Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10980.905606/2009-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente da DRF/Curitiba analise a documentação acostada à manifestação de inconformidade, complementada pelos documentos apresentados no recurso voluntário (Livros Diário e Razão Consolidado).
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.905606/2009-47
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912253
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.122
nome_arquivo_s : Decisao_10980905606200947.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 10980905606200947_5912253.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente da DRF/Curitiba analise a documentação acostada à manifestação de inconformidade, complementada pelos documentos apresentados no recurso voluntário (Livros Diário e Razão Consolidado). (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7441277
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869284470784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 72 1 71 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.905606/200947 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.122 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 19 de setembro de 2018 Assunto COFINS DCOMP ELETRÔNICA RECOLHIMENTO INDEVIDO Recorrente CERMEN MEDICINA NUCLEAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente da DRF/Curitiba analise a documentação acostada à manifestação de inconformidade, complementada pelos documentos apresentados no recurso voluntário (Livros Diário e Razão Consolidado). (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0954.364, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA que, na sessão de julgamento realizada em 11.09.2014 (efls. 44 a 47), que não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação Per/DComp 03440.41507.150405.1.3.046600. Da ementa do acórdão recorrido A mencionada turma de julgamento da DRJ/JFA ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 60 6/ 20 09 -4 7 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.905606/200947 Resolução nº 3001000.122 S3C0T1 Fl. 73 2 Data do fato gerador: 15/02/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Adotase, para o acompanhamento inicial dos fatos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP 03440.41507.150405.1.3.046600, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$15.326,00, recolhido em 15/02/2005. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que em síntese e entre outros aspectos, reafirma a pretensão expressa no PER/DCOMP ora analisado, e, ainda, que o crédito informado é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). É o relatório do necessário. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 51/52), acompanhado dos documentos anexados às efls. 53 a 69, para, além de repetir os argumentos de defesa que foram apresentados em sua manifestação de inconformidade, destacar que, diante da faculdade ofertada pela decisão recorrida, "vem apresentar cópias autenticadas do livro diário nº 18 do ano de 2005, páginas 75 e 76, onde estão demonstrados os lançamentos do pagamento indevido a maior e a correspondente compensação, tendo também cópias dos termos de abertura e encerramento deste livro", e que "Estão também anexadas cópias simples do livro razão correspondente". Do encaminhamento Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.905606/200947 Resolução nº 3001000.122 S3C0T1 Fl. 74 3 Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 27.08.2015 (efl. 71), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 24.08.2015, conforme depreendese do carimbo protocolizador aposto em sua "Folha de Rosto" pela servidora da CAC/Centro/DRF/CTA, depois da ciência ocorrida, em 27.07.2015, por meio do recebimento "Aviso de Recebimento AR" (efl. 49), que reportase à "Intimação/Ciência SEORT/DRF/CTA nº 146/2015", portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do voto condutor do acórdão recorrido Do voto condutor do acórdão recorrido colhese, verbis: (...) No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF do contribuinte, quando da entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, caberia ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na respectiva DCTF. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, e dos documentos que a respaldem. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplica se ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) contenha as razões e provas que o interessado possua. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.905606/200947 Resolução nº 3001000.122 S3C0T1 Fl. 75 4 Civil, que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, elucido ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos. Mesmo nos casos de apresentação de DCTF retificadora, se esta se der após a entrega do PER/DCOMP, há que se ter apresentação dos documentos a que já se referiu. (...) Por oportuno, transcrevo, também, o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão nº 380302.491 anteriormente citado: “Observase que por entender suficiente à comprovação de seu direito, a contribuinte acostou aos autos apenas, copias de DARF, de DCTF e de DACON (originais e retificadores). Tais documentos, todavia, não evidenciam, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Inexistindo provas técnicas, contábeis e jurídicas de que as operações não se realizaram ao arrepio da lei, há que ser acatado o ato administrativo realizado” (g.n.). Assim, considerando que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos que incontestavelmente comprovassem o crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. (...) Da diligência Esclareçase que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a realização de diligência têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério do colegiado que realiza o julgamento do processo, o que, a meu ver, é o caso. Neste sentido, é o teor do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, cujas regras, como é cediço, são absolutamente aplicáveis também à autoridade de segunda instância, ao expressar que a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Também, são essas as disposições, igualmente aplicáveis ao caso sob exame, do Decreto nº 7.574, de 29.09.2001, que regula, entre outras matérias, o processo de determinação e de exigência de crédito tributário, ao expressar que a realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. Ressaltese, por oportuno, que não obstante a hodierna tendência de mitigarse os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entendo que para aplacarse tais regras o comportamento do sujeito passivo é determinante, ou seja, uma vez ciente dos motivos pelos Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.905606/200947 Resolução nº 3001000.122 S3C0T1 Fl. 76 5 quais as provas até então por ele coligidas não foram consideradas suficientes para seu desiderato, é seu o dever e, por conseguinte, o esforço de sanar tais lacunas probatórias. Em síntese, deve o interessado agir de forma proativa, empenhandose, antecipadamente, em provar o direito que alega deter, para que tornese, inclusive, cabível aventar o novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo Novo Código de Processo Civil Lei 13.105 de 16.03.2015, cujo artigo 6º afirma que todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Feito este breve intróito, passemos à análise do presente feito. Compulsando os autos verificase que o pedido de compensação foi indeferido, uma vez que o despacho decisório alertou que localizou um ou mais pagamentos, porém integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando, por conseguinte, crédito disponível para a compensação dos débito informados no presente Per/Dcomp. Por sua vez, temse que o recorrente apresentou, juntamente com sua manifestação de inconformidade, os documentos adiante listados, que no seu entender eram suficientes para sanada a irregularidade apontada no referido despacho decisório; quais sejam, as cópias do(a): (i) Despacho Decisório 825027862, de 25.03.2000, (ii) DCTF 1.0, de 27.02.2007, (iii) DCTF 1.0 retificadora, de 17.04.2009, (iv) Darf do período de apuração de 01/2005, referente ao recolhimento a maior, no valor de R$ 15326,00, (v) Per/Dcomp em questão 03440.41507.150405.1.3.046600, (vi) Dacon referente ao 1º semestre de 2005, (vii) Contrato Social alteração da empresa e (viii) Procuração em favor dos Patronos. Entretanto, a decisão recorrida manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos que incontestavelmente comprovassem o crédito pleiteado, concluindo não haver qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. De se ver, o fundamento da decisão recorrida assentase na falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábilfiscal) satisfatória para corroborar as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O sujeito passivo, por seu turno, ao apresentar o presente recurso voluntário, a meu ver, agiu de forma proativa quando apresenta as cópias autenticadas do livro diário nº 18 do ano de 2005, (...) dos termos de abertura e encerramento deste livro e (...) do livro razão correspondente, objetivando, com isto, demonstrar os fatos que deram origem ao crédito tributário indicado para compensar os débitos declarados, ambos no Per/Dcomp em questão. Assim sendo, não obstante assistir razão ao Colegiado recorrido quando assenta ser condição indispensável para a compensação tributária pretendida pelo sujeito passivo, a liquidez e certeza do respectivo crédito, nos termos dispostos no artigo 170A da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), na medida em que a documentação ora juntada permite aferir, com razoável certeza, a liquidez do direito creditório aventado e tendo em conta a legislação processual colacionada e as balizas antes explicitadas, bem como a propriedade em conduzir o exame, quanto à questão das provas, de forma a conciliar, com razoabilidade, os valores e os princípios que norteiam o processo administrativo, com a finalidade de harmonizar Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.905606/200947 Resolução nº 3001000.122 S3C0T1 Fl. 77 6 a verdade material com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Da conclusão Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade competente da DRF/Curitiba analise, em conjunto, a documentação acostada à manifestação de inconformidade e complementada pelos documentos anexados ao recurso voluntário. Também, se assim desejar, para intimar o sujeito passivo para apresentar outros elementos de prova que entenda necessário para evidenciar a existência do direito creditório utilizado na compensação dos débitos tributários declarados no Per/Dcomp. Desta forma, devem os presentes autos retornar para a DRF/Curitiba, para atendimento da diligência determinada. Outrossim, findada esta, deverá a autoridade competente elaborar relatório conclusivo sobre os fatos dela advindos, manifestandose objetivamente sobre a existência ou não do vindicado direito creditório. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este Colegiado, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720364/2016-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011, 2012, 2013
PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO.
O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações.
PRELIMINARES DE NULIDADE.
Inexistem causas de nulidade nos termos do que dispõe o art. 12 do RPAF. As supostas causas de nulidade são objeto de Súmula deste CARF, que vinculam este julgador.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante, mesmo que de fato, da contribuinte for colocado no polo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados.
DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO.
Nos casos de dolo ou inexistência de pagamento, aplica-se o art. 173 do CTN. Nos casos de tributos de apuração anual, considera-se ocorrido o fato gerador no encerramento do exercício. Não há o que se falar em decadência.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea.
CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - COMPROVAÇÃO - DESPESAS DEDUTÍVEIS.
Para serem considerados dedutíveis, além de comprovar que foram contratadas, assumidas e pagas, as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora das receitas, e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividade das mesmas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também é crédito tributário sobre ela também necessariamente incidem os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIR-SE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA.
Se sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une.
PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE.
Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório.
EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu pagamento. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Não compete a este conselho apreciar arguições de inconstitucionalidade, inteligência da Súmula n. 2 do CARF.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal.
Numero da decisão: 1401-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade solidária dos Senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho quanto às infrações apontadas nos itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados) e 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do Termo de Verificação Fiscal. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e de todos os apontados como responsáveis tributários para, tão somente, excluir a imposição da multa isolada sobre estimativas. Vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Ângelo Abrantes Nunes e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que negavam provimento aos recursos na sua totalidade.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16004.720364/2016-85
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5915175
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.888
nome_arquivo_s : Decisao_16004720364201685.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16004720364201685_5915175.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade solidária dos Senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho quanto às infrações apontadas nos itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados) e 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do Termo de Verificação Fiscal. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e de todos os apontados como responsáveis tributários para, tão somente, excluir a imposição da multa isolada sobre estimativas. Vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Ângelo Abrantes Nunes e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que negavam provimento aos recursos na sua totalidade. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7464134
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. PRELIMINARES DE NULIDADE. Inexistem causas de nulidade nos termos do que dispõe o art. 12 do RPAF. As supostas causas de nulidade são objeto de Súmula deste CARF, que vinculam este julgador. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante, mesmo que de fato, da contribuinte for colocado no polo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados. DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. Nos casos de dolo ou inexistência de pagamento, aplica-se o art. 173 do CTN. Nos casos de tributos de apuração anual, considera-se ocorrido o fato gerador no encerramento do exercício. Não há o que se falar em decadência. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - COMPROVAÇÃO - DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para serem considerados dedutíveis, além de comprovar que foram contratadas, assumidas e pagas, as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora das receitas, e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividade das mesmas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também é crédito tributário sobre ela também necessariamente incidem os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIR-SE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Se sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu pagamento. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Não compete a este conselho apreciar arguições de inconstitucionalidade, inteligência da Súmula n. 2 do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869327462400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 4.468 1 4.467 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720364/201685 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401002.888 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2018 Matéria IRPJ/IRRF Recorrentes MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. PRELIMINARES DE NULIDADE. Inexistem causas de nulidade nos termos do que dispõe o art. 12 do RPAF. As supostas causas de nulidade são objeto de Súmula deste CARF, que vinculam este julgador. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante, mesmo que de fato, da contribuinte for colocado no polo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados. DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. Nos casos de dolo ou inexistência de pagamento, aplicase o art. 173 do CTN. Nos casos de tributos de apuração anual, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do exercício. Não há o que se falar em decadência. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 64 /2 01 6- 85 Fl. 4468DF CARF MF 2 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS COMPROVAÇÃO DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para serem considerados dedutíveis, além de comprovar que foram contratadas, assumidas e pagas, as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora das receitas, e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividade das mesmas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também é crédito tributário sobre ela também necessariamente incidem os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIRSE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Se sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu pagamento. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas Fl. 4469DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.469 3 legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Não compete a este conselho apreciar arguições de inconstitucionalidade, inteligência da Súmula n. 2 do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade solidária dos Senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho quanto às infrações apontadas nos itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados) e 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do Termo de Verificação Fiscal. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e de todos os apontados como responsáveis tributários para, tão somente, excluir a imposição da multa isolada sobre estimativas. Vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Ângelo Abrantes Nunes e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que negavam provimento aos recursos na sua totalidade. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 4470DF CARF MF 4 Relatório Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntários interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Brasília (DF), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no valor total do auto de IRPJ de R$ 43.973.043,08, CSLL de R$ 14.562.477,48, e do IRRF no valor de R$ 49.247.517,83. A ação fiscal foi motivada pelo fato de a empresa MPE, CNPJ 31.876.709/000189, estar envolvida na operação denominada “Lava Jato”, deflagrada pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, que desbaratou um esquema de corrupção na Petrobrás, envolvendo as maiores empreiteiras do país, conforme veremos a seguir. Acerca da “Operação Lava Jato” – a fiscalização entendeu que “a MPE entabulou diversos contratos com as noteiras utilizadas pelos operadores Alberto Youssef (GFD INVESTIMENTOS e EMPREITEIRA RIGIDEZ), Mário Góes (RIOMARINE OIL E GÁS), Júlio Camargo (AUGURI EMPREENDIMENTOS e TREVISO DO BRASIL) e pelo empresário Augusto Ribeiro de Mendonça (SETEC TECNOLOGIA e ENERGEX GROUP), bem com outras pseudo pessoas jurídicas, todos ideologicamente falsos, com objetivo de possibilitar o fluxo financeiro da propina para os agentes (políticos e privados) envolvidos”. A fiscalização concluiu que “estas ações também resultaram na prática de crimes tributários, pois, mediante pagamentos sem causa, foram suprimidos tributos e contribuições sociais devidos à União, pelo fato de que esses pagamentos foram lançados na contabilidade das empreiteiras como custos (ou despesas operacionais), ensejando a ilegal redução da base de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social (CSLL)”. A fiscalização entendeu com base nas respostas apresentadas pela MPE, “que a efetiva prestação de serviços pelos fornecedores relacionados nas intimações feitas não foram comprovadas”. Acerca da empresa GFD INVESTIMENTOS LTDA, a fiscalização afirma que “os depoimentos transcritos no TVF demonstram que os pagamentos feitos à GFD não tiveram a contraprestação dos serviços, ou seja, não houve qualquer justificativa econômica lícita que desse respaldo aos referidos pagamentos. Assim, concluiu ser cristalino que todos os contratos entabulados por empreiteiras (mormente as contratadas da Petrobras) com a empresa GFD são ideologicamente falsos, assim como todas as notas fiscais por ela emitidas com supedâneo em tais avencas”. A fiscalização resumiu afirmando que, “a SOG, na qualidade de líder do Consórcio Interpar foi intimada pela fiscalização a apresentar a documentação comprobatória da efetiva prestação de serviços pela SETEC e nada apresentou a esse respeito. A Mendes Júnior, outra consorciada, intimada a comprovar a prestação de serviços ao Consórcio Interpar também nada apresentou. A fiscalizada, da mesma forma, não trouxe aos autos nenhum elemento que comprovasse a efetiva prestação de serviços por parte da SETEC”. Fl. 4471DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.470 5 Afirma a fiscalização, que “a MPE utilizou os valores pagos para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, já que o Consórcio CMMS contabilizou as notas da Credencial como custo (conta nº 3.5.1.1.583.3312), reduzindo desta forma o resultado do consórcio, e, por consequência da própria MPE, já que o resultado do consórcio é levado para a MPE na medida exata de sua participação neste”. A fiscalização entendeu como caracterizado que a CIB é uma empresa de fachada, razão pela qual as despesas contabilizadas pela MPE foram adicionadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como os pagamentos efetuados foram considerados como sem causa, já que não foi comprovada a natureza da operação que deu azo aos pagamentos, sujeitos, portanto, à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. A fiscalização apurou também “lançamentos escriturados e não comprovados pela contribuinte. A MPE foi intimada, em 08/06/2015, para apresentar, dentre outros, a comprovação de alguns lançamentos informados no item “6” do Termo de Intimação Fiscal nº 1 (fls. 05/10)”. A fiscalização apurou que “para o anocalendário de 2011, a fiscalizada compensou indevidamente valores de prejuízos operacionais e base de cálculo negativa com resultado da atividade”. A fiscalização concluiu que “o sujeito passivo, liderado por Mário Aurélio da Cunha Pinto (falecido em 02/12/2010), Renato Ribeiro Abreu e Adagir de Salles Abreu Filho, teria agido de forma consciente, deliberada, organizada, meticulosa e reiterada, e pagaram propinas ou, “vantagens indevidas”, a agentes públicos para assegurar sua participação em licitações promovidas pela Petrobrás e, desse modo, contribuiu para fraudá las. Desta forma, a fiscalização entendeu que as fraudes representadas pela celebração de contratos fictícios de prestação de serviços ou de aluguel de equipamentos, firmados pelo Consórcio Interpar com a Setec e Auguri; pelo Consórcio CMMS com Riomarine e Energex; pela MPE com a GFD e a Empreiteira Rigidez, dentre outros noteiras, foram confirmadas pelas provas colhidas ao presente processo”. Acerca da responsabilidade solidária, “a fiscalização entendeu comprovado que os representantes legais da MPE agiram de maneira ilícita, efetuando pagamentos a empresas sem a devida contrapartida de execução de serviços”. Desta forma, “tendo sido evidenciada a prática de infração à lei, na forma de sonegação, fraude e conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, a fiscalização responsabilizou pelos créditos tributários ora lançados, de forma solidária com a MPE, os Sujeitos Passivos – Responsáveis, a seguir nominados: Renato Ribeiro Abreu. Qualificação: Diretor Presidente; Marcelo de Castro Faria Ferreira. Qualificação: Diretor; Adagir de Salles Abreu Filho. Qualificação: Diretor”. Ciente da autuação o interessado (MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S.A.) apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA (fls. 2.953/3062) em 02/01/2017, na qual alegou em síntese: 1. PRELIMINAR. DA NULIDADE. “Suscita nulidade do auto de infração pelo fato da fiscalização ter sido realizada em local diverso Fl. 4472DF CARF MF 6 ao do domicílio tributário da contribuinte. Alega que por isso teria tido dificuldade na sua defesa. A impugnante também alega que teria ocorrido exames nos livros e documentos fora do estabelecimento da contribuinte, e assim haveria nulidade no lançamento”. 2. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA. “A impugnante alega ilegitimidade passiva em relação aos pagamentos realizados pelos consórcios, pois entende que os consórcios é que seriam a contribuinte”. 3. DA DECADÊNCIA A PARTIR DO FATO GERADOR. “Alega que tomou ciência em 19/12/2016, e assim, de acordo com o artigo 150 do CTN todos os débitos constituídos até 18/12/2011 estariam decaídos. Informa que a jurisprudência do CARF é no sentido de se aplicar o art. 150 do CTN para IRRF. O doc. 2 comprovaria as retenções realizadas e os recolhimentos respectivos. O demais comprovantes de pagamento se encontram em poder da RFB devendo ela promover de ofício sua obtenção de acordo com o art. 29 do Decreto 7.574, de 2011. A impugnante anexa a DIPJ 2012 (doc. 3) com a finalidade de comprovar a antecipação de pagamento. Aduz que a jurisprudência do CARF seria no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais teria o condão de comprovar pagamentos (Acórdão 9101 001.909, de 13/05/2014)”. 4. DA IMPOSSIBILIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL RELATIVAS À PERÍODOS ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. Alega que o procedimento de recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL deve obedecer o art. 150 do CTN. Informa que o CARF tem se posicionada nesse sentido. Conclui que para o fato gerador ocorrido em 31/12/2010 o fisco somente poderia recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL até 31/12/2015”. 5. DA IMPOSSIBILIDADE DE IRRF SOBRE OS PAGAMENTOS TIDOS COMO SEM CAUSA E DA RESPECTIVA GLOSA DESTES CUSTOS E DESPESAS QUANDO OS PAGAMENTOS SÃO SUPORTADOS POR CONSÓRCIOS. Alega que “para aqueles pagamentos de responsabilidade de consórcios, ela, a impugnante, não teria como comprovar a operação ou a causa dos pagamentos. Quanto às despesas e custos, a impugnante não é a contribuinte, e, assim, não pode ser atribuída à comprovação da dedutibilidade”. 6. DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS PAGAMENTOS REALIZADOS PELA IMPUGNANTE E DA INDEVIDA GLOSA DESTES CUSTOS E DESPESAS: (I) No que se refere a EMPREITEIRA RIGIDEZ, os documentos comprobatórios da causa dos pagamentos (doc. 5) atestam que decorrem da prestação dos seguintes serviços: a) Execução serviços de projeto e ampliação do sistema de ar comprimido da Refinaria Henrique Lage — REVAP; e b) Prestação de serviços relativos a verificação da documentação técnica para a rodovia do COMPERJ.; (II) Quanto a RIOMARINE, os documentos comprobatórios da causa dos pagamentos (doc. 6) atestam que decorrem da prestação de serviços de consultoria técnica Fl. 4473DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.471 7 e comercial; (III) A causa dos pagamentos realizados para a ELMEC decorre da prestação de serviços de consultoria e promoção de vendas, conforme documentos comprobatórios (doc. 7); (IV) No caso da UP NAVY, os documentos comprobatórios da causa dos pagamentos (doc. 8), também, evidenciam que decorrem da prestação de serviços de consultoria técnica e comercial. 7. DA IMPOSSIBILIDADE DA CUMULAÇÃO DE IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA E GLOSA DE DESPESAS. Afirma que “os supostos "pagamentos sem causa", consoante apontado alhures, deu causa tanto a glosas de despesas deduzidas, de um lado, quanto à cobrança do imposto retido, do outro lado. Essa concomitância, contudo, mostrase totalmente ilegal, eis que ambos os lançamentos tocavam a uma só situação fática. Assim, quando se glosa determinada despesa aumentase o lucro e, consequentemente, sobre este lucro majorado há incidência de IRPJ. 8. Desta forma, em sendo glosada determinada despesa, não se pode exigir imposto de renda pessoa jurídica em face do lucro majorado e, ao mesmo tempo, tributar o pagamento de tal "despesa" com base no artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1961. Nestes casos, tributase única e exclusivamente o IRPJ incidente sobre o lucro decorrente da receita glosada. Alega que a jurisprudência do CARF vai no mesmo sentido (acórdão 920200.686, 13/04/2010). 9. DOS CUSTOS E DESPESAS INDEVIDAMENTE GLOSADOS. IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL. Afirma que “os documentos juntados ora aos autos, em complemento aos já apresentados à fiscalização, são comprobatórios da regularidade da dedutibilidade das despesas apontados no item 7.1.1.2 do TDF (doc. 10). Portanto, dada a comprovação das despesas, não há razão para a glosa destas. Ademais, por certo o ato administrativo do lançamento exige da autoridade fiscal a produção de prova que sustente o alegado, sendo certo que a glosa generalizada de contas de despesas demonstra a falta de aprofundamento da ação fiscal, o que acarreta, necessariamente, o cancelamento deste lançamento”. Alega que “com todas as glosas a fiscalização deveria ter arbitrado o lucro, e não lançado no Lucro Real”. 10. DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA — IRPJ E CSLL (TÓPICOS 7.3 E 7.4). Aduz a impugnante que “não pode haver cobrança cumulativa da multa de oficio e da multa exigida isoladamente, de sorte que ainda que a impugnante tenha recolhido valor a menor de IRPJ e CSLL por estimativa, não pode haver sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso, portanto, incabível o lançamento de multa isolada, isto porque: i) pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deve ser absorvida pela multa de oficio; e ii) a Fl. 4474DF CARF MF 8 sua base de cálculo está inserida na base de cálculo das multas de ofício”. 11. DA INDEVIDA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Afirma que “se constata, não obstante a fiscalização ter exacerbado ao percentual de 150% a multa de ofício referente ao IRRF decorrente de pagamentos sem causa, O FISCO NÃO FAZ, NENHUMA MENÇÃO, no tópico 8 — Qualificação da Multa de Ofício., ACERCA DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DO IRRF. Nem poderia ser diferente, vez que todos estes os pagamentos realizados aos prestadores de serviços (tópico 7.2), e indevidamente submetidos à incidência de IRRF, foram regularmente tributados por ocasião da concretização destes pagamentos, não havendo, portanto, nenhuma conduta caracterizadora de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. 12. DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Diz que “o CTN não autorizaria, segundo a impugnante, a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício/isolada aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável”. 13. DA INDEVIDA RESPONSABILIZAÇÃO DE DIRIGENTES DA IMPUGNANTE. Neste tópico “a impugnante questiona a responsabilidade solidária de seus dirigentes”. Às Fls. 3521 DOS AUTOS – IMPUGNAÇÃO DE Nº 2 APRESENTADA POR “RENATO RIBEIRO ABREU, MARCELO DE CASTRO FARIA FERREIRA e ADAGIR DE SALLES ABREU FILHO”, conjuntamente, onde alegam: 1. Os impugnantes alegam que “as acusações contra eles se baseiam na em depoimentos obtidos em processos judiciais relacionados à operação Lava Jato. A MPE e seus dirigentes não se encontrariam envolvidos na operação lava jato. Não haveria nenhum indiciamento e nem denúncia contra os impugnantes ou contra a MPE. Alega as impugnantes que as comissões teriam sido pagas pelas lideres dos consórcios”. 2. Informa que “tanto a ELMEC (tópico 6.8), como a WERKSHIRE (tópico 6.19), não possuem qualquer ligação com as licitações promovidas peça Petrobrás”. 3. Que “a fiscalização não teria descrito quais foram os atos praticados Individualmente”. 4. Afirma que “a aplicação do art. 135 para as impugnantes só se daria se fosse à revelia da empresa, conforme entendimento do CARF”. Fl. 4475DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.472 9 O Acórdão ora Recorrido (0376.282 2ª Turma da DRJ/BSB) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012, 2013 ILEGITIMIDADE PASSIVA O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante, mesmo que de fato, da contribuinte for colocado no polo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. Na hipótese de lançamento por homologação, inexistindo disposição legal diversa à do CTN e ocorrendo a antecipação do pagamento sem prévio exame do Fisco, a decadência de a Fazenda Pública efetuar o lançamento operase após cinco anos, contados do fato gerador, sem que aquela tenha se pronunciado. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS COMPROVAÇÃO DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para serem considerados dedutíveis, além de comprovar que foram contratadas, assumidas e pagas, as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora das receitas, e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividade das mesmas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 4476DF CARF MF 10 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também é crédito tributário sobre ela também necessariamente incidem os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2011,2012, 2013. DECADÊNCIA Em caso de dolo a decadência será regida pelo inciso I do art. 173 do CTN. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIRSE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Se sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido. Isto porque, segundo entendimento da Turma e conforme relatado, no item 6.1 do TVF, constam “depoimentos prestados e Acordos de Colaboração celebrados por diretores de empreiteiras, operadores e outros envolvidos onde está comprovado que os pagamentos feitos à EMPREITEIRA RIGIDEZ não tiveram a contraprestação dos serviços. As notas fiscais emitidas pelas empresas de fachada para a MPE e demais empreiteiras envolvidas teriam sido a “facilidade” disponibilizada pelo operador Alberto Youssef para criar uma justificativa econômica para a saída do dinheiro dos cofres da empresa como se fosse um pagamento regular. O pagamento de propina, com produto e proveito de crimes anteriores, encontrou nesse contexto uma maneira de se disfarçar de operação lícita”. Aduz ainda a DRJ que “Não lidamos, pois, com concomitância, quando aplicadas as duas infrações em conjunto. Isso porque, no caso, não ocorre apenas um fato gerador a significar que os tributos (IRPJ, CSLL e IRRF) teriam mesmas bases de cálculo ou fatos geradores. Isto porque, os fatos geradores do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e do Imposto Retido na Fonte são distintos. O primeiro tratase do imposto sobre o lucro líquido contábil ajustado, enquanto o Imposto Retido na Fonte tem como fato gerador o pagamento. Mesmo raciocínio vale para CSLL em relação ao IRRF”. Fl. 4477DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.473 11 Entendeu que “as fraudes representadas pela celebração de contratos fictícios de prestação de serviços ou de aluguel de equipamentos, firmados pelo Consórcio Interpar com a Setec; pelo Consórcio CMMS com Riomarine e Energex; pela MPE com a GFD e a Empreiteira Rigidez, dentre outros noteiras, foram devidamente confirmados pelas provas colhidas ao presente processo. Embora todos os envolvidos (empreiteiras consorciadas, as noteiras e a própria MPE) tenham sido intimados a comprovar a efetiva prestação dos serviços, nenhum deles apresentou qualquer documentação nesse sentido. A fiscalização constatou, ainda, que os pagamentos de propinas, efetuados por meio de contratos simulados, foram contabilizados pela fiscalizada como custo/despesa operacional, reduzindo, indevidamente, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Aduziu que “O sujeito passivo procurou modificar as características essenciais dos fatos geradores, tentando caracterizar os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em face de operações comprovadas, o que justificaria a contabilização das despesas e custos decorrentes como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar, reduzindo, em consequência, o montante devido desses impostos”. Enfatiza que “a multa é crédito tributário. Assim, o próprio CTN art. 161 afirma que crédito não pago no vencimento será acrescido de juros de mora. Ademais de acordo com o parágrafo 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96 é cabível juros de mora para os débitos para com a União”. No que diz respeito aos responsáveis solidários, afastou “do polo passivo os senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho no auto de infração relativo aos valores dos itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados), 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do TVF, mantendo a sujeição passiva para todos os demais créditos. Além, de manter integralmente o lançamento”. Ciente da decisão do Acórdão em 28/09/2017 (fl. 3767), o interessado MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S.A interpõe Recurso Voluntário em 28/09/2017 (fls. 334/385), trazendo as mesmas razões apresentadas em sede de impugnação administrativa às fls. 2953/3062 dos autos. Às fls. fls. 4194/4221 Recurso Voluntário apresentado por (RENATO RIBEIRO ABREU, MARCELO DE CASTRO FARIA FERREIRA e ADAGIR DESALLES ABREU FILHO), trazendo as mesmas razões apresentadas em sede de impugnação administrativa às fls. 3521/3544 dos autos. Às fls. 4403/ 4465 dos autos – Petição da PFN – CONTRARRAZÕES, trazendo em seu bojo as seguintes razões: 1. PRELIMINAR AUSÊNCIA DE NULIDADE: Afirma que “em relação à suposta nulidade do auto de infração em virtude de terem sido realizados exames nos livros e documentos fora do estabelecimento do sujeito passivo, o contribuinte foi intimado, pela autoridade competente, a apresentar documentos digitalizados perante a Fiscalização. Inaplicável, assim, o disposto no art. 35 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 19 do Decreto nº 7.574, de 2011), conforme Fl. 4478DF CARF MF 12 suscitado pelo contribuinte, considerando que os mencionados dispositivos se referem à retenção de livros e documentos, com previsão, inclusive, de extração de cópias e de devolução dos originais (§§ 1º e 2º do art. 35 da 9.430, de 1996). Ou seja, a aplicabilidade dos dispositivos se restringiria, quando muito, a documentos físicos”. 2. Diz que “o regramento da Lei nº 12.402/2011 não abrange o IRPJ, a CSLL e o IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/95 (pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou causa não comprovada), pois não se tratam de tributos sujeitos à retenção. No ponto, é oportuno esclarecer que embora o IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/95 seja de incidência exclusivamente na fonte, não há sua retenção espontânea pelo responsável tributário, pois é na verdade lançado de ofício quando o responsável não consegue demonstrar ao Fisco a identidade do beneficiário do pagamento ou a operação/causa relacionada ao pagamento”. 3. DA NÃO OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA: Afirma que “em relação ao prazo decadencial relacionado ao IRPJ e à CSLL, a recorrente ignora que o fato gerador desses tributos é complexivo, ou seja, ocorreu, para o período fiscalizado, em 31.12.2011. Assim, como a cientificação dos lançamentos se deu em 19.12.2016, mesmo com a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, não está caracterizada a decadência”. 4. DO PRECEDENTES DO CARF RELACIONADOS A EMPRESAS ENVOLVIDAS NA OPERAÇÃO LAVA JATO: Ressalta que “em sessões realizados em setembro do ano passado (2017), a Primeira Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção (Processo nº 13896.723568/201500 – ENGEVIX ENGENHARIA PROJETOS S/A – julgado em 20.09.2017) e a Primeira Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção (Processo nº 13855.723294/201527 – CONSTRUTORA OAS S/A – julgado em 21.09.2017; e Processo nº 13896.723538/201595 – PEM ENGENHARIA LTDA – julgado em 21.09.2017) julgaram os primeiros recursos voluntários das empresas envolvidas na Operação Lava Jato tendo por objeto exatamente a questão da glosa de despesas não comprovadas e a incidência do IRRF sobre os pagamentos sem causa, em conexão com os fatos apurados na referida operação policial”. 5. DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS INFRAÇÕES PRATICADAS PELA MPE – CONTRATOS COM “NOTEIRAS” PARA DISFARÇAR A REALIZAÇÃO DE SERVIÇOS FICTÍCIOS E A DISTRIBUIÇÃO DE “PROPINAS”. GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE HIPÓTESE PARA ARBITRAMENTO: Afirma que “os requisitos para a utilização do CNPJ dos consórcios são os seguintes: (i) que o consórcio realize a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo empregatício; e (ii) que o consórcio efetue a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente responsáveis. É de se ver claramente que o dispositivo teve por objetivo principal permitir ou deixar assente que o consórcio Fl. 4479DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.474 13 pode realizar negócios jurídicos em nome próprio, embora desprovido de personalidade jurídica. Por consequência, pode o consórcio efetuar diretamente a retenção e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias em seu CNPJ, com a responsabilidade solidária das empresas consorciadas”. E que, “os consórcios não têm personalidade jurídica, pelo que o lançamento tributário deve se dar sobre as empresas dele participantes, na proporção da participação. Somente nas hipóteses restritas do art. 1º da Lei nº 12.402/2011 os consórcios poderão efetuar a retenção tributária, dos tributos lá mencionados. O referido regramento não se aplica ao IRPJ, à CSLL e ao IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/95, devidos pela recorrente. O alcance do art. 1º da Lei nº 12.402/2011 e da orientação exarada no Parecer PGFN/CAT nº 814, de 2016, corroboram esse entendimento. O teor dos dispositivos legais e do citado parecer não se coaduna com a pretensão da recorrente e com a interpretação e abrangência que ela sustenta tanto para a lei quanto para o parecer”. 6. (...) “Ademais, a dedução de despesas da base de cálculo do IRPJ tem que ser cabalmente comprovada por meio de documentação idônea que demonstre a efetiva prestação do serviço. Não basta, como deseja a recorrente, apresentar contratos e comprovantes de pagamentos, eis que tal documentação não espelha a efetiva execução dos serviços, sobretudo quando a investigação criminal que envolveu os Recorrentes (“Operação Lava Jato”) constatou fraudes/simulações na prestação dos mesmos. O que se verifica é que os documentos juntados aos autos não comprovaram a efetividade dos serviços prestados pelas empresas contratadas. Conforme se depreende da leitura do TVF, houve todo um esforço da Fiscalização, por meio de intimações e reintimações à Recorrente e empresas por ela contratadas para que se demonstrasse a efetividade da prestação dos serviços que pagou. A apresentação de notas fiscais, contratos e comprovantes de pagamentos sem respaldo em documentação hábil e idônea não tem o condão de comprovar a efetividade dos serviços. O fato é que não há nos autos provas concretas da execução dos serviços contratados pela MPE”. 7. DA FRAUDE ELEMENTOS CARACTERIZADORES DAS CONDUTAS DA RECORRENTE NOS ANOSCALENDÁRIO FISCALIZADOS: Afirma que “a inexistência de fato das referidas empresas revela a fraude perpetrada pela Recorrente MPE na elaboração dos contratos, pois, a pretexto de serviços que sabidamente jamais poderiam ter sido realizados (apesar dessa obviedade, a fiscalização, prudentemente, intimou todas as contratadas para comprovar a efetiva prestação dos serviços), a Recorrente contabilizou tais custos como se os serviços tivessem sido realizados, impedindo a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ/CSLL, com a consequente redução dos tributos devidos. Em relação às demais empresas contratadas pela MPE e demais Consórcios dos quais ela participou, a Fiscalização demonstrou que o arcabouço documental era indubitavelmente caracterizado pela falta de idoneidade. Resta Fl. 4480DF CARF MF 14 claro que o sujeito passivo se beneficiou da redução na base de cálculo dos tributos pela dedução de um custo decorrente de operações que se mostraram inexistentes. Não há como negar a intenção de fraudar/sonegar a Administração Tributária. É dizer, não restam dúvidas acerca da artificialidade dos contratos, cujos serviços não foram comprovados ou jamais foram prestados, seja por decorrência do exame da precária documentação apresentada pelas empresas contratadas pela MPE, seja por aqueles documentos apresentados pela própria Recorrente ou pelos depoimentos daqueles investigados na “Operação Lava Jato””. 8. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Diz que “a União (Fazenda Nacional) entende que restaram demonstrados o dolo e a fraude da Recorrente MPE no conjunto de práticas criminosas que envolveram a confecção reiterada de contratos fictícios que buscaram, de forma disfarçada, encobrir a prestação de serviços, que não foram prestados ou não tiveram a sua execução comprovada, valendose inclusive de pessoas jurídicas “noteiras” e com a emissão de notas fiscais inidôneas, causando graves prejuízos ao Fisco”. 9. Da REGULARIDADE NA COBRANÇA DO IRRF EM FACE DOS PAGAMENTOS EFETUADOS PELA ENGEVIX ENGENHARIA S/A – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO: Diz que “tratamse, na verdade, de empresas inexistentes de fato, sem capacidade operacional (recursos humanos, materiais e expertise) para a realização de seu objeto social. Foram utilizadas para a celebração de contratos fictícios de prestação de serviços com o intuito de camuflar, servindo de passagem, o pagamento de propinas para agentes públicos e privados envolvidos na Operação Lava Jato. Correta, portanto, a incidência do IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/95, em razão dos pagamentos realizados sem uma causa ou operação subjacente, ligadas à atividade empresarial para a realização do objeto social da empresa. A causa alegada (prestação de serviços) não foi comprovada, já que fictícia. Documentação inidônea (fraudulenta) não se presta a comprovar a efetiva prestação de serviços, tida aqui como a causa/operação que não foi comprovada”. (...) Saliente que “o entendimento de que a glosa das despesas é distinta e independente da incidência do IRRF, que caso não houvesse pagamento das despesas, estas ainda sim seriam glosadas, mantendose a exigência de IRPJ e de CSLL, não ocorrendo o mesmo em relação à exigência de IRRF, pois o fato gerador previsto em tal dispositivo não teria ocorrido, qual seja, o pagamento (sem causa ou a beneficiário não identificado)”. 10. DA CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO: Destaca que “que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual. Já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas. Essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem Fl. 4481DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.475 15 sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente devido, já que, no cálculo do tributo, feito por ocasião do Ajuste Anual, o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas no decorrer do ano”. 11. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Afirma que “o art. 113, § 1º do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa, conforme leciona Luciano Amaro , que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário”. 12. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA: Registre se “que à empresa autuada foi imposta multa qualificada como decorrência de atos fraudulentos arquitetados e praticados pelos próprios administradores que foram responsabilizados com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN. Em outros termos, tais administradores, representando a empresa autuada, deram causa à imposição da multa qualificada”. (...) Ademais, “este CARF também já consolidou seus precedentes no sentido de que os sócios e administradores que praticam, de forma comissiva, as infrações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, respondem solidariamente pelo crédito tributário com multa qualificada”. 13. Do mesmo modo, restou demonstrado “o nexo de causalidade entre a prática delituosa e o crédito tributário lançado, haja vista que os documentos inidôneos foram decisivos para tentar legitimar as despesas contratadas por serviços que sabidamente não foram prestados”. 14. Requereu o desprovimento dos recursos voluntários interpostos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isso deles conheço. Fl. 4482DF CARF MF 16 Inicialmente, analiso o Recurso de Ofício interposto face à desconsideração da responsabilidade tributária pessoal em 2 itens da cobrança. Neste particular a decisão Recorrida formulou sua análise e conclusões no seguinte parágrafo: Quanto aos itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados) e 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do TVF que não tiveram multa qualificada, pois, a fiscalização entendeu não haver dolo, não há como manter a responsabilidade para os Senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho, uma vez não haver nestes itens os requisitos do art. 135 do CTN. Assim é que, nas resumidas razões da DRJ, ela concluiu que a atribuição da responsabilidade prevista no art. 135 do CTN depende, necessariamente, da aplicação da penalidade qualificada de 150%. Neste ponto, com a devida vênia, entendo que agiu mal a decisão a quo. Não existe nenhuma dependência legal para a atribuição da responsabilidade solidária do art. 135 do CTN à qualificação da multa de 150%. São dois dispositivos legais distintos, que definem condutas diversas. O art. 135 pressupõe a realização de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, e neste particular necessário comprovar e demonstrar a conduta e a ciência dos agentes para fins de atribuição da responsabilidade tributária. E neste ponto, entendo que o lastro do trabalho fiscal comprovou de forma absolutamente pormenorizada e suficiente que os responsáveis solidários agiram conscientemente em infração à lei. Todo o trabalho da Fiscalização confirma que os fatos apurados no âmbito da denominada Operação Lava Jato, compartilhados por autorização judicial com a Receita Federal, demonstram por si só, em face da riqueza de detalhes do aludido esquema criminoso, que tudo ali tramado era de pleno conhecimento dos dirigentes das aludidas empreiteiras. Os administradores tinham plena consciência que muitos dos aludidos contratos foram utilizados para acobertar e propiciar pagamento de propinas para o esquema criminoso como se serviços fossem. A título de exemplo a respeito das despesas indicadas nos itens 6.22 e 6.23 do TVF temos uma série de lançamentos sem explicação e doações partidárias: Fl. 4483DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.476 17 Ademais, necessário analisar todo o modus operandi da contribuinte e solidários. Tratase de um dos braços do maior esquema de corrupção descoberto no País. Tal esquema consistia em uma simulação de operações para repasse de propinas para os operadores, agentes e partidos políticos. Dos lançamentos contábeis é possível verificar o grande volume de doações feitas a partidos, bem como a supostos eventos de integração, quase que mensais. Diante de todo o contexto não há como não concluir que se tratavam de repasses financeiros aos operadores ou incentivadores do esquema criminoso. E neste particular, não há como concluir que os sócios administradores de uma empresa que, prestava serviços efetivos de operador financeiro do grupo criminoso, não teria consciência da ilicitude dos atos por eles cometidos. Por sua vez, as hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, que fundamentam a majoração da multa para 150%, a meu ver, tratamse de hipóteses mais gravosas. Isto porque pressupõe a existência de simulação e atos tendentes a enganar o fisco. Talvez por isso o agente fiscal não tenha qualificado a penalidade em tal item, isto porque tratamse de efetivos repasses para partidos eleitorais onde se tem a certeza do destino dos recursos já que tais lançamentos foram realizados na escrita fiscal, e não há contraprestação ou serviços fictícios condicionados a tal repasse, pelo menos, não formalmente. Entretanto, a conclusão do agente fiscal pela não qualificação da multa nestas despesas, por si só, não pode ser entendida como excludente da responsabilização pessoal dos responsáveis solidários, ainda mais diante das situações fáticas. Assim é que, voto no sentido de dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer a responsabilidade solidária dos Senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho quanto aos itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados) e 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do TVF. Em sede de Recurso Voluntário as partes tão somente repetiram as razões apresentadas em Impugnação, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Fl. 4484DF CARF MF 18 Assim, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos para os recorrentes acima indicados, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, com exceção à matéria objeto de recurso de Ofício (acima analisada), bem como à questão da concomitância das multas isolada e de ofício (que serão posteriormente analisadas): PRELIMINARMENTE A recorrente suscita nulidade pelo fato da fiscalização ter sido realizada em local diverso do seu domicílio tributário. Na verdade, não há óbice legal para a fiscalização ou melhor o Auditor da Receita Federal do Brasil lavrar o competente auto de infração em domicílio diverso da contribuinte. Tanto é válido, que possui súmula sobre o assunto, a saber: Fl. 4485DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.477 19 Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Em assim sendo rejeito essa arguição de nulidade. Em outra preliminar de nulidade a recorrente reclama do fato do exame de livros fora do seu estabelecimento. Também, não há este óbice à fiscalização que pode, e normalmente examina livros e arquivos fora da empresa fiscalizada. A lavratura do auto de infração por decorrência também é normalmente realizada fora do estabelecimento. Esta matéria que se relaciona com o assunto anterior, também possui súmula. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Por certo, o local onde se constata a infração é aquele onde se examina os livros e documentos, que de acordo com a súmula acima pode ser em qualquer local. Dessa forma, rejeito mais essa arguição de nulidade. ILEGITIMIDADE PASSIVA A recorrente alega ilegitimidade passiva, pois, quanto aos pagamentos realizados pelos consórcios, esses é que seriam o sujeito passivo. Na verdade, tratase de uma tentativa de inovação no ordenamento jurídico, contudo, como veremos adiante sem amparo jurídico. O parágrafo primeiro do art. 278 da Lei nº 6.404, de 1966 esclarece o tema: § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade.(grifado) Está previsto no artigo 278 da Lei de Sociedades Anônimas. Tratase de uma "comunhão de interesses e atividades que atende a específicos objetivos empresariais, que se originam nas sociedades consorciadas e delas se destacam". O consórcio é formado para acumular meios para a consecução de um fim comum (consórcio operacional), ou para somar recursos para contratarem com terceiros a execução de determinados serviços, obras, ou concessões (consórcio instrumental). O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento. Fl. 4486DF CARF MF 20 O consórcio de que trata a lei societária tem caráter mercantil. Pode, inclusive, objetivar a distribuição de lucros, ainda que não possua capital próprio. Nesse sentido, o consórcio não tem como finalidade constituir uma nova pessoa jurídica. A sua duração tende a ser sempre curta, determinada, coincidente sempre com o término de sua finalidade específica. A personalidade jurídica das contraentes jamais se confunde com o consórcio, pois o fim daquelas é muito mais abrangente e que possuem tempo de duração longo ou indeterminado. O consórcio não cria uma nova personalidade jurídica. Assim, quando alguém assina pelo consórcio o faz porque tem permissão contratual para tanto. Quando a organização atua em consórcio é responsável somente por seus atos e pelas obrigações que assumiu face aos outros consorciados. Embora não tenha personalidade jurídica, o consórcio deve ter CNPJ (cadastro nacional da pessoa jurídica), tem que ter sede e pessoa jurídica líder. Como não tem personalidade jurídica, não recolhe tributos como Cofins, PIS, Imposto de Renda, ICMS, IPI ou ISS. Quem o faz são as consorciadas, na razão de suas atividades e arrecadações, quando atuam pelo consórcio. Os impostos recolhidos na fonte serão objeto de contabilidade posterior de cada organização que o compuser, na forma que estiver descrito no contrato, compensandose o que tiver de ser compensado. Por não ter personalidade jurídica, o consórcio não fatura, não apura lucro, não contrata e, portanto, não pode ser contribuinte de impostos. A escrituração contábil do consórcio pode ser mantida em apartado, mas, ao final, vai integrar a contabilidade de cada uma das organizações consorciadas no que disser respeito à sua participação no contrato de consórcio. A falência ou insolvência de alguma das consorciadas não se estende às outras, mantendose o consórcio. O consórcio é um meio de se organizar iniciativas orgânicas entre sociedades, sem que se estabeleça entre elas outro vínculo social. É especialmente adequado aos projetos, para captar e aplicar recursos sem que esses se confundam com os recursos e atividades próprias e distintas de cada organização. O incremento na capacidade negocial de quem compõe um consórcio é sempre um fator importante para a implementação de projetos frente a terceiros, deixando os componentes mais competitivos. A LEI Nº 12.402, de 02.05.2011, só veio reforçar todo o entendimento acima, a saber: Art. 1º As empresas integrantes de consórcio constituído nos termos do disposto nos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, respondem pelos tributos devidos, em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, observado o disposto nos §§ 1º a 4º. § 1º O consórcio que realizar a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo empregatício, poderá efetuar a retenção de tributos e o cumprimento das Fl. 4487DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.478 21 respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente responsáveis. § 2º Se a retenção de tributos ou o cumprimento das obrigações acessórias relativos ao consórcio forem realizados por sua empresa líder, aplicase, também, a solidariedade de que trata o § 1º. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º abrange o recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, inclusive a incidente sobre a remuneração dos trabalhadores avulsos, e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, além da multa por atraso no cumprimento das obrigações acessórias. § 4º O disposto neste artigo aplicase somente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ou seja, o consórcio não tem personalidade jurídica, e assim, os autos de infração têm que ser constituídos nas integrantes do mesmo, na proporção de sua participação no empreendimento. Dessa forma, rejeitase a arguição de ilegitimidade passiva. PREJUDICIAL DE MÉRITO DECADÊNCIA A decadência será discutida logo após a questão da qualificação da multa. MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE DE IRRF SOBRE OS PAGAMENTOS TIDOS COMO SEM CAUSA E DA RESPECTIVA GLOSA DESTES CUSTOS E DESPESAS QUANDO OS PAGAMENTOS SÃO SUPORTADOS POR CONSÓRCIOS Na verdade esse tema se confunde com o tema da ilegitimidade já tratado anteriormente. Como já estabelecido, cabe a cada consorciado comprovar os seus respectivos registros contábeis referentes não só a sua contabilidade particular como aos registros decorrentes do consórcio. A solidariedade prevista nos parágrafos do art. 1º da Lei nº 12.402, de 2011, reforça o entendimento já consagrado. Portanto, rejeitamse os argumentos da impugnante. COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS PAGAMENTOS REALIZADOS PELA IMPUGNANTE E DA INDEVIDA GLOSA DESTES CUSTOS E DESPESAS EMPREITEIRA RIGIDEZ Fl. 4488DF CARF MF 22 Conforme relatado, no item 6.1 do TVF, constam depoimentos prestados e Acordos de Colaboração celebrados por diretores de empreiteiras, operadores e outros envolvidos onde está comprovado que os pagamentos feitos à EMPREITEIRA RIGIDEZ não tiveram a contraprestação dos serviços. As notas fiscais emitidas pelas empresas de fachada para a MPE e demais empreiteiras envolvidas teriam sido a “facilidade” disponibilizada pelo operador Alberto Youssef para criar uma justificativa econômica para a saída do dinheiro dos cofres da empresa como se fosse um pagamento regular. O pagamento de propina, com produto e proveito de crimes anteriores, encontrou nesse contexto uma maneira de se disfarçar de operação lícita. Por meio do Processo Administrativo nº 10803.720002/2015 11, a Empreiteira Rigidez foi baixada de ofício junto à RFB, com efeitos a partir de 09/08/2007 (arquivamento JUCESP Nº DOC: 295.870/072), data a partir da qual a RFB demonstrou que a empresa passou a ter seus atos viciados e passou a ser utilizada como noteira – fl.328. Constatouse o seguinte: Que a pessoa jurídica é inexistente de fato; Não localizada no endereço cadastral fornecido à RFB; Pessoa jurídica sem capacidade patrimonial ou financeira da empresa e de seus sócios para realizar seu objeto social; Mesmo na impugnação, não há provas de que os serviços foram prestados. Destarte, é de se entender cristalino que todos os contratos entabulados por empreiteiras com a empresa EMPREITEIRA RIGIDEZ são ideologicamente falsos, assim como todas as notas fiscais por ela emitidas com supedâneo em tais avencas. RIOMARINE Em depoimentos prestados, o sócio da RIOMARINE, Mário Góes, reconheceu que os pagamentos feitos à RIOMARINE pelo Consórcio CMMS e pela MPE não tiveram a contraprestação dos serviços, ou seja, não houve qualquer justificativa econômica lícita que desse respaldo aos pagamentos (tópico 6.1.1.9 do Termo). As notas fiscais emitidas pelas empresas de fachada para o Consórcio e para a MPE e demais empreiteiras envolvidas foi a “facilidade” disponibilizada pelo operador Mário Góes para criar uma justificativa econômica para a saída do dinheiro dos cofres da empresa como se fosse um pagamento regular. O pagamento de propina, com produto e proveito de crimes anteriores, encontrou nesse contexto uma maneira de se disfarçar de operação lícita. Intimada a comprovar a efetividade da prestação de serviços por parte da RIOMARINE, a SOG, participante do Consórcio CMMS, nada apresentou. A Mendes Junior foi intimada mais duas vezes, e sobre a comprovação da efetiva prestação dos serviços pela RIOMARINE informou: Fl. 4489DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.479 23 “2.4 – Quanto à apresentação da documentação ou de declaração comprobatóriada efetiva prestação dos serviços a Companhia se reserva o direito de não manifestarse,uma vez que esta questão está submetida ao poder judiciário, sendo certo que qualquermanifestação, neste momento, sobre este tema, poderá prejudicar terceiros, na referidaação penal (referindo se ao processo nº 501233104.2015.4.04.7000 em tramitação na13ª Vara Federal de Curitiba, Paraná, observa a fiscalização), bem como da própriaempresa nas ações judiciais em curso, nas quais é parte”. A Riomarine, no âmbito da ação fiscal objeto do TDPF 07.1.09.00 2015.002830, conduzido pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro II, foi novamente intimada para comprovar a efetiva prestação de serviços para a MPE (Termo de Intimação Fiscal datado de 13/11/2015) – fl. 1130. Por meio da petição, datada de 27/11/2015, a RIOMARINE reconheceu que nos contratos celebrados com a MPE não houve a efetiva prestação de serviços. (fls. 1131/1137). Mesmo na impugnação, não há provas de que os serviços foram prestados. Destarte, da mesma forma da empresa anterior, entendese que todos os contratos com a empresa RIOMARINE são ideologicamente falsos, assim como todas as notas fiscais por ela emitidas com supedâneo em tais avencas. ELMEC Por meio das DIRFs da Elmec a fiscalização constatou vultosos valores pagos por diversas empresas a título de prestação de serviços (item 6.8.1 do TVF) (código 1078 – IRRF – Remuneração de serviços prestados). Cumpre registrar que somente a MPE pagou à Elmec, ao longo dos anoscalendário de 2010 a 2013, o montante de R$8.980.617,28. Apesar da vultosa receita apurada, a Elmec apresentou as GFIPs declarando apenas 1 (um) funcionário e 3 (três) contribuintes individuais, sócios da empresa. A fiscalização também apurou por meio das DIRFs apresentadas pela Elmec, que empresas ligadas à MPE receberam recursos oriundos de supostas prestações de serviços. Ademais, não bastasse a quantidade reduzida de funcionários para intermediar negócios, que renderam à Elmec quase R$15 milhões, uma parte destes recursos retorna à MPE a título de prestação de serviços, executados por empresas controladas pela MPE. Fl. 4490DF CARF MF 24 Analisando os documentos apresentados pela Elmec a fiscalização entendeu que restou claro que não foi comprovada a efetiva prestação de serviços. Ou seja, somente foram entregues documentos formais (alguns contratos e notas fiscais), que não se prestam para comprovar, de forma cabal, que os serviços foram executados. A MPE mesmo na impugnação não conseguiu comprovar os tais serviços. UP NAVY. Outra empresa de fachada, que de acordo com a fiscalização nunca apresentou qualquer funcionário registrado. A MPE na impugnação não acostou documentos que comprovassem a efetiva prestação e serviços. WERKSHIRE INFRAESTRUTURA E PARTICIPAÇÕES LTDA. Apesar da vultosa receita apurada, a Werkshire apresentou as GFIPs declarando apenas seu sócio majoritário como contribuinte individual. Ou seja, não declarou mais nenhum funcionário no período. Também foi apurado, por meio das DIRFs apresentadas pela Werkshire, que não foram contratados prestadores de serviços, pessoas físicas ou jurídicas. Ou seja, a empresa não possui mãodeobra necessária à prestação dos serviços de consultoria declarados. Salta aos olhos o fato de que, apesar de o sócio José Alexandre Nogueira de Resende ter declarado, nas DIRPF relativas aos anos calendário de 2012 e 2013, milhões em lucros distribuídos, a Werkshire nada declarou (apresentou as DIPJ zeradas – sem preenchimento). O CARF por diversas oportunidades se manifestou sobre o tema, como por exemplo: IRPJ DESPESAS NÃO COMPROVADAS Não tendo a contribuinte logrado comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os dispêndios apropriados como despesas operacionais revelase procedente a glosa fiscal. IRPJ DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTIBILIDADE ÔNUS DA PROVA Compete ao contribuinte, o ônus da prova da dedutibilidade das despesas que importem redução do crédito tributário, condicionadas à sua efetiva realização, necessidade, normalidade e usualidade. (Conselho de Contribuintes Terceira Câmara Acórdão 10322318 Número do Recurso 141551 Relator: Cândido Rodrigues Neuber – Data da Sessão: 24/02/2006). Dessa forma, não há reparos a fazer neste item. Fl. 4491DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.480 25 DA IMPOSSIBILIDADE DA CUMULAÇÃO DE IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA E GLOSA DE DESPESAS A impugnante suscita ter havido concomitância, eis que ambos os lançamentos tocavam a uma só situação fática. . Contudo, não lhe assiste razão. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1985 dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considera se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O artigo acima determina que a pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou a sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. Ressaltase que os casos aqui tratados referemse a operações não comprovadas e/ou inexistentes, sem fruição pelo sujeito passivo (e consórcios que integrou) de qualquer serviço prestado, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa. Observase também que não há na lei a apontada vedação à glosa das despesas no âmbito de apuração do IRPJ e da CSLL. Isto, pois ao se efetuar um pagamento nas condições mencionadas e deduzilo como despesa ou custo para fins de determinação do IRPJ e da CSLL, as duas irregularidades claramente evidenciamse: (1) a utilização indevida da despesa, não devidamente comprovada, com a indevida redução do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica pagadora; e (2) a omissão de rendimentos pelo recebedor, pessoa física ou jurídica, implícita e presumida no fato de ocultarse o seu beneficiário ou a sua motivação. Não lidamos, pois, com concomitância, quando aplicadas as duas infrações em conjunto. Isso porque, no caso, não ocorre apenas um fato gerador a significar que os tributos (IRPJ, CSLL e IRRF) teriam mesmas bases de cálculo ou fatos geradores. Isto porque, os fatos geradores do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e do Imposto Retido na Fonte são distintos. O Fl. 4492DF CARF MF 26 primeiro tratase do imposto sobre o lucro líquido contábil ajustado, enquanto o Imposto Retido na Fonte tem como fato gerador o pagamento. Mesmo raciocínio vale para CSLL em relação ao IRRF. A jurisprudência administrativa é farta sobre este assunto, a saber: PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica ou o recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, ainda que esse pagamento resultar em redução do lucro líquido da empresa. Nos termos do § 3º do Art. 61 da Lei nº 8.981/1995, o valor pago será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 10248.693, em 08.08.2007. Publicado no DOU em 12.06.2008) (negritei) PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO. EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI nº. 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referida em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº. 8.981, de 1995. 1º Conselho de Contribuintes / 4ª. Câmara / ACÓRDÃO 10422.944 em 22.01.2008. Publicado no DOU em: 28.01.2009. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIRSE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO FOR COMPROVADA. Se sujeita à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, a alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues o terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – 1ª. Seção – 1ª. Turma da 3ª. Câmara / ACÓRDÃO 1301 00.438. em 11.11.2010. Publicado em: 29.07.2011. Como se observa pelas ementas acima transcritas, não há restrição para o lançamento do IRRF. Dessa forma, não há reparos a fazer neste item também. CUSTOS E DESPESAS INDEVIDAMENTE GLOSADOS — IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL Fl. 4493DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.481 27 Os documentos acostados pela recorrente tais como contratos, notas fiscais de serviços não comprovam a efetividade das despesas. Esses documentos, inclusive, já tinham sido apresentados à fiscalização. Oportuno mostrar que a jurisprudência administrativa há muito já se posiciona sobre o tema. IRPJ DESPESAS INCOMPROVADAS Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. (Conselho de Contribuintes – Primeira Câmara Acórdão 10196082 Data da Sessão: 29/03/2007). CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para a dedutibilidade de custos referente a serviços prestados por terceiros, não é suficiente a simples apresentação de nota fiscal. E necessário a prova da efetiva prestação dos serviços e/ou do respectivo pagamento. Não comprovada à efetividade da prestação dos serviços e/ou efetivo pagamento, os valores correspondentes não são dedutíveis para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, justificando a sua glosa. (CARF, Primeira Seção, 4ª Câmara, Acórdão 1401001.224, Data da seção 29 de julho de 2014. Quanto às despesas de Bônus eleitoral, eventos integração e incentivo à cultura doações entidade civil, os valores lançados nestas contas influenciaram o resultado, reduzindoo indevidamente, já que não são necessários à atividade da empresa e a manutenção da fonte produtora. Dessa forma, não há reparos a fazer neste item. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA — IRPJ E CSLL (TÓPICOS 7.3 E 7.4). Quanto à alegada concomitância a recorrente também não tem razão. A Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 4494DF CARF MF 28 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Elucidativo o acórdão do CARF a seguir: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PADRÃO. CONCOMITÂNCIA. As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há coincidência de motivação entre as penalidades, sendo distintas tanto as suas causas, quanto os seus fundamentos legais, e, ainda, regra geral, as suas bases de cálculo. Apenas circunstancialmente os valores das bases de cálculo podem coincidir, o que não significa que sejam a mesma penalidade, ou que se esteja penalizando duplamente a mesma infração. (Processo 10680.720698/201277 Acórdão 1102000.820 – 1ª Câmara /2ªTurma Ordinária 4 de dezembro de 2012) (negritado). Desta forma, resta claro que as estimativas não se confundem com o tributo apurado no encerramento do exercício, e, por conseguinte, para a multa pelo não recolhimento ser devida, basta o não recolhimento das estimativas. INDEVIDA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A recorrente alega que a multa qualificada não teria sido fundamentada. A fiscalizada, liderada por Mário Aurélio da Cunha Pinto (falecido em 02/12/2010), Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho, conforme demonstrado no TVF e neste Fl. 4495DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.482 29 relatório, agiu de forma consciente, deliberada, organizada, meticulosa e reiterada, pagou propinas ou, eufemisticamente, “vantagens indevidas”, a agentes públicos para assegurar sua participação em licitações promovidas pela Petrobrás e, desse modo, contribuiu para fraudálas. Parte dessas ações fraudulentas e criminosas foram relatadas nos depoimentos prestados pelos delatores Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (tópico 6.1.1.7), Mário Góes (tópico 6.1.1.9) e Pedro Barusco (tópico 6.1.1.10). Desta forma, as fraudes representadas pela celebração de contratos fictícios de prestação de serviços ou de aluguel de equipamentos, firmados pelo Consórcio Interpar com a Setec; pelo Consórcio CMMS com Riomarine e Energex; pela MPE com a GFD e a Empreiteira Rigidez, dentre outros noteiras, foram devidamente confirmados pelas provas colhidas ao presente processo. Embora todos os envolvidos (empreiteiras consorciadas, as noteiras e a própria MPE) tenham sido intimados a comprovar a efetiva prestação dos serviços, nenhum deles apresentou qualquer documentação nesse sentido. A fiscalização constatou, ainda, que os pagamentos de propinas, efetuados por meio de contratos simulados, foram contabilizados pela fiscalizada como custo/despesa operacional, reduzindo, indevidamente, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, reduzindo significativamente o resultado da empresa e, por consequência, o pagamento dos tributos devidos. A fiscalização apontou pagamentos indevidos contabilizados pela MPE a pessoas jurídicas de fachada, no montante de R$ 35,5 milhões, no período relativo aos anoscalendário 2011 até 2013, conforme tabelas apresentadas no tópico 7.1.1.1 do TVF. As condutas descritas se enquadram perfeitamente na definição legal de fraude como dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502/64. Sob o aspecto tributário as ações praticadas pelo sujeito passivo também foram de natureza dolosa, uma vez que realizadas de forma intencional e planejada. O sujeito passivo procurou modificar as características essenciais dos fatos geradores, tentando caracterizar os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em face de operações comprovadas, o que justificaria a contabilização das despesas e custos decorrentes como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar, reduzindo, em consequência, o montante devido desses impostos. O sujeito passivo procurou modificar as características essenciais dos fatos geradores, tentando caracterizar os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em face de operações comprovadas, o que justificaria a contabilização das despesas e custos decorrentes como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar, reduzindo, em consequência, o montante devido desses impostos. Todavia, como demonstrado, as operações não foram comprovadas e os documentos de suporte apresentados são ideologicamente falsos. Os contratos se referiam a serviços fictícios, em grande parte já reconhecido pelo operador Augusto Mendonça, por outros operadores e pelo delator Pedro Barusco, um dos beneficiários do esquema de pagamento de propinas, como apontamos. As condutas relatadas foram praticadas extensivamente, com uma diversidade de contrapartes, envolveram valores de grande monta e foram reiteradas. Fl. 4496DF CARF MF 30 A recorrente também alega que a ELMEC, a WERKSHIRE, não possuem qualquer ligação com a Lava Jato, assim não teria motivo para a multa qualificada. Não é o fato de uma empresa estar relacionada com a lava jato que a despesa a ela vinculada será glosada, e sua multa correspondente qualificada. Isso ocorrerá pelo fato da despesa ser fraudulenta. Conforme já exposto, mesmo com vultosa receita apurada, a Werkshire apresentou as GFIPs declarando apenas seu sócio majoritário como contribuinte individual. Ou seja, não declarou mais nenhum funcionário no período. Também foi apurado, por meio das DIRFs apresentadas pela Werkshire, que não foram contratados prestadores de serviços, pessoas físicas ou jurídicas. Ou seja, a empresa não possui mãodeobra necessária à prestação dos serviços de consultoria declarados. Inclusive, apesar de o sócio José Alexandre Nogueira de Resende ter declarado, nas DIRPF relativas aos anoscalendário de 2012 e 2013, milhões em lucros distribuídos, a Werkshire nada declarou (apresentou as DIPJ zeradas). Na verdade, a referida empresa carece de capacidade operacional, e assim, resta claro o intuito fraudulento. Isso tudo foi descrito pela fiscalização, sendo então plenamente justificável a qualificação da multa. Quanto à Elmec, cumpre registrar que somente a MPE pagou à Elmec, ao longo dos anoscalendário de 2010 a 2013, o montante de R$8.980.617,28. Conforme já exposto, mesmo com vultosa receita apurada, a Elmec apresentou as GFIPs declarando apenas 1 (um) funcionário e 3 (três) contribuintes individuais, sócios da empresa. A fiscalização também apurou por meio das DIRFs apresentadas pela Elmec, que empresas ligadas à MPE receberam recursos oriundos de supostas prestações de serviços. Ademais, não bastasse a quantidade reduzida de funcionários para intermediar negócios, que renderam à Elmec quase R$15 milhões, uma parte destes recursos retorna à MPE a título de prestação de serviços, executados por empresas controladas pela MPE. Ou seja, restou comprovado pela fiscalização o caráter doloso das operações inexistentes, por, inclusive falta de capacidade operacional da referidas empresas. Isso tudo mais do que justifica a qualificação da multa. Vejase, sobre o tema, os precedentes abaixo do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – DESPESAS FICTÍCIAS – MAJORAÇÃO DE DESPESAS EXISTENTES – CONLUIO COM O CONTADOR – PROCEDÊNCIA – É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Comprovado que o contribuinte, reiteradamente, criou despesas fictícias ou majorou despesas existentes, tudo Fl. 4497DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.483 31 aliado ao conluio com o contador responsável pelo preenchimento da declaração, é de se manter a qualificação da multa de ofício. Recurso voluntário provido parcialmente. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 10617.132, em 10.10.2008. Publicado no DOU em 18.12.2008) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas, principalmente quando existe Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz em relação ao emitente dos comprovantes, caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. (1º Conselho de Contribuintes – ACÓRDÃO 104 22.754, em 18.10.2007. Publicado no DOU em 20.02.2009) MULTA DE 150%. DESPESAS CONTABILIZADAS EM NOME DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. FALSIDADE DOCUMENTAL Procede a aplicação da multa qualificada de 150%, tal o evidente intuito de fraude que se revela na utilização de documentos falsos para encobrir os reais beneficiários de despesas contabilizadas em nome de pessoas jurídicas inexistentes. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 10322.937, em 28.03.2007. Publicado no DOU em 24.03.2008). Alega, também, que a multa seria confiscatória, contudo, na esfera administrativa es sas questões não podem ser alegadas. A matéria, inclusive é objeto da sumula 2ª do CARF: SÙMULA nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA Novamente não tem razão a contribuinte, pois, todos sabemos que multa é crédito tributário. Assim, o próprio CTN art. 161 afirma que crédito não pago no vencimento será acrescido de juros de mora. Ademais de acordo com o parágrafo 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96 é cabível juros de mora para os débitos para com a União, a saber: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998. Fl. 4498DF CARF MF 32 Indubitável ser a multa de ofício débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, portanto, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. A jurisprudência administrativa está de acordo com este entendimento, a saber: JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO – TAXA SELIC A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional”. (Acórdão 10515.211, de 07/07/2005). Portanto, os juros sobre a multa de ofício são devidos. PREJUDICIAL DE MÉRITO DECADÊNCIA Observase que todos os lançamentos de IRRF foram lançados com 150%, isto pois, só foram tributados com IRRF aquelas glosas fraudulentas dos itens 6.1, 6.2, 6.4, 6.6, 6.7, 6.8, 6.9, 6.10, 6.11, 6.12, 6.13, 6.14, 6.15, 6.16, 6.17 e 6.20. Isto posto, o § 1º do art. 173 do CTN, é o que deve ser aplicado para o IRRF. O contribuinte foi notificado do lançamento em 19/12/2016, o lançamento com fato gerador mais antigo de IRRF ocorreu em 03 de janeiro de 2011, o termo inicial de contagem, então, seria 01/01/2012, portanto o lançamento poderia ser realizado até 31/12/2016, ou seja, não há decadência. Quanto ao IRPJ e a CSLL, melhor sorte não tem a contribuinte, pois a apuração do IRPJ e da CSLL para o anocalendário de 2011 foi anual, ou seja, os fatos geradores se completaram em 31/12/2011, portanto, mesmo para aqueles lançamentos sem a qualificação da multa, e com pagamentos, ou seja, utilizando o §4º do art. 150 do CTN, como a ciência ocorreu em 19/12/2016, e o lançamento poderia ser realizado até 31/12/2016, inferese que não há decadência. Destarte, rejeitase a prejudicial de mérito de decadência. IMPOSSIBILIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL RELATIVAS À PERÍODOS ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. Primeiramente, observamos que os presentes autos de infração não se referem à redução de prejuízo ou base de cálculo. Na verdade, Fl. 4499DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.484 33 o procedimento adotado pela fiscalização foi decorrente do PAF 16004.720.210/201511, pois nesse PAF foram utilizados os saldos em questão não restando nada a ser utilizado em 2011. Como conseqüência, reduziuse os valores compensados pela contribuinte de ofício, ou seja, o que ela tinha espontaneamente utilizado. Portanto, como nem se tratam os autos de redução de prejuízos e de bases de cálculos negativa, não há de se falar em decadência. Então, qualquer discussão a respeito deve ser travada no PAF 16004.720.210/201511, e não neste PAF. DA IMPUGNAÇÃO EM CONJUNTO DE RENATO RIBEIRO ABREU, MARCELO DE CASTRO FARIA FERREIRA E ADAGIR DE SALLES ABREU FILHO. Inicialmente releva ressaltar que a responsabilização solidária dos administradores da pessoa jurídica se insere no tema das garantias do crédito tributário e visa, desde logo, carrear as provas necessárias para caracterizar a responsabilidade de terceiros, assegurandolhes a apresentação de suas razões de impugnação e, por conseguinte, o exercício do direito constitucional da ampla defesa no processo administrativo, dispensando a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional de requerer o redirecionamento da execução fiscal contra sujeito passivo não incluído na Certidão de Dívida Ativa. No presente caso, procedeu a autoridade fiscal à responsabilização solidária do Senhores Cesar de Araújo Mata Pires e José Adelmário Pinheiro Filho (“Léo Pinheiro”), com fundamento no artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), por terem esses administradores praticado atos com infração de lei. Vejamos a dicção do referido dispositivo legal, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (negritei): I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (negritei). Fl. 4500DF CARF MF 34 Examinando o alcance da norma supra, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, ressaltou que, em que pese o caput desse artigo mencionar "pessoalmente responsáveis", trata este artigo de responsabilidade solidária. O entendimento manifestado pela douta Procuradoria no citado parecer toma por base a jurisprudência do STJ e externa as seguintes conclusões: “(...) c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; e) A tese da responsabilidade substitutiva também deve ser excluída pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de ato ilícito por parte do administrador; f) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito; g) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administra dor; não se trata de mera questão de legitimidade, como seria no processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pretensão em face do executado; h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à “responsabilidade subsidiária” somente podem ser entendidos no sentido impróprio da expressão, que exige, além da existência de poderes de gerência e da prática de ilicitude pelo administrador, a ausência de pagamento pontual da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa jurídica, o que se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato ilícito; (...)”. Já no que diz respeito ao elemento subjetivo, concluiu o item 59 do mencionado parecer que se exige apenas o dolo gênero e não o dolo espécie, com base nos seguintes fundamentos, litteris: “ 59. A respeito da necessidade da presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, devese observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tãosó a presença de “infração Fl. 4501DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.485 35 de lei” (ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separam as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupase com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa.” De fato, entendese comprovado que os representantes legais da MPE agiram de maneira ilícita, efetuando pagamentos a empresas sem a devida contrapartida de execução de serviços. Ao darem seu aval, ao liberar pagamentos a empresas que de fato não prestaram quaisquer tipos de serviços, mesmo antes disso, ao assinarem contratos com empresas de fachada, os responsáveis pela fiscalizada tinham plena consciência de suas atitudes e agiram com dolo, fraude e máfé. Afinal, é inadmissível cogitar que os fatos narrados no presente caso, que retrata pagamentos de inúmeras despesas a diversas pessoas jurídicas, envolvendo valores significativos, pudessem passar à margem do conhecimento de seus dirigentes. Na verdade, todo o trabalho da Fiscalização confirma que os fatos apurados no âmbito da denominada Operação Lava Jato, compartilhados por autorização judicial com a Receita Federal, demonstram por si sós, em face da riqueza de detalhes do aludido esquema criminoso, que tudo ali tramado era de pleno conhecimento dos dirigentes das aludidas empreiteiras. Em suma, os mencionados administradores tinham plena consciência que muitos dos aludidos contratos foram utilizados para acobertar e propiciar pagamento de propinas para o esquema criminoso como se serviços fossem. Portanto, agiram os Senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho com infração à lei, na medida em que autorizaram ou concordaram com a apropriação, pela contribuinte MPE S/A, de despesas sabidamente fictícias, acobertadas por documentos ideologicamente falsos. Quanto aos itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados) e 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do TVF que não tiveram multa qualificada, pois, a fiscalização entendeu não haver dolo, não há como manter a responsabilidade para os Senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho, uma vez não haver nestes itens os requisitos do art. 135 do CTN. Fl. 4502DF CARF MF 36 Por todo o exposto, voto por: a) Quanto ao recurso da MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento à impugnação, mantendo integralmente o lançamento; b) Quanto ao recurso dos responsáveis solidários, dar parcial provimento para afastar do polo passivo os senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho no auto de infração relativo aos valores do itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados), 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do TVF, mantendo a sujeição passiva para todos os demais créditos. Além, de manter integralmente o lançamento. No que se refere à preliminar de nulidade por incompetência do agente, cumpre ressaltar que a autuação foi conduzida e lavrada por auditor fiscal da RFB, regularmente investido no cargo, tratandose, portanto, de autoridade fiscal competente para o ato, pelo que improcedente o argumento suscitado pelo contribuinte. Esta é a inteligência da Súmula CARF n. 27, a que esta Turma está vinculada: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Não há como acolher tal nulidade. Quanto à preliminar de nulidade em razão do exame de livros fora do seu estabelecimento, correta a DRJ a concluir não existir óbice, até mesmo diante da Súmula acima citada. Quando a fiscalização é realizada fora do domicílio do contribuinte, a lavratura do auto de infração por decorrência também é normalmente realizada fora do estabelecimento. Neste particular também temos a Súmula CARF n. 6: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Também não há como acolher tal nulidade. Fl. 4503DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.486 37 Quanto à suposta ilegitimidade, como bem decidiu a DRJ, não há como ser acolhida. O consórcio não detém personalidade jurídica e, em razão disso, patrimônio e recursos próprios. A utilização de seu CNPJ é facilitador para fins negociais e tributários. Assim, os responsáveis tributários do IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/95 são as pessoas jurídicas (conforme expressa dicção do dispositivo legal) que arcam verdadeiramente com os pagamentos, por meio da união de seus recursos no consórcio. Embora a contratação possa se dar pelo CNPJ do consórcio, o pagamento é realizado com recursos das empresas participantes. Tanto é assim a lógica, que a empresa recorrente utilizou as despesas do consórcio, na proporção de sua participação, para a dedução de seu próprio IRPJ e CSLL devidos, como restou claro em sua resposta ao Fisco, citada no TVF (fl. 2669). Além disso, mesmo a título de hipótese, sendo válido o que defende a Recorrente, o fato é que a responsabilidade solidária prescinde de benefício de ordem, tratase de medida de garantia de recolhimento da exação tributária. Não se trata de responsabilidade subsidiária, mas solidária, razão pela qual não assiste razão ao Recorrente. Outrossim, o próprio § 3o do art. 1o. da Lei 12.404/2011 limita a possibilidade para retenção e cumprimento de obrigações tributárias aos tributos ali descritos, referindose, basicamente a contribuições decorrentes de contratação de funcionários, e tão somente para facilitar as operações negociais. Além disso, tratase de autuação decorrente da glosa de custos não comprovados, que foram apropriados pela própria Recorrente. Quanto às alegações de decadência, como bem assentado pela DRJ, quanto ao IRPJ e à CSLL, a Recorrente ignora que o fato gerador desses tributos é complexivo, ou seja, ocorreu, para o período fiscalizado, em 31.12.2011. Assim, como a cientificação dos lançamentos se deu em 19.12.2016, mesmo com a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, não está caracterizada a decadência. Além disso, aplicase o prazo previsto no art. 173 do CTN nos casos em que não tenha ocorrido o pagamento parcial ou nos casos em que caracterizados o dolo, a fraude e a simulação. Somente se não preenchidas essas condições é que se aplica o prazo do art. 150, § 4º, do CTN. Em relação ao IRRF, não consta que tenha havido, no período objeto de lançamento, qualquer pagamento, por parte do contribuinte, a título de IRRF, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, o que também desloca a decadência para o art. 173 do CTN. A Fiscalização demonstrou que as empresas por ela indicadas, supostamente prestadoras de serviço, contratadas pela MPE e pelos consórcios de que participou, eram inexistentes de fato, não foram localizadas nos endereços constantes do CNPJ, não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto social. A impugnação e o recurso voluntário, quanto aos aspectos fáticos da glosa, limitouse a impugnar a autuação em relação às seguintes empresas: EMPREITEIRA Fl. 4504DF CARF MF 38 RIGIDEZ; RIOMARINE; ELMEC REPRESENTAÇÕES LTDA; UP NAVY CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA; e WERKSHIRE INFRAESTRUTURA E PARTICIPAÇÕES LTDA. Defende a contribuinte que em relação a essas empresas há prova da prestação dos serviços e da causa dos pagamentos. Quanto a todas as demais empresas a matéria restou preclusa diante da ausência de impugnação específica. Entretanto, mesmo para as acima referidas empresas, a DRJ e o TVF demonstraram de forma clara a inexistência de efetiva prestação de serviços, enfrentando, especificamente, uma a uma. Não é por outro motivo que a autoridade fiscal, acertadamente, glosou as despesas contabilizadas pela MPE e pelos consórcios, tendo em vista que tais despesas foram amparadas em documentos inidôneos, constituídos por contratos e notas fiscais fraudulentas, destinadas a acobertar o pagamento de propinas a terceiros e relativas a serviços cuja efetiva prestação não foi comprovada pelo fiscalizado. A título de exemplo, cito os pagamentos a duas das empresas que a Recorrente alega ter efetivamente razões negociais. EMPREITEIRA RIGIDEZ: DESPESAS INDEDUTÍVEIS E PAGAMENTOS SEM CAUSA A inexistência de fato da EMPREITEIRA RIGIDEZ e a ausência de efetiva prestação de serviços (que visavam apenas camuflar o pagamento de propinas) foram fatos confirmados em diversos depoimentos e delações premiadas de diversas figuras no âmbito da Operação Lava Jato; as notas fiscais emitidas pelas empresas de fachada para a MPE e demais empreiteiras envolvidas teriam sido a “facilidade” disponibilizada pelo operador Alberto Youssef para criar uma justificativa econômica para a saída do dinheiro dos cofres da empresa como se fosse um pagamento regular. O pagamento de propina, com produto e proveito de crimes anteriores, encontrou nesse contexto uma maneira de se disfarçar de operação lícita; Além disso, por meio do Processo Administrativo nº 10803.720002/2015 11, a RIGIDEZ foi baixada de ofício junto à RFB, com efeitos a partir de 09.08.2007. Ficou constatado que: a pessoa jurídica é inexistente de fato; não foi localizada no endereço cadastral fornecido à RFB; não detinha capacidade patrimonial ou financeira para a realização de seu objeto social; os seus sócios não foram localizados para atender às intimações da fiscalização; A Fiscalização concluiu que todos os contratos firmados por empreiteiras com a RIGIDEZ são ideologicamente falsos, assim como todas as notas fiscais por ela emitidas com supedâneo em tais negócios; Fl. 4505DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.487 39 Por meio de mandado de busca e apreensão foram obtidos diversos documentos relacionados à EMPREITEIRA RIGIDEZ (notas fiscais, contratos etc) em locais distintos, demonstrando a condição de noteira da empresa. RIOMARINE: DESPESAS INDEDUTÍVEIS E PAGAMENTOS SEM CAUSA Em seus depoimentos, o sócio da RIOMARINE, Sr. Mário Góes, admitiu que os pagamentos realizados à referida empresa pelo Consórcio CMMS e pela MPE não tiveram a contraprestação dos serviços. Foram emitidas notas fiscais apenas para criar uma justificativa econômica para a saída dos recursos da empresa como se fosse um pagamento regular, quando na verdade os pagamentos se davam a título de propina; Intimada a comprovar, pelo consórcio, da efetiva prestação de serviços pela RIOMARINE, a SOG, participante do Consórcio CMMS, nada apresentou; Por igual, a MENDES JÚNIOR, intimada para o mesmo fim, nada apresentou; A RIOMARINE, por sua vez, por meio de petição de 27.11.2015, reconheceu que nos contratos celebrados com a MPE não houve a efetiva prestação de serviços; Assim, a Fiscalização procedeu às glosas e lançamentos relacionados. E assim seguiu sem reparos tanto o TVF quanto a decisão Recorrida analisando pormenorizadamente cada uma das empresas. Pelo que se comprovou, a documentação foi forjada pelas empresas contratadas e pela MPE e utilizada para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. Tratase de infração tributária maturada com documentação inidônea que não tem o condão de produzir efeitos tributários (art. 217 do RIR/99), senão para majorar a multa de ofício para o percentual de 150%. Quanto à alegação de necessidade de arbitramento, cumpre ressaltar que a Fiscalização não considerou imprestável a escrituração contábil da recorrente, e sim que os dados registrados relacionados às despesas, apontadas pela Fiscalização, utilizadas para a dedução fiscal, não refletem a realidade, pois tais despesas não foram comprovadas. A Fiscalização apenas glosou tais despesas para, em seguida, lançar o IRPJ e a CSLL devidos. Resta claro que o sujeito passivo se beneficiou da redução na base de cálculo dos tributos pela dedução de um custo decorrente de operações que se mostraram inexistentes. Não há como negar a intenção de fraudar/sonegar a Administração Tributária. É dizer, não restam dúvidas acerca da artificialidade dos contratos, cujos serviços não foram comprovados Fl. 4506DF CARF MF 40 ou jamais foram prestados, seja por decorrência do exame da precária documentação apresentada pelas empresas contratadas pela MPE, seja por aqueles documentos apresentados pela própria Recorrente ou pelos depoimentos daqueles investigados na “Operação Lava Jato”. Quanto à qualificação, o art. 44, § 1º da Lei 9430/96 prevê que a multa de ofício (75%) deve ser duplicada (150%) nos casos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei 4502/64. Como reiteradamente demonstrado, a Recorrente MPE preencheu as circunstâncias qualificadoras da multa de ofício (art. 72). A intenção deliberada da MPE de se utilizar de documentação para maquiar a escrita contábil empregando várias fraudes, em acordo com outras pessoas jurídicas “noteiras” (inexistentes de fato), caracteriza a materialidade da conduta da MPE à hipótese prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Quanto à alegação de confiscatoriedade, nos termos do que dispõe a Súmula CARF n. 2 este Conselho não possui competência para questionar a constitucionalidade da legislação tributária. Acertada a DRJ ao concluir inexistir cobrança em duplicidade. A exigência de IRPJ e de CSLL se dá pela glosa das despesas inexistentes e a exigência do IRRF incide sobre pagamentos efetivamente realizados a beneficiário não identificado (caput do art. 674 do RIR/99) ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa (§ 1º do art. 674 do RIR/99). É perceptível, portanto, que não há bis in idem, pois os fatos geradores dos tributos são distintos. No caso do IRRF, especificamente em relação ao caso concreto, o fato gerador é o pagamento sem causa ou sem operação comprovada. Ademais, o IRPJ e a CSLL são devidos pela recorrente na qualidade de contribuinte, enquanto que o IRRF é devido na qualidade de responsável tributário. No que se refere à alegação de impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa, é posição absolutamente majoritária nesta TO no sentido de que a obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Não é crível que os sócios, que firmaram contratos de prestação de serviços, não tivessem plena ciência de que as empresas contratadas eram de fachada, inexistentes de fato, ou, se existentes, não possuíam capacidade técnica, operacional ou expertise para a prestação dos serviços contratados. Quanto à responsabilidade solidária, o trabalho da Fiscalização confirma que os fatos apurados no âmbito da denominada Operação Lava a Jato, compartilhados por autorização judicial com a Receita Federal, demonstram por si só, em face da riqueza de detalhes do aludido esquema criminoso, que tudo ali tramado era de pleno conhecimento dos dirigentes das empreiteiras, incluindo a MPE. Diante disso, é evidente que os administradores tinham consciência de que tais contratações foram utilizadas para camuflar o pagamento de propinas para o esquema criminoso como se serviços fossem, conforme apurações da Operação Lava Jato. Os diretores foram artífices diretos dos contratos que tentaram encobrir a prestação de serviços por outras empresas, que jamais foram efetivamente prestados, gerando despesas (indedutíveis) que inequivocamente trouxeram prejuízos ao Erário. Fl. 4507DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.488 41 Em razão disso, correto o TVF e a decisão recorrida que atribuíram a eles a responsabilização solidária. Entretanto, e neste particular discordo da decisão Recorrida, entendo que assiste razão aos Recorrente na alegação de impossibilidade de cumulação da multa de ofício e isolada. Cumpre ressaltar que a multa de oficio absorve todo o montante da multa isolada. É posição majoritária nesta e em diversas Turmas do CARF ou a impossibilidade de cumulação ou a aplicação do princípio da consunção. No presente caso seja por uma ou por outra tese o resultado de desoneração é o mesmo. Sigo o entendimento acerca da impossibilidade da aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Tal fato se deve à conclusão de que o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Uma vez que as estimativas são meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significa dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato. Neste ponto me permito valer dos fundamentos aduzidos pelo Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 120100.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norna punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Fl. 4508DF CARF MF 42 Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa Fl. 4509DF CARF MF Processo nº 16004.720364/201685 Acórdão n.º 1401002.888 S1C4T1 Fl. 4.489 43 proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Digase ainda que a questão é objeto de Súmula do CARF nº 105, que entendo permanecer aplicável aos fatos geradores posteriores à edição da Lei nº 11.488/07 in verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Outrossim, tal posição encontra guarida em diversas decisões deste Conselho, incluindose esta mesma Turma Ordinária. Assim, assiste razão às Recorrentes neste ponto. Em resumo, face a tudo o quanto exposto, voto no sentido de: (i) dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer a responsabilidade solidária dos Senhores Renato Ribeiro Abreu, Marcelo de Castro Faria Ferreira e Adagir de Salles Abreu Filho quanto aos itens 6.22 (lançamentos escriturados e não comprovados) e 6.23 (Bônus eleitoral, eventos e incentivo cultura doações entidade civil) do TVF, e; (ii) dou parcial provimento aos Recursos Voluntários, tão somente, para excluir a multa isolada, mantendo, nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida nos demais termos, pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 4510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662116/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.662116/2012-74
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916086
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.511
nome_arquivo_s : Decisao_10880662116201274.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
nome_arquivo_pdf_s : 10880662116201274_5916086.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
dt_sessao_tdt : Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7466045
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869398765568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.662116/201274 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.511 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PS MED ASSISTENCIA MEDICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 16 /2 01 2- 74 Fl. 222DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 8% para IRPJ, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 8%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 8%, e não 32%. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662116/201274 Acórdão n.º 1201002.511 S1C2T1 Fl. 3 3 Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, Fl. 224DF CARF MF 4 entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.720545/2014-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) ateste a tempestividade da impugnação apresentada pela contribuinte, em conformidade com documento situado à fl. 3599; (ii) confeccione Relatório Conclusivo fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o Relatório Conclusivo e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12689.720545/2014-37
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916135
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.486
nome_arquivo_s : Decisao_12689720545201437.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 12689720545201437_5916135.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) ateste a tempestividade da impugnação apresentada pela contribuinte, em conformidade com documento situado à fl. 3599; (ii) confeccione Relatório Conclusivo fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o Relatório Conclusivo e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7466803
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869417639936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 3.629 1 3.628 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12689.720545/201437 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.486 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de setembro de 2018 Assunto CESSÃO DE NOME Recorrente F. GARCIA IMPORTACAO E COMERCIO DE GENEROS ALIMENTICIOS EIRELI EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) ateste a tempestividade da impugnação apresentada pela contribuinte, em conformidade com documento situado à fl. 3599; (ii) confeccione “Relatório Conclusivo” fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 26 89 .7 20 54 5/ 20 14 -3 7 Fl. 3629DF CARF MF Processo nº 12689.720545/201437 Resolução nº 3401001.486 S3C4T1 Fl. 3.630 2 Relatório Em 17/03/2015, a 07ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) proferiu o despacho s/n, situado às fls. 3554 a 3557, de relatoria do Auditor Fiscal Augusto Oliveira da Silva Neto, que entendeu pela não formação do contencioso, nos termos do relatório abaixo transcrito, que adoto, por fidedigno: Cuidam os autos da exigência de crédito da União, relativo à multa por cessão de nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários (R$ 398.301,74), às fls. 3275, em desfavor de F GARCIA IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS, decorrente de procedimento regular de fiscalização. A empresa foi cientificada dos lançamentos em 29/04/2014, conforme fls. 3.496, e foi apresentada petição em forma de impugnação, às fls. 3.500 a 3.506, em 28/05/2014, em nome de DISPROPAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE PANIFICAÇÃO EIRELI ME. A fiscalização, por zelo, achou por bem encaminhar intimação à autuada, em 26 de junho de 2014 (fls. 3.515), a fim de que fossem apresentados documentos que pudessem comprovar a capacidade da DISPROPAN de peticionar em nome da autuada F.GARCIA, demonstrando tal poder por alteração no contrato social, ou por instrumento de mandato, no que quedouse silente a autuada (fls. 3.521). Em 12/08/2014 (fls. 3.523) a autuada manifestouse nos autos, fazendo juntar petição em que solicita a suspensão do julgamento administrativo do processo, por entender ter havido violação de seu sigilo bancário, por ausência de máfé e de dano ao Erário, no que deveria ser apreciado o princípio do in dubio pro reu, além de ter havido erro na apuração da base de cálculo da multa aplicada. A contribuinte foi intimada via postal em 27/03/2015, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 3563 e, em 27/03/2015 (mesma data a intimação), em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 3565 a 3607, no qual reiterou as razões da impugnação protocolada pela empresa Dispropan e apresentou, ainda, protocolo da impugnação com carimbo de "recebido" e data de 28/05/2014. É o Relatório. Fl. 3630DF CARF MF Processo nº 12689.720545/201437 Resolução nº 3401001.486 S3C4T1 Fl. 3.631 3 Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Transcrevese, abaixo, o voto da decisão recorrida: Enviados os autos a esta DRJ/Fortaleza para julgamento, vêse que as duas petições apresentadas aos autos não devem ser apreciadas. A primeira, por ser inepta e faltar legitimidade ao requerente; a segunda, por falta do requisito da tempestividade. É que a primeira petição apresentada aos autos, nomeada como impugnação, referese à defesa da empresa DISPROPAN no processo nº 12689.720546/2014 81, no qual a F.GARCIA é autuada solidária, restando tal condição confirmada pela própria empresa, conforme petição apresentada naquele processo e acatada pela DRJ/FOR como preliminar de tempestividade, reconhecendo que houve erro material da sua anexação a este processo administrativo. Desta forma, por óbvio, não poderia tal defesa ser aproveitada para defesa da F.GARCIA, mesmo que houvesse apresentação de instrumento de mandato para a DISPROPAN ou que houvesse poderes de administração estabelecidos em contrato social que permitissem a sua atuação. Isto porque a impugnação apresentada neste processo se refere à pena aplicada no processo nº 12689.720546/201481, não se prestando como defesa em processo administrativo diverso, por estar direcionada especificamente à pessoa jurídica que formulou o pedido e aos fatos lá relacionados, conforme solicitado pela própria DISPROPAN e reconhecido pela DRJ/FOR. A bem da verdade, quando da solicitação realizada pela DISPROPAN, no processo nº 12689.720546/201481, para que a impugnação fosse compreendida como anexada por erro material a este processo, entendo que tal medida significou uma espécie de “desentranhamento” deste documento, uma vez que o contribuinte reconheceu o erro e solicitou a sua transferência de um processo para o outro. Mesmo que houvesse o interesse do representante legal das empresas em realizar a juntada da mesma defesa em ambos os processos, o que se aventa apenas por argumentação, este ato decorreria de sua livre manifestação e atendendo os requisitos necessários para sua aceitação, não podendo ser corrigido em momento posterior, quando já precluso o prazo que a lei lhe oferta para exercer seu direito de defesa, a não ser que fundada em comprovado erro material, o que não é o caso que ora se apresenta. Dormientibus non sucurrit jus. Quanto à segunda petição apresentada, solicitando a suspensão do julgamento do processo, observase que o lapso temporal decorrido entre a ciência do auto de infração e a sua apresentação transborda do prazo legalmente estabelecido. A matéria relacionada aos prazos para impugnação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF) é Fl. 3631DF CARF MF Processo nº 12689.720545/201437 Resolução nº 3401001.486 S3C4T1 Fl. 3.632 4 regida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, aqui reproduzido nos trechos pertinentes: (...) No presente caso, o Termo de Ciência Eletrônica foi disponibilizado na caixa postal do contribuinte em 28/04/2014 e a ciência ocorreu em 29/04/2014, conforme termo de abertura de documento (fls. 3.496), começando o prazo para apresentação da impugnação a contar do dia seguinte, dia 30/04/2014, que foi o dia útil seguinte. Com o transcurso dos trinta dias, o final do prazo ocorreu no dia 29/05/2014, quintafeira, mas a autuada só apresentou a impugnação no dia 12 de agosto de 2014 (fl. 3.523), conforme consta do carimbo aposto pela Alfândega do Porto de Salvador. A esse respeito, cumpre esclarecer que a petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa, não suspende o crédito tributário e não exige julgamento de primeira instância, pois consoante art. 21 do Decreto nº 70.235/72, a intempestividade do pedido implica revelia, e não havendo lide, não há que se falar em julgamento, nos termos do Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 15, de 12 de julho de 1996, abaixo transcrito. (...) Com base no disposto no Decreto nº 70.235/1972 e no ADN COSIT nº 15/1996, mencionados, fica evidente que a peça processual apresentada pela autuada, por ser intempestiva, não reúne elementos capazes de instaurar o litígio administrativo. CONCLUSÃO De todo o exposto, verificase que no presente caso a impugnação, apresentada nestes autos às fls. 3.500 a 3.506, foi anexada por engano e referese à defesa de pessoa jurídica diversa daquela que figura no polo passivo do auto de infração, conforme solicitado pela própria empresa que promoveu a sua juntada, e acatada sua aceitação em processo diverso pela DRJ/FOR, não cabendo a sua análise neste processo por ser absolutamente inepta e por faltar legitimidade da parte. Quanto à petição apresentada posteriormente, de fls. 3.523 a 3.543, como a data da ciência do auto de infração se deu no dia 29/04/2014, e como a data limite para a entrega da impugnação se deu no dia 29/05/2014, a petição apresentada em 12/08/2014 foi intempestiva e, desta forma, como não foi instaurada a fase litigiosa neste PAF, conforme já explanado, não se deve dela conhecer, considerandose o crédito definitivo na via administrativa. Portanto, é cabível a devolução do presente processo ao órgão de origem a fim de dar prosseguimento à cobrança, em cumprimento ao que dispõe o art. 21 do Decreto nº 70.235/1972. Em sede de recurso voluntário, apresenta a contribuinte a folha de protocolo de impugnação em seu nome com data de 28/05/2014, conforme documento situado às fls. 3599 e seguintes: Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 12689.720545/201437 Resolução nº 3401001.486 S3C4T1 Fl. 3.633 5 Assim, caso constatada a intempestividade, não terá se instaurado o litígio e, portanto, escaparia a este colegiado a competência para se pronunciar a respeito da causa, nos termos do despacho recorrido. Por outro lado, caso constatada a tempestividade, tampouco poderia o presente recurso ser apreciado, sob pena de supressão de instância administrativa e clara preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, devendo os autos serem devolvidos à Delegacia Regional de Julgamento para apreciação da impugnação. Assim, antes de se constatar um ou outro caso, necessário se atestar a tempestividade da impugnação apresentada pela contribuinte, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Atestar a tempestividade da impugnação apresentada pela contribuinte, em conformidade com documento situado à fl. 3599; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 12689.720545/201437 Resolução nº 3401001.486 S3C4T1 Fl. 3.634 6 manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 3634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.720713/2015-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 02/09/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, a fiscalização, além não se desincumbir de seu dever de investigar e, efetivamente, comprovar sua alegação de falsidade material na fatura comercial, também não adota procedimento de arbitramento de preço plausível, em face da impropriedade da DI paradigma utilizada, e das distinções entre as mercadorias analisadas.
Numero da decisão: 3401-005.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 02/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, a fiscalização, além não se desincumbir de seu dever de investigar e, efetivamente, comprovar sua alegação de falsidade material na fatura comercial, também não adota procedimento de arbitramento de preço plausível, em face da impropriedade da DI paradigma utilizada, e das distinções entre as mercadorias analisadas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12466.720713/2015-90
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916116
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.362
nome_arquivo_s : Decisao_12466720713201590.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 12466720713201590_5916116.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7466704
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869428125696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 795 1 794 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.720713/201590 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.362 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria AIADUANA FATURA FALSA Recorrente TROP COMÉRCIO EXTERIOR LTDA (atual COMEXPORT TRADING COMERCIO EXTERIOR LTDA) E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, a fiscalização, além não se desincumbir de seu dever de investigar e, efetivamente, comprovar sua alegação de falsidade material na fatura comercial, também não adota procedimento de “arbitramento” de preço plausível, em face da impropriedade da DI paradigma utilizada, e das distinções entre as mercadorias analisadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 07 13 /2 01 5- 90 Fl. 795DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 294 a 2991, lavrado em 09/09/2015, para exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, substitutiva de perdimento, no valor de R$ 345.018,07, por falsidade na fatura comercial instrutiva da Declaração de Importação no 10/15359185, registrada em 02/09/2010. No Relatório Fiscal, anexo à autuação (fls. 300 a 316), narrase que: (a) o procedimento fiscal foi realizado após o desembaraço da DI, pela empresa “TROP COMÉRCIO EXTERIOR LTDA” (doravante “TROP”) por encomenda da empresa “K & F COMÉRCIO DE TAPETES E ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA” (doravante “K & F”), com o objetivo de verificar exclusivamente a exatidão do valor de transação declarado na importação de tapetes; (b) em procedimento diverso, realizado em relação à DI no 11/2088808 7, por unidade da RFB distinta (ALFPorto de Itajaí/SC), verificouse que a assinatura do Sr. Varun Schdev (em documento atestado pela Divisão Consular do Ministério das Relações Exteriores da Índia em Nova Déli) não conferia com a da fatura comercial que instruiu aquela DI, que os valores estavam abaixo do custo das matériasprimas, conforme laudo da ABIT, e que as faturas de outras empresas brasileiras que importaram do mesmo fornecedor indiano tinham divergências de leiaute, conteúdo e assinatura em relação à apresentada ao fisco, tendo sido lavrado auto de infração no processo administrativo no 10909.721327/201291, de perdimento, mantido administrativa e judicialmente; (c) com base nas informações encaminhadas pela ALFPorto de Itajaí/SC, foi aberto procedimento fiscal para apurar indícios de utilização de documentos falsos nas importações de tapetes sob jurisdição da ALFPorto de Vitória/ES, demandandose a apresentação de faturas comerciais “consularizadas”, sem atendimento; (d) foram apenas apresentadas declarações dos exportadores de que emitiram tais faturas, o que se revelou falso durante o procedimento fiscal, que apurou ter sido lavrado auto de infração nos processos administrativos no 12466.720352/201409 9 (à época sequer julgado pela DRJ), e no 12466.721716/201460 (à época aguardando distribuição na 1ª T.O. da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF); (e) no curso daquela ação fiscal, foi possível obter uma fatura comercial de operação semelhante à da DI no 10/15359185 (mesmo exportador e produtos descritos de forma semelhante), realizada por outra importadora (denominada de importadora “U”), verificandose falsidade material na fatura comercial; (f) a da DI no 10/02453706, registrada pela importadora “U”, em 12/02/2010, amparou a importação de tapetes descritos de forma semelhante (mesma composição – 80% lã e 20% algodão) aos importados na DI no 10/15359185, objeto do procedimento fiscal, e proveniente do mesmo exportador (“GEBRUDER BORHANI GMBH”), porém, a preços muito superiores; (g) a importadora “U” atendeu à fiscalização e apresentou documentos comprobatórios da negociação, e fatura “consularizada”, verificandose, além da discrepância de preços, divergência na assinatura do Sr. Gholam Borhani, em relação à DI no 10/15359185, comprovando a falsidade material (atestada ainda a assinatura por notário público); (h) intimadas as empresas “TROP” e “K & F” a apresentarem as mercadorias importadas pela DI no 10/15359185, aquela não respondeu e esta afirmou que “as mercadorias foram consumidas em grande parte mas não inteiramente”, apresentando notas fiscais de saída de 2010 e 2011; (i) a fatura comercial no 93/2010, que instruiu a DI no 10/15359185, é materialmente falsa, o que pode ser comprovado confrontandose os documentos apresentados pela “K & F” e pela importadora “U”, pela assinatura do Sr. Gholam Borhani (fls. 308 e 309), além de outras divergências (v.g., preços e utilização do idioma alemão, parcialmente); (j) para fins de aplicação da penalidade, o preço 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 796DF CARF MF Processo nº 12466.720713/201590 Acórdão n.º 3401005.362 S3C4T1 Fl. 796 3 das mercadorias importadas foi arbitrado de acordo com o artigo 88, I da Medida Provisória no 2.15835/2001; (l) o prazo decadencial regese pelo artigo 173, I do Código Tributário Nacional, por haver fraude; e (m) ambas as empresas (“TROP” e “K & F”) são responsáveis solidárias, em relação à infração. Ciente da autuação em 15/09/2015 (fls. 325), a empresa “TROP” apresentou impugnação em 15/10/2015 (fls. 331 a 350), alegando, em síntese, que: (a) o auto de infração teve por objeto a importação efetuada na DI no 10/15359185, registrada em 02/09/2010, e desembaraçada em canal verde, para nacionalização de tapetes de fabricantes da Índia, do Irã, do Paquistão, do Nepal, do Afeganistão e da China, exportados pela empresa alemã “GEBRUDER BORHANI GMBH”; (b) quando intimada a apresentar documentos, a empresa informou que há muitos anos não mantinha contato com o fornecedor estrangeiro, e que não dispunha de cópia “notarizada e consularizada” da fatura comercial no 93/2010, que instruiu a DI, nem dos documentos de exportação, tendo a negociação sido conduzida pela “K & F” (pelo Sr. Kianoush, sócio de tal empresa); (c) a “K & F”, em resposta à intimação, apresentou registro comercial do exportador autenticado por notário público e a fatura comercial no 93/2010, tendo ainda sido anexado aos autos cópia de declaração do exportador; (d) a autuação é nula por erro na eleição do sujeito passivo, pois o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece, em seu artigo 137, I, que a responsabilidade é pessoal do agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes, afastando a responsabilidade objetiva tributária, devendo a responsabilidade ser imputada à “K & F”, cabendo ainda destacar que havendo dúvida em relação à autoria, prevalece o comando do artigo 112, III do CTN, e que o Regulamento Aduaneiro estabelece a individualização da pena (artigo 680), não podendo a disposição do artigo 674, VI do mesmo Regulamento ser aplicada, por ter o artigo 137, I do CTN estatura de lei complementar, pois as normas que regem responsabilidade tributária devem ser reguladas por lei complementar, conforme entende o STF (RE no 562.276/PR), na sistemática de repercussão geral; (e) a empresa agiu de boafé, não sendo autora de eventual falsidade, já tendo o CARF se manifestado nos sentido de exclusão da responsabilidade em tais casos (Acórdão no 30332.444); (f) há primazia do método do valor de transação em matéria de valoração aduaneira, não sendo o simples valor inferior a outras importações suficiente para afastar o valor aduaneiro declarado, conforme Decisão 6.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA) e entendimento do STF, devendo o fisco, para afastar tal valor, comprovar falsidade do preço declarado; (g) deveria a fiscalização ter demandado informações adicionais antes de lavrar a autuação, na forma do parágrafo único do artigo 82 do Regulamento Aduaneiro, sendo o contrato de câmbio exatamente no valor remetido; (h) a Administração dispõe de medidas próprias para combater práticas desleais de comércio (medidas antidumping, compensatórias e de salvaguarda), não podendo simplesmente desconsiderar o valor de transação, quando correspondeu ao efetivamente pago; e (i) a DI no 10/02453706 (usada como paradigma) é inidônea para embasar procedimento de arbitramento de preço, pois são diferentes alguns países de fabricação das mercadorias, além de não terem as importações ocorrido á mesma época (diferença de cerca de nove meses), e de serem em quantidades significativamente diferentes. Por seu turno, notificada da autuação em 29/09/2015, a empresa “K & F” apresentou impugnação em 20/10/2015 (fls. 389 a 417), sustentando, basicamente, que: (a) há nulidade da autuação por preterição do direito de defesa (por falta de razoabilidade/proporcionalidade no prazo concedido para apresentação de documentos); (b) há nulidade da autuação por imprestabilidade da DI adotada como paradigma para arbitramento de preço (por ausência de comprovação de subvaloração e incongruências latentes nos laudos); (c) há invalidade do arbitramento dos preços dos produtos importados, por violação à verdade Fl. 797DF CARF MF 4 material, à legalidade estrita, à razoabilidade e à proporcionalidade, tendo sido o arbitramento efetuado após o desembaraço, quando as mercadorias não existiam mais fisicamente, apontando ainda as divergências já destacadas na outra impugnação, em relação as DI paradigma e objeto do procedimento fiscal (quantidades e países de fabricação); e (d) houve aplicação indevida do perdimento, por ausência de dano ao Erário, considerando que a fraude não restou inequivocamente comprovada. Em 15/12/2015 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 427 a 478), no qual se decide unanimemente pela manutenção do lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) não houve violação ao contraditório ou à ampla defesa, na fase litigiosa do processo; (b) não há ilegalidade no prazo concedido para o procedimento denominado de “revisão aduaneira”; (c) a pena de perdimento não possui natureza tributária, mas de sanção, sendo equivocados os entendimentos da defesa que remetem à responsabilidade prevista no CTN, cabendo a aplicação dos artigos 94 e 95 do DecretoLei no 37/1966; (d) a alegada boafé não afasta a responsabilidade objetiva pela prática da infração; (e) em função dos elementos probatórios colacionados na autuação (fls. 459 a 468), e do reiterado descumprimento de atendimento de intimações pela defesa, restou demonstrada a falsidade material da fatura comercial no 93/2010, que instruiu a DI no 10/15359185; e (f) o arbitramento de preços se deu na forma regularmente prevista no artigo 88, I da Medida Provisória no 2.15835/2001, e a falsidade material é punida com o perdimento das mercadorias (ou com sua substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro, se impossibilitado o perdimento). Cientificada da decisão da DRJ em 25/01/2016 (fl. 484), a empresa “TROP” apresentou recurso voluntário em 23/02/2016 (fls. 488 a 507), basicamente reiterando os argumentos expressos em sua impugnação. A empresa “K & F”, por sua vez, notificada da decisão administrativa de piso em 28/01/2016 (fl. 486), não apresentou recurso voluntário, tendo sido declarada a perempção no documento de fl. 510. Em 01/03/2016, no entanto, recebe a unidade local da RFB peça apresentada a título de recurso voluntário pela empresa “K & F” (fls. 513 a 546), também repisando os argumentos expressos na peça inicial de defesa. À fl. 548, consta mensagem aposta por “SEDISCEGAPCARFMFDF” com o seguinte teor: “Processo que poderá ser devolvidos à DRF, em função de parcelamento” (sic), datada de 19/04/2016. No entanto, o processo foi a mim distribuído, por sorteio, em dezembro de 2016, sem qualquer informação sobre a existência de eventual parcelamento. Em 27/09/2017 o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução no 3401001.188, para que para que a unidade local da RFB se manifestasse, conclusivamente, sobre: (a) a tempestividade da peça recursal interposta pela empresa “K & F”; e (b) a existência de pedido de parcelamento em relação aos débitos discutidos no presente processo. E, não havendo parcelamento que obste a análise do contencioso pelo colegiado, que a mesma unidade local da RFB (ALFPorto de Vitória) apresente as pesquisas demandadas, no SISCOMEX e em extrator de dados, juntandose as telas pertinentes. Na Informação Fiscal de fl. 573, a unidade local da RFB responde aos dois primeiros questionamentos, atestando a intempestividade da peça recursal apresentada por “K & F” e a inexistência de processo de parcelamento. E, na Informação Fiscal de fl. 575, a unidade local afirma que: (a) “foram elaborados relatórios para cada um dos países de origem que constam na DI no 10/15359185, uma vez que não foi possível encontrar outras importações do mesmo exportador” (relatórios às fls. 576 a 579 Índia; 580 Irã; 581 Nepal; 582 Paquistão; e 583/584 – Turquia; e extratos das DI às fls. 585 a 691); (b) cada relatório lista declarações de importação de produtos idênticos/similares (TAPETES FEITO À MÃO, Fl. 798DF CARF MF Processo nº 12466.720713/201590 Acórdão n.º 3401005.362 S3C4T1 Fl. 797 5 COMPOSTO POR 80% Lã E 20% ALGODÃO), em quantidades (peso total da DI), sempre que possível, semelhantes à DI no 10/15359185, registradas até um ano antes ou um ano depois da data de registro da DI no 10/15359185; e (c) os preços declarados nessas DI não foram alvo de procedimento de valoração aduaneira. Ciente do relatório da diligência em 09/03/2018 (cf. termo de fl. 697), a “TROP”, já com o nome de “COMEXPORT TRADING COMÉRCIO EXTERIOR LTDA” (doravante “COMEXPORT”), manifestase em 09/04/2018 (fls. 699 e seguintes), no sentido de que as DI paradigma utilizadas são imprestáveis ao mister de valoração aduaneira, analisando as DI por país de origem (fls. 704 a 706 Índia; 706/707 Irã; 708/709 Nepal; 707/708 Paquistão; 709 Afeganistão; 710 China e Turquia), e concluindo pela ilegalidade do arbitramento. Na sequência, os autos foram devolvidos ao CARF, sendo distribuídos a este relator, em julho de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Tendo sido a admissibilidade iniciada na conversão em diligência, atestando se a tempestividade da peça recursal interposta por “TROP”, seguese na análise da tempestividade do recurso apresentado por “K & F”. Como se destacou na conversão em diligência, o recurso voluntário apresentado pela empresa “K & F” é intempestivo, porque a ciência da decisão da DRJ se deu em 28/01/2016 (quintafeira), como documentado nos autos (fl. 486), e, iniciada a contagem do trintídio para interposição de recurso voluntário em 29/01/2016, a data derradeira para apresentação da peça seria 29/02/2016 (tendo em conta o ano bissexto), mas o carimbo de recepção da peça recursal é datado de 01/03/2016 (fl. 513). Pelo fato de ter sido o termo de perempção lavrado em 07/03/2016 (fl. 510), sem menção à peça intempestivamente interposta, e não havendo nenhum comentário acerca da tempestividade da peça apresentada por “K & F”, e de sua relação com o “Termo de Perempção” lavrado, enquanto que sobre a peça recursal da empresa “TROP” há clara manifestação da RFB à fl. 509, aproveitouse a conversão em diligência, inicialmente destinada a verificar eventual parcelamento, para confirmar a (in)tempestividade. Como resposta, confirmouse tanto a inexistência de parcelamento quanto a intempestividade da peça recursal interposta por “K & F”, em relação à qual, portanto, não se toma conhecimento. Fl. 799DF CARF MF 6 Passase, assim, a seguir, à análise do recurso apresentado por “TROP”, agora sob a nova denominação de “COMEXPORT”, aproveitando a resposta à outra questão ensejadora de diligência, no sentido de esclarecer dúvidas a respeito de outros temas considerados relevantes, relativos à DI paradigma utilizada. Na ocasião da conversão em diligência, assim dispusemos, com acolhida unânime do colegiado: No que se refere à adoção da DI no 10/02453706, da importadora “U”, como parâmetro para detecção da falsidade na assinatura na fatura comercial que instruiu a DI no 10/15359185, objeto da autuação, não se tem maiores dúvidas. No entanto, no que tange à utilização da mesma DI no 10/02453706, da importadora “U”, como paradigma para determinação do preço de mercadoria idêntica ou similar, indago à unidade local, como subsídio ao julgamento preciso do caso, se em pesquisa no SISCOMEX, no período aproximado ao da no 10/15359185 (v.g., até um ano antes ou depois), foram encontradas outras importações de mercadorias idênticas ou similares, do mesmo exportador, e/ou dos mesmos países de origem, ou em quantidades mais próximas àquelas importadas na DI no 10/15359185 (juntandose telas do extrator, preservandose sigilo em relação a CNPJ dos outros importadores) Por fim, peço que a unidade local anexe aos autos (também com preservação do sigilo dos importadores / adquirentes / encomendantes, borrando seu nome / CNPJ) cópias dos extratos das declarações de importação referidas na resposta à pergunta anterior, e resultado do procedimento regular de valoração aduaneira eventualmente efetuado em relação a elas, assim como cópias dos extratos das DI citadas na autuação (tomando se o mesmo cuidado de preservação do sigilo dos importadores). Do resultado da diligência devese dar ciência à empresa “TROP” e à “K & F” (esta última somente no caso de ser atestada a tempestividade de sua peça recursal), para manifestação no prazo previsto no artigo 35 do Decreto no 7.574/2001 (30 dias), retornandose os autos a este CARF, para julgamento, se inexistir demanda por parcelamento dos débitos aqui em discussão. Como relatado, a unidade local da RFB, em resposta, afirmou que: (a) “foram elaborados relatórios para cada um dos países de origem que constam na DI no 10/15359185, uma vez que não foi possível encontrar outras importações do mesmo exportador” (relatórios às fls. 576 a 579 Índia; 580 Irã; 581 Nepal; 582 Paquistão; e 583/584 – Turquia; e extratos das DI às fls. 585 a 691); (b) cada relatório lista declarações de importação de produtos idênticos/similares (TAPETES FEITO À MÃO, COMPOSTO POR 80% Lã E 20% ALGODÃO), em quantidades (peso total da DI), sempre que possível, semelhantes à DI no 10/15359185, registradas até um ano antes ou um ano depois da data de registro da DI no 10/15359185; e (c) os preços declarados nessas DI não foram alvo de procedimento de valoração aduaneira. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 12466.720713/201590 Acórdão n.º 3401005.362 S3C4T1 Fl. 798 7 Retomese, então, o julgamento do processo, recordando que se está a discutir exclusivamente multa no valor aduaneiro (arbitrado) da mercadoria, substitutiva do perdimento, por uso de fatura comercial materialmente falsa, na DI no 10/15359185, registrada em 02/09/2010, na qual foram descritas como importadas as seguintes mercadorias (fls. 8 a 13), todas procedentes do mesmo exportador alemão (“GEBRUDER BOHRANI GMBH”), e tendo como importador por encomenda a “K & F”, e como encomendante predeterminado a “TROP”: Mercadoria descrição NCM VUCV (US$) VMCV (US$) Quantid ade (m2) Peso (Kg) Preço por Kg (US$/Kg) “Tapete 80% lã e 20% algodão, feito a mão, com várias medidas – Origem Índia” 5701.10.11 13,00 29.479,06 2267,62 4.653,38300 6,02 “Tapete 80% lã e 20% algodão, feito a mão, com várias medidas – Origem Irã” 5701.10.11 22,00 17.252,84 784,22 1.609,29786 10,41 “Tapete Tipo KILIM, 80% lã e 20% algodão, feito a mão, com várias medidas – Origem Irã” 5702.10.00 12,00 3.577,68 298,14 611,81309 5,54 “Tapete 80% lã e 20% algodão, feito a mão, com várias medidas – Origem Paquistão” 5701.10.11 14,00 1.124,90 80,35 164,88624 6,51 “Tapete 80% lã e 20% algodão, feito a mão, com várias medidas – Origem Nepal” 5701.10.11 12,00 5.420,88 451,74 927,01565 5,54 “Tapete 80% lã e 20% algodão, feito a mão, com várias medidas – Origem Afeganistão” 5701.10.11 12,50 1.533,50 122,68 251,75163 5,78 “Tapete 80% lã e 20% algodão, feito a mão, com várias medidas – Origem China” 5701.10.11 11,00 2.958,12 268,92 551,85073 5,05 Na fatura comercial (fl. 16), as mercadorias estão descritas de forma mais genérica, mas são compatíveis com o que consta na DI: Fl. 801DF CARF MF 8 No romaneio de carga (packing list) de fls. 18 a 51, os tapetes são individualmente identificados. As mercadorias constantes na DI foram comparadas, pela fiscalização, com as que figuravam na DI no 10/02453706, do mesmo exportador alemão (“GEBRUDER BOHRANI GMBH”), registrada em 12/02/2010 (aproximadamente sete meses antes, e igualmente desembaraçada em canal verde), e que continha tapetes artesanais feitos à mão, com 80% de lã e 20% de algodão, originários do Irã, do Paquistão, e da Turquia (tipo “KELIM”), gerando a tabela de fl. 65, na qual se percebe diferença na relação US$/Kg (da ordem de 22,60; 22,98; e 14,62, respectivamente). E usa a relação entre os preços para arbitrar o valor aduaneiro (tabela de fl. 66). Após intimações para comprovar a existência de fato do exportador, e os documentos comprobatórios da transação comercial, entre outros, a empresa “TROP” apresenta as explicações e documentos de fls. 144 a 191. A fiscalização, entendendo que não foi atendido o demandado nas intimações anteriores, efetua nova intimação, solicitando prova da existência de fato do exportador e cópia consularizada da fatura comercial, “subscrita pela mesma pessoa que assinou a fatura comercial que instruiu a DI, com reconhecimento público de firma aposta na mesma, através de notário publico, acompanhado de confirmação do serviço consular brasileiro no país do exportador”, apresentando a empresa os documentos de fls. 199 a 205. A fiscalização reitera, por fim, apenas a solicitação de apresentação da fatura consularizada original (fl. 207). E pede ainda (fl. 220) registro consularizado do exportador junto aos órgãos governamentais de seu país (Alemanha). Por fim, nada mais é solicitado pela fiscalização aduaneira de Vitória/ES, que passa a juntar ao processo (fls. 250 a 286) documentos de importação de tapetes pela “UNIVENS” (Empresa “U”), do mesmo fornecedor alemão “GEBRUDER BOHRANI GMBH”, aparentemente recebidos da fiscalização aduaneira de Itajaí/SC, e a lavrar a autuação, reservando à parte inicial do relatório anexo um tópico específico (fls. 300 a 302) sobre procedimento especial de controle aduaneiro realizado pela ALF/Itajaí em relação à DI no 11/20888087 (de filial da empresa “TROP”), no qual se comprovou falsidade material na fatura comercial, havendo diferença de assinatura do exportador, e de layout, e que as Fl. 802DF CARF MF Processo nº 12466.720713/201590 Acórdão n.º 3401005.362 S3C4T1 Fl. 799 9 mercadorias custavam menos do que suas matériasprimas, conforme laudo da ABIT, tendo o procedimento culminado em autuação lavrada no processo no 10909.721327/201291, para aplicação da pena de perdimento, mantida judicialmente, e outro tópico (fl. 303) sobre procedimento anterior realizado em Vitória/ES, no qual também teria sido apurada falsidade em fatura e preço abaixo do custo da matériaprima, culminando em autuações nos processos no 12466.720352/201409 9 (sequer julgado pela DRJ), e no 12466.721716/201460 (autuação atualmente cancelada no CARF, pelo Acórdão no 3201003.566). A partir da DI paradigma, da empresa “U” (DI no 10/02453706), que teria mercadorias “semelhantes” (tapetes de mesma composição), e de documentos por ela apresentados, que foram considerados suficientes para atestar a veracidade da fatura correspondente, verificouse discrepância entre a assinatura do exportador, Sr. Gholam Borhani: Assinatura em documento com confirmação de notário naquele caso (fl. 275) Assinatura na fatura da DI em análise neste processo (fl. 275) Os cinco documentos que a fiscalização afirma comprovarem a falsidade material da fatura utilizada na DI no 10/15359185, relacionados às fls. 306/307, e detalhados às fls. 307 a 310, são mormente comparações, atreladas à assinatura, e chamam a atenção para o fato de o tradutor, no caso, ter extrapolado suas funções, ao atestar que estaria autenticada a assinatura de Gholam Borhani, sem que houvesse prova disso. Os demais elementos apontados como “diferenças” entre a fatura da empresa “U” e a utilizada na DI no 10/15359185 se referem a estar o verso em branco em uma (e preenchido em alemão na outra), haver termos em alemão em apenas uma delas (e em inglês na outra), além de diferenças de preços para mercadorias “semelhantes”. Fl. 803DF CARF MF 10 Ocorre que também neste processo há documento proveniente de notário, no qual consta a fatura tida como falsa pela fiscalização (fl. 213): Quanto a este documento, a fiscalização afirma que o notário teria atestado apenas a penúltima folha, à última ligada por um laço, visível na figura. Não consigo acompanhar a fiscalização e, com os elementos apresentados (diferenças em documentos e na assinatura), imputar como materialmente falsa esta ou aquela fatura ou documento. Ao que me parece, a fiscalização, no momento em que se aproximava de uma possível prova técnica de falsidade (a confirmação de que a assinatura de Gholam Borhani constante da fatura não seria aquela apresentada ao fisco), resolveu cessar a ação fiscal e concluir ela própria que o notário teria atestado somente as duas primeiras folhas porque a terceira continha assinatura falsa, em conjectura tecnicamente desamparada. Penso que a diferença de assinatura constitui importante indício, que demanda a verificação por parte da fiscalização, ainda que, nem sempre, conte o procedimento investigatório com colaboração do importador e/u do exportador. Havendo falta de esclarecimento, ou falta de atendimento do demandado pelo fisco, a legislação nacional prevê procedimento específico, no art. 86 da MP no 2.15835/2001: “Art. 86. O valor aduaneiro será apurado com base em método substitutivo ao valor de transação, quando o importador ou o adquirente da mercadoria não apresentar à fiscalização, em perfeita ordem e conservação, os documentos comprobatórios das informações prestadas na declaração de importação, a correspondência comercial, bem assim os respectivos registros contábeis, se obrigado à escrituração.” (grifo nosso) Possível, então, diante da falta de colaboração, caso ela exista, partirse para método substitutivo de valoração, respeitada a sequência estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira do GATT. Não é o que ocorreu no caso, onde entendeu a fiscalização haver falsidade material na fatura comercial (e pagamento doloso a menor de tributos), que, sendo uma fraude, autorizaria, com fundamento no art. 88 da mesma MP no 2.15835/2001, o arbitramento do preço da mercadoria. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 12466.720713/201590 Acórdão n.º 3401005.362 S3C4T1 Fl. 800 11 E segue, então, a fiscalização, arbitrando o preço com base no art. 88, I, que trata de mercadoria idêntica ou similar, entendendo que a DI da empresa “U” (no 10/0245370 6) satisfaz os requisitos para ser utilizada como paradigma, sem qualquer preocupação com as quantidades importadas, com os países de origem, ou com as dimensões dos tapetes. Indubitavelmente imprestável a DI paradigma da empresa “U” para importações de tapetes originários de países diferentes. E, mesmo para os países coincidentes, deveria a fiscalização, em mínimo esforço, ter justificado a identidade, visto que tem (ao menos no presente caso) packing list extremamente detalhado das mercadorias importadas. O que se vê é um procedimento de lançamento pouco estruturado sob o ponto de vista probatório, que não fornece ao julgador a convicção necessária de que houve falsidade material, ou fraude, e que, ainda que viesse a semear alguma dúvida, esta se dissiparia no frágil procedimento adotado para arbitramento de preço. Pelo exposto, sequer é necessário analisar o resultado da diligência, no qual a fiscalização indica outras DI, não tendo nenhuma delas passado por valoração aduaneira – e, portanto, tornada apta a servir de paradigma. De outro lado, são absolutamente improcedentes os argumentos de defesa no sentido de que a autuação teria sido lavrada com erro na eleição do sujeito passivo, visto que tal não houve, de fato, eleição, mas obediência a comando legal: o art. 95 do DecretoLei no 37/1966. A eventual falta de provas sobre a responsabilidade é, no máximo, motivo de improcedência, mas não de nulidade na autuação. Assiste razão, no entanto, à recorrente, quando afirma a imprestabilidade da DI registrada pela empresa “U”, para constituir paradigma para o presente caso. Isso porque, como expusemos, não há coincidência de origem, e as demais coincidências deveriam ao menos ser justificadas/ajustadas (v.g., tamanho, peso quantidade etc.), não se adotando o simples cálculo de uma espécie de “índice de subfaturamento”, extensível a outras mercadorias. Assim, até admitimos que a DI registrada pela empresa “U” poderia constituir paradigma para parte das mercadorias com preço “arbitrado”, mas que a forma adotada pela fiscalização foi incorreta e pouco documentada/justificada. Pelo que se percebe (e lamenta), precária a autuação, embora igualmente deficiente a defesa, que, ademais, sequer ventila tema que aqui somente será recordado por ser de ordem pública: a autuação, que não se presta a exigir tributo, mas penalidade aduaneira, está sujeita à regra decadencial do art. 139 do DecretoLei no 37/1966, e jamais poderia ter sido cientificada ao sujeito passivo mais de cinco anos após a prática da infração, como o foi. De qualquer sorte, entendemos que o lançamento deve ser afastado por carência probatória a cargo da fiscalização, que não se desincumbe de seu dever de investigar e, efetivamente, comprovar sua alegação de falsidade material na fatura comercial, também não adotando procedimento de “arbitramento” de preço plausível, em face da impropriedade da DI paradigma utilizada, e das distinções entre as mercadorias analisadas. Fl. 805DF CARF MF 12 Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso apresentado, para afastar integralmente o lançamento, por carência probatória a cargo do fisco, na imputação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 806DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003753/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
OMISSÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Deve-se declarar em Gfip as parcelas que integram o salário de contribuição. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Numero da decisão: 2301-005.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: João Maurício Vital - Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: OMISSÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Deve-se declarar em Gfip as parcelas que integram o salário de contribuição. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.003753/2008-39
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5904575
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.540
nome_arquivo_s : Decisao_15504003753200839.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : João Maurício Vital - Relator
nome_arquivo_pdf_s : 15504003753200839_5904575.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7430199
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869442805760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 188 1 187 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.003753/200839 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.540 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2018 Matéria MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente CONSTRUTORA ITAMARACÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: OMISSÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Devese declarar em Gfip as parcelas que integram o salário de contribuição. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 37 53 /2 00 8- 39 Fl. 189DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, Debcad nº 37.160.0782, para a cobrança de multa por omissão, em Gfip, dos valores pagos a título de salário in natura no período de 01 a 12 de 2004. O sujeito passivo impugnou a exação sustentando que não estava obrigado a informar os valores em Gfip porque não integrariam o salário de contribuição. O colegiado de origem julgou improcedente a impugnação (efls. 78 a 84). No recurso voluntário (efls. 90 a 98), o sujeito passivo repisou os argumentos da impugnação. Esta turma resolveu, por meio da Resolução nº 2301000.580, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência nos seguintes termos: Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, com encaminhamento dos autos à 3ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho, para decidir sobre a distribuição do processo principal nº 15504.003755/200828, podendo, a seu critério, providenciar a apensação deste processo ao processo principal, ressaltando que somente será dado seguimento ao julgamento deste recurso após proferida decisão nos autos do processo principal. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Observase, ab initio, que, apesar das referências no Relatório Fiscal (efl. 15) a omissões de informações referentes a diferenças de prólabore e obras, o lançamento contém apenas os valores decorrentes da omissão da alimentação paga in natura, cuja incidência de contribuição previdenciária foi objeto do lançamento que consta dos autos do Processo nº 15504.003755/200828. Naquele processo, o lançamento teve por supedâneo fático o fornecimento de refeições e cestas básicas sem que a empresa estivesse inscrita, no período, no PAT. Embora a recorrente tenha afirmado sua filiação ao programa, não logrou apresentar qualquer comprovante de que nele estava regularmente inscrita no ano se 2004, quando ocorreram os fatos geradores do presente lançamento tributário. Pois bem. Esta turma já se deparou com a matéria outras vezes, em composições anteriores do colegiado, e vem decidindo no sentido de aplicar o entendimento exposto no Ato Declaratório nº 3, de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que estabelece: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15504.003753/200839 Acórdão n.º 2301005.540 S2C3T1 Fl. 189 3 (...) fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). (Grifos do original.) Como razões de decidir, reproduzo parte do Acórdão nº 9202005.190, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual a matéria foi unanimemente resolvida: Por meio de despacho, publicado em 24.11.2011, o Ministro da Fazenda aprovou o citado Ato Declaratório nº 03/2011, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Grifo do original.) Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Diante do exposto, dou provimento ao recurso do Contribuinte para, aplicando o Ato Declaratório da PGFN nº 03/2001 excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo Contribuinte os valores despendidos com o fornecimento de refeições dentro do seu estabelecimento, mesmo na ausência de adesão ao PAT. Superada a necessidade de inscrição no PAT para excluir, do salário de contribuição, os valores de alimentos pagos in natura, nada mais sustenta o lançamento da Fl. 191DF CARF MF 4 contribuição previdenciária que está no Processo nº 15504.003755/200828. Ora, se os valores não compõem o salário de contribuição, também não devem ser informados em Gfip, o que torna insubsistente o presente lançamento. Conclusão Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721760/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO POR PRAZO CERTO E SOB CONDIÇÕES. REQUISITOS.
A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo. A isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, foi não foi concedida por prazo certo. A Lei nº 7.713, de 1988, que entrou em vigor em 01/01/1989, revogou a isenção dada pelo decreto-lei. Inexistência de direito adquirido.
VALORES A SEREM RECEBIDOS EM FUNÇÃO DO CUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES DE ESCROW ACCOUNT
Somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, no tocante a rendimentos depositados em escrow account (conta-garantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico, sendo que a tributação de tais valores se dá sob a forma de tributação de ganho de capital na forma do artigo 31 da Instrução Normativa SRF n. 84/01.
Numero da decisão: 2301-005.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, desconhecendo da questão relativa à redução em 50% da multa de ofício em decorrência da imputação dos recolhimentos realizados em 28/12/2012, (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso na questão da isenção das participações adquiridas na vigência do Decreto-lei 1.510, de 1976; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, davam provimento ao recurso voluntário, nessa questão e (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso na questão dos juros recebidos e de sua natureza jurídica para fins de tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Mauricio Vital.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO POR PRAZO CERTO E SOB CONDIÇÕES. REQUISITOS. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo. A isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, foi não foi concedida por prazo certo. A Lei nº 7.713, de 1988, que entrou em vigor em 01/01/1989, revogou a isenção dada pelo decreto-lei. Inexistência de direito adquirido. VALORES A SEREM RECEBIDOS EM FUNÇÃO DO CUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES DE ESCROW ACCOUNT Somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, no tocante a rendimentos depositados em escrow account (conta-garantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico, sendo que a tributação de tais valores se dá sob a forma de tributação de ganho de capital na forma do artigo 31 da Instrução Normativa SRF n. 84/01.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10140.721760/2013-36
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912082
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.377
nome_arquivo_s : Decisao_10140721760201336.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ALEXANDRE EVARISTO PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10140721760201336_5912082.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, desconhecendo da questão relativa à redução em 50% da multa de ofício em decorrência da imputação dos recolhimentos realizados em 28/12/2012, (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso na questão da isenção das participações adquiridas na vigência do Decreto-lei 1.510, de 1976; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, davam provimento ao recurso voluntário, nessa questão e (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso na questão dos juros recebidos e de sua natureza jurídica para fins de tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Mauricio Vital. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7440948
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869457485824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721760/201336 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.377 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF Recorrente MAURA BARBOSA DODERO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO POR PRAZO CERTO E SOB CONDIÇÕES. REQUISITOS. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo. A isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, foi não foi concedida por prazo certo. A Lei nº 7.713, de 1988, que entrou em vigor em 01/01/1989, revogou a isenção dada pelo decretolei. Inexistência de direito adquirido. VALORES A SEREM RECEBIDOS EM FUNÇÃO DO CUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES DE “ESCROW ACCOUNT” Somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, no tocante a rendimentos depositados em escrow account (contagarantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico, sendo que a tributação de tais valores se dá sob a forma de tributação de ganho de capital na forma do artigo 31 da Instrução Normativa SRF n. 84/01. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 17 60 /2 01 3- 36 Fl. 1532DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, desconhecendo da questão relativa à redução em 50% da multa de ofício em decorrência da imputação dos recolhimentos realizados em 28/12/2012, (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso na questão da isenção das participações adquiridas na vigência do Decretolei 1.510, de 1976; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, davam provimento ao recurso voluntário, nessa questão e (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso na questão dos juros recebidos e de sua natureza jurídica para fins de tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Mauricio Vital. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de auto de infração de imposto de renda pessoa física, f. 03, resultante de procedimento de fiscalização dos exercícios 2010 a 2013, anocalendário 2009 a 2012, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 5.838.858,46. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, f. 05, o lançamento de ofício decorre da omissão de rendimentos caracterizada por juros recebidos e ganho de capital na alienação de bens e direitos. Conforme termo de verificação fiscal de f. 22, o sujeito passivo alienou participações nas empresas SEBIVAL SEGURANÇA BANCÁRIA INDUSTRIAL E DE VALORES LTDA, CNPJ 03.269.974/000163 e SETAL SERVIÇOS ESPECIALIZADOS TÉCNICOS E AUXILIARES LTDA CNPJ 03.915.345/000163, e apurou e recolheu parcialmente o imposto sobre o ganho de capital correspondente, bem como o imposto sobre os juros relativos às parcelas do preço postergadas. O ganho de capital e o correspondente imposto devido estão demonstrados no Anexo IV do Termo de Verificação Fiscal, f. 65 dos autos, e os juros recebidos estão demonstrados no Anexo V, f. 69. Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10140.721760/201336 Acórdão n.º 2301005.377 S2C3T1 Fl. 3 3 As multas aplicadas foram qualificadas, conforme consta da Seção VII do Termo de Verificação, f. 52 e seguintes, o que é bem resumido no parágrafo 151.2, f. 58 dos autos: A falta de pagamento ou recolhimento concomitante com a incursão nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 implica na duplicação da multa de 75% prevista no inciso I, o que redunda em multa de 150% (inciso I do caput e § 1º do Art. 44). A ciência do lançamento de deu por via postal em 27/09/2013, conforme aviso de recebimento postal de f. 1405. O sujeito passivo apresentou impugnação em 25/10/2013, f. 1413, com as seguintes contestações ao lançamento: i) Não houve recebimento de juros, posto que somente foi recebido 94,5373% da parcela que cabe à impugnante do preço total de venda; ii) Inexistiram os crimes de sonegação, fraude e conluio e é inaplicável a qualificação da multa; iii) A Auditoria identificou as frações anterior e posterior do capital subscrito ou adquirido até 31/12/1983, mas não utilizou tal informação para aplicar a isenção do DecretoLei n° 1.510/1976; iv) Mesmo tendo havido erro no demonstrativo de alienação da participação societária, o valor informado corresponde a 83,3599% do que deveria ter sido informado; v) Efetuou recolhimentos que devem ser imputados ao débito considerando se a multa de 75%; vi) Deve ser aplicado parcialmente o benefício do DecretoLei 1.510/76, com parcela tributável de 56,58% e junta jurisprudência administrativa e judicial em apoio a à tese de que há direito adquirido à isenção; vii) Quanto aos recebimentos nos anos de 2010, 2011 e 2012, não foram declarados por sua imprevisibilidade à época, visto que correspondiam a garantia para contingências, conforme disposição contratual; viii) Requer a imputação dos recolhimentos efetuados em 28/12/2012 ao débito fiscal; ix) Não houve omissão quanto à alienação da SETAL, vez que considerou o valor total da transação e a declaração apresentada informou ter alienado a totalidade das quotas de capital das duas sociedades; x) A conduta dos membros da família Dodero decorre da aplicação uniforme do entendimento quanto à isenção aplicável, não consistindo em conluio. Por fim, requer: i) Que as parcelas consideradas como juros sujeitos à tabela progressiva sejam tidos como parte do preço de alienação recebido da conta Depósito em Garantia; Fl. 1534DF CARF MF 4 ii) Seja identificada a parcela do ganho de capital não tributável nos termos do art. 4°, alínea “d”, do DecretoLei n° 1.510/1976; iii) Seja feita a imputação dos recolhimentos de IRPF relacionados no parágrafo 106 do Termo de Verificação Fiscal; iv) Seja feita a imputação dos recolhimentos de IRPF relacionados no parágrafo 108 do Termo de Verificação Fiscal, com a redução cabível da multa de 75%; v) Seja deduzido o valor objeto de pedido de parcelamento; vi) A multa de ofício seja reduzida para 75%. O Acórdão da DRJ (fls. 1440 e ss) julgou a impugnação procedente em parte, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO DO DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO PELA LEI Nº 7.713, DE 1988. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE DIREITO ADQUIRIDO. Para as ações adquiridas após a revogação do Decretolei nº 1.510, de 1976, sob a égide da Lei nº 7.713, de 1988, inaplicável o instituto do direito adquirido, para efeito do benefício da isenção do ganho de capital na alienação das ações. A alienação de participação societária adquirida sob a égide do artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não garante o direito à isenção, que pode ser modificada ou revogada, por lei, aplicandose a lei vigente na data da alienação, quando ocorre o fato gerador da obrigação tributária. JUROS Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado do preço de alienação sujeita a ganho de capital, qualquer que seja sua designação não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento. QUALIFICAÇÃO DA MULTA Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10140.721760/201336 Acórdão n.º 2301005.377 S2C3T1 Fl. 4 5 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de condutas previstas para tanto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 791 e ss) reiterando os argumentos trazidos na impugnação. Em 28 de agosto de 2014, a Recorrente apresentou petição (fls. 1465 e ss) informando que parte da exigência foi objeto do parcelamento no processo 10140 722.084/201318, cujo saldo em 25/08/2014, foi liquidado com as reduções previstas na Lei n. 12.996/14, para pagamento à vista, qual seja, redução de 100% da multa de ofício e 45% dos juros, resultando num recolhimento de R$ 390.781,66 conforme comprova a cópia do DARF, que foi apresentada como anexo. Como resultado, a Recorrente entende que deve ser excluída da base de cálculo da multa prevista no §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, o valor do parcelamento do processo 10140722.084/201318. Como consequência, foi emitido termo de desentranhamento (fl. 1472) em virtude do refazimento da planilha de cálculos dos débitos/saldos remanescentes (fls. 1473 e ss). Em Informação Fiscal (fls. 1478 e ss), de 11 de fevereiro de 2015, foi feita a alocação proporcional dos pagamentos feitos pelo Recorrente, nos seguintes termos: “Tratase de Auto de Infração de imposto de renda pessoa física IRPF sobre ganho de capital e omissão de rendimentos dos períodos base 2009, 2010, 2011 e 2012. Na impugnação o contribuinte alega que efetuou pagamentos de IRPF sobre ganho de capital da competência janeiro de 2009 que não foram aproveitados na apuração fiscal. Então, solicita que sejam imputados agora. O acórdão da DRJ decidiu que esse procedimento pode ser realizado pela unidade local. Faremos assim, a apropriação dos pagamentos ao débito pela alocação proporcional, considerando redução de 50% da multa de ofício lançada de 150%, que passa a 75%, haja vista o pagamento no prazo da impugnação. Os pagamentos totalizaram R$ 238.604,729 e foram efetuados no mês de dezembro de 2012. Tanto os pagamentos como o principal foram corrigidos pelo mesmo índice da taxa Selic até outubro de 2013, prazo final da impugnação. Vale observar que a contribuinte realizou parcelamento e deixou em aberto o valor de várias competências. Fl. 1536DF CARF MF 6 Após alocação proporcional, o único saldo alterado foi do PA 01/2009, que passa do valor de R$ 1.417.589,90 para 1.300.791,15. Os demais permanecem inalterados. Posto isso, proponho o retorno do processo à SACAT PF para implementação no sistema e demais providências.”. Em 10 de março de 2015 (fl. 1506), a Recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ. Em 30 de março de 2015, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 1508 e ss) reiterando os argumentos trazidos na impugnação, bem como requerendo que: (i) as parcelas consideradas como “Juros sujeitos à tabela progressiva” sejam tidas como parte integrante do “preço de alienação” recebido da conta de depósito em garanti – “Escrow account”; (ii) o valor correspondente a 43,42% do Ganho de Capital seja considerado como parcela isenta do imposto de renda nos termos do art. 4º, d, do Decretolei n. 1.510/76; e (iii) no cálculo da imputação dos recolhimentos realizados em 28/12/12 seja considerado a multa de ofício no percentual de 75%, com redução de 50%, já que tida como liquidada no prazo de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo, no entanto, não conheço da questão relativa à redução em 50% da multa de ofício em decorrência da imputação dos recolhimentos realizados em 28/12/2012 em função da sua liquidação no prazo de impugnação, uma vez que tal matéria não foi conhecida no Acórdão da DRJ (fl. 1449), conforme pode ser observado no trecho abaixo Conclusão (...) II – Não conhecer dos pedidos de imputação de pagamentos, posto que já feita pela Auditoria ou, no caso de pagamentos após o início do procedimento fiscal, por ser providência a ser adotada pela unidade preparadora, a título de quitação do crédito tributário, se cabível; Assim, entendo que a imputação dos recolhimentos realizada em 28/12/2012 já reconheceu a eventual redução da multa. No tocante às demais argumentos, deles conheço. Da Questão da Isenção das Participações Adquiridas na Vigência do Decretolei nº 1.510/76 O Decretolei nº 1.510/76 determinava em seu artigo 4º, "d", a não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital das pessoas físicas nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10140.721760/201336 Acórdão n.º 2301005.377 S2C3T1 Fl. 5 7 imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 2º O rendimento tributável de acordo com o artigo anterior será determinado pela diferença entre o valor da alienação e o custo de subscrição ou aquisição da participação societária, corrigido monetariamente segundo a variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 3º Considerase valor da alienação: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; b) o valor efetivo da contraprestação nos demais casos de alienação. Parágrafo único. Nos casos de alienação a título gratuito, será sempre imputável à operação o valor real da participação alienada. Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Todavia, tal benefício fiscal foi revogado pelo artigo 58 da Lei nº 7.713/88. O referido benefício visava excluir da tributação os ganhos de capital decorrentes da alienação de participações societárias, após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Sob minha ótica, o benefício fiscal previsto no Decretolei n° 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Dessa forma, se faz fundamental que sejam analisadas se as participações societárias alienadas pelo Recorrente, quando o dispositivo normativo isentivo do Decretolei n° 1.510/76 já não estava mais vigente, cumpriram ou não o requisito de terem permanecido durante mais de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. É importante destacar que caso cumprido tal requisito, tratase de direito adquirido do contribuinte e não de expectativa de direito, uma vez que se o prazo de cinco anos foi atendido, o Recorrente já fazia jus à isenção do Decretolei n° 1.510/76. Considerando que o artigo 58 da Lei nº 7.713/88, norma que revogou o dispositivo normativo isentivo do Decretolei n° 1.510/76, entrou em vigor em 01/01/1989 e que o Decretolei nº 1.510/76 condiciona a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital a participação societária ter permanecido durante 5 anos sob a propriedade do alienante, as ações e quotas adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por ele até 01/01/1989 farão jus à isenção do Decretolei nº 1.510/76. Fl. 1538DF CARF MF 8 Dessa forma, em todos os casos do Recorrente em que as ações ou quotas foram adquiridas até 31/12/1983 e alienadas em um período posterior a 01/01/1989, haverá isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital. Vale lembrar ainda o texto da Súmula 544, que dispõe que isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. Cumpre ressaltar, ainda, o texto da Solução de Consulta n. 505 do Cosit de 17 de outubro de 2017, que assim dispõe: Solução de Consulta nº 505 Cosit 17 de outubro de 2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1° de janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei nº 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Dispositivos Legais: art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976; art. 178 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) Assim, com relação às aquisições que tenham ocorrido até 31/12/1983 e que tenham sido objeto da presente autuação por terem sido alienadas nos exercícios de 2010, 2011, 2012 e 2013, isto é, aquelas marcadas como "fração anterior" no Relatório de Fiscalização (fls. 35), estas serão isentas do imposto de renda sobre ganho de capital, tendo em vista que o contribuinte permaneceu com sua participação societária por mais de cinco anos, durante a vigência do DecretoLei nº 1.510/1976, e tratase de direito adquirido, uma vez que foram cumpridos os requisitos legais para fruição da isenção prevista no referido DecretoLei. Da Questão dos Juros Recebidos e de sua Natureza Jurídica para fins de Tributação Argumenta a Recorrente que não recebeu juros, uma vez que recebeu apenas parcialmente o preço de venda acertado, e que tal rendimento apenas ocorreria a partir do momento em que os recebimentos superassem o valor daquele preço. Vale lembrar que de acordo com o Contrato de Compra e Venda da Sebival e da Setal (fls. 97 e seguintes), o preço total da compra é R$ 110 milhões (fls. 110), sendo que R$ 95 milhões foram pagos à vista e R$ 15 milhões foram depositados em conta de depósito em garantia. Segundo a cláusula 9.10 do referido contrato (fl. 155), o montante depositado visa garantir que eventuais danos sejam indenizados por esse montante, de modo que os vendedores irão receber o referido montante líquido das indenizações pagas em virtude de danos cujos fatos geradores são anteriores à aquisição das empresas. Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 10140.721760/201336 Acórdão n.º 2301005.377 S2C3T1 Fl. 6 9 Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, cumpre notar a redação do artigo 19, §1º, da Instrução Normativa SRF nº 84/01, que assim dispõe: Art. 19 . Considerase valor de alienação: (...) § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. Dessa forma, valores recebidos a título de reajuste no caso de pagamento parcelado não compõe o valor da alienação e devem ser tributados como juros, tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório. Como exemplo de valores a título de reajuste, a norma se refere a juros e a reajuste de parcelas. Vale notar que a tributação de tal reajuste acaba sendo de acordo com a tabela progressiva do IRPF, cuja alíquota máxima é de 27,5%, ao passo que a tributação do ganho de capital, à época dos períodos autuados, se baseava na aplicação de alíquota fixa de 15% sobre o montante do ganho de capital. Todavia, também se faz necessário citar o artigo 31 da Instrução Normativa SRF nº 84/01, que assim dispõe: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. Assim, se a alienação geradora do ganho de capital é feita a prazo, o ganho de capital é calculado como se a venda tivesse sido feita á vista, no entanto, o imposto sobre o ganho de capital (calculado à alíquota de 15%) é pago na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subsequente ao do recebimento. Como se vê, a depender do enquadramento jurídico do valor recebido pela Recorrente, a tributação aplicável será totalmente diferente, isto é, aplicarseá à tributação pela tabela progressiva do IRPF se for entendido que se trata de valor de reajuste, ou se aplicará a tributação de 15% a título de IRPF sobre ganho de capital se for entendido que se trata de alienação a prazo. Fl. 1540DF CARF MF 10 Somese a isso o fato de que existe resposta para questão parecida com a da Recorrente no “Perguntão” da Receita Federal. A título de exemplo, citamos aqui a resposta do “Perguntão” relativa ao último exercício objeto da autuação, isto é, 2013: 555 Como devem ser tributados os resultados obtidos em alienações de participações societárias quando o preço não pode ser predeterminado? Quando não houver valor determinado, por impossibilidade absoluta de quantificálo de imediato (ex.: a determinação do valor das prestações e do preço depende do faturamento futuro da empresa adquirida, no curso do período do pagamento das parcelas contratadas), o ganho de capital deve ser tributado na medida em que o preço for determinado e as parcelas forem pagas. Não obstante ser indeterminado o preço de alienação, tomase como data de alienação a da concretização da operação ou a data em que foi cumprida a cláusula preestabelecida nos atos contratados sob condição suspensiva. Contudo, alertese que o tratamento descrito deve ser comprovado pelas partes contratantes sempre que a autoridade lançadora assim o determinar. (PMF nº 454, de 1977; PMF nº 227, de 1980) Assim, a própria Receita Federal demonstra entendimento de que valores relacionados ao preço que não podem ser determinados de forma prédeterminada são tributados como ganho de capital na medida em que o preço for determinado e as parcelas forem pagas, de modo que embora não exista menção expressa, a Receita Federal do Brasil parece ter se inclinado mais pela aplicação do artigo 31 da Instrução Normativa SRF nº 84/01 do que pela aplicação do artigo 19, §1º, da Instrução Normativa SRF nº 84/01. Destaquese, ainda, que a resposta à questão 555 do “Perguntão” do exercício 2013 traz exemplo expresso de situação em que não é possível identificar o preço de imediato, que é o caso quando a determinação do valor das prestações e do preço depende do faturamento futuro da empresa adquirida, no curso do período do pagamento das parcelas contratadas. Tal modalidade de cláusula variável do preço de venda de uma “empresa” com base em seu faturamento futuro é comumente denominada no mercado como “earn out”, de forma que parte do preço será aumentada na medida do desempenho da “empresa” vendida. Por sua vez, no caso em tela, a cláusula variável do preço de venda de uma “empresa” tem por base o cumprimento de determinadas condições, de modo que cumprida tais condições ao longo de um determinado tempo, o vendedor fará jus à parcela do preço previamente depositada em uma “escrow account”. O momento de tributação do ganho de capital de parcela do preço de venda depositada em “escrow account” já foi objeto inclusive da Solução de Consulta n. 58/2013 do Cosit, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ganho de capital. “Escrow account”. Tributação. Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 10140.721760/201336 Acórdão n.º 2301005.377 S2C3T1 Fl. 7 11 Somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, no tocante a rendimentos depositados em “escrow account” (conta garantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 43 e 114 a 117; Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), arts. 121, 125 e 126; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), arts. 117, § 2º; 123, § 6º, e 140, § 1º; Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, arts. 19, § 3º, e 31. Após acurada análise sobre a natureza jurídica do “escrow account”, do potencial conflito entre os já citados artigos 19, §1º e 31 da Instrução Normativa SRF nº 84/01 e até da pergunta n. 555 do “Perguntão”, a Solução de Consulta n. 58/2013 do Cosit conclui que “somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, no tocante a rendimentos depositados em escrow account (conta garantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico, nos termos da legislação suso colacionada”. Ocorre que, no caso concreto, a partir da análise dos "Valores Recebidos pelos Vendedores pela Alienação das Quotas da Sebival e da Setal" (fls. 60), verificase que a autuação fiscal já havia segregado os montantes recebidos a título de principal (ganho de capital) e a título de juros. Diante de todo o exposto, os valores depositados na "escrow account" recebidos conforme o cumprimento das condições já estão tendo a tributação de ganho de capital, de modo que a autuação somente se refere aos valores recebidos como juros. Nesse sentido, a tributação dos juros aqui entendidos como parcelas de reajuste do principal serão tributadas pela tabela progressiva do IRPF, nos termos do artigo 19, §1º, da Instrução Normativa SRF nº 84/01. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, darlhe parcial provimento reconhecendo a isenção da parcela marcada como "fração anterior" no Relatório de Fiscalização (fls. 35) uma vez que a contribuinte teria permanecido com sua participação societária por mais de cinco anos, durante a vigência do DecretoLei nº 1.510/1976. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro João Mauricio Vital – Redator Designado. Fl. 1542DF CARF MF 12 Ouso discordar do sempre brilhante conselheiro relator. Como bem explicou, o DecretoLei nº 1.510, de 1976, estabelecia que seriam isentos de Imposto de Renda sobre o ganho de capital os ganhos auferidos em as operações de venda de ações que houvessem permanecido por cinco anos em poder do alienante. A Lei nº 7.713, de 1988, que entrou em vigor em 01/01/1989, revogou a isenção dada pelo decretolei. O relator sustentou, porém, que, havendo adimplido o requisito do prazo previsto no DecretoLei nº 1.510, de 1976, antes de sua revogação, o sujeito passivo teria garantido o seu direito à isenção, ainda que a alienação das ações viesse a ocorrer já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Ora, o benefício concedido pela regra isentiva do DecretoLei nº 1.510, de 1976, não era por prazo certo, apenas exigia que o contribuinte mantivesse suas ações pelo período mínimo de cinco anos. Estavase, pois, diante de uma isenção concedida sob condição, mas por prazo indeterminado, pois o diploma não definia a data de vigência do benefício. A Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a revogação da isenção1, desde que não tenha sido concedida por prazo certo e em função de determinadas condições2. Observe que o legislador empregou a conjunção aditiva "e" para caracterizar que a vedação à revogação da isenção somente ocorre quando as duas características do benefício estiverem presentes: ser concedido 1) por prazo certo e 2) sob condição. Em uma interpretação histórica, essa opção do legislador fica tanto mais óbvia. A redação original do art. 178 do CTN empregava a conjunção alternativa "ou", mas a Lei Complementar nº 24, de 7 de janeiro de 1975, deu nova redação ao dispositivo tãosomente para substituir a conjunção alternativa pela conjunção aditiva. Não há, então, dúvidas de que o legislador pretendeu condicionar a revogação de isenções somente quando o benefício houvesse sido concedido por prazo certo e, também, sob condições. Portanto, ao revogar a isenção do DecretoLei nº 1.510, de 1976, que havia sido concedida sob condição, mas sem prazo certo, a Lei nº 7.713, de 1988, extinguiu a possibilidade de fruição do benefício a partir de sua vigência. Desse modo, não há que se falar em direito adquirido. Não descuro da existência da Súmula STF nº 544, cujo enunciado é: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. Porém, o enunciado é de 10/12/1969 e os julgado precedente mais recente é de 27/12/1968. Ou seja, é bem anterior à alteração legislativa do art. 178 do CTN, que ocorreu em 1975. Por ocasião do estabelecimento da súmula, o texto legal deixava evidente que a isenção concedida apenas sob condição não poderia ser revogada, porque essa era a redação do art. 178 do CTN. 1 Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: ..................................... III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. 2 Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10140.721760/201336 Acórdão n.º 2301005.377 S2C3T1 Fl. 8 13 A despeito do enunciado, é necessário verificar os julgados que aplicaram o entendimento sumulado após a novação normativa para bem compreender o seu alcance. Nesse sentido, ilustro com as ementas seguintes, com destaques meus: RE 91291 / SP, de 21/08/1979 ISENÇÃO TRIBUTARIA. ISENÇÃO POR PRAZO CERTO. REVOGAÇÃO. A ISENÇÃO POR PRAZO CERTO E EM FUNÇÃO DE DETERMINADAS CONDIÇÕES NÃO PODE SER REVOGADA PELA LEI POSTERIOR, SOB PENA DE CONTRARIEDADE AO ART. 178 DO CTN. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO. RE 582926 AgR/CE, de 10/05/2011 EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO CONDICIONADA E DEFERIDA A PRAZO CERTO. LIVRE SUPRESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 544 DO STF. ALEGADA OFENSA AO ART. 97 DA CF. INEXISTÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. I – O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que a isenção tributária, quando concedida por prazo certo e mediante o atendimento de determinadas condições, gera direito adquirido ao contribuinte beneficiado. Incidência da Súmula 544 do STF. II – A obediência à cláusula de reserva de plenário não se faz necessária quando houver orientação consolidada do STF sobre a questão constitucional discutida. III Agravo regimental improvido. AI 861261 AgR / MG, de 18/11/2014 EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. SUDENE. BENEFÍCIO CONCEDIDO SOB CONDIÇÃO. IRREVOGABILIDADE DURANTE O PERÍODO PREVISTO NO ATO DECLARATÓRIO. É firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que a isenção tributária concedida por prazo certo e sob condição onerosa gera direito adquirido ao contribuinte beneficiado. O acolhimento da pretensão demandaria verificar, em concreto, a inexistência dos requisitos e pressupostos necessários ao gozo do incentivo. Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a controvérsia posta nestes termos demanda o reexame da legislação infraconstitucional aplicável ao caso. Agravo regimental a que se nega provimento. Portanto, tendo, o sujeito passivo, alienado as ações quando já não vigia o DecretoLei nº 1.510, de 1976, não estava amparado pela isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital, razão pela qual entendo que o lançamento é, também nesse ponto, procedente. Em tudo o mais, concordo com o relator. É como voto. Fl. 1544DF CARF MF 14 (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Fl. 1545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910737/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.108
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.910737/2008-93
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911843
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.108
nome_arquivo_s : Decisao_10880910737200893.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880910737200893_5911843.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7439468
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869463777280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910737/200893 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.108 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 37 /2 00 8- 93 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910737/200893 Acórdão n.º 3201004.108 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.898, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910737/200893 Acórdão n.º 3201004.108 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910737/200893 Acórdão n.º 3201004.108 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910737/200893 Acórdão n.º 3201004.108 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910737/200893 Acórdão n.º 3201004.108 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910737/200893 Acórdão n.º 3201004.108 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001320/2004-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA.
A pessoa jurídica que aufere receita das atividades de instalação de ponto de rede e manutenção em linhas telefônicas está impedida de optar pelo Simples, por caracterizar, prestação de serviço profissional de engenheiro.
Numero da decisão: 1001-000.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. A pessoa jurídica que aufere receita das atividades de instalação de ponto de rede e manutenção em linhas telefônicas está impedida de optar pelo Simples, por caracterizar, prestação de serviço profissional de engenheiro.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13984.001320/2004-34
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897621
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.750
nome_arquivo_s : Decisao_13984001320200434.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13984001320200434_5897621.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7409377
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869466923008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 114 1 113 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.001320/200434 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.750 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria Simples Federal Recorrente Longino Ribeiro Bastos ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. A pessoa jurídica que aufere receita das atividades de instalação de ponto de rede e manutenção em linhas telefônicas está impedida de optar pelo Simples, por caracterizar, prestação de serviço profissional de engenheiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório DRF/LAG n° 557.560, de 02 de agosto de 2004 (efl. 13), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 13 20 /2 00 4- 34 Fl. 114DF CARF MF 2 tributária em questão, no caso, prestação de serviços assemelhados a engenharia, por força do artigo 9°, inciso XIII, da Lei 9.317/96. Por bem resumir o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida (efl. 34): A empresa manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS n° 09205/557.560, fls. 01/02, com pedido de revisão do ato em rito sumário. A decisão administrativa considerou improcedente a SRS, fl. 12, ao argumento de que a requerente alegou matéria de direito. Cientificada em 19/10/2004, fl. 14, a optante em 12/11/2004 apresentou manifestação de inconformidade, fls. 16/19, com as alegações abaixo sintetizadas. Discorre sobre a exclusão retroativa efetuada de oficio contra a qual se insurge. Ressalta que presta serviço de consertos e reparos em aparelhos telefônicos. Argúi que essa atividade não é vedada, uma vez que não presta serviços profissionais de engenheiro ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida (inciso XIII do art. 90 da Lei n° 9.317, de 1996). Alega que não está sujeita à inscrição no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CREA. Ressalta que sua atividade está contida no permissivo legal previsto na Lei n° 10.964, de 28 de outubro de 2004. Com o objetivo de sustentar o instrumento jurídico de que quer se socorrer interpreta a legislação de regência, citando entendimentos jurisprudenciais. Em face do exposto requer o cancelamento do ato de exclusão. É o Relatório. A 4ª Turma da DRJ/BH indeferiu a manifestação de Inconformidade, através do acórdão n. 0216.047 (efls. 33/35) afastando as questões suscitadas. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/11/2007 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 03/12/2007 (efl. 39), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e requer ainda que sejam apensados todos os documentos e demais itens do processo n° 13984.001320/200434, especialmente aqueles juntados pela Recorrente, quando da apresentação de sua defesa em 1° Grau. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13984.001320/200434 Acórdão n.º 1001000.750 S1C0T1 Fl. 115 3 Quanto ao mérito, o artigo 9°, inciso XIII, e art. 13, II, "a" da Lei n.° 9.317/96, prescrevem sobre o impedimento da opção e à obrigatoriedade da exclusão quando constatado que houve opção indevida: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida" (Destaquei)". (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II Obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Já os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 01/10/2002 conforme o disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°; Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. E no mesmo sentido deve atenção a autoridade administrativa aos dispositivos legais, não cabendo seu afastamento por apelo à doutrina ou à jurisprudência não vinculante ou decisões das quais a Recorrente não tenha sido parte. Em especial sobre a decisão do CREA isentandoa de multa asseveramos que aquela decisão também não vincula esta autoridade administrativa tributária, uma vez que nestes autos avaliase os efeitos do exercício de atividade de engenharia para os efeitos de subsunção na Lei 9.317/96, ou seja, tratase aqui de dispositivos e instâncias diversas da tratada naquele processo /CREA. Fl. 116DF CARF MF 4 Da análise dos documentos fiscais juntados a estes autos n. 13984.001320/200434 (efls. 10/12) não há como dizer que o contribuinte prescindiria de conhecimento de profissional da área de engenharia, ou a ele assemelhado, para o exercício de suas atividades de instalação e manutenção de redes telefônicas. Devese assentar o fato de que basta o exercício da prestação dos serviços relacionados no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96, com supervisão, assinatura ou execução por profissional regulamentado ou não, para que a opção pelo Simples seja vedada. Diante disso, mesmo que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não qualificada, a pessoa jurídica não poderá permanecer no regime simplificado, porquanto se trata do exercício de atividades vedadas à opção pela sistemática. No tocante à alegação do contribuinte de que sua exclusão não poderia ser retroativa, é de se registrar, de início, que o fato de a contribuinte ter efetuado opção, sem que houvesse manifestação do Fisco já naquele momento, não impede a apreciação posterior da legalidade daquele ato, haja vista que essa opção é faculdade do próprio contribuinte, que a exerce se e quando o quiser, sujeitandose, apenas, à fiscalização posterior da Receita Federal, tendente a verificar a regularidade da opção, uma vez que somente os contribuintes que atendam às condições previstas na lei podem exercer esse direito. Portanto, quando o Fisco apura que a empresa optou indevidamente pelo regime simplificado pode, e deve, excluílo de tal sistemática. Assim, apenas nesse momento, e não antes, a Receita Federal praticará ato comunicando o contribuinte da irregularidade que cometeu, que é exatamente o ato de exclusão de que trata este processo. Quanto aos efeitos da exclusão da sistemática do Simples, sobreleva lembrar que o art. 73, da Medida Provisória n° 215834, de 27/07/2001, convalidada pela MP 2.158/35, de 24/08/2001, ainda vigente por força da Emenda Constitucional n° 32, alterou a redação do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, passando a haver autorização legislativa para que a exclusão se dê com efeitos retroativos à data da situação excludente, conforme se constata de seus termos: Por fim destaco que a atividade cujo exercício foi comprovado pelos documentos fiscais não constaram na Lei n° 10.964, de 28 de outubro de 2004, que trouxe diversas exceções à restrição de que trata o inciso XIII do art. da Lei n 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13984.001320/200434 Acórdão n.º 1001000.750 S1C0T1 Fl. 116 5 Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.903721/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITOS DE PIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS DE PIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10280.903721/2012-70
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906390
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.953
nome_arquivo_s : Decisao_10280903721201270.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10280903721201270_5906390.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7437600
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869469020160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.903721/201270 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.953 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria Pedido de Ressarcimento PIS/COFINS Recorrente PESQUEIRA MAGUARY LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS DE PIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 37 21 /2 01 2- 70 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10280.903721/201270 Acórdão n.º 3301004.953 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS não cumulativa/o. Intimada a transmitir os arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração acima indicado, a empresa não atendeu. Através de Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado.” Inconformada com a decisão, a empresa interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: a) O Auditor Fiscal, em momento algum, afirma não existir o crédito pleiteado pela contribuinte, mas apenas limitouse a indeferir o pedido de restituição, sustentando que a contribuinte não entregou seus arquivos digitais, documentos indispensáveis para apuração do referido crédito. b) Em 03/10/2011 foi encaminhado ofício SEORT/DRF/BEL n. 7.162/2011 intimando a apresentar por meio magnético, cópia das notas fiscais de entrada que originaram os direitos creditórios de PIS e COFINS nos anos de 2005 a 2010 e planilha em Excel com os direitos creditórios apurados mensalmente no período de 2005 a 2010. c) Impossibilitada de apresentar tais documentos de forma digital, a contribuinte procurou o Auditor Fiscal responsável à época, (...), que informou que deveria entregar as notas fiscais em cópias físicas, bastando acompanhálas de um CD com arquivo em Excel informando todas as notas entregues. Não trouxe provas. d) Diante disso, a intimação realizada por meio do ofício SEORT/DRF/BEL/n° 7.162/2011 foi integralmente cumprida, conforme pode ser observado por meio dos documentos ora anexados. e) Importante ressaltar que, o próprio Auditor Fiscal, (...) determinou em despacho de próprio punho que a empresa não tinha a necessidade de apresentar os documentos referentes a 2005 e 2006." Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10280.903721/201270 Acórdão n.º 3301004.953 S3C3T1 Fl. 4 3 A DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 01029.121. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.952, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.952): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente protocolizou Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da COFINS do 4° trimestre de 2005. O PER foi indeferido (fl. 13), pois não atendeu à intimação (fls. 11/12) para apresentar os correspondentes arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010. Em ambas as peças de defesa, alegou que a DRF não afirmou que não existia o crédito, limitandose a negar o pedido, em razão da não apresentação de arquivos digitais. Adicionalmente, informou que compareceu à DRF, para comunicar que não tinha condições de apresentar tais documentos. Na ocasião, foi solicitado, alternativamente, que entregasse cópias das notas fiscais e CD, com arquivo em Excel, informando as notas fiscais entregues. É ônus do contribuinte comprovar o direito que alega deter (art. 373 do Código Processo Civil). E, como nos autos, não há qualquer documento que possa comprovar a existência e legitimidade dos créditos da COFINS pleiteados, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10280.903721/201270 Acórdão n.º 3301004.953 S3C3T1 Fl. 5 4 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
