Busca Facetada
Turma- Segunda Turma Ordinária d (17,251)
- Terceira Câmara (17,251)
- Terceira Seção De Julgame (17,251)
- PIS - proc. que não vers (82)
- Cofins - ação fiscal (tod (54)
- Cofins- proc. que não ver (46)
- PIS - ação fiscal (todas) (40)
- IPI- processos NT- créd.p (35)
- IPI- processos NT - ressa (17)
- DCTF_COFINS - Auto eletr (13)
- DCTF_PIS - Auto eletroni (12)
- CPMF - ação fiscal- (insu (9)
- Pasep- proc. que não vers (8)
- IPI- ação fiscal- insuf. (6)
- IOF - ação fiscal- (insuf (5)
- DCTF - Auto eletronico ( (4)
- IRPJ - restituição e comp (4)
- Pasep- ação fiscal (todas (3)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (3,988)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,250)
- JOSE RENATO PEREIRA DE DE (1,106)
- WALKER ARAUJO (774)
- FLAVIO JOSE PASSOS COELHO (735)
- RICARDO PAULO ROSA (678)
- LAZARO ANTONIO SOUZA SOAR (629)
- JORGE LIMA ABUD (593)
- DENISE MADALENA GREEN (535)
- WALBER JOSE DA SILVA (517)
- RAPHAEL MADEIRA ABAD (453)
- JOSE ANTONIO FRANCISCO (432)
- JOSE FERNANDES DO NASCIME (306)
- Não se aplica (269)
- CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (260)
- 2021 (2,907)
- 2020 (2,613)
- 2019 (1,917)
- 2018 (1,742)
- 2017 (1,500)
- 2024 (1,157)
- 2023 (987)
- 2025 (622)
- 2011 (597)
- 2012 (554)
- 2016 (547)
- 2022 (543)
- 2013 (528)
- 2014 (487)
- 2010 (237)
- 2021 (2,593)
- 2020 (2,397)
- 2019 (1,975)
- 2018 (1,400)
- 2017 (1,381)
- 2024 (1,310)
- 2023 (1,034)
- 2022 (950)
- 2014 (612)
- 2025 (587)
- 2016 (552)
- 2011 (500)
- 2013 (355)
- 2026 (312)
- 2015 (232)
- do (17,191)
- de (17,187)
- os (17,185)
- membros (17,085)
- colegiado (16,746)
- por (16,692)
- em (16,525)
- votos (16,488)
- julgamento (16,092)
- conselheiros (15,888)
- participaram (15,717)
- presidente (15,717)
- assinado (15,302)
- digitalmente (15,298)
- e (14,725)
Numero do processo: 19515.721291/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade.
Numero da decisão: 3302-002.963
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, por perempção.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721291/2011-62
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566992
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-002.963
nome_arquivo_s : Decisao_19515721291201162.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 19515721291201162_5566992.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, por perempção. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6274320
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048119631937536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 11.123 1 11.122 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721291/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.963 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria PIS/Pasep e Cofins Recorrente TB COMÉRCIO DE PERFUMES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, por perempção. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 91 /2 01 1- 62 Fl. 11123DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721291/201162 Acórdão n.º 3302002.963 S3C3T2 Fl. 11.124 2 Relatório Trata o presente de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep e Cofins, relativos a fatos geradores do anocalendário de 2008, sob o escopo da incidência monofásica prevista na Lei nº 10.147/2000. Em impugnação, a recorreu argumentou que a fixação da base tributável ocorrera por presunção; que o enquadramento legal fora indevido, ausência de menção à regra legal que impusesse os pagamentos das contribuições e, consequentemente, a ilegalidade da autuação; que a operação efetivamente praticada fora a aquisição de produtos fabricados por terceiros e sua posterior revenda pela recorrente; que a empresa VITI é efetiva, constituída por sócios capazes e regulares, com estrutura societária, legal, funcional, administrativa e fabril própria e, regularmente constituída; a inexistência de declaração de inidoneidade contra a VITI; a não inclusão da recorrente como sujeito passivo da incidência monofásica; a sua não equiparação a encomendante; que o planejamento tributário foi lícito, inexistindo a simulação; que os vetos à conversão do artigo 11 da Lei nº 11.051/2004 e à MP nº 497/2010, implicam a inexistência de regra positiva no sentido de se estender a incidência monofásica de PIS/Pasep e Cofins às empresas interdependentes; a falta de exclusão de notas canceladas; indevida presunção de que todas as operações de revenda são de produtos monofásicos; a aplicação do artigo 112 do CTN; a indevida aplicação da multa de 150% como decorrente das operações "Dilúvio" e "Porto Europa"; a não aplicação da taxa Selic; a excessividade da multa punitiva. A DRJ converteu o julgamento em diligência, para verificação das alegações de expurgo das vendas de produtos não sujeitos à incidência monofásica e vendas canceladas. Após o retorno da diligência, a Nona Turma da DRJ em São Paulo proferiu o acórdão nº 1651.367, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 NULIDADE.AUTO DE INFRAÇÃO.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. REGIME MONOFÁSICO.CONTRIBUINTES. São contribuintes de PIS e Cofins nos termos do regime monofásico, relativamente às receitas decorrentes da venda de produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal discriminados em lei, aquelas pessoas jurídicas que os tenham fabricado, importado ou mandado industrializar sob o instituto da industrialização por encomenda. VENDAS CANCELADAS. Fl. 11124DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721291/201162 Acórdão n.º 3302002.963 S3C3T2 Fl. 11.125 3 A Contribuição ao PIS e a Cofins não recaem sobre vendas canceladas. SIMULAÇÃO. Constitui mecanismo de simulação o artifício pelo qual a empresa, utilizandose de terceiro interdependente, aporta recursos que viabilizam as operações de seu interesse, reduzindo a carga tributária. MULTA CONFISCATÓRIA.INEXISTÊNCIA. O princípio do nãoconfisco é dirigido ao legislador, não ao aplicador da lei. JUROS CALCULADOS COM O CONCURSO DA TAXA SELIC. Devem ser descartadas pela instância julgadora administrativa alegações voltadas, direta ou indiretamente, contra o cômputo dos juros moratórios com o concurso da Taxa SELIC. MULTA QUALIFICADA. A simulação é uma das hipóteses que autorizam a aplicação da multa qualificada, por ser um dos meios de praticar a fraude ou a sonegação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 NULIDADE.AUTO DE INFRAÇÃO.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. REGIME MONOFÁSICO.CONTRIBUINTES. São contribuintes de PIS e Cofins nos termos do regime monofásico, relativamente às receitas decorrentes da venda de produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal discriminados em lei, aquelas pessoas jurídicas que os tenham fabricado, importado ou mandado industrializar sob o instituto da industrialização por encomenda. VENDAS CANCELADAS. A Contribuição ao PIS e a Cofins não recaem sobre vendas canceladas. SIMULAÇÃO. Constitui mecanismo de simulação o artifício pelo qual a empresa, utilizandose de terceiro interdependente, aporta recursos que viabilizam as operações de seu interesse, reduzindo a carga tributária. Fl. 11125DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721291/201162 Acórdão n.º 3302002.963 S3C3T2 Fl. 11.126 4 MULTA CONFISCATÓRIA.INEXISTÊNCIA. O princípio do nãoconfisco é dirigido ao legislador, não ao aplicador da lei. JUROS CALCULADOS COM O CONCURSO DA TAXA SELIC. Devem ser descartadas pela instância julgadora administrativa alegações voltadas, direta ou indiretamente, contra o cômputo dos juros moratórios com o concurso da Taxa SELIC. MULTA QUALIFICADA. A simulação é uma das hipóteses que autorizam a aplicação da multa qualificada, por ser um dos meios de praticar a fraude ou a sonegação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 18/02/2014, a recorrente interpôs recurso voluntário em 12/05/2014, alegando:falta de apreciação de argumentos; alteração do ilícito inicialmente imputado pela autoridade julgadora de primeira instância; o indevido enquadramento da recorrente como encomendante de industrialização; que a aquisição de empresa interdependente não equipara a recorrente a estabelecimento industrial; que a operação efetivamente realizada é a aquisição de produtos fabricados por terceiros e revendidos pela recorrente; que a empresa VITI é efetiva, constituída por sócios capazes e regulares, com estrutura societária, legal, funcional, administrativa e fabril própria e, regularmente constituída; a inexistência de declaração de inidoneidade contra a VITI; a inexistência de simulação nas operações; que os vetos à conversão do artigo 11 da Lei nº 11.051/2004 e à MP nº 497/2010, implicam a inexistência de regra positiva no sentido de se estender a incidência monofásica de PIS/Pasep e Cofins às empresas interdependentes; a indevida presunção de que todas as operações de revenda são de produtos monofásicos; a aplicação do artigo 112 do CTN; a aplicação da multa de 150%; a não aplicação da taxa Selic. A recorrente foi intimada a regularizar a representação processual, o fazendo em 10/07/2014. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Verificase que o recurso voluntário foi apresentado em 12/05/2014, efl. 10.952, sendo que a ciência por decurso de prazo da disponibilização dos documentos na caixa postal da recorrente ocorreu em 18/02/2014. O termo de efl. 10.949 informa que o acórdão de impugnação foi disponibilizado no dia 03/02/2014 e o termo de efl. 10.950 informa que os documentos foram conhecidos no dia 30/04/2014, pela abertura dos arquivos correspondentes. Fl. 11126DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721291/201162 Acórdão n.º 3302002.963 S3C3T2 Fl. 11.127 5 A recorrente não arguiu preliminar de tempestividade. Sobre a matéria, o Decreto nº 70.235/1972, dispõe em seu artigo 23: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 11127DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721291/201162 Acórdão n.º 3302002.963 S3C3T2 Fl. 11.128 6 b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem Fl. 11128DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721291/201162 Acórdão n.º 3302002.963 S3C3T2 Fl. 11.129 7 entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) Por sua vez, a Portaria SRF nº 259/2006, especifica: Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: ( Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. [...] Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. A intimação foi realizada por meio eletrônico com disponibilização da documentação na Caixa Postal no módulo ECAC. A data da disponibilização ocorreu em 03/02/2014 e o transcurso de quinze dias finalizouse em 18/02/2014. A recorrente, por sua vez, acessou os arquivos em 30/04/2014. Depreendese da leitura do inciso III do §2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 12.844/2013, que a abertura dos arquivos na caixa postal será tomada como data de ciência quando ocorrer em momento anterior ao decurso de prazo de quinze dias da disponibilização dos arquivos, abaixo novamente transcrito: § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 11129DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721291/201162 Acórdão n.º 3302002.963 S3C3T2 Fl. 11.130 8 b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifos não originais) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) Assim, a data de ciência deve ser dada pelo decurso de prazo de quinze dias ocorrido em 18/02/2014 e não pela abertura dos arquivos ocorrida em 30/04/2014, depois de setenta e um dias. Tendo o recurso voluntário sido interposto em 12/05/2014, deve ser considerado perempto. Diante do exposto, voto para não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 11130DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722935/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO REALIZADO A PARTIR DE DADOS FORNECIDOS EM ARQUIVOS DIGITAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
O cerceamento de defesa não ocorre em lançamento efetuado a partir de dados fornecidos pela própria recorrente em arquivos digitais, exigidos sob a égide da IN SRF nº 86/2001, contendo todas as informações necessárias ao entendimento da autuação.
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar o pedido de diligência e afastar a nulidade por preterição do direito de defesa, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, em relação às duas questões e a Conselheira Lenisa Prado em relação à segunda. No mérito, por maioria de votos, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho
Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO REALIZADO A PARTIR DE DADOS FORNECIDOS EM ARQUIVOS DIGITAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O cerceamento de defesa não ocorre em lançamento efetuado a partir de dados fornecidos pela própria recorrente em arquivos digitais, exigidos sob a égide da IN SRF nº 86/2001, contendo todas as informações necessárias ao entendimento da autuação. INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.722935/2012-11
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572390
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.008
nome_arquivo_s : Decisao_19515722935201211.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515722935201211_5572390.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar o pedido de diligência e afastar a nulidade por preterição do direito de defesa, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, em relação às duas questões e a Conselheira Lenisa Prado em relação à segunda. No mérito, por maioria de votos, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6300175
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121550831616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722935/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.008 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria COFINS/PIS/PASEP Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO REALIZADO A PARTIR DE DADOS FORNECIDOS EM ARQUIVOS DIGITAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O cerceamento de defesa não ocorre em lançamento efetuado a partir de dados fornecidos pela própria recorrente em arquivos digitais, exigidos sob a égide da IN SRF nº 86/2001, contendo todas as informações necessárias ao entendimento da autuação. INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO REALIZADO A PARTIR DE DADOS FORNECIDOS EM ARQUIVOS DIGITAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O cerceamento de defesa não ocorre em lançamento efetuado a partir de dados fornecidos pela própria recorrente em arquivos digitais, exigidos sob a égide da IN SRF nº 86/2001, contendo todas as informações necessárias ao entendimento da autuação. INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 35 /2 01 2- 11 Fl. 13725DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 3 2 A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar o pedido de diligência e afastar a nulidade por preterição do direito de defesa, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, em relação às duas questões e a Conselheira Lenisa Prado em relação à segunda. No mérito, por maioria de votos, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório O presente feito cuida de exigência decorrente insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP/COFINS do período de apuração 01.01.2008 a 31.12.2008, em razão da desconsideração do valor a maior utilizado na apropriação de créditos a descontar do valor apurado sobre a base de cálculo da receita tributável, consequentemente, assim teria reduzido o valor a pagar das contribuições. Fl. 13726DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 4 3 O auditor fiscal menciona em seu Termo de Verificação Fiscal que a origem do credito tributário decorre da comparação entre os dados do DACON e os valores identificados pela auditoria, denominada de “Base Auditada”, resume os dados coletados em 03 (três) demonstrativos, sem, contudo declinar, com exceção do DACON, a origem, principalmente dos valores identificados pela auditoria. As questões a serem dirimidas se resumem à sistemática adotada pela fiscalização, a saber, quais operações que resultaram na escrituração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins apresentadas no Dacon que foram consideradas, bem como, quais operações ou insumos realizados não ensejam o direito ao crédito, que segundo a Recorrente não conseguiu ver no Termo de Verificação Fiscal ou mesmo nos 03(três) resumos consignados no termo respondem as indagações, consequentemente, implica diretamente no cerceamento de defesa. O relatório da decisão recorrida reflete a realidade da situação dos autos, motivo pelo qual transcrevo: “Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento, para os períodos de apuração janeiro/2008 a dezembro/2008, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 13206/13226), no montante total de R$ 72.160.407,47, e da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 13227/13247), no montante total de R$ 15.666.404,23. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 13193/13205), o auditor fiscal assim fundamentou a lavratura dos autos de infração: A apuração dos créditos das contribuições PIS e COFINS, relativamente a insumos, bens para revenda e aos serviços utilizados como insumos, bem como os produtos tributados à alíquota zero e os sujeitos à incidência monofásica, foi efetuada de conformidade com a legislação pertinente à matéria em questão. Os créditos classificados como insumos, bens para revenda e serviços utilizados como insumos foram apurados de conformidade com as informações entregues pelo sujeito passivo. Da totalidade dos créditos apurados como insumos, inclusive serviços utilizados como insumos, excluiuse os bens e serviços não alcançados como insumos, conforme disposto na legislação pertinente ao caso em questão. As exclusões constam da planilha de glosa de créditos de bens utilizados como insumo anexa aos autos. A Lei nº 10.833/2003 prevê que a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens para revenda e a bens e serviços, utilizados com insumos: [segue a transcrição do art. 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.833, de 2003] A IN SRF nº 404/2004, consoante o disposto no art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, prevê, no art. 8º, inciso I, que a pessoa Fl. 13727DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 5 4 jurídica pode descontar créditos e no parágrafo 4º define o que se entende como insumo: [segue a transcrição do art. 8º, inciso I e § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004] Os bens adquiridos para revenda e sujeitos a incidência monofásica, foram excluídos do cálculo dos créditos descontados, uma vez que a incidência das contribuições PIS e COFINS ocorre sobre a receita bruta de venda das pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação. Assim, as alíquotas incidentes sobre a receita bruta são reduzidas a zero, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador, conforme dispõe a Lei nº 10.147/2000: [segue a transcrição do art. 1º, inciso I, alínea b, e art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000] Embora a atividade do sujeito passivo seja a industrial, neste caso, em relação aos bens classificados na TIPI 3303.00, 3304, 3305, 3306, 3307, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, ele se reveste na condição de comerciante varejista ou atacadista, conforme o caso, tributando as receitas nessas operações à alíquota zero. Ressaltase que no DACON o sujeito passivo não preencheu a FICHA 04A, cadastro que só deve ser preenchido pelas pessoas jurídicas submetidas à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Uma vez que o sujeito passivo não preencheu a respectiva ficha, em tese, implica dizer que o mesmo não está submetido à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a alíquotas diferenciadas. Notese que a receita oriunda da venda dos produtos supracitados foram informadas no DACON como receitas tributadas à alíquota zero, FICHA 07A. As exclusões constam da planilha de glosa de créditos de bens para revenda anexa aos autos. Os bens adquiridos e sujeitos a tributação à alíquota zero, ver o quadro abaixo, também, foram excluídos do cálculo dos créditos descontados. Classificação TIPI Fundamentação Legal Classificados no Capítulo 25 Lei nº 10.925/2004, art. 1º, inciso IV Classificados na posição 0401 à 0406 Lei nº 10.925/2004, art. 1º, inciso XI Classificados nos Capítulos 7 e 8 Lei nº 10.865/2004, art. 28, inciso III NCM 1905.90.90 Lei nº 10.925/2004, art. 1º, inciso XVI e § 1º Classificados no Capítulo 29 Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º e Decreto nº 6.246/2008, art. 1º, inciso I Classificados na posição 3808 Lei nº 10.925/2004, art. 1º, inciso II NCM 2106.90.10 Lei nº 10.856/2004, art. 28 As exclusões constam da planilha de glosa de créditos de bens utilizados como insumo anexa aos autos. De posse dos arquivos de notas fiscais e dos registros contábeis, a fiscalização tratou os dados a fim de efetuar uma análise mais acurada da contabilidade. Da análise dos dados, podemos Fl. 13728DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 6 5 solicitar documentos e ou contas contábeis específicas com o objetivo de verificar o correto cumprimento da legislação tributária pelo sujeito passivo. Ressaltase que a fiscalização não se restringiu a auditoria dos arquivos da contabilidade, mas a diversos outros elementos de suma importância a uma auditoria abrangente e rigorosa. Criouse o modelo analítico dinâmico da notas fiscais onde foi possível constatar a existência de divergências nos valores dos bens utilizados com insumos, bens para revenda e serviços utilizados como insumos informados no DACON. A fim de ilustrar as divergências de valores encontradas, foram elaborados Quadros Demonstrativos, o primeiro com os valores informados no DACON, o segundo com os valores identificados pela auditoria e o terceiro demonstrando o resultado que expressa a insuficiência de pagamentos das contribuições. A insuficiência de pagamento das contribuições PIS/PASEP e Cofins ocorreu devido à desconsideração do valor de R$ 436.280.450,05 à maior que o sujeito passivo utilizou na apropriação de créditos descontados do valor das contribuições apurado. Ao adotar um valor maior como base de cálculo para apuração dos créditos a descontar do valor apurado das contribuições, a fiscalizada reduziu o valor a pagar do PIS/PASEP e da COFINS. Com a desconsideração do valor supracitado, há uma redução do valor dos créditos e, consequentemente, um aumento do valor a pagar das contribuições cujos demonstrativos de valores se encontram nos Quadros abaixo. Cientificada dos autos de infração em 17/12/2012, a contribuinte apresentou impugnação em 11/01/2013 (fls. 13252/13282), na qual, depois de externar seu inconformismo com a improcedência das exações que lhe foram feitas e das consequências que elas implicam, alega que: o lançamento tributário foi constituído pela diferença entre o valor dos créditos declarados no Dacon e o valor dos créditos da “auditoria”. Os valores que foram adotados pela fiscalização foram obtidos a partir de informações prestadas no âmbito do Ato Declaratório Cofis nº 15, de 2001, introduzido pela Instrução Normativa nº 86, de 2001. As informações prestadas por meio do layout no âmbito desse ato declaratório são meramente contábeis e possuem, entre outras informações, os bens físicos adquiridos pela impugnante no ano calendário de 2008. Contudo, no âmbito desse ato declaratório não há informações acerca de quais operações resultaram na entrada de bens que acarretaram a escrituração de créditos de PIS/Pasep e Cofins; Fl. 13729DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 7 6 as diferenças em questão são plenamente justificáveis, não servindo de base para a autuação ora combatida; em nenhum momento a fiscalização solicitou à contribuinte a composição da base de dados do Dacon para confrontar com a composição da base de dados “auditada”. Ou seja, a fiscalização se ateve a compor apenas um dos parâmetros da autuação (base auditada) sem se preocupar em compor o outro parâmetro da autuação (Dacon). No entanto, como resultado, de forma temerária, confrontou uma base com a outra para apurar suposta diferença que viria a ser tributada; não poderia a fiscalização, a partir apenas do pressuposto de que a diferença entre os parâmetros utilizados – verificada por meio de procedimento questionável – deve ser considerada como tributável, meramente aplicar sobre tais valores as alíquotas de tributação do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos. A diferença entre os parâmetros pode ter uma infinidade de justificativas legais e contábeis;pela sistemática adotada pela fiscalização (autuação simplesmente pela diferença de valores entre as bases, sem justificar as suas causas) a impugnante não tem como saber a razão exata da desconsideração dos créditos descontados do valor apurado sobre a base de cálculo da receita tributável; a fiscalização, com base no arquivo de dados enviado pela empresa, destacou todos os bens físicos adquiridos no ano calendário 2008, consoante arquivos eletrônicos disponibilizados por meio do certificado digital no site da Receita Federal do Brasil. Com base nesses arquivos, a fiscalização elaborou a apuração das operações que, em sua visão, ensejam o direito à tomada de crédito do PIS/Pasep e da Cofins e a comparou com o Dacon contábil da contribuinte. Contudo, conforme ressaltado, as informações transmitidas por meio do layout contido no Ato Declaratório Cofins nº 15, de 2001 não possuem abertura dos créditos tomados de PIS/Pasep e Cofins. Outro cenário seria a comparação do Dacon com as informações fornecidas no layout do Ato Declaratório Cofins nº 25, de 2010, pois a partir deste os contribuintes começaram a transmitir, além dos valores totais dos bens e serviços adquiridos, quais deles ensejaram a tomada de crédito de PIS/Pasep e de Cofins; no caso em tela, manifesta se o cerceamento de defesa especialmente pela presunção do auditor fiscal de apurar o crédito supostamente a maior de PIS/Pasep e de Cofins, fundado em suposta diferença apontada entre os valores informados em Dacon e os valores identificados pela “auditoria”. Além disso essa suposta divergência deve ser afastada, uma vez que pode ser e é plenamente justificada e, portanto, não pode servir de base para os autos de infração; o autuante supostamente se utilizou das informações constantes no Dacon e na base “auditada” para glosar parte do crédito da contribuinte, sem todavia detalhar o critério para essa glosa; o Dacon entregue no período apenas apresenta os créditos tomados a título de PIS/Pasep e Cofins por contas meramente contábeis, sendo impossível verificar sobre quais operações Fl. 13730DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 8 7 específicas a contribuinte realizou a respectiva tomada de créditos. Dessa forma, apenas uma auditoria no próprio Dacon permitiria à fiscalização visualizar quais aquisições de bens e serviços geraram o aproveitamento de crédito por parte da contribuinte; sobre a sistemática adotada pela fiscalização surgem as seguintes questões: quais operações que resultaram na escrituração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins apresentadas no Dacon foram consideradas? Quais operações que a contribuinte realizou não ensejam direito ao crédito? Não há respostas a essas perguntas e a falta delas, necessariamente, implica diretamente no cerceamento de defesa; devese questionar a própria motivação do ato administrativo consubstanciado nos autos de infração de PIS/Pasep e de Cofins, restando demonstrada uma nulidade, especialmente se considerarmos que a impugnante opera da mesma forma há muitos anos, muito além do período envolvido neste procedimento de fiscalização, e que desde sempre sofre constantes fiscalizações, inclusive estando sujeita ao acompanhamento diferenciado pela Receita Federal do Brasil, sem que houvesse, até hoje, nenhum questionamento sequer semelhante em argumentos ou natureza ao ora pretendido pelo autuante. Essa motivação, no entanto, simplesmente não existiu no caso vertente, não podendo alegarse que as informações prestadas pela fiscalização seriam esclarecedoras, pois a autuação combatida não demonstrou os motivos pelos quais simplesmente desconsiderou a sistemática de apuração de crédito de PIS/Pasep e Cofins realizadas no Dacon; • os autos de infração estão repletos de suposições e conjecturas que não conferem certeza ao lançamento; • a diferença de valores de crédito apontada pela fiscalização não possui subsídios que permitam presumir a falta de pagamento das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins; • a fim de comprovar o quanto acima alegado, fazse necessária a baixa dos autos em diligência, visando à conferência minuciosa da correspondência existente entre os valores declarados no Dacon e a base “auditada” constituída pela fiscalização. Impedir a realização da diligência, em casos como o presente, é ferir os ditames que regem o princípio da verdade material, o qual deve nortear o processo administrativo; • a intenção da fiscalização de excluir diversos créditos de PIS/Pasep e Cofins se demonstra contrária à sistemática não cumulativa dessas contribuições; • após a Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, conferir status constitucional à não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, por meio da inclusão do § 12 ao art. 195 da Constituição Federal, não se pode mais interpretar essa sistemática exclusivamente pelas prescrições das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. De acordo com o § 12 do art. 195 da Constituição, à legislação infraconstitucional cabia apenas definir os setores da economia que se sujeitam ao regime não cumulativo, e nada Fl. 13731DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 9 8 mais. Assim, segundo a própria Constituição Federal, a não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins deve ser plena às atividades econômicas inseridas nessa sistemática por legislação infraconstitucional; • o valor constitucional da não cumulatividade é desonerar o preço das mercadorias pela extinção do efeito cascata. Fica claro, então, que “desoneração” é a palavra chave do conceito dessa sistemática e, no caso do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicada para desonerar o faturamento dos contribuintes; • à perfeita realização do art. 195, § 12, da Constituição, a legislação infraconstitucional deveria eleger os setores da economia que fariam jus ao regime não cumulativo e, aos contribuintes destes setores, viabilizar a completa e irrestrita desoneração de seus faturamentos. E não se verifica na norma desse dispositivo constitucional nenhuma vedação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Essa regra não se caracteriza como uma mera recomendação do constituinte, mas como um princípio constitucional de observância obrigatória; • a sistemática da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins foi instituída pelas Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003. Diante da multiplicidade de custos que podem gerar créditos de PIS/Pasep e Cofins, e tendo em vista que as leis instituidoras da sistemática não cumulativa trouxeram conceitos abstratos com relação aos créditos a serem utilizados, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou as Instruções Normativa nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, que restringiram o alcance do conceito de gastos que podem gerar créditos de PIS/Pasep e Cofins. Segundo esses normativos, somente os gastos com insumos utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços poderiam gerar os créditos. Esse conceito aproximase muito do utilizado para apuração de créditos de IPI e é muito restrito, ainda mais tendo em conta que o intuito do constituinte foi criar a nãocumulatividade para desonerar o preço das mercadorias pela extinção do efeito cascata; • a 2ª Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no âmbito do processo administrativo nº 11020.001952/200622, alargou o conceito de insumo. Segundo o acórdão naquele processo administrativo, todos os custos decorrentes de gastos feitos com pessoas jurídicas e que sejam necessários para a operação dos contribuintes devem gerar créditos para a apuração do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, aproximando o conceito de crédito das contribuições com o conceito de despesas dedutíveis para a apuração do IRPJ. Ainda que o Carf não contemple expressamente em alguns dos seus julgados que deve ser aplicada a mesma sistemática das despesas do IRPJ, para fins de apuração de créditos de PIS/Pasep e Cofins, é notório que esse órgão de julgamento entende que não é aplicável o conceito restritivo de insumos da legislação do IPI; • o entendimento recente do Poder Judiciário também é no sentido de que os créditos de PIS/Pasep e Cofins devem ser apurados em todas as despesas realizadas com pessoas jurídicas sujeitas às respectivas contribuições. Em outras palavras, o Judiciário possui claro Fl. 13732DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 10 9 entendimento de que o conceito de insumos para fins da aplicação da não cumulatividade não se baseia no uso do conceito de insumo nos moldes do IPI, mas sim sobre o universo de despesas necessárias incorridas pelos contribuintes; economia que se sujeitam ao regime não cumulativo, e nada mais. Assim, segundo a própria Constituição Federal, a não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins deve ser plena às atividades econômicas inseridas nessa sistemática por legislação infraconstitucional; o valor constitucional da não cumulatividade é desonerar o preço das mercadorias pela extinção do efeito cascata. Fica claro, então, que “desoneração” é a palavra chave do conceito dessa sistemática e, no caso do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicada para desonerar o faturamento dos contribuintes; à perfeita realização do art. 195, § 12, da Constituição, a legislação infraconstitucional deveria eleger os setores da economia que fariam jus ao regime não cumulativo e, aos contribuintes destes setores, viabilizar a completa e irrestrita desoneração de seus faturamentos. E não se verifica na norma desse dispositivo constitucional nenhuma vedação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Essa regra não se caracteriza como uma mera recomendação do constituinte, mas como um princípio constitucional de observância obrigatória; a sistemática da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins foi instituída pelas Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003. Diante da multiplicidade de custos que podem gerar créditos de PIS/Pasep e Cofins, e tendo em vista que as leis instituidoras da sistemática não cumulativa trouxeram conceitos abstratos com relação aos créditos a serem utilizados, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou as Instruções Normativa nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, que restringiram o alcance do conceito de gastos que podem gerar créditos de PIS/Pasep e Cofins. Segundo esses normativos, somente os gastos com insumos utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços poderiam gerar os créditos. Esse conceito aproximase muito do utilizado para apuração de créditos de IPI e é muito restrito, ainda mais tendo em conta que o intuito do constituinte foi criar a não cumulatividade para desonerar o preço das mercadorias pela extinção do efeito cascata; a 2ª Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no âmbito do processo administrativo nº 11020.001952/200622, alargou o conceito de insumo. Segundo o acórdão naquele processo administrativo, todos os custos decorrentes de gastos feitos com pessoas jurídicas e que sejam necessários para a operação dos contribuintes devem gerar créditos para a apuração do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, aproximando o conceito de crédito das contribuições com o conceito de despesas dedutíveis para a apuração do IRPJ. Ainda que o Carf não contemple expressamente em alguns dos seus julgados que deve ser aplicada a mesma sistemática das despesas do IRPJ, para fins de apuração de créditos de PIS/Pasep e Cofins, é notório que esse órgão de julgamento entende que não é aplicável o conceito restritivo de insumos da legislação do IPI; o entendimento recente do Poder Judiciário também é no sentido de que os Fl. 13733DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 11 10 créditos de PIS/Pasep e Cofins devem ser apurados em todas as despesas realizadas com pessoas jurídicas sujeitas às respectivas contribuições. Em outras palavras, o Judiciário possui claro entendimento de que o conceito de insumos para fins da aplicação da não cumulatividade não se baseia no uso do conceito de insumo nos moldes do IPI, mas sim sobre o universo de despesas necessárias incorridas pelos contribuintes; é claro que a base legal que permite a tomada de créditos disposta no Termo de Intimação Fiscal – arts. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e 3º da Lei nº 10.833, de 2003 –foi utilizada de maneira restritiva, tal como a sistemática de crédito existente para o IPI, já que a glosa de supostos créditos considerados pela contribuinte indicam esse caminho. Porém, importante reiterar que a impugnante não possui, com base na auditoria realizada pela fiscalização, como definir quais operações realizadas resultaram em glosa de créditos; as divergências apontadas pela fiscalização não só não possuem subsídios que permitam presumir a falta de pagamentos das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, como ferem preceitos legais e constitucionais; ainda que se desconheça os critérios que foram efetivamente glosados no Dacon, percebese que a fiscalização adotou um critério para sua “auditoria” totalmente em desacordo com o recente posicionamento do Carf e do Poder Judiciário, devendo, portanto, o auto de infração ser prontamente cancelado. Ao final a impugnante protesta pela juntada posterior de todos os documentos necessários à comprovação de suas alegações, bem como que seja deferida a realização de perícia, quando então indicará seu assistente técnico. Requer, ainda, que todas as intimações e notificações sejam encaminhadas a seu advogado”. As alegações da recorrente foram afastadas ao argumento da não comprovação das afirmações, que o lançamento deuse tomando as informações prestadas pela contribuinte, que os fatos foram descritos de modo claro, sendo assim, improcedente argumentação de nulidade por cerceamento de defesa, como se vê da ementa do acórdão: “CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando, ao contrário do que alega a contribuinte, a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos documentos que discriminam todos os dados utilizados para o lançamento de ofício. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. ATOS NORMATIVOS. Fl. 13734DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 12 11 É dever dos julgadores que compõem as turmas das DRJs observar as normas legais e regulamentares, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos, não cabendo discutir, em sede de contencioso, alegações que remetam a questões de suposta ilegalidade e inconstitucionalidade desses atos. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. CONTABILIDADE. NOTAS FISCAIS. DACON. DIFERENÇAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É correto o procedimento fiscal de apurar os valores de créditos, na sistemática não cumulativa, a partir das notas fiscais, livros contábeis e demais documentos apresentados pela fiscalizada e, constatada diferença em relação aos valores informados no Dacon, efetuar o respectivo lançamento de ofício do crédito tributário devido.” Sobreveio o Voluntário, sustentando a mesma matéria da fase de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filhio, relator. Cuidase de recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão encontra, a meu sentir, no detalhamento do critério utilizado pela fiscalização para concluir divergência entre as informações do DACON e a base “auditada”. Os únicos demonstrativos da fiscalização são os quadros apontando as divergências que encontram as fls. 13201/13205, do Termo de Verificação Fiscal, sem, contudo, dizer com precisão quais as notas fiscais e de onde teria sido extraídos os dados, apenas menciona que foi das informações apresentadas pela empresa Interessada, sem, contudo, declinar detalhamento quais as operações e quais os insumos computados pela recorrente que não lhe assegura o direito de tomar crédito. Cerceamento do direito de defesa A sustentação de presunção, indícios, incerteza dos critérios para autuação, ao argumento de que Auto de Infração, bem como, o Termo de Verificação Fiscal não indicou Fl. 13735DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 13 12 com precisão quais os insumos a permitir a tomada do crédito, sem, contudo, identificar sobre o que lhe estava sendo glosado, pois, os demonstrativos elaborados pela fiscalização não representam, com exatidão, os acontecimentos fáticos dos autos. Assim, há de percorrer o caminho adotado pela fiscalização. É fato que a fiscalização do confronto entre os dados do Dacon e a Base auditada deixou de vincular quais os documentos fiscais (notas fiscais) que davam suporte a glosa, dificultando a defesa e o julgador, tanto é verdade que julgador de piso ao constatar esse fato, assim se pronunciou: “... entendo que o presente processo administrativo deva ser baixado em diligência, uma vez que, pela análise dos autos, realmente não é possível identificar especificamente quais créditos foram desconsiderados pelo Autuante e a razão pela qual ele assim procedeu...” O Julgador da Instância inferior observou como lhe é peculiar a ausência de motivação, preferiu baixar o feito em diligência com intuito de buscar meios a sanar o lançamento, determinando a fiscalização que fosse claro quanto ao motivo da lavratura do auto de infração, em razão da impossibilidade de identificar especificamente quais os créditos foram desconsiderados e a razão pela qual ele assim teria procedido, restando evidente a falta de clareza, como se extraí da motivação para realizar a diligência transcrita acima. Ao examinar as planilhas trazidas junto com o resultado da diligência sou inclinado a concordar com a Recorrente, ao contrário do julgado recorrido, para mim continua nebulosa a apuração, não há como identificar a olho nu a origem das divergências a justificar o lançamento. É insuficiente dizer que o motivo se refere à diferença entre o Dacon e base de cálculo encontrada pela fiscalização, mencionar esse como causa jurídica se revela escassa a abrangência dos acontecimentos capaz de sustentar a certeza do lançamento. O CFOP, o código NCM, a descrição NCM e a totalização correspondente a Nota Fiscal, sem colecionálas, nota fiscal por nota fiscal, vinculandoas a cada tipo de glosa efetivada, configura barreira a defesa, e, também ao julgador. De modo que, a memória de cálculo demonstrando a composição das planilhas, apontando de onde foram extraídos os dados, e, dissecando a base DACON e da base “auditada”, com base nas notas fiscais, revelaria medida acertada, deixando ser realizado pela fiscalização macula o lançamento. Mesmo realizando a diligência determinada pela DRJ, os demonstrativos não esclarecem os itens glosados, ocultando os dados, de modo a permanecer o vício inicial, não entrevejo na insistência de nova diligência por parte da Recorrente de que podem ser clarificadas as dúvidas lançadas ao trabalho fiscal, pois, penso que trata de vício insanável. Na descrição das irregularidades consignadas no relatório fiscal, assim como, no Termo de Verificação Fiscal, anota a existência de divergências entre o Dacon e a Base auditada, o que não são suficientes para se ter conhecimento de quais itens dos insumos foram glosados, seria necessário vincular uma a uma as notas fiscais para que fosse possível aquilatar a verdade material. Afirmação do agente encarregado de que “... lançamento tributário referente ao calendário 2007 é a diferença entre o valor dos créditos declarado no DACON e o valor dos créditos da auditoria da contabilidade e das notas fiscais.”, mas deixando de vincular cada nota Fl. 13736DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 14 13 fiscal a glosa, colocou em risco todo o trabalho fiscal. A descrição e as informações trazidas pela fiscalização não leva a compreensão das causas de fato, o que caracteriza cerceamento de defesa e do contraditório. Como é de conhecimento geral os requisitos da lavratura do auto de infração encontram inscubidos no art. 10 do Decreto lei nº 70.235/72, que determina descrição do fato, verificado a necessidade de esclarecimentos mais extensos, empregase o relatório fiscal enriquecendo a descrição assinalada no corpo do auto de infração no sentido de suprir a necessidade de clareza na identificação do fato. Inexistindo elementos essenciais a permitir a identificação do fato, elementos esses necessários a plena defesa, impossibilita o contribuinte elaborar de modo pleno e irrestrito a defesa da imputação de irregularidade lhe atribuída quanto o desconto dos créditos oriundos das aquisições. Assim como, a doutrina rejeita lançamento genérico, sem especificação dos elementos receita que consubstancia o fato gerador. Segundo a doutrina, no direito tributário vige a regra da tipicidade fechada quanto à identificação do fato imponível. Motivo pelo qual se exige como elemento do lançamento a identificação, se ao lançar o agente deixa de identificar quais as receitas que passaram a fazer parte da base de cálculo, distinta daquelas informadas pela empresa autuada, impõe, sob pena nulidade, que seja minuciosamente identificada uma a uma. Essa exigência também se dá quando Administração fiscal exerce seu poder de verificação em relação ao direito do contribuinte tomar crédito na sistemática não cumulativa. No caso concreto o titular do procedimento fiscal deixou de produziu as provas suficientes para esclarecer e justificar as glosas procedidas e exigir por meio do lançamento a reparação de uma suposta lesão. Não restaram claras a descrição dos fatos e a imputação, assim como as provas trazidas pela fiscalização em relação ao que alega. Ou seja, os motivos em que se assenta o auto de infração lavrado simplesmente não correspondem à realidade factual, de forma que, tratandose de ato administrativo de natureza tributária, há vício insanável em um de seus elementos (motivo/motivação), não existindo possibilidade de correção, o que impõe a declaração de sua nulidade. A jurisprudência administrativa é majoritária em reconhecer a nulidade do ato administrativo nestas hipóteses, quais sejam, quando existentes vícios em qualquer um de seus cinco elementos (sujeito, objeto, forma, finalidade e motivo), quando não passíveis de convalidação, como sói ocorrer com os defeitos na motivação do ato. Neste sentido, a Administração possui o poderdever de rever, inclusive de ofício, os atos administrativos praticados quando eivados de nulidade, como, aliás, já se manifestou o Supremo Tribunal Federal por intermédio das súmulas 3461 e 4732. O Decreto Federal nº 70.235/72, no art. 10, descreve, no inciso III, o motivo de fato, e no inciso IV, o motivo de direito, nestes termos: 1 A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. 2 A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Fl. 13737DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 15 14 “Art. 10 – O auto de infração era lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá: ..... III – a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável.” No caso inexiste o motivo a justificar o lançamento diante da realidade dos fatos, é oportuno a lição de Hely Lopes Meirelles, que: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). Nessa mesma linha pensa o professor Celso Antonio Bandeira de Mello, ao falar da Teoria dos motivos determinantes, em breve resumo diz: “A propósito dos motivos e da motivação, é conveniente, ainda, lembrar a “teoria dos motivos determinantes”. De acordo com esta teoria, os motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de “motivos de fato” falsos, inexistentes incorretamente qualificados vicia o ato, mesmo quando, conforme há se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejaria a prática do ato...” E arremata afirmando: “... Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a obrigação de enunciálos, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam...” (Celso Antonio Bandeira de Mello, Curso de Direito Administrativo, 22ª Edição, pg.386) Concluo no sentido de que existe inconsistência na constituição do crédito tributário da COFINS pela maneira insegura com que se deu a autuação, principalmente, quanto à determinação da matéria tributável, a fiscalização deixou atender os requisitos essenciais inscritos no art. 142 do CTN. Com estas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Fl. 13738DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 16 15 É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à anulação do lançamento por inconsistência da descrição dos fatos e, conseqüente, cerceamento de defesa. O argumento fundouse na alegação da recorrente de impossibilidade de exercer seu direito de ampla defesa em razão da deficiente descrição dos fatos, impossibilitando conhecer com exatidão as imputações que lhe foram feitas. A recorrente alegou a falta de justificativa por nota fiscal, a argumentação genérica quanto à interpretação do conceito de insumo, a utilização de estrutura arbitrária na exposição dos cálculos, tornando impossível exercer com amplitude o contraditório e a ampla defesa. Constatase que a metodologia utilizada pela fiscalização foi a de utilizar os dados constantes nos arquivos digitais entregues pela fiscalizada e compor a base de cálculo dos créditos relativos a bens para revenda, bens utilizados como insumos e serviços utilizados como insumos. A partir dos dados obtidos, efetuouse a soma das bases de cálculo dos três itens e comparouse com a soma das respectivas três linhas do Dacon, informadas pela recorrente. De plano, verificase que a metodologia foi mais favorável à recorrente que simplesmente partir de sua base informada para então glosar o que entender indevido, pois partindo da análise dos dados de forma “bruta”, a fiscalização não se restringiu aos valores informados pela recorrente, mas a todo o universo de dados informado nos arquivos digitais. Inicialmente, ao analisarse a apuração de bens para revenda, de plano, verificase que não houve, de fato, qualquer glosa a este título do apropriado pela recorrente. Constatase que no Dacon, a recorrente informou bases de cálculo maiores que zero em fevereiro e novembro, em valores extremamente inferiores aos apurados e reconhecidos pela fiscalização como passíveis de creditamento. Em números, a recorrente informou, no ano, base de bens para revenda de R$ 2.825.588,49 enquanto a fiscalização reconheceu base de R$ 2.654.661.976,96, ou seja, dois bilhões e seiscentos e cinquenta milhões a mais de base de cálculo favorável à recorrente, o que revela, na realidade, a inexistência de qualquer glosa a este título por parte da fiscalização. Aliás, o que a fiscalização denominou de glosa de bens para revenda se trata, meramente, de planilha com valores apurados pela própria fiscalização que não dão direito a crédito e que foram subtraídos do total de bens para revenda adquiridos pela recorrente de pessoas jurídicas, o que ao final, resultou na base líquida informada no Termo de Verificação Fiscal, em generosos R$ 2.654.661.976,96. Fl. 13739DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 17 16 Não obstante esta situação, salientase que tal planilha demonstrou por mês, por nota fiscal, por CFOP, por NCM, por produto descrito, por fornecedor, o valor mensal da base de aquisições para revenda, a partir dos informados pela própria recorrente em seus arquivos digitais. Diferentemente do descrito no processo 19515.720135/201265, a fiscalização detalhou a planilha por nota fiscal, aumentando em centenas de páginas tal demonstrativo. Como se era de esperar, a indicação das notas fiscais, embora veemente alegada como necessária, ao que parece não ajudou a recorrente, pois continuou sua argumentação de cerceamento de defesa, solicitando a justificativa da glosa por nota fiscal. O que se depreende, de fato, é que estas informações eram suficientes, com ou sem a indicação de nota a nota, para que a recorrente pudesse verificar sua correção, pois que os dados constantes das planilhas foram definidos e informados por ela própria e constam em sua base de dados. Exemplificando, as aquisições de bens para revenda de produtos monofásicos de NCM 3303.00, 3304, 3305, 3306, 3307 não dão direito a crédito, por conta da restrição contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 e a planilha evidenciou as aquisições destes produtos, detalhados sob as métricas acima especificadas. Quanto aos bens utilizados como insumos, a fiscalização adotou a mesma metodologia, elaborando uma planilha geral contendo todas as aquisições para industrialização, cujos fornecedores foram pessoas jurídicas, e detalhando para cada produto (descrição e NCM), por nota fiscal, para cada fornecedor, por CFOP, o valor mensal contido nos arquivos digitais apresentados pela recorrente. Em relação aos bens para insumos importador, a fiscalização indicou a base considerada, por DI registradas e por NCM, por dia de desembaraço e por importador. A seguir, a fiscalização elaborou uma planilha de glosa, indicando, por mês, por nota fiscal, por CFOP, por NCM, por descrição do produto, por fornecedor, o valor da glosa considerada, informando que tais produtos não se enquadram na definição de insumo de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, regulamentado na IN SRF nº 404/2004, em seu artigo 8º, trazendo uma definição restritiva de insumos, similar à do IPI e que é a adotada pela Receita Federal do Brasil. O total glosado em função da definição de insumos resultou em R$ 84.037.320,89, apenas 2,18% do valor informado pela recorrente no Dacon de R$ 3.838.258.696,02. Entretanto, o total constante nos arquivos digitais para bens adquiridos como insumos, a partir dos CFOP considerados pela fiscalização, montou em R$ 1.175.121.277,70, ou seja, pouco mais de 30% do informado no Dacon, do que se infere que as informações contidas nos arquivos foram muito inferiores que as informações prestadas no Dacon. Ora, tal constatação demandaria da recorrente não sua insurgência quanto à necessidade de se mostrar nota a nota fiscal, mas sim, que identificasse as divergências em relação à planilha geral de bens como insumos, seja em relação a CFOP não considerados, produtos não considerados, fornecedores não considerados, ou mesmo erro nos valores informados. Mas não, preferiu a recorrente se insurgir contra a falta de justificativa por nota fiscal, mesmo possuindo a demonstração da planilha por nota fiscal. Exemplificando: consta na planilha que CANETA HIDROG 850 AZUL PILOT/10204, adquirida em 01/2008, mediante a NF 726956, no CFOP 1101 (compra para industrialização), de NCM 96082000, adquirida pelo estabelecimento da recorrente 61.068.276/010240 do fornecedor CNPJ 03.746.938/000143, no valor de R$ 0,79 não foi Fl. 13740DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 18 17 considerada como insumo pela fiscalização, a teor da IN SRF nº 404/2004. Que mais informação a recorrente necessita? Por fim, a planilha de serviços como insumos elaborada pela fiscalização resultou em apenas R$ 29.221.924,49, totalizados mensalmente, a partir dos CFOP 1124, 1125, 2124 e 2125 que referemse a serviços de industrialização efetuados por terceiros. Percebese na planilharesumo constante do Termo de Encerramento de Diligência, que não houve qualquer glosa em relação a tais valores considerados. Porém, o valor é extremamente inferior aos R$ 584.964.038,52, valor este que a recorrente nem se preocupou em detalhar no mesmo nível da planilha utilizada pela fiscalização, indicando possíveis CFOP´s não considerados ou valores outros não considerados pela fiscalização, limitandose a argumentação genérica de justificativa por nota fiscal e falta de clareza. Depreendese, ao final, que a fiscalização partiu dos dados das notas fiscais de entrada, informadas pela própria recorrente em arquivos digitais, para a elaboração de planilhas detalhadas por mês, por nota fiscal, por CFOP, por NCM , por descrição produto e por fornecedor, demonstrando o total obtido a partir dos arquivos digitais, que se mostrou muito inferior ao informado pela recorrente no Dacon, nas linhas de bens utilizados como insumos e serviços utilizados como insumos, resultando na glosa relativa a estas linhas, que, embora "amortizadas" pelo reconhecimento superior ao requerido pela recorrente de bens para revenda, montou ainda em diferenças tributadas nestes autos. Por seu turno, a recorrente, embora detivesse a posse de todos os dados informados à fiscalização, sob qualquer detalhamento, inclusive por nota fiscal, preferiu enveredar por argumentação de cerceamento de defesa, ao invés de combater o mérito da autuação. Assim, rejeito a preliminar de nulidade acatada pelo relator. No mérito, a recorrente defendeu que a definição de insumo para a não cumulatividade não se restrinja à definição adotada pela Receita Federal do Brasil, disposta nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, expondo vários entendimentos jurisprudenciais, tanto no âmbito administrativo quando no judicial, ora abrangente compreendendo os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, ora se restringindo ao custo de produção, ora à essencialidade. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 13741DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 19 18 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na Fl. 13742DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 20 19 prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 13743DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 21 20 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 13744DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 22 21 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: Fl. 13745DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 23 22 "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA Fl. 13746DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 24 23 SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a Fl. 13747DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 25 24 impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Fl. 13748DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 26 25 Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito Fl. 13749DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 27 26 passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram Fl. 13750DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 28 27 alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, entendo que a análise da possibilidade de creditamento deve ser enfrentada em cada produto utilizado, devendo sua natureza e sua função no processo produtivo ou de prestação de serviços ser identificada, para que se possa inferir o enquadramento na definição de insumo. No caso, a recorrente não apresentou qualquer alegação de mérito quanto aos bens utilizados como insumos ou serviços utilizados como insumos que entendesse serem passíveis de creditamento, limitandose a alegar o cerceamento de defesa, quando do encerramento da diligência. Apenas em recurso voluntário, a recorrente apresentou planilhas, requerendo diligência para que pudessem ser analisadas. Neste ponto, entendo que o princípio da verdade material não é absoluto e deve ser sopesado com o instituto da preclusão processual. No caso concreto, a apresentação de planilhas em recurso voluntário dependentes de diligência para confirmação de sua veracidade não é suficiente para afastar a preclusão processual prevista no §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/19723. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 13751DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.722935/201211 Acórdão n.º 3302003.008 S3C3T2 Fl. 29 28 Fl. 13752DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, A ssinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930143/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. PREVISÃO LEGAL. VIGÊNCIA.
Somente a partir de 1º de fevereiro de 2004 a legislação previu a possibilidade de que as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecessem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt - OAB 173.362 - SP.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. PREVISÃO LEGAL. VIGÊNCIA. Somente a partir de 1º de fevereiro de 2004 a legislação previu a possibilidade de que as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecessem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.930143/2009-68
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5555740
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-002.905
nome_arquivo_s : Decisao_11080930143200968.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11080930143200968_5555740.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt - OAB 173.362 - SP. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6240572
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121596968960
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-12-18T18:39:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-12-18T18:39:20Z; Last-Modified: 2015-12-18T18:39:20Z; dcterms:modified: 2015-12-18T18:39:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:65e76cef-9b80-4427-9101-a839c86d60e0; Last-Save-Date: 2015-12-18T18:39:20Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-12-18T18:39:20Z; meta:save-date: 2015-12-18T18:39:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-12-18T18:39:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-12-18T18:39:20Z; created: 2015-12-18T18:39:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2015-12-18T18:39:20Z; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-12-18T18:39:20Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.930143/200968 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.905 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria PER/Dcomp PIS/Pasep Recorrente CGTEE COMPANHIA DE GERAÇÃO TÉRMICA DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. PREVISÃO LEGAL. VIGÊNCIA. Somente a partir de 1º de fevereiro de 2004 a legislação previu a possibilidade de que as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecessem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt OAB 173.362 SP. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 01 43 /2 00 9- 68 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório e não homologou compensação declarada pelo contribuinte referente a crédito da contribuição para o PIS, período de novembro de 2003 com débito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O indébito teria origem na mudança de entendimento quanto à permanência das receitas apuradas no regime da cumulatividade, tendo a empresa efetuado recolhimento pela sistemática da não cumulatividade. A Lei nº 10.833/2003 em seu artigo 10, inciso XI previu a possibilidade de que as receitas de contratos de fornecimento de serviços a preço predeterminado, com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 poderiam continuar a ser tributadas pela sistemática da cumulatividade.Com a edição da Lei nº 11.196/2005, mais especificamente seu art. 109, combinado com o disposto na IN SRF nº658/2006 e ainda de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, a interessada entendeu ter reunido condições suficientes para tributar suas receitas com base na sistemática da cumulatividade. Procedeu então a retificação das suas DCTFs, declarando débitos de PIS e Cofins pela forma cumulativa. Assim teria passado a credora da União, uma vez que teria efetuado recolhimentos a maior do que os efetivamente devidos por calcular as contribuições em apreço pela sistemática da nãocumulatividade. A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil submeteu à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, referida questão, resultando na edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007. Esse Parecer esclareceu que “contratos iniciais” e “contratos bilateriais”, os quais são utilizados pela empresa na comercialização de energia, perdem o caráter de contratos de preço predeterminado, tendo em vista reajuste efetuado pelo IGPM e, pela variação tributária, portanto, não se submetem à exceção prevista no art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003. A interessada por meio do processo nº 11080.006335/200951 protocolou processo de consulta a este respeito. A Superintendência da 10ª Região Fiscal solucionou a questão emitindo a Solução de Consulta nº 228, de 14 de dezembro de 2009, assim ementada: CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE COM BASE NO IGPM. Para efeito de definir o regime de incidência da Cofins aplicável às receitas relativas a contratos com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, o cômputo do IGPM no percentual de reajuste de preços, descaracteriza a condição de preço predeterminado, ainda que nesse percentual de reajuste seja também considerada a variação de determinados custos de produção, o que implica a sujeição dessas receitas à incidência nãocumulativa. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.930143/200968 Acórdão n.º 3302002.905 S3C3T2 Fl. 3 3 Não obstante, quando o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, não superar o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção, e desde que o referido reajuste leve em conta termos de custos de produção ou insumos, a condição de preço predeterminado não se terá descaracterizado, consoante explicitação do § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006. Nessa hipótese, e cumpridos os demais requisitos dessa Instrução, as receitas em questão submetemse à incidência da Cofins na forma cumulativa, até que venha a suceder a perda do caráter de preço predeterminado, ocasião em que as receitas passarão a sujeitarse à incidência não cumulativa, de modo definitivo. Com base no entendimento acima exposto e na informação Fiscal SEFIS/DRF/POA (fls. 394/397), foi emitido o Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010 (fls. 388/393) que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. A interessada discorda do indeferimento do seu pleito, alegando, preliminarmente, a tempestividade de sua manifestação. Faz um histórico da evolução da legislação do PIS e da Cofins e da nova sistemática de apuração dessas contribuições: nãocumulatividade. Discorre a respeito dos chamados “contratos iniciais” firmados por ela e as distribuidoras de energia elétrica, celebrados em 30 de setembro de 1997, com vigência de 15 anos. Menciona que o Primeiro Termo Aditivo ao Contrato de Concessão nº 67/2000, firmado em 03/04/2001, passou a prever que o reajuste seria calculado de acordo com o IGPM. Acredita que tal fato não afetaria a condição de preço predeterminado no fornecimento de energia, tendo como objetivo a preservação do equilíbrio contratual, resguardando o valor e quantia da moeda contratada. Nesse caso, as receitas advindas desses contratos deveriam sujeitarse ao regime cumulativo das contribuições, por obedecerem ao disposto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003. Ataca a IN SRF nº 468/2004, afirmando que essa teria inovado no mundo jurídico ao eleger critérios não previstos na Lei nº 10.833/2003 para definição de preço predeterminado. Destaca que esse entendimento foi alterado pela Lei nº 11.196/2006 ao determinar que o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não seria considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Cita Nota Técnica nº 224/2006 e o Ofício nº 1.431/2006, ambos expedidos pela ANEEL os quais afirmam que a utilização do IGPM, como índice de correção monetária, no reajuste do preço do contrato de fornecimento de energia equivaleria ao custo de produção ou dos insumos utilizados no setor energético. Tece considerações a respeito dos requisitos exigidos pelo art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003 para que suas receitas permaneçam no regime cumulativo das contribuições. Entende serem quatro as exigências da Lei: contrato de fornecimento de bens e serviços, prazo de duração mínimo superior a um ano, assinatura do contrato anteriormente a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento de bens e serviços esteja predeterminado no contrato. Entende que os contratos por ela celebrados com as empresas contratantes de seus serviços atendem aos requisitos antes expostos e por isso permanecem no regime da cumulatividade, tornando a empresa detentora de créditos recolhidos pela sistemática da nãocumulatividade. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Observa que protocolou declarações de compensação, via PER/DCOMP, dos créditos oriundos dos períodos dezembro de 2002 a fevereiro de 2006, e pedido de restituição, via papel, do período novembro de 2004 a julho de 2005. Menciona a consulta formulada a respeito do assunto (processo nº 11080.006335/200951), a Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, bem como o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007, os quais concluíram que as receitas da empresa estariam sujeitas a tributação pelo regime não cumulativo. Discorda do entendimento da informação Fiscal, para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, que não reconhece efeito retroativo ao disposto no art. 15 da Lei nº 10.833/2003, o qual estendeu ao PIS a possibilidade de manter no regime da cumulatividade as receitas de contratos firmados com preço predeterminado. Entende ser nulo o Despacho Decisório por ausência de motivação e afronta à ampla defesa e ao contraditório. Alega que a decisão deixa de justificar/fundamentar as razões para o indeferimento do pleito de restituição/compensação. Não se reveste dos mínimos e indispensáveis requisitos de validade e não lhe permite conhecer os fundamentos do indeferimento dos pleitos de restituição/compensação. Na eventualidade de não ser declarado nulo o Despacho Decisório atacado, passa a defender a existência do direito creditório pleiteado. Destaca a apresentação de Recurso Especial de Divergência contra o entendimento da Solução de Consulta nº 228, proferida pela SRRF10/DISIT. Está certa de que o recurso interposto será provido. Passa a tecer considerações a respeito das exceções estabelecidas pela Lei nº 10.833/2003 para permanência de determinadas receitas no regime da cumulatividade. Aponta 4 requisitos necessários: existência de um contrato de fornecimento de bens e serviços, com prazo de duração superior a 1 ano, assinatura anterior a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento dos bens e serviços esteja predeterminado nesse contrato. Destaca que o Despacho Decisório questiona apenas um desses requisitos, o que tornaria incontroverso os demais. A discussão estaria limitada a predeterminação dos preços estipulados nos contratos celebrados pela empresa. Argumenta que esse requisito também foi cumprido. Argumenta não existir lei que defina o conceito de preço predeterminado. Esse conceito seria obtido por meio de uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, sendo encontrado a partir do exame de princípios do direito privado. Busca na doutrina definições de preço determinado e preço determinável. Acredita que a eventual cláusula de reajuste não descaracterizaria a natureza do preço predeterminado quando tal reajuste tenha como objetivo tãosomente preservar o poder aquisitivo nominal inicialmente pactuado. Cita decisão jurisprudencial nesse sentido. Invoca os art. 109 e 110 do CTN para defender seu ponto de vista. Afirma que de acordo com a IN SRF nº 21/79, o entendimento da Secretaria da Receita Federal sempre foi no sentido de que para a caracterização de preço predeterminado não seria essencial a inexistência de cláusula de reajuste, mas a necessidade de o preço estar fixado em contrato, sendo de conhecimento prévio para as partes. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.930143/200968 Acórdão n.º 3302002.905 S3C3T2 Fl. 4 5 Defende o reconhecimento por parte da legislação, através do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que a aplicação de cláusula de reajuste não descaracterizaria o preço predeterminado. Alega que seus preços estariam predeterminados em contrato. A necessidade de investimentos vultosos e a assunção de uma série de compromissos a longo prazo só seriam possíveis se houvesse garantia de uma fonte previsível de receitas a longo prazo, livre do risco da oscilação de preços e da diminuição da demanda. Sendo assim, afirma que celebrou todos os contratos de fornecimento de energia baseados em “preço firme”. Transcreve parte destes contratos. Relata que esses prevêem inclusive a necessidade da empresa buscar energia no mercado caso não consiga produzila por problemas técnicos. Nesse caso terá que arcar com a diferença entre o preço de aquisição da energia no mercado e aquele predeterminado em contrato. Frisa ser o reajuste pelo IGPM, cláusula padrão, constante de todos os contratos por ela celebrados de fornecimento de energia, independente da outra parte contratante ser distribuidora, comerciante ou consumidora final de energia. Afirma que o IGPM nada mais reflete do que o reajuste de preços em função do custo de produção. Repisa o argumento de que segundo entendimento esposado pela ANEEL (Nota Técnica 224/2006), o IGPM é índice que reflete o custo de produção e, portanto, em nada altera a condição de preço acordado nos contratos iniciais. Argumenta que a correção monetária corresponde à manutenção do valor real da moeda operante no tempo, não se tratando de um acréscimo ao valor original. Assim a simples aplicação de cláusulas de reajuste de correção monetária, materializadas no caso presente pelo IGPM, não desconfiguraria de maneira alguma a natureza do preço inicialmente fixado em contrato, pela contrário, tratar seia apenas de reposição dos valor originário da moeda, corroída por diversos fatores. Interpretação diversa levaria a uma norma de efeitos temporários, de curtíssima duração. Ataca a IN SRF nº 468/2004, a IN SRF nº 658/2006 e o Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007 afirmando que teriam criado mandamentos não previstos em lei extrapolando sua competência, incorrendo em vícios manifestos de legalidade. Passa a defender a retroatividade do art. 15 da Lei nº 10.833/2003.A manutenção das receitas no regime da cumulatividade para o PIS seria aplicável desde a instituição do regime nãocumulativo do PIS, ou seja, dezembro de 2002. Pensar de forma diversa levaria a quebra na segurança jurídica, pois, nesse caso, haveria um aumento repentino da carga tributária. Ratifica seu pedido de restituição e a homologação integral das compensações declaradas. Aponta impossibilidade da cobrança dos débitos compensados com créditos referentes aos períodos de apuração janeiro e fevereiro de 2006, uma vez que esses períodos foram objeto de auto de infração (processo 11080.722655/201096), o qual estaria pendente de análise. Ao final requer a nulidade do Despacho Decisório com reconhecimento integral do crédito e conseqüente homologação das compensações declaradas ou ainda que seja proferida nova decisão pela DRF de origem. Alternativamente, caso não seja declarada a nulidade do Despacho Decisório, pleiteia a sua reforma Fl. 556DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 integral e o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. PIS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA. CONTRATOS A PREÇO PREDETERMINADO. EFEITOS. A possibilidade de manter no regime da cumulatividade do PIS receitas oriundas de contratos a preço predeterminado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, produz efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Da normas próprias da Contribuição para o PIS/Pasep, depreendese do teor da Lei 10.833/03, que a autorização para permanência no Sistema de Apuração cumulativo somente passou a existir a partir de 1º de fevereiro de 2004. Como os fatos neste controvertidos ocorreram em data anterior, sua aplicação é impossível no caso concreto. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.930143/200968 Acórdão n.º 3302002.905 S3C3T2 Fl. 5 7 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; (...) Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 09 de dezembro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 558DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003152/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/08/2005 a 29/06/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27
A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.158-35/2001.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
Considera-se fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário vinculado às Declarações de Importação registradas anteriormente a 06/12/2005.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/08/2005 a 29/06/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.158-35/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considera-se fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12466.003152/2010-56
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572384
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.058
nome_arquivo_s : Decisao_12466003152201056.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 12466003152201056_5572384.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário vinculado às Declarações de Importação registradas anteriormente a 06/12/2005. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6300169
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122790248448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2084; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.003152/201056 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.058 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria Multa Aduaneira Recorrente GEMAX TRADING COMPANY S/A e HISTOGENE LABORATÓRIO DE HISTOCOMPATIBILIDADE E GENÉTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/08/2005 a 29/06/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considerase fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 31 52 /2 01 0- 56 Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário vinculado às Declarações de Importação registradas anteriormente a 06/12/2005. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e de HISTOGENE LABORATÓRIO DE HISTOCOMPATIBILIDADE E GENÉTICA LTDA DA, como real adquirente. A GEMAX registrou declarações de importação DI na modalidade direta (por sua própria conta e ordem) no período de 2005 a 2006. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro e de revisão de habilitação no comércio exterior, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse a prática de ocultação do real adquirente HISTOGENE , mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 4 3 b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente; 2. As operações somente puderam ser viabilizadas mediante adiantamentos de caixa recebidos pelos reais adquirentes para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. A GEMAX vendia à HISTOGENE produtos com alto grau de especificidade e valor agregado, indicando tratar de venda encomendada; 9. A ocultação da HISROGENE propiciaria: usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); não se submeter aos procedimentos de habilitação no comércio exterior (IN SRF 650/2006); fugir ao controle da RFB quanto à avaliação dos riscos das operações de importação (parametrização), levandose em conta o perfil histórico e cadastral artigo 21 da IN SRF nº 680/2006. Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a) DEVOLVA o prazo para a impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir do dia em que a requerente Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 5 4 receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração, consoante demonstrado nos itens 16/33 e doc04; b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, RECONHEÇA A DECADÊNCIA das Dl's objeto do auto de infração, vez que este foi lavradojnais de 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador, no termos do Acórdão n° 1739091, de 13/01/2010, desta e. DRJ (transcrito no item 81, acima); d ) Sucessivamente ao pedido (b) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2° c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único (transcritos nos itens 34/36, acima), nos termos do Acórdão n° 302 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes (transcrito no item 47, acima) c2) Alternativamente ao pedido ( d ) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, em decorrência da impossibilidade de se estender conclusões de outros processos administrativos à todas as importações do contribuinte; c3) Alternativamente ao pedido (c2) acima, ANULE o lançamento do crédito referente às Dl's em relação às quais o auto de infração não descreve nenhuma irregularidade, considerando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como o fato de o Fisco não ter afastado a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ (transcrita no item 59, acima) e JULGUE improcedente o auto de infração relativo à Dl n° 05/03841310. d) Sucessivamente ao pedido (c) supra, julgue IMPROCEDENTE o presente auto de infração, uma vez que: d1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3% (does. 14) e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; d2) Também porque o presente restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3% (does. 14); d3) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação a maior parte das Dl's e, em relação à Dl n° 05/11386707, restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3% (does. 14); Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 6 5 d4) Também porque inexistente o dolo específico de fraudar, nos termos detalhados no item 229, supra e nos termos da solução de consulta n° 05/01/2010 (transcrita no item 231, acima), assim como dos Acórdãos no S 30239.026 e 10248607 do CARF (transcritos no item 278.1, acima) d5) Também porque as operações foram feitas na modalidade por encomenda, consoante comprovado pelos Relatórios de Margem de Lucro, acostados como doe. 14, e as operações são anteriores à IN SRF n° 634/06, aplicandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI; o princípio da irretroatividade da norma penal tributária (Acórdãos DRJ no S 0719.952, de 21/05/2010 e 08 14514, de 28/11/2008), bem como o entendimento das Soluções de Consulta n° 45, de 05/02/1999 (item 244, acima) e 05/07/ 01/2010 (item 268, acima), e da exposição de motivos da MP n° 267, convertida na Lei n° 11.281/06 (transcrita no item 245, acima); e) Sucessivamente ao pedido (d) supra, julgue IMPROCEDENTE o presente auto de infração, uma vez que a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA (transcrita no item 292, acima) e consoante Acórdãos DRJ no S 17 25849, de 17/06/2008, e 1726798, de 13/08/2008 (item 295, acima); e, f) Sucessivamente ao pedido (e) supra, que baixe o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerando se em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante. Por seu turno, a HISTOGENE impugnou o lançamento alegando: 1. Preliminarmente, a decadência de parte dos créditos lançados. 2. Violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, pois que não houve dano ao erário, em razão da inexistência de sonegação, vez que os produtos importados possuíam alíquota zero; 3. A boafé da adquirente, que atua no ramo de prestação de serviços de exames, especialmente relacionados a transplantes; 4. Que obteve habilitação para operar no comércio exterior em 03/03/2008, razão pela qual contratou a GEMAX em 2005 e 2006, uma vez que pelo site havia a possibilidade de aquisição a um custo menor devido ao incentivo fiscal; 5. Que não possuía os conhecimentos que norteavam a importação; 6. Que a empresa não é laranja ou fantasma; Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 7 6 7. Da ausência de responsabilidade solidária por falta de enquadramento legal e que o art. 134 do CTN somente se aplica aos casos de mora; Em 13/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1651.660, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2005, 2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza a penalidade previstas no art. 23, V, § 1° do Decretolei n°1.455/76. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 07/11/2013, por edital, a GEMAX não interpôs recurso voluntário, conforme termo de perempção, efls. 1.819. Por sua vez, a HISTOGENE, responsável solidária, apresentou recurso voluntário, tempestivamente, alegando decadência, prescrição, nulidade do Auto de Infração, em violação ao princípio da legalidade, pois fundamentado em atos infralegais (MP nº 66/2002, MP 2.18535/2001, IN SRF nº 225/2002 e outros) diversos de lei complementar, em afronta aos artigos 150, I, da CF, violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, em razão da inexistência de dano ao erário, que não houve prova concreta da indisponibilidade de recursos da importadora, a GEMAX era a real proprietária do produto adquirido, que a Lei nº 11.281/2006 definiu que a importação por encomenda não configura importação por conta e ordem de terceiro e, portanto, não poderia a fiscalização assim acusar de ocorrido fraude, não houve comprovação de máfé por parte da HISTOGENE, nunca revendeu as mercadorias e as utilizava em prestação de serviços, reitera que desconhecia os procedimentos relativos ao comércio exterior, e alegou a ausência de enquadramento legal quanto à responsabilidade pela infração. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 8 7 Inicialmente, confirmase a não interposição de recurso voluntário pela GEMAX, pois a recorrente foi intimada por edital afixado em 23/10/2013, com ciência ocorrida em 07/11/2013, findando o prazo em 10/12/2013, sem que qualquer peça recursal tenha sido interposta. Salientase que a GEMAX solicitou cópias do processo em 06/02/2015 e nada objetou quanto à perempção declarada. Passase ao recurso voluntário interposto pela HISTOGENTE, o qual atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pugna pela decadência das infrações relativas às notas fiscais nº 458, 606, 625 e 717. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrida em 06/12/2010, os lançamentos referentes às infrações relativas às DI´s registradas anteriormente a 06/12/2005 devem ser exonerados. Ainda em preliminares, a recorrente propugna pela nulidade do Auto de Infração por violar o princípio da legalidade previsto no artigo 150, I da Constituição Federal. De plano, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 9 8 conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 622 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Continuando em sua defesa, pugna pela nulidade do Auto de Infração por violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, em razão da inexistência de dano ao erário, pelo fato de as mercadorias importadas estarem sujeitas à alíquota zero. Neste aspecto, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 10 9 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário não diz respeito apenas à proteção da arrecadação de tributos, mas ao próprio controle aduaneiro. Neste sentido, a interposição fraudulenta em si, ou seja, a própria conduta é considerada dano ao erário, como expressamente disposta no artigo 23 acima transcrito. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 11 10 controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Neste diapasão, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3403003.188, proferido em 20/08/2014: DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Acórdão 3202000.635, proferido em 26/02/2013: OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. Ultrapassadas as preliminares, passase à análise do mérito relativo à interposição fraudulenta. A recorrente defende, em síntese, que a GEMAX possuía recursos próprios para a realização das operações de importação e que era a real proprietária dos produtos adquiridos, que não houve comprovação de máfé por parte da HISTOGENE, que desconhecia os procedimentos que norteavam a importação de mercadorias, que a Lei nº 11.281/2006 definiu as operações realizadas como importação por encomenda, excluindoas da definição de importação por conta e ordem e que houve ausência de enquadramento legal quanto à responsabilidade da infração. Primeiramente, destacase que a legislação prevê três modalidades de importação: importação direta, importação por "conta e ordem" e importação por encomenda. Na importação direta, o destinatário da mercadoria é o próprio importador que a utilizará para consumo próprio ou para revenda, possuindo a característica de não haver um destinatário prédeterminado e atualmente normatizada pela IN SRF nº 680/2006. O excerto abaixo extraído do artigo publicado na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” 3 esclarece: 3 Tributação Aduaneira: à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/Ana Clarissa M. dos Santos Araújo...[et al.]; coordenação Marcelo Magalhães Peixoto,Ângela Sartori, Luiz Roberto Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 12 11 “I.1. Importação por conta própria A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a venda no mercado interno para diversos compradores” Quanto às outras duas modalidades, o site da Receita Federal esclarece seus contornos4: Importação por conta e ordem: A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa a importadora , a qual promove, em seu nome, o Despacho Aduaneiro de Importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/2002 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/2002). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa a importadora por conta e ordem , que é uma mera mandatária da adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. Importação por encomenda: A importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre a importadora e a encomendante, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2º, § 1º, II, da IN SRF nº 634/2006). Domingo. 1º ed. São Paulo; MP Editora, 2013. Artigo: "Dano ao Erário pela Ocultação Mediante Fraude a Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exetrior", página 53. 4 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachodeimportacao/topicos1/importacao porcontaeordemeimportacaoporencomenda1/importacaoporcontaeordem/oqueeaimportacaopor contaeordem Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 13 12 Assim, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. Em última análise, em que pese à obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é aquele e não este que pactua a compra internacional e deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. Outro efeito importante desse tipo de operação é que, conforme determina o artigo 14 da Lei nº 11.281/2006, aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que tratam os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/1996. Em outras palavras, se o exportador estrangeiro, nos termos dos artigos 23 e 24 dessa lei, estiver domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida e/ou for vinculado com o importador ou o encomendante, as regras de “preço de transferência” para a apuração do imposto sobre a renda deverão ser observadas. Salientase, ainda, que a importação por conta e ordem foi regulamentada pela Receita Federal do Brasil mediante a edição da IN SRF 225/2002, conforme autorizado pelo art. 80 da MP nº 2.15835/20015 e impõe ao real adquirente conseqüências relevantes como a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a sujeição aos pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A acusação fiscal é de que a GEMAX teria simulado importação direta quando na realidade teria importado por conta e ordem por presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, em razão de adiantamentos de recursos fornecidos pela HISTOGENE para a liquidação dos contratos de câmbio, uma vez que a GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica próprias para suportar os custos das importações: O artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 dispõe que: 5 Artigo 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 14 13 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Por sua vez, os artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001 dispõem: Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. ................................................... ................................................... Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: " V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014) II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 15 14 Por outro lado, a partir da Lei nº 11.281/2006, foi disciplinada a figura da importação por encomenda, com regulamentação dada pela IN SRF nº 634/2006, nos seguintes termos: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Art. 12. Os arts. 32 e 95 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. .............................................................................. .............................................................................. Parágrafo único. .............................................................................. .............................................................................. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) "Art. 95. .............................................................................. .............................................................................. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 16 15 Art. 13. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 14. Aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que trata a Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nas importações de que trata o art. 11 desta Lei. IN SRF nº 634/2006: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005 , e tendo em vista o disposto no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 , e nos incisos I e II do § 1º do art. 11 e nos arts. 12 a 14 da Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, resolve: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 17 16 Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002 , diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. A caracterização como encomendante predeterminado traz conseqüências relevantes como o cumprimento das obrigações acessórias previstas na IN SRF 634/2006; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a aplicação das regras de preços de transferência de que trata a Lei nº 9.430/96. A inobservância das condições e requisitos por parte da pessoa jurídica importadora previstos na IN SRF 634/2006 acarreta a presunção de que a operação tenha sido realizada por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001, nos termos do §2º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Outro aspecto que deve ser frisado é que o disposto no §3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 “considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior” juntamente com a disposição do parágrafo único do artigo 1º da IN SRF nº 643/2006 "Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente" implicam a conclusão de que a figura da importação por encomenda não admite a antecipação dos recursos pelo encomendante, ainda que parcialmente. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 18 17 Em complemento, a antecipação dos recursos torna presumida a operação por conta e ordem, conforme disposto no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. Defluise que a operação por encomenda, na qual o importador realiza toda a transação comercial e revende a mercadoria a um adquirente predeterminado, e este não antecipa qualquer recurso, é sujeita a um controle aduaneiro específico e acarreta todos os efeitos já acima mencionados. Destacase que a antecipação de recursos por parte do encomendante retira a figura da importação por encomenda (parágrafo único do artigo 1º da IN SRF 634/2006 e §3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006) e a desloca para a figura da importação por conta e ordem, por ficção jurídica, representada pelas presunções de que trata o §2º do artigo 11 da Lei 11.281/2006 e o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. Estabelecido este entendimento, retornamse às alegações. Quanto à capacidade financeira e econômica, no período de 2005 a 2007, houve aporte financeiro mediante integralização de capital da ordem de R$ 50.000,00 e lucro líquido da ordem de R$ 853.923,00 (soma do lucro do exercício do quadro 05), consideradas todas as receitas e despesas contabilizadas, para um volume de importações da ordem de R$ 30.000.000,00. Os valores referemse a receitas auferidas e despesas incorridas por regime de competência, o que, não necessariamente, corresponde ao fluxo financeiro. Entretanto, para fazer frente aos pagamentos das liquidações de câmbio com recursos próprios seria necessária uma engenharia financeira na qual os recebimentos das vendas fossem utilizados em liquidações de outras aquisições a serem posteriormente revendidas, e isto deveria acontecer em volume de R$ 29.000.000,00 dos R$ 30.000.000, operados no período de 2005 a 2007. Tal engenharia não foi provada pela recorrente, nem pela GEMAX em sua impugnação, que se limitou a alegar que o FUNDAP comprovava a origem dos recursos. Ressaltase que a fiscalização intimou a GEMAX a apresentar o Demonstrativo Sumário das Origens e Aplicações de Recursos referentes aos anos de 2005, 2006 e 2007, de acordo com o modelo do Anexo IC do Ato Declaratório Executivo Coana nº 3/2006, o qual contém um fluxo de caixa sumário. A GEMAX apresentou o quadro com informações inconsistentes com a movimentação financeira de caixa e bancos registrada nos livros contábeis, tendo sido consignado em Termo de Constatação e Reintimação, datado de 11/06/2008. Tal demonstrativo foi reintimado em termo datado de 12/08/2008, não tendo sido apresentado pela recorrente, conforme constatado no relatório fiscal. Embora reconheçase que o financiamento proveniente do FUNDAP possa servir como comprovação da origem de recursos para a realização da algumas importações, a recorrente não demonstrou quais importações teriam sido realizadas com tais recursos. Assim, considero que está devidamente provada a incapacidade financeira e econômica da GEMAX para suportar os custos da importação do volume de R$ 30 milhões entre 2005 e 2007. Ainda referente ao procedimento especial da IN SRF nº 228/2002, a GEMAX foi intimada a apresentar a condição de real adquirente, mediante a disponibilização dos instrumentos de negociação, correspondências comerciais entre comprador e vendedor, ordens, Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 19 18 pedidos de compra, publicações especializadas, cotações de preço, não tendo sido apresentados tais documentos, corroborando a tese fiscal. Neste aspecto, a IN SRF 228/2002 dispõe: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Quanto aos adiantamentos, a fiscalização acusou que os referidos eram destinados a suportar as liquidações de câmbio e os pagamentos dos tributos devidos na importação. A tabela seguinte demonstra os valores de liquidação e datas com os valores recebidos decorrentes das vendas aos clientes: DI Dt. registro Dt liq. câmbio Valor Dt. rec. vendas Valor Nota Fiscal Valor Dt. emissão 05/1424514 29/12/05 14/12/05 90.541 14/12/05 90.054 717 136.817 3/1/06 15/12/05 944 06/0224152 23/2/06 3/2/06 170.268 25/1/06 175.700 819 237.285 2/3/06 06/0274664 9/3/06 14/2/06 81.333 10/2/06 81.763 875 119.972 13/3/06 06/0366927 30/3/06 21/2/06 161.027 21/2/06 161.754 922 250.337 4/4/06 06/0756200 29/6/06 31/5/06 146.148 31/5/06 151.606 1075 208.716 5/7/06 As informações da planilha foram obtidas nos demonstrativos mencionados no relatório fiscal que comprovam os adiantamentos de recursos, assim descritos pela fiscalização: Modelo 1: "Traz informações acerca das correspondentes Dls que estão relacionadas às "vendas" das mercadorias importadas da GEMAX para o real adquirente, tais como o n° da Dl e o n° das correspondentes Adições, a descrição das mercadorias, suas quantidades e seu posicionamento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nome do exportador e valores de tributos vinculados à importação"; Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 20 19 Modelo 2: " Traz as informações acerca das liquidações cambiais das obrigações junto a exportadores, relacionadas a cada uma das Dls, tais como o n° do contrato de câmbio, a data e o valor de liquidação do câmbio, o beneficiário do crédito das divisas no exterior e a /identificação do meio pelo qual a liquidação foi efetuada; Modelo 3: " Traz as informações acerca das "vendas" das mercadorias importadas no mercado interno, relacionadas a cada uma das Dls, tais como o n° e a data das correspondentes Notas Fiscais de "venda" de emissão da GEMAX, a descrição e quantidades das mercadorias, a identificação do destinatário (o adquirente), os valores de tributos e as condições de pagamento em foram celebradas as "vendas"; Modelo 4: "Traz as informações acerca dos valores recebidos em função das "vendas", tais como a identificação do autor dos pagamentos, o meio pelo qual este efetuou os pagamentos, junto com a correspondente identificação bancária, assim como as datas e respectivos valores recebidos." Comprovase, assim, que houve adiantamentos de valores para a liquidação do câmbio, o que corrobora a incapacidade financeira da GEMAX para arcar com os custos da importação, especialmente a liquidação do câmbio. Destacase, ainda, que as contabilizações dos lançamentos relativos aos adiantamentos eram registradas em conta de adiantamentos do passivo com históricos vinculando os recebimentos aos processos de importação. Exemplificando: "conta passivo 20301 Adiantamento de clien (010448) Ac Bradesco ref. rec. recursos processo GBL 593/05 (efl. 1102)". Já a quitação do câmbio e demais despesas com importação eram ativadas em contas descritas como "mercadoria p/cta e ordem", revelando que a GEMAX, pelo menos em sua contabilidade, reconhecia as operações como por conta e ordem. Sob outro prisma, a fiscalização transcreveu no relatório fiscal as informações constantes na página da GEMAX da internet, na qual constava que a empresa atuava na área de prestação de serviços na área de comércio exterior, como assessoria de importação e exportação (contratação de frete, pickup (coleta) da mercadoria na fábrica, em qualquer localidade, logística completa do transporte internacional aéreo, marítimo e rodoviário, registro Siscomex – credenciamento, emissão de licenciamentos ( LI´s s no Decex, Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura; registro de operação financeira (ROF) no Banco Central Bacen; contratação de seguro sobre transporte internacional com cobertura ampla porta a porta, com melhores taxas do mercado e outros constantes na página), assessoria especial (importações especiais, admissões temporárias e exportação temporária), serviços relacionados ao fechamento do câmbio (assessoria; conferência e exame da documentação recebida do exterior (Bancos e Exportadores) e devida adequação às normas cambiais no Brasil; orientações nos pedidos de abertura de Carta de Crédito confirmação, negociação e discrepâncias; contratação do câmbio pré e pósembarque), serviços de logística (contratação de fretes internacionais e nacionais, seguros e acompanhamento de todo desembaraço, desde a saída da mercadoria no exterior; nacionalização e entrega/distribuição para o cliente final). Além disso, oferecia vantagens financeiras como expressamente dispostas na página da internet: custo operacional: ausência de margem de lucro; ICMS interestadual 33,3% menor; menor alavancagem de IPI. Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 21 20 Todas as informações se coadunam com a condição de prestadora de serviços e não de revendedora direta de mercadorias, o que aliado à falta de capacidade financeira, aos adiantamentos recebidos, à confirmação de encomenda feita em impugnação, à forma como são contabilizadas as operações, à não apresentação de instrumentos negociais que comprovassem a condição de real adquirente revelam que as operações foram por conta e ordem, corroborando a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. De outro giro, a HISTOGENE alega que a Lei nº 11.281/2006, por ter excluído a importação por conta e ordem da definição de importação por encomenda, elidira a acusação fiscal de fraude. Aparentemente, a alegação seria de que as operações eram por encomenda e não por conta e ordem, o que resultaria em erro na acusação. Ocorre que a própria lei e a IN SRF 634/06 definiram que a importação por encomenda não comporta o adiantamento de recursos, caso que deve ser considerada como por conta e ordem, ou seja, justamente o fundamento da acusação fiscal. Por fim, quanto à alegação de ausência de enquadramento legal quanto à responsabilidade por infrações, verificase que no Auto de Infração, efls. 926, consta a fundamentação no artigo 95 do Decretolei nº 37/1966, que expressamente dispõe: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Restou demonstrado nas razões anteriormente expostas, que a recorrente é a real adquirente das mercadorias, por ter sido a encomendante e ter adiantado todos os recursos necessários à liquidação do câmbio, embora a documentação tenha sido produzida como se fossem importações diretas, escapando assim à equiparação a industrial para efeito de IPI, ao controle aduaneiro quanto à habilitação no comércio exterior e aos parâmetros de avaliação de risco, à sujeição aos procedimentos especiais para verificação da capacidade financeira. Neste sentido, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3201001.876: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. Acórdão nº 3202001.610: Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003152/201056 Acórdão n.º 3302003.058 S3C3T2 Fl. 22 21 LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Acórdão nº 3403002.593: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPORTAÇÃO POR “CONTA E ORDEM” DE TERCEIRO. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerando os lançamentos relativos às DI´s registradas anteriormente a 06/12/2005. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005104/2001-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA.
O regime jurídico-administrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI.
Numero da decisão: 3302-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. O regime jurídico-administrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.005104/2001-81
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566618
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.047
nome_arquivo_s : Decisao_10830005104200181.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10830005104200181_5566618.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6271391
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123468677120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 100 1 99 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.005104/200181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.047 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria IPI COMPENSAÇÃO Recorrente KORBACH VOLLET ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 BEBIDAS DA MARCA XTAPA. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. As bebidas da marca XTapa classificamse no código 2202.90.00 da TIPI, ainda que apresentem propriedades alimentares. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS. PRODUTO EXCLUÍDO DA RELAÇÃO DE ALIMENTO PARA PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA. APURAÇÃO DO IPI DEVIDO COM BASE NA ALÍQUOTA ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE. Os suplementos vitamínicos, por não enquadrarem como alimento para praticantes de atividade física, nos termos da Portaria 222/1998 da extinta Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, não estão sujeitos às alíquotas específicas fixadas no Ato Declaratório SRF 12/2000. RESSARCIMENTO. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS. PRODUTO SUJEITO A APURAÇÃO DO IPI COM BASE ALÍQUOTA AD VALOREM. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR REMANESCENTE DO IMPOSTO. POSSIBILIDADE. Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 51 04 /2 00 1- 81 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 O regime jurídicoadministrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fl. 2) de saldo remanescente de crédito básico do IPI apurado no 2º trimestre de 2001, no valor de R$ 106.509,05, acompanhado do Pedido de Compensação (fl. 4), em que pleiteada a compensação do referido crédito com os débitos do IRPJ, CSLL, Contribuição para PIS/Pasep e Cofins do mês junho de 2001, discriminados no extrato de fl. 87. Com respaldo na Informação Fiscal de fls. 84/86, a autoridade julgadora da unidade da Receita Federal de origem, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 89, deferiu parcialmente crédito pleiteado, no valor de R$ 30.769,61, glosou o valor de R$ 75.739,44 e homologou parcialmente as compensações pleiteadas, com base no argumento de que a contribuinte dera saída a produtos de sua fabricação com classificação fiscal equivocada e sem o lançamento do imposto devido. Em consequência, fora reconstituída a escrita fiscal da interessada e o saldo credor IPI reduzido para o valor de R$ 30.769,61. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada apresentou as suas razões de defesa que foram assim resumidas no relatório encartado na decisão recorrida: 1. Pela impossibilidade de refazer a escrita da contribuinte relativa ao período compreendido entre abril e 18/05/2001, em virtude do prazo decadencial, o indeferimento do pedido de ressarcimento é totalmente improcedente; 2. O mérito desse processo de ressarcimento/compensação é dependente e vinculado ao processo de auto de infração de IPI n° 10830.002310/200643, assim, o exame do mérito desses autos Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005104/200181 Acórdão n.º 3302003.047 S3C3T2 Fl. 101 3 deve ser sobrestado até o julgamento final na esfera administrativa do auto de infração relativo à mesma matéria; 3. Houve mudança de critério fiscal, pois o mesmo pedido foi deferido para a empresa Vita Alimentos; 4. Protesta contra a cobrança dos débitos compensados enquanto estiver pendente a discussão sobre a legitimidade dos procedimentos adotados pela contribuinte; requereu, ainda, seja sustada a precipitada cobrança, consignandose a suspensão da exigibilidade das parcelas indicadas nesta. Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do Despacho Decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 182/196), em que, por unanimidade de votos, foi indeferida a solicitação, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: IMPOSTOS SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Reduzindose o saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, e tendo sido parcialmente deferido pelo órgão preparador o novo valor constante ao final do trimestre, indeferese o pedido de ressarcimento. Solicitação Indeferida Em 11/1/2007, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 198). Inconformada, em 8/2/2007, apresentou o recurso voluntário de fls. 199/219, em que reafirmou os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade e reiterou que fossem considerados os créditos das mercadorias devolvidas, assim como o pedido de diligência apresentado na manifestação de inconformidade, para fim de confirmar tais devoluções. Em 31/8/2011, por meio da petição de fls. 252/253, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso voluntário, por meio do qual renunciou às alegações suscitadas em relação às compensações e manteve as razões recursais atinentes ao direito creditório pleiteado. Na Sessão de 29 de janeiro de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.298 (fls. 288/293), este Colegiado, por maioria de votos, conheceu do recurso voluntário, na parte em que se discutia o direito de crédito, vencido este Conselheiro Relator, que não tomava conhecimento do recurso. Em seguida, resolveram, por unanimidade de voto, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem aguardasse a decisão definitiva do processo do auto de infração correspondente (processo nº 10830.002310/200643). Em 25/7/2014, por meio do Despacho de fl. 295, os autos foram devolvidos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento, tendo em vista que o recurso objeto do Fl. 315DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 processo 10830.002310/200643 fora provido por este Conselho e, como não houve interposição de recurso especial pela PGFN, a referida decisão tornouse definitiva na esfera administrativa. Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.326 (fls. 296/299), o julgamento do recurso foi novamente convertido em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem adotasse as seguinte providências: a) juntasse aos autos a decisão definitiva deste Conselho, proferida no âmbito do processo 10830.002310/200643 e demais peças processuais que entendesse necessárias para o deslinde da presente controvérsia; b) procedesse nova análise do Pedido de Ressarcimento de fl. 2 e, se fosse o caso, apurasse o novo valor do crédito a que tem direito a recorrente, tendo em conta o teor da decisão definitiva proferida no âmbito do citado processo; c) após, cientificasse a recorrente do resultado da análise do direito creditório, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias, para que, querendo, apresentasse as considerações que entendesse pertinentes; e d) por fim, após expirado o prazo fixado para manifestação da recorrente, com ou sem pronunciamento desta, os autos fossem devolvidos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento ao pleiteado na referida diligência, foram juntados aos autos o acórdão nº 3102001.184, de 01 de setembro de 2011 (fls. 301/311), proferido no âmbito do processo 10830.002310/200643, porém, de acordo com a Informação Fiscal de fl. 312, a autoridade fiscal não procedeu a nova análise do Pedido de Ressarcimento de fl. 2 solicitada, sob o argumento de que, embora afastada a exigência expressa no auto de infração, a decisão sobre a apuração do crédito não tinha sido conclusiva, haja vista que, no âmbito do referido acórdão fora concluído que "não caberia ser refeita a reconstituição da escrita considerando as alíquotas ad valorem, e também não restou determinado qual seria a correta classificação fiscal do produto." No final, foi determinado o retorno dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, todavia, em razão da formalização da desistência do pedido de compensação apresentado pela recorrente, tomase conhecimento apenas das razões de defesa restrita ao litígio concernente à parcela do direito creditório não reconhecido nas instâncias anteriores. Inicialmente, é oportuno esclarecer que, em 31/8/2011, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do presente recurso voluntário, com renúncia apenas das razões de defesa suscitadas em relação às compensações pleiteadas e não homologadas, mas com a manutenção das razões aduzidas em relação à parcela do direito creditório não reconhecido. Pelas razões aduzidas no voto vencido encartado na Resolução nº 3102 000.298 (fls. 288/293), este Conselheiro manifestou o entendimento de que o pedido de desistência formulado pela recorrente não se limitava apenas às compensações não homologadas, mas também implicava desistência do pedido de ressarcimento do direito creditório não reconhecido pelas anteriores instâncias de julgamento, portanto, tratavase de desistência integral do recurso voluntário em apreço. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005104/200181 Acórdão n.º 3302003.047 S3C3T2 Fl. 102 5 Acontece que esse entendimento foi rejeitado pela maioria dos membros deste Colegiado, que decidiu que o referido pedido de desistência limitavase apenas à parcela dos débitos cuja compensação não fora homologada, logo, as razões de defesa atinentes à parcela do direito creditório não reconhecido deveria ser conhecida pelo Colegiado, pelas razões declinadas no voto vencedor que integra o mencionado acórdão. Assim, uma vez superada a questão atinente ao alcance do pedido de desistência apresentado pela recorrente, este Relator curvase ao entendimento da maioria e passa analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente na peça recursal em apreço, referente à parcela do pedido de ressarcimento do saldo remanescente do crédito do IPI não reconhecido pela decisão recorrida. No recurso em apreço, a recorrente reconheceu que o desfecho do julgamento deste processo estava vinculado ao julgamento do auto de infração encartado no processo n° 10830.002310/200643, já que a reconstituição da sua escrita fiscal, ultimada no âmbito da citada autuação, acarretara a inexistência parcial do saldo credor de IPI objeto do pedido de ressarcimento em apreço, uma vez que o valor do crédito fora utilizado para amortizar os débitos do IPI apurados por conta da citada reconstituição da escrita fiscal. Com efeito, compulsando a Informação Fiscal de fls. 84/86, verificase que o motivo que levou ao não reconhecimento da parcela do crédito do IPI pleiteada nos presentes autos foi a reconstituição da escrita fiscal da recorrente mediante (i) a inclusão dos novos débitos apurados, relativos à saída da bebida da marca XTAPA, e (ii) a reincorporação dos valores de créditos estornados, referente aos pedidos de ressarcimento dos créditos glosados, que resultou na apuração dos novos valores dos saldos devedores ou credores especificados na planilha de fl. 59/60. Segundo a fiscalização, a recorrente classificou incorretamente o mencionado produto no código TIPI 2106.90.30, sujeito a alíquota zero do IPI, quando o correto seria no código TIPI 2202.90.00, sujeito à tributação com base nos valores fixos por unidade (alíquota específica), calculados sobre a saída de 12 unidades do produto, fixados no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000, combinado com o disposto no Ato Declaratório Executivo SRF 2/2001, que estendeu o regime de tributação com base na quantidade do produto para as bebidas enquadradas como "repositores hidroeletrolíticos" ou "como alimentos para praticantes de atividades físicas". Nesse sentido, é pertinente ressaltar que, se a bebida classificada no código TIPI 2202.90.00 não se enquadrasse nas condições estabelecido no citado Ato Declaratório, ou seja, se ela não fosse um alimento para praticante de atividades físicas, ao invés da cobrança do IPI com base na alíquota por unidade do produto (alíquota específica), ele estaria sujeito à alíquota ad valorem de 40%. No acórdão nº 3102001.184, de 01 de setembro de 2011 (fls. 301/311), proferido no âmbito do processo n° 10830.002310/200643, os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, tendo em conta que o produto da marca XTAPA não era um alimento para praticante de atividade física, conforme entendera a fiscalização, firmaram o entendimento de que ele não estava sujeito à alíquota específica fixada no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000, mas a alíquota ad valorem determinada para o código TIPI 2202.90.00, pois, na condição de suplemento vitamínico, conforme especificado na Portaria da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde 32/1998, o citado produto classificavase no código TIPI 2202.90.00. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 Com base nesse entendimento, o citado Colegiado deu provimento ao recurso voluntário, sob o argumento de que a manutenção da autuação, mediante nova reconstrução da escrita fiscal da recorrente, com a utilização da alíquota ad valorem respectiva, afiguravase, como novo lançamento realizado por quem não estava habilitado legalmente a proceder, ou seja, o citado Colegiado julgador. Nesse sentido, para espancar qualquer dúvida a respeito do fundamento da decisão esposada no referido acórdão, seguem transcrito os excertos relevantes extraídos do voto condutor do referido julgado, in verbis: Neste ponto, e a despeito do acerto ou não no que tange a classificação fiscal do produto proposta pelo autuante, o que me parece absolutamente contraditório é haver este se inspirado na norma geral e abstrata da Anvisa, veiculada pela referenciada Portaria nº 222, para a identificação do produto comercializado pela recorrente como repositor hidroeletrolitico ou alimento para praticante de atividade física se, e aqui reside a contradição, o mesmo órgão do Ministério da Saúde já havia, agora em norma individualizada (Portaria nº 32/98), expedida em processo instaurado pelo mesmo contribuinte, como suplemento vitamínico. A despeito de haver concluído por enquadrar o produto na mesma posição 2200, mas não como repositor energético como pretendeu o autuante, convém atentarmos para passagem do Acórdão 320100.888, de 02 (dois) de fevereiro de 2011 (dois mil e onze), desta mesma Turma de Julgamento e de relatoria do Conselheiro Ricardo Rosa: Esclarecidos todos estes aspectos, há que se fazer uma importante ressalva na parte que tange ao enquadramento da mercadoria sub examine nos Atos Declaratórios nº 012 de 2000 e 02 de 2001, da Secretaria da Receita Federal. Conforme se depreende dos autos, ambos Atos Declaratórios fazem menção expressa aos produtos "que se enquadrem como "repositores hidroeletrolíticos" ou "como alimentos para praticantes de atividades físicas", "nos termos e condições fixados pela Portaria nº 222 da Secretaria de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde". Ora, pareceme claro que o enquadramento nos termos e condições fixados pela Portaria 222 operase no âmbito da Secretaria de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde, não sendo razoável que um produto analisado por aquele Órgão e enquadrado como Suplemento Vitamínico, nos termos da Portaria n° 32/98, seja mais tarde identificado pelo Ministério da Fazenda como Repositor Energético, enquadrado na Portaria 222. De fato, se, por um lado, como dito antes, nenhuma decisão tomada por outro Ministério do Poder Executivo pode afastar a competência da Secretaria da Receita Federal de determinar a classificação fiscal de um produto, também esta não poderá interferir em assuntos afetos a outros Ministérios, como é o caso da identificação do produto como sendo um suplemento vitamínico ou um repositor energético, decisão que Fl. 318DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005104/200181 Acórdão n.º 3302003.047 S3C3T2 Fl. 103 7 compete à Secretaria de Vigilância Sanitária. Ademais, as próprias ordens de execução do Ministério da Fazenda remetem ao enquadramento determinado pelo Ministério da Saúde. Desta maneira, embora a classificação fiscal correta seja a defendida pelo Fisco, o cálculo do tributo devido deve ser feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não pela alíquota especifica. Enfim, independentemente da análise incisiva quanto a correta classificação do produto em questão, para o qual me afiguraria necessário o acatamento da proposta do sujeito passivo no que tange a realização de uma diligência pericial, o que se apresenta como certo, inclusive nos termos de precedente desta turma, é que incorreta teria sido a apuração do tributo com base em valor fixo. Isto dado ao seu não enquadramento aos termos dos Atos Declaratórios SRF retro citados. Assim é que, inspirado na mesma premissa de julgamento adotada pela DRJ para afastar o lançamento sobre os produtos acondicionados em recipientes com capacidade inferior a 361 ml, também não vejo como prosperar a exigência com esteio em valor fixo sobre saídas de produtos não enquadrados como repositores energéticos. A alternativa à conclusão proposta, qual seja a manutenção da autuação mediante nova reconstrução da escrita agora com a aplicação da alíquota ad valorem respectiva, afigurase, para este julgador, como novo lançamento por quem não está habilitado legalmente a proceder (no caso, esta autoridade julgadora). E é, sim, novo lançamento porque, mesmo que se esqueça a complexidade de se empreender nova reconstrução da escrita do sujeito passivo e de todo o regime de débito crédito, a identificação do quantum devido, agora com a aplicação de alíquota ad valorem, demandaria a identificação do valor saídas, sendo esta a base de cálculo (e não apenas o volume das vendas), e da alíquota especifica. Enfim, um trabalho todo novo, inclusive valendose de interpretação jurídica diversa da original. Logo, fica demonstrado que, a classificação fiscal do produto da marca XTAPA foi expressamente determinada, ou seja, que o referido produto classificavase no código TIPI 2202.90.00 e não no código TIPI 2106.90.30, como equivocadamente classificara a recorrente, mas a apuração do IPI devido do referido produto é feita com base na alíquota ad valorem e não alíquota específica como procedera a fiscalização. Assim, embora o entendimento, esposado no referido julgado, quanto à classificação fiscal do referido produto, possa ser aqui integralmente adotada, ante a identidade da matéria discutida em ambos os processos, o mesmo não pode ser feito em relação ao fundamento da decisão quanto à forma de apuração do imposto, haja vista que, nos presentes autos, o litígio não diz respeito à cobrança do crédito tributário lançado, mas ao ressarcimento Fl. 319DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 de saldo credor remanescente do IPI, apurado no final do 1º trimestre de 2001, com fundamento no art. 11 do Lei 9.779/1999, a seguir transcrito: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Não se pode olvidar que o regime jurídicoadministrativo se assenta em dois princípios basilares: a indisponibilidade do interesse público e supremacia deste sobre o privado. Logo, quando institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, entra em conflito com o disposto nos citados princípios, certamente, a força normativa destes devem prevalecer. No caso em tela, uma vez decidido, de forma definitiva, que o produto da marca XTapa fora incorretamente classificado pela recorrente no código TIPI 2106.90.30, a apuração do valor do saldo credor do IPI, por ela realizado, com base nessa classificação fiscal, obviamente, não pode ser aceita. Também pelas mesmas razões aduzidas no acórdão nº 3102001.184, proferido no âmbito do processo n° 10830.002310/200643, não pode ser aceita apuração do valor do IPI com base na alíquota específica do produto, fixada no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000, porque tal procedimento de apuração do IPI não se aplica ao citado produto, conforme decidido no âmbito do citado julgado. Assim, em consonância com as conclusões exaradas no referido acórdão e tendo em conta o disposto nos citados princípios, no caso em tela, a apuração do direito creditório deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada para o citado produto no código 2202.90.00 da TIPI, o que deverá ser feito pela unidade da Receita Federal de origem, em razão da competência para analisar os processos envolvendo ressarcimento de tributo administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), estabelecida no art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB (aprovado pela Portaria MF 203/2012), bem como no art. 69 na Instrução Normativa nº 1.300, de 2012. Em relação as demais alegações suscitadas no presente recurso, inclusive pedido de diligência, obviamente, estão todas superadas, ante a decisão definitiva proferida do acórdão nº 3102001.184, em que foram rejeitadas tais questões pelo referido Colegiado julgador, o que torna despicienda a apreciação delas no âmbito deste julgamento. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para determinar que autoridade da Receita Federal de origem proceda a apuração do valor do valor do crédito do IPI com base na alíquota ad valorem do imposto fixada para o código 2202.90.00 da TIPI, na data da ocorrência dos fatos geradores, devendo ser observado o seguinte: a) a parcela do crédito já reconhecido no âmbito dos despacho decisório e da decisão de primeira instância não poderá ser revista para reduzir o valor do crédito já reconhecido, por se tratarem de decisão definitiva na esfera administrativa, em razão da não interposição de recurso de ofício, por falta de atendimento dos requisitos de admissibilidade; e Fl. 320DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005104/200181 Acórdão n.º 3302003.047 S3C3T2 Fl. 104 9 b) eventual irresignação da recorrente quanto ao valor do crédito passível de ressarcimento a ser reconhecido pela autoridade competente da unidade da Receita Federal de origem deverá ser feita na forma prevista na Solução de Consulta Interna Cosit 18/2012, combinado com o disposto nos itens 61 a 80 do Parecer Normativo Cosit 8/2014, no que aplicável ao caso em tela. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001583/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitando-se à incidência não-cumulativa da contribuição.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF
Numero da decisão: 3302-002.962
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitando-se à incidência não-cumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10920.001583/2009-12
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572551
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-002.962
nome_arquivo_s : Decisao_10920001583200912.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10920001583200912_5572551.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6302475
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124391424000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2164; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.001583/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.962 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria PIS/PAsep e Cofins Recorrente TERMOTÉCNICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência não cumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência não cumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 15 83 /2 00 9- 12 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 3 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep e Cofins, no período de 30/04/2004 a 31/12/2006. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese parte do relatório do voto proferido pelo colegiado a quo: “Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, que remete ao Termo de Verificação Fiscal integrante das peças acusatórias (fls. 238 e seguintes), os lançamentos decorrem de procedimento fiscal que constatou insuficiências de declaração/recolhimento de Cofins e contribuição para o PIS, apuradas com base no fato exposto em síntese. A contribuinte é beneficiária de decisão judicial definitiva que autorizou o aproveitamento de créditos presumidos de IPI sobre a aquisição de insumos sem incidência do tributo (isentos, NT e alíquota zero), cujos valores são contabilizados como exclusão Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 4 3 do custo de aquisição, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, ou seja, o custo de aquisição se torna igual ao valor cheio da nota fiscal menos o crédito presumido. No entanto, na apuração das bases de cálculo de PIS/Cofins (incidência nãocumulativa), a empresa aproveita como crédito o valor cheio da nota fiscal, sem, todavia, incluir em contrapartida os valores dos ganhos provenientes dos créditos de IPI decorrentes da ação judicial em suas receitas sujeitas à incidência das contribuições em foco, procedimento que segundo a fiscalização configura infração ao disposto no art. 1º das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, o que motivou a feitura dos lançamentos de ofício. Cientificada pessoalmente das exigências em 28/04/2009, a contribuinte apresentou em 30/09/2013 a petição impugnativa acostada às fls. 251 e seguintes, atacando o entendimento do autor do procedimento com os argumentos a seguir sumariados. A impugnante inicia a petição discorrendo sobre o fato que deu origem à autuação, a ação judicial que lhe deferiu o direito de crédito de IPI presumido, a sistemática que adota para contabilizar a apropriação desse crédito, e, em seguida passa a defender a tese de que o crédito presumido de IPI não representa receita, como interpreta a fiscalização, mas um redutor de custo, haja vista que é lançado a débito da conta “IPI a Recolher”, seguindo o mesmo tratamento do crédito sobre as aquisições de produtos sobre os quais incide o tributo. Aduz que é lógico que se o contribuinte pagasse o IPI incidente sobre o produto vendido, sem beneficiarse do custo nas aquisições, o tributo perderia sua característica constitucional da nãocumulatividade, prevista no art. 153 da CF/88 e no art. 163 do RIPI. Cita, a esse respeito, trecho do decisum proferido na ação que lhe deu ganho de causa para o crédito presumido e de votos proferidos pelos Ministros Castro Meira e Francisco Falcão, do STJ, concluindo que o crédito em questão não representa uma receita nova, mas uma importância para corrigir o custo. Na mesma linha, reproduz a ementa dos Acórdãos prolatados pelo então 2º Conselho de Contribuintes no julgamento dos recursos 131.755 e 131.756. Acrescenta que, considerar o crédito presumido do IPI como receita, em vez de redutor de custo, seria a administração tributária estar modificando conceitos do direito privado, em flagrante desrespeito ao estatuído no art. 110 do CTN, cuja redação transcreve, citando, a respeito, fragmento de ementa de Acórdão proferido pelo STF, no julgamento de RE que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº. 9.718, de 1998. Finalizando, protesta contra o percentual da penalidade de 75%, que reputa confiscatório, apoiandose no art. 150, IV, da CF/88 e posicionamentos do Poder Judiciário, requerendo que, na Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 5 4 eventual hipótese de ser julgada procedente a exigência, esse percentual seja reduzido para 2%.” A Segunda Turma da DRJ em Brasília proferiu o acórdão nº 0358.933, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência nãocumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Os órgão julgadores administrativos não detém competência para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. IMPUGNAÇÃO COMUM. Em se tratando de impugnação comum, aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação ao lançamento da Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação, à exceção do caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, sendo tal matéria não contestada. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A lide se restringe à inclusão ou não dos créditos presumidos de IPI, apurados mediante provimento judicial definitivo obtido pela recorrente, no sentido de se creditar do IPI na entrada de matériasprimas, insumos e embalagens imunes, nãotributadas, isentas ou tributadas à alíquota zero, pela aplicação da alíquota do produto final aos insumos Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 6 5 isentos ou sujeitos à alíquota zero, apropriandose do resultado como crédito, ou pela exclusão desses insumos da base de cálculo do IPI, aplicandose a alíquota ao saldo. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 dispuseram no §3º do artigo 1º sobre as receitas que não integram a base de cálculo na incidência nãocumulativa, não havendo disposição legal específica que contemple a exclusão pleiteada. Assim, necessária a verificação da natureza dos créditos presumidos apurados, ou seja, se se enquadram no conceito de receita. Como mencionado pelo acórdão recorrido, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 ainda determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 7 6 Corroborando o entendimento, transcrevese trecho do voto do ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, proferido no Acórdão 3301002.395: Peço vênia para me socorrer também nos valiosos ensinamentos do eminente Conselheiro Sólon Sehn no artigo denominado “Crédito Presumido de IPI e a Base de Cálculo de PIS e Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz da Jurisprudência do CARF, fls. 519/537, in verbis: (...) Não há qualquer impedimento à cobrança do tributo no regime não cumulativo, uma vez que a recuperação de custos integra a receita bruta da empresa. Afinal, se o conceito de receita compreende o acréscimo patrimonial líquido, não há motivos para afastar de seu âmbito de significação o incremento resultante do recebimento do crédito presumido do IPI. O patrimônio compreende não só os bens, mas os direitos de crédito e todas as demais relações jurídicas de conteúdo econômico titularizadas pelo sujeito de direitos. Por conseguinte, a receita pode ser auferida não apenas mediante recebimento de dinheiro, mas pela aquisição de qualquer direito susceptível de apreciação pecuniária. Por outro lado, embora a Lei nº 9.363/1996 faça referência a “ressarcimento”, devese ter presente que não se trata propriamente de uma indenização. A concessão do crédito constitui uma liberalidade, um ato unilateral do Poder Público, que não se confunde com as obrigações derivadas da responsabilidade extracontratual. Tampouco se trata de reembolso, porque este pressupõe a recomposição do patrimônio devida em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. (...) Os créditos presumidos são benefícios fiscais concedidos unilateralmente pelo Poder Público, podendo apresentar natureza de subvenção de custeio (v.g. crédito presumido do IPI para ressarcimento de contribuições previsto na Lei nº 9.363/1996) ou de subvenção para investimentos (v.g. crédito presumido para incentivos da Lei nº 9.826/1999). No primeiro caso, as subvenções integram o resultado da pessoa jurídica e, nessa condição, têm natureza de receita bruta do sujeito passivo. Portanto, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, desde que se trate de contribuinte submetido ao regime não cumulativo... Constatase, pois, que o crédito presumido de que trata estes autos, assim como o crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, representa ganho econômico efetivo, pois reduz um passivo mediante um aumento no patrimônio líquido (crédito em resultado). Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 8 7 Neste sentido, citamse ementas de acórdãos deste conselho, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mantendo a incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins,: Acórdão nº 9303002.825, proferido em 23/01/2014: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. O crédito presumido do IPI constitui receita sujeita à incidência da COFINS nãocumulativa. Acórdão nº 3801002.205, proferido em 24/10/2013: [...] BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI E DE CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. As receitas decorrentes de ressarcimentos de créditos presumidos de IPI e do crédito prêmio do IPI compõem a base de cálculo da contribuição PIS no regime da não cumulatividade, tendo em vista que o faturamento mensal corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou de sua classificação contábil. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 3301002.395, proferido em 23/07/2014: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO. Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Tratase de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS e Cofins. Nos termos do art. 111 do CTN interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. As próprias Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ao disporem no §3º sobre as receitas que integram a base de cálculo, conferem natureza de receita às reversões de provisões e às recuperações de crédito baixados como perda, que foram expressamente excluídas da base, indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912903/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
Ementa:
CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3302-003.038
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10680.912903/2008-42
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566632
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.038
nome_arquivo_s : Decisao_10680912903200842.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10680912903200842_5566632.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6271430
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124464824320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912903/200842 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.038 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IPI Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A. MBR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 29 03 /2 00 8- 42 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912903/200842 Acórdão n.º 3302003.038 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao terceiro trimestre de 2003, com fulcro no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, cumulado com declarações de compensação, efetuado pelo estabelecimento de CNPJ 33.417.445/004622. A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos extemporâneos de IPI, escriturados em setembro de 2003, lastreados em notas fiscais de crédito emitidas extemporaneamente em 26/09/2003, relativos a entradas realizadas entre 1999 a junho/2003, em razão de a recorrente fabricar produtos classificados no código 2601.11.00 da TIPI enquadrados como NT (Não Tributado), não sendo, pois, considerada estabelecimento industrial para fins de IPI. Adicionalmente, glosou, ainda, a correção monetária efetuada pela recorrente sobre os valores originais de IPI lançados nas notas fiscais de entrada, bem como insumos que não tiveram contato direito com o produto em fabricação, conforme preconizado pelo Parecer Normativo nº 65/1979. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: 1. Que o princípio da nãocumulatividade do IPI é norma constitucional e não autoriza a vedação ao creditamento de IPI na saída de produtos isentos ou não tributados, mediante legislação infraconstitucional; 2. Que sua atividade é de industrialização por beneficiamento de minério de ferro, de acordo com o inciso II do artigo 4º do RIPI/2002 e que seu estabelecimento não poderia ser classificado como não industrial; 3. Que o artigo 7º da Lei nº 4.502/64 dispôs que o produto de origem mineral é isento de IPI e, portanto, pode manter o crédito de IPI; 4. Que o artigo 13 da Lei nº 9.493/97 não pode definir a condição de contribuinte, uma vez que tal matéria é reservada à lei complementar; 5. Que exportava mais de 80% de sua produção e, portanto, fazia jus ao crédito em razão do disposto no artigo 5º do Decretolei nº 491/1969; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912903/200842 Acórdão n.º 3302003.038 S3C3T2 Fl. 4 3 6. Que a Lei nº 9.779/1999 autoriza o creditamento de IPI vinculado às saídas de produtos imunes; 7. A necessidade de atualização monetária do saldo credor de IPI, por tal crédito não ser escritural e que o pedido de ressarcimento se equivale a pedido de restituição; 8. Que a glosa da autoridade fiscal relativa ao aproveitamento de créditos em desacordo com o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem não contém elementos suficientes, impedindo o exercício do contraditório e da ampla defesa; 9. A homologação das compensações em decorrência das razões já aduzidas. Relativamente às declarações de compensação, a recorrente apresentou renúncia à compensação e incluiu os débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, mantendose a discussão apenas em relação ao pedido de ressarcimento. A Terceira Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0941.745, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 1 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos a que a pessoa jurídica dá saída estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). Não havendo o citado direito creditório, cabe indeferir o pedido de ressarcimento que nele se funda. 2 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. DENEGAÇÃO. Não incide correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as arguições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912903/200842 Acórdão n.º 3302003.038 S3C3T2 Fl. 5 4 julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PERÍCIA/DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Perícia ou diligência só se promovem para solucionar dúvidas com relação ao levantamento fiscal e sobre assuntos coerentes com a legislação tributária. Proposições do contribuinte que de plano são afastadas em face da legislação tributária não as justificam. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações já aduzidas na manifestação de inconformidade, exceto a concernente ao aproveitamento de créditos em desacordo com o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A questão central da lide referese à possibilidade de creditamento de IPI nas entradas de insumos vinculados a saídas de produtos classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI como NT (não tributados). A recorrente fundamentou o direito ao referido creditamento no princípio da nãocumulatividade insculpido no artigo 153, §3º inciso II da Constituição Federal e no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999. De plano, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer das alegações de ofensa ao princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI e à reserva material à lei complementar, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A1 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912903/200842 Acórdão n.º 3302003.038 S3C3T2 Fl. 6 5 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, destacase que a classificação dos produtos no código 2601.11.00 não foi contestada, de modo que é ponto incontroverso. A respeito transcrevese a descrição do código na TIPI: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 26.01 MINÉRIOS DE FERRO E SEUS CONCENTRADOS, INCLUÍDAS AS PIRITAS DE FERRO USTULADAS (CINZAS DE PIRITAS) 2601.1 Minérios de ferro e seus concentrados, exceto as piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas) 2601.11.00 Não aglomerados NT 2601.12.00 Aglomerados NT 2601.20.00 Piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas) NT Assim, nos termos do parágrafo único do artigo 2º dos Decretos nº 2.637/1998 (RIPI/98) e nº 4.544/2002 (RIPI/2002) 2, os produtos com notação "NT" estão fora do campo de incidência do IPI, ainda que, sujeitos aos processos de industrialização descritos no artigo 4º dos referidos decretos. Por outro lado, o artigo 3º da Lei nº 4.502/64, matriz legal do artigo 8º3 dos decretos, dispõe que estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto, o que afasta da definição o estabelecimento recorrente. De fato, o crédito básico decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem somente é possível aos estabelecimentos industriais ou equiparados, conforme preconizam os artigos 164 e 190 do Decreto nº 4.544/2002, correspondentes aos artigos 147 e 171 do Decreto nº 2.637/98: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) 2 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). 3 Lei nº 4.502/64 Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Decreto nº 2.637/98 e nº 4.544/2002 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912903/200842 Acórdão n.º 3302003.038 S3C3T2 Fl. 7 6 não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . Defluise que a recorrente não se sujeita à incidência do IPI, e, portanto, não apura créditos vinculados à fabricação de produtos NT, ainda que exportados, e, consequentemente, não se enquadra na faculdade do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Impende esclarecer que esta matéria está pacificada no âmbito do CARF, a teor da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, cujo enunciado transcrevese: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912903/200842 Acórdão n.º 3302003.038 S3C3T2 Fl. 8 7 Transcrevese voto do Acórdão nº 20400.488, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, utilizado como um dos paradigmas para elaboração do enunciado da referida súmula: “Sem reparos a decisão vergastada. A questão é simples e decorre de expressa disposição legal. Primeiro, gizo que não há controvérsia quanto ao fato de que os produtos a que a empresa dá saída, frutas em geral, são classificadas como NT na TIPI. Com base nas transcrições do RIPI/98 feitas na r. decisão, resta evidenciado que a legislação do IPI exclui do campo de incidência deste imposto os produtos classificados como NT. Em conseqüência, mesmo que sobre estes produtos seja executada alguma operação que possa ser considerada como industrialização, no caso o alegado beneficiamento, resta não atendido o pressuposto para tal que é o fato de o produto estar dentro do campo de incidência do IPI, eis que os produtos classificados como NT estão fora deste, como expresso no artigo 13 da Lei n° 9.493/97, norma reproduzida à fl. 55, no Parecer SORAT da DRF em Petrolina PE. Portanto, se tais produtos estão fora do campo de incidência do IPI, mesmo que haja beneficiamento das frutas, como parece ser o caso, em relação a esta operação o estabelecimento beneficiador não é industrial, desta forma não havendo direito a qualquer crédito na sua entrada, até porque não há destaque algum de IPI nessas operações e não há decisão alguma do STF que respalde creditamento de IPI de produtos NT, pelo que não há incidência da norma estatuída do artigo 11 da Lei n° 9.779, já que lhe falece legitimidade para creditarse dos valores de IPI, se créditos houvesse.” Portanto, desnecessário o debate sobre os demais argumentos deduzidos concernentes ao direito ao creditamento IPI em relação às aquisições de insumos utilizados em produtos com notação NT, bem como resta prejudicada a matéria relativa à atualização monetária pleiteada. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912903/200842 Acórdão n.º 3302003.038 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.723909/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 13/01/2006 a 28/08/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 13/01/2006 a 28/08/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12466.723909/2011-11
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572379
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.070
nome_arquivo_s : Decisao_12466723909201111.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 12466723909201111_5572379.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6300164
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124560244736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.723909/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.070 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria Multa Aduaneira Recorrente GEMAX TRADING COMPANY S/A E GRID, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/01/2006 a 28/08/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 39 09 /2 01 1- 11 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723909/201111 Acórdão n.º 3302003.070 S3C3T2 Fl. 3 2 Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e de GRID, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA EPP, como real adquirente. A GEMAX registrou declaração de importação DI na modalidade direta (por sua própria conta e ordem) no período de 2005 a 2006. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro e de revisão de habilitação no comércio exterior, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse a prática de ocultação do real adquirente GRID , mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente; 2. As operações somente puderam ser viabilizadas mediante adiantamentos de caixa recebidos pelos reais adquirentes para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; Fl. 870DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723909/201111 Acórdão n.º 3302003.070 S3C3T2 Fl. 4 3 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. A ocultação da GRID propiciaria: sua não equiparação a industrial para evitar a incidência de IPI; diminuir receitas de vendas sujeitas a PIS/Pasep, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS; usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); não se submeter aos procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, fugir ao controle quanto à avaliação de risco (parametrização), em função do perfil histórico e cadastral. Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% (FUNDAP) mais lucro operacional médio de 3% e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; a2) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação a maior parte das Dl's e, em relação à Dl n° 06/11657958, restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita .financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3%; a.3)Também porque os valores depositados na conta da Impugnante foram posteriores aos registros da DI´s e, consequentemente, após a contratação com o exportador e o embarque dos bens, não podendo ser considerados "adiantamentos"; Fl. 871DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723909/201111 Acórdão n.º 3302003.070 S3C3T2 Fl. 5 4 a4) Também pela impossibilidade de se estender as "impressões" de procedimento especial de fiscalização da IN 228/02 a todas as importações do contribuinte, nos termos do ACÓRDÃO N° 17 38398 de 23 de Fevereiro de 2010, do ACÓRDÃO N° 1735664 de 20 de Outubro de 2009, do ACÓRDÃO N° 0715421 de 13 de Março de 2009 e do ACÓRDÃO N° 0715356 de 06 de Março de 2009 e 17¬ 52.140, de 07 de Julho de 2011 (transcritos nos itens 114 e 116 acima); a5) Também porque o artigo 27 da Lei n.° 10.637/2002 prevê uma presunção relativa da ocorrência de importação por conta e ordem quando a operação de comércio exterior for realizada mediante utilização de recursos de terceiro, presunção esta que restou afastada, haja vista que: > o Fisco não afastou a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ (transcrita no item 100, acima); e, > restou comprovado que a Impugnante foi a responsável por todas as tratativas com o exportador, figurando, inclusive, nos documentos que acobertaram a operação, não tendo sido produzida qualquer prova apta a afastar a veracidade de tais informações, nos termos dos Acórdãos 1752151, de 07 de julho de 2011 e 1752.140, transcritos nos itens 307 e 114, acima; a6) Também porque a operação foi feita na modalidade por encomenda, aplícandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI, bem como o disposto no ACÓRDÃO N° 0721519 de 15 de Outubro de 2010 (item 100) e na Solução de Consulta N° 5 de 07 de Janeiro de 2010 (item 318), razão pela qual pequenos adiantamentos não são suficientes para afastar tal modalidade, mormente se comprovada que a importadora obteve financiamento para gerir suas atividades; a7) Também porque a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA (transcrita no item 389, acima, doc 16) e consoante Acórdãos DRJ no S 17¬ 25849, de 17/06/2008, e 17 26798, de 13/08/2008 (item 392, acima). b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2o c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único (transcrito nos itens 51/52, acima), nos termos do Acórdão n° 302¬ 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes (transcrito no item 72, acima); Também porque o Auto de Infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em todas as DIS mencionadas nos autos, violando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto nº 70.235/72 [...] Fl. 872DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723909/201111 Acórdão n.º 3302003.070 S3C3T2 Fl. 6 5 Também porque não foi permitido o acesso aos autos do procedimento, assim como todos os livros fiscais permanecem em posse do AFRFB atuante; c) Sucessivamente ao pedido (b) acima, reconheça a decadência do lançamento em relação às DI´s, todas registradas há mais de 5 anos; d) Sucessivamente ao pedido (b) supra, que DEVOLVA o prazo para impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir da data em que a requerente receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração (conforme itens 24/30 e does. 02 e 03), baixando o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerandose em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante. Os exsócios da GRID COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA EPP, cientificados como responsáveis tributários, não apresentaram impugnação, tendo sido lavrados os termos de revelia de efls. 819 a 820. Em 16/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1652.411, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação enseja a penalidade previstas no artigo 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/12/2013, a GEMAX interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando: 1. Em preliminares, nulidade do auto de infração por negativa de acesso aos autos e obtenção de cópia, nulidade por irregularidade na emissão de MPF, decadência do lançamento relativo às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência da autuação, Fl. 873DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723909/201111 Acórdão n.º 3302003.070 S3C3T2 Fl. 7 6 necessidade de reforma por ausência de descrição específica das irregularidades, impossibilidade de utilizar conclusões de outros processos administrativos; 2. No mérito, a existência de receitas financeiras FUNDAP, imóvel avaliado em R$ 2.374.000 e capital social de R$ 400.000, suficientes a afastar a presunção relativa de incapacidade financeira, que importou em benefício próprio e depois revendeu, que não houve adiantamentos, pois os depósitos ocorreram depois de nacionalizadas as mercadorias, o caráter confiscatório da multa aplicada, a aplicação da multa de dez por cento por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pugna pela decadência das infrações relativas às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] Fl. 874DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723909/201111 Acórdão n.º 3302003.070 S3C3T2 Fl. 8 7 RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo as ciências do Auto de Infração ocorridas em 20/12/2011 (relativo à GEMAX) e 21/12/2011 (relativo aos solidários responsáveis pela GRID), os lançamentos referentes às DI´s registradas de 13/01/2006 a 28/08/2006 devem ser exonerados. Neste sentido, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3403002.865: PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Acórdão nº 3201001.884: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 875DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723909/201111 Acórdão n.º 3302003.070 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.723910/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12466.723910/2011-37
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572378
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.071
nome_arquivo_s : Decisao_12466723910201137.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 12466723910201137_5572378.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6300163
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125317316608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.723910/201137 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.071 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria Multa Aduaneira Recorrente GEMAX TRADING COMPANY S/A E ZONA LIVRE LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 39 10 /2 01 1- 37 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e de ZONA LIVRE LOGISTICA LTDA, como real adquirente. A GEMAX registrou declaração de importação DI na modalidade direta (por sua própria conta e ordem) no período de 2005 a 2006. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro e de revisão de habilitação no comércio exterior, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse a prática de ocultação do real adquirente ZONA LIVRE , mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente; 2. As operações somente puderam ser viabilizadas mediante adiantamentos de caixa recebidos pelos reais adquirentes para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme Fl. 835DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 4 3 informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. A ocultação da ZONA LIVRE propiciaria: sua não equiparação a industrial para evitar a incidência de IPI; diminuir receitas de vendas sujeitas a PIS/Pasep, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS; usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); não se submeter aos procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, fugir ao controle quanto à avaliação de risco (parametrização), em função do perfil histórico e cadastral. Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% (FUNDAP) mais lucro operacional médio de 3% e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; a2) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação a maior parte das Dl's e, em relação à Dl n° 06/11657958, restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita .financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3%; a.3)Também porque os valores depositados na conta da Impugnante foram posteriores aos registros da DI´s e, consequentemente, após a contratação com o exportador e o embarque dos bens, não podendo ser considerados "adiantamentos"; a4) Também pela impossibilidade de se estender as "impressões" de procedimento especial de fiscalização da IN 228/02 a todas as importações do contribuinte, nos termos do ACÓRDÃO N° 17 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 5 4 38398 de 23 de Fevereiro de 2010, do ACÓRDÃO N° 1735664 de 20 de Outubro de 2009, do ACÓRDÃO N° 0715421 de 13 de Março de 2009 e do ACÓRDÃO N° 0715356 de 06 de Março de 2009 e 17¬ 52.140, de 07 de Julho de 2011 (transcritos nos itens 114 e 116 acima); a5) Também porque o artigo 27 da Lei n.° 10.637/2002 prevê uma presunção relativa da ocorrência de importação por conta e ordem quando a operação de comércio exterior for realizada mediante utilização de recursos de terceiro, presunção esta que restou afastada, haja vista que: > o Fisco não afastou a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ (transcrita no item 100, acima); e, > restou comprovado que a Impugnante foi a responsável por todas as tratativas com o exportador, figurando, inclusive, nos documentos que acobertaram a operação, não tendo sido produzida qualquer prova apta a afastar a veracidade de tais informações, nos termos dos Acórdãos 1752151, de 07 de julho de 2011 e 1752.140, transcritos nos itens 307 e 114, acima; a6) Também porque a operação foi feita na modalidade por encomenda, aplícandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI, bem como o disposto no ACÓRDÃO N° 0721519 de 15 de Outubro de 2010 (item 100) e na Solução de Consulta N° 5 de 07 de Janeiro de 2010 (item 318), razão pela qual pequenos adiantamentos não são suficientes para afastar tal modalidade, mormente se comprovada que a importadora obteve financiamento para gerir suas atividades; a7) Também porque a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA (transcrita no item 389, acima, doc 16) e consoante Acórdãos DRJ no S 17¬ 25849, de 17/06/2008, e 17 26798, de 13/08/2008 (item 392, acima). b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2o c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único (transcrito nos itens 51/52, acima), nos termos do Acórdão n° 302¬ 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes (transcrito no item 72, acima); Também porque o Auto de Infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em todas as DIS mencionadas nos autos, violando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto nº 70.235/72 [...] Fl. 837DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 6 5 Também porque não foi permitido o acesso aos autos do procedimento, assim como todos os livros fiscais permanecem em posse do AFRFB atuante; c) Sucessivamente ao pedido (b) acima, reconheça a decadência do lançamento em relação às DI´s, todas registradas há mais de 5 anos; d) Sucessivamente ao pedido (b) supra, que DEVOLVA o prazo para impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir da data em que a requerente receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração, baixando o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerandose em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante. A responsável solidária ZONA LIVRE COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – EPP impugnou o lançamento alegando, conforme transcrição do relatório do acórdão recorrido: “1. Alega que o auto de infração foi lavrado em 03/10/2011 e que tomou ciência em 19/12/2011. Alega a decadência dos créditos aduaneiros lançados. Cita o art. 70 do RA. Cita doutrina sobre o tema. 2. Alega que não financiava financeiramente as importações autuadas mas apenas efetuava pagamentos parcelados de mercadorias já recebidas. Alega que forneceu o Registro de Entrada e Saída comprovando as operações comerciais entre as partes. 3. Alega que não possui qualquer relação com a capacidade financeira ou outras situações comerciais da empresa GEMAX. Alega que adquiriu as mercadorias de boafé. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. 4. Alega existir uma “regra do In Dúbio Pro Contribuinte” no art. 112 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. sobre o tema. 5. Alega que a autuação baseiase em mera presunção e não na verdade material. 6. Alega que não houve prejuízo ao Erário e por conseqüência ão seria aplicável a pena de perdimento. Cita doutrina sobre o tema. 7. Alega que existe incompatibilidade entre os valores depositados e o valor da importação relativo à DI nº 06/09089760. Alega que a fiscalização criou uma utopia contábil financeira. Alega que não há vinculação entre os valores e a declaração de importação. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 7 6 8. Reafirma que não ocorreu fraude e que seria incabível a pena de perdimento. Cita doutrina sobre o tema. Cita o Princípio da Legalidade e afirma que não há responsabilidade solidária no presente caso. 9. Alega que não foi intimada a rechaçar os termos fiscais e que inexiste auto de infração acerca da pena de perdimento. Cita doutrina sobre o tema. 10. Requer, por fim, que seja excluída do pólo passivo da autuação ou que seja reconhecida a decadência. No mérito peticiona pela improcedência do auto de infração. Em 16/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1653.131, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação enseja a penalidade previstas no artigo 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 17/12/2013, a GEMAX interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando: 1. Em preliminares, nulidade do auto de infração por negativa de acesso aos autos e obtenção de cópia, nulidade por irregularidade na emissão de MPF, decadência do lançamento relativo às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência da autuação, necessidade de reforma por ausência de descrição específica das irregularidades, impossibilidade de utilizar conclusões de outros processos administrativos; 2. No mérito, a existência de receitas financeiras FUNDAP, imóvel avaliado em R$ 2.374.000 e capital social de R$ 400.000, suficientes a afastar a presunção relativa de incapacidade financeira, que importou em benefício próprio e depois revendeu, que não houve adiantamentos, pois os depósitos ocorreram depois de nacionalizadas as mercadorias, o caráter confiscatório da multa aplicada, a aplicação da multa de dez por cento por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 8 7 Por seu turno, a recorrente ZONA LIVRE interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando, em síntese, as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos interpostos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Preliminarmente, as recorrentes pugnam pela decadência das infrações relativas às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo as ciências do Auto de Infração 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 840DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 9 8 ocorridas em 21/12/2011 (relativo à GEMAX) e 21/12/2011 (relativo à ZONA LIVRE), os lançamentos referentes às DI´s registradas de 02/08/2006 a 06/09/2006 devem ser exonerados. Neste sentido, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3403002.865: PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Acórdão nº 3201001.884: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 841DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 12448.736223/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2011
SISTEMA DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. IMPOSTO DE RENDA. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. INOCORRÊNCIA. INCUMULATIVIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. SISTEMA CUMULATIVO. VÍCIO INSANÁVEL.
Permaneceram sujeitas às normas vigentes antes da entrada em vigor da Lei 10.833, dentre outras, as pessoas jurídicas tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado. Uma vez que essa opção não tenha sido feita pelo contribuinte, se lhes aplicam as regras da incumulatividade.
É nulo o Auto de Infração lavrado com base em legislação que não se aplica ao contribuinte submetido ao procedimento fiscal.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2011 SISTEMA DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. IMPOSTO DE RENDA. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. INOCORRÊNCIA. INCUMULATIVIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. SISTEMA CUMULATIVO. VÍCIO INSANÁVEL. Permaneceram sujeitas às normas vigentes antes da entrada em vigor da Lei 10.833, dentre outras, as pessoas jurídicas tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado. Uma vez que essa opção não tenha sido feita pelo contribuinte, se lhes aplicam as regras da incumulatividade. É nulo o Auto de Infração lavrado com base em legislação que não se aplica ao contribuinte submetido ao procedimento fiscal. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.736223/2012-81
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556365
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-002.929
nome_arquivo_s : Decisao_12448736223201281.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 12448736223201281_5556365.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 16/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6243326
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125470408704
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-12-16T19:51:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-12-16T19:51:09Z; Last-Modified: 2015-12-16T19:51:09Z; dcterms:modified: 2015-12-16T19:51:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:9b4fe5e0-31bf-4131-b543-281d3d899d1a; Last-Save-Date: 2015-12-16T19:51:09Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-12-16T19:51:09Z; meta:save-date: 2015-12-16T19:51:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-12-16T19:51:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-12-16T19:51:09Z; created: 2015-12-16T19:51:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2015-12-16T19:51:09Z; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-12-16T19:51:09Z | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.736223/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.929 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Auto de Infração Cofins Recorrente CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2011 SISTEMA DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. IMPOSTO DE RENDA. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. INOCORRÊNCIA. INCUMULATIVIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. SISTEMA CUMULATIVO. VÍCIO INSANÁVEL. Permaneceram sujeitas às normas vigentes antes da entrada em vigor da Lei 10.833, dentre outras, as pessoas jurídicas tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado. Uma vez que essa opção não tenha sido feita pelo contribuinte, se lhes aplicam as regras da incumulatividade. É nulo o Auto de Infração lavrado com base em legislação que não se aplica ao contribuinte submetido ao procedimento fiscal. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 16/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 62 23 /2 01 2- 81 Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração contra a contribuinte em epígrafe, relativo à insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidência cumulativa (fls. 961/1005), referente aos períodos de apuração de 01/2007 a 03/2011, no valor principal de R$ 13.175.594,54, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 27/02/2009, totalizando o crédito tributário de R$ 27.669.124,74. No Termo de Constatação Fiscal, integrante do Auto de Infração (fls. 961/974), a autoridade lançadora registra, em síntese, que A ação fiscal foi motivada por despacho contido nos autos do processo 15374.000174/200603, que trata de acompanhamento do Mandado de Segurança 2005.51.01.0243752, com pedido de liminar, no qual a impetrante pleiteava a declaração de inexistência de relação jurídicotributária que obriga o pagamento da Cofins, por se tratar de ‘sociedade civil sem fins lucrativos, que tem por objetivo promover, primordialmente, a prática de atividades desportivas, culturais, sociais, assistenciais, educacionais e filantrópicas’, bem como a compensação dos valores recolhidos nos últimos 10 anos; A sentença proferida pela 24a VF, publicada em 30/05/2011 declarou a inexigibilidade da Cofins, a partir de fevereiro de 1999, tão somente em relação às receitas próprias de suas atividades sem fins lucrativos, relativas à promoção da prática de esportes, atividades de caráter cultural, recreativo, assistencial, educacionais e filantrópico; A análise da composição das receitas mensais demonstrou a existência de um grande número de fontes de receita; O contribuinte não declarou quaisquer débitos a título de COFINS nas DCTF dos períodos de 7/2006 a 3/2011; O contribuinte não efetua pagamentos a título de COFINS desde 8/2006; O contribuinte não informou débitos de COFINS nos DACON apresentados, referentes aos períodos de 7/2006 a 2/2007 e 1/2011 a 3/2011; O contribuinte foi diversas vezes intimado a esclarecer a origem das receitas relacionadas no Termo de Diligência, mas não apresentou resposta; O contribuinte se inclui no rol das entidades beneficiadas com a isenção mencionada no artigo 13, inc VIII da MP 215835/2001, enquadrandose na hipótese de não incidência tributária, ou isenção da Cofins, prevista no art 14 da referida norma, que incidiria sobre as receitas das atividades próprias, isto é, aquelas previstas em seu Estatuto Social, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais; A regra de isenção não exige que a entidade preste serviços gratuitos, sendo condição para o gozo da isenção do IRPJ e da CSLL que a contrapartida financeira pelos serviços executados seja direcionada à consecução dos objetivos para os Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Acórdão n.º 3102002.929 S3C1T2 Fl. 3 3 quais a entidade foi criada, conforme estabelecido em seu Estatuto Social, e, principalmente, não tenha finalidade lucrativa; Para a incidência nãocumulativa da Cofins, estão em vigor as isenções previstas no art. 14 da MP 2.15835/2001, incluída a isenção da receita proveniente das atividades próprias das associações sem fins lucrativos; Foram relacionadas as rubricas/fontes de receita, por não apresentarem características de receitas derivadas de atividades próprias da fiscalizada, de acordo com o conceito da legislação vigente; A simples observação da relação nos permite concluir que tais receitas apresentam características contraprestacionais, são próprias de atividades de natureza econômicofinanceira ou empresarial e, portanto, sujeitas à incidência da Cofins; A título de complemento, cita os arts. 2º e 3º da Lei 9.615/98, com alterações da Lei 10.672/2003 dispondo que a exploração e a gestão do desporto profissional, caracterizada pela remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre o atleta e a entidade de prática esportiva, constituem exercício de atividade econômica; No que tange ao regime de tributação da COFINS a ser aplicado ás receitas que não seriam relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 15 da Lei 9.532/97, impende recordar que de acordo com o que dita o art. 2º da IN SRF nº 404/2004, são contribuintes da COFINS nãocumulativa as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real. Destarte, as pessoas jurídicas que não adotam o regime do lucro real deverão seguir o regime cumulativo de apuração da COFINS; Restou demonstrada a falta de recolhimento da Cofins nos períodos de apuração de 01/2007 a 03/2011, sobre as receitas abrangidas pelas rubricas relacionadas no Termo, tendo como base de cálculo os montantes apurados na “Planilha de Apuração da Cofins”, anexa ao Termo; Considerando que no período de 01/2007 a 11/2007 o contribuinte não realizou qualquer pagamento a título de Cofins, para fins de cômputo da decadência, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 01/01/2008. O contribuinte foi cientificado em 18/12/2012 e, inconformado, apresentou, em 14/01/2013, a impugnação de fls. 1203/1231, alegando em síntese que: O Impugnante foi cientificado do auto de infração em 18/12/2011, quando já se encontravam extintas por decadência, por força do art. 156, V do CTN, as parcelas relativas ao período compreendido entre 01/01/2007 e 17/12/2007; O prazo previsto no art. 173, I do CTN não pode ser aplicado a casos em que não se discute a apuração ou a suficiência do recolhimento ou lançamento, mas o próprio nascimento da obrigação tributária; A sentença proferida no Mandado de Segurança 2005.51.01.0243752 reconhece a inexigibilidade da Cofins em relação às receitas próprias de sua atividade, aí incluída a promoção da prática de esportes, em que certamente está inserido o futebol profissional. Portanto, o Fisco não poderia ter lavrado auto de infração para cobrar imposto somado a vultosa multa de ofício de 75%; Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Conforme jurisprudência do CARF, a autoridade fiscal poderia no máximo lavrar o auto para prevenir a decadência, sem imposição da multa de ofício; A exigência da multa de ofício, no caso em que o crédito tributário é inexigível por força de sentença válida e eficaz, acarreta a nulidade do auto de infração, além de implicar evidente descumprimento de decisão judicial; É forçoso o reconhecimento da nulidade do lançamento ou, ao menos o cancelamento da multa de ofício imposta; O Flamengo é associação civil sem fins lucrativos cujo objeto exclusivo é o desenvolvimento e a prática de atividades desportivas, culturais, sociais, educacionais e filantrópicas, conforme arts 1º e 2º de seu Estatuto; O Flamengo não pratica atividades que possuam conteúdo econômico/lucrativo. Toda a receita auferida é reinvestida na manutenção e desenvolvimento de suas atividades típicas; No caso da Impugnante, conceitos como o de “faturamento” ou “lucro” são absolutamente inapropriados; As cifras movimentadas pelo futebol profissional não alteram a premissa básica de que todos esses valores mantêmse circunscritos às atividades próprias do Clube; É a destinação dos recursos e não a rubrica empregada para fins contábeis que se revela determinante para fins da aplicabilidade da isenção tributária; O Flamengo é associação civil sem fins lucrativos e está isento da Cofins quanto à totalidade de suas receitas; Segundo entendimento manifestado no auto de infração, o conceito de “receitas das atividades próprias” estaria cingido a mensalidades, anuidades, contribuições e doações por parte dos membros; A pedra de toque para entender o que significa “receita de atividade própria” não é a fonte dos recursos, mas o objeto social da associação e a destinação conferida a esses recursos; O Flamengo não distribui lucros ou sobras aos associados em hipótese alguma e direciona a contrapartida do desenvolvimento de todas suas atividades estatutárias, aí incluído o futebol, à manutenção e desenvolvimento de suas atividades típicas; Cita jurisprudência no âmbito administrativo e judicial; O auto de infração contraria a jurisprudência do STF ao lançar a Cofins com base na lei 9.718/98 sem excluir as receitas não decorrentes da venda de mercadorias e serviços (não alcançadas pelo conceito de faturamento); A Cofins foi exigida no percentual de 3% sobre o somatório das receitas que foram consideradas como não decorrentes das atividades próprias, como aluguéis, royalties, direitos federativos, licenciamento de marcas e cotas de televisionamento, entre outras; É fundamental que o lançamento da Cofins com base na Lei 9.718/98 limite se às receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços, sob pena de ignorar por completo a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da lei 9.718/98; Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Acórdão n.º 3102002.929 S3C1T2 Fl. 4 5 O auto de infração faz exatamente o contrário: lista uma série de rubricas e fontes de receita que considera não serem relativas à “atividade própria” do Impugnante, a fim de afastálas do âmbito isentivo do art. 14 da MP 2.15835/02, e efetua o lançamento da Cofins sobre elas; Mesmo que a autoridade julgadora não concorde com o Impugnante no sentido de que todas as receitas estão abrangidas pela isenção, é fundamental excluir todas as receitas que não se qualificam como resultantes da venda de mercadorias e serviços; Pede o cancelamento do auto de infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2011 ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS NÃO ALCANÇADAS PELA ISENÇÃO. As sociedades civis sem fins lucrativos que tenham o objetivo de promover a prática de desportos e atividades de caráter cultural, recreativo, assistencial, educacional e filantrópico, em relação às receitas não decorrentes de suas atividades próprias, são contribuintes da COFINS no regime de apuração não cumulativa, desde que não sejam tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado. LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Cancelase o lançamento de ofício realizado em desacordo com a legislação aplicável. Por ter exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Quando apreciados pela primeira vez, os fatos descritos no Processo revelaram necessidade de que determinadas questões fossem esclarecidas. O julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 3102000.290, de 24 de outubro de 2013. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Digase, desde logo, que a situação do Processo exigiria nova conversão do julgamento em diligência, uma vez que não tenha sido dada ciência à Recorrente das informações prestadas pela Unidade Preparadora, conforme determinado na Resolução nº Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 3102000.290 e na própria legislação que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal1, do que, salvo melhor juízo, decorre preterição ao direito de defesa e, corolário, nulidade da decisão. Inobstante, pareceme que seja caso de aplicação do disposto no parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/72, alteração introduzida pela Lei 8.748/932. É o que se verá. Passo ao mérito. Como já mencionei na decisão que converteu o julgamento em diligência, a narrativa dos fatos que trouxeram o Processo à situação atual dá conta de matéria de mérito versando sobre a classificação econômicocontábil das receitas auferidas pela entidade autuada, com o fito de definir quais ingressos haveriam de compor a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. O assunto foi levado ao Poder Judiciário, onde a entidade obteve parcial provimento, declarando a Contribuição inexigível a partir de fevereiro de 1999, em relação “às receitas próprias de suas atividades sem fins lucrativos, relativas à promoção da prática de esportes, atividades de caráter cultural, recreativo, assistencial, educacional e filantrópicas”. Interpretando a sentença, a Fiscalização Federal constituiu em Auto de Infração o crédito tributário decorrente da incidência da alíquota da Cofins sobre a base de cálculo integrada por todas as receitas que, no seu entender, não provinham de suas atividades próprias. O problema foi que, ao fazêlo, o Fisco aplicou a legislação que regula o Sistema de Apuração Cumulativo das Contribuições, sem atentarse ao fato de que a autuada, a partir da entrada em vigor das Leis 10.637/02 e 10.833/03, teria passado, segundo entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, à sistemática não cumulativa de apuração das Contribuições. Reproduzo mais uma vez excertos da decisão de piso. O primeiro fato gerador constante do auto de infração ocorreu em janeiro de 2007, quando já se encontrava em vigor a Lei 10.833/2003, que instituiu o regime nãocumulativo da COFINS. Tal regime passou a ser, a partir de fevereiro de 2004, a regra geral aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da contribuição. As exceções ao regime geral encontramse relacionadas no artigo 10 da Lei 10.833/2003, abaixo transcrito: “Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento 1 Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). 2 Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Acórdão n.º 3102002.929 S3C1T2 Fl. 5 7 mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) Art. 5o. O contribuinte da COFINS é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1o. (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VII as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3º do art. 1o; ( Revogada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) sujeitas à substituição tributária da COFINS; c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX as receitas decorrentes de venda de jornais e periódicos e de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) X as receitas submetidas ao regime especial de tributação previsto no art. 47 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; XIII as receitas decorrentes de serviços: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) prestados por hospital, prontosocorro, clínica médica, odontológica, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; e ( Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) de diálise, raios X, radiodiagnóstico e radioterapia, quimioterapia e de banco de sangue; ( Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 ) XIV as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. XV as receitas decorrentes de vendas de mercadorias realizadas pelas pessoas jurídicas referidas no art. 15 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 ; ( Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 ) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XVII as receitas auferidas por pessoas jurídicas, decorrentes da edição de periódicos e de informações neles contidas, que sejam relativas aos assinantes dos serviços públicos de telefonia; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XVIII – as receitas decorrentes de prestação de serviços com aeronaves de uso agrícola inscritas no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XIX – as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas de call center, telemarketing, telecobrança e de teleatendimento em geral; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2010; ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ) XXI – as receitas auferidas por parques temáticos, e as decorrentes de serviços de hotelaria e de organização de feiras e eventos, conforme definido em ato conjunto dos Ministérios da Fazenda e do Turismo. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XXII as receitas decorrentes da prestação de serviços postais e telegráficos prestados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) XXIII as receitas decorrentes de prestação de serviços públicos de concessionárias operadoras de rodovias; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Acórdão n.º 3102002.929 S3C1T2 Fl. 6 9 XXIV as receitas decorrentes da prestação de serviços das agências de viagem e de viagens e turismo. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) XXV as receitas auferidas por empresas de serviços de informática, decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento ou cessão de direito de uso, bem como de análise, programação, instalação, configuração, assessoria, consultoria, suporte técnico e manutenção ou atualização de software, compreendidas ainda como softwares as páginas eletrônicas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) XXVI as receitas relativas às atividades de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda, quando decorrentes de contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) XXVII (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) XXVIII (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012) (Vide inc. II do art. 13 da da Lei nº 12.766/2012) XXIX as receitas decorrentes de operações de comercialização de pedra britada, de areia para construção civil e de areia de brita. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012) (Vide inc. II do art. 13 da da Lei nº 12.766/2012) Os incisos I a VI do dispositivo acima relacionam as pessoas jurídicas que permanecem sujeitas a COFINS no regime de apuração cumulativo. Não se verifica, contudo, a possibilidade de enquadrar a autuada em uma das hipóteses aí previstas, como se verá. Os incisos I, III, V e VI dispensam maiores comentários, pois se referem, de forma simplificada, a instituições financeiras, empresas optantes pelo SIMPLES, órgãos públicos, autarquias e fundações e sociedades cooperativas, o que certamente não se aplica à pessoa jurídica autuada. Também não se pode inserir a autuada na hipótese do inciso IV, pois claro está que não se trata de pessoa jurídica imune a impostos. As hipóteses de imunidade são aquelas previstas no artigo 150 da Constituição Federal e nelas não se enquadram as sociedades civis sem fins lucrativos que tenham por objetivo promover a prática de atividades desportivas. A única possibilidade seria enquadrar o contribuinte na hipótese prevista no inciso II (pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado). No entanto, não é este o caso. Contra a decisão de primeira instância proferida no Mandado de Segurança interposto, a União Federal apresentou recurso de apelação e o Clube do Flamengo, em suas contrarrazões, afirma ser empresa optante pelo lucro presumido. Tal informação, contudo, não se confirma, pois se verifica através dos sistemas da RFB (fls. 1432/1433) que a empresa sempre apresentou declaração de isenta do imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ dos exercícios 2004 a 2012). Não entraremos aqui no mérito da questão de ser a isenção do IRPJ aplicável ou não à totalidade das receitas auferidas pela empresa. É certo, contudo, que ao declarar que estariam isentas do IRPJ a totalidade de suas receitas, o contribuinte deixou de fazer a opção pelo lucro presumido, o que afasta por completo a hipótese do citado inciso II, para fins de aplicação do regime cumulativo da COFINS. Importante registrar que a questão não foi apreciada na decisão judicial proferida pelo TRF. Abaixo reproduzimos trecho da citada decisão: Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 (...) Há ainda manifestação expressa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, também trazida a lume na decisão de primeiro grau. Corroborando o entendimento exposto no presente voto, no sentido de que as receitas não decorrentes das atividades próprias da empresa autuada e, portanto, não alcançadas pelos efeitos da decisão judicial, devem ser tributadas pela COFINS no regime nãocumulativo, cabe citar o manual de Perguntas e Respostas IRPJ/2012, divulgado no site da Receita Federal do Brasil, que esclarece em sua pergunta de nº 43 o seguinte: 043 Quais são os contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta, no regime de apuração nãocumulativa, nos termos da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003? São as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, tributadas pelo referido imposto com base no lucro real, inclusive as empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias. São contribuintes da Cofins no regime de apuração nãocumulativa, desde que não sejam tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado (quando couber), em relação às receitas não decorrentes de suas atividades próprias, as seguintes pessoas jurídicas: a) instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; b) sindicatos (com exceção das entidades sindicais dos trabalhadores); c) federações e confederações; d) serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; e) conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; f) fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; g) condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e h) a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Ponderadas todas essas circunstâncias, sobressai cristalina a conclusão de que as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, ainda que isentas da Cofins em relação às receitas provenientes de suas atividades próprias, estarão sujeitas ao Regime NãoCumulativo de apuração da Contribuição sempre que não sejam tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado. Contudo, neste ponto, em que tudo remetia à conclusão de que a Fiscalização Federal não havia se atentado às particularidades acima descritas, observei informação contida no corpo do Termo de Constatação Fiscal, revelando conhecimento da questão e decisão a respeito, se não vejamos. No que tange ao regime de tributação da COFINS (cumulativo ou não cumulativo) a ser aplicado às receitas que não seriam relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 15 da Lei nº 9.532/97, caso da Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Acórdão n.º 3102002.929 S3C1T2 Fl. 7 11 fiscalizada, impende recordar que, de acordo com o que dita artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, “são contribuintes da COFINS nãocumulativa as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, tributadas pelo referido imposto com base no lucro real”. Destarte, as pessoas jurídicas que não adotam o regime do lucro real deverão seguir o regime cumulativo de apuração da COFINS sobre as receitas derivadas de atividades que, de acordo com a legislação vigente, não são consideradas próprias. (grifos no original) Ou seja, os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento decidiram pela tributação pelo Regime Cumulativo, justamente porque, segundo observaram, o contribuinte não adotara o regime de apuração do Imposto de Renda pelo Lucro Real. À luz dessas circunstâncias, a Turma decidiu converter o julgamento em diligência, para obtenção de esclarecimentos acerca da opção feita pela autuada em relação ao sistema de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ. A esse respeito, a Autoridade diligenciada informou às folhas 1486 (eProc), sucintamente, que Conforme documentos acostados aos autos como DIPJ, Termo de Verificação Fiscal e outros, esclareço que a entidade não foi tributada pelo Lucro Real, por tratarse de entidade isenta ao IRPJ que não teve suspensa tal isenção no período fiscalizado.Solicito o encaminhamento deste processo ao CARF SECAM/1ª CÂMARA/3ª SEJUL/CARF/MF. Revendo os apontamento que fiz na análise inicial do Processo, observo que, à luz das considerações aduzidas, de um lado, pela Fiscalização Federal e, de outro, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, me ative à opção do contribuinte na apuração do lucro para o cálculo do IR devido: se presumido/arbitrado ou pelo Lucro Real. De fato, uma vez que cada instância tenha afirmado categoricamente que uma e outra opção não haviam sido feitas, entendi que tratavase de uma questão elementar para solução da lide, razão pela qual propus a conversão do julgamento para que fosse esclarecido qual a opção feita pela autuada. Contudo, quando tomei tal decisão, não me ative ao fato de que, ao declarar se isenta do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, a entidade desobrigase do dever de optar por um por outro sistema de apuração. Em outras palavras, tanto a Fiscalização Federal quanto a Delegacia da Receita Federal de Julgamento estão corretas em afirmar, a primeira, que a entidade não fez opção pelo Lucro Real e, a segunda, que ela não fez opção pelo Lucro Presumido. Nestas condições, acho que seja correto afirmar que, embora a Instrução Normativa SRF 404/04 determine que são contribuintes da COFINS nãocumulativa as pessoas jurídicas de direito privado tributadas (...) com base no lucro real, na escolha do sistema de apuração das Contribuições deveria prevalecer a Lei, que exclui do Sistema de Tributação Não Cumulativo apenas os optantes pelo Lucro Presumido, em lugar de incluir as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Real. Daí que pareceme correta a decisão tomada em primeira instância. Mas além do aparente engano na escolha do sistema de apuração da Contribuição, há, ainda, outro elemento que orienta pelo desprovimento ao Recurso de Ofício. Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 12 Necessário relembrar que, por força de provimento jurisdicional que lhe foi favorável, a entidade estava obrigada a tributar apenas as receitas que não decorressem de suas atividades típicas. Nestas circunstâncias, estivesse correta leitura empregada pela Fiscalização Federal, submetendolhe ao Sistema Cumulativo de apuração da Contribuição, e as receitas consideradas atípicas também restariam desoneradas, por força da decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE 585.2353 em Regime de Repercussão Geral, na qual foi declarado inconstitucional o alagamento da base de cálculo promovido pelo parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei 9.718/98, De fato, o exato efeito da decisão acima pode ser extraído do entendimento expresso ao longo do Voto proferido pelo Ministro Cezar Peluso, encontrado pelo menos nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, como a seguir se lê, nos excertos deles extraídos. Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. É fato que a discussão acima está focada no conceito de faturamento empresarial, particularmente aquele auferido pelos bancos comerciais. Contudo algumas questão remetem ao entendimento de que essa premissa é também aplicável ao caso concreto. Primeiro, é preciso levar em consideração que a tributação de entidades sem fins lucrativos no Sistema Cumulativo é hipótese contemplada em Lei, cuja matriz legal de 3 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Acórdão n.º 3102002.929 S3C1T2 Fl. 8 13 incidência era, à época dos fatos, a Lei 9.718/98. Por conta disso, não há como evitar o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 tenha trazido algum efeito à base de cálculo que deva ser considerada na tributação de entidades dessa natureza. Pois bem. Conforme excertos extraídos dos Recursos Extraordinários nº.s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, acima transcritos, a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal não restringiu a incidência das Contribuições ao faturamento, stricto sensu, mas à receita bruta, conforme especificado no caput do artigo 3º4, entendida essa, como a receita decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica. Ou seja, as receitas excluídas pela decisão foram aquelas definidas como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme ampliava o § 1º do artigo 3º. Noutras palavras, seja qual for a atividade exercida pela pessoa jurídica, a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 afastou a tributação incidente sobre toda a receita bruta do contribuinte, restringindoa àquela decorrente de suas atividades típicas. Ocorre que, no caso das entidades contempladas no artigo 13 da MP 2.158 35/01, estas receitas foram contempladas pelo benefício da isenção. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. A conclusão a que se chega é a de que, nestes casos, não sobrou receita sujeita a tributação. VOTO por negar provimento ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 09 de dezembro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator 4 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 14 Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
