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Numero do processo: 10074.001348/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 27/01/2005, 06/02/2009
ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA
QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO.
A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBARCAÇÕES DE APOIO A PLATAFORMAS MARÍTIMAS.
Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificar-se no código NCM 8906.90.00.
ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA
A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3202-000.407
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBARCAÇÕES DE APOIO A PLATAFORMAS MARÍTIMAS. Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificarse no código NCM 8906.90.00. ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 919DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Octavio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso voluntário contra a decisão que manteve a multa por classificação incorreta na NCM, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.15835/2001, das embarcações propostas a despacho pelas Declarações de Importação nos 05/03148592, 06/08437705, 05/07412170 e 09/01623479, e de recurso de ofício quanto à decisão que concluiu pela improcedência do lançamento de tributos e consectários legais e de multas por falta de licença de importação, no que se refere à aplicação dos regimes aduaneiros especiais de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural Repetro e de admissão temporária, os quais haviam sido considerados indevidos pelos AFRFB autuantes. Como histórico inicial dos fatos, transcrevo e adoto o relatório constante do referido Acórdão, verbis: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 17.008.807,62, referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multas de ofício, multa por importações desamparadas de Licença de Importação, multa em razão de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul e juros de mora. Depreendese do Relatório de Fiscalização, anexo e parte integrante do auto de infração, que: A interessada submeteu ao regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), as embarcações denominadas “Robalo I” e “Seacor Lilen”, amparadas pelas Declarações de Importação nº 05/00910914 e 05/03148592 (“Robalo I”) e 06/08437705 (“Seacor Lilen”), e ao regime aduaneiro especial de admissão temporária as embarcações denominadas “Marlin” e “Astrobarracuda”, amparadas pelas Declarações de Importação nº 05/07412170 (“Marlin”) e 09/01623479 (“Astrobarracuda”). Todas as embarcações foram classificadas, quando do registro das Declarações de Importação, na NCM 8904.00.00 que se refere a “Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações.” O procedimento fiscal consistiu na verificação da correta classificação fiscal das embarcações frente a suas características. As embarcações “Astrobarracuda”, “Marlin” e “Robalo” são embarcações de suprimento/apoio, que possuem locais preparados para o transporte de pessoas e Fl. 920DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 530 3 materiais de suprimento, além de desempenhar outras funções de apoio às plataformas de petróleo. A embarcação “Seacor Lilen” é embarcação de reboque e manipulação de âncoras e de apoio à plataforma de petróleo, que também transporta cargas diversas (suprimentos) e pessoas. Comprovam as características das embarcações os laudos técnicos apresentados, os documentos específicos de cada embarcação emitidos pela Marinha do Brasil e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), além das informações dos próprios fabricantes das embarcações. Registra a fiscalização, a nota explicativa (Nesh) da posição 8901: “A presente posição compreende todas as embarcações para o transporte de pessoas ou de mercadorias, destinadas à navegação marítima ou à navegação interior (em lagos, canais, rios, estuários, por exemplo), exceto as embarcações da posição 89.03 e os barcos salvavidas, que não sejam a remos, os navios de transporte de tropas e os navioshospitais (posição 89.06”. Também reproduz a nota explicativa (Nesh) da posição 8904: “Os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias.” Ao final, concluiuse, com base nos documentos apresentados pela interessada, nas regras de classificação fiscal e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que o correto enquadramento fiscal das embarcações é o código NCM 8901.90.00 que trata de “Outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de pessoas e mercadorias”. Considerando que as mercadorias classificadas no código NCM 8901.90.00 não estão contempladas entre aquelas passíveis de serem submetidas ao Repetro, conforme IN SRF nº 04/2001, foram lançados Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PISimportação e Cofinsimportação referentes às DI nº 05/00910914 e 05/03148592 que ampararam a embarcação denominada “Robalo I” , bem como referentes à DI nº 06/08437705 que amparou a embarcação denominada “Seacor Lilen”, todos acompanhados de multa de ofício. Em relação à DI nº 05/07412170, que amparou a embarcação denominada “Marlin” para admissão ao regime aduaneiro especial de admissão temporária foi lançado Imposto sobre Produtos Industrializados, PISimportação e Cofins importação, e respectivas multas de ofício, proporcionais à vida útil do bem, conforme estabelecido na IN SRF nº 162/98. Em razão de as mercadorias classificadas na NCM 8901.90.00 encontraremse submetidas a tratamento administrativo, exigindo licenciamento de importação sujeito à apreciação da Secex, de acordo com o Comunicado Decex 37/2007 e Portaria Secex 14/2004, foi lançada multa regulamentada pelo artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 4.543/2002 e pelo artigo 706, inciso I, alínea “a” do Decreto nº 6.759/2009, por importação de mercadoria sem licença de importação. Considerando a incorreção na classificação fiscal das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, foi lançada a multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fls. 04, 17, 26 e 70), a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 74 a 100, com os documentos de folhas 101 a 199 e 200 a 350 anexados. A impugnante, resumidamente, traz as seguintes alegações: A ação fiscal parte de premissa absolutamente equivocada, qual seja: a de que as embarcações importadas temporariamente pela Impugnante, via regime de Fl. 921DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 admissão temporária – com ou sem Repetro – seriam destinadas ao transporte de bens e pessoas. Presta serviços de apoio marítimo e não de transporte de cargas ou pessoas, tanto que emite notas fiscais de serviços e não conhecimentos de transporte aquaviário. Os próprios contratos estabelecidos com as contratantes (Petrobrás e Devon Energy do Brasil) deixam claro o fato de serem prestados serviços de apoio marítimo, mediante afretamento das embarcações. A atividade desenvolvida pela Impugnante não consiste em transporte de bens, cargas ou pessoas para as plataformas. Tratase de uma atividade complexa, que envolve a entrega de uma embarcação mediante prazo determinado, além de apoio e assistência às unidades de perfuração e extração de petróleo, o reboque, desenvolvimento de uma série de fainas, tudo no sentido de auxiliar na manutenção da unidade petrolífera em operação. A documentação das embarcações, perante os órgãos competentes, comprova que nenhuma delas é destinada ao transporte de bens e pessoas, mas sim a atividades de reboque e apoio marítimo. Não houve qualquer questionamento por parte da Secretaria da Receita Federal por ocasião das concessões e prorrogações dos regimes de admissão temporária via Repetro, sendo que em todas as Declarações de Importação constava trataremse de embarcações de apoio marítimo destinadas a atividades de pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e de gás natural. Não houve qualquer ressalva quanto à classificação fiscal adotada pela impugnante. As Notas Explicativas da posição 89.01 contemplam as embarcações destinadas à navegação marítima e à navegação interior, não compreendendo embarcações destinadas à navegação de apoio. As características das embarcações ressaltadas no Relatório de Fiscalização anexo ao Auto de Infração, com a existência de camarotes a bordo, visam atender exigências de fiscalização das Empresas contratantes do afretamento e dos serviços de apoio marítimo, bem como da própria Marinha, mas não têm o condão de enquadrálas como embarcações de transporte. Portanto as embarcações não podem ser enquadradas na posição NCM 89.01.90 (sic). As embarcações em apreço também atuam como rebocadores. Ainda que sejam consideradas tecnicamente como embarcações do tipo “Suplly Vessel” ou “AHTS”, historicamente tais embarcações sempre foram classificadas como “rebocadores”, expressão comumente utilizada pela indústria do petróleo e demais órgãos administrativos. Considerando a inexistência de código específico para embarcações de apoio marítimo, bem como a possibilidade de as embarcações em tela efetuarem operações de reboque, resta demonstrado que não houve qualquer equívoco na classificação fiscal adotada pela impugnante. Caso se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada pela Impugnante, as embarcações somente poderiam ser classificadas sob o Código NCM 8906.00 (sic). Portanto, mesmo com outra classificação fiscal todos os tributos continuariam suspensos pois previsto na IN SRF nº 04/2001 (Repetro). E o Ato Declaratório Coana nº 02, de 04/02/2002, já declarou a aplicabilidade do Repetro a bens da posição 8901. “Se a classificação fiscal adotada não importou em supressão de tributos ou dano ao Erário, afigurase arbitrária a determinação de aplicação de multas extremamente elevadas e a exigência de tributos, quando os mesmos estariam suspensos independentemente do código de NCM utilizado. Não se está diante de fraude, máfé ou mesmo tentativa de burlar ou causar qualquer embaraço à fiscalização, uma vez que: i) as embarcações não se destinam Fl. 922DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 531 5 ao transporte de bens e pessoas; ii) as embarcações atuam tanto no apoio marítimo como para fins de reboque; e ii) independentemente da classificação fiscal adotada, cabia à Impugnante direito à suspensão dos tributos incidentes na importação em virtude da concessão do Regime Aduaneiro de Admissão temporária.” (sic) A multa por infração ao controle das importações é inaplicável, pois as embarcações não se enquadram no código NCM 8901.90.00. E ainda que ali se classificassem, não se comprovou que estariam sujeitas a licenciamento não automático, limitandose a transcrever o artigo 9º da Portaria Secex nº 35/2006. Consulta à lista de bens sujeitos a licenciamento não automático constata que as embarcações classificadas na NCM 8901.90.00 não estão enquadradas na exigência. Por outro lado, o inciso II do parágrafo único do artigo 7º da Portaria Secex nº 35, de 24/11/2006, prevê, expressamente, que os bens destinados à admissão temporária , inclusive ao Repetro estão dispensados de licenciamento. O entendimento da fiscalização de que o simples fato de os bens serem usados determinariam a apreciação do Secex é equivocado, pois tal determinação somente tem lugar em importação regulares e não naquelas do regime de admissão temporária. Há manifesto bis in idem ao se exigir duas multas em razão de uma única conduta, prática repudiada pela doutrina e jurisprudência e, inclusive, pelos Tribunais Administrativos. O ato administrativo de imposição de multas e exigência de tributos em decorrência de suposto erro na classificação fiscal revelase, então, manifestamente ofensivo aos princípios da segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade. A impugnante requer seja julgada procedente a impugnação e anulado o auto de infração. A impugnante anexou ainda aos autos os documentos de folhas 356 a 489. É o relatório.” A lide foi decidida pela 1ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 0720.616, de 30/7/2010 (fls. 491/506), que, por maioria de votos, concluiu pela procedência parcial do lançamento, para exigir a multa por classificação incorreta e excluir as exigências dos tributos, das multas de ofício e por falta de licença de importação, e dos juros moratórios, conforme ementa que segue, verbis: “Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 29/03/2005 a 06/02/2009 EMBARCAÇÕES. NCM 8906.90.00. Embarcações de apoio, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de materiais, além de equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, classificamse no código NCM 8906.90.00, por aplicação das Regra Geral de Interpretação1 e Regra Geral Complementar1, em consonância com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/09/2009 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. Fl. 923DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com conseqüente aplicação da penalidade prevista. Impugnação Procedente em Parte” O órgão julgador concluiu por manter o crédito tributário no valor de R$ 269.205,08, correspondente à multa de 1% sobre o valor aduaneiro dos bens (embarcações) despachados com classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (DIs nos 05/03148592 “Robalo I”; 06/08437705 – “Seacor Lilen”; 05/07412170 – “Marlin”; e 09/01623479 – “Astrobarracuda”), prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.158 35/2001, exceto quanto à multa relativa à embarcação “Robalo I ”, excluída na parcela em que foi exigida em duplicidade. Quanto à exigência fiscal de tributos, multas de ofício e juros de mora, além de multas por falta de licenças de importação, o órgão julgador decidiu pelo descabimento da exigência, considerando que o erro de classificação fiscal não determina, por si só, o descumprimento das condições estabelecidas para a fruição do regime aduaneiro especial concedido. Quanto ao licenciamento, o órgão julgador aduziu que o parágrafo único, II, do art. 7o da Portaria Secex no 17/2003 estabeleceu expressamente que as mercadorias destinadas aos regimes de admissão temporária e ao Repetro estão dispensadas de licença. Houve interposição de recurso de ofício pelo órgão julgador, em razão de que o valor do crédito tributário exonerado foi superior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF no 3/2008. A autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 508/525), aduzindo, em relação ao julgado, que o acórdão deverá ser reformado para o efeito de julgar integralmente improcedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, seja porque correta a classificação fiscal que adotou, seja pela necessidade de novo lançamento enquadrando as embarcações sob o código NCM 89.06.90.00, apontado como correto pela DRJ. No mérito, alegou que: ● a reclassificação fiscal após o desembaraço aduaneiro implica alteração do critério jurídico anteriormente adotado, em inobservância ao disposto no art. 146 do CTN; ● não obstante a impossibilidade de reclassificação fiscal pelo Fisco após o desembaraço aduaneiro das embarcações é de se reiterar que as mesmas também atuam como rebocadores; ● considerando ainda a inexistência de código especifico para embarcações de apoio marítimo bem como a possibilidade de as embarcações efetuarem operações de reboque, resta demonstrado que não houve qualquer equívoco na classificação fiscal 8904.00.00 adotada pela recorrente; ● caso se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada e que as embarcações somente poderiam ser classificadas no código NCM 89.06.90.00, ainda assim deverá ser afastada a aplicação da multa por erro na classificação fiscal, ante a inexistência de qualquer tentativa de burlar a fiscalização, bem como de qualquer prejuízo ao Erário; ● ainda que se entenda que as embarcações deveriam ter sido classificadas no código NCM 8906.90.00, também esse código engloba bens que podem ser submetidos ao Repetro, com suspensão total dos tributos incidentes na importação, nos termos das IN SRF no 4/2001, vigente à época das admissões; ● ainda que o código 8901.90 fosse o correto, o que evidentemente não é, seria cabível a aplicação do Repetro a bens da posição 8901, como determinado pelo Ato Declaratório Coana no 2/2002; ● ainda que se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada pela recorrente e que as embarcações somente poderiam ser classificadas sob o código NCM 8906.90.00, a multa por erro na classificação fiscal não poderá ser exigida por meio do presente auto de infração; ● o acórdão recorrido manteve a aplicação da multa por erro na classificação fiscal das embarcações, mesmo tendo reconhecido que a classificação fiscal adotada pelo Fisco está manifestamente equivocada; ● os fatos demonstram que há inexatidão material no auto de infração, impossível de ser retificada por meio de acórdão que sugeria reclassificação fiscal para o código NCM 89.06.90.00; ● necessária, nesse caso, seria a lavratura de novo auto de infração corrigindo a classificação tarifária da Fl. 924DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 532 7 mercadoria importada; ● a Receita Federal deferiu e depois prorrogou por diversas vezes os regimes de admissão temporária e habilitação ao Repetro para as embarcações, todavia, depois de alguns anos, instaura procedimento por código NCM incorreto e por infração a norma administrativa relativa ao controle das importações; ● o ato administrativo de imposição de multa em decorrência de suposto erro na classificação fiscal revelase manifestamente ofensivo aos princípios da segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade. Diante do exposto, requer que o recurso seja conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido e julgar integralmente improcedente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator Conheço dos recursos por atenderem aos requisitos de admissibilidade. Alegação de modificação do critério jurídico No recurso interposto a autuada alega que a mudança de classificação fiscal após o desembaraço aduaneiro importaria modificar o critério jurídico antes adotado. Em face da legislação aduaneira vigente, entendo que a alegação da recorrente não tem qualquer amparo jurídico, como se verá a seguir. Relevante para o perfeito entendimento da matéria é o fato de que a legislação aplicável à espécie consagrou a existência da revisão aduaneira, objetivando a verificação da regularidade do pagamento dos tributos e da satisfação das demais exigências concernentes ao despacho de importação, conforme estabelece o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação que lhe deu o art. 2o do Decretolei no 2.472/1988, verbis: “Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste DecretoLei." A revisão aduaneira referida na norma acima transcrita está disciplinada no art. 570 do Decreto no 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro/2002) vigente à época das importações da recorrente, o qual define os procedimentos e estabelece o prazo de 5 anos do registro da declaração de importação para a sua implementação, com vistas a apurar a regularidade dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, a aplicação de benefícios fiscais e a exatidão das informações prestadas pelo importador no despacho aduaneiro, verificados ou não por ocasião do correspondente despacho, inclusive sua classificação fiscal. De mais, a revisão do lançamento está expressamente prevista no art. 149, I, do CTN, que dispõe que o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando a lei assim o determine. No caso em exame, essa determinação está expressamente prevista em lei e disciplinada no referido art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 (atual art. 638 do Decreto no 6.759/2009 – RA em vigor). Fl. 925DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 8 De outra parte, os impostos devidos na importação estão classificados como sujeitos a lançamento por homologação. E nesses casos, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, a autoridade dispõe do prazo de 5 anos para a homologação desse lançamento, a contar da ocorrência do fato gerador. Somente quando decorrido esse prazo é que se tem por homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. No caso, a revisão aduaneira é procedimento que deve ser adotado dentro desse prazo de homologação, o que demonstra a inequívoca compatibilidade desses procedimentos no tocante à matéria. Destarte, a revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à exigência de eventual crédito tributário é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. Classificação fiscal das embarcações A recorrente submeteu a despacho aduaneiro as embarcações sob regimes aduaneiros suspensivos de tributos, com classificação no código NCM 8904.00.00, próprio para “REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES”. Já o Fisco entendeu que tais bens deveriam ter sido classificadas no código NCM 8901.90.00, destinado ao enquadramento de “Outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de pessoas e de mercadorias”, razão pela qual exigiu a multa de 1% por classificação incorreta. Por sua vez, o órgão julgador da lide concluiu que deveria ter sido utilizado o código 8906.90.00, próprio para “OUTRAS EMBARCAÇÕES, INCLUÍDOS OS NAVIOS DE GUERRA E OS BARCOS SALVAVIDAS, EXCETO OS BARCOS A REMO – Outras”. Verificase que os laudos de vistorias (fls. 172 e 261 do Anexo) são claros ao declarar que as embarcações “Astrobarracuda” e “Marlin” são do tipo PSV “Platform Supply Vessel” (embarcação de apoio a plataformas), bem assim os certificados de classificação expedidos pelo “American Bureau of Shipping” – ABS (fls. 282 e 279). Quanto à embarcação “Robalo I”, a classificação como de “apoio marítimo” foi dado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ (fl. 94 do Anexo), sendo que a própria recorrente declarou que a embarcação desempenha essa atividade de apoio e do tipo PSV (fl. 311 do Anexo), embora no certificado emitido pelo ABS (fl. 269) esteja incluída na classe “Tug and Supply Vessel” (embarcação de reboque e de apoio). Já a embarcação “Seacor Lilen” tem essa mesma classe no certificado de classificação emitido pela “Det Norske Veritas” (fl. 274), embora se trate de embarcação do tipo AHTS “Anchor Handling Tug Supply” (embarcação de reboque e manipulação de âncoras e de apoio), cumprindo observar que as informações constantes dos autos demonstram que se trata, também, de embarcação rebocadora e de apoio marítimo, como também refere expressa o laudo de vistoria de fl. 333. Em vista dessa atividade principal, todas as embarcações estrangeiras de que tratam os autos foram inscritas nas Capitanias dos Portos como enquadradas na categoria de apoio marítimo (fls. 270, 276, 280 e 283), em obediência à classificação de tipos de embarcações estabelecida pela Portaria no 45/2005 da Diretoria de Portos e Costas, do Comando da Marinha (DOU de 27/6/2005), de acordo com a tabela constante das NORMAM 01/DPC – Normas da Autoridade Marítima para Embarcações Empregadas na Navegação de Mar Aberto. A mesma Portaria estabelece, em seu item 0216, a classificação dos diversos tipos de embarcações, onde se verifica a existência de enquadramentos distintos para: “(23) Passageiro/carga geral”, “(33) Rebocador/empurrador” e “(37) Supridores de plataformas marítimas (supply)”. No caso em exame, as Capitanias dos Portos inscreveram as Fl. 926DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 533 9 embarcações para operar no apoio marítimo às atividades de produção e perfuração na plataforma continental. Os elementos processuais são suficientes para se concluir pela classificação fiscal das embarcações no código NCM 8906.90.00, visto que, regra geral, todas desempenham atividades supridoras às plataformas. Tais embarcações não podem ser classificadas como rebocadores, assim como não podem ser classificadas apenas como embarcações de transporte de pessoas ou de mercadorias, visto terem função mais específica: de apoio marítimo, conforme definem as mesmas NORMAM01/DPC em seu item 0202, "d", verbis: "Apoio marítimo: é a navegação realizada para o apoio logístico a embarcações e instalações em Aguas territoriais nacionais e na Zona Econômica Exclusiva, que atuem nas atividades de pesquisa e lavra de minerais e hidrocarbonetos;" Essa atividade de apoio marítimo envolve a acomodação e o transporte de pessoas e de seus bens, bem como o transporte de produtos em contêineres no convés e de uma variedade de granéis em tanques no convés inferior, tais como produtos químicos, cimento, combustível, água potável, água salgada e óleo diesel. Essa atividade pode ser mais abrangente, de forma que certas embarcações são equipadas com reboque e manuseio de âncoras, bem como permitem ações de combate ao derramamento de óleo e a incêndios, ou a utilização de outros recursos específicos de apoio às plataformas. Como visto, o apoio marítimo é atividade abrangente e que não se basta em apenas um tipo de operação. Finalmente, cumpre ressaltar que essa questão já foi objeto de exame por parte da Receita Federal do Brasil, destacandose as seguintes decisões de consulta, verbis: “CÓDIGO TEC: 8906.90.00 Embarcação de serviço offshore multifuncional, que efetua operações de manuseio de âncoras, reboque e transporte de suprimentos e outras cargas, denominada “Olympic Hercules”, construída pelo estaleiro Ulstein Verft As, Ulsteinvik Norway.” (Solução de Consulta Diana SRRF/7ª no 10, de 5/4/2010) “Código TEC: 8906.90.00 Mercadoria: Embarcação de apoio marítimo denominada Maersk Provider do tipo AHTS 15000, de bandeira dinamarquesa, construída pelo estaleiro Soviknes Verft A/S, na Noruega, com número oficial D33387 e número de registro IMO 9007142.” (Solução de Consulta Diana SRRF/7ª no 49, de 22/9/2011) Os argumentos trazidos em tais decisões são praticamente idênticos, sendo oportuno reproduzir o da primeira decisão, verbis: “Compulsando as informações técnicas constantes dos autos, depreendese que o produto que se quer classificar não se identifica como sendo um simples rebocador do tipo descrito na posição 8904 do Sistema Harmonizado, mas sim uma embarcação de maior complexidade operativa, agregando múltiplas funções, sendo a capacidade de rebocar apenas uma delas. O produto sob consulta é uma “embarcação de serviço offshore multifuncional, que efetua operações de manuseio de âncoras, reboque e transporte de suprimentos e outras cargas”, Fl. 927DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 10 de acordo com a especificação do próprio estaleiro construtor, conforme descrito no relatório.” Assim, as embarcações afretadas para utilização específica em atividades de apoio/suprimento de plataformas marítimas devem ser enquadradas como embarcações de apoio, atividade abrangente e cuja classificação fiscal deve ter seu melhor enquadramento no código NCM 8906.90.00. Multa por classificação fiscal incorreta A única exigência mantida pelo órgão julgador e objeto do recurso voluntário é a multa de 1% por classificação incorreta. Verificase que a classificação fiscal que se concluiu ser a correta para as embarcações não se adequa à utilizada pela autuada nem à adotada pelos autuantes. Nos casos da espécie é praxe deste Colegiado a exclusão do lançamento, visto que se trata de terceira classificação e que essa não foi o objeto de motivação para a formalização da peça básica. O Fisco fez a exigência fiscal adotando como correto o código NCM 8901.90.00, enquanto que no julgamento da lide concluiuse pelo código NCM 8906.90.00. Embora o erro de classificação da autuada, não há como vingar o lançamento que partiu de premissa errônea. Destarte, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, de forma a excluir do Auto de Infração a multa de 1% por classificação fiscal incorreta, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.15835/2001 e no art. 636 do Decreto no 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro/2002). Recurso de ofício No que respeita à exclusão dos tributos e consectários legais, entendo que o órgão julgador decidiu a lide em boa e devida forma, visto que o erro de classificação fiscal não implica, necessariamente, a exclusão de mercadorias dos regimes aduaneiros especiais de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural – Repetro, e de admissão temporária. De outra parte, as informações prestadas por ocasião dos despachos de importação das embarcações, aliadas aos documentos que acompanharam tais despachos, trazem a suficiente convicção quanto à classificação e à possibilidade de inclusão desses bens nos referidos regimes aduaneiros suspensivos. Cumpre observar que os bens importados têm pleno amparo no regime, por estarem relacionados expressamente no Anexo Único da IN SRF no 4/2001 e da IN RFB no 844/2008, que a revogou, sendo que essa última tratou a aplicação do regime de forma extensiva, ao permitir a admissão para “Embarcações destinadas às atividades de pesquisa e produção das jazidas de petróleo ou gás natural e as destinadas ao apoio e estocagem nas referidas atividades”. No que respeita à multa por infração ao controle administrativo, também bem acentuou a decisão de primeira instância ao citar o art. 7o, parágrafo único, II, da Portaria Secex no 17/2003, que estabeleceu a dispensa de licenciamento para as importações ora sob exame, verbis: “Art. 7o (...) Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: (...) II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural Repetro; Fl. 928DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 534 11 (...)” No caso, nem se trata da aplicação benigna do Ato Declaratório Cosit no 12/1997, visto que as situações ali referidas respeitam à classificação tarifária errônea que exija novo licenciamento automático. No caso em exame os bens estão dispensados de licenciamento por ato expresso do órgão que regula tal exigência. De se ressaltar que esse tratamento administrativo perdura até o momento, como se verifica da Portaria Secex no 23/2011 em seu art. 23, § 1o, II. Em se tratando de bens cuja importação está dispensada de licença, há que se considerar indevida a tipificação de infração e, conseqüentemente, a exigência fiscal das multas previstas no art. 633, II, “a” do Decreto no 4.543/2002 e no art. 706, I, “a”, do Decreto no 6.759/2009. Conclusões Diante do exposto, voto por que seja rejeitada a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, seja negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Fl. 929DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 12 Fl. 930DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 11128.002812/2005-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 15/01/1999 a 19/08/2003
II. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO EPOXICONAZOLE TÉCNICO.
O produto denominado Epoxiconazole técnico, conforme atestado em laudo técnico, deve ser classificado no código NCM/SH 2933.99.69.
II. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA. APLICAÇÃO.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
INCONSTITUCIONALIDADES. MATÉRIA NÃO CONHECIDA EM SEDE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BASF S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 15/01/1999 a 19/08/2003 II. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. “PRODUTO EPOXICONAZOLE TÉCNICO”. O produto denominado “Epoxiconazole técnico”, conforme atestado em laudo técnico, deve ser classificado no código NCM/SH 2933.99.69. II. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA. APLICAÇÃO. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. INCONSTITUCIONALIDADES. MATÉRIA NÃO CONHECIDA EM SEDE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 28 12 /2 00 5- 92 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.002812/200592 Acórdão n.º 3202001.390 S3C2T2 Fl. 93 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculados através de auto de infração lavrado em 22/04/2005, para a cobrança de a multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria em decorrência de erro de classificação fiscal, prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n°. 2.158, de 24/08/01, combinado com o artigo 69, da Lei n°. 10.833./03, no montante de R$ 33.373,53. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: A impugnante, por meio da declaração de importação n° 04/0825.0601, de 19/08/2004, importou a mercadoria descrita como "EPDXICONAZOLE TÉCNICO", classificando na NCM 2933.39.99. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 2933.99.69, com o mesmo tratamento tributário em relação ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados. Baseouse a autuação no laudo de assistência técnica n°2451.01. Por intermédio do Auto de Infração de fls. 1 a 8, cobrouse a multa por classificação incorreta, nos termos do art. 84, inciso I, da MP n° 2158, c/c artigo n° 69, da Lei no 10833/03. Intimada do Auto de Infração em 12/05/05, fl. 23 v, a interessada apresentou impugnação e documentos em 16/05/05, juntados as folhas 26 e seguintes, alegando em síntese: 1. que apesar de concordar com a classificação do produto no código 2933.99.69, afirma que teve que classificálo em outro código 2933.39.99, visto que tal produto encontravase classificado neste código no DECEX, conforme se verifica na "Tabela de Destaque para anuência", deste órgão. 2. uma vez que se tratava de destaque especifico controlado pelo Ministério da agricultura, não seria possível adotar outra classificação senão a informada, pelo qual o importador deveria utilizar a função "consulta a tratamento administrativo", para verificar se existia algum destaque NCM para a mercadoria que se desejava importar, procedimento que foi devidamente adotado pela impugnante, e que resultou na adoção da NCM em questão. 3. que o SINDAG, juntamente com o DDIV e a VIGIAGRO estão analisando a correta classificação do produto em questão, sendo que se tal classificação não for alterada no SISCOMEX, não há como os contribuintes adotarem classificação diversa do produto. 4. esta impossibilidade fica mais clara quando se verifica que o produto depende de "autorização previa para embarque", que deve ser colocada sob o crivo da DDIV Departamento de defesa e inspeção vegetal, o qual tem como correta a classificação 2933.3999 para o produto EPDXICONAZOLE, e caso seja adotada uma posição tarifária diversa, sequer haverá autorização para embarque da mercadoria em referência. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.002812/200592 Acórdão n.º 3202001.390 S3C2T2 Fl. 94 3 5. não pode a impugnante ser autuada por equivoco cometido pela própria administração, que inseriu em seu sistema classificação tarifária especifica para o produto EPDXICONAZOLE, sistema este que é obrigada a adotar. 6. também alega que a não e pode aplicar multa instituída por medida provisória, por ser inconstitucional 7. alega também o caráter confiscatório da penalidade. 8. Ao final requer a insubsistência do auto. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0728.320 em 28/10/2008 (efolhas 109/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/08/2004 EPDXICONAZOLE TÉCNICO importado, conforme laudo técnico encontra correta classificação fiscal na NCM 2933.99.69. COMPETÊNCIA. A competência para determinar a classificação fiscal das mercadorias importadas é da Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda. Lançamento Procedente. O contribuinte foi devidamente cientificado do acórdão proferido pela DRJ – São Paulo, em 18/04/2008 (efl. 122) e apresentou recurso voluntário em 17/12/2008 (efls. 125/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal do produto importado pela Recorrente, denominado comercialmente de “EPDXICONAZOLE TÉCNICO”, na Nomenclatura Comum do MERCOSUL. O contribuinte informou na DI nº 04/08250601 o código tarifário NCM/SH 2933.39.33 (alíquota de 2% para o II e 0% para o IPI). Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 2933.99.69 (alíquota de 2% para o II e 0% para o IPI). Portanto, discutese aqui apenas a multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria em decorrência de erro de classificação fiscal. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.002812/200592 Acórdão n.º 3202001.390 S3C2T2 Fl. 95 4 A Recorrente concorda que a classificação fiscal correta para o produto é o código tarifário NCM 2933.99.69, contudo alega que “teve que classificálo em outro código tarifário, visto que, tal produto encontravase classificado sob o código 2933.39.99 no Departamento de Operações de Comercio Exterior (MICT/DECEX), conforme se verifica do documento acostado à impugnação”. Deste modo, aduz que “não teve outra alternativa sendo adotar tal classificação, visto que, dependia da autorização prévia para fins de importação do produto, e conseqüente desembaraço, o que somente ocorreria se a mesma adotasse o código tarifário constante no SISCOMEX, especifico para o referido produto” (vide efls. 129/130). Assim, é de concluirse que não há divergência quanto à correta classificação fiscal da mercadoria. Ambos – Fisco e contribuinte – concordam que o código tarifário correto é NCM/SH 2933.99.69. O argumento trazido pela Recorrente, de que informa outro código tarifário (NCM/SH 2933.39.99) em função de exigências do DECEX/MICT não pode ser acatado. Isso porque, como bem destacou a decisão a quo, não cabe ao DECEX, órgão vinculado ao Ministério da Indústria, Comércio e Turismo manifestarse sobre a classificação da mercadoria, tarefa esta exclusiva da fiscalização da Receita Federal do Brasil, a quem compete aterse às Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Deste modo, o DESTAQUE 001 (outros EPOXICONAZOLE) da posição NCM 2933.39.99 referese aos "compostos heterocíclicos exclusivamente de heterocitomo(s) de nitrogênio (azoto), compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não) não condensado" que, de acordo com o laudo técnico não corresponde ao produto, objeto da autuação fiscal. Correta, portanto, a classificação fiscal informada pela fiscalização no lançamento de ofício. Por conseguinte, em decorrência do erro de classificação fiscal constatado, cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/01: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Por fim, em relação às alegações de que a multa aplicada é confiscatória, que feriria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, também, que não poderia ter sido instituída por meio de medida provisória, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessas matérias. Nesta esfera se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Ademais, por força do disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 – PAF, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado a este órgão de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar norma contida expressamente em lei, sob fundamento de inconstitucionalidade. Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.002812/200592 Acórdão n.º 3202001.390 S3C2T2 Fl. 96 5 expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Nesse sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 11128.006872/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/02/2002
MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS.
O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/02/2002 MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou máfé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 68 72 /2 00 6- 65 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acrescidos de juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de controle administrativo. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 19/10/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 49.146,76, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, mediante Declaração de Importação No. 02/07829831, de 27/02/2002, diversos produtos declarados em 17 adições; • Em ato de conferência física, foram retiradas amostras de todos os produtos para análise laboratorial, sendo emitidos os Laudo de Assistência Técnica No. 0801.01 a 0801.27, em 22/04/2003; • Pela análise dos Laudo de Assistência Técnica, a fiscalização apurou as seguintes divergências: Adição 002: Tratase de nOctilamina, outra Monoamina Aciclica, composto da função amina, com classificação fiscal no Código NCM 2921.19.99 com incidência das aliquotas 0% (nihil) para o Imposto de Importação e para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 006: Tratase de preparação constituída de derivado de AlquenilOxazolinametanol e óleo mineral, um aditivo do tipo dispersante sem cinzas. Preparado com óleo de Petróleo, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.30 com incidência das aliquotas 15,5% Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 354 3 para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 007: Tratase de mistura de reação constituída de Fosfato de Cresila e Fenila, produto A. base de compostos orgânicos, um produto diverso das indústrias químicas, não especificado nem compreendido em outras posições, com classificação fiscal no Código NCM 3824.90.89, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 008: Tratase de 4,4ditercOctildifenilamina, contendo impurezas do processo de fabricação, um outro derivado da Difenilamina, com classificação fiscal no Código NCM 2921.44.29, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 0% para o Imposto sobre Prodtos Industrializados; Adição 011: Tratase de Óleo de Canola refinado, um outro Óleo Vegetal refinado, com classificação fiscal no Código NCM 1515.90.90, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 012: Tratase de preparação constituída de substancia inorgânica de Bissulfato de Milobideno, Composto Orgânico com grupamento de Éster, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 1: Tratase de preparação constituída de Composto Orgânico com grupamento de Éestr em Oleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das alíquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 2: Tratase de preparação constituída de Composto Orgânico com grupamento de Éster e Sal do Acido Dialquilditiofosfórico em Óleo Mineral, corn classificação fiscal no Código NCM 3811.21.20, com incidência das alíquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 013 item 3: Tratase de preparação constituída de Sabão Metálico Oleo Mineral e substâncias inorgânicas, com classificação fiscal no Código NCM 3403.91.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 015 item 2: Tratase de preparação constituída de Sal do Acido Alquilditiofosfórico e Composto Fenólico em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.20, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Adição 015 item 3: Tratase de preparação constituída de grupamento de Alquil Sufonato de Bário e Cálcio em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.40, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 016 item 1: Tratase de preparação constituída de grupamento de Alquil Tiadizol em Óleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.21.90, com incidência das aliquotas 3,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 016 item 2: Tratase de preparação constituída de grupamento de Poliisobutileno em Oleo Mineral, com classificação fiscal no Código NCM 3811.29.90, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Adição 017: Tratase de preparação aquosa de Poliisoloxano modificado com grupamento Etoxilado, com classificação fiscal no Código NCM 3402.13.00, com incidência das aliquotas 15,5% para o Imposto de Importação e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; • A descrição das mercadorias relacionadas não fornece os elementos necessários para seu correto enquadramento; Cientificado do auto de infração, o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 28/12/2006, de fls. 212 236, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante informou que: • A impugnante não teve acesso ao conteúdo técnico dos Laudos de Assistência Técnica, só tomando ciência dos resultados; • PRELIMINARMENTE, alega o cerceamento do direito de defesa, por não tomar conhecimento expresso da causa e do fundamento que ampara o lançamento tributário; • Nos casos em que a situação fática é complexa, a fundamentação deve ser detalhada; • A ausência de aspectos técnicos dos Laudos de Assistência Técnica emitido pelo LABANA, impede que o impugnante tenha acesso aos fundamentos da ação fiscal; • Incongruente a aplicação da multa do controle administrativo e a multa proporcional ao valor aduaneiro uma vez que a descrição dos produtos permite sua perfeita identificação. Só em dois casos ocorreu erro de digitação e mesmo assim um deles resultou em classificação fiscal atribuida pela fiscalização de gravame tributário menor; Adição 002 — item 2: A fiscalização não prestou a devida atenção ao mencionar a descrição do produto feita pela impugnante. A descrição do produto permite sua perfeita Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 355 5 identificação pelo fato de se tratar de uma substância da classe amina, denominada OCTILAMINA, que é exatamente tida como correta pela ação fiscal; Adição 006 — A impugnante menciona em sua descrição a principal substância de que é composto o produto, a OXAZOLINA que é a substância mencionada pela fiscalização; Adição 007 — 0 impugnante descreveu o produto como DI FENILCRESIL FOSFATO, sendo tal descrição idêntica a da fiscalização; Adição 008 — A impugnante menciona novamente em sua descrição a principal substância de que é composto o produto, a DIFENILAMINA OCTILADA. A única diferença diz respeito ao fato de que a fiscalização utilizou da forma contraída para descrever a substância, enquanto a impugnante usou a forma completa; Adição 011 — Faltou a fiscalização atenção para perceber que COLZA e CANOLA são a mesma coisa. CANOLA é uma variação da COLZA cultivada no Canadá. Adição 012 — Em sua descrição a impugnante utilizou a mesma expressão indicada pela fiscalização. Adição 013 item 01 — A impugnante cometeu um erro de digitação ao descrever o produto como ALUIL SUCRINATO, substância que não existe. Mesmo assim, o gravame tributário referente a nova classificação fiscal atribuída pela fiscalização é mais benéfico ao impugnante, não havendo qualquer prejuízo ao Fisco. Adição 013 item 02 — As descrição da fiscalização e da impugnante dizem a mesma coisa, com a diferença de que a descrição da impugnante indica as quantidades da mistura, sendo esta a mais adequadsa; Adição 013 item 03 — A descrição da impugnante é mais especifica e detalhada do que a fiscalização, permitindo sua correta identificação; Adição 015 item 02 — A impugnante cometeu um erro de digitação "DUALQUIL DIFIO ". Todavia, o restante da descrição cumpre sua função de identificar a função principal do produto (anticorrosivo) e o restante de sua fórmula; Adição 015 item 03 — A impugnante indica que se trata exatamente do mesmo produto mencionado pela fiscalização SULFONATO DE BARI°, indicando ainda que o produto está disperso em óleo mineral e que se trata de aditivo para óleo lubrificante. A descrição da impugnante é idêntica a sugerida pela fiscalização; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Adição 016 item 01 — 0 principal atributo do produto foi mencionado, sendo que a descrição da impugnante é mais especifica. São descrições quase idênticas; Adição 016 item 02 — Não há qualquer discrepância entre a descrição do impugnante e aquela sugerida pela fiscalização, sendo absolutamente idênticas. Adição 017 — Existem apenas diferenças meramente terminológicas entre as duas descrições, porque ambas descrevem a mesma coisa com palavras diferentes. • Em face da correta descrição dos produtos e do fato do impugnante agir de boa fé, incabível a multa proporcional ao valor aduaneiro. Para tanto junta textos da jurisprudência administrativa; • 0 Ato Declaratório Normativo COSIT No. 12/97 vem corroborar com este entendimento; • 0 Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados são indevidos, pois ainda que procedente a reclassificação fiscal proposta, a maioria dos caos implica em gravame tributário menor; Pugna a anulação do Auto de Infração. É o Relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 0718.953, de 16/6/2010 (fls. 302/321), assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/09/2002 Importação de diversos produtos declarados em 17 adições. Retiradas amostras de todos os produtos para análise laboratorial, apurouse divergências na classificação fiscal. Classificação (sic) fiscais indicadas pela fiscalização corretas, em função da Regra No. 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. Multa do controle administrativo exonerada em parte, produtos corretamente descritos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 331/348, por meio do qual alega, em síntese, depois de descrever os fatos: Preliminar de cerceamento ao direito de defesa Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 356 7 Somente poderá exercer apropriada e adequadamente seu direito natural e constitucional ao contraditório e à ampla defesa se e somente se anteriormente tomar conhecimento expresso da causa e do fundamento que ampara a emissão do lançamento tributário. Para a elaboração de defesa, o contribuinte deve ter conhecimento de todos os fatos que serviram de base para a exigência formulada. É evidente a necessidade de disponibilizarse o laudo técnico preparado pelo LABANA, uma vez que a exigência materializada no auto de infração se refere a termos e nomenclaturas técnicas, razão pela qual somente a partir de tal laudo poderseia verificar a adequação do auto de infração contra si lavrado. A simples análise do auto de infração já basta para se reconhecer a complexidade dos produtos importados. Ao lavrar a autuação inaugural, o agente fiscal houve por bem apenas mencionar as conclusões obtidas no laudo técnico expedido pelo LABANA, mas não o forneceu. Por sua vez, não teve acesso ao inteiro teor das informações nele consignadas. Não chegou a ter ciência do procedimento efetuado e dos detalhes abordados pelo laudo elaborado, de modo que não pode constatar a veracidade, bem como a equivalência entre o que nele está contido e o que esta no auto de infração. Teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa violado. Como seria possível se defender satisfatoriamente se sequer teve conhecimento dos aspectos técnicos e dos fundamentos que justificaram a conclusão do LABANA? Não pôde exercer plenamente seu direito de defesa, já que não teve condições de combater todas as conclusões apontadas no referido laudo técnico. Ao deixar de anexar o laudo à autuação, tanto o agente fiscal quanto a Turma Julgadora da DRJ/SP ignoraram outro principio básico que pauta a atuação da Administração Pública, o da fundamentação do ato administrativo. Mérito A fiscalização aplicou a pesada multa (prevista no artigo 169, I, b, do Decreto lei 37/1966) de 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, em relação a diversas adições da DI n° 02/07829831, sob o pretexto de que ela teria preenchido a documentação de importação omitindo elementos essenciais à perfeita identificação dos produtos, o que teria levado à reclassificação tarifária e também à ilógica presunção de que os produtos teriam sido importados ao desamparo da cabível documentação de importação. Além disso, foi aplicada a multa prevista no artigo 84, I, da Medida Provisória n° 215835/2001, correspondente a 1% do valor aduaneiro dos produtos importados, em função da suposta utilização de classificação fiscal errada. Apresentada a impugnação, a DRJ houve por bem julgála procedente apenas em parte, de modo que exonerou as multas de controle administrativo relativas às Adições "002 — item 2", "013 — item 3" e "015 — itens 2 e 3", mantendo as demais exigências formuladas. A aplicação das multas no presente caso é absolutamente descabida, porque em relação à esmagadora maioria dos dez produtos remanescentes depois do julgamento de primeira instância a descrição que foi efetuada nos documentos de importação permite a perfeita identificação de gênero e espécie dos produtos importados, tendo havido, neste universo de dez somente dois casos em que houve erro de digitação por parte da pessoa que preencheu a documentação e, ainda assim, em um desses casos, a reclassificação tarifária feita pela fiscalização resultou na aplicação de carga tributária muito menos onerosa do que a originalmente utilizada pela empresa, o que significa que prejuízo algum houve para o Fisco. Verificando e comparando cada um dos casos levantados pela fiscalização e posteriormente analisados e fundamentados pelo v. acórdão, ficará claro que a descrição usada Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 nos documentos de importação e a descrição que a fiscalização entende ser mais correta são bastante semelhantes e, por vezes, idênticas (passa a tecer comentários sobre as adições 006, 007, 008, 011, 012, 013 – itens 1 e 2, 016, itens 1 e 2, e 017). Também não se justifica a aplicação da multa do artigo 84 da MP 215835/2001. Em primeiro lugar, pelo fato de que a perfeita descrição dos produtos na documentação de importação acaba suprindo qualquer eventual indicação de código de classificação fiscal errado, como reconhecem diversas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Em segundo lugar, porque ficou claro que a Recorrente agiu inteiramente de boafé e não teve nenhuma intenção de lesar o fisco, o que, de resto, fica mais evidente ao se considerar que o tratamento tributário dado pela empresa nas importações acabou sendo mais gravoso do que o proposto pelo fisco na maioria dos casos em que foi feita a reclassificação. A jurisprudência do CARF, inclusive de sua Câmara Superior, tem reconhecido maciçamente que não se aplicam penalidades nos casos em que a descrição feita na documentação de importação permite que se identifique com clareza de qual produto se trata e qual é sua aplicação principal. O Ato Declaratório Normativo nº 12/97 da COSIT, que expressa oficialmente a opinião de que a mera indicação de classificação fiscal errada nos documentos de importação, não enseja a aplicação de multa, se a descrição do produto contiver todos os elementos necessários para identificálo. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne da questão diz com erros que teriam sido cometidos na classificação fiscal de produtos importados pela Recorrente, bem como na falta de declaração de todos os elementos necessários a sua correta classificação, o que teria acarretado a cobrança do imposto de importação, do imposto sobre produtos industrializados, de juros e multas, proporcional e de controle administrativo. Preliminarmente, alega a Recorrente cerceio o seu direito de defesa, uma vez que a fiscalização não teria fornecido o laudo técnico que fundamentou o lançamento e fora referido na descrição dos fatos dos autos de infração, destinado, portanto, a subsidiar a classificação fiscal dos produtos na fase inquisitiva do procedimento, de forma que não foi cientificado sobre a sua elaboração e sobre os detalhes nele abordados, informações que seriam necessárias para que pudesse constatar a sua veracidade e a equivalência entre o que contido no laudo e o registrado nos autos de infração. Não há como acordar com alegação da Recorrente. Primeiro, porque os autos de infração trazem, ao seu final, a informação de que os integram todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados, o que inclui, por óbvio, o laudo técnico expressamente citado na descrição dos fatos e faz presumir, salvo prova em contrário, tenham sido remetidos à Recorrente. Segundo, e mais importante, porque a Recorrente obteve cópia de todo o processo antes da apresentação de sua impugnação, conforme comprova a Solicitação de Cópia de Documentos, datada de 18/12/2006 e acostada à fl. 213. Assim, ainda que não lhe tenha sido remetido o laudo técnico, teve acesso ao Pedido de Exame Laboratorial de fl. 65, no qual Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 357 9 elencados os quesitos formulados pela fiscalização e, a partir da fl. 72, as respostas fornecidas pelo laboratório, que informou, ademais, por quais meios se deu a identificação do material posto em análise (identificação química, identificação por infravermelho, Ressonância Magnética Nuclear Protímica e de Carbono13 etc.). A leitura da descrição dos motivos de fato e de direito que levaram à autuação também comprova a validade do lançamento, posto que muito bem delineados no campo próprio dos autos de infração, tanto que nenhum empeço teve a Recorrente de os contestar, na instância de origem ou mesmo neste Colegiado. Rejeitada a preliminar de nulidade, passo ao exame de mérito do lançamento. E, ao fazêlo, entendo não assistir, no todo, direito à Recorrente. Com efeito, a instância a quo já comentou, de forma cristalina, em relação a cada umas das adições que compõem a Declaração de Importação, os erros que teriam sido cometidos pela Recorrente, ora apenas quanto à classificação fiscal, ora quanto à falta de elementos necessários à perfeita identificação do produto importado. Depois da análise realizada, exonerou parcialmente a multa do controle administrativo apenas quanto às adições 002 item 2, 013 — item 3 e 015 item 3. Contra a manutenção das demais exigências, afirma a Recorrente afigurarse a aplicação das multas absolutamente descabida, porque, em relação à esmagadora maioria dos produtos, a descrição que fora efetuada nos documentos de importação permitiria a perfeita identificação de gênero e espécie dos produtos importados. Sustenta, ademais, que apenas em dois casos houve erro de digitação por parte da pessoa que preencheu a documentação e, ainda assim, em um desses casos, a reclassificação tarifária feita resultou na aplicação de carga tributária muito menos onerosa. Embora não pelos motivos levantados pela Recorrente, a multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decretolei n.º 37, de 1966, não é de ser aplicada no caso ora em julgamento. Como já enfrentado noutras oportunidades pelo CARF, o erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, sendo indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Por comungar com esse mesmo entendimento, transcrevo e adoto como razão de decidir, na parte a ele referente, o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento nos autos do processo administrativo n.º 11128.006503/200591 (Acórdão CARF/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária n.º 310200.757, sessão de 27/08/2010): Da multa por falta de licenciamento. Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa sancionadora da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), que substituiu a Guia de Importação (GI), encontrase prevista na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, com os seguinte dizeres: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) (grifos não originais). Na data em ocorreu a operação de importação objeto da presente autuação já estava em operação o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, no âmbito do qual passou a ser realizado todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras. Nos termos do § 1º do art. 6º1 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992, a GI foi substituída pela LI, passando a ser este o novo documento base do controle administrativo das importações. De acordo com a nova sistemática, as operações de importação passaram a ser submetidas a duas modalidades de licenciamento: o licenciamento automático e o licenciamento não automático. O que diferencia uma modalidade da outra é a necessidade ou não do controle administrativo prévio ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do início do despacho aduaneiro, conforme o caso. Na primeira modalidade é dispensável a anuência prévia dos Órgãos intervenientes no comércio exterior, enquanto que na segunda, a autorização prévia dos referidos Órgãos é sempre exigida. Nessa última modalidade, sem a autorização prévia do respectivo órgão anuente, o Decex fica impedido de emitir a LI, acarretando o cometimento da infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a penalidade fixada na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966. Em complementação ao disposto na legislação de regência, na época em que ocorreram as operações de importação objeto da presente autuação, o assunto encontravase disciplinado na Portaria Secex nº 21, de 1996, especificamente nos dispositivos a seguir transcritos: 1 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 358 11 Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT n°291, de 12 de dezembro de 1996. § 2° As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. (...) Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. (...) Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto. Essa sistemática de licenciamento vigorou até 02 /12 /2003, quando entrou em vigor a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003, que introduziu nova denominação para os procedimentos de licenciamento das importações, dividido em três modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento não automático. De acordo com a nova sistemática, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento das importações (art. 7º2). O licenciamento automático apenas passou a ser exigido nas operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º3). Por fim, o 2 "Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF". 3 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex, também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) amparo do regime aduaneiro especial de ' drawback'" Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 licenciamento não automático foi estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º da referida Portaria, a seguir transcrito: Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) sem cobertura cambial nos casos previstos nesta Portaria. (grifos não originais) No novo modelo, em relação às importações dispensadas de licenciamento, os importadores estão obrigados tãosomente a providenciar o registro da operação na Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. Nas outras duas modalidades (licenciamento automático ou não), o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações da operação de importação previamente ao embarque da mercadoria no exterior, para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo no Siscomex, ou anteriormente ao início do despacho aduaneiro, para as operações definidas no § 1º do art. 10 da nova Portaria, a seguir transcrito: Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. § 1º Nas situações abaixo indicadas, o licenciamento poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria no exterior, mas anteriormente ao despacho aduaneiro, exceto para os produtos Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 359 13 sujeitos a controles previstos no Tratamento Administrativo no Siscomex: I importações ao amparo do regime aduaneiro especial de "drawback" ; II importações ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio, exceto para os produtos sujeitos a licenciamento; III sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq. (grifos não originais). Fazendo um paralelo, entre as duas sistemáticas introduzidas pelas Portaria Secex nº 21, de 1996 (revogada) e nº 17, de 2003, observase que, regra geral, os procedimentos que passaram a ser adotados para as operações dispensadas de licenciamento eram aqueles aplicáveis às operações sujeitas à licenciamento automático na nova sistemática anterior, com exceção dos produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais, previsto no art. 10 4 da Portaria Secex nº 21, de 1996, e relacionados no Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 17 de dezembro de 1997, com as alterações posteriores. Assim, comparando as duas sistemáticas de licenciamento temse o seguinte quadro comparativo: Port. Secex nº 21, de 1996 (arts. 7º a 10) Port. Secex nº171, de 2003 (arts. 6º a 10) Licenciamento Automático (LA) – regra geral Dispensado de Licenciamento LA – produtos sujeitos a procedimentos especiais Licenciamento Automático Licenciamento Não Automático Licenciamento Não Automático Em suma, as operações de importações sujeitas a licenciamento automático da antiga sistemática, com exceção dos produtos sujeitos a procedimentos especiais, estavam dispensados de 4 "Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame das condições gerais de comercialização, divulgará, por meio de Comunicado público, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais que deverão ser observados nos casos de licenciamento automático ou não automático". Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 controle administrativo, da mesma forma que também estão as operações dispensadas de licenciamento no novel regime de licenciamento. Por outro lado, os produtos previstos no tratamento administrativo no Siscomex, ainda que integrando a sistemática de licenciamento automático, estavam sujeitos a controle administrativo, portanto, necessitavam de anuência e de licenciamento previamente ao embarque no exterior ou ao início do despacho aduaneiro, conforme o caso. (grifos do original). Assim sendo, tendo a importação se realizado em 27/02/2002, absolutamente ilegal, no caso ora em julgamento, a aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto lei n.º 37, de 1966, porque ausente um dos pressupostos fáticos necessários a sua aplicação. O mesmo entendimento, contudo, não se estende, à míngua de equivalência entre as situações, à multa de um por cento prevista no art. 84 da MP n.º 215835/2001, pois a sua incidência apenas reclama a mera classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria ou, alternativamente, a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Assim, basta para a aplicação da penalidade prevista no art. 84 da MP n.º 2158 35/2001 a errônea classificação fiscal do produto importado (fato inequívoco nos autos), sendo de todo impertinente alegar, como motivo para a sua não exigência, o fato de o reenquadramento realizado pela fiscalização ter acarretado a redução dos valores a serem recolhidos em virtude da importação ou a ausência de máfé por parte do importador. Em conclusão, devem ser mantidos os tributos não recolhidos em razão do erro de classificação fiscal, mas acrescidos de juros de mora, da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro e da multa proporcional de 75%. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para exonerar apenas a multa de controle administrativo prevista no art. 169, I, “b”, do Decretolei n.º 37, de 1966. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006872/200665 Acórdão n.º 3202000.857 S3C2T2 Fl. 360 15 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10711.005303/2006-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 08/08/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
O produto ULTRAFINE FILLER GM 27884, um aluminoborosilicato de bário, classifica-se no código NCM 2842.10.90.
MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158/35, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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O produto ULTRAFINE FILLER GM 27884, um aluminoborosilicato de bário, classificase no código NCM 2842.10.90. MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158/35, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou máfé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 53 03 /2 00 6- 50 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação – II, acrescido de juros e de multas proporcional e regulamentar, no valor total de R$ 24.357,39. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração decorrente de classificação fiscal com lançamentos do Imposto de Importação, multa proporcional e multa por classificação fiscal. Valor total da autuação R$ 24.357,39. Alega a fiscalização aduaneira que os produtos da Declaração de Importação (DI) 06/09324432 (Silicato de alumínio e Bário) devem ser classificados no código NCM/SH 2842.10.90, em vez do código 2842.90.00. Intimada a empresa autuada (fl. 01), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 2325. Seguem as alegações da empresa. A atividade preponderante da empresa é a produção de produtos odontológicos, categoria farmacêutica. A multa do art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, é imprópria, uma vez que a mercadoria está corretamente descrita. Defende a classificação fiscal constante na DI pelo fato de não haver restrição a tal classificação fiscal nas Notas do Capítulo, pela aplicação da Regra 3c de interpretação do Sistema Harmonizado, as mercadorias devem ser classificadas na posição situada em último lugar na ordem numérica dentre as suscetíveis de validade. Alega a quantidade de empregados na empresa e na possibilidade de criação de empregos no exterior com o posicionamento da Receita Federal. Solicita a improcedência da autuação e a realização do desembaraço das mercadorias. À fl. 44 encaminhouse o processo para julgamento. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0711.688, de 11/01/2008 (fls. 50/56; acórdão dispensado de ementa). Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário de fls. 64/75, por meio do qual repisa argumentos já delineados em sua impugnação. Em síntese, além de insurgirse contra as multas aplicadas, sustenta que o laudo técnico que serviu de base à autuação é deficiente por não ter identificado “a sílica (dióxido de silício = SiO2), que compõe mais de 50% (cinquenta por cento) da composição”. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.005303/200650 Acórdão n.º 3202001.125 S3C2T2 Fl. 229 3 Por meio da Resolução n.º 320100.115, de 17/03/2010 (fls. 115/117), a 1ª Turma Ordinária da 2° Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência, a fim de dirimir dúvidas acerca dos aspectos merceológicos do produto. Por meio do doc. de fl. 181, deuse ciência, em 11/10/2012 (fl. 182), à Recorrente da não realização da diligência, uma vez que não se manifestou sobre o orçamento fornecido pelo laboratório Instituto Nacional de Tecnologia. A Recorrente, então, requereu a juntada de laudo técnico elaborado pelo mesmo laboratório e realizado no mesmo produto – ULTRAFINE FILLER GM 27884 (fls. 183, 205/212). Às fls. 217/225, encontrase anexada manifestação da Recorrente sobre o laudo técnico que carreou aos autos. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne da questão diz com a errônea classificação fiscal de produto importado pela Recorrente (ULTRAFINE FILLER GM 27884), o que teria acarretado a cobrança do II, acrescido de juros e multa proporcional e regulamentar decorrente do erro de classificação fiscal. Com base no Laudo Técnico de fl. 20, a fiscalização aduaneira reclassificou o produto importado para o código NCM 2842.10.90, enquanto que a Recorrente classificouo no código NCM 2842.90.00. A posição, subposições, itens e subitens a que correspondem os códigos indicados estão assim descritos na NCM: 28.42 Outros sais dos ácidos ou peroxoácidos inorgânicos (incluindo os aluminossilicatos de constituição química definida ou não), exceto as azidas. 2842.10 Silicatos duplos ou complexos, incluindo os aluminossilicatos de constituição química definida ou não 2842.10.10 Zeólitas dos tipos utilizados como trocadores de íons para o tratamento de águas 2 2842.10.90 Outros 10 2842.90.00 Outros 2 Constatase, pois, que a controvérsia reside apenas na subposição simples, haja vista que não há dissenso quanto à posição em que se classifica o produto importado. A meu ver, a razão está com a fiscalização. Para tornar claro motivo do nosso convencimento, passamos a reproduzir a seguinte nota à posição 2842 encartada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH (aprovadas pela Instrução Normativa – IN RFB n.º 807, de 2008, na redação conferida pela IN RFB 1.260, de 2012), sobre os sais duplos ou complexos: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 II. SAIS DUPLOS OU COMPLEXOS (...) L) Silicatos duplos ou complexos. São compreendidos neste grupo os aluminossilicatos, quer se trate ou não de compostos de constituição química definida apresentados isoladamente. Os aluminossilicatos são utilizados em vidraria e como isolantes, trocadores de íons, catalisadores, peneiras moleculares, etc. São compreendidas nesta categoria as zeólitas sintéticas de fórmula genérica M2/nO.Al2O3.ySiO2.wH2O, onde M é um cátion de valência n (geralmente sódio, potássio, magnésio ou cálcio), y um número igual ou superior a 2 e w o número de moléculas de água. Ora, conforme o laudo técnico trazido aos autos pela própria Recorrente, o produto importado é um aluminoborosilicato de bário. Ademais, depois de afirmarem que o produto sofreu processo de vitrificação, os profissionais responsáveis pela sua elaboração ainda consignaram (fl. 209; no penúltimo parágrafo): “O vidro é considerado por alguns autores, no caso dos vidros que têm como formadores o óxido de silício (SiO2) e outros formadores como óxido de boro (B2O3) e ainda intermediário como óxido de alumínio (Al2O3), como alumino silicatos ou aluminoborosilicatos, que são silicatos duplos ou complexos respectivamente, de origem artificial”. Portanto, não resta dúvida sobre o acerto do reenquadramento fiscal levado a efeito pela fiscalização. No caso, é de se aplicar a Regra Geral de Interpretação – RGI n.º 6, segundo a qual a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, não, como pretende a Recorrente, a RGI n.º 3C. Em conclusão, deve ser mantido o tributo não recolhido em razão do erro de classificação fiscal, acrescido de juros de mora de multa proporcional, além da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro em virtude do erro de classificação fiscal, cuja incidência apenas reclama a mera classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria ou, alternativamente, a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. A exigência da multa proporcional reclama apenas a falta de recolhimento do tributo (art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996), não sendo de aplicar, por analogia, o disposto no Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 10, de 1997, uma vez que a situação aqui examinada nada tem a ver com solicitação incabível de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.005303/200650 Acórdão n.º 3202001.125 S3C2T2 Fl. 230 5 Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 12749.000452/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005, 2006
RECLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Havendo a reclassificação fiscal de mercadorias, tornam-se exigíveis as diferenças de tributos com os acréscimos legais previstos na legislação, bem como a multa regulamentar por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NA NCM/TEC e NI1NI/TIPI.
As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul e na Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados.
ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA REGULAMENTAR.
Aplicável a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada quando se constata que a mercadoria foi classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
A insuficiência de pagamento de tributos e contribuições incidentes na importação, em decorrência de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento das diferenças que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE IMPOSTO PELA PORTARIA MF N° 2 de 17 de janeiro de 2023. SÚMULA N° 103 DO CARF. APLICABILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023, dispõe que a decisão de primeira instância administrativa se encontra sujeita à confirmação pelo CARF quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 15.000.000,00 (Quinze Milhões de Reais). Tal limite de alçada deve ser analisado na data do julgamento em segunda instância administrativa, nos termos da Súmula CARF n° 103. Recurso de Ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Juciléia de Souza Lima, Relatora
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Vinicius Guimaraes (suplente convocado(a)), Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA
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Havendo a reclassificação fiscal de mercadorias, tornam-se exigíveis as diferenças de tributos com os acréscimos legais previstos na legislação, bem como a multa regulamentar por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NA NCM/TEC e NI1NI/TIPI. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul e na Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. Aplicável a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada quando se constata que a mercadoria foi classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de pagamento de tributos e contribuições incidentes na importação, em decorrência de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento das diferenças que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 2 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE IMPOSTO PELA PORTARIA MF N° 2 de 17 de janeiro de 2023. SÚMULA N° 103 DO CARF. APLICABILIDADE. NÃO CONHECIMENTO A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023, dispõe que a decisão de primeira instância administrativa se encontra sujeita à confirmação pelo CARF quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 15.000.000,00 (Quinze Milhões de Reais). Tal limite de alçada deve ser analisado na data do julgamento em segunda instância administrativa, nos termos da Súmula CARF n° 103. Recurso de Ofício não conhecido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima, Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Vinicius Guimaraes (suplente convocado(a)), Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Tratam-se de Recurso de Ofício e Voluntário contra lavratura de Autos de Infração lavrados para exigência de crédito tributário decorrente de classificação fiscal incorreta com lançamentos de Imposto de Importação, juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo e multa por classificação fiscal. O valor total da autuação foi de R$ 3.020.203,77. Seguem as alegações da fiscalização aduaneira: Fl. 1161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 3 • Ao final de procedimento fiscal, concluiu-se que estava incorreta a classificação fiscal de 04 produtos, em decorrência de laudos laboratoriais integrantes dos autos. Sendo eles: • Finale Técnico. Laudo n° 0029FB/06, classificada pelo contribuinte no código 2931.00.35 e reclassificado para o código 3808.30.29; • Hostathion Técnico. Laudo Funcamp n° 0029.01 , classificada pelo contribuinte no código 2933.99.63 e reclassificado para o código 3808.10.29; • Premier Técnico. Laudo Funcamp n° 2834.01, classificada pelo • contribuinte no código 2933.39.99 e reclassificado para o código 2933.39.29; e • Previcur Técnico. Laudo Funcamp n° 0640.01, classificada pelo contribuinte no código 2924.19.29 e reclassificado para o código 3808.20.29. Para todos os produtos houve o lançamento do Imposto de Importação, juros de mora, multa de ofício, multa de classificação fiscal incorreta e multa do controle administrativo por ausência de licença de importação. A exceção é o produto Premier Técnico, que foi objeto de, tão-somente, multa por classificação fiscal incorreta. Intimada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada parcialmente procedente pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC para cancelar, a depender do recurso de oficio, os créditos relativos à multa do controle administrativo por ausência de licença de importação, com exceção dos lançamentos referentes às Dls 19/1251945-0, 05/1251952-2, 05/1325309-7, 05/1338407-8, 05/1338412-4, 05/1349601-1, 05/1374376-0, 06/0013675-7, através do acórdão 07-16.117, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 06/06/2005 a 13/04/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- II Período de apuração: 06/06/2005 a 13/04/2006 Fl. 1162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 4 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantém-se a reclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto 411 examinado se enquadra, inequivocamente, no código tarifário determinado pela autoridade lançadora. A simples argumentação em impugnação, sem apresentação de qualquer elemento de prova, não afasta as conclusões expostas em laudo técnico. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, são exigíveis a diferença de tributos com os acréscimos legais previstos na legislação. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 12/1997. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. Caso a mercadoria esteja corretamente descrita na Declaração de Importação, aplica-se o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/1997, afastando-se a multa do controle administrativo por importação desamparada de licença de importação. Lançamento Procedente em parte Por sua vez, todos os créditos tributários referentes às DIs n° 05/1251945-0, 05/1251952-2, 05/1325309-7, 05/1338407-8, 05/1338412-4, 05/1349601-1, 05/1374376-0, 06/0013675-7, 06/0186710-0 e 06/0340302-0 não foram impugnados, sendo que a contribuinte alega pagamento dos mesmos. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso ao CARF, no qual em sua defesa pugna pelo reconhecimento de sua classificação fiscal como correta, e por consequência, o cancelamento da presente autuação. Em suma, é o Relatório. VOTO Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora. Os Recursos são tempestivos, bem como atendem como aos demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a inexistência de preliminares, passo a análise do mérito. Fl. 1163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 5 I- DO MÉRITO 1.1- DO RECURSO DE OFÍCIO O valor total da autuação foi de R$ 3.020.203,77. Dos autos se extrai que o crédito exonerado diz respeito às multas do controle administrativo por ausência de licença de importação, com exceção dos lançamentos referentes às Dls 19/1251945-0, 05/1251952-2, 05/1325309-7, 05/1338407-8, 05/1338412-4, 05/1349601-1, 05/1374376-0, 06/0013675-7. O recurso de ofício foi interposto em 22 de maio de 2009. Ocorre que a Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023, passou a dispor que decisão de primeira instância administrativa se encontra sujeita à confirmação pelo CARF quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 15.000.000,00 (Quinze Milhões de Reais). Sobre o tema a Portaria do Ministério da Fazenda nº 02/2023 disciplinou o limite para interposição de recurso ofício, vejamos: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, substituto, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento de Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Fica revogada a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Art. 3º Esta Portaria entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2023. Logo, a exoneração do crédito tributário se deu em valor abaixo do limite imposto pela Portaria MF n° 02/2023. Portanto, impõe-se a aplicar a Súmula CARF n° 103: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. Por conseguinte, o presente Recurso de Ofício não pode ser conhecido. Sendo assim, passo a análise do mérito do Recurso Voluntário ofertado pela contribuinte. Fl. 1164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 6 1.2. Do desenquadramento da Classificação Fiscal Preliminarmente, há que discorrer, ainda que sumariamente, sobre a origem da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), lastreada no Sistema Harmonizado (SH), base da Tarifa Externa Comum (TEC), de modo que a análise da classificação tarifária torne-se totalmente compreensível, já que a matéria não é amena. A "Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" foi firmada em junho de 1983, sob os auspícios do Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA), tornando-se o Brasil signatário da mesma em 31 de outubro de 1986, sendo essa Convenção aprovada em nosso país pelo Decreto Legislativo n° 71, de 1988, e promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 1988, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 1989. 0 SH compreende mais de 1.200 Posições, que, com exceção de algumas centenas, foram divididas em Subposições de 1" nível que, por sua vez, foram ou não subdivididas em Subposições de 2 2 nível, formando, aproximadamente, 5.000 grupos distintos de mercadorias, identificadas por um. código de 6 (seis) dígitos, chamado "Código SH". Os 4 (quatro) primeiros dígitos correspondem à Posição, enquanto o 5° (quinto) e o E, (sexto) identificam as Subposições de 1" e 2° níveis, respectivamente, indicando-se com zero a ausência desses desdobramentos. Com o advento do Mercosul, foi criada uma nomenclatura própria, baseada no SH, denominada de Nomenclatura Comum do Mercosul (NCNO, que serviu de base para a criação da tarifa aduaneira utilizada pelos países do Mercosul, denominada de Tarifa Externa Comum (TEC), A NCM acrescentou aos 6 (seis) dígitos do SH, mais 2 (dois): Item e Subitem. Logo, o código NCM é constituído por 8 (oito) dígitos. 0 Item é indicado pelo 7° (sétimo) dígito e o Subitem pelo 8° (oitavo) dígito. A NCM compreende, ainda, além das Regras Gerais de Interpretação do SH (que incorporou), 2 Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares. Grande parte das Seções e dos Capítulos da Nomenclatura do SH/NCM está precedida de Notas que, como as Regras Gerais, constituem parte integrante da Nomenclatura e têm o mesmo valor legal, sendo denominadas de Notas de Seção e Notas de Capítulo. Há, também, Notas que somente dizem respeito à interpretação dos textos das Subposições e são chamadas de Notas de Subposição. Há, ainda, Notas Complementares, que norteiam a classificação no âmbito regional (Mercosul). O SH apóia-se também em publicações complementares, concebidas para facilitar a sua interpretação uniforme, dentre elas estão as Notas Explicativas do SH ou, simplesmente, NESH, que compreendem a interpretação oficial do SH (até o nível de Subposição). Aversão utilizada pelo Brasil é a "luso-brasileira", aprovada pelo Decreto n° 435, de 1992, com o texto consolidado através de Instruções Normativas. Fl. 1165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 7 A Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) baseia-se na NCM, e integra, junto com as alíquotas do IPI, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Há que esclarecer, ainda, que a NCM/TEC e NBM/TIPI, de 2002, vigentes à época das importações, e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), publicadas através da IN-SRF n° 157, de 10.05.2002, serão as utilizadas na análise dos códigos apontados pelo importador, bem como as Notas legais de Seção e de Capítulos, referentes a esses dois códigos. Outro esclarecimento fundamental quando for citada a NCM ou a NBM está-se reportando apenas à Nomenclatura (código e designação do produto) e quando for mencionada a NCM/TEC ou a NBM/TIPI a referência diz respeito ao código e à designação do produto + a alíquota do imposto incidente sobre ele (II e IPI, respectivamente). A presente demanda trata-se da constituição de crédito tributário de ofício por meio da lavratura de Autos de Infração para exigência de crédito tributário decorrente de classificação fiscal incorreta com lançamentos de Imposto de Importação, juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo e multa por classificação fiscal. Em sede de fiscalização, concluiu-se que estava incorreta a classificação fiscal adotada pela Recorrente referente à 04 produtos, sendo eles: • Finale Técnico. Laudo n° 0029FB/06, classificada pelo contribuinte no código 2931.00.35 e reclassificado para o código 3808.30.29; Em sua defesa, alega a Recorrente que em relação ao produto FINALE TÉCNICO, é correta classificação fiscal do produto adotado em função de sua composição, bem como a imprestabilidade do Laudo Técnico que serviu de base à Fiscalização, em função de sua dualidade de conclusões e superficialidade de análise. • Hostathion Técnico. Laudo Funcamp n° 0029.01 , classificada pelo contribuinte no código 2933.99.63 e reclassificado para o código 3808.10.29. Todavia, fora realizado o recolhimento do valor exigido no presente processo administrativo pela Recorrente. • Premier Técnico. Laudo Funcamp n° 2834.01, classificada pelo contribuinte no código 2933.39.99 e reclassificado para o código 2933.39.29. Segundo à Recorrente, quanto à reclassificação fiscal realizada pela Fiscalização do Premier Técnico, afronta o estabelecido pelo Tratamento Administrativo do SISCOMEX, o qual determinava, à época dos fatos, a utilização da NCM n° 2933.39.99, sob pena de se caracterizar importação ao desamparo de licença; • Previcur Técnico. Laudo Funcamp n° 0640.01, classificada pelo contribuinte no código 2924.19.29 e reclassificado para o código 3808.20.29. Segundo à Recorrente, quanto à reclassificação fiscal realizada pela Fiscalização do Previcur Técnico, afronta o estabelecido pelo Tratamento Administrativo do SISCOMEX, o qual Fl. 1166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 8 determinava, à época dos fatos, a utilização da NCM n° 2924.19.29, sob pena de se caracterizar importação ao desamparo de licença; Para todos os produtos houve o lançamento do Imposto de Importação, juros de mora, multa de ofício, multa de classificação fiscal incorreta e multa do controle administrativo por ausência de licença de importação. A exceção é o produto Premier Técnico, que foi objeto de, tão-somente, multa por classificação fiscal incorreta. Considerada a controvérsia da questão, precisamos nos socorrer dos laudos técnicos para dirimir a controvérsia. Pois bem. 1.2.1- Do Hostathion Técnico Quanto ao produto Hostathion Técnico, cumpre esclarecer que, embora entendesse a Recorrente estar albergada pelo Parecer CST n° 962/79, que definiu a classificação fiscal no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul, entendeu ela por efetuar o recolhimento do valor exigido. Solicita a exclusão dos valores glosados para o Hostathion, prosseguindo a discussão em relação aos produtos remanescentes. Aqui ratifico entendimento do julgador de piso no sentido que, de fato, cabe à unidade de origem, averiguar a procedência ou não dos recolhimentos citados pela empresa. No presente tópico, não há reforma a fazer. 1.2.2- Do Finale Técnico Enquanto a Recorrente defende o código das DIs (2931.00.35), a fiscalização defende a reclassificação para o código 3808.30.29. Sobre a divergência do NCM adequado para o produto descrito como “FINALE TÉCNICO”, temos que nos socorrer do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, considerando que a divergência recai sobre capítulos, visto que o contribuinte entende como devido o NCM 2931.00.35, enquanto a fiscalização compreende como correto NCM 3808.30.29. Ao analisarmos os capítulos referidos, temos o NCM 2931.00.35: X.- COMPOSTOS ORGANO-INORGÂNICOS, COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS, ÁCIDOS NUCLEICOS E SEUS SAIS, E SULFONAMIDAS 29.33 Compostos heterocíclicos exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio (azoto). Considerando o resultado do laudo de nº 0029FB/06 (fl. 380-381) que definiu o produto como uma preparação herbicida constituída de 2-amino-4-(hidroximetilfosfinil) Butanolato de Amônia (Glusofinato de Amónio), Composto Orgánico com Grupamento Oxialquelenado e Agua, na forma líquida. De tal modo que o capítulo 3808.30.29, cuida de: Fl. 1167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 9 38.08 Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel mata-moscas. Diante disso, melhor sorte assiste a autoridade fiscal, já que amostra do produto colocada à prova, mostrou-se um herbicida, segundo o trabalho científico esculpido no laudo, não restando dúvida da classificação adequada para este tipo de produto. Ainda, as respostas aos quesitos 1 e 5 de e-folhas 379, informa que não se trata somente de glusofinato de amônio e que o produto não é um composto de constituição química definida apresentado isoladamente, sendo uma preparação. Embora, neste último temos que considerar a exceção trazida pela TIPI, quanto: Capítulo 38 Produtos diversos das indústrias químicas Notas. 1.- O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: 1) (...); 2) Os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08; E se fosse o caso de produtos de constituição definida, apresentados isoladamente, a TIPI tratou como uma exceção, quando tratar de herbicida, de maneira que o capítulo 38 é o que melhor o descreve, embora, no próprio laudo foi apresentado que a composição química do produto, bem como o ingrediente ativo do mesmo, o que significa que o produto em questão não é um composto de constituição química definida, uma vez que possui um elemento, dentre vários, que é o produto químico base da mistura. Desta feita, tem como devido e que melhor descreve o produto o NCM 3808.30.29, sendo procedentes os lançamentos. No presente tópico recursal, também não há reforma a fazer. 1.2.3- Do Premier Técnico No que se refere ao Premier Técnico, defende a contribuinte ser correta a classificação fiscal como 2933.39.99, enquanto a fiscalização aduaneira entende por correta a classificação 2933.39.29, aqui temos uma divergência sobre item. É importante entendermos que o NCM é composto por capítulo, posição, subposição, item e subitem. Neste caso, os dois últimos dígitos, diz respeito ao item e subitem, respectivamente, considerando que estes correspondem ao tratamento que o produto recebe no Fl. 1168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 10 Mercosul, enquanto que o capítulo, a posição e a subposição recebem o tratamento dado pelo Sistema Harmonizado. No caso em questão, temos uma divergência tocante ao item, o contribuinte defende o NCM 2933.39.99, mas com base no que descreve o laudo de nº 2834.01, na e-folhas 838, o produto contém cloro, mas não contém flúor nem bromo, trazendo a descrição da nomenclatura 2933.39.29, esta última que é a defendida pela fiscalização. Vejamos abaixo o capítulo do referido produto. Diante disso, é procedente a reclassificação fiscal do NCM 2933.39.29, como também procede o lançamento da multa por classificação fiscal incorreta. Ratificando os termos do acórdão recorrido, deve-se observar que é da competência da Receita Federal proceder à classificação fiscal, e não do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária. 1.2.4- Do Previcur Técnico A divergência repousa nos capítulos e posições, já que o contribuinte defende o NCM 2924.19.29, enquanto que a fiscalização entende como devido o NCM 3808.20.29, mais uma vez, o laudo apresentado nas e-folhas 935, descreve o produto, tratando o PREVICUR TÉCNICO como um ingrediente ativo em Preparações Fungicidas. Vejamos as transcrições abaixo: 01. NCM 2924.19.29 – Classificação do contribuinte Fl. 1169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 11 02. NCM 3808.20.29 – Classificação da fiscalização Nas e-folhas 935, temos o laudo de nº 0640.01, o qual atesta o produto como ingrediente ativo em preparações Fungicidas. Posto isso, o NCM que melhor descreve o produto está no capítulo e posição 3808.20.29. Consoante a esta posição, está a TIPI que excetua o composto orgânico de constituição química definida, como no caso, colocando-o na referida posição 3808. Capítulo 38 Produtos diversos das indústrias químicas Notas. 1.- O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: 1) A grafita artificial (posição 38.01); 2) Os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08; (TIPI) (grifos meus). Fl. 1170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 12 Os referidos produtos só se incluem nesta posição nos seguintes casos: 1) (...) 2) (...) Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso. Desta feita, com base no laudo, tem-se o Previcur Técnico na posição que melhor o descreve, sendo 3808. Ficando esclarecido que o produto se trata de um fungicida e por isso, o NCM correto é o 3808.20.29. O contribuinte havia alegado não ser possível a classificação na posição 3808 pelo fato da mercadoria estar em tambores de 200 quilos, o que não procede já que para as preparações, como é o caso, não há exigência de que os produtos estejam acondicionados para venda a retalho. Por fim, cumpre esclarecer que os laudos apresentados nestes autos são documentos técnicos, os quais contribuíram para adequada descrição dos produtos, uma vez descritos, não resta dúvidas acerca das suas corretas nomenclaturas. Dito isso, merece ser rechaçada a alegação desesperada de imprestabilidade dos laudos técnicos levantada pela Recorrente, ante que, nestes autos, os laudos técnicos se prestaram corretamente às suas finalidades. Sendo assim, também não há reforma a fazer no presente tópico recursal. 1.3- Da Multa Regulamentar Quanto à multa regulamentar por classificação incorreta da mercadoria importada, há previsão no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...] § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. Fl. 1171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.900 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12749.000452/2007-10 13 § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Não há o que se falar em ilegalidade na imputação da referida multa regulamentar, pois, de fato, para cada mercadoria há somente uma nomenclatura fiscal cabível, havendo erro na classificação, a multa imputada é devida. Deste modo, a exclusão dessa penalidade como pretendida pela Recorrente se mostra incabível. 1.4- Da Multa de Ofício e juros sobre a multa Insurge-se a Recorrente contra a imputação da multa de ofício se deu com base no artigo 44, da Lei 9.430/96, não havendo o que se falar em ilegalidade. E no que se refere ao pleito pelo afastamento da incidência dos juros sobre a multa de ofício, o tema não merece maiores digressões, diante da edição da recente Súmula deste CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Por todo exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, conhecer do Recurso Voluntário, e no seu mérito, negar-lhe provimento. É o voto. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima Fl. 1172DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 2.5456982
Numero do processo: 10711.003557/99-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Dr. Alberto Daudt, OAB/RJ 50.932.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Relatório
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Dr. Alberto Daudt, OAB/RJ 50.932. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI – Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MAGNESITA S/A contra Acórdão nº 3.359, de 12 de dezembro de 2003, proferido pela 1ª Turma da DRJ/Florianópolis SC, que julgou por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 11 .0 03 55 7/ 99 -7 1 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 275 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Por meio do auto de infração de fl. 1, exigese da interessada o Imposto de Importação (R$ 20.028,54) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (R$ 19.027,09), acrescidos de multa de oficio e juros de mora. Segundo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fl. 2, houve falta de recolhimento do II e do IPI, em virtude da reclassificação fiscal da mercadoria importada através das DI's/Adições no 003721/001, 003722/001 e 012203/001, todas de 1996. A mercadoria foi descrita como "mulita zircônia fundida ZRM" e classificada no código NCM 2818.10.90, sujeito As alíquotas do II de 2% do IPI de 0% (fls. 18, 34 e 49). 0 Laudo de Análise de fl. 56 concluiu tratarse de uma "preparação refratária contendo mulita (silicato de alumínio) e zircônia (óxido de zircônio)". Os Laudos de fls. 26 e 42 concluíram que se trata de uma "preparação refratária, A base de mulita e de zircônia". Com base nesses elementos, a fiscalização reclassificou o produto importado para o código NCM 3816.00.20, sujeito As alíquotas do II de 14 % e do IPI de 10 %. Ciente da autuação, a interessada apresentou a defesa de fl. 58, argumentando, em resumo, que: A mercadoria importada, por ser um corindo artificial, foi classificada no código NCM 2818.10.90. No entanto, o produto foi reclassificado para o código NCM 3816.00.20, indevidamente, como se verá; Em outras três importações anteriores da mesma mercadoria, a fiscalização reclassificou o produto para o código TAB 3823.90.9999, que também não corresponde A sua posição correta (v. docs. 1 a 3, fl. 73); A mulita zircônia fundida é uma matéria prima eletrofundida, utilizada como agregado na fabricação de produtos refratários, composta por Oxido de alumínio (maior parte), óxido de zircônio e óxido de silício; Não é um produto refratário, nem preparação refratária, mas um insumo que, após processamento, integra um produto refratário. Desse modo, não se classifica na posição NCM 3816 (v. doc. 5, fl. 80 e doc. 7, fl. 92); Fl. 296DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 276 3 Sua função, no processo industrial, é de agregado, e não de ligante, de aglutinante ou qualquer outra, motivo pelo qual o produto também não se enquadra na posição TAB 3823, atual 3824 da NCM (v. doc. 8, fl. 93); Em Parecer Técnico emitido pelo Professor Titular do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, concluiuse que o produto deve ser classificado no código TAB 2818.10.9900 (v. doc. 4, fl. 78), sendo que esse enquadramento foi ratificado em Acórdãos do 3° Conselho de Contribuintes (v. doei. 10 a 12, fl. 100); Concluindo, a mulita zircônia fundida classificase no código NCM 2818.10.90, com base nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b; 0 produto importado é um corindo artificial que, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do capitulo 28, classificase na posição 2818, mesmo não possuindo constituição química definida (v. doc. 6, fls. 90 verso e 91); 0 exportador japonês classificou o produto na posição 2818.10, a qual foi aceita pelas autoridades aduaneiras daquele pais (v. docs. 9 e 9a, fl. 98); Sendo correta a classificação fiscal indicada nas DI's, não deve prevalecer a exigência das multas aplicadas. Mesmo que prevaleça a classificação fiscal defendida no auto de infração, o que se admite apenas para efeito de argumentação, ainda assim não é cabível a exigência de multas, pois a mercadoria foi corretamente descrita nos documentos de importação, conforme estabelece o ADN COSIT n° 10/97 (v. doc. 13, fl. 121); Requer a realização de perícia para definição da correta classificação fiscal do produto importado, apresentando o perito de fl. 71 e quesitos de fl. 122; Finalmente, requer seja julgado improcedente o lançamento. Mediante despacho de fl. 135, foi determinada a realização de diligência, que resultou na juntada de Informação Técnica emitida pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fls. 136 e 137). Em atendimento ao despacho de fl. 140, a interessada foi cientificada da diligência realizada, sendolhe oferecida a oportunidade de apresentar o Parecer Técnico solicitado As fls. 71 e 122, o que resultou na juntada dos documentos de fls. 143 a 197.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 277 4 “Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 13/02/1996 a 24/05/1996 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULITA Z1RCÔNIAIFUNDIDA. 0 produto mulita zircônia fundida, preparação refratária contendo mulita (silicato de alumínio) e zircônia (óxido de zircônio), classificase no código NCM 3816.00.20. Lançamento Procedente” Cientificado do referido acórdão em 15 de janeiro de 2004, a interessada apresentou recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2004, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Em 27 de fevereiro de 2007, houve julgamento do processo, sendo esse apreciado pelos membros da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes – o que, por conseguinte, resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto da relatora Judith Amaral Marcondes Armando – transcrito abaixo: “VOTO Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora. A questão trazida para julgamento referese à classificação fiscal do produto denominado Mulita Zirconia Fundida, classificado pelo importador na posição TEC 2818.10.90, e reclassificado pela Administração Tributária no código 3816.0020. A matéria é amplamente conhecida neste Conselho e já foi objeto de decisões dispares inclusive da CSRF. Filiome à posição defendida na "Declaração de Voto" do Conselheiro Henrique Prado Megda, nos autos do processo 11128.000643/0497, que resultou no Acórdão CSRF 03.03.215, de 20 de agosto de 2001, que se encontra as fls. 188, 189 190. Entretanto, a matéria não está pacificada neste Conselhos de Contribuintes, motivo pelo qual creio ser oportuno ouvir a posição da Coordenação Aduaneira, pelo seu órgão encarregado de classificação fiscal, a DINOM. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 278 5 Proponho, pois, que se converta o julgamento em diligência à COANA/DINOM.” Não obstante, em cumprimento à solicitação de diligência, foi expedido Informação Coana/Cotac/Dinom nº 2011/00124 em 2 de junho de 2011 – transcrito parte abaixo (destaques meus): [...] 9. Quanto à menção na Resolução n° 3021.341 do CARF de que a Coana/Dinom é o órgão encarregado da classificação fiscal, esclareçase que, nos termos da Portaria MF nº 587/2010, à Receita Federal do Brasil cabe "dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o Pais em reuniões internacionais sobre a matéria (art.1°, XIX)". À Coana/Dinom compete "coordenar, orientar e avaliar as atividades concernentes à nomenclatura, classificação fiscal e origem de mercadorias (art. 137)". 10. Portanto, todo auditorfiscal da RFB é competente para realizar a classificação fiscal de mercadorias, não sendo esta uma competência somente da Coana/Dinom. Em matéria de classificação fiscal, a Dinom tem competência para solucionar consultas formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional e apreciar recursos de divergência entre soluções de consultas efetuadas pelas Superintendências (SRRF), nos termos da IN RFB 740/2007, mas não a tem em se tratando de lide já instaurada. 11. No presente processo, a Receita Federal do Brasil (RFB), por intermédio da fiscalização aduaneira, já firmou posição sobre a classificação fiscal da mercadoria, não havendo previsão legal ou regulamentar para uma revisitação do feito por um órgão central de assessoramento do Secretário da RFB. 12. Na fase de julgamento em que o processo se encontra, a par de não haver previsão legal para qualquer manifestação da administração aduaneira, uma eventual opinião oficial de um órgão central como a Coana seria ilegítima, Fl. 299DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 279 6 podendo inclusive ser entendida como uma quebra do principio do equilíbrio processual. 13. Por tais razões, recomendase a devolução dos autos ao CARF, sem exame de mérito, a fim de que o órgão julgador analise de forma isenta o litígio. [...]” Dessa forma, com tal manifestação, houve direcionamento novamente do processo para que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprecie o litígio instaurado, sem o cumprimento da diligência ora proposta. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 15 de janeiro de 2004, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2004. Pelo presente processo, vêse que a questão está vinculada a classificação NCM do produto "mulita zirconia fundida ZRM" , considerando que a autoridade fazendária desclassificou a mercadoria importada enquadrada pela recorrente no código NCM 2818.10.90 para o código NCM 3816.00.2. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 280 7 Porém, antes de se adentrar na natureza dessa mercadoria para fins de definição da classificação fiscal, importante enfrentar a manifestação da Coana/Cotac/Dinom a respeito da solicitação de diligência feita pelo Terceiro Conselho de Contribuintes. Para tanto, lembrase que: · o Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário apresentado pela recorrente, à época converteu o julgamento em diligência através da Resolução 3021.341, trazendo que a matéria por não estar pacificada neste Conselho, seria oportuno ouvir a posição da Coordenação Aduaneira, pelo seu órgão encarregado de classificação fiscal, a DINOM; · com tal Resolução, foi expedido Informação Coana/Cotac/Dinom nº 2011/00124, em síntese, trazendo que a Receita Federal do Brasil (RFB), por intermédio da fiscalização aduaneira, já firmou posição sobre a classificação fiscal da mercadoria, não havendo previsão legal ou regulamentar para uma revisitação do feito por um órgão central de assessoramento do Secretário da RFB. O que, na fase de julgamento em que o processo se encontra, a par de não haver previsão legal para qualquer manifestação da administração aduaneira, uma eventual opinião oficial de um órgão central como a Coana seria ilegítima, podendo inclusive ser entendida como uma quebra do principio do equilíbrio processual. Com tal manifestação da Dinom, foi devolvido os autos ao CARF, sem exame de mérito, para que o órgão julgador analise o litígio. Quanto classificação fiscal da mercadoria, para melhor elucidar, importante trazer que insurge a Recorrente que: · por indicação expressa da NCM, a MULITA ZIRCONICA FUNDIDA deve ser classificada no Capitulo 28 pois, no citado capitulo está incluído o produto "Corindo artificial, quimicamente definido ou não", devendo, pois, ser afastada a alegação constante da r. decisão recorrida no sentido de que o produto importado não se classificaria na posição NCM Fl. 301DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 281 8 21818.10.90, "uma vez que o silicato de alumínio não se confunde com o óxido de alumínio"; · De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, existem exceções ao principio de que no capitulo 28 estariam exclusivamente elementos químicos isolados ou os compostos inorgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente; · Assim, uma série de produtos relacionados nas referidas NESH, incluise no capitulo 28 mesmo que não constituam elementos ou compostos de constituição química definida; · Do mesmo modo, as NESH expõem que alguns elementos químicos e compostos inorgânicos de constituição química definida, quando isolados, excluemse do capitulo 28, mesmo quando quimicamente puros; · depreendese, então, que a regra inicial de interpretação do Capitulo 28 admite exceções, seja para excluir produtos isolados quimicamente puros, seja para incluir produtos ou elementos compostos, que não sejam isolados ou apresentados isoladamente, encontrandose entre eles justamente o Corindo Artificial da posição 2818: "c produtos incluídos no capitulo 28, mesmo que nao constituam elementos nem compostos de constituição definida: Posiçao 2818 Corindo Artificial" · aplicandose a Regra Geral de Interpretação transcrita, a mercadoria deve ser classificada na posição 2818.10.9900 uma vez que a posição especifica prevalece sobre as mais genéricas, e, ainda, considerandose o produto como "misturado", pela prevalência da matéria "que lhe confira a característica essencial": OXIDO DE ALUMÍNIO (mais de 40% da constituição do produto); · de acordo com o que determinam as Notas Explicativas para Interpretação do Sistema Harmonizado (NESH) e a RGI n.° 3, "a" e "b", a posição do Capitulo 28, adotada pelo contribuinte é mais especifica do que a posição do Fl. 302DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 282 9 Capitulo 38 pretendida pelo Fisco, razão pela qual o posicionamento correto para a mercadoria é o 2818.10.9900 da TAB. · mesmo que a mulitazircônia seja denominada "composição refratária", não faz dela um refratário classificado na posição 3816, ou seja, um produto da indústria de refratários, não justificando a sua classificação na posição 3816; · a NBM e a NESH são bastantes claras. A posição pretendida, e 2 4 pela d. Fiscalização Federal se refere a alguns produtos refratários, quais sejam, "Cimentos, argamassas, concretos (betões) e composições semelhantes, refratários, exceto os produtos da Posição 38.01"; · 0 termo "refratários" nesta posição não é um substantivo, levandose em consideração que o mesmo cla qualidade ou característica aos demais substantivos; · desta forma, a Mulita Zircônia Fundida não é um produto refratário, nem PREPARAÇÃO REFRATÁRIA (argamassa, concreto, betão ou composição semelhante), mas sim MATÉRIA PRIMA PARA PRODUÇÃO DE REFRATÁRIOS, e, ainda que seja denominada "composição refratária", conforme exposto acima, isso não a faz enquadrarse na posição 3816, estando, por conseguinte, correta a classificação da mercadoria no código 2818 da NCM; · corroborando com tal entendimento, vale destacar as conclusões extraídas do Parecer Técnico elaborado pelo Engenheiro Químico Amilcar Guimarães Morato, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (integra do laudo encontrase colacionado nos autos), acerca do produto importado pela Recorrente objeto da presente autuação. Cessadas as alegações trazidas pela recorrente e depreendendose da análise do processo, bem como do acórdão proferido pela DRJ, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a recorrente a apresentar quesitos para a providência de laudo de renomada instituição, preferencialmente entidade pública, ou perito credenciado junto à Receita Federal, com o intuito de se constatar a correta classificação fiscal da mercadoria importada. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10711.003557/9971 Resolução nº 3202000.300 S3C2T2 Fl. 283 10 Tal Laudo, além dos quesitos apontados pela recorrente, deverão obrigatoriamente esclarecer se a Mulita Zircônia Fundida seria ou não um produto refratário ou preparação refratária (argamassa, concreto, betão ou composição semelhante) ou matéria prima para produção de refratários. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 304DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/01/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI
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Numero do processo: 11065.002217/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “O estabelecimento equiparado a industrial acima qualificado foi autuado por AuditoresFiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO), por falta de lançamento do IPI nas notas fiscais de saída, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota dos produtos vendidos pelo estabelecimento, conforme discriminação que segue: a) Auto de Infração das fls. 287 a 291 (vol. II), e anexos, referente a períodos de apuração decendiais, lavrado para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 56.094,15, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75 %, por falta de lançamento do imposto, inclusive nos casos em que houve cobertura de créditos; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 02 21 7/ 20 07 -0 9 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 501 2 b) Auto de Infração das fls. 305 a 308 (vol. II), e anexos, referente a períodos de apuração quinzenais, lavrado para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 40.817,09, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75 %, por falta de lançamento do imposto; e c) Auto de Infração das fls. 315 a 318 (vol. II), e anexos, referente a períodos de apuração mensais, lavrado para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 96.451,23, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75 %, por falta de lançamento do imposto. As autuações antes referidas somaram a importância de R$ 463.409,90, na data dos lançamentos de ofício, cuja motivação se encontra explicitada no Relatório de Ação Fiscal das fls. 329 a 344 (vol. II), a seguir resumido. Tratase de estabelecimento comercial atacadista, designado no âmbito da pessoa jurídica como Centro de Distribuição, sendo equiparado a estabelecimento industrial por força do disposto no art. 9 2, III, do Decreto n 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, e que dá saída a barras de cereais, ou cereais em barra, designados genericamente como "Neston Barra de Cereais", cujos ingredientes são, em especial: xarope de glicose, aveia em flocos, flocos de cevada, gordura vegetal e frutas desidratadas. Esses produtos são classificados pelo interessado no código 1904.20.00 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), referente a "Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados ou de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos", ao qual corresponde alíquota zero do IPI, classificação e alíquota com as quais a fiscalização não concordou. O Relatório de Ação Fiscal menciona a existência de consulta sobre a classificação fiscal de barras de cereais similares ao Neston Barra de Cereais, sem cacau na composição, indicando e transcrevendo o teor da Solução de Divergência Coana nº 1, de 18 de abril de 2001, com ementa publicada no Diário Oficial da União de 23 de maio de 2001, segundo a qual "Produto de confeitaria à base de flocos de arroz tostados, xarope de milho, óleo de girassol, frutose, carbonato de cálcio, carbonato de magnésio, contendo aromatizante (aroma natural de baunilha), edulcorante (sorbitol não cristalino), antioxidante (tocoferol), umectante (glicerina) e espessaste (lecitina de soja), apresentado em caixa de papelão, contendo oito barras, embaladas separadamente, cada uma com. 22 gramas, denominado comercialmente `Snack Sense’ , classificase no código 1704.90.90 da TEC” ao qual corresponde alíquota de 5% do IPI. O mesmo Relatório menciona a existência de consulta sobre a classificação fiscal de barras de cereais similares ao Neston Barra de Cereais, dessa feita com cacau na composição, indicando e transcrevendo o teor da Decisão SRRF/10ªRF/Diana nº 73, de 8 de agosto de 2000, com ementa publicada no Diário Oficial da União de 10 de outubro de 2000, segundo a qual "Produto de confeitaria contendo cacau, composto de glucose, açúcar, mel, açúcar mascavo, maltodextrina, gordura vegetal hidrogenada, lecitina de soja, flocos de aveia, flocos de arroz, flocos de milho, castanhas, passas de uva, coco ralado e gotas ou lascas de chocolate misturadas à massa de xarope e cereais, apresentado em barras ou tabletes com peso líquido de 12 e 25 gramas, denominado `CerealMix' " classificase no código 1806.32.20 da TIPI, ao qual também corresponde alíquota de 5% do IPI. Tais divergências de classificação e de alíquota do imposto em discussão justificaram as autuações de início referidas. As infrações foram enquadradas nos dispositivos citados nas fls. 291, 308 e 318 (vol. II). Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 502 3 Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, inclusive nos casos em que houve cobertura de créditos, conforme art. 80, I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros de mora, previstos no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamento de ofício em 26 de setembro de 2007, segundo consta nas fls. 287/288, 305/306 e 315/316 (vol. II), e apresentou impugnação tempestiva, em 24 de outubro de 2007, por meio do arrazoado das fls. 347 a 354 (vol. III), firmado por advogado, credenciado pela procuração da fl. 412 (vol. III), e instruído com os documentos das fls. 355 a 411 e 413 a 430 (vol. III), alegando, em suma, o que segue. Diz que as autuações impostas encontramse eivadas de ilegalidades e inconstitucionalidades que lhes retiram a validade, razão pela qual deverão ser anulados os Autos de Infração. Na sequência, afirma que a classificação fiscal adotada pelos autuantes para os cereais em barra, sem e com chocolate, nesse caso com menos de 6% em peso, de cacau, não é correta, porque não está em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH). Informa que os produtos cuja classificação se discute são fabricados com os seguintes ingredientes: mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea, frutas, aromas, gorduras, açúcar, corante, lecitina de soja e sal refinado. Invoca a Regra Geral nº 3 (RGI 3) para Interpretação do SH, para sustentar que a classificação na posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, motivo pelo qual a classificação adotada pelo estabelecimento estaria correta. O impugnante esclarece que classificou seus produtos no código 2106.90.90 da TIPI, até 14 de agosto de 2002, e no código 1904.20.00 da mesma tabela, a partir de 15 de agosto de 2002, aos quais corresponde alíquota zero do IPI, discordando da reclassificação efetuada neste processo, porque os cereais em barra não são produtos de confeitaria. A defesa também menciona o Laudo CIAL n 080/2005, do Instituto de Tecnologia de Alimentos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, segundo o qual "Dentro da tabela de imposto sobre produtos industrializados — TIPI, concluímos que o mais adequado para o produto Neston Barra seria a classificação fiscal NCM 1904.20.00, ou seja, `Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados ou de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos". Mudando de tópico, o impugnante alega ilegalidade e inconstitucionalidade da multa de ofício de 75% do IPI, dizendo que essa penalidade caracteriza confisco e que o art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, destinase a punir a falta de lançamento ou de recolhimento do referido imposto, o que não ocorreu no caso concreto. Além disso, em caso de dúvida, a legislação deve ser interpretada de modo favorável ao infrator, segundo o art. 112 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Pede a improcedência do Auto de Infração contestado, solicitando a juntada de novos documentos e declarações e a produção de prova pericial técnica, para que seja determinada a correta classificação fiscal dos produtos objeto da autuação.” Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 503 4 A DRJPorto Alegre/RS julgou a impugnação improcedente (efls. 438/449), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOSI NDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2003,,15/01/2004 a 30/09/2004, 31/10/2004 a 31/12/2006 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Cereais em barra ou barras de cereais, contendo mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea, frutas, aromas, gorduras, açúcar, corante, lecitina de soja e sal refinado, sem cacau, classificamse no código 1704.90.90 da TIPI, ao qual corresponde alíquota de 5% para o IPI, e os mesmos produtos, com cacau, classificamse no código 1806.32.20 da TIPI, ao qual corresponde alíquota de 5% para o IPI. MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, e vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,bem assim deixar de aplicar penalidade devidamente prevista em lei. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixou de atender aos requisitos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls.459/469), onde, em síntese, alega o seguinte: que, por aplicação da RGI/SH nº 3, devese adotar a classificação fiscal mais específica em detrimento da mais genérica, razão pela qual a classificação fiscal por ela adotada é a correta, posto que descreve com maior proximidade as características dos produtos fabricados pela empresa; que os produtos têm a seguinte composição: mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea, frutas, aromas, gorduras, açúcar, corante, lecitina de soja e sal refinado. Desta composição, 48% (quarenta e oito por cento) dos produtos industrializados são formados pelas matériasprimas de base cereal, tais como aveia, cevada, flocos de trigo e cereal com base láctea, enquanto que o restante de sua composição é formada pelos considerados coadjuvantes tecnológicos, tais como gordura vegetal hidrogenada, oleína de palma, xarope de glicose, lecitina, corantes e aromatizantes. Em razão desse alto percentual de cereal, entende que as barras de cereais, revestidas ou não de chocolate, não podem ser classificadas como produtos de confeitaria, devendo ser classificadas como preparações à base de cereais; em relação às barras de cereais revestidas com chocolate, alega que a adição mínima de cacau ao produto não subverte a natureza do produto original, impossibilitando, assim a sua classificação no capítulo 18; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 504 5 quanto à multa de ofício, entende que esta não é cabível, tendo em vista que efetuou o lançamento do IPI que entendia devido, mesmo sendo este à alíquota zero; que o percentual de 75% confere à multa o caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição; que, havendo dúvida na capitulação legal do ou sobre qual seja a penalidade aplicável, a solução deve ser a mais favorável ao acusado do ilícitos, por força do princípio contido no artigo 112 do CTN; e que, mantendose a multa, esta não pode ultrapassar o percentual de 20%, sob pena de ferir o disposto no art. 150, IV, da Constituição. Ao final, requereu o cancelamento dos Autos de Infração; caso estes sejam mantidos, seja a multa reduzida ao patamar de 20%. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O cerne da questão cingese à correta classificação fiscal dos produtos identificados como barra de cereais e barra de cereais com chocolate, independente do nome comercial adotado. Pretende a contribuinte a classificação do produto identificado como barras de cereais, com ou sem chocolate, no código 1904.20.00, enquanto a Fiscalização adota a reclassificação para os códigos 1704.90.90, para as barras de cereais sem chocolate, e 1806.32.20, para as barras de cereais com chocolate. Os textos das posições pretendidas são os seguintes: 1904.20.00 – Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados, de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos 1704.90.90Outros produtos de confeitaria, sem cacau (incluído o chocolate branco) 1806.32.20 Outras preparações alimentícias contendo cacau, não recheadas Acontece que, pesquisando na internet sobre o produto “Neston Barra de Cereal”, encontrei, no endereço eletrônico http://www.jusbrasil.com.br/diarios/70252850/trf3 judicialicapitalsp14052014pg199, a informação de que a Nestlé Brasil Ltda ajuizou, perante a Justiça Federal de São Paulo, ação ordinária em que se discute exatamente a mesma matéria dos autos. Por sua vez, consultando o sítio eletrônico da Justiça Federal em São Paulo, no endereço http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/, confirmei a informação, sendo que, na movimentação de número 137, temse o inteiro teor da sentença, que é o seguinte: REG. Nº ______/14TIPO A AUTOS DE Nº 000627811.2012.403.6100 AUTORA: NESTLÉ BRASIL LTDA. RÉ: UNIÃO FEDERAL 26ª VARA FEDERAL CÍVEL Vistos etc. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 505 6 NESTLÉ BRASIL LTDA., qualificada na inicial, propôs a presente ação em face da UNIÃO FEDERAL, pelas razões a seguir expostas: Afirma, a autora, que foi autuada em razão de suposto equívoco na classificação fiscal adotada para determinadas mercadorias fabricadas e comercializadas por ela, o que teria ensejado aplicação de alíquota de IPI inferior àquela que a ré entende devida. Alega que o auto de infração nº 0811900/00682/06 deu origem ao processo administrativo nº 10932.000437/200761. Alega, ainda, que o lançamento tributário diz respeito a valores de IPI nos anos de 2002 a 2006, com relação a produtos da marca Nestlé: barra de cereais Neston banana, barra de cereais Neston morango, barra de cereais Neston coco tostado, barra de cereais Neston light damasco, pêssego e maçã, barra de cereais Neston light frutas silvestres, barra de cereais Neston light frutas silvestres com chocolate e Galak ball. Afirma que, para os produtos Neston (barra de cereais), adotou a classificação descrita como preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais 1904.20.00, quando, segundo a ré, deveria ter adotado a classificação relativa a produtos de confeitaria 1704.90.90 e, para a barra de cereal com chocolate, produto de cacau e suas preparações 1806.32.20. Para o Galak ball, adotou a classificação relativa a produto de chocolate branco 1704.90.10, quando, segundo a ré, deveria ter considerado como produto feito a base de caramelos, confeitos, dropes, pastilhas e produtos semelhantes 1704.90.20.Sustenta que a classificação fiscal adotada pela ré é equivocada, já que não considerou as características das barras de cereais e do Galak ball, tratando os produtos como meros doces.Acrescenta que a esfera administrativa já se esgotou, tendo sido mantida a autuação.Sustenta, ainda, que a classificação fiscal feita pela autora leva em consideração questões técnicas, que dizem respeito à composição do produto por conta dos ingredientes utilizados.Alega que a autuação não teve como base um laudo técnico, que pudesse afastar os critérios utilizados por ela para enquadrar as barras de cereais, razão pela qual não pode prevalecer. Alega, ainda, que as barras de cereais Neston são uma preparação alimentar, cujos ingredientes principais são cereais (mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea), concentrados de frutas e mel, destinados à manutenção da saúde e do bem estar dos consumidores, por terem baixo teor de gorduras e serem ricos em fibras, adequando se perfeitamente ao subitem NCM 1904.20.00.Com relação ao Galak ball, alega que se trata de um produto de confeitaria, por ter açúcar, mas que é um produto feito à base de chocolate branco e cereal de milho (produto de confeitaria sem cacau chocolate branco), não devendo ser enquadrado como caramelo, confeito e pastilha, como indicado pela ré.Pede, assim, que a ação seja julgada procedente para que seja determinado o cancelamento integral do auto de infração nº 0811900/00682/06 (processo administrativo nº 10932.000437/200761) e eventual inscrição em dívida ativa da União, que venha a ser efetuada. Às fls. 140/142, foi indeferida a tutela, mas deferida a liminar para que a autora apresentasse carta de fiança em garantia do crédito tributário, a fim de suspender sua exigibilidade. A carta de fiança foi apresentada às fls. 148/221.A União Federal interpôs agravo de instrumento contra a decisão que deferiu a liminar, ao qual foi deferido o efeito suspensivo pretendido (fls. 316/321).Citada, a União apresentou contestação às fls. 265/298. Nesta, afirma que a autora Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 506 7 pretende a desconstituição do crédito representado pela CDA nº 80.3.12.00051532 e que não cabe prestação de fiança bancária para suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Alega que o pedido de prestação de fiança bancária não guarda relação com a tutela final pretendida e que a garantia prestada não pode suspender a exigibilidade do crédito tributário e impedir o ajuizamento da execução fiscal, razão pela qual entende que o feito deve ser extinto sem resolução do mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI do CPC. Afirma, ainda, que se constatou que a autora promoveu a saída do seu estabelecimento de produtos tributados com falta ou insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, em relação a alguns produtos.Sustenta ter havido a correta classificação fiscal dos produtos, em razão da composição dos mesmos.Afirma, assim, que as barras de cereais não são verdadeiramente um complemento alimentar, mas um produto alimentício enriquecido com cálcio e magnésio, com característica típica de produto de confeitaria, com adição de vários tipos de açúcares, devendo ser enquadradas na posição TIPI 1704.90.90. Afirma, também, que a barra de cereal coberta de chocolate é um produto de confeitaria, uma preparação alimentícia obtida a partir de uma mistura de cereais e açúcar, adicionada de uma tala de chocolate ao longo de uma de suas faces maiores, isto é, contendo cacau, enquadrandose na posição TIPI 1806.32.20.Com relação ao produto Galak ball, afirma que não há polêmica quanto ao fato de ser um produto de confeitaria, composto por cereal Galak pequenas esferas de farinha de milho e de trigo cobertas com xarope açucarado, coberto por chocolate branco (massa galak), devendo ser enquadrado no código 1704.90.20.Defende a legalidade da multa de ofício aplicada, já que o erro de classificação fiscal resultou na falta de lançamento do valor total do IPI, com relação aos cereais em barra e com chocolate, e na falta de lançamento parcial do IPI, com relação ao Galak ball.Pede que a ação seja julgada improcedente.Foi apresentada réplica.Foi dada ciência às partes da redistribuição do feito a este Juízo (fls. 341).A autora requereu a produção de prova pericial. Requereu, ainda, o desentranhamento da fiança bancária prestada, já que foi ajuizada execução fiscal nº 0006615.55.2012.403.6114, perante a 2ª Vara da Justiça Federal de São Bernardo do Campo (fls. 342/355), o que foi deferido às fls. 356.Foi deferida a produção de prova pericial, bem como a juntada de novos documentos (fls. 365).Somente a autora apresentou quesitos e indicou assistentes técnicos. Em seguida, foi nomeado perito especialista em engenharia química (fls. 371).A parte autora comprovou o pagamento dos honorários periciais provisórios.Laudo pericial às fls. 382/533.As partes se manifestaram sobre o laudo pericial apresentado.Às fls. 562, foram fixados os honorários periciais definitivos. Na mesma oportunidade, foram indeferidos os quesitos complementares, apresentados pela autora, em razão da preclusão temporal. A autora interpôs agravo retido.As partes apresentaram alegações finais e os autos vieram conclusos para sentença. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, verifico que, embora a ré tenha requerido o acolhimento da preliminar e a extinção do feito nos termos do artigo 267, inciso VI do Código de Processo Civil, não indicou a falta de nenhuma das Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 507 8 condições da ação. Limitouse a alegar não ser possível a prestação de garantia para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas tão somente para antecipar os efeitos de futura penhora perante a Subseção Judiciária de São Bernardo do Campo, local em que se situa o estabelecimento fiscalizado e autuado. Passo ao exame do mérito propriamente dito. A fim de verificar as alegações da autora, de que houve, por ela, a correta classificação fiscal dos produtos da marca Nestlé: barra de cereais Neston banana, barra de cereais Neston morango, barra de cereais Neston coco tostado, barra de cereais Neston light damasco, pêssego e maçã, barra de cereais Neston light frutas silvestres, barra de cereais Neston light frutas silvestres com chocolate e Galak ball, foi realizada perícia. Analiso o laudo pericial. Consta, do mesmo, o que segue: 3 Processo de Fabricação das Barras de Cereais.O processo de produção das barras de cereais, começa com o recebimento da matéria prima (anexo 1), que são uma mistura de flocos de cereais embalados à vácuo, que compreende: aveia em flocos, flocos de trigo, flocos de cevada e de arroz e a Polpa de frutas que englobam frutas vermelhas e amarelas como pêssego, banana, abacaxi, etc, e adição de corantes e aromatizantes (fls. 386).(...) No caso das barras de cereais com chocolate, estas quando já cortadas passam por uma câmara onde são adicionados chocolate ao leite apenas parcialmente na parte inferior das barras (fls. 391).(...) 4 Processo de Fabricação do Galak Ball.O processo de produção do produto Galak Ball, consiste em recebimento da matéria prima que são bolinhas de milho expandido por extrusão fornecida pela empresa CPW. Estas bolinhas de milho eram recebidas em BigBags e colocadas na drageadeira com adição de chocolate branco, e após atingir o peso do produto com o chocolate, era adicionada uma solução de brilho contendo goma, açúcar, etc. (fls. 393).(...) 5 Da Composição das Barras de Cereais:(...) a) Barra de cereais de Banana:(...) A composição apresenta 20% de xarope de glicose e 7,83% de açúcar e 1,80% de Mel, e emulsão de modo que somando os açucares o total de açúcar na barra é de 49%. E de mix de cereais que englobam Mix de aveia 19,64%, flocos de cevada 12,37%, flocos de trigo 4,99% e Neston cereais 4,85% e 4,97% de fruta desidratada totalizando 51% de produtos cereais e frutas (fls. 396).(...) Ou seja, 49% referemse ao xarope e açucares e demais ingredientes presente no produto no processo de mistura e ou produção, e os outros 49% referese a frutas e o mix de cereais de frutas. Neste contesto, as barras de cereais possuem na composição final de açúcares e mel para dar liga e fornecer carbohidratos.Assim também se apresentam as outras barras de cereais de sabores coco e frutas vermelhas e frutas amarelas (fls. 397).(...) 6 Da Composição do Galak ballA composição básica do Galak Ball é constituída de um floco de cereal expandido coberto de açúcar Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 508 9 (sacarose) e coberta de chocolate branco. (anexo 3) Considerando que 78% referese a cobertura de chocolate branco, temos que o cereal puro contém cerca de 44% de açúcar e 57% de cereal e o peso médio de 1,2g do cereal coberto de chocolate temos: 0,93g de chocolate e 0,27g de cereal, mas o cereal contem 44% de açúcar então temos que: 0,27g x 0,54 = 0,14 de cereal e 0,11g de açúcar puro.Portanto contando com a cobertura de chocolate e o açúcar do cereal temos que 1,06g corresponde a cobertura de chocolate e açúcar puro. Portanto o Galak ball se assemelha a confeitos feitos que na maioria compõese de açúcar (sacarose) e goma (fls. 400). Concluiuse, por fim, o que segue: 11 Conclusão:De acordo com o vistoriado e a legislação pesquisa conclui a Perita que: Os produtos barras de cereais frutas vermelhas e frutas amarelas não apresentam características de confeitos por se apresentar teor de açúcar menor que a de confeitos e tendo como sua função principal o ingrediente mix de cereais e frutas desidratadas em maior proporção como fontes de fibras. Que o processo de fabricação das barras de cereais não é o mesmo de produtos normalmente tido como confeitos. Que o produto confeito apresenta em sua composição maior teor de açúcar o qual reveste as sementes e ou cereais além de teor de goma. Que os produtos barras de cereais apresentam em sua composição xarope de glicose utilizado para dar liga as barras e as fibras, estas de caráter funcional, diferente da composição do Galak Ball e dos confeitos que o mesmo é conformado com alto teor de açúcar (sacarose) pura e goma. Que a melhor classificação em que o produto barras de cereais e barra de cereais light frutas silvestres com chocolate se enquadram é o da posição 1904.20.00, pois a função principal são os cereais. Além disso, a posição 18.0631 excluem os produtos que contém menos de 6% de cacau é o caso das barras de cereais frutas silvestres com chocolate a qual apresenta 1% de teor de cacau. Que a melhor classificação em que o produto Galak Ball se assemelha é o da posição 1704.9020 tida como produtos de confeitos e assemelhados pela maior adição de açúcar e pelo processo de fabricação da maioria dos confeitos (fls. 414/415). Ao responder aos quesitos da autora, a perita judicial esclareceu que as barras de cereais Neston, objeto da autuação fiscal, devem ser consideradas preparações alimentícias a base de cereais, pela quantidade de cereais e de frutas que cada barra carrega (resposta ao quesito 5 fls. 417) e que o Galak ball apresenta em sua formulação o cereal expandido coberto com 44% de sacarose (açúcar puro) e mais 70% de chocolate branco e goma, portanto suas características é semelhante a confeitos (resposta ao quesito 6 fls. 417). Fl. 508DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 509 10 Assim, de acordo com a perícia judicial, a classificação fiscal das barras de cereais (tanto normal, light ou com chocolate) é 1904.20.00 (fls. 414) e do Galak Ball é 1704.90.20 (fls. 415). Ora, o auto de infração lavrado contra a autora indicou que houve erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota em relação aos produtos já mencionados na presente decisão. Indicou que deveria haver alteração da classificação fiscal para 1704.90.90, com relação ao produto cereais em barra Neston, para 1806.32.20, com relação ao produto Neston light frutas silvestres com chocolate e para 1704.90.20 para o produto Galak ball (fls. 68 e 69/70).No entanto, a perícia judicial expressamente afastou a classificação da ré com relação às barras de cereais, aceitando como correta a classificação dada pela autora. Desse modo, entendo que a lavratura do auto de infração nº 0811900/00682/06 foi indevida tão somente com relação aos produtos barra de cereais Neston banana, barra de cereais Neston morango, barra de cereais Neston coco tostado, barra de cereais Neston light damasco, pêssego e maçã, barra de cereais Neston light frutas silvestres e barra de cereais Neston light frutas silvestres com chocolate. Em consequência, deve ser retificada a inscrição em dívida ativa da União nº 80.3.12.00051532, decorrente do referido auto de infração. Diante do exposto, julgo parcialmente procedente a presente ação, nos termos do artigo 269,, inciso Ido Código de Processo Civil, para determinar o cancelamento de parte do auto de infração nº 0811900/00682/06 (processo administrativo nº 10932.000437/200761) e de parte da inscrição em dívida ativa da União nº 80.3.12.00051532, no que diz respeito aos produtos barras de cereais (barra de cereais Neston banana, barra de cereais Neston morango, barra de cereais Neston coco tostado, barra de cereais Neston light damasco, pêssego e maçã, barra de cereais Neston light frutas silvestres e barra de cereais Neston light frutas silvestres com chocolate), devendo a autuação ser mantida com relação ao produto Galak ball.Tendo em vista que a parte autora decaiu de parte mínima do pedido e obedecendo ao disposto no artigo 21, parágrafo único do Código de Processo Civil, condeno a ré a pagar os honorários advocatícios, em favor da autora, que arbitro, por equidade, em R$ 10.000,00, com fundamento no artigo 20, 4º do Código de Processo Civil, bem como a devolver as despesas processuais. Sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição. Publiquese. Registrese. Intimemse. São Paulo, de abril de 2014 SÍLVIA FIGUEIREDO MARQUES JUÍZA FEDERAL Consultando o sítio do TRF 3ª Região, verifiquei que o processo encontrase naquele Tribunal, aguardando o julgamento das apelações interpostas pela União e pela Nestlé Brasil Ltda, pela Relatora Des. Fed. Mairan Maia. (grifos não constantes do original) Fl. 509DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 510 11 Uma vez que, na ação judicial, discutese a classificação fiscal dos mesmos produtos (barras de cerais, com ou sem chocolate) e os mesmos códigos NCM pretendidos nestes autos (tanto pela contribuinte quanto pelo Fisco), resta saber se diz respeito à mesma filial autuada ou à matriz desta, para fins de se verificar a existência de concomitância. Pelo exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora informe se a empresa que ajuizou a referida ação judicial (processo nº 000627811.2012.403.6100, em trâmite perante a 26ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo) é a empresa matriz da Nestlé Brasil S/A ou se se trata da mesma filial objeto da autuação a que se referem estes autos. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 510DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10340.721884/2021-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020
NULIDADE. INOVAÇÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INOCORRÊNCIA.
A decisão de primeira instância que apresenta argumentos contrários às alegações de defesa suscitadas na peça impugnatória, sendo mantidas as razões da fiscalização, não implica em inovação. A autoridade julgadora pode expressar sua percepção dos fatos reunidos nos autos em resposta à defesa.
NULIDADE. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO. INOCORRÊNCIA.
Se a autoridade fiscal não encontra complexidade na mercadoria, capaz de ensejar a necessidade de elaboração de laudo técnico, para dirimir eventual dúvida em relação à sua classificação fiscal (matéria jurídica), o lançamento pode ter como base os elementos constantes nos autos.
NULIDADE. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade do lançamento quanto não presente vício que possa resultar em prejuízo à eficácia do ato ou ao exercício do contraditório e ampla defesa. Os elementos do Relatório Fiscal são suficientemente motivados para o exercício do direito da recorrente.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPETÊNCIA.
A legislação brasileira determina o cumprimento das normas internacionais sobre classificação fiscal de mercadorias, sendo tal atribuição exercida pelos Auditores-Fiscais da RFB. Para fins tributários e aduaneiros, os entendimentos resultantes da aplicação da legislação do Sistema Harmonizado devem prevalecer sobre definições que tenham sido adotadas por órgãos públicos de outras áreas de competência.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO DA FASE CONTENCIOSA.
No processo administrativo fiscal, a primeira fase, quando realizada a ação fiscal, é não contenciosa e de caráter unilateral. O contencioso se inicia após o lançamento do tributo e ciência do contribuinte. A partir desse momento, estabelece-se a lide e o contribuinte pode exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa mediante apresentação da impugnação, quando procede à juntada de provas, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÁGUAS DE PERFUME. NCM 3303.00.10. RGI 4.
A subposição do NCM 3303.00 engloba os perfumes (extratos) e as águas-de-colônia. Conforme as NESH, as águas-de-colônia diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua menor concentração de óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool utilizado. Portanto, em razão da sua maior concentração, por comparação por semelhança, conforme entendimento deste Conselho, as águas de perfume classificam-se no código 3303.00.10 da TIPI.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE COM SUBSTÂNCIA DESODORANTE. SUBPOSIÇÃO NCM 3304.99. RGI 3B.
Preparações, cuja função essencial seja de conservação ou cuidado da pele, com substâncias adicionais de desodorantes, classificam-se na subposição 3304.99 da TIPI.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ESFOLIANTES. PREPARAÇÃO PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE. SUBPOSIÇÃO NCM 3304.99.
Cremes e géis para cuidados da pele, cuja função seja de esfoliante, possuindo, em sua composição, acessoriamente, substância antisséptica, classificam-se na subposição 3304.99 da TIPI.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DEO-COLÔNIAS. SUBPOSIÇÃO NCM 3301.00.
Os desodorantes colônias enquadram-se como produtos de perfumaria e, através do critério da comparação por semelhança, conforme entendimento deste Conselho, os produtos que apresentem maiores concentrações aromáticas classificam-se como perfumes, no código 3303.00.10, e aqueles, com menores concentrações, no código 3303.00.20 da TIPI.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020
INSUFICIÊNCIA DO IMPOSTO. RECLASSIFICAÇÃO.
Diante da reclassificação fiscal, cabe a exigência das diferenças de alíquotas sobre as saídas dos produtos sujeitos à incidência do IPI, acompanhadas da multa de ofício e dos juros de mora.
FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO.
Correta a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída (imposto não lançado), mesmo havendo créditos para abater parcela desse imposto.
Numero da decisão: 3202-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, afastar as preliminares arguidas e, no mérito, negar-lhe provimento.
Sala de Sessões, em 20 de agosto de 2024.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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INOVAÇÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INOCORRÊNCIA. A decisão de primeira instância que apresenta argumentos contrários às alegações de defesa suscitadas na peça impugnatória, sendo mantidas as razões da fiscalização, não implica em inovação. A autoridade julgadora pode expressar sua percepção dos fatos reunidos nos autos em resposta à defesa. NULIDADE. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO. INOCORRÊNCIA. Se a autoridade fiscal não encontra complexidade na mercadoria, capaz de ensejar a necessidade de elaboração de laudo técnico, para dirimir eventual dúvida em relação à sua classificação fiscal (matéria jurídica), o lançamento pode ter como base os elementos constantes nos autos. NULIDADE. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do lançamento quanto não presente vício que possa resultar em prejuízo à eficácia do ato ou ao exercício do contraditório e ampla defesa. Os elementos do Relatório Fiscal são suficientemente motivados para o exercício do direito da recorrente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPETÊNCIA. A legislação brasileira determina o cumprimento das normas internacionais sobre classificação fiscal de mercadorias, sendo tal atribuição exercida pelos Auditores-Fiscais da RFB. Para fins tributários e aduaneiros, os entendimentos resultantes da aplicação da legislação do Sistema Harmonizado devem prevalecer sobre definições que tenham sido adotadas por órgãos públicos de outras áreas de competência. Fl. 7340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO DA FASE CONTENCIOSA. No processo administrativo fiscal, a primeira fase, quando realizada a ação fiscal, é não contenciosa e de caráter unilateral. O contencioso se inicia após o lançamento do tributo e ciência do contribuinte. A partir desse momento, estabelece-se a lide e o contribuinte pode exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa mediante apresentação da impugnação, quando procede à juntada de provas, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÁGUAS DE PERFUME. NCM 3303.00.10. RGI 4. A subposição do NCM 3303.00 engloba os perfumes (extratos) e as águas- de-colônia. Conforme as NESH, as águas-de-colônia "diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua menor concentração de óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool utilizado". Portanto, em razão da sua maior concentração, por comparação por semelhança, conforme entendimento deste Conselho, as águas de perfume classificam- se no código 3303.00.10 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE COM SUBSTÂNCIA DESODORANTE. SUBPOSIÇÃO NCM 3304.99. RGI 3B. Preparações, cuja função essencial seja de conservação ou cuidado da pele, com substâncias adicionais de desodorantes, classificam-se na subposição 3304.99 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ESFOLIANTES. PREPARAÇÃO PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE. SUBPOSIÇÃO NCM 3304.99. Cremes e géis para cuidados da pele, cuja função seja de esfoliante, possuindo, em sua composição, acessoriamente, substância antisséptica, classificam-se na subposição 3304.99 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DEO-COLÔNIAS. SUBPOSIÇÃO NCM 3301.00. Os desodorantes colônias enquadram-se como produtos de perfumaria e, através do critério da comparação por semelhança, conforme entendimento deste Conselho, os produtos que apresentem maiores concentrações aromáticas classificam-se como perfumes, no código 3303.00.10, e aqueles, com menores concentrações, no código 3303.00.20 da TIPI. Fl. 7341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 3 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 INSUFICIÊNCIA DO IMPOSTO. RECLASSIFICAÇÃO. Diante da reclassificação fiscal, cabe a exigência das diferenças de alíquotas sobre as saídas dos produtos sujeitos à incidência do IPI, acompanhadas da multa de ofício e dos juros de mora. FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Correta a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída (imposto não lançado), mesmo havendo créditos para abater parcela desse imposto. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, afastar as preliminares arguidas e, no mérito, negar- lhe provimento. Sala de Sessões, em 20 de agosto de 2024. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 6.974/7.117) interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário constituído mediante auto de infração para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, multa de ofício e juros de mora, em razão da infração por erro de classificação fiscal. Por bem descrever os fatos, transcreve-se o relatório do acórdão recorrido: Fl. 7342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 4 “Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, consoante capitulação legal indicada, foi lavrado auto de infração, em 30/12/2021, para exigir R$ 513.950.010,76 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 63.748.035,82 de juros de mora calculados até 31/12/2021, R$ 385.462.507,88 de multa proporcional ao valor do imposto e R$ 1.286.787,51 de multa exigida isoladamente, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 964.447.341,97. O lançamento em causa foi efetuado em razão da saída de produtos (cremes de beleza, águas-de-colônia e perfumes) sem lançamento do IPI por inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota de IPI, nos anos de 2017 a 2020, consoante a descrição dos fatos (fls. 03/04) e o Relatório Fiscal (fls. 36/76), sendo os valores de IPI devido discriminados no Anexo II (arquivo não-paginável, fl. 79). De acordo com o Relatório Fiscal, são as seguintes as irregularidades constatadas: a) – Saídas de perfumes (NCM 3303.00.10, alíquota de 42%), classificados como águas-de-colônia (3303.00.20, alíquota de 12%; b) – saídas de perfumes (NCM 3303.00.10, 42%), classificados como desodorantes (3307.20.10, 7%); c) – saídas de águas-de-colônia (NCM 3303.00.20, 12%), classificadas como desodorantes (3307.20.10, 7%); d) – saídas de preparações para conservação ou cuidados da pele (cremes de beleza, NCM 3304.99.10, 22%; outros, 3304.99.90, 22%), classificadas como desodorantes (líquidos, 3307.20.10, 7%; outros, 3307.20.90, 7%); e) – saídas dos produtos acima a título de demonstração, sem tributação do IPI. Conceitos e definições relevantes concernentes aos produtos, conforme o Relatório Fiscal: “A Lei nº 6.360, de 1976, que dispõe sobre a Vigilância Sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, cosméticos, saneantes e outros produtos, traz as seguintes definições nos incisos III a V de seu art. 3º, com grifos nossos: Art. 3º - Para os efeitos desta Lei, além das definições estabelecidas nos incisos I, II, III, IV, V e VII do Art. 4º da Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, são adotadas as seguintes: (...) III - Produtos de Higiene: produtos para uso externo, antissépticos ou não, destinados ao asseio ou à desinfecção corporal, compreendendo os sabonetes, xampus, dentifrícios, enxaguatórios bucais, antiperspirantes, desodorantes, produtos para barbear e após o barbear, estípticos e outros; IV - Perfumes: produtos de composição aromática obtida à base de substâncias naturais ou sintéticas, que, em concentrações e veículos Fl. 7343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 5 apropriados, tenham como principal finalidade a odorização de pessoas ou ambientes, incluídos os extratos, as águas perfumadas, os perfumes cremosos, preparados para banho e os odorizantes de ambientes, apresentados em forma líquida, geleificada, pastosa ou sólida; V - Cosméticos: produtos para uso externo, destinados à proteção ou ao embelezamento das diferentes partes do corpo, tais como pós faciais, talcos, cremes de beleza, creme para as mãos e similares, máscaras faciais, loções de beleza, soluções leitosas, cremosas e adstringentes, loções para as mãos, bases de maquilagem e óleos cosméticos, ruges, "blushes", batons, lápis labiais, preparados anti- solares, bronzeadores e simulatórios, rímeis, sombras, delineadores, tinturas capilares, agentes clareadores de cabelos, preparados para ondular e para alisar cabelos, fixadores de cabelos, laquês, brilhantinas e similares, loções capilares, depilatórios e epilatórios, preparados para unhas e outros; Todos esses produtos devem ser registrados na Anvisa. Porém, esse registro não se confunde com a classificação fiscal, pois suas finalidades são distintas; No Formulário Nacional da Farmacopeia Brasileira1, 2ª edição, Revisão 02, extraem-se algumas definições sobre a forma dos produtos: Creme É a forma farmacêutica semissólida que consiste de uma emulsão, formada por uma fase lipofílica e uma fase hidrofílica. Contém um ou mais princípios ativos dissolvidos ou dispersos em uma base apropriada e é utilizada, normalmente, para aplicação externa na pele ou nas membranas mucosas. Emulsão É a forma farmacêutica líquida de um ou mais princípios ativos que consiste de um sistema de duas fases com pelo menos dois líquidos imiscíveis e no qual um dos líquidos é disperso na forma de pequenas gotas (fase interna ou dispersa) no outro líquido (fase externa ou contínua). Normalmente é estabilizada por meio de um ou mais agentes emulsificantes. Gel É a forma farmacêutica semissólida de um ou mais princípios ativos que contém um agente gelificante para fornecer viscosidade a um sistema no qual partículas de dimensão coloidal - tipicamente entre 1 nm e 1 μm - são distribuídas uniformemente. Um gel pode conter partículas suspensas. Loção É a preparação líquida aquosa ou hidroalcoólica, com viscosidade variável, para aplicação na pele, incluindo o couro cabeludo. Pode ser Fl. 7344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 6 solução, emulsão ou suspensão contendo um ou mais princípios ativos ou adjuvantes. Pasta É a pomada contendo grande quantidade de sólidos em dispersão (pelo menos 25%). Deve atender às especificações estabelecidas para pomadas. Pomada É a forma farmacêutica semissólida, para aplicação na pele ou em membranas mucosas, que consiste da solução ou dispersão de um ou mais princípios ativos em baixas proporções em uma base adequada, usualmente não aquosa. Solução É a forma farmacêutica líquida, límpida e homogênea, que contém um ou mais princípios ativos dissolvidos em um solvente adequado ou numa mistura de solventes miscíveis. Suspensão É a forma farmacêutica líquida que contém partículas sólidas dispersas em um veículo líquido, no qual as partículas não são solúveis. Quanto à organização dos componentes químicos utilizados numa preparação cosmética para o fim buscado pelo produto, colacionam-se os ensinamentos de MATOS2 para suporte à correta classificação fiscal ora realizada. De uma forma geral, MATOS classifica os componentes em quatro grupos, ou quatro tipos básicos de matérias primas: 4.1.1 Princípio ativo Em qualquer formulação, seja ela cosmética ou medicamentosa, o princípio ativo é a substância que tem efeito mais acentuado ou a substância que confere ao produto a ação final a que se destina. Uma formulação cosmética pode conter mais de um princípio ativo, cada um com sua finalidade principal. (.....) 4.1.2 Aditivos São substâncias que complementam a formulação cosmética, contribuindo com o marketing do produto e/ou aumentando seu tempo de vida útil. Como aditivos cosméticos são utilizados: Corantes e pigmentos: de origem natural ou sintética, produzem sensações visuais ao usuário. (.....) Fragrâncias: compostas de diversos compostos aromáticos naturais ou sintéticos capazes de impressionar as vias olfativas. Fl. 7345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 7 Conservantes: protegem o cosmético de contaminações microbianas e de oxidações indesejáveis, assegurando seu prazo de validade e oferecendo segurança ao usuário. Podem ser classificados em bactericidas, fungicidas ou oxidantes. Muitas empresas fabricantes ou revendedoras de matérias-primas consideram os produtos de correção e os veículos como aditivos, pois entendem que eles são apenas complementares para a ação do ativo utilizado, não utilizando essa subdivisão para produtos de correção nem para veículos. No entanto, como têm funções específicas para ajustar a formulação, torna-se mais adequado o uso da classificação produtos de correção ou ajustamento, assim como, para os veículos, também é mais adequada uma classificação independente. 4.1.3 Produtos de correção São matérias-primas que corrigem ou ajustam alguma característica da formulação cosmética de acordo com os padrões esperados. Considerando suas finalidades, os produtos de correção (ou produtos de ajustamento) são classificados em: Corretor de pH: corrige o pH da formulação, deixando-o adequado ao uso do produto e seu local de aplicação. Emoliente: evita ou atenua o ressecamento da pele e dos cabelos. O emoliente é responsável pelo toque final do produto cosmético. Emulsionante: promove a mistura entre as fases aquosa e oleosa. (.....) Espessante ou estabilizante: impede a mobilidade da fase aquosa, alterando sua viscosidade e auxiliando o emulsionante, impedindo o rompimento da emulsão. Sequestrante ou quelante: retira os íons indesejáveis da formulação. (.....) Solubilizante: promove a solubilização de uma substância em meio a um dispersante. Muito utilizado para dissolver corantes e conservantes. Umectante: capaz de reter a água na formulação cosmética, ao mesmo tempo em que mantém a superfície da pele umedecida. Apresenta propriedade higroscópica (absorve a água do meio ambiente). 4.1.4 Veículo O veículo, também chamado de excipiente, constitui a base na qual o produto é formulado, como água, álcool, óleo, propilenoglicol, gel, sérum, suspensão, emulsão ou pó. Pode-se dizer que é o meio utilizado para carrear os demais componentes de um cosmético para a pele. Fl. 7346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 8 O dossiê eletrônico da Anvisa é um documento obtido a partir do processo de cadastramento do produto naquele órgão, que fornece diversas informações úteis para a classificação fiscal, tais como forma física, componentes da fórmula do produto, finalidade e modo de usar. Para se chegar à função essencial de cada produto foram analisadas as informações de cada dossiê eletrônico da Anvisa, levando em conta as definições de tipo (produto de higiene, perfume ou cosmético), apresentação (forma física), conjunto dos componentes químicos (princípio ativo, aditivos e produtos de correção), finalidade e modo de usar, considerando também, de forma suplementar, as informações divulgadas pelo sujeito passivo em suas embalagens e na Internet. Desse modo, evita-se que determinados produtos sejam indevidamente classificados em função dos aditivos ou produtos de correção aplicados. Os códigos de produto utilizados pela Botica sofrem variações conforme a operação realizada. Por exemplo, o produto GLAMOUR SECRETS BLACK DESODORANTE COLÔNIA 75ML é identificado pelo código 21318 no caso de venda e pelo código 721318 no caso de transferência para outro estabelecimento. Tendo em vista que ambas as operações são passíveis de tributação pelo IPI, o código 21318 (5 dígitos) identifica o produto de forma única, uma vez que nas transferências a autuada adiciona o dígito 7 no início do código”. (destaques do original) Produtos de perfumaria: Diversos produtos de perfumaria, denominados “eau de parfum” (EDP) pela contribuinte, foram classificados equivocadamente como águas-de-colônia no código NCM 3303.00.20, com alíquota de 12%, sendo que o enquadramento correto seria como perfumes (extratos) no código NCM 3303.00.10, com alíquota de 42%. Consoante as NESH, as águas-de-colônia se distinguem dos perfumes pela menor concentração em óleos essenciais. Não há menção nas NESH ao produto objeto classificação fiscal: água de perfume. No Relatório Fiscal: Do livro “Perfumes: The A-Z Guide”4, edição em idioma inglês, traz-se a classificação aplicável aos produtos de perfumaria, já traduzida para a língua portuguesa: Modernamente, extrato de perfume, ou parfum, é uma essência concentrada de óleos essenciais aromáticos diluídos na mínima Fl. 7347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 9 quantidade possível de álcool com alto grau GL. A proporção de fragrância do perfume vendido ao consumidor final (também conhecido neste sentido como um extrato) é cerca de 15-30%, em álcool 90-95ºGL. Qualquer solução composta de uma proporção menor de fragrância é chamada de eau. Os diferentes tipos de eau (eau de parfum, eau de toilette, eau de cologne) contêm quantidades progressivamente menores da essência odorífica e soluções mais diluídas de álcool. Eau de parfum, na perfumaria moderna, é a essência mais concentrada de eau, sendo uma preparação perfumada para toucador contendo substancialmente mais óleo de perfume do que eau de cologne ou eau de toilette. Geralmente contém 15-18% de óleo de perfume misturado com um álcool de 80-90%. Eau de toilette, na perfumaria moderna, significa uma preparação perfumada para toucador com óleo de perfume na proporção de 4- 8% em álcool, portanto, mais forte do que eau de cologne, e, mais fraco que eau de parfum. Eau de cologne é uma água de banho desenvolvida pela primeira vez no início do século XVIII, por um italiano, Paul Femini, habitante de Colônia, que a chamou de L’Eau Admirable” (A Água Admirável). No início do século XIX, o produto foi modificado por Jean Farina, um descendente de Feminis, sob o nome de "Eau de Cologne" e tornou-se imensamente popular. [...] Eau de Cologne modernas são águas de banho contendo 3-5% de óleo de perfume em uma solução de 70% de álcool e água. Tabela de comparação de fragrâncias: Segue o Relatório Fiscal: “As águas de banho não são relevantes no presente caso. Já em relação às águas de perfume, pode-se perceber uma grande semelhança com os perfumes, com coincidência de valores entre 15 (quinze) e 18% (dezoito por cento). Do sítio da Botica na Internet, retirou-se o seguinte trecho sobre seus produtos de perfumaria: Fragrâncias para Dia dos Namorados: eau de parfum, desodorante colônia, perfumes, entre outros (...) Fl. 7348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 10 *Fragrância é uma categoria de produtos e dentro dela se encontram diferentes subtipos de produtos como Perfumes, Eau de Parfum, Eau de Toilette e Desodorante Colônia. Ainda em relação à Botica, foram encontradas 4 (quatro) classificações diferentes de fragrâncias, conforme divulgado na Internet: Cologne; Eau de Cologne; Eau de Parfum; Desodorante Colônia. Respondendo ao Termo de Intimação nº 104, a Botica informou as diferenças entre elas: Cologne/Eau de Cologne – Sinônimos, possuem concentração entre 3 e 10% de essência em sua composição expressa em Massa/Massa; Eau de parfum - Possuem concentração entre 17 e 25% de essência em sua composição expressa em Massa/Massa; Desodorante colônia – Possuem, obrigatoriamente, (i) um agente bacteriostático aprovado e aceito como tal pelo órgão sanitário nacional em sua formulação, o que lhes confere a eficácia desodorante; e (ii) concentração entre 4 e 18% de essência em sua composição expressa em Massa/Massa. Sobre a concentração aromática das águas de perfume, deve-se registrar que os valores informados não condizem com os registrados nos dossiês Anvisa. Enquanto a Botica informa uma variação de 17 a 25%, foram encontrados percentuais que variam de 15% (quinze por cento), no caso do MAKE B. EAU DE PARFUM, a 23,6% (vinte e três inteiros e seis décimos por cento), para o ALCHEMISTS EAU DE PARFUM IRIS. A classificação “desodorante colônia” é irrelevante no momento e será abordada posteriormente. Faz-se necessário, então, consultar as RGI/SH para solucionar o caso. A Regra 1 determina que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. No caso das águas de perfume, isso não é suficiente para resolver o problema, pois água de perfume é um produto diferente de água-de-colônia e de perfume. A Regra 2 não é aplicável ao caso, pois não se trata de artigo incompleto ou inacabado, nem de artigo desmontado ou por montar. A Regra 3 trata da mercadoria que pode ser classificada em duas ou mais posições. Uma interpretação deturpada poderia concluir que a água de perfume poderia ser classificada tanto como água-de-colônia como perfume, atraindo a aplicação da Regra 3. Porém, água de perfume não é água-de-colônia, nem é perfume (extrato). E isso é claro nas classificações de perfumaria. Ressalta-se também que a Regra 3c não é aplicável, uma vez que só poderiam ser avaliadas as Regras 3a e 3b se a mercadoria pudesse ser Fl. 7349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 11 classificada em duas ou mais posições, o que não é o caso, pois não há posição específica para água de perfume. Assim sendo, recorre-se à Regra 4, que determina que as mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras anteriores classificam-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. Nas NESH, o texto da nota explicativa da Regra traz (grifos nossos): I) Esta Regra refere-se às mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras 1 a 3. Esta Regra estabelece que essas mercadorias se classificam na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. II) A classificação de conformidade com a Regra 4 exige a comparação das mercadorias apresentadas com mercadorias semelhantes, de maneira a determinar quais as mercadorias mais semelhantes às mercadorias apresentadas. Estas últimas devem classificar-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. III) A analogia pode, naturalmente, basear-se em vários elementos, tais como a denominação, as características, a utilização. Realizando a exigência de comparação por semelhança, volta-se à classificação dos produtos de perfumaria. Nota-se uma grande diferença entre água-de-colônia e água de perfume. Em qualquer classificação, pode- se inferir que a água de perfume está mais próxima do perfume do que da água-de-colônia. No caso do livro “Perfumes: The A-Z Guide”, as faixas percentuais de água de perfume e de perfume inclusive se sobrepõem parcialmente, mostrando a alta semelhança entre ambas. A água de perfume assemelha-se pouco à água-de-colônia, apenas no aspecto de serem produtos de perfumaria. Inclusive, mostra-se contraditória a classificação adotada pelo sujeito passivo, pois em sua resposta à fiscalização afirmou que as águas-de- colônia possuem concentração aromática de 3 a 10%. Na prática, as fragrâncias classificadas pela Botica como águas-de-colônia são águas de perfume ou perfumes, com concentração aromática superior a 15% (quinze por cento), e itens provenientes da linha infantil de perfumaria, que possuem composição aromática abaixo de 3% (três por cento). Exemplos de águas de perfume segundo a concepção do sujeito passivo nos autos (fl. 47), todas semelhantes a perfumes (Anexos II e III). Em razão da RGI nº 1, a RGC nº 1 e a RGI nº 4, os produtos “eau de parfum” devem ser classificados no código NCM 3303.00.10. Produtos com função desodorante (subposição 3307.20): Fl. 7350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 12 Intimado, o sujeito passivo citou como agentes antissépticos os seguintes ingredientes, entre outros: triclosan, caprilato de poliglicerila, caprilil glicol. “O caprilil glicol é um bactericida, considerado14 um eficiente conservante para cosméticos. O sujeito passivo utiliza essa substância com várias funções. Na proporção de 0,2% (dois décimos por cento) da massa total do produto, pode ser usado como DESODORANTE, EMOLIENTE ou CONDICIONANTE, de acordo com as informações prestadas nos registros na Anvisa. Sobre o triclosan, a Natura, renomada empresa concorrente da Botica no mercado nacional, divulgou em seu sítio na Internet um artigo denominado “TRICLOSAN: POR QUE ESSE E OUTROS INGREDIENTES FORAM BANIDOS PELA NATURA”18, de onde é possível retirar informações sobre esse conservante: Triclosan O triclosan é um ingrediente que atua como conservante das formulações cosméticas, evitando contaminação microbiológica e mantendo a qualidade do produto durante sua vida útil. A maior preocupação a respeito desse ingrediente refere-se a seu grande consumo no mundo, aliado ao fato de não ser biodegradável. Um de seus possíveis impactos é sobre micro- organismos aquáticos. Logo, um mesmo componente químico pode ter diversas funções e o fabricante do produto pode registrá-lo na função mais conveniente. Sobre as funções primária e secundária, o sujeito passivo respondeu genericamente para todos os produtos: “Todas as funções atribuídas aos produtos são devidamente testadas e comprovadas. No caso do presente item há a comprovação para as funções desodorante, hidratante, atributos sensoriais e demais claims explorados. Para função hidratante são feitos testes instrumentais e/ou de eficácia percebida, de acordo com o claim explorado. Para demais claims, a avaliação é feita caso a caso”. Essa resposta significa que a Botica classifica diversos hidratantes, que são cosméticos, como sendo desodorantes, em razão de supostamente possuírem a função desodorante comprovada. São considerados, pelo Fl. 7351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 13 sujeito passivo, produtos multifuncionais, que desempenham várias funções, sem que uma prevaleça. Buscando uma explicação mais aprofundada sobre a classificação adotada pelo sujeito passivo, consultou-se a impugnação apresentada no processo nº 10980.724314/2018-04, que trata de matéria idêntica. Naquele processo, o sujeito passivo defende que não há preponderância entre as funções desodorante e hidratante dos produtos, o que afastaria as Regras 3a e 3b, devendo-se aplicar a Regra 3c, que determina a classificação na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Contudo, o mero fato de um componente da fórmula possuir a característica de reduzir ou evitar o desenvolvimento de odores corporais desagradáveis não é suficiente para classificá-lo com um desodorante, para fins de tributação de IPI. O sabonete, o xampu, as emulsões e os produtos para barbear não se convertem em desodorantes em virtude da adição de substâncias antissépticas em concentrações usuais. Nos cosméticos hidratantes, as fragrâncias e os conservantes/desodorizantes são aditivos, que conferem características adicionais, necessárias ou desejadas pelos consumidores, mas que não alteram a característica essencial, qual seja, limpeza, conservação e/ou embelezamento da pele. A utilização de agentes que inibem o crescimento de bactérias é condição necessária para a fabricação de cosméticos. Assim se pronuncia BARATA quanto ao uso de conservantes em formulações cosméticas, com grifos nossos: Todos os métodos de preservação têm como finalidade impedir ou diminuir alterações prejudiciais provocadas pela ação de microrganismos ou fungos. Quando um microrganismo se introduz numa preparação cosmética, no decorrer da fabricação, encontra aí as condições ideais para o seu desenvolvimento e multiplicação. Se não forem tomadas providências, o desenvolvimento será rápido, decompondo e alterando as características do produto, pois vai retirar os elementos nutritivos indispensáveis ao seu metabolismo, rejeitando, em contrapartida, os resíduos tóxicos que vão modificar as características de uma preparação cosmética. Essas modificações manifestam-se de formas muito variadas: - As emulsões, qualquer que seja o tipo considerado, podem sofrer alteração, com separação e cobrirem-se de uma camada de fungos; - Aparecimento de colorações indesejáveis; Fl. 7352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 14 - Preparados límpidos, podem passar a apresentar aspecto opalescente; - Fenômenos de fermentação com desenvolvimento de gases, podem promover deformações e originarem frascos quebrados; - O perfume fica profundamente alterado; - E finalmente, não podemos esquecer que produtos degradados podem ser causa de perturbações futuras na pele; Concluindo: o emprego de um preservante no produto acabado é de necessidade fundamental, sob pena deste se tornar rapidamente inutilizável ou de a sua aplicação vir a ser menos aconselhável. Dessa forma, os agentes antissépticos são necessários na produção de cosméticos para a conservação do produto, sendo capazes de reduzir ou evitar a aparição de odores desagradáveis, em razão de reduzirem a contaminação microbiológica. Porém, não alteram a característica básica do produto quando utilizados dessa forma, pois apenas conservam o produto para que seja comercializado de forma segura. Na mesma linha, CORRÊA trata a função dos conservantes nas preparações cosméticas, especialmente os conservantes antimicrobianos: “São produtos cuja função é inibir a proliferação de bactérias e fungos no produto acabado. São imprescindíveis nas formulações, uma vez que, via de regra, as emulsões são facilmente contamináveis, seja por sua própria composição, seja durante o processo de preparação e manipulação, seja durante o manuseio pelo usuário, constituindo um verdadeiro meio de cultura”. Não há dúvida de que a indústria de cosméticos necessita incorporar, muitas vezes, conservantes em seus produtos. A Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 29, de 1º de junho de 2012, da Anvisa, vigente na época dos fatos geradores, que aprovou o Regulamento Técnico Mercosul sobre “Lista de Substâncias de Ação Conservante permitidas para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes”, traz o entendimento sobre CONSERVANTES em seu Adendo II: “são substâncias que são adicionadas como ingredientes aos Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes com finalidade de inibir o crescimento de microrganismos durante sua fabricação e estocagem, ou para proteger os produtos da contaminação inadvertida durante o uso”. Entre os conservantes permitidos por essa RDC, temos o Triclosan”. Portanto, prevalece o entendimento de que os agentes antissépticos são empregados para conservação de cosméticos e perfumes. Consequentemente, ocorre uma redução ou eliminação das bactérias e dos odores desagradáveis Fl. 7353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 15 passíveis de aparecer, porém sem que haja a alteração da finalidade ou do modo de utilizar do produto. Produtos para conservação ou cuidados da pele: Foi observada, na ação fiscal, a existência de diversos produtos classificados como “desodorantes (desodorizantes) corporais e antiperspirantes”, nos códigos NCM 3307.20.10 (líquidos) e 3307.20.90 (outros), com alíquota de IPI de 7%, que deveriam ter sido classificados como preparações para conservação ou cuidados da pele, mais especificamente nos códigos NCM 3304.99.10 (cremes de beleza e cremes nutritivos; loções tônicas) ou 3304.99.90 (outros), cujas alíquotas são de 22%. Exemplos de preparações para conservação ou cuidados da pele assim denominadas e classificadas pela contribuinte (frascos, rótulos e dados, fls. 52/53). Exemplos de produtos (cremes, loções e óleos hidratantes) classificados como desodorantes pelo sujeito passivo (frascos, rótulos e dados, fls. 53/54). Exemplos de produtos reconhecidos como desodorantes pela fiscalização e assim classificados pelo sujeito passivo (frascos, rótulos e dados, fls. 55/56). Produtos (linha Malbec) identificados pelo sujeito passivo como desodorante, hidratante desodorante e desodorante colônia, e classificados como desodorantes (NCM 3307.20.10 e 3307.20.90) (frascos, rótulos e dados, fls. 56/57). “De acordo com a classificação adotada pelo sujeito passivo, todos esses quatro produtos seriam desodorantes, unicamente por possuírem a função desodorante. Porém, essa classificação fiscal adotada está incorreta. Os produtos citados são misturas de componentes químicos, mas não são misturas de um desodorante com uma loção hidratante ou um perfume. São produtos bem definidos, que podem ter sido aprimorados para conter funções secundárias, sem que haja dúvida sobre o que realmente são. Os produtos Malbec Play e Malbec Gold possuem quantidades percentuais maiores de fragrância, sendo, por esse motivo, classificados na seção de perfumaria pela própria Botica. Os demais possuem quantidade reduzida, apenas o suficiente para levarem um aroma agradável aos produtos. A questão dos perfumes e das águas-de- colônia será abordada adiante, tendo sido relacionados neste momento unicamente para enriquecer o comparativo. Há duas funções primordiais que devem ser analisadas para se resolver a classificação fiscal: desodorante e hidratante. O Desodorante Antitranspirante Aerosol Malbec e a Loção Hidratante Desodorante Corporal Malbec Club são produtos muito diferentes. Enquanto o desodorante possui apenas 6,6% de substâncias emolientes, o hidratante possui 13,4% de substâncias emolientes e umectantes, além de Fl. 7354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 16 81,9% de água em sua composição, o que corresponde a 95,3% de sua fórmula dedicada à hidratação. A Loção Hidratante Desodorante Corporal Malbec Club é uma mistura, com a finalidade, segundo seu nome comercial e de acordo com o dossiê de registro na Anvisa, de hidratar, desodorizar e perfumar a pele. O modo de usar é aplicar a quantidade que desejar em todo o corpo, PRINCIPALMENTE nas áreas mais ressecadas, como cotovelos, joelhos e pés. Se fosse um desodorante, a aplicação principal seria nas axilas ou nos pés, mesmo admitindo-se a aplicação em outras partes do corpo, pois a finalidade é retirar odores desagradáveis. Não foi encontrada nenhuma menção relevante à suposta função desodorante. O frasco do produto também reforça a questão de ser um hidratante. Consultando as orientações divulgadas ao público pela Botica, com nossos grifos, temos: Malbec Loção Hidratante Desodorante Corporal Club foi especialmente desenvolvida para a pele masculina. Repara o aspecto esbranquiçado e áspero da pele seca. A loção hidratante possui textura leve e de rápida absorção, deixando a pele hidratada, aveludada e sedosa, sem aquela sensação oleosa. Nota-se claramente que há uma função principal, qual seja, hidratação da pele. Isso fica claro pela descrição e pelo modo de usar do produto. Cotovelos e joelhos não são locais comuns para aplicação de desodorante. Nas informações divulgadas na Internet, o desodorante aerossol possui a função hidratante: “O Malbec Desodorante Antitranspirante Aerosol oferece 48 horas de proteção, mantendo a pele hidratada e perfumada.” Possui função hidratante, mas não é considerado um hidratante pela Botica. Da mesma forma, mesmo que a loção hidratante possua a função desodorante, não é classificada como desodorante pela Botica. Esses produtos possuem funções preponderantes, que definem o produto perante o consumidor e o sujeito passivo. Além disso, parece estranho a Botica comercializar produtos com as mesmas funções juntos em combos. Não haveria razão para o consumidor comprar um combo com dois desodorantes de mesma fragrância, tal como no exemplo abaixo. Fl. 7355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 17 Visível que são produtos bem diferentes, para finalidades distintas, que podem se complementar caso o consumidor goste da fragrância e queira adquirir mais de um produto da mesma linha. Para que se possa classificar adequadamente um produto na TIPI é necessário identificá-lo e caracterizá-lo. Importa identificar se é um desodorante (desodorizante) corporal ou antiperspirante, classificado na NCM 3307.20.90, conforme pleiteia o sujeito passivo, ou se é uma preparação para conservação ou cuidados de pele, sendo cremes de beleza, cremes nutritivos e loções tônicas classificados na NCM 3304.99.10, ou outros classificados na NCM 3304.99.90. Vejamos então as RGI/SH para solucionar não apenas esse exemplo, mas para demonstrar a classificação dos produtos envolvidos na questão. A Regra 1, aplicável a todos os casos, determina que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2 a 5. Tem-se nas notas do Capítulo 33 das NESH: 3.- As posições 33.03 a 33.07 aplicam-se, entre outros, aos produtos, misturados ou não, próprios para serem utilizados como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho tendo em vista o seu emprego para aqueles usos, exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. (...) CONSIDERAÇÕES GERAIS (...) As posições 33.03 a 33.07 compreendem os produtos, misturados ou não (exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais) próprios para utilização como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho, tendo em vista o seu emprego para esses usos (ver a Nota 3 do Capítulo). Os produtos das posições 33.03 a 33.07 permanecem classificados nestas posições mesmo que contenham, acessoriamente, Fl. 7356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 18 determinadas substâncias empregadas em farmácia ou como desinfetantes e mesmo que possuam, acessoriamente, propriedades terapêuticas ou profiláticas (ver a Nota 1 e) do Capítulo 30). Todavia, os desodorantes (desodorizantes) de ambientes preparados, permanecem classificados na posição 33.07 mesmo que possuam propriedades desinfetantes que não sejam meramente acessórias. Nas Notas da posição 33.04, tem-se (grifos nossos): A.- PRODUTOS DE BELEZA OU DE MAQUILAGEM PREPARADOS E PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE, INCLUINDO AS PREPARAÇÕES ANTISSOLARES E OS BRONZEADORES Incluem-se na presente posição: (...) 3) Os outros produtos de beleza ou de maquilagem preparados e as preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto os medicamentos), tais como: os pós-de-arroz e as bases para o rosto, mesmo compactos, os talcos para bebês (incluindo o talco não misturado, nem perfumado,acondicionado para venda a retalho), os outros pós e pinturas para o rosto, os leites de beleza ou de toucador, as loções tônicas ou loções para o corpo; a vaselina acondicionada para venda a retalho e própria para os cuidados da pele, os cremes de beleza, os cold creams, os cremes nutritivos (incluindo os que contêm geleia real de abelha); os cremes de proteção para evitar as irritações da pele; os géis administráveis por injeção subcutânea para eliminação de rugas e realce dos lábios (incluindo aqueles que contêm ácido hialurônico); as preparações para o tratamento da acne (exceto os sabões da posição 34.01) próprios para limpeza de pele e que não contenham ingredientes ativos em quantidades suficientes para que se considerem como tendo uma ação essencialmente terapêutica ou profilática sobre a acne; os vinagres de toucador, que são misturas de vinagre ou de ácido acético com álcool perfumado. Este grupo compreende igualmente as preparações antissolares (filtros solares) e os bronzeadores. Fl. 7357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 19 Estão sob análise produtos que são preparações para conservação ou cuidados da pele, com a função desodorante, conforme afirma o sujeito passivo, que poderiam ser classificados na 33.04 ou na 33.07. A Regra 2a não é aplicável ao caso, pois não se trata de artigo incompleto ou inacabado, nem de artigo desmontado ou por montar. A Regra 2b diz respeito às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e às obras constituídas por duas ou mais matérias, determinando que a classificação dos produtos misturados se efetua conforme a Regra 3. Chegando à Regra 3, “quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão”, partimos para as Regras 3a e 3b. A Regra 3a diz que a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. No entanto, essa regra ainda não soluciona, porque são específicas as posições para desodorantes corporais e “cremes de beleza e cremes nutritivos; loções tônicas”. A Regra 3b diz que os produtos misturados, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. O sujeito passivo defende que não é possível determinar a característica essencial do produto, por não haver preponderância entre as funções desodorante e hidratante, o que empurraria a classificação para a Regra 3c. Importante lembrar que as normas sanitárias, que possam exigir determinadas substâncias para conservação de produtos e para garantir a utilização segura dos produtos pelos consumidores, não interferem na classificação fiscal. Da mesma forma, o apelo comercial de agregar funções secundárias aos produtos, visando uma maior aceitação pelo consumidor, não é suficiente para alterar a função essencial deles. Relembrando a resposta do sujeito passivo em relação às funções comprovadas, “Todas as funções atribuídas aos produtos são devidamente testadas e comprovadas. No caso do presente item há a comprovação para as funções desodorante, hidratante, atributos sensoriais e demais claims explorados. Para função hidratante são feitos testes instrumentais e/ou de eficácia percebida, de acordo com o claim explorado. Para demais claims, a avaliação é feita caso a caso”. A Botica tem grande expertise na exploração comercial de produtos, adicionando características que possam gerar valor para o consumidor. A resposta apresentada afirma que também há uma função “atributos sensoriais” comprovada para todos os 48 produtos questionados Fl. 7358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 20 inicialmente. Porém, isso não significa que teríamos que classificar os produtos de acordo com essa função. Essas funções secundárias, que podem inclusive influenciar decisivamente na decisão do consumidor, não são capazes de alterar a essência do produto. Não se está dizendo que são irrelevantes ou que não existam, mas apenas que insuficientes para alterar a classificação fiscal”. (destaques do original) A característica essencial para os produtos em tela é a destinação para conservação ou cuidados com a pele; portanto, com fulcro na Regra 3b, a posição aplicável no caso é a 3304: “A Regra Geral de Interpretação nº 6, em sua primeira parte, dispõe que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas. Não sendo produtos de maquilagem para os lábios ou os olhos, nem mesmo preparações para manicuros e pedicuros, a subposição de 1º nível aplicável é a residual 3304.9. Em não se tratando de “pós”, a subposição de 2º nível também é a residual, 3304.99. Por aplicação da Regra Geral Complementar nº 1, que, em sua primeira parte, prevê que as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, na posição 3304.99.10 são classificados os cremes de beleza, os cremes nutritivos e as loções tônicas. As outras preparações para conservação ou cuidados da pele, quando não apresentadas sob a forma de creme de beleza ou creme nutritivo, enquadram-se na posição residual. É o caso das preparações em forma de loção, gel, emulsão, óleo, sérum, manteiga, entre outras, que devem ser classificadas na posição 3304.99.90”. (destaques do original) Fl. 7359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 21 Os produtos com a finalidade de conservação ou cuidados da pele, incorretamente enquadrados pelo sujeito passivo como desodorantes corporais e classificados no código NCM 3304.99.10 ou 3304.99.90, se encontram na planilha “3307->3304” do Anexo II, elaborada com base nos dossiês de registro na Anvisa e outras informações disponíveis, sendo que a coluna “Forma Física” determina o enquadramento final, refletido na coluna “NCM Fiscalização”. Esfoliantes: Os esfoliantes são produtos que se prestam também à conservação ou cuidados da pele, sendo a esfoliação um procedimento tendente à eliminação das células mortas da pele (na aplicação, a pele deve estar úmida) e ao estímulo de produção de células novas. Classificados indevidamente pelo sujeito passivo no código NCM 3307.20.10 (por exemplo, o produto NATIVA SPA PITAYA AÇÚCAR ESFOLIANTE), ou seja, como desodorantes corporais, os esfoliantes correspondem aos códigos NCM 3304.99.10, no caso dos cremes, e NCM 3304.99.90, sob as formas de gel, óleo açúcar ou mel. Esses produtos, os esfoliantes, estão discriminados na planilha “3307->3304” do Anexo II, elaborada com base nos dossiês de registro na Anvisa e outras informações disponíveis, sendo que a coluna “Forma Física” abrange os produtos destinados à esfoliação da pele e determina o enquadramento final, refletido na coluna “NCM Fiscalização”. Perfumes com função desodorante: Perfumar e desodorizar têm significados distintos: para o primeiro, impregnar de aroma ou espalhar perfume; para o segundo, retirar odor. “Foram identificados centenas de produtos de perfumaria classificados indevidamente como “desodorantes (desodorizantes) corporais e antiperspirantes – líquidos”, no código NCM 3307.20.10, cuja alíquota de IPI é 7% (sete por cento), que deveriam ter sido classificados como águas-de- colônia, no código NCM 3303.00.20, cuja alíquota é 12% (doze por cento), ou perfumes (extratos), no código NCM 3303.00.10, cuja alíquota é 42% (quarenta e dois por cento). Os produtos classificados incorretamente são denominados desodorantes colônias, conhecidos também como deo colônias. Voltando à classificação adotada pelo sujeito passivo para seus produtos de perfumaria, a diferença entre desodorante colônia e os demais se dá em razão da existência de um agente bacteriostático em sua formulação. Nesse caso, a concentração aromática é ignorada pelo sujeito passivo para definir a classificação comercial dos produtos, uma vez que há uma variação de 4 (quatro) a 18% (dezoito por cento) nos desodorantes colônia, o que permitiria enquadrar alguns produtos como água-de-colônia e outros como água de perfume. Fl. 7360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 22 Isso significa que a classificação “desodorante colônia” se sobrepõe às demais, na visão do sujeito passivo. Como já explicado, a existência de um agente bacteriostático não é suficiente para a classificação de um produto de perfumaria como desodorante. Destarte, essa classificação mostra-se imprecisa para fins de classificação fiscal e deve ser abolida, mantendo-se, no caso em tela, apenas eau de cologne (água de-colônia) e eau de parfum (água de perfume). Para classificar o produto dentro da NCM 3303, decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, inclusive da Câmara Superior, apontam no sentido de não ser relevante o valor absoluto da concentração da composição aromática, devendo-se realizar o confronto da concentração de um com a do outro para definir qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água-de-colônia”. O importante na definição da classificação fiscal é a concentração aromática (essência ou fragrância), sendo também importante a observação do teor alcoólico. A seguir, produtos de perfumaria da linha MALBEC com os respectivos códigos de classificação fiscal: Fl. 7361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 23 Na sequência, quadro comparativo com produtos de linhas diversas e classificados pela impugnante como desodorantes corporais (do Anexo I): Fl. 7362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 24 Todos os produtos acima têm a finalidade precípua de perfumar, sendo a presença de um agente bacteriostático utilizada como mera justificativa para redução de tributação do IPI, pois tal agente tem função apenas secundária. “Nota-se que quanto maior o percentual de fragrância, menor fica a proporção de água e maior a de etanol, conferindo ao produto com mais fragrância uma perfumação maior e melhor fixação na pele. Não apenas isso. Os produtos Liz Desodorante Colônia e Malbec Absoluto Desodorante Colônia, que têm percentuais de fragrância superiores, possuem frascos menores (100 ml) e mais sofisticados, e são comercializados por valores bem superiores aos demais. Além disso, a Botica passa a utilizar a concentração “desodorante colônia”. Curiosamente, esses produtos não estariam classificados como águas-de- colônia, uma vez que ultrapassam o percentual de 10% (dez por cento) estipulado pela própria Botica. Os produtos Spray Corporal Perfumado Eudora Puro Algodão e Dream Céu de Baunilha Body Splash Desodorante Colônia mostram-se mais parecidos entre si e enquadram-se perfeitamente na definição já exposta sobre águas- de-colônia. Já Liz Desodorante Colônia e Malbec Absoluto Desodorante Colônia são produtos diferentes desses, mas semelhantes entre si. Aqui se percebe que, embora não haja menção específica a valores de concentração da composição aromática nas NESH, esse quesito pode ser utilizado para subsidiar o comparativo por semelhança. No Anexo III, foram relacionados os desodorantes colônias, as concentrações aromáticas e os modos de usar de cada um deles, assim como seus endereços virtuais (Internet). Também foram incluídos os eau de parfum reconhecidos pelo sujeito passivo, com o intuito de se comparar os percentuais de concentração aromática com os dos demais produtos. Para evitar repetições, foram suprimidos os flaconetes, demonstrações e embalagens menores/secundárias dos produtos. Consultando o modo de usar de cada um desses produtos, percebe-se que não há nenhuma menção a aplicação nas axilas nem nos pés, tal como Fl. 7363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 25 aparece nos produtos denominados desodorantes pelo sujeito passivo. O modo de usar mais comum sugere a aplicação nos locais com maior fluxo sanguíneo, exatamente a recomendação dada para produtos de perfumaria. Pelo modo de usar de cada um dos produtos relacionados, não há dúvidas de serem produtos de perfumaria, classificados no NCM 3303. Os percentuais de concentração aromática, quando superiores a 10% (dez por cento), assemelham-se aos dos eau de parfum comercializados pelo sujeito passivo, uma vez que esses possuem concentrações a partir de 15% (quinze por cento), e devem ser classificados como perfumes, como já explicado. As linhas MALBEC, EGEO, EUDORA KISS ME, EUDORA CHIC e BOTICOLLECTION ANNI possuem produtos com concentração aromática inferior e superior a 10% (dez por cento). Nas linhas EUDORA KISS ME, EUDORA CHIC e BOTICOLLECTION ANNI, a semelhança entre os produtos não permitiu uma diferenciação inequívoca com base na concentração aromática, de modo que todos os produtos dessas linhas devem ser classificados como águas-de-colônia. Alguns “desodorantes colônias”, em razão de não estarem disponíveis todas as informações de concentração aromática, foram classificados como águas-de-colônia. Na linha EGEO, os produtos com concentração aromática a partir de 11,7% (onze inteiros e sete décimos por cento) assemelham-se mais a perfumes, enquanto os produtos até 10% (dez por cento) assemelham-se mais a águas-de-colônia, devendo-se classificá-los dessa forma. A linha MALBEC já foi analisada em detalhes, mantendo-se o Malbec Desodorante Colônia Play 50ml, da linha infantil, e o Malbec Desodorante Colônia Body Splash Black 200ml como as únicas águas de-colônia. As linhas exclusivamente de águas-de-colônia ou de águas de perfume/perfumes estão segregadas no próprio Anexo III. Todos os desodorantes colônias são, em verdade, produtos de perfumaria. Os produtos em que não havia informação sobre a concentração aromática foram classificados como águas-de-colônia”. (destaques do original) Com fulcro na RGI nº 1, a Regra Geral Complementar nº 1, a RGI nº 4 e o texto da posição 3303 das NESH, as fragrâncias com característica essencial de perfumar a pele, incorretamente classificadas pelo sujeito passivo como desodorantes corporais e classificadas nos códigos NCM 3303.00.10 ou 3303.00.20, estão especificadas individualmente na planilha “3307->3303” do Anexo II, elaborada com base nos dossiês de registro na Anvisa e outras informações disponíveis. O código NCM correto aparece na coluna “NCM Fiscalização”. No Anexo III, estão relacionadas as águas de perfume do sujeito passivo e as linhas de desodorantes colônias, com as embalagens comerciais, conforme consta na internet. Fl. 7364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 26 Embalagens para demonstração: O sujeito passivo deu saída a diversos produtos em embalagens específicas para demonstração ao consumidor, tendo na descrição do nome os termos “demonstração”, “flaconete” ou “amostra”. Essas saídas, promovidas a título de demonstração individual, ocorreram com a mesma classificação adotada para os respectivos produtos em embalagens comerciais. Por exemplo: os produtos “FLACONETE MALBEC DESODORANTE COLÔNIA GOLD 1ML C/5” e “MALBEC DESODORANTE COLÔNIA GOLD 100ML”, o primeiro com saída para demonstração, referem-se ao mesmo produto, com embalagens registradas sob o dossiê Anvisa nº 25351.278803/2017-89, e foram classificados sob o mesmo código NCM da TIPI. *** As diferenças de IPI apuradas constam do Anexo II (arquivo não-paginável com “termo de anexação” à fl. 79). A reconstituição da escrita fiscal, com o cômputo dos débitos de IPI apurados, está planilhada às fls. 22/30. O auto de infração foi cientificado ao sujeito passivo em 03/01/2022 por meio do “termo de ciência por abertura de mensagem” (fls. 6.079/6.080). Insubmissa, a contribuinte apresentou, em 02/02/2022, conforme “termo de solicitação de juntada” (fl. 6.084), impugnação (fls. 6.087/6.202) subscrita pelos patronos (procurações, fls. 6.221/6.223) e instruída com documentação probatória (fls. 6.226/6.896), em que aduz, em síntese, o que segue: 1) Insubsistência do auto de infração por afronta ao art. 142 do CTN: As premissas adotadas pela autoridade fiscal são inconsistentes e descabidas, o que abala materialmente o lançamento de ofício e este deve ser cancelado por afronta ao art. 142 do CTN, pois a autoridade fiscal: I) não aprofundou o trabalho fiscal; II) não provou tecnicamente a acusação fiscal, sendo do Fisco o ônus da prova; III) não motivou de forma adequada e suficiente o lançamento tributário. A matéria tributável deve ser identificada corretamente, sem margem para a mera presunção simples como alicerce do lançamento, conforme jurisprudência do CARF. Embora a classificação fiscal seja uma atividade jurídica, há questões de fato que exigem posicionamentos que devem ser balizados por laudos técnicos, conforme consta do Parecer Normativo COSIT nº 06, de 20/12/2018. Não há provas técnicas nos autos de que: “(I) a água-de-colônia industrializada pela Impugnante seria produto semelhante ao perfume; (II) os desodorantes colônia industrializados pela Impugnante seriam produtos de perfumaria (e não produtos multifuncionais); e (III) os desodorantes hidratantes e esfoliantes teriam Fl. 7365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 27 a função principal (ou essencial) de conservação ou cuidados da pele (e, nesse aspecto, também não seriam multifuncionais)”. A reclassificação fiscal foi efetuada com fulcro em transcrições parciais de textos acadêmicos, em opiniões pessoais da autoridade fiscal e em dados aleatórios disponíveis na internet. No que concerne à controvérsia entre desodorantes colônia e águas-de-colônia: “(I) em relação às águas-de-colônia, sem análise técnica dos produtos (mas apenas com base em suas convicções pessoais), alegou a autoridade administrativa que “a água de perfume poderia ser classificada tanto como água-de-colônia como perfume, atraindo a aplicação da Regra 3. Porém, água de perfume não é água-de-colônia, nem é perfume (extrato)” (fl. 46); e (II) em relação aos desodorantes colônia, e também sem análise técnica dos produtos, a autoridade administrativa alegou que “a existência de um agente bacteriostático não é suficiente para a classificação de um produto de perfumaria como desodorante. Destarte, essa classificação mostra-se imprecisa para fins de classificação fiscal e deve ser abolida, mantendo-se, no caso em tela, apenas eau de cologne (água-de-colônia) e eau de parfum (água de perfume)” (fl. 65)”. A autoridade fiscal afastou a aplicabilidade da RGI nº 3 e invocou a RGI nº 4 sem nenhuma prova técnica a alicerçar a conclusão. Além disso, desprezou informações que indicariam que os desodorantes colônia, os desodorantes hidratantes e os esfoliantes são produtos multifuncionais e que não haveria função principal ou essencial. Foi também ignorada, pela autoridade fiscal, a ação antibacteriana dos produtos: “tecnicamente, o triclosan, o caprilato de poliglicerila e o caprilil glicol constituem princípio ativo da fórmula dos desodorantes colônia, os desodorantes hidratantes e os esfoliantes, entregando a ação antibacteriana e o efeito desodorante no corpo humano, e caracterizando os referidos produtos como multifuncionais”. Mais ainda: “é absolutamente impertinente e inoportuna a citação da RDC nº 29, de 1º de junho de 2012, da ANVISA, no Relatório Fiscal, pois ela não serve de argumento para a autoridade administrativa questionar a ação antibacteriana e o efeito desodorante do triclosan, do caprilato de poliglicerila e do caprilil glicol, bem como a multifuncionalidade dos produtos que possuem tais princípios ativos em sua formulação, como ocorre no caso concreto”e “Como se vê, o triclosan, o caprilato de poliglicerila e o caprilil glicol podem ser utilizados com finalidade de conservação e, também, para conferir a eficácia desodorizante dada a sua multifuncionalidade, como ocorre exatamente nos produtos autuados”. As informações comerciais angariadas pela autoridade fiscal na internet, incluído o site da empresa, não se prestam para a determinação da classificação fiscal dos produtos pois: “(I) não encontram respaldo na RGI ou na NESH; Fl. 7366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 28 (II) não são admitidas pela própria Receita Federal do Brasil no Parecer COSIT nº 06, de 2018; (III) no caso concreto, as informações comerciais são produzidas e divulgadas por terceiros e não pela Impugnante; e (IV) não condizem com o rigor técnico acerca do uso de desodorantes”. Textos em língua estrangeira sem tradução juramentada não podem ser considerados como elementos de prova, nos termos do art. 193 do CPC. A ANVISA não reconhecia o percentual de composição aromática como critério adequado e suficiente para diferenciação dos produtos, sendo que a autoridade fiscal, de forma inadmissível, resgatou o disposto no inciso II do art. 49 do Decreto nº 79.094/77, um ato legal já revogado à época da ocorrência dos fatos geradores da imposição fiscal. É cabalmente demonstrado e comprovado que os percentuais de concentração aromática utilizados pela autoridade administrativa para fins de reclassificação fiscal de produtos não têm amparo técnico, científico e legal, então, o auto de infração é desprovido de motivação adequada e específica, afrontando o artigo 142 do CTN, de modo que a impugnação deve ser acolhida para cancelar a exigência fiscal. Ademais, não há nenhuma justificativa para a formalização da exigência de IPI sobre operações com produtos que não foram objeto de questionamentos no decorrer do procedimento fiscal. A impugnante tomou conhecimento da reclassificação fiscal de alguns produtos apenas em consulta às planilhas elaboradas pela autoridade fiscal. 2) Mudança de critério jurídico: Em 2021, houve reunião de conformidade tributária na RFB com representantes da impugnante no que concerne à classificação fiscal dos produtos das fabricantes de cosméticos e perfumaria, na qual teria sido exposta a prática reiterada das autoridades administrativas quanto à classificação fiscal, nos termos do art. 100, III, do CTN. Na reunião, a impugnante teria sido instada a uma regularização tributária respeitante à classificação fiscal de perfumes, águas-de-colônia e desodorantes colônia feita à luz da RGI nº 3b, sem nenhuma referência à RGI nº 4, aplicada de forma residual pela autoridade fiscal. Assim sustenta a impugnante: “189. No caso concreto, porém, a autoridade administrativa simplesmente ignorou o entendimento formalizado da própria Receita Federal do Brasil manifestado na “Reunião de Conformidade Tributária” (e no contexto do programa chamado “CONFIA”) e até as práticas reiteradas das autoridades administrativas no que diz respeito ao questionamento administrativo da classificação fiscal de perfumes, águas-de-colônia e desodorantes colônia. 190. De forma absolutamente inovadora (e incorreta), a autoridade administrativa fundamentou a reclassificação fiscal das águas-de-colônia e Fl. 7367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 29 dos desodorantes colônias na excepcional RGI 4, que nem mesmo foi mencionada na “Reunião de Conformidade Tributária” e que, até o momento, não se tem notícia de que já havia sido invocada em autos de infração para questionar a classificação fiscal dos produtos em referência. 191. Além do rompimento da confiança e da segurança em relação ao entendimento da própria Receita Federal do Brasil manifestado na “Reunião de Conformidade Tributária” e em outros autos de infração sobre a mesma matéria de classificação fiscal, o auto de infração em discussão também representa clara alteração de critério jurídico, afrontando o artigo 146 do CTN”. O CARF tem posicionamento contrário à mudança de critério jurídico, assim como doutrinadores e o STF, conforme transcrições. Segue a impugnante: “210. Nesse aspecto, e conforme comprovado pela planilha anexa (doc. 05), a Impugnante identificou que existem desodorantes colônia (por exemplo, UOMINI DES COL 100ML V4, NSPA DES COL AG LICH 365ML V2 e NSPA DES COL AG AMEI 365ML V2) que foram objeto da reclassificação fiscal promovida neste auto de infração e também no auto de infração lavrado em face da “K & G Indústria e Comércio Ltda.”. 211. Apesar de os desodorantes colônia serem exatamente os mesmos produtos (com alteração apenas do código de SKU), a motivação da autoridade administrativa para a reclassificação fiscal é, agora, totalmente diferente: (I) neste processo administrativo, foi invocada a RGI 4; e (II) nos autos do Processo Administrativo nº 10855.723072/2017-88, foi invocada a RGI 3b. 212. Assim, e diante da abrupta e inovadora mudança de entendimento da autoridade administrativa, a aplicação da RGI 4 no caso concreto afronta o artigo 146 do CTN. Por consequência, deve ser cancelada a reclassificação fiscal das águas de perfume e dos desodorantes colônia”. 3) Improcedência da reclassificação fiscal: Os produtos têm registro na ANVISA em função de informações repassadas pela impugnante (características e grupo do produto, apresentação, rotulagem, fórmula, função dos componentes da fórmula, eficácia da finalidade a que se destinam, modo de usar, análise físico-química, análise microbiológica, dados de estabilidade e estudos de segurança) e que, além dos estudos e laudos técnicos, subsidiam o enquadramento de classificação fiscal, porém a autoridade fiscal não refutou as informações constantes dos registros dos produtos, deixando de apresentar as razões para tal e as provas técnicas. Aduz a impugnante: “(...) a ANVISA, no exercício do poder conferido pela Lei nº 9.782/1999, é competente para regulamentar e normatizar todos os aspectos relativos aos Fl. 7368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 30 produtos sujeitos à vigilância sanitária. Nesse passo, editou a Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 211/2005, com as seguintes definições: “ANEXO I DEFINIÇÃO DE PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, COSMÉTICOS E PERFUMES 1. Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e ou corrigir odores corporais e ou protegê-los ou mantê-los em bom estado. ANEXO II CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, COSMÉTICOS E PERFUMES 1. Definição de Produtos Grau 1: são produtos de higiene pessoal cosméticos e perfumes cuja formulação cumpre com a definição adotada no item 1 do Anexo I desta Resolução e que se caracterizam por possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação não seja inicialmente necessária e não requeiram informações detalhadas quanto ao seu modo de usar e suas restrições de uso, devido às características intrínsecas do produto, conforme mencionado na lista indicativa "LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 1" estabelecida no item "I" deste Anexo. 2. Definição de Produtos Grau 2: são produtos de higiene pessoal cosméticos e perfumes cuja formulação cumpre com a definição adotada no item 1 do Anexo I desta Resolução e que possuem indicações específicas, cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso, conforme mencionado na lista indicativa "LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 2" estabelecida no item "II" deste Anexo. (...) I) LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 1 1 Água-de-colônia, Água Perfumada, Perfume e Extrato Aromático. (...) 20 Desodorante axilar (exceto os com ação antitranspirante). 21 Desodorante colônia. 22 Desodorante corporal (exceto desodorante íntimo). 23 Desodorante pédico (exceto os com ação antitranspirante).”” ÁGUAS-DE-COLÔNIA Não há provas nos autos, em contradição com o que dispõem o art. 142 do CTN e o Parecer Normativo COSIT nº 06/2018, de que as águas-de-colônia sejam produtos mais próximos dos perfumes (com base apenas em texto em língua Fl. 7369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 31 estrangeira sem tradução juramentada). Segundo o que a própria autoridade fiscal reconheceu: “(I) na TIPI não há enquadramento específico para as águas de perfume; (II) a legislação tributária de regência não estabelece os percentuais de concentração aromática para fins de classificação fiscal como perfume ou como água-de-colônia; e (III) no mercado mundial de perfumaria há divergência sobre o percentual de concentração aromática para fins de caracterização do produto como perfume ou água-de-colônia”. Sustenta a impugnante que a água-de-colônia: “(I) é um produto de perfumaria; (II) possui concentração aromática mais suave do que o perfume, não atingindo 25,1% de óleo/essência, conforme inclusive indicado no Relatório Fiscal; e (III) técnica e comercialmente, não é perfume, então, deve ser classificada fiscalmente na Posição NCM nº 3303.00.20 (águas-de-colônia), nos termos da RGI 3”. Assim, quanto ao produto em questão, a impugnação deve ser acolhida com o cancelamento da respectiva reclassificação fiscal. Pelo menos, há uma dúvida razoável para que prevaleça a interpretação mais favorável à impugnante, nos termos do art. 112, do CTN. DESODORANTES COLÔNIA Segundo a impugnante, não há prova nos autos de que: “(I) os desodorantes colônia industrializados pela Impugnante teriam por característica essencial perfumar a pele e, portanto, não seriam produtos multifuncionais; e (II) o triclosan, o caprilato de poliglicerila e o caprilil glicol seriam apenas aditivos com função meramente conservante do produto. Portanto, a autoridade administrativa não observou o disposto no artigo 142 do CTN e no Parecer Normativo COSIT nº 06/2018, não provando a acusação fiscal”. E a própria autoridade fiscal teria reconhecido que: “(I) a legislação tributária de regência não estabelece os percentuais de concentração aromática para fins de classificação fiscal do produto como perfume ou como água-de-colônia; e (II) no mercado mundial de perfumaria há divergência sobre o percentual de concentração aromática para fins de caracterização do produto como perfume ou água-de-colônia”. Ademais: “(...) a alegação da autoridade administrativa de que (I) os produtos com concentração aromática inferior a 10% deveriam ser classificados fiscalmente como água-de-colônia e (II) os produtos com concentração aromática superior a 10% deveriam ser classificados fiscalmente como perfume, é desprovida de prova técnica, não tem embasamento legal, não é admitida de forma unânime no mercado internacional de perfumes e afronta a firme jurisprudência da 3ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE Fl. 7370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 32 RECURSOS FISCAIS sobre a matéria (v.g. Acórdãos nºs 9303-01.516 e 9303- 010.682, indicados no Relatório Fiscal)”. Segundo as NESH, a classificação fiscal dos desodorantes corporais se daria na posição 3307, sendo irrelevante uma investigação acerca da preponderância de funções, sendo o caso de um produto multifuncional e os componentes (triclosan, caprilato de poliglicerila e caprilil glicol) possuem ação antibacteriana comprovada e efeito desodorante, conforme relatório técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), órgão cujo parecer tem a pertinência prevista no art. 30 do Decreto nº 70.235/72 e consagrada em julgados do CARF. Há também, como exemplo, o resultado de um “Teste de Halo de Inibição (Avaliação Bacteriostática ou Fungistática de Produtos Desodorantes)” realizado em desodorante colônia, pelo qual é atestada a ação bacteriostática do produto. A classificação fiscal dos desodorantes colônia na Posição NCM nº 3307.20.10 é adequada, tendo em vista a presença da substância antibactericida na sua formulação Porém, em contradição, acrescenta a impugnante: “302. Os desodorantes colônia são produtos multifuncionais e possuem Posição NCM específica (3303.20.10), sendo a Regra 3c das NESH suficiente para determinar a sua correta classificação fiscal”. Por fim, sustenta a impugnante que a impugnação deve ser acolhida para cancelar a reclassificação fiscal dos desodorantes colônia. DESODORANTES HIDRATANTES A autoridade fiscal não teria comprovado tecnicamente que: “(I) os desodorantes hidratantes industrializados pela Impugnante teriam por característica essencial a conservação ou cuidados da pele e, portanto, não seriam produtos multifuncionais; e (II) o triclosan, o caprilato de poliglicerila e o caprilil glicol seriam apenas aditivos com função meramente conservante do produto. Portanto, a autoridade administrativa não observou o disposto no artigo 142 do CTN e no PN COSIT nº 06/2018, não provando a acusação fiscal”. Segue a impugnação: “313. Nesse aspecto, é incompreensível a alegação da autoridade administrativa de que “(...) parece estranho a Botica comercializar produtos com as mesmas funções juntos em combos. Não haveria razão para o consumidor comprar um combo com dois desodorantes de mesma fragrância, tal como no exemplo abaixo.” (fl. 59). E o exemplo mencionado pela autoridade administrativa é um kit contendo um antitranspirante (cuja classificação fiscal não é questionada) e um desodorante corporal (cuja classificação fiscal é questionada). 314. Sendo isso, e nos termos da literatura mencionada no próprio Relatório Fiscal (fl. 48) e da Posição NCM nº 3307.20, de fato, os referidos produtos são diferentes e, justamente por serem diferentes, formam o kit indicado na Fl. 7371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 33 fl. 59 do Relatório Fiscal e, nos termos da Posição NCM nº 3307.20, nada impede que os referidos produtos tenham a mesma classificação fiscal (um como desodorante corporal e o outro como antiperspirante). Sinceramente, a Impugnante não entende o que motivou a autoridade administrativa a fazer tal ilação. 315. De toda forma, o que efetivamente importa é que a própria autoridade administrativa reconhece que os desodorantes hidratantes possuem “uma função desodorante” (fl. 54), tendo em vista a presença dos princípios ativos triclosan, caprilato de poliglicerila ou caprilil glicol na formulação dos produtos. 316. Sendo assim, são produtos misturados e não possuem característica essencial, pois, além de hidratar a pele, também possuem agentes bactericidas utilizados para a anulação dos odores naturais do corpo. Por isso, são tecnicamente considerados produtos multifuncionais”. Há relatório técnico do INT que atestaria a tese da impugnante (ação bactericida), assim como o já mencionado “Teste de Halo de Inibição”, a título exemplificativo. Portanto, pela Regra 3c (a Regra 3b não se aplica), o produto se enquadra como desodorante hidratante, nos códigos NCM 3307.20.10 e 3307.20.90, deve ser reconhecida a insubsistência da reclassificação fiscal. ESFOLIANTES A impugnante também afirma, quanto aos esfoliantes, que inexistem provas técnicas na peça fiscal de que: “(I) os esfoliantes industrializados pela Impugnante teriam por característica essencial a conservação ou cuidados da pele e, portanto, não seriam produtos multifuncionais; e (II) o triclosan, o caprilato de poliglicerila e o caprilil glicol seriam apenas aditivos com função meramente conservante do produto. Portanto, a autoridade administrativa não observou o disposto no artigo 142 do CTN e no PN COSIT nº 06/2018, não provando a acusação fiscal”. Da mesma forma, os esfoliantes possuem ingrediente bactericida e são multifuncionais, mas com a presença de agentes tensoativos para a lavagem da pele, com enquadramento no código NCM 3401.30.00, não nos códigos pretendidos pela fiscalização. Necessário, portanto, o cancelamento da reclassificação fiscal dos produtos em tela. 4) Devoluções de vendas: No auto de infração, não foram levados em conta os créditos relativos às devoluções de produtos, nos termos dos arts. 229 e seguintes do RIPI/2010 e do Parecer Normativo nº 22, de 06/09/2013, conforme discriminação em planilhas anexas (doc. 14). Portanto, o valor do crédito tributário deve ser recalculado, com o expurgo dos débitos referentes às devoluções de produtos. Fl. 7372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 34 5) Improcedência da exigência da multa de ofício: É incabível a multa de ofício de 75%, com supedâneo no caput do art. 80 da Lei nº 4.502/64. Esse dispositivo legal apena a falta de lançamento ou a falta de recolhimento do imposto, sendo que a impugnante sustenta o seguinte: “349. Ocorre, porém, que, especificamente no caso concreto, a Impugnante não foi acusada de ter deixado de destacar em nota fiscal o IPI incidente nas operações tributáveis. Da mesma forma, a Impugnante também não foi acusada de ter deixado de recolher o IPI destacado em nota fiscal. 350. Nesse sentido, as hipóteses de cabimento da multa de 75%, prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64, quais sejam, “A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal” e “a falta de recolhimento do imposto lançado” não se verificam no caso concreto, logo, a exigência da referida penalidade deve ser cancelada. 351. Não bastasse, a multa de 75%, prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64, não está atrelada à exigência de IPI (obrigação tributária principal), tendo em vista a cobertura por créditos da não cumulatividade. Nesse aspecto, a referida penalidade está desacompanhada de tributo devido. 352. Ora, se mesmo com a (improcedente) acusação de classificação fiscal incorreta de produtos industrializados não há imposto exigido, tendo em vista os saldos credores de IPI, com mais razão, não se verifica a menor possibilidade de a Impugnante ser apenada”. (g.m.) A penalidade imposta, sem vinculação a imposto devido mas a valor apurado de IPI coberto por créditos, deve ser cancelada. 6) Conclusão: Em face do exposto, requer que seja integralmente cancelado o auto de infração.” A 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 108-036.060, por unanimidade, não acolheu as razões contidas na impugnação, mantendo o crédito tributário constituído, em acórdão assim ementado: “Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 CREMES DE BELEZA Os cremes de beleza, cremes nutritivos e esfoliantes, preparações para conservação ou cuidados da pele, incluída a hidratação, ainda que com propriedade ancilar desodorante, classificam-se nos códigos NCM 3304.99.10 e NCM 3304.99.90, com alíquota de 22%. ÁGUAS-DE-COLÔNIA Fl. 7373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 35 Os produtos denominados pelo sujeito passivo de desodorantes colônia, em que preponderam as características de perfume, classificam-se no código NCM 3303.00.20, com alíquota de 12%. PERFUMES Os produtos com composição aromática superior a 10% são classificados no código NCM 3303.00.10, com alíquota de 42%. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Cobra-se o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais de saída, com a inflição de penalidade pecuniária e a incidência de juros de mora, por conta de erro de classificação fiscal e alíquota. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITOS. Ainda que haja saldos credores na escrita fiscal, incide a multa de ofício sobre o montante parcial ou integral do imposto não lançado nas notas fiscais de saída por erro de classificação fiscal e/ou alíquota: é a multa de ofício proporcional ao imposto não lançado com cobertura de créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2020 NULIDADE. VIOLAÇÃO DOS REQUISITOS PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade por alegada violação dos pressupostos do art. 142 do CTN, se a peça básica de autuação contiver efetivamente os requisitos legais e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. NULIDADE. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. A utilização de regra geral de interpretação no enquadramento em classificação fiscal segundo os fatos específicos apresentados na peça fiscal não corresponde a modificação de critério jurídico (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo, entre outras circunstâncias) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. IMPUGNAÇÃO. FATO MODIFICATIVO DA PRETENSÃO FAZENDÁRIA. ÔNUS DA PROVA. É ônus da impugnante apresentar as provas cabais de fato modificativo da pretensão fazendária consubstanciada na peça impositiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, em que reforça os argumentos contidos na impugnação e requer o provimento Fl. 7374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 36 de seu recurso, com a reforma da decisão a quo e o consequente cancelamento do auto de infração, em peça recursal com a seguinte estrutura: I – DA TEMPESTIVIDADE II – CONSIDERAÇÕES INICIAIS III – DOS FATOS IV – DO DIREITO IV.1 – DA INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO POR OFENSA AO ARTIGO 142 DO CÓDIGO TRIBUÁRIO NACIONAL IV.1.1 – Da ausência de prova técnica para promover a reclassificação fiscal dos produtos industrializados pela Recorrente IV.1.2 – A reclassificação fiscal das águas-de-colônia e dos desodorantes colônia carecem de motivação adequada e específica IV.1.3 – Do vício (material e insanável) de motivação: impossibilidade de exigência do IPI sobre produtos que não foram objeto de fiscalização IV.1.4 – Da desconsideração dos créditos decorrentes de devoluções de mercadorias IV.2 – DA ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO IV.2.1 – Da alteração do critério jurídico no ato de lançamento fiscal IV.2.2 – Da alteração do critério jurídico do lançamento pela r. decisão recorrida IV.3 – DA IMPROCEDÊNCIA DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL IV.3.1 – Os produtos industrializados pela Recorrente IV.3.2 – As Regras de Classificação Fiscal de Mercadorias IV.3.3 – Improcedência da reclassificação fiscal das águas-de-colônia IV.3.4 – Improcedência da reclassificação fiscal dos desodorantes colônia IV.3.5 – Improcedência da reclassificação fiscal dos desodorantes hidratantes IV.3.6 – Improcedência da reclassificação fiscal dos esfoliantes IV.4 – QUESTÕES SUCESSIVAS IV.4.1 – Créditos da Não Cumulatividade – Devoluções de Vendas IV.4.2 – Improcedência do agravamento da multa de ofício V – DO PEDIDO É o relatório. Fl. 7375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 37 VOTO Conselheiro Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. PRELIMINARES 1. DA ALEGAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO POR OFENSA AO ARTIGO 142 DO CTN 1.1 DA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PROVA TÉCNICA PARA PROMOVER A RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA RECORRENTE A recorrente alega que autoridade administrativa não aprofundou a investigação dos fatos, não provou tecnicamente as acusações fiscais e não motivou de forma adequada e suficiente o lançamento tributário, o que afronta ao art. 142 do CTN. Sustenta que a reclassificação fiscal está escorada em presunções, como: (I) “a água de perfume está mais próxima do perfume do que da água-de-colônia” (fl. 46); (II) “todos os desodorantes colônias são, em verdade, produtos de perfumaria” (fl. 74); e (III) os desodorantes hidratantes e esfoliantes teriam a função principal (ou essencial) de “conservação ou cuidados da pele” (fl. 62), bem como a autuação fiscal não se municiou de peça técnica pericial. Entende que não se fez prova técnica de que (i) os produtos teriam uma função principal ou essencial, em desobediência ao Parecer Normativo COSIT nº 06, de 2018, e (2) o ingrediente bactericida seria apenas um aditivo com eficácia meramente conservante. Não assiste razão à recorrente. Como ela mesma reconhece, “a classificação fiscal é atividade jurídica consistente no enquadramento de produto na Posição NCM, a partir da aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (“RGI/SH”), cuja competência é atribuída aos agentes fiscais vinculados à Receita Federal do Brasil”. Se a autoridade fiscal não encontra qualquer dúvida da finalidade e das características essenciais dos produtos da recorrente, capaz de ensejar a necessidade de elaboração de laudo técnico, para dirimir eventual dúvida em relação à sua classificação fiscal (matéria jurídica), o lançamento terá como base os demais elementos constantes no autos, aptos a utilização das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado, como ocorreu no caso, de modo a proporcionar convicção sobre a classificação correta. Nesse sentido: “CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERÍCIA. ATIVIDADES DISTINTAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, Fl. 7376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 38 quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.” (Processo nº 10480.721363/2016-56, Acórdão nº 3301-009.025, sessão de 21.10.2020, Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes) Com efeito, a competência para efetuar a classificação fiscal é do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, não se tratando de aspecto a ser dirimido mediante laudo técnico pericial. A recorrente busca a nulidade por não concordar com a classificação fiscal determinada pela autoridade tributária. Tal questão resolve-se na análise de mérito, do que resta rejeitar tal tema em preliminar. Em relação ao uso de informações divulgadas na internet e no sítio eletrônico da empresa comercial, dados comerciais e “modo de usar” não poderem constituir elementos de prova técnica para fins de reclassificação fiscal dos produtos, não encontra socorro tal pretensão. “DOCUMENTOS. TRADUÇÃO PARA VERNÁCULO E REGISTRO EM CARTÓRIO. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não são obrigatoriamente sujeitos a tradução juramentada e registro em cartório os documentos de uso cotidiano pelo próprio contribuinte na instrução do despacho aduaneiro, declarações prestadas por sócio-administrador em língua estrangeira ou mesmo publicações disponíveis em sítios virtuais da rede mundial de computadores, utilizados como elementos do processo, quando relacionados à atividade da empresa, não representando cerceamento de defesa quando não demonstrado concretamente de que forma o desconhecimento da língua estrangeira tenha prejudicado o contraditório.” (Processo nº 12457.727521/2015-13, Acórdão nº 3401-004.419, sessão de 20 de março de 2018, Conselheiro Robson José Bayerl) Os textos em língua inglesa juntados aos autos, extraídos da rede mundial de computadores são ricamente ilustrados e auto-explicativos, não necessitando de profundos conhecimentos daquela língua para entender o seu significado, demais disso, sua colação teve como mote principal a demonstração de que a recorrente buscou classificar seus produtos em uma posição com alíquota de imposto mais favorável, em desrespeito a como efetivamente são identificados. Afasto a nulidade proposta. Fl. 7377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 39 1.2 DA ALEGAÇÃO DE CARÊNCIA DE MOTIVAÇÃO ADEQUADA E ESPECÍFICA PARA A RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS ÁGUAS-DE-COLÔNIA E DOS DESODORANTES COLÔNIA A recorrente defende que não descumpriu a legislação tributária atinente à classificação de fiscal de mercadorias e roga pela nulidade, por afronta ao art. 142 do CTN e por ausência de motivação adequada e específica. Sustenta que pela possibilidade de se aplicarem os produtos “desodorantes colônia”, “desodorantes hidratantes” e “esfoliantes” em outras regiões do corpo, que não somente nas axilas e nos pés, não afasta a sua classificação fiscal adotada. Tais aspectos referem-se aos critérios estabelecidos pelas regras de interpretação, logo, trata-se de questão de mérito. Segue entoando que, de forma arbitrária, a autoridade tributária estabeleceu-que “águas-de-colônia” possuem concentração aromática inferior a 15% e que, acima disso, seriam perfumes. E em relação aos “desodorantes colônia”, a concentração aromática seria inferior a 10%. Alega que a ANVISA, que é o órgão competente para conceder o registro dos produtos, não reconhecia o percentual de composição aromática como critério para diferenciação dos produtos. Inicialmente, quanto à alegada carência de motivação, é entendimento consolidado neste Conselho de que não há nulidade do lançamento quando não presente vício que possa resultar em prejuízo à eficácia do ato ou ao exercício do contraditório e ampla defesa. Os elementos do Relatório Fiscal são suficientemente motivados para o exercício do direito da recorrente, logo não há vício que permita o acolhimento da nulidade. O procedimento administrativo foi cumprido sem incorreções, em vista que a autoridade fiscal reuniu as provas necessárias para seu convencimento e para materializar a infração descrita na peça acusatória fiscal, quais sejam pesquisas, documentos fiscais, informações e documentos fornecidos pela própria recorrente, inclusive a partir de respostas às intimações feitas pela autoridade fiscal, trazendo detalhes da composição de cada produto e explicações de sua principal característica. Em segundo lugar, quanto às classificações fiscais dos produtos, inclusive sobre as questões de concentração aromática, a nulidade dar-se-ia, somente, na situação de indicação de código fiscal inexistente ou incompleto ou ausência da classificação que a autoridade fiscal indicasse como correta. A discordância da interpretação das normas para determinação da classificação é matéria de mérito, o que de nenhuma maneira ensejaria a declaração de nulidade do lançamento. Por fim, a competência para efetuar a classificação fiscal é do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do Parecer Normativo nº 6, de 2018: “Assunto: Normas de Administração Tributária CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO E ADUANEIRO. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Fl. 7378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 40 A legislação brasileira determina o cumprimento das normas internacionais sobre classificação fiscal de mercadorias. Nos países que internalizaram em seu ordenamento jurídico a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, a interpretação das normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias é de competência de autoridades tributárias e aduaneiras. No Brasil, tal atribuição é exercida pelos Auditores- Fiscais da RFB. As características técnicas (assim entendidos aspectos como, por exemplo, matérias constitutivas, princípio de funcionamento e processo de obtenção da mercadoria) descritas em laudos ou pareceres elaborados na forma prescrita nos artigos 16, inciso IV, 18, 29 e 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, devem ser observadas, salvo se comprovada sua improcedência, devendo ser desconsideradas as definições que fujam da competência dos profissionais técnicos. Para fins tributários e aduaneiros, os entendimentos resultantes da aplicação da legislação do Sistema Harmonizado devem prevalecer sobre definições que tenham sido adotadas por órgãos públicos de outras áreas de competência, como, por exemplo, a proteção da saúde pública ou a administração da concessão de incentivos fiscais. Dispositivos Legais: Constituição Federal, art. 37, XVIII, e art. 237; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 96, art. 98, art. 108, art. 142, art. 194 e art. 196; Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, art. 154 e art. 155; Decreto-Lei nº 1.154, de 1º de março de 1971; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16 a 18 e art. 30; Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988; Decreto Legislativo nº 197, de 25 de setembro de 1991; Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, art. 8º; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts.” (destaquei) Especificamente em relação ao papel da ANVISA, o Parecer assim analisa: “56. Primeiramente, cabe lembrar que incumbe à Anvisa, “respeitada a legislação em vigor, regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública” (art. 8º da Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999). 57. Assim, a RFB e a Anvisa são órgãos que administram matérias completamente diferentes, sendo natural que existam alguns casos em que a OMA/RFB e a ANVISA adotem entendimentos distintos sobre uma mesma mercadoria. Para defesa da saúde pública, deve prevalecer o entendimento da Anvisa. Para a definição de classificação fiscal, deve prevalecer o entendimento da OMA e da RFB. (...) 59. O tratamento tributário do produto (decorrência direta da classificação fiscal) não poderia ser determinado pela Anvisa porque, como já visto, tal matéria está fora do alcance de seu objetivo institucional. Mas não foi o que aconteceu no caso Fl. 7379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 41 concreto de que se trata. Ao contrário, a Anvisa entendeu que referido produto tratava-se de um cosmético, entendimento que tinha impactos tributários. 60. A questão foi levada ao Poder Judiciário. No REsp nº 1.555.004 – SC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que um sabão antiacne que apresentava as características anteriormente mencionadas deveria ser classificado como cosmético, em função do entendimento da Anvisa. 61. Entretanto, deve-se ressaltar que em nenhum momento o REsp nº 1.555.004 – SC declarou que o entendimento da Anvisa deve ter primazia em relação a regras internacionais (e especificamente, sobre as regras de classificação fiscal de mercadorias). Analisando-se o voto do Ministro relator do citado recurso, constata-se que a decisão do STJ se baseou na avaliação de que existia controvérsia sobre aspectos técnicos do produto. Isto fica demonstrado, por exemplo, no trecho a seguir: (...) se, por acaso, algum fiscal ou agente aduaneiro detiver conhecimento químico ou farmacêutico capaz de realizar essa análise, ainda assim, não poderia fazê-lo, por lhe faltar a competência funcional; a mesma coisa ocorre nos julgamentos judiciais, quando a matéria controversa depende de conhecimento especializado, hipótese em que se requer a participação esclarecedora de um perito, ainda que o Magistrado domine a solução dos problemas do fato. 62. O ponto declarado no citado voto foi que, quando a matéria controversa depende de conhecimento técnico especializado, a autoridade tributária e aduaneira deve seguir o entendimento de órgão público. Tal raciocínio confirma a lógica empregada no art. 30 do Decreto 70.235, de 1972. 63. Entretanto, aplicam-se ao caso sob análise as considerações feitas ao longo do presente Parecer Normativo. Quando a composição e demais características técnicas do produto estão bem identificadas, a controvérsia consiste em uma questão de direito: seguir ou não uma regra internacional expressa nas NESH e, sobre isso, repita-se, o voto do Ministro relator em nenhum momento se pronunciou. 64. Também deve ser ressaltado que, ao comparar a autoridade tributária e aduaneira com os Magistrados, afirmando que ambos devem seguir os esclarecimentos de profissionais ou órgãos técnicos especializados, o STJ reconheceu a competência da Receita Federal em decidir na esfera administrativa sobre classificação fiscal de mercadorias, assim como é o Magistrado que tem o poder de decidir na esfera judicial, mesmo quando precisa utilizar os conhecimentos de um perito.” (destaquei) O Parecer encontra respaldo no Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, que estabelece que a fiscalização do imposto compete à RFB: Fl. 7380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 42 Art. 505. A fiscalização do imposto compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 91, e Lei nº 11.457, de 2007, art. 2º). Parágrafo único. A execução das atividades de fiscalização compete às unidades centrais, da referida Secretaria, e, nos limites de suas jurisdições, às suas unidades regionais e às demais unidades, de conformidade com as instruções expedidas pela mesma Secretaria. Art. 506. A fiscalização será exercida sobre todas as pessoas, naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, que estiverem obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142 e 194, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 94). Art. 507. As atividades de fiscalização do imposto serão presididas e executas pela autoridade administrativa competente (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 93). Parágrafo único. A autoridade administrativa a que se refere o caput é o Auditor- Fiscal da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 93, Lei nº 10.593, de 2002, art. 6º, e Lei nº 11.457, de 2007, art. 9º). Neste sentido, rejeita-se a preliminar. 1.3 DA ALEGAÇÃO DE VÍCIO DE MOTIVAÇÃO QUANTO À EXIGÊNCIA DO IPI SOBRE PRODUTOS QUE NÃO FORAM OBJETO DE FISCALIZAÇÃO A recorrente alega que houve afronta ao art. 142 do CTN pela reclassificação fiscal de produtos sem a sua intimação ou solicitação de informação no curso do procedimento fiscal. No processo administrativo fiscal, a primeira fase, quando realizada a ação fiscal, é não contenciosa e de caráter unilateral. O contencioso se inicia após o lançamento do tributo e ciência do contribuinte. A partir desse momento, estabelece-se a lide e o contribuinte pode exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa mediante apresentação da impugnação, quando procede à juntada de provas, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972. Portanto, não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Ademais, cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para Fl. 7381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 43 proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. O auto de infração foi lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a recorrente pudesse cumpri-la ou impugná-la no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela recorrente, desse modo, deve ser rejeitada. 1.4 DA ALEGAÇÃO DE DESCONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS A recorrente afirma que não foram considerados os créditos decorrentes da devolução de vendas de produtos, o que ensejaria a insubsistência do lançamento. A questão não resulta na decretação de nulidade da autuação, como requer a recorrente, trata-se de questão de mérito, que será analisada em momento próprio. Afasto a preliminar. Fl. 7382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 44 2. DA ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO 2.1 DA ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO NO ATO DE LANÇAMENTO FISCAL A recorrente participou de Reunião de Conformidade Tributária, no âmbito do Projeto “Confia”, que informou que a classificação fiscal de perfumes, águas-de-colônia e desodorantes colônia, deve ser feita à luz da RGI 3b. Deste modo, a utilização excepcional da RGI 4 pela autoridade tributária representa alteração de critério jurídico. Além disso, argumenta que, no âmbito do Processo nº 10855.723072/2017-88, que envolve a reclassificação de produtos da recorrente, fora invocada a RGI 3b e, como houve afastamento da autuação, infere que a autoridade fiscal utilizou a RGI 4 como novo e inadequado critério jurídico. A reunião de conformidade alegada pela recorrente fora infrutífera, nesse sentido, o resultado não vincula a autoridade que lavrou a autuação. Caso a recorrente aderisse à conformidade e houvesse a lavratura de auto de infração com entendimento diferente sobre o mesmo tema haveria alteração do critério jurídico. Ademais, como bem observou o acórdão recorrido: “A impugnante nem acatou a orientação correta: utilizou a RGI nº 3c. Na verdade, quando se trata de enquadrar o produto como água-de-colônia ou perfume o importante a observar é a concentração da essência ou fragrância (composição aromática de 10% a 30%, para os perfumes; até 10% para as águas-de-colônia), a RGI nº 3 não é aplicável. Assim, para a hipótese, a RGI nº 4 é aplicável (produto mais semelhante quando há a variação percentual de um só ingrediente: a fragrância). Não é o caso da adoção retroativa de ato normativo com a introdução de tratamento tributário mais gravoso para o sujeito passivo. O art. 146 do CTN não se enquadra à espécie, pois não é o caso de alterações introduzidas de ofício, por algum marco infralegal, ou por força de decisões administrativas ou judiciais nos critérios jurídicos adotados pela fiscalização. Não há a vulneração da confiança e segurança concernentes ao entendimento da RFB invocada na peça impugnatória. Não ocorreu, ademais, a adoção de uma alternativa de interpretação mais onerosa para o sujeito passivo dentre as alternativas expressamente previstas na legislação tributária. O sujeito passivo não ingressou perante a Administração Tributária com processo de solução de consulta sobre classificação de mercadorias que desse azo a um pronunciamento oficial da Receita Federal do Brasil acerca do enquadramento fiscal dos produtos em tela, com mudança de entendimento subseqüente pela autoridade fiscal. Não houve, tampouco, a revisão de lançamento de ofício Fl. 7383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 45 anterior (mesmo sujeito passivo, mesmo período) em virtude de modificação de critérios de fiscalização.” No que diz respeito à regra de interpretação que embasou o lançamento, a autoridade fiscal motivou seu entendimento, como se verifica do extenso e detalhado Relatório Fiscal. Nesse sentido, não há vício para acolhimento da nulidade, o que há, novamente, é a discordância da recorrente, o que se resolve no mérito. 2.2 DA ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO PELA DECISÃO RECORRIDA A recorrente alega que a decisão recorrida manteve o auto de infração por motivação diversa da utilizada na autuação. Argumenta que a DRJ acabou por inovar ao afirmar que “os produtos possuiriam função essencial de perfumar/hidratar a pele ou, ainda, que a função desodorizante seria meramente acessória”, definições que se fundam na RGI 3b, diferentemente da RGI 4 utilizada na autuação fiscal. Não assiste razão à recorrente. Não houve inovação ou alteração do critério jurídico. A DRJ acompanhou, efetivamente, o entendimento da fiscalização, conforme trecho que volto a reproduzir: “(...) Na verdade, quando se trata de enquadrar o produto como água-de-colônia ou perfume o importante a observar é a concentração da essência ou fragrância (composição aromática de 10% a 30%, para os perfumes; até 10% para as águas- de-colônia), a RGI nº 3 não é aplicável. Assim, para a hipótese, a RGI nº 4 é aplicável (produto mais semelhante quando há a variação percentual de um só ingrediente: a fragrância). Para caracterizar alteração de critério jurídico, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado, no sentido de que um fato não se enquadraria à hipótese de caracterização de infração e, posteriormente, sem motivação alguma, adviesse entendimento a se considerar que houve fato gerador de tributos. Diante da ausência de evidência de que houve modificação no entendimento, descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146 do CTN. Outrossim, a decisão de primeira instância que apresenta argumentos contrários às alegações de defesa suscitadas na peça impugnatória, sendo mantidas as razões da fiscalização, não implica em inovação. A autoridade julgadora pode expressar sua percepção dos fatos reunidos nos autos em resposta à defesa. Rejeita-se tal preliminar. Fl. 7384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 46 2.3 DA DÚVIDA RAZOÁVEL E A INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL À RECORRENTE A recorrente pondera que, “em relação às águas-de-colônia, no limite, há de ser reconhecida a existência de dúvida razoável, a aplicar o disposto no art. 112 do CTN, prevalecendo a interpretação mais favorável ao contribuinte”. Argumenta que “não há consenso no mercado mundial sobre o percentual de concentração aromática para fins de diferenciação dos produtos da linha de perfumaria”, com isso, “não há certeza e nem segurança em relação ao critério utilizado pela autoridade administrativa para fins de reclassificação fiscal das águas-de-colônia”, o que seria incompatível com o disposto no art. 142 do CTN. Os artigos citados assim determinam: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Em primeiro lugar, não se encontra presente, seja no Relatório Fiscal, seja na decisão recorrida, qualquer dúvida sobre a capitulação legal do fato, nem tampouco existe imprecisão quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. A mera divergência de direito acerca da interpretação das normas afeitas à classificação fiscal não enseja a aplicação do art. 112 do CTN. Quanto à ausência de certeza e segurança quanto aos critérios adotados na autuação, a recorrente parece requerer uma eventual nulidade por cerceamento do direito de defesa. Contudo, ela demonstrou, durante todo procedimento e nas fases impugnatórias, conhecimento do fato gerador, da matéria tributável e do montante de tributo constituído, apresentando extenso arrazoado. Outrossim, caso a busca fosse, de fato, por certeza e segurança, a recorrente deveria recorrer ao processo administrativo de consulta, nos termos dos arts. 48 a 50, da Lei nº Fl. 7385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 47 9.430, de 1996, que vincularia o órgão fiscalizatório e se, após a consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial (§ 12). Afasto a preliminar de nulidade. MÉRITO 1. DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL Inicialmente, cumpre destacar que, para os fatos abrangidos no processo, relativos aos anos de 2017 a 2020, encontravam-se vigentes o Decreto nº 7.212, de 2010, que aprovou o Regulamento do IPI, e o Decreto nº 8.950, de 2016, que aprovou a TIPI/2016. Ademais, deve-se esclarecer que a classificação fiscal se embasa na legislação que rege a Nomenclatura Comum do Mercosul, e não em legislações outras, como a do controle e vigilância sanitária. As posições de órgãos técnicos, como a ANVISA, podem ser consideradas como subsídios, contudo, a definição quanto a classificação fiscal adequada fica sempre a cargo da correta aplicação das Regras Gerais e Complementares de Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Neste sentido, o Acórdão nº 302-38.651, em sessão de 22.05.2007, de relatoria da Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, determinou: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/04/2000 a 31/10/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM BULA E REGISTRO JUNTO À ANVISA. A bula de um produto e o seu respectivo registro junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não constam, como itens de determinação de classificação fiscal, na TIPI (ou mesmo da NESH). Nesse esteio, os mesmos não podem ser considerados como requisitos definidores da classificação fiscal de mercadorias, pois, se assim fosse, bastaria ao contribuinte definir neste ou em outros documentos (nota fiscal, etc.) a classificação fiscal (mediante definição de natureza jurídico-sanitária, etc.) que entenda interessante aos seus interesses para, assim, impor ao Fisco Federal a obrigação de aceitá-la.” (destaquei) Destaco as definições utilizadas pela autoridade tributária, expostas no Relatório Fiscal: “A Lei nº 6.360, de 1976, que dispõe sobre a Vigilância Sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, Fl. 7386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 48 cosméticos, saneantes e outros produtos, traz as seguintes definições nos incisos III a V de seu art. 3º, com grifos nossos: Art. 3º - Para os efeitos desta Lei, além das definições estabelecidas nos incisos I, II, III, IV, V e VII do Art. 4º da Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, são adotadas as seguintes: (...) III - Produtos de Higiene: produtos para uso externo, antissépticos ou não, destinados ao asseio ou à desinfecção corporal, compreendendo os sabonetes, xampus, dentifrícios, enxaguatórios bucais, antiperspirantes, desodorantes, produtos para barbear e após o barbear, estípticos e outros; IV - Perfumes: produtos de composição aromática obtida à base de substâncias naturais ou sintéticas, que, em concentrações e veículos apropriados, tenham como principal finalidade a odorização de pessoas ou ambientes, incluídos os extratos, as águas perfumadas, os perfumes cremosos, preparados para banho e os odorizantes de ambientes, apresentados em forma líquida, geleificada, pastosa ou sólida; V - Cosméticos: produtos para uso externo, destinados à proteção ou ao embelezamento das diferentes partes do corpo, tais como pós faciais, talcos, cremes de beleza, creme para as mãos e similares, máscaras faciais, loções de beleza, soluções leitosas, cremosas e adstringentes, loções para as mãos, bases de maquilagem e óleos cosméticos, ruges, "blushes", batons, lápis labiais, preparados anti-solares, bronzeadores e simulatórios, rímeis, sombras, delineadores, tinturas capilares, agentes clareadores de cabelos, preparados para ondular e para alisar cabelos, fixadores de cabelos, laquês, brilhantinas e similares, loções capilares, depilatórios e epilatórios, preparados para unhas e outros; (...) Quanto à organização dos componentes químicos utilizados numa preparação cosmética para o fim buscado pelo produto, colacionam-se os ensinamentos de MATOS1 para suporte à correta classificação fiscal ora realizada. De uma forma geral, MATOS classifica os componentes em quatro grupos, ou quatro tipos básicos de matérias primas: 4.1.1 Princípio ativo Em qualquer formulação, seja ela cosmética ou medicamentosa, o princípio ativo é a substância que tem efeito mais acentuado ou a substância que confere ao produto a ação final a que se destina. Uma formulação cosmética pode conter mais de um princípio ativo, cada um com sua finalidade principal. 1 MATOS, Simone Pires de. Cosmética aplicada. São Paulo: Érica, 2014. p. 45-48. Fl. 7387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 49 (...) 4.1.2 Aditivos São substâncias que complementam a formulação cosmética, contribuindo com o marketing do produto e/ou aumentando seu tempo de vida útil. Como aditivos cosméticos são utilizados: Corantes e pigmentos: de origem natural ou sintética, produzem sensações visuais ao usuário. (...) Fragrâncias: compostas de diversos compostos aromáticos naturais ou sintéticos capazes de impressionar as vias olfativas. Conservantes: protegem o cosmético de contaminações microbianas e de oxidações indesejáveis, assegurando seu prazo de validade e oferecendo segurança ao usuário. Podem ser classificados em bactericidas, fungicidas ou oxidantes. Muitas empresas fabricantes ou revendedoras de matérias-primas consideram os produtos de correção e os veículos como aditivos, pois entendem que eles são apenas complementares para a ação do ativo utilizado, não utilizando essa subdivisão para produtos de correção nem para veículos. No entanto, como têm funções específicas para ajustar a formulação, torna-se mais adequado o uso da classificação produtos de correção ou ajustamento, assim como, para os veículos, também é mais adequada uma classificação independente. 4.1.3 Produtos de correção São matérias-primas que corrigem ou ajustam alguma característica da formulação cosmética de acordo com os padrões esperados. Considerando suas finalidades, os produtos de correção (ou produtos de ajustamento) são classificados em: Corretor de pH: corrige o pH da formulação, deixando-o adequado ao uso do produto e seu local de aplicação. Emoliente: evita ou atenua o ressecamento da pele e dos cabelos. O emoliente é responsável pelo toque final do produto cosmético. Emulsionante: promove a mistura entre as fases aquosa e oleosa. ( ) Espessante ou estabilizante: impede a mobilidade da fase aquosa, alterando sua viscosidade e auxiliando o emulsionante, impedindo o rompimento da emulsão. Sequestrante ou quelante: retira os íons indesejáveis da formulação. ( ) Fl. 7388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 50 Solubilizante: promove a solubilização de uma substância em meio a um dispersante. Muito utilizado para dissolver corantes e conservantes. Umectante: capaz de reter a água na formulação cosmética, ao mesmo tempo em que mantém a superfície da pele umedecida. Apresenta propriedade higroscópica (absorve a água do meio ambiente). 4.1.4 Veículo O veículo, também chamado de excipiente, constitui a base na qual o produto é formulado, como água, álcool, óleo, propilenoglicol, gel, sérum, suspensão, emulsão ou pó. Pode-se dizer que é o meio utilizado para carrear os demais componentes de um cosmético para a pele. O dossiê eletrônico da Anvisa é um documento obtido a partir do processo de cadastramento do produto naquele órgão, que fornece diversas informações úteis para a classificação fiscal, tais como forma física, componentes da fórmula do produto, finalidade e modo de usar. Para se chegar à função essencial de cada produto foram analisadas as informações de cada dossiê eletrônico da Anvisa, levando em conta as definições de tipo (produto de higiene, perfume ou cosmético), apresentação (forma física), conjunto dos componentes químicos (princípio ativo, aditivos e produtos de correção), finalidade e modo de usar, considerando também, de forma suplementar, as informações divulgadas pelo sujeito passivo em suas embalagens e na Internet2.” (destaques no original) A partir disso, passa-se a analisar cada um dos produtos reclassificados. 1.1 DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS ÁGUAS DE PERFUME DE ÁGUAS-DE-COLÔNIA NCM 3303.00.20 PARA PERFUME NCM 3303.00.10 A recorrente classificou as águas de perfume (eau de parfum) no NCM 3303.00.20, reservado à água-de-colônia, enquanto a fiscalização entendeu que a classificação correta seria no NCM 3301.00.10, reservado ao perfume. Assim encontram-se os códigos na TIPI, na qual se verifica que não há enquadramento específico para as águas de perfume. 2 https://www.boticario.com.br/ Fl. 7389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 51 Em consulta às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, quanto à posição 33.03, tem-se que: “33.03 - Perfumes e águas-de-colônia. A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (batons)), e as águas- de-colônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também denominados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águas-de-colônia - por exemplo, água-de-colônia propriamente dita, água de lavanda - (que não devem confundir-se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01) diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua menor concentração de óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool utilizado.” (destaques no original) No Relatório Fiscal, a fiscalização traz referências bibliográficas sobre as concentrações aromáticas (óleo de perfume) praticadas no mercado de perfumaria para perfume (parfum), água de perfume (eau de parfum), água de banho (eau de toilette) e água-de-colônia (eau de cologne), sendo o padrão universalmente aceito nos seguintes percentuais: Perfumes (extratos): 15-30% Águas de perfume 15-18% Águas de banho 4-8% Águas-de-colônia 3-5% A recorrente, em resposta à intimação, informou que as águas de perfume possuem concentração entre 17 e 25% de essência em sua composição expressa em Massa/Massa. A autoridade fiscal constatou que, nos registros juntos à Anvisa, os percentuais variam entre 15% a 23,6%, e assim motivou sua decisão a respeito da nova classificação: “A Regra 1 determina que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. No caso das águas de perfume, isso não é suficiente para resolver o problema, pois água de perfume é um produto diferente de água-de-colônia e de perfume. A Regra 2 não é aplicável ao caso, pois não se trata de artigo incompleto ou inacabado, nem de artigo desmontado ou por montar. A Regra 3 trata da mercadoria que pode ser classificada em duas ou mais posições. Uma interpretação deturpada poderia concluir que a água de perfume poderia ser classificada tanto como água-de-colônia como perfume, atraindo a Fl. 7390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 52 aplicação da Regra 3. Porém, água de perfume não é água-de-colônia, nem é perfume (extrato). E isso é claro nas classificações de perfumaria. Ressalta-se também que a Regra 3c não é aplicável, uma vez que só poderiam ser avaliadas as Regras 3a e 3b se a mercadoria pudesse ser classificada em duas ou mais posições, o que não é o caso, pois não há posição específica para água de perfume. Assim sendo, recorre-se à Regra 4, que determina que as mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras anteriores classificam-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. Nas NESH, o texto da nota explicativa da Regra traz (grifos nossos): I) Esta Regra refere-se às mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras 1 a 3. Esta Regra estabelece que essas mercadorias se classificam na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. II) A classificação de conformidade com a Regra 4 exige a comparação das mercadorias apresentadas com mercadorias semelhantes, de maneira a determinar quais as mercadorias mais semelhantes às mercadorias apresentadas. Estas últimas devem classificar-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. III) A analogia pode, naturalmente, basear-se em vários elementos, tais como a denominação, as características, a utilização. Realizando a exigência de comparação por semelhança, volta-se à classificação dos produtos de perfumaria. Nota-se uma grande diferença entre água-de-colônia e água de perfume. Em qualquer classificação, pode-se inferir que a água de perfume está mais próxima do perfume do que da água-de-colônia.” (grifos no original) Inegável que as águas de perfume possuem faixa de concentração contida nos perfumes, portanto, evidente a semelhança. Isso é reforçado pela informação, prestada pela recorrente, de que as suas águas-de-colônia possuem concentração aromática entre 3 a 10%. A Receita Federal, através da Coordenação-Geral de Tributação, reiteradamente decidiu, conforme exposto nas Soluções de Consulta nº 98.465, 98.473, 98.474, todas de 2017, que as águas de perfume se classificam no código NCM 3303.00.10: Solução de Consulta nº 98.465 - Cosit “10. No âmbito da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Fazenda, decisões anteriores enquadraram no código tarifário 3303.00.10 (perfumes ou extratos) produtos com composição aromática (óleo de perfume) em concentração superior a 10%. Diante disso, o produto com 8 %, em peso, de óleo de perfume (composição aromática), classifica-se no código NCM 3303.00.20 (Águas-de-colônia), enquanto os demais produtos que apresentam respectivamente 15 %, 20% e 13%, em peso, de óleo de perfume (composição Fl. 7391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 53 aromática), classificam-se no código NCM 3303.00.10 (Perfumes - extratos).” (destaquei) Nesta seara, a 8ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, no julgamento do Processo nº 1085775-48.2021.4.01.3400, confirmou o entendimento da Receita Federal, em decisão assim motivada: “Inicialmente, é importante salientar que a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é um instrumento fiscal de classificação de mercadorias para determinação dos tributos incidentes nas operações de comércio exterior (importação e exportação) e de saída de produtos industrializados. Internalizada no Brasil pelo Decreto nº 97.409/88, a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, conhecida como Sistema Harmonizado (SH), atribui às autoridades tributárias e aduaneiras dos países signatários a competência para interpretar as normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias, mediante aplicação das regras gerais e das notas explicativas do Sistema Harmonizado, das regras complementares do Mercosul e da TIPI e dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial de Aduanas (OMA), alcançando-se, com isso, uma uniformização mundial sobre a correta posição ou subposição de uma mercadoria na NCM. Portanto, para fins tributários e aduaneiros , a classificação fiscal aplicada pela Receita Federal do Brasil tem prevalência sobre todos os conceitos e definições adotados por outros órgãos ou entidades públicas em suas respectivas áreas de atuação, isso porque o Brasil tem a obrigação de cumprir as normas internacionais previstas no Sistema Harmonizado (SH) e, nesse ponto, a autoridade aduaneira é quem tem exclusiva competência para, em procedimento de fiscalização no Siscomex, verificar o correto enquadramento da mercadoria no código da NCM, não sendo possível dar primazia à classificação dada pela Anvisa no registro do produto. Vale destacar que eventuais dúvidas ou divergências sobre a classificação de mercadorias devem ser resolvidas em processo administrativo de consulta, nos termos dos artigos 48 a 50 da Lei nº 9.430/96, os quais conferem legitimidade tanto ao contribuinte como à própria Anvisa para questionar a correta classificação na NCM, como dispõe o art.46, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Os órgãos da administração pública e as entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular consulta. (...) No caso dos autos, as mercadorias importadas estão descritas nas DI’s como “EAU de Parfum” e “EAU de Toilette”, todas com NCM 3303.00.20 (água-de-colônia), mas sem a indicação da concentração (ID 847823546, pp. 63-65), razão pela qual Fl. 7392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 54 a fiscalização solicitou documentação complementar quando do procedimento fiscal. Atendendo a solicitação, a empresa (...) juntou dossiês eletrônicos da Anvisa que informavam a concentração das mercadorias, qual seja, 14,135% para os “EAU de Parfum”, conforme relatado pela fiscalização no ID 957887665, p. 44 (o documento da Anvisa não foi juntado pela autora no ID 847823546 – cópia integral do processo). Tal percentual, aliado ao entendimento manifestado pela Cosit nas referidas soluções de consulta, configura “perfume”, sendo cabível o enquadramento no NCM 3303.00.10. Assim, correta a fiscalização aduaneira ao promover o ajuste no NCM relacionado às mercadorias contidas nas DI’s de produtos de perfumaria.” A recorrente traz a decisão formalizada no Acórdão nº 9303-010.682, no julgamento do Processo nº 12466.003142/2007-15, que entende ser favorável a ela. Reproduzo a ementa da decisão: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 04/11/2003 PERFUME (EXTRATO) OU ÁGUA-DE-COLÔNIA. Os limites da concentração da composição aromática fixados nas alíneas “a” e “b” do inciso II do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, são específicos para o fim de registro dos perfumes (extratos, águas-de-colônia etc.) no sistema de vigilância sanitária. Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a classificação dos perfumes (extratos) e das águas-de-colônia independe dos valores absolutos da concentração da composição aromática. É o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água-de-colônia.” (destaquei) A decisão, que se deu por determinação do então vigente art. 19-E da Lei nº 10.522, de 2002, incluído pela Lei nº 13.988, de 2020, entretanto, dá suporte, no presente, ao entendimento da autoridade tributária, já que a reclassificação fiscal não se deu com fulcro nos “valores absolutos da concentração da composição aromática” e, sim, no “confronto da concentração” de perfume (extrato) e água-de-colônia. Não há como acolher o pedido da recorrente, do que nego provimento neste tema. 1.2 DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS DESODORANTES NCM 3307.20 PARA PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE NCM 3304.99 A recorrente argumenta que as classificações fiscais para os desodorantes corporais são 3307.20.10 (líquidos) e 3307.20.90 (outros), ambas com alíquota de 7% de IPI. Contudo, a fiscalização atribuiu as classificações fiscais 3304.99.10 (cremes de beleza e cremes nutritivos; Fl. 7393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 55 loções tônicas) ou 3304.99.90 (outros), a qual determina a incidência de alíquota de 22% a título de IPI. A recorrente suscita que a classificação adotada pela fiscalização é errônea, pois os produtos apresentam, efetivamente, a função de desodorantes corporais. Defende que as Notas Explicativas determinam a classificação dos desodorantes corporais na posição 33.07, não impondo qualquer ressalva ou restrição. Como exemplos dos produtos classificados, pela recorrente, como preparações para conservação ou cuidados da pele, a fiscalização relacionou no Relatório Fiscal (fls. 52/53): “Nome comercial: Hidratante Multiprotetor Diurno Make B. Skin, 60g Classificação NCM: 3304.99.10 Categoria: Cuidados para Pele > Rosto > Protetor Solar Facial Observações: Como Usar / Conselho de Aplicação: Pela manhã, com o rosto limpo e seco, aplique o produto em movimentos circulares até absorção completa. Você pode aplicar sua base preferida de Make B. após o uso do Hidratante Multiprotetor Diurno.” “Nome comercial: Hidratante Labial Cuide-se Bem Morango e Leite, 6,2g Classificação NCM: 3304.99.90 Categoria: Cuidados para Pele > Lábios > Hidratante Observações: Como Usar / Conselho de Aplicação: retire a tampa do Hidratante Labial e com a boca limpa, aplique em todo o lábio superior e inferior. Repita o processo sempre que necessário.” “Nome comercial: Coffee Woman Sense Gel Hidratante Corporal 200g Classificação NCM: 3304.99.90 Categoria: Corpo e Banho > Hidratante Observações: O Coffee Gel Corporal Hidratante Woman Sense pode ser usado no corpo como hidratante e também como gel massageador, proporcionando uma sensação agradável na pele. Como Usar / Conselho de Aplicação: Aplique em todo o corpo com movimentos circulares sempre que quiser manter a hidratação da pele.” “Nome comercial: Loção Hidratante de Banho e Pós Banho Boti Baby, 150g Classificação NCM: 3304.99.90 Categoria: Cuidados para Pele > Corpo > Hidratante Fl. 7394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 56 Observações: Como Usar / Conselho de Aplicação: Coloque um pouco do hidratante em uma das mãos e espalhe por todo o corpinho do seu bebê durante o banho ou após o banho.” Em seguida, a fiscalização relacionou os produtos classificados, pela recorrente, como desodorante, do que a autoridade fiscal entendeu que se tratava, efetivamente, de preparações para conservação ou cuidados da pele (fls. 53/54): “Nome comercial: Loção Hidratante Desodorante Corporal Nativa SPA Ameixa 400ml Classificação NCM: 3307.20.90 Categoria: Corpo e Banho > Hidratante Observações: Como Usar / Conselho de Aplicação Abra o frasco e sinta a fragrância. Agora aplique um pouco de loção nas mãos e espalhe pelo corpo inteiro, em movimentos circulares, fazendo uma leve massagem. Capriche nas partes mais secas como cotovelos e joelhos. Faça isso todos os dias ou sempre que quiser sentir sua pele hidratada e desodorizada.” “Nome comercial: Creme Acetinado Hidratante Desodorante Corporal Lily, 250g Classificação NCM: 3307.20.90 Categoria: Corpo e Banho > Hidratante Observações: Lily Creme Acetinado Hidratante Desodorante Corporal possui textura com toque acetinado que hidrata a pele intensamente por até 48 horas, proporcionando ainda perfumação prolongada com a mesma sofisticada fragrância Lily Eau de Parfum, envolvendo você durante todo o dia. O Lily Creme Acetinado Hidratante possui uma textura única que protege a sua pele com uma película protetora, que além de promover uma hidratação intensa, também ajuda a evitar o ressecamento causado pelo sol e pelo clima frio e seco. Lily Creme Acetinado Hidratante Corporal possui em sua composição manteiga de karité, que é reconhecida pelas suas propriedades emolientes naturais, que são de rápida absorção e ultra hidratantes.” “Nome comercial: Loção Hidratante Desodorante Corporal Malbec Club, 250ml Classificação NCM: 3307.20.90 Categoria: Corpo e Banho > Hidratante Observações: Malbec Loção Hidratante Desodorante Corporal Club foi especialmente desenvolvida para a pele masculina. Repara o aspecto esbranquiçado e áspero da pele seca. A loção hidratante possui textura leve e de Fl. 7395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 57 rápida absorção, deixando a pele hidratada, aveludada e sedosa, sem aquela sensação oleosa. Como Usar / Conselho de Aplicação Aplicar a quantidade desejada em todo o corpo, principalmente nas áreas mais ressecadas como cotovelos, joelhos e pés.” “Nome comercial: Óleo Desodorante Corporal Hidratante Nativa SPA Amêndoas e Quinoa 250ml Classificação NCM: 3307.20.10 Categoria: Corpo e Banho > Hidratante Observações: Tenha uma hidratação poderosa para a pele e uma textura incrível com o Óleo Desodorante Corporal Hidratante Nativa SPA Amêndoas e Quinoa. Com óleo 100% puro de Quinoa, tenha todos os benefícios desse grão, um dos componentes mais completos e nutritivos da natureza. Com rápida absorção, ele hidrata intensamente enquanto também previne o aparecimento das estrias. O Óleo Desodorante Corporal Hidratante possui ação antioxidante que defende a pele dos efeitos dos radicais livres que causam envelhecimento da pele. Com a perfumação marcante das Amêndoas, é perfeito para ter em casa e usar durante o banho ou após, para intensificar ainda mais seu efeito ação desodorante. Deixe seus momentos de relaxamento ainda mais revigorantes. Ah! Esse produto é vegano! Como Usar / Conselho de Aplicação Massageie a pele com o óleo durante o banho, com a pele ainda úmida. Em seguida enxágue e sinta o conforto das amêndoas e da quinoa.” Por fim, demonstra como são apresentados e descritos os demais produtos classificados como desodorantes, cuja classificação fiscal encontra-se correta, sob o entendimento da fiscalização (fls. 55/56): Nome comercial: Desodorante Antitranspirante Aerosol Malbec 75g 125ml “Classificação NCM: 3307.20.10 Categoria: Corpo e Banho > Cuidados Pós-Banho > Desodorante Observações: O Malbec Desodorante Antitranspirante Aerosol oferece 48 horas de proteção, mantendo a pele hidratada e perfumada. Com secagem rápida e toque seco, o desodorante antitranspirante possui nova fórmula com óleos essenciais e mentol que proporcionam uma sensação refrescante e perfumação intensiva. Fl. 7396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 58 Conselho de Aplicação Agitar bem antes de usar. Depois, girar no sentido anti- horário até travar o atuador e aplicar a uma distância de 15 centímetros das axilas.” “Nome comercial: Desodorante Aerosol Antitranspirante Nativa SPA Ameixa 75g Classificação NCM: 3307.20.10 Categoria: Corpo e Banho > Cuidados Pós-Banho > Desodorante Observações: Todo mundo gosta de estar com a axila sequinha o dia todo, e o Nativa SPA Ameixa Desodorante Aerosol Antitranspirante, além de proteger a pele, ainda deixa com um aroma intenso e vibrante de Ameixa. O antitranspirante oferece 48 horas de proteção, deixando a pele seca por muito mais tempo. Sua fórmula sem álcool e com jato seco possui micropartículas da fragrância de Ameixa que se rompem ao longo do dia para deixar um cheiro que desperta e, ao mesmo tempo, dá vontade de fechar os olhos. Conselho de Aplicação Após o banho ou com a pele limpa, aplique o Desodorante. Agitar bem antes de usar. Depois, girar no sentido anti-horário até travar o atuador e aplicar a uma distância de 15 centímetros das axilas.” “Nome comercial: Antitranspirante em Creme Cuide Se Bem Rosa e Algodão, 80g Classificação NCM: 3307.20.90 Categoria: Corpo e Banho > Cuidados Pós-Banho > Desodorante Observações: O Cuide Se Bem Antitranspirante em Creme Rosa e Algodão 80g oferece proteção por até 48 horas contra o odor e a transpiração. Conta com o aplicador inteligente para facilitar o uso. Formulado com extratos de rosa e algodão, o creme antitranspirante deixa uma sensação calmante na pele após a depilação, além de não possuir álcool etílico. Conselho de Aplicação Aplique o antitranspirante em creme diretamente nas axilas secas. É importante lembrar de usar somente na área indicada.” Nesse sentido, a autoridade fiscal observou que “os produtos citados são misturas de componentes químicos, mas não são misturas de um desodorante com uma loção hidratante ou um perfume. São produtos bem definidos, que podem ter sido aprimorados para conter funções secundárias, sem que haja dúvida sobre o que realmente são”. Fl. 7397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 59 Com efeito, a fiscalização constatou que a recorrente “apresenta os produtos para o consumidor com uma função principal (categoria), enquanto as funções secundárias (adicionais) estão apresentadas como valores agregados”. Reproduzo a interpretação que motivou a reclassificação dos produtos: “A Regra 1, aplicável a todos os casos, determina que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2 a 5. Tem-se nas notas do Capítulo 33 das NESH: 3.- As posições 33.03 a 33.07 aplicam-se, entre outros, aos produtos, misturados ou não, próprios para serem utilizados como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho tendo em vista o seu emprego para aqueles usos, exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. (...) CONSIDERAÇÕES GERAIS (...) As posições 33.03 a 33.07 compreendem os produtos, misturados ou não (exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais) próprios para utilização como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho, tendo em vista o seu emprego para esses usos (ver a Nota 3 do Capítulo). Os produtos das posições 33.03 a 33.07 permanecem classificados nestas posições mesmo que contenham, acessoriamente, determinadas substâncias empregadas em farmácia ou como desinfetantes e mesmo que possuam, acessoriamente, propriedades terapêuticas ou profiláticas (ver a Nota 1 e) do Capítulo 30). Todavia, os desodorantes (desodorizantes) de ambientes preparados, permanecem classificados na posição 33.07 mesmo que possuam propriedades desinfetantes que não sejam meramente acessórias. Nas Notas da posição 33.04, tem-se (grifos nossos): 33.04 - Produtos de beleza ou de maquiagem preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluindo as preparações antissolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros. 3304.10 - Produtos de maquiagem para os lábios 3304.20 - Produtos de maquiagem para os olhos 3304.30 - Preparações para manicuros e pedicuros Fl. 7398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 60 3304.9 - Outros: 3304.91 -- Pós, incluindo os compactos 3304.99 -- Outros A.- PRODUTOS DE BELEZA OU DE MAQUILAGEM PREPARADOS E PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE, INCLUINDO AS PREPARAÇÕES ANTISSOLARES E OS BRONZEADORES Incluem-se na presente posição: (...) 3) Os outros produtos de beleza ou de maquilagem preparados e as preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto os medicamentos), tais como: os pós-de-arroz e as bases para o rosto, mesmo compactos, os talcos para bebês (incluindo o talco não misturado, nem perfumado, acondicionado para venda a retalho), os outros pós e pinturas para o rosto, os leites de beleza ou de toucador, as loções tônicas ou loções para o corpo; a vaselina acondicionada para venda a retalho e própria para os cuidados da pele, os cremes de beleza, os cold creams, os cremes nutritivos (incluindo os que contêm geleia real de abelha); os cremes de proteção para evitar as irritações da pele; os géis administráveis por injeção subcutânea para eliminação de rugas e realce dos lábios (incluindo aqueles que contêm ácido hialurônico); as preparações para o tratamento da acne (exceto os sabões da posição 34.01) próprios para limpeza de pele e que não contenham ingredientes ativos em quantidades suficientes para que se considerem como tendo uma ação essencialmente terapêutica ou profilática sobre a acne; os vinagres de toucador, que são misturas de vinagre ou de ácido acético com álcool perfumado. Este grupo compreende igualmente as preparações antissolares (filtros solares) e os bronzeadores. Estão sob análise produtos que são preparações para conservação ou cuidados da pele, com a função desodorante, conforme afirma o sujeito passivo, que poderiam ser classificados na 33.04 ou na 33.07. A Regra 2a não é aplicável ao caso, pois não se trata de artigo incompleto ou inacabado, nem de artigo desmontado ou por montar. A Regra 2b diz respeito às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e às obras constituídas por duas ou mais matérias, determinando que a classificação dos produtos misturados se efetua conforme a Regra 3. Chegando à Regra 3, “quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão”, partimos para as Regras 3a e 3b. A Regra 3a diz que a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. No entanto, essa regra ainda não soluciona, porque são específicas as posições Fl. 7399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 61 para desodorantes corporais e “cremes de beleza e cremes nutritivos; loções tônicas”. A Regra 3b diz que os produtos misturados, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. (...) Assim, com base na Regra 3b, esses produtos estão incluídos na posição 33.04. (...) A Regra Geral de Interpretação nº 6, em sua primeira parte, dispõe que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas. Não sendo produtos de maquilagem para os lábios ou os olhos, nem mesmo preparações para manicuros e pedicuros, a subposição de 1º nível aplicável é a residual 3304.9. Em não se tratando de “pós”, a subposição de 2º nível também é a residual, 3304.99. Por aplicação da Regra Geral Complementar nº 1, que, em sua primeira parte, prevê que as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, na posição 3304.99.10 são classificados os cremes de beleza, os cremes nutritivos e as loções tônicas. As outras preparações para conservação ou cuidados da pele, quando não apresentadas sob a forma de creme de beleza ou creme nutritivo, enquadram-se na posição residual. É o caso das preparações em forma de loção, gel, emulsão, óleo, sérum, manteiga, entre outras, que devem ser classificadas na posição 3304.99.90.” (destaques no original) Deste modo, a fiscalização entendeu que a função essencial é de conservação ou cuidado da pele, com característica adicional de desodorante, o que seria insuficiente para alterar a classificação fiscal para “desodorantes” da posição 3307, classificando tais produtos na subposição 3304.99. Avançando no tema, a fiscalização aprofundou-se na questão da função desodorante (fls. 48/51). Trouxe as características de antiperspirantes e desodorantes, bem como adentrou nos agentes antissépticos contidos nos produtos reclassificados, a saber, triclosan, caprilato de poliglicerila e caprilil glicol, do que concluiu: “Contudo, o mero fato de um componente da fórmula possuir a característica de reduzir ou evitar o desenvolvimento de odores corporais desagradáveis não é suficiente para classificá-lo com um desodorante, para fins de tributação de IPI. Fl. 7400DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 62 O sabonete, o xampu, as emulsões e os produtos para barbear não se convertem em desodorantes em virtude da adição de substâncias antissépticas em concentrações usuais. Nos cosméticos hidratantes, as fragrâncias e os conservantes/desodorizantes são aditivos, que conferem características adicionais, necessárias ou desejadas pelos consumidores, mas que não alteram a característica essencial, qual seja, limpeza, conservação e/ou embelezamento da pele. A utilização de agentes que inibem o crescimento de bactérias é condição necessária para a fabricação de cosméticos. Assim se pronuncia BARATA3 quanto ao uso de conservantes em formulações cosméticas, com grifos nossos: Todos os métodos de preservação têm como finalidade impedir ou diminuir alterações prejudiciais provocadas pela ação de microrganismos ou fungos. Quando um microrganismo se introduz numa preparação cosmética, no decorrer da fabricação, encontra aí as condições ideais para o seu desenvolvimento e multiplicação. Se não forem tomadas providências, o desenvolvimento será rápido, decompondo e alterando as características do produto, pois vai retirar os elementos nutritivos indispensáveis ao seu metabolismo, rejeitando, em contrapartida, os resíduos tóxicos que vão modificar as características de uma preparação cosmética. Essas modificações manifestam-se de formas muito variadas: - As emulsões, qualquer que seja o tipo considerado, podem sofrer alteração, com separação e cobrirem-se de uma camada de fungos; - Aparecimento de colorações indesejáveis; - Preparados límpidos, podem passar a apresentar aspecto opalescente; - Fenômenos de fermentação com desenvolvimento de gases, podem promover deformações e originarem frascos quebrados; - O perfume fica profundamente alterado; - E finalmente, não podemos esquecer que produtos degradados podem ser causa de perturbações futuras na pele; Concluindo: o emprego de um preservante no produto acabado é de necessidade fundamental, sob pena deste se tornar rapidamente inutilizável ou de a sua aplicação vir a ser menos aconselhável. Dessa forma, os agentes antissépticos são necessários na produção de cosméticos para a conservação do produto, sendo capazes de reduzir ou evitar a aparição de odores desagradáveis, em razão de reduzirem a contaminação microbiológica. 3 BARATA, Eduardo A. F. A Cosmetologia: Princípios Básicos. São Paulo: Tecnopress Editora, 2013. p. 40. Fl. 7401DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 63 Porém, não alteram a característica básica do produto quando utilizados dessa forma, pois apenas conservam o produto para que seja comercializado de forma segura. Na mesma linha, CORRÊA4 trata a função dos conservantes nas preparações cosméticas, especialmente os conservantes antimicrobianos: “São produtos cuja função é inibir a proliferação de bactérias e fungos no produto acabado. São imprescindíveis nas formulações, uma vez que, via de regra, as emulsões são facilmente contamináveis, seja por sua própria composição, seja durante o processo de preparação e manipulação, seja durante o manuseio pelo usuário, constituindo um verdadeiro meio de cultura”. Não há dúvida de que a indústria de cosméticos necessita incorporar, muitas vezes, conservantes em seus produtos. A Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 29, de 1º de junho de 2012, da Anvisa, vigente na época dos fatos geradores, que aprovou o Regulamento Técnico Mercosul sobre “Lista de Substâncias de Ação Conservante permitidas para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes”, traz o entendimento sobre CONSERVANTES em seu Adendo II: “são substâncias que são adicionadas como ingredientes aos Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes com finalidade de inibir o crescimento de microrganismos durante sua fabricação e estocagem, ou para proteger os produtos da contaminação inadvertida durante o uso”. Entre os conservantes permitidos por essa RDC, temos o Triclosan. Dessa forma, há um entendimento de que os agentes antissépticos são utilizados para conservação de cosméticos e perfumes. Como consequência, haverá uma redução ou eliminação das bactérias e dos odores desagradáveis que poderiam aparecer, mas sem que isso altere a finalidade ou o modo de usar do produto.” (destaques no original) A recorrente defende que não é possível determinar a característica essencial do produto, por ausência preponderância entre as funções desodorante e hidratante, o que atrairia a classificação para a Regra 3c. Não assiste razão a recorrente. As NESH, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 1992, com textos consolidados pela Instrução Normativa RFB n° 807, de 2008, alterada pela IN RFB n° 1.072, de 2010, e pela IN RFB n° 1.260, de 2012, trazem, quando se referem à posição 33.07, o seguinte: “Esta posição compreende: I) As preparações para barbear (antes, durante ou após), como por exemplo os cremes e espumas para barbear, mesmo contendo sabão ou outros agentes de superfície orgânicos (ver Nota 1 c) do Capítulo 34); as loções para após a barba, as pedras-umes (pedras de alume) e os lápis hemostáticos. 4 CORRÊA, Marcos Antonio. Cosmetologia: Ciência e Técnica. Livraria e Editora Medfarma, 2012; 1ª edição, pág. 359. Fl. 7402DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 64 Os sabões para a barba em blocos incluem-se na posição 34.01. II) Os desodorantes corporais e os antiperspirantes (anti-sudoríficos). III) As preparações para banho tais como os sais perfumados e as preparações para banho de espuma, mesmo contendo sabão ou outros agentes de superfície orgânicos (ver Nota 1 c) do Capítulo 34). As preparações para lavagem da pele, em que o componente ativo é constituído parcial ou inteiramente por agentes orgânicos tensoativos de síntese que podem ser associados a sabão em qualquer proporção, apresentadas na forma de líquido ou de creme e acondicionadas para venda a retalho, são classificadas na posição 34.01. Quando não sejam acondicionadas para venda a retalho, essas preparações são incluídas na posição 34.02. IV) Preparações para perfumar ou para desodorizar ambientes, incluídas as preparações odoríferas para cerimônias religiosas: 1) As preparações utilizadas para perfumar ambientes e as preparações odoríferas para cerimônias religiosas. Atuam, em geral, por evaporação ou combustão, tais como o “Agarbate” e podem apresentar-se sob a forma de líquidos, de pós, de cones, de papéis impregnados, etc. Algumas destas preparações utilizam-se para disfarçar cheiros. As velas perfumadas excluem-se desta posição (posição 34.06). 2) Os desodorantes de ambientes, preparados, mesmo não perfumados, tendo ou não propriedades desinfetantes. Os desodorantes de ambientes preparados são constituídos, essencialmente, por substâncias (metacrilato de laurila, por exemplo) que atuam por via química sobre os cheiros a eliminar ou outras substâncias destinadas a absorver fisicamente os cheiros pelas forças de Van der Waal, por exemplo. Acondicionados para venda a retalho, estas preparações, em geral, apresentam-se em recipientes aerossóis. Os produtos, tais como o carvão ativado, acondicionados para venda a retalho como desodorantes para refrigeradores (frigoríficos*), automóveis, etc., incluem-se igualmente na presente posição. V) Outros produtos, tais como: 1) Os depilatórios. 2) Os saquinhos (sachês) contendo partes de plantas aromáticas e que se empregam para perfumar armários de roupas. 3) Os papéis perfumados e os papéis impregnados ou revestidos de cosméticos. Fl. 7403DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 65 4) As soluções para lentes de contato ou para olhos artificiais. Podem tratar-se de soluções desinfetantes, de limpeza, de umedecimento ou para aumentar o conforto durante o uso. 5) As pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de perfume ou de cosméticos. 6) Os produtos de toucador preparados para animais, tais como os xampus para cães e banhos para embelezar a plumagem dos pássaros.” (destaquei) A IN RFB nº 807, de 2008, foi posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.788, de 2018, contudo, manteve-se a essência do item II acima destacado, alterando a redação da forma que também se encontra na sexta (2017) e na sétima (2022) edições das Notas Explicativas: “II) Os desodorantes (desodorizantes) corporais e os antiperspirantes (antissudoríficos)” Assim, resta claro que os subitens 3307.20.10 ou 3307.20.90 caberiam somente para os produtos que são configurados como desodorantes corporais e os antiperspirantes, que tem como função combater o suor, conhecidos como antissudoríficos. Pela explicação acima colacionada e pelos elementos do Relatório Fiscal, os produtos classificam-se como preparações para conservação ou cuidados da pele, e não podem ser classificados desodorantes corporais ou antiperspirantes, como pretendeu a recorrente, do que entendo como correta a classificação fiscal atribuída pela autoridade tributária, não merecendo reforma o acórdão recorrido. 1.2.1 DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE DESODORANTES NCM 3307.20.10 PARA ESFOLIANTES NCM 3304.99 A recorrente classificou seus produtos esfoliantes como desodorante corporal, sob o código 3307.20.10. Por sua vez, a fiscalização entende que se trata de preparações para conservação ou cuidados da pele, da posição 33.04. Argumenta a recorrente que não houve prova técnica, por parte do órgão autuante, (i) de que os esfoliantes teriam característica essencial de cuidados da pele e (ii) de que os agentes antissépticos seriam apenas aditivos para conservação do produto. Conforme já exposto, a classificação fiscal trata-se de atividade jurídica. Segue a defesa expondo que “o esfoliante possui ingrediente bactericida na sua composição, de modo que é um produto misturado e multifuncional (sem preponderância de funções)”, do que entende que se aplica a Regra 3c das NESH. Bem esclareceu o Relatório Fiscal (fl. 63): “Basicamente, a esfoliação é um procedimento realizado para eliminação das células mortas da pele, com o intuito de estimular a produção de células novas. Fl. 7404DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 66 Os esfoliantes não são produtos para lavagem da pele, mas sim preparações para conservação ou cuidados da pele. Devem ser aplicados com a pele úmida, antes ou depois de sua higienização, conforme as orientações do fabricante. Poderiam até ser confundidos com produtos para lavagem da pele, mas, considerando que a função essencial do produto é esfoliar a pele, e não a lavar, devem ser classificados como preparações para conservação ou cuidados da pele, na posição 33.04 – “Produtos de beleza ou de maquiagem preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluindo as preparações antissolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros.” (destaquei) Ademais, entende a defesa que “se os esfoliantes realmente tivessem uma característica essencial, esta não seria de conservar ou cuidar da pele, mas sim a de possuir agentes tensoativos para a lavagem da pele, enquadrando-se perfeitamente na Posição NCM nº 3401.30.00”. Assim encontra-se a posição sugerida pela recorrente nas NESH: “III. – PRODUTOS E PREPARAÇÕES ORGÂNICOS TENSOATIVOS DESTINADOS À LAVAGEM DA PELE, NA FORMA DE LÍQUIDO OU DE CREME, ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, MESMO CONTENDO SABÃO Esta parte compreende as preparações para lavagem da pele em que o componente ativo é constituído parcial ou inteiramente por agentes orgânicos tensoativos de síntese que podem ser associados a sabão em qualquer proporção, contanto que sejam apresentados na forma de líquido ou de creme e acondicionados para venda a retalho. Quando não sejam condicionadas para venda a retalho, essas preparações estão incluídas na posição 34.02.” Não há como adotar tal classificação, como constatou a fiscalização, a função esfoliante refere-se à remoção tecido morto, permitindo a produção de novas células da pele. Deste modo, não se trata de “preparações para lavagem da pele”. Como ilustração, a autoridade fiscal constatou a classificação indevida do produto NATIVA SPA PITAYA AÇÚCAR ESFOLIANTE, na qual a recorrente classificou como desodorante corporal. De acordo com os registros juntos à Anvisa, o produto deve ser aplicado durante o banho, com remoção do produto pelo enxágue: “Durante o banho, espalhe o açúcar esfoliante desodorante pelo corpo, em movimentos suaves. Enxágue em seguida.” Portanto, não há qualquer referência à limpeza da pele. A Solução de Consulta nº 98.531 – Cosit, de 2019, definiu que os esfoliantes enquadram-se sob o código NCM 3304.99.90: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código NCM: 3304.99.90 sem enquadramento nos Ex da Tipi Fl. 7405DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 67 Mercadoria: Gel esfoliante para cuidados da pele, aplicado em sacos de plástico em formato que imita meias, próprio para reduzir calosidades e aspereza dos pés (peeling químico), possuindo em sua composição, acessoriamente, substância antisséptica, apresentado em cartucho de cartolina que contém um par, peso líquido de 15 g. Dispositivos Legais: RGI 1 (Notas 1 e) do Capítulo 30 e 3 do Capítulo 33), RGI 6 e RGC 1 da NCM constante da TEC, aprovada pela Res. Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 8.950, de 2016, e alterações posteriores. Subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e consolidadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018.” De tal modo, correto o procedimento de reclassificação dos cremes esfoliantes, por se tratar de preparações para cuidado da pele, sob o código 3304.99.10, e dos esfoliantes apresentados nas formas de gel, óleo de açúcar ou mel, no código 3304.99.90 da TIPI. 1.3 DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS DESODORANTES COLÔNIA NCM 3307 PARA PERFUMES NCM 3303.00.10 E ÁGUAS-DE-COLÔNIA NCM 3303.00.20 A autoridade fiscal identificou produtos de perfumaria classificados como “desodorantes (desodorizantes) corporais e antiperspirantes – líquidos”, sob o NCM 3307.20.10, enquanto, no seu entender, deveriam ser classificados como águas-de-colônia, no código NCM 3303.00.20, ou perfumes (extratos), no código NCM 3303.00.10. Os produtos referem-se a desodorantes colônia, também denominados deo-colônias, e body splash (ou body spray), caracterizados como “cuidados pós-banho” e “perfumaria”. Em introdução sobre o tema, o Relatório Fiscal traz as diferenciações entre desodorização e perfumação: “Ao passo que desodorizar é retirar odor, perfumar é conferir odor. A aplicação mais comum de um desodorante é nas axilas ou nos pés, mesmo admitindo-se a Fl. 7406DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 68 aplicação em outras partes do corpo. Isso porque são as áreas mais sensíveis à ocorrência de odores desagradáveis. A função principal de um desodorante é retirar esses odores. Já o perfume, recomenda-se aplicar em áreas de maior circulação sanguínea, como atrás das orelhas, pescoço e pulsos. Isso para que a finalidade principal seja maximizada, com o cheiro mais intenso e duradouro. Assim, percebemos que desodorante e perfume possuem finalidades e modos de usar diferentes.” (destaques no original) O primeiro ponto a se analisar, portanto, é se a classificação dos produtos como desodorante está correta. Deste modo expõe o Relatório Fiscal: “Voltando à classificação adotada pelo sujeito passivo para seus produtos de perfumaria, a diferença entre desodorante colônia e os demais se dá em razão da existência de um agente bacteriostático em sua formulação. Nesse caso, a concentração aromática é ignorada pelo sujeito passivo para definir a classificação comercial dos produtos, uma vez que há uma variação de 4 (quatro) a 18% (dezoito por cento) nos desodorantes colônia, o que permitiria enquadrar alguns produtos como água-de-colônia e outros como água de perfume. Isso significa que a classificação “desodorante colônia” se sobrepõe às demais, na visão do sujeito passivo. Como já explicado, a existência de um agente bacteriostático não é suficiente para a classificação de um produto de perfumaria como desodorante. (...)” Em respeito às decisões deste Conselho5, a autoridade tributária confrontou as concentrações produto a produto para determinação das classificações entre água-de-colônia e perfume (extrato), conforme posição 33.03 da NCM. De acordo com as informações de registro junto à Anvisa, a concentração aromática dos body splash varia de 1,3% a 9,4% da composição total, portanto, a fiscalização os considerou como águas-de-colônia, nos casos em que a finalidade principal for perfumar a pele. Em seguida, passou a comparar os desodorantes colônia. A recorrente entende que “de forma absolutamente contraditória com o critério adotado para as águas-de-colônia e também sem prova técnica, a autoridade administrativa estabeleceu para os desodorantes colônia como “limite de corte” o percentual de concentração aromática de 10%”. No entanto, a fiscalização esclareceu o critério adotado: “(...) levando-se em conta que as classificações existentes permitem leves variações nesses percentuais e ainda, não menos importante, a jurisprudência 5 Acórdão nº 9303-010.682 – CSRF / 3ª Turma, sessão de 16/09/2020, processo nº 12466.003142/2007-15. Acórdão nº 9303-01.516 – 3ª Turma, sessão de 01/06/2011, processo nº 12466.003790/2002-67. Fl. 7407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 69 existente no CARF, realizou-se a análise individual dos produtos, utilizando-se o percentual de 10% (dez por cento) como a referência inicial a ser seguida.” Este mesmo percentual encontra-se nas decisões das Soluções de Consulta nº 98.465, 98.473 e 98.474, de 2017: “10. No âmbito da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Fazenda, decisões anteriores enquadraram no código tarifário 3303.00.10 (Perfumes (extratos)) produtos com composição aromática (óleo de perfume) em concentração superior a 10% e na posição 3303.00.20 (Águas-de-colônia) produtos com composição aromática em concentração igual ou inferior a 10%.” Não houve estabelecimento de “limite de corte” arbitrário, mas, sim, obediência a um critério objetivo e recorrente do órgão competente para definição sobre normas de classificação de mercadorias. Pois bem. A fiscalização relacionou as marcas comerciais dos desodorantes colônia e suas respectivas concentrações aromáticas. A partir disso, e observando as decisões deste Conselho, no sentido de que apenas a concentração em si, de cada produto em separado, não seria o suficiente para determinar o código mais correto da NCM, restando ao classificador comparar os produtos entre eles para se obter a classificação mais adequada, por meio da semelhança, utilizou-se da Regra Geral de Interpretação 4. Com efeito, os produtos com maior percentual de composição aromática assemelharam-se aos perfumes, enquanto aqueles com concentração de fragrância mais baixa foram classificados como água-de-colônia. Cumpre ressaltar que a fiscalização também observou a proporção de água, de etanol, as instruções de utilização, a capacidade das embalagens (frascos) e os valores comerciais. Pertinente a reprodução das conclusões do Relatório Fiscal sobre a matéria, com destaque para a reclassificação, em alíquota menor do IPI, dos produtos que cujas concentrações aromáticas não foram disponibilizadas, mas que foram inequivocamente identificados como produtos de perfumaria (fls. 73/74): “Pelo modo de usar de cada um dos produtos relacionados, não há dúvidas de serem produtos de perfumaria, classificados no NCM 3303. Os percentuais de concentração aromática, quando superiores a 10% (dez por cento), assemelham-se aos dos eau de parfum comercializados pelo sujeito passivo, uma vez que esses possuem concentrações a partir de 15% (quinze por cento), e devem ser classificados como perfumes, como já explicado. As linhas MALBEC, EGEO, EUDORA KISS ME, EUDORA CHIC e BOTICOLLECTION ANNI possuem produtos com concentração aromática inferior e superior a 10% (dez por cento). Fl. 7408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 70 Nas linhas EUDORA KISS ME, EUDORA CHIC e BOTICOLLECTION ANNI, a semelhança entre os produtos não permitiu uma diferenciação inequívoca com base na concentração aromática, de modo que todos os produtos dessas linhas devem ser classificados como águas-de-colônia. Alguns “desodorantes colônias”, em razão de não estarem disponíveis todas as informações de concentração aromática, foram classificados como águas-de- colônia. Na linha EGEO, os produtos com concentração aromática a partir de 11,7% (onze inteiros e sete décimos por cento) assemelham-se mais a perfumes, enquanto os produtos até 10% (dez por cento) assemelham-se mais a águas-de-colônia, devendo-se classificá-los dessa forma. A linha MALBEC já foi analisada em detalhes, mantendo-se o Malbec Desodorante Colônia Play 50ml, da linha infantil, e o Malbec Desodorante Colônia Body Splash Black 200ml como as únicas águas-de-colônia. As linhas exclusivamente de águas-de-colônia ou de águas de perfume/perfumes estão segregadas no próprio Anexo III. Todos os desodorantes colônias são, em verdade, produtos de perfumaria. Os produtos em que não havia informação sobre a concentração aromática foram classificados como águas-de-colônia. Diante do exposto, com a comparação inicial das linhas e depois a análise individual de cada uma delas, conclui-se a classificação fiscal dos “desodorantes colônias”, de acordo com a Regra 1, a Regra Geral Complementar 1, a Regra 4 e o texto da posição 33.03 das NESH.” (destaquei) Nesse sentido, nego provimento ao recurso, mantendo integralmente a exigência fiscal derivada da reclassificação dos produtos da recorrente. 2. DAS QUESTÕES SUCESSIVAS 2.1 DOS CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE – DEVOLUÇÕES DE VENDAS A recorrente aduz que, ao lavrar o auto de infração, a autoridade fiscal deixou de considerar os créditos de IPI derivados das notas fiscais de devolução de vendas, regulamentados pelos arts. 229 e seguintes do Decreto nº 7.212, de 2010. Apresenta planilha (fls. 6.787/6.863) relacionando as notas ficais de saída às notas fiscais de devolução, com referência aos itens e às chaves de acesso. Inegável a permissão da apropriação do crédito do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno (art. 229, RIPI/2010), contudo, para isso, faz-se necessário o cumprimento dos requisitos dos arts. 231 a 235 do RIPI/2010: Fl. 7409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 71 Art. 231. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências: I - pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem como indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; e II - pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, nos termos do art. 466; e c) comprovação, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição dele, ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à volta do produto, pertencente a terceiros, ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, exclusivamente para operações de conserto, restauração, recondicionamento ou reparo, previstas nos incisos XI e XII do art. 5º. Art. 232. Quando a devolução for feita por pessoa física ou jurídica não obrigada à emissão de nota fiscal, acompanhará o produto carta ou memorando do comprador, em que serão declarados os motivos da devolução, competindo ao vendedor, na entrada, a emissão de nota fiscal com a indicação do número, data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto relativo às quantidades devolvidas. Parágrafo único. Quando ocorrer a hipótese prevista no caput, assumindo o vendedor o encargo de retirar ou transportar o produto devolvido, servirá a nota fiscal para acompanhá-lo no trânsito para o seu estabelecimento. Art. 233. Se a devolução do produto for feita a outro estabelecimento do mesmo contribuinte, que o tenha industrializado ou importado, e que não opere exclusivamente a varejo, o que o receber poderá creditar-se pelo imposto, desde que registre a nota fiscal nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, nos termos do art. 466. Art. 234. Na hipótese de retorno de produtos, deverá o remetente, para creditar- se do imposto, escriturá-lo nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, nos termos do art. 466, com base na nota fiscal, emitida na entrada dos produtos, a qual fará referência aos dados da nota fiscal originária. Fl. 7410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 72 Art. 235. Produtos que, por qualquer motivo, não forem entregues ao destinatário originário constante da nota fiscal emitida na saída da mercadoria do estabelecimento podem ser enviados a destinatário diferente do que tenha sido indicado na nota fiscal originária, sem que retornem ao estabelecimento remetente, desde que este: I - emita nota fiscal de entrada simbólica do produto, para creditar-se do imposto, com indicação do número e da data de emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto nela destacado, efetuando a sua escrituração nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, nos termos do art. 466; e II - emita nota fiscal com destaque do imposto em nome do novo destinatário, com citação do local de onde os produtos devam sair. (destaquei) Entendo que cabia à recorrente apresentar (i) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente e (ii) comprovação, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição dele, ou substituição do produto, nos termos da legislação transcrita. No presente, aplicam-se as disposições do processo administrativo fiscal, que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada, por escrito, incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a recorrente não apresentou a comprovação do registro e escrituração dos créditos, conforme exigido no art. 231, II, “b” e “c”, do RIPI/2010. A argumentação apresentada pela recorrente, por essa razão, não merece ser acolhida. 2.2 DA EXIGÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO CAPUT DO ARTIGO 80 DA LEI Nº 4.502, DE 1964 Em seu sumário (fl. 7.117), a recorrente dispôs o item “IV.4.2 – Improcedência do agravamento da multa de ofício”. Já no corpo da peça recursal, tratou da improcedência da aplicação da multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964: “459. No auto de infração, a autoridade administrativa também aplicou a multa de 75%, prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64. 460. Contudo, em qualquer hipótese, a exigência da multa de 75%, prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64, deve ser prontamente cancelada, pois não caracterizada a sua hipótese de incidência no caso concreto. Fl. 7411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 73 461. Com efeito, dispõe o caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64 que: “A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.” 462. Ocorre, porém, que, especificamente no caso concreto, a Recorrente não foi acusada de ter deixado de destacar em nota fiscal o IPI incidente nas operações tributáveis. Da mesma forma, a Recorrente também não foi acusada de ter deixado de recolher o IPI destacado em nota fiscal.” Oportuno transcrever o que dispõe o art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, a respeito do caso: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 8º A multa de que trata este artigo será exigida: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I - juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II - isoladamente nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (destaquei) Vê-se que o caput do dispositivo é bem claro quando pune com a aplicação da multa a falta de lançamento do imposto, o que de fato não ocorreu, estabelecendo, o parágrafo 8º, que a multa será exigida junto com o imposto, quando este não tiver sido lançado ou recolhido (inciso I), porém, cobra-se a multa isoladamente nos demais casos (inciso II), tal qual o presente, quando inexiste imposto a ser lançado ou recolhido, em decorrência da cobertura de créditos. Em outras palavras, a multa se refere ao valor que não foi exigido no auto de infração, em razão de haver crédito existente para o período de apuração encerrado em 31.12.2020. Assim se verifica na tabela da fl. 16, a respeito do cálculo da referida multa: Fl. 7412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 74 Deste modo, uma vez verificado o erro na classificação fiscal dos produtos, caso constatada a cobertura de crédito do IPI, comina-se a multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, a ser exigida, por desígnio do § 8º do dispositivo em referência, isoladamente, no presente caso. Segue a recorrente em seu recurso: “467. Ademais, a desproporcionalidade da multa de 75%, prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64, é evidente. Em primeiro lugar, porque apena fato que, a rigor, não gerou qualquer prejuízo ao Erário (tendo em vista a existência de saldo credor do imposto). 468. Em segundo lugar, porque parte de uma infração meramente formal (ausência de escrituração) para exigir valores equivalentes ao próprio montante de imposto supostamente devido, em nítida feição confiscatória, ao arrepio do inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988.” Em relação à desproporcionalidade e ao cunho confiscatório da multa, trata-se de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 7413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.959 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721884/2021-75 75 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento encontra-se consolidado neste Conselho, através da Súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, argumenta que: “473. Ademais, por se tratar de multa aplicada sobre valor “coberto por crédito”, a imposição de penalidade poderá resultar em bis in idem, tendo que vista que esses créditos deverão – a prevalecer a autuação fiscal – ser glosados da escrita fiscal da Recorrente, gerando, por consequência, novos débitos de IPI a pagar, acrescidos de juros e, novamente, de multa. 474. Assim, indevida a aplicação da multa sobre o valor apurado de IPI coberto por créditos do imposto, inclusive a teor do artigo 112 do CTN, que estabelece uma diretriz interpretativa favorável aos contribuintes, de forma a consagrar, ainda, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, evitando-se o nefasto caráter confiscatório da multa.” Equivoca-se a recorrente. O valor de cobertura de crédito considerado pela fiscalização é derivado da reconstituição da escrita fiscal, portanto, não haverá novos débitos de IPI e nova aplicação da multa da manutenção da autuação. Nesse sentido, não há que se falar em bis in idem. Desta maneira, deixo de conhecer, em parte, dos argumentos e nego provimento, quanto ao mérito, em relação à aplicação da multa do art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, exigida isoladamente. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Fl. 7414DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Preliminares 1. Da alegação de insubsistência do auto de infração por ofensa ao artigo 142 do CTN 1.1 Da alegação de ausência de prova técnica para promover a reclassificação fiscal dos produtos industrializados pela recorrente 1.2 Da alegação de carência de motivação adequada e específica para a reclassificação fiscal das águas-de-colônia e dos desodorantes colônia 1.3 Da alegação de vício de motivação quanto à exigência do IPI sobre produtos que não foram objeto de fiscalização 1.4 Da alegação de desconsideração dos créditos decorrentes de devoluções de mercadorias 2. Da alegação de alteração de critério jurídico 2.1 Da alegação de alteração do critério jurídico no ato de lançamento fiscal 2.2 Da alegação de alteração do critério jurídico do lançamento pela decisão recorrida 2.3 Da dúvida razoável e a interpretação mais favorável à recorrente Mérito 1. Da reclassificação fiscal 1.1 Da reclassificação fiscal das águas de perfume de águas-de-colônia NCM 3303.00.20 para perfume NCM 3303.00.10 1.2 Da reclassificação fiscal dos desodorantes NCM 3307.20 para preparações para conservação ou cuidados da pele NCM 3304.99 1.2.1 Da reclassificação fiscal de desodorantes NCM 3307.20.10 para esfoliantes NCM 3304.99 1.3 Da reclassificação fiscal dos desodorantes colônia NCM 3307 para perfumes NCM 3303.00.10 e águas-de-colônia NCM 3303.00.20 2. Das questões sucessivas 2.1 Dos créditos da não cumulatividade – devoluções de vendas 2.2 Da exigência da multa prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964 Conclusão
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Numero do processo: 12689.000853/2001-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO PERICIAL.
Restando demonstrado, através de laudo pericial, que a mercadoria Mini Câmera Digital SPYPEN é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLEO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil, correta a classificação adotada pela autoridade fiscal - 8525.40.90, devendo ser mantido o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Luís Eduardo Garrossino Barbieri.
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Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO PERICIAL. Restando demonstrado, através de laudo pericial, que a mercadoria “Mini Câmera Digital SPYPEN” é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLEO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil, correta a classificação adotada pela autoridade fiscal 8525.40.90, devendo ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 08 53 /2 00 1- 28 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 12689.000853/200128 Acórdão n.º 3202000.851 S3C2T2 Fl. 6 2 . Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por Absolut Technologies Projetos e Consultoria Ltda. (fls. 254 a 261) contra o v. acórdão proferido pela Colenda 5ª Turma da DRJ de Recife – PE (fls. 234 a 243) que, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, consubstanciado no auto de infração de fls. 04 a 25. Na hipótese em apreço, tratase da classificação fiscal da mercadoria “Mini câmera digital – Spypen”, para a qual a contribuinte adotou a posição 8473.30.99, apontando que a mercadoria é na verdade um “equipamento de informática”, enquanto que a autoridade fiscal adotou a posição 8525.40.90. A ementa do v. acórdão recorrido é a seguinte: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Das especificações técnicas do produto é possível, com o auxílio exclusivo das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e respectivas Notas Explicativas – NESH, obter a classificação fiscal do produto descrito nas notas fiscais como “Mini câmera digital Spypen”: 8525.40.90. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001 Ementa: PERÍCIAS. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de perícias quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Lançamento Procedente Após a interposição do recurso voluntário, os autos foram remetidos para a Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sendo que este Colegiado, ao iniciar o julgamento do feito, entendeu por bem converter o julgamento em diligência à Repartição de origem a fim de que fosse elaborada perícia técnica para definição da natureza da mercadoria, suas características e, especialmente, se pode ser considerada uma câmara de vídeo. Em seguida, os autos baixaram à repartição de origem, tendo sido produzido, então, o referido laudo técnico da Mini câmera digital Spypen, modelo CLEO, que se encontra anexo aos presentes autos. O contribuinte foi intimada para se manifestar quanto ao resultado da diligência, mas quedouse silente (fls. 278). Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 12689.000853/200128 Acórdão n.º 3202000.851 S3C2T2 Fl. 7 3 De se destacar, por último, a conclusão do laudo técnico, verbis: a mercadoria é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLEO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil e classificação fiscal na Tarifa Externa Comum (TEC) código 8525.40. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Inicialmente, quanto à preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, entendo que a mesma não merece acolhida porquanto existem elementos fáticoprobatórios suficientes para o deslinde da controvérsia, notadamente o laudo produzido em decorrência da diligência determinada pela Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. De se notar, aliás, que o contribuinte foi intimado para se manifestar quanto ao resultado da diligência, mas quedouse silente (fls. 278). No tocante ao mérito, consoante se verifica no laudo técnico que se encontra anexo aos presentes autos, assim como da documentação acostada pela perito, cuidase, na presente hipótese, de câmera digital, não se podendo admitir, tal como preconizado pela contribuinte no seu recurso voluntário, que a mercadoria “SPYPEN” é um “equipamento de informática”. O conteúdo do laudo técnico, resumido na sua conclusão, é inexorável: A mercadoria é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLÉO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil e classificação fiscal na Tarifa Externa Comum (TEC) código 8525.40. Por conseguinte, em face de todo o exposto, estando correta a classificação fiscal adotada pela autoridade lançadora, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 12689.000853/200128 Acórdão n.º 3202000.851 S3C2T2 Fl. 8 4 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
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Numero do processo: 19647.010421/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE
REVISÃO ADUANEIRA, CLASSIFICAÇÃO FISCAL, REJEIÇÃO.
A revisão aduaneira que implique alteração da classificação
fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à
apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não
constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato
gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO
DE DEFESA, REJEIÇÃO.
Observado o devido processo legal, com a ciência da exigência fiscal e a concessão dos prazos para sua defesa, quando poderá colecionar as razões e documentos que comprovem suas alegações,
não há que ser argüido o cerceamento do direito de defesa por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, ALEGAÇÃO DE ERRO DE ENQUADRAMENTO
LEGAL. PRECLUSÃO.
Alegações de mérito não trazidas à lide em primeira instância constituem matéria preclusa, implicando perda da faculdade de a
recorrente litigar em seu recurso voluntário e em relação às
quais não pode o Carf tomar conhecimento.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FIBRAS SINTÉTICAS DE PVA DE COMPRIMENTO ATÉ 5MM.
Enquadram-se no código NCM 5601,30.90 as fibras sintéticas de resina de álcool polivinilico (PVA), descontinuas, com comprimento uniforme não superior a 5 mm, utilizadas como reforço
na fabricação de produtos de fibrocimento, tais como telhas, caixas d'água, etc.
JUROS DE MORA, TAXA SELIC.
A partir de l/4/1995, os juros moratórias incidentes sobre
débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita
Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula Carf nº 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.169
Decisão: ACORDAM os membros da do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração por impossibilidade de revisão do lançamento por erro de classificação e de cerceamento do direito de defesa;
não conhecer por preclusa a preliminar de nulidade do auto de infração por erro de enquadramento legal e,
no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
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Recorrida DRJ FORTALEZA/CE ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA, CLASSIFICAÇÃO FISCAL, REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias,. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, REJEIÇÃO, Observado o devido processo legal, com a ciência da exigência fiscal e a concessão dos prazos para sua defesa, quando poderá colecionar as razões e documentos que comprovem suas alegações, não há que ser argüido o cerceamento do direito de defesa por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, ALEGAÇÃO DE ERRO DE ENQUADRAMENTO LEGAL. PRECLUSÃO. Alegações de mérito não trazidas à lide em primeira instância constituem matéria preclusa, implicando perda da faculdade de a recorrente litigar em seu recurso voluntário e em relação às quais não pode o Carf tomar conhecimento. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FIBRAS SINTÉTICAS DE PVA DE COMPRIMENTO ATÉ 5MM. Enquadram-se no código NCM 5601,30.90 as fibras sintéticas de resina de álcool polivinilico (PVA), descontinuas, com comprimento uniforme não superior a 5 mm, utilizadas como reforço na fabricação de produtos de fibrocimento, tais como telhas, caixas d'água, etc. O ROSSARI - Presidente e Relatorjçj Processo n" 19647 010421/2004-11 S3-C2T2 Acórdão n° 3202-00.169 Fl 263 JUROS DE MORA, TAXA SELIC. A partir de l/4/1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula Carf ri g- 4), Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração por impossibilidade de revisão do lançamento por MO de classificação e de cerceamento do direito de defesa; não conhecer por preclusa a preliminar de nulidade do auto de infração por erro de enquadramento legal e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, FORMALIZADO EM: 09 de setembro de 2010, Participaram do presente julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Bahr Neto, João Luiz Fregonazzi e Gilberto de Castro Moreira Junior, Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Presente a conselheira Maria Adelaide C. G. de Aquino(suplente), Processo n° 196=17.010421/2004-11 S3-C2T2 Acórdão n '3202-00.169 FT 264 Relatório Trata-se de lide sobre exigência de Imposto de Importação, acrescido de multa de mora e de juros moratórios, tudo no montante de R$ 46,024,44, em decorrência de a fiscalização ter concluído que a empresa utilizou alíquota do imposto menor do que a correta, ao ter classificado o produto declarado como "fibra de PVA" erroneamente no código 390530,00, quando deveria ter utilizado o código 560130.90. A exigência foi motivada por ter o Fisco entendido que a classificação fiscal utilizada pela autuada estava incorreta, em vista de que o código 3905,30..00 compreende o produto em formas primárias, devendo ser considerado o disposto na Nota 6 do Capítulo 39, que define a expressão "formas primárias", para efeitos de aplicação nas posições 3901 a 3914 da NCM. E que o produto importado trata-se de fibras sintéticas de resina de álcool polivinilico (PVA), com comprimento igual a 4 mm, cujo enquadramento mais adequado é o código 560130.90, pela nota de exclusão do Capitulo 55, que exclui desse Capítulo "as fibras têxteis de comprimento não superior a 5 mm (tontisses) da posição 5601". Em sua impugnação a empresa suscita preliminares de nulidade do Auto de Infração, por impossibilidade de revisão do lançamento, em vista da modificação do critério jurídico, aduzindo que as autoridades fiscais não poderiam alegar que a classificação fiscal estaria correta após a realização da importação, bem como de cerceamento do direito de defesa, porque os fiscais deveriam, antes de qualquer autuação fiscal, notificar o contribuinte para prestar esclarecimentos que se fizessem necessários. No mérito, a impugnante trouxe as seguintes alegações: • assim como outras empresas do setor de fabricação de artefatos à base de fibrocimento, a recorrente classificava os .fios de PVA de formas variadas na TEC, fato esse que até mesmo as autoridades administrativas, por vezes, data maxima venta, não sabiam a posição correta na TEC dos fios de PVA; • Essa confusão a respeito da correta classificação fiscal dos fios de PVA gerou inclusive pedido de consulta à SRF, por empresa que importava produtos idênticos ao da Requerente. Na consulta formulada, enfatizou-se o fato de que o produto importado não se tratava de "fibra têxtil" e esclareceu que o enquadramento na classificação fiscal adotada na época (5601.30.90), segundo as descrições constantes nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), não estaria correta, por não se tratar de mercadoria para fins têxteis; • a resposta à consulta foi dada pela Solução de Consulta DIANA/SRRF/8 a RF no 23, em que classifica no código 5503.90.90 o produto quando se apresentar com comprimento até 5 mm, o produto teria sua classificação no código 560130.90; • em pedido de reclassificação dos fios de PVA na Lista de Exceções da TEC, do código 5601.30,90 para o 550.3.90.90, a ABIFibro informou que somente havia indicado em seu pleito inicial a classificação NCM 5601.30.90 por ser esta a classificação indicada pelos fabricantes e, também, a utilizada, normalmente, por suas associadas e pelos países do Mercosul; a a Resolução Camex no 21/2002 determinou, inicialmente, que os fios de PVA deveriam classificar-se na posição 5601.30,90 da TEC. Entretanto, ciente do erro cometido, a Camex retificou essa classificação em 12/2/2003, que estabeleceu que a alíquota do Imposto de Importação referente aos fios cortados de álcool polivinilico PVA, na Lista de Exceções à TEC, ficaria reduzida para .2%, sob a posição 5503.90.90; • além disso, a Resolução Camex no 20/2004 definiu que a posição correta na TEC dos fios de PVA é a 550.390.20, a qual foi instituída especialmente para o produto em 3 Processo n 19647.010421/2004-11 S3-C2•12 Acórdão n " 3202-00J69 F1. 265 questão; apesar da referida norma ter sido editada após as importações, ela deveria servir de base teleológica à fiscalização, tendo em vista que representa o resultado de discussões acerca da classificações do fios de PVA, entre os contribuintes interessados e as autoridades fiscais competentes; mesmo que se admita que a recorrente utilizou classificação errada para os fios de PVA, a posição correta a ser apontada pelas autoridades Fiscais seria a 5503 e não a 5601; e o tributo não pode ser utilizado para punir, da mesma forma que as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçado; e não pode prosperar o entendimento que serviu de base para a exigência da multa, haja visto que o critério utilizado desconsidera as circunstâncias de fato e de direito do contribuinte; no caso em questão, como demonstrado à exaustão, a recorrente não cometeu qualquer infração que justifique a aplicação da multa de mora. Por essa razão, além do principal, a multa de mora deve ser cancelada; e no que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários; a taxa Selic tem natureza remuneratória de títulos, para "neutralizar" a inflação, razão pela qual não se pode admitir sua utilização pela Fazenda Pública como índice de correção monetária de tributos. Pelo exposto, pleiteia seja a impugnação integralmente acolhida, para que o Auto de Infração seja totalmente cancelado. O julgamento de primeira instância foi realizado pela 3" Turma da DR„1 em Fortaleza/CE, tendo sido o lançamento considerado procedente por unanimidade, nos termos do Acórdão DRJ/FOR n°08-11463, de 13/6/2008 (fls. 133/162), cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendái io 2001 EXAME DA LEGALIDADE E DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete à autoridade administrativa o exame da legalidade/ constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. SENTENÇAS JUDICIAIS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS EFEITOS As decisões administrativas e as judiciais não se constituem enl normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. POSICIONAMENTOS DE JURISTAS A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida na legislação tributária nacional. Assunto: classificação de Mercadorias Ano-calendário; 2001 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA, FIBRAS SINTÉTICAS DE PVA. Processo n° 19647010421/2004-11 Acórao n " 3202-00.169 S3-C2T2 F1 266 Enquadram-se no código NCM 5601..30,90 as fibras sintéticas de resina de álcool polivinílico (PVA), descontinuas, com comprimento uniforme não superior a 5 mm, utilizadas como reforço na . fabricação de produtos de fibrocimento, tais como telhas, caixas d'água, etc:, acondicionadas em . fardos de 15 a 2.50 kg, Assunto: Imposto sobre a Importação -II Ano-calendário: .2001 REVISÃO DE OFICIO. Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu poder/dever, deve proceder a revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da declaração de importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis, REVISÃO ADUANEIRA AUTORIDADE FISCAL, DEVER DE OFICIO No curso do procedimento de revisão, constatado que o contribuinte agiu em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, por dever de oficio, deverá exigir, por meio do lançamento, o tributo que deixou de ser pago, acrescidos das penalidades cabíveis. MULTA DE MORA Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, devem ser acrescidos de multa de mora. Lei n 2 8,981/95, ar t, 84. Lei n2 9.430/96, art. 61. JUROS DE MORA As autoridades julgadoras administrativas não têm competência para apreciar a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência privativa do Poder Judiciário, Os juros de mora serão devidos sempre que o principal for recolhido a destempo. Código Tributário Nacional, art. 161. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário.: 2001 EXIGÊNCIA FISCAL. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento, quando na .formalização do crédito tributário foram respeitadas as disposições contidas no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n" 70,235/72, e foi assegurado ao autuado o direito ao contraditório e ampla defesa. 5 Processo e 19647010421/2004-11 S3-C212 Acórdão o. 3202-00.169 Fl 267 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Desconfigura-se a preterição do direito de defesa se o contribuinte .foi regularmente cientificado do auto de inflação e seus anexos sendo-lhe assegurado o direito a questionar a exigência nos termos das normas que tratam do processo administrativo-fiscal O enfi-entamento das questões na impugnação denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram a autuação e a indicação dos enquadra-mentos legais correspondentes aos ilícitos tributários não propiciam a nulidade do auto de infração. Lançamento Procedente" O órgão julgador rejeitou as preliminares de nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, em vista de não ter descrito os fatos detalhadamente, e por impossibilidade de revisão do lançamento com base em eito de classificação fiscal e, quanto ao mérito, no que respeita à classificação fiscal, considerou o lançamento procedente, com base, essencialmente, nos seguintes argumentos: • a classificação 3905.30,00 adotada pela interessada compreende somente o Poli (álcool vinifico) em formas primárias e que as fibras de PVA são passíveis de classificação nos códigos 5503.90,90 o 5601,30.90, dependendo do comprimento da fibra; e o comprimento das fibras importadas era de 4mm, cujo enquadramento mais adequado é a subposição 5601.30,90, em vista da exclusão indicada na letra "a" do capítulo 55 das NESH, bem como das NESH da Parte "B" das "Considerações Gerais" do Capítulo 56; • a Solução de Consulta DIANA/SRRF/8"RF rt2 23 foi taxativa ao atribuir o código 5503,90.99 às fibras sintéticas de resina de álcool polivinílico com comprimento superior a 5mm; já as mesmas fibras com comprimento inferior a 5mm, são classificadas na posição 5601,30.90; • o próprio contribuinte corrobora o entendimento fiscal quando traz à colação pleito da ABIFibro solicitando inclusão do produto na Lista de Exceções da TEC, no qual essa entidade classifica o produto no código 5601.30,90. A interessada apresenta recurso às fls, 175/202, no qual repete as preliminares suscitadas em sua impugnação e acrescenta a preliminar nulidade do Auto de Infração por erro no enquadramento legal, alegando ter sido adotada classificação fiscal diversa daquela aplicável ao produto, visto que na ocasião da autuação já havia sido definida pela Camex. No mérito, a recorrente apresenta as alegações já trazidas em sua impugnação, requerendo seja dado provimento ao reclino para que o Auto de Inflação seja cancelado. É o relatório. 6 Processo n° 19647 010421)2004-11 S3-C2T2 Acórdão n ° 3202-00169 Fl 268 Voto Conselheiro JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI, Relatar O recurso interposto pela interessada é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. Preliminares de nulidade do Auto de Infração a) de impossibilidade de revisão do lançamento por erro de classificação A recorrente suscita inicialmente a preliminar de nulidade do Auto de Infração, alegando a impossibilidade de revisão do lançamento com base em erro de classificação fiscal. A respeito, cumpre ressaltar que, em face da legislação aduaneira vigente, não tem sustentação jurídica a alegação da recorrente de que a mudança de classificação fiscal posterior importa modificar o critério jurídico antes adotado. Relevante para o perfeito entendimento da matéria é o fato de que a legislação aplicável à espécie consagrou a existência da revisão aduaneira, objetivando a verificação da regularidade do pagamento dos tributos e da satisfação das demais exigências concernentes ao despacho de importação, conforme estabelece o art. 54 do Decreto-lei nR- 37/66, com a redação que lhe deu o art. 2 2 do Decreto-lei n 2A72/88, verbis: "Art. .54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na .forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto-Lei." Essa revisão aduaneira tem previsão nos arts. 455 a 457 do Regulamento Aduaneiro baixado pelo Decreto n2 91.030/1985, vigente à época das importações da recorrente, definindo o procedimento e estabelecendo o prazo de 5 anos para sua implementação, com vistas a apurar a regularidade dos impostos devidos, de forma a sujeitar a mercadoria objeto de despacho aduaneiro ao exame de todos os aspectos fiscais e outros, verificados ou não, por ocasião do correspondente despacho, inclusive sua classificação fiscal. De mais, a revisão do lançamento está expressamente prevista no art. 149, I, do C'TN, que dispõe que o lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa quando a lei assim o determine. No caso em exame, essa determinação está expressamente prevista no referido art. 54 do Decreto-lei n2 37/66 acima transcrito, com disciplinamento nos arts. 455 a 457 do RA/1985 (art. 638 do Decreto if 6,759/2009 — RA em vigor). De outra parte, os impostos devidos na importação estão classificados como sujeitos a lançamento por homologação. E nesses casos, nos termos do art. 150, § 0, do CTN, a autoridade dispõe do prazo de 5 anos para a homologação desse lançamento, a contar da 7 Processo n° 19647.010421/2004-1 53-C212 Acórdão n 3202-00,169 A 269 ocorrência do fato gerador. Somente quando decorrido esse prazo é que se tem por homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, No caso, a revisão aduaneira é procedimento que deve ser adotado dentro desse prazo de homologação, o que demonstra a inequívoca compatibilidade desses procedimentos no tocante à matéria. Destarte, a revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. b) por cerceamento do direito de defesa e do contraditório A recorrente também argúi a preliminar de nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, por entender que a ação fiscal deve ser notificada previamente à autuação para prestar esclarecimentos e por não terem sido descritos os fatos detalhadamente. A preliminar de nulidade suscitada pela recorrente é falha em seus fundamentos. Ao tornar ciência da autuação, a recorrente passou a dispor do prazo de lei para produzir sua defesa, período previsto no processo administrativo fiscal para que pudesse explicitar eventuais motivos de fato e de direito que fundamentassem a impugnação, os pontos de discordância e as razões e provas respectivas. Verifica-se ao efetuar o lançamento, o Fisco descreveu os fatos com os elementos necessários e suficientes para possibilitar à autuada a compreensão das acusações fiscais para a elaboração de sua defesa, inclusive com a transcrição das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) aplicáveis à lide. Tal direito foi exercido regular e minuciosamente pela interessada, como se verifica da impugnação e recurso apresentados, que demonstram que a mesma entendeu perfeitamente o posicionamento fiscal e trouxe em sua defesa alegações apropriadas às acusações e que mostram que pôde exercer a ampla defesa e o contraditório quanto à lide. De outra parte, a legislação processual não estabelece que as pessoas que venham a ser objeto de ação fiscal devam ser notificadas anteriormente ao pleno conhecimento dos fatos por parte da autoridade lançadora, mormente em procedimentos fiscais de menor complexidade como os de revisão aduaneira, o que será concluído com a lavratura de Auto de Infração. O que a legislação exige é que haja observância do devido processo legal, com a ciência da tramitação do processo, vale dizer, quando esse já estiver sido instaurado, e o recebimento dos prazos para sua defesa, quando poderá colecionar as razões e documentos que comprovem suas alegações. Assim, não vejo justificativa para a nulidade aventada pela recorrente, devendo a mesma ser rejeitada. c) por erro de enquadramento legal Em relação à impugnação, a recorrente acrescenta a preliminar de nulidade do Auto de Infração por erro no enquadramento legal, alegando ter sido adotada classificação fiscal diversa daquela aplicável ao produto, visto que na ocasião da autuação já havia sido definida pela Camex a posição 5503 para o produto. Verifica-se que essa preliminar não foi suscitada por ocasião da impugnação. Esta-se, portanto, diante de hipótese de preclusào, que implica a perda da faculdade de a 8 Processo n° 19647.010421/2004-1 I S3-C2T2 Acórdão n°3202-09.169 El. 270 recorrente trazer à lide matéria não suscitada por ocasião da instância inicial, de acordo com o que preceituam os arts. 14 e 16, III, do Decreto if 70.2.35/1972, que dispõem sobre a instauração da fase litigiosa. A respeito, é claro o art. 17 desse mesmo diploma legal, ao tratar da hipótese de matéria que não tenha sido impugnada expressamente, verbis: "Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante,"1 Por essa razão, entendo que essa última preliminar, trazida à discussão somente por ocasião do recurso voluntário, carece de oportunidade e deve ser desconsiderada, tendo em vista tratar-se de matéria preclusa. Classificação fiscal da mercadoria O Fisco formalizou a peça básica em vista de ter entendido que a empresa importadora utilizou alíquota do Imposto de Importação menor do que a correta, ao ter classificado o produto declarado como "fibra de PVA" (fibras sintéticas de resina de álcool polivinílico) erroneamente no código 3905,30,00, quando deveria ter utilizado o código 5601,30,90. Cabe destacar, preliminarmente, ser totalmente descabida a classificação fiscal do produto sob exame no código 3905,30.00 adotado pela recorrente, visto tratar-se de fibra de PVA, enquanto que a posição 3905 é restrita aos produtos em formas primárias, conforme estabelece a Nota 6 do Capítulo 39, referente a "PLÁSTICOS E SUAS OBRAS" da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que acompanha a Resolução Camex 42, de 2001, verbis: "6. Na acepção das posições 39.01 a 39,14, a expressão formas primárias aplica-se unicamente às seguintes formas. a) líquidos e pastas, incluídas as dispersões (emulsões e suspensões) e as soluções; b) blocos irregulares, pedaços, grumas, pós (incluídos os pós para moldagem), grânulos, flocos e massas não coerentes semelhantes." Destarte, a classificação adotada pela recorrente estaria correta se o produto fosse apresentado em alguma dessas formas primárias, o que não é o caso ora sob exame, ficando, assim, afastada a possibilidade de classificação na posição 3905. Em se tratando de fibras sintéticas de resina de álcool polivinílico (PVA), utilizáveis como reforço na fabricação de produtos de fibrocimento, tais como telhas, caixas d'água, tais produtos podem ter sua classificação nas posições NCM 5503 ou 5601, dependendo do comprimento da fibra. A posição 5503 compreende as "FIBRAS SINTÉTICAS DESCONTÍNUAS, NÃO CARDADAS, NÃO PENTEADAS NEM TRANSFORMADAS DE OUTRO MODO PARA FIAÇÃO". As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado esclarecem, em suas Considerações Gerais, sobre o Capítulo 55, verbis: I Redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/1997. 9 Processo n" 19647 010421/2004-11 S3-C2I2 Acórdão n " 3202-00J69 Fl 271 "As fibras sintéticas ou artificiais a que se referem as Considerações Gerais do Capitulo 54 inchtem-se no presente Capitulo, desde que se apresentem como fibras descontinuas ("fibras curtas") ou como cabos de filamentos, Este Capitulo também compreende, de uma forma geral, os produtos obtidos durante a transformação destas fibras descontinuas ou destes cabos em fios, e os tecidos de fibras descontinuas, Engloba ainda os produtos têxteis misturados que, por aplicação da Nota 2 da Seção XI, sejam assemelhados aos produtos acima. As . fibras sintéticas ou artificiais descontinuas são, em geral, fabricadas pela passagem da matéridprima através de uma fieira que apresenta, de um modo geral, um grande número de orifícios (às vezes, vários milhares); o seccionamento dos cabos (tomados um a um ou agrupados longitudinalmente os provenientes de várias fieiras) é efetuado, depois de eventual estiragem, logo à saída da .fieira ou depois de terem sido submetidos a operações tais como lavagem, branqueamento ou fingimento. As fibras podem ser cortadas em comprimentos difèrentes consoante a matéria constitutiva, o tipo de . fio que se pretende fabricar, a natureza do têxtil com o qual se pretende misturá-las, etc,; emg,s.2-17J, as , fibrell sintéticas ou artificiais descontinuas apresentam um =rima:1g compreendido entre 25 e 180 mm. Este Capítulo não compreende: g1 As fibras. têxteis de comprimento não superior a 5 mm (tontisses) da posieão 56.01." (destaquei) Já a posição 5601 abriga as "(...); FIBRAS TÊXTEIS DE COMPRIMENTO NÃO SUPERIOR A 5 nun ("TONTISSES"), NÓS E BOLOTAS DE MATÉRIAS TÊXTEIS", Sobre essa posição, esclarecem as Considerações Gerais das NESH, verbis: "B.- FIBRAS TÊXTEIS DE COMPRIMENTO NÃO SUPERIOR A 5 mm (TONTISSES) As tontisses são fibras têxteis de comprimento não superior a 5 mm (de seda, de lã, de algodão, de fibras sintéticas ou artificiais, etc). Provêm das operações de acabamento dos tecidos e, especialmente, da tosadura dos veludos Também se fabricam por corte de cabos ou fibras têxteis. Incluem-se aqui mesmo quando branqueadas, tingidas ou frisadas. Algumas tontisses, que se apresentam em pó (poeiras têxteis), são obtidas por trituração de fibras têxteis. ( ..). " (destaquei) Os esclarecimentos das NESH deixam claro que as fibras sintéticas descontinuas de que trata o Capitulo 55 geralmente apresentam comprimento entre 25 e 180 mm e que esse Capítulo não compreende as fibras têxteis de comprimento não superior a 5 mm. Assim, segundo as NESH, o normal é que tais fibras descontinuas possuam comprimento 10 Processo n° 19647.010421/2004-11 S3-C2T2 Acórdão o." 3202-00.169 El. 272 entre 25 e 180 mm, no entanto, mesmo que possuam menor dimensão, essa não pode medir 5 mm ou menos, caso em que terão sua classificação no Capítulo 56. Os conhecimentos de carga de fls, 11 e 21 informam que o comprimento das fibras é de 4 nini em ambas as importações, fato que não é objetado pela recorrente. Destarte, e com base nas RGIs 1 e 6' (texto da posição 5601 e da subposição 560130) e RGC I, e esclarecimentos das Nesh (Decreto d- 435/1992, com o texto atualizado pela IN RFB 807/2008), em especial a nota de exclusão do Capítulo 55 acima transcrita, a mercadoria deve ser classificada no código NCM 560130,90. A propósito, cumpre destacar que o próprio exportador fez constar no conhecimento de carga d- SHGSTS0103-7111 (fl. 21) a indicação "TARIFEM 56 01 30", para demonstrar que o produto tem sua classificação nessa subposição, Ademais, verifica-se que a matéria já foi apreciada em Solução de Consulta da DIANA/SRRF/8" RF n-"- 2.3, de 2/4/200.2 (cópia às fls. 110/113), feita por empresa diversa, em que o órgão consultado adotou interpretação idêntica, ao classificar no código 5503,90.90 as "fibras sintéticas de resina de álcool polivinilico (PVA), descontinuas, com comprimento uniforme igual a 6 mm, utilizadas como reforço na fabricação de produtos de fibrocimento, tais como telhas, caixas d'água, eta, acondicionadas em fardos de 1.5 a 250 kg". E nos argumentos do órgão da SRF expendidos na mesma Decisão de Consulta, é feito esclarecimento no sentido de que, verbis: "Esclareça-se, ainda, que o produto, .fibras de resina de álcool polivinílico (PVA) descontinuas, se apresentar comprimento não superior a 5 mm, inclui-se na posição 5601, devendo a Autoridade Aduaneira verificar, em cada caso, a completa especificação do produto, incluindo o comprimento da fibra. É oportuno fazer um esclarecimento a respeito da alegação da recorrente de que a Resolução Camex d. 20, de 6/7/2004, teria alterado a NCM a fim de classificar os fios de PVA no código 5503.90.20. Tal entendimento é equivocado. O que o ato da Camex estabeleceu foi apenas distinguir na suposição 5503.90 o produto "poli (álcool vinifico)", quando ali classificado, de forma que fosse excluído do enquadramento até então utilizado, como "Outros" (código 5503.90,90), e viesse a ser enquadrado de forma destacada e específica no código 5503.90.20 da NCM. Por óbvio, tal alteração respeitou tão somente ao produto objeto de classificação fiscal na posição 5503, não tendo qualquer implicação quanto aos produtos passíveis de classificação na posição 5601. E não poderia ser de forma diversa, visto não haver qualquer fundamento que justifique ser estabelecida alteração na NCM, de forma que venha a ser incluída na posição 5503 produtos que estão especificamente enquadrados na posição 5601 em razão dos termos do texto desta posição, que estabelece que sejam ali classificadas as fibras de comprimento não superior a 5 mm, em obediência à RGC 1 do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Finalmente, cumpre ressaltar que mesmo que tivesse sido feita alteração na NCM, de forma que o produto importado viesse a ser tributado com alíquota mais benéfica, tal fato não teria o condão de beneficiar importações realizadas anteriormente à nova legislação. E isso porque, para efeitos de cálculo do Imposto de Importação, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho 11 Processo rl° 19647. 010421/2004-11 S3-C212 Acórdão n 3202-00.169 Fl. 273 para consumo, nos termos do art. 87, I, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo art, 1" do Decreto 9L030/1985 (art, 23 do Decreto-Lei IV 37/1966), vigente quando das importações da recorrente (atualmente, art. 73, I, do Decreto 6,759/2009 — RAl2009), Multa e juros moratórios A legislação que rege os acréscimos moratórios (art. 61 e §§ da Lei if 9,430/1996, estabelece que os débitos não pagos nos prazos previstos serão acrescidos de multa moratória, No caso do Imposto de Importação, é clara a norma específica ao determinar que o imposto seja pago na data do registro da declaração de importação (art. 112 do RA11985), Destarte, remanescendo diferenças de impostos, por não terem sido pagos na data do registro da declaração, é devida a multa de mora, limitada, no caso a 20%, nos termos da legislação de regência, tendo agido corretamente a autoridade fiscal ao formalizar o lançamento dessa multa, em vista do não pagamento do imposto no prazo legal. Quanto aos juros moratórios com base na taxa Selic, melhor razão não assiste à recorrente, visto que se trata de matéria pacífica e superada na esfera administrativa, tendo culminado com a edição da Súmula ri° 4 do 3 Conselho de Contribuintes (DOUs de 11 a 13/12/2006, que foi ratificada pela Súmula CARF d. 4, divulgada pela Portaria CARF ni-1 106, de 21/12/2009 (DOU de 22/12/2009), verbis: "A partir de 1 0 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes. sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso, 12
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