da movimentação bancária (art. 42 da Lei n° 9.430/96). Sendo assim e considerandose que competia ao contribuinte provar os fatos invocados, não há como acatar os argumentos apresentados durante o procedimento fiscal e reprisados em Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 defesa. Tratase de meras alegações, as quais de nada valem se desacompanhadas de qualquer elemento de convicção que não a mera declaração da contribuinte. Com efeito, o contribuinte não traz sequer um exemplo de depósito que corresponderia às atividades comerciais invocadas. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.720738/201161 Acórdão n.º 2202002.762 S2C2T2 Fl. 10 17 transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10935.005610/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
Ementa:
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPONIBILIDADE EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO.
A fiscalização pode exigir a comprovação da existência de disponibilidade em espécie. A prova pode ser feita de diversas formas, como demonstrando a existência de saques ou recebimentos em espécie.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL PARA AQUISIÇÃO DE OUTRO. ISENÇÃO. LEI 11.196/2005.
A titularidade de outro imóvel residencial não é impeditivo para o aproveitamento do benefício concedido pelo art. 39 da Lei nº 11.196/2005.
Numero da decisão: 2202-004.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a infração referente ao ganho de capital e para realocar os R$ 50.000,00 provenientes do mútuo para os seis primeiros meses do ano-calendário, rateados à proporção de 1/6 por mês.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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DISPONIBILIDADE EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO. A fiscalização pode exigir a comprovação da existência de disponibilidade em espécie. A prova pode ser feita de diversas formas, como demonstrando a existência de saques ou recebimentos em espécie. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL PARA AQUISIÇÃO DE OUTRO. ISENÇÃO. LEI 11.196/2005. A titularidade de outro imóvel residencial não é impeditivo para o aproveitamento do benefício concedido pelo art. 39 da Lei nº 11.196/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a infração referente ao ganho de capital e para realocar os R$ 50.000,00 provenientes do mútuo para os seis primeiros meses do ano calendário, rateados à proporção de 1/6 por mês. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 56 10 /2 00 9- 59 Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10935.005610/200959 Acórdão n.º 2202004.430 S2C2T2 Fl. 550 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de IRPF. Tendo a DRJ negado provimento à Impugnação, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora sob julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 12/08/2009 foi lavrado auto de infração (fls. 390/400), para constituir crédito de IRPF, identificando "OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS" e "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO". Conforme o Termo de Constatação Fiscal (fls. 376/386 e docs. anexos fls. 387/389), · Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD): "A apuração da variação patrimonial da sra. Marionilce Gatto em bases mensais no decorrer do ano de 2006 consta no demonstrativo do Anexo Único. Verificase que houve variação patrimonial a descoberto nos meses de junho, julho, agosto, setembro e novembro nos valores de R$ 84.413,18, R$ 4.715,92, R$ 3.031,46, R$ 4.070,41 e R$ 4.359,00, respectivamente." fl. 384; · Ganho de Capital: "Em 31/01/2006 houve a venda do imóvel identificado como lote urbano 01, quadra 05, loteamento Boa Vista, em Cascavel, conforme Escritura Pública de Compra e Venda apresentada. O valor da operação foi de R$ 630.000,00, sendo que o Sr. Ronaldo Scherer era proprietário de 50% do imóvel e a sra. Marionilce Gatto, a proprietária dos restantes 50%. Nos termos da escritura, a sra. Marionilce Gatto recebeu R$ 63.000,00 em 22/12/2005 e R$ 252.000,00 em 31/01/2006. 0 valor constante em sua Declaração de Ajuste relativo ao citado imóvel é de R$ 45.724,92. A época da venda a contribuinte possuía, pelo menos, outro imóvel em seu nome identificado como Chácara 03, Vila Industrial, em Toledo, registrado no 1º Oficio do Registro de Imóveis sob o no 24415. Assim, nos termos da legislação de Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10935.005610/200959 Acórdão n.º 2202004.430 S2C2T2 Fl. 551 3 regência, cabe o pagamento de imposto sobre o ganho de capital decorrente da diferença entre o valor de custo do bem adquirido e seu valor de venda. A seguir se demonstra a apuração do imposto sobre o ganho de capital devido." fl. 384; Intimada em 18/08/2009 (fl. 406), a Contribuinte apresentou Impugnação em 15/09/2009 (fls. 419/463 e docs. anexos fls. 464/476). Analisando a questão, a DRJ proferiu o acórdão nº 0627.504, de 22/07/2010 (fls. 481/487), que negou provimento à defesa, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA IRPF Anocalendário: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. APURAÇÃO MENSAL. TABELA PROGRESSIVA ANUAL. 0 acréscimo patrimonial da pessoa fisica, não justificado por rendimentos declarados ou comprovados, esta sujeito a incidência do imposto de renda. A apuração desse acréscimo patrimonial deve ser feita por meio de demonstrativo mensal de recursos e dispêndios, tributandose as diferenças com base na tabela progressiva anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DE RECURSOS INFORMADO NA DECLARAÇÃO DO ANO ANTERIOR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Na apuração de variação patrimonial a descoberto, o saldo em dinheiro informado pelo contribuinte na declaração de bens e direitos s6 pode ser considerado como origem de recursos no inicio do anocalendário seguinte se houver comprovação da existência do valor declarado. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO DA LEI 11.196/2005. REQUISITOS. ONUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O artigo 39 da Lei n° 11.196/2005 prevê isenção para o ganho de capital obtido com a alienação de imóveis residenciais, nos casos em que o alienante, no prazo de cento e oitenta dias, aplique o produto da alienação na aquisição de outros imóveis residenciais. O ônus de comprovar o preenchimento desses requisitos é do contribuinte interessado em beneficiarse com a isenção. Intimada em 04/08/2010 (fl. 493), e ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 12/08/2010 (fls. 495/541), argumentando, em síntese: · Que a Contribuinte tinha saldo de caixa no exercício anterior suficiente para fazer frente às aplicações maiores do que as origens dos recursos, devendo portanto ser afastada a autuação por Acréscimo Patrimonial a Descoberto; Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10935.005610/200959 Acórdão n.º 2202004.430 S2C2T2 Fl. 552 4 · Que a Contribuinte havia declarado o saldo positivo no exercício anterior, declaração essa que foi aceita e homologada pela receita federal; · Que não há previsão legal para a desconsideração do saldo positivo de caixa do exercício anterior; · Que não é possível à Contribuinte comprovar a existência do saldo positivo, salvo se tivesse tirado foto do dinheiro; ainda assim, tal prova seria questionável pois as fotos poderiam ser contemporâneas à fiscalização; · Que a Contribuinte pessoa física não é obrigada a manter contabilidade de sua movimentação; · Que o CARF tem precedentes no sentido de que basta a inclusão do saldo na Declaração de Ajuste Anual (DAA) para que seja aceita em relação ao exercício seguinte; · Que o empréstimo foi recebido no primeiro semestre de 2006 e não em dezembro/2006, como considerou a autoridade lançadora, prejudicando toda a apuração do seu fluxo de caixa. Caso não se aceite que os recursos foram recebidos no primeiro semestre, ao menos que se seja considerado recebido 1/12 por mês ao longo de todo o exercício; · Que o mutuante é exmarido da Contribuinte e, por isso, a relação privada dispensou as formalidades exigidas nas relações entre estranhos; · Que, em relação ao ganho de capital, a Contribuinte tem direito à isenção do art. 39 da Lei nº 11.196/2005 vez que vendeu imóvel residencial e, em menos de 180 dias, adquiriu outros imóveis residenciais; · Que não subsiste a tese da autoridade lançadora de que a Contribuinte não faz jus a esse direito tão somente por ter outros imóveis residenciais; · Que comprova a natureza residencial dos imóveis pela juntada de carnês de IPTU, de CND municipal e pela perícia in loco, caso a Receita ainda mantenha dúvidas; · Que cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador, mas a Contribuinte conseguiu comprovar que não deve prosperar o lançamento; · Que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da verdade material; e · Que, caso não se entenda demonstrada a natureza residencial do imóvel adquirido, sejam os autos convertidos em diligência para que a autoridade fiscalizadora possa visitálo in loco e, por meio de perícia, constatar qual a sua natureza. É o relatório. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10935.005610/200959 Acórdão n.º 2202004.430 S2C2T2 Fl. 553 5 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto A Contribuinte foi autuada por acréscimo patrimonial a descoberto uma vez que a autoridade lançadora, identificando os recursos disponíveis em fluxo de caixa, constatou que ela utilizouse, em cinco meses, de mais recursos do que dispunha. A Contribuinte, por sua vez, busca se defender apontando dois argumentos, a saber: Do saldo positivo do exercício anterior: Sustenta a Contribuinte que tinha saldo de caixa no valor de R$ 60.000,00 devidamente declarado na DAA do exercício anterior. Segundo desenvolve seu raciocínio, não há previsão legal para desconsiderálos. Também, que é impossível a prova dessa disponibilidade. A respeito desse argumento, a DRJ esclareceu que: De qualquer forma, ainda que a Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário 2005 contivesse rendimentos compatíveis com o saldo de caixa declarado, a exigência de comprovação da existência dos recursos informados seria válida, pois não é usual, nos dias atuais, que alguém guarde altas quantias de dinheiro em espécie, sem recorrer a depósitos em instituições bancárias. Devese esclarecer que a prova exigida pela fiscalização não é uma prova negativa, pois o que se exige é a prova de um fato positivo, qual seja, a existência do numerário. Se fosse o inverso, com exigência de demonstração da inexistência de determinado recurso (fato negativo), até se poderia falar em prova negativa, cuja exigência seria questionável, mas não é esse o caso. Evidentemente, a prova que deveria ter sido apresentada não seria uma fotografia do dinheiro, como aventou a contribuinte, mas sim a demonstração de fatos que justificassem ou dessem verossimilhança à afirmação de que a contribuinte possuía dinheiro em espécie no dia 31/12/2005, o que poderia ser feito, por exemplo, com a comprovação da realização da venda de determinado bem em data próxima ao final do ano, com recebimento do preço em espécie. Por outro lado, é certo que todas as informações constantes das declarações de rendimentos devem estar apoiadas em Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10935.005610/200959 Acórdão n.º 2202004.430 S2C2T2 Fl. 554 6 documentos hábeis e idôneos, os quais devem ser apresentados a autoridade fiscal quando assim solicitado, sob pena de serem afastadas, por inconsistentes. Nesse sentido, o artigo 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99: "As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n 25.844, de 1943, art. 74)"." fl. 484; Irrepreensível a conclusão alcançada pela autoridade julgadora de 1º grau. O simples fato de que a Contribuinte informou determinado fato em sua DAA não pode ser prova de que dispunha daquele bem, direito ou rendimentos. Suas informações estão sujeitas à devida comprovação, conforme estabelece o art. 74 do DecretoLei nº 5.844/1943 (lastro legal do art. 835 do RIR/1999). Também correta a conclusão da DRJ quando esclarece que a prova não é negativa. Poderia a Contribuinte ter comprovado a disponibilidade dos recursos de diversas formas, tais como a comprovação do recebimento de recursos em pecúnia ou o saque do dinheiro perante banco. Registrase, especificamente, que a autoridade lançadora intimou a Contribuinte a comprovar a disponibilidade desses recursos no item 2 do Termo de Início de Fiscalização, do qual a Recorrente foi intimada em 20/02/2009, meses antes, portanto, do lançamento. Em suma, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Do empréstimo: Ventila ainda, a Recorrente, que os recursos recebidos a título de mútuo, não poderiam ter sido considerados como recebidos apenas em dezembro, como fez a autoridade lançadora, mas sim que deveriam ter sido considerados no fluxo de caixa como recebidos no 1º semestre do anocalendário ou, no mínimo, rateado 1/12 por mês ao longo de todo o exercício. Analisando esses argumentos, a DRJ entendeu que a prova da data do recebimento dos recursos cabia à Contribuinte. E, nesse sentido, que não há ilegalidade em relação ao procedimento da autoridade lançadora. Pois bem. Observase que, em verdade, a Contribuinte não trouxe aos autos quaisquer provas quanto à efetiva ocorrência do recebimento dos recursos. Se não há provas do efetivo recebimento dos recursos, por certo que não há provas quanto ao quando do recebimento. Ainda assim, a autoridade lançadora aceitou a entrada dos recursos para fins de apuração do fluxo de caixa. Portanto, não há que se questionar se houve ou não o empréstimo. A questão se resume, portanto, à definição de quando ocorreu. Devese considerar, portanto: (1) que os valores foram aceitos como fonte de recursos para o fluxo de caixa, (2) ante a falta de regulamentação sobre a questão em relação ao possível arbitramento do quando do recebimento; (3) aplicando a máxima do in dubio pro Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10935.005610/200959 Acórdão n.º 2202004.430 S2C2T2 Fl. 555 7 contribuinte, princípio aceito inclusive pelo STJ12, então (4) entendo que deve ser aceito o quanto alegado pela Contribuinte, qual seja, de que os valores foram recebidos ao longo do primeiro semestre. Por essas razões, entendo que deve ser dado provimento ao pleito da Contribuinte quanto a esse ponto, devendo ser sendo realocado retificado o Demonstrativo de Variação Patrimonial para que sejam realocados os R$ 50.000,00, de forma rateada 1/6 por mês, entre os seis primeiros meses do anocalendário (janeirojunho). Do Ganho de Capital Outrossim, a autoridade lançadora autuou a Contribuinte em relação ao ganho de capital apurado na venda de um imóvel residencial, cujo preço foi recebido em fins de 2005 e início de 2006. Constatou também que a Contribuinte dispunha de outro imóvel. Diante da autuação, a Contribuinte impugnou o lançamento argumentando ter direito à isenção instituída pelo art. 39 da Lei nº 11.196/2005. Para tanto, afirmou que os imóveis adquiridos eram residenciais e que o fato de ser proprietária de outro imóvel residencial não é impeditivo para que usufrua do benefício fiscal. Analisando a questão, a DRJ entendeu não ser possível revisar o lançamento ao argumento de que cabia à Contribuinte a prova da natureza do imóvel adquirido. Entendeu, pelo contrário, que as provas juntadas aos autos não demonstravam a natureza residencial: enquanto havia construção sem identificação de natureza em dois dos lotes, nos outros dois sequer há menção a construção. Insiste a Recorrente que: · tem direito à isenção do art. 39 da Lei nº 11.196/2005 vez que vendeu imóvel residencial e, em menos de 180 dias, adquiriu outros imóveis residenciais; · não subsiste a tese da autoridade lançadora de que a Contribuinte não faz jus a esse direito tão somente por ter outros imóveis residenciais; · a natureza residencial dos imóveis é comprovada pela juntada de carnês de IPTU, de CND municipal; · caso perdure a dúvida quanto à natureza residencial do imóvel adquirido, pode ser determinada a realização de perícia in loco; 1 Precedentes: AgRg no REsp nº 1.220.414/SC, AgRg no REsp nº 982.224/PR; REsp nº 254.276/SP e REsp nº 278.324/SC. Observase que esses acórdãos versam sobre a responsabilidade do Contribuinte em relação a ato ilícito, ainda assim reconhecem a existência do princípio. 2 Ainda sobre o princípio do "in dubio pro contribuinte" ver, por exemplo, a monografia: VillasBôas, Marcos de Aguiar. In dubio pro contribuinte, dissertação de mestrado, Salvador, Universidade Federal da Bahia, 2009. Nesta, o autor conclui: "Pelos argumentos apresentados, parecenos ser possível a construção de um princípio constitucional do in dubio pro contribuinte, do qual desdobramos algumas regras e um postulado. Mesmo sem haver uma descrição literal destas normas, a sua construção é possível a partir de alguns dispositivos da CF/88, como do art. 5º, do seu §1º e do art. 150. Sendo possível a construção, é relevante a sua aplicação, uma vez que os direitos fundamentais do contribuinte ainda sofrem excessivamente com o poder estatal de tributar." (p. 197) Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10935.005610/200959 Acórdão n.º 2202004.430 S2C2T2 Fl. 556 8 Pois bem. Em primeiro lugar, não restam dúvidas quanto à aquisição dos imóveis e do prazo em que foi feito, vez que a própria autoridade lançadora levou esses dispêndios em consideração na apuração do fluxo de caixa (fls. 382). Em segundo lugar, apesar de não o afirmar expressamente, é possível concluir do lançamento que o fundamento da autoridade lançadora para apurar o ganho de capital na alienação do imóvel foi pelo fato de que a Contribuinte possuía outro imóvel residencial. Convém transcrever novamente o Termo de Constatação Fiscal: "A época da venda a contribuinte possuía, pelo menos, outro imóvel em seu nome identificado como Chácara 03, Vila Industrial, em Toledo, registrado no 1º Oficio do Registro de Imóveis sob o no 24415. Assim, nos termos da legislação de regência, cabe o pagamento de imposto sobre o ganho de capital decorrente da diferença entre o valor de custo do bem adquirido e seu valor de venda. A seguir se demonstra a apuração do imposto sobre o ganho de capital devido." fl. 384; Não há, no referido Termo de Constatação Fiscal, nenhuma menção a dúvida quanto à natureza dos imóveis adquiridos. Há, portanto, verdadeira inovação por parte da DRJ, que fundamentou em argumento absolutamente diverso a manutenção do lançamento. Isso configura verdadeira hipótese de nulidade do julgamento, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. Acontece que esse mesmo art. 59, em seu § 3º, determina que a nulidade poderá ser superada caso seja possível decidir no mérito em favor do Contribuinte. In casu, constatase que a autoridade lançadora utilizou argumento sem fundamento legal para afastar a isenção, qual seja, o de que a Contribuinte tinha outro(s) imóvel(eis) residencial(is). Acontece que a própria legislação de regência da isenção se refere a operações envolvendo múltiplos imóveis, como se observa especificamente dos §§ 1º e 3º do referido art. 39 da Lei nº 11.196/2005. Portanto, não subsistindo o lançamento, deve ser restituída a condição de isenta dos recursos provenientes da venda do imóvel. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para, afastar a infração referente ao ganho de capital e para realocar os R$ 50.000,00 provenientes do mútuo para os seis primeiros meses do anocalendário, rateados 1/6 por mês. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 556DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.723266/2014-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/10/2013
Ementa:
LANÇAMENTO. NULIDADE. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE.
"É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte." (Súmula CARF nº 6)
FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DOCUMENTOS (FOLHA PAG, DIRF E RAIS).
Sujeita-se ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, etc), quando não comprovado pelo sujeito passivo a origem da diferença apurada.
MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. EVIDÊNCIAS DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE.
Correta a aplicação da multa qualificada e agravada, quando há evidências inequívocas da figura da sonegação e o contribuinte se nega, injustificadamente, a apresentar livros e documentos contábeis/fiscais.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS POR ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI .
Uma vez demonstrados atos que configuram indícios de crimes de apropriação indébita previdenciária correta a imputação da responsabilidade tributária prevista nos artigos 135, III e 137 I do CTN.
NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO FISCAL.
Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação.
Constitui infração, punível com multa, deixar o contribuinte de apresentar ou apresentar fora do prazo a Guia de Recolhimento e Informações a Previdência Social na forma prevista em legislação.
RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO.
A correção de inexatidão material decorrente de lapso manifesto existente na decisão poderá ser corrigido de ofício, mediante novo acórdão.
Numero da decisão: 2202-004.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
WALTIR DE CARVALHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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NULIDADE. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. "É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte." (Súmula CARF nº 6) FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DOCUMENTOS (FOLHA PAG, DIRF E RAIS). Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, etc), quando não comprovado pelo sujeito passivo a origem da diferença apurada. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. EVIDÊNCIAS DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada e agravada, quando há evidências inequívocas da figura da sonegação e o contribuinte se nega, injustificadamente, a apresentar livros e documentos contábeis/fiscais. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS POR ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI . Uma vez demonstrados atos que configuram indícios de crimes de apropriação indébita previdenciária correta a imputação da responsabilidade tributária prevista nos artigos 135, III e 137 I do CTN. NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 32 66 /2 01 4- 25 Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.015 2 competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação. Constitui infração, punível com multa, deixar o contribuinte de apresentar ou apresentar fora do prazo a Guia de Recolhimento e Informações a Previdência Social na forma prevista em legislação. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. A correção de inexatidão material decorrente de lapso manifesto existente na decisão poderá ser corrigido de ofício, mediante novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado para constituir crédito de contribuições previdenciárias em desfavor do Contribuinte e de responsáveis solidários. Intimados, opuseram Impugnação, que foi rejeitado. Ainda inconformados, interpuseram recurso voluntário, ora sob julgamento. Em. 30/04/2014 foram lavrados os AI DEBCAD nº 51.060.2746 (fls. 2/30) e AI DEBCAD nº 51.060.2754 (fls. 31/72). Conforme o Relatório Fiscal (fls. 75/90 e docs. anexos fls. 91/2.479) , Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.016 3 "2. Três AIAutos de Infrações que constam dos citados processos digitais [nº 10120.723266/201425 e nº 10120.723267/201470] foram lavrados no andamento desta ação fiscal, sendo devidos pela empresa fiscalizada, como também, pelos devedores solidários. Dois AIAutos de Infrações que constam dos citados processos digitais foram lavrados no andamento desta ação fiscal e são devidos pela empresa fiscalizada. Os devedores solidários são os dois únicos proprietários da empresa fiscalizada, ambos administradores do Colégio Olimpo Ltda, conforme Contrato Social que estabelece serem os dois sócios responsáveis pela administração, sendo responsabilizados pela decisão de alterar por diversas vezes, constantemente e por um longo período, suas GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Os dois devedores solidários, em tese, são os responsáveis por nunca terem incluído todos segurados em GFIP, como já havia sido constatado na fiscalização previdenciária anterior encerrada em Fevereiro de 2012, cobrindo período 07/2007 a 07/2010. (...) 5. Os administradores e responsáveis pela empresa, em tese, podem ter praticado o crime de falsificação de documento público, conforme previsto no inciso III do §3o do art. 297 do CPCódigo Penal. Também podem ter praticado, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art.337A, I, do CP, crime contra a ordem tributária previsto no art.1o, II, da lei 8137/90, e crime de apropriação indébita previdenciária previsto no art.168A do CP. Os administradores e proprietários da empresa tornaramse pessoalmente responsáveis pelos débitos resultantes de declaração incompleta em GFIP, por diversas alterações incompletas de GFIP, com indícios de crimes, nunca incluindo grande parte dos trabalhadores na empresa, redeclarações de GFIP sempre incompletas, trocando segurados, conforme previsto nos artigos 124, 135 a 137 do CTN. A declaração de GFIP, sem a maioria dos segurados e sem todas bases de cálculo tributária, vem sendo realizada há mais de sete anos nesta empresa e, até o momento, ainda continuam entregando GFIP com menos de 5% dos segurados. (...) Processo Número do AI Valor (R$) Descrição suscinta da infração 10120.723266/2014 25 51.060.2754 15.417.404,45 Não declaração em GFIP de contribuições sociais para a Previdência Social. AI devido pela empresa fiscalizada e devedores solidários. Contribuições previdenciárias sobre pagamentos para trabalhadores não incluídos em GFIP, conforme dados em DIRF, RAIS e Folha em arquivo Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.017 4 digital. Contribuições previstas no art.22 incisos I a III da Lei 8212/91. 10120.723266/2014 25 51.060.2746 3.667.291,94 Não declaração em GFIP de contribuição social dos segurados para a Previdência Social. AI devido pela empresa fiscalizada e devedores solidários. Contribuição previdenciária dos trabalhadores, descontada dos segurados, porém não declarada e não recolhida. Contribuições dos segurados incidentes sobre pagamentos a trabalhadores não incluídos em GFIP, conforme dados em DIRF, RAIS e Folha em arquivo digital. Contribuições previstas nos arts.20 e 21 da Lei 8212/91. 10120.723267/2014 70 51.060.2770 3.312.601,10 Não declaração em GFIP de contribuições sociais para Terceiros, Outras Entidades ou Fundos – FNDE (2,5%), INCRA (0,2%), SESC (1,5%), SEBRAE (0,3%). Contribuições patronais que não foram declaradas ou recolhidas. AI devido pela empresa fiscalizada e devedores solidários. Contribuições incidentes sobre pagamentos a empregados não incluídos em GFIP, conforme dados em DIRF, RAIS e Folha em arquivo digital. Contribuições sociais previstas na MP 222/04, Lei 9424/96 e demais normas listadas no relatório FLDFundamentos Legais do Débito. 10120.723267/2014 70 51.062.4081 550,60 Declaração incorreta em GFIP de contribuições sociais para a Previdência Social. AI devido pela empresa fiscalizada. Diferença de contribuição previdenciária para o custeio de acidente do trabalho (GILRAT) pela utilização de FAP Fator Acidentário de Prevenção menor que o devido. Também, diferença de Salário Família incorreto pago para empregada e declarado indevidamente em GFIP. Dados levantados em GFIP e Folha em arquivo digital. Contribuição prevista no art.22 inciso II da Lei 8212/91, nos arts. Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.018 5 202A e 81 a 92 do Decreto 3048/91. 10120.723267/2014 70 51.060.2720 60.252,50 Descumprimento de obrigação acessória – AI 22. AI devido pela empresa fiscalizada. A empresa não apresentou o arquivo digital de Folha de Pagamento completo, com todos trabalhadores ou com todas informações necessárias ou corretas, como se verifica nas falhas listadas no arquivo “AI 22 multa erro Folha Manad”. Apresentou arquivo digital com omissões, sem diversos trabalhadores na Folha de Pagamento MANAD. Descumpriu normas previstas nos art.11 e 12 da Lei 8218/91 e nos incisos I, III e § 11 do art.32 da Lei 8212/91. Multa prevista no art.12, inciso II e parágrafo único da Lei 8218/91. 10120.723267/2014 70 51.060.2738 21.527,91 Descumprimento de obrigação acessória – AI 77. AI devido pela empresa fiscalizada. Não entregaram no prazo correto GFIP de competências no período 08/2010 e 10/2013. GFIP declaradas após o dia sete do mês seguinte ao fato gerador. Multa prevista na Lei 8218/91, em seu art.32A, inciso II, inciso I do parágrafo 2o, e parágrafo 3o. Os atrasos foram de fração de um mês ou de mais de um mês, conforme listado no arquivo “AI 77 Multa atraso GFIP”. (...) 8. A empresa apresentou à fiscalização apenas parte dos documentos e esclarecimentos notificados. A empresa não apresentou dados contábeis, nem em papel, nem em arquivo digital. A empresa apresentou documentos sobre seus trabalhadores, folhas de pagamentos com seus empregados de 08/2010 a 13/2013, folhas em arquivos digitais com alguns erros ou omissões, recibos 9d98c0fb4d3d5de5a41e7b02398f82ed, 5255d939bcd946ab729306df86bc0bf8, 44c9f88b38ce714a 80e7eca263f0f52f de 19.02.2014, como também, recibo dc637952e471ef733d87cebaa839fff2 de 07.04.2014. Foram juntados aos processos administrativos os documentos e dados utilizados nos levantamentos dos débitos, dentre os quais destacamos os recibos assinados com apropriação indébita, quantitativo de GFIP por competência, exemplos de GFIP Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.019 6 alteradas inclusive após notificação fiscal, esclarecimentos prestados pela empresa, Termos de Notificação Fiscal, listagens de débitos com nomes dos segurados, seus Salários de Contribuição e a contribuição devida por cada segurado. 9. Constatouse que, desde período coberto pela anterior fiscalização previdenciária e até o momento, a empresa não declara grande parte de seus trabalhadores em GFIP, assim consegue reduzir drasticamente as contribuições sociais a recolher em todos os meses, prejudicando seus trabalhadores, seus futuros benefícios do INSS e a Seguridade Social. A empresa desconta INSS de seus trabalhadores, exceto de trabalhadores com múltiplos vínculos ou com mais de um emprego. Em tese, há indício de que se apropriam indebitamente de contribuições previdenciárias descontadas de seus empregados que não foram declarados em GFIP ou recolhidos em GPSGuia de Previdência Social. Em tese, há muitos anos, há indícios de que estão praticando mensalmente crime de falsificação de documento público ou falsificação de GFIP, pois além de nunca incluírem todos segurados em GFIP, alteram dados já declarados, sempre erroneamente, alterando para segurados diferentes em cada exportação, provavelmente para não aumentar sua GPS a recolher, nunca incluindo todos segurados e bases de cálculo. Nem nas GFIP alteradas depois de notificados por esta fiscalização, incluíram todos segurados e fatos geradores. Em tese, há muitos anos, com suas declarações incompletas de GFIP, há indício de que praticam crimes contra a ordem tributária, de sonegação de contribuição previdenciária, de apropriação indébita, e de falsificação de documento público. Desse modo, os sócios proprietários citados no Contrato Social como responsáveis pela administração da empresa foram arrolados como devedores solidários de débitos lavrados nesta ação fiscal, solidários nos lançamentos baseados em segurados e SCSalários de Contribuição ausentes em GFIP, pois descumpriram lei reiteradamente, mesmo após alertados pela fiscalização, conforme previsto no art.124, 135 a 137 do CTN. 10. (...)Assim, pelos indícios de prática de crime e pela não apresentação de todos documentos, esclarecimentos e dados que se faziam necessários, os débitos foram lavrados com multa qualificada e agravada, multa de 225%, conforme art. 44, §§1o e 2o da Lei 9430/96, arts. 35 e 35A da Lei 8212/91. (...) 13. Por declarar ou concorrer com informações incorretas em GFIP do Colégio Olimpo, com base em valores bem inferiores aos devidos, omissões e trocas de segurados, os devedores solidários passaram a ser pessoal e diretamente responsável pelos tributos lavrados nesta ação fiscal. Assim, respondem com seus próprios bens pessoais até a satisfação dos correspondentes débitos tributários. Portanto, os responsáveis solidários serão cientificados de débitos lavrados e listados neste relatório, constantes nos processos digitais 10120723266/201425 e Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.020 7 10120723267/201470, em relação às contribuições sociais incidentes sobre segurados não declarados em GFIP, declarações realizadas com indícios de crimes/falsidade, visto serem pessoalmente responsáveis por três dos AI lavrados, Debcad 510602754, 510602746 e 510602770. DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS – AIOP LAVRADOS NESTA AÇÂO FISCAL 14. Os descumprimentos de obrigações principais acarretaram a lavratura de quatro Autos de Infrações – AI, detalhados adiante, por terem sido verificadas contribuições sociais não declaradas em GFIP, ou declaradas incorretamente. Os valores devidos foram levantados com base nas Folhas de Pagamento em arquivo digital apresentada à fiscalização, ManadFolha de 2010 a 2013, nas declarações em RAIS, DIRF e na última GFIP exportada antes do inicio deste procedimento fiscal das competências 08/2010 a 10/2013. (...) Foram formalizados "Termos de Sujeição Passiva Solidária" (fls. 2.481/2.484). Intimada, a Contribuinte protocolou impugnação (fls. 2.503/2.535 e docs. anexos fls. 2.536/2.667). Protocolou ainda Aditamentos à Impugnação (fls. 2.691/2.695 e docs. anexos fls. 2.696/2.713, novamente fls. 2.716/2.720 e docs. anexos fls. 2.721/2.738). Chegando à DRJ, foi proferido o acórdão nº 0650.334, de 28/11/2014 (fls. 2.740/2.767), que julgou improcedente a impugnação, mas que considerou "prejudicada em parte a impugnação em relação às contribuições e respectivas multas e juros, cuja base de cálculo conste simultaneamente dos Autos de Infração e das GFIPs não espontâneas integrantes da IP 00.120.550/2014 (DEBCADs n° 45.154.4439 e n° 45.154.4447)". Em 25/03/2015, a DRJ proferiu o novo acórdão nº 0651.472 (fls. 2.850/2.879), que retificou o acórdão anterior, mas que manteve integralmente o auto de infração e restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/10/2013 RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. A correção de inexatidão material decorrente de lapso manifesto existente na decisão poderá ser corrigido de ofício, mediante novo acórdão. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.021 8 Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e inexistindo qualquer preterição do direito de defesa, rejeitase a preliminar argüida pela impugnante. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DOCUMENTOS (FOLHA PAG, DIRF E RAIS) Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, etc), quando não comprovado pelo sujeito passivo a origem da diferença apurada. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE A alteração do crédito tributário deve ser baseado em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. EVIDÊNCIAS DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada e agravada, quando há evidências inequívocas da figura da sonegação, e o contribuinte se nega, injustificadamente, a apresentar livros e documentos contábeis/fiscais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os sujeitos passivos foram intimados em 09/04/2015 (fl. 2.908), e em 10/04/2015 (fls. 2.910 e 2.911). A Contribuinte interpôs, então, Recurso Voluntário (fl. 2.913/2.942) em 08/05/2015 (fl. 2.912). Ao final, resumiu bem os seus pedidos: "Por todo o exposto, requer que esse Douto Colegiado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acolha o presente Recurso para reformar o acórdão proferido em primeira instância e, ao decidir: 1) Preliminarmente Cancelar os lançamentos tributário ora sob querela, uma vez que: a) a autoridade fiscal, efetivamente, não deu ciência formal à Recorrente dos autos de infração nem a intimou para o cumprimento da obrigação, gerando dúvidas sobre os fatos omissivos ou comissivos a ela imputados e os dispositivos legais presumivelmente infringidos; b) pelo fato de não haver cientificado a Recorrente de todo o teor dos autos de infração e de não os haver juntado ao processo, restou configurado o cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que ficou indefinido o termo inicial do prazo Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.022 9 para impugnação e desconhecidas as infrações imputadas, o que muito dificultou na preparação da documentação para instrução da defesa. 2) No Mérito Na hipótese dos ilustres membros desse Conselho Considerarem improcedentes as questões levantadas nas preliminares, que determine: a) o refazimento da apuração das bases de cálculo das contribuições previdenciárias para excluir, do montante exigido, valores ali indevidamente componentes, conforme detalhado no item 2.1; b) que seja alterara a multa de ofício aplicada, passandoa de qualificada (150%) para multa normal (75%), uma vez que não ficou comprovado o cometimento de infrações fiscais dolosas, com indiscutível intenção de lesar a fazenda pública federal; c) seja desconsiderado o agravamento das multas de ofício, sejam elas quais forem, considerandose que não houve recusa em atendimento de qualquer intimação que caracterizasse embaraço à ação fiscal e também sob pena de ficar caracterizado que o fiscalizado foi penalizado por apresentar a documentação exigida na ação fiscal, uma vez que suas informações resultaram em penalidade mais gravosa financeiramente do que se houvesse efetivamente se negado a colaborar com a fiscalização; d) a exclusão da responsabilidade do sócio Rodrigo Bernadelli Santos, visto que seu cargo confere apenas poderes para tratar de assuntos pedagógicos. E também porque em nenhum momento ficou comprovado o interesse comum, o benefício pessoal e o dolo. Sem dizer que a autoridade tributante sequer conseguiu fazer o enquadramento do dispositivo legal ao caso em concreto, uma vez que aplicou indistintamente os artigos 124 e 135 a 137 do CTN e todos os seus incisos; e) a exclusão da responsabilidade do sócio Marcelo de Moraes Melho, haja vista que também em nenhum momento ficou comprovado o interesse comum, o benefício pessoal e o dolo. Da mesma forma a autoridade tributante sequer conseguiu fazer o enquadramento do dispositivo legal ao caso concreto, pois aplicou indistintamente os artigos 124, 135 a 137 do CTN e todos os seus incisos; f) que sejam excluídos, do termo de arrolamento, os bens pessoais dos sócios uma vez excluídas suas responsabilidades; g) caso permaneça a responsabilidade pessoal do sócio, efeito que gera a exclusão do contribuinte de fato, seja o AI declarado nulo ante o erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária; Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.023 10 h) que sejam canceladas as multas isoladas objetos dos autos de infração 51.0602720 e 51.060.2738, por serem improcedentes; i) quaisquer que sejam as bases de cálculo remanscentes após a costumeira criteriosa avaliação por parte dos ilustres julgadores, que mande excluir do auto de infração as contribuições previdenciárias e seus respectivos consectários que se identificam como aquelas inscritas em Dívida Ativa da União e regularmente parceladas (DEBCAD 451544439 e 451544447) por configurarem cobrança em duplicidade; j) ao final, na hipótese desse douto colegiado considerar que os autos de infração podem ainda ser reparados, saneados, ajustandoos aos corretos prescritivos legais, que seja determinada a realização de diligências ou perícias que completarão a instrução do processo para uma decisão plenamente justa." fls. 2.941/2.942; Em 29/09/2015 (fl. 2.976), a Contribuinte juntou aos autos manifestação esclarecendo que marcou os créditos objeto desses autos no parcelamento da Lei nº 12.996/2014, mas que o fez por erro e que, portanto, não fez o recolhimento da entrada e que, portanto, não desistiu dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme o relatório fiscal, os autos de infração que compõem o presente processo administrativo foi formalizado no âmbito da mesma fiscalização, com base nos mesmos fatos e documentos em que se formalizaram os autos de infração que compõem o PAF nº 10120.723267/201470. Acontece que esse outro processo já foi objeto de julgamento nessa mesma turma, no acórdão CARF nº 2202004.076, de 08/08/2017. Preliminarmente, nos termos do art. 6º, § 3º, do Anexo II ao RICARF, há que se registrar que, a despeito de serem autos conexos, não cabe a redistribuição do presente processo para a relatora daquele uma vez que já foi julgado. De outro lado, analisando o outro acórdão, constatase que as defesas apresentadas pela Contribuinte são as mesmas. Inclusive, também os acórdãos recorridos têm as mesmas conclusões. Considerando que esse outro julgamento contou com a minha participação, sendo o voto apresentado pela i.Relatora foi adotado por unanimidade; Considerando ainda que não se observa qualquer fato, argumento ou prova nos presentes autos que o distingam daquele; Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.024 11 Imperioso concluir pela mesma solução também no presente litígio. Por essa razão, adoto os fundamentos ali esposados em sua integralidade. 1) DELIMITAÇÃO DA LIDE. Antes de mais nada é importante fazermos a delimitação da lide. Isso porque, conforme reconhecido pela própria Recorrente, não há questionamento quanto ao fato de serem devidas as contribuições sociais lançadas. Dessa forma, tanto a impugnação quanto o recurso voluntário se destinam a impugnar os seguintes pontos: a) Nulidade do lançamento em razão de ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa; b) Erro nos demonstrativos das Bases de Cálculo; c) Ausência de fato que justificasse o agravamento e qualificação das multas; d) Ausência de responsabilidade dos sócios; e) Incorreto arrolamento de bens dos sócios; f) Incorreta aplicação das multas por descumprimento de obrigações acessórias. É o que passaremos a analisar 2 PRELIMINAR 2.1) NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA; O Recorrente alega que o lançamento em questão não atendeu ao princípio do contraditório e ampla defesa em razão dos seguintes fatos: a) A Auditoria Fiscal não esteve no domicílio da Fiscalizada seja para iniciar nem para finalizar o procedimento o que comprometeu a correta apuração dos fatos; b) A Autoridade Fiscal não deu ciência à Recorrente dos autos de infração e seus anexos, mas tão somente dos termos de encerramento com os valores que lhes eram exigidos. Quanto a primeira alegação, não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório, uma vez que o procedimento de fiscalização é de natureza inquisitorial. Como esclarece JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.025 12 o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” A característica inquisitorial do lançamento é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7∕STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7∕STJ. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.026 13 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.445.477 – S, Relator: Ministro Herman Benjamin, DJ 24/06/2014) Além disso, a jurisprudência desse conselho é pacífica quanto a legitimidade da lavratura do auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte. É o que dispõe a Súmula CARF nº 6 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Da mesma forma, improcedente a alegação de ausência de ciência do Auto de Infração. Isso porque, conforme demonstrado pela decisão recorrida: 9.1. Contudo, não é o que se depreende da defesa. Na presente situação, a empresa e os responsáveis solidários foram devidamente cientificados do presente processo em 08/05/2014 (Rodrigo Bernadelli Santos, fl. 268) e em 29/05/2014 (Marcelo de Moraes Melo, fls. ), e a empresa apresentou uma minuciosa peça impugnatória, em 09/06/2014 (fls. 272/282), através da qual demonstra deter pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas. 9.2. E, não obstante os argumentos da defesa, no sentido de que não teria conseguido abrir o conteúdo do CD (por defeito no arquivo magnético), fato este que teria prejudicado o seu direito a ampla defesa, temse que as fls. 2494, consta a informação da auditora fiscal, que todos os débitos e o TABTermo de Arrolamento de Bens foram integralmente cientificados para a empresa, através do AR JG996875201BR. Os débitos e TAB foram cientificados para os sócios solidários, sendo em 08.05.14 para Rodrigo Bernadelli Santos com AR JG996875189BR, e em 29.05.14 para Marcelo de Moraes Melo com AR JG996875422BR. 9.3. Ademais, é de se estranhar o fato de que a empresa, apesar de ter sido cientificada por AR em 08/05/2014, somente em 19/05/2014, em pesquisa ao Sistema Comprot, identificou os processos e agendou para o dia 21/05/2014 o pedido de extração de cópias, ou seja, somente 11 dias após o recebimento do citado CD . 9.4. Portanto, do que se extrai da defesa apresentada, tal fato em nada obstou a compreensão pela impugnante de todo o ocorrido durante a ação fiscal, vez que a impugnação apresentada denota o amplo entendimento da autuada quanto débito lavrado e das contribuições lançadas, sendo incabível a argumentação pela nulidade do AIOP. Em face do exposto, rejeito as preliminares. 3) MÉRITO Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.027 14 3.1) ERRO NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO. O recorrente alega erro na apuração das bases de cálculo das contribuições lançadas em razão dos seguintes fatos: a) Duplicação das bases de cálculo, uma vez que em relação ao levantamento D1 (DIRF maior em comparação com as folhas de pagamento e GFIP) tendo em vista que a fiscalização considerou erroneamente valores de remuneração dos empregados declarados da DIRF de dezembo/2011, mês de concessão das férias dos empregados, como remuneração de novembro, resultando que o mês de novembro ficou com uma base de cálculo superavaliada; b) Base de cálculo desconhecida, uma vez que diversos valores considerados como base de cálculo não guardam qualquer relação com nenhuma das fontes de informação (RAIS, Folha de pagamento ou DIRF); c) Omissões inexistentes uma vez que a fiscalização não considerou as RAIS apresentadas pelas filiais, onde todos os seus empregados estão relacionados. Improcedentes as mencionadas alegações. A decisão recorrida refuta especificamente cada uma delas, conforme se verifica pelos trechos abaixo transcritos: Em relação ao primeiro argumento da autuada, é possível verificar da analise da Lista de Débitos de fls. 934/1291, em todo os período lançado, e também especificamente em relação à competência novembro/2011, que a grande parte das remunerações levantadas são as que, de fato, estavam informadas em Folha de pagamento, (não declaradas em Gfip). Somente, em poucos casos, foi considerada a informação declarada em DIRF, ou seja, somente quando esta era maior que a folha (ou, não existia), conforme palavras do próprio fiscal: No caso de segurados fora de GFIP para os quais consta uma mesma remuneração em Folha, DIRF e RAIS, lavramos o débito como base na Folha. No caso de segurados ou SCSalários de Contribuição que não constam da GFIP nem da Folha, lavramos o débito com base nos valores existentes em DIRF e/ou RAIS. No caso de segurados com remuneração maior em DIRF que em Folha, lavramos o débito com base nos valores existentes na DIRF do mês seguinte (regime de caixa)”. 9.7.Portanto, considerando a informação da impugnante de que foram concedidas férias aos seus empregados, (“A autuada concedeu férias aos seus empregados com período de gozo de 22 de dezembro /2011 a 20 de janeiro/2012”), como se justificariam tais diferenças somente em relação a alguns segurados? A empresa não traz provas de suas alegações. Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.028 15 (...) 9.9. Conforme destacado no texto da legislação regente da matéria, verificase que a informação constante na DIRF obedece ao regime de caixa, isto é, são considerados o registro dos documentos na data em que foram pagos ou recebidos, enquanto o fato gerador de contribuição previdenciária segue o regime de competência, considerandose o registro da obrigação na data em que a prestação dos serviços efetivamente ocorreu. Portanto, não há como contestar o procedimento fiscal ao adotar os dois regimes para efeito de comparação da mesma base de calculo. 9.10. Temse ainda que, consoante o Manual da DIRF, sob os códigos 0561 e 0588 deverão ser informados, respectivamente, os rendimentos do trabalho assalariado e do trabalho sem vínculo empregatício, isto é, os valores efetivamente pagos. Assim, somente no caso (de férias, por exemplo), de haver a possibilidade de haver coincidência do regime de caixa e de competência no mesmo mês, respectivamente na DIRF e na GFIP/Folha de pagamento, com a tomada pela fiscalização de algum(ns) valor(es) indevido(s) e/ou incorreto(s) é que justificaria a retificação da base de calculo. Contudo, para isto seria necessário que a defesa comprovasse tais argumentos com a juntada do(s) documento(s) correspondente(s), para a real comprovação, no que se quedou inerte. 9.11. Importante observar, que o Auditor Fiscal quando apurou a base de cálculo das contribuições lançadas (Valores retirados da RAIS/DIRF – base de cálculo), utilizou os valores que já se encontravam informados – pelo próprio contribuinte – nos documentos fiscais retro citados, logo, a referida alegação de erro nas informações prestadas em RAIS, também são descabidas. A simples informação de que informou trabalhadores que na verdade, não constituía o quadro de funcionários da empresa, não pode ser considerada sem os respectivos documentos contábeis, consequentemente, o procedimento adotado está correto, diante da documentação apresentada de forma deficiente por ela mesma. 9.12. Ademais, deve ser destacado, conforme informação extraída do Relatório fiscal, que a empresa apresentou à fiscalização apenas parte dos documentos e esclarecimentos notificados, deixando de apresentar os Livros Diários, Razões, Sped Contábil, nem contabilidade em arquivo digital, bem como diversos esclarecimentos sobre os pagamentos em DIRF e RAIS em valores superiores aos da Folha, complementação de esclarecimentos e documentos sobre o valor da remuneração e da contribuição descontada em outros vínculos/empregos e a comunicação apresentada pelos empregados de múltiplos vínculos, conforme art.64 da IN/RFB 971/09. Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.029 16 Em seu recurso voluntário o Recorrente reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação sem, contudo, trazer qualquer elemento de prova ou contestação que pudessem infirmálas. 3.2) DA QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DAS MULTAS. Alega o Recorrente ausentes os pressupostos para agravamento e qualificação das multas aplicadas. Isso porque, segundo ele, "no período fiscalizado não havia um único empregado sem o competente registro nem qualquer parcela de seus rendimentos fora das folhas de pagamento, RAIS ou DIRF". Ressalta, ainda, que a administração tributária teve como fonte para o lançamento unicamente as informações prestadas pela própria fiscalizada, antes e após o início do procedimento (DIRF, RAIS e GFIP). A imposição da multa de ofício qualificada está disciplinada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e artigo 44 §1º, da Lei nº 9.430/96, que assim dispõem: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (grifei) Lei n° 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(grifamos) O relatório fiscal evidencia a presença dos requisitos necessários à qualificação da multa, uma vez que o contribuinte: não declara grande parte de seus trabalhadores em GFIP, assim consegue reduzir drasticamente as contribuições Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.030 17 sociais a recolher em todos os meses, prejudicando seus trabalhadores, seus futuros benefícios do INSS e a Seguridade Social desconta INSS de seus trabalhadores, exceto de trabalhadores com múltiplos vínculos ou com mais de um emprego as remunerações informadas em folhas de pagamento, isto quando apresentadas, e em GFIP, além de serem discrepantes entre si, apontam para omissão da real massa salarial dos segurados empregados e contribuintes individuais levandose em conta o percentual do faturamento da empresa. há indício de que se apropriam indebitamente de contribuições previdenciárias descontadas de seus empregados que não foram declarados em GFIP ou recolhidos em GPSGuia de Previdência Social. há indícios de que estão praticando mensalmente crime de falsificação de documento público ou falsificação de GFIP, pois além de nunca incluírem todos segurados em GFIP, alteram dados já declarados, sempre erroneamente, alterando para segurados diferentes em cada exportação, provavelmente para não aumentar sua GPS a recolher, nunca incluindo todos segurados e bases de cálculo. nem nas GFIP alteradas depois de notificados por esta fiscalização, incluíram todos segurados e fatos geradores. Da mesma forma, entendo presentes os elementos necessários ao agravamento da multa. Isso porque, conforme esclarece a decisão recorrida: 10.6. De outro modo, temse ainda que a empresa não apresentou todos documentos e esclarecimentos que se faziam necessários, apesar de notificada pelo TIPF, TIF1 a TIF5 (fls.1741/1751) para apresentar documentos e esclarecimentos, nos termos a seguir expostos no Relatório Fiscal: ”..não apresentou CONTABILIDADE dos anos 2010 a 2013. Não apresentou Livros Diários, Razões, Sped Contábil, nem contabilidade em arquivo CONTABILIDADE dos anos 2010 a 2013. Não apresentou Livros Diários, Razões, Sped Contábil, nem contabilidade em arquivo digital. Não apresentou esclarecimentos nem documentos como Balancetes, Balanços, esclarecimentos sobre o estabelecimento em que trabalham diversos empregados que estão com coluna/campo filial em branco (vide listagem de débitos), esclarecimentos sobre pagamentos em DIRF e RAIS em valores superiores aos da Folha, complementação de esclarecimentos e documentos sobre o valor da remuneração e da contribuição descontada em outros vínculos/empregos e a comunicação apresentada pelos Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.031 18 empregados de múltiplos vínculos, conforme art.64 da IN/RFB 971/09”. 10.8. Assim, diferentemente do que possa ter entendido a empresa, como se depreende do dispositivo legal acima transcrito, basta ocorrerem as hipóteses descritas no dispositivo citado para que a fiscalização, no seu dever de ofício, aplique a penalidade cabível, sem qualquer necessidade de demonstração da ocorrência do dolo no caso do dispositivo acima, como entendeu o impugnante. 10.9. Por outro lado, todos os termos de intimação para a apresentação de documentos e esclarecimentos são bastante claros, não denotando maior dificuldade ou habilidade para que fosse compreendido e apresentados pela empresa todos os esclarecimentos e documentos necessários ao melhor andamento da ação fiscal. Corretos, portanto, o agravamento e qualificação das multas aplicadas. 2.3) DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS. Em relação à responsabilidade tributária imputada aos sócios, alega o Recorrente que não é razoável que a vinculação dos sócios à exigência tributária ocorra no ato do lançamento, uma vez que, naquele momento, o crédito tributário não estava definitivamente constituído. Improcedente a referida alegação. Isso porque a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. Além disso, o fato gerador é o mesmo. Dessa forma, estranho seria que a fiscalização emitisse mandado de procedimentos fiscais distintos (um para fiscalização da empresa e outro do sócio) antes mesmo que o trabalho fiscal fosse desenvolvido. Isso porque, a responsabilidade tributária não é presumida. Alega também que o trabalho fiscal equivocouse quanto ao enquadramento legal pretendido, uma vez que utilizou como fundamentação os artigos 124, 135 e 137 que tratam de assuntos diversos. Tem razão o Recorrente quanto à inaplicabilidade, ao caso em questão, da denominada solidariedade de fato prevista no artigo 124, I, do CTN. Isso porque, tanto a denominada solidariedade “de fato” (art. 124, I) como a solidariedade “de direito” pressupõem a existência de uma previsão legal. Essa observação é importante para delimitar o sentido da expressão “interesse comum” constante do inciso I. Isso porque, as situações abrangidas pelo inciso I estão contempladas no fato gerador do tributo, motivo pelo qual, não precisam estar explicitados em lei. Como esclarece Luciano Amaro1 O art. 124 prevê hipóteses de solidariedade (item I), admitindo que a lei possa definir outras situações de Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.032 19 solidariedade (item II) (…) Anotese, em primeiro lugar, que se os casos de interesse comum precisassem ser explicitados por lei, como disse Aliomar Baleeiro, o item I do art. 124 seria inútil, pois as hipóteses todas estariam na disciplina do item II. Nos casos que se enquadrem no questionado inciso I a solidariedade passiva decorre do próprio dispositivo, sendo desnecessário que a lei de incidência o reitere. Situações outras não abrangidas pelo item I, é que precisam ser definidas na lei quando esta quiser eleger terceiro como responsável tributário. Sabendo que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele seja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato dele ter 'interesse comum' no fato gerador (o que dispensa lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor se diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável.(AMARO, Luciano Direito Tributário Brasileiro, 11 edição, São Paulo: Saraiva, 2005, p. 314315) Diante do exposto, fica claro que a expressão “interesse comum” mencionada no artigo 124, I do CTN tem o seu conteúdo semântico limitado. Isso porque, diante do princípio da legalidade, tal expressão se refere a situação prevista no antecedente da regra matriz de incidência tributária. Como esclarece Marcos Vinícius Neder² Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situamse em cada um dos pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, o conjunto de compradores. (NEDER, Marcus Vinicius “ Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito” in Responsabilidade Tributária ed. Dialética, São Paulo, 2007, p. 41) Dessa forma, a expressão “interesse comum” não pode ser tomada como interesse econômico ou social. É fundamental que exista interesse jurídico comum que ocorre a partir de direitos e deveres idênticos, entre pessoas situadas no mesmo pólo da relação jurídica. Em outras palavras, as pessoas que se encontram no mesmo pólo da regra matriz de incidência ocupam a posição de contribuintes e não de responsáveis tributários. Todavia, o mesmo não ocorre em relação à imputação da responsabilidade prevista nos artigos 135, III e 137, I, do CTN. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.033 20 circunstância que acarreta a responsabilidade dos sócios nos termos previstos no art. 135, III, do CTN (REsp nº 1101728). No entanto, na hipótese em questão, foram suficientemente demonstrados atos que configuram indícios de crimes de apropriação indébita previdenciária, o que faz com que as mencionadas situações se subsumam as normas dos artigos 135, III e 137, I do CTN. Por fim, requer o Recorrente a exclusão da responsabilidade do sócio Rodrigo Bernadelli Santos, uma vez que seu cargo lhe conferia "apenas poderes para tratar de assuntos pedagógicos". Todavia, conforme se verifica pelo contrato social e alterações contratuais presentes nos autos e juntados novamente ao recurso voluntário (fls. 2988/3004) ambos os sócios tinham poderes de administração, conforme se observa pela cláusula oitava do contrato social abaixo transcrita: CLÁUSULA OITAVA Ficam designados administradores da sociedade todos os sócios diretores que assinarão sempre em conjunto, ou seja, sempre deverá conter a assinatura dos de Dois dos Sócios, os quais caberá a responsabilidade ou representação ativa e passiva da sociedade, em juízo ou fora dele, unicamente em negócios exclusivos de interesse da sociedade...(grifos no original) Na nona alteração contratual foi alterada a forma de administração que passou a poder ser exercida independente por cada um dos sócios. Todavia, ambos permanecem com poderes de administração: CLÁUSULA OITAVA A sociedade é administrada pelos sócios diretores MARCELO DE MORAES MELO e RODRIGO BERNADELLI SANTOS, que assinarão independente um do outro, aos quais cabe a responsabilidade ou representação ativa e passiva da sociedade em juízo ou fora dele, unicamente em negócios de interesse exclusivo da sociedade... PARÁGRAFO ÚNICO: Os sócios diretores têm os seguintes cargos e atribuições: MARCELO DE MORAES MELO Diretor Administrativo/Financeiro RODRIGO BERNADELLI SANTOS Diretor Pedagógico. (grifos no original) O fato de constar do contrato social que o sócio Rodrigo Bernadelli Santos exercia o cargo de diretor pedagógico não é, isoladamente, suficiente para excluir a sua responsabilidade tributária, uma vez que, como demonstrado, possuía poderes de gerência. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.034 21 Em face do exposto, entendo correta a imputação da responsabilidade aos sócios. 3.4) IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO TERMO DE ARROLAMENTO FORMALIZADO. Alega a Recorrente que o arrolamento de bens realizado em função do presente processo ofende os princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que não existe informação nos autos de que foi autuado outro processo administrativo para o termo de arrolamento em questão. A mencionada alegação não deve ser conhecida. Isso porque, conforme já decido por esta turma no Acórdão nº 2202003.694, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Nesse sentido, merece transcrição parte do voto da Conselheira Relatora Rosemary Figueiroa Augusto: Nos termos do art. 3º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 356, de 09 de junho de 2015, as matérias de competência do CARF, especificamente da 2ª Seção de Julgamento, se restringem à: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo.(...) Como se depreende do art. 17, da Instrução Normativa RFB nº 1565, de 11/05/2015, a seguir transcrito, a apreciação da matéria relativa ao arrolamento de bens no âmbito administrativo é de competência da unidade da Receita Federal do Brasil (RFB) do domicílio tributário do sujeito passivo. Art. 17. É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso administrativo no processo de arrolamento de bens e direitos, no prazo de 10 (dez) dias contado da data da ciência da decisão recorrida, nos termos Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.035 22 dos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. § 1º O recurso será apreciado pelo chefe da divisão, do serviço, da seção ou do núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo que, se não o acatar, o encaminhará ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. § 2º A decisão proferida pelo titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo será definitiva na esfera administrativa. Logo, não se conhece dessas alegações. Em face do exposto, as alegações sobre a regularidade do arrolamento de bens do sócio, não devem ser conhecidas. 3.5) DAS MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇOES ACESSÓRIAS. Por fim, alega a Recorrente que o lançamento das multas isoladas por descumprimento de obrigações acessórias é indevido, uma vez que todos os seus empregados estão nas folhas de pagamento e estar foram as bases para a geração do Manad. Improcedente a alegação do Recorrente. Isso porque, como bem observa decisão recorrida: a apresentação em meio papel da folha de pagamento, não é capaz de afastar o ilícito praticado, tendo em vista que o artigo 11 determina que "as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas. 12.2. Temse, inclusive, que durante a fiscalização a empresa já havia sido alertada, acerca das inconsistências apresentadas em suas folhas de pagamento (MANAD), conforme se extrai do TIF 2, fls. 1749, as quais poderiam incorrer em multa, caso não fossem sanadas, o que de fato ocorreu. "Na folha de pagamento em arquivo digital, constatamos segurados com cadastro incompleto, desvinculados de estabelecimento, além de outras inconsistências, como valores/segurados em GFIP mas fora da folha” . 12.3. Desta forma, corretamente aplicada a multa de R$ 60.252,50, (sessenta mil e duzentos e cinquenta e dois reais e cinquenta centavos), correspondente a 5% de dados Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.036 23 incorretos constantes das Folhas de Pagamento apresentadas em arquivo digital, nos termos do inciso II do art.12 da Lei 8218/91, até o limite máximo de 1% da receita, conforme detalhado na listagem "AI22multa erros Folha Manad" . 12.4. Em relação ao Auto de Infração DEBCAD n° 51.060.2738 (CFL 77), conforme bem informado no Relatório Fiscal, a empresa declarou várias GFIPs em atraso no período de 08/2010 a 10/2013, restando configurada a infração ao disposto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação da Medida Provisória n° 449, de 4 de dezembro de 2008, motivo pelo qual deve ser mantida a multa no valor de R$ 21.527,94 (vinte e um mil e quinhentos e vinte e sete reais e noventa e quatro centavos), com fundamento no art. 32A, caput, I, §§ 1°, 2°, 3° da Lei n° 8.212, de 1991, respeitado o disposto no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional (CTN), não podendo ser afastada. Em face do exposto, correto o lançamento das multas isoladas. 3.6) DO RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE ERRO MANIFESTO NO PRIMEIRO ACÓRDÃO E DA 'COBRANÇA EM DUPLICIDADE". Tendo em vista o aditamento à Impugnação por fato superveniente, juntado aos autos pelo órgão preparador em 21/11/2014 (fls. 2691/2713), onde a empresa postula pela exclusão dos Autos de Infração das contribuições e respectivos consectários parcelados no âmbito da PGFN e nos termos da Lei n° 12.996, de 2014, a partir de GFIPs apresentadas durante o procedimento fiscal e que geraram inscrição de débito em Dívida Ativa, sendo tais débitos identificados nos sistemas da Receita Federal como DEBCADs n° 45.154.4439 e n° 45.154.4447 (integrantes da IP 00.120.550/2014, IP PARC WEB), conforme fls. 2691/2713, a 5ª Turma de Julgamento, mediante o Acórdão DRJ/CTA nº 0650.335, proferido em 28 de novembro de 2014, considerou por unanimidade de votos, prejudicada em parte a impugnação em relação às contribuições e respectivas multas e juros, cuja base de cálculo conste simultaneamente dos Autos de Infração e das GFIPs não espontâneas integrantes da IP 00.120.550/2014, e no que subsiste, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Todavia, em 19/01/2015, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Goiânia devolveu o processo para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, para o fim de avaliar a conveniência de retificar o Acórdão, considerando a Nota Técnica Dipej/Dipef nº 02 de 17/05/2011, que determina que todos os valores cobrados em duplicidade devem ser excluídos dos DCG´s nºs 45.154.4439 e n° 45.154.4447, não devendo ter qualquer repercussão no presente AIOP, nos termos do despacho de fls. 2866. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.037 24 Em razão da mencionada retificação de ofício o Recorrente alega que: A questão objeto da controvérsia foi o fato da autoridade fiscal (portanto, a administração tributária) haver intimado o fiscalizado a apresentar GFIP no curso da auditoria e, ao final, cobrar os débitos ali confessados em duplicidade. Uma vez com sua inclusão nos autos de infração e, novamente, ao validar as GFIP´s fazendo com que os mesmos fosse colocados em exigibilidade. Os débitos validados nas GFIP (sic) foram inscritos em Dívida Ativa da União e posteriormente parcelados, estando com os pagamentos em dia. Improcedente a alegação do Recorrente. Isso porque, conforme claramente exposto na declaração de voto que acompanha o acórdão, o parcelamento da obrigação principal não tirava, ao contrário do exposto na primeira decisão, o interesse de agir do então Impugnante. Isso porque: 2. Antes de cientificar a empresa do teor do Acórdão 5ªTurma/DRJ/CTA n° 0650.335, o órgão preparador noticia que o DCG fundado em GFIPs não espontâneas deve ser cancelado; por conseqüência, o pedido de parcelamento deve ser atingido pela nulidade. 3. De fato, falece interesse ao contribuinte em impugnar a existência e validade da obrigação tributária, eis que a petição de fls. 2781/2786 a reconhece, tanto que sustenta haver duplicidade, ou seja, a mesma obrigação tributária teria justificado a constituição de dois créditos tributários, devendo prevalecer o veiculado nos DCGs no entender da empresa. 4. Na impugnação, contudo, a empresa não ataca diretamente a existência e validade da obrigação tributária principal, eis que a argumentação alinhavada pela empresa foi de ordem procedimental ou não vinculada à existência e validade da obrigação tributária, ou seja, falta de isenção da autoridade fiscal; vícios do procedimento fiscal de lançamento e cerceamento do direito de defesa; erros na elaboração dos demonstrativos das bases de cálculo; ser indevida a qualificação e o agravamento da multa de ofício; e ausência de intenção de cometer crime e de responsabilidade dos sócios. 5. Nesse contexto, aflora que o Acórdão 5ªTurma/DRJ/CTA n° 0650.335 incide em lapso manifesto, a gerar negativa de prestação jurisdicional administrativa, ao não apreciar a argumentação de defesa especificada no item anterior em relação às contribuições e respectivas multas e juros, cuja base de cálculo conste simultaneamente dos Autos de Infração e das GFIPs não espontâneas integrantes da IP 00.120.550/2014 (DEBCADs n° 45.154.4439 e n° 45.154.4447) ; alegações de defesa não atingidas pela falta de interesse superveniente, havendo inexatidão material por Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 10120.723266/201425 Acórdão n.º 2202004.343 S2C2T2 Fl. 3.038 25 lapso manifesto ao se tomar como não contestada por ausência superveniente de interesse processual matéria efetivamente contestada e para a qual se mantém o interesse processual. 6. Destarte, com lastro no § 1° do art. 21 da Portaria MF n° 341, de 2011, bem como no dever de autotutela da Administração (Lei n° 9.784, de 1999, art. 53), impõese a emissão de novo Acórdão para se anular tãosomente a decisão de não conhecimento parcial da impugnação, mantendose no restante o Acórdão 5ªTurma/DRJ/CTA n° 0650.335, de 28/11/2014, e se apreciar integralmente a impugnação, estendendose a fundamentação já veiculada no Voto acolhido no Acórdão 5ªTurma/DRJ/CTA n° 06 50.335, para a integralidade da impugnação. Em suma, uma vez que já votei concordando integralmente com as razões acima expostas, que a presente lide decorre da mesma fiscalização e do mesmo lançamento, revolvendo sobre as mesmas questões de fato e de direito, apenas versando sobre DEBCAD's diversos, entendo ser necessário aplicar as mesmas razões de decidir e alcançar a mesma decisão. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 3038DF CARF MF
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Numero do processo: 10540.720239/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008
Ementa:
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF.
Numero da decisão: 2202-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos Inominados em virtude de renúncia do Contribuinte ao contencioso administrativo por adesão a parcelamento.
(assinado digitalmente)
WALTIR DE CARVALHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 Ementa: PARCELAMENTO. RENÚNCIA. Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos Inominados em virtude de renúncia do Contribuinte ao contencioso administrativo por adesão a parcelamento. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO - Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
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RENÚNCIA. Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos Inominados em virtude de renúncia do Contribuinte ao contencioso administrativo por adesão a parcelamento. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 02 39 /2 01 0- 26 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2202004.348 S2C2T2 Fl. 170 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal visando aclarar o resultado da decisão proferida no Acórdão CARF nº 2302002.050, de 14/08/2012 (fls. 117/128). O recurso foi admitido pelo presidente da 2ª Seção (fl. 165/168), e foi determinada a redistribuição dos autos no âmbito da Seção ante à extinção da 2ª TO da 3ª CÂM, e do fim do mandato do Cons. Relator original. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Tratase de lançamento de Ofício do AIOA DEBCAD nº 37.279.4521, CLF 78 (fls. 2/5). O Relatório Fiscal encontrase às fls. 6/12 e anexos fls. 13/28. Tendo a Contribuinte impugnado o lançamento (fls. 48/57 e docs. anexos fls. 75), a DRJ proferiu o acórdão nº 15.27.880, de 28/07/2011 (fls. 88/98), julgando parcialmente procedente o lançamento. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 101/109 e docs. anexos fls. 110/113), que foi julgado parcialmente procedente pelo Acórdão CARF nº 2302002.050, de 14/08/2012 (fls. 117/128). Este acórdão ficou assim ementado e acordado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2202004.348 S2C2T2 Fl. 171 3 O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Intimado do acórdão, a PGFN protocolou Recurso Especial (fls. 130/138 e docs. anexos fls. 139/150). Contudo, foram anexados aos autos Termo de Desistência Total de Impugnação ou Recurso Administrativo frente à adesão ao Parcelamento Especial da Lei nº 12.810/2013 (fl. 154/157). Nesse contexto, a DRF então opôs Embargos de Declaração (fls. 162) buscando esclarecer quais competências foram mantidas. Os embargos foram admitidos pela presidência da 2ª Seção em 24/08/2017 (fls. 165/168) nos seguintes termos: Apesar da menção, nos fundamentos, de infração por descumprimento de obrigação acessória apresentação de GFIP com omissão de fato gerador onde seria aplicável o art. 32 (na Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2202004.348 S2C2T2 Fl. 172 4 redação anterior à MP 449/08) ou 32A da lei 82129/91, a decisão se refere ao art. 35 da mesma norma, aplicável no caso de auto de infração por descumprimento de obrigação principal, (...) Diante do exposto, devese acolher os Embargos de Declaração, submetendo os autos novamente à apreciação, com vistas a sanar o vício apontado pelo Embargante. Considerando que o colegiado que proferiu a decisão embargada foi extinto, encaminhese o processo para novo sorteio, no âmbito dos colegiados da 2a Seção do CARF, para relatoria e futura inclusão em pauta de julgamento.... É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os Embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Constatase, entretanto, que a Contribuinte renunciou ao PAF quando aderiu ao REFIS da Lei nº 12.865/2013, conforme art. 78, § 2º, do Anexo II ao RICARF. Nesse caminho, aplicase também o quanto determina o § 3º desse mesmo art. 78: § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Portanto, uma vez que a Contribuinte apresentou Desistência Total (fl. 154/157), sem ressalvar quaisquer débitos, renunciou também à decisão que lhe foi favorável. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar os Embargos Inominados em virtude de renúncia do Contribuinte ao contencioso administrativo por adesão a parcelamento. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2202004.348 S2C2T2 Fl. 173 5 Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000819/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
Ementa:
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI.
A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos.
DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA
"Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF nº 42)
Numero da decisão: 2202-004.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração referente ao ganho de capital.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF nº 42)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração referente ao ganho de capital. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF nº 42) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração referente ao ganho de capital. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 08 19 /2 00 9- 39 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 381 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF. Tendo a DRJ negado provimento à Impugnação, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora sob julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 07/07/2009 foi lavrado auto de infração (fls. 257/264), para constituir crédito de IRPF, identificando: 1) "OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL"; 2) "OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS"; e 3) "OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA". Conforme o Termo de Constatação Fiscal (fls. 265/286), "Os depósitos créditos/bancários com origem não comprovada correspondem a 185.584,50. Portanto, os créditos/depósitos bancários que não tiveram a origem comprovada mediante documentação hábil e idônea, constantes da Relação dos Depósitos Bancários não Comprovados, foram submetidos à tributação a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A origem destes depósitos, o Fiscalizado, regularmente intimado através do Termo de Intimação Fiscal Nº 001 e do Termo de Intimação Fiscal Nº 002, não comprovou mediante documentação hábil e idônea." fls. 272/273; (...) "Como pode ser visto na Relação das Notas Fiscais de Produtor Rural, o Fiscalizado emitiu notas fiscais de produtor rural com valores inferiores aos valores efetivamente recebidos." fl. 274; (...) "A Declaração de Ajuste Anual AnoCalendário 2006 Original (fls. 8187) e a Declaração de Ajuste Anual Ano Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 382 3 Calendário 2006 Retificadora (fls. 203208) somente foram entregues após o início da fiscalização que se deu em 27/03/2009 cola a ciência ao Fiscalizado do Termo de Início de Fiscalização (lis. 34). O Fiscalizado havia apresentado apenas a Declaração de Isento 2007 (fl. 2). Portanto, foi apurada omissão de Receita da Atividade Rural desenvolvida pelo Fiscalizado. A Receita Bruta da Atividade Rural apurada é de R$ 87.281,28. A base de cálculo foi arbitrada à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, conforme opção do Fiscalizado, exercida no ato da entrega da Declaração de Ajuste Anual (art. 5° da Lei No 8.023/90). Assim, foi apurado o Resultado Tributável da Atividade Rural no valor de R$ 17.456,26 correspondente a 20% da Receita Bruta da Atividade Rural." fl. 274; (...) "Caracterizado o evidente intuito de fraude pela inserção nas Notas Fiscais de Produtor de valores inferiores aos ocorridos efetivamente conforme recebimentos através de créditos/depósitos em suas contas bancárias e pela apresentação da Declaração de Isento — 2007 (fl. 2) quanto estava obrigado a apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos previstos no art. 44, inciso II, da Lei n" 9.430/96, a multa aplicável a esta infração é de 150%." fl. 275; (...) "Dessa forma, diante da disposição literal do artigo 117 do Decreto n" 3.000, de 1999, fica evidenciado que apenas o valor decorrente da desapropriação efetuada para fins de reforma agrária está beneficiado pela imunidade tributária conferida pela Constituição Federal. Devese notar que a tribulação da indenização por desapropriação ocorrerá apenas quando houver a apuração do ganho de capital; assim sendo, quando do recebimento de indenização de imóvel desapropriado, a pessoa física beneficiária se obriga a verificar a existência de ganho de capital na operação e, em caso positivo, deverá haver o pagamento do imposto de renda sob a forma de tributação definitiva, nos termos dos arts. 117, § 4" e 142 do Decreto n" 3.000, de 1999, que determina o pagamento do imposto apurado sobre o ganho de capital à alíquota de 15% (quinze por cento). Acrescentese ainda que, segundo o art. 21 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o cálculo e o pagamento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital, sujeito à tributação sob a forma definitiva, devem ser efetuados em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês e o imposto pago não é compensável na declaração de ajuste anual. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 383 4 Desta forma, verificada desapropriação de áreas de terras pertencentes ao Fiscalizado em condomínio cujo valor de R$ 3.164.204,73 foi recebido em sua conta do Banco do Brasil através de TEDCrédito em conta no dia 22/03/2006, elaborei o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (...)" fls. 276/277; (...) "Desta forma, verificase que o Fiscalizado omitiu os Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital deixando de apresentar a Declaração de Ajuste Anual na época devida. O imposto devido decorrente dos ganhos de capital apurados não foi pago. Pelo exposto, está demonstrada a falta de recolhimento do imposto decorrente do ganho de capital na alienação de bens. Portanto, o Imposto de Renda sobre os ganhos de capital na alienação de bens devido e não recolhido está sendo lançado." fl. 284. Intimado em 08/07/2009 (fl. 287), o Contribuinte apresentou Impugnação em 07/08/2009 (fls. 290/297 e docs. anexos fls. 298/334). Analisando a questão, a DRJ proferiu o acórdão nº 0721.712, de 22/10/2010 (fls. 337/352), que negou provimento à defesa, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÌs1CA IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil é idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 384 5 AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃ.O O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade Fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL. Ressalvada a isenção legalmente prevista, sujeitase à tributação o ganho de capital apurado no recebimento de indenização em virtude de desapropriação de imóvel. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 JUNTADA DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO REQUISITOS A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDOS DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de perícia quando a matéria que seria objeto deste procedimento já tem seu conteúdo definido em lei. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à disposição literal de lei, quando não comprovado que o contribuinte figurou como parte na referida ação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 385 6 Intimado em 22/11/2010 (fl. 358), e ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2010 (fls. 363/372 e docs. anexos fls. 373/377), argumentando, em síntese: · Que "não há como atribuir ao contribuinte o ônus probatório da integralidade dos lançamentos a crédito em suas contas bancárias, de forma diária e individualizada, eis que nem sempre os depósitos efetuados representam acréscimo patrimonial ou renda efetiva" (fls. 364/365), devendo coexistir elementos externos demonstrando acréscimo patrimonial, o que não ocorreu no caso; · Que devem ser excluídos diversos valores depositados nas contas bancárias mas com informação de que estavam em "depósito bloqueados", não havendo nos autos provas ou indícios de que se tornaram disponíveis; · Que é possível que alguns dos créditos sejam provenientes de transferências de outras contas bancárias mantidas pelo próprio Contribuinte; · Que não é possível presumir omissão de rendimento; · Que devem ser considerados os lançamentos a débito, verificandose ao final do período o saldo positivo ou negativo; · Que o Contribuinte sacou dinheiro de suas contas ("cheque pago caixa" e "cheque avulso"), gerando disponibilidade para o Contribuinte; · Que há precedentes judiciais reconhecendo a que não se pode presumir a omissão de rendimentos tão somente com base nos depósitos bancários; · Que não houve ganho de capital, mas sim indenização, porquanto a alienação ocorreu por desapropriação; e · Que também não podem ser objeto de tributação os juros recebidos em decorrência da desapropriação. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 386 7 É interessante consignar desde já que a Contribuinte não impugnou nem recorreu do lançamento em relação à infração 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Nessa trilha, encontramse sob litígio exclusivamente a questão dos depósitos bancários e do ganho de capital. Presunção de omissão de rendimentos depósitos bancários Argumenta o Recorrente contra a presunção de omissão de rendimentos, afirmando não bastar a identificação de créditos em suas contas bancárias, mas também ser necessário apontar a ocorrência de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza. Ainda, que devem ser considerados os valores a débito para se tributar apenas o saldo final, caso haja. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em outras palavras, identificados depósitos bancários, exigese tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Nesse caminho, não pode prevalecer a tese de que cabia à autoridade fazendária aprofundar as investigações quando o Contribuinte, devidamente intimado, não logrou apresentar os documentos requeridos. Tampouco pode prevalecer a tese de que deve ser tributado apenas o saldo positivo, levando em consideração os lançamento a débito, porquanto não há previsão legal nesse sentido. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 387 8 Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando da matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. Da comprovação da origem dos depósitos Argumenta, subsidiariamente, o Recorrente que devem ser excluídos da base de cálculo os valores referentes a lançamentos a crédito nas suas contas bancárias que não foram efetivamente liberados bem como os valores provenientes de transferências do próprio Recorrente. A despeito de suas alegação, o Recorrente não indica um único caso concreto de lançamento componente da base de cálculo que seja proveniente de transferência de outra conta sua ou que tenha ficado bloqueado, ou seja, não tenha sido disponibilizado em seu favor. Analisando a lista de valores identificados pela autoridade lançadora, por outro lado, constatase que constam alguns lançamentos a crédito identificados como "Depósito Bloqueado 1 Dia Útil" em 10/01/2006 e outro em 20/12/2006 (fl. 272). Compulsando os respectivos extratos bancários, constatase que em ambos os casos os valores foram desbloqueados no primeiro dia útil subsequente (fls. 8 e 36). Nenhum dos lançamentos consta descrição de transferência de outras contas; há sim depósitos em dinheiro, mas não demonstrou o Recorrente que o depósito foi feito por ele. Por tudo isso, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Do ganho de capital desapropriação Argumenta ainda o Recorrente que a infração de ganho de capital deve ser cancelada, vez que a alienação não decorreu de negócio privado, mas sim de desapropriação. A despeito do entendimento esposado pela autoridade lançadora e pela DRJ, no sentido de que a Lei só reconhece a isenção do ganho de capital em caso de desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária, este Conselho já consolidou seu entendimento desde dezembro/2009 no sentido de que não incide IRPF sobre ganho de capital quando a alienação ocorre em função de desapropriação: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Tendo em vista que a Súmula é de observância obrigatória por este Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, é necessário repetir tal entendimento no âmbito desse julgamento. Ainda que não fosse, o STJ já julgou a matéria no REsp nº 1.116.460, em sede de Recurso Repetitivo, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 388 9 DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 389 10 verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1116460/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Neste, foi consolidada a Tese nº 397: A indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. (...) Nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. Mais uma vez, tratase de entendimento que deve ser repetido no âmbito deste Conselho, nos termos do art. 45, VI, e do art. 62, ambos do Anexo II ao RICARF. Registrase que esta decisão judicial levou, inclusive, à publicação da Solução de Consulta COSIT nº 105/2014, que reformou Solução anterior, e reconheceu a não incidência do IRPF sobre o ganho de capital quando a alienação ocorre em decorrência de desapropriação. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar a infração referente ao ganho de capital. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 389DF CARF MF
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