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    <str name="camara_s">Terceira Câmara</str>
    <str name="ementa_s">Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO.
Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 - SRRF09/Diana.

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    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção</str>
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    <str name="nome_relator_s">MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES</str>
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    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 - SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindo-se da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta.

(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).


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S3­C3T1 

Fl. 297 

 
 

 
 

1

296 

S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11516.002843/2006­51 

Recurso nº               Embargos 

Acórdão nº  3301­003.657  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  25 de maio de 2017 

Matéria  Omissão/nulidade 

Embargante  FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA 

Interessado  FAZENDA NACIONAL  

 

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 

Data do fato gerador: 31/07/2003 

EMBARGOS  DECLARATÓRIOS.  OMISSÃO  CONSTATADA. 
SANEAMENTO.  

Constatada  a  existência  de omissão no  julgado  recorrido,  tal  vício deve  ser 
sanado em sede de embargos declaratórios. 

Embargos  parcialmente  acolhidos,  com  efeitos  infringentes,  para  fins  de 
sanar  a omissão  apontada, e,  em consequência,  acolher  em parte o Recurso 
Voluntário  interposto  pelo  contribuinte,  no  sentido  de  determinar  que  os 
valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da 
Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana. 

 
 

Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado,  por 
unanimidade  de  votos,  em  acolher  parcialmente  os  Embargos  Declaratórios  para  que, 
considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário 
seja parcialmente provido, excluindo­se da autuação os valores  relativos  às mercadorias  cuja 
classificação  fiscal  determinada  pela  fiscalização  divirja  da  classificação  fiscal  apontada  na 
referida Solução de Consulta. 

 

(assinado digitalmente) 

Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora. 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, 
Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara 

  

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28
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51

Fl. 297DF  CARF  MF




 

  2

Simões  (Relatora),  Antônio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Semíramis  de  Oliveira Duro, 
Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). 

Fl. 298DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 298 

 
 

 
 

3

 

Relatório 

Por economia processual,  adoto o  relatório constante da decisão embargada 
(fls. 243 e seguintes dos autos): 

Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: 

Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado 
em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 
176. 

Em  atendimento  aos  Mandados  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF  e  MPF 
Complementar  nº  09.2.01.00.2005.0043561,  fls.  1  e  2,  a  autoridade  fiscal 
desenvolveu  procedimento  de  fiscalização,  tendo  por  objeto  o  Imposto  sobre 
Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 
170, no valor total de R$ 3.286.588,56. 

O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 
1.543.947,07,  a  título  de  imposto,  R$  584.681,44  a  título  de  juros  de mora  e  R$ 
1.157.960,05, a título de multa. 

Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de 
tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, 
lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindo­se, assim, em contribuinte do 
IPI. 

Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 
185,  durante  o  procedimento  de  fiscalização  foram  efetuados  outros  autos  de 
infração  conforme  processos  11516.002571/200609  e  11516.002677/200692,  com 
as infrações neles apontadas. 

Quanto  ao  presente  processo,  as  condutas  infracionais  imputadas  ao 
contribuinte são as seguintes: 

a) A empresa  adotou  classificações  fiscais  para o  produto CATALIZADOR 
PU  resultando  em  falta  de  lançamento  ou  lançamento  a  menor  do  IPI,  conforme 
DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. 

Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no 
código  3824.90.32,  com  alíquota  de  10%  (fl.  108),  tem  por  base  as  informações 
prestadas  pela  empresa  e  está  amparada  nas  Regras  Gerais  para  Interpretação  do 
Sistema  Harmonizado  1ª  e  6ª  e  notas  explicativas  nº  1,  do  capítulo  29,  nº  4  do 
capítulo  32  e  nº  3  da  posição  3909  (IN  123/98),  conforme  detalhado  nos  itens 
3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. 

b)  Os  SOLVENTES  E  DILUENTES,  segundo  as  Regras  Gerais  para 
Interpretação  do Sistema Harmonizado  1ª  e  3ª  “a”,  estão  classificados  na TIPI no 
código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). 

Das  classificações  adotadas  pela  empresa  resultou  falta  de  lançamento  ou 
lançamento  a  menor  do  IPI,  por  erro  de  classificação  fiscal,  por  infringência  ao 
disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). 

Fl. 299DF  CARF  MF



 

  4

Foi  elaborado  o  DEMONSTRATIVO  DO  IPI  NÃO  LANÇADO  – 
THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. 

O  contribuinte  tomou  ciência  do  Auto  de  Infração  em  17/10/2006  e 
apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 

1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do 
princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade 
fiscal não  ter alicerçado seu entendimento em prova pericial;  2.  Inobservância por 
parte da  autoridade  administrativa do princípio do ônus  da prova, assentando­se o 
lançamento  tributário  em  suas  interpretações  próprias;  3.  Reprodução  das  Regras 
Gerais  para  Interpretação do Sistema Harmonizado  (RGI),  alegando,  ao  final,  não 
ser  lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais 
alta”;  4.  Afirma  que  a  classificação  fiscal  adotada  pela  empresa  está  correta,  não 
devendo  prevalecer  aquela  adotada  pela  autoridade  fiscal,  podendo  o  produto 
CATALISADOR  PU  ser  classificado  nos  capítulos  39  ou  32,  bastando  ser 
considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja 
próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado 
ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundou­se, 
tão  somente,  à  falta  de  provas  de  que  referido  produto  contivesse  componentes 
aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em 
face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de 
juros com base na taxa SELIC. 

A decisão recorrida encontra­se assim ementada: 

2ª  Turma  da  DRJ/RPO  Sessão  de  27  de  janeiro  de  2012  Processo 
11516.002843/200651  Interessado  FARBEN  S/A  INDÚSTRIA  QUÍMICA 
CNPJ/CPF  85.111.441/000113  ASSUNTO:  CLASSIFICAÇÃO  DE 
MERCADORIAS  Período  de  apuração:  01/01/2002  a  31/12/2003 
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E 
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. 

Restando  evidenciado  que  a  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal 
encontram­se  suficientemente  claros  para  propiciar  o  entendimento  das 
infrações  imputadas,  descabe  acolher  alegação  de  nulidade  do  auto  de 
infração. 

CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 

Não  tendo  o  contribuinte  apresentado  argumentos  suficientes  para  ilidir  a 
classificação  fiscal  adotada  pela  autoridade  administrativa,  que  se  mostra 
correta, há de se manter o lançamento de ofício. 

TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. 

ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. 

O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a 
juros  (equivalentes  à  taxa  referencial  do  sistema  Selic),  e  não  à  correção 
monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão 
em  normas  regularmente  editadas,  não  tendo  o  julgador  administrativo 
competência  para  apreciar  argüições  de  sua  inconstitucionalidade  e/ou 
ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. 

MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. 

A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador, 
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da 
legislação que a instituiu. 

Fl. 300DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 299 

 
 

 
 

5

Impugnação  Improcedente  Crédito  Tributário  Mantido  Cientificada  em 
13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário 
de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos 
constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de 
catalisadores,  também  chamados  endurecedores,  e  dependendo  do  tipo  do 
produto a classificação fiscal é diferente. 

Aduzindo  também  que  na  verdade  o  Fisco  não  teria  discordado  da 
classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 
20.10.2003  havia  formulado  referidos  produtos  com  65%  ou  mais  de  solventes 
aromáticos  em  sua  composição,  e  como  não  teve  oportunidade  de  juntar  as  suas 
ordens  de  produção,  a  autoridade  simplesmente  adotou  a  presunção,  sem  contudo 
certificar­se  de  provar  que  os mencionados  produtos  não  tinham mais  de  65% de 
componentes aromáticos em sua formulação. 

Afirma por fim ter ocorrido vício material  insanável, distante do erro de classificação 
fiscal quanto  aos produtos  “catalisadores  pu”, bem como que  teria  sido  contrariado o 
efeito  vinculante  da  Solução  de Consulta  nº  117  –  SRRF09/Diana,  e  em  relação  aos 
thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou 
mais em sua formulação de solventes aromáticos. 

Ao  analisar  o  caso,  este  Conselho  entendeu,  através  do  Acórdão  nº  3301­
002.117,  por  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte,  sob  o 
fundamento  de  que,  para  afastar  a  classificação  fiscal  adotada  pela  autoridade  fiscal,  seria 
necessário que o interessado comprovasse com argumentos e provas materiais, inclusive laudos 
técnicos especializados. A referida decisão restou assim ementada: 

ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período  de 
apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 
AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  CRITÉRIOS 
UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. 

Para  afastar  a  classificação  fiscal  adotada  pela  autoridade 
fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos 
e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. 

Recurso Improvido. 

O  contribuinte,  então,  interpôs  embargos  declaratórios,  através  dos  quais 
alega que a decisão recorrida teria incorrido nos seguintes vícios:  

(i)  omissão/erro  material  ­  diferentemente  do  que  constou  do  relatório  do 
acórdão  vergastado,  o  recurso  voluntário  não  teria  apenas  reiterado  os 
argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate 
a  respeito  dos  CATALISADORES  PU,  pois  aprofundaria  o  debate  técnico 
mediante  novos  argumentos  sobre  a  classificação  adotada  pela  autoridade 
notificante  tanto  para os CATALISADORES PU como para  os THINNERS  e 
DILUENTES;  

(ii) omissão/erro material  ­  o  relator  teria deixado de  analisar  em seu  voto  a 
classificação  fiscal  dos  20  tipos  de  CATALISADORES  PU  produzidos  pela 
recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de 
primeira  instância,  não  haveria  sido  formulada  nenhuma  consulta  pela 
Recorrente (erro material);  

Fl. 301DF  CARF  MF



 

  6

(iii) omissão ­ quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para 
os THINNERS e DILUENTES, a decisão não teria enfrentado o argumento do 
contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual  teria  sido  fundada 
em  meras  suposições,  face  à  inexistência  de  laudo  comprobatório  de  que  os 
produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. 

Ato contínuo, em sessão realizada em 28/09/2016, este Conselho entendeu por 
converter o julgamento em diligência, para que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor 
da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana. 

Cumprida  esta  diligência,  os  autos  retornaram  a  esta  julgadora,  para  fins  de 
julgamento. 

É o relatório.  

 

 

Fl. 302DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 300 

 
 

 
 

7

 

Voto            

Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: 

Os  Embargos  Declaratórios  opostos  são  tempestivos  e  reúnem  os  demais 
requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. 

Conforme  relatado  acima,  foram  três  os  fundamentos  apresentados  pelo 
embargante em seu recurso, quais sejam: 

(i)  omissão/erro  material  ­  diferentemente  do  que  constou  do  relatório  do 
acórdão  vergastado,  o  recurso  voluntário  não  teria  apenas  reiterado  os 
argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate 
a  respeito  dos  CATALISADORES  PU,  pois  aprofundaria  o  debate  técnico 
mediante  novos  argumentos  sobre  a  classificação  adotada  pela  autoridade 
notificante  tanto  para os CATALISADORES PU como para  os THINNERS  e 
DILUENTES;  

(ii) omissão/erro material  ­  o  relator  teria deixado de  analisar  em seu  voto  a 
classificação  fiscal  dos  20  tipos  de  CATALISADORES  PU  produzidos  pela 
recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de 
primeira  instância,  não  haveria  sido  formulada  nenhuma  consulta  pela 
Recorrente (erro material);  

(iii) omissão ­ quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para 
os THINNERS e DILUENTES ­ a decisão não teria enfrentado o argumento do 
contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual  teria  sido  fundada 
em  meras  suposições,  face  à  inexistência  de  laudo  comprobatório  de  que  os 
produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. 

Quanto  ao  item  (i),  entendo que  não  assiste  razão  à Embargante.  Isso  porque, 
embora  tenha  a  decisão  recorrida  mencionado  que  o  recurso  voluntário  teria  reiterado  os 
termos da impugnação, o fato de a Recorrente ter trazido argumentos novos em seu recurso não 
leva à existência de omissão/erro material da decisão recorrida. O Julgador não precisa tratar 
necessariamente sobre todos os argumentos trazidos aos autos pelo contribuinte, bastando que 
fundamente a sua decisão em elementos suficientes à conclusão a que chegou em seu julgado.  

No que tange ao item (iii), entendo que tampouco assiste razão ao contribuinte. 
Isso porque, verifica­se que a decisão recorrida não foi omissa neste ponto, tendo tratado sobre 
o tema, ainda que de forma sucinta. É o que se extrai da transcrição a seguir: 

Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 
3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. 

No  período  de  16/12/2002  a  20/10/2003,  o  produto  thinner  ou  diluente  foi 
classificado  na  posição  2707.50.00,  tributado  a  alíquota  0%,  sem  contudo  haver 
comprovação  de  que  produto  sob  análise  preenchia  as  condições  necessárias  para 
que pudesse ter tal enquadramento. 

Fl. 303DF  CARF  MF



 

  8

Ou  seja,  entendeu  o  julgador  naquela  oportunidade  que,  para  fazer  jus  à 
classificação que lhe atribuía alíquota de 0%, deveria o contribuinte comprovar que o produto 
preenchia  as  condições  necessárias  para  que  pudesse  ter  tal  enquadramento,  e  que  o 
contribuinte não teria se desincumbido deste ônus. Não há que se falar, portanto, em omissão 
do julgado recorrido, mas em insurgência do contribuinte quanto ao seu conteúdo, o que não se 
pode admitir em sede de embargos declaratórios. 

Quanto  ao  item  (ii),  alega  o  contribuinte  que  teria  havido  omissão/erro 
material em razão de o relator ter deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 
tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão), tendo consignado que, 
conforme analisado pela decisão de primeira  instância,  não haveria  sido  formulada nenhuma 
consulta  pela  Recorrente  (erro  material).  Neste  ponto,  entendo  que  assiste  razão  ao 
contribuinte. 

Para que melhor se compreenda a discussão ora em debate, transcrevem­se as 
passagens dos seguintes documentos constantes dos autos: (a) decisão da DRJ; (b) decisão do 
CARF; (c) embargos declaratórios opostos pelo contribuinte: 

Decisão da DRJ (fl. 209 dos autos) 

Ao  querer  atribuir  validade  ao  lançamento  somente  após  “parecer  técnico”,  a 
interessada deturpa integralmente o instituto. Curioso, que a própria interessada poderia 
ser mais  diligente  na  classificação  fiscal  de  seus  produtos,  inclusive  utilizando­se  de 
perícias, ou de modo mais eficaz, de consulta fiscal, o que não fez. 

Ressalte­se que a interessada não está obrigada a solicitar esclarecimentos prévios sobre 
eventual  classificação  fiscal  de  seus  produtos,  seja  em  consulta  fiscal  ou  parecer 
técnico, sendo de sua exclusiva responsabilidade os atos de sua iniciativa, nos termos do 
artigo 20 e seu parágrafo único da Lei 4.502/64. 

Art  .  20.  O  lançamento  consistirá  na  descrição  da  operação  que  o  originar  e  do 
produto a que se referir, na classificação fiscal dêste no cálculo do impôsto devido e no 
registro de seu valor, em parcela destacada, na guia ou na nota fiscal em que deva ser 
efetuado. 

Parágrafo único. O lançamento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte. 

Nesse  sentido,  se  comprovado  pela  autoridade  fiscal  que  o  contribuinte  errou  na 
classificação fiscal de seus produtos,  legítima e necessária a  reclassificação fiscal, em 
obediência às normas de tributação, ainda que essa reclassificação seja mais onerosa ao 
contribuinte,  não  configurando  postura  odiosa  por  parte  do  Ente  tributante  e  sim 
obediência à legalidade. 

Acórdão nº 3301­002.117 (fls. 246/247 dos autos)  

De  acordo  com  a  decisão  recorrida  a  interessada,  ora  Recorrente,  adotou,  para  um 
mesmo  produto,  várias  classificações  fiscais.  O  produto  CATALIZADOR  PU  foi 
classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 
12/2002,  alíquota  de  10%;  3909.50.11,  no  período  de  16/12/2002  a  10/07/2003), 
alíquota  de  5%;  3824.90.32,  no  período  de  11/07/2003  a  01/08/2003,  alíquota  de 
10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 
02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. 

A  autoridade  fiscal  classificou  o  produto  na  posição  3824.90.32,  que  estabelece 
uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. 

Fl. 304DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 301 

 
 

 
 

9

Em  sua  defesa,  para  este  produto,  conforme  fls.  195,  a  interessada  afirma  que  a 
classificação  fiscal  por  ela  adotada  está  correta,  afirmando  através  das  informações 
técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: 

CATALISADORES  Os  produtos  175.010,  273.927,  273023,  273.725,  273.730, 
273.925,  273.828,  273.750,  273.033,  273.021,  573.600  e  573.700  a  partir  de 
02/06/2005  alteramos  a  classificação  fiscal  para  2929.1029.  De  acordo  com  a 
descrição  abaixo  através  de  uma  análise  técnica  e  comparação  com  o  praticado  no 
mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima 
descrito e por nós comercializado;  

THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos 
diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos 
produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em 
volume)  de  solventes  aromáticos  em  sua  formulação  Desta  forma,  conforme  bem 
fundamentou  o  acórdão  recorrido,  para  um  mesmo  produto,  a  interessada,  ora 
Recorrente  adotou  várias  classificações  fiscais.  O  produto  CATALIZADOR  PU  foi 
classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 
12/2002,  alíquota  de  10%;  3909.50.11,  no  período  de  16/12/2002  a  10/07/2003), 
alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 
3909.50.11,  no  período  de  04/08/2003  a  31/05/2005,  alíquota  de  5%  e  a  partir  de 
02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. 

A  autoridade  fiscal  classificou  o  produto  na  posição  3824.90.32,  que  estabelece  uma 
alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. 

Em  relação  ao  produto  thinner  ou  diluente,  a  interessada  adota  a  classificação 
3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. 

No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado 
na  posição  2707.50.00,  tributado  a  alíquota  0%,  sem  contudo  haver  comprovação  de 
que  produto  sob  análise  preenchia  as  condições  necessárias  para  que  pudesse  ter  tal 
enquadramento. 

Na  análise  dos  autos,  verifico  que  as  regras  foram  devidamente  observadas  e  os 
produtos devidamente classificados. 

Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela 
Recorrente,  a  decisão  recorrida  foi  categórica  em  afirmar  que  não  foi  formulada 
nenhuma consulta. 

Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Grifos apostos). 

Embargos declaratórios (fls. 252/253) 

"Note­se que em seu recurso voluntário a  recorrente, primeiro, suscitou a necessidade 
de cancelamento do ato fiscal pela ocorrência de vício material insanável, pois, no que 
tange aos CATALISADORES PU, a autoridade notificante não aprofundou sua análise 
a  cada  tipo  de  produto  industrializado  pela  recorrente,  partindo  da  premissa  de  que 
existe apenas um tipo de CATALISADOR PU, e que, por isso, todos eles mereceriam 
ser  indistintamente classificados sob a NCM 3824.90.32, o que ficou demonstrado ser 
um erro, principalmente, pela conclusão diversa a que chegou a própria Receita Federal 
do Brasil na Solução de Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana, de 18 de maio de 2010, que 
foi trazida aos autos por ocasião do recurso voluntário, segundo a qual tais produtos 
deveriam se classificar nas NCM 3208.90.39 e 3911.90.29. 

Fl. 305DF  CARF  MF



 

  10

Acontece  que,  laborando  com  omissão  e  também  erro material,  o  acórdão  deixou  de 
analisar  a  classificação  dos  20  tipos  de  CATALISADORES  PU  produzidos  pela 
recorrente e consignou que, conforme afirmado pela decisão de primeira instância, não 
haveria sido formulada nenhuma consulta pela recorrente. 

Todavia, nesse ponto, o vício é grosseiro. 

A  uma,  porque  a  decisão  de  primeira  instância  em  momento  algum  se  referiu  à 
existência  ou  inexistência  de  qualquer  Solução  de  Consulta,  pois  este  tema 
definitivamente não havia sido objeto da impugnação. 

A  duas,  porque  não  poderia  ser  mesmo  objeto  da  impugnação  qualquer  Solução  de 
Consulta,  já  que  a  Solução  de  Consulta  nº  117  ­  SRRF09/Diana  é  de  18.05.2010, 
enquanto  a  impugnação  data  da  16.11.2006.  Portanto,  é  cronologicamente  impossível 
ter havido o debate sobre a validade de Solução de Consulta na impugnação. Por isso é 
que  a  recorrente  trouxe  à  baila,  na  íntegra,  a  Solução  de  Consulta  nº  117  ­ 
SRRF09/Diana quando do seu recurso voluntário. 

A três, porque, ao partir dessa premissa, o acórdão embargado deixou de se manifestar 
quanto  ao  vício  da  notificação  fiscal  por  colidência  com  o  resultado  da  Solução  de 
Consulta e o efeito vinculante desta, suscitado com base no princípio da retroatividade 
benigna da lei tributária". 

Consoante se extrai da análise da decisão embargada, verifica­se que esta, de 
fato, incorreu em erro material ao dispor que "a decisão recorrida foi categórica em afirmar 
que não foi formulada nenhuma consulta". Isso porque, consoante apontou a Embargante, a 
indicação  da  solução  de  consulta  que pretendia  ver  analisada  (Solução  de Consulta  nº  117  ­ 
SRRF09/Diana de 18/05/2010) ocorreu apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, 
não tendo sido objeto da Impugnação apresentada em 2006 pelo contribuinte. 

Logo,  entendo que  a DRJ,  ao dispor que não  fora  apresentada  consulta por 
parte  do  contribuinte,  o  fez  em  sentido  genérico,  dispondo  que  o  contribuinte  não  se 
desincumbiu do ônus de comprovar que a classificação  fiscal  realizada pelo mesmo havia  se 
dado  corretamente.  Ou  seja,  não  tratou  a  decisão  da  DRJ  da  Solução  de  Consulta  nº  117  ­ 
SRRF09/Diana de 18/05/2010. 

Contudo, uma vez apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário 
um argumento novo, atinente à existência da Solução de Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana, este 
Conselho deveria ter se pronunciado sobre o mesmo, tendo a decisão embargada incorrido em 
omissão/erro material ao não fazê­lo.  

Até porque, à primeira vista, apresentava­se relevante do argumento trazido à 
tona  pelo  contribuinte,  qual  seja,  existência  de  Consulta  Fiscal  em  que  a  própria  Receita 
Federal  teria  concluído pela classificação  fiscal  de determinados produtos objeto da presente 
autuação nos NCMs 3208.90.39 e 3911.90.29. A importância dessa análise decorria ainda do 
argumento  do  contribuinte  de  que  a  referida  empresa  produziria  20  tipos  diferentes  de 
CATALISADORES PU, ao passo que a fiscalização teria considerado todos como sendo um só 
produto.  A  distinção  entre  os  referidos  CATALISADORES  teria  sido  analisada  na  referida 
Solução de Consulta.  

Porém,  embora  o  contribuinte  tivesse  alegado  a  existência  da  referida 
Solução  de Consulta  nº  117  ­  SRRF09/Diana,  tendo  transcrito  passagens  da mesma  em  seu 
Recurso Voluntário, não havia juntado aos presentes autos o seu inteiro teor. 

Fl. 306DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 302 

 
 

 
 

11

Diante disso, a presente demanda foi convertida em diligência, no intuito de 
que  fosse  anexado  aos  presentes  autos  o  inteiro  teor  da  Solução  de  Consulta  nº  117  ­ 
SRRF09/Diana,  para  que  este  Conselho  pudesse  analisar  a  sua  extensão  e  aplicabilidade  ao 
caso concreto ora analisado. 

Uma  vez  juntada  a  referida  solução  de  consulta,  pode­se  verificar  que  esta 
teve como  interessada a Farben S/A  Indústria Química,  teve por objeto o "endurecedor PU", 
vulgarmente  denominado  "catalisador  PU",  e  concluiu  que  as  mercadorias  consultadas 
deveriam  ser  classificadas  nos  códigos  3208.90.39  (alíquota de  10%),  produtos  indicados  na 
Tabela 1, e 3911.90.29 (alíquota de 5%), produtos indicados na tabela 2. 

Ocorre  que,  embora  a  decisão  embargada  tenha  sido  omissa  quanto  à 
apreciação da referida solução de consulta, a sua análise não socorre o contribuinte para fins de 
embasar  a  classificação  fiscal  adotada  pelo mesmo.  Isso  porque,  naquele  documento,  foram 
indicadas como corretas as seguintes classificações fiscais: 3208.90.39 e 3911.90.29. Acontece 
que o contribuinte adotou classificações fiscais distintas, consoante se extrai do esclarecimento 
prestado pelo mesmo (vide fl. 178 dos autos):  

 

Porém, embora a Solução de Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana não socorra o 
contribuinte  em  sua  pretensão  de  justificar  a  classificação  fiscal  por  ele  adotada,  serve  para 
demonstrar  que  tampouco  a  classificação  fiscal  adotada  pela  fiscalização,  considerando  uma 
mesma classificação  fiscal  para  todos os CATALISADORES PU de  forma  indistinta,  estava 
correta.  

Note­se que a solução de consulta analisou os seguintes produtos: 

 

De outro norte, extrai­se do auto de infração aqui combatido que foi objeto de 
fiscalização os seguintes produtos: 

Fl. 307DF  CARF  MF



 

  12

 

Ou seja,  é  inconteste que há  identidade entre certos produtos analisados. E, 
consoante destacou o contribuinte em seu Recurso Voluntário, a  referida solução de consulta 
identificou a classificação correta de  acordo com cada código do produto ali  analisado  (vide 
tabelas 1 e 2 às fls. 278/281).  

Sendo assim, entendo que a apresentação da referida solução de consulta faz 
prova em favor do contribuinte, no sentido de demonstrar, quanto a determinadas mercadorias, 
a  classificação  correta  a  ser  considerada  no  caso  concreto  aqui  analisado.  E,  uma  vez 
identificada  que  a  classificação  correta  era  diversa  da  apontada  pela  fiscalização,  há  de  ser 
reconhecida a improcedência do auto de infração quanto a tais mercadorias específicas. 

Nesse sentido, traz­se à colação decisão desta turma julgadora: 

Acórdão: 3301­003.147 

Número do Processo: 10831.724290/2014­65  

Data de Publicação: 02/05/2017 

Contribuinte: PADTEC S/A 

Relator(a): LIZIANE ANGELOTTI MEIRA  

Ementa:  Classificação  Fiscal  Período  de  apuração:  2006  a  2010 
FUNDAMENTAÇÃO  DO  LANÇAMENTO.  TERCEIRA  HIPÓTESE  DE 
CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  IMPROCEDÊNCIA.  Verificado  que  a 
classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código 
NCM diverso,  tanto  daquele  utilizado  pela  impugnante,  bem como daquele 
que  a  fiscalização  entendeu  ser  a  correta,  o  lançamento  deverá  ser  julgado 
improcedente  por  erro  na  sua  fundamentação.  Sendo  improcedente  a 
classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas 
dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória 
nº  2.158­35,  de  2001,  cominadas  em  decorrência  do  lançamento 
equivocadamente fundamentado. 

Recurso Voluntário Provido 

Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em 
dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que 
integram o presente julgado.  

Diante do acima exposto, entendo que deverão ser parcialmente acolhidos os 
embargos declaratórios opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para fins de sanear 
a omissão apontada e,  com base na análise da Solução de Consulta nº 117  ­ SRRF09/Diana, 
concluir que o Recurso Voluntário deverá ser parcialmente provido, no sentido de determinar 
que  os  valores  indicados  no  auto  de  infração  sejam  revistos,  excluindo­se  da  autuação  os 
valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja 
da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta.  

É como voto. 

Fl. 308DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 303 

 
 

 
 

13

Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora 

           

 

           

 

 

Fl. 309DF  CARF  MF


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    <float name="score">2.6555784</float></doc>
  <doc>
    <date name="dt_index_tdt">2021-10-08T01:09:55Z</date>
    <str name="anomes_sessao_s">201208</str>
    <str name="camara_s">Segunda Câmara</str>
    <str name="ementa_s">Processo Administrativo Fiscal  
Data do fato gerador: 22/04/2003  
PRELIMINAR.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. 
Não  há  que  se  falar  em  cerceamento  da  defesa  quando  a  decisão  de  primeira  instância  indefere,  justificadamente,  pedido  de  diligência,  considerada  desnecessária.  

Classificação de Mercadorias  
Data do fato gerador: 22/04/2003  
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto “GERMALL PLUS”, por ser uma  preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil  uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código  NCM  2933.29.99,  devendo  prevalecer  o  código  NCM  3808.90.29.  Inaplicabilidade  das  Regras  2b  e  3b  das  Regras  Gerais  do  Sistema  Harmonizado.  MULTA  POR  AUSÊNCIA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO.  DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 169, I, “b”, do DL nº 37/66,  aplica-se na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na  declaração  de  importação  que  impeça  a  verificação  quanto  a  sua  correta  classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja  submetida  ao  regime  de  licenciamento  não-automático.  
Não  tendo  a  fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua  exigência.  

MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 
Constatado o erro na  classificação fiscal, satisfaz-se a condição que enseja a aplicação da multa  prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/01.</str>
    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção</str>
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S3­C2T1 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

0 

S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11128.003520/2007­39 

Recurso nº  912.297   Voluntário 

Acórdão nº  3201­001.065  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  22 de agosto de 2012 

Matéria  CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS 

Recorrente  ISP DO BRASIL LTDA. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Assunto: Processo Administrativo Fiscal 

Data do fato gerador: 22/04/2003 

PRELIMINAR.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. 
INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  Não 
há  que  se  falar  em  cerceamento  da  defesa  quando  a  decisão  de  primeira 
instância  indefere,  justificadamente,  pedido  de  diligência,  considerada 
desnecessária. 

Assunto: Classificação de Mercadorias 

Data do fato gerador: 22/04/2003 

CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O  produto  “GERMALL PLUS”,  por  ser  uma 
preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil 
uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código 
NCM  2933.29.99,  devendo  prevalecer  o  código  NCM  3808.90.29. 
Inaplicabilidade  das  Regras  2b  e  3b  das  Regras  Gerais  do  Sistema 
Harmonizado. 

MULTA  POR  AUSÊNCIA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO. 
DESCABIMENTO.  A  multa  prevista  no  art.  169,  I,  “b”,  do  DL  nº  37/66, 
aplica­se  na  hipótese  de  incorreta  ou  insuficiente  descrição  do  produto  na 
declaração  de  importação  que  impeça  a  verificação  quanto  a  sua  correta 
classificação  fiscal,  desde  que  a  mercadoria  efetivamente  importada  esteja 
submetida  ao  regime  de  licenciamento  não­automático.  Não  tendo  a 
fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua 
exigência. 

MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado o erro na 
classificação  fiscal,  satisfaz­se  a  condição  que  enseja  a  aplicação  da multa 
prevista no art. 84 da MP nº 2.158­35/01. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

  

Fl. 117DF  CARF MF

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por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO



 

  2

Decidiu  o  colegiado:  por  unanimidade  de  votos,  afastar  a  preliminar  de 
decadência,  e  negar  provimento  quanto  a multa  proporcional  ao  valor  aduaneiro  por  erro  de 
classificação  fiscal;  e,  por maioria  de  votos,  negar  provimento  quanto  à  classificação  fiscal, 
vencido  o  Conselheiro  Marcelo  Ribeiro  Nogueira;  e  dar  provimento  ao  recurso  quanto  à 
aplicação  da  multa  por  falta  de  licenciamento,  vencido  o  Conselheiro  Paulo  Sergio  Celani, 
tendo  a  Conselheira  Mércia  Helena  Trajano  D'Amorim  acompanhado  o  relator  pelas 
conclusões quanto a esta matéria. 

MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.  

DANIEL MARIZ GUDIÑO ­ Relator. 

EDITADO EM: 25/10/2012 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio 
Pereira Valadão  (presidente da  turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes  (vice­presidente), 
Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani  e Daniel 
Mariz Gudiño. 

Relatório 

Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  a  data  da  prolação  do  acórdão 
recorrido,  transcrevo  abaixo  o  relatório  do  órgão  julgador  de  1ª  instância,  incluindo,  em 
seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: 

Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração,  lavrado  em 
17/05/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a 
exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora 
e multa proporcional, multa de controle administrativo  e multa 
proporcional  ao  valor  aduaneiro  no  valor  de  R$  2.503,49,  em 
face dos fatos a seguir descritos. 

• A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, 
através  da  Declaração  de  Importação  No.  03/0330919­3,  de 
22/04/2003,  adição  001,  a  mercadoria  descrita  como 
"GERMALL  PLUS  DIAZOLIDINIL  URÉIA  E 
BUTILCARBONATO DE IODO PROPINILA", com classificação 
fiscal  no  código NCM 2933.29.99,  com  incidência  da  alíquota. 
.0%  (nihil)  para  o  Imposto  de  Importação  e  o  Imposto  de 
Produtos Industrializados; 

•  Através  do  Laudo  de  Assistência  Técnica  No.  1904.01,  de 
31/07/2003,  foi apurado que o produto em análise não se  trata 
apenas de diazolidinil uréia e nem qualquer outro composto cuja 
estrutura contém um ciclo Imidazol não condensado. Trata­se de 
preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 3­
Iodo­2­Propilina  e  Dialodinil  Uréia,  uma  outra  preparação 
antimicrobiana. 

•  A  fiscalização  entendeu  ser  correta  para  o  produto  a 
classificação fiscal no código NCM 3808.90.29; 

• A conclusão da fiscalização se pautou nas Regras No. 1 e No. 6 
das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; 

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Processo nº 11128.003520/2007­39 
Acórdão n.º 3201­001.065 

S3­C2T1 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento ­ AR, 
em  03/07/2007  (fls.  40­verso),  o  contribuinte  protocolizou 
impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 
70.235/72, em 02/08/2007, de  fls. 43 à 49,  instaurando assim a 
fase litigiosa do procedimento. 

Na  forma  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  a  impugnante 
informou que: 

•  O  produto  GERMALL  PLUS  tem  por  finalidade  preservar 
produtos  como  shampoos,  condicionadores,  cremes, 
maquiagens... 

•  A  Diazodinil  Uréia  é  um  composto  orgânico  de  constituição 
química  definida,  caracterizando­se  como  um  composto 
heterocíclico exclusivamente de heteroátomo de nitrogênio cuja 
estrutura contém um ciclo imidazol; 

•  Na  composição  do  produto  GERMALL  PLUS,  a  Diazodinil 
Uréia (99%) é a matéria que confere característica essencial ao 
produto; 

•  Em  função  da  Regra  No.  1  das  Regras  Gerais  do  Sistema 
Harmonizado,  não  assiste  razão  a  classificação  fiscal  adotada 
pela  fiscalização NCM 3808.90.29, pois no Capítulo 38 não há 
nenhuma  referência  a  composto  orgânico  de  constituição 
química definida; 

• A classificação fiscal adotada pelo impugnante é a adequada, 
em função das Regras 1, 2b) e 3b) das Regras Gerais do Sistema 
Harmonizado; 

• Pelo fato da Diazodinil Uréia (99%) ser a matéria que confere 
característica  essencial  ao  produto GERMALL  PLUS,  que  por 
sua  vez  é  definido  como  composto  cuja  estrutura  contém  um 
ciclo Imidazol, em função das Regras 2b) e 3b), deve prevalecer 
a classificação fiscal no código NCM 2933.29.99; 

• A nota de subposição 1 do Capítulo 29 prevê que "no âmbito de 
uma posição do presente Capítulo, os derivados de um composto 
químico  devem  classificar­se  na  mesma  subposição  que  esse 
composto,  desde  que  não  se  incluam  mais  especificamente  em 
outra subposição e que não exista subposição residual..." 

•  Solicita  perícia,  pois  o  resultado  do  Laudo  de  Assistência 
Técnica No. 1904.01, de 31/07/2003 não corresponde a correta 
constituição  da  amostras  da  mercadoria  ''GERMALL  PLUS', 
nomeando perito e apresentando quesitos. 

Na  decisão  de  primeira  instância,  proferida  na  Sessão  de  Julgamento  de 
17/02/2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 
II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 17­48.574 de 
fls. 77­83: 

Assunto: Classificação de Mercadorias 

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  4

Data do fato gerador: 22/04/2003 

Importação  do  produto  "GERMALL  PLUS  DIAZOLIDINIL 
URÉIA  E  BUTILCARBONATO  DE  IODO  PROPINILA",  com 
classificação fiscal no código NCM 2933.29.99. 

O Laudo de Assistência Técnica apurou que o produto se  trata 
de preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 
3­Iodo­2­Propilina  e Diazolidinil Uréia,  uma outra preparação 
antimicrobiana. 

O prospecto apresentado junto ao Laudo de Assistência Técnica 
ressalta as funções do produto de herbicida e fungicida. 

Por não possuir código NCM específico, sua classificação fiscal 
recai no código NCM residual ­ 3808.90.29, conforme aplicação 
das  Regras  No.  1  e  No.  6  das  Regras  Gerais  do  Sistema 
Harmonizado. 

Impugnação Improcedente 

Crédito Tributário Mantido 

A Recorrente  foi  cientificada  do  teor  do  acórdão  por  intimação  postal,  em 
17/03/2011  (fl.  85­v),  tendo  protocolado  seu  recurso  voluntário  (fls.  88/99),  também por  via 
postal, em 18/04/2011 (fls. 87). Nele, a Recorrente reitera os argumentos já suscitados em sua 
impugnação. 

Na  forma  regimental,  o  processo  digitalizado  foi  distribuído  e, 
posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro Daniel Mariz Gudiño 

Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 33 
do Decreto  nº  70.235  de  1972  e  no  art.  56,  §  5º,  do Decreto  nº  7.574  de  2011,  conheço  o 
recurso voluntário e passo a analisá­lo. 

O cerne da disputa consiste em saber se o produto importado pela Recorrente 
deve  ser  classificado  na  posição  NCM  2933.29.99,  referente  a  “outros  compostos 
heterocíclicos cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado”, ou na posição NCM 
3808.90.29, referente a “outros inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, etc.”. 

Inicialmente, a Recorrente pleiteia a nulidade da decisão recorrida tendo em 
vista que cerceou o seu direito de defesa na medida em que julgou desnecessária a realização 
da  diligência  requerida  na  impugnação.  Apenas  para  reavivar  os  quesitos  formulados  pela 
Recorrente em sua defesa inicial, transcrevo­os abaixo: 

1) Qual a constituição do produto "GERMAL PLUS"? 

2)  O  "GERMALL  PLUS"  pode  ser  caracterizado  como  algum 
destes  produtos:  Inseticidas,  rodenticidas,  fungicidas, 
herbicidas,  inibidores  de  germinação  e  reguladores  de 

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Processo nº 11128.003520/2007­39 
Acórdão n.º 3201­001.065 

S3­C2T1 
Fl. 3 

 
 

 
 

5

crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, 
apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou 
como  preparações  ou  ainda  sob  a  forma  de  artigos,  tais  como 
fitas, mechas e velas sulfuradas e papel mata­moscas? 

3) O que é uma mistura, como conceito químico? 

4)  As  substâncias  que  compões  o  "GERMALL  PLUS"  são 
consideradas  compostos  orgânicos  de  constituição  química 
definida? 

Sobre essa preliminar, entendo que as respostas aos quesitos formulados pela 
Recorrente não  alterarão  o  deslinde  da  controvérsia  na  1ª  instância  administrativa,  tendo  em 
vista  a  fundamentação  adotada  pela  decisão  recorrida.  Ademais,  parte  dos  quesitos  já  foi 
respondida no próprio Laudo FUNCAMP nº 1904.01 (fl.22), eis que informa a constituição do 
produto GERMALL PLUS e indica as suas funções bactericidas e fungicidas. 

Com efeito, entendo que não deve ser acolhida a preliminar de cerceamento 
de defesa motivada pelo indeferimento do pedido de perícia. 

Quanto ao mérito, o argumento central da Recorrente para sustentar a posição 
NCM 2933.29.99 como correta é que o GERMALL PLUS é quase que integralmente composto 
de Diazolidinil Uréia (99%), vale dizer, composto químico definido cuja estrutura contém um 
ciclo  imidazol  não  condensado,  que  lhe  dá  a  sua  característica  essencial.  Trata­se  de  um 
produto utilizado para preservar produtos cosméticos contra bactérias e fungos. 

Assim, considerando que o GERMALL PLUS é um produto misturado e não 
sendo aplicável o  item 3.a das Regras Gerais  para  Interpretação do Sistema Harmonizado,  a 
Recorrente  defende  a  aplicação  da  classificação  fiscal  da  matéria  que  lhe  confere  a 
característica  essencial,  nos  termos  do  item  3.b.  Nesse  caso,  o  GERMALL  PLUS  seria 
classificado na posição NCM própria do Diazolidinil Uréia. 

Por  outro  lado,  de  acordo  com  o  Laudo  FUNCAMP  nº  1904.01  (fl.22),  a 
amostra analisada do GERMALL PLUS não corresponde a lidinil Uréia e nem a qualquer outro 
composto  cuja  estrutura  contém  um  ciclo  imidazol  não  condensado,  e  sim  uma  outra 
preparação  antimicrobiana.  Isso  porque,  no  próprio  portal  que  empresa  controladora  da 
Recorrente possuía na  internet  à  época dos  acontecimentos,  o  produto  estava  definido  como 
bactericida e fungicida. 

Interessante  notar,  nesse  ponto,  que  o  laudo  e  a posição  da Recorrente  não 
conflitam, pois a Recorrente não defende que o GERMALL PLUS é um composto orgânico de 
constituição  química  definida  apresentada  isoladamente,  e  sim  que  o  produto  deve  ser 
classificado na posição NCM relativa ao Diazolidinil Uréia, tendo em vista se tratar de matéria 
que lhe confere a característica essencial. 

A  despeito  disso,  a  fiscalização  entendeu  que  o  GERMALL  PLUS  não 
poderia  ser  classificado  na  posição  NCM  2933.29.99,  tendo  em  vista  que  a  nota  1.a)  do 
Capítulo  29  estabelece  que  estabelece  que  “ressalvadas  as  disposições  em  contrário,  as 
posições  do  presente  Capitulo  apenas  compreendem:  a)  os  compostos  orgânicos  de 
constituição  química  definida  apresentados  isoladamente,  mesmo  contendo  impurezas;  ...”. 
Logo,  por  haver  indicação  do  laudo  técnico  de  que  o  produto  seria  uma  preparação 
antimicrobiana, entendeu por bem classificá­lo na posição NCM 3808.90.29. 

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por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO



 

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Corroborando o entendimento da fiscalização, identifiquei a seguinte solução 
de consulta sobre a classificação fiscal de produto com funções semelhantes às do GERMALL 
PLUS: 

Solução de Consulta nº 4/02 

Superintendência Regional da Receita Federal ­ SRRF / 8a. RF ­ 
Diana 

Assunto: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS 

Ementa: CÓDIGO TEC: Mercadoria: 

3808.40.29  Preparação  bacteriostática  e  fungicida  para  a 
formulação  de  produtos  cosméticos  e  para  cuidados  pessoais, 
constituída  pela  mistura  de  1,3­bis(hidroximetil)­5,5­
dimetilhidantoína  e  3­iodo­2­propinil  butil  carbamato 
apresentada  na  forma  de  pó,  grânulos  e  solução  líquida, 
acondicionada em recipientes plásticos de 18,14 kg e 226,80 kg, 
marca Glydant(r)Plus, fabricante Lonza Inc. 

Dispositivos  legais: RGIs 1.ª e 6.ª  (textos da posição 3808 e da 
subposição 3808.40), c/c RGC­1, da TEC, do Mercosul (Decreto 
nº  2.376/97  ­  Anexos  Resolução  Camex  nº  42/2001),  com  os 
esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado 
(Decreto n° 435/92 ­ alterado pela IN SRF n.º 123/98, 005/99 , 
054/99, 059/00 e 095/00). 

WERNER HESS 

Chefe 

Obs: Aplicada a correlação NCM 2002 x NCM 2007 

Data: 24/01/2002, publicado no DOU de 28/03/2002. 

Portanto,  considerando  que  1%  do  GERMALL  PLUS  é  composto  de 
Butilcarbamato  de  3­Iodo­2­Propinila,  não  sendo  esse  componente  mera  impureza  para  os 
efeitos  da  nota  1.a)  do  Capítulo  29,  o  produto  em  análise  é  realmente  uma  preparação 
antimicrobiana  com  função  preservativa,  devendo,  por  isso,  ser  classificado  na  posição 
3808.90.29. 

No tocante à aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto­Lei nº 
37 de 1966, entendo que a mesma não é devida, pois a fiscalização não fez prova de que a nova 
classificação  fiscal  exigiria  licenciamento  não­automático. Nesse  sentido,  convém  esclarecer 
que o referido entendimento está escorado no entendimento da Câmara Superior do Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: 

NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  MULTA  POR  DESCUMPRIMENTO 
DO  CONTROLE  ADMINISTRATIVO  DAS  IMPORTAÇÕES. 
AUSÊNCIA  DE  PROVA  DE  QUE  A  MERCADORIA 
EFETIVAMENTE  IMPORTADA  ESTAVA  SUBMETIDA  A 
LICENCIAMENTO NÃO­AUTOMÁTICO. DESCABIMENTO.  A 
multa prevista no art. 526 II do Regulamento Aduaneiro baixado 
pelo  Decreto  91.030/94  aplica­se  na  hipótese  de  incorreta  ou 
insuficiente descrição do produto na declaração de  importação 
que  impeça  a  verificação  quanto  a  sua  correta  classificação 
fiscal,  desde  que  a  mercadoria  efetivamente  importada  esteja 

Fl. 122DF  CARF MF

Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012

por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO



Processo nº 11128.003520/2007­39 
Acórdão n.º 3201­001.065 

S3­C2T1 
Fl. 4 

 
 

 
 

7

submetida  ao  regime  de  licenciamento  não­automático.  Não 
tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível 
a manutenção de sua exigência. 

(Acórdão nº 9303­001.908, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, 
Sessão de 08/03/2012) 

Finalmente, no tocante à multa regulamentar por erro de classificação fiscal, 
prevista  no  art.  84  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35  de  2001,  melhor  sorte  não  assiste  à 
Recorrente.  A  classificação  fiscal  por  ela  empregada  não  estava  correta,  de  modo  que,  em 
termos objetivos, a infração cometida está plenamente tipificada. 

Diante  de  todo  o  exposto,  DOU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso 
voluntário  para  excluir  a  multa  de  controle  administrativo  prevista  no  art.  169,  I,  “b”,  do 
Decreto­Lei nº 37 de 1966. 

É como voto. 

Daniel Mariz Gudiño ­ Relator 

           

 

           

 

 

Fl. 123DF  CARF MF

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/2017-49, afastadas as preliminares relativas à responsabilidade da recorrente por erro de classificação fiscal do fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa.

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S3­C3T2 

Fl. 2 

 
 

 
 

1

1 

S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10480.727759/2017­98 

Recurso nº            Voluntário 

Resolução nº  3302­000.915  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 

Data  23 de outubro de 2018 

Assunto  IPI. INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. 

Recorrente  NORSA REFRIGERANTES S.A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o 
julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/2017­49, afastadas as 
preliminares  relativas  à  responsabilidade  da  recorrente  por  erro  de  classificação  fiscal  do 
fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa. 

 

 (assinado digitalmente) 

Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente 

 

(assinado digitalmente) 

Jorge Lima Abud ­ Relator  

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo 
Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus, 
Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. 

 

Relatório 
 

Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  para  o  lançamento  do  Imposto  sobre 
Produtos Industrializados ­ IPI, para constituir créditos tributários em desfavor da contribuinte 

  

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17

-9
8

Fl. 1035DF  CARF  MF




Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 3 

   
 

 
 

2

epigrafada,  no  montante  total  de  R$  104.655.326,18  (cento  e  quatro  milhões,  seiscentos  e 
cinqüenta e cinco mil, trezentos e vinte e seis reais e dezoito centavos), consolidado na data do 
lançamento, em decorrência das infrações abaixo enumeradas: 

Ø Créditos  Indevidos  ­  crédito  básico  indevido  :  o  estabelecimento 
industrial  creditou­se  indevidamente  de  créditos  básicos,  em 
desrespeito à legislação do imposto; 

Ø Créditos  Indevidos (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) : O 
estabelecimento  industrial  calculou  erroneamente  créditos  de  IPI 
decorrentes  de  aquisições  de  "Kit  concentrados"  da  empresa 
Recofarma, e 

Ø Créditos  Indevidos ­ SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR 
INDEVIDO: O estabelecimento  industrial creditou­se  indevidamente 
de  saldo  credor  de  período  anterior,  em  desrespeito  à  legislação  do 
imposto. 

A fiscalização concluiu que o procedimento correto para classificação fiscal dos 

kits adquiridos pela fiscalizada é a aplicação da RGI n° 1 sobre cada componente individual, e 
não sobre o conjunto, como fez a empresa e tendo em vista que os componentes dos kits devem 
ser enquadrados em códigos  tributados à alíquota zero, o  imposto calculado, como se devido 
fosse,  seria  zero.  Assim,  seria  INEXISTENTE  o  direito  a  crédito  de  IPI  decorrente  das 
aquisições dos Kits da Recofarma. 

Além  dos  créditos  indevidos  decorrentes  das  aquisições  da  Recofarma,  a 
empresa escriturou como créditos de IPI valores decorrentes da aquisição bens de consumo, a 
exemplo  de  solventes  e  detergentes,  os  quais  não  se  prestam  a  ofertar  créditos  por  não  se 
enquadrarem  como  insumos.  Analisando  a  notas  fiscais  de  entrada,  com  créditos  de  IPI 
aproveitados  pela  fiscalizada,  verificou­se  que  ela  se  creditou  do  IPI  incidente  sobre  a 
aquisição  de ANTIBACTERIAL, OXONIA ATIVO,  LUBODRIVE  etc,  que  não  podem  ser 
considerados matérias­primas , pois não se incorporam aos produtos fabricados, posto que são, 
in  facto,  produtos  de  limpeza.  Também não  se  prestam  a material  de  embalagem. Quanto  a 
serem produtos  intermediários,  igualmente não podem ser assim considerados, por não restar 
caracterizada a “ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste 
sobre aquele”. Esses  itens  são, em verdade, material de consumo, não ensejando o direito ao 
crédito  do  IPI,  consoante  entendimento  adotado  pela  administração  tributária  no  Parecer 

Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação n° 65/79. 

Procedeu­se,  então  à  reconstituição  da  escrita  fiscal  do  IPI  no  período 
compreendido entre março de 2015 e dezembro de 2016. 

A  planilha  “Reconstituição  da Escrita  Fiscal  do  IPI”  leva  em  consideração  os 
seguintes estornos de créditos glosados nesta fiscalização:  

1.  a coluna “Glosas Recofarma” representa os créditos calculados sobre 
os  Kits  adquiridos  da  Recofarma  e  que  não  são  reconhecidos  pela 
Receita Federal; e 

Fl. 1036DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 4 

   
 

 
 

3

2.  a coluna  “Glosas uso/consumo”,  representa o  estorno do  IPI que  foi 
aproveitado  quando  da  entrada  de  bens  de  consumo,  posto  que  tais 
aquisições não têm o condão de produzir créditos.  

Ainda  ressaltou  que  a  fiscalização  desconsiderou  o  saldo  credor  lançado  pela 
Norsa Refrigerantes, em sua escrita fiscal, já que o ora fiscalizado iniciou suas atividades em 
março de 2015, fruto de um processo de cisão com a Refrescos Guararapes, quando trouxe o 
saldo  de  IPI  (de  fevereiro/2015)  apresentado  pelo  estabelecimento  da  Refresco  Guararapes 

inscrito  no  CNPJ  sob  o  n°  08.715.757/0004­16,  no  valor  de  R$  24.516.709,06.  Ocorre  que 
aquele  estabelecimento  da  Refrescos  Guararapes  sofreu  idêntica  fiscalização  desta  Receita 
Federal, quando se constatou a inexistência de saldo credor ao final de fevereiro de 2015. 

Cientificada do lançamento, a autuada apresentou impugnação, aduzindo em sua 
defesa as razões sumariamente expostas a seguir: 

ü Da  responsabilidade  da  impugnante  (terceiro  adquirente  do 
concentrado); 

ü Nunca existiu na  lei  e não existe mais  sequer previsão  regulamentar 
estabelecendo  a  obrigação  de  o  adquirente  verificar  a  correção  da 
classificação fiscal do produto na nota fiscal; 

ü Os fatos geradores objeto do AUTO sob exame foram apurados sob a 
vigência  de  lei  que  não  impõe  e  de  RIPI  (de  2010)  que  não  mais 
impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação 
fiscal do produto; 

ü Da alteração de critério jurídico; 

ü A IMPUGNANTE sempre aproveitou os créditos de  IPI decorrentes 
da  aquisição  de  concentrados  isentos  para  refrigerantes  oriundos  da 
Zona  Franca  de Manaus  à  alíquota  prevista  da  posição  21.06.90.10 
EX. 01 da TIPI; 

ü Da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos 
produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  fruição  de 
benefícios fiscais e do ato administrativo; 

ü Ao  definir  o  PPB  do  produto  incentivado,  para  fins  de  fruição  de 
benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a 
classificação  fiscal do produto  incentivado, porque, para  fins de  IPI, 
definir o produto é efetuar sua classificação fiscal; 

ü Portanto,  é  inerente  à  sua  competência  para  aprovação  do  PPB  a 
definição da classificação fiscal do referido produto beneficiado; 

ü Registre­se  que  a  RFB  também  tem  competência  para  definir  a 
classificação fiscal de produtos, mas essa não é exclusiva; 

ü A  SUFRAMA  definiu  a  classificação  fiscal  para  o  concentrado 
produzido pela RECOFARMA; 

Fl. 1037DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 5 

   
 

 
 

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ü A própria  SUFRAMA  reconhece  que  o  concentrado,  por  configurar 
"preparações  químicas",  pode  ser  entregue  desmembrado  em 
partes/kits,  sem que  isso desnature  a  sua  condição de produto único 
(de  concentrado  para  refrigerantes),  classificado  na  posição 
21.06.90.10 EX.  01  da TIPI/2011,  qual  seja,  preparações  compostas 
para  bebidas  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da 
bebida para cada concentrado ­ por isso classificado no EX. 01, a qual 
tinha alíquota de 27%; 

ü A  própria  SUFRAMA  confirma  que  a  RECOFARMA  continua 
cumprindo a classificação fiscal do concentrado; 

ü Dessa forma, a classificação fiscal do concentrado para refrigerantes, 
utilizada  pela  RECOFARMA,  qual  seja,  21.06.90.10  EX.  01  da 
TIPI/2011,  está  consubstanciada  em  ato  administrativo  vinculatório 

(Resolução do CAS n°  298/2007,  integrada pelo Parecer Técnico n° 
224/2007); 

ü Com  efeito,  pelo  histórico  das TIPIs,  desde  1988,  constata­se  que o 
concentrado  para  refrigerantes  sempre  foi  classificado  como  uma 
mercadoria  única  constituída  por  diversos  componentes,  sendo 
relevante  e  suficiente  para  determinar  a  classificação  como  produto 
único  a  existência  de  um  extrato  concentrado/sabor  concentrado 
daquela posição para que todos os demais componentes que a ele se 
juntem  integrem  o mesmo  produto  e  sejam  classificados  na mesma 
posição; 

ü O  item  XI  da  Nota  Explicativa  referente  à  Regra  Geral  de 
Interpretação 3 b) também reforça o fato de que os concentrados para 
refrigerantes,  entregues  em  forma  de  "kits",  são  tratados  como 
produtos  únicos,  porque  a  sua  literalidade  demonstra  que  esses 
concentrados constituem mercadoria unitária, integrada por diferentes 
componentes; 

ü E a  razão de ser afastada a aplicação da  regra de exceção 3 b)  (que 
determina  que  os  produtos  misturados  ou  sortidos  devem  ser 
classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo 
que  lhe  confira  a  característica  essencial)  é  justamente  porque  já 
existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados 
para  refrigerantes  da posição  22.02,  qual  seja,  a  posição  2106.90.10 
EX.  01  e,  pois,  por  essa  razão  deve  ser  aplicada  a  Regra  Geral  de 
Interpretação 1; 

ü De  fato,  as  Notas  Explicativas  III,  a),  e  IV  da  Regra  Geral  de 
Interpretação  1  e  a  Nota  Explicativa  X  da  Regra  Geral  2  b) 
esclarecem que  a  aplicação da Regra Geral de  Interpretação 1  se dá 
automaticamente quando há uma posição específica para classificar a 
mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras 
Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias; 

Fl. 1038DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 6 

   
 

 
 

5

ü Destaque­se  ainda  que  há  outras mercadorias  que,  da mesma  forma 
que  o  concentrado  para  refrigerantes,  são  entregues  conjuntamente, 
em  embalagens  separadas,  e,  a  despeito  disso,  são  classificadas  em 
uma única posição; 

ü Por fim, se houvesse qualquer dúvida quanto à aplicação da posição 
21.06.90.10 EX. 01 aos concentrados para refrigerantes, constante das 
notas  fiscais  emitidas  pela  RECOFARMA,  essa  deveria  prevalecer 
por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, 
devendo ser aplicado ao presente caso o disposto no art. 112 do CTN; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa,  juros de mora e correção 
monetária. 

Em 23 de janeiro de 2018, através do Acórdão de Impugnação n° 14­75.794, a 
8ª  Turma  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento  de  Ribeirão  Preto/SP,  por  unanimidade  de 
votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. 

Entendeu a Turma que: 

ü Na  situação  em  comento,  as  notas  fiscais  de  aquisição  das 
mercadorias  que  originaram  o  suposto  crédito,  ao  consignarem 
classificação  fiscal  equivocada  que  não  se  aplica  ao  produto 
comercializado,  deixam  de  ostentar  o  amparo  necessário  ao  direito 
pretendido  pela  interessada.  Ainda  que  legítimas  e  idôneas,  aspecto 
que  não  é  alvo  de  embate  neste  processo,  não  possuem  mais  a 
capacidade suficiente para respaldar o crédito ficto escriturado, sendo 
cabível a glosa, pois não existe previsão legal para a manutenção de 
créditos  indevidos.  Principalmente  por  estes  créditos  serem 
incentivados, já que a saída se deu por isenção, e não houve qualquer 
ônus  financeiro  por  parte  da  contribuinte. Admitir  que  uma  isenção 
indevida possa conferir direito ao crédito do IPI resultaria em repassar 
ao  Estado  um  ônus  que  não  lhe  cabe,  haja  vista  que  este  ônus  é 
inerente ao risco da atividade mercantilista; 

ü Quando constatado que algum procedimento ou abordagem contraria 
normas jurídicas, a sua alteração não se trata de mudança de critério 
jurídico,  pois,  frise­se,  critério  jurídico  supõe  a  adoção  de  uma 
posição  interpretativa que  a autoridade  entenda  ser  a mais  adequada 
ao  caso  concreto  e  outros  similares,  sem  que  a  outra  interpretação, 
preterida,  possa  ser  tida  como  ilegal  ou  ilegítima.  Ou  seja,  critério 
jurídico permite certa discricionariedade por parte do agente público, 
não  se  admitindo,  nesta  discricionariedade,  interpretações  que 
transbordem os limites impostos pelos normativos vigentes; 

ü Segundo  a  disposição  do  PAF,  a  classificação  fiscal  não  é  aspecto 
técnico  e,  desta  forma,  o  laudo  de  especialistas  não  tem  qualquer 
vinculação  para  a  autoridade  administrativa  no  que  a  ela  se  refere, 
pois  a  própria  autoridade,  considerando  as  regras  aplicáveis  à 
classificação,  tem competência para  formar  seu  juízo a  respeito. Em 
outras palavras, o que define a classificação fiscal de um produto não 

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Processo nº 10480.727759/2017­98 
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são  as  características  técnicas,  condição  esta  que,  aliás,  também  é 
extraída  das  RGI/SH  (Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema 
Harmonizado) e da própria TIPI, posto que não há nenhuma menção 
de que as descrições contidas nos textos devam estar condicionadas às 
características  técnicas  das  mercadorias  como  determinantes  para 
enquadramento em um ou outro código, a não ser quando elas assim 
especificam; 

ü A alegação de que outros órgãos  técnicos poderiam ser  responsáveis 
pela  classificação  fiscal  dos  produtos  é  absolutamente  equivocada. 
Tanto  é  que  nenhuma  disposição  normativa  que  trate  dessa  suposta 
competência foi mencionada na impugnação; 

ü Portanto,  é  totalmente  descabido  afirmar  que  a  SUFRAMA  tenha 
competência para  efetuar a  classificação  fiscal  de produtos  ou  tenha 
definido a classificação fiscal dos produtos da Recofarma; 

ü À  evidência  dos  fatos,  improcede  qualquer  tentativa  de  conduzir  a 
discussão em uma linha de interpretação que considere os chamados 
“concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, a exemplo do que 
consta da impugnação; 

ü Não  se  está  a  discutir,  a  partir  da  classificação  adotada  pela 
contribuinte,  a  interpretação  capaz  de  considerar  os  chamados 
“concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, mas se a realidade 
fática atinente a essas mercadorias admite uma única classificação ou 
classificações  individualizadas  a  cada  componente  do  kit.  É  neste 
contexto  que  a  aplicação  da  Regra  2.a  e  Regra  3.b,  que  mais  se 
aproximam do intento de conferir única classificação fiscal ao kit, foi 
suscitada, tendo­as por inapropriadas; 

ü A  narrativa  dos  fatos  constatados  pela  Fiscalização  revela  que  a 
empresa Recofarma, fornecedora dos insumos (kits) empregados pelo 
estabelecimento  industrial,  não  utiliza  diretamente,  em  seu  processo 
de industrialização, matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de 
produção regional; 

ü Não  é  a  SUFRAMA que  concede  a  isenção.  Esta  decorre  da  lei.  A 
SUFRAMA  aprova  o  projeto  apresentado  pela  empresa.  Somente 
estas empresas, cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA, é 
que podem beneficiar­se da isenção; 

ü Ocorre que o açúcar cristal  e demais matérias­primas utilizadas pela 
Recofarma  já  são  produtos  resultantes  de  processo  industrial,  são 
matérias­primas  industrializadas  e  não  se  constituem  em  “matérias­
primas agrícolas e extrativas vegetais de 

ü produção regional” a que a legislação faz menção específica. Somente 
poderiam ser 

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Processo nº 10480.727759/2017­98 
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ü enquadradas  na  tipificação  legal  a  cana­de­açúcar  e  a  semente  de 
guaraná  ­  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  regionais  por 
excelência; 

ü Os  produtos  de  limpeza  não  tem  contato  direto  com  o  refrigerante. 
Deve ser observado que a legislação que rege a matéria não se refere a 
insumos  genericamente  utilizados  na  produção,  nem  ao  conceito 
estabelecido pelos dicionários ou pela doutrina, mas especificamente 
ao  conceito  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de 
embalagem  usualmente  adotado  pela  legislação  do  imposto.  Logo, 
para se considerar que tais gastos ensejam em direito ao crédito, estes 
terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados (MP, ME, 
PI); 

ü Tem  plena  previsão  legal  a  incidência  de  juros  moratórios  sobre  a 
multa  aplicada,  visto  que  se  trata  de  débitos  para  com  a  União, 
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. 

 

A  empresa  NORSA  REFRIGERANTES  S.A  foi  cientificada  do  Acórdão  de 
Impugnação em 14/02/2018, por via eletrônica, às folhas 754. 

A empresa NORSA REFRIGERANTES S.A ingressou com Recurso Voluntário 
em 14/03/2018, folhas 756, apresentando suas razões de folhas 828 à 901. 

Foi alegado em síntese que:  

ü Da  não  responsabilidade  da  recorrente  (terceiro,  adquirente  do 
concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; 

ü Da alteração de critério jurídico; 

ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos 
produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  fruição  de 
benefícios fiscais e do ato administrativo; 

ü Da  natureza  do  produto  elaborado  pela  RECOFARMA  como 
mercadoria única; 

ü Da  classificação  fiscal  do  produto  definida  pela  SUFRAMA,  pelas 
regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; 

ü Da aplicação do art. 112 do CTN; 

ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; 

ü Do  direito  ao  crédito  relativo  à  aquisição  de  insumos  isentos 
beneficiados pela isenção do art. 9° do DL N° 288/67;  

ü Da coisa julgada formada no MSI N° 95.0009470­3; 

ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; 

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ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa,  juros de mora e correção 
monetária; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa; 

ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo 
de industrialização dos refrigerantes; 

ü Da  improcedência  da  exigência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício 
exigida no auto. 

DO PEDIDO 

Pelo  exposto,  a  RECORRENTE  pede  e  espera  que  seja  dado  provimento  ao 
presente  recurso  para  reformar  a  DECISÃO,  cancelar  o  auto  de  infração  em  epigrafe  e 
extinguir o crédito tributário exigido. 

É o relatório. 

 
 
Voto  
 

Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 

Da admissibilidade. 

Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de 
Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário 
tempestivamente  interposto  pelo  contribuinte,  considerando  que  a  recorrente  teve  ciência  da 
decisão de primeira instância em 14 de fevereiro de 2018, por via eletrônica, às folhas 754 do 
processo digital. 

O recurso voluntário foi apresentado em 14 de março de 2018, sendo, portanto, 
tempestivo. 

Da controvérsia. 

ü Da  não  responsabilidade  da  recorrente  (terceiro,  adquirente  do 
concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; 

ü Da alteração de critério jurídico; 

ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos 
produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  fruição  de 
benefícios fiscais e do ato administrativo; 

ü Da  natureza  do  produto  elaborado  pela  RECOFARMA  como 
mercadoria única; 

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ü Da  classificação  fiscal  do  produto  definida  pela  SUFRAMA,  pelas 
regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; 

ü Da aplicação do art. 112 do CTN; 

ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; 

ü Do  direito  ao  crédito  relativo  à  aquisição  de  insumos  isentos 
beneficiados  pela  isenção  do  art.  9°  do  DL  N°  288/67  ­  da  coisa 
julgada formada no MSI N° 95.0009470­3; 

ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; 

ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa,  juros de mora e correção 
monetária; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa; 

ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo 
de industrialização dos refrigerantes; 

ü Da  improcedência  da  exigência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício 
exigida no auto. 

Passa­se à análise. 

DAS PRELIMINARES.  

­  Da  não  responsabilidade  da  recorrente  (terceiro,  adquirente  do 
concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado. 

É alegado nos itens 3.14 a 3.17 do Recurso Voluntário:  

Como se vê, não há na lei (art. 62 da Lei n° 4.502/64) e não existe no 
regulamento  a  obrigação  de  o  adquirente  verificar  a  correção  da 
classificação fiscal do produto na nota fiscal, sendo certo que os fatos 
geradores objeto do AUTO foram apurados sob a vigência de lei que 
não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais  impõe a obrigação de o 
adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto. 

No  caso,  há  aliquota  especifica  de  20%  prevista  na  TIPI  para  o 
produto  da  posição  21.06.90.10 EX.  01,  constante  da  nota  fiscal,  e o 
cálculo é feito mediante simples operação aritmética: a RECORRENTE 
identifica a classificação fiscal indicada na nota pela RECOFARMA e 
verifica na TIPI qual é a aliquota prevista para tal classificação. 

E  é  incontroverso  que  a  RECORRENTE  calculou  o  crédito  de  IPI 
segundo  a  aliquota  de  20%,  decorrente  da  classificação  fiscal  na 
posição 21.06.90.10. EX. 01, feita pelo fornecedor do insumo. 

Portanto,  como  a  classificação  dos  concentrados  na  posição 
21.06.90.10  EX.  01  foi  feita  pela  RECOFARMA,  fornecedora  do 

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concentrado,  e  não  cabe  ao  adquirente  questionar  essa  classificação 
fiscal,  a  RECORRENTE  agiu  licita  e  corretamente  ao  calcular  o 
crédito  de  IPI  com  base  na  alíquota  correspondente  a  essa 
classificação fiscal. 

Faço minhas  as  palavras  da Douta  Procuradoria  da  Fazenda Nacional  em  sua 
contribuição nas Contrarrazões apresentas no Processo 11065.721801/2017­21, que se aplicam 
adequadamente a questão: 

A recorrente sustenta que a responsabilidade pela classificação fiscal 
seria  exclusiva  dos  fornecedores,  de  modo  que  lhe  deve  ser 
reconhecido  o  direito  à  manutenção  dos  créditos  de  IPI,  “posto  que 
agiu de boa­fé” (fl. 470). 

A rigor, o cerne da demanda é o descumprimento dos requisitos legais 
para o aproveitamento do crédito de IPI, e não a regularidade formal 
do  preenchimento  da  nota  fiscal,  o  que  conduz  à  rejeição  da  tese  no 
particular. 

Não  se  trata  propriamente  de  responsabilidade  por  infração  à 
legislação  tributária,  mas  do  reconhecimento  de  que,  por  erro  de 
classificação  fiscal,  houve apuração  indevida  de  crédito  de  IPI,  com 
repercussão na base de cálculo do imposto devido pela recorrente, na 
condição de contribuinte, e não de responsável. 

Assim, afigura­se  irrelevante discutir  se o erro de classificação  fiscal 
deve ser imputado em tese exclusivamente às fornecedoras dos “kits”. 

Constatado  o  erro  de  classificação  fiscal,  impõe­se  o  lançamento  do 
tributo pela autoridade fiscal, por se tratar de atividade vinculada, nos 
termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. 

Nessa  linha,  a  letra do  artigo 62 da Lei n° 4.502/64, onde  se determina que o 
adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas 
fiscais que os acompanham atendem às prescrições legais e regulamentares: 

Art. 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou 
adquirirem  para  industrialização,  comércio  ou  depósito,  ou  para 
emprego  ou  utilização  nos  respectivos  estabelecimentos,  produtos 
tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente 
rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo 
de  controle,  bem  como  se  estão  acompanhados  dos  documentos 
exigidos  e  se  estes  satisfazem  a  todas  as  prescrições  legais  e 
regulamentares. 

A Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrentou o assunto no Acórdão n° 03­
06.055,  Sessão  de  08  de  setembro  de  2008,  e  admitiu  a  aplicação  do  artigo  62  da  Lei  n° 
4.502/64 em caso análogo: 

“O  Recurso  Especial  do  Sr.  Procurador  Representante  da  Fazenda 
Nacional atendeu aos pressupostos para sua admissibilidade. O apelo 
merece ser conhecido. 

No mérito,  circunscreve  a  questão,  ao meu  ver,  em  definir  a  correta 
aplicação  dos  artigos  62  e  82,  ambos  da  Lei  n.°  4.502/64,  que 

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estabelece a obrigação do adquirente de produtos  industrializados de 
verificar a regularidade do documento fiscal e a respectiva sanção. 

Passo a apreciar, então, os argumentos expendidos pelo voto vencedor 
do  aresto  em  questão,  que  se  subdividem  em duas  grandes  linhas  de 
raciocínio: a primeira pugna pela necessidade de prévia existência de 
ação  fiscal  contra  o  produtor  remetente  para  que  se  possa  apenar  o 
adquirente; a segunda defende que não se podería autuar o adquirente 
por  descumprimento  das  obrigações  previstas  no  artigo  173  do 
RJPI/82, quando estas se referirem à classificação fiscal. 

Na  forma  do  artigo  62  da  Lei  n.°  4.502/64,  “os  fabricantes, 
comerciantes  e  depositários  que  recebem  ou  adquirem  para 
industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização 
nos  respectivos  estabelecimentos,  produtos  tributados  ou  isentos, 
deverão  examinar  se  eles  se  acham  devidamente  rotulados  ou 
marcados, ou ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle 
bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes 
satisfazem  a  todas  as  prescrições  legais”. 
 

­ Da alteração de critério jurídico. 

Os argumentos referentes a esse tópico são condensados no item 4.7 do Recurso 
Voluntário: 

4.7. Em suma: 

a)  o critério jurídico do lançamento efetuado em relação ao 
mesmo  sujeito  passivo  somente  pode  ser modificado de 
oficio ou em consequência de decisão administrativa ou 
judicial para fatos geradores e/ou saldos credores de IPI 
posteriores à introdução do fato que ensejou a alteração 
do critério; 

b)  no  presente  caso,  o  novo  critério  jurídico  foi  aplicado 
em  relação  ao  período  anterior  a  11.09.2017,  data  da 
ciência do presente AUTO, no qual  foram questionadas 
a  natureza  do  produto  adquirido  e  a  sua  classificação 
fiscal pela primeira vez em relação à RECORRENTE; e 

c)  por  conseguinte,  a  modificação  do  critério  jurídico  no 
sentido de que o produto não seria o concentrado para 
bebidas  não  alcoólicas  e  que  haveria  equivoco  de 
classificação fiscal somente poderia ter sido introduzida 
para  os  lançamentos  relativos  a  fatos  geradores  e/ou 
saldos  credores  de  IPI  referentes  a  operações 
posteriores ao referido marco. 

Não assiste razão ao Recorrente. 

A  apontada  violação  do  art.  146  do CTN  decorreria  de  novo  critério  jurídico 
adotado pela autoridade fiscal, hipótese não constatada no caso dos autos. 

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O  fulcro  da  ação  fiscal  foi  a  consideração  de  uma  situação  de  fato:  A 
impossibilidade de se enquadrar os “concentrados” na classificação na posição 21.06.90.10 Ex. 
01 da NCM/TIPI.  

A  Recorrente  tenta  distorcer  a  aplicação  do  art.  146  do  CTN,  que  pressupõe 
mesma  circunstância  fática,  mesmo  sujeito  passivo  e  alteração  do  critério  jurídico  para  os 
mesmos fatos geradores, o que não é o caso. 

Artigo 146 do CTN: 

Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de 
decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela 
autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser 
efetivada,  em  relação  a  um  mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato 
gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 

Nas palavras da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em sua contribuição 
nas  Contrarrazões  apresentas  no  Processo  11065.721801/2017­21,  que  se  aplicam 
adequadamente a questão: 

O dispositivo em comento é claro ao estabelecer o parâmetro temporal 
para aplicação do novo critério jurídico em relação ao mesmo sujeito 
passivo, qual seja: os fatos geradores futuros, isto é, ocorridos após a 
introdução do critério jurídico modificado. 

O  mandamento  legal  pressupõe  a  segurança  do  sujeito  passivo, 
estabilizando  a  intepretação  jurídica  dos  fatos  geradores  que 
interferirão na esfera  jurídica do  eventual autuado. No caso  em  tela, 
não houve qualquer alteração de critério jurídico relacionado aos fatos 
geradores do IPI lançados contra a Ambev. 

Desde  o  início  do  procedimento  fiscal,  a  autoridade  lançadora 
demonstrou,  sob  a  mesma  premissa  jurídica,  que  a  Recorrente  não 
poderia ter utilizado dos créditos de IPI porque eles não atendiam aos 
preceitos  legais  concessivos  do  benefício,  notadamente  as  Regras 
Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado ­ RGI/SH. 

A  Fiscalização  demonstrou  que  a  classificação  dos  kits  de 
“concentrados”  adquiridos  pela  “engarrafadora”  não  poderiam  ter 
sido  classificados  na  posição  21.06.90.10  Ex.  01  da  TIPI,  fato  que 
impossibilita  a  recorrente  de  aproveitar  os  créditos  de  IPI  com 
alíquota de 20% (vinte por cento). 

Além disso,  o  art.  146  do CTN é  aplicável  quando a modificação do 
critério  jurídico  no  exercício  do  lançamento  ocorre  para  o  mesmo 
sujeito  passivo.  A  recorrente  não  experimentou  qualquer  alteração 
nesse sentido, tendo em vista que ela não demonstrou que foi autuada 
precedentemente  por  auto  de  infração  que  tivesse  manifestado 
expressamente classificação fiscal diversa em relação aos “kits”.. 

O fato de a recorrente ter supostamente adquirido “os mesmos kits de 
seus  fornecedores  localizados  na  Zona  Franca  de  Manaus,  sob  a 
mesma classificação fiscal sem sofrer qualquer tipo de questionamento 
configura  hipótese  de  mero  silêncio  administrativo,  o  que  não  se 

Fl. 1046DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 14 

   
 

 
 

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confunde  com  adoção  de  critério  jurídico  pela  autoridade 
administrativa.  

Se  não  houve  previamente  adoção  de  critério  jurídico  acerca  da 
classificação fiscal do produto em relação ao mesmo sujeito passivo, é 
logicamente  impossível  que  tenha  havido  posterior  alteração  de 
critério jurídico. 

Ademais,  a  tese  recursal  afronta  os  diversos  precedentes  do  Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais:  

Acórdão n° 3402­004.073: 

Em  meu  entendimento,  para  que  haja  a  alteração  de  critérios 
jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, 
deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos 
mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. 
Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os 
critérios jurídicos adotados pelo próprio contribuinte na atividade 
prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. 

Como a recorrente não especifica no recurso voluntário qual teria 
sido  o  ato  administrativo  anterior  emitido  com  posicionamento 
divergente  do  presente  lançamento,  pelo  contexto  de  suas 
alegações,  entende­se  que  a  recorrente  esteja  se  referindo  à 
ausência  de  autuações  anteriores  para  reclassificação  fiscal  dos 
denominados "kits". No entanto, o art. 146 do CTN não abriga a 
tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à 
fiscalização. 

Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto 
sobre  o  tema,  no  seu  voto  no  Acórdão  n°  1401001.649­  4(' 
Câmara / 1 Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar 
esse  entendimento  da  Recorrente,  passa­se  um  atestado  de 
onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar 
toda  irregularidade  existente  na  empresa,  pois  senão,  nos  anos 
seguintes, mesmo que detectado essa  irregularidade o  fiscal  não 
poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o 
critério jurídico". 

Eventuais procedimentos  fiscais anteriores efetuados em face da 
contribuinte  e  seus  atos  decorrentes  (lançamento  ou  decisão 
motivada de não lançar) não podem ser estendidos para períodos 
posteriores, eis que estão vinculados aos fins para os quais foram 
instaurados. O  procedimento  fiscal  não  pode  ser  dissociado  dos 
fatos  ocorridos  naquele  período  fiscalizado  e  da  matéria  sob 
investigação, além de veicular posicionamento específico de um 
ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos 
órgãos julgadores, no caso de resultar lançamento, por exemplo. 

Por essas razões não pode prosperar a alegação da recorrente de 
alteração dos critérios jurídicos adotados no lançamento a que se 
refere o art. 146 do CTN.  

Fl. 1047DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 15 

   
 

 
 

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Acórdão n° 3402­003.799: 

 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. 
NÃO OCORRÊNCIA. 

A  alteração  de  critério  jurídico  que  impede  a  lavratura de  outro 
Auto  de  Infração  diz  respeito  a  um mesmo  lançamento  e  não  a 
lançamentos diversos, como aduzido neste caso. 

Quanto  às  “práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades 
administrativas”, cumpre assinalar que o termo “observadas”, no texto legal, tem a conotação 
de que a  autoridade administrativa ao praticar,  ou deixar de praticar um  ato,  ou  conjunto de 
atos discricionários, analisou­os e julgou­os adequados àquela determinada situação. 

O  termo  “reiteradamente”  leva  ao  entendimento  de  que  a  autoridade 
administrativa,  após  análise  do  caso  concreto,  julgando  apropriado  o  procedimento  adotado, 
repetiu­o por vezes. 

A mera repetição, entretanto, não é suficiente. Não é qualquer ato praticado por 
autoridades administrativas que pode ser considerado como norma complementar. Somente os 
atos  em  relação  aos  quais  é  permitida  certa  discricionariedade,  quando  praticados 
reiteradamente, podem ser considerados como normas complementares nos termos do art. 100 
do CTN. Por outro lado, os atos de natureza vinculada, quando praticados em desacordo com a 
legislação,  não  estão  sujeitos  a  validação  e  não  podem  ser  considerados  como  normas 
complementares. 

Como  se  pode  facilmente  constatar,  as  práticas  reiteradas  das  autoridades 
administrativas  nada mais  são  do  que  os  usos  e  costumes  da Administração. Nesse  sentido, 
para  que  se  forme  uma  prática  reiterada  devem  estar  presentes  o  uso,  ou  seja,  a  conduta 
reiterada  (requisito  objetivo)  e  a  convicção  jurídica  de  que  aquela  conduta  é  a  que  deve  ser 
observada (requisito subjetivo). Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica 
que deriva de longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção de 
sua necessidade jurídica. 

­ Da  competência  da  SUFRAMA para  efetuar  a  classificação  fiscal 
dos  produtos  fabricados  em projeto  industrial  aprovado para  fruição 
de benefícios fiscais e do ato administrativo; 

O  Sistema  Harmonizado  é  uma  nomenclatura  utilizada  internacionalmente, 
como  um  sistema  padronizado,  desenvolvido  e  mantido  pela  Organização  Mundial  das 
Alfândegas (OMA), sediada em Bruxelas, da qual o Brasil é integrante e ativo participante. 

A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aplicável aos países membros do 
bloco desde 1995, é calcada no Sistema Harmonizado e segue rigorosamente as suas diretrizes, 
especialmente  quanto  a  manter  a  uniformização  no  tratamento  das  transações  do  comércio 
internacional.  

A  classificação  de  mercadorias,  no  país,  como  de  resto  toda  a  aplicação  da 
legislação aduaneira, é da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma do 
Decreto nº 9.003, de 13/03/2017 e do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil  

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Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

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Decreto nº 9.003, de 13/03/2017: 

Art. 25. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: 

(...) 

XIX ­ dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades 
relacionadas  com  nomenclatura,  classificação  fiscal  e  econômica  e 
origem  de  mercadorias,  inclusive  representando  o  País  em  reuniões 
internacionais sobre a matéria; 

Regimento Interno da Receita Federal do Brasil: 

Art.  1º  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  órgão 
específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da 
Fazenda, tem por finalidade: 

(...) 

XIX ­ dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades 
relativas a nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de 
mercadorias, e representar o País em reuniões internacionais sobre a 
matéria; 

Para  aclarar  a  questão,  colaciona­se  fragmento  do  Acórdão  n°  CSRF  9303­
006.987 da Câmara Superior de Recursos Fiscais de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da 
Costa Pôssas:  

A  Superintendência  da  Zona  Franca  de Manaus  (SUFRAMA)  é  uma 
autarquia  vinculada  ao Ministério  da  Indústria, Comércio  Exterior  e 
Serviços  que  administra  a  Zona  Franca  de  Manaus,  com  a 
responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional 
que  utilize  de  forma  sustentável  os  recursos  naturais,  assegurando 
viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida das populações 
locais. 

Assim,  é  natural  que  o  mecanismo  escolhido  pelo  legislador  para 
demonstrar  que  o  projeto  produtivo  atende  à  política  de 
desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da região tenha sido 
a aprovação pela SUFRAMA. 

Mas  é  a  Receita  Federal  do  Brasil,  vinculada  ao  Ministério  da 
Fazenda,  quem  tem  a  competência  para  verificar  o  cumprimento  de 
todos os requisitos quando da efetiva utilização de benefícios fiscais, e 
cobrar  os  valores  de  imposto  que  sejam  devidos,  observando­  se 
inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais 
possuem  precedência  sobre  os  demais  setores  administrativos,  na 
forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). 

Não há que se falar em conflito entre a SUFRAMA e a Receita Federal. 
A  autarquia,  exercendo  sua  competência,  aprovou  o  projeto  de 
Recofarma,  que  reconhecidamente  permanece  válido  para  fins  de 
atendimento a um dos requisitos previstos no art. 6° do Decreto­ Lei n° 
1.435/75.  O  Fisco,  exercendo  a  sua  competência,  analisou  a 
legitimidade da utilização da isenção, e constatou que não foi atendida 
a  exigência  de  emprego  de  matéria­prima  extrativa  vegetal  de 

Fl. 1049DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 17 

   
 

 
 

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produção  regional. As  competências  são exercidas  concorrentemente, 
respeitando­se a área de atuação de cada órgão. 

Esse  mesmo  entendimento  é  repisado  pelos  seguintes  Acórdãos  de  Recurso 
Voluntário:3302­003.741, 3302­004.410 e 3402­02.934. 

­ Da utilização indevida de saldo credor do período anterior. 

 O  §  5o  do  artigo  6o  da  Portaria MF Nº  343,  de  09  de  junho  de  2015.,  que 
aprova o Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF), assim 
determina:] 

Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados 
observando­se a seguinte disciplina:  

(...) 

§  5º  Se  o  processo  principal  e  os  decorrentes  e  os  reflexos  estiverem 
localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter 
o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o 
sobrestamento  do  julgamento  do  processo  na  Câmara,  de  forma  a 
aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. 

É alegado nos itens 9.1 e 9.2 do Recurso Voluntário:  

A  AUTORIDADE  glou,  na  escrita  fiscal  da  RECORRENTE,  o  saldo 
credor  apurado  no  periodo  anterior  à  época  dos  fatos  geradores  do 
presente  AUTO,  em  razão  de  o  estabelecimento  da  Refrescos 
Guararapes  (incorporado  após  cisão  parcial)  ter  sofrido  idêntica 
fiscalização  que  constatou  a  inexistência  de  saldo  credor  ao  final  de 
fevereiro  de  2015  e  que  resultou  na  lavratura  do  auto  de  infração, 
objeto do processo administrativo n° 10480.729138/2017­49. 

Ocorre que a discussão administrativa referente ao PA n° 10480.729138/2017­
49  ainda  não  está  encerrada  e,  portanto,  a  escrita  fiscal  da  RECORRENTE  não  deve  ser 
reconstituída até que seja confirmada, ou não, a glosa do crédito 

Com estas considerações, voto no sentido de determinar a vinculação dos autos 
e o sobrestamento do julgamento do processo. 

É como voto. 

Jorge Lima Abud. 

Fl. 1050DF  CARF  MF


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    <float name="score">2.641078</float></doc>
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    <date name="dt_index_tdt">2023-07-22T09:00:01Z</date>
    <str name="anomes_sessao_s">202306</str>
    <str name="camara_s">Quarta Câmara</str>
    <str name="ementa_s">ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II)
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada contradição entre os fundamentos e o dispositivo do Acórdão embargado é dever o provimento dos Aclaratórios.

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    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção</str>
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    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o dispositivo do voto embargado para o seguinte: Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Goncalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Roberto da Silva, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni.

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    </arr>
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S3-C 4T1 

Ministério da Economia 

Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  

 

Processo nº 10314.720547/2018-82 

Recurso Embargos 

Acórdão nº 3401-011.846  –  3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 

Sessão de 28 de junho de 2023 

Embargante FAZENDA NACIONAL 

Interessado ROLAND DG BRASIL IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA      

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II) 

Ano-calendário: 2000 

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. 

Constatada contradição entre os fundamentos e o dispositivo do Acórdão 

embargado é dever o provimento dos Aclaratórios. 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos 

Embargos de Declaração, dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o 

dispositivo do voto embargado para o seguinte: “Acordam os membros do colegiado, (1) por 

força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, 

multa por erro de classificação fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias 

desembaraçadas no canal vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, 

Gustavo Garcia Dias dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por 

maioria de votos, em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações 

parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira Fernanda 

Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, (3) por 

unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário 

lançado por ausência de LI também para as operações parametrizadas nos demais canais de 

conferência aduaneira”. 

(documento assinado digitalmente) 

Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente 

(documento assinado digitalmente) 

 Oswaldo Goncalves de Castro Neto - Relator 

Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos 

Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Roberto da Silva, Fernanda Vieira Kotzias, 

Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Ricardo Piza di Giovanni (suplente 

convocado(a)), Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) 

Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di 

Giovanni. 

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4.
72

05
47

/2
01

8-
82

Fl. 558DF  CARF  MF

Original




Fl. 2 do  Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária 

Processo nº 10314.720547/2018-82 

 

Relatório 

1.1. Trata-se de Embargos de Declaração contra Acórdão desta Turma de 

Relatoria da Conselheira Fernanda e que fui designado como Redator do Voto Vencedor, assim 

ementado: 

REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO PARAMETRIZADA EM CANAL 

VERMELHO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO 

CARACTERIZADA. 

O despacho aduaneiro por meio de canais de conferência que não sejam o verde, por 

resultarem em fiscalização efetiva (não automática/eletrônica) das informações 

prestadas pelo sujeito passivo como condição indispensável ao desembaraço das 

mercadorias, representam ato administrativo próprio do auditor-fiscal, o qual é 

regulamento e vincula o sujeito passivo, sendo instrumento genuíno à fiscalização e ao 

lançamento fiscal. Portanto, trata-se de procedimento pelo qual há clara fixação de 

critério jurídico do qual cabe, inclusive, discussão pelo contribuinte por meio de 

manifestação de inconformidade e que poderá ensejar auto de infração.  

CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RGI 3. COMPARAÇÃO. 

A RGI3 somente deve ser utilizada se houver confronto no mesmo nível da NCM. 

Subposição de primeiro nível somente é comparável a subposição de primeiro nível, não 

o é com subposição de segundo nível ou com subitem de qualquer nível. 

CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EX TARIFÁRIO. 

O benefício fiscal nomeado de Ex tarifário é concedido para a descrição da máquina e 

não para a classificação fiscal. Assim, do mesmo modo que a incorreção na 

classificação fiscal não impede o gozo do benefício, o enquadramento do maquinário no 

benefício não impede a multa por classificação fiscal incorreta. 

1.2. Em sua peça, a Embargante alega contradição entre os fundamentos do 

acórdão e o resultado de julgamento, pois, embora tenha sido cancelado a autuação apenas em 

parte, o dispositivo menciona o cancelamento da “totalidade do crédito tributário lançado”. 

 

Voto            

Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 

2.1. Na forma do voto da sempre Justa Conselheira Fernanda, no auto de infração 

objeto do presente PAF foram lançados 1) multa por classificação fiscal incorreta, 2) multa por 

ausência de LI e 3) diferença entre os tributos recolhidos e os efetivamente devidos (todos com 

os respectivos consectários legais). 

2.2. No tópico de número 2 do voto da Conselheira Fernanda, esta afastou os três 

lançamentos (multa por classificação fiscal incorreta, multa por ausência de LI e diferenças 

tributárias) de todas as mercadorias parametrizadas em canal vermelho de conferência; no que 

foi acompanhada por seus pares (este redator incluso) – ao menos, em número suficiente para 

reversão do lançamento. 

Fl. 559DF  CARF  MF

Original



Fl. 3 do  Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária 

Processo nº 10314.720547/2018-82 

 

2.2.1. Porém, constata a Conselheira Fernanda (bem atenta aos autos) que também 

foram lançados tributos e sanções aduaneiras em mercadorias parametrizadas em outros canais 

de conferência.  

Conforme demonstrado pela recorrente, parte das importações objeto do lançamento, e 

cujo desembaraço aduaneiro ocorreu em anos diferentes e com espaçamento temporal 

entre as operações, dizem respeito a mercadorias importadas que foram desembaraçadas 

em canal vermelho. (...) 

Nestes termos, voto pela nulidade do lançamento ora analisado de forma completa em 

razão de as fiscalizações físicas terem se dado, ainda que alternadamente com outro 

canais de despacho, ao longo de todo o período autuado. Alternativamente, caso a 

Turma discorde desse posicionamento, entendo que, ao menos as DIs objeto de canal 

vermelho necessitam ser excluídas do lançamento, visto que estas foram objeto de 

fiscalização efetiva e incontestável em momento anterior à lavratura do AI. 

2.2.1.1. Neste ponto, como se infere do voto, o lançamento foi integralmente 

mantido (ao menos, a priori); ou seja, a Turma discordou do primeiro posicionamento de 

nulidade, mas concordou que “ao menos as DIs objeto de canal vermelho necessitam ser 

excluídas do lançamento”, o que levou a Conselheira Fernanda a analisar os demais argumentos 

da Embargada no tópico 3. 

2.3. No tópico 3 a Conselheira Fernanda apresenta fortes razões para o 

afastamento do lançamento com fundamento no acerto da classificação fiscal da Recorrente. 

Todavia, estas razões foram afastadas por outras levantadas por esta Turma e expressas em voto 

que fui agraciado com a redação. Assim, para as mercadorias não parametrizadas em canal 

vermelho, foi mantida a multa por erro de classificação fiscal. 

2.4. Ao final, como a Conselheira Fernanda concordou com a classificação fiscal 

adotada pela Embargada, para essa nobre Julgadora restou prejudicada a análise da multa por 

ausência de Licença de Importação. Acontece que, vencida a tese da correção da classificação 

fiscal, ressurgiu o debate acerca da multa por ausência de Licença de Importação. 

2.5. Nos debates, embora não esteja expresso no Acórdão, restou definida a 

impossibilidade de aplicação de multa por falta de licenciamento visto que, a) a mercadoria 

encontrava-se corretamente descrita e não houve constatação de dolo ou fraude da Embargada, 

o que leva ao afastamento da sanção com base no Ato Declaratório Normativo COSIT 12/1997, 

b) não se tratava de caso de falta de licença, mas de licença incorretamente emitida, c) para 

ambas as classificações o licenciamento era não automática. 

2.5.1. Desta forma, o crédito decorrente da aplicação de sanção aduaneira por 

ausência de licença de importação foi afastado para as demais operações de importação 

(parametrizadas em outros canais de conferência) – e, daí, talvez, a confusão redacional, que há 

de ser corrigida ao ser alterada para a seguinte: 

Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, 

em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação 

fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal 

vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias 

dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, 

em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações 

parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira 

Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo 

Fl. 560DF  CARF  MF

Original



Fl. 4 do  Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária 

Processo nº 10314.720547/2018-82 

 

Branco., (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar 

o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações 

parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira. 

 

3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço dos Embargos de 

Declaração dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o dispositivo do 

voto embargado para o seguinte: 

Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, 

em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação 

fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal 

vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias 

dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, 

em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações 

parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira 

Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo 

Branco., (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar 

o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações 

parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira. 

 

(documento assinado digitalmente) 

Oswaldo Gonçalves de Castro Neto 

 

           

 

           

 

 

Fl. 561DF  CARF  MF

Original


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    <str name="camara_s">Quarta Câmara</str>
    <str name="ementa_s">Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC-1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2.

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    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção</str>
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    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente às saídas de tais itens no período autuado.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN  Presidente
(assinado digitalmente)

TIAGO GUERRA MACHADO - Relator

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.

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S3­C4T1 

Fl. 470 

 
 

 
 

1

469 

S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10830.721965/2011­81 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  3401­005.152  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  23 de julho de 2018 

Matéria  CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS           

Recorrente  TIGRE S.A. ­ TUBOS E CONEXÕES. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS 

Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 

CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  MERCADORIAS.  Aplicação  das  Regras 
Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 
3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral 
Complementar  (RGC­1).  O  texto  da  subposição  3925.20  deve  ser 
interpretado  de  modo  a  alcançar  não  somente  para  os  itens  previstos 
literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza,  constituição  e 
utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição. 

MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM 
COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a 
aplicação  de  norma  legal  vigente  em  razão  de  argumentação  de  confisco 
(artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar 
parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na 
TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, 
devendo  ser  reduzida  a  penalidade  proporcionalmente  às  saídas  de  tais  itens  no  período 
autuado.  

(assinado digitalmente) 

ROSALDO TREVISAN – Presidente 

(assinado digitalmente) 

 

  

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1-
81

Fl. 470DF  CARF  MF




 

  2

TIAGO GUERRA MACHADO ­ Relator 

 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan 
(presidente),  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  (vice­presidente),  Mara  Cristina 
Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente 
justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos. 

Relatório 

Cuida­se de Recurso Voluntário (fls. 443 e seguintes) contra decisão da 12ª 
Turma, DRJ/RPO, que  considerou  improcedentes,  em parte,  as  razões da Recorrente  sobre a 
nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF Campinas, em 17.06.2011, com ciência pela 
Contribuinte  na  mesma  data  (fl.  433),  referente  a  título  de  multa  de  IPI  não  lançado  com 
cobertura de crédito, em virtude da falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento 
industrial  promovido  a  saída  de  produtos  tributados  de  sua  fabricação  com  falta  de 
lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e de alíquota, período de 31.07.2006 a 
31.12.2007.  

 

Do Lançamento (fls. 362 e seguintes) 

Naquela  ocasião,  a  Fiscalização  lançou  multa  isolada  referente  ao  IPI  não 
lançado com cobertura de crédito (saldo credor), em dito tributário de IPI (fls. 362 e seguintes), 
totalizando a exigência em R$ 254.057,35 (duzentos e cinquenta e quatro mil, cinquenta e sete 
reais e trinta e cinco centavos), em virtude da falta de lançamento do imposto em razão de o 
contribuinte  ter efetuado a saída de produtos  tributados, por erro de classificação  fiscal,  com 
alíquota inferior à devida. 

No  respectivo  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  358/361,  a  fiscalizada 
promoveu a saída de produtos de matéria plástica – PVC (arco, arremate, caixa acústica, canto, 
estruturas geométricas, folha, guarda corpo, janelas, marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, 
portas, quadro fixo, trilhos e veneziana), adotando para todos os produtos a classificação fiscal 
3925.20.00 da TIPI, tributados à alíquota 0%.  

Contudo,  segundo  a  fiscalização,  baseada  na  TIPI/2007,  os  produtos 
relacionados se enquadrariam nas seguintes classificações fiscais:  

­ Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%;  

­ Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%;  

­ Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%; 

­ Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%.  

 

Como  resultado dessa  reclassificação,  a  autoridade  fazendária veio  a  lançar 
penalidade  em  decorrência  da  falta  de  lançamento  de  IPI  nas  notas  fiscais  de  saídas  do 
estabelecimento,  não  havendo  imposto  a  recolher  em  razão  de  a  contribuinte  possuir  saldo 
credor suficiente para ilidir o recolhimento à época dos fatos geradores. 

Fl. 471DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 471 

 
 

 
 

3

 

Da Impugnação 

A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 17.06.2011 (fl.433), e 
interpôs impugnação, em 15.07.2011 (fls.385 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: 

 

(a) Sobre os cálculos elaborados pela Fiscalização: "(...) constatou­se que os 
montantes  considerados  mês  a  mês  referente  ao  produto  'perfil'  estão  divergentes  daqueles 
valores  originários  do  arquivo magnético  de NFs  de  Saídas  de  Jul/2006  a Dez/2007,  como 
pode ser verificado na planilha constante desse mesmo arquivo, com o nome 'Cálculo Perfil I 
Revisado'.  Cabível,  então,  uma  revisão  desses  valores  apurados  e  tabulados  erroneamente, 
procedendo­se à respectiva correção";  

(b) Sobre a incorreta indicação de NCM para os "demais produtos": requer a 
correção  da  indicação  do  código  NCM  3925.90.00  como  classificação  fiscal  do  item  de 
produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI; 

(c) Sobre o pedido de "perícia": Parecendo desconhecer o caráter jurídico do 
procedimento  de  classificação  fiscal  de  mercadorias,  pediu  "perícia  técnica",  nomeando  o 
Instituto  Nacional  de  Tecnologia  do  Ministério  de  Ciência  e  Tecnologia,  formulando  os 
quesitos da fl. 389 e nomeando perito­assistente;  

(d)  Sobre  o  mérito  da  classificação  fiscal:  "Relativamente  aos  produtos 
reclassificados, aduz que não são vendidos de forma isolada ou individualmente. Ao contrário, 
a  comercialização  sempre  é  feita  pelo  conjunto  de  itens  que  compõem  cada  projeto  e/ou 
orçamento,  até por uma  razão muito  simples:  sem essa aquisição e  instalação conjunta dos 
itens de produtos que compõem cada projeto, este não tem funcionalidade. Trata­se, portanto, 
de uma série de itens de produtos que não tem função isolada, própria, ou específica, mas que 
se  complementam  numa  única  função,  seja  de  porta,  janela  ou  esquadria,  devendo,  por 
conseguinte, serem objeto de classificação fiscal nessa condição. Portanto, o que efetivamente 
prevalece para fins de classificação fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é 
a sua destinação. No caso, nenhuma dúvida persiste que os componentes se destinam a formar 
um conjunto específico, e como tal deve haver o respectivo enquadramento, exatamente como 
efetuado pela impugnante.";  

(e) Aduz sobre a impossibilidade de aplicação de multa por ausência de dano 
ao Erário, bem como sobre o caráter "manifestamente confiscatório".  

 

Da Decisão de 1ª Instância 

Sobreveio  Acordão14­50.065,  exarado  pela  12ª  Turma,  da  DRJ/RPO,  em 
29.04.2014,  com  ciência  em  22.05.2014  (fl.  440),  através  do  qual  foi  mantido,  em  parte,  o 
crédito tributário lançado nos seguintes termos: 

 

ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  

Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007  

Fl. 472DF  CARF  MF



 

  4

CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  MERCADORIAS.  Segundo  a  TIPI/2007, 
produtos  fabricados  com  matéria  plástica  (PVC),  tais  como:  perfis,  venezianas 
(persianas)  e  artefatos  para  apetrechamento  de  construções,  são  classificados  nos 
códigos  3916.90.90,  3925.30.00  e  3925.90.90,  respectivamente.  Aplicação  das 
Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 
3916 e 3925) e 6ª (texto da subposição 3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral 
Complementar (RGC­1).  

APLICAÇÃO  DE  ALÍQUOTA  MENOR  QUE  A  DEVIDA.  Aplicação  de 
alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de alíquota/classificação fiscal 
dos  produtos,  justifica  o  lançamento  de  ofício  da  diferença,  com  os  respectivos 
acréscimos legais.  

IPI.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  ERRO  NO  LANÇAMENTO.  Em  face  da 
comprovação  de  erro  no  lançamento  de  ofício,  cabível  a  revisão  dos  valores 
lançados a maior.  

MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO  IMPOSTO, COM 
COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional 
ao  valor  do  imposto  que  deixou  de  ser  destacado  na  nota  fiscal  de  saída, mesmo 
havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo.  

JUNTADA  DE  PROVAS.  MOMENTO  PROCESSUAL.  Sob  pena  de 
preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação é o 
marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação 
só é possível em casos especificados na lei.  

PEDIDO  DE  PERÍCIA.  PRESCINDIBILIDADE.  INDEFERIMENTO. 
Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  à 
adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência  ou 
perícia.  

Impugnação Procedente em Parte  

Crédito Tributário Mantido em Parte 

 

Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: 

 

Sobre a  classificação  fiscal  dos "demais  itens"  e do  cálculo  impugnado 
pela Impugnante ora Recorrente: 

A impugnante  requer uma revisão dos valores lançados referente ao produto 
“perfil” e  a  correção da  indicação do código NCM 3925.90.00 como classificação 
fiscal do item de produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI.  

 Diante  das  alegações  de  revisão,  cumpre  notar  que  não  se  verifica  nesses 
autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de 
março de 1972, verbis: (...) 

No que diz respeito ao código NCM 3925.90.00, classificação fiscal do item 
de produtos “outros”, referido código estava presente na TIPI aprovada pelo Decreto 
nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002. A partir de 1º de janeiro de 2007, entra em 
vigor  o  Decreto  nº  6.006,  de  28  de  dezembro  de  2006,  alterando­o  para  NCM 
3925.90.90.  

Fl. 473DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 472 

 
 

 
 

5

No  presente  caso,  eventual  falha  no  enquadramento  do  NCM,  para  os 
períodos a partir de 1º de janeiro de 2007, não deixa dúvidas acerca da imputação. 
Assim, afastada o cerceamento a ampla defesa da interessada, a conclusão é de que, 
apesar de alguma imperfeição do enquadramento, o lançamento é válido e eficaz.  

Quanto à revisão dos valores lançados a maior, nos termos do Relatório Fiscal 
de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a planilha “Apuração da Divergência no 
Somatório  dos  valores  das  Notas  Fiscais  de  Saídas”,  no  qual  se  posiciona  pela 
existência de divergências na apuração referente ao produto “perfil”, no valor total 
de R$ 4.412,27. Referida correção é calculada ao final do presente voto.  

(...) 

Sobre  a  classificação  fiscal  dos  produtos:  portas,  janelas,  persianas  e 
perfis  

Versa  a  lide  sobre  a  correta  classificação  das  seguintes  mercadorias:  arco, 
arremate, caixa acústica, canto, estruturas geométricas, folha, guarda­corpo, janelas, 
marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, portas, quadro fixo, trilhos e venezianas. 
Todos os produtos são fabricados com matéria plástica (PVC).  

A  contribuinte  adotou  para  todos  os  produtos  a  classificação  fiscal 
3925.20.00,  tributados  à  alíquota  de  0%. No  entanto,  a  fiscalização  considerou  as 
seguintes classificações fiscais:  

­ Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%;  

­ Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%;  

­ Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%;  

­ Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%.  

É  mister  afirmar,  prévia  e  didaticamente,  que  a  operação  de 
enquadramento  de  produto  em  código  de  classificação  fiscal  não  tem  caráter 
técnico e sim estritamente tributário, nos termos do PAF, art. 30, § 1º, cabendo 
ao  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  executar  o  referido 
enquadramento à luz da legislação tributária aplicável: consoante o RIPI/2002, 
arts. 15 a 17 (RIPI/2010, arts. 15 a 17), a classificação fiscal de mercadorias deve ser 
feita  de  acordo  com  as  Regras  Gerais  para  Interpretação  (RGI),  Regras  Gerais 
Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum 
do MERCOSUL (NCM); as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), e 
suas  alterações,  além das Notas  de Seção, Capítulo,  posições  e  de  subposições  da 
NCM,  prestam­se  como  elementos  subsidiários  fundamentais  para  a  correta 
interpretação do conteúdo das posições e subposições da NCM.  

Assim dispõem as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 
(RGI):  

 “1.  Os  títulos  das  seções,  capítulos  e  subcapítulos  têm  apenas  valor 
indicativo.  Para  os  efeitos  legais,  a  classificação  é  determinada  pelos  textos 
das  posições  e  das  Notas  de  Seção  e  de  Capítulo  e,  desde  que  não  sejam 
contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes.  

(...)  

Fl. 474DF  CARF  MF



 

  6

6.  A  classificação  de  mercadorias  nas  subposições  de  uma  mesma 
posição é  determinada,  para  efeitos  legais,  pelos  textos dessas  subposições  e 
das  Notas  de  subposição  respectivas,  bem  como,  mutatis  mutandis,  pelas 
Regras  precedentes,  entendendo­se  que  apenas  são  comparáveis  subposições 
do  mesmo  nível.  Na  acepção  da  presente  Regra,  as  Notas  de  Seção  e  de 
Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário”.  

Vale dizer, são os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e 
dos destaques “Ex”, que determinam a classificação fiscal de um produto. As regras 
de 2 a 5 somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o 
devido  enquadramento.  As  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  (NESH), 
sendo fonte subsidiária de interpretação, é, por essa razão, instrumento hábil, embora 
não suficiente, para o enquadramento correto de classificação fiscal de mercadorias.  

Em  sua  defesa,  a  contribuinte  aduz  que  os  produtos  reclassificados  não  são 
vendidos  de  forma  isolada  ou  individualmente.  Ao  contrário,  a  comercialização 
sempre  é  feita  pelo  conjunto  de  itens  que  compõem  cada  projeto  e/ou  orçamento. 
Trata­se,  portanto,  de  uma  série  de  itens  de  produtos  que  não  tem  função  isolada, 
própria, ou específica, mas que se complementam numa única função, seja de porta, 
janela ou esquadria, devendo, por conseguinte, serem objeto de classificação fiscal 
nessa  condição.  Portanto,  o  que  efetivamente  prevalece  para  fins  de  classificação 
fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é a sua destinação. 

(...) 

No entanto, compulsando os autos, extrai­se que os produtos fabricados pela 
contribuinte  são  de matéria  plástica  e  suas  obras,  enquadradas  no Capítulo  39  da 
TIPI, tendo como principal atividade a fabricação de portas, janelas, seus caixilhos e 
alisares. Portanto, de acordo com os fatos apresentados, nem todas as saídas são de 
portas ou janelas, e sim de seus acessórios, com vendas separadas, daí resultando em 
classificações independentes.  

A Nota  Explicativa,  relativamente  à  Seção VII,  relativo  a  “PLÁSTICOS  E 
SUAS  OBRAS;  BORRACHA  E  SUAS  OBRAS”,  invocada  pela  impugnante, 
dispõe:  

Notas de Seção.  

1. Os produtos apresentados em sortidos formados por vários elementos 
constitutivos distintos, incluídos, na totalidade ou em parte, na presente Seção, 
e que se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto 
das  Seções VI  ou VII,  devem  classificar­se  na  posição  correspondente  a  este 
último produto, desde que tais elementos constitutivos sejam:  

a) em face do seu modo de acondicionamento claramente reconhecíveis 
como destinados a utilização conjunta sem prévio reacondicionamento;  

b) apresentados ao mesmo tempo;  

c) reconhecíveis, dadas a sua natureza ou respectivas quantidades, como 
complementares uns dos outros.  

É  imprescindível  que  as  situações  “a”,  “b”  e  “c”  estejam  presentes  para  de 
fato os produtos reclassificados sejam considerados e classificados como portas ou 
janelas, ou seja, no NCM 3925.20.00. Caso contrário, serão classificados de forma 
autônoma, exatamente como procedeu a fiscalização na reclassificação efetuada.  

Também corrobora com a situação a própria Solução de Consulta nº 9, de 22 
de fevereiro de 2001, igualmente invocada pela contribuinte, na qual especifica que 
a  mercadoria  classificada  no  NCM  3925.20.00  trata­se  de  “porta  desmontada, 

Fl. 475DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 473 

 
 

 
 

7

constituída por elementos de plástico rígido (PVC)”. Em nenhum momento, sequer 
cita a possibilidade de classificar no NCM 3925.20.00 as partes em que compõe a 
porta ou janela. No caso em tela, estamos diante de saídas de acessórios para portas 
ou janelas, e não saídas de portas ou janelas desmontadas.  

Face  ao  exposto,  verificam­se  infrutíferas  as  alegações  da  requerente  no 
sentido de que os produtos por ela fabricados deveriam ser classificados como portas 
ou janelas ­ NCM 3925.20.00.  

Neste  sentido,  com  base  nas  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema 
Harmonizado/RGI  1ª  (texto  da  posição  3916  e  3925)  e  6ª  (texto  da  subposição 
3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC­1), concluo que as 
classificações adotadas pela fiscalização estão corretas. (...) 

 

Sobre aplicação da multa de ofício.  

A  recorrente  contesta  o  que  entendeu  “ser  excessivo  o  valor  da  referida 
penalidade  aplicada,  pois  nenhum  pretenso  imposto  deixou  de  ser  recolhido”. No 
entanto,  o  autuante  aplicou  somente  a  multa  de  ofício  de  75%,  a  qual  está 
fundamentada no art. 80, inciso II, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 
45 da Lei n° 9.430/96, e alterações posteriores: 

(...) 

Valores divergentes apurados em diligência.  

Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a 
planilha “Apuração da Divergência no Somatório dos valores das Notas Fiscais de 
Saídas”, no qual se posiciona pela existência de divergências na apuração referente 
ao produto “perfil”, no valor total de R$ 4.412,27.  

Nesse sentido, deve­se cancelar o lançamento das diferenças de IPI apuradas 
no relatório fiscal. O demonstrativo abaixo demonstra o novo valor de IPI apurado 
(...). 

 

Do Recurso Voluntário 

Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os 
argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: 

 

Fl. 476DF  CARF  MF



 

  8

 

 

      (...) 

Fl. 477DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 474 

 
 

 
 

9

 

 

 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro Tiago Guerra Machado 

 

Da Admissibilidade  

O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de 
modo que admito seu conhecimento. 

 

Da Preliminar de Nulidade 

Fl. 478DF  CARF  MF



 

  10

A recorrente aduz que o erro, durante o lançamento, na reclassificação fiscal 
para código NCM inexistente representaria óbice à suficiente instrução da sua defesa, devendo 
ser,  per  si,  anulado  o  auto  de  infração,  com  fulcro  no  artigo  59,  do  Decreto  Federal 
70.235/1972. 

Ora, não reside razão a tal assertiva da contribuinte. 

A reclassificação para um código NCM inexistente, no presente caso, não a 
inibiu  de  apresentar  sua  defesa, mesmo  porque  está  foi  calcada  na  possibilidade  técnica  no 
enquadramento no código NCM ora impugnado. 

Além disso, considerando que a Fiscalização atribuiu os produtos ao código 
NCM genérico então vigente ("Outros"), e de mesma posição, é possível inferir que o erro em 
imputar  o  código  NCM  inexistente  3925.90.00  ao  invés  do  código  NCM  3925.90.90  é 
absolutamente  sanável,  inexistindo  portanto  hipótese  da  nulidade  prevista  no  artigo  59, 
supramencionado, aplicável ao presente lançamento. 

 

Do Mérito 

Da Classificação Fiscal 

Sobre  a  classificação  fiscal  das  mercadorias,  não  vejo  necessidade  de 
qualquer  emenda  ao  embasamento  jurídico  da  decisão  de  primeiro  piso.  Todavia,  há  de  se 
ressaltar que, a meu ver, não houve suficiente  esmero da decisão  em analisar  faticamente os 
produtos que  foram reenquadrados  em código NCM distinto do que a contribuinte considera 
como  corretos.  Analisando  os  catálogos  comerciais  disponíveis  no  site  da  Recorrente 
(https://www.tigre.com.br/claris/produtos),  verifica­se  que  alguns  dos  itens  foram 
erroneamente  enquadrados  no  lançamento,  uma  vez  que  por  sua  descrição,  natureza  e 
utilização deveriam ser relacionados em código NCM específico, a saber: 

 

Arco  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Caixa acústica  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Folha  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Maxiar  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Pinázio  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Quadro fixo  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Trilhos  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

 

Explico. 

O arco e o pinázio são formas de acabamento que integram a folha da janela, 
que nada mais é do que estrutura que abriga o vidro, não podendo se distinguir dela própria. A 
caixa acústica é a estrutura componente da janela que envolve a(s) folha(s). Maxiar nada mais é 
do  que  um  modelo  específico  de  janela  oferecido  pela  Recorrente,  do  tipo  basculante;  da 
mesma forma que o "quadro fixo", nada mais que uma janela sem qualquer modo de abertura. 
Por fim, os trilhos são estruturas que compõem as janelas que possuem folhas que não possuem 
dobradiças ou básculas (ou seja, são janelas "de correr").  

Fl. 479DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 475 

 
 

 
 

11

Veja que a subposição 3925.20.00 trata das janelas e seus caixilhos, alizares e 
soleiras; nessa linha, parece­me claro que a intenção é de se classificar nessa subposição todos 
os  itens  essenciais  à  estrutura  das  portas  e  janelas  ­  de  todos  os  tipos  ­  e  não  só  o  produto 
consolidado. 

Não  por  coincidência,  a  subposição  seguinte  (3925.30.00)  é  que  alberga 
venezianas  e  estores,  que  por  mais  que  possam  ser  integradas  às  janelas  e  portas,  não  são 
essenciais  a  sua  estrutura,  não  cabendo  reforma  da  decisão  ora  recorrida  no  que  tange  às 
venezianas. 

Os  seguintes  itens  não  merecem  tampouco  reforma,  adotando  as  razões 
apontadas no entendimento exarado pela DRJ pelo fato de não ter sido trazido pela Recorrente, 
em  nenhum  momento  da  lide,  qualquer  elemento  que  pudessem  convencer  que  seriam 
componentes  essenciais  à  estrutura  da  janela,  e  não  apenas  decorativos:  "arremate",  "canto", 
"estruturas geométricas", "marco", "módulos", "perfis". 

Por  fim,  quanto  ao  item  "guarda­corpo",  vê­se  indistintamente  que  não  se 
trata de porta ou janela. É um guarda­corpo; portanto reputo correta a classificação fiscal nos 
termos do lançamento original, eis que não há correlação nas subposições anteriores, devendo 
manter­se classificado como 3925.90.90. 

 

Da Alegação de Impossibilidade de Lavratura de Penalidade quando não 
há dano ao Erário sob pena de efeito de confisco 

Diante  dos  argumentos  de  ordem  constitucional  apresentados  pelo 
contribuinte  para  afastamento  da  aplicação  de  multa  pecuniária  (“manifestamente 
confiscatória”),  ressalto  que  esse  colegiado  está  limitado  a  discussão  de  matéria 
infraconstitucional,  de modo que o pretenso  afastamento da norma  legal  vigente  se  encontra 
impossibilidade  pela  obediência  à  Súmula  CARF  nº  2.  Tal  fato  implica  na  inadmissão  do 
pedido expresso na peça recursal. 

Por  todo o exposto, conheço do Recurso, porém dou­lhe parcial provimento 
apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI/2007 refere aos produtos: 
arco,  caixa  acústica,  folha,  maxiar,  pinázio,  quadro  fixo  e  trilhos,  devendo  ser  reduzida  a 
penalidade proporcionalmente as saídas de tais itens no período autuado. 

 

(assinado digitalmente) 

Tiago Guerra Machado ­ Relator 

           

           

Fl. 480DF  CARF  MF



 

  12

 

Fl. 481DF  CARF  MF


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    <str name="ementa_s">Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 1993
Ementa: RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE.
Incabível o lançamento de multa de ofício contra o adquirente por erro na classificação fiscal, cometido pelo remetente dos produtos, quando todos os elementos obrigatórios no documento fiscal foram preenchidos corretamente. A cláusula final do art. 173, caput, do RIPI/82, é inovadora, vale dizer, não tem amparo na Lei nº 4.502/64 (Código Tributário Nacional, art. 97,V; Lei nº 4.502/64, art. 64, § 1º). (Acórdão nº CSRF/02-0.683).
Recurso provido.</str>
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Eis.!

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it. 'ZI	 MINISTÉRIO DA FAZENDA!....-. -,
SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

SEGUNDA CÂMARA•n-s,--,;.:

Processo n°	 10830.000941/93-05

Recurso n°	 119.520 Voluntário

Matéria	 IPI

Acórdão n°	 202-17.901

Sessão de	 29 de março de 2007

Recorrente	 SAYERLACK INDÚSTRIA BRASILEIRA DE VERNIZES S/A

Recorrida	 DRJ em Campinas - SP

Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI

u,	 Exercício: 1993
w

•
1 .4-,zi 24\21	 Ementa: RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE.

,	 Sa N	
Incabível o lançamento de multa de oficio contra o adquirente por erro na

92 § Nkr: II	 classificação fiscal, cometido pelo remetente dos produtos, quando todos os
° t zi	 •	 elementos obrigatórios no documento fiscal foram preenchidos corretamente. A

cd § :I 411 1.
2 1 02-01--r 'c v).	

cláusula final do art. 173, capta, do RIP1/82, é inovadora, vale dizer, não tem

amparo na Lei n2 4.502/64 (Código Tributário Nacional, art. 97,V; Lei n2

n	 g 115	 4.502/64, art. 64, § 1 2). (Acórdão n2 CSRF/02-0.683).o	 2
5 ,.., .̂1 ro
o - E

ta rem -F.)	 Recurso provido.
,	 -, (,)

&amp;-	 dl
--____----

et--

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 	 .
1

ACORDAM os---M,-.~bros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO

CONSELHO DE CO a BU1NTES,\ por unanimidade de votos, em dar provimento ao ,
recurso.

ANTO 10 CARLOS ATULIM

	

'	 Pr idente

GU A O L ENCAR

4

Rel r

Partik aram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina

Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Ricardo Accioly Campos (Suplente),

Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López.



Processo n.° 10830.000941/93-05 	 CCO2/CO2
Acórdão n.° 202-17.901	 AIF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES	 Fls. 2

CONFERE COMO ORIGINAI.

Grazina .29,,./ (Y&lt; /

Celma Maria de A!buquegqjr
Mat. Si3T)0 94442 

Relatório

Trata o presente processo de auto de infração de IPI, lavrado em 17/03/93,
decorrente do recebimento, por estabelecimento industrial, de insumos com erro na
classificação fiscal e na alíquota. O insumo, a saber, latas para embalagem dos produtos
industrializados, era recebido com a classificação fiscal 7310.21.0100, e alíquota de 4%,
quando o correto seria a classificação fiscal de 7310.21.9900 e alíquota de 10% de IPI. O
enquadramento legal da infração está previsto no art. 173 do RIPI/82.

Por tal, é a contribuinte cobrada da multa regulamentar especifica, cuja
capitulação legal está contida no art. 368 c./c art. 364, II, do RIPI182.

Irresignada, a contribuinte apresenta impugnação, às fls. 46/51, alegando, em
síntese, que a classificação fiscal está correta, conforme consulta formulada pelo Sindicato dos
Fornecedores, por medida liminar judicial deferida, e pendência de discussão judicial sobre a

matéria.

Remetidos os autos à DRJ em Campinas - SP, é o lançamento mantido, em

decisão assim ementada:

"Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI

Período de Apuração: 15/01/1989 a 30/09/1992

Ementa: Adquirente de Produtos — A não observância do disposto no
art. 173 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto 87.981 de
1982, sujeita o adquirente às penalidades previstas no artigo 368
combinado com o art. 364, ambos do citado Regulamento.

LANÇAMENTO PROCEDENTE".

Inconformada, interpôs a contribuinte recurso voluntário. __ _________	 _

Em sessão de julgamento de 10 de fevereiro de 2004, o Segundo Conselho de
Contribuintes do Ministério da Fazenda entendeu que a competência seria do Terceiro
Conselho de Contribuintes, remetendo os autos para lá. Em decisão por maioria, aquele
Conselho também se deu por incompetente, devolvendo os autos a este Colegiado.

É o Relatório.



Processo n.• 10830.000941/93-05	 Ca2/C07
Acórdão n.° 202-17.901 - SEGUN30 CCASELHD DE CONTRIBUINTES 	 Fls. 3

COAFERE COMO ORIGINAL

1 Brami Mes,  50  0‘ 
I CcIma Maria do Albuquer • -

M21. Sio • • 94442 410
Voto

Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator

Tempestivo é o recurso e vem acompanhado de depósito recursal, razão pela

qual do mesmo conheço.

Tendente a pôr fim à celeuma relativa à competência, entendo que há uma

questão antecedente à classificação fiscal que toma este Segundo Conselho competente para o

processamento e julgamento do presente processo.

A questão aqui cinge-se à análise da responsabilidade do adquirente quanto ao

erro praticado pelo fornecedor, questão já muito apreciada por este Colegiado, quanto a outros

aspectos que não o erro na classificação fiscal. Como aqui não entrarei na questão do erro, mas

decidirei por outros fundamentos, entendo-me competente e passo a julgar.

O tema deste processo já foi objeto de decisões do Conselho de Contribuintes,

pelo que transcrevo voto proferido pelo Exmo. Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima,

constante do Acórdão n2 CSRF/02-0.683, da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, cujos argumentos adoto como razões de decidir:

"No mérito, circunscreve-se a questão, a meu ver, em definir a correta
aplicação dos artigos 62 e 82 da Lei n 4.502164, que estabelece a
obrigação do adquirente de produtos industrializados de verificar a

regularidade do documento fiscal e respectiva sanção.

(.)

Quanto ao argumento esposado pelo Ilustre Conselheiro, em que alega
a impropriedade da exigência fiscal lavrada contra o adquirente
quando for baseada, exclusivamente, em erro na classificação fiscal do
produto, entendo-o procedente__

O artigo 173 que regula a matéria, dispõe:

'Art. 173 - os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem
ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para
emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos
tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente
rotulados ou marcados, e ainda, quando sujeitos ao selo de controle,

	

bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estão_ 	 _	 -
_ _	 -	 - de acordo com a-dasscciçãá fiscai -o- lança-mento do imposto e as

demais prescrições deste regulamento.' (grifo meu)

Verifica-se da leitura deste artigo que a regulamentação do artigo 62 -- • -
_ _ _ da Lei 4502164, quase o reproduz integralmente,- salvo na para final, 	

_
 .

em que foi substituída a exigência do documento fiscal satisfazer todas
as prescrições legais pela expressão 'se estão de acordo com a
classificação fiscal, o lançamento do imposto e as demais prescrições

deste reeulamentos.

Cabe-nos perquirir, neste passo, quais seriam estes preceitos legais,
referidos na lei, que o documento fiscal deveria cumprir para ser



bar - a‘uvrtil) CONSELHOCTE CONTRIBUINTES
.	 ONTRIBUi ES

Brasilia	 Mr" ) PRIglatt-

Processo n.• 10830.000941/9345	 Colma Maria da Mb • - •• 	 CC0VCO2
Acórdão 202-17.901	 Mat. Sia • e •	 .7710	 Fls. 4

9444-

aceito pelo adquirente e, mais especificamente, se a verificação da
classificaçà'o fiscal estaria entre eles, como afirma a Fazenda, ou se foi
inovação na regulamentação da lei, como defende a decisão recorrida.

Tal questão já foi objeto de decisão judicial (Apelação em MS n
105.951-RS) da lavra do Eminente Ministro Relator Carlos M Velloso,
que assim se expressou, verbis:

'(..) Indaga-se: a cláusula final dos mencionados artigos - 'inclusive
quanto à exata classificação fiscal dos produtos e à correção do
imposto lançado'- é puramente regulamentar ou encontra base na lei,
artigo 62, caput, da Lei 4.502 de 1964? É que, sem base na lei, não
será possível a multa, assim a penalidade, por isso que, sabemos todos,
penalidades, em Direito Tributário, são reservados à lei (Código
Tributário Nacional, art. 97,V), certo que, no particular, a Lei n
4.502, de 1964, anterior ao Código Tributário Nacional, já deixava
apresso, no 1 ° do artigo 64, que "o regulamento e os atos
administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigações
nem definir infrações ou cominar penalidades que não sejam
autorizadas ou previstas em lei'.

Estou com a sentença.

Na verdade, o artigo 62 da Lei n • 4.502, de 1964, não contém a
cláusula inserta nos artigos 169 do Decreto n ° 70.162 e 266 do
Decreto n • 83.263/79 - 'inclusive quanto à exata classificação fiscal
dos produtos e à correção do imposto lançado'. Não é à-toa, aliás, que
vem citada cláusula precedida do adverbio inclusive, que contém a
idéia de inclusão de coisa outra, ou de compreensão de algo novo."

Da leitura do voto depreende-se que o ilustre Ministro defende que a
verificação classificação fiscal pelo adquirente não estaria prevista em
lei e, portanto, não poderia ser exigida.

Assim, a interpretação da norma tributária  que _atribuiu_ aos_
--adquirentemesporisabilidide-de verificar se o documento obedece

todas as prescrições legais, obriga-os apenas a examinar se os
elementos exigidos para o documentário fiscal estão devidamente
preenchidos e, nos itens que deva conhecer pela natureza da operação
mercantil, estão corretos.

O artigo 242 no RIPI182 (artigo 48 da Lei 4.502/64) define quais os
elementos que devem conter em uma Nota Fiscal, ou seja: a
denominação 'Nota Fiscal', o número da nota, a data da emissão e de _	 _

_ 	 saída, a-natureza da operação, os dados- cadastrais do emitente e do
--	 destinatário, a quantidade e a discriminação dos produtos, a

classificação fiscal dos produtos, alíquota, o valor tributável, os dados
cadastrais do transportador, os dados de impressão do documento. 	 _	 _ .

.	 _
Já o artigo 252 do RIPI/82 (artigo 53 da Lei 4.502/82) estabelece as
hipóteses em que o documento fiscal deve ser considerado sem valor
para efeitos fiscais, a saber:

- não safsfazer as exigências dos incisos,. I, II, IV, V, VI e VII do
artigo 242;



MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
CONFERE COMO ORIGINAL

Processo n.• 10830.000941/93-05	 Etretallia  )t) 1o'S- / Cr-à-	 CCOVCO2
Acórdão n.° 202-11.901	 Coima Maria de Albuque ue	 Fls. $

Mat. Siape 94442 .." 

II- não indicar, dentre os requisitos dos incisos VIII, X, XI e XII do

artigo 242, os elementos necessários à identificação e classificação dos

produtos e ao cálculo do imposto;

HI — não contiver a declaração referida no inciso VIII do artigo 244.'

(caso de entrega simbólica).

Dai podemos inferir, a contrario senso, que o documento fiscal para ser

aceito deve satisfazer às já mencionadas exigências do artigo 242,

além de possuir os elementos necessários à identificação e

classificação dos produtos e ao cálculo do imposto.

Assim, o adquirente ao receber o produto deve verificar se todos os

elementos supramencionados constam da Nota Fiscal entregue pelo

remetente, como por exemplo: se os dados cadastrais estão corretos, se

a operação e o produto estão descritos corretamente, se as quantidades

estão de acordo com o pedido, se consta classificação fiscal e aliquota

do produto, e, consequentemente, se o valor tributável está calculado a

partir destes dados.

Se o bem descrito na nota permite, por um critério racional, seu

enquadramento nas posições da Tabela de Incidência do Imposto dobre

Produtos Industrializados indicadas na nota fiscal, não há como se

exigir que o adquirente o questione, porquanto a classificação de

produtos pelas normas da NBM/SH envolve conhecimentos específicos,

muito técnicos e complexos, que nem sempre podem ser detectados no
exame normal que o adquirente realiza ao receber os produtos. A
tarefa do adquirente é, portanto, acessória, isto é, estando todos os

dados exigidos pela legislação corretos e havendo a razoável indicação

da classificação fiscal, fica o remetente como único responsável por

todos os efeitos advindos da classificação equivocada dos produtos.

Tanto é assim, que a própria Administração Fazendária reconheceu a

complexidade da classificação fiscal de produtos, pois, em caso

análogo, determinou a não aplicação_de penalidade_àquele que incorre ------- --- - ---- ' --

em erro de classificação tarifaria de produtos em despacho aduaneiro,

ressalvados os caso em que há dolo ou má-fé

Este entendimento está estampado no Ato Declaratório Normativo
COSE' n 036, de 05 de outubro de 1995, a seguir transcrito:

7 — A mera solicitação, no despacho aduaneiro, de beneficio fiscal

incabível, bem assim a classificação tarifaria errônea, estando o

produto corretamente descrito como todos os elementos necessários à	 '
_ _ _ _ . _ - -- — sua identificação,-desde querem qualquer das casos, não se constate

intuito doloso ou má-fé por parte do declarante, não se configuram

declaração inexata para efeito da multa prevista no artigo 4 ° da Lei n

° 8.218, de 29 de agosto de 1991.'

-____
Este ato normativo, apesar de referir-se à atividade de classificação

fiscal de produtos em área aduaneira, guarda perfeita sintonia com a

hipótese dos autos, uma vez que trata de dispensa de punição

pecuniária ao contribuinte por classificação incorreta de produtos.

Ora, se o Fisco dispensa o próprio contribuinte da obrigação de
classificar corretamente a mercadoritendo ele realizado at \

\\



MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
•	 CONFERE COMO ORIGINAL

, 4
. ,	 Brasília ias.to&lt; , CRI'

Processo n, 10830.000941:93-05
Celma Maria	 Ce02/CO2de Aibuquer iiiy•

Acórdão n.° 202-17.901	
Mat. Siape 94442	 Els: 6 .	 _.	 _

importação direta dos produtos e preenchido os documentos fiscais de

desembaraço, não seria correto, por princípios iS077(3MiCOS, dar

tratamento diferente ao adquirente, que nem tem relação direta com a
emissão do documento e nem com o fato gerador do tributo.

No caso aqui sob análise, não foram trazidos pela fiscalização

quaisquer provas que pusesse em dúvida a correta descrição dos

produtos nas notas fiscais ou Ter havido dolo ou conluio por parte do

adquirente.

Assim, no que se refere a erros contidos na nota fiscal no tocante à

classificação fiscal neste caso, entendo não caber apenação do

adquirente."

Concordo integralmente com o voto do ilustre Conselheiro, principalmente por
entender, também, que a verificação da classificação fiscal pelo adquirente não está prevista na
lei, não podendo portanto ser exigida.

Por outro lado, o art. 248 do RIPI/96, ao dar nova redação ao previsto no art.
173 do RI1'1182, retirou a parte final deste último, deixando de ser infração à legislação do IPI a
verificação, por parte do destinatário, dos documentos fiscais, da classificação fiscal e o
lançamento do imposto, devendo ser aplicado o disposto no art. 106, II, do CTN.

Por todos os motivos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso
voluntário.

	

	 .

Sala das Sessões, em 29 de março de 2007.

1..ÇÏS1*.G	 O 1,.....QIENCAR 	 	 —

Nv
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,, .	 .


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•	 2.9	 PUBLI'ADO NO D. O. U.

De..4.9./...2.6./ 199.e...

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MINISTÉRIO DA FAZENDA	 C Rubrica

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

Sessão	 :	 28 de janeiro de 1998

Recurso :	 100.836

Recorrente : 	 Granja Rezende S.A.

Recorrida :	 DRJ em Florianópolis - SC

IPI - MULTA - TIPICIDADE. A Lei 4.502/64, art. 62, RIPI/82, arts.
173, §§, 364, II e 368 - Obrigação acessória do adquirente de

produtos industrializados. A cláusula final do artigo 173 caput; - "e se
estão de acordo com a classificação fiscal, o lançamento do imposto"
- é inovadora, vale dizer, não encontra amparo no artigo 62 da Lei n.
4.502164. Destarte, não pode prevalecer, por isso que as penalidades
são reservadas à lei (CTN, art. 97 V; Lei 4502/64, art. 64, § 15.
Recurso provido.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso

interposto por: Granja Rezende S.A.

ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo

Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento

ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valdemar Ludvig.

Sala das SessoA, em 28 de janeiro de 1998

Lil
Luiza Helena alente de Moraes

Presidenta

Jorge Freire

Relator

Participaram, ainda do presente julgamento, os Conselheiros Expedito Terceiro

Jorge Filho, Rogério Gustavo Dreyer, Serafim Femandes Corrêa, Geber Moreira

e Sérgio Gomes Velloso.

Fclb/mas



d50

MINISTÉRIO DA FAZENDA

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

Recurso :	 100.836
Recorrente:	 Granja Rezende S.A.

RELATÓRIO

Trata-se de recurso à decisão monocrática proferida pela
Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, SC, tendo em
vista a manutenção integral do auto de infração lavrado pela Delegacia da
Receita Federal em Joinville, SC.

O lançamento formalizado neste processo decorreu de a
empresa Sabroe Tupiniquim (CGC 80.446.52910001-72) ter sido autuada,
dentre outras razões, por erro de classificação fiscal quanto aos produtos de
sua fabricação denominados Painel Frigoloc e Styropainel ( portas frigoríficas).
Entende o Fisco que a classificação correta é 8418.99.9900, aliquota de 15 %
(quinze por cento), ao invés da adotada pela autuada, 7308.30.0000, aliquota
zero.

Tendo a recorrente comprado tais mercadorias da empresa
originariamente autuada, através das notas fiscais relacionadas às fl. 03,
entenderam os agentes do fisco que a mesma inobservou o disposto no art.
173 do mesmo regulamento, desta forma sujeitando-se à penalidade prevista
no art. 368 do RIPI/82. A multa aplicada foi a correspondente ao valor que
deixou de ser lançado (364, II).

Irresignada, a empresa impugna o lançamento argüindo, em
síntese, a nulidade do auto de infração por cerceamento do seu direito de
defesa, e entra no mérito da classificação fiscal imputada à Sabroe, autuada
originariamente.

A decisão monocrática mantém in integrum o lançamento (fls.
29/37).

Há recurso a este Colegiado onde a empresa alega que não
pode a mesma ser autuada em função de matéria de alta complexidade como a
classificação fiscal de mercadorias, que é matéria ensejadora de perícia. No
mais, repisa seus argumentos.

A Fazenda Nacional, em suas contra-razões, pugna pela
manutenção de decisão recorrida (fl. 45).

É o relatório.

'21)7

2



O a 1
•

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1.-;?0•,i	 MINISTÉRIO DA FAZENDA

,:;;1•-1-41"	 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
4:::24-.52“fr

Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE

Até então vinha entendendo que o descumprimento das

obrigações do art. 173 do RIPI/82, daria margem à aplicação da penalidade do

art. 368 do mesmo Regulamento, também quando se referissem a não

comunicação de erro de classificação fiscal. Embasava minha posição no fato

de que, embora não houvesse autorização legal explicita no art. 62 da Lei

4.502/64, o próprio artigo referenciava a outras "prescrições legais e

1

	

	 regulamentares". Tratar-se-ia, portanto, de norma em branco que o
Regulamento do IPI veio preencher, e diligenciava para saber a sorte do

processo principal, sobrestando seus resultados até julgamento final.
,

Todavia, já há unanimidade contrária à minha posição pelas

demais Câmaras deste Conselho e por esta Primeira Câmara, que desde
sempre teve no ilustre Conselheiro Dr. Rogério G. Dreyer, voto neste sentido. E

também é este o entendimento do Judiciário especificamente quanto à

penalização por não cumprimento da obrigação acessória do art. 173 no que

tange à classificação fiscal.

Do voto do nominado Conselheiro, no recurso 99496,

transcrevo o excerto infra, por entender que ele é exaustivo e definitivo, o qual
adoto, em parte, como fundamento de decidir:

"... Tendo em vista a importância da matéria, sob o
aspecto jurídico, e em vista do posicionamento que venho
defendendo em relação a mesma, peço vênia aos meus pares
para iniciar o julgamento atacando o último item enfocado.

A matriz legal do artigo 173 do RIPI, o artigo 62 da
Lei n° 4.502/64, estabelece o seguinte:

Art. 62 - Os fabricantes, comerciantes e depositários

que receberem ou adquirirem para industrialização,

comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização

nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados

ou isentos, deverão examinar se eles se acham

devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados

se estiverem sujeitos ao selo de controle bem como se

estão acompanhados dos documentos exigidos e se

estes satisfazem todas as prescrições legais e

regulamentares.

Já o artigo 173 do RIPl assim estabelece: y

3



0,4

MINISTÉRIO DA FAZENDA

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

Art. 173 - Os fabricantes, comerciantes e depositários que re-

ceberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou

depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos esta-

belecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão exami-

nar se estes estão devidamente rotulados ou marcados e,

ainda, selados, quando sujeitos ao selo de controle, bem como

se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estão de

acordo com a classificação fiscal, o lançamento do imposto e

as demais prescriçães deste Regulamento.

Constata-se manifesta inovação por parte do
RIPI/82, contrariando a legislação de regência do tributo,
quando atribui ao contribuinte responsabilidade transcendente
ao nela estabelecido.

A matriz legal estabeleceu que o adquirente
verificasse, relativamente aos produtos:

a) Se estilo rotulados;

b) Se estilo marcados;

c)Se devidamente selados, caso sujeitos ao selo de controle;

d)Se devidamente acompanhados dos documentos exigidos;

Já em relação aos documentos:

e)Se estes satisfazem a todas as prescrições legais e
regulamentares

Estas são as responsabilidades atribuidas ao
adquirente, na atividade de auxílio à fiscalização, procurando
verificar a regularidade da operação entre ele e seu for-
necedor

Não se pode pretender que o artigo 62 da Lei no
4.502164, quando diz satisfazem a todas as normas legais e
regulamentares, tenha autorizado que a norma regulamentar
exigisse do adquirente a verificação, nos documentos que
acompanham o produto, da sua exata classificação fiscaL

A lei atribuiu responsabilidade ao adquirente para
verificar a satisfação de todas as prescrições legais e
regulamentares, somente em relação aos documentos
exigidos.

Neste pé, a responsabilidade do adquirente
importa a verificação de que a classificação fiscal e o destaque

4



MINISTÉRIO DA FAZENDA

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

•Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

do imposto constem do documento, pois se trata de prescrição

legal e regulamentar. Importa ainda na verificação da correta

emissão da nota em outros aspectos formais, como por

exemplo, quando em operação ao abrigo de exclusão do

crédito triutário, dela constar a norma excludente. Não importa,

entretanto, verificar a exatidão da classificação fiscal ou da

aliquota adequada, nem mesmo a exatidão da regra

excludente do crédito tributário. Estas exigências

regulamentares, no meu entendimento, transcendem a lei,

sendo, por tal, manifestamente ilegais.

Aliás, o regulamento, de forma infeliz, subverteu os

termos da matriz legal, para determinar ao adquirente a

responsabilidade da verificação relativa a todas as prescrições

legais e regulamentares quanto à correção do imposto

destacado relativamente ao produto, como se verifica no artigo

173, In fine, do RIP!.

Salvo melhor juizo, não é isto que a Lei determina.

Ela estabelece, restritivamente, a responsabilidade do

adquirente em verificar o cumprimento das disposições legais

e regulamentares, somente em relação aos documentos

(aspecto formal), e não em relação aos aspectos de natureza

material.

Assim entendeu o extinto Egrégio Tribunal Federal

de Recursos, no julgamento, por sua 68 Turma, da Apelação

em Mandado de Segurança n° 105.951-RS, cujo acórdão

junto, como parte integrante do presente voto, quando, por

unanimidade, decidiu:

TRIBUTÁRIO. IPI. MULTA. TIPICIDADE. Lei n°4.502'64, art. 62.
Decreto 70.162/72, art. 169. Decreto 83.263179, art. 266.

I. A cláusula final dos artigos 169 e 266 dos Decretos n°s 70.162/72

e 83.263/79 - Inclusive quanto à exata classificação fiscal dos

produtos e à correção do imposto lançado' - é inovadora, vale dizer,

não encontra amparo no art. 62 da Lei n° 4.502/64. Destarte, não

pode prevalecer, por isso que penalidades são reservadas à lei

(CTN, art. 97, V; Lei 4.502/64, art. 64, § 15,
II - Recurso improvido.

Vou mais além. Tivesse a matriz legal atribuido ao

adquirente verificar a regularidade do lançamento (correta

classificação fiscal, aliquota e valor do imposto), estaria a

mesma perpetrando manifesta ilegalidade, por afrontar o CTN,

que estabelece ser a atividade da constituição do crédito

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'‘)

MINISTÉRIO DA FAZENDA

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

Processo :	 10920.000045/95-08

Acórdão :	 201-71.341

tributário, via lançamento, como privativa da autoridade
administrativa

O lançamento, no dizer do CTN, é o procedimento
administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato
gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria
tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar
o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da
penalidade cabível (artigo 142).

Desta forma, pretender atribuir ao adquirente da
mercadoria a responsabilidade sobre a verificação da
classificação fiscal e a decorrente alíquota aplicável - da qual
decorre alteração no lançamento - e sobre a correção do
imposto lançado, é elevá-lo à condição que a lei não lhe
defere. Esta atribuição é privativa da autoridade administrativa.

Além disto, desprezando a ilegalidade mencionada,
cabe referir aspecto especifico em relação à prática da
determinação da classificação fiscal adequada aos produtos
sujeitos ao imposto. Sabe-se que a determinação exata da
classificação fiscal é tarefa que requer conhecimento técnico
profundo, ao ponto de, no mais das vezes, representar este
objetivo dificuldade à própria Receita Federal.

Neste aspecto, importante a manifestação contida
no voto proferido pelo eminente Conselheiro Sérgio Gomes
Velloso, Relator do processo n° 10680.007831/90-20, acórdão
n° 201.69.756, como segue:

Neste particular, observo que inúmeras são
as hipóteses em que um aparente defeito na
nota-fiscal pode ser descaracterizado pelo
_fabricante emitente. Dentre elas destaca-se a
de divergência quanto à classificação fiscal
do produto. Não são poucas as vezes em que
a _fiscalização se equivoca, em que o
lançamento não é mantido na decisão final
proferida no contencioso administrativo.
Também em relação a questionamentos de
isenções, enderêços, etc., são freqüentes as
ocasiões em que o contribuinte e capaz de
justificar os dados que suscitam à primeira
vista a acusação fiscal, enquanto que menos
freqüentemente o adquirente dispõe dos
elementos necessários à justificação do
procedimento adotado pelo contribuinte-
fornecedor.

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3315-

MINISTÉRIO DA FAZENDA

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

Processo :	 10920.000045/95-08

Acórdão :	 201-71.341

Cito ainda que, a Segunda Câmara deste Egrégio
Conselho, sobre a matéria, ainda que por maioria, julgou
procedente o Recurso n° 97.818, processo n°
10880.049954/92-06, assim ementando o seu acórdão de n°
202.9.414:

IPI - MULTA. Tipicidade. Lei 4.502/64, art. 62, RIP1/82, arts.

173, §§, 364, 11 e 368 - Obrigação acessória do adquirente de

produtos industrializados. A cláusula final do artigo 173

captd; - "e se estão de acordo com a classificação fiscal, o

lançamento do imposto" - é inovadora, vale dizer, não

encontra amparo no artigo 62 da Lei n. 4.502/64. Destarte,

não pode prevalecer, por isso que as penalidades são

reservadas à lei (CTN, art. 97 V; Lei 4502/64, art. 64, § 19.

Recurso provido.

Cito igualmente, ainda que não vinculado
diretamente aos textos legais sob comento, o estabelecido no
Ato Declaratório (Normativo) n° 36, de 05 de outubro de 1995,
determinando que não configura declaração inexata, para
efeitos de aplicação da multa prevista no artigo 4° da Lei n°
8.218/91, a aposição errônea da classificação tarifária
constante do despacho aduaneiro, desde que corretamente
descrito o produto e não constatado intuito doloso ou má-fé.

De proveitoso, no referido Ato Declaratório, o
reconhecimento manifesto da autoridade administrativa, das
dificuldades em determinar com exatidão a classificação de
produtos.

Isto posto, quer pela ilegalidade mencionada, quer
pela manifestações jurisprudenciais citadas, entendo que não
cabe, em nenhuma circunstância, apenar o adquirente de
mercadoria, com base no artigo 173 do RIPI/82, em relação à
divergência quanto à classificação fiscal do produto ou em
relação à correção do imposto lançado. Entendo, com o
devido respeito aos que de mim divergem, que o contribuinte,
em relação a tais fatos, não tem qualquer obrigação de
comunica-los ao seu fornecedor.

O entendimento de que o contribuinte ao ter de verificar a
classificação fiscal e conseqüente aliquota estaria se elevando à condição de
autoridade administrativa, de vez que tal fato poderia dar margem à alteração
do lançamento, exorbita a matéria dos autos e com ela não pactuo.

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•-5

MINISTÉRIO DA FA7-ENDA

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
k0;i

Processo :	 10920.000045/95-08

Acórdão :	 201-71.341

O que se litiga aqui não é ter ou não o contribuinte de cumprir

as obrigações acessórias estatuídas no art. 173 do RIPI/82 ou do art. 62 da Lei

4.502/64, mas sim se há previsão legal para sancionar administrativamente seu

descumprimento. Não tenho dúvidas de que deve o contribuinte, com base nas

referidas normas, verificar a regularidade da operação comercial e sua exata

conexão com o documentado fiscal.

Aliás, a decisão judicial a que se refere o ilustre relator do voto

parcialmente susa transcrito se atém à regularidade da sanção penal

administrativa e não quanto a ter ou não o contribuinte de cumprir as

prestações do art. 62 da Lei 4.502164 ou mesmo aquelas instituídas pelo poder

regulamentar do Presidente da República. Também nestes termos cinge-se à

decisão prolatada no Acórdão 202.9.414. Esse é o cerne da controvérsia, ter o
RegulameNto extrapolado os limites legais, assim inquinando a tipicidade

restrita da penalização administrativa.

Se a Lei 4.502164 determinasse de forma explícita que deveria

o contribuinte notificar seu fornecedor-industrial sobre erro na classificação
fiscal (e demais obrigações do art. 173, caput, do RIPI/82), alíquota, isenção

etc., sob pena de não o fazendo, e constatando o Fisco que seria incorreta, ser

penalizado, p. ex., com base no art. 368 do RIPI/82, então legítima seria a

imposição da penalidade.

Enfim, não há previsão legal para a multa do art. 368 do
RIPI/82, tendo como fundamento o descumprimento de obrigação acessória de

não informar o comprador a seu fornecedor-industrial sobre erro de

classificação fiscal, atíquota ou isenção, em relação às mercadorias adquiridas,
aplicando-se na espécie o art. 97, V, do CTN.

Diante do exposto,

CONSIDERO IMPROCEDENTE O LANÇAMENTO.

É assim que voto.

Sala das sessões, em 28 de janeiro de 1998

JORGE FREIRE

8


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1

csaFrro2
Fls. I

MINISTÉRIO DA FAZENDA

CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS

'ktft.	 SEGUNDA TURMA

Processo n°	 10860.001597/97-30

Recurso n°	 202-118.900 Especial do Procurador

Matéria	 IP I

Acórdão n°	 02-02.895

Sessão de	 28 de janeiro de 2008

Recorrente	 FAZENDA NACIONAL

Interessado	 REFRIGERAÇÃO PARANÁ S/A

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS —

Período de apuração: 05/08/1992 a 27/02/1997

NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.

Em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, interpreta-

se da maneira mais favorável ao acusado a lei tributária que

define infrações ou lhe comina penalidades.

IPI. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE.

O conteúdo semântico da expressão "e se êstes satisfazem a
todas as prescrições legais e regulamentares" existente na parte
final do art. 62 da Lei n2 4.502/64 não inclui a obrigatoriedade de

o adquirente verificar se a classificação fiscal dos produtos

adquiridos está correta.

Recurso especial negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos

Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, vencidos os

conselheiros Josefa Maria Coelho Marques e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento

ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

• • 5 n NI P: P • GA

Presidente

())



_

.	 .

Processo n.° 10860.001597/97-30 __	 CSRF/T02

	

C

Acórdão n.° 02-02.895	 -----%\	
Fls. 2

	ANINIO CARLOS A. ULIM

Relator

FORMALIZADO EM: 25 AGO 2008

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Josefa Maria

Coelho Marques, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim,

Antonio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez Lopez, Emanuel

Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado), Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade

Manzan, Júlio César Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire, Rycardo

Henrique Magalhães de Oliveira e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ausentes

justificadamente os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Dalton César Cordeiro de Miranda..



.	 .
•

Processo n.° 10860.001597/97-30 	 CSRF/T02
Acórdão n.° 02-02.895	 Eis. 3

Relatório

Trata-se de recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional interposto

com fulcro na contrariedade à lei, em face do Acórdão n 2 202-15.355, por meio do qual deu-se

provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa regulamentar do IPI prevista no art.

368 c/c 364 do RIPI/82, lançada contra o adquirente de produtos com erro de classificação

fiscal e aliquota, por descumprimento do disposto no art. 173 do mesmo regulamento.

Alegou o Procurador da Fazenda Nacional que a argumentação lançada no

acórdão recorrido no sentido de que a cláusula final do art. 173, caput, do RIPI182 não tem

amparo na lei é improcedente. O fundamento legal do art. 173 do RIPI182 é o art. 62 da Lei n2

4.502/64 onde se encontra a previsão de que o adquirente deve examinar se os produtos estão

acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e

regulamentares. Ora, a classificação fiscal integra o rol de prescrições legais e regulamentares

acerca da nota fiscal, logo, o adquirente é legalmente obrigado a verificar a correção da

classificação fiscal dos produtos. Não se desincumbindo deste ônus, está sujeito à penalidade

prevista no art. 368 do RIP1/82. Requereu o acolhimento de suas razões para reformar o

acórdão recorrido com o conseqüente restabelecimento da decisão de primeira instância.

O recurso especial foi admitido por meio do despacho n2 202-145 (fls. 427/428).

Regularmente notificado do Acórdão n2 202-15.355, do recurso especial e do

despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou em tempo hábil as contra-razões

de fls. 432/441, pugnando pela mantença do acórdão recorrido.

A/
É o Relatório.



Processo n.° 10860.001597/97-30 	 CSRF/T02
Acórdão n.° 02-02.895	 Fls. 4

Voto

Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator

O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele
tomo conhecimento.

O cerne da controvérsia é a interpretação do art. 62 da Lei n2 4.502/64 que
estabelece o seguinte:

"Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem

ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para

emprégo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos

tributados ou isentos, deverão examinar se éles se acham devidamente

rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao Mio
de contróle, bem como se estão acompanhados dos documentos

exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e

regulamentares."

(..)" (grifei)

O acórdão recorrido entendeu que o artigo 173 do RIPI/82 ampliou o rol de

exigências estabelecido no art. 62 da Lei n2 4.502/64 ao substituir a expressão acima em

negrito pela expressão "(..) se estão de acordo com a classificação fiscal, o lançamento do

imposto e as demais prescrições deste regulamento (..)". Vejamos a transcrição do

regulamento:

"Art. 173. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem

ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para

emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos

tributados ou isentos, deverão examinar se estes estão devidamente

rotulados ou marcados e, ainda, selados, quando sujeitos ao selo de

controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos

e se estão de acordo com a classificacão fiscal, o lançamento do
imposto e as demais prescrições deste Regulamento."

(Grifei)

Segundo a interpretação vertida no acórdão recorrido, a exigência prevista na

parte final do art. 62 da Lei n2 4.502/64 obriga o adquirente apenas a examinar se os elementos

exigidos para a validade da nota fiscal estão preenchidos e, nos itens que deva conhecer pela

natureza da operação mercantil, se estão corretos.

Tais elementos seriam os especificados no art. 242 do RIPI/82 (art. 48 da Lei n2

4.502/64), quais sejam: a denominação "Nota Fiscal", o número da nota, a data da emissão e

saída, a natureza da operação, os dados cadastrais do emitente e do destinatário, a quantidade e

a discriminação dos produtos, a classificação fiscal dos produtos, aliquota, o valor tributável,

os dados cadastrais do transportador e os dados de impressão do documento.

Isto porque se o bem descrito na nota permite, por um critério racional, seu

enquadramento nas posições da Tabela de Incidência do IPI indicadas na nota fiscal, não há



1

Processo n.° 10860.001597/97-30 	 CSRUTO2
Acórdão n.° 02-02.895	 Fls. 5

como exigir que o adquirente o questione, tendo em vista que a classificação de produtos pelo

sistema harmonizado de classificação de mercadorias requer conhecimentos específicos, muito

técnicos e complexos, que nem sempre podem ser detectados no exame normal que o

adquirente realiza ao receber produtos.

Por outro lado, a Procuradoria da Fazenda Nacional, lançando mão da

argumentação do ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no processo n2

10860.001389/97-12, sustenta que o art. 173 do RIPI182 contém de forma implícita a

obrigatoriedade de o adquirente verificar a classificação fiscal dos produtos que adquire, pois

conquanto esta locução não conste expressamente do suporte fisico do art. 62 da Lei n2
4.502/64, ela integraria o rol das "prescrições legais e regulamentares", existente na parte
final da cabeça daquele dispositivo legal.

Segundo a interpretação do ilustre Conselheiro, adotada pela PFN em seu

recurso, a obrigação do adquirente verificar a correta classificação fiscal dos produtos está

contida no art. 62 da Lei n2 4.502/64 porque este artigo, ao impor aos adquirentes a obrigação

de verificarem se os documentos fiscais atendem a todas as prescrições legais, está

determinando que seja observada a correta classificação fiscal, posto que esta, bem como o

valor do imposto incidente sobre o produto devem constar, obrigatoriamente, da nota fiscal.

Assim, o art. 173 do RIPI/82, teria apenas explicitado o que já se continha no

art. 62 da Lei n2 4.502/64 e não criado uma obrigação inexistente na lei.

Como se vê, o deslinde da questão passa por estabelecer o conteúdo semântico

da expressão "e se êstes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares", existente
na parte final do art. 62, da Lei n2 4.502/64.

A meu ver as duas interpretações acima são válidas, pois podem ser lastreadas

por argumentos robustos que atendem ao princípio da persuasão racional do julgador. O

conteúdo semântico da expressão "e se êstes satisfazem a todas as prescrições legais e
regulamentares" tanto pode conter a obrigatoriedade de o contribuinte verificar se a
classificação fiscal dos produtos está correta, como pode apenas conter a obrigação de o

adquirente verificar se a classificação fiscal dos produtos foi consignada formalmente na nota

fiscal.

Neste caso específico, o desrespeito à norma jurídica veiculada pelo suporte

fisico do art. 173 do RIPI182 rende ensejo à inflição de uma sanção administrativa, que é a

multa do art. 368 c/c art. 364 do RIPI/82.

O art. 368 remete expressamente ao art. 173 do RIPI/82. Portanto, este segundo

dispositivo, integra o tipo legal da penalidade prevista no 368, pois à medida que a legislação

vai alterando as prescrições do art. 173, alteram-se as hipóteses de inflição da multa do art.

368.

É inequívoco, portanto, que o suporte fisico do art. 173 do RIPI182 veicula

norma jurídica cujo desrespeito desencadeia uma conseqüência jurídica consistente na inflição

de uma penalidade.

Tratando-se de norma jurídica que integra a definição de uma penalidade e

existindo dúvida quanto a sua interpretação, deve incidir a regra do art. 112, I do CTN que

estabelece o seguinte:



•	 1

Processo n.° 10860.001597/97-30 	 CSRE/T02
Acórdão n.° 02-02.895	 Fls. 6

"Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina

penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em

caso de dúvida quanto:

- à capitulação legal do fato;

No caso concreto o fato à ser subsumido ao art. 62 da Lei n 9 4.502/64 é a
obrigatoriedade do adquirente verificar se a classificação fiscal está correta ou não.

As duas interpretações acima expostas são igualmente válidas e revelam a
existência de dúvida quanto à capitulação legal do fato.

Existe dúvida quanto ao conteúdo semântico da expressão "e se êstes satisfazem
a todas as prescrições legais e regulamentares", pois ela tanto pode conter a obrigatoriedade
do adquirente verificar se a classificação fiscal está correta, quanto conter apenas a obrigação
de o adquirente verificar se no campo correspondente da nota foi consignado formalmente o
código da classificação fiscal.

O art. 112 do CTN manda que se aplique a interpretação mais favorável ao
acusado, que no caso concreto é a obrigatoriedade de verificar se na nota fiscal foi preenchido
o campo correspondente à classificação fiscal, e não se o remetente classificou corretamente os
produtos.

Desse modo, não estando o adquirente obrigado a verificar se a classificação
fiscal dos produtos que adquire está correta, não existe suporte fático para a inflição da multa
do art. 368 do RIM/82, quando o remetente emite a nota fiscal com erro de classificação fiscal
e aliquota, devendo ser mantido o acórdão recorrido.

Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial
da Procuradoria da Fazenda Nacional.

_

Sala das essões, em 28 .Nde janeiro de 2008

,

AND:417111 • OS AT LIM

(I(&lt;


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      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.


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S3­C2T1 

Fl. 1.173 

 
 

 
 

1

1.172 

S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10580.724116/2017­64 

Recurso nº            Voluntário 

Resolução nº  3201­001.702  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 

Data  30 de janeiro de 2019 

Assunto  DILIGÊNCIA 

Recorrente  NORSA REFRIGERANTES S/A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o 
julgamento do Recurso em diligência. 

(assinado digitalmente) 

Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator. 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro 
Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Marcelo 
Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Leonardo Correia Lima Macedo,  Leonardo 
Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. 

 

­ Relatório 

Por  retratar  com  fidelidade  os  fatos,  adoto,  com  os  devidos  acréscimos,  o 
relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: 

"Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, 
fls.  437  a  4581,  para  exigência  do  Imposto  sobre  Produtos 
Industrializados  ­  IPI  no  valor  de  R$  40.237.618,36,  acrescido  da 
multa de ofício de R$ 30.178.213,63 e dos  juros de mora (calculados 
até  06/2017)  de  R$  11.040.869,33,  totalizando  a  exigência  de  R$ 

  

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4

Fl. 1173DF  CARF  MF




Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.174 

 
 

 
 

2

81.456.701,32,  cuja  motivação  fática  encontra­se  no  próprio 
documento  e  no  Relatório  Fiscal  às  fls.  397/436,  dos  quais,  pela 
pertinência, reproduzem­se os seguintes trechos: 

AUTO  DE  INFRAÇÃO  CRÉDITOS  INDEVIDOS  ­ 
ENTRADAS/AQUISIÇÕES  INFRAÇÃO:  CRÉDITO  BÁSICO 
INDEVIDO O estabelecimento industrial se creditou indevidamente do 
IPI  na  aquisição  de  insumos  que  foram  classificados  como  básicos, 
compreendendo  sabões,  vassouras,  anti­bactericidas  e  produtos  em 
geral, que compõem o processo produtivo mas não se enquadrarem no 
conceito  de  matéria  prima,  produto  intermediário  ou  material  de 
embalagem,  conforme  descrito  no  Relatório  Fiscal,  parte  integrante 
deste Auto de Infração. (...) 

CRÉDITOS  INDEVIDOS  ­  OUTROS  CRÉDITOS  INFRAÇÃO: 
CRÉDITO INDEVIDO (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO)  

O  estabelecimento  NORSA  se  creditou  do  IPI  à  alíquota  de  20%  na 
aquisição de insumos denominados "kits para fabricação de bebidas", 
adquiridos  do  estabelecimento  RECOFARMA,  situado  na  Amazônia 
Ocidental, e saídos com isenção desse imposto (crédito presumido). O 
Relatório Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, detalha todas 
as etapas do procedimento fiscal. Embora o fiscalizado tenha alegado, 
em resposta aos termos de intimação, que faz jus ao crédito presumido 
em virtude de decisão judicial transitada em julgado, esta fiscalização 
demonstrou que os produtos adquiridos não estão amparados na dita 
decisão,  por  não  se  classificarem  no  conceito  de  CONCENTRADO 
para a fabricação de refrigerantes.(...)  

RELATÓRIO  FISCAL  1)  DOS  TRABALHOS  1.1)  INTRODUÇÃO Os 
créditos de IPI objeto desta fiscalização são oriundos de mercadorias 
constituídas  por  diferentes  componentes  e  acondicionados 
separadamente,  porém  comercializadas  em  conjunto,  em  proporções 
fixas,  utilizadas  na  fabricação  de  bebidas  como  refrigerantes, 
refrescos, néctares, isotônicos e bebidas à base de extrato de chá.  

Embora,  como  regra  geral,  as  matérias­primas,  produtos 
intermediários e materiais de embalagem adquiridos sem o destaque de 
IPI  não  propiciem  o  aproveitamento  desse  imposto,  existem  casos 
excepcionais previstos em lei. nos quais é possível o aproveitamento do 
crédito pelo adquirente, como o previsto no artigo 237 do RI PI/2010 
(Decreto n.° 7.212. de 15 de junho de 2010). Este artigo, ao tratar dos 
créditos  incentivados  referentes  a  produtos  da  Amazônia  Ocidental, 
determina  que  os  adquirentes  dos  produtos  saídos  com  a  isenção  do 
inciso III do artigo 95 poderiam se creditar do valor do IPI calculado 
como se devido fosse. A Amazônia Ocidental é composta pelos estados 
do Amazonas, Acre. Rondônia e Roraima. 

Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditar­se do valor 
do  imposto  calculado,  como  se  devido  fosse,  sobre  os  produtos 
adquiridos  com  a  isenção  do  inciso  III  do  art.  95,  desde  que  para 
emprego  como  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de 
embalagem,  na  industrialização  de  produtos  sujeitos  ao  imposto 
(Decreto­Lei nº 1.435. de 1975. art. 6º, §1º), (grifo nosso). 

Fl. 1174DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.175 

 
 

 
 

3

Por  outro  lado,  o  artigo  95  do  mesmo  diploma  legal  disciplina  a 
isenção de IPI de produtos saídos da Amazônia Ocidental: 

Art. 95. São isentos do imposto:  

III  ­  os  produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e 
extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem 
pecuária,  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na  Amazônia 
Ocidental,  cujos  projetos  tenham  sido  aprovados  pelo  Conselho  de 
Administração da SUFRAMA, excetuados o  fumo do Capítulo 24 e as 
bebidas  alcoólicas,  das  Posições  22.03  a  22.06.  dos  Códigos 
2208.20.00  a  2208.70.00  e  2208.90.00  (exceto  o  Ex  01)  da  TIPI 
(Decreto­Lei  n°  1.435,  de  1975,  art.  6o.  e  Decreto­Lei  no  1.593.  de 
1977, art. 34). 

(...) O  crédito  do  IPI  na  entrada  de  produtos  com  saída  isenta  deste 
imposto,  previsto  no  artigo  95,  inciso  III  do  RI  PI/2010,  depende  do 
emprego  direto  do  insumo  no  processo  produtivo,  sendo  este  insumo 
necessariamente  elaborado  de matérias­primas  agrícolas  e  extrativas 
vegetais de produção regional, não se incluindo as de origem pecuária. 
(...)Finalmente, vale ressaltar que. para os bens que  tenham saído do 
estabelecimento  industrial  apenas  com a  isenção prevista  pelo  artigo 
81.  inciso II do RIPI 2010, própria para produtos industrializados na 
Zona Franca de Manaus por estabelecimentos com projetos aprovados 
pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, a legislação não prevê 
o direito a crédito de 1P1. pelo adquirente. (...)Com base nos dados da 
Escrituração  Fiscal  Digital  ­  EFD,  entregue  pelo  contribuinte  ao 
SPED  (Sistema  Público  de  Escrituração  Digital),  verificou­se  que  a 
maior  parte  dos  créditos  do  IPI  escriturados  pela  fiscalizada  foram 
oriundos  de  insumos  utilizados  para  a  elaboração  de  refrigerantes  e 
adquiridos  da  empresa  RECOFARMA,  localizada  em Manaus/AM.  e 
identificados nas notas fiscais de entrada como CONCENTRADOS.  

Apesar de não haver o destaque do  IPI nas aquisições dos "kits para 
fabricação  de  bebidas"  do  fornecedor  RECOFARMA.  a  NORSA 
baseou­se  no  artigo  237  do  RIPI/2010  para  escriturar  no  seu  livro 
Registro de Apuração do IPI. créditos calculados mediante a aplicação 
da  alíquota  de  20%  sobre  o  valor  registrado  nas  notas  fiscais.  Tais 
créditos  foram erroneamente somados aos créditos básicos comuns, e 
não destacados no campo "Outros Créditos",  vez que se  tratariam de 
créditos presumidos.  

A visita ao local de fabricação dos refrigerantes verificou, a princípio, 
que  não  havia  nenhum  componente  do  "Kit  para  fabricação  de 
bebidas" que  fosse elaborado com matéria­prima agrícola e extrativa 
vegetal de produção regional, exclusive as de origem pecuária, capa/es 
de propiciar o aproveitamento do crédito fie to de IPI pelo adquirente, 
ainda  que  os  fabricantes  estejam  na  Amazônia  Ocidental  e  seus 
projetos  tenham  sido  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da 
Suframa. (...) 

Do acima exposto fica evidente a necessidade de serem cumpridas as 
normas  internacionais  que  versam  sobre  o  Sistema  Harmonizado, 
quando  da  aplicação  da  legislação  interna,  sendo  impossível  o 
enquadramento  dos  componentes  dos  "  kits  para  fabricação  de 
bebidas" em um código de classificação único, como se se tratasse de 

Fl. 1175DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.176 

 
 

 
 

4

matéria­prima  única  (concentrado).  Na  verdade,  o  assinalado  kit  é 
constituído  de  2  ou  mais  componentes,  assim  recebidos  da 
RECOFARMA  e  posteriormente  misturados  com  outros  ingredientes, 
conforme Fluxograma do Processo Produtivo entregue à fiscalização e 
apresentado  na  página  seguinte,  conforme  terminologia  do 
contribuinte.  

Vale  ressalvar  que  a  impossibilidade  de  se  considerar  os  "kits  para 
fabricação de bebidas" como concentrado não decorre do fato de que 
ao longo do processo produtivo, outros insumos são acrescidos para a 
fabricação do produto final. Se a partir de um único componente do kit 
fosse  possível  a  fabricação  do  refrigerante,  mediante  diluição, 
mantendo­se  as  características  essenciais  do  produto  final.  AINDA 
QUE outros produtos  tivessem que ser acrescentados,  a  classificação 
fiscal do kit como concentrado se sustentaria. O que ocorre é que. para 
a  fabricação  dos  refrigerantes.  TODOS  OS  COMPONENTES  do  kit 
precisam ser misturados; os insumos adquiridos sob a denominação de 
"  kits  para  fabricação  de  bebidas'  são,  em  verdade,  classificados  na 
posição  21.06.90.10  ­  Preparações  dos  tipos  utilizados  para 
elaboração  de  bebidas,  e  não  no  Ex  Tarifário  01,  pois  não  são  um 
produto único, conforme vedado pelo item XI da Nota Explicativa 3 b) 
da  RGI.  já  citado.  (...)O  concentrado  do  Ex  01  informado  nas  notas 
fiscais  de  entrada  da  NORSA  é  uma  ficção,  pois  o  xarope  composto 
formado  durante  o  processo  produtivo  não  possui  capacidade  de 
diluição superior a 10 partes da bebida, não existindo, portanto, base 
legal  para  que  os  insumos  recebidos  da  RECORFARMA  sejam 
classificados  no  Ex  01  do  código  2106.90.10  da  TIPI.  Tais  produtos 
estão  classificados  no  código  2106.90.10,  sem  a  inclusão  do  Ex 
Tarifário,  cujo  IPI  na  saída  é  nulo.  (...)Do  exposto  conclui­se  que 
nenhum  componente  dos  "kits  para  fabricação  de  refrigerante"  se 
classifica no Ex 01 do código 2106.90.10. Ressalte­se que o citado erro 
de classificação fiscal tem permitido a utilização de valores bilionários 
em  incentivos  fiscais a  fabricantes de  refrigerantes.  (...)A análise dos 
créditos  escriturados  pelo  contribuinte  também  detectou  o 
aproveitamento de produtos utilizados na limpeza da fábrica e não na 
linha de produção, o que ensejou a expedição de  intimação própria e 
maior  aprofundamento  no  tema.  Tratam­se  de  sabões,  produtos  de 
desinfecção  e  até  vassouras,  cujos  créditos  foram  escriturados  pela 
NORSA como se tratassem de crédito básico. 

1.2)  DA  AUDITORIA  Os  créditos  escriturados  na  escrita  fiscal  da 
NORSA  decorrem  de  aquisições  da  Amazônia,  de  mercadorias 
constituídas  por  diferentes  componentes  acondicionados 
separadamente, para uso em proporções fixas, utilizadas na fabricação 
de bebidas como refrigerantes, refrescos, néctares, isotônicos e bebidas 
à  base  de  extrato  de  chá.  (...)A  relação  de  notas  fiscais  de  entrada 
apresentadas pelo contribuinte, com aproveitamento de credito de IPI 
em virtude da aquisição dos denominados CONCENTRADOS, soma R$ 
43.685.694,50 em 2014 e 2015 conjuntamente. 

Em  complemento  à  resposta  de  03/05/2017,  o  contribuinte  apresenta 
descrição  do  processo  produtivo  de  refrigerantes,  bem  como  o 
fluxograma (transcrito no capitulo anterior deste Relatório e parte dos 
autos),  além  de  esclarecer  que  adquire  da  RECOFARMA  produto 
único,  o  concentrado  para  refrigerantes,  que  é  composto  de  partes, 

Fl. 1176DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.177 

 
 

 
 

5

entregues  em  embalagens  separadas;  acrescenta  que  NÃO  É 
POSSÍVEL  obter  o  produto  final  (refrigerante)  a  partir  de  apenas 
uma  das  partes  do  concentrado,  tendo  em  vista  que  o  concentrado 
deve ser encarado como produto único, sendo viável a fabricação do 
refrigerante somente com o uso do "kit" completo.(...)  

As glosas  referentes a créditos básicos  se concentraram nos produtos 
de  limpeza  denomInados  Antibacterial  C&amp;S,  Elgicide  26.  Liquid  K. 
Lubodrive OS, Lubodrive K. Stabilon AL Stabilon Plus, Topax 66 BB e 
TXC­L BB. (…) 

1.3)  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  1.3.1)  CRÉDITO  INDEVIDO  ­ 
DEMAIS  MODALIDADES  DE  CRÉDITO  CREDITO  PRESUMIDO 
DO  IPI  Esta  fiscalização  constatou  existência  de  ERRO  DE 
CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  nos  insumos  adquiridos  pela  NORSA  da 
RECOFARMA, conforme descrito neste Relatório Fiscal, parte do Auto 
de  Infração,  uma  vez  que  tais  insumos  não  podem  ser  classificados 
como  CONCENTRADOS  da  posição  21.06.90.10  Ex  01.  Desta 
constatação  decorreu  a  glosa  mensal  de  todos  os  créditos  de  IPI 
presumidamente  escriturados,  nos  anos  de  2014  e  2015.  tendo  sido 
efetuada  REESCRITURAÇÀO  DA  ESCRITA  FISCAL  do  IPI. 
apresentada no autos. Previamente ao lançamento, o contribuinte fora 
intimado  a  se  manifestar  a  respeito  dos  pressupostos  a  que  a 
fiscalização  estaria  assumindo,  através  da  lavratura  do  Termo  de 
Constatação Fiscal n° 004.  

A  planilha  denominada  "RELAÇÃO  DAS  GLOSAS  DE 
CONCENTRADOS  ADQUIRIDOS  DA  RECOFARMA",  anexa  aos 
autos, contém a descrição de todas as mercadorias glosadas, de acordo 
com  o  dia  do  movimento,  associada  a  cada  nota  eletrônica  emitida 
(quando informada) e respectivos valores de IPI. 

1.3.2 ) CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO A outra infração detectada no 
curso da ação fiscal fora o aproveitamento indevido do crédito de IPI 
referente  a  insumos  descritos  nas  notas  fiscais  de  entrada  e 
escriturados  sob  a  descrição  de  Compra  para  Industrialização,  mas 
que  não  se  enquadram  no  conceito  de  matéria  prima,  produto 
intermediário  ou  material  de  embalagem.  (...)Desta  feita,  produtos 
como sabões para limpeza de mãos de operários, vassouras, copos de 
Coca­Cola  de  300ml,  sabões  para  limpeza  e  assepsia  de  esteiras, 
lubrificantes de esteiras e similares não possuem a menor possibilidade 
de  serem  considerados  matéria­prima,  produto  intermediário  ou 
material  de embalagem, por nem se  integrarem ao produto  final nem 
possuir  contato  íntimo  com  o  mesmo,  conforme  todo  o  exposto 
anteriormente.  Deste  entendimento  resultou  a  planilha  denominada 
"GLOSAS DE  INSUMOS  ­  Valores  em Reais  (R$)'\  anexa  aos  autos, 
contendo  todos  os  insumos.  cujo  crédito  do  IPI  na  entrada  fora 
glosado.  

Face  ao  exposto,  esta  autoridade  efetuou  a  glosa  da  totalidade  dos 
créditos  incentivados  do  IPI  oriundos  de  "kits  para  fabricação  de 
bebidas"  recebidos  com  isenção  da  RECOFARMA,  e  também  dos 
créditos  de  IPI  de  produtos  adquiridos  para  industrialização,  mas 
cujos  produtos  não  se  enquadram  no  conceito  de  matéria­prima, 
produto intermediário ou material de embalagem.  

Fl. 1177DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.178 

 
 

 
 

6

A  planilha  denominada  "RELAÇÃO  DAS  GLOSAS  TOTAIS 
EFETUADAS  PELA  FISCALIZAÇÃO"  exibe  os  totais  mensais 
glosados, separadamente em créditos básicos e créditos incentivados.  

O auto de  infração lavrado apresenta a planilha de reconstituição da 
escrita  fiscal,  considerando­se  os  saldos  credores  de  períodos 
anteriores ao  início da  fiscalização e os  saldos de  cada mês. No que 
toca  aos  pedidos  de  ressarcimento  protocolados  Receita  Federal,  os 
mesmos  tiveram  os  créditos  glosados  no  respectivo  trimestre  do 
período  de  apuração,  conforme  totais  mensais  da  citada  planilha 
acima. 

  

Desta  feita,  encerro  a  presente  fiscalização,  com  exame  e  com 
resultado, e com glosa parcial dos créditos pleiteados nas PerdComps 
citadas. 

Portanto,  trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  pela  fiscalização  da 
Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Salvador/BA  apontando 
glosas de crédito básico indevido, em razão de aquisições de insumos 
não  classificáveis  como  matéria  prima,  produto  intermediário  ou 
material  de  embalagem  ("como  sabões  para  limpeza  de  mãos  de 
operários,  vassouras,  sabões  para  limpeza  e  assepsia  de  esteiras, 
lubrificantes  de  esteiras"),  e  glosas  de  crédito  presumido  de  IPI 
indevido,  uma  vez  que  os  produtos  adquiridos  da RECOFARMA  não 
foram elaborados por meio de matérias­primas agrícolas e extrativas 
vegetais de produção regional, bem como não podem ser classificados 
no código NCM 2106.90.10 Ex. 01, por não se tratar de aquisição de 
concentrado  de  refrigerante  como  produto  único,  e  sim  de  diversos 
ingredientes adquiridos separadamente que se misturam para formar o 
concentrado  de  refrigerante  e,  posteriormente,  a  bebida  final,  não 
gerando crédito presumido do imposto.  

Após  a  ciência  do  Auto  de  Infração  em  08/06/2017,  fls.  459/460, 
insurgiu­se o contribuinte contra o feito fiscal por meio do arrazoado 
de fls. 464/565, em 07/07/2017, que assim vai resumido: 

1. DA TEMPESTIVIDADE  

2. DOS FATOS  

3. DA NULIDADE DO AUTO, DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE 
DEFESA E DA AUSÊNCIA DE PROVA  

3.1.  Como  visto  acima,  o  fundamento  principal  do  AUTO  para 
desconsiderar  a  alíquota  utilizada  pela  IMPUGNANTE  para  cálculo 
do  crédito  de  IPI  foi  o  suposto  erro  de  classificação  fiscal  dos 

Fl. 1178DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.179 

 
 

 
 

7

concentrados  para  refrigerantes  adquiridos  pela  IMPUGNANTE,  em 
razão de tais concentrados serem entregues de forma desmembrada. 

3.2.  Não  obstante,  a  AUTORIDADE  não  indicou  os  componentes  do 
concentrado  que  deveriam  ser  classificados  separadamente  e  em  que 
posições  da  TIPI  tais  componentes  do  concentrado  deveriam  ser 
classificados.  

3.3.  Sem  a  indicação  da  AUTORIDADE  da  posição  na  qual  os 
componentes  do  concentrado  deveriam  ser  classificados  na  TIPI,  a 
IMPUGNANTE  está  impossibilitada  de  verificar  a  alíquota 
correspondente para  fins de cálculo do crédito de  IPI, o que  importa 
em  verdadeiro  cerceamento  do  direito  de  defesa.  (...)3.7.  Por  outro 
lado,  ainda  que  a  AUTORIDADE  tivesse  indicado  quais  seriam  as 
posições  da  TIPI  a  serem  adotadas,  de  qualquer  forma,  deve  ser 
mantida  a  classificação  fiscal  do  concentrado  para  refrigerantes 
indicada pela fornecedora na posição 21.06.90.10 EX. 01.  

3.8. Isso porque o tema classificação fiscal envolve uma análise técnica 
e, pois, não basta a AUTORIDADE apresentar as supostas razões que 
embasariam  o  equivoco  da  classificação  fiscal  indicada  pelo 
contribuinte,  é  necessário  que  seja  apresentada  prova  técnica 
justificando o seu entendimento.  

3.9. Neste particular, registre­se que o ônus de provar o equivoco da 
classificação  fiscal  incorrido  pelo  fornecedor  do  produto  é  da 
Fiscalização  e,  no  caso,  a  AUTORIDADE  não  trouxe  elementos 
comprobatórios técnicos que respaldem o suposto equivoco. (...) 

4.  DA NÃO  RESPONSABILIDADE DA  IMPUGNANTE  (TERCEIRO, 
ADQUIRENTE  DO  CONCENTRADO)  POR  SUPOSTO  ERRO  NA 
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO 

4.1. É  incontroverso que a  IMPUGNANTE é  terceiro,  adquirente dos 
concentrados para refrigerantes, e que a RECOFARMA (fornecedora) 
foi quem emitiu as notas  fiscais, descreveu os produtos e  efetuou  sua 
classificação  fiscal,  o  que  é  bastante  e  suficiente  para  justificar  a 
aplicação  da  alíquota  utilizada  para  fins  do  cálculo  do  crédito. 
(...)4.21. Assim, se não cabe ao adquirente questionar a classificação 
fiscal  dos  produtos  fornecidos  pela  RECOFARMA,  a  IMPUGNANTE 
agiu  licita  e  corretamente  ao  calcular  o  crédito  de  IPI,  na  alíquota 
correspondente a essa classificação fiscal.  

5. DA ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO  

5.1. Ainda que se entenda que o adquirente tem obrigação de verificar 
a correção da classificação fiscal do produto constante da nota fiscal, 
o  que  se  admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  mesmo  assim  a 
IMPUGNANTE tem direito de calcular o crédito de IPI à alíquota da 
classificação fiscal indicada pelo fornecedor, porque o AUTO violou o 
art. 146 do CTN.  

5.2. Isso porque a IMPUGNANTE sempre calculou os créditos de IPI 
decorrentes  da  aquisição  de  concentrados  isentos  para  refrigerantes 
oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista na TIPI para 

Fl. 1179DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.180 

 
 

 
 

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a posição 21.06.90.10 EX. 01 e a AUTORIDADE sempre aceitou essa 
alíquota. (...) 

5.4. De fato, esse novo critério jurídico utilizado pela AUTORIDADE 
foi  originariamente  introduzido  quando  da  lavratura  do  auto  de 
infração  contra  a  RECOFARMA,  em  22.12.2014,  no  qual  foi 
questionada,  pela  primeira  vez,  a  classificação  fiscal  do  concentrado 
em  relação  àquela  (RECOFARMA)  que  procedeu  à  referida 
classificação.  (...)5.11.  Vê­se,  pois,  que,  ainda  que  a  IMPUGNANTE 
tivesse a obrigação de  verificar a  correção da classificação  fiscal do 
produto  constante  da  nota  fiscal  emitida  pelo  fornecedor,  o  que  se 
admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  é  inconteste  que  houve 
modificação de critério jurídico aplicada de forma retroativa. 

6.  DA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DOS  CONCENTRADOS  PARA 
REFRIGERANTES  

6.1.  DA  COMPETÊNCIA  DA  SUFRAMA  PARA  DEFINIR  A 
CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DOS  PRODUTOS  FABRICADOS  EM 
PROJETO  INDUSTRIAL  APROVADO  PARA  FRUIÇÃO  DE 
BENEFÍCIOS FISCAIS E DO ATO ADMINISTRATIVO 

6.1.1. Ainda que afastados os argumentos acima desenvolvidos, o que 
se admite apenas para fins de argumentação, caberia então analisar a 
competência  da  SUFRAMA  para  definir  a  classificação  fiscal  dos 
produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos 
benefícios fiscais previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6o do 
DL n° 1.435/75. (...) 

6.1.4.  Ora,  ao  definir  o  PPB  do  produto  incentivado,  para  fins  de 
fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique 
qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins 
de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal.  

6.1.5. Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB 
a definição da classificação fiscal do referido produto. (...) 

6.1.9.  Como  se  verifica  da  simples  leitura  dos  referidos  dispositivos, 
não  há  neles  qualquer  previsão  no  sentido  de  que  a  RFB  teria 
competência  exclusiva  para  definir  a  classificação  fiscal  de  produto. 
(...) 

6.2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO DEFINIDA 
PELA SUFRAMA  

6.2.1.  A AUTORIDADE  concluiu  que  o  concentrado  não  poderia  ser 
classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, porque seria 
constituído de diversas partes inacabadas que não teriam o condão de 
formar um produto único e desconsiderou o  fato de que a SUFRAMA 
definiu  a  classificação  fiscal  do  concentrado  produzido  pela 
RECOFARMA. (...) 

6.2.7. Vê­se, pois, que, a partir da definição dada pela SUFRAMA ao 
produto fabricado pela RECOFARMA, a própria SUFRAMA reconhece 
que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue 
desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de 

Fl. 1180DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.181 

 
 

 
 

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produto  único  (de  concentrado  para  refrigerantes),  classificado  na 
posição  21.06.90.10  EX.  01  da  TIPI/2011,  qual  seja,  preparações 
compostas  para  bebidas  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10 
partes da bebida para cada concentrado ­ por isso classificado no EX. 
01, a qual tem alíquota de 20%, a saber: (...) 

6.2.9.  Dessa  forma,  a  classificação  fiscal  do  concentrado  para 
refrigerantes, utilizada pela RECOFARMA, qual seja, 21.06.90.10 EX. 
01  da  TIPI/2011,  está  consubstanciada  em  ato  administrativo 
vinculatório  (Resolução do CAS n° 298/2007,  integrada pelo Parecer 
Técnico n° 224/2007), que tem presunção de legitimidade, veracidade e 
legalidade,  de  que  nasceu  e  encontra­se  em  conformidade  com  o 
ordenamento jurídico. (...) 

6.3.  DA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DEFINIDA  PELAS  REGRAS 
GERAIS  DE  INTERPRETAÇÃO  DO  SISTEMA  HARMONIZADO  E 
NESH  

6.3.1. No presente caso, a AUTORIDADE concluiu que o concentrado 
para  refrigerantes  em  questão  não  poderia  ter  sido  classificado  na 
posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, porque:  

a)  seria  composto  por  diversas  partes  não  misturadas,  ou  seja,  não 
homogeneizadas, e, por essa razão, não seria uma mercadoria única e 
nem  estaria  pronta  para  uso  pelo  destinatário  do  produto,  no  caso  a 
IMPUGNANTE;  e  b)  não  seria  possível  obter  as  mesmas 
características  essenciais  do  refrigerante  a  partir  da  diluição  de 
apenas um dos componentes do concentrado.  

6.3.2.  Ocorre  que,  ao  contrário  do  afirmado  pela  AUTORIDADE,  a 
aplicação  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema 
Harmonizado,  aprovadas  pelo  Decreto  n°  97.409/88,  e  das  NESH, 
aprovadas pelo Decreto n° 435/92, leva:  

a)  à  conclusão  de  que  está  correta  a  classificação  fiscal  do 
concentrado  para  refrigerantes  na  posição  21.06.90.10  EX.  01  da 
TIPI/2011;  

b)  à  mesma  classificação  dada  pela  SUFRAMA;  e  c)  à  mesma 
classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN n° 405/2003. (...) 

6.3.15.  Registre­se,  ainda,  que  o  fato  de  os  concentrados  para 
refrigerantes adquiridos da RECOFARMA não terem sido previamente 
misturados  não  significa  que  eles  não  estejam prontos  para  uso  pelo 
fabricante dos refrigerantes, porque, após o ingresso dos concentrados 
no  estabelecimento  da  IMPUGNANTE,  todo  processo  produtivo  feito 
por ela é  relativo à elaboração de refrigerantes e, por conseguinte, é 
óbvio que  os  referidos  concentrados  estão  prontos  para  uso pelo  seu 
destinatário  que,  no  caso,  é  a  IMPUGNANTE,  na  qualidade  de 
fabricante de refrigerantes. 

7.  DO  DIREITO  AO  CRÉDITO  RELATIVO  À  AQUISIÇÃO  DE 
CONCENTRADOS  ISENTOS  PARA  ELABORAÇÃO  DO 
REFRIGERANTE GUARANÁ 

Fl. 1181DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.182 

 
 

 
 

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7.1. Afastada a glosa da alíquota do crédito de IPI, (i) seja porque erro 
de classificação fiscal não é imputável ao adquirente, (ii) seja porque a 
AUTORIDADE  inovou  retroativamente  o  critério  jurídico  do  AUTO, 
(iii)  seja  porque  a  classificação  fiscal  do  concentrado  está 
consubstanciada em ato administrativo editado pela SUFRAMA ou (iv) 
seja  porque  está  de  acordo  com  Regras  Gerais  de  Interpretação  do 
Sistema  Harmonizado  e  com  a  NESH,  deve  ser,  automaticamente, 
reconhecido o direito da IMPUGNANTE ao crédito de IPI decorrente 
da  aquisição  de  concentrados  para  elaboração  do  refrigerante 
Guaraná.  

7.2. Nesse sentido, confira­se o respectivo trecho do relatório fiscal que 
demonstra  que  a AUTORIDADE  reconheceu  que o concentrado para 
elaboração do refrigerante Guaraná faz jus à isenção prevista no art. 
95, III, do IPI/2010: 

"Assim,  preparações  em  cuja  elaboração  tenha  sido  efetivamente 
utilizado extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental  fazem 
jus à isenção do IPI, na saida, conforme previsto no artigo 95,  inciso 
III do RIPI/2010, mas não há que se falar em geração de crédito do IPI 
aos adquirentes, por serem tributados à alíquota zero. (...)"7.3. Vê­se, 
pois, que o próprio AUTO reconheceu que tais concentrados fazem jus 
ao  beneficio  do  art.  6o  do  DL  n°  1.435/75  e,  pois,  superado  o 
argumento do AUTO de erro da classificação fiscal do concentrado, a 
IMPUGNANTE  faz  jus  ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de 
concentrados para elaboração do refrigerante Guaraná à alíquota de 
20%. 

8.  DO  DIREITO  AO  CRÉDITO  RELATIVO  A  AQUISIÇÃO  DOS 
DEMAIS  CONCENTRADOS  ISENTOS  PARA  ELABORAÇÃO  DE 
REFRIGERANTES  (...)  a  IMPUGNANTE  também  tem  direito  ao 
crédito  de  IPI,  à  alíquota  de  20%,  pelos  fundamentos  abaixo 
desenvolvidos  que  são  autônomos  e  suficientes,  entre  si,  para 
manutenção do crédito.  

8.2.  DA  COISA  JULGADA  FORMADA  NO  MSI  N°  95.0009470­3 
IMPETRADO PELA IMPUGNANTE ­ ISENÇÃO DO ART. 81, II, DO 
RIPI/10 (BASE LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67)  

8.2.1.  A  AUTORIDADE  reconheceu  a  existência  da  coisa  julgada 
formada no MSI  n°  95.0009470­3  (fls.  163  a  223), mas  concluiu que 
essa  coisa  julgada  não  produziria  efeitos  em  relação  aos  produtos 
adquiridos  pela  IMPUGNANTE,  porque  aproveitaria  apenas  à 
aquisição  de  "concentrados",  o  que  não  seria  o  caso  dos  insumos 
adquiridos da RECOFARMA.  

8.2.2.  Ocorre  que  o  pedido  formulado  na  inicial  do  MSI  n° 
95.0009470­3  foi  amplo  e  abrangeu  todos  os  componentes  do 
concentrado,  porque  tratou  dos  produtos  classificados  na  posição 
2106.90  da  TIPI/88,  conforme  se  verifica  do  respectivo  pedido  (fl. 
177): (...) 

8.2.3.  Ora,  a  posição  21.06.90.,  referida  no  pedido  inicial  do  MSI, 
abrangia  todas  as  preparações  compostas,  não  alcóolicas  para 
elaboração de  bebidas  constituídas  por  um  xarope ao  qual  se  juntou 

Fl. 1182DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.183 

 
 

 
 

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um extrato concentrado, contendo vários componentes, extrato de coca, 
ácido citrico, (...) 

8.2.7. Neste particular, é importante ressaltar que é fato incontroverso 
que,  à  época  em  que  impetrado  o  MSI  n°  95.0009470­3,  os 
"concentrados"  fabricados  pela  RECOFARMA  já  eram  entregues  de 
forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e já eram chamados de 
"concentrados" pela fornecedora, conforme se verifica de nota fiscal de 
venda  emitida  pela  RECOFARMA,  em  22.11.1993,  e  anexada  ao 
referido MSI (DOC. 08). 

8.3. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 81, II, DO RIPI/10 (BASE 
LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67)  

(...) 

8.3.2.  Conforme  também  se  verifica  das  notas  fiscais  (DOC.  09),  o 
concentrado adquirido pela IMPUGNANTE da RECOFARMA também 
é  isento, com fulcro no art. 81,  II, do RIPI/10, que  tem base  legal no 
art. 9º do DL n° 288/67, porque oriundo da Zona Franca de Manaus e 
utilizado  na  fabricação  de  refrigerantes  sujeitos  ao  IPI;  isenção 
também concedida pela Resolução do CAS n° 298/2007. Eis o teor do 
art. 9º do DL n° 288/67: 

"Art. 9º Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) 
todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se 
destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer 
ponto do Território Nacional." 

8.3.3. Com efeito, no julgamento do RE n° 212.484­RS, o Plenário do 
STF assegurou à outra fabricante de refrigerantes o direito ao crédito 
do  IPI  decorrente  da  aquisição  do  concentrado  isento  para 
refrigerantes  oriundo  de  fornecedor  situado  na  Zona  Franca  de 
Manaus e utilizado na fabricação de refrigerantes cuja saída é sujeita 
ao IPI; confira­se: (...) 

8.3.9 Assim, não há dúvida de que deve ser aplicado ao presente caso o 
entendimento manifestado no RE n° 212.484, uma vez que a própria D. 
Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  em  seu  Parecer  PGFN/CRJ  n° 
492/2011,  atribui­lhe  força  vinculante,  uma  vez  que  determina  a 
observância obrigatória das decisões judiciais proferidas pelo Plenário 
do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, anteriores a 
03.05.2007, confirmadas em julgamentos posteriores do STF. (...) 

8.3.12. De outro lado, no RE n° 592.891­SP, o STF reconhecera ainda 
a existência de repercussão geral da questão concernente ao direito ao 
crédito de IPI relativo à aquisição de insumos oriundos de fornecedor 
situado na Zona Franca de Manaus: (...) 

8.4. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 95, III, DO RIPI/10 (BASE 
LEGAL NO ART. 6° DO DL N° 1.435/75)  

8.4.1.  Ainda  que  superados  os  argumentos  desenvolvidos  na  seção 
anterior, a IMPUGNANTE tem direito ao aproveitamento do crédito de 
IPI em razão de os concentrados para refrigerantes serem beneficiados 
pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base legal no 

Fl. 1183DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.184 

 
 

 
 

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art.  6°  do DL  n°  1.435/75,  pois,  além  de  serem  produzidos  na  Zona 
Franca  de  Manaus,  são  elaborados  com  matéria­prima  agrícola 
adquirida de produtor  situado na Amazônia Ocidental e utilizados na 
fabricação de refrigerantes sujeitos ao IPI. (...) 

8.4.3.  Não  obstante,  a  AUTORIDADE  concluiu  que  os  concentrados 
não  seriam  beneficiados  pela  isenção  do  art.  6º  do DL  n°  1.435/75, 
pois  um  dos  requisitos  legais  para  concessão  do  beneficio  teria  sido 
descumprido  pela  RECOFARMA,  qual  seja,  utilização  direta  de 
matérias­primas  agrícolas  extrativas  vegetais  na  fabricação  dos 
concentrados,  tendo  em  vista  que  os  insumos  utilizados  seriam 
industrializados,  exceto  na  fabricação  do  concentrado  para  o 
refrigerante Guaraná.  

8.4.4. Ocorre  que,  ao  aprovar  o Parecer  Técnico  n°  224/2007,  parte 
integrante da Resolução do CAS n° 298/2007, a SUFRAMA entendeu 
que era suficiente e bastante para a aprovação do projeto para fruição 
do beneficio fiscal do art. 6o do DL n° 1.435/75 a utilização de açúcar 
e/ou  álcool  e/ou  corante  caramelo  na  produção  do  concentrado, 
produzido  a  partir  de  cana  de  açúcar,  adquirida  de  produtores 
localizados na Amazônia Ocidental. (...) 

8.4.6.  E,  nesse  passo,  a  Resolução  do CAS  n°  298/2007,  fundada  no 
Parecer Técnico n° 224/2007, concedeu expressamente o beneficio do 
art.  6º  do  DL  n°  1.435/75  para  os  concentrados  fabricados  pela 
RECOFARMA, nos seguintes termos: (...) 

8.4.9.  Com  fulcro  nessas  normas,  o  despacho  da  autoridade 
administrativa  (SUFRAMA),  suficiente  a  comprovar  a  concessão  da 
isenção da RECOFARMA, consoante o art. 179 do CTN, é a Resolução 
do CAS n° 298/2007, acima mencionada, fundada no Parecer Técnico 
n° 224/2007. (...) 

8.4.11. Ora, se a legislação pertinente e a própria Resolução do CAS 
estabelecem que a SUFRAMA é o órgão competente para  cancelar o 
beneficio concedido, o único raciocínio lógico possível, é o de que tal 
beneficio foi concedido pela própria SUFRAMA e somente ela poderá 
cancelá­lo. (...) 

8.4.17. A IMPUGNANTE não nega que a RFB tenha competência para 
fiscalizar  tributos  federais;  não  obstante,  essa  competência  não  lhe 
autoriza  a  contrariar  atos  da  SUFRAMA  e  cancelar  unilateralmente 
beneficio oneroso concedido por esse Órgão dentro do exercício de sua 
competência.(...)  

8.4.20.  Dessa  forma,  na  hipótese  de  discordar  da  SUFRAMA  na 
concessão do referido beneficio à RECOFARMA, o qual é um beneficio 
condicionado,  porque  exigiu  contraprestação  por  parte  do  industrial 
estabelecido na Zona Franca de Manaus, o Fisco só teria um caminho: 
questioná­lo  perante  a  própria  SUFRAMA,  antes  da  lavratura  de 
qualquer  auto  de  infração  contra  o  contribuinte,  para  que  esta,  na 
forma  do  art.  57  da  Resolução  do  CAS  n°  202/06  (com  redação 
idêntica  a  do  art.  54  da  Resolução  do CAS  n°  203/2012,  atualmente 
vigente),  cancele  o  incentivo  fiscal  concedido,  ­  e  não  simples  e 
unilateralmente desconsiderá­lo. (...) 

Fl. 1184DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.185 

 
 

 
 

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8.4.28. Vê­se, pois, que, para efeitos específicos dessa isenção, o termo 
matéria­prima utilizado no próprio § Iº compreende tanto os produtos 
industrializados com matéria­prima agrícola regional como a própria 
matéria­prima agrícola regional. (...) 

9. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE 
MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA  

9.1. Ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o 
que se admite apenas para fins de argumentação, a multa, os juros de 
mora  e  a  correção monetária  também  não  são  devidos  em  razão  do 
disposto  no  art.  100,  parágrafo  único,  do CTN,  que  estabelece  que a 
observância  de  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades 
administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de 
mora e correção monetária. (...) 

9.6. Assim, ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 20% decorrente da 
aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona 
Franca  de  Manaus  e  elaborados  com  matéria­prima  adquirida  de 
produtor  situado  na  Amazônia  Ocidental,  a  IMPUGNANTE  agiu  de 
acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer 
Técnico n° 224/2007.  

9.7. Vê­se, pois, que devem ser excluídos a multa, os juros moratórios e 
a  correção  monetária  exigidos,  sob  pena  de  ofensa  ao  art.  100, 
parágrafo único, do CTN.  

10. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA 

10.1. Por outro lado, ainda que superados todos os argumentos acima 
desenvolvidos, o que se admite apenas para argumentar,  também não 
seria  cabível  a  imposição  de  multa  no  presente  caso,  em  razão  do 
disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64. 

10.2 Com efeito, o art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64 assim dispõe: 

"Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (...)II ­ enquanto prevalecer 
o entendimento ­ aos que tiverem agido ou pago o imposto:  

a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível 
de  última  instância  administrativa,  proferida  em  processo  fiscal, 
inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado." 

10.3.  No  caso,  há  decisões  irrecorríveis  de  última  instância 
administrativa  proferidas  em  processos  fiscais  no  sentido  de  que  (i) 
não  cabe  ao  adquirente  do  produto  verificar  a  sua  correta 
classificação  fiscal  (Acórdãos:  02­02.895,  de  28.01.2008,  relator 
Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM; 02­02.752, de 02.07.2007, 
relator  Conselheiro  ANTONIO  BEZERRA  NETO  e  02­0.683,  de 
18.11.1997,  relator  Conselheiro  MARCOS  VINÍCIUS  NEDER  DE 
LIMA), e (ii) o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca 
de Manaus  tem  direito  ao  crédito  de  IPI  (Acórdão  n°  02­01.212,  de 
11.11.2002), o que atrai os arts. 486, II, "a", do RIPI/02 e art. 567, II, 
"a", do RIPI/10, para fins de exclusão da multa exigida. 

Fl. 1185DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.186 

 
 

 
 

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11.  DOS  CRÉDITOS ORIUNDOS DA  AQUISIÇÃO DE  PRODUTOS 
DE  LIMPEZA  NO  PROCESSO  DE  INDUSTRIALIZAÇÃO  DOS 
REFRIGERANTES  

11.1. A AUTORIDADE concluiu que a IMPUGNANTE não teria direito 
ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  produtos  de  limpeza, 
porque  supostamente  não  teriam  sido  utilizados  diretamente  na 
fabricação  dos  refrigerantes  e,  pois,  não  seriam  enquadráveis  na 
definição  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de 
embalagem, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65/79.  

11.2. Ora, a assertiva da AUTORIDADE está equivocada, porque não 
há  dúvida  de  que  os  produtos  utilizados  para  assepsia,  sanitização  e 
limpeza  em  geral  integram  o  processo  produtivo  de  refrigerantes,  já 
que inerentes à sua produção, inclusive, por exigências sanitárias são 
utilizados de forma obrigatória e, pois, está correto o creditamento do 
imposto.  

11.3.  Registre­se,  ainda,  que,  embora  os  produtos  de  limpeza  não 
tenham  necessariamente  contato  direto  com  o  refrigerante,  tais 
produtos  entram  em  contato  direto  com  as  embalagens  dos 
refrigerantes,  visto  que  são  utilizados  para  higienizar  as máquinas  e 
esteiras, onde são elaborados os refrigerantes. (...) 

11.5.  0  próprio  Parecer  Normativo  CST  n°  65/79,  citado  pela 
AUTORIDADE,  concluiu  que  o  conceito  de  produto  intermediário  é 
amplo,  alcançando  também  os  bens  que,  embora  não  sejam 
"consumidos"  no  processo  de  fabricação,  exercem  uma  ação  direta 
sobre o produto fabricado: (...)11.7. Por fim, a AUTORIDADE afirmou 
que  considerou  válido  o  aproveitamento  dos  créditos  de  IPI 
decorrentes  da  aquisição  de  materiais  de  embalagem,  não  obstante 
essa afirmativa, a AUTORIDADE glosou os créditos de IPI decorrentes 
da  aquisição  de  "Eucatex"  e  "bolsa  BIB",  os  quais  são materiais  de 
embalagem.  

11.8. Dessa forma, deve ser revertida a referida glosa, tendo em vista 
que  o  aproveitamento  do  crédito  de  IPI  na  hipótese  de  aquisição  de 
material  de  embalagem está  expressamente autorizado no art.  226,  I, 
do RIPI/10, já transcrito acima. 

12.  DA  IMPROCEDÊNCIA  DA  EXIGÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  A 
MULTA  DE  OFÍCIO  EXIGIDA  NO  AUTO  12.1.  Como  aspecto 
adicional, superados os argumentos acima que afastam a aplicação de 
qualquer  penalidade,  o  que  se  admite  apenas  para  fins  de 
argumentação, seria totalmente descabida a incidência de juros sobre 
a multa de oficio lançada contra a IMPUGNANTE, porque implicaria 
numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em 
mora na exigência de multa. (...) 

12.7. Por essas razões, é ilegal a cobrança dos juros sobre a multa de 
oficio aplicada à IMPUGNANTE.  

13. DO PEDIDO  

Fl. 1186DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.187 

 
 

 
 

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13.1. Pelo exposto, a IMPUGNANTE pede e espera que seja cancelado 
o  auto  de  infração  em  epígrafe,  com  a  conseqüente  extinção  dos 
créditos tributários correspondentes." 

A decisão  recorrida  julgou  improcedente  a  Impugnação e apresenta  a  seguinte 
ementa: 

"ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período 
de  apuração:  01/01/2014  a  31/12/2015  NULIDADE.  PREJUÍZO  À 
DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.  

Diante  da  não  configuração  de  prejuízo  à  defesa,  inexistindo 
cerceamento ao direito de defesa, não há que se falar em nulidade do 
processo.  

ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  INOCORRÊNCIA. 
AUSÊNCIA  DE  MANIFESTAÇÃO  ANTERIOR  PELA 
ADMINISTRAÇÃO.  

Não  ocorre  alteração  de  critério  jurídico  nem  ofensa  ao  art.  146  do 
CTN  se  a  Fiscalização  promove  autuação  baseada  em  entendimento 
distinto  daquele  que  seguidamente  adota  o  contribuinte,  mas  que 
jamais  foi  objeto  de  manifestação  expressa  pela  Administração 
Tributária.  

AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE.  

Decisões judiciais devem ser interpretadas de forma literal e restrita. A 
decisão  judicial  quanto  à  possibilidade  de  aproveitamento  de  crédito 
de  insumo  proveniente  de  saída  isenta  está  restrita  à  aquisição  de 
concentrados  para  refrigerantes,  o  que  não  é  o  caso  dos  insumos 
adquiridos da Recofarma, compostos por diversos produtos separados, 
e não um concentrado único para fabricação de refrigerantes.  

Apelação recebida em duplo grau,  suspendendo os efeitos da decisão 
de 1ª instância, permitindo a plena atuação do órgão fiscalizador.  

Matéria sobrestada em razão do reconhecimento de repercussão geral, 
após  manifestação  do  STF  no  âmbito  do  RE  n°  243.858/CF, 
aguardando julgamento nos autos do RE 592.891.  

SUBMISSÃO  A  ENTENDIMENTO  DA  CÂMARA  SUPERIOR  DE 
RECURSOS  FISCAIS.  MULTA  DE  OFÍCIO.  POSSIBILIDADE  DE 
EXIGÊNCIA.  

O art. 100 do CTN restringiu a aplicação do disposto no art. 76, II, a, 
da  Lei  nº  4.502/64  e,  por  isso,  a  exclusão  de  penalidades  para  o 
contribuinte que observe decisão administrativa definitiva da qual não 
seja  parte  no  processo  específico  reclama  lei  que  atribua  eficácia 
normativa às referidas decisões administrativas. 

Impossível  a  exclusão  da  penalidade  também  pelo  fato  de  não  mais 
prevalecer  o  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais 
que foi seguido pelo contribuinte.  

DE MULTA E DEMAIS ACRÉSCIMOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE 
DE APLICAÇÃO (ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN).  

Fl. 1187DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.188 

 
 

 
 

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Somente ato praticado por autoridade administrativa competente pode 
gerar o referido efeito previsto no parágrafo único do art. 100 do CTN.  

Não  é  o  caso  de  ato  praticado  pela  Suframa,  que  não  detém 
competência para determinar a classificação fiscal de produtos.  

ASSUNTO:  CLASSIFICAÇÃO  DE  MERCADORIAS  Período  de 
apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 KIT (“CONCENTRADO”) PARA 
A  FABRICAÇÃO  DE  REFRIGERANTES.  ADOÇÃO  DA 
CLASSIFICAÇÃO DOS COMPONENTES.  

Demonstrado  nos  autos  que  o  “concentrado”  classificado  pela 
interessada no código Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI trata­se, na 
verdade, de KIT de insumos e de produtos intermediários, deve­se, por 
aplicação  das  regras  gerais  de  classificação,  adotar  a  classificação 
fiscal de cada um de seus componentes, ao invés de tratar referido KIT 
como produto único.  

ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­ 
IPI  Período  de  apuração:  01/01/2014  a  31/12/2015  DIREITO  AO 
CRÉDITO  DE  IPI.  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DA  AMAZÔNIA 
OCIDENTAL.  DESCUMPRIMENTO  DE  REQUISITOS.  GLOSA. 
PROCEDÊNCIA.  

A aprovação de projeto por parte da Suframa não exclui o poder­dever 
da  Receita  Federal  de  verificar  a  legitimidade  dos  créditos  de  IPI 
escriturados pelo adquirente dos produtos e não garante, por si só, o 
direito ao crédito.  

Somente  aqueles  produtos  de  natureza  específica,  originados  de 
matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  é  que  possuem  a 
aptidão de gerar crédito do IPI para o adquirente.  

DIREITO AO CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO­CUMULATIVIDADE. 
INSUMOS  ISENTOS.  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS. 
IMPOSSIBILIDADE.  

A  aquisição  de  insumos  isentos,  provenientes  da  Zona  Franca  de 
Manaus, não legitima, por si só, o aproveitamento de créditos de IPI.  

O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não garante direito ao crédito de IPI se as 
operações  de  aquisição  são  desoneradas  do  imposto,  ante  a 
inexistência de autorização legal para tanto.  

A  idoneidade  das  notas  fiscais  emitidas  pelo  fornecedor  dos  insumos 
isentos  e  a  boa  fé  do  adquirente  não  são  suficientes  para  garantir  o 
direito ao crédito como se devido fosse, se ausentes os requisitos legais 
previstos na norma de regência. 

IPI. CRÉDITOS. GLOSA. INSUMOS UTILIZADOS INDIRETAMENTE 
NO PROCESSO INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.  

Não geram direito ao crédito de  IPI a entrada de  insumos que sejam 
utilizados  apenas  indiretamente  no  processo  industrial,  não 
observando  as  condições  estabelecidas  no  Parecer  Normativo  CST 
65/79.  

Fl. 1188DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.189 

 
 

 
 

17

Assim, não ensejam o direito creditório as aquisições de material para 
uso e consumo, tais como produtos de assepsia, sanitização e limpeza.  

EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  

A multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e 
contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal”  e, 
como tal, está sujeita à incidência de juros de mora sobre a multa de 
ofício a partir de seu vencimento.  

Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido"  

O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, 
contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: 

(i) cerceamento do direito de defesa e ausência de prova, pois sem a indicação 
detalhada  e  individual  pela  autoridade,  da  posição  na  qual  cada  componente  dos  produtos 
deveria ser classificado na TIPI, o auto de infração fica eivado de ilegalidade, porque ofendeu 
os arts. 10 do Decreto 70.235/1972 e 142 do CTN; 

(ii) que a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que o auto 
de  infração  que  não  efetua  a  reclassificação  fiscal  de  mercadoria  incorre  em  ilegalidade 
(Acórdão nº 9303­003.811); 

(iii) que a  ilegalidade apontada não pode ser sanada pela autoridade  julgadora, 
sob pena de ofensa ao art 146 do CTN, porque estaria alterando o critério jurídico do auto; 

(iv)  ainda  que  a  decisão  tivesse  indicado  quais  seriam  as  posições  da  TIPI  a 
serem adotadas, deveria ser mantida a classificação fiscal do produto indicada pela fornecedora 
na posição 21.06.90.10 EX. 01,porque a autoridade não apresentou prova técnica justificando o 
seu entendimento; 

(v) a decisão, com a pretensão de distorcer as alegações feitas, invoca o art. 30, 
§  1º  do  Decreto  70.235/1972  para  sustentar  que  a  classificação  fiscal  não  constitui  aspecto 
técnico; 

(vi) o referido dispositivo determina que os laudos ou pareceres do Laboratório 
Nacional  de  Análises,  do  INstituto  Nacional  de  Tecnologia  (INT),  e  de  outros  órgão 
congêneres  não  tem  o  condão  de  definir  a  classificação  fiscal  de  determinado  produto;  não 
obstante,  é  incontroverso  que  os  aspectos  técnicos  tratados  no  respectivo  laudo  são 
determinantes para que a autoridade proceda a classificação fiscal; 

(vii)  o  ônus  de  provar  o  equívoco  da  classificação  fiscal  incorrido  pelo 
fornecedor  do  produto  é  do  Fisco  e,  no  caso,  não  há  nos  autos  elementos  comprobatórios 
técnicos que respaldem o suposto equívoco; 

(viii) a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF cancelou auto de 
infração que discutia classificação fiscal de mercadorias por entender que o ônus da prova para 
justificar a reclassificação fiscal do produto caberia à autoridade fiscal e que a insuficiência de 
elementos de prova seria bastante para manter a classificação fiscal definida pelo fabricante do 
produto (Acórdão nº 3301­003.062); 

Fl. 1189DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.190 

 
 

 
 

18

(ix) os concentrados objeto do processo são beneficiados por duas isenções: (a) 
a do art. 81,  inc. II, do Decreto nº 7.212/2010 ­ Regulamento do IPI (RIPI/10), que tem base 
legal no art. 9º do Decreto­Lei nº 288/1967, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus, 
cujo  crédito  de  IPI  para  a  Recorrente  foi  assegurado,  expressa  e  especificamente,  pelo 
entendimento  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  manifestado  no  Recurso 
Extraordinário nº 212.484; (b) a do art. 95, inc. III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do 
DL  nº  1.435,  de  16.12.1975,  cujo  crédito  de  IPI  para  o  adquirente  decorre  do  próprio 
dispositivo legal (art. 6º, § 1º, do DL nº 1.435/75), que outorga crédito ao adquirente do insumo 
elaborado com matéria­prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; 

(x)  é  incontroverso  que  a  Recorrente  é  terceiro,  adquirente  dos  concentrados 
para bebidas, e que a Recofarma (fornecedora) foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os 
produtos  e  efetuou  sua  classificação  fiscal,  o  que  é  suficiente  para  justificar  a  aplicação  da 
alíquota utilizada; 

(xi)  o  Relatório  de  Fiscalização  reconhece  que  a  classificação  fiscal  dos 
concentrados para bebidas foi efetuada pela Recofarma na posição 21.06.90.10 EX. 01; 

(xii)  o  art.  62  da  Lei  nº  4.502/64  determina  que  o  adquirente  verifique  se  os 
produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham 
atendem à prescrições legais e regulamentares; 

(xiii)  O  RIPI/1998  e  os  RIPI's  de  2002  e  2010  suprimiram  o  acréscimo 
regulamentar  de  que  o  adquirente  deveria  examinar  a  correção  da  classificação  fiscal  do 
produto dada pelo fornecedor; 

(xiv) o CARF possui precedentes no sentido da  inexistência de tal obrigação e 
pela  exclusão  da  multa  aplicável  nos  casos  em  que  envolviam  fatos  geradores  referentes  a 
período da vigência do art. 173 do antigo RIPI/82; 

(xv)  nunca  existiu  na  lei  e  não  existe  mais  sequer  previsão  regulamentar 
estabelecendo  a  obrigação  de  o  adquirente  verificar  a  correção  da  classificação  fiscal  do 
produto na nota fiscal; 

(xvi) os fatos geradores objeto do Auto de Infração sob exame foram apurados 
sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o 
adquirente  examinar  o  acerto  da  classificação  fiscal  do  produto  e,  como  a  classificação  dos 
concentrados foi feita pela Recofarma, fornecedora do concentrado, a Recorrente agiu lícita e 
corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI; 

(xvii) se é lícito e correto aceitar a classificação fiscal dos produtos fornecidos 
pela Recofarma,  constante  de  nota  fiscal  idônea,  não  há  controvérsia  quanto  ao  direito  de  a 
adquirente  calcular  o  crédito  do  IPI  decorrente  da  alíquota  correspondente  à  classificação 
fiscal; 

(xviii) se não cabe ao adquirente questionar a classificação fiscal dos produtos 
fornecidos  pela  Recofarma,  a  Recorrente  agiu  licitamente  ao  calcular  o  crédito  de  IPI,  na 
alíquota correspondente a essa classificação fiscal; 

Fl. 1190DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.191 

 
 

 
 

19

(xix) no caso dos autos houve alteração de critério jurídico, pois em verificações 
fiscais  anteriores  não  houve  qualquer  questionamento  relativo  à  classificação  fiscal  adotada, 
com ofensa ao art. 146 do CTN; 

(xx)  no  lançamento  tributário,  a  atividade  da  autoridade  administrativa  é 
vinculada, nos termos do art. 142 do CTN; 

(xxi) no Parecer da PGFN nº 405/2003, que é vinculatório para a Administração, 
a PGFN adotou a classificação do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01, ao 
reconhecer o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado, à alíquota de 27% (vigente 
à  época),  visto  que,  para  fins  de  IPI,  não  há  como  estabelecer  a  alíquota  sem  definir  a 
respectiva classificação fiscal; 

(xxii) o novo critério jurídico adotado pela decisão recorrida só poderia alcançar 
fatos geradores posteriores a 08/06/2017, data em que a Recorrente foi cientificada do auto de 
infração, no qual, pela primeira vez, foi questionada a alíquota utilizada para cálculo do crédito 
de IPI; 

(xxiii)  o  novo  critério  jurídico  utilizado  pela  decisão  não  pode  retroagir  para 
atingir fatos geradores anteriores a 08.06.2017, período no qual firmou­se a prática no sentido 
de  autorizar  o  creditamento  do  imposto  calculado  à  alíquota  correspondente  à  posição 
21.06.90.10; 

(xxiv)  é  a  SUFRAMA  que  possui  a  competência  para  definir  a  classificação 
fiscal  dos  produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  a  fruição  dos  benefícios 
fiscais previstos no art. 9º do DL nº 288/67 e no art. 6º do DL nº 1.435/75; 

(xxv)  ao  definir  o  PPB  do  produto  incentivado,  para  fins  de  fruição  de 
benefícios  fiscais,  é necessário que  a SUFRAMA  identifique qual  é  a  classificação  fiscal  do 
produto  incentivado,  porque,  para  fins  de  IPI,  definir  o  produto  é  efetuar  sua  classificação 
fiscal; 

(xxvi)  é  inerente  à  competência  para  aprovação  do  PPB  a  definição  da 
classificação fiscal do produto; 

(xxvii) o Superior Tribunal de Justiça entende que a Receita Federal não possui 
competência  exclusiva  para  proceder  à  classificação  fiscal  de  produto,  prevalecendo  a 
classificação fiscal definida pelo órgão técnico; 

(xxviii) o CARF possui precedentes no mesmo sentido; 

(xxix)  a  SUFRAMA  tem  competência  para  definir  a  classificação  fiscal  de 
"concentrado para bebidas não alcoólicas" produzido pela Recofarma; 

(xxx) a SUFRAMA exercendo sua competência técnica, editou a Resolução do 
CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007­SPR/CGPRI/COAPI 
que  (a)  aprovou  o  projeto  industrial  da Recofarma  e  (b)  definiu  o  concentrado  para  bebidas 
fabricado  pela  Recofarma  como  preparações  químicas  utilizadas  como  matéria­prima  para 
industrialização de bebidas; 

Fl. 1191DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.192 

 
 

 
 

20

(xxxi)  a  SUFRAMA  reconhece  que  o  concentrado,  por  ser  "preparações 
químicas",  pode  ser  entregue  desmembrado  em  partes/kits,  sem  que  isso  desnature  a  sua 
condição de produtos único (de concentrado para bebidas), classificado na posição 21.06.90.10 
EX. 01; 

(xxxii)  a  SUFRAMA  confirma  que  a  Recofarma  continua  cumprindo  a 
classificação fiscal do concentrado por ela estabelecida conforme se verifica do Ofício nº 4215­
COPIN/CGAPI/SPR,  de  28.08.2015  e  apresentado  em  processo  de  outro  estabelecimento  da 
Recorrente,  e  do  Ofício  nº  3638­SPR/CGAPI/COPIN,  de  26.09.2014  e  apresentado  em 
processo similar e de interesse de outro fabricante de produtos Coca­Cola; 

(xxxiii)  a  SUFRAMA  reconheceu  que  o  concentrado  para  bebidas  elaborado 
pela Recofarma  e  adquirido  pela Recorrente  é  constituído  por  diversos  componentes  (partes 
líquidas e sólidas) e classificou o concentrado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2010; 

(xxxiv)  a  aplicação  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema 
Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto nº 
435/1992  leva  (a)  à  conclusão de que  está  correta  a  classificação  fiscal  do  concentrado para 
bebidas  na  posição  21.06.90.10  EX.  01  da  TIPI;  (b)  à  mesma  classificação  dada  pela 
SUFRAMA e (c) à mesma classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN nº 405/2003; 

(xxxv) pelo histórico das TIPIs, desde 1988, constata­se que o concentrado para 
bebidas  sempre  foi  classificado  como  uma  mercadoria  única  (descrita  como  preparações 
compostas, não alcooólicas, para elaboração de bebidas); 

(xxxvi)  os  EX.  01  e  EX.  02  da  posição  21.06.90.10  consolidaram  todas  as 
subposições da TIPI anterior e enfatizaram a sua destinação, condicionando à utilização dessas 
preparações compostas na fabicação das bebidas do Capítulo 22; 

(xxxvii) o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 
3  b)  reforça  o  fato  de  que  os  concentrados  para  bebidas,  entregues  em  forma  de  "kits",  são 
tratados como produtos únicos; 

(xxxviii) o  fato de os concentrados para bebidas  adquiridos da Recofarma não 
terem sido previamente misturados não  significa que  eles não  estejam prontos para uso pelo 
fabricante  das  bebidas,  porque,  após  o  ingresso  dos  concentrados  no  estabelecimento  da 
Recorrente,  todo  processo  produtivo  feito  por  ela  é  relativo  à  elaboração  de  bebidas  e,  por 
conseguinte, os referidos concentrados estão prontos para uso pelo seu destinatário, no caso a 
Recorrente; 

(xxxix)  a  NESH  prevê  que  o  concentrado  pode  ser  entregue  de  forma 
desmembrada  para  facilitar  o  seu  transporte  e  que,  no  processo  produtivo  de  fabricação  das 
bebidas, podem ser acrescidos outros insumos; 

(xl)  se houvesse dúvida quanto à aplicação da posição 2106.90.10 EX. 01 aos 
concentrados para bebidas, constante das notas  fiscais emitidas pela Recofarma, essa deveria 
prevalecer  por  ser  a  classificação  dada  pela  SUFRAMA,  em  ato  administrativo,  devendo  ao 
caso ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; 

(xli) possui direito ao crédito relativo à aquisição dos concentrados isentos para 
elaboração de bebidas; 

Fl. 1192DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.193 

 
 

 
 

21

(xlii)  faz  jus  ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  concentrado  para 
elaboração dos seus refrigerantes, nos termos da coisa julgada formada no MSI nº 95.0009470­
3; 

(xliii)  a  decisão  proferida  no  Mandado  de  Segurança  mencionado  concedeu 
integralmente a segurança e, tal concessão integral comprova que o direito ao crédito de IPI foi 
reconhecido para todas as matérias primas isentas  inclusive, o concentrado descrito nas notas 
fiscais  que  eram  entregues  em  "kits",  oriundas  de  fornecedor  situado  na  Zona  FRanca  de 
Manaus, para emprego na fabricação dos seus produtos tributados; 

(xliv) para que  seja  aplicada  a  coisa  julgada  formada no  referido Mandado de 
Segurança  basta  que  seja  demonstrado,  no  presente  caso,  que  adquiriu  matéria­prima  de 
fornecedor  situado  na  Zona  Franca  de Manaus,  para  fabricação  de  refrigerantes,  fato  que  é 
facilmente comprovado pelas notas fiscais anexadas ao processo e que não foi questinado pela 
Fiscalização nem pela decisão; 

(xlv) que o MSI nº 95.00174057, citado pela decisão recorrida, não interfere no 
presente  processo,  porque  trata  de matéria  diversa  da  aqui  discutida,  qual  seja,  o  direito  ao 
crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  açucar­crital  decorrentes  da  área  de  atuação  da 
SUDENE e da SUDAM; 

(xlvi) o direito ao aproveitamento do crédito de IPI decorre de os concentrados 
para bebidas serem beneficiados pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base 
legal no art. 6º do DL nº 1.435/75, pois além de serem produzidos na ZOna Franca de Manaus, 
são  elaborados  com  matéria­prima  agrícola  adquirida  de  produtor  situado  na  Amazônia 
Ocidental e utilizados na fabricação de bebidas sujeitas ao IPI; 

(xlvii) a  isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75 é autônoma e suficiente 
para  autorizar  o  creditamento  do  imposto  em  razão  de  o  próprio  dispositivo  legal  outorgar, 
expressa e especificamente, o crédito de IPI ao adquirente do produto; 

(xlviii)  em  relação  aos  concentrados  para  refrigerante  (Guaraná),  o  auto 
expressamente  reconheceu que  eles  foram elaborados  com matéria­prima extrativa vegetal  e, 
pois, não pode a decisão alterar o critério jurídico utilizado pela autoridade para concluir que 
não teria sido utilizada matéria­prima extrativa vegetal, sob pena de inovação e ofensa aos arts. 
142 e 146 do CTN; 

(xlix)  a multa,  os  juros  de mora  e  a  correção monetária  não  são  devidos,  em 
razão do contido no  art.  100, parágrafo único do CTN, que  estabelece  que a observância de 
atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  tem  o  condão  de  excluir  a 
cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; 

(l) no caso, a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 
224/2007,  é  ato  administrativo  que  tem  efeito  normativo  em  relação  aos  adquirentes  do 
concentrado,  porque  esses  adquirentes  não  foram  nem  são  partes  no  processo  que  ensejou  a 
referida resolução, mas estão obrigados a observá­la, como ato administrativo que é; 

(li)  ao  utilizar  o  crédito  de  IPI  à  alíquota  de  20%  decorrente  da  aquisição  de 
concentrados  isentos  para  bebidas  não  alcoólicas  oriundos  da  Zona  Franca  de  Manaus  e 
elaborados  com  matéria­prima  adquirida  de  produtor  situado  na  Amazônia  Ocidental,  a 

Fl. 1193DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.194 

 
 

 
 

22

Recorrente  agiu  de  acordo  com  a  Resolução  do  CAS  nº  298/2007,  integrada  pelo  Parecer 
Técnico nº 224/2007; 

(lii) incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", 
da Lei nº 4.502/64; 

(liii)  a CSRF  tem  aplicado  referido  dispositivo  para  determinar  a  exclusão  de 
multa quando há decisão de última instância administrativa favorável ao contribuinte sobre a 
matéria  em  discussão,  conforme  Acórdão  nº  9303­003.517,  que  concluiu  pela  exclusão  da 
multa de ofício imposta por auto de infração lavrado para exigir débitos de IPI decorrentes da 
glosa de créditos desse imposto, em razão da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona 
Franca de Manaus, nos termos do art. 486, II, "a", do RIPI/02 e no art. 567, II, "a", do RIPI/10 
(liv) existem decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos 
fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação 
fiscal  e o  adquirente de  insumos  isentos oriundos da Zona Franca de Manaus  tem direito  ao 
crédito de IPI, o que atrai os arts. 486, II, "a" do RIPI/02 e art. 567,  II, "a", do RIPI/10, para 
fins de exclusão da multa exigida; 

(lv) que possui direito aos créditos oriundos da aquisição de produtos de limpeza 
no  processo  de  industrialização  das  bebidas,  pois  os  produtos  são  utilizados  para  assepsia, 
sanitização e limpeza em geral  integram o processo produtivo de bebidas, eis que inerentes à 
sua produção, inclusive por exigências sanitárias; 

(lvi) o art. 226,  I, do RIPI/10 dispõe sobre o direito  sobre o direito  ao crédito 
relativo à aquisição de matéria­prima, produto intermediário e material de embalagem; 

(lvii)  o  Parecer Normativo CST  nº  65/79,  citado  pela  decisão,  concluiu  que  o 
conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora não sejam 
"consumidos"  no  processo  de  fabricação,  exercem  uma  função  direta  sobre  o  produto 
fabricado; 

(lviii) o CARF concluiu que os produtos empregados no processo de fabricação 
de  bebidas  para  higienização  da  produção  qualificam­se  como  produtos  intermediários,  nos 
termos  do  Parecer  Normativo  CST  nº  65/79,  conforme  Acórdão  nº  3402­00.517;  e  (lix)  é 
indevida e exigência de juros sobre a multa de ofício. 

A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  apresentou  Contrarrazões  ao  Recurso 
Voluntário em que contesta todas as alegações da Recorrente. 

É o relatório. 

­ Voto 

Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator  

Defende  a  Recorrente  que  ao  caso  tem  aplicação  a  coisa  julgada  formada  no 
MSI  nº  95.0009470­3,  com  o  consequente  reconhecimento  do  seu  direito  ao  crédito  de  IPI 
decorrente da aquisição de concentrado para elaboração dos seus refrigerantes. 

A decisão recorrida não acolheu a tese da Recorrente sob os pressupostos de que 
(i)  as  decisões  judiciais  devem  ser  interpretadas  de  forma  literal  e  restrita  e  (ii)  a  decisão 

Fl. 1194DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.195 

 
 

 
 

23

judicial quanto à possibilidade de aproveitamento de crédito de  insumo proveniente de saída 
isenta  está  restrita  à  aquisição  de  concentrados  para  refrigerantes,  o  que  não  é  o  caso  dos 
insumos  adquiridos  da  Recofarma,  compostos  por  diversos  produtos  separados,  e  não  um 
concentrado único para fabricação de refrigerantes, conforme consta da ementa de decisão sob 
exame. 

Defende a Recorrente que: 

"7.1.5  (...)  à  época  em  que  impetrado  o Mandado  de  Segurança,  os 
produtos  elaborados  pela  Recofarma  eram  entregues  de  forma 
desmembrada,  divididos  em  parte  1  e  2  e  eram  chamados  de 
concentrados pela fornecedora, conforme se verifica de notas fiscais de 
venda emitidas pela Recofarma. 

(...) 

7.1.7 O pedido formulado na inicial do MSI nº 95.0009470­3 abrange 
quaisquer  aquisições  de  matérias­primas  isentas  oriundas  de 
fornecedor  situado  na  ZOna  Franca  de  Manaus  utilizadas  na 
industrialização  de  produtos  tributados,  inclusive  e 
exemplificativamente, o concentrado, classificado na posição 2106.90 e 
que  conforme  as  notas  fiscais  já  eram  entregues  de  forma 
desmembrada." 

A Recorrente no Mandado de Segurança mencionado requereu: 

  

Prossegue a Recorrente: 

"7.1.9.  Em  18.06.1997,  transitou  em  julgado  a  decisão  que  concedeu 
integralmente a segurança e, pois, tal concessão integral comprova que 
o  direito  ao  crédito  de  IPI  foi  reconhecido  para  todas  as  matérias 
primas  isentas  inclusive, o concentrado descrito nas notas  fiscais que 
eram  entregues  em  "kits",  oriundas  de  fornecedor  situado  na  Zona 
FRanca  de Manaus,  para  emprego  na  fabricação  dos  seus  produtos 
tributados." 

Dos autos (fl. 221) há um extrato de andamento processual em que consta que o 
processo  foi  "Arquivado Definitivamente  ­  BAIXA  ­  FINDO"  e  "  Remetidos  os  autos  com 
ARQUIVAMENTO  COM  BAIXA  para  Setor  de  Distribuição",  conforme  a  seguir 
reproduzido: 

Fl. 1195DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.196 

 
 

 
 

24

  

Já na fl. 222, autos, outro extrato: 

  

Por sua vez, da decisão recorrida se extraem as seguintes informações: 

"A  defesa  alega  que  "o  pedido  formulado  na  inicial  do  MSI  n° 
95.0009470­  3  foi  amplo  e  abrangeu  todos  os  componentes  do 
concentrado,  porque  tratou  dos  produtos  classificados  na  posição 
2106.90  da  TIPI/88",  e  que  "à  época  em  que  impetrado  o  MSI  n° 
95.0009470­3,  os  'concentrados'  fabricados  pela  RECOFARMA  já 

Fl. 1196DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.197 

 
 

 
 

25

eram entregues de forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e já 
eram chamados de 'concentrados' pela fornecedora". 

Por outro lado, ao contrário do que alega a contribuinte, a Autoridade 
Fiscal  informa desconhecer o desfecho do Mandado de Segurança n° 
95.00094703, nos seguintes termos: 

No que toca ao Mandado de Segurança MS n° 95.00094703 (0009470­ 
05.1995.4.05.8100), impetrado pela fiscalizada e citado em resposta ao 
Termo  de  Início  do Procedimento Fiscal,  cuja  Apelação  foi  tombada 
sob outro (96.05.012766 ­ 000127632.1996.4.05.0000), só fora possível 
verificar o seu andamento processual e sua conexão com um segundo 
mandado  de  segurança,  o  de  n°  95.00174057 
(001740596.1995.4.05.8100). 

Em consulta aos documentos  juntados ao processo, este julgador  teve 
acesso à Sentença nº 1280/95, às fls. 181/189, referente ao Mandado de 
Segurança nº 95.9470­ 3, com trecho reproduzido a seguir: 

3.1  Em  face  dos  fundamentos  expendidos,  concedo  a  ordem  da 
impetrada, para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar 
dos  valores  relativos  ao  IPI,  nas  operações  de  aquisição  de 
concentrado,  ainda  que  essas  operações  sejam  isentas  do  mesmo 
imposto na origem. 

(...) 

Por  outro  lado,  da  sentença,  a  União  formalizou  apelação,  às  fls. 
190/197,  autuada  sob  o  processo  nº  0001276­32.1996.4.05.0000, 
recebida em duplo grau, com Acórdão Publicado no DJ da União em 
08.05.97  (1ª  parte  ­  TRF5),  da  qual  não  se  teve  acesso  e  não  foi 
encontrada cópia da decisão nos autos, conforme consulta abaixo. 

Ou  seja,  as  informações  disponíveis  no  processo  administrativo  dão 
conta  de  que  a  apelação  da  União  em  relação  a  referida  decisão 
judicial  foi  recebida  com  efeito  devolutivo  e  suspensivo,  isto  é, 
suspendendo os efeitos da decisão de 1ª  instância, permitindo a plena 
atuação do órgão fiscalizador. 

Por  fim,  fundamental  mencionar  o  apontamento  da  fiscalização  no 
sentido  de  que  fora  possível  verificar  a  conexão  do  Mandado  de 
Segurança n° 95.00094703 "com um segundo mandado de segurança, 
o de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100). Ao contrário do MS 
n°  95.00094703  (0009470­05.1995.4.05.8100),  o MS  n°  95.00174057 
(001740596.1995.4.05.8100)  ainda  está  em  trâmite  no  TRF  da  5a 
Região,  encontrando­se  sobrestado  por  repercussão  geral,  após 
manifestação do STF no âmbito do RE n° 243.858/CF". 

Como dito, ao contrário do que afirma a defesa, a Autoridade Fiscal 
não  conseguiu  verificar  a  existência  da  coisa  julgada  no  MSI  n° 
95.0009470­3,  estando  a  questão  judicial  que  trata  da  matéria 
sobrestada  em  razão  do  reconhecimento  de  repercussão  geral,  após 
manifestação  do  STF  no  âmbito  do  RE  n°  243.858/CF,  conforme 
seguintes trechos da decisão: 

Fl. 1197DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.198 

 
 

 
 

26

O Plenário Virtual  do  Supremo Tribunal Federal,  ao  examinar  o RE 
592.891, atualmente sob relatoria da Ministra Rosa Weber, reconheceu 
a  existência  de  repercussão  geral  da  questão  constitucional  ora 
discutida (Tema 322). Veja­se a ementa do julgado: 

“TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS 
INDUSTRIALIZADOS  IPI.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DIREITO  AO 
CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA 
ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO 
GERAL.” 

Diante do exposto, com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF, 
determino o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam observadas 
as disposições do art. 543­B do Código de Processo Civil." 

Denota­se, portanto, que há dúvida razoável sobre o efetivo trânsito em julgado 
da decisão proferida no Mandado de Segurança invocado pela Recorrente.  

Some­se a isso, que não trouxe a Recorrente certidão de inteiro teor do processo, 
bem  como,  certidão  de  trânsito  em  julgado  constante  dos  autos  de Mandado  de  Segurança, 
documentos imprescindíveis para demonstrar e comprovar o alegado, em especial, pelo fato de 
a  própria  decisão  recorrida  ter  adotado  como  fundamento  decisório  a  impossibilidade  de  se 
aferir  (i)  o  trânsito  em  julgado  no  Mandado  de  Segurança  nº  95.0009470­3;  (ii)  eventual 
conexão com outro Mandado de Segurança, cujo trâmite está sobrestado em razão de a matéria 
ser objeto de repercussão geral. 

Assim, a conversão do feito em diligência é medida que se impõe para se aferir 
o efetivo  trânsito em  julgado do Mandado de Segurança nº 95.0009470­3, conforme alegado 
pela Recorrente  e não  acatado pela decisão  recorrida proferida neste processo  administrativo 
fiscal.  

Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência, 
para que a Recorrente, no prazo de até 60 (sessenta) dias providencie (i) certidão de trânsito em 
julgado do Mandado de Segurança  nº  95.0009470­3;  (ii)  certidão  de  inteiro  teor  do  referido 
processo  (certidão  de  objeto  e  pé)  e  (iii)  certidão  e  documentos  para  que  se  possa  aferir 
eventual conexão do Mandado de Segurança nº 95.0009470­3, com o Mandado de Segurança 
de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100). 

(assinado digitalmente) 

Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator 

 

Fl. 1198DF  CARF  MF


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  <doc>
    <date name="dt_index_tdt">2021-10-08T01:09:55Z</date>
    <str name="anomes_sessao_s">201811</str>
    <str name="camara_s">Terceira Câmara</str>
    <str name="ementa_s">Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013
COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ACERCA DA MATÉRIA SOLIDIFICADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO
A existência de coisa julgada permitindo o crédito de IPI na aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus impede a análise do crédito presumido na instância administrativa.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE.
A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito.
COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DADA PELO FORNECEDOR DOS PRODUTOS. NECESSIDADE DE CONFERÊNCIA PELO ADQUIRENTE.
Em razão da não cumulatividade do IPI e de sua sistemática imposto sobre imposto, o adquirente de produtos industrializados deve conferir se a nota fiscal atende todas as prescrições legais e regulamentares, conforme art. 62 da Lei nº 4.502/1964, aí se incluindo a classificação fiscal.

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    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção</str>
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    <str name="arquivo_indexado_s">S</str>
    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior

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    </arr>
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S3­C3T1 

Fl. 10.355 

 
 

 
 

1

10.354 

S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  14090.720754/2017­89 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  3301­005.546  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  28 de novembro de 2018 

Matéria  IPI ­ Imposto sobre Produtos Industrializados 

Recorrente  NORSA REFRIGERANTES S.A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI 

Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013 

COISA JULGADA.  IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM INSTÂNCIA 
ADMINISTRATIVA  ACERCA  DA  MATÉRIA  SOLIDIFICADA. 
PREJUDICIAL AO MÉRITO 

A  existência  de  coisa  julgada  permitindo  o  crédito  de  IPI  na  aquisição  de 
produtos  isentos  oriundos  da  Zona  Franca  de Manaus  impede  a  análise  do 
crédito presumido na instância administrativa. 

CRÉDITO  PRESUMIDO.  PRODUTOS  ADQUIRIDOS  COM  ERRO  DE 
CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  E  ALÍQUOTA.  GLOSA  DOS  VALORES 
INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. 

A apropriação de créditos  incentivados ou  fictos,  calculados  sobre produtos 
isentos  adquiridos  de  estabelecimentos  localizados  na  ZFM,  somente  é 
admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido 
para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, 
cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos 
à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. 

COMPETÊNCIA.  RECEITA  FEDERAL.  FISCALIZAÇÃO.  ZONA 
FRANCA DE MANAUS. 

É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos 
apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à 
verificação  se  os  produtos  adquiridos  com  isenção  estão  devidamente 
classificados  na  posição NCM da TIPI,  não  afastando  esta  competência  da 
RFB  a  circunstância  de  o  projeto  de  produção  ter  sido  aprovado  pela 
SUFRAMA. 

MUDANÇA  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  NULIDADE  DO  AUTO  DE 
INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. 

  

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/2
01

7-
89

Fl. 10355DF  CARF  MF




 

  2

Para que  se  caracterize  como mudança  de  critério  jurídico,  é preciso  que  a 
Administração  Tributária  tenha  analisado  um  fato  e  o  qualificado 
juridicamente.  Não  representa  mudança  de  critério  de  jurídico  o  auto  de 
infração, cujo  lançamento decorreu da glosa de créditos  incentivados/fictos, 
por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve 
manifestação  anterior  da  Administração  neste  sentido  nem  mesmo  um 
lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação 
fiscal do produto. 

CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DADA  PELO  FORNECEDOR  DOS 
PRODUTOS. NECESSIDADE DE CONFERÊNCIA PELO ADQUIRENTE. 

Em razão da não cumulatividade do  IPI  e de sua  sistemática  imposto  sobre 
imposto,  o  adquirente  de  produtos  industrializados  deve  conferir  se  a  nota 
fiscal atende todas as prescrições legais e regulamentares, conforme art. 62 da 
Lei nº 4.502/1964, aí se incluindo a classificação fiscal. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer 
em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatorio e 
votos que integram o presente julgado. 

WINDERLEY MORAIS PEREIRA ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR ­ Relator. 

(assinado digitalmente) 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais 
Pereira  (presidente  da  turma),  Valcir  Gassen  (vice­presidente),  Marcos  Roberto  da  Silva 
(Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis 
de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior 

Relatório 

Trata­se  de  auto  de  infração  (fls.  02­15)  lavrado  em  15/09/2017  para 
constituição de  crédito  tributário de  IPI na monta de 63.270.378,60  (sessenta  e  três milhões, 
duzentos e setenta mil, trezentos e setenta e oito reais e sessenta centavos) para o período que 
compreende  o  04º  trimestre  de  2012  até  04º  trimestre  de  2013. A  acusação  fiscal  reside  na 
utilização  de  crédito  indevido,  sob  a  rubrica  "outros  créditos",  decorrentes  da  aquisição  de 
insumos  (kits  de  concentrados)  da  RECOFARMA  INDÚSTRIA  DO  AMAZONAS  LTDA, 
CNPJ nº 61.454.939/0001­06, para a fabricação de refrigerantes. 

As verificações acerca da correta apuração do IPI devido, objeto deste Auto 
de  Infração,  foram  realizadas  quando  da  análise  de  05  Pedidos  de  Ressarcimento 
(PERDCOMP)  referentes  aos  Períodos  de  Apuração  (PA)  4º  Trimestre/2012  a  4º 
Trimestre/2013,  apresentando  também pedidos de  compensação DCOMP para utilização dos 
supostos créditos referentes ao Ressarcimento de IPI para quitação de débitos tributários junto 
à Fazenda Nacional. 

Fl. 10356DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.356 

 
 

 
 

3

 

 

Depreende­se  do  relatório  fiscal  de  fls.  16­42  que  a  análise  dos  créditos 
pleiteados no PER foram confrontados e confirmados com a Escrituração Fiscal Digital – EFD­
IPI  do  contribuinte,  onde  se  verificou  que  a  maior  parte  dos  créditos  do  IPI  escriturados  é 
oriunda  de  insumos  destinados  à  fabricação  de  bebidas  (refrigerantes,  especialmente) 
adquiridos  de  RECOFARMA  INDÚSTRIA  DO  AMAZONAS  LTDA  (doravante 
RECOFARMA), CNPJ 61.454.393/0001­06, empresa situada na Zona Franca de Manaus. 

Consta ainda deste  relatório que se  tomou prova emprestada do processo nº 
10010.038171/0616­91  quanto  às  informações  detalhadas  do  processo  produtivo  do 
contribuinte, quanto à auditoria  in loco no estabelecimento do sujeito passivo, bem como em 
relação às informações prestadas pelo seu principal fornecedor de matérias­primas, a empresa 
RECOFARMA. 

Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  autuação  fundamenta­se  em  duas  partes 
distintas e  independentes, a PARTE I, correspondente aos créditos incentivados indevidos do 
IPI  oriundos  de  produtos  não  elaborados  com  matérias­primas  extrativas  vegetais  de 
produção  regional  e  a  PARTE  II,  correspondente  aos  créditos  incentivados  do  IPI 
aproveitados indevidamente em função de erro de classificação fiscal e alíquota. 

Parte  I  ­  créditos  incentivados  indevidos  do  IPI  oriundos  de  produtos 
não elaborados com matérias­primas extrativas vegetais de produção regional 

A fiscalização afirmou que a maior parte dos créditos de IPI escriturados pela 
fiscalizada no período sob análise (4º trimestre/2012 a 4º trimestre/2013) é oriunda de insumos 
destinados  à  fabricação  de  refrigerantes,  descritos  na  NF  como  “concentrados”  ou  "kits  de 
concentrados" (NCM 2106.90.10), adquiridos da empresa RECOFARMA localizada na Zona 
Franca  de Manaus.  Os  produtos  são  comercializados  por  RECOFARMA  em  forma  de  kits 
constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada componente sai do estabelecimento 
industrial em embalagem individual. 

Fl. 10357DF  CARF  MF



 

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Todavia,  não  há  destaque  de  IPI  nas  notas  fiscais  de  saída  emitidas  pela 
RECOFARMA, pois entende­se que os produtos estariam isentos do imposto com base no art. 
81,  incisos  I e  II; e art. 95,  inciso III  (c/c art. 237) do RIPI/2010 – Regulamento do  Imposto 
sobre Produtos Industrializados, instituído pelo Decreto nº 7.212, de 15/06/2010. 

A autuada, ora Recorrente, escriturou crédito por estas aquisições isentas dos 
kits de concentrado, como se tributado fosse. A alíquota de IPI vigente à época dos fatos (4º 
Trim./2012 a 4º Trim./2013) para os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 era 
de 20% (Decreto nº 7.660, de 23/12/2011, alterado pelos Decreto nº 7.742, de 30/05/2012, e 
Decreto nº 8.017, de 17/05/2013). 

Estes  concentrados  adquiridos  de  fornecedores  localizados  na ZFM,  gozam 
da  isenção  prevista  no  art.  81,  II  do  RIPI/2010.  Em  razão  deste  dispositivo,  os  produtos 
industrializados na Zona Franca de Manaus, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo 
Conselho  de  Administração  da  Superintendência  da  Zona  Franca  de Manaus  ­  SUFRAMA, 
destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional, estarão isentos se 
produzidos  com  utilização  de  matérias­primas  da  fauna  e  flora  regionais,  em  conformidade 
com processo produtivo básico. 

Para este benefício fiscal, não há previsão legal permitindo o crédito de IPI, 
aplicando­se a alíquota correspondente na TIPI para a classificação fiscal do produto. Assim, 
não haveria possibilidade de crédito para estas aquisições. 

Intimada  para  justificar  a  razão  do  creditamento,  a  Recorrente  informou  a 
existência de coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.0047783­4 
que  assegurou  aos  associados  da  Associação  dos  Fabricantes  Brasileiros  de  Coca­Cola 
(AFBCC), da qual  a Recorrente  faz parte,  o direito  ao  crédito de  IPI  relativo  à  aquisição de 
insumos  isentos  oriundos  da  ZFM  (petição  inicial  do MSC  em  fls.  166­184)  e  também  em 
razão  do  o  entendimento  do  plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  exposto  no 
julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 212.484­RS, que asseguraria o mesmo direito. 

A fiscalização descartou a argumentação e entendeu que o crédito é indevido, 
isso  porque  o  RE  212.484­RS  citado  tem  aplicação  apenas  entre  as  partes  e  não  alcança  a 
Recorrente. Quanto ao Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.0047783­4, impetrado pela 
Associação  dos  Fabricantes  de  Coca­Cola  (AFBCC)  perante  a  Justiça  Federal  do  Rio  de 
Janeiro, a fiscalização também afastou os efeitos da coisa julgada no caso, porque, nos termos 
do que declarado pelo STF, em sessão Plenária realizada em 30/04/2014, em que se julgou o 
Agravo Regimental na Reclamação nº 7778, que por sua vez foi ajuizada em face do suposto 
descumprimento da decisão proferida naquele Mandado de Segurança Coletivo, o provimento 
judicial proferido naquela ação coletiva teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados 
no Rio de Janeiro, território do órgão prolator da decisão, nos termos do art. 2º­A da Lei 9.494, 
o que não alcança a autuada (domiciliada fora do RJ). 

Esta  Parte  I  do  relatório  fiscal  também  analisa  a  possibilidade  de  créditos 
decorrentes  do  art.  237  e  95,  III,  do  RIPI/2010.  Este  permissivo  legal  garante  o  direito  ao 
crédito pelas aquisições de produtos isentos, como se devido fosse, desde que sejam produtos 
elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive 
as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na Amazônia Ocidental, 
desde que os projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA 
e desde que o bem seja empregado pelo adquirente como matéria­prima, produto intermediário 
ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. 

Fl. 10358DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.357 

 
 

 
 

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A  fiscalização  entendeu  que  a  Recorrente  atendeu  todos  os  requisitos 
exigidos por este dispositivo legal, exceto a condição de ser matéria­prima agrícola e extrativa 
vegetal de produção regional. 

Intimada  a  prestar  esclarecimentos  sobre  se  utiliza matéra­prima  agrícola  e 
extrativa vegetal de produção regional para a produção dos kits, a Recorrente afirmou que estas 
aquisições se referiam ao açúcar utilizado na produção do caramelo e do ácido cítrico, álcool 
neutro, também proveniente da cana­de­açúcar e o extrato de guaraná, proveniente da semente 
do guaraná. Afirmou que toda a cana­de­acúcar e semente de guaraná utilizados são produzidas 
por Agropecuária Jayoro, localizada na Amazônia Ocidental. 

A  fiscalização  entendeu  que  nenhum  dos  três  itens  informados  pela 
RECOFARMA pode  ser  caracterizado  como matéria­prima  agrícola  e  extrativa  vegetal,  pois 
nenhum deles é resultado de processo de extração de um vegetal. Tratam­se, efetivamente, de 
produtos industrializados a oriundos da matéria­prima vegetal cana­de­açúcar (açúcar e álcool 
neutro) e da semente de guaraná (extrato de guaraná). 

Assim, levando­se em conta que a Lei determina, para o gozo da isenção (art. 
6º, caput, do DL 1435/72, base legal p/ isenção do art. 95, III, do RIPI/2010), que os produtos 
sejam  produzidos  com  MATÉRIA  PRIMA  agrícola  ou  extrativa,  e  não  com  PRODUTO 
INTERMEDIÁRIO, a fiscalização realizou a glosa dos créditos indevidamente escriturados no 
RAIPI. 

Afirmou a fiscalização que para esta isenção do art. 95 do RIPI/2010 e art. 6º 
do DL 1.435/1972, não é exigido o despacho da autoridade administrativa de que trata o art. 
179 do Código Tributário Nacional. O papel da SUFRAMA é aprovar os projetos para fruição 
do  benefício  fiscal,  no  entanto,  inexiste  na  legislação  qualquer  norma  que  limite  total  ou 
parcialmente o exercício da competência da RECEITA FEDERAL na fiscalização do benefício 
sob análise, pois, para usufruir do benefício, as empresas precisam atender a todos os requisitos 
previstos na legislação, e não só aquele constante do § 2º do art. 6º do DL nº 1.435/75. 

PARTE  II  –  Créditos  incentivados  do  IPI  aproveitados  indevidamente 
em função de erro de classificação fiscal e alíquota 

Como  acusação  independente  da  parte  I,  afirmou  que  houve  erro  na 
classificação  fiscal  do  produto  fornecido  pela RECOFARMA,  o  que  permite  a  glosa,  pois  a 
classificação correta tem uma alíquota igual a zero. Assim, não haveria crédito, já que o valor 
do IPI calculado sobre os produtos em questão, como se devido fosse, seria zero. 

A fiscalização realizou a coleta dos kits elaborados pela RECOFARMA, bem 
como  juntou  aos  autos  fotos  dos  kits  (fls.  302­313;  343­359)  e  pediu  a  elaboração  de  laudo 
pericial  pelo  Centro  Tecnológico  de  Controle  de  Qualidade  Falcão  Bauer.  Assim,  solicitou 
exame  laboratorial  para  que  os  Laudos  de  Análise  apresentassem  dados  técnicos  sobre  os 
produtos,  em  especial  a  identificação  dos  ingredientes  contidos  em  cada  parte  dos  kits.  Os 
resultados dos exames laboratoriais solicitados pela fiscalização constam de Laudos de Análise 
que foram anexados ao presente processo (fls. 64­101). 

Afirmou a  fiscalização que os  "kits  de concentrado" não é uma mercadoria 
única. Os kits (concentrados) para fabricação de refrigerantes são constituídos de dois ou mais 
componentes  (ou  partes),  sendo  que  cada  componente  está  acondicionado  em  embalagem 

Fl. 10359DF  CARF  MF



 

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individual (bombona, saco, garrafão, caixa ou contêiner), cujo conteúdo de cada parte pode ser 
líquido ou sólido. 

Esses componentes dos kits são misturados, operação de industrialização em 
que o engarrafador adiciona água e açúcar, adicionando cada parte do kit por vez. A preparação 
líquida,  então,  se  torna  um  xarope  composto  que  passa  por  tratamento  complementar, 
adicionando­se água e gás carbônico, resultando o refrigerante pronto para ser consumido. 

A  fiscalização  afirmou  que  as  empresas  tratam  os  kits  como  uma 
mercadoria única por uma decisão comercial, denominada de “concentrado”, aplicando a 
alíquota prevista para o Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, e não por uma imposição da 
realidade técnica e/ou mercadológica. Neste sentido, não haveria impedimento para que 
cada  componente de kits  para  fabricação de bebidas  fosse  fabricado  e  vendido por um 
estabelecimento  diferente,  nem  para  que  o  fornecedor  efetuasse  remessas  em  separado 
dos componentes dos kits,  e nem para que fosse especificado o preço cobrado por cada 
componente. 

A  fiscalização  questionou  a  classificação  fiscal  no  Ex  01  do  código 
2106.90.10, estabelecendo que para este enquadramento o produto deve satisfazer os seguintes 
requisitos: 

a) Que seja uma preparação composta. 

b) Que não seja alcoólica. 

c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado 

d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 

e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada 
parte do concentrado. 

No entendimento da fiscalização, tais preparações não atendem às condições 
citadas nas  letras “c” e “e”, acima. Nenhum componente dos kits,  isoladamente considerado, 
nem em conjunto como um kit, pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. 
Para que ficasse caracterizado um produto chamado de "concentrado", o conteúdo das diversas 
partes que compõem cada kit deveria  estar  reunido numa única parte,  tanto que as empresas 
criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam uma mercadoria única. 

Afirmou  que  não  se  pode  atribuir  capacidade  de  diluição  a  nenhum 
componente  dos  kits  para  fabricação  de  bebidas.  Se  o  conteúdo  de  qualquer  embalagem 
individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físico­químicas 
da bebida que se pretende comercializar. 

Afirmou que o laudo pericial, elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle 
de  Qualidade  Falcão  Bauer,  aos  responder  os  quesitos,  afirmou  que  as  partes  dos  kits 
concentrados  vendidos  pela  RECOFARMA  não  podem  ser  considerados  como  extrato 
concentrado ou sabor concentrado. 

A  fiscalização  ainda  afirmou  que  nenhuma  das  partes  que  compõe  os  kits 
adquiridos pela autuada, quando individualmente considerada, pode ser classificada na Ex 01 
do código 2106.90.10 da TIPI, já que o concentrado só surge quando o conteúdo das diversas 
partes que compõem cada kit é misturado, ou seja, por meio de um processo de industrialização 
(transformação) realizado depois da venda. 

Fl. 10360DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.358 

 
 

 
 

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Concluiu  também  pelo  não  atendimento  do  requisito  arrolado  no  item  “e", 
que  tenha  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  parte  do 
concentrado”, pois pela mera diluição do produtos não se alcança a bebida final. Por  isso, os 
produtos vendidos pela RECOFARMA não podem ser  considerados  "concentrados", pois,  se 
diluídos, não apresentam mais as mesmas características de identidade e qualidade da bebida, 
conforme § 4º do artigo 13 e artigo 30 da Lei nº 8.918/1994. 

Para a classificação fiscal, a autoridade fiscal assim concluiu: 

Em  procedimentos  fiscais  recentes,  constatou­se  que  os 
componentes  mais  importantes  dos  kits  para  fabricação  de 
bebidas  são  aqueles  que  contêm  extratos  e  ingredientes 
aromatizantes  específicos  para  a  bebida  a  ser  industrializada 
(por  exemplo,  componentes  que  contenham  extrato  de  cola  ou 
extrato  de  guaraná),  devendo  ser  classificados  no  código 
2106.9010  ,  como  uma  “  Preparação  do  tipo  utilizado  para 
elaboração de bebidas ”, cuja alíquota do IPI é zero . 

Essa  preparação,  porém, não  se  classifica  no Ex  01  do  código 
2106.90.10, pois, conforme já explicado, a embalagem individual 
não contém todos os ingredientes necessários para caracterizar 
um produto chamado de “concentrado”. 

No  caso  de  componentes  que  correspondam  a  uma mistura  de 
ingredientes  comumente  utilizados  em  diversos  produtos  da 
indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, 
deve  ser  aplicado  o  código  2106.90.90,  reservado  às 
“Preparações  alimentícias  não  especificadas  nem 
compreendidas  noutras  posições  ­  Outras  ­  Outras”,  também 
tributado à alíquota zero do IPI . (grifei) 

A partir das glosas de crédito realizadas pela fiscalização a apuração do IPI 
foi refeita, encontrando­se um saldo de IPI a pagar, culminando neste auto de infração. 

Intimada  do  auto  de  infração,  a  Recorrente  apresentou  impugnação  de  fls. 
9.670­9.740, argumentando pelo cancelamento do auto de infração conforme se resume abaixo: 

­ os concentrados adquiridos pela impugnante são beneficiados pela isenção 
do  art.  81,  II  do RIPI/2010,  com  base  legal  no  art.  9º  do DL  nº  288/1967.  Com  base  nesta 
isenção, por ser produto adquirido da ZFM, a contribuinte faz jus ao crédito presumido de IPI, 
calculando­se o crédito como se devido fosse, com base na coisa julgada formada no MSC nº 
91.0047783­5, bem como no RE nº 212.484 julgado pelo STF; 

­  caso  assim  não  se  entenda,  os  produtos  adquiridos  pela  autuada  podem 
também ser enquadrados  em outra  isenção, prevista no  art.  95,  III  do RIPI/2010, permissivo 
legal do art. 6º do DL 1.435/1975, que concede isenção para matéria­prima agrícola e extrativa 
vegetal  adquirida  de  produtor  situado  Amazônia  Ocidental  e  a  possibilidade  de  crédito 
presumido de IPI para estas aquisições decorre da própria disposição do art. 239 do RIPI/2010, 
não necessitando da coisa julgada. 

­  explica  a  atual  situação  da  coisa  julgada,  em  que  por  um momento  havia 
uma  reclamação  no  STF  limitando  a  abrangência  da  decisão  para  os  limites  territoriais  do 
órgão  julgador  com  base  no  art.  2º­A  da  Lei  9.497/1997  (TRF  da  2ª  Região),  mas  que  em 

Fl. 10361DF  CARF  MF



 

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23/02/2017 transitou em julgado nova decisão do STJ, proferida nos autos do próprio MSC nº 
91.0047783­4, reconhecendo que a coisa julgada é aplicável a todos os associados da AFBCC, 
independentemente do Estado em que estão localizados; 

­ explica que o STF também julgou extinta a Reclamação nº 7.778 por perda 
superveniente de objeto; 

­  afirma  que  mesmo  que  não  se  aceite  a  coisa  julgada,  os  produtos  que 
adquire são considerados matéria­prima agrícola e extrativa vegetal produzidos na Amazônia 
Ocidental,  gozando  da  isenção  do  art.  95,  III  do  RIPI/2010  na  qual  a  própria  legislação 
assegura a possibilidade de escrituração do crédito; 

­ quanto à alíquota utilizada para fins de apuração do seu crédito presumido e 
acusação de erro na classificação fiscal, em razão de que tais concentrados adquiridos deveriam 
ser classificados por suas partes, a contribuinte argumenta que a autoridade fiscal não indicou 
os  componentes  do  concentrado  que  deveriam  ser  classificados  separadamente  e  em  quais 
posições da TIPI, o que, por si só, gera nulidade do auto de infração neste ponto; 

­ afirma ainda que a impugnante é terceiro, adquirente dos concentrados para 
refrigerantes.  A  classificação  fiscal  dos  produtos  adquiridos  é  realizada  pela  fornecedora, 
RECOFARMA, não podendo este suposto erro ser imputado à impugnante; 

­ cita o art. 62 da Lei 4.502/1964 que determina que o adquirente verifique se 
os documentos fiscais dos produtos adquiridos atendem as prescrições legais e regulamentares, 
não  se  incluindo  nestas  obrigações  a  verificação  da  classificação  fiscal  adotada  pelo 
fornecedor, nem mesmo pelo art. 327 do RIPI/2010. Como a classificação fiscal foi feita pela 
fornecedora,  a  impugnante  agiu  lícita  e  corretamente  ao  adotar  tal  classificação  fiscal  para 
cálculo do crédito de IPI; 

­  em  relação  aos  concentrados  para  refrigerante,  a  apuração  do  crédito  é 
simples  cálculo  aritmético,  calculando­se  o  crédito  de  IPI  segundo  a  alíquota  decorrente  da 
classificação fiscal feita pelo fornecedor do insumo, na época, de 20%; 

­  a  alteração  da  classificação  fiscal  também  não  pode  ser  realizada  pela 
fiscalização por representar alteração de critério jurídico, violando o disposto no art. 146, CTN. 
Isso porque, em verificações fiscais anteriores, não houve qualquer questionamento relativo à 
classificação  fiscal  do  concentrado  para  refrigerantes  e  a  Recorrente  sempre  aproveitou  os 
créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes da posição 
21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; 

­  afirma que  no  processo  administrativo  10183.721209/2013­96,  em que  se 
discutiu  outro  auto  de  infração  lavrado  em  15/03/2013  em  face  da  impugnante,  a  glosa  do 
crédito foi levada a efeito apenas em razão do entendimento de que os produtos adquiridos não 
eram produtos agrícolas e extrativa vegetal do art. 6º do DL 1.435/1975, sem nada mencionar 
acerca da classificação; 

­ no procedimento de lançamento, nos termos do art. 142, CTN, a autoridade 
tem  o  dever  de  examinar  todos  os  aspectos  legais  formadores  do  fato  gerador  da  obrigação 
tributária, inclusive a classificação fiscal; 

­  a  revisão  da  classificação  fiscal  só  foi  realizada  em  setembro  de  2016, 
processo  administrativo  14090.720284/2016­72,  em  outro  auto  de  infração,  onde  se  afirmou 
que  a  classificação  fiscal  na  posição  21.06.90.10  Ex.  01  para  os  kits  concentrados  estava 
incorreta.  Portanto,  somente  para  os  fatos  geradores  que  viessem  a  ocorrer  a  partir  desta 

Fl. 10362DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.359 

 
 

 
 

9

mudança  de  critério  jurídico  (27.09.2016)  é  que  esta  mudança  na  classificação  poderia  ser 
aplicada, por hipótese; 

­  na  pior  das  hipóteses,  afirma  que  este  novo  critério  jurídico  deve  ser 
aplicados apenas  a partir de 22/12/2014, data em que  a RECOFARMA foi notificada de um 
auto de infração, onde se exigiu multa por erro na classificação fiscal do kit concentrado; 

­  ainda  que  não  sejam  aceitos  estes  argumentos,  defende  a  competência  da 
SUFRAMA  para  definir  a  classificação  fiscal  dos  produtos  objeto  de  projetos  industriais 
aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais; 

­  a  SUFRAMA  tem  competência  para  aprovar  os  projetos  industriais  para 
fruição dos benefícios previstos no  art.  9º  do DL n° 288/67 e no  art.  6º  do DL n° 1.435/75, 
conforme  se  verifica  dos  dispositivos  a  seguir  do  Decreto  n°  7.139/2010,  Anexo  I.  E,  para 
aprovar o projeto industrial, a SUFRAMA define o respectivo PPB do produto incentivado; eis 
os arts. 13, 15 e 23 da Resolução do CAS n° 202/2006; 

­ ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios 
fiscais,  é  necessário  que  a  SUFRAMA  identifique  qual  é  a  classificação  fiscal  do  produto 
incentivado,  porque,  para  fins  de  IPI,  definir  o  produto  é  efetuar  sua  classificação  fiscal. 
Portanto,  é  inerente  à  sua  competência  para  aprovação  do  PPB  a  definição  da  classificação 
fiscal do referido produto beneficiado; 

­  afirmou que o STJ  já  decidiu  que  a RFB não  tem  competência  exclusiva 
para  proceder  à  classificação  fiscal  de  produto,  prevalecendo  a  classificação  fiscal  definida 
pelo órgão técnico, naquele caso a ANVISA, não cabendo à RFB questionar; 

­ afirmou que a SUFRAMA definiu a classificação fiscal para o concentrado 
produzido pela RECOFARMA, por intermédio da Resolução do CAS n° 298/2007,  integrada 
pelo Parecer Técnico n° 224/2007, consta que a caracterização do produto é de concentrados 
para bebidas não alcóolicas, com enquadramento na NCM 2106.90.10 Ex. 01; 

­  a  partir  da  definição  dada  pela  SUFRAMA  ao  produto  fabricado  pela 
RECOFARMA,  a  própria  SUFRAMA  reconhece  que  o  concentrado,  por  configurar 
"preparações  químicas",  pode  ser  entregue  desmembrado  em  partes/kits,  sem  que  isso 
desnature a sua condição de produto único (de concentrado para refrigerantes), classificado na 
posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com 
capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  concentrado  ­  por  isso 
classificado no EX. 01; 

­  quanto  à  classificação  fiscal  a  ser  definida  pelas  regras  gerais  de 
interpretação  do  sistema  harmonizado  e NESH,  afirmou  que,  ao  contrário  do  afirmado  pela 
autoridade  fiscal,  a  interpretação  histórica  das  TIPIs  e  a  aplicação  das  Regras  Gerais  de 
Interpretação  do  Sistema Harmonizado,  aprovadas  pelo Decreto  n°  97.409/88,  e  das NESH, 
aprovadas pelo Decreto n° 435/92, levam à conclusão de que está correta a classificação fiscal 
do  concentrado  de  refrigerantes  como  mercadoria  única  na  posição  21.06.90.10  Ex.  01  da 
TIPI/2010,  a mesma  classificação  dada  pela SUFRAMA e  reconhecida  no Parecer PGFN nº 
405/2003; 

Fl. 10363DF  CARF  MF



 

  10

­  pelo  histórico  das  TIPIs,  desde  1988,  contata­se  que  o  concentrado  para 
refrigerantes  sempre  foi  classificado  como  uma  mercadoria  única  constituída  por  diversos 
componentes; 

­ Na TIPI de 1988 estava na posição 21.06.90.01, alíquota de 36%; 

­ a Resolução do Comitê Brasileiro de Nomenclatura nº 78/1989, manteve a 
descrição  de  concentrados  como  preparações  compostas,  não  alcoólicas,  para  elaboração  de 
bebidas  na  posição  21.06.90,  tratando  estas  preparações  compostas  como mercadoria  única. 
Alíquota de 40%; 

­  em 1996  a  posição  21.06.90.10  continuou  compreendendo  as  preparações 
compostas não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), evidenciando que a 
mercadoria é composta de várias partes, passando a enfatizar nos Ex. 01 e Ex. 02 a relevância 
de sua destinação. Alíquota de 27%; 

­ na TIPI de 2002 manteve­se a mesma descrição, alterando­se a alíquota para 
20%; 

­ o  item XI da nota explicativa referente à  regra geral de  interpretação 3 b) 
reforça  o  argumento  de  que  os  concentrados  de  refrigerantes,  "kits",  são  tratados  como 
produtos únicos, mercadoria unitária integrada por diferentes componentes; 

­ as posições Ex. 01 e Ex. 02 são mais específicas, e se há uma posição mais 
específica para classificar a mercadoria, esta que deve prevalecer; 

­  a  adição  de  outros  ingredientes  não  descaracteriza  os  concentrados  para 
refrigerantes como produtos prontos para uso. Se houvesse qualquer dúvida quando à aplicação 
da  posição  NCM,  a  RECOFORMA  deveria  recorrer  à  classificação  fiscal  dada  pela 
SUFRAMA; 

­ afirma que o produto concentrado produzido, distribuído e comercializado 
pela  RECOFARMA  é  uma  preparação  composta,  para  atender  um  fim  específico.  A 
comercialização em kits é uma decisão técnica que visa preservar a qualidade do concentrado, 
manter  a  proporcionalidade  dos  insumos  e  evitar  a  ocorrência  de  alterações  físico­química, 
facilitando  a  preparação  e  conservando  ao  máximo  seus  componentes.  Portanto,  trata­se  de 
mercadoria unitária, pois não há possibilidade de comercialização individual das partes que o 
compõem. 

­ a multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos 
em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância 
de  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  tem  o  condão  de  excluir  a 
cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; 

­  No  caso,  a  SUFRAMA  tem  competência  para  aprovar  projeto  industrial 
para fruição da isenção prevista no art. 9o do DL n° 288/67 e no art. 6° do DL n° 1.435/75 e, 
pois,  para  classificar  o  produto  beneficiado,  nos  termos  do  Decreto  n°  7.139/2010  c/c  a 
Resolução  do CAS  n°  202/2006. A Resolução  do CAS  n°  298/2007,  integrada  pelo  Parecer 
Técnico n° 224/2007, aprovou o projeto industrial para fruição do beneficio do art. 9o do DL 
n° 288/67 e do art. 6o do DL n° 1.435/75 ao concentrado fabricado pela RECOFARMA, bem 
como o classificou na posição 21.06.90.10 EX. 01; 

­  ao  utilizar o  crédito  de  IPI  à  alíquota  de  20% decorrente da  aquisição  de 
concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com 

Fl. 10364DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.360 

 
 

 
 

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matéria­prima adquirida de produtor  situado na Amazônia Ocidental,  a  IMPUGNANTE agiu 
de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007. 

­  defende  a  impossibilidade  de  exigência da multa  com base  no  art.  76,  II, 
"a",  da  Lei  n°  4.502/64,  diante  da  existência  de  decisões  irrecorríveis  de  última  instância 
administrativa  proferidas  em  processos  fiscais  no  sentido  de  que  não  cabe  ao  adquirente  do 
produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 02­02.895, de 28.01.2008, relator 
Conselheiro  ANTONIO  CARLOS ATULIM;  02­02.752,  de  02.07.2007,  relator  Conselheiro 
ANTONIO  BEZERRA  NETO  e  02­0.683,  de  18.11.1997,  relator  Conselheiro  MARCOS 
VINÍCIUS NEDER DE LIMA) 

­ defende a impossibilidade da exigência de juros sobre a multa de ofício por 
implicar  numa  indireta  majoração  da  própria  penalidade  e  não  se  pode  falar  em  mora  na 
exigência de multa; 

­ se a  intenção do  legislador  fosse exigir  juros sobre a multa de oficio  teria 
previsto  expressamente  em  lei  que  os  juros  de mora  incidiriam  sobre  os  débitos  e  sobre  as 
respectivas multas deles decorrentes; 

Em 20/02/2018, a 8ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão n.º 14­76.152 
(fls. 10.028­10.063), julgando improcedente a impugnação apresentada, assim ementado: 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI 

Ano­calendário: 2012, 2013 

CRÉDITOS  DE  IPI.  AQUISIÇÕES  DE  PRODUTOS 
ISENTOSORIUNDOS  DA  AMAZÔNIA  OCIDENTAL. 
DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSAS. 

São  insuscetíveis  de  apropriação  na  escrita  fiscal  os  créditos 
concernentes  a  produtos  isentos  adquiridos  para  emprego  no 
processo  industrial,  mas  não  elaborados  com  matérias­primas 
agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive 
as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  industriais 
localizados na Amazônia Ocidental. 

ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS 

Ano­calendário: 2012, 2013 

CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  KITS  PARA  PRODUÇÃO  DE 
REFRIGERANTES. 

Nas  hipóteses  em  que  a  mercadoria  descrita  como  “kit  ou 
concentrado  para  refrigerantes”  constitui­se  de  um  conjunto 
cujas partes consistem em diferentes matérias­primas e produtos 
intermediários que só se tornam, efetivamente, uma preparação 
composta  para  elaboração de  bebidas  em decorrência  de  nova 
etapa  de  industrialização,  ocorrida  no  estabelecimento 
adquirente,  cada um dos  componentes desses “kits” deverá  ser 
classificado no código próprio da TIPI. 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Fl. 10365DF  CARF  MF



 

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Ano­calendário: 2012, 2013 

ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DE 
CRÉDITO  DE  IPI  NA  APURAÇÃO  DO  SALDO  DEVEDOR. 
INOCORRÊNCIA. 

Tendo a autoridade fiscal afastada, expressa e indubitavelmente, 
a  possibilidade  de  apropriação  de  crédito  de  IPI,  e  não  se 
vislumbrando, nos autos, a presença de elementos que autorizem 
imaginar  o  reconhecimento  da  existência  de  parcela  de  algum 
tipo  de  crédito,  não  cabe  cogitar  de  qualquer  ilegalidade  na 
apuração  dos  saldos  devedores,  fundamentada  na 
desconsideração de crédito de IPI na referida apuração. 

APLICAÇÃO  DA  NORMA  JURÍDICA.  ALTERAÇÃO  DO 
CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. 

A  alteração  de  critério  jurídico  deve  ser  entendida  como  uma 
mudança de posição interpretativa da Administração a respeito 
de determinada norma. Não ocorre alteração de critério jurídico 
nem  ofensa  ao  art.  146  do  CTN  se  a  Fiscalização  promove 
autuação  baseada  em  entendimento  distinto  daquele  que 
seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de 
manifestação expressa por parte da Administração Tributária. 

APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  DOCUMENTOS  FISCAIS 
IDÔNEOS.  CLASSIFICAÇÃO  EQUIVOCADA. 
RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. 

Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que 
se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a 
responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos 
do art. 136 do CTN. Na situação, as notas  fiscais de aquisição 
das  mercadorias  que  originaram  o  suposto  crédito,  ao 
consignarem  classificação  fiscal  equivocada  que  não  se  aplica 
ao  produto  comercializado,  deixam  de  ostentar  o  amparo 
necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível 
a glosa. 

DECISÕES  DO  STF  EM  SEDE  DE  RECURSO 
EXTRAORDINÁRIO.  EFEITOS  ERGA  OMNES.  DECRETO  Nº 
2.346, DE 1997. 

As  decisões  judiciais  atinentes  a  casos  concretos  possuem 
apenas  efeitos  inter  partes  e  não  vincula  os  atos  da 
Administração  Tributária.  Uma  decisão  emanada  do  Supremo 
Tribunal Federal somente alcançaria terceiros não participantes 
da  lide  se  observadas  as  condições  descritas  pelo  Decreto  nº 
2.346, de 1997. 

AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. 

O  provimento  jurisdicional  abrange  o  objeto  da  demanda 
judicial,  vale  dizer,  o  conteúdo  do  pedido  da  petição,  e  seu 
alcance restringe­se aos associados da  impetrante domiciliados 
no âmbito da competência territorial do órgão prolator. 

Fl. 10366DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.361 

 
 

 
 

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OBSERVÂNCIA  DOS  ATOS  NORMATIVOS  EXPEDIDOS 
PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO 
DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. 

Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a 
que  se  refere  o  inciso  I  do  art.  100  do  CTN,  são  normas 
complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das  convenções 
internacionais  e  dos  decretos  que  versem  sobre  matéria 
tributária.  São  atos  gerais  e  abstratos,  tais  como  portarias, 
instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos 
legais  ou  de  instrumentar  o  cumprimento  das  obrigações 
tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que 
têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos 
termos de parágrafo único do art. 100 do CTN. 

MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES 
ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. 

Não há que se falar em aplicação do disposto no art. 76, II, a, da 
Lei  nº  4.502,  de  1964,  c/c  o  art.  100,  II  e  parágrafo  único,  do 
CTN,  para  a  exclusão  de  penalidades  e  juros  de  mora,  pela 
inexistência  de  lei  que  atribua  eficácia  normativa  às  decisões 
administrativas  em  processos  nos  quais  um  terceiro  não  seja 
parte. 

JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 

Sendo  a  multa  de  ofício  classificada  como  débito  para  com  a 
União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela 
Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a  incidência 
dos juros de mora, a partir de seu vencimento. 

Impugnação Improcedente 

Crédito Tributário Mantido 

Inconformada com a r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, Recurso 
Voluntário  (fls.  10078  ­ 10155),  devolvendo  a  análise  de  todas  as matérias  já  ventiladas  em 
sede de  impugnação,  juntando  laudo do  INT ­  Instituto Nacional de Tecnologia  (fls. 10.245­
10.275) para atestar a condição de produto único dos kits. A Procuradoria da Fazenda Nacional 
apresentou contrarrazões em fls. 10.307­10.344, contraditando todos os argumentos do Recurso 
Voluntário e pugnando pela manutenção do auto de infração pelos fundamentos do TVF. 

É o relatório 

Voto            

Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR 

O recurso é  tempestivo e atende os demais  requisitos  legais, merecendo ser 
conhecido. 

 

Fl. 10367DF  CARF  MF



 

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1. DA COISA JULGADA 

Há  nos  autos  relevante  controvérsia  acerca  do  trânsito  em  julgado  do 
Mandado  de  Segurança  Coletivo  MSC  nº  91.0047783­4,  impetrado  pela  Associação  dos 
Fabricantes de Coca­Cola perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, onde restou garantido o 
direito  de  crédito  de  IPI,  como  se  tributado  fosse,  presumido  portanto,  de  produtos  isentos 
adquiridos de  fornecedores  localizados na Zona Franca de Manaus. Ressalte­se que,  caso no 
aspecto  subjetivo  se  constate  que  todos  seus  associados  são  beneficiários,  inclusive  a  ora 
Recorrente, o deslinde da causa depende da análise desta prejudicial. 

A autoridade fiscal afirmou não ser possível a aplicação desta coisa julgada 
em benefício da Recorrente,  em razão da Reclamação no STF nº 7778. Esta Reclamação  foi 
interposta  no  STF  por  uma  das  associadas,  localizadas  no  Estado  de  São  Paulo,  para  ver 
garantida esta mesma coisa julgada, tendo em vista que vinha sofrendo autuações no Estado de 
São  Paulo  sob  o  argumento  de  que  a  coisa  julgada  tinha  aplicação  restrita  aos  limites 
territoriais  do  órgão  judiciário  que  proferiu  a  decisão,  qual  seja,  Rio  de  Janeiro  e  Espírito 
Santo. 

Isso porque no MSC, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região 
havia feito esta  limitação  territorial com base no art. 2º­A da Lei nº 9.494/1997. No entanto, 
este capítulo da decisão  ainda não estava  transitado, pois  foi  interposto  recurso  aos  tribunais 
superiores.  Diante  deste  cenário,  o  STF,  na  Reclamação  citada,  afirmou  não  haver 
inconstitucionalidade no art. 2º­A da Lei 9.494/997, sendo válida a limitação territorial da coisa 
julgada. Neste diapasão, a autoridade fiscal afirmou não ser possível aplicar esta coisa julgada 
ao caso concreto, tendo em vista que a Recorrente se localiza no Estado do Mato Grosso. 

Referido dispositivo legal possui a seguinte redação: 

Lei nº 9.494/1997. Art. 2o­A. A sentença civil prolatada em ação 
de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa 
dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas 
os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação, 
domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão 
prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180­35, de 2001) 

A  d.  DRJ,  na  decisão  ora  recorrida,  acrescentou  que  a  coisa  julgada  não 
poderia ser estendida à Recorrente, pois não era parte no processo. 

No entanto, a análise da coisa julgada merece mais detida reflexão. Cumpre 
destacar,  de  início,  que o Mandado de Segurança Coletivo  constitui  hipótese  de  substituição 
processual  e,  nos  termos  da  Súmula  STF  nº  629,  "a  impetração  de  mandado  de  segurança 
coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". 

Isto  significa que a Recorrente, por ser associada da Associação  Impetrante 
(AFBCC), é beneficiária da coisa julgada obtida em favor da entidade no MSC. 

Em  relação  à  limitação  territorial  da  coisa  julgada,  conforme  narração  da 
Recorrente, bem como das cópias das decisões juntadas aos autos (fls. 9.808­9.882), e ainda da 
decisão proferida pelo TRF 2º, limitando o efeito territorial, foi apresentado Recurso Especial 
ao STJ e Recurso Extraordinário ao STF.  

O  Recurso  Especial  é  o  REsp  nº  1438361.  A  decisão  já  foi  proferida  e 
transitada em  julgado em 23/02/2017, pouco antes da  lavratura do presente auto de  infração. 
Houve reforma da decisão do TRF da 2ª Região na parte em que houve a limitação territorial, 

Fl. 10368DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.362 

 
 

 
 

15

para afirmar que o art. 2º­A da Lei n. 9.497/97, introduzido em 1999 pela MP n. 1.798­1/99, o 
qual prevê que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da 
propositura  da  ação,  domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  prolator",  não 
pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do 
mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações. Como 
o  referido  MSC  foi  impetrado  em  14/08/1991,  anos  antes  da  publicação  deste  dispositivo, 
assim, coisa julgada ora em análise teria abrangência nacional. 

Diante  desta  decisão,  o  STF  julgou  prejudicado  o  Recurso  Extraordinário 
interposto,  por  perda  superveniente  do  objeto,  conforme  acórdão  juntando  aos  autos  em  fls. 
9.852­9.855, tendo em vista que o STJ pacificou a questão. O mesmo destino teve a malfadada 
Reclamação nº 7778, sendo extinta por perda superveniente do objeto em razão da decisão do 
STJ, que garantiu a aplicação da coisa julgada em âmbito nacional para este caso concreto em 
específico. 

Assim, deve­se reconhecer a aplicação da coisa julgada ao presente caso, em 
homenagem  à  segurança  jurídica  e  ao  disposto  no  art.  5º,  XXXVI  da  Constituição.  Com  o 
processo judicial onde se obteve a coisa julgada em análise, garantiu­se o direito à Recorrente 
de  escriturar  créditos  de  IPI  decorrentes  de  produtos  isentos  adquiridos  de  fornecedores 
localizados na ZFM. Como a isenção é aplicada em razão do critério espacial da hipótese de 
incidência,  para  o  cálculo  deste  crédito  presumido deve­se  levar  em  consideração  a  alíquota 
aplicável  nas  operações  realizadas  fora  da  zona  beneficiada,  de  acordo  com  a  classificação 
fiscal  específica  do  produto  negociado  prevista na TIPI. A  classificação  fiscal  utilizada  pela 
fornecedora da Recorrente  foi  a NCM 2106.90.10 Ex 01 da TIPI,  cuja  alíquota  era de 20%. 
Assim, o crédito presumido apurado pela Recorrente nesta aquisições isentas teve por base este 
percentual de alíquota. 

Neste  ponto,  mais  uma  controvérsia  precisa  ser  debatida.  Isso  porque  a 
autuação  fiscal  também  argumentou  que  a  classificação  fiscal  adotada  pelo  fornecedor  da 
Recorrente,  in casu, a RECOFARMA, estava incorreta, devendo­se adotar outra classificação 
fiscal para fins de apuração do crédito de IPI. Afirma a fiscalização que a classificação fiscal 
correta que deveria ser adotada pelo fornecedor dos produtos possui alíquota zero. 

Como  isso, mesmo  que  se  reconheça  a  aplicação  da  coisa  julgada,  na  qual 
resta o entendimento de que o produto adquirido com isenção por ser proveniente da ZFM gera 
o  direito  ao  crédito  de  IPI  para  o  adquirente,  mesmo  assim,  a  autuada  não  poderia  ter 
escriturado  o  crédito,  tendo  em  vista  que  a  classificação  fiscal  do  produto  fornecido  tem 
alíquota zero. Desta feita, passa­se à análise da classificação fiscal. 

2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL 

Como dito,  consta do  relatório  fiscal  que  a RECOFARMA, em  relação aos 
produtos "concentrados" para preparo de bebidas não alcoólicas fornecidos para a Recorrente, 
enquadrou estes produtos no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, cuja alíquota de IPI vigente 
à época dos fatos (4º Trim./2012 a 4º Trim./2013) era de 20%, conforme Decreto nº 7.660, de 
23/12/2011,do  alterado  pelos  Decreto  nº  7.742,  de  30/05/2012,  e  Decreto  nº  8.017,  de 
17/05/2013. 

Esta classificação fiscal tem a seguinte redação: 

Fl. 10369DF  CARF  MF



 

  16

 

Por sua vez, a autoridade fiscal contesta esta classificação fiscal elaborando 
um arrazoado para concluir pela impossibilidade de adotar a "Ex 01", ou mesmo da "Ex 02", 
tendo em vista que este produto adquirido pela Recorrente como um "kit concentrado", não é 
um  concentrado  e  nem  pode  ser  diluído,  além  de  constituir­se  em  kit  com  produtos  que 
poderiam ser vendidos em separado, mas comercializados como mercadoria única, na forma de 
kit, por uma questão mercadológica. 

No entendimento da fiscalização, para este enquadramento em Ex 01 ou Ex 
02 o produto deve satisfazer os seguintes requisitos: 

a) Que seja uma preparação composta. 

b) Que não seja alcoólica. 

c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado 

d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 

e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada 
parte do concentrado. 

Concluiu no TVF que tais preparações não atendem às condições citadas nas 
letras “c” e “e”, acima. Nenhum componente dos kits pode ser identificado como um extrato ou 
sabor  concentrado.  Para  que  ficasse  caracterizado  um  produto  chamado  de  "concentrado",  o 
conteúdo das diversas partes que  compõem cada kit  deveria  estar  reunido numa única parte, 
tanto que as empresas criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam 
uma mercadoria única. 

A  fiscalização  encomendou  a  elaboração  de  laudo  pericial  para  o  Centro 
Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, para analisar amostras dos produtos "kit 
concentrado"  coletados,  em  especial  a  identificação  dos  ingredientes  contidos  em  cada  parte 
dos kits. (laudos de fls. 64­101) 

Ao  responder  os  quesitos,  restou  constatado  que  os  produtos  vendidos  pela 
RECOFARMA não podem ser considerados como extrato concentrado ou sabor concentrado. 
Por isso, a fiscalização afirmou que não podem ser "Ex", já que lhe falta o requisito de ser um 
produto  concentrado,  na medida  em  que,  ao  ser  diluído,  perde  suas  características  originais. 
Assim,  para  a  fiscalização,  nenhum  componente  dos  kit  podem  ser,  em  conjunto  ou 
isoladamente, considerados como um extrato ou sabor concentrado.  

Para que ficasse caracterizado um produto como "concentrado", o conteúdo 
das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, sem perder 
suas  características  fixadas  nos  padrões  de  identidade  e  quantidade  após  sua  diluição,  nos 
termos  do  art.  13  do  Decreto  6.871/2009  que  regulamenta  a  Lei  nº  8.918/1994,  e  isto  só  é 

Fl. 10370DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.363 

 
 

 
 

17

obtido  em  momento  posterior  do  processo  produtivo,  quando  estas  partes  dos  Kits  são 
misturadas,  de  acordo  com  especificações  técnicas.  Desta  feita,  este  concentrado  só  surge 
quando o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit é misturado, ou seja, por meio de 
um processo de industrialização (transformação) realizado depois da venda. 

Com  este  raciocínio,  a  fiscalização  concluiu  que  estes  produtos  devem  ser 
classificados no código 2106.9010 , como uma “ Preparação do tipo utilizado para elaboração 
de bebidas ”, cuja alíquota é ZERO. 

Neste  ponto,  penso  ser  importante  voltar  para  o  mérito  do  Mandado  de 
Segurança  Coletivo MSC  nº  91.0047783­4  para  identificar  a  causa  do  litígio.  Analisando  a 
petição inicial, fls. 166­184. Constata­se que o pedido de segurança formulado pela associação 
não  foi  genérico,  no  sentido  de  obter  o  direito  um  direito  de  crédito  de  IPI  para  qualquer 
produto isento adquirido de fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus.  

Na  causa  de  pedir,  conforme  se  vê  de  fls.  167,  a  Associação­Impetrante 
argumenta que suas associadas produzem refrigerante sujeitos ao IPI, classificados no Código 
TIPI  2202.90.  Argumentou  que  para  produzir  estes  produtos,  adquire  matéria­prima  com 
isenção  do  IPI,  "um  produto  concentrado",  de  fornecedor  estabelecido  na  ZFM.  Este 
concentrado adquirido pelos associados são classificados na posição 2106.90 da TIPI, sujeitos, 
na época, à alíquota de 40%, nos termos do Decreto nº 97.410/1988, atualizado pelo Decreto 
nº 99.182/1990. 

Note que a impetrante afirma, em sua petição, adquirir produto "concentrado" 
da  classificação  2106.90,  que  estava  isento  conforme  dicção  do  art.  9º  do  Decreto­Lei  nº 
288/1967, que detinha a seguinte redação na época do MSC e regulamentado pelo art. 81 e seu 
inciso II do RIPI/2010, Decreto nº 7.212/2010: 

Art 9º Estão isentas do  impôsto sôbre produtos  industrializados 
tôdas  as  mercadorias  produzidas  na  Zona  Franca  de Manaus, 
quer  se  destinem  ao  seu  consumo  interno,  quer  a 
comercialização em qualquer ponto do território nacional. 

Nas  decisões  judiciais  que  se  seguem,  inclusive  no  acórdão  de  mérito 
proferido pelo TRF da 2ª Região (fls. 209­233), este em que se concedeu o direito e formou a 
coisa  julgada material,  consta do voto da  relatora  a menção  expressa  à aquisição de produto 
concentrado da classificação fiscal 2106.90.  

No  entanto,  constata­se  que  não  há  nenhuma  discussão  acerca  da  correção 
desta classificação fiscal, nem mesmo uma análise da natureza do produto, sua composição e 
uma  discussão  sobre  se  o  produto  é  concentrado  ou  não.  Parte­se  da  classificação  fiscal  e 
informação dada pela própria  impetrante em sua petição  inicial,  assumindo­se  como produto 
isento produzido na ZFM. O que se discutiu nas decisões judiciais e isso foi objeto do mérito, 
foi  uma  discussão  jurídica  acerca  da  não  cumulatividade  do  imposto,  isto  é,  acerca  da 
possibilidade de crédito de IPI na aquisição destes produtos isentos, utilizados como insumo na 
produção de refrigerantes, como corolário do princípio da não cumulatividade. 

Portanto,  a  coisa  julgada  não  solidifica  a  discussão  acerca  da  classificação 
fiscal.  

Fl. 10371DF  CARF  MF



 

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Ressalto que, nesta época, a posição da TIPI que previam a alíquota de 40% 
tinha uma  redação pouco diversa da atual, não havia nem mesmo as posições Ex atualmente 
utilizadas pela Recorrente. No entanto, dentre estas, as que se referiam aos produtos de extratos 
concentrados para preparação de bebidas não alcoólicas,  as posições TIPI  existentes eram as 
2106.90.0101 e 2106.90.0101: 

2106.90 ­­ Outras 

01  ­­  Preparações  compostas,  não  alcoólicas,  para  elaboração 
de bebidas (extratos concentrados ou sabores concentrados) 

0101 ­­ Constituídas por um xarope ao qual se juntou um extrato 
concentrado  desta  posição,  contendo  principalmente  extrato  de 
coca  e  ácido  cítrico,  corados  com  ajuda  de  açúcar 
caramelizado......... 40% 

0102 ­­ Constituídas por um xarope ao qual se juntou um extrato 
concentrado  desta  posição,  contendo  principalmente  cítrico  e 
óleos essenciais de frutos (limão e laranja)......... 40% 

A Resolução  do  Comitê  Brasileiro  de  Nomenclatura  nº  78/1989,  alterou  a 
TIPI  de  1988 para  adequar  a  descrição  do  subitem 2106.90.11  para preparações  compostas, 
não alcoólicas, para elaboração de bebidas  (extratos concentados ou sabores concentrados) 
constituídas  por  xarope  ao  qual  se  juntou  um  extrato  concentrado  desta  posição,  contendo 
principalmente extrato de coca e ácido cítrico, corados com ajuda de açúcar caramelizado. A 
descrição  do  item  2106.9012  passou  a  ser  preparações  compostas,  não  alcoólicas,  para 
elaboração  de  bebidas  (extratos  concentados  ou  sabores  concentrados)  constituídas  por 
xarope  ao  qual  se  juntou  um  extrato  concentrado  desta  posição,  contendo  principalmente 
ácido cítrico e óleos essenciais de frutos (limão e laranja). 

A descrição TIPI  atual,  para  a posição 21.06, presta­se para  a  classificação 
fiscal de "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições". 
O subitem 90 é aplicado para outras bebidas não dispostas nas outras posições. Dentro desta 
posição  há o  subitem 10,  destinada  para  "Preparações  do  tipo  utilizado para  elaboração de 
bebidas".  Esta  posição,  21.06.90.10,  é  entendida  pela  fiscalização  como  a  correta  e  possui 
alíquota zero. 

No entanto, dentro desta posição temos as classificações ex tarifário 01 e 02, 
para produtos concentrados, alterando­se apenas o fator de diluição do produto, cujas alíquotas 
eram de 20% na época dos fatos. A Ex 01 é a posição adotada pela fornecedora da Recorrente. 

A  disputa  reside  em  identificar,  portanto,  qual  destas  posições  deve  ser 
aplicada  ao  kit  concentrado  para  fins  de  determinação  da  alíquota  para  apuração  ou  não  do 
crédito presumido. 

2.1.  Do  Laudo  produzido  pelo  Centro  Tecnológico  de  Controle  de  Qualidade  Falcão 
Bauer 

No ano de 2014, o Fisco efetuou em Manaus a coleta de kits elaborados por 
RECOFARMA, além de muitas fotos dos produtos, tendo providenciado a realização de exame 
laboratorial pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. 

Como  dito,  os  denominados  "kits  de  concentrado"  é  um  kit  formado  por 
diversos produtos, individuais, líquidos e/ou sólidos, utilizados como base para a preparação de 
bebidas  não  alcoólicas,  os  refrigerantes.  Percebe­se,  a  partir  do  laudo  e  do  arrazoado  da 

Fl. 10372DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.364 

 
 

 
 

19

fiscalização no TVF, que nenhum componente dos kits pode ser identificado como um extrato 
ou sabor concentrado.  

A  fiscalização  afirma  que  para  que  ficasse  caracterizado  um  produto  como 
um "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido 
numa única parte, o que só ocorre numa etapa posterior do processo de industrialização. Mas 
para  tratar  como  um  produto  único,  as  empresas  criaram  a  ficção  de  que  para  fins  de 
classificação  fiscal  os  kits  formam  uma  mercadoria  única.  Os  produtos  são  separados  em 
embalagens  individuais, possuindo cada um deles uma utilidade específica em cada etapa do 
preparo, devendo­se seguir as especificações do fabricante. 

Pela  análise  dos  laudos,  é  possível  perceber  que  não  há  como  atribuir 
capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para  fabricação de bebidas, pois cada 
item do kit tem uma função específica no preparo da bebida, que, uma vez diluído, transforma­
se. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas 
características sensoriais e físico­químicas da bebida que se pretende comercializar. O aroma, o 
sabor  e  a  coloração  (elementos  das  características  sensoriais),  bem  como  as  características 
físico­químicas não seriam  iguais. Se assim não fosse, seriam desnecessárias as outras partes 
que  compõem  cada  kit,  pois  bastaria  desde  o  início  juntar  cada  item  num  produto  só.  No 
entanto, eles precisam ser separados, pois cada um deles tem uma função específica no preparo 
da bebia. Assim, estes itens do kit são produtos intermediários do processo de industrialização, 
alcançando­se o concentrado após sua mistura com água e açúcar no processo produtivo. 

O laudo de análise nº 1266/2013­1.0 de fls. 64­67 analisa as partes 1 e 2 do 
kit concentrado sabor coca­cola. Para a parte 1 do kit, observe­se os quesitos 7, 8, 11, 12 e 13, 
descritos em fl. 96: 

7) Identificar se na composição do produto há aromatizante na acepção dada 
pelo Regulamento Técnico Sobre Aditivos Aromatizantes/Aromas aprovado pela Resolução nº 
104, de 14 de maio de 1999, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ­ ANVISA. 

De  acordo  com  análises  realizadas  foi  detectado  a  presença  de  Cimeno, 
Pineno e Limoneno substâncias utilizadas como aromatizantes. 

8)  Identificar  se  o  aromatizante  de  que  trata  o  item  anterior  é  constituído 
basicamente de semente de noz de cola ou extrato de noz de cola (Cola acuminata). 

De acordo  com análises  realizadas  foi  detectado  a  presença  de Extrato  de 
Noz de Cola. 

11) O produto pode ser descrito como preparação composta? 

Trata­se de Preparação, na forma de Solução Aquosa. à base de Extrato de 
Noz  de  Cola,  Cafeína,  Caramelo,  Ácido  Fosfórico,  Cimeno,  Pineno  e  Limoneno,  uma 
Preparação  do  tipo  utilizada  para  a  elaboração  de  bebidas, Outra  Preparação  Alimentícia 
não especificada nem compreendida em outras posições. 

12) O produto pode ser descrito como extrato concentrado? 

Não. 

Fl. 10373DF  CARF  MF



 

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13) O produto pode ser descrito como sabor concentrado? 

Não 

Para a análise da parte 2 do kit coca­cola, observe­se os quesitos 10, 11 e 12, 
descritos em fl. 96: 

10) O produto pode ser descrito como preparação composta? 

Trata­se de Preparação, na forma de Solução Aquosa. à base de Extrato de 
Noz  de  Cola,  Cafeína,  Caramelo,  Ácido  Fosfórico,  Cimeno,  Pineno  e  Limoneno,  uma 
Preparação  do  tipo  utilizada  para  a  elaboração  de  bebidas, Outra  Preparação  Alimentícia 
não especificada nem compreendida em outras posições. 

11) O produto pode ser descrito como extrato concentrado? 

Não. 

12) O produto pode ser descrito como sabor concentrado? 

Não 

Todos  estes  testes  foram  realizados  em  todos  os  componentes  de  cada  "kit 
concentrado"  (coca­cola,  coca­cola  zero,  sprite,  sprite  zero),  cuja  resposta  para  todos  os 
componentes foi de que se trata de um preparado para elaboração de bebidas, mas não pode ser 
considerado um sabor concentrado ou um extrato concentrado. 

Perceba  que  o  laudo  de  análise  laboratorial  elaborado  pelo  Centro 
Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, concluiu que todas as partes de todos os 
kits concentrados comercializados por RECOFARMA e que foram objeto de análise não são 
produtos concentrados. 

Com  base  nisso  e  analisando  a  classificação  fiscal  2106.90.10  Ex  01, 
utilizada pela RECOFARMA para os kits, a fiscalização concluiu que esta NCM requer que o 
produto  se  caracterize  como  um  extrato  concentrado  ou  sabor  concentrado  e  que  tenha 
capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. 

Como  o  produto  não  é  um  concentrado,  nem  pode  ser  uma  preparação 
composta  passível  de  diluição  sem  que  isso  altere  os  aspectos  físico­quimicos,  sendo meras 
partes utilizadas como composto para preparação da bebida, sua classificação fiscal deve ser a 
NCM 2106.90.10. 

A Recorrente apresenta  um  laudo do  Instituto Nacional de Tecnologia para 
fundamentar a possibilidade de tratar estes "kits de concentrado" como uma mercadoria única. 
No laudo, constata­se que foi realizada uma análise in loco do processo produtivo dos "kits de 
concentrado" bem como a etapa posterior de preparo do refrigerante "coca­cola" a partir destes 
kits em uma das fábricas da Coca­Cola. 

Foram  realizados  testes  técnicos  em  laboratório  com  os  kits,  atestando  que 
cada  parte  do  kit  tem  um  função  específica  e  determinada  na  composição  e  no  preparo  da 
bebida no processo produtivo na  sede da Recorrente quando do preparo  do  refrigerante,  não 
podendo esta mistura ocorrer em momento anterior, misturando­se as partes dos kits ainda na 
sede da RECOFARMA para vender o produto já homogeneizado, como um só, sob pena de o 

Fl. 10374DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.365 

 
 

 
 

21

produto  sofrer  alterações  físico­químicas  indesejadas,  alterando­se  suas  características  e 
impossibilitando a obtenção do produto final ­ o refrigerante.  

Esta constatação não é contestada pela fiscalização, ao contrário, é afirmada, 
como  se  pode  ver  do  TVF  especialmente  em  fls.  28­32,  no  sentido  de  que  estas  partes  são 
separadas e compõem o kit,  já que cada uma  terá uma aplicação em proporções  fixas, sendo 
misturadas e diluídas de acordo com especificação técnica do fabricante do refrigerante. Assim, 
estes kits (considerando­se suas partes) consistem em produtos intermediários de um processo 
produtivo  em  que  apenas  em  etapa  posterior  da  produção,  já  na  fábrica  da  Recorrente, 
adicionando­se outros produtos químicos, como água e massa de açúcar, é que se alcançará o 
produto concentrado (xarope composto). 

As  constatações  do  laudo  do  INT  não  responde,  especificamente,  qual  a 
classificação  fiscal  do  "kit  de  concentrado",  nem  mesmo  se  é  concentrado.  Sua  conclusão 
corrobora  a  conclusão  do  laboratório  Falcão  Bauer.  Convém  salientar,  por  oportuno,  que  o 
laudo do INT, ao responder um dos quesitos, afirmou que (fls. 10.274­10.275) "tanto a parte A 
como a parte B são preparações compostas, ou seja, preparações formadas com mais de um 
componente.  Quimicamente,  existem  preparações  simples  e  compostas.Uma  preparação 
simples é um único composto diluído em solução. Já a preparação composta é  formada por 
mais  de  um  componente  em  solução.  Portanto,  a  parte  A  e  B  são  preparações  líquidas 
constituídas de mais de um componente formando uma preparação composta.(...)". 

Ademais, em nenhum momento a fiscalização afirma que as partes do "kit de 
concentrado" podem ser vendidos misturados, ou que podem ser desobedecidas as proporções 
de mistura e de cada item do kit no preparo do refrigerante, ou mesmo que as partes podem ser 
vendidas  separadamente  porque  podem  ter  outras  funções  mercadológicas.  Frise­se,  em 
momento algum há esta afirmação, mas apenas que cada parte do kit é um produto único e com 
função e característica específica para o preparo da bebida, sendo vendido em kit por questões 
mercadológicas.  

Ainda,  o  laudo  do  INT,  em  outra  passagem,  afirma  que  "o  produto  sob 
análise ainda que denominado comercialmente de "concentrado", não é um preparado líquido 
ou  concentrado  líquido,  destinado  à  comercialização  direta  ao  consumidor  final  ou  a 
restaurantes, pois conforme observado durante as visitas técnicas essa preparação constituída 
de  parte  A  e  parte  B  saem  em  seus  respectivos  IBCs  (...)  da  Recofarma  Manaus  para  as 
fábricas  da Coca­Cola  onde  entrarão  como matéria  prima  principal  no  processo  produtivo 
junto  com a massa de açúcar,  água de processo  e CO²,  seguindo as  etapas da  receita para 
obtenção  do  produto  final,  Coca­Cola,  que  será  destinado  à  comercialização  para  o 
consumidor final". (fl. 10.272) 

Em síntese, o  laudo do  INT não  infirma e nem contradiz o  laudo elaborado 
pelo  laboratório  Falcão  Bauer  ou  da  acusação  fiscal  de  que  estas  partes  do  kit  não  são  um 
concentrado.  Ao  contrário,  corrobora  o  entendimento  de  cada  parte  que  forma  o  kit  é  um 
preparado composto alimentício para o preparo de bebidas não alcoólicas. 

Portanto, a classificação fiscal a ser adotada é a NCM 2106.90.10, como uma 
“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, cuja alíquota do IPI é zero , da qual 
estou  de  acordo.  Sendo  assim,  por  ser  alíquota  zero,  não  é  possível  calcular  crédito  sobre o 
valor das operações de aquisição destes insumos. 

2.2. Da modificação do critério jurídico 

Fl. 10375DF  CARF  MF



 

  22

Ainda,  afirma  a  Recorrente  que  a  alteração  da  classificação  fiscal  dos  kit 
concentrado neste  auto  de  infração  representa  alteração de critério  jurídico,  não podendo  ser 
levada  a  efeito  pela  fiscalização  para  os  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  data  em  que  o 
critério jurídico foi modificado. 

Segundo a Recorrente (fls. 10.112­10.114) durante todos anos em que sofreu 
fiscalização,  nunca  teve  a  classificação  fiscal  objetada  pelo  Fisco.  Esta  aceitação  passiva  da 
classificação fiscal adotada por anos, representa sua aceitação. A revisão da classificação fiscal 
só  foi  realizada  em  setembro  de  2016,  nos  autos  do  processo  administrativo 
14090.720284/2016­72, no qual em outro auto de infração se afirmou que a classificação fiscal 
na posição 21.06.90.10 Ex. 01 para os kits concentrados estava incorreta. Portanto, na pior das 
hipóteses,  diz  a  Recorrente,  somente  para  os  fatos  geradores  que  viessem  a  ocorrer  a  partir 
desta mudança de critério  jurídico  (27.09.2016)  é que esta mudança na  classificação poderia 
ser aplicada, por hipótese. Assim afirmou a Recorrente: 

5.4.6. Ora, no lançamento tributário, a atividade da autoridade 
administrativa é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, e, ao 
fiscalizar um contribuinte e examinar a sua escrita fiscal de IPI, 
a  AUTORIDADE  tem  o  dever  de  examinar  todos  os  aspectos 
legais  formadores  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  de 
IPI, a saber: o direito ao crédito de IPI, a classificação fiscal do 
produto adquirido, sua respectiva alíquota etc. 

(...)5.4.9. Ora, a questão da natureza do produto e sua respectiva 
classificação fiscal é nova e diversa das demais questões ! ! 

Neste ponto,  também não assiste  razão a Recorrente. Nas  citadas autuações 
não houve análise da  classificação  fiscal  dos produtos  e a  glosa dos  créditos presumidos  foi 
realizada  por motivo  distinto  do  consignado  na  presente  autuação,  qual  seja,  a  ausência  de 
aquisição sob o  regime de  isenção prevista no art. 237 e 95,  III, do RIPI/2010 para matéria­
prima agrícola e extrativa vegetal produzida na Amazônia Ocidental. 

Para  a  aplicação  do  art.  146  do  CTN,  como  instrumento  de  proteção  do 
contribuinte,  em homenagem  à  boa­fé  e  segurança  jurídica,  é  preciso  que  tenha havido  uma 
manifestação  expressa  da  administração  tributária  acerca  da  interpretação  dada  à  aplicação 
jurídica  sobre  determinada  situação  regida  por  legislação  tributária.  Trata­se  da  qualificação 
jurídica dada pelo intérprete que, ao rever sua posição, altera o critério jurídico. Esta mudança 
só pode ter aplicação para os fatos geradores praticados após a alteração do critério, verbis: 

CTN.  Art.  146.  A  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em 
consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios 
jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício 
do  lançamento  somente  pode  ser  efetivada,  em  relação  a  um 
mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato  gerador  ocorrido 
posteriormente à sua introdução. 

Verifica­se dos  autos  e  da outra  autuação  juntada pela Recorrente,  que não 
houve  uma manifestação  da  fiscalização  acerca  da  aplicação  de  uma dada NCM  sobre  estas 
operações,  não  havendo  que  se  falar,  portanto,  em  alteração  do  critério  jurídico.  Este 
entendimento  também  é manifestado  por  Luís  Eduardo  Schoueri1  quando  leciona  que  se  em 
lançamentos  anteriores  a  autoridade  administrativa  adotou  determinada  interpretação  da  lei 
tributária,  pode  o  contribuinte,  (...),  seguir  o  mesmo  entendimento,  até  que  ele  seja  informado 
diretamente  ou  por  meio  de  ato  administrativo  público,  de  que  diverso  será  o  entendimento  da 
fiscalização. 
                                                           
1 SCHOUERI, Luís Eduardo. 6ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p.  

Fl. 10376DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.366 

 
 

 
 

23

Neste  sentido,  para  que  houvesse  modificação  de  critério  jurídico,  seria 
necessário  que  em  lançamentos  anteriores  a  autoridade  administrativa  tivesse  adotado 
determinada  interpretação da  lei  tributária,  adotando, por exemplo, determinada classificação 
fiscal para a identificação da alíquota de IPI aplicável ao produto industrializado. Com isso, em 
uma a adoção posterior de outra classificação fiscal, reavaliando­se o produto para fins de nova 
interpretação acerca de sua classificação jurídica, não haveria dúvida de que se está diante de 
uma mudança de interpretação jurídica sobre o mesmo fato que antes se dava outro tratamento 
jurídico. 

Leandro Paulsen2, comentando este artigo do CTN, assevera: 

O  art.  146  do  CTN  positiva,  em  nível  infraconstitucional,  a 
necessidade  de  proteção  da  confiança  do  contribuinte  na 
Administração  Tributária,  abarcando,  de  um  lado,  a 
impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos 
que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz 
de  critérios  anteriormente  adotados  e,  de  outro,  a 
irretroatividade  de  atos  administrativos  normativos  quando  o 
contribuinte confiou nas normas anteriores. 

Não houve, ao menos não consta dos autos, uma análise destes produtos para 
fins de determinação, pelo Fisco, de sua classificação fiscal no sentido adotado pela Recofarma 
ou  pela  Recorrente  para,  agora,  nesta  nova  autuação,  a  fiscalização  pretendesse  alterar  o 
critério jurídico.  

Ressalte­se  que  a  administração  tributária,  desde  2010,  já  analisou  estes 
produtos  e  concluiu  por  uma  determinada  classificação  fiscal.  Assim,  ao  contrário  do  que 
afirma a Recorrente, há uma solução de consulta afirmando a classificação fiscal 2106.90.10, 
tal qual dada pela fiscalização nestes autos. Trata­se da Solução de Consulta SRRF02/Diana nº 
5/2010,  de  20/05/2010,  ratificada  pela  Informação Coana/Ceclam  nº  8/2015,  de  12/03/2015, 
onde  classificou­se  da  seguinte  maneira  os  componentes  de  kit  para  preparação  de  bebida 
refrigerante sabor laranja: 

a) NCM 2106.90.10 ­ Preparação para aromatização de bebida 
refrigerante,  com  sabor  laranja,  constituída  de  água  potável 
(70%), gomas naturais de laranja (20,44%), aromatizante sabor 
laranja  (5,8%),  corantes,  ácido  cítrico  anidro  e  conservantes, 
em embalagem de 50kg; 

b)  NCM  2916.31.21  ­  Benzoato  de  sódio,  em  embalagem  de 
15kg, e; 

c)  NCM  2918.14.00  ­  Ácido  cítrico  anidro,  em  embalagem  de 
67kg. Além de suas embalagens individuais, os componentes do 
kit também se encontram acondicionados conjuntamente em uma 
segunda embalagem, formando um único volume. 

Dispositivos Legais: 1ª RGI/SH (texto das posições 2106, 2916 e 
2918 e texto da nota 5­C, do capítulo 29), 6ª RGI/SH (texto das 
subposições  2106.90,  2916.31  e  2918.14)  e  1ª  Regra  Geral 
Complementar  (texto  do  item  2916.31.2  e  dos  subitens 

                                                           
2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 
15ª Edição.  Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 1.049 

Fl. 10377DF  CARF  MF



 

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2106.90.10  e  2916.31.21),  da  Tarifa  Externa  Comum,  do 
Mercosul,  aprovada  pela Resolução Camex  nº  43/2006,  e  suas 
alterações,  e  com  subsídios  das Notas  Explicativas  do  Sistema 
(grifei) 

Pelas mesmas razões, rejeita­se o argumento de ao menos reconhecer prática 
reiterada  da  Administração  Tributária  e,  nessa  qualidade,  norma  complementar  à  legislação 
tributária  (art.  100,  III,  do  CTN),  cuja  observância  implicaria,  na  pior  das  hipóteses,  o 
afastamento  da multa,  dos  juros  e  da  correção monetária  exigidos  para  reclassificação  fiscal 
para o código para o qual é atribuído alíquota zero do IPI.  

Também  não  assiste  razão  os  argumentos  acerca  da  competência  da 
SUFRAMA  para  definir  a  classificação  fiscal  dos  produtos  objeto  de  projetos  industriais 
aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais. 

Isso  porque  é  atribuição  da  Receita  Federal  do  Brasil  o  desenvolvimento 
desta  tarefa,  nos  termos  do  art.  30  do Decreto  nº  70.235/1972.  Ademais,  o  Fisco,  no  TVF, 
consignou que a SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos 
em questão,  tendo  a  classificação  fiscal  sido  colocada  no  projeto  e  avaliação  técnica  trazida 
pela  própria  RECOFARMA  para  aprovação  do  projeto  e  obtenção  da  sua  aprovação  pela 
SUFRAMA. 

Compete  à  SUFRAMA  a  fiscalização  do  atendimento  aos  requisitos  para 
gozo da isenção, mas o atendimento da legislação tributária, incluindo­se classificação fiscal e 
a alíquota utilizada pelos adquirentes para cálculo dos créditos, é tema de fiscalização da RFB. 

No  mais,  diversas  normas  da  NESH  (Notas  Explicativas  do  Sistema 
Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias)  indicam que os  componentes 
de kits para fabricação de bebidas não se caracterizam como uma mercadoria única, conforme 
se  extrai,  em  especial,  do  item  XI  da  Nota  Explicativa  da  RGI  3  b),  que  exclui  os  bens 
destinados  à  fabricação  de  bebidas  do  campo  de  aplicação  da  RGI  3  b)  do  Sistema 
Harmonizado: 

XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas 
por  diferentes  componentes  acondicionados  separadamente  e 
apresentados  em  conjunto  (mesmo  em  embalagem  comum),  em 
proporções  fixas,  para  a  fabricação  industrial  de  bebidas,  por 
exemplo. 

Conforme  bem  destacado  no  TVF,  este  dispositivo  foi  incluído  na  NESH 
após  análise  efetuada  pelo  Conselho  de  Cooperação  Aduaneira  (CCA)  nos  anos  de  1985  e 
1986, em resposta a consultas recebidas de países­membros da organização internacional sobre 
a classificação de produtos com as mesmas características dos kits para fabricação de bebidas 
produzidos  no  Brasil.  O  texto  da  análise  do  CCA  equivale  a  uma  detalhada  exposição  de 
motivos para o item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), deixando claro que a criação dessa 
Nota  teve  por  objetivo  determinar  que  os  componentes  dos  kits  para  fabricação  de  bebidas 
devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. 

2.2. Da verificação da regularidade das notas fiscais 

Também não assiste  razão a Recorrente ao afirmar que não  tem o dever de 
verificar a classificação fiscal dada pelo fornecedor sobre os produtos adquiridos. 

Argumenta  a  Recorrente  que  o  art.  62  da  Lei  nº  4.502/1964  estabelece  o 
dever  do  adquirente  de  verificar  se  os  produtos  adquiridos  para  utilização  em  sua  produção 

Fl. 10378DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.367 

 
 

 
 

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apresentam correção nas notas fiscais, se este documento atende as prescrições da legislação, 
mas que não exige que se examine a classificação fiscal dos produtos dada pelo fornecedor 

Art  .  62.  Os  fabricantes,  comerciantes  e  depositários  que 
receberem  ou  adquirirem  para  industrialização,  comércio  ou 
depósito,  ou  para  emprêgo  ou  utilização  nos  respectivos 
estabelecimentos,  produtos  tributados  ou  isentos,  deverão 
examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados 
ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem 
como  se  estão  acompanhados  dos  documentos  exigidos  e  se 
êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. 

§  1º  Verificada  qualquer  falta,  os  interessados,  a  fim  de  se 
eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição 
competente,  dentro de oito dias do  recebimento do produto,  ou 
antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo 
menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o  fato ao remetente 
da mercadoria. (grifei) 

É certo que os  regulamentos do IPI anteriores, ao regulamentar o art. 62 do 
da  Lei  4.502/1964,  traziam  consigo  um  a  disposição  expressa  de  que  a  verificação  das 
prescrições legais das notas fiscais incluíam a classificação fiscal, porém, na atual redação do 
dispositivo dada pelo RIPI/2010, tal especificação foi retirada do texto, passando a ter a mesma 
redação do art. 62 do dispositivo retro­citado. 

No  entanto,  entendo  que  a  classificação  fiscal  está  incluída  na  redação  do 
texto vigente ao dizer que é dever do adquirente verificar se os documentos fiscais satisfazem 
todas as prescrições legais e regulamentares. A interpretação deste dispositivo, a meu ver, não 
deve se restringir apenas aos aspectos formais do documento fiscal, mas também a análise de 
seu  conteúdo  ideológico,  tais  como  descrição  do  produto,  valor,  peso  e  classificação  fiscal, 
devendo comunicar ao Fisco e ao fornecedor qualquer incorreção. 

Isso  porque  o  IPI  é  um  tributo  não  cumulativo,  cujo  regime  adotado  pela 
Constituição é o do método subtrativo indireto ­ imposto sobre imposto, sendo o montante de 
crédito um valor correspondente ao montante de tributo que incidiu na operação anterior para 
deduzir do imposto devido na etapa seguinte.  

Melhor  explicando,  quando  da  implementação  de  um  imposto  sobre  o 
consumo com incidência não cumulativa, pretendendo­se aplicar uma tributação sobre o valor 
acrescido,  a  Constituição  elegeu  o  método  da  subtração  conhecido  como  "imposto  sobre 
imposto" (tax on tax). Por este método, a não cumulatividade é implementada por sistema de 
débitos e créditos, tendo­se por consideração o montante de imposto que incidiu nas entradas 
dos produtos para abater com o montante de imposto que  incide nas  saídas dos produtos daí 
resultante, tudo com o objetivo de se tributar apenas o saldo para onerar o valor acrescido da 
operação. 

Com isso, caso não tenha havido incidência do imposto na operação anterior, 
não  haverá  um  crédito  a  compensar  com o  débito  futuro.  Pelo método de  apuração  imposto 
sobre imposto, é da própria natureza da metodologia de apuração a falta de geração de crédito 
para a  fase posterior da cadeia produtiva quando na fase anterior não há não  incidência  (seja 

Fl. 10379DF  CARF  MF



 

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por isenção, alíquota zero ou não incidência pura e simples), ocorrendo o denominado “efeito 
de recuperação” 3 

À  não  cumulatividade  do  IPI,  por  esta  metodologia  de  crédito  à  razão  do 
imposto  que  incidiu  na  etapa  anterior,  reconhece­se  a  translação  jurídica4  do  encargo 
econômico do tributo. Assim, juridicamente, o montante de crédito do industrial corresponderá 
ao montante de imposto que incidiu nas aquisições de matéria­prima, produtos intermediários e 
material  de  embalagem. Desta  feita,  qualquer  incorreção  no  valor  da  base  de  cálculo  ou  da 
aplicação  da  alíquota  decorrente  de  uma  má  aplicação  da  classificação  fiscal  afetará, 
inevitavelmente, o montante de crédito a ser escriturado pelo adquirente. 

Esta necessidade de verificação da classificação fiscal pelo adquirente é mais 
perceptível  nos  casos  em  que  há  permissão  de  geração  de  crédito  presumido  de  IPI  nas 
aquisições de produtos  isentos ou sujeitos à alíquota zero, calculando­se um crédito como se 
fosse devido um imposto. Isso porque, nas operações normais, com o destaque do imposto na 
nota  fiscal,  o  adquirente  do  produto  é  onerado  pelo  valor  do  imposto  e,  juridicamente,  este 
encargo  econômico  é  transferido  e  pode  ser  escriturado  como  crédito  para  fins  de  não 
cumulatividade.  Entretanto,  nos  casos  em  que  não  há  incidência  na  etapa  anterior,  seja  por 
isenção, seja por alíquota zero, a escrituração do crédito do imposto, quando permitido, não se 
dá pela translação do encargo econômico, mas sim em razão de um crédito presumido. 

No caso de produtos adquiridos da ZFM, tais produtos são isentos em razão 
do critério territorial da hipótese de incidência. Caso a classificação fiscal do produto isento em 
razão do local  tenha uma alíquota maior que zero, e seja autorizada a escrituração de crédito 
mesmo havendo a  isenção, o crédito é calculado pela aplicação da alíquota correspondente à 
classificação  fiscal,  como  se  devido  fosse.  Daí  a  necessidade,  a  meu  ver,  de  o  fornecedor 
verificar  a  correção  da  classificação  fiscal  dada  por  seu  fornecedor  em  qualquer  caso,  ainda 
mais em hipótese de não incidência, já que o crédito gerado será presumido e não decorrente da 
incidência do  imposto na etapa anterior,  como ocorre diante da natureza do método  imposto 
sobre imposto da não cumulatividade (translação jurídica do encargo econômico). 

Neste  sentido,  deve  ser  glosado  o  crédito  presumido  escriturado,  inclusive, 
com exigência da multa prevista no art. 80 da Lei 4.502/1964, conforme aplicação dada pelo 
auto de infração. 

3. QUANTO AOS JUROS E MULTA 

Quanto à aplicação dos  juros  sobre a multa de ofício,  já é de entendimento 
deste E. CARF sobre a possibilidade de aplicação dos juros sobre a multa, tendo­se em vista o 
que dispões os artigos 113, § 1º, 139 e 161, todos do CTN, entendendo­se que há incidência de 
juros de mora sobre o crédito tributário, o qual pode ser composto tanto de imposto quanto de 
penalidade pecuniária, pois ambas as prestações pecuniárias referidas são objeto da obrigação 
tributária principal. 

Outrossim, este entendimento esta matéria se encontra sumulado: 

Súmula CARF nº 108 

                                                           
3 TORRES, Ricardo Lobo. O Princípio da não­cumulatividade e o  IVA no Direito Comparado.  In: MARTINS, 
Ives Gandra  da  Silva  (coord.). O  Princípio  da Não­Cumulatividade. Nova  Série  nº  10.  São  Paulo: Revista  dos 
Tribunais, 2004. p. 152. 
4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 6ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 

Fl. 10380DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.368 

 
 

 
 

27

Incidem  juros  moratórios,  calculados  à  taxa  referencial  do 
Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC,  sobre  o 
valor correspondente à multa de ofício. 

CONCLUSÃO 

Isto  posto,  conheço  em  parte  do  recurso  voluntário  para  não  analisar  a 
possibilidade  de  geração  de  créditos,  pois  protegida  pela  coisa  julgada,  porém,  na  parte 
conhecida, nego provimento diante da impossibilidade da geração de crédito presumido de IPI 
na  medida  em  que  os  "kits  de  concentrado"  classificam­se  na  NCM  2106.90.10,  sujeitos  à 
alíquota zero de IPI. 

SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR ­ Relator 

 

 

           

 

           

 

 

Fl. 10381DF  CARF  MF


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Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013
COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ACERCA DA MATÉRIA SOLIDIFICADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO
A existência de coisa julgada permitindo o crédito de IPI na aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus impede a análise do crédito presumido na instância administrativa.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE.
A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito.
COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DADA PELO FORNECEDOR DOS PRODUTOS. NECESSIDADE DE CONFERÊNCIA PELO ADQUIRENTE.
Em razão da não cumulatividade do IPI e de sua sistemática imposto sobre imposto, o adquirente de produtos industrializados deve conferir se a nota fiscal atende todas as prescrições legais e regulamentares, conforme art. 62 da Lei nº 4.502/1964, aí se incluindo a classificação fiscal.

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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior

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S3­C3T1 

Fl. 10.355 

 
 

 
 

1

10.354 

S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  14090.720754/2017­89 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  3301­005.546  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  28 de novembro de 2018 

Matéria  IPI ­ Imposto sobre Produtos Industrializados 

Recorrente  NORSA REFRIGERANTES S.A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI 

Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2013 

COISA JULGADA.  IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM INSTÂNCIA 
ADMINISTRATIVA  ACERCA  DA  MATÉRIA  SOLIDIFICADA. 
PREJUDICIAL AO MÉRITO 

A  existência  de  coisa  julgada  permitindo  o  crédito  de  IPI  na  aquisição  de 
produtos  isentos  oriundos  da  Zona  Franca  de Manaus  impede  a  análise  do 
crédito presumido na instância administrativa. 

CRÉDITO  PRESUMIDO.  PRODUTOS  ADQUIRIDOS  COM  ERRO  DE 
CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  E  ALÍQUOTA.  GLOSA  DOS  VALORES 
INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. 

A apropriação de créditos  incentivados ou  fictos,  calculados  sobre produtos 
isentos  adquiridos  de  estabelecimentos  localizados  na  ZFM,  somente  é 
admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido 
para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, 
cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos 
à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. 

COMPETÊNCIA.  RECEITA  FEDERAL.  FISCALIZAÇÃO.  ZONA 
FRANCA DE MANAUS. 

É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos 
apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à 
verificação  se  os  produtos  adquiridos  com  isenção  estão  devidamente 
classificados  na  posição NCM da TIPI,  não  afastando  esta  competência  da 
RFB  a  circunstância  de  o  projeto  de  produção  ter  sido  aprovado  pela 
SUFRAMA. 

MUDANÇA  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  NULIDADE  DO  AUTO  DE 
INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. 

  

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14
09

0.
72

07
54

/2
01

7-
89

Fl. 10355DF  CARF  MF




 

  2

Para que  se  caracterize  como mudança  de  critério  jurídico,  é preciso  que  a 
Administração  Tributária  tenha  analisado  um  fato  e  o  qualificado 
juridicamente.  Não  representa  mudança  de  critério  de  jurídico  o  auto  de 
infração, cujo  lançamento decorreu da glosa de créditos  incentivados/fictos, 
por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve 
manifestação  anterior  da  Administração  neste  sentido  nem  mesmo  um 
lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação 
fiscal do produto. 

CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DADA  PELO  FORNECEDOR  DOS 
PRODUTOS. NECESSIDADE DE CONFERÊNCIA PELO ADQUIRENTE. 

Em razão da não cumulatividade do  IPI  e de sua  sistemática  imposto  sobre 
imposto,  o  adquirente  de  produtos  industrializados  deve  conferir  se  a  nota 
fiscal atende todas as prescrições legais e regulamentares, conforme art. 62 da 
Lei nº 4.502/1964, aí se incluindo a classificação fiscal. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer 
em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatorio e 
votos que integram o presente julgado. 

WINDERLEY MORAIS PEREIRA ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR ­ Relator. 

(assinado digitalmente) 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais 
Pereira  (presidente  da  turma),  Valcir  Gassen  (vice­presidente),  Marcos  Roberto  da  Silva 
(Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis 
de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior 

Relatório 

Trata­se  de  auto  de  infração  (fls.  02­15)  lavrado  em  15/09/2017  para 
constituição de  crédito  tributário de  IPI na monta de 63.270.378,60  (sessenta  e  três milhões, 
duzentos e setenta mil, trezentos e setenta e oito reais e sessenta centavos) para o período que 
compreende  o  04º  trimestre  de  2012  até  04º  trimestre  de  2013. A  acusação  fiscal  reside  na 
utilização  de  crédito  indevido,  sob  a  rubrica  "outros  créditos",  decorrentes  da  aquisição  de 
insumos  (kits  de  concentrados)  da  RECOFARMA  INDÚSTRIA  DO  AMAZONAS  LTDA, 
CNPJ nº 61.454.939/0001­06, para a fabricação de refrigerantes. 

As verificações acerca da correta apuração do IPI devido, objeto deste Auto 
de  Infração,  foram  realizadas  quando  da  análise  de  05  Pedidos  de  Ressarcimento 
(PERDCOMP)  referentes  aos  Períodos  de  Apuração  (PA)  4º  Trimestre/2012  a  4º 
Trimestre/2013,  apresentando  também pedidos de  compensação DCOMP para utilização dos 
supostos créditos referentes ao Ressarcimento de IPI para quitação de débitos tributários junto 
à Fazenda Nacional. 

Fl. 10356DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.356 

 
 

 
 

3

 

 

Depreende­se  do  relatório  fiscal  de  fls.  16­42  que  a  análise  dos  créditos 
pleiteados no PER foram confrontados e confirmados com a Escrituração Fiscal Digital – EFD­
IPI  do  contribuinte,  onde  se  verificou  que  a  maior  parte  dos  créditos  do  IPI  escriturados  é 
oriunda  de  insumos  destinados  à  fabricação  de  bebidas  (refrigerantes,  especialmente) 
adquiridos  de  RECOFARMA  INDÚSTRIA  DO  AMAZONAS  LTDA  (doravante 
RECOFARMA), CNPJ 61.454.393/0001­06, empresa situada na Zona Franca de Manaus. 

Consta ainda deste  relatório que se  tomou prova emprestada do processo nº 
10010.038171/0616­91  quanto  às  informações  detalhadas  do  processo  produtivo  do 
contribuinte, quanto à auditoria  in loco no estabelecimento do sujeito passivo, bem como em 
relação às informações prestadas pelo seu principal fornecedor de matérias­primas, a empresa 
RECOFARMA. 

Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  autuação  fundamenta­se  em  duas  partes 
distintas e  independentes, a PARTE I, correspondente aos créditos incentivados indevidos do 
IPI  oriundos  de  produtos  não  elaborados  com  matérias­primas  extrativas  vegetais  de 
produção  regional  e  a  PARTE  II,  correspondente  aos  créditos  incentivados  do  IPI 
aproveitados indevidamente em função de erro de classificação fiscal e alíquota. 

Parte  I  ­  créditos  incentivados  indevidos  do  IPI  oriundos  de  produtos 
não elaborados com matérias­primas extrativas vegetais de produção regional 

A fiscalização afirmou que a maior parte dos créditos de IPI escriturados pela 
fiscalizada no período sob análise (4º trimestre/2012 a 4º trimestre/2013) é oriunda de insumos 
destinados  à  fabricação  de  refrigerantes,  descritos  na  NF  como  “concentrados”  ou  "kits  de 
concentrados" (NCM 2106.90.10), adquiridos da empresa RECOFARMA localizada na Zona 
Franca  de Manaus.  Os  produtos  são  comercializados  por  RECOFARMA  em  forma  de  kits 
constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada componente sai do estabelecimento 
industrial em embalagem individual. 

Fl. 10357DF  CARF  MF



 

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Todavia,  não  há  destaque  de  IPI  nas  notas  fiscais  de  saída  emitidas  pela 
RECOFARMA, pois entende­se que os produtos estariam isentos do imposto com base no art. 
81,  incisos  I e  II; e art. 95,  inciso III  (c/c art. 237) do RIPI/2010 – Regulamento do  Imposto 
sobre Produtos Industrializados, instituído pelo Decreto nº 7.212, de 15/06/2010. 

A autuada, ora Recorrente, escriturou crédito por estas aquisições isentas dos 
kits de concentrado, como se tributado fosse. A alíquota de IPI vigente à época dos fatos (4º 
Trim./2012 a 4º Trim./2013) para os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 era 
de 20% (Decreto nº 7.660, de 23/12/2011, alterado pelos Decreto nº 7.742, de 30/05/2012, e 
Decreto nº 8.017, de 17/05/2013). 

Estes  concentrados  adquiridos  de  fornecedores  localizados  na ZFM,  gozam 
da  isenção  prevista  no  art.  81,  II  do  RIPI/2010.  Em  razão  deste  dispositivo,  os  produtos 
industrializados na Zona Franca de Manaus, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo 
Conselho  de  Administração  da  Superintendência  da  Zona  Franca  de Manaus  ­  SUFRAMA, 
destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional, estarão isentos se 
produzidos  com  utilização  de  matérias­primas  da  fauna  e  flora  regionais,  em  conformidade 
com processo produtivo básico. 

Para este benefício fiscal, não há previsão legal permitindo o crédito de IPI, 
aplicando­se a alíquota correspondente na TIPI para a classificação fiscal do produto. Assim, 
não haveria possibilidade de crédito para estas aquisições. 

Intimada  para  justificar  a  razão  do  creditamento,  a  Recorrente  informou  a 
existência de coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.0047783­4 
que  assegurou  aos  associados  da  Associação  dos  Fabricantes  Brasileiros  de  Coca­Cola 
(AFBCC), da qual  a Recorrente  faz parte,  o direito  ao  crédito de  IPI  relativo  à  aquisição de 
insumos  isentos  oriundos  da  ZFM  (petição  inicial  do MSC  em  fls.  166­184)  e  também  em 
razão  do  o  entendimento  do  plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  exposto  no 
julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 212.484­RS, que asseguraria o mesmo direito. 

A fiscalização descartou a argumentação e entendeu que o crédito é indevido, 
isso  porque  o  RE  212.484­RS  citado  tem  aplicação  apenas  entre  as  partes  e  não  alcança  a 
Recorrente. Quanto ao Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.0047783­4, impetrado pela 
Associação  dos  Fabricantes  de  Coca­Cola  (AFBCC)  perante  a  Justiça  Federal  do  Rio  de 
Janeiro, a fiscalização também afastou os efeitos da coisa julgada no caso, porque, nos termos 
do que declarado pelo STF, em sessão Plenária realizada em 30/04/2014, em que se julgou o 
Agravo Regimental na Reclamação nº 7778, que por sua vez foi ajuizada em face do suposto 
descumprimento da decisão proferida naquele Mandado de Segurança Coletivo, o provimento 
judicial proferido naquela ação coletiva teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados 
no Rio de Janeiro, território do órgão prolator da decisão, nos termos do art. 2º­A da Lei 9.494, 
o que não alcança a autuada (domiciliada fora do RJ). 

Esta  Parte  I  do  relatório  fiscal  também  analisa  a  possibilidade  de  créditos 
decorrentes  do  art.  237  e  95,  III,  do  RIPI/2010.  Este  permissivo  legal  garante  o  direito  ao 
crédito pelas aquisições de produtos isentos, como se devido fosse, desde que sejam produtos 
elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive 
as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na Amazônia Ocidental, 
desde que os projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA 
e desde que o bem seja empregado pelo adquirente como matéria­prima, produto intermediário 
ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. 

Fl. 10358DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.357 

 
 

 
 

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A  fiscalização  entendeu  que  a  Recorrente  atendeu  todos  os  requisitos 
exigidos por este dispositivo legal, exceto a condição de ser matéria­prima agrícola e extrativa 
vegetal de produção regional. 

Intimada  a  prestar  esclarecimentos  sobre  se  utiliza matéra­prima  agrícola  e 
extrativa vegetal de produção regional para a produção dos kits, a Recorrente afirmou que estas 
aquisições se referiam ao açúcar utilizado na produção do caramelo e do ácido cítrico, álcool 
neutro, também proveniente da cana­de­açúcar e o extrato de guaraná, proveniente da semente 
do guaraná. Afirmou que toda a cana­de­acúcar e semente de guaraná utilizados são produzidas 
por Agropecuária Jayoro, localizada na Amazônia Ocidental. 

A  fiscalização  entendeu  que  nenhum  dos  três  itens  informados  pela 
RECOFARMA pode  ser  caracterizado  como matéria­prima  agrícola  e  extrativa  vegetal,  pois 
nenhum deles é resultado de processo de extração de um vegetal. Tratam­se, efetivamente, de 
produtos industrializados a oriundos da matéria­prima vegetal cana­de­açúcar (açúcar e álcool 
neutro) e da semente de guaraná (extrato de guaraná). 

Assim, levando­se em conta que a Lei determina, para o gozo da isenção (art. 
6º, caput, do DL 1435/72, base legal p/ isenção do art. 95, III, do RIPI/2010), que os produtos 
sejam  produzidos  com  MATÉRIA  PRIMA  agrícola  ou  extrativa,  e  não  com  PRODUTO 
INTERMEDIÁRIO, a fiscalização realizou a glosa dos créditos indevidamente escriturados no 
RAIPI. 

Afirmou a fiscalização que para esta isenção do art. 95 do RIPI/2010 e art. 6º 
do DL 1.435/1972, não é exigido o despacho da autoridade administrativa de que trata o art. 
179 do Código Tributário Nacional. O papel da SUFRAMA é aprovar os projetos para fruição 
do  benefício  fiscal,  no  entanto,  inexiste  na  legislação  qualquer  norma  que  limite  total  ou 
parcialmente o exercício da competência da RECEITA FEDERAL na fiscalização do benefício 
sob análise, pois, para usufruir do benefício, as empresas precisam atender a todos os requisitos 
previstos na legislação, e não só aquele constante do § 2º do art. 6º do DL nº 1.435/75. 

PARTE  II  –  Créditos  incentivados  do  IPI  aproveitados  indevidamente 
em função de erro de classificação fiscal e alíquota 

Como  acusação  independente  da  parte  I,  afirmou  que  houve  erro  na 
classificação  fiscal  do  produto  fornecido  pela RECOFARMA,  o  que  permite  a  glosa,  pois  a 
classificação correta tem uma alíquota igual a zero. Assim, não haveria crédito, já que o valor 
do IPI calculado sobre os produtos em questão, como se devido fosse, seria zero. 

A fiscalização realizou a coleta dos kits elaborados pela RECOFARMA, bem 
como  juntou  aos  autos  fotos  dos  kits  (fls.  302­313;  343­359)  e  pediu  a  elaboração  de  laudo 
pericial  pelo  Centro  Tecnológico  de  Controle  de  Qualidade  Falcão  Bauer.  Assim,  solicitou 
exame  laboratorial  para  que  os  Laudos  de  Análise  apresentassem  dados  técnicos  sobre  os 
produtos,  em  especial  a  identificação  dos  ingredientes  contidos  em  cada  parte  dos  kits.  Os 
resultados dos exames laboratoriais solicitados pela fiscalização constam de Laudos de Análise 
que foram anexados ao presente processo (fls. 64­101). 

Afirmou a  fiscalização que os  "kits  de concentrado" não é uma mercadoria 
única. Os kits (concentrados) para fabricação de refrigerantes são constituídos de dois ou mais 
componentes  (ou  partes),  sendo  que  cada  componente  está  acondicionado  em  embalagem 

Fl. 10359DF  CARF  MF



 

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individual (bombona, saco, garrafão, caixa ou contêiner), cujo conteúdo de cada parte pode ser 
líquido ou sólido. 

Esses componentes dos kits são misturados, operação de industrialização em 
que o engarrafador adiciona água e açúcar, adicionando cada parte do kit por vez. A preparação 
líquida,  então,  se  torna  um  xarope  composto  que  passa  por  tratamento  complementar, 
adicionando­se água e gás carbônico, resultando o refrigerante pronto para ser consumido. 

A  fiscalização  afirmou  que  as  empresas  tratam  os  kits  como  uma 
mercadoria única por uma decisão comercial, denominada de “concentrado”, aplicando a 
alíquota prevista para o Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, e não por uma imposição da 
realidade técnica e/ou mercadológica. Neste sentido, não haveria impedimento para que 
cada  componente de kits  para  fabricação de bebidas  fosse  fabricado  e  vendido por um 
estabelecimento  diferente,  nem  para  que  o  fornecedor  efetuasse  remessas  em  separado 
dos componentes dos kits,  e nem para que fosse especificado o preço cobrado por cada 
componente. 

A  fiscalização  questionou  a  classificação  fiscal  no  Ex  01  do  código 
2106.90.10, estabelecendo que para este enquadramento o produto deve satisfazer os seguintes 
requisitos: 

a) Que seja uma preparação composta. 

b) Que não seja alcoólica. 

c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado 

d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 

e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada 
parte do concentrado. 

No entendimento da fiscalização, tais preparações não atendem às condições 
citadas nas  letras “c” e “e”, acima. Nenhum componente dos kits,  isoladamente considerado, 
nem em conjunto como um kit, pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. 
Para que ficasse caracterizado um produto chamado de "concentrado", o conteúdo das diversas 
partes que compõem cada kit deveria  estar  reunido numa única parte,  tanto que as empresas 
criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam uma mercadoria única. 

Afirmou  que  não  se  pode  atribuir  capacidade  de  diluição  a  nenhum 
componente  dos  kits  para  fabricação  de  bebidas.  Se  o  conteúdo  de  qualquer  embalagem 
individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físico­químicas 
da bebida que se pretende comercializar. 

Afirmou que o laudo pericial, elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle 
de  Qualidade  Falcão  Bauer,  aos  responder  os  quesitos,  afirmou  que  as  partes  dos  kits 
concentrados  vendidos  pela  RECOFARMA  não  podem  ser  considerados  como  extrato 
concentrado ou sabor concentrado. 

A  fiscalização  ainda  afirmou  que  nenhuma  das  partes  que  compõe  os  kits 
adquiridos pela autuada, quando individualmente considerada, pode ser classificada na Ex 01 
do código 2106.90.10 da TIPI, já que o concentrado só surge quando o conteúdo das diversas 
partes que compõem cada kit é misturado, ou seja, por meio de um processo de industrialização 
(transformação) realizado depois da venda. 

Fl. 10360DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.358 

 
 

 
 

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Concluiu  também  pelo  não  atendimento  do  requisito  arrolado  no  item  “e", 
que  tenha  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  parte  do 
concentrado”, pois pela mera diluição do produtos não se alcança a bebida final. Por  isso, os 
produtos vendidos pela RECOFARMA não podem ser  considerados  "concentrados", pois,  se 
diluídos, não apresentam mais as mesmas características de identidade e qualidade da bebida, 
conforme § 4º do artigo 13 e artigo 30 da Lei nº 8.918/1994. 

Para a classificação fiscal, a autoridade fiscal assim concluiu: 

Em  procedimentos  fiscais  recentes,  constatou­se  que  os 
componentes  mais  importantes  dos  kits  para  fabricação  de 
bebidas  são  aqueles  que  contêm  extratos  e  ingredientes 
aromatizantes  específicos  para  a  bebida  a  ser  industrializada 
(por  exemplo,  componentes  que  contenham  extrato  de  cola  ou 
extrato  de  guaraná),  devendo  ser  classificados  no  código 
2106.9010  ,  como  uma  “  Preparação  do  tipo  utilizado  para 
elaboração de bebidas ”, cuja alíquota do IPI é zero . 

Essa  preparação,  porém, não  se  classifica  no Ex  01  do  código 
2106.90.10, pois, conforme já explicado, a embalagem individual 
não contém todos os ingredientes necessários para caracterizar 
um produto chamado de “concentrado”. 

No  caso  de  componentes  que  correspondam  a  uma mistura  de 
ingredientes  comumente  utilizados  em  diversos  produtos  da 
indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, 
deve  ser  aplicado  o  código  2106.90.90,  reservado  às 
“Preparações  alimentícias  não  especificadas  nem 
compreendidas  noutras  posições  ­  Outras  ­  Outras”,  também 
tributado à alíquota zero do IPI . (grifei) 

A partir das glosas de crédito realizadas pela fiscalização a apuração do IPI 
foi refeita, encontrando­se um saldo de IPI a pagar, culminando neste auto de infração. 

Intimada  do  auto  de  infração,  a  Recorrente  apresentou  impugnação  de  fls. 
9.670­9.740, argumentando pelo cancelamento do auto de infração conforme se resume abaixo: 

­ os concentrados adquiridos pela impugnante são beneficiados pela isenção 
do  art.  81,  II  do RIPI/2010,  com  base  legal  no  art.  9º  do DL  nº  288/1967.  Com  base  nesta 
isenção, por ser produto adquirido da ZFM, a contribuinte faz jus ao crédito presumido de IPI, 
calculando­se o crédito como se devido fosse, com base na coisa julgada formada no MSC nº 
91.0047783­5, bem como no RE nº 212.484 julgado pelo STF; 

­  caso  assim  não  se  entenda,  os  produtos  adquiridos  pela  autuada  podem 
também ser enquadrados  em outra  isenção, prevista no  art.  95,  III  do RIPI/2010, permissivo 
legal do art. 6º do DL 1.435/1975, que concede isenção para matéria­prima agrícola e extrativa 
vegetal  adquirida  de  produtor  situado  Amazônia  Ocidental  e  a  possibilidade  de  crédito 
presumido de IPI para estas aquisições decorre da própria disposição do art. 239 do RIPI/2010, 
não necessitando da coisa julgada. 

­  explica  a  atual  situação  da  coisa  julgada,  em  que  por  um momento  havia 
uma  reclamação  no  STF  limitando  a  abrangência  da  decisão  para  os  limites  territoriais  do 
órgão  julgador  com  base  no  art.  2º­A  da  Lei  9.497/1997  (TRF  da  2ª  Região),  mas  que  em 

Fl. 10361DF  CARF  MF



 

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23/02/2017 transitou em julgado nova decisão do STJ, proferida nos autos do próprio MSC nº 
91.0047783­4, reconhecendo que a coisa julgada é aplicável a todos os associados da AFBCC, 
independentemente do Estado em que estão localizados; 

­ explica que o STF também julgou extinta a Reclamação nº 7.778 por perda 
superveniente de objeto; 

­  afirma  que  mesmo  que  não  se  aceite  a  coisa  julgada,  os  produtos  que 
adquire são considerados matéria­prima agrícola e extrativa vegetal produzidos na Amazônia 
Ocidental,  gozando  da  isenção  do  art.  95,  III  do  RIPI/2010  na  qual  a  própria  legislação 
assegura a possibilidade de escrituração do crédito; 

­ quanto à alíquota utilizada para fins de apuração do seu crédito presumido e 
acusação de erro na classificação fiscal, em razão de que tais concentrados adquiridos deveriam 
ser classificados por suas partes, a contribuinte argumenta que a autoridade fiscal não indicou 
os  componentes  do  concentrado  que  deveriam  ser  classificados  separadamente  e  em  quais 
posições da TIPI, o que, por si só, gera nulidade do auto de infração neste ponto; 

­ afirma ainda que a impugnante é terceiro, adquirente dos concentrados para 
refrigerantes.  A  classificação  fiscal  dos  produtos  adquiridos  é  realizada  pela  fornecedora, 
RECOFARMA, não podendo este suposto erro ser imputado à impugnante; 

­ cita o art. 62 da Lei 4.502/1964 que determina que o adquirente verifique se 
os documentos fiscais dos produtos adquiridos atendem as prescrições legais e regulamentares, 
não  se  incluindo  nestas  obrigações  a  verificação  da  classificação  fiscal  adotada  pelo 
fornecedor, nem mesmo pelo art. 327 do RIPI/2010. Como a classificação fiscal foi feita pela 
fornecedora,  a  impugnante  agiu  lícita  e  corretamente  ao  adotar  tal  classificação  fiscal  para 
cálculo do crédito de IPI; 

­  em  relação  aos  concentrados  para  refrigerante,  a  apuração  do  crédito  é 
simples  cálculo  aritmético,  calculando­se  o  crédito  de  IPI  segundo  a  alíquota  decorrente  da 
classificação fiscal feita pelo fornecedor do insumo, na época, de 20%; 

­  a  alteração  da  classificação  fiscal  também  não  pode  ser  realizada  pela 
fiscalização por representar alteração de critério jurídico, violando o disposto no art. 146, CTN. 
Isso porque, em verificações fiscais anteriores, não houve qualquer questionamento relativo à 
classificação  fiscal  do  concentrado  para  refrigerantes  e  a  Recorrente  sempre  aproveitou  os 
créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes da posição 
21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; 

­  afirma que  no  processo  administrativo  10183.721209/2013­96,  em que  se 
discutiu  outro  auto  de  infração  lavrado  em  15/03/2013  em  face  da  impugnante,  a  glosa  do 
crédito foi levada a efeito apenas em razão do entendimento de que os produtos adquiridos não 
eram produtos agrícolas e extrativa vegetal do art. 6º do DL 1.435/1975, sem nada mencionar 
acerca da classificação; 

­ no procedimento de lançamento, nos termos do art. 142, CTN, a autoridade 
tem  o  dever  de  examinar  todos  os  aspectos  legais  formadores  do  fato  gerador  da  obrigação 
tributária, inclusive a classificação fiscal; 

­  a  revisão  da  classificação  fiscal  só  foi  realizada  em  setembro  de  2016, 
processo  administrativo  14090.720284/2016­72,  em  outro  auto  de  infração,  onde  se  afirmou 
que  a  classificação  fiscal  na  posição  21.06.90.10  Ex.  01  para  os  kits  concentrados  estava 
incorreta.  Portanto,  somente  para  os  fatos  geradores  que  viessem  a  ocorrer  a  partir  desta 

Fl. 10362DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.359 

 
 

 
 

9

mudança  de  critério  jurídico  (27.09.2016)  é  que  esta  mudança  na  classificação  poderia  ser 
aplicada, por hipótese; 

­  na  pior  das  hipóteses,  afirma  que  este  novo  critério  jurídico  deve  ser 
aplicados apenas  a partir de 22/12/2014, data em que  a RECOFARMA foi notificada de um 
auto de infração, onde se exigiu multa por erro na classificação fiscal do kit concentrado; 

­  ainda  que  não  sejam  aceitos  estes  argumentos,  defende  a  competência  da 
SUFRAMA  para  definir  a  classificação  fiscal  dos  produtos  objeto  de  projetos  industriais 
aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais; 

­  a  SUFRAMA  tem  competência  para  aprovar  os  projetos  industriais  para 
fruição dos benefícios previstos no  art.  9º  do DL n° 288/67 e no  art.  6º  do DL n° 1.435/75, 
conforme  se  verifica  dos  dispositivos  a  seguir  do  Decreto  n°  7.139/2010,  Anexo  I.  E,  para 
aprovar o projeto industrial, a SUFRAMA define o respectivo PPB do produto incentivado; eis 
os arts. 13, 15 e 23 da Resolução do CAS n° 202/2006; 

­ ao definir o PPB do produto incentivado, para fins de fruição de benefícios 
fiscais,  é  necessário  que  a  SUFRAMA  identifique  qual  é  a  classificação  fiscal  do  produto 
incentivado,  porque,  para  fins  de  IPI,  definir  o  produto  é  efetuar  sua  classificação  fiscal. 
Portanto,  é  inerente  à  sua  competência  para  aprovação  do  PPB  a  definição  da  classificação 
fiscal do referido produto beneficiado; 

­  afirmou que o STJ  já  decidiu  que  a RFB não  tem  competência  exclusiva 
para  proceder  à  classificação  fiscal  de  produto,  prevalecendo  a  classificação  fiscal  definida 
pelo órgão técnico, naquele caso a ANVISA, não cabendo à RFB questionar; 

­ afirmou que a SUFRAMA definiu a classificação fiscal para o concentrado 
produzido pela RECOFARMA, por intermédio da Resolução do CAS n° 298/2007,  integrada 
pelo Parecer Técnico n° 224/2007, consta que a caracterização do produto é de concentrados 
para bebidas não alcóolicas, com enquadramento na NCM 2106.90.10 Ex. 01; 

­  a  partir  da  definição  dada  pela  SUFRAMA  ao  produto  fabricado  pela 
RECOFARMA,  a  própria  SUFRAMA  reconhece  que  o  concentrado,  por  configurar 
"preparações  químicas",  pode  ser  entregue  desmembrado  em  partes/kits,  sem  que  isso 
desnature a sua condição de produto único (de concentrado para refrigerantes), classificado na 
posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com 
capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  concentrado  ­  por  isso 
classificado no EX. 01; 

­  quanto  à  classificação  fiscal  a  ser  definida  pelas  regras  gerais  de 
interpretação  do  sistema  harmonizado  e NESH,  afirmou  que,  ao  contrário  do  afirmado  pela 
autoridade  fiscal,  a  interpretação  histórica  das  TIPIs  e  a  aplicação  das  Regras  Gerais  de 
Interpretação  do  Sistema Harmonizado,  aprovadas  pelo Decreto  n°  97.409/88,  e  das NESH, 
aprovadas pelo Decreto n° 435/92, levam à conclusão de que está correta a classificação fiscal 
do  concentrado  de  refrigerantes  como  mercadoria  única  na  posição  21.06.90.10  Ex.  01  da 
TIPI/2010,  a mesma  classificação  dada  pela SUFRAMA e  reconhecida  no Parecer PGFN nº 
405/2003; 

Fl. 10363DF  CARF  MF



 

  10

­  pelo  histórico  das  TIPIs,  desde  1988,  contata­se  que  o  concentrado  para 
refrigerantes  sempre  foi  classificado  como  uma  mercadoria  única  constituída  por  diversos 
componentes; 

­ Na TIPI de 1988 estava na posição 21.06.90.01, alíquota de 36%; 

­ a Resolução do Comitê Brasileiro de Nomenclatura nº 78/1989, manteve a 
descrição  de  concentrados  como  preparações  compostas,  não  alcoólicas,  para  elaboração  de 
bebidas  na  posição  21.06.90,  tratando  estas  preparações  compostas  como mercadoria  única. 
Alíquota de 40%; 

­  em 1996  a  posição  21.06.90.10  continuou  compreendendo  as  preparações 
compostas não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), evidenciando que a 
mercadoria é composta de várias partes, passando a enfatizar nos Ex. 01 e Ex. 02 a relevância 
de sua destinação. Alíquota de 27%; 

­ na TIPI de 2002 manteve­se a mesma descrição, alterando­se a alíquota para 
20%; 

­ o  item XI da nota explicativa referente à  regra geral de  interpretação 3 b) 
reforça  o  argumento  de  que  os  concentrados  de  refrigerantes,  "kits",  são  tratados  como 
produtos únicos, mercadoria unitária integrada por diferentes componentes; 

­ as posições Ex. 01 e Ex. 02 são mais específicas, e se há uma posição mais 
específica para classificar a mercadoria, esta que deve prevalecer; 

­  a  adição  de  outros  ingredientes  não  descaracteriza  os  concentrados  para 
refrigerantes como produtos prontos para uso. Se houvesse qualquer dúvida quando à aplicação 
da  posição  NCM,  a  RECOFORMA  deveria  recorrer  à  classificação  fiscal  dada  pela 
SUFRAMA; 

­ afirma que o produto concentrado produzido, distribuído e comercializado 
pela  RECOFARMA  é  uma  preparação  composta,  para  atender  um  fim  específico.  A 
comercialização em kits é uma decisão técnica que visa preservar a qualidade do concentrado, 
manter  a  proporcionalidade  dos  insumos  e  evitar  a  ocorrência  de  alterações  físico­química, 
facilitando  a  preparação  e  conservando  ao  máximo  seus  componentes.  Portanto,  trata­se  de 
mercadoria unitária, pois não há possibilidade de comercialização individual das partes que o 
compõem. 

­ a multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos 
em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância 
de  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  tem  o  condão  de  excluir  a 
cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; 

­  No  caso,  a  SUFRAMA  tem  competência  para  aprovar  projeto  industrial 
para fruição da isenção prevista no art. 9o do DL n° 288/67 e no art. 6° do DL n° 1.435/75 e, 
pois,  para  classificar  o  produto  beneficiado,  nos  termos  do  Decreto  n°  7.139/2010  c/c  a 
Resolução  do CAS  n°  202/2006. A Resolução  do CAS  n°  298/2007,  integrada  pelo  Parecer 
Técnico n° 224/2007, aprovou o projeto industrial para fruição do beneficio do art. 9o do DL 
n° 288/67 e do art. 6o do DL n° 1.435/75 ao concentrado fabricado pela RECOFARMA, bem 
como o classificou na posição 21.06.90.10 EX. 01; 

­  ao  utilizar o  crédito  de  IPI  à  alíquota  de  20% decorrente da  aquisição  de 
concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com 

Fl. 10364DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.360 

 
 

 
 

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matéria­prima adquirida de produtor  situado na Amazônia Ocidental,  a  IMPUGNANTE agiu 
de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007. 

­  defende  a  impossibilidade  de  exigência da multa  com base  no  art.  76,  II, 
"a",  da  Lei  n°  4.502/64,  diante  da  existência  de  decisões  irrecorríveis  de  última  instância 
administrativa  proferidas  em  processos  fiscais  no  sentido  de  que  não  cabe  ao  adquirente  do 
produto verificar a sua correta classificação fiscal (Acórdãos: 02­02.895, de 28.01.2008, relator 
Conselheiro  ANTONIO  CARLOS ATULIM;  02­02.752,  de  02.07.2007,  relator  Conselheiro 
ANTONIO  BEZERRA  NETO  e  02­0.683,  de  18.11.1997,  relator  Conselheiro  MARCOS 
VINÍCIUS NEDER DE LIMA) 

­ defende a impossibilidade da exigência de juros sobre a multa de ofício por 
implicar  numa  indireta  majoração  da  própria  penalidade  e  não  se  pode  falar  em  mora  na 
exigência de multa; 

­ se a  intenção do  legislador  fosse exigir  juros sobre a multa de oficio  teria 
previsto  expressamente  em  lei  que  os  juros  de mora  incidiriam  sobre  os  débitos  e  sobre  as 
respectivas multas deles decorrentes; 

Em 20/02/2018, a 8ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão n.º 14­76.152 
(fls. 10.028­10.063), julgando improcedente a impugnação apresentada, assim ementado: 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI 

Ano­calendário: 2012, 2013 

CRÉDITOS  DE  IPI.  AQUISIÇÕES  DE  PRODUTOS 
ISENTOSORIUNDOS  DA  AMAZÔNIA  OCIDENTAL. 
DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSAS. 

São  insuscetíveis  de  apropriação  na  escrita  fiscal  os  créditos 
concernentes  a  produtos  isentos  adquiridos  para  emprego  no 
processo  industrial,  mas  não  elaborados  com  matérias­primas 
agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive 
as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  industriais 
localizados na Amazônia Ocidental. 

ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS 

Ano­calendário: 2012, 2013 

CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  KITS  PARA  PRODUÇÃO  DE 
REFRIGERANTES. 

Nas  hipóteses  em  que  a  mercadoria  descrita  como  “kit  ou 
concentrado  para  refrigerantes”  constitui­se  de  um  conjunto 
cujas partes consistem em diferentes matérias­primas e produtos 
intermediários que só se tornam, efetivamente, uma preparação 
composta  para  elaboração de  bebidas  em decorrência  de  nova 
etapa  de  industrialização,  ocorrida  no  estabelecimento 
adquirente,  cada um dos  componentes desses “kits” deverá  ser 
classificado no código próprio da TIPI. 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Fl. 10365DF  CARF  MF



 

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Ano­calendário: 2012, 2013 

ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DE 
CRÉDITO  DE  IPI  NA  APURAÇÃO  DO  SALDO  DEVEDOR. 
INOCORRÊNCIA. 

Tendo a autoridade fiscal afastada, expressa e indubitavelmente, 
a  possibilidade  de  apropriação  de  crédito  de  IPI,  e  não  se 
vislumbrando, nos autos, a presença de elementos que autorizem 
imaginar  o  reconhecimento  da  existência  de  parcela  de  algum 
tipo  de  crédito,  não  cabe  cogitar  de  qualquer  ilegalidade  na 
apuração  dos  saldos  devedores,  fundamentada  na 
desconsideração de crédito de IPI na referida apuração. 

APLICAÇÃO  DA  NORMA  JURÍDICA.  ALTERAÇÃO  DO 
CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. 

A  alteração  de  critério  jurídico  deve  ser  entendida  como  uma 
mudança de posição interpretativa da Administração a respeito 
de determinada norma. Não ocorre alteração de critério jurídico 
nem  ofensa  ao  art.  146  do  CTN  se  a  Fiscalização  promove 
autuação  baseada  em  entendimento  distinto  daquele  que 
seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de 
manifestação expressa por parte da Administração Tributária. 

APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  DOCUMENTOS  FISCAIS 
IDÔNEOS.  CLASSIFICAÇÃO  EQUIVOCADA. 
RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. 

Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que 
se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a 
responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos 
do art. 136 do CTN. Na situação, as notas  fiscais de aquisição 
das  mercadorias  que  originaram  o  suposto  crédito,  ao 
consignarem  classificação  fiscal  equivocada  que  não  se  aplica 
ao  produto  comercializado,  deixam  de  ostentar  o  amparo 
necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível 
a glosa. 

DECISÕES  DO  STF  EM  SEDE  DE  RECURSO 
EXTRAORDINÁRIO.  EFEITOS  ERGA  OMNES.  DECRETO  Nº 
2.346, DE 1997. 

As  decisões  judiciais  atinentes  a  casos  concretos  possuem 
apenas  efeitos  inter  partes  e  não  vincula  os  atos  da 
Administração  Tributária.  Uma  decisão  emanada  do  Supremo 
Tribunal Federal somente alcançaria terceiros não participantes 
da  lide  se  observadas  as  condições  descritas  pelo  Decreto  nº 
2.346, de 1997. 

AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. 

O  provimento  jurisdicional  abrange  o  objeto  da  demanda 
judicial,  vale  dizer,  o  conteúdo  do  pedido  da  petição,  e  seu 
alcance restringe­se aos associados da  impetrante domiciliados 
no âmbito da competência territorial do órgão prolator. 

Fl. 10366DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.361 

 
 

 
 

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OBSERVÂNCIA  DOS  ATOS  NORMATIVOS  EXPEDIDOS 
PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO 
DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. 

Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a 
que  se  refere  o  inciso  I  do  art.  100  do  CTN,  são  normas 
complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das  convenções 
internacionais  e  dos  decretos  que  versem  sobre  matéria 
tributária.  São  atos  gerais  e  abstratos,  tais  como  portarias, 
instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos 
legais  ou  de  instrumentar  o  cumprimento  das  obrigações 
tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que 
têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos 
termos de parágrafo único do art. 100 do CTN. 

MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES 
ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. 

Não há que se falar em aplicação do disposto no art. 76, II, a, da 
Lei  nº  4.502,  de  1964,  c/c  o  art.  100,  II  e  parágrafo  único,  do 
CTN,  para  a  exclusão  de  penalidades  e  juros  de  mora,  pela 
inexistência  de  lei  que  atribua  eficácia  normativa  às  decisões 
administrativas  em  processos  nos  quais  um  terceiro  não  seja 
parte. 

JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 

Sendo  a  multa  de  ofício  classificada  como  débito  para  com  a 
União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela 
Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a  incidência 
dos juros de mora, a partir de seu vencimento. 

Impugnação Improcedente 

Crédito Tributário Mantido 

Inconformada com a r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, Recurso 
Voluntário  (fls.  10078  ­ 10155),  devolvendo  a  análise  de  todas  as matérias  já  ventiladas  em 
sede de  impugnação,  juntando  laudo do  INT ­  Instituto Nacional de Tecnologia  (fls. 10.245­
10.275) para atestar a condição de produto único dos kits. A Procuradoria da Fazenda Nacional 
apresentou contrarrazões em fls. 10.307­10.344, contraditando todos os argumentos do Recurso 
Voluntário e pugnando pela manutenção do auto de infração pelos fundamentos do TVF. 

É o relatório 

Voto            

Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR 

O recurso é  tempestivo e atende os demais  requisitos  legais, merecendo ser 
conhecido. 

 

Fl. 10367DF  CARF  MF



 

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1. DA COISA JULGADA 

Há  nos  autos  relevante  controvérsia  acerca  do  trânsito  em  julgado  do 
Mandado  de  Segurança  Coletivo  MSC  nº  91.0047783­4,  impetrado  pela  Associação  dos 
Fabricantes de Coca­Cola perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, onde restou garantido o 
direito  de  crédito  de  IPI,  como  se  tributado  fosse,  presumido  portanto,  de  produtos  isentos 
adquiridos de  fornecedores  localizados na Zona Franca de Manaus. Ressalte­se que,  caso no 
aspecto  subjetivo  se  constate  que  todos  seus  associados  são  beneficiários,  inclusive  a  ora 
Recorrente, o deslinde da causa depende da análise desta prejudicial. 

A autoridade fiscal afirmou não ser possível a aplicação desta coisa julgada 
em benefício da Recorrente,  em razão da Reclamação no STF nº 7778. Esta Reclamação  foi 
interposta  no  STF  por  uma  das  associadas,  localizadas  no  Estado  de  São  Paulo,  para  ver 
garantida esta mesma coisa julgada, tendo em vista que vinha sofrendo autuações no Estado de 
São  Paulo  sob  o  argumento  de  que  a  coisa  julgada  tinha  aplicação  restrita  aos  limites 
territoriais  do  órgão  judiciário  que  proferiu  a  decisão,  qual  seja,  Rio  de  Janeiro  e  Espírito 
Santo. 

Isso porque no MSC, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região 
havia feito esta  limitação  territorial com base no art. 2º­A da Lei nº 9.494/1997. No entanto, 
este capítulo da decisão  ainda não estava  transitado, pois  foi  interposto  recurso  aos  tribunais 
superiores.  Diante  deste  cenário,  o  STF,  na  Reclamação  citada,  afirmou  não  haver 
inconstitucionalidade no art. 2º­A da Lei 9.494/997, sendo válida a limitação territorial da coisa 
julgada. Neste diapasão, a autoridade fiscal afirmou não ser possível aplicar esta coisa julgada 
ao caso concreto, tendo em vista que a Recorrente se localiza no Estado do Mato Grosso. 

Referido dispositivo legal possui a seguinte redação: 

Lei nº 9.494/1997. Art. 2o­A. A sentença civil prolatada em ação 
de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa 
dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas 
os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação, 
domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão 
prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180­35, de 2001) 

A  d.  DRJ,  na  decisão  ora  recorrida,  acrescentou  que  a  coisa  julgada  não 
poderia ser estendida à Recorrente, pois não era parte no processo. 

No entanto, a análise da coisa julgada merece mais detida reflexão. Cumpre 
destacar,  de  início,  que o Mandado de Segurança Coletivo  constitui  hipótese  de  substituição 
processual  e,  nos  termos  da  Súmula  STF  nº  629,  "a  impetração  de  mandado  de  segurança 
coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". 

Isto  significa que a Recorrente, por ser associada da Associação  Impetrante 
(AFBCC), é beneficiária da coisa julgada obtida em favor da entidade no MSC. 

Em  relação  à  limitação  territorial  da  coisa  julgada,  conforme  narração  da 
Recorrente, bem como das cópias das decisões juntadas aos autos (fls. 9.808­9.882), e ainda da 
decisão proferida pelo TRF 2º, limitando o efeito territorial, foi apresentado Recurso Especial 
ao STJ e Recurso Extraordinário ao STF.  

O  Recurso  Especial  é  o  REsp  nº  1438361.  A  decisão  já  foi  proferida  e 
transitada em  julgado em 23/02/2017, pouco antes da  lavratura do presente auto de  infração. 
Houve reforma da decisão do TRF da 2ª Região na parte em que houve a limitação territorial, 

Fl. 10368DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.362 

 
 

 
 

15

para afirmar que o art. 2º­A da Lei n. 9.497/97, introduzido em 1999 pela MP n. 1.798­1/99, o 
qual prevê que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da 
propositura  da  ação,  domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  prolator",  não 
pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do 
mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações. Como 
o  referido  MSC  foi  impetrado  em  14/08/1991,  anos  antes  da  publicação  deste  dispositivo, 
assim, coisa julgada ora em análise teria abrangência nacional. 

Diante  desta  decisão,  o  STF  julgou  prejudicado  o  Recurso  Extraordinário 
interposto,  por  perda  superveniente  do  objeto,  conforme  acórdão  juntando  aos  autos  em  fls. 
9.852­9.855, tendo em vista que o STJ pacificou a questão. O mesmo destino teve a malfadada 
Reclamação nº 7778, sendo extinta por perda superveniente do objeto em razão da decisão do 
STJ, que garantiu a aplicação da coisa julgada em âmbito nacional para este caso concreto em 
específico. 

Assim, deve­se reconhecer a aplicação da coisa julgada ao presente caso, em 
homenagem  à  segurança  jurídica  e  ao  disposto  no  art.  5º,  XXXVI  da  Constituição.  Com  o 
processo judicial onde se obteve a coisa julgada em análise, garantiu­se o direito à Recorrente 
de  escriturar  créditos  de  IPI  decorrentes  de  produtos  isentos  adquiridos  de  fornecedores 
localizados na ZFM. Como a isenção é aplicada em razão do critério espacial da hipótese de 
incidência,  para  o  cálculo  deste  crédito  presumido deve­se  levar  em  consideração  a  alíquota 
aplicável  nas  operações  realizadas  fora  da  zona  beneficiada,  de  acordo  com  a  classificação 
fiscal  específica  do  produto  negociado  prevista na TIPI. A  classificação  fiscal  utilizada  pela 
fornecedora da Recorrente  foi  a NCM 2106.90.10 Ex 01 da TIPI,  cuja  alíquota  era de 20%. 
Assim, o crédito presumido apurado pela Recorrente nesta aquisições isentas teve por base este 
percentual de alíquota. 

Neste  ponto,  mais  uma  controvérsia  precisa  ser  debatida.  Isso  porque  a 
autuação  fiscal  também  argumentou  que  a  classificação  fiscal  adotada  pelo  fornecedor  da 
Recorrente,  in casu, a RECOFARMA, estava incorreta, devendo­se adotar outra classificação 
fiscal para fins de apuração do crédito de IPI. Afirma a fiscalização que a classificação fiscal 
correta que deveria ser adotada pelo fornecedor dos produtos possui alíquota zero. 

Como  isso, mesmo  que  se  reconheça  a  aplicação  da  coisa  julgada,  na  qual 
resta o entendimento de que o produto adquirido com isenção por ser proveniente da ZFM gera 
o  direito  ao  crédito  de  IPI  para  o  adquirente,  mesmo  assim,  a  autuada  não  poderia  ter 
escriturado  o  crédito,  tendo  em  vista  que  a  classificação  fiscal  do  produto  fornecido  tem 
alíquota zero. Desta feita, passa­se à análise da classificação fiscal. 

2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL 

Como dito,  consta do  relatório  fiscal  que  a RECOFARMA, em  relação aos 
produtos "concentrados" para preparo de bebidas não alcoólicas fornecidos para a Recorrente, 
enquadrou estes produtos no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, cuja alíquota de IPI vigente 
à época dos fatos (4º Trim./2012 a 4º Trim./2013) era de 20%, conforme Decreto nº 7.660, de 
23/12/2011,do  alterado  pelos  Decreto  nº  7.742,  de  30/05/2012,  e  Decreto  nº  8.017,  de 
17/05/2013. 

Esta classificação fiscal tem a seguinte redação: 

Fl. 10369DF  CARF  MF



 

  16

 

Por sua vez, a autoridade fiscal contesta esta classificação fiscal elaborando 
um arrazoado para concluir pela impossibilidade de adotar a "Ex 01", ou mesmo da "Ex 02", 
tendo em vista que este produto adquirido pela Recorrente como um "kit concentrado", não é 
um  concentrado  e  nem  pode  ser  diluído,  além  de  constituir­se  em  kit  com  produtos  que 
poderiam ser vendidos em separado, mas comercializados como mercadoria única, na forma de 
kit, por uma questão mercadológica. 

No entendimento da fiscalização, para este enquadramento em Ex 01 ou Ex 
02 o produto deve satisfazer os seguintes requisitos: 

a) Que seja uma preparação composta. 

b) Que não seja alcoólica. 

c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado 

d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 

e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada 
parte do concentrado. 

Concluiu no TVF que tais preparações não atendem às condições citadas nas 
letras “c” e “e”, acima. Nenhum componente dos kits pode ser identificado como um extrato ou 
sabor  concentrado.  Para  que  ficasse  caracterizado  um  produto  chamado  de  "concentrado",  o 
conteúdo das diversas partes que  compõem cada kit  deveria  estar  reunido numa única parte, 
tanto que as empresas criaram a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formam 
uma mercadoria única. 

A  fiscalização  encomendou  a  elaboração  de  laudo  pericial  para  o  Centro 
Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, para analisar amostras dos produtos "kit 
concentrado"  coletados,  em  especial  a  identificação  dos  ingredientes  contidos  em  cada  parte 
dos kits. (laudos de fls. 64­101) 

Ao  responder  os  quesitos,  restou  constatado  que  os  produtos  vendidos  pela 
RECOFARMA não podem ser considerados como extrato concentrado ou sabor concentrado. 
Por isso, a fiscalização afirmou que não podem ser "Ex", já que lhe falta o requisito de ser um 
produto  concentrado,  na medida  em  que,  ao  ser  diluído,  perde  suas  características  originais. 
Assim,  para  a  fiscalização,  nenhum  componente  dos  kit  podem  ser,  em  conjunto  ou 
isoladamente, considerados como um extrato ou sabor concentrado.  

Para que ficasse caracterizado um produto como "concentrado", o conteúdo 
das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido numa única parte, sem perder 
suas  características  fixadas  nos  padrões  de  identidade  e  quantidade  após  sua  diluição,  nos 
termos  do  art.  13  do  Decreto  6.871/2009  que  regulamenta  a  Lei  nº  8.918/1994,  e  isto  só  é 

Fl. 10370DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.363 

 
 

 
 

17

obtido  em  momento  posterior  do  processo  produtivo,  quando  estas  partes  dos  Kits  são 
misturadas,  de  acordo  com  especificações  técnicas.  Desta  feita,  este  concentrado  só  surge 
quando o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit é misturado, ou seja, por meio de 
um processo de industrialização (transformação) realizado depois da venda. 

Com  este  raciocínio,  a  fiscalização  concluiu  que  estes  produtos  devem  ser 
classificados no código 2106.9010 , como uma “ Preparação do tipo utilizado para elaboração 
de bebidas ”, cuja alíquota é ZERO. 

Neste  ponto,  penso  ser  importante  voltar  para  o  mérito  do  Mandado  de 
Segurança  Coletivo MSC  nº  91.0047783­4  para  identificar  a  causa  do  litígio.  Analisando  a 
petição inicial, fls. 166­184. Constata­se que o pedido de segurança formulado pela associação 
não  foi  genérico,  no  sentido  de  obter  o  direito  um  direito  de  crédito  de  IPI  para  qualquer 
produto isento adquirido de fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus.  

Na  causa  de  pedir,  conforme  se  vê  de  fls.  167,  a  Associação­Impetrante 
argumenta que suas associadas produzem refrigerante sujeitos ao IPI, classificados no Código 
TIPI  2202.90.  Argumentou  que  para  produzir  estes  produtos,  adquire  matéria­prima  com 
isenção  do  IPI,  "um  produto  concentrado",  de  fornecedor  estabelecido  na  ZFM.  Este 
concentrado adquirido pelos associados são classificados na posição 2106.90 da TIPI, sujeitos, 
na época, à alíquota de 40%, nos termos do Decreto nº 97.410/1988, atualizado pelo Decreto 
nº 99.182/1990. 

Note que a impetrante afirma, em sua petição, adquirir produto "concentrado" 
da  classificação  2106.90,  que  estava  isento  conforme  dicção  do  art.  9º  do  Decreto­Lei  nº 
288/1967, que detinha a seguinte redação na época do MSC e regulamentado pelo art. 81 e seu 
inciso II do RIPI/2010, Decreto nº 7.212/2010: 

Art 9º Estão isentas do  impôsto sôbre produtos  industrializados 
tôdas  as  mercadorias  produzidas  na  Zona  Franca  de Manaus, 
quer  se  destinem  ao  seu  consumo  interno,  quer  a 
comercialização em qualquer ponto do território nacional. 

Nas  decisões  judiciais  que  se  seguem,  inclusive  no  acórdão  de  mérito 
proferido pelo TRF da 2ª Região (fls. 209­233), este em que se concedeu o direito e formou a 
coisa  julgada material,  consta do voto da  relatora  a menção  expressa  à aquisição de produto 
concentrado da classificação fiscal 2106.90.  

No  entanto,  constata­se  que  não  há  nenhuma  discussão  acerca  da  correção 
desta classificação fiscal, nem mesmo uma análise da natureza do produto, sua composição e 
uma  discussão  sobre  se  o  produto  é  concentrado  ou  não.  Parte­se  da  classificação  fiscal  e 
informação dada pela própria  impetrante em sua petição  inicial,  assumindo­se  como produto 
isento produzido na ZFM. O que se discutiu nas decisões judiciais e isso foi objeto do mérito, 
foi  uma  discussão  jurídica  acerca  da  não  cumulatividade  do  imposto,  isto  é,  acerca  da 
possibilidade de crédito de IPI na aquisição destes produtos isentos, utilizados como insumo na 
produção de refrigerantes, como corolário do princípio da não cumulatividade. 

Portanto,  a  coisa  julgada  não  solidifica  a  discussão  acerca  da  classificação 
fiscal.  

Fl. 10371DF  CARF  MF



 

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Ressalto que, nesta época, a posição da TIPI que previam a alíquota de 40% 
tinha uma  redação pouco diversa da atual, não havia nem mesmo as posições Ex atualmente 
utilizadas pela Recorrente. No entanto, dentre estas, as que se referiam aos produtos de extratos 
concentrados para preparação de bebidas não alcoólicas,  as posições TIPI  existentes eram as 
2106.90.0101 e 2106.90.0101: 

2106.90 ­­ Outras 

01  ­­  Preparações  compostas,  não  alcoólicas,  para  elaboração 
de bebidas (extratos concentrados ou sabores concentrados) 

0101 ­­ Constituídas por um xarope ao qual se juntou um extrato 
concentrado  desta  posição,  contendo  principalmente  extrato  de 
coca  e  ácido  cítrico,  corados  com  ajuda  de  açúcar 
caramelizado......... 40% 

0102 ­­ Constituídas por um xarope ao qual se juntou um extrato 
concentrado  desta  posição,  contendo  principalmente  cítrico  e 
óleos essenciais de frutos (limão e laranja)......... 40% 

A Resolução  do  Comitê  Brasileiro  de  Nomenclatura  nº  78/1989,  alterou  a 
TIPI  de  1988 para  adequar  a  descrição  do  subitem 2106.90.11  para preparações  compostas, 
não alcoólicas, para elaboração de bebidas  (extratos concentados ou sabores concentrados) 
constituídas  por  xarope  ao  qual  se  juntou  um  extrato  concentrado  desta  posição,  contendo 
principalmente extrato de coca e ácido cítrico, corados com ajuda de açúcar caramelizado. A 
descrição  do  item  2106.9012  passou  a  ser  preparações  compostas,  não  alcoólicas,  para 
elaboração  de  bebidas  (extratos  concentados  ou  sabores  concentrados)  constituídas  por 
xarope  ao  qual  se  juntou  um  extrato  concentrado  desta  posição,  contendo  principalmente 
ácido cítrico e óleos essenciais de frutos (limão e laranja). 

A descrição TIPI  atual,  para  a posição 21.06, presta­se para  a  classificação 
fiscal de "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições". 
O subitem 90 é aplicado para outras bebidas não dispostas nas outras posições. Dentro desta 
posição  há o  subitem 10,  destinada  para  "Preparações  do  tipo  utilizado para  elaboração de 
bebidas".  Esta  posição,  21.06.90.10,  é  entendida  pela  fiscalização  como  a  correta  e  possui 
alíquota zero. 

No entanto, dentro desta posição temos as classificações ex tarifário 01 e 02, 
para produtos concentrados, alterando­se apenas o fator de diluição do produto, cujas alíquotas 
eram de 20% na época dos fatos. A Ex 01 é a posição adotada pela fornecedora da Recorrente. 

A  disputa  reside  em  identificar,  portanto,  qual  destas  posições  deve  ser 
aplicada  ao  kit  concentrado  para  fins  de  determinação  da  alíquota  para  apuração  ou  não  do 
crédito presumido. 

2.1.  Do  Laudo  produzido  pelo  Centro  Tecnológico  de  Controle  de  Qualidade  Falcão 
Bauer 

No ano de 2014, o Fisco efetuou em Manaus a coleta de kits elaborados por 
RECOFARMA, além de muitas fotos dos produtos, tendo providenciado a realização de exame 
laboratorial pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. 

Como  dito,  os  denominados  "kits  de  concentrado"  é  um  kit  formado  por 
diversos produtos, individuais, líquidos e/ou sólidos, utilizados como base para a preparação de 
bebidas  não  alcoólicas,  os  refrigerantes.  Percebe­se,  a  partir  do  laudo  e  do  arrazoado  da 

Fl. 10372DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.364 

 
 

 
 

19

fiscalização no TVF, que nenhum componente dos kits pode ser identificado como um extrato 
ou sabor concentrado.  

A  fiscalização  afirma  que  para  que  ficasse  caracterizado  um  produto  como 
um "concentrado", o conteúdo das diversas partes que compõem cada kit deveria estar reunido 
numa única parte, o que só ocorre numa etapa posterior do processo de industrialização. Mas 
para  tratar  como  um  produto  único,  as  empresas  criaram  a  ficção  de  que  para  fins  de 
classificação  fiscal  os  kits  formam  uma  mercadoria  única.  Os  produtos  são  separados  em 
embalagens  individuais, possuindo cada um deles uma utilidade específica em cada etapa do 
preparo, devendo­se seguir as especificações do fabricante. 

Pela  análise  dos  laudos,  é  possível  perceber  que  não  há  como  atribuir 
capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para  fabricação de bebidas, pois cada 
item do kit tem uma função específica no preparo da bebida, que, uma vez diluído, transforma­
se. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas 
características sensoriais e físico­químicas da bebida que se pretende comercializar. O aroma, o 
sabor  e  a  coloração  (elementos  das  características  sensoriais),  bem  como  as  características 
físico­químicas não seriam  iguais. Se assim não fosse, seriam desnecessárias as outras partes 
que  compõem  cada  kit,  pois  bastaria  desde  o  início  juntar  cada  item  num  produto  só.  No 
entanto, eles precisam ser separados, pois cada um deles tem uma função específica no preparo 
da bebia. Assim, estes itens do kit são produtos intermediários do processo de industrialização, 
alcançando­se o concentrado após sua mistura com água e açúcar no processo produtivo. 

O laudo de análise nº 1266/2013­1.0 de fls. 64­67 analisa as partes 1 e 2 do 
kit concentrado sabor coca­cola. Para a parte 1 do kit, observe­se os quesitos 7, 8, 11, 12 e 13, 
descritos em fl. 96: 

7) Identificar se na composição do produto há aromatizante na acepção dada 
pelo Regulamento Técnico Sobre Aditivos Aromatizantes/Aromas aprovado pela Resolução nº 
104, de 14 de maio de 1999, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ­ ANVISA. 

De  acordo  com  análises  realizadas  foi  detectado  a  presença  de  Cimeno, 
Pineno e Limoneno substâncias utilizadas como aromatizantes. 

8)  Identificar  se  o  aromatizante  de  que  trata  o  item  anterior  é  constituído 
basicamente de semente de noz de cola ou extrato de noz de cola (Cola acuminata). 

De acordo  com análises  realizadas  foi  detectado  a  presença  de Extrato  de 
Noz de Cola. 

11) O produto pode ser descrito como preparação composta? 

Trata­se de Preparação, na forma de Solução Aquosa. à base de Extrato de 
Noz  de  Cola,  Cafeína,  Caramelo,  Ácido  Fosfórico,  Cimeno,  Pineno  e  Limoneno,  uma 
Preparação  do  tipo  utilizada  para  a  elaboração  de  bebidas, Outra  Preparação  Alimentícia 
não especificada nem compreendida em outras posições. 

12) O produto pode ser descrito como extrato concentrado? 

Não. 

Fl. 10373DF  CARF  MF



 

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13) O produto pode ser descrito como sabor concentrado? 

Não 

Para a análise da parte 2 do kit coca­cola, observe­se os quesitos 10, 11 e 12, 
descritos em fl. 96: 

10) O produto pode ser descrito como preparação composta? 

Trata­se de Preparação, na forma de Solução Aquosa. à base de Extrato de 
Noz  de  Cola,  Cafeína,  Caramelo,  Ácido  Fosfórico,  Cimeno,  Pineno  e  Limoneno,  uma 
Preparação  do  tipo  utilizada  para  a  elaboração  de  bebidas, Outra  Preparação  Alimentícia 
não especificada nem compreendida em outras posições. 

11) O produto pode ser descrito como extrato concentrado? 

Não. 

12) O produto pode ser descrito como sabor concentrado? 

Não 

Todos  estes  testes  foram  realizados  em  todos  os  componentes  de  cada  "kit 
concentrado"  (coca­cola,  coca­cola  zero,  sprite,  sprite  zero),  cuja  resposta  para  todos  os 
componentes foi de que se trata de um preparado para elaboração de bebidas, mas não pode ser 
considerado um sabor concentrado ou um extrato concentrado. 

Perceba  que  o  laudo  de  análise  laboratorial  elaborado  pelo  Centro 
Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, concluiu que todas as partes de todos os 
kits concentrados comercializados por RECOFARMA e que foram objeto de análise não são 
produtos concentrados. 

Com  base  nisso  e  analisando  a  classificação  fiscal  2106.90.10  Ex  01, 
utilizada pela RECOFARMA para os kits, a fiscalização concluiu que esta NCM requer que o 
produto  se  caracterize  como  um  extrato  concentrado  ou  sabor  concentrado  e  que  tenha 
capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. 

Como  o  produto  não  é  um  concentrado,  nem  pode  ser  uma  preparação 
composta  passível  de  diluição  sem  que  isso  altere  os  aspectos  físico­quimicos,  sendo meras 
partes utilizadas como composto para preparação da bebida, sua classificação fiscal deve ser a 
NCM 2106.90.10. 

A Recorrente apresenta  um  laudo do  Instituto Nacional de Tecnologia para 
fundamentar a possibilidade de tratar estes "kits de concentrado" como uma mercadoria única. 
No laudo, constata­se que foi realizada uma análise in loco do processo produtivo dos "kits de 
concentrado" bem como a etapa posterior de preparo do refrigerante "coca­cola" a partir destes 
kits em uma das fábricas da Coca­Cola. 

Foram  realizados  testes  técnicos  em  laboratório  com  os  kits,  atestando  que 
cada  parte  do  kit  tem  um  função  específica  e  determinada  na  composição  e  no  preparo  da 
bebida no processo produtivo na  sede da Recorrente quando do preparo  do  refrigerante,  não 
podendo esta mistura ocorrer em momento anterior, misturando­se as partes dos kits ainda na 
sede da RECOFARMA para vender o produto já homogeneizado, como um só, sob pena de o 

Fl. 10374DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.365 

 
 

 
 

21

produto  sofrer  alterações  físico­químicas  indesejadas,  alterando­se  suas  características  e 
impossibilitando a obtenção do produto final ­ o refrigerante.  

Esta constatação não é contestada pela fiscalização, ao contrário, é afirmada, 
como  se  pode  ver  do  TVF  especialmente  em  fls.  28­32,  no  sentido  de  que  estas  partes  são 
separadas e compõem o kit,  já que cada uma  terá uma aplicação em proporções  fixas, sendo 
misturadas e diluídas de acordo com especificação técnica do fabricante do refrigerante. Assim, 
estes kits (considerando­se suas partes) consistem em produtos intermediários de um processo 
produtivo  em  que  apenas  em  etapa  posterior  da  produção,  já  na  fábrica  da  Recorrente, 
adicionando­se outros produtos químicos, como água e massa de açúcar, é que se alcançará o 
produto concentrado (xarope composto). 

As  constatações  do  laudo  do  INT  não  responde,  especificamente,  qual  a 
classificação  fiscal  do  "kit  de  concentrado",  nem  mesmo  se  é  concentrado.  Sua  conclusão 
corrobora  a  conclusão  do  laboratório  Falcão  Bauer.  Convém  salientar,  por  oportuno,  que  o 
laudo do INT, ao responder um dos quesitos, afirmou que (fls. 10.274­10.275) "tanto a parte A 
como a parte B são preparações compostas, ou seja, preparações formadas com mais de um 
componente.  Quimicamente,  existem  preparações  simples  e  compostas.Uma  preparação 
simples é um único composto diluído em solução. Já a preparação composta é  formada por 
mais  de  um  componente  em  solução.  Portanto,  a  parte  A  e  B  são  preparações  líquidas 
constituídas de mais de um componente formando uma preparação composta.(...)". 

Ademais, em nenhum momento a fiscalização afirma que as partes do "kit de 
concentrado" podem ser vendidos misturados, ou que podem ser desobedecidas as proporções 
de mistura e de cada item do kit no preparo do refrigerante, ou mesmo que as partes podem ser 
vendidas  separadamente  porque  podem  ter  outras  funções  mercadológicas.  Frise­se,  em 
momento algum há esta afirmação, mas apenas que cada parte do kit é um produto único e com 
função e característica específica para o preparo da bebida, sendo vendido em kit por questões 
mercadológicas.  

Ainda,  o  laudo  do  INT,  em  outra  passagem,  afirma  que  "o  produto  sob 
análise ainda que denominado comercialmente de "concentrado", não é um preparado líquido 
ou  concentrado  líquido,  destinado  à  comercialização  direta  ao  consumidor  final  ou  a 
restaurantes, pois conforme observado durante as visitas técnicas essa preparação constituída 
de  parte  A  e  parte  B  saem  em  seus  respectivos  IBCs  (...)  da  Recofarma  Manaus  para  as 
fábricas  da Coca­Cola  onde  entrarão  como matéria  prima  principal  no  processo  produtivo 
junto  com a massa de açúcar,  água de processo  e CO²,  seguindo as  etapas da  receita para 
obtenção  do  produto  final,  Coca­Cola,  que  será  destinado  à  comercialização  para  o 
consumidor final". (fl. 10.272) 

Em síntese, o  laudo do  INT não  infirma e nem contradiz o  laudo elaborado 
pelo  laboratório  Falcão  Bauer  ou  da  acusação  fiscal  de  que  estas  partes  do  kit  não  são  um 
concentrado.  Ao  contrário,  corrobora  o  entendimento  de  cada  parte  que  forma  o  kit  é  um 
preparado composto alimentício para o preparo de bebidas não alcoólicas. 

Portanto, a classificação fiscal a ser adotada é a NCM 2106.90.10, como uma 
“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, cuja alíquota do IPI é zero , da qual 
estou  de  acordo.  Sendo  assim,  por  ser  alíquota  zero,  não  é  possível  calcular  crédito  sobre o 
valor das operações de aquisição destes insumos. 

2.2. Da modificação do critério jurídico 

Fl. 10375DF  CARF  MF



 

  22

Ainda,  afirma  a  Recorrente  que  a  alteração  da  classificação  fiscal  dos  kit 
concentrado neste  auto  de  infração  representa  alteração de critério  jurídico,  não podendo  ser 
levada  a  efeito  pela  fiscalização  para  os  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  data  em  que  o 
critério jurídico foi modificado. 

Segundo a Recorrente (fls. 10.112­10.114) durante todos anos em que sofreu 
fiscalização,  nunca  teve  a  classificação  fiscal  objetada  pelo  Fisco.  Esta  aceitação  passiva  da 
classificação fiscal adotada por anos, representa sua aceitação. A revisão da classificação fiscal 
só  foi  realizada  em  setembro  de  2016,  nos  autos  do  processo  administrativo 
14090.720284/2016­72, no qual em outro auto de infração se afirmou que a classificação fiscal 
na posição 21.06.90.10 Ex. 01 para os kits concentrados estava incorreta. Portanto, na pior das 
hipóteses,  diz  a  Recorrente,  somente  para  os  fatos  geradores  que  viessem  a  ocorrer  a  partir 
desta mudança de critério  jurídico  (27.09.2016)  é que esta mudança na  classificação poderia 
ser aplicada, por hipótese. Assim afirmou a Recorrente: 

5.4.6. Ora, no lançamento tributário, a atividade da autoridade 
administrativa é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, e, ao 
fiscalizar um contribuinte e examinar a sua escrita fiscal de IPI, 
a  AUTORIDADE  tem  o  dever  de  examinar  todos  os  aspectos 
legais  formadores  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  de 
IPI, a saber: o direito ao crédito de IPI, a classificação fiscal do 
produto adquirido, sua respectiva alíquota etc. 

(...)5.4.9. Ora, a questão da natureza do produto e sua respectiva 
classificação fiscal é nova e diversa das demais questões ! ! 

Neste ponto,  também não assiste  razão a Recorrente. Nas  citadas autuações 
não houve análise da  classificação  fiscal  dos produtos  e a  glosa dos  créditos presumidos  foi 
realizada  por motivo  distinto  do  consignado  na  presente  autuação,  qual  seja,  a  ausência  de 
aquisição sob o  regime de  isenção prevista no art. 237 e 95,  III, do RIPI/2010 para matéria­
prima agrícola e extrativa vegetal produzida na Amazônia Ocidental. 

Para  a  aplicação  do  art.  146  do  CTN,  como  instrumento  de  proteção  do 
contribuinte,  em homenagem  à  boa­fé  e  segurança  jurídica,  é  preciso  que  tenha havido  uma 
manifestação  expressa  da  administração  tributária  acerca  da  interpretação  dada  à  aplicação 
jurídica  sobre  determinada  situação  regida  por  legislação  tributária.  Trata­se  da  qualificação 
jurídica dada pelo intérprete que, ao rever sua posição, altera o critério jurídico. Esta mudança 
só pode ter aplicação para os fatos geradores praticados após a alteração do critério, verbis: 

CTN.  Art.  146.  A  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em 
consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios 
jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício 
do  lançamento  somente  pode  ser  efetivada,  em  relação  a  um 
mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato  gerador  ocorrido 
posteriormente à sua introdução. 

Verifica­se dos  autos  e  da outra  autuação  juntada pela Recorrente,  que não 
houve  uma manifestação  da  fiscalização  acerca  da  aplicação  de  uma dada NCM  sobre  estas 
operações,  não  havendo  que  se  falar,  portanto,  em  alteração  do  critério  jurídico.  Este 
entendimento  também  é manifestado  por  Luís  Eduardo  Schoueri1  quando  leciona  que  se  em 
lançamentos  anteriores  a  autoridade  administrativa  adotou  determinada  interpretação  da  lei 
tributária,  pode  o  contribuinte,  (...),  seguir  o  mesmo  entendimento,  até  que  ele  seja  informado 
diretamente  ou  por  meio  de  ato  administrativo  público,  de  que  diverso  será  o  entendimento  da 
fiscalização. 
                                                           
1 SCHOUERI, Luís Eduardo. 6ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p.  

Fl. 10376DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.366 

 
 

 
 

23

Neste  sentido,  para  que  houvesse  modificação  de  critério  jurídico,  seria 
necessário  que  em  lançamentos  anteriores  a  autoridade  administrativa  tivesse  adotado 
determinada  interpretação da  lei  tributária,  adotando, por exemplo, determinada classificação 
fiscal para a identificação da alíquota de IPI aplicável ao produto industrializado. Com isso, em 
uma a adoção posterior de outra classificação fiscal, reavaliando­se o produto para fins de nova 
interpretação acerca de sua classificação jurídica, não haveria dúvida de que se está diante de 
uma mudança de interpretação jurídica sobre o mesmo fato que antes se dava outro tratamento 
jurídico. 

Leandro Paulsen2, comentando este artigo do CTN, assevera: 

O  art.  146  do  CTN  positiva,  em  nível  infraconstitucional,  a 
necessidade  de  proteção  da  confiança  do  contribuinte  na 
Administração  Tributária,  abarcando,  de  um  lado,  a 
impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos 
que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz 
de  critérios  anteriormente  adotados  e,  de  outro,  a 
irretroatividade  de  atos  administrativos  normativos  quando  o 
contribuinte confiou nas normas anteriores. 

Não houve, ao menos não consta dos autos, uma análise destes produtos para 
fins de determinação, pelo Fisco, de sua classificação fiscal no sentido adotado pela Recofarma 
ou  pela  Recorrente  para,  agora,  nesta  nova  autuação,  a  fiscalização  pretendesse  alterar  o 
critério jurídico.  

Ressalte­se  que  a  administração  tributária,  desde  2010,  já  analisou  estes 
produtos  e  concluiu  por  uma  determinada  classificação  fiscal.  Assim,  ao  contrário  do  que 
afirma a Recorrente, há uma solução de consulta afirmando a classificação fiscal 2106.90.10, 
tal qual dada pela fiscalização nestes autos. Trata­se da Solução de Consulta SRRF02/Diana nº 
5/2010,  de  20/05/2010,  ratificada  pela  Informação Coana/Ceclam  nº  8/2015,  de  12/03/2015, 
onde  classificou­se  da  seguinte  maneira  os  componentes  de  kit  para  preparação  de  bebida 
refrigerante sabor laranja: 

a) NCM 2106.90.10 ­ Preparação para aromatização de bebida 
refrigerante,  com  sabor  laranja,  constituída  de  água  potável 
(70%), gomas naturais de laranja (20,44%), aromatizante sabor 
laranja  (5,8%),  corantes,  ácido  cítrico  anidro  e  conservantes, 
em embalagem de 50kg; 

b)  NCM  2916.31.21  ­  Benzoato  de  sódio,  em  embalagem  de 
15kg, e; 

c)  NCM  2918.14.00  ­  Ácido  cítrico  anidro,  em  embalagem  de 
67kg. Além de suas embalagens individuais, os componentes do 
kit também se encontram acondicionados conjuntamente em uma 
segunda embalagem, formando um único volume. 

Dispositivos Legais: 1ª RGI/SH (texto das posições 2106, 2916 e 
2918 e texto da nota 5­C, do capítulo 29), 6ª RGI/SH (texto das 
subposições  2106.90,  2916.31  e  2918.14)  e  1ª  Regra  Geral 
Complementar  (texto  do  item  2916.31.2  e  dos  subitens 

                                                           
2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 
15ª Edição.  Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 1.049 

Fl. 10377DF  CARF  MF



 

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2106.90.10  e  2916.31.21),  da  Tarifa  Externa  Comum,  do 
Mercosul,  aprovada  pela Resolução Camex  nº  43/2006,  e  suas 
alterações,  e  com  subsídios  das Notas  Explicativas  do  Sistema 
(grifei) 

Pelas mesmas razões, rejeita­se o argumento de ao menos reconhecer prática 
reiterada  da  Administração  Tributária  e,  nessa  qualidade,  norma  complementar  à  legislação 
tributária  (art.  100,  III,  do  CTN),  cuja  observância  implicaria,  na  pior  das  hipóteses,  o 
afastamento  da multa,  dos  juros  e  da  correção monetária  exigidos  para  reclassificação  fiscal 
para o código para o qual é atribuído alíquota zero do IPI.  

Também  não  assiste  razão  os  argumentos  acerca  da  competência  da 
SUFRAMA  para  definir  a  classificação  fiscal  dos  produtos  objeto  de  projetos  industriais 
aprovados por este órgão para fruição de benefícios fiscais. 

Isso  porque  é  atribuição  da  Receita  Federal  do  Brasil  o  desenvolvimento 
desta  tarefa,  nos  termos  do  art.  30  do Decreto  nº  70.235/1972.  Ademais,  o  Fisco,  no  TVF, 
consignou que a SUFRAMA não se pronunciou sobre o enquadramento na TIPI dos produtos 
em questão,  tendo  a  classificação  fiscal  sido  colocada  no  projeto  e  avaliação  técnica  trazida 
pela  própria  RECOFARMA  para  aprovação  do  projeto  e  obtenção  da  sua  aprovação  pela 
SUFRAMA. 

Compete  à  SUFRAMA  a  fiscalização  do  atendimento  aos  requisitos  para 
gozo da isenção, mas o atendimento da legislação tributária, incluindo­se classificação fiscal e 
a alíquota utilizada pelos adquirentes para cálculo dos créditos, é tema de fiscalização da RFB. 

No  mais,  diversas  normas  da  NESH  (Notas  Explicativas  do  Sistema 
Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias)  indicam que os  componentes 
de kits para fabricação de bebidas não se caracterizam como uma mercadoria única, conforme 
se  extrai,  em  especial,  do  item  XI  da  Nota  Explicativa  da  RGI  3  b),  que  exclui  os  bens 
destinados  à  fabricação  de  bebidas  do  campo  de  aplicação  da  RGI  3  b)  do  Sistema 
Harmonizado: 

XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas 
por  diferentes  componentes  acondicionados  separadamente  e 
apresentados  em  conjunto  (mesmo  em  embalagem  comum),  em 
proporções  fixas,  para  a  fabricação  industrial  de  bebidas,  por 
exemplo. 

Conforme  bem  destacado  no  TVF,  este  dispositivo  foi  incluído  na  NESH 
após  análise  efetuada  pelo  Conselho  de  Cooperação  Aduaneira  (CCA)  nos  anos  de  1985  e 
1986, em resposta a consultas recebidas de países­membros da organização internacional sobre 
a classificação de produtos com as mesmas características dos kits para fabricação de bebidas 
produzidos  no  Brasil.  O  texto  da  análise  do  CCA  equivale  a  uma  detalhada  exposição  de 
motivos para o item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), deixando claro que a criação dessa 
Nota  teve  por  objetivo  determinar  que  os  componentes  dos  kits  para  fabricação  de  bebidas 
devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. 

2.2. Da verificação da regularidade das notas fiscais 

Também não assiste  razão a Recorrente ao afirmar que não  tem o dever de 
verificar a classificação fiscal dada pelo fornecedor sobre os produtos adquiridos. 

Argumenta  a  Recorrente  que  o  art.  62  da  Lei  nº  4.502/1964  estabelece  o 
dever  do  adquirente  de  verificar  se  os  produtos  adquiridos  para  utilização  em  sua  produção 

Fl. 10378DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.367 

 
 

 
 

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apresentam correção nas notas fiscais, se este documento atende as prescrições da legislação, 
mas que não exige que se examine a classificação fiscal dos produtos dada pelo fornecedor 

Art  .  62.  Os  fabricantes,  comerciantes  e  depositários  que 
receberem  ou  adquirirem  para  industrialização,  comércio  ou 
depósito,  ou  para  emprêgo  ou  utilização  nos  respectivos 
estabelecimentos,  produtos  tributados  ou  isentos,  deverão 
examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados 
ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem 
como  se  estão  acompanhados  dos  documentos  exigidos  e  se 
êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. 

§  1º  Verificada  qualquer  falta,  os  interessados,  a  fim  de  se 
eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição 
competente,  dentro de oito dias do  recebimento do produto,  ou 
antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo 
menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o  fato ao remetente 
da mercadoria. (grifei) 

É certo que os  regulamentos do IPI anteriores, ao regulamentar o art. 62 do 
da  Lei  4.502/1964,  traziam  consigo  um  a  disposição  expressa  de  que  a  verificação  das 
prescrições legais das notas fiscais incluíam a classificação fiscal, porém, na atual redação do 
dispositivo dada pelo RIPI/2010, tal especificação foi retirada do texto, passando a ter a mesma 
redação do art. 62 do dispositivo retro­citado. 

No  entanto,  entendo  que  a  classificação  fiscal  está  incluída  na  redação  do 
texto vigente ao dizer que é dever do adquirente verificar se os documentos fiscais satisfazem 
todas as prescrições legais e regulamentares. A interpretação deste dispositivo, a meu ver, não 
deve se restringir apenas aos aspectos formais do documento fiscal, mas também a análise de 
seu  conteúdo  ideológico,  tais  como  descrição  do  produto,  valor,  peso  e  classificação  fiscal, 
devendo comunicar ao Fisco e ao fornecedor qualquer incorreção. 

Isso  porque  o  IPI  é  um  tributo  não  cumulativo,  cujo  regime  adotado  pela 
Constituição é o do método subtrativo indireto ­ imposto sobre imposto, sendo o montante de 
crédito um valor correspondente ao montante de tributo que incidiu na operação anterior para 
deduzir do imposto devido na etapa seguinte.  

Melhor  explicando,  quando  da  implementação  de  um  imposto  sobre  o 
consumo com incidência não cumulativa, pretendendo­se aplicar uma tributação sobre o valor 
acrescido,  a  Constituição  elegeu  o  método  da  subtração  conhecido  como  "imposto  sobre 
imposto" (tax on tax). Por este método, a não cumulatividade é implementada por sistema de 
débitos e créditos, tendo­se por consideração o montante de imposto que incidiu nas entradas 
dos produtos para abater com o montante de imposto que  incide nas  saídas dos produtos daí 
resultante, tudo com o objetivo de se tributar apenas o saldo para onerar o valor acrescido da 
operação. 

Com isso, caso não tenha havido incidência do imposto na operação anterior, 
não  haverá  um  crédito  a  compensar  com o  débito  futuro.  Pelo método de  apuração  imposto 
sobre imposto, é da própria natureza da metodologia de apuração a falta de geração de crédito 
para a  fase posterior da cadeia produtiva quando na fase anterior não há não  incidência  (seja 

Fl. 10379DF  CARF  MF



 

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por isenção, alíquota zero ou não incidência pura e simples), ocorrendo o denominado “efeito 
de recuperação” 3 

À  não  cumulatividade  do  IPI,  por  esta  metodologia  de  crédito  à  razão  do 
imposto  que  incidiu  na  etapa  anterior,  reconhece­se  a  translação  jurídica4  do  encargo 
econômico do tributo. Assim, juridicamente, o montante de crédito do industrial corresponderá 
ao montante de imposto que incidiu nas aquisições de matéria­prima, produtos intermediários e 
material  de  embalagem. Desta  feita,  qualquer  incorreção  no  valor  da  base  de  cálculo  ou  da 
aplicação  da  alíquota  decorrente  de  uma  má  aplicação  da  classificação  fiscal  afetará, 
inevitavelmente, o montante de crédito a ser escriturado pelo adquirente. 

Esta necessidade de verificação da classificação fiscal pelo adquirente é mais 
perceptível  nos  casos  em  que  há  permissão  de  geração  de  crédito  presumido  de  IPI  nas 
aquisições de produtos  isentos ou sujeitos à alíquota zero, calculando­se um crédito como se 
fosse devido um imposto. Isso porque, nas operações normais, com o destaque do imposto na 
nota  fiscal,  o  adquirente  do  produto  é  onerado  pelo  valor  do  imposto  e,  juridicamente,  este 
encargo  econômico  é  transferido  e  pode  ser  escriturado  como  crédito  para  fins  de  não 
cumulatividade.  Entretanto,  nos  casos  em  que  não  há  incidência  na  etapa  anterior,  seja  por 
isenção, seja por alíquota zero, a escrituração do crédito do imposto, quando permitido, não se 
dá pela translação do encargo econômico, mas sim em razão de um crédito presumido. 

No caso de produtos adquiridos da ZFM, tais produtos são isentos em razão 
do critério territorial da hipótese de incidência. Caso a classificação fiscal do produto isento em 
razão do local  tenha uma alíquota maior que zero, e seja autorizada a escrituração de crédito 
mesmo havendo a  isenção, o crédito é calculado pela aplicação da alíquota correspondente à 
classificação  fiscal,  como  se  devido  fosse.  Daí  a  necessidade,  a  meu  ver,  de  o  fornecedor 
verificar  a  correção  da  classificação  fiscal  dada  por  seu  fornecedor  em  qualquer  caso,  ainda 
mais em hipótese de não incidência, já que o crédito gerado será presumido e não decorrente da 
incidência do  imposto na etapa anterior,  como ocorre diante da natureza do método  imposto 
sobre imposto da não cumulatividade (translação jurídica do encargo econômico). 

Neste  sentido,  deve  ser  glosado  o  crédito  presumido  escriturado,  inclusive, 
com exigência da multa prevista no art. 80 da Lei 4.502/1964, conforme aplicação dada pelo 
auto de infração. 

3. QUANTO AOS JUROS E MULTA 

Quanto à aplicação dos  juros  sobre a multa de ofício,  já é de entendimento 
deste E. CARF sobre a possibilidade de aplicação dos juros sobre a multa, tendo­se em vista o 
que dispões os artigos 113, § 1º, 139 e 161, todos do CTN, entendendo­se que há incidência de 
juros de mora sobre o crédito tributário, o qual pode ser composto tanto de imposto quanto de 
penalidade pecuniária, pois ambas as prestações pecuniárias referidas são objeto da obrigação 
tributária principal. 

Outrossim, este entendimento esta matéria se encontra sumulado: 

Súmula CARF nº 108 

                                                           
3 TORRES, Ricardo Lobo. O Princípio da não­cumulatividade e o  IVA no Direito Comparado.  In: MARTINS, 
Ives Gandra  da  Silva  (coord.). O  Princípio  da Não­Cumulatividade. Nova  Série  nº  10.  São  Paulo: Revista  dos 
Tribunais, 2004. p. 152. 
4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 6ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 

Fl. 10380DF  CARF  MF



Processo nº 14090.720754/2017­89 
Acórdão n.º 3301­005.546 

S3­C3T1 
Fl. 10.368 

 
 

 
 

27

Incidem  juros  moratórios,  calculados  à  taxa  referencial  do 
Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC,  sobre  o 
valor correspondente à multa de ofício. 

CONCLUSÃO 

Isto  posto,  conheço  em  parte  do  recurso  voluntário  para  não  analisar  a 
possibilidade  de  geração  de  créditos,  pois  protegida  pela  coisa  julgada,  porém,  na  parte 
conhecida, nego provimento diante da impossibilidade da geração de crédito presumido de IPI 
na  medida  em  que  os  "kits  de  concentrado"  classificam­se  na  NCM  2106.90.10,  sujeitos  à 
alíquota zero de IPI. 

SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR ­ Relator 

 

 

           

 

           

 

 

Fl. 10381DF  CARF  MF


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•	 2.9	 PUBLI'ADO NO D. O. U.

De..4.9./...2.6./ 199.e...

C 	  rt--Qs4-4A-IT-çt
MINISTÉRIO DA FAZENDA	 C Rubrica

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

Sessão	 :	 28 de janeiro de 1998

Recurso :	 100.836

Recorrente : 	 Granja Rezende S.A.

Recorrida :	 DRJ em Florianópolis - SC

IPI - MULTA - TIPICIDADE. A Lei 4.502/64, art. 62, RIPI/82, arts.
173, §§, 364, II e 368 - Obrigação acessória do adquirente de

produtos industrializados. A cláusula final do artigo 173 caput; - "e se
estão de acordo com a classificação fiscal, o lançamento do imposto"
- é inovadora, vale dizer, não encontra amparo no artigo 62 da Lei n.
4.502164. Destarte, não pode prevalecer, por isso que as penalidades
são reservadas à lei (CTN, art. 97 V; Lei 4502/64, art. 64, § 15.
Recurso provido.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso

interposto por: Granja Rezende S.A.

ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo

Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento

ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valdemar Ludvig.

Sala das SessoA, em 28 de janeiro de 1998

Lil
Luiza Helena alente de Moraes

Presidenta

Jorge Freire

Relator

Participaram, ainda do presente julgamento, os Conselheiros Expedito Terceiro

Jorge Filho, Rogério Gustavo Dreyer, Serafim Femandes Corrêa, Geber Moreira

e Sérgio Gomes Velloso.

Fclb/mas



d50

MINISTÉRIO DA FAZENDA

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

Recurso :	 100.836
Recorrente:	 Granja Rezende S.A.

RELATÓRIO

Trata-se de recurso à decisão monocrática proferida pela
Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, SC, tendo em
vista a manutenção integral do auto de infração lavrado pela Delegacia da
Receita Federal em Joinville, SC.

O lançamento formalizado neste processo decorreu de a
empresa Sabroe Tupiniquim (CGC 80.446.52910001-72) ter sido autuada,
dentre outras razões, por erro de classificação fiscal quanto aos produtos de
sua fabricação denominados Painel Frigoloc e Styropainel ( portas frigoríficas).
Entende o Fisco que a classificação correta é 8418.99.9900, aliquota de 15 %
(quinze por cento), ao invés da adotada pela autuada, 7308.30.0000, aliquota
zero.

Tendo a recorrente comprado tais mercadorias da empresa
originariamente autuada, através das notas fiscais relacionadas às fl. 03,
entenderam os agentes do fisco que a mesma inobservou o disposto no art.
173 do mesmo regulamento, desta forma sujeitando-se à penalidade prevista
no art. 368 do RIPI/82. A multa aplicada foi a correspondente ao valor que
deixou de ser lançado (364, II).

Irresignada, a empresa impugna o lançamento argüindo, em
síntese, a nulidade do auto de infração por cerceamento do seu direito de
defesa, e entra no mérito da classificação fiscal imputada à Sabroe, autuada
originariamente.

A decisão monocrática mantém in integrum o lançamento (fls.
29/37).

Há recurso a este Colegiado onde a empresa alega que não
pode a mesma ser autuada em função de matéria de alta complexidade como a
classificação fiscal de mercadorias, que é matéria ensejadora de perícia. No
mais, repisa seus argumentos.

A Fazenda Nacional, em suas contra-razões, pugna pela
manutenção de decisão recorrida (fl. 45).

É o relatório.

'21)7

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Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE

Até então vinha entendendo que o descumprimento das

obrigações do art. 173 do RIPI/82, daria margem à aplicação da penalidade do

art. 368 do mesmo Regulamento, também quando se referissem a não

comunicação de erro de classificação fiscal. Embasava minha posição no fato

de que, embora não houvesse autorização legal explicita no art. 62 da Lei

4.502/64, o próprio artigo referenciava a outras "prescrições legais e

1

	

	 regulamentares". Tratar-se-ia, portanto, de norma em branco que o
Regulamento do IPI veio preencher, e diligenciava para saber a sorte do

processo principal, sobrestando seus resultados até julgamento final.
,

Todavia, já há unanimidade contrária à minha posição pelas

demais Câmaras deste Conselho e por esta Primeira Câmara, que desde
sempre teve no ilustre Conselheiro Dr. Rogério G. Dreyer, voto neste sentido. E

também é este o entendimento do Judiciário especificamente quanto à

penalização por não cumprimento da obrigação acessória do art. 173 no que

tange à classificação fiscal.

Do voto do nominado Conselheiro, no recurso 99496,

transcrevo o excerto infra, por entender que ele é exaustivo e definitivo, o qual
adoto, em parte, como fundamento de decidir:

"... Tendo em vista a importância da matéria, sob o
aspecto jurídico, e em vista do posicionamento que venho
defendendo em relação a mesma, peço vênia aos meus pares
para iniciar o julgamento atacando o último item enfocado.

A matriz legal do artigo 173 do RIPI, o artigo 62 da
Lei n° 4.502/64, estabelece o seguinte:

Art. 62 - Os fabricantes, comerciantes e depositários

que receberem ou adquirirem para industrialização,

comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização

nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados

ou isentos, deverão examinar se eles se acham

devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados

se estiverem sujeitos ao selo de controle bem como se

estão acompanhados dos documentos exigidos e se

estes satisfazem todas as prescrições legais e

regulamentares.

Já o artigo 173 do RIPl assim estabelece: y

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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

Art. 173 - Os fabricantes, comerciantes e depositários que re-

ceberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou

depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos esta-

belecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão exami-

nar se estes estão devidamente rotulados ou marcados e,

ainda, selados, quando sujeitos ao selo de controle, bem como

se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estão de

acordo com a classificação fiscal, o lançamento do imposto e

as demais prescriçães deste Regulamento.

Constata-se manifesta inovação por parte do
RIPI/82, contrariando a legislação de regência do tributo,
quando atribui ao contribuinte responsabilidade transcendente
ao nela estabelecido.

A matriz legal estabeleceu que o adquirente
verificasse, relativamente aos produtos:

a) Se estilo rotulados;

b) Se estilo marcados;

c)Se devidamente selados, caso sujeitos ao selo de controle;

d)Se devidamente acompanhados dos documentos exigidos;

Já em relação aos documentos:

e)Se estes satisfazem a todas as prescrições legais e
regulamentares

Estas são as responsabilidades atribuidas ao
adquirente, na atividade de auxílio à fiscalização, procurando
verificar a regularidade da operação entre ele e seu for-
necedor

Não se pode pretender que o artigo 62 da Lei no
4.502164, quando diz satisfazem a todas as normas legais e
regulamentares, tenha autorizado que a norma regulamentar
exigisse do adquirente a verificação, nos documentos que
acompanham o produto, da sua exata classificação fiscaL

A lei atribuiu responsabilidade ao adquirente para
verificar a satisfação de todas as prescrições legais e
regulamentares, somente em relação aos documentos
exigidos.

Neste pé, a responsabilidade do adquirente
importa a verificação de que a classificação fiscal e o destaque

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•Processo :	 10920.000045195-08

Acórdão :	 201-71.341

do imposto constem do documento, pois se trata de prescrição

legal e regulamentar. Importa ainda na verificação da correta

emissão da nota em outros aspectos formais, como por

exemplo, quando em operação ao abrigo de exclusão do

crédito triutário, dela constar a norma excludente. Não importa,

entretanto, verificar a exatidão da classificação fiscal ou da

aliquota adequada, nem mesmo a exatidão da regra

excludente do crédito tributário. Estas exigências

regulamentares, no meu entendimento, transcendem a lei,

sendo, por tal, manifestamente ilegais.

Aliás, o regulamento, de forma infeliz, subverteu os

termos da matriz legal, para determinar ao adquirente a

responsabilidade da verificação relativa a todas as prescrições

legais e regulamentares quanto à correção do imposto

destacado relativamente ao produto, como se verifica no artigo

173, In fine, do RIP!.

Salvo melhor juizo, não é isto que a Lei determina.

Ela estabelece, restritivamente, a responsabilidade do

adquirente em verificar o cumprimento das disposições legais

e regulamentares, somente em relação aos documentos

(aspecto formal), e não em relação aos aspectos de natureza

material.

Assim entendeu o extinto Egrégio Tribunal Federal

de Recursos, no julgamento, por sua 68 Turma, da Apelação

em Mandado de Segurança n° 105.951-RS, cujo acórdão

junto, como parte integrante do presente voto, quando, por

unanimidade, decidiu:

TRIBUTÁRIO. IPI. MULTA. TIPICIDADE. Lei n°4.502'64, art. 62.
Decreto 70.162/72, art. 169. Decreto 83.263179, art. 266.

I. A cláusula final dos artigos 169 e 266 dos Decretos n°s 70.162/72

e 83.263/79 - Inclusive quanto à exata classificação fiscal dos

produtos e à correção do imposto lançado' - é inovadora, vale dizer,

não encontra amparo no art. 62 da Lei n° 4.502/64. Destarte, não

pode prevalecer, por isso que penalidades são reservadas à lei

(CTN, art. 97, V; Lei 4.502/64, art. 64, § 15,
II - Recurso improvido.

Vou mais além. Tivesse a matriz legal atribuido ao

adquirente verificar a regularidade do lançamento (correta

classificação fiscal, aliquota e valor do imposto), estaria a

mesma perpetrando manifesta ilegalidade, por afrontar o CTN,

que estabelece ser a atividade da constituição do crédito

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Processo :	 10920.000045/95-08

Acórdão :	 201-71.341

tributário, via lançamento, como privativa da autoridade
administrativa

O lançamento, no dizer do CTN, é o procedimento
administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato
gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria
tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar
o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da
penalidade cabível (artigo 142).

Desta forma, pretender atribuir ao adquirente da
mercadoria a responsabilidade sobre a verificação da
classificação fiscal e a decorrente alíquota aplicável - da qual
decorre alteração no lançamento - e sobre a correção do
imposto lançado, é elevá-lo à condição que a lei não lhe
defere. Esta atribuição é privativa da autoridade administrativa.

Além disto, desprezando a ilegalidade mencionada,
cabe referir aspecto especifico em relação à prática da
determinação da classificação fiscal adequada aos produtos
sujeitos ao imposto. Sabe-se que a determinação exata da
classificação fiscal é tarefa que requer conhecimento técnico
profundo, ao ponto de, no mais das vezes, representar este
objetivo dificuldade à própria Receita Federal.

Neste aspecto, importante a manifestação contida
no voto proferido pelo eminente Conselheiro Sérgio Gomes
Velloso, Relator do processo n° 10680.007831/90-20, acórdão
n° 201.69.756, como segue:

Neste particular, observo que inúmeras são
as hipóteses em que um aparente defeito na
nota-fiscal pode ser descaracterizado pelo
_fabricante emitente. Dentre elas destaca-se a
de divergência quanto à classificação fiscal
do produto. Não são poucas as vezes em que
a _fiscalização se equivoca, em que o
lançamento não é mantido na decisão final
proferida no contencioso administrativo.
Também em relação a questionamentos de
isenções, enderêços, etc., são freqüentes as
ocasiões em que o contribuinte e capaz de
justificar os dados que suscitam à primeira
vista a acusação fiscal, enquanto que menos
freqüentemente o adquirente dispõe dos
elementos necessários à justificação do
procedimento adotado pelo contribuinte-
fornecedor.

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Processo :	 10920.000045/95-08

Acórdão :	 201-71.341

Cito ainda que, a Segunda Câmara deste Egrégio
Conselho, sobre a matéria, ainda que por maioria, julgou
procedente o Recurso n° 97.818, processo n°
10880.049954/92-06, assim ementando o seu acórdão de n°
202.9.414:

IPI - MULTA. Tipicidade. Lei 4.502/64, art. 62, RIP1/82, arts.

173, §§, 364, 11 e 368 - Obrigação acessória do adquirente de

produtos industrializados. A cláusula final do artigo 173

captd; - "e se estão de acordo com a classificação fiscal, o

lançamento do imposto" - é inovadora, vale dizer, não

encontra amparo no artigo 62 da Lei n. 4.502/64. Destarte,

não pode prevalecer, por isso que as penalidades são

reservadas à lei (CTN, art. 97 V; Lei 4502/64, art. 64, § 19.

Recurso provido.

Cito igualmente, ainda que não vinculado
diretamente aos textos legais sob comento, o estabelecido no
Ato Declaratório (Normativo) n° 36, de 05 de outubro de 1995,
determinando que não configura declaração inexata, para
efeitos de aplicação da multa prevista no artigo 4° da Lei n°
8.218/91, a aposição errônea da classificação tarifária
constante do despacho aduaneiro, desde que corretamente
descrito o produto e não constatado intuito doloso ou má-fé.

De proveitoso, no referido Ato Declaratório, o
reconhecimento manifesto da autoridade administrativa, das
dificuldades em determinar com exatidão a classificação de
produtos.

Isto posto, quer pela ilegalidade mencionada, quer
pela manifestações jurisprudenciais citadas, entendo que não
cabe, em nenhuma circunstância, apenar o adquirente de
mercadoria, com base no artigo 173 do RIPI/82, em relação à
divergência quanto à classificação fiscal do produto ou em
relação à correção do imposto lançado. Entendo, com o
devido respeito aos que de mim divergem, que o contribuinte,
em relação a tais fatos, não tem qualquer obrigação de
comunica-los ao seu fornecedor.

O entendimento de que o contribuinte ao ter de verificar a
classificação fiscal e conseqüente aliquota estaria se elevando à condição de
autoridade administrativa, de vez que tal fato poderia dar margem à alteração
do lançamento, exorbita a matéria dos autos e com ela não pactuo.

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MINISTÉRIO DA FA7-ENDA

SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
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Processo :	 10920.000045/95-08

Acórdão :	 201-71.341

O que se litiga aqui não é ter ou não o contribuinte de cumprir

as obrigações acessórias estatuídas no art. 173 do RIPI/82 ou do art. 62 da Lei

4.502/64, mas sim se há previsão legal para sancionar administrativamente seu

descumprimento. Não tenho dúvidas de que deve o contribuinte, com base nas

referidas normas, verificar a regularidade da operação comercial e sua exata

conexão com o documentado fiscal.

Aliás, a decisão judicial a que se refere o ilustre relator do voto

parcialmente susa transcrito se atém à regularidade da sanção penal

administrativa e não quanto a ter ou não o contribuinte de cumprir as

prestações do art. 62 da Lei 4.502164 ou mesmo aquelas instituídas pelo poder

regulamentar do Presidente da República. Também nestes termos cinge-se à

decisão prolatada no Acórdão 202.9.414. Esse é o cerne da controvérsia, ter o
RegulameNto extrapolado os limites legais, assim inquinando a tipicidade

restrita da penalização administrativa.

Se a Lei 4.502164 determinasse de forma explícita que deveria

o contribuinte notificar seu fornecedor-industrial sobre erro na classificação
fiscal (e demais obrigações do art. 173, caput, do RIPI/82), alíquota, isenção

etc., sob pena de não o fazendo, e constatando o Fisco que seria incorreta, ser

penalizado, p. ex., com base no art. 368 do RIPI/82, então legítima seria a

imposição da penalidade.

Enfim, não há previsão legal para a multa do art. 368 do
RIPI/82, tendo como fundamento o descumprimento de obrigação acessória de

não informar o comprador a seu fornecedor-industrial sobre erro de

classificação fiscal, atíquota ou isenção, em relação às mercadorias adquiridas,
aplicando-se na espécie o art. 97, V, do CTN.

Diante do exposto,

CONSIDERO IMPROCEDENTE O LANÇAMENTO.

É assim que voto.

Sala das sessões, em 28 de janeiro de 1998

JORGE FREIRE

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Data do fato gerador: 31/07/2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO.
Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 - SRRF09/Diana.

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(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).


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S3­C3T1 

Fl. 297 

 
 

 
 

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296 

S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11516.002843/2006­51 

Recurso nº               Embargos 

Acórdão nº  3301­003.657  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  25 de maio de 2017 

Matéria  Omissão/nulidade 

Embargante  FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA 

Interessado  FAZENDA NACIONAL  

 

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 

Data do fato gerador: 31/07/2003 

EMBARGOS  DECLARATÓRIOS.  OMISSÃO  CONSTATADA. 
SANEAMENTO.  

Constatada  a  existência  de omissão no  julgado  recorrido,  tal  vício deve  ser 
sanado em sede de embargos declaratórios. 

Embargos  parcialmente  acolhidos,  com  efeitos  infringentes,  para  fins  de 
sanar  a omissão  apontada, e,  em consequência,  acolher  em parte o Recurso 
Voluntário  interposto  pelo  contribuinte,  no  sentido  de  determinar  que  os 
valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da 
Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana. 

 
 

Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado,  por 
unanimidade  de  votos,  em  acolher  parcialmente  os  Embargos  Declaratórios  para  que, 
considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário 
seja parcialmente provido, excluindo­se da autuação os valores  relativos  às mercadorias  cuja 
classificação  fiscal  determinada  pela  fiscalização  divirja  da  classificação  fiscal  apontada  na 
referida Solução de Consulta. 

 

(assinado digitalmente) 

Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora. 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, 
Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara 

  

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6.
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51

Fl. 297DF  CARF  MF




 

  2

Simões  (Relatora),  Antônio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Semíramis  de  Oliveira Duro, 
Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). 

Fl. 298DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 298 

 
 

 
 

3

 

Relatório 

Por economia processual,  adoto o  relatório constante da decisão embargada 
(fls. 243 e seguintes dos autos): 

Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: 

Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado 
em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 
176. 

Em  atendimento  aos  Mandados  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF  e  MPF 
Complementar  nº  09.2.01.00.2005.0043561,  fls.  1  e  2,  a  autoridade  fiscal 
desenvolveu  procedimento  de  fiscalização,  tendo  por  objeto  o  Imposto  sobre 
Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 
170, no valor total de R$ 3.286.588,56. 

O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 
1.543.947,07,  a  título  de  imposto,  R$  584.681,44  a  título  de  juros  de mora  e  R$ 
1.157.960,05, a título de multa. 

Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de 
tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, 
lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindo­se, assim, em contribuinte do 
IPI. 

Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 
185,  durante  o  procedimento  de  fiscalização  foram  efetuados  outros  autos  de 
infração  conforme  processos  11516.002571/200609  e  11516.002677/200692,  com 
as infrações neles apontadas. 

Quanto  ao  presente  processo,  as  condutas  infracionais  imputadas  ao 
contribuinte são as seguintes: 

a) A empresa  adotou  classificações  fiscais  para o  produto CATALIZADOR 
PU  resultando  em  falta  de  lançamento  ou  lançamento  a  menor  do  IPI,  conforme 
DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. 

Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no 
código  3824.90.32,  com  alíquota  de  10%  (fl.  108),  tem  por  base  as  informações 
prestadas  pela  empresa  e  está  amparada  nas  Regras  Gerais  para  Interpretação  do 
Sistema  Harmonizado  1ª  e  6ª  e  notas  explicativas  nº  1,  do  capítulo  29,  nº  4  do 
capítulo  32  e  nº  3  da  posição  3909  (IN  123/98),  conforme  detalhado  nos  itens 
3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. 

b)  Os  SOLVENTES  E  DILUENTES,  segundo  as  Regras  Gerais  para 
Interpretação  do Sistema Harmonizado  1ª  e  3ª  “a”,  estão  classificados  na TIPI no 
código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). 

Das  classificações  adotadas  pela  empresa  resultou  falta  de  lançamento  ou 
lançamento  a  menor  do  IPI,  por  erro  de  classificação  fiscal,  por  infringência  ao 
disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). 

Fl. 299DF  CARF  MF



 

  4

Foi  elaborado  o  DEMONSTRATIVO  DO  IPI  NÃO  LANÇADO  – 
THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. 

O  contribuinte  tomou  ciência  do  Auto  de  Infração  em  17/10/2006  e 
apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 

1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do 
princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade 
fiscal não  ter alicerçado seu entendimento em prova pericial;  2.  Inobservância por 
parte da  autoridade  administrativa do princípio do ônus  da prova, assentando­se o 
lançamento  tributário  em  suas  interpretações  próprias;  3.  Reprodução  das  Regras 
Gerais  para  Interpretação do Sistema Harmonizado  (RGI),  alegando,  ao  final,  não 
ser  lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais 
alta”;  4.  Afirma  que  a  classificação  fiscal  adotada  pela  empresa  está  correta,  não 
devendo  prevalecer  aquela  adotada  pela  autoridade  fiscal,  podendo  o  produto 
CATALISADOR  PU  ser  classificado  nos  capítulos  39  ou  32,  bastando  ser 
considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja 
próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado 
ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundou­se, 
tão  somente,  à  falta  de  provas  de  que  referido  produto  contivesse  componentes 
aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em 
face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de 
juros com base na taxa SELIC. 

A decisão recorrida encontra­se assim ementada: 

2ª  Turma  da  DRJ/RPO  Sessão  de  27  de  janeiro  de  2012  Processo 
11516.002843/200651  Interessado  FARBEN  S/A  INDÚSTRIA  QUÍMICA 
CNPJ/CPF  85.111.441/000113  ASSUNTO:  CLASSIFICAÇÃO  DE 
MERCADORIAS  Período  de  apuração:  01/01/2002  a  31/12/2003 
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E 
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. 

Restando  evidenciado  que  a  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal 
encontram­se  suficientemente  claros  para  propiciar  o  entendimento  das 
infrações  imputadas,  descabe  acolher  alegação  de  nulidade  do  auto  de 
infração. 

CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 

Não  tendo  o  contribuinte  apresentado  argumentos  suficientes  para  ilidir  a 
classificação  fiscal  adotada  pela  autoridade  administrativa,  que  se  mostra 
correta, há de se manter o lançamento de ofício. 

TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. 

ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. 

O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a 
juros  (equivalentes  à  taxa  referencial  do  sistema  Selic),  e  não  à  correção 
monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão 
em  normas  regularmente  editadas,  não  tendo  o  julgador  administrativo 
competência  para  apreciar  argüições  de  sua  inconstitucionalidade  e/ou 
ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. 

MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. 

A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador, 
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da 
legislação que a instituiu. 

Fl. 300DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 299 

 
 

 
 

5

Impugnação  Improcedente  Crédito  Tributário  Mantido  Cientificada  em 
13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário 
de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos 
constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de 
catalisadores,  também  chamados  endurecedores,  e  dependendo  do  tipo  do 
produto a classificação fiscal é diferente. 

Aduzindo  também  que  na  verdade  o  Fisco  não  teria  discordado  da 
classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 
20.10.2003  havia  formulado  referidos  produtos  com  65%  ou  mais  de  solventes 
aromáticos  em  sua  composição,  e  como  não  teve  oportunidade  de  juntar  as  suas 
ordens  de  produção,  a  autoridade  simplesmente  adotou  a  presunção,  sem  contudo 
certificar­se  de  provar  que  os mencionados  produtos  não  tinham mais  de  65% de 
componentes aromáticos em sua formulação. 

Afirma por fim ter ocorrido vício material  insanável, distante do erro de classificação 
fiscal quanto  aos produtos  “catalisadores  pu”, bem como que  teria  sido  contrariado o 
efeito  vinculante  da  Solução  de Consulta  nº  117  –  SRRF09/Diana,  e  em  relação  aos 
thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou 
mais em sua formulação de solventes aromáticos. 

Ao  analisar  o  caso,  este  Conselho  entendeu,  através  do  Acórdão  nº  3301­
002.117,  por  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte,  sob  o 
fundamento  de  que,  para  afastar  a  classificação  fiscal  adotada  pela  autoridade  fiscal,  seria 
necessário que o interessado comprovasse com argumentos e provas materiais, inclusive laudos 
técnicos especializados. A referida decisão restou assim ementada: 

ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período  de 
apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 
AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  CRITÉRIOS 
UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. 

Para  afastar  a  classificação  fiscal  adotada  pela  autoridade 
fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos 
e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. 

Recurso Improvido. 

O  contribuinte,  então,  interpôs  embargos  declaratórios,  através  dos  quais 
alega que a decisão recorrida teria incorrido nos seguintes vícios:  

(i)  omissão/erro  material  ­  diferentemente  do  que  constou  do  relatório  do 
acórdão  vergastado,  o  recurso  voluntário  não  teria  apenas  reiterado  os 
argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate 
a  respeito  dos  CATALISADORES  PU,  pois  aprofundaria  o  debate  técnico 
mediante  novos  argumentos  sobre  a  classificação  adotada  pela  autoridade 
notificante  tanto  para os CATALISADORES PU como para  os THINNERS  e 
DILUENTES;  

(ii) omissão/erro material  ­  o  relator  teria deixado de  analisar  em seu  voto  a 
classificação  fiscal  dos  20  tipos  de  CATALISADORES  PU  produzidos  pela 
recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de 
primeira  instância,  não  haveria  sido  formulada  nenhuma  consulta  pela 
Recorrente (erro material);  

Fl. 301DF  CARF  MF



 

  6

(iii) omissão ­ quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para 
os THINNERS e DILUENTES, a decisão não teria enfrentado o argumento do 
contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual  teria  sido  fundada 
em  meras  suposições,  face  à  inexistência  de  laudo  comprobatório  de  que  os 
produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. 

Ato contínuo, em sessão realizada em 28/09/2016, este Conselho entendeu por 
converter o julgamento em diligência, para que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor 
da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana. 

Cumprida  esta  diligência,  os  autos  retornaram  a  esta  julgadora,  para  fins  de 
julgamento. 

É o relatório.  

 

 

Fl. 302DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 300 

 
 

 
 

7

 

Voto            

Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: 

Os  Embargos  Declaratórios  opostos  são  tempestivos  e  reúnem  os  demais 
requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. 

Conforme  relatado  acima,  foram  três  os  fundamentos  apresentados  pelo 
embargante em seu recurso, quais sejam: 

(i)  omissão/erro  material  ­  diferentemente  do  que  constou  do  relatório  do 
acórdão  vergastado,  o  recurso  voluntário  não  teria  apenas  reiterado  os 
argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate 
a  respeito  dos  CATALISADORES  PU,  pois  aprofundaria  o  debate  técnico 
mediante  novos  argumentos  sobre  a  classificação  adotada  pela  autoridade 
notificante  tanto  para os CATALISADORES PU como para  os THINNERS  e 
DILUENTES;  

(ii) omissão/erro material  ­  o  relator  teria deixado de  analisar  em seu  voto  a 
classificação  fiscal  dos  20  tipos  de  CATALISADORES  PU  produzidos  pela 
recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de 
primeira  instância,  não  haveria  sido  formulada  nenhuma  consulta  pela 
Recorrente (erro material);  

(iii) omissão ­ quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para 
os THINNERS e DILUENTES ­ a decisão não teria enfrentado o argumento do 
contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual  teria  sido  fundada 
em  meras  suposições,  face  à  inexistência  de  laudo  comprobatório  de  que  os 
produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. 

Quanto  ao  item  (i),  entendo que  não  assiste  razão  à Embargante.  Isso  porque, 
embora  tenha  a  decisão  recorrida  mencionado  que  o  recurso  voluntário  teria  reiterado  os 
termos da impugnação, o fato de a Recorrente ter trazido argumentos novos em seu recurso não 
leva à existência de omissão/erro material da decisão recorrida. O Julgador não precisa tratar 
necessariamente sobre todos os argumentos trazidos aos autos pelo contribuinte, bastando que 
fundamente a sua decisão em elementos suficientes à conclusão a que chegou em seu julgado.  

No que tange ao item (iii), entendo que tampouco assiste razão ao contribuinte. 
Isso porque, verifica­se que a decisão recorrida não foi omissa neste ponto, tendo tratado sobre 
o tema, ainda que de forma sucinta. É o que se extrai da transcrição a seguir: 

Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 
3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. 

No  período  de  16/12/2002  a  20/10/2003,  o  produto  thinner  ou  diluente  foi 
classificado  na  posição  2707.50.00,  tributado  a  alíquota  0%,  sem  contudo  haver 
comprovação  de  que  produto  sob  análise  preenchia  as  condições  necessárias  para 
que pudesse ter tal enquadramento. 

Fl. 303DF  CARF  MF



 

  8

Ou  seja,  entendeu  o  julgador  naquela  oportunidade  que,  para  fazer  jus  à 
classificação que lhe atribuía alíquota de 0%, deveria o contribuinte comprovar que o produto 
preenchia  as  condições  necessárias  para  que  pudesse  ter  tal  enquadramento,  e  que  o 
contribuinte não teria se desincumbido deste ônus. Não há que se falar, portanto, em omissão 
do julgado recorrido, mas em insurgência do contribuinte quanto ao seu conteúdo, o que não se 
pode admitir em sede de embargos declaratórios. 

Quanto  ao  item  (ii),  alega  o  contribuinte  que  teria  havido  omissão/erro 
material em razão de o relator ter deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 
tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão), tendo consignado que, 
conforme analisado pela decisão de primeira  instância,  não haveria  sido  formulada nenhuma 
consulta  pela  Recorrente  (erro  material).  Neste  ponto,  entendo  que  assiste  razão  ao 
contribuinte. 

Para que melhor se compreenda a discussão ora em debate, transcrevem­se as 
passagens dos seguintes documentos constantes dos autos: (a) decisão da DRJ; (b) decisão do 
CARF; (c) embargos declaratórios opostos pelo contribuinte: 

Decisão da DRJ (fl. 209 dos autos) 

Ao  querer  atribuir  validade  ao  lançamento  somente  após  “parecer  técnico”,  a 
interessada deturpa integralmente o instituto. Curioso, que a própria interessada poderia 
ser mais  diligente  na  classificação  fiscal  de  seus  produtos,  inclusive  utilizando­se  de 
perícias, ou de modo mais eficaz, de consulta fiscal, o que não fez. 

Ressalte­se que a interessada não está obrigada a solicitar esclarecimentos prévios sobre 
eventual  classificação  fiscal  de  seus  produtos,  seja  em  consulta  fiscal  ou  parecer 
técnico, sendo de sua exclusiva responsabilidade os atos de sua iniciativa, nos termos do 
artigo 20 e seu parágrafo único da Lei 4.502/64. 

Art  .  20.  O  lançamento  consistirá  na  descrição  da  operação  que  o  originar  e  do 
produto a que se referir, na classificação fiscal dêste no cálculo do impôsto devido e no 
registro de seu valor, em parcela destacada, na guia ou na nota fiscal em que deva ser 
efetuado. 

Parágrafo único. O lançamento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte. 

Nesse  sentido,  se  comprovado  pela  autoridade  fiscal  que  o  contribuinte  errou  na 
classificação fiscal de seus produtos,  legítima e necessária a  reclassificação fiscal, em 
obediência às normas de tributação, ainda que essa reclassificação seja mais onerosa ao 
contribuinte,  não  configurando  postura  odiosa  por  parte  do  Ente  tributante  e  sim 
obediência à legalidade. 

Acórdão nº 3301­002.117 (fls. 246/247 dos autos)  

De  acordo  com  a  decisão  recorrida  a  interessada,  ora  Recorrente,  adotou,  para  um 
mesmo  produto,  várias  classificações  fiscais.  O  produto  CATALIZADOR  PU  foi 
classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 
12/2002,  alíquota  de  10%;  3909.50.11,  no  período  de  16/12/2002  a  10/07/2003), 
alíquota  de  5%;  3824.90.32,  no  período  de  11/07/2003  a  01/08/2003,  alíquota  de 
10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 
02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. 

A  autoridade  fiscal  classificou  o  produto  na  posição  3824.90.32,  que  estabelece 
uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. 

Fl. 304DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 301 

 
 

 
 

9

Em  sua  defesa,  para  este  produto,  conforme  fls.  195,  a  interessada  afirma  que  a 
classificação  fiscal  por  ela  adotada  está  correta,  afirmando  através  das  informações 
técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: 

CATALISADORES  Os  produtos  175.010,  273.927,  273023,  273.725,  273.730, 
273.925,  273.828,  273.750,  273.033,  273.021,  573.600  e  573.700  a  partir  de 
02/06/2005  alteramos  a  classificação  fiscal  para  2929.1029.  De  acordo  com  a 
descrição  abaixo  através  de  uma  análise  técnica  e  comparação  com  o  praticado  no 
mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima 
descrito e por nós comercializado;  

THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos 
diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos 
produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em 
volume)  de  solventes  aromáticos  em  sua  formulação  Desta  forma,  conforme  bem 
fundamentou  o  acórdão  recorrido,  para  um  mesmo  produto,  a  interessada,  ora 
Recorrente  adotou  várias  classificações  fiscais.  O  produto  CATALIZADOR  PU  foi 
classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 
12/2002,  alíquota  de  10%;  3909.50.11,  no  período  de  16/12/2002  a  10/07/2003), 
alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 
3909.50.11,  no  período  de  04/08/2003  a  31/05/2005,  alíquota  de  5%  e  a  partir  de 
02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. 

A  autoridade  fiscal  classificou  o  produto  na  posição  3824.90.32,  que  estabelece  uma 
alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. 

Em  relação  ao  produto  thinner  ou  diluente,  a  interessada  adota  a  classificação 
3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. 

No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado 
na  posição  2707.50.00,  tributado  a  alíquota  0%,  sem  contudo  haver  comprovação  de 
que  produto  sob  análise  preenchia  as  condições  necessárias  para  que  pudesse  ter  tal 
enquadramento. 

Na  análise  dos  autos,  verifico  que  as  regras  foram  devidamente  observadas  e  os 
produtos devidamente classificados. 

Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela 
Recorrente,  a  decisão  recorrida  foi  categórica  em  afirmar  que  não  foi  formulada 
nenhuma consulta. 

Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Grifos apostos). 

Embargos declaratórios (fls. 252/253) 

"Note­se que em seu recurso voluntário a  recorrente, primeiro, suscitou a necessidade 
de cancelamento do ato fiscal pela ocorrência de vício material insanável, pois, no que 
tange aos CATALISADORES PU, a autoridade notificante não aprofundou sua análise 
a  cada  tipo  de  produto  industrializado  pela  recorrente,  partindo  da  premissa  de  que 
existe apenas um tipo de CATALISADOR PU, e que, por isso, todos eles mereceriam 
ser  indistintamente classificados sob a NCM 3824.90.32, o que ficou demonstrado ser 
um erro, principalmente, pela conclusão diversa a que chegou a própria Receita Federal 
do Brasil na Solução de Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana, de 18 de maio de 2010, que 
foi trazida aos autos por ocasião do recurso voluntário, segundo a qual tais produtos 
deveriam se classificar nas NCM 3208.90.39 e 3911.90.29. 

Fl. 305DF  CARF  MF



 

  10

Acontece  que,  laborando  com  omissão  e  também  erro material,  o  acórdão  deixou  de 
analisar  a  classificação  dos  20  tipos  de  CATALISADORES  PU  produzidos  pela 
recorrente e consignou que, conforme afirmado pela decisão de primeira instância, não 
haveria sido formulada nenhuma consulta pela recorrente. 

Todavia, nesse ponto, o vício é grosseiro. 

A  uma,  porque  a  decisão  de  primeira  instância  em  momento  algum  se  referiu  à 
existência  ou  inexistência  de  qualquer  Solução  de  Consulta,  pois  este  tema 
definitivamente não havia sido objeto da impugnação. 

A  duas,  porque  não  poderia  ser  mesmo  objeto  da  impugnação  qualquer  Solução  de 
Consulta,  já  que  a  Solução  de  Consulta  nº  117  ­  SRRF09/Diana  é  de  18.05.2010, 
enquanto  a  impugnação  data  da  16.11.2006.  Portanto,  é  cronologicamente  impossível 
ter havido o debate sobre a validade de Solução de Consulta na impugnação. Por isso é 
que  a  recorrente  trouxe  à  baila,  na  íntegra,  a  Solução  de  Consulta  nº  117  ­ 
SRRF09/Diana quando do seu recurso voluntário. 

A três, porque, ao partir dessa premissa, o acórdão embargado deixou de se manifestar 
quanto  ao  vício  da  notificação  fiscal  por  colidência  com  o  resultado  da  Solução  de 
Consulta e o efeito vinculante desta, suscitado com base no princípio da retroatividade 
benigna da lei tributária". 

Consoante se extrai da análise da decisão embargada, verifica­se que esta, de 
fato, incorreu em erro material ao dispor que "a decisão recorrida foi categórica em afirmar 
que não foi formulada nenhuma consulta". Isso porque, consoante apontou a Embargante, a 
indicação  da  solução  de  consulta  que pretendia  ver  analisada  (Solução  de Consulta  nº  117  ­ 
SRRF09/Diana de 18/05/2010) ocorreu apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, 
não tendo sido objeto da Impugnação apresentada em 2006 pelo contribuinte. 

Logo,  entendo que  a DRJ,  ao dispor que não  fora  apresentada  consulta por 
parte  do  contribuinte,  o  fez  em  sentido  genérico,  dispondo  que  o  contribuinte  não  se 
desincumbiu do ônus de comprovar que a classificação  fiscal  realizada pelo mesmo havia  se 
dado  corretamente.  Ou  seja,  não  tratou  a  decisão  da  DRJ  da  Solução  de  Consulta  nº  117  ­ 
SRRF09/Diana de 18/05/2010. 

Contudo, uma vez apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário 
um argumento novo, atinente à existência da Solução de Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana, este 
Conselho deveria ter se pronunciado sobre o mesmo, tendo a decisão embargada incorrido em 
omissão/erro material ao não fazê­lo.  

Até porque, à primeira vista, apresentava­se relevante do argumento trazido à 
tona  pelo  contribuinte,  qual  seja,  existência  de  Consulta  Fiscal  em  que  a  própria  Receita 
Federal  teria  concluído pela classificação  fiscal  de determinados produtos objeto da presente 
autuação nos NCMs 3208.90.39 e 3911.90.29. A importância dessa análise decorria ainda do 
argumento  do  contribuinte  de  que  a  referida  empresa  produziria  20  tipos  diferentes  de 
CATALISADORES PU, ao passo que a fiscalização teria considerado todos como sendo um só 
produto.  A  distinção  entre  os  referidos  CATALISADORES  teria  sido  analisada  na  referida 
Solução de Consulta.  

Porém,  embora  o  contribuinte  tivesse  alegado  a  existência  da  referida 
Solução  de Consulta  nº  117  ­  SRRF09/Diana,  tendo  transcrito  passagens  da mesma  em  seu 
Recurso Voluntário, não havia juntado aos presentes autos o seu inteiro teor. 

Fl. 306DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 302 

 
 

 
 

11

Diante disso, a presente demanda foi convertida em diligência, no intuito de 
que  fosse  anexado  aos  presentes  autos  o  inteiro  teor  da  Solução  de  Consulta  nº  117  ­ 
SRRF09/Diana,  para  que  este  Conselho  pudesse  analisar  a  sua  extensão  e  aplicabilidade  ao 
caso concreto ora analisado. 

Uma  vez  juntada  a  referida  solução  de  consulta,  pode­se  verificar  que  esta 
teve como  interessada a Farben S/A  Indústria Química,  teve por objeto o "endurecedor PU", 
vulgarmente  denominado  "catalisador  PU",  e  concluiu  que  as  mercadorias  consultadas 
deveriam  ser  classificadas  nos  códigos  3208.90.39  (alíquota de  10%),  produtos  indicados  na 
Tabela 1, e 3911.90.29 (alíquota de 5%), produtos indicados na tabela 2. 

Ocorre  que,  embora  a  decisão  embargada  tenha  sido  omissa  quanto  à 
apreciação da referida solução de consulta, a sua análise não socorre o contribuinte para fins de 
embasar  a  classificação  fiscal  adotada  pelo mesmo.  Isso  porque,  naquele  documento,  foram 
indicadas como corretas as seguintes classificações fiscais: 3208.90.39 e 3911.90.29. Acontece 
que o contribuinte adotou classificações fiscais distintas, consoante se extrai do esclarecimento 
prestado pelo mesmo (vide fl. 178 dos autos):  

 

Porém, embora a Solução de Consulta nº 117 ­ SRRF09/Diana não socorra o 
contribuinte  em  sua  pretensão  de  justificar  a  classificação  fiscal  por  ele  adotada,  serve  para 
demonstrar  que  tampouco  a  classificação  fiscal  adotada  pela  fiscalização,  considerando  uma 
mesma classificação  fiscal  para  todos os CATALISADORES PU de  forma  indistinta,  estava 
correta.  

Note­se que a solução de consulta analisou os seguintes produtos: 

 

De outro norte, extrai­se do auto de infração aqui combatido que foi objeto de 
fiscalização os seguintes produtos: 

Fl. 307DF  CARF  MF



 

  12

 

Ou seja,  é  inconteste que há  identidade entre certos produtos analisados. E, 
consoante destacou o contribuinte em seu Recurso Voluntário, a  referida solução de consulta 
identificou a classificação correta de  acordo com cada código do produto ali  analisado  (vide 
tabelas 1 e 2 às fls. 278/281).  

Sendo assim, entendo que a apresentação da referida solução de consulta faz 
prova em favor do contribuinte, no sentido de demonstrar, quanto a determinadas mercadorias, 
a  classificação  correta  a  ser  considerada  no  caso  concreto  aqui  analisado.  E,  uma  vez 
identificada  que  a  classificação  correta  era  diversa  da  apontada  pela  fiscalização,  há  de  ser 
reconhecida a improcedência do auto de infração quanto a tais mercadorias específicas. 

Nesse sentido, traz­se à colação decisão desta turma julgadora: 

Acórdão: 3301­003.147 

Número do Processo: 10831.724290/2014­65  

Data de Publicação: 02/05/2017 

Contribuinte: PADTEC S/A 

Relator(a): LIZIANE ANGELOTTI MEIRA  

Ementa:  Classificação  Fiscal  Período  de  apuração:  2006  a  2010 
FUNDAMENTAÇÃO  DO  LANÇAMENTO.  TERCEIRA  HIPÓTESE  DE 
CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  IMPROCEDÊNCIA.  Verificado  que  a 
classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código 
NCM diverso,  tanto  daquele  utilizado  pela  impugnante,  bem como daquele 
que  a  fiscalização  entendeu  ser  a  correta,  o  lançamento  deverá  ser  julgado 
improcedente  por  erro  na  sua  fundamentação.  Sendo  improcedente  a 
classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas 
dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória 
nº  2.158­35,  de  2001,  cominadas  em  decorrência  do  lançamento 
equivocadamente fundamentado. 

Recurso Voluntário Provido 

Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em 
dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que 
integram o presente julgado.  

Diante do acima exposto, entendo que deverão ser parcialmente acolhidos os 
embargos declaratórios opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para fins de sanear 
a omissão apontada e,  com base na análise da Solução de Consulta nº 117  ­ SRRF09/Diana, 
concluir que o Recurso Voluntário deverá ser parcialmente provido, no sentido de determinar 
que  os  valores  indicados  no  auto  de  infração  sejam  revistos,  excluindo­se  da  autuação  os 
valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja 
da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta.  

É como voto. 

Fl. 308DF  CARF  MF



Processo nº 11516.002843/2006­51 
Acórdão n.º 3301­003.657 

S3­C3T1 
Fl. 303 

 
 

 
 

13

Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora 

           

 

           

 

 

Fl. 309DF  CARF  MF


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Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada contradição entre os fundamentos e o dispositivo do Acórdão embargado é dever o provimento dos Aclaratórios.

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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o dispositivo do voto embargado para o seguinte: Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Goncalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Roberto da Silva, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni.

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S3-C 4T1 

Ministério da Economia 

Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  

 

Processo nº 10314.720547/2018-82 

Recurso Embargos 

Acórdão nº 3401-011.846  –  3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 

Sessão de 28 de junho de 2023 

Embargante FAZENDA NACIONAL 

Interessado ROLAND DG BRASIL IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA      

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II) 

Ano-calendário: 2000 

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. 

Constatada contradição entre os fundamentos e o dispositivo do Acórdão 

embargado é dever o provimento dos Aclaratórios. 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos 

Embargos de Declaração, dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o 

dispositivo do voto embargado para o seguinte: “Acordam os membros do colegiado, (1) por 

força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, 

multa por erro de classificação fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias 

desembaraçadas no canal vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, 

Gustavo Garcia Dias dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por 

maioria de votos, em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações 

parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira Fernanda 

Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, (3) por 

unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário 

lançado por ausência de LI também para as operações parametrizadas nos demais canais de 

conferência aduaneira”. 

(documento assinado digitalmente) 

Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente 

(documento assinado digitalmente) 

 Oswaldo Goncalves de Castro Neto - Relator 

Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos 

Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Roberto da Silva, Fernanda Vieira Kotzias, 

Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Ricardo Piza di Giovanni (suplente 

convocado(a)), Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) 

Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di 

Giovanni. 

AC
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GE
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DO
 N

O 
PG

D-
CA

RF
 P

RO
CE

SS
O 

10
31

4.
72

05
47

/2
01

8-
82

Fl. 558DF  CARF  MF

Original




Fl. 2 do  Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária 

Processo nº 10314.720547/2018-82 

 

Relatório 

1.1. Trata-se de Embargos de Declaração contra Acórdão desta Turma de 

Relatoria da Conselheira Fernanda e que fui designado como Redator do Voto Vencedor, assim 

ementado: 

REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO PARAMETRIZADA EM CANAL 

VERMELHO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO 

CARACTERIZADA. 

O despacho aduaneiro por meio de canais de conferência que não sejam o verde, por 

resultarem em fiscalização efetiva (não automática/eletrônica) das informações 

prestadas pelo sujeito passivo como condição indispensável ao desembaraço das 

mercadorias, representam ato administrativo próprio do auditor-fiscal, o qual é 

regulamento e vincula o sujeito passivo, sendo instrumento genuíno à fiscalização e ao 

lançamento fiscal. Portanto, trata-se de procedimento pelo qual há clara fixação de 

critério jurídico do qual cabe, inclusive, discussão pelo contribuinte por meio de 

manifestação de inconformidade e que poderá ensejar auto de infração.  

CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RGI 3. COMPARAÇÃO. 

A RGI3 somente deve ser utilizada se houver confronto no mesmo nível da NCM. 

Subposição de primeiro nível somente é comparável a subposição de primeiro nível, não 

o é com subposição de segundo nível ou com subitem de qualquer nível. 

CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EX TARIFÁRIO. 

O benefício fiscal nomeado de Ex tarifário é concedido para a descrição da máquina e 

não para a classificação fiscal. Assim, do mesmo modo que a incorreção na 

classificação fiscal não impede o gozo do benefício, o enquadramento do maquinário no 

benefício não impede a multa por classificação fiscal incorreta. 

1.2. Em sua peça, a Embargante alega contradição entre os fundamentos do 

acórdão e o resultado de julgamento, pois, embora tenha sido cancelado a autuação apenas em 

parte, o dispositivo menciona o cancelamento da “totalidade do crédito tributário lançado”. 

 

Voto            

Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 

2.1. Na forma do voto da sempre Justa Conselheira Fernanda, no auto de infração 

objeto do presente PAF foram lançados 1) multa por classificação fiscal incorreta, 2) multa por 

ausência de LI e 3) diferença entre os tributos recolhidos e os efetivamente devidos (todos com 

os respectivos consectários legais). 

2.2. No tópico de número 2 do voto da Conselheira Fernanda, esta afastou os três 

lançamentos (multa por classificação fiscal incorreta, multa por ausência de LI e diferenças 

tributárias) de todas as mercadorias parametrizadas em canal vermelho de conferência; no que 

foi acompanhada por seus pares (este redator incluso) – ao menos, em número suficiente para 

reversão do lançamento. 

Fl. 559DF  CARF  MF

Original



Fl. 3 do  Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária 

Processo nº 10314.720547/2018-82 

 

2.2.1. Porém, constata a Conselheira Fernanda (bem atenta aos autos) que também 

foram lançados tributos e sanções aduaneiras em mercadorias parametrizadas em outros canais 

de conferência.  

Conforme demonstrado pela recorrente, parte das importações objeto do lançamento, e 

cujo desembaraço aduaneiro ocorreu em anos diferentes e com espaçamento temporal 

entre as operações, dizem respeito a mercadorias importadas que foram desembaraçadas 

em canal vermelho. (...) 

Nestes termos, voto pela nulidade do lançamento ora analisado de forma completa em 

razão de as fiscalizações físicas terem se dado, ainda que alternadamente com outro 

canais de despacho, ao longo de todo o período autuado. Alternativamente, caso a 

Turma discorde desse posicionamento, entendo que, ao menos as DIs objeto de canal 

vermelho necessitam ser excluídas do lançamento, visto que estas foram objeto de 

fiscalização efetiva e incontestável em momento anterior à lavratura do AI. 

2.2.1.1. Neste ponto, como se infere do voto, o lançamento foi integralmente 

mantido (ao menos, a priori); ou seja, a Turma discordou do primeiro posicionamento de 

nulidade, mas concordou que “ao menos as DIs objeto de canal vermelho necessitam ser 

excluídas do lançamento”, o que levou a Conselheira Fernanda a analisar os demais argumentos 

da Embargada no tópico 3. 

2.3. No tópico 3 a Conselheira Fernanda apresenta fortes razões para o 

afastamento do lançamento com fundamento no acerto da classificação fiscal da Recorrente. 

Todavia, estas razões foram afastadas por outras levantadas por esta Turma e expressas em voto 

que fui agraciado com a redação. Assim, para as mercadorias não parametrizadas em canal 

vermelho, foi mantida a multa por erro de classificação fiscal. 

2.4. Ao final, como a Conselheira Fernanda concordou com a classificação fiscal 

adotada pela Embargada, para essa nobre Julgadora restou prejudicada a análise da multa por 

ausência de Licença de Importação. Acontece que, vencida a tese da correção da classificação 

fiscal, ressurgiu o debate acerca da multa por ausência de Licença de Importação. 

2.5. Nos debates, embora não esteja expresso no Acórdão, restou definida a 

impossibilidade de aplicação de multa por falta de licenciamento visto que, a) a mercadoria 

encontrava-se corretamente descrita e não houve constatação de dolo ou fraude da Embargada, 

o que leva ao afastamento da sanção com base no Ato Declaratório Normativo COSIT 12/1997, 

b) não se tratava de caso de falta de licença, mas de licença incorretamente emitida, c) para 

ambas as classificações o licenciamento era não automática. 

2.5.1. Desta forma, o crédito decorrente da aplicação de sanção aduaneira por 

ausência de licença de importação foi afastado para as demais operações de importação 

(parametrizadas em outros canais de conferência) – e, daí, talvez, a confusão redacional, que há 

de ser corrigida ao ser alterada para a seguinte: 

Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, 

em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação 

fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal 

vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias 

dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, 

em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações 

parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira 

Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo 

Fl. 560DF  CARF  MF

Original



Fl. 4 do  Acórdão n.º 3401-011.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária 

Processo nº 10314.720547/2018-82 

 

Branco., (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar 

o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações 

parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira. 

 

3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço dos Embargos de 

Declaração dando-lhe provimento somente com efeitos integrativos, alterando o dispositivo do 

voto embargado para o seguinte: 

Acordam os membros do colegiado, (1) por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, 

em cancelar a totalidade do crédito lançado (tributos, multa por erro de classificação 

fiscal e multa por ausência de LI) relativo às mercadorias desembaraçadas no canal 

vermelho, vencidos os conselheiros Luís Felipe de Barros Reche, Gustavo Garcia Dias 

dos Santos, Maurício Pompeo da Silva e Ronaldo Souza Dias, (2) por maioria de votos, 

em manter a multa aplicada por erro de classificação fiscal nas operações 

parametrizadas em canais que não o vermelho, vencidos neste item a conselheira 

Fernanda Vieira Kotzias (relatora) e o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo 

Branco., (3) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar 

o crédito tributário lançado por ausência de LI também para as operações 

parametrizadas nos demais canais de conferência aduaneira. 

 

(documento assinado digitalmente) 

Oswaldo Gonçalves de Castro Neto 

 

           

 

           

 

 

Fl. 561DF  CARF  MF

Original


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Exercício: 1993
Ementa: RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE.
Incabível o lançamento de multa de ofício contra o adquirente por erro na classificação fiscal, cometido pelo remetente dos produtos, quando todos os elementos obrigatórios no documento fiscal foram preenchidos corretamente. A cláusula final do art. 173, caput, do RIPI/82, é inovadora, vale dizer, não tem amparo na Lei nº 4.502/64 (Código Tributário Nacional, art. 97,V; Lei nº 4.502/64, art. 64, § 1º). (Acórdão nº CSRF/02-0.683).
Recurso provido., turma_s=Segunda Câmara, dt_publicacao_tdt=Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007, numero_processo_s=10830.000941/93-05, anomes_publicacao_s=200703, conteudo_id_s=4117282, dt_registro_atualizacao_tdt=Tue Dec 20 00:00:00 UTC 2022, numero_decisao_s=202-17.901, nome_arquivo_s=20217901_119520_108300009419305_006.PDF, ano_publicacao_s=2007, nome_relator_s=GUSTAVO KELLY ALENCAR, nome_arquivo_pdf_s=108300009419305_4117282.pdf, secao_s=Segundo Conselho de Contribuintes, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.], dt_sessao_tdt=Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007, id=4672995, ano_sessao_s=2007, atualizado_anexos_dt=Fri Mar 24 22:30:34 UTC 2023, sem_conteudo_s=N, _version_=1761290046146609152, conteudo_txt=Metadados =&gt; date: 2009-08-05T16:01:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T16:01:24Z; Last-Modified: 2009-08-05T16:01:24Z; dcterms:modified: 2009-08-05T16:01:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T16:01:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T16:01:24Z; meta:save-date: 2009-08-05T16:01:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T16:01:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T16:01:24Z; created: 2009-08-05T16:01:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-05T16:01:24Z; pdf:charsPerPage: 1492; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T16:01:24Z | Conteúdo =&gt; 
.,	 1
s	 ccovco2

Eis.!

__

it. 'ZI	 MINISTÉRIO DA FAZENDA!....-. -,
SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

SEGUNDA CÂMARA•n-s,--,;.:

Processo n°	 10830.000941/93-05

Recurso n°	 119.520 Voluntário

Matéria	 IPI

Acórdão n°	 202-17.901

Sessão de	 29 de março de 2007

Recorrente	 SAYERLACK INDÚSTRIA BRASILEIRA DE VERNIZES S/A

Recorrida	 DRJ em Campinas - SP

Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI

u,	 Exercício: 1993
w

•
1 .4-,zi 24\21	 Ementa: RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE.

,	 Sa N	
Incabível o lançamento de multa de oficio contra o adquirente por erro na

92 § Nkr: II	 classificação fiscal, cometido pelo remetente dos produtos, quando todos os
° t zi	 •	 elementos obrigatórios no documento fiscal foram preenchidos corretamente. A

cd § :I 411 1.
2 1 02-01--r 'c v).	

cláusula final do art. 173, capta, do RIP1/82, é inovadora, vale dizer, não tem

amparo na Lei n2 4.502/64 (Código Tributário Nacional, art. 97,V; Lei n2

n	 g 115	 4.502/64, art. 64, § 1 2). (Acórdão n2 CSRF/02-0.683).o	 2
5 ,.., .̂1 ro
o - E

ta rem -F.)	 Recurso provido.
,	 -, (,)

&amp;-	 dl
--____----

et--

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 	 .
1

ACORDAM os---M,-.~bros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO

CONSELHO DE CO a BU1NTES,\ por unanimidade de votos, em dar provimento ao ,
recurso.

ANTO 10 CARLOS ATULIM

	

'	 Pr idente

GU A O L ENCAR

4

Rel r

Partik aram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina

Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Ricardo Accioly Campos (Suplente),

Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López.



Processo n.° 10830.000941/93-05 	 CCO2/CO2
Acórdão n.° 202-17.901	 AIF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES	 Fls. 2

CONFERE COMO ORIGINAI.

Grazina .29,,./ (Y&lt; /

Celma Maria de A!buquegqjr
Mat. Si3T)0 94442 

Relatório

Trata o presente processo de auto de infração de IPI, lavrado em 17/03/93,
decorrente do recebimento, por estabelecimento industrial, de insumos com erro na
classificação fiscal e na alíquota. O insumo, a saber, latas para embalagem dos produtos
industrializados, era recebido com a classificação fiscal 7310.21.0100, e alíquota de 4%,
quando o correto seria a classificação fiscal de 7310.21.9900 e alíquota de 10% de IPI. O
enquadramento legal da infração está previsto no art. 173 do RIPI/82.

Por tal, é a contribuinte cobrada da multa regulamentar especifica, cuja
capitulação legal está contida no art. 368 c./c art. 364, II, do RIPI182.

Irresignada, a contribuinte apresenta impugnação, às fls. 46/51, alegando, em
síntese, que a classificação fiscal está correta, conforme consulta formulada pelo Sindicato dos
Fornecedores, por medida liminar judicial deferida, e pendência de discussão judicial sobre a

matéria.

Remetidos os autos à DRJ em Campinas - SP, é o lançamento mantido, em

decisão assim ementada:

"Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI

Período de Apuração: 15/01/1989 a 30/09/1992

Ementa: Adquirente de Produtos — A não observância do disposto no
art. 173 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto 87.981 de
1982, sujeita o adquirente às penalidades previstas no artigo 368
combinado com o art. 364, ambos do citado Regulamento.

LANÇAMENTO PROCEDENTE".

Inconformada, interpôs a contribuinte recurso voluntário. __ _________	 _

Em sessão de julgamento de 10 de fevereiro de 2004, o Segundo Conselho de
Contribuintes do Ministério da Fazenda entendeu que a competência seria do Terceiro
Conselho de Contribuintes, remetendo os autos para lá. Em decisão por maioria, aquele
Conselho também se deu por incompetente, devolvendo os autos a este Colegiado.

É o Relatório.



Processo n.• 10830.000941/93-05	 Ca2/C07
Acórdão n.° 202-17.901 - SEGUN30 CCASELHD DE CONTRIBUINTES 	 Fls. 3

COAFERE COMO ORIGINAL

1 Brami Mes,  50  0‘ 
I CcIma Maria do Albuquer • -

M21. Sio • • 94442 410
Voto

Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator

Tempestivo é o recurso e vem acompanhado de depósito recursal, razão pela

qual do mesmo conheço.

Tendente a pôr fim à celeuma relativa à competência, entendo que há uma

questão antecedente à classificação fiscal que toma este Segundo Conselho competente para o

processamento e julgamento do presente processo.

A questão aqui cinge-se à análise da responsabilidade do adquirente quanto ao

erro praticado pelo fornecedor, questão já muito apreciada por este Colegiado, quanto a outros

aspectos que não o erro na classificação fiscal. Como aqui não entrarei na questão do erro, mas

decidirei por outros fundamentos, entendo-me competente e passo a julgar.

O tema deste processo já foi objeto de decisões do Conselho de Contribuintes,

pelo que transcrevo voto proferido pelo Exmo. Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima,

constante do Acórdão n2 CSRF/02-0.683, da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, cujos argumentos adoto como razões de decidir:

"No mérito, circunscreve-se a questão, a meu ver, em definir a correta
aplicação dos artigos 62 e 82 da Lei n 4.502164, que estabelece a
obrigação do adquirente de produtos industrializados de verificar a

regularidade do documento fiscal e respectiva sanção.

(.)

Quanto ao argumento esposado pelo Ilustre Conselheiro, em que alega
a impropriedade da exigência fiscal lavrada contra o adquirente
quando for baseada, exclusivamente, em erro na classificação fiscal do
produto, entendo-o procedente__

O artigo 173 que regula a matéria, dispõe:

'Art. 173 - os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem
ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para
emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos
tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente
rotulados ou marcados, e ainda, quando sujeitos ao selo de controle,

	

bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estão_ 	 _	 -
_ _	 -	 - de acordo com a-dasscciçãá fiscai -o- lança-mento do imposto e as

demais prescrições deste regulamento.' (grifo meu)

Verifica-se da leitura deste artigo que a regulamentação do artigo 62 -- • -
_ _ _ da Lei 4502164, quase o reproduz integralmente,- salvo na para final, 	

_
 .

em que foi substituída a exigência do documento fiscal satisfazer todas
as prescrições legais pela expressão 'se estão de acordo com a
classificação fiscal, o lançamento do imposto e as demais prescrições

deste reeulamentos.

Cabe-nos perquirir, neste passo, quais seriam estes preceitos legais,
referidos na lei, que o documento fiscal deveria cumprir para ser



bar - a‘uvrtil) CONSELHOCTE CONTRIBUINTES
.	 ONTRIBUi ES

Brasilia	 Mr" ) PRIglatt-

Processo n.• 10830.000941/9345	 Colma Maria da Mb • - •• 	 CC0VCO2
Acórdão 202-17.901	 Mat. Sia • e •	 .7710	 Fls. 4

9444-

aceito pelo adquirente e, mais especificamente, se a verificação da
classificaçà'o fiscal estaria entre eles, como afirma a Fazenda, ou se foi
inovação na regulamentação da lei, como defende a decisão recorrida.

Tal questão já foi objeto de decisão judicial (Apelação em MS n
105.951-RS) da lavra do Eminente Ministro Relator Carlos M Velloso,
que assim se expressou, verbis:

'(..) Indaga-se: a cláusula final dos mencionados artigos - 'inclusive
quanto à exata classificação fiscal dos produtos e à correção do
imposto lançado'- é puramente regulamentar ou encontra base na lei,
artigo 62, caput, da Lei 4.502 de 1964? É que, sem base na lei, não
será possível a multa, assim a penalidade, por isso que, sabemos todos,
penalidades, em Direito Tributário, são reservados à lei (Código
Tributário Nacional, art. 97,V), certo que, no particular, a Lei n
4.502, de 1964, anterior ao Código Tributário Nacional, já deixava
apresso, no 1 ° do artigo 64, que "o regulamento e os atos
administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigações
nem definir infrações ou cominar penalidades que não sejam
autorizadas ou previstas em lei'.

Estou com a sentença.

Na verdade, o artigo 62 da Lei n • 4.502, de 1964, não contém a
cláusula inserta nos artigos 169 do Decreto n ° 70.162 e 266 do
Decreto n • 83.263/79 - 'inclusive quanto à exata classificação fiscal
dos produtos e à correção do imposto lançado'. Não é à-toa, aliás, que
vem citada cláusula precedida do adverbio inclusive, que contém a
idéia de inclusão de coisa outra, ou de compreensão de algo novo."

Da leitura do voto depreende-se que o ilustre Ministro defende que a
verificação classificação fiscal pelo adquirente não estaria prevista em
lei e, portanto, não poderia ser exigida.

Assim, a interpretação da norma tributária  que _atribuiu_ aos_
--adquirentemesporisabilidide-de verificar se o documento obedece

todas as prescrições legais, obriga-os apenas a examinar se os
elementos exigidos para o documentário fiscal estão devidamente
preenchidos e, nos itens que deva conhecer pela natureza da operação
mercantil, estão corretos.

O artigo 242 no RIPI182 (artigo 48 da Lei 4.502/64) define quais os
elementos que devem conter em uma Nota Fiscal, ou seja: a
denominação 'Nota Fiscal', o número da nota, a data da emissão e de _	 _

_ 	 saída, a-natureza da operação, os dados- cadastrais do emitente e do
--	 destinatário, a quantidade e a discriminação dos produtos, a

classificação fiscal dos produtos, alíquota, o valor tributável, os dados
cadastrais do transportador, os dados de impressão do documento. 	 _	 _ .

.	 _
Já o artigo 252 do RIPI/82 (artigo 53 da Lei 4.502/82) estabelece as
hipóteses em que o documento fiscal deve ser considerado sem valor
para efeitos fiscais, a saber:

- não safsfazer as exigências dos incisos,. I, II, IV, V, VI e VII do
artigo 242;



MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
CONFERE COMO ORIGINAL

Processo n.• 10830.000941/93-05	 Etretallia  )t) 1o'S- / Cr-à-	 CCOVCO2
Acórdão n.° 202-11.901	 Coima Maria de Albuque ue	 Fls. $

Mat. Siape 94442 .." 

II- não indicar, dentre os requisitos dos incisos VIII, X, XI e XII do

artigo 242, os elementos necessários à identificação e classificação dos

produtos e ao cálculo do imposto;

HI — não contiver a declaração referida no inciso VIII do artigo 244.'

(caso de entrega simbólica).

Dai podemos inferir, a contrario senso, que o documento fiscal para ser

aceito deve satisfazer às já mencionadas exigências do artigo 242,

além de possuir os elementos necessários à identificação e

classificação dos produtos e ao cálculo do imposto.

Assim, o adquirente ao receber o produto deve verificar se todos os

elementos supramencionados constam da Nota Fiscal entregue pelo

remetente, como por exemplo: se os dados cadastrais estão corretos, se

a operação e o produto estão descritos corretamente, se as quantidades

estão de acordo com o pedido, se consta classificação fiscal e aliquota

do produto, e, consequentemente, se o valor tributável está calculado a

partir destes dados.

Se o bem descrito na nota permite, por um critério racional, seu

enquadramento nas posições da Tabela de Incidência do Imposto dobre

Produtos Industrializados indicadas na nota fiscal, não há como se

exigir que o adquirente o questione, porquanto a classificação de

produtos pelas normas da NBM/SH envolve conhecimentos específicos,

muito técnicos e complexos, que nem sempre podem ser detectados no
exame normal que o adquirente realiza ao receber os produtos. A
tarefa do adquirente é, portanto, acessória, isto é, estando todos os

dados exigidos pela legislação corretos e havendo a razoável indicação

da classificação fiscal, fica o remetente como único responsável por

todos os efeitos advindos da classificação equivocada dos produtos.

Tanto é assim, que a própria Administração Fazendária reconheceu a

complexidade da classificação fiscal de produtos, pois, em caso

análogo, determinou a não aplicação_de penalidade_àquele que incorre ------- --- - ---- ' --

em erro de classificação tarifaria de produtos em despacho aduaneiro,

ressalvados os caso em que há dolo ou má-fé

Este entendimento está estampado no Ato Declaratório Normativo
COSE' n 036, de 05 de outubro de 1995, a seguir transcrito:

7 — A mera solicitação, no despacho aduaneiro, de beneficio fiscal

incabível, bem assim a classificação tarifaria errônea, estando o

produto corretamente descrito como todos os elementos necessários à	 '
_ _ _ _ . _ - -- — sua identificação,-desde querem qualquer das casos, não se constate

intuito doloso ou má-fé por parte do declarante, não se configuram

declaração inexata para efeito da multa prevista no artigo 4 ° da Lei n

° 8.218, de 29 de agosto de 1991.'

-____
Este ato normativo, apesar de referir-se à atividade de classificação

fiscal de produtos em área aduaneira, guarda perfeita sintonia com a

hipótese dos autos, uma vez que trata de dispensa de punição

pecuniária ao contribuinte por classificação incorreta de produtos.

Ora, se o Fisco dispensa o próprio contribuinte da obrigação de
classificar corretamente a mercadoritendo ele realizado at \

\\



MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
•	 CONFERE COMO ORIGINAL

, 4
. ,	 Brasília ias.to&lt; , CRI'

Processo n, 10830.000941:93-05
Celma Maria	 Ce02/CO2de Aibuquer iiiy•

Acórdão n.° 202-17.901	
Mat. Siape 94442	 Els: 6 .	 _.	 _

importação direta dos produtos e preenchido os documentos fiscais de

desembaraço, não seria correto, por princípios iS077(3MiCOS, dar

tratamento diferente ao adquirente, que nem tem relação direta com a
emissão do documento e nem com o fato gerador do tributo.

No caso aqui sob análise, não foram trazidos pela fiscalização

quaisquer provas que pusesse em dúvida a correta descrição dos

produtos nas notas fiscais ou Ter havido dolo ou conluio por parte do

adquirente.

Assim, no que se refere a erros contidos na nota fiscal no tocante à

classificação fiscal neste caso, entendo não caber apenação do

adquirente."

Concordo integralmente com o voto do ilustre Conselheiro, principalmente por
entender, também, que a verificação da classificação fiscal pelo adquirente não está prevista na
lei, não podendo portanto ser exigida.

Por outro lado, o art. 248 do RIPI/96, ao dar nova redação ao previsto no art.
173 do RI1'1182, retirou a parte final deste último, deixando de ser infração à legislação do IPI a
verificação, por parte do destinatário, dos documentos fiscais, da classificação fiscal e o
lançamento do imposto, devendo ser aplicado o disposto no art. 106, II, do CTN.

Por todos os motivos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso
voluntário.

	

	 .

Sala das Sessões, em 29 de março de 2007.

1..ÇÏS1*.G	 O 1,.....QIENCAR 	 	 —

Nv
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	Page 1
	_0000200.PDF
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Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC-1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2.

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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente às saídas de tais itens no período autuado.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN  Presidente
(assinado digitalmente)

TIAGO GUERRA MACHADO - Relator

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.

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S3­C4T1 

Fl. 470 

 
 

 
 

1

469 

S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10830.721965/2011­81 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  3401­005.152  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  23 de julho de 2018 

Matéria  CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS           

Recorrente  TIGRE S.A. ­ TUBOS E CONEXÕES. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS 

Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 

CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  MERCADORIAS.  Aplicação  das  Regras 
Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 
3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral 
Complementar  (RGC­1).  O  texto  da  subposição  3925.20  deve  ser 
interpretado  de  modo  a  alcançar  não  somente  para  os  itens  previstos 
literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza,  constituição  e 
utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição. 

MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM 
COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a 
aplicação  de  norma  legal  vigente  em  razão  de  argumentação  de  confisco 
(artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar 
parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na 
TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, 
devendo  ser  reduzida  a  penalidade  proporcionalmente  às  saídas  de  tais  itens  no  período 
autuado.  

(assinado digitalmente) 

ROSALDO TREVISAN – Presidente 

(assinado digitalmente) 

 

  

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10
83

0.
72

19
65

/2
01

1-
81

Fl. 470DF  CARF  MF




 

  2

TIAGO GUERRA MACHADO ­ Relator 

 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan 
(presidente),  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  (vice­presidente),  Mara  Cristina 
Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente 
justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos. 

Relatório 

Cuida­se de Recurso Voluntário (fls. 443 e seguintes) contra decisão da 12ª 
Turma, DRJ/RPO, que  considerou  improcedentes,  em parte,  as  razões da Recorrente  sobre a 
nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF Campinas, em 17.06.2011, com ciência pela 
Contribuinte  na  mesma  data  (fl.  433),  referente  a  título  de  multa  de  IPI  não  lançado  com 
cobertura de crédito, em virtude da falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento 
industrial  promovido  a  saída  de  produtos  tributados  de  sua  fabricação  com  falta  de 
lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e de alíquota, período de 31.07.2006 a 
31.12.2007.  

 

Do Lançamento (fls. 362 e seguintes) 

Naquela  ocasião,  a  Fiscalização  lançou  multa  isolada  referente  ao  IPI  não 
lançado com cobertura de crédito (saldo credor), em dito tributário de IPI (fls. 362 e seguintes), 
totalizando a exigência em R$ 254.057,35 (duzentos e cinquenta e quatro mil, cinquenta e sete 
reais e trinta e cinco centavos), em virtude da falta de lançamento do imposto em razão de o 
contribuinte  ter efetuado a saída de produtos  tributados, por erro de classificação  fiscal,  com 
alíquota inferior à devida. 

No  respectivo  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  358/361,  a  fiscalizada 
promoveu a saída de produtos de matéria plástica – PVC (arco, arremate, caixa acústica, canto, 
estruturas geométricas, folha, guarda corpo, janelas, marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, 
portas, quadro fixo, trilhos e veneziana), adotando para todos os produtos a classificação fiscal 
3925.20.00 da TIPI, tributados à alíquota 0%.  

Contudo,  segundo  a  fiscalização,  baseada  na  TIPI/2007,  os  produtos 
relacionados se enquadrariam nas seguintes classificações fiscais:  

­ Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%;  

­ Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%;  

­ Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%; 

­ Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%.  

 

Como  resultado dessa  reclassificação,  a  autoridade  fazendária veio  a  lançar 
penalidade  em  decorrência  da  falta  de  lançamento  de  IPI  nas  notas  fiscais  de  saídas  do 
estabelecimento,  não  havendo  imposto  a  recolher  em  razão  de  a  contribuinte  possuir  saldo 
credor suficiente para ilidir o recolhimento à época dos fatos geradores. 

Fl. 471DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 471 

 
 

 
 

3

 

Da Impugnação 

A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 17.06.2011 (fl.433), e 
interpôs impugnação, em 15.07.2011 (fls.385 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: 

 

(a) Sobre os cálculos elaborados pela Fiscalização: "(...) constatou­se que os 
montantes  considerados  mês  a  mês  referente  ao  produto  'perfil'  estão  divergentes  daqueles 
valores  originários  do  arquivo magnético  de NFs  de  Saídas  de  Jul/2006  a Dez/2007,  como 
pode ser verificado na planilha constante desse mesmo arquivo, com o nome 'Cálculo Perfil I 
Revisado'.  Cabível,  então,  uma  revisão  desses  valores  apurados  e  tabulados  erroneamente, 
procedendo­se à respectiva correção";  

(b) Sobre a incorreta indicação de NCM para os "demais produtos": requer a 
correção  da  indicação  do  código  NCM  3925.90.00  como  classificação  fiscal  do  item  de 
produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI; 

(c) Sobre o pedido de "perícia": Parecendo desconhecer o caráter jurídico do 
procedimento  de  classificação  fiscal  de  mercadorias,  pediu  "perícia  técnica",  nomeando  o 
Instituto  Nacional  de  Tecnologia  do  Ministério  de  Ciência  e  Tecnologia,  formulando  os 
quesitos da fl. 389 e nomeando perito­assistente;  

(d)  Sobre  o  mérito  da  classificação  fiscal:  "Relativamente  aos  produtos 
reclassificados, aduz que não são vendidos de forma isolada ou individualmente. Ao contrário, 
a  comercialização  sempre  é  feita  pelo  conjunto  de  itens  que  compõem  cada  projeto  e/ou 
orçamento,  até por uma  razão muito  simples:  sem essa aquisição e  instalação conjunta dos 
itens de produtos que compõem cada projeto, este não tem funcionalidade. Trata­se, portanto, 
de uma série de itens de produtos que não tem função isolada, própria, ou específica, mas que 
se  complementam  numa  única  função,  seja  de  porta,  janela  ou  esquadria,  devendo,  por 
conseguinte, serem objeto de classificação fiscal nessa condição. Portanto, o que efetivamente 
prevalece para fins de classificação fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é 
a sua destinação. No caso, nenhuma dúvida persiste que os componentes se destinam a formar 
um conjunto específico, e como tal deve haver o respectivo enquadramento, exatamente como 
efetuado pela impugnante.";  

(e) Aduz sobre a impossibilidade de aplicação de multa por ausência de dano 
ao Erário, bem como sobre o caráter "manifestamente confiscatório".  

 

Da Decisão de 1ª Instância 

Sobreveio  Acordão14­50.065,  exarado  pela  12ª  Turma,  da  DRJ/RPO,  em 
29.04.2014,  com  ciência  em  22.05.2014  (fl.  440),  através  do  qual  foi  mantido,  em  parte,  o 
crédito tributário lançado nos seguintes termos: 

 

ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  

Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007  

Fl. 472DF  CARF  MF



 

  4

CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  MERCADORIAS.  Segundo  a  TIPI/2007, 
produtos  fabricados  com  matéria  plástica  (PVC),  tais  como:  perfis,  venezianas 
(persianas)  e  artefatos  para  apetrechamento  de  construções,  são  classificados  nos 
códigos  3916.90.90,  3925.30.00  e  3925.90.90,  respectivamente.  Aplicação  das 
Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 
3916 e 3925) e 6ª (texto da subposição 3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral 
Complementar (RGC­1).  

APLICAÇÃO  DE  ALÍQUOTA  MENOR  QUE  A  DEVIDA.  Aplicação  de 
alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de alíquota/classificação fiscal 
dos  produtos,  justifica  o  lançamento  de  ofício  da  diferença,  com  os  respectivos 
acréscimos legais.  

IPI.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  ERRO  NO  LANÇAMENTO.  Em  face  da 
comprovação  de  erro  no  lançamento  de  ofício,  cabível  a  revisão  dos  valores 
lançados a maior.  

MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO  IMPOSTO, COM 
COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional 
ao  valor  do  imposto  que  deixou  de  ser  destacado  na  nota  fiscal  de  saída, mesmo 
havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo.  

JUNTADA  DE  PROVAS.  MOMENTO  PROCESSUAL.  Sob  pena  de 
preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação é o 
marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação 
só é possível em casos especificados na lei.  

PEDIDO  DE  PERÍCIA.  PRESCINDIBILIDADE.  INDEFERIMENTO. 
Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  à 
adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência  ou 
perícia.  

Impugnação Procedente em Parte  

Crédito Tributário Mantido em Parte 

 

Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: 

 

Sobre a  classificação  fiscal  dos "demais  itens"  e do  cálculo  impugnado 
pela Impugnante ora Recorrente: 

A impugnante  requer uma revisão dos valores lançados referente ao produto 
“perfil” e  a  correção da  indicação do código NCM 3925.90.00 como classificação 
fiscal do item de produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI.  

 Diante  das  alegações  de  revisão,  cumpre  notar  que  não  se  verifica  nesses 
autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de 
março de 1972, verbis: (...) 

No que diz respeito ao código NCM 3925.90.00, classificação fiscal do item 
de produtos “outros”, referido código estava presente na TIPI aprovada pelo Decreto 
nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002. A partir de 1º de janeiro de 2007, entra em 
vigor  o  Decreto  nº  6.006,  de  28  de  dezembro  de  2006,  alterando­o  para  NCM 
3925.90.90.  

Fl. 473DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 472 

 
 

 
 

5

No  presente  caso,  eventual  falha  no  enquadramento  do  NCM,  para  os 
períodos a partir de 1º de janeiro de 2007, não deixa dúvidas acerca da imputação. 
Assim, afastada o cerceamento a ampla defesa da interessada, a conclusão é de que, 
apesar de alguma imperfeição do enquadramento, o lançamento é válido e eficaz.  

Quanto à revisão dos valores lançados a maior, nos termos do Relatório Fiscal 
de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a planilha “Apuração da Divergência no 
Somatório  dos  valores  das  Notas  Fiscais  de  Saídas”,  no  qual  se  posiciona  pela 
existência de divergências na apuração referente ao produto “perfil”, no valor total 
de R$ 4.412,27. Referida correção é calculada ao final do presente voto.  

(...) 

Sobre  a  classificação  fiscal  dos  produtos:  portas,  janelas,  persianas  e 
perfis  

Versa  a  lide  sobre  a  correta  classificação  das  seguintes  mercadorias:  arco, 
arremate, caixa acústica, canto, estruturas geométricas, folha, guarda­corpo, janelas, 
marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, portas, quadro fixo, trilhos e venezianas. 
Todos os produtos são fabricados com matéria plástica (PVC).  

A  contribuinte  adotou  para  todos  os  produtos  a  classificação  fiscal 
3925.20.00,  tributados  à  alíquota  de  0%. No  entanto,  a  fiscalização  considerou  as 
seguintes classificações fiscais:  

­ Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%;  

­ Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%;  

­ Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%;  

­ Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%.  

É  mister  afirmar,  prévia  e  didaticamente,  que  a  operação  de 
enquadramento  de  produto  em  código  de  classificação  fiscal  não  tem  caráter 
técnico e sim estritamente tributário, nos termos do PAF, art. 30, § 1º, cabendo 
ao  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  executar  o  referido 
enquadramento à luz da legislação tributária aplicável: consoante o RIPI/2002, 
arts. 15 a 17 (RIPI/2010, arts. 15 a 17), a classificação fiscal de mercadorias deve ser 
feita  de  acordo  com  as  Regras  Gerais  para  Interpretação  (RGI),  Regras  Gerais 
Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum 
do MERCOSUL (NCM); as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), e 
suas  alterações,  além das Notas  de Seção, Capítulo,  posições  e  de  subposições  da 
NCM,  prestam­se  como  elementos  subsidiários  fundamentais  para  a  correta 
interpretação do conteúdo das posições e subposições da NCM.  

Assim dispõem as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 
(RGI):  

 “1.  Os  títulos  das  seções,  capítulos  e  subcapítulos  têm  apenas  valor 
indicativo.  Para  os  efeitos  legais,  a  classificação  é  determinada  pelos  textos 
das  posições  e  das  Notas  de  Seção  e  de  Capítulo  e,  desde  que  não  sejam 
contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes.  

(...)  

Fl. 474DF  CARF  MF



 

  6

6.  A  classificação  de  mercadorias  nas  subposições  de  uma  mesma 
posição é  determinada,  para  efeitos  legais,  pelos  textos dessas  subposições  e 
das  Notas  de  subposição  respectivas,  bem  como,  mutatis  mutandis,  pelas 
Regras  precedentes,  entendendo­se  que  apenas  são  comparáveis  subposições 
do  mesmo  nível.  Na  acepção  da  presente  Regra,  as  Notas  de  Seção  e  de 
Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário”.  

Vale dizer, são os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e 
dos destaques “Ex”, que determinam a classificação fiscal de um produto. As regras 
de 2 a 5 somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o 
devido  enquadramento.  As  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  (NESH), 
sendo fonte subsidiária de interpretação, é, por essa razão, instrumento hábil, embora 
não suficiente, para o enquadramento correto de classificação fiscal de mercadorias.  

Em  sua  defesa,  a  contribuinte  aduz  que  os  produtos  reclassificados  não  são 
vendidos  de  forma  isolada  ou  individualmente.  Ao  contrário,  a  comercialização 
sempre  é  feita  pelo  conjunto  de  itens  que  compõem  cada  projeto  e/ou  orçamento. 
Trata­se,  portanto,  de  uma  série  de  itens  de  produtos  que  não  tem  função  isolada, 
própria, ou específica, mas que se complementam numa única função, seja de porta, 
janela ou esquadria, devendo, por conseguinte, serem objeto de classificação fiscal 
nessa  condição.  Portanto,  o  que  efetivamente  prevalece  para  fins  de  classificação 
fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é a sua destinação. 

(...) 

No entanto, compulsando os autos, extrai­se que os produtos fabricados pela 
contribuinte  são  de matéria  plástica  e  suas  obras,  enquadradas  no Capítulo  39  da 
TIPI, tendo como principal atividade a fabricação de portas, janelas, seus caixilhos e 
alisares. Portanto, de acordo com os fatos apresentados, nem todas as saídas são de 
portas ou janelas, e sim de seus acessórios, com vendas separadas, daí resultando em 
classificações independentes.  

A Nota  Explicativa,  relativamente  à  Seção VII,  relativo  a  “PLÁSTICOS  E 
SUAS  OBRAS;  BORRACHA  E  SUAS  OBRAS”,  invocada  pela  impugnante, 
dispõe:  

Notas de Seção.  

1. Os produtos apresentados em sortidos formados por vários elementos 
constitutivos distintos, incluídos, na totalidade ou em parte, na presente Seção, 
e que se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto 
das  Seções VI  ou VII,  devem  classificar­se  na  posição  correspondente  a  este 
último produto, desde que tais elementos constitutivos sejam:  

a) em face do seu modo de acondicionamento claramente reconhecíveis 
como destinados a utilização conjunta sem prévio reacondicionamento;  

b) apresentados ao mesmo tempo;  

c) reconhecíveis, dadas a sua natureza ou respectivas quantidades, como 
complementares uns dos outros.  

É  imprescindível  que  as  situações  “a”,  “b”  e  “c”  estejam  presentes  para  de 
fato os produtos reclassificados sejam considerados e classificados como portas ou 
janelas, ou seja, no NCM 3925.20.00. Caso contrário, serão classificados de forma 
autônoma, exatamente como procedeu a fiscalização na reclassificação efetuada.  

Também corrobora com a situação a própria Solução de Consulta nº 9, de 22 
de fevereiro de 2001, igualmente invocada pela contribuinte, na qual especifica que 
a  mercadoria  classificada  no  NCM  3925.20.00  trata­se  de  “porta  desmontada, 

Fl. 475DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 473 

 
 

 
 

7

constituída por elementos de plástico rígido (PVC)”. Em nenhum momento, sequer 
cita a possibilidade de classificar no NCM 3925.20.00 as partes em que compõe a 
porta ou janela. No caso em tela, estamos diante de saídas de acessórios para portas 
ou janelas, e não saídas de portas ou janelas desmontadas.  

Face  ao  exposto,  verificam­se  infrutíferas  as  alegações  da  requerente  no 
sentido de que os produtos por ela fabricados deveriam ser classificados como portas 
ou janelas ­ NCM 3925.20.00.  

Neste  sentido,  com  base  nas  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema 
Harmonizado/RGI  1ª  (texto  da  posição  3916  e  3925)  e  6ª  (texto  da  subposição 
3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC­1), concluo que as 
classificações adotadas pela fiscalização estão corretas. (...) 

 

Sobre aplicação da multa de ofício.  

A  recorrente  contesta  o  que  entendeu  “ser  excessivo  o  valor  da  referida 
penalidade  aplicada,  pois  nenhum  pretenso  imposto  deixou  de  ser  recolhido”. No 
entanto,  o  autuante  aplicou  somente  a  multa  de  ofício  de  75%,  a  qual  está 
fundamentada no art. 80, inciso II, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 
45 da Lei n° 9.430/96, e alterações posteriores: 

(...) 

Valores divergentes apurados em diligência.  

Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a 
planilha “Apuração da Divergência no Somatório dos valores das Notas Fiscais de 
Saídas”, no qual se posiciona pela existência de divergências na apuração referente 
ao produto “perfil”, no valor total de R$ 4.412,27.  

Nesse sentido, deve­se cancelar o lançamento das diferenças de IPI apuradas 
no relatório fiscal. O demonstrativo abaixo demonstra o novo valor de IPI apurado 
(...). 

 

Do Recurso Voluntário 

Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os 
argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: 

 

Fl. 476DF  CARF  MF



 

  8

 

 

      (...) 

Fl. 477DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 474 

 
 

 
 

9

 

 

 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro Tiago Guerra Machado 

 

Da Admissibilidade  

O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de 
modo que admito seu conhecimento. 

 

Da Preliminar de Nulidade 

Fl. 478DF  CARF  MF



 

  10

A recorrente aduz que o erro, durante o lançamento, na reclassificação fiscal 
para código NCM inexistente representaria óbice à suficiente instrução da sua defesa, devendo 
ser,  per  si,  anulado  o  auto  de  infração,  com  fulcro  no  artigo  59,  do  Decreto  Federal 
70.235/1972. 

Ora, não reside razão a tal assertiva da contribuinte. 

A reclassificação para um código NCM inexistente, no presente caso, não a 
inibiu  de  apresentar  sua  defesa, mesmo  porque  está  foi  calcada  na  possibilidade  técnica  no 
enquadramento no código NCM ora impugnado. 

Além disso, considerando que a Fiscalização atribuiu os produtos ao código 
NCM genérico então vigente ("Outros"), e de mesma posição, é possível inferir que o erro em 
imputar  o  código  NCM  inexistente  3925.90.00  ao  invés  do  código  NCM  3925.90.90  é 
absolutamente  sanável,  inexistindo  portanto  hipótese  da  nulidade  prevista  no  artigo  59, 
supramencionado, aplicável ao presente lançamento. 

 

Do Mérito 

Da Classificação Fiscal 

Sobre  a  classificação  fiscal  das  mercadorias,  não  vejo  necessidade  de 
qualquer  emenda  ao  embasamento  jurídico  da  decisão  de  primeiro  piso.  Todavia,  há  de  se 
ressaltar que, a meu ver, não houve suficiente  esmero da decisão  em analisar  faticamente os 
produtos que  foram reenquadrados  em código NCM distinto do que a contribuinte considera 
como  corretos.  Analisando  os  catálogos  comerciais  disponíveis  no  site  da  Recorrente 
(https://www.tigre.com.br/claris/produtos),  verifica­se  que  alguns  dos  itens  foram 
erroneamente  enquadrados  no  lançamento,  uma  vez  que  por  sua  descrição,  natureza  e 
utilização deveriam ser relacionados em código NCM específico, a saber: 

 

Arco  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Caixa acústica  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Folha  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Maxiar  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Pinázio  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Quadro fixo  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

Trilhos  3925.20.00  Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 

 

Explico. 

O arco e o pinázio são formas de acabamento que integram a folha da janela, 
que nada mais é do que estrutura que abriga o vidro, não podendo se distinguir dela própria. A 
caixa acústica é a estrutura componente da janela que envolve a(s) folha(s). Maxiar nada mais é 
do  que  um  modelo  específico  de  janela  oferecido  pela  Recorrente,  do  tipo  basculante;  da 
mesma forma que o "quadro fixo", nada mais que uma janela sem qualquer modo de abertura. 
Por fim, os trilhos são estruturas que compõem as janelas que possuem folhas que não possuem 
dobradiças ou básculas (ou seja, são janelas "de correr").  

Fl. 479DF  CARF  MF



Processo nº 10830.721965/2011­81 
Acórdão n.º 3401­005.152 

S3­C4T1 
Fl. 475 

 
 

 
 

11

Veja que a subposição 3925.20.00 trata das janelas e seus caixilhos, alizares e 
soleiras; nessa linha, parece­me claro que a intenção é de se classificar nessa subposição todos 
os  itens  essenciais  à  estrutura  das  portas  e  janelas  ­  de  todos  os  tipos  ­  e  não  só  o  produto 
consolidado. 

Não  por  coincidência,  a  subposição  seguinte  (3925.30.00)  é  que  alberga 
venezianas  e  estores,  que  por  mais  que  possam  ser  integradas  às  janelas  e  portas,  não  são 
essenciais  a  sua  estrutura,  não  cabendo  reforma  da  decisão  ora  recorrida  no  que  tange  às 
venezianas. 

Os  seguintes  itens  não  merecem  tampouco  reforma,  adotando  as  razões 
apontadas no entendimento exarado pela DRJ pelo fato de não ter sido trazido pela Recorrente, 
em  nenhum  momento  da  lide,  qualquer  elemento  que  pudessem  convencer  que  seriam 
componentes  essenciais  à  estrutura  da  janela,  e  não  apenas  decorativos:  "arremate",  "canto", 
"estruturas geométricas", "marco", "módulos", "perfis". 

Por  fim,  quanto  ao  item  "guarda­corpo",  vê­se  indistintamente  que  não  se 
trata de porta ou janela. É um guarda­corpo; portanto reputo correta a classificação fiscal nos 
termos do lançamento original, eis que não há correlação nas subposições anteriores, devendo 
manter­se classificado como 3925.90.90. 

 

Da Alegação de Impossibilidade de Lavratura de Penalidade quando não 
há dano ao Erário sob pena de efeito de confisco 

Diante  dos  argumentos  de  ordem  constitucional  apresentados  pelo 
contribuinte  para  afastamento  da  aplicação  de  multa  pecuniária  (“manifestamente 
confiscatória”),  ressalto  que  esse  colegiado  está  limitado  a  discussão  de  matéria 
infraconstitucional,  de modo que o pretenso  afastamento da norma  legal  vigente  se  encontra 
impossibilidade  pela  obediência  à  Súmula  CARF  nº  2.  Tal  fato  implica  na  inadmissão  do 
pedido expresso na peça recursal. 

Por  todo o exposto, conheço do Recurso, porém dou­lhe parcial provimento 
apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI/2007 refere aos produtos: 
arco,  caixa  acústica,  folha,  maxiar,  pinázio,  quadro  fixo  e  trilhos,  devendo  ser  reduzida  a 
penalidade proporcionalmente as saídas de tais itens no período autuado. 

 

(assinado digitalmente) 

Tiago Guerra Machado ­ Relator 

           

           

Fl. 480DF  CARF  MF



 

  12

 

Fl. 481DF  CARF  MF


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Data do fato gerador: 22/04/2003  
PRELIMINAR.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. 
Não  há  que  se  falar  em  cerceamento  da  defesa  quando  a  decisão  de  primeira  instância  indefere,  justificadamente,  pedido  de  diligência,  considerada  desnecessária.  

Classificação de Mercadorias  
Data do fato gerador: 22/04/2003  
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto “GERMALL PLUS”, por ser uma  preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil  uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código  NCM  2933.29.99,  devendo  prevalecer  o  código  NCM  3808.90.29.  Inaplicabilidade  das  Regras  2b  e  3b  das  Regras  Gerais  do  Sistema  Harmonizado.  MULTA  POR  AUSÊNCIA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO.  DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 169, I, “b”, do DL nº 37/66,  aplica-se na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na  declaração  de  importação  que  impeça  a  verificação  quanto  a  sua  correta  classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja  submetida  ao  regime  de  licenciamento  não-automático.  
Não  tendo  a  fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua  exigência.  

MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 
Constatado o erro na  classificação fiscal, satisfaz-se a condição que enseja a aplicação da multa  prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/01., turma_s=Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção, numero_processo_s=11128.003520/2007-39, conteudo_id_s=5214943, dt_registro_atualizacao_tdt=Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2020, numero_decisao_s=3201-001.065, nome_arquivo_s=Decisao_11128003520200739.pdf, nome_relator_s=DANIEL MARIZ GUDINO, nome_arquivo_pdf_s=11128003520200739_5214943.pdf, secao_s=Terceira Seção De Julgamento, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[Decidiu o colegiado: por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência, e negar provimento quanto a multa proporcional ao valor aduaneiro por erro de classificação fiscal; e, por maioria de votos, negar provimento quanto à classificação fiscal, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira; e dar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa por falta de licenciamento, vencido o Conselheiro Paulo Sergio Celani, tendo a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhado o relator pelas conclusões quanto a esta matéria.
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S3­C2T1 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

0 

S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11128.003520/2007­39 

Recurso nº  912.297   Voluntário 

Acórdão nº  3201­001.065  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  22 de agosto de 2012 

Matéria  CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS 

Recorrente  ISP DO BRASIL LTDA. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Assunto: Processo Administrativo Fiscal 

Data do fato gerador: 22/04/2003 

PRELIMINAR.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. 
INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  Não 
há  que  se  falar  em  cerceamento  da  defesa  quando  a  decisão  de  primeira 
instância  indefere,  justificadamente,  pedido  de  diligência,  considerada 
desnecessária. 

Assunto: Classificação de Mercadorias 

Data do fato gerador: 22/04/2003 

CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O  produto  “GERMALL PLUS”,  por  ser  uma 
preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil 
uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código 
NCM  2933.29.99,  devendo  prevalecer  o  código  NCM  3808.90.29. 
Inaplicabilidade  das  Regras  2b  e  3b  das  Regras  Gerais  do  Sistema 
Harmonizado. 

MULTA  POR  AUSÊNCIA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO. 
DESCABIMENTO.  A  multa  prevista  no  art.  169,  I,  “b”,  do  DL  nº  37/66, 
aplica­se  na  hipótese  de  incorreta  ou  insuficiente  descrição  do  produto  na 
declaração  de  importação  que  impeça  a  verificação  quanto  a  sua  correta 
classificação  fiscal,  desde  que  a  mercadoria  efetivamente  importada  esteja 
submetida  ao  regime  de  licenciamento  não­automático.  Não  tendo  a 
fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua 
exigência. 

MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado o erro na 
classificação  fiscal,  satisfaz­se  a  condição  que  enseja  a  aplicação  da multa 
prevista no art. 84 da MP nº 2.158­35/01. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

  

Fl. 117DF  CARF MF

Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012

por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO



 

  2

Decidiu  o  colegiado:  por  unanimidade  de  votos,  afastar  a  preliminar  de 
decadência,  e  negar  provimento  quanto  a multa  proporcional  ao  valor  aduaneiro  por  erro  de 
classificação  fiscal;  e,  por maioria  de  votos,  negar  provimento  quanto  à  classificação  fiscal, 
vencido  o  Conselheiro  Marcelo  Ribeiro  Nogueira;  e  dar  provimento  ao  recurso  quanto  à 
aplicação  da  multa  por  falta  de  licenciamento,  vencido  o  Conselheiro  Paulo  Sergio  Celani, 
tendo  a  Conselheira  Mércia  Helena  Trajano  D'Amorim  acompanhado  o  relator  pelas 
conclusões quanto a esta matéria. 

MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.  

DANIEL MARIZ GUDIÑO ­ Relator. 

EDITADO EM: 25/10/2012 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio 
Pereira Valadão  (presidente da  turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes  (vice­presidente), 
Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani  e Daniel 
Mariz Gudiño. 

Relatório 

Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  a  data  da  prolação  do  acórdão 
recorrido,  transcrevo  abaixo  o  relatório  do  órgão  julgador  de  1ª  instância,  incluindo,  em 
seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: 

Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração,  lavrado  em 
17/05/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a 
exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora 
e multa proporcional, multa de controle administrativo  e multa 
proporcional  ao  valor  aduaneiro  no  valor  de  R$  2.503,49,  em 
face dos fatos a seguir descritos. 

• A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, 
através  da  Declaração  de  Importação  No.  03/0330919­3,  de 
22/04/2003,  adição  001,  a  mercadoria  descrita  como 
"GERMALL  PLUS  DIAZOLIDINIL  URÉIA  E 
BUTILCARBONATO DE IODO PROPINILA", com classificação 
fiscal  no  código NCM 2933.29.99,  com  incidência  da  alíquota. 
.0%  (nihil)  para  o  Imposto  de  Importação  e  o  Imposto  de 
Produtos Industrializados; 

•  Através  do  Laudo  de  Assistência  Técnica  No.  1904.01,  de 
31/07/2003,  foi apurado que o produto em análise não se  trata 
apenas de diazolidinil uréia e nem qualquer outro composto cuja 
estrutura contém um ciclo Imidazol não condensado. Trata­se de 
preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 3­
Iodo­2­Propilina  e  Dialodinil  Uréia,  uma  outra  preparação 
antimicrobiana. 

•  A  fiscalização  entendeu  ser  correta  para  o  produto  a 
classificação fiscal no código NCM 3808.90.29; 

• A conclusão da fiscalização se pautou nas Regras No. 1 e No. 6 
das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; 

Fl. 118DF  CARF MF

Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012

por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO



Processo nº 11128.003520/2007­39 
Acórdão n.º 3201­001.065 

S3­C2T1 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento ­ AR, 
em  03/07/2007  (fls.  40­verso),  o  contribuinte  protocolizou 
impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 
70.235/72, em 02/08/2007, de  fls. 43 à 49,  instaurando assim a 
fase litigiosa do procedimento. 

Na  forma  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  a  impugnante 
informou que: 

•  O  produto  GERMALL  PLUS  tem  por  finalidade  preservar 
produtos  como  shampoos,  condicionadores,  cremes, 
maquiagens... 

•  A  Diazodinil  Uréia  é  um  composto  orgânico  de  constituição 
química  definida,  caracterizando­se  como  um  composto 
heterocíclico exclusivamente de heteroátomo de nitrogênio cuja 
estrutura contém um ciclo imidazol; 

•  Na  composição  do  produto  GERMALL  PLUS,  a  Diazodinil 
Uréia (99%) é a matéria que confere característica essencial ao 
produto; 

•  Em  função  da  Regra  No.  1  das  Regras  Gerais  do  Sistema 
Harmonizado,  não  assiste  razão  a  classificação  fiscal  adotada 
pela  fiscalização NCM 3808.90.29, pois no Capítulo 38 não há 
nenhuma  referência  a  composto  orgânico  de  constituição 
química definida; 

• A classificação fiscal adotada pelo impugnante é a adequada, 
em função das Regras 1, 2b) e 3b) das Regras Gerais do Sistema 
Harmonizado; 

• Pelo fato da Diazodinil Uréia (99%) ser a matéria que confere 
característica  essencial  ao  produto GERMALL  PLUS,  que  por 
sua  vez  é  definido  como  composto  cuja  estrutura  contém  um 
ciclo Imidazol, em função das Regras 2b) e 3b), deve prevalecer 
a classificação fiscal no código NCM 2933.29.99; 

• A nota de subposição 1 do Capítulo 29 prevê que "no âmbito de 
uma posição do presente Capítulo, os derivados de um composto 
químico  devem  classificar­se  na  mesma  subposição  que  esse 
composto,  desde  que  não  se  incluam  mais  especificamente  em 
outra subposição e que não exista subposição residual..." 

•  Solicita  perícia,  pois  o  resultado  do  Laudo  de  Assistência 
Técnica No. 1904.01, de 31/07/2003 não corresponde a correta 
constituição  da  amostras  da  mercadoria  ''GERMALL  PLUS', 
nomeando perito e apresentando quesitos. 

Na  decisão  de  primeira  instância,  proferida  na  Sessão  de  Julgamento  de 
17/02/2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 
II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 17­48.574 de 
fls. 77­83: 

Assunto: Classificação de Mercadorias 

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por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO



 

  4

Data do fato gerador: 22/04/2003 

Importação  do  produto  "GERMALL  PLUS  DIAZOLIDINIL 
URÉIA  E  BUTILCARBONATO  DE  IODO  PROPINILA",  com 
classificação fiscal no código NCM 2933.29.99. 

O Laudo de Assistência Técnica apurou que o produto se  trata 
de preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 
3­Iodo­2­Propilina  e Diazolidinil Uréia,  uma outra preparação 
antimicrobiana. 

O prospecto apresentado junto ao Laudo de Assistência Técnica 
ressalta as funções do produto de herbicida e fungicida. 

Por não possuir código NCM específico, sua classificação fiscal 
recai no código NCM residual ­ 3808.90.29, conforme aplicação 
das  Regras  No.  1  e  No.  6  das  Regras  Gerais  do  Sistema 
Harmonizado. 

Impugnação Improcedente 

Crédito Tributário Mantido 

A Recorrente  foi  cientificada  do  teor  do  acórdão  por  intimação  postal,  em 
17/03/2011  (fl.  85­v),  tendo  protocolado  seu  recurso  voluntário  (fls.  88/99),  também por  via 
postal, em 18/04/2011 (fls. 87). Nele, a Recorrente reitera os argumentos já suscitados em sua 
impugnação. 

Na  forma  regimental,  o  processo  digitalizado  foi  distribuído  e, 
posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro Daniel Mariz Gudiño 

Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 33 
do Decreto  nº  70.235  de  1972  e  no  art.  56,  §  5º,  do Decreto  nº  7.574  de  2011,  conheço  o 
recurso voluntário e passo a analisá­lo. 

O cerne da disputa consiste em saber se o produto importado pela Recorrente 
deve  ser  classificado  na  posição  NCM  2933.29.99,  referente  a  “outros  compostos 
heterocíclicos cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado”, ou na posição NCM 
3808.90.29, referente a “outros inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, etc.”. 

Inicialmente, a Recorrente pleiteia a nulidade da decisão recorrida tendo em 
vista que cerceou o seu direito de defesa na medida em que julgou desnecessária a realização 
da  diligência  requerida  na  impugnação.  Apenas  para  reavivar  os  quesitos  formulados  pela 
Recorrente em sua defesa inicial, transcrevo­os abaixo: 

1) Qual a constituição do produto "GERMAL PLUS"? 

2)  O  "GERMALL  PLUS"  pode  ser  caracterizado  como  algum 
destes  produtos:  Inseticidas,  rodenticidas,  fungicidas, 
herbicidas,  inibidores  de  germinação  e  reguladores  de 

Fl. 120DF  CARF MF

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por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO



Processo nº 11128.003520/2007­39 
Acórdão n.º 3201­001.065 

S3­C2T1 
Fl. 3 

 
 

 
 

5

crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, 
apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou 
como  preparações  ou  ainda  sob  a  forma  de  artigos,  tais  como 
fitas, mechas e velas sulfuradas e papel mata­moscas? 

3) O que é uma mistura, como conceito químico? 

4)  As  substâncias  que  compões  o  "GERMALL  PLUS"  são 
consideradas  compostos  orgânicos  de  constituição  química 
definida? 

Sobre essa preliminar, entendo que as respostas aos quesitos formulados pela 
Recorrente não  alterarão  o  deslinde  da  controvérsia  na  1ª  instância  administrativa,  tendo  em 
vista  a  fundamentação  adotada  pela  decisão  recorrida.  Ademais,  parte  dos  quesitos  já  foi 
respondida no próprio Laudo FUNCAMP nº 1904.01 (fl.22), eis que informa a constituição do 
produto GERMALL PLUS e indica as suas funções bactericidas e fungicidas. 

Com efeito, entendo que não deve ser acolhida a preliminar de cerceamento 
de defesa motivada pelo indeferimento do pedido de perícia. 

Quanto ao mérito, o argumento central da Recorrente para sustentar a posição 
NCM 2933.29.99 como correta é que o GERMALL PLUS é quase que integralmente composto 
de Diazolidinil Uréia (99%), vale dizer, composto químico definido cuja estrutura contém um 
ciclo  imidazol  não  condensado,  que  lhe  dá  a  sua  característica  essencial.  Trata­se  de  um 
produto utilizado para preservar produtos cosméticos contra bactérias e fungos. 

Assim, considerando que o GERMALL PLUS é um produto misturado e não 
sendo aplicável o  item 3.a das Regras Gerais  para  Interpretação do Sistema Harmonizado,  a 
Recorrente  defende  a  aplicação  da  classificação  fiscal  da  matéria  que  lhe  confere  a 
característica  essencial,  nos  termos  do  item  3.b.  Nesse  caso,  o  GERMALL  PLUS  seria 
classificado na posição NCM própria do Diazolidinil Uréia. 

Por  outro  lado,  de  acordo  com  o  Laudo  FUNCAMP  nº  1904.01  (fl.22),  a 
amostra analisada do GERMALL PLUS não corresponde a lidinil Uréia e nem a qualquer outro 
composto  cuja  estrutura  contém  um  ciclo  imidazol  não  condensado,  e  sim  uma  outra 
preparação  antimicrobiana.  Isso  porque,  no  próprio  portal  que  empresa  controladora  da 
Recorrente possuía na  internet  à  época dos  acontecimentos,  o  produto  estava  definido  como 
bactericida e fungicida. 

Interessante  notar,  nesse  ponto,  que  o  laudo  e  a posição  da Recorrente  não 
conflitam, pois a Recorrente não defende que o GERMALL PLUS é um composto orgânico de 
constituição  química  definida  apresentada  isoladamente,  e  sim  que  o  produto  deve  ser 
classificado na posição NCM relativa ao Diazolidinil Uréia, tendo em vista se tratar de matéria 
que lhe confere a característica essencial. 

A  despeito  disso,  a  fiscalização  entendeu  que  o  GERMALL  PLUS  não 
poderia  ser  classificado  na  posição  NCM  2933.29.99,  tendo  em  vista  que  a  nota  1.a)  do 
Capítulo  29  estabelece  que  estabelece  que  “ressalvadas  as  disposições  em  contrário,  as 
posições  do  presente  Capitulo  apenas  compreendem:  a)  os  compostos  orgânicos  de 
constituição  química  definida  apresentados  isoladamente,  mesmo  contendo  impurezas;  ...”. 
Logo,  por  haver  indicação  do  laudo  técnico  de  que  o  produto  seria  uma  preparação 
antimicrobiana, entendeu por bem classificá­lo na posição NCM 3808.90.29. 

Fl. 121DF  CARF MF

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  6

Corroborando o entendimento da fiscalização, identifiquei a seguinte solução 
de consulta sobre a classificação fiscal de produto com funções semelhantes às do GERMALL 
PLUS: 

Solução de Consulta nº 4/02 

Superintendência Regional da Receita Federal ­ SRRF / 8a. RF ­ 
Diana 

Assunto: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS 

Ementa: CÓDIGO TEC: Mercadoria: 

3808.40.29  Preparação  bacteriostática  e  fungicida  para  a 
formulação  de  produtos  cosméticos  e  para  cuidados  pessoais, 
constituída  pela  mistura  de  1,3­bis(hidroximetil)­5,5­
dimetilhidantoína  e  3­iodo­2­propinil  butil  carbamato 
apresentada  na  forma  de  pó,  grânulos  e  solução  líquida, 
acondicionada em recipientes plásticos de 18,14 kg e 226,80 kg, 
marca Glydant(r)Plus, fabricante Lonza Inc. 

Dispositivos  legais: RGIs 1.ª e 6.ª  (textos da posição 3808 e da 
subposição 3808.40), c/c RGC­1, da TEC, do Mercosul (Decreto 
nº  2.376/97  ­  Anexos  Resolução  Camex  nº  42/2001),  com  os 
esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado 
(Decreto n° 435/92 ­ alterado pela IN SRF n.º 123/98, 005/99 , 
054/99, 059/00 e 095/00). 

WERNER HESS 

Chefe 

Obs: Aplicada a correlação NCM 2002 x NCM 2007 

Data: 24/01/2002, publicado no DOU de 28/03/2002. 

Portanto,  considerando  que  1%  do  GERMALL  PLUS  é  composto  de 
Butilcarbamato  de  3­Iodo­2­Propinila,  não  sendo  esse  componente  mera  impureza  para  os 
efeitos  da  nota  1.a)  do  Capítulo  29,  o  produto  em  análise  é  realmente  uma  preparação 
antimicrobiana  com  função  preservativa,  devendo,  por  isso,  ser  classificado  na  posição 
3808.90.29. 

No tocante à aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto­Lei nº 
37 de 1966, entendo que a mesma não é devida, pois a fiscalização não fez prova de que a nova 
classificação  fiscal  exigiria  licenciamento  não­automático. Nesse  sentido,  convém  esclarecer 
que o referido entendimento está escorado no entendimento da Câmara Superior do Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: 

NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  MULTA  POR  DESCUMPRIMENTO 
DO  CONTROLE  ADMINISTRATIVO  DAS  IMPORTAÇÕES. 
AUSÊNCIA  DE  PROVA  DE  QUE  A  MERCADORIA 
EFETIVAMENTE  IMPORTADA  ESTAVA  SUBMETIDA  A 
LICENCIAMENTO NÃO­AUTOMÁTICO. DESCABIMENTO.  A 
multa prevista no art. 526 II do Regulamento Aduaneiro baixado 
pelo  Decreto  91.030/94  aplica­se  na  hipótese  de  incorreta  ou 
insuficiente descrição do produto na declaração de  importação 
que  impeça  a  verificação  quanto  a  sua  correta  classificação 
fiscal,  desde  que  a  mercadoria  efetivamente  importada  esteja 

Fl. 122DF  CARF MF

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Processo nº 11128.003520/2007­39 
Acórdão n.º 3201­001.065 

S3­C2T1 
Fl. 4 

 
 

 
 

7

submetida  ao  regime  de  licenciamento  não­automático.  Não 
tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível 
a manutenção de sua exigência. 

(Acórdão nº 9303­001.908, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, 
Sessão de 08/03/2012) 

Finalmente, no tocante à multa regulamentar por erro de classificação fiscal, 
prevista  no  art.  84  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35  de  2001,  melhor  sorte  não  assiste  à 
Recorrente.  A  classificação  fiscal  por  ela  empregada  não  estava  correta,  de  modo  que,  em 
termos objetivos, a infração cometida está plenamente tipificada. 

Diante  de  todo  o  exposto,  DOU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso 
voluntário  para  excluir  a  multa  de  controle  administrativo  prevista  no  art.  169,  I,  “b”,  do 
Decreto­Lei nº 37 de 1966. 

É como voto. 

Daniel Mariz Gudiño ­ Relator 

           

 

           

 

 

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1

csaFrro2
Fls. I

MINISTÉRIO DA FAZENDA

CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS

'ktft.	 SEGUNDA TURMA

Processo n°	 10860.001597/97-30

Recurso n°	 202-118.900 Especial do Procurador

Matéria	 IP I

Acórdão n°	 02-02.895

Sessão de	 28 de janeiro de 2008

Recorrente	 FAZENDA NACIONAL

Interessado	 REFRIGERAÇÃO PARANÁ S/A

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS —

Período de apuração: 05/08/1992 a 27/02/1997

NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.

Em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, interpreta-

se da maneira mais favorável ao acusado a lei tributária que

define infrações ou lhe comina penalidades.

IPI. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE.

O conteúdo semântico da expressão "e se êstes satisfazem a
todas as prescrições legais e regulamentares" existente na parte
final do art. 62 da Lei n2 4.502/64 não inclui a obrigatoriedade de

o adquirente verificar se a classificação fiscal dos produtos

adquiridos está correta.

Recurso especial negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos

Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, vencidos os

conselheiros Josefa Maria Coelho Marques e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento

ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

• • 5 n NI P: P • GA

Presidente

())



_

.	 .

Processo n.° 10860.001597/97-30 __	 CSRF/T02

	

C

Acórdão n.° 02-02.895	 -----%\	
Fls. 2

	ANINIO CARLOS A. ULIM

Relator

FORMALIZADO EM: 25 AGO 2008

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Josefa Maria

Coelho Marques, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim,

Antonio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez Lopez, Emanuel

Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado), Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade

Manzan, Júlio César Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire, Rycardo

Henrique Magalhães de Oliveira e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ausentes

justificadamente os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Dalton César Cordeiro de Miranda..



.	 .
•

Processo n.° 10860.001597/97-30 	 CSRF/T02
Acórdão n.° 02-02.895	 Eis. 3

Relatório

Trata-se de recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional interposto

com fulcro na contrariedade à lei, em face do Acórdão n 2 202-15.355, por meio do qual deu-se

provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa regulamentar do IPI prevista no art.

368 c/c 364 do RIPI/82, lançada contra o adquirente de produtos com erro de classificação

fiscal e aliquota, por descumprimento do disposto no art. 173 do mesmo regulamento.

Alegou o Procurador da Fazenda Nacional que a argumentação lançada no

acórdão recorrido no sentido de que a cláusula final do art. 173, caput, do RIPI182 não tem

amparo na lei é improcedente. O fundamento legal do art. 173 do RIPI182 é o art. 62 da Lei n2

4.502/64 onde se encontra a previsão de que o adquirente deve examinar se os produtos estão

acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e

regulamentares. Ora, a classificação fiscal integra o rol de prescrições legais e regulamentares

acerca da nota fiscal, logo, o adquirente é legalmente obrigado a verificar a correção da

classificação fiscal dos produtos. Não se desincumbindo deste ônus, está sujeito à penalidade

prevista no art. 368 do RIP1/82. Requereu o acolhimento de suas razões para reformar o

acórdão recorrido com o conseqüente restabelecimento da decisão de primeira instância.

O recurso especial foi admitido por meio do despacho n2 202-145 (fls. 427/428).

Regularmente notificado do Acórdão n2 202-15.355, do recurso especial e do

despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou em tempo hábil as contra-razões

de fls. 432/441, pugnando pela mantença do acórdão recorrido.

A/
É o Relatório.



Processo n.° 10860.001597/97-30 	 CSRF/T02
Acórdão n.° 02-02.895	 Fls. 4

Voto

Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator

O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele
tomo conhecimento.

O cerne da controvérsia é a interpretação do art. 62 da Lei n2 4.502/64 que
estabelece o seguinte:

"Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem

ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para

emprégo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos

tributados ou isentos, deverão examinar se éles se acham devidamente

rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao Mio
de contróle, bem como se estão acompanhados dos documentos

exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e

regulamentares."

(..)" (grifei)

O acórdão recorrido entendeu que o artigo 173 do RIPI/82 ampliou o rol de

exigências estabelecido no art. 62 da Lei n2 4.502/64 ao substituir a expressão acima em

negrito pela expressão "(..) se estão de acordo com a classificação fiscal, o lançamento do

imposto e as demais prescrições deste regulamento (..)". Vejamos a transcrição do

regulamento:

"Art. 173. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem

ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para

emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos

tributados ou isentos, deverão examinar se estes estão devidamente

rotulados ou marcados e, ainda, selados, quando sujeitos ao selo de

controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos

e se estão de acordo com a classificacão fiscal, o lançamento do
imposto e as demais prescrições deste Regulamento."

(Grifei)

Segundo a interpretação vertida no acórdão recorrido, a exigência prevista na

parte final do art. 62 da Lei n2 4.502/64 obriga o adquirente apenas a examinar se os elementos

exigidos para a validade da nota fiscal estão preenchidos e, nos itens que deva conhecer pela

natureza da operação mercantil, se estão corretos.

Tais elementos seriam os especificados no art. 242 do RIPI/82 (art. 48 da Lei n2

4.502/64), quais sejam: a denominação "Nota Fiscal", o número da nota, a data da emissão e

saída, a natureza da operação, os dados cadastrais do emitente e do destinatário, a quantidade e

a discriminação dos produtos, a classificação fiscal dos produtos, aliquota, o valor tributável,

os dados cadastrais do transportador e os dados de impressão do documento.

Isto porque se o bem descrito na nota permite, por um critério racional, seu

enquadramento nas posições da Tabela de Incidência do IPI indicadas na nota fiscal, não há



1

Processo n.° 10860.001597/97-30 	 CSRUTO2
Acórdão n.° 02-02.895	 Fls. 5

como exigir que o adquirente o questione, tendo em vista que a classificação de produtos pelo

sistema harmonizado de classificação de mercadorias requer conhecimentos específicos, muito

técnicos e complexos, que nem sempre podem ser detectados no exame normal que o

adquirente realiza ao receber produtos.

Por outro lado, a Procuradoria da Fazenda Nacional, lançando mão da

argumentação do ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no processo n2

10860.001389/97-12, sustenta que o art. 173 do RIPI182 contém de forma implícita a

obrigatoriedade de o adquirente verificar a classificação fiscal dos produtos que adquire, pois

conquanto esta locução não conste expressamente do suporte fisico do art. 62 da Lei n2
4.502/64, ela integraria o rol das "prescrições legais e regulamentares", existente na parte
final da cabeça daquele dispositivo legal.

Segundo a interpretação do ilustre Conselheiro, adotada pela PFN em seu

recurso, a obrigação do adquirente verificar a correta classificação fiscal dos produtos está

contida no art. 62 da Lei n2 4.502/64 porque este artigo, ao impor aos adquirentes a obrigação

de verificarem se os documentos fiscais atendem a todas as prescrições legais, está

determinando que seja observada a correta classificação fiscal, posto que esta, bem como o

valor do imposto incidente sobre o produto devem constar, obrigatoriamente, da nota fiscal.

Assim, o art. 173 do RIPI/82, teria apenas explicitado o que já se continha no

art. 62 da Lei n2 4.502/64 e não criado uma obrigação inexistente na lei.

Como se vê, o deslinde da questão passa por estabelecer o conteúdo semântico

da expressão "e se êstes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares", existente
na parte final do art. 62, da Lei n2 4.502/64.

A meu ver as duas interpretações acima são válidas, pois podem ser lastreadas

por argumentos robustos que atendem ao princípio da persuasão racional do julgador. O

conteúdo semântico da expressão "e se êstes satisfazem a todas as prescrições legais e
regulamentares" tanto pode conter a obrigatoriedade de o contribuinte verificar se a
classificação fiscal dos produtos está correta, como pode apenas conter a obrigação de o

adquirente verificar se a classificação fiscal dos produtos foi consignada formalmente na nota

fiscal.

Neste caso específico, o desrespeito à norma jurídica veiculada pelo suporte

fisico do art. 173 do RIPI182 rende ensejo à inflição de uma sanção administrativa, que é a

multa do art. 368 c/c art. 364 do RIPI/82.

O art. 368 remete expressamente ao art. 173 do RIPI/82. Portanto, este segundo

dispositivo, integra o tipo legal da penalidade prevista no 368, pois à medida que a legislação

vai alterando as prescrições do art. 173, alteram-se as hipóteses de inflição da multa do art.

368.

É inequívoco, portanto, que o suporte fisico do art. 173 do RIPI182 veicula

norma jurídica cujo desrespeito desencadeia uma conseqüência jurídica consistente na inflição

de uma penalidade.

Tratando-se de norma jurídica que integra a definição de uma penalidade e

existindo dúvida quanto a sua interpretação, deve incidir a regra do art. 112, I do CTN que

estabelece o seguinte:



•	 1

Processo n.° 10860.001597/97-30 	 CSRE/T02
Acórdão n.° 02-02.895	 Fls. 6

"Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina

penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em

caso de dúvida quanto:

- à capitulação legal do fato;

No caso concreto o fato à ser subsumido ao art. 62 da Lei n 9 4.502/64 é a
obrigatoriedade do adquirente verificar se a classificação fiscal está correta ou não.

As duas interpretações acima expostas são igualmente válidas e revelam a
existência de dúvida quanto à capitulação legal do fato.

Existe dúvida quanto ao conteúdo semântico da expressão "e se êstes satisfazem
a todas as prescrições legais e regulamentares", pois ela tanto pode conter a obrigatoriedade
do adquirente verificar se a classificação fiscal está correta, quanto conter apenas a obrigação
de o adquirente verificar se no campo correspondente da nota foi consignado formalmente o
código da classificação fiscal.

O art. 112 do CTN manda que se aplique a interpretação mais favorável ao
acusado, que no caso concreto é a obrigatoriedade de verificar se na nota fiscal foi preenchido
o campo correspondente à classificação fiscal, e não se o remetente classificou corretamente os
produtos.

Desse modo, não estando o adquirente obrigado a verificar se a classificação
fiscal dos produtos que adquire está correta, não existe suporte fático para a inflição da multa
do art. 368 do RIM/82, quando o remetente emite a nota fiscal com erro de classificação fiscal
e aliquota, devendo ser mantido o acórdão recorrido.

Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial
da Procuradoria da Fazenda Nacional.

_

Sala das essões, em 28 .Nde janeiro de 2008

,

AND:417111 • OS AT LIM

(I(&lt;


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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.


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S3­C2T1 

Fl. 1.173 

 
 

 
 

1

1.172 

S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10580.724116/2017­64 

Recurso nº            Voluntário 

Resolução nº  3201­001.702  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 

Data  30 de janeiro de 2019 

Assunto  DILIGÊNCIA 

Recorrente  NORSA REFRIGERANTES S/A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o 
julgamento do Recurso em diligência. 

(assinado digitalmente) 

Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator. 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro 
Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Marcelo 
Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Leonardo Correia Lima Macedo,  Leonardo 
Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. 

 

­ Relatório 

Por  retratar  com  fidelidade  os  fatos,  adoto,  com  os  devidos  acréscimos,  o 
relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: 

"Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, 
fls.  437  a  4581,  para  exigência  do  Imposto  sobre  Produtos 
Industrializados  ­  IPI  no  valor  de  R$  40.237.618,36,  acrescido  da 
multa de ofício de R$ 30.178.213,63 e dos  juros de mora (calculados 
até  06/2017)  de  R$  11.040.869,33,  totalizando  a  exigência  de  R$ 

  

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S3­C2T1 
Fl. 1.174 

 
 

 
 

2

81.456.701,32,  cuja  motivação  fática  encontra­se  no  próprio 
documento  e  no  Relatório  Fiscal  às  fls.  397/436,  dos  quais,  pela 
pertinência, reproduzem­se os seguintes trechos: 

AUTO  DE  INFRAÇÃO  CRÉDITOS  INDEVIDOS  ­ 
ENTRADAS/AQUISIÇÕES  INFRAÇÃO:  CRÉDITO  BÁSICO 
INDEVIDO O estabelecimento industrial se creditou indevidamente do 
IPI  na  aquisição  de  insumos  que  foram  classificados  como  básicos, 
compreendendo  sabões,  vassouras,  anti­bactericidas  e  produtos  em 
geral, que compõem o processo produtivo mas não se enquadrarem no 
conceito  de  matéria  prima,  produto  intermediário  ou  material  de 
embalagem,  conforme  descrito  no  Relatório  Fiscal,  parte  integrante 
deste Auto de Infração. (...) 

CRÉDITOS  INDEVIDOS  ­  OUTROS  CRÉDITOS  INFRAÇÃO: 
CRÉDITO INDEVIDO (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO)  

O  estabelecimento  NORSA  se  creditou  do  IPI  à  alíquota  de  20%  na 
aquisição de insumos denominados "kits para fabricação de bebidas", 
adquiridos  do  estabelecimento  RECOFARMA,  situado  na  Amazônia 
Ocidental, e saídos com isenção desse imposto (crédito presumido). O 
Relatório Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, detalha todas 
as etapas do procedimento fiscal. Embora o fiscalizado tenha alegado, 
em resposta aos termos de intimação, que faz jus ao crédito presumido 
em virtude de decisão judicial transitada em julgado, esta fiscalização 
demonstrou que os produtos adquiridos não estão amparados na dita 
decisão,  por  não  se  classificarem  no  conceito  de  CONCENTRADO 
para a fabricação de refrigerantes.(...)  

RELATÓRIO  FISCAL  1)  DOS  TRABALHOS  1.1)  INTRODUÇÃO Os 
créditos de IPI objeto desta fiscalização são oriundos de mercadorias 
constituídas  por  diferentes  componentes  e  acondicionados 
separadamente,  porém  comercializadas  em  conjunto,  em  proporções 
fixas,  utilizadas  na  fabricação  de  bebidas  como  refrigerantes, 
refrescos, néctares, isotônicos e bebidas à base de extrato de chá.  

Embora,  como  regra  geral,  as  matérias­primas,  produtos 
intermediários e materiais de embalagem adquiridos sem o destaque de 
IPI  não  propiciem  o  aproveitamento  desse  imposto,  existem  casos 
excepcionais previstos em lei. nos quais é possível o aproveitamento do 
crédito pelo adquirente, como o previsto no artigo 237 do RI PI/2010 
(Decreto n.° 7.212. de 15 de junho de 2010). Este artigo, ao tratar dos 
créditos  incentivados  referentes  a  produtos  da  Amazônia  Ocidental, 
determina  que  os  adquirentes  dos  produtos  saídos  com  a  isenção  do 
inciso III do artigo 95 poderiam se creditar do valor do IPI calculado 
como se devido fosse. A Amazônia Ocidental é composta pelos estados 
do Amazonas, Acre. Rondônia e Roraima. 

Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditar­se do valor 
do  imposto  calculado,  como  se  devido  fosse,  sobre  os  produtos 
adquiridos  com  a  isenção  do  inciso  III  do  art.  95,  desde  que  para 
emprego  como  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de 
embalagem,  na  industrialização  de  produtos  sujeitos  ao  imposto 
(Decreto­Lei nº 1.435. de 1975. art. 6º, §1º), (grifo nosso). 

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3

Por  outro  lado,  o  artigo  95  do  mesmo  diploma  legal  disciplina  a 
isenção de IPI de produtos saídos da Amazônia Ocidental: 

Art. 95. São isentos do imposto:  

III  ­  os  produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e 
extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem 
pecuária,  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na  Amazônia 
Ocidental,  cujos  projetos  tenham  sido  aprovados  pelo  Conselho  de 
Administração da SUFRAMA, excetuados o  fumo do Capítulo 24 e as 
bebidas  alcoólicas,  das  Posições  22.03  a  22.06.  dos  Códigos 
2208.20.00  a  2208.70.00  e  2208.90.00  (exceto  o  Ex  01)  da  TIPI 
(Decreto­Lei  n°  1.435,  de  1975,  art.  6o.  e  Decreto­Lei  no  1.593.  de 
1977, art. 34). 

(...) O  crédito  do  IPI  na  entrada  de  produtos  com  saída  isenta  deste 
imposto,  previsto  no  artigo  95,  inciso  III  do  RI  PI/2010,  depende  do 
emprego  direto  do  insumo  no  processo  produtivo,  sendo  este  insumo 
necessariamente  elaborado  de matérias­primas  agrícolas  e  extrativas 
vegetais de produção regional, não se incluindo as de origem pecuária. 
(...)Finalmente, vale ressaltar que. para os bens que  tenham saído do 
estabelecimento  industrial  apenas  com a  isenção prevista  pelo  artigo 
81.  inciso II do RIPI 2010, própria para produtos industrializados na 
Zona Franca de Manaus por estabelecimentos com projetos aprovados 
pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, a legislação não prevê 
o direito a crédito de 1P1. pelo adquirente. (...)Com base nos dados da 
Escrituração  Fiscal  Digital  ­  EFD,  entregue  pelo  contribuinte  ao 
SPED  (Sistema  Público  de  Escrituração  Digital),  verificou­se  que  a 
maior  parte  dos  créditos  do  IPI  escriturados  pela  fiscalizada  foram 
oriundos  de  insumos  utilizados  para  a  elaboração  de  refrigerantes  e 
adquiridos  da  empresa  RECOFARMA,  localizada  em Manaus/AM.  e 
identificados nas notas fiscais de entrada como CONCENTRADOS.  

Apesar de não haver o destaque do  IPI nas aquisições dos "kits para 
fabricação  de  bebidas"  do  fornecedor  RECOFARMA.  a  NORSA 
baseou­se  no  artigo  237  do  RIPI/2010  para  escriturar  no  seu  livro 
Registro de Apuração do IPI. créditos calculados mediante a aplicação 
da  alíquota  de  20%  sobre  o  valor  registrado  nas  notas  fiscais.  Tais 
créditos  foram erroneamente somados aos créditos básicos comuns, e 
não destacados no campo "Outros Créditos",  vez que se  tratariam de 
créditos presumidos.  

A visita ao local de fabricação dos refrigerantes verificou, a princípio, 
que  não  havia  nenhum  componente  do  "Kit  para  fabricação  de 
bebidas" que  fosse elaborado com matéria­prima agrícola e extrativa 
vegetal de produção regional, exclusive as de origem pecuária, capa/es 
de propiciar o aproveitamento do crédito fie to de IPI pelo adquirente, 
ainda  que  os  fabricantes  estejam  na  Amazônia  Ocidental  e  seus 
projetos  tenham  sido  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da 
Suframa. (...) 

Do acima exposto fica evidente a necessidade de serem cumpridas as 
normas  internacionais  que  versam  sobre  o  Sistema  Harmonizado, 
quando  da  aplicação  da  legislação  interna,  sendo  impossível  o 
enquadramento  dos  componentes  dos  "  kits  para  fabricação  de 
bebidas" em um código de classificação único, como se se tratasse de 

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Resolução nº  3201­001.702 

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4

matéria­prima  única  (concentrado).  Na  verdade,  o  assinalado  kit  é 
constituído  de  2  ou  mais  componentes,  assim  recebidos  da 
RECOFARMA  e  posteriormente  misturados  com  outros  ingredientes, 
conforme Fluxograma do Processo Produtivo entregue à fiscalização e 
apresentado  na  página  seguinte,  conforme  terminologia  do 
contribuinte.  

Vale  ressalvar  que  a  impossibilidade  de  se  considerar  os  "kits  para 
fabricação de bebidas" como concentrado não decorre do fato de que 
ao longo do processo produtivo, outros insumos são acrescidos para a 
fabricação do produto final. Se a partir de um único componente do kit 
fosse  possível  a  fabricação  do  refrigerante,  mediante  diluição, 
mantendo­se  as  características  essenciais  do  produto  final.  AINDA 
QUE outros produtos  tivessem que ser acrescentados,  a  classificação 
fiscal do kit como concentrado se sustentaria. O que ocorre é que. para 
a  fabricação  dos  refrigerantes.  TODOS  OS  COMPONENTES  do  kit 
precisam ser misturados; os insumos adquiridos sob a denominação de 
"  kits  para  fabricação  de  bebidas'  são,  em  verdade,  classificados  na 
posição  21.06.90.10  ­  Preparações  dos  tipos  utilizados  para 
elaboração  de  bebidas,  e  não  no  Ex  Tarifário  01,  pois  não  são  um 
produto único, conforme vedado pelo item XI da Nota Explicativa 3 b) 
da  RGI.  já  citado.  (...)O  concentrado  do  Ex  01  informado  nas  notas 
fiscais  de  entrada  da  NORSA  é  uma  ficção,  pois  o  xarope  composto 
formado  durante  o  processo  produtivo  não  possui  capacidade  de 
diluição superior a 10 partes da bebida, não existindo, portanto, base 
legal  para  que  os  insumos  recebidos  da  RECORFARMA  sejam 
classificados  no  Ex  01  do  código  2106.90.10  da  TIPI.  Tais  produtos 
estão  classificados  no  código  2106.90.10,  sem  a  inclusão  do  Ex 
Tarifário,  cujo  IPI  na  saída  é  nulo.  (...)Do  exposto  conclui­se  que 
nenhum  componente  dos  "kits  para  fabricação  de  refrigerante"  se 
classifica no Ex 01 do código 2106.90.10. Ressalte­se que o citado erro 
de classificação fiscal tem permitido a utilização de valores bilionários 
em  incentivos  fiscais a  fabricantes de  refrigerantes.  (...)A análise dos 
créditos  escriturados  pelo  contribuinte  também  detectou  o 
aproveitamento de produtos utilizados na limpeza da fábrica e não na 
linha de produção, o que ensejou a expedição de  intimação própria e 
maior  aprofundamento  no  tema.  Tratam­se  de  sabões,  produtos  de 
desinfecção  e  até  vassouras,  cujos  créditos  foram  escriturados  pela 
NORSA como se tratassem de crédito básico. 

1.2)  DA  AUDITORIA  Os  créditos  escriturados  na  escrita  fiscal  da 
NORSA  decorrem  de  aquisições  da  Amazônia,  de  mercadorias 
constituídas  por  diferentes  componentes  acondicionados 
separadamente, para uso em proporções fixas, utilizadas na fabricação 
de bebidas como refrigerantes, refrescos, néctares, isotônicos e bebidas 
à  base  de  extrato  de  chá.  (...)A  relação  de  notas  fiscais  de  entrada 
apresentadas pelo contribuinte, com aproveitamento de credito de IPI 
em virtude da aquisição dos denominados CONCENTRADOS, soma R$ 
43.685.694,50 em 2014 e 2015 conjuntamente. 

Em  complemento  à  resposta  de  03/05/2017,  o  contribuinte  apresenta 
descrição  do  processo  produtivo  de  refrigerantes,  bem  como  o 
fluxograma (transcrito no capitulo anterior deste Relatório e parte dos 
autos),  além  de  esclarecer  que  adquire  da  RECOFARMA  produto 
único,  o  concentrado  para  refrigerantes,  que  é  composto  de  partes, 

Fl. 1176DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.177 

 
 

 
 

5

entregues  em  embalagens  separadas;  acrescenta  que  NÃO  É 
POSSÍVEL  obter  o  produto  final  (refrigerante)  a  partir  de  apenas 
uma  das  partes  do  concentrado,  tendo  em  vista  que  o  concentrado 
deve ser encarado como produto único, sendo viável a fabricação do 
refrigerante somente com o uso do "kit" completo.(...)  

As glosas  referentes a créditos básicos  se concentraram nos produtos 
de  limpeza  denomInados  Antibacterial  C&amp;S,  Elgicide  26.  Liquid  K. 
Lubodrive OS, Lubodrive K. Stabilon AL Stabilon Plus, Topax 66 BB e 
TXC­L BB. (…) 

1.3)  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  1.3.1)  CRÉDITO  INDEVIDO  ­ 
DEMAIS  MODALIDADES  DE  CRÉDITO  CREDITO  PRESUMIDO 
DO  IPI  Esta  fiscalização  constatou  existência  de  ERRO  DE 
CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  nos  insumos  adquiridos  pela  NORSA  da 
RECOFARMA, conforme descrito neste Relatório Fiscal, parte do Auto 
de  Infração,  uma  vez  que  tais  insumos  não  podem  ser  classificados 
como  CONCENTRADOS  da  posição  21.06.90.10  Ex  01.  Desta 
constatação  decorreu  a  glosa  mensal  de  todos  os  créditos  de  IPI 
presumidamente  escriturados,  nos  anos  de  2014  e  2015.  tendo  sido 
efetuada  REESCRITURAÇÀO  DA  ESCRITA  FISCAL  do  IPI. 
apresentada no autos. Previamente ao lançamento, o contribuinte fora 
intimado  a  se  manifestar  a  respeito  dos  pressupostos  a  que  a 
fiscalização  estaria  assumindo,  através  da  lavratura  do  Termo  de 
Constatação Fiscal n° 004.  

A  planilha  denominada  "RELAÇÃO  DAS  GLOSAS  DE 
CONCENTRADOS  ADQUIRIDOS  DA  RECOFARMA",  anexa  aos 
autos, contém a descrição de todas as mercadorias glosadas, de acordo 
com  o  dia  do  movimento,  associada  a  cada  nota  eletrônica  emitida 
(quando informada) e respectivos valores de IPI. 

1.3.2 ) CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO A outra infração detectada no 
curso da ação fiscal fora o aproveitamento indevido do crédito de IPI 
referente  a  insumos  descritos  nas  notas  fiscais  de  entrada  e 
escriturados  sob  a  descrição  de  Compra  para  Industrialização,  mas 
que  não  se  enquadram  no  conceito  de  matéria  prima,  produto 
intermediário  ou  material  de  embalagem.  (...)Desta  feita,  produtos 
como sabões para limpeza de mãos de operários, vassouras, copos de 
Coca­Cola  de  300ml,  sabões  para  limpeza  e  assepsia  de  esteiras, 
lubrificantes de esteiras e similares não possuem a menor possibilidade 
de  serem  considerados  matéria­prima,  produto  intermediário  ou 
material  de embalagem, por nem se  integrarem ao produto  final nem 
possuir  contato  íntimo  com  o  mesmo,  conforme  todo  o  exposto 
anteriormente.  Deste  entendimento  resultou  a  planilha  denominada 
"GLOSAS DE  INSUMOS  ­  Valores  em Reais  (R$)'\  anexa  aos  autos, 
contendo  todos  os  insumos.  cujo  crédito  do  IPI  na  entrada  fora 
glosado.  

Face  ao  exposto,  esta  autoridade  efetuou  a  glosa  da  totalidade  dos 
créditos  incentivados  do  IPI  oriundos  de  "kits  para  fabricação  de 
bebidas"  recebidos  com  isenção  da  RECOFARMA,  e  também  dos 
créditos  de  IPI  de  produtos  adquiridos  para  industrialização,  mas 
cujos  produtos  não  se  enquadram  no  conceito  de  matéria­prima, 
produto intermediário ou material de embalagem.  

Fl. 1177DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.178 

 
 

 
 

6

A  planilha  denominada  "RELAÇÃO  DAS  GLOSAS  TOTAIS 
EFETUADAS  PELA  FISCALIZAÇÃO"  exibe  os  totais  mensais 
glosados, separadamente em créditos básicos e créditos incentivados.  

O auto de  infração lavrado apresenta a planilha de reconstituição da 
escrita  fiscal,  considerando­se  os  saldos  credores  de  períodos 
anteriores ao  início da  fiscalização e os  saldos de  cada mês. No que 
toca  aos  pedidos  de  ressarcimento  protocolados  Receita  Federal,  os 
mesmos  tiveram  os  créditos  glosados  no  respectivo  trimestre  do 
período  de  apuração,  conforme  totais  mensais  da  citada  planilha 
acima. 

  

Desta  feita,  encerro  a  presente  fiscalização,  com  exame  e  com 
resultado, e com glosa parcial dos créditos pleiteados nas PerdComps 
citadas. 

Portanto,  trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  pela  fiscalização  da 
Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Salvador/BA  apontando 
glosas de crédito básico indevido, em razão de aquisições de insumos 
não  classificáveis  como  matéria  prima,  produto  intermediário  ou 
material  de  embalagem  ("como  sabões  para  limpeza  de  mãos  de 
operários,  vassouras,  sabões  para  limpeza  e  assepsia  de  esteiras, 
lubrificantes  de  esteiras"),  e  glosas  de  crédito  presumido  de  IPI 
indevido,  uma  vez  que  os  produtos  adquiridos  da RECOFARMA  não 
foram elaborados por meio de matérias­primas agrícolas e extrativas 
vegetais de produção regional, bem como não podem ser classificados 
no código NCM 2106.90.10 Ex. 01, por não se tratar de aquisição de 
concentrado  de  refrigerante  como  produto  único,  e  sim  de  diversos 
ingredientes adquiridos separadamente que se misturam para formar o 
concentrado  de  refrigerante  e,  posteriormente,  a  bebida  final,  não 
gerando crédito presumido do imposto.  

Após  a  ciência  do  Auto  de  Infração  em  08/06/2017,  fls.  459/460, 
insurgiu­se o contribuinte contra o feito fiscal por meio do arrazoado 
de fls. 464/565, em 07/07/2017, que assim vai resumido: 

1. DA TEMPESTIVIDADE  

2. DOS FATOS  

3. DA NULIDADE DO AUTO, DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE 
DEFESA E DA AUSÊNCIA DE PROVA  

3.1.  Como  visto  acima,  o  fundamento  principal  do  AUTO  para 
desconsiderar  a  alíquota  utilizada  pela  IMPUGNANTE  para  cálculo 
do  crédito  de  IPI  foi  o  suposto  erro  de  classificação  fiscal  dos 

Fl. 1178DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.179 

 
 

 
 

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concentrados  para  refrigerantes  adquiridos  pela  IMPUGNANTE,  em 
razão de tais concentrados serem entregues de forma desmembrada. 

3.2.  Não  obstante,  a  AUTORIDADE  não  indicou  os  componentes  do 
concentrado  que  deveriam  ser  classificados  separadamente  e  em  que 
posições  da  TIPI  tais  componentes  do  concentrado  deveriam  ser 
classificados.  

3.3.  Sem  a  indicação  da  AUTORIDADE  da  posição  na  qual  os 
componentes  do  concentrado  deveriam  ser  classificados  na  TIPI,  a 
IMPUGNANTE  está  impossibilitada  de  verificar  a  alíquota 
correspondente para  fins de cálculo do crédito de  IPI, o que  importa 
em  verdadeiro  cerceamento  do  direito  de  defesa.  (...)3.7.  Por  outro 
lado,  ainda  que  a  AUTORIDADE  tivesse  indicado  quais  seriam  as 
posições  da  TIPI  a  serem  adotadas,  de  qualquer  forma,  deve  ser 
mantida  a  classificação  fiscal  do  concentrado  para  refrigerantes 
indicada pela fornecedora na posição 21.06.90.10 EX. 01.  

3.8. Isso porque o tema classificação fiscal envolve uma análise técnica 
e, pois, não basta a AUTORIDADE apresentar as supostas razões que 
embasariam  o  equivoco  da  classificação  fiscal  indicada  pelo 
contribuinte,  é  necessário  que  seja  apresentada  prova  técnica 
justificando o seu entendimento.  

3.9. Neste particular, registre­se que o ônus de provar o equivoco da 
classificação  fiscal  incorrido  pelo  fornecedor  do  produto  é  da 
Fiscalização  e,  no  caso,  a  AUTORIDADE  não  trouxe  elementos 
comprobatórios técnicos que respaldem o suposto equivoco. (...) 

4.  DA NÃO  RESPONSABILIDADE DA  IMPUGNANTE  (TERCEIRO, 
ADQUIRENTE  DO  CONCENTRADO)  POR  SUPOSTO  ERRO  NA 
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO 

4.1. É  incontroverso que a  IMPUGNANTE é  terceiro,  adquirente dos 
concentrados para refrigerantes, e que a RECOFARMA (fornecedora) 
foi quem emitiu as notas  fiscais, descreveu os produtos e  efetuou  sua 
classificação  fiscal,  o  que  é  bastante  e  suficiente  para  justificar  a 
aplicação  da  alíquota  utilizada  para  fins  do  cálculo  do  crédito. 
(...)4.21. Assim, se não cabe ao adquirente questionar a classificação 
fiscal  dos  produtos  fornecidos  pela  RECOFARMA,  a  IMPUGNANTE 
agiu  licita  e  corretamente  ao  calcular  o  crédito  de  IPI,  na  alíquota 
correspondente a essa classificação fiscal.  

5. DA ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO  

5.1. Ainda que se entenda que o adquirente tem obrigação de verificar 
a correção da classificação fiscal do produto constante da nota fiscal, 
o  que  se  admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  mesmo  assim  a 
IMPUGNANTE tem direito de calcular o crédito de IPI à alíquota da 
classificação fiscal indicada pelo fornecedor, porque o AUTO violou o 
art. 146 do CTN.  

5.2. Isso porque a IMPUGNANTE sempre calculou os créditos de IPI 
decorrentes  da  aquisição  de  concentrados  isentos  para  refrigerantes 
oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista na TIPI para 

Fl. 1179DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.180 

 
 

 
 

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a posição 21.06.90.10 EX. 01 e a AUTORIDADE sempre aceitou essa 
alíquota. (...) 

5.4. De fato, esse novo critério jurídico utilizado pela AUTORIDADE 
foi  originariamente  introduzido  quando  da  lavratura  do  auto  de 
infração  contra  a  RECOFARMA,  em  22.12.2014,  no  qual  foi 
questionada,  pela  primeira  vez,  a  classificação  fiscal  do  concentrado 
em  relação  àquela  (RECOFARMA)  que  procedeu  à  referida 
classificação.  (...)5.11.  Vê­se,  pois,  que,  ainda  que  a  IMPUGNANTE 
tivesse a obrigação de  verificar a  correção da classificação  fiscal do 
produto  constante  da  nota  fiscal  emitida  pelo  fornecedor,  o  que  se 
admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  é  inconteste  que  houve 
modificação de critério jurídico aplicada de forma retroativa. 

6.  DA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DOS  CONCENTRADOS  PARA 
REFRIGERANTES  

6.1.  DA  COMPETÊNCIA  DA  SUFRAMA  PARA  DEFINIR  A 
CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DOS  PRODUTOS  FABRICADOS  EM 
PROJETO  INDUSTRIAL  APROVADO  PARA  FRUIÇÃO  DE 
BENEFÍCIOS FISCAIS E DO ATO ADMINISTRATIVO 

6.1.1. Ainda que afastados os argumentos acima desenvolvidos, o que 
se admite apenas para fins de argumentação, caberia então analisar a 
competência  da  SUFRAMA  para  definir  a  classificação  fiscal  dos 
produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos 
benefícios fiscais previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6o do 
DL n° 1.435/75. (...) 

6.1.4.  Ora,  ao  definir  o  PPB  do  produto  incentivado,  para  fins  de 
fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique 
qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins 
de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal.  

6.1.5. Portanto, é inerente à sua competência para aprovação do PPB 
a definição da classificação fiscal do referido produto. (...) 

6.1.9.  Como  se  verifica  da  simples  leitura  dos  referidos  dispositivos, 
não  há  neles  qualquer  previsão  no  sentido  de  que  a  RFB  teria 
competência  exclusiva  para  definir  a  classificação  fiscal  de  produto. 
(...) 

6.2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO DEFINIDA 
PELA SUFRAMA  

6.2.1.  A AUTORIDADE  concluiu  que  o  concentrado  não  poderia  ser 
classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, porque seria 
constituído de diversas partes inacabadas que não teriam o condão de 
formar um produto único e desconsiderou o  fato de que a SUFRAMA 
definiu  a  classificação  fiscal  do  concentrado  produzido  pela 
RECOFARMA. (...) 

6.2.7. Vê­se, pois, que, a partir da definição dada pela SUFRAMA ao 
produto fabricado pela RECOFARMA, a própria SUFRAMA reconhece 
que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue 
desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de 

Fl. 1180DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.181 

 
 

 
 

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produto  único  (de  concentrado  para  refrigerantes),  classificado  na 
posição  21.06.90.10  EX.  01  da  TIPI/2011,  qual  seja,  preparações 
compostas  para  bebidas  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10 
partes da bebida para cada concentrado ­ por isso classificado no EX. 
01, a qual tem alíquota de 20%, a saber: (...) 

6.2.9.  Dessa  forma,  a  classificação  fiscal  do  concentrado  para 
refrigerantes, utilizada pela RECOFARMA, qual seja, 21.06.90.10 EX. 
01  da  TIPI/2011,  está  consubstanciada  em  ato  administrativo 
vinculatório  (Resolução do CAS n° 298/2007,  integrada pelo Parecer 
Técnico n° 224/2007), que tem presunção de legitimidade, veracidade e 
legalidade,  de  que  nasceu  e  encontra­se  em  conformidade  com  o 
ordenamento jurídico. (...) 

6.3.  DA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DEFINIDA  PELAS  REGRAS 
GERAIS  DE  INTERPRETAÇÃO  DO  SISTEMA  HARMONIZADO  E 
NESH  

6.3.1. No presente caso, a AUTORIDADE concluiu que o concentrado 
para  refrigerantes  em  questão  não  poderia  ter  sido  classificado  na 
posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, porque:  

a)  seria  composto  por  diversas  partes  não  misturadas,  ou  seja,  não 
homogeneizadas, e, por essa razão, não seria uma mercadoria única e 
nem  estaria  pronta  para  uso  pelo  destinatário  do  produto,  no  caso  a 
IMPUGNANTE;  e  b)  não  seria  possível  obter  as  mesmas 
características  essenciais  do  refrigerante  a  partir  da  diluição  de 
apenas um dos componentes do concentrado.  

6.3.2.  Ocorre  que,  ao  contrário  do  afirmado  pela  AUTORIDADE,  a 
aplicação  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema 
Harmonizado,  aprovadas  pelo  Decreto  n°  97.409/88,  e  das  NESH, 
aprovadas pelo Decreto n° 435/92, leva:  

a)  à  conclusão  de  que  está  correta  a  classificação  fiscal  do 
concentrado  para  refrigerantes  na  posição  21.06.90.10  EX.  01  da 
TIPI/2011;  

b)  à  mesma  classificação  dada  pela  SUFRAMA;  e  c)  à  mesma 
classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN n° 405/2003. (...) 

6.3.15.  Registre­se,  ainda,  que  o  fato  de  os  concentrados  para 
refrigerantes adquiridos da RECOFARMA não terem sido previamente 
misturados  não  significa  que  eles  não  estejam prontos  para  uso  pelo 
fabricante dos refrigerantes, porque, após o ingresso dos concentrados 
no  estabelecimento  da  IMPUGNANTE,  todo  processo  produtivo  feito 
por ela é  relativo à elaboração de refrigerantes e, por conseguinte, é 
óbvio que  os  referidos  concentrados  estão  prontos  para  uso pelo  seu 
destinatário  que,  no  caso,  é  a  IMPUGNANTE,  na  qualidade  de 
fabricante de refrigerantes. 

7.  DO  DIREITO  AO  CRÉDITO  RELATIVO  À  AQUISIÇÃO  DE 
CONCENTRADOS  ISENTOS  PARA  ELABORAÇÃO  DO 
REFRIGERANTE GUARANÁ 

Fl. 1181DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.182 

 
 

 
 

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7.1. Afastada a glosa da alíquota do crédito de IPI, (i) seja porque erro 
de classificação fiscal não é imputável ao adquirente, (ii) seja porque a 
AUTORIDADE  inovou  retroativamente  o  critério  jurídico  do  AUTO, 
(iii)  seja  porque  a  classificação  fiscal  do  concentrado  está 
consubstanciada em ato administrativo editado pela SUFRAMA ou (iv) 
seja  porque  está  de  acordo  com  Regras  Gerais  de  Interpretação  do 
Sistema  Harmonizado  e  com  a  NESH,  deve  ser,  automaticamente, 
reconhecido o direito da IMPUGNANTE ao crédito de IPI decorrente 
da  aquisição  de  concentrados  para  elaboração  do  refrigerante 
Guaraná.  

7.2. Nesse sentido, confira­se o respectivo trecho do relatório fiscal que 
demonstra  que  a AUTORIDADE  reconheceu  que o concentrado para 
elaboração do refrigerante Guaraná faz jus à isenção prevista no art. 
95, III, do IPI/2010: 

"Assim,  preparações  em  cuja  elaboração  tenha  sido  efetivamente 
utilizado extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental  fazem 
jus à isenção do IPI, na saida, conforme previsto no artigo 95,  inciso 
III do RIPI/2010, mas não há que se falar em geração de crédito do IPI 
aos adquirentes, por serem tributados à alíquota zero. (...)"7.3. Vê­se, 
pois, que o próprio AUTO reconheceu que tais concentrados fazem jus 
ao  beneficio  do  art.  6o  do  DL  n°  1.435/75  e,  pois,  superado  o 
argumento do AUTO de erro da classificação fiscal do concentrado, a 
IMPUGNANTE  faz  jus  ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de 
concentrados para elaboração do refrigerante Guaraná à alíquota de 
20%. 

8.  DO  DIREITO  AO  CRÉDITO  RELATIVO  A  AQUISIÇÃO  DOS 
DEMAIS  CONCENTRADOS  ISENTOS  PARA  ELABORAÇÃO  DE 
REFRIGERANTES  (...)  a  IMPUGNANTE  também  tem  direito  ao 
crédito  de  IPI,  à  alíquota  de  20%,  pelos  fundamentos  abaixo 
desenvolvidos  que  são  autônomos  e  suficientes,  entre  si,  para 
manutenção do crédito.  

8.2.  DA  COISA  JULGADA  FORMADA  NO  MSI  N°  95.0009470­3 
IMPETRADO PELA IMPUGNANTE ­ ISENÇÃO DO ART. 81, II, DO 
RIPI/10 (BASE LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67)  

8.2.1.  A  AUTORIDADE  reconheceu  a  existência  da  coisa  julgada 
formada no MSI  n°  95.0009470­3  (fls.  163  a  223), mas  concluiu que 
essa  coisa  julgada  não  produziria  efeitos  em  relação  aos  produtos 
adquiridos  pela  IMPUGNANTE,  porque  aproveitaria  apenas  à 
aquisição  de  "concentrados",  o  que  não  seria  o  caso  dos  insumos 
adquiridos da RECOFARMA.  

8.2.2.  Ocorre  que  o  pedido  formulado  na  inicial  do  MSI  n° 
95.0009470­3  foi  amplo  e  abrangeu  todos  os  componentes  do 
concentrado,  porque  tratou  dos  produtos  classificados  na  posição 
2106.90  da  TIPI/88,  conforme  se  verifica  do  respectivo  pedido  (fl. 
177): (...) 

8.2.3.  Ora,  a  posição  21.06.90.,  referida  no  pedido  inicial  do  MSI, 
abrangia  todas  as  preparações  compostas,  não  alcóolicas  para 
elaboração de  bebidas  constituídas  por  um  xarope ao  qual  se  juntou 

Fl. 1182DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.183 

 
 

 
 

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um extrato concentrado, contendo vários componentes, extrato de coca, 
ácido citrico, (...) 

8.2.7. Neste particular, é importante ressaltar que é fato incontroverso 
que,  à  época  em  que  impetrado  o  MSI  n°  95.0009470­3,  os 
"concentrados"  fabricados  pela  RECOFARMA  já  eram  entregues  de 
forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e já eram chamados de 
"concentrados" pela fornecedora, conforme se verifica de nota fiscal de 
venda  emitida  pela  RECOFARMA,  em  22.11.1993,  e  anexada  ao 
referido MSI (DOC. 08). 

8.3. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 81, II, DO RIPI/10 (BASE 
LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67)  

(...) 

8.3.2.  Conforme  também  se  verifica  das  notas  fiscais  (DOC.  09),  o 
concentrado adquirido pela IMPUGNANTE da RECOFARMA também 
é  isento, com fulcro no art. 81,  II, do RIPI/10, que  tem base  legal no 
art. 9º do DL n° 288/67, porque oriundo da Zona Franca de Manaus e 
utilizado  na  fabricação  de  refrigerantes  sujeitos  ao  IPI;  isenção 
também concedida pela Resolução do CAS n° 298/2007. Eis o teor do 
art. 9º do DL n° 288/67: 

"Art. 9º Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) 
todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se 
destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer 
ponto do Território Nacional." 

8.3.3. Com efeito, no julgamento do RE n° 212.484­RS, o Plenário do 
STF assegurou à outra fabricante de refrigerantes o direito ao crédito 
do  IPI  decorrente  da  aquisição  do  concentrado  isento  para 
refrigerantes  oriundo  de  fornecedor  situado  na  Zona  Franca  de 
Manaus e utilizado na fabricação de refrigerantes cuja saída é sujeita 
ao IPI; confira­se: (...) 

8.3.9 Assim, não há dúvida de que deve ser aplicado ao presente caso o 
entendimento manifestado no RE n° 212.484, uma vez que a própria D. 
Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  em  seu  Parecer  PGFN/CRJ  n° 
492/2011,  atribui­lhe  força  vinculante,  uma  vez  que  determina  a 
observância obrigatória das decisões judiciais proferidas pelo Plenário 
do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, anteriores a 
03.05.2007, confirmadas em julgamentos posteriores do STF. (...) 

8.3.12. De outro lado, no RE n° 592.891­SP, o STF reconhecera ainda 
a existência de repercussão geral da questão concernente ao direito ao 
crédito de IPI relativo à aquisição de insumos oriundos de fornecedor 
situado na Zona Franca de Manaus: (...) 

8.4. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 95, III, DO RIPI/10 (BASE 
LEGAL NO ART. 6° DO DL N° 1.435/75)  

8.4.1.  Ainda  que  superados  os  argumentos  desenvolvidos  na  seção 
anterior, a IMPUGNANTE tem direito ao aproveitamento do crédito de 
IPI em razão de os concentrados para refrigerantes serem beneficiados 
pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base legal no 

Fl. 1183DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.184 

 
 

 
 

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art.  6°  do DL  n°  1.435/75,  pois,  além  de  serem  produzidos  na  Zona 
Franca  de  Manaus,  são  elaborados  com  matéria­prima  agrícola 
adquirida de produtor  situado na Amazônia Ocidental e utilizados na 
fabricação de refrigerantes sujeitos ao IPI. (...) 

8.4.3.  Não  obstante,  a  AUTORIDADE  concluiu  que  os  concentrados 
não  seriam  beneficiados  pela  isenção  do  art.  6º  do DL  n°  1.435/75, 
pois  um  dos  requisitos  legais  para  concessão  do  beneficio  teria  sido 
descumprido  pela  RECOFARMA,  qual  seja,  utilização  direta  de 
matérias­primas  agrícolas  extrativas  vegetais  na  fabricação  dos 
concentrados,  tendo  em  vista  que  os  insumos  utilizados  seriam 
industrializados,  exceto  na  fabricação  do  concentrado  para  o 
refrigerante Guaraná.  

8.4.4. Ocorre  que,  ao  aprovar  o Parecer  Técnico  n°  224/2007,  parte 
integrante da Resolução do CAS n° 298/2007, a SUFRAMA entendeu 
que era suficiente e bastante para a aprovação do projeto para fruição 
do beneficio fiscal do art. 6o do DL n° 1.435/75 a utilização de açúcar 
e/ou  álcool  e/ou  corante  caramelo  na  produção  do  concentrado, 
produzido  a  partir  de  cana  de  açúcar,  adquirida  de  produtores 
localizados na Amazônia Ocidental. (...) 

8.4.6.  E,  nesse  passo,  a  Resolução  do CAS  n°  298/2007,  fundada  no 
Parecer Técnico n° 224/2007, concedeu expressamente o beneficio do 
art.  6º  do  DL  n°  1.435/75  para  os  concentrados  fabricados  pela 
RECOFARMA, nos seguintes termos: (...) 

8.4.9.  Com  fulcro  nessas  normas,  o  despacho  da  autoridade 
administrativa  (SUFRAMA),  suficiente  a  comprovar  a  concessão  da 
isenção da RECOFARMA, consoante o art. 179 do CTN, é a Resolução 
do CAS n° 298/2007, acima mencionada, fundada no Parecer Técnico 
n° 224/2007. (...) 

8.4.11. Ora, se a legislação pertinente e a própria Resolução do CAS 
estabelecem que a SUFRAMA é o órgão competente para  cancelar o 
beneficio concedido, o único raciocínio lógico possível, é o de que tal 
beneficio foi concedido pela própria SUFRAMA e somente ela poderá 
cancelá­lo. (...) 

8.4.17. A IMPUGNANTE não nega que a RFB tenha competência para 
fiscalizar  tributos  federais;  não  obstante,  essa  competência  não  lhe 
autoriza  a  contrariar  atos  da  SUFRAMA  e  cancelar  unilateralmente 
beneficio oneroso concedido por esse Órgão dentro do exercício de sua 
competência.(...)  

8.4.20.  Dessa  forma,  na  hipótese  de  discordar  da  SUFRAMA  na 
concessão do referido beneficio à RECOFARMA, o qual é um beneficio 
condicionado,  porque  exigiu  contraprestação  por  parte  do  industrial 
estabelecido na Zona Franca de Manaus, o Fisco só teria um caminho: 
questioná­lo  perante  a  própria  SUFRAMA,  antes  da  lavratura  de 
qualquer  auto  de  infração  contra  o  contribuinte,  para  que  esta,  na 
forma  do  art.  57  da  Resolução  do  CAS  n°  202/06  (com  redação 
idêntica  a  do  art.  54  da  Resolução  do CAS  n°  203/2012,  atualmente 
vigente),  cancele  o  incentivo  fiscal  concedido,  ­  e  não  simples  e 
unilateralmente desconsiderá­lo. (...) 

Fl. 1184DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.185 

 
 

 
 

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8.4.28. Vê­se, pois, que, para efeitos específicos dessa isenção, o termo 
matéria­prima utilizado no próprio § Iº compreende tanto os produtos 
industrializados com matéria­prima agrícola regional como a própria 
matéria­prima agrícola regional. (...) 

9. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE 
MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA  

9.1. Ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o 
que se admite apenas para fins de argumentação, a multa, os juros de 
mora  e  a  correção monetária  também  não  são  devidos  em  razão  do 
disposto  no  art.  100,  parágrafo  único,  do CTN,  que  estabelece  que a 
observância  de  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades 
administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de 
mora e correção monetária. (...) 

9.6. Assim, ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 20% decorrente da 
aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona 
Franca  de  Manaus  e  elaborados  com  matéria­prima  adquirida  de 
produtor  situado  na  Amazônia  Ocidental,  a  IMPUGNANTE  agiu  de 
acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer 
Técnico n° 224/2007.  

9.7. Vê­se, pois, que devem ser excluídos a multa, os juros moratórios e 
a  correção  monetária  exigidos,  sob  pena  de  ofensa  ao  art.  100, 
parágrafo único, do CTN.  

10. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA 

10.1. Por outro lado, ainda que superados todos os argumentos acima 
desenvolvidos, o que se admite apenas para argumentar,  também não 
seria  cabível  a  imposição  de  multa  no  presente  caso,  em  razão  do 
disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64. 

10.2 Com efeito, o art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64 assim dispõe: 

"Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (...)II ­ enquanto prevalecer 
o entendimento ­ aos que tiverem agido ou pago o imposto:  

a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível 
de  última  instância  administrativa,  proferida  em  processo  fiscal, 
inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado." 

10.3.  No  caso,  há  decisões  irrecorríveis  de  última  instância 
administrativa  proferidas  em  processos  fiscais  no  sentido  de  que  (i) 
não  cabe  ao  adquirente  do  produto  verificar  a  sua  correta 
classificação  fiscal  (Acórdãos:  02­02.895,  de  28.01.2008,  relator 
Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM; 02­02.752, de 02.07.2007, 
relator  Conselheiro  ANTONIO  BEZERRA  NETO  e  02­0.683,  de 
18.11.1997,  relator  Conselheiro  MARCOS  VINÍCIUS  NEDER  DE 
LIMA), e (ii) o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca 
de Manaus  tem  direito  ao  crédito  de  IPI  (Acórdão  n°  02­01.212,  de 
11.11.2002), o que atrai os arts. 486, II, "a", do RIPI/02 e art. 567, II, 
"a", do RIPI/10, para fins de exclusão da multa exigida. 

Fl. 1185DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.186 

 
 

 
 

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11.  DOS  CRÉDITOS ORIUNDOS DA  AQUISIÇÃO DE  PRODUTOS 
DE  LIMPEZA  NO  PROCESSO  DE  INDUSTRIALIZAÇÃO  DOS 
REFRIGERANTES  

11.1. A AUTORIDADE concluiu que a IMPUGNANTE não teria direito 
ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  produtos  de  limpeza, 
porque  supostamente  não  teriam  sido  utilizados  diretamente  na 
fabricação  dos  refrigerantes  e,  pois,  não  seriam  enquadráveis  na 
definição  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de 
embalagem, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65/79.  

11.2. Ora, a assertiva da AUTORIDADE está equivocada, porque não 
há  dúvida  de  que  os  produtos  utilizados  para  assepsia,  sanitização  e 
limpeza  em  geral  integram  o  processo  produtivo  de  refrigerantes,  já 
que inerentes à sua produção, inclusive, por exigências sanitárias são 
utilizados de forma obrigatória e, pois, está correto o creditamento do 
imposto.  

11.3.  Registre­se,  ainda,  que,  embora  os  produtos  de  limpeza  não 
tenham  necessariamente  contato  direto  com  o  refrigerante,  tais 
produtos  entram  em  contato  direto  com  as  embalagens  dos 
refrigerantes,  visto  que  são  utilizados  para  higienizar  as máquinas  e 
esteiras, onde são elaborados os refrigerantes. (...) 

11.5.  0  próprio  Parecer  Normativo  CST  n°  65/79,  citado  pela 
AUTORIDADE,  concluiu  que  o  conceito  de  produto  intermediário  é 
amplo,  alcançando  também  os  bens  que,  embora  não  sejam 
"consumidos"  no  processo  de  fabricação,  exercem  uma  ação  direta 
sobre o produto fabricado: (...)11.7. Por fim, a AUTORIDADE afirmou 
que  considerou  válido  o  aproveitamento  dos  créditos  de  IPI 
decorrentes  da  aquisição  de  materiais  de  embalagem,  não  obstante 
essa afirmativa, a AUTORIDADE glosou os créditos de IPI decorrentes 
da  aquisição  de  "Eucatex"  e  "bolsa  BIB",  os  quais  são materiais  de 
embalagem.  

11.8. Dessa forma, deve ser revertida a referida glosa, tendo em vista 
que  o  aproveitamento  do  crédito  de  IPI  na  hipótese  de  aquisição  de 
material  de  embalagem está  expressamente autorizado no art.  226,  I, 
do RIPI/10, já transcrito acima. 

12.  DA  IMPROCEDÊNCIA  DA  EXIGÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  A 
MULTA  DE  OFÍCIO  EXIGIDA  NO  AUTO  12.1.  Como  aspecto 
adicional, superados os argumentos acima que afastam a aplicação de 
qualquer  penalidade,  o  que  se  admite  apenas  para  fins  de 
argumentação, seria totalmente descabida a incidência de juros sobre 
a multa de oficio lançada contra a IMPUGNANTE, porque implicaria 
numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em 
mora na exigência de multa. (...) 

12.7. Por essas razões, é ilegal a cobrança dos juros sobre a multa de 
oficio aplicada à IMPUGNANTE.  

13. DO PEDIDO  

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Processo nº 10580.724116/2017­64 
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S3­C2T1 
Fl. 1.187 

 
 

 
 

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13.1. Pelo exposto, a IMPUGNANTE pede e espera que seja cancelado 
o  auto  de  infração  em  epígrafe,  com  a  conseqüente  extinção  dos 
créditos tributários correspondentes." 

A decisão  recorrida  julgou  improcedente  a  Impugnação e apresenta  a  seguinte 
ementa: 

"ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período 
de  apuração:  01/01/2014  a  31/12/2015  NULIDADE.  PREJUÍZO  À 
DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.  

Diante  da  não  configuração  de  prejuízo  à  defesa,  inexistindo 
cerceamento ao direito de defesa, não há que se falar em nulidade do 
processo.  

ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  INOCORRÊNCIA. 
AUSÊNCIA  DE  MANIFESTAÇÃO  ANTERIOR  PELA 
ADMINISTRAÇÃO.  

Não  ocorre  alteração  de  critério  jurídico  nem  ofensa  ao  art.  146  do 
CTN  se  a  Fiscalização  promove  autuação  baseada  em  entendimento 
distinto  daquele  que  seguidamente  adota  o  contribuinte,  mas  que 
jamais  foi  objeto  de  manifestação  expressa  pela  Administração 
Tributária.  

AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE.  

Decisões judiciais devem ser interpretadas de forma literal e restrita. A 
decisão  judicial  quanto  à  possibilidade  de  aproveitamento  de  crédito 
de  insumo  proveniente  de  saída  isenta  está  restrita  à  aquisição  de 
concentrados  para  refrigerantes,  o  que  não  é  o  caso  dos  insumos 
adquiridos da Recofarma, compostos por diversos produtos separados, 
e não um concentrado único para fabricação de refrigerantes.  

Apelação recebida em duplo grau,  suspendendo os efeitos da decisão 
de 1ª instância, permitindo a plena atuação do órgão fiscalizador.  

Matéria sobrestada em razão do reconhecimento de repercussão geral, 
após  manifestação  do  STF  no  âmbito  do  RE  n°  243.858/CF, 
aguardando julgamento nos autos do RE 592.891.  

SUBMISSÃO  A  ENTENDIMENTO  DA  CÂMARA  SUPERIOR  DE 
RECURSOS  FISCAIS.  MULTA  DE  OFÍCIO.  POSSIBILIDADE  DE 
EXIGÊNCIA.  

O art. 100 do CTN restringiu a aplicação do disposto no art. 76, II, a, 
da  Lei  nº  4.502/64  e,  por  isso,  a  exclusão  de  penalidades  para  o 
contribuinte que observe decisão administrativa definitiva da qual não 
seja  parte  no  processo  específico  reclama  lei  que  atribua  eficácia 
normativa às referidas decisões administrativas. 

Impossível  a  exclusão  da  penalidade  também  pelo  fato  de  não  mais 
prevalecer  o  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais 
que foi seguido pelo contribuinte.  

DE MULTA E DEMAIS ACRÉSCIMOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE 
DE APLICAÇÃO (ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN).  

Fl. 1187DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.188 

 
 

 
 

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Somente ato praticado por autoridade administrativa competente pode 
gerar o referido efeito previsto no parágrafo único do art. 100 do CTN.  

Não  é  o  caso  de  ato  praticado  pela  Suframa,  que  não  detém 
competência para determinar a classificação fiscal de produtos.  

ASSUNTO:  CLASSIFICAÇÃO  DE  MERCADORIAS  Período  de 
apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 KIT (“CONCENTRADO”) PARA 
A  FABRICAÇÃO  DE  REFRIGERANTES.  ADOÇÃO  DA 
CLASSIFICAÇÃO DOS COMPONENTES.  

Demonstrado  nos  autos  que  o  “concentrado”  classificado  pela 
interessada no código Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI trata­se, na 
verdade, de KIT de insumos e de produtos intermediários, deve­se, por 
aplicação  das  regras  gerais  de  classificação,  adotar  a  classificação 
fiscal de cada um de seus componentes, ao invés de tratar referido KIT 
como produto único.  

ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­ 
IPI  Período  de  apuração:  01/01/2014  a  31/12/2015  DIREITO  AO 
CRÉDITO  DE  IPI.  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DA  AMAZÔNIA 
OCIDENTAL.  DESCUMPRIMENTO  DE  REQUISITOS.  GLOSA. 
PROCEDÊNCIA.  

A aprovação de projeto por parte da Suframa não exclui o poder­dever 
da  Receita  Federal  de  verificar  a  legitimidade  dos  créditos  de  IPI 
escriturados pelo adquirente dos produtos e não garante, por si só, o 
direito ao crédito.  

Somente  aqueles  produtos  de  natureza  específica,  originados  de 
matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  é  que  possuem  a 
aptidão de gerar crédito do IPI para o adquirente.  

DIREITO AO CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO­CUMULATIVIDADE. 
INSUMOS  ISENTOS.  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS. 
IMPOSSIBILIDADE.  

A  aquisição  de  insumos  isentos,  provenientes  da  Zona  Franca  de 
Manaus, não legitima, por si só, o aproveitamento de créditos de IPI.  

O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não garante direito ao crédito de IPI se as 
operações  de  aquisição  são  desoneradas  do  imposto,  ante  a 
inexistência de autorização legal para tanto.  

A  idoneidade  das  notas  fiscais  emitidas  pelo  fornecedor  dos  insumos 
isentos  e  a  boa  fé  do  adquirente  não  são  suficientes  para  garantir  o 
direito ao crédito como se devido fosse, se ausentes os requisitos legais 
previstos na norma de regência. 

IPI. CRÉDITOS. GLOSA. INSUMOS UTILIZADOS INDIRETAMENTE 
NO PROCESSO INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.  

Não geram direito ao crédito de  IPI a entrada de  insumos que sejam 
utilizados  apenas  indiretamente  no  processo  industrial,  não 
observando  as  condições  estabelecidas  no  Parecer  Normativo  CST 
65/79.  

Fl. 1188DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.189 

 
 

 
 

17

Assim, não ensejam o direito creditório as aquisições de material para 
uso e consumo, tais como produtos de assepsia, sanitização e limpeza.  

EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  

A multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e 
contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal”  e, 
como tal, está sujeita à incidência de juros de mora sobre a multa de 
ofício a partir de seu vencimento.  

Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido"  

O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, 
contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: 

(i) cerceamento do direito de defesa e ausência de prova, pois sem a indicação 
detalhada  e  individual  pela  autoridade,  da  posição  na  qual  cada  componente  dos  produtos 
deveria ser classificado na TIPI, o auto de infração fica eivado de ilegalidade, porque ofendeu 
os arts. 10 do Decreto 70.235/1972 e 142 do CTN; 

(ii) que a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que o auto 
de  infração  que  não  efetua  a  reclassificação  fiscal  de  mercadoria  incorre  em  ilegalidade 
(Acórdão nº 9303­003.811); 

(iii) que a  ilegalidade apontada não pode ser sanada pela autoridade  julgadora, 
sob pena de ofensa ao art 146 do CTN, porque estaria alterando o critério jurídico do auto; 

(iv)  ainda  que  a  decisão  tivesse  indicado  quais  seriam  as  posições  da  TIPI  a 
serem adotadas, deveria ser mantida a classificação fiscal do produto indicada pela fornecedora 
na posição 21.06.90.10 EX. 01,porque a autoridade não apresentou prova técnica justificando o 
seu entendimento; 

(v) a decisão, com a pretensão de distorcer as alegações feitas, invoca o art. 30, 
§  1º  do  Decreto  70.235/1972  para  sustentar  que  a  classificação  fiscal  não  constitui  aspecto 
técnico; 

(vi) o referido dispositivo determina que os laudos ou pareceres do Laboratório 
Nacional  de  Análises,  do  INstituto  Nacional  de  Tecnologia  (INT),  e  de  outros  órgão 
congêneres  não  tem  o  condão  de  definir  a  classificação  fiscal  de  determinado  produto;  não 
obstante,  é  incontroverso  que  os  aspectos  técnicos  tratados  no  respectivo  laudo  são 
determinantes para que a autoridade proceda a classificação fiscal; 

(vii)  o  ônus  de  provar  o  equívoco  da  classificação  fiscal  incorrido  pelo 
fornecedor  do  produto  é  do  Fisco  e,  no  caso,  não  há  nos  autos  elementos  comprobatórios 
técnicos que respaldem o suposto equívoco; 

(viii) a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF cancelou auto de 
infração que discutia classificação fiscal de mercadorias por entender que o ônus da prova para 
justificar a reclassificação fiscal do produto caberia à autoridade fiscal e que a insuficiência de 
elementos de prova seria bastante para manter a classificação fiscal definida pelo fabricante do 
produto (Acórdão nº 3301­003.062); 

Fl. 1189DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.190 

 
 

 
 

18

(ix) os concentrados objeto do processo são beneficiados por duas isenções: (a) 
a do art. 81,  inc. II, do Decreto nº 7.212/2010 ­ Regulamento do IPI (RIPI/10), que tem base 
legal no art. 9º do Decreto­Lei nº 288/1967, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus, 
cujo  crédito  de  IPI  para  a  Recorrente  foi  assegurado,  expressa  e  especificamente,  pelo 
entendimento  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  manifestado  no  Recurso 
Extraordinário nº 212.484; (b) a do art. 95, inc. III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do 
DL  nº  1.435,  de  16.12.1975,  cujo  crédito  de  IPI  para  o  adquirente  decorre  do  próprio 
dispositivo legal (art. 6º, § 1º, do DL nº 1.435/75), que outorga crédito ao adquirente do insumo 
elaborado com matéria­prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; 

(x)  é  incontroverso  que  a  Recorrente  é  terceiro,  adquirente  dos  concentrados 
para bebidas, e que a Recofarma (fornecedora) foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os 
produtos  e  efetuou  sua  classificação  fiscal,  o  que  é  suficiente  para  justificar  a  aplicação  da 
alíquota utilizada; 

(xi)  o  Relatório  de  Fiscalização  reconhece  que  a  classificação  fiscal  dos 
concentrados para bebidas foi efetuada pela Recofarma na posição 21.06.90.10 EX. 01; 

(xii)  o  art.  62  da  Lei  nº  4.502/64  determina  que  o  adquirente  verifique  se  os 
produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham 
atendem à prescrições legais e regulamentares; 

(xiii)  O  RIPI/1998  e  os  RIPI's  de  2002  e  2010  suprimiram  o  acréscimo 
regulamentar  de  que  o  adquirente  deveria  examinar  a  correção  da  classificação  fiscal  do 
produto dada pelo fornecedor; 

(xiv) o CARF possui precedentes no sentido da  inexistência de tal obrigação e 
pela  exclusão  da  multa  aplicável  nos  casos  em  que  envolviam  fatos  geradores  referentes  a 
período da vigência do art. 173 do antigo RIPI/82; 

(xv)  nunca  existiu  na  lei  e  não  existe  mais  sequer  previsão  regulamentar 
estabelecendo  a  obrigação  de  o  adquirente  verificar  a  correção  da  classificação  fiscal  do 
produto na nota fiscal; 

(xvi) os fatos geradores objeto do Auto de Infração sob exame foram apurados 
sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o 
adquirente  examinar  o  acerto  da  classificação  fiscal  do  produto  e,  como  a  classificação  dos 
concentrados foi feita pela Recofarma, fornecedora do concentrado, a Recorrente agiu lícita e 
corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI; 

(xvii) se é lícito e correto aceitar a classificação fiscal dos produtos fornecidos 
pela Recofarma,  constante  de  nota  fiscal  idônea,  não  há  controvérsia  quanto  ao  direito  de  a 
adquirente  calcular  o  crédito  do  IPI  decorrente  da  alíquota  correspondente  à  classificação 
fiscal; 

(xviii) se não cabe ao adquirente questionar a classificação fiscal dos produtos 
fornecidos  pela  Recofarma,  a  Recorrente  agiu  licitamente  ao  calcular  o  crédito  de  IPI,  na 
alíquota correspondente a essa classificação fiscal; 

Fl. 1190DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.191 

 
 

 
 

19

(xix) no caso dos autos houve alteração de critério jurídico, pois em verificações 
fiscais  anteriores  não  houve  qualquer  questionamento  relativo  à  classificação  fiscal  adotada, 
com ofensa ao art. 146 do CTN; 

(xx)  no  lançamento  tributário,  a  atividade  da  autoridade  administrativa  é 
vinculada, nos termos do art. 142 do CTN; 

(xxi) no Parecer da PGFN nº 405/2003, que é vinculatório para a Administração, 
a PGFN adotou a classificação do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01, ao 
reconhecer o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado, à alíquota de 27% (vigente 
à  época),  visto  que,  para  fins  de  IPI,  não  há  como  estabelecer  a  alíquota  sem  definir  a 
respectiva classificação fiscal; 

(xxii) o novo critério jurídico adotado pela decisão recorrida só poderia alcançar 
fatos geradores posteriores a 08/06/2017, data em que a Recorrente foi cientificada do auto de 
infração, no qual, pela primeira vez, foi questionada a alíquota utilizada para cálculo do crédito 
de IPI; 

(xxiii)  o  novo  critério  jurídico  utilizado  pela  decisão  não  pode  retroagir  para 
atingir fatos geradores anteriores a 08.06.2017, período no qual firmou­se a prática no sentido 
de  autorizar  o  creditamento  do  imposto  calculado  à  alíquota  correspondente  à  posição 
21.06.90.10; 

(xxiv)  é  a  SUFRAMA  que  possui  a  competência  para  definir  a  classificação 
fiscal  dos  produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  a  fruição  dos  benefícios 
fiscais previstos no art. 9º do DL nº 288/67 e no art. 6º do DL nº 1.435/75; 

(xxv)  ao  definir  o  PPB  do  produto  incentivado,  para  fins  de  fruição  de 
benefícios  fiscais,  é necessário que  a SUFRAMA  identifique qual  é  a  classificação  fiscal  do 
produto  incentivado,  porque,  para  fins  de  IPI,  definir  o  produto  é  efetuar  sua  classificação 
fiscal; 

(xxvi)  é  inerente  à  competência  para  aprovação  do  PPB  a  definição  da 
classificação fiscal do produto; 

(xxvii) o Superior Tribunal de Justiça entende que a Receita Federal não possui 
competência  exclusiva  para  proceder  à  classificação  fiscal  de  produto,  prevalecendo  a 
classificação fiscal definida pelo órgão técnico; 

(xxviii) o CARF possui precedentes no mesmo sentido; 

(xxix)  a  SUFRAMA  tem  competência  para  definir  a  classificação  fiscal  de 
"concentrado para bebidas não alcoólicas" produzido pela Recofarma; 

(xxx) a SUFRAMA exercendo sua competência técnica, editou a Resolução do 
CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007­SPR/CGPRI/COAPI 
que  (a)  aprovou  o  projeto  industrial  da Recofarma  e  (b)  definiu  o  concentrado  para  bebidas 
fabricado  pela  Recofarma  como  preparações  químicas  utilizadas  como  matéria­prima  para 
industrialização de bebidas; 

Fl. 1191DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.192 

 
 

 
 

20

(xxxi)  a  SUFRAMA  reconhece  que  o  concentrado,  por  ser  "preparações 
químicas",  pode  ser  entregue  desmembrado  em  partes/kits,  sem  que  isso  desnature  a  sua 
condição de produtos único (de concentrado para bebidas), classificado na posição 21.06.90.10 
EX. 01; 

(xxxii)  a  SUFRAMA  confirma  que  a  Recofarma  continua  cumprindo  a 
classificação fiscal do concentrado por ela estabelecida conforme se verifica do Ofício nº 4215­
COPIN/CGAPI/SPR,  de  28.08.2015  e  apresentado  em  processo  de  outro  estabelecimento  da 
Recorrente,  e  do  Ofício  nº  3638­SPR/CGAPI/COPIN,  de  26.09.2014  e  apresentado  em 
processo similar e de interesse de outro fabricante de produtos Coca­Cola; 

(xxxiii)  a  SUFRAMA  reconheceu  que  o  concentrado  para  bebidas  elaborado 
pela Recofarma  e  adquirido  pela Recorrente  é  constituído  por  diversos  componentes  (partes 
líquidas e sólidas) e classificou o concentrado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2010; 

(xxxiv)  a  aplicação  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema 
Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto nº 
435/1992  leva  (a)  à  conclusão de que  está  correta  a  classificação  fiscal  do  concentrado para 
bebidas  na  posição  21.06.90.10  EX.  01  da  TIPI;  (b)  à  mesma  classificação  dada  pela 
SUFRAMA e (c) à mesma classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN nº 405/2003; 

(xxxv) pelo histórico das TIPIs, desde 1988, constata­se que o concentrado para 
bebidas  sempre  foi  classificado  como  uma  mercadoria  única  (descrita  como  preparações 
compostas, não alcooólicas, para elaboração de bebidas); 

(xxxvi)  os  EX.  01  e  EX.  02  da  posição  21.06.90.10  consolidaram  todas  as 
subposições da TIPI anterior e enfatizaram a sua destinação, condicionando à utilização dessas 
preparações compostas na fabicação das bebidas do Capítulo 22; 

(xxxvii) o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 
3  b)  reforça  o  fato  de  que  os  concentrados  para  bebidas,  entregues  em  forma  de  "kits",  são 
tratados como produtos únicos; 

(xxxviii) o  fato de os concentrados para bebidas  adquiridos da Recofarma não 
terem sido previamente misturados não  significa que  eles não  estejam prontos para uso pelo 
fabricante  das  bebidas,  porque,  após  o  ingresso  dos  concentrados  no  estabelecimento  da 
Recorrente,  todo  processo  produtivo  feito  por  ela  é  relativo  à  elaboração  de  bebidas  e,  por 
conseguinte, os referidos concentrados estão prontos para uso pelo seu destinatário, no caso a 
Recorrente; 

(xxxix)  a  NESH  prevê  que  o  concentrado  pode  ser  entregue  de  forma 
desmembrada  para  facilitar  o  seu  transporte  e  que,  no  processo  produtivo  de  fabricação  das 
bebidas, podem ser acrescidos outros insumos; 

(xl)  se houvesse dúvida quanto à aplicação da posição 2106.90.10 EX. 01 aos 
concentrados para bebidas, constante das notas  fiscais emitidas pela Recofarma, essa deveria 
prevalecer  por  ser  a  classificação  dada  pela  SUFRAMA,  em  ato  administrativo,  devendo  ao 
caso ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; 

(xli) possui direito ao crédito relativo à aquisição dos concentrados isentos para 
elaboração de bebidas; 

Fl. 1192DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.193 

 
 

 
 

21

(xlii)  faz  jus  ao  crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  concentrado  para 
elaboração dos seus refrigerantes, nos termos da coisa julgada formada no MSI nº 95.0009470­
3; 

(xliii)  a  decisão  proferida  no  Mandado  de  Segurança  mencionado  concedeu 
integralmente a segurança e, tal concessão integral comprova que o direito ao crédito de IPI foi 
reconhecido para todas as matérias primas isentas  inclusive, o concentrado descrito nas notas 
fiscais  que  eram  entregues  em  "kits",  oriundas  de  fornecedor  situado  na  Zona  FRanca  de 
Manaus, para emprego na fabricação dos seus produtos tributados; 

(xliv) para que  seja  aplicada  a  coisa  julgada  formada no  referido Mandado de 
Segurança  basta  que  seja  demonstrado,  no  presente  caso,  que  adquiriu  matéria­prima  de 
fornecedor  situado  na  Zona  Franca  de Manaus,  para  fabricação  de  refrigerantes,  fato  que  é 
facilmente comprovado pelas notas fiscais anexadas ao processo e que não foi questinado pela 
Fiscalização nem pela decisão; 

(xlv) que o MSI nº 95.00174057, citado pela decisão recorrida, não interfere no 
presente  processo,  porque  trata  de matéria  diversa  da  aqui  discutida,  qual  seja,  o  direito  ao 
crédito  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  açucar­crital  decorrentes  da  área  de  atuação  da 
SUDENE e da SUDAM; 

(xlvi) o direito ao aproveitamento do crédito de IPI decorre de os concentrados 
para bebidas serem beneficiados pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base 
legal no art. 6º do DL nº 1.435/75, pois além de serem produzidos na ZOna Franca de Manaus, 
são  elaborados  com  matéria­prima  agrícola  adquirida  de  produtor  situado  na  Amazônia 
Ocidental e utilizados na fabricação de bebidas sujeitas ao IPI; 

(xlvii) a  isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75 é autônoma e suficiente 
para  autorizar  o  creditamento  do  imposto  em  razão  de  o  próprio  dispositivo  legal  outorgar, 
expressa e especificamente, o crédito de IPI ao adquirente do produto; 

(xlviii)  em  relação  aos  concentrados  para  refrigerante  (Guaraná),  o  auto 
expressamente  reconheceu que  eles  foram elaborados  com matéria­prima extrativa vegetal  e, 
pois, não pode a decisão alterar o critério jurídico utilizado pela autoridade para concluir que 
não teria sido utilizada matéria­prima extrativa vegetal, sob pena de inovação e ofensa aos arts. 
142 e 146 do CTN; 

(xlix)  a multa,  os  juros  de mora  e  a  correção monetária  não  são  devidos,  em 
razão do contido no  art.  100, parágrafo único do CTN, que  estabelece  que a observância de 
atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  tem  o  condão  de  excluir  a 
cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; 

(l) no caso, a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 
224/2007,  é  ato  administrativo  que  tem  efeito  normativo  em  relação  aos  adquirentes  do 
concentrado,  porque  esses  adquirentes  não  foram  nem  são  partes  no  processo  que  ensejou  a 
referida resolução, mas estão obrigados a observá­la, como ato administrativo que é; 

(li)  ao  utilizar  o  crédito  de  IPI  à  alíquota  de  20%  decorrente  da  aquisição  de 
concentrados  isentos  para  bebidas  não  alcoólicas  oriundos  da  Zona  Franca  de  Manaus  e 
elaborados  com  matéria­prima  adquirida  de  produtor  situado  na  Amazônia  Ocidental,  a 

Fl. 1193DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.194 

 
 

 
 

22

Recorrente  agiu  de  acordo  com  a  Resolução  do  CAS  nº  298/2007,  integrada  pelo  Parecer 
Técnico nº 224/2007; 

(lii) incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", 
da Lei nº 4.502/64; 

(liii)  a CSRF  tem  aplicado  referido  dispositivo  para  determinar  a  exclusão  de 
multa quando há decisão de última instância administrativa favorável ao contribuinte sobre a 
matéria  em  discussão,  conforme  Acórdão  nº  9303­003.517,  que  concluiu  pela  exclusão  da 
multa de ofício imposta por auto de infração lavrado para exigir débitos de IPI decorrentes da 
glosa de créditos desse imposto, em razão da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona 
Franca de Manaus, nos termos do art. 486, II, "a", do RIPI/02 e no art. 567, II, "a", do RIPI/10 
(liv) existem decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos 
fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a sua correta classificação 
fiscal  e o  adquirente de  insumos  isentos oriundos da Zona Franca de Manaus  tem direito  ao 
crédito de IPI, o que atrai os arts. 486, II, "a" do RIPI/02 e art. 567,  II, "a", do RIPI/10, para 
fins de exclusão da multa exigida; 

(lv) que possui direito aos créditos oriundos da aquisição de produtos de limpeza 
no  processo  de  industrialização  das  bebidas,  pois  os  produtos  são  utilizados  para  assepsia, 
sanitização e limpeza em geral  integram o processo produtivo de bebidas, eis que inerentes à 
sua produção, inclusive por exigências sanitárias; 

(lvi) o art. 226,  I, do RIPI/10 dispõe sobre o direito  sobre o direito  ao crédito 
relativo à aquisição de matéria­prima, produto intermediário e material de embalagem; 

(lvii)  o  Parecer Normativo CST  nº  65/79,  citado  pela  decisão,  concluiu  que  o 
conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora não sejam 
"consumidos"  no  processo  de  fabricação,  exercem  uma  função  direta  sobre  o  produto 
fabricado; 

(lviii) o CARF concluiu que os produtos empregados no processo de fabricação 
de  bebidas  para  higienização  da  produção  qualificam­se  como  produtos  intermediários,  nos 
termos  do  Parecer  Normativo  CST  nº  65/79,  conforme  Acórdão  nº  3402­00.517;  e  (lix)  é 
indevida e exigência de juros sobre a multa de ofício. 

A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  apresentou  Contrarrazões  ao  Recurso 
Voluntário em que contesta todas as alegações da Recorrente. 

É o relatório. 

­ Voto 

Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator  

Defende  a  Recorrente  que  ao  caso  tem  aplicação  a  coisa  julgada  formada  no 
MSI  nº  95.0009470­3,  com  o  consequente  reconhecimento  do  seu  direito  ao  crédito  de  IPI 
decorrente da aquisição de concentrado para elaboração dos seus refrigerantes. 

A decisão recorrida não acolheu a tese da Recorrente sob os pressupostos de que 
(i)  as  decisões  judiciais  devem  ser  interpretadas  de  forma  literal  e  restrita  e  (ii)  a  decisão 

Fl. 1194DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.195 

 
 

 
 

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judicial quanto à possibilidade de aproveitamento de crédito de  insumo proveniente de saída 
isenta  está  restrita  à  aquisição  de  concentrados  para  refrigerantes,  o  que  não  é  o  caso  dos 
insumos  adquiridos  da  Recofarma,  compostos  por  diversos  produtos  separados,  e  não  um 
concentrado único para fabricação de refrigerantes, conforme consta da ementa de decisão sob 
exame. 

Defende a Recorrente que: 

"7.1.5  (...)  à  época  em  que  impetrado  o Mandado  de  Segurança,  os 
produtos  elaborados  pela  Recofarma  eram  entregues  de  forma 
desmembrada,  divididos  em  parte  1  e  2  e  eram  chamados  de 
concentrados pela fornecedora, conforme se verifica de notas fiscais de 
venda emitidas pela Recofarma. 

(...) 

7.1.7 O pedido formulado na inicial do MSI nº 95.0009470­3 abrange 
quaisquer  aquisições  de  matérias­primas  isentas  oriundas  de 
fornecedor  situado  na  ZOna  Franca  de  Manaus  utilizadas  na 
industrialização  de  produtos  tributados,  inclusive  e 
exemplificativamente, o concentrado, classificado na posição 2106.90 e 
que  conforme  as  notas  fiscais  já  eram  entregues  de  forma 
desmembrada." 

A Recorrente no Mandado de Segurança mencionado requereu: 

  

Prossegue a Recorrente: 

"7.1.9.  Em  18.06.1997,  transitou  em  julgado  a  decisão  que  concedeu 
integralmente a segurança e, pois, tal concessão integral comprova que 
o  direito  ao  crédito  de  IPI  foi  reconhecido  para  todas  as  matérias 
primas  isentas  inclusive, o concentrado descrito nas notas  fiscais que 
eram  entregues  em  "kits",  oriundas  de  fornecedor  situado  na  Zona 
FRanca  de Manaus,  para  emprego  na  fabricação  dos  seus  produtos 
tributados." 

Dos autos (fl. 221) há um extrato de andamento processual em que consta que o 
processo  foi  "Arquivado Definitivamente  ­  BAIXA  ­  FINDO"  e  "  Remetidos  os  autos  com 
ARQUIVAMENTO  COM  BAIXA  para  Setor  de  Distribuição",  conforme  a  seguir 
reproduzido: 

Fl. 1195DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.196 

 
 

 
 

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Já na fl. 222, autos, outro extrato: 

  

Por sua vez, da decisão recorrida se extraem as seguintes informações: 

"A  defesa  alega  que  "o  pedido  formulado  na  inicial  do  MSI  n° 
95.0009470­  3  foi  amplo  e  abrangeu  todos  os  componentes  do 
concentrado,  porque  tratou  dos  produtos  classificados  na  posição 
2106.90  da  TIPI/88",  e  que  "à  época  em  que  impetrado  o  MSI  n° 
95.0009470­3,  os  'concentrados'  fabricados  pela  RECOFARMA  já 

Fl. 1196DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.197 

 
 

 
 

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eram entregues de forma desmembrada, divididos em parte 1 e 2 e já 
eram chamados de 'concentrados' pela fornecedora". 

Por outro lado, ao contrário do que alega a contribuinte, a Autoridade 
Fiscal  informa desconhecer o desfecho do Mandado de Segurança n° 
95.00094703, nos seguintes termos: 

No que toca ao Mandado de Segurança MS n° 95.00094703 (0009470­ 
05.1995.4.05.8100), impetrado pela fiscalizada e citado em resposta ao 
Termo  de  Início  do Procedimento Fiscal,  cuja  Apelação  foi  tombada 
sob outro (96.05.012766 ­ 000127632.1996.4.05.0000), só fora possível 
verificar o seu andamento processual e sua conexão com um segundo 
mandado  de  segurança,  o  de  n°  95.00174057 
(001740596.1995.4.05.8100). 

Em consulta aos documentos  juntados ao processo, este julgador  teve 
acesso à Sentença nº 1280/95, às fls. 181/189, referente ao Mandado de 
Segurança nº 95.9470­ 3, com trecho reproduzido a seguir: 

3.1  Em  face  dos  fundamentos  expendidos,  concedo  a  ordem  da 
impetrada, para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar 
dos  valores  relativos  ao  IPI,  nas  operações  de  aquisição  de 
concentrado,  ainda  que  essas  operações  sejam  isentas  do  mesmo 
imposto na origem. 

(...) 

Por  outro  lado,  da  sentença,  a  União  formalizou  apelação,  às  fls. 
190/197,  autuada  sob  o  processo  nº  0001276­32.1996.4.05.0000, 
recebida em duplo grau, com Acórdão Publicado no DJ da União em 
08.05.97  (1ª  parte  ­  TRF5),  da  qual  não  se  teve  acesso  e  não  foi 
encontrada cópia da decisão nos autos, conforme consulta abaixo. 

Ou  seja,  as  informações  disponíveis  no  processo  administrativo  dão 
conta  de  que  a  apelação  da  União  em  relação  a  referida  decisão 
judicial  foi  recebida  com  efeito  devolutivo  e  suspensivo,  isto  é, 
suspendendo os efeitos da decisão de 1ª  instância, permitindo a plena 
atuação do órgão fiscalizador. 

Por  fim,  fundamental  mencionar  o  apontamento  da  fiscalização  no 
sentido  de  que  fora  possível  verificar  a  conexão  do  Mandado  de 
Segurança n° 95.00094703 "com um segundo mandado de segurança, 
o de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100). Ao contrário do MS 
n°  95.00094703  (0009470­05.1995.4.05.8100),  o MS  n°  95.00174057 
(001740596.1995.4.05.8100)  ainda  está  em  trâmite  no  TRF  da  5a 
Região,  encontrando­se  sobrestado  por  repercussão  geral,  após 
manifestação do STF no âmbito do RE n° 243.858/CF". 

Como dito, ao contrário do que afirma a defesa, a Autoridade Fiscal 
não  conseguiu  verificar  a  existência  da  coisa  julgada  no  MSI  n° 
95.0009470­3,  estando  a  questão  judicial  que  trata  da  matéria 
sobrestada  em  razão  do  reconhecimento  de  repercussão  geral,  após 
manifestação  do  STF  no  âmbito  do  RE  n°  243.858/CF,  conforme 
seguintes trechos da decisão: 

Fl. 1197DF  CARF  MF



Processo nº 10580.724116/2017­64 
Resolução nº  3201­001.702 

S3­C2T1 
Fl. 1.198 

 
 

 
 

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O Plenário Virtual  do  Supremo Tribunal Federal,  ao  examinar  o RE 
592.891, atualmente sob relatoria da Ministra Rosa Weber, reconheceu 
a  existência  de  repercussão  geral  da  questão  constitucional  ora 
discutida (Tema 322). Veja­se a ementa do julgado: 

“TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS 
INDUSTRIALIZADOS  IPI.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DIREITO  AO 
CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA 
ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO 
GERAL.” 

Diante do exposto, com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF, 
determino o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam observadas 
as disposições do art. 543­B do Código de Processo Civil." 

Denota­se, portanto, que há dúvida razoável sobre o efetivo trânsito em julgado 
da decisão proferida no Mandado de Segurança invocado pela Recorrente.  

Some­se a isso, que não trouxe a Recorrente certidão de inteiro teor do processo, 
bem  como,  certidão  de  trânsito  em  julgado  constante  dos  autos  de Mandado  de  Segurança, 
documentos imprescindíveis para demonstrar e comprovar o alegado, em especial, pelo fato de 
a  própria  decisão  recorrida  ter  adotado  como  fundamento  decisório  a  impossibilidade  de  se 
aferir  (i)  o  trânsito  em  julgado  no  Mandado  de  Segurança  nº  95.0009470­3;  (ii)  eventual 
conexão com outro Mandado de Segurança, cujo trâmite está sobrestado em razão de a matéria 
ser objeto de repercussão geral. 

Assim, a conversão do feito em diligência é medida que se impõe para se aferir 
o efetivo  trânsito em  julgado do Mandado de Segurança nº 95.0009470­3, conforme alegado 
pela Recorrente  e não  acatado pela decisão  recorrida proferida neste processo  administrativo 
fiscal.  

Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência, 
para que a Recorrente, no prazo de até 60 (sessenta) dias providencie (i) certidão de trânsito em 
julgado do Mandado de Segurança  nº  95.0009470­3;  (ii)  certidão  de  inteiro  teor  do  referido 
processo  (certidão  de  objeto  e  pé)  e  (iii)  certidão  e  documentos  para  que  se  possa  aferir 
eventual conexão do Mandado de Segurança nº 95.0009470­3, com o Mandado de Segurança 
de n° 95.00174057 (001740596.1995.4.05.8100). 

(assinado digitalmente) 

Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator 

 

Fl. 1198DF  CARF  MF


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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/2017-49, afastadas as preliminares relativas à responsabilidade da recorrente por erro de classificação fiscal do fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa.

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S3­C3T2 

Fl. 2 

 
 

 
 

1

1 

S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10480.727759/2017­98 

Recurso nº            Voluntário 

Resolução nº  3302­000.915  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 

Data  23 de outubro de 2018 

Assunto  IPI. INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. 

Recorrente  NORSA REFRIGERANTES S.A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o 
julgamento para aguardar a decisão do processo principal 10480.729138/2017­49, afastadas as 
preliminares  relativas  à  responsabilidade  da  recorrente  por  erro  de  classificação  fiscal  do 
fornecedor, alteração de critério jurídico e competência da Suframa. 

 

 (assinado digitalmente) 

Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente 

 

(assinado digitalmente) 

Jorge Lima Abud ­ Relator  

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo 
Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus, 
Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. 

 

Relatório 
 

Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  para  o  lançamento  do  Imposto  sobre 
Produtos Industrializados ­ IPI, para constituir créditos tributários em desfavor da contribuinte 

  

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8

Fl. 1035DF  CARF  MF




Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 3 

   
 

 
 

2

epigrafada,  no  montante  total  de  R$  104.655.326,18  (cento  e  quatro  milhões,  seiscentos  e 
cinqüenta e cinco mil, trezentos e vinte e seis reais e dezoito centavos), consolidado na data do 
lançamento, em decorrência das infrações abaixo enumeradas: 

Ø Créditos  Indevidos  ­  crédito  básico  indevido  :  o  estabelecimento 
industrial  creditou­se  indevidamente  de  créditos  básicos,  em 
desrespeito à legislação do imposto; 

Ø Créditos  Indevidos (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) : O 
estabelecimento  industrial  calculou  erroneamente  créditos  de  IPI 
decorrentes  de  aquisições  de  "Kit  concentrados"  da  empresa 
Recofarma, e 

Ø Créditos  Indevidos ­ SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR 
INDEVIDO: O estabelecimento  industrial creditou­se  indevidamente 
de  saldo  credor  de  período  anterior,  em  desrespeito  à  legislação  do 
imposto. 

A fiscalização concluiu que o procedimento correto para classificação fiscal dos 

kits adquiridos pela fiscalizada é a aplicação da RGI n° 1 sobre cada componente individual, e 
não sobre o conjunto, como fez a empresa e tendo em vista que os componentes dos kits devem 
ser enquadrados em códigos  tributados à alíquota zero, o  imposto calculado, como se devido 
fosse,  seria  zero.  Assim,  seria  INEXISTENTE  o  direito  a  crédito  de  IPI  decorrente  das 
aquisições dos Kits da Recofarma. 

Além  dos  créditos  indevidos  decorrentes  das  aquisições  da  Recofarma,  a 
empresa escriturou como créditos de IPI valores decorrentes da aquisição bens de consumo, a 
exemplo  de  solventes  e  detergentes,  os  quais  não  se  prestam  a  ofertar  créditos  por  não  se 
enquadrarem  como  insumos.  Analisando  a  notas  fiscais  de  entrada,  com  créditos  de  IPI 
aproveitados  pela  fiscalizada,  verificou­se  que  ela  se  creditou  do  IPI  incidente  sobre  a 
aquisição  de ANTIBACTERIAL, OXONIA ATIVO,  LUBODRIVE  etc,  que  não  podem  ser 
considerados matérias­primas , pois não se incorporam aos produtos fabricados, posto que são, 
in  facto,  produtos  de  limpeza.  Também não  se  prestam  a material  de  embalagem. Quanto  a 
serem produtos  intermediários,  igualmente não podem ser assim considerados, por não restar 
caracterizada a “ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste 
sobre aquele”. Esses  itens  são, em verdade, material de consumo, não ensejando o direito ao 
crédito  do  IPI,  consoante  entendimento  adotado  pela  administração  tributária  no  Parecer 

Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação n° 65/79. 

Procedeu­se,  então  à  reconstituição  da  escrita  fiscal  do  IPI  no  período 
compreendido entre março de 2015 e dezembro de 2016. 

A  planilha  “Reconstituição  da Escrita  Fiscal  do  IPI”  leva  em  consideração  os 
seguintes estornos de créditos glosados nesta fiscalização:  

1.  a coluna “Glosas Recofarma” representa os créditos calculados sobre 
os  Kits  adquiridos  da  Recofarma  e  que  não  são  reconhecidos  pela 
Receita Federal; e 

Fl. 1036DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 4 

   
 

 
 

3

2.  a coluna  “Glosas uso/consumo”,  representa o  estorno do  IPI que  foi 
aproveitado  quando  da  entrada  de  bens  de  consumo,  posto  que  tais 
aquisições não têm o condão de produzir créditos.  

Ainda  ressaltou  que  a  fiscalização  desconsiderou  o  saldo  credor  lançado  pela 
Norsa Refrigerantes, em sua escrita fiscal, já que o ora fiscalizado iniciou suas atividades em 
março de 2015, fruto de um processo de cisão com a Refrescos Guararapes, quando trouxe o 
saldo  de  IPI  (de  fevereiro/2015)  apresentado  pelo  estabelecimento  da  Refresco  Guararapes 

inscrito  no  CNPJ  sob  o  n°  08.715.757/0004­16,  no  valor  de  R$  24.516.709,06.  Ocorre  que 
aquele  estabelecimento  da  Refrescos  Guararapes  sofreu  idêntica  fiscalização  desta  Receita 
Federal, quando se constatou a inexistência de saldo credor ao final de fevereiro de 2015. 

Cientificada do lançamento, a autuada apresentou impugnação, aduzindo em sua 
defesa as razões sumariamente expostas a seguir: 

ü Da  responsabilidade  da  impugnante  (terceiro  adquirente  do 
concentrado); 

ü Nunca existiu na  lei  e não existe mais  sequer previsão  regulamentar 
estabelecendo  a  obrigação  de  o  adquirente  verificar  a  correção  da 
classificação fiscal do produto na nota fiscal; 

ü Os fatos geradores objeto do AUTO sob exame foram apurados sob a 
vigência  de  lei  que  não  impõe  e  de  RIPI  (de  2010)  que  não  mais 
impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação 
fiscal do produto; 

ü Da alteração de critério jurídico; 

ü A IMPUGNANTE sempre aproveitou os créditos de  IPI decorrentes 
da  aquisição  de  concentrados  isentos  para  refrigerantes  oriundos  da 
Zona  Franca  de Manaus  à  alíquota  prevista  da  posição  21.06.90.10 
EX. 01 da TIPI; 

ü Da competência da SUFRAMA para definir a classificação fiscal dos 
produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  fruição  de 
benefícios fiscais e do ato administrativo; 

ü Ao  definir  o  PPB  do  produto  incentivado,  para  fins  de  fruição  de 
benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a 
classificação  fiscal do produto  incentivado, porque, para  fins de  IPI, 
definir o produto é efetuar sua classificação fiscal; 

ü Portanto,  é  inerente  à  sua  competência  para  aprovação  do  PPB  a 
definição da classificação fiscal do referido produto beneficiado; 

ü Registre­se  que  a  RFB  também  tem  competência  para  definir  a 
classificação fiscal de produtos, mas essa não é exclusiva; 

ü A  SUFRAMA  definiu  a  classificação  fiscal  para  o  concentrado 
produzido pela RECOFARMA; 

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Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

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ü A própria  SUFRAMA  reconhece  que  o  concentrado,  por  configurar 
"preparações  químicas",  pode  ser  entregue  desmembrado  em 
partes/kits,  sem que  isso desnature  a  sua  condição de produto único 
(de  concentrado  para  refrigerantes),  classificado  na  posição 
21.06.90.10 EX.  01  da TIPI/2011,  qual  seja,  preparações  compostas 
para  bebidas  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da 
bebida para cada concentrado ­ por isso classificado no EX. 01, a qual 
tinha alíquota de 27%; 

ü A  própria  SUFRAMA  confirma  que  a  RECOFARMA  continua 
cumprindo a classificação fiscal do concentrado; 

ü Dessa forma, a classificação fiscal do concentrado para refrigerantes, 
utilizada  pela  RECOFARMA,  qual  seja,  21.06.90.10  EX.  01  da 
TIPI/2011,  está  consubstanciada  em  ato  administrativo  vinculatório 

(Resolução do CAS n°  298/2007,  integrada pelo Parecer Técnico n° 
224/2007); 

ü Com  efeito,  pelo  histórico  das TIPIs,  desde  1988,  constata­se  que o 
concentrado  para  refrigerantes  sempre  foi  classificado  como  uma 
mercadoria  única  constituída  por  diversos  componentes,  sendo 
relevante  e  suficiente  para  determinar  a  classificação  como  produto 
único  a  existência  de  um  extrato  concentrado/sabor  concentrado 
daquela posição para que todos os demais componentes que a ele se 
juntem  integrem  o mesmo  produto  e  sejam  classificados  na mesma 
posição; 

ü O  item  XI  da  Nota  Explicativa  referente  à  Regra  Geral  de 
Interpretação 3 b) também reforça o fato de que os concentrados para 
refrigerantes,  entregues  em  forma  de  "kits",  são  tratados  como 
produtos  únicos,  porque  a  sua  literalidade  demonstra  que  esses 
concentrados constituem mercadoria unitária, integrada por diferentes 
componentes; 

ü E a  razão de ser afastada a aplicação da  regra de exceção 3 b)  (que 
determina  que  os  produtos  misturados  ou  sortidos  devem  ser 
classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo 
que  lhe  confira  a  característica  essencial)  é  justamente  porque  já 
existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados 
para  refrigerantes  da posição  22.02,  qual  seja,  a  posição  2106.90.10 
EX.  01  e,  pois,  por  essa  razão  deve  ser  aplicada  a  Regra  Geral  de 
Interpretação 1; 

ü De  fato,  as  Notas  Explicativas  III,  a),  e  IV  da  Regra  Geral  de 
Interpretação  1  e  a  Nota  Explicativa  X  da  Regra  Geral  2  b) 
esclarecem que  a  aplicação da Regra Geral de  Interpretação 1  se dá 
automaticamente quando há uma posição específica para classificar a 
mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras 
Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias; 

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ü Destaque­se  ainda  que  há  outras mercadorias  que,  da mesma  forma 
que  o  concentrado  para  refrigerantes,  são  entregues  conjuntamente, 
em  embalagens  separadas,  e,  a  despeito  disso,  são  classificadas  em 
uma única posição; 

ü Por fim, se houvesse qualquer dúvida quanto à aplicação da posição 
21.06.90.10 EX. 01 aos concentrados para refrigerantes, constante das 
notas  fiscais  emitidas  pela  RECOFARMA,  essa  deveria  prevalecer 
por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, 
devendo ser aplicado ao presente caso o disposto no art. 112 do CTN; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa,  juros de mora e correção 
monetária. 

Em 23 de janeiro de 2018, através do Acórdão de Impugnação n° 14­75.794, a 
8ª  Turma  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento  de  Ribeirão  Preto/SP,  por  unanimidade  de 
votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. 

Entendeu a Turma que: 

ü Na  situação  em  comento,  as  notas  fiscais  de  aquisição  das 
mercadorias  que  originaram  o  suposto  crédito,  ao  consignarem 
classificação  fiscal  equivocada  que  não  se  aplica  ao  produto 
comercializado,  deixam  de  ostentar  o  amparo  necessário  ao  direito 
pretendido  pela  interessada.  Ainda  que  legítimas  e  idôneas,  aspecto 
que  não  é  alvo  de  embate  neste  processo,  não  possuem  mais  a 
capacidade suficiente para respaldar o crédito ficto escriturado, sendo 
cabível a glosa, pois não existe previsão legal para a manutenção de 
créditos  indevidos.  Principalmente  por  estes  créditos  serem 
incentivados, já que a saída se deu por isenção, e não houve qualquer 
ônus  financeiro  por  parte  da  contribuinte. Admitir  que  uma  isenção 
indevida possa conferir direito ao crédito do IPI resultaria em repassar 
ao  Estado  um  ônus  que  não  lhe  cabe,  haja  vista  que  este  ônus  é 
inerente ao risco da atividade mercantilista; 

ü Quando constatado que algum procedimento ou abordagem contraria 
normas jurídicas, a sua alteração não se trata de mudança de critério 
jurídico,  pois,  frise­se,  critério  jurídico  supõe  a  adoção  de  uma 
posição  interpretativa que  a autoridade  entenda  ser  a mais  adequada 
ao  caso  concreto  e  outros  similares,  sem  que  a  outra  interpretação, 
preterida,  possa  ser  tida  como  ilegal  ou  ilegítima.  Ou  seja,  critério 
jurídico permite certa discricionariedade por parte do agente público, 
não  se  admitindo,  nesta  discricionariedade,  interpretações  que 
transbordem os limites impostos pelos normativos vigentes; 

ü Segundo  a  disposição  do  PAF,  a  classificação  fiscal  não  é  aspecto 
técnico  e,  desta  forma,  o  laudo  de  especialistas  não  tem  qualquer 
vinculação  para  a  autoridade  administrativa  no  que  a  ela  se  refere, 
pois  a  própria  autoridade,  considerando  as  regras  aplicáveis  à 
classificação,  tem competência para  formar  seu  juízo a  respeito. Em 
outras palavras, o que define a classificação fiscal de um produto não 

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são  as  características  técnicas,  condição  esta  que,  aliás,  também  é 
extraída  das  RGI/SH  (Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema 
Harmonizado) e da própria TIPI, posto que não há nenhuma menção 
de que as descrições contidas nos textos devam estar condicionadas às 
características  técnicas  das  mercadorias  como  determinantes  para 
enquadramento em um ou outro código, a não ser quando elas assim 
especificam; 

ü A alegação de que outros órgãos  técnicos poderiam ser  responsáveis 
pela  classificação  fiscal  dos  produtos  é  absolutamente  equivocada. 
Tanto  é  que  nenhuma  disposição  normativa  que  trate  dessa  suposta 
competência foi mencionada na impugnação; 

ü Portanto,  é  totalmente  descabido  afirmar  que  a  SUFRAMA  tenha 
competência para  efetuar a  classificação  fiscal  de produtos  ou  tenha 
definido a classificação fiscal dos produtos da Recofarma; 

ü À  evidência  dos  fatos,  improcede  qualquer  tentativa  de  conduzir  a 
discussão em uma linha de interpretação que considere os chamados 
“concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, a exemplo do que 
consta da impugnação; 

ü Não  se  está  a  discutir,  a  partir  da  classificação  adotada  pela 
contribuinte,  a  interpretação  capaz  de  considerar  os  chamados 
“concentrados” (kits) como mercadorias unitárias, mas se a realidade 
fática atinente a essas mercadorias admite uma única classificação ou 
classificações  individualizadas  a  cada  componente  do  kit.  É  neste 
contexto  que  a  aplicação  da  Regra  2.a  e  Regra  3.b,  que  mais  se 
aproximam do intento de conferir única classificação fiscal ao kit, foi 
suscitada, tendo­as por inapropriadas; 

ü A  narrativa  dos  fatos  constatados  pela  Fiscalização  revela  que  a 
empresa Recofarma, fornecedora dos insumos (kits) empregados pelo 
estabelecimento  industrial,  não  utiliza  diretamente,  em  seu  processo 
de industrialização, matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de 
produção regional; 

ü Não  é  a  SUFRAMA que  concede  a  isenção.  Esta  decorre  da  lei.  A 
SUFRAMA  aprova  o  projeto  apresentado  pela  empresa.  Somente 
estas empresas, cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA, é 
que podem beneficiar­se da isenção; 

ü Ocorre que o açúcar cristal  e demais matérias­primas utilizadas pela 
Recofarma  já  são  produtos  resultantes  de  processo  industrial,  são 
matérias­primas  industrializadas  e  não  se  constituem  em  “matérias­
primas agrícolas e extrativas vegetais de 

ü produção regional” a que a legislação faz menção específica. Somente 
poderiam ser 

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ü enquadradas  na  tipificação  legal  a  cana­de­açúcar  e  a  semente  de 
guaraná  ­  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  regionais  por 
excelência; 

ü Os  produtos  de  limpeza  não  tem  contato  direto  com  o  refrigerante. 
Deve ser observado que a legislação que rege a matéria não se refere a 
insumos  genericamente  utilizados  na  produção,  nem  ao  conceito 
estabelecido pelos dicionários ou pela doutrina, mas especificamente 
ao  conceito  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de 
embalagem  usualmente  adotado  pela  legislação  do  imposto.  Logo, 
para se considerar que tais gastos ensejam em direito ao crédito, estes 
terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados (MP, ME, 
PI); 

ü Tem  plena  previsão  legal  a  incidência  de  juros  moratórios  sobre  a 
multa  aplicada,  visto  que  se  trata  de  débitos  para  com  a  União, 
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. 

 

A  empresa  NORSA  REFRIGERANTES  S.A  foi  cientificada  do  Acórdão  de 
Impugnação em 14/02/2018, por via eletrônica, às folhas 754. 

A empresa NORSA REFRIGERANTES S.A ingressou com Recurso Voluntário 
em 14/03/2018, folhas 756, apresentando suas razões de folhas 828 à 901. 

Foi alegado em síntese que:  

ü Da  não  responsabilidade  da  recorrente  (terceiro,  adquirente  do 
concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; 

ü Da alteração de critério jurídico; 

ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos 
produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  fruição  de 
benefícios fiscais e do ato administrativo; 

ü Da  natureza  do  produto  elaborado  pela  RECOFARMA  como 
mercadoria única; 

ü Da  classificação  fiscal  do  produto  definida  pela  SUFRAMA,  pelas 
regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; 

ü Da aplicação do art. 112 do CTN; 

ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; 

ü Do  direito  ao  crédito  relativo  à  aquisição  de  insumos  isentos 
beneficiados pela isenção do art. 9° do DL N° 288/67;  

ü Da coisa julgada formada no MSI N° 95.0009470­3; 

ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; 

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ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa,  juros de mora e correção 
monetária; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa; 

ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo 
de industrialização dos refrigerantes; 

ü Da  improcedência  da  exigência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício 
exigida no auto. 

DO PEDIDO 

Pelo  exposto,  a  RECORRENTE  pede  e  espera  que  seja  dado  provimento  ao 
presente  recurso  para  reformar  a  DECISÃO,  cancelar  o  auto  de  infração  em  epigrafe  e 
extinguir o crédito tributário exigido. 

É o relatório. 

 
 
Voto  
 

Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 

Da admissibilidade. 

Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de 
Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário 
tempestivamente  interposto  pelo  contribuinte,  considerando  que  a  recorrente  teve  ciência  da 
decisão de primeira instância em 14 de fevereiro de 2018, por via eletrônica, às folhas 754 do 
processo digital. 

O recurso voluntário foi apresentado em 14 de março de 2018, sendo, portanto, 
tempestivo. 

Da controvérsia. 

ü Da  não  responsabilidade  da  recorrente  (terceiro,  adquirente  do 
concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado; 

ü Da alteração de critério jurídico; 

ü Da competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal dos 
produtos  fabricados  em  projeto  industrial  aprovado  para  fruição  de 
benefícios fiscais e do ato administrativo; 

ü Da  natureza  do  produto  elaborado  pela  RECOFARMA  como 
mercadoria única; 

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ü Da  classificação  fiscal  do  produto  definida  pela  SUFRAMA,  pelas 
regras gerais de interpretação do sistema harmonizado e NESH; 

ü Da aplicação do art. 112 do CTN; 

ü Da ilegaiidade do Auto de Infração; 

ü Do  direito  ao  crédito  relativo  à  aquisição  de  insumos  isentos 
beneficiados  pela  isenção  do  art.  9°  do  DL  N°  288/67  ­  da  coisa 
julgada formada no MSI N° 95.0009470­3; 

ü Do direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DL N° 1.435/75; 

ü Da utilização indevida de saldo credor do período anterior; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa,  juros de mora e correção 
monetária; 

ü Da impossibilidade de exigência de multa; 

ü Dos créditos oriundos da aquisição de produtos utilizados no processo 
de industrialização dos refrigerantes; 

ü Da  improcedência  da  exigência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício 
exigida no auto. 

Passa­se à análise. 

DAS PRELIMINARES.  

­  Da  não  responsabilidade  da  recorrente  (terceiro,  adquirente  do 
concentrado) por suposto erro na classificação fiscal do concentrado. 

É alegado nos itens 3.14 a 3.17 do Recurso Voluntário:  

Como se vê, não há na lei (art. 62 da Lei n° 4.502/64) e não existe no 
regulamento  a  obrigação  de  o  adquirente  verificar  a  correção  da 
classificação fiscal do produto na nota fiscal, sendo certo que os fatos 
geradores objeto do AUTO foram apurados sob a vigência de lei que 
não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais  impõe a obrigação de o 
adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto. 

No  caso,  há  aliquota  especifica  de  20%  prevista  na  TIPI  para  o 
produto  da  posição  21.06.90.10 EX.  01,  constante  da  nota  fiscal,  e o 
cálculo é feito mediante simples operação aritmética: a RECORRENTE 
identifica a classificação fiscal indicada na nota pela RECOFARMA e 
verifica na TIPI qual é a aliquota prevista para tal classificação. 

E  é  incontroverso  que  a  RECORRENTE  calculou  o  crédito  de  IPI 
segundo  a  aliquota  de  20%,  decorrente  da  classificação  fiscal  na 
posição 21.06.90.10. EX. 01, feita pelo fornecedor do insumo. 

Portanto,  como  a  classificação  dos  concentrados  na  posição 
21.06.90.10  EX.  01  foi  feita  pela  RECOFARMA,  fornecedora  do 

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concentrado,  e  não  cabe  ao  adquirente  questionar  essa  classificação 
fiscal,  a  RECORRENTE  agiu  licita  e  corretamente  ao  calcular  o 
crédito  de  IPI  com  base  na  alíquota  correspondente  a  essa 
classificação fiscal. 

Faço minhas  as  palavras  da Douta  Procuradoria  da  Fazenda Nacional  em  sua 
contribuição nas Contrarrazões apresentas no Processo 11065.721801/2017­21, que se aplicam 
adequadamente a questão: 

A recorrente sustenta que a responsabilidade pela classificação fiscal 
seria  exclusiva  dos  fornecedores,  de  modo  que  lhe  deve  ser 
reconhecido  o  direito  à  manutenção  dos  créditos  de  IPI,  “posto  que 
agiu de boa­fé” (fl. 470). 

A rigor, o cerne da demanda é o descumprimento dos requisitos legais 
para o aproveitamento do crédito de IPI, e não a regularidade formal 
do  preenchimento  da  nota  fiscal,  o  que  conduz  à  rejeição  da  tese  no 
particular. 

Não  se  trata  propriamente  de  responsabilidade  por  infração  à 
legislação  tributária,  mas  do  reconhecimento  de  que,  por  erro  de 
classificação  fiscal,  houve apuração  indevida  de  crédito  de  IPI,  com 
repercussão na base de cálculo do imposto devido pela recorrente, na 
condição de contribuinte, e não de responsável. 

Assim, afigura­se  irrelevante discutir  se o erro de classificação  fiscal 
deve ser imputado em tese exclusivamente às fornecedoras dos “kits”. 

Constatado  o  erro  de  classificação  fiscal,  impõe­se  o  lançamento  do 
tributo pela autoridade fiscal, por se tratar de atividade vinculada, nos 
termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. 

Nessa  linha,  a  letra do  artigo 62 da Lei n° 4.502/64, onde  se determina que o 
adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas 
fiscais que os acompanham atendem às prescrições legais e regulamentares: 

Art. 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou 
adquirirem  para  industrialização,  comércio  ou  depósito,  ou  para 
emprego  ou  utilização  nos  respectivos  estabelecimentos,  produtos 
tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente 
rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo 
de  controle,  bem  como  se  estão  acompanhados  dos  documentos 
exigidos  e  se  estes  satisfazem  a  todas  as  prescrições  legais  e 
regulamentares. 

A Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrentou o assunto no Acórdão n° 03­
06.055,  Sessão  de  08  de  setembro  de  2008,  e  admitiu  a  aplicação  do  artigo  62  da  Lei  n° 
4.502/64 em caso análogo: 

“O  Recurso  Especial  do  Sr.  Procurador  Representante  da  Fazenda 
Nacional atendeu aos pressupostos para sua admissibilidade. O apelo 
merece ser conhecido. 

No mérito,  circunscreve  a  questão,  ao meu  ver,  em  definir  a  correta 
aplicação  dos  artigos  62  e  82,  ambos  da  Lei  n.°  4.502/64,  que 

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estabelece a obrigação do adquirente de produtos  industrializados de 
verificar a regularidade do documento fiscal e a respectiva sanção. 

Passo a apreciar, então, os argumentos expendidos pelo voto vencedor 
do  aresto  em  questão,  que  se  subdividem  em duas  grandes  linhas  de 
raciocínio: a primeira pugna pela necessidade de prévia existência de 
ação  fiscal  contra  o  produtor  remetente  para  que  se  possa  apenar  o 
adquirente; a segunda defende que não se podería autuar o adquirente 
por  descumprimento  das  obrigações  previstas  no  artigo  173  do 
RJPI/82, quando estas se referirem à classificação fiscal. 

Na  forma  do  artigo  62  da  Lei  n.°  4.502/64,  “os  fabricantes, 
comerciantes  e  depositários  que  recebem  ou  adquirem  para 
industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização 
nos  respectivos  estabelecimentos,  produtos  tributados  ou  isentos, 
deverão  examinar  se  eles  se  acham  devidamente  rotulados  ou 
marcados, ou ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle 
bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes 
satisfazem  a  todas  as  prescrições  legais”. 
 

­ Da alteração de critério jurídico. 

Os argumentos referentes a esse tópico são condensados no item 4.7 do Recurso 
Voluntário: 

4.7. Em suma: 

a)  o critério jurídico do lançamento efetuado em relação ao 
mesmo  sujeito  passivo  somente  pode  ser modificado de 
oficio ou em consequência de decisão administrativa ou 
judicial para fatos geradores e/ou saldos credores de IPI 
posteriores à introdução do fato que ensejou a alteração 
do critério; 

b)  no  presente  caso,  o  novo  critério  jurídico  foi  aplicado 
em  relação  ao  período  anterior  a  11.09.2017,  data  da 
ciência do presente AUTO, no qual  foram questionadas 
a  natureza  do  produto  adquirido  e  a  sua  classificação 
fiscal pela primeira vez em relação à RECORRENTE; e 

c)  por  conseguinte,  a  modificação  do  critério  jurídico  no 
sentido de que o produto não seria o concentrado para 
bebidas  não  alcoólicas  e  que  haveria  equivoco  de 
classificação fiscal somente poderia ter sido introduzida 
para  os  lançamentos  relativos  a  fatos  geradores  e/ou 
saldos  credores  de  IPI  referentes  a  operações 
posteriores ao referido marco. 

Não assiste razão ao Recorrente. 

A  apontada  violação  do  art.  146  do CTN  decorreria  de  novo  critério  jurídico 
adotado pela autoridade fiscal, hipótese não constatada no caso dos autos. 

Fl. 1045DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 13 

   
 

 
 

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O  fulcro  da  ação  fiscal  foi  a  consideração  de  uma  situação  de  fato:  A 
impossibilidade de se enquadrar os “concentrados” na classificação na posição 21.06.90.10 Ex. 
01 da NCM/TIPI.  

A  Recorrente  tenta  distorcer  a  aplicação  do  art.  146  do  CTN,  que  pressupõe 
mesma  circunstância  fática,  mesmo  sujeito  passivo  e  alteração  do  critério  jurídico  para  os 
mesmos fatos geradores, o que não é o caso. 

Artigo 146 do CTN: 

Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de 
decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela 
autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser 
efetivada,  em  relação  a  um  mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato 
gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 

Nas palavras da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em sua contribuição 
nas  Contrarrazões  apresentas  no  Processo  11065.721801/2017­21,  que  se  aplicam 
adequadamente a questão: 

O dispositivo em comento é claro ao estabelecer o parâmetro temporal 
para aplicação do novo critério jurídico em relação ao mesmo sujeito 
passivo, qual seja: os fatos geradores futuros, isto é, ocorridos após a 
introdução do critério jurídico modificado. 

O  mandamento  legal  pressupõe  a  segurança  do  sujeito  passivo, 
estabilizando  a  intepretação  jurídica  dos  fatos  geradores  que 
interferirão na esfera  jurídica do  eventual autuado. No caso  em  tela, 
não houve qualquer alteração de critério jurídico relacionado aos fatos 
geradores do IPI lançados contra a Ambev. 

Desde  o  início  do  procedimento  fiscal,  a  autoridade  lançadora 
demonstrou,  sob  a  mesma  premissa  jurídica,  que  a  Recorrente  não 
poderia ter utilizado dos créditos de IPI porque eles não atendiam aos 
preceitos  legais  concessivos  do  benefício,  notadamente  as  Regras 
Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado ­ RGI/SH. 

A  Fiscalização  demonstrou  que  a  classificação  dos  kits  de 
“concentrados”  adquiridos  pela  “engarrafadora”  não  poderiam  ter 
sido  classificados  na  posição  21.06.90.10  Ex.  01  da  TIPI,  fato  que 
impossibilita  a  recorrente  de  aproveitar  os  créditos  de  IPI  com 
alíquota de 20% (vinte por cento). 

Além disso,  o  art.  146  do CTN é  aplicável  quando a modificação do 
critério  jurídico  no  exercício  do  lançamento  ocorre  para  o  mesmo 
sujeito  passivo.  A  recorrente  não  experimentou  qualquer  alteração 
nesse sentido, tendo em vista que ela não demonstrou que foi autuada 
precedentemente  por  auto  de  infração  que  tivesse  manifestado 
expressamente classificação fiscal diversa em relação aos “kits”.. 

O fato de a recorrente ter supostamente adquirido “os mesmos kits de 
seus  fornecedores  localizados  na  Zona  Franca  de  Manaus,  sob  a 
mesma classificação fiscal sem sofrer qualquer tipo de questionamento 
configura  hipótese  de  mero  silêncio  administrativo,  o  que  não  se 

Fl. 1046DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 14 

   
 

 
 

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confunde  com  adoção  de  critério  jurídico  pela  autoridade 
administrativa.  

Se  não  houve  previamente  adoção  de  critério  jurídico  acerca  da 
classificação fiscal do produto em relação ao mesmo sujeito passivo, é 
logicamente  impossível  que  tenha  havido  posterior  alteração  de 
critério jurídico. 

Ademais,  a  tese  recursal  afronta  os  diversos  precedentes  do  Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais:  

Acórdão n° 3402­004.073: 

Em  meu  entendimento,  para  que  haja  a  alteração  de  critérios 
jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, 
deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos 
mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. 
Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os 
critérios jurídicos adotados pelo próprio contribuinte na atividade 
prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. 

Como a recorrente não especifica no recurso voluntário qual teria 
sido  o  ato  administrativo  anterior  emitido  com  posicionamento 
divergente  do  presente  lançamento,  pelo  contexto  de  suas 
alegações,  entende­se  que  a  recorrente  esteja  se  referindo  à 
ausência  de  autuações  anteriores  para  reclassificação  fiscal  dos 
denominados "kits". No entanto, o art. 146 do CTN não abriga a 
tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à 
fiscalização. 

Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto 
sobre  o  tema,  no  seu  voto  no  Acórdão  n°  1401001.649­  4(' 
Câmara / 1 Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar 
esse  entendimento  da  Recorrente,  passa­se  um  atestado  de 
onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar 
toda  irregularidade  existente  na  empresa,  pois  senão,  nos  anos 
seguintes, mesmo que detectado essa  irregularidade o  fiscal  não 
poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o 
critério jurídico". 

Eventuais procedimentos  fiscais anteriores efetuados em face da 
contribuinte  e  seus  atos  decorrentes  (lançamento  ou  decisão 
motivada de não lançar) não podem ser estendidos para períodos 
posteriores, eis que estão vinculados aos fins para os quais foram 
instaurados. O  procedimento  fiscal  não  pode  ser  dissociado  dos 
fatos  ocorridos  naquele  período  fiscalizado  e  da  matéria  sob 
investigação, além de veicular posicionamento específico de um 
ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos 
órgãos julgadores, no caso de resultar lançamento, por exemplo. 

Por essas razões não pode prosperar a alegação da recorrente de 
alteração dos critérios jurídicos adotados no lançamento a que se 
refere o art. 146 do CTN.  

Fl. 1047DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 15 

   
 

 
 

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Acórdão n° 3402­003.799: 

 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. 
NÃO OCORRÊNCIA. 

A  alteração  de  critério  jurídico  que  impede  a  lavratura de  outro 
Auto  de  Infração  diz  respeito  a  um mesmo  lançamento  e  não  a 
lançamentos diversos, como aduzido neste caso. 

Quanto  às  “práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades 
administrativas”, cumpre assinalar que o termo “observadas”, no texto legal, tem a conotação 
de que a  autoridade administrativa ao praticar,  ou deixar de praticar um  ato,  ou  conjunto de 
atos discricionários, analisou­os e julgou­os adequados àquela determinada situação. 

O  termo  “reiteradamente”  leva  ao  entendimento  de  que  a  autoridade 
administrativa,  após  análise  do  caso  concreto,  julgando  apropriado  o  procedimento  adotado, 
repetiu­o por vezes. 

A mera repetição, entretanto, não é suficiente. Não é qualquer ato praticado por 
autoridades administrativas que pode ser considerado como norma complementar. Somente os 
atos  em  relação  aos  quais  é  permitida  certa  discricionariedade,  quando  praticados 
reiteradamente, podem ser considerados como normas complementares nos termos do art. 100 
do CTN. Por outro lado, os atos de natureza vinculada, quando praticados em desacordo com a 
legislação,  não  estão  sujeitos  a  validação  e  não  podem  ser  considerados  como  normas 
complementares. 

Como  se  pode  facilmente  constatar,  as  práticas  reiteradas  das  autoridades 
administrativas  nada mais  são  do  que  os  usos  e  costumes  da Administração. Nesse  sentido, 
para  que  se  forme  uma  prática  reiterada  devem  estar  presentes  o  uso,  ou  seja,  a  conduta 
reiterada  (requisito  objetivo)  e  a  convicção  jurídica  de  que  aquela  conduta  é  a  que  deve  ser 
observada (requisito subjetivo). Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica 
que deriva de longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção de 
sua necessidade jurídica. 

­ Da  competência  da  SUFRAMA para  efetuar  a  classificação  fiscal 
dos  produtos  fabricados  em projeto  industrial  aprovado para  fruição 
de benefícios fiscais e do ato administrativo; 

O  Sistema  Harmonizado  é  uma  nomenclatura  utilizada  internacionalmente, 
como  um  sistema  padronizado,  desenvolvido  e  mantido  pela  Organização  Mundial  das 
Alfândegas (OMA), sediada em Bruxelas, da qual o Brasil é integrante e ativo participante. 

A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aplicável aos países membros do 
bloco desde 1995, é calcada no Sistema Harmonizado e segue rigorosamente as suas diretrizes, 
especialmente  quanto  a  manter  a  uniformização  no  tratamento  das  transações  do  comércio 
internacional.  

A  classificação  de  mercadorias,  no  país,  como  de  resto  toda  a  aplicação  da 
legislação aduaneira, é da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma do 
Decreto nº 9.003, de 13/03/2017 e do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil  

Fl. 1048DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
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Decreto nº 9.003, de 13/03/2017: 

Art. 25. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: 

(...) 

XIX ­ dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades 
relacionadas  com  nomenclatura,  classificação  fiscal  e  econômica  e 
origem  de  mercadorias,  inclusive  representando  o  País  em  reuniões 
internacionais sobre a matéria; 

Regimento Interno da Receita Federal do Brasil: 

Art.  1º  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  órgão 
específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da 
Fazenda, tem por finalidade: 

(...) 

XIX ­ dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades 
relativas a nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de 
mercadorias, e representar o País em reuniões internacionais sobre a 
matéria; 

Para  aclarar  a  questão,  colaciona­se  fragmento  do  Acórdão  n°  CSRF  9303­
006.987 da Câmara Superior de Recursos Fiscais de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da 
Costa Pôssas:  

A  Superintendência  da  Zona  Franca  de Manaus  (SUFRAMA)  é  uma 
autarquia  vinculada  ao Ministério  da  Indústria, Comércio  Exterior  e 
Serviços  que  administra  a  Zona  Franca  de  Manaus,  com  a 
responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional 
que  utilize  de  forma  sustentável  os  recursos  naturais,  assegurando 
viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida das populações 
locais. 

Assim,  é  natural  que  o  mecanismo  escolhido  pelo  legislador  para 
demonstrar  que  o  projeto  produtivo  atende  à  política  de 
desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da região tenha sido 
a aprovação pela SUFRAMA. 

Mas  é  a  Receita  Federal  do  Brasil,  vinculada  ao  Ministério  da 
Fazenda,  quem  tem  a  competência  para  verificar  o  cumprimento  de 
todos os requisitos quando da efetiva utilização de benefícios fiscais, e 
cobrar  os  valores  de  imposto  que  sejam  devidos,  observando­  se 
inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais 
possuem  precedência  sobre  os  demais  setores  administrativos,  na 
forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). 

Não há que se falar em conflito entre a SUFRAMA e a Receita Federal. 
A  autarquia,  exercendo  sua  competência,  aprovou  o  projeto  de 
Recofarma,  que  reconhecidamente  permanece  válido  para  fins  de 
atendimento a um dos requisitos previstos no art. 6° do Decreto­ Lei n° 
1.435/75.  O  Fisco,  exercendo  a  sua  competência,  analisou  a 
legitimidade da utilização da isenção, e constatou que não foi atendida 
a  exigência  de  emprego  de  matéria­prima  extrativa  vegetal  de 

Fl. 1049DF  CARF  MF



Processo nº 10480.727759/2017­98 
Resolução nº  3302­000.915 

S3­C3T2 
Fl. 17 

   
 

 
 

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produção  regional. As  competências  são exercidas  concorrentemente, 
respeitando­se a área de atuação de cada órgão. 

Esse  mesmo  entendimento  é  repisado  pelos  seguintes  Acórdãos  de  Recurso 
Voluntário:3302­003.741, 3302­004.410 e 3402­02.934. 

­ Da utilização indevida de saldo credor do período anterior. 

 O  §  5o  do  artigo  6o  da  Portaria MF Nº  343,  de  09  de  junho  de  2015.,  que 
aprova o Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF), assim 
determina:] 

Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados 
observando­se a seguinte disciplina:  

(...) 

§  5º  Se  o  processo  principal  e  os  decorrentes  e  os  reflexos  estiverem 
localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter 
o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o 
sobrestamento  do  julgamento  do  processo  na  Câmara,  de  forma  a 
aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. 

É alegado nos itens 9.1 e 9.2 do Recurso Voluntário:  

A  AUTORIDADE  glou,  na  escrita  fiscal  da  RECORRENTE,  o  saldo 
credor  apurado  no  periodo  anterior  à  época  dos  fatos  geradores  do 
presente  AUTO,  em  razão  de  o  estabelecimento  da  Refrescos 
Guararapes  (incorporado  após  cisão  parcial)  ter  sofrido  idêntica 
fiscalização  que  constatou  a  inexistência  de  saldo  credor  ao  final  de 
fevereiro  de  2015  e  que  resultou  na  lavratura  do  auto  de  infração, 
objeto do processo administrativo n° 10480.729138/2017­49. 

Ocorre que a discussão administrativa referente ao PA n° 10480.729138/2017­
49  ainda  não  está  encerrada  e,  portanto,  a  escrita  fiscal  da  RECORRENTE  não  deve  ser 
reconstituída até que seja confirmada, ou não, a glosa do crédito 

Com estas considerações, voto no sentido de determinar a vinculação dos autos 
e o sobrestamento do julgamento do processo. 

É como voto. 

Jorge Lima Abud. 

Fl. 1050DF  CARF  MF


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2.641078 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 3154) [SchemaSimilarity], result of:
  2.641078 = score(freq=46.0), computed as boost * idf * tf from:
    2.756986 = idf, sum of:
      2.5665247 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        3683 = n, number of documents containing term
        47960 = N, total number of documents with field
      0.19046117 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39643 = n, number of documents containing term
        47960 = N, total number of documents with field
    0.9579584 = tf, computed as freq / (freq + k1 * (1 - b + b * dl / avgdl)) from:
      46.0 = phraseFreq=46.0
      1.2 = k1, term saturation parameter
      0.75 = b, length normalization parameter
      3864.0 = dl, length of field (approximate)
      2023.2896 = avgdl, average length of field
},facet-debug={elapse=0,sub-facet=[{processor=SimpleFacets,elapse=0,action=field facet,maxThreads=0,sub-facet=[{}]}]},QParser=ExtendedDismaxQParser,altquerystring=null,boost_queries=null,parsed_boost_queries=[],boostfuncs=null,timing={time=1.0,prepare={time=0.0,query={time=0.0},facet={time=0.0},facet_module={time=0.0},mlt={time=0.0},highlight={time=0.0},stats={time=0.0},expand={time=0.0},terms={time=0.0},spellcheck={time=0.0},debug={time=0.0}},process={time=1.0,query={time=0.0},facet={time=0.0},facet_module={time=0.0},mlt={time=0.0},highlight={time=0.0},stats={time=0.0},expand={time=0.0},terms={time=0.0},spellcheck={time=0.0},debug={time=0.0}}}}}</str>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">868</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">868</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <str name="field">_processo_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">868</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">868</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">887</int>
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            <int name="inputDocSetSize">887</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">875</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">875</int>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">875</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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        <str name="action">field facet</str>
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          <lst>
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          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">893</int>
            <str name="field">camara_s</str>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">893</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">845</int>
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          <lst>
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            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">845</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">845</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">845</int>
            <str name="field">_processo_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">845</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">845</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">845</int>
            <str name="field">_recorrida_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">845</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">845</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">845</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">1</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">845</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
            <int name="numBuckets">24371</int>
          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
        <long name="elapse">2</long>
        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">919</int>
            <str name="field">turma_s</str>
            <int name="numBuckets">75</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">919</int>
            <str name="field">camara_s</str>
            <int name="numBuckets">13</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">919</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">919</int>
            <str name="field">materia_s</str>
            <int name="numBuckets">86</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">919</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">919</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">919</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">919</int>
            <str name="field">_turma_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          <lst>
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          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">874</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <str name="field">_processo_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">874</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">874</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">874</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">874</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">874</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">874</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">883</int>
            <str name="field">camara_s</str>
            <int name="numBuckets">13</int>
          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">883</int>
            <str name="field">secao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">ano_sessao_s</str>
            <int name="numBuckets">67</int>
          </lst>
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            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
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            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">858</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">_processo_s</str>
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            <int name="inputDocSetSize">858</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">858</int>
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            <int name="inputDocSetSize">858</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
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            <int name="inputDocSetSize">858</int>
            <str name="field">_tipodocumento_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">858</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">858</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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          <lst>
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            <str name="field">camara_s</str>
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            <str name="field">secao_s</str>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">878</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">878</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">878</int>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">878</int>
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      </lst>
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        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">923</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">secao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">923</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">923</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_materia_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_recurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_julgamento_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_processo_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_recorrida_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_tipodocumento_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">1</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">923</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
            <int name="numBuckets">23037</int>
          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
        <long name="elapse">2</long>
        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">turma_s</str>
            <int name="numBuckets">75</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">camara_s</str>
            <int name="numBuckets">13</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">materia_s</str>
            <int name="numBuckets">83</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">nome_relator_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
            <int name="numBuckets">72</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
            <int name="numBuckets">40</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">_turma_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">844</int>
            <str name="field">_materia_s</str>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">844</int>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">844</int>
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          </lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">859</int>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
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        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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    <str name="6859339">
2.6555784 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 2012) [SchemaSimilarity], result of:
  2.6555784 = score(freq=43.0), computed as boost * idf * tf from:
    2.7592282 = idf, sum of:
      2.5667136 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        3637 = n, number of documents containing term
        47370 = N, total number of documents with field
      0.19251455 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39075 = n, number of documents containing term
        47370 = N, total number of documents with field
    0.9624352 = tf, computed as freq / (freq + k1 * (1 - b + b * dl / avgdl)) from:
      43.0 = phraseFreq=43.0
      1.2 = k1, term saturation parameter
      0.75 = b, length normalization parameter
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      2021.5714 = avgdl, average length of field
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    <str name="4566293">
2.6420448 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 7021) [SchemaSimilarity], result of:
  2.6420448 = score(freq=26.0), computed as boost * idf * tf from:
    2.766567 = idf, sum of:
      2.5716624 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        3694 = n, number of documents containing term
        48351 = N, total number of documents with field
      0.19490452 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39789 = n, number of documents containing term
        48351 = N, total number of documents with field
    0.9549903 = tf, computed as freq / (freq + k1 * (1 - b + b * dl / avgdl)) from:
      26.0 = phraseFreq=26.0
      1.2 = k1, term saturation parameter
      0.75 = b, length normalization parameter
      2072.0 = dl, length of field (approximate)
      2015.116 = avgdl, average length of field
</str>
    <str name="7529697">
2.641078 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 3154) [SchemaSimilarity], result of:
  2.641078 = score(freq=46.0), computed as boost * idf * tf from:
    2.756986 = idf, sum of:
      2.5665247 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        3683 = n, number of documents containing term
        47960 = N, total number of documents with field
      0.19046117 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39643 = n, number of documents containing term
        47960 = N, total number of documents with field
    0.9579584 = tf, computed as freq / (freq + k1 * (1 - b + b * dl / avgdl)) from:
      46.0 = phraseFreq=46.0
      1.2 = k1, term saturation parameter
      0.75 = b, length normalization parameter
      3864.0 = dl, length of field (approximate)
      2023.2896 = avgdl, average length of field
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    <str name="9990169">
2.6356776 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 6305) [SchemaSimilarity], result of:
  2.6356776 = score(freq=20.0), computed as boost * idf * tf from:
    2.7592282 = idf, sum of:
      2.5667136 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        3637 = n, number of documents containing term
        47370 = N, total number of documents with field
      0.19251455 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39075 = n, number of documents containing term
        47370 = N, total number of documents with field
    0.9552228 = tf, computed as freq / (freq + k1 * (1 - b + b * dl / avgdl)) from:
      20.0 = phraseFreq=20.0
      1.2 = k1, term saturation parameter
      0.75 = b, length normalization parameter
      1432.0 = dl, length of field (approximate)
      2021.5714 = avgdl, average length of field
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    <str name="7414010">
2.6344728 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 3344) [SchemaSimilarity], result of:
  2.6344728 = score(freq=29.0), computed as boost * idf * tf from:
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      2.5716624 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        3694 = n, number of documents containing term
        48351 = N, total number of documents with field
      0.19490452 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39789 = n, number of documents containing term
        48351 = N, total number of documents with field
    0.95225346 = tf, computed as freq / (freq + k1 * (1 - b + b * dl / avgdl)) from:
      29.0 = phraseFreq=29.0
      1.2 = k1, term saturation parameter
      0.75 = b, length normalization parameter
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      2015.116 = avgdl, average length of field
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    <str name="4672995">
2.6343596 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 2526) [SchemaSimilarity], result of:
  2.6343596 = score(freq=21.0), computed as boost * idf * tf from:
    2.766567 = idf, sum of:
      2.5716624 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        3694 = n, number of documents containing term
        48351 = N, total number of documents with field
      0.19490452 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39789 = n, number of documents containing term
        48351 = N, total number of documents with field
    0.95221245 = tf, computed as freq / (freq + k1 * (1 - b + b * dl / avgdl)) from:
      21.0 = phraseFreq=21.0
      1.2 = k1, term saturation parameter
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    <str name="4827499">
2.626872 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 23908) [SchemaSimilarity], result of:
  2.626872 = score(freq=22.0), computed as boost * idf * tf from:
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      2.5667136 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        3637 = n, number of documents containing term
        47370 = N, total number of documents with field
      0.19251455 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39075 = n, number of documents containing term
        47370 = N, total number of documents with field
    0.9520315 = tf, computed as freq / (freq + k1 * (1 - b + b * dl / avgdl)) from:
      22.0 = phraseFreq=22.0
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    <str name="4679814">
2.6259606 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 871) [SchemaSimilarity], result of:
  2.6259606 = score(freq=19.0), computed as boost * idf * tf from:
    2.754011 = idf, sum of:
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      0.18266578 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        40179 = n, number of documents containing term
        48231 = N, total number of documents with field
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    <str name="7646073">
2.624878 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 4130) [SchemaSimilarity], result of:
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        3683 = n, number of documents containing term
        47960 = N, total number of documents with field
      0.19046117 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
        39643 = n, number of documents containing term
        47960 = N, total number of documents with field
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    <str name="7572924">
2.6208491 = weight(_texto:"classificaca fiscal" in 1937) [SchemaSimilarity], result of:
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        3750 = n, number of documents containing term
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      0.18641266 = idf, computed as log(1 + (N - n + 0.5) / (n + 0.5)) from:
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        47565 = N, total number of documents with field
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